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Ciência climática é ferramenta no combate à seca no Nordeste, afirma Carlos Nobre (ABIPTI)

JC 5593, 7 de fevereiro de 2017

“O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste”, afirmou

O relatório oriundo da última reunião do Grupo de Trabalho de Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aponta para um cenário preocupante: até o início de 2018, é esperado que os grandes e médios reservatórios nordestinos sequem. Por isso, é preciso criar novas oportunidades para a população.

Reconhecido como um dos principais pesquisadores mundiais sobre clima, Carlos Nobre destacou o papel das ciências climáticas para mitigar os impactos econômicos e sociais da seca na Região Nordeste. O pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ressaltou que o conhecimento do clima cria alternativas econômicas e sociais para os moradores da região.

Na avaliação do pesquisador, a ciência climática evoluiu rapidamente nas últimas décadas, sendo uma ferramenta eficaz no combate à seca. “O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste de fevereiro a maio ser deficiente, normal ou abundante. Estas previsões climáticas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo e utilizadas para apoio ao planejamento agrícola, à gestão hídrica e à mitigação de desastres naturais”, afirmou Nobre.

Entre as ações propostas pelo cientista, está o investimento na criação de uma economia regional baseada em recursos naturais renováveis. Uma das alternativas sugeridas é a criação de parques de geração de energia eólica e solar fotovoltaica.

“O Nordeste tem um enorme potencial de energia eólica e solar, capaz de atender a todas suas necessidades e ainda exportar grandes volumes para o restante do Brasil. Estas formas de energia renovável distribuídas geram empregos permanentes localmente, mais numerosos do que aqueles gerados por hidrelétricas ou termelétricas e que poderiam beneficiar populações urbanas e rurais da região”, informou.

Carlos Nobre tem extensa atuação na área climática. Além de ocupar vários cargos no governo referentes ao setor climático, foi vencedor do Volvo Environment Prize – um dos principais prêmios internacionais sobre clima – e membro do Conselho Científico sobre Sustentabilidade Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência ABIPTI, com informações do MCTI e Valor Econômico

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Corrente do Golfo pode parar, diz estudo (Observatório do Clima)

JC, 5571, 5 de janeiro de 2017

Novo modelo mostra que esteira oceânica que transporta calor à Europa é mais vulnerável ao aquecimento global do que se imaginava, mas só pararia em séculos não de anos; Brasil seria afetado

Cientistas chineses trabalhando nos EUA trouxeram nesta quarta-feira uma notícia agridoce sobre um dos efeitos mais temidos do aquecimento global. Um modelo climático feito por eles mostra que a corrente oceânica que leva calor dos trópicos à Europa é mais vulnerável do que se imaginava às mudanças do clima, e desligará completamente caso a quantidade de gás carbônico na atmosfera siga aumentando. Por outro lado, esse desligamento ocorreria em séculos, não em anos ou décadas.

Conhecida como circulação termoalina do Atlântico, essa imensa esteira oceânica é um dos principais sistemas de regulação do clima da Terra. Sua face mais conhecida é a Corrente do Golfo, uma corrente quente que migra pela superfície do Atlântico tropical até as imediações do Ártico. No Atlântico Norte, ela fica mais fria e mais salgada (devido à evaporação da água no caminho), afundando e retornando aos trópicos na forma de uma corrente fria submarina. A dissipação de calor dessa corrente é o que mantém a Inglaterra e o norte da Europa com um clima relativamente tépido, mesmo estando em uma latitude elevada.

Desde os anos 1980 os cientistas têm postulado que o aquecimento global, ao derreter o gelo e a neve do Ártico, lançaria grande quantidade de água doce no oceano, diluindo o sal da corrente e impedindo que ela afundasse. O efeito imediato seria a suspensão do transporte da calor para a Europa, que mergulharia numa espécie de era do gelo. Isso já aconteceu há 8.200 anos e resfriou o Velho Continente por dois séculos. Poderia acontecer de novo de forma rápida e causar problemas sérios à civilização, caricaturados no filme-catástrofe O Dia Depois de Amanhã, de 2004.

Observações feitas até aqui, que são esparsas, têm mostrado que justamente desde 2004 esteira oceânica está em sua menor potência nos últimos mil anos, provavelmente por causa do aquecimento global. Alguns cientistas temem que o colapso já tenha começado.

Ocorre que os modelos computacionais que simulam o clima da Terra no futuro, usados pelo IPCC (o painel do clima da ONU), têm falhado sistematicamente em apontar instabilidade no sistema. Por consequência, o desligamento repentino da corrente é considerado pouco provável pelo painel.

Entram em cena Wei Liu, da Universidade da Califórnia em San Diego (hoje na outra costa do país, na Universidade Yale), e colegas. Em estudo publicado nesta quarta-feira no site da revista Science Advances, o grupo aponta que os modelos padecem de um viés: uma distorção faz a corrente parecer artificialmente mais estável do que é de fato.

A origem do problema está longe da Europa, no Atlântico Sul. Essa região do oceano tropical, perto do equador, recebe chuvas constantes na chamada Zona de Convergência Intertropical, o cinturão de tempestades onde massas de ar aquecido dos dois hemisférios se encontram.

Liu e colegas dizem que os modelos do IPCC assumem que há mais água doce oriunda dessas chuvas na corrente do que há de fato. Isso causaria nos modelos uma ilusão de estabilidade – quanto mais água doce no trópico, menor a diferença de salinidade perto do Ártico, portanto, menos suscetível a perturbações a corrente seria. Esse viés, afirma Liu, já havia sido sugerido por outros estudos no passado.

O que o chinês e seu grupo fizeram foi ajustar um dos modelos de acordo com parâmetros de salinidade que eles consideravam mais realistas. Mas não apenas isso: a correção do viés tornou a corrente mais instável e vulnerável ao próprio aquecimento da água do mar – algo que casa melhor com as observações. “O aquecimento reduz a densidade da água e impede a convecção”, disse Liu ao OC.  “O método não é perfeito, mas é o melhor que podemos fazer agora para corrigir o viés e fazer uma projeção mais confiável.”

Os pesquisadores usaram o modelo ajustado para estimar o que acontece com a esteira oceânica caso o nível de CO2 na atmosfera duplique – algo que acontecerá por volta de meados do século se medidas radicais de controle de emissões não forem tomadas.

Aqui vem a nota de alívio do estudo: o colapso da corrente ocorre nas simulações apenas 300 anos após a quantidade de CO2 dobrar na atmosfera. Questionado sobre se isso era uma boa notícia, Liu foi cauteloso: “Sim, 300 anos são muita coisa comparado a uma vida humana, mas mudanças notáveis podem ocorrer antes de a circulação colapsar”, disse. “Além disso, nosso resultado é baseado em um modelo e em um cenário simples de aquecimento.” Liu e seus colegas não consideraram, por exemplo, o fator que até agora tem sido invocado para explicar a redução da corrente: o efeito do degelo da Groenlândia. Ao lançar excesso de água doce sobre o oceano no Ártico, o derretimento poderia agravar a situação de uma corrente que já seria impactada pelo aquecimento da superfície.

Um efeito esperado dessa redução na corrente, por exemplo, é uma mudança nos padrões de chuva em várias regiões do planeta. Um dos lugares que seriam afetados é o Brasil. Estudos do grupo do geólogo de Francisco Cruz, da USP, já mostraram que fases de redução da circulação termoalina no passado corresponderam a chuvas torrenciais no Brasil, devido ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical para o sul.

“Precisamos aplicar essa metodologia a mais modelos climáticos e a cenários de aquecimento global mais realistas”, afirmou Liu.

Observatório do Clima

Com 516 milímetros de chuva em 5 anos, Ceará tem pior seca desde 1910 (G1)

09/09/2016 09h20 – Atualizado em 09/09/2016 11h57

Previsão para 2017 ainda é indefinida devido ao “Oceano Pacífico Neutro”.
Águas do Açude Orós estão sendo transferidas para o Castanhão.

Do G1 CE com informações da TV Verdes Mares

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Levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nesta quinta-feira (8) mostra que nos últimos cinco anos, de 2012 a 2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no Ceará. O índice é o menor desde 1910.

De acordo com o meteorologista Davi Ferran, vai ser preciso conviver com a incerteza pelos próximos meses, já que ainda é cedo pra afirmar se 2017 vai trazer chuva ou não.

Ano Chuva (mm)
2012 388
2013 552
2014 565
2015 524
2016 550
Média 516
Fonte: Funceme

“No período chuvoso do ano que vem, ou seja, março, abril e maio, que é o período chuvoso principal, a maior probabilidade é que o Oceano Pacífico não tenha El Niño nem La Niña. Vamos ter o Oceano Pacífico neutro. Em anos de Oceano Pacífico neutro, a probabilidade de chuvas no Ceará depende mais fortemente do Atlântico. Então a previsão vai ser divulgada somente em janeiro”, explica.

Enquanto isso, segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os reservatórios secam cada vez mais. No momento, o nível médio dos 153 açudes monitorados pela Cogerh é de apenas 9,4% do volume total.O “Gigante” Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está praticamente sem água. Há apenas sete anos, ele chegou a inundar a cidade de Jaguaribara com a enorme vazão das comportas.

Hoje, a Cogerh diz que o maior açude do Ceará está com apenas 6% da capacidade. Bem perto dele, o Açude Orós, também na Região Jaguaribana, sangrou em 2004 e 2008. Na época, virou até atração turística no Centro Sul do Estado.

Agora em 2016, o Orós aparece nesse cenário de seca em forma de ajuda. Desde julho, as águas do açude estão sendo transferidas para o Castanhão. Segundo a Cogerh, essa água deve chegar às residências da Região Metropolitana de Fortaleza em setembro, e garantir o abastecimento pelo menos durante esse período  de crise hídrica.

“Nossa programação é até o final de janeiro. Ou seja, até janeiro vamos estar operando de forma integrada os dois reservatórios. O caso da Região Metropolitana, ela está totalmente integrada à Região do Jaguaribe por dois grandes canais: o do Trabalhador e Eixão das Águas. Então é o caso de uma bacia hoje tem uma maior dependência de outra região, de outra bacia hidrográfica, mas elas estão integradas. Esse é o caso que eu diria mais emblemática no Estado”, explica o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

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Ceará passa pela pior seca dos últimos 90 anos, com 38 açudes completamente secos e 42 no volume morto (Ceará News 7)

27/10/2016 11:45Hs

EFEITOS DA ESTIAGEM

O relatório da Cogerh também informa que, somente no mês de outubro o volume nos açudes caiu para 10% de sua capacidade.

Ceará passa pela pior seca dos últimos 90 anos, com 38 açudes completamente secos e 42 no volume morto

Os reservatórios do Ceará estão exauridos por conta da seca prolongada 

A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) relatou a situação preocupante que vive o Ceará por conta da falta de chuvas, que faz o Estado enfrentar a pior seca dos últimos 90 anos.

Segundo a Cogerh, somente no mês de outubro o volume de água nos açudes cearenses caiu para 10 por cento. Dos 153 açudes monitorados pela companhia 131 têm menos de 30% da capacidade máxima e apenas um está com mais de 90%. Outros 42 estão com o volume morto e 38 completamente secos.

No mês de março, considerado o mais chuvoso da temporada de inverno, quando em média são esperados mais de 200 milímetros, o índice registrado foi de apenas 129 milímetros. Os dados confirmam o quinto ano seguido de chuvas abaixo da média no Ceará, ocasionando uma das maiores secas já registradas na história.

Lista dos açudes com volume morto:

Batente, Broco, Capitão Mor, Castro, Catucinzenta, Cipoada, Ema, Farias de Sousa, Flor do Campo, Fogareiro, Forquilha, Frios, Gerardo Atimbone, Jaburu II, Jatobá, Jatobá II, Jenipapeiro, Jenipapeiro II, João Luís, Macacos, Martinópole, Monsenhor, Tabosa, Parambu, Penedo, Pentecoste, Pesqueiro, Poço ds Pedra, Poço do Barro, Pompeu Sobrinho, Riacho da Serra, Riacho do Sangue, Rivaldo de Carvalho, Santo Antônio, Santo Antônio de Aracatiaçu, São Domingos II, São José II, São José III, Sítios Novos, Sucesso, Tejuçuoca, Várzea da Volta e Várzea do Boi.

