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Brasil tem de modernizar pecuária para combater mudança do clima (Folha de S.Paulo)

Marcelo Leite

30/10/2016  02h00

As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%O As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%. Apu Gomes/Folhapress

Brasil deu uma rasteira no clima do planeta em 2015. No ano em que se aprovou o Acordo de Paris para conter o aquecimento global, o país aumentou, em vez de diminuir, a produção de gases do efeito estufa. A maior parte da culpa cabe à agropecuária.

Não poderia ser pior a notícia divulgada na quarta-feira (26) pelo Sistema de Estimativa de Emissão de Gases do Efeito Estufa, da rede de ONGs Observatório do Clima.

As emissões de carbono aumentaram 3,5% enquanto o PIB atrofiava 3,8%. Em geral, essas coisas andam juntas: para produzir mais, gasta-se mais energia, que no mundo todo é a principal fonte de gases que, como o CO2, ajudam a aquecer a atmosfera por impedir a dissipação de radiação de origem solar.

Não no Brasil. Aqui a atividade que mais contribui para agravar o efeito estufa é a mudança do uso da terra. Grosso modo, desmatamento, com a Amazônia à frente.

A destruição de florestas responde, sozinha, por 46% de toda a poluição climática lançada pelos brasileiros em 2015. Segundo o Seeg, o desmatamento emitiu o equivalente a 875 milhões do total de 1,9 bilhão de toneladas de CO2.

Quando a floresta é derrubada para abrir espaço a campos e pastos, toda a biomassa que havia ali –troncos, folhas, raízes etc.– acaba chegando à atmosfera na forma de compostos de carbono que agravam o aquecimento global. Queimadas e apodrecimento são os principais processos.

Isso não é tudo. As plantações e o gado, além de provocar desmatamento, também originam emissões na própria atividade, como o famigerado “arroto da vaca” (metano proveniente da fermentação entérica ou digestão de celulose).

Noves fora, a agropecuária representa 69% –mais de dois terços– de todas as emissões nacionais. É muita coisa para um setor que empregava menos de 17 milhões de pessoas em 2006 (último censo do setor) e, em 2015, respondeu por 21% do PIB brasileiro.

Só agricultura e pecuária tiveram produção em alta no ano passado. Indústria e serviços recuaram, atrofiando a demanda por energia e transporte, outras fontes importantes de gases do efeito estufa. Com isso, cresceu a participação relativa das mudanças no uso da terra.

Além do mais, o desmatamento cresceu também em termos absolutos. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na Amazônia –onde estão as maiores florestas do Brasil– o aumento foi de 24%. Partimos de 5.012 km2 em 2014 para 6.207 km2 de floresta perdida em 2015 (área correspondente a quatro municípios de São Paulo).

A pecuária bovina sozinha, com seus 215 milhões de cabeças, foi a causa do equivalente a 240 milhões de toneladas de CO2, em 2015, só com a fermentação entérica. Isso dá 12,6% das emissões brasileiras.

Na média a pecuária de corte no Brasil utiliza uma cabeça por hectare. Dobrando ou triplicando essa baixíssima produtividade, sobretudo por meio da recuperação de pastos, dá para reduzir a emissão de carbono a quase zero.

Criar bois “verdes” é a bola da vez. O Brasil é capaz de fazer isso, com regulação, tecnologia e crédito, assim como aumentou a produtividade no cultivo de grãos e derrubou a taxa de desmatamento de 2005 para cá (ainda que ela esteja subindo de novo).

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Pecuária é responsável por 15% dos gases do efeito estufa (O Globo)

Renato Grandelle, 24/11/2015

Desmatamento na Região de Xapuri no Acre – Gustavo Stephan/ 05-12-2013

RIO— Parte expressiva da liberação de carbono na atmosfera fica bem longe da fumaça liberada por usinas ou carros. Um novo estudo do Chatham House, o Real Instituto de Relações Internacionais do Reino Unido, indica que cerca de 15% dos poluentes que levam ao aquecimento global são provenientes da pecuária — seja pelo metano da digestão e estrume dos animais, ou pela produção de culturas para alimentação. De acordo com o relatório “Mudanças climáticas, mudanças na alimentação”, reduzir a quantidade de carne no prato é fundamental para assegurar que a temperatura global não avance mais do que 2 graus Celsius neste século.

