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O voo dos Gaviões pela liberdade e critica social nas arquibancadas do Brasil (Le Monde Diplomatique Brasil)

Por Sandro Barbosa de Oliveira

04 de Março de 2016

O estopim para que ocorressem tais manifestações talvez seja o fato do deputado estadual Fernando Capez (PSDB) estar envolvido em denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo. Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas.

Muito tem se falado sobre as manifestações políticas da torcida Gaviões da Fiel nos jogos do Campeonato Paulista, mas pouco sobre a história que fundamenta tais manifestações. Por isso, esse artigo pretende apresentar alguns elementos que possam contribuir para elucidar esse fenômeno e problematizar os aspectos que envolvem o seu desenvolvimento. Para tanto, inicia com a seguinte pergunta: quando foi que a torcida realizou a primeira manifestação em 2016?

Final da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016. Os Gaviões da Fiel Torcida, que tomaram parte das arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, decidiram realizar uma festa popular ao acenderem sinalizadores e gás de fumaça para festejar a partida decisiva entre Corinthians e Flamengo, com a presença das duas maiores torcidas do país. Até aí tudo bem se não fosse o fato de sinalizadores e fumaça serem proibidos pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e coibidos pela Polícia Militar (PM) do estado de São Paulo. Mas essa não foi uma simples festa popular. Com essa ação, a torcida corinthiana iniciou uma série de protestos políticos contra FPF, o preço dos ingressos e as proibições que sofrem as torcidas para ingressar com bandeiras, faixas e sinalizadores inofensivos nas arquibancadas, fato que fez com que a torcida sofresse outra punição: ficar 60 dias proibida de entrar com faixas e bandeiras nos estádios.

Esse processo de proibições vem desde 1995 e se institucionalizou na forma de punição sobre as torcidas organizadas (elas que representam a organização coletiva e política de seus torcedores) após o infeliz acontecimento decorrente da briga entre torcidas dos times São Paulo e Palmeiras, também na final da Copa São Paulo daquele ano. De lá para cá a imprensa esportiva, o Ministério Público (sob ações do promotor Fernando Capez), a PM e a FPF construíram um discurso e passaram a criminalizar as torcidas organizadas ao realizar ações para que elas perdessem seu espaço nos estádios, com o objetivo de consolidar o padrão de outro tipo de torcedor: o torcedor “família”, consumidor e individual do chamado “futebol moderno”, aquele que consome, porém, não questiona enquanto sujeito político os problemas do esporte nas arquibancadas.

Nesse meio tempo, com as torcidas banidas por um período das arquibancadas e com o discurso da violência nos estádios, a Rede Globo de televisão, aliada de cartolas e dirigentes de clubes, federações e da CBF, estabeleceu a compra das transmissões para consolidar um sistema de transmissão fechado em canais pago, e deter preferência nas transmissões em canal aberto através de privilégios. Ela negociou diretamente com cada clube e estabeleceu contratos que amarram futuras decisões. Com isso, criou-se um público de torcedores que não iam mais ao estádio (com medo das torcidas) e que assistiam no conforto de suas casas, com seus familiares e amigos até que os estádios voltassem a ser “seguros” e compatíveis com certos interesses de classes desses agentes. Ao retornarem aos estádios, as torcidas foram fichadas pela PM e ficaram impedidas de entrar com bandeiras de bambu, sinalizadores inofensivos e com outros adereços.

Recentemente e não por acaso, foi perceptível que antes, durante e após a Copa do Mundo no Brasil em 2014 organizado pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA) – entidade maior do futebol que também está manchada por escândalos de corrupção tal como a CBF e a FPF – construiu-se um discurso sobre o tal padrão de torcedor e estádio que deveria ser consolidado no país. A organização local desse torneio impediu que manifestantes se aproximassem dos estádios (chamados agora de arenas) por meio de um forte aparato repressor, ao se passar uma imagem para o mundo de que o país vivia alegre e festivamente a Copa (imagem veiculada pela transmissão oficial). No entanto, outros meios mostravam a real situação nas ruas através das manifestações organizadas pelos Comitês Populares da Copa e que foram reprimidas com violência e prisões, imagens estas veiculadas pelas mídias alternativas na Internet. Nesse momento, os Gaviões da Fiel estiveram calados e sequer se manifestaram contra o processo de elitização no futebol que vinha antes da Copa e que se potencializou com o torneio. Se tivessem se posicionado, teriam o apoio das organizações populares que estavam nas ruas lutando por uma Copa popular.

Mas por que os Gaviões da Fiel se manifestaram somente agora em 2016?

Um dos aspectos que chamam a atenção é o posicionamento da atual diretoria dos Gaviões através de seu presidente Rodrigo Fonseca, o Diguinho, que disse em entrevista ao jornal Brasil de Fato que “Não podemos assistir omissos ao processo de elitização do futebol”. De fato, ele reconhece que “não apenas o Corinthians está passando faz anos e tornando a arquibancada um lugar mais branco e rico que outrora”, e destaca que “CBF, FPF, Rede Globo, diretoria do Corinthians e os tais promotores, todos eles trabalham em conjunto para fazer do futebol um espetáculo de elite”.

Outro aspecto importante é que em 2015 os Gaviões soltaram notas em apoio à greve dos professores da rede pública estadual que durou 90 dias, e aos estudantes que lutaram contra a reorganização escolar e ocuparam com ousadia o coração do espaço público na sociedade – as escolas públicas do estado de São Paulo. Ambas as lutas contra o governo do estado que também puniu as torcidas com uma visão elitista de criminalizá-las. Essas lutas sem dúvida influenciaram os Gaviões e os fez alçar novos voos pela liberdade também nas arquibancadas, ao buscarem em sua própria história e origem o legado da luta contra um sistema opressor em defesa da liberdade e da crítica social nas arquibancadas por meio de um despertar político. Os Gaviões nasceram para fiscalizar e lutar contra os autoritarismos e as censuras impostas pela arbitrariedade de dirigentes e federações no clube e no futebol durante a ditadura militar. Foi a primeira (e talvez única) torcida a levantar em 1979 a faixa pela Anistia ampla aos presos políticos.

Regressando um pouco ao ano de 2007, ano em que a torcida corinthiana protagonizou o Movimento Fora Dualib, o futebol do Corinthians enfrentava crises sem tréguas que culminou com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro daquele ano. A crise que estourou no clube foi resultado das tramas entre dirigentes que agiam de maneira oligárquica e o setor financeiro. No ano de 2005 eles realizaram uma parceria com a Media Sports Investment (MSI), representada pelo iraniano Kia Joorabchian, parceria que expressou a chegada de capitais britânicos e russos de origem duvidosa ao futebol brasileiro. A MSI estabeleceu um contrato em que iria realizar investimentos por dez anos no futebol do Corinthians ao contratar jogadores renomados e construir o estádio para o clube. Ela formou um time que auto intitulou de “galácticos” que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005, mas que na temporada seguinte, devido ao desgaste pelo controle do futebol do clube entre Kia e Dualib, deixou de enviar recursos ao clube que gerenciou o departamento de futebol por conta própria e acumulou uma dívida superior aos R$ 70 milhões. A parceria, que ganhou as manchetes e elevou o clube aos noticiários esportivos do mundo, terminou em 2007 nas páginas policiais com a intervenção do Ministério Público Federal e o bloqueio das contas da MSI e de seus representantes acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, aspectos que fizeram com que os Gaviões e as demais torcidas corinthianas se mobilizarem para retirar da presidência o responsável por essa trama: Alberto Dualib.

Mas o que esse episódio na história do Corinthians pode dizer sobre o futebol brasileiro? Em primeiro lugar, o futebol é a expressão da formação social, econômica e política da sociedade brasileira organizada para exportar “produtos primários”, aspecto estrutural de uma economia “voltada para fora” e que foi devidamente analisada pelo historiador Caio Prado Júnior quando desvelou o seu caráter dependente. No caso do futebol, isso implica em dizer que parte dos jogadores preparados aqui tem seus passes “vendidos” precocemente em transações financeiras para os grandes clubes da Europa, o que atribui um papel decisivo a um agente que não existia antes no futebol – o empresário de jogador, aquele que faz a ponte entre o clube daqui com os clubes estrangeiros de lá. O futebol expressa a desigualdade social já que 0,80% dos jogadores recebem salários entre R$ 50 mil a R$ 500 mil e 82,40% não recebem mais que R$ 1.000,00.[1] Em segundo lugar, os clubes que querem formar grandes elencos para a conquista de títulos e não criaram condições próprias para isso, acabam por depender de recursos externos e recorrem aos investidores, patrocinadores e parceiros na execução dos chamados “projetos” para aquela temporada ou para um período maior. O fato é que os clubes de futebol, que são entidades sem fins lucrativos e/ou associações, passaram a depender de agentes do setor financeiro que visam com os seus “investimentos” encontrar fontes mais rentáveis para suas receitas e viram nos clubes um jeito de gerar rentabilidade aos seus capitais livres de impostos. O problema é o descompasso entre os clubes, já que parte ainda são geridos de maneira oligárquica por seus dirigentes, e os agentes financeiros, empresas e pessoas físicas que investem recursos para obter lucro.

Em tal cenário de investimentos de capitais e mercantilização sem riscos as torcidas organizadas passaram a ser um problema, pois elas querem ver seus times com elencos fortes e disputando títulos, e questionam com força quando isso não acontece. Elas entraram também no jogo do “mercado” e deixaram de lado as manifestações política que marcaram suas trajetórias. Então, como o futebol não é uma ciência exata e depende da dinâmica dos jogos e da organização das equipes, nem sempre é provável que o elenco mais caro e forte saia vencedor daquele campeonato. Mas como os clubes brasileiros foram integrados em um mundo de economia globalizada, financeirizada e midiatizada, precisam lidar com “a propaganda como a alma do negócio”. Mesmo que não vençam campeonatos, o importante é a marca aparecer e se autovalorizar, e para isso o marketing dos clubes grandes foi ampliado. Outro aspecto é que as brigas entre as torcidas que expressava a organização das classes populares teria afastado o torcedor-consumidor do ideário liberal-econômico que manteria essa engrenagem funcionando.

Nesse sentido, estaria aí um nexo que articula uma explicação possível para a proibição das torcidas nos estádios em São Paulo: por um lado, altos investimentos de empresas e emissoras de televisão nos clubes grandes e nas federações, para que garantam o monopólio e o privilégio de valorização e transmissão das partidas, por outro, pacificação e aburguesamento nas arquibancadas, expresso inclusive no programa Fiel Torcedor que exclui e individualiza o acesso ao estádio, duplo movimento chamado pelas torcidas de “futebol moderno”, o qual é possível defini-lo por futebol elitizado. O futebol paulista e brasileiro, portanto, faz então um movimento de regresso às suas origens direto para a elitização, mas com os conflitos de nosso tempo histórico, já que o mesmo se popularizou a partir da década de 1930 e se tornou paixão nacional na década de 1950 entre as classes populares nos processos de industrialização da sociedade.

Por isso, e retomando a importância das recentes manifestações, por que os atos nas arquibancadas protagonizados pelos Gaviões ganharam ressonância geral para além do clubismo? Talvez porque a torcida corinthiana decidiu atacar de maneira politizada as raízes do problema que determinou a sua punição no estádio com uma pauta clara e direta. Com faixas nas partidas contra o Capivariano e o São Paulo no Campeonato Paulista de 2016 estabeleceu o seguinte diálogo com a sociedade: “Rede Globo, o Corinthians não é o seu quintal”; “Cadê as contas do estádio?”; “CBF, FPF a vergonha do futebol”; “Futebol refém da Rede Globo”; “Quem vai punir o ladrão de merendas?”; “Ingresso mais barato”. Foi a primeira vez que uma torcida se manifestou explicitamente nas arquibancadas contra essas entidades e emissora. Entretanto, ao denunciar os causadores da falta de liberdade de expressão e de sua punição das arquibancadas, os Gaviões enfrentaram a PM e a FPF que impediam que as torcidas se manifestassem politicamente nos estádios. Ao derrubarem os argumentos das “autoridades” com referência ao próprio Estatuto do Torcedor que seus algozes utilizavam, demonstraram conhecimento de causa e puderam deslegitimar a tentativa da FPF e da PM de criminalizá-los.

Cabe destacar que o primeiro movimento de torcedores corinthianos contra o “futebol moderno” dentro e fora do Itaquerão (estádio do Corinthians) foi protagonizado por um pequeno grupo de dissidentes dos Gaviões e torcedores comuns em 2014, quando resgataram o movimento criado pelas organizadas “Andrés aqui não tem burguês”. Eles se manifestaram com faixas e dizeres do tipo “Ingresso caro = corinthiano de fora”, ao se posicionar contra os ingressos caros no novo estádio e chamar a atenção para a exclusão dos corinthianos das classes populares (preto, pobre e periférico). Contudo, sofreram represália da PM e tiveram suas faixas tomadas sob alegação de que estavam violando a lei. Esse movimento ficou restrito a este grupo pequeno e não teve visibilidade como ocorreu agora com as ações dos Gaviões que sempre foi referência política e de canto na arquibancada. De qualquer maneira, o grupo criticou o ex-presidente Andrés Sanchez, responsável pela gestão do estádio, e conseguiu uma conquista importante já que foi ano de eleição: uma pequena baixa no preço dos ingressos. Só que o preço dos ingressos continuou alto para as condições de vida das classes populares que historicamente frequentaram os estádios, não só em jogos no Itaquerão, mas também em jogos com mando de campo de times do interior.

Mas no atual momento o que defendem os Gaviões?

Os Gaviões defendem o direito à liberdade de expressão e à livre manifestação da coletividade nas arquibancadas desse Brasil a fora. Essa liberdade foi garantida pela Constituição Federal de 1988 que diz que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Todavia, segundo o Estatuto do Torcedor e o regulamento da FPF, os torcedores podem se manifestar pacificamente nas arquibancadas. Por isso, como disse o jornalista José Trajano “tudo o que eles manifestaram, através das faixas, tem o apoio da maioria da população brasileira. Eles são os nossos porta-vozes. Assino embaixo”. Esse sentimento particular de uma torcida que luta por sua liberdade de crítica social é o sentimento geral de maior parte da população brasileira que se reconhece e se identifica nesse tipo de manifestação, já que o futebol enquanto paixão nacional se tornou um lazer mercantilizado e gerido por dirigentes mafiosos que estão imersos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, dominado por uma emissora de TV e que parecem desconsiderar os valores afetivos e de sociabilidade que os torcedores têm por esse esporte popular.

Ademais, talvez o estopim para que ocorressem tais manifestações agora seja o fato de haver chegado ao público denúncias sobre o esquema de desvio de verbas das merendas das escolas públicas do estado de São Paulo, esquema que teria como principal articulador o promotor e deputado estadual Fernando Capez (Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB). Não por acaso que os Gaviões miram em Capez: o inimigo número um das torcidas e que agora se encontra imerso em denúncias sobre atitudes ilícitas e criminosas de desvio de verbas, aspecto que sempre atribuiu em seus discursos às torcidas organizadas. Ironias da história que não só gira, mas, sobretudo, se desenvolve em um movimento espiral de contradições e conflitos sociais em que os agentes e os acontecimentos se convertem no seu contrário, o bom moço da promotoria está no banco dos réus enquanto que os Gaviões procuram resgatar sua imagem de torcida que faz a festa e manifestações legítimas com forte apelo social.

