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Clima, gênero e a interseccionalidade (Clima Info)

climainfo.org.br


Por Tatiane Matheus*

O planeta Terra vive uma emergência climática e a necessidade de soluções e ações se tornou ainda mais urgente com a crise mundial ocasionada pela pandemia da COVID-19. Um novo pacto social, político e econômico verde precisa ser debatido e muitas coisas precisam ser colocadas em prática para não haver um colapso ainda maior.

As mulheres não são (e nem devem ser vistas como) vítimas, nem heroínas. Mas, sim, estão nos grupos dos mais vulneráveis na emergência climática. Em diferentes aspectos, não apenas por questões de gênero. Raça, etnia, classe social, região, por exemplo, podem fazer com que esses impactos sejam vivenciados de formas distintas.

Mesmo representando a metade da população mundial e sendo as mais impactadas pelos efeitos do aquecimento global, as mulheres não possuem uma representatividade proporcional nas principais esferas de decisão; nem nas possíveis soluções das quais poderiam ser beneficiadas, elas são contempladas.

Até nos postos de trabalho gerados pelos investimentos em setores da Economia Verde – aqueles que colaboram para a redução dos efeitos da emergência climática – as mulheres têm igualdade. Importantes esferas de decisão, como as Conferências do Clima (COPs), também não possuem a devida proporcionalidade de gênero nos postos de liderança, como divulgado no final do ano passado: “Mulheres pedem igualdade de gênero no comando da COP26”.

O grupo de Trabalho sobre Gênero & Clima do Observatório do Clima também entende que as mulheres têm suas vidas significativamente afetadas pelas mudanças climáticas e muitos problemas são potencializados pelas injustiças estruturais em relação ao gênero.

Interseccionalidade é o estudo da sobreposição ou intersecção de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação ou discriminação que nos permite compreender melhor as desigualdades e a sobreposição dessas opressões e discriminações existentes em nossa sociedade. Levando-se em conta o conceito de intersecção, mulheres indígenas, mulheres quilombolas, mulheres negras, mulheres da periferia, agricultoras, mães solteiras e chefes de família são impactadas de formas distintas. Até mesmo ao buscar responder a pergunta: Por que a produção de artigos científicos por mulheres caiu brutalmente durante a pandemia, vamos encontrar entre as respostas possíveis que a divisão sexual do trabalho doméstico e de cuidado existente em nossa sociedade acabam impactando as mulheres.

“Não existe hierarquia de opressão, já aprendemos. Identidades sobressaltam aos olhos ocidentais, mas a interseccionalidade se refere ao que faremos politicamente com a matriz de opressão responsável por produzir diferenças, depois de enxergá-las como identidades. Uma vez no fluxo das estruturas, o dinamismo identitário produz novas formas de viver, pensar e sentir, podendo ficar subsumidas a certas identidades insurgentes, ressignificadas pelas opressões”, como explica a doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia, Carla Akotirene, em seu livro Interseccionalidade.

Um exemplo emblemático sobre com muitas questões importantes podem se tornar “imperceptíveis” se não trouxermos o olhar da interseccionalidade é o discurso da intelectual Sojourner Truth, em 1851, “E eu não sou uma mulher?” em uma convenção pelos Direitos das Mulheres, onde ela questiona o conceito de “mulher universal”, sob seu ponto de vista de uma ex-escrava. Para se buscar uma retomada verde inclusiva — um novo pacto social econômico que seja de fato inclusivo —, deve-se  levar em conta o conceito de interseccionalidade para que possa tirar da invisibilidade muitas pessoas.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), os países pobres são os que mais sofrem as consequências imediatas da mudança climática por causa das condições desfavoráveis pré-existentes. Apesar de todas as regiões do planeta estarem sendo afetadas, os danos serão maiores para aqueles que tenham mais vulnerabilidades socioeconômicas e a sua localização geográfica.

Segundo as estimativas do Parlamento Europeu, 70% das 1,3 bilhões de pessoas em situação de pobreza em todo o mundo são mulheres.  Entretanto, o relatório da ONU Mulheres (2020) mostra que apenas cinco dos 75 estados membros da Organização das Nações Unidas reconheceram que as considerações de gênero são importantes para responder aos riscos de segurança relacionados ao clima. A pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) trouxe à tona muitas diferenças sociais que já eram óbvias, mas não eram enxergadas — talvez não quisessem enxergá-las ou eram invisíveis por serem naturalizadas — por muitos.

Como apontado no artigo “Por que somente o investimento econômico em ‘setores verdes’ não basta”, para se reduzir as desigualdades estruturais de gênero e raça presentes no Brasil e trazer um desenvolvimento sustentável para uma retomada verde inclusiva são necessários: debater o tema e dar a devida nomenclatura para casos de racismo ambiental, falta de equidade de gênero e outras desigualdades;  ter ações coordenadas que busquem políticas macroeconômicas e de desenvolvimento, políticas industriais e setoriais que considerem as dimensões sociais, ambientais e climáticas; gerar apoio para que micro e pequenas empresas atuem nos novos setores da economia de baixo carbono; buscar desenvolvimento de habilidades e competências profissionais; priorizar saúde e segurança no trabalho; ampliar ofertas de proteção social; defender os direitos universais e os serviços públicos;  e criar políticas públicas e ações que promovam a garantia dos Direitos Fundamentais do Trabalho.

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*Tatiane Matheus é pesquisadora no ClimaInfo e membro do Grupo de Trabalho de Gênero & Clima do Observatório do Clima.

ClimaInfo, 8 de março de 2021.

Crise do clima aprofunda desigualdades e viola direitos humanos, diz ONG (Folha de S.Paulo)

Anistia Internacional aponta efeitos desproporcionais da mudança climática, que prejudica mais grupos vulneráveis

13.ago.2021 às 3h00

Fernanda Mena – São Paulo

A crise climática é uma crise de direitos humanos, cujas emergências já estão afetando de maneira desproporcional os países mais vulneráveis e os grupos sociais mais discriminados e marginalizados, aprofundando desigualdades.

