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“Como pesquisadores, precisamos ter a humildade de assumir que nos deparamos com os limites da técnica e da ciência” (Revista Pesquisa Fapesp)

Depoimento concedido a Christina Queiroz. 5 de julho de 2020

“A chegada da Covid-19 causou um impacto muito forte em todos os meus colegas na Universidade Federal do Amazonas [Ufam]. Com minha esposa, estou fazendo um isolamento rigoroso em Manaus, porque tenho quase 60 anos, tomo remédios para controlar pressão e diabetes. Vivemos semanas muito tristes, marcadas por muita dor e sofrimento. Como indígena, sigo perdendo amigos, familiares e lideranças de longa data. Fomos pegos de surpresa. Não acreditávamos na possibilidade de uma tragédia humanitária como essa. Faço parte de uma geração de indígenas que tem fé no poder da ciência, da tecnologia e acredita nos avanços proporcionados pela modernidade. No nosso pensamento, o vírus representa um elemento a mais da natureza. E, por causa da nossa fé no poder da ciência e da medicina científica, não esperávamos uma submissão tão grande da humanidade a um elemento tão pequeno e invisível. Assim, a primeira consequência da chegada da pandemia foi pedagógica e causou reflexões sobre nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. 

Como pesquisadores acadêmicos, também precisamos ter a humildade de assumir que nos deparamos com os limites da técnica e da ciência. Ter humildade não significa se apequenar, mas, sim, buscar complementar os conhecimentos acadêmicos com outros saberes, para além da ciência eurocêntrica, e isso inclui as ciências indígenas. Ficou evidente o quanto é perigosa a trajetória que a humanidade está tomando, um caminho à deriva, sem lideranças, sem horizonte claro à possibilidade da própria existência humana. Somos uma sociedade que caminha para sua autodestruição. A natureza mostrou sua força, evidenciou que a palavra final é dela, e não dos humanos. 

Com o passar das semanas, essa ideia foi sendo incorporada em nossa maneira de compreender, explicar, aceitar e conviver com a nova realidade. Os povos indígenas apresentam cosmovisões milenares, mas que são atualizadas de tempos em tempos, como tem acontecido na situação atual. Passamos a olhar para a nova situação como uma oportunidade para empreender uma revisão cosmológica, filosófica, ontológica e epistemológica da nossa existência e buscar formas pedagógicas para sofrer menos. Nós, indígenas, somos profundamente emotivos. Amamos a vida e nossa existência não é pautada pela materialidade. O momento atual representa uma situação única de formação, pois afeta nossas emoções e valores. Ficamos surpresos com o pouco amor à vida das elites econômicas e de parte dos governantes, mas também de uma parcela significativa da população. A pandemia revelou essas deficiências. 

Por outro lado, um dos elementos que emergiu desse processo é uma profunda solidariedade, que tem permitido aos povos indígenas sobreviver no contexto atual. Identificamos fragilidades e limites. Também potencializamos nossas fortalezas. Uma delas, a valorização do conhecimento tradicional, considerado elemento do passado. Redescobrimos o valor do Sistema Único de Saúde [SUS], com toda a fragilidade que foi imposta a ele por diferentes governos. O SUS tem sido um gigante em um momento muito difícil para toda a sociedade.

Coordeno o curso de formação de professores indígenas da Faculdade de Educação da Ufam e me envolvo diariamente em discussões como essas com os alunos. São mais de 300 estudantes que fazem parte desse programa, divididos em cinco turmas. Recentemente, um deles morreu por conta de complicações causadas pelo novo coronavírus. No Amazonas, há mais de 2 mil professores indígenas atuando nas escolas das aldeias. Tenho muito trabalho com atividades burocráticas, para atualizar o registro acadêmico dos alunos e analisar suas pendências. Estamos planejando como fazer a retomada das atividades presenciais de ensino, mas essa retomada só deve acontecer em 2021. Enquanto isso, seminários on-line permitem dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem e ajudam a fomentar a volta de um espírito de solidariedade entre os estudantes indígenas, a valorização da natureza e a recuperação de saberes tradicionais sobre plantas e ervas medicinais. Em condições normais, a possibilidade de participar de tantos seminários e discussões não seria possível. Essas reflexões realizadas durante os encontros virtuais vão se transformar em material didático e textos publicados. Escrever esses textos me ajuda na compreensão da realidade e permite que esse saber seja compartilhado. 

Estamos realizando uma pesquisa para identificar quantos alunos do programa dispõem de equipamentos e acesso à internet. Muitos estão isolados em suas aldeias, alguns deles se refugiaram em lugares ainda mais remotos e só acessam a internet em situações raras e pontuais, quando precisam ir até as cidades. Em Manaus, constatamos que apenas 30% dos estudantes da Faculdade de Educação da Ufam dispõem de equipamento pessoal para utilizar a internet. No interior, entre os alunos dos territórios, esse percentual deve ser de menos de 10%. Devemos ter os resultados desse levantamento nas próximas semanas. Sou professor há 30 anos e trabalho com organizações e lideranças indígenas e vejo como esse fator dificulta o planejamento de qualquer atividade remota. Quando tivermos os resultados dessa pesquisa, a ideia é ter uma base de dados para que o movimento indígena se organize para solucionar o problema. Essa situação de ensino remoto pode se prolongar e precisamos estar preparados para não prejudicar os direitos dos alunos e vencer a batalha da inclusão digital.

Há 50 dias, vivíamos o pico da pandemia em Manaus. Estávamos apavorados, com 140 mortes diárias e as pessoas sendo enterradas em valas coletivas. Essa semana foi a primeira que sentimos um alívio. Hoje, 25 de junho, foi o primeiro dia em que nenhuma morte por coronavírus foi registrada na cidade. O medo agora é que pessoas desinformadas, ou menos sensíveis à vida, com o relaxamento das regras de isolamento, provoquem uma segunda onda de contaminação. Percebemos que as pessoas abandonaram as práticas de isolamento e muitas nem sequer utilizam máscaras. Mas começamos a sair do fundo do poço, inclusive o existencial. As estruturas montadas para o caos, como os hospitais de campanha, estão sendo desmontadas. 

Tivemos perdas de lideranças e pajés indígenas irreparáveis e insubstituíveis. Com a morte desses sábios, universos de sabedoria milenar desapareceram. Os pajés são responsáveis por produzir e manter o conhecimento tradicional, que só é repassado para alguns poucos herdeiros escolhidos, que precisam ser formados em um processo ritualístico longo e repleto de sacrifícios. As gerações mais jovens apresentam dificuldades para seguir esses protocolos e, por causa disso, o conhecimento tradicional tem enfrentado dificuldades em ser repassado. Eu e meus colegas da Ufam e dos movimentos indígenas estamos incentivando a nova geração a criar estratégias para absorver essa sabedoria, porque muitos sábios seguirão vivos. Escolas e universidades também podem colaborar com o processo, reconhecendo a importância desses saberes. Com os jovens, estamos insistindo que chegou a hora de garantir a continuidade dos saberes tradicionais. 

Com a melhoria da situação em Manaus, minha preocupação agora se voltou para o interior, onde foram notificadas 24 mortes nas últimas 24 horas. A população do interior representa menos de 50% da do Amazonas, estado onde as principais vítimas têm sido indígenas, do mesmo modo que acontece em Roraima. Toda minha família vive em São Gabriel da Cachoeira, incluindo minha mãe de 87 anos. A cidade já registrou mais de 3 mil casos e 45 mortes e ainda não atingiu o pico da pandemia. Há cerca de 800 comunidades no entorno do município e sabemos que o vírus já se espalhou por quase todas elas.

Porém há algo que nos alivia. Inicialmente ficamos apavorados, pensando que o vírus causaria um genocídio na população da cidade e seus entornos. O único hospital de São Gabriel não possui leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Passados 45 dias da notificação do primeiro caso na cidade, apesar das perdas significativas, vemos que as pessoas têm conseguido sobreviver à doença se cuidando em suas próprias casas, com medicina tradicional e fortalecendo laços de solidariedade. Minha mãe ficou doente, apresentou os sintomas da Covid-19. Também meus irmãos e uma sobrinha de minha mãe de 67 anos. Eles não foram testados. Decidiram permanecer em suas casas e cuidar uns dos outros, se valendo de ervas e cascas de árvores da medicina tradicional. Sobreviveram. Sabiam que ir para o hospital lotado naquele momento significaria morrer, pois a estrutura é precária e eles ficariam sozinhos. Ao optar por permanecer em casa, possivelmente transmitiram a doença um ao outro, mas a solidariedade fez a diferença. Um cuidou do outro. Culturalmente, a ideia de isolar o doente é algo impossível para os indígenas, pois seria interpretado como abandono, falta de solidariedade e desumanidade, o que é reprovável. Os laços de solidariedade vão além do medo de se contaminar.”

How ‘vaccine nationalism’ could block vulnerable populations’ access to COVID-19 vaccines (The Conversation)

June 17, 2020 8.16am EDT

Ana Santos Rutschman, Assistant Professor of Law, Saint Louis University

Hundreds of COVID-19 vaccine candidates are currently being developed. The way emerging vaccines will be distributed to those who need them is not yet clear. The United States has now twice indicated that it would like to secure priority access to doses of COVID-19 vaccine. Other countries, including India and Russia, have taken similar stances. This prioritization of domestic markets has become known as vaccine nationalism.