Por fim, os Gaviões apresentam uma crítica social e não só do futebol ao que ocorreu nas escolas públicas com a chamada propina da merenda escolar e parece conclamar as torcidas, os estudantes e os trabalhadores, já que entoaram o canto “Eu não roubo merenda, eu não sou deputado. Trabalho todo dia, não roubo meu Estado” e de “Ladrão, ladrão, devolve o futebol pro povão”, para lutar contra os desmandos e arbitrariedades da FPF e do partido do governo estadual nesses 21 anos de mandatos, o mesmo partido que proibiu as torcidas de se manifestarem nos estádios, os estudantes de se manifestarem nas escolas e os professores de se manifestarem nas ruas. Tal como analisou Marx, podemos inferir também que a história ocorre por assim dizer duas vezes: a primeira como tragédia, com a proibição das torcidas, reorganização escolar e derrota da greve dos professores, e a segunda como farsa, predominância de torcedores “coxinhas” nas arquibancadas, desorganização escolar camuflada e precarização do trabalho de professores nas escolas. É preciso então haver lutas pela liberdade e crítica social nas arquibancadas, nas escolas e nas ruas para que haja a transformação efetiva da sociedade. As demais torcidas do Corinthians e de outros clubes já estão seguindo o exemplo de politização dos Gaviões e se manifestando nas arquibancadas. Tomara que essas manifestações construa um movimento para além do clubismo e por um futebol que retorne ao poder e apropriação das classes populares.

Sandro Barbosa de Oliveira 

Sandro Barbosa de Oliveira é professor, educador popular, bacharel em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e doutorando em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Participa do Grupo de Pesquisa Classes Sociais e Trabalho da Unifesp. É também associado e cientista social da Usina Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado.

 

Foto: André Lucas Almeida, Jornalistas Livres

 

Argentine football club Tigre launches implantable microchip for die-hard fans (AFP)

Abril 26, 2016 6:59pm

Tigres players hugging after a goal

PHOTO: Tigres fans won’t need hard copy tickets or to enter their stadium with the implanted microchip. (Reuters: Enrique Marcarian)

For football lovers so passionate that joining a fan club just isn’t enough, Argentine side Tigre has launched the “Passion Ticket”: a microchip that die-hards can have implanted in their skin.

In football-mad Argentina, fans are known for belting out an almost amorous chant to their favourite clubs: “I carry you inside me!”

First-division side Tigre said it had decided to take that to the next level and is offering fans implantable microchips that will open the stadium turnstiles on match days, no ticket or ID required.

“Carrying the club inside you won’t just be a metaphor,” the club wrote on its Twitter account.

Tigre secretary general Ezequiel Rocino kicked things off by getting one of the microchips implanted in his arm, under an already existing tattoo in the blue and red of the club.

The chips are similar to the ones dog and cat owners can have implanted in their pets in case they get lost.

Rocino showed off the technology for journalists, placing his arm near a scanner to open the turnstile to the club’s stadium 30 kilometres north of the capital, Buenos Aires.

“The scanner will read the data on the implanted chip, and if the club member is up-to-date on his payments, will immediately open the security turnstile,” the club said.

Rocino said getting a chip would be completely voluntary.

“We’re not doing anything invasive, just accelerating access. There’s no GPS tracker, just the member’s data,” he said.

AFP

Nueva Chicago acusa al Ministerio de Seguridad por discriminación (Clarín)

Violencia en el fútbol

Los dirigentes no concurrirán a la cancha esta tarde, cuando el equipo de Mataderos se enfrente a Defensores de Villa Ramallo por la Copa Argentina.

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La dirigencia de Nueva Chicago denunció al Ministerio de Seguridad por discriminación tras obligarlo a jugar sin motivos a puertas cerradas. Además, y en señal de protesta, los dirigentes y los periodistas partidarios del club de Mataderos no concurrirán esta tarde, a las 17, al duelo ante Defensores de Belgrano de Ramallo en cancha de Huracán por los 32avos de la Copa Argentina.

Ayer, el vicepresidente Daniel Ferreiro manifestó: “No sabemos por qué nuestro público no puede estar. Es simple: nos discriminan”, y en esa sintonía hubo acuerdo para no ir al estadio. “Vamos todos o ninguno”, fue el comunicado que enviaron los medios partidarios. “Los dirigentes nos solidarizamos con nuestra gente”, aseguró Ferreiro.

Por tal razón, el club emitió un comunicado en el que sostiene que “ser hincha de Nueva Chicago no es delito”. “Nuestra institución se ajusta a lo solicitado por cuanto organismo de seguridad nos pide, nunca nos tembló el pulso para firmar derechos de admisión a quienes tuvieran comportamientos violentos”, señala en parte el documento firmado por el presidente, Sergio Ramos, y Martin Lamarca, Secretario General del club.

“La Comisión Directiva de Nueva Chicago lamenta profundamente que se le niegue la posibilidad de asistir a nuestra gente al estadio. Consideramos injusta esta medida que nos enteramos por los medios de comunicación y por la empresa Ticketek, dado que nunca nos llegó la notificación oficial”, comienza el comunicado. “A partir de este momento o vamos todos o no va ninguno”, concluye.

*   *   *

25/03/2015 18:57

La violencia gana: seis partidos a puertas cerradas (Mundo D)

Habrá sanciones para varios clubes de Primera, y uno en la Copa Argentina, y por eso se disputarán sin hinchadas. Un repaso del sinsentido.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

Por Mundo D

Cada vez es más complicado vivir el fútbol argentino en paz. La violencia está acorralando al espectáculo y ya no sirve siquiera jugar sólo con público local. En la próxima fecha, por diferentes razones, habrá cinco encuentros de la Primera División a puertas cerradas. Sí, sin nadie en las gradas. Y además, habrá uno de la Copa Argentina. Insólito.

¿Qué partidos serán?

  • San Lorenzo-Lanus
  • Godoy Cruz-Independiente
  • Tigre-Defensa y Justicia
  • Quilmes-Sarmiento
  • Gimnasia de La Plata-River
  • Chicago-Defensores de Villa Ramallo

En el caso de San Lorenzo ante Lanús, no habrá gente en las tribunas por la sanción que el Comité de Seguridad le aplicó al “Cuervo” por los incidentes contra el juez de línea Juan Pablo Belatti en la vuelta de la Recopa ante River.

Sí, San Lorenzo ya jugó ante Colón, San Martín de San Juan y Huracán con público. Recién ahora, llega la suspensión. Cosas de Argentina.

Por su parte, Godoy Cruz recibirá a Independiente a puertas cerradas por la agresión que sufrió el masajista de Lanús en la cuarta fecha, la última vez que “el Tomba” se presentó en el Malvinas Argentinas.

Tanto en Tigre como en Quilmes, habrá situaciones similares. Los dos estadios fueron suspendidos por los incidentes en sus propias tribunas, con distintas porciones de sus propias hinchadas.

La lista sigue con Nueva Chicago, que también pagará una sanción. En el caso del “Torito” no tendrá público en el choque del jueves por Copa Argentina (ante Defensores de Villa Ramallo). Este partido se disputará en la cancha de Huracán y la policía no prestará servicio para trasladar a los hinchas del “Torito”.

River, también
Por último, Gimnasia recibirá el próximo domingo a River en El Bosque pero a puertas cerradas. Es que la Justicia falló a favor de la Aprevide (Agencia de Prevención en el Deporte).

¿Qué había pasado? “El Lobo” había recibido la sanción de la Aprevide (por los incidentes que protagonizaron sus hinchas en el clásico platense) y debía jugar ante Nueva Chicago a puertas cerradas. Pero el club fue a la justicia, que le dio curso a un recurso de amparo y pudo recibir al “Torito” (por la quinta fecha) con hinchas.

Ahora, Aprevide apeló y la justicia le dio la razón.

Futebol na Europa sofre com onda de violência (Folha de S.Paulo)

Briga de torcidas em Roma

Vincenzo Tersigni/Efe

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

26/02/2015 02h00

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

“Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso”, disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

“A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes.”

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

“Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios”, disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

‘MEDO PESADO’

“A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado.”

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco. desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais.

Paz nos estádios é difícil, diz autor de relatório sobre violência no futebol (Folha de S.Paulo)

19/02/2015  02h00

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

“O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática”, disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. “Não tem mágica”, constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema… Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

  Eduardo Knapp/Folhapress  
Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: “acabou”. Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo “A” a de maior risco, “B” a de risco médico e “C” as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo…

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês…

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

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RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE 64

CARGO Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

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RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas.

Polícia Militar tem 25 policiais infiltrados em torcidas organizadas de SP (UOL)

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo 31/01/201506h04 

O 2º Batalhão de Choque da PM de São Paulo

Policiais do 2º Batalhão de Choque da PM-SP marcham durante treinamento diário em seu quartel, na região central de São Paulo Thais Haliski/UOL

O Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar em São Paulo mantém 25 policiais infiltrados nas torcidas organizadas dos principais clubes de futebol do Estado de São Paulo. Eles assistem no estádio às principais partidas dos clubes a que são designados, ficando no mesmo local e usando as camisas de torcidas organizadas como Gaviões da Fiel (Corinthians), Mancha Alviverde (Palmeiras), Independente (São Paulo) e Força e Sangue Jovem (Santos).A ação é executada pelo núcleo de inteligência do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, responsável pelo policiamento e controle de distúrbios de eventos esportivos realizados no Estado.

De acordo com o capitão Marçal Ricardo Razuk, comandante da 1ª Companhia do 2º Batalhão, o trabalho dos agentes infiltrados – que não se identificam como policiais, e interagem e criam relações com os reais torcedores organizados – não visa identificar criminosos ou práticas ilícitas, mas sim compreender as dinâmicas que interferem nas ações desses grupos, conforme ele mesmo exemplifica:

“Este trabalho nos ajuda a entender que, atualmente, os maiores conflitos e possíveis focos de violência estão em rivalidades que surgiram e vêm crescendo entre torcidas organizadas de um mesmo clube, ou ainda entre grupos rivais dentro de uma mesma torcida organizada”.

Para Razuk, que há 16 anos (desde sua formatura como oficial da PM) atua no policiamento em estádios, o confronto entre torcidas de clubes rivais vem sendo combatido paulatinamente pela polícia desde 1995, quando uma batalha campal no gramado do Pacaembu entre torcedores armados de pedras e paus de Palmeiras e São Paulo (após uma final de um campeonato de juniores) levou à morte de um torcedor são paulino de 16 anos.

De lá para cá, afirma o capitão, o esforço da PM em separar rigidamente a entrada dos torcedores rivais nos campos de jogos, e o reforço do policiamento nas dependências internas dos estádios foi, ao longo do tempo, reduzindo a violência no interior das praças esportivas.

Em um segundo momento, coibiu-se os combates entre torcedores nas áreas próximas ou distantes dos estádios, como estações de metrô ou proximidades de sedes de torcidas organizadas. Isso se fez através de táticas como escolta de torcidas com policiais, viaturas e motocicletas, e criação de rotas de acesso específicas e monitoradas para cada torcida.

Assim, o foco de distúrbio que a Polícia Militar enxerga agora são as rivalidades internas das torcidas de cada clube. “No Corinthians, tem conflito entre Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Estopim da Fiel. A Falange Tricolor tem rivalidade com a Independente, as duas do São Paulo. A rixa entre Mancha (Alvi) Verde e TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras) é conhecida há anos, como também entre Sangue Jovem e Torcida Jovem do Santos”, enumera o comandante do Choque.

Isso não quer dizer que não exista mais violência entre torcedores de times rivais. No último dia 23, corintianos e são-paulinos brigaram entre si e com a PM após um jogo da Taça São Paulo de Futebol Júnior realizado em Limeira, a 143 quilômetros da capital.

A polícia planejara manter os são-paulinos no estádio por mais 30 minutos após o termino da partida, mas depois da vitória alvinegra por 3 a 0, o plano foi alterado, e os torcedores dos dois clubes se encontraram nas ruas de Limeira logo depois do jogo. Houve confronto, e a polícia interviu com balas de borracha e bombas de gás e de efeito moral. “O que houve ali foi mais um problema político. O policiamento não foi feito pelos batalhões de choque, entenderam que não havia necessidade de nos deslocar até lá, e a operação executada não foi a que costuma ser padrão”, afirma o capitão Razuk.
Passagem de poder

Outro foco de discórdia e violência nas torcidas organizadas detectado pela PM se dá entre grupos rivais pertencentes a uma mesma torcida. Ocorre nos momentos em que pessoas que lideram e gozam de prestígio em uma organizada vão ficando mais velhos e tendo sua liderança e linha de conduta substituídas por grupos mais jovens.

“A torcidas são diferentes. Há torcidas que têm lideranças nítidas. Como há também torcidas em que um presidente ou diretor só tem a figura de líder, sem mandar em ninguém. Existe, também, o pessoal da velha guarda, que não são mais os líderes constituídos, mas que possuem uma grande liderança natural, às vezes positiva e às vezes negativa, em cima dos demais torcedores”, explica o oficial da PM.

De fenômenos como esses, surgem situações como a que existe atualmente na Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do Estado. “Lá (na Gaviões), houve o surgimento de uma facção, a Gaviões da Rua São Jorge”, conta Razuk. Dividida, a torcida vive uma situação de disputa entre grupos rivais, que, não raro, leva a situações de violência.

TREINAMENTO E AÇÃO DO 2º BATALHÃO DE CHOQUE DA PM DE SÃO PAULO

A fim de evitar que atos violentos ocorram, os policiais infiltrados da inteligência do 2º Batalhão de Choque buscam detectar os humores, planos e ações desses grupos no âmbito de suas rixas, munindo a PM de informações que permitam que ela haja preventivamente.

Ainda que enxergue conexão direta entre a conjuntura de violência nos estádios paulistas com as torcidas organizadas, o capitão do Choque não é favorável à extinção das torcidas ou à proibição de seus membros frequentarem os estádios vestindo seus uniformes. Ele recorda uma partida emblemática para sustentar sua posição.

“Em 2006, após um jogo entre Corinthians e River Plate (Argentina) no Pacaembu, em que o Corinthians foi eliminado da Copa Libertadores, os torcedores tentaram invadir o gramado, e a PM evitou uma tragédia. Depois disso, durante cerca de quatro meses, os torcedores foram proibidos de entrar com camisas de torcidas nos estádios.

Sabe o que aconteceu? Os torcedores entravam nos jogos sem as camisas, mas se portavam da mesma maneira. Ficavam concentrados nos mesmo locais e cantavam as mesmas músicas, só que com uma coisa diferente: aumentaram as provocações deles à polícia, eles passaram a achar que tinham ‘perdido a briga com a PM’, e queriam ir à forra”.