É isso o que indica o relatório “Parem de Queimar Nossos Direitos”, lançado nesta sexta-feira (13) globalmente pela Anistia Internacional.

O documento detalha como emergências climáticas têm consequências injustas entre países, entre diferentes populações e entre gerações e de que maneira elas comprometem a garantia de uma série de direitos fundamentais, como o direito à vida, à água, à alimentação, à moradia, à saúde, ao trabalho e à autodeterminação, entre outros.

O primeiro e mais elementar desses direitos é a face mais evidente e trágica da escalada de emergências climáticas que tomaram o noticiário ao longo do último ano. Tempestades devastadoras, recorde de furacões, ondas de calor e incêndios sem precedentes mataram pessoas da Austrália à Alemanha, passando por Bahamas, China e Canadá.

Segundo o documento, mais de 20 milhões de pessoas foram deslocadas internamente, em média, a cada ano entre 2008 e 2019 por causa de eventos relacionados ao clima. Parte desses eventos afetou a vida de milhões de pessoas ao destruir plantações e casas e queimar florestas e cidades inteiras, além de secar rios. O Brasil, por exemplo, vive a pior estiagem dos últimos 91 anos, o que compromete o abastecimento da população e o fornecimento de energia elétrica.

A ONG internacional reitera um alerta da comunidade científica: a temperatura do planeta já subiu, em média, 1,1ºC desde tempos pré-industriais, e os países precisam evitar que essa elevação dos termômetros ultrapasse 1,5º C. Para isso, precisam reduzir ao máximo, chegando a zero, suas emissões de carbono.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estimou que manter o aumento da temperatura média global em 1,5°C, e não em 2°C, resultaria na proteção de 420 milhões de pessoas em relação a ondas de calor extremas e na redução de 50% no número de pessoas expostas ao estresse hídrico induzido pelo clima, além de diminuir o risco de inundações costeiras.

Estudo publicado na revista Nature calculou que, em 2050, a elevação do nível do mar por conta do derretimento de gelo nos pólos do planeta pode afetar mais de 1 milhão de brasileiros que vivem em regiões costeiras.

“As autoridades públicas no Brasil têm contribuído para que haja um desmonte da agenda ambiental, mas não há mais espaço para o negacionismo. A vida de brasileiros e brasileiras deve vir em primeiro lugar”, explica Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

Segundo Werneck, os Estados têm obrigações legais de enfrentar a crise do clima, de acordo com a normativa internacional dos direitos humanos. “Exigimos que o governo do presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional ajam para atenuar os efeitos das mudanças climáticas sobre a população brasileira e implementem políticas públicas de conservação da natureza e proteção dos direitos humanos.”

Para ela, o governo do Brasil não está fazendo o que é preciso para enfrentar a crise climática. “Muito pelo contrário, temos visto decisões equivocadas, perigosas e muita negligência. O governo não se coloca ao lado da proteção do ambiente natural nem dos sujeitos de grupos populacionais como indígenas, quilombolas e moradores das periferias das cidades para mitigar e superar os impactos da crise climática.”

Embora as mudanças climáticas sejam um fenômeno global, elas atingem países pobres e em desenvolvimento de maneira desproporcional, o que configura um aspecto injusto desse fenômeno.

O relatório afirma que os países e blocos que mais emitiram CO2 na história —EUA, União Europeia, China, Rússia e Japão— têm uma responsabilidade histórica e precisam agir em seu território e no exterior, mas não são os únicos que devem responder ao imperativo de mudanças.

“Para resolver essa crise, que é global, é preciso que a responsabilidade de agir seja compartilhada por todos e todas. Todos os países precisam fazer alguma coisa urgente, sejam os países mais ricos do mundo, sejam aqueles em desenvolvimento, como o Brasil, sejam os países mais pobres do mundo. Todo mundo tem o que fazer, todo mundo deve fazer. Se omitir nesse momento é extremamente violador dos direitos humanos”, afirma a diretora-executiva da Anistia no Brasil.

Neste sentido, o relatório da organização aponta que a omissão de países em tomar medidas audaciosas para enfrentar a crise do clima é, em si, uma violação de direitos humanos porque tem impactos concretos sobre direitos com um escopo ainda maior que outros tipos de violações.

Isso porque, além do desequilíbrio entre nações, os efeitos das emergências climáticas também estão ligados às desigualdades e privilégios de parcelas da população mundial.

De acordo com o relatório da Anistia, de 1990 a 2015, os 10% mais ricos da população mundial (cerca de 630 milhões de pessoas) foram responsáveis por mais da metade das emissões acumuladas de carbono, enquanto os 50% mais pobres (cerca de 3,1 bilhões de pessoas) foram responsáveis por apenas 7% das emissões acumuladas.

Estudos já identificaram que existem recortes étnicos, raciais e de gênero nas pessoas mais afetadas, entre elas, mulheres, pessoas negras e povos indígenas, além de outros grupos que vivem em moradias mais precárias, em localidades de risco ou em áreas mais expostas à poluição e menos servidas de saneamento, por exemplo.

Por isso, ao mesmo tempo que o relatório convoca os países a reduzir drasticamente a queima de combustíveis fósseis e a acelerarem suas transições para matrizes energéticas limpas, a Anistia chama a atenção para a necessidade de cuidar das pessoas mais vulneráveis. Para tanto, recomenda a criação de mecanismos de financiamento internacional para que se adote medidas de mitigação da crise e de adaptação das populações a emergências climáticas.

Além disso, de acordo com a ONG, esses projetos de mitigação e de adaptação muitas vezes ocorrem em contextos de violação de direitos, seja no campo do trabalho ou da alimentação, no caso das monoculturas de biocombustíveis.

“Há uma profunda injustiça permeando toda essa crise climática. Porque é uma minoria das pessoas do mundo e dos países do mundo que produzem um excesso de gases de efeito estufa, que estão na origem da crise climática. E são aqueles que são excluídos e marginalizados que já estão pagando o preço mais alto dessa crise”, avalia Werneck.

“Portanto, a resposta à crise precisa ser coordenada e ter enfoque em direitos humanos. Precisa garantir que as medidas de reparação e de correção de rota sejam rápidas, mas também sejam justas.”