As a researcher at Saint Louis University’s Center for Health Law Studies, I have been following the COVID-19 vaccine race. Vaccine nationalism is harmful for equitable access to vaccines – and, paradoxically, I’ve concluded it is detrimental even for the U.S. itself.

Vaccine nationalism during COVID-19

Vaccine nationalism occurs when a country manages to secure doses of vaccine for its own citizens or residents before they are made available in other countries. This is done through pre-purchase agreements between a government and a vaccine manufacturer.

In March, the White House met with representatives from CureVac, a German biotech company developing a COVID-19 vaccine. The U.S. government is reported to have inquired about the possibility of securing exclusive rights over the vaccine. This prompted the German government to comment that “Germany is not for sale.” Angela Merkel’s chief of staff promptly stated that a vaccine developed in Germany had to be made available in “Germany and the world.”

On June 15, the German government announced it would be investing 300 million euros (nearly US$340 million) in CureVac for a 23% stake in the company.

In April, the CEO of Sanofi, a French company whose COVID-19 vaccine work has received partial funding from the U.S Biomedical Advanced Research and Development Authority, announced that the U.S. had the “right to the largest pre-order” of vaccine.

Following public outcry and pressure from the French government, Sanofi altered its stance and said that it would not negotiate priority rights with any country.

In India, the privately held Serum Institute is developing one of the leading COVID-19 vaccine candidates. The Serum Institute signaled that, if development of the vaccine succeeds, most of the initial batches of vaccine will be distributed within India.

At the same time, India, alongside the U.S. and Russia, chose not to join the Access to COVID-19 Tools Accelerator, which was launched by the World Health Organization to promote collaboration among countries in the development and distribution of COVID-19 vaccines and treatments.

Vaccine nationalism is not new

Vaccine nationalism is not new. During the early stages of the 2009 H1N1 flu pandemic, some of the wealthiest countries entered into pre-purchase agreements with several pharmaceutical companies working on H1N1 vaccines. At that time, it was estimated that, in the best-case scenario, the maximum number of vaccine doses that could be produced globally was 2 billion. The U.S. alone negotiated and obtained the right to buy 600,000 doses. All the countries that negotiated pre-purchase orders were developed economies.

Only when the 2009 pandemic began to unwind and demand for a vaccine dropped did developed countries offer to donate vaccine doses to poorer economies.

The problems posed by nationalism

The most immediate effect of vaccine nationalism is that it further disadvantages countries with fewer resources and bargaining power. It deprives populations in the Global South from timely access to vital public health goods. Taken to its extreme, it allocates vaccines to moderately at-risk populations in wealthy countries over populations at higher risk in developing economies.

Vaccine nationalism also runs against the fundamental principles of vaccine development and global public health. Most vaccine development projects involve several parties from multiple countries.

With modern vaccines, there are very few instances in which a single country can claim to be the sole developer of a vaccine. And even if that were possible, global public health is borderless. As COVID-19 is illustrating, pathogens can travel the globe. Public health responses to outbreaks, which include the deployment of vaccines, have to acknowledge that reality.

How nationalism can backfire in the US

The U.S. in notorious for its high drug prices. Does the U.S. government deserve to obtain exclusive rights for a vaccine that may be priced too high? Such a price may mean that fewer U.S. citizens and residents – especially those who are uninsured or underinsured – would have access to the vaccine. This phenomenon is a form of what economists call deadweight loss, as populations in need of a welfare-enhancing product are priced out. In public health, deadweight loss costs lives.

This is not a hypothetical scenario. U.S. Secretary of Health and Human Services Alex Azar has told Congress that the government will not intervene to guarantee affordability of COVID-19 vaccines in the U.S.

Secretary Azar has said the U.S. government wants the private sector to invest in vaccine development and manufacturing; if the U.S. sets prices, companies may not make that investment because the vaccines won’t be profitable. This view has been widely criticized. A commentator has called it “bad public health policy,” further pointing out that American taxpayers already fund a substantial amount of vaccine research and development in the U.S. Moreover, as legal scholars have pointed out, there are many regulatory perks and other incentives available exclusively to pharmaceutical companies.

If COVID-19 vaccines are not made available affordably to those who need them, the consequences will likely be disproportionately severe for poorer or otherwise vulnerable and marginalized populations. COVID-19 has already taken a higher toll on black and Latino populations. Without broad access to a vaccine, these populations will likely continue to suffer more than others, leading to unnecessary disease burden, continued economic problems and potential loss of life.

What needs to be done

Nationalism is at odds with global public health principles. Yet, there are no provisions in international laws that prevent pre-purchase agreements like the ones described above. There is nothing inherently wrong with pre-purchase agreements of pharmaceutical products. Vaccines typically do not generate as much in sales as other medical products. If used correctly, pre-purchase agreements can even be an incentive for companies to manufacture vaccines that otherwise would not commercialized. Institutions like Gavi, an international nonprofit based in Geneva, use similar mechanisms to guarantee vaccines for developing countries.

But I see vaccine nationalism as a misuse of these agreements.

Contracts should not trump equitable access to global public health goods. I believe that developed countries should pledge to refrain from reserving vaccines for their populations during public health crises. The WHO’s Access to COVID-19 Tools Accelerator is a starting point for countries to test collaborative approaches during the current pandemic.

But more needs to be done. International institutions – including the WHO – should coordinate negotiations ahead of the next pandemic to produce a framework for equitable access to vaccines during public health crises. Equity entails both affordability of vaccines and access opportunities for populations across the world, irrespective of geography and geopolitics.

Insofar as the U.S. can be considered a leader in the global health arena, I believe it should stop engaging in overly nationalistic behaviors. Failure to do so harms patient populations across the globe. Ultimately, it may harm its own citizens and residents, and perpetuate structural inequalities in our health care system.

Cientistas pedem paralização acadêmica em apoio ao movimento Vidas Negras Importam (GIZMODO)

Por Ryan F. Mandelbaum, 9 de junho de 2020. Tradução de Renzo Taddei; revisão de Fernando Martins.

Artigo original

A supremacia branca é parte da organização da ciência e da academia, desde a linguagem racista presente em livros didáticos até uma cultura que exclui cientistas negros do avanço e inovação profissional em ritmo similar ao de seus colegas brancos. Neste momento, no lugar de mais declarações tímidas de apoio e iniciativas de promoção de diversidade racial, os pesquisadores querem ação. Os organizadores do movimento #ShutDownSTEM estão pedindo à comunidade científica que participe de uma paralisação do trabalho na quarta-feira, 10 de junho, para chamar a atenção para o racismo no mundo da pesquisa.

Dois grupos de cientistas, tecnólogos e especialistas em diversidade e inclusão se reuniram para organizar uma paralisação e greve em 10 de junho, com as hashtags #ShutDownAcademia, #ShutDownSTEM e #Strike4BlackLives. Ambos os grupos solicitam aos pesquisadores e acadêmicos que paralisem suas atividades cotidianas e, concentrem-se em ações de longo prazo: educando-se nos problemas enfrentados pelos acadêmicos negros, protestando e elaborando planos com base no trabalho realizado pelos líderes negros para desmantelar o racismo entrincheirado em seus respectivos campos de atuação. Centenas de cientistas, incluindo ganhadores do Prêmio Nobel e pesquisadores renomados, assinaram o compromisso de participar.

“Precisamos assumir a responsabilidade de acabar com o racismo contra pessoas negras em nossas comunidades nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (grupo de disciplinas designadas pela sigla STEM nos países de língua inglesa), e na academia em geral. Isso é extremamente importante por causa do nosso papel na sociedade”, disse Brittany Kamai, física experimental que atua na Universidade da Califórnia, Santa Cruz e no Caltech, ao Gizmodo,. “Vai ser difícil, e a comunidade crescerá com isso. Pedimos a toda a comunidade do STEM e da academia que se comprometam a crescer juntos para erradicar isso”, disse Kamai, organizadora da #ShutDownAcademia/# ShutDownSTEM e nativa do Havaí.

Os protestos contra a violência policial direcionada às pessoas negras nos EUA serviram como catalisador para o movimento #ShutDownAcademia/# ShutDownSTEM colaborar com uma iniciativa de pesquisadores do campo da física, o Partículas para a Justiça (Particles for Justice). Mas essas questões há muito vêm borbulhando na comunidade científica. Um relatório no início deste ano constatou que a já desanimadora percentagem de estudantes negros formados em física não mudou em 10 anos, em parte devido à falta de apoio e orientação, assim como decorrente do declínio no financiamento de faculdades e universidades historicamente negros.

A discriminação contra os cientistas negros também se faz presente de maneira insidiosa. Os laboratórios ainda se referem a parte de equipamentos como “mestre” e “escravo”, enquanto o marco mais comumente discutido na computação quântica é a “supremacia quântica”. Há poucos, se houver algum, periódicos científicos trabalhando de forma ativa para avaliar essa forma de linguagem. Os prédios nos campi das faculdades recebem o nome de pessoas racistas ou que foram proprietários de escravos, e pseudociência costuma ser usada para tentar racionalizar e justificar o racismo.

