- Jacob Coxon afirma que as duas empresas ‘estão brincando com as nossas vidas’
- Ele acredita que modelos virarão sistemas sobre-humanos capazes de invadir qualquer coisa
9.set.2026 às 10h17
Tom Wilson e Madhumita Murgia
Londres | Financial Times
Um pesquisador da Anthropic pediu demissão do laboratório de inteligência artificial e alertou que a corrida desenfreada para desenvolver uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha pode destruir a humanidade até o fim da década.
Jacob Coxon, britânico de 27 anos, havia deixado a OpenAI para entrar em sua principal concorrente e afirmou que as duas empresas estão “apostando” com o futuro da humanidade.

“As pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos nós até o fim da década”, comentou Coxon em uma série de publicações no X (antigo Twitter) nas quais anunciou sua demissão da Anthropic.
Isto não é uma jogada de marketing…Nenhuma outra atividade humana representa tamanho perigoJacob Coxon
ex-pesquisador da Anthropic e da OpenAI
Coxon é o mais recente funcionário a deixar um dos principais laboratórios de IA dos EUA alegando preocupações com a segurança, o que evidencia a crescente apreensão dos pesquisadores em relação ao poder dos sistemas que estão desenvolvendo. Sua saída ocorre no momento em que a Anthropic, que colocou a segurança da IA como sua principal marca, se prepara para uma IPO (oferta pública inicial de ações), que pode avaliar a empresa em US$ 1 trilhão.
Coxon, que trabalhou anteriormente na OpenAI antes de se transferir para a Anthropic, alertou que as pessoas de fora dos laboratórios estavam subestimando o poder da tecnologia. “Em breve, serão sistemas sobre-humanos, capazes de invadir qualquer coisa, revolucionar qualquer área da noite para o dia e adquirir poder e recursos reais”, declarou.
Evan Hubinger, um dos colegas de Coxon na Anthropic, endossou seu alerta. “Jacob está correto —nós realmente acreditamos, com toda a sinceridade, que a IA pode matar todos os seres humanos”, escreveu no X, acrescentando acreditar que a probabilidade de uma extinção em massa na próxima década é superior a 10%.
“A Anthropic está fazendo o melhor que pode, mas ainda não temos um plano para solucionar o alinhamento da superinteligência e não estamos claramente no caminho para isso”, disse Hubinger, referindo-se ao esforço para garantir que os sistemas de IA se comportem de maneira compatível com as intenções e os valores humanos. Ele lidera a área de ciência do alinhamento na empresa.
Mais tarde, Hubinger acrescentou que o “risco dos modelos atuais é baixo”, mas que estava preocupado com modelos de IA capazes de se aprimorar sozinhos, algo que está “acontecendo mais rápido do que imaginávamos”.
Incidentes recentes, como a invasão do site Hugging Face por agentes do ChatGPT, mostraram que esses modelos podem sair do controle humano e que a solução seria desacelerar o desenvolvimento, afirmou Coxon. “Não sinto que estejamos no caminho para impedir uma corrida global, o que pode exigir medidas custosas, como uma proibição temporária de aprimorar as capacidades dos modelos”, postou.
A saída de Coxon foi noticiada primeiro pelo Wall Street Journal. A Anthropic não quis comentar. A OpenAI não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.
Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e outros líderes do setor de IA instaram a indústria a considerar a possibilidade de conter o desenvolvimento, mas deram poucos sinais de que pretendem desacelerar seus próprios esforços. Na semana passada, a Anthropic lançou o Claude Mythos 5.1, apresentado pela empresa como seu modelo mais avançado para ciências da vida e segurança cibernética.
Steven Adler, cofundador da organização sem fins lucrativos Guidelight AI Standards e ex-pesquisador de segurança da OpenAI, afirmou que esses alertas vindos de pessoas do setor reforçavam os argumentos em favor de uma pausa nas pesquisas.
“Nenhuma empresa de IA sequer chega perto de ter uma estrutura de segurança adequada ao nível de perigo envolvido em suas pesquisas”, afirmou Adler ao Financial Times. “Se alguém acredita que isso pode matar todas as pessoas da Terra, como acreditam muitos funcionários dessas empresas, este é um bom momento para descer do trem.”