Depois disso, os gaviões começaram a entrar nos estádios com faixas escondidas, que traziam o nome da torcida. “Pela determinação legal da época, nós deveríamos apreender aquelas faixas, que estavam proibidas. Mas não fizemos isso, porque só aumentaria o clima de rivalidade. A verdade é que o futebol paulista perdeu muito com aquele episódio, por isso não acredito em extinção ou proibição de torcidas”, argumenta o oficial.

Já em relação aos mastros de bandeira, que todos os anos, em início de temporada (o Campeonato Paulista começa neste sábado (31)), voltam ao centro dos debates trazidos por aqueles que defendem sua volta aos estádios, o capitão do Choque é taxativo: “Defendemos e defenderemos, legalmente, se preciso, que os mastros de bandeira não voltem às arquibancadas. E também não permitimos quaisquer objetos que possam ser utilizados para ferir uma pessoa, porque sabemos que eles foram e serão utilizados para isso caso sejam permitidos”.

A lista de itens proibidos nas arquibancadas paulistas foi acrescida neste mês pelo chamado “pau de selfie”, um bastão metálico utilizado por pessoas para fotografarem a si mesmas com maior distância entre si e o telefone celular com câmera. “Em um estádio de futebol, nas mãos de um torcedor mal intencionado, pode virar uma arma. Então, não entra.”

O meu é melhor (Folha de S.Paulo)

Mônica Bergamo (23/11/2014)

Estádios alimentam rivalidade entre torcedores de SP, que rejeitam críticas e desdenham da casa dos adversários

O celular do economista Luiz Gonzaga Belluzzo apitava sem parar na quarta-feira (19), dia em que a nova arena do Palmeiras foi inaugurada, sinalizando as mensagens que chegavam ao aparelho do ex-presidente do clube.

“O Belluzzão abre hoje!”, dizia o amigo Rogério. “É de enlouquecer, amigo! Ser testemunha disso é demais!”, afirmava outro. “Showzaço”, endossava o jornalista José Roberto Burnier, da TV Globo. “Faltam algumas horas, professor. Mais uma missão cumprida. Tudo começou com você. Parabéns!”, afirmava outro torcedor integrante do grupo de WhatsApp.

“É um verdadeiro delírio!”, diz Belluzzo sobre o envolvimento da torcida com a inauguração do estádio.

Há sete anos, quando lançou a proposta de reformar o Palestra Itália, Belluzzo, então diretor de planejamento do Palmeiras, imaginava apenas “construir um estádio que gerasse receitas”. O que era só uma ideia prática foi crescendo, crescendo e absorvendo o dirigente (em 2010, já presidente do clube, ele teve um “piripaque” e colocou quatro pontes de safena. O prefeito Gilberto Kassab levou ao hospital o presente: o alvará para a construção da arena). A torcida o seguiu num embalo ainda maior.

“Fui percebendo que a relação das torcidas com as arenas, antes sem tanta importância, mudou –e no mundo todo, por influência da globalização do futebol. Todo grande clube hoje tem o seu estádio: o Barcelona tem o Camp Nou, o Real Madrid, o Santiago Bernabéu. Eles passaram a simbolizar a grandeza –e também a rivalidade dos times. Viraram verdadeiros templos, semissagrados.”

No jogo entre Palmeiras e Sport, que abriu a Allianz Parque, nome comercial da nova casa alviverde, o estudante Matheus Rubio era um dos milhares de fanáticos que invadiram a rua Turiassu. “É uma peregrinação. O Palestra Itália não é um estádio, é um santuário”, bradava.

A derrota para o Sport atrapalhou um pouco a festa. O local foi rebatizado pelos rivais na internet de “Ananias Parque”, em alusão ao jogador do time pernambucano que se tornou o primeiro a balançar as redes do estádio. Outra piada foi a comparação da Allianz Parque com um ralador de queijo, publicada pela página “Corinthians Mil Grau”, com mais de 300 mil fãs no Facebook.

Já a página de humor esportivo “Olé do Brasil” fez montagem comparando o Itaquerão a uma impressora. O Morumbi, do São Paulo, é ironizado por adversários por nem sequer possuir título de “arena”, o termo da moda.

“O Morumbi tem história e tradição, coisa que os estádios do Corinthians e do Palmeiras vão levar 50 anos para ter”, provoca Henri Castelli, são-paulino e integrante da torcida Independente, principal organizada do tricolor.

O ator, que não foi aos jogos da Copa do Mundo no Itaquerão, em junho, deixa claro: jamais irá aos estádios adversários, nem mesmo para assistir a um show. “Não tem sentido fazer um estádio tão longe como o do Corinthians, além de ser uma arena bem feia. Já o Palmeiras vendeu tudo, ele não manda em nada no estádio”, diz ao repórter Nicolas Iory.

O ex-zagueiro Tonhão, ídolo da torcida alviverde na década de 1990, defende a nova casa do Palmeiras. “O estádio mantém a alma do antigo Palestra Itália.” Sem citar o nome do estádio corintiano, emenda: “A gente respeita o Morumbi, a Vila Belmiro, o Pacaembu e o estádio do outro adversário, mas isso aqui é o top”.

“A Allianz Parque está em uma área de adensamento urbano, não sei se vai suportar grandes eventos”, diz o corintiano Marcelo Silber, médico pediatra no hospital Albert Einstein. “E o acabamento não é igual ao da Arena Corinthians [ele evita usar o nome Itaquerão], que é espetacular. É um milhão de vezes melhor que o Morumbi e o Pacaembu. Não tem nem comparação.”

Silber é filiado ao Fiel Torcedor, programa de sócio-torcedor do Corinthians, e foi a 10 dos 16 jogos do clube já disputados no Itaquerão, inclusive na abertura do estádio, na derrota para o Figueirense, em maio. Para ver seu time jogar, o pediatra até já atravessou um oceano, em 2012, quando o alvinegro disputou –e venceu– o Mundial de Clubes no Japão.

Quando o surfista Pedro Scooby, marido da atriz Luana Piovani, chamou o estádio corintiano de “favelão”, na abertura da Copa, Silber ficou inconformado. “Foi uma crítica estapafúrdia, sem sentido. Isso é um comentário elitista, beirando o preconceito.” Como ele, centenas de torcedores protestaram contra o surfista na internet. Scooby então se apressou a negar a crítica. “Inclusive tenho uma camisa do Timão”, defendeu-se em uma rede social.

Há torcedores alvinegros que pedem, em fóruns virtuais, que o clube lucre com as piadas. A comparação do Itaquerão com uma impressora, por exemplo, poderia servir para que se fechasse um contrato com a HP, fabricante do aparelho.

Dirigentes dos clubes são mais contidos. “Os estádios do Palmeiras e do São Paulo têm características diferentes das do Corinthians. Queremos ter estrutura que atenda bem o nosso cliente, e não ser melhores que ninguém”, diz Lúcio Blanco, gerente de operações do Itaquerão.

Os três estádios concorrem também no mercado de shows e eventos corporativos e sociais. A Arena Corinthians, segundo Blanco, quer atrair eventos empresariais. O clube, para proteger o gramado, não admite a montagem de palcos ou outras estruturas dentro do campo. “Mas é claro que, se houver interesse, temos a área externa, que pode atender até 35 mil pessoas”, diz ele.

A arena do Verdão será palco de duas apresentações que o ex-Beatle Paul McCartney fará nesta terça (25) e quarta (26). A próxima grande atração no estádio podem ser os Rolling Stones, que chegaram a ser cotados para tocar no Itaquerão.

Em quatro anos, foram gastos cerca de R$ 700 milhões com a modernização do Palestra Itália. Tudo foi bancado pela WTorre, que vai explorar o estádio por 30 anos.

“A Allianz Parque foi planejada para ser um espaço multiúso, e não só a casa do Palmeiras”, explica Rogério Dezembro, diretor da construtora. “Tudo que foi possível construir para agilizar e baratear o custo de operação, seja de um show ou de um evento corporativo, foi feito.”

As inovações do estádio do rival, no entanto, não intimidam Douglas Schwartzmann, diretor de comunicação do São Paulo. Ele não acredita que o Morumbi será jogado para escanteio. “Temos mais três ou quatro propostas de shows, além do Foo Fighters [que toca no estádio em janeiro]”, diz o dirigente.

Apesar da rivalidade, é comum torcedores inspecionarem, digamos, a casa do adversário. O corintiano Marcelo Silber aguarda convite para assistir a um jogo na arena do Palmeiras. “Ninguém fala, mas todo mundo quer conhecer o estádio do outro”, admite ele. Satisfeita a curiosidade, cada um volta à casa própria. Silber diz, por exemplo, que não faz “a menor questão” de retornar ao Morumbi.

“Si el aguante en el fútbol es ganar o morir estamos jodidos” (La Capiital)

Miércoles, 29 de octubre de 201401:00

El sociólogo Pablo Alabarces analiza al fútbol, el aguante,  y su relación con las  identidades populares y la violencia en su último libro  “Héroes, machos y patriotas”.

“Las narrativas patrióticas son siempre masculinas. Las Leonas ganan todo, pero Los Pumas son protagonistas de la publicidad”, analiza Alabarces.

Por Laura Vilche / Ovación

Pablo Alabarces no vive de jugar al fútbol. Tampoco es técnico: es doctor en sociología por la Universidad de Brighton (Inglaterra), docente de cultura popular y masiva en la Universidad de Buenos Aires e hincha de Vélez. Esa combinación de rigor intelectual y pasión futbolera le bastó para escribir “Héroes, machos y patriotas. El fútbol entre la violencia y los medios”, su último libro. Un texto donde demuestra que se puede hablar con conocimiento de causa sobre fútbol aunque no se viva con la pelota en los pies. Alabarces, colaborador de varios medios gráficos y fundador de la sociología del deporte en América latina, es un crítico implacable.

A los hinchas los analiza desde la categoría del “aguante” para concluir que son “xenófobos y machistas” y que el fanatismo futbolístico hace “peores a las personas”. No se queda atrás con los dirigentes y políticos: argumenta y documenta cuando los responsabiliza de haber hecho del fútbol una institución en crisis, violenta y corrupta.

Le dedica varias páginas al Mundial del 78 (ver aparte), para él toda una deuda de los académicos de las ciencias sociales. También es duro con la televisión, las propagandas, y con muchos periodistas deportivos: toma prestado de un colega el término “fierita” y así se refiere a los trabajadores de prensa que se hacen “amigos de su agenda de jugadores y directores técnicos” para hacer una nota. Habla de la literatura futbolera y rescata especialmente a Fontanarrosa, al punto de que asegura que el escritor Eduardo Sacheri le copia su genialidad.

También problematiza el concepto de identidad. Lo desnaturaliza y pone a Maradona, a Messi y a Tevez bajo la lupa: explica por qué sólo uno de los tres encarna la narrativa patriótica, de la que según dice, “nunca” las mujeres serán parte por más medallas que ganen.

La violencia futbolística es otra de sus preocupaciones: la analiza y plantea alternativas y al entrar en tema  habla de Ñuls y Central. Alabarces es lúcido, provocador, desafiante y riguroso en cada página y cuando dialoga. También es pesimista. Lo demuestra así: “Si tener aguante es ganar o morir por el fútbol estamos jodidos”.

—¿Qué es para usted “la cultura del aguante”?
—Es una dimensión moral de la acción que analizo desde el fútbol, desde el hincha, donde se da con más fuerza pero también se ve en el plano político o del rock. En cada caso los actores se jactan de tener aguante, defienden el territorio, los colores y usan la metáfora y retórica de la genitalidad: dicen que tienen huevos. Pelearse está bien y hasta es obligatorio, es de machos. Un ejemplo claro se dio en el clásico entre Ñuls y Central. Un equipo pierde, se siente humillado, que perdió el honor deportivo, entonces la única forma de recuperarlo es demostrando que se tiene aguante. A veces eso llega a casos extremos como los crímenes a dos hinchas de Central tras el clásico. Enseguida y sin pruebas suficientes los medios dicen que se trata de barras, pero la idea del aguante no se limita a ellos: es un fenómeno estructural de toda la cultura futbolística. La diferencia es que el barra vende aguante a cambio de algo, siempre dinero clandestino, y si se pregunta de dónde viene el dinero aparecen las redes de complicidades que involucra a dirigentes deportivos, políticos, empresarios, policías, jugadores y medios.

—En el libro es descarnado con quienes no son rigurosos, por sus flaquezas teóricas, falta de análisis, investigación, crítica o uso agresivo del lenguaje.
—Apelar a la rigurosidad es la idea, en todos los ámbitos. No se puede generalizar en balde, tengo que ser crítico porque me educaron y me pagan para eso, pero además hay que afirmarse en un lugar para lograrlo. Si digo que Sacheri es flojo es porque repite a Fontanarrosa sin su creatividad y su crítica. Entonces me quedo con Fontanarrosa. Pero además Sacheri abusa de masculinidad, de nostalgia y lugares comunes, al igual que (Juan José) Campanella. Y la nostalgia es empobrecedora al momento de analizar: no explica nada. También hay trabajos poco rigurosos desde los científico. Se suele repetir como un mantra que hay que hacer con los barras como los ingleses con los hooligans. Pero cuando uno estudia de cerca qué se hizo comprueba que se cometieron muchos errores. Que al igual que en Argentina las fuerzas policiales actúan por portación de cara. Y no hay acción sin causa ni sentido. Cuando el periodismo y los políticos creen que solucionan los temas de la violencia en el fútbol hablando de los intrínsecamente violentos —los inadaptados que hay que desterrar, expulsar o exterminar— se cometen equivocaciones aberrantes desde la psicología, la sociología y antropología, también. Además, hay estudios serios que demostraron que las dirigencias suelen ser más violentas que los hinchas.

—También tiene una mirada implacable con cierto periodismo deportivo.
—Sí, pero no es una crítica en bloque, digo con nombre y apellido quienes hacen denuncias sobre la violencia y actividades de las barras bravas en el periodismo, como Gustavo Grabia pero nunca, ni él ni el medio para el que trabaja, reconocen que también son cómplices con su lenguaje del aguante. El caso del locutor de Fútbol para Todos, la voz estatal, es igual. Si hablás en un partido de que “hay que ganar o morir” estamos jodidos porque se produce aquello que se condena.

—Usted marca ocho puntos en el cuadro de la violencia y aporta diez posibles soluciones entre ellas la intervención de AFA y de todos los clubes que se sepa que tienen complicidad con los barras.
—Ese fue un documento colectivo, para nada porteñocéntrico, elaborado en 2012 con colegas de distintas universidades. Desde Rosario participó Juan Manuel Sodo, pero también hubo investigadores de Córdoba y Jujuy. Un trabajo monumental al que nadie le dio pelota y que ahora se pone en escena cuando muchos dirigentes pelean en AFA la herencia del difunto. Ahora hay dos bandos: los supuestamente renovadores y los grondonistas ortodoxos. Si entre los renovadores está (Daniel) Angelici, el presidente de Boca, que se pasó tres años diciendo que en su club no había barras bravas, mal futuro tenemos. Planteamos medidas democráticas, fundamentadas, para obtener resultados a largo plazo e involucran a los hinchas. Pero no a los que por ganar a cualquier costo elijen a dirigentes o medidas corporativas, sexistas y sectarias, como pasó en Independiente y Hugo Moyano. Los mismos hinchas que denunciaron a los barras y a la corrupción de los dirigentes ahora, por amor a la camiseta y con tal de que a Racing le vaya mal o no irse más al descenso votan por el poder sindical. Pasó en Rosario: los hinchas recuperaron Ñuls después de años de despotismo de Eduardo López y ahora muchos de esos hinchas pueden llegar a matar tras el resultado de un partido. Si esto es así sólo queda refugiarnos en el pesimismo.

