Arquivo mensal: maio 2012

Resultado mais forte da Rio+20 virá da sociedade civil, dizem cientistas (OESP)

Especialistas estimam que principal mensagem do evento será passado pela Cúpula dos Povos

21 de maio de 2012 | 3h 05
Giovana Girardi – O Estado de S.Paulo

A exatamente um mês da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em São Paulo em debate sobre a conferência para o desenvolvimento sustentável manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento é que ele sirva para fortalecer a mobilização da sociedade.

Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter - Divulgação
Divulgação
Arquiteto Nabil Bonduki diz que cúpula vai apontar que outro mundo podemos ter

“Os temas que estão colocados na Rio+20 – economia verde, governança e erradicação da pobreza – são como recomeçar o mundo. Sem dúvida são coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensação de que esses acordos vão demorar cada vez mais. Então é fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar”, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atlântica, no domingo.

Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organizações não governamentais e até entre os negociadores de alto nível de certo pessimismo que a conferência não resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o tão falado desenvolvimento sustentável.

A comparação inevitável é com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudança de paradigma.

“A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para cá o que aconteceu foi a não implementação de tudo o que foi acordado. Só que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada”, disse João Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.

“É uma reunião sem entendimento mínimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de líderes, e que não vai enfrentar nosso pior problema, que é a falta de governança, a incapacidade de implementar acordos que nós mesmos fizemos”,

Para o economista Ricardo Abramovay, também da USP, só uma forte pressão social poderia levar a conferência a alcançar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econômico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). “Precisamos entrar no mérito do que o sistema econômico de fato está oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou não e se está comprometendo os serviços ofertados pela natureza ou não.”

Corporações x ciência: um jogo sujo (Ciência Hoje/Terra em Transe)

Em sua coluna de maio, Jean Remy Guimarães comenta as estratégias usadas por certos setores da indústria para enfraquecer evidências científicas que contrariam seus interesses e cita o exemplo de um documento divulgado recentemente que questiona o aquecimento global.

Por: Jean Remy Davée Guimarães

Publicado em 18/05/2012 | Atualizado em 18/05/2012

Corporações x ciência: um jogo sujoCena do filme ‘Obrigado por fumar’ (2005), cujo protagonista, principal porta-voz da indústria do tabaco, passa a manipular informações de forma a transmitir uma imagem benéfica do cigarro em programas de TV. (imagem: reprodução)

Estamos testemunhando uma verdadeira guerra midiática em torno da questão das mudanças climáticas e sua relação com atividades humanas como a emissão de gases de efeito estufa. A chamada ciência do clima está sob fogo cerrado das corporações cuja operação implica a emissão desses gases.

A grande mídia comenta relatórios como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que reúnem observações, conclusões, previsões e recomendações de alguns milhares de climatologistas de todo o mundo. Mas, diante da ignorância generalizada sobre a ciência e seus métodos, basta a opinião ou eventual evidência científica de dois ou três céticos com cargos pomposos para criar a dúvida, mesmo que estes não entendam bulhufas de clima.

Então não há consenso sobre o tema? Mudemos de canal. Poucos se dispõem a ler relatórios de 3 mil páginas. E não dá para levar o coletivo do IPCC para o show do Larry King na CNN (canal de notícias norte-americano).

Bombardear tribunais e agências reguladoras com informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona

Se hoje CO2, metano e óxido nitroso são as bolas da vez, já vimos o mesmo filme no caso do tabaco, do amianto, do chumbo, da talidomida, do benzeno, do cloreto de vinil, do cromo, do formol, do arsênico, da atrazina, do mercúrio, do Vioxx e muitos et ceteras. E veremos de novo, sempre que algum governo cogitar regular alguma substância suspeita de provocar danos à saúde pública, seja ela ocupacional ou ambiental.Sabotar a ciência tornou-se um elemento rotineiro da política, em particular da norte-americana, com reflexos em praticamente todos os demais países. Bombardear tribunais e agências reguladoras comtsunamis de informação científica duvidosa é uma estratégia corporativa que sempre funciona, pelo menos por algum tempo. Contratar mercenários da ciência sob demanda é outra. A missão deles é inflar artificialmente as incertezas associadas às evidências científicas, evitando ou atrasando assim qualquer medida para a proteção da população.Os primeiros arquitetos dessa estratégia foram executivos da indústria do tabaco. Já em 1969, afirmavam em memorandos internos: “Nosso produto é a dúvida, pois é a melhor forma de competir, na mente do público, com as evidências. É também uma forma de criar controvérsia”.

Como fabricar a dúvida

Todas as ciências são vulneráveis a esse tipo de ataque, uma vez que lidar com a incerteza é sua característica intrínseca. Qualquer estudo é sujeito a crítica, legítima ou não. A receita para enfraquecer até as conclusões científicas mais robustas é simples: destaque seletivamente as incertezas, ataque os principais estudos um por um e, o mais importante, ignore sistematicamente o peso de suas evidências.No caso da ‘controvérsia’ atual sobre o clima, as claras evidências sobre o aquecimento global em curso, tais como o derretimento das calotas polares e das geleiras à vista de todos, são escamoteadas por enxurradas de questionamentos sobre os métodos computacionais de previsão do aquecimento futuro.

Recuo das geleiras

A geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, em 1979 (esq.), 1991 (centro) e 2002 (dir.). Apesar das claras evidências de derretimento de geleiras, o aquecimento global é bastante questionado por setores com interesses particulares. (fotos: L. Albrecht/ Pro Natura Zentrum Aletsch/ Wikimedia Commons)

As estratégias corporativas de fabricação da dúvida são dissecadas com precisão de médico-legista por David Michaels ao longo das 359 páginas de seu livro Doubt is their product: how industry’s assault on science threatens your health (A  fabricação da dúvida ou como o ataque da indústria à ciência ameaça sua saúde, em tradução livre), publicado em 2008 pela Oxford University Press. O autor foi membro do departamento de energia norte-americano durante a administração de Bill Clinton e é atualmente professor associado no Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da Universidade George Washington, nos Estados Unidos. O quadro documentado é tão obscurantista que, em resenha da obra, Chris Mooney, também autor de um livro sobre o tema, chega a se perguntar para que serviu termos passado pelo Iluminismo.

As agências reguladoras são os alvos preferenciais do assédio dos fabricantes da dúvida, que as transformaram no equivalente burocrático de artérias entupidas, segundo Chris Mooney. Mas o sistema judicial também é vítima das mesmas táticas.

É preciso recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos.

Decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos em 1993, por exemplo, atribuíram aos juízes locais o poder de decidir o que é boa ciência ou não em casos civis. Mas a ciência em si dificilmente chega ao conhecimento do júri, já que sobram recursos para que ela seja eliminada logo nas etapas iniciais do processo.A diferença em relação à época de Galileu é que hoje se tortura a ciência e não os cientistas. David Michaels propõe várias medidas para mudar esse quadro, entre elas: facilitar o acesso à justiça pelos cidadãos, já que eles pouco podem esperar das agências reguladoras; exigir a divulgação de qualquer conflito de interesse e desconsiderar os estudos assim produzidos; e recuperar o saudável hábito de levar em conta as melhores evidências disponíveis para proteger a saúde e o bem-estar públicos, em vez de esperar pela incerteza zero que jamais virá.

Wall Street e os 16 que eram três

Se você quer um exemplo concreto e recente de manipulação explícita, não perca a aula magna que é o artigo de opinião publicado pelo Wall Street Journal em 26/01/2012. O texto é sugestivamente intitulado ‘No need to panic about global warming’ (em tradução livre, ‘Não há necessidade de pânico em relação ao aquecimento global’), com o subtítulo também sugestivo ‘Não há argumentos científicos convincentes para a descarbonização drástica da economia mundial’.O artigo é um portfólio resumido de como as corporações atacam para se defender em debates sobre temas que consideram prejudiciais a seu negócio. Começa alinhando alguns ‘fatos científicos’. Por exemplo: ‘não teria havido aquecimento nos últimos 10 anos’ (veja prova do contrário). Isso é reconhecer implicitamente que não há dúvidas sobre o aquecimento de 10 anos para trás. Além disso, não se diz de onde viria essa conclusão, e nem por que as geleiras teimam em seguir derretendo.

Logo depois, a pérola: ‘o CO2 não é um poluente’. Ninguém disse que era. É um gás asfixiante. Mas você só vai desmaiar inalando uma atmosfera com 7% a 10 % de CO2 e, por enquanto, a concentração desse gás no ar é de cerca de 400 ppm (0,04%). A questão não é essa.

Outro absurdo: ‘o aumento do CO2 estimularia a produtividade agrícola’. Um bom entendedor concluirá que a redução das emissões vai provocar fome. E mais adiante se acusa a descarbonização da economia de não ser rentável, causar aumento de impostos e burocracia (regulação?) e – pecado supremo – privar os pobres países pobres dos 50 anos de prosperidade que os esperam caso se deixe tudo como está.

Emissões de carbono

Em artigo divulgado recentemente, alguns cientistas negam o aquecimento global e defendem que não é preciso controlar as emissões de carbono mundiais. (foto: Cheryl Empey/ Sxc.hu)

Esse futuro promissor estaria sendo ameaçado pelo totalitarismo alarmista do ‘establishment internacional do aquecimento’, que só quer descolar mais verbas para pesquisas acadêmicas e burocracia (regulação?) e mais doações para organizações não governamentais salvacionistas.

Não faltaram menções a Trofim Lysenko, o geneticista russo aloprado que caiu nas graças do líder da União Soviética Josef Stalin. Subtexto? Os cientistas do clima também são aloprados e seus governos também são ditatoriais. O texto termina (ufa!) com um recado explícito aos candidatos à presidência dos Estados Unidos para que ouçam o apelo dos 16 ‘cientistas de renome’ que assinam o libelo e ignorem qualquer sugestão de controle das emissões de carbono. Os nomes dos 16 e suas afiliações são então listados.

Dos 16 cientistas que assinam o artigo, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto

De fato, a lista impressiona qualquer leigo, mas não resiste a um crivo mais superficial. O balaio de gatos junta vários físicos estudiosos de fugidias partículas subatômicas, um professor de marketing, um químico especialista em macromoléculas, astronautas (sic), um cardiologista, um ex-executivo da multinacional de petróleo e gás ExxonMobil, um físico especialista em ótica adaptativa (adorei o termo, muito adequado) que achou natural testemunhar no congresso norte-americano sobre temas agronômicos, um geólogo e vários aposentados e ex-isso ou ex-aquilo. Alguns membros do grupo são ativistas assumidos do ceticismo climático.

Mas o fato realmente importante é que dos 16, apenas três têm credenciais mínimas para opinar sobre o assunto, como possuir PhD, experiência e/ou publicações em revistas com comitê de leitura na área em questão.

Apesar de todos esses argumentos, as corporações manterão seu curso e seus métodos. O link do artigo acima referido já está aqui e ali na Wikipédia, o Wall Street Journal tem mais de 17 leitores e eles não visitam esta coluna.

Tudo bem, cada um sabe as companhias que escolhe. Com duplo sentido, por favor.

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

How Bad Is It? (The New Inquiry)

By GEORGE SCIALABBA

Jasper Johns, Green Flag, 1956 (Graphite pencil, crayon and collage on paper)

Pretty bad. Here is a sample of factlets from surveys and studies conducted in the past twenty years. Seventy percent of Americans believe in the existence of angels. Fifty percent believe that the earth has been visited by UFOs; in another poll, 70 percent believed that the U.S. government is covering up the presence of space aliens on earth. Forty percent did not know whom the U.S. fought in World War II. Forty percent could not locate Japan on a world map. Fifteen percent could not locate the United States on a world map. Sixty percent of Americans have not read a book since leaving school. Only 6 percent now read even one book a year. According to a very familiar statistic that nonetheless cannot be repeated too often, the average American’s day includes six minutes playing sports, five minutes reading books, one minute making music, 30 seconds attending a play or concert, 25 seconds making or viewing art, and four hours watching television.

Among high-school seniors surveyed in the late 1990s, 50 percent had not heard of the Cold War. Sixty percent could not say how the United States came into existence. Fifty percent did not know in which century the Civil War occurred. Sixty percent could name each of the Three Stooges but not the three branches of the U.S. government. Sixty percent could not comprehend an editorial in a national or local newspaper.

Intellectual distinction isn’t everything, it’s true. But things are amiss in other areas as well: sociability and trust, for example. “During the last third of the twentieth century,” according to Robert Putnam in Bowling Alone, “all forms of social capital fell off precipitously.” Tens of thousands of community groups – church social and charitable groups, union halls, civic clubs, bridge clubs, and yes, bowling leagues — disappeared; by Putnam’s estimate, one-third of our social infrastructure vanished in these years. Frequency of having friends to dinner dropped by 45 percent; card parties declined 50 percent; Americans’ declared readiness to make new friends declined by 30 percent. Belief that most other people could be trusted dropped from 77 percent to 37 percent. Over a five-year period in the 1990s, reported incidents of aggressive driving rose by 50 percent — admittedly an odd, but probably not an insignificant, indicator of declining social capital.

Still, even if American education is spotty and the social fabric is fraying, the fact that the U.S. is the world’s richest nation must surely make a great difference to our quality of life? Alas, no. As every literate person knows, economic inequality in the United States is off the charts – at third-world levels. The results were recently summarized by James Speth in Orion magazine. Of the 20 advanced democracies in the Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), the U.S. has the highest poverty rate, for both adults and children; the lowest rate of social mobility; the lowest score on UN indexes of child welfare and gender inequality; the highest ratio of health care expenditure to GDP, combined with the lowest life expectancy and the highest rates of infant mortality, mental illness, obesity, inability to afford health care, and personal bankruptcy resulting from medical expenses; the highest homicide rate; and the highest incarceration rate. Nor are the baneful effects of America’s social and economic order confined within our borders; among OECD nations the U.S. also has the highest carbon dioxide emissions, the highest per capita water consumption, the next-to-largest ecological footprint, the next-to-lowest score on the Yale Environmental Performance Index, the highest (by a colossal margin) per capita rate of military spending and arms sales, and the next-to-lowest rate of per capita spending on international development and humanitarian assistance.

Contemplating these dreary statistics, one might well conclude that the United States is — to a distressing extent — a nation of violent, intolerant, ignorant, superstitious, passive, shallow, boorish, selfish, unhealthy, unhappy people, addicted to flickering screens, incurious about other societies and cultures, unwilling or unable to assert or even comprehend their nominal political sovereignty. Or, more simply, that America is a failure.

That is indeed what Morris Berman concludes in his three-volume survey of America’s decline: The Twilight of American Culture (2000), Dark Ages America (2006), andWhy America Failed (2011), from which much of the preceding information is taken. Berman is a cultural and intellectual historian, not a social scientist, so his portrait of American civilization, or barbarism, is anecdotal and atmospheric as well as statistical. He is eloquent about harder-to-quantify trends: the transformation of higher (even primary/secondary) education into marketing arenas for predatory corporations; the new form of educational merchandising known as “distance learning”; the colonization of civic and cultural spaces by corporate logos; the centrality of malls and shopping to our social life; the “systematic suppression of silence” and the fact that “there is barely an empty space in our culture not already carrying commercial messages.” Idiot deans, rancid rappers, endlessly chattering sports commentators, an avalanche of half-inch-deep self-help manuals; a plague of gadgets, a deluge of stimuli, an epidemic of rudeness, a desert of mutual indifference: the upshot is our daily immersion in a suffocating stream of kitsch, blather, stress, and sentimental banality. Berman colorfully and convincingly renders the relentless coarsening and dumbing down of everyday life in late (dare we hope?) American capitalism.

