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Um Brasil mais vulnerável no século XXI (Pesquisa Fapesp)

Projeções apontam aumento do risco de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra e secas extremas, nas próximas décadas 

MARCOS PIVETTA | ED. 249 | NOVEMBRO 2016

CAPA_Desastres_249_info 1Fora da rota dos grandes furacões, sem vulcões ativos e desprovido de zonas habitadas sujeitas a fortes terremotos, o Brasil não figura entre os países mais suscetíveis a desastres naturais. Ocupa apenas a 123ª posição em um índice mundial dos países mais vulneráveis a cataclismos. Mas a aparência de lugar seguro, protegido dos humores do clima e dos solavancos da geologia, deve ser relativizada. Aqui, cerca de 85% dos desastres são causados por três tipos de ocorrências: inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas. Esses fenômenos são relativamente recorrentes em zonas tropicais e seus efeitos podem ser atenuados, em grande medida, por políticas públicas de redução de danos. Nas últimas cinco décadas, mais de 10.225 brasileiros morreram em desastres naturais, a maioria em inundações e devido à queda de encostas. As estiagens duradouras, como as comumente observadas no Nordeste, são, no entanto, o tipo de ocorrência que provoca mais vítimas não fatais no país (ver Pesquisa FAPESP nº 241).

Dois estudos baseados em simulações climáticas feitos por pesquisadores brasileiros indicam que o risco de ocorrência desses três tipos de desastre, ligados ao excesso ou à falta de água, deverá aumentar, até o final do século, na maioria das áreas hoje já afetadas por esses fenômenos. Eles também sinalizam que novos pontos do território nacional, em geral adjacentes às zonas atualmente atingidas por essas ocorrências, deverão se transformar em áreas de risco significativo para esses mesmos problemas. “Os impactos tendem a ser maiores no futuro, com as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e de sua população e a ocupação de mais áreas de risco”, comenta José A. Marengo, chefe da Divisão de Produtos Integrados de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que coordenou as simulações climáticas. Parte dos resultados das projeções já foi divulgada em congressos e relatórios, como o documento federal enviado em abril deste ano à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), e serve de subsídio para direcionar as estratégias do recém-criado Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. Mas dados mais detalhados das simulações vão sair em um artigo científico já aceito para publicação na revista Natural Hazards e em trabalhos destinados a outros periódicos.

Arredores da usina de Sobradinho, Bahia: estiagens devem atingir outras partes do país nas próximas décadas

Expansão das secas
De acordo com os estudos, as estiagens severas, hoje um problema de calamidade pública quase sempre associado a localidades do Nordeste, deverão se intensificar também no oeste e parte do leste da Amazônia, no Centro-Oeste, inclusive em torno de Brasília, em pontos dos estados do Sudeste e até no Sul. “Embora parte do Nordeste seja naturalmente mais árido, a seca não se deve apenas ao clima”, afirma o engenheiro civil Pedro Ivo Camarinha, pesquisador do Cemaden. “A vulnerabilidade da região se dá também por uma série de problemas de ordem socioeconômica, de uso do solo e devido à baixa capacidade de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.” A carência de políticas públicas específicas para enfrentar os meses de estiagem, o baixo grau de escolaridade da população e a escassez de recursos são alguns dos fatores citados pelos autores como determinantes para aumentar a exposição de parcelas significativas do Nordeste a secas futuras.

A vulnerabilidade a inundações e enxurradas tende a se elevar em 30% nos três estados do Sul, na porção meridional do Mato Grosso e em boa parte da faixa litorânea do Nordeste, segundo um cenário projetado para 2100 pelas simulações climáticas. No estado de São Paulo, o mais populoso do país, a intensificação da ocorrência de enchentes-relâmpago, aquelas originadas após poucos minutos de chuvas torrenciais, deverá ser mais modesta, da ordem de 10%, mas ainda assim significativa. No Brasil Central, a vulnerabilidade a enchentes deverá cair, até porque as projeções indicam menos chuvas (e mais secas) em boa parte da região. “Os modelos divergem sobre o regime futuro de chuvas no oeste da Amazônia”, explica Marengo, cujos estudos se desenvolveram em parte no âmbito de um projeto temático da FAPESP. “Um deles aponta um aumento expressivo na frequência de inundações enquanto o outro sinaliza um cenário de estabilidade ou de leve aumento de enchentes.”

O padrão de deslizamento de terra, associado à ocorrência de chuvas intensas ou prolongadas por dias, deverá seguir, grosso modo, as mesmas tendências verificadas com as inundações, ainda que em um ritmo de crescimento mais moderado. O aumento na incidência de quedas de encostas deverá variar entre 3% e 15% nos lugares hoje já atingidos por esse tipo de fenômeno. O destaque negativo recai sobre a porção mais meridional do país. As áreas sujeitas a deslizamentos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná deverão se expandir e abarcar boa parte desses estados até 2100. No Sudeste, a região serrana na divisa entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais deverá se tornar ainda mais vulnerável a esse tipo de desastre. “Precisamos implementar com urgência políticas públicas nas regiões mais vulneráveis a inundações e deslizamentos de terra”, afirma o geógrafo Nathan Debortoli, coautor dos estudos, que hoje faz estágio de pós-doutorado na Universidade McGill, do Canadá. “A maior exposição às mudanças climáticas pode tornar a sobrevivência inviável em algumas regiões do país.”

Enchente de 2014 em União da Vitória (SC): Sul deverá ser palco de mais inundações

Para gerar as projeções de risco futuro de desastres, foram usados dois modelos climáticos globais, o HadGEM2 ES, desenvolvido pelo Centro Hadley, da Inglaterra, e o Miroc5, criado pelo centro meteorológico japonês. Acoplado a eles, rodou ainda o modelo de escala regional Eta, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trabalhando dessa forma, os autores conseguiram avaliar os padrões predominantes do clima futuro que estão associados à ocorrência de desastres naturais em áreas de, no mínimo, 400 quilômetros quadrados, um quadrado com os lados de 20 quilômetros de extensão.

Mais convergências que divergências
Os resultados fornecidos pelos dois modelos climáticos são semelhantes para cerca de 80% do território nacional. Isso dá robustez às projeções. O modelo inglês é usado há mais de 10 anos em simulações feitas por climatologistas brasileiros, que têm boa experiência acumulada com ele. O japonês começa agora a ser empregado com mais frequência. Há, no entanto, algumas discordâncias nas simulações de longo prazo geradas pelos dois modelos. A lista, por exemplo, dos 100 municípios mais vulneráveis a episódios de seca nas próximas três décadas fornecida pelas simulações do HadGEM2 ES é diferente da obtida com o Miroc5. As cidades de maior risco ficam, segundo o modelo japonês, em quatro estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. As fornecidas pelo modelo inglês se encontram, em sua maioria, em outros estados do Nordeste e também no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais. “Com exceção desses exemplos extremos, as projeções dos dois modelos coincidem em grande medida”, comenta Camarinha. No caso dos fenômenos hídricos, a discrepância mais significativa diz respeito ao regime de chuvas na Amazônia, em especial nos estados do oeste da região Norte (Acre, Amazonas e Rondônia). O HadGEM2 ES projeta mais chuvas — portanto, risco aumentado de inundações e deslizamentos — e o Miroc5, menos. “Prever as chuvas na Amazônia ainda é um desafio para os modelos”, afirma Marengo.

Para quantificar o risco futuro de ocorrer desastres naturais em uma área, é preciso ainda incluir nas simulações, além das informações climáticas, uma série de dados locais, como as condições econômicas, sociais e ambientais dos mais de 5.500 municípios brasileiros e de sua população. Ao final dos cálculos, cada área é classificada em um de cinco níveis de vulnerabilidade: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta. “O modelo escolhido, a qualidade dos dados de cada cidade e o peso que se dá a cada variável influenciam no índice final obtido”, explica Camarinha.

CAPA_Desastres_249_info 2O peso do homem
Além da suscetibilidade natural a secas, enchentes, deslizamentos e outros desastres, a ação do homem tem um peso considerável em transformar o que poderia ser um problema de menor monta em uma catástrofe. Os pesquisadores estimam que um terço do impacto dos deslizamentos de terra e metade dos estragos de inundações poderiam ser evitados com alterações de práticas humanas ligadas à ocupação do solo e a melhorias nas condições socioeconômicas da população em áreas de risco.

Moradias precárias em lugares inadequados, perto de encostas ou em pontos de alagamento; infraestrutura ruim, como estradas ou vias que não permitem acesso fácil a zonas de grande vulnerabilidade; falta de uma defesa civil atuante; cidades superpopulosas e impermeabilizadas, que não escoam a água da chuva – todos esses fatores não naturais, da cultura humana, podem influenciar o desfecho final de uma situação de risco. “Até hábitos cotidianos, como não jogar lixo na rua, e o nível de solidariedade e coesão social de uma população podem ao menos mitigar os impactos de um desastre”, pondera a geógrafa Lucí Hidalgo Nunes, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp). “Obviamente, há desastres naturais tão intensos, como os grandes terremotos no Japão, que nem mesmo uma população extremamente preparada consegue evitar. Mas a recuperação nos países mais estruturados é muito mais rápida.”

Em seus trabalhos, os pesquisadores adotaram um cenário global até o final do século relativamente pessimista, mas bastante plausível: o RCP 8.5, que consta do quinto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Esse cenário é marcado por grandes elevações de temperatura e recrudescimento tanto de chuvas como de secas intensas. No caso do Brasil, as projeções indicam que o país deverá ficar ao menos 3 ºC mais quente até o fim do século e que as chuvas podem aumentar até 30% no Sul-Sudeste e diminuir até 40% no Norte-Nordeste. As mudanças climáticas devem tornar mais frequentes os chamados eventos extremos, que podem se manifestar de diferentes formas: secas prolongadas, picos de temperatura, tempestades mais intensas, chuvas prolongadas por vários dias, ressacas mais fortes. Essas ocorrências aumentam o risco de desastres. “Não é, por exemplo, só uma questão da quantidade de chuva que cai em um lugar”, explica Marengo. “Às vezes, a quantidade pode até não mudar, mas a distribuição da chuva ao longo do tempo se altera e essa mudança pode gerar mais desastres.” Numa cidade como São Paulo, chover 50 milímetros no decorrer de três ou quatro dias dificilmente causa danos. Mas, se a pluviosidade se concentrar em apenas uma tarde, provavelmente ocorrerão alagamentos.

CAPA_Desastres_249_info 3Para testar o grau de confiabilidade do índice de vulnerabilidade, os pesquisadores brasileiros compararam os resultados obtidos pelos modelos com os registros reais de desastres do passado recente (1960 a 1990), compilados pelo Atlas brasileiro de desastres naturais. Dessa forma, foi possível ter uma boa ideia se os modelos eram, de fato, úteis para prever as áreas onde ocorreram inundações, deslizamentos de terra e secas no Brasil durante as últimas décadas. Os dados do atlas também serviram de termo de comparação, como base presente para se quantificar o aumento ou a diminuição da vulnerabilidade futura de uma área a desastres. Para estiagem, as simulações do Miroc5 se mostraram geralmente mais confiáveis na maior parte do território nacional. No caso das enchentes e deslizamentos de terra, o HadGEM2 ES forneceu previsões mais precisas para áreas subtropicais e montanhosas, no Sul e Sudeste, e o Miroc5, para o resto do país. A Amazônia, como já destacado, foi o alvo de discórdia.

Um trabalho com metodologia semelhante à empregada pelos estudos de Marengo e de seus colaboradores, mas com enfoque apenas na situação atual, sem as projeções de aumento ou diminuição de risco futuro, foi publicado em abril no International Journal of Disaster Risk Reduction. Em parceria com pesquisadores alemães, o geógrafo Lutiane Queiroz de Almeida, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), calculou um conjunto de índices que apontaria o risco de ocorrer desastres naturais em cada município do país. Denominado Drib (Disaster risk indicators in Brazil), o indicador é uma adaptação do trabalho feito em escala mundial pela Universidade das Nações Unidas e instituições europeias (ver mapa e texto às páginas 22 e 23). Além de levar em conta dados sobre o risco de secas, enchentes e deslizamentos de terra, o Drib inclui em seu índice a exposição dos municípios costeiros ao aumento do nível do mar. Para esse tipo de problema, as cidades que se mostraram em maior perigo foram Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo, Santos (SP) e Salvador (BA).

Almeida produziu índices de vulnerabilidade para os principais tipos de desastre em todo o território nacional e um número final, o Drib, que indicaria o risco geral de um lugar para a ocorrência de eventos extremos. Chamou a atenção a classificação de praticamente todo o território do Amazonas e do Acre e de metade do Pará como áreas de risco muito elevado, com populações socialmente vulneráveis e expostas a inundações. Entre os 20 municípios com pior desempenho no índice Drib, 12 são da região Norte. Os demais são do Nordeste (seis) e do Sudeste (dois). “Esses municípios têm pequenas populações, entre 3 mil e 25 mil habitantes, alta exposição a desastres e baixa capacidade adaptativa”, comenta o geógrafo da UFRN. “O estudo aponta que apenas 20% dos municípios brasileiros estão bem preparados para mitigar os impactos e reagir imediatamente a eventos extremos.” Em geral, essa é uma característica das regiões Sul e Sudeste.

Deslizamento em Nova Friburgo (RJ) em 2011: alta vulnerabilidade a desastres

Tragédias que se repetem
Muito antes das discussões atuais sobre as mudanças climáticas, os cataclismos naturais despertam interesse no homem. Os desastres são um capítulo trágico da história da humanidade desde tempos imemoriais. Alegado castigo divino, o mítico dilúvio global que teria acabado com a vida na Terra, com exceção das pessoas e animais que embarcaram na arca de Noé, é uma narrativa presente no Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento cristão e do Tanach, o conjunto de textos sagrados do judaísmo. Supostas inundações gigantescas e catastróficas, antes e depois da publicação do Gênesis, aparecem em relatos de várias culturas ao longo dos tempos, desde os antigos mesopotâmicos e gregos até os maias centro-americanos e os vikings. As antigas cidades romanas de Pompeia e Herculano foram soterradas pela lava do monte Vesúvio na famosa erupção de 79 d.C. e, estima-se, cerca de 2 mil pessoas morreram. Dezessete anos antes, essa região da Campania italiana já havia sido afetada por um terremoto de menor magnitude. “Costumamos dizer que, se um desastre já ocorreu em um lugar, ele vai se repetir, mais dia ou menos dia”, comenta Lucí.