O planeta, porém, ignora a recomendação. Estima-se que, com o aumento da classe média nos países em desenvolvimento — especialmente na China e no Brasil —, o consumo de carne crescerá até 76% nos próximos 35 anos.

Mudar a alimentação pode cortar pela metade os custos das futuras medidas contra o aquecimento global. E o clima não será a única área favorecida pela nova dieta. Coautora do estudo, Laura Wellesley ressalta que conter o consumo exagerado de carne também traz benefícios imediatos à saúde.

— Não estamos sugerindo que todo mundo deve se tornar vegetariano. A carne, consumida com moderação, pode fazer parte de uma dieta saudável para o indivíduo e o meio ambiente — ressalta. — De acordo com a Escola de Medicina de Harvard, a porção diária não deve ultrapassar 70 gramas, que é um hambúrguer de tamanho médio. Se nada for feito para nos limitarmos a este valor, os padrões alimentares atuais serão incompatíveis com o aumento de temperatura de apenas 2 graus Celsius.

DIETA SAUDÁVEL FORA DA COP-21

Atualmente, o consumo dos brasileiros é de duas vezes e meia a quantidade diária recomendada; nos EUA, é de três vezes mais. Um estudo divulgado em outubro pela Organização Mundial de Saúde alertou que a ingestão exagerada de carnes vermelhas e processadas pode levar à ocorrência de doenças não transmissíveis, principalmente o câncer.

— Mudanças de alimentação devem estar no topo da lista das discussões na Conferência do Clima de Paris (COP-21). É uma estratégia rápida e econômica para conter as emissões de gases-estufa — avalia Laura.

Ainda assim, o debate sobre a dieta mundial deve ficar fora da mesa de negociações da COP-21. Para os pesquisadores do Chatham House, os governos temem que campanhas reivindicando limitações ao consumo de carne desagradem a opinião pública e a indústria de alimentos.

Desde o início do ano, cerca de 150 países apresentaram à ONU metas voluntárias para cortar a emissão de gases de efeito estufa. A diminuição do consumo de carne não foi mencionada em nenhum projeto.

— Como são cautelosos em assumir um risco, os governos têm favorecido a inércia e permanecem em silêncio sobre a questão das dietas sustentáveis — lamenta Laura. — As pesquisas revelam que inicialmente muitas pessoas não gostam da ideia de comer menos carne, e por isso são resistentes à ideia de intervenção do poder público. No entanto, depois que são informadas sobre a relação entre dieta e clima, a maioria recomenda que o governo promova intervenções e forneça orientações e incentivos para a mudança na alimentação.

No Brasil, diz o levantamento, a população sente orgulho da pecuária, mas demonstra preocupação com sua potencial expansão desordenada para a Floresta Amazônica. A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do país — representa 6,8% do PIB —, mas também corresponde a uma das mais ineficientes do mundo, já que é baseada na prática extensiva. Os lucros estão no tamanho da área usada, e não na eficiência produtiva. No Cerrado há, em média, apenas 1 boi por hectare — estima-se que é possível triplicar esta ocupação sem qualquer comprometimento dos rendimentos do setor.

A força econômica da pecuária e o hábito do consumo exagerado de carne — a “tradição do churrasco de fim de semana”, como destaca o Chatham House — são os maiores obstáculos para que o governo federal desenvolva projetos que promovam a alimentação saudável e, ao mesmo tempo, aumente o alerta da população contra as mudanças climáticas. O brasileiro é conhecido como um dos povos mais preocupados no mundo com o aquecimento global, mas nunca foi informado sobre sua ligação com mudanças na dieta.

Cockroach farms multiplying in China (L.A.Times)

Dried cockroaches are ready to be sold to pharmaceutical companies from a farm in Jinan, China. One farmer says the insects are easy to raise and profitable.

Farmers are pinning their future on the often-dreaded insect, which when dried goes for as much as $20 a pound — for use in Asian medicine and in cosmetics.