Lista dos ançudes secos

Adauto Bezerra, Amanari, Barra Velha, Barragem do Batalhão, Bonito, Canafístula, Carão, Carmina, Carnaubal, Cedro, Cumpim, Desterro, Escuridão, Faé, Favelas, Forquilha II, Jerimum, Madeiro, Monte Belo, Nova Floresta, Pau Preto, Pirabibu, Potiretama, Premuoca, Quixabinha, Quixeramobim, Salão, Santa Maria de Aracatiaçu, Santo Antônio de Russas, São Domingos, São José I, São Mateus, Serafim Dias, Sousa, Trapiá II, Trici, Umari, Vieirão.

Fonte: Cogerh

‘Relatório sobre 1,5ºC trará dilema moral’ (Observatório do Clima)

Vice-presidente do IPCC afirma que próximo documento do grupo, em 2018, pode apresentar a escolha entre salvar países-ilhas e usar tecnologias incipientes de modificação climática

O próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, encomendado para 2018, pode apresentar à humanidade um dilema moral: devemos lançar mão em larga escala de tecnologias ainda não testadas e potencialmente perigosas de modificação do clima para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC? Ou devemos ser prudentes e evitar essas tecnologias, colocando em risco a existência de pequenas nações insulares ameaçadas pelo aumento do nível do mar?

Quem expõe a dúvida é Thelma Krug, 65, diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e vice-presidente do painel do clima da ONU. Ela coordenou o comitê científico que definiu o escopo do relatório e produziu, no último dia 20, a estrutura de seus capítulos. A brasileira deverá ter papel-chave também na redação do relatório, cujos autores serão escolhidos a partir de novembro.

O documento em preparação é um dos relatórios mais aguardados da história do IPCC. É também único pelo fato de ser feito sob encomenda: a Convenção do Clima, na decisão do Acordo de Paris, em 2015, convidou o painel a produzir um relatório sobre impactos e trajetórias de emissão para limitar o aquecimento a 1,5oC, como forma de embasar cientificamente o objetivo mais ambicioso do acordo. A data de entrega do produto, 2018, coincidirá com a primeira reunião global para avaliar a ambição coletiva das medidas tomadas contra o aquecimento global após a assinatura do tratado.

Segundo Krug, uma das principais mensagens do relatório deverá ser a necessidade da adoção das chamadas emissões negativas, tecnologias que retirem gases-estufa da atmosfera, como o sequestro de carbono em usinas de bioenergia. O problema é que a maior parte dessas tecnologias ou não existe ainda ou nunca foi testada em grande escala. Algumas delas podem envolver modificação climática, a chamada geoengenharia, cujos efeitos colaterais – ainda especulativos, como as próprias tecnologias – podem ser quase tão ruins quanto o mal que elas se propõem a curar.

Outro risco, apontado pelo climatólogo britânico Kevin Anderson em comentário recente na revista Science, é essas tecnologias virarem uma espécie de desculpa para a humanidade não fazer o que realmente precisa para mitigar a mudança climática: parar de usar combustíveis fósseis e desmatar florestas.

“Ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas”, disse Krug. “Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.”

Ela disse esperar, por outro lado, que o relatório mostre que existem tecnologias maduras o suficiente para serem adotadas sem a necessidade de recorrer a esquemas mirabolantes.

“Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas”, afirmou, lembrando que, quanto mais carbono cortarmos rápido, menos teremos necessidade dessas novas tecnologias.

Em entrevista ao OC, concedida dois dias depois de voltar do encontro do IPCC na Tailândia e minutos antes de embarcar para outra reunião, na Noruega, Thelma Krug falou sobre suas expectativas para o relatório e sobre os bastidores da negociação para fechar seu escopo – que opôs, para surpresa de ninguém, as nações insulares e a petroleira Arábia Saudita.

A sra. coordenou o comitê científico que definiu o índice temas que serão tratados no relatório do IPCC sobre os impactos de um aquecimento de 1,5oC. A entrega dessa coordenação a uma cientista de um País em desenvolvimento foi deliberada?

O IPCC decidiu fazer três relatórios especiais neste ciclo: um sobre 1,5oC, um sobre oceanos e um sobre terra. O presidente do IPCC [o coreano Hoesung Lee] achou por bem que se formasse um comitê científico e cada um dos vice-presidentes seria responsável por um relatório especial. Então ele me designou para o de 1,5oC, designou a Ko Barrett [EUA] para o de oceanos e o Youba [Sokona, Mali] para o de terra. O comitê foi formado para planejar o escopo: número de páginas, título, sugestões para cada capítulo. E morreu ali. Por causa da natureza do relatório, que será feito no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, houve também a participação de duas pessoas da área de ciências sociais, de fora do IPCC. Agora, no começo de novembro, sai uma chamada para nomeações. Serão escolhidos autores principais, coordenadores de capítulos e revisores.

Quantas pessoas deverão produzir o relatório?

No máximo cem. Considerando que vai ter gente do birô também. Todo o birô do IPCC acaba envolvido, são 30 e poucas pessoas, que acabam aumentando o rol de participantes.

A sra. vai participar?

Participarei, e participarei bastante. Os EUA fizeram um pedido para que o presidente do comitê científico tivesse um papel de liderança no relatório. Isso porque, para esse relatório, eu sinto algo que eu não sentia tanto para os outros: se não fosse eu acho que seria difícil. Porque teve muita conversa política.

Quando um país levanta uma preocupação, eu tenho de entender mais a fundo onde a gente vai ter que ter flexibilidade para construir uma solução. Eu acho que foi muito positivo o fato de o pessoal me conhecer há muitos anos e de eu ter a liberdade de conversar com uma Arábia Saudita com muita tranquilidade, de chegar para as pequenas ilhas e conversar com muita tranquilidade e tentar resolver as preocupações.

Por exemplo, quando as pequenas ilhas entraram com a palavra loss and damage [perdas e danos], para os EUA isso tem uma conotação muito política, e inaceitável para eles no contexto científico. No fórum científico, tivemos de encontrar uma forma que deixasse as pequenas ilhas confortáveis sem mencionar a expressão loss and damage, mas captando com bastante propriedade aquilo que eles queriam dizer com isso. Acabou sendo uma negociação com os autores, com os cientistas e com o pessoal do birô do painel para chegar numa acomodação que deixasse a todos satisfeitos.

E qual era a preocupação dos sauditas?

Na reunião anterior, que definiu o escopo do trabalho, a gente saiu com seis capítulos bem equilibrados entre a parte de ciências naturais e a parte de ciência social. Por exemplo, essa parte de desenvolvimento sustentável, de erradicação da pobreza, o fortalecimento do esforço global para tratar mudança do clima. E os árabes não queriam perder esse equilíbrio. E as pequenas ilhas diziam que o convite da Convenção foi para fazer um relatório sobre impactos e trajetórias de emissões.

Mas as ilhas estavam certas, né?

De certa maneira, sim. O que não foi certo foi as ilhas terem aceitado na reunião de escopo que o convite fosse aceito pelo IPCC “no contexto de fortalecer o esforço global contra a ameaça da mudança climática, do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Eles abriram o escopo.

A culpa não foi de ninguém, eles abriram. A partir do instante em que eles abriram você não segura mais. Mas isso requereu também um jogo de cintura para tirar um pouco do peso do desenvolvimento sustentável e fortalecer o peso relativo dos capítulos de impactos e trajetórias de emissões.

Essa abertura do escopo enfraquece o relatório?

Não. Porque esse relatório vai ter 200 e poucas páginas, e cem delas são de impactos e trajetórias. Alguns países achavam que já havia muito desenvolvimento sustentável permeando os capítulos anteriores, então por que você ia ter um capítulo só para falar de desenvolvimento sustentável? Esse capítulo saiu de 40 páginas para 20 para justamente fortalecer a contribuição relativa de impactos e trajetórias do relatório. E foi uma briga, porque as pequenas ilhas queriam mais um capítulo de impactos e trajetórias. Esse relatório é mais para eles. Acima de qualquer coisa, os mais interessados nesse relatório são as pequenas ilhas.

Um dos desafios do IPCC com esse relatório é justamente encontrar literatura sobre 1,5oC, porque ela é pouca. Em parte porque 1,5oC era algo que as pessoas não imaginavam que seria possível atingir, certo?

Exato.

Porque o sistema climático tem uma inércia grande e as emissões do passado praticamente nos condenam a 1,5oC. Então qual é o ponto de um relatório sobre 1,5oC?

O ponto são as emissões negativas. O capítulo 4 do relatório dirá o que e como fazer. Faremos um levantamento das tecnologias existentes e emergentes e a agilidade com que essas tecnologias são desenvolvidas para estarem compatíveis em segurar o aumento da temperatura em 1.5oC. Vamos fazer uma revisão na literatura, mas eu não consigo te antecipar qualquer coisa com relação à forma como vamos conseguir ou não chegar a essas emissões negativas. Mas é necessário: sem elas eu acho que não dá mesmo.

A sra. acha, então, que as emissões negativas podem ser uma das grandes mensagens desse novo relatório…

Isso já ocorreu no AR5 [Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2013 e 2014]. Porque não tinha jeito, porque você vai ter uma emissão residual. Só que no AR5 não tínhamos muita literatura disponível.

Quando se vai falar também da velocidade com a qual você consegue implementar essas coisas… o relatório também toca isso aí no contexto atual. Mas, no sufoco, essas coisas passam a ter outra velocidade, concorda? Se você demonstrar que a coisa está ficando feia, e está, eu acho que isso sinaliza para o mundo a necessidade de ter uma agilização maior no desenvolvimento e na implementação em larga escala de tecnologias que vão realmente levar a emissões negativas no final deste século.

Nós temos esse tempo todo?

Para 1,5oC é bem complicado. Em curto prazo, curtíssimo prazo, você precisa segurar as emissões, e aí internalizar o que você vai ter de emissões comprometidas. De tal forma que essas emissões comprometidas estariam sendo compensadas pelas tecnologias de emissões negativas. Esse é muito o meu pensamento. Vamos ver como isso acabará sendo refletido no relatório em si.

Haverá cenários específicos para 1,5oC rodados pelos modelos climáticos?

Tem alguma coisa nova, mas não tem muita coisa. Eles devem usar muita coisa que foi da base do AR5, até porque tem de ter comparação com 2oC. A não ser que rodem de novo para o 2oC. Precisamos entender o que existe de modelagem nova e, se existe, se ela está num nível de amadurecimento que permita que a gente singularize esses modelos para tratar essa questão nesse novo relatório.

Há cerca de 500 cenários para 2oC no AR5, e desses 450 envolvem emissões negativas em larga escala.

Para 1,5oC isso vai aumentar. Para 1,5oC vai ter de acelerar a redução de emissões e ao mesmo tempo aumentar a introdução de emissões negativas nesses modelos.

Há alguns dias o climatologista Kevin Anderson, diretor-adjunto do Tyndall Centre, no Reino Unido, publicou um comentário na revista Science dizendo que as emissões negativas eram um “risco moral por excelência”, por envolver competição por uso da terra, tecnologias não testadas e que vão ter de ser escaladas muito rápido. A sra. concorda?

Eu acho que essa questão de geoengenharia é uma das coisas que vão compor essa parte das emissões negativas. E aí talvez ele tenha razão: o mundo fica assustado com as coisas que vêm sendo propostas. Porque são coisas loucas, sem o amadurecimento necessário e sem a maneira adequada de se comunicar com o público. Mas vejo também que haverá tempo para um maior amadurecimento disso.

Mas concordo plenamente que ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas. Mas esse é meu ponto de vista. Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.

Deixe-me ver se entendi o seu ponto: a sra. acha que há um risco de essas tecnologias precisarem ser adotadas e escaladas sem todos os testes que demandariam num cenário ideal?

Fica difícil eu dizer a escala disso. Sem a gente saber o esforço que vai ser possível fazer para cortar emissões em vez de ficar pensando em compensar muito fortemente o residual, fica difícil dizer. Pode ser que já haja alguma tecnologia amadurecida antes de começar a pensar no que não está amadurecido. Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas.

Agora, entre você falar: “Não vou chegar a 1,5oC porque isso vai exigir implementar tecnologias complicadas e que não estão amadurecidas” e isso ter uma implicação na vida das pequenas ilhas… isso também é uma preocupação moral. É um dilema. Eu tenho muita sensibilidade com a questão de geoengenharia hoje. E não sou só eu. O IPCC tem preocupação até em tratar esse tema. Mas é a questão do dilema. O que eu espero que o relatório faça é indicar o que precisa ser feito. Na medida em que você vai fazendo maiores reduções, você vai diminuindo a necessidade de emissões negativas. É essa análise de sensibilidade que os modelos vão fazer.

