Arquivo da tag: Desastre

‘Se Brasil parar por duas semanas, é possível evitar as 125 mil mortes’, diz especialista (Folha de S.Paulo)

www1.folha.uol.com.br

Marina Dias, 28 de maio de 2020


Ali Mokdad dirige parte das projeções feitas pelo IHME, instituto de métrica da Universidade de Washington utilizado pela Casa Branca como um dos principais modelos para monitorar Covid-19.

Desde o meio de maio, Mokdad e sua equipe acompanham o avanço da pandemia no Brasil e suas conclusões são bastantes sombrias. Na segunda-feira (25), o instituto atualizou para cima a expectativa de mortes pela doença no país: de 88 mil para mais de 125 mil óbitos previstos até agosto.

Em entrevista à Folha, Mokdad diz que a tendência de casos e mortes no país é de alta e que a situação pode ser ainda pior se governo e população não levarem a crise a sério e adotarem “lockdown” por duas semanas.

“As infeções e mortes vão crescer e, o mais assustador, haverá a sobrecarga total do sistema de saúde.” Caso cumpra o confinamento total por 14 dias, explica Mokdad, o Brasil conseguirá controlar a propagação do vírus e poderá fazer a reabertura das atividades econômicas de maneira estratégica –e até mais rapidamente.

Especialista em saúde pública, diz sofrer críticas por ter um modelo que varia bastante, mas, no caso da pandemia, prefere que suas projeções se ajustem com o tempo. “Se os brasileiros ficarem em casa por duas semanas, meus números vão baixar. E não porque fiz algo errado, mas porque os brasileiros fizeram algo certo.”

Qual a situação da pandemia no Brasil? Infelizmente o que vemos no Brasil é uma tendência de aumento de casos, que vai resultar no crescimento das mortes no país. Isso se dá por várias razões. Primeiro porque o país não entrou em “lockdown” cedo para impedir a propagação do vírus. O governo e a população brasileira não levaram isso a sério e não fizeram logo as coisas certas para impedir a transmissão do vírus.

Segundo, há muita disparidade no Brasil e a Covid-19 aumenta isso. Nesse caso, é preciso proteger não só os trabalhadores de saúde mas os trabalhadores de serviços essenciais, pessoas pobres que trabalham em funções que as obrigam a sair de casa. Elas não estão protegidas e estão morrendo. A terceira e mais importante preocupação é a sobrecarga do sistema de saúde. Se o país não agir, vai haver mais casos no inverno e não haverá tempo para se preparar. É perigoso e arriscado. Se você colocar tudo isso junto, o Brasil ainda vai enfrentar sérias dificuldades diante da Covid-19.

Em duas semanas, o IHME aumentou as projeções de morte no Brasil de 88 mil para mais de 125 mil até agosto. O que aconteceu? Adicionamos mais estados [de 11 para 19] na nossa projeção, isso é uma coisa. Mas estamos vendo no Brasil mais surtos e casos do que esperávamos. O país está testando mais e encontrando mais casos, mas, mesmo quando ajustamos para os testes, há uma tendência de alta.

No Brasil há também um erro de suposição quando falamos de circulação. Os dados [de mobilidade da população] são baseados no Facebook e no Google, ou seja, em smartphones, ou seja, em pessoas mais ricas. Percebemos que a circulação não parou nas favelas, por exemplo, em lugares onde pessoas mais pobres precisam sair para trabalhar. Se as pessoas se recusarem a levar isso a sério, infelizmente vamos ver mais casos e mortes.

Quais medidas precisam ser tomadas? Fechar escolas e universidades, impedir grandes aglomerações e encontros de pessoas, fechar os estabelecimentos não essenciais, igrejas, templos e locais religiosos. Nos locais essenciais, como mercados e farmácias, é preciso estabelecer regras, limitando o número de pessoas dentro, garantindo que elas se mantenham distantes umas das outras.

A última e mais importante coisa é pedir para quem precisa sair de casa—e sabemos que há quem precise— usar máscara e manter distância de 2 metros de outras pessoas. Para o sistema de saúde, é aumentar a capacidade de tratamento, de detectar cedo a chegada de um surto, fazendo rastreamento e o isolamento de casos, o que é um desafio para o Brasil, onde muitas vezes dez pessoas vivem em uma mesma casa.

Se o Brasil não cumprir essas medidas, qual é o pior cenário para o país? As infeções e mortes vão crescer e, a parte mais assustadora, haverá a sobrecarga total do sistema de saúde. Isso vai causar mais prejuízo à economia do que se fizer o isolamento por duas semanas. Se a população ficar em casa e levar isso a sério por duas semanas, registraremos diminuição da propagação do vírus e poderemos reabrir em fases. É preciso garantir que a retomada econômica seja feita de maneira estratégica, por setores.

É possível evitar o pico de 1.500 mortes diárias em julho e as 125 mil mortes até agosto se o país parar agora? Sim. O Brasil está em uma situação muito difícil e pode ser assim por muito tempo, mas ainda há esperança. Se o governo e a população pararem por duas semanas, podemos parar a circulação do vírus e reabrir o comércio. Se você olhar para estados americanos, como Nova York, depois que há o “lockdown”, as mortes e os casos diminuem. O “lockdown” salvou muitas vidas nos EUA. Fizemos as projeções para o Brasil de 125 mil mortes até 4 de agosto, mas não significa que vai acontecer, podemos parar isso. É preciso que cada brasileiro faça sua parte.

O presidente Jair Bolsonaro é contra medidas de distanciamento social, compara a Covid-19 com uma gripezinha e defende um medicamento com eficácia não comprovada contra a doença. Como essa postura pode impactar a situação do Brasil? Aqui nos EUA temos também uma situação política nesse sentido, infelizmente. Não sou político, vejo os números e dou conselhos a partir do que concluo deles. Pelos dados, o Brasil precisa de uma ação coordenada, caso contrário, vamos ter muitas perdas.

Mas precisamos ter uma coisa clara: Covid-19 não é uma gripe, causa mais mortalidade que gripe, a gripe não causa AVC e nem ataca os pulmões da maneira que a Covid-19 ataca. Contra Covid-19 não há medicamento e ponto final. Não tem vacina. Não é possível comparar Covid-19 e gripe. Fazer isso é passar mensagem errada. Dizer para a população que é possível sair e ver quem pega a doença é inaceitável, é falha de liderança.

Como ganhar a confiança dos governos e da população com projeções que variam tanto e com tanta gente trabalhando com dados sobre o tema? Há muita gente fazendo projeção mas, pela primeira vez na história da ciência, todos concordamos. Os números podem ser diferentes, mas a mensagem mais importante é a mesma: isso é um vírus letal e temos que levá-lo a sério. Meus números mudam porque as pessoas mudam. Se os brasileiros ficarem em casa por duas semanas, meus números vão baixar. E não porque fiz algo errado, mas porque os brasileiros fizeram algo certo. Aprendemos que o modelo muda se novos dados aparecem.

O sr. já foi acusado de ser alarmista ou de produzir notícias falsas quando seus números mudam? Acusado é demais, mas tem gente que fala que meus números são mais altos ou mais baixos do que deveriam ser, e isso eu nem resposto, porque não é um debate científico, é um debate político. No debate científico está todo mundo a bordo com a mesma mensagem.

Trump parece ter sido convencido da gravidade da pandemia em parte baseado nos seus números. Foi isso mesmo? Sim. Nos EUA e também na Inglaterra nossos números mudaram a postura do governante. Claro que lá o primeiro-ministro [Boris Johnson] pegou Covid-19 ele mesmo.

Como é trabalhar tendo isso em vista, com números tão sensíveis e poderosos? A gente não dorme muito por esses dias, é muito trabalho. É muito difícil dizer que 125 mil pessoas vão morrer no Brasil até agosto. Isso não é um número, são famílias, amigos, é muito duro.

Brazil coronavirus deaths could surpass 125,000 by August, U.S. study says (Reuters)

May 26, 2020 / 1:21 PM

Gravediggers work during a mass burial of people who passed away due to the coronavirus disease (COVID-19), at the Parque Taruma cemetery in Manaus, Brazil, May 26, 2020. Picture taken with a drone. REUTERS/Bruno Kelly

BRASILIA (Reuters) – As Brazil’s daily COVID-19 death rate climbs to the highest in the world, a University of Washington study is warning its total death toll could climb five-fold to 125,000 by early August, adding to fears it has become a new hot spot in the pandemic.

The forecast from the University of Washington’s Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), released as Brazil’s daily death toll climbed past that of the United States on Monday, came with a call for lockdowns that Brazil’s president has resisted.

“Brazil must follow the lead of Wuhan, China, as well as Italy, Spain, and New York by enforcing mandates and measures to gain control of a fast-moving epidemic and reduce transmission of the coronavirus,” wrote IHME Director Dr. Christopher Murray.

Without such measures, the institute’s model shows Brazil’s daily death toll could keep climbing to until mid-July, driving shortages of critical hospital resources in Brazil, he said in a statement accompanying the findings.

On Monday, Brazil’s coronavirus deaths reported in the last 24 hours were higher than fatalities in the United States for the first time, according to the health ministry. Brazil registered 807 deaths and 620 died in the United States.

The U.S. government on Monday brought forward to Tuesday midnight enforcement of restrictions on travel to the United States from Brazil as the South American country reported the highest death toll in the world for that day.

Washington’s ban applies to foreigners traveling to the United States if they had been in Brazil in the last two weeks. Two days earlier, Brazil overtook Russia as the world’s No. 2 coronavirus hot spot in number of confirmed cases, after the United States.

Murray said the IHME forecast captures the effects of social distancing mandates, mobility trends and testing capacity, so projections could shift along with policy changes.

The model will be updated regularly as new data is released on cases, hospitalizations, deaths, testing and mobility.

Reporting by Anthony Boadle; Editing by Brad Haynes and Steve Orlofsky

Opinion | Forty Years Later, Lessons for the Pandemic From Mount St. Helens (New York Times)

nytimes.com

By Lawrence Roberts – May 17, 2020

The tensions we now face between science, politics and economics also arose before the country’s most destructive volcanic eruption.

Mr. Roberts is a former editor at ProPublica and The Washington Post.

Mount St. Helens erupted on May 18, 1980.
United Press International

When I met David A. Johnston, it was on a spring evening, about a month before he would be erased from existence by a gigantic cloud of volcanic ash boiling over him at 300 miles per hour. He was coming through the door of a makeshift command center in Vancouver, Wash., the closest city to the graceful snow-capped dome of Mount St. Helens, a volcano that had been dormant for 123 years. This was April 1980, and Mr. Johnston, a 30-year-old geologist, was one of the first scientists summoned to monitor new warning signs from the mountain — shallow earthquakes and periodic bursts of ash and steam.

As a young reporter I had talked my way into the command center. At first Mr. Johnston was wary; he wasn’t supposed to meet the press anymore. His supervisors had played down the chance that the smoking mountain was about to explode, and they had already reprimanded him for suggesting otherwise. But on this night he’d just been setting measuring equipment deep in the surrounding forest, and his runner-thin frame vibrated with excitement, his face flushed under his blond beard, and Mr. Johnston couldn’t help riffing on the likelihood of a cataclysmic event.

“My feeling is when it goes, it’s going to go just like that,” he told me, snapping his fingers. “Bang!” At best, he said, we’d have a couple of hours of warning.

Mr. Johnston was mostly right. Early on a Sunday morning several weeks later, the mountain did blow, in the most destructive eruption in U.S. history. But there was no warning. At his instrument outpost, on a ridge more than five miles from the summit, Mr. Johnston had only seconds to radio in a last message: “Vancouver! Vancouver! This is it!”

A photograph of David Johnston, who was killed when Mount St. Helens erupted.
Chris Sweda/Daily Southtown, via Associated Press

Monday, May 18, marks the 40th anniversary of the 1980 Mount St. Helens eruption, and as we now face our own struggle to gauge the uncertain risks presented by nature, to predict how bad things will get and how much and how long to protect ourselves, it may be useful to revisit the tension back then between science, politics and economics.

The drama played out on a much smaller stage — one region of one state, instead of the whole planet — but many of the same elements were present: Scientists provided a range of educated guesses, and public officials split on how to respond. Business owners and residents chafed at the restrictions put in place, many flouted them, and a few even threatened armed rebellion. In the end, the government mostly accepted the analyses of Mr. Johnston and his fellow geologists. As a result, while the eruption killed 57 people and flattened hundreds of square miles of dense Pacific Northwest forestland, the lives of hundreds, perhaps thousands, were spared.

At the first warning signs, state and federal officials moved to distance people from the mountain. They sought to block nonessential visitors from nearby Spirit Lake, ringed with scout camps and tourist lodges. Other than loggers, few people hung around the peak year-round, but the population surged in late spring and summer, when thousands hiked, camped and moved into vacation homes. Many regulars dismissed the risk. Slipping past roadblocks became a popular activity. Locals sold maps to sightseers and amateur photographers that showed how to take old logging roads up the mountain. The owner of a nearby general store shared a common opinion of the threat: “It’s just plain bull. I lived here 26 years, and nothing like this happened before.”

Like the probability of a pandemic, though, it was well-established that one of the dozen or so volcanoes in the 800-mile Cascade Range might soon turn active. Averaging two eruptions a century, they were overdue. A 1978 report by the U.S. Geological Survey, where Mr. Johnston worked, identified Mount St. Helens as most likely to blow next. Yet forecasting how big the event could be was a matter of art as well as science. Geologists could model only previous explosions and list the possible outcomes. (“That position was difficult for many to accept, because they believed we could and should make predictions,” a U.S.G.S. report said later.)