BY BARBARA DEMICK

PHOTOGRAPHY AND VIDEO BY WANG XUHUA

REPORTING FROM JINAN, CHINA

Oct. 15, 2013

This squat concrete building was once a chicken coop, but now it’s part of a farm with an entirely different kind of livestock — millions of cockroaches.

Inside, squirming masses of the reddish-brown insects dart between sheets of corrugated metal and egg cartons that have been tied together to provide the kind of dark hiding places they favor.

Wang Fuming kneels down and pulls out one of the nests. Unaccustomed to the light, the roaches scurry about, a few heading straight up his arm toward his short-sleeve shirt.

“Nothing to be afraid of,” Wang counsels visitors who are shrinking back into the hallway, where stray cockroaches cling to a ceiling that’s perilously close overhead.

Although cockroaches evoke a visceral dread for most people, Wang looks at them fondly as his fortune — and his future.

People laughed at me when I started, but I always thought that cockroaches would bring me wealth.”

— Zou Hui, cockroach farmer

The 43-year-old businessman is the largest cockroach producer in China (and thus probably in the world), with six farms populated by an estimated 10 million cockroaches. He sells them to producers of Asian medicine and to cosmetic companies that value the insects as a cheap source of protein as well as for the cellulose-like substance on their wings.

The favored breed for this purpose is the Periplaneta americana, or American cockroach, a reddish-brown insect that grows to about 1.6 inches long and, when mature, can fly, as opposed to the smaller, darker, wingless German cockroach.

Since Wang got into the business in 2010, the price of dried cockroaches has increased tenfold, from about $2 a pound to as much as $20, as manufacturers of traditional medicine stockpile pulverized cockroach powder.

“I thought about raising pigs, but with traditional farming, the profit margins are very low,” Wang said. “With cockroaches, you can invest 20 yuan and get back 150 yuan,” or $3.25 for a return of $11.

China has about 100 cockroach farms, and new ones are opening almost as fast as the prolific critters breed. But even among Chinese, the industry was little known until August, when a million cockroaches got out of a farm in neighboring Jiangsu province. The Great Escape made headlines around China and beyond, evoking biblical images of swarming locusts.

Big moneymaker

Business is booming at the Shandong Xin Da Ground Beetle Farm.

Only the prospect of all those lost earnings would faze Wang, a compact man with a wisp of a mustache and wire-rim glasses who looks like a scientist, but has no more than a high school education. After graduating, he went to work in a tire factory.

“I felt I would never get anywhere in life at the factory and I wanted to start a business,” he said.

As a boy he had liked collecting insects, so he started with scorpions and beetles, both used in traditional medicine and served as a delicacy. One batch of his beetle eggs turned out to be contaminated with cockroach eggs.

“I was accidentally raising cockroaches and then I realized they were the easiest and most profitable,” he said.

The start-up costs are minimal — Wang bought only eggs, a run-down abandoned chicken coop and the roofing tile. Notoriously hearty, roaches aren’t susceptible to the same diseases as farm animals. As for feeding them, cockroaches are omnivores, though they favor rotten vegetables. Wang feeds his brood with potato and pumpkin peelings discarded from nearby restaurants.

Cockroaches are survivors. We want to know what makes them so strong.”

— Li Shunan, professor of traditional medicine

Killing them is easy too: Just scoop or vacuum them out of their nests and dunk them in a big vat of boiling water. Then they’re dried in the sun like chile peppers.

Perhaps understandably, the cockroach business (“special farming,” as it is euphemistically called) is a fairly secretive industry. Wang’s farm, for instance, operates in an agribusiness industrial park under an elevated highway. The sign at the front gate simply reads Jinan Hualu Feed Co.

Some companies that use cockroaches don’t like to advertise their “secret ingredient.” And the farmers themselves are wary of neighbors who might not like a cockroach farm in their backyard.

“We try to keep a low profile,” said Liu Yusheng, head of the Shandong Insect Industry Assn., the closest thing there is to a trade organization. “The government is tacitly allowing us to do what we do, but if there is too much attention, or if cockroach farms are going into residential areas, there could be trouble.”

Liu worries about the rapid growth of an industry with too many inexperienced players and too little oversight. In 2007, a million Chinese lost $1.2 billion when a firm promoting ant farming turned out to be a Ponzi scheme and went bankrupt.