Observatório do Clima

Rio Acre diminui 18 cm e compromete o abastecimento de água no Estado (MCTIC)

Segundo Cemaden, água captada do rio chega às estações de tratamento com barro, o que prejudica o abastecimento. Relatório cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume insuficiente

Em 12 dias, o rio Acre diminuiu 18 centímetros, atingindo 1,35 metro em Rio Branco, o menor nível já registrado. Os dados foram divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, no relatório sobre a seca no estado. Se a estiagem persistir, o rio pode atingir 1,06 metro em 10 de setembro.

“Há uma série de impactos decorrentes dessa situação. A agricultura é totalmente prejudicada. A navegação também é influenciada, pois os barcos não conseguem navegar, e o abastecimento de cidades do interior do estado fica comprometido”, observou o coordenador-geral de Operações do Cemaden, Marcelo Seluchi.

Outro ponto destacado pelo climatologista é o abastecimento de água para a população. Segundo ele, a água que chega às estações de tratamento tem maior quantidade de barro, e essas unidades precisam trabalhar mais para entregar um produto de qualidade para a população. Para isso, foi preciso ajustar as bombas de captação para o volume menor, processo semelhante ao adotado no Sistema Cantareira, em São Paulo (SP).

“Há dificuldade no abastecimento e perda de qualidade da água. O processo de tratamento é mais demorado e acaba encarecido”, afirmou Marcelo Seluchi.

De acordo com o relatório do Cemaden, as chuvas têm sido deficientes desde março, e o período entre junho e agosto é o mais seco do ano no Acre. O documento cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume “pouco expressivo”. “Não há expectativa de recuperação do quadro hídrico até o mês de setembro, embora possam ocorrer chuvas ocasionais”, alerta o Cemaden no documento.

“Tivemos alguns quadros de chuvas nos últimos dias, mas não há indícios concretos de que o período chuvoso vá começar na época considerada normal. Precisamos coletar mais dados para poder fazer uma previsão mais acurada”, reforçou Seluchi.

Queimadas

No documento, os pesquisadores também alertam para o risco de incêndios florestais no estado, que registrou, até 26 de julho, três vezes mais ocorrências de focos de calor que o máximo já detectado desde 1998.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre janeiro e agosto de 2016, o Acre teve 1.120 focos de incêndio, um aumento de 222% em relação ao mesmo período do ano passado.

MCTIC

Open Science: o futuro da ciência e o desastre de Mariana (Pesquisa Fapesp)

12.08.2016

O Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) realiza expedições com o objetivo de coletar e analisar amostras da lama com rejeitos de mineração que atingiu o rio Doce após o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, e estimula não cientistas a contribuírem com amostras. Apostando no conceito de ciência aberta, os resultados das viagens são divulgados em tempo real nas redes sociais e no site da organização, permitindo que a população acompanhe o avanço das análises. No vídeo, pesquisadores comentam como o grupo surgiu e algumas consequências do desastre.

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixo (Pesquisa Fapesp)

15 de agosto de 2016

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixoSegundo o Grupo de Trabalho em Previsão Climática do MCTIC, estiagem deve afetar navegação e abastecimento dos ribeirinhos, além do risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia e área central do país (Foto: Rio Acre/Agência Acre)

Agência FAPESP – A seca que atinge o sudoeste da Amazônia, especialmente o Acre, deve se agravar ainda mais nos próximos meses, alertou o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), de acordo com a Assessoria de Comunicação Social do Ministério.

Segundo a previsão, o rio Acre deve atingir o seu mais baixo nível histórico (entre 1,20m e 1,30m) e impactar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas da região. O levantamento é válido para os meses de agosto, setembro e outubro deste ano.

O Acre é o estado mais afetado pela estiagem que se estende também para o norte da Amazônia. Desde março, o volume de chuvas é deficitário na região, em parte por conta do El Niño, que começou no outono do ano passado. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os ventos em boa parte do planeta e o regime de chuvas. Na região Norte, leva à seca. A partir de junho, o La Niña, fenômeno oposto, começou a se desenvolver de forma fraca.

“Esta estiagem é fruto de uma interação de vários fenômenos, notadamente o El Niño e a La Niña. Ela já se estende há quase seis meses, e não temos uma noção exata de quando vai normalizar. Estamos acompanhando a situação mensalmente para avaliar como ela se comporta”, afirmou o chefe da Divisão de Pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, à Assessoria de Comunicação Social do MCTIC.

O documento alerta ainda para o alto risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente na área central do Brasil e no sul e no leste da Amazônia. O número de focos de incêndio pode atingir máximas históricas. Contudo, a adoção de medidas de controle pode mitigar o problema no trimestre.

Poucas chuvas no Nordeste

A região Nordeste também deve sofrer mais com a estiagem no período analisado. De acordo com o grupo de previsão climática do MCTIC, tradicionalmente, agosto é o último mês da estação chuvosa na parte leste da região, mas tem chovido pouco desde abril, início do período de precipitações na região. Com a baixa incidência de chuvas nos últimos anos, a tendência é que a situação se repita na zona da mata, que já apresenta valores abaixo da média para a época do ano.

“O panorama de poucas chuvas nessa área vem se arrastando desde 2012, e os níveis dos reservatórios e dos rios estão muito baixos, mesmo na zona da mata. E isso gera problemas para a população, porque pode haver desabastecimento”, destacou José Marengo.

Participam do GTPCS o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A íntegra do documento pode ser acessada aqui no endereço http://www.cemaden.gov.br/previsao-climatica-para-o-trimestre-aso2016/.

Cemaden completa cinco anos com o monitoramento de 957 municípios do País (MCTI)

JC, 5449, 1 de julho de 2016

Mais de R$ 72 milhões já foram investidos em radares meteorológicos de alta resolução para monitoramento de áreas de risco. Além disso, o Cemaden desenvolve tecnologia para previsão de quebra de safra no semiárido

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) completa cinco anos com o monitoramento de áreas de risco em 957 municípios do País. Um trabalho feito 24 horas por dia, sem interrupção. As informações fornecidas por radares meteorológicos de alta tecnologia já permitiram a emissão de 5,5 mil alertas para a Defesa Civil. Segundo o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, 12 novos equipamentos serão adquiridos, o que vai aumentar a confiabilidade dos alertas.

“Os radares serão instalados nas áreas que atualmente não estão cobertas, o que fará com que o Brasil possua um dos mais avançados sistemas de monitoramento de risco de ocorrência de desastres naturais do mundo”, afirma Moraes.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Cemaden investiu R$ 72 milhões em nove radares meteorológicos, equipamentos no estado da arte para aplicações voltadas ao monitoramento de desastres naturais instalados em Petrolina (PE), Natal (RN), Maceió (AL), Salvador (BA), Almenara (MG), Três Marias (MG), São Francisco (MG), Santa Teresa (ES) e Jaraguari (MS). Com eles, o Cemaden consegue mensurar a quantidade de chuvas, fazer uma previsão de tempo de curtíssimo prazo e antecipar a emissão de alertas para municípios com risco de desastres naturais. Os dados estão disponíveis em tempo real para acesso público.

“Esses radares possuem a capacidade de identificar e localizar as nuvens presentes dentro da área de cobertura do equipamento, além de medir a quantidade de chuva em um determinado local. O uso permite que os operadores do Cemaden identifiquem os locais onde as condições meteorológicas aumentam o risco de desastres naturais. Com isso, podemos emitir alertas antecipados sobre o risco de deslizamentos de terra e enchentes, por exemplo, preservando as vidas das pessoas expostas ao risco”, explica o coordenador do projeto Radares Meteorológicos do Cemaden, Carlos Frederico de Angelis.

Ele ressalta que a unidade implantada em Maceió, por exemplo, possui tecnologia e sensibilidade para levantar dados elaborados sobre chuvas num raio de 400 quilômetros de distância. Segundo Angelis, o equipamento é capaz de antecipar os riscos de desastres provocados por fenômenos meteorológicos com até seis horas de antecedência.

“Um desastre natural afeta não só a vida das pessoas que estão em áreas de risco como também a infraestrutura e a economia, como o agronegócio, por exemplo. Os impactos são ainda maiores para os pequenos produtores”, diz Angelis.

Ciência Cidadã

A quebra de safras agrícolas também está no radar do Cemaden, que vai lançar, no segundo semestre, o Sistema de Previsão de Riscos de Colapso de Safras no Semiárido Brasileiro com previsões de risco de colapso de safras geradas a partir de estimativas de modelos agrometeorológicos; dados públicos de safras típicas (milho, mandioca, feijão, arroz e sorgo) por região; e previsão do tempo para um período de 15 a 45 dias.

“A implantação deste projeto contempla o uso de modelos agrometeorológicos integrados a uma rede de monitoramento de dados (meteorológicos, fenológicos, práticas de manejo e informações do solo), contribuindo para a geração de indicadores para o monitoramento da seca, previsão e manejo dos riscos de colapso de safras e aprimoramento dos sistemas de alerta”, explica o diretor do Cemaden.

Além disso, o sistema vai contar com as informações enviadas pelos próprios produtores por meio de aplicativo desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT) do MCTIC e o International Institute for Applied Systems Analysis (Iiasa), da Áustria.

Disponibilizado para aparelhos celulares desde o início do ano, o AgriSupport permite o registro fotográfico georreferenciado de áreas plantadas e a coleta de informações sobre plantios realizados pelos pequenos produtores do semiárido.

No futuro, o monitoramento das safras será estendido para outros cultivos em outras regiões do País.

 MCTIC

2016 é um dos anos mais secos do Ceará e o pior começa agora (O Povo)

CHUVA 14/06/2016

Os meteorologistas afirmam que não há previsão de precipitações para os últimos seis meses do ano 

Igor Cavalcante

Os próximos meses serão de mais escassez hídrica para o Ceará. Quando o assunto é chuva, o segundo semestre é o mais crítico para o Estado. As precipitações que ainda acontecem são causadas por instabilidades meteorológicas e não devem impactar no cenário de estiagem.

Em coletiva de imprensa ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou que, de 2012 para cá, a estiagem deste ano é a segunda pior. Em algumas regiões não choveu nem metade do esperado. O cenário faz de 2016 um dos dez anos mais secos da história.

Contudo, monitoramento do Oceano Pacífico indica que águas estão resfriando. É um sinal de que precipitações podem aumentar no próximo ano. O aquecimento oceânico, fenômeno conhecido como El Niño, impacta na formação da Zona de Convergência Intertropical, principal responsável pelas chuvas na costa cearense. Quando parte do Pacífico está aquecida, as nuvens tendem a se formar e precipitar no mar.

De acordo com Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme, ainda é cedo para garantir boa quadra chuvosa para 2017. “É um aspecto positivo, mas temos de aguardar como vai ser o padrão desse resfriamento”, pondera.

O meteorologista Raul Fritz também é cauteloso quanto às previsões. Segundo ele, mesmo num cenário em que não haja El Niño, bom inverno é incerto.

A preocupação dos meteorologistas é com os meses até a próxima quadra chuvosa.. “A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e certeza de que não chove no segundo semestre”, cita o presidente da Funceme. Historicamente, mais de 90% do volume anual de chuva no Estado acontece no primeiro semestre.

Abaixo do esperado

Também foram as temperaturas elevadas das águas do Pacífico que contribuíram para as poucas precipitações no Estado. Conforme O POVO havia adiantado na edição do último dia 1°, a quadra chuvosa deste ano terminou como a segunda pior desde 2012, quando começou a sequência de cinco anos de estiagem.

Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas ficaram 45,2% abaixo do esperado. Fevereiro foi o período mais crítico, quando o volume no Estado ficou 55,3% abaixo da expectativa. Os meses de março e abril — historicamente de mais chuva — também tiveram precipitações inferiores à média.

As regiões Jaguaribana e do Sertão dos Inhamuns foram as de maior escassez. Nos municípios, as chuvas sequer atingiram metade do esperado, ficando 54,5% e 52,3% abaixo da média, respectivamente.

Segundo o presidente da Funceme, desde o início do ano, o Estado trabalha com o cenário da seca e promove ações para garantir licitações de poços e adutoras emergenciais na tentativa de suprir a necessidade hídrica do Interior.

Saiba mais 

Uma das alternativas para amenizar a escassez hídrica, o Projeto de Integração do rio São Francisco será concluído em dezembro, com previsão de abastecer os reservatórios em janeiro do próximo ano.

