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Fenômenos naturais deslocaram 19,2 milhões de pessoas em 2015, alerta escritório da ONU (ONU)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Número representa quase 70% do total de deslocados internos do mundo registrado em 2015

Fenômenos naturais forçaram 19,2 milhões de pessoas a abandonarem seus lares em 2015. O contingente representa quase 70% do total de deslocados internos – 27,8 milhões – que se viram obrigados a fugir dos lugares onde moravam por conta de conflitos, violência ou desastres naturais ao longo do ano passado.

Os números foram divulgados na semana passada (12) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) em relatório que apresenta um panorama do deslocamento interno global e de suas causas.

O documento alerta para os fatores de risco de desastres associados a processos lentos de alteração ambiental, tais como secas, elevação do nível do mar e desertificação — fenômenos provocados pelas transformações do clima. Ameaças climáticas foram responsáveis por 14,7 milhões de deslocamentos.

“A maioria dos deslocamentos ocasionados por desastres naturais ocorreu devido a eventos climáticos extremos, que aconteceram em um ano com um número recorde de secas, inundações e grandes tempestades tropicais”, continuou Glasser, lembrando que grande parte disso foi causada por um forte El Niño registrado em meio a mudanças climáticas cada vez mais maiores.

Para Glasser, diante desse cenário, é necessário o desenvolvimento de um sistema capaz de melhorar a gestão de risco de desastres a nível local, a fim de evitar o deslocamento de pessoas nesta escala.

“Isso significa melhorar alertas precoces, proporcionar habitação de baixo custo em locais seguros e fazer todo o possível para reduzir o número de pessoas afetadas por catástrofes, segundo o que foi acordado pelos Estados-membros no Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, no ano passado”, ressaltou.

O Marco é um plano global para reduzir as ameaças de catástrofe adotado pelos Estados-membros das Nações Unidas em 2015, durante uma conferência mundial em Sendai, no Japão.

O acordo estabelece metas para a redução da mortalidade relacionada a desastres, assim como para a diminuição do número de pessoas afetadas, dos danos à infraestrutura e das perdas econômicas.

ONU

ONU desiste de criar órgão para cuidar de refugiados climáticos (O Globo)

Ideia foi retirada do rascunho de acordo que será levado à Conferência de Paris

POR O GLOBO

Operários cruzam com o Ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, durante sua visita ao local onde será realizada a 21ª Conferência do Clima, em Le Bourget – JACKY NAEGELEN / REUTERS

RIO — O rascunho do acordo global sobre mudanças climáticas, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última segunda-feira, já mostra alterações feitas, aparentemente, devido a pressões de alguns países. O documento será usado como base para as negociações durante a 21ª Conferência do Clima (COP 21) em Paris, em dezembro.Porém, foi retirada do documento a ideia de se criar um organismo para ajudar as pessoas a escapar dos desastres causados pelas mudanças climáticas.

Segundo o site do jornal britânico “The Guardian”, o passo atrás aconteceu por pressão da Austrália, que vem sendo criticada por sua pouca ambição em diminuir a emissão de gases de efeito estufa. A versão anterior do acordo incluía “instalações para a coordenação dos deslocamentos causados pelas mudanças climáticas” que deveriam prover “migrações organizadas e realocações planejadas”, assim como compensações, em dinheiro, para as pessoas que necessitam deixar suas casas para escapar da elevação do nível do mar, de condições meteorológicas extremas ou se mudar por conta da destruição da agricultura local.

A Austrália, no entanto, se opôs à criação das instalações, e essa medida foi retirada do novo texto. “A Austrália não vê a criação de instalações para a coordenação dos deslocamentos causados pelo clima como a maneira mais eficaz ou eficiente de progredir em direção a uma ação internacional significativa para enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores e Comércio, segundo o jornal “Guardian”. “A Austrália já está trabalhando com os nossos parceiros do Pacífico nessas questões importantes”.O país da Oceania já gastou mais de US$ 50 milhões em projetos de combate às mudanças climáticas no Pacífico e contribuiu com US$ 200 milhões para o Fundo Verde do Clima, mas vem sendo criticado por sua falta de ambição em cortar suas emissões de gases do efeito estufa e não ter um quadro político que apoie a causa de maneira consistente. O novo rascunho de 20 páginas, que substituiu outro, de 90, exortou todas as nações a se comprometerem com políticas de mitigação e endurecerem seus compromissos a cada cinco anos.

O projeto também salienta a importância da cooperação internacional e do apoio aos esforços de adaptação dos países em desenvolvimento, mais vulneráveis aos efeitos da mudança climática. O acordo ainda aponta a necessidade de todos os governos estarem engajados na causa.

Os impactos da mudanças climáticas devem deslocar até 250 milhões de pessoas em todo o mundo até 2050, incluindo muitos habitantes das ilhas do Pacífico. Em algumas áreas do Pacífico, o nível do mar está subindo 1,2 centímetros por ano, quatro vezes mais rápido do que a média global, o que é alarmante. Em ilhas a dois ou três metros acima do nível do mar, comunidades já estão sendo realocadas, e a água potável e as colheitas são constantemente ameaçadas por inundações de água salgada.

A COP 21 terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, diminuindo o aquecimento global e, em consequência, limitar o aumento da temperatura global em 2ºC até 2100.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/onu-desiste-de-criar-orgao-para-cuidar-de-refugiados-climaticos-17709772#ixzz3o0X1HOcF
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Blessed Are the Climate Advocates (Slate)

The Vatican and United Nations present the beatitudes of a new movement.

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon after a press conference during the a climate change conference organized by the Pontifical Academy of Sciences at the Vatican on April 28, 2015

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon after a press conference during a climate change meeting organized by the Pontifical Academy of Sciences at the Vatican on April 28, 2015. Photo by Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images

This week, while at Vatican City in Rome to manage press for the first-ever meeting on climate change between Pope Francis and United Nations Secretary-General Ban Ki-moon, my faith in a force more powerful was renewed. I am not religious, despite being descended from a long line of Amish and Mennonite preachers. But at the climate confab, I became a believer again. And I wasn’t alone.

It wasn’t my faith in God that was renewed at the Vatican but rather a faith in our ability to get something done on climate change. And as an American, whose Congress isn’t even close to acting aggressively or quickly enough on climate change, that’s saying something. Even the Pope’s and the U.N.’s top policy officials were clearly inspired by the event, which was hosted by the Vatican’s Pontifical Academy of Sciences. Throughout the day I witnessed multiple about-faces of previously cynical staff rapidly turning toward optimism.

This Vatican moment was a game-changer. Science and religion were forcefully and unwaveringly aligning. Tuesday’s high-level session brought together multiple presidents, CEOs, academics, scientists, and all the major religions, and ended with this final, forceful statement. The event was a prelude to the Pope’s summer encyclical on climate change, and it laid a solid foundation.

But more importantly—and this is why it instilled faith in many of us—the meeting featured some of the strongest words yet from the Vatican’s Cardinal Peter Turkson, the Pope’s right-hand policy man and the drafter of the first round of what will eventually be the Pope’s climate encyclical, and from the U.N.’s Ban Ki-moon.

Beyond the expected shout-outs to the upcoming climate talks in Paris later this year and to the need for a strong Green Climate Fund, which will assist developing countries in climate adaptation, the U.N.’s Ban noted in no uncertain terms how “morally indefensible” it would be to allow a temperature rise of 4 to 5 degrees Celsius, calling on everyone to reduce their individual carbon footprint and thoughtless consumption. His pitch was more pointed than I had heard before. One of the leading rabbis, Rabbi David Rosen, took it one step further, calling out meat-intensive diets as completely unsustainable given their massive contribution to greenhouse gas emissions.

The Vatican’s Turkson, meanwhile, pulled out all the stops, saying that “a crime against the natural world is a sin,” and “to cause species to become extinct and to destroy the biological diversity of God’s creation … are sins.” Turkson warned about how quickly we are degrading the planet’s integrity, stripping its forests, destroying its wetlands, and contaminating its waters, land, and air.

These declarations were not soft, feel-good, and vague speeches by politicos keen to be perceived as leading on the most urgent issue facing humanity. These were unequivocal, unwavering statements: “Decision mitigation is a moral and religious imperative for humanity” and the “summit in Paris may be the last effective opportunity” to keep the planet safe.

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon gives a speech during the climate change conference at the Vatican on April 28, 2015

U.N. Secretary-General Ban Ki-moon gives a speech during the climate change conference at the Vatican on April 28, 2015. Photo by Alberto Pizzoli/AFP/Getty Images

The leaders of the conference were undeterred by the hecklers who crept onto the Vatican campus. Marc Morano, for example, who is associated with the climate-skeptical Heartland Institute, snuck into the Vatican and attempted, to no avail, to disrupt the press briefing with the U.N. secretary-general while Ban was reporting on his meeting with the Pope. Morano’s account of what happened, that he was maliciously shut down after offering a benign question, misrepresents reality. Standing beside him, I can attest to what was instead a hijacking of protocol and the microphone. He said a few words about “global warming skeptics coming to talk” but coming to disrupt would be more accurate. He interrupted the secretary-general and the moderator, and was later escorted from the premises by Vatican officials.

What’s troubling about moments like this is that they work. The U.S. media reporting from the Vatican meeting felt compelled to give Morano critical space in their stories. It’s not just that he was an unexpected and therefore newsworthy interruption—giving his “side” is part of American broadcast media’s history of false balance even when there are not two legitimate sides of a story to balance. To be clear, the verdict is not still out on climate change. There’s overwhelming consensus when it comes to the science behind global warming, yet some media outlets (fewer all the time, fortunately) continue to give voice to the small percent that disagrees. Standing beside Morano, surrounded by representatives of the most powerful institutions in the world, it was quite clear to me that the Heartland Institute, though well funded by the Koch brothers, is ineffectually extreme and ultimately a minority player in society’s overall push toward climate progress.

In many ways, the Heartland emissaries proved, through their apoplectic protest, how peripheral they were to the whole process. There was no need for anyone to fight them in that moment; the majority opinion, the moral call to act on climate, was already winning the day. The global response to our conversation at the Vatican has been unequivocally positive, with every major outlet in the Western world covering the talks favorably.

As we left Vatican City this week—which is carbon-neutral thanks to solar power—there was a palpable sense that history was made within the walls of Casina Pio IV where our deliberations took place. This was no typical conference. This was a Sermon on the Mount moment, wherein the beatitudes of a new era were laid down. And we left as disciples, renewed in our faith that we must and will act in time to save humanity from itself—an agenda that would be a worthy legacy of the Pope’s Jesus.

Suspeita de abuso derruba ‘chefão do clima’ da ONU (Estadão)

Rajendra Pachauri renuncia e IPCC fica sem uma direção permanente em momento crítico das negociações por um novo acordo mundial

Acusado de assédio sexual, o indiano Rajendra Pachauri abandonou a presidência do Painel Intergovernamental da ONU para Mudanças Climáticas (IPCC) em um momento crítico nas negociações para um acordo sobre emissões de CO 2.Em comunicado emitido ontem, a ONU aceitou sua renúncia.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2015/02/25/A15.pdf

(O Estado de S.Paulo)

COP20 Lima na mídia – primeira semana

Ministros terão pouco a mudar sobre rascunho, diz presidente da COP 20 (G1)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

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Participante da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, observa mapa em telão que mostra a temperatura dos oceanos na Terra. As cores mais alaranjadas representam temperaturas maiores (Foto: UNFCCC)

Proposta do Brasil para acalmar ‘rixa entre ricos e pobres’ foi aceita pela ONU. Conferência das Nações Unidas acontece até o dia 12, em Lima, no Peru.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal, presidente da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, sabe que é grande o desafio que tem nas mãos: coordenar mais de 190 países reunidos em Lima para obter o “rascunho zero” de um acordo para cortar emissões de gases e reduzir os impactos da mudança climática no planeta.

A primeira semana de discussões entre diplomatas e cientistas chegou ao fim no sábado (6) sem que uma prévia desse rascunho estivesse pronta, o que não significa a inexistência de avanços, segundo Vidal.

Em entrevista o ministro limita-se a dizer que “os documentos vão estar oportunamente finalizados e concluídos para serem apreciados pelo setor ministerial”, parte do encontro que reúne os ministros do Meio Ambiente e que terá início na terça (9).

pan style=”font-family: arial, helvetica, sans-serif;”>Segundo Vidal, “sobrarão poucas arestas a serem aparadas por ministros de Estado nos próximos dias”. “Estamos monitorando, esperamos que o rascunho feche de tal maneira que o segmento de Alto Nível tenha poucas resistências políticas finais”, disse.

Decisões na mesa

O novo tratado, que deverá ser obrigatório, mas não punitivo, tem que ser assinado em 2015, na COP 21, em Paris, e entrar em vigor em 2020.

Quanto cada país terá que cortar de emissões? Que governos precisarão receber ajuda por danos sofridos em desastres naturais ou para a prevenção deles? Quanto de dinheiro será doado? De onde virá o investimento? Como será o desenvolvimento ou a transferência de tecnologias voltadas à redução das emissões? Como as nações vão se adaptar a uma possível nova realidade climática?

As respostas para essas perguntas tentam ser definidas desde 2012, quando ficou determinada a criação de um novo protocolo do clima – chamada Plataforma de Durban.

O ministro do Meio Ambiente peruano diz que articula com representantes de outros governos e não cita que resistências políticas seriam essas.

Por se tratar de possíveis impactos econômicos que os cortes de gases provocariam, os governos ficam reticentes em tomar quaisquer decisões referentes ao tema. Por isso a dificuldade em se obter um acordo rapidamente — já são 20 anos negociando o tema.

Mas ele ressalta que “as consequências das mudanças climáticas já estão sendo sentidas e vamos continuar sofrendo o impacto por mais tempo (…) se não tomarmos uma decisão desde essa COP e, obviamente, não chegarmos ao acordo no ano que vem, as cosias vão ficar cada vez mais severas”.

Adaptação

Segundo o presidente da COP 20, ainda é preciso avançar em uma agenda que tenha a capacidade de ser atendida adequadamente pelos países.

Metas Nacionais

02O ministro do Meio Ambiente e presidente da COP 20, Manuel Pulgar Vidal (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Ainda é preciso definir quais serão as metodologias a serem seguidas pelos países quando apresentarem as Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). Nelas estarão englobadas quanto cada país vai cortar de emissões a partir de 2020.

“Os países concordam que as condições contidas nos INDCs são essenciais para que o processo continue sendo bem sucedido até o próximo ano. Se isso não for aprovado agora, não será possível apresentar as contribuições em 2015. Estamos avançando bem nessa questão”, disse. As INDCs têm que ser apresentadas até o fim de março de 2015.

Perdas e danos

Os desdobramentos sobre como vai funcionar esse instrumento ainda são lentos. “Estão conforme o programado”, diz o presidente da COP 20. Criado na COP 19, na Polônia, o mecanismo sobre perdas e danos tem o objetivo de compensar nações que não conseguem se adaptar à mudança climática e já sofrem atualmente com seus efeitos. Isso beneficiaria, principalmente, os Estados-ilha, países insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar.

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Segundo período do Protocolo de Kyoto

Um segundo período para Kyoto foi aprovado em 2012, mas sua negociação ficou enfraquecida depois que grandes nações poluidoras como Japão, Canadá, Austrália e Rússia saíram do bloco chamado Anexo 1.

O nome refere-se ao grupo de nações ricas obrigadas pelo protocolo a cortarem emissões entre 2008 e 2012, menos o principal rico e atual segundo maior poluidor, os Estados Unidos. A China, maior emissor de gases, é considerado ainda como país em desenvolvimento.

“Estamos trabalhando nessa COP para eliminar qualquer dificuldade e, finalmente, alcançar um Segundo Compromisso”, disse o ministro. Isso é essencial para que as emissões sejam controladas nos anos que antecedem a vigência do novo acordo.

Princípio da Convenção

Outro ponto discutido no encontro refere-se ao princípio das “Responsabilidades Comuns, porém diferenciadas”. Grandes potências, que historicamente responsáveis pela maior parte das emissões, querem mudá-lo, alegando nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e África do Sul), grandes emissoras de gases-estufa também têm que seguir regras rígidas para diminuir o lançamento de poluentes à atmosfera.

O embate se dá porque o bloco “mais pobre” não quer frear seu desenvolvimento, o que poderia acontecer ao realizar cortes de gases (ação exigida pelo bloco “mais rico”).

Mas uma proposta apresentada pelo Brasil, que vai estar no “rascunho zero”, pode acalmar os ânimos. Chamada de diferenciação concêntrica, ela divide as nações em três níveis e cria conjuntos de critérios, um tipo de “menu”, que cada país poderá escolher para diminuir suas emissões. A proposta faz com que nações vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreendam grandes ações. Ainda não foram definidos quais são esses critérios.

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10/12/2014 – 03h36

COP-20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima (IHU On-Line)

por Redação do IHU On-Line

shutterstock 130863860 380x253 COP 20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima

“As maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui”, avalia o coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo.

A principal tensão entre os 190 países que participam da COP-20 é chegar a um acordo acerca do ano em que as nações irão se comprometer com as metas de redução de CO², diz Ricardo Baitelo, que representa o Greenpeace na Conferência do Clima, em Lima, à IHU On-Line, por telefone.

“Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025”, pontua. Segundo ele, a tensão para se chegar a um consenso para o cumprimento de metas demonstra que será difícil estabelecer um acordo para o próximo ano, em Paris. “Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então este ponto deve ser negociado”.

Baitelo informa que, entre as notícias que podem ser comemoradas na COP-20, estão a de que a Alemanha já anunciou a data de quando deixará de utilizar usinas nucleares, a de que a União Europeia reduzirá suas emissões em 40% até 2030 e a de que a Índia, apesar de insistir no uso de carvão, vai instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década.