—¿Por qué las mujeres deportistas no encarnan la narrativa patriótica?
—La diferencia sólo la hace el género. Beatriz Sarlo me discutió esto. Dijo que no hay país en el mundo donde las mujeres ocupen ese lugar destacado. Las narrativas patrióticas siempre son masculinas. Y en Argentina esta muy claro con Las Leonas; no fueron parte de las metáforas patrióticas, sí en cambio Los Pumas, condenados a la “derrota digna” y protagonistas de propagandas de marcas deportivas y de cervezas patrocinantes.

—¿Por qué dice usted que Messi nunca será Maradona?
—Son incomparables y por suerte. Porque Maradona, más nacional y popular a la manera del peronismo, y plebeyo, tuvo que hacerse cargo de cientos de significados en determinados contextos. El pobre Messi puede llegar a hacerle dieciséis goles a Inglaterra en una final del próximo Mundial de Moscú, pero eso no sucederá cuatro años después de la Guerra de Malvinas. Por eso digo por suerte, porque son contextos irrepetibles. Tevez podría ser más maradoniano pero tampoco con él puede repetirse la historia.

El chamán que ‘detuvo’ la lluvia, Jorge Elías González (El Espectador)

17 ENE 2012 – 3:33 PM

Clausura Mundial Sub 20

Recibió $3’931.082 de pesos por evitar la lluvia en la clausura del Mundial Sub 20.

Por: Elespectador.com
El chamán que detuvo la lluvia

Jorge Elías Gonzalez fue contratado para evitar la lluvia en la clausura del Mundial Sub 20 de fútbol en Bogotá en 2011.

El chamán recibió cerca de 4 millones de pesos por la labor para la que fue contratado, en el partido por el tercer y cuarto puesto entre México y Francia, el clima era lluvia y cielo nublado, por lo que las directivas del teatro Nacional estaban preocupadas, ya que si la lluvia se extendía hasta el momento de la clausura, esta no se podría llevar a cabo como estaba planeada.

Ana Martha de Pizarro, gerente del Teatro Nacional se escuda de la críticas dejando claro que la lluvia desapareció y el evento se pudo llevar a cabo como estaba programado.

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JUDICIAL 17 ENE 2012 – 3:53 PM

Clausura Mundial Sub 20

Chamán podría ser llamado a declarar por contrato del Mundial Sub 20

Las personas involucradas en las irregularidades en la ceremonia de clausura del evento podrían haber incurrido en los delitos de peculado por apropiación y celebración indebida de contratos.

Por: Elespectador.com
 El chamán que detuvo la lluvia

La Fiscalía General podría llamar en los próximos días al ahora conocido chamán Jorge Elías González para que explique la forma en cómo lo contrató el Instituto de Recreación y Deporte (Idrd) para la ceremonia del clausura del Mundial Sub 20 celebrada en agosto pasado en Bogotá.

“En el caso del señor Chamán será citado a la Fiscalía para que nos explique la circunstancia de tiempo, modo y lugar en que se puede evitar que ocurra el fenómeno de la lluvia”, precisó el vicefiscal General, Juan Carlos Forero.

Sobre este caso, que ha llamado la atención de todo el país, el Vicefiscal General precisó que los funcionarios que realizaron la contratación para la ceremonia podrían haber incurrido en los delitos de peculado por apropiación y celebración indebida de contratos, puesto que existe un detrimento 1.900 millones de pesos.

Igualmente aclaró que se tiene que revisar como el Idrd realizó todo el proceso de contratación, con el fin de verificar si se realizó licitación pública o “los contratos fueron adjudicados a dedo”.  

El chamán contratado para el cierre del Mundial sub’20 Colombia 2011 evitó que la lluvia empañara el espectáculo montado para la clausura de este campeonato en Bogotá, aseguraron los responsables de la presentación artística.

El campesino Jorge González Vásquez fue vinculado para que “no lloviera durante el espectáculo”, dijo la directora del Festival Iberoamericano de Teatro de Bogotá (Fitb), Ana Martha de Pizarro, en una entrevista con Caracol Radio.

“La realidad es que no llovió durante el espectáculo”, agregó De Pizarro, cuya institución creó y montó la presentación con la cual se dio cierre, el pasado 20 de agosto, al Mundial sub’20 en el Estadio Nemesio Camacho ‘El Campín’, de Bogotá, y del que Brasil se coronó campeón al vencer a Portugal.

La directora del Fitb habló de la presencia de González un día después de que el titular de la Contraloría (tribunal de cuentas) de Bogotá, Mario Solano Calderón, denunciara cuantiosos sobrecostes en la contratación de la clausura y presentara el caso del chamán como el más llamativo.

El Fitb fue contratado para la clausura del Mundial sub’20 por el Instituto Distrital de Recreación y deporte de Bogotá (Idrd), entidad de la Alcaldía de la ciudad que invirtió poco más de 4.400,13 millones de pesos para las actividades de cierre del evento.

Sin embargo, Solano advirtió de que la contratación tuvo un sobrecoste de casi la mitad de esa suma, por mayores cobros en frentes como los de vinculación de personal extranjero, pasajes aéreos y viáticos, entre otros.

En el caso de González, el funcionario dijo que este chamán recibió casi cinco millones de pesos, la mayor parte como sueldo y la otra como viáticos.

La directora del Fitb sostuvo que en el contrato con el Idrd se puso como una de las condiciones para la realización del espectáculo la vinculación del campesino.

“Aunque a ustedes les pueda parecer un poco exótico, es parte de la producción de presentaciones masivas y públicas, y es la manera habitual en la que nosotros lo hacemos”, expresó De Pizarro.

La gestora cultural observó que el Fitb contrata al chamán para la misma función desde la segunda o tercera versión del festival, creado y dirigido hasta su muerte en agosto de 2008 por la actriz colombiano argentina Fanny Mikey, quien fue sucedida por De Pizarro.

El FITB se realiza cada dos años, por la misma época de la Semana Santa, y en 2012 celebrará su edición trece.

De Pizarro defendió que la presentación de cierre del Mundial sub’20 “fue absolutamente impactante” y que, para ellos, “parte esencial del espectáculo era contratar a este señor (el chamán)”

Asimismo, aseguró que el Fitb entregó “cuentas absolutamente exhaustivas y claras” sobre los contratos que celebró y los pagos que hizo para cumplir con la parte de las actividades que le fueron encomendadas.

Torcida do América-MG usa “Decime que se siente” para tirar sarro do Atlético (Trivela)

Vai se preparando que o final da Copa não significa que não teremos mais de ouvir “Decime que se siente”, música da torcida argentina para tirar sarro dos brasileiros. Afinal, era óbvio que as torcidas brasileiras usaria essa versão cumbia de “Bad Moon Rising”, do Creedence Clearwater Revival”, para inspirar novas gozações.

LEIA MAIS: Argentinos e brasileiros fazem clássico de gogós em SP

Nesta sexta, a torcida do América-MG mostrou o caminho antes da vitória por 3 a 0 sobre o Oeste na Série B. Adaptou a letra para jogar na cara dos atleticanos quem é o único decacampeão mineiro e, principalmente, quem é o proprietário do estádio Independência. Imagina-se que o Atlético dará o troco assim que possível, e assim vemos o surgimento de um legado da Copa do Mundo.

Imponderável futebol clube (Ciência Hoje)

Empolgado com os jogos da Copa do Mundo no Brasil, Adilson de Oliveira lança mão da física para tratar em sua coluna de junho das circunstâncias indefiníveis que podem interferir no resultado de uma partida.

Por: Adilson de Oliveira

Publicado em 20/06/2014 | Atualizado em 20/06/2014

Imponderável futebol clube

O atacante Neymar, da seleção brasileira, é candidato a craque da Copa do Mundo no Brasil. Mas, como no futebol o imponderável não pode ser desprezado, será preciso esperar para ver se a previsão se confirma. (foto: Hao Ke/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

Estamos novamente em época de Copa do Mundo, o maior evento esportivo mundial, que ocorre a cada quatro anos – desta vez no Brasil. Apesar de todos os contratempos, como atrasos nas obras de infraestrutura e na construção de estádios, protestos, greves etc., a Copa começou e praticamente todas as pessoas ficam ligadas nos jogos.

Para nós, brasileiros, os maiores campeões das Copas e do futebol mundial (só não temos a medalha de ouro olímpica), há a grande expectativa do sexto título. Afinal, jogamos em casa, temos um time com grandes jogadores, que atuam nos melhores clubes do mundo (temos Neymar!), ganhamos a Copa das Confederações no ano passado, vencendo, na final, a Espanha, última campeã mundial.

Contudo, o futebol talvez seja o esporte coletivo mais imprevisível que existe. No basquete, voleibol, handebol etc., dezenas de pontos são marcados em uma partida, e um time muito superior tecnicamente dificilmente perde para o mais fraco. No futebol nem sempre isso é verdade. Apenas uma pequena falha muda o resultado do jogo. Como costumava dizer o famoso jornalista e radialista esportivo Benjamim Wright, “o futebol é uma caixinha de surpresas”.

As Copas do Mundo são famosas por resultados inusitados. Para nós, brasileiros, o maior trauma foi perder a final da Copa de 1950, em pleno Maracanã, no jogo em que precisávamos apenas de um empate com o Uruguai. Em um lance, o jogador uruguaio Ghiggia calou 200 mil pessoas. Se fosse possível voltar no tempo, com certeza gostaríamos de mudar esse resultado (veja a coluna A Copa e as viagens no tempo).

Uma partida de futebol é o que chamamos de um problema complexo com múltiplas variáveis

Será que podemos tentar entender essa imponderabilidade do futebol? A física pode ajudar nisso?

Uma partida de futebol é o que chamamos de um problema complexo com múltiplas variáveis. Temos 22 jogadores (cada um com a sua própria vontade) distribuídos em dois times em um campo que não é exatamente do mesmo tamanho em todos os estádios. O Maracanã tem 110 m x 75 m ou 8.250 m2 (375 m2 por jogador).

Diferentes condições, como clima (na Copa do Mundo teremos partidas na fria Porto Alegre e na abafada Manaus), condicionamento físico dos atletas e, principalmente, habilidades técnicas e táticas de cada jogador, para citar apenas algumas, podem interferir no resultado de um jogo.

Dessa forma, tentar explicar o resultado de uma partida de futebol tentando equacionar todas essas variáveis parece algo impossível de resolver. Da mesma maneira, muitos problemas físicos são muito complexos para ser resolvidos de uma forma exata, mas podemos resolvê-los se fizermos abordagens diferentes, com algumas aproximações e simplificações.

Por exemplo, se quisermos compreender o comportamento de um gás em um determinado volume (como dentro de uma sala), dependendo da abordagem utilizada isso pode se transformar em um problema insolúvel. Em uma sala de 27 m3 de volume (3 m x 3 m x 3 m), temos cerca de 1026 moléculas (10 seguido de 26 zeros!). Se quisermos descrever o movimento de cada molécula individualmente, teremos 1026 equações de movimento acopladas. Esse é um problema impossível de ser resolvido do ponto de vista matemático.

Não podemos tentar prever o movimento de cada jogador em uma partida de futebol. Diferentemente das moléculas de um gás, cada jogador tem características diferentes e vontade própria para decidir o que fará no jogo

Por outro lado, se, em vez de considerarmos o movimento de cada molécula, quisermos descrever propriedades que representam o comportamento como um todo, podemos obter informações importantes. Se descrevermos estatisticamente as colisões das moléculas nas paredes da sala, poderemos calcular a pressão, a temperatura e o volume do gás. Esse modelo é muito simplificado, mas permite calcular com boa precisão essas propriedades de um gás, que são de fato as relevantes para se determinar seu comportamento.

Não podemos tentar prever da mesma maneira o movimento de cada jogador em uma partida de futebol. Diferentemente das moléculas de um gás, cada jogador tem características diferentes e, principalmente, tem vontade própria para decidir cada movimento que fará no jogo. Mas podemos tentar compreender o comportamento coletivo dos jogadores e a forma de cada um se posicionar durante a partida em função do esquema tático proposto pelo técnico.

Como seria muita pretensão minha tentar descrever o comportamento dos jogadores em uma partida de futebol da mesma maneira que é possível fazer com um gás, como todo torcedor que acha que entende de futebol, vou apenas dar alguns palpites, apontar algumas variáveis que talvez sejam as mais relevantes.

Esquemas táticos e lances mágicos

Normalmente os técnicos de futebol apontam que o fator campo é determinante para a vitória do time. Campos maiores tendem a favorecer times que atacam muito, pois há mais espaço para a movimentação dos jogadores; campos menores favorecem times que jogam com postura mais defensiva, pois há menos espaço para a movimentação da bola. A torcida predominante de um time costuma incentivar mais os jogadores, e estes se empenham mais. Mas, se não estiverem jogando bem, a torcida maior pode vaiar e atrapalhar o time.

O futebol, por ser um jogo coletivo, faz com que os técnicos posicionem os jogadores com diferentes esquemas táticos, representados por números como 4-4-2 (quatro defensores, quatro meio-campistas e dois atacantes), 3-5-2 (três defensores, cinco meio-campistas e dois atacantes) ou o esquema da moda, 4-3-2-1 (quatro defensores, três meio-campistas, dois meias-atacantes e um centroavante).

Cobrança de falta

Seleção brasileira prepara-se para cobrar uma falta em partida contra a Bielorrússia em 2012. No futebol moderno, os lances de bola parada são extremamente perigosos e têm sido responsáveis por cerca de 70% dos gols feitos ultimamente em disputas de alto nível. (foto: Flickr/ daniel0685 – CC BY 2.0)

Cada esquema funciona ou não dependendo de cada jogador que vai ocupar ou não a posição. Times com muitos atacantes nem sempre ganham as partidas. Ao contrário, geralmente perdem, porque, para se ganhar um jogo, é necessário não apenas fazer gols, mas também não tomar gols.

Da mesma forma que um gás em uma sala, se o time estiver espalhado por todo o campo, ficando os jogadores muito distantes uns dos outros, haverá poucas interações entre eles, dificultando as trocas de bolas. Quando o time faz pressão na marcação, ou seja, os jogadores se aproximam muito dos adversários, normalmente consegue tomar posse da bola e atacar. Como em um gás, quando aumentamos a pressão, as moléculas vão para determinada direção. No futebol, essa direção é a meta do adversário.

Da mesma forma que um gás em uma sala, se o time estiver espalhado por todo o campo, ficando os jogadores muito distantes uns dos outros, haverá poucas interações entre eles, dificultando as trocas de bolas

Mas, se aumentarmos muito a pressão, pode ocorrer um vazamento, fazendo com que o gás escape do recipiente em que se encontra. Na partida de futebol, se todo o time estiver pressionando o adversário, um deles pode escapar e ir na direção oposta, surpreendendo o time que está pressionando. É o famoso contra-ataque. Uma arrancada de um jogador, driblando todo um time, como a que redundou no antológico gol de Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986, é um exemplo disso.