Projeto
Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option (nº 2008/58161-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais – Temático (Acordo FAPESP/CNPq – Pronex); Pesquisador responsável José A. Marengo (Cemaden); Investimento R$ 812.135,64.

Artigos científicos
DEBORTOLI, N. S et al. An index of Brazil’s vulnerability to expected increases in natural flash flooding and landslide disasters in the context of climate change. Natural Hazards. No prelo.
ALMEIDA, L. Q. et alDisaster risk indicators in Brazil: A proposal based on the world risk index. International Journal of Disaster Risk Reduction. 17 abr. 2016.

Brasil tem de modernizar pecuária para combater mudança do clima (Folha de S.Paulo)

Marcelo Leite

30/10/2016  02h00

As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%O As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%. Apu Gomes/Folhapress

Brasil deu uma rasteira no clima do planeta em 2015. No ano em que se aprovou o Acordo de Paris para conter o aquecimento global, o país aumentou, em vez de diminuir, a produção de gases do efeito estufa. A maior parte da culpa cabe à agropecuária.

Não poderia ser pior a notícia divulgada na quarta-feira (26) pelo Sistema de Estimativa de Emissão de Gases do Efeito Estufa, da rede de ONGs Observatório do Clima.

As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%. Em geral, essas coisas andam juntas: para produzir mais, gasta-se mais energia, que no mundo todo é a principal fonte de gases que, como o CO2, ajudam a aquecer a atmosfera por impedir a dissipação de radiação de origem solar.

Não no Brasil. Aqui a atividade que mais contribui para agravar o efeito estufa é a mudança do uso da terra. Grosso modo, desmatamento, com a Amazônia à frente.

A destruição de florestas responde, sozinha, por 46% de toda a poluição climática lançada pelos brasileiros em 2015. Segundo o Seeg, o desmatamento emitiu o equivalente a 875 milhões do total de 1,9 bilhão de toneladas de CO2.

Quando a floresta é derrubada para abrir espaço a campos e pastos, toda a biomassa que havia ali –troncos, folhas, raízes etc.– acaba chegando à atmosfera na forma de compostos de carbono que agravam o aquecimento global. Queimadas e apodrecimento são os principais processos.

Isso não é tudo. As plantações e o gado, além de provocar desmatamento, também originam emissões na própria atividade, como o famigerado “arroto da vaca” (metano proveniente da fermentação entérica ou digestão de celulose).

Noves fora, a agropecuária representa 69% –mais de dois terços– de todas as emissões nacionais. É muita coisa para um setor que empregava menos de 17 milhões de pessoas em 2006 (último censo do setor) e, em 2015, respondeu por 21% do PIB brasileiro.

Só agricultura e pecuária tiveram produção em alta no ano passado. Indústria e serviços recuaram, atrofiando a demanda por energia e transporte, outras fontes importantes de gases do efeito estufa. Com isso, cresceu a participação relativa das mudanças no uso da terra.

Além do mais, o desmatamento cresceu também em termos absolutos. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na Amazônia –onde estão as maiores florestas do Brasil– o aumento foi de 24%. Partimos de 5.012 km2 em 2014 para 6.207 km2 de floresta perdida em 2015 (área correspondente a quatro municípios de São Paulo).

A pecuária bovina sozinha, com seus 215 milhões de cabeças, foi a causa do equivalente a 240 milhões de toneladas de CO2, em 2015, só com a fermentação entérica. Isso dá 12,6% das emissões brasileiras.

Na média a pecuária de corte no Brasil utiliza uma cabeça por hectare. Dobrando ou triplicando essa baixíssima produtividade, sobretudo por meio da recuperação de pastos, dá para reduzir a emissão de carbono a quase zero.

Criar bois “verdes” é a bola da vez. O Brasil é capaz de fazer isso, com regulação, tecnologia e crédito, assim como aumentou a produtividade no cultivo de grãos e derrubou a taxa de desmatamento de 2005 para cá (ainda que ela esteja subindo de novo).

‘Relatório sobre 1,5ºC trará dilema moral’ (Observatório do Clima)

Vice-presidente do IPCC afirma que próximo documento do grupo, em 2018, pode apresentar a escolha entre salvar países-ilhas e usar tecnologias incipientes de modificação climática

O próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, encomendado para 2018, pode apresentar à humanidade um dilema moral: devemos lançar mão em larga escala de tecnologias ainda não testadas e potencialmente perigosas de modificação do clima para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC? Ou devemos ser prudentes e evitar essas tecnologias, colocando em risco a existência de pequenas nações insulares ameaçadas pelo aumento do nível do mar?

Quem expõe a dúvida é Thelma Krug, 65, diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e vice-presidente do painel do clima da ONU. Ela coordenou o comitê científico que definiu o escopo do relatório e produziu, no último dia 20, a estrutura de seus capítulos. A brasileira deverá ter papel-chave também na redação do relatório, cujos autores serão escolhidos a partir de novembro.

O documento em preparação é um dos relatórios mais aguardados da história do IPCC. É também único pelo fato de ser feito sob encomenda: a Convenção do Clima, na decisão do Acordo de Paris, em 2015, convidou o painel a produzir um relatório sobre impactos e trajetórias de emissão para limitar o aquecimento a 1,5oC, como forma de embasar cientificamente o objetivo mais ambicioso do acordo. A data de entrega do produto, 2018, coincidirá com a primeira reunião global para avaliar a ambição coletiva das medidas tomadas contra o aquecimento global após a assinatura do tratado.

Segundo Krug, uma das principais mensagens do relatório deverá ser a necessidade da adoção das chamadas emissões negativas, tecnologias que retirem gases-estufa da atmosfera, como o sequestro de carbono em usinas de bioenergia. O problema é que a maior parte dessas tecnologias ou não existe ainda ou nunca foi testada em grande escala. Algumas delas podem envolver modificação climática, a chamada geoengenharia, cujos efeitos colaterais – ainda especulativos, como as próprias tecnologias – podem ser quase tão ruins quanto o mal que elas se propõem a curar.

Outro risco, apontado pelo climatólogo britânico Kevin Anderson em comentário recente na revista Science, é essas tecnologias virarem uma espécie de desculpa para a humanidade não fazer o que realmente precisa para mitigar a mudança climática: parar de usar combustíveis fósseis e desmatar florestas.

“Ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas”, disse Krug. “Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.”

Ela disse esperar, por outro lado, que o relatório mostre que existem tecnologias maduras o suficiente para serem adotadas sem a necessidade de recorrer a esquemas mirabolantes.

“Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas”, afirmou, lembrando que, quanto mais carbono cortarmos rápido, menos teremos necessidade dessas novas tecnologias.

Em entrevista ao OC, concedida dois dias depois de voltar do encontro do IPCC na Tailândia e minutos antes de embarcar para outra reunião, na Noruega, Thelma Krug falou sobre suas expectativas para o relatório e sobre os bastidores da negociação para fechar seu escopo – que opôs, para surpresa de ninguém, as nações insulares e a petroleira Arábia Saudita.

A sra. coordenou o comitê científico que definiu o índice temas que serão tratados no relatório do IPCC sobre os impactos de um aquecimento de 1,5oC. A entrega dessa coordenação a uma cientista de um País em desenvolvimento foi deliberada?

O IPCC decidiu fazer três relatórios especiais neste ciclo: um sobre 1,5oC, um sobre oceanos e um sobre terra. O presidente do IPCC [o coreano Hoesung Lee] achou por bem que se formasse um comitê científico e cada um dos vice-presidentes seria responsável por um relatório especial. Então ele me designou para o de 1,5oC, designou a Ko Barrett [EUA] para o de oceanos e o Youba [Sokona, Mali] para o de terra. O comitê foi formado para planejar o escopo: número de páginas, título, sugestões para cada capítulo. E morreu ali. Por causa da natureza do relatório, que será feito no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, houve também a participação de duas pessoas da área de ciências sociais, de fora do IPCC. Agora, no começo de novembro, sai uma chamada para nomeações. Serão escolhidos autores principais, coordenadores de capítulos e revisores.

Quantas pessoas deverão produzir o relatório?

No máximo cem. Considerando que vai ter gente do birô também. Todo o birô do IPCC acaba envolvido, são 30 e poucas pessoas, que acabam aumentando o rol de participantes.

A sra. vai participar?

Participarei, e participarei bastante. Os EUA fizeram um pedido para que o presidente do comitê científico tivesse um papel de liderança no relatório. Isso porque, para esse relatório, eu sinto algo que eu não sentia tanto para os outros: se não fosse eu acho que seria difícil. Porque teve muita conversa política.

Quando um país levanta uma preocupação, eu tenho de entender mais a fundo onde a gente vai ter que ter flexibilidade para construir uma solução. Eu acho que foi muito positivo o fato de o pessoal me conhecer há muitos anos e de eu ter a liberdade de conversar com uma Arábia Saudita com muita tranquilidade, de chegar para as pequenas ilhas e conversar com muita tranquilidade e tentar resolver as preocupações.

Por exemplo, quando as pequenas ilhas entraram com a palavra loss and damage [perdas e danos], para os EUA isso tem uma conotação muito política, e inaceitável para eles no contexto científico. No fórum científico, tivemos de encontrar uma forma que deixasse as pequenas ilhas confortáveis sem mencionar a expressão loss and damage, mas captando com bastante propriedade aquilo que eles queriam dizer com isso. Acabou sendo uma negociação com os autores, com os cientistas e com o pessoal do birô do painel para chegar numa acomodação que deixasse a todos satisfeitos.

E qual era a preocupação dos sauditas?

Na reunião anterior, que definiu o escopo do trabalho, a gente saiu com seis capítulos bem equilibrados entre a parte de ciências naturais e a parte de ciência social. Por exemplo, essa parte de desenvolvimento sustentável, de erradicação da pobreza, o fortalecimento do esforço global para tratar mudança do clima. E os árabes não queriam perder esse equilíbrio. E as pequenas ilhas diziam que o convite da Convenção foi para fazer um relatório sobre impactos e trajetórias de emissões.

Mas as ilhas estavam certas, né?

De certa maneira, sim. O que não foi certo foi as ilhas terem aceitado na reunião de escopo que o convite fosse aceito pelo IPCC “no contexto de fortalecer o esforço global contra a ameaça da mudança climática, do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Eles abriram o escopo.

A culpa não foi de ninguém, eles abriram. A partir do instante em que eles abriram você não segura mais. Mas isso requereu também um jogo de cintura para tirar um pouco do peso do desenvolvimento sustentável e fortalecer o peso relativo dos capítulos de impactos e trajetórias de emissões.

Essa abertura do escopo enfraquece o relatório?

Não. Porque esse relatório vai ter 200 e poucas páginas, e cem delas são de impactos e trajetórias. Alguns países achavam que já havia muito desenvolvimento sustentável permeando os capítulos anteriores, então por que você ia ter um capítulo só para falar de desenvolvimento sustentável? Esse capítulo saiu de 40 páginas para 20 para justamente fortalecer a contribuição relativa de impactos e trajetórias do relatório. E foi uma briga, porque as pequenas ilhas queriam mais um capítulo de impactos e trajetórias. Esse relatório é mais para eles. Acima de qualquer coisa, os mais interessados nesse relatório são as pequenas ilhas.

Um dos desafios do IPCC com esse relatório é justamente encontrar literatura sobre 1,5oC, porque ela é pouca. Em parte porque 1,5oC era algo que as pessoas não imaginavam que seria possível atingir, certo?

Exato.

Porque o sistema climático tem uma inércia grande e as emissões do passado praticamente nos condenam a 1,5oC. Então qual é o ponto de um relatório sobre 1,5oC?

O ponto são as emissões negativas. O capítulo 4 do relatório dirá o que e como fazer. Faremos um levantamento das tecnologias existentes e emergentes e a agilidade com que essas tecnologias são desenvolvidas para estarem compatíveis em segurar o aumento da temperatura em 1.5oC. Vamos fazer uma revisão na literatura, mas eu não consigo te antecipar qualquer coisa com relação à forma como vamos conseguir ou não chegar a essas emissões negativas. Mas é necessário: sem elas eu acho que não dá mesmo.

A sra. acha, então, que as emissões negativas podem ser uma das grandes mensagens desse novo relatório…

Isso já ocorreu no AR5 [Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2013 e 2014]. Porque não tinha jeito, porque você vai ter uma emissão residual. Só que no AR5 não tínhamos muita literatura disponível.

Quando se vai falar também da velocidade com a qual você consegue implementar essas coisas… o relatório também toca isso aí no contexto atual. Mas, no sufoco, essas coisas passam a ter outra velocidade, concorda? Se você demonstrar que a coisa está ficando feia, e está, eu acho que isso sinaliza para o mundo a necessidade de ter uma agilização maior no desenvolvimento e na implementação em larga escala de tecnologias que vão realmente levar a emissões negativas no final deste século.

Nós temos esse tempo todo?

Para 1,5oC é bem complicado. Em curto prazo, curtíssimo prazo, você precisa segurar as emissões, e aí internalizar o que você vai ter de emissões comprometidas. De tal forma que essas emissões comprometidas estariam sendo compensadas pelas tecnologias de emissões negativas. Esse é muito o meu pensamento. Vamos ver como isso acabará sendo refletido no relatório em si.

Haverá cenários específicos para 1,5oC rodados pelos modelos climáticos?

Tem alguma coisa nova, mas não tem muita coisa. Eles devem usar muita coisa que foi da base do AR5, até porque tem de ter comparação com 2oC. A não ser que rodem de novo para o 2oC. Precisamos entender o que existe de modelagem nova e, se existe, se ela está num nível de amadurecimento que permita que a gente singularize esses modelos para tratar essa questão nesse novo relatório.

Há cerca de 500 cenários para 2oC no AR5, e desses 450 envolvem emissões negativas em larga escala.

Para 1,5oC isso vai aumentar. Para 1,5oC vai ter de acelerar a redução de emissões e ao mesmo tempo aumentar a introdução de emissões negativas nesses modelos.