Some scientists suggested a much larger evacuation, but uncertainty, a hallmark of their discipline, can be difficult for those making real-time public policy. The guidelines from federal and state representatives camped out in Vancouver, and from Washington’s governor, Dixy Lee Ray, often seemed in conflict. Moreover, the Weyerhaeuser Company, which owned tens of thousands of acres of timber, opposed logging restrictions, even as some crews got nervous about working near the rumbling dome.

By mid-April, a bulge grew on the north flank, a clue that highly pressurized magma was trapped and expanding. If it burst, a landslide might bury Spirit Lake. The governor, a conservative Democrat who was a biologist by training, finally agreed to stronger measures. She ordered an inner “red zone” where only scientists and law enforcement personnel could enter, and a “blue zone” open to loggers and property owners with day passes. If the zones didn’t extend as far as many geologists hoped, they were certainly an improvement.

Then the mountain got deceptively quiet. The curve of seismic activity flattened and turned downward. Many grew complacent, and restless. On Saturday, May 17, people with property inside the red zone massed in cars and pickup trucks at the roadblock on State Highway 504. Hearing rumors that some carried rifles, the governor relented, allowing them through, with a police escort, to check on their homes and leave again. The state patrol chief, Robert Landon, told them, “We hope the good Lord will keep that mountain from giving us any trouble.” The property owners vowed to return the next day.

The next day was Sunday. At 8:32 a.m., a powerful quake shook loose the snow-covered north face of Mount St. Helens, releasing the superheated magma, which roared out of the mountain in a lateral blast faster than a bullet train, over the spot where Mr. Johnston stood, mowing down 230 square miles of trees, hurling trunks into the air like twigs. It rained down a suffocating storm of thick gray ash, “a burning sky-river wind of searing lava droplet hail,” as the poet Gary Snyder described it. Mudflows clogged the river valleys, setting off deadly floods. A column of ash soared 15 miles high and bloomed into a mushroom cloud 35 miles wide. Over two weeks, ash would circle the globe. Among the 57 dead were three aspiring geologists besides Mr. Johnston, as well as loggers, sightseers and photographers.

About a week later, the Forest Service took reporters up in a helicopter. I had seen the mountain from the air before the eruption. Now the sprawling green wilderness that appeared endless and permanent had disappeared in a blink. We flew for an hour over nothing but moonscape. The scientists had done their best, but nature flexed a power far more deadly than even they had imagined.

Lawrence Roberts, a former editor at ProPublica and The Washington Post, is the author of the forthcoming “Mayday 1971: A White House at War, a Revolt in the Streets, and the Untold History of America’s Biggest Mass Arrest.”

Italians over 80 ‘will be left to die’ as country overwhelmed by coronavirus (The Telegraph)

Hardest-hit region drafts new proposals saying who will live and who will die

By Erica Di Blasi Turin 14 March 2020 • 4:38pm

Coronavirus victims in Italy will be denied access to intensive care if they are aged 80 or more or in poor health should pressure on beds increase, a document prepared by a crisis management unit in Turin proposes.

Some patients denied intensive care will in effect be left to die, doctors fear.

The unit has drawn up a protocol, seen by The Telegraph, that will determine which patients receive treatment in intensive care and which do not if there are insufficient spaces. Intensive care capacity is running short in Italy as the coronavirus continues to spread.

The document, produced by the civil protection deparment of the Piedmont region, one of those hardest hit, says: “The criteria for access to intensive therapy in cases of emergency must include age of less than 80 or a score on the Charlson comorbidity Index [which indicates how many other medical conditions the patient has] of less than 5.”

The ability of the patient to recover from resuscitation will also be considered.

One doctor said: “[Who lives and who dies] is decided by age and by the [patient’s] health conditions. This is how it is in a war.”

The document says: “The growth of the current epidemic makes it likely that a point of imbalance between the clinical needs of patients with COVID-19 and the effective availability of intensive resources will be reached.

“Should it become impossible to provide all patients with intensive care services, it will be necessary to apply criteria for access to intensive treatment, which depends on the limited resources available.”

It adds: “The criteria set out guidelines if the situation becomes of such an exceptional nature as to make the therapeutic choices on the individual case dependent on the availability of resources, forcing [hospitals] to focus on those cases in which the cost/benefit ratio is more favorable for clinical treatment.”

Luigi Icardi, a councilor for health in Piedmont, said: “I never wanted to see such a moment. It [the document] will be binding and will establish in the event of saturation of the wards a precedence code for access to intensive care, based on certain parameters such as potential survival.”

The document is already complete and only approval from a technical-scientific committee is needed before it is sent to hospitals. The criteria are expected to apply throughout Italy, government sources said.

More than 1,000 people in Italy have now died from the virus and the number is growing every day. More than 15,000 are infected.

Italy has 5,090 intensive care beds, which for the moment exceeds the number of patients who need them. It is also working to create new bed capacity in private clinics, nursing homes and even in tents. However, the country also needs also doctors and nurses – the government wants to hire them – and equipment.

Lombardy remains the most critical region. However, the situation is also serious in neighboring Piedmont. Here, in just one day, 180 new cases were recorded, while deaths numbered 27. The trend suggests that the situation is not about to improve.

Roberto Testi, president of the coranavirus technical-scientific committee for Piedmont, told The Telegraph: “Here in Piedmont we aim to delay as long as possible the use of these criteria. At the moment there are still intensive care places available and we are working to create more.

“We want to arrive as late as possible at the point where we have to decide who lives and who dies. The criteria relate only to access to intensive care – those who do not get access to intensive care will still receive all the treatment possible. In medicine we sometimes have to make difficult choices but it’s important to have a system about how to make them.”

How Spanish flu helped create Sweden’s modern welfare state (The Guardian)

The 1918 pandemic ravaged the remote city of Östersund. But its legacy is a city – and country – well-equipped to deal with 21st century challenges

Brian Melican

Wed 29 Aug 2018 07.15 BST Last modified on Mon 3 Feb 2020 12.47 GMT

Archive black and white picture Östersund
Spanish flu reached Östersund a century ago. Photograph: Alamy

On 15 September 1918, a 12-year-old boy named Karl Karlsson who lived just outside Östersund, Sweden, wrote a short diary entry: “Two who died of Spanish flu buried today. A few snowflakes in the air.”

For all its brevity and matter-of-fact tone, Karlsson’s journal makes grim reading. It is 100 years since a particularly virulent strain of avian flu, known as the Spanish flu despite probably originating in America, ravaged the globe, killing somewhere between 50 million and 100 million people. While its effects were felt everywhere, it struck particularly hard in Östersund, earning the city the nickname “capital of the Spanish flu”.

“Looking back through contemporaneous accounts was quite creepy,” says Jim Hedlund at the city’s state archive. “As many people died in two months as generally died in a whole year. I even found out that three of my forbears were buried on the same day.”

There were three main reasons why the flu hit this remote city so hard: Östersund had speedy railway connections, several army regiments stationed in close quarters and a malnourished population living in cramped accommodation. As neutral Sweden kept its armed forces on high alert between 1914 and 1918, the garrison town’s population swelled from 9,000 to 13,000.

By 1917, when navvies poured in and construction started on an inland railway to the north, widespread food shortages had led to violent workers’ demonstrations and a near mutiny among the army units.

The city became a hotbed of political activism. Its small size put the unequal distribution of wealth in early industrial society under the microscope. While working-class families crowded into insalubrious accommodation, wealthy tourists from other parts of Sweden and further afield came for the fresh mountain air and restorative waters – as well as the excellent fishing and elk hunting (passionate angler Winston Churchill was a regular visitor).

“The catastrophic spread of the flu was in no small part down to the authorities’ bewilderment and often clumsy reactions” – Hans Jacobsson, historian

“Many of the demonstrators’ concerns seem strikingly modern,” says Hedlund, pointing to a copy of a political poster that reads: “Tourists out of our buildings in times of crisis. Butter, milk and potatoes for workers!”

It wasn’t just the urban proletariat demanding better accommodation. At Sweden’s first ever national convention of the indigenous Sami peoples held in Östersund in early 1918, delegates demanded an end to discriminatory policies that forced them to live in tents.

Social inequality in the city meant the Spanish flu hit all the harder.

As the epidemic raged in late August, when around 20 people were dying daily, the city’s bank director Carl Lignell withdrew funds from Stockholm without authorisation and requisitioned a school for use as a hospital (the city didn’t have one).

View of Ostersund
‘You can drop your kids off at kindergarten on the way to work and be out hiking or skiing by late afternoon.’ Photograph: Sergei Bobylev/TASS Advertisement

“If it hadn’t been for him, Östersund might quite literally have disappeared,” says Hedlund. For a brief period, Lignell worked like a benevolent dictator, quarantining suspected cases in their homes – and revealing the squalor in which they lived.

As his hastily convened medical team moved through Östersund, they found whole families crowded into wooden shacks, just a few streets away from the proud, stone-built civic structures. In some homes, sick children lay on the floor for want of beds.

The local newspaper Östersunds-Posten asked rhetorically: “Who would have thought that in our fine city there could be such awful destitution?”

People of all political convictions and stations in life started cooperating in a city otherwise riven by the class divisions of early industrial society. Östersunds-Posten itself moved from simply reporting on the epidemic to helping to organise relief, publishing calls for money, food and clothing, and opening its offices for use as storerooms. The state had proven itself inadequate, as historian Hans Jacobsson wrote: “The catastrophic spread of the Spanish flu in 1918 was in no small part down to the authorities’ bewilderment and often clumsy reactions.”

“After the epidemic, the state made tentative steps towards a cooperative approach to social reform” – Jim Hedlund, archivist

He cites the fact that Stockholm High Command refused to halt planned military exercises for weeks, despite the fact that regimental sickbays were overflowing. “What is interesting is that, after the epidemic, the state dropped investigations against Lignell and made tentative steps towards a cooperative approach to social reform. Issues such as poor nutrition and housing were on the political agenda,” says Hedlund. Anyone trying to date the inception of Sweden’s welfare state cannot overlook the events of autumn 1918.

One hundred years on, there are few better places than Östersund to see the effects of Sweden’s much-vaunted social model. The city is once again growing rapidly, but nothing could seem further away than epidemics and political radicalism. The left of centre Social Democrats have been in power in city hall since 1994, and council leader AnnSofie Andersson has made housing a priority – new developments are spacious, well-ordered and equipped with schools and playgrounds.

“There’s nothing that shows confidence like building stuff,” she says. “In fact, our local authority building partnership should, in my view, keep a small excess of flats in hand, because without a reserve people won’t move here.”

Östersund attracts a net inflow of people from southern Sweden. “It’s partly a quality of life issue,” says Andersson. “You can drop your kids off at kindergarten in the morning on the way to work and be out hiking or skiing by late afternoon.”

The city has recovered from the relocation of the Swedish armed forces fighter jet squadron in the 1990s by playing to its strengths: sports and tourism. A university now occupies the old barracks with a special focus on sports materials and technology. The airbase has become a thriving airport, handling half a million passengers a year.

Despite the net inflow of working-age people however, Östersund is facing a demographic challenge as baby boomers begin to retire. The shortages are being felt most acutely at the regional health authority, which occupies the Epidemisjukhusthe building hastily converted into wards during the Spanish flu by Carl Lignell. Clinical staff are proving hard to find and retain, and the region’s health service is underfunded. Some residents still suggest solving that lack of funding from central government “the Jämtland way”, like Lignell once did.

History doesn’t repeat itself identically, though. Sweden’s consensus-orientated political model now tends to defuse conflict even in proud cities with a liking for mavericks. One of Andersson’s strategies for dealing with the approaching lack of labour, for instance, is cooperating with local and national institutions to train up the young refugees the city has welcomed since 2015.

“School starts tomorrow – for the last time,” confides Karl Karlsson to his journal on 4 September 1918. “I leave in spring and it feels melancholy. I like farming, but I would still prefer to continue at school and study. But it’s impossible.” Ten days later, he notes that his family’s food stores are running low. “We’re almost out of flour and bread, the barley hasn’t dried yet, and we shan’t get any more rations, everything is being requisitioned.”

One hundred years later, a city – and a society – once unable to educate or even feed its youth is now one of the world’s wealthiest and fairest.

O coronavírus revela que éramos cegos e não sabíamos (El País)

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada. Quando nos privam da cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre

"Tudo ficará bem", diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).
“Tudo ficará bem”, diz um cartaz na varanda de um prédio de Torino ( Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images).

Juan Arias – 14 mar 2020 – 18:49BRT

A imagem mais dramática e terna, que simboliza ao mesmo tempo a tristeza e a solidão do isolamento ao qual a loucura do coronavírus está nos arrastando, é a dos italianos, habitantes de um país da arte, do tato e da comunicação, que hoje cantam nas janelas das casas diante de ruas e praças vazias. Cantam para consolar os vizinhos encerrados em suas casas. Os lamentos de suas vozes são o símbolo da dor evocada pelos tristes tempos das guerras e dos refúgios contra os bombardeios.

Mas é às vezes nos tempos das catástrofes e do desalento, das perdas que nos angustiam, que descobrimos que, como dizia o Nobel de literatura José Saramago, “somos cegos que, vendo, não veem”. Descobrimos, como uma luz que acende em nossa vida, que éramos cegos, incapazes de apreciar a beleza do natural, os gestos cotidianos que tecem nossa existência e dão sentido à vida.