No último fim de semana, comitiva do Ministério da Integração vistoriou os eixos Norte e Leste do Projeto. Além do Ceará, Pernambuco e Paraíba devem ser beneficiados a partir de 2017.

Fenômenos naturais deslocaram 19,2 milhões de pessoas em 2015, alerta escritório da ONU (ONU)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Número representa quase 70% do total de deslocados internos do mundo registrado em 2015

Fenômenos naturais forçaram 19,2 milhões de pessoas a abandonarem seus lares em 2015. O contingente representa quase 70% do total de deslocados internos – 27,8 milhões – que se viram obrigados a fugir dos lugares onde moravam por conta de conflitos, violência ou desastres naturais ao longo do ano passado.

Os números foram divulgados na semana passada (12) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) em relatório que apresenta um panorama do deslocamento interno global e de suas causas.

O documento alerta para os fatores de risco de desastres associados a processos lentos de alteração ambiental, tais como secas, elevação do nível do mar e desertificação — fenômenos provocados pelas transformações do clima. Ameaças climáticas foram responsáveis por 14,7 milhões de deslocamentos.

“A maioria dos deslocamentos ocasionados por desastres naturais ocorreu devido a eventos climáticos extremos, que aconteceram em um ano com um número recorde de secas, inundações e grandes tempestades tropicais”, continuou Glasser, lembrando que grande parte disso foi causada por um forte El Niño registrado em meio a mudanças climáticas cada vez mais maiores.

Para Glasser, diante desse cenário, é necessário o desenvolvimento de um sistema capaz de melhorar a gestão de risco de desastres a nível local, a fim de evitar o deslocamento de pessoas nesta escala.

“Isso significa melhorar alertas precoces, proporcionar habitação de baixo custo em locais seguros e fazer todo o possível para reduzir o número de pessoas afetadas por catástrofes, segundo o que foi acordado pelos Estados-membros no Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, no ano passado”, ressaltou.

O Marco é um plano global para reduzir as ameaças de catástrofe adotado pelos Estados-membros das Nações Unidas em 2015, durante uma conferência mundial em Sendai, no Japão.

O acordo estabelece metas para a redução da mortalidade relacionada a desastres, assim como para a diminuição do número de pessoas afetadas, dos danos à infraestrutura e das perdas econômicas.

ONU

Elevação do nível do mar traga várias ilhas do Pacífico (El País)

Mudanças climáticas estão elevando as águas pelo menos desde meados do século XX

MIGUEL ÁNGEL CRIADO

15 MAI 2016 – 00:19 CEST

Desaparecem ilhas do Pacífico:. A imagem aérea mostra a ilha de Nuatambu partida em duas pelas águas. SIMON ALBERT / EL PAÍS VÍDEO

Desta vez não se trata de previsões ameaçadoras para um futuro distante: um grupo de pesquisadores comprovou como em apenas poucas décadas várias ilhas do oceano Pacífico desapareceram sob o mar. Seu estudo conecta as mudanças climáticas mundiais com a elevação do nível do mar em escala local. Uma conexão que tragará muitas outras ilhas e zonas costeiras nas próximas décadas.

Usando imagens aéreas e por satélites obtidas desde 1947, cientistas australianos têm acompanhado a elevação do nível das águas que rodeiam as ilhas Salomão, no meio do Pacífico ocidental. O arquipélago, formado por cerca de 1.000 ilhas que, juntas, mal superam os 28.000 quilômetros quadrados de extensão, é o lar de mais de meio milhão de pessoas. De origem vulcânica, muitas são pequenos pedaços de terra de poucos hectares, quase ao nível do mar. Por isso são um laboratório onde testar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.

Os registros dendrocronológicos obtidos dos troncos das árvores mostram que o nível do mar se manteve estável nos últimos séculos, somente sujeito a variações temporais pelo impacto de fenômenos climáticos como El Niño. No entanto, esse equilíbrio foi para o espaço nas últimas décadas. Desde meados do século passado o oceano subiu 3 milímetros por ano, uma cifra que se elevou até os 7 milímetros anuais desde 1994.

Cinco pequenas ilhas das Salomão desapareceram e outras seis perderam a maior parte da terra

Com esses dados, os pesquisadores puderam comprovar com imagens o desaparecimento de cinco ilhas. Apesar de que a maior tinha apenas cinco hectares, trata-se de ilhotas com vegetação, vida silvestre e, pelo menos em dois casos, habitadas. Em algumas ainda é possível ver árvores que se afogam com as raízes sob o mar.

O estudo, publicado na Environmental Research Letters, também mostra que outras seis ilhas perderam até 62% de sua terra. Além disso, o ritmo do avanço do mar está ficando mais acelerado. As imagens tomadas do céu demonstram que até os anos 60 as águas arrebataram apenas 0,1% por unidade de área. A porcentagem se elevou até 0,5% anual até 2002 e, a partir daí, explodiu até 1,9%.

“A elevação do nível do mar nas Ilhas Salomão nos últimos 20 anos foi três vezes maior que a média mundial”, diz em uma mensagem o pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), Simon Albert. Embora possa parecer que o nível do mar tenda a ser igual em todo o planeta, há fatores locais que o elevam ou baixam.

No caso das Salomão, “em parte isso se deve ao aumento do nível do mar e, em parte, ao ciclo natural dos ventos alísios que movem a água no Pacífico ocidental”, esclarece o cientista australiano. “Mas, independentemente da combinação de causas, esses resultados nos apresentam uma visão dos impactos da elevação do nível do mar na segunda metade deste século, quando o restante do planeta sofrer um ritmo semelhante ao que experimentaram as Ilhas Salomão nestes 20 anos”, acrescenta Albert.

Comunidades de pescadores tiveram de mudar-se morro acima para distanciar suas casas do mar

O drama está transcorrendo quase ao vivo. Na ilha de Nuatambu, por exemplo, viviam 25 famílias. O mar lhes roubou a metade da terra e, na década atual, arrebatou 11 casas. Em várias ilhas as pessoas já tiveram de mudar-se para as zonas mais altas ou mudar de ilha. Algumas comunidades se fragmentaram, com alguns membros deslocados e outros ainda resistindo.

No artigo que os próprios pesquisadores escrevem em The Conversation está incluído o depoimento de Sirilo Sutaroti, o ancião-chefe que aos 94 anos rege o povo paurata, uma tribo de pescadores: “O mar começou a adentrar, o que nos obrigou a ir morro acima e reconstruir nosso povoado longe do mar”.

Abril é o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde no planeta (O Globo)

Por O Globo. 16/05/2016

 

RIO — Abril deste ano registrou as temperaturas mais quentes para este mês na História, segundo informações da Nasa. É o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde, com mais de 1 grau Celsius de diferença em relação à média entre 1951 e 1980.

A temperatura média global em abril foi 1.11 grau Celsius acima da média do período 1951-1980, esmagando o recorde anterior para o mês, registrado em 2010, de 0,24 grau Celsius acima da média.

— O mais interessante é a escala na qual estamos quebrando os recordes — disse Andy Pitman, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em entrevista ao “Guardian”. —Claramente, tudo está caminhando na direção errada. Os cientistas climáticos estão alertando sobre isso desde os anos 1980, e tem sido óbvio desde os anos 2000. Então onde está a surpresa?

É o terceiro mês consecutivo em que o recorde de temperatura é quebrado pela maior diferença já registrada. Desde fevereiro, quando as margens começaram a quebrar recordes, os cientistas começaram a falar sobre “emergência climática”. Existe a influência do El Niño, mas o temor é que o planeta esteja aquecendo de forma mais acelerada que o imaginado, o que coloca em risco os objetivos acertados em Paris.

— O alvo de 1.5 grau Celsius é um desejo. Eu não sei se conseguiríamos esse objetivo se parássemos com as emissões hoje. Existe inércia no sistema. E o resultado de abril coloca pressão para os 2 graus Celsius — disse Pitman.

Hurricanes key to carbon uptake by forests (Science Daily)

Increases in carbon uptake by southeast US forests in response to tropical cyclone activity alone exceed carbon emissions by American vehicles each year.

Date:
May 2, 2016
Source:
Duke University
Summary:
New research reveals that the increase in forest photosynthesis and growth made possible by tropical cyclones in the southeastern United States captures hundreds of times more carbon than is released by all vehicles in the US in a given year.

This map shows the total increase of photosynthesis and carbon uptake by forests caused by all hurricanes in 2004. The dotted gray lines represent the paths of the individual storms. Credit: Lauren Lowman, Duke University

While hurricanes are a constant source of worry for residents of the southeastern United States, new research suggests that they have a major upside — counteracting global warming.

Previous research from Duke environmental engineer Ana Barros demonstrated that the regular landfall of tropical cyclones is vital to the region’s water supply and can help mitigate droughts.

Now, a new study from Barros reveals that the increase in forest photosynthesis and growth made possible by tropical cyclones in the southeastern United States captures hundreds of times more carbon than is released by all vehicles in the U.S. in a given year.

The study was published online on April 20, 2016, in the Journal of Geophysical Research — Biogeosciences.

“Our results show that, while hurricanes can cause flooding and destroy city infrastructure, there are two sides to the story,” said Barros, the James L. Meriam Professor of Civil and Environmental Engineering at Duke University. “The other side is that hurricanes recharge the aquifers and have an enormous impact on photosynthesis and taking up carbon from the atmosphere.”

In the study, Lauren Lowman, a doctoral student in Barros’s laboratory, used a hydrological computer model to simulate the ecological impacts of tropical cyclones from 2004-2007. The earlier years of that time period had a high number of tropical cyclone landfall events, while the latter years experienced relatively few.

By comparing those disparate years to simulations of a year without tropical cyclone events, Lowman was able to calculate the effect tropical cyclones have on the rates of photosynthesis and carbon uptake in forests of the southeastern United States.

“It’s easy to make general statements about how much of an impact something like additional rainfall can have on the environment,” said Lowman. “But we really wanted to quantify the amount of carbon uptake that you can relate to tropical cyclones.”

According to Barros and Lowman, it is difficult to predict what effects climate change will have on the region’s future. Even if the number of tropical cyclones that form in the Atlantic increases, that doesn’t guarantee that the number making landfall will also rise. And long-term forecasts for the region’s temperature and rainfall currently show less change than normal year-to-year variability.

But no matter what the future brings, one thing is clear — the regularity and number of tropical cyclones making landfall will continue to be vital.

“There are a lot of regional effects competing with large worldwide changes that make it very hard to predict what climate change will bring to the southeastern United States,” said Barros. “If droughts do become worse and we don’t have these regular tropical cyclones, the impact will be very negative. And regardless of climate change, our results are yet one more very good reason to protect these vast forests.”

This research was funded in part by the National Science Foundation Coupled Human and Natural Systems Program (CNH-1313799) and an earlier grant from the National Oceanic and Atmospheric Administration (NA08OAR4310701).


Journal Reference:

  1. Lauren E. L. Lowman, Ana P. Barros. Interplay of Drought and Tropical Cyclone Activity in SE US Gross Primary ProductivityJournal of Geophysical Research: Biogeosciences, 2016; DOI: 10.1002/2015JG003279

Armed guards at India’s dams as drought grips country (The Guardian)

Government says 330 million people are suffering from water shortages after monsoons fail

An armed guard at a reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh.

An armed guard at a reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh. Photograph: Money Sharma/AFP/Getty Images

Agence France-Presse

Monday 2 May 2016 Last modified on Monday 2 May 2016 

As young boys plunge into a murky dam to escape the blistering afternoon sun, armed guards stand vigil at one of the few remaining water bodies in a state hit hard by India’s crippling drought.

Desperate farmers from a neighbouring state regularly attempt to steal water from the Barighat dam, forcing authorities in central Madhya Pradesh to protect it with armed guards to ensure supplies.

India is officially in the grip of its worst water crisis in years, with the government saying that about 330 million people, or a quarter of the population, are suffering from drought after the last two monsoons failed.

“Water is more precious than gold in this area,” Purshotam Sirohi, who was hired by the local municipality to protect the dam, in Tikamgarh district, told AFP.

“We are protecting the dam round the clock.”

An Indian villager walks between rocks as he crosses a depleted reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh.

An Indian villager walks between rocks as he crosses a depleted reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh. Photograph: Money Sharma/AFP/Getty Images

But the security measures cannot stop the drought from ravaging the dam, with officials saying it holds just one month of reserves.