In Spenglerian fashion, Berman seeks the source of our civilization’s decline in its innermost principle, its animatingGeist. What he finds at the bottom of our culture’s soul is … hustling; or, to use its respectable academic sobriquet, possessive individualism. Expansion, accumulation, economic growth: this is the ground bass of American history, like the hum of a dynamo in the basement beneath the polite twitterings on the upper stories about “liberty” and “a light unto the nations.” Berman scarcely mentions Marx or historical materialism; instead he offers a nonspecialist and accessible but deeply informed and amply documented review of American history, period by period, war by war, arguing persuasively that whatever the ideological superstructure, the driving energy behind policy and popular aspiration has been a ceaseless, soulless acquisitiveness.

The colonial period, the seedbed of American democracy, certainly featured a good deal of God-talk and virtue-talk, but Mammon more than held its own. Berman sides emphatically with Louis Hartz, who famously argued in The Liberal Tradition in America that American society was essentially Lockean from the beginning: individualistic, ambitious, protocapitalist, with a weak and subordinate communitarian ethic. He finds plenty of support elsewhere as well; for example in Perry Miller, the foremost historian of Puritanism, according to whom the American mind has always “positively lusted for the chance to yield itself to the gratification of technology.” Even Tocqueville, who made many similar observations, “could not comprehend,” wrote Miller, “the passion with which [early Americans] flung themselves into the technological torrent, how they … cried to each other as they went headlong down the chute that here was their destiny, here was the tide that would sweep them toward the unending vistas of prosperity.” Even Emerson and Whitman went through a phase of infatuation with industrial progress, though Hawthorne and Thoreau apparently always looked on the juggernaut with clearer (or more jaundiced) eyes.

Berman also sides, for the most part, with Charles Beard, who drew attention to the economic conflicts underlying the American Revolution and the Civil War. Beard may have undervalued the genuine intellectual ferment that accompanied the Revolution, but he was not wrong in perceiving the motivating force of the pervasive commercial ethic of the age. Joyce Appleby, another eminent historian, poses this question to those who idealize America’s founding: “If the Revolution was fought in a frenzy over corruption, out of fear of tyranny, and with hopes for redemption through civic virtue, where and when are scholars to find the sources for the aggressive individualism, the optimistic materialism, and the pragmatic interest-group politics that became so salient so early in the life of the nation?”

By the mid-nineteenth century, the predominance of commercial interests in American politics was unmistakable. Berman’s lengthy discussion of the Civil War as the pivot of American history takes for granted the inadequacy of triumphalist views of the Civil War. It was not a “battle cry of freedom.” Slavery was central, but for economic rather than moral reasons. The North represented economic modernity and the ethos of material progress; the economy and ethos of the South, based on slavery, was premodern and static. The West — and with it the shape of America’s economic future — was up for grabs, and the North grabbed it away from an equally determined South. Except for the abolitionists, no whites, North or South, gave a damn about blacks. How the West (like the North and South before it) was grabbed, in an orgy of greed, violence, and deceit against the original inhabitants, is a familiar story.

Even more than in Beard, Berman finds his inspiration in William Appleman Williams. When McKinley’s secretary of state John Hay advocated “an open door through which America’s preponderant economic strength would enter and dominate all underdeveloped areas of the world” and his successor William Jennings Bryan (the celebrated populist and anti-imperialist!) told a gathering of businessmen in 1915 that “my Department is your department; the ambassadors, the ministers, the consuls are all yours; it is their business to look after your interests and to guard your rights,” they were enunciating the soul of American foreign policy, as was the much-lauded Wise Man George Kennan when he wrote in a post-World War II State Department policy planning document: “We have about 50 percent of the world’s wealth, but only 6.3 percent of its population … In this situation, we cannot fail to be the object of envy and resentment. Our real task in the coming period is to devise a pattern of relationships which will permit us to maintain this position of disparity … To do so, we will have to dispense with all sentimentality and day-dreaming; and our attention will have to be concentrated everywhere on our immediate national objectives … We should cease to talk about vague and … unreal objectives such as human rights, the raising of the living standards, and democratization. The day is not far off when we are going to have to deal in straight power concepts. The less we are then hampered by idealistic slogans, the better.”

As a former medievalist, Berman finds contemporary parallels to the fall of Rome compelling. By the end of the empire, he points out, economic inequality was drastic and increasing, the legitimacy and efficacy of the state was waning, popular culture was debased, civic virtue among elites was practically nonexistent, and imperial military commitments were hopelessly unsustainable. As these volumes abundantly illustrate, this is 21st century America in a nutshell. The capstone of Berman’s demonstration is a sequence of three long, brilliant chapters in Dark Ages America on the Cold War, the Pax Americana, CIA and military interventions in the Third World, and in particular U.S. policy in the Middle East, where racism and rapacity have combined to produce a stunning debacle. Our hysterical national response to 9/11 — our inability even to make an effort to comprehend the long-festering consequences of our imperial predations — portended, as clearly as anything could, the demise of American global supremacy.

What will become of us? After Rome’s fall, wolves wandered through the cities and Europe largely went to sleep for six centuries. That will not happen again; too many transitions — demographic, ecological, technological, cybernetic — have intervened. The planet’s metabolism has altered. The new Dark Ages will be socially, politically, and spiritually dark, but the economic Moloch — mass production and consumption, destructive growth, instrumental rationality — will not disappear. Few Americans want it to. We are hollow, Berman concludes. It is a devastatingly plausible conclusion.

An interval — long or short, only the gods can say — of oligarchic, intensely surveilled, bread-and-circuses authoritarianism, Blade Runner- or Fahrenheit 451-style, seems the most likely outlook for the 21st and 22nd centuries. Still, if most humans are shallow and conformist, some are not. There is reason to hope that the ever fragile but somehow perennial traditions and virtues of solidarity, curiosity, self-reliance, courtesy, voluntary simplicity, and an instinct for beauty will survive, even if underground for long periods. And cultural rebirths do occur, or at any rate have occurred.

Berman offers little comfort, but he does note a possible role for those who perceive the inevitability of our civilization’s decline. He calls it the “monastic option.” Our eclipse may, after all, not be permanent; and meanwhile individuals and small groups may preserve the best of our culture by living against the grain, within the interstices, by “creating ‘zones of intelligence’ in a private, local way, and then deliberately keeping them out of the public eye.” Even if one’s ideals ultimately perish, this may be the best way to live while they are dying.

There is something immensely refreshing, even cathartic, about Berman’s refusal to hold out any hope of avoiding our civilization’s demise. And our reaction goes some way toward proving his point: We are so sick of hucksters, of authors trying — like everyone else on all sides at all times in this pervasively hustling culture — to sell us something, that it is a relief to encounter someone who isn’t, who has no designs on our money or votes or hopes, who simply has looked into the depths, into our catastrophic future, and is compelled to describe it, as Cassandra was. No doubt his efforts will meet with equal success.

Paying for Labors of Love (N.Y.Times)

‘The Outsourced Self,’ by Arlie Russell Hochschild

By JUDITH SHULEVITZ – Published: May 25, 2012

There’s one mistake I worry readers will make about this book, so let me correct it right away: “The Outsourced Self” is not a work of journalism. Though it isn’t exactly not one, either. I guess you’d call it popular sociology, but I think of it more as an act of mourning. Arlie Russell Hochschild’s look at how we meet some of our most personal needs with the aid of paid strangers doesn’t try to be exhaustive; goes light on figures and statistics; and, when itemizing the most outrageous advances in the market for love and care, never lapses into that magazine journalist’s tone of wry amusement.

Illustration by Thomas Porostocky

THE OUTSOURCED SELF

Intimate Life in Market Times

By Arlie Russell Hochschild

Illustrated. 300 pp. Metropolitan Books/Henry Holt & Company. $27.

By the time her book went to press, her reporting was probably outdated, anyway. Who can keep up? Love coaches, wantolo­gists, therapy apps: these former absurdities are now normal. The next phase will surely include “sparking,” in which dating Web sites match customers according to DNA-based immunological profiles. As the chief psychologist at the eHarmony laboratory tells Hochschild, all he needs to do is figure out how to collect cheek swabs.

In any case, Hochschild isn’t really interested in the extremes of the outsourced life. She wants to know what it feels like to be caught in the middle of it. An ethnographic sociologist rather than a quantifier of social trends, Hochschild elicits thoughtful reflections from ordinary people. Then she uses those reflections to chart the confusing intersections between commerce and private life that we all have to navigate now that the purveyors of personal assistance have built strip malls on nearly every acre of our inner selves. Hochschild’s great subject is “emotional labor,” which we usually think of as the psychic work we do, voluntarily, for ourselves and our intimates, to keep our relationships and communities alive. But emotional labor, for her, is also the psychic work we do for pay, so that both we and our clients can gloss over the nakedly transactional aspect of the services on offer. Or it’s the work we do to tamp down our guilt and shame about contracting out undertakings we think we ought to do ourselves. Yet another form of emotional labor involves toggling between all the different kinds of emotional labor without being fazed by the self-alienation and contradictions involved.

In “The Outsourced Self,” Hochschild talks to love coaches, wedding planners, surrogate mothers, nannies, household consultants and elder-care managers, but also, and with deep empathy, their clients. A majority of these people are middle-aged or near middle age; the main thing is, they’re not young, which means they are not yet used to a virtualized and monetized social existence and can still express doubts about it. Most are women, who have long been the main providers of care, love and charity. Hochschild’s consumers buy hyperpersonal services because they lack the family support or social capital or sheer time to meet potential mates, put on weddings, whip up children’s birthday parties, build children’s school projects, or care for deteriorating parents. Or these folks think they just couldn’t perform such tasks as well as the pros. The providers sell their services because the service economy is where the money is, or because they take pleasure in helping others. Everybody worries about preserving the human element in the commercial encounter. Very few succeed.

Evan Katz is a love coach who teaches would-be online daters “How to Write a Profile That Attracts People You Want to Meet.” One of his clients is Grace (virtually all names have been changed), a divorced 49-year-old engineer who wants to search for love as methodically as she solves an engineering problem. Katz tells her “to show the real you through real stories.” When Grace comes up with a story about learning humility by scrubbing toilets at a Zen monastery, he reels her back in: “That might be a little too out there.” On a mass medium like the Internet, the best “real you” is average, not quirky: “Everyone needs to aim for the middle so they can widen their market,” Katz says. He encourages daters to rate themselves from 1 to 10, and not to aim higher than their own rating. On the other hand, he worries that daters will objectify themselves and others so zealously they’ll equate dating and shopping: “They want to quickly comb through the racks and snap their fingers, next . . . next . . . next. . . . You can be too efficient, too focused on your list of desired characteristics, so intent on getting the best deal that you pass over the right one.” Luckily, Grace escapes that trap when she agrees to go out with a tattooed, bald musician who doesn’t fit the criteria on her list, and falls in love.

Hochschild has a gentle, nonjudgmental style, but some of her interviews read like long, sad sighs. Occasionally, they bring to mind novels and movies about the British class system. Like Kazuo Ishiguro in “The Remains of the Day” or Robert Altman in “Gosford Park,” Hochschild can make us feel the gulf between employers, who imagine that relations between themselves and their emotional delegates are mutually beneficial, and the employed, who grasp that the cash they take is meant to make them invisible. “I’ll be in a room bustling about and they won’t be aware I’m there,” says Rose, a “household manager” who functions as a housekeeper, baby sitter and personal assistant for a wealthy family in Westchester County. When she substitutes for Norma, her employer, at Norma’s children’s bake sales, the mothers ignore her: “A lot of those mothers know me but talk to me only to ask about Norma.”

The most haunting of Hochschild’s tales throb with pain, as when she tracks the flow of mother love from the third world to the first, a form of global commerce entered into out of desperation on all sides. She interviews surrogate mothers in India, destitute women who rent out their wombs to bargain-­basement fertility clinics that feel like baby-manufacturing assembly lines. These modern-day handmaidens struggle with the social stigma attached to their work, despite its comparatively high pay, as well as with their own surging love for the fetuses growing inside them. Many do not achieve the requisite detachment. Hochschild contrasts their stories with that of a well-meaning American couple who can’t afford the price of fertility in the United States, and don’t feel they have other options. The wife, though herself of Indian descent, can’t figure out the rules governing her meeting with her Indian surrogate. She knows that Indians don’t touch others as readily as Americans do, but, she explains:

“I didn’t want her to think of me as this big rich American coming in with my money to buy her womb for a while. So I did touch her at some point, I think, her hair or her shoulder. I tried to smile a lot. . . . She didn’t look at ease. It was not the unease of ‘I can’t believe I’m doing this,’ but more the unease of the subordinate meeting her boss.”

Less harrowing, but still a poignant account of a missed opportunity for connection, is the story of Maricel, a Filipino nanny, and her employer, Alice. Deeply loved by both Alice and Clare, Alice’s child, Maricel still feels bereft. Alice, a hard-working Google software designer, thinks Maricel is so good with Clare — “cheerful, relaxed, patient and affectionate” — because she was raised in a warm village culture where “they put family and community first.” Actually, Maricel’s mother, who lost three babies before Maricel was born, never let herself get attached to her daughter and sent her out to a neighbor for care; when the girl happened to be home, the mother disciplined her harshly by pinching her leg. After an early bad marriage, Maricel came to America to make money for her two children. Too busy making ends meet to have paid much attention to her children when she lived with them, she now regrets never having told them she loved them. Contrary to Alice’s fantasy about Maricel’s third-world warmth, Maricel learned the virtues of demonstrating affection from watching “Oprah,” and from her own terrible need for human contact. She lavishes love on Clare because the little girl is her only companion in Alice’s cold, silent house.

“The unforgiving demands of the American workplace impose penalties that reach far beyond the American home,” Hochschild observes. One such penalty falls on children like Maricel’s; they are more likely to fail in school and lurch into a life of crime. But Hochschild thinks that our rush to hand off “emotional labor” hurts us first worlders as well. “My clients outsource patience to me,” a personal assistant tells her. “And once they get in the habit of doing that, they become impatient people.” Could it be, Hochschild asks, “that we are dividing the world into emotional types — order-barking, fast-paced entrepreneurs at the top, and emotionally attuned, human-paced mediators at the bottom?”

If outsourcing the labors of love discomfits or even damages us, why do we do it so much? One reason is that women aren’t home as much as they used to be — not just mothers, but also all the other women who once held communities together: “Today, 70 percent of all American children live in households where all the adults work. So who now would care for the children, the sick, the elderly? And who would provide, as 19th-century ­middle-class homemakers were said to do, ‘the sunshine of the home’? Mothers were trying hard, but they were also out billing customers, stocking shelves, teaching classes and treating patients. And so were the once-available maiden aunts, grandmothers, friends and ‘give-you-a-hand’ neighbors.”

So does Hochschild deplore feminism? No. But she does think it has been “abducted,” as she has put it in an essay published elsewhere, by the logic and demands of the marketplace — what she provocatively calls “the religion of capitalism.” Feminism has coincided with a drastic lengthening of work hours and a steep decline in job security, and in America those stressors have not been alleviated by social supports like paid family leave and universal child care, at least not in comparison with most other Western nations. As a result, too many bonds of family and community are left untied by anxious, overworked couples, too many familial functions have to be subcontracted, and too many children perceive themselves as burdens. (One of Hochschild’s finest essays, also published elsewhere, is called “Children as Eavesdroppers”; it describes how children listen closely to their parents’ haggling over child care, and conclude that they are unwanted.) Feminists once dreamed that the work of mothering would be properly valued, maybe even reimbursed, once some portion of it had been redistributed to fathers. Instead, a lot of it is being handed off to strangers — although, to be fair, American men do more than they used to.

