Arquivo mensal: abril 2026

A ecologia dos espíritos e a conservação da biodiversidade na Amazônia (The Conversation)

Ativistas indígenas participam de um protesto climático durante a Cúpula Climática da ONU COP30, em Belém. A maneira como as populações indígenas e tradicionais amazônicas lidam com a biodiversidade está inseparavelmente ligada às suas cosmo-ecologias, que concebem uma floresta animada por seres espirituais, nos permitindo compreender outros modos de se relacionar no ambiente. AP Photo/Andre Penner.

Publicado: 17 dezembro 2025 12:35 -03

Artigo original

Autores

  1. Thiago Mota Cardoso – Professor do Departamento de Antropologia, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
  2. Carlos Calenti – Doutorando em Antropologia Social, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
  3. Eduardo Soares Nunes – Professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Arqueologia, Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
  4. Miguel Aparicio – Pesquisador do Laboratório de Estudos Sociais (LAES/INPA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
  5. Nicole Soares-Pinto – Professora do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
  6. Rafael Vitorino Devos – Professor Associado no Departamento de Antropologia, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

A situação climática global e suas consequências têm colocado a Amazônia no centro do debate sobre as possibilidades de futuro. O extenso relatório publicado pelo Painel Científico para a Amazônia (SPA) informa que a maior floresta tropical do mundo continua a ser tomada como uma frente de expansão para o capital neoextrativista e agroindustrial, mas também que há uma crescente preocupação e esforços locais e globais com a conservação e proteção da Amazônia em função dos serviços ecossistêmicos que presta ao planeta e por sua enorme sociobiodiversidade.

As vozes dos povos da floresta — indígenas, ribeirinhos e quilombolas, ecoando cada vez mais fortes e atingindo uma audiência cada vez maior — têm sido fundamentais para o reconhecimento tanto da imensa diversidade que constitui a Amazônia quanto dos riscos e agressões a que a floresta e seus povos estão atualmente expostos.

Os conhecimentos indígenas têm um papel ativo no manejo histórico das paisagens, contribuindo para a atual conformação das ecologias amazônicas. Ainda assim, é da perspectiva da governança global e da ciência ocidental que a “proteção” e a “conservação” da Amazônia e de sua biodiversidade são usualmente encaradas.

Os conhecimentos tradicionais nunca estiveram tão em voga e foram tão valorizados nas soluções para a crise climática e ambiental como o são atualmente mas, em boa medida, seguem sendo medidos e pesados frente às ciências naturais, que considera estas ciências ancestrais apenas como suplementares ao conhecimento científico naturalista. Em outras palavras: “explicações culturais” para “fenômenos naturais”.

Ao mesmo tempo, como aponta um recente relatório das Nações Unidas, os povos indígenas e comunidades tradicionais estão sendo deixados para trás nos esforços de enfrentamento às mudanças climáticas, onde encontram barreiras estruturais que os impedem de ter acesso aos financiamentos climáticos internacionais.

Mas o que acontece quando os conhecimentos indígenas, ribeirinhos e quilombolas desafiam os pressupostos das ciências naturais e das estratégias de conservação ambiental, quando desafiam seu entendimento do que é o mundo e de como ele se mantém?

Tudo vai bem quando os conhecimentos tradicionais podem ser traduzidos em termos das taxonomias e dos processos naturais que sustentam as práticas científicas. Mas e quando as populações amazônicas apontam para a existência de seres espirituais como responsáveis pela criação e reprodução de determinadas espécies animais e vegetais ou pelo cuidado e proteção de lugares e ambientes?

As cosmo-ecologias amazônicas

As cosmologias dos povos amazônicos descrevem o mundo como habitado por uma pluralidade de seres espirituais. Dentro de sua multiplicidade e complexidade existencial, impossível de resumir aqui em tão poucas linhas, chamamos atenção especialmente para o que podemos nomear genericamente de “espíritos”.

São entes que nutrem uma relação particular, de controle ao mesmo tempo que de cuidado, com determinadas espécies, com lugares específicos ou com o próprio equilíbrio do mundo: são os donos, mestres, encantados e mães de espécies vegetais, animais e minerais, espíritos auxiliares de xamãs, santos ou visagens.