Four reservoirs in Madhya Pradesh have already dried up, leaving more than a million people with inadequate water and forcing authorities to bring in supplies using trucks.

Almost a 100,000 residents in Tikamgarh get piped water for just two hours every fourth day, while municipal authorities have ordered new bore wells to be dug to meet demand.

But it may not be enough, with officials saying the groundwater level has receded more than 100 feet (30 metres) owing to less than half the average annual rainfall in the past few years.

“The situation is really critical, but we are trying to provide water to everyone,” Laxmi Giri Goswami, chairwoman of Tikamgarh municipality, told AFP.

“We pray to rain gods for mercy,” she said.

A man stands on a parched lake bed as he removes dead fish and rescues the surviving ones in Ahmadabad, India.

A man stands on a parched lake bed as he removes dead fish and rescues the surviving ones in Ahmadabad, India. Photograph: Ajit Solanki/AP

In the nearby village of Dargai Khurd, only one of 17 wells has water.

With temperatures hovering around 45C, its 850 residents fear they may soon be left thirsty.

“If it dries up, we won’t have a drop of water to drink,” said Santosh Kumar, a local villager.

Farmers across India rely on the monsoon – a four-month rainy season which starts in June – to cultivate their crops, as the country lacks a robust irrigation system.

Two weak monsoons have resulted in severe water shortages and crop losses in as many as 10 states, prompting extreme measures including curfews near water sources and water trains sent to the worst-affected regions.

Many farmers are now moving to cities and towns to work as labourers to support their families.

At a scruffy, makeshift camp in north Mumbai, in one of the worst-affected states, dozens of migrants who have fled their drought-stricken villages queue to fill plastic containers with water.

Pots are lined up to be filled with drinking water at a slum in Mumbai.

Pots are lined up to be filled with drinking water at a slum in Mumbai. Photograph: Rajanish Kakade/AP

Migrants from rural areas usually come to the city in January or February to get jobs on construction sites, but people were still arriving in March and April.

“There are some 300-350 families here. That’s a total of more than 1,000 people,” said Sudhir Rane, a volunteer running the camp in Mumbai’s Ghatkopar suburb. “There is a drought and there is no water back home so more families have come here this year.”

Families are allocated a small space in the dusty wasteland, where rickety tented homes are made from wooden posts and tarpaulin sheets.

“We had no choice but to come here. There was no water, no grain, no work. There was nothing to eat and drink. What could we do?” said 70-year-old Manubai Patole. “We starved for five days. At least here we are getting food.”

Weather forecasters in New Delhi this month predicted an above-average monsoon, offering a ray of hope for the country’s millions of farmers and their families.

But many, like Gassiram Meharwal from Bangaye village in Madhya Pradesh, are not optimistic as they struggle to cultivate their crops.

Meharwal’s two-acre farm has suffered three wheat crop failures in as many years, costing him an estimated 100,000 rupees ($1,500 or £1,000).

“Our fields are doomed, they have almost turned into concrete,” he said.

Thousands of acres of land in his village go uncultivated and fears are mounting for the cattle, which face a shortage of fodder.

Desperate for income, 32-year-old Meharwal, who supports eight members of his family including his children and younger brothers, left to work as a labourer in the city of Gwalior, four hours away.

“There is no guarantee that it will rain this year. Predictions are fine but no one comes to your help when the crops fail,” he said.

“It is better to use your energy breaking stones.”

Impactos visíveis no mar (Pesquisa Fapesp)

Poluentes chegam a 200 km ao norte e ao sul da foz do rio Doce, atingem unidades de conservação, alteram equilíbrio ecológico e se acumulam no assoalho marinho

CARLOS FIORAVANTI | ED. 242 | ABRIL 2016

Poluição à vista: os resíduos que vazaram do reservatório de Mariana formam mancha acastanhada na foz do rio DocePoluição à vista: os resíduos que vazaram do reservatório de Mariana formam mancha acastanhada na foz do rio Doce.

Em janeiro deste ano, ao sobrevoarem o litoral do Espírito Santo e do sul da Bahia, biólogos, oceanógrafos e técnicos de órgãos ambientais do governo federal reconheceram os borrões escuros na superfície do mar formados pelo acúmulo de resíduos metálicos que vazaram do reservatório da mineradora Samarco em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. A mancha de resíduos, também chamada de pluma, aproximava-se do arquipélago de Abrolhos, uma das principais reservas de vida silvestre marinha da costa brasileira.

Os borrões não eram apenas os indesejados resquícios da extração de minério de ferro de Minas Gerais, mas uma de suas consequências, como se verificou logo depois. Em meio às manchas verde-escuro havia colônias de algas e outros organismos marinhos microscópicos – o fitoplâncton – com dezenas de quilômetros de extensão, muito maiores que as observadas nos anos anteriores, de acordo com as análises de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Outra peculiaridade é que os organismos cresciam e se multiplicavam rapidamente, em decorrência do excesso de ferro dos rejeitos da mineradora de Mariana que se espalham pelo mar a partir da foz do rio Doce, onde chegaram no final de novembro. Desde então, levados continuamente ao mar pelo rio, os resíduos formam uma mancha móvel que oscila ao longo de 200 quilômetros (km) ao norte e ao sul da foz do rio Doce, que alterou o equilíbrio marinho, como indicado pela massa de fitoplâncton, e atingiu pelo menos três unidades de conservação de organismos marinhos.

“As manchas de fitoplâncton são comuns no verão, mas não desse modo”, explica Alex Bastos, professor de oceanografia da Ufes, no final de fevereiro. Análises preliminares indicaram que as colônias de algas são constituídas por organismos que se formam e morrem em poucos dias, mais rapidamente que o habitual. A decomposição acelerada dos organismos consome oxigênio da água do mar, com consequências imprevisíveis sobre as comunidades de organismos marinhos.

Além disso, a diversidade de espécies havia sido reduzida quase à metade. Camilo Dias Júnior, com sua equipe de oceanografia da Ufes, encontrou no máximo 40 espécies de fitoplâncton por amostra analisada; antes da chegada dos resíduos os pesquisadores reconheciam de 50 a 70 espécies. A hipótese dos pesquisadores e técnicos é de que já poderia ter ocorrido uma seleção de variedades mais adaptadas ao excesso de ferro trazido com a descarga dos resíduos no mar.

Nos sobrevoos do litoral do Espírito Santo e da Bahia, Claudio Dupas, coordenador do Núcleo de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental da Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em São Paulo, observou muitos barcos de pesca próximos às manchas de fitoplâncton na foz do rio Doce. Atraídos pela abundância de alimento, o grande número de peixes chamou a atenção dos pescadores.

Em Governador Valadares, MG: a lama ocupou o rio Doce em novembro, prejudicando o abastecimento de água para os moradores da cidade

Com base nas análises preliminares da qualidade de água e na observação do cenário, a equipe do Ibama elaborou um relatório técnico alertando sobre alterações na qualidade da água, prejudicada com a descarga de resíduos no mar. Com base no documento e no princípio da precaução – para evitar que a população seja prejudicada pelo consumo de peixes contaminados –, no dia 22 de fevereiro um juiz federal de Vitória proibiu por tempo indeterminado a pesca na região da foz do rio Doce. “Assim que saiu a decisão do juiz, o superintendente do Ibama em Vitória, Guanadir Gonçalves, pediu-me para fazer um mapa com a delimitação da área de proibição, que foi para a internet e para os celulares dos fiscais em campo no mesmo dia”, diz Dupas.

Desde janeiro os movimentos da mancha de resíduos podem ser acompanhados por meio de mapas gerados pelo Ibama a partir de imagens de satélites no site governancapelodoce.com.br, mantido pela Samarco. Já o site siscom.ibama.gov.br/mariana contém imagens de satélite de alta resolução de antes e depois do incidente, da barragem à foz. Os mapas indicam que os resíduos já chegaram a 50 km ao sul de Vitória, capital do Espírito Santo, e atingiram três unidades de conservação do ambiente marinho, o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas e uma das principais áreas de desova da tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), uma faixa de 37 km de praias conhecida como Reserva Biológica Comboios. “Ainda não é possível avaliar o impacto sobre o ambiente, a vida dos organismos marinhos e dos moradores da região”, diz Dupas.

Desde que vazou da barragem de Fundão, em 5 de novembro, até chegar ao mar, a enorme massa de resíduos da extração de minério de ferro causou uma transformação profunda. Destruiu casas e matas às margens do rio Doce, provocando a morte de 18 pessoas e de toneladas de peixes e outros organismos aquáticos. A bióloga Flávia Bottino participou das expedições do Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) ao longo do rio Doce em novembro e observou uma intensa turbidez da água, que dificultava a penetração da luz e a sobrevivência dos organismos. Os biólogos encontraram camarões de água doce que sobreviveram ao desastre, mas os organismos bentônicos, que viviam no fundo do rio, tinham sido soterrados.

Limites incertos 
A alta concentração de partículas sólidas que absorvem calor pode ter causado o aumento da temperatura da água para cerca de 30º Celsius. “A água do rio estava quente”, ela notou. As análises das amostras de água coletadas em dezembro ao longo de um trecho de cerca de 800 km do rio, realizadas nas unidades das universidades de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Federal de São Carlos (UFSCar) em São Carlos e Sorocaba, Estadual Paulista (Unesp) em São Vicente, e na de Brasília (UnB), indicaram concentrações elevadas de manganês, ferro, arsênio e chumbo. As chuvas podem agravar a situação ao lavar as margens dos rios, cobertas de resíduos, e transportá-los ao mar.

Por meio de coletas realizadas com o navio Vital de Oliveira Moura, da Marinha, a equipe da Ufes verificou que 25 km a leste da foz do Rio Doce os resíduos formam uma camada de 1 a 2 centímetros sobre a lama do fundo do mar, a 25 metros de profundidade. “Está havendo um acúmulo rápido do rejeito no assoalho marinho”, diz Bastos, da Ufes, com base em coletas realizadas desde novembro, logo após o rompimento da barragem (ver Pesquisa FAPESP no 239). “Nem nas maiores cheias o acúmulo de sedimentos no rio no fundo do mar foi tão alto.”

042-047_Poluentes_242No início de fevereiro, em uma reunião dos pesquisadores da Ufes com representantes do Ibama, Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Bastos comentou que a concentração de ferro no fundo do mar havia aumentado 20 vezes, em comparação com os níveis de antes do acidente, a de alumínio 10 vezes e a de cromo e manganês, cinco. Outro professor da Ufes, Renato Rodrigues Neto, observou que a vazão do rio passou de 300 metros cúbicos por segundo (m³/s), antes do rompimento da barragem, para cerca de 4.000 m³/s, aumentando a quantidade de lama com resíduos metálicos despejada no mar.

As imagens de satélite indicam que os resíduos metálicos podem ter chegado até o arquipélago de Abrolhos no início de janeiro, embora, ressalta Dupas, ainda não seja possível diferenciar os sedimentos vindos do rio Doce, a cerca de 200 km de distância, dos do rio Caravelas, que deságua na região. Segundo ele, os resultados das análises em andamento devem ser anunciados em abril.

Vários estudos em outras áreas marinhas têm indicado que os resíduos industriais podem ir muito além dos lugares onde foram produzidos, misturar-se com os sedimentos do fundo do mar, aflorando se revolvidos por redes de pesca, ou ser absorvidos por organismos marinhos. Uma equipe do Instituto Oceanográfico (IO) da USP identificou metais pesados (chumbo, cobre e zinco) e compostos orgânicos derivados de petróleo produzidos na zona industrial de Santos e do polo industrial de Cubatão, a 15 km do mar, misturados com a lama do assoalho marinho a uma profundidade de 100 metros e a uma distância de 200 km da costa. Não se pensava que a poluição gerada em terra pudesse chegar tão longe.

Condições ambientais 
As conclusões ajudam a pensar o que poderia se passar no litoral do Espírito Santo e dos estados vizinhos, à medida que a lama da mineradora se espalha. “Os eventos, a rigor, não têm conexão à primeira vista”, disse Michel Mahiques, professor de oceanografia do IO-USP que coordenou os estudos em Santos. O vazamento da Samarco em Mariana foi um fenômeno agudo, com uma descarga intensa de resíduos, enquanto Santos e outros, como a baía da Guanabara, são casos crônicos, de décadas de liberação contínua de poluentes. “O fato comum”, ele diz, “é que existem porções do fundo marinho nas quais as condições ambientais permitem a deposição de materiais gerados pela atividade humana, ainda que a grandes distâncias”.