Há alguns dias o climatologista Kevin Anderson, diretor-adjunto do Tyndall Centre, no Reino Unido, publicou um comentário na revista Science dizendo que as emissões negativas eram um “risco moral por excelência”, por envolver competição por uso da terra, tecnologias não testadas e que vão ter de ser escaladas muito rápido. A sra. concorda?

Eu acho que essa questão de geoengenharia é uma das coisas que vão compor essa parte das emissões negativas. E aí talvez ele tenha razão: o mundo fica assustado com as coisas que vêm sendo propostas. Porque são coisas loucas, sem o amadurecimento necessário e sem a maneira adequada de se comunicar com o público. Mas vejo também que haverá tempo para um maior amadurecimento disso.

Mas concordo plenamente que ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas. Mas esse é meu ponto de vista. Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.

Deixe-me ver se entendi o seu ponto: a sra. acha que há um risco de essas tecnologias precisarem ser adotadas e escaladas sem todos os testes que demandariam num cenário ideal?

Fica difícil eu dizer a escala disso. Sem a gente saber o esforço que vai ser possível fazer para cortar emissões em vez de ficar pensando em compensar muito fortemente o residual, fica difícil dizer. Pode ser que já haja alguma tecnologia amadurecida antes de começar a pensar no que não está amadurecido. Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas.

Agora, entre você falar: “Não vou chegar a 1,5oC porque isso vai exigir implementar tecnologias complicadas e que não estão amadurecidas” e isso ter uma implicação na vida das pequenas ilhas… isso também é uma preocupação moral. É um dilema. Eu tenho muita sensibilidade com a questão de geoengenharia hoje. E não sou só eu. O IPCC tem preocupação até em tratar esse tema. Mas é a questão do dilema. O que eu espero que o relatório faça é indicar o que precisa ser feito. Na medida em que você vai fazendo maiores reduções, você vai diminuindo a necessidade de emissões negativas. É essa análise de sensibilidade que os modelos vão fazer.

Observatório do Clima

Pope Francis’s edict on climate change has fallen on closed ears, study finds (The Guardian)

Hailed as a significant call for action, the pope’s encyclical has not had the anticipated rallying effect on public opinion, researchers have found

Pope Francis environmental activists

Knowledge of the pope’s encyclical, called Laudato Si’, did not appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change, the study found. Photograph: Bullit Marquez/AP

 

The pope’s call for action on climate change has fallen on closed ears, research suggests.

A study by researchers in the US has found that right-leaning Catholics who had heard of the pope’s message were less concerned about climate change and its effects on the poor than those who had not, and had a dimmer view of the pope’s credibility.

“The pope and his papal letter failed to rally any broad support on climate change among the US Catholics and non-Catholics,” said Nan Li, first author of the research from Texas Tech University.

“The conservative Catholics who are cross-pressured by the inconsistency between the viewpoints of their political allies and their religious authority would tend to devalue the pope’s credibility on this issue in order to resolve the cognitive dissonance that they experience,” she added.

Issued in June 2015, Pope Francis’s encyclical, called Laudato Si’, warned of an “unprecedented destruction of ecosystems” if climate change continues unchecked and cited the scientific consensus that human activity is behind global warming.

Research conducted on the eve of the announcement found that 68% of Americans and 71% of US Catholics believe in climate change, with Democrats more likely than Republicans to believe in the issue, put it down to human causes and rate it as a serious problem.

The pontiff’s comments were seen by many as a significant call for action in the battle against climate change, focusing on the moral need to address the impact of humans on the planet. “Pope Francis is personally committed to this [climate] issue like no other pope before him. The encyclical will have a major impact,” said Christiana Figueres, the UN’s climate chief, at the time.

But new research published in the journal Climatic Change suggests that the encyclical might not have had the anticipated rallying effect on public opinion.

In a nationally representative survey of 2,755 individuals across the US, including more than 700 Catholics, researchers quizzed individuals on their attitudes towards climate change, its effects on the poor and papal credibility on the issue, together with questions on their political views and demographics such as age, sex and ethnicity. The team found that 22.5% of respondents said they had either heard of the pope’s message or his plans for the letter.

Overall, the team found that members of the public who identified as politically liberal, whether Catholic or not, were more likely to be concerned about climate change and perceive climate change as disproportionately affecting the poor than those who identified as conservative.

But knowledge of the papal letter did not overall appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change.

Instead, the researchers found that the effects of awareness of the letter were small, although awareness was linked to more polarised views. For both Catholics and non-Catholics, conservatives who were aware of the letter were less likely to be concerned about climate change and its risk to the poor, compared to those who had not. The opposite trend was seen among liberals.

But, the authors say, among both conservative Catholics and non-Catholics who had heard of the encyclical, the pontiff’s perceived credibility decreased as political leaning veered to the right.

“For people who are most conservative, the Catholics who are aware of the encyclical give the pope 0.5 less than Catholics who aren’t aware of the encyclical on a one to five scale,” said Li.

The researchers say it is not clear if the increased polarisation is caused by hearing about the encyclical or, for example, if more politically engaged individuals were simply more likely to be aware of the papal letter.

“In sum, while [the] pope’s environmental call may have increased some individuals’ concerns about climate change, it backfired with conservative Catholics and non-Catholics, who not only resisted the message but defended their pre-existing beliefs by devaluing the pope’s credibility on climate change,” the authors write.

The results chime with the reaction to the papal stance by conservative media and a number of prominent individuals, including former presidential candidate Jeb Bush who rebuffed the pope’s message, saying: “I don’t get economic policy from my bishops or my cardinal or my pope.”

Neil Thorns, director of advocacy at the Catholic aid agency Cafod, said: “Laudato Si’ was a wake-up call on how we’re treating our planet and its people which unsurprisingly – although disappointingly – some climate deniers and those with vested interests were not willing to hear.”

Uncertainty in Brazil, Vitality in Its Art (New York Times)

SÃO PAULO, Brazil — Biennial art exhibitions were founded in the 1890s at almost the same time as the Olympics, and they serve a similar purpose: to bring attention to the cities that host them and the nations that participate in them. But where the Olympics are still a rather contained affair, art biennials are proliferating like art fairs, becoming homogeneous and forgettable.

The 32nd São Paulo Biennial, through Dec. 11, consciously tries to buck this trend by positioning itself as locally sensitive and globally pertinent. And its timing is perfect. On the heels of the Rio Olympics and the impeachment of Brazil’s president Dilma Rousseff, the exhibition embraces, rather than denies, the problems of the region.

Organized by Jochen Volz, the show includes 81 artists from 33 countries. Its title, “Incerteza Viva” — translated as “Live Uncertainty” — refers to political instability, climate change, huge disparities of wealth, migration and other international problems, but also suggests art’s ability to thrive in the unknown and suggest visionary solutions.

This is particularly true on the first floor of the pavilion built by Oscar Niemeyer, which showcases Brazilian art with an international context: The artist Bené Fonteles has erected a “terreiro,” or ceremonial structure made of clay with a thatched roof, in an attempt to connect traditional Brazilian practices with contemporary art ones.

Objects used by an indigenous shaman sit alongside photos of Marcel Duchamp and John Lennon and Yoko Ono and a copy of João Guimarães-Rosa’s novel “Grande Sertão: Veredas” (1956) — in English, it was “The Devil to Pay in the Backlands”— a masterpiece of modern Brazilian literature. (Incorporating archaic dialects, it has been compared to Joyce’s “Finnegans Wake.”)

One of the most beautiful works in the Biennial is Jonathas de Andrade’s “The Fish” (2016), in which he filmed fishermen in the mangroves of northeast Brazil who still use traditional methods like nets and harpoons. For the video, Mr. de Andrade had the fishermen hold a caught fish to their chests, as if cradling a baby, until it takes its last breath.

At the São Paulo Biennial, the artist Bené Fonteles has erected a “terreiro,” or ceremonial structure made of clay with a thatched roof, in an attempt to connect traditional Brazilian practices with contemporary art ones.Credit Leo Eloy/Estúdio Garagem/Fundação Bienal de São Paulo. 

The video is a shockingly intimate depiction of life, death and the relationship of predator and prey — but also a reminder of our connection with other species — a fact that gets lost in the hyper-industrialized world.

The Brazilian director Leon Hirszman’s films from the 1970s documenting rural laborers singing as they work expand upon this idea. Mr. Hirszman describes the songs, which relieved boredom and shaped the rhythm and movements of the work, as “endangered” cultural products. You can’t sing, after all, over the sounds of industrial machines — or in your corporate cubicle.

Folk art and craft-based practices, often seen as an antidote to digital culture and social media, have been very popular on the biennial circuit in recent years. Folk-inspired art here includes Gilvan Samico’s prints influenced by mythology and carving in northeastern Brazil, and the visionary 1950s and ’60s work by Oyvind Fahlstrom, a Swedish multimedia artist who championed concrete poetry — a visual way of finding liberation through patterns of words and typography. The neo-hippie installation by Wlademir Dias-Pino, “Brazilian Visual Encyclopedia” (1970-2016), is a wild compendium of collages made with found materials.

The Biennial organizers stress that “Live Uncertainty” was intended to interact with the surrounding Ibirapuera Park, a habitat for indigenous tribes before the Europeans arrived. But even nature is a contested term these days, especially in Brazil, where the rain forest and grasslands were seen as obstacles to be conquered. Even Niemeyer, the architect whose futuristic buildings are scattered throughout the park, originally planned to pave over the area in an attempt to tame (if symbolically) Brazil’s unruly wilderness.

The exhibition includes installations by Pia Lindman and Ruth Ewan, which incorporate live plants, and Eduardo Navarro’s sculptural megaphone, which twists out the window to let visitors talk to a palm tree. Brazilian wood — often seen as “exotic” and hence harvested to the brink of extinction — earns a category of the Biennial unto itself.

Carolina Caycedo’s excellent video looks at how river development has affected communities in Brazil’s interior. In Rachel Rose’s video, an astronaut, David Wolf, describes how it’s harder to acclimate to Earth, with its overwhelming smells of grass and air, and gravity, than to outer space.

Jochen Volz, the curator of the São Paulo Biennial, which continues through Dec. 11.CreditNelson Almeida/Agence France-Presse — Getty Images 

 

What started in the ’90s as “identity art,” the idea that an individual’s identity consists of multiple factors, including gender, race, ethnicity, class and sexuality, has now blossomed into investigations of “the post-human,” which could mean a robot or an extraterrestrial.

Lyle Ashton Harris provides some grounding of these cultural shifts in his beautiful assemblage of photographs from this American artist’s journals intertwined with video. Much of his archive is from the late ’80s and ’90s, coinciding with landmark events such as the Black Popular Culture Conference in 1991, the truce between the Crips and the Bloods in 1992 and the Black Nations/Queer Nations conference in 1995.

Cecilia Bengolea and Jeremy Deller’s video highlights a competitive dancer in Jamaican dancehall music culture, echoing the importance of popular music and identity that reverberates throughout the show.

Another tic of biennials is their expansionist tendency: Tired of the white cube, artists and curators would rather inhabit shops, hospitals, schools. This seems like a democratic move, but it often functions in just the opposite way, expending a huge amount of viewers’ time and energy.

“Live Uncertainty” remains mostly — thankfully — in the pavilion. One outside work included William Pope.L’s roving performance with a small contingent of local dancers, which took place over three days. Performers moved through the city in costumes inspired by debutante festivals. They made a sharp contrast with demonstrators who were springing up, too, protesting the president’s impeachment.

Biennials are now given the impossible task of making sense not only of contemporary art but also contemporary history, politics, philosophy, economics, the environment and beyond — all the while remaining sensitive to local culture and cognizant of global developments.

With this tall order, “Live Uncertainty” does an admirable balancing act, arguing for the vitality of indigenous knowledge and experience, and of wisdom drawn from the people who inhabited this hemisphere long before Europeans arrived. Given the current climate of uncertainty in Brazil, this makes more than a little good sense.

Brazil ratification pushes Paris climate deal one step closer (Nature)

NATURE | TREND WATCH

Country joins top emitters United States and China in joining the agreement this month.

Jeff Tollefson

14 September 2016

Zuma Press/eyevine

São Paulo, Brazil: the country accounts for 2.5% of global carbon emissions.

Brazil, one of the world’s leading greenhouse-gas emitters, ratified the Paris climate pact on 12 September, adding to growing momentum to bring the 2015 agreement into force before the end of this year.

The agreement had received a significant boost earlier this month when the United States and China — by far the world’s leading emitters — formally joined on 3 September.

The Paris deal seeks to hold warming ‘well below’ 2°C above pre-industrial temperatures. For it to take effect, 55 countries accounting for 55% of global emissions must ratify or otherwise formally join the accord. Countries can ratify, accept or approve the deal, depending on their domestic processes.

So far, 28 countries representing 41.5% of global emissions have joined up, and no one knows precisely what combination of countries might push the agreement over the threshold.

At least 58 countries have committed to join by the end of the year, but many of those are island states and other small emitters, says Eliza Northrop, who is tracking the process for the World Resources Institute, an environmental think tank in Washington DC. So the question is how quickly some of the other major emitters will come through, including India, Japan, South Korea, Mexico and Canada.

“It’s a bit of a puzzle at this point, but I feel very confident that it will enter into force this year,” says Northrop.

Less clear is whether the agreement will take effect before the next round of climate negotiations in Marrakech, Morocco, in November. For that to happen, other major emitters would need to ratify the Paris pact by 7 October, because it only enters into force 30 days after the ‘55/55’ threshold has been met.

One of the biggest challenges comes from the European Union, where each country must go through its own legislative procedures before the negotiating bloc can sign off as a whole. But there is little doubt that the Paris agreement will take effect in record time. By comparison, the Paris deal’s predecessor, the 1997 Kyoto Protocol, didn’t enter into force for more than seven years after it was adopted.

Nature doi:10.1038/nature.2016.20588

66% das emissões brasileiras de CO2 vêm de atividade agropecuária (Folha de S.Paulo)

Phillippe Watanabe

06/09/2016

O desmatamento, de modo isolado, libera as emissões de gases

A agropecuária é a responsável pela maior parte da emissão de gases estufa no Brasil. Quando considerados desmatamento para atividade agropecuária e o exercício direto dela, a porcentagem das emissões chega a cerca de 66%.