De acordo com ele, ao longo das negociações da primeira semana, o Itamaraty fez uma proposta metodológica de situar as responsabilidades de cada país a partir da ideia de círculos concêntricos, ou seja, cada nação poderá assumir metas mais ambiciosas ao longo do tempo. Contudo, adverte, “o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade”.

Ricardo Baitelo é coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil e doutor em Planejamento Integrado de Recursos pela Poli-USP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como estão as negociações na COP-20 até o momento? Pode nos dar um panorama geral da primeira semana de negociações?

Ricardo Baitelo – Na primeira semana, as negociações foram lentas, sendo que nos primeiros três dias foram basicamente plenárias de apresentação, com todas as delegações falando, discutindo o texto rascunho, que será trabalhado aqui e depois em Paris. Então, diria que ainda é muito cedo para traçar um diagnóstico. Entre alguns pontos que podem ser colocados, um deles é a discussão do Brasil com relação à contabilização de carbono; essa é uma discussão dentro do subgrupo de florestas.

Em um panorama mais geral, posso dizer que as maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui. Esses dois países finalmente se comprometeram com metas para 2030. Da parte do Brasil, o Itamaraty fez uma proposta de metodologia de como outros países devem se situar em termos de responsabilidade no futuro, já que propuseram essa nova divisão de círculos concêntricos, onde, ao longo do tempo, cada país vai se comprometendo com metas mais ambiciosas — obviamente, de acordo com o número de riqueza e de possibilidades.

A única crítica que fazemos é ao fato de que o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade.

IHU On-Line – Quais são as críticas em relação ao rascunho do acordo de Paris feitas pelas delegações?

Ricardo Baitelo – Ainda é cedo para traçarmos um comentário sobre esse assunto. Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025. Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então, este ponto deve ser negociado.

IHU On-Line – O acordo entre China e EUA foi bem visto na COP-20, apesar de os comprometimentos serem também para 2030?

Ricardo Baitelo – Eu ainda não tenho um panorama dos demais países. Posso dizer, informalmente, que, segundo o Brasil, as metas em Copenhague eram mais ambiciosas. A delegação brasileira diz que a meta que se tinha em 2009, de uma redução de 36 a 39%, é mais avançada do que as metas que os Estados Unidos estão propondo. É claro que se tem essa confusão, se cada um coloca uma porcentagem e coloca um ano de referência diferente, fica uma grande salada de frutas. O Brasil argumenta que a proposta dos Estados Unidos, se tomada pela base da brasileira, é menor, porque é só de 19% de redução, e a China, por sua vez, também não disse em que ano vai atingir o pico das emissões. Os chineses mencionam 2030, mas seria, obviamente, mais importante que isso acontecesse antes, considerando que eles são os maiores emissores do mundo.

Outro fator relevante é que a Alemanha anunciou uma data de quando deve deixar de usar energia nuclear internamente. Essa é outra notícia bastante importante. A Alemanha, como uma das maiores potências, deve não só deixar de utilizar usinas nucleares, mas, em relação ao carvão, esperamos que ela dê o exemplo para o resto da Europa também.

IHU On-Line – Além da Alemanha, algum outro país já se manifestou sobre quais propostas domésticas irá adotar para enfrentar as mudanças climáticas?

Ricardo Baitelo – A União Europeia quer reduzir em 40% o número de emissões até 2030. Esse é um número, sem dúvida, mais ousado do que o proposto pela China e pelos Estados Unidos, mas, considerando a responsabilidade histórica, o número poderia ser maior, ou se poderia chegar antes a essa redução de 40%.

De qualquer maneira, é alguma coisa. Dentro das grandes potências, o que é digno de nota é a Índia: parte da proposta deles é muito boa, e outra parte é muito ruim. Os indianos querem instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década — isso é basicamente o tamanho da matriz brasileira inteira. O problema é o outro lado da moeda, relacionado à emissão de carvão, porque eles não querem tocar as fontes de carvão. Nesse sentido, a pressão que estamos colocando para que os países digam quando vão atingir o pico de emissão não está chegando à Índia. A Índia diz que não se deve colocar esse limite imediatamente e que as metas devem ser a partir de 2040 ou 2045, o que é um absurdo.

IHU On-Line – Quais têm sido as atividades da Cúpula dos povos frente à COP-20?

Ricardo Baitelo – Posso responder pelo Greenpeace. Tivemos uma grande atividade antes do começo da COP, em Machu Picchu, pedindo para que as grandes economias ajam em função da energia solar.

O Greenpeace Brasil desenvolveu algumas atividades, entre os dias 6 e 9, com os Munduruku, os quais trouxemos para o evento, e indígenas locais do Peru. Devemos fazer essa ponte entre os indígenas daqui, especialmente com a etnia que conseguiu interromper a construção de uma hidrelétrica no Peru. Então os colocamos em contato com os indígenas que devem ser impactados pelo projeto de Belo Monte.

A nossa meta internacional é pedir que os países tenham 100% de energias renováveis no mundo até 2050. No dia 10 de dezembro deve ocorrer a Marcha dos Povos, porque, por mais que se tenha essa discussão importante dos textos do novo acordo, que é uma discussão muito fechada, difícil de acompanhar, temos essa característica positiva da COP no Peru, que é de ser uma COP muito mais atrelada aos movimentos sociais, uma COP dos indígenas. Considerando que ultimamente, no governo Dilma, os direitos indígenas foram totalmente negligenciados, essa é outra pauta que estamos trazendo para discutir aqui.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

(IHU On-Line)

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08/12/2014 – 12h02

Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima (IPS)

por Diego Arguedas Ortiz, da IPS
CHICA 629x419 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – Encerrados em salões sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 países buscam o caminho que permita ao planeta chegar à neutralidade climática durante a segunda metade deste século, o único mecanismo para evitar mudanças irreversíveis na dinâmica planetária, segundo instituições científicas e especialistas.

A neutralidade climática implica a redução das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa a um ponto em que se possa capturar ou fixar a totalidade desses gases liberados. Para isso é fundamental acelerar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para outra fundamentada em energias renováveis.

Quando a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática chega ao seu equador, aumentam os países do Sul em desenvolvimento que assumem a proposta de fixar a meta até 2050 de neutralidade climática, também conhecida como carbono zero.

“Os dados científicos são cada vez mais alarmantes”, disse à IPS a costarriquenha Giovanna Valverde, presidente pró tempore da Associação Independente da América Latina e do Caribe (Ailac), um grupo de governos regionais de renda média que negociam como bloco na conferência, que começou no dia 1º e  termina no dia 12.

“O coordenador do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) nos mostrou, na sessão plenária, os dados que demonstram a urgência em que nos encontramos. Se colocamos o prazo de 2050 é para que todos possam aderir, mas os números são alarmantes e é bom se antecipar”, ressaltou Valverde.

Informes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Agência Internacional da Energia e do IPCC coincidem sobre como alcançar a neutralidade: investir mais em energias limpas, reduzir o consumo de combustíveis fósseis, melhorar as práticas agrícolas, reflorestar e potencializar a eficiência energética.

A iniciativa de avançar nesse caminho mediante a neutralidade climática se converteu em um debate-estrela da primeira semana da conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), mas falta muito para que se cristalize em um compromisso dos países para garantir a transição para uma economia limpa.

Um informe do britânico Overseas Development Institute conclui que as potências industrializadas e emergentes do Grupo dos 20 continuam investindo cerca de US$ 88 bilhões anuais em subsídios aos combustíveis fósseis, em lugar de usar esse capital para impulsionar energias renováveis. Além disso, nos espaços da COP 20, o poder e o lobby da indústria dos hidrocarbonos é palpável e não faltam na agenda encontros organizados por corporações transnacionais do setor, como o da anglo-holandesa Shell, pautada para hoje.

COP20 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Valverde assegurou que a chave é “os países se comprometerem seriamente com a informação nas contribuições para redução de emissões, permitindo aos cientistas terem tempo entre 2015 e 2020 para comparar metodologias de países, fazer a somatória matemática e definir quanto falta reduzir”.

A Associação de Pequenos Estados Insulares (Aosis) divulgou um comunicado exortando os países industrializados a tornarem “mais ambiciosas” essas contribuições, reduzindo a dependência das energias sujas. Também pediu que o planeta alcance o nível de zero emissões em 2100, o que implica uma total eliminação do uso de combustíveis fósseis, tal como recomendou o IPCC em seu último informe, apresentado no dia 2 deste mês.

Países como a Polônia, uma potência na produção de carvão, anunciaram sua rejeição à medida. A oposição polonesa e de outros países dependentes de combustíveis fósseis entorpecem o avanço das energias limpas. A União Europeia (UE), por exemplo, não concorda com uma meta de longo prazo dentro do bloco e tampouco está segura se apoiará a neutralidade climática apresentada pela CMNUCC e impulsionada pelos países em desenvolvimento.

“A meta é parte das mitigações, é parte da discussão”, pontuou à IPS uma das condutoras das negociações pela UE, Elina Bardram, acrescentando que “é importante chegarmos a Paris com uma visão compartilhada”, referindo-se à COP 21, que acontecerá na capital francesa em novembro de 2015. “Isso nos dirá qual será a ambição para um futuro baixo em carbono. Não temos clara ainda a meta de longo prazo, mas naturalmente que levaremos em conta a visão do IPCC e de outros organismos científicos”, assegurou.

Em Paris deverá ser estabelecido um novo tratado climático, global e vinculante, que a partir de 2020 substitua o Protocolo de Kyoto. Mas antes, em Lima, deve ser definida a forma que terá o que muitos consideram o coração do novo acordo: as contribuições nacionais. Nessas contribuições está incluída a quantidade de redução com que cada nação se compromete, e em quanto tempo. A somatória dessas contribuições deve ser suficiente para evitar os efeitos irreversíveis na dinâmica planetária da Terra.

Para conseguir isso, os países em desenvolvimento e a sociedade tanto do Sul quanto do Norte propõem uma mescla de redução dos incentivos às energias fósseis, reflorestamento, melhorias agrícolas e investimento em energias renováveis. Embora essas contribuições devam ser informadas oficialmente entre março e junho de 2015, alguns países já fizeram anúncios a respeito.

No dia 12 de novembro, em um anúncio conjunto em Pequim, os Estados Unidos prometeram reduzir, até 2025, entre 26% e 28% de suas emissões em relação aos níveis de 2005, enquanto a China se comprometeu a colocar um teto às suas emissões em 2030 e depois reduzi-las. Porém, os estudos científicos alertam que são necessários passos mais ambiciosos e mais rápidos.

As ações devem ser tomadas antes de 2020, segundo o Informe Sobre a Disparidade nas Emissões 2014, publicado em 19 de novembro pelo Pnuma, que analisa anualmente a diferença entre as ações atuais dos países e as necessárias para não haver graves consequências nas dinâmicas planetárias. “Esse documento deixa claro que, em certo ponto da segunda metade do século 21, teremos que ter alcançado a neutralidade climática, ou, como alguns chamam, zero total, em termos de emissões globais”, explicou a secretária-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres.

Segundo esse estudo, o pico das emissões mundiais deverá ocorrer nos próximos dez anos, seguido por ações para implementar mais energias limpas e reduzir o uso de combustíveis fósseis. Isso é conhecido como a “agenda de redução prévia a 2020” e a entrada em vigor do novo tratado. Até agora, em Lima, os delegados adiam a revisão dessas reduções pré-2020, envolvidos em lutas de procedimentos.

Agora, os países correm o risco de não acordarem as ações necessárias para reduzir as emissões de forma que a elevação da temperatura não ultrapasse os dois graus centígrados, e inclusive há vozes alertando que o aumento máximo deve ser menor, antes que ocorram efeitos irreversíveis no planeta.

“Nossa posição é que o aumento da temperatura não pode ser maior do que 1,5 grau centígrado, porque mais do que isso será extremamente nocivo”, destacou à IPS o nepalês Ram Prasad, coordenador do grupo de Países Mais Vulneráveis (LCD). A ação climática é urgente, pois cada ano que passa complica mais a situação para os países mais vulneráveis, que usualmente são as nações mais pobres do planeta, tornando a mudança climática um problema profundo de desigualdade, enfatizou.

O informe do Pnuma conclui que para adaptar-se ao clima variável o mundo necessitará de aproximadamente três vezes mais do que os entre US$ 70 milhões e US$ 100 bilhões anuais estimados até agora. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 03h03

A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora! (Greenpeace)

por Kumi Naidoo*
tufao A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

 

Enquanto o tufão Hagupit atinge as Filipinas, uma das maiores operações de evacuação em tempos de paz da história foi lançada para prevenir uma repetição das enormes perdas de vidas ocorridas quando o super tufão Haiyan atingiu a mesma área há apenas um ano.

“Uma das maiores evacuações em tempos de paz” é o que tem sido dito sobre esse fato. Mas pergunto: é tempo de paz ou estamos em guerra com a natureza?

Eu estava prestes a ir para Lima, no Peru, quando recebi um telefonema para vir para as Filipinas para apoiar o nosso escritório e seu trabalho em torno do tufão Hagupit (cujo nome significa chicote). Em Lima está em andamento a COP 20, mais uma rodada de reuniões da ONU sobre o clima, com o objetivo de negociar um tratado global para evitar uma mudança climática catastrófica.

Mas essas negociações já acontecem há muito tempo, com urgência insuficiente e nos bastidores. E, não tanto nos bastidores, também ocorre a influência do lobby dos combustíveis fósseis.

Este ano, como no ano passado e no ano anterior, essas negociações ocorrem em um cenário devastador de um chamado “evento climático extremo”, sobre o qual os cientistas do clima há tempos vêm alertando.

Tragicamente, não estamos tomando medidas urgentes. Mas a natureza não negocia, ela responde à nossa intransigência. Para o povo das Filipinas, e em muitas outras partes do mundo, a mudança climática já é uma catástrofe.

Hagupit tmo 2014338 lrg 784x1024 A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

Há apenas um ano, o super tufão Haiyan matou milhares de pessoas nas Filipinas, deixou as comunidades destruídas e causou bilhões de dólares em danos. Agora, muitos sobreviventes que ainda estão deslocados tiveram que novamente evacuar as tendas onde vivem enquanto o tufão Hagupit esculpe um caminho por todo o país.

É muito cedo para avaliar o impacto até agora – estamos todos esperando que ele poupará as Filipinas da mesma dor que foi vivida após Haiyan.

Aqui em Manila, nos preparamos para viajar para as áreas impactadas, na esteira do tufão Hagupit, ou Ruby, como tem sido chamado. Vamos oferecer a assistência que pudermos e vamos prestar solidariedade ao povo filipino. Queremos chamar a atenção daqueles que são responsáveis pelas mudanças climáticas, aqueles que são responsáveis pela devastação e que deveriam estar ajudando a pagar pela limpeza e pela a adaptação a um mundo em que o nosso clima está se tornando uma fonte crescente de destruição em massa.

É com o coração pesado que nos preparamos para esse testemunho. Nós desafiamos aqueles em Lima a voltar sua atenção da letargia do processo das negociações e prestar atenção ao que está acontecendo no mundo real.

Os chamamos para entender que a mudança climática não é uma ameaça futura a ser negociada, mas um perigo claro e presente que requer ação urgente agora!

Todos os anos, o povo das Filipinas aprende da maneira mais difícil o que a inação sobre as emissões quer dizer. Eles podem estar um pouco mais bem preparados e mais resistentes, mas eles também estão mais horrorizados com o fato de que, a cada ano – ao mesmo tempo -, as reuniões sobre o clima parecem continuar no vácuo. Não estão preparados para tomar medidas significativas, não são capazes de responder à urgência do nosso tempo e não responsabilizam os grandes poluidores que estão causando a mudança do clima com ritmo feroz.

Antes de sair para Manila também recebi uma mensagem do Yeb Sano, comissário do clima para as Filipinas: “Eu espero que você possa se juntar a nós quando dermos o testemunho sobre o impacto deste novo super-tufão. Sua ajuda seria muito valiosa para entregar uma mensagem clara e em bom som para Lima.”

Yeb foi o negociador-chefe Filipino por três anos nas negociações climáticas da ONU e recentemente visitou o Ártico em um navio do Greenpeace para testemunhar o degelo do mar. Dois anos atrás, em Doha, quando o tufão Pablo tirou a vida de muitos, ele rompeu o protocolo normalmente reservado e desapaixonado da diplomacia que domina as negociações do tratado do clima da ONU falando:

“Por favor, deixem que 2012 seja lembrado como o ano em que o mundo encontrou a coragem de assumir a responsabilidade para o futuro que queremos. Eu peço a todos nós aqui, se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, então onde? ”

Estou reunindo o Greenpeace Filipinas e Yeb para visitar as áreas mais atingidas, documentar a devastação e enviar uma mensagem clara de mudança climática para Lima e o resto do mundo. Os que são responsáveis pela maioria das emissões serão responsabilizados pelas comunidades que estão sofrendo os impactos de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.

Vamos chamar os chefes das companhias de combustíveis fósseis que são culpados pela tragédia que se desenrola para que realizem um exame de consciência e aceitem a sua responsabilidade histórica. Diz-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e, nesta guerra contra a natureza, a verdade da ciência do clima é inquestionável.

Kumi Naidoo é diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

** Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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Manifesto “No REDD” na COP-20 (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

9842No Brasil, é num ambiente de vitória eleitoral duramente conquistada e a formação de um tipo de ‘coabitação governamental’ inédita em que o governo de esquerda, com vontade reformista e transformadora expressada, nomeia ministros dentre as pessoas mais conservadoras e à direita do país, que vai se abrir a 20ª Conferência das Partes, a COP-20, em Lima-Peru, de 1º a 12 de dezembro. Para muitos especuladores, esta conferência prepara as bases de um novo acordo que deveria ser assinado o próximo ano em Paris.