On the other hand, the natural bonds of family and “village,” as Hochschild rather nostalgically calls the vanished world of secure communal ties, aren’t necessarily all she cracks them up to be. I was struck by how many of her interview subjects were abused or neglected as children. Gloria, a 23-year-old hotel executive from a broken family, would rather pay for a therapist to keep her marriage going and, when she has children, for sleep coaches and potty trainers and chauffeurs, than rely on friends or family members: “Most families are places of deep injury. . . . Friends are very entangling.” A man with seven children who works 60-hour weeks yet rarely misses a child’s sports event invests in an expensive and officious parenting-evaluation service called Family360, just to make sure he’s as good a husband and father as he can be: “My own father never came to one school event in my entire boyhood . . . not one. . . . I was an all-American in college. He never saw me at the N.C.A.A. championships.” An elder-care manager gives love in abundance to other people’s parents perhaps in part to quash the memory of being beaten by her father and not protected by her mother.

So maybe it’s not so terrible to have packaged care available when the unpackaged kind just won’t do. What is tragic is feeling forced to buy the packaged kind because work is too demanding and the workplace is too inflexible and the loss of face that goes with being a stay-at-home mom or dad, or nurse to a dying parent, is just too galling. Hochschild’s big contribution here, though, is to tally the subtler costs of outsourcing: the “de­personalization of our bonds with others,” the failure to enjoy the process of finding love or planning a wedding, the missing out on one’s children’s childhoods — all the little nontragedies that add up to a thinner, sadder life.

Judith Shulevitz is the author of “The Sabbath World: Glimpses of a Different Order of Time.”

Sobrevivência com créditos de carbono (Terramérica)

Carbono
28/5/2012 – 09h57

por Fabíola Ortiz*

c17 300x240 TERRAMÉRICA   Sobrevivência com créditos de carbono

O cacique Almir Suruí (E) em sua aldeia. Foto: Divulgação Povo Paiter-Suruí.

Os paiter-suruí,  do Estado brasileiro de Rondônia, na Amazônia, preveem arrecadar pelo menos US$ 40 milhões nos próximos 30 anos com o serviço ambiental de restaurar e fazer uso sustentável da selva.

Rio de Janeiro, Brasil, 28 de maio de 2012 (Terramérica).- O povo nativo paiter-suruí, no coração da Amazônia brasileira, não tinha contato com o mundo ocidental até 45 anos atrás. Hoje, aposta nos complexos mercados de carbono para garantir sua sobrevivência. Habitantes do território Sete de Setembro, quase 250 mil hectares localizados entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso, perto da fronteira com a Bolívia, os paiter-suruí viveram uma história vertiginosa nas últimas décadas.

Apenas três anos depois de seu primeiro contato com o “homem branco”, em 1969, quase chegaram à extinção: a população de cinco mil pessoas caiu para apenas 300 devido à mortandade causada pelas doenças trazidas pelos invasores. Hoje são cerca de 1.350 e estão determinados a perdurar. Suruí é o nome que os antropólogos lhes deram. Porém, entre si, eles se chamam paiter, “o povo verdadeiro, nós mesmos” na língua tupi-mondé que falam.

O negócio que pretendem é parte do Projeto de Carbono da Floresta Suruí, aprovado em abril, que prevê mecanismos para neutralizar as emissões de dióxido de carbono, como evitar o desmatamento, mantendo esse elemento na massa florestal, e absorvendo-o da atmosfera, mediante o reflorestamento. Estas ações estão previstas no regime de Redução de Emissões provocadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas (REDD+), impulsionado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como instrumento para mitigar a mudança climática.

A compra e venda de direitos de emissão de carbono, ou certificados de carbono, está prevista nos sistemas de controle da mudança climática para que empresas ou países grandes emissores de gases-estufa paguem a outros que possuem mecanismos para reduzi-las. Após décadas resistindo ao embate dos madeireiros, caçadores e colonos, desde 2005 os paiter-suruí plantaram 14 mil exemplares de 17 espécies, entre elas cacau e café, árvores de madeira nobre como mogno, cerejeira e ipê, e frutíferas como açaí, pupunha e babaçu.

“Queremos beneficiar nosso povo e nos desenvolvermos de acordo com nossa necessidade da região, valorizando produtos florestais. Uma política econômica verde é justamente um planejamento de uso sustentável”, disse ao Terramérica o líder deste povo, Almir Suruí, que também integra a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira. O cacique Almir, de 38 anos, sempre está com seu corpo pintado e usa colares de sementes nativas feitos pelas mulheres de seu povo. E também veste roupa ocidental quando tem compromissos fora de sua aldeia, mas que não escondem totalmente a pintura corporal.

Antes de ficar conhecido no Brasil, obteve reconhecimento internacional por denunciar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a exploração ilegal de madeira nas terras de seu povo e por defender os direitos e a integridade dos grupos em isolamento voluntário, além de lutar contra a construção de represas hidrelétricas nos rios de Rondônia. Para conseguir seus objetivos de sustentabilidade, os paiter-suruí trabalham associados com várias organizações não governamentais e instituições estatais, como o governamental Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que facilita a criação de mecanismos financeiros e ferramentas que garantam renda para os paiter-suruí.

O projeto Carbono Suruí tem duração de três décadas para a conservação de uma área com mais de 12 mil hectares, segundo Angelo dos Santos, um dos coordenadores da Funbio. “Todos os anos os paiter-suruí asseguram um volume de carbono não emitido que será oferecido ao mercado”, explicou Angelo ao Terramérica. “Nos próximos 30 anos, a quantidade que o povo paiter-suruí acumulará pelo desmatamento evitado será de oito milhões de toneladas de dióxido de carbono. E assim se pagará aos indígenas por não desmatarem”, acrescentou. As estimativas indicam que podem arrecadar US$ 40 milhões pela cotação atual do mercado, que está em US$ 5 para cada tonelada de carbono.

Segundo Angelo, há várias formas de comercializar os certificados de carbono. Uma delas é que sejam comprados por empresas interessadas em neutralizar ou compensar suas próprias emissões desse gás-estufa. “Isto é uma grande inovação”, ressaltou. Os recursos obtidos pela venda de certificados serão destinados ao Fundo de Gestão Paiter-Suruí, oficializado no começo de maio para incentivar um plano de desenvolvimento e tornar viáveis formas de gerar renda sem destruir a selva.

Já são produzidas mais de quatro mil toneladas por ano de café orgânico e cerca de dez mil toneladas de castanha amazônica, contou o cacique. As duas produções já contam com planos de negócios. Enquanto isso, “o Fundo Paiter-Suruí vai arrecadar recursos próprios com doações de bancos multilaterais e empresas, e pela venda de certificados de carbono”, detalhou Angelo. A meta é captar US$ 6 milhões nos próximos três anos. E em seis anos o Fundo será completamente administrado pelos paiter-suruí, que já estão se capacitando para isso.

É, sob todos os aspectos, um caso excepcional. Trata-se do primeiro mecanismo financeiro criado para um povo indígena que quer garantir sua sobrevivência e a de sua cultura. Estas iniciativas valeram ao cacique Almir o 53º lugar entre as cem pessoas mais criativas para negócios em 2011, um ranking preparado pela revista norte-americana Fast Company. Não por acaso, Almir foi convidado este mês para falar sobre inovação para dirigentes empresariais e pesquisadores, em um encontro organizado pela revista britânica The Economist.

* A autora é correspondente da IPS.

A corrupção acadêmica e a crise financeira (Guardian)

CHARLES FERGUSON

DO “GUARDIAN”

Muitas pessoas que viram meu documentário “Trabalho Interno” (2010) acharam que a parte mais perturbadora é a revelação sobre amplos conflitos de interesses em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos. Espectadores que assistiram às minhas entrevistas com eminentes professores universitários ficaram estarrecidos com o que saiu da boca deles.

Mas não deveríamos ter ficado surpresos. Nas duas últimas décadas, médicos já comprovaram de modo substancial a influência que o dinheiro pode exercer num campo supostamente objetivo e científico. De modo geral, as escolas de medicina e os periódicos médicos vêm reagindo bem, aderindo às exigências de transparência.

Os cursos de pós-graduação em economia, as faculdades de administração, as de direito e as de ciência política vêm reagindo de modo muito diferente. Nos últimos 30 anos, parcelas importantes do mundo acadêmico americano foram deterioradas, convertendo-se em atividades do tipo “pay to play” (pague para participar).Hoje em dia, se você vir um célebre professor de economia depondo no Congresso ou escrevendo um artigo, são boas as chances de ele ou ela ter sido pago por alguém com grande interesse no que está em debate. Na maior parte das vezes esses professores não revelam esses conflitos de interesse. Além disso, na maior parte do tempo suas universidades se fazem de desentendidas.

Meia dúzia de firmas de consultoria, vários birôs de palestrantes e diversos grupos de lobby de setores diferentes mantêm grandes redes de acadêmicos de aluguel, com o objetivo de defender os interesses desses grupos em discussões sobre políticas e regulamentação.

Os principais setores envolvidos são energia, telecomunicações, saúde, agronegócio e, sem dúvida, o setor de serviços financeiros.

Alguns exemplos: o economista Glenn Hubbard virou reitor da Columbia Business School em 2004, pouco depois de deixar o governo George W. Bush (2001-09), no qual trabalhou no Departamento do Tesouro e foi o primeiro presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente, entre 2001 e 2003.

Boa parte de seu trabalho acadêmico é dedicado à política fiscal. Num resumo justo de suas posições intelectuais, pode-se dizer que ele jamais viu um imposto que tenha gostado de ver aprovado e em vigor. Em novembro de 2004, ele escreveu um artigo espantoso em coautoria com William C. Dudley, então economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs.

O artigo em questão, “Como os Mercados de Capitais Elevam a Performance Econômica e Facilitam a Geração de Empregos”, merece ser citado. Vale lembrar que estamos em novembro de 2004, com a bolha já bem encaminhada:

“Os mercados de capital têm ajudado a tornar o mercado imobiliário menos volátil. ‘Arrochos de crédito’ do tipo que, periodicamente, fecharam a oferta de recursos aos compradores da casa própria […] são coisas do passado.”

Hubbard se negou a dizer se foi pago ou não para escrever o artigo. E se negou a me fornecer sua declaração mais recente de conflitos de interesse financeiros com o governo, documento que não pudemos obter de outra forma porque a Casa Branca o destruiu.

Hubbard recebeu US$ 100 mil para depor na defesa criminal dos dois gerentes do fundo hedge (de alto risco) Bear Stearns, processados por envolvimento com a bolha; eles foram absolvidos. No ano passado, Hubbard se tornou assessor econômico sênior da campanha presidencial de Mitt Romney, o pré-candidato republicano à Presidência dos EUA.

RABO PRESO

Outro economista, Larry Summers, já ocupou quase todos os cargos governamentais importantes na área econômica. Secretário do Tesouro sob o presidente Bill Clinton (1993-2001), em 2009 ele se tornou diretor do Conselho Econômico Nacional na administração Barack Obama.

Embora seja sensato em relação a muitas questões, Summers cometeu uma sucessão bem documentada de erros e concessões. E seus pontos de vista sobre o setor financeiro dificilmente seriam distinguidos dos de, digamos, Lloyd Blankfein (chefe do Goldman Sachs) ou Jamie Dimon (presidente do banco JPMorgan).A maior parte de nossas informações sobre Summers vem de sua declaração obrigatória de conflitos de interesse, exigida pelo governo. De acordo com a declaração dada em 2009 por Summers, sua fortuna líquida estava calculada entre US$ 17 milhões e US$ 39 milhões. Seus recebimentos totais no ano antes de ingressar no governo chegaram a quase US$ 8 milhões. O Goldman Sachs pagou a Summers US$ 135 mil por um discurso.

Larry Summers é um homem com o rabo preso, que deve a maior parte de sua fortuna e boa parte de seu sucesso político à indústria de serviços financeiros e que esteve envolvido em algumas das decisões de política econômica mais desastrosas da última metade de século. Na administração Obama, Summers se opôs à adoção de medidas fortes para punir banqueiros ou limitar a receita deles.

A universidade de Harvard ainda não exige que Larry Summers divulgue seus envolvimentos com o setor financeiro. Tanto Harvard quanto Summers negaram meus pedidos de informação.

O problema da corrupção acadêmica hoje está tão profundamente entrincheirado que essas disciplinas e essas universidades importantes estão gravemente comprometidas, e qualquer pessoa que pensasse em se opor à tendência ficaria racionalmente muito assustada.

COMEDIMENTO

Considere a seguinte situação: você é estudante de doutorado ou um membro júnior do corpo docente que estuda a possibilidade de fazer pesquisas sobre, digamos, as estruturas de pagamento aos profissionais que assumem riscos nos serviços financeiros, ou sobre o impacto potencial das exigências de divulgação pública de informações sobre o mercado de “credit default swaps” –instrumentos financeiros que funciona como um seguro contra calotes. O reitor de sua universidade é… Larry Summers. O chefe de seu departamento é… Glenn Hubbard.

Ou você está no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e quer estudar o declínio dos pagamentos de impostos de pessoas jurídicas. A reitora do MIT é Susan Hockfield, que faz parte do conselho de direção da General Electric, uma empresa que vem conseguindo evitar o pagamento de quase todos os impostos corporativos há vários anos.

Até que ponto essas forças de fato afetam as pesquisas acadêmicas e as políticas das universidades? As evidências das quais dispomos sugerem que o efeito é grande.
Os comentários sobre a crise financeira proferidos por economistas na academia têm sido bastante comedidos. É verdade que existem algumas exceções notáveis. Na maior parte do tempo, porém, o silêncio tem sido ensurdecedor.

Como é possível que um setor inteiro seja estruturado de modo que funcionários sejam encorajados a saquear e destruir suas próprias firmas? Por que a desregulamentação e a teoria econômica fracassaram tão espetacularmente?

O lançamento do documentário “Trabalho Interno” claramente mexeu com sensibilidades que foram tocadas por essas questões. Fui contatado por estudantes e docentes em grande número, e houve debates em grande número.

Algumas escolas, incluindo a Columbia Business School, adotaram exigências de divulgação de informações pela primeira vez.

Mas a maioria das universidades ainda não faz essas exigências, e poucas ou nenhuma impõem qualquer limitação à existência de conflitos de interesse. O mesmo se aplica à maioria das publicações acadêmicas.

Repórteres de jornais são proibidos terminantemente de aceitar dinheiro de qualquer setor econômico ou organização sobre o qual escrevam matérias. O mesmo não acontece no mundo acadêmico.

Houve um avanço positivo importante. No início deste ano, a Associação Americana de Economia passou a exigir uma declaração de conflitos de interesse para os sete periódicos que edita.

Mas a maioria das instituições ainda se opõe à divulgação de mais informações, e, quando eu estava fazendo meu filme, se negou até mesmo a tratar do assunto.

Tradução de Clara Alain

Rio+20: ruptura ou ajuste? (Mundo Sustentável)

Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

Diante do risco de a mais importante conferência do ano se transformar em uma “terapia de grupo”, onde o falatório e a papelada possam resultar em um novo acordo político genérico, convém prestar atenção desde já no posicionamento dos diferentes segmentos que marcarão presença na Rio +20.

Reunidos na PUC-RJ durante a conferência, aproximadamente 500 cientistas deverão compartilhar novas avaliações sobre o estado de fragilidade e degradação dos ecossistemas que  fornecem água, matéria-prima e energia à humanidade. De lá deverá surgir mais um grito de alerta em favor da vida sem nenhuma conotação política ou religiosa. Quem usa a ciência para medir os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento é basicamente um cético: se orienta apenas e tão somente pelas evidências que a metodologia científica lhe revela.

Os povos indígenas causarão enormes constrangimentos aos organizadores da Rio+20. Representantes das etnias que sobreviveram a sucessivos massacres no Brasil e no exterior denunciarão o absurdo do uso insustentável da terra.