Os dados são do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases Estufa), realizado pelo OC (Observatório do Clima). O relatório, lançado nesta terça (6), na sede do SOS Mata Atlântica, analisa a evolução histórica das emissões brasileiras.

Considerando dados referentes ao ano de 2014, de forma direta, 23% das emissões de CO2 no Brasil são provenientes da agropecuária. Dentro desse universo, 76% das emissões estão relacionadas à pecuária, sendo 64% derivados do consumo de carne (bovinos de corte), segundo dados da Imaflora, parte do OC.

A mudança de uso da terra é líder de emissões no país, com cerca 42%. O termo, de forma geral, se refere aos desmatamentos, normalmente associados à atividade agropecuária. Esse tipo de emissão somado aos 23% emitidos diretamente pela ação agropecuária alcançam o valor aproximado de 66%.

Segundo dados do Imazon, também parte do OC, com uma melhor aplicação da legislação ambiental atual seria possível aumentar a arrecadação em mais de R$ 1 bilhão por ano.

A energia é a segunda colocada entre as fontes dos gases estufa, com 26%. Essas emissões vêm crescendo anualmente, em parte por conta da crise na produção de energia hidrelétrica.

Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, que também faz parte do OC, quase metade (46%) das emissões relacionadas à energia estão associadas ao transporte, tanto de carga quanto de passageiros.

FUTURO

Os dados levantados pelo OC mostram que o Brasil, caso cumpra os compromissos firmados no Acordo de Paris, como restauração e reflorestamento de matas, recuperação de pastos, entre outros, conseguirá reduzir as emissões de gases estufa mais do que o planejado no INDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas).

“O nosso estudo aponta que dá para ser mais ambicioso”, afirma Tasso de Azevedo, coordenador do Seeg.

Global climate models do not easily downscale for regional predictions (Science Daily)

Date:
August 24, 2016
Source:
Penn State
Summary:
One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to climate researchers who caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to Penn State climate researchers.

“The impacts of climate change rightfully concern policy makers and stakeholders who need to make decisions about how to cope with a changing climate,” said Fuqing Zhang, professor of meteorology and director, Center for Advanced Data Assimilation and Predictability Techniques, Penn State. “They often rely upon climate model projections at regional and local scales in their decision making.”

Zhang and Michael Mann, Distinguished professor of atmospheric science and director, Earth System Science Center, were concerned that the direct use of climate model output at local or even regional scales could produce inaccurate information. They focused on two key climate variables, temperature and precipitation.

They found that projections of temperature changes with global climate models became increasingly uncertain at scales below roughly 600 horizontal miles, a distance equivalent to the combined widths of Pennsylvania, Ohio and Indiana. While climate models might provide useful information about the overall warming expected for, say, the Midwest, predicting the difference between the warming of Indianapolis and Pittsburgh might prove futile.

Regional changes in precipitation were even more challenging to predict, with estimates becoming highly uncertain at scales below roughly 1200 miles, equivalent to the combined width of all the states from the Atlantic Ocean through New Jersey across Nebraska. The difference between changing rainfall totals in Philadelphia and Omaha due to global warming, for example, would be difficult to assess. The researchers report the results of their study in the August issue of Advances in Atmospheric Sciences.

“Policy makers and stakeholders use information from these models to inform their decisions,” said Mann. “It is crucial they understand the limitation in the information the model projections can provide at local scales.”

Climate models provide useful predictions of the overall warming of the globe and the largest-scale shifts in patterns of rainfall and drought, but are considerably more hard pressed to predict, for example, whether New York City will become wetter or drier, or to deal with the effects of mountain ranges like the Rocky Mountains on regional weather patterns.

“Climate models can meaningfully project the overall global increase in warmth, rises in sea level and very large-scale changes in rainfall patterns,” said Zhang. “But they are uncertain about the potential significant ramifications on society in any specific location.”

The researchers believe that further research may lead to a reduction in the uncertainties. They caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

“Uncertainty is hardly a reason for inaction,” said Mann. “Moreover, uncertainty can cut both ways, and we must be cognizant of the possibility that impacts in many regions could be considerably greater and more costly than climate model projections suggest.”

Why scientists are losing the fight to communicate science to the public (The Guardian)

Richard P Grant

Scientists and science communicators are engaged in a constant battle with ignorance. But that’s an approach doomed to failure

Syringe and needle.

Be quiet. It’s good for you. Photograph: Gareth Fuller/PA

video did the rounds a couple of years ago, of some self-styled “skeptic” disagreeing – robustly, shall we say – with an anti-vaxxer. The speaker was roundly cheered by everyone sharing the video – he sure put that idiot in their place!

Scientists love to argue. Cutting through bullshit and getting to the truth of the matter is pretty much the job description. So it’s not really surprising scientists and science supporters frequently take on those who dabble in homeopathy, or deny anthropogenic climate change, or who oppose vaccinations or genetically modified food.

It makes sense. You’ve got a population that is – on the whole – not scientifically literate, and you want to persuade them that they should be doing a and b (but not c) so that they/you/their children can have a better life.

Brian Cox was at it last week, performing a “smackdown” on a climate change denier on the ABC’s Q&A discussion program. He brought graphs! Knockout blow.

And yet … it leaves me cold. Is this really what science communication is about? Is this informing, changing minds, winning people over to a better, brighter future?

I doubt it somehow.

There are a couple of things here. And I don’t think it’s as simple as people rejecting science.

First, people don’t like being told what to do. This is part of what Michael Gove was driving at when he said people had had enough of experts. We rely on doctors and nurses to make us better, and on financial planners to help us invest. We expect scientists to research new cures for disease, or simply to find out how things work. We expect the government to try to do the best for most of the people most of the time, and weather forecasters to at least tell us what today was like even if they struggle with tomorrow.

But when these experts tell us how to live our lives – or even worse, what to think – something rebels. Especially when there is even the merest whiff of controversy or uncertainty. Back in your box, we say, and stick to what you’re good at.

We saw it in the recent referendum, we saw it when Dame Sally Davies said wine makes her think of breast cancer, and we saw it back in the late 1990s when the government of the time told people – who honestly, really wanted to do the best for their children – to shut up, stop asking questions and take the damn triple vaccine.

Which brings us to the second thing.

On the whole, I don’t think people who object to vaccines or GMOs are at heart anti-science. Some are, for sure, and these are the dangerous ones. But most people simply want to know that someone is listening, that someone is taking their worries seriously; that someone cares for them.

It’s more about who we are and our relationships than about what is right or true.

This is why, when you bring data to a TV show, you run the risk of appearing supercilious and judgemental. Even – especially – if you’re actually right.

People want to feel wanted and loved. That there is someone who will listen to them. To feel part of a family.

The physicist Sabine Hossenfelder gets this. Between contracts one time, she set up a “talk to a physicist” service. Fifty dollars gets you 20 minutes with a quantum physicist … who will listen to whatever crazy idea you have, and help you understand a little more about the world.

How many science communicators do you know who will take the time to listen to their audience? Who are willing to step outside their cosy little bubble and make an effort to reach people where they are, where they are confused and hurting; where they need?

Atul Gawande says scientists should assert “the true facts of good science” and expose the “bad science tactics that are being used to mislead people”. But that’s only part of the story, and is closing the barn door too late.

Because the charlatans have already recognised the need, and have built the communities that people crave. Tellingly, Gawande refers to the ‘scientific community’; and he’s absolutely right, there. Most science communication isn’t about persuading people; it’s self-affirmation for those already on the inside. Look at us, it says, aren’t we clever? We are exclusive, we are a gang, we are family.

That’s not communication. It’s not changing minds and it’s certainly not winning hearts and minds.

It’s tribalism.

Mudanças do clima ameaça segurança alimentar de América Latina e Caribe (ONU)

Relatório produzido pela FAO, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe e Associação Latino-Americana de Integração destacou que as mudanças climáticas afetarão o rendimento dos cultivos da agricultura, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central

O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da Celac realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da Celac 2025.

Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.

“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da Cepal.

Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da Celac e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.

O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.

“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.

Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.

Alguns países da região, assim como a Celac, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.

Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar

Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.

O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.

Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.

No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.

Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.

Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos.

Leia aqui o relatório completo (em espanhol).

ONU

Ratificação de acordo do clima no Senado transcendeu partidos e ideologia (Observatório do Clima)

Sessão de aprovação acelerada teve petista na presidência, ruralista na relatoria e elogio de tucano, num raro episódio de consenso político em meio à polarização nacional, afirma Alfredo Sirkis, diretor-executivo do Centro Brasil no Clima e um dos criadores da campanha Ratifica Já!

A autorização final para a ratificação do Acordo de Paris pelo Senado aconteceu em tempo recorde e conseguiu ser mais ligeira que a da Câmara. Pouco mais de dois meses depois do lançamento da campanha Ratifica Já! Pelo Centro Brasil no Clima, Instituto Clima e Sociedade, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e dezenas de outras entidades, praticamente ratificados estamos, faltando apenas a sanção presidencial. Esta deve ocorrer quase certamente em setembro, depois da Olimpíada e do desenlace da crise política do impeachment.

O Brasil, assim, tornar-se-á o primeiro país de grande economia a ratificar o Acordo de Paris. Vale a pena ressaltar o extraordinário empenho de alguns parlamentares. Na Câmara, o deputado Evandro Gussi (PV-SP) articulou o regime de urgência. No Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), relator da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, além de articular a urgência ainda obteve com o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o vice, Jorge Viana (PT-AC) e os líderes dos partidos a sua inclusão numa sessão onde se dava a visita do embaixador do Marrocos, país que vai sediar em novembro a COP22.

A grande curiosidade da votação foi o fato da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura, ter sido a relatora oral da Comissão de Relações Exteriores com um parecer favorável e uma vibrante defesa da agricultura de baixo carbono. A sessão foi presidida pelo vice-presidente do Senado, Jorge Viana, do PT. Os senadores José Agripino (DEM-RN), Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) apoiaram o relatório de Kátia Abreu. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), notou que o relatório da colega é uma demonstração de que é possível construir ampla convergência, apesar das eventuais divergências entre os parlamentares.

O Brasil, assim, não apenas está em vias de aderir ao novo acordo do clima, mas também o faz de forma exemplar, num consenso politico transpartidário e transideológico que afasta do cenário qualquer veleidade de negacionismo climático. É um microcosmo da postura que todos os países deveriam adotar, a começar pelos EUA, onde a maioria do Congresso e o candidato republicano à Presidência continuam negando a ciência. Agora ainda temos nosso vasto dever de casa: tirar do papel a INDC, o plano climático nacional, preparar logo seu primeiro ciclo de revisão e um plano de longo prazo de descarbonização da economia brasileira.

 

Observatório do Clima

‘Chemtrails’ not real, say atmospheric science experts (Science Daily)

Date:
August 12, 2016
Source:
Carnegie Institution for Science
Summary:
Well-understood physical and chemical processes can easily explain the alleged evidence of a secret, large-scale atmospheric spraying program, commonly referred to as ‘chemtrails’ or ‘covert geoengineering.’ A survey of the world’s leading atmospheric scientists categorically rejects the existence of a secret spraying program.

This is a condensation trail, or contrail, left behind an aircraft. Credit: Courtesy of Mick West

Well-understood physical and chemical processes can easily explain the alleged evidence of a secret, large-scale atmospheric spraying program, commonly referred to as “chemtrails” or “covert geoengineering,” concludes a new study from Carnegie Science, University of California Irvine, and the nonprofit organization Near Zero.

Some groups and individuals erroneously believe that the long-lasting condensation trails, or contrails, left behind aircraft are evidence of a secret large-scale spraying program. They call these imagined features “chemtrails.” Adherents of this conspiracy theory sometimes attribute this alleged spraying to the government and sometimes to industry.

The authors of this study, including Carnegie’s Ken Caldeira, conducted a survey of the world’s leading atmospheric scientists, who categorically rejected the existence of a secret spraying program. The team’s findings, published by Environmental Research Letters, are based on a survey of two groups of experts: atmospheric chemists who specialize in condensation trails and geochemists working on atmospheric deposition of dust and pollution.

The survey results show that 76 of the 77 participating scientists said they had not encountered evidence of a secret spraying program, and agree that the alleged evidence cited by the individuals who believe that atmospheric spraying is occurring could be explained through other factors, such as typical airplane contrail formation and poor data sampling.

The research team undertook their study in response to the large number of people who claim to believe in a secret spraying program. In a 2011 international survey, nearly 17 percent of respondents said they believed the existence of a secret large-scale atmospheric spraying program to be true or partly true. And in recent years a number of websites have arisen claiming to show evidence of widespread secret chemical spraying, which they say is linked to negative impacts on human health and the environment.

“We wanted to establish a scientific record on the topic of secret atmospheric spraying programs for the benefit of those in the public who haven’t made up their minds,” said Steven Davis of UC Irvine. “The experts we surveyed resoundingly rejected contrail photographs and test results as evidence of a large-scale atmospheric conspiracy.”

The research team says they do not hope to sway those already convinced that there is a secret spraying program — as these individuals usually only reject counter-evidence as further proof of their theories — but rather to establish a source of objective science that can inform public discourse.

“Despite the persistence of erroneous theories about atmospheric chemical spraying programs, until now there were no peer-reviewed academic studies showing that what some people think are ‘chemtrails’ are just ordinary contrails, which are becoming more abundant as air travel expands. Also, it is possible that climate change is causing contrails to persist for longer periods than they used to.” Caldeira said. “I felt it was important to definitively show what real experts in contrails and aerosols think. We might not convince die-hard believers that their beloved secret spraying program is just a paranoid fantasy, but hopefully their friends will accept the facts.”