Os “donos”, “mestres” ou “mães”, por exemplo, são seres que se situam em diversos patamares (celeste, terrestre, aquático, fundo da terra), vivem em lugares sob seus domínios (lagos, igarapés, florestas, serras) e controlam e cuidam de determinadas espécies, sendo responsáveis pela existência desses animais e vegetais, bem como por sua reprodução.

Em seus domínios cósmicos, esses seres criam porcos do mato, tartarugas e outros animais em “currais”, e deixam suas criações sair dali para que as pessoas humanas possam delas se alimentar. Essa é uma imagem bastante difundida entre diversos povos amazônicos. Outros seres estabelecem essa relação de domínio com lugares específicos, como um lago, um trecho do rio, uma árvore de grande porte, ou uma porção da mata. É deles que vêm a fertilidade e a potência de vida desses lugares – as espécies que ali coabitam, a água que corre no igarapé etc. Se eles se afastam ou morrem, seus lugares também perecem – os animais somem, as plantas morrem, os igarapés secam.

Há ainda os “espíritos” que ativamente mantêm o equilíbrio dinâmico do mundo. Um exemplo disso são os xapiri, descritos pelo povo Yanomami, que sustentam o céu, como nos conta o xamã Davi Kopenawa no livro A queda do céu, escrito em conjunto com o antropólogo francês Bruce Albert: se os xapiri se afastarem, a floresta morrerá, o céu caíra sobre a terra e não haverá mais mundo.

A existência desses seres é muito bem conhecida e extensamente documentada, sobretudo em pesquisas antropológicas, como podemos observar nos diversos capítulos do relatório Povos Tradicionais e Biodiversidade no Brasil publicado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). No entanto, a existência desses entes espirituais nos ecossistemas e suas relações com a biodiversidade na Amazônia ainda é uma lacuna nos estudos biológicos e antropológicos sobre criação e conservação da biodiversidade.

Se é verdade que novas espécies são identificadas em estudos com a participação de povos amazônicos, geralmente a rede de saberes, histórias e práticas que conecta tais espécies identificadas a seus donos, mães e lugares de origem é cortada do conhecimento produzido.

Foi a partir dessa constatação que propusemos o projeto “Ecologia dos Espíritos: conhecimentos tradicionais e conservação da sociobiodiversidade na Amazônia”, contemplado na Iniciativa Amazônia+10, com financiamento do CNPq, e das fundações de amparo a pesquisa dos estados do Amazonas (Fapeam) e do Pará (Fapespa).

O projeto de pesquisa

Nosso projeto busca produzir um panorama de conhecimentos etnográficos sobre o manejo e conservação da sociobiodiversidade por parte de uma diversidade de povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia, tomando como foco esses seres espirituais e suas existências em assembleias socioecológicas e as relações que estes povos estabelecem com eles.

Acreditamos que os resultados da pesquisa darão sustentação empírica para a ideia de que a maneira como as populações indígenas e tradicionais amazônicas lidam com a biodiversidade está inseparavelmente ligada às suas cosmo-ecologias, que concebem uma floresta animada por seres espirituais, nos permitindo compreender outros modos de se relacionar no ambiente.

Para isso, é preciso levar a sério os conhecimentos tradicionais desses povos, não como meras alegorias culturais para fatos naturais, mas como conhecimentos legítimos sobre a constituição do mundo. Não reduzir as formulações locais sobre a existência dos seres espirituais como “crença”, “cultura”, “lenda” ou “folclore”, mas sim tomá-los como modos de existência, ou como formas de estar no mundo que não se encontram separadas das relações com pessoas, plantas, fungos, animais e outros agentes minerais relevantes na paisagem.

Levar a sério, portanto, implica em desenvolver práticas científicas que se abram para conversações com as criatividades presentes nas cosmo-ecologias dos povos da Amazônia, reconhecendo o papel dos seres espirituais para a conservação da biodiversidade e na mitigação das mudanças climáticas, o que continua sendo um fator subestimado, pouco pesquisado e mal compreendido para explicar os desafios da Amazônia contemporânea.

Iniciado neste ano e com duração prevista até o início de 2028, o projeto se encontra ainda nas fases iniciais de execução. Dentre os resultados planejados, destacamos a produção de uma coleção digital multimodal de dados e narrativas, oriundos das pesquisas nos diferentes territórios, constituindo uma forma imediata de conhecer e visualizar a diversidade de formas de conservação da sociobiodiversidade a partir da relação dos povos amazônicos com os seres espirituais.