A pandemia do novo vírus, por mais paradoxal que pareça, poderia servir para abrir nossos olhos e percebermos que o que hoje vemos como uma perda, como passear livres pela rua, dar um beijo ou um abraço, ir ao cinema ou ao bar para tomar uma cerveja com os amigos, ou ao futebol, eram gestos de nosso cotidiano que fazíamos muitas vezes sem descobrir a força de poder agir em liberdade, sem imposições do poder.

Descobri essa sensação quando, dias atrás, fui dar a mão a um amigo e ele retirou a sua. Tinha me esquecido do vírus e pensei que meu amigo poderia estar ofendido comigo. Foi como um calafrio de tristeza.

Às vezes abraçamos, beijamos e nos movemos em liberdade sem saber o valor desses gestos que realizamos quase de forma mecânica. Quando os pais sentem às vezes, no dia a dia, o peso de terem que levar as crianças ao colégio e as deixam lá com um beijo apressado e correndo, mecânico, apreciam, depois do coronavírus, a emoção de que seu filho te peça um beijo ou segure a sua mão. E apreciamos a força de um abraço, do tato, de estarmos juntos apenas quando nos negam essa possibilidade.

Somente quando o vírus nos encerra em nossas casas e limita nossos movimentos percebemos como é triste a solidão forçada, e entendemos melhor o abandono dos presos e dos excluídos. Somente quando nos impedem de nos aproximarmos dos nossos animais de estimação é que descobrimos a maravilha que é poder acariciá-los e abraçá-los.

Se, como dizia Saramago, no cotidiano somos cegos quando não apreciamos a força da liberdade, também, muitas vezes, amando não amamos e livres nos sentimos escravos. O que nos parece cansaço e castigo da rotina revela-se como o maior valor. Quando nos privam dessa cotidianidade nos sentimos escravos, porque o homem nasceu para ser livre.

Na obra Ensaio Sobre a Cegueira (Companhia das Letras), de Saramago, tão recordada nestes momentos de trevas mundiais, na qual uma cidade inteira fica cega e as pessoas enclausuradas, descobre-se melhor nossa insolidariedade e nosso egoísmo. O escritor é duro em seu romance ao fazer daqueles cegos a metáfora de uma sociedade onde cada um, nos momentos de perigo e angústia, pensa apenas em si mesmo.

A única que redime aquela situação perversa dos cegos é uma mulher, a esposa do médico, a única que não perdeu a visão e que se faz passar por cega para ajudar os que de fato são. Aquela mulher é representada hoje pelos italianos que usam suas vozes para, com suas notas doloridas, aliviar a solidão dos vizinhos.

Nestes momentos vividos por boa parte das pessoas do mundo, enclausuradas e presas pelo rigor do poder que as condena negando-lhes a liberdade de movimento, que a dor coletiva nos ajude a vencer nosso atávico egoísmo cotidiano, ao contrário dos cegos egoístas do romance de Saramago.

Que a tragédia do coronavírus consiga nos transformar no futuro em guias e ajuda amorosa dos novos cegos de uma sociedade que muitas vezes parece não saber onde caminhar e que, quando goza de liberdade, anseia pela escravidão.

Que a dor de hoje se transforme em tomada de consciência de que vale mais a liberdade das aves do céu que a escravidão que nos impomos quando somos livres. Que o mundo não caia na tentação dos escravos que Moisés havia tirado da escravidão do Egito, que, enquanto eram conduzidos pelo deserto rumo à liberdade, continuavam preferindo as cebolas e os alhos do tempo da escravidão ao maná que Deus lhes enviava do céu. Não existe maior bem neste planeta do que a liberdade que nos permite amar e sofrer sem sucumbir.

E ante a catástrofe do coronavírus, que poderia nos alcançar a todos, que se rompam neste país as trincheiras entre bolsonaristas e lulistas para nos sentirmos solidários numa mesma preocupação.

Na dor e na calamidade coletiva, sentimos que somos menos desiguais do que pensamos. E que, no fim das contas, as lágrimas não têm ideologia.

Mais informações

Pandemic Hardship/Pandemic Change (Psychology Today)

How the COVID-19 coronavirus pandemic can change how we live

Paul Stoller

Posted Mar 16, 2020

Most of us face multiple hardships in life—financial stress, job loss, divorce, the premature death of a spouse or parent.  Painful and unsettling life events divert our lives into unimaginable paths filled with stress and pain. Like most people, I have experienced a number of painful events: religious discrimination, the suicide of a loved one, divorce, and the death of parents.  I have also been diagnosed with and treated for Non-Hodgkin Lymphoma (NHL), a series of blood cancers most of which are classified as incurable. These life-altering experiences have shaped the course of my personal and professional life—in unexpected ways. 

My life as an anthropologist has afforded me a particular perspective on existentially troubling life events.  During early fieldwork in the Republic of Niger, one of the poorest nations in the world, I had to confront the psychological and existential ramifications of yearly meningitis outbreaks.  These always occurred during the hot dry season—from March until the first rains of June.  In hot and dry conditions that were perfect for transmission, a few of my students, some of my friends and many children got sick. 

Many of the children died. 

One year during a particularly bad outbreak I witnessed daily processions of men and women carrying the newly dead to their final resting place. Men walked silently their gazes downcast.  Women wailed as they accompanied their loved ones to the cemetery.  During that outbreak, a pall settled over the rural village where I lived. Conversations lapsed into stressful silences.  We all wondered if we would be next.  Was the tightness in my neck muscular, or was it the onset of meningitis? Invisible and silent, the scourge of meningitis put my life at risk, a visceral threat that forced me to consider what was important in my life.

 Paul Stoller
In Niger, hot and dry conditions create a perfect storm for meningitis outbreaks. Source: Paul Stoller

During another year of fieldwork in Niger, I lived through a cholera epidemic. While the transmission of meningitis bacteria and/or virus comes from close contact with infected others—cholera makes its way to human beings through contaminated water or food. 

That year, many people in the region of Tillaberi became cholera victims.  In response to a flood of new cholera patients, the local government, which had no funds to meet the challenges of the outbreak, set up a makeshift lean-to village—a horrible place to put the sick and dying.  The lean-to village had been built close to the dunetop compound where I was living.  From our compound we observed the arrival of hundreds of emaciated victims, wrapped in soiled rags, being transported on donkey-pulled carts to the cholera village.  The stench of that lean-to village saturated my senses and haunts me to this day. During that time of contagion, conversations focused on the onset of cholera, treatment regimens, and death rates, which soared in an exceedingly poor region of rural Niger.  The long shadow of cholera cast its shade on us all. Despite my relative privilege among the poor and destitute, I nonetheless wondered about the safety of my water and food.  Would I succumb to cholera?  Again, the threat of an epidemic compelled me to think about what mattered in my life:  love, family and my contributions, however small they might be, to my community and my profession.

We are now living through the COVID-19 coronavirus pandemic.  The deadly virus is spreading exponentially, and there is no apparent end is in sight.  An unsettling eeriness extends itself over our lives and our communities.  Are we unwitting carriers of the virus who have exposed our loved ones and our friends to the COVID-19 coronavirus?  It is a hard reality to bear.  Even so, we don’t know if we’ll be infected or not.  And if we are infected, we don’t know if our illness will be serious—or even deadly. We are, in fact, living in a moment of a devastating uncertainty in which we have been told to practice social distancing—a good way to slow the rate of contagion. Concerts have been cancelled. Sporting events have been postponed. Theaters have gone dark. In grocery stores, it is difficult to find bread, water, eggs, milk and TP.

Paul Stoller
Coronavirus shopping on March 14, 2020 Source: Paul Stoller

Travel has been curtailed.  Gyms and restaurants are closed. Universities have emptied their dormitories and have transitioned to remote education. K-12 public and private schools have shut their doors. The entire populations of Italy, Spain, France have been placed on lockdown.  Where I live, people have been told to stay at home—all to contain the silent and invisible virus.  If this surreal scenario is not the end of the world, it may well be the end of social life as we have known it.

The great French surrealist thinker Antonin Artaud thought that most of us make our way through life in a half-conscious state.  “You look but you don’t see,” as a wise elder among the Songhay people of Niger and Mali once told me. “You listen but you don’t hear. You touch but you don’t feel.”  Indeed, the routine of everyday life can numb our sensibilities. Each day, most of us wake up, go to school, or to work. At midday we eat lunch. At day’s end we return home, enjoy some sort of dinner, enjoy a night watching television, or steaming a film.  Sometimes we break the routine.  We hang out with our friends. We go out for dinner, have a drink at our favorite bar, or attend a sporting event or a concert.

This routine is, for all intents and purposes, social life as we expect it to unfold.  When those expectations are subverted—by an outbreak of meningitis, a cholera epidemic or the COVID-19 coronavirus pandemic—we are forced to change our routines and reconfigure our personal and social expectations.  Facing potential illness or possible death, many of us are provoked to think about what is important, about what we might do for our family, our neighbors, our communities.

We are about to experience the full turbulence of a pandemic.  There will be isolation, confusion, pain, suffering and loss, but such a state can also provoke penetratingly honest self-reflection, deep listening, existential change, and social transformation. Pandemic hardship can bring on pandemic change.  Trapped in this unsettled moment between our past and future, perhaps we can take time to reconnect and, to paraphrase T.S. Elliot, know ourselves for the first time.  

Paul Stoller, Ph.D., is a professor at the Department of Anthropology-Sociology, West Chester University in Pennsylvania.

Here’s Why Coronavirus And Climate Change Are Different Sorts Of Policy Problems (Forbes)

Editors’ Pick | Mar 15, 2020, 07:05pm EST

Nives Dolsak and Aseem Prakash

Contributor Green Tech

NETHERLANDS-HEALTH-VIRUS-TRANSPORT-AVIATION
Passengers wearing protective face masks stand at Schiphol Airport in Amsterdam, on March 13, 2020, amid an outbreak of COVID-19, the new coronavirus. Photo by OLAF KRAAK/ANP/AFP via Getty Images.

Climate protection and public health have striking similarities. The benefits of both can be enjoyed by everyone, even by individuals who do not contribute to the collective efforts to address these problems. If climate change slows down, both drivers of gas-guzzlers and electric cars will benefit – although the former did not help in climate efforts. Similarly, if the spread of Coronavirus is halted (the so-called flattening the curve), individuals who refused to wash their hands, as well as the ones who washed them assiduously, will enjoy the restored normal life.

Most countries have gotten their acts together, although belatedly, on Coronavirus. Citizens also seem to be following the advice of public health officials. Could then the Coronavirus policy model be applied to climate change? We urge caution because these crises are different, which means that policies that worked well for Coronavirus might not be effective for climate change.

Different Penalties for Policy and Behavioral Procrastination

Climate change is the defining crisis of our times. Floods, hurricanes, forest fires, and extreme weather events have become more frequent and severe over the years. Although climate change generates passionate discussions in big cities and university campuses, there is inadequate public clamor for immediate action. Some types of decarbonization policies are certainly in place. However, carbon-intensive lifestyles continue (with “flying shame” in Scandinavia being an exception). Today In: Green Tech

This policy lethargy and behavioral inertia are due to many reasons, including concerted opposition by the fossil fuel industry to deep decarbonization. But there are other reasons as well. Climate change is cumulative and does not have a quick onset. Its effects are not always immediate and visible. Many individuals probably do not see a clear link  between their actions and the eventual outcome. This reduces the willingness to alter lifestyles and tolerate personal sacrifices for the collective good.

In contrast, Coronavirus is forcing an immediate policy response and behavioral changes. Its causality is clear and its onset quick. Lives are at stake, especially in western countries. The stock markets are tanking, and the economy is heading towards a recession. Politicians recognize that waffling can lead to massive consequences, even in the short-term. Corona-skeptic President Trump has reversed course and declared a national emergency.

PROMOTED Deloitte BrandVoice  | Paid Program Reducing Environmental Impact Is Now A Business Imperative UNICEF USA BrandVoice  | Paid Program Women’s Advice For Girls: Stay In School. Believe In Yourself. Grads of Life BrandVoice  | Paid Program Where to Begin: Essential Metrics For Talent-Conscious Businesses

In the US, there is federal inaction on climate change. But Coronavirus seems different. 2020 is a Presidential election year, and perhaps this motivates the federal government to (finally) act decisively so that Coronavirus does not become Hurricane Katrina type of political liability.

Spatial Optimism

Climate policies are hobbled by “spatial optimism,” whereby individuals believe that their risk of getting affected by climate change is less than for others. This reduces the willingness to tolerate personal sacrifices for deep decarbonization.

Coronavirus episode began with some level of spatial optimism in the Western world. After all, it was happening in China. But this confidence has quickly disappeared. Globalization means a lot of international travel and trade. China is the main global supplier of many products. Prominent companies such as Apple (AAPL) and Tesla (TSLA) depend on China for manufacturing and sales of their products. Spatial optimism has been overwhelmed by international travel as well as globalized supply chains and financial markets.

Belief in the Efficacy of Adaptation

Some might believe that climate change can be “managed.” Innovators will probably develop commercial-scale negative carbon technologies and societies will adapt to sea-level rise by building seawalls, or maybe relocating some communities to safer areas.

Coronavirus offers no such comfort. Unlike the seasonal flu, there is no vaccine (yet). It is difficult to adapt to the Coronavirus threat when you don’t know what to touch, where to go, and if your family members and neighbors are infected. Not to mention, how many rolls of tissue paper you need to stock before the supplies run out at the local grocery store.