Journal Reference:

  1. Christine Shearer, Mick West, Ken Caldeira, Steven J Davis. Quantifying expert consensus against the existence of a secret, large-scale atmospheric spraying programEnvironmental Research Letters, 2016; 11 (8): 084011 DOI: 10.1088/1748-9326/11/8/084011

Sequestro de CO2 (Pesquisa Fapesp)

Reunimos o que já publicamos sobre o processo de captura de dióxido de carbono da atmosfera, que se dá sobretudo em florestas e oceanos e ajuda a manter equilibrados os níveis de CO2 na atmosfera

Edição Online 13:10 27 de junho de 2016

 

mini Florestas secundárias podem contribuir para mitigar as mudanças climáticas
Se protegido adequadamente, esse tipo de vegetação neutralizaria as emissões da América Latina e do Caribe acumuladas entre 1993 e 2014 |Junho/2016|
MAR_Abre-Boletim Fundo do mar teve estoque de carbono
Circulação de água no Oceano Atlântico pode explicar baixos níveis de CO2 atmosférico no Último Máximo Glacial |Junho/2016|
Árvores da Amazônia geram novas folhas mesmo durante a seca
Estocagem de água no solo no período de chuvas é crucial nesse processo, segundo estudo publicado na revista Science |Fevereiro/2016|
Extinção de animais pode agravar efeito das mudanças climáticas
Ausência de espécies frugívoras de grande porte pode interferir no processo de sequestro de CO2 da atmosfera |Dezembro/2015|
Florestas em transformação
Trepadeiras estão remodelando a Amazônia, e os bambus, a mata atlântica |Outubro/2014|
068-069_Algas_222 Microalgas transformadas
Membrana que filtra meio de cultura permite selecionar biomassa com proteínas, ácidos graxos ou carboidratos |Agosto/2014|
022-027_Entrevista_217 Entrevista: Luciana Vanni Gatti
Química explica estudo sobre o balanço de carbono na Amazônia |Março/2014|
036-041_Manguezais_216 Rede de proteção
Manguezais ganham importância diante de alterações no clima |Fevereiro/2014|
brown_river_small Emissão desequilibrada
Floresta amazônica pode estar enviando mais CO2 à atmosfera durante período de seca |Fevereiro/2014|
030-033_cana_159 Balanço sustentável
Estudo da Embrapa atualiza as vantagens do etanol no combate aos gases causadores do efeito estufa |Maio/2009|
chuva As poderosas águas dos rios
Turbinadas pelo aquecimento global, variações no regime de chuvas na bacia do Prata podem tumultuar a circulação marinha no Sul e Sudeste |Janeiro/2008|
Castanheira da amazônia Abrindo o guarda-chuva verde
As cidades precisam de mais árvores, mas há prós e contras em plantar mais exemplares no meio urbano |Outubro/2007|
art3269img1 Tecnologia contra o aquecimento global
Brasil sai na frente com etanol, biodiesel e plantio direto |Junho/2007|
art3179img1 O dia depois de amanhã
Pesquisadores unem-se para esmiuçar os efeitos do aquecimento global no Brasil|Março/2007|
botanica O jatobá contra a poluição
Árvores tropicais podem ser opção para limpar atmosfera caso o efeito estufa aumente|Outubro/2002|
Castanheira da amazônia Impactos irreversíveis do desmatamento
Mata recuperada absorve menos gás carbônico do que até agora se pensava |Abril/2000|

Final Kyoto analysis shows 100% compliance (Science Daily)

Date:
June 10, 2016
Source:
Taylor & Francis
Summary:
All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a new scientific study.

Global warming is a real threat for our civilization. All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a recent report in Climate Policy. Credit: © sergei_fish13 / Fotolia

All 36 countries that committed to the Kyoto Protocol on climate change complied with their emission targets, according to a scientific study released today. In addition, the Kyoto process and climate-related policies, represented a low cost for the countries involved — up to 0.1% of GDP for the European Union and an even lower fraction of Japan’s GDP. This is around one quarter to one tenth of what experts had estimated after the agreement was reached in 1997, for delivering the targets set 15 years ahead. The US never ratified the Treaty and Canada withdrew, but all the rest continued and Kyoto came into force in 2005.

The results, reported in the Climate Policy journal, are the first published results to use the final data for national GHG emissions and exchanges in carbon units which only became available at the end of 2015. They show that overall, the countries who signed up to the Kyoto Protocol surpassed their commitment by 2.4 GtCO2e yr -1 (giga-tonnes of CO2 equivalent per year).

“There is often skepticism about the importance of international law, and many critics claim that the Kyoto Protocol failed. The fact that countries have fully complied is highly significant, and it helps to raise expectations for full adherence to the Paris Agreement,” said Prof. Michael Grubb, Editor-in-Chief of the Climate Policy journal and co-founder of research network Climate Strategies.

The researchers found that most of these countries reduced their GHG emissions to the levels required by the Kyoto Protocol, with only nine (Austria, Denmark, Iceland, Japan, Lichtenstein, Luxembourg, Norway, Spain and Switzerland) emitting higher levels. The nine countries only just overshot their targets — in total by around 1% of the average annual emissions capped under Kyoto — and were able to comply with the Protocol using the “flexibility” mechanisms. The researchers also found that overall compliance would have also been achieved even without the so-called ‘hot-air,’ (windfall emission reductions from Eastern Bloc countries).


Journal Reference:

  1. Igor Shishlov, Romain Morel, Valentin Bellassen. Compliance of the Parties to the Kyoto Protocol in the first commitment periodClimate Policy, 2016; 1 DOI: 10.1080/14693062.2016.1164658

Fenômenos naturais deslocaram 19,2 milhões de pessoas em 2015, alerta escritório da ONU (ONU)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Número representa quase 70% do total de deslocados internos do mundo registrado em 2015

Fenômenos naturais forçaram 19,2 milhões de pessoas a abandonarem seus lares em 2015. O contingente representa quase 70% do total de deslocados internos – 27,8 milhões – que se viram obrigados a fugir dos lugares onde moravam por conta de conflitos, violência ou desastres naturais ao longo do ano passado.

Os números foram divulgados na semana passada (12) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) em relatório que apresenta um panorama do deslocamento interno global e de suas causas.

O documento alerta para os fatores de risco de desastres associados a processos lentos de alteração ambiental, tais como secas, elevação do nível do mar e desertificação — fenômenos provocados pelas transformações do clima. Ameaças climáticas foram responsáveis por 14,7 milhões de deslocamentos.

“A maioria dos deslocamentos ocasionados por desastres naturais ocorreu devido a eventos climáticos extremos, que aconteceram em um ano com um número recorde de secas, inundações e grandes tempestades tropicais”, continuou Glasser, lembrando que grande parte disso foi causada por um forte El Niño registrado em meio a mudanças climáticas cada vez mais maiores.

Para Glasser, diante desse cenário, é necessário o desenvolvimento de um sistema capaz de melhorar a gestão de risco de desastres a nível local, a fim de evitar o deslocamento de pessoas nesta escala.

“Isso significa melhorar alertas precoces, proporcionar habitação de baixo custo em locais seguros e fazer todo o possível para reduzir o número de pessoas afetadas por catástrofes, segundo o que foi acordado pelos Estados-membros no Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, no ano passado”, ressaltou.

O Marco é um plano global para reduzir as ameaças de catástrofe adotado pelos Estados-membros das Nações Unidas em 2015, durante uma conferência mundial em Sendai, no Japão.

O acordo estabelece metas para a redução da mortalidade relacionada a desastres, assim como para a diminuição do número de pessoas afetadas, dos danos à infraestrutura e das perdas econômicas.

ONU

Mudanças climáticas podem levar à exclusão de espécies arbóreas em áreas úmidas (INPA)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Alterações na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem

Cheias e secas extremas e subsequentes, como essas que os rios da Amazônia vêm sofrendo nas duas últimas décadas, podem levar à exclusão de espécies de árvores e à colonização por outras espécies menos tolerantes à inundação.

É o que apontam estudos desenvolvidos por pesquisadores associados ao Grupo Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus, que participa, desde 2013, do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld), por meio do Peld-Maua.

Durante a década de 1970, por exemplo, os níveis máximos anuais do rio Negro ficaram alguns metros acima do valor médio da enchente, e a descida das águas não foi intensa, resultando na inundação de várias populações de plantas durante anos consecutivos. Isso causou a exclusão de muitas espécies arbustivas e arbóreas nas baixas topografias de igapós na região da Amazônia Central, como é o caso de macacarecuia (Eschweilera tenuifolia).

“Acredita-se que esses fenômenos podem ser consequência das mudanças climáticas em curso, mas podem também derivar de variações naturais do ciclo hidrológico. Os estudos realizados no âmbito do Peld-Maua visam confirmar a origem desses fenômenos utilizando informações sobre o crescimento da vegetação”, adianta a coordenadora do Peld-Maua, a pesquisadora do Inpa Maria Teresa Fernandez Piedade.

Anos de secas ou cheias consecutivas podem ultrapassar a capacidade adaptativa das espécies de árvores, especialmente de populações estabelecidas nos extremos do ótimo de distribuição no gradiente inundável (composição de diferentes níveis de inundação a que estão sujeitas as áreas alagáveis).

Segundo Piedade, como a vegetação sustenta a fauna desses ambientes, mudanças na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem. “A vegetação arbórea das áreas alagáveis amazônicas é bem adaptada à dinâmica anual de cheias e vazantes”, destaca a pesquisadora.

Para ela, determinar o grau de tolerância a períodos extremos das espécies de árvores desses ambientes e de sua fauna associada, como os peixes e roedores, e conhecer sua reação com a dinâmica de alternância entre fases inundadas e não inundadas normais e extremas é um grande desafio e se constitui na base para seu uso sustentável e preservação.

Segundo Piedade, as áreas úmidas (várzeas, igapós, buritizais e outros tipos) cobrem cerca de 30% da região amazônica e são de fundamental importância ecológica e econômica. Ela explica que na várzea, múltiplas atividades econômicas são tradicionalmente desenvolvidas, como a pesca e a agricultura familiar, enquanto que nos igapós, por serem mais pobres em nutrientes e em espécies de plantas e animais, menos atividades econômicas são praticadas. Já nas campinas/campinaranas alagáveis essas atividades são ainda mais reduzidas.

“A ecologia, o funcionamento e as limitações para determinadas práticas econômicas nas várzeas são bastante conhecidas, mas nos igapós de água pretas e nas campinas/campinaranas alagáveis tais aspectos ainda são pouco estudados”, diz Piedade. “Embora se saiba que esses ambientes são frágeis, aumentar e disponibilizar informações sobre eles é fundamental”, acrescenta.

Peld-Mauá

Com o título “Monitoramento e modelagem de dois grandes ecossistemas de áreas úmidas amazônicas em cenários de mudanças climáticas”, o Peld-Maua é um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e também conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Insere-se no plano de ação “Ciência, Tecnologia e Inovação para Natureza e Clima”, do MCTI.

O Programa Peld foca no estabelecimento de sítios de pesquisa permanentes em diversos ecossistemas do País, integrados em redes para o desenvolvimento e o acompanhamento de pesquisas ecológicas de longa duração. Atualmente, existem 31 sítios de pesquisa vigentes.

O Peld-Maua é gerenciado pelo Inpa, em Manaus. Tem como vice-coordenador o pesquisador do Inpa, Jochen Schöngart; e como coordenador do Banco de Dados o pesquisador Florian Wittmann, do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max-Planck de Química, com sede em Mainz, na Alemanha.

A coordenadora do Peld-Maua explica que as atividades tiveram início há três anos. “Na primeira fase, que será completada agora em 2016, o Peld-Maua priorizou estudos em um ambiente de igapó e outro de campinarana alagável, mas espera-se que os estudos tenham continuidade e sejam expandidos para outras tipologias alagáveis amazônicas”, diz Piedade.

O Peld-Maua desenvolve estudos nas áreas de inundação das florestas de igapó no Parque Nacional do Jaú (Parna Jaú) – Unidade de Conservação localizada entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas –, e ao longo dos gradientes de profundidade do lençol freático das florestas de campinas/campinaranas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, situada entre os municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, também no Amazonas.

Conforme Piedade, diante da conectividade entre os ambientes alagáveis e as formações contíguas de terra-firme ou outras, os sítios de estudos foram escolhidos em ambientes onde os gradientes podem ser também avaliados. “Isso aumenta as possibilidades de trabalhos comparativos”, ressalta.

O Peld-Maua tem por objetivo relacionar a estrutura, composição florística e dinâmica de plantas que produzem sementes (fanerógamas) de dois ecossistemas de áreas úmidas na Amazônia Central com fatores do solo e da disponibilidade de água (hidro-edáficos), por meio do monitoramento em longo prazo para entender possíveis impactos e respostas da vegetação frente a mudanças dos regimes pluviométricos e hidrológicos.

O programa, até o momento, já permitiu a realização de cinco dissertações de mestrado e uma tese de doutorado. Além dos estudos já finalizados, estão em andamento dois pós-doutorados, seis doutorados e quatro mestrados. Quanto à formação de pessoal, dois bolsistas do Programa de Capacitação Institucional (PCI) concluíram suas atividades e dois estão realizando seus projetos, e dois bolsistas do programa de Bolsa de Fomento ao Desenvolvimento Tecnológico (DTI) e dois Pibic’s realizaram seus projetos junto ao Peld-Maua.

Inpa

Pinguela deixa fórum do clima por discordar de impeachment (OESP)

Giovana Girardi

16 maio 2016 | 16:46

O físico Luiz Pinguelli Rosa, que desde 2004 era o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, enviou e-mail a Temer pedindo desligamento do cargo por não concordar com o afastamento de Dilma Rousseff. Em entrevista ao Estado, ele explica seus motivos e analisa a gestão Dilma para o clima

Atualizado às 18h55

O físico Luiz Pinguelli Rosa, que desde 2004 atuava como secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, pediu desligamento do cargo na última quinta-feira, 12, depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em carta enviada ao presidente em exercício, Michel Temer, explicou que se recusava a continuar no cargo.

Reunião ordinária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas com Dilma e Pinguelli em abril de 2012. Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Reunião ordinária do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas com Dilma e Pinguelli em abril de 2012. Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

“Reputo de injusto o afastamento da Presidente da República pelo Congresso Nacional com a conivência do Supremo Tribunal Federal, pois não se provou qualquer crime de responsabilidade como estabelece a Constituição”, escreveu em mensagem enviada ao e-mail institucional da vice-presidência.

Ele lembrou que foi nomeado ao cargo em 2004 pelo então presidente Lula e foi mantido por Dilma. “O Fórum teve várias reuniões com o Presidente da República e Ministros apresentando sugestões que foram incorporadas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas e na Lei Nacional sobre Mudanças Climáticas, bem como contribuiu para o Compromisso do Brasil na Conferência do Clima da ONU. No momento, o Fórum estava discutindo as propostas para o Plano de Adaptação nos diversos setores em ligação direta com a Ministra do Meio Ambiente”, disse.