Por Lucas Matheron, AgoraVox (Bruxelas)

Assim como já comentei em artigos anteriores [1] [2] [3], um dos pontos mais polêmicos dentre as soluções de luta contra o aquecimento global são os mecanismos de compensação das emissões, entre os quais, notadamente, os chamados REDD e REDD+. E nesta questão, o Brasil está especialmente interessado. Com efeito, longe de resolver os problemas, esses mecanismos os reforçam e os amplificam, pois ao lado das questões puramente ambientais, explodem problemas sociais, como do direito à terra e das comunidades indígenas. E isso, legalmente. Em resumo, é mais uma estratégia para sustentar um capitalismo agonizante (?), como o pensa David Harvey, que, desta vez, se ataca “ao que resta” a explorar, a natureza, antes de colocar, provavelmente daqui a pouco, um relógio no sol!

No entanto, observa-se um forte lobby favorável à introdução desses programas no nível dos Estados; seria, de fato, um sinal forte a favor da legitimação desse capitalismo desenfreado, e da espoliação dos bens vitais à humanidade no seu conjunto. Já o vemos com a indústria das sementes que, aos poucos, consegue impor seus OGMs em toda parte do mundo, nos deixando reféns do seu bem-querer.

Dá para se perguntar o que leva organizações internacionais famosas, tal como a UICN [4] ou o WWF [5], a defender a implantação de tais mecanismos, haja vista que seus efeitos perversos já foram demonstrados pelas muitas experiências negativas em diversas regiões do planeta. Certamente, essas organizações se satisfazem da entrega de algumas zonas para proteger, criar parques e preservá-los, no intuito de conservá-los para mostrar às futuras gerações o que de fato existiu… Um novo tipo de museus! Talvez seja também uma forma de se financiar, junto ao capital privado, já que o público está cada vez mais escasso.

Enfim! Embora essas manobras se deem na mais completa indiferença da imprensa “oficial”, alguns grupos se mobilizam para denunciar esse lobby pró-destruição do homem e da natureza. É o caso do World Rainforest Movement que alavancou uma petição mundial [6] para levar a voz “dos 99%” na assembleia da COP-20 e, logo mais, na Conferência de Paris. Aqui se encontra o documento de base [7] dessas reivindicações. Aliás, é importante que os Franceses também se mobilizem sobre essas questões, pois através da Guiana, a França é “um país amazônico”, é bom lembrar.

Aqui está o link para assinar a petição “No REDD” por e-mail:

“Para apoiar o chamado à ação, pedimos que você envie um e-mail para [NoREDDCop20@wrm.org.uy] com o nome de seu grupo, país ou região de trabalho e contato antes de 05 de dezembro.”

E então, é para fazer alguma coisa? Sim, claro. Mas provavelmente uma solução (se não é A solução) é de seguir um caminho mais radical e afastar-se do modelo “político-ecologicamente correto” que visa sempre a favorecer os mesmos, ou seja, aqueles que têm dinheiro, ou seja, o poder. É preciso parar, sim, de apostar no lucro, sempre o lucro, e pensar no ser humano que já não come mais alimentos sadios, não respira mais um ar limpo, possui um ritmo de vida deplorável, e em breve nem terá mais água para satisfazer suas necessidades essenciais. E falo apenas dos “privilegiados”!

Por gentileza, faça com que esta mensagem circule, pois se nem sempre é possível “fazer alguma coisa”, é importante saber o que está acontecendo.

[1] O Brasil da cobiça: Financeirização da natureza [http://port.pravda.ru/busines/31-12-2013/35940-natureza-0/]

[2] Amazônia brasileira: Dossiê Acre [http://port.pravda.ru/news/cplp/14-12-2013/35832-dossie_acre-0/]

[3] Os pontos nos “i” na Amazônia [http://lindomarpadilha.blogspot.com.br/2014/10/lucas-matheron-os-pontos-nos-i-na.html]

[4] http://cmsdata.iucn.org/downloads/uicn_document_de_position_unfccc_cop_20_lima.pdf

[5] http://www.portaldomeioambiente.org.br/comunicacao-ambiental/9671-wwf-brasil-leva-para-australia-experiencia-brasileira-com-os-parques-nacionais

[6] http://wrm.org.uy/actions-and-campaigns/to-reject-redd-and-extractive-industries-to-confront-capitalism-and-defend-life-and-territories/

[7] http://wrm.org.uy/pt/files/2014/11/Chamado-COP-Lima_NoREDD.pdf

<<<<

Fonte: PRAVDA.ru

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‘Temos que agir já’, diz Ban Ki-moon na abertura ministerial da COP 20 (G1)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursa na COP 20, em Lima (Foto: Reprodução/UNFCCC)

Secretário-geral da ONU discursou na Cúpula sobre mudanças climáticas. Objetivo é obter prévia de acordo global para conter temperatura maior.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que os países desenvolvidos e outros mais ricos se apressem para apresentar metas de redução de gases-estufa e outros planos voltados à adaptação à mudança climática no primeiro trimestre de 2015.

O pedido foi feito na abertura do Segmento de Alto Nível da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, que segue até a próxima sexta (12) em Lima, no Peru.

Segundo ele, a “janela de oportunidade está se fechando rapidamente e todos os países têm que fazer parte dessa questão”. “Temos que agir já. Não é um momento de dúvidas, mas de transformação”, complementou.

O fim de março já era previsto como data final para a entrega das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), mas a própria comissária da ONU para o clima, Christiana Figueres, já trabalha em um possível adiamento.

O governo brasileiro deve entregar suas metas nacionais após o prazo previsto. Segundo negociadores do país, ainda estão em andamento consultas à sociedade civil e aos setores da economia sobre os cortes de emissões a serem realizados pós-2020. O ano é quando o novo acordo climático entrará em vigor, obrigando a todos os governos a reduzir suas emissões. O não cumprimento da exigência das Nações Unidas pelo Brasil é criticado por organizações não governamentais.

Ainda na abertura, a secretária-executiva da ONU para o Clima, Christiana Figueres, alertou sobre qual é o legado que a população atual quer deixar. “A história não nos julgará apenas pelas toneladas de gases que lançamos na atmosfera, mas vão nos julgar também se fomos capazes de nos adaptar e criar um futuro melhor para todos. Vocês [delegados] devem criar esse futuro”, disse.

Novo encontro em junho de 2015

Durante a cerimônia foi anunciado que no fim de junho do ano que vem haverá um novo encontro de alto nível em Nova York, sede da ONU, para finalizar os últimos detalhes antes da conferência de Paris, quando será assinado o documento que criará o acordo do clima.

Em Lima, entre os principais temas que serão discutidos pelos ministros de Estado estão a questão da responsabilidade histórica das emissões (quem tem mais culpa por ter lançado os gases-estufa), a formulação de parâmetros para que os países apresentem suas metas de redução de emissões (as chamadas INDCs) e o que será feito entre 2015 e 2020 para frear lançamento de poluentes atmosféricos (Segundo Protocolo de Kyoto).

Os primeiros rascunhos dos elementos que farão parte do acordo do clima foram publicados na manhã desta segunda-feira (8).

A primeira versão não agradou muito, principalmente a parte que trata das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). União Europeia e Estados Unidos querem que para o acordo esteja vinculada apenas a quantificação de gases a ser cortada a partir de 2020 e os planos referentes ao tema a longo prazo. A intenção vai na contramão do pedido de nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Por que tudo isso?

Segundo um painel internacional de cientistas ligado à ONU, o IPCC, é preciso diminuir entre 40% e 70% do total de gases lançados até 2050 e zerar essa taxa até 2100. Somente assim é que será possível conter o aumento da temperatura global em 2ºC até o final deste século.

Gases-estufa como o dióxido de carbono (CO2) são liberados principalmente na queima de combustíveis fósseis, mas também com o desmatamento e outras atividades humanas.

Caso isso não seja reduzido, segundo o IPCC, fenômenos extremos como secas, enchentes, degelo dos polos e aumento do nível dos mares serão mais frequentes. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC com relação à era pré-industrial.

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08/12/2014 – 10h37

Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20 (Observatório do Clima)

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

COP20 0010 1024x682 Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20

Side event oficial da Conferência de Lima reúne organizações do OC para apontar trajetória histórica das emissões brasileiras, a partir das informações do Sistema de Estimativas de Emissões (SEEG). Evento também apresentou projeto para aplicar metodologia do SEEG no Peru.

Uma das principais preocupações dos negociadores presentes na Conferência do Clima de Lima, a COP 20, é garantir as condições para construir um novo regime climático que efetivamente diminua as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em todo o mundo nas próximas décadas. O desafio não é banal: mesmo com os esforços de redução nos últimos anos, continuamos firmes numa trajetória que pode elevar a temperatura média global muito acima dos 2ºC considerados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) como limite para que as alterações climáticas não sejam tão profundas.

Por isso, mais importante do que ter políticas públicas em si é ter informações confiáveis e atualizadas que permitam a esses instrumentos ter a efetividade necessária na redução das emissões. Esse é o propósito do Sistema de Estimativa de Emissões de GEE (SEEG), desenvolvido pelo Observatório do Clima em 2013 para produzir estimativas anuais das emissões brasileiras em cinco setores econômicos estratégicos – mudança de uso do solo, agropecuária, energia, processos industriais, e resíduos – a partir de dados e informações confiáveis. Neste ano, além das estimativas referentes a 2013, o OC também se debruçou em mensurar as emissões desses cinco setores a partir de 1970. (Saiba mais sobre os dados apresentados pelo SEEG neste ano)

Tasso Azevedo apresenta principais dados do SEEG 2014 em side event na COP 20 Da esq. para dir.: André Ferretti, Tasso Azevedo, Loyola Escamilo, Carlos Rittl, Marina Piatto e Amintas Brandão
Para apresentar a experiência do SEEG e apresentar os dados referentes a 2013 e aos anos anteriores, o OC promoveu um side event na programação oficial da COP 20 no dia 06 de dezembro, com a participação de André Ferretti (Fundação Grupo Boticário), coordenador do OC; Carlos Rittl, secretário executivo do OC; Marina Piatto, do Imaflora; Amintas Brandão, do Imazon; Loyola Escamilo, da ONG Pronaturaleza; e Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além de apontar os resultados de 2013 e apontar a trajetória das emissões brasileiras desde 1970, o evento também serviu para lançar uma parceria importante com a Pronaturaleza, que está adaptando a metodologia do SEEG para monitorar as emissões peruanas de GEE a partir desse ano. “Nossa proposta é que outros países também encontrem no SEEG uma ferramenta para acompanhar suas próprias emissões, o que apoiará seus governos no esforço global para redução das emissões de GEE”, explica Tasso.

Os dados do SEEG peruano deverão ser publicado ainda em 2014 no portal http://www.seeg.eco/.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

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08/12/2014 – 12h00

Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra” (IPS)

por Milagros Salazar, da IPS

chica dos 629x353 Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra”

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – O clamor dos povos indígenas pelo reconhecimento de suas terras ancestrais ecoou entre as reuniões dos delegados de 195 países na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. “Quero meu território ali vivo, ali como, ali estão meus santos avós”, gritou cheia de raiva a asháninka Diana Ríos.

A jovem de 21 anos é filha de Jorge Ríos, um líder indígena que foi assassinado em setembro por defender as florestas de sua comunidade Alto Tamaya-Saweto, na região Ucayali da selva peruana. Sua morte e a de outros três dirigentes da região são atribuídas por seus familiares aos cortadores ilegais de árvores. Por isso exigiram, no dia 5, nas instalações da COP 20, a titulação de suas terras.

Como os asháninkas, a demanda indígena global na conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) se centra no reconhecimento de seus territórios, e com isso na proteção das florestas e no respeito aos conhecimentos ancestrais e direitos coletivos dos povos indígenas.

Falta entregar títulos de posse de cerca de cem milhões de hectares nos oito países da Amazônia sul-americana, segundo dados da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica). No Peru, de onde clamam sua dor as viúvas da comunidade Alto Tamaya-Saweto, ainda há 663 comunidades nativas sem títulos de propriedade, de acordo com o não governamental Instituto do Bem Comum.

A demanda pela titulação de terras está relacionada com a implantação dos projetos e programas do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD) para países do Sul em desenvolvimento. Nos acordos adotados na COP 16, realizada no balneário mexicano de Cancún, em 2010, precisamente foram incluídas salvaguardas para evitar danos sociais ou ambientais nos territórios indígenas onde se desenvolve a REDD.

Na COP 20, que acontece em Lima, no Peru, as organizações indígenas exigem que os Estados parte incluam nos informes sobre as salvaguardas, que devem apresentar perante a CMNUCC, indicadores sobre biodiversidade, saúde dos povos, titulação de terras e conhecimentos ancestrais, entre outros aspectos, destacou Grace Balawag, do povo kankanaey, das Filipinas.

Esses e outros indicadores permitirão medir a participação plena dos povos originários na mitigação do aquecimento global, disse à IPS a Balawag, vice-presidente da Aliança Global dos Povos Indígenas sobre a Mudança Climática e o Desenvolvimento Sustentável. Ela pediu, junto a outros companheiros nativos, que os povos indígenas sejam incorporados nos sistemas nacionais de monitoramento florestal, já que demonstraram ser capazes de conservar suas terras graças aos seus conhecimentos ancestrais.

A Aliança participa desde 2009 das conferências internacionais sobre o tema e inclui 17 organizações indígenas de 13 países da África, América Latina e Ásia, que enfrentam diversas ameaças a seus territórios.

Em alguns casos, as comunidades indígenas sofrem o impacto das atividades extrativistas, como mineração ou petróleo, apontou à IPS Tarcila Rivera porta-voz do Enlace Continental de Mulheres Indígenas das Américas e também presidente do Centro de Culturas Indígenas do Peru (Chirapaq). Os povos originários devem enfrentar atividades ilícitas que colocam em risco a vida de suas populações, ressaltou à IPS.

Mais de 93% das atividades de mineração, petróleo, gás, exploração florestal e agricultura estão em territórios habitados por povos indígenas e comunidades locais em oito países com florestas tropicais, de acordo com a pesquisa da consultoria Projeto Muden para a Iniciativa Direitos e Recursos. Os países estudados foram Brasil, Camboja, Colômbia, Filipinas, Indonésia, Libéria, Moçambique e Peru, segundo o estudo publicado em outubro.

Tais ameaças estão relacionadas com o número de assassinatos no mundo de líderes indígenas, que lutaram pela proteção do ambiente e da terra. Entre 2002 e 2013, houve 908 assassinatos de ativistas no mundo, segundo o informe Deadly Environment (Ambiente Mortal). O Brasil é o lugar mais perigoso, com 448 do total, seguido de Honduras com 109 e Filipinas com 67.

Embora o reconhecimento dos territórios indígenas seja uma demanda global, existem diversas modalidades e estratégias cobradas por esses povos, pontuou Balawag. Em alguns países se pede a titulação de terras, como no caso peruano, em outros a delimitação das áreas ancestralmente reconhecidas, como nas Filipinas, e também há casos nos quais se exige o cumprimento de acordos assinados com os Estados por disputas territoriais, como acontece em Bangladesh.

“Se a terra não é titulada e se chega a implantar um programa de REDD, como podemos receber os benefícios? Isso está relacionado com os benefícios, mas também com nossa sobrevivência. Inclusive podemos ser desalojados pelos governos e pelas corporações privadas”, afirmou Mrinal Tripura, da organização Maleya Foundation, de Bangladesh. Ele disse à IPS que o governo de seu país não reconhece o sistema tradicional dos indígenas, e que não se sentem representados nas negociações da COP 20.

As reclamações também chegam da África. “Os povos indígenas são a terra, mas o Estado não respeita a forma tradicional como a manejamos. Por isso a titulação é a única estratégia que nos resta para que nossos territórios sejam respeitados”, afirmou à IPS o maasai Stanley Kimaren Riamit, diretor-executivo da organização Indegenous Livelihoods Enhancement Partners, do Quênia.

“Os investidores do carbono estão interessados em que, antes de investirem na REDD, haja clareza sobre a propriedade dos territórios, porque as árvores crescem na terra e a terra pertence a alguém, acrescentou Riamit. É um argumento que parece simples, mas que resulta ser uma verdade incômoda para vários Estados nas negociações da COP 20, que acontece em instalações removíveis levantadas em uma área militar do sul da capital peruana. Envolverde/IPS

(IPS)

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09/12/2014 – 04h23

Incertezas nas discussões climáticas (Greenpeace)

por Redação do Greenpeace

COP20Greenpeace Incertezas nas discussões climáticas

 

Ao final da primeira semana da COP20 é hora de fazer um balanço das negociações e avaliar o que se pode esperar dos próximos dias em que negociadores estarão reunidos.

A primeira semana da COP20 – a 20a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas – que acontece em Lima, no Peru, chegou ao fim. É hora de fazer um balanço das negociações e analisar o que ainda pode vir nos próximos quatro dias que reúnem líderes de mais de 190 países. Os textos publicados que trazem um rascunho sobre os elementos para o acordo final que deve ser assinado em Paris, em 2015, contem incertezas alarmantes em temas fundamentais como a data final para que cada país apresente suas contribuições nacionais.

Além disso, o formato destas contribuições ainda não foi definido, o que significa que não está claro como estas promessas serão feitas, de quanto em quanto tempo serão revisadas e como serão cumpridas. Ou seja, ainda haverá muitas discussões para que seja possível encontrar consenso em um acordo que de fato fará com que o mundo combata as mudanças climáticas e seus impactos.

Um exemplo é a discussão sobre florestas, onde não houve acordo sobre quais garantias países como o Brasil devem apresentar para poder ter acesso a possíveis recursos que poderiam ser usados para combater o desmatamento. A conclusão foi simples: sem acordo não há recurso disponível e, pior, o assunto pode ficar para ser discutido apenas em 2016.