Outro exemplo de jogada que pode ser decisiva em um jogo são os lances de bola parada. Um escanteio, uma falta ou um pênalti são lances que costumam ser muito perigosos no futebol. É nesses momentos, em que os jogadores se posicionam normalmente em uma jogada ensaiada ou chutam a bola diretamente para a meta, que ocorrem grandes chances de gol. Nesse caso, tenta-se colocar a bola com precisão, esperando que ela interaja o menos possível, pois qualquer toque pode desviá-la do alvo.

O futebol é um esporte maravilhoso e emocionante. Em frações de segundo, decisões que sequer são raciocinadas produzem lances mágicos e memoráveis. Gênios do futebol como Pelé, Garrincha e Maradona, entre muitos outros, produziram em Copas do Mundo momentos inesquecíveis do futebol. Esperamos que essa Copa no Brasil também nos deixe na memória lances que contaremos para as futuras gerações, principalmente se forem da nossa seleção.

Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos

RoboCup: the World Championship on robotics!

21 July 2014

www.robocup.org

RoboCup was founded in 1997 with the main goal of “developing by 2050 a Robot Soccer team capable of winning against the human team champion of the FIFA World Cup”. In the next years, RoboCup proposed several soccer platforms that have been established as standard platforms for robotics research. This domain demonstrated the capability of capturing key aspects of complex real world problems, stimulating the development of a wide range of technologies, including the design of electrical-mechanical-computational integrated techniques for autonomous robots. After more than 15 years of RoboCup, nowadays robot soccer represents only a part of the available platforms. RoboCup encompasses other leagues that, in addition to Soccer, cover Rescue (Robots and Simulation), @Home (assistive robots in home environments), Sponsored and @Work (Industrial environments), as well as RoboCupJunior leagues for young students. These domains offer a wide range of platforms for researchers with the potential to speed up the developments in the mobile robotics field.

RoboCup has already grown into a project which gets worldwide attention. Every year, multiple tournaments are organized in different countries all over the world, where teams from all over the world participate in various disciplines. There are tournaments in Germany, Portugal, China, Brazil, etc.  In 2014, RoboCup will be hosted for the 1st time in South America, in Brazil.

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil (Screamer)

June 8, 2014

Achal Prabhala

Original post by Achal Prabhala on SCREAMER

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

Originally published in Africa Is A Country.

By the time you read this, it’s possible that every single person on the planet will know who Neymar da Silva Santos Júnior is.

This is Neymar from last week:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In BrazilEXPAND

This is Neymar from one year ago:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

This is Neymar from five years ago:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

This is little Neymar with his family:

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

You could come to any number of conclusions from Neymar’s remarkable transformation. For instance, you could conclude that race doesn’t exist in Brazil, which is the favorite line of a specific tribe of Brazilians—impeccable liberals all, who just happen to be upper-class, white, and at the top of the heap.

Or you could conclude that everyone in Brazil is indeed mixed—which is, incidentally, the second-favorite line of the selfsame tribe.

Or you could wonder what happened to this boy.


It’s too easy to condemn Neymar for pretending to be white: Judging by the images, he is partly white. It’s silly to accuse him of denying his mixed-race ancestry, because the simplest search throws up hundreds of images of him as a child, none of which he seems to be ashamed of. There is this: When asked if he had ever been a victim of racism, he said, “Never. Neither inside nor outside the field. Because I’m not black, right?”

Actually, the word he used was preto, which is significant, since, in Brazil, when used as a color ascribed to people—rather than things, like rice or beans—it is the rough equivalent of the n-word, negro and negra being the acceptable ways of describing someone who is truly black (and moreno or morena being standard descriptors for someone dark-skinned, as well as, occasionally, euphemisms for blackness). Technically speaking, however, his logic was faultless—and even kind of interestingly honest: The Neymar who made that statement was an unworldly 18-year-old who had never lived outside Brazil. And in Brazil, Neymar is not black.


In 1976, the Brazilian Institute of Geography and Statistics ran a household survey that marked a crucial departure from other census exercises. The Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) did not ask Brazilians to choose a race category among pre-determined choices; instead, researchers went out and asked people to describe the color they thought they were.

This is what came back.

Acastanhada Somewhat chestnut-coloured
Agalegada Somewhat like a Galician
Alva Snowy white
Alva escura Dark snowy white
Alvarenta (not in dictionary; poss. dialect) Snowy white
Alvarinta Snowy white
Alva rosada Pinkish white
Alvinha Snowy white
Amarela Yellow
Amarelada Yellowish
Amarela-queimada Burnt yellow
Amarelosa Yellowy
Amorenada Somewhat dark-skinned
Avermelhada Reddish
Azul Blue
Azul-marinho Sea blue
Baiano From Bahia
Bem branca Very white
Bem clara Very pale
Bem morena Very dark-skinned
Branca White
Branca-avermelhada White going on for red
Branca-melada Honey-coloured white
Branca-morena White but dark-skinned
Branca-pálida Pale white
Branca-queimada Burnt white
Branca-sardenta Freckled white
Branca-suja Off-white
Branquiça Whitish
Branquinha Very white
Bronze Bronze-coloured
Bronzeada Sun-tanned
Bugrezinha-escura Dark-skinned India
Burro-quando-foge Disappearing donkey (i.e. nondescript) humorous
Cabocla Copper-coloured ( refers to civilized Indians)
Cabo-verde From Cabo Verde (Cape Verde)
Café Coffee-coloured
Café-com-leite Café au lait
Canela Cinnamon
Canelada Somewhat like cinnamon
Cardão Colour of the cardoon, or thistle (blue-violet)
Castanha Chestnut
Castanha-clara Light chestnut
Castanha-escura Dark chestnut
Chocolate Chocolate-coloured
Clara Light-coloured, pale
Clarinha Light-coloured, pale
Cobre Copper-coloured
Corada With a high colour
Cor-de-café Coffee-coloured
Cor-de-canela Cinnamon-coloured
Cor-de-cuia Gourd-coloured
Cor-de-leite Milk-coloured (i.e. milk-white)
Cor-de-ouro Gold-coloured (i.e. golden)
Cor-de-rosa Pink
Cor-firme Steady-coloured
Crioula Creole
Encerada Polished
Enxofrada Pallid
Esbranquecimento Whitening
Escura Dark
Escurinha Very dark
Fogoió Having fiery-coloured hair
Galega Galician or Portuguese
Galegada Somewhat like a Galician or Portuguese
Jambo Light-skinned (the colour of a type of apple)
Laranja Orange
Lilás Lilac
Loira Blonde
Loira-clara Light blonde
Loura Blonde
Lourinha Petite blonde
Malaia Malaysian woman
Marinheira Sailor-woman
Marrom Brown
Meio-amarela Half-yellow
Meio-branca Half-white
Meio-morena Half dark-skinned
Meio-preta Half-black
Melada Honey-coloured
Mestiça Half-caste/mestiza
Miscigenação Miscegenation
Mista Mixed
Morena Dark-skinned, brunette
Morena-bem-chegada Very nearly morena
Morena-bronzeada Sunburnt morena
Morena-canelada Somewhat cinnamon-coloured morena
Morena-castanha Chestnut-coloured morena
Morena-clara Light-skinned morena
Morena-cor-de-canela Cinnamon-coloured morena
Morena-jambo Light-skinned morena
Morenada Somewhat morena
Morena-escura Dark morena
Morena-fechada Dark morena
Morenão Dark-complexioned man
Morena-parda Dark morena
Morena-roxa Purplish morena
Morena-ruiva Red-headed morena
Morena-trigueira Swarthy, dusky morena
Moreninha Petite morena
Mulata Mulatto girl
Mulatinha Little mulatto girl
Negra Negress
Negrota Young negress
Pálida Pale
Paraíba From Paraíba
Parda Brown
Parda-clara Light brown
Parda-morena Brown morena
Parda-preta Black-brown
Polaca Polish woman
Pouco-clara Not very light
Pouco-morena Not very dark-complexioned
Pretinha Black – either young, or small
Puxa-para-branco Somewhat towards white
Quase-negra Almost negro
Queimada Sunburnt
Queimada-de-praia Beach sunburnt
Queimada-de-sol Sunburnt
Regular Regular, normal
Retinta Deep-dyed, very dark
Rosa Rose-coloured (or the rose itself)
Rosada Rosy
Rosa-queimada Sunburnt-rosy
Roxa Purple
Ruiva Redhead
Russo Russian
Sapecada Singed
Sarará Yellow-haired negro
Saraúba (poss. dialect) Untranslatable
Tostada Toasted
Trigo Wheat
Trigueira Brunette
Turva Murky
Verde Green
Vermelha Red

Lilia Moritz Schwarcz, an anthropologist at the University of São Paulo, has a range of astonishing insights around this historic survey; her paper, ” Not black, not white: just the opposite. Culture, race and national identity in Brazil,” from which the table above is reproduced, is a gem. (She also has a book that examines the early history of the subject: The Spectacle of the Races: Scientists, Institutions, and the Race Question in Brazil, 1870-1930.)

Schwarcz’s work is filled with thoughtful, original analysis, and is characterized by an unusual fearlessness. (Unusual, that is, for a subject so complicated). Reading her is a revelation; it turns out there is a real place hiding under that avalanche of clichés. If you’ve ever wondered how crushing racism can flourish in a country where, apparently, race itself has been crushed, consider that everything Brazil is defined by—from its “we are all mixed” anthem, to feijoada, capoeira, and candomblé, right down to samba and soccer—is the result of an insidious, revisionist, far-sighted political maneuver of the 1930s, courtesy the combined skills of popular intellectual Gilberto Freyre and populist dictator Getúlio Vargas. The battered body of slave culture was abducted by national culture in order to renew white culture.

Among the many eye-popping results reported in the PNAD survey, the one I am most drawn to is burro quando foge. You’ll find it up there in the table at No. 34. Google inexplicably translates the phrase as “saddle,” which is awesome, since it means that Lusofonia still keeps some secrets beyond the reach of the behemoth. Burro quando foge is translated by Schwarcz, within the constraints of a column slot, as “the disappearing donkey” and explained as a humorous phrase that denotes a nondescript color.

Which it is—and then some. The metaphor is unique to Brazil, and signifies a color. That color could be nondescript, ill-defined, elusive, or ugly—and, just to make things really clear, also fawn, beige, or a tricky shade of brown. The sentiment conveyed in the phrase is just as interesting. Used between friends, it could pass for a joke. Otherwise, it almost always denotes something unpleasant. It’s usually used an insult, although—oddly enough, given the colors and sentiments—it’s not specifically a racial insult.

Of all the 136 colors of race in Brazil, this is my favorite. It’s flippant and factual and fictional all at once, and as such, suits me perfectly. Race is not a term that has much currency in India, where I live. It is, however, a central feature of Johannesburg and São Paulo, the two cities I occasionally work in, and as much as I’m aware of how privileged I am not to be wholly subject to it, I feel curiously bereft of race in both places. Certainly, I grew up with color: Being a dark-skinned child in a uniformly light-skinned family meant that I had to regularly contend with well-meaning relatives who’d pinch my cheeks and chide me for “losing my color”—as though my skin tone was something I had brought upon myself in a fit of absent-mindedness. To choose a race then: Indian might work for some people, but it is both my passport and my residence, and that’s quite enough. Brown is too generic, and black, a bit too unbelievable, all things considered. Given that I spent my childhood reading Gerald Durrell and dreaming of donkeys, adopting their color seems right in so many ways.


And where does that leave our boy wonder? We might start with the Estado Novo, Vargas’s authoritarian reign between 1937 and 1945. Only a few years earlier, Freyre had published the crowning achievement of his career, Casa-Grande e Senzala (The Big House and the Slave Quarters, released in English as The Masters and the Slaves), and the book was catching fire. Freyre’s central theory was something he called Lusotropicalism. It told a soothing story of the past (by casting the Portuguese as a kinder, gentler breed of imperial slaver), offered a handy solution for the present (by turning the mixing of races into a virtue),and held out an appealing conclusion, namely, the idea that Brazil was a racial democracy.

Upon publication, Freyre’s work immediately attracted the ire of the Portuguese nation for suggesting her citizens were prone to miscegenation. At home, however, it became Vargas’s blueprint for the country he had seized—and his strategy for political survival. Three quarters of a century later, Freyre’s big think remains the enduring idea of Brazil, an idea whose appeal grows in leaps and bounds across the globe and, to be sure, often escapes the clutches of its creators to dazzling effect. Still, consider the irony: The country’s sense of itself as a racialdemocracy was smuggled in to its soul by an autocracy.

The term Estado Novo refers to a few different periods of dictatorship, and it literally translates as “new state,” which is prophetic, since the words also describe a peculiar duty that is incumbent upon at least half the Brazilian population. That duty, of course, is the business ofbranqueamento—of whitening—of transforming, quite literally, into a new physical state. (For all his pro-miscegenation advocacy, Schwarcz notes in The Spectacle of the Races, Freyre was as keen as his critics on keeping the structure of Brazil intact: as a hierarchy with whiteness on top). In that sense, Neymar is only the latest in a long line of celebrities and Brazilians of lesser value who get it. Who get the fine print on the contract; who understand that national identity rests on racial harmony, which, in turn, rests on a kind of potential access to opportunity. Not the opportunity to be equal, mind you, but the opportunity to be white. We may gawk at him all we like, but in straightening his hair, extending it out, and dyeing it blond, Neymar was fulfilling his patriotic destiny just as surely as he was confounding the Croats and leading his team to victory last month.


I’ll venture that the disappearing donkey colour fits Neymar to a T. After all, he is both undoubtedly and elusively brown. Yes, there is the matter of his blond ambition. O burro fugiu, we might well ask—has the donkey left the building? I’d really like to think not. For one thing, the boy’s only 22. He’s got a whole lifetime to change his mind—and his hair. For another, I’ve got a whole World Cup to watch. Have a heart. I spend hours every week learning Brazilian Portuguese; I’m devoted to the country; and I come from Bangalore, a city in which Pelé is god. I do not mean this metaphorically. In a neighborhood called Gowthampura, around the corner from where I live, residents have erected a lovely shrine to four local icons—the Buddha, Dr. Ambedkar, Mother Teresa, and the striker from Santos.

The Whitening Of Neymar: How Color Is Lived In Brazil

So you see, my hands are tied. I’ve got my own patriotic destiny to fulfill, and it involves rooting for Brazil, which means I’m going to need to love Neymar a lot.

I can do it.

Anyway, donkeys are famously stubborn animals. They’re good at waiting.


Achal Prabhala is a writer and researcher in Bangalore, India. Bottom photo via Flickr.Neymar game photos via Getty.

Screamer is Deadspin’s soccer site. We’re @ScreamerDS on Twitter. We’ll be partnering with our friends at Howler Magazine throughout the World Cup. Follow them on Twitter,@whatahowler.