Climate Anxiety Is an Overwhelmingly White Phenomenon (Scientific American)

scientificamerican.com

Sarah Jaquette Ray, March 21, 2021


Is it really just code for white people wishing to hold onto their way of life or to get “back to normal?”

The climate movement is ascendant, and it has become common to see climate change as a social justice issue. Climate change and its effects—pandemics, pollution, natural disasters—are not universally or uniformly felt: the people and communities suffering most are disproportionately Black, Indigenous and people of color. It is no surprise then that U.S. surveys show that these are the communities most concerned about climate change.

One year ago, I published a book called A Field Guide to Climate Anxiety. Since its publication, I have been struck by the fact that those responding to the concept of climate anxiety are overwhelmingly white. Indeed, these climate anxiety circles are even whiter than the environmental circles I’ve been in for decades. Today, a year into the pandemic, after the murder of George Floyd and the protests that followed, and the attack on the U.S. Capitol, I am deeply concerned about the racial implications of climate anxiety. If people of color are more concerned about climate change than white people, why is the interest in climate anxiety so white? Is climate anxiety a form of white fragility or even racial anxiety? Put another way, is climate anxiety just code for white people wishing to hold onto their way of life or get “back to normal,” to the comforts of their privilege?

The white response to climate change is literally suffocating to people of color. Climate anxiety can operate like white fragility, sucking up all the oxygen in the room and devoting resources toward appeasing the dominant group. As climate refugees are framed as a climate security threat, will the climate-anxious recognize their role in displacing people from around the globe? Will they be able to see their own fates tied to the fates of the dispossessed? Or will they hoard resources, limit the rights of the most affected and seek to save only their own, deluded that this xenophobic strategy will save them? How can we make sure that climate anxiety is harnessed for climate justice?

My book has connected me to a growing community focused on the emotional dimensions of climate change. As writer Britt Wray puts it, emotions like mourning, anger, dread and anxiety are “merely a sign of our attachment to the world.” Paradoxically, though, anxiety about environmental crisis can create apathy, inaction and burnout. Anxiety may be a rational response to the world that climate models predict, but it is unsustainable.

And climate panic can be as dangerous as it is galvanizing. Dealing with feelings of climate anxiety will require the existential tools I provided in A Field Guide to Climate Anxiety, but it will also require careful attention to extremism and climate zealotry. We can’t fight climate change with more racism. Climate anxiety must be directed toward addressing the ways that racism manifests as environmental trauma and vice versa—how environmentalism manifests as racialized violence. We need to channel grief toward collective liberation.

The prospect of an unlivable future has always shaped the emotional terrain for Black and brown people, whether that terrain is racism or climate change. Climate change compounds existing structures of injustice, and those structures exacerbate climate change. Exhaustion, anger, hope—the effects of oppression and resistance are not unique to this climate moment. What is unique is that people who had been insulated from oppression are now waking up to the prospect of their own unlivable future.

It is a surprisingly short step from “chronic fear of environmental doom,” as the American Psychological Association defines ecoanxiety, to xenophobia and fascism. Racism is not an accidental byproduct of environmentalism; it has been a constant reference point. As I wrote about in my first book, The Ecological Other, early environmentalists in the U.S. were anti-immigrant eugenicists whose ideas were later adopted by Nazis to implement their “blood and soil” ideology. In a recent, dramatic example, the gunman of the 2019 El Paso shooting was motivated by despair about the ecological fate of the planet: “My whole life I have been preparing for a future that currently doesn’t exist.” Intense emotions mobilize people, but not always for the good of all life on this planet.

Today’s progressives espouse climate change as the “greatest existential threat of our time,” a claim that ignores people who have been experiencing existential threats for much longer. Slavery, colonialism, ongoing police brutality—we can’t neglect history to save the future.

RESILIENCE AND RELATION AS RESISTANCE

I recently gave a college lecture about climate anxiety. One of the students e-mailed me to say she was so distressed that she’d be willing to submit to a green dictator if they would address climate change. Young people know the stakes, but they are not learning how to cope with the intensity of their dread. It would be tragic and dangerous if this generation of climate advocates becomes willing to sacrifice democracy and human rights in the name of climate change.

Oppressed and marginalized people have developed traditions of resilience out of necessity. Black, feminist and Indigenous leaders have painstakingly cultivated resilience over the long arc of the fight for justice. They know that protecting joy and hope is the ultimate resistance to domination. Persistence is nonnegotiable when your mental, physical and reproductive health are on the line.

Instead of asking “What can I do to stop feeling so anxious?”, “What can I do to save the planet?” and “What hope is there?”, people with privilege can be asking “Who am I?” and “How am I connected to all of this?” The answers reveal that we are deeply interconnected with the well-being of others on this planet, and that there are traditions of environmental stewardship that can be guides for where we need to go from here.

Author’s Note: I want to thank Jade Sasser, Britt Wray, Janet Fiskio, and Jennifer Atkinson for rich discussions about this topic, which inform this piece.

This is an opinion and analysis article.

Sarah Jaquette Ray, Ph.D., is professor and chair in the Environmental Studies Department at Humboldt State University.

‘Relatório sobre 1,5ºC trará dilema moral’ (Observatório do Clima)

Vice-presidente do IPCC afirma que próximo documento do grupo, em 2018, pode apresentar a escolha entre salvar países-ilhas e usar tecnologias incipientes de modificação climática

O próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, encomendado para 2018, pode apresentar à humanidade um dilema moral: devemos lançar mão em larga escala de tecnologias ainda não testadas e potencialmente perigosas de modificação do clima para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC? Ou devemos ser prudentes e evitar essas tecnologias, colocando em risco a existência de pequenas nações insulares ameaçadas pelo aumento do nível do mar?

Quem expõe a dúvida é Thelma Krug, 65, diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e vice-presidente do painel do clima da ONU. Ela coordenou o comitê científico que definiu o escopo do relatório e produziu, no último dia 20, a estrutura de seus capítulos. A brasileira deverá ter papel-chave também na redação do relatório, cujos autores serão escolhidos a partir de novembro.