Different Incentives to Attack Scientific Knowledge

On Coronavirus, citizens seem to be willing to follow the advice of public health professionals (at least when it comes to social distancing as reflected in empty roads and shopping centers). Every word of Dr. Anthony Fauci counts.

Why has this advice not drawn scorn from politicians who are suspicious of the “deep state”? After all, the same politicians attack scientific consensus on climate change.

Climate skeptics probably see substantial political and economic payoffs by delaying climate action. Stock markets have not penalized climate skepticism in the US: markets hit record high levels in the first three years of the Trump presidency. And, climate opposition is not leading to electoral losses. On the contrary, the climate agendas in liberal states, such as Oregon and Washington, have stalled.  

Nobody seems to gain by attacking scientific consensus to delay policy action on Coronavirus. Airlines, hospitality, and tourism industries, who have taken a direct hit from social-distancing policies, probably want the problem to be quickly addressed so that people can get back to their “normal” lives.

US politicians who talk about the “deep state,” may want Coronavirus issue resolved before the November 2020 election. Attacking science does not further their political objectives. After all, the looming recession and the stock market decline could influence the election outcomes.

Depth, Scale, and Duration of Changes

Climate policy will cause economic and social dislocation. Decarbonization means that some industries will shut down. Jobs will be lost, and communities will suffer unless “just transition” policies are in place.

Coronavirus policies will probably not cause long-term structural changes in the economy. People will resume flying, tourists will flock to Venice, Rome, and Paris, and the basketball arenas will again overflow with spectators.

However, some short-term measures could lead to long-term changes. For example, individuals may realize that telecommuting is easy and efficient. As a result, they may permanently reduce their work-related travel. Coronavirus may provide the sort of a “nudge” that shifts long-term behavioral preferences.

In sum, the contrast between the rapid response to Coronavirus and policy waffling on climate change reveals how citizens think of risk and how this shapes their willingness to incur costs for the collective good. Further, it suggests that politicians respect science when its recommendations serve their political ends.

Nives Dolsak is Stan and Alta Barer Professor in Sustainability Science and Director of the School of Marine & Environmental Affairs. Aseem Prakash is the Walker Family Professor and the Director of the Center for Environmental Politics. Both are at the University of Washington, Seattle.  

Chuvas e secas em São Paulo estão mais intensas com aquecimento, mostram dados (Folha de S.Paulo)

Por Fábio Takahashi, Guilherme Garcia, Guilherme Seto, Thiago Amâncio e Diana Yukari

4.mar.2020 à 1h00

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/03/chuvas-e-secas-em-sao-paulo-estao-mais-intensas-com-aquecimento-mostram-dados.shtml

Análise da Folha indica mudança no clima paulistano, que esquentou quase 3ºC desde 1960


O clima em São Paulo sofreu profundas mudanças nos últimos 60 anos: chuvas intensas estão mais comuns, mas longos períodos secos também aparecem mais, e a temperatura está quase 3ºC mais alta hoje (dependendo da forma de medição).

Os dados, coletados pela Folha no Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e pesquisadores indicam que a cidade enfrentará cada vez mais desafios na saúde pública, com mais mortes relacionadas a doenças cardíacas, por exemplo, que são mais comuns nas ondas de calor. E sofrerá cada vez mais problemas de infraestrutura, com mais alagamentos em alguns períodos e falta d’água em outros.

A chuva é um dos grandes exemplos da mudança no clima em São Paulo no período. Até 1980, a cidade havia enfrentado apenas um evento com mais de 100 mm em um dia. Na década de 2010, foram seis.

Patamar próximo a esse foi o que a capital paulista enfrentou no começo de fevereiro, quando os 114 mm foram suficientes para alagar trechos das marginais, ilhar moradores e suspender aulas e o serviço público.

Por outro lado, os períodos sem chuva estão cada vez maiores. A década de 1960 começou com período de até 15 dias sem precipitação em alguns anos. Nesta década mais recente, já se chegou a 51 dias secos, em 2012. 

Após sequência de estiagens, a cidade sofreu com a crise hídrica de 2014, quando reservatórios chegaram a operar com 10% da capacidade, levando a racionamentos.

Os dados do Inmet, que vão de 1961 a 2019 e são coletadas na zona norte, mostram também mudança no padrão de temperatura. 

Há diferentes formas de se avaliar essa variação. Considerando a diferença ano a ano, o acumulado desses 58 anos aponta para uma temperatura média 2ºC superior agora em relação ao período inicial (subindo da casa dos 20ºC para 22ºC).

Se analisada a variação das temperaturas mínimas, o aquecimento é ainda maior (quase 3ºC a mais, saindo da casa dos 8ºC para 11ºC).

Visto de outra forma, as temperaturas mínimas da década de 2010 estão 2,3ºC maiores do que de 1960, considerando as medianas (medida que identifica qual a temperatura é a que divide em dois o grupo analisado).

Como as mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas têm sido constantes ao longo das décadas, climatologistas dizem que a situação atual deverá ser o novo padrão da cidade para os próximos anos. E as projeções apontam para presença ainda maior de eventos extremos nas próximas décadas.

“A situação exige melhoria significativa em ações para redução de desastres na região metropolitana”, escreveram o climatologista José Marengo e outros pesquisadores brasileiros em trabalho acadêmico publicado na revista da Academia de Ciências de Nova York, no começo deste ano.

A pesquisa enfocou o padrão de chuvas na região —a reportagem se inspirou nessa metodologia para a análise, acrescentando dados mais recentes.

Os cientistas destacam que as mudanças podem estar relacionadas à variação natural do clima, mas também podem ser fruto do aquecimento global e da urbanização da região.

“O aumento das temperaturas é um processo natural, que pode ser acelerado pela ação humana, com urbanização, queima de combustível fóssil e desmatamento”, disse à reportagem o cientista Marengo, do Cemaden (centro nacional de monitoramento de desastres naturais). “O que não foi estabelecido é saber qual porcentagem é natural e qual é humana.”

Mesmo que a causa das mudanças no clima da cidade ainda não esteja totalmente definida, já há pesquisas sobre o impacto na saúde da população decorrente das temperaturas mais altas e pelo novo padrão de chuvas.

A população idosa parece ser mais sensível ao aumento do calor. Uma das razões é que o corpo nessa idade tem mais dificuldade para se adaptar à mudança de temperatura. E também tarda mais para perceber o aumento do calor, demorando também para se hidratar. 

As pesquisas mostram que aumento da temperatura está relacionado a mais casos de mortes decorrentes de doenças cardiovasculares e respiratórias.

Em pesquisa feita no IAG-USP (instituto de ciências atmosféricas), o meteorologista Rafael Batista avaliou o impacto de altas temperaturas nos óbitos de idosos. 

O trabalho verificou que houve mais mortes do que o esperado em fevereiro de 2014 na região metropolitana de São Paulo, quando ocorreu forte onda de calor (26 dias consecutivos com máximas acima dos 30ºC).

Outro impacto do aumento do calor é a elevação do consumo de água, aponta o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Leandro Giatti. 

E a situação pode se agravar porque o novo padrão de chuvas, com pancadas cada vez mais fortes, alternadas com períodos secos mais longos, não é o ideal para se acumular águas nos reservatórios. 

Nas chuvas intensas, a água passa muito rapidamente pelo solo, não sendo absorvida para os aquíferos, além de levar sujeira e sedimentos para os reservatórios.

O aumento das chuvas intensas, e consequentes alagamentos, pode contribuir ainda para aumento de doenças como leptospirose e dengue ou diarreia, especialmente em crianças. Essa relação foi apontada em pesquisas de Juliana Duarte, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Ela verificou que houve aumento de internações devido a essas doenças nos períodos mais chuvosos em Rio Branco (AC), entre os anos de 2008 e 2013.

Todos esses problemas devem se intensificar, de acordo com os cientistas.

A pesquisa do meteorologista Rafael Batista, do IAG-USP, estimou como deverá ser a temperatura na região metropolitana até 2099, considerando a evolução nas últimas décadas. 

Segundo esse cálculo, o número de dias de risco por altas temperaturas (médias acima de 25ºC) passará a ocupar 40% do ano, dentro das próximas seis décadas; hoje, são apenas 8% do ano.

“O inverno pode passar a ficar parecido com o que conhecemos do verão”, disse o climatologista Fábio Gonçalves, do IAG (instituto de ciências atmosféricas), da USP. A unidade também faz monitoramento do clima, a partir de ponto na zona sul na cidade, e possui observações semelhantes ao verificado pela Folha.

Governos ainda tropeçam para frear problema

As temperaturas mais altas e a frequência maior de eventos extremos ganham contornos mais graves quando se pensa que a cidade não para —nem em população (cresceu uma média de 100,8 mil habitantes por ano na última década) nem em mancha urbana (que hoje ocupa 878,6 km², o equivalente a 57% do território da cidade).

A Prefeitura de São Paulo lista intervenções como a construção de piscinões, a melhoria da drenagem e a implantação de parques como respostas. Por outro lado, reportagem da Folha no começo do mês mostrou que a cidade tem ao menos 17 grandes obras de drenagem atrasadas.

A cidade instituiu em 2009, na gestão Gilberto Kassab, sua Política Municipal de Mudança do Clima, que estabelece ações para mitigar os efeitos das mudanças ambientais.

São Paulo também tem como meta reduzir em 45% as emissões de gás carbônico nos próximos dez anos em relação ao nível de 2010, e promete neutralizar as emissões de gases que provocam efeito estufa até 2050. 

“Os preâmbulos de todos os planos diretores, desde o Plano Urbanístico Básico, de 1968, até o Plano Diretor Estratégico de 2014, têm capítulos dedicados a chuvas, ao meio ambiente”, diz o professor Valter Caldana, da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, que afirma que o respeito a variáveis ambientais é um dos fundamentos da boa arquitetura, mesmo antes de se falar em mudanças climáticas.

“Mas nós adotamos um modelo de desenvolvimento urbano no século 20 que passou por cima dos elementos naturais da nossa topografia, geomorfologia e hidrografia”, diz ele, ao citar o encanamento e enterramento indiscriminado de rios e córregos e a impermeabilização de áreas verdes da cidade. 

É preciso mudar o modo como se produzem cidades, diz o urbanista. E cita coisas práticas: cuidar do mobiliário urbano, aumentar a capacidade de drenagem, acabar com a exigência de recuos de edifícios (o que faz com que se desperdice espaços), fazer com que empresas abram espaços verdes para uso público.

“Antigamente São Paulo tinha bolsões de calor. Hoje a cidade inteira virou um bolsão de calor. Tem que parar de agir só na emergência e agir cotidianamente”, diz.

 Secretário de Infraestrutura e Obras da cidade, o engenheiro Vitor Aly afirma que a atual administração tem olhado os problemas derivados das mudanças climáticas de forma propositiva, e não mais reativa como no passado, quando, segundo ele, apenas atacavam os efeitos das enchentes.

“Os alagamentos acontecem no mundo todo agora. Veja Austrália, Inglaterra, Japão. É um problema da sociedade moderna. Fomos ocupando o território e agora precisamos nos ocupar do problema”, diz Aly.

Ele lista soluções estruturais que têm sido elaboradas pela prefeitura: a construção de piscinões (já foram entregues oito e planejam mais cinco para 2020); um estudo para alteamento de pontes e pontilhões, que funcionam como represas quando enchem os rios; um mapeamento das 104 bacias hidrográficas e das manchas de inundação da cidade, com o propósito de alertar moradores e construtoras com precisão dos riscos de cada região.

Um dos compromissos previstos no plano de metas da atual gestão é o de reduzir em 12,6% (2,77 km²) as áreas inundáveis da cidade.

Nas ações de manutenção, o secretário de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, diz que a drenagem tem funcionado bem diante desse desafio pluvial que se avoluma.

Ele avalia que a limpeza de ramais e de bocas de lobo e a retirada de resíduos de córregos fizeram com que a água da chuva tivesse fluidez no último episódio de chuvas, por exemplo. Segundo ele, a drenagem da cidade levou toda a água para os rios Pinheiros e Tietê —”foram essas artérias que não suportaram todo o volume”, afirma Modonezi. A manutenção dos dois rios é incumbência do governo do estado.

“Nas outras regiões da cidade tivemos alagamentos pontuais, pequenos, lâminas de água que acabaram sendo drenadas depois de passada a chuva”, completa.

O plano de metas dedica diversas rubricas à problemática: recuperar 240 mil metros lineares de guias e sarjetas; limpar 2,8 milhões de metros quadrados de margens de córregos; retirar 176.406 toneladas de detritos de piscinões, entre outros.

Em 2019, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou compromisso de elaborar um plano de ação climática para zerar a emissão de gases que provocam efeito estufa nos próximos 30 anos. A proposta do tucano está alinhada às metas do Acordo de Paris, repetidamente atacado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos anos.

Ricardo Viegas, secretário adjunto de Verde e Meio Ambiente, diz que o plano será apresentado em junho, mas diversas ações para controle do aumento de temperatura e do efeito estufa já têm sido feitas.
Ele diz que um grande esforço tem sido feito em relação ao transporte na cidade.

A chamada “lei do clima”, sancionada pelo então prefeito João Doria (PSDB) em 2018, estabeleceu que as emissões de dióxido de carbono e de material particulado terão que ser zeradas até 2038 pela frota de ônibus municipal, por exemplo.