Esperamos que o projeto Ecologias dos Espíritos, realizada em rede por meio de um conjunto de pesquisas colaborativasimplicadas e reflexivas, possa nos fornecer uma imagem da Amazônia e de seus povos que contribua para o tensionamento, no âmbito do debate científico e do debate público, dos pressupostos que animam os discursos hegemônicos sobre a conservação da sociobiodiversidade amazônica.

Se a Amazônia aparece cada vez mais como o centro do debate sobre as possibilidades de futuro(s), é preciso multiplicar entendimentos, sendo a partir dos conhecimentos tradicionais dos povos amazônicos que as estratégias e ações presentes precisam ser formuladas.


Este artigo contou com a colaboração e co-autoria dos seguintes pesquisadores do projeto: Darlem Teixeira Penaforth (indígena Kaixana, engenheiro de pesca e Mestrando em Antropologia Social pela UFAM); Elaine Cristina Guedes Wanderley (indígena Parintintin, arqueóloga, historiadora e Doutoranda em Antropologia Social pela UFAM); Emerson Saw Munduruku (indigena Munduruku, Pedagogo e Mestre em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais – UnB); Gilberto Oliveira (pesquisador quilombola, farmacêutico e Mestrando em Antropologia Social pela UFAM); Izabel Maria Bezerra dos Santos (Jornalista e Mestranda em Antropologia Social pela – UFAM); José Carlos Almeida Cruz (indígena Piratapuia, pedagogo, Mestre e Doutorando em Antropologia Social pela UFAM); Mariana Spagnuolo Furtado (Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC); Mario dos Santos Cruz (indígena Omágua-Kambeba, pedagogo, Mestre e Doutorando em Antropologia Social pela UFAM); Melanie Theresia Peter (Mestre e Doutoranda em Antropologia Social pela UFAM); Nayara Marcelly Ferreira da Silva (Doutoranda em Antropologia Social pela UFAM); Rosijane Fernandes Moura (indígena Tukano, licenciada em Letras, Mestre e Doutoranda em Antropologia Social pela UFAM).

Declaração de transparência

Carlos Calenti recebe financiamento do CNPq.

Eduardo Soares Nunes recebe financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA).

Miguel Aparicio é membro do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados, organização na qual atua como presidente

Nicole Soares-Pinto é membro da Assembléia Geral do Centro de Trabalho Indigenista. Já recebeu financiamento de pesquisa do CNPQ, FAPERJ, FAPES e Ford Foundation.

Rafael Vitorino Devos recebe financiamento do CNPq (Bolsa PQ).

Thiago Mota Cardoso não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

AI Is Changing the Way We Predict the Weather. It’s More Perilous Than We Think (Gizmodo)

AI forecast models offer some clear benefits over traditional physical models, but they are ill-equipped to handle the increasing volatility of a warming climate.

By Ellyn Lapointe

Published April 27, 2026, 6:00 am ET

Original article

 On November 12, 1970, the Bhola cyclone slammed into the coast of what was then East Pakistan. The storm brought maximum sustained wind speeds of 130 miles per hour (205 kilometers per hour) and a 35-foot (10.5-meter) storm surge, killing an estimated 300,000 to 500,000 people.

Today, the Bhola cyclone remains the deadliest tropical storm on record. But if it had struck a decade later, it might not have been so devastating. Weather forecasting changed dramatically in the 1970s as meteorologists adopted physics-based computer models that improved storm prediction. With the rise of AI, forecasting is evolving again—but this time, experts worry the new models may be less reliable when it comes to predicting unprecedented weather events.

Researchers are calling this the “gray swan” problem. Gray swan weather extremes are physically plausible but so rare that they are poorly represented in training datasets. The trouble is, climate change is leading to more first-of-their-kind weather extremes. Think: the 2021 Pacific Northwest heatwave. This event was so severe that it would have been virtually impossible without climate change.

Physical forecast models can simulate gray swan events like the Pacific Northwest heatwave, though they are labeled extremely rare. They can do that because they are built on the laws of physics. AI models are trained on past weather data, wherein gray swans are practically nonexistent.