O órgão, formado por cientistas de diversos áreas de clima, foi criado em 2000 por Fernando Henrique e teve uma função de destaque especialmente durante o governo Lula para a formulação de políticas de combate às mudanças climáticas.

Professor emérito da Coppe, o instituto de pós-graduação e pesquisa em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pinguelli foi presidente da Eletrobras no primeiro governo de Lula.

Em entrevista ao Estado, o pesquisador explicou sua decisão. “Não estou fazendo nenhum juízo de valor sobre o governo Temer, mas o fórum é diretamente ligado ao presidente da República e eu não concordo com a mudança dessa forma. Não é uma questão de Dilma, mas de princípio”, disse.

“A tal pedalada é mal definida. Usar verba de banco público que depois é coberto em prazo pequeno é uma trivialidade que qualquer administrador já fez algo parecido. Para falar em crime tem de ser uma coisa séria, tem de ter materialidade, como agir de má fé ou se apropriar de recursos públicos. Quem fez isso foram outros no Congresso e o Supremo Tribunal Federal se fez de bobo. Não me sinto bem em cooperar no nível com o presidente”, complementou.

Mesmo presidindo o fórum, Dilma levou mais de um ano para participar de sua primeira reunião, ainda na primeira gestão, em abril de 2012. Na ocasião, causou polêmica ao dizer, às vésperas da realização da conferência Rio+20, que o evento não iria “discutir a fantasia” das energias renováveis.

“Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Eu tenho que explicar para as pessoas como é que elas vão comer, como é que elas vão ter acesso à água, como é que elas vão ter acesso à energia. Eu não posso falar: “olha é possível só com eólica de iluminar o planeta”. Não é. Só com solar, de maneira alguma.”

Pinguelli contemporizou o começo meio torto e disse que hoje a situação é outra. “Tivemos problema com etanol, com biodiesel, porque a política energética não foi muito boa, estimulou muito o uso da gasolina em detrimento do etanol. Mas eólica cresceu bastante. A geração já equivale à (que será produzida por) Belo Monte.”

Veja a seguir a íntegra da entrevista:

O que fez o senhor tomar essa decisão?

Não estou fazendo nenhum juízo de valor sobre o governo Temer, mas o fórum é diretamente ligado ao presidente da República e eu não concordo com a mudança dessa forma. Não é uma questão do governo da Dilma, mas de princípio. A tal pedalada é mal definida.O fato de ter um uso de verba de banco público que depois é coberto em prazo pequeno é uma trivialidade que qualquer administrador faz algo parecido. Não significa um crime. Crime é uma coisa séria, tem de ter materialidade, como agir de má fé ou se apropriar indevidamente de recursos públicos. Quem fez isso foram outros que participaram do processo no Congresso. E o Supremo Tribunal Federal se fez de bobo. Não atuou no caso Eduardo Cunha, que se empenhou no processo de impeachment. O STF tinha desde dezembro uma denúncia contra ele do procurador-geral da República e deixou para fazer valer depois de Dilma já ter sofrido a condenação pela Câmara, o que dá uma intenção suspeita ao supremo. Não me sinto bem em continuar cooperando porque minha ligação como secretário do fórum é com o presidente do Fórum, que é o presidente da República. Não na qualidade de um assessor direto do presidente. Espero que outra pessoa mais afinada com esse governo do que eu vá para esse lugar.

Qual é a avaliação que o senhor faz da gestão Dilma em relação às mudanças climáticas?

Eu não posso dizer que o governo Dilma foi muito atuante na questão climática. Acho que o do Lula foi mais. Por causa, particularmente, da intervenção do Brasil na Conferência (do Clima da ONU) de Copenhague (em 2009) e da elaboração do Plano e da Lei Nacional de Mudanças Climáticas, para o qual o fórum foi muito chamado para ajudar. No momento o fórum estava fazendo uma série de debates mais ligados ao Ministério do Meio Ambiente sobre a questão dos planos de adaptação à mudança climática. E fizemos também, para a conferência de Paris, um estudo em cooperação com colegas de universidades em que fizemos um cenário futuro, de modelagem climática aqui da Coppe, sobre a mudança climática que foi aproveitado na discussão em Paris. Fórum teve uma atividade menor no governo Dilma em relação ao governo Lula, mas não era nula.

O Brasil foi bastante elogiado por sua atuação na costura do Acordo de Paris. Como o sr. viu esse momento?

Acho que a Izabella (Teixeira, ministra do Meio Ambiente em todo o governo Dilma) teve uma presença muito atuante na conferência do clima e o fórum acabou tornando-se mais próxima da Izabella (do que da Dilma). Inclusive na conferência de Paris, foi ela que participou da reunião do fórum. Dilma se afastou, mas Izabella não. Na prática, embora o Fórum continuasse ligado à presidente Dilma no organograma, ficamos mais próximo do Ministério do Meio Ambiente. Não era uma função remunerada. Era voltada para atrais ONGs, acadêmicos, mesmo os setores empresariais para a discussão de problemas concretos da questão internacional da mudança climática. Isso foi feito o tempo todo. Até poucos meses atrás, no fim de 2015, houve essas reuniões. Aí houve um interregno com essa crise profunda que o Brasil atravessa.

Nos últimos dias da gestão Dilma, o ministério do Meio Ambiente correu para aproveitar os últimos momentos e lançou uma série de boas ações para o ambiente, inclusive o Plano Nacional de Adaptação, que era esperado desde o ano passado.. O que o sr. achou disso?

Acho que esse movimento foi bom, deixou uma contribuição concreta. O PNA avança, melhora a situação. É preciso lembrar que o Brasil tem climas diferentes de acordo com a região e pode haver enormes impactos, não só nos fenômenos atmosféricos, que afetam o ambiente e as populações, como enchentes, ventos muito fortes, como também a produção agrícola, que depende muito do clima. Mas é verdade que foi meio corrido. Ele é uma contribuição que reuniu o que já tinha à mão, embora pudesse avançar mais. Mas não impede que o novo governo faça isso. O que foi feito é o que tinha à mão. Acho que o governo tinha uma perspectiva de se prolongar um pouco mais para a elaboração desse plano e foi abreviado.

Qual é a expectativa do senhor sobre o novo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e para a questão climática na nova gestão.

Ele já foi ministro, né? Faço votos para que faça boa gestão. A expectativa é que tenha boa gestão, ele tem condições para isso, tem interesse nessa área. Já estive com ele muitas vezes discutindo questões da mudança climática. Mas me sentia mais identificado com a gestão Dilma. A própria Izabella foi nossa aluna aqui no doutorado da Coppe. Havia uma proximidade maior. Quanto à política do clima, vamos ver. O Sarney Filho tem pedigree de meio ambiente. Mas o ministro de Minas e Energia (Fernando Filho) é um ilustre desconhecido, é de outro ramo, não tem nada a ver.

O governo Dilma teve como bandeira o pré-sal, investindo mais em combustíveis fósseis que em renováveis, enquanto há uma expectativa mundial de descarbonização até o final do século. O sr. esteve à frente de discussões sobre o futuro energético. Como o sr. vê essa questão?

Acho que o Brasil ainda vai usar petróleo por um tempo, mas tem de reduzir, e isso já tem feito usando biocombustível, que já ultrapassou 40% do total de combustíveis. Mas não está tudo perfeito. Tivemos problema com etanol, com biodiesel, porque a política energética não foi muito boa, estimulou muito o uso da gasolina em detrimento do etanol. O preço da gasolina foi colocado abaixo do preço de importação. Houve uma retomada do etanol por volta de 2003 e 2004 com os carros flex e isso permitiu um aumento grande do consumo do etanol. Mas com o estímulo de preço baixo da gasolina, o etanol perdeu a competitividade, houve uma certa redução do consumo.

E nesse momento se discute na Câmara que carro leve use diesel no Brasil.

Isso é ruim. O que devia ser feito era incentivar os carros híbridos (combustível + elétrico), que ainda são muito caros. Devia haver uma política de compensações e redução desse preço.

As metas brasileiras ao Acordo de Paris também não trazem um aumento significativo do uso de etanol e biocombustíveis (prevê uma participação de 16% de etanol na matriz energética total do País até 2025).

Não é uma participação pequena, mas de fato não tem um grande aumento. Concordo que para o futuro, talvez 2040 em diante, deva aumentar, mas para 2020 é mais difícil mudar a tendência porque energia tem uma inércia muito grande. Depois pode aumentar muito. Mas isso depende da política e ultimamente a política não foi muito favorável ao biocombustível. A gente fez a crítica perante a presidente Dilma. Mostramos essa preocupação. Uso de energia eólica cresceu bastante, já igualou à de Belo Monte. Mas infelizmente a de térmica também cresceu por causa das crises hídricas.

Curtailing global warming with bioengineering? Iron fertilization won’t work in much of Pacific (Science Daily)

Earth’s own experiments during ice ages showed little effect

Date:
May 16, 2016
Source:
The Earth Institute at Columbia University
Summary:
Over the past half-million years, the equatorial Pacific Ocean has seen five spikes in the amount of iron-laden dust blown in from the continents. In theory, those bursts should have turbo-charged the growth of the ocean’s carbon-capturing algae — algae need iron to grow — but a new study shows that the excess iron had little to no effect.

With the right mix of nutrients, phytoplankton grow quickly, creating blooms visible from space. This image, created from MODIS data, shows a phytoplankton bloom off New Zealand. Credit: Robert Simmon and Jesse Allen/NASA

Over the past half-million years, the equatorial Pacific Ocean has seen five spikes in the amount of iron-laden dust blown in from the continents. In theory, those bursts should have turbo-charged the growth of the ocean’s carbon-capturing algae — algae need iron to grow — but a new study shows that the excess iron had little to no effect.

The results are important today, because as groups search for ways to combat climate change, some are exploring fertilizing the oceans with iron as a solution.

Algae absorb carbon dioxide (CO2), a greenhouse gas that contributes to global warming. Proponents of iron fertilization argue that adding iron to the oceans would fuel the growth of algae, which would absorb more CO2 and sink it to the ocean floor. The most promising ocean regions are those high in nutrients but low in chlorophyll, a sign that algae aren’t as productive as they could be. The Southern Ocean, the North Pacific, and the equatorial Pacific all fit that description. What’s missing, proponents say, is enough iron.

The new study, published this week in the Proceedings of the National Academy of Sciences, adds to growing evidence, however, that iron fertilization might not work in the equatorial Pacific as suggested.

Essentially, earth has already run its own large-scale iron fertilization experiments. During the ice ages, nearly three times more airborne iron blew into the equatorial Pacific than during non-glacial periods, but the new study shows that that increase didn’t affect biological productivity. At some points, as levels of iron-bearing dust increased, productivity actually decreased.

What matters instead in the equatorial Pacific is how iron and other nutrients are stirred up from below by upwelling fueled by ocean circulation, said lead author Gisela Winckler, a geochemist at Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory. The study found seven to 100 times more iron was supplied from the equatorial undercurrent than from airborne dust at sites spread across the equatorial Pacific. The authors write that although all of the nutrients might not be used immediately, they are used up over time, so the biological pump is already operating at full efficiency.

“Capturing carbon dioxide is what it’s all about: does iron raining in with airborne dust drive the capture of atmospheric CO2? We found that it doesn’t, at least not in the equatorial Pacific,” Winckler said.

The new findings don’t rule out iron fertilization elsewhere. Winckler and coauthor Robert Anderson of Lamont-Doherty Earth Observatory are involved in ongoing research that is exploring the effects of iron from dust on the Southern Ocean, where airborne dust supplies a larger share of the iron reaching the surface.

The PNAS paper follows another paper Winckler and Anderson coauthored earlier this year in Nature with Lamont graduate student Kassandra Costa looking at the biological response to iron in the equatorial Pacific during just the last glacial maximum, some 20,000 years ago. The new paper expands that study from a snapshot in time to a time series across the past 500,000 years. It confirms that Costa’s finding, that iron fertilization had no effect then, fit a pattern that extends across the past five glacial periods.

To gauge how productive the algae were, the scientists in the PNAS paper used deep- sea sediment cores from three locations in the equatorial Pacific that captured 500,000 years of ocean history. They tested along those cores for barium, a measure of how much organic matter is exported to the sea floor at each point in time, and for opal, a silicate mineral that comes from diatoms. Measures of thorium-232 reflected the amount of dust that blew in from land at each point in time.

“Neither natural variability of iron sources in the past nor purposeful addition of iron to equatorial Pacific surface water today, proposed as a mechanism for mitigating the anthropogenic increase in atmospheric CO2 inventory, would have a significant impact,” the authors concluded.

Past experiments with iron fertilization have had mixed results. The European Iron Fertilization Experiment (EIFEX) in 2004, for example, added iron in the Southern Ocean and was able to produce a burst of diatoms, which captured CO2 in their organic tissue and sank to the ocean floor. However, the German-Indian LOHAFEX project in 2009 experimented in a nearby location in the South Atlantic and found few diatoms. Instead, most of its algae were eaten up by tiny marine creatures, passing CO2 into the food chain rather than sinking it. In the LOHAFEX case, the scientists determined that another nutrient that diatoms need — silicic acid — was lacking.

The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) cautiously discusses iron fertilization in its latest report on climate change mitigation. It warns of potential risks, including the impact that higher productivity in one area may have on nutrients needed by marine life downstream, and the potential for expanding low-oxygen zones, increasing acidification of the deep ocean, and increasing nitrous oxide, a greenhouse gas more potent than CO2.

“While it is well recognized that atmospheric dust plays a significant role in the climate system by changing planetary albedo, the study by Winckler et al. convincingly shows that dust and its associated iron content is not a key player in regulating the oceanic sequestration of CO2 in the equatorial Pacific on large spatial and temporal scales,” said Stephanie Kienast, a marine geologist and paleoceanographer at Dalhousie University who was not involved in the study. “The classic paradigm of ocean fertilization by iron during dustier glacials can thus be rejected for the equatorial Pacific, similar to the Northwest Pacific.”