A resposta às ilhas de calor e ao aumento de temperatura vem por meio da ampliação das áreas verdes. Nesse sentido, Viegas afirma que a prefeitura implantará dez parques até o final do ano e revitalizará outros 58. A cidade hoje conta com 107 parques.

Outras propostas da gestão Covas que apontam para o longo prazo são a proibição do fornecimento de utensílios plásticos por estabelecimentos comerciais, a implantação de reuso de água em 100% dos novos equipamentos entregues e ampliação do atendimento da coleta seletiva para todos os endereços da capital.

Ciência climática é ferramenta no combate à seca no Nordeste, afirma Carlos Nobre (ABIPTI)

JC 5593, 7 de fevereiro de 2017

“O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste”, afirmou

O relatório oriundo da última reunião do Grupo de Trabalho de Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aponta para um cenário preocupante: até o início de 2018, é esperado que os grandes e médios reservatórios nordestinos sequem. Por isso, é preciso criar novas oportunidades para a população.

Reconhecido como um dos principais pesquisadores mundiais sobre clima, Carlos Nobre destacou o papel das ciências climáticas para mitigar os impactos econômicos e sociais da seca na Região Nordeste. O pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ressaltou que o conhecimento do clima cria alternativas econômicas e sociais para os moradores da região.

Na avaliação do pesquisador, a ciência climática evoluiu rapidamente nas últimas décadas, sendo uma ferramenta eficaz no combate à seca. “O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste de fevereiro a maio ser deficiente, normal ou abundante. Estas previsões climáticas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo e utilizadas para apoio ao planejamento agrícola, à gestão hídrica e à mitigação de desastres naturais”, afirmou Nobre.

Entre as ações propostas pelo cientista, está o investimento na criação de uma economia regional baseada em recursos naturais renováveis. Uma das alternativas sugeridas é a criação de parques de geração de energia eólica e solar fotovoltaica.

“O Nordeste tem um enorme potencial de energia eólica e solar, capaz de atender a todas suas necessidades e ainda exportar grandes volumes para o restante do Brasil. Estas formas de energia renovável distribuídas geram empregos permanentes localmente, mais numerosos do que aqueles gerados por hidrelétricas ou termelétricas e que poderiam beneficiar populações urbanas e rurais da região”, informou.

Carlos Nobre tem extensa atuação na área climática. Além de ocupar vários cargos no governo referentes ao setor climático, foi vencedor do Volvo Environment Prize – um dos principais prêmios internacionais sobre clima – e membro do Conselho Científico sobre Sustentabilidade Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência ABIPTI, com informações do MCTI e Valor Econômico

Corrente do Golfo pode parar, diz estudo (Observatório do Clima)

JC, 5571, 5 de janeiro de 2017

Novo modelo mostra que esteira oceânica que transporta calor à Europa é mais vulnerável ao aquecimento global do que se imaginava, mas só pararia em séculos não de anos; Brasil seria afetado

Cientistas chineses trabalhando nos EUA trouxeram nesta quarta-feira uma notícia agridoce sobre um dos efeitos mais temidos do aquecimento global. Um modelo climático feito por eles mostra que a corrente oceânica que leva calor dos trópicos à Europa é mais vulnerável do que se imaginava às mudanças do clima, e desligará completamente caso a quantidade de gás carbônico na atmosfera siga aumentando. Por outro lado, esse desligamento ocorreria em séculos, não em anos ou décadas.

Conhecida como circulação termoalina do Atlântico, essa imensa esteira oceânica é um dos principais sistemas de regulação do clima da Terra. Sua face mais conhecida é a Corrente do Golfo, uma corrente quente que migra pela superfície do Atlântico tropical até as imediações do Ártico. No Atlântico Norte, ela fica mais fria e mais salgada (devido à evaporação da água no caminho), afundando e retornando aos trópicos na forma de uma corrente fria submarina. A dissipação de calor dessa corrente é o que mantém a Inglaterra e o norte da Europa com um clima relativamente tépido, mesmo estando em uma latitude elevada.

Desde os anos 1980 os cientistas têm postulado que o aquecimento global, ao derreter o gelo e a neve do Ártico, lançaria grande quantidade de água doce no oceano, diluindo o sal da corrente e impedindo que ela afundasse. O efeito imediato seria a suspensão do transporte da calor para a Europa, que mergulharia numa espécie de era do gelo. Isso já aconteceu há 8.200 anos e resfriou o Velho Continente por dois séculos. Poderia acontecer de novo de forma rápida e causar problemas sérios à civilização, caricaturados no filme-catástrofe O Dia Depois de Amanhã, de 2004.

Observações feitas até aqui, que são esparsas, têm mostrado que justamente desde 2004 esteira oceânica está em sua menor potência nos últimos mil anos, provavelmente por causa do aquecimento global. Alguns cientistas temem que o colapso já tenha começado.

Ocorre que os modelos computacionais que simulam o clima da Terra no futuro, usados pelo IPCC (o painel do clima da ONU), têm falhado sistematicamente em apontar instabilidade no sistema. Por consequência, o desligamento repentino da corrente é considerado pouco provável pelo painel.

Entram em cena Wei Liu, da Universidade da Califórnia em San Diego (hoje na outra costa do país, na Universidade Yale), e colegas. Em estudo publicado nesta quarta-feira no site da revista Science Advances, o grupo aponta que os modelos padecem de um viés: uma distorção faz a corrente parecer artificialmente mais estável do que é de fato.

A origem do problema está longe da Europa, no Atlântico Sul. Essa região do oceano tropical, perto do equador, recebe chuvas constantes na chamada Zona de Convergência Intertropical, o cinturão de tempestades onde massas de ar aquecido dos dois hemisférios se encontram.

Liu e colegas dizem que os modelos do IPCC assumem que há mais água doce oriunda dessas chuvas na corrente do que há de fato. Isso causaria nos modelos uma ilusão de estabilidade – quanto mais água doce no trópico, menor a diferença de salinidade perto do Ártico, portanto, menos suscetível a perturbações a corrente seria. Esse viés, afirma Liu, já havia sido sugerido por outros estudos no passado.

O que o chinês e seu grupo fizeram foi ajustar um dos modelos de acordo com parâmetros de salinidade que eles consideravam mais realistas. Mas não apenas isso: a correção do viés tornou a corrente mais instável e vulnerável ao próprio aquecimento da água do mar – algo que casa melhor com as observações. “O aquecimento reduz a densidade da água e impede a convecção”, disse Liu ao OC.  “O método não é perfeito, mas é o melhor que podemos fazer agora para corrigir o viés e fazer uma projeção mais confiável.”

Os pesquisadores usaram o modelo ajustado para estimar o que acontece com a esteira oceânica caso o nível de CO2 na atmosfera duplique – algo que acontecerá por volta de meados do século se medidas radicais de controle de emissões não forem tomadas.

Aqui vem a nota de alívio do estudo: o colapso da corrente ocorre nas simulações apenas 300 anos após a quantidade de CO2 dobrar na atmosfera. Questionado sobre se isso era uma boa notícia, Liu foi cauteloso: “Sim, 300 anos são muita coisa comparado a uma vida humana, mas mudanças notáveis podem ocorrer antes de a circulação colapsar”, disse. “Além disso, nosso resultado é baseado em um modelo e em um cenário simples de aquecimento.” Liu e seus colegas não consideraram, por exemplo, o fator que até agora tem sido invocado para explicar a redução da corrente: o efeito do degelo da Groenlândia. Ao lançar excesso de água doce sobre o oceano no Ártico, o derretimento poderia agravar a situação de uma corrente que já seria impactada pelo aquecimento da superfície.

Um efeito esperado dessa redução na corrente, por exemplo, é uma mudança nos padrões de chuva em várias regiões do planeta. Um dos lugares que seriam afetados é o Brasil. Estudos do grupo do geólogo de Francisco Cruz, da USP, já mostraram que fases de redução da circulação termoalina no passado corresponderam a chuvas torrenciais no Brasil, devido ao deslocamento da Zona de Convergência Intertropical para o sul.

“Precisamos aplicar essa metodologia a mais modelos climáticos e a cenários de aquecimento global mais realistas”, afirmou Liu.

Observatório do Clima

Com 516 milímetros de chuva em 5 anos, Ceará tem pior seca desde 1910 (G1)

09/09/2016 09h20 – Atualizado em 09/09/2016 11h57

Previsão para 2017 ainda é indefinida devido ao “Oceano Pacífico Neutro”.
Águas do Açude Orós estão sendo transferidas para o Castanhão.

Do G1 CE com informações da TV Verdes Mares

VER VIDEO

Levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nesta quinta-feira (8) mostra que nos últimos cinco anos, de 2012 a 2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no Ceará. O índice é o menor desde 1910.

De acordo com o meteorologista Davi Ferran, vai ser preciso conviver com a incerteza pelos próximos meses, já que ainda é cedo pra afirmar se 2017 vai trazer chuva ou não.

Ano Chuva (mm)
2012 388
2013 552
2014 565
2015 524
2016 550
Média 516
Fonte: Funceme

“No período chuvoso do ano que vem, ou seja, março, abril e maio, que é o período chuvoso principal, a maior probabilidade é que o Oceano Pacífico não tenha El Niño nem La Niña. Vamos ter o Oceano Pacífico neutro. Em anos de Oceano Pacífico neutro, a probabilidade de chuvas no Ceará depende mais fortemente do Atlântico. Então a previsão vai ser divulgada somente em janeiro”, explica.

Enquanto isso, segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os reservatórios secam cada vez mais. No momento, o nível médio dos 153 açudes monitorados pela Cogerh é de apenas 9,4% do volume total.O “Gigante” Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está praticamente sem água. Há apenas sete anos, ele chegou a inundar a cidade de Jaguaribara com a enorme vazão das comportas.

Hoje, a Cogerh diz que o maior açude do Ceará está com apenas 6% da capacidade. Bem perto dele, o Açude Orós, também na Região Jaguaribana, sangrou em 2004 e 2008. Na época, virou até atração turística no Centro Sul do Estado.

Agora em 2016, o Orós aparece nesse cenário de seca em forma de ajuda. Desde julho, as águas do açude estão sendo transferidas para o Castanhão. Segundo a Cogerh, essa água deve chegar às residências da Região Metropolitana de Fortaleza em setembro, e garantir o abastecimento pelo menos durante esse período  de crise hídrica.

“Nossa programação é até o final de janeiro. Ou seja, até janeiro vamos estar operando de forma integrada os dois reservatórios. O caso da Região Metropolitana, ela está totalmente integrada à Região do Jaguaribe por dois grandes canais: o do Trabalhador e Eixão das Águas. Então é o caso de uma bacia hoje tem uma maior dependência de outra região, de outra bacia hidrográfica, mas elas estão integradas. Esse é o caso que eu diria mais emblemática no Estado”, explica o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

saiba mais

Ceará passa pela pior seca dos últimos 90 anos, com 38 açudes completamente secos e 42 no volume morto (Ceará News 7)

27/10/2016 11:45Hs

EFEITOS DA ESTIAGEM

O relatório da Cogerh também informa que, somente no mês de outubro o volume nos açudes caiu para 10% de sua capacidade.

Ceará passa pela pior seca dos últimos 90 anos, com 38 açudes completamente secos e 42 no volume morto

Os reservatórios do Ceará estão exauridos por conta da seca prolongada 

A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) relatou a situação preocupante que vive o Ceará por conta da falta de chuvas, que faz o Estado enfrentar a pior seca dos últimos 90 anos.

Segundo a Cogerh, somente no mês de outubro o volume de água nos açudes cearenses caiu para 10 por cento. Dos 153 açudes monitorados pela companhia 131 têm menos de 30% da capacidade máxima e apenas um está com mais de 90%. Outros 42 estão com o volume morto e 38 completamente secos.

No mês de março, considerado o mais chuvoso da temporada de inverno, quando em média são esperados mais de 200 milímetros, o índice registrado foi de apenas 129 milímetros. Os dados confirmam o quinto ano seguido de chuvas abaixo da média no Ceará, ocasionando uma das maiores secas já registradas na história.

Lista dos açudes com volume morto:

Batente, Broco, Capitão Mor, Castro, Catucinzenta, Cipoada, Ema, Farias de Sousa, Flor do Campo, Fogareiro, Forquilha, Frios, Gerardo Atimbone, Jaburu II, Jatobá, Jatobá II, Jenipapeiro, Jenipapeiro II, João Luís, Macacos, Martinópole, Monsenhor, Tabosa, Parambu, Penedo, Pentecoste, Pesqueiro, Poço ds Pedra, Poço do Barro, Pompeu Sobrinho, Riacho da Serra, Riacho do Sangue, Rivaldo de Carvalho, Santo Antônio, Santo Antônio de Aracatiaçu, São Domingos II, São José II, São José III, Sítios Novos, Sucesso, Tejuçuoca, Várzea da Volta e Várzea do Boi.

Lista dos ançudes secos

Adauto Bezerra, Amanari, Barra Velha, Barragem do Batalhão, Bonito, Canafístula, Carão, Carmina, Carnaubal, Cedro, Cumpim, Desterro, Escuridão, Faé, Favelas, Forquilha II, Jerimum, Madeiro, Monte Belo, Nova Floresta, Pau Preto, Pirabibu, Potiretama, Premuoca, Quixabinha, Quixeramobim, Salão, Santa Maria de Aracatiaçu, Santo Antônio de Russas, São Domingos, São José I, São Mateus, Serafim Dias, Sousa, Trapiá II, Trici, Umari, Vieirão.