Em um estudo anterior no litoral de Santos, seu grupo identificou isótopos de césio 137 originários de explosões atômicas ou de usinas nucleares, nas quais esse tipo de material é gerado. “O césio foi transportado pela atmosfera e aderiu a partículas muito pequenas do fundo do mar”, conta. “Podemos chamar esses casos de teleconexões, em que um evento em um determinado ponto do planeta pode afetar regiões muito distantes.” Segundo ele, os casos clássicos são os acidentes das usinas nucleares de Chernobyl em 1986 e de Fukushima em 2011.

Vila de Mariana devastada pela lama da barragem de Fundão: efeito a mais de 800 km de distância na terra, no rio e no mar

“Precisamos lançar outro olhar para o potencial de acumulação de material no meio marinho”, comenta Mahiques. Seus estudos indicaram que os poluentes se acumulam principalmente nos cinturões de lama, faixas em geral com 3 a 4 km de largura e dezenas de quilômetros de extensão, na chamada plataforma continental, sobre estruturas antigas de relevo. “Há um efeito a distância. Os sedimentos permanecem em pontos bem distantes da origem. Duzentos quilômetros foi o limite a que chegamos, mas ainda não sabemos se poderiam ir mais longe.” Mahiques argumenta que dois conceitos básicos sobre o funcionamento da plataforma continental deveriam ser revistos. O primeiro é que a quantidade de materiais do continente que chega ao mar seria pequena. O segundo é que os ambientes costeiros retêm a sujeira. “A quantidade não é pequena, nem os estuários são um filtro perfeito dos resíduos gerados no continente.”

Os pesquisadores analisaram 21 amostras de sedimentos coletadas em 2005 e outras, mais recentes, reunidas por meio do navio oceanográfico Alpha Crucis. Os resultados indicaram que os níveis de chumbo, zinco e cobre a 100 metros de profundidade a mais de 100 km da costa eram próximos aos encontrados na baía de Santos, embora mais baixos que os limites mais altos do estuário santista, um ambiente próximo à terra que mistura água de rios e do mar. No estuário, a concentração de chumbo no sedimento marinho variava de 9 miligramas por quilograma (mg/kg) em áreas não contaminadas a 59 mg/kg em amostras do fundo do porto, indicando um aumento de cinco a 10 vezes em comparação com os valores anteriores ao processo de industrialização. Os autores desse trabalho afirmaram que os poluentes industriais misturados com a lama no fundo do mar poderiam facilmente voltar à circulação, como resultado de movimentos intensos da água ou de atividade humana como a dragagem para a ampliação de portos ou a pesca com redes pesadas que revolvem o fundo do mar.

Estudos anteriores de pesquisadores do IO-USP já haviam mostrado que a descarga contínua de esgotos domésticos e de poluentes industriais na baía de Santos era provavelmente uma das causas da reduzida diversidade de organismos marinhos na região, em comparação com áreas menos poluídas.

Em paralelo, uma equipe da Unesp em São Vicente encontrou níveis acima dos permitidos em lei de quatro metais pesados – cádmio, cobre, chumbo e mercúrio – em amostras de água, sedimento e em caranguejos-uçá dos manguezais dos municípios de Cubatão, Bertioga, Iguape, São Vicente e Cananeia. Nas regiões com maior concentração desses metais, os caranguejos apresentavam uma proporção maior de células com alterações genéticas associadas à ocorrência de malformações (verPesquisa FAPESP no 225). Estudo de uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande publicado em novembro de 2015 associou a contaminação por metal como possível causa da fibropapilomatose, uma doença específica de tartarugas marinhas, caracterizada pela formação de tumores benignos sobre a pele, em tartarugas-verde (Chelonia mydas) de Ubatuba, SP, já que os animais examinados apresentavam um nível acima do normal de cobre, ferro e chumbo, em comparação com animais saudáveis.

“Quando pensarmos em legislação e políticas públicas, para fazer uma projeção do impacto de eventuais acidentes ambientais, temos de olhar mais longe e rever o conceito de área de influência, já que o efeito pode ser muito maior do que o imaginado”, disse Mahiques. Bastos, da Ufes, observou que os danos ambientais podem ser intensos em consequência de pequenas alterações na concentração de metais na água do mar, mesmo que os limites ainda estejam abaixo dos máximos estabelecidos pela legislação ambiental.

Artigos científicos
FIGUEIRA, R.C.L. et alDistribution of 137Cs, 238Pu and 239 + 240Pu in sediments of the southeastern Brazilian shelf – SW Atlantic marginScience of the Total Environment. v. 357, p. 146-59. 2006.
MAHIQUES, M.M. et alMud depocentres on the continental shelf: a neglected sink for anthropogenic contaminants from the coastal zone. EnvironmentalEarth Sciences. v. 75, n. 1, p. 44-55. 2016.
SILVA, C.C. da et alMetal contamination as a possible etiology of fibropapillomatosis in juvenile female green sea turtles Chelonia mydas from the southern Atlantic OceanAquatic Toxicology. v. 170, p. 42-51. 2016.

50 anos de calamidades na América do Sul (Pesquisa Fapesp)

Terremotos e vulcões matam mais, mas secas e inundações atingem maior número de pessoas 

MARCOS PIVETTA | ED. 241 | MARÇO 2016

Um estudo sobre os impactos de 863 desastres naturais registrados nas últimas cinco décadas na América do Sul indica que fenômenos geológicos relativamente raros, como os terremotos e o vulcanismo, produziram quase o dobro de mortes do que eventos climáticos e meteorológicos de ocorrência mais frequente, como inundações, deslizamento de encostas, tempestades e secas. Dos cerca de 180 mil óbitos decorrentes dos desastres, 60% foram em razão de tremores de terra e da atividade de vulcões, um tipo de ocorrência que se concentra nos países andinos, como Peru, Chile, Equador e Colômbia. Os terremotos e o vulcanismo representaram, respectivamente, 11% e 3% dos eventos contabilizados no trabalho.

Aproximadamente 32% das mortes ocorreram em razão de eventos associados a ocorrências meteorológicas ou climáticas, categoria que engloba quatro de cada cinco desastres naturais registrados na região entre 1960 e 2009. Epidemias de doenças – um tipo de desastre biológico com dados escassos sobre a região, segundo o levantamento – levaram 15 mil pessoas a perder a vida, 8% do total. No Brasil, 10.225 pessoas morreram ao longo dessas cinco décadas em razão de desastres naturais, pouco mais de 5% do total, a maioria em inundações e deslizamentos de encostas durante tempestades.

Seca no Nordeste...

O trabalho foi feito pela geógrafa Lucí Hidalgo Nunes, professora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp) para sua tese de livre-docência e resultou no livro Urbanização e desastres naturais – Abrangência América do Sul (Oficina de Textos), lançado em meados do ano passado. “Desde os anos 1960, a população urbana da América do Sul é maior do que a rural”, diz Lucí. “O palco maior das calamidades naturais tem sido o espaço urbano, que cresce em área ocupada pelas cidades e número de habitantes.”

A situação se inverteu quando o parâmetro analisado foi, em vez da quantidade de mortos, o número de indivíduos afetados em cada tipo de desastre. Dos 138 milhões de vítimas não fatais atingidas por esses eventos, 1% foi alvo de epidemias, 11% de terremotos e vulcanismo, 88% de fenômenos climáticos ou meteorológicos. As secas e as inundações foram as ocorrências que provocaram impactos em mais indivíduos. As grandes estiagens atingiram 57 milhões de pessoas (41% de todos os afetados), e as enchentes, 52,5 milhões de habitantes (38%). O Brasil respondeu por cerca de 85% das vítimas não fatais de secas, essencialmente moradores do Nordeste, e por um terço dos atingidos por inundações, fundamentalmente habitantes das grandes cidades do Sul-Sudeste.

...inundação em Caracas, na Venezuela: esses dois tipos de desastres são os que afetam o maior número de pessoas

Estimados em US$ 44 bilhões ao longo das cinco décadas, os prejuízos materiais associados aos quase 900 desastres contabilizados foram decorrentes, em 80% dos casos, de fenômenos de natureza climática ou meteorológica. “O Brasil tem quase 50% do território e mais da metade da população da América do Sul. Mas foi palco de apenas 20% dos desastres, 5% das mortes e 30% dos prejuízos econômicos associados a esses eventos”, diz Lucí. “O número de pessoas afetadas aqui, no entanto, foi alto, 53% do total de atingidos por desastres na América do Sul. Ainda temos vulnerabilidades, mas não tanto quanto países como Peru, Colômbia e Equador.”

Para escrever o estudo, a geógrafa com-pilou, organizou e analisou os registros de desastres naturais das últimas cinco décadas nos países da América do Sul, além da Guiana Francesa (departamento ultramarino da França), que estão armazenados no Em-Dat – International Disaster Database. Essa base de dados reúne informações sobre mais de 21 mil desastres naturais ocorridos em todo o mundo desde 1900 até hoje. Ela é mantida pelo Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (Cred, na sigla em inglês), que funciona na Escola de Saúde Pública da Universidade Católica de Louvain, em Bruxelas (Bélgica). “Não há base de dados perfeita”, pondera Lucí. “A do Em-Dat é falha, por exemplo, no registro de desastres biológicos.” Sua vantagem é juntar informações oriundas de diferentes fontes – agências não governamentais, órgãos das Nações Unidas, companhias de seguros, institutos de pesquisa e meios de comunicação – e arquivá-las usando sempre a mesma metodologia, abordagem que possibilita a realização de estudos comparativos.

O que caracteriza um desastre
Os eventos registrados no Em-Dat como desastres naturais devem preencher ao menos uma de quatro condições: provocar a morte de no mínimo 10 pessoas; afetar 100 ou mais indivíduos; motivar a declaração de estado de emergência; ou ainda ser a razão para um pedido de ajuda internacional. No trabalho sobre a América do Sul, Lucí organizou os desastres em três grandes categorias, subdivididas em 10 tipos de ocorrências. Os fenômenos de natureza geofísica englobam os terremotos, as erupções vulcânicas e os movimentos de massa seca (como a queda de uma pedra morro abaixo em um dia sem chuva). Os eventos de caráter meteorológico ou climático abarcam as tempestades, as inundações, os deslocamentos de terra em encostas, os extremos de temperatura (calor ou frio fora do normal), as secas e os incêndios. As epidemias representam o único tipo de desastre biológico contabilizado (ver quadro).

062-065_Desastres climáticos_241O climatologista José Marengo, chefe da divisão de pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, afirma que, além de eventos naturais, existem desastres considerados tecnológicos e casos híbridos. O rompimento em novembro passado de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco, em Mariana (MG), que provocou a morte de 19 pessoas e liberou toneladas de uma lama tóxica na bacia hidrográfica do rio Doce, não tem relação com eventos naturais. Pode ser qualificado como um desastre tecnológico, em que a ação humana está ligada às causas da ocorrência. Em 2011, o terremoto de 9.0 graus na escala Richter, seguido de tsunamis, foi o maior da história do Japão. Matou quase 16 mil pessoas, feriu 6 mil habitantes e provocou o desaparecimento de 2.500 indivíduos. Destruiu também cerca de 138 mil edificações. Uma das construções afetadas foi a usina nuclear de Fukushima, de cujos reatores vazou radioatividade. “Nesse caso, houve um desastre tecnológico causado por um desastre natural”, afirma Marengo.

Década após década, os registros de desastres naturais têm aumentado no continente, seguindo uma tendência que parece ser global. “A qualidade das informações sobre os desastres naturais melhorou muito nas últimas décadas. Isso ajuda a engrossar as estatísticas”, diz Lucí. “Mas parece haver um aumento real no número de eventos ocorridos.” Segundo o estudo, grande parte da escalada de eventos trágicos se deveu ao número crescente de fenômenos meteorológicos e climáticos de grande intensidade que atingiram a América do Sul. Na década de 1960, houve 51 eventos desse tipo. Nos anos 2000, o número subiu para 257. Ao longo das cinco décadas, a incidência de desastres geofísicos, que provocam muitas mortes, manteve-se mais ou menos estável e os casos de epidemias diminuíram.