Journal Reference:

  1. Gisela Winckler, Robert F. Anderson, Samuel L. Jaccard, and Franco Marcantonio. Ocean dynamics, not dust, have controlled equatorial Pacific productivity over the past 500,000 yearsPNAS, May 16, 2016 DOI: 10.1073/pnas.1600616113

Elevação do nível do mar traga várias ilhas do Pacífico (El País)

Mudanças climáticas estão elevando as águas pelo menos desde meados do século XX

MIGUEL ÁNGEL CRIADO

15 MAI 2016 – 00:19 CEST

Desaparecem ilhas do Pacífico:. A imagem aérea mostra a ilha de Nuatambu partida em duas pelas águas. SIMON ALBERT / EL PAÍS VÍDEO

Desta vez não se trata de previsões ameaçadoras para um futuro distante: um grupo de pesquisadores comprovou como em apenas poucas décadas várias ilhas do oceano Pacífico desapareceram sob o mar. Seu estudo conecta as mudanças climáticas mundiais com a elevação do nível do mar em escala local. Uma conexão que tragará muitas outras ilhas e zonas costeiras nas próximas décadas.

Usando imagens aéreas e por satélites obtidas desde 1947, cientistas australianos têm acompanhado a elevação do nível das águas que rodeiam as ilhas Salomão, no meio do Pacífico ocidental. O arquipélago, formado por cerca de 1.000 ilhas que, juntas, mal superam os 28.000 quilômetros quadrados de extensão, é o lar de mais de meio milhão de pessoas. De origem vulcânica, muitas são pequenos pedaços de terra de poucos hectares, quase ao nível do mar. Por isso são um laboratório onde testar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.

Os registros dendrocronológicos obtidos dos troncos das árvores mostram que o nível do mar se manteve estável nos últimos séculos, somente sujeito a variações temporais pelo impacto de fenômenos climáticos como El Niño. No entanto, esse equilíbrio foi para o espaço nas últimas décadas. Desde meados do século passado o oceano subiu 3 milímetros por ano, uma cifra que se elevou até os 7 milímetros anuais desde 1994.

Cinco pequenas ilhas das Salomão desapareceram e outras seis perderam a maior parte da terra

Com esses dados, os pesquisadores puderam comprovar com imagens o desaparecimento de cinco ilhas. Apesar de que a maior tinha apenas cinco hectares, trata-se de ilhotas com vegetação, vida silvestre e, pelo menos em dois casos, habitadas. Em algumas ainda é possível ver árvores que se afogam com as raízes sob o mar.

O estudo, publicado na Environmental Research Letters, também mostra que outras seis ilhas perderam até 62% de sua terra. Além disso, o ritmo do avanço do mar está ficando mais acelerado. As imagens tomadas do céu demonstram que até os anos 60 as águas arrebataram apenas 0,1% por unidade de área. A porcentagem se elevou até 0,5% anual até 2002 e, a partir daí, explodiu até 1,9%.

“A elevação do nível do mar nas Ilhas Salomão nos últimos 20 anos foi três vezes maior que a média mundial”, diz em uma mensagem o pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), Simon Albert. Embora possa parecer que o nível do mar tenda a ser igual em todo o planeta, há fatores locais que o elevam ou baixam.

No caso das Salomão, “em parte isso se deve ao aumento do nível do mar e, em parte, ao ciclo natural dos ventos alísios que movem a água no Pacífico ocidental”, esclarece o cientista australiano. “Mas, independentemente da combinação de causas, esses resultados nos apresentam uma visão dos impactos da elevação do nível do mar na segunda metade deste século, quando o restante do planeta sofrer um ritmo semelhante ao que experimentaram as Ilhas Salomão nestes 20 anos”, acrescenta Albert.

Comunidades de pescadores tiveram de mudar-se morro acima para distanciar suas casas do mar

O drama está transcorrendo quase ao vivo. Na ilha de Nuatambu, por exemplo, viviam 25 famílias. O mar lhes roubou a metade da terra e, na década atual, arrebatou 11 casas. Em várias ilhas as pessoas já tiveram de mudar-se para as zonas mais altas ou mudar de ilha. Algumas comunidades se fragmentaram, com alguns membros deslocados e outros ainda resistindo.

No artigo que os próprios pesquisadores escrevem em The Conversation está incluído o depoimento de Sirilo Sutaroti, o ancião-chefe que aos 94 anos rege o povo paurata, uma tribo de pescadores: “O mar começou a adentrar, o que nos obrigou a ir morro acima e reconstruir nosso povoado longe do mar”.

Abril é o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde no planeta (O Globo)

Por O Globo. 16/05/2016

 

RIO — Abril deste ano registrou as temperaturas mais quentes para este mês na História, segundo informações da Nasa. É o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde, com mais de 1 grau Celsius de diferença em relação à média entre 1951 e 1980.

A temperatura média global em abril foi 1.11 grau Celsius acima da média do período 1951-1980, esmagando o recorde anterior para o mês, registrado em 2010, de 0,24 grau Celsius acima da média.

— O mais interessante é a escala na qual estamos quebrando os recordes — disse Andy Pitman, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em entrevista ao “Guardian”. —Claramente, tudo está caminhando na direção errada. Os cientistas climáticos estão alertando sobre isso desde os anos 1980, e tem sido óbvio desde os anos 2000. Então onde está a surpresa?

É o terceiro mês consecutivo em que o recorde de temperatura é quebrado pela maior diferença já registrada. Desde fevereiro, quando as margens começaram a quebrar recordes, os cientistas começaram a falar sobre “emergência climática”. Existe a influência do El Niño, mas o temor é que o planeta esteja aquecendo de forma mais acelerada que o imaginado, o que coloca em risco os objetivos acertados em Paris.

— O alvo de 1.5 grau Celsius é um desejo. Eu não sei se conseguiríamos esse objetivo se parássemos com as emissões hoje. Existe inércia no sistema. E o resultado de abril coloca pressão para os 2 graus Celsius — disse Pitman.

Anthropologies #21: Weather changes people: stretching to encompass material sky dynamics in our ethnography (Savage Minds)

See original text here.

September 24, 2015.

This entry is part 10 of 10 in the Anthropologies #21 series.

Heid Jerstad brings our climate change issue to a close with this thoughtful essay. Jerstad (BA Oxford, MRes SOAS) is writing up her PhD on the effects of weather on peoples lives at the university of Edinburgh. Having done fieldwork in the western Indian Himalayas, she is particularly interested in the range of social and livelihood implications that weather (and thus climate change) has. She is on twitter @entanglednotion –R.A.

For most people, the climate change issue is a bundle of scientific ideas, or maybe a chunk of guilt lurking behind that short haul flight. The words have fused together to form a single stone, immobile and heavy. Change is a bit of a nothing word anyway – anything can change, and who is to say if it is good or bad, drastic or practically unnoticeable?

But what about climate? It is a big science-y word, neither human nor particularly tangible. Climate is about a place – engrained, palimpsested, with time-depth. That big sky, those habits – the Frenchman advising wine and bed on a rainy day, the Croatian judge lenient because there was a hot wind from the Sahara that day. This is weather I am talking about, seasons, years, the heat, damp and sparkling frost.

People care about the weather. We consider ourselves used to this or good at observing that. My home has more weather than other places – it is colder in winter, the air is clearer and brighter – because it is mine. My sunsets – this is eastern Norway – are vibrant and fill the sky, my sky will snow in June with not a cloud, my nose can feel that special tingle when it gets to below -20˚c. The north is not gloomy in winter – the snow is bright white, the hydro-fuelled streetlights illuminate empty streets and windows seal the warmth in.

What is your weather? It would be safe to assume it is part of the climate and I would go out on a limb and say I think you care about it. Am I wrong?

When the weather matters to people, the task becomes one of bridging this caring and the climate change science and projections. Looking at the impact of these weather changes in different areas of life is, then, going to make up a steadily larger part of useful climate change research.

Mead famously convened a conference with Kellogg titled ‘The Atmosphere: Endangered and Endangering’ in 1975, and Douglas published Risk and Blame in 1992. In the new millennium Strauss and Orlove (2003), Crate and Nuttall (2009) and Hastrup and Rubow (2014) brought edited volumes to the debate. It seems to be fairly well established, then, that climate change is a matter for anthropologists, as phrased by the AAA statement on climate change: ‘Climate change is rooted in social institutions and cultural habits. … Climate change is not a natural problem, it is a human problem.’ What then, can anthropologists do, about this problem?

Anthropologists provide description. The mapping of people’s stories of how the weather is ‘going wrong’, stories of change, and of coping and consequences is underway (Crate 2008 described the effects of unusual winter melt on the Vilui Sakha in Siberia, Cruikshank 2005 explored the tendrils of meaning surrounding glaciers between Alaska, British Colombia and the Yukon territory). Linked to the description, of course, and not really disentanglable from it is the explanation. Explanations and understandings of weather and weather changes in the places where they are happening, whether Chesapeake Bay, the Marshall Islands, or Rajasthan, India, fill in the social significance of what had been an empty sky (Paolisso 2003, Rudiak-Gould 2013, Grodzins-Gold 1998). The weather changes, in fact, constitute one of those satisfying areas of inquiry which concern those asked as much as the anthropologist.

The question of knowledge, however, can still seem a barrier when climate scientists are those with a mandate to understand changing weather. Anna Tsing, in the Firth Lecture at the Association of Social Anthropologists of the UK and Commonwealth’s (ASA) 2015 conference in Exeter, brought the contextual ecological study of mushrooms and the trees that they are mutual with in the forests of Japan and China to illustrate the gains anthropology can make when we give up scepticism of natural science. Earlier in the year, Moore, at the launch of the Centre of the Anthropology of Sustainability (CAOS) at University College London used microbial research to break down the bounded image of the body, where on the cellular level culture and biology shape each other – for instance when poor black women in the States eat fish which contains mercury and this affects the biological development of their children. Tsing and Moore brought together what might previously have been considered within the remit of ecology or biology to make important points about the capacity of anthropology—and to suggest where we might go next, expanding vision of social science. When mushrooms and microbes are appropriate topics for anthropological research, then looking at the climate and its material as well as social effects (rotting, drying, illness (Jerstad 2014)) starts to look feasible.

The anthropocene is a term which has been shown to have considerable analytical purchase outside of geology, illuminating moral and political debates about blame, the north-south divide and the global movement of materials, people and plants (Chakrabarty 2014, Tsing 2013). These ideas have been applyied in the study of climate scientists themselves (Simonetti 2015) as well as climate policy (Lahsen 2009). The anthropocene, i.e. the world as subject to the effects of human activities such as climate change, may be read as a set of material relationships, where the weather, bodies and landscapes meet, as Ingold showed (2010). This term allows the larger picture, where the world and all the people in it – those people for whom climate change matters – to be considered in a single conceptual space. In this space climate change can be seen as part of the encompassing extra-somatic human activity which defines our world as we are starting to understand it.

The anthropocene and climate change, however, both involve the challenge of how to follow the conceptual and material threads that lead from these global issues and into particular, ethnographically described lives:

 A close examination of scientific practice makes clear that localizing is as much a problem for climate researchers as it is for ethnographers. This holds not only for the     interconnectedness of the global and the local climate, but also for the separation of climate change as a ‘scientific fact’ on the one hand, and a ‘matter of concern’ on the other. Climate research offers an insight into a messy world of ramifications, surprising activities and unexpected “social” context (Krauss 2009:149–50).

Anthropological work has the reflexive capacity to deal with the messy world Krauss refers to here, where these ramifications, surprising activities and unexpected ‘social’ context are part of the particular places where we, as anthropologists, work, taking cues from events and observations around us. In my own fieldwork I found all kinds of unanticipated connections between weathers and other aspects of life. With a research proposal full of religion and ‘belief’ I ended up with far more material interests, guided by the sometimes patient and sometimes exasperated villagers with whom I lived in the western Indian Himalayas.

I was walking with Karishma to get green grass one day during the monsoon. She told me that our village (Gau) is famous for being misty, and therefore that the girls are known, both for working hard and for being beautiful, because even though they are outside the mistiness keeps them pale. So apparently on festival days people say that the girls from this village are gori (white) because there is so much mist here. But Karishma pointed out that this can’t be true because there is mist only in the rainy season. Then she said that the girls here wear sweaters to stay gori. Also, she said girls of this village have a reputation for being hard working so people ask for them in marriage when there is a household where work is to be done. This (I think) might be part of why quite a few of the new brides in Gau are not used to doing as much work as women do here. But then Karishma said fairly that it is not just the girls who work hard, everyone works hard in this village (well, most people). She said that when girls go away to study, like she did, then they come back more beautiful. That is to say pale from not being outside. She was saying how on the other hand I had become more black (kala) since being there in the village (this was true).

People, whether Himalayan villagers or Norwegian PhD students, live with weather on an ongoing basis, and consistently live in the weather, which is not always catastrophic but does always impinge (think food perishability, wardrobe choices, sitting in the shade). The considerations people have with regards to the weather, then, necessarily translate to potential climate change concerns. Climate change is a threat, it has potentially deadly dimensions, but weather is inherent to our world, and I would not want to pathologize it.

Weather relates in fundamental ways to sensation and the body, thermal infrastructure, agriculture and animal husbandry, health and illness, disasters and other areas of anthropology (that is to say life). Weather may be implicated in all kinds of ways with other areas of life – for instance the hot/cold symbolism in India which classifies illness, the body, food and even moods. I think that it can be surprisingly easy to forget or ignore weather precisely because it is so pervasive. And this resistance of the mind against focusing on it is a risk when it comes to climate change. It can be tiring to think about. How, after all, do you write about the wind? And people have (Parkin 1995, James 1972, Hsu and Low 2007), but personally I find it challenging just to make a start – capturing the sky with a few black marks on paper feels so unrealistic. In that sense it is a great stretching area for our minds, about the material and the social, about what we mean with words like ‘impact’ and ‘atmosphere’ and the connections between people and places.

Finally there is the role of anthropology in clarifying the terms of the climate change debate. This is a new kind of challenge, it is a global one (hence the usefulness of Tsing’s work, who demonstrated the crucial part material relationships and meetings play in globalisation (2005)), it is to do with both technologies and nature (we can apply Latour, who shows in ‘we have never been modern’ (1993) how ‘modernity’ has not succeeded in cutting us off from the material and natural world around us), it is political, historical (hence Chakrabarty, whose work pushes us to think in new ways about how we are positioned in history and what place climate change has in this context), and there is something about it which is pushing at the edges in all these areas and others, in which new terms are required to even conceive of some of these problematics. Building on what we understand and moving further, in ways that might tread new neural pathways and enable new realities, simply from the newness of our thinking, feels like a worthwhile undertaking. I suggest that the orientation of research which maps out the weather-weight of social life can help bring the people back into climate change.