The World Cup 2014 in Brazil: better organised than the Olympics in London 2012? (FREE)

JUNE 26, 2014

Football Research in an Enlarged Europe (FREE)

Yesterday, I was quoted in a number of French newspapers as saying that the World Cup 2014 has been, so far, better organised than the London Olympics 2012. It is my duty to report that this does not in any way whatsoever misrepresent my views.
I stand by what I said.

There have been months, if not years, of negative reports on the 2014 World Cup. Before the event started, comments from all quarters (Western media, FIFA, patrons and waiters at the pub alike) promised absolute doom and gloom in Brazil. The stadia would not be ready in time, spectators would be prevented from travelling to the venues because the infrastructures would not be ready in time or because Brazilians would be protesting to no end. Most commentators were very short of saying ‘those lazy, unpatriotic and unreliable Brazilians’ – when they did not actually say it…

Unless I am mistaken, so far none of this has actually happened. All the stadia are ready and used for the Cup. Brazilians are exercising their democratic right to protest and there are isolated reports of Pelé or other football celebrities not making it to the venue. Yet, stadia are not only ready. They are full at every game! Even when South Korea is playing Algeria, in a game where the sporting stakes are not high.

Compare this with the London Olympics which were marred by a number of controversies:

We could add to the list of ‘things that went pearshaped at London 2012’: for example, the gatecrasher at the parade of nations which shocked many people in India, LOCOG displaying a South-Korean flag instead of North-Korea (logically the North-Korean team refused to warm up and play until the right flag was displayed, prompting the game to be very much delayed…) but the point is not to criticise otherwise relatively well organised Olympics. I don’t want to be unfair with the Brits either as there are often controversies surrounding the organisation of a mega event. Let’s just recall that, to my knowledge, the only international sporting event that had to change country because a stadium was not built in time, is the 2007 Athletics World Championship, planned in Wembley, London and which finally happened in Oslo. Once more, let’s be fair with Britain: construction delays are common in every country, and construction budgets almost invariably go overboard.

The point, instead, is to show the gap between reality and perception. Whenever an event is organised in a Southern country, the discourse, and the memory, is of potential fiascos, that have usually not materialised. Whenever an event is organised in a Northern country, the discourse, and the memory, is of success, even when there were actual fiascos.

Following Edward Said, we can call this ‘orientalisation’, and say that in a world where the East/West divide was replaced in the 1990s by a North-South divide,  this is the result of a distorted view that the Western/Northern media have of the Orient/South.

Let’s say things much more clearly: this is a xenophobic, or even racist, discourse.

David Ranc

Brasil x Argentina: a promoção disfarçada do ódio (Carta Capital)

Não dá para aceitar que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência

por Coletivo Intervozes — publicado 01/07/2014 11:15, última modificação 01/07/2014 12:45

Juan Mabromata / AFP

Torcida da Argentina na Copa do Mundo

Torcedores argentinos aguardam a chegada de sua seleção na porta do Beira-Rio, estádio da Copa do Mundo em Porto Alegre

*Por Bruno Marinoni

Todos eles foram levados para dentro de uma pequena casa à beira-mar, trancafiados e eliminados. Mais um filme sobre o genocídio nazista? Não. Trata-se de uma “humorada” publicidade de cerveja sobre a “rivalidade” entre brasileiros e argentinos, que vem sendo veiculada desde a partida Argentina e Nigéria, no dia 25 de junho. Qual o problema de os nossos veículos de comunicação alimentarem a xenofobia? De fazerem graça com a proposta de que os hermanos devem ser lançados ao mar, ou ao espaço por nós?

O portal Diário na Copa, do grupo Diário do Nordeste (CE), no mesmo dia 25, publicou uma matéria com a manchete “Argentinos assaltam torcedores e roubam ingressos antes de partida em Porto Alegre”. O conteúdo da notícia aponta que os suspeitos são argentinos, pois vestiam camisas da seleção argentina. E, assim, nossa imprensa acredita possuir elementos suficientes para associar as imagens do crime à de uma nacionalidade específica. Essa é uma equação bem conhecida pelas vítimas de campanhas racistas e xenófobas. Qual o problema de chamar de “assaltantes argentinos” pessoas que vestem camisa da argentina e roubam ingressos?

Uma matéria do site do Globo Esporte do dia 21 anunciava que “a Copa do Mundo registrou na madrugada deste sábado a primeira grande briga entre brasileiros e argentinos”. Qual o problema de se naturalizar a briga entre representantes das duas nacionalidades, já insinuando que ela é a primeira de uma série?

Temos assim exemplos nos quais o espetáculo da Copa do Mundo, a grande competição entre as nações, mostra-se um prato cheio para que a nossa indústria cultural alimente e se alimente da violência (simbólica?). Promover a criminalização de um determinado grupo, a naturalização da violência e a necessidade de eliminação do outro: eis um mecanismo comum que se volta de diferentes maneiras para diversos atores no nosso cotidiano e para o qual é preciso estarmos atentos.

Enquanto na publicidade temos um exemplo que se vale do humor para tentar neutralizar qualquer possibilidade de crítica, tem-se por outro lado a imprensa utilizando a estratégia do “realismo”, na qual o “relato objetivo do fato” esconde o papel ativo do jornalismo na construção do discurso sobre a realidade. Dessa forma, o discurso que demoniza um determinado grupo tenta nos seduzir tanto de forma indireta (foi só uma piada!) como de forma direta (essa é a verdade).

Alguém pode minorar o fato de que o futebol é um fenômeno midiático e argumentar que essa rivalidade entre brasileiros e argentinos não foi criada pela mídia. Tá legal, eu aceito o argumento. O que não dá para aceitar é que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência. Seu papel deveria ser problematizar e combater, ao invés de estimular, o espetáculo do ódio travestido de rivalidade.

Abaixo, o vídeo em que os argentinos são mandados para o espaço:

* Bruno Marinoni é repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.

The Politics of Violence and Brazil’s World Cup (Anthropoliteia)

JUNE 30, 2014

 

The editors of Anthropoliteia welcome Sean T. Mitchell with the latest entry in our forum Security in Brazil: World Cup 2014 and Beyond.

A June 19, 2014 São Paulo protest called by the Movimento Passe Livre (Free Fare Movement) to protest transport fares and conditions, but mischaracterized internationally as an “Antigovernment” and “World Cup” protest. The banner in front reads, “There will be no fare.” Photo. Oliver Kornblihtt/ Midia NINJA

On Failure, Violence, and the World Cup

Not unlike the 2010 hoopla anticipating that year’s South Africa World Cup, the breathless expectation of failure and security breakdown that characterized much international coverage of the lead up to Brazil’s 2014 World Cup, now, midway through the month-long event, seems to have been illfounded.

When reporting wasn’t merely what Meg Stalcup characterized on this forum as fluff—which much of it was—pre World Cup coverage in the global north press was overheated and macabre.  Why?

The last year has seen the emergence of large scale Brazilian protest movements of clear importance, and the World Cup has been a target of their criticism.  But the macabre emphasis on violence and failure has obscured much more than it has illuminated about these movements, and about the real violence and social conflicts in contemporary Brazil.

To understand why so much coverage has taken this lurid form, it helps to look at historical representations of peace and violence in Brazil, as well as contemporary politics in Brazil and abroad.

First, consider this: in the run up to Brazil’s World Cup, The New York Times described the “highly modernistic improvement” in stadium security technology designed for the “highly excitable public” and the “huge crowds possible in this soccer-mad country.”  The same year, The Washington Post lamented that “Brazil has for several years been miring deeper into a real crisis characterized by inflation” and a “breakdown” in “national equipment.” The paper warned of a country that had “outgrown its transportation system and power resources,” of “impoverished hordes” in Sao Paulo and Rio de Janeiro and that “the cost of living, already high, is going higher each day.” There was mention of elites hoping that a president, “swept into power by the underprivileged,” could “maintain a reasonable restraint on the masses.” Without such control the country might suffer “violent swings to the left, then to the right,” producing “chaos” that might prevent the country from setting “its economic house in order.”

Despite clear similarities with recent Anglophone reporting on Brazil, these articles were not from Brazil’s World Cup year of 2014, but from 1950, when Brazil also hosted the event.  The “highly modernistic improvement” to Rio’s Maracanã stadium was a moat, designed to protect players from spectators—somewhat lower tech than the “Robocops” of today’s sensational headlines.

The list of economic and political woes in The Washington Postarticle fits neatly with recent coverage of Brazil in the Anglophone press.  But the president in question was the newly-elected former dictator, Getúlio Vargas, not today’s soon-up-for-reelection former revolutionary, Dilma Rousseff of Brazil’s PT (Worker’s Party).  Like Dilma, Getúlio inherited a political program vastly popular with Brazil’s poor, but faced discontent, political turmoil, and the imperative to assuage fears of socialism among elites in Brazil and abroad.

When I went looking for 1950 reports about Brazil in the US press, the pickings were few, a dramatic contrast to the live video feeds, social media posts, and news reports of all kinds we are assaulted with today.

I will be in New York until I fly to Brazil on the night of the World Cup final.  I’ll send in a few posts in this series on the aftermath of the Cup and on the (very different) topic of the book I’m currently finishing over the next few months, so I draw heavily here on those media.  But, mindful of Jonathan Franzen’s warning that “free and universally accessible” information devalues many kinds of research (If you’re reading this, you can Google this stuff yourself), I will do my best to put some of the reporting we have been getting in a broader interpretive context.

The key point as I see it is this: in conversations in New York, I have been struck by the much greater continued focus on violence and failure than in (virtual) conversations with people in Brazil.  The other night I had a discussion with a group of well-meaning New Yorkers wrongly convinced that massive battles between protestors and police are ongoing outside most of the stadiums.  A few days earlier, I tried in vain to argue against the likelihood of stadium collapse with a man who thought such a disastrous event likely.

My colleagues on this forum have done an excellent job analyzing the real conflicts surrounding Brazil’s 2014 World Cup and 2016 Olympics, and repression of dissent around the stadiums has been draconian.  This post should not be misunderstood as undermining the importance of these conflicts and that violence.  As Ben Penglase has shown in this forum, the characterization of young dark-skinned men in Rio’s favelas as potential criminals serves to legitimate highly militarized policing of those spaces.  Similarly, the lurid, often unrealistic, focus on Brazilian violence that I continue to encounter in conversations in the US (and in a style of reporting best described as violence porn), does not so much illuminate the conflicts in Brazilian society as it  helps to legitimate the repression of dissent.

So why, prior to the World Cup, did violence and failure become such central tropes in foreign representations of Brazil, even though some Brazilian sources could have offered a useful counter-perspective?

The Myths of a Peaceful and a Violent Nation

To begin to answer this question, I’ll note that there has been a deep shift in the ideas about peace and violence that have circulated about Brazil over the last half century or so.I did my best in the introduction to emphasize the many similarities between reporting in 1950 and 2014; now I’ll emphasize the equally significant differences.

The 1950 New York Times article about the moat didn’t do a lot to stir up fear, and, unlike contemporary reports, mentioned no dangers greater than rowdy sports fans.

The 1950 Washington Post article (published after that year’s World Cup) clearly referenced many of the fears of a Washington Postreadership worried about “socialism” in Latin America after the election of a populist Brazilian president, similar to fears voiced in the international press during the early years of Brazil’s PT governance (2003 – the present).  And the thrust of the Post article, awkwardly entitled, “Brazil’s ‘Socialism’ Probably Will Be a Relative Thing,” was to console Cold War-era readers that the president elect “wants foreign capital to help on the long-term national improvements that must be made.”

It is here that clear differences with the present emerge.  The Postrelied on a cultural analysis to come to its mollifying conclusion.  In a polar inversion of recently dominant representations of Brazil as an especially violent country, the article described a Brazilian national inclination to peacefulness. “The ‘adaptability’ of Brazilians helps them solve their problems with far less violence and stress than most peoples,” the article soothed.

This conception of Brazil as a uniquely peaceful country is one with a long history, although, at least in elite circles, it has mostly fallen into eclipse.  Some of the main tropes of the myth are that Brazil achieved independence from Portugal without the bloodshed that characterized independence throughout the Americas; the country abolished slavery without a war (abolition came to Brazil after all other countries in the hemisphere, in 1888); the Brazilian military has not engaged in military action against foreigners in South America since the brutal Paraguayan War (1864-1870).

Contemporary English language readers may be most familiar with a closely-related myth generally called, “the myth of racial democracy,” the idea that Brazil has long had uniquely friendly and peaceful race relations.  But if casual readers are familiar with this myth, it is likely because they have seen or heard it critiqued.  Like the myth of Brazilian peacefulness, “racial democracy” enjoys some life as a popular ideology. But, in scholarship and middle and highbrow journalism, it is invoked almost exclusively to be debunked.

If I can take the general impressions held by my more interested US undergraduate students as a guide, the idea of Brazil as a violent and racist country, along with hard-edged popular culture such as Baile Funk, and City of God, have now completely surpassed the mid-20th century conceptions of peacefulness, racial democracy, and the soothing Garota de Ipanema, and Carmen Miranda as sources of internationally circulating clichés about Brazil.

The causes of this broader cultural shift are beyond the scope of this essay, though I will write about them in the future. Suffice it to say that the myth of peaceful Brazil is as faulty as the now-dominant polar opposite of violent Brazil.  For a nation without significant external enemies, yet with high levels of urban and police violence and one of the world’s major small arms industries, one could, if so inclined, build a case for either myth.

I’ve written a paper with anthropologists, Thaddeus Blanchette and Ana Paula da Silva (currently in peer review), in which we show how representations of Brazil in the global north (especially the United States) frequently swing between utopian and dystopian poles, in part because the nation is just similar enough to the United States to serve as a conveniently blank slate.  The myths of violent and peaceful Brazil follow this general pattern very closely.

The Failure of the World Cup?

Narrowing down on more recent history, why has the Anglophone global north press been so concerned with violence and failure when writing about the World Cup, when they stray beyond “fluff” and simple sports reporting?

First, there is major political unrest in Brazil, and the World Cup is part of this. The deaths, physical displacement, and many other human costs of the preparations for the event, along with the waste and private appropriation of needed public funds have catalyzed public dissent. The mega events of the World Cup and 2016 Olympics are being used to favor real estate interests and the neoliberal restructuring of major cities. Moreover, FIFA acts as rapacious dictator while issuing alarmist warnings about Brazil’s preparation.  All the while, the World Cup has provided the pretext to turn major parts of Brazil’s large cities into effective police states.

But contemporary protests are about more than just the World Cup, as has already been shown in this forum.  Despite this, the political concerns of the protests have been lost in international coverage that emphasizes the World Cup, on the one hand, and unspecified “anti-government” forces, on the other.  For example, the one year anniversary of the massive nationwide June 19, 2013 protests were marked by some violence and by violent police repression, but this much-circulated piece from Reuters featured the words “World Cup” in the headline and multiple uses of “anti-government” before coming to the buried lede of the movement for free bus fares, which sparked those 2013 protests and these protests one year later.  Similarly, this piece in Time about the same protest, featured a photo captioned, “protest against 2014 FIFA World Cup,” and alleged that the protests were “Antigovernment riots” merely “ostensibly calling for free public transit.”