Os empresários engajados exibirão os resultados contábeis da ecoeficiência e assumirão novos compromissos em defesa da inovação tecnológica e da redução do desperdício. Haverá entre eles os que fazem maquiagem verde (falam de “sustentabilidade”, mas não praticam), os neo-convertidos, que ajustaram procedimentos mais por conveniência (do que por convicção) e os que, de fato, estão convencidos da necessidade de mudanças e conseguem enxergar mais além do lucro imediato.

A constelação das ONGs deverá confirmar o tamanho e a diversidade das múltiplas correntes de pensamento que não cabem na moldura da ONU, mas que emprestam densidade e legitimidade a uma das pautas mais importantes da Rio+20: governança. Os tomadores de decisão já reconhecem a força do terceiro setor num mundo onde as articulações em rede robustecem a democracia, oxigenam as instituições e promovem a transparência e a justiça.

Caberá às organizações civis e às mídias (todas as mídias, de todos os tamanhos) aquecer a panela de pressão onde os chefes de estado vão cozinhar o texto final da Conferência. Sem isso, será mais do mesmo. Obnubilados pelos afazeres e interesses mais imediatos, de curtíssimo prazo, os chefes de estado não conseguirão justificar mudanças estruturais de longo prazo sem que haja uma boa razão para isso. Se você entende que há alguma razão para a mudança, manifeste-se. A Rio+20 é uma obra em construção. Ainda há tempo.

André Trigueiro

14.mar.2012

Artigo publicado na edição de março 2012 da Revista GQ

Resilient People More Satisfied With Life (Science Daily)

ScienceDaily (May 23, 2012) — When confronted with adverse situations such as the loss of a loved one, some people never fully recover from the pain. Others, the majority, pull through and experience how the intensity of negative emotions (e.g. anxiety, depression) grows dimmer with time until they adapt to the new situation. A third group is made up of individuals whose adversities have made them grow personally and whose life takes on new meaning, making them feel stronger than before.

Researchers at the Basic Psychology Unit at Universitat Autònoma de Barcelona analyzed the responses of 254 students from the Faculty of Psychology in different questionnaires. The purpose was to evaluate their level of satisfaction with life and find connections between their resilience and their capacity of emotional recovery, one of the components of emotional intelligence which consists in the ability to control one’s emotions and those of others.

Research data shows that students who are more resilient, 20% of those surveyed, are more satisfied with their lives and are also those who believe they have control over their emotions and their state of mind. Resilience therefore has a positive prediction effect on the level of satisfaction with one’s life.

“Some of the characteristics of being resilient can be worked on and improved, such as self-esteem and being able to regulate one’s emotions. Learning these techniques can offer people the resources needed to help them adapt and improve their quality of life”, explains Dr Joaquín T Limonero, professor of the UAB Research Group on Stress and Health at UAB and coordinator of the research.

Published recently in Behavioral Psychology, the study included the participation of UAB researcher Jordi Fernández Castro; professors of the Gimbernat School of Nursing (a UAB-affiliated centre) Joaquín Tomás-Sábado and Amor Aradilla Herrera; and psychologist and researcher of Egarsat, M. José Gómez-Romero.

Visual Perception System Unconsciously Affects Our Preferences (Science Daily)

ScienceDaily (May 23, 2012) — When grabbing a coffee mug out of a cluttered cabinet or choosing a pen to quickly sign a document, what brain processes guide your choices?

New research from Carnegie Mellon University’s Center for the Neural Basis of Cognition (CNBC) shows that the brain’s visual perception system automatically and unconsciously guides decision-making through valence perception. Published in the journal Frontiers in Psychology, the review hypothesizes that valence, which can be defined as the positive or negative information automatically perceived in the majority of visual information, integrates visual features and associations from experience with similar objects or features. In other words, it is the process that allows our brains to rapidly make choices between similar objects.

The findings offer important insights into consumer behavior in ways that traditional consumer marketing focus groups cannot address. For example, asking individuals to react to package designs, ads or logos is simply ineffective. Instead, companies can use this type of brain science to more effectively assess how unconscious visual valence perception contributes to consumer behavior.

To transfer the research’s scientific application to the online video market, the CMU research team is in the process of founding the start-up company neonlabs through the support of the National Science Foundation (NSF) Innovation Corps (I-Corps).

“This basic research into how visual object recognition interacts with and is influenced by affect paints a much richer picture of how we see objects,” said Michael J. Tarr, the George A. and Helen Dunham Cowan Professor of Cognitive Neuroscience and co-director of the CNBC. “What we now know is that common, household objects carry subtle positive or negative valences and that these valences have an impact on our day-to-day behavior.”

Tarr added that the NSF I-Corps program has been instrumental in helping the neonlabs’ team take this basic idea and teaching them how to turn it into a viable company. “The I-Corps program gave us unprecedented access to highly successful, experienced entrepreneurs and venture capitalists who provided incredibly valuable feedback throughout the development process,” he said.

NSF established I-Corps for the sole purpose of assessing the readiness of transitioning new scientific opportunities into valuable products through a public-private partnership. The CMU team of Tarr, Sophie Lebrecht, a CNBC and Tepper School of Business postdoctoral fellow, Babs Carryer, an embedded entrepreneur at CMU’s Project Olympus, and Thomas Kubilius, president of Pittsburgh-based Bright Innovation and adjunct professor of design at CMU, were awarded a $50,000, six-month grant to investigate how understanding valence perception could be used to make better consumer marketing decisions. They are launching neonlabs to apply their model of visual preference to increase click rates on online videos, by identifying the most visually appealing thumbnail from a stream of video. The web-based software product selects a thumbnail based on neuroimaging data on object perception and valence, crowd sourced behavioral data and proprietary computational analyses of large amounts of video streams.

“Everything you see, you automatically dislike or like, prefer or don’t prefer, in part, because of valence perception,” said Lebrecht, lead author of the study and the entrepreneurial lead for the I-Corps grant. “Valence links what we see in the world to how we make decisions.”

Lebrecht continued, “Talking with companies such as YouTube and Hulu, we realized that they are looking for ways to keep users on their sites longer by clicking to watch more videos. Thumbnails are a huge problem for any online video publisher, and our research fits perfectly with this problem. Our approach streamlines the process and chooses the screenshot that is the most visually appealing based on science, which will in the end result in more user clicks.”

Wearing Two Different Hats: Moral Decisions May Depend On the Situation (Science Daily)

ScienceDaily (May 23, 2012) — An individual’s sense of right or wrong may change depending on their activities at the time — and they may not be aware of their own shifting moral integrity — according to a new study looking at why people make ethical or unethical decisions.

Focusing on dual-occupation professionals, the researchers found that engineers had one perspective on ethical issues, yet when those same individuals were in management roles, their moral compass shifted. Likewise, medic/soldiers in the U.S. Army had different views of civilian casualties depending on whether they most recently had been acting as soldiers or medics.

In the study, to be published in a future issue of The Academy of Management Journal, lead author Keith Leavitt of Oregon State University found that workers who tend to have dual roles in their jobs would change their moral judgments based on what they thought was expected of them at the moment.

“When people switch hats, they often switch moral compasses,” Leavitt said. “People like to think they are inherently moral creatures — you either have character or you don’t. But our studies show that the same person may make a completely different decision based on what hat they may be wearing at the time, often without even realizing it.”

Leavitt, an assistant professor of management in the College of Business at OSU, is an expert on non-conscious decision making and business ethics. He studies how people make decisions and moral judgments, often based on non-conscious cues.

He said recent high-profile business scandals, from the collapse of Enron to the Ponzi scheme of Bernie Madoff, have called into question the ethics of professionals. Leavitt said professional organizations, employers and academic institutions may want to train and prepare their members for practical moral tensions they may face when asked to serve in multiple roles.

“What we consider to be moral sometimes depends on what constituency we are answering to at that moment,” Leavitt said. “For a physician, a human life is priceless. But if that same physician is a managed-care administrator, some degree of moral flexibility becomes necessary to meet their obligations to stockholders.”

Leavitt said subtle cues — such as signage and motivation materials around the office — should be considered, along with more direct training that helps employees who juggle multiple roles that could conflict with one another.

“Organizations and businesses need to recognize that even very subtle images and icons can give employees non-conscious clues as to what the firm values,” he said. “Whether they know it or not, people are often taking in messages about what their role is and what is expected of them, and this may conflict with what they know to be the moral or correct decision.”

The researchers conducted three different studies with employees who had dual roles. In one case, 128 U.S. Army medics were asked to complete a series of problem-solving tests, which included subliminal cues that hinted they might be acting as either a medic or a soldier. No participant said the cues had any bearing on their behavior — but apparently they did. A much larger percentage of those in the medic category than in the soldier category were unwilling to put a price on human life.

In another test, a group of engineer-managers were asked to write about a time they either behaved as a typical manager, engineer, or both. Then they were asked whether U.S. firms should engage in “gifting” to gain a foothold in a new market. Despite the fact such a practice would violate federal laws, more than 50 percent of those who fell into the “manager” category said such a practice might be acceptable, compared to 13 percent of those in the engineer category.

“We find that people tend to make decisions that may conflict with their morals when they are overwhelmed, or when they are just doing routine tasks without thinking of the consequences,” Leavitt said. “We tend to play out a script as if our role has already been written. So the bottom line is, slow down and think about the consequences when making an ethical decision.”

What-If and What-Is: The Role of Speculation in Science (N.Y.Times)

SIDE EFFECTS

MPI/Getty Images

An illustration from about 1850 of a dog with a small travois in an Assiniboine encampment.

By JAMES GORMAN – Published: May 24, 2012

Woody Allen once said that when you do comedy, you sit at the children’s table. The same might be said of speculation in science.

And yet speculation is an essential part of science. So how does it fit in? Two recent publications, both about the misty depths of canine and human history, suggest some answers. In one, an international team of scientists concludes that we really don’t know when and where dogs were domesticated. Greger Larson of the University of Durham, in England, the first of 20 authors of that report, said of dog DNA, “it’s a mess.”

In the other, Pat Shipman, an independent scientist and writer suggests that dogs may have helped modern humans push the Neanderthals out of existence and might even have helped shape human evolution.

Is one right and the other wrong? Are both efforts science — one a data-heavy reality check and the other freewheeling speculation? The research reported by Dr. Larson and his colleagues in The Proceedings of the National Academy of Sciences is solid science, easily judged by peers, at any rate. The essay by Dr. Shipman is not meant to come to any conclusion but to prompt thought and more research. It, too, will be judged by other scientists, and read by many nonscientists.

But how is one to judge the value of speculation? There are a few obvious ways. The questions readers ought to ask when confronting a “what-if “as opposed to “what-is” article are: Does the writer make it clear what is known, what is probable, and what is merely possible?

Dr. Shipman was careful to make these distinctions in her essay inAmerican Scientist, and in an interview, when I asked her to walk me through her argument.

First, she said, we know that modern humans and Neanderthals occupied Europe at the same time, from about 45,000 to 25,000 years ago, and that the fortunes of the modern humans rose as those of the Neanderthals fell. Somehow the modern humans outcompeted the Neanderthals. And here we are now, with our computers, our research, and our beloved dogs, which, scientists agree evolved from wolves.

Second, and this point is crucial, Dr. Shipman thinks dogs were very probably around during this time period, although she recognizes that others disagree. She tells us about the research that convinced her, so we can check it ourselves, if we like: a 2009 report of three skulls, the oldest dating to 32,000 years ago, by Mietje Germonpré of The Royal Belgian Institute of Natural Sciences in The Journal of Archaeological Science.

The skulls are clearly of members of the canid family, but that includes wolves, jackals and foxes. Dr. Germonpré and her colleagues concluded that the skulls belonged to dogs. That’s where things get sticky.

The rest of Dr. Shipman’s essay is clear enough. If the humans had dogs, the dogs must have been helping somehow, in hunting or pulling travois. And they may have been so helpful that they gave modern humans an edge over the Neanderthals (unless the Neanderthals had dogs, too). If they helped in hunting, they might have watched human eyes for clues about what was going on, as they do now. Other researchers have suggested that the white of the human eye evolved to foster cooperation because we could more easily see where others were looking, than with plain brown eyes.

If dogs were watching us too, that would have added survival value to having a partly white eye and thus played a role in our evolution. Fair enough, but the dogs had to be there at that time when humans and Neanderthals overlapped. I asked Dr. Larson about Dr. Shipman’s essay, and I confess I expected he might object to its speculative nature. Not so. “I love speculation,” he wrote back, “I do it all the time.” And, he said of Dr. Shipman’s essay, “it’s a lovely chain of reasoning.”

But, he said, “it begins from the premise that the late Pleistocene canid remains are dogs. And they are not.”

He wrote, “there is not a single piece of (credible) evidence to suggest that the domestication process was under way 30,000 years ago.” He cited an article in press in The Journal of Archaeological Science that is highly critical of the Germonpré paper. The article, written by Susan J. Crockford at the University of Victoria and Yaroslav V. Kuzmin at the Siberian branch of the Russian Academy of Sciences, suggests that the skulls in question came from short-faced wolves and do not indicate that the domestication process had begun. Dr. Crockford, who had read Dr. Shipman’s paper, thought it “too speculative for science.” But she did not view the case of early domestication as completely closed.

She said in an e-mail: “We simply need more work on these ancient wolves before we can determine if these canids are incipient dogs (in the process of becoming dogs, although not there yet) or if they simply reflect the normal variation in ancient wolves. At present, I am leaning strongly towards the later (normal variation in wolves).”

Perhaps the way to judge the scientific value of speculation would be to see if it prompts more research, more collecting of fossils, more study. Until then, only proximate answers will exist to the question of where dogs came from.

Mine came from a shelter? How about yours?

Mudando para que nada mude (Cineclube Ciência em Foco)

SEXTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2012

 “A exaustão dos recursos naturais não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. […] A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas […] são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas”.

 

Renzo Taddei – Doutor em Antropologia pela Univ. de Columbia, pesquisador da Coordenação do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos da ECO-UFRJ e palestrante do Ciência em Foco de 2 de junho.

1) O personagem central do filme Árido Movie é um profissional que apresenta diariamente a previsão do tempo para o Brasil em uma rede de TV em São Paulo. Ao voltar para sua terra natal no sertão nordestino, ele se vê deslocado na fissura entre estes dois “nordestes”: o da previsão do tempo, distante e virtual, e o concreto. Diante dos vários contrastes com os quais se defronta, como podemos pensar seu deslocamento?

Essa fissura não se limita à questão do “nordeste”, mas é ainda mais importante, ainda que menos saliente, na própria questão do clima. Somos levados a crer todo o tempo que o clima que importa está em algum outro lugar, e que só é acessível através da mediação de especialistas e equipamentos. Obviamente isso ocorre de fato, mas há efeitos deletérios nessa alienação entre os indivíduos e o meio ambiente: a questão passa a ser entendida como problema distante, vivido apenas de forma abstrata. Isso gera a atitude caracterizada pela ideia de que “eu não tenho nada com isso” – o que é exatamente o que o personagem do filme diz à avó quando percebe que esta espera que ele vingue a morte do pai. De certa forma, ele vivia a sua própria relação familiar de forma alienada, como algo abstrato, virtual, e as contingências da vida o obrigam a enfrentar a incontornável materialidade dos contextos locais. A crise ambiental atual nos confronta com esta materialidade incontornável. Se o personagem vivesse as suas relações familiares de forma mais integral, talvez o destino de todos ali fosse outro. Há responsabilidades que nos implicam, mas que não escolhemos – algo difícil de aceitar no contexto liberal em que vivemos. Mas a analogia acaba por aqui: felizmente não há morte alguma a ser vingada na questão climática (ou haverá?).