“This is not like raising regular farm animals or vegetables where the Agricultural Ministry knows who is supposed to regulate it. Nobody knows who is in charge here,” he said.

The low start-up costs make raising cockroaches an appealing business for wannabe entrepreneurs, who can buy cockroach eggs and complete how-to kits from promoters.

“People laughed at me when I started, but I always thought that cockroaches would bring me wealth,” said Zou Hui, 40, who quit her job at a knitting factory in 2008 after seeing a television program about raising cockroaches.

Wang Fuming, at his farm in Jinan, is the largest cockroach producer in China (and thus probably in the world), with six farms populated by an estimated 10 million cockroaches.

It’s not exactly a fortune, but the $10,000 she brings in annually selling cockroaches is decent money for her hometown in rural Sichuan province, and won her an award last year from local government as an “Expert in Getting Wealthy.”

“Now I’m teaching four other families,” Zou said. “They want to get rich like me.”

But inexperienced farmers can get into trouble, as Wang Pengsheng (no relation to fellow roach farmer Wang) found out after his cockroaches staged the Great Escape.

He had opened his farm just six months earlier in a newly constructed building that municipal code officials complained was too close to protected watershed land. At noon on Aug. 20, while workers were out for lunch, a demolition crew knocked down the building. The roaches made a run for it.

“They didn’t know I had cockroaches in there. They wouldn’t have demolished the building like that if there were cockroaches that would get out,” Wang Pengsheng said in a telephone interview.

After discovering the flattened building and homeless roaches scurrying among the rubble, he tried to corral the escapees but was unsuccessful. He called in local health officials, who helped him exterminate the roaches. Wang said he has received about $8,000 in compensation from local government and hopes to use the money to rebuild his farm elsewhere.

At least five pharmaceutical companies are using cockroaches for traditional Chinese medicine. Research is underway in China (and South Korea) on the use of pulverized cockroaches for treating baldness, AIDS and cancer and as a vitamin supplement. South Korea’s Jeonnam Province Agricultural Research Institute and China’s Dali University College of Pharmacy have published papers on the anti-carcinogenic properties of the cockroach.

Li Shunan, a 78-year-old professor of traditional medicine from the southwestern province of Yunnan who is considered the godfather of cockroach research, said he discovered in the 1960s that ethnic minorities near the Vietnamese border were using a cockroach paste to treat bone tuberculosis.

“Cockroaches are survivors,” Li said. “We want to know what makes them so strong — why they can even resist nuclear effects.”

Liu Yusheng, head of the Shandong Insect Industry Assn. eats fried cockroaches. Liu worries about the rapid growth of an industry with too many inexperienced players and too little oversight.

Li reels off an impressive, if implausible, list of health claims: “I lost my hair years ago. I made a spray of cockroaches, applied it on my scalp and it grew back. I’ve used it as a facial mask and people say I haven’t changed at all over the years.

“Cockroaches are very tasty too.”

Many farmers are hoping to boost demand by promoting cockroaches in fish and animal feed and as a delicacy for humans.

Chinese aren’t quite as squeamish as most Westerners about insects — after all, people here still keep crickets as pets.

In Jinan, Wang Fuming and his wife, who run the farm together, seem genuinely fond of their cockroaches and a little hurt that others don’t feel affection.

“What is disgusting about them?” Li Wanrong, Wang’s wife, asked as a roach scurried around her black leather pumps. “Look how beautiful they are. So shiny!”

Over lunch at a restaurant down the block from his farm, Wang placed a plate of fried cockroaches seasoned with salt on the table along with more conventional cuisine, and proceeded to nibble a few with his chopsticks. He expressed disapproval that visiting journalists refused to sample the roaches.

On saying goodbye at the end of the day, he added a final rejoinder.

“You will regret your whole life not trying them.”

Nicole Liu in The Times’ Beijing bureau contributed to this report.


FOR THE RECORD:Wednesday’s Column One story about cockroach farming in China misstated the value of 150 Chinese yuan as $11. It is equal to $24.