Fonte: Cogerh

‘Relatório sobre 1,5ºC trará dilema moral’ (Observatório do Clima)

Vice-presidente do IPCC afirma que próximo documento do grupo, em 2018, pode apresentar a escolha entre salvar países-ilhas e usar tecnologias incipientes de modificação climática

O próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, encomendado para 2018, pode apresentar à humanidade um dilema moral: devemos lançar mão em larga escala de tecnologias ainda não testadas e potencialmente perigosas de modificação do clima para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC? Ou devemos ser prudentes e evitar essas tecnologias, colocando em risco a existência de pequenas nações insulares ameaçadas pelo aumento do nível do mar?

Quem expõe a dúvida é Thelma Krug, 65, diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e vice-presidente do painel do clima da ONU. Ela coordenou o comitê científico que definiu o escopo do relatório e produziu, no último dia 20, a estrutura de seus capítulos. A brasileira deverá ter papel-chave também na redação do relatório, cujos autores serão escolhidos a partir de novembro.

O documento em preparação é um dos relatórios mais aguardados da história do IPCC. É também único pelo fato de ser feito sob encomenda: a Convenção do Clima, na decisão do Acordo de Paris, em 2015, convidou o painel a produzir um relatório sobre impactos e trajetórias de emissão para limitar o aquecimento a 1,5oC, como forma de embasar cientificamente o objetivo mais ambicioso do acordo. A data de entrega do produto, 2018, coincidirá com a primeira reunião global para avaliar a ambição coletiva das medidas tomadas contra o aquecimento global após a assinatura do tratado.

Segundo Krug, uma das principais mensagens do relatório deverá ser a necessidade da adoção das chamadas emissões negativas, tecnologias que retirem gases-estufa da atmosfera, como o sequestro de carbono em usinas de bioenergia. O problema é que a maior parte dessas tecnologias ou não existe ainda ou nunca foi testada em grande escala. Algumas delas podem envolver modificação climática, a chamada geoengenharia, cujos efeitos colaterais – ainda especulativos, como as próprias tecnologias – podem ser quase tão ruins quanto o mal que elas se propõem a curar.

Outro risco, apontado pelo climatólogo britânico Kevin Anderson em comentário recente na revista Science, é essas tecnologias virarem uma espécie de desculpa para a humanidade não fazer o que realmente precisa para mitigar a mudança climática: parar de usar combustíveis fósseis e desmatar florestas.

“Ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas”, disse Krug. “Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.”

Ela disse esperar, por outro lado, que o relatório mostre que existem tecnologias maduras o suficiente para serem adotadas sem a necessidade de recorrer a esquemas mirabolantes.

“Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas”, afirmou, lembrando que, quanto mais carbono cortarmos rápido, menos teremos necessidade dessas novas tecnologias.

Em entrevista ao OC, concedida dois dias depois de voltar do encontro do IPCC na Tailândia e minutos antes de embarcar para outra reunião, na Noruega, Thelma Krug falou sobre suas expectativas para o relatório e sobre os bastidores da negociação para fechar seu escopo – que opôs, para surpresa de ninguém, as nações insulares e a petroleira Arábia Saudita.

A sra. coordenou o comitê científico que definiu o índice temas que serão tratados no relatório do IPCC sobre os impactos de um aquecimento de 1,5oC. A entrega dessa coordenação a uma cientista de um País em desenvolvimento foi deliberada?

O IPCC decidiu fazer três relatórios especiais neste ciclo: um sobre 1,5oC, um sobre oceanos e um sobre terra. O presidente do IPCC [o coreano Hoesung Lee] achou por bem que se formasse um comitê científico e cada um dos vice-presidentes seria responsável por um relatório especial. Então ele me designou para o de 1,5oC, designou a Ko Barrett [EUA] para o de oceanos e o Youba [Sokona, Mali] para o de terra. O comitê foi formado para planejar o escopo: número de páginas, título, sugestões para cada capítulo. E morreu ali. Por causa da natureza do relatório, que será feito no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, houve também a participação de duas pessoas da área de ciências sociais, de fora do IPCC. Agora, no começo de novembro, sai uma chamada para nomeações. Serão escolhidos autores principais, coordenadores de capítulos e revisores.

Quantas pessoas deverão produzir o relatório?

No máximo cem. Considerando que vai ter gente do birô também. Todo o birô do IPCC acaba envolvido, são 30 e poucas pessoas, que acabam aumentando o rol de participantes.

A sra. vai participar?

Participarei, e participarei bastante. Os EUA fizeram um pedido para que o presidente do comitê científico tivesse um papel de liderança no relatório. Isso porque, para esse relatório, eu sinto algo que eu não sentia tanto para os outros: se não fosse eu acho que seria difícil. Porque teve muita conversa política.

Quando um país levanta uma preocupação, eu tenho de entender mais a fundo onde a gente vai ter que ter flexibilidade para construir uma solução. Eu acho que foi muito positivo o fato de o pessoal me conhecer há muitos anos e de eu ter a liberdade de conversar com uma Arábia Saudita com muita tranquilidade, de chegar para as pequenas ilhas e conversar com muita tranquilidade e tentar resolver as preocupações.

Por exemplo, quando as pequenas ilhas entraram com a palavra loss and damage [perdas e danos], para os EUA isso tem uma conotação muito política, e inaceitável para eles no contexto científico. No fórum científico, tivemos de encontrar uma forma que deixasse as pequenas ilhas confortáveis sem mencionar a expressão loss and damage, mas captando com bastante propriedade aquilo que eles queriam dizer com isso. Acabou sendo uma negociação com os autores, com os cientistas e com o pessoal do birô do painel para chegar numa acomodação que deixasse a todos satisfeitos.

E qual era a preocupação dos sauditas?

Na reunião anterior, que definiu o escopo do trabalho, a gente saiu com seis capítulos bem equilibrados entre a parte de ciências naturais e a parte de ciência social. Por exemplo, essa parte de desenvolvimento sustentável, de erradicação da pobreza, o fortalecimento do esforço global para tratar mudança do clima. E os árabes não queriam perder esse equilíbrio. E as pequenas ilhas diziam que o convite da Convenção foi para fazer um relatório sobre impactos e trajetórias de emissões.

Mas as ilhas estavam certas, né?

De certa maneira, sim. O que não foi certo foi as ilhas terem aceitado na reunião de escopo que o convite fosse aceito pelo IPCC “no contexto de fortalecer o esforço global contra a ameaça da mudança climática, do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Eles abriram o escopo.

A culpa não foi de ninguém, eles abriram. A partir do instante em que eles abriram você não segura mais. Mas isso requereu também um jogo de cintura para tirar um pouco do peso do desenvolvimento sustentável e fortalecer o peso relativo dos capítulos de impactos e trajetórias de emissões.

Essa abertura do escopo enfraquece o relatório?

Não. Porque esse relatório vai ter 200 e poucas páginas, e cem delas são de impactos e trajetórias. Alguns países achavam que já havia muito desenvolvimento sustentável permeando os capítulos anteriores, então por que você ia ter um capítulo só para falar de desenvolvimento sustentável? Esse capítulo saiu de 40 páginas para 20 para justamente fortalecer a contribuição relativa de impactos e trajetórias do relatório. E foi uma briga, porque as pequenas ilhas queriam mais um capítulo de impactos e trajetórias. Esse relatório é mais para eles. Acima de qualquer coisa, os mais interessados nesse relatório são as pequenas ilhas.

Um dos desafios do IPCC com esse relatório é justamente encontrar literatura sobre 1,5oC, porque ela é pouca. Em parte porque 1,5oC era algo que as pessoas não imaginavam que seria possível atingir, certo?

Exato.

Porque o sistema climático tem uma inércia grande e as emissões do passado praticamente nos condenam a 1,5oC. Então qual é o ponto de um relatório sobre 1,5oC?

O ponto são as emissões negativas. O capítulo 4 do relatório dirá o que e como fazer. Faremos um levantamento das tecnologias existentes e emergentes e a agilidade com que essas tecnologias são desenvolvidas para estarem compatíveis em segurar o aumento da temperatura em 1.5oC. Vamos fazer uma revisão na literatura, mas eu não consigo te antecipar qualquer coisa com relação à forma como vamos conseguir ou não chegar a essas emissões negativas. Mas é necessário: sem elas eu acho que não dá mesmo.

A sra. acha, então, que as emissões negativas podem ser uma das grandes mensagens desse novo relatório…

Isso já ocorreu no AR5 [Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2013 e 2014]. Porque não tinha jeito, porque você vai ter uma emissão residual. Só que no AR5 não tínhamos muita literatura disponível.

Quando se vai falar também da velocidade com a qual você consegue implementar essas coisas… o relatório também toca isso aí no contexto atual. Mas, no sufoco, essas coisas passam a ter outra velocidade, concorda? Se você demonstrar que a coisa está ficando feia, e está, eu acho que isso sinaliza para o mundo a necessidade de ter uma agilização maior no desenvolvimento e na implementação em larga escala de tecnologias que vão realmente levar a emissões negativas no final deste século.

Nós temos esse tempo todo?

Para 1,5oC é bem complicado. Em curto prazo, curtíssimo prazo, você precisa segurar as emissões, e aí internalizar o que você vai ter de emissões comprometidas. De tal forma que essas emissões comprometidas estariam sendo compensadas pelas tecnologias de emissões negativas. Esse é muito o meu pensamento. Vamos ver como isso acabará sendo refletido no relatório em si.

Haverá cenários específicos para 1,5oC rodados pelos modelos climáticos?

Tem alguma coisa nova, mas não tem muita coisa. Eles devem usar muita coisa que foi da base do AR5, até porque tem de ter comparação com 2oC. A não ser que rodem de novo para o 2oC. Precisamos entender o que existe de modelagem nova e, se existe, se ela está num nível de amadurecimento que permita que a gente singularize esses modelos para tratar essa questão nesse novo relatório.

Há cerca de 500 cenários para 2oC no AR5, e desses 450 envolvem emissões negativas em larga escala.

Para 1,5oC isso vai aumentar. Para 1,5oC vai ter de acelerar a redução de emissões e ao mesmo tempo aumentar a introdução de emissões negativas nesses modelos.

Há alguns dias o climatologista Kevin Anderson, diretor-adjunto do Tyndall Centre, no Reino Unido, publicou um comentário na revista Science dizendo que as emissões negativas eram um “risco moral por excelência”, por envolver competição por uso da terra, tecnologias não testadas e que vão ter de ser escaladas muito rápido. A sra. concorda?

Eu acho que essa questão de geoengenharia é uma das coisas que vão compor essa parte das emissões negativas. E aí talvez ele tenha razão: o mundo fica assustado com as coisas que vêm sendo propostas. Porque são coisas loucas, sem o amadurecimento necessário e sem a maneira adequada de se comunicar com o público. Mas vejo também que haverá tempo para um maior amadurecimento disso.

Mas concordo plenamente que ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas. Mas esse é meu ponto de vista. Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.

Deixe-me ver se entendi o seu ponto: a sra. acha que há um risco de essas tecnologias precisarem ser adotadas e escaladas sem todos os testes que demandariam num cenário ideal?

Fica difícil eu dizer a escala disso. Sem a gente saber o esforço que vai ser possível fazer para cortar emissões em vez de ficar pensando em compensar muito fortemente o residual, fica difícil dizer. Pode ser que já haja alguma tecnologia amadurecida antes de começar a pensar no que não está amadurecido. Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas.

Agora, entre você falar: “Não vou chegar a 1,5oC porque isso vai exigir implementar tecnologias complicadas e que não estão amadurecidas” e isso ter uma implicação na vida das pequenas ilhas… isso também é uma preocupação moral. É um dilema. Eu tenho muita sensibilidade com a questão de geoengenharia hoje. E não sou só eu. O IPCC tem preocupação até em tratar esse tema. Mas é a questão do dilema. O que eu espero que o relatório faça é indicar o que precisa ser feito. Na medida em que você vai fazendo maiores reduções, você vai diminuindo a necessidade de emissões negativas. É essa análise de sensibilidade que os modelos vão fazer.

Observatório do Clima

Rio Acre diminui 18 cm e compromete o abastecimento de água no Estado (MCTIC)

Segundo Cemaden, água captada do rio chega às estações de tratamento com barro, o que prejudica o abastecimento. Relatório cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume insuficiente

Em 12 dias, o rio Acre diminuiu 18 centímetros, atingindo 1,35 metro em Rio Branco, o menor nível já registrado. Os dados foram divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, no relatório sobre a seca no estado. Se a estiagem persistir, o rio pode atingir 1,06 metro em 10 de setembro.

“Há uma série de impactos decorrentes dessa situação. A agricultura é totalmente prejudicada. A navegação também é influenciada, pois os barcos não conseguem navegar, e o abastecimento de cidades do interior do estado fica comprometido”, observou o coordenador-geral de Operações do Cemaden, Marcelo Seluchi.

Outro ponto destacado pelo climatologista é o abastecimento de água para a população. Segundo ele, a água que chega às estações de tratamento tem maior quantidade de barro, e essas unidades precisam trabalhar mais para entregar um produto de qualidade para a população. Para isso, foi preciso ajustar as bombas de captação para o volume menor, processo semelhante ao adotado no Sistema Cantareira, em São Paulo (SP).

“Há dificuldade no abastecimento e perda de qualidade da água. O processo de tratamento é mais demorado e acaba encarecido”, afirmou Marcelo Seluchi.