2) O fenômeno climático da seca é recorrente na filmografia brasileira. Pode-se dizer que o cinema traz representações do meio ambiente que muitas vezes nos forçam a pensar seus elementos a partir de sua relação com a sociedade e a cultura. Sem entregar muito de sua fala, poderia comentar algo em torno desta relação? Qual a importância destas perspectivas e seu papel no cenário das discussões oficiais?

Mais do que a seca propriamente dita, o elemento que povoou a imaginação de escritores e artistas foi o “sertão”. Hoje, especialmente para as audiências do sudeste urbano, sertão é quase sinônimo de nordeste rural, mas no passado a situação era diferente. Há debates acadêmicos sobre de onde vem a palavra sertão: uma das hipóteses é que tem origem na palavra desertão, sugerindo a ideia de área remota e desolada; outra, sugere que a palavra vem de sertus, termo do latim que significa entrelaçado, enredado. Na história do Brasil, o sertão sempre foi o espaço refratário à penetração do poder oficial, das instituições de controle do Estado. Um dos lugares onde isso é mais claro é na obraGrande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A obra se ambienta toda em Minas Gerais, em uma região que não é semiárida como o sertão nordestino, e numa época onde sequer existia o “Nordeste”, mas tudo o que ficava acima da Bahia era considerado “Norte”. No início, o Brasil todo era sertão; com a expansão do Estado ao longo do século XX, houve uma redução considerável do território que pode ser considerado sertão, nos sentidos mencionados acima: praticamente toda a região sudeste, por exemplo, se “dessertaniza” à medida que o espaço passa a ser ocupado por cidades e atividade agrícola em larga escala.

Desta forma, na imaginação artística o sertão funcionou, ao longo dos últimos dois séculos, como o “outro mundo” onde há liberdade em contraposição aos controles que marcam as sociedades urbanas, e onde há mais autenticidade, o que pode ser encarado por um viés romântico (como vemos em José de Alencar, por exemplo) ou onde coisas impensáveis podem ocorrer, numa espécie de mirada conradiana [referente a elementos da obra do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924), autor de Coração das trevas]. Mesmo com o Cinema Novo, onde há uma sociologização mais intensa do sertão, esse não deixa de ser espaço de liberdade e experimentação, como vemos em Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Mas é preciso que se diga que isso tudo marca uma perspectiva de quem olha de fora. O sertão não é uma coisa, são muitas.

O que a seca faz, em certo sentido, é ressertanizarmomentaneamente um território dessertanizado, porque ela tem o potencial de desorganizar processos políticos e sociais locais, inclusive no que diz respeito às instituições oficiais de poder. Em lugares onde as variações climáticas (como as secas) são recorrentes, como no nordeste brasileiro, em geral as relações de poder locais existem de forma associada às epidemias de sofrimento trazidas pela seca. A infame indústria da seca é um exemplo disso. Mas há limites em quanto as sociedades e instituições locais conseguem se ajustar à variação do clima: secas muito intensas podem efetivamente colocar toda uma sociedade em situação de crise, como se vê atualmente nos sertões de Pernambuco e da Bahia.

Um segundo ponto da questão menciona a forma como o cinema nos faz pensar o meio ambiente em sua relação com sociedade e cultura. Há duas formas de relacionar natureza e sociedade que parecem ser recorrentes na experiência humana. Por um lado, usamos elementos da natureza para pensar relações sociais, coisa que na antropologia chamamos de totemismo. A forma como usamos figuras de animais para pensar torcidas de futebol (urubu, gaviões, porco etc), ou como destacamentos militares usam símbolos animais (a onça em quartéis na Amazônia), ou ainda quando nos referimos a qualidades pessoais através de imagens animais (ao dizer que alguém “é” uma cobra, um rato, ou uma anta), são exemplos disso. Por outro, projetamos na natureza elementos humanos, culturais e sociais, o que, por sua vez, é conhecido na antropologia como animismo. Desta forma, uma tempestade é “traiçoeira”, ou uma estação chuvosa, como ouvi várias vezes em pesquisa de campo no sertão do Ceará, pode ser “velhaca” (isto é, promete e não cumpre). O cinema naturalmente se utiliza disso tudo como recurso narrativo.

Além disso, nossa percepção do ambiente é visceralmente marcada por nossas perspectivas contextuais. Uma pesquisa que coordenei a respeito das respostas sociais e culturais às secas do ano de 2005 – um ano em que houve secas na Amazônia, no Nordeste e no sul do Brasil – mostrou que as populações locais não pensam o meio ambiente como algo desconectado das demais dimensões da vida; como tais dimensões são variáveis, a percepção do ambiente o é também. Os resultados da pesquisa foram publicados no livroDepois que a chuva não veio, disponível em texto integral na Internet. O problema é que os governos centrais, como o federal, no Brasil, têm a tendência a homogeneizar tudo com o qual se relacionam, ignorando os contextos locais; e a ciência climática tende a pregar que o contexto local e o clima não têm relação causal direta (especialmente quando estão contestando a capacidade do conhecimento tradicional de produzir previsões climáticas válidas). No que diz respeito às relações entre sociedade e clima, vivemos uma situação verdadeiramente neurótica. O meio ambiente pode inclusive ser uma forma de eufemizar uma discussão demasiadamente sensível em termos políticos e sociais. Um manual de infoativismo editado na Inglaterra, por exemplo, sugere que personagens em forma de animais sejam usados em campanhas públicas em que questões politicas sensíveis dificultem a comunicação através de exemplos humanos.

As discussões oficiais são, infelizmente, demasiadamente economicistas e unilineares, presas a um utilitarismo frustrante, para levar qualquer dessas questões a sério.

3) No mês de junho, o Rio de Janeiro sediará a Rio+20, a conferência das Nações Unidas em torno do desenvolvimento sustentável, que articulará líderes mundiais em discussões que convidam à cooperação mundial para a melhoria de problemas sociais. Tendo em vista o cenário de mudanças climáticas, como abordar a participação social nestas discussões, face às diferenças culturais que estão em jogo?

As diferenças culturais não devem ser entendidas como obstáculo às ações relacionadas à crise ambiental. Pelo contrário, são recursos importantes. É interessante observar como a biodiversidade é hipervalorizada, ao ponto de ser fetichizada, e ao mesmo tempo a diversidade de formas humanas de ser e estar no mundo é desvalorizada – por exemplo, quando se acredita, com as melhores intenções, que é preciso “educar” as pessoas que praticam queimadas para plantio, por exemplo, para que “entendam” os efeitos deletérios de algumas de suas práticas cotidianas. Projetamos o problema sobre os outros, sem perceber que esse nosso foco em informação e no pensamento, ou seja, ao diagnosticar tudo como “falta de informação” ou diferentes “formas de pensar”, é parte fundamental do problema. Tudo ficou cibernético demais, de forma que as questões morais e éticas nos escapam muito facilmente.

A ideia de que diferenças culturais dificultam a construção de um entendimento mundial sobre as questões ambientais em geral, e sobre a questão climática, em particular, me assusta. A própria ideia de “entendimento mundial” em torno do meio ambiente evoca perigosamente um centralismo pouco democrático. Nunca na história da humanidade houve uma tentativa tão articulada para a criação de um discurso único sobre o meio ambiente. A polarização política que se vê nos Estados Unidos, em torno da questão climática, é uma farsa: o comportamento do partido republicano mostra com clareza que se trata de uma disputa pelo poder, onde os envolvidos se comportam estrategicamente e defendem qualquer posição que maximize suas chances de vitória. E, acima de tudo, apresentam o problema climático como se houvesse apenas duas alternativas – aceitar ou negar o efeito das ações humanas nas mudanças climáticas –, mas as duas são validadas dentro do mesmo paradigma ocidental, exacerbadamente materialista e utilitarista. E as outras formas de pensamento e de vida, outras epistemologias e ontologias? Como diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, é preciso aprender a pensar “com” os outros. Segundo o pensamento ameríndio, por exemplo, ao invés de tomar os humanos como excepcionais em sua humanidade, há a ideia de que a humanidade é a essência comum de todos os seres vivos. Que tipo de ética e moralidade decorre dai, na relação entre humanos e não humanos? Não se trata de romantizar as formas indígenas de vida, mas apenas de mostrar como outros pensamentos são extremamente interessantes na abordagem dos problemas ambientais.

No meu entender, o que sobressai nesta questão da participação social e da multiplicidade cultural é o fato de que é preciso que os ocidentais, e nós, ocidentalóides, entendamos que há dimensões do problema que transcendem a materialidade e o utilitarismo. A exaustão dos recursos naturais, por exemplo, não será resolvida enquanto os padrões de subjetividade ocidentais não forem incluídos como parte fundamental do problema. Não adianta criar esquemas institucionais para evitar a “tragédia dos comuns”, por exemplo, sem lidar com os temas da satisfação e da responsabilidade. A insatisfação crônica do cidadão ocidental, e a forma irresponsável com que se relaciona com as coisas (ao pagar os governos municipais para “sumir” com o nosso lixo, sem que nenhuma pergunta seja feita, de modo que não precisemos pensar mais nele, por exemplo), são coisas tão importantes quanto a discussão sobre matrizes energéticas.

4) Contraplanos – expresse em poucas palavras (ou apenas uma) sua sensação com relação aos sentidos e problemáticas evocadas pelas seguintes palavras:

– tempo e clima: clima é um ponto de vista[1]; tempo é a vista (a partir) de um ponto[2] (notas: [1] Clima é “ponto de vista” no sentido de que trata-se de uma construção abstrata, resultante de cálculos estatísticos sobre medições de indicadores atmosféricos em intervalos amplos de tempo, e onde as técnicas estatísticas, o termômetro e outros mediadores técnicos têm tanta importância quanto a vibração das partículas que o termômetro busca medir; [2] tempo, no sentido dado ao conceito pela meteorologia, é o fenômeno atmosférico que existe num prazo de tempo mais curto, e portanto tende a fazer referência ao fenômeno em si, enquanto singularidade experiencial, ou seja, coisas que vivemos e lembramos, porque nos afetam num tempo e espaço específicos, e desta forma são a experiência a partir de um ponto).

 – sustentabilidade: o que exatamente se está tentando sustentar? Precisamos pensar a “mutabilidade” tanto quanto sustentabilidade. É muito difícil mudar o (insustentável) sistema econômico em que nos encontramos, e é preciso atentar para o fato de que, sob a fachada de “sustentabilidade”, há um esforço imenso de mudar apenas o que é necessário para que nada mude no final. O mercado de carbono é o exemplo paradigmático disso. Ou seja, em geral os debates sobre sustentabilidade (e sobre adaptação, resiliência etc.) são conservadores e insuficientes.

– construção social: já não há mais muita clareza a respeito do que significa tal associação de termos (o que é bom). Se tudo é construção social, a ideia deixa de ser relevante, porque não explica muita coisa. Tudo está em fluxo; se é “construção”, e se é “social”, depende de qual jogo semântico se está jogando. A expressão diz mais a respeito de quem usa a expressão do que sobre o fenômeno em questão. Tenho a impressão que dizer que o clima, por exemplo, é uma “construção social” constitui uma forma de evitar levar o clima a sério – e aqui estou repetindo ideias de autores como Bruno Latour ou Roy Wagner, por exemplo.

– ciência e cultura: há muito menos clareza a respeito do que significam tais termos (o que é melhor ainda). Num sentido mais propriamente filosófico, são duas ideias que morreram no século XX. Ou seja, tanto a Ciência como a Cultura, assim com “c” maiúsculo, que constituíam o santo graal do pensamento acadêmico Europeu dos séculos XIX e grande parte do XX se mostraram quimeras, principalmente em função dos trabalhos de gente como Heidegger, Merleau-Ponty, Wittgenstein, Gadamer, dentre muitos outros. Sobraram “ciências” e “culturas” com “c” minúsculo, ou seja, tais conceitos se transformaram em problemas empíricos. Puxando a sardinha pro meu lado (risos), se tornaram problemas antropológicos.

5) Roteiros alternativos – espaço dedicado à sugestão de links, textos, vídeos, referências diversas de outros autores/pesquisadores que possam contribuir com a discussão. Para encerrar essa sessão, transcreva, se quiser, uma fala de um pensador que o inspire e/ou seu trabalho.

No meu blog Uma (In)certa Antropologia (http://umaincertaantropologia.org) mantenho um arquivo de notícias e materiais acadêmicos sobre as relações entre cultura, sociedade e o clima. Há lá uma gravação em áudio de uma apresentação do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro que toca no tema das mudanças climáticas como crise do Ocidente, e como outros povos e outras culturas se relacionam com isso, que vale a pena ser ouvida. Ela está no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/ViveirosdeCastro_IFCS_20111123.wav.

O livro Depois que a chuva não veio, mencionado acima, está disponível no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/DQACNV.htm.

O documentário “10 tacticts for turning information into action”, também mencionado acima, está no site http://informationactivism.org/original_10_tactics_project#viewonline, com subtítulos em português – o exemplo de uso de animais como personagens está na tática número 3.

Há um vídeo provocativo do Slavok Žižek, cujo título éEcology as Religion, que evoca discussões importantes sobre como o meio ambiente existe no senso comum e nas discussões políticas. O video está reproduzido em https://umaincertaantropologia.org/2012/04/12/slavoj-zizek-on-ecology-as-religion-youtube/

6) Como conhecer mais de suas produções?

Há uma lista de artigos acadêmicos e também escritos para jornais e revistas em meu website, no link http://www.taddei.eco.ufrj.br/Textos.htm

Severe Nuclear Reactor Accidents Likely Every 10 to 20 Years, European Study Suggests (Science Daily)

ScienceDaily (May 22, 2012) — Western Europe has the worldwide highest risk of radioactive contamination caused by major reactor accidents.

Global risk of radioactive contamination. The map shows the annual probability in percent of radioactive contamination by more than 40 kilobecquerels per square meter. In Western Europe the risk is around two percent per year. (Credit: Daniel Kunkel, MPI for Chemistry, 2011)

Catastrophic nuclear accidents such as the core meltdowns in Chernobyl and Fukushima are more likely to happen than previously assumed. Based on the operating hours of all civil nuclear reactors and the number of nuclear meltdowns that have occurred, scientists at the Max Planck Institute for Chemistry in Mainz have calculated that such events may occur once every 10 to 20 years (based on the current number of reactors) — some 200 times more often than estimated in the past. The researchers also determined that, in the event of such a major accident, half of the radioactive caesium-137 would be spread over an area of more than 1,000 kilometres away from the nuclear reactor. Their results show that Western Europe is likely to be contaminated about once in 50 years by more than 40 kilobecquerel of caesium-137 per square meter. According to the International Atomic Energy Agency, an area is defined as being contaminated with radiation from this amount onwards. In view of their findings, the researchers call for an in-depth analysis and reassessment of the risks associated with nuclear power plants.

The reactor accident in Fukushima has fuelled the discussion about nuclear energy and triggered Germany’s exit from their nuclear power program. It appears that the global risk of such a catastrophe is higher than previously thought, a result of a study carried out by a research team led by Jos Lelieveld, Director of the Max Planck Institute for Chemistry in Mainz: “After Fukushima, the prospect of such an incident occurring again came into question, and whether we can actually calculate the radioactive fallout using our atmospheric models.” According to the results of the study, a nuclear meltdown in one of the reactors in operation worldwide is likely to occur once in 10 to 20 years. Currently, there are 440 nuclear reactors in operation, and 60 more are planned.

To determine the likelihood of a nuclear meltdown, the researchers applied a simple calculation. They divided the operating hours of all civilian nuclear reactors in the world, from the commissioning of the first up to the present, by the number of reactor meltdowns that have actually occurred. The total number of operating hours is 14,500 years, the number of reactor meltdowns comes to four — one in Chernobyl and three in Fukushima. This translates into one major accident, being defined according to the International Nuclear Event Scale (INES), every 3,625 years. Even if this result is conservatively rounded to one major accident every 5,000 reactor years, the risk is 200 times higher than the estimate for catastrophic, non-contained core meltdowns made by the U.S. Nuclear Regulatory Commission in 1990. The Mainz researchers did not distinguish ages and types of reactors, or whether they are located in regions of enhanced risks, for example by earthquakes. After all, nobody had anticipated the reactor catastrophe in Japan.