“Quando [a comunidade acadêmica] tenta mostrar o valor da diversidade e da inclusão, o faz transferindo às pessoas marginalizadas a responsabilidade por sua própria libertação”, comentou Brian Nord, pesquisador do Fermilab, “Eles fazem com que nós, que já estamos inseridos nesse sistema e que enfrentamos os problemas que o sistema criou, realizemos essas atividades e nos juntemos a esses comitês (de promoção de igualdade racial) e todas essas coisas, que acabaram servindo apenas como vitrines … Não há investimento real e compromisso com esta questão”.


Esse trabalho de ativismo coloca os acadêmicos negros em desvantagem e afeta as perspectivas de avanço na carreira, uma vez que os demais pesquisadores destinam período de tempo equivalente para publicar artigos,. Quando surgiram questões de violência policial contra negros, disse Kamai, seus colegas procuraram apoio em outros lugares que não a comunidade acadêmica, como coletivos acadêmicos liderados por negros.

“Não queremos mais seminários sobre diversidade, inclusão e equidade”, disse Chanda Prescod-Weinstein, professora assistente de física e integrante do corpo docente dos estudos de gênero da Universidade de New Hampshire, ao Gizmodo. “Queremos que as pessoas tomem medidas efetivas, incluindo a participação em protestos por justiça. Precisamos que as pessoas sejam ativas na reforma das instituições em que trabalham, em vez de esperar por uma solução de cima para baixo”. Prescod-Weinstein é uma das organizadoras do movimento Particles for Justice.

Tais grupos pedem a todos os cientistas que usem o dia 10 de junho para educar a si mesmos e a seus alunos, organizar protestos, entrar em contato com seus representantes locais e fazer planos de ação sobre como eles trabalharão para mudar a ciência e a academia, ao invés de simplesmente fazer um dia de greve. Igualmente importante, dizem os organizadores, é que os colegas negros usem o dia para priorizar suas necessidades e encontrar apoio em suas comunidades.

Kamai disse que o #ShutDownSTEM não se destina a cientistas diretamente envolvidos na mitigação da pandemia global de covid-19. Ainda assim, o grupo Particles for Justice incentiva os pesquisadores sobre a COVID-19 a tomar um momento na quarta-feira para refletir sobre como seu trabalho pode contribuir para esses pedidos de justiça.

Nord disse ao Gizmodo que espera que os físicos apliquem ao movimento a mesma paixão que eles trazem para descobrir as verdades fundamentais do universo, como se sua vida e a de todos os cientistas negros dependesse disso. “Essa energia e criatividade são o que precisamos. Precisamos que eles tragam sua compaixão e vontade de aprender novos métodos e coisas novas, de pessoas que já sabem como fazer isso. ”

Esses movimentos exigem a participação de aliados não-negros para que as mudanças ocorram, especialmente em campos como a física. “A física de partículas é uma das disciplinas acadêmicas com as mais baixas representações dos cientistas negros”, disse Tien-Tien Yu, professor assistente de física da Universidade do Oregon. “A greve trará atenção a esse fato, e é importante para nós, como comunidade, entender por que a situação está neste ponto, e mais crucialmente, propor soluções concretas. Mas, primeiro, esperamos que os físicos não-negros finalmente aprendam a ouvir o que os cientistas negros vêm dizendo durante todos esses anos”.

Mais de 3.100 acadêmicos se comprometeram a atuar com o Particles for Justice, incluindo os ganhadores do Prêmio Nobel de Física Adam Riess e Art McDonald.

Grupos científicos de primeira importância já declararam sua participação. A plataforma de artigos arXiv, onde os cientistas costumam postar seus trabalhos de pesquisa antes da publicação, não enviará sua comunicação diária. Grupos como o LSST Dark Energy Science Collaboration, o Dark Energy Survey e outros já concordaram em adiar reuniões regulares ou estão planejando discussões com os membros de seus grupos. A Associação Canadense de Físicos também anunciou sua participação.

Os movimentos Particles for Justice e #ShutDownAcademia/#ShutDownSTEM listaram ações que acadêmicos e profissionais da academia interessados em participar podem adotar para desmantelar o racismo em seus respectivos campos.

Ryan F. Mandelbaum, divulgador da ciências, fundador da Birdmodo

Breve reflexão sobre racismo estrutural nos institutos de produção de ciência no Brasil

Renzo Taddei e Fernando Martins – 10 de junho de 2020

Na data de hoje (10/06) aconteceu o enterro de George Floyd. Temos acompanhado as notícias de protestos e um crescimento da indignação social com relação ao racismo ao redor do mundo durante esta última semana. O portal GIZMODO publicou o artigo “Scientists Call for Academic Shutdown in Support of Black Lives” que tomamos a liberdade de traduzir para a língua portuguesa (ver abaixo).

Nosso intuito é promover uma reflexão e discussão sobre as questões raciais na comunidade acadêmica e como, nós professores/pesquisadores compreendemos a questão, e que propostas podemos apresentar para trabalhar esta temática de forma efetiva nas nossas ações, sejam na nossa rotina acadêmica, sejam em nossa vida particular.

Todas as organizações e institutos de produção científica existem dentro de um contexto maior social, cultural, político e econômico. De maneira geral, tais organizações refletem estes elementos do mundo social na forma como existem e levam a cabo suas atividades. Desta forma, disparidades e injustiças históricas que acabaram por transformar-se em parte das estruturas da sociedades maior se fazem presentes também em instituições científicas. Quando tais desigualdades e injustiças vinculam-se a questões raciais, têm-se o chamado racismo estrutural.

O racismo estrutural mantém-se presente mesmo que as pessoas não se comportem de forma intencionalmente racista. Basta que as coisas se reproduzam como são, e as injustiças presentes nas estruturas da realidade se propagam no tempo, mesmo que as pessoas envolvidas não sejam capazes de entender onde exatamente o racismo se encontra.

O fato de que a imensa maioria dos departamentos universitários no Brasil não possuem sequer um professor negro sugere uma de duas alternativas: 1) os acadêmicos negros não se interessam por temas ligados aos temas de pesquisa de tais departamentos; ou 2) o racismo estrutural está vivo e firme entre nós. Obviamente, a primeira opção não faz qualquer sentido, e estamos assumindo que não houve ação racista intencional nos concursos que proveram o corpo docente de cada departamento e instituição.

A ocasião dos movimentos antirracistas no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países é propícia para que a campo da ciência no Brasil promova reflexões internas e busque entender se o problema do racismo estrutural existe dentro das instituições, e o que pode ser feito para que diagnósticos sejam elaborados e soluções sejam propostas. É muito provável que exista um componente de racismo estrutural nas formas de ingresso à universidade, tanto na graduação como na pós; nos critérios de avaliação de desempenho de estudantes, na questão das reprovações, no problema da evasão. Só saberemos a respeito com dados empíricos sobre estes temas, em que a variável racial seja tomada em conta.

Universidades, institutos e departamentos precisam formar grupos de trabalho, com docentes, técnicos administrativos e alunos, para debater o problema e propor encaminhamentos.

Segue o texto do artigo traduzido:

CIENTISTAS PEDEM PARALISAÇÃO ACADÊMICA EM APOIO AO MOVIMENTO VIDAS NEGRAS IMPORTAM (GIZMODO)

Por Ryan F. Mandelbaum, 9 de junho de 2020. Tradução de Renzo Taddei; revisão de Fernando Martins.

Artigo original

A supremacia branca é parte da organização da ciência e da academia, desde a linguagem racista presente em livros didáticos até uma cultura que exclui cientistas negros do avanço e inovação profissional em ritmo similar ao de seus colegas brancos. Neste momento, no lugar de mais declarações tímidas de apoio e iniciativas de promoção de diversidade racial, os pesquisadores querem ação. Os organizadores do movimento #ShutDownSTEM estão pedindo à comunidade científica que participe de uma paralisação do trabalho na quarta-feira, 10 de junho, para chamar a atenção para o racismo no mundo da pesquisa.

Dois grupos de cientistas, tecnólogos e especialistas em diversidade e inclusão se reuniram para organizar uma paralisação e greve em 10 de junho, com as hashtags #ShutDownAcademia, #ShutDownSTEM e #Strike4BlackLives. Ambos os grupos solicitam aos pesquisadores e acadêmicos que paralisem suas atividades cotidianas e, concentrem-se em ações de longo prazo: educando-se nos problemas enfrentados pelos acadêmicos negros, protestando e elaborando planos com base no trabalho realizado pelos líderes negros para desmantelar o racismo entrincheirado em seus respectivos campos de atuação. Centenas de cientistas, incluindo ganhadores do Prêmio Nobel e pesquisadores renomados, assinaram o compromisso de participar.

“Precisamos assumir a responsabilidade de acabar com o racismo contra pessoas negras em nossas comunidades nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (grupo de disciplinas designadas pela sigla STEM nos países de língua inglesa), e na academia em geral. Isso é extremamente importante por causa do nosso papel na sociedade”, disse Brittany Kamai, física experimental que atua na Universidade da Califórnia, Santa Cruz e no Caltech, ao Gizmodo,. “Vai ser difícil, e a comunidade crescerá com isso. Pedimos a toda a comunidade do STEM e da academia que se comprometam a crescer juntos para erradicar isso”, disse Kamai, organizadora da #ShutDownAcademia/# ShutDownSTEM e nativa do Havaí.