De acordo com o relatório do Cemaden, as chuvas têm sido deficientes desde março, e o período entre junho e agosto é o mais seco do ano no Acre. O documento cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume “pouco expressivo”. “Não há expectativa de recuperação do quadro hídrico até o mês de setembro, embora possam ocorrer chuvas ocasionais”, alerta o Cemaden no documento.

“Tivemos alguns quadros de chuvas nos últimos dias, mas não há indícios concretos de que o período chuvoso vá começar na época considerada normal. Precisamos coletar mais dados para poder fazer uma previsão mais acurada”, reforçou Seluchi.

Queimadas

No documento, os pesquisadores também alertam para o risco de incêndios florestais no estado, que registrou, até 26 de julho, três vezes mais ocorrências de focos de calor que o máximo já detectado desde 1998.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre janeiro e agosto de 2016, o Acre teve 1.120 focos de incêndio, um aumento de 222% em relação ao mesmo período do ano passado.

MCTIC

Open Science: o futuro da ciência e o desastre de Mariana (Pesquisa Fapesp)

12.08.2016

O Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) realiza expedições com o objetivo de coletar e analisar amostras da lama com rejeitos de mineração que atingiu o rio Doce após o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, e estimula não cientistas a contribuírem com amostras. Apostando no conceito de ciência aberta, os resultados das viagens são divulgados em tempo real nas redes sociais e no site da organização, permitindo que a população acompanhe o avanço das análises. No vídeo, pesquisadores comentam como o grupo surgiu e algumas consequências do desastre.

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixo (Pesquisa Fapesp)

15 de agosto de 2016

Seca pode levar o rio Acre ao seu nível histórico mais baixoSegundo o Grupo de Trabalho em Previsão Climática do MCTIC, estiagem deve afetar navegação e abastecimento dos ribeirinhos, além do risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia e área central do país (Foto: Rio Acre/Agência Acre)

Agência FAPESP – A seca que atinge o sudoeste da Amazônia, especialmente o Acre, deve se agravar ainda mais nos próximos meses, alertou o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), de acordo com a Assessoria de Comunicação Social do Ministério.

Segundo a previsão, o rio Acre deve atingir o seu mais baixo nível histórico (entre 1,20m e 1,30m) e impactar a navegação e o abastecimento de comunidades ribeirinhas da região. O levantamento é válido para os meses de agosto, setembro e outubro deste ano.

O Acre é o estado mais afetado pela estiagem que se estende também para o norte da Amazônia. Desde março, o volume de chuvas é deficitário na região, em parte por conta do El Niño, que começou no outono do ano passado. O fenômeno está associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando os ventos em boa parte do planeta e o regime de chuvas. Na região Norte, leva à seca. A partir de junho, o La Niña, fenômeno oposto, começou a se desenvolver de forma fraca.

“Esta estiagem é fruto de uma interação de vários fenômenos, notadamente o El Niño e a La Niña. Ela já se estende há quase seis meses, e não temos uma noção exata de quando vai normalizar. Estamos acompanhando a situação mensalmente para avaliar como ela se comporta”, afirmou o chefe da Divisão de Pesquisas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, à Assessoria de Comunicação Social do MCTIC.

O documento alerta ainda para o alto risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente na área central do Brasil e no sul e no leste da Amazônia. O número de focos de incêndio pode atingir máximas históricas. Contudo, a adoção de medidas de controle pode mitigar o problema no trimestre.

Poucas chuvas no Nordeste

A região Nordeste também deve sofrer mais com a estiagem no período analisado. De acordo com o grupo de previsão climática do MCTIC, tradicionalmente, agosto é o último mês da estação chuvosa na parte leste da região, mas tem chovido pouco desde abril, início do período de precipitações na região. Com a baixa incidência de chuvas nos últimos anos, a tendência é que a situação se repita na zona da mata, que já apresenta valores abaixo da média para a época do ano.

“O panorama de poucas chuvas nessa área vem se arrastando desde 2012, e os níveis dos reservatórios e dos rios estão muito baixos, mesmo na zona da mata. E isso gera problemas para a população, porque pode haver desabastecimento”, destacou José Marengo.

Participam do GTPCS o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A íntegra do documento pode ser acessada aqui no endereço http://www.cemaden.gov.br/previsao-climatica-para-o-trimestre-aso2016/.

Cemaden completa cinco anos com o monitoramento de 957 municípios do País (MCTI)

JC, 5449, 1 de julho de 2016

Mais de R$ 72 milhões já foram investidos em radares meteorológicos de alta resolução para monitoramento de áreas de risco. Além disso, o Cemaden desenvolve tecnologia para previsão de quebra de safra no semiárido

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) completa cinco anos com o monitoramento de áreas de risco em 957 municípios do País. Um trabalho feito 24 horas por dia, sem interrupção. As informações fornecidas por radares meteorológicos de alta tecnologia já permitiram a emissão de 5,5 mil alertas para a Defesa Civil. Segundo o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, 12 novos equipamentos serão adquiridos, o que vai aumentar a confiabilidade dos alertas.

“Os radares serão instalados nas áreas que atualmente não estão cobertas, o que fará com que o Brasil possua um dos mais avançados sistemas de monitoramento de risco de ocorrência de desastres naturais do mundo”, afirma Moraes.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Cemaden investiu R$ 72 milhões em nove radares meteorológicos, equipamentos no estado da arte para aplicações voltadas ao monitoramento de desastres naturais instalados em Petrolina (PE), Natal (RN), Maceió (AL), Salvador (BA), Almenara (MG), Três Marias (MG), São Francisco (MG), Santa Teresa (ES) e Jaraguari (MS). Com eles, o Cemaden consegue mensurar a quantidade de chuvas, fazer uma previsão de tempo de curtíssimo prazo e antecipar a emissão de alertas para municípios com risco de desastres naturais. Os dados estão disponíveis em tempo real para acesso público.

“Esses radares possuem a capacidade de identificar e localizar as nuvens presentes dentro da área de cobertura do equipamento, além de medir a quantidade de chuva em um determinado local. O uso permite que os operadores do Cemaden identifiquem os locais onde as condições meteorológicas aumentam o risco de desastres naturais. Com isso, podemos emitir alertas antecipados sobre o risco de deslizamentos de terra e enchentes, por exemplo, preservando as vidas das pessoas expostas ao risco”, explica o coordenador do projeto Radares Meteorológicos do Cemaden, Carlos Frederico de Angelis.

Ele ressalta que a unidade implantada em Maceió, por exemplo, possui tecnologia e sensibilidade para levantar dados elaborados sobre chuvas num raio de 400 quilômetros de distância. Segundo Angelis, o equipamento é capaz de antecipar os riscos de desastres provocados por fenômenos meteorológicos com até seis horas de antecedência.

“Um desastre natural afeta não só a vida das pessoas que estão em áreas de risco como também a infraestrutura e a economia, como o agronegócio, por exemplo. Os impactos são ainda maiores para os pequenos produtores”, diz Angelis.

Ciência Cidadã

A quebra de safras agrícolas também está no radar do Cemaden, que vai lançar, no segundo semestre, o Sistema de Previsão de Riscos de Colapso de Safras no Semiárido Brasileiro com previsões de risco de colapso de safras geradas a partir de estimativas de modelos agrometeorológicos; dados públicos de safras típicas (milho, mandioca, feijão, arroz e sorgo) por região; e previsão do tempo para um período de 15 a 45 dias.

“A implantação deste projeto contempla o uso de modelos agrometeorológicos integrados a uma rede de monitoramento de dados (meteorológicos, fenológicos, práticas de manejo e informações do solo), contribuindo para a geração de indicadores para o monitoramento da seca, previsão e manejo dos riscos de colapso de safras e aprimoramento dos sistemas de alerta”, explica o diretor do Cemaden.

Além disso, o sistema vai contar com as informações enviadas pelos próprios produtores por meio de aplicativo desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT) do MCTIC e o International Institute for Applied Systems Analysis (Iiasa), da Áustria.

Disponibilizado para aparelhos celulares desde o início do ano, o AgriSupport permite o registro fotográfico georreferenciado de áreas plantadas e a coleta de informações sobre plantios realizados pelos pequenos produtores do semiárido.

No futuro, o monitoramento das safras será estendido para outros cultivos em outras regiões do País.

 MCTIC

2016 é um dos anos mais secos do Ceará e o pior começa agora (O Povo)

CHUVA 14/06/2016

Os meteorologistas afirmam que não há previsão de precipitações para os últimos seis meses do ano 

Igor Cavalcante

Os próximos meses serão de mais escassez hídrica para o Ceará. Quando o assunto é chuva, o segundo semestre é o mais crítico para o Estado. As precipitações que ainda acontecem são causadas por instabilidades meteorológicas e não devem impactar no cenário de estiagem.

Em coletiva de imprensa ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou que, de 2012 para cá, a estiagem deste ano é a segunda pior. Em algumas regiões não choveu nem metade do esperado. O cenário faz de 2016 um dos dez anos mais secos da história.

Contudo, monitoramento do Oceano Pacífico indica que águas estão resfriando. É um sinal de que precipitações podem aumentar no próximo ano. O aquecimento oceânico, fenômeno conhecido como El Niño, impacta na formação da Zona de Convergência Intertropical, principal responsável pelas chuvas na costa cearense. Quando parte do Pacífico está aquecida, as nuvens tendem a se formar e precipitar no mar.

De acordo com Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme, ainda é cedo para garantir boa quadra chuvosa para 2017. “É um aspecto positivo, mas temos de aguardar como vai ser o padrão desse resfriamento”, pondera.

O meteorologista Raul Fritz também é cauteloso quanto às previsões. Segundo ele, mesmo num cenário em que não haja El Niño, bom inverno é incerto.

A preocupação dos meteorologistas é com os meses até a próxima quadra chuvosa.. “A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e certeza de que não chove no segundo semestre”, cita o presidente da Funceme. Historicamente, mais de 90% do volume anual de chuva no Estado acontece no primeiro semestre.

Abaixo do esperado

Também foram as temperaturas elevadas das águas do Pacífico que contribuíram para as poucas precipitações no Estado. Conforme O POVO havia adiantado na edição do último dia 1°, a quadra chuvosa deste ano terminou como a segunda pior desde 2012, quando começou a sequência de cinco anos de estiagem.

Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas ficaram 45,2% abaixo do esperado. Fevereiro foi o período mais crítico, quando o volume no Estado ficou 55,3% abaixo da expectativa. Os meses de março e abril — historicamente de mais chuva — também tiveram precipitações inferiores à média.

As regiões Jaguaribana e do Sertão dos Inhamuns foram as de maior escassez. Nos municípios, as chuvas sequer atingiram metade do esperado, ficando 54,5% e 52,3% abaixo da média, respectivamente.

Segundo o presidente da Funceme, desde o início do ano, o Estado trabalha com o cenário da seca e promove ações para garantir licitações de poços e adutoras emergenciais na tentativa de suprir a necessidade hídrica do Interior.

Saiba mais 

Uma das alternativas para amenizar a escassez hídrica, o Projeto de Integração do rio São Francisco será concluído em dezembro, com previsão de abastecer os reservatórios em janeiro do próximo ano.

No último fim de semana, comitiva do Ministério da Integração vistoriou os eixos Norte e Leste do Projeto. Além do Ceará, Pernambuco e Paraíba devem ser beneficiados a partir de 2017.

Fenômenos naturais deslocaram 19,2 milhões de pessoas em 2015, alerta escritório da ONU (ONU)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Número representa quase 70% do total de deslocados internos do mundo registrado em 2015

Fenômenos naturais forçaram 19,2 milhões de pessoas a abandonarem seus lares em 2015. O contingente representa quase 70% do total de deslocados internos – 27,8 milhões – que se viram obrigados a fugir dos lugares onde moravam por conta de conflitos, violência ou desastres naturais ao longo do ano passado.

Os números foram divulgados na semana passada (12) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) em relatório que apresenta um panorama do deslocamento interno global e de suas causas.

O documento alerta para os fatores de risco de desastres associados a processos lentos de alteração ambiental, tais como secas, elevação do nível do mar e desertificação — fenômenos provocados pelas transformações do clima. Ameaças climáticas foram responsáveis por 14,7 milhões de deslocamentos.

“A maioria dos deslocamentos ocasionados por desastres naturais ocorreu devido a eventos climáticos extremos, que aconteceram em um ano com um número recorde de secas, inundações e grandes tempestades tropicais”, continuou Glasser, lembrando que grande parte disso foi causada por um forte El Niño registrado em meio a mudanças climáticas cada vez mais maiores.

Para Glasser, diante desse cenário, é necessário o desenvolvimento de um sistema capaz de melhorar a gestão de risco de desastres a nível local, a fim de evitar o deslocamento de pessoas nesta escala.

“Isso significa melhorar alertas precoces, proporcionar habitação de baixo custo em locais seguros e fazer todo o possível para reduzir o número de pessoas afetadas por catástrofes, segundo o que foi acordado pelos Estados-membros no Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, no ano passado”, ressaltou.

O Marco é um plano global para reduzir as ameaças de catástrofe adotado pelos Estados-membros das Nações Unidas em 2015, durante uma conferência mundial em Sendai, no Japão.

O acordo estabelece metas para a redução da mortalidade relacionada a desastres, assim como para a diminuição do número de pessoas afetadas, dos danos à infraestrutura e das perdas econômicas.