Risco urbano 
O número de mortes em razão de eventos extremos parece estar diminuindo depois de ter atingido um pico de 75 mil óbitos nos anos 1970. Na década passada, houve pouco mais de 6 mil mortes na América do Sul causadas por desastres naturais, de acordo com o levantamento de Lucí. Historicamente, as vítimas fatais se concentram em poucas ocorrências de enormes proporções, em especial os terremotos e as erupções vulcânicas. Os 20 eventos com mais fatalidades (oito ocorridos no Peru e cinco na Colômbia) responderam por 83% de todas as mortes ligadas a fenômenos naturais entre 1960 e 2009. O pior desastre foi um terremoto no Peru em maio de 1970, com 66 mil mortes, seguido de uma inundação na Venezuela em dezembro de 1999 (30 mil mortes) e uma erupção vulcânica na Colômbia em novembro de 1985 (20 mil mortes). O Brasil contabiliza o 9º evento com mais fatalidades (a epidemia de meningite em 1974, com 1.500 óbitos) e o 19° (um deslizamento de encostas, em razão de fortes chuvas, que matou 436 pessoas em março de 1967 em Caraguatatuba, litoral de São Paulo).

Também houve declínio na quantidade de pessoas afetadas nos anos mais recentes, mas as cifras continuam elevadas. Nos anos 1980, os desastres produziram cerca de 50 milhões de vítimas não fatais na América do Sul. Na década passada e também na retrasada, o número caiu para cerca de 20 milhões.

062-065_Desastres climáticos_241-02Sete em cada 10 latino-americanos moram atualmente em cidades, onde a ocupação do solo sem critérios e algumas características geoclimáticas específicas tendem a aumentar a vulnerabilidade da população local a desastres naturais. Lucí comparou a situação de 56 aglomerados urbanos com mais de 750 mil habitantes da América do Sul em relação a cinco fatores que aumentam o risco de calamidades: seca, terremoto, inundação, deslizamento de encostas e vulcanismo. Quito, capital do Equador, foi a única metrópole que estava exposta aos cinco fatores. Quatro cidades colombianas (Bogotá, Cáli, Cúcuta e Medellín) e La Paz, na Bolívia, vieram logo atrás, com quatro vulnerabilidades. As capitais brasileiras apresentaram no máximo dois fatores de risco, seca e inundação (ver quadro). “Os desastres resultam da junção de ameaças naturais e das vulnerabilidades das áreas ocupadas”, diz o pesquisador Victor Marchezini, do Cemaden, sociólogo que estuda os impactos de longo prazo desses fenômenos extremos. “São um evento socioambiental.”

É difícil mensurar os custos de um desastre. Mas a partir de dados da edição de 2013 do Atlas brasileiro de desastres naturais, que usa uma metodologia dife-rente da empregada pela geógrafa da Unicamp para contabilizar calamidades na América do Sul, o grupo de Carlos Eduardo Young, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez no final do ano passado um estudo. Baseado em estimativas do Banco Mundial de perdas provocadas por desastres em alguns estados brasileiros, Young calculou que enxurradas, inundações e movimentos de massa ocorridos entre 2002 e 2012 provocaram prejuízos econômicos de ao menos R$ 180 bilhões para o país. Em geral, os estados mais pobres, como os do Nordeste, sofreram as maiores perdas econômicas em relação ao tamanho do seu PIB. “A vulnerabilidade a desastres pode ser inversamente proporcional ao grau de desenvolvimento econômico dos estados”, diz o economista. “As mudanças climáticas podem acirrar a questão da desigualdade regional no Brasil.”

By 2050 Asia at high risk of severe water shortages: MIT study (Reuters)

Thu Apr 14, 2016 11:30am EDT

CAMBRIDGE, MASS 

A new study points to the risk that China and India will be facing severe water shortages due to a perfect storm of economic growth, climate change, and demands of fast growing populations by mid century. 

Within 35 years, the countries where roughly half the world’s population lives may be facing what scientists are calling a “high risk of severe water stress”. That translates into billions of people having access to a lot less water than they do today, according to a new study from MIT.

“There is about a one in three chance that if we take no action to mitigate climate or to do anything to curtail any of the factors that go into this water stress metric, there is a one in three chance that you will reach this unsustainable situation by the middle of the century,” said Adam Schlosser, a senior research scientist who co-authored the paper published in the journal PLOS ONE.

“It’s very important to show that all things being equal, all things not changing, if we continue with what we are doing now we are running along a very dangerous pathway,” he added.

The scientists simulated hundreds of scenarios looking into the future and found that on average, the water basins that feed economic growth in China and India will have less water than they do today. At the same time, they say pressure on water resources will continue to grow as populations increase, creating an unsustainable scenario where supply loses out to demand.

“We are looking at a region where nations are really at a very rapid developing stage or they are at the precipice of a very rapid development stage and so you really can’t ignore the growth effect, you just can’t, particularly when it comes to resources,” said Schlosser.

But overshadowing everything else, they say, is climate change. While some models show that the effects of climate change could potentially benefit water resources in Asia, the majority point in the opposite direction.

Schlosser and his colleagues believe it will only exacerbate an already gloomy outlook for the future.

Regulators Warn 5 Top Banks They Are Still Too Big to Fail (New York Times)

‘LIVING WILLS’ AT A GLANCE

The Fed and the F.D.I.C. found that the plans of five banks were “not credible.”

  • Failed

  • JPMorgan Chase
  • Bank of America
  • Wells Fargo
  • Bank of New York Mellon
  • State Street
  • Mostly Satisfied

  • Citigroup
  • Split Decision

  • Goldman Sachs
  • Morgan Stanley

The five banks that received rejections have until Oct. 1 to fix their plans.

After those adjustments, if the Fed and the F.D.I.C. are still dissatisfied with the living wills, they may impose restrictions on the banks’ activities or require the banks to raise their capital levels, which in practice means using less borrowed money to finance their business.

And if, after two years, the regulators still find the plans deficient, they may require the banks to sell assets and businesses, with the aim of making them less complex and simpler to unwind in a bankruptcy.

Also on Wednesday, JPMorgan announced a decline in both profit and revenue for the first quarter. Other large banks will report quarterly results this week.

“Obviously we were disappointed,” Marianne Lake, chief financial officer of JPMorgan, said on Wednesday morning.

The results are a particular blow for JPMorgan because it often boasts about the strength of its operations and its ability to weather any crisis. Just last week, Jamie Dimon, the chief executive, bragged in his annual letterthat the bank “had enough loss-absorbing resources to bear all the losses,” under the Fed’s annual stress-test situations, of the 31 largest banks in the country.

But the Fed and F.D.I.C. said on Wednesday that JPMorgan appeared to be unprepared for a crisis in a number of areas. The regulators said, for instance, that the bank did not have adequate plans to move money from its operations overseas if something went wrong in the markets.

The letter also said that JPMorgan did not have a good plan to wind down its outstanding derivative contracts if other banks stopped trading with it.

Ms. Lake said “there’s going to be significant work to meet the expectations of regulators.” But she also expressed confidence that the bank could do so without significantly changing how it does business.

Investors appeared to agree that the verdicts from regulators did not endanger the banks’ current business models. Shares of all of the big banks rose on Wednesday.

Wells Fargo, which is generally considered the safest of the large banks, was the target of unexpected criticism from the Fed and F.D.I.C.

The agencies criticized Wells Fargo’s governance and legal structure, and faulted it for “material errors,” which, the regulators said, raised questions about whether the bank has a “robust process to ensure quality control and accuracy.”

In a statement, Wells Fargo said it was disappointed and added, “We understand the importance of these findings, and we will address them as we update our plan.”

The banking industry has complained that the process of submitting living wills is complex and hard to complete and it has suggested changes.

“A useful process reform might be to do living wills every two or three years, instead of annually,” said Tony Fratto, a partner at Hamilton Place Strategies, a public relations firm that works with the banks. “The time required for banks to produce them and regulators to react to them is clearly too tight.”

But Martin J. Gruenberg, the chairman of the F.D.I.C., said on Wednesday that regulators were “committed to carrying out the statutory mandate that systemically important financial institutions demonstrate a clear path to an orderly failure under bankruptcy at no cost to taxpayers.”

“Today’s action is a significant step toward achieving that goal,” he added.

Despite being ‘the biggest threat facing humanity’ climate change and its impacts fail to make headlines, says study (Science Daily)

Date:
April 6, 2016
Source:
International Fund for Agricultural Development (IFAD)
Summary:
Even as 60 million people around the world face severe hunger because of El Niño and millions more because of climate change, top European and American media outlets are neglecting to cover the issues as a top news item, says a new research report.

Even as 60 million people around the world face severe hunger because of El Niño and millions more because of climate change, top European and American media outlets are neglecting to cover the issues as a top news item, says a new research report funded by the International Fund for Agricultural Development (IFAD) today.

“It’s incredible that in a year when we have had record temperatures, 32 major droughts, and historic crop losses that media are not positioning climate change on their front pages,” said IFAD President, Kanayo F. Nwanze. “Climate change is the biggest threat facing our world today and how the media shape the narrative remains vitally important in pre-empting future crises.”

The report, “The Untold Story: Climate change sinks below the headlines” provides an analysis of the depth of media reporting around climate change in two distinct periods: two months before the 21st session of the UNFCCC Conference of the Parties (COP21) in Paris, and two months after. Specifically, it explores whether issues connecting climate change, food security, agriculture and migration made headlines, and if so, how much prominence these stories were given.

Among some of its key findings: • Climate change stories were either completely absent or their numbers decreased in major media outlets in Europe and the United States before and after COP21. • Coverage on the consequences of climate change, such as migration, fell by half in the months after COP21 and people directly impacted by climate change rarely had a voice in stories or were not mentioned at all. • News consumers want climate change issues and solutions to be given more prominence in media outlets and, in particular, want more information on the connections between climate change, food insecurity, conflict and migration.

The release of the report comes just days before world leaders gather at the United Nations in New York to sign off on the Paris Agreement coming out of COP21. In December, the agreement made headlines and led news bulletins across the globe. But leading up to COP21 and in the months following it, coverage on climate change significantly fell off the radar of major media outlets across Europe and the United States.

“The research shows how the average news-consuming public want to hear constructive stories that highlight solutions to climate change, yet this is exactly what is missing from major news outlets,” said Sam Dubberley, a former journalist and Director of Kishnish Media Ltd, and the author of the report.

Building on initial research that was conducted on media in France and the United Kingdom in September 2015, the report is augmented by focus group surveys that look at what newsreaders understand about food and climate-related migration and their impression of media coverage provided. The report asks what expert voices were heard throughout the stories and whether farmers or migrants themselves had a voice.

The research findings are drawn from an analysis of the content of news stories across influential and popular media outlets: TF1 and France 2 in France, RAI and LA7 in Italy, BBC and Channel 4 in the United Kingdom and CBS and NBC in the United States, as well as the front pages of print editions of Le Monde and Libération in France, Corriere della Sera and La Repubblica in Italy, The Guardian and Daily Mail in the United Kingdom and the New York Times and USA Today in the United States.

In 2014, IFAD funded a research report that looked at how 19 large global and regional news organizations covered issues related to migration and, in particular, food security and agriculture and how it impacted on migration. It focused on two stories that made headlines over the summer of 2014 — the US/Mexico border crisis and the ongoing conflict in South Sudan, which created a large numbers of migrants. That report also found that the depth of coverage on the topics was lacking, and in particular that the voices of migrants were often left out of the stories.

Download the report: https://www.ifad.org/documents/10180/6173b0cf-3423-408c-aac6-e6da78f01239

The Stark Realities of Baked-In Catastrophes (Collapse of Industrial Civilization)

02 Apr 2016

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In a civilization gone mad with delusions of grandeur, we’re left with tatters of human sociability held together by rancid mythologies.

Despite human fossil fuel burning recently reported to be “flat”, CO2 levels have been on a tear for the last six months, reaching new worrying levels which have some wondering whether permafrost melt may be contributing to the unusually high spike if no decline happens soon. The giant holes in Siberia serve as an ominous sign. Considering that the current El Niño is contributing only 10% to what we are now seeing, runaway global warming may be accelerating worldwide. But don’t worry, Warren Buffett says climate change is no more of a problem than the Y2K bug and will be profitable through increased premiums and inflation.