“Debate-se qual o melhor termo ou palavra para entrar nos textos, ou quem tem mais razão e menos culpa, enquanto as florestas vão sendo derrubadas, aumentando a concentração de gases de efeito estufa e levando devastação e morte à biodiversidade e às pessoas que delas dependem para viver”, disse Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

As negociações se arrastam e eventos climáticos como o tufão Hagupit, que atinge as Filipinas e já levou à evacuação de mais de 1 milhão de pessoas, mostram que a natureza não negocia. “Os cientistas são bem claros: temos que agir com urgência, ou pagaremos um preço alto”, continuou Astrini. Os impactos das mudanças climáticas já são uma realidade, trazendo dificuldades para a produção de alimentos, acesso à água e agravamento de doenças, o que afetará principalmente populações mais pobres.

Nesta semana final, são esperados ministros e líderes de Estado para que as negociações avancem em ritmo mais acelerado. “Precisamos que os pontos nos quais ainda existem incertezas sejam clarificados. Uma das prioridades é sobre a meta de redução de emissões de carbono a zero até 2050”, disse Astrini, “é necessário acabar com o desmatamento e ter uma transição justa de energias renováveis, com o fim do uso de combustíveis fósseis. Já temos as informações do que precisamos fazer e as ferramentas necessárias, mas falta a vontade política. Vamos pressionar os países para que eles deem a resposta que o mundo precisa.”

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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09/12/2014 – 05h04

Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima (WWF Brasil)

por Redação do WWF Brasil

abertura cop20 lima Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima

 

Durante a primeira semana da 20ª edição da Conferência das Partes (COP20) das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, pouco se avançou nas discussões para a elaboração do Acordo Climático Global. O evento, que teve início no dia 1º de dezembro, em Lima, reúne os representantes dos mais de 190 governos que integram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) para discutir o papel dos países na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, “o começo desta conferência teve sinais políticos positivos, como as metas anunciadas pelos Estados Unidos, China e União Europeia, que podem ser o primeiro passo de que é possível chegar ao final de 2015 com alvos globais estabelecidos rumo a um futuro de baixo carbono. Apesar deste sinal, a discussão sobre o caminho das ações dos países antes de 2020 ainda possui extrema relevância, pois há uma lacuna de emissões que deve ser eliminada urgentemente”.

O Brasil foi destaque nesta semana por quase ganhar o prêmio “Fóssil do Dia” na última quarta-feira (03). A premiação é realizada diariamente pelas organizações não governamentais aos países com posicionamentos não favoráveis às negociações climáticas. O país foi o segundo colocado devido a uma declaração sobre Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), pela qual ele negou que haja dupla contagem da redução de emissões. O MDL foi criado pelo Protocolo de Kyoto para ajudar financeiramente países em desenvolvimento a cumprir seus compromissos de redução de gases do efeito estufa (GEE), por meio da implementação de projetos sustentáveis, com os quais as emissões evitadas geram créditos.

Apesar disso, Nahur afirma que o Brasil tem avançado na proposta de uma nova metodologia para o próximo acordo climático global, que pretende esfriar os ânimos na discussão que ocorre desde a assinatura do Protocolo. Chamada de Diferenciação Concêntrica, a proposta brasileira foi apresentada na quinta-feira (04) e teve boa aceitação entre as delegações, servindo como um pontapé inicial para um processo mais focado para a negociação do texto. De acordo com o documento, os países seriam divididos em três níveis, com critérios diferentes de redução de emissões. A principal dúvida gira em torno dos indicadores para a escolha da categoria de cada país.

Com a chegada dos ministros para o Segmento de Alto Nível, que ocorrerá a partir de hoje (9), a expectativa é que o ritmo das discussões acelere. Até o final desta semana, deve-se chegar ao desenho inicial de um acordo climático global – a ser finalizado em 2015 e assinado na COP21, em Paris – que obrigue as nações a cortar as emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020. Para Nahur, “é necessário que os países avancem nesta discussão aqui em Lima, para que tenhamos claros avanços na discussão de ações efetivas antes de 2020 e de financiamento de ações de mitigação e adaptação”.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

(WWF Brasil)

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09/12/2014 – 03h52

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima (IPS)

por Wambi Michael, da IPS

COP20 4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima

 

Lima, Peru, 9/12/2014 – O instrumento da Organização das Nações Unidas (ONU) para apoiar projetos de emissões de carbono nos países em desenvolvimento, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está em crise devido à queda dos preços que se paga por créditos de carbono.

O MDL, encarregado das reduções certificadas de emissões (RCE), poderia colapsar porque nos últimos anos caiu a demanda dos principais compradores, países obrigados a reduzir suas emissões contaminantes no contexto do Protocolo de Kyoto, já que os objetivos de redução não aumentaram significativamente e porque houve um crescimento econômico mais lento.

Na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática  (CMNUCC), que acontece até o dia 12 em Lima, a junta executiva do MDL tenta convencer os negociadores a renovarem seus compromissos com o mecanismo, que já tem dez anos. Em entrevista à IPS, Hugh Sealy, presidente do MDL, explica porque o instrumento se complicou e quais desafios há pela frente.

IPS: Pode nos dar um panorama geral da situação do MDL?

HUGH SEALY: A perspectiva geral é que o MDL se encontra em uma encruzilhada. Os mercados colapsaram. O preço das RCE caiu para US$ 0,30, comparado com os mais de US$ 30 há cinco anos.

IPS: O que se conseguiu até o momento?

HG: O mecanismo permitiu o registro de 7.800 projetos e programas em 107 países em desenvolvimento com centenas de milhares de milhões de dólares em investimentos, que significaram 1,5 bilhão de toneladas de gases-estufa a menos liberados na atmosfera.

IPS: Qual foi o problema do MDL?

HG: A origem do problema, e é minha opinião pessoal, foi a decisão da União Europeia (UE) de 2009 (de restringir a possibilidade dos créditos internacionais e de proibi-los totalmente a partir de 2020), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2013. O Japão decidiu criar seu próprio sistema, a Austrália seguiu seu próprio caminho, como o Canadá, e os Estados Unidos nunca se interessaram. Se existe um sistema em que a União Europeia, como nosso maior comprador, vai excluir todas as outras unidades, então o mercado não tomará muitas delas. Foi aí que os preços começaram a cair.

IPS: Acredita que deveria ter existido um mercado regulado para as RCE?

HG: Um mercado como esse, que não é de qualquer mercadoria, teria que ter um piso, como têm outros. Mas agora o Banco Mundial diz que deveríamos criar um fundo de reserva do mercado que possa absorver o excesso de créditos. Dizem que precisariam de “US$ 3 bilhões para absorver todo o excesso, não vejo que o excesso seja um problema, mas falta de demanda. Veja todas as RCE que geramos. Temos 1,5 gigatonelada de emissões reduzidas. A diferença de emissões é de dez gigatoneladas por ano. Para mim continua havendo uma demanda radical e essencial de um sistema de mercado.

IPS: A junta executiva do MDL enfrenta o cancelamento voluntário como opção para criar demanda da RCE. Qual é a ideia por trás disso?

HG: A ideia é que qualquer um, você como meio de comunicação, eu como pessoa, uma companhia ou um governo possam comprar e cancelar RCE de imediato. Mas não sabemos que demanda teremos para o cancelamento voluntário. Mas, como junta diretora, acreditamos que é o correto. Colocar RCE à disposição para quem quiser reduzir sua pegada de carbono.

IPS: Qual seria a solução duradoura?

HG: Necessitamos uma decisão clara em Lima, e em particular em Paris (na COP 21, de 2015) sobre qual papel cabe a um mecanismo internacional sob um novo regime climático. Precisamos que as partes, em especial os países ricos, elevem sua ambição e criem mais demanda de RCE.

IPS: Quais são as consequências desse desenvolvimento para os países menos adiantados e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento?

HG: Se fosse responsável pelo desenvolvimento de um desses países, reservaria minhas RCE. Não buscaria concretizar um acordo para comprar nesse momento. Não a US$ 0,30. Sou otimista e creio que o preço das RCE subirá. Trabalho em uma aritmética fundamental, na qual a diferença de emissões é de aproximadamente dez gigatoneladas ao ano e aumenta cada vez mais. Se os países decidirem que os mercados serão um componente vital do acordo de Paris, não vejo como o preço das RCE poderá continuar a US$ 0,30. É muito frustrante para países, como a Jamaica, que já se registraram em projetos RCE, ou da África.

IPS: Se o MDL acabasse hoje, o que perderíamos?

HG: Perderíamos dez anos de experiência e de aprender fazendo. Levou muito tempo para criar o MDL e levá-lo à etapa em que estamos agora. Não posso lhe dar um número ou um valor em dólares, mas há mais de 4.500 organizações envolvidas com ele.

IPS: O que os países podem fazer a respeito nessas negociações de Lima?

HG: Podem aumentar sua demanda de RCE antes de 2020, reconhecer o valor que o MDL agrega aos sistemas de comércio de emissões emergentes e reconhecer o valor óbvio do mecanismo para a resposta internacional à mudança climática, depois da entrada em vigor do novo acordo em 2020. É um dos instrumentos mais efetivos já criados pelos governos no contexto da CMNUCC. Impulsiona e fomenta a redução de emissões, os fundos climáticos, a transferência de tecnologia, a construção de capacidades, o desenvolvimento sustentável e a adaptação, tudo o que os próprios países pedem do novo acordo de Paris. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 02h54

A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty (Engajamundo)

por Dari Santos, do Engajamundo

 

LimaEngajamuno A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty

Começou na segunda-feira, dia 01/12/2014, em Lima – Peru a 20ª Conferência das Partes (COP20), conferência que reúne todos os países e territórios do mundo membros da ONU para discutir qual será o papel de cada um deles frente aos desafios globais para combater às Mudanças Climáticas.

Esse ano a delegação do Brasil, que é uma das maiores da conferência com mais de 300 delegados, conta com um número expressivo de jovens brasileiros. O Engajamundo possui 12 jovens acreditados para conferência e marca a história da participação da juventude em conferências internacionais de mudanças climáticas. Vale frisar que o governo brasileiro é um pioneiro no quesito inclusão da sociedade civil, já que oferece credenciamento da sociedade como parte da delegação do governo (o que garante acesso completo as salas de negociação).

A maior delegação de jovens brasileiros na história das COPs (United Nations Climate Change Conference) tem uma missão: contar as entrelinhas das negociações que decidem o futuro de todos nós, já que as mudanças climáticas é uma realidade sentida por todos, seja ela em maior ou em menor escala.

Após a primeira reunião convocada pelo Itamaraty com a delegação brasileira na COP20, os engajamunders de “primeira viagem”, ou seja, que participam da sua primeira COP vivenciaram a importância das entrelinhas. Em uma conversa informal com a negociadora brasileira Thelma Krug (a única mulher entre todos os negociadores brasileiros), pudemos perceber qual é a percepção da negociadora em assuntos essenciais no combate a mudanças climáticas.

Logo no começo da conversa questionamos sobre os acordos sobre reflorestamento que estão sendo discutidos dentro do seu âmbito de negociação, e a negociadora deixou claro que considera plantações de eucalipto transgênico como “reflorestamento”. Segunda ela, há uma dificuldade em plantar mata nativa, já que essas não resistem como os “eucaliptos clonados” as mudanças climáticas.

Não precisa ser um cientista para saber que somente plantações de eucalipto nunca assegurariam a biodiversidade que as florestas de mata nativa possuem, e quando questionada sobre isso Thelma se limitou a responder que a biodiversidade possui uma conferência específica e deve ser tratada nela. O questionamento que ficou para todos nós é: realmente temos negociado acordos que visem combater o aquecimento global de forma total e transversal ou somente estamos cumprindo o protocolo diplomático tentando maquiar ações que nada resolvem o problema como se fossem ações positivas?

Esperamos que o lado social seja colocado na mesa, que cada país lembre que muito mais do que uma negociação entre países, trata-se de um acordo que garante um futuro sustentável para todos nós, cidadãos. Que se lembrem que existe sim uma forma de conservar e garantir a existência das matas nativas, garantindo que os povos tradicionais dessa área conservem o que nós por tantos anos destruímos.

Esperamos ansiosamente por uma negociação menos técnica e mais humana.

* Publicado originalmente no site Engajamundo.

(Engajamundo)

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Lima climate change talks best chance for a generation, say upbeat diplomats (The Guardian)

Hopes rise for global warming deal after US-China carbon commitments inject much-needed momentum into Peru talks
Oxfam banner in Lima, Peru
 An Oxfam banner in Lima on Saturday before the climate change talks. Photograph: Sebastian Casta Eda/AFP/Getty Images

UN climate negotiations opening in Lima on Monday have the best chance in a generation of striking a deal on global warming, diplomats say.

After a 20-year standoff, diplomats and longtime observers of the talks say there is rising optimism that negotiators will be able to secure a deal that will commit all countries to take action against climate change.

The two weeks of talks in Peru are intended to deliver a draft text to be adopted in Paris next year that will commit countries to reduce their greenhouse gas emissions without compromising the economic development of poor countries.

Diplomats and observers of the UN climate negotiations said recent actions by the US and China had injected much-needed momentum.

“I have never felt as optimistic as I have now,” said Tony de Brum, the foreign minister of the Marshall Islands, which are sinking as sea levels rise in the Pacific. “There is an upbeat feeling on the part of everyone that first of all there is an opportunity here and that secondly, we cannot miss it.”

Beyond Lima, there is growing evidence of the dangers of climate change, and of countries’ failure to act.

The UN environment programme warned earlier this month that industrialised countries were falling short of the emissions reductions needed to prevent warming of 2C above pre-industrial levels, the goal set by world leaders. Carbon dioxide emissions are expected to reach a record high of 40bn tonnes in 2014. Meanwhile, 2014 is shaping up to be the hottest on record.

Observers, however, said there was fresh optimism surrounding the Lima talks after the US and China declared on 12 November that they would work together to cut carbon pollution.

Under the deal, China committed to cap its output of carbon pollution by 2030 or earlier and to increase its use of zero emission energy to 20% by 2030. The US agreed to reduce its emissions by between 26% and 28% from their 2005 levels by 2025.

The EU, the next biggest polluter after the US and China, earlier pledged to cut emissions by 40% from their 1990 levels by 2030.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the commitments, which have been made well in advance of a March 2015 deadline, had given the talks a boost.

“It is hugely encouraging that well ahead of next year’s first-quarter deadline, countries have already been outlining what they intend to contribute to the Paris agreement. This is also a clear sign that countries are determined to find common ground,” she said in a statement.

Todd Stern, the US state department’s climate change envoy, said the US-China deal could push other big polluters such as India, Japan, Brazil and Russia to come forward with their own post-2020 targets. That in turn boosted prospects for a good outcome in Paris.

“I think it will spur countries to come forward with their own targets,” he said. “Generally if you are holding stock in the Paris negotiations your stock went up.”

Andrew Steer, the president of the World Resources Institute, an environmental thinktank in Washington, said the US-China deal had changed the atmosphere surrounding the talks.

“There is in the air a sense of momentum,” he said. “You’ve already got commitments of about half of all the greenhouse gas emissions that need to be reduced.”

The deal likely to be done in Paris will likely be a hotchpotch of targets such as those announced by the three top carbon polluters, according to an analysis by Bloomberg New Energy Finance.

The test for Lima will be the degree to which negotiators can corral those separate action plans from up to 190 countries into a single agreement.

If the talks are to succeed, they will have to come up with a draft text that outlines the structure of that agreement – how to ensure countries commit to deep enough cuts to limit warming to the 2C goal, and how to verify their actions.

The US is pushing for a deal that would avoid setting emissions reduction targets that are legally binding under international law, because that would set up a clash with congress.

Many developing countries, however, insist on legally binding targets. They also argue that only the industrialised countries should have to cut emissions.

The negotiators will also try to ramp up pledges for the Green Climate Fund, which was set up to help developing countries deal with climate change. So far, the fund has raised $9.7bn (£6.2bn) from 22 countries, just short of its initial $10bn target.

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Dever de casa para o acordo do clima (Valor Econômico)

Artigo de Sergio Margulis e Natalie Unterstell publicado no Valor Econômico

Das trajetórias projetadas até o fim deste século, o mundo já caminha naquelas mais extremas quanto ao aumento de temperatura, o que coloca pessoas, ecossistemas e economias sob séria ameaça.

A Conferência das Partes (CoP) que está sendo realizada em Lima, no Peru, vai oferecer as bases para um novo acordo climático global, a ser adotado em Paris, em 2015. O que os cidadãos comuns querem saber é: como é que esse acordo os protegerá dos impactos da mudança climática?