O documento em preparação é um dos relatórios mais aguardados da história do IPCC. É também único pelo fato de ser feito sob encomenda: a Convenção do Clima, na decisão do Acordo de Paris, em 2015, convidou o painel a produzir um relatório sobre impactos e trajetórias de emissão para limitar o aquecimento a 1,5oC, como forma de embasar cientificamente o objetivo mais ambicioso do acordo. A data de entrega do produto, 2018, coincidirá com a primeira reunião global para avaliar a ambição coletiva das medidas tomadas contra o aquecimento global após a assinatura do tratado.

Segundo Krug, uma das principais mensagens do relatório deverá ser a necessidade da adoção das chamadas emissões negativas, tecnologias que retirem gases-estufa da atmosfera, como o sequestro de carbono em usinas de bioenergia. O problema é que a maior parte dessas tecnologias ou não existe ainda ou nunca foi testada em grande escala. Algumas delas podem envolver modificação climática, a chamada geoengenharia, cujos efeitos colaterais – ainda especulativos, como as próprias tecnologias – podem ser quase tão ruins quanto o mal que elas se propõem a curar.

Outro risco, apontado pelo climatólogo britânico Kevin Anderson em comentário recente na revista Science, é essas tecnologias virarem uma espécie de desculpa para a humanidade não fazer o que realmente precisa para mitigar a mudança climática: parar de usar combustíveis fósseis e desmatar florestas.

“Ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas”, disse Krug. “Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.”

Ela disse esperar, por outro lado, que o relatório mostre que existem tecnologias maduras o suficiente para serem adotadas sem a necessidade de recorrer a esquemas mirabolantes.

“Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas”, afirmou, lembrando que, quanto mais carbono cortarmos rápido, menos teremos necessidade dessas novas tecnologias.

Em entrevista ao OC, concedida dois dias depois de voltar do encontro do IPCC na Tailândia e minutos antes de embarcar para outra reunião, na Noruega, Thelma Krug falou sobre suas expectativas para o relatório e sobre os bastidores da negociação para fechar seu escopo – que opôs, para surpresa de ninguém, as nações insulares e a petroleira Arábia Saudita.

A sra. coordenou o comitê científico que definiu o índice temas que serão tratados no relatório do IPCC sobre os impactos de um aquecimento de 1,5oC. A entrega dessa coordenação a uma cientista de um País em desenvolvimento foi deliberada?

O IPCC decidiu fazer três relatórios especiais neste ciclo: um sobre 1,5oC, um sobre oceanos e um sobre terra. O presidente do IPCC [o coreano Hoesung Lee] achou por bem que se formasse um comitê científico e cada um dos vice-presidentes seria responsável por um relatório especial. Então ele me designou para o de 1,5oC, designou a Ko Barrett [EUA] para o de oceanos e o Youba [Sokona, Mali] para o de terra. O comitê foi formado para planejar o escopo: número de páginas, título, sugestões para cada capítulo. E morreu ali. Por causa da natureza do relatório, que será feito no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, houve também a participação de duas pessoas da área de ciências sociais, de fora do IPCC. Agora, no começo de novembro, sai uma chamada para nomeações. Serão escolhidos autores principais, coordenadores de capítulos e revisores.

Quantas pessoas deverão produzir o relatório?

No máximo cem. Considerando que vai ter gente do birô também. Todo o birô do IPCC acaba envolvido, são 30 e poucas pessoas, que acabam aumentando o rol de participantes.

A sra. vai participar?

Participarei, e participarei bastante. Os EUA fizeram um pedido para que o presidente do comitê científico tivesse um papel de liderança no relatório. Isso porque, para esse relatório, eu sinto algo que eu não sentia tanto para os outros: se não fosse eu acho que seria difícil. Porque teve muita conversa política.

Quando um país levanta uma preocupação, eu tenho de entender mais a fundo onde a gente vai ter que ter flexibilidade para construir uma solução. Eu acho que foi muito positivo o fato de o pessoal me conhecer há muitos anos e de eu ter a liberdade de conversar com uma Arábia Saudita com muita tranquilidade, de chegar para as pequenas ilhas e conversar com muita tranquilidade e tentar resolver as preocupações.

Por exemplo, quando as pequenas ilhas entraram com a palavra loss and damage [perdas e danos], para os EUA isso tem uma conotação muito política, e inaceitável para eles no contexto científico. No fórum científico, tivemos de encontrar uma forma que deixasse as pequenas ilhas confortáveis sem mencionar a expressão loss and damage, mas captando com bastante propriedade aquilo que eles queriam dizer com isso. Acabou sendo uma negociação com os autores, com os cientistas e com o pessoal do birô do painel para chegar numa acomodação que deixasse a todos satisfeitos.

E qual era a preocupação dos sauditas?

Na reunião anterior, que definiu o escopo do trabalho, a gente saiu com seis capítulos bem equilibrados entre a parte de ciências naturais e a parte de ciência social. Por exemplo, essa parte de desenvolvimento sustentável, de erradicação da pobreza, o fortalecimento do esforço global para tratar mudança do clima. E os árabes não queriam perder esse equilíbrio. E as pequenas ilhas diziam que o convite da Convenção foi para fazer um relatório sobre impactos e trajetórias de emissões.

Mas as ilhas estavam certas, né?

De certa maneira, sim. O que não foi certo foi as ilhas terem aceitado na reunião de escopo que o convite fosse aceito pelo IPCC “no contexto de fortalecer o esforço global contra a ameaça da mudança climática, do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Eles abriram o escopo.

A culpa não foi de ninguém, eles abriram. A partir do instante em que eles abriram você não segura mais. Mas isso requereu também um jogo de cintura para tirar um pouco do peso do desenvolvimento sustentável e fortalecer o peso relativo dos capítulos de impactos e trajetórias de emissões.

Essa abertura do escopo enfraquece o relatório?