25 percent of the radioactive particles are transported further than 2,000 kilometres

Subsequently, the researchers determined the geographic distribution of radioactive gases and particles around a possible accident site using a computer model that describes Earth’s atmosphere. The model calculates meteorological conditions and flows, and also accounts for chemical reactions in the atmosphere. The model can compute the global distribution of trace gases, for example, and can also simulate the spreading of radioactive gases and particles. To approximate the radioactive contamination, the researchers calculated how the particles of radioactive caesium-137 (137Cs) disperse in the atmosphere, where they deposit on Earth’s surface and in what quantities. The 137Cs isotope is a product of the nuclear fission of uranium. It has a half-life of 30 years and was one of the key elements in the radioactive contamination following the disasters of Chernobyl and Fukushima.

The computer simulations revealed that, on average, only eight percent of the 137Cs particles are expected to deposit within an area of 50 kilometres around the nuclear accident site. Around 50 percent of the particles would be deposited outside a radius of 1,000 kilometres, and around 25 percent would spread even further than 2,000 kilometres. These results underscore that reactor accidents are likely to cause radioactive contamination well beyond national borders.

The results of the dispersion calculations were combined with the likelihood of a nuclear meltdown and the actual density of reactors worldwide to calculate the current risk of radioactive contamination around the world. According to the International Atomic Energy Agency (IAEA), an area with more than 40 kilobecquerels of radioactivity per square meter is defined as contaminated.

The team in Mainz found that in Western Europe, where the density of reactors is particularly high, the contamination by more than 40 kilobecquerels per square meter is expected to occur once in about every 50 years. It appears that citizens in the densely populated southwestern part of Germany run the worldwide highest risk of radioactive contamination, associated with the numerous nuclear power plants situated near the borders between France, Belgium and Germany, and the dominant westerly wind direction.

If a single nuclear meltdown were to occur in Western Europe, around 28 million people on average would be affected by contamination of more than 40 kilobecquerels per square meter. This figure is even higher in southern Asia, due to the dense populations. A major nuclear accident there would affect around 34 million people, while in the eastern USA and in East Asia this would be 14 to 21 million people.

“Germany’s exit from the nuclear energy program will reduce the national risk of radioactive contamination. However, an even stronger reduction would result if Germany’s neighbours were to switch off their reactors,” says Jos Lelieveld. “Not only do we need an in-depth and public analysis of the actual risks of nuclear accidents. In light of our findings I believe an internationally coordinated phasing out of nuclear energy should also be considered ,” adds the atmospheric chemist.

How Twitter Is Used to Share Information After a Disaster (Science Daily)

ScienceDaily (May 22, 2012) — A study from North Carolina State University shows how people used Twitter following the 2011 nuclear disaster in Japan, highlighting challenges for using the social media tool to share information. The study also indicates that social media haven’t changed what we communicate so much as how quickly we can disseminate it.

“I wanted to see if Twitter was an effective tool for sharing meaningful information about nuclear risk in the wake of the disaster at the Fukushima Daiichi nuclear plant,” says Dr. Andrew Binder, an assistant professor of communication at NC State and author of a paper describing the work. “I knew people would be sharing information, but I wanted to see whether it was anecdotal or substantive, and whether users were providing analysis and placing information in context.

“In the bigger picture, I wanted to see whether social media is changing the way we communicate, or if we are communicating the same way using different tools.”

Binder searched for Twitter posts, or “tweets,” originating in the United States that specifically referenced “Fukushima Daiichi” – which is the name of the nuclear plant – rather than searching for the term “Fukushima.” This allowed him to target tweets about the plant instead of general references to the tsunami and overarching disaster in the region. Using that as a base, Binder then selected every 20th tweet on each day over the two weeks following the onset of the Fukushima disaster – from March 11 to March 25, 2011 – to create a representative sample of these tweets.

Fifteen percent of the tweets in the sample contained some mention of risk-related terms, such as hazard or exposure, while 17.7 percent of the tweets included language that helped place the events at Fukushima Daiichi and their potential causes or consequences in context. For example, one tweet read “Most of the 100s of workers at Fukushima Daiichi live close to the plant so it’s their families and houses at risk.” Overall, 54 percent of the tweets included hyperlinks to external websites, of which 62.7 percent linked to traditional news sources.

“I found that, initially, tweets that mentioned risk were unlikely to include analysis or information on context,” Binder says. “Similarly, tweets that attempted to help understand events at Fukushima Daiichi rarely mentioned risk. By the time people began tweeting about risk issues in a meaningful way, the initial high level of interest had begun to wane significantly.”

Binder also found that people were more likely to include links to websites as time went on. And, as time passed, a higher percentage of those links were to traditional news sites.

“This highlights a significant problem,” Binder says. “People are clearly looking to news outlets for insight and analysis into disasters such as this one. But news organizations have fewer and fewer reporters who specialize in covering science and technology issues – and those are the very reporters who would be able to provide insight and analysis on these events.”

The study also seems to imply that social media have not significantly changed the content of our communications. “This case, at least, indicates that Twitter is allowing people to share news quickly and easily,” Binder says. “But the news they are sharing is not much different from that available to someone reading a print newspaper – they’re simply getting it sooner.”

A convergência da Arte e Ciência: Pistas do Passado (Revista Z Cultural)

de Martha Blassnigg – tradução Cleomar Rocha e Júlio César dos Santos
Revista Z Cultural

Este artigo faz uma breve excursão pela história européia da ciência e da tecnologia numa perspectiva antropológica, destacando os valores humanos nas diretrizes subjacentes, imaginação, e atividades relacionadas à mente, como a maioria fundamentalmente constitutiva de toda a colaboração inter-disciplinar e seu impacto sobre a avaliação atual do valor associado às trocas cada vez maiores entre as Artes e as Ciências.

A Conferência Científica Internacional “Rumo a uma terceira cultura. A coexistência da arte, ciência e tecnologia”, organizada pelo Centro Laznia de Arte Contemporânea e o Museu de História em Gdansk, 23 a 25 maio de 2011, começou a discutir como “Atingir a arte por tecnologias científicas desenvolvidas agora no contexto da visão de uma terceira cultura, postulada por John Brockman “. Em vista das críticas e equívocos da problemática “duas culturas” da C.P. Snow, a postulação de uma “terceira cultura” foi criticamente abordada pela agenda das discussões da conferência, em particular em torno de idéias sobre a ciência para a arte e arte para a ciência, o papel, o significado da abordagem colaborativa, revista e criticamente a partir de diferentes perspectivas. A dimensão da interação humana em seus aportes subjacentes, a imaginação e a atividades mentais relacionadas, foi um entre muitos outros assuntos discutidos, o que será destacado aqui como o mais significativo parceiro constitucional, em especial entre as artes e ciências. Este artigo, portanto, concentra-se nas intersecções históricas entre a arte e a ciência e o que isso pode nos dizer, se não sobre a mudança de paradigmas, pelo menos, sobre a mudança em relação aos valores humanos envolvidos na colaboração.

A partir de uma excursão na história da ciência e tecnologia dos últimos dois séculos, fica evidente que o final do século 18 via a Arte e a Ciência ainda intimamente relacionados, como é explicitado, por exemplo, pelo químico e inventor Sir Humphrey Davy (1778-1829), na sua comparação entre o filósofo natural e o estado mental do artista:

A contemplação das leis do universo está conectada a uma exaltação imediata a e tranqüila da mente e puro prazer mental. A percepção da verdade é quase tão simples quanto um sentimento, como a percepção da beleza … o amor da natureza é a mesma paixão, como o amor do magnífico, do sublime e do belo. (WRIGHT, 1980: 199)

Quando o filósofo e historiador da ciência William Whewell cunhou o termo cientista, em 1833, na Inglaterra, o termo foi publicado pela primeira vez, anonimamente, em 1834, na resenha de “On the Connexion of the Physical Sciences” de Mary Somerville, com um comentário satírico sobre a crescente tendência “de separação e desmembramento “das ciências, que excluía filosofia, a menos no que referia aos termos “natural” ou “experimental”1. Ele propôs o termo novamente, de modo mais sério e em seu próprio nome em 1840, em “The Philosophy of the Inductive Science”, dando um nome genérico compreendendo vários campos científicos, semelhante à maneira como ele concebeu o termo artista para se referir às áreas da música, pintura, poesia etc. O que é particularmente interessante sobre a intervenção de Whewell para o contexto atual é que ele concebeu que todo conhecimento tem um ideal, ou dimensão subjetiva; bem como uma dimensão objetiva. O que ele viu como uma antítese fundamental do conhecimento, revelou em todo ato de conhecimento há dois elementos opostos: idéias e percepções. Por contrariar os Idealistas Alemães, bem como os sensacionalistas por sua propensão exclusivista, ele alegou estar procurando uma “via intermediária” entre racionalismo puro e um empirismo extremo.

Whewell (1858, I, 91) denominou ideias fundamentais como sendo: “… não uma conseqüência da experiência, mas um resultado da constituição particular e atividade da mente, que é independente de toda a experiência em sua origem, embora constantemente combinadas com experiência no seu exercício “. Ele reconheceu que a mente não é um mero receptor passivo de dados sensoriais, mas um participante ativo na produção de conhecimento.

É notável que a filosofia da mente reflete na história da ciência no modo como vários processos de produção de conhecimento foram compreendidos e modificados nas metodologias e significados implicados. Embora tenha sido freqüentemente alertado que a condição humana tem de ser reconhecida na sua implicitude em qualquer ato de observação ou de análise (se não na coleção científica de dados em si, e ainda, na leitura e interpretação da informação recolhida), as implicações do papel ativo da mente humana, no entanto, tem sido freqüentemente subestimado. A longa tradição na separação dualista entre a racionalidade como um processo de ordem superior e os sentidos físicos e a mente do corpo como os processos menores relacionados ao instinto deixou seus traços e ainda prevalece. Consequentemente, o dualismo cartesiano serviu predominantemente de modelo para racionalizar a separação crescente entre as Artes e Ciências durante o século 19 com uma presunçosa oposição binária entre o racional e o irracional, o inteligível e o sensível, ou o dionisíaco e o apolíneo, que Friedrich Nietzche (1872) reinterpretou como as unidades da natureza artística, como oposição estética fundamental.

Ao olhar para a interseção entre Arte e Ciência em estudos de casos particularizados, no entanto, muitos dos limites freqüentemente discutidos parecem se dissolver no reconhecimento das tensões produtivas dentro de contradições, paradoxos e incoerências nas práticas cotidianas. A partir dos muitos exemplos que podem ser extraídos da história da ciência, um caso paradigmático pode ser encontrado no fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904), cuja obra se coloca entre as tensões que transformaram a ciência do século XIX dentro do paradigma positivista do século XX. Enquanto um estudo de caso mais completo é desenvolvido em outros lugares (BLASSNIGG, 2009) deve-se notar aqui que os estudos sobre movimento de Marey estava entre a sua capacidade visionária e orientação motivadora que entendeu o movimento como força subjacente para além da atividade executada de corpos em movimento ou substâncias, e o método científico de análise que reduziu essa força de apreender momentos para estudar posições individuais e casos de intensidades.2 A sobreposição de fotografias em série em sua “composite chronophotographs” situaram as tensões entre a calibração instrumental e a expansão da percepção subjetiva por uma ligação rigorosa com uma imaginação visionária e uma consciência explícita das suas implicações perceptuais e epistemológicas. Através de sua combinação única de métodos gráficos e fotográficos, de tecnologias de análise e de síntese, Marey teve sucesso abordando intrinsecamente a ambos: o capturado (análise) e o percebido (em suas tensões entre o experienciado e o sintetizado), em contraste com o paradigma positivista, cada vez mais privado desta totalidade e dinamismo visionário3 enquanto método científico. Esses recursos são evidentes no trabalho inovador de Marey, em que a imaginação desempenhou um papel fundamental tanto quanto a estética, ambos aplicados como ferramentas intrínsecas para complementar o rigor científico e a precisão.

A discrepância entre a análise e a descrição (ou representação visual) do movimento e o dinamismo atual das forças subjacentes de corpos animados que se cristalizam como duas dimensões chaves no trabalho de Marey, que na época também foi discutido pelo filósofo Bergson Hneri (1859-1941), que foi quem identificou a confusão entre a medição do tempo quantificável e do tempo como experiência qualitativa, uma vez que permanece fundamental reconhecer as potencialidades intrínsecas da mente humana que se mantém envolvida. Ele procurou desenvolver uma abordagem pragmático filosófica para abordar a questão da mudança de paradigma anteriormente mencionado nas ciências; inicialmente escrito como uma crítica à posição extremada do idealismo de Kant dentro do idealismo alemão de uma filosofia transcendental, ele tentou se mover através da dicotomia matéria (corpo) e espírito (mente), evitando estabelecer um reino transcendental e sem ter que considerar a consciência como um epifenômeno do cérebro. Assim procedento, os esforços de Bergson resultaram na distinção de duas tendências da mente – intelecto e intuição (antigo instinto), em uma oposição esquemática, que de forma construtiva e colaborativa foram complementando-se mutuamente ao longo do processo evolutivo, como ele demonstra em particular o caso dos processos criativos da mente (BERGSON 1999, 1998). Ao invés de representar uma crítica polêmica ao método científico, ele refletiu sobre o entreleçamento implícito e de contingências entre esses dois pólos dinâmicos e as suas necessidades evolutivas como tendência integradora: “Há coisas que a inteligência sozinha é capaz de buscar, mas que, sozinha, nunca as vai encontrar. O instinto, por si só, poderia encontrar; mas nunca irá procurá-las ” (BERGSON, 1998, 151).

A partir da perspectiva de uma filosofia (ou antropologia) da ment,e Marey e Bergson reconhecem intuição e imaginação como constituintes intrínsecos de sua prática do conhecimento, e viram a arte como uma disciplina importante para manter o movimento em uma posição dinâmica e instável – o próprio princípio da vida como é experimentado e aspirado. Há paradigmáticos exemplos anteriores de tentativas similares para descobrir um acesso mais direto e holístico para os fenômenos observados, em particular nas suas comunicações interrelacionais e representações com e no espectador, como nas obras de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832 ) e Joseph Mallord William Turner (1775-1851), que tanto tentaram mediar e comunicar a experiência de fenômenos de luz e escuridão em seu caráter unificado e alterações transitórias.4 Goethe, mais explicitamente, tinha manifestado a interação entre a intuição e o intelecto de uma forma semelhante a Bergson, pois ele compreendeu a percepção intuitiva (Anschauung) e a faculdade do pensamento (DENK-KRAFT) como duas forças complementares na conformação de qualquer ato criativo que objetiva alcançar uma maior atenção e análise mais completa (NAYDLER, 1996, 120). Não obstante que a resolução de Turner para estas tensões inerentes, como expresso em particular na sua pintura do Dilúvio, tem sido interpretada como uma imagem de desespero, a resolução de Goethe foi vivamente contestada e as intenções inerentes de Marey têm sido negligenciadas ou deliberadamente prejudicadas , suas obras tem sido orientadas por sensibilidades e preocupações interconectadas, embora em enquadramentos muito diferentes e através de metodologias divergentes. As tensões intrínsecas no tratamento do movimento dinâmico no seu trabalho e pensamento indicam a aparente incompatibilidade e paradoxo que Bergson e, semelhante aWhewell e Goethe, situou como tendências complementares da mente humana: o intelecto e a intuição.