“They fail on gray swans,” Pedram Hassanzadeh, an associate professor of geophysical sciences at the University of Chicago, told Gizmodo. He and his colleagues published a study last April that removed all Category 3 through 5 hurricanes from an AI model’s training dataset, then tested it on Category 5 storms. The results showed that AI models cannot accurately forecast previously unseen events, as this would require extrapolation.

“The concern isn’t occasional misses. It’s that AI models can miss silently, producing confident forecasts of unremarkable weather while a record-breaking event is unfolding,” Rose Yu, an associate professor of computer science and engineering at the University of California San Diego, told Gizmodo in an email.

“Other risks matter too,” she said. “AI models can violate conservation laws in subtle ways that don’t show up in standard metrics. When they bust a forecast, diagnosing why is harder. They depend on stable observing systems, which is a real concern given current pressure on satellite programs. And institutionally, if we consolidate around AI too quickly and let physics-based infrastructure atrophy, we lose the redundancy that currently catches AI’s failures.”

The case for AI forecasting

Despite these pitfalls, meteorologists are rapidly adopting AI forecast models, and it’s actually easy to understand why. They’re faster, cheaper, and require far less computational infrastructure than physical models. When it comes to predicting typical weather patterns and events (not gray swans), their accuracy is comparable and improving rapidly.

“The typical rate of progress for most state-of-the-art physical models has been something like a day more accurate per decade, which doesn’t sound like a lot, but that’s consequential,” Andrew Charlton-Perez, a professor of meteorology and head of the School of Mathematical, Physical, and Computational Sciences at the University of Reading, told Gizmodo.

“The rate of accuracy growth for machine learning models has vastly exceeded that,” he said. “They are now competitive, and two-three years ago, they were not even in the same ballpark.”

During the 2025 Atlantic hurricane season, for example, Google DeepMind’s model outperformed nearly every physical model on storm track and intensity. In fact, since 2023, leading AI models such as GraphCast, Pangu-Weather, and the ECMWF’s AIFS have matched or outperformed the best physical models on medium-range forecasting metrics, according to Yu.

AI models are proving especially valuable in parts of the world that lack traditional forecasting resources—regions that are often on the frontlines of climate change. Hassanzadeh co-directed an initiative that provided 38 million farmers across India with AI-based monsoon forecasts, giving them up to four weeks’ advance notice of the rainy season’s onset.

“​​A lot of countries were left behind in that first revolution of weather forecasting, because [traditional] weather forecasting requires a supercomputer, hundreds of millions of dollars, various fields, workforce, and experts,” Hassanzadeh explained. AI models, by comparison, are far more accessible to lower-income countries.

Filling the knowledge gaps

Still, rapidly adopting these models without addressing the risks would be dangerous, especially in parts of the world highly vulnerable to the impacts of climate change. Shruti Nath, a postdoctoral research associate at the University of Oxford, recently co-authored an editorial calling for more rigorous testing of AI forecast models before public agencies widely adopt them.

“There is still a lot of work to be done in understanding the limits of these models, alongside where they could supplement physical models and why,” she told Gizmodo in an email.

Nath’s editorial outlines a framework for testing AI forecast models that would deliberately withhold a designated set of “iconic” extreme events (like the Pacific Northwest heat wave, for example) from the training dataset. These events would be reserved solely for testing in order to assess the models’ ability to extrapolate unprecedented weather extremes, or gray swans.

Actually implementing this AI Retraining Without Iconic Events (AIRWIE) protocol “would require the meteorological community to agree on which high-impact events constitute a rigorous benchmark,” the editorial states. This would be a great undertaking, but Nath believes most researchers agree that there is an urgent need for this kind of testing.

“We need to be a bit more organized, however, in ensuring that proper protocols can be followed and that robust safeguards are put in place and maintained by the community,” Nath said. “This is difficult when things are in such a hype phase and no one wants to miss out on the bandwagon.”

Other researchers, like Hassanzadeh, are developing ways to teach AI forecast models to predict gray swans. He and his colleagues are investigating whether combining AI systems with “relevant sampling” methods—which allow them to generate samples of gray swan events—can improve the models’ ability to extrapolate unprecedented extremes.

Efforts to understand and address the limitations of AI forecasting will be critical, because there’s no turning back now. AI is already reshaping the way we predict the weather, and as the climate becomes increasingly volatile, meteorologists will need every tool in their arsenal to be sharp and reliable. Despite their current limitations, there is much to gain from continuing to push these systems forward and figuring out how to best integrate them with physical forecasting.