Não. Porque esse relatório vai ter 200 e poucas páginas, e cem delas são de impactos e trajetórias. Alguns países achavam que já havia muito desenvolvimento sustentável permeando os capítulos anteriores, então por que você ia ter um capítulo só para falar de desenvolvimento sustentável? Esse capítulo saiu de 40 páginas para 20 para justamente fortalecer a contribuição relativa de impactos e trajetórias do relatório. E foi uma briga, porque as pequenas ilhas queriam mais um capítulo de impactos e trajetórias. Esse relatório é mais para eles. Acima de qualquer coisa, os mais interessados nesse relatório são as pequenas ilhas.

Um dos desafios do IPCC com esse relatório é justamente encontrar literatura sobre 1,5oC, porque ela é pouca. Em parte porque 1,5oC era algo que as pessoas não imaginavam que seria possível atingir, certo?

Exato.

Porque o sistema climático tem uma inércia grande e as emissões do passado praticamente nos condenam a 1,5oC. Então qual é o ponto de um relatório sobre 1,5oC?

O ponto são as emissões negativas. O capítulo 4 do relatório dirá o que e como fazer. Faremos um levantamento das tecnologias existentes e emergentes e a agilidade com que essas tecnologias são desenvolvidas para estarem compatíveis em segurar o aumento da temperatura em 1.5oC. Vamos fazer uma revisão na literatura, mas eu não consigo te antecipar qualquer coisa com relação à forma como vamos conseguir ou não chegar a essas emissões negativas. Mas é necessário: sem elas eu acho que não dá mesmo.

A sra. acha, então, que as emissões negativas podem ser uma das grandes mensagens desse novo relatório…

Isso já ocorreu no AR5 [Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2013 e 2014]. Porque não tinha jeito, porque você vai ter uma emissão residual. Só que no AR5 não tínhamos muita literatura disponível.

Quando se vai falar também da velocidade com a qual você consegue implementar essas coisas… o relatório também toca isso aí no contexto atual. Mas, no sufoco, essas coisas passam a ter outra velocidade, concorda? Se você demonstrar que a coisa está ficando feia, e está, eu acho que isso sinaliza para o mundo a necessidade de ter uma agilização maior no desenvolvimento e na implementação em larga escala de tecnologias que vão realmente levar a emissões negativas no final deste século.

Nós temos esse tempo todo?

Para 1,5oC é bem complicado. Em curto prazo, curtíssimo prazo, você precisa segurar as emissões, e aí internalizar o que você vai ter de emissões comprometidas. De tal forma que essas emissões comprometidas estariam sendo compensadas pelas tecnologias de emissões negativas. Esse é muito o meu pensamento. Vamos ver como isso acabará sendo refletido no relatório em si.

Haverá cenários específicos para 1,5oC rodados pelos modelos climáticos?

Tem alguma coisa nova, mas não tem muita coisa. Eles devem usar muita coisa que foi da base do AR5, até porque tem de ter comparação com 2oC. A não ser que rodem de novo para o 2oC. Precisamos entender o que existe de modelagem nova e, se existe, se ela está num nível de amadurecimento que permita que a gente singularize esses modelos para tratar essa questão nesse novo relatório.

Há cerca de 500 cenários para 2oC no AR5, e desses 450 envolvem emissões negativas em larga escala.

Para 1,5oC isso vai aumentar. Para 1,5oC vai ter de acelerar a redução de emissões e ao mesmo tempo aumentar a introdução de emissões negativas nesses modelos.

Há alguns dias o climatologista Kevin Anderson, diretor-adjunto do Tyndall Centre, no Reino Unido, publicou um comentário na revista Science dizendo que as emissões negativas eram um “risco moral por excelência”, por envolver competição por uso da terra, tecnologias não testadas e que vão ter de ser escaladas muito rápido. A sra. concorda?

Eu acho que essa questão de geoengenharia é uma das coisas que vão compor essa parte das emissões negativas. E aí talvez ele tenha razão: o mundo fica assustado com as coisas que vêm sendo propostas. Porque são coisas loucas, sem o amadurecimento necessário e sem a maneira adequada de se comunicar com o público. Mas vejo também que haverá tempo para um maior amadurecimento disso.

Mas concordo plenamente que ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas. Mas esse é meu ponto de vista. Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.

Deixe-me ver se entendi o seu ponto: a sra. acha que há um risco de essas tecnologias precisarem ser adotadas e escaladas sem todos os testes que demandariam num cenário ideal?

Fica difícil eu dizer a escala disso. Sem a gente saber o esforço que vai ser possível fazer para cortar emissões em vez de ficar pensando em compensar muito fortemente o residual, fica difícil dizer. Pode ser que já haja alguma tecnologia amadurecida antes de começar a pensar no que não está amadurecido. Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas.

Agora, entre você falar: “Não vou chegar a 1,5oC porque isso vai exigir implementar tecnologias complicadas e que não estão amadurecidas” e isso ter uma implicação na vida das pequenas ilhas… isso também é uma preocupação moral. É um dilema. Eu tenho muita sensibilidade com a questão de geoengenharia hoje. E não sou só eu. O IPCC tem preocupação até em tratar esse tema. Mas é a questão do dilema. O que eu espero que o relatório faça é indicar o que precisa ser feito. Na medida em que você vai fazendo maiores reduções, você vai diminuindo a necessidade de emissões negativas. É essa análise de sensibilidade que os modelos vão fazer.

Observatório do Clima

Video: Drought, Climate, Security, and Syria (Skeptical Science)

Posted on 13 November 2015 by greenman3610

This is a re-post from Yale Climate Connections

 

 

Drought, water, war, and climate change” is the title of this month’s Yale ClimateConnections video exploring expert assessments of the interconnections between and among those issues.

With historic 1988 BBC television footage featuring Princeton University scientist Syukuru (“Suki”) Manabe and recent news clips and interviews with MIT scientist Kerry Emanuel, Ohio State University scientist Lonnie Thompson, CNN reporter Christiane Amanpour, and New York Times columnist and book author Tom Friedman, the six-minute video plumbs the depths of growing climate change concerns among national security experts.

Friedman, in footage from the 2014 Showtime “Years of Living Dangerously” nine-episode documentary, points to a NOAA analysis that climate change has caused the Mediterranean region, in Friedman’s words, “to dry up . . . . leading to longer and more severe droughts.” Friedman in that piece pointed out that severe droughts struck Syria – “which is right at the epicenter” of the worst impacts — in the four years leading up to the Syrian revolution.