Os protestos contra a violência policial direcionada às pessoas negras nos EUA serviram como catalisador para o movimento #ShutDownAcademia/# ShutDownSTEM colaborar com uma iniciativa de pesquisadores do campo da física, o Partículas para a Justiça (Particles for Justice). Mas essas questões há muito vêm borbulhando na comunidade científica. Um relatório no início deste ano constatou que a já desanimadora percentagem de estudantes negros formados em física não mudou em 10 anos, em parte devido à falta de apoio e orientação, assim como decorrente do declínio no financiamento de faculdades e universidades historicamente negros.

A discriminação contra os cientistas negros também se faz presente de maneira insidiosa. Os laboratórios ainda se referem a parte de equipamentos como “mestre” e “escravo”, enquanto o marco mais comumente discutido na computação quântica é a “supremacia quântica”. Há poucos, se houver algum, periódicos científicos trabalhando de forma ativa para avaliar essa forma de linguagem. Os prédios nos campi das faculdades recebem o nome de pessoas racistas ou que foram proprietários de escravos, e pseudociência costuma ser usada para tentar racionalizar e justificar o racismo.

“Quando [a comunidade acadêmica] tenta mostrar o valor da diversidade e da inclusão, o faz transferindo às pessoas marginalizadas a responsabilidade por sua própria libertação”, comentou Brian Nord, pesquisador do Fermilab, “Eles fazem com que nós, que já estamos inseridos nesse sistema e que enfrentamos os problemas que o sistema criou, realizemos essas atividades e nos juntemos a esses comitês (de promoção de igualdade racial) e todas essas coisas, que acabaram servindo apenas como vitrines … Não há investimento real e compromisso com esta questão”.

Esse trabalho de ativismo coloca os acadêmicos negros em desvantagem e afeta as perspectivas de avanço na carreira, uma vez que os demais pesquisadores destinam período de tempo equivalente para publicar artigos,. Quando surgiram questões de violência policial contra negros, disse Kamai, seus colegas procuraram apoio em outros lugares que não a comunidade acadêmica, como coletivos acadêmicos liderados por negros.

“Não queremos mais seminários sobre diversidade, inclusão e equidade”, disse Chanda Prescod-Weinstein, professora assistente de física e integrante do corpo docente dos estudos de gênero da Universidade de New Hampshire, ao Gizmodo. “Queremos que as pessoas tomem medidas efetivas, incluindo a participação em protestos por justiça. Precisamos que as pessoas sejam ativas na reforma das instituições em que trabalham, em vez de esperar por uma solução de cima para baixo”. Prescod-Weinstein é uma das organizadoras do movimento Particles for Justice.

Tais grupos pedem a todos os cientistas que usem o dia 10 de junho para educar a si mesmos e a seus alunos, organizar protestos, entrar em contato com seus representantes locais e fazer planos de ação sobre como eles trabalharão para mudar a ciência e a academia, ao invés de simplesmente fazer um dia de greve. Igualmente importante, dizem os organizadores, é que os colegas negros usem o dia para priorizar suas necessidades e encontrar apoio em suas comunidades.

Kamai disse que o #ShutDownSTEM não se destina a cientistas diretamente envolvidos na mitigação da pandemia global de covid-19. Ainda assim, o grupo Particles for Justice incentiva os pesquisadores sobre a COVID-19 a tomar um momento na quarta-feira para refletir sobre como seu trabalho pode contribuir para esses pedidos de justiça.

Nord disse ao Gizmodo que espera que os físicos apliquem ao movimento a mesma paixão que eles trazem para descobrir as verdades fundamentais do universo, como se sua vida e a de todos os cientistas negros dependesse disso. “Essa energia e criatividade são o que precisamos. Precisamos que eles tragam sua compaixão e vontade de aprender novos métodos e coisas novas, de pessoas que já sabem como fazer isso. ”

Esses movimentos exigem a participação de aliados não-negros para que as mudanças ocorram, especialmente em campos como a física. “A física de partículas é uma das disciplinas acadêmicas com as mais baixas representações dos cientistas negros”, disse Tien-Tien Yu, professor assistente de física da Universidade do Oregon. “A greve trará atenção a esse fato, e é importante para nós, como comunidade, entender por que a situação está neste ponto, e mais crucialmente, propor soluções concretas. Mas, primeiro, esperamos que os físicos não-negros finalmente aprendam a ouvir o que os cientistas negros vêm dizendo durante todos esses anos”.

Mais de 3.100 acadêmicos se comprometeram a atuar com o Particles for Justice, incluindo os ganhadores do Prêmio Nobel de Física Adam Riess e Art McDonald.

Grupos científicos de primeira importância já declararam sua participação. A plataforma de artigos arXiv, onde os cientistas costumam postar seus trabalhos de pesquisa antes da publicação, não enviará sua comunicação diária. Grupos como o LSST Dark Energy Science Collaboration, o Dark Energy Survey e outros já concordaram em adiar reuniões regulares ou estão planejando discussões com os membros de seus grupos. A Associação Canadense de Físicos também anunciou sua participação.

Os movimentos Particles for Justice e #ShutDownAcademia/#ShutDownSTEM listaram ações que acadêmicos e profissionais da academia interessados em participar podem adotar para desmantelar o racismo em seus respectivos campos.

Ryan F. Mandelbaum, divulgador da ciências, fundador da Birdmodo

Crédito: Antonio O. Silva

Book Review: Why Science Denialism Persists (Undark)

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Two new books explore what motivates people to reject science — and why it’s so hard to shake deep-seated beliefs.

By Elizabeth Svoboda – 05.22.2020

To hear some experts tell it, science denial is mostly a contemporary phenomenon, with climate change deniers and vaccine skeptics at the vanguard. Yet the story of Galileo Galilei reveals just how far back denial’s lineage stretches.

BOOK REVIEW “Galileo and the Science Deniers,” by Mario Livio (Simon & Schuster, 304 pages).

Years of astronomical sightings and calculations had convinced Galileo that the Earth, rather than sitting at the center of things, revolved around a larger body, the sun. But when he laid out his findings in widely shared texts, as astrophysicist Mario Livio writes in “Galileo and the Science Deniers,” the ossified Catholic Church leadership — heavily invested in older Earth-centric theories — aimed its ire in his direction.

Rather than revise their own maps of reality to include his discoveries, clerics labeled him a heretic and banned his writings. He spent the last years of his life under house arrest, hemmed in by his own insistence on the expansiveness of the cosmos.

Nearly 400 years later, the legacy of denial remains intact in some respects. Scientists who publish research about climate change or the safety of genetically modified crops still encounter the same kind of pushback from deniers that Galileo did. Yet denialism has also sprouted some distinctly modern features: As Alan Levinovitz points out in “Natural: How Faith in Nature’s Goodness Leads to Harmful Fads, Unjust Laws, and Flawed Science,” sometimes we ourselves can become unwitting purveyors of denial, falling prey to flawed or false beliefs we may not realize we’re holding.

Levinovitz passionately protests the common assumption that natural things are inherently better than unnatural ones. Not only do people automatically tend to conclude organic foods are healthier, many choose “natural” or “alternative” methods of cancer treatment over proven chemotherapy regimens. Medication-free childbirth, meanwhile, is now considered the gold standard in many societies, despite mixed evidence of its health benefits for mothers and babies.

BOOK REVIEW “Natural: How Faith in Nature’s Goodness Leads to Harmful Fads, Unjust Laws, and Flawed Science,” by Alan Levinovitz (Beacon Press, 264 pages).

“What someone calls ‘natural’ may be good,” writes Levinovitz, a religion professor at James Madison University, “but the association is by no means necessary, or even likely.” Weaving real-life examples with vivid retellings of ancient myths about nature’s power, he demonstrates that our pro-natural bias is so pervasive that we often lose the ability to see it — or to admit the legitimacy of science that contradicts it.

From this perspective, science denial starts to look like a stunted outgrowth of what we typically consider common sense. In Galileo’s time, people thought it perfectly sensible that the planet they inhabited was at the center of everything. Today, it might seem equally sensible that it’s always better to choose natural products over artificial ones, or that a plant burger ingredient called “soy leghemoglobin” is suspect because it’s genetically engineered and can’t be sourced in the wild. Yet in these cases, what we think of as common sense turns out to be humbug.

In exploring the past and present of anti-science bias, Livio and Levinovitz show how deniers’ basic toolbox has not changed much through the centuries. Practitioners marshal arguments that appeal to our tendency to think in dichotomies: wrong or right, saved or damned, pure or tainted. Food is either nourishing manna from the earth or processed, artificial junk. The Catholic Church touted its own supreme authority while casting Galileo as an unregenerate apostate.

In the realm of denialism, Levinovitz writes, “simplicity and homogeneity take precedence over diversity, complexity, and change. Righteous laws and rituals are universal. Disobedience is sacrilege.”

