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Inventário de fauna e flora em São Paulo surpreende pela alta biodiversidade (Pesquisa Fapesp)

08 de maio de 2017

Inventário de fauna e flora em São Paulo surpreende pela alta biodiversidadeSeis novas espécies de plantas foram descobertas, uma onça-pintada foi observada no limite sul do município e espécies típicas do Cerrado são intensificadas (foto:Rhamphasto toco/Anelisa Magalhães)

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – Em uma determinada área, do tamanho de 140 mil campos de futebol, é possível encontrar tucanos-toco (Ramphastos toco) do Cerrado, o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) – o maior primata brasileiro – e o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), animal endêmico da Mata Atlântica e em risco de extinção.

Há ainda seis espécies de plantas até então desconhecidas pela ciência, além de carismáticas capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), suçuaranas (Puma concolor capricornensis) e até mesmo uma onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das Américas, contabilizando um total de 1.113 espécies da fauna e 4.768 da flora.

Os números são surpreendentes, principalmente se for levado em conta que a área em questão está no município de São Paulo. Há uma biodiversidade latente entre o cimento, o asfalto e as poucas áreas verdes, sobretudo nos cinturões verdes do Norte e do Sul da cidade. É o que concluiu o mais recente inventário de fauna e flora do município, divulgado pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA).

O esforço de fazer um inventário da biodiversidade da capital paulista reuniu servidores da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, instituição parceira do Programa BIOTA-FAPESP com o Projeto Atlas Ambiental.

O levantamento da fauna silvestre é feito desde 1993 e em 2016 foram incluídos dados sobre a flora pela primeira vez. A equipe obtém os dados a partir do levantamento primário em mais de 100 localidades (136 localidades em 2016) e por meio do atendimento de animais silvestres entregues à Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre da prefeitura. Os resultados incluem ainda registros cumulativos de mais de 20 anos de trabalho e alguns estudos realizados por pesquisadores parceiros.

No caso das plantas, foi feita uma compilação de diferentes fontes de dados, incluindo amostras de plantas herborizadas documentadas no Herbário Municipal, relatórios de vistorias técnicas do Herbário Municipal e referências bibliográficas como levantamentos florísticos ou fitossociológicos realizados no município desde 1911.

O que impressiona é a possibilidade de encontrar espécies novas e a resistência não só de espécies pouco exigentes ecologicamente, como as capivaras do rio Pinheiros, como daquelas que precisam de um ecossistema equilibrado para sobreviver.

É o caso de uma onça-pintada de quase 100 quilos que teve tranquilo andar captado, em janeiro de 2016, enquanto passeava pelo Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar, limite sul da capital paulista. O flagrante foi feito por armadilhas fotográficas do Instituto Pró-Carnívoros, um parceiro do trabalho.

“Tanto o muriqui-do-sul, que ainda não tinha registro recente no município de São Paulo, quanto o sagui e a onça-pintada são espécies exigentes ecologicamente. A presença deles indica uma cadeia preservada, já que não suportam alterações ambientais. É surpreendente e, sem dúvida, uma boa notícia”, disse Anelisa Magalhães, servidora da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente que coordenou a parte de fauna do Inventário da Biodiversidade do Município de São Paulo – 2016, à Agência FAPESP.

Logo na estreia da pesquisa de flora no inventário foram registradas seis espécies desconhecidas pelos pesquisadores. Há ainda mais uma – árvore da família Lauraceae – sendo analisada como provavelmente nova. Todas elas estão relacionadas aos esforços de coleta realizados durante o projeto “Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo”, financiado pela FAPESP.

“A Leandra lapae D’El Rei Souza & Baumgratz, um arbusto da família Melastomataceae, só foi registrada até o presente momento a partir de uma coleta realizada em uma mata ao lado de Parelheiros”, disse Ricardo Garcia, curador do Herbário Municipal e responsável pela parte de flora do inventário.

Cerrado na metrópole

Fazer o levantamento da biodiversidade de uma megalópole como São Paulo de forma periódica tem justamente a função de acompanhar a evolução e alteração das espécies no município, assim como para servir de embasamento científico de políticas públicas.

“Com esse trabalho, ficamos sabendo tanto de espécies que eram documentadas historicamente em alguns locais da cidade e que desapareceram, como aquelas que surgiram. Isso ocorre por causa das intensas mudanças ambientais promovidas pela urbanização”, disse Magalhães.

O inventário mostra que tanto a flora como a fauna do Cerrado estão se tornando mais presentes. “O tucano-toco, por exemplo, é uma espécie comum no Cerrado e que está sendo registrada agora com maior frequência aqui”, disse.

Até mesmo a pomba asa-branca (Patagioenas picazuro) é um exemplo de colonização do ambiente urbano. Na década de 1990, ela era vista poucas vezes e em poucas épocas do ano, atualmente o animal se estabeleceu em toda a cidade. “Quando os habitatssão reduzidos pela urbanização e atividades humanas muitas espécies vão desaparecer enquanto outras vão se adaptar e aumentar suas populações”, disse Magalhães.

Com a flora não é diferente. Do total, 47 espécies foram registradas pela primeira vez na cidade depois de mais de 50 anos sem coletas. São, portanto, espécies que poderiam ser consideradas extintas, mas que foram reencontradas.

“Isto pode indicar tanto falta de coletas nesse intervalo de tempo como, também, que porções do território estão sendo reocupadas por espécies campestres, dadas as atuais condições ambientais. Dentre estas, 20 espécies ocorrem nos biomas Mata Atlântica e Cerrado”, disse Garcia.

Originalmente, os campos cerrados, matas, vegetação de várzea e campos alto-montanos eram os tipos de vegetação que cobriam o município de São Paulo. Apenas na área do Centro Histórico é que predominavam os campos mais secos (nos morros) e vegetação de várzea nas baixadas. Hoje, essas vegetações originais foram quase extintas por completo. Porém, observou-se uma intensificação também da flora típica do Cerrado nos últimos anos. No conjunto das 3.474 espécies vasculares nativas no município, 18 são consideradas como exclusivas do bioma Cerrado, sendo que cinco delas possuem registros recentes em ambientes naturais (não foram cultivadas).

O levantamento possibilitou outra constatação importante: os parques da cidade de São Paulo têm função essencial ao servirem como ponto de parada para aves. “Eles dão suporte para alimentação e descanso durante os deslocamentos das aves entre os fragmentos de mata. É o caso do Parque Ibirapuera, do Parque da Aclimação e do Parque Buenos Aires, que recebem a visita da araponga [Procnias nudicolis] durante a primavera, por exemplo. A malha de parques municipais, com sua miscelânea de vegetação nativa e exótica, tem maior relevância ecológica para as aves florestais e migratórias do que se supunha”, disse Magalhães.

A bióloga explica que, além da importância dos parques ser confirmada, há ainda necessidade de acompanhar a arborização urbana. “O que você escolhe para plantar na sua cidade vai influenciar na biodiversidade”, disse.

Ao longo dos 20 anos de realização do inventário, ele já serviu de base para compensação ambiental de grandes obras. “ No fim, isso tudo depende de decisões políticas, mas com o inventário podemos instrumentalizar as decisões”, disse.

Magalhães conta que nas obras do Rodoanel, trecho sul, por exemplo, foram criados por compensação ambiental quatro parques naturais, com base nas informações do inventário de fauna e flora. O mesmo ocorreu com a alteração da fiação elétrica da Eletropaulo, em áreas rurais, para um menor risco para a fauna, baseado nos casos de eletrocussão relatados pela Divisão de Fauna.

“Isso porque conseguimos provar que havia impacto e que animais estavam morrendo eletrocutados. Caso contrário, poderiam sempre falar que em São Paulo não tem bicho nem planta”, disse.

O Inventário da Biodiversidade do Município de São Paulo – 2016 está disponível em: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/pubbiodiversidademunsp2016.pdf.

Onde se escondem as poucas onças-pintadas que sobraram (Pesquisa Fapesp)

03 de março de 2017

Pesquisadores compõem retrato dos padrões de deslocamento do maior felino das Américas nos grandes biomas brasileiros. Na Mata Atlântica, restam apenas cerca de 300 indivíduos (foto: Eduardo Cesar/Revista Pesquisa FAPESP)

Peter Moon | Agência FAPESP – Restam apenas cerca de 300 onças-pintadas (Panthera onca) na Mata Atlântica. É muito, muito pouco. São inúmeras as razões para o desaparecimento eminente do maior felino das Américas ao longo do bioma que um dia se estendia desde o norte da Argentina, passando pelo Paraguai e Uruguai, até o Nordeste brasileiro.

A primeira e mais óbvia razão é que só restam 7% da Mata Atlântica original. A segunda, uma consequência direta, é que o pouco que sobrou é composto por áreas muito fragmentadas. Ou seja, as onças remanescentes precisam percorrer áreas muito maiores do que suas congêneres da Amazônia ou do Pantanal, por exemplo, para encontrar caça ou achar parceiros para cruzamento.

E como as áreas são muito fragmentadas, as andanças das onças na Mata Atlântica envolvem riscos cada vez mais frequentes de contato com humanos – o que envolve todo um leque de consequências letais para os grandes felinos. Elas viram alvo de caçadores, são atropeladas, são vítima da retaliação por parte de fazendeiros e pecuaristas ou perseguidas pela população em geral, que tem medo desses bichos.

Todas essas conclusões foram publicadas em novembro em um grande estudo internacional na Scientific Reports, da Nature. Entre os pesquisadores envolvidos no trabalho está o conservacionista Ronaldo Gonçalves Morato, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Atibaia (SP).

Em outro artigo, publicado no fim de dezembro, Morato e colaboradores vão além das conclusões do trabalho sobre as onças da Mata Atlântica para começar a compor um retrato dos padrões de deslocamento das onças-pintadas em cinco grandes biomas brasileiros – e os riscos que elas correm em cada um deles. O artigo foi publicado na revista PLoS ONE. A pesquisa teve apoio da FAPESP, por meio de uma bolsa de pesquisa, me nível de pós-doutorado no exterior, concedida a Morato para a realização no Smithsonian Conservation Biology Institute, nos Estados Unidos.

“O objetivo da pesquisa foi verificar as condições de deslocamento e o tamanho da área de vida das onças-pintadas em cada um desses biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Amazônia, e também no norte da Argentina”, disse Morato.

Para a obtenção dos dados de deslocamento, entre 1998 e 2016 foram monitorados 44 indivíduos que haviam sido previamente capturados, sedados e neles colocado um colar especial dotado de localizador por satélite (GPS).

Foram estudados 21 indivíduos no Pantanal, 12 na Mata Atlântica, oito na Amazônia, um no Cerrado e dois na Caatinga. Foram amostrados 22 machos e 22 fêmeas. As idades estimadas variaram de 18 meses até 10 anos, sendo que a maioria das onças (41) era adulta, com mais de três anos.

O GPS dos colares foi programado para informar a localização dos animais a cada uma hora, 24 horas por dia. Os períodos de monitoramento variaram de 11 até 1.749 dias (média de 183 dias), enquanto que o número de localizações registradas por indivíduo variou de 53 até 11 mil (média de 2.264). O total de registros somou 81 mil localizações, a maior já realizada no estudo de onças.

“Os colares tinham baterias capazes de durar cerca de 500 dias de uso. Mas bem antes disso, geralmente com 400 dias de monitoramento, acionamos um dispositivo que permite a soltura automática do colar do pescoço do animal. A seguir, tentamos recuperar o colar para seu reúso, o que nem sempre é possível”, disse Morato. Em certos casos, mesmo que o colar seja encontrado, nem sempre continua em condições de uso.

“Sabemos se o animal morreu quando o sinal do GPS permanece na mesma localização por 24 horas. Neste caso, dispara um sinal automático. Foi o que aconteceu no Pantanal Norte em 2010, quando uma onça atacou e matou um pescador. Houve retaliação e algumas onças foram mortas na região. Suspeitamos que um dos animais mortos em nosso projeto tenha sofrido retaliação”, disse.

De acordo com Morato, cerca de 80% dos animais residiam na região de monitoramento. Os demais apresentaram padrões de deslocamento nômades ou estavam em dispersão.

Os machos exibiram as maiores áreas de vida – o território ocupado durante a vida de cada animal. É um resultado compatível com a hipótese de que a necessidade de maiores áreas por parte dos machos de espécies carnívoras está ligada à distribuição das fêmeas e à necessidade de maximizar as oportunidades reprodutivas.

“As onças com a maior área de vida foram as da Mata Atlântica, que muitas vezes precisam se aventurar por pastagens e campos cultivados para passar de um fragmento de floresta ao outro, correndo o risco de contato com humanos”, disse Morato.

Mobilidade limitada

Entre todos os animais, o do Cerrado mostrou necessidade de maior área de vida (1.268 km2). No Brasil, a onça com menor área de vida (36 km2) estava no Pantanal. Para efeito de comparação, a ilha de Santa Catarina tem 424 km2.

“Pela primeira vez conseguimos comparar os deslocamentos das onças nos diversos biomas. O próximo passo envolve saber como os animais se comportam nas diferentes estruturas e paisagens. Queremos verificar quais são os fatores que limitam a mobilidade das onças em cada bioma”, disse Morato.

Segundo o pesquisador, é importante saber o que limita os deslocamentos das onças, uma vez que a saúde do animal depende da sua variabilidade genética, que por sua vez depende da capacidade de os indivíduos encontrarem parceiros sexuais de outros grupos que não os familiares. É a mesma lógica que não indica o casamento entre primos, por exemplo.

O artigo Space Use and Movement of a Neotropical Top Predator: The Endangered Jaguar(http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0168176), de Ronaldo G. Morato e outros, publicado na PLoS One, pode ser lido em: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0168176.

O artigo A biodiversity hotspot losing its top predator: The challenge of jaguar conservation in the Atlantic Forest of South America(doi:10.1038/srep37147), publicado na Scientific Reports, pode ser lido em: www.nature.com/articles/srep37147.

Assim a sociedade de consumo destrói a biodiversidade do planeta (El País)

Pesquisa correlaciona a extinção de espécies com a origem dos produtos do comércio global

Os orangotangos de Bornéu estão ameaçados pela produção de óleo de palma.

Os orangotangos de Bornéu estão ameaçados pela produção de óleo de palma.  JEFTA IMAGES / BARCROFT

JAVIER SALAS

5 JAN 2017 – 00:53 CET 

Os humanos começam a admitir que somos como um meteorito que vai provocar a nova megaextinção de espécies no planeta Terra. Mas ainda nos falta muita informação sobre o tamanho desse meteorito coletivo e o alcance da devastação que juntos causaremos. Sabemos, por exemplo, que a exploração maciça dos recursos naturais é um dos grandes fatores associados à devastação da biodiversidade, mas são necessários mais dados para conectar esse fenômeno com nosso consumo desmesurado.

Um estudo pioneiro, divulgado nesta quarta-feira, mostra a grande responsabilidade do comércio global na extinção maciça de espécies no mundo, traçando uma clara correlação entre a cesta de compras dos países mais consumidores e as selvagens pressões que massacram os tesouros naturais. O cafezinho que alguém toma nos EUA, por exemplo, está ligado ao desmatamentoda América Central – onde esse café é cultivado –, e esse é o habitat do acuado macaco-aranha, o mais ameaçado do planeta.

“Pelo menos um terço das ameaças à biodiversidade em todo o mundo estão vinculadas à produção para o comércio internacional”, dizem os autores do estudo publicado na Nature Ecology & Evolution. Em seu trabalho, eles mapearam locais do planeta onde há quase 7.000 espécies ameaçadas, estabelecendo sua conexão com a cadeia de consumo nos EUA, China e Japão. Desse modo, pode-se ver facilmente como os animais sob risco em determinados pontos do planeta sofrem com a demanda de bens por parte dos grandes consumidores.

Mapa dos lugares com espécies ameaçadas em relação com o consumo de bens nos EUA.

Mapa dos lugares com espécies ameaçadas em relação com o consumo de bens nos EUA.  NATURE

 Por exemplo, o lince e dúzias de outras espécies sofrem na península Ibérica pela pressão da produção agrícola que abastece os mercados europeus e norte-americanos. “É digno de menção o importante rastro dos EUA na biodiversidade do sul da Espanha e Portugal, ligado aos impactos sobre uma série de espécies ameaçadas de peixes e aves, já que esses países raramente são percebidos como pontos de ameaça”, afirmam os autores no estudo.

No Brasil, a principal ameaça está no sul, no planalto brasileiro, devido à agropecuária extensiva, e não na Amazônia

“O que este trabalho nos mostra é que os humanos estão assaltando o planeta”, resume David Nogués-Bravo, especialista em macroecologia da Universidade de Copenhague. Nogués-Bravo, que não participou do estudo, diz que os impactos humanos sobre a natureza podem ser representados como um redemoinho que engole a diversidade de seres vivos sobre a Terra. “Esse turbilhão é constituído por três nós: poder, comida e dinheiro. A capacidade da nossa espécie de sugar energia e recursos do planeta é quase ilimitada, e é o que está provocando a sexta extinção maciça na história da Terra”, denúncia o ecologista.

Para ele, tanto o enfoque como os resultados são muito pertinentes, porque põem em perspectiva as perdas de biodiversidade, principalmente em países tropicais em vias de desenvolvimento, e os fluxos de demanda que se originam nos países mais ricos e industrializados.

“O planeta inteiro se tornou uma fazenda, tudo está a serviço de fornecer cada vez mais bens”, critica Juan Carlos del Olmo, secretário-geral da organização conservacionista WWF na Espanha. “O maior vetor de destruição da biodiversidade é a produção de alimentos numa escala brutal”, aponta. Os autores do estudo relatam, por exemplo, sua surpresa ao comprovar que o principal foco de ameaça aos tesouros naturais do Brasil não está na Amazônia. “Apesar da grande atenção dedicada à selva amazônica, o rastro norte-americano no Brasil é maior no sul, no planalto brasileiro, onde há práticas agropecuárias extensivas”, ressalta o trabalho.

“Os humanos estão assaltando o planeta. A capacidade da nossa espécie de sugar energia e recursos no planeta é quase ilimitada”, resume Nogués-Bravo

“E o rastro ecológico não para de crescer”, acrescenta Del Olmo, “mas reduzir esse rastro não é fácil; não podemos fomentar um consumo responsável se depois vamos jogar fora 25% do que se produz”. Como alterar a influência negativa destes fluxos? “Com este enfoque, do rastro de cima para baixo, examinamos todas as espécies ameaçadas e a atividade econômica em conjunto, razão pela qual pode ser difícil estabelecer vínculos claros entre consumo, comércio e impacto”, admitiu ao EL PAÍS um dos autores do estudo, Keiichiro Kanemoto, da Universidade de Shinshu.

“Precisamos ver de onde importamos e onde estão as espécies ameaçadas. Nosso mapa pode ajudar as empresas a fazerem uma cuidadosa seleção dos seus insumos e assim aliviar os impactos sobre a biodiversidade”, diz Kanemoto. Segundo o pesquisador, se as empresas oferecerem informações em seus produtos sobre as ameaças a espécies nas cadeias de suprimento, os consumidores poderão escolher em seu cotidiano produtos favoráveis à biodiversidade.

Os morangos que afogam o lince

“Esperamos que as empresas comparem nossos mapas e seus lugares de aquisição e então reconsiderem suas cadeias de suprimento, e queremos trabalhar com elas para começar a tomar medidas reais”, afirma Kanemoto. Neste sentido, Del Olmo diz que o trabalho do WWF há bastante tempo vem se voltando para esse foco: fazer com que todos os participantes da cadeia conheçam o impacto sobre a biodiversidade, para que a indústria, os fornecedores e os consumidores evitem os bens que mais causam danos na sua origem. Em outras palavras, que todos estejam conscientes de que o café coloca em risco o macaco-arranha, assim como o óleo de palma (dendê) ameaça o orangotango na Indonésia.

O estudo de Kanemoto e seus colegas ressalta como é inesperada a aparição da Espanha como uma região com grandes problemas de biodiversidade por culpa do consumo fora das suas fronteiras. Apontam especificamente o lince, que reina no Parque Nacional e Natural de Doñana, no sul do país, e que chegou a ser o felino mais ameaçado da Terra, entre outros motivos pela perda de hábitat. “Do ponto de vista da biodiversidade, a Espanha é o Bornéu da Europa. Nas grandes espécies a briga está acontecendo, mas a biodiversidade pequena – anfíbios, aves e peixes – está desaparecendo a uma velocidade brutal”, lamenta Del Olmo.

O diretor do WWF na Espanha cita como exemplo os morangos: a água que dava de beber à marisma de Doñana é atualmente usada nos milhares de hectares de cultivo de morangos. Essa área responde por 60% do cultivo da fruta na Espanha, e metade da água usada vem de poços ilegais, que secam o entorno. “O uso brutal da água e do território, o impacto da agricultura para exportar produtos a todo o mundo, deixa os aquíferos secos. Não notamos, mas o impacto é impressionante”, explica Del Olmo. E acrescenta: “Por isso dizemos às grandes redes varejistas: não comprem de quem usa poços ilegais e está destruindo a biodiversidade. Premiem quem faz direito”.

Aquecimento extremo trará ‘mortes em massa’ (Observatório do Clima)

aquecimentoGrupo de elite da climatologia quer que governos considerem risco de planeta esquentar de 4 a 7 graus Celsius, o que causaria o colapso da civilização; análise começa a ser feita no Brasil

Por Claudio Angelo, do OC –

30/09/2015

Um vídeo exibido a uma plateia pequena na última segunda-feira, em Brasília, mostrava sem eufemismos o que poderia acontecer com o planeta caso o aquecimento global saísse de controle e atingisse o patamar de 4oC a 7oC. Imagens de florestas queimando, lavouras mortas e inundações se sucediam enquanto uma narradora vaticinava “mortes em massa para pessoas que não tiverem ar-condicionado 24 horas por dia” e “migrações forçadas”. “Nos tornaremos parte de um ambiente extinto”, sentenciou. O fato de que a cidade passava por uma onda de calor, tendo registrado dias antes a maior temperatura desde sua fundação, ajudava a compor a atmosfera.

Num pequeno palco, em poltronas brancas, um grupo formado em sua maioria por homens de meia idade assistia à exibição. Entre eles estavam alguns membros da elite da ciência do clima, como Carlos Afonso Nobre e José Marengo, membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, e Sir David King, representante para Mudanças Climáticas do Reino Unido.

Até não muito tempo atrás, esses mesmos homens descontariam como alarmismo ou ficção científica as afirmações do vídeo. Hoje, são as pesquisas deles que embasam os cenários de apocalipse pintados ali.

Os cientistas reunidos em Brasília fazem parte de um grupo internacional reunido por David King em 2013 para tentar produzir uma avaliação de riscos de mudanças climáticas extremas. O trabalho foi iniciado nos EUA, na Índia, na China e no Reino Unido e agora começa a ser feito no Brasil. Ele parte do princípio de que a probabilidade de que o aquecimento da Terra ultrapasse 4oC é baixa, mas as consequências potenciais são tão dramáticas que os governos deveriam considerá-las na hora de tomar decisões sobre corte de emissões e adaptação.

“Trata-se de uma visão muito diferente da mudança climática”, afirmou King, um físico sul-africano que serviu durante anos como conselheiro-chefe para ciência do primeiro-ministro Tony Blair. “O IPCC fez um ótimo trabalho, mas é preciso uma avaliação do risco de que aconteça algo catastrófico ligado à mudança climática.”

Ele citou como exemplo os piores cenários de mudança climática projetados para a China: elevações do nível do mar que afetassem a costa leste do país, lar de 200 milhões de pessoas, quebras da safra de arroz – que têm de 5% a 10% de chance de ocorrer mesmo com elevações modestas na temperatura – e ondas de calor que estejam acima da capacidade fisiológica de adaptação do ser humano.

“Com mais de três dias com temperaturas superiores a 40oC e muita umidade você não consegue compensar o calor pela transpiração e morre”, afirmou King.

Com um aquecimento de 4oC a 7oC, estresses múltiplos podem acontecer de uma vez em várias partes do mundo. “Estamos olhando para perdas maciças de vidas”, afirmou King. “Seria o colapso da civilização.”

Rumo ao 4°C

Os modelos climáticos usados pelo IPCC projetam diferentes variações de temperatura de acordo com a concentração de gás carbônico na atmosfera. Esses cenários se chamam RCP, sigla em inglês para “trajetórias representativas de concentração”, e medem quanto muda o balanço de radiação do planeta, em watts por metro quadrado. Eles vão de 2.6 W/m2 – o cenário compatível com a manutenção do aquecimento na meta de 2oC, considerada pela ONU o limite “seguro” – a 8.5 w/m2, que é para onde o ritmo atual de emissões está levando a humanidade.

“O RCP 8.5 nos dá quase 100% de probabilidade de o aquecimento ultrapassar os 4oC no fim deste século”, afirmou Sir David King. E quais seriam as chances de mais de 7oC? Até o fim do século, baixas. “Eu sou velho, então estou bem. Mas tenho dois netos que vão viver até o fim do século, e eles vão querer ter netos também. Não ligamos para o futuro?”

Segundo Carlos Nobre, avaliar e prevenir riscos de um aquecimento extremo é como comprar um seguro residencial: mesmo com probabilidade baixa de um desastre, é algo que não dá para não fazer, porque os custos do impacto são basicamente impossíveis de manejar.

Para o Brasil, esses riscos são múltiplos: vão desde a redução em 30% da vazão dos principais rios até o comprometimento do agronegócio e extinção de espécies. Cenários regionais traçados a partir dos modelos do IPCC já apontam para aquecimentos de até 8oC em algumas regiões do país neste século, o que tornaria essas áreas essencialmente inabitáveis por longos períodos.

“Mesmo se limitarmos as emissões a 1 trilhão de toneladas de CO2, [limite compatível com os 2oC] ainda podemos ultrapassar os 3oC”, afirmou o cientista, atualmente presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Segundo ele, não há outro caminho a tomar que não seja limitar as concentrações de CO2 na atmosfera a 350 partes por milhão. Ocorre que já ultrapassamos as 400 partes por milhão em 2014, e os compromissos registrados pelos países para o acordo de Paris não são capazes nem mesmo de garantir o limite te 1 trilhão de toneladas.

Única mulher do painel, Beatriz Oliveira, da Fiocruz, apontou o risco de muita gente no Brasil literalmente morrer de calor, em especial nas regiões Norte e Nordeste. “Você poderia ficar exposto e realizar atividades externas no máximo por 30 minutos. O resto do dia teria de passar no ar-condicionado”, disse.

Questionada pela plateia ao final do evento, a pesquisadora mencionou um único lado positivo do aquecimento extremo: a redução na incidência de doenças transmitidas por insetos, como a dengue. “Nem o mosquito sobrevive”, disse. (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

Hidrelétrica no rio Tapajós pode extinguir espécies, diz Inpa (UOL)

BBC

29/09/201509h25 

VIDEO

O Tapajós é um dos últimos grandes rios amazônicos sem barragens e a nova fronteira de megaprojetos do governo federal de usinas na Amazônia

Ao menos 40 grandes hidrelétricas estão atualmente em construção ou planejamento na bacia amazônica.

Em fase de licenciamento ambiental, a usina de São Luiz do Tapajós é a maior delas e considerada uma prioridade pelo governo.

A construção da usina foi tema de uma assembleia entre povos indígenas da região, ONGs, ambientalistas e representantes do governo.

A BBC Brasil conversou com Jansen Zuanon, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) presente na reunião, sobre os possíveis impactos desta e outras obras do tipo sobre o meio ambiente.

Confessions of a Shark Anthropologist (Anthropology News)

Anthropology and Environment Society

April 22, 2015

Patrick Nason

Earlier this year I received a phone call from an unknown number. “This is the National Geographic Channel. Is it true that you are a shark anthropologist?” I paused— “Yes, I guess you can say that.” “Great, we are doing a program about sharks and are asking experts why sharks attack at certain times and in certain places more than others. Can you tell me a bit about your work?”

My interest in sharks began in 2005 during an internship at a resort in Papua New Guinea. Ten miles from shore and ninety feet below the surface, a twelve-foot hammerhead shark swam straight at me, stopping only three feet away before turning to rejoin its group. As it moved gracefully into the deep, I caught my breath and returned to the surface.

Four years later, I was working on a dive boat in South Florida when a sport-fishing boat motored past with a large grey hammerhead hung from its rigging. For a brief moment, I thought it was the shark I encountered years before. And why couldn’t it be? Like whales, most species of sharks are highly migratory. They have little respect for exclusive economic zones, marine protected areas, or any other enclosures. What might appear as absolute freedom in these animals has led to the production of an abstract image of sharks as transgressive predators, menaces to society, and worthy targets of sport. Regardless of what the category of the shark has become, the individual animal hanging from that fishing boat was certainly dead—no longer a terrible monster.

Sharks Arranged for Sale at Fish Market, Indonesia (Photo credit: Patrick Nason)
Sharks Arranged for Sale at Fish Market, Indonesia (Photo credit: Patrick Nason)

This incident took place in 2009, just after Rob Stewart’s film Sharkwater revealed the decimation of global shark populations by the finning industry. Considering the importance of sharks to healthy marine ecosystems, surely it was wrong to continue killing them for sport. Thinking I might do some good, I spoke with the captain of the boat about their catch.

“Couldn’t you release them from now on?” I asked.

“They normally die during the fight.”

“Well, what about fishing for something else?”

“Sailfish and marlin are not in season,” he said. “And besides, the clients are paying for the experience, and they want their photo taken with the big sharks.”

“Yes but hammerhead populations are in serious decline.” I said.

“We catch plenty of them, and easily too. More this year than last.”

I was stuck. How could I prove something was threatened when local knowledge suggests otherwise? Even worse, how could anyone prove sharks were in decline when, as free-roaming marine animals, they cannot be easily counted?

That same year, National Geographic aired a documentary entitled Drain the OceanThe promotional abstract read: “In this special, we look at what most call ‘The Final Frontier.’ Using the newest data from scientists all over the world and the latest advancements in computer generated imaging, we are able to explore some of the most dramatic landscapes the Earth has to offer.” This was exactly what my argument lacked—quantitative support through technological innovation. If computers could reveal the geological truths of this invisible realm, perhaps they could also reveal the ecological truths of a planet in decline—dolphins tangled in drift nets, massive whales with harpoons rusting in their backs, and dwindling populations of sharks swishing their tales through the muddy terrain. If this could be done, then maybe I could convince the fisherman that killing sharks for money was wrong.

But draining the ocean is not yet possible, nor should it be. Even if through some technological means we could illuminate the other seventy percent of our planet, the lives and the forms of relationality between humans and marine animals (however contentious they may be) would change at the moment of discovery. In trying to protect sharks, neither scientific nor emotional appeals alone are sufficient to effect social change. There remains a mystery of what oceanic animals do, how they do it, and exactly how many are required to keep doing what they do. If this mystery were completely resolved, the result would be equally harmful to marine life and to those who make their living upon the sea; for this unknown marks the distinction between our terrestrial selves and aquatic others, and is therefore what makes knowledge of the ocean (and thus ourselves) possible.

 An Anthropology of the Ocean

My phone call with National Geographic didn’t last long. The producer ended it by saying, “Your work sounds interesting, but we are looking for more evidence about why these attacks are occurring. Could you recommend a good marine biologist?” I did, and promptly hung up. I thought about our conversation—I don’t even know what a shark anthropologist is, and I’m supposed to be one! 

As human interests are directed into the sea in the form of extractive industry, state securitization, renewable energy, and conservation enclosure, we find ourselves as a species grappling with the politics and hermeneutics of the life aquatic. Responding to this with continued interest in the protection of marine life and forms of relationality, I have begun to sketch an Anthropology of the OceanWorking alongside indigenous fishing communities, ecologists, oceanographers, and drawing on the work of fellow anthropologists like Stefan Helmreich, such an approach examines how oceanic spaces and bodies are imagined, explored, and controlled, and how rights to marine resources are established and translated across social, spatial, and categorical boundaries

Within this framework, an Anthropology of Sharks could do the following: 1) draw upon the history of anthropological theory and method to ask how valuable spaces become ‘final frontiers,’ 2) describe how these produced frontiers are explored, claimed, enclosed—in short, how they are settled, and 3) reveal the forms of dispossession and disenchantment that occur when such settlement attempts to cultivate spaces have already been occupied by other ways of being and knowing. Putting a multispecies twist on subaltern studies and postcolonial anthropology, this approach would not only ask if the shark could “speak,” but if and how it might be heard amid the cacophony of other voices.

Patrick Nason is a doctoral student in the Department of Anthropology at Columbia University, and a blogger at the Shark Research Institute.

Mais um peixe-leão é encontrado no Brasil (Estadão)

Herton Escobar

04 março 2015 | 08:45

Espécie invasora já se espalhou por todo o Caribe e ameaça avançar também pela costa brasileira. Peixe foi avistado por mergulhadores em Arraial do Cabo, no RJ

Peixe-leão encontrado em Arraial do Cabo (RJ) no dia 1 de março. Foto: Queiroz Diver/Divulgação, via Facebook 

Peixe-leão encontrado em Arraial do Cabo (RJ) no dia 1 de março. Foto: Queiroz Diver/Divulgação, via Facebook

Uma das maiores ameaças à biodiversidade marinha do Caribe pode ter chegado de fato à costa brasileira. Está circulando no Facebook o vídeo de um segundo peixe-leão encontrado em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, por um grupo de mergulhadores da empresa Queiroz Divers: http://goo.gl/0S5DAu

O peixe-leão é uma espécie invasora do Indo-Pacífico que se espalhou pelo Caribe ao longo dos últimos 20 anos, causando sérios danos à biodiversidade nativa dos recifes de coral da região. Ele é um predador voraz, que come tudo que encontra pela frente e se multiplica numa velocidade espantosa. Em pouco tempo, torna-se o peixe dominante do ecossistema, em detrimento de todas as outras espécies que habitam os recifes. Tanto que, em muitos recifes de coral do Caribe hoje, a única coisa que você encontra é o peixe-leão. Os outros peixes nativos do ecossistema tiveram suas populações drasticamente reduzidas ou desapareceram por completo, devorados por ele.

Segundo as informações postadas no Facebook, esse segundo peixe foi avistado no dia 1/3, no ponto de mergulho Anequim. O vídeo foi postado no dia seguinte. “Assim que o encontramos, informamos aos órgãos competentes: AMA – IEAPM – ICMBio. Feito isso nos solicitaram que postássemos o vídeo e divulgássemos para que podéssemos (sic) unir nossas forças em prol da nossa região e capturá-lo”, diz o post da Queiroz Diver.

O primeiro peixe-leão do Brasil foi avistado pouco menos de um ano atrás, em maio de 2014, também em Arraial do Cabo, como relatei aqui no blog na ocasião: Peixe-leão é encontrado no Brasil

Em 2011 fiz uma reportagem especial sobre a invasão do peixe-leão no Caribe e venho acompanhando esse assunto desde então. É um problema seríssimo. Se esse bicho começar a se reproduzir e se espalhar de fato pela costa brasileira, o estrago causado à nossa biodiversidade marinha (que já é, naturalmente, bem menor do que a do Caribe) será imenso. No Caribe, faz 20 anos que tentam erradicar o bicho e não conseguem. Ele é muito resiliente e se reproduz rápido demais. O que se pode fazer é apenas controlar a expansão da população, por meio da caça.

Reportagem especial sobre a invasão do Caribe pelo peixe-leão, publicada no Estadão em 2011. 

Reportagem especial sobre a invasão do Caribe pelo peixe-leão, e já alertando sobre o risco de invasão no Brasil, publicada no Estadão em 2011.

Suspeita-se que a invasão do Caribe tenha começado no sul da Flórida, com alguns poucos peixes que foram soltos no mar por aquaristas, depois que os bichos se tornaram grandes demais para os seus aquários. Espero que seja este o caso também em Arraial do Cabo, e que esses dois peixes avistados até agora sejam indivíduos isolados, que não tiveram parceiros ou tempo suficiente para se reproduzirem. É improvável que eles sejam da mesma população do Caribe, pois neste caso o natural seria que a invasão tivesse começado pelo Norte e Nordeste do Brasil, e não pelo Sudeste. Mas nunca se sabe … Mergulhadores e autoridades ambientais precisam estar alertas para combater a invasão imediatamente e impedir que ela se alastre pela costa brasileira, caso novos peixes apareçam por aí.

Espero também que não seja alguma jogada publicitária ou brincadeira de mau gosto (tipo, alguém botou o peixe lá de propósito …). O peixe foi avistado no mesmo dia que o Fantástico, da Rede Globo, veiculou uma grande reportagem sobre o assunto, feita pelo meu camarada Ernesto Paglia: http://glo.bo/1E7VaFh

Um peixe-leão arpoado nas Bahamas. Foto: Herton Escobar/Estadão (2011) 

Um peixe-leão arpoado nas Bahamas. Foto: Herton Escobar/Estadão (2011)

Para ver um vídeográfico que mostra a evolução da invasão do peixe-leão no Caribe, clique aqui: http://migre.me/jbH3B

Para saber mais sobre o peixe-leão, leia também: De olho no peixe-leãoPeixe-Leão nos Recifes de Bonaire e Temporada de caça

Por fim, um estudo que analisa o risco de invasão do peixe-leão no Brasil: http://migre.me/jbH6Q

Abaixo, um vídeo postado de Arraial do Cabo, mostrando o primeiro peixe encontrado lá:

E dois feitos por mim, em Bonaire e nas Bahamas, quando estive lá pesquisando esse assunto para o jornal em 2011:

SBPC critica projeto sobre biodiversidade (Fapesp)

Texto aprovado na Câmara dos Deputados facilita o acesso ao patrimônio genético e conhecimentos associados, mas ignora os direitos das comunidades indígenas e tradicionais, diz presidente da entidade

BRUNO DE PIERRO | Edição Online 11:00 20 de fevereiro de 2015

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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que representa 120 associações científicas, divulgou esta semana uma carta em que sugere modificações no projeto de lei sobre biodiversidade e recursos genéticos, aprovado na Câmara dos Deputados no dia 10 de fevereiro e que será agora apreciado pelo Senado. No documento, a entidade critica a prerrogativa do Estado de ignorar direitos de comunidades indígenas e tradicionais na repartição de benefícios resultantes do acesso ao conhecimento associado ao patrimônio genético. Prevista no Protocolo de Nagoya, assinado por 91 países – entre eles o Brasil – a repartição de benefícios envolve o compromisso de compensar financeiramente países e comunidades pelo uso de seus recursos genéticos e conhecimentos tradicionais. O protocolo foi aprovado pela 10aConferência das Partes em 2010, e ainda não foi ratificado pelo Congresso brasileiro.

Outro aspecto destacado na carta é que a repartição dos benefícios só será aplicada sobre a comercialização de produtos acabados, que chegarão ao mercado. “Isso fere o direito do povo e da comunidade de participar da tomada de decisão quanto à repartição de benefícios oriundos do acesso ao conhecimento tradicional associado”, escreve no documento Helena Nader, professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da SBPC. Também é questionado um tópico da lei que permite a instituições estrangeiras acessarem a biodiversidade brasileira, para fins de pesquisa e desenvolvimento, sem precisar se associar a uma instituição nacional, como estabelece a legislação vigente. Na carta, a SBPC reconhece avanços no projeto aprovado, entre eles a retirada da necessidade de autorização prévia para a realização de pesquisas com recursos genéticos.

Em junho do ano passado, o governo federal enviou para o Congresso Nacional o PL 7.735, em caráter de urgência. O projeto simplifica o acesso e exploração do patrimônio genético em pesquisas com plantas e animais nativos e facilita a utilização de conhecimentos tradicionais e indígenas associados à biodiversidade. Um dos principais avanços da proposta é que o acesso aos recursos genéticos para fins de pesquisa e desenvolvimento tecnológico dependerá apenas de um cadastro eletrônico e não mais de uma solicitação a órgãos como o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A medida atende a um pleito antigo da comunidade científica e de setores industriais, que nos últimos tempos levaram adiante seus estudos sem seguir a legislação à risca e foram multados.

No entanto, após a votação na Câmara, a comunidade científica, representada pela SBPC, criticou alguns pontos da lei. “O projeto de lei reconhece o direito de populações indígenas, comunidades tradicionais e pequenos agricultores de participar da tomada de decisões, mas isenta, em muitos casos, as empresas e pesquisadores da obrigação de repartir os benefícios, que é a compensação econômica do detentor do conhecimento tradicional associado à biodiversidade”, explica Helena Nader.

O projeto aprovado estabelece que o pagamento desses benefícios à comunidade que detém o conhecimento associado seja estabelecido em um Acordo de Repartição de Benefícios, no qual esteja a definição do montante negociado a título de repartição de benefícios. O usuário também deverá depositar no Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB) 0,5% da receita líquida anual obtida por meio da exploração do material reprodutivo, como sementes ou sêmen, decorrentes do acesso ao conhecimento tradicional para beneficiar os codetentores do mesmo conhecimento.

Se a exploração envolver algum componente do patrimônio genético, a repartição monetária de benefícios será de 1% da receita líquida anual das vendas do produto acabado ou material reprodutivo, a ser depositada no FNRB. Há ainda a previsão de se estabelecer um acordo setorial, no qual a repartição de benefícios poderá ser reduzida até de 0,1% da receita líquida da comercialização do produto acabado ou material reprodutivo. É dada a possibilidade da repartição não ser feita em dinheiro, mas sim por transferência de tecnologia e outras formas de cooperação entre as partes envolvidas, como o intercâmbio de recursos humanos e materiais entre instituições nacionais e participação na pesquisa. Em algumas situações, no entanto, é impossível identificar a origem do conhecimento, que já está difundido na sociedade. Nesses casos, o pagamento de royalties será destinado ao FNRB, para, entre outras coisas, proteger a biodiversidade e os conhecimentos tradicionais.

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Contudo, diz Helena Nader, a lei exclui da obrigação de repartir benefícios os fabricantes de produtos intermediários e desenvolvedores de processos oriundos de acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado ao longo da cadeia produtiva. Também isenta micro e pequenas empresas do dever de dividir os benefícios com as comunidades tradicionais. “Não é justo, nem ético, definir quando se dará a repartição de benefícios oriunda do acesso a conhecimentos tradicionais associados, sem antes consultar os detentores de tais conhecimentos”, diz ela.

Para Vanderlan Bolzani, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordenação do programa Biota-FAPESP, a nova legislação falha ao não exigir que a compensação econômica seja revertida em benefícios sociais para a comunidade local. “Muitas dessas populações vivem em situação precária e dependem unicamente do extrativismo como fonte de sobrevivência. Além do pagamento de royalties, são necessárias ações que promovam o desenvolvimento social e econômico dessas comunidades”, diz Vanderlan.

Entidades representantes das populações extrativistas e indígenas alegam que não foram convidadas para participar de reuniões com representantes do governo e da indústria. De acordo com o deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS), relator do projeto, as reuniões que antecederam a votação no Congresso contaram com a participação de membros da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que segundo ele representam oficialmente os índios e outras comunidades tradicionais. “Não fizemos uma assembleia geral aberta por se tratar de um tema muito técnico”, disse Moreira.

Para o biólogo Braulio Ferreira de Souza Dias, secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Congresso Nacional deveria aproveitar o debate em torno da nova lei e considerar a ratificação do Protocolo de Nagoya, em vigor desde outubro do ano passado. “Trata-se do principal instrumento internacional sobre acesso a recursos genéticos”, afirma Dias. Segundo ele, o projeto aprovado na Câmara fere o Protocolo de Nagoya no que se refere ao direito do país provedor de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais de receber repartição dos benefícios. Isso porque, segundo um artigo do projeto aprovado na Câmara, a utilização do patrimônio genético de espécies introduzidas no país pela ação humana até a data de entrada em vigor da lei não estará sujeita à repartição de benefícios prevista em acordos internacionais dos quais o Brasil seja parte. “Isso poderá criar embaraços ao acesso a recursos genéticos e conhecimentos tradicionais de outros países necessários para o aprimoramento da agricultura brasileira, inclusive para promover sua adaptação às mudanças climáticas”, diz Dias.

Facilitação para estrangeiros
Hoje, para o pesquisador estrangeiro ou pessoa jurídica estrangeira vir ao Brasil realizar pesquisa que envolva coleta de dados, materiais, espécimes biológicas e minerais, peças integrantes da cultura nativa e cultura popular, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve autorizar, supervisionar a fiscalização e analisar os resultados obtidos. Somente são autorizadas as atividades em que haja a coparticipação de alguma instituição de pesquisa brasileira bem avaliada pelo CNPq. A nova proposta agora permite que entidades estrangeiras, não associadas a instituições nacionais, realizem pesquisa com a biodiversidade do país mediante uma autorização do CGen.

“Abriu-se a possibilidade da pessoa jurídica estrangeira ter autorização para acesso a componente do patrimônio genético do Brasil sem estar associada a uma instituição de ciência e tecnologia nacional, o que é preocupante”, diz Helena Nader. Isso, diz ela, pode ameaçar os interesses nacionais e colocar em risco o patrimônio brasileiro. Helena ressalta que, em outros países latino-americanos com biodiversidade muito rica, exige-se que instituições estrangeiras tenham vínculo com órgãos de pesquisa nacionais, de modo a proteger interesses do país provedor de recursos genéticos.  “Se proibirmos que instituições de outros países venham pesquisar aqui, perderemos a oportunidade de desenvolver ciência de qualidade no país”, argumenta o deputado Alceu Moreira. Helena Nader afirma que não se trata de proibir a vinda de estrangeiros. “Trata-se apenas de manter a instituição internacional comprometida com os interesses da pesquisa brasileira. É uma forma de cooperação científica em que os dois lados ganham”, diz ela.

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Avanços
O CGen atualmente é composto por 19 representantes de órgãos e de entidades da administração pública federal. A partir de 2003, passou a contar com representantes da sociedade na função de membros convidados permanentes, com direito a voz mas não a voto. A primeira versão do PL 7.735 não garantia a participação plena de representantes da sociedade civil.  Após negociações, o texto foi modificado e houve uma mudança na composição do CGen, com 60% de representantes do governo e 40% de membros da sociedade civil, entre eles representantes das comunidades indígenas e tradicionais, pesquisadores e agricultores tradicionais. “Esse foi um importante avanço obtido com a aprovação do projeto de lei. A comunidade científica e outros segmentos sociais demandam essa participação plena, com direito a voto, há muito tempo”, explica Helena Nader.

Outro avanço do projeto aprovado foi inserir em seu escopo os recursos genéticos para a alimentação e a agricultura. Antes, na proposta enviada pelo poder executivo, esses recursos estavam de fora e ficariam no âmbito da legislação antiga, de 2001. Segundo à nova proposta de lei, os royalties serão cobrados sobre a comercialização do material reprodutivo – a semente, por exemplo. Já a exploração econômica do produto acabado será isenta da compensação, com exceção das variedades cultivadas pelas comunidades tradicionais ou indígenas.

A não obrigação de se repartir os benefícios também vale para a pesquisa básica que, segundo Vanderlan Bolzani, se beneficiará da nova lei. “A ciência não acessa a biodiversidade apenas para dela retirar produtos. É importante estudar a estrutura molecular de plantas, por exemplo, para compreender como se desenvolve a vida em determinada região”, explica Vanderlan.  Segundo ela, a maioria dos cientistas que pesquisam a biodiversidade está hoje na ilegalidade. Nos últimos anos, as punições para quem não segue a legislação se tornaram mais severas. Dados do governo federal, divulgados pela Agência Câmara, mostram que as ações de um núcleo de combate ao acesso ilegal ao patrimônio genético, que atuou em 2010, resultaram em multas com valor total de aproximadamente R$ 220 milhões.

Um dos casos mais notórios ocorreu em novembro daquele ano, com a autuação, em R$ 21 milhões, da empresa de cosméticos Natura por uso da biodiversidade sem autorização. A empresa, que mantem parceria com universidades para pesquisas novas moléculas, não esperou os trâmites para liberar a permissão do chamado provedor (seja o governo ou uma comunidade tradicional ou indígena) e um contrato de repartição de benefícios. A Natura alegou que todos os seus produtos têm repartição de benefícios, mas reclamou que não poderia esperar dois anos por uma autorização de pesquisa do CGen (ver Pesquisa FAPESP nº 179).

Desmatamento na Amazônia na mídia – 10 de novembro de 2014

“Estamos indo direto para o matadouro”, diz o cientista Antonio Nobre (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO 04 NOVEMBRO 2014.

Antonio Donato Nobre é um dos melhores cientistas brasileiros, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e é um especialista em questões amazônicas. É mundialmente conhecido como pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  Excerto do evento de lançamento do relatório “O Futuro Climático da Amazônia” em 30/10/2014.

Por Daniela Chiaretti, Do Valor

Eis a entrevista.

Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?

Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.

O sr. pode explicar?

Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.

A mudança climática…

A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.

No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?

A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.

Qual é a situação?

A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.

A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?

Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.

Almofada?

A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.

O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?

Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.

O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?

O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.

Gêiseres da floresta?

É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas

É o que faz falta em São Paulo?

Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta. Qual o segundo segredo?

Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.

E o terceiro segredo?

A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.

Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?

No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa múndi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.

E o quinto segredo?

Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.

Qual o impacto do desmatamento então?

O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.

Como não resolve mais?

Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.

E se não fizermos isso?

Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.

O que o sr. está dizendo?

Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.

Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.

O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.

O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?

Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.

As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.

Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.

Esse ponto crítico é ficar sem água?

Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?

Não é uma opção?

No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.
O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?

Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…

Como é?

É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.

O que o governo do Estado deveria fazer?

Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.

Onde?

Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.

E o desmatamento legal?

Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.

O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?
Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.

Quanto a floresta consegue suportar?

Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.

Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.

O esforço terá resultado?

Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

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10/11/2014 – 01h16

Alerta: desmatamento na Amazônia tende a crescer (WWF Brasil)

por Redação do WWF Brasil

amazonia desmatamento peter 1 Alerta: desmatamento na Amazônia tende a crescer

O mais recente relatório divulgado, na última semana, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) alertou: o planeta precisa de mudanças, caso contrário os danos ambientais e climáticos poderão ser irreversíveis. No Brasil, a situação não é diferente. Muito há que ser mudado, principalmente, no que se refere à conservação da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Pelo fato de desempenhar um papel essencial no combate aos efeitos das mudanças climáticas, pesquisas recentes associam a destruição das florestas no norte do País às graves consequências para o clima, devido à sua função na estocagem do carbono e na regulação do regime das chuvas, que abastecem, por exemplo, as regiões Sudeste e Sul.

Apesar do alerta e da necessidade de mudança, o Brasil tem caminhado no sentido contrário, principalmente, no que diz respeito ao desmatamento da Amazônia. Antes mesmo da divulgação das estimativas oficiais de desmatamento em 2014, prevista para as próximas semanas, os números do sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) apontam uma tendência de crescimento no norte do País.

Segundo o sistema, baseado em estimativas a partir de imagens de satélites e destinado a orientar a fiscalização em campo, nos últimos três anos (2012, 2013 e 2014), houve um aumento de cerca de 49% nas taxas correspondentes entre agosto de um ano a julho do ano seguinte. Na comparação de 2013 a 2014, considerando apenas os meses do início da estação seca na Amazônia (maio-julho), os quais concentram boa parte do desmatamento anual, o valor dobrou, passando de 893 km2 para 1535 km2 (veja gráfico abaixo).

grafico desmatamento 1 Alerta: desmatamento na Amazônia tende a crescer

O sistema Deter é um dos sistemas de monitoramento criado pelo governo para apontar alertas de desmatamento e demonstrar suas tendências. Por esta razão, serve também para estimar o que deve acontecer com os dados oficiais de referência para o monitoramento do desmatamento, por meio de um segundo sistema mais acurado. Este segundo sistema é o que gera os dados a serem divulgados nas próximas semanas, que terão por base os valores levantados pelo Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registra, via satélite, áreas equivalentes a pouco mais de seis campos de futebol (6,25 hectares). Esta estimativa é divulgada sempre no final do ano, geralmente no mês de novembro. Em meados de julho do ano seguinte, as taxas são consolidadas oficialmente, após o detalhamento dos estudos. Entretanto, as estimativas de novembro contém uma imprecisão muito pequena em relação aos dados definitivos que serão divulgados no ano que vem.

“As taxas de desmatamento da Amazônia, consideradas como oficiais pelo governo brasileiro, são as do Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial, capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos. No entanto, os números apontados pelo Deter são importantes indicadores para os órgãos de controle e fiscalização e para nos mostrar a tendência que vem por aí”, explica Mauro Armelin, superintendente de conservação do WWF-Brasil. O Prodes, em seu último levantamento, já havia registrado um aumento em relação ao ano anterior de 29% nas taxas de desmatamento para o período de agosto de 2012 a julho de 2013, em que 5.891 km² de floresta amazônica foram perdidos. “Existe a tendência do Prodes acompanhar a tendência do Deter, ou seja, haver aumento do desmatamento registrado oficialmente em 2014. É claro que esperamos boas notícias, ou seja, que estejamos errados em nossa análise, e que as novas taxas do Prodes mostrem o recuo do desmatamento. Mas a tendência é justamente a contrária”, conclui.

Segundo Armelin, o Brasil corre o risco de fechar o ano com a pior performance ambiental dos últimos anos. “Estamos numa situação complicada. Ao mesmo tempo que o desmatamento tende a crescer, também não avançamos em alternativas energéticas de baixo carbono. Para piorar, os incentivos do governo têm aumentado para a expansão automobilística, com um forte incentivo a combustíveis fósseis, com cada vez mais subsídios para a gasolina, por exemplo”, avalia Armelin. Tais investimentos não contribuem em nada com as metas divulgadas pelo relatório do IPCC. O documento sugere que o uso, sem restrições de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás), seja suspenso até o ano de 2100 e que o uso de alternativas renováveis suba até 70% até 2050. “Acreditamos que para contribuir com essas recomendações, o Brasil precisa ter um melhor planejamento energético que considere fontes de energia de menor impacto, como solar, eólica, baseada em biomassa e em pequenas centrais hidrelétricas, as PCHs”, explica Mauro.

Sem estes investimentos, continuaremos a ir na direção contrária ao desenvolvimento sustentável. “Precisamos finalmente entender, como sociedade, que as escolhas que fizermos agora irão refletir na qualidade de vida das futuras gerações. Eventos climáticos extremos, como a escassez de chuvas no sudeste que está ocorrendo agora, serão fenômenos que se tornarão mais comuns enquanto a temperatura do planeta continuar a crescer. A Amazônia é um ativo chave para a proteção da segurança climática, hídrica e energética, não só da população brasileira, mas também mundial”, alerta Armelin.

Alternativas

O atual cenário da Amazônia clama por uma intervenção urgente. O governo precisa agir rapidamente para evitar que o desmatamento fuja do controle e aumente os riscos para a região em termos da perda de sua biodiversidade e da depreciação de seu capital natural, com fortes impactos sobre sua população. “É preciso avançar em ações estruturantes, como a implementação em larga escala do Cadastro Ambiental Rural, de iniciativas de restauração florestal dentro das propriedades privadas, de forma a assegurar cumprimento da lei ambiental, e de ações de ordenamento e de planejamento do uso do solo”, ressalta Marco Lentini, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil.

Além disso, segundo o especialista, é preciso implementar de forma mais eficiente ações que levem ao bom uso e à valorização de florestas, principalmente em iniciativas de manejo florestal, e que apresentem alternativas econômicas contra o desmatamento. Um exemplo seria o desenvolvimento de um amplo sistema para o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) como carbono, água e biodiversidade. “A floresta amazônica, além de proporcionar serviços imensuráveis em termos de regulação do clima e do regime de chuvas, oferece uma ampla gama de produtos que podem ser aproveitados de forma racional pela sociedade. Ou seja, podemos aliar conservação e desenvolvimento. Nossa sociedade tem investido em modelos que priorizam ou um objetivo, ou o outro. É chegado o momento de sairmos desta paralisia de paradigma”, avalia Lentini.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

(WWF Brasil)

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10/11/2014 – 01h08

Destamento: Má notícia pode virar pesadelo (Greenpeace)

por Redação do Greenpeace

desmatamento1 Destamento: Má notícia pode virar pesadelo

Últimos dados do sistema de alerta Deter apontam tendência de crescimento do desmatamento da Amazônia.

O que foi má notícia no ano passado se anuncia antecipadamente como pesadelo para 2015: depois de vários anos de queda, o aumento no desmatamento da Amazônia pode se confirmar como tendência em 2014 (assim que a taxa oficial anual da derrubada de árvores na região para este ano for divulgada) e como grande desafio em 2015. Segundo a Folha de S.Paulo, em nota divulgada em seu site, sexta-feira, dia 7, os alertas de desmatamento na região aumentaram 122% em agosto e setembro passados, comparados com o mesmo período do ano anterior. Dados do Deter, diz a Folha, mostram alertas de desmatamentos num total de 1.626 km² de florestas nesses dois meses.

Agosto e setembro são os dois primeiros meses que comporão a taxa oficial de desmatamento em 2015. Por razões técnicas, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) monitora desmatamento entre agosto de um ano e julho do próximo, – o chamado “ano fiscal do desmatamento”. Os alertas são baseados em imagens de satélite que permitem análise rápida por serem mais leves, dada a baixa resolução das imagens, e compõem o Deter – o sistema de monitoramento em tempo real passado ao Ibama para auxiliar no combate a ilegalidades na floresta. Sendo assim, os meses de agosto e setembro de 2014 comporão os dois primeiros do “ano fiscal” de 2015.

Apesar de o sistema Deter ter um grau de imprecisão na medição, o crescimento nesses dois primeiros meses de apuração da taxa de desmatamento a ser considerada em 2015 é motivo para séria preocupação, explica Paulo Adario, estrategista sênior do Greenpeace para florestas. “O aumento dos números do Deter apontado pela Folha confirma uma tendência já apontada pelos dados da ONG Imazon e acende a luz vermelha. O dragão do desmatamento acordou.”

“Essa é uma má notícia para o governo, que vinha se beneficiando da imagem positiva criada pela queda no desmatamento, e para todos nós. O desmatamento da Amazônia é a principal contribuição do Brasil para a mudança climática. A floresta perde cada vez mais cobertura e nós sentimos a consequência dessa destruição para muito além das fronteiras da Amazônia, como na forte estiagem que seca as torneiras no Sudeste.”

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

Dados que governo segurou mostram desmatamento alto (Folha de S.Paulo)

JC 5062, 10 de novembro de 2014

Perda de cobertura vegetal na Amazônia cresceu 122% em agosto e setembro, ante o mesmo período de 2013, informa a Folha de sábado

Agora é oficial: o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro. Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013.

O governo federal já conhecia esses dados antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado no último dia 26 –a divulgação do aumento no desmatamento poderia prejudicar a votação da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição.

Veja a matéria completa em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/194542-dados-que-governo-segurou-mostram-desmatamento-alto.shtml

(Marcelo Leite/Folha de S.Paulo)

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Amazônia morre e jornais não veem (Folha de S.Paulo)

A continuar nesse ritmo, só os mortos de sede vão testemunhar o fim da floresta amazônica, publica Leão Serva em artigo na Folha

A imprensa parece ter acordado para a maior tragédia ambiental em curso nesta região do planeta, a destruição acelerada da Amazônia. Mas talvez agora já seja tarde demais: há fortes sinais de falência do [http://goo.gl/G154Uk] sistema amazônico, que inclui a floresta e sua influência sobre o clima continental.

Veja a matéria completa em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/194887-amazonia-morre-e-jornais-nao-veem.shtml

(Folha de S.Paulo)

Projeto da biodiversidade vai à comissão geral com polêmicas em aberto (Agência Câmara)

JC 5061, 7 de novembro de 2014

Agronegócio não aceita fiscalização pelo Ibama. Agricultura familiar quer receber pelo cultivo de sementes crioulas. Cientistas criticam regras sobre royalties

A comissão geral que vai discutir na próxima terça-feira as novas regras para exploração do patrimônio genético da biodiversidade brasileira (PL 7735/14) terá o desafio de buscar uma solução para vários impasses que ainda persistem na negociação do texto. Deputados ambientalistas, ligados ao agronegócio e à pesquisa científica continuarão em rodadas de negociação até a terça-feira na busca do projeto mais consensual.

Parte das polêmicas são demandas dos deputados ligados ao agronegócio, que conseguiram incluir as pesquisas da agropecuária no texto substitutivo. A proposta enviada pelo governo excluía a agricultura, que continuaria sendo regulamentada pela Medida Provisória 2.186-16/01. Agora, o texto em discussão já inclui a pesquisa com produção de sementes e melhoramento de raças e revoga de vez a MP de 2001.

O governo já realizou várias reuniões entre parlamentares e técnicos do governo. Até o momento, foram apresentadas três versões diferentes de relatórios.

Fiscalização
O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), que está à frente das negociações, defende que o Ministério da Agricultura seja o responsável pela fiscalização das pesquisas para produção de novas sementes e novas raças. Já o governo quer repassar essa atribuição ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esse item deverá ser decidido no voto.

“Não vamos permitir que o Ibama, que tem um distanciamento longo da cadeia produtiva, seja o responsável pela fiscalização das pesquisas com agricultura, pecuária e florestas. Terá de ser o Ministério da Agricultura”, afirmou o deputado.

Royalties
O agronegócio também conseguiu incluir no texto tratamento diferenciado para pesquisas com sementes e raças. O pagamento de repartição de benefícios – uma espécie de cobrança deroyalties – só será aplicado para espécies nativas brasileiras. Ficam de fora da cobrança pesquisa com espécies de outros países que são o foco do agronegócio: soja, cana-de açúcar, café.

E quando houver cobrança de royalties, isso incidirá apenas sobre o material reprodutivo – sementes, talos, animais reprodutores ou sêmen – excluindo a cobrança sobre o produto final. “Não pode ter cobrança na origem, que é a semente, e depois outra cobrança no produto final. Se vai ter no produto final, não pode ter na pesquisa”, disse Alceu.

A limitação do pagamento de royalties na agricultura desagradou integrantes da agricultura familiar, que cobram acesso e remuneração pelo cultivo de sementes crioulas, aquelas em que não há alteração genética.

Conselho paritário
Outra demanda do agronegócio é uma composição paritária do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) entre representantes do governo federal, da indústria, da academia e da sociedade civil. A intenção é dar mais voz ao agronegócio nesse conselho, que hoje tem apenas representantes do Ministério da Agricultura e da Embrapa.

Cientistas
Já a comunidade científica, segundo a deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), que também tem conduzido as negociações, critica o percentual baixo de royalties que será cobrado do fabricante de produto final oriundo de pesquisa com biodiversidade.

O texto prevê o pagamento de 1% da receita líquida anual com o produto, mas esse valor poderá ser reduzido até 0,1%. Também prevê isenção para microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais.

Os cientistas discordam, ainda, do fato de o projeto escolher apenas a última etapa da cadeia para a cobrança da repartição de benefícios. “Eles acham que é injusto e precisa ser considerado a repartição de benefícios de etapas do processo porque, às vezes, ao final não se comercializa apenas um produto acabado, mas um intermediário”, disse.

Ambientalistas
Os ambientalistas também não decidiram se apoiarão ou não o texto. A decisão será tomada na semana que vem, mas o líder do partido, deputado Sarney Filho (MA), saiu da reunião da última terça-feira (4) insatisfeito com o texto apresentado.

O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que a intenção é chegar a um texto de consenso após a comissão geral e colocar o tema em votação na quarta-feira (12). Luciana Santos admitiu que, por mais que os deputados tentem chegar a um acordo, vários dispositivos só serão decididos no voto.

Íntegra da proposta:

(Agência Câmara) 

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/477144-PROJETO-DA-BIODIVERSIDADE-VAI-A-COMISSAO-GERAL-COM-VARIAS-POLEMICAS-EM-ABERTO.html

What Happened On Easter Island — A New (Even Scarier) Scenario (NPR)

December 10, 2013 8:41 AM ET

We all know the story, or think we do.

Let me tell it the old way, then the new way. See which worries you most.

Island filled with trees

Robert Krulwich/NPR

First version: Easter Island is a small 63-square-mile patch of land — more than a thousand miles from the next inhabited spot in the Pacific Ocean. In A.D. 1200 (or thereabouts), a small group of Polynesians — it might have been a single family — made their way there, settled in and began to farm. When they arrived, the place was covered with trees — as many as 16 million of them, some towering 100 feet high.

These settlers were farmers, practicing slash-and-burn agriculture, so they burned down woods, opened spaces, and began to multiply. Pretty soon the island had too many people, too few trees, and then, in only a few generations, no trees at all.

Island without trees

Robert Krulwich/NPR

As Jared Diamond tells it in his best-selling book, Collapse, Easter Island is the “clearest example of a society that destroyed itself by overexploiting its own resources.” Once tree clearing started, it didn’t stop until the whole forest was gone. Diamond called this self-destructive behavior “ecocide” and warned that Easter Island’s fate could one day be our own.

When Captain James Cook visited there in 1774, his crew counted roughly 700 islanders (from an earlier population of thousands), living marginal lives, their canoes reduced to patched fragments of driftwood.

And that has become the lesson of Easter Island — that we don’t dare abuse the plants and animals around us, because if we do, we will, all of us, go down together.

Easter Island Statues

Robert Krulwich/NPR

And yet, puzzlingly, these same people had managed to carve enormous statues — almost a thousand of them, with giant, hollow-eyed, gaunt faces, some weighing 75 tons. The statues faced not outward, not to the sea, but inward, toward the now empty, denuded landscape. When Captain Cook saw them, many of these “moai” had been toppled and lay face down, in abject defeat.

OK, that’s the story we all know, the Collapse story. The new one is very different.

A Story Of Success?

It comes from two anthropologists, Terry Hunt and Carl Lipo, from the University of Hawaii. They say, “Rather than a case of abject failure,” what happened to the people on Easter Island “is an unlikely story of success.”

Success? How could anyone call what happened on Easter Island a “success?”

Well, I’ve taken a look at their book, The Statues That Walked, and oddly enough they’ve got a case, although I’ll say in advance what they call “success” strikes me as just as scary — maybe scarier.

Here’s their argument: Professors Hunt and Lipo say fossil hunters and paleobotanists have found no hard evidence that the first Polynesian settlers set fire to the forest to clear land — what’s called “large scale prehistoric farming.” The trees did die, no question. But instead of fire, Hunt and Lipo blame rats.

Rat next to fallen trees

Robert Krulwich/NPR

Polynesian rats (Rattus exulans) stowed away on those canoes, Hunt and Lipo say, and once they landed, with no enemies and lots of palm roots to eat, they went on a binge, eating and destroying tree after tree, and multiplying at a furious rate. As a reviewer in The Wall Street Journal reported,

In laboratory settings, Polynesian rat populations can double in 47 days. Throw a breeding pair into an island with no predators and abundant food and arithmetic suggests the result … If the animals multiplied as they did in Hawaii, the authors calculate, [Easter Island] would quickly have housed between two and three million. Among the favorite food sources of R. exulans are tree seeds and tree sprouts. Humans surely cleared some of the forest, but the real damage would have come from the rats that prevented new growth.

As the trees went, so did 20 other forest plants, six land birds and several sea birds. So there was definitely less choice in food, a much narrower diet, and yet people continued to live on Easter Island, and food, it seems, was not their big problem.

Rat Meat, Anybody?

For one thing, they could eat rats. As J.B. MacKinnon reports in his new book, The Once and Future World, archeologists examined ancient garbage heaps on Easter Island looking for discarded bones and found “that 60 percent of the bones came from introduced rats.”

So they’d found a meat substitute.

Man with rat on a plate

Robert Krulwich/NPR

What’s more, though the island hadn’t much water and its soil wasn’t rich, the islanders took stones, broke them into bits, and scattered them onto open fields creating an uneven surface. When wind blew in off the sea, the bumpy rocks produced more turbulent airflow, “releasing mineral nutrients in the rock,” J.B. MacKinnon says, which gave the soil just enough of a nutrient boost to support basic vegetables. One tenth of the island had these scattered rock “gardens,” and they produced enough food, “to sustain a population density similar to places like Oklahoma, Colorado, Sweden and New Zealand today.”

According to MacKinnon, scientists say that Easter Island skeletons from that time show “less malnutrition than people in Europe.” When a Dutch explorer, Jacob Roggevin, happened by in 1722, he wrote that islanders didn’t ask for food. They wanted European hats instead. And, of course, starving folks typically don’t have the time or energy to carve and shove 70-ton statues around their island.

A ‘Success’ Story?

Why is this a success story?

Because, say the Hawaiian anthropologists, clans and families on Easter Island didn’t fall apart. It’s true, the island became desolate, emptier. The ecosystem was severely compromised. And yet, say the anthropologists, Easter Islanders didn’t disappear. They adjusted. They had no lumber to build canoes to go deep-sea fishing. They had fewer birds to hunt. They didn’t have coconuts. But they kept going on rat meat and small helpings of vegetables. They made do.

Cooked rat meal

Robert Krulwich/NPR

One niggling question: If everybody was eating enough, why did the population decline? Probably, the professors say, from sexually transmitted diseases after Europeans came visiting.

OK, maybe there was no “ecocide.” But is this good news? Should we celebrate?

I wonder. What we have here are two scenarios ostensibly about Easter Island’s past, but really about what might be our planet’s future. The first scenario — an ecological collapse — nobody wants that. But let’s think about this new alternative — where humans degrade their environment but somehow “muddle through.” Is that better? In some ways, I think this “success” story is just as scary.

The Danger Of ‘Success’

What if the planet’s ecosystem, as J.B. MacKinnon puts it, “is reduced to a ruin, yet its people endure, worshipping their gods and coveting status objects while surviving on some futuristic equivalent of the Easter Islanders’ rat meat and rock gardens?”

Humans are a very adaptable species. We’ve seen people grow used to slums, adjust to concentration camps, learn to live with what fate hands them. If our future is to continuously degrade our planet, lose plant after plant, animal after animal, forgetting what we once enjoyed, adjusting to lesser circumstances, never shouting, “That’s It!” — always making do, I wouldn’t call that “success.”

The Lesson? Remember Tang, The Breakfast Drink

People can’t remember what their great-grandparents saw, ate and loved about the world. They only know what they know. To prevent an ecological crisis, we must become alarmed. That’s when we’ll act. The new Easter Island story suggests that humans may never hit the alarm.

It’s like the story people used to tell about Tang, a sad, flat synthetic orange juice popularized by NASA. If you know what real orange juice tastes like, Tang is no achievement. But if you are on a 50-year voyage, if you lose the memory of real orange juice, then gradually, you begin to think Tang is delicious.

On Easter Island, people learned to live with less and forgot what it was like to have more. Maybe that will happen to us. There’s a lesson here. It’s not a happy one.

As MacKinnon puts it: “If you’re waiting for an ecological crisis to persuade human beings to change their troubled relationship with nature — you could be waiting a long, long time.”

Building an Ark for the Anthropocene (New York Times)

CreditJason Holley

WE are barreling into the Anthropocene, the sixth mass extinction in the history of the planet. A recent study published in the journal Science concluded that the world’s species are disappearing as much as 1,000 times faster than the rate at which species naturally go extinct. It’s a one-two punch — on top of the ecosystems we’ve broken, extreme weather from a changing climate causes even more damage. By 2100, researchers say, one-third to one-half of all Earth’s species could be wiped out.

As a result, efforts to protect species are ramping up as governments, scientists and nonprofit organizations try to build a modern version of Noah’s Ark. The new ark certainly won’t come in the form of a large boat, or even always a place set aside. Instead it is a patchwork quilt of approaches, including assisted migration, seed banks and new preserves and travel corridors based on where species are likely to migrate as seas rise or food sources die out.

The questions are complex. What species do you save? The ones most at risk? Charismatic animals, such as lions or bears or elephants? The ones most likely to survive? The species that hold the most value for us?

One initiative, the Intergovernmental Platform on Biodiversity and Ecosystem Services formed in 2012 by the governments of 121 countries, aims to protect and restore species in wild areas and to protect species like bees that carry out valuable ecosystem service functions in the places people live. Some three-quarters of the world’s food production depends primarily on bees.

“We still know very little about what could or should be included in the ark and where,” said Walter Jetz, an ecologist at Yale involved with the project. Species are being wiped out even before we know what they are.

Another project, the EDGE of Existence, run by the Zoological Society of London, seeks to protect the most unusual wildlife at highest risk. These are species that evolved on their own for so long that they are very different from other species. Among the species the project has helped to preserve are the tiny bumblebee bat and the golden-rumped elephant shrew.

While the traditional approach to protecting species is to buy land, preservation of the right habitat can be a moving target, since it’s not known how species will respond to a changing climate.

To complete the maps of where life lives, scientists have enlisted the crowd. A crowdsourcing effort called the Global Biodiversity Information Facility identifies and curates biodiversity data — such as photos of species taken with a smartphone — to show their distribution and then makes the information available online. That is especially helpful to researchers in developing countries with limited budgets. Another project, Lifemapper, at the University of Kansas Biodiversity Institute, uses the data to understand where a species might move as its world changes.

“We know that species don’t persist long in fragmented areas and so we try and reconnect those fragments,” said Stuart L. Pimm, a professor of conservation at Duke University, and head of a nonprofit organization called SavingSpecies. One of his group’s projects in the Colombian Andes identified a forest that contains a carnivorous mammal that some have described as a cross between a house cat and a teddy bear, called anolinguito, new to science. Using crowd-sourced data, “we worked with local conservation groups and helped them buy land, reforest the land and reconnect pieces,” Dr. Pimm says.

Coastal areas, especially, are getting scrutiny. Biologists in Florida, which faces a daunting sea level rise, are working on a plan to set aside land farther inland as a reserve for everything from the MacGillivray’s seaside sparrow to the tiny Key deer.

To thwart something called “coastal squeeze,” a network of “migratory greenways” is envisioned so that species can move on their own away from rising seas to new habitat. “But some are basically trapped,” said Reed F. Noss, a professor of conservation biology at the University of Central Florida who is involved in the effort, and they will most likely need to be picked up and moved. The program has languished, but Amendment 1, on the ballot this November, would provide funding.

One species at risk is the Florida panther. Once highly endangered, with just 20 individuals left, this charismatic animal has come back — some. But a quarter or more of its habitat is predicted to be under some three feet of water by 2100. Males will move on their own, but females will need help because they won’t cross the Caloosahatchee River. Experts hope to create reserves north of the river, and think at some point they will have to move females to new quarters.

Protecting land between reserves is vital. The Yellowstone to Yukon Conservation Initiative, known as Y2Y, would protect corridors between wild landscapes in the Rockies from Yellowstone National Park to northern Canada, which would allow species to migrate.

RESEARCHERS have also focused on “refugia,” regions around the world that have remained stable during previous swings of the Earth’s climate — and that might be the best bet for the survival of life this time around.

A section of the Driftless Area encompassing northeastern Iowa and southern Minnesota, also known as Little Switzerland, has ice beneath some of its ridges. The underground refrigerator means the land never gets above 50 or so degrees and has kept the Pleistocene snail, long thought extinct, from disappearing there. Other species might find refuge there as things get hot.

A roughly 250-acre refugia on the Little Cahaba River in Alabama has been called a botanical lost world, because of its wide range of unusual plants, including eight species found nowhere else. Dr. Noss said these kinds of places should be sought out and protected.

Daniel Janzen, a conservation ecologist at the University of Pennsylvania who is working to protect large tracts in Costa Rica, said that to truly protect biodiversity, a place-based approach must be tailored to the country. A reserve needs to be large, to be resilient against a changing climate, and so needs the support of the people who live with the wild place and will want to protect it. “To survive climate change we need to minimize the other assaults, such as illegal logging and contaminating water,” he said. “Each time you add one of those you make it more sensitive to climate change.”

The Svalbard Global Seed Vault, beneath the permafrost on an island in the Arctic Ocean north of mainland Norway, preserves seeds from food crops. Frozen zoos keep the genetic material from extinct and endangered animals. The Archangel Ancient Tree Archive in Michigan, meanwhile, founded by a family of shade tree growers, has made exact genetic duplicates of some of the largest trees on the planet and planted them in “living libraries” elsewhere — should something befall the original.

In 2008, Connie Barlow, a biologist and conservationist, helped move an endangered conifer tree in Florida north by planting seedlings in cooler regions. Now she is working in the West. “I just assisted in the migration of the alligator juniper in New Mexico by planting seeds in Colorado,” she said. “We have to. Climate change is happening so fast and trees are the least capable of moving.”

On the Cusp of Climate Change (New York Times)

U.S. Fish and Wildlife Service, via Associated Press

Walruses

Sea ice is critical for all parts of the walrus’s life cycle. Adults dive and eat on these frigid platforms, and females give birth and raise their pups there. But as sea ice retreats during Arctic summers, walruses are being driven ashore.

“In the summer we’ve seen the sea ice recede far to the north,” said Chadwick V. Jay, a research ecologist for the United States Geological Survey. That change is “making it very difficult for walruses to make a living.”

In five of the last seven summers, tens of thousands of female Pacific walruses and their pups have come ashore in Alaska, farther from their preferred prey: the clam, worm and snail beds in the deep waters of the Bering and Chukchi Seas.

An Animal Gamble in the Arctic (8:59) – The Arctic is changing — fast. Two experts who have spent decades working there believe that the marine mammals who call the high latitudes home are now locked into a human-forced ecological game of chance.

Sheng Li/Reuters

Tea

In China, the tea harvest depends on the monsoons: The best tea is harvested in springtime, when the weather is still dry. But climate change threatens to extend the monsoon season.

“Post monsoon season, farmers get much less from their harvest, and a lot of the chemicals that give tea its flavor drop,” said Colin M. Orians, a chemical ecologist at Tufts University. “If climate changes the onset of the monsoon season, farmers will have a shorter window in which to harvest their tea.”

Over the next four years, Dr. Orians and his team will investigate the effects of changing temperatures and rainfall on tea quality and on the livelihoods of farmers who depend on the harvest.

Todd W. Pierson/University of Georgia

Salamanders

Salamanders in the Appalachian Mountains are getting smaller, and species at lower altitudes, where the greatest drying and warming has occurred, are the most affected. One species became 18 percent smaller over 55 years.

“It could be that a change in body size is the first response to climate change,” said Karen Lips, an ecologist at the University of Maryland. “Their food may be affected, and they may be producing smaller babies.”

Dr. Lips partially relied on the data of Richard Highton, a retired ecologist from the University of Maryland who spent 50 years studying and collecting salamanders that are now preserved at the Smithsonian Institution. At the time of his retirement, he noted that salamanders were mysteriously disappearing.

“If they are not nearly as big, they may not be producing as many offspring,” Dr. Lips said.

To test the theory, Dr. Lips and her team plan to raise salamanders in incubators that mimic different climates.

Nikola Solic/Reuters

Bumblebees

Bumblebees and other pollinators are critical to global agriculture, but recent studies suggest that up to one-quarter of Europe’s bumblebee population may die out.

Researchers say that climate change is at least partly to blame, along with disease and loss of habitat.

Scientists estimate that pollinators indirectly contribute about $30 billion a year to the European economy.  “Pollinators are essential to our population,” said Jean-Christophe Vié, deputy director of the species program at the International Union for Conservation of Nature in Switzerland.

Felix Kaestle/European Pressphoto Agency

Roe Deer

Roe deer, a small, reddish-brown species that flourishes all over Europe, give birth when new plant growth provides ample nutritious food for the mother. But flowers are blooming earlier than they used to, and the deer are missing their meals.

Researchers tracked deer births from 1985 to 2011 in the Champagne region of northeastern France, where average spring temperatures have steadily increased and flowering time is coming gradually earlier. The study is online in PLOS Biology.

The deer time their fertility by light availability, not temperature. With earlier springs, they are now giving birth too late to take advantage of the best food.

Using data on 1,095 births, the scientists calculated that the mismatch between flowering time and birth over the period had grown by 36 days.

The researchers estimate that deer fitness declined by 6 percent over the period, and by 14 percent in 2007 and 2011, when flowering was particularly early.

“Roe deer are very dependent on large quantities of high quality food, and the critical stage is the first week’s supply,” said the lead author, Jean-Michel Gaillard, a director of research at the National Center for Scientific Research at the University of Lyon. “Unlike birds, for example, that can migrate and breed earlier, roe deer cannot.”

Marcelo Del Pozo/Reuters

Olives

In the Mediterranean Basin, small olive farms can support entire families. Olive trees are notoriously drought-resistant, and even in arid ecosystems they attract migratory birds and a host of insect species.

But as the region warms, some olive trees will not be as productive.

“In the south, you’re going to see a lower crop yield,” said Andrew Paul Gutierrez, an ecologist at the University of California, Berkeley. “In marginal areas, the farmers will just go out of business.”

Dr. Gutierrez and his colleagues predict that some local farmers ultimately will have to abandon their orchards, leaving barren swaths of desert where biodiversity once flourished.

Tom McHugh/Science Source

Lemmings

Contrary to myth, lemmings do not commit mass suicide. But populations do rise and fall in predictable cycles, to the benefit and detriment of predators like arctic foxes and migratory birds.

Recently, scientists noticed that some groups of lemmings have died off.

“The lemming cycle is the heartbeat of the terrestrial Arctic,” said Nicolas Lecomte, a biologist at the University of Moncton in Canada. “Now we’re seeing the collapse of the main prey of many terrestrial predators.”

Lemmings survive harsh winters by hiding in the snow. When warmer temperatures bring off-season rain, that snow turns to ice, and the lemmings cannot burrow.

Dr. Lecomte has found that as lemmings die off en masse, the fragile Arctic ecosystem is growing weaker.

Asit Kumar/Agence France-Presse – Getty Images

Wheat, Rice and Corn

If wheat, rice and corn are going to continue to feed the world, the crops will have to adapt to warmer temperatures. The latest report from the Intergovernmental Panel on Climate Change offers some predictions.

The analysis, published last spring in Nature Climate Change, concluded that a 3.6 degree Fahrenheit increase in temperature will bring a significant decline in crop yields.

Most projections see a decrease from 2030 onward, with greater decreases in the 2040s and 2050s.

Selective breeding and changes in irrigation methods, pest control, fertilization and planting dates may compensate, partially, for the temperature change. But most of these adaptations will work better in temperate regions, while tropical crop yields will continue to decline.

Extreme weather events — another consequence of climate change — will affect yields year-to-year in ways that are difficult to forecast.

“There are two pieces of bad news here,” said the lead author of the I.P.C.C report, Andy J. Challinor, a professor of climate impact at the University of Leeds in England. “One is that average yields are going down. The other is that yields in any given year will be less reliable.”

Patrick Kerwin

Sharks

Sharks pursue their prey partly by odor, but rising carbon dioxide levels may severely impair their sense of smell.

Scientists used the smooth dogfish, a small shark, as an experimental animal. They created tanks in which some jets of water held the odor of squid, a favorite food, or no odor at all. The water in the tanks also contained varying levels of carbon dioxide.

With carbon dioxide levels resembling today’s, the sharks spent 60 percent of their time nosing about the plume with the squid odor. But in water with carbon dioxide concentrations predicted for the year 2100, the animals actively avoided the jet with the food odor, spending only 15 percent of their time there.

Any change in shark feeding habits might affect other species as well.

“There might be a decrease in hunting behavior among sharks, and an increase in prey animals as a result,” said a co-author, Ashley R. Jennings, a researcher at Boston University. “That’s assuming the prey animals aren’t being affected by CO₂ as well.”

Sue-Ann Watson

Conch Snails

As the oceans gather carbon, a small sea snail that lives in the Great Barrier Reef risks losing its famous ability to leap.

The conch snail jumps to escape from a predator, also a sea snail, that tries to inject it with a poisonous dart.

In laboratory experiments in water with increased carbon dioxide levels, the snails were 50 percent less likely to jump. And snails that did jump took nearly twice as long to do so.

The carbon dioxide and acidity disrupt a neurotransmitter receptor in the snail’s nervous system, one that other marine animals also rely on.

“They are very widespread,” said Sue-Ann Watson, a biologist at James Cook University in Australia. “It could affect many marine animals and their behaviors.”

Oceans today are 30 percent more acidic than they were 250 years ago, when the Industrial Revolution started. And it is getting worse.

“By the end of the century, if we carry on with business as usual, they will be 150 percent more acidic than they were 250 years ago,” Dr. Watson said.

Gifford Miller

Moss

As Arctic temperatures rise every summer, some of the ice on Canada’s Baffin Island melts, revealing the moss trapped underneath. Now, using radiocarbon dating, researchers have determined that until recently some of that moss hadn’t seen daylight in 44,000 years.

The melting ice not only gives scientists the chance to study ancient moss, but adds to evidence that climate change is caused by human activities, not Earth’s natural warming and cooling cycle, said Gifford H. Miller, a geologist at the University of Colorado.

“Cyclical warming is mostly related to the Earth’s irregular orbit around the sun,” he said. The Earth warms when it’s nearer the sun and cools when it’s farther away.

“For the past 10,000 years, we’ve been getting farther away,” he said. The exposure of such ancient moss suggests “the Arctic is now experiencing warmer summers than at any time since the end of the Ice Age.”

Science/Associated Press

Chickadees

Black-capped chickadees are commonly found in the Northeastern United States. Carolina chickadees make their home in the Southeast. Between them is a narrow zone in which both breeds reproduce in the spring.

As winter temperatures have risen over the past decade, the birds’ social scene has moved steadily northward. Today, it is about seven miles farther north than it was in 2004.

The reason? Carolina chickadees are trying to move north — like many other species dealing with climate change — and are running into the black-caps.

“As they start interacting with the black-caps, they try to hybridize,” said Robert L. Curry, a biologist at Villanova University who has studied the birds. But a high percentage of the hybrid eggs don’t hatch, he has found, and hybrid chickadees are probably less fertile.

This is unfortunate for both species in the short term, but it would be even worse for two species not accustomed to mixing.

“This is a model for what could happen if you had an introduced species moving into a new area because of climate change, then come in contact with a species it’s never met before,” Dr. Curry said.

David Inouye

Wildflowers

To everything there is a season — including, of course, the flowering of plants. But a warming climate is changing the timing in complicated ways.

Scientists reviewed 39 years of records of flowering plants in the Rocky Mountains in Colorado, a period in which each decade saw a 0.72 degree Fahrenheit increase in average summer temperatures and a 3.5-day earlier spring snow melt.

The resulting study, published in Proceedings of the National Academy of Sciences last spring, found considerable variation in the changes in flowering, and a much larger number of species affected than previously believed.

Some form of flowering change occurred in 41 of 60 species examined. On average, first flowering advanced by 3.3 days per decade, peak flowering by 2.5 days, and final flowering by 1.5 days.

“The changes in the flower community are potentially reshuffling what’s available for the pollinators,” said a co-author, Amy M. Iler, a postdoctoral researcher at the Rocky Mountain Biological Laboratory. “We don’t know what all the consequences will be. It’s likely it will be good for some and bad for others.”

Dr. Andrew Weeks

Fruit Flies

As temperatures rise, insect populations may relocate around the globe in search of more hospitable environments. But it is the extreme highs, not just the average rise in temperatures, that may determine where they end up.

Scientists studied 10 different fruit fly species in Australia (both temperate and tropical), noting the temperature ranges each preferred for mating and everyday life, and their thresholds for extreme hot and cold.

All the species lived in environments where temperatures were sometimes less than optimal, the researchers found, but none chose places that forced them to endure extreme heat.

“Many species might undergo seasons where conditions are not optimal for growth and reproduction,” said Johannes Overgaard, a biologist at Aarhus University in Denmark and an author of the study. “They just survive the season. But what they can’t survive is temperatures beyond their threshold.”

This is bad news for the insects in Australia, who might find themselves with fewer habitable lands as extreme conditions dominate the continent. Whether this will also hold true for other continents is not yet known, Dr. Overgaard said.

Kelly Shimoda for The New York Times

Rock Snot

An unsightly algae known as “rock snot” has been surfacing in lake waters in Eastern Canada.

“It looks like torn-up toilet paper that is attached to rocks,” said John Smol, a biologist at Queen’s University in Ontario who is studying the algae’s growth. “It’s an aesthetic issue, and as it decomposes it becomes a smell issue.”

Rock snot, or didymo, was thought of as an invasive species introduced by humans. But an analysis of fossilized algae in the lakes indicates that it is native.

The algae was present in one lake in Quebec since at least 1970, 36 years before it was first noticed, Dr. Smol’s team found.

Didymo tends to grow in flowing waters. Warmer winters may be producing less ice and snow that disrupt the flow.

Over time, the rock snot will become much more than an eyesore, Dr. Smol said. It will displace other organisms and destroy fish habitats.

F. Stuart Westmorland/Science Source

Coral Reefs

Ocean acidification endangers coral in every ocean. But researchers haverecently discovered unusual reefs in Palau that are thriving in increasingly acidicified waters.

Ocean acidification occurs when carbon emitted by human activities mixeswith ocean waters. This decreases carbonate ions in the water, which coral andother organisms need to form their protective shells.

Yet in 2012, researchers working in the waters off Palau identified coralreefs that were both extremely acidified and very healthy. What’s differentabout these reefs, said Kathryn Shamberger, anoceanographer at Texas A&M University, is that the waters became acidifiedthrough natural means.

“The growth of the reef itself and the breathing of the organisms onthe reef,” not man-made emissions, added carbon to the water, she said.

In a typical reef these products would be flushed out before they could havemuch effect. But the waters in Palau pool around its many small islands.

Might reefs suffering from man-made acidification survive as well as these?Dr. Shamberger and others are trying to figure thatout.

Eric Sanford

Shellfish

Increasing ocean acidity makes it difficult for marine species to build their shells and, by softening calcium carbonate, makes shells weaker. That’s bad news not only for clams, oysters and scallops, but for tens of thousands of lesser known species — echinoderms like star fish and sea urchins, colonies of tiny invertebrates, reef corals and many others.

In June, The Biological Bulletin devoted an issue to research on ocean calcification with papers and reviews on a large variety of organisms.

“Climate change and ocean acidification are going to manifest themselves in the ways species interact — eating each other, facilitating each other’s growth,” said an editor of the issue, Gretchen Hofmann, a marine biologist at the University of California, Santa Barbara.

And yet, she added, there is some hope. “In coastal areas there are plants that actually change the pH of the water — in a good way. Eel grass and surf grasses can provide refuge from future acidification.”

Sophie McCoy

Coral Algae

Coralline algae are the cement that binds many reefs together. By filling the gaps between corals with a hard outer shell, these algae fortify the reef and provide shelter for growing organisms.

To produce that shell, this special algae — much like oysters and snails — require a steady supply of carbonate. But as carbonate becomes harder and harder to come by in increasingly acid oceans, the once-dominant species of coralline algae can no longer grow shells as thick as they once were. Other species are moving in to claim more territory.

For now, it might not be so bad to give these competitors a chance, said Sophie McCoy, an ecologist with the Plymouth Marine Laboratory in England, who lead a study on the phenomenon when she was at the University of Chicago earlier this year.

“In the short term, I think it might be a good thing in terms of local biodiversity,” she said. In the long run, however, “all the species of this algae will start to be affected.”

That could mean less coral overall, and less habitat for the organisms that call it home.

Michael Francis McElroy for the New York Times

Invasive Species

Biological intruders, from California’s medflies to Florida’s Burmese pythons, cost the United States billions of dollars every year. Rising temperatures and changing weather patterns may make them even harder to control.

“Biology can be very complicated, especially when climate change comes in,” said Andrew Paul Gutierrez, an ecologist at the University of California, Berkeley. “That’s going to affect these species in unknown ways.”

In a book on the subject, Dr. Gutierrez notes one jarring possibility: that higher temperatures may invite still more invasive species into fragile ecosystems.

Jim Gathany/Center for Disease Control

Malaria

Historically, the highlands of Ethiopia offered protection from deadly, mosquito-borne malaria. But perhaps not for much longer.

The disease was mitigated at higher altitudes, where cooler temperatures kept mosquitoes in check. Now, malaria is spreading into higher elevations during warmer years, then back into lower altitudes when temperatures cool.

Looking at temperature records from the two regions, there is a clear link between the changing climate and higher rates of the disease, said Mercedes Pascual, an ecologist at the University of Michigan.

“The disease is seasonal,” she said. “But climate change here could make the problem much bigger.”

She and her colleagues found that a 1.8 degree Fahrenheit temperature increase could result in an additional three million malaria cases annually in Ethiopia among those under age 15.

Força-tarefa internacional fará diagnóstico sobre polinização no mundo (Fapesp)

23 de setembro de 2014

Por Elton Alisson

Primeira avaliação da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos será sobre polinizadores, polinização e produção de alimentos. Trabalho é coordenado por pesquisador inglês e por brasileira (foto: Wikimedia)

Agência FAPESP – Um grupo de 75 pesquisadores de diversos países-membros da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), que reúne 119 nações de todas as regiões do mundo, fará uma avaliação global sobre polinizadores, polinização e produção de alimentos.

O escopo do projeto foi apresentado na última quarta-feira (17/09) em São Paulo, no auditório da FAPESP, em um encontro de integrantes do organismo intergovernamental independente, voltado a organizar o conhecimento sobre a biodiversidade no mundo e os serviços ecossistêmicos.

“A ideia do trabalho é avaliar todo o conhecimento existente sobre polinização no mundo e identificar estudos necessários na área para auxiliar os tomadores de decisão dos países a formular políticas públicas para a preservação desse e de outros serviços ecossistêmicos prestados pelos animais polinizadores”, disse Vera Imperatriz Fonseca, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITVDS), à Agência FAPESP.

“Já estamos conhecendo melhor o problema [da crise da polinização no mundo]. Agora, precisamos identificar soluções”, disse a pesquisadora, que coordena a avaliação ao lado de Simon Potts, professor da University of Reading, do Reino Unido.

De acordo com Fonseca, há mais de 100 mil espécies de animais invertebrados polinizadores no mundo, dos quais 20 mil são abelhas. Além de insetos polinizadores – que serão o foco do relatório –, há também cerca de 1,2 mil espécies de animais vertebrados, tais como pássaros, morcegos e outros mamíferos, além de répteis, que atuam como polinizadores.

Estima-se que 75% dos cultivos mundiais e entre 78% e 94% das flores silvestres do planeta dependam da polinização por animais, apontou a pesquisadora.

“Há cerca de 300 mil espécies de flores silvestres que dependem da polinização por insetos”, disse Fonseca. “O valor anual estimado desse serviço ecossistêmico prestado por insetos na agricultura é de US$ 361 bilhões. Mas, para a manutenção da biodiversidade, é incalculável”, afirmou.

Nos últimos anos registrou-se uma perda de espécies nativas de insetos polinizadores no mundo, causada por, entre outros fatores, desmatamento de áreas naturais próximas às lavouras, uso de pesticidas e surgimento de patógenos.

Se o declínio de espécies de insetos polinizadores se tornar tendência, pode colocar em risco a produtividade agrícola e, consequentemente, a segurança alimentar nas próximas décadas, disse a pesquisadora.

“A população mundial aumentará muito até 2050 e será preciso produzir uma grande quantidade de alimentos com maior rendimento agrícola, em um cenário agravado pelas mudanças climáticas. A polinização por insetos pode contribuir para solucionar esse problema”, afirmou Fonseca.

Segundo um estudo internacional, publicado na revista Current Biology, estima-se que o manejo de colmeias de abelhas utilizadas pelos agricultores para polinização – como as abelhas domésticas Apis mellifera L, amplamente criadas no mundo todo – tenha aumentado em cerca de 45% entre 1950 e 2000.

As áreas agrícolas dependentes de polinização, no entanto, também cresceram em mais de 300% no mesmo período, apontam os autores da pesquisa.

“Apesar de ter aumentado o manejo de espécies de abelhas polinizadoras, precisamos muito mais do que o que temos no momento para atender às necessidades da agricultura”, avaliou Fonseca.

O declínio das espécies de polinizadores no mundo estimula a polinização manual em muitos países. Na China, por exemplo, é comum o comércio de pólen para essa finalidade, afirmou a pesquisadora.

“Na ausência de animais para fazer a polinização, tem sido feita a polinização manual de lavouras de culturas importantes, como o dendê e a maçã. No Brasil se faz a polinização manual de maracujá , tomate e de outras culturas”, disse.

Falta de dados

Segundo Fonseca, já há dados sobre o declínio de espécies de abelhas, moscas-das-flores (sirfídeos) e de borboletas na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e no Japão.

Um estudo internacional, publicado no Journal of Apicultural Research, apontou perdas de aproximadamente 30% de colônias de Apis mellifera L em decorrência da infestação pelo ácaro Varroa destructor, que diminui a vida das abelhas e, consequentemente, sua atividade de polinização nas flores, em especial nos países do hemisfério Norte.

Na Europa, as perdas de colônias de abelhas em decorrência do ácaro podem chegar a 53% e, no Oriente Médio, a 85%, indicam os autores do estudo. No entanto, ainda não há estimativas sobre a perda de colônias e de espécies em continentes como a América do Sul, África e Oceania.

“Não temos dados sobre esses continentes. Precisamos de informações objetivas para preenchermos uma base de dados sobre polinização em nível mundial a fim de definir estratégias de conservação em cada país”, avaliou Fonseca. “Também é preciso avaliar os efeitos de pesticidas no desaparecimento das abelhas em áreas agrícolas, que têm sido objeto de estudos e atuação dos órgãos regulatórios no Brasil.”

Outra grande lacuna a ser preenchida é a de estudos sobre interações entre espécies de abelhas polinizadoras nativas com as espécies criadas para polinização, como as Apis mellifera L.

Um estudo internacional publicado em 2013 indicou que, quando as Apis mellifera L e as abelhas solitárias atuam em uma mesma cultura, a taxa de polinização aumenta significativamente, pois elas se evitam nas flores e mudam mais frequentemente de local de coleta de alimento, explicou Fonseca.

De acordo com a pesquisadora, uma solução para a polinização em áreas agrícolas extensas tem sido o uso de colônias de polinizadores provenientes da produção de colônias em massa, como de abelhas Bombus terrestris, criadas em larga escala e inclusive exportadas.

Em 2004, foi produzido 1 milhão de colônias dessa abelha para uso na agricultura.

Na América do Sul, o Chile foi o primeiro país a introduzir essas abelhas para polinização de frutas e verduras. Em algumas áreas onde foi introduzida, entretanto, essa espécie exótica de abelha mostrou ser invasora e ter grande capacidade de ocupar novos territórios.

“É preciso estudar mais a interação entre as espécies para identificar onde elas convivem, qual a contribuição de cada uma delas na polinização e se essa interação é positiva ou negativa”, indicou Fonseca.

“Além disso, a propagação de doenças para as espécies nativas de abelhas causa preocupação e deve ser um foco da pesquisa nos próximos anos”, indicou.

Problema global

De acordo com Fonseca, a avaliação intitulada Polinizadores, polinização e produção de alimentos, do IPBES, está em fase de redação e deverá ser concluída no fim de 2015.

Além de um relatório técnico, com seis capítulos de 30 páginas cada, a avaliação também deverá apresentar um texto destinado aos formuladores de políticas públicas sobre o tema, contou.

“A avaliação sobre polinização deverá contribuir para aumentar os esforços de combate ao problema do desaparecimento de espécies de polinizadores no mundo, que é urgente e tem uma relevância política e econômica muito grande, porque afeta a produção de alimentos”, afirmou.

A avaliação será o primeiro diagnóstico temático realizado pelo IPBES e deverá ser disponibilizada para o público em geral em dezembro de 2015. O painel planeja produzir nos próximos anos outros levantamentos semelhantes sobre outros temas como espécies invasoras, restauração de habitats e cenários de biodiversidade no futuro.

Uma estratégia adotada para tornar os diagnósticos temáticos mais integrados foi a criação de forças-tarefa – voltadas à promoção da capacitação profissional e institucional, ao aprimoramento do processo de gerenciamento de dados e informações científicas e à integração do conhecimento tradicional indígena e das pesquisas locais aos processos científicos –, que deverão auxiliar na produção do texto final.

“O IPBES trabalha em parceria com a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], Unep [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], CBD [Convention on Biological Diversity], Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] e todos os esforços anteriores que trataram do tema de polinização”, afirmou Fonseca.

A polinização foi o primeiro tópico a ser escolhido pelos países-membros da plataforma intergovernamental, entre outras razões, por ser um problema global e já existir um grande número de estudos sobre o assunto, contou Carlos Joly, coordenador do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP) e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES.

“Como já há um arcabouço muito grande de dados sobre esse tema, achamos que seria possível elaborar rapidamente uma síntese. Além disso, o tema tem um impacto global muito grande, principalmente por estar associado à produção de alimentos”, avaliou Joly.

Os 75 pesquisadores participantes do projeto foram indicados pelo Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES, que se baseou nas indicações recebidas dos países-membros e observadores da plataforma intergovernamental.

Dois do grupo são escolhidos para coordenar o trabalho, sendo um de um país desenvolvido e outro de uma nação em desenvolvimento.

“O convite e a seleção da professora Vera Imperatriz Fonseca como coordenadora da avaliação é reflexo da qualidade da ciência desenvolvida nessa área no Brasil e da experiência dela em trabalhar com diagnósticos nacionais”, avaliou Joly. “Gostaríamos de ter mais pesquisadores brasileiros envolvidos na elaboração dos diagnósticos do IPBES.”

Leia mais sobre a reunião do IPBES na sede da FAPESP em  http://agencia.fapesp.br/painel_intergovernamental_discute_capacitacao_para_pesquisas_em_biodiversidade/19840/

Preserving Biocultural Diversity (New York Times)

 

In a small classroom in the foothills of the Rocky Mountains, a little girl sits, her face knitted in concentration. “Nitóxka, nátoka, niuóxka” — one, two, three — she slowly counts out, just as generations of other Piegan children have before her. Meanwhile, half a world away on the lower slopes of Mount Gorongosa in southern Africa, another little girl races excitedly about a field with her friends, gathering as many bugs as quickly as possible. She takes one particularly fetching find to a man who identifies it as a praying mantis, member of the family Mantidae, and adds it to a running tally.

What do these two far-flung scenes have in common? Each of these girls is, in her own unassuming way, making a contribution to preserving the world’s cultural and biological diversity.

The first is learning her indigenous language, a dialect of Blackfeet, in an immersion program in Montana. The second is taking part in a bioblitz on the outskirts of Gorongosa National Park in Mozambique — an organized effort, under the direction of a scientist, in which ordinary people collect and add up as many species as they can in a defined area within a set time. In this case, the scientist is none other than the biologist Edward O. Wilson, one of the world’s greatest champions of biodiversity, who recalls the scene in his newest book, “A Window on Eternity.” By counting, each little girl is learning how to keep track of the differences she will encounter in the world.

Most of us think of nature and culture as belonging to two separate domains. One contains items such as butterflies, the Amazon rainforest and photosynthesis; the other, things like wedding ceremonies, Beethoven’s piano sonatas and sushi. But in fact nature and culture — which we can think of as two great realms of diversity in which all the world’s differences are registered — often interpenetrate. These areas of overlap are now often described by a new term: biocultural diversity.

We see the commonalities clearly when we look at two fundamental components of biological and cultural diversity: species and languages. Both evolve via a process of descent with modification, although cultural evolution is far more rapid than biological evolution. Both can be classified into closely related families that share a common ancestor. Both coincide geographically, with highest diversity in the tropics and lowest at the poles. And both are threatened with extinction on a scale never before seen in history.

How deep is the threat to biocultural diversity? In a new report, “Biocultural Diversity: Threatened Species, Endangered Languages,” we compare the status of and trends in biological and linguistic diversity around the world. Because species and languages are alike in many ways, we use methods originally developed by biologists and adapt them to measure global linguistic diversity. Our analysis shows that at least 25 percent of the world’s 7,000 languages are threatened with extinction, compared with at least 30 percent of amphibians, 21 percent of mammals, 15 percent of reptiles and 13 percent of birds.

We also developed a new Index of Linguistic Diversity that captures the recent general trend in which a few of the world’s largest languages are “cornering the market” as speakers shift away from smaller ones. When we superimpose the global trend line of our new index upon that of the Living Planet Index, a well-respected measure of the rate at which biodiversity is declining, the result is astonishing: They track one another almost perfectly, with both falling about 30 percent between 1970 and 2009.

Why is this happening? The ultimate reason is globalization. We now live in a world where the dominant economic and political forces are aligned to encourage uniformity and the seamless global interchange of products and information. Government policies generally favor developing resources for human use, which simplifies the landscape as it destroys wild animal and plant habitats. Similar policies promote linguistic unification either directly, through sanctions on minority language use, or indirectly, such as by concentrating economic opportunities in cities, thereby making it more difficult for the rural areas in which most languages evolved to remain viable places for the next generation of speakers.

Many of us are uneasy about the proposition that erasing differences is the only route to well-being. But almost inevitably, the facts and figures, all of them pointing toward death and disappearance, make our deepest longings seem puny by comparison. Overwhelmed by trend lines, confused and dispirited, we fall victim to a kind of moral paralysis in which we do not act to protect what we value most because we think we cannot legitimately justify why we care in the first place.

The late Darrell Kipp knew this well. He co-founded the Blackfeet immersion program in Montana as part of a lifetime dedicated to preserving that language. In a guidebook widely used by other Native American language activists, Kipp hammered home that the only obstacle to setting forth is our own feeling of helplessness. “Don’t wait, even if you can’t speak the language,” he urged. “In the beginning, I knew thirty words, then fifty, then sixty. One day I woke up and realized I was dreaming in Blackfeet.”

The dual extinction crisis is actually a golden opportunity for new directions in conservation. If biodiversity organizations joined forces with advocates for linguistic and cultural self-determination, there would be a double payoff. Traditional ecological knowledge that has evolved over millennia among indigenous peoples living in a diversity of Earth’s ecosystems is being rapidly lost as the languages which encode that knowledge disappear. By working together with biologists, field linguists could help to maintain those cultural treasure troves. Conservation biologists could benefit from applying some of that traditional knowledge to their own work. By combining expertise, not only would biocultural diversity be conserved in the environments in which it evolved, but time-tested traditional environmental knowledge could be shared and adapted as appropriate to the wider landscape.

Some of this is already happening. For example, a recent study by scientists in collaboration with Canada’s Taku River Tlingit First Nation used in-depth interviews with tribal members, each with many years’ experience closely observing woodland caribou, to develop a habitat model to help recover this endangered species. When compared with a model created using Western scientific methods alone, the First Nation model correctly identified the caribou’s preference for using frozen lakes as part of its winter habitat — an important nuance that was missed by the Western model. Knowledge of this kind is valuable for our understanding of wildlife ecology and management. The Tlingit language, however, is now spoken by fewer than 1,000 people and is critically endangered.

This kind of cross-cutting conservation work is increasing, but much of what is going on is at the grass roots, far under the radar. From Montana to Mozambique, everyday people are dreaming dreams of a world whose differences are valued and protected. There are many powerful forces arrayed against the continuation of our planet’s generative capacity, and many of these same forces stand to benefit if the world’s cultures are homogenized. But on the other side of the equation is the cumulative power of millions of individuals who know that diversity in nature and culture is the genuine condition of life on Earth.

David Harmon is executive director of the George Wright Society, which promotes support for protected areas and cultural sites, and a co-founder of Terralingua, an NGO devoted to biocultural diversity. Jonathan Loh is a biologist specializing in biological and cultural diversity, and an honorary research associate of the Zoological Society of London.

Evolution in rainforest flies points to climate change survival (Science Daily)

Date: July 29, 2014

Source: Monash University

Summary: Scientists believe some tropical species may be able to evolve and adapt to the effects of climate change. The new findings suggests some sensitive rainforest-restricted species may survive climate change and avoid extinction. But only if the change is not too abrupt and dramatically beyond the conditions that a species currently experiences.


Scientists believe some tropical species may be able to evolve and adapt to the effects of climate change. Credit: © Banana Republic / Fotolia

Scientists believe some tropical species may be able to evolve and adapt to the effects of climate change.

The new findings published in the journal,Proceedings of the Royal Society B, suggests some sensitive rainforest-restricted species may survive climate change and avoid extinction. But only if the change is not too abrupt and dramatically beyond the conditions that a species currently experiences.

Previous research offered a bleak prospect for tropical species’ adaptation to climate change, now researchers from Monash University believe the situation may not be quite so hopeless.

One of the lead researchers, Dr Belinda Van Heerwaarden said the impact of climate change on the world’s biodiversity is largely unknown.

“Whilst many believe some species have the evolutionary potential to adapt no one really knows for sure, and there are fears that some could become extinct.”

Dr Van Heerwaarden and Dr Carla M. Sgrò, from the Faculty of Science extended on an experiment from the 2000s in which tropical flies native to Australian rain forests called Drosophila birchii, were taken out of the damp rainforest and exposed to very dry conditions, mimicking the effects of potential climate change.

In the original experiment the flies died within hours and despite rescuing those that survived longest and allowing them to breed for over 50 generations, the flies were no more resistant, suggesting they didn’t have the evolutionary capacity to survive.

In Dr Van Heerwaarden and Dr Sgrò’s version they changed the conditions from 10 per cent to 35 per cent humidity.

“The first experiment tested whether the flies could survive in 10 per cent relative humidity. That’s an extreme level that’s well beyond the changes projected for the wet tropics under climate change scenarios over the next 30 years.”

“In our test we decreased the humidity to 35 per cent, which is much more relevant to predictions of how dry the environment will become in the next 30 to 50 years. We discovered that when you change the environment, you get a totally different answer,” Dr Van Heerwaarden said.

Whilst on average most of the flies died after just 12 hours, some survived a little longer than others. By comparing different families of flies, the researchers discovered the difference in the flies’ resistance is influenced by their genes.

To test this theory the longest-living flies were rescued and allowed to breed. After just five generations, one species evolved to survive 23 per cent longer in 35 per cent humidity.

As well as looking at the potential impact of climate change, the research also highlights the importance of genetic diversity within species.

Dr Sgrò said this finding suggests there is genetic variation present in these flies, which means they can evolve in response to climate change.

“Tropical species make up the vast majority of the world’s biodiversity and climactic models predict these will be most vulnerable to climate change. However these models do not consider the extent to which evolutionary response may buffer the negative impacts of climate change.”

“Our research indicates that the genes that help flies temporarily survive extreme dryness are not the same as those that help them resist more moderate conditions. The second set of genes are the ones that enable these flies to adapt,” she said.

“We have much work to do but this experiment gives us hope that some tropical species have the capacity to survive climate change,” said Dr Sgrò.

The results mean that other species thought to be at serious risk might have some hope of persisting a little longer under climate change than previously thought.

The next phase of the research study will see Dr Van Heerwaarden and Dr Carla M. Sgrò investigate whether the climactic stress tolerated by the tropical flies extends to other species.

Journal Reference:

  1. B. van Heerwaarden, C. M. Sgro. Is adaptation to climate change really constrained in niche specialists? Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 2014; 281 (1790): 20140396 DOI: 10.1098/rspb.2014.0396

Luxury cruise line accused of offering ‘environmental disaster tourism’ with high-carbon footprint Arctic voyage (The Independent)

Cruise passengers will pay upwards of £12,000 to see polar bears and humpback whales in their natural habitat – before it disappears

ADAM WITHNALL
Tuesday 29 July 2014

A luxury cruise operator in the US has announced it will offer a “once-in-a-lifetime” trip to experience the environmental devastation of the Arctic – using a mode of transport that emits three times more CO2 per passenger per mile than a jumbo jet.

It will be the first ever leisure cruise through the Northwest Passage, only accessible now because of the melting of polar ice, and is being marketed at those with an interest in witnessing the effects of climate change first-hand.

Tickets for the trip, scheduled for 16 August 2016 and organised by Crystal Cruises, will cost between $20,000 (£12,000) and $44,000.

Yet there is no mention on Crystal Cruises’ promotion or FAQ for the journey of the boat’s own carbon footprint.

Up to 1,070 passengers will be taken on the 32-day expedition to see seals, walruses, humpback whales and musk-ox – though the company admits there is “no guarantee” of catching a glimpse of a polar bear.

The bulk of the voyage will take place on the Crystal Serenity, a 68,000-ton, 13-deck ship, though it will also be accompanied by an escort vessel and a helicopter.

Popular Science described the trip as “environmental disaster tourism”, and quoted research which suggests that the carbon footprint of a cruise ship, per passenger per mile covered, is triple that of a Boeing 747 flight.

The company said passengers may be able to see endangered polar bears while on the cruise

The company said passengers may be able to see endangered polar bears while on the cruise

The cruise promotion was criticised by social media users for giving people the opportunity to “see/help ruin the environment”, “watch the ravages of global warming in person and become a human vulture” and take a “high-carbon-footprint cruise to watch polar bears drown”.

World Ocean Observatory wrote: “Is no place safe from our intrusion, waste, and consumption?”

In an FAQ on its website, Crystal Cruises said 14 experts would be accompanying guests on the cruise to give lectures about the impacts on the environment around them of climate change, as well as the “historic” nature of their inaugural journey down the Northern Passage.

Company executive Thomas Mazloum told the website GCaptain: “During this voyage, speakers will enlighten guests on information regarding climate change, and how it has impacted this passage.

“With the recent retreat of polar ice, the time is right for us to lead the way within the travel industry, as Crystal has done throughout our 25-year history.”

Under the heading of “Environmental” on its FAQ, Crystal Cruises said both the main ship and escort vessel would “voluntarily use Marine Gas Oil, a low-sulphur fuel… well in excess of the existing environmental regulations”.

Global wildlife decline driving slave labor, organized crime (Science Daily)

Date: July 24, 2014

Source: University of California – Berkeley

Summary: Global decline of wildlife populations is driving increases in violent conflicts, organized crime and child labor around the world, according to a experts. Researchers call for biologists to join forces with experts such as economists, political scientists, criminologists, public health officials and international development specialists to collectively tackle a complex challenge.


Global decline of wildlife populations is driving increases in violent conflicts, organized crime and child labor around the world, according to a policy paper led by researchers at the University of California, Berkeley. The authors call for biologists to join forces with experts such as economists, political scientists, criminologists, public health officials and international development specialists to collectively tackle a complex challenge.

The paper, to be published Thursday, July 24, in the journal Science, highlights how losses of food and employment from wildlife decline cause increases in human trafficking and other crime, as well as foster political instability.

“This paper is about recognizing wildlife decline as a source of social conflict rather than a symptom,” said lead author Justin Brashares, associate professor of ecology and conservation at UC Berkeley’s Department of Environmental Science, Policy and Management. “Billions of people rely directly and indirectly on wild sources of meat for income and sustenance, and this resource is declining. It’s not surprising that the loss of this critical piece of human livelihoods has huge social consequences. Yet, both conservation and political science have generally overlooked these fundamental connections.”

Fishing and the rise of piracy

Fewer animals to hunt and less fish to catch demand increasingly greater effort to harvest. Laborers — many of whom are children — are often sold to fishing boats and forced to work 18-20 hour days at sea for years without pay.

“Impoverished families are relying upon these resources for their livelihoods, so we can’t apply economic models that prescribe increases in prices or reduced demand as supplies become scarce,” said Brashares. “Instead, as more labor is needed to capture scarce wild animals and fish, hunters and fishers use children as a source of cheap labor. Hundreds of thousands of impoverished families are selling their kids to work in harsh conditions.”

The authors connected the rise of piracy and maritime violence in Somalia to battles over fishing rights. What began as an effort to repel foreign vessels illegally trawling through Somali waters escalated into hijacking fishing — and then non-fishing — vessels for ransom.

“Surprisingly few people recognize that competition for fish stocks led to the birth of Somali piracy,” said Brashares. “For Somali fishermen, and for hundreds of millions of others, fish and wildlife were their only source of livelihood, so when that was threatened by international fishing fleets, drastic measures were taken.”

The authors also compared wildlife poaching to the drug trade, noting that huge profits from trafficking luxury wildlife goods, such as elephant tusks and rhino horns, have attracted guerilla groups and crime syndicates worldwide. They pointed to the Lord’s Resistance Army, al-Shabab and Boko Haram as groups known to use wildlife poaching to fund terrorist attacks.

Holistic solutions required

“This paper begins to touch the tip of the iceberg about issues on wildlife decline, and in doing so the authors offer a provocative and completely necessary perspective about the holistic nature of the causes and consequences of wildlife declines,” said Meredith Gore, a Michigan State University associate professor in the nascent field of conservation criminology who was not part of the study.

As potential models for this integrated approach, the authors point to organizations and initiatives in the field of climate change, such as the Intergovernmental Panel on Climate Change, and the United for Wildlife Collaboration. But the paper notes that those global efforts must also be accompanied by multi-pronged approaches that address wildlife declines at a local and regional scale.

“The most important bit from this article, I think, is that we need to better understand the factors that underlie fish and wildlife declines from a local perspective, and that interdisciplinary approaches are likely the best option for facilitating this understanding,” said Gore.

The authors give examples of local governments heading off social tension, such as the granting of exclusive rights to hunting and fishing grounds to locals in Fiji, and the control of management zones in Namibia to reduce poaching and improve the livelihoods of local populations.

“This prescribed re-visioning of why we should conserve wildlife helps make clearer what the stakes are in this game,” said UC Santa Barbara assistant professor Douglas McCauley, a co-author who began this work as a postdoctoral researcher in Brashares’ lab. “Losses of wildlife essentially pull the rug out from underneath societies that depend on these resources. We are not just losing species. We are losing children, breaking apart communities, and fostering crime. This makes wildlife conservation a more important job than it ever has been.”

Journal Reference:

  1. J. S. Brashares, B. Abrahms, K. J. Fiorella, C. D. Golden, C. E. Hojnowski, R. A. Marsh, D. J. McCauley, T. A. Nunez, K. Seto, L. Withey. Wildlife decline and social conflict. Science, 2014; 345 (6195): 376 DOI: 10.1126/science.1256734

Edição especial da Science alerta para 6º Grande Extinção (Carbono Brasil)

28/7/2014 – 11h10

por Fernanda B. Müller, do CarbonoBrasil

Vanishing Fauna Edição especial da Science alerta para 6º Grande Extinção

Em uma coletânea de estudos sobre a crise e os desafios do imenso número de extinções causadas pelos humanos, revista ressalta as implicações da ‘defaunação’ dos ecossistemas.

A triste conclusão de que as nossas florestas, além de estarem em um processo contínuo de desmatamento, estão vazias, cada vez mais depauperadas da vida que as constitui, é o foco de uma série especial da revista Science.

A publicação chama a atenção para um termo que deve se tornar cada vez mais conhecido, a ‘defaunação’: a atual biodiversidade animal, produto de 3,5 bilhões de anos de evolução, apesar da extrema riqueza, está decaindo em níveis que podem estar alcançando um ponto sem volta.

Segundo cientistas, tal perda parece estar contribuindo com o que classificam como o início do sexto evento de extinção biológica em massa – ao contrário dos outros, que tiveram causas naturais, nós seríamos os culpados, devido às chamadas atividades antrópicas.

“Muito permanece desconhecido sobre a ‘defaunação do antropoceno’; essas brechas no conhecimento prejudicam a nossa capacidade de prever e limitar os seus impactos. Porém, claramente, a defaunação é tanto um componente perverso da sexta extinção em massa do planeta quanto uma grande causadora da mudança ecológica global”, concluíram pesquisadores no artigo ‘Defaunação no Antropoceno‘.

Na abertura da revista, um dos editores, Sacha Vignieri, lembra que, há alguns milhares de anos, o planeta servia de lar para espetaculares animais de grande porte, como mamutes, tartarugas gigantes, tigres-dente-de-sabre, entre outros.

Porém, evidências apontam o ser humano como o grande culpado pelo desaparecimento desses animais, afirma o editor.

E infelizmente, a tendência parece longe de mudar, e com ela, toda uma série de funções dos ecossistemas, das quais depende a nossa vida, são alteradas de formas dramáticas.

Como mostram os artigos na Science, os impactos da perda da fauna vão desde o empobrecimento da cobertura vegetal até a redução na produção agrícola devido à falta de polinizadores, passando pelo aumento de doenças, a erosão do solo, os impactos na qualidade da água, entre outros. Ou seja, os efeitos da perda de uma única espécie são sistêmicos.

MacacoCR Edição especial da Science alerta para 6º Grande ExtinçãoNúmeros

De acordo com o estudo ‘Defaunação no Antropoceno‘, as populações de vertebrados declinaram em uma média de mais de um quarto nos últimos quarenta anos. Isso fica extremamente evidente quando qualquer um de nós caminha nos remanescentes de Mata Atlântica: é realmente muito difícil encontrar animais de médio e grande portes.

Pelo menos 322 espécies de vertebrados foram extintas desde 1500, e esse número só não é maior porque não conhecemos todas as espécies que já habitaram ou ainda residem em nossas florestas.

Se a situação é complicada para os vertebrados, que são muito mais conhecidos, é angustiante imaginar o tamanho da crise para os invertebrados, como os insetos, muito menos estudados.

“Apesar de menos de 1% das 1,4 milhão de espécies de invertebrados descritas terem sido avaliadas quanto à ameaça pela IUCN, das analisadas, cerca de 40% são consideradas ameaçadas”, afirma o estudo.

Solução?

Certamente, a resolução dessa crise do Antropoceno não é simples.

As causas dessas perdas são bem conhecidas – caça, fragmentação dos habitats, uso de agrotóxicos, poluição, etc. –, e as tentativas para reverter essas tendências estão aumentando, como a reintrodução da fauna.

araraFACostaR Edição especial da Science alerta para 6º Grande ExtinçãoNo artigo ‘Revertendo a defaunação: restaurando espécies em um mundo mutante’, pesquisadores revisam uma série de translocações conservacionistas, como o reforço, a reintrodução e métodos mais controversos que buscam restaurar populações fora do seu habitat natural ou substituir espécies extintas.

Os autores escrevem que a meta mais tradicional, de ter populações selvagens autosustentadas em paisagens pristinas intocadas pela influência humana, é “cada vez mais inalcançável”. Assim, eles sugerem que criar a “selva”, em vez de restaurá-la, é o caminho mais prático para avançar.

Entretanto, os desafios para reverter as extinções estão se mostrando muito desafiadores, e as pesquisas atuais mostram que, “se não conseguirmos acabar ou reverter as taxas dessas perdas, significará mais para o nosso futuro do apenas que corações desiludidos ou uma floresta vazia”, disse Vignieri, o editor do especial na Science.

Rodolfo Dirzo, professor da Universidade de Stanford – um dos autores de Defaunação no Antropoceno –, argumenta que reduzir imediatamente as taxas de alteração dos habitats e a sobre-exploração ajudaria, mas que isso precisaria ser feito de acordo com as características de cada região e situação.

Ele espera que a sensibilização sobre a atual extinção em massa e suas consequências ajude a desencadear mudanças.

“Os animais importam para as pessoas, mas no equilíbrio, eles importam menos do que a alimentação, emprego, energia, dinheiro e desenvolvimento. Enquanto continuarmos a enxergar os animais nos ecossistemas como tão irrelevantes para essas necessidades básicas, os animais perderão”, disseram Joshua Tewksbury e Haldre Rogers no artigo “Um futuro rico em animais”.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

(CarbonoBrasil)

*   *   *

Pesquisadores alertam para riscos da defaunação promovida pelo homem (Fapesp)

28/07/2014

Agência FAPESP – A revista científica norte-americana Scienceacaba de publicar uma edição especial sobre as consequências do desaparecimento de espécies animais para a biodiversidade do planeta e para o próprio futuro da humanidade.

“Durante o Pleistoceno, apenas dezenas de milhares de anos atrás, nosso planeta sustentava animais grandes e espetaculares. Mamutes, ‘aves do terror’, tartarugas gigantes e tigres-dentes-de-sabre, bem como espécies muito menos conhecidas, como preguiças gigantes (algumas das quais chegavam a 7 metros de altura) e gliptodontes (que pareciam tatus do tamanho de automóveis), vagavam livremente”, diz a introdução do especial.

“Desde então, no entanto, o número e a diversidade de espécies animais na Terra têm declinado consistente e firmemente. Hoje, ficamos com uma fauna relativamente depauperada e continuamos a ver a rápida extinção de espécies animais. Embora algum debate persista, a maioria das evidências sugere que os seres humanos foram responsáveis pela extinção dessa fauna do Pleistoceno, e continuamos a induzir extinções de animais por meio da destruição de terras selvagens, da caça para consumo ou como luxo e da perseguição de espécies que vemos como ameaças ou concorrentes”, destaca o texto.

O especial traz artigos em que pesquisadores de diversos países citam espécies animais que estão desaparecendo, os complexos fatores por trás do processo de defaunação e as dificuldades para colocar em prática alternativas eficazes de conservação.

Um dos artigos do especial, Defaunation in the Anthropocene, tem entre seus autores o professor Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, responsável por projetos de pesquisa que integram o programa BIOTA-FAPESP.

O artigo de Galetti, produzido em colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos, do México e do Reino Unido, ressalta que o mundo está passando por uma das maiores extinções de animais em sua história.

De acordo com os autores, a onda global de perda de biodiversidade tem a ação humana como principal causadora. Mas os impactos humanos sobre a biodiversidade animal representam uma forma ainda não reconhecida de mudanças ambientais globais.

“Dos vertebrados terrestres, 322 espécies se tornaram extintas desde 1500, e populações das espécies restantes mostram declínio médio de 25% em abundância”, dizem os autores.

“Tais declínios animais impactarão o funcionamento de ecossistemas e o bem-estar humano. Muito permanece desconhecido sobre a ‘defaunação antropocênica’. Essas lacunas de conhecimento dificultam a nossa capacidade de prever e limitar os impactos da defaunação. Claramente, no entanto, a defaunação é tanto um componente pervasivo da sexta extinção em massa do planeta como também um grande condutor de mudança ecológica global”, destacam.

Segundo Galetti e colegas, de todas as espécies animais atuais – estimadas entre 5 milhões e 9 milhões –, o mundo perde anualmente entre 11 mil e 58 mil espécies. E isso não inclui os declínios de abundância animal entre populações, ou seja, de espécies que agonizam lentamente.

“A ciência tem se preocupado com o impacto das extinções das espécies, mas o problema também envolve a extinção local de populações. Algumas espécies podem não estar globalmente ameaçadas mas podem estar extintas localmente. Essa extinção local de animais afeta o funcionamento dos ecossistemas naturais vitais ao homem. Nesse trabalho agora publicado, compilamos dados populacionais de grandes mamíferos, como rinocerontes, gorilas e leões, e também de invertebrados, como borboletas. Uma em cada quatro espécies de vertebrados tem suas populações reduzidas”, disse Galetti, em entrevista ao site da Unesp.

“A maioria dos pesquisadores analisa os efeitos humanos sobre a extinção das espécies e, nesse trabalho, nós enfocamos a extinção local de populações. A extinção de uma espécie tem um grande impacto, e a redução das populações animais causa um impacto maior ainda nos ecossistemas”, disse.

Dahr Jamail | The Brink of Mass Extinction (Truthout)

Monday, 21 July 2014 09:24

By Dahr Jamail, Truthout | News Analysis

Brink of extinction(Image: Polluted dawnice bergs via Shutterstock; Edited: JR/TO)

“We do not inherit the earth from our ancestors; we borrow it from our children.”
 – Native American proverb

March through June 2014 were the hottest on record globally, according to the Japan Meteorological Agency. In May – officially the hottest May on record globally – the average temperature of the planet was .74 degrees Celsius above the 20th century baseline, according to data from the National Oceanic and Atmospheric Administration. The trend is clear: 2013 was the 37th consecutive year of above-average global temperatures, and since the Industrial Revolution began, the earth has been warmed by .85 degrees Celsius. Several scientific reports and climate modeling show that at current trajectories (business as usual), we will see at least a 6-degree Celsius increase by 2100.

In the last decade alone, record high temperatures across the United States have outnumbered record low temperatures two to one, and the trend is both continuing and escalating.

While a single extreme weather event is not proof of anthropogenic climate disruption (ACD), the increasing intensity and frequency of these events are. And recent months have seen many of these.

A record-breaking heat wave gripped India in June, as temperatures hovered at 46 degrees Celsius, sometimes reaching 48 degrees Celsius. Delhi’s 22 million residents experienced widespread blackouts and rioting, as the heat claimed hundreds of lives.

Also in June, Central Europe cooked in unseasonably extreme heat, with Berlin experiencing temperatures over 32 degrees Celsius, which is more than 12 degrees hotter than normal.

At the same time, at least four people died in Japan, and another 1,637 were hospitalized as temperatures reached nearly 38 degrees Celsius.

NASA is heightening its efforts to monitor ACD’s impacts on the planet; recently, it launched the first spacecraft dedicated solely to studying atmospheric carbon dioxide.

The spacecraft will have plenty to study, since earth’s current carbon dioxide concentration is now the longest ever in recorded history.

Earth

recent report by the National Resource Defense Council warned that summers in the future are likely to bring increased suffering, with more poison ivy and biting insects, and decreasing quality of air and water.

As farmers struggle to cope with increasing demands for food as the global population continues to swell, they are moving towards growing crops designed to meet these needs as well as withstand more extreme climate conditions. However, a warning by an agricultural research group shows they may inadvertently be increasing global malnutrition by these efforts. “When I was young, we used to feed on amaranth vegetables, guava fruits, wild berries, jackfruits and many other crops that used to grow wild in our area. But today, all these crops are not easily available because people have cleared the fields to plant high yielding crops such as kales and cabbages which I am told have inferior nutritional values,” Denzel Niyirora, a primary school teacher in Kigali, said in the report.

The stunning desert landscape of Joshua Tree National Park is now in jeopardy, as Joshua trees are now beginning to die out due to ACD.

Another study, this one published in the journal Polar Biology, revealed that birds up on Alaska’s North Slope are nesting earlier in order to keep apace with earlier snowmelt.

Antarctic emperor penguin colonies could decline by more than half in under 100 years, according to a recent study – and another showed that at least two Antarctic penguin species are losing ground in their fight for survival amidst the increasing impacts of ACD, as the Antarctic Peninsula is one of the most rapidly warming regions on earth. The scientists who authored the report warned that these penguins’ fate is only one example of this type of impact from ACD on the planet’s species, and warned that they “expect many more will be identified as global warming proceeds and biodiversity declines.”

Water

Given that the planetary oceans absorb approximately 90 percent of our carbon dioxide emissions, it should come as no surprise that they are in great peril.

This is confirmed by a recent report that shows the world’s oceans are on the brink of collapse, and in need of rescue within five years, if it’s not already too late.

As the macro-outlook is bleak, the micro perspective sheds light on the reasons why.

In Cambodia, Tonle Sap Lake is one of the most productive freshwater ecosystems on earth. However, it is also in grave danger from overfishing, the destruction of its mangrove forests, an upstream dam and dry seasons that are growing both longer and hotter due to ACD.

Anomalies in the planet’s marine life continue. A 120-foot-long jellyfish is undergoing massive blooms and taking over wider swaths of ocean as the seas warm from ACD.

The Pacific island group of Kiribati – home to 100,000 people – is literally disappearing underwater, as rising sea levels swallow the land. In fact, Kiribati’s president recently purchased eight square miles of land 1,200 miles away on Fiji’s second largest island, in order to have a plan B for the residents of his disappearing country.

Closer to home here in the United States, most of the families living on Isle de Jean Charles, Louisiana, have been forced to flee their multi-generational home due to rising sea levels, increasingly powerful storms, and coastal erosion hurried along by oil drilling and levee projects.

Looking at the bigger picture, a recently released US climate report revealed that at least half a trillion dollars of property in the country will be underwater by 2100 due to rising seas.

Meanwhile, the tropical region of the planet, which covers 130 countries and territories around the equator, is expanding and heating up as ACD progresses.

Residential neighborhoods in Oakland, California – near the coast – are likely to be flooded by both rising seas and increasingly intense storms, according to ecologists and local area planners.

On the East Coast, ocean acidification from ACD, along with lowered oxygen in estuaries, are threatening South Carolina’s coastal marine life and the seafood industry that depends upon it.

Record-setting “100-year” flooding events in the US Midwest are now becoming more the rule than the exception, thanks to ACD.

Even Fairbanks, Alaska received one-quarter of its total average annual rainfall in a 24-hour period earlier this summer – not long after the area had already received roughly half its average annual rainfall in just a two-week period.

Rising sea levels are gobbling up the coast of Virginia so quickly now that partisan political debate over ACD is also falling by the wayside, as both Republicans and Democrats are working together to figure out what to do about the crisis.

Reuters released a report showing how “Coastal flooding along the densely populated Eastern Seaboard of the United States has surged in recent years . . . with the number of days a year that tidal waters reached or exceeded NOAA flood thresholds more than tripling in many places during the past four decades.”

Flooding from rising seas is already having a massive impact in many other disparate areas of the world: After torrential rain and flooding killed at least a dozen people in Bulgaria this summer, the country continues to struggle with damage from the flooding as it begins to tally the economic costs of the disasters.

In China, rain and flooding plunged large areas of the Jiangxi and Hunan Provinces into emergency response mode. Hundreds of thousands were impacted.

The region of the globe bordering the Indian Ocean stretching from Indonesia to Kenya is now seen as being another bulls-eye target for ACD, as the impacts there are expected to triple the frequency of both drought and flooding in the coming decades, according to a recent study.

Another study revealed how dust in the wind, of which there is much more than usual, due to spreading drought, is quickening the melting of Greenland’s embattled ice sheet, which is already losing somewhere between 200 to 450 billion tons of ice annually. The study showed that increased dust on the ice will contribute towards another 27 billion tons of ice lost.

Down in Antarctica, rising temperatures are causing a species of moss to thrive, at the detriment of other marine creatures in that fragile ecosystem.

Up in the Arctic, the shrinking ice cap is causing drastic changes to be made in the upcoming 10th edition of the National Geographic Atlas of the World. Geographers with the organization say it is the most striking change ever seen in the history of the publication.

A UK science team predicted that this year’s minimum sea ice extent will likely be similar to last year’s, which is bad news for the ever-shrinking ice cap. Many scientists now predict the ice cap will begin to vanish entirely for short periods of the summer beginning next year.

Canada’s recently released national climate assessment revealed how the country is struggling with melting permafrost as ACD progresses. One example of this occurred in 2006 when the reduced ice layer of ice roads forced a diamond mine to fly in fuel rather than transport it over the melted ice roads, at an additional cost of $11.25 million.

Arctic birds’ breeding calendars are also being impacted. As ACD causes earlier Arctic melting each season, researchers are now warning of long-ranging adverse impacts on the breeding success of migratory birds there.

In addition to the aforementioned dust causing the Greenland ice sheet to melt faster, industrial dust, pollutants and soil, blown over thousands of miles around the globe, are settling on ice sheets from the Himalaya to the Arctic, causing them to melt faster.

At the same time, multi-year drought continues to take a massive toll across millions of acres across the central and western United States. It has caused millions of acres of federal rangeland to turn into dust, and has left a massive swath of land reaching from the Pacific Coast to the Rocky Mountains desolated. ACD, invasive plants and now continuously record-breaking wildfire seasons have brought ranchers to the breaking point across the West.

Drought continues to drive up food prices across the United States, and particularly prices of produce grown in California’s Central Valley. As usual, it is the poor who suffer the most, as increasing food prices, growing unemployment and more challenging access to clean water continue to escalate their struggle to survive.

California’s drought continues to have a massive and myriad impact across the state, as a staggering one-third of the state entered into the worst stage of drought. Even colonies of honeybees are collapsing due, in part, to there being far less natural forage needed to make their honey.

The snowpack in California is dramatically diminished as well. While snowpack has historically provided one-third of the state’s water supply, after three years of very low snowfall, battles have begun within the state over how to share the decreasing water from what used to be a massive, frozen reservoir of water.

The drought in Oklahoma is raising the specter of a return to the nightmarish dust bowl conditions there in the 1930s.

Recently, and for the first time, the state of Arizona has warned that water shortages could hit Tucson and Phoenix as soon as five years from now due to ongoing drought, increasing demand for water and declining water levels in Lake Mead.

This is a particularly bad outlook, given that the Lake Mead reservoir, the largest in the country, dropped to its lowest level since it was filled in the 1930s. Its decline is reflective of 14 years of ongoing drought, coupled with an increasing disparity between the natural flow rate of the Colorado River that feeds it and the ever-increasing demands for its water from the cities and farms of the increasingly arid Southwest.

Given the now chronic water crises in both Arizona and California, the next water war between the two states looms large. The one-two punch of ACD and overconsumption has combined to find the Colorado River, upon which both states heavily rely, in long-term decline.

Yet it is not just Arizona and California that are experiencing an ongoing water crisis due to ACD impacts – it is the entire southwestern United States. The naturally dry region is now experiencing dramatically extreme impacts that scientists are linkingto ACD.

The water crisis spawned by ACD continues to reverberate globally.

North Korea even recently mobilized its army in order to protect crops as the country’s reservoirs, streams and rivers ran dry amidst a long-term drought. The army was tasked with making sure residents did not take more than their standard allotment of water.

The converging crises of the ongoing global population explosion, the accompanying burgeoning middle class, and increasingly dramatic impacts caused by ACD is straining global water supplies more than ever before, causing governments to examine how to manage populations in a world with less and less water.

Air

A recent report provides a rather apocalyptic forecast for people living in Arizona: It predicts diminishing crop production, escalating electricity bills and thousands of people dying of extreme heat in that state alone.

In fact, another report from the Natural Resources Defense Council found experts predicting that excessive heat generated from ACD will likely kill more than 150,000 Americans by the end of the century, and that is only in the 40 largest cities in the country.

Poor air quality – and the diseases it triggers – are some of the main reasons why public health experts in Canada now believe that ACD is the most critical health issue facing Canadians.

Another recent study shows, unequivocally, that city-dwellers around the world should expect more polluted air that lingers in their metropolis for days on end, as a result of ACD continuing to change wind and rainfall patterns across the planet.

As heat and humidity increase with the growing impacts of ACD, we can now expect to see life-altering results across southern US cities, as has long been predicted. However, we can expect this in our larger northern cities as well, including Seattle, Chicago and New York; the intensifications are on course to make these areas unsuitable for outdoor activity during the summer.

Recently generated predictive mapping shows how many extremely hot days you might have to suffer through when you are older. These show clearly that if we continue along with business as usual – refusing to address ACD with the war-time-level response warranted to mitigate the damage – those being born now who will be here in 2100, will be experiencing heat extremes unlike anything we’ve had to date when they venture outside in the summer.

Lastly for our air section, June was the third month in a row with global average carbon dioxide levels above 400 parts per million. Levels of carbon dioxide in the atmosphere haven’t been this high in somewhere between 800,000 and 15 million years.

Fire

A new study published in Nature Geoscience revealed how increasing frequency and severity of forest fires across the planet are accelerating the melting of the Greenland ice sheet, as soot landing on the ice reduces its reflectivity. Melting at ever increasing speed, if the entire Greenland ice sheet melts, sea levels will rise 24 feet globally.

Down in Australia, the southern region of the country can now expect drier winters as a new study linked drying trends there, which have been occurring over the last few decades, to ACD.

On the other side of the globe, in Canada’s Northwest Territories, the region is battling its worst fires since the 1990s, bringing attention to the likelihood that ACD is amplifying the severity of northern wildfires.

A recently published global atlas of deaths and economic losses caused by wildfires, drought, flooding and other ACD-augmented weather extremes, revealed how such disasters are increasing worldwide, setting back development projects by years, if not decades, according to its publishers.

Denial and Reality

Never underestimate the power of denial.

Rep. Jeff Miller (R-Florida) was asked by an MSNBC journalist if he was concerned about the fact that most voters believe scientists on the issue of ACD. His response, a page out of the Republican deniers handbook, is particularly impressive:

Miller: It changes. It gets hot; it gets cold. It’s done it for as long as we have measured the climate.

MSNBC: But man-made, isn’t that the question?

Miller: Then why did the dinosaurs go extinct? Were there men that were causing – were there cars running around at that point, that were causing global warming? No. The climate has changed since earth was created.

Another impressive act of denial came from prominent Kentucky State Senate Majority Whip Republican Brandon Smith. At a recent hearing, Smith argued that carbon emissions from coal burning power plants couldn’t possibly be causing ACD because Mars is also experiencing a global temperature rise, and there are no coal plants generating carbon emissions on Mars. He even stated that Mars was the same temperature of Earth.

“I think that in academia, we all agree that the temperature on Mars is exactly as it is here. Nobody will dispute that,” Smith said.

On average, the temperature on Mars is about minus 80 degrees Fahrenheit.

“Yet there are no coal mines on Mars; there’s no factories on Mars that I’m aware of,” he added. “So I think what we’re looking at is something much greater than what we’re going to do.”

During a recent interview on CNBC, Princeton University professor and chairman of the Marshall Institute William Happer was called out on the fact that ExxonMobil had provided nearly $1 million for the Institute.

Happer compared the “hype” about ACD to the Holocaust, and when asked about his 2009 comparison of climate science to Nazi propaganda, he said, “The comment I made was, the demonization of carbon dioxide is just like the demonization of the poor Jews under Hitler. Carbon dioxide is actually a benefit to the world, and so were the Jews.”

Happer, who was introduced as an “industry expert” on the program, has not published one peer-reviewed paper on ACD.

The ACD-denier group that supports politicians and “scientists” of this type, Heartland (a free-market think tank with a $6 million annual budget) hosted a July conference in Las Vegas for deniers. One of Heartland’s former funders is ExxonMobil, and one of the panels at the conference was titled, “Global Warming As a Social Movement.” The leaders of the conference vowed to “keep doubt alive.”

Australian Prime Minister Tony Abbott used a current trip abroad to attempt to build support for a coalition aimed at derailing international efforts towards dealing with ACD.

He is simply following the lead of former Prime Minister John Howard, who teamed up with former US President George W. Bush and Canadian Prime Minister Stephen Harper to form a climate-denial triumvirate whose goal was to stop efforts aimed at dealing with ACD, in addition to working actively to undermine the Kyoto Protocol.

Meanwhile, Rupert Murdoch has said that ACD should be approached with great skepticism. He said that if global temperatures increased 3 degrees Celsius over the next 100 years, “At the very most one of those [degrees] would be manmade.” He did not provide the science he used to generate this calculation.

In Canada, Vancouver-based Pacific Future Energy Corporation claimed that a $10 billion oil sands refinery it wants to build on the coast of British Columbia would be the “world’s greenest.”

Miami, a low-lying city literally on the front lines of ACD impacts, is being inundated by rising sea levels as its predominantly Republican leadership – made up of ACD deniers – are choosing to ignore the facts and continue forward with major coastal construction projects.

Back to reality, the BBC recently ordered its journalists to cease giving any more TV airtime to ACD deniers.

Brenton County, Oregon has created a Climate Change Adaptation Plan that provides strategies for the communities there to deal with future impacts of ACD.

Despite the millions of dollars annually being pumped into ACD denial campaigns, a recent poll shows that by a 2-to-1 margin, Americans would be willing to pay more to combat ACD impacts, and most would also vote to support a candidate who aims to address the issue.

Another recent report on the economic costs that ACD is expected to generate in the United States over the next 25 years pegged an estimate well into the hundreds of billions of dollars by 2100. Property losses from hurricanes and coastal storms are expected to total around $35 billion, crop yields are expected to decline by 14 percent, and increased electricity costs to keep people cooler are expected to increase by $12 billion annually, to name a few examples.

The bipartisan report also noted that more than a million coastal homes and businesses could flood repeatedly before ultimately being destroyed.

The World Council on Churches, a group that represents more than half a billion Christians, announced that it would pull all its investments out of fossil fuels because the investments were no longer “ethical.”

US Interior Secretary Sally Jewell told reporters recently that she is witnessing ACD’s impacts in practically every national park she visits.

A June report by the UN University’s Institute for Environment and Human Security warned that ACD-driven mass migrations are already happening, and urged countries to immediately create adaption plans to resettle populations and avoid conflict.

For anyone who wonders how much impact humans have on the planet on a daily basis, take a few moments to ponder what just the impact of commercial airline emissions are in a 24-hour period by watching this astounding video.

Lastly, a landmark study released in June by an international group of scientists concluded that Earth is on the brink of a mass extinction event comparable in scale to that which caused the dinosaurs to go extinct 65 million years ago.

The study says extinction rates are now 1,000 times higher than normal, and pegged ACD as the driving cause.

Brasil vacila em ratificar protocolo sobre biodiversidade (Greenpeace)

16/7/2014 – 12h07

por Redação do Greenpeace

indigenas Brasil vacila em ratificar protocolo sobre biodiversidade

 

A demora do Congresso Nacional em votar a ratificação do Protocolo de Nagoya, assinado pelo País em 2010, pode custar a cadeira brasileira na mesa de discussões da COP-12

O Brasil foi um dos primeiros países a assinar o Protocolo de Nagoya, proposto na 10ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-10), em 2010, como alternativa para regulamentação do uso de recursos da biodiversidade do planeta.

Depois de quatro anos, no entanto, o País acaba de perder a chance de participar ativamente da discussão sobre o assunto. As propostas contidas no protocolo não foram ratificadas pelo Congresso Nacional. Para entrar em vigor, 50 dos 92 signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) precisavam confirmar sua validade, incorporando-o a legislação, até junho deste ano. O que aconteceu nesta segunda-feira 11, sem a participação do Brasil.

“O Brasil perdeu uma grande chance deixando de votar este projeto, uma vez que o País foi protagonista da proposta, junto com o próprio Japão. Mas se em casa a gente não consegue aprovar o que sugerimos internacionalmente, isso mostra que fomos muito bons de papo e pouco eficientes na ação”, avalia Marcio Astrini, coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil. “De certa maneira isso é um reflexo da visão ambiental do atual governo, que ao invés de ver no Meio Ambiente uma oportunidade, vê nele um empecilho”, completa Astrini.

Parado desde 2012 no Congresso Nacional, o projeto foi designado para uma comissão especial, que nunca foi criada. O assunto sofre forte resistência por parte da bancada ruralista, que acredita que a ratificação da proposta poderia aumentar os custos do agronegócio no Brasil.

Um dos pontos mais polêmicos refere-se ao pagamento de royalties a países pela repartição de benefícios aos detentores de conhecimentos tradicionais associado ao uso de recursos genéticos oriundos da biodiversidade, como povos indígenas e comunidades tradicionais. “O objetivo central do protocolo é aumentar a proteção sobre as reservas naturais do planeta e, para isso, deve criar uma série de regras para controlar a utilização dos recursos, estabelecendo, inclusive regras econômicas. Isso vai no caminho do que precisa ser feito no mundo todo e precisamos participar desta discussão”, observa Astrini.

O Brasil concentra aproximadamente 20% de toda a biodiversidade do planeta. A regulação contribuiria para o combate a biopirataria, com ganhos no campo da ciência e também para as populações tradicionais, que teriam seus saberes reconhecidos e valorizados.

Outro ponto importante do protocolo é o plano estratégico de preservação, que aumenta as áreas terrestres e marítimas a serem protegidas no planeta. As regiões terrestres protegidas passariam de 10% para 17% e as zonas marítimas de proteção ambiental passaria de 1% para 10% de seu total. O próximo encontro dos signatários da CDB será na 12ª Conferência das Partes (COP-12) da CDB, em Pyeongchang, República da Coréia, de 6 a 17 de outubro deste ano.

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

Projeto avalia os impactos de mudanças climáticas nos manguezais fluminenses (Faperj)

Débora Motta

10/07/2014

                                        Acervo Nema/Uerj
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 Árvores de raízes aéreas se destacam nos
mangues: agentes na captura do carbono
 do ar

O Brasil possui a segunda maior extensão territorial de manguezais, perdendo apenas para a Indonésia. Eles estão presentes em todo o litoral brasileiro, desde o Amapá até o município de Laguna, em Santa Catarina. Esses ecossistemas, com árvores de raízes aéreas e retorcidas, equilibradas na lama e na água salobra, são fundamentais para o equilíbrio ambiental. Afinal, são verdadeiros berçários naturais de diversas espécies, como peixes, moluscos e crustáceos, que neles encontram condições ideais para reprodução e abrigo. “Os manguezais protegem a costa contra os ventos e a inundação do mar, sendo fontes de subsistência de populações, pela pesca e turismo”, disse o oceanógrafo Mário Luiz Gomes Soares, coordenador do Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema) e do programa de pós-graduação em Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Essa riqueza natural, contudo, pode ser comprometida pelas mudanças climáticas em curso no planeta. Para avaliar como o aquecimento global e outros fatores ambientais vêm afetando esses ecossistemas, Soares coordena pesquisas sobre o nível de vulnerabilidade dos manguezais, que tiveram início no estado do Rio de Janeiro, com apoio da FAPERJ, e se ampliaram para outros estados brasileiros, em projetos desenvolvidos com a rede de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Ambientes Marinhos (INCT-AmbTropic), coordenado por pesquisador vinculado à Universidade Federal da Bahia e destinado ao estudo das respostas do litoral brasileiro às mudanças climáticas.

O estudo, considerado como o marco inicial das pesquisas de Soares, vem sendo realizado desde o final da década de 1990, no manguezal de Guaratiba, localizado a cerca de 70 quilômetros a oeste da capital fluminense, na Baía de Sepetiba. Contemplado pela Fundação por meio dos editais Apoio à Pesquisa Básica (APQ 1), Apoio a Programas de Pós-Graduação Estaduais, Prioridade Rio e Apoio ao estudo de soluções para problemas relativos ao meio ambiente, o oceanógrafo foi também bolsista da FAPERJ pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado. O trabalho vem sendo financiado ainda pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O manguezal de Guaratiba é o único no Brasil acompanhado em detalhes por pesquisadores durante um período tão extenso. “Em Guaratiba, nosso primeiro laboratório a céu aberto, observamos o impacto da elevação do nível médio do mar e dos ciclos climáticos sobre os manguezais. A partir desse modelo de estudo, a pesquisa foi ampliada para áreas de monitoramento em todo o Brasil, desde Santa Catarina até o Pará, e outras localidades no estado do Rio de Janeiro, incluindo os manguezais da Baía de Guanabara”, disse.

Em outras palavras, os ciclos climáticos regulam a vida nos manguezais. Durante os períodos mais úmidos, a chuva lava o solo, dilui o sal e as árvores conseguem se estabelecer nas planícies hipersalinas, conhecidas como apicuns – uma área descampada que lembra um deserto, extremamente salina, com solo duas a quatro vezes mais salgado do que a lama do manguezal, e sem a presença de vegetação arbórea. Já durante os períodos mais secos, ocorre o inverso e a vegetação do mangue fica prejudicada. “As mudanças climáticas podem alterar o regime de chuvas, fazendo com que elas fiquem mais escassas em algumas regiões e mais frequentes em outras. Em Guaratiba, por exemplo, observamos as respostas da floresta aos ciclos de clima. Nos anos mais úmidos ela cresce, e nos mais secos retrai”, destacou Soares. “Em algumas regiões sem aporte de rio, os manguezais dependem apenas da água da chuva. Quando chove menos que o normal, a vegetação do mangue fica prejudicada, e até morre”, completou.

Durante todos esses anos de pesquisa de campo, em que o oceanógrafo e a equipe do Nema deixa o conforto do Rio para fazer medições na lama e na mata fechada de Guaratiba, foi observada uma tendência comum em outros manguezais. “Ao longo dos anos, as espécies de vegetais do mangue e, consequentemente, de animais, começaram a colonizar uma área diferente, avançando em direção ao continente. Essa migração é uma resposta da floresta à elevação do nível médio do mar, devido a fatores como o aquecimento global. Para sobreviver, o manguezal precisa ir se adaptando conforme a subida das águas”, resumiu Soares.

Assim, as florestas de mangue vêm avançando continente adentro sobre os apicuns. Quando a maré sobe, o mar inunda essas planícies. A água empoçada, após sua evaporação, deposita sal em excesso no solo, o que inviabiliza a sobrevivência das espécies típicas do mangue. Apesar das condições de sobrevivência adversas, aos poucos as plantas se instalam ali, devido à inundação dessa área, cada vez mais frequente com o aumento do nível do mar. “Em Guaratiba, a floresta avançou rumo ao continente quase 80 metros, desde 1998”, detalhou Soares.

 Acervo Nema/Uerj
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Mário Soares, da Uerj, ressalta a importância
de políticas públicas para conservar manguezais   

Diante dessa observação, o desafio é avaliar se há espaço físico nos territórios que devem ser ocupados pelos manguezais, vizinhos a esses ecossistemas. “Prevendo esse movimento de migração dos manguezais, que vai se intensificar nos próximos anos, temos que ter políticas públicas, a longo prazo, para a gestão adequada da zona costeira. É preciso saber se essas áreas atrás dos manguezais, perto do continente, estão disponíveis. Muitas delas já foram ocupadas por empreendimentos imobiliários, o que deve ser uma fonte de preocupação”, explicou. E prosseguiu: “Em Sepetiba, a Companhia Siderúrgica do Atlântico foi construída exatamente na área onde o mangue deveria migrar. Daí a importância do planejamento urbano de ocupação territorial.”

Na Baía de Guanabara, há um problema de planejamento similar. Entre os manguezais estudados ao longo desse período pela equipe do Nema, os da região metropolitana do Rio apresentam, na maioria, alta vulnerabilidade à subida do nível do mar. “Em um estudo comandado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fizemos uma análise dos sistemas costeiros, mapeamos todos os manguezais dos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e analisamos a vulnerabilidade deles no caso de elevação do nível do mar”, resumiu Soares. “As únicas áreas de vulnerabilidade intermediária na Baía de Guanabara são aquelas protegidas pela APA de Guapimirim e a Estação Ecológica Guanabara”, completou. (Veja o mapa da vulnerabilidade dos manguezais à elevação do nível do mar na região metropolitana do Rio de Janeiro, sendo que as áreas representadas em vermelho apresentam alta vulnerabilidade, as áreas em amarelo, média vulnerabilidade, e as áreas em verde, baixa vulnerabilidade, segundo as pesquisas do Nema:http://www.faperj.br/images/Mapeamento_manguezais_RJ.jpg).

Outra característica dos manguezais monitorados por Soares, de extrema relevância ambiental, é a sua importante capacidade de absorver carbono da atmosfera. Para estudar como os manguezais “sequestram” o carbono do ar, o grupo do Nema desenvolveu alguns modelos matemáticos para estimar a quantidade de carbono armazenada em cada espécie vegetal do mangue, ou mesmo na lama. O manguezal tem uma capacidade de armazenamento de carbono pouco menor que a de outras florestas tropicais. Em relação à Amazônia, o valor total só não é maior porque a área do ecossistema costeiro é muito menor (pouco mais de 1 milhão de hectares) do que a da Amazônia (aproximadamente 500 vezes maior) ou da mata atlântica.

Acervo Nema/Uerj
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 Equipe do Nema em trabalho de campo: estudo do manguezal
de Guaratiba foi a base para entender mangues em outros estados

“No entanto, se considerarmos a soma da quantidade de carbono aprisionado na biomassa aérea (a parte das árvores acima do solo), com a biomassa subterrânea (as raízes) e o sedimento (a lama), o manguezal ganha da Amazônia no armazenamento de carbono por unidade de área”, avaliou Soares. E prosseguiu: “É importante conservar os manguezais, que têm grande potencial para aprisionar o carbono e, quando um sistema com tanto carbono é destruído, libera esse carbono na atmosfera, o que aumenta os gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global”, alertou.

Com o aumento da temperatura do planeta, os manguezais também devem ampliar sua distribuição geográfica. A vegetação dos manguezais não cresce em baixas temperaturas, e por isso mais da metade desses ecossistemas do mundo está entre as latitudes 10°N e 10°S. “Como o sul do Brasil deve se tornar mais quente até o fim do século XXI, conforme as previsões climáticas, os manguezais devem ocupar latitudes mais altas e se expandir para regiões onde não existem hoje, ao sul do limite deles em Laguna”, disse Soares. Até o momento, conforme artigo do Nema publicado na renomada revista científica britânicaEstuarine, Coastal and Shelf Sciencenão houve expansão dos manguezais além dos limites latitudinais, nos últimos 30 anos.

Assim, pela importância ecológica, econômica e social, e pela vulnerabilidade das áreas costeiras onde preferencialmente ocorrem os adensamentos urbanos, empreendimentos portuários e industriais, e o cultivo de camarões, os manguezais merecem atenção especial. “Esperamos, dessa forma, contribuir, através da elaboração de um estudo aplicado, para a estruturação de políticas de conservação, restauração e monitoramento dos remanescentes de manguezal do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil e, por conseguinte, dos bens e serviços vinculados a esses sistemas”, justificou o oceanógrafo.

Ao lado de Soares, participam do projeto os professores Felipe de Oliveira Chaves e Gustavo Calderucio Duque Estrada, ambos do Nema/Uerj; as professoras Cláudia Hamacher e Cássia Farias, do Laboratório de Geoquímica Orgânica Marinha da Uerj; e a professora Carla Madureira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de diversos alunos de pós-graduação do Nema/Uerj, como os doutorandos Viviane Fernandez, Paula Almeida, Daniel Medina, Michelle Passos e Marciel Estevam, além dos mestrandos Mayne Assunção, Brunna Tomaino, Carolina Cardoso e Ana Carolina Teixeira.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

Faltam recursos para preservar o mascote da Copa (Jornal da Ciência)

JC e-mail 4973, de 16 de junho de 2014

Para driblar a extinção, tatu-bola ganha um plano nacional de conservação

O tatu-bola, escolhido como mascote da Copa no Brasil, é um animal em extinção devido à destruição de seus habitats na Caatinga e no Cerrado, além de sofrer com a caça. O pequeno mamífero também está correndo o risco de perder um importante reforço na luta por sua preservação. O trabalho desenvolvido pela Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, está ameaçado por falta de recursos.

De acordo com a professora Rute Maria Gonçalves de Andrade, do conselho fiscal da FUMDHAM, todo o trabalho que vem sendo realizado em mais de 40 anos está ameaçado, além das espécies animais que ficarão desamparadas, mais de100 pessoas podem ficar desempregadas. “Infelizmente a fundação não tem recebido os recursos do ICMBio, nem do IPHAN já que o Parque é declarado pela UNESCO como Patrimônio Natural e Histórico da Humanidade, em quantidade suficiente e nos prazos devidos para fazer esta gestão”, desabafou.

Por meio de sua Divisão de Comunicação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que “não houve nenhuma interrupção de repasses para a Fundação Museu do Homem Americano. Em 2014, foram repassados R$ 400 mil de recursos de compensação ambiental e há a previsão de mais R$ 300 mil, oriundos de emenda parlamentar”. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão do Ministério da Cultura (MinC), não se pronunciou até o fechamento desta edição por conta de uma greve de seus funcionários.

Desde os anos 90, a equipe da FUMDHAM, liderada por sua presidente a arqueóloga Niède Guidon desenvolve ações de preservação da fauna local, o que tem sido decisivo para manter o equilíbrio da densidade populacional no parque de muitos vertebrados. Este trabalho consiste em manter limpos e cheios os reservatórios naturais de água existentes no Parque conhecidos como caldeirões, além de outros que foram construídos, para que os animais tivessem água na época da seca.

Para Rute esse é o momento ideal para chamar a atenção para os esforços de preservação da fauna e flora brasileira. “Talvez fosse importante que a partir da Copa fosse lançada uma grande campanha nacional em favor das Unidades de Conservação que preservam a duras penas o tatu-bola”, sugeriu.

Até o momento o trabalho de conservação do tatu-bola – cujo nome científico é Tolypeutestricinctus – está dando bons resultados. Segundo a professora Rute ele é um dos animais que compõem a fauna do Parque. “Após a fiscalização relativa à caça e o trabalho de fornecimento de água na época da seca possibilitaram manter a população desta espécie de mamífero, endêmico do Bioma caatinga”, afirmou.

Plano Nacional de Conservação – O biólogo Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), em João Pessoa (PB), faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola (PAN Tatu-bola). A ideia é consolidar uma estratégia para diminuir o risco de extinção de duas espécies. “O plano tem como objetivo geral a redução do risco de extinção do Tolypeutestricinctus, que habita a Caatinga e o Cerrado, para a categoria Vulnerável e avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutesmatacus, encontrado no Pantanal e Cerrado, em cinco anos”, explicou.

Ainda segundo Jerusalinsky, o PAN Tatu-bola vai ajudar na conservação destas espécies por estabelecer de forma clara quais são as ações prioritárias para reverter ou atenuar os principais impactos sobre elas, que consistem na perda e fragmentação de habitats, caça e falta de conhecimento. “Desta forma, as diversas instituições envolvidas em pesquisa, fiscalização e licenciamento ambiental, por exemplo, poderão adotar essas ações em sua atuação, ajudando a conhecer e a proteger os tatus-bola”, detalhou.

O PAN foi elaborado por um conjunto de especialistas nestas espécies, sediados em instituições de ensino e pesquisa como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Vale do Rio São Francisco (UNIVASF), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT), EMBRAPA Pantanal, além do próprio ICMBio.

(Edna Ferreira)
Essa matéria está na página 12 da última edição do Jornal da Ciência. Essa e outras reportagens podem ser acessadas em http://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC760.pdf