ONU

Elevação do nível do mar traga várias ilhas do Pacífico (El País)

Mudanças climáticas estão elevando as águas pelo menos desde meados do século XX

MIGUEL ÁNGEL CRIADO

15 MAI 2016 – 00:19 CEST

Desaparecem ilhas do Pacífico:. A imagem aérea mostra a ilha de Nuatambu partida em duas pelas águas. SIMON ALBERT / EL PAÍS VÍDEO

Desta vez não se trata de previsões ameaçadoras para um futuro distante: um grupo de pesquisadores comprovou como em apenas poucas décadas várias ilhas do oceano Pacífico desapareceram sob o mar. Seu estudo conecta as mudanças climáticas mundiais com a elevação do nível do mar em escala local. Uma conexão que tragará muitas outras ilhas e zonas costeiras nas próximas décadas.

Usando imagens aéreas e por satélites obtidas desde 1947, cientistas australianos têm acompanhado a elevação do nível das águas que rodeiam as ilhas Salomão, no meio do Pacífico ocidental. O arquipélago, formado por cerca de 1.000 ilhas que, juntas, mal superam os 28.000 quilômetros quadrados de extensão, é o lar de mais de meio milhão de pessoas. De origem vulcânica, muitas são pequenos pedaços de terra de poucos hectares, quase ao nível do mar. Por isso são um laboratório onde testar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.

Os registros dendrocronológicos obtidos dos troncos das árvores mostram que o nível do mar se manteve estável nos últimos séculos, somente sujeito a variações temporais pelo impacto de fenômenos climáticos como El Niño. No entanto, esse equilíbrio foi para o espaço nas últimas décadas. Desde meados do século passado o oceano subiu 3 milímetros por ano, uma cifra que se elevou até os 7 milímetros anuais desde 1994.

Cinco pequenas ilhas das Salomão desapareceram e outras seis perderam a maior parte da terra

Com esses dados, os pesquisadores puderam comprovar com imagens o desaparecimento de cinco ilhas. Apesar de que a maior tinha apenas cinco hectares, trata-se de ilhotas com vegetação, vida silvestre e, pelo menos em dois casos, habitadas. Em algumas ainda é possível ver árvores que se afogam com as raízes sob o mar.

O estudo, publicado na Environmental Research Letters, também mostra que outras seis ilhas perderam até 62% de sua terra. Além disso, o ritmo do avanço do mar está ficando mais acelerado. As imagens tomadas do céu demonstram que até os anos 60 as águas arrebataram apenas 0,1% por unidade de área. A porcentagem se elevou até 0,5% anual até 2002 e, a partir daí, explodiu até 1,9%.

“A elevação do nível do mar nas Ilhas Salomão nos últimos 20 anos foi três vezes maior que a média mundial”, diz em uma mensagem o pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), Simon Albert. Embora possa parecer que o nível do mar tenda a ser igual em todo o planeta, há fatores locais que o elevam ou baixam.

No caso das Salomão, “em parte isso se deve ao aumento do nível do mar e, em parte, ao ciclo natural dos ventos alísios que movem a água no Pacífico ocidental”, esclarece o cientista australiano. “Mas, independentemente da combinação de causas, esses resultados nos apresentam uma visão dos impactos da elevação do nível do mar na segunda metade deste século, quando o restante do planeta sofrer um ritmo semelhante ao que experimentaram as Ilhas Salomão nestes 20 anos”, acrescenta Albert.

Comunidades de pescadores tiveram de mudar-se morro acima para distanciar suas casas do mar

O drama está transcorrendo quase ao vivo. Na ilha de Nuatambu, por exemplo, viviam 25 famílias. O mar lhes roubou a metade da terra e, na década atual, arrebatou 11 casas. Em várias ilhas as pessoas já tiveram de mudar-se para as zonas mais altas ou mudar de ilha. Algumas comunidades se fragmentaram, com alguns membros deslocados e outros ainda resistindo.

No artigo que os próprios pesquisadores escrevem em The Conversation está incluído o depoimento de Sirilo Sutaroti, o ancião-chefe que aos 94 anos rege o povo paurata, uma tribo de pescadores: “O mar começou a adentrar, o que nos obrigou a ir morro acima e reconstruir nosso povoado longe do mar”.

Abril é o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde no planeta (O Globo)

Por O Globo. 16/05/2016

 

RIO — Abril deste ano registrou as temperaturas mais quentes para este mês na História, segundo informações da Nasa. É o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde, com mais de 1 grau Celsius de diferença em relação à média entre 1951 e 1980.

A temperatura média global em abril foi 1.11 grau Celsius acima da média do período 1951-1980, esmagando o recorde anterior para o mês, registrado em 2010, de 0,24 grau Celsius acima da média.

— O mais interessante é a escala na qual estamos quebrando os recordes — disse Andy Pitman, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em entrevista ao “Guardian”. —Claramente, tudo está caminhando na direção errada. Os cientistas climáticos estão alertando sobre isso desde os anos 1980, e tem sido óbvio desde os anos 2000. Então onde está a surpresa?

É o terceiro mês consecutivo em que o recorde de temperatura é quebrado pela maior diferença já registrada. Desde fevereiro, quando as margens começaram a quebrar recordes, os cientistas começaram a falar sobre “emergência climática”. Existe a influência do El Niño, mas o temor é que o planeta esteja aquecendo de forma mais acelerada que o imaginado, o que coloca em risco os objetivos acertados em Paris.

— O alvo de 1.5 grau Celsius é um desejo. Eu não sei se conseguiríamos esse objetivo se parássemos com as emissões hoje. Existe inércia no sistema. E o resultado de abril coloca pressão para os 2 graus Celsius — disse Pitman.

Hurricanes key to carbon uptake by forests (Science Daily)

Increases in carbon uptake by southeast US forests in response to tropical cyclone activity alone exceed carbon emissions by American vehicles each year.

Date:
May 2, 2016
Source:
Duke University
Summary:
New research reveals that the increase in forest photosynthesis and growth made possible by tropical cyclones in the southeastern United States captures hundreds of times more carbon than is released by all vehicles in the US in a given year.

This map shows the total increase of photosynthesis and carbon uptake by forests caused by all hurricanes in 2004. The dotted gray lines represent the paths of the individual storms. Credit: Lauren Lowman, Duke University

While hurricanes are a constant source of worry for residents of the southeastern United States, new research suggests that they have a major upside — counteracting global warming.

Previous research from Duke environmental engineer Ana Barros demonstrated that the regular landfall of tropical cyclones is vital to the region’s water supply and can help mitigate droughts.

Now, a new study from Barros reveals that the increase in forest photosynthesis and growth made possible by tropical cyclones in the southeastern United States captures hundreds of times more carbon than is released by all vehicles in the U.S. in a given year.

The study was published online on April 20, 2016, in the Journal of Geophysical Research — Biogeosciences.

“Our results show that, while hurricanes can cause flooding and destroy city infrastructure, there are two sides to the story,” said Barros, the James L. Meriam Professor of Civil and Environmental Engineering at Duke University. “The other side is that hurricanes recharge the aquifers and have an enormous impact on photosynthesis and taking up carbon from the atmosphere.”

In the study, Lauren Lowman, a doctoral student in Barros’s laboratory, used a hydrological computer model to simulate the ecological impacts of tropical cyclones from 2004-2007. The earlier years of that time period had a high number of tropical cyclone landfall events, while the latter years experienced relatively few.

By comparing those disparate years to simulations of a year without tropical cyclone events, Lowman was able to calculate the effect tropical cyclones have on the rates of photosynthesis and carbon uptake in forests of the southeastern United States.

“It’s easy to make general statements about how much of an impact something like additional rainfall can have on the environment,” said Lowman. “But we really wanted to quantify the amount of carbon uptake that you can relate to tropical cyclones.”

According to Barros and Lowman, it is difficult to predict what effects climate change will have on the region’s future. Even if the number of tropical cyclones that form in the Atlantic increases, that doesn’t guarantee that the number making landfall will also rise. And long-term forecasts for the region’s temperature and rainfall currently show less change than normal year-to-year variability.

But no matter what the future brings, one thing is clear — the regularity and number of tropical cyclones making landfall will continue to be vital.

“There are a lot of regional effects competing with large worldwide changes that make it very hard to predict what climate change will bring to the southeastern United States,” said Barros. “If droughts do become worse and we don’t have these regular tropical cyclones, the impact will be very negative. And regardless of climate change, our results are yet one more very good reason to protect these vast forests.”

This research was funded in part by the National Science Foundation Coupled Human and Natural Systems Program (CNH-1313799) and an earlier grant from the National Oceanic and Atmospheric Administration (NA08OAR4310701).


Journal Reference:

  1. Lauren E. L. Lowman, Ana P. Barros. Interplay of Drought and Tropical Cyclone Activity in SE US Gross Primary ProductivityJournal of Geophysical Research: Biogeosciences, 2016; DOI: 10.1002/2015JG003279

Armed guards at India’s dams as drought grips country (The Guardian)

Government says 330 million people are suffering from water shortages after monsoons fail

An armed guard at a reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh.

An armed guard at a reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh. Photograph: Money Sharma/AFP/Getty Images

Agence France-Presse

Monday 2 May 2016 Last modified on Monday 2 May 2016 

As young boys plunge into a murky dam to escape the blistering afternoon sun, armed guards stand vigil at one of the few remaining water bodies in a state hit hard by India’s crippling drought.

Desperate farmers from a neighbouring state regularly attempt to steal water from the Barighat dam, forcing authorities in central Madhya Pradesh to protect it with armed guards to ensure supplies.

India is officially in the grip of its worst water crisis in years, with the government saying that about 330 million people, or a quarter of the population, are suffering from drought after the last two monsoons failed.

“Water is more precious than gold in this area,” Purshotam Sirohi, who was hired by the local municipality to protect the dam, in Tikamgarh district, told AFP.

“We are protecting the dam round the clock.”

An Indian villager walks between rocks as he crosses a depleted reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh.

An Indian villager walks between rocks as he crosses a depleted reservoir in Tikamgarh in the central Indian state of Madhya Pradesh. Photograph: Money Sharma/AFP/Getty Images

But the security measures cannot stop the drought from ravaging the dam, with officials saying it holds just one month of reserves.

Four reservoirs in Madhya Pradesh have already dried up, leaving more than a million people with inadequate water and forcing authorities to bring in supplies using trucks.

Almost a 100,000 residents in Tikamgarh get piped water for just two hours every fourth day, while municipal authorities have ordered new bore wells to be dug to meet demand.

But it may not be enough, with officials saying the groundwater level has receded more than 100 feet (30 metres) owing to less than half the average annual rainfall in the past few years.

“The situation is really critical, but we are trying to provide water to everyone,” Laxmi Giri Goswami, chairwoman of Tikamgarh municipality, told AFP.

“We pray to rain gods for mercy,” she said.

A man stands on a parched lake bed as he removes dead fish and rescues the surviving ones in Ahmadabad, India.

A man stands on a parched lake bed as he removes dead fish and rescues the surviving ones in Ahmadabad, India. Photograph: Ajit Solanki/AP

In the nearby village of Dargai Khurd, only one of 17 wells has water.

With temperatures hovering around 45C, its 850 residents fear they may soon be left thirsty.

“If it dries up, we won’t have a drop of water to drink,” said Santosh Kumar, a local villager.

Farmers across India rely on the monsoon – a four-month rainy season which starts in June – to cultivate their crops, as the country lacks a robust irrigation system.

Two weak monsoons have resulted in severe water shortages and crop losses in as many as 10 states, prompting extreme measures including curfews near water sources and water trains sent to the worst-affected regions.

Many farmers are now moving to cities and towns to work as labourers to support their families.

At a scruffy, makeshift camp in north Mumbai, in one of the worst-affected states, dozens of migrants who have fled their drought-stricken villages queue to fill plastic containers with water.

Pots are lined up to be filled with drinking water at a slum in Mumbai.

Pots are lined up to be filled with drinking water at a slum in Mumbai. Photograph: Rajanish Kakade/AP

Migrants from rural areas usually come to the city in January or February to get jobs on construction sites, but people were still arriving in March and April.

“There are some 300-350 families here. That’s a total of more than 1,000 people,” said Sudhir Rane, a volunteer running the camp in Mumbai’s Ghatkopar suburb. “There is a drought and there is no water back home so more families have come here this year.”

Families are allocated a small space in the dusty wasteland, where rickety tented homes are made from wooden posts and tarpaulin sheets.

“We had no choice but to come here. There was no water, no grain, no work. There was nothing to eat and drink. What could we do?” said 70-year-old Manubai Patole. “We starved for five days. At least here we are getting food.”

Weather forecasters in New Delhi this month predicted an above-average monsoon, offering a ray of hope for the country’s millions of farmers and their families.

But many, like Gassiram Meharwal from Bangaye village in Madhya Pradesh, are not optimistic as they struggle to cultivate their crops.

Meharwal’s two-acre farm has suffered three wheat crop failures in as many years, costing him an estimated 100,000 rupees ($1,500 or £1,000).

“Our fields are doomed, they have almost turned into concrete,” he said.

Thousands of acres of land in his village go uncultivated and fears are mounting for the cattle, which face a shortage of fodder.

Desperate for income, 32-year-old Meharwal, who supports eight members of his family including his children and younger brothers, left to work as a labourer in the city of Gwalior, four hours away.

“There is no guarantee that it will rain this year. Predictions are fine but no one comes to your help when the crops fail,” he said.

“It is better to use your energy breaking stones.”