The very language of pro-nature, anti-science arguments, Levinovitz argues, is structured to play up this us-versus-them credo. Monikers like Frankenfood — often used to describe genetically-modified (GM) crops — frame the entire GM food industry as monstrous, a deviation from the supposed order of things. And in some circles, he writes, the word “unnatural” has come to be almost a synonym for “moral deficiency.” Not only is such black-and-white rhetoric seductive, it can give deniers the heady sense that they occupy the moral high ground.

Both pro-natural bias and the Church’s crusade against Galileo reflect the human penchant to fit new information into an existing framework. Rather than scrapping or changing that framework, we try to jerry-rig it to make it function. Some of the jerry-rigging examples the authors describe are more toxic than others: Opting for so-called natural foods despite dubious science on their benefits, for instance, is less harmful than denying evidence of a human-caused climate crisis.

What’s more, many people actually tend to cling harder to their beliefs in the face of contradictory evidence. Studies confirm that facts and reality aren’t likely to sway most people’s pre-existing views. This is as true now as it was at the close of the Renaissance, as shown by some extremists’ stubborn denial that the Covid-19 virus is dangerous.

In the realm of denialism, “simplicity and homogeneity take precedence over diversity, complexity, and change.”

In one of his book’s most compelling chapters, Livio takes us inside a panel of theologians that convened in 1616 to rule on whether the sun was at the center of things. None of Galileo’s incisive arguments swayed their thinking one iota. “This proposition is foolish and absurd in philosophy,” the theologians wrote, “and formally heretical, since it explicitly contradicts in many places the sense of Holy Scripture.” Cardinal Bellarmino warned Galileo that if he did not renounce his heliocentric views, he could be thrown into prison.

Galileo’s discoveries threatened to topple a superstructure that the Church had spent hundreds of years buttressing. In making their case against him, his critics liked to cite a passage from Psalm 93: “The world also is established that it cannot be moved.”

Galileo refused to cave. In his 1632 book, “Dialogue Concerning the Two Chief World Systems,” he did give the views of Pope Urban VIII an airing: He repeated Urban’s statement that no human could ever hope to decode the workings of the universe. But Livio slyly points out that Galileo put these words in the mouth of a ridiculous character named Simplicio. It was a slight Urban would not forgive. “May God forgive Signor Galilei,” he intoned, “for having meddled with these subjects.”

At the close of his 1633 Inquisition trial, Galileo was forced to declare that he abandoned any belief that the Earth revolved around the sun. “I abjure, curse, and detest the above-mentioned errors and heresies.” He swore that he would never again say “anything which might cause a similar suspicion about me.” Yet as he left the courtroom, legend goes, he muttered to himself “E pur si muove” (And yet it moves).

In the face of science denial, Livio observes, people have taken up “And yet it moves” as a rallying cry: a reminder that no matter how strong our prejudices or presuppositions, the facts always remain the same. But in today’s “post-truth era,” as political theorist John Keane calls it, with little agreement on what defines a reliable source, even the idea of an inescapable what is seems to have receded from view.

Levinovitz’s own evolution in writing “Natural” reveals how hard it can be to elevate facts above all, even for avowed anti-deniers. When he began his research, he picked off instances of pro-natural bias as if they were clay pigeons, confident in the rigor of his approach. “Confronted with a false faith, I had resolved that it was wholly evil,” he reflects.

Yet he later concedes that a favoritism toward nature is logical in domains like sports, which celebrate the potential of the human body in its unaltered form. He also accepts one expert’s point that it makes sense to buy organic if the pesticides used are less dangerous to farm workers than conventional ones. By the end of the book, he finds himself in a more nuanced place: “The art of celebrating humanity and nature,” he concludes, depends on “having the courage to embrace paradox.” His quest to puncture the myth of the natural turns out to have been dogmatic in its own way.

In acknowledging this, Levinovitz hits on something important. When deniers take up arms, it’s tempting to follow their lead: to use science to build an open-and-shut case that strikes with the finality of a courtroom witness pointing out a killer.

But as Galileo knew — and as Levinovitz ultimately concedes — science, in its endlessly unspooling grandeur, tends to resist any conclusion that smacks of the absolute. “What only science can promise,” Livio writes, “is a continuous, midcourse self-correction, as additional experimental and observational evidence accumulates, and new theoretical ideas emerge.”

In their skepticism of pat answers, these books bolster the case that science’s strength is in its flexibility — its willingness to leave room for iteration, for correction, for innovation. Science is an imperfect vehicle, as any truth-seeking discipline must be. And yet, as Galileo would have noted, it moves.

Elizabeth Svoboda is a science writer based in San Jose, California. Her most recent book for children is “The Life Heroic.”

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Opinion: The Roots of Modern Medical Denialism

The religious roots of Trump’s magical thinking on coronavirus (CNN)

Analysis by Daniel Burke, CNN Religion Editor

Updated 1424 GMT (2224 HKT) May 21, 2020

(CNN) As the novel coronavirus has spread across the globe, President Trump has repeated one phrase like a mantra: It will go away.

Since February Trump has said the virus will “go away” at least 15 times, most recently on May 15.

“It’s going to disappear one day,” he said on February 27. “It’s like a miracle.”

Invoking a miracle is an understandable response during a pandemic, but to some, the President’s insistence that the coronavirus will simply vanish sounds dangerously like magical thinking — the popular but baffling idea that we can mold the world to our liking, reality be damned.

The coronavirus, despite Trump’s predictions, has not disappeared. It has spread rapidly, killing more than 90,000 Americans.

In that light, Trump’s response to the pandemic, his fulsome self-praise and downplaying of mass death seems contrary to reality. But long ago, his biographers say, Trump learned how to craft his own version of reality, a lesson he learned in an unlikely place: a church.

It’s called the “power of positive thinking,” and Trump heard it from the master himself: the Rev. Norman Vincent Peale, a Manhattan pastor who became a self-help juggernaut, the Joel Osteen of the 1950s.

“He thought I was his greatest student of all time,” Trump has said.

Undoubtedly, the power of positive thinking has taken Trump a long way — through multiple business failures to the most powerful office in the world.

Trump has repeatedly credited Peale — who died in 1993 — and positive thinking with helping him through rough patches.

Norman Vincent Peale wrote the bestselling 1952 self-help book, "The Power of Positive Thinking." It sold millions of copies.

Norman Vincent Peale wrote the bestselling 1952 self-help book, “The Power of Positive Thinking.” It sold millions of copies.

“I refused to be sucked into negative thinking on any level, even when the indications weren’t great,” Trump said of the early 1990s, when his casinos were tanking and he owed creditors billions of dollars.

But during a global public health crisis there can be a negative side to positive thinking.

“Trump pretending that this pandemic will just go away is not just an unacceptable fantasy,” said Christopher Lane, author of “Surge of Piety: Norman Vincent Peale and the Remaking of American Religious Life.”

“It is in the realm of dangerous delusion.”

Trump says Peale has made him feel better about himself

Though they were professed Presbyterians, it’s more accurate to call Trump’s family Peale-ites.

On Sundays, Trump’s businessman father drove the family from Queens to Peale’s pulpit at Marble Collegiate Church in Manhattan.

The centuries-old edifice was, and remains, the closest thing Trump has to a family church. Funerals for both of his parents were held there, and Peale presided over Trump’s marriage to Ivana at Marble Collegiate in 1977. Two of his siblings were also married in the sanctuary.

The draw, Trump’s biographers say, was Peale, who elevated businessmen like the Trumps to saint-like status as crusaders of American capitalism.

Known as “God’s Salesman,” Peale wrote many self-help books, including “The Power of Positive Thinking,” that sold millions of copies.

From left to right, Donald Trump, Ivana Trump, Ruth Peale and Dr. Norman V. Peale at Peale's 90th birthday party in 1988.

From left to right, Donald Trump, Ivana Trump, Ruth Peale and Dr. Norman V. Peale at Peale’s 90th birthday party in 1988.

Peale drew throngs of followers, but also sharp criticism from Christians who accused him of cherry-picking Bible verses and peddling simplistic solutions.

But the young Donald Trump was hooked.

“He would instill a very positive feeling about God that also made me feel positive about myself,” Trump writes in “Great Again,” one of his books. “I would literally leave that church feeling like I could listen to another three sermons.”

Peale peppered his sermons with pop psychology. Sin and guilt were jettisoned in favor of “spirit-lifters,” “energy-producing thoughts” and “7 simple steps” to happy living.

“Attitudes are more important than facts,” Peale preached, a virtual prophecy of our post-truth age.”Formulate and stamp indelibly on your mind a mental picture of yourself as succeeding,” Peale writes in “The Power of Positive Thinking.”

“Hold this picture tenaciously. Never permit it to fade.”

Peale has also influenced Trump’s spiritual advisers

To this day, Trump surrounds himself with Peale-like figures, particularly prosperity gospel preachers.

One of his closest spiritual confidantes, Florida pastor Paula White, leads the White House’s faith-based office and is a spiritual descendent of Peale’s positive thinking — with a Pentecostal twist.

White, a televangelist, belongs to the Word of Faith movement, which teaches that God bestows health and wealth on true believers.

In a Rose Garden ceremony for the National Day of Prayer earlier this month, White quoted from the Bible’s Book of Job: “If you decree and declare a thing, it will be established.”

“I declare no more delays to the deliverance of Covid-19,” White continued. “No more delays to healing and a vaccination.”