A busca de Bergson, no entanto, não só reconhece alguns destes paradoxos irreconciliáveis, mas escava um caminho através do reconhecimento da agência imanente durante o processo perceptivo co-criativo como evento ontológico que interliga apreensão estética e intuição com rigor intelectual. O esforço em direção ao holismo, sem negligenciar a agência criativa e promulgada autodeterminação do participante (seja ele humano ou não humano), oferece-se como uma solução potencial para a dicotomia comumente assumida entre mente e matéria através de uma compreensão pragmática da intuição, que suplementa e, finalmente, contém o intelecto. A fim de manter em vista a constante renegociação dos valores humanos em qualquer prática do conhecimento (no pleno reconhecimento de agência e criatividade como forças motrizes), uma das principais preocupações pode ser identificada nos canais que facilitam a co-construção de conclusões específicas levantados deles mesmos. Estes “conjuntos” com as práticas e experiências do cotidiano através de participação(1) pro-ativa, co-criativa e consciente pode constituir uma verdadeira “ciência compartilhada”, em especial quando se trata de troca de conhecimento através da colaboração. Neste sentido, o binário arte-ciência genérico, talvez entre os muitos binários interdisciplinares, serve como um modelo para aludir ao potencial transformador da dinâmica da troca, como eles aspiram e que Sundar Sarukkai (2009) chamou de uma “ética da curiosidade” em ciência. Ao invés de contar os resultados em termos de diferença (1 + 1 = 2) ou de equalização em terra comum como uma espécie de amálgama (1 + 1 = 1), a equação mais valiosa da arte-ciência pode estar no recorte da dinâmica fusão: 1 + 1 = 3; não como uma terceira “cultura”, no entanto, mas como algo novo e diferente que pode acontecer em um meta-nível como princípio autotranscendente de qualquer colisão materializada. O restabelecimento do sublime como uma qualidade na efetiva atividade da mente humana, ao invés de um “dado” de natureza transcendental em termos de um “absoluto”, fornece uma reconciliação potencial da condição humana de viver entre binários, em um dualismo que não precisa ser necessariamente superado, mas que alimenta a fusão evidente que produz os deleites da mente promulgada por meio de uma responsabilidade de a conceber como um todo. Um dom ativo do amor que só pode ser apreciado na atividade concreta de estar com, no próprio ato co-criativo entre dois elementos, nas seções transversais de qualquer prática com o objetivo de produzir novos conhecimentos ou algo assim, com ou sem o auxílio da tecnologia, o movimento efetivamente criativo da mente que “mentaliza”. Como tal, a polaridade da arte-ciencia pode ser vista em uma gama muito maior de oposições binárias, onde questões semelhantes e dificuldades de comunicação podem ocorrer: nas colaborações interdisciplinares relacionadas a diálogos inter-culturais, a assuntos relacionados a gênero, a trocas inter-nacionais, a relações inter-geracionais etc.

A capacidade de apreciar e facilitar a transcendência disciplinar aparece como o fulcro de que podem inflamar no encontro ciência-arte, mas somente se os métodos envolvidos e as abordagens forem mantidos inteiros numa relação dialógica (ao invés de uma dialética ou uma convergência) que desafiem a unificação e abraçem a diferença na mutualidade (co-sendo). Deixar de lado modelos paradoxais como premissas, para dislumbrar novas visões podem provocar uma fusão onde as relações envolvidas estão sendo transformadas e discernimentos sendo transferidos através de uma troca de conhecimentos que não elimina, mas acomoda diferenças. Um encontro idealizado e produtivo que se orienta potencialmente em direção a uma auto-transcendência responsável, privilegiando o todo . Mentalidade aberta, tolerância, generosidade intelectual, curiosidade ética, modéstia – qualidades essenciais para qualquer encontro na fronteira entre as disciplinas, culturas, nações, ideologias, etc – indicam um papel-modelo que a ciência da arte da colaboração poderia representar no século XXI, para um reconsideração dos valores das Humanidades, que não se restringem aos seres humanos, mas estende seu parentesco a todas as formas de vida. Isto estava no cerne da visão de Henri Bergson de uma nova ciência que abraçava a metafísica por meio da filosofia, especialmente como expressa em sua abordagem para a compreensão da consciência além dos limites humanos em “L’Evolução Créatrice “(1907. Evolution, Creative, 1998) pelo que , pode-se sugerir retrospectivamente, ele talvez deveria ter ganhado o prêmio Nobel da Paz, além do que ele recebeu em 1929, de Literatura. Intuição, entendida como prática responsável auto-consciente e dom ativo do amor , mais que uma visão espontânea, pode servir como abordagem potencial em direção a uma atitude “humanitária” através da escolha auto-transcendente e agência individual para descobrir os domínios que são deliberadamente ou acidentalmente perdidos na tradução. Numa última análise, o principal desafio a ser identificado pode não ser a busca de uma linguagem comum, mas sim o desenvolvimento de competências e habilidades em relação ao entendimento da mente humana de modo a acomodar diferença e contingência em sintonia com os valores selecionados e advogados para orientar buscas futuras.

 

Referências

Bergson, Henri. An Introduction to Metaphysics (tr. T.E. Hulme). Indianapolis, Cambridge: Hackett Publishing. [1903. ‘Introduction à la Métaphysique’ in Revue de Métaphysique et de Morale, January].

______ 1998. Creative Evolution (tr. A. Mitchell). Mineola, New York: Dover Publications. [1907. L’Évolution Créatrice. Paris: Alcan].

Blassing, Martha. 2009. Time, Memory, Consciousness and the Cinema Experience: Revisiting Ideas on Matter and Spirit. Amsterdan: Rodopi.

Marey, Étienne-Jules. 1895. Movement: The Results and Possibilities of Photography (tr. E. Pritchard). London: William Heinemann. [French original: 1894. Le Mouvement. Paris: Masson].

Naydler, Jeremy (ed.) 1996. Goethe on Science. An Anthology of Goethe’s Scientific Writings. Trowbridge: Floris Books.

Nietzche, Friedrich. 1872. Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik (The Birth of Tragedy: Out of the Spirit of Music). Leipzig: E.W. Fritzsch.

Sarukkai, Sundhar. 2009. Science and the Ethics of Curiosity. Current Science 97 (6): 756-767.

Whewell, William. 1858. The History of Sientific Ideas. Two Volumes. London.

Wright, C.J. 1980. The ‘Spectre’ of Science. The Sutdy of Optical Phenomena and the Romantic Imagination. Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, Vol. 43.

 

Notas

1 Citação retirada da Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2006. Disponível em http://plato.stanford.edu/entries/whewell. Acessado em 30/05/2011.

2 A Monografia de Marey: Movement (1895; Le Movement, 1894) é particularmente esclarecedora para compreender as intenções subjacentes em seus estudos do movimento.

3 O método científico é reducionista a certos valores e dimensões humanas como uma condição necessária da sua eficaz especialização e quantificação e isto não é considerado um problema – somente é problema se esta redução estiver ultrapassando a perspectiva do todo e, consequentemente, a especialização se mostra como a totalidade, o que não só ocorre nas Ciências mas também nas Artes e Humanidades.

4 A contextualização do trabalho de Marey e Bergson com as ideias de Goethe e Turner, da percepção da luz, é mais plenamente elaborada no artigo: The Delightful (1) Mind and a Case for Aesthetic Intuition: Marey and Bergson in the Company of Goehte’s and Turner’s Conceptions of Light. In: Light, Image, Imagination: The Spectrum Beyond Reality and Illusion. Blassing, M. (ed.) Amsterdan: Amsterdan University Press.

Martha Blassnigg
Universidade de Plymouth

Heart Rules the Head When We Make Financial Decisions (Science Daily)

ScienceDaily (May 21, 2012) — Our ‘gut feelings’ influence our decisions, overriding ‘rational’ thought, when we are faced with financial offers that we deem to be unfair, according to a new study. Even when we are set to benefit, our physical response can make us more likely to reject a financial proposition we consider to be unjust.

Conducted by a team from the University of Exeter, Medical Research Council Cognition and Brain Sciences Unit and University of Cambridge, the research is published in the journal Cognitive, Affective, & Behavioural Neuroscience.

The research adds to growing evidence that our bodies can sometimes govern how we think and feel, rather than the other way round. It also reveals that those people who are more in tune with their bodies are more likely to be led by their ‘gut feelings’.

The study was based on a well-known psychological test, the Ultimatum Game. 51 participants were presented with a series of financial offers, based on different ways of dividing £10. Players frequently reject unfair offers in this game even though it leads to personal financial loss — an ‘irrational’ decision from an economic perspective.

The researchers measured participants’ physical responses to each offer by recording how much they sweated through the fingertips and how much their heart rate changed. How accurately participants could ‘listen’ to their bodies was measured on a different task by asking them to count their heartbeats and comparing their accuracy to their actual heart rate recording. Those people who showed a bigger physical response to unfair offers were more likely to reject them, but this was only the case if individuals were also able to accurately ‘listen’ to what their bodies were telling them.

The findings show that individuals who have a strong ‘gut-reaction’ and are in tune with their own physical responses are more likely to reject unfair financial offers, even if this decision results in personal losses.

Lead researcher Dr Barney Dunn of Psychology at the University of Exeter said: “This research supports the idea that what happens in our bodies can sometimes shape how we think and feel in our minds. Everyday phrases like ‘following your heart’ and ‘trusting your gut’ can often, it seems, be accurate.”

“Humans are highly attuned to unfairness and we are sometimes required to weigh up the demands of maintaining justice with preserving our own economic self-interest. At a time when ideas of fairness in the financial sector — from bankers’ bonuses to changes to pension schemes — are being widely debated, it is important to recognise why some individuals rebel against perceived unfairness, whereas other people are prepared to accept the status quo.”

Educational Games to Train Middle Schoolers’ Attention, Empathy (Science Daily)

ScienceDaily (May 21, 2012) — Two years ago, at a meeting on science and education, Richard Davidson challenged video game manufacturers to develop games that emphasize kindness and compassion instead of violence and aggression.

With a grant from the Bill & Melinda Gates Foundation, the University of Wisconsin-Madison professor is now answering his own call. With Kurt Squire, an associate professor in the School of Education and director of the Games Learning Society Initiative, Davidson received a $1.39 million grant this spring to design and rigorously test two educational games to help eighth graders develop beneficial social and emotional skills — empathy, cooperation, mental focus, and self-regulation.

“By the time they reach the eighth grade, virtually every middle-class child in the Western world is playing smartphone apps, video games, computer games,” says Davidson, the William James and Vilas Research Professor of Psychology and Psychiatry at UW-Madison. “Our hope is that we can use some of that time for constructive purposes and take advantage of the natural inclination of children of that age to want to spend time with this kind of technology.”

The project grew from the intersection of Davidson’s research on the brain bases of emotion, Squire’s expertise in educational game design, and the Gates Foundation’s interest in preparing U.S. students for college readiness-possessing the skills and knowledge to go on to post-secondary education without the need for remediation.

“Skills of mindfulness and kindness are very important for college readiness,” Davidson explains. “Mindfulness, because it cultivates the capacity to regulate attention, which is the building block for all kinds of learning; and kindness, because the ability to cooperate is important for everything that has to do with success in life, team-building, leadership, and so forth.”

He adds that social, emotional, and interpersonal factors influence how students use and apply their cognitive abilities.

Building on research from the Center for Investigating Healthy Minds at UW-Madison’s Waisman Center, the initial stage of the project will focus on designing prototypes of two games. The first game will focus on improving attention and mental focus, likely through breath awareness.

“Breathing has two important characteristics. One is that it’s very boring, so if you’re able to attend to that, you can attend to most other things,” Davidson says. “The second is that we’re always breathing as long as we’re alive, and so it’s an internal cue that we can learn to come back to. This is something a child can carry with him or her all the time.”

The second game will focus on social behaviors such as kindness, compassion, and altruism. One approach may be to help students detect and interpret emotions in others by reading non-verbal cues such as facial expressions, tone of voice, and body posture.

“We’ll use insights gleaned from our neuroscience research to design the games and will look at changes in the brain during the performance of these games to see how the brain is actually affected by them,” says Davidson. “Direct feedback from monitoring the brain while students are playing the games will help us iteratively adjust the game design as this work goes forward.”

Their analyses will include neural imaging and behavioral testing before, during, and after students play the games, as well as looking at general academic performance.

The results will help the researchers determine how the games impact students and whether educational games are a useful medium for teaching these behaviors and skills, as well as evaluate whether certain groups of kids benefit more than others.

“Our hope is that we can begin to address these questions with the use of digital games in a way that can be very easily scaled and, if we are successful, to potentially reach an extraordinarily large number of youth,” says Davidson.

Healthy Marriage Interventions: A Boom or a Bust? (Science Daily)

ScienceDaily (May 22, 2012) — Conventional wisdom, backed by years of research, suggests that healthy marriages equals a healthy society. And politicians and government officials have taken note, investing hundreds of millions of dollars each year in education programs designed to promote healthy marriages, focusing specifically on poor couples and couples of color. Is it working? No, says a Binghamton University researcher in a new study published in the current issue ofAmerican Psychologist, the flagship journal of the American Psychological Association. And it’s because many of these programs were based on research data gathered from White and middle-class marriages, and when applied to poor couples or couples of color, just don’t work.

“Initially, the rationale for these programs came from policy makers and scholars, who honed in on the association between unmarried parents and poverty that is plainly obvious in the data,” said Matthew D. Johnson, associate professor of psychology at Binghamton University. “This association led George W. Bush to make the promotion of healthy marriages a central plank of his domestic policy agenda, resulting in the implementation of the Healthy Marriage Initiatives. Barack Obama endorsed these initiatives, both as presidential candidate and as president. Now that the data on the success of these programs has started to roll in, the results have been very disappointing.”

According to Johnson, the problem lies in the fact that many of these programs lack grounding in solid science and are allowed to run unchecked. He cites research from two recent multisite studies as evidence that many of the federal programs that promote healthy marriage need to be suspended — or at the very least, overhauled. One of these studies, which was focused on over 5,000 couples in eight cities, examined the benefits of interventions designed to improve the relationships of low-income, unmarried couples who were either pregnant or recently had their first child.

The results indicated that the interventions had no effect in six of the cities, small beneficial effects in one city, and small detrimental effects in another city. The results of the other outcome study focused on 5,395 low-income married couples and found that those who received the intervention experienced very small improvements in relationship satisfaction, communication, and psychological health but no significant changes in relationship dissolution or cooperative parenting. And to add to it, the interventions didn’t come cheap, costing on average around $9,100 per couple.

So why the disconnect between a seemingly good idea and disappointing program outcomes? Johnson says there are several possible explanations. The best of these programs — the ones based on scientific findings — were initially studied with middle-class couples while the federal initiatives target poor couples. And even if the research that formed the basis of these interventions does apply, relationship improvement just doesn’t seem to be a priority for poor couples.

“There is evidence that suggests poor women want to be married and understand the benefits of healthy marriages,” said Johnson. “But earning enough for basic household expenses, keeping their children safe and working with their children’s overburdened schools are much more urgent concerns, making the idea of focusing on marriage seem self-indulgent if not irrelevant to many poor parents. When faced with a myriad of social issues, building intimate relationships is just not high on their priority lists.”

Johnson explains that this doesn’t mean the federal government shouldn’t be funding intimate relationship research. Instead, the government needs to adopt a more multifaceted approach: focus on programs that will ease the stress of poor families and at the same time, fund more rigorous basic research.

“We just don’t have solid predictors for relationship satisfaction for poor couple and couple of color, let alone whether the current marriage models apply,” said Johnson. He points to the National Institutes of Health as being the perfect place to coordinate and sponsor the research, noting “It has a long history of using scientific rigor in decision-making and it would certainly help in achieving the type of results that we’re looking for from these initiatives.”

Johnson also suggests that every community-based program funded by the Health Marriage Initiative should be required to gather standardized quantitative data in order to clearly demonstrate outcomes. And if the data shows programs aren’t working, Johnson recommends that the federal government get tough and either defund or filter out those that do not demonstrate effectiveness.

“If we are going to continue these initiatives, let’s at least make certain that we are assessing the effectiveness of the programs and learning from our mistakes,” said Johnson. “Improving marriages is a worthy goal and one shared by Democrat and Republican administrations alike. The key now is to get that same bipartisan support for improving the research and programs that target poor couples. With the renewed focus on the federal budget, the timing is just right.”

Wrongful Convictions Can Be Reduced Through Science, but Tradeoffs Exist (Science Daily)

ScienceDaily (May 22, 2012) — Many of the wrongful convictions identified in a report this week hinged on a misidentified culprit — and a new report in a top journal on psychological science reveals the paradox of reforms in eyewitness identification procedure. In our efforts to make sure that good guys don’t get locked up, we could let more bad guys go.

In the May issue of Perspectives on Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, leading scholars in psychology and the law explore and debate various aspects of eyewitness identification procedures, providing a scientific foundation for this important social issue.

In recent years, researchers and policymakers have called for specific reforms to eyewitness identification procedures that would help to reduce the rate of false identification. These reforms affect various aspects of identification procedure, including how lineups are constructed, what witnesses are told prior to the lineup, and how police officers should behave during the procedure.

Such procedural reforms are often viewed as having ‘no cost’ — they reduce the false identification rate without affecting the correct identification rate. But psychological scientist Steven Clark (University of California, Riverside) argues that ‘no cost’ view may not actually be true. After extensive review of the existing data, Clark points out the paradoxical tradeoffs to reforms in eyewitness identification procedure. Existing data suggest that when we choose to enact reforms that are designed to reduce false identifications, we may also reduce the number of correct identifications at the same time.

But this tradeoff does not tell the whole story, say Gary Wells (Iowa State University), Nancy Steblay (Augsburg College), and Jennifer Dysart (John Jay College of Criminal Justice). While reform procedures may reduce the number of ‘hits,’ they do so by minimizing the influence of suggestive and coercive practices, such as biased instructions and cues from lineup administrators. Wells and his co-authors argue that the so-called ‘lost’ hits aren’t actually relevant, because hits that result from suggestive practices are not legitimate identifications. Eryn Newman from Victoria University of Wellington and Elizabeth Loftus from the University of California, Irvine agree, arguing that eyewitness identification evidence should be based solely on the independent memory of the witness, not on the results of suggestive or coercive procedures.

There is, however, a scientifically valid way to compare witness-identification procedures, say John Wixted and Laura Mickes, both of the University of California, San Diego. If we identify the procedures that reliably differentiate between innocent and guilty suspects over time and across different situations, we will be able to determine which techniques are diagnostically superior to others.

Until we have such comprehensive data, the best way to protect innocent defendants, says Larry Laudan of the University of Texas, is by clearly communicating the fact that eyewitness identifications, regardless of their format, are fallible. According to Laudan, we now have enough empirical data to be able to inform jurors about the error profiles of various eyewitness identification procedures. Sharing this information, he argues, is more important than trying to arrive at “the one unique and definitive format for conducting identifications.”

In the end, Clark points out that the goal of his article is not to argue for or against any particular witness identification procedure. Rather, he hopes to create strong links between social science data and public policy. “To the extent that social science research has a useful role in shaping policy decisions,” says Clark, “social scientists must do for policymakers what they do best and what policymakers cannot do for themselves: conduct careful studies, and provide a clear and complete analysis of the empirical data.”

  • Steven E. Clark et al. “Costs and Benefits of Eyewitness Identification Reform: Psychological Science and Public Policy,” Perspectives on Psychological Science, May 2012
  • Nancy K. Steblay et al., “Eyewitness Identification Reforms: Are Suggestiveness-Induced Hits and Guesses True Hits?”Perspectives on Psychological Science, May 2012
  • Elizabeth F. Loftus et al., “Clarkian Logic on Trial,”Perspectives on Psychological Science, May 2012
  • John T. Wixted et al., “The Field of Eyewitness Memory Should Abandon Probative Value and Embrace Receiver Operating Characteristic Analysis,” Perspectives on Psychological Science, May 2012
  • Larry Laudan et al. “Eyewitness Identifications: One More Lesson on the Costs of Excluding Relevant Evidence,”Perspectives on Psychological Science, May 2012

Inpe e Rede Clima lançam cartilha educativa para a RIO+20 (Fapesp)

Publicação apresenta os temas que serão discutidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável e os cenários de mudanças climáticas projetados para o Brasil (reprodução)

23/05/2012

Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) produziram uma cartilha educativa, intitulada O futuro que queremos – economia verde, desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.

Voltada ao público em geral, a publicação apresenta os conceitos de economia verde e sustentabilidade e a importância da erradicação da pobreza, que são temas que serão discutidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada de 13 a 22 de junho no Rio de Janeiro.

A cartilha também traz um histórico das conferências anteriores relacionadas ao meio ambiente e o conceito de “pegada ecológica” (metodologia usada para medir os rastros deixados pelos humanos no planeta a partir de seus hábitos).

A publicação apresenta ao leitor os cenários de mudanças climáticas projetadas para o Brasil para o século 21, as atividades do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e outros projetos e programas nessas áreas, apoiados pelo Inpe.

A cartilha está disponível para download em versão para internet em www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/RIO+20-web.pdf.

O arquivo digital com resolução para impressão pode ser solicitado pelo e-mail maira.morais@inpe.br.

CLIMATE CHANGE: Understanding Rio+20 (Integrated Regional Information Networks)

Photo: Jason Gutierrez/IRIN. We have to take action now to sustain life in the coming years

JOHANNESBURG, 3 April 2012 (IRIN) – A Nobel laureate, a Swedish environmentalist’s idea, the “doughnut” concept, Scandinavia’s sense of social capital, measuring the quality of life, and valuing the oceans are just some of the things trending in the run-up to the Rio+20 UN Conference on Sustainable Development due to be held on 20-22 June 2012.

Rio+20 will look at how economies have grown at the expense of natural resources and human capital since the last Earth Summit in Rio in 1992, when the concept of “sustainable development” gained currency.

The idea of growth meeting “the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs” has not gained much traction since the 1992 conference – largely because countries continued to equate development with economic growth, and sustainable development languished as a fringe environmental concern, says a UN-commissioned study.

Twenty years later, “sustainable development remains a generally agreed concept, rather than a day-to-day, on-the-ground, practical reality,” says a report by the UN High-level Panel on Global Sustainability.

Since 1992, alarm bells on several interconnected factors with a far-reaching impact on growth, resources and the quality of life – accelerated man-made climate change, population growth, increasing numbers of hungry people, rapidly depleting and more expensive fossil fuels, and a decline in food production – have been ringing louder.

“Achieving sustainability requires us to transform the global economy. Tinkering on the margins will not do the job,” said the UN Panel’s report.

Optimists in the scientific and aid community hope Rio+20 will develop from an opportunity to reflect into a collective effort to plot the world’s future growth path.

IRIN aims to make the conference more relevant and accessible by examining some of the ideas circulating ahead of it.

1. Elinor Ostrom: Fast emerging as the moral and academic compass of the conference, Ostrom’s work, which won her the Nobel Prize for Economics in 2009, shows that growth combined with the sustainable use of natural resources is achievable. Ostrom looked at certain rural communities in Asia, Africa and Europe which have for centuries successfully managed in a sustainable way their common resources – grazing land, water and forests.

“When the Scandinavian countries had to set targets to reduce greenhouse gas emissions, they did not consider the markets… but went ahead because they value the well-being of humans and environment…”

2. Planetary Boundaries and Future Earth: The concept of Planetary Boundariesproposed in 2009 by Johan Rockstrom of the Stockholm Resilience Centre and 28 scientists, posits that there are nine critical Earth-system processes and associated thresholds that we need to respect and keep within, in order to protect against the risk of irreversible or even catastrophic environmental change on a continental or global scale.The communities developed while preventing problems such as overgrazing, misuse of forests or over-consumption of water. The fact that Ostrom took a multidisciplinary approach (rooted in economics, environment and social capital, successfully combining the three pillars of sustainable development), makes her the expert everyone wants to hear from. She was the chief scientific adviser to the recent Planet Under Pressure conference – an attempt by the scientific community to set the agenda for Rio+20.

Doing so would create a safe operating space for humanity. According to the concept’s authors, three of the nine suggested thresholds have already been crossed (climate change, biodiversity and the nitrogen cycle). The threshold for the phosphorus cycle (linked, within the concept, to the nitrogen cycle) has also been crossed, according to a scientific paper in 2011.

The status of the concept grew after being mentioned in the UN Panel report. The Boundaries concept has inspired the “nexus approach” between food, water and energy, which was also noted by the UN panel. “All three [food, water and energy] need to be fully integrated, not treated separately if we are to deal with the global food security crisis,” said the report.

Rockstrom, last week announced the launch in Rio of Future Earth, a 10-year collaborative initiative which will provide the knowledge to help societies meet their sustainable development goals. The International Council for Science, the Belmont Forum (a high-level group of donors who fund climate research), the UN Environment Programme (UNEP), the UN University, and the UN Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) are all part of the initiative.

Tom Mitchell, head of climate change at the UK’s Overseas Development Institute (ODI), was a bit skeptical about how “10 years of science inquiry” would help. He said countries needed solutions now – embedded in governments and designed to cater for national requirements.

3. The doughnut: In February 2012, Kate Raworth, a senior researcher with Oxfam, pointed out that human growth was glaringly absent from Rockstrom’s concept. She combined social boundaries (such as access to water, health services, food, jobs, energy and education for all) within the planetary boundaries – highlighting the need for an environmentally safe space which needed to be compatible with poverty eradication and rights for all. Between the planetary ceiling and the social foundation lay an area – shaped like a doughnut – which is a “safe and just space for humanity to thrive in”, her paper said.

Raworth said well-designed policies can promote both poverty eradication and environmental sustainability. She told IRIN the objective was to be able to take care of everyone’s minimum needs, while re-defining the meaning of prosperity, which is equated with material wealth and associated with over-consumption (e.g. food, vehicles). “Governments need to look beyond taking care of people’s material needs and focus on quality of life, qualities of social relationships.”

Multilateral processes to make life on earth sustainable such as the UN talks on climate change have been moving at a snail’s pace.

The concept has picked up a lot of momentum.

“The concept of Planetary Boundaries is almost pure science,” noted Andrew Scott, researcher with ODI, while the “doughnut” concept was grounded in human reality and the need to agree on a minimum standard of living, whilst guarding against over-consumption. This calls for the need to review UN Millennium Development Goals (MDGs), which were not very ambitious to begin with, he said. “Instead of calling for the eradication of poverty it [the MDGs] settled for the halving of poverty by 2015.”

Felix Dodds, eminent author and head of the Stakeholder Forum for a Sustainable Future, also enthused about the “doughnut proposal” in the Planet Under Pressure conference, and suggested the world should strive to turn everyone into a member of the middle-class.

4. Sustainable agriculture: After years of lobbying for an agriculture system which would respect the biosystem and at the same time increase the production of quality food to keep the numbers of malnourished down, scientists feel they are making headway. The proposed draft outcome document of the Rio+20 conference makes note of their concerns. But is that good enough – will that force a change and make sustainable agriculture a part of mainstream policy in countries?

Kenyan scientist Judi Wakhungu, a member of the Commission on Sustainable Agriculture and Climate Change, says attitudes are changing on the ground: Sustainable agriculture is now being taught in universities in developing countries; donors particularly in Scandinavian countries are more willing to fund such initiatives tailored by developing country governments; and at government levels, sectors such as water, energy and agriculture have begun to talk to each other.

Christopher Barrett, who teaches economics and agriculture at Cornell University in the USA, said: “The central issue is high-level political commitment to enacting the necessary policies.” He said the “lofty rhetoric” of the L’Aquila G-8 summit, or earlier summits such as Gleneagles, have “not been matched by significant new investments or policy innovations by the world’s major economies”. Progress towards sustainable agriculture was “incremental and dwarfed by the fiscal and employment challenges faced by the OECD [Organisation for Economic Co-operation and Development] countries,” he added, and we should “not hold our breath for any great breakthrough” at Rio+20.

5. Social capital versus market-based approaches: Academically, social capital is a concept which places value on social relations and the role of cooperation to get collective results. The concept is making waves among development experts and the scientific community in the Rio+20 context, particularly as it forces societies to reflect on their value systems.

“It [social capital] is too technical a word,” says Oxfam’s Raworth, but essentially the concept is about valuing quality of life and interpersonal relations more than material wealth. Brazilian scientist Carlos Nobre, a member of the Commission on Sustainable Agriculture and Climate Change, explained: “It is a concept followed by Scandinavian countries – where human well-being is more important than the market value of a particular resource.

“For instance when the Scandinavian countries had to set targets to reduce greenhouse gas emissions, they did not consider the markets and industries but went ahead because they value the well-being of humans and environment more than anything else.”

But the reality is that most countries value markets more than human and environmental well-being, say experts, so a value has to be attributed to a natural resources to make people take care of it. As UNEP head Achim Steiner says, “we have to place ecology in economics.”

“We need to create markets around natural resources such as provision of environmental services,” said ODI’s Mitchell. The UN Framework Convention on Climate Change did that with trees and carbon, but the process has not got very far.

Both Raworth and Nobre said that to achieve real change, attitudes to wealth needed to be changed, but this could only happen from the bottom up. “Market-based mechanisms to control and exploit the use of our natural resources should be seen as a means to get to a state of well-being and not as the goal,” said Nobre.

Richard Norgaard, one of the founders of ecological economics, said at the Planet Under Pressure conference that instead of markets dictating and shaping our economies, “we need to ask what kind of economy we want to live in and then design incentives for the markets.”

6. Measuring wellness: Putting a value on the quantity of natural resources that had to be exploited to achieve certain outcomes could help in terms of sustainability, argued Pablo Muñoz, an economist working on the Inclusive Wealth Report (IWR) project, a joint initiative of UN Univeristy-International Human Dimensions Programme on Global Climate Change (IHDP) and UNEP, aiming to measure, among other forms of wealth, the Natural Capital of countries. The report will be released at Rio+20.

“A country can exhaust all its natural resources while posting positive GDP [Gross Domestic Product] growth,” said Muñoz. The world needs “an indicator that estimates the wealth of nations – natural, human and manufactured and ideally even the social and ecological constituents of human well-being,” he added.

Some findings of the reports were released at the Planet Under Pressure conference.

Between 1990 and 2008, the wealth of Brazil and India in terms of per capita GDP rose 34 percent and 120 percent respectively. Natural capital, the sum of a country’s assets, from forests to fossil fuels and minerals, declined by 46 percent in Brazil and 31percent in India, according the new indicator. Brazil’s “Inclusive Wealth” rose by 3 percent and India’s rose by 9 percent over that time. But do not expect countries to start using the new indicator any time soon. “It took years for countries to come round to using GDP – so it will be a few years yet,” said Muñoz.

7.Valuing the oceans: Attempts to put a value on the exploitation of natural resources are ongoing globally. A new book by the Stockholm Environment Institute calculates the impact of climate change on the economic value of the oceans. It says climate change (in the last 200 years the oceans have absorbed 25-30 percent of the global accumulated emissions of carbon dioxide) alone could reduce the economic value of the oceans by up to US$2 trillion a year by 2100.

Elinor Ostrom´s paper: “A Polycentric Approach for Coping with Climate Change”

A Polycentric Approach for Coping with Climate Change, Policy Research Working Paper 5095, World Bank 2009.