66% das emissões brasileiras de CO2 vêm de atividade agropecuária (Folha de S.Paulo)

Phillippe Watanabe

06/09/2016

O desmatamento, de modo isolado, libera as emissões de gases

A agropecuária é a responsável pela maior parte da emissão de gases estufa no Brasil. Quando considerados desmatamento para atividade agropecuária e o exercício direto dela, a porcentagem das emissões chega a cerca de 66%.

Os dados são do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases Estufa), realizado pelo OC (Observatório do Clima). O relatório, lançado nesta terça (6), na sede do SOS Mata Atlântica, analisa a evolução histórica das emissões brasileiras.

Considerando dados referentes ao ano de 2014, de forma direta, 23% das emissões de CO2 no Brasil são provenientes da agropecuária. Dentro desse universo, 76% das emissões estão relacionadas à pecuária, sendo 64% derivados do consumo de carne (bovinos de corte), segundo dados da Imaflora, parte do OC.

A mudança de uso da terra é líder de emissões no país, com cerca 42%. O termo, de forma geral, se refere aos desmatamentos, normalmente associados à atividade agropecuária. Esse tipo de emissão somado aos 23% emitidos diretamente pela ação agropecuária alcançam o valor aproximado de 66%.

Segundo dados do Imazon, também parte do OC, com uma melhor aplicação da legislação ambiental atual seria possível aumentar a arrecadação em mais de R$ 1 bilhão por ano.

A energia é a segunda colocada entre as fontes dos gases estufa, com 26%. Essas emissões vêm crescendo anualmente, em parte por conta da crise na produção de energia hidrelétrica.

Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, que também faz parte do OC, quase metade (46%) das emissões relacionadas à energia estão associadas ao transporte, tanto de carga quanto de passageiros.

FUTURO

Os dados levantados pelo OC mostram que o Brasil, caso cumpra os compromissos firmados no Acordo de Paris, como restauração e reflorestamento de matas, recuperação de pastos, entre outros, conseguirá reduzir as emissões de gases estufa mais do que o planejado no INDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas).

“O nosso estudo aponta que dá para ser mais ambicioso”, afirma Tasso de Azevedo, coordenador do Seeg.

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