Paula White, a televangelist and religious adviser to President Trump.

Paula White, a televangelist and religious adviser to President Trump.

The Book of Job, a parable of human suffering and powerlessness, may be a strange book for a preacher to cite while “declaring” an end to the pandemic. If it were so easy, Job’s story would involve fewer boils and tortures.

But in a way, White perfectly captures the problem with positive thinking: It tries to twist every situation into a “victory,” even when reality demonstrates otherwise.

“Positive thinking can help people focus on goals and affirm one’s merits,” said Lane, author of the book on Peale. “But it does need a reality check, and to be based in fact.

“Sometimes, the reality is that you’ve failed and need to change course. But to Peale, that wasn’t an option. Even self-doubt was a sin, he taught, an affront to God.

“He had a huge problem with failure,” Lane said. “He would berate people for even talking about it.”

Peale’s teachings can explain why Trump won’t accept criticism

You can hear echoes of Peale’s no-fail philosophy in Trump’s angry response to reporters’ questions about his handling of the coronavirus pandemic, said Trump biographer Michael D’Antonio.

“Nothing is an exchange of ideas or discussion of facts,” D’Antonio said. “Everything is a life or death struggle for the definition of reality. For him, being wrong feels like being obliterated.”

President Donald Trump answers questions with members of the White House Coronavirus Task Force on April 3, 2020 in Washington.

President Donald Trump answers questions with members of the White House Coronavirus Task Force on April 3, 2020 in Washington.

And that’s one reason why the President refuses to accept any criticism or admit to any failure. To do so would puncture his bubble of positivity, not to mention his self-image.

So, despite his administration’s early missteps in preparing for and responding to the coronavirus, Trump won’t acknowledge any errors.

Instead, he has misled the public, claiming in February that the situation was “under control” when it was not; promising a vaccine is coming “very soon,” which it is not; and falsely insisting that “anyone can get tested,” when they could not and many still cannot.

Still, when asked in mid-March to grade his administration’s response, Trump gave himself a perfect score.

“I’d rate it a 10,” he said. “I think we’ve done a great job.”

Trump’s self-appraisal might not match reality. But Peale would be proud.

Covid Fallout [2] (Synthetic Zero)

· by Patrick jennings

Solutions to Enable Your COVID-19 Research | BD Biosciences-CA

Throughout the Covid crisis, the use of the war metaphor, as means of persuasion and matrix of explanation, has become pervasive in politics and the popular media.

Both practices have been able to make use of such rhetoric because the discourse on war, attrition and the destruction of enemies is so deeply embedded in the structure of public discourse, from ubiquitous and seemingly benign tropes valorising competition, to the outright eulogising of violence as the natural mediator between individuals, groups, classes, ethnicities, cultures, and nation-states.

Moreover, it seems entirely plausible to extend the metaphor of war and struggle to our relation with the natural world, enabling a discourse in which natural processes, set in motion by bio-molecular mechanisms, are capable of being mastered by science.

Science just is, from this perspective, a series of feed-back loops in which the accumulation of knowledge and experimental know-how leads to mastery over nature and mastery over nature leads to more knowledge and know how,  ad infinitum.

This is a version of the Baconian trope in which nature is put to the wrack and interrogated for it’s secrets but one in which cybernetics, systems theory and big data allow for an expansion of the field of knowable objects to include the system of the interrogator and his acts of interrogation.

Defeated, abased, nature must yield.

In this war on nature, in which the war on Coronavirus is but one “theatre of operations”, the techno-scientific industrialised exploitation and extermination of non-human and human animals is it’s quintessential modus operandi.

What is good and true for science just is, necessarily, good and true for the human as such.  But human here is an image abstracted from and other than the human-animal and it’s symbiotic connection with the ecology of living entities. It is, rather, an excess of the human animal carried over after an operation in which experience is subsumed under a system of bifurcations. This excess is an illusory mode of transcendence.

The Covid crisis is most probably a dry run for what awaits us down the road as the climate crisis intensifies.

During the unfolding of the pandemic, it was notable that scientists and doctors remained, for the most part, wary of presumption in the face of the unknown, choosing to concentrate instead on the behaviour of the virus in particular human environments before attempting generalised pronouncements.

Grounded in observation, this was good science, a science in which anthropomorphic presumptions played only a small part. It was made possible by wide-scale testing and the correlation and analysis of data on the actual unfolding of the pandemic, which, for all science knew, could have included the annihilation of the species.

Here, for all to see, was an example of the difference between the actual practice of science, always localised contingent and rather anarchic in it’s evolution, and the ideology of mastery, control and expertise; an ideology enabled on a philosophical structure in which the real is bifurcated, producing a thought-complex of human subject-agents and a field of objects and processes subjected to a regime of mastery.

One productive way of looking at the ideology of mastery is as the explicit expression of an implicit or philosophically esoteric sufficiency in which science becomes the arbitrator of what is known and knowable and what is known and knowable just is scientific, in all but name.

Science, taken up into the ideology of mastery, arbitrarily sets it’s compass and draws, godlike, the arc of the world.

As with Covid, the evolution of the climate crisis will most probably unfold unevenly  across geographical regions as a series of local emergencies, each set on its own trajectory by the generation and replication of feedback loops in which human agency is only one strand in a complex of becomings.

As with Covid this “dance of agency” between human and non human entities will unfold inclusive of the decisions, actions and reactions of the presumed primary actors – those who are supposed to exercise control over outcomes by “managing” the crisis on our behalf.

The ideology of management and eventual mastery is a doubling in thought of the always and already immanent unfolding of the real, inclusive of the subject-object dichotomy which enables the illusion of transcendent knowing and techno-mastery.

Such a real never enters into the realm of the scientific or philosophical subject and it’s field of knowable objects and systems of objects.

Recent climate discourse has taken on board talk of the “Anthropocene” as evidence for the emergence of an epoch of human dominance over nature in which the human “footprint” is literally inscribed on geological strata.

The inscription of the human onto planetary geology is often accompanied by speculations about an acceleration in human technological prowess leading to a “singularity” at some time in the near future; at which point technological civilization will make a qualitative leap, establishing the dominance of the human over the planetary system and it’s myriad life forms as an accomplished fact.

Thus, a positivist rhetoric of acceleration, mastery and control sees the human take charge of the contingent, variable and complex earth-system to impose a consciously interested anthropomorphic regime on what is perceived as a complex of “mechanical” and therefore “manageable” processes.

Such rhetoric almost always includes a naturalization of capitalism in which acceleration is a spontaneous result of the free reign of market forces, an unruly energy domesticated by a corporate or state structure, more often than not presided over by a charismatic individual.

Under such a scenario democracy is optional at best, at worst a hindrance to the generation of what is conceived as the proper management and eventual mastery of the eco/social system.

It is still unclear how such a planetary wide consensus among ruling elites could be achieved, taking into account the resurgence of the ideology of the nation state and the discrediting of the idea of inter-state unions, international bodies and structures of trans-national governance.

The Covid crisis has intensified the contradiction between a strong version of nation-statehood and a neo-liberal valorisation of free markets, deregulation, free flow of labour and capital, international supply chains and minimal state interference.

The axioms of neo-liberal ideological orthodoxy have been, almost universally, unceremoniously abandoned, if only for the present.

More importantly Covid has driven an even bigger wedge between liberal, democratic and rights based ideologies of reform, “new deal” regeneration and green transition and the more authoritarian forms of “new nationalism”.

As we emerge from the first phase of the pandemic, the struggle between these two tendencies will probably intensify. Already, international bodies such as the U.N are aligning themselves with those who see the transition from lock-down as an opportunity to establish the structural changes necessary for a more ecologically sustainable economy.

Capitalism has, of course, always had to negotiate a balance between the model advocating for a strong public sector, fiscal and regulatory intervention, forward planning and a welfare state and the neo-liberal free market, anti-state and anti-regulatory model we have endured for the last thirty years.

In reality this ideological difference masks periodic shifts from one one extreme to the other as cycles of boom and bust override ideological preferences. Both the climate crisis and the Covid pandemic underscore the limitations of all existing capitalist models to adequately account for the real cost of the consumption driven economy.

The real cost has always been borne by the human and non human animal, that is by the ecological community of life forms.

As the pandemic has made clear, even something as unvarying in its constitution as a virus will have varied consequences as it interacts with local economies, social systems and cultures.

This “uneven development” is equally applicable to the spread of capital, which must negotiate local conditions as it expands and contracts, mutates and recalibrates according to the complex of human affordances of which it is a particular expression.

This network of relation extends beyond the economic, the social and the cultural and includes, ultimately, all of the extended complexities of the planetary eco-system. As a species we are dependent on a complex of ecological checks and balances all of which have been progressively undermined by human activity.

At a more fundamental level we are subject to entirely arbitrary events beyond our present understanding and indifferent to our interests.

The ideology of techno-mastery, management and expertise is based on a vision of control over the variable and the contingent. This fallacy is exposed time and again, even within the supposed confines of the social and economic system. Indeed, it is this very act of conceptual enclosure which makes possible the belief in some future state of absolute control over the social/ecological/planetary system.