MIT scientist Kerry Emanuel points to increasing concerns among military experts over climate change. “These are not sandal-wearing, fruit juice-drinking hippies from the sixties,” he says. “These are serious folk” concerned about “significant geopolitical impacts around the world.”

CNN reporter Christiane Amanpour reports that climate change and dwindling water supplies “may have helped fuel Syria’s war.” She says drought in Syria from 2006 through 2010 “scorched 60 percent of Syria’s land, and it killed 80 percent of livestock in some regions, putting three-quarters of the farmers out of work, and ultimately displacing 1.5 million people.”

“While no one’s claiming a direct cause and effect” relationship, Amanpour says, “the drought did bring on the diaspora from dying farms and over-crowded cities, and thereby put enormous economic and social pressures on an already fractured society.”

The video ends with Lonnie Thompson pointing to Tibet’s numerous glaciers and the Indus River flowing through China, Pakistan, and India.  All, he says, are “nuclear-powered countries,” each of them dependent on the Indus for water supplies . . . “all geopolitical hot-spots in the future” with a big stake on the glaciers increasingly under stress in a warming climate.

Conta das mudanças climáticas é mais alta para nações ricas (O Globo)

ActionAid calcula que países desenvolvidos devem doar 0,1% do PIB a fundo comum

POR O GLOBO

18/11/2015 6:00

 

Mulheres polonesas conversam em frente à usina: países desenvolvidos não pagam valores justos para atenuar mudanças climáticas, diz ONG – JOE KLAMAR/AFP

RIO — Um novo estudo da ONG ActionAid denunciou ontem a diferença abissal entre as quantias exigidas e as doadas pelos países desenvolvidos para que as nações mais pobres criem medidas de adaptação contra as mudanças climáticas. Em 2013, foram destinados cerca de US$ 5 bilhões para o combate ao aquecimento global. Na próxima década, serão necessários US$ 150 bilhões por ano para combater os eventos extremos. O debate sobre financiamento está entre as prioridades da Conferência do Clima de Paris, a partir do dia 30.

De acordo com o instituto, as nações ricas deveriam dedicar pelo menos 0,1% de seu PIB a um fundo climático internacional. É um índice 70 vezes menor do que o gasto em 2008 para a adoção de políticas contra a recessão econômica.

Os EUA deveriam aumentar suas contribuições aos países pobres em mais de 154 vezes, passando dos US$ 440 milhões gastos em 2013 para US$ 67,5 bilhões em 2025.

A União Europeia precisa multiplicar os seus investimentos em 11 vezes, passando dos US$ 3,2 bilhões vistos em 2013 para US$ 36,9 bilhões em 2025.

Os cálculos são baseados nas emissões históricas — a contribuição atribuída a cada país para provocar as mudanças climáticas — e em sua capacidade de ajudar financeiramente, levando em conta os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Especialista em financiamento climático da ActionAid, Brandon Wu acredita que os países em desenvolvimento estão enfrentando sozinhos “uma crise que não causaram”.

— O problema não é falta de dinheiro — assegura. — Os EUA, por exemplo, gastam muito mais em subsídios para os combustíveis fósseis do que em medidas de adaptação ao clima. É falta de vontade política.

IMPASSE HISTÓRICO

Wu avalia que o financiamento contra as mudanças climáticas pode ser o item mais polêmico entre os discutidos na Conferência do Clima. Tradicionalmente, os países ricos e pobres discordam sobre o tamanho do rombo, e as nações desenvolvidas não concordam em assumir totalmente as indenizações contra o aquecimento global, eximindo economias emergentes, como China e Brasil, de qualquer compromisso financeiro.

— Um novo acordo (global sobre o clima) não é possível sem esclarecimento sobre como serão as finanças — pondera. — Os países em desenvolvimento não podem adaptar suas economias, livrando-as das emissões de carbono, sem apoio internacional. Talvez não consigamos saber exatamente quanto será investido por cada país, mas precisamos impor novos prazos e objetivos. Aqueles discutidos até agora são vagos demais.

Já Osvaldo Stella, diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, acredita que as negociações financeiras não devem ser uma prioridade.

— O mais importante é discutir que metas podem impedir o avanço da temperatura global — defende. — O financiamento é um jogo político. Resistimos a abandonar o petróleo, da mesma forma como, antes, não queríamos largar o carvão. Mais do que abrir o cofre, precisamos pensar em um novo modelo econômico, que tipo de capitalismo devemos adotar.

‘Targeted punishments’ against countries could tackle climate change (Science Daily)

Date:
August 25, 2015
Source:
University of Warwick
Summary:
Targeted punishments could provide a path to international climate change cooperation, new research in game theory has found.

This is a diagram of two possible strategies of targeted punishment studied in the paper. Credit: Royal Society Open Science

Targeted punishments could provide a path to international climate change cooperation, new research in game theory has found.

Conducted at the University of Warwick, the research suggests that in situations such as climate change, where everyone would be better off if everyone cooperated but it may not be individually advantageous to do so, the use of a strategy called ‘targeted punishment’ could help shift society towards global cooperation.

Despite the name, the ‘targeted punishment’ mechanism can apply to positive or negative incentives. The research argues that the key factor is that these incentives are not necessarily applied to everyone who may seem to deserve them. Rather, rules should be devised according to which only a small number of players are considered responsible at any one time.

The study’s author Dr Samuel Johnson, from the University of Warwick’s Mathematics Institute, explains: “It is well known that some form of punishment, or positive incentives, can help maintain cooperation in situations where almost everyone is already cooperating, such as in a country with very little crime. But when there are only a few people cooperating and many more not doing so punishment can be too dilute to have any effect. In this regard, the international community is a bit like a failed state.”

The paper, published in Royal Society Open Science, shows that in situations of entrenched defection (non-cooperation), there exist strategies of ‘targeted punishment’ available to would-be punishers which can allow them to move a community towards global cooperation.