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/opiniao/3805596/dever-de-casa-para-o-acordo-do-clima#ixzz3L23yI0GP

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Acordo do clima poderá encampar proposta do Brasil (Folha de S.Paulo)

Na divisão de obrigações sugerida pelo país, grandes nações emergentes assumem maior redução de emissões

O esboço de um acordo global de reduções de emissões de gases-estufa que está em negociação na 20ª Conferência do Clima da ONU, a COP 20, no Peru, incluiu um conceito criado por diplomatas brasileiros: dividir os países em desenvolvimento em diferentes graus de responsabilidade pelo aquecimento.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198652-acordo-do-clima-podera-encampar-proposta-do-brasil.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

COP-20 coloca foco em adaptação à mudança climática e nas verbas (Valor Econômico)

A segunda semana da conferência do clima da ONU começa com muitas pontas abertas e ainda vaga sobre o resultado final

O céu amanhece cinza todos os dias em Lima, mas quase nunca chove. Os bairros ricos da capital peruana, como San Isidro e San Borja, são muito verdes, com jardins e parques bem cuidados que se beneficiam da umidade do inverno e da irrigação automática no fim da tarde. Mas algumas estimativas dizem que a cidade pode ficar sem água em 30 anos, por conta da retração dos glaciares andinos. Como todas as partes, o Peru sofre os impactos da mudança do clima e terá que se adaptar – só que a conta está ficando cada vez mais cara.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3807634/cop-20-coloca-foco-em-adaptacao-mudanca-climatica-e-nas-verbas

(Daniela Chiaretti/Valor Econômico)

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JC 5081, 9 de dezembro de 2014

Transformação na política do clima (Valor Econômico)

Artigo de Adilson de Oliveira publicado no Valor Econômico

Após meses de negociações sigilosas, a China e os Estados Unidos anunciaram em Pequim que adotarão metas para a redução das emissões de gases para evitar os riscos de mudanças climáticas. A China comprometeu-se em elevar para 20% a parcela não poluente de sua matriz energética até 2030. Os EUA prometeram reduzir suas emissões entre 26% e 28% até 2025, substituindo fontes fósseis por fontes renováveis e acelerando a substituição do carvão por gás natural na geração de eletricidade.

Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/3809014/transformacao-na-politica-do-clima#ixzz3LPS7h6HR

(Valor Econômico)

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5081, 9 de dezembro de 2014

Economista pede acordo do clima sem sanções (Folha de S.Paulo)

Punição em caso de descumprimento inibe metas ambiciosas, afirma Nicholas Stern

Para o autor do mais importante trabalho já realizado sobre os impactos econômicos do aquecimento global, o próximo acordo para reduzir emissões de gases -estufa não precisa ter força de lei.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/199228-economista-pede-acordo-do-clima-sem-sancoes.shtml

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Avaliação de risco em obras tem de incluir clima, alerta a ONU (Valor Econômico)

Para Christiana Figueres, condições ambientais têm que determinar os investimentos em infraestrutura

A costarriquenha Christiana Figueres, a mais alta autoridade das Nações Unidas nas negociações sobre mudança do clima, acredita que a China é o país que mais está fazendo esforços no combate ao aquecimento global em comparação com EUA e União Europeia.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3810448/avaliacao-de-risco-em-obras-tem-de-incluir-clima-alerta-onu

(Daniela Chiaretti / Valor Econômico)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Brasil está ‘no fundo do poço’ em políticas para o clima (O Globo)

Entre os 58 países avaliados em relatório, país ficou na 49ª posição

Enquanto as discussões da Conferência do Clima em Lima (COP 20) começam a se acalorar, uma ducha de água fria atingiu os delegados reunidos na capital peruana. O banho veio na forma de um novo relatório, divulgado pelas ONGs Germanwatch e Climate Action Network Europe e realizado por 300 especialistas, que concluiu: nenhum país elaborou políticas públicas satisfatórias contra as mudanças climáticas. O Brasil teve um desempenho particularmente vergonhoso. Caiu 14 posições, entre as 58 nações avaliadas, atingindo o “fundo do poço”, segundo o relatório. Em 2007, chegou a figurar entre os dez melhores.

Leia mais sobre esse assunto em: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/brasil-esta-no-fundo-do-poco-em-politicas-para-clima-14786238#ixzz3LUsFq36v

(Renato Grandelle / O Globo)

The fund is woefully behind its goal of mobilising $100bn a year in public and private finance by 2020.

ONU escolhe um brasileiro para ser o ‘fiscal’ da água (O Estado de S. Paulo)

Leo Heller vai substituir a portuguesa Catarina de Albuquerque, criticada por Dilma e Alckmin

O novo relator das Nações Unidas para o Direito à Água e ao Saneamento é o brasileiro Leo Heller. A partir de 2015, ele vai substituir a portuguesa Catarina Albuquerque, que, após dois mandatos, envolveu-se em uma série de crises diplomáticas com Estados brasileiros e com o governo Dilma Rousseff por causa de críticas à gestão de recursos hídricos. Heller foi escolhido pela ONU para atuar como o “fiscal” que vai exigir dos países a garantia da oferta de água e saneamento às suas populações.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,onu-escolhe-um-brasileiro-para-ser-o-fiscal-da-agua,1588998

(Jamil Chade /O Estado de S. Paulo)

We’re way more screwed than we were the last time the U.N. had a big climate meeting (Grist)

REALITY CHECK
It’s been nearly five years since President Obama and other heads of state attended a major U.N. climate event. In the time since the 2009 Copenhagen conference, there has been little real progress toward a strong global climate agreement — instead there’s been backsliding. But there’s been lots of progress in making the climate go haywire.

So at the U.N. Climate Summit on Tuesday, when heads of state brag about accomplishments, make grandiose promises, and announce a lot of marginally helpful measures from the private sector and civil society, don’t be fooled. Things are a lot grimmer now than they were even five years ago.

Consider: Carbon dioxide emissions have gone up every year since 2009. CO2 concentration in the atmosphere has gone up too — from an average of 387 parts per million in 2009 to an average of more than 400 ppm for April, May, and June of this year. Last month was the hottest August ever recorded, and 2014 is on track to be the hottest year ever recorded.

A hard-hitting report released on Thursday by Oxfam International — “The Summit that Snoozed?” — highlights more ways we’ve let things get worse.  Here are some of its top points:

Climate change is costing the world more money every year. Since 2009, extreme weather-related disasters have cost more than three times what they did in the whole of the 1970s. Oxfam knows this all too well, since much of what it does is respond to the ensuing humanitarian crises. The group writes, “Devastating storms and floods in Pakistan, the Philippines and elsewhere in the world have cost thousands of lives and billions of dollars as poor countries and aid agencies like Oxfam struggle to cope.”

The U.S. actually suffered the highest number of extreme weather-related disasters in the last five years, and the largest economic losses at $198 billion. But that big price tag is because the U.S. is so rich, not because its disasters were the worst. Typhoon Haiyan took far more lives in the Philippines than Sandy did in the U.S., but Haiyan caused less economic damage. So while the U.S.’s economic damages were 14 times larger in absolute terms, the Philippines lost 1.2 percent of its GDP, while the U.S. lost only 0.2 percent.

Of the more than 112,000 lives Oxfam says were lost to extreme weather events over the past five years, more than half were in Russia, where 56,246 died from the 2010 heat wave. Russian President Vladimir Putin, by the way, is a denier of climate science and will not be attending the U.N. Climate Summit.

(A caveat, which Oxfam neglects to mention, about its economic numbers: While the comparisons across decades are adjusted for inflation, they are not adjusted for economic growth. One reason we suffer bigger economic impacts than we did in the 1970s is because we are richer and we have more valuable property to damage.)

Oxfam doesn’t provide any data on the increasing frequency of extreme weather events or their relationship to climate change. Perhaps the group, understandably, views that as a given. But lest there be any doubt: The Intergovernmental Panel on Climate Change concluded in 2011 that extreme weather would become more common due to climate change. And it’s already happening. A study from August in the Proceedings of the National Academy of Sciences found that prolonged periods of hot or wet weather during summers in the Northern Hemisphere have doubled in the last decade. A study of 2012 data by 18 international research teams published last September in the Bulletin of the American Meteorological Societyfound that human-caused climate change was partially responsible for half of the major extreme weather events that year.

The richest countries are wasting more money subsidizing fossil fuels.According to Oxfam, “The latest OECD figures of its 34 members show that total subsidies to fossil fuels have increased since Copenhagen — from just over $60 billion in 2009 to just over $80 billion in 2011. … More recent years are not yet available but there is no reason to suggest that the trend has reversed.” Since 80 percent of the world’s remaining fossil fuel reserves need to stay in the ground if we’re to keep below 2 degrees Celsius of warming, policies that encourage fossil exploration or exploitation are extremely counterproductive.

And no, despite the growth of renewable capacity and the decline in the cost of renewables, the market isn’t solving this problem for us. Since 2009, private sector investment in fossil fuels has increased from just over $1 trillion to $1.1 trillion. That’s four times the size of private investment in renewables, which decreased from $300 billion in 2011 to $250 billion in 2012.

Copenhagen’s targets were too weak, and countries have been scaling down their ambition since then. As a U.N. report found in 2010, the voluntary emission-reduction pledges countries made under the Copenhagen Accord were not large enough to keep the world from warming by less than 2 degrees Celsius, which is the target set in Copenhagen. Since then, everyone has stuck to their lowest possible targets or even lowered them further, while some countries have adopted policies that will make it impossible to meet even the targets they have. Oxfam explains:

A number of countries set pledges in the form of a range, in which the higher end would be conditional on action by other countries. Australia and New Zealand’s 5 per cent pledges would move to 25 per cent and 20 per cent respectively if an appropriate global deal were struck, while the EU’s 20 per cent target would climb to 30 per cent if the conditions were right. Of the seven rich countries (or blocs) that promised to increase their target, none have done so. …

Similarly, while there was an agreement in 2011 to extend the Kyoto Protocol, which legally commits developed countries to cut their emissions, major countries have gone backwards instead of forwards. Canada, with a focus on tar sands extraction, announced they were dropping out of the Kyoto Protocol soon afterwards and replaced its Copenhagen pledge with a new set of targets, which allow emissions to rise. Two years later, Japan tore up its Copenhagen pledge to reduce its emissions by a quarter on 1990 levels, again replacing it with a set of targets that sanction a rise instead. In July 2014, Australia repealed its carbon tax, the country’s main tool for reducing emissions at home. As a result, Australia may struggle to meet even its minimum “unconditional” Copenhagen pledge of a 5 per cent cut by 2020.

In fairness to Australia and Canada, their heads of state are ditching the Climate Summit, so it’s not like they’re even pretending they care about climate change.

In light of all this, anyone watching the Climate Summit should retain a healthy skepticism about the promises and potentially misleading progress reports being offered. But the summit is also an opportunity to right some of these wrongs. Leaders making speeches on Tuesday can propose and commit to larger emissions reductions in the lead-up to treaty negotiations in Paris next year. And they can pony up the missing money for the U.N. Green Climate Fund.

Advocates like Oxfam and the 140 organizations cosponsoring the People’s Climate March on Sunday are trying to make clear that they won’t let world leaders off the hook easily.

Cacique é impedido pelo governo federal de participar da 1ª Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas (IHU)

Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), prometeu na manhã desta segunda-feira, 22, lutar contra a exclusão e a marginalização a que povos indígenas estão submetidos no mundo. A declaração acontece a propósito da abertura da 1ª Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas, na sede das nações Unidas, em Nova York. A fala do secretário-geral da ONU, neste momento histórico, ocorre na ocasião em que pela segunda vez no ano uma liderança indígena é impedida de sair do país pelo governo brasileiro.

A reportagem é do portal do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, 22-09-2014.

O cacique Marcos Xukuru recebeu o aviso da Funai, na última sexta-feira, 19, de que não poderia embarcar para Nova York e participar da conferência devido ao fato de ter pendência com a Justiça brasileira. O cacique integraria a delegação indígena do Brasil. A pendência, na verdade, trata-se de um processo judicial envolvendo a luta pela demarcação da Terra Indígena Xukuru do Ororubá, no município de Pesqueira (PE), em 2003, que já transitou e foi julgado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

“Não há nenhum impedimento judicial dizendo que eu não posso sair do país. Recentemente tive duas vezes no exterior para fazer denúncias de violações aos direitos humanos contra os povos indígenas. Uma delas em Nova York, inclusive. Houve um boicote que partiu do Ministério da Justiça. Sabemos que existe receio por parte de gente do governo quanto ao que podemos dizer para o mundo”, afirma o cacique. A Assessoria Jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) diz não ter conhecimento de nenhum outro processo envolvendo o cacique fora esse já encerrado.

A presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, conforme Marcos Xukuru, fez o convite para que ele participasse da conferência. Foi ela também que justificou as razões do impedimento ao cacique, numa ligação onde Maria Augustadisse que a suspensão da viagem se deu por questões diplomáticas, em face da pendência judicial. “A Funai me convidou para ir com outras lideranças. Um processo que não me proíbe de viajar foi usado. É uma situação. Sabemos que isso veio do Ministério da Justiça”, diz o Xukuru. O cacique, por medida cautelar da Organização dos Estados Americanos (OEA), faz parte do programa de proteção do estado de Pernambuco.

O demais integrantes da delegação do Brasil que se deslocou para Nova York ameaçou boicotar o encontro caso o cacique não fosse reintegrado ao grupo. Porém, o Xukuru explica que pediu aos parentes que demovessem a ideia e fossem à conferência, alegando que “é um momento único para dizer o que se passa no país, quais violações estão acontecendo aqui e que lideranças estão sendo impedidas de dialogar em âmbito mundial justamente pela criminalização que sofrem quando lutam por seus direitos”, ataca o cacique Marcos Xukuru.

Este ano já é o segundo caso de lideranças indígena impedida de viajar ao exterior para agendas políticas, de denúncia de violações aos diretos destes povos. Em abril, o cacique Babau Tupinambá, uma das lideranças da luta pela demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, foi barrado a ir ao Vaticano para encontro com o Papa Francisco, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Depois de conceder o visto, a Polícia Federal voltou atrás alegando que existiam ordens de prisão contra Babau e pediu que ele devolvesse o passaporte apresentando-se à autoridade policial.

A 1ª Conferência Mundial sobre os Povos Indígenas termina nesta terça, 23. Um documento sobre os direitos dos povos indígenas e sua implementação, preparado diante de consulta aos países integrantes da ONU e povos indígenas, deverá concluir o histórico encontro mundial. Segundo a ONU, existem 370 milhões de indígenas de mais de 5 mil comunidades espalhados por 90 países. Eles representam 5% da população global. No Brasil, são quase 900 mil indígenas divididos em 305 povos. O país também concentra cerca de 94 grupos livres, ou seja, povos em situação voluntária de isolamento.

Processo contra o cacique do povo Xukuru

Cacique Marcos Xukuru, em 2003, sofreu um atentado em um trecho da estrada que corta a Terra Indígena Xukuru do Ororubá. Na ocasião, dois jovens indígenas acabaram mortos e um terceiro conseguiu fugir, avisando as demais lideranças do povo. Com dois mortos e o cacique desaparecido – ele havia corrido para o interior da mata – a comunidade, tomada por uma comoção coletiva, incendiou a sede da fazenda localizada onde o atentado ocorreu e se dirigiu para a Vila de Cimbres com o objetivo de retirar da terra indígena o que restava de invasores e aliados dos fazendeiros.

O conflito entre os xukuru e os invasores foi inevitável. A terra indígena, naquele momento, já tinha sido demarcada. No entanto, o cacique, então vítima de um atentado, passou a ser acusado de ter liderado os ataques contra os fazendeiros e demais invasores do território. Um processo de desenrolou por quase 10 anos, até que o TRF-5 o julgou condenando cacique Marcos e mais 20 lideranças do povo Xukuru a quatro anos de prisão. A sentença, no entanto, foi revertida em pena alternativa com o pagamento de cestas básicas.

No dia 3 deste mês, a Assembleia Legislativa de Pernambuco condecorou o cacique Marcos Xukuru com a comenda Leão do Norte, na categoria Direitos Humanos.

5 razões para assistir à Cúpula do Clima de Nova York (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 18 SETEMBRO 2014

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por Jennifer Morgan*

No próximo dia 23 de setembro, chefes de estado e líderes do sistema financeiro, de empresas e da sociedade civil se reunirão em Nova York na Cúpula do Clima das Nações Unidas de 2014. A reunião será um marco importante no caminho de enfrentamento da crise climática. O Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou a Cúpula de alto nível para reengajar os líderes mundiais e estimular a ação pelo clima nos níveis nacionais e internacional.

Dezenas de milhares de cidadãos interessados estão aproveitando a oportunidade para organizar a maior marcha pelo clima da história. Durante a semana da Cúpula centenas de organizações organizarão palestras, exibições de cinema documental e outros encontros para apresentar evidências esmagadoras das consequências das alterações climáticas e soluções custo-efetivas para resolver o problema. Novos estudos científicos como a Avaliação Nacional do Clima dos EUA e os últimos relatórios do IPCC iluminaram os riscos de poluição da atmosfera pelo carbono, enquanto novas análises econômicas, incluindo próximo relatório Nova Economia do Clima, do World Resources Institute, devem dissipar a noção de que a ação pelo clima desacelerará o crescimento econômico.

No entanto, esta não é a primeira vez que os governos são convocados para combater as mudanças climáticas. Então, por que vale a pena assistir a esta Cúpula? Aqui estão os porquês:

1) É a primeira vez em cinco anos na qual chefes de estado se reunirão para enfrentar a mudança climática

Esta será a primeira vez em cinco anos – desde as negociações de Copenhague de 2009 – que tantos líderes mundiais se reunirão para discutir a mudança climática. O Secretário-Geral Ban Ki-moon chamou a Cúpula para dar o pontapé inicial de um período de 15 meses de intenso engajamento e negociação pelo clima como tentativa de obter um acordo global em dezembro de 2015. Criar uma boa dinâmica em Nova York será extremamente importante para alcançar esse objetivo.

2) Obama e Xi estarão lá**

Tanto o presidente dos EUA, Barack Obama quanto o presidente chinês, Xi Jinping, líderes dos dois países que mais emitem gases de efeito estufa, participarão da cúpula. Se medidas substantivas de redução das emissões devem ser implantadas, tanto os EUA quanto a China deverão se envolver completamente. É encorajador que os dois países já estejam colaborando em projetos de energia limpa nos níveis de pesquisa, de governo e empresarial por meio de iniciativas como os Centro de Pesquisa de Energia Limpa EUA-China (CERC). Em julho os dois países revelaram oito novos acordos de parceria climática. A presença desses chefes de estado na Cúpula oferece uma oportunidade de continuidade da cooperação.