“The research agenda is about making AI models physically consistent, well-calibrated, and robust to distribution shift,” Yu said. “Abandoning this approach because of the gray swan problem means giving up the biggest improvement in forecasting in a generation.”

New global panel aims to accelerate move away from fossil fuels (Guardian)

Scientists and economists will help countries develop plans to reduce dependence on oil, gas and coal

Jonathan Watts in Santa Marta and Fiona Harvey

Sat 25 Apr 2026 01.30 BST

Original article

A panel of global experts has been launched to provide scientific input for countries that want to reduce their dependence on fossil fuels and manage the growing risks of high oil prices, geopolitical conflict and extreme weather damage.

The initiative was announced on the opening day of a groundbreaking climate action meeting in Santa Marta, where the Colombian hosts set out a draft roadmap for their own national energy transition.

It marked a high-ambition start to the first global conference on transitioning away from fossil fuels. The event, from 24-29 April, has brought together more than 50 nations, dozens of subnational governments and an estimated 2,800 civil society representatives in a “coalition of the willing” aimed at reinvigorating international efforts to reduce planet-heating emissions from oil, gas and coal.

The new science panel for global energy transition is intended to add intellectual weight to those efforts. Experts in climate, economics and technology will offer advice to policymakers looking to create roadmaps out of the fossil fuel era.

Based partly on the model of the UK’s climate change committee, it includes national and sector-level milestones for eliminating fossil fuels in line with scenarios that return global heating to 1.5C by the end of the century.

The panel will be chaired by Vera Songwe, the Cameroonian co-chair of the High Level Expert Panel on Climate Finance; Ottmar Edenhofer, the German director and chief economist of the Potsdam Institute for Climate Impact Research; and Gilberto M Jannuzzi, a Brazilian professor of energy systems at Universidade Estadual de Campinas.

Jannuzzi said there was still time to bring about an energy transition. “Technically, there is no problem. The problem is how to disseminate the information and secure the financing,” he said.

The panel’s formation follows calls by the president of Cop30 in Belém to establish roadmaps for accelerating the transition away from fossil fuels and deforestation.

“We encourage governments and institutions to draw on the panel’s analyses, policy briefs and country-level engagement to strengthen nationally determined contributions, inform sectoral strategies and accelerate implementation of just and orderly energy transitions across different national contexts,” André Aranha Corrêa do Lago said.

The Colombian and Dutch hosts of the Santa Marta meeting have also expressed support for the initiative, which has been convened by Johan Rockström of the Potsdam Institute for Climate Impact Research and Carlos Nobre of the University of São Paulo.

Rockström said the presence of a third of the world’s countries at Santa Marta would help keep the transition from fossil fuels on the global agenda and demonstrate how it can be achieved. “These are solvable problems that can create better futures for local communities,” he said. “The science panel can play a unique role in providing updates on what needs to happen year by year.”

The 54 countries that are attending the fast track transition conference include major fossil fuel producers such as Nigeria, Mexico, Brazil and Angola, for whom giving up a major source of income will be challenging.

Those challenges, and their possible solutions, were outlined in the new draft roadmap for Colombia, which gets about half of its export revenues from fossil fuels. Drawn up by global experts with Colombian officials, the plan says that a rapid switch to cheaper and more efficient renewables would bring long-term benefits to energy security, health, the climate and the economy.

Reducing fossil fuel use by 90% by 2050 would allow energy demand to continue growing while generating direct economic benefits estimated at $280bn over the next 24 years, the roadmap calculates. “Considerable upfront investment is needed to achieve this transition, but by the early 2040s, this delivers annual net savings to the Colombian economy,” the plan states.

The authors stressed this outline needs to be debated and refined, but they hoped it could help to inform the national debate.

“We are really excited about the roadmap,” said Prof Piers Forster, director of the Priestley Centre for Climate Futures at the University of Leeds. “It shows that it is cost effective to phase out petrol and diesel. And also very cost effective to build renewables. And now we all appreciate the importance of energy security.”

He said he hoped other countries would follow suit and develop their own roadmaps and climate councils. “We want to work with countries to build internal capacity to do it themselves because they understand the opportunities, roadblocks and political sensibilities within their countries.”