“The idea,” said Dr Johnson, “is not to punish everyone who is defecting, but rather to devise a rule whereby only a small number of defectors are considered at fault at any one time. For example, if you want to get a group of people to cooperate on something, you might arrange them on an imaginary line and declare that a person is liable to be punished if and only if the person to their left is cooperating while they are not. This way, those people considered at fault will find themselves under a lot more pressure than if responsibility were distributed, and cooperation can build up gradually as each person decides to fall in line when the spotlight reaches them.”

For the case of climate change, the paper suggests that countries should be divided into groups, and these groups placed in some order — ideally, according roughly to their natural tendencies to cooperate. Governments would make commitments (to reduce emissions or leave fossil fuels in the ground, for instance) conditional on the performance of the group before them. This way, any combination of sanctions and positive incentives that other countries might be willing to impose would have a much greater effect.

“In the mathematical model,” said Dr Johnson, “the mechanism works best if the players are somewhat irrational. It seems a reasonable assumption that this might apply to the international community.”


Journal Reference:

  1. Samuel Johnson. Escaping the Tragedy of the Commons through Targeted PunishmentRoyal Society Open Science, 2015 [link]

Climate change seen as greatest threat by global population (The Guardian)

Environment damage followed by worldwide economic instability and Isis in list of concerns, according to survey by Pew Research Center

Climate change

Climate change was the highest concern in almost half of all countries polled, with the issue particularly feared in Latin America and Africa. Photograph: Daniel Reinhardt/EPA

Climate change is what the world’s population perceives as the top global threat, according to research conducted by the Pew Research Center, with countries in Latin America and Africa particularly concerned about the issue.

It is followed by global economic instability and the Islamic State militant group.

The survey, conducted in 40 countries and taking in the views of more than 45,000 respondents, attempts to measure perceptions of global threats. In 19 of the 40 countries polled, climate change was found to be the issue of highest concern.

A median average of 61% of Latin Americans said they were very concerned about climate change, the highest share of any region. In Brazil and Peru, 75% of respondents said they were very concerned about the issue. Burkina Faso had the highest share of any country, with 79% expressing the highest level of concern.

Isis was viewed as the biggest threat for people in Lebanon with 84% saying they were very concerned – understandable given the region’s close proximity to the group’s activities. However, Isis was also viewed as the top threat a lot further away in the US (68%), Australia (69%) and the UK (66%).

Global economic instability is another major worry. It was found to be the top concern in a number of countries, including Venezuela – which has been undergoing a severe financial crisis – as well as Senegal and Tanzania. It was also found to be the second biggest concern in half of all those surveyed.

Pew found that major worries about Iran’s nuclear programme were limited to a few nations, with the US, Spain and Israel (the only country to cite Iran as the highest threat) the most concerned.

Tensions between Russia and its neighbours, and territorial disputes between China and surrounding countries, “remain regional concerns”, said Pew – 62% of respondents in Ukraine and 44% in Poland said they were very concerned about tensions with Moscow. However, 44% of US respondents were also very concerned about this issue, closely followed by France (41%), the UK (41%) and Germany (40%).

Cyber-attacks are also viewed as a considerable threat in the US, with 59% of Americans saying they were very concerned. The survey was conducted after the hack and leak of Sony Pictures emails, which the US government blamed on North Korea. In South Korea, cyber-attacks were the second highest concern (55%) after Isis (75%).

The report focuses on those who say they are “very concerned” about each issue and surveyed respondents from March 25 to May 27, 2015.

Climate change: world’s wealthiest understand, but only half see it as threat (The Guardian)

In every South American country, along with Mexico, India, Tanzania and Morocco, concern over climate change is above 90%

Waves break into anti-tsunami barriers

A typhoon breaks near the tsunami-crippled Fukushima nuclear power plant. Japan is one of the few rich states whose population is as concerned about climate change as poorer countries. Photograph: Damir Sagolj/REUTERS

People living in the world’s wealthiest nations generally understand what climate change is but in many countries just half perceive it to be a threat, new research has found.

The analysis of perceptions in 119 countries found living standards and relative wealth are “poor predictors” of whether someone considers climate change to be a severe risk.

While more than 75% of people in Australia, the US, UK and most of the rest of Europe were aware of climate change, far fewer considered it to be detrimental to themselves or their families.

In Australia – recently cited as being a world leader in climate science denialism – as well as the US, Germany and the Scandinavian countries, climate change was perceived to be a threat by just over half of those polled.

In Russia, despite widespread understanding of climate change, less than 50% of people thought it was a risk to them.

The risks of climate change are more widely believed by people in France and Spain, but the greatest concern about its impacts are held elsewhere.

In every South American country, concern over climate change is above the 90% mark, with this level of worry shared by Mexico, India, Tanzania and Morocco. Japan is one of the few highly advanced economies in the world to have a population as concerned about the risks of climate change.

The paper, published in Nature Climate Change, found different factors drove awareness and risk perceptions of climate change. Education levels and understanding the human influence upon the climate was the greatest factor in Europe, while perception of changing temperatures is the key influence in many African and Asian countries.

Authors of the paper, who come from a selection of US universities, say the results show “the need to develop tailored climate communication strategies for individual nations. The results suggest that improving basic education, climate literacy, and public understanding of the local dimensions of climate change are vital to public engagement and support for climate action.”

The paper analysed the results of Gallup polls taken in 119 countries, where respondents were asked how much they know about climate change and whether they consider it a threat to them.

Dr Debbie Hopkins, an expert at the social understandings of climate change at the University of Otago, said many people still see climate change as a remote issue.

“People can be aware of it but they see it as a distant risk and don’t engage with it much,” she said. “This disjunction can negate the feeling that we need to act on climate change.

“In many developed countries we have confidence in our adaptive capacity. We think we can adapt and cope, and in many ways we can do so more than developing economies.

“We also talk about global averages and that’s a difficult term for many people because two degrees doesn’t seem like a lot. That risk seems diminished whereas if you’re living somewhere with extreme variability and extreme weather events, two degrees can seem like a lot.”