Paradoxically, this very ideology of control, more often than not, acts as a top-down hindrance to the bottom-up exercise of a plurality of collective and individual responses. It is out of this anarchic mech of knowings and doings that forms of relative control arise as a collective orientation around workable solutions.

In a network of contingencies, in which our own agency forms only one strand in a myriad of becomings, it is this diversity of response which enables the sort of open-ended social, political, administrative and scientific plasticity necessary for our continued existence as a species.

The ideology of mastery, management and control, despite it’s claim to have transcended the particular and the local, is itself enabled on contingent processes and diverse responses. It’s claim is a reworking of the religious impulse on the secular plane, in which knowing has ascended to a level of sufficiency akin to godlike omniscience.

It’s undoing, likewise, will most likely proceed from the ground up, inclusive of the political, ethical and philosophical practices of those who consciously set themselves against the existing state of the situation.

This, of course, excludes the possibility of sheer bad luck and the unfolding of an unexpected disaster, against which our life would be seen to have been bracketed as a moment of contingent grace.

The struggle against Covid could have been our swan song. That possibility is the simple and absolute refutation of the theory and practice (the ideology) of mastery.

Addendum:

I use the term animal, human animal, becoming and the real interchangeably, as free floating placeholders, in the spirit expressed below by Deleuze and Guattari:

“Becoming is certainly not imitating, or identifying with something; neither is it regressing-progressing; neither is it corresponding, establishing corresponding relations; neither is it producing, producing a filiation or producing through filiation. Becoming is a verb with a consistency all its own; it does not reduce to, or lead back to, “appearing,” “being,” “equaling,” or “producing.””

This puts the series of terms in some sort of relation with Laruelle’s use of “The Real” or “Man-in-person” and distinguishes it from the forms of empirical knowledge which are taken up into ecological or systems theorising of a strictly scientific nature or into loose scientific/philosophical combinations.

Crises are no excuse for lowering scientific standards, say ethicists (Science News)

Date: April 23, 2020

Source: Carnegie Mellon University

Summary: Ethicists are calling on the global research community to resist treating the urgency of the current COVID-19 outbreak as grounds for making exceptions to rigorous research standards in pursuit of treatments and vaccines.

Ethicists from Carnegie Mellon and McGill universities are calling on the global research community to resist treating the urgency of the current COVID-19 outbreak as grounds for making exceptions to rigorous research standards in pursuit of treatments and vaccines.

With hundreds of clinical studies registered on ClinicalTrials.gov, Alex John London, the Clara L. West Professor of Ethics and Philosophy and director of the Center for Ethics and Policy at Carnegie Mellon, and Jonathan Kimmelman, James McGill Professor and director of the Biomedical Ethics Unit at McGill University, caution that urgency should not be used as an excuse for lowering scientific standards. They argue that many of the deficiencies in the way medical research is conducted under normal circumstances seem to be amplified in this pandemic. Their paper, published online April 23 by the journal Science, provides recommendations for conducting clinical research during times of crises.

“Although crises present major logistical and practical challenges, the moral mission of research remains the same: to reduce uncertainty and enable care givers, health systems and policy makers to better address individual and public health,” London and Kimmelman said.

Many of the first studies out of the gate in this pandemic have been poorly designed, not well justified, or reported in a biased manner. The deluge of studies registered in their wake threaten to duplicate efforts, concentrate resources on strategies that have received outsized media attention and increase the potential of generating false positive results purely by chance.

“All crises present exceptional situations in terms of the challenges they pose to health and welfare. But the idea that crises present an exception to the challenges of evaluating the effects drugs and vaccines is a mistake,” London and Kimmelman said. “Rather than generating permission to carry out low-quality investigations, the urgency and scarcity of pandemics heighten the responsibility of key actors in the research enterprise to coordinate their activities to uphold the standards necessary to advance this mission.”

The ethicists provide recommendations for multiple stakeholder groups involved in clinical trials:

  • Sponsors, research consortia and health agencies should prioritize research approaches that test multiple treatments side by side. The authors argue that “master protocols” enable multiple treatments to be tested under a common statistical framework.
  • Individual clinicians should avoid off-label use of unvalidated interventions that might interfere with trial recruitment and resist the urge to carry out small studies with no control groups. Instead, they should seek out opportunities to join larger, carefully orchestrated studies.
  • Regulatory agencies and public health authorities should play a leading role in identifying studies that meet rigorous standards and in fostering collaboration among a sufficient number of centers to ensure adequate recruitment and timely results. Rather than making public recommendations about interventions whose clinical merits remain to be established, health authorities can point stakeholders to recruitment milestones to elevate the profile and progress of high-quality studies.

“Rigorous research practices can’t eliminate all uncertainty from medicine,” London and Kimmelman said, “but they can represent the most efficient way to clarify the causal relationships clinicians hope to exploit in decisions with momentous consequences for patients and health systems.”

NIH Cancels Funding for Bat Coronavirus Research Project (The Scientist)

The abrupt termination comes after the research drew President Trump’s attention for its ties to the Wuhan Institute of Virology.

NIH Cancels Funding for Bat Coronavirus Research Project
The canceled grant included money for surveillance of coronaviruses in Yunnan, China.
© ISTOCK.COM, REDTEA
Shawna Williams
Apr 28, 2020

A grant to a New York nonprofit aimed at detecting and preventing future outbreaks of coronaviruses from bats has been canceled by the National Institutes of Health, Politico reports, apparently at the direction of President Donald Trump because the research involved the Wuhan Institute of Virology in China. The virology institute has become a focal point for the idea that SARS-CoV-2 escaped from the laboratory and caused the current COVID-19 pandemic, a scenario experts say is not supported by evidence. Instead, virologists The Scientist has spoken to say the virus most likely jumped from infected animals to humans.

The grant, first awarded in fiscal year 2014 and most recently renewed last year, went to EcoHealth Alliance, which describes itself as “a global environmental health nonprofit organization dedicated to protecting wildlife and public health from the emergence of disease.” The aims of the funded project included characterizing coronaviruses present in bat populations in southern China and conducting surveillance to detect spillover events of such viruses to people. The project has resulted in 20 publications, most recently a March report on zoonotic risk factors in rural southern China.

EcoHealth Alliance’s partners on the project include researchers at the Wuhan Institute of Virology, a BSL-4 facility that has for months been a focus of conspiracy theories that SARS-CoV-2 escaped or was released from a lab. On April 14, the The Washington Post published a column highlighting State Department cables about concerns regarding safety at the institute. (Experts tell NPR that, even in light of the cables, accidental escape of the virus from a lab remains a far less likely scenario than a jump from animals.) 

Then, in an April 17 White House coronavirus briefing, a reporter, whom Politico identifies as being from Newsmax, falsely stated in a question that “US intelligence is saying this week that the coronavirus likely came from a level 4 lab in Wuhan,” and that the NIH had awarded a $3.7 million grant to the Wuhan lab. “Why would the US give a grant like that to China?” she asked. “We will end that grant very quickly,” Trump said in his answer.

An NIH official then wrote to EcoHealth Alliance to inquire about money sent to “China-based participants in this work,” Politico reports, and the organization’s head, Peter Daszak, responded that a complete response would take time, but that “I can categorically state that no fund from [the grant] have been sent to the Wuhan Institute of Virology, nor has any contract been signed.” Days later, NIH notified EcoHealth Alliance that future funding for the project was canceled, and that it must immediately “stop spending the $369,819 remaining from its 2020 grant”—an unusual move generally reserved for cases of scientific misconduct or financial improprieties, according to Politico.

In a statement about the cancellation, EcoHealth Alliance says the terminated research “aimed to analyze the risk of coronavirus emergence and help in designing vaccines and drugs to protect us from COVID-19 and other coronavirus threats,” and that it addresses “all four strategic research priorities of the NIH/NIAID Strategic Plan for COVID-19 Research, released just this week.” The organization will, it says, “continue our fight against this and other emerging diseases.”

See “Theory that Coronavirus Escaped from a Lab Lacks Evidence

We Still Don’t Know How the Coronavirus Is Killing Us (The Intelligencer)

nymag.com

David Wallace-Wells, Apr. 26, 2020

Omar Rodriguez organizes bodies in the Gerard J. Neufeld funeral home in Elmhurst on April 22. Photo: Spencer Platt/Getty Images

Over the last few weeks, the country has managed to stabilize the spread of the coronavirus sufficiently enough to begin debating when and in what ways to “reopen,” and to normalize, against all moral logic, the horrifying and ongoing death toll — thousands of Americans dying each day, in multiples of 9/11 every week now with the virus seemingly “under control.” The death rate is no longer accelerating, but holding steady, which is apparently the point at which an onrushing terror can begin fading into background noise. Meanwhile, the disease itself appears to be shape-shifting before our eyes.

In an acute column published April 13, the New York Times’ Charlie Warzel listed 48 basic questions that remain unanswered about the coronavirus and what must be done to protect ourselves against it, from how deadly it is to how many people caught it and shrugged it off to how long immunity to the disease lasts after infection (if any time at all). “Despite the relentless, heroic work of doctors and scientists around the world,” he wrote, “there’s so much we don’t know.” The 48 questions he listed, he was careful to point out, did not represent a comprehensive list. And those are just the coronavirus’s “known unknowns.”