FAO reafirma o impacto devastador da produção de carne para o clima (Terra)

Em 03/10/2013

Amália Safatle

Não, nem todo ambientalista é vegetariano. Mas que reduzir o consumo de carne ajuda – e muito – isso é inegável. Diante das graves constatações divulgadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês),  uma das maneiras mais à mão – ou da mão à boca –  para contribuir com a redução de emissões é mexer nas formas de produzir e consumir alimentos, especialmente os de origem animal. Focalizando mais: sobretudo os de origem bovina.

O novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), intitulado Tackling Climate Change Through Livestock, ou Combatendo as Mudanças Climáticas por Meio da Pecuária, é contundente em reafirmar o efeito devastador da criação de dezenas de bilhões de animais. As palavras são da Human Society Internacional (HSI), organização voltada à proteção animal, que pegou uma carona no relatório da FAO para defender não somente a redução no consumo, mas o tratamento mais ético e digno na produção animal – causa das mais nobres.

No estudo, a FAO expõe que somente a criação de animais responde por 14,5% dos gases de efeito estufa gerados por atividades humanas (acesse em http://www.fao.org/docrep/018/i3437e/i3437e.pdf). De acordo com um estudo de 2012, a pegada hídrica dos produtos de origem animal é seis vezes maior para a carne bovina, e uma vez e meia maior para carne de frango, ovos e laticínios, comparada à pegada dos legumes.

Além disso, a  expansão de pastos para animais de produção é uma das principais causas do desmatamento, especialmente no Brasil. Em todo o mundo, segundo a HSI, utilizamos mais terras para alimentar animais de produção do que para qualquer outro fim. Mais de 97% do farelo de soja e 60% da produção global de cevada e milho são usadas para alimentar animais de produção.

O impacto é tamanho que uma família americana de renda média que deixe de consumir carne vermelha e laticínios e os substitua por produtos de origem vegetal apenas um dia por semana terá, ao final de um ano, reduzido suas emissões anuais gases-estufa em volume equivalente ao emitido ao dirigir 1.600 quilômetros.

A partir de cálculos como esse surgiu a campanha Segunda Sem Carne, que propõe às pessoas evitar carne vermelha ao menos uma vez por semana.

É uma tentativa de refrear o aumento da demanda: de 1980 e 2005, o consumo deper capita de carnes no Brasil praticamente dobrou, alcançando níveis similares ao de países desenvolvidos, segundo a FAO. O consumo de laticínios e ovos também cresceu significativamente, em 40% e 20%, respectivamente.

Mas reduzir consumo não é a única alternativa. Para os carnívoros inveterados, o novo relatório da FAO mostra como a produção de carnes pode diminuir seus impactos e emissões se adotar novas tecnologias, técnicas mais avançadas de manejo e elevar a produtividade. Mais que isso, apresenta propostas para formuladores de políticas públicas.

O relatório ainda aponta que programas com objetivo de reduzir as emissões do setor devem também levar em consideração o bem-estar animal. Além de se submeter a regras mais rígidas para um tratamento humanitário dos animais no lado da oferta, na ponta da demanda o consumidor pode dar preferência a produtos que tenham padrões de bem-estar animal mais elevados.

“No Brasil, cerca de 90% da produção de ovos é proveniente do sistema de gaiolas em bateria convencional, tão intensivo que os animais praticamente não podem se mover. Na indústria suína, a maioria das porcas reprodutoras passam praticamente suas vidas inteiras em celas de gestação, que têm praticamente o mesmo tamanho do corpo dos animais e não permitem que as porcas sequer se virem dentro delas ou deem mais do que um passo para frente ou para trás”, informa a HSI.

Segundo a organização, o confinamento de poedeiras nas gaiolas em bateria convencional e o confinamento contínuo de porcas reprodutoras em celas de gestação já foram proibidos em toda a União Europeia e em vários estados dos EUA. Líderes de mercado como McDonald’s, Burger King, Wendy’s e Costco anunciaram que eliminarão o uso de celas de gestação em suas cadeias de fornecimento nos EUA.

Resta saber por que essas redes têm políticas diferenciadas nos países em que atuam, em vez de enfrentar o assunto de forma global, partindo do simples respeito à vida, seja ela qual for.