So the immovable stone of ‘climate change’ is being loosened up, pulled apart to reassemble in illuminating and constructive ways by people contributing to blow away the fog obstructing understanding, using the culminations of what we know so far and the ways in which we can think new thoughts. This effort rewards.

References

AAA statement on climate change. 29th January 2015. http://www.aaanet.org/cmtes/commissions/CCTF/upload/AAA-Statement-on-Humanity-and-Climate-Change.pdf Accessed 1st July 2015.

Chakrabarty, Dipesh 2014. Climate and Capital: On Conjoined Histories. Critical Inquiry 41(1):1-23.

Crate, Susan. 2008. Gone the Bull of Winter? Grappling with the Cultural Implications of and Anthropology’s Role(s) in Global Climate Change. Current Anthropology 49:569-595.

Crate, Susan and Mark Nuttall, eds. 2009. Anthropology and Climate Change: from Encounters to Actions. California: Left Coast Press.

Cruikshank, Julie. 2005. Do Glaciers Listen? Local Knowledge, Colonial Encounters, and Social Imagination. Toronto: University of British Columbia Press.

Douglas, Mary. 1992. Risk and Blame. London: Routledge

Grodzins-Gold, Ann. 1998. Sin and Rain: Moral Ecology in Rural North India. In Lance Nelson ed. Purifying the Earthly Body of God. New York: State University of New York Press.

Hsu, Elizabeth and Chris Low eds. 2007: Wind, Life, Health: Anthropological and Historical Perspectives. Special issue. Journal of the Royal Anthropological Institute 13:S1-S181.

Ingold, T. (2010), Footprints through the weather-world: walking, breathing, knowing. Journal of the Royal Anthropological Institute, 16: S121–S139.

James, Wendy. 1972. The politics of rain control among the Uduk. In Ian Cunnison and Wendy James eds. Essays on Sudan ethnography presented to Sir Edward Evans-Pritchard. London: C. Hurst.

Jerstad, Heid. 2014. Damp bodies and smoky firewood: material weather and livelihood in rural Himachal Pradesh. Forum for development studies 41(3):399-414.

Krauss, Werner. 2009. Localizing Climate Change: A Multi-sited Approach. In Marc-Anthony Falzon and Clair Hall eds. Multi-Sited. Ethnography. Theory, Praxis and Locality in Contemporary Research 149-165. Ashgate.

Lahsen, Myanna. 2009. A science-policy interface in the Global South: The politics of carbon sinks and science in Brazil. Climatic Change 97:339–372.

Paolisso, Michael. 2003. Chesapeake Bay watermen, weather and blue crabs: cultural models and fishery policies. In Sarah Strauss and Benjamin Orlove eds. Weather, Climate, Culture. Oxford: Berg.

Rudiak-Gould, Peter. 2013. Climate change and tradition in a small island state: the rising tide. Routledge.

Simonetti, Christian. 2015. The stratification of time. Time and Society .

Strauss, Sarah and Orlove, Benjamin eds. 2003. Weather, climate, culture. Oxford: Berg

Tsing, Anna. 2013. Dancing the Mushroom Forest. PAN: Philosophy, Activism, Nature vol 10.

Tsing, Anna. 2005. Friction. Princeton University Press.

Brasil e mais 169 países assinam acordo sobre mudança climática (Estadão)

Cláudia Trevisan e Altamira Silva Junior – 22 de abril de 201

Dilma: 'O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos'

Dilma: ‘O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos’

Representantes de 170 países assinaram nesta sexta-feira, 22, o Acordo de Paris sobre mudança climática, batendo o recorde da história da Organização das Nações Unidas (ONU) de adesão a um tratado internacional em um único dia. Mas todos ouviram o alerta do secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon, de que as boas intenções terão pouco impacto se a convenção não for ratificada pelos países o mais breve possível. Sem isso, o tratado não entrará em vigor.

“Estamos em uma corrida contra o tempo”, disse Ban no discurso de abertura da cerimônia, no plenário da ONU em Nova York. A urgência foi enfatizada por vários chefes de Estado, incluindo os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da França, François Hollande.

Dilma assegurou “a pronta entrada em vigor” da convenção, mas essa decisão depende do Congresso. “O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos”, disse a presidente em seu discurso. E repetiu os compromissos assumidos pelo Brasil durante a negociação do tratado, entre os quais a promessa de reduzir em 37% a emissão de gases poluentes até 2025, na comparação com os patamares registrados em 2005.

Frustração. Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, disse que Dilma frustrou as expectativas de entidades ambientais que esperavam uma sinalização clara de que o Brasil assumirá metas mais ambiciosas em 2018, quando haverá uma avaliação dos resultados do acordo. “O Brasil precisa reconhecer que deve fazer mais que o prometido no ano passado”, disse. “Todos devem, porque estamos na trajetória de 3ºC de aquecimento.”

Aprovado por representantes de 195 nações em dezembro, o tratado prevê uma série de compromissos nacionais com o objetivo de limitar o aumento da temperatura do planeta a 2ºC até o fim do século, em relação ao patamar anterior ao período industrial. Para que entre em vigor, o Acordo de Paris precisa ser ratificado por pelo menos 55 países que representem ao menos 55% das emissões de gases do efeito estufa.

“A era do consumo sem consequências chegou ao fim. Nós temos de intensificar os esforços para ‘descarbonizar’ nossas economias”, ressaltou o secretário-geral das Nações Unidas. Além do caráter simbólico, a cerimônia desta sexta tinha o objetivo de mobilizar os líderes mundiais em torno da ratificação do acordo, de forma que entre em vigor no próximo ano e não em 2020, como inicialmente previsto.

Primeiro a discursar, o presidente da França lembrou que Paris vivia uma situação trágica em dezembro, sob o impacto dos atentados terroristas que haviam provocado a morte de 130 pessoas no mês anterior. Ainda assim, ressaltou, foi possível fechar o acordo histórico sobre mudança climática.

By 2050 Asia at high risk of severe water shortages: MIT study (Reuters)

Thu Apr 14, 2016 11:30am EDT

CAMBRIDGE, MASS 

A new study points to the risk that China and India will be facing severe water shortages due to a perfect storm of economic growth, climate change, and demands of fast growing populations by mid century. 

Within 35 years, the countries where roughly half the world’s population lives may be facing what scientists are calling a “high risk of severe water stress”. That translates into billions of people having access to a lot less water than they do today, according to a new study from MIT.

“There is about a one in three chance that if we take no action to mitigate climate or to do anything to curtail any of the factors that go into this water stress metric, there is a one in three chance that you will reach this unsustainable situation by the middle of the century,” said Adam Schlosser, a senior research scientist who co-authored the paper published in the journal PLOS ONE.

“It’s very important to show that all things being equal, all things not changing, if we continue with what we are doing now we are running along a very dangerous pathway,” he added.

The scientists simulated hundreds of scenarios looking into the future and found that on average, the water basins that feed economic growth in China and India will have less water than they do today. At the same time, they say pressure on water resources will continue to grow as populations increase, creating an unsustainable scenario where supply loses out to demand.

“We are looking at a region where nations are really at a very rapid developing stage or they are at the precipice of a very rapid development stage and so you really can’t ignore the growth effect, you just can’t, particularly when it comes to resources,” said Schlosser.

But overshadowing everything else, they say, is climate change. While some models show that the effects of climate change could potentially benefit water resources in Asia, the majority point in the opposite direction.

Schlosser and his colleagues believe it will only exacerbate an already gloomy outlook for the future.

Coal Companies’ Secret Funding of Climate Science Denial Exposed (Eco Watch)

Elliott Negin, Union of Concerned Scientists | April 13, 2016 10:49 am

Peabody Energy—the nation’s largest investor-owned coal company—declared bankruptcy Wednesday. Among the many consequences: the company’s court-ordered disclosures are likely to yield hard evidence of Peabody’s direct links to climate science denial.

After all, that’s what we learned from the bankruptcy filings of two other major U.S. coalcompanies, Arch Coal and Alpha Natural Resources. The companies’ lists of creditors accompanying their chapter 11 bankruptcy filings both cited known climate science deniers. So far, the bankruptcy cases have not revealed the details of these financial relationships. But there is now no doubt the coal companies contracted with these groups and individuals to either make a donation or pay for services.

Recent bankruptcy filings have revealed that Chris Horner, who regularly derides climate science on Fox News Channel, has financial ties to the coal industry.Recent bankruptcy filings have revealed that Chris Horner, who regularly derides climate science on Fox News Channel, has financial ties to the coal industry.

This new evidence is important at a time when coal and oil and gas companies are under increased scrutiny about their ongoing climate science disinformation campaigns. ExxonMobil, for example, currently faces state and possibly federal investigations into whether the discrepancies between what the company knew about climate science and what it told their shareholders and the public amounted to fraud.

Of course, there’s no shortage of historical evidence of the coal industry’s track record of deceiving the public about global warming. In 1991, for example, coal trade associations formed a short-lived front group called the Information Council on the Environment that ran a national public relations campaign downplaying the known risks of climate change. All through the 1990s, coal trade groups also were members of the Global Climate Coalition, an alliance of companies and business groups that disputed the findings of the U.N. Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and, later on, helped scuttle the Kyoto Protocol climate treaty. And, more recently, the American Coalition for Clean Coal Electricity paid a lobbying firm to send forged letters to members of Congress from actual nonprofit groups, including the NAACP and the American Association of University Women, espousing fabricated opposition to a 2009 climate change bill.

But such coal company connections have been harder to pin down in the current era of so-called dark money. That’s what makes the latest disclosures so noteworthy: They indicate that coal industry disinformation campaigns have continued even as the scientific evidence that burning fossil fuels is driving climate change has only become stronger.

Revealing Creditor Lists

The creditor list for Alpha Natural Resources—which filed for bankruptcy last August—indicates that the company has been especially active in supporting the denier network. As first reported by The Intercept, Alpha—the fourth largest U.S. coal company—has financial ties with a half dozen denier organizations, some which have direct links to billionaire brothers Charles and David Koch, owners of the coal, oil and gas conglomerate Koch Industries. The Koch-affiliated groups include Americans for Prosperity, the Institute for Energy Research and Freedom Partners Chamber of Commerce, a de facto Koch bank that disburses donations from anonymous, wealthy conservatives to groups that advocate rolling back public health, environmental and workplace protections.

Other Alpha creditors include the U.S. Chamber of Commerce, which questions the legitimacy of climate models; the Heartland Institute, which is probably best known for its billboard likening climate scientists to the serial killer Ted Kaczynski; and the American Legislative Exchange Council (ALEC), which convenes conferences for its state legislator members featuring speakers who distort climate science and disparage renewable energy. One of the speakers at a summer 2014 ALEC conference, for example, was Heartland Institute President Joe Bast, whose slide presentation falsely claimed: “There is no scientific consensus on the human role in climate change” and “The Intergovernmental Panel on Climate Change … is not a credible source of science or economics.”

The Alpha creditor list also includes at least two individuals with links to denier groups. Particularly noteworthy is Chris Horner, an attorney who is closely associated with a number of nonprofit denier groups, including ALEC, the Competitive Enterprise Institute (CEI), the Heartland Institute, the Energy & Environmental Legal Institute (E&E Legal), formerly the American Tradition Institute, and the Free Market Environmental Law Clinic, another Alpha creditor.

Arch Coal, the second largest U.S. coal company, listed ALEC and E&E Legal in its list of creditors when it filed for chapter 11 protection in January. Just last month, the Wall Street Journal reported that the company donated $10,000 to E&E Legal in 2014. E&E Legal’s executive director, Craig Richardson, told the Journal the contribution was for “general support.”

Chris Horner’s Coal Ties Disclosed

The exposure of Horner’s financial ties to coal companies is significant because he is a regular guest on Fox News Channel, which identifies him by his affiliation with CEI or E&E Legal but not by his connection to the coal industry.

Despite his lack of scientific expertise, Horner routinely critiques scientific findings, has called for spurious investigations of climate scientists affiliated with the IPCC and the National Aeronautics and Space Administration and has harassed scientists by filing intrusive open records requests with the universities where they work. As legal counsel for the Energy & Environmental Legal Institute and the Free Market Environmental Law Clinic—which work in tandem—Horner has targeted a number of leading climate scientists, including James Hansenand Katharine Hayhoe. Perhaps his most notorious lawsuit was against the University of Virginia to obtain emails, draft research papers, handwritten notes and other documents related to the work of Michael Mann, lead author of the famous “hockey stick” study demonstrating the link between increased fossil fuel use and rising global temperatures. The Virginia Supreme Court ultimately ruled in favor of the university and Mann, affirming the school’s right to protect the privacy of its researchers from overly broad open records requests.

According to the Wall Street Journal, Alpha paid Horner $18,600 before it declared bankruptcy. Meanwhile, the Free Market Environmental Law Clinic—an Alpha creditor—paid him $110,000 in 2014, $115,865 in 2013 and $60,449 in 2012, according to the clinic’s tax filings.

Besides Alpha and Arch Coal, Horner has ties to other coal companies. Last summer, he was a featured speaker at a private $7,500-a-person golf and fly-fishing retreat sponsored by Alpha, Arch Coal and four other coal companies: Alliance Resource Partners, Consol Energy, Drummond and United Coal. After the event—the 2015 annual Coal & Investment Leadership Forum—attendees received an email from the coal company CEOs praising Horner, according to the Center for Media and Democracy, a nonpartisan political watchdog group that first reported the connection between Arch Coal and E&E Legal. “As the ‘war on coal’ continues,” the email stated, “I trust that the commitment we have made to support Chris Horner’s work will eventually create a greater awareness of the illegal tactics being employed to pass laws that are intended to destroy our industry.”

Given the recent spate of bankruptcies, the companies’ commitment to Horner likely will create a greater awareness of something quite different: that the coal industry—along with the likes of ExxonMobil and Koch Industries—is still funding denier groups to spread disinformation about climate science and delay government action. It is time we held these companies accountable.