In the two weeks since, we’ve gotten some clarifying information on at least a handful of Warzel’s queries. In early trials, more patients taking the Trump-hyped hydroxychloroquinine died than those who didn’t, and the FDA has now issued a statement warning coronavirus patients and their doctors from using the drug. The World Health Organization got so worried about the much-touted antiviral remdesivir, which received a jolt of publicity (and stock appreciation) a few weeks ago on rumors of positive results, the organization leaked an unpublished, preliminary survey showing no benefit to COVID-19 patients. Globally, studies have consistently found exposure levels to the virus in most populations in the low single digits — meaning dozens of times more people have gotten the coronavirus than have been diagnosed with it, though still just a tiny fraction of the number needed to achieve herd immunity. In particular hot spots, the exposure has been significantly more widespread — one survey in New York City found that 21 percent of residents may have COVID-19 antibodies already, making the city not just the deadliest community in the deadliest country in a world during the deadliest pandemic since AIDS, but also the most infected (and, by corollary, the farthest along to herd immunity). A study in Chelsea, Massachusetts, found an even higher and therefore more encouraging figure: 32 percent of those tested were found to have antibodies, which would mean, at least in that area, the disease was only a fraction as severe as it might’ve seemed at first glance, and that the community as a whole could be as much as halfway along to herd immunity. In most of the rest of the country, the picture of exposure we now have is much more dire, with much more infection almost inevitably to come.

But there is one big question that didn’t even make it onto Warzel’s list that has only gotten more mysterious in the weeks since: How is COVID-19 actually killing us?

We are now almost six months into this pandemic, which began in November in Wuhan, with 50,000 Americans dead and 200,000 more around the world. If each of those deaths is a data point, together they represent a quite large body of evidence from which to form a clear picture of the pandemic threat. Early in the epidemic, the coronavirus was seen as a variant of a familiar family of disease, not a mysterious ailment, however infectious and concerning. But while uncertainties at the population level confuse and frustrate public-health officials, unsure when and in what form to shift gears out of lockdowns, the disease has proved just as mercurial at the clinical level, with doctors revising their understanding of COVID-19’s basic pattern and weaponry — indeed often revising that understanding in different directions at once. The clinical shape of the disease, long presumed to be a relatively predictable respiratory infection, is getting less clear by the week. Lately, it seems, by the day. As Carl Zimmer, probably the country’s most respected science journalist, asked virologists in a tweet last week, “is there any other virus out there that is this weird in terms of its range of symptoms?”

You probably have a sense of the range of common symptoms, and a sense that the range isn’t that weird: fever, dry cough, and shortness of breath have been, since the beginning of the outbreak, the familiar, oft-repeated group of tell-tale signs. But while the CDC does list fever as the top symptom of COVID-19, so confidently that for weeks patients were turned away from testing sites if they didn’t have an elevated temperature, according to the Journal of the American Medical Association, as many as 70 percent of patients sick enough to be admitted to New York State’s largest hospital system did not have a fever.

Over the past few months, Boston’s Brigham and Women’s Hospital has been compiling and revising, in real time, treatment guidelines for COVID-19 which have become a trusted clearinghouse of best-practices information for doctors throughout the country. According to those guidelines, as few as 44 percent of coronavirus patients presented with a fever (though, in their meta-analysis, the uncertainty is quite high, with a range of 44 to 94 percent). Cough is more common, according to Brigham and Women’s, with between 68 percent and 83 percent of patients presenting with some cough — though that means as many as three in ten sick enough to be hospitalized won’t be coughing. As for shortness of breath, the Brigham and Women’s estimate runs as low as 11 percent. The high end is only 40 percent, which would still mean that more patients hospitalized for COVID-19 do not have shortness of breath than do. At the low end of that range, shortness of breath would be roughly as common among COVID-19 patients as confusion (9 percent), headache (8 to 14 percent), and nausea and diarrhea (3 to 17 percent). That the ranges are so wide themselves tells you that the disease is presenting in very different ways in different hospitals and different populations of different patients — leading, for instance, some doctors and scientists to theorize the virus might be attacking the immune system like HIV does, with many others finding the disease is triggering something like the opposite response, an overwhelming overreaction of the immune system called a “cytokine storm.”

The most bedeviling confusion has arisen around the relationship of the disease to breathing, lung function, and oxygenation levels in the blood — typically, for a respiratory illness, a quite predictable relationship. But for weeks now, front-line doctors have been expressing confusion that so many coronavirus patients were registering lethally low blood-oxygenation levels while still appearing, by almost any vernacular measure, pretty okay. It’s one reason they’ve begun rethinking the initial clinical focus on ventilators, which are generally recommended when patients oxygenation falls below a certain level, but seemed, after a few weeks, of unclear benefit to COVID-19 patients, who may have done better, doctors began to suggest, on lesser or different forms of oxygen support. For a while, ventilators were seen so much as the essential tool in treating life-threatening coronavirus that shortages (and the president’s unwillingness to invoke the Defense Production Act to manufacture them quickly) became a scandal. But by one measure 88 percent of New York patients put on ventilators, for whom an outcome as known, had died. In China, the figure was 86 percent.

On April 20 in the New York Times, an ER doctor named Richard Levitan who had been volunteering at Bellevue proposed that the phenomenon of seemingly stable patients registering lethally low oxygen levels might be explained by “silent hypoxia” — the air sacs in the lung collapsing, not getting stiff or heavy with fluid, as is the case with the pneumonias doctors had been using as models in their treatment of COVID-19. But whether this explanation is universal, limited to the patients at Bellevue, or somewhere in between is not yet entirely clear. A couple of days later, in a pre-print paper others questioned, scientists reported finding that the ability of the disease to mutate has been “vastly underestimated” — investigating the disease as it appeared in just 11 patients, they said they found 30 mutations. “The most aggressive strains could generate 270 times as much viral load as the weakest type,” the South China Morning-Post reported. “These strains also killed the cells the fastest.”

That same day, the Washington Post reported on another theory gaining traction among American doctors treating the disease — that one key could be the way COVID-19 affects the blood of patients, producing much more clotting. “Autopsies have shown that some people’s lungs are filled with hundreds of microclots,” the Post reported. “Errant blood clots of a larger size can break off and travel to the brain or heart, causing a stroke or a heart attack.”

But the bigger-picture perspective the newspaper offered is perhaps more eye-opening and to the point:

One month ago, as the country went into lockdown to prepare for the first wave of coronavirus cases, many doctors felt confident that they knew what they were dealing with. Based on early reports, covid-19 appeared to be a standard variety respiratory virus, albeit a very contagious and lethal one with no vaccine and no treatment. But they’ve since become increasingly convinced that covid-19 attacks not only the lungs, but also the kidneys, heart, intestines, liver and brain.

That is a dizzying list. But it is not even comprehensive. In a fantastic survey published April 17 (“How does coronavirus kill? Clinicians trace a ferocious rampage through the body, from brain to toes,” by Meredith Wadman, Jennifer Couzin-Frankel, Jocelyn Kaiser, and Catherine Matacic), Science magazine took a thorough, detailed tour of the ever-evolving state of understanding of the disease. “Despite the more than 1,000 papers now spilling into journals and onto preprint servers every week,” Science concluded, “a clear picture is elusive, as the virus acts like no pathogen humanity has ever seen.”

In a single illuminating chart, Science lists the following organs as being vulnerable to COVID-19: brain, eyes, nose, lungs, heart, blood vessels, livers, kidneys, intestines. That is to say, nearly every organ:

And the disparate impacts were significant ones: Heart damage was discovered in 20 percent of patients hospitalized in Wuhan, where 44 percent of those in ICU exhibited arrhythmias; 38 percent of Dutch ICU patients had irregular blood clotting; 27 percent of Wuhan patients had kidney failure, with many more showing signs of kidney damage; half of Chinese patients showed signs of liver damage; and, depending on the study, between 20 percent and 50 percent of patients had diarrhea.

On April 15, the Washington Post reported that, in New York and Wuhan, between 14 and 30 percent of ICU patients had lost kidney function, requiring dialysis. New York hospitals were treating so much kidney failure “they need more personnel who can perform dialysis and have issued an urgent call for volunteers from other parts of the country. They also are running dangerously short of the sterile fluids used to deliver that therapy.” The result, the Post said, was rationed care: patients needing 24-hour support getting considerably less. On Saturday, the paper reported that “[y]oung and middle-aged people, barely sick with COVID-19, are dying from strokes.” Many of the patients described didn’t even know they were sick:

The patient’s chart appeared unremarkable at first glance. He took no medications and had no history of chronic conditions. He had been feeling fine, hanging out at home during the lockdown like the rest of the country, when suddenly, he had trouble talking and moving the right side of his body. Imaging showed a large blockage on the left side of his head. Oxley gasped when he got to the patient’s age and covid-19 status: 44, positive.

The man was among several recent stroke patients in their 30s to 40s who were all infected with the coronavirus. The median age for that type of severe stroke is 74.

But the patient’s age wasn’t the only abnormality of the case:

As Oxley, an interventional neurologist, began the procedure to remove the clot, he observed something he had never seen before. On the monitors, the brain typically shows up as a tangle of black squiggles — “like a can of spaghetