Arquivo mensal: janeiro 2014

Are you political on Facebook? (Science Daily)

Date: 

January 29, 2014

Source: Inderscience

Summary: Social media and networks are ripe for politicization, for movement publicity, advocacy group awareness, not-for-profit fund-raising campaigns and perhaps even e-government. However, the majority of users perhaps see these tools as being useful for entertainment, interpersonal connections and sharing rather than politics. A research paper reinforces this notion. The results suggest that the potential for political activism must overcome the intrinsic user perception that online social networks are for enjoyment rather than utility, political or otherwise.

Social media and networks are ripe for politicization, for movement publicity, advocacy group awareness, not-for-profit fund-raising campaigns and perhaps even e-government. However, the majority of users perhaps see these tools as being useful for entertainment, interpersonal connections and sharing rather than politics. A research paper to be published in the Electronic Government, An International Journal reinforces this notion. The results suggest that the potential for political activism must overcome the intrinsic user perception that online social networks are for enjoyment rather than utility, political or otherwise.

Tobias Kollmann and Christoph Stöckmann of the E-Business and E-Entrepreneurship Research Group, at the University of Duisburg-Essen, and Ina Kayser of VDI — The Association of German Engineers, in Düsseldorf, Germany, explain that while social networks have become increasingly important as discussion forums, users are not at present motivated to accept political decisions that emerge from such discussions. As such, Facebook is yet to properly break through as the innovative means of political participation that it might become.

The team roots this disjuncture in the psychological phenomenon of cognitive dissonance where two opposing concepts cannot be rationalized simultaneously and an individual discards one as invalid in favour of the other to avoid the feeling of psychological discomfort. For example, users enjoy logging on to a social network, such as Facebook, so that they can share photos, play games and chat online with friends. This is inherently at odds, it does not resonate, with the idea of Facebook being useful as a tool for discussing and implementing the perhaps more important realm of human endeavour we know as politics.

However, the team says, the advent of politically oriented Facebook games, such as “Campaigns” and “America 2049” blur the lines between the area of enjoyment and political discussion. Moreover, they point out that the boundaries were already blurred in terms of interpersonal discussions among some users where political discussion is facilitated by the network and also perceived as an enjoyable part of participation despite it falling in the “useful” camp. Indeed, the team’s data from several hundred randomly selected Facebook users would support the notion that the perception of mutual benefit arising from political participation on Facebook positively adds to the perception of usefulness as well as being enjoyable. They allude to the fact that the findings might apply equally well to other so-called “Web 2.0” tools on the Internet.

Journal Reference:

  1. Tobias Kollmann, Ina Kayser, Christoph Stöckmann. Understanding political participation on Facebook: the moderating role of intrinsic motivation.Electronic Government, an International Journal, 2013; 10 (3/4): 310 DOI:10.1504/EG.2013.058786
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On View | An Artistic Celebration of the Beauty, Spectacle and Masculinity of Soccer (New York Times)

By BROOKE HODGE

JANUARY 30, 2014, 2:41 PM

“Verona #2,” by Lyle Ashton Harris, 2001-2004. Courtesy of the Robert E. Holmes Collection

“Pieta,” by Generic Art Solutions, 2008. Courtesy of the Jonathan Ferrara Gallery, New Orleans

“Sir Bobby,” by Chris Beas, 2007. Courtesy of the Martha Otero Gallery

“Hondjie,” by Robin Rhode, 2001.

“VOLTA,” by Stephen Dean, 2002-2003. Courtesy of Baldwin Gallery, Aspen

“Samuel Eto’o,” by Kehinde WIley, 2010. Courtesy of Roberts & Tilton, Culver City, Calif.

This Sunday might be the big game, but the Los Angeles County Museum of Art(LACMA) hasn’t forgotten about the other football — or soccer, as we refer to it in the United States. Opening the day of the Super Bowl, “Fútbol: The Beautiful Game” examines the sport through works of art ranging from video and photography to painting, sculpture and large-scale installation.

Timed in anticipation of this summer’s World Cup in Brazil, an event as beloved throughout the world as the Super Bowl is in America, the exhibition addresses issues of nationalism, identity, masculinity, hero worship and mass spectacle. “Zidane: A 21st-Century Portrait,” a room-size video installation by the artists Philippe Parreno and Douglas Gordon, is an intimate look at one of the greatest soccer players in history and celebrates the sheer beauty and elegance of the sport. Set to samba music, Stephen Dean’s video “Volta” directs its gaze at the audience, focusing on the pandemonium and organized ritual of the stadium crowds.

Not surprisingly, the curator, Franklin Sirmans, is passionate about the sport. “Growing up in New York in the ’70s, I was a big fan of the Cosmos,” he says. “I’ve played soccer since I was a kid and am always thinking about it. A show on soccer is a perfect platform to introduce complex ideas through a subject that is accessible to all viewers. I’m always looking for ways to introduce ideas of wider cultural significance like sport, spirituality and music into the museum.”

During the show, three of the video works in the exhibition will appear simultaneously on screens in the museum’s Stark Bar, where, beginning June 12, visitors will be able to kick back with a caipirinha and watch the World Cup.

“Fútbol: The Beautiful Game” is on view at LACMA through July 20, 2014; lacma.org.

Influência humana é clara no aquecimento “inequívoco” do planeta, diz IPCC (Portal Terra)

JC e-mail 4885, de 31 de janeiro de 2014

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulga primeira parte de estudo sobre aumento da temperatura no globo e afirma que últimas três décadas foram sucessivamente mais quentes que qualquer outra desde 1850.

O aquecimento do planeta é “inequívoco”, a influência humana no aumento da temperatura global é “clara”, e limitar os efeitos das mudanças climáticas vai requerer reduções “substanciais e sustentadas” das emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou nesta quinta-feira (30/01), em Genebra, a primeira parte do quinto relatório sobre o tema.

Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes. “A continuidade das emissões vai continuar causando mudanças e aquecimento em todos os componentes do sistema climático”, afirmou Thomas Stocker, coordenador e principal autor da Parte 1 do quinto Relatório sobre Mudanças Climáticas, cuja versão preliminar já foi apresentada em setembro de 2013.

O documento serviu de base durante a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre o Clima em Varsóvia, na Polônia, no final do ano passado. Em 1500 páginas, cientistas de todo o mundo se debruçaram sobre as bases físicas das mudanças climáticas, apoiados em mais de 9 mil publicações científicas.

“O relatório apresenta informações sobre o que muda no clima, os motivos para as mudanças e como ele vai mudar no futuro”, disse Stocker.

Correções
A versão final divulgada nesta quinta é um texto revisado e editado e não tem muitas mudanças em relação ao documento apresentado em setembro do ano passado, que elevou o alerta pelo aquecimento global e destacou a influência da ação humana no processo.

“A influência humana no clima é clara”, afirma o texto. “Ela foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, nas mudanças nos ciclos globais de precipitação, e nas mudanças de alguns extremos no clima.”

Segundo o IPCC, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas no clima não tiveram precedentes nas décadas de milênios anteriores. “A atmosfera e os oceanos estão mais quentes, o volume de neve e de gelo diminuíram, os níveis dos oceanos subiram e a concentração de gases poluentes aumentou”, diz um resumo do documento.

“Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre que qualquer década desde 1850. No hemisfério norte, o período entre 1983 e 2012 provavelmente foi o intervalo de 30 anos mais quente dos últimos 800 anos”, prossegue.

Aquecimento dos oceanos
O grupo de cientistas também lembra que o aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia acumulada no sistema climático, e que os mares são responsáveis por mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010.

“É praticamente certo que o oceano superior (até 700m de profundidade) aqueceu neste período, enquanto é apenas provável que tenha acontecido o mesmo entre 1870 e 1970”, diz o relatório.

O nível dos mares também aumentou mais desde meados do século 20 que durante os dois milênios anteriores, segundo estima o IPCC. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos teria aumentado cerca de 20 centímetros, diz o documento.

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e protóxido de nitrogênio (conhecido como gás hilariante) aumentaram, principalmente por causa da ação humana. Tais aumentos se devem especialmente às emissões oriundas de combustíveis fósseis. Os oceanos, por exemplo, sofrem acidificação por absorver uma parte do CO2 emitido.

Futuro sombrio
A temperatura global deverá ultrapassar 1,5ºC até o final deste século em comparação com níveis estimados entre 1850 e 1900. O aquecimento global também deverá continuar além de 2100, mas não será uniforme, dizem os cientistas do clima. As mudanças nos ciclos da água no mundo também não serão homogêneos neste século, e o contraste entre regiões secas e úmidas e regiões de seca e de chuvas deverá aumentar.

O resumo do texto ainda constata que a acumulação de emissões de CO2 deverá ser determinante para o aquecimento global no final do século 21 e adiante. “A maioria dos efeitos das mudanças climáticas deverão perdurar por vários séculos, mesmo com o fim das emissões.”

Até outubro, o IPCC ainda vai publicar mais duas partes do relatório e também um documento final. A segunda parte será divulgada em março, no Japão, e detalhará os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade a mudanças climáticas. Em abril, Berlim será palco das conclusões do IPCC sobre mitigação.

(Portal Terra)

OMM prevê possível episódio climático do El Niño em meados de 2014 (AFP)

JC e-mail 4885, de 31 de janeiro de 2014

Hoje as condições são “neutras”, isto é, não se observa a chegada nem de um episódio de El Niño, nem de La Niña, segundo a OMM

O oceano Pacífico pode viver o fenômeno climático conhecido como El Niño no terceiro trimestre deste ano, anunciou nesta quinta-feira, em Genebra, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU.

Segundo a OMM, há dois possíveis cenários dentro de seis meses: ou “a persistência de condições neutras” ou “um episódio de El Niño de baixa intensidade durante o terceiro trimestre de 2014″.

Os dois cenários “são quase tão plausíveis, tanto um quanto o outro”.

Atualmente, as condições são “neutras”, isto é, não se observa a chegada nem de um episódio de El Niño, nem de La Niña, segundo a OMM.

Estas condições “persistirão provavelmente até o segundo trimestre de 2014″, acrescentou a organização.

Os episódios climáticos El Niño e La Niña têm grande influência no clima da Terra.

O El Niño acontece a cada dois e sete anos, quando os ventos tropicais sobre o oceano Pacífico perdem força, o que provoca fortes chuvas, com inundações e deslizamentos de terra a oeste da América do Sul, seca no Pacífico ocidental e mudanças de correntes ricas em alimentos para os peixes.

O último episódio ocorreu entre junho de 2009 e maio de 2010.

Ao El Niño se segue geralmente um episódio do La Niña, que supõe temperaturas mais baixas das águas superficiais do Pacífico central e tropical.

O último episódio terminou em abril de 2012.

(AFP, via portal UOL)

Brain regions thought to be uniquely human share many similarities with monkeys (Science Daily)

January 28, 2014

Source: Cell Press

Summary: New research suggests a surprising degree of similarity in the organization of regions of the brain that control language and complex thought processes in humans and monkeys. The study also revealed some key differences. The findings may provide valuable insights into the evolutionary processes that established our ties to other primates but also made us distinctly human.

 (A) The right vlFC ROI. Dorsally it included the inferior frontal sulcus and, more posteriorly, it included PMv; anteriorly it was bound by the paracingulate sulcus and ventrally by the lateral orbital sulcus and the border between the dorsal insula and the opercular cortex. (B) A schematic depiction of the result of the 12 cluster parcellation solution using an iterative parcellation approach. We subdivided PMv into ventral and dorsal regions (6v and 6r, purple and black). We delineated the IFJ area (blue) and areas 44d (gray) and 44v (red) in lateral pars opercularis. More anteriorly, we delineated areas 45 (orange) in the pars triangularis and adjacent operculum and IFS (green) in the inferior frontal sulcus and dorsal pars triangularis. We found area 12/47 in the pars orbitalis (light blue) and area Op (bright yellow) in the deep frontal operculum. We also identified area 46 (yellow), and lateral and medial frontal pole regions (FPl and FPm, ruby colored and pink). Credit: Neuron, Neubert et al.

New research suggests a surprising degree of similarity in the organization of regions of the brain that control language and complex thought processes in humans and monkeys. The study, publishing online January 28 in the Cell Press journal Neuron, also revealed some key differences. The findings may provide valuable insights into the evolutionary processes that established our ties to other primates but also made us distinctly human.

The research concerns the ventrolateral frontal cortex, a region of the brain known for more than 150 years to be important for cognitive processes including language, cognitive flexibility, and decision-making. “It has been argued that to develop these abilities, humans had to evolve a completely new neural apparatus; however others have suggested precursors to these specialized brain systems might have existed in other primates,” explains lead author Dr. Franz-Xaver Neubert of the University of Oxford, in the UK.

By using non-invasive MRI techniques in 25 people and 25 macaques, Dr. Neubert and his team compared ventrolateral frontal cortex connectivity and architecture in humans and monkeys. The investigators were surprised to find many similarities in the connectivity of these regions. This suggests that some uniquely human cognitive traits may rely on an evolutionarily conserved neural apparatus that initially supported different functions. Additional research may reveal how slight changes in connectivity accompanied or facilitated the development of distinctly human abilities.

The researchers also noted some key differences between monkeys and humans. For example, ventrolateral frontal cortex circuits in the two species differ in the way that they interact with brain areas involved with hearing.

“This could explain why monkeys perform very poorly in some auditory tasks and might suggest that we humans use auditory information in a different way when making decisions and selecting actions,” says Dr. Neubert.

A region in the human ventrolateral frontal cortex — called the lateral frontal pole — does not seem to have an equivalent area in the monkey. This area is involved with strategic planning, decision-making, and multi-tasking abilities.

“This might relate to humans being particularly proficient in tasks that require strategic planning and decision making as well as ‘multi-tasking’,” says Dr. Neubert.

Interestingly, some of the ventrolateral frontal cortex regions that were similar in humans and monkeys are thought to play roles in psychiatric disorders such as attention deficit hyperactivity disorder, obsessive compulsive disorder, and substance abuse. A better understanding of the networks that are altered in these disorders might lead to therapeutic insights.

Journal Reference:

  1. Franz-Xaver Neubert et al. Comparison of human ventral frontal cortex areas for cognitive control and language with areas in monkey frontal cortex.Neuron, Jan 28, 2014

Neanderthals Leave Their Mark on Us (New York Times)

JAN. 29, 2014

A reconstruction of a Neanderthal skeleton, right, with a modern human skeleton in the background. Frank Franklin II/Associated Press

By Carl Zimmer

Ever since the discovery in 2010 that Neanderthals interbred with the ancestors of living humans, scientists have been trying to determine how their DNA affects people today. Now two new studies have traced the history of Neanderthal DNA, and have pinpointed a number of genes that may have medical importance today.

Among the findings, the studies have found clues to the evolution of skin and fertility, as well as susceptibility to diseases like diabetes. More broadly, they show how the legacy of Neanderthals has endured 30,000 years after their extinction.

“It’s something that everyone wanted to know,” said Laurent Excoffier, a geneticist at the University of Bern in Switzerland who was not involved in the research.

Neanderthals, who became extinct about 30,000 years ago, were among the closest relatives of modern humans. They shared a common ancestor with us that lived about 600,000 years ago.

In the 1990s, researchers began finding fragments of Neanderthal DNA in fossils. By 2010 they had reconstructed most of the Neanderthal genome. When they compared it with the genomes of five living humans, they found similarities to small portions of the DNA in the Europeans and Asians.

The researchers concluded that Neanderthals and modern humans must have interbred. Modern humans evolved in Africa and then expanded out into Asia and Europe, where Neanderthals lived. In a 2012 study, the researchers estimated that this interbreeding took place between 37,000 and 85,000 years ago.

Sir Paul A. Mellars, an archaeologist at the University of Cambridge and the University of Edinburgh, who was not involved in the research, said the archaeological evidence suggested the opportunity for modern humans to mate with Neanderthals would have been common once they expanded out of Africa. “They’d be bumping into Neanderthals at every street corner,” he joked.

The first draft of the Neanderthal genome was too rough to allow scientists to draw further conclusions. But recently, researchers sequenced a far more accurate genome from a Neanderthal toe bone.

Scientists at Harvard Medical School and the Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology in Germany compared this high-quality Neanderthal genome to the genomes of 1,004 living people. They were able to identify specific segments of Neanderthal DNA from each person’s genome.

“It’s a personal map of Neanderthal ancestry,” said David Reich of Harvard Medical School, who led the research team. He and his colleagues published their results in the journal Nature.

Living humans do not have a lot of Neanderthal DNA, Dr. Reich and his colleagues found, but some Neanderthal genes have become very common. That’s because, with natural selection, useful genes survive as species evolve. “What this proves is that these genes were helpful for non-Africans in adapting to the environment,” Dr. Reich said.

In a separate study published in Science, Benjamin Vernot and Joshua M. Akey of the University of Washington came to a similar conclusion, using a different method.

Mr. Vernot and Dr. Akey looked for unusual mutations in the genomes of 379 Europeans and 286 Asians. The segments of DNA that contained these mutations turned out to be from Neanderthals.

Both studies suggest that Neanderthal genes involved in skin and hair were favored by natural selection in humans. Today, they are very common in living non-Africans.

The fact that two independent studies pinpointed these genes lends support to their importance, said Sriram Sankararaman of Harvard Medical School, a co-author on the Nature paper. “The two methods seem to be converging on the same results.”

It is possible, Dr. Akey speculated, that the genes developed to help Neanderthal skin adapt to the cold climate of Europe and Asia.

But Dr. Akey pointed out that skin performs other important jobs, like shielding us from pathogens. “We don’t understand enough about the biology of those particular genes yet,” he said. “It makes it hard to pinpoint a reason why they’re beneficial.”

Both teams of scientists also found long stretches of the living human genomes where Neanderthal DNA was glaringly absent. This pattern could be produced if modern humans with certain Neanderthal genes could not have as many children on average as people without them. For example, living humans have very few genes from Neanderthals involved in making sperm. That suggests that male human-Neanderthal hybrids might have had lower fertility or were even sterile.

Overall, said Dr. Reich, “most of the Neanderthal genetic material was more bad than good.”

Some of the Neanderthal genes that have endured until today may be influencing people’s health. Dr. Reich and his colleagues identified nine Neanderthal genes in living humans that are known to raise or reduce the risk of various diseases, including diabetes and lupus.

To better understand the legacy of Neanderthals, Dr. Reich and his colleagues are collaborating with the UK Biobank, which collects genetic information from hundreds of thousands of volunteers. The scientists will search for Neanderthal genetic markers, and investigate whether Neanderthal genes cause any noticeable differences in anything from weight to blood pressure to scores on memory tests.

“This experiment of nature has been done,” said Dr. Reich, “and we can study it.”

Correction: January 29, 2014
An earlier version of this article misstated the living groups in which Neanderthal genes involved in skin and hair are very common. They are very common in non-Africans, not non-Asians.

A dura realidade (Ciência Hoje)

[Uso generalizante, e portanto improdutivo, do conceito de “mito”]

Criação de mitos formaliza o desejo inconsciente de tranquilizar nossas mentes. História da ciência reúne vários exemplos do que parece ser uma necessidade humana: a produção de heróis.

Por: Franklin Rumjanek

Publicado em 28/01/2014 | Atualizado em 29/01/2014

A dura realidade

Há uma tendência de exacerbar o papel de certos personagens, como no caso de Fleming: não bastou descobrir a penicilina; atribui-se a ele sua produção em larga escala, o que foi feito por Howard Florey. (foto: Wikimedia Commons – CC BY SA 3.0)

A criação de mitos parece ser uma necessidade humana, algo que formaliza, em palavras ou em crenças, o desejo inconsciente de preencher algum recanto intranquilo de nossas mentes. A criação de heróis é um exemplo típico. Se eles não realizaram de fato certos feitos, o imaginário popular trata de preencher, de modo convincente, essa lacuna. Assim, os mitos duram até que alguém decida investigar a veracidade dos relatos.

Em interessante comentário na revista científica Nature (v. 502, nº 7.469, p. 32, 2013), Heloise Dufour e Sean Carroll abordam essa tendência de exacerbar o papel histórico de certos personagens, focando em Joseph Meister, Alexander Fleming e John Snow (ver ‘História da ciência e mitos’ em Ciência Hoje n° 309, disponível para assinantes no Acervo Digital).

Por vezes os mitos são impessoais e, nesse caso, têm funções variadas, desde validar preconceitos até trazer a esperança de uma vida longa e de qualidade

A participação de cada um deles em eventos que tangenciaram a ciência foi amplificada. No caso de Fleming, por exemplo, não bastou a descoberta da penicilina: atribui-se a ele a produção do medicamento em grandes quantidades, o que, na verdade, foi feito por Howard Florey. Este, sim, calcula-se, salvou mais de 80 milhões de vidas. Fleming teria também salvo a vida de Sir Winston Churchill duas vezes. Uma de afogamento e outra com a penicilina. Pura lenda urbana.

Por vezes os mitos são impessoais e, nesse caso, têm funções variadas, desde validar preconceitos até trazer a esperança de uma vida longa e de qualidade. O ressurgimento de pesquisas que abordam a relação entre o DNA e o comportamento, tema tratado aqui em várias colunas, é um exemplo da necessidade humana de, com base na ciência, reforçar não necessariamente a curiosidade que deve nortear os caminhos da investigação, mas o ideário previamente implantado em nossas mentes.

Níveis de tabu

Em outro trabalho, na mesma edição da Nature, Erika C. Hayden avalia os níveis de tabu gerados por tipos diferentes de trabalhos científicos em genética. Os que envolvem a pesquisa do chamado quociente de inteligência (QI) atingem, segundo a autora, ‘alto nível’ de tabu, superado apenas por qualquer projeto que envolva o estudo de raças humanas (‘nível muito alto’).

Em contraste, estudos sobre a herança genética da violência, ou da orientação sexual, merecem ‘nível moderado’, talvez porque o atual convívio cotidiano com ambas as manifestações ajude a diluí-las. Hayden acrescenta que esse tipo de mito é reforçado com cada vez mais força por conta da doutrina de que a genética é sinônimo de destino. Apesar de contarmos hoje com a sofisticada tecnologia que destrincha os genomas em pouco tempo e que, sistematicamente, mostra-se incapaz de fornecer subsídios que sustentem os projetos do tipo tabu, a noção de que somos todos escravos do DNA não esmorece.

Algo semelhante acontece com a informática. Possivelmente como resultado da grande influência desta em nossas vidas, cresce o contingente dos que precisam acreditar que o mundo virtual terá um papel importante na conquista da longevidade do cérebro. Embora tenha sido mostrado, já em 2010, que não há correlação entre bom desempenho mental e a prática de jogos de computador, a lenda recrudesce.

NeuroRacerA tentativa de manter idosos jogando o NeuroRacer para melhorar sua capacidade de realizar multitarefas busca o endosso científico, mas ainda não sobrevive a um exame mais rigoroso. (foto: YouTube.com)

A nova tentativa de manter idosos horas a fio diante de computadores jogando o NeuroRacer, para melhorar sua capacidade de realizar multitarefas, é o tema de Alison Abbott, também na Nature (v. 501, nº 7.465, p. 18, 2013). Essa prática contemporânea de transformar-nos a todos em malabares mentais busca o endosso científico, mas ainda não sobrevive a um exame mais rigoroso. Abbott alerta que neurocientistas e psicólogos acreditam que tanto o poder de concentração quanto a capacidade de memória são parâmetros fixos, que não se modificam, seja qual for o estímulo. Esses cientistas, porém, confrontam-se não apenas com os fabricantes de jogos de computador, mas também com o poder da mitologia, do desejo coletivo. De fato, é muito difícil convencer nossos pares de que somos mortais e que nossos últimos dias serão cercados de senescência.

Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Texto originalmente publicado na CH 310 (dezembro de 2013).

O rio e o índio (Ciência Hoje)

Publicado em 28/01/2014

Quando vai à pesca, o índio leva cultura e tradição, que o Museu da Amazônia ‘fisgou’ e apresenta em mostra que aborda relação vital e sagrada entre rio e homem.

O rio e o índioA fachada da exposição ‘Peixe e Gente’, organizada pelo Museu da Amazônia, foi ilustrada pelo artista Feliciano Lana, da etnia Desana. (foto: Vanessa Gama)

No coração da floresta amazônica, a relação do homem com o rio é de estreita dependência. Entre os índios, é da pesca que vem o principal alimento da tribo, e o caráter ritual dessa prática e o respeito à natureza associado a ela se refletem na tradição indígena. Esse vínculo é apresentado na exposição ‘Peixe e Gente’, organizada pelo Museu da Amazônia, em Manaus, e que reúne armadilhas, utensílios de cozinha, mapas e até registros de lendas mitológicas que jogam luz sobre essa proximidade vital e sagrada.

A exposição tem como foco a relação essencial e sagrada entre os indígenas e a pesca

A mostra se debruça sobre as crenças e os hábitos das etnias indígenas Tuiuca eTucano, habitantes do alto rio Negro, na região amazônica. Os indígenas abriram suas portas e ajudaram na concepção e montagem da exposição, dispostos a dividir com o Brasil e o mundo suas experiências e tradições culturais pouco difundidas.

Baseada no livro Gente e Peixe no Alto Rio Tiquié, do antropólogo Aloisio Cabalzar, a exposição tem como foco a relação essencial e sagrada entre as tribos e a pesca. A publicação trata dos conhecimentos nativos, mitos e concepções cosmológicas sobre a origem dos peixes e suas relações com o homem.

No Museu, estão expostos objetos indígenas, como armadilhas de pesca, que se revelam muito mais do que simples trabalhos manuais, uma vez que envolvem mitos e tradições sagrados. Um bom exemplo são os matapis – alguns trazidos das comunidades e outros confeccionados no próprio museu pelos índios (ver ‘Pesca dos povos tucanos’, em Ciência Hoje n° 305, disponível para assinantes no Acervo Digital).

MatapiQuando o matapi é colocado a favor das correntezas, os peixes acabam entrando na armadilha quando estão descendo o rio. (foto: Juan Soler)

Segundo a lenda, um indígena chamado Gente-Estrela teve seu filho devorado pela Cobra Grande e utilizou um matapi para capturar o bicho. Ao retirar os miúdos da cobra e os jogar no rio Negro, eles transformaram-se em peixes traíras: como castigo por ter comido o menino, a cobra teria seus descendentes comidos por toda a humanidade para sempre.

Mais do que artesanato, a construção de um matapi requer reflexões e rituais considerados imprescindíveis para a realização de uma boa pesca. Após confeccionar a armadilha, o pescador deve fazer jejum e seguir determinadas regras ao voltar para casa. “Não pode se assustar, fazer ou ouvir muito barulho, sorrir, falar alto, deitar com a mulher, entre outras coisas”, explicam os irmãos tucanos Adalberto e Roberval Pedrosa, da comunidade de serra de Mucura.

Armadilha cacuriSegundo os Tukano, construir um cacuri é construir também o corpo de uma mulher, pois as partes da armadilha coincidem com a anatomia feminina. (foto: Kenny Calderón)

Além de armadilhas, como matapi, jequi, cacuri e caiá, a exposição traz objetos de cerâmica onde são preparados pratos típicos do alto rio Negro, cestarias, peneiras, entre outros artefatos e curiosidades sobre a cultura tuiuca e tucana. A exposição está montada na tenda do Jardim Botânico Adolpho Ducke.

Isabelle Carvalho
Ciência Hoje On-line

Proposta anula leilão de exploração de petróleo no campo de Libra (Agência Câmara)

JC e-mail 4883, de 29 de janeiro de 2014

SBPC e ABC defendem mais pesquisas sobre eventuais danos ambientais da exploração do gás de xisto

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1289/13, do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), que susta a autorização do leilão de exploração de petróleo e gás no campo de Libra (RJ), realizado em outubro de 2013.

O deputado quer cancelar quatro normas que permitiram o leilão do campo onde haverá exploração do pré-sal brasileiro: as resoluções 4/13 e 5/13 do Conselho Nacional de Política Energética; a Portaria 218/13 do Ministério das Minas e Energia e o Edital de Licitação do Campo de Libra.

Com previsão de produção de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo, o campo de Libra foi leiloado sob protestos e com forte proteção policial. Apesar da expectativa de participação de até quatro consórcios, houve apenas um, formado pelas empresas Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC. Ele venceu o leilão com a proposta de repassar à União 41,65% do excedente em óleo extraído – o percentual mínimo fixado no edital.

Alencar é contra as concessões para exploração de petróleo por considerar que a Petrobras pode explorar sozinha os campos brasileiros. Ele argumenta ainda que há vícios nas normas que permitiram o leilão. “A Agência Nacional do Petróleo publicou o texto final do edital e do contrato referentes ao leilão de Libra antes do parecer do Tribunal de Contas (TCU)”, apontou.

O deputado ressaltou ainda que as denúncias de espionagem estrangeira na Petrobras colocam suspeitas sobre o leilão. “A obtenção ilegal de informações estratégicas da Petrobras beneficia suas concorrentes no mercado e compromete a realização do leilão”, criticou.

Tramitação
A proposta será discutida pelas comissões de Minas e Energia; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, a proposta precisa ser aprovada em Plenário.

Íntegra da proposta:

PDC-1289/2013

(Carol Siqueira/ Agência Câmara)

Manifesto da comunidade científica
SBPC e ABC pedem mais pesquisas sobre eventuais danos ambientais da exploração do gás de xisto – http://www.sbpcnet.org.br/site/artigos-e-manifestos/detalhe.php?p=2011

Acústica ecológica, medida para a biodiversidade (O Globo)

Especialista na gravação de sons naturais, o músico e naturalista americano Bernie Krause prova que a paisagem sonora de um ambiente tem muito a informar sobre o seu equilíbrio

BOLÍVAR TORRES

Publicado:28/01/14 – 8h00 / Atualizado:28/01/14 – 14h47

<br />Bernie Krause. Músico largou as vaidades de Hollywood para se dedicar às paisagens sonoras e à acústica ecológica<br />Foto: Terceiro / Divulgação/Tim ChapmanBernie Krause. Músico largou as vaidades de Hollywood para se dedicar às paisagens sonoras e à acústica ecológica Terceiro / Divulgação/Tim Chapman

RIO – Em um longínquo verão de 1988, o músico e naturalista americano Bernie Krause teve uma experiência reveladora. Um dos maiores especialistas do mundo em sons naturais, ele ganhou permissão para registrar a paisagem sonora de Lincoln Meadow, uma área de manejo florestal californiana localizada a três horas e meia de São Francisco, antes e depois de uma extração seletiva. Munidos de estudos prévios, a madeireira responsável e os biólogos locais tinham garantido à comunidade que os métodos de extração não causariam impactos ambientais, já que apenas poucas árvores seriam derrubadas.

Alguns dias antes do manejo, Krause instalou seu sistema de gravação na campina e registrou os sons do amanhecer. Uma rica música natural explodiu em seus fones de ouvido, executada por pica-paus, codornas, pardais e insetos de todos os tipos. Um ano depois, já com as árvores derrubadas, Krause regressou ao local, no mesmo dia do mesmo mês, à mesma hora e sob as mesmas condições meteorológicas.

Assim como prometeram os biólogos, a floresta parecia intacta. Aos olhos humanos, não havia sinais de deterioração. Porém, a nova “música” capturada pelo gravador revelava um cenário muito diferente. O que antes formava uma amplo mosaico sonoro, limitava-se agora a um punhado carente de ruídos, no qual se destacavam apenas o correr do rio e o martelar solitário de um pica-pau.

Com uma gravação de apenas alguns segundos, Krause acabara de comprovar que o som de um ambiente pode informar muito mais sobre seu equilíbrio do que fotografias ou imagens de satélite. Conhecido como “ecologia acústica” (soundscape ecology), o conceito se tornou hoje uma disciplina científica, da qual o músico é um dos pioneiros. Em resumo, a ideia consiste em usar a sonoridade dos organismos vivos não humanos (“biofonia”) e a de fontes não biológicas (“geofonia”) como indicadores de biodiversidade: quanto mais “musicais” e complexas as propriedades acústicas de um habitat, mais saudável ele será.

– As gravações biofônicas simplesmente confirmam nossas relações com o mundo natural – explica o músico, em entrevista por e-mail à Revista Amanhã. – Se elas são saudáveis, a paisagem sonora indicará os padrões necessários que confirmam em que grau essa relação existe. Se não são, então não haverá som em determinado habitat, ou os padrões bioacústicos serão caóticos e incoerentes.

Nascido em 1938, em Detroit, Bernie Krause passou mais da metade de seus 75 anos perseguindo sons naturais pelos quatro cantos do mundo. Depois de trabalhar com artistas como Bob Dylan, The Doors e Rolling Stones, e ajudar a criar efeitos de filmes como “Apocalipse Now” (do qual foi demitido e recontratado uma dezena de vezes durante as filmagens), o músico cansou das vaidades de Hollywood e passou a se dedicar exclusivamente à acústica ecológica. Fonte para numerosos discos e publicações, sua coleção inclui desde fontes não biológicas, como fragores de trovões e “cantos” de dunas de areia, aos mais improváveis sons de animais (vocalizações de larvas e grunhidos de anêmonas-do-mar). Um balanço destas experiências pode ser lido em “A grande orquestra da natureza”, seu último livro, publicado no Brasil pela Zahar, em 2013.

O trabalho de Krause representa um divisor de águas na história da paisagem sonora: antes da sua contribuição, a técnica consistia essencialmente em capturar fragmentos monofônicos de fontes isoladas, restringindo as pesquisas aos limites de cada vocalização. Como, por exemplo, quando uma equipe de ornitólogos registrou, em 1935, o canto do raríssimo pica-pau-bico-de-marfim. Se quisermos saber como soava esta criatura, hoje provavelmente extinta, temos a amostra gravada.

Com o músico e naturalista americano, no entanto, o escopo de pesquisa começou a ser ampliado. Ao explorar florestas equatoriais da África, Ásia e América Latina, Krause percebeu que o que nos chega da natureza é profundamente conectado. Como músicos em uma orquestra, as diferentes espécies harmonizam suas vocalizações, modulam em conjunto, de acordo com os sons naturais de fontes não biológicas (o vento, a água, o movimento da terra e da chuva) de cada habitat.

Assinatura acústica

Esta complexa acústica multidimensional precisava ser capturada como um todo, e Krause usou sua experiência na produção musical para modernizar os modelos de gravações, antes limitados a um só canal.

– Separar as vozes das espécies individuais, especialmente na biofonia, é um pouco como tentar entender a magnificência da quinta sinfonia de Beethoven abstraindo o som de um único violino, fora do contexto da orquestra, e ouvir apenas uma parte dela – compara Krause. – Ao fragmentar ou descontextualizar as paisagens sonoras do mundo natural, é impossível entender a sua voz, as razões de uma determinada vocalização, ou ainda a sua relação com todos os outros sons de animais emitidos em um habitat. Gravando todos os sons juntos, ao mesmo tempo, ganha-se uma explicação contextual.

Isso não significa, contudo, que Krause ignore vocalizações específicas. Pelo contrário. Cada organismo possui uma assinatura sonora própria, e seu arquivo reúne as mais variadas espécies de animais. Em “A grande orquestra da natureza”, ele descreve algumas curiosidades. Descobrimos a inacreditável amplitude sonora do camarão-pistola, que com apenas cinco centímetros é capaz de produzir, debaixo d’água, um barulho mais intenso do que os volumes registrados em shows de rock.

Também aprendemos que os lobos aproveitam a privilegiada ressonância e propagação da noite para vocalizar, ou que os sons dos golfinhos, se produzidos fora do ar, equivaleriam ao disparo de uma arma de grosso calibre.

Há ainda detalhes sobre uma das melodias mais bonitas que existem, gerada por casais de gibão da Indonésia. “Cada par desenvolve os próprios diálogos musicais bastante elaborados – duetos encantadores de entrosamento amoroso”, descreve Krause.

As gravações nos ajudam a entender manifestações emocionais de certos animais. Neste sentido, poucas coisas soam mais tristes do que o choro de um castor em luto.

O músico também compara as vocalizações de duas duplas de baleias – uma de um grupo ainda selvagem, outra cativa num parque temático. Enquanto a primeira apresentava sons cheios de energia e vitalidade, na segunda se destacava uma lentidão letárgica nas vocalizações.

Assim como acontece com os organismos vivos, cada fonte não biológica possui um ressonância peculiar. Para Krause, o mar de Ipanema, por exemplo, traz uma assinatura acústica diferente das de outras praias: “Sempre achei que o som sedutor, lento e ritmado dessas ondas me acolhia e me chamava para a tentadora arrebentação”, escreve. Por outro lado, ele conta que a arrebentação no litoral da Louisiana, no Golfo do México, passou a soar “gorgolejante, lamacenta e morosa, como se a água estivesse engasgada e afogada em si mesma” depois de um grande vazamento de petróleo em 2010.

Em “A grande orquestra da natureza”, Krause mostra que a conexão entre os mundos sonoros humano e não humano se perdeu. Nosso modo de vida não só nos priva da capacidade de escutar com atenção o que está ao redor, como ainda silencia a diversidade acústica dos recintos do planeta. O autor lembra que metade das fontes de seu arquivo, gravadas ao longo das últimas quatro décadas, se encontra hoje extinta por causa da intervenção humana. Em muitos desses lugares, as alterações sonoras acontecem num ritmo assustador, como as geleiras do Kilimanjaro e de Glacier Bay, ou os recifes de coral.

Segundo Krause, um sintoma deste divórcio com a natureza está na própria autorreferencialidade e antropocentrismo da música ocidental, que nos últimos séculos teria se alimentado apenas de suas próprias experiências. O que não acontece com muitos povos indígenas, como os ianomâmi, que usam as melodias da chuva caindo sobre a vegetação e outros ritmos geofônicos na sua música tradicional. Krause mostra como seres humanos que vivem intimamente ligados à floresta, como os bayaka na África, ou os kaluli em Papua-Nova Guiné, encontram na biofonia uma espécie de karaokê ecológico. Em suas performances, a natureza se transforma em uma banda de apoio. O que leva à conclusão óbvia de que a música humana teria se originado nas sonoridades do mundo natural.

– Como pré-requisito para concessão de um diploma, eu aconselharia qualquer instituição acadêmica que treina músicos e compositores se certificar de que cada aluno tem pelo menos um ano de experiência de escuta e gravação em habitats selvagens extremos, o mais afastado possível de áreas urbanas e antropofônicas – opina Krause.

Discoteca ecológica

Anêmona-do-mar: Emissora de sons incomuns, solta grunhidos altos e irritantes quando perturbada.

Castor: Uma das vocalizações mais tristes gravadas por Krause é a de um castor que acabara de perder sua companheira e filhotes e nadava em círculos gritando sua dor.

Vento: Por sua força mística, é um dos mais etéreos sons geofônicos.

Neve: Para quem se dedica ao registro sonoro da natureza, o som da neve caindo equivale a “um prato da alta gastronomia”, segundo Krause: difícil de conseguir, mas inigualável.

Ouça mais sons na página do livro “A grande orquestra da natureza”:http://bit.ly/orquestranatureza

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/revista-amanha/acustica-ecologica-medida-para-biodiversidade-11416452#ixzz2ru9qYO5n 
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Governo reconhece número recorde de decretos de emergência em 2013 (G1)

JC e-mail 4883, de 29 de janeiro de 2014

Foram 3.747, o maior dos últimos dez anos, segundo dados da Defesa Civil

O governo federal reconheceu 3.747 decretos de situação de emergência e estado de calamidade pública no ano passado. O número, o maior de toda a série histórica da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), representa uma média de dez decretos reconhecidos por dia no país. Trata-se de um aumento de 182% em relação a 2003 (Veja o mapa ao lado com todos os decretos).

Ao todo, 1.940 cidades requisitaram ajuda federal, sendo que 2/3 delas fizeram isso mais de uma vez durante o ano. Ao decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública, os municípios comunicam ao governo federal a ocorrência de um grande desastre natural e pedem a liberação de verba de emergência da União para tentar amenizar os danos.

A seca que assolou o Nordeste, por exemplo, considerada por alguns estados como a pior dos últimos 50 anos, fez com que 75% dos municípios da região tivessem decretos reconhecidos. Treze cidades (11 do Piauí e duas da Bahia) tiveram situação de emergência reconhecida quatro vezes em 2013.

A Bahia é o estado que concentra o maior número de municípios (284) em emergência e calamidade e é também o que detém a maior parcela dos decretos (680). O Piauí aparece logo atrás, com 612 reconhecimentos. No estado, 212 das 224 cidades entraram em emergência no ano passado.

A maioria (87%) dos reconhecimentos em todo o país se deu em razão de seca ou estiagem, que ainda persiste em parte do território nacional. Houve também decretos por inundações, geadas e granizo, erosões e deslizamentos, incêndios, vendavais e tornados, doenças infecciosas virais e até por infestação de uma praga em árvores – caso registrado em Belo Horizonte, em março.

Segundo o secretário nacional de Defesa Civil, Adriano Pereira Junior, muitos decretos foram renovados durante o ano passado em razão de eventos prolongados, provocando um aumento na estatística. Além disso, o fato de a população diretamente afetada nos municípios que tiveram reconhecimento do decreto poder sacar uma parte do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para refazer a vida ajuda a entender esse aumento de pedidos, já que várias ocorrências graves, com muitas pessoas atingidas, foram registradas em 2013, explica o secretário.

Alguns reconhecimentos realizados em 2013 são de pedidos feitos pelas cidades em 2012. Como eles tiveram efeito retroativo (ou seja, mesmo quando reconhecidos, passaram a valer a partir da data da solicitação) e a validade expirou, novos decretos foram reconhecidos em uma data próxima. Um erro da Sedec também fez com que alguns municípios tivessem um mesmo decreto reconhecido duas vezes, com publicação no Diário Oficial da União. O Ministério da Integração Nacional não sabe precisar o número, mas diz que isso não causou prejuízo às cidades nem aos cofres públicos, já que verbas só são repassadas após a apresentação de um plano de ação pelas administrações municipais.

Em 2013, houve ainda a criação do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Antes, os municípios precisavam entregar, em papel, documentos para comprovar os prejuízos sofridos. Atualmente, todo o processo é feito digitalmente, o que torna mais ágeis a ação dos municípios e o reconhecimento por parte do governo federal.

Em 2014, já foram feitos 141 reconhecimentos de decretos de emergência e calamidade pública em todo o país, sendo 65 (46%) em Minas Gerais, em decorrência das chuvas intensas.

Situação de emergência e estado de calamidade
Dos decretos reconhecidos em 2013, 3.740 são de situação de emergência e sete de calamidade pública. A situação de emergência é o reconhecimento pelo poder público de uma situação anormal provocada por um desastre natural com danos superáveis. Já a calamidade se refere a uma situação anormal que causa sérios danos à comunidade, à segurança e à vida dos moradores.

A partir do reconhecimento do decreto, os municípios podem receber uma verba de emergência, que chega mais rápido aos cofres locais, por meio das chamadas transferências obrigatórias. Os decretos têm uma validade máxima de 180 dias (não há um prazo mínimo). Já os recursos para reconstruir as áreas atingidas dependem da apresentação de um plano de trabalho no prazo de 90 dias da ocorrência do desastre.

Para ações de socorro imediato, como assistência a vítimas, aquisição de cestas básicas e aluguel social para desabrigados, as prefeituras precisam apenas do reconhecimento da emergência. A transferência é feita pelo Cartão de Pagamento de Defesa Civil (CPDC).

Controle
A Controladoria Geral da União (CGU) diz que tem acompanhado a execução dos gastos referentes aos repasses federais para as cidades em emergência ou calamidade. Em nota, a CGU informa que faz relatórios de diagnóstico situacional e de fiscalização, monitora as verbas do CPDC e orienta estados e municípios, elaborando manuais e participando de fóruns.

Segundo a CGU, de 2008 a 2010 foram fiscalizados recursos na ordem de R$ 1,8 bilhão, quantia que foi repassada para subsidiar ações de reconstrução.

“Buscou-se avaliar a confiabilidade das informações relacionadas à localização e aos danos provocados por desastres naturais sofridos pelos municípios, e a regularidade da execução das obras, bem como se as mesmas atingiram os benefícios esperados”, diz a CGU, em nota.

De acordo com o órgão, diversos problemas foram verificados. “As principais irregularidades identificadas foram falhas nos relatórios de avaliação de danos, conclusão de obras extrapolando o prazo de 180 dias ou ultrapassando o prazo estipulado para dispensa de licitação, falhas/impropriedades relativas à especificação das obras, como a inexecução de itens, superestimativa de quantitativos e obras em desacordo com as especificações técnicas, falhas/impropriedades relativas à medição, como o pagamento por serviços não executados, medição de quantidades maiores que as executadas, bem como o superfaturamento de alguns serviços.”

NÚMERO DE DECRETOS RECONHECIDOS NO BRASIL, POR ANO:
2013 – 3.747
2012 – 2.776
2011 – 1.282
2010 – 2.765
2009 – 1.292
2008 – 1.502
2007 – 1.615
2006 – 991
2005 – 1.711
2004 – 1.760
2003 – 1.325

(Thiago Reis / Portal G1)

Black Bloc: “Fazemos o que os outros não têm coragem de fazer” (Fórum)

Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil

Esta matéria faz parte da edição 125 da revista Fórum.

Por Paulo Cezar Monteiro

20/08/2013 7:20 pm

“Os ativistas Black Bloc não são manifestantes, eles não estão lá para protestar. Eles estão lá para promover uma intervenção direta contra os mecanismos de opressão, suas ações são concebidas para causar danos às instituições opressivas.” É dessa forma que a estratégia de ação do grupo que vem ganhando notoriedade devido às manifestações no País é definida por um vídeo, divulgado pela página do Facebook “Black Bloc Brasil”, que explica parte das motivações e forma de pensar dos seus adeptos.

A ação, ou estratégia de luta, pode ser reconhecida em grupos de pessoas vestidas de preto, com máscaras ou faixas cobrindo os rostos. Durante os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam de maneira agressiva bancos, grandes corporações ou qualquer outro símbolo das instituições Eles afirmam não temer o confronto com a polícia e defendem a destruição de “alvos capitalistas”. Conheça a história e a forma de luta que se popularizou com o movimento antiglobalização e ganha destaque no Brasil “capitalistas e opressoras”, além de, caso julguem necessário, resistirem ou contra-atacarem intervenções policiais.

Devido ao atual ciclo de protestos de rua, o Black Bloc entrou no centro do debate político nacional. Parte das análises e opiniões classifica as suas ações como “vandalismo” ou “violência gratuita”, e também são recorrentes as críticas ao anonimato produzido pelas máscaras ou panos cobrindo a face dos adeptos. Mas o Black Bloc não é uma organização ou entidade. Leo Vinicius, autor do livro Urgência das ruas – Black Bloc, Reclaim the Streets e os Dias de Ação Global, da Conrad, (sob o pseudônimo Ned Ludd), a define o como uma forma de agir, orientada por procedimentos e táticas, que podem ser usados para defesa ou ataque em uma manifestação pública.

(Flickr.com/nofutureface)

Zuleide Silva (nome fictício), anarquista e adepta do Black Bloc no Ceará, frisa que eles têm como alvo as “instituições corporativas” e tentam defender os manifestantes fora do alcance das ações repressoras da polícia. “Fazemos o que os manifestantes não têm coragem de fazer. Botamos nossa cara a tapa por todo mundo”, afirma.

O jornalista e estudioso de movimentos anarquistas, Jairo Costa, no artigo “A tática Black Bloc”, publicado na Revista Mortal, lembra que o Black Bloc surgiu na Alemanha, na década de 1980, como uma forma utilizada por autonomistas e anarquistas para defenderem os squats (ocupações) e as universidades de ações da polícia e ataques de grupos nazistas e fascistas. “O Black Bloc foi resultado da busca emergencial por novas táticas de combate urbano contra as forças policiais e grupos nazifascistas. Diferentemente do que muitos pensam, o Black Bloc não é um tipo de organização anarquista, ONG libertária ou coisa parecida, é uma ação de guerrilha urbana”, contextualiza Costa.

De acordo com um dos “documentos informativos” disponíveis na página do Facebook, alguns dos elementos que os caracterizam são a horizontalidade interna, a ausência de lideranças, a autonomia para decidir onde e como agir, além da solidariedade entre os integrantes. Atualmente, há registros, por exemplo, de forças de ação Black Bloc nas recentes manifestações e levantes populares no Egito.

Manifestantes se reúnem em rua do Leblon, no Rio de Janeiro, próximos à casa do governador Sérgio Cabral (Foto: Mídia Ninja)

Black Bloc no Brasil

Para Leo Vinicius, é um “pouco surpreendente” que essa estratégia de manifestação urbana, bastante difundida ao redor do mundo, tenha demorado a chegar por aqui. “Essa forma de agir em protestos e manifestações ganhou muito destaque dentro dos movimentos antiglobalização, na virada da década de 1990 para 2000. Não é uma forma de ação política realmente nova”. No Brasil, existem páginas do movimento de quase todas as capitais e grandes cidades, a maior parte delas criadas durante o período de proliferação dos protestos. A maior é a Black Bloc Brasil, com quase 35 mil seguidores, seguida pela Black Bloc–RJ, com quase 20 mil membros.

A respeito da relação com o anarquismo, Vinicius faz uma ressalva. É preciso deixar claro que a noção de que “toda ação Black Bloc é feita por anarquistas e que todos anarquistas fazem Black Bloc” é falsa. “A história do Black Bloc tem uma ligação com o anarquismo, mas outras correntes como os autonomistas, comunistas e mesmo independentes também participavam. Nunca foi algo exclusivo do anarquismo. Na prática, o Black Bloc, por se tratar de uma estratégia de operação, pode ser utilizado até por movimentos da direita”, explica o escritor.

Para alguns ativistas, o processo de aceitação das manifestações de rua, feito pela grande mídia e por parte do público, de certa forma impôs que, para serem considerados legítimos, os protestos deveriam seguir um padrão: pacífico, organizado, com cartazes e faixas bem feitas e em perfeito acordo com as leis. Vinicius demonstra certa preocupação com a possibilidade do fortalecimento da ideia de que essa forma “pacífica” seja vista como o único meio possível ou legítimo de protestar. Ele afirma que não entende como violenta a ação Black Bloc de quebrar uma vidraça ou se defender de uma ação policial excessiva. “A violência é um conceito bastante subjetivo. Por isso, não dá pra taxar qualquer ato como violento, é preciso contextualizá-lo, entender as motivações por trás de cada gesto”, avalia.

Para ele, a eficácia de uma manifestação está em saber articular bem formas de ação “pacíficas” e “não pacíficas”. Foi esse equilíbrio, analisa, que fez com que o Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP) barrasse o aumento da tarifa na capital paulista. “Só com faixas e cartazes a tarifa não teria caído”, atesta. “Quem tem o poder político nas mãos só cede a uma reivindicação pelo medo, por sentir que as coisas podem sair da rotina, de que ele pode perder o controle do Estado”, sentencia.