3) Novas vozes que clamam por maior ação

A maioria dos atuais líderes ainda não estava no poder em 2009, quando da Cúpula de Copenhague. Muitos destes falam abertamente sobre a ameaça que a mudança climática representa para seus países, bem como sobre as oportunidades econômicas que se abrem com a perspectiva de economia de baixo carbono. Estas novas vozes vêm de países de renda média como Chile, Colômbia, Costa Rica e Indonésia onde os governos estão implantando políticas climáticas ambiciosas ou manifestam vontade de fazê-lo. Suas novas visões devem moldar as discussões da cúpula de alto nível.

Também se espera que os países mais pobres apresentem seus desafios e suas contribuições para a solução do problema.

4) Novos compromissos de países, cidades e do setor privado

A Cúpula de um dia será um fórum para a troca de iniciativas entre os países. Durante a manhã acontecerão três sessões simultâneas nas quais os países devem anunciar suas medidas de combate às mudanças climáticas. Os anúncios provavelmente variarão de compromissos de capitalização do Fundo Verde para o Clima, como a contribuição de US$ 1 bilhão feita recentemente pela Alemanha como ajuda aos demais países para sua preparação para os impactos do clima e busca de caminhos de baixo carbono, até ações internas como de alteração de matrizes energéticas desde o carvão às energias renováveis de grande escala.

Os líderes mundiais também podem usar a reunião para se comprometerem a apresentar um rascunho de seus planos climáticos pós-2020 até o mês de março de 2015 (processo conhecido no jargão das negociações como “contribuições intencionais nacionais determinadas” ou INDCs na sigla em inglês) – de modo a incentivar seus colegas a também fazê-lo. O respeito a esse prazo dará aos ‘stakeholders’ nacionais e internacionais a oportunidade de responder e sugerir melhorias antes dos países apresentarem suas propostas definitivas nove meses depois, em Paris.

Finalmente, o encontro oferece uma plataforma para a apresentação de novas e significativas ideias pelos líderes do setor privado e das cidades. Prepare-se para conhecer novos esforços privados e/ou públicos em matéria de energia, cidades de baixo carbono, restauração florestal, transporte, agricultura, finanças e resiliência. Estas novas iniciativas complementarão as ações nacionais envolvendo todos os níveis da sociedade no esforço global para o enfrentamento do problema.

5) A transição global para a energia limpa está remodelando a paisagem da política

A rápida adoção de energias renováveis nos últimos anos mudou o que era considerado viável há apenas cinco anos. Os custos de produção da energia solar caíram 80% e a energia eólica nunca foi tão acessível. Em outubro passado, a Dinamarca produziu mais energia a partir dos ventos do que o total consumido pelo país. A China estabeleceu metas agressivas para energias renováveis para os anos de 2015, 2017 e 2020. Mais e mais empresas elétricas norte americanas estão descobrindo que o vento e o Sol oferecem a forma mais barata para adicionar capacidade de geração adicional. E cerca de 100 países em desenvolvimento têm agora estabelecidas políticas para energia renováveis. O panorama energético em mudança e os fortes benefícios sociais e econômicos da transição para a energia limpa dão argumentos fortes aos líderes dos países e das empresas pela liderança climática.

Uma chance para que os líderes mundiais se comprometam pela ação climática

A Cúpula será um prenúncio para o compromisso dos chefes de estado quanto ao enfrentamento da crise climática no período que leva a Paris e além. Fortes e claros compromissos elevariam a mudança climática na agenda global e preparariam o terreno para o progresso nacional e internacional.

Durante uma reunião de alto nível em Abu Dhabi em maio deste ano, Ban Ki-moon exortou os participantes a “capacitar e motivar os seus líderes nacionais para que tragam anúncios ousados à Cúpula do Clima de setembro… A corrida começou. É hora de liderar”. Em poucas semanas veremos se os líderes estão à altura do desafio.


* Artigo publicado em no dia 5 de setembro passado em http://www.wri.org/blog/2014/09/5-reasons-watch-nyc-climate-summit e traduzido por Délcio Rodrigues.

**Nota do editor: Depois da publicação deste post soubemos que o presidente chinês Xi Jinping não deve participar da Cúpula do Clima da ONU em Nova York. É esperado que o presidente Xi envie um outro político sênior em seu lugar.

Cúpula do Clima da ONU: só teatro ou fatos concretos? (IPS)

17/9/2014 – 01h38

por Thalif Deen, da IPS

cumbreclima Cúpula do Clima da ONU: só teatro ou fatos concretos?

Nações Unidas, 17/9/2014 – A tão comentada Cúpula do Clima, que acontecerá no final deste mês, é apresentada como um dos grandes acontecimentos político-ambientais da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2014. Seu secretário-geral, Ban Ki-moon, pediu aos mais de 120 governantes e empresários que participarão da cúpula de um único dia, 23 de setembro, que anunciem iniciativas significativas e substanciais, com promessas de fundos incluídas, “para ajudar o mundo a avançar por um caminho que limite o aquecimento global”.

Segundo a ONU, a cúpula será a primeira ocasião em cinco anos em que os líderes do mundo se reunirão para discutir o que se classifica de desastre ecológico: a mudança climática. Entre as repercussões negativas do aquecimento global estão a elevação do nível do mar, padrões climáticos extremos, acidificação dos oceanos, derretimento de geleiras, extinção de espécies da biodiversidade e ameaças à segurança alimentar mundial, alerta a organização.

Mas o que se pode esperar realmente da conferência deste mês, que provavelmente não durará mais do que 12 horas?

“Um acontecimento de um dia não poderá nunca resolver tudo o que se relaciona com a mudança climática, mas pode ser um ponto de inflexão para demonstrar renovada vontade política de agir”, opinou Timothy Gore, diretor de políticas e pesquisa da campanha Crecede Oxfam International. Alguns líderes políticos aproveitarão a ocasião para fazer isso, mas muitos “parecem decididos a se manterem afastados dos compromissos transformadores necessários”, acrescentou.

Segundo Gore, a cúpula foi pensada como uma plataforma para os novos compromissos de ação em matéria climática, mas existe o risco real de estes não serem grande coisa. “O enfoque colocado nas iniciativas voluntárias em lugar dos resultados negociados significa que não há garantias de que os anúncios que forem feitos na cúpula serão suficientemente sólidos”, acrescentou.

Espera-se que o Fundo Verde para o Clima mobilize cerca de US$ 100 bilhões anuais no Sul em desenvolvimento até 2020, segundo a ONU, mas este ainda não recebeu os fundos que serão entregues aos países em desenvolvimento para que possam implantar suas ações climáticas.

“No dia 23 de setembro veremos como os líderes mundiais não estão à altura do que necessitamos para lidar com a perigosa mudança climática”, apontou à IPS Dipti Bhatnagar, da Amigos da Terra Internacional e da Justiça Ambiental, de Moçambique. As “promessas” que os governos e as empresas farão na Cúpula do Clima serão extremamente insuficientes para abordar a catástrofe climática, ressaltou a ativista.

“A ideia de os governantes assumirem compromissos voluntários e não vinculantes é um insulto para centenas de milhares de pessoas que morrem a cada ano pelos impactos da mudança climática”, afirmou Bhatnagar. “Necessitamos que os países industrializados assumam objetivos de redução de emissões equitativos, ambiciosos e vinculantes, não um desfile de governantes que querem causar boa impressão. Mas este desfile falso é só o que vamos ver nesta cúpula de um dia”, opinou.

No dia 21, dois dias antes da cúpula, centenas de milhares de pessoas farão uma manifestação contra a mudança climática em cidades de todo o mundo. “Nesse dia, estaremos nas ruas de Nova York como parte da maior marcha climática na história, que enviará uma mensagem forte e clara para que os líderes mundiais ajam agora”, explicou Martin Kaiser, líder do projeto Política Climática Mundial, do Greenpeace.

Kaiser sugeriu que as empresas devem anunciar datas concretas a partir das quais operarão com 100% de energia renovável. Além disso, “os governos devem se comprometer a eliminar gradualmente os combustíveis fósseis até 2050 e tomar medidas concretas, como acabar com o financiamento das centrais elétricas movidas a carvão”, destacou. “Também esperamos que os governos anunciem dinheiro novo e adicional para o Fundo Verde para o Clima, a fim de ajudar os países vulneráveis a se adaptarem aos desastres climáticos”, afirmou.

“Precisamos que o Norte industrial entregue fundos públicos seguros, previsíveis e obrigatórios ao Sul em desenvolvimento por intermédio do sistema da ONU”, disse Bhatnagar, da Amigos da Terra Internacional. Os líderes dos países industrializados estão descuidando de sua responsabilidade para evitar as catástrofes climáticas, impulsionados pelos estreitos interesses econômicos e financeiros das elites ricas, da indústria dos combustíveis fósseis e das corporações transnacionais, acrescentou.

“O que se necessita para deter a mudança climática são objetivos de redução de emissões equitativos, ambiciosos e vinculantes dos países desenvolvidos, junto com a transferência de fundos e tecnologia aos países em desenvolvimento. Também precisamos de uma completa transformação de nossos sistemas de energia e alimentos”, enfatizou Bhatnagar.

Nesse sentido, é preciso maior transparência para decidir se os anúncios feitos são coerentes com as últimas conclusões científicas sobre o clima e se protegem os interesses dos mais vulneráveis diante dos impactos climáticos, detalhou Gore. Com relação ao papel do setor privado, “precisamos que os empresários combatem a mudança climática, e estão surgindo bons exemplos de empresas que estão à altura da ocasião”, acrescentou .

No setor de alimentos e bebidas, por exemplo, a Oxfam trabalhou com companhias como Kellogg e General Mills para que estas assumam compromissos de redução das emissões de suas cadeias de fornecimento agrícola, extremamente contaminantes. “Mas, em geral, essa cúpula mostra que há muitas partes do setor privado que ainda não estão à altura, já que as iniciativas que serão apresentadas não cumprem com a  transformação que precisamos”, destacou Gore.

“Isso serve para recordarmos a importância fundamental que tem a forte liderança governamental na mudança climática. As iniciativas voluntárias de baixo para cima não são um substituto da ação real do governo”, afirmou Gore. Envolverde/IPS

(IPS)

New York summit is last chance to get consensus on climate before 2015 talks (The Guardian)

UN is trying to convince countries to make new pledges before they meet in Paris to finalise a new deal on cutting emissions, reports

Paul Brown for Climate News Network, part of the Guardian Enviornment Network

theguardian.com, Thursday 4 September 2014 14.48 BST

Ban Ki-moonUN secretary general Ban Ki-moon has invited world leaders to New York on 23 September for a climate summit. Photograph: David Rowland/AFP/Getty Images

It is widely acknowledged that the planet’s political leaders and its people are currently failing to take enough action to prevent catastrophic climate change.

Next year, at the United Nations climate change conference in Paris, representatives of all the world’s countries will be hoping to reach a new deal to cut greenhouse gases and prevent the planet overheating dangerously. So far, there are no signs that their leaders have the political will to do so.

To try to speed up the process, the UN secretary general, Ban Ki-moon, has invited world leaders to UN headquarters in New York on 23 September for a grandly-named Climate Summit 2014.

He said at the last climate conference, in Warsaw last year, that he is deeply concerned about the lack of progress in signing up to new legally-binding targets to cut emissions.

If the summit is a success, then it means a new international deal to replace the Kyoto protocol will be probable in late 2015 in Paris. But if world leaders will not accept new targets for cutting emissions, and timetables to achieve them, then many believe that political progress is impossible.

Ban Ki-moon’s frustration about lack of progress is because politicians know the danger we are in, yet do nothing. World leaders have already agreed that there is no longer any serious scientific argument about the fact that the Earth is heating up and if no action is taken will exceed the 2C danger threshold.

It is also clear, Ban Ki-moon says, that the technologies already exist for the world to turn its back on fossil fuels and cut emissions of greenhouse gases to a safe level.

What the major countries cannot agree on is how the burden of taking action should be shared among the world’s 196 nations.

Ban Ki-moon already has the backing of more than half the countries in the world for his plan. These are the most vulnerable to climate change, and most are already being seriously affected.

More than 100 countries meeting in Apia, Samoa, at the third UN conference on small island developing states, in their draft final statement, note with “grave concern” that world leaders’ pledges on the mitigation of greenhouse gases will not save them from catastrophic sea level rise, droughts, and forced migration. “We express profound alarm that emissions of greenhouse gases continue to rise globally.”

Many of them have long advocated a maximum temperature rise of 1.5C to prevent disaster for the most vulnerable nations, such as the Marshall Islands and the Maldives.

The draft ministerial statement says: “Climate change is one of the greatest challenges of our time, and we express profound alarm that emissions of greenhouse gases continue to rise globally.

“We are deeply concerned that all countries, particularly developing countries, are vulnerable to the adverse impacts of climate change and are already experiencing an increase in such impacts, including persistent drought and extreme weather events, sea level rise, coastal erosion and ocean acidification, further threatening food security and efforts to eradicate poverty and achieve sustainable development.”

Speaking from Apia, Shirley Laban, the convenor of the Pacific Islands Climate Action Network, an NGO, said: “Unless we cut emissions now, and limit global warming to less than 1.5C, Pacific communities will reap devastating consequences for generations to come. Because of pollution we are not responsible for, we are facing catastrophic threats to our way of life.”

She called on all leaders attending the UN climate summit in New York to “use this historic opportunity to inject momentum into the global climate negotiations, and work to secure an ambitious global agreement in 2015”.

This is a tall order for a one-day summit, but Ban Ki-moon is expecting a whole series of announcements by major nations of new targets to cut greenhouse gases, and timetables to reach them.

There are encouraging signs in that the two largest emitters – China and the US – have been in talks, and both agree that action is a must. Even the previously reluctant Republicans in America now accept that climate change is a danger.

It is not yet known how many heads of state will attend the summit in person, or how many will be prepared to make real pledges.

At the end of the summit, the secretary general has said, he will sum up the proceedings. It will be a moment when many small island states and millions of people around the world will be hoping for better news.

Activists promise biggest climate march in history (The Guardian)

People’s Climate March in New York and cities worldwide hopes to put pressure on heads of state at Ban Ki-moon summit

theguardian.com, Monday 8 September 2014 06.00 BST

People's Climate March advert to be put up on the London Underground tube network.People’s Climate March advert to be put up on the London Underground tube network.Photograph: Avaaz

Hundreds of thousands of people are expected to take to the streets of New York, London and eight other cities worldwide in a fortnight to pressure world leaders to take action on global warming, in what organisers claim will be the biggest climate march in history.

On 23 September, heads of state will join a New York summit on climate change organised by Ban Ki-moon, the first time world leaders have come together on the issue since the landmark Copenhagen summit in 2009, which was seen as a failure.

The UN secretary general hopes the meeting will inject momentum into efforts to reach a global deal on cutting greenhouse gas emissions by the end of 2015, at a conference in Paris.

Ricken Patel, executive director of digital campaign group Avaaz, one of the organisers of the People’s Climate March on 21 September, said the demonstration was intended to send a signal to those world leaders, who are expected to include David Cameron and Barack Obama, though not heads of state from China and India.

“We in the movement, activists, have failed up until this point to put up a banner and say if you care about this, now is the time, here is the place, let’s come together, to show politicians the political power that is out there on there. Our goal is to mobilise the largest climate change mobilisation in history and the indications are we’re going to get there,” he told the Guardian.

Patel said he expects more than a hundred thousand people at the New York march alone, which will be the focus of the day’s events. Although many of the hundreds of organisations that have committed to taking part are environmental groups, he said not all those attending would be traditional ‘green’ activists.

“There’s a very strong range and diversity of people from all walks of life, including immigrant rights groups, social justice groups. Whoever you are and wherever you are, climate change threatens us all so it brings us together.”

Nearly 400,000 have signed a call on Avaaz’s site, saying they will attend one of the global events, which also include marches in Berlin, Paris, Delhi, Rio and Melbourne.

Patel added: “We’re building for the longterm here. This is about launching a movement that can literally save the world over the longterm. We want to build to last. We recognise that at this stage what needs be done is build political momentum behind this issue – our governments are nowhere near even the planning to reach the agreements needed to keep warming below [temperature rises of] 2C.”

Around 500 adverts will appear on the London tube network from Monday, calling on people to join the march, and advertising has already appeared across the New York subway. In Rio, the organisers have permission to project messages about the march on to the statue of Christ.

50,000 demand action on climate change at The Wave,   biggest ever UK climate change March in London. 5 December 2009.
Thousands of people had taken part in the 2009 climate march in London.Photograph: Janine Wiedel/Alamy

In an open letter to be published this week, environment and development groups including Greenpeace, Oxfam and WWF, plus politicians including Green party MP Caroline Lucas and Labour MP Tom Watson, have joined with trade unions and faith groups to call on world leaders to use the UN summit to take action on climate change.

“Politicians all over the world cite a lack of public support as a reason not to take bold action against climate change. So on 21 September we will meet this moment with unprecedented public mobilisations in cities around the world, including thousands of people on the streets of London.

“Our goal is simple – to demonstrate the groundswell of demand that exists for ambitious climate action,” they write.

Celebrities backing the People’s Climate March include model Helena Christensen, musician Peter Gabriel, actor Susan Sarandon, Argentine footballer Lionel Messi and actor Edward Norton.

The previous biggest assembly for a climate march was in Copenhagen in 2009, when tens of thousands of people took to the streets.

Separately on Monday, NGOs Greenpeace, WWF, Green Alliance, RSPB and Christian Aid published a report, Paris 2015: Getting a global agreement on climate change, laying out the level of ambition required for a deal at the UN climate talks in Paris.

Matthew Spencer, Green Alliance’s director, said: “There is a fashionable pessimism about multilateralism which shields people from disappointment but does nothing to protect us from the insecurity that climate change is bringing. Only a strong international agreement can avoid that and give nation states the confidence that they will not be alone as they decarbonise their energy systems.”

Racionamento de água ‘não é culpa de São Pedro’, diz ONU (OESP)

09/09/2014, 12h41

4.set.2014 – Represa Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, no interior de São Paulo, teve o índice que mede o volume de água armazenado no Sistema Cantareira alcançando a marca de apenas 10,6% da capacidade total. Luis Moura/ Estadão Conteúdo

O racionamento de água em São Paulo não é culpa de São Pedro, mas, sim, das autoridades, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da falta de investimentos. Quem faz o alerta é a relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à água, a portuguesa Catarina Albuquerque, que apresentou nesta terça-feira, 9, diante da entidade, um informe em que acusa o governo brasileiro de não estar cumprindo seu dever de garantir o acesso à água à totalidade da população.

Crise no abastecimento

“O culpado parece ser sempre São Pedro”, ironizou em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo. “Concordo que a seca pode ser importante. Mas o racionamento de água precisa ser previsto e os investimentos necessários precisam ser feitos”, disse. “A responsabilidade é do Estado, que precisa garantir investimentos em momentos de abundância”, insistiu.

Segundo ela, o racionamento de fato pode ser necessário em algumas situações. “Mas apenas como última opção e depois que as demais opções tenham sido esgotadas”, alertou.

Reservatórios de água na Grande SP

 
Arte/UOL

Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo

Raio-x dos sistemas

Para a relatora da ONU, não faz sentido a Sabesp ter suas ações comercializadas na Bolsa de Nova York e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), enquanto a cidade convive com problemas. “Antes de repartir lucros, a empresa precisa investir para garantir que todos tenham acesso à água”, declarou.

“O número de pessoas vivendo sem acesso à água e saneamento às sombras de uma sociedade que se desenvolve rapidamente ainda é enorme”, declarou a relatora em seu discurso na ONU, nesta tarde em Genebra.

Segundo seu informe, um abastecimento de água regular e de qualidade ainda é uma realidade distante para 77 milhões de brasileiros, uma população equivalente a todos os habitantes da Alemanha.

21.ago.2014 – Escavadeira tenta retirar lixo do rio Tietê. Menos de um mês depois de finalizar uma operação que retirou mais de 18 toneladas de lixo de áreas do leito seco do rio Tietê, o município de Salto (a 101 km da capital paulista) começa a ver as áreas serem novamente tomadas por entulho. A maioria do material é de pedaços de madeira. Segundo o secretário de Meio Ambiente do município, João De Conti Neto, a sujeira está voltando pela correnteza. João De Conti Neto/Acervo Pessoal

A ONU ainda aponta que 60% da população – 114 milhões de pessoas – “não tem uma solução sanitária apropriada”. Os dados ainda revelam que 8 milhões de brasileiros ainda precisam fazer suas necessidades ao ar livre todos os dias.

O Estadão revelou em junho de 2013 que a representante das Nações Unidas teve sua primeira inspeção para realizar o levantamento vetada pelo governo. A visita estava programada para ocorrer em julho do ano passado. “O governo apenas explicou que, por motivos imprevistos, a missão não poderia mais ocorrer”, declarou à época Catarina de Albuquerque.

Internamente, a ONU considerou que o veto tinha uma relação direta com os protestos que, em 2013, marcaram as cidades brasileiras. A viagem só aconteceria em dezembro de 2013, o que impediria que o informe produzido fosse apresentado aos demais governos da ONU e à sociedade civil antes da Copa do Mundo.

Agora, o raio X reflete uma crise que vive o País no que se refere ao acesso a água e saneamento. “Milhões de pessoas continuam vivendo em ambientes insalubres, sem acesso à água e ao saneamento”, indicou o informe, apontando que o maior problema estaria nas favelas e nas zonas rurais.

Resposta

O governo brasileiro indicou que o acesso à água e ao saneamento é “uma prioridade”, que a população mais pobre recebe uma atenção especial e que o governo tem “aumentado de forma significativa os investimentos em saneamento ao transferir recursos para Estados e municípios”.

“Houve um aumento nos orçamentos de fundos especiais para promover investimentos em infraestrutura de água e saneamento”, indicou a embaixadora do Brasil na ONU, Regina Dunlop.

“Temos um compromisso com a eliminação de desigualdades, dando prioridades para os mais vulneráveis”, insistiu a diplomata, indicando que as populações das favelas não são esquecidas.

Entre as medidas, a diplomata aponta investimentos de R$ 21,5 bilhões pelo governo em moradia, acesso à água, serviços de esgoto e revitalização urbana.

O governo também sugere que a relatora fizesse uma viagem mais ampla ao Brasil e alerta para a dimensão do território nacional.

 

Falta de água é culpa do governo de SP, afirma relatora da ONU (Folha de S.Paulo)

LUCAS SAMPAIO

DE CAMPINAS

31/08/2014 02h15

Relatora das Nações Unidas para a questão da água, a portuguesa Catarina de Albuquerque, 44, afirma que a grave crise hídrica em São Paulo é de responsabilidade do governo do Estado. “E não sou a única a achar isso.”

Ela visitou o Brasil em dezembro de 2013, a convite do governo federal.

De volta ao país, ela falou com a Folha na semana passada em Campinas, após participar de um debate sobre a crise da água em São Paulo.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque
Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) nega que faltem investimentos e atribui a crise à falta de chuvas nos últimos meses, que classifica como “excepcional” e “inimaginável”.

A seguir, trechos da entrevista à Folha.

*

Folha – Que lições devemos tirar desta crise?
Catarina de Albuquerque – Temos de nos planejar em tempos de abundância para os tempos de escassez. E olhar para a água como um bem precioso e escasso, indispensável à sobrevivência humana.
Em Singapura, no Japão e na Suíça, a água do esgoto, tratada, é misturada à água comum. É de excelente qualidade. Temos de olhar o esgoto como recurso.

No caso de São Paulo, acha que faltou ao governo do Estado adotar medidas e fazer os investimentos necessários?
Acho que sim, e não sou a única. Já falei com vários especialistas aqui no Brasil que dizem exatamente isso. Admito que uma parte da gravidade poderia não ser previsível, mas a seca, em si, era. Tinha de ter combatido as perdas de água. É inconcebível que estejam quase em 40% [média do país].

A água deveria ser mais cara? Há modelos de cobrança mais adequados do que o atual?
A prioridade tem de ser as pessoas. Quem usa a água para outros fins tem mais poder que os mais pobres, que têm de ter esse direito garantido.

Em muitos países, a água é mais cara para a indústria, a agricultura e o turismo, por exemplo. Deveria haver também um aumento exponencial do preço em relação ao consumo, para garantir que quem consome mais pague muitíssimo mais.

Que exemplos poderiam inspirar os governos?
Os EUA multam quem lava o carro em tempos de seca; a Austrália diz aos agricultores que não há água para todos em situações de emergência; e no Japão há sistemas de canalização paralela para reutilizar a água.

Qual é a importância de grandes obras como a transposição do rio São Francisco ou o sistema Cantareira?
Por várias razões, há uma atração pelas megaobras nos investimentos feitos em água e esgoto, não só no Brasil. Mas elas, muitas vezes, não beneficiam as pessoas que mais precisam de ajuda. Para isso são necessárias intervenções de pequena escala, que são menos “sexy” de anunciar.

Os lucros da Sabesp hoje são distribuídos aos acionistas. Como a senhora avalia isso diante da crise hídrica?
A legislação brasileira determina que uma empresa pública distribua parte do lucro aos acionistas. Mas uma coisa é uma empresa pública que faz parafusos, outra é uma que fornece água, que é um direito humano. As regras deveriam ser diferentes.

O marco normativo dos direitos humanos determina que sejam investidos todos os recursos disponíveis na realização do direito.

No caso de a empresa pública prestar um serviço que equivale a um direito humano, deveria haver maior limitação na distribuição dos lucros aos acionistas.

Em São Paulo, pela perspectiva dos direitos humanos, os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito.

A partir do momento em que parte desses recursos são enviados a acionistas, não estamos cumprindo as normas dos direitos humanos e, potencialmente, estamos face a uma violação desse direito.

Seria o caso de se decretar estado de calamidade pública?
A obrigação é garantir água em quantidade suficiente e de qualidade a todos. Como se chega lá são os governantes que devem saber.

A senhora sobrevoou o sistema Cantareira e disse ter visto muitas piscinas no caminho. O que achou disso?
A situação é grave. Isso foi algo que me saltou à vista.

Quando aterrissei no Egito para uma missão, tendo ciência da falta de água que existe no país, vi nas zonas ricas do Cairo uma série de casas com piscinas e pessoas lavando carros. Quem tem dinheiro e poder não sente falta de água.

O que talvez seja um pouco diferente na situação de São Paulo é que, pela proporção que a crise tomou, ela poderá atingir pessoas que tradicionalmente não sofrem limitação no uso da água -e isso é interessante.

Que efeito isso pode ter?
Pode levar a uma mudança de mentalidade, a uma pressão por parte de formadores de opinião no Estado de São Paulo para que haja melhor planejamento e uma gestão sustentável da água.

Quando os únicos que sofrem com a falta de água são pobres, pessoas que não têm voz na sociedade, as coisas não mudam.

Quando as pessoas que são ameaçadas com a falta de água são as com poder, com dinheiro, com influência, aí as coisas podem mudar, porque eles começam a sentir na pele. Pode ser uma chance para melhorar a situação. As crises são oportunidades.

Indigenous and local knowledge has important role in biodiversity assessments (UNEP-WCMC)

23 MAY 2014

A new study co-authored by Neil Burgess, Head of Science at UNEP-WCMC has proved the scientific value of indigenous and local knowledge collected from community members using focus groups.

Bringing together “western scientific” and “indigenous and local” knowledge is a goal of the Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES). The information is needed to fulfil a function of IPBES which is to produce assessments of the state of the planet’s environment, and identify changes over time. However, assuring its usefulness and quality is a challenge of bringing together western science and indigenous knowledge.

To test the utility of focus groups for validating data collected by a local community, UNEP-WCMC collaborated in a study led by Nordisk Fund for Miljø og Udvikling. The Miskito and Mayangna communities who live in the Bosawás Biosphere Reserve in Nicaragua – an area that is a global priority for conservation – participated in community-level focus group discussions on the abundance of natural resources such as mammals, birds and plants.

At the same time, data was collected by trained scientists or members of the local community using transect lines which is a common scientific method. All participants from the local community had considerable experience of hunting and collecting forest products which made them ideal candidates for the accurate identification of the species, and both males and females were represented.

When compared, the information provided by the focus groups was as accurate as the data collected using the more traditional scientific methods. In addition, the focus group approach empowered the indigenous and local communities who generally have limited engagement in such activities.

The results of this study confirm that indigenous and local knowledge is valid source of information for assessment processes such as IPBES. The focus groups were also found to be eight times cheaper than deploying scientists to conduct transect lines so this method could be a cost-effective and efficient way of supplying the increasing demand for environmental information.

Publication information

Danielsen, F., Jensen, P.M., Burgess, N.D., Coronado, I., Holt, S., Poulsen, M.K., Rueda, R.M., Skielboe, T., Enghoff, M., Hemmingsen, L.H., Sørensen, M. and Pirhofer-Walzl, K. 2014. Testing focus groups as a tool for connecting indigenous and local knowledge on abundance of natural resources with science-based land management systems. Conservation Letters Doi: 10.1111/conl.12100.

País ‘concorre’ a troféu por travar negociações na COP 11 (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012

Brasil é indicado pela segunda vez, durante a Convenção da Diversidade Biológica, a prêmio organizado por rede internacional de ONGs.

Pela segunda edição seguida da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), o Brasil figura hoje entre os indicados para o Troféu Dodô, que “premia” os países que menos têm evoluído nas negociações durante o encontro para evitar perdas de biodiversidade. Canadá, China, Paraguai e a Grã-Bretanha são os outros indicados pela CBD Alliance, uma rede internacional de ONGs que participa da convenção.

O pássaro dodô é o escolhido para dar nome ao prêmio por estar extinto há cerca de quatro séculos – a espécie vivia na costa leste da África, na Ilha Maurício. Nas convenções do clima, o equivalente é o Troféu Fóssil do Dia – o País foi “agraciado” em Durban, há quase um ano.

Entre as razões para a presença do País na lista está a falta de preocupação do governo com a biodiversidade na negociação de mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd+) – sistema de compensação financeira para atividades que diminuam a emissão de carbono.

Na 11ª conferência das partes (COP-11) da CBD em Hyderabad, na Índia, o Brasil quer evitar a definição de salvaguardas de biodiversidade nos textos, fazendo pressão para que haja diferenças claras entre os acordos da CBD e os estabelecidos nas Convenções sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

O governo brasileiro se alinhou a outros países descontentes, como Colômbia e Argentina, para criticar o texto que está sendo trabalhado na conferência da Índia. Em nota, o bloco afirmou que o documento está atrasado e não leva em conta as resoluções alcançadas nas Conferências do Clima de Cancún e de Durban.

“Muitas das recomendações que estamos vendo na COP-11 ou são redundantes ou colocam barreiras para a implementação dessa importante ferramenta (de Redd+)”, dizem os países. Além disso, o Brasil foi indicado ao troféu pelo fato de o governo não ter, segundo a rede de ONGs, uma boa relação com comunidades locais e tribos indígenas que vivem em áreas de relevância ecológica e biológica.

Nova indicação – Há dois anos, o País havia sido indicado por outro motivo: durante o encontro na cidade japonesa de Nagoya, os representantes brasileiros promoveram de forma escancarada os biocombustíveis e foram criticados por tentar abafar os possíveis impactos sobre a biodiversidade e as populações.

Os vencedores de 2010, porém, foram o Canadá e a União Europeia. O Canadá voltou a ser indicado neste ano, também acusado de tentar evitar a discussão sobre os biocombustíveis.

De acordo com as ONGs, a China tem desencorajado o desenvolvimento de áreas marinhas em países vizinhos, enquanto o Paraguai tem bloqueado qualquer progresso em assuntos socioeconômicos nas questões de biossegurança. Já a Grã-Bretanha estaria trabalhando para evitar discussões sobre biologia sintética e geoengenharia.

 

País ‘concorre’ a troféu por travar negociações na COP 11 (OESP)

JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012

Brasil é indicado pela segunda vez, durante a Convenção da Diversidade Biológica, a prêmio organizado por rede internacional de ONGs.

Pela segunda edição seguida da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), o Brasil figura hoje entre os indicados para o Troféu Dodô, que “premia” os países que menos têm evoluído nas negociações durante o encontro para evitar perdas de biodiversidade. Canadá, China, Paraguai e a Grã-Bretanha são os outros indicados pela CBD Alliance, uma rede internacional de ONGs que participa da convenção.

O pássaro dodô é o escolhido para dar nome ao prêmio por estar extinto há cerca de quatro séculos – a espécie vivia na costa leste da África, na Ilha Maurício. Nas convenções do clima, o equivalente é o Troféu Fóssil do Dia – o País foi “agraciado” em Durban, há quase um ano.

Entre as razões para a presença do País na lista está a falta de preocupação do governo com a biodiversidade na negociação de mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd+) – sistema de compensação financeira para atividades que diminuam a emissão de carbono.

Na 11ª conferência das partes (COP-11) da CBD em Hyderabad, na Índia, o Brasil quer evitar a definição de salvaguardas de biodiversidade nos textos, fazendo pressão para que haja diferenças claras entre os acordos da CBD e os estabelecidos nas Convenções sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

O governo brasileiro se alinhou a outros países descontentes, como Colômbia e Argentina, para criticar o texto que está sendo trabalhado na conferência da Índia. Em nota, o bloco afirmou que o documento está atrasado e não leva em conta as resoluções alcançadas nas Conferências do Clima de Cancún e de Durban.

“Muitas das recomendações que estamos vendo na COP-11 ou são redundantes ou colocam barreiras para a implementação dessa importante ferramenta (de Redd+)”, dizem os países. Além disso, o Brasil foi indicado ao troféu pelo fato de o governo não ter, segundo a rede de ONGs, uma boa relação com comunidades locais e tribos indígenas que vivem em áreas de relevância ecológica e biológica.

Nova indicação – Há dois anos, o País havia sido indicado por outro motivo: durante o encontro na cidade japonesa de Nagoya, os representantes brasileiros promoveram de forma escancarada os biocombustíveis e foram criticados por tentar abafar os possíveis impactos sobre a biodiversidade e as populações.

Os vencedores de 2010, porém, foram o Canadá e a União Europeia. O Canadá voltou a ser indicado neste ano, também acusado de tentar evitar a discussão sobre os biocombustíveis.

De acordo com as ONGs, a China tem desencorajado o desenvolvimento de áreas marinhas em países vizinhos, enquanto o Paraguai tem bloqueado qualquer progresso em assuntos socioeconômicos nas questões de biossegurança. Já a Grã-Bretanha estaria trabalhando para evitar discussões sobre biologia sintética e geoengenharia.

(O Estado de São Paulo)

ONU quer garantir que temperatura global não se eleve mais que 2ºC (Globo Natureza)

JC e-mail 4582, de 13 de Setembro de 2012

As negociações climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) devem continuar pressionando por atitudes mais ambiciosas para garantir que o aquecimento global não ultrapasse os 2 graus, disse um negociador da União Europeia nesta semana, um mês depois de os EUA terem sido acusados de apresentar um retrocesso na meta.

Quase 200 países concordaram em 2010 em limitar o aumento das temperaturas para abaixo de 2 graus Celsius, acima da era pré-industrial para evitar os impactos perigos da mudança climática, como enchentes, secas e elevação do nível das marés.