Ever dire studies continue to reaffirm worst case scenarios, making clear to anyone paying attention that Earth in the next century will be unrecognizable from its current state. Basic planetary geography and atmospheric conditions will be altered through warming oceans and rising sea levels which are now increasing faster than at any time in the past 2800 years. On average, sea levels were between 50 and 82 feet higher the last time CO2 levels were at 400ppm. Glaciologist Jason Box expects ice melt from the West Antarctic to become the biggest contributor to sea level rise in the coming decades due to a feedback loop not in the climate models. CO2 levels have been increasing around 3ppm per year, a twentyfold increase since pre-industrial times when the highest recorded increase was 0.15 ppm per year. We’ve long since passed the tipping point of melting Arctic summer sea ice; 300-350 ppm of CO2 was the threshold for many parts of the climate. These changes are irreversible on a timescale of human civilizations. Even if all human industrial activity magically ceased today, the footprint man has already left will be felt for eons.

In our warming world, the hydrologic cycle is changing and creating extreme weather; crop-destroying droughts and floods are becoming more frequent. The Jet Stream is transforming into something different, becoming wavier with higher ridges and troughs prone to stagnating in the same region. As global temperatures rise over time, hotter air will be trapped under these layers of high pressure from a mangled Jet Stream, cooking everything to death. Rising winter temperatures are beginning to destroy the “winter chill” needed for many fruit and nut trees to properly blossom and produce maximally. Climate change is also disrupting flower pollination and pushing fish toward North/South poles, robbing poorer countries at Equator of crucial food resources. In a new study, marine scientists are surprised to find a disturbing trend in the increasing numbers of a specific type of phytoplankton, coccolithophores, which have been “typically more abundant during Earth’s warm interglacial and high CO2 periods.”

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Homo sapiens have only been on the planet for the equivalent of a few seconds in geologic time but have managed to overwhelm and foul up all of earth’s natural processes and interdependencies, leaving a distinct layer in the sedimentary record. There is nothing modern humans do that is truly sustainable. Here are a few glaring examples:

No amount of reafforestation or growing of new trees will ultimately off-set continuing CO2 emissions due to environmental constraints on plant growth and the large amounts of remaining fossil fuel reserves,” Mackey says. “Unfortunately there is no option but to cut fossil fuel emissions deeply as about a third of the CO2 stays in the atmosphere for 2 to 20 millennia.

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Relying on machines for answers to the existential problems of a species run amok with planet-destroying tools and weaponry is rather ironic and tragic. We’re locked-up inside a complexity trap of our own making. The human propensity for tool-building coupled with our discovery of fossil fuels has created a set of living arrangements in which we are now enslaved to those machines and tools. The globalized capitalist economy externalizes its destruction and atrocities, keeping the masses in a state of ignorance and denial. Our corporate overlords are not conscientious citizens, but mindless organizations whose sole purpose is to grow profits no matter the external damage done to society and the environment. Between the economic oil hitmen who ensure that profits flow smoothly and GOP politicians who openly espouse their science illiteracy, a hospitable climate for future humans seems remote. Hopeful delusions have given way to the stark reality of our predicament as scholars like Noam Chomsky who originally started his career fighting for a modicum of social justice have now set the bar at just the chance of human survival. Despite the best efforts of scientists, environmentalists, and activists, the wealthy countries most able to do something won’t “get it” until famine, disease, and war come to their country. All is being left for the almighty ‘free market’ to sort out at the same time that climate change, a conflict multiplier, ramps up.

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The sixth mass extinction gathers steam and climate inertia works to catch up to the catastrophic ecological collapse already baked-in. All the while, modern man engages in the spectacle of tribal politics(building walls, exuding military strength, recapturing past glories of their nation) and presidential candidates discuss the size of their penis.

For those who come to understand modern man’s predicament, it can either be the ultimate mind fuck or an epiphany that helps a person appreciate the fragility of life, the urgency of living in the here and now, and the grand cosmic joke of a global, hi-tech civilization that arose from the burning of ancient fossil remains only to have those fumes become a deadly curse, extinguishing any trace of our lofty accomplishments…

The fossil record, Plotnick points out, is much more durable than any human record.

As humanity has evolved, our methods of recording information have become ever more ephemeral,” he said. “Clay tablets last longer than books. And who today can read an 8-inch floppy?” he shrugged. “If we put everything on electronic media, will those records exist in a million years? The fossils will.
– Link

Amid Climate-Fueled Food Crisis, Filipino Forces Open Fire on Starving Farmers (Common Dreams)

Published on Monday, April 04, 2016 by Common Dreams

Police and army forces in the Philippines unleashed bullets on a starving crowd, killing 10, for demonstrating for drought relief

by Nika Knight, staff writer

A wounded farmer is assisted by other demonstrators after Friday’s mass shooting by security forces in the Philippines. (Photo: Kilab Multimedia)

Police and army forces shot at about 6,000 starving farmers and Lumad Indigenous people demonstrating for drought relief in the Philippines on Friday, ultimately killing 10. Observers characterized the security forces’ action as “a strafing.”

“The government’s response to hunger is violence,” said Zeph Repollo, Southeast Asia campaign coordinator for 350.org, in an email to Common Dreams.

Three protesters were immediately killed, and by Monday the death toll had risen to 10 as more demonstrators succumbed to injuries.

“We don’t have anything to eat or harvest. Our plants wilted. Even our water has dried up.”
—Noralyn Laus, demonstrating farmer

The farmers and Indigenous people had been blockading a highway in the Cotabato province for four days in a desperate plea for government aid, after this winter’s record-breaking temperatures produced a three-months-long drought that has destroyed their crops and now threatens their lives.

The demonstrators were asking the government to provide 15,000 sacks of rice to ease the hunger crisis. Provincial governor Emmylou Mendoza has refused to engage the protesters.

“The government’s policy of  systematic land grabbing combined with the intensified El Nino pushed our farmers and indigenous peoples to heighten their struggles with sweat and blood in defense of their right to land and life,” wrote Repollo in a statement.

After an especially intense El Nino created a months-long drought and the local government ignored their plight, farmers and Indigenous people blockaded a highway to publicize their need for relief. (Photo: Pinoy Weekly)

After an especially intense El Nino created a months-long drought and the local government ignored their plight, farmers and Indigenous people blockaded a highway to publicize their need for relief. (Photo: Pinoy Weekly)

On Monday, local farmer Noralyn Laus gave Democracy Now! a firsthand account of the disaster:

“Why we came down here is not to make trouble. We just want to demand for rice, because of the situation of El Niño is leaving our tribes hungry. What happened yesterday, we didn’t start it. They started it by beating us. We wouldn’t be angry if we weren’t beaten up or attacked. We’re having a crisis. We don’t have anything to eat or harvest. Our plants wilted. Even our water has dried up.”

“Our farmers—the country’s food producers—are battered the hardest and are left in poverty and hunger,” Rapollo said. “Civil disobedience will continue to escalate until the government stops playing deaf and blind to the genuine cry of the people.”

Seventy-eight people were still under arrest on Monday, Rapollo said, and a local Methodist Church is sheltering many protesters who escaped the bullets. Rapollo also reported that no members of the armed forces have been relieved of duty or investigated for Friday’s shooting.

The state-sponsored violence in the Philippines portends what turmoil may come as the planet continues to warm, creating more disastrous, extreme weather events worldwide, environmental activists note.

“The conditions that prompted the 3-day blockade gives us a glimpse of what’s ahead if decisive and just actions in addressing climate change remain in the periphery,” said Repollo.

“This is not a distant reality to anywhere in the world,” Repollo wrote to Common Dreams, “unless we change the system that feeds [on] hunger, injustices, and climate catastrophe.”

Mudanças climáticas provocarão prejuízo de US$ 2,5 trilhões (O Globo)

05/04/2016, por O Globo

Colheita de cana de açúcar: rombo acontecerá mesmo se os países cumprirem as metas voluntárias apresentadas na conferência climática de Paris, em dezembro de 2015 – Paulo Fridman/Bloomberg/18-9-2014

RIO — As mudanças climáticas podem afetar investimentos equivalentes a US$ 2,5 trilhões da economia mundial até 2100, segundo um estudo publicado ontem na revista “Nature Climate Change”. O prejuízo seria resultado do aumento da temperatura em 2,5 graus Celsius até o fim do século, em relação aos níveis pré-industriais. Esta quantia é equivalente à metade do valor atual das empresas de combustíveis fósseis. Se os termômetros avançarem além de 2 graus Celsius — valor máximo admitido pelos climatologistas —, a economia mundial sofreria um rombo de US$ 1,7 trilhão.

Entre os meios de destruição mais comuns ligados às mudanças climáticas estão o aumento do nível do mar — que afeta principalmente setores da economia atuantes na zona costeira —, além de secas e tempestades, capazes de interromper atividades de diferentes ramos do mercado.

A pesquisa concentrou-se principalmente em investimentos ligados a petróleo, carvão e gás, recursos que serão perdidos se os países insistirem na adoção de combustíveis fósseis, em de vez de optar por energias sustentáveis.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças Climáticas, que elaborou o estudo, seus cálculos são a primeira estimativa do impacto causado pelo aquecimento global sobre ativos financeiros.

As projeções, realizadas com o uso de modelos matemáticos, foram baseados em um valor estimado de US$ 143,3 trilhões em ativos não bancários globais em 2013, valor determinado por economistas.

Considerando as atuais emissões de gases-estufa, os climatologistas indicam que o planeta está a caminho de um aquecimento global equivalente ou superior a 4 graus Celsius. Se as nações cumprirem as metas que apresentaram na Conferência do Clima em Paris, no fim do ano passado, o aumento da temperatura global chegará a 3 graus Celsius.

As mudanças climáticas devem ser encaradas com preocupação para setores e investidores que exercem a atividade pensando a longo prazo, como os fundos de pensão e reguladores financeiros.

Diretor do programa de finanças sustentáveis da Universidade de Oxford, no Reino Unido, Ben Caldecott ressalta que os impactos financeiros das mudanças climáticas são um risco de grande escala.

— Os investidores podem fazer muito para diferenciar entre as empresas mais ou menos expostas e, assim, conseguirem ajudar a reduzir os riscos para a economia global, apoiando ações ambientais sobre as mudanças climáticas.

MAIS GRAVE QUE POLIOMIELITE

Ontem, um relatório divulgado na Casa Branca alertou que as mudanças climáticas representam uma grave ameaça para a saúde pública — em muitos aspectos, pior do que a poliomielite — e atacará especialmente gestantes, crianças, pessoas de baixa renda, negros, asiáticos e hispânicos.

O documento “Os impactos das mudanças climáticas na saúde humana nos EUA: uma avaliação científica”, adverte sobre os riscos arrebatadores para a saúde pública do aumento da temperatura nas próximas décadas, que também levaria a mais mortes e doenças por insolação, insuficiência respiratória e doenças como o vírus do Nilo Ocidental.

Aumento do nível do mar ameaça inundar estação da Nasa (O Globo)

05/04/2016, por O Globo

Lançamento de foguete em Cano Canaveral: centro tecnológico é vulnerável a aumento do nível do mar– John Raoux/AP/18-11-2013

RIO — Um dos maiores e mais sofisticados centros de tecnologia do mundo, a base de lançamento de foguetes da Nasa em Cabo Canaveral, na Flórida, corre risco de ser inundada. O aumento do nível do mar, em consequência das mudanças climáticas, ameaça a infraestrutura da agência espacial ao longo da costa de 115 km. Os riscos já levaram a agência espacial americana a estudar a remoção das instalações.

Em todo o país, cerca de dois terços das instalações da Nasa estão em regiões de altitude inferior a 4,8 metros, e a maior parte se localiza em zonas costeiras, onde as agitadas correntes oceânicas já contribuem para a erosão dos equipamentos.

— Estamos tremendamente ligados à água — alerta Kim Toufectis, estrategista da agência espacial americana.

De acordo com um estudo publicado semana passada na revista “Nature”, o aquecimento global pode aumentar o nível do mar entre 1,5 metro e 1,8 metro até o fim do século. Um grupo de trabalho da Nasa estima que o aumento do nível do mar de 12 centímetros para mais de 60 centímetros até 2050 pode levar a problemas em cinco estações costeiras da agência:

“Os centros da Nasa que já estão sob risco de inundação devem se tornar mais vulneráveis no futuro”, previa o grupo em um relatório em 2014.

Com a ameaça do clima, a Nasa tem como alternativa a instalação de barreiras e outras estruturas que contenham o aumento do nível do mar e os efeitos de tempestades e inundações. Em locais onde a adaptação não for possível, uma alternativa será o “recuo estratégico” — uma medida bem mais cara, na casa dos bilhões de dólares.

Além de exigir muito dinheiro, a remoção das instalações envolve a construção de edifícios, traslado de equipamentos e deslocamento de equipes, e por isso ainda deve demorar.