Por outro lado, Vinicius alerta que é preciso perceber os limites para evitar que as ações mais “radicais” façam com que o movimento seja criminalizado ou se isole da sociedade e, com isso, perca o potencial de realizar qualquer mudança. Em sua obra, faz a seguinte definição daqueles que adotam a estratégia Black Bloc: “Eles praticam uma desobediência civil ativa e ação direta, afastando assim a política do teatro virtual perfeitamente doméstico, dentro do qual [a manifestação política tradicional] permanece encerrada. Os BB não se contentam com simples desfiles contestatórios, certamente importantes pela sua carga simbólica, mas incapazes de verdadeiramente sacudir a ordem das coisas”, aponta.

Outra crítica recorrente é o fato de os BB usarem máscaras ou panos para cobrirem os rostos. Os adeptos da ação explicam que as máscaras são um meio de proteger suas identidades para “evitar a perseguição policial” e outras formas de criminalização, como também criar um “sentimento de unidade” e impedir o surgimento de um “líder carismático”.

Luta antiglobalização

Com o passar do tempo, segundo Jairo Costa, as táticas Black Bloc passaram a ser reconhecidas como um meio de expressar a ira anticapitalista. Ele explica que geralmente as ações são planejadas para acontecer durante grandes manifestações de movimentos de esquerda.

O estudioso destaca como um dos momentos mais significativos da história Black Bloc a chamada “Batalha de Seattle”, em 1999, contra uma rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 30 de novembro daquele ano, após uma tarde de confrontos com as forças policiais, uma frente móvel de black blockers conseguiu quebrar o isolamento criado entre os manifestantes e o centro comercial da cidade. Após vencer o cerco policial, os manifestantes promoveram a destruição de várias propriedades, limusines e viaturas policiais, e fizeram várias pichações com a mensagem “Zona Autônoma Temporária”. Estimativas apontam prejuízos de 10 milhões de dólares, além de centenas de feridos e 68 prisões.

Para Costa, um dos episódios mais impactantes – e duros – da história Black Bloc foi o assassinato de Carlo Giuliani, jovem anarquista de 23 anos, durante a realização simultânea do Fórum Social de Gênova e a reunião do G8 (Grupo dos oito países mais ricos), na Itália, em julho de 2001. Ele lembra que, após vários confrontos violentos – alguns deles vencidos pelos manifestantes, que chegaram a provocar a fuga dos policiais, que deixaram carros blindados para trás –, ocorreu o episódio que levou à morte de Giuliani.

“Ele partiu para cima de um carro de polícia tentando atirar nele um extintor de incêndio. Muitos fotógrafos estavam por lá e seus registros falam por si. Ao se aproximar do carro, Giuliani é atingido por dois tiros, um na cabeça. E, numa cena macabra, o carro da polícia dá marcha a ré e atropela-o várias vezes”, narra. Os assassinos de Carlo Giuliani não foram condenados. Dois anos após o fato, a Justiça italiana considerou que a ação policial se deu como “reação legítima” ao comportamento do militante.

Alvos capitalistas

Entre as formas de ação direta do Black Bloc destacam-se os ataques aos chamados “alvos simbólicos do capital”, que incluem joalherias, lanchonetes norte-americanas ou ainda a depredação de instituições oficiais e empresas multinacionais. Costa explica que essas ações “não têm como objetivo atingir pessoas, mas bens de capital”.

Zuleide justifica a destruição praticada contra multinacionais ou outros símbolos capitalistas, porque elas seriam mecanismo de “exploração e exclusão das pessoas”. “Queremos que esses meios que oprimem e desrespeitam um ser humano se explodam, vão embora, morram. Trabalhar dez horas por dia para não ganhar nada, isso é o que nos enfurece. Por isso, nossas ações diretas a eles, porque queremos causar prejuízos, para que percebam que há pessoas que rejeitam aquilo e que lutam pela população”, explica.

Ela reconhece que essas ações diretas podem deixá-los “mal vistos” na sociedade, já que há pessoas que pensam: “Droga, não vou poder mais comer no ***** porque destruíram tudo”. Porém, Zuleide afirma que o trabalhador, explorado por essas corporações, “adoraria fazer o que nós fazemos”, mas, por ter família para sustentar e contas a pagar, não faz. “Esse é mais um dos motivos que nos fazem do jeito que somos”, pontua.

Vinicius explica que, nas “ações diretas”, os black blockers atacam bens particulares por considerarem que “a propriedade privada – principalmente a propriedade privada corporativa – é em si própria muito mais violenta do que qualquer ação que possa ser tomada contra ela”. Quebrar vitrines de lojas, por exemplo, teria como função destruir “feitiços” criados pela ideologia capitalista. Esses “feitiços” seriam meios de “embalar o esquecimento” de todas as violências cometidas “em nome do direito de propriedade privada” e de “todo o potencial de uma sociedade sem ela [as vitrines]”.

Sem violência?

Em praticamente todas as manifestações, independentemente das causas e dos organizadores, tornou-se comum o grito: “Sem violência! Sem violência!”, que tinha como destinatários os policiais que, teoricamente, entenderiam o caráter “pacifista” do ato. Também seria uma tentativa de coibir a ação de “vândalos” ou “baderneiros”, que perceberiam não contar com o apoio do restante da massa.

Zuleide reconhece que, inicialmente, a ação Black Bloc era alvo desses gritos, mas, segundo ela, quando as pessoas entendem a forma como eles atuam, isso muda. “Os manifestantes perceberam que o Estado não iria nos deixar falar, nos deixar reivindicar algo, e começaram a nos reprimir. Quando há confronto [com a polícia], nós os ajudamos retardando a movimentação policial ou tirando eles de situações que ofereçam perigo, e alguns perceberam isso”, afirma.

Apesar de os confrontos com policiais não serem uma novidade durante as suas ações, os adeptos afirmam não ter como objetivo atacar policiais. Contudo, outro documento intitulado “Manifesto Black Bloc” deixa claro que, caso a polícia assuma um caráter “opressor ou repressor”, ela se torna, automaticamente, uma “inimiga”.

No “Manual de Ação Direta – Black Bloc”, também disponível na internet, a desobediência civil é definida como “a não aceitação” de uma regra, lei ou decisão imposta, “que não faça sentido e para não se curvar a quem a impõe. É este o princípio da desobediência civil, violenta ou não”. Entre as possibilidades de desobediência civil são citadas, por exemplo, a não aceitação da proibição da polícia que a manifestação siga por determinado caminho, a resistência à captura de algum manifestante ou, ainda, a tentativa de resgatar alguém detido pelos policiais.

Também são ensinadas táticas para resistir a gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e outras formas de ação policial, além de dicas de primeiros socorros e direitos legais dos manifestantes. De acordo com o documento, as orientações desse manual tratam apenas da desobediência civil “não violenta”.

Outra orientação é que seja definido, antes da manifestação, se a desobediência civil será “violenta” ou “não violenta”. Caso se opte pela ação ‘não violenta’, essa decisão deve ser respeitada por todos, visto que não cumprir o combinado pode pôr “em risco” outros companheiros, além de ser um sinal de “desrespeito”.

Contudo, o mesmo manual deixa claro que o que “eles fazem conosco” todos os dias é uma violência, sendo assim, “a desobediência violenta é uma reação a isso e, portanto, não é gratuita, como eles tentam fazer parecer”.

Uma breve história

1980: O termo Black Bloc (Schwarzer Block) é usado pela primeira vez pela polícia alemã, como
forma de identificar grupos de esquerda na época denominados “autônomos, ou autonomistas”, que lutavam contra a repressão policial aos squats (ocupações).

1986: Fundada, em Hamburgo (Alemanha), a liga autonomista Black Bloc 1500, para defender o Hafenstrasse Squat.

1987: Anarquistas vestidos com roupas pretas protestam em Berlim Ocidental, por ocasião da presença de Ronald Reagan, então presidente dos EUA, na cidade.

1988: Em Berlim Ocidental, o Black Bloc confronta-se com a polícia durante uma manifestação
contra a reunião do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

1992: Em São Francisco (EUA), na ocasião do 500º aniversário da descoberta da América por Cristóvão Colombo, o Black Bloc manifesta-se contra o genocídio de povos nativos das Américas.

1999: Seattle contra a Organização Mundial do Comércio (OMC). Estima-se em 500 o número de integrantes do Black Bloc que destruíram o centro econômico da cidade.

2000: Em Washington, durante reunião do FMI e Banco Mundial, cerca de mil black blockers anticapitalistas saíram às ruas e enfrentaram a polícia.

2000: Em Praga (República Tcheca), forma-se um dos maiores Black Blocs que se tem notícia, durante a reunião do FMI. Cerca de 3 mil anarquistas lutam contra a polícia tcheca.

2001: Quebec (Canadá). Membros do Black Bloc
são acusados de agredir um policial durante uma marcha pela paz nas ruas de Quebec. Após esse evento, a população local e vários manifestantes de esquerda distanciaram-se da tática Black Bloc e de seus métodos extremos.

2001: A cidade de Gênova (Itália), ao mesmo tempo, recebeu a cúpula do G8 e realizou o Fórum Social de Gênova, com um grande número de Black blockers, além de aproximadamente de 200 mil ativistas. A ação ficou marcada pela violenta morte do jovem Carlo Giuliani, de 23 anos.

2007: Em Heiligendamm (Alemanha), reunião do G8 foi alvo de uma ação com a participação de cerca de 5 mil blackblockers . Mobilização Black Bloc de cerca de 5.000 pessoas

2010: Toronto (Canadá), na reunião do G20. Neste confronto, mais de 500 manifestantes foram presos e dezenas de outros ativistas foram parar em hospitais com inúmeras fraturas.

2013: Cairo (Egito). O Black Bloc aparece com forte atuação nos protestos da Praça Tahir, no combate e resistência ao exército do então presidente Hosni Mubarak.

Fonte: Artigo “A Tática Black Bloc”, escrito por Jairo Costa, na Revista Mortal, 2010

Noam Chomsky is right: It’s the so-called serious who devastate the planet and cause the wars (Salon)

MONDAY, JAN 27, 2014 11:52 AM -0200

Fear the sober voices on the New York Times Op-Ed page and in the think tanks — they’re more dangerous than hawks

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Noam Chomsky is right: It's the so-called serious who devastate the planet and cause the warsNoam Chomsky (Credit: AP/Hatem Moussa)

A captain ready to drive himself and all around him to ruin in the hunt for a white whale. It’s a well-known story, and over the years, mad Ahab in Herman Melville’s most famous novel, Moby-Dick, has been used as an exemplar of unhinged American power, most recently of George W. Bush’s disastrous invasion of Iraq.

But what’s really frightening isn’t our Ahabs, the hawks who periodically want to bomb some poor country, be it Vietnam or Afghanistan, back to the Stone Age.  The respectable types are the true “terror of our age,” as Noam Chomsky called them collectively nearly 50 years ago.  The really scary characters are our soberest politiciansscholarsjournalistsprofessionals, and managers, men and women (though mostly men) who imagine themselves as morally serious, and then enable the wars, devastate the planet, and rationalize the atrocities.  They are a type that has been with us for a long time.  More than a century and a half ago, Melville, who had a captain for every face of empire, found their perfect expression — for his moment and ours.

For the last six years, I’ve been researching the life of an American seal killer, a ship captain named Amasa Delano who, in the 1790s, was among the earliest New Englanders to sail into the South Pacific.  Money was flush, seals were many, and Delano and his fellow ship captains established the first unofficial U.S. colonies on islands off the coast of Chile.  They operated under an informal council of captains, divvied up territory, enforced debt contracts, celebrated the Fourth of July, and set up ad hoc courts of law.  When no bible was available, the collected works of William Shakespeare, found in the libraries of most ships, were used to swear oaths.

From his first expedition, Delano took hundreds of thousands of sealskins to China, where he traded them for spices, ceramics, and tea to bring back to Boston.  During a second, failed voyage, however, an event took place that would make Amasa notorious — at least among the readers of the fiction of Herman Melville.

Here’s what happened: One day in February 1805 in the South Pacific, Amasa Delano spent nearly a full day on board a battered Spanish slave ship, conversing with its captain, helping with repairs, and distributing food and water to its thirsty and starving voyagers, a handful of Spaniards and about 70 West African men and women he thought were slaves. They weren’t.

Those West Africans had rebelled weeks earlier, killing most of the Spanish crew, along with the slaver taking them to Peru to be sold, and demanded to be returned to Senegal.  When they spotted Delano’s ship, they came up with a plan: let him board and act as if they were still slaves, buying time to seize the sealer’s vessel and supplies.  Remarkably, for nine hours, Delano, an experienced mariner and distant relative of future president Franklin Delano Roosevelt, was convinced that he was on a distressed but otherwise normally functioning slave ship.

Having barely survived the encounter, he wrote about the experience in his memoir, which Melville read and turned into what many consider his “other” masterpiece.  Published in 1855, on the eve of the Civil War, Benito Cereno is one of the darkest stories in American literature.  It’s told from the perspective of Amasa Delano as he wanders lost through a shadow world of his own racial prejudices.

One of the things that attracted Melville to the historical Amasa was undoubtedly the juxtaposition between his cheerful self-regard — he considers himself a modern man, a liberal opposed to slavery — and his complete obliviousness to the social world around him.  The real Amasa was well meaning, judicious, temperate, and modest.

In other words, he was no Ahab, whose vengeful pursuit of a metaphysical whale has been used as an allegory for every American excess, every catastrophic war, every disastrous environmental policy, from Vietnam and Iraq to the explosion of the BP oil rig in the Gulf of Mexico in 2010.

Ahab, whose peg-legged pacing of the quarterdeck of his doomed ship enters the dreams of his men sleeping below like the “crunching teeth of sharks.”  Ahab, whose monomania is an extension of the individualism born out of American expansion and whose rage is that of an ego that refuses to be limited by nature’s frontier.  “Our Ahab,” as a soldier in Oliver Stone’s movie Platoon calls a ruthless sergeant who senselessly murders innocent Vietnamese.

Ahab is certainly one face of American power. In the course of writing a book on the history that inspired Benito Cereno, I’ve come to think of it as not the most frightening — or even the most destructive of American faces.  Consider Amasa.

Killing Seals

Since the end of the Cold War, extractive capitalism has spread over our post-industrialized world with a predatory force that would shock even Karl Marx.  From the mineral-rich Congo to the open-pit gold mines of Guatemala, from Chile’s until recently pristine Patagonia to the fracking fields of Pennsylvania and the melting Arctic north, there is no crevice where some useful rock, liquid, or gas can hide, no jungle forbidden enough to keep out the oil rigs and elephant killers, no citadel-like glacier, no hard-baked shale that can’t be cracked open, no ocean that can’t be poisoned.

And Amasa was there at the beginning.  Seal fur may not have been the world’s first valuable natural resource, but sealing represented one of young America’s first experiences of boom-and-bust resource extraction beyond its borders.

With increasing frequency starting in the early 1790s and then in a mad rush beginning in 1798, ships left New Haven, Norwich, Stonington, New London, and Boston, heading for the great half-moon archipelago of remote islands running from Argentina in the Atlantic to Chile in the Pacific.  They were on the hunt for the fur seal, which wears a layer of velvety down like an undergarment just below an outer coat of stiff gray-black hair.

In Moby-Dick, Melville portrayed whaling as the American industry.  Brutal and bloody but also humanizing, work on a whale ship required intense coordination and camaraderie.  Out of the gruesomeness of the hunt, the peeling of the whale’s skin from its carcass, and the hellish boil of the blubber or fat, something sublime emerged: human solidarity among the workers.  And like the whale oil that lit the lamps of the world, divinity itself glowed from the labor: “Thou shalt see it shining in the arm that wields a pick or drives a spike; that democratic dignity which, on all hands, radiates without end from God.”

Sealing was something else entirely.  It called to mind not industrial democracy but the isolation and violence of conquest, settler colonialism, and warfare.  Whaling took place in a watery commons open to all.  Sealing took place on land.  Sealers seized territory, fought one another to keep it, and pulled out what wealth they could as fast as they could before abandoning their empty and wasted island claims.  The process pitted desperate sailors against equally desperate officers in as all-or-nothing a system of labor relations as can be imagined.

In other words, whaling may have represented the promethean power of proto-industrialism, with all the good (solidarity, interconnectedness, and democracy) and bad (the exploitation of men and nature) that went with it, but sealing better predicted today’s postindustrial extracted, hunted, drilled, fracked, hot, and strip-mined world.

Seals were killed by the millions and with a shocking casualness.  A group of sealers would get between the water and the rookeries and simply start clubbing.  A single seal makes a noise like a cow or a dog, but tens of thousands of them together, so witnesses testified, sound like a Pacific cyclone.  Once we “began the work of death,” one sealer remembered, “the battle caused me considerable terror.”

South Pacific beaches came to look like Dante’s Inferno.  As the clubbing proceeded, mountains of skinned, reeking carcasses piled up and the sands ran red with torrents of blood.  The killing was unceasing, continuing into the night by the light of bonfires kindled with the corpses of seals and penguins.

And keep in mind that this massive kill-off took place not for something like whale oil, used by all for light and fire.  Seal fur was harvested to warm the wealthy and meet a demand created by a new phase of capitalism: conspicuous consumption.  Pelts were used for ladies’ capes, coats, muffs, and mittens, and gentlemen’s waistcoats.  The fur of baby pups wasn’t much valued, so some beaches were simply turned into seal orphanages, with thousands of newborns left to starve to death.  In a pinch though, their downy fur, too, could be used — to make wallets.

Occasionally, elephant seals would be taken for their oil in an even more horrific manner: when they opened their mouths to bellow, their hunters would toss rocks in and then begin to stab them with long lances.  Pierced in multiple places like Saint Sebastian, the animals’ high-pressured circulatory system gushed “fountains of blood, spouting to a considerable distance.”

At first the frenetic pace of the killing didn’t matter: there were so many seals.  On one island alone, Amasa Delano estimated, there were “two to three millions of them” when New Englanders first arrived to make “a business of killing seals.”

“If many of them were killed in a night,” wrote one observer, “they would not be missed in the morning.”  It did indeed seem as if you could kill every one in sight one day, then start afresh the next.  Within just a few years, though, Amasa and his fellow sealers had taken so many seal skins to China that Canton’s warehouses couldn’t hold them.  They began to pile up on the docks, rotting in the rain, and their market price crashed.

To make up the margin, sealers further accelerated the pace of the killing — until there was nothing left to kill.  In this way, oversupply and extinction went hand in hand.  In the process, cooperation among sealers gave way to bloody battles over thinning rookeries.  Previously, it only took a few weeks and a handful of men to fill a ship’s hold with skins.  As those rookeries began to disappear, however, more and more men were needed to find and kill the required number of seals and they were often left on desolate islands for two- or three-year stretches, living alone in miserable huts in dreary weather, wondering if their ships were ever going to return for them.

“On island after island, coast after coast,” one historian wrote, “the seals had been destroyed to the last available pup, on the supposition that if sealer Tom did not kill every seal in sight, sealer Dick or sealer Harry would not be so squeamish.”  By 1804, on the very island where Amasa estimated that there had been millions of seals, there were more sailors than prey.  Two years later, there were no seals at all.

The Machinery of Civilization

There exists a near perfect inverse symmetry between the real Amasa and the fictional Ahab, with each representing a face of the American Empire.  Amasa is virtuous, Ahab vengeful.  Amasa seems trapped by the shallowness of his perception of the world.  Ahab is profound; he peers into the depths.  Amasa can’t see evil (especially his own). Ahab sees only nature’s “intangible malignity.”

Both are representatives of the most predatory industries of their day, their ships carrying what Delano once called the “machinery of civilization” to the Pacific, using steel, iron, and fire to kill animals and transform their corpses into value on the spot.

Yet Ahab is the exception, a rebel who hunts his white whale against all rational economic logic.  He has hijacked the “machinery” that his ship represents and rioted against “civilization.”  He pursues his quixotic chase in violation of the contract he has with his employers.  When his first mate, Starbuck, insists that his obsession will hurt the profits of the ship’s owners, Ahab dismisses the concern: “Let the owners stand on Nantucket beach and outyell the Typhoons. What cares Ahab?  Owners, Owners?  Thou art always prating to me, Starbuck, about those miserly owners, as if the owners were my conscience.”

Insurgents like Ahab, however dangerous to the people around them, are not the primary drivers of destruction.  They are not the ones who will hunt animals to near extinction — or who are today forcing the world to the brink.  Those would be the men who never dissent, who either at the frontlines of extraction or in the corporate backrooms administer the destruction of the planet, day in, day out, inexorably, unsensationally without notice, their actions controlled by an ever greater series of financial abstractions and calculations made in the stock exchanges of New York, London, and Shanghai.

If Ahab is still the exception, Delano is still the rule.  Throughout his long memoir, he reveals himself as ever faithful to the customs and institutions of maritime law, unwilling to take any action that would injure the interests of his investors and insurers.  “All bad consequences,” he wrote, describing the importance of protecting property rights, “may be avoided by one who has a knowledge of his duty, and is disposed faithfully to obey its dictates.”

It is in Delano’s reaction to the West African rebels, once he finally realizes he has been the target of an elaborately staged con, that the distinction separating the sealer from the whaler becomes clear.  The mesmeric Ahab — the “thunder-cloven old oak” — has been taken as a prototype of the twentieth-century totalitarian, a one-legged Hitler or Stalin who uses an emotional magnetism to convince his men to willingly follow him on his doomed hunt for Moby Dick.

Delano is not a demagogue.  His authority is rooted in a much more common form of power: the control of labor and the conversion of diminishing natural resources into marketable items.  As seals disappeared, however, so too did his authority.  His men first began to grouse and then conspire.  In turn, Delano had to rely ever more on physical punishment, on floggings even for the most minor of offences, to maintain control of his ship — until, that is, he came across the Spanish slaver.  Delano might have been personally opposed to slavery, yet once he realized he had been played for a fool, he organized his men to retake the slave ship and violently pacify the rebels.  In the process, they disemboweled some of the rebels and left them writhing in their viscera, using their sealing lances, which Delano described as “exceedingly sharp and as bright as a gentleman’s sword.”

Caught in the pincers of supply and demand, trapped in the vortex of ecological exhaustion, with no seals left to kill, no money to be made, and his own crew on the brink of mutiny, Delano rallied his men to the chase — not of a white whale but of black rebels.  In the process, he reestablished his fraying authority.  As for the surviving rebels, Delano re-enslaved them.  Propriety, of course, meant returning them and the ship to its owners.

Our Amasas, Ourselves

With Ahab, Melville looked to the past, basing his obsessed captain on Lucifer, the fallen angel in revolt against the heavens, and associating him with America’s “manifest destiny,” with the nation’s restless drive beyond its borders.  With Amasa, Melville glimpsed the future.  Drawing on the memoirs of a real captain, he created a new literary archetype, a moral man sure of his righteousness yet unable to link cause to effect, oblivious to the consequences of his actions even as he careens toward catastrophe.

They are still with us, our Amasas.  They have knowledge of their duty and are disposed faithfully to follow its dictates, even unto the ends of the Earth.

TomDispatch regular Greg Grandin’s new book, The Empire of Necessity:  Slavery, Freedom, and Deception in the New World, has just been published. 

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Greg Grandin is a professor of history at New York University and the author, most recently, of “Fordlandia: The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City”. Check out a TomDispatch audio interview with Grandin about Henry Ford’s strange adventure in the Amazon by clicking here.

Países desenvolvidos exportam emissões de carbono (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

Matéria do “The New York Times” sobre efeitos climáticos publicada na Folha de São Paulo

Durante sua vida útil, o iPhone 5S emite o equivalente a 70 kg de dióxido de carbono. A boa notícia: isso é 4 kg a menos do que o iPhone 5.

Seja como for, cerca de três quartos desse dióxido de carbono são considerados de responsabilidade não dos Estados Unidos, mas de lugares como China, Taiwan, Coreia do Sul e Mongólia Interior (região autônoma da China), onde o telefone e seus componentes são fabricados.

A globalização -a qual, no processo de “exportar” produção e emprego dos países ricos para os pobres, “exportou” também o dióxido de carbono emitido para a fabricação dos produtos- adiciona um novo aspecto à alocação das responsabilidades pela emissão de carbono na atmosfera: será que essas emissões devem ser de responsabilidade dos países fabricantes ou dos países para os quais os produtos se destinam?

Dois anos atrás, algumas das localidades mais ambientalmente corretas dos EUA solicitaram à seção americana do Instituto Ambiental de Estocolmo que calculasse suas emissões de carbono. Em vez de contabilizar o carbono que produziam, elas queriam um inventário das emissões geradas na fabricação, no transporte, na utilização e na eliminação do que é consumido nesses lugares.

O resultado surpreendeu. San Francisco, por exemplo, gerou em 2008 apenas 8 milhões de toneladas de CO2 ou equivalente. O consumo da cidade, por outro lado, acrescentou quase 22 milhões de toneladas de carbono à atmosfera. Usando medições baseadas no consumo, as emissões do Oregon saltaram em 2005 de 53 milhões para 78 milhões de toneladas. “As pessoas que nos contrataram se viam como muito ‘verdes’ e inovadoras”, disse Frank Ackerman, que na época chefiava o Grupo de Economia Climática da entidade nos EUA. “Eles achavam que, por terem boas iniciativas em andamento, teriam um resultado menor, apesar de muitos dos produtos industriais por eles consumidos serem fabricados no exterior.”

O foco no consumo faz sentido. Compreender o seu impacto sobre a mudança climática é um primeiro passo necessário para que as pessoas e as cidades, grandes ou pequenas, tomem medidas concretas para reduzir as emissões de carbono. Este novo tipo de cálculo, no entanto, pode ter um efeito imprevisto sobre a política internacional de mudança climática, deslocando a responsabilidade em escala global.

Enquanto a concentração de CO2 disparou no primeiro semestre de 2013 para o seu maior nível desde que os mastodontes vagavam pela Terra, há 3 milhões de anos, as Nações Unidas, contrariando todas as probabilidades, esperam que 2014 finalmente traga os avanços necessários para que as grandes nações cuspidoras de carbono cheguem a um acordo sobre um plano climático até 2015.

“Desafio os senhores a trazer promessas ousadas para a cúpula”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao convidar líderes mundiais para uma reunião em setembro próximo, em Nova York.

Um estudo publicado há dois anos na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, observou que, entre 1990 e 2008, a globalização exportou o equivalente a 1,2 bilhão de toneladas de emissões de carbono por ano do mundo desenvolvido para nações em desenvolvimento.

Cálculos com critérios estritamente geográficos dão a impressão de que os países industriais avançados conseguiram estabilizar suas emissões de carbono.

Mas eles apenas transferiram o aumento para fora das suas fronteiras. As emissões de carbono criadas pelo consumo dos americanos são cerca de 8% superiores às emissões produzidas nos EUA, de acordo com os cientistas do Projeto Global do Carbono. Por outro lado, cerca de um quinto das emissões da China são de produtos consumidos fora de suas fronteiras.

A União Europeia, satisfeita com seus resultados ambientais nos cálculos habituais, com base no lugar onde o carbono é emitido, parece menos virtuosa sob uma lente baseada no consumo. Em 2011, os europeus emitiram apenas 3,6 bilhões de toneladas de CO2, mas 4,8 bilhões de toneladas foram jogados na atmosfera para a produção das coisas que os europeus consumiram.

Aqui está o dilema. A abordagem habitual, a qual está sendo considerada para contabilizar o custo do carbono “comercializado”, consistiria em taxar as emissões registradas nas fronteiras. Não surpreende que países exportadores, como a China, não gostem dessa abordagem.

Um estudo recente corroborou a imposição de um imposto de carbono sobre as importações. Mas “a China tem tudo a perder”, disse GlenPeters, do Centro para o Clima Internacional e a Pesquisa Ambiental, em Oslo. “Se a China trouxesse isso para as negociações, estaria permitindo que os EUA e Europa regulamentassem as exportações chinesas.”

Outra pesquisa concluiu que a imposição de uma penalidade na fronteira incentivaria a China e outros países em desenvolvimento a tributarem suas próprias emissões de carbono -ficando com o dinheiro- em vez de deixar que outros as tributem. Mas, se o mundo quiser evitar uma mudança climática catastrófica, alguém -em algum lugar- deve arcar com o custo de consumir menos carbono. E ninguém está se voluntariando.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/149511-paises-desenvolvidos-exportam-emissoes-de-carbono.shtml

 

Projeto sobre tecnologia que pode tornar sementes estéreis avança na Câmara (Agência Brasil)

JC e-mail 4882, de 28 de janeiro de 2014

O PL 268/2007 abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança

Poucos brasileiros sabem, mas as discussões estão avançadas na Câmara dos Deputados que seja aprovado projeto que libera uma tecnologia genética polêmica – a tecnologia de restrição de uso, que, entre outras aplicações, pode ser usada para criar sementes estéreis a partir da segunda geração, popularmente apelidadas de sementesterminator.

O Projeto de Lei (PL) 268/2007, do deputado Eduardo Sciarra (PSD-PR), abre uma brecha na redação da Lei de Biossegurança para que seja permitida a comercialização de sementes produzidas com a tecnologia, no caso de plantas biorreatoras, usadas para produzir substâncias de uso industrial ou terapêutico.

A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, sendo aprovada na primeira e rejeitada na segunda. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, (CCJ) onde recebeu parecer favorável do relator e quase foi votada em outubro do ano passado. A votação não ocorreu porque organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram à presidência da CCJ um abaixo-assinado com 30 mil assinaturas pedindo a retirada de pauta do projeto.

No site da Câmara dos Deputados, a última movimentação relativa à proposta é um requerimento de audiência pública sobre o assunto, feito pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), no início de dezembro.

Até o momento, nenhum organismo do tipo foi desenvolvido em campo aberto, embora acredite-se que as empresas façam pesquisas em ambientes controlados. Uma moratória internacional, apoiada pelo Brasil, barra a produção em campo e a comercialização desde 2000. Um dos riscos da liberação é a contaminação das espécies não modificadas geneticamente pelas lavouras de transgênicos. A engenheira agrônoma Maria José Guazelli, da organização não governamental (ONG) Centro Ecológico, explica que espécies não transgênicas poderiam assimilar características como a esterilidade.

Para ela, mesmo que a liberação se restrinja às sementes desenvolvidas para uso terapêutico e industrial, há risco de poluição genética das espécies alimentícias. “Uma boa parte dessas plantas biorreatoras são arroz, milho. Dependendo de que planta for, pode haver cruzamento, sim”, afirma.

Para Maria José, as normas de contenção que têm sido aplicadas no Brasil não são suficientes para mitigar os riscos. “Geralmente, a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] determina distância [entre a lavoura transgênica e não transgênica]. Mas o pólen voa centenas de metros e até quilômetros. O que tem acontecido é a contaminação”, disse a agrônoma, citando casos em que agricultores orgânicos constataram contágio por soja e milho transgênicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do deputado Eduardo Sciarra, pedindo uma entrevista com o parlamentar, mas foi informada de que ele está fora de Brasília e não poderia falar naquele momento. No entanto, a assessoria encaminhou à reportagem material sobre o PL 268/2007.

Sobre a questão da possível contaminação de espécies não modificadas geneticamente, o texto afirma que “pode-se construir plantas [biorreatoras] que não se reproduzem pelo polén”. Segundo o material enviado pelos assessores do deputado, “a tecnologia genética de restrição de uso não se resume à modalidade conhecida como terminator. Pode haver diversos tipos de construção dessa tecnologia. Em um deles, elimina-se a floração, retardando a data de maturidade sexual da planta e construindo plantas com pólen estéril”.

No entanto, para o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia Gabriel Fernandes, ainda há muitas incertezas em relação à tecnologia de restrição de uso e, portanto, não há garantia da eficácia das soluções apontadas .”Primeiro, o projeto de lei não está prevendo regras de segurança. Outra coisa que pode ser questionada é se essas regras funcionam. Não tem nada que garanta [que a esterilidade do pólen] funcione 100%.”

Para Fernandes, trata-se de uma tecnologia que não é necessária. Os estudos não dão segurança, e há uma moratória internacional. “Nenhum país faz experimentos a campo”, argumenta. Na visão do agrônomo, vantagens apontadas com a adoção da tecnologia de restrição de uso, como manipulação da floração e de outras fases do ciclo reprodutivo das plantas, não compensam o risco assumido e parte delas poderia ser obtida com outras técnicas de manejo.

O pesquisador Francisco Aragão, responsável pelo laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem opinião diferente. Para ele, é possível conter os riscos de contaminação e, além disso, a tecnologia de restrição de uso abre várias possibilidades. Aragão exemplifica com a cana-de-açúcar, que gasta na floração uma energia que, segundo ele, poderia ser aplicada na produção de mais açúcar. A restrição de uso poderia impedir a floração e tornar o processo mais eficiente, afirma.

“Pretende-se fazer o cultivo dessas plantas, a princípio em ambientes fechados. Há possibilidade de escape, mas existe todo um mecanismo de segurança. Já tem pesquisa para produção de fármacos em plantas e a restrição de uso colocaria um mecanismo de segurança a mais no sistema [em razão da esterilidade]”, explicou o pesquisador. Para ele, deve ser mantida a proibição para a agricultura e haver permissão para alguns casos, como a produção de fármacos e a obtenção de características agronômicas, que “nada têm a ver com a retirada do direito do produtor de reutilizar sementes”.

(Mariana Branco/Agência Brasil)

Projeto que proíbe o uso de animais em testes de cosméticos poderá ter votação mais rápida (Agência Câmara)

JC e-mail 4881, de 27 de janeiro de 2014

O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano

O autor de projeto que proíbe o uso de animais em testes de produtos cosméticos (PL 6602/13), deputado Ricardo Izar (PSD-SP), pediu ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que seu projeto seja desvinculado (desapensado) de outro mais antigo que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal (PL 215/07). O objetivo é que a matéria seja votada ainda neste ano.

O projeto de Izar proíbe a utilização de animais em atividades de ensino, pesquisas e testes laboratoriais com substâncias para o desenvolvimento de produtos de uso cosmético em humanos e aumenta os valores de multa nos casos de violação de seus dispositivos.

O debate sobre o uso de animais em testes e pesquisas de cosméticos ganhou força após o caso do Instituto Royal. Em outubro de 2013, 178 beagles e sete coelhos usados em pesquisas foram retirados por ativistas e moradores de São Roque, no interior paulista, de uma das sedes do instituto.

Ricardo Izar participou de Comissão Externa da Câmara para acompanhar o caso. Ele considera que o Brasil está atrasado neste aspecto. “Não só moralmente por causa do respeito aos animais, mas mercadologicamente. Hoje, as empresas que produzem cosméticos não podem exportar para a Comunidade Europeia porque lá é proibida a comercialização de produtos cosméticos que usaram animais em testes ou nos seus ingredientes. Então, mercadologicamente, nós também estamos atrasados.”

Legislação de SP
São Paulo é o primeiro estado do Brasil a adotar uma legislação que veta o uso de animais em testes laboratoriais de produtos estéticos em desenvolvimento. Testes com animais envolvendo questões de saúde ainda poderão ser feitos. A medida ainda será regulamentada, mas empresas que desobedecerem ficarão sujeitas à multa de cerca de R$ 1 milhão por animal usado em teste. O estabelecimento terá a suspensão temporária do alvará de funcionamento e, em casos de reincidência, a multa dobra e a suspensão será definitiva.

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) ainda avalia as propostas de legislação e não adotou posição oficial. O coordenador do órgão, Mauro Granjeiro, antecipa que a proibição adotada em São Paulo pode representar risco para população por impedir uma fiscalização adequada dos órgãos de vigilância sanitária. “Ela impede completamente a realização de qualquer teste in vivo com cosméticos. Isso acaba impactando em potenciais análises dos laboratórios oficiais de toxicologia que porventura tenham necessidade de verificar a toxicidade de um produto cosmético que tenha ido ao mercado e provocado reações adversas na população. Nós não temos ainda no mundo capacidade de substituir completamente os ensaios em animais.”

Mauro Granjeiro lembra ainda que a Europa proibiu os testes em animais após mais de dez anos de adaptação dos laboratórios.

Há 21 projetos em discussão na Câmara que tratam do assunto, todos tramitando em conjunto. As propostas devem ser analisadas por uma comissão especial.
Íntegra da proposta:

(Geórgia Moraes/Agência Câmara – 24/01)

Governo regulamenta uso das Forças Armadas contra manifestações sociais (Vox Política)

Portaria está em vigor desde 20 de dezembro de 2013. Celso Amorim, ministro da Defesa, aprovou o documento.

 | quinta-feira, 23 janeiro 2014 – 2:30

anexo

O ministro da Defesa, Celso Amorim, aprovou no fim do ano passado uma Portaria que regulamenta o uso das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) em manifestações sociais, protestos e outras ocasiões que possam comprometer “a ordem pública”.

A regra, presente no Manual “Garantia da Lei e da Ordem”, validado junto com a Portaria, está em vigor desde 20 de dezembro, data de sua publicação no Diário Oficial da União. Logo no segundo capítulo, o documento ressalta que, apesar do apreço ao conceito de não-guerra, as operações poderão ter “o uso de força de forma limitada”.

Esse emprego das Forças Armadas nessas operações seria autorizado “em situações de esgotamento dos instrumentos a isso previstos”, ou seja, “quando, em determinado momento, forem eles formalmente reconhecidos pelo respectivo Chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes ao desempenho regular da missão constitucional”.

Entre as principais ameaças elencadas pelo Ministério da Defesa, duas se destacam por fazer referência à Copa do Mundo e às manifestações de 2013: o combate ao bloqueio de vias públicas de circulação e a ofensiva contra a sabotagem nos locais de grandes eventos. Para tanto, os soldados têm autorização de controlar até o fluxo dos cidadãos.

O anexo do “Controle de Distúrbios em Ambiente Urbano” é o que cita de maneira mais contundente a oposição a grupos populares de protesto.

Em “Cenário”, conforme imagem destacada no início da reportagem, o alerta estatal vislumbra a “atuação de elementos integrantes de movimentos sociais reivindicatórios, de oposição ou protesto, comprometendo a ordem pública”, reservando aos governos estaduais e federal o direito de traçar limites. No apêndice de operações psicológicas, os movimentos sociais recebem classificação ainda pior: forças oponentes.

“Não existe resposta única para a cracolândia” (Brasil de Fato)

Por: Mariana Desidério, De São Paulo

Brasil de Fato

24/01/2014

Para padre Julio Lancellotti, ação da prefeitura na região da Luz tem avanços, mas não olha para as necessidades das pessoas

A atual operação promovida pela prefeitura na cracolândia tem sido vista como um avanço em relação à ação deflagrada há dois anos, quando policiais usaram bombas de gás e tiros de borracha para dispersar os dependentes de crack que circulam pela região, no centro de São Paulo.

Porém, não é hora para muito otimismo na opinião do padre Julio Lancellotti, coordenador da Pastoral da População de Rua em São Paulo e defensor histórico dos direitos humanos. Segundo ele, também há outro tipo de violência na ação que ocorre agora. “Há sofisticação, mas o resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas”, afirma.

Aos 65 anos, além de coordenar a pastoral, Lancellotti é responsável pela paróquia de São Miguel Arcanjo, na região da Mooca.  Nesta entrevista ao Brasil de Fato SP, ele critica a forma como nossa sociedade trata os grupos mais vulneráveis e defende atuações políticas mais enérgicas, inclusive não pacíficas. “Jesus era mais para Black Bloc”, dispara.  Leia a entrevista:

Como avalia a operação Braços Abertos, da prefeitura, que está colocando os moradores de rua da cracolândia para viver em hotéis e trabalhar na varrição?
Ainda não dá para fazer uma avaliação completa. O fundamental é saber como será feito o acompanhamento. Mas algumas coisas chamam a atenção: hotel não é moradia definitiva. Quanto tempo eles vão ficar no hotel? Depois: por que todos têm que trabalhar na varrição? Eu acho que pode ter uma diversificação.

Acha que isso acaba padronizando demais?
Acho que é uma resposta institucional, e, portanto, planejada dentro de um modelo. Não é construída a partir das necessidades das pessoas. A operação pode ter seu aspecto de redução de danos e está tendo agora muita visibilidade. Mas a gente tem que ver como isso vai se dar no cotidiano. Há uma preocupação política de querer se diferenciar de outros. Mas também há um pragmatismo. Pensa-se que tem que ter um resultado. Não se foi à causa das questões, está se trabalhando por enquanto com os efeitos.

Essa medida tem sido vista como um avanço em relação àquela tomada dois anos atrás, quando houve forte repressão policial. O que o senhor acha?
Eu considero que os métodos de controle se sofisticam. Uns são mais trogloditas, outros menos. Acredito que a violência não é só a cassetada, o spray de pimenta, a bomba de gás, a polícia andando atrás. A violência também é simbólica. É violento colocar para trabalhar sem ter direitos trabalhistas, ou ainda não respeitar a subjetividade humana. O que a gente vê é que há uma sofisticação. O resultado que se busca é o mesmo: as ruas da cracolândia limpas.

Mas qual seria a forma correta de lidar com essa questão?
O que temos que ter em mente é o seguinte: como a cidade vai ser mais humana e vai cuidar daqueles que são mais vulneráveis? Essa é a questão fundamental. A população de rua não é a única vulnerabilizada da cidade. Também existem os que não têm moradia, os que têm transtornos mentais, as pessoas com necessidades especiais, os idosos. Nossa cidade é um lugar em que tudo é para quem é esperto, para quem tem mais força, mais autonomia. Ela está inserida dentro de um modelo de competição, de premiação por consumo, não é uma cidade voltada para agregar.

Os idosos não são cuidados na nossa sociedade?
Outro dia perguntei na igreja: Quem leva o cachorro para passear? Todos levam. E quem leva a vovó para passear? Muito poucos. É mais fácil pegar o cocô do cachorro do que trocar a fralda do vovô. Nós estamos vivendo uma sociedade do individualismo. Aumenta o número das pessoas que vivem sozinhas. As pessoas querem pensar só no seu próprio bem-estar, não o bem-estar do coletivo, o bem-estar dos mais fracos. A grande mudança seria pensar o bem-estar dos mais fracos.

Qual o cenário dos albergues para a população de rua em São Paulo hoje?
Em algum momento, os albergues podem ser necessários. Qual o nosso problema? Nós tornamos os albergues a única resposta. A mesma lógica que coloca todo mundo pra ser varredor. A população de rua é bastante heterogênea. Não se pode ter uma mesma resposta para todos.

E as condições desses albergues? No final de 2013 houve protesto por causa disso.
Sim, porque eles estão precarizados, por falta de manutenção, falta capacitação das pessoas que lá trabalham, e porque os albergues não estão seguindo a própria diretriz nacional da política para a população de rua, que prevê que tenham um número reduzido de pessoas, não passando de cem. E hoje nós temos albergues com 200 pessoas que só têm dois chuveiros.

Mas querendo ou não é um abrigo para eles, não?
Nós temos uma ideia muito assim: para o pobre qualquer coisa está bom. Pensamos assim: “Você não tem o que comer, eu estou te dando essa comida aqui. Você está achando ruim por quê? Estou te dando essa calça velha, só está um pouco apertada…” Muitas vezes nós somos uma sociedade que nivela tudo por baixo.

Quais soluções deveriam ser pensadas, além dos albergues?
Nós temos sugerido muito a locação social, que hoje é um programa pequeno, mas ajuda. Hoje, já há legislação no sentido que o programa federal Minha Casa, Minha Vida tenha uma porcentagem para população em situação de rua. Que eles possam ingressar nas políticas habitacionais como pessoas que não têm capacidade de endividamento.

Quatro moradores de rua foram presos na manifestação em dezembro contra as condições do albergue. Falou-se que eles eram presos políticos. Por quê?
Porque lendo o boletim de ocorrência e vendo tudo o que aconteceu com eles, nós percebemos que a motivação não foi técnica. A grande questão é que há uma palavra-chave hoje: manifestação. Esse ano será de grande repressão por causa da Copa. Todas as manifestações serão duramente reprimidas, e essa manifestação das pessoas em situação de rua mostra que há um peso político muito forte nesse sentido. Há uma ideia no poder público de que é preciso coibir qualquer forma de expressão. Nos atos que nós fizemos contra a prisão deles, a quantidade de polícia que nos acompanhou era o triplo da de manifestantes.

Quem são as pessoas que vivem na rua na cidade de São Paulo?
Em São Paulo há o Censo da População em Situação de Rua. Há um perfil de maioria masculina, mas há o aumento de mulheres e famílias na rua. Há muitas pessoas que passaram pela escola. A maior parte é do Sudeste. Como essa população é muito heterogênea, você encontra na rua pessoas com nível universitário, com nível médio. A maior parte é alfabetizada, ou passou pelo mundo do trabalho e viveu com a família, não nasceram na rua. Boa parte está na rua por causa de desavenças familiares, pessoas com problema de transtorno mental e que a família não aguenta mais. Ou pessoas que usam álcool e a família não sabe mais como lidar. Como não há uma assistência, essas pessoas acabam indo para a rua.

Como a cidade trata essas pessoas?
É uma população muito estigmatizada e muito associada à criminalidade. De fato há vários egressos do sistema penitenciário na rua, mas nós não podemos lidar com essa intolerância tão grande. Uma pessoa em situação de rua não entra num shopping. Eles são impedidos do convívio social. Mas a pessoa que está na rua tem uma história. Por isso, várias práticas vêm sendo discutidas para garantir que essas pessoas tenham direito ao SUS, a possibilidades de educação, de cultura, de lazer.

Como o senhor avalia a atuação do novo Papa?  
O Papa Francisco é um presente, mostrando para nós que a igreja está no meio do mundo, enlameada e suja. Ele mesmo diz: “eu prefiro uma igreja ferida e enlameada do que doente e fechada”. É o caminho para uma igreja sem luxo, uma igreja servidora que caminha no meio do povo, que não tem medo de sentar na rua e partilhar a vida com o povo.

O papado dele caminha então nessa direção mais humana?
Sem dúvida. O Papa Francisco está buscando mostrar um caminho muito mais humano, muito mais próximo de Jesus. Jesus não era nenhum moralista, não impunha nada, ele era aquele que queria uma vida mais humana, que as pessoas fossem felizes. Jesus não veio impor uma religião, ele veio salvar e libertar as pessoas de toda a opressão.

O senhor acha que religião tem a ver com política?
Jesus foi condenado como preso político, foi executado, condenado à pena de morte. Ele tinha mais a ver com a vida do povo do que com qualquer outra coisa. As coisas são interligadas entre si, não são separadas. Sabe um grupo que eu gosto muito? Os Black Bloc. Eles são muito humanos, são jovens com vontade de lutar, acho impressionante.

O que acha do uso que eles fazem da violência?
É uma resposta à violência que está aí. Eles destroem os símbolos do poder. Você acha que eles dão prejuízo para os bancos por quebrar uma agência? Os jovens se expressam de muitas maneiras. Não adianta só combatê-los, é preciso entendê-los. O Papa Francisco disse algo interessante nesse sentido: “Eu não gosto de uma juventude que não se manifesta, apática, amorfa.” É preciso agitar. Jesus era mais para Black Bloc.

University of Waterloo tries dog patrol to fight goose problem (CBC News)

CBC News Posted: Apr 10, 2013 5:30 AM ET Last Updated: Apr 15, 2013 12:40 AM ET

A pair of Canada Geese. The University of Waterloo is trying new ways to fight the geese problem on campus, including using dog patrols and asking students to tweet in nest locations.

A pair of Canada Geese. The University of Waterloo is trying new ways to fight the geese problem on campus, including using dog patrols and asking students to tweet in nest locations.

 

It’s spring. That means longer days, warmer weather, and for Canada Geese, it’s nesting season.

The Canada Geese that have taken up residence at the University of Waterloo are famous, in part because they don’t hesistate to defend their nesting areas from perceived intruders.

Alex Harris and Molson the dog, pictured above, patrol UWaterloo twice a day to chase away Canada Geese. Photo:warriordad.smugmug.com/

Alex Harris is no stranger to hissing, flapping, angry geese. Harris is the man behind the University of Waterloo’s Geese Police and along with Molson, a border collie-golden retriever cross, patrols the university campus twice a day along a five-kilometre path. Canada Geese are notorious at the university because the large number of people and buildings offer protection from natural predators, allowing the geese to thrive. 

The daily patrols are part of Harris’ undergraduate thesis project for his Geography and Environmental Management Honours degree. By summer, Harris wants to have an accurate picture of how Molson affects geese nesting habits along the designated path, in order to “determine exactly how bad the problem is and how long it will take to fix it and balance the ecosystem out,” he writes on his website.

Read the full article here.

 

Pipeline Fight Lifts Environmental Movement (New York Times)

By  – JAN. 24, 2014Protesters against the Keystone XL gathered in November across the street from where President Obama attended a fund-raising event in San Francisco. Jewel Samad/Agence France-Presse — Getty Images

WASHINGTON — Environmentalists have spent the past two years fighting the Keystone XL pipeline: They have built a human chain around the White House, clogged the State Department’s public comment system with more than a million emails and letters, and gotten themselves arrested at protests across the country.

But as bad as they argue the 1,700-mile pipeline would be for the planet, Keystone XL has been a boon to the environmental movement. While it remains unclear whether President Obama will approve the project, both sides agree that the fight has changed American environmental politics.

“I think it would be naïve for any energy infrastructure company to think that this would be a flash in the pan,” said Alexander J. Pourbaix, president of energy and oil pipelines at TransCanada, the company that has been trying to get a permit for the Keystone XL pipeline since 2008.

Environmentalists want to stop the transport of 800,000 barrels a day of heavy crude from oil sands formations in Canada to Texas refineries, and an oil extraction process that emits more greenhouse gases than other forms of production. Proponents of the Keystone XL project say that the oil will come out of the ground with or without a new pipeline and that other methods of transport, like rail, cause more pollution. They point out that TransCanada began operations on Wednesday on a southern pipeline segment that connects to existing pipelines to provide a route from Alberta to the Gulf Coast.

The project has raised the profile of activists like Bill McKibben, a former writer for The New Yorker and founder of 350.org, an organization that focuses on climate change. Jeff Swensen for The New York Times

Although some critics say the environmental movement has made a strategic error by focusing so much energy on the pipeline, no one disputes that the issue has helped a new breed of environmental organizations build a mostly young army eager to donate money and time. The seven-year-old email list of 350.org, an organization that focuses on climate change, has more than doubled to 530,000 people since the group began fighting the pipeline in August 2011. In addition, about 76,000 people have signed a “pledge of resistance” sponsored by seven liberal advocacy groups in which they promise to risk arrest in civil disobedience if a State Department analysis, expected this year, points toward approval of the pipeline.

The Keystone XL project has also raised the profile of a diverse generation of environmental leaders, like the activist Bill McKibben, a former writer for The New Yorker and founder of 350.org, and the billionaire venture capitalist Thomas F. Steyer, who is estimated to have contributed at least $1 million to the movement and has starred in four 90-second ads opposing the pipeline. Not least, it has united national and local environmental groups that usually fight for attention and resources.

“Over the last 18 months, I think there was this recognition that stopping the pipeline is, in fact, important,” said Ross Hammond, a senior campaigner at Friends of the Earth. “But it has also brought a huge number of people into the movement.”

That movement, Mr. McKibben said in an interview, “looks the way we want the energy system to look: not a few big power plants, but a million solar panels all tied together.”

A sign was planted last March in a field in Nebraska. Nati Harnik/Associated Press

Politically, the draw of Keystone XL comes from its physical presence. It is far easier, environmental activists say, to rally people around something as vivid as a pipeline bisecting the United States than, say, around cap-and-trade legislation that would have forced industry to pay a price for its carbon emissions. The legislation failed in Congress in 2009.

“When we’re able to focus on distinct, concrete projects, we tend to win,” said Michael Brune, executive director of the Sierra Club. “And when we tend to focus on more obscure policies or places where we need action from Congress, we tend to stall, like every other thing tends to stall.”

The pipeline has been a particular hit with small donors, especially as environmental organizations turn more to protests, fund-raisers said. Last year, the Sierra Club raised $1 million in six weeks for a major rally in Washington. About $100,000 of that came from contributions of less than $1,000.

“This is not one of our usual long-term campaigns,” said Jackie Brown, the Sierra Club’s chief advancement officer. “This was an emerging upswelling of support.”

A portion of the Keystone XL pipeline under construction in North Dakota. TransCanada, via Reuters

Wealthier donors are also opening their wallets. Betsy Taylor, a longtime environmental fund-raiser, said her network of contributors was increasingly supporting the more aggressive campaigns run by groups like 350.org and Bold Nebraska, a shift away from the environmental research and policy organizations that have traditionally drawn such contributions.

Keystone XL — the XL stands for express line — would be a shortcut to the Gulf of Mexico as well as an extension of TransCanada’s existing Keystone pipeline, which runs from Alberta to Nebraska, with small branches to Illinois and Oklahoma. Keystone XL would be a far more direct route across the United States. Keystone consists of a three-foot-diameter pipe that is three feet underground. Keystone XL would also be three feet in diameter, but four feet underground.

Initially, opposition to Keystone XL consisted of scattered people and groups along the proposed route of the pipeline, including indigenous tribes in Alberta. The fight went national in June 2011 when James E. Hansen, a former NASA climate scientist, wrote an open letter calling the pipeline “game over for the climate” and urged people to write to Hillary Rodham Clinton, then the secretary of state. (Because the project crosses an international boundary, it is subject to approval by the State Department.)

Mr. McKibben, the author of numerous books about climate, decided to use 350.org to campaign against the pipeline. That fall, he urged his members to commit civil disobedience in front of the White House.

Activists including Michael Brune, right, of the Sierra Club, and the civil rights leader Julian Bond, second from right, tied themselves to a White House gate to protest the Keystone XL. Ann Heisenfelt/Associated Press

“I remember when I heard the call for civil disobedience, I thought, ‘Yeah, right, you’ll get like 40 people to show up,’ ” said Mr. Hammond of Friends of the Earth. “And then, bam!” Over a two-week period, about 1,200 people were arrested at the White House.

Stephanie Kimball, 30, a Wisconsin dentist, said in a recent telephone interview that she had been “trying to figure out where to jump in” to the environmental cause when a talk by activists arrested in 2011 inspired her to volunteer as a local coordinator for 350.org. She said she was also working to stop a pipeline by the Canadian corporation Enbridge.

To counter the campaign, TransCanada has had to run television and radio ads to promote the jobs that the pipeline could provide. Industry allies like the American Petroleum Institute have also been running ads.

If Mr. Obama approves the Keystone XL pipeline, Mr. Brune of the Sierra Club said, it will be “the Vietnam of his presidency.” But, he added, environmentalists’ efforts will hardly have been for nothing.

“If you lose on this,” said Mike Casey, a consultant on a number of environmental efforts, including Mr. Steyer’s, “this infrastructure doesn’t go away. It remains deployable and passionate.”

A version of this article appears in print on January 25, 2014, on page A9 of the New York edition with the headline: Pipeline Fight Lifts Environmental Movement.

De olho no gato (Fapesp)

Pesquisadores se mobilizam para aumentar em 20% a população de onças-pintadas na mata atlântica em cinco anos

CARLOS FIORAVANTI e RICARDO ZORZETTO | Edição 215 – Janeiro de 2014

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva

O maior felino 
das Américas: 
com baixa diversidade genética e ameaçado pela caça intensiva. © ADRIANO GAMBARINI

O veterinário Ronaldo Morato pretende sair logo atrás de onças-pintadas, se possível já em maio, quando passarem as chuvas do início de ano. Seu plano é colocar um colar especial em cinco onças dessa espécie que vivem nas florestas do sul do estado de São Paulo para acompanhar seus movimentos a distância e conhecer seus espaços favoritos. A definição de áreas prioritárias para a conservação desses animais faz parte de um plano estabelecido em setembro em Campinas para ampliar em 20% a população de onças-pintadas – os maiores felinos das Américas – na mata atlântica, o ambiente florestal em que são mais raras.

O plano propõe a redução da caça, o monitoramento das populações remanescentes, o uso de técnicas como inseminação artificial e a formação de um banco de sêmen de onças-pintadas da mata atlântica. Participantes da reunião – pesquisadores acadêmicos e representantes de empresas e de órgãos do governo – reconheceram que o esforço concentrado em um único ecossistema com metas de curto prazo deve facilitar o trabalho e aumentar a chance de sucesso do plano de ação. Já existe um plano nacional de preservação das onças-pintadas, publicado em dezembro de 2010 no Diário Oficial, com ações previstas até 2020. Em uma avaliação recente, os especialistas verificaram que parte dos objetivos tinha sido atingida e concluíram que trabalhar separadamente nos diferentes ambientes brasileiros poderia ser mais produtivo.

“Se conseguirmos reduzir as pressões atuais, como a caça e a fragmentação da floresta, pode já ser o bastante para aumentarmos a população de onça-pintada na mata atlântica”, diz Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Em sua sala de trabalho, em um prédio de dois pisos com amplas janelas de vidro e vigas de madeira próximo à rodovia Dom Pedro I, em Atibaia, ele acompanha pelo computador o movimento de oito onças-pintadas nas matas do norte do pantanal. Várias vezes ele sentiu medo e fascínio ao se ver em campo diante desses felinos, que podem chegar a 2,70 metros de comprimento e podem atacar quando se sentem acuados. A primeira vez foi em 1992, recém-formado em veterinária, para anestesiar uma onça-preta e acompanhar outros pesquisadores colocando um colar de monitoramento no animal, ainda como estagiário do biólogo Peter Crawshaw, um dos pioneiros na preservação de felinos silvestres no Brasil. “E nunca mais me desprendi das onças”, diz Morato, aos 47 anos.

“Temos de trabalhar juntos e acreditar que o plano vai dar certo”, ele ressalta. Reduzir a caça e a fragmentação, como ele propõe, exigirá uma atenção permanente dos órgãos de fiscalização ambiental nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, por onde a mata atlântica se espalha. Em todo o país, a caça – para a retirada e venda de pele ou como retaliação, quando as onças atacam os rebanhos – ainda é intensa, embora proibida e classificada como crime inafiançável. Em 2013, ele e Elildo Carvalho Jr., outro pesquisador do Cenap, em colaboração com o Instituto Pró-Carnívoros, verificaram que pelo menos 60 onças-pintadas (Panthera onca) e pardas (Puma concolor) foram mortas por caçadores nos últimos dois anos, com base em informações de 100 gestores das unidades de conservação ambiental administradas pelo governo federal. Estima-se que 5.500 representantes dessa espécie se escondam nas florestas brasileiras, principalmente na Amazônia e no pantanal. Mesmo assim, a onça-pintada é considerada vulnerável ao risco de desaparecimento, por causa do declínio populacional.

Na reunião de setembro em Campinas e em uma carta publicada na revista Science em novembro, pesquisadores de várias instituições do país alertaram que a mata atlântica, se nada for feito, pode ser o primeiro ambiente florestal brasileiro a perder essa espécie de felino – ali, a onça-pintada já é classificada como criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que a floresta atlântica abrigue apenas 250 onças-pintadas, total considerado baixo para a manutenção das populações. Além do pequeno número de animais, outro problema é a baixa diversidade genética. Os estudos do grupo de Eduardo Eizirik da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul indicaram que os 250 animais, em consequência de cruzamentos entre eles, correspondem a apenas 50 indivíduos efetivos, geneticamente distintos.

As onças-pintadas ocupam apenas 7% da área total da mata atlântica. Se houvesse mais animais dessa espécie – e também mais oferta de sua dieta favorita, as queixadas, uma espécie de porco selvagem bastante caçada por causa da carne, mas indesejada porque anda em bandos e destrói plantações –, a área ocupada poderia ser três vezes maior, de acordo com as pesquisas do grupo de Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Seus estudos indicaram que a falta de onças-pintadas, os predadores de topo de cadeia alimentar, pode causar vários tipos de desequilíbrios ecológicos, deixando animais herbívoros como a anta – ou mesmo roedores – se multiplicarem livremente ou favorecendo o crescimento de gramíneas e outras plantas baixas no lugar das árvores.

Região de Boqueirão da Onça

Região de Boqueirão da Onça. © CLAUDIA B. CAMPOS

Valéria Conforti, professora da Universidade de Franca (Unifran), disse que saiu otimista da reunião de setembro em Campinas. “Todos estavam chocados com a situação das onças-pintadas na mata atlântica e se mostraram dispostos a correr riscos e testar o que achamos que pode dar certo”, ela observou. Um de seus planos para este ano é testar, em onças-pintadas mantidas em zoológicos paulistas, uma técnica de inseminação artificial que ela aplicou experimentalmente em gatas domésticas e outros felinos no zoológico de Cincinnati, nos Estados Unidos. Essa abordagem consiste em medir a variação hormonal das onças fêmeas por meio da análise de fezes, identificar o momento mais adequado, induzir a ovulação e fazer a inseminação artificial, depositando sêmen por meio de uma laparoscopia na tuba uterina, em vez do útero, como já se faz, para facilitar o acesso do espermatozoide ao óvulo e aumentar a chance de fertilização. A inseminação artificial já foi aplicada a outros felinos, mas ainda não a onças-pintadas. Se os testes derem certo, Valéria pretende aplicar essa técnica em animais de vida livre em 2015, como forma de aumentar a probabilidade de geração de filhotes sadios e evitar o risco de cruzamento entre animais aparentados.

A transferência de animais de uma mata para outra é uma possibilidade cogitada para repovoar as matas com onças-pintadas. Trata-se, porém, de uma alternativa de custo alto e muitas dificuldades, que exige o apoio de comunidades rurais e fazendeiros que aceitem ter uma onça perto de suas casas ou pastagens. Vários estudos, como os do biólogo Sílvio Marchini, pesquisador da Escola da Amazônia e da Universidade de São Paulo (USP), mostraram que o apoio dos moradores de áreas rurais próximas a matas ocupadas por onças é fundamental para os planos de ação funcionarem. No pantanal, com resultado de um experimento-piloto do Cenap com uma pousada, ganha adesões o argumento de que o lucro com o turismo de observação de onças pode ser maior que a perda de um ou outro boi.

Há relatos de êxito de transferência de felinos nos Estados Unidos e na Espanha, mas no Brasil as poucas tentativas feitas até agora, em florestas a serem cobertas por reservatórios de hidrelétricas, não deram certo. Os animais transferidos não se adaptaram, começaram a comer bois e foram mortos por caçadores ou voltaram a seus locais de origem, a dezenas de quilômetros de distância. Em um dos debates no encontro de setembro em Campinas, os pesquisadores observaram que, nos próximos cinco anos, talvez a criação de conexões – ou corredores – entre os fragmentos de floresta seja uma alternativa mais viável que a inseminação artificial ou a transferência de animais para ampliar as populações de onças-pintadas na mata atlântica. Todos concordaram que se trata de um problema urgente. “Não podemos esperar muito”, disse Valéria Conforti. A onça-pintada já é considerada extinta no Uruguai e nos pampas do Sul do Brasil.

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça (acima), Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira (ao fundo) e Claudia Campos: diálogo constante

Manuel Silva, morador da região de Boqueirão da Onça, Alessandra e a filha Sara, Cailane Ferreira e Claudia Campos: diálogo constante. © ALEXANDRE ANÉZIO

Um poço para salvar as onças

Mais apreensiva do que quando olhou para os examinadores 
de sua banca de doutorado, 
a bióloga Claudia Campos observou os 50 sertanejos à sua frente na igreja do povoado de Queixo Dantas, norte da Bahia, na tarde de um domingo de julho de 2012. Nervosa, mas com 
voz firme, ao lado dos amigos Claudia Martins, Carolina Esteves e Alexandre Anézio, 
ela sugeriu aos homens que fizessem cercados para manter suas cabras e ovelhas, em vez 
de deixar os animais soltos na caatinga na época de seca, sob 
o risco de serem atacados por onças. Os criadores reagiram: como poderiam deixar os animais presos sem água nem comida, se não chovia há três anos? Se eles aceitassem, ela disse, poderiam construir um poço para tirar água e cultivar plantas para alimentar os animais. Oito deles aderiram ao plano.

A perfuração do poço artesiano estava prevista para o final do mês passado, as plantas que serviriam de alimento para os caprinos seriam semeadas logo depois e os novos cercados, construídos a partir de fevereiro. Se tudo der certo, os animais terão alimento ao longo de todo o ano, como
já se faz em outras partes do sertão do nordeste, e não precisarão mais pastar nas áreas de mata nativa durante 
a seca, reduzindo as chances 
de encontro com as onças; 
os moradores as matam para evitar que ataquem seus animais de criação.

Claudia chegou a Petrolina, Pernambuco, em outubro de 2006, como pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisas 
e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, um dos braços antigos do Ibama, 
para detalhar a distribuição geográfica e os hábitos da 
onça-pintada em uma região
 de 900 mil hectares conhecida como Boqueirão da Onça. 
Ao verem a forasteira chegando em um carro com o logotipo 
do Ibama, os moradores logo diziam que não caçavam bicho nenhum. Conversando muito, ela venceu a desconfiança. “Todos estão cansados de ouvir do governo coisas que poderiam ajudar a vida deles e nunca aconteceram”, ela observou. 
“Já visitei 140 dos quase 
150 povoados da região.”

Aos poucos ela concluiu 
que teria de cuidar dos conflitos entre os moradores e os 
animais silvestres. Em 2009, aos 76 anos, o zoólogo George Schaller, pioneiro mundial na conservação de grandes carnívoros e vice-presidente 
da Panthera, organização que apoia o trabalho na Bahia, percorreu a região e reforçou sua hipótese ao dizer que seria impossível preservar animais silvestres sem a participação dos moradores locais. Claudia estima que por ali vivam 
50 onças-pintadas – ainda não 
viu nenhuma, apenas vê as pegadas durante o dia e 
sente que os animais passam 
por perto quando ela tem 
de dormir no meio da caatinga.

Projetos
1. Uso e ocupação do espaço, movimentação e seleção de hábitat por onça-pintada (Panthera onca) na mata atlântica e caatinga: uma análise comparativa (2013/10029-6); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Ronaldo Gonçalves Morato – Cenap; Investimento R$ 110.627,80 (FAPESP). 2. O uso de método não invasivo para monitoramento da função ovariana em onças-pintadas (Panthera onca) via ensaio imunoenzimático e caracterização dos metabólitos de esteroides fecais por meio de cromatografia líquida de alta eficiência (13/12757-9); Modalidade Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa; Coord. Valeria Amorim Conforti – Unifran; Investimento R$ 35.780,00 (FAPESP).

Artigos científicos
CARVALHO Jr., E.A.R. de e MORATO, R.G. Factors affecting big cat hunting in Brazilian protected areasTropical Conservation Science. v. 6, n. 2, p. 303-10. 2013.
CONFORTI, V. A. et al. Laparoscopic oviductal artificial insemination improves pregnancy success in exogenous gonadotropin-treated domestic cats as a model for endangered felidsBiology of Reproduction. v. 88, p. 112.105353. 2013.

Up the Financier: Studying the California Carbon Market (AAA, Anthropology and Environment Society Blog)

Posted on January 26, 2014

ENGAGEMENT co-editor Chris Hebdon catches up with University of Kentucky geographer Patrick Bigger.

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

Patrick Bigger at the Chicago Board of Trade

How would you explain your dissertation research on the California carbon market?

At the broadest level, my research is about understanding how a brand new commodity market tied to environmental improvement is brought into the world, and then how it functions once it is in existence. Taking as a starting point Polanyi’s (1944) observation that markets are inherently social institutions, my work sorts though the social, geographical, and ideological relationships that are being mobilized in California and brought from across the world to build the world’s second largest carbon market. And those constitutive processes and practices are no small undertaking.

Making a multi-billion dollar market from scratch is a process that entails the recruitment and hiring of a small army of bureaucrats and lawyers, the creation of new trading and technology firms, the involvement of offset developers and exchange operators who had been active in other environmental commodities markets, and learning from more than fifty years of environmental economics and the intellectual work of think tanks and NGOs. There are literally tens of thousands of hours of people’s time embodied in the rule-making process, which result in texts (in the form of regulatory documents) that profoundly influence how California’s economy is performed every day. These performances range from rice farmers considering how much acreage to sow in the Sacramento Delta to former Enron power traders building new trading strategies based on intertemporal price differences of carbon futures for different compliance periods in California’s carbon market.

My work uses ethnographic methods such as participant-observation in public rule-making workshops and semi-structured interviews with regulators, industry groups, polluters, NGOs, and academics to try to recreate the key socio-geographical relationships that have had the most impact on market design and function. It’s about how regulatory and financial performances are intertwined, as events in the market (and in other financial markets, most notably the deregulated electric power market in California) are brought back to bear on rule-making, and then how rule-making impacts how the market and the associated regulated industrial processes are enacted. And the key thing is that there isn’t some isolated cabal of carbon’s ‘masters of the universe’ pulling the strings––it’s bureaucrats in cubicles, academics writing books, and offset developers planting trees out there making a market. And they’re people you can go observe and talk with.


Who are buying and selling these carbon credits?

That’s a trickier question than it seems. Most of the credits (aka allowances) are effectively created out of thin air by the California Air Resources board which then distributes them via either free allocation or by auction to anyone who requests authorization to bid. A significant proportion of those are given away directly to regulated industries to ease their transition to paying for their carbon output. Another way the auction works is that electric utilities are given almost all the credits they need to fulfill their obligation, but they are required to sell (consign) those permits in the auction, while they are typically also buyers. This is to prevent windfall profits, like what happened in the EU, for the electric utilities. The utilities must return the value of what they make selling their permits at auction to ratepayers, which they have done to the tune of $1.5 billion so far.

More to the spirit of the question though, it’s a pretty big world. Literally anyone can buy California Carbon on the Intercontinental Exchange (ICE), based in Chicago. From what I’ve been told, a lot of allowances pass through Houston because there is a major agglomeration of energy traders there, and carbon is often bundled into transactions like power purchase agreements that are traded over-the-counter (OTC). There’s an interesting division in who buys their credits where––companies that must comply with climate regulations tend to buy through the auction, while people trading for presumably speculative purposes tend to buy on the exchange. This isn’t even getting into who produces, sells, and buys carbon offsets, which is another market entirely unto itself. To attempt to be succinct, I’d say there is a ‘carbon industry’ in the same sense that Leigh Johnson (2010) talks about a ‘risk industry’; a constellation of brokers, lawyers, traders, insurers, and industrial concerns, and the size of these institutional actors range from highly specialized carbon traders to the commodities desk at transnational investment banks.


Would you be able to outline some ways your research could affect public policy? And how is it in dialogue with environmental justice literature and engaged scholarship?

There are a number of ways that my work could be taken up by policy makers, though to be clear I did not set out to write a dissertation that would become a how-to-build-a-carbon-market manual. Just being around regulators and market interlocutors has provided insights into the most challenging aspects to market creation and maintenance, like what sorts of expertise a bureaucracy needs, how regulators can encourage public participation in seemingly esoteric matters, or the order which regulator decisions need to be made. Beyond the nuts-and-bolts, there’s a fairly substantial literature on ‘fast policy transfer’ in geography that critiques the ways certain kinds of policy become wildly popular and are then plopped down anywhere regardless of geographical and political-economic context; I am interested in contributing to that literature because California’s carbon market was specifically designed to ‘travel’ through linkages with other sub-national carbon markets. I would also note that there are aspects of what I’m thinking about that problematize the entire concept of the marketization of nature in ways that would also be applicable to the broader ecosystem service literature and the NGOs and regulators who are trying to push back against that paradigm.

As far as the EJ literature is concerned, I’ll admit to having a somewhat fraught relationship. I set out to do a project on the economic geography of environmental finance, not to explicitly document the kinds injustices that environmental finance has, or has the potential, to produce. As a result some critics have accused me of being insufficiently justice-y. I’d respond by noting that my work is normative, even if it isn’t framed in the language of environmental justice; it certainly isn’t Kuhnian normal science. But EJ arguments, if they are any good, do depend on empirical grounding and I would hope that my work provides that.

At the Chicago Board of Trade.

“I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance.”

Your advisor Morgan Robertson has written about “oppositional research,” and research “behind enemy lines,” drawing on his experience working inside the Environmental Protection Agency. What has oppositional research meant for you?

I think about it as using ethnographic methods to poke and prod at the logics and practices that go into building a carbon market. I think for Morgan it was more about the specific problems and opportunities of being fully embedded in an institution whose policies you want to challenge. That position of being fully ‘inside’ isn’t where I’m at right now, and it’s a difficult position to get into either because you just don’t have access, because the researcher doesn’t want to or isn’t comfortable becoming a full-fledged insider, or because academics often just don’t have time to do that sort research. It’s also contingent on what sort of conversational ethnographic tact you want to take––when you’re fully embedded you lose the option of performing the research space as a neophyte, which can be a very productive strategy. One thing that I will mention is that oppositional research is based on trust. You must have established some rapport with your research participants before you challenge them head-on, or they may just walk away and then you’ve done nothing to challenge their practices or world view, you’ve potentially sewn ill will with future research participants, and you won’t get any of the interesting information that you might have otherwise.


How about the method of “studying up”?

For starters, the logistics of ‘studying up’ (Nader 1969) are substantially different than other kinds of fieldwork. There’s lots of downtime (unless you’re in a situation where you’ve got 100% access to whatever you’re studying, e.g.  having a job as a banker or regulator) because there aren’t hearings or rule-making workshops everyday, or even every week, and the people making the market are busy white-collar people with schedules. I feel like I’ve had a really productive week if I can get 3 interviews done.

Beyond the logistics, one of the most challenging parts of studying a regulatory or financial process you’re not fully onboard with is walking the line between asking tough questions of your research participants and yet not alienating them. It has been easy for me to go in the other direction as well––even though I think carbon markets are deeply problematic and emblematic of really pernicious global trends toward the marketization of everything, I really like most of my research participants. They’re giving me their time, they tell me fascinating stories, and they’ve really bent over backward to help me connect with other people or institutions it never would have occurred to me to investigate. And that can make it tough to want to challenge them during interviews. After a while, it’s also possible to start feeling you’re on the inside of the process, at least as far as sharing a language and being part of a very small community. There aren’t many people in the world that I can have a coffee with and make jokes about one company’s consistently bizarre font choices in public comments documents. So even though the market feels almost overwhelmingly big in one sense, it’s also very intimate in another. I’m still working out how to write a trenchant political-economic critique with a much more sympathetic account of regulatory/market performance. Even many guys in the oil-refining sector are deeply concerned about climate change.


Would you ever take a job in a carbon trading firm?

Absolutely. There’s a rich literature developing that gets into the nuts and bolts of many aspects of finance, including carbon trading in the social studies of finance/cultural economics that overlaps with scholarship in critical accounting and even work coming out of some business schools. Some of those folks, like Ekaterina Svetlova (see especially 2012), have worked or done extended participant observation in the financial institutions that are being unpacked in broader literatures around performative economics and have provided useful critiques or correctives that is helping this literature to mature.

However, much of this work is subject to the same pitfalls as other work in the social studies of finance, especially the sense that scholars ‘fall in love’ with the complexity of their research topic and the ingenuity of their research participants qua coworkers and ultimately fail to link them back to meaningful critiques of the broader world. All that said, I’m not sure I’ve got the chops to work in finance. I’d be more interested in, and comfortable with, working in the environmental and economic governance realm where I could see, on a daily basis, how the logics of traders meet the logics of regulation and science.


What advice would you give to scholars who may do research on carbon markets in the future?

Get familiar with the language and logics of neoclassical economics. Really familiar. Take some classes. If you’re studying neoliberal environmental policy, it shouldn’t come as a surprise that regulation is shot through with the logics of market triumphalism at a level that just reading David Harvey (2003, 2005) probably wouldn’t prepare you for. A little engineering, or at least familiarity with engineers, wouldn’t be amiss either.

On a really pragmatic level, if you can get access, get familiar with being in an office setting if you haven’t spent much time in one. Being in a new kind of space can be really stressful and if you’re not comfortable in your surroundings you might not be getting the most out of your interviews.

If you’re studying a carbon market specifically, take the time to understand how the electricity grid works. I lost a lot of time sitting through workshops that were well over my head dealing with how the electric power industry would count its carbon emissions. I would have gotten much more out of them if I’d had even a cursory understanding of how the electricity gets from the out-of-state coal-fired power plant to my toaster.

Don’t expect to just pop in-and-out of fieldwork. Make yourself at home. Take some time to figure out what the points of tension are. That’s not to say you must do an ‘E’thnography, but taking the time at the beginning to understand the playing field will make it easier to understand the maneuvering later.

Read the specialist and general press every single day. Set up some news aggregator service to whatever market or regulation you’re looking at. It’s what your participants will be reading, and if they aren’t then you’ll really look like you know what you’re doing.


What are broad implications of your research?

I think starting to come to grips on the creation, from nothing, of a commodity market worth more than a billion dollars could have all sorts of impacts I can’t even imagine. I’d be really happy if scholars of other markets could find parallels to my work that demonstrated that all markets, not just environmental ones, were as much about the state as they are about finance, and not just in the way that Polanyi wrote about them. I’d also like to help people think through the relationship between the economic structures that people build, and then how they inhabit them through economic ideology, the performance of that ideology and their modern representation, the economic model. In some ways this is reopening the structure-agency debates that have been simmering for a long time. I also want to provide more grist for the mill in terms of unpacking variegated neoliberalisms––there are quite a few examples I’ve run across in my work where discourses about the efficiencies of markets run up against either therealpolitik of institutional inertia or perceived risks to the broader economy (which can be read as social reproduction).

In terms of policy, I hope that regulatory readers of my work will think about the relative return on investment (if I can appropriate a financial concept) in deploying market-based environmental policy as opposed to direct regulation, particularly around climate change. We’re in a situation that demands urgency to curb the worst impacts of carbon pollution, so it is of the utmost importance that the state take dramatic action, and soon. That said, wouldn’t it be interesting if this carbon market ended up accomplishing its goals? If it does, then I hope my work would take on different kinds of significance.

* * *

Harvey, David. 2003. The New Imperialism. New York: Oxford University Press.

Harvey, David. 2005. A Brief History of Neoliberalism. New York: Oxford University Press.

Johnson, Leigh. 2010. Climate Change and the Risk Industry: The Multiplication of Fear and Value. Richard Peet, Paul Robbins and Michael Watts, eds. Global Political Ecology. London: Routledge.

Nader, Laura. 1969. Up the Anthropologist: Perspectives Gained from Studying Up. Dell Hymes, ed. Reinventing Anthropology. New York: Random House.

Polanyi, Karl. 1944. The Great Transformation. Boston: Beacon.

Svetlova, Ekaterina. 2012. On the Performative Power of Financial Models. Economy and Society 41(3): 418-434.

Voices of Brazil: the spiritual medium (The Guardian)

‘The country has woken up to its responsibilities and people are slowly winning their rights as citizens,’ says Divaldo Franco, Brazil’s most popular spiritual medium

Gibby Zobel

The Observer, Sunday 26 January 2014

Divaldo Franco

‘Spiritualism is growing in Brazil because it attends to the cultural, emotional and spiritual needs of society’: Divaldo Franco

Eighty-six years old and looking not a shade over 60, Divaldo Franco is Brazil’s most important spiritual medium, selling more than 10m books worldwide. His home is in the middle of one of Brazil’s most violent favelas, Pau da Lima, on the outskirts of Salvador. But Franco’s world is serene and peaceful.

It’s set inside the physical embodiment of his life’s work, the Mansão do Caminho – an institution which provides housing, education and care for children and young people. Where once stood a giant rubbish dump the Mansão is a vast, ultra-modern community complex. The building is regarded as untouchable by the drug traffickers as many of them, or their families, use its services.

Hundreds of mothers drop their kids off every day at the free crèche. More than 30,000 children are estimated to have passed through the Mansão over the past 60 years. A large part is financed by the sale of Franco’s books. He claims to channel spirits and transcribe their words in a method known as “psychography”.

It all came about because of a vision he had in 1948, aged 21. “I saw a huge number of children and an old man,” he recalls. “I went up to the elderly man. He turned around and I realised it was me in old age. And a voice said to me: ‘This is what you will do with your life.'”

He was later introduced to the doctrine of spiritism, coined by the French writer Allan Kardec in 1857, which believes in the existence of, and communication with, spirits through mediums. “Spiritism is growing in Brazil because it attends to the cultural, emotional and spiritual needs of society,” he says.

Over the years, Franco has adopted more than 600 abandoned children, many of whom now have their own children and grandchildren, and Franco sees hope in that youngest generation.

“We are living through a remarkable moment,” he says. “The country has woken up to its responsibilities and the people are slowly winning their rights as citizens and moving towards democratic freedoms and social justice. The country has consciously prepared for 2014, when the whole world will be following the football, to show that the nation has higher values, above those of carnival or even football, and that it is a strong nation that is ready to take on the here and now.”

Despite his age, the diminutive Franco still packs his own suitcase and travels the world alone, as he has done for decades, delivering hundreds of lectures.

“These trips open doors for those who will come in the future,” he says. “My message is of love, of hope, of caring. To say to people that our lives have a meaning and that we are not on the Earth to suffer.'”

Protestos contra Copa do Mundo terminam com atos de violência (OESP)

Manifestantes ateiam fogo em carro durante protesto contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, na região central de São Paulo, neste sábado.

São Paulo, 25 jan (EFE).- Os protestos que aconteceram neste sábado em diferentes pontos do Brasil contra a organização da Copa do Mundo transcorreram em sua maioria com normalidade, embora em cidades como São Paulo tenham sido registrados vários atos de violência e destruição de patrimônio público.

No final da manifestação da capital paulista, que durante as primeiras horas aconteceu de maneira pacífica, um grupo de manifestantes quebrou vidros de várias agências bancárias e de uma concessionária, além de terem atacado um veículo da Polícia.

Na mesma avenida, um automóvel foi incendiado após ser atingido por um objeto inflamável, embora alguns dos manifestantes tenham tentado apagar as chamas.

Além dos estabelecimentos que iam fechando à passagem do protesto, um hotel no qual vários manifestantes tinham se refugiado por volta das 20h foi fechado pelas tropas de choque da Polícia Militar, que em várias ocasiões tentou dispersar os presentes com tiros para o ar e bombas de efeito moral.

Por enquanto, não há informação de feridos nem detidos.

Os protestos se repetiram em mais de uma dezena de cidades, como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, embora em todas elas a presença de manifestantes tenha sido muito menor do que a esperada.

Na sexta-feira, mais de 40 mil pessoas confirmaram sua presença nas manifestações através das redes sociais, previstas a princípio em mais de 30 cidades, enquanto em São Paulo, onde aconteceu a mais movimentada, se concentraram ao redor de 2.500 pessoas, segundo a PM.

Em Goiânia, 200 pessoas protestaram esta manhã pelo mesmo motivo. O encontro aconteceu com tranquilidade, embora no último momento alguns encapuzados tenham queimado vários pneus.

A manifestação foi promovida por várias organizações sociais com o objetivo de criticar a despesa elevada do Governo na realização da competição, em detrimento de outros serviços como educação e saúde.

O manifesto da convocação denuncia, entre outros fatos, a despesa extra prevista da organização do Mundial e atribui o aumento do orçamento à corrupção nas instituições responsáveis pela construção dos novos estádios que estão sendo construídos para o evento esportivo.

“É um absurdo que o Brasil organize uma Copa do Mundo porque há problemas na saúde, na educação e na habitação que estão em condições péssimas”, afirmou à Agência Efe Daivis Souza, que participava do protesto de São Paulo. EFE

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Protesto no Brasil contra a Copa deixa saldo de 143 detidos (OESP)

25.jan.2014

São Paulo, 26 jan (EFE).- Pelo menos 143 pessoas foram detidas neste sábado acusadas de participar de distúrbios ocorridos nas manifestações que aconteceram em diferentes cidades em protesto contra a organização da Copa do Mundo.

Em São Paulo, 128 pessoas foram detidas, por enquanto, após as manifestações registradas na capital paulista, e que terminaram com confrontos entre a Polícia e os manifestantes, informou a Polícia Militar (PM) através de sua conta no Twitter.

Em Fortaleza, 15 pessoas foram aprisionadas pelos protestos registrados em frente do estádio Arena das Dunas, inaugurado na quarta-feira passada pela presidente Dilma Rousseff.

Um grupo de manifestantes tentou invadir o estádio, danificou uma arquibancada de acesso ao local e ateou fogo em uma loja utilizada pelos trabalhadores da recém inaugurada obra, informou a “Folha de São Paulo”.

De acordo com as autoridades, 15 pessoas foram detidas por tal ação.

As manifestações começaram de forma pacífica na maior parte das cidades, embora tenham terminado com alguns focos de violência em algumas delas. EFE