Hopkins said accurate media reporting of climate change and more engaged conversations with people on the issue at a local level would help illustrate the threat posed by changes such as rising sea levels and increased heat waves.

Climate change is already having its biggest impact upon the world’s most vulnerable, according to the UN, which voiced concern last year that rising temperatures will fuel conflict, war and migration.

The number of natural disasters between 2000 and 2009 was around three times higher than in the 1980s, the UN said.

Building an Ark for the Anthropocene (New York Times)

CreditJason Holley

WE are barreling into the Anthropocene, the sixth mass extinction in the history of the planet. A recent study published in the journal Science concluded that the world’s species are disappearing as much as 1,000 times faster than the rate at which species naturally go extinct. It’s a one-two punch — on top of the ecosystems we’ve broken, extreme weather from a changing climate causes even more damage. By 2100, researchers say, one-third to one-half of all Earth’s species could be wiped out.

As a result, efforts to protect species are ramping up as governments, scientists and nonprofit organizations try to build a modern version of Noah’s Ark. The new ark certainly won’t come in the form of a large boat, or even always a place set aside. Instead it is a patchwork quilt of approaches, including assisted migration, seed banks and new preserves and travel corridors based on where species are likely to migrate as seas rise or food sources die out.

The questions are complex. What species do you save? The ones most at risk? Charismatic animals, such as lions or bears or elephants? The ones most likely to survive? The species that hold the most value for us?

One initiative, the Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services formed in 2012 by the governments of 121 countries, aims to protect and restore species in wild areas and to protect species like bees that carry out valuable ecosystem service functions in the places people live. Some three-quarters of the world’s food production depends primarily on bees.

“We still know very little about what could or should be included in the ark and where,” said Walter Jetz, an ecologist at Yale involved with the project. Species are being wiped out even before we know what they are.

Another project, the EDGE of Existence, run by the Zoological Society of London, seeks to protect the most unusual wildlife at highest risk. These are species that evolved on their own for so long that they are very different from other species. Among the species the project has helped to preserve are the tiny bumblebee bat and the golden-rumped elephant shrew.

While the traditional approach to protecting species is to buy land, preservation of the right habitat can be a moving target, since it’s not known how species will respond to a changing climate.

To complete the maps of where life lives, scientists have enlisted the crowd. A crowdsourcing effort called the Global Biodiversity Information Facility identifies and curates biodiversity data — such as photos of species taken with a smartphone — to show their distribution and then makes the information available online. That is especially helpful to researchers in developing countries with limited budgets. Another project, Lifemapper, at the University of Kansas Biodiversity Institute, uses the data to understand where a species might move as its world changes.

“We know that species don’t persist long in fragmented areas and so we try and reconnect those fragments,” said Stuart L. Pimm, a professor of conservation at Duke University, and head of a nonprofit organization called SavingSpecies. One of his group’s projects in the Colombian Andes identified a forest that contains a carnivorous mammal that some have described as a cross between a house cat and a teddy bear, called anolinguito, new to science. Using crowd-sourced data, “we worked with local conservation groups and helped them buy land, reforest the land and reconnect pieces,” Dr. Pimm says.

Coastal areas, especially, are getting scrutiny. Biologists in Florida, which faces a daunting sea level rise, are working on a plan to set aside land farther inland as a reserve for everything from the MacGillivray’s seaside sparrow to the tiny Key deer.

To thwart something called “coastal squeeze,” a network of “migratory greenways” is envisioned so that species can move on their own away from rising seas to new habitat. “But some are basically trapped,” said Reed F. Noss, a professor of conservation biology at the University of Central Florida who is involved in the effort, and they will most likely need to be picked up and moved. The program has languished, but Amendment 1, on the ballot this November, would provide funding.

One species at risk is the Florida panther. Once highly endangered, with just 20 individuals left, this charismatic animal has come back — some. But a quarter or more of its habitat is predicted to be under some three feet of water by 2100. Males will move on their own, but females will need help because they won’t cross the Caloosahatchee River. Experts hope to create reserves north of the river, and think at some point they will have to move females to new quarters.

Protecting land between reserves is vital. The Yellowstone to Yukon Conservation Initiative, known as Y2Y, would protect corridors between wild landscapes in the Rockies from Yellowstone National Park to northern Canada, which would allow species to migrate.

RESEARCHERS have also focused on “refugia,” regions around the world that have remained stable during previous swings of the Earth’s climate — and that might be the best bet for the survival of life this time around.

A section of the Driftless Area encompassing northeastern Iowa and southern Minnesota, also known as Little Switzerland, has ice beneath some of its ridges. The underground refrigerator means the land never gets above 50 or so degrees and has kept the Pleistocene snail, long thought extinct, from disappearing there. Other species might find refuge there as things get hot.

A roughly 250-acre refugia on the Little Cahaba River in Alabama has been called a botanical lost world, because of its wide range of unusual plants, including eight species found nowhere else. Dr. Noss said these kinds of places should be sought out and protected.

Daniel Janzen, a conservation ecologist at the University of Pennsylvania who is working to protect large tracts in Costa Rica, said that to truly protect biodiversity, a place-based approach must be tailored to the country. A reserve needs to be large, to be resilient against a changing climate, and so needs the support of the people who live with the wild place and will want to protect it. “To survive climate change we need to minimize the other assaults, such as illegal logging and contaminating water,” he said. “Each time you add one of those you make it more sensitive to climate change.”

The Svalbard Global Seed Vault, beneath the permafrost on an island in the Arctic Ocean north of mainland Norway, preserves seeds from food crops. Frozen zoos keep the genetic material from extinct and endangered animals. The Archangel Ancient Tree Archive in Michigan, meanwhile, founded by a family of shade tree growers, has made exact genetic duplicates of some of the largest trees on the planet and planted them in “living libraries” elsewhere — should something befall the original.

In 2008, Connie Barlow, a biologist and conservationist, helped move an endangered conifer tree in Florida north by planting seedlings in cooler regions. Now she is working in the West. “I just assisted in the migration of the alligator juniper in New Mexico by planting seeds in Colorado,” she said. “We have to. Climate change is happening so fast and trees are the least capable of moving.”