To put this in perspective, on the day Vice.com put out the third video in their extremely popular “Chaos in Brazil” series (which includes some good journalism, despite the Vice-style lurid headlines and horror movie music), some 50,000 people were protesting in London against austerity. As my friend, the Rio de Janeiro based geographer, Brian Mier (who has done some high quality reporting for Vice himself), put it: “That’s around 50 times larger than any anti-World Cup protest that happened last week. According to the type of analysis in places like CNN about Brazil, this must be a sign that British society is crumbling at the foundations.”

But there’s a much stronger market for stories about Brazilian “society crumbling at the foundations” than there is for such stories about England.  As journalist Lawrence Charles lamented from Brazil, “the only stories editors across the world are interested in fall into the Angry Violent Brazilian Who Might Mess Up The World Cup category.” So macabre and sensational stories are the ones we get.  There’s a post-colonial and geopolitical logic to this: I predict more international hand-wringing about Brazil’s 2016 Olympics and Russia’s 2018 World Cup, but not about the prosperous and NATO-aligned Japan’s 2020 Olympics.

Additionally, in this Brazilian election year, analyses of the event and its consequences are inevitably shaped by partisan politics in Brazil.  As political scientists João Feres Junior and Fábio Kerche have been arguing, the most powerful news sources in Brazil (Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Veja, and Época), are systematically biased against the PT (Worker’s Party) government that has been in charge of Brazil’s executive since 2003, shaping impressions of the nation’s politics domestically and abroad.

I think these scholars are right about this.  Yet, their argument leaves open a significant question.  The major Brazilian media have been positioned against the PT since the party’s founding in 1980. Yet for most of the first decade of the 21st century, Brazil’s PT, and its 2003-2010 President Lula, were beloved by institutions of global north governance and media, despite the party’s enmity with Brazil’s major media organizations.  This global north affection seems to be on the wane under current PT president, Dilma Rousseff, with foreign and Brazilian major media swinging into closer alignment.

In a future post, I will offer some reasons for this shift.  The answer lies in more than the downturn in Brazil’s economy, the differing policies and personalities of these different presidents, and Brazil’s emerging protest movements, I will argue.

For now, I will end with the suggestion that English language readers consider decontextualized accounts of Brazilian violence with some skepticism.  Brazil’s new protest movements are clearly historic, and their police repression is real, but we do them no favors by taking internationally circulating violence porn at face value.

Sean T. Mitchell is assistant professor of anthropology at Rutgers University, Newark. His ethnographically-based work focuses on the politics of inequality, particularly in Brazil. His work also touches on science and technology studies; race and ethnicity; war and violence; governance and citizenship; social movements; and the politics of expertise. He is coeditor of “Anthropology and Global Counterinsurgency” (Chicago 2010), and is currently completing a manuscript, “Space and Race: The Politics of Inequality at Brazil’s Satellite Launch Center.”

‘¡Eeeeh p…!’, el grito homofóbico que ‘divierte’ a los fans del futbol (CNN)

De repente alguien se lo gritó al portero, después ya fueron muchos y ahora ha suplido a la tradicional ‘ola’ en los estadios

Por Esmeralda A. Vázquez

Jueves, 27 de febrero de 2014 a las 06:26

La expresión 'puto' es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

La expresión ‘puto’ es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

 Lo más importante
  • El futbol es un modelo de masculinidad para la cultura mexicana
  • Para los especialistas, la palabra ‘puto’ reafirma el lenguaje ‘peladito’ y ‘cantinflesco’ del mexicano
  • Los futbolistas son productos de la cultura mexicana, donde deben sustentar su masculinidad
¿Por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la palabra ‘puto’
Genaro Lozano, politólogo

(CNNMéxico) — En los partidos de futbol de la LigaMX hay elementos que nunca faltan: dos equipos, cuatro árbitros, varios balones, elementos de seguridad, aficionados… y el grito de “¡eeeh puto!” cuando despeja el portero del equipo rival.

El ‘ritual’ es el siguiente: cuando el balón sale por la línea final del campo y lo toma el portero, los aficionados levantan los brazos, agitan las manos y preparan la garganta para gritar en cuanto el jugador del equipo rival despeje el balón. En ese momento se consuma el grito que enseguida provoca risas.

Leer FIFA indaga gritos homófobos de mexicanos en Brasil

“No lo utilizamos de una manera homofóbica. Alguien que es ‘puto’ es una persona que no defiende. Y también tiene la otra referencia hacia los gays, pero en el contexto del estadio es así, alguien sin valor, que no tiene los ‘huevos’ para pelear o para defender”, dijo en entrevista el Punker, integrante de la barra Sangre Azul que apoya al equipo Cruz Azul.

Según el diccionario de la Real Academia Española, esa palabra puede tener dos significados, el primero, “hombre que tiene concúbito con persona de su sexo”, y el segundo, refiere a una expresión que “denota el esfuerzo que se hace para no ser el último o postrero en algo”.

La expresión tiene más que ver con una cuestión del lenguaje que utiliza el mexicano y no con una connotación sexual, considera Carlos Albert, exfutbolista y conductor de televisión. El “pinche” o “chingar”, que supuestamente son malas palabras, añadió, también las conjugamos para bien o para mal, “no lo justifico, pero tampoco diría que es una ofensa para los que tienen una preferencia distinta”.

Pero el politólogo e internacionalista Genaro Lozano piensa lo contrario.

“Esta palabra se ha utilizado para tratar de amedrentar y hacer menos al equipo contrario en el estadio de futbol. Y la justificación que dan quienes la están utilizando es exactamente decir eso: ‘es que no nos estamos refiriendo para nada a la homosexualidad'”, señaló el también analista, quien ha abordado el tema en varios textos de su autoría.

“Si así fuera —que el grito no tiene connotaciones homofóbicas—, ¿por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la otra”, añadió.

Para el sociólogo Miguel Ángel Lara, dicha expresión, en el ambiente futbolístico, es resultado del lenguaje “peladito (vulgar) y cantinflesco” que caracteriza a la cultura del mexicano, que también ha hecho de este deporte un producto de la masculinidad.

“Es un ámbito masculino, donde toda la testosterona sale a flote, pero es una testosterona que no piensa, que no es inteligente, en cambio sí es manipulada, asustada, reprendida y tiene una limitante”, explica el también profesor de la Universidad Iberoamericana.

De acuerdo con la Encuesta Nacional sobre Discriminación en México(Enadis) 2010, 4 de cada 10 personas en México, sin importar el rango de edad (de 12 a 49 años), opinan que la preferencia sexual provoca mucha división entre la gente, además de permanecer como uno de los mayores problemas de intolerancia en el país.

Albert señaló que “alguien, algún día le gritó ‘puto’ al portero y le pareció gracioso, luego ya fueron cinco y después ya fueron muchos y ahora se convirtió así como en la ola en los estadios y de repente en una especie casi de costumbre”.

“La gran dificultad (para controlarlo) es por el arraigo cultural de ciertos estereotipos sobre los cuales se ha construido este deporte, por ejemplo, una visión de un espacio donde no solamente se juega lo deportivo, sino lo masculino”, dijo Ricardo Bucio, presidente del Conapred, en una entrevista para CNNMéxico en 2013.

Armando Navarrete, portero del Puebla de la LigaMX y exguardameta de equipos como América, Necaxa y Atlante, explica que un futbolista está expuesto a todo y que la cancha y en general el estadio, es un espacio de libre expresión y que para eso los aficionados pagan su boleto.

“A mí nunca me ha parecido bien, pero uno como jugador tiene que aguantar. Como portero, si se dan cuenta que fallo me dicen de cosas, pero no me queda más que aguantar y enfocarme en el partido”, dijo en entrevista telefónica.

La idiosincrasia y la figura del machismo, señalaron las fuentes consultadas por CNNMéxico, influyen en el comportamiento de quienes asisten a los estadios y se expresan de esta manera en las tribunas.

“La cultura popular tiene en nuestro país desde hace muchísimos años ese tipo de cuestiones que pueden parecer pintorescas, chistosas. México es el país del albur y del doble sentido. Los mexicanos usamos un idioma y una jerga que a muchos se les hace simpático y eso, que es parte de nuestra idiosincrasia, se refleja también en el futbol”, añade Albert.

Pero Ricardo Bucio, titular del Conapred, piensa distinto. “El grito de ‘puto’ —al igual que los de ‘maricón’, ‘joto’, ‘puñal’, etc.— es expresión de desprecio, de rechazo. (…) Homologa la condición homosexual con cobardía con equívoco. Pero es también una forma de equiparar a los rivales con las mujeres, haciendo de esta equivalencia una forma de ridiculizarlas en un espacio casi exclusivamente masculino”, escribió en un artículo publicado en el portal de dicho Consejo, luego de que México ganara la medalla de oro en los Juegos Olímpicos de Londres 2012.

Los futbolistas “son productos culturales que forman parte de la familia mexicana y de esa educación de: ‘tú eres el hombrecito, los hombres no lloran’. Es un deporte viril, también en los discursos de la televisión es una entrada viril, de ‘¡hombre!’, sobre todo cuando se barren o cabecean”, complementa Miguel Ángel Lara.

En marzo del 2013, la Suprema Corte de Justicia de la Nación (SCJN)determinó que las expresiones “maricones” o “puñal” son ofensas discriminatorias que no pueden ser resguardadas por la libertad de expresión que consagra la Constitución en su artículo sexto, sin embargo, la palabra “puto” no fue incluida.

“Nosotros somos así, nos gusta decir esa palabra y muchas más. Creo que esa palabra no es tan ofensiva”, comenta El Punker, miembro de la barra Sangre Azul.

Robbie Rogers, jugador estadounidense del equipo Los Ángeles Galaxy de la liga de EU; Anton Hysen, futbolista sueco del Utsiktens BK de la tercera división de ese país; Marcus Urban, un alemán que prefirió retirarse tras dar a conocer su homosexualidad, son algunos de los jugadores de soccer que han hecho públicas sus preferencias, además del también alemán Thomas Hitzlsperger, quien reconoció ser homosexual en enero, tras anunciar que se retiraba como profesional.

“El futbolista mexicano que decida ‘salir del clóset’ debe ser consciente de que tendrá que aceptar algún insulto, aunque igual con el tiempo todo se va a calmar”, afirma el portero del Puebla.

Por su parte, El Punker asegura que si esto ocurriera, sería una presión más para el jugador. “Si es del equipo contrario, nos lo acabaríamos, haríamos mucho, mucho folclor de eso. Pero si se trata de un jugador de nuestro equipo, no dejaríamos de decir ‘puto’ (a los rivales), pero al nuestro sí lo defenderíamos”.

“¿Por qué no nos hacemos la pregunta de si algún director técnico estaría dispuesto a que sus jugadores se sumen a una campaña contra la homofobia?, yo creo que ninguno lo haría, porque muchos de ellos utilizan este lenguaje justamente cuando quieren criticar al oponente, les gritan ‘mujercita’, ‘pégale como hombre’. Sus comentarios son homofóbicos, misóginos y sexistas”, afirmó Genaro Lozano.

Apenas el lunes, la Federación Mexicana de Futbol (Femexfut) anunció que en los partidos oficiales de liga, copa y ascenso será implementado el protocolo contra racismo que dicta la FIFA.

Para Lozano, el Conapred debería asumir un papel más protagónico para hacer frente a este tipo de problemáticas. “(Porque) no ha hecho ningún tipo de campañas justamente para combatir la homofobia. Hace falta el respaldo institucional”, concluyó.

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Mexico chief defends use of gay slurs at the World Cup (Goal.com)

By Vaishali Bhardwaj

23 Jun 2014 9:11:00 AM

The chief operating officer of El Tri says that Fifa can do nothing about the slurs that fans have used at the World Cup in Brazil

Mexico chief defends use of gay slurs at the World CupThe chief operating officer of the Mexico national team has defended the use of gay slurs by the country’s fans, saying that nothing can be done about it.

Mexican supporters who have travelled to watch their side compete in the World Cup in Brazil have been heard shouting a derogatory term each time an opposing goalkeeper takes a kick – a common practice in Mexico.

Four days ago, football’s world governing body, Fifa, announced they had begun disciplinary proceedings in response to the chants.

However, the COO of the Mexico team, Héctor González Iñárritu, defended the fans and explained that it was part of the country’s culture.

“The [Mexican] Federation is unable to restrict this expression. We cannot do anything legally or administratively,” he stated.

“It is not aggression – it is something that we’ve had for a long time in the Mexican League and in international matches.

“The people of Brazil were also yelling ‘wh**e’ at Guillermo [Ochoa] and it’s the same. Fifa would have to punish all federations.”

Mexico coach Miguel Herrera backed the use of the slur recently when he said: “We’re with our fans. It’s something they do to pressure the opposing goalkeeper.”

But, Piara Powar – a member of FARE (Football Against Racism in Europe) and the Committee Against Racism – condemned the behaviour.

“The homophobic chants are totally unacceptable. There must be action quickly before it starts to run out of control,” he said.

“Fifa have strong regulations in this regard. Zero tolerance is what is required here.”

Under Fifa’s regulations, supporters could face punishments such as suspensions or expulsions from grounds if they are found guilty of breaching the rules.

“The sporting sanctions are the only effective punishment,” Fifa president Joseph Blatter said.

Mexico World Cup Chants: Diego Luna Condemns Homophobic ‘Puto’ in Soccer (Latino Post)

By Robert Abel

First Posted: Jun 22, 2014 02:24 PM EDT

Diego Luna

Cada Vez nos Despedimos Mejor Press Conference (Photo : Clasos/CON LatinContent Editorial)

Mexican actor Diego Luna is speaking out against homophobic chants during World Cup matches. Fox News Latino reported that the award-winning actor and producer said it is regrettable that homophobic terms like “puto,” a common cry heard at Mexico’s soccer stadiums, are used to insult players during games.

Some say the word means weak or coward and isn’t directed at gays, but it is clearly meant to mock an opponent as weak and unmanly.

“I went to the [2006] World Cup in Germany, and I did hear [that cry],” the actor said in an interview with MVS radio. He said he never joined in because he couldn’t be proud of doing so.

“Soccer is a reflection of what we are in many ways,” he said. “We live in a classist, racist, homophobic society into which we are very assimilated, that’s all. I’m not really proud of that.”

On Thursday, the International Federation of Association Football, or FIFA, opened a disciplinary inquiry into the chants Mexican fans yelled during World Cup games against Cameroon and Brazil.

ESPN told Outsports it will try to prevent the chants from being heard on-air Monday when Mexico plays Croatia. The network says it is sensitive to the chant.

Andres Aradillas-Lopez, an economics professor at Penn State University, was born in Mexico and said he told Outsports the slur disgusts him.

“I heard them during the Cameroon game and also today against Brazil. Every single time the opposing goalie had a goal kick, they chanted [‘puto’],” Lopez said. “The media should make a bigger deal out of this and publicly shame that country and its fans. No other country in the world does this, and it would be unacceptable in any U.S. stadium.”

Mexico national team coach Miguel Herrera didn’t take the chants seriously, saying, “We have nothing to say; we’re with the fans. They do it to put pressure on the other team’s goalkeeper — I don’t think it’s that serious.”