Para desacelerar o ritmo do aquecimento global, as conversações climáticas da ONU na África do Sul concordaram em desenvolver um acordo climático legalmente vinculante até 2015, que poderia entrar em vigor no máximo até 2020.

Entretanto, especialistas advertem que a chance de limitar o aumento da temperatura global para menos de 2 graus está ficando cada vez menor, à medida que aumenta a emissão dos gases de efeito estufa por causa da queima de combustíveis fósseis.

“Está muito claro que devemos pressionar nas negociações de que a meta de 2 graus não é suficiente. A razão pela qual não estamos fazendo o bastante se deve à situação política em algumas partes do mundo”, disse Peter Betts, o diretor para mudança climática internacional da Grã-Bretanha e negociador sênior da UE, a um grupo de mudança climática no Parlamento britânico.

Na última semana, cientistas e diplomatas se reuniram em Bangcoc para a reunião da Convenção da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês), a última antes do encontro anual que será realizado entre novembro e dezembro em Doha, no Qatar.

Flexibilidade nas metas – No mês passado, os EUA foram criticados por dizer que apoiavam uma abordagem mais flexível para um novo acordo climático – que não necessariamente manteria o limite de 2 graus -, mas depois acrescentaram que a flexibilidade daria ao mundo uma chance maior de chegar a um novo acordo.

Diversos países, incluindo alguns dos mais vulneráveis à mudança climática, dizem que o limite de 2 graus não é suficiente e que um limite de 1,5 graus seria mais seguro. As emissões do principal gás de efeito estufa, o dióxido de carbono, subiram 3,1% em 2011, em um recorde de alta. A China foi a maior emissora do mundo, seguida pelos EUA.

As negociações para a criação de um novo acordo global para o clima, nos mesmos moldes de Kyoto, já iniciaram. Na última conferência climática foi aprovada uma série de medidas que estabelece metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O documento denominado “Plataforma de Durban para Ação Aumentada” aponta uma série de medidas que deverão ser implementadas, mas na prática, não há medidas efetivas urgentes para conter em todo o planeta o aumento dos níveis de poluição nos próximos oito anos.

Obrigação para todos no futuro – Ele prevê a criação de um acordo global climático que vai compreender todos os países integrantes da UNFCCC e irá substituir o Protocolo de Kyoto. Será desenhado pelos países “um protocolo, outro instrumento legal ou um resultado acordado com força legal” para combater as mudanças climáticas.

Isso quer dizer que metas de redução de gases serão definidas para todas as nações, incluindo Estados Unidos e China, que não aceitavam qualquer tipo de negociação se uma das partes não fosse incluída nas obrigações de redução.

O delineamento deste novo plano começará a ser feito a partir das próximas negociações da ONU, o que inclui a COP 18, que vai acontecer em 2012 no Catar. O documento afirma que um grupo de trabalho será criado e que deve concluir o novo plano em 2015.

As medidas de contenção da poluição só deverão ser implementadas pelos países a partir de 2020, prazo estabelecido na Plataforma de Durban, e deverão levar em conta as recomendações do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que será divulgado entre 2014 e 2015.

Em 2007, o organismo divulgou um documento que apontava para um aumento médio global das temperaturas entre 1,8 ºC e 4,0 ºC até 2100, com possibilidade de alta para 6,4 ºC se a população e a economia continuarem crescendo rapidamente e se for mantido o consumo intenso dos combustíveis fósseis.

Entretanto, a estimativa mais confiável fala em um aumento médio de 3ºC, assumindo que os níveis de dióxido de carbono se estabilizem em 45% acima da taxa atual. Aponta também, com mais de 90% de confiabilidade, que a maior parte do aumento de temperatura observado nos últimos 50 anos foi provocada por atividades humanas.

As armas do vazio mental (FSP)

26/07/2012 – 03h00

Janio de Freitas

Mais duas explicações estão lançadas em socorro à recusa do governo brasileiro, agora mesmo na ONU, de votar a favor da transparência no comércio internacional de armas.

Diz um dos dois argumentos que já está em prática, na indústria bélica, a inscrição indelével, a laser e em cada arma e projétil, indicando sua procedência. Assim será possível saber, quando de violações das normas internacionais e transgressão dos direitos humanos, o país que forneceu as armas em uso.

Belo e carinhoso consolo, sem dúvida, para as crianças que perderem seus pais e para os pais que perderem seus filhos estilhaçados por armamentos, agora sim, de procedência inapagável. Para usufruir do consolo, porém, resta ainda um pequeno problema que a inventividade dos engenheiros da matança, por certo, vai resolver.

Fatos atuais ajudam a expor a questão pendente. Há 24 horas noticia-se, inclusive com fotos e vídeos, o recurso do ditador sírio Bashar Assad ao bombardeio aéreo de cidades do seu país.

É um reforço mais drástico e preciso aos tiros de canhões, no entanto continuados. E às metralhas pesadas e também canhões dos tanques.

A população civil vê e ouve os aviões, e vê as bombas em direção a suas casas, suas famílias, à vizinhança. Não vê os canhões e não é certo que ouça os seus estrondos, mas ouve o silvo fino e feroz de suas balas cortando o ar. Todas essas peças assassinas com sua procedência devidamente identificada. Ainda a tinta ou talvez já a laser.

A população vê e ouve os sinais do sofrimento e da morte. Mas lerá a inscrição dos petardos em seu voo? E depois de bombas, balas e foguetes destruídos por sua própria explosão, onde estarão as inscrições para a comprometedora “identificação de quem os forneceu”? É provável que parte deles até ostentasse o nosso “made in Brazil”. Impossível afirmar ou negar: sabemos estar entre os exportadores de bombas terríveis, mas estamos proibidos de saber para quem as exportamos.

Não se sabe se o outro argumento foi criado pelo mesmo vácuo mental que invocou a “inscrição identificadora”, ou se foi um dos prodígios intelectuais que a adotam no Itamaraty, nas Forças Armadas, no jornalismo. A suposição de que os outros também padecemos de idiotia é a mesma, nos dois argumentos.

Eis o segundo: o sigilo das exportações de armas é necessário porque os compradores querem segredo do tipo e quantidade de seus armamentos.

Antes de tudo: nem sempre. Com a ideia fixa (da qual emanava certo cheiro de charuto cubano) de que os Estados Unidos usariam a Colômbia para atacar a Venezuela, Hugo Chávez tratou de alardear suas grandes compras militares. Se houve, o risco arrefeceu e foi silenciado pelo novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, mais lúcido do que o antecessor Uribe.

Acima de tudo, a conveniência militar alheia não é problema a ser resolvido pelo Brasil. Ainda mais se o pretendente a comprador é uma ameaça a relações normais com seus vizinhos ou à liberdade e aos direitos humanos em seu país.

Esta regra essencial no Estado de Direito é transgredida pelo Brasil, com suas exportações de bombas condenadas e outras armas para o Oriente Médio e para ditaduras africanas. E ainda em operações triangulares: a exportação para a ditadura de Robert Mugabe, do Zimbábue, no governo Fernando Henrique, foi tornar mais feroz a terrível guerra civil no Congo. Mas, nas organizações internacionais, e em casa mesmo, o governo brasileiro mostrava-se muito condoído com o genocídio congolês.

 

Os cinco grandes sufocam questionamento ao veto na ONU (IPS)

Inter Press Service – Reportagens
29/5/2012 – 10h11

por Thalif Deen, da IPS

42  Os cinco grandes sufocam questionamento ao veto na ONU

As potências com poder de veto no Conselho de Segurança fizeram desaparecer uma resolução para limitar o mau uso dessa faculdade. Foto: UN Photo/Paulo Filgueiras

Nações Unidas, 29/5/2012 – Quando a Guerra Fria estava em seu apogeu, um embaixador peruano, Víctor Andrés Belaúnde, expressou ceticismo com relação à capacidade dos países pequenos de sobreviver ao poderio diplomático das grandes potências na Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU é uma instituição “onde sempre há algo que desaparece”, diz uma frase atribuída a Belaúnde (1993-1966) na década de 1960. “Quando dois países pequenos têm uma disputa, a disputa desaparece. E quando uma grande potência e uma menor estão em conflito, a potência menor é que desaparece”, observava o diplomata.

Isto é, supostamente, o que aconteceu este mês quando cinco dos menores Estados-membros das Nações Unidas, que se fazem chamar “os cinco pequenos”, desafiaram outras cinco potências com cadeira permanente no Conselho de Segurança (Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) sobre o mau uso que fazem de seu poder de veto. Horas antes do debate e da votação de uma resolução proposta pelos cinco pequenos à Assembleia Geral de 193 membros, esse texto desapareceu sem nenhuma cerimônia do sagrado recinto da ONU, e provavelmente da face da Terra.

Belaúnde, que presidiu a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança, foi, inclusive, mais longe ao afirmar que, “quando duas grandes potências têm uma disputa, o que desaparece é a ONU”, segundo consta do livroCrosscurrents at Turtle Bay (Contracorrentes em Turtle Bay), publicado em 1970 pela jornalista do The New York Times, Kathleen Teltsch. Felizmente, desta vez as Nações Unidas e os cinco pequenos (Costa Rica, Jordânia, Liechtenstein, Cingapura e Suíça) não desapareceram e vivem para contar o ocorrido.

A abortada resolução, formulada no delicado jargão diplomático, “recomendava” aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança considerarem “a contenção no uso do veto diante de ações concebidas para evitar ou pôr fim a genocídios, crimes de guerra e contra a humanidade”. Porém, desde o começo, os cinco grandes deixaram claro que a Assembleia Geral não tinha motivo para fazer tais recomendações ao Conselho.

William Pace, diretor-executivo do Movimento Federalista Mundial – Instituto para a Política Global, disse à IPS que, apesar de os cinco pequenos se virem obrigados a retirar essa histórica proposta, as organizações não governamentais esperam que isto seja apenas o primeiro passo, depois de 67 anos, de um trabalho comum da Assembleia e do Conselho para responder à enorme necessidade de se melhorar a capacidade de manter a paz e a segurança.

“É preciso mudar os fundamentos disfuncionais de um Conselho de Segurança dos tempos da Guerra Fria”, opinou Pace. “E um começo indispensável seria esse organismo aceitar uma provisão de não uso do veto para bloquear ações sobre grandes crimes”. A oposição a semelhante recomendação foi “um escândalo”, acrescentou.

Para Stephen Zunes, professor de estudos políticos e internacionais na Universidade de São Francisco, a retirada da Resolução mostra que os cinco grandes continuam mandando na ONU. “No entanto, são questionados cada vez mais, sua credibilidade enfraquece e seu fracasso ético é cada vez mais evidente para uma crescente maioria da comunidade internacional”, destacou.

A importância da resolução estava no fato de não só desafiar o veto chinês e russo às medidas contra o regime sírio, que reprime de forma sangrenta a oposição, e o da China diante do genocídio no Sudão, como também dos Estados Unidos quanto aos crimes de guerra cometidos por Israel, relatou Zunes, especialista em Conselho de Segurança. “Ao impulsionar essa resolução, esses pequenos países destacaram que as violações ao direito internacional humanitário são imperdoáveis, sem importar que tipo de relação tenham os cinco grandes com o governo acusado”, explicou Zunes.

Para Zunes, a proposta foi especialmente oportuna, não apenas pela situação na Síria, mas pela quase unânime votação na câmara baixa do Congresso norte-americano que, no começo deste mês, estabeleceu como política oficial de Washington o veto sistemático a qualquer resolução do Conselho de Segurança que critique Israel.

Um diplomata do Sul em desenvolvimento, que pediu reserva de seu nome, contou à IPS que os cinco retiraram a proposta no dia 23, mesmo dia em que estava prevista sua discussão, após intensa pressão exercida pelos cinco grandes, tanto na sede nova-iorquina da ONU, quanto em cada uma das capitais. O Escritório de Assuntos Legais, prosseguiu o diplomata, também embaralhou o meio de campo ao afirmar que a resolução exigia um apoio de dois terços da Assembleia Geral, pois implicava uma reforma do Conselho de Segurança.

“Provavelmente, o Escritório estava agradando aos cinco grandes, e chama a atenção o fato de a China ter feito circular o texto do Escritório entre todos os Estados-membros mesmo antes de sua publicação, indicando que os cinco membros permanentes o receberam antecipadamente”, relatou a fonte. “Isto frustra todo o impulso para reformar o Conselho e também prejudica sua efetividade”, lamentou. Ao bloquearem a menor reforma, os cinco grandes podem ter ganho momentaneamente uma batalha, mas, no longo prazo, causam um enorme dano à credibilidade do Conselho. “Pode haver mais e mais países que o evitem ou se neguem a cumprir suas decisões”, alertou o diplomata.

Além da oposição das potências, os cinco pequenos não conseguiram convencer uma quantidade suficiente de governos sobre a conveniência de separar a ampliação do Conselho de Segurança, que exige reformas na Carta da ONU, da modificação de métodos de trabalho e procedimentos do órgão. Isto está limitado por uma resolução que a Assembleia Geral adotou em 1993 e que exige maioria de dois terços de seus membros, ou 129 países.

“Um objetivo fundamental é separar as reformas, que não exigirem mexer na Carta, das restrições de 1993. E isto se consegue com uma decisão da Assembleia Geral por maioria simples”, explicou Pace. Embora a ampliação do Conselho, para dar lugar a mais membros permanentes, seja muito importante, pode demorar anos ou mesmo décadas, enquanto as outras reformas nesse órgão devem ser adotadas de imediato, tanto pela Assembleia Geral quanto pelo próprio Conselho de Segurança, ressaltou.

Os cinco pequenos, segundo esse especialista, não colocaram em questão a legitimidade do veto, mas seu uso indevido, causador de milhões e milhões de mortes. Ao criticar o silêncio sobre esta notícia na maioria dos grandes meios de comunicação, Pace destacou que “o fato de a IPS e apenas mais um punhado de órgãos da mídia em todo o mundo cobrirem a resolução dos cinco pequenos constitui um sinal aterrador do estado em que se encontra o jornalismo internacional”.

Envolverde/IPS

 

Environment agency becomes crunch issue in Rio talks (Agence France-Presse)

By Richard Ingham (AFP) – 05.Feb.2012

PARIS — The UN Environment Programme (UNEP) is emerging as a hot issue in preparations for June’s Rio conference, styled as a once-in-a-generation chance to restore a sick planet to good health.

The US is fighting a proposal, backed according to France by least 100 countries, for transforming UNEP from a poorly noticed, second-string unit into a planetary super-agency.

Environmentalists have long complained that Nairobi-based UNEP, set up in 1972 as an office of the UN and with a membership of only 58 nations, lacks clout to deal with the globe’s worsening ills.

These range from climate change, water stress and over-fishing to species loss, deforestation and ozone-layer depletion.

But the environmental mess also coincides with the crisis of capitalism, which greens say is blind to the cost for Nature in its relentless quest for growth.

The fateful intertwining of these problems points to a unique chance of a solution at the June 20-22 “Rio+20” conference, they argue.

With possibly scores of leaders in attendance, the 20-year follow-up to the famous Earth Summit has the declared aim of making growth both greener and sustainable.

“The new capitalism which emerges from the crisis has to be environmental, or it won’t be new,” French Ecology Minister Nathalie Kosciusko-Morizet said on Tuesday.

The key vehicle would be UNEP, which according to the vaguely-worded French proposal would be changed into the World Environment Organisation.

It would become the UN’s 16th “specialised” agency alongside the World Health Organisation (WHO), Food and Agricultural Organisation (FAO) and so on.

To the outsider, this may sound at best like a bit of terminological tinkering — at worst, just another bureaucracy-breeding machine.

Experts, though, say status change could be surprisingly far-reaching.

Specialised UN agencies have high degrees of autonomy, enabling them to set agendas, frame international norms, stir up interest in dormant issues and sometimes poke their noses into areas of national sovereignty.

At its most ambitious, a World Environment Organisation would embrace not just the member-states which fund it but also business, green and social groups, becoming a very loud voice indeed.

It could intrude into sensitive areas such as trans-border use of water resources, fishery quotas and habitat use — and even monitor environmental standards for trade in goods and services.

According to Kosciusko-Morizet’s ministry, more than 30 European countries back the French proposal, along with 54 countries in Africa, plus Thailand, Malaysia, Nepal, Chile, Uruguay and others.

But in a US presidential election year where green issues — especially foreign ones — are easily trumped by domestic politics, Washington has set down a marker.

“We do not believe that international efforts on the environment and sustainable development would be improved by creating a new specialised agency on the environment,” a State Department official told AFP.

“We prefer to work towards a strengthened role for UNEP, as well as better coordination across the UN system in integrating environment into development, and in working towards sustainable development.”

Canada, like the US, says it prefers a smarter, better-connected UNEP.

Tensions over this are now emerging at preparatory talks on the “zero draft,” a document that will be finessed into June’s all-important summit communique.

“The Americans have come out guns blazing,” said Farooq Ullah, head of policy and advocacy at a London-based NGO called Stakeholder Forum.

“The risk, of course, is not necessarily that they would veto it (a super-UNEP) but that they would pull out their funding for it. A big part of UNEP’s funding comes from the Americans, so it would be a major blow,” he stressed.

Could the dispute rip Rio apart? Or could it doom it to dismal compromise, as many view the outcome of 2009 Copenhagen climate summit?

“The biggest risk with these things that have a lot of interest is that if you push too far too quickly and it becomes too contentious, it will just be negotiated out,” warned Ullah.

Lucien Chabason of a French thinktank, the Institute of Sustainable Development and International Relations (IDDRI), said the outcome did not have to be dramatic.

“One can imagine a mixture of the two ideas, in which Rio adopts a position in principle to beef up UNEP and launch a negotiation process,” he said.