FIFA statutes state that discrimination — by players, coaches or fans — against any country, individual or group for their race, skin color, ethnic origin, nationality, sex, language, religion or other factor is prohibited.

Luna has played LGBT characters in his films, including “Y Tu Mama Tambien” and “Milk.”

LGBT activists have been using the World Cup to draw attention to anti-gay killings that have plagued Brazil. Last year there were 313 anti-gay killings in the country, according to watchdog Grupo Gay de Bahia.

O problema de Benzema, o craque da França que não canta a Marselhesa (Diário do Centro do Mundo)

Postado em 20 jun 2014

por : 

Ele

O melhor em campo na partida em que a França atropelou a Suíça, Karim Benzema perdeu um pênalti, fez dois gols (o segundo não valeu por que o juiz caprichosamente havia apitado o fim da partida), deu duas assistências — e não cantou o hino.

Não é um detalhe. Ele não estava nervoso e atrapalhado. Benzema não entoa a gloriosa “Marselhesa” jamais. “Não é porque eu canto que eu vou marcar três gols. Se eu não cantar a ‘Marselhesa’ e marcar três gols, não acho que no final do jogo alguém vai reclamar. Zidane, por exemplo, não cantava. E há outros. Eu não vejo isso como um problema”, disse ele.

Benzema, como Zidane, seu ídolo e amigo, é filho de imigrantes argelinos e é muçulmano. O silêncio é um protesto a uma letra que fala: “Às armas, cidadãos/ formai vossos batalhões/ marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo”. É duramente criticado por essa atitude. A Frente Nacional, de extrema direita, fundada por Jean Marie Le Pen, o chamou de mercenário desleal e pediu seu banimento. “Ele não vê problema nisso. Bem, o povo francês não veria nenhum problema se ele não estivesse mais no time”.

É uma falácia. Benzema, que também cravou dois contra Honduras na estreia, faz toda a diferença para a França, uma equipe majoritariamente de filhos de imigrantes. Além dele, o time tem Valbuena (descendente de espanhois), Cabaye (de vietnamitas), Matuidi (angolanos), Sagna (senegaleses), Varane (os pais são da Martinica).

Há três anos, o ex-técnico da seleção, Laurent Blanc, chegou a sugerir que se limitasse o número de atletas não-brancos. Blanc queria uma cota de 30% de descendentes de africanos na federação. Para sorte dos franceses, a ideia não foi adiante.

Na Espanha, Benzema costuma ser chamado de “vendedor de kebabs”. “Se marco gol, sou francês. Se não marco, sou árabe”, afirma. Karim Benzema e seus colegas são um problema, sem dúvida, mas para os adversários. E uma lembrança perigosa para o Brasil, cujos jogadores estufam o peito para cantar a capella o ouvirundum.

 

Deep in the Amazon, an Isolated Village Tunes In to the World Cup (New York Times)

MANAUS, Brazil — The PP Maués would not set sail for an hour, but its long and narrow decks were already crisscrossed with hammocks for an overnight trip down the Amazon.

By the time it was to dock early last Monday at the regional port for which it was named, the Maués would have traveled 15 hours from the nearest World Cup stadium.

A second boat would be needed to reach an even more remote indigenous village that planned to watch Brazil play Mexico last Tuesday. The village did not have electricity or cellphone signals and would rely on a diesel generator to indulge its secluded passion for soccer.

While Rio de Janeiro and its famous beaches provide the touristic backdrop of the World Cup, the fevered grip of the world’s most popular sporting event can be felt even in some of the most isolated areas of the rain forest, where outsiders seldom visit.

“Football is in our blood,” said Andre Pereira da Silva, 32, the chief of a small community of Sateré-Mawé Indians in Manaus, the largest city in the Amazon, who served as a guide. The intended destination was his home village, Monte Salém, one of an estimated 150 Sateré-Mawé (pronounced sah-teh-RAY mah-WAY) communities of about 11,000 residents along the lower Amazon.

The decks of the PP Maués were crisscrossed with hammocks for an overnight trip down the Amazon.CreditMauricio Lima for The New York Times

“Wait until you see it,” Pereira da Silva said. “You will feel you are in the middle of the stars.”

As a boy in Monte Salém, he made soccer balls with the sap of rubber trees, using a stick to shape the latex into an improvised if sometimes uncontrollable sphere.

“Ten trees for one ball,” he said, sitting in the boat’s tiny dining room Sunday with his young son, his own thick hair tied in a ponytail. “The problem was, it bounced too much.”

On the passenger boat’s upper deck, the sentimental romance of Brega music played from two huge speakers. More than 300 customers were aboard a ship half the length of a football field. Children played among the hammocks and the luggage or peered over the rails. Some passengers transported used televisions or flat screens still in their boxes. In the aft of the boat, a new washing machine and refrigerator were lashed together, as if exposed as stowaways.

Most passengers lay in their hammocks, sleeping, reading, or listening to music and playing games on smartphones. Some watched on tiny green screens as Lionel Messi and Argentina opened their World Cup against Bosnia and Herzegovina.

The game was also showing on a small, staticky television in the boat’s galley. Two men sat on backless chairs. Two more peered in the doorway as a cook made gelatinous soup from orzo, meat and carrots.

“Messi’s slow tonight,” Rodrigo Xavier, 26, said. “He’s not playing well.

Xavier, a Brazil fan, drew great pleasure from this.

Minutes later, Messi passed the ball and retrieved it on a give-and-go. He skimmed the top of the penalty area, dribbling past two defenders who collided and fell behind him. Given wide space, he ricocheted a shot off the left goal post and into the net. Xavier smiled. This was why Messi was widely considered the best player in the world. Even a Brazilian had to admit his appreciation.

Abruptly, the kitchen cleared. The boat had no satellite dish, and the TV’s antennas lost contact with the signal from Manaus. Paulo José, the ship’s owner, was left to eat in silence. He did not seem to mind.

“I don’t like football at all,” José said. “I’m different from most of the men.”

A nearly full moon appeared, sending a column of light rippling toward the boat. A man pointed his flashlight at the water’s edge, searching for caimans and their cigarette eyes. The stars seemed as white and near as the blossoms that hung from trees like scoops of ice cream.

MONDAY DAWNED COOL and overcast. Lightning flashed on the horizon. The rain came, and rolls of blue plastic were unfurled along the sides of the decks to keep passengers dry.

“It’s raining because the English are here” at the World Cup, Pereira da Silva said with a laugh.

Passengers disembarked the Maués after a 15-hour overnight trip down the Amazon.Credit Mauricio Lima for The New York Times

By 8 a.m., only a drizzle remained as the boat reached Maués, a small regional port where a caffeine-rich plant called guaraná is manufactured for use in sodas, energy drinks and herbal teas. Firecrackers greeted the ship’s arrival. Fishermen paddled canoes toward market, their foam coolers full of prized fish with striped tails.

On streets above the docks, Brazil flags fluttered from an armada of motorcycles. The most deft or careless of the bikers steered with one hand and held an open umbrella in the other. Shops sold soccer balls, hats, plastic trumpets and jerseys of Neymar, the young Brazilian star forward. Even a kitten wore a necklace in Brazil’s colors, yellow and green.

Some men wore jerseys of the big Brazilian club teams — Flamengo and Vasco da Gama — allegiances built in the 1950s and 1960s, when the only radio signal that reached Maués came from Rio, more than 1,600 miles away.

A few teenagers were spotted wearing their own versions of Neymar’s distinct Mohawk mullet, which he sometimes dyes blond.

Neymar scored twice in Brazil’s opener against Croatia, but Pereira da Silva was not certain that Neymar was ready for the World Cup.

“He needs more experience; he needs to fight a little more,” he said. “He’s only interested in his gold hair. That’s the story of footballers today. They want to be good-looking.”

He carried a large sack of clothes to give to the chief of Monte Salém or trade for seeds to make necklaces and bracelets. He was to meet his mother and father in Maués and then travel together to the family’s ancestral village. At least that was the plan. Now there was a problem. The generator in Monte Salém was broken.

“Argentina,” Pereira da Silva said wryly, finding a convenient scapegoat. “Argentina breaks everything.”

After a breakfast of soup and hot sauce, he found another village with a working generator. It was called Nova Belo Horizonte. The trip would take 75 minutes by power boat from Maués. In midafternoon Monday, the equatorial heat was stifling, but Pereira da Silva’s parents yelled, “Waku sese” as the boat reached the village. Everything is really good.

Nova Belo Horizonte is home to 22 families, most of them living in wooden houses with thatched roofs. A rudimentary soccer field, with wood goal posts and no nets, has been cleared of stones and tamped flat amid the surrounding groves of guaraná, pineapples, oranges, bananas, peppers and the staple root called manioc.

For the first time, men’s and women’s teams from the village are participating in an area tournament of Brazil’s Indigenous Games. An important men’s match is scheduled for Sunday. The winner of the tournament will receive $1,500, which could readily be used in a village that, like other indigenous communities, has tried to protect traditional lands from encroaching development and perceived government indifference.

Health care is distant and inadequate, village elders said. There is no radio contact with the hub Maués, four or five hours away on the most common type of boat. Cellphones do not work.

The front steps of the school have crumbled, and the ceiling leaks. Classes for older students in Nova Belo Horizonte cannot be held at night during the World Cup, villagers said, because area government officials seem to be on holiday. Only a portion of the diesel needed to fuel the community generator had been provided.

“They only want our votes,” said Pereira da Silva’s father, Luiz Sateré, 56, a community coordinator for the Sateré-Mawé. “It’s the only thing that matters.

Sateré-Mawé Indians playing soccer in the Nova Belo Horizonte village. Credit Mauricio Lima for The New York Times

Yet even if spending on World Cup stadiums seemed wasteful in a country with so many needs, it was important that the tournament returned to Brazil for the first time since 1950, said Reginaldo da Silva Andrade, 27, the chief of Nova Belo Horizonte.

“Brazilian people are the ones who love and watch the game the most in the world,” da Silva Andrade said.

IN NOVA BELO HORIZONTE, soccer serves many purposes: fun, fitness, conflict avoidance and a diversion from alcohol and drugs. It also provides a chance to socialize with other river villages. Teams travel by boat, and tournaments are often accompanied by festivals.

More important than the money available in the Indigenous Games, da Silva Andrade said, is a chance to “show people on the outside that we are capable of doing this.” He added: “We are realizing our dreams. People think we can’t play. We’ve got to show them.”

On Tuesday, when Brazil played Mexico, all classes were canceled in Nova Belo Horizonte. It will be the same every time Brazil plays. At sunrise, women in the village began hauling water from the well, carrying buckets on their heads. Soon, children kicked around a soccer ball. Some stood in the goal wearing flip-flops on their hands to cushion the heaviness of the shots.

Two small boys played with a ball made from plastic bags, paper and a sleeveless T-shirt. One kicked the ball past the other and yelled, “Goooooooal!” The generator rumbled on to test the television at the chief’s home. The TV kept going on and off.

It is a widely repeated story that soccer came to Brazil in the late 1890s when a man named Charles Miller returned from schooling in England with two balls in his suitcase.

But Pareci Indians earlier made balls from the latex of rubber trees and played a game called zicunati, which permitted only heading, according to “Futebol: The Brazilian Way of Life,” a book by the British writer Alex Bellos.

An Indian nicknamed Indio helped Brazil qualify for the 1958 World Cup, the tournament that introduced Pelé to the world, Bellos wrote. In the late 1990s, José Sátiro do Nascimento, a defender who sometimes used coconuts for balls as a boy, became the first Indian to make one of Brazil’s top club teams, Corinthians of São Paulo. In 2009, a professional team of indigenous players was formed in the state of Pará.

Among the Sateré-Mawé, female players are welcomed, which is not always the case in the broader macho culture of Latin American soccer. One women’s team in Manaus, the capital of Amazonas state, carries the name of the initiation ritual in which boys in the tribe become men after being repeatedly stung by venomous ants.

When Brazil played Croatia in the World Cup opener, Janildzes Michiles, 28, said, she took written notes, concentrating on the defensive work of the mop-haired star David Luiz.

“It is a way to show women can do the same as men,” Michiles said.

On Monday night, while the generator in Nova Belo Horizonte ran for a couple of hours, Michiles watched the United States defeat Ghana, 2-1. Ghana seemed to play better, applying more consistent pressure, she said.

“The Americans ran hard for the ball, but they have to get faster,” she said. “They looked slow.”

Sateré-Mawé Indians in the Nova Belo Horizonte village watch the Brazil-Mexico match.Credit Mauricio Lima for The New York Times

EARLY TUESDAY AFTERNOON, Nova Belo Horizonte hosted men and women from a nearby village, Brasileia, for two pickup matches. The visitors traveled in boats decorated with green and yellow streamers and announced their arrival by blowing whistles.

Both the women and the men from Brasileia prevailed by 3-1 scores in wilting heat. After Rariani da Silva Andrade finished the women’s game for the visitors, she lent her right shoe to her husband, Isaías Oliveira Gomes, whose left foot remained bare.

“He has an injured toe,” she explained.

Friendly defeat for Nova Belo Horizonte did not dampen enthusiasm for Brazil’s World Cup match against Mexico. Some villagers watched from their own homes. About 20 spectators gathered in the outdoor kitchen of the community chief. A few wore festive crowns made from palm fronds. Chicken stew and a crunchy flour called farinha were prepared. Eleven minutes into the match, the television clicked on.

“We will watch and learn,” said da Silva Andrade, the village chief.

Neymar soon threatened with a header, but Guillermo Ochoa, Mexico’s goalkeeper, dived and pushed the shot wide. At halftime, the match remained scoreless.

“I’ll be playing for Brazil in the second half,” da Silva Andrade joked.

When the game started again, Ochoa remained impenetrable. He deflected the ball with his hands and his thigh. His positioning and anticipation and reaction were impeccable. The villagers in Nova Belo Horizonte grew nervous, frustrated.

A pet parrot began to squawk at the anxious voices. One woman held tightly to her lucky beads. Michiles, the women’s player, hid her face behind three palm fronds. In the final minute of regulation, the score remained 0-0. Then the television went out.

It came back on briefly, then failed again as the game extended into three minutes of added time.

“The TV is angry with Brazil,” joked Pereira da Silva, the village chief and guide from Manaus.

Again and again, the screen flickered on, then went blank.

“The TV is scared,” said another villager, Geovani Miranda, laughing.

The screen went dark another time. When the picture returned, Luiz Felipe Scolari, Brazil’s coach, was giving a postgame interview. For a few seconds, there was confusion in Nova Belo Horizonte. Then came confirmation. The final score was 0-0 on an afternoon of intrigue and missed opportunity.

When Pelé appeared on the screen to give his analysis, the TV again went off. It was just as well.

“I don’t want to hear any apologies; I don’t want to hear how it would be different if Pelé was playing,” Pereira da Silva said, the humor gone from his voice. “Even the TV doesn’t want to hear him.”

It could have been worse. At least Brazil had not lost. In Nova Belo Horizonte, the home team remained favored to win the World Cup.

“Brazil is a fighter,” said Luiz Sateré, Pereira da Silva’s father, who wore a Neymar jersey. “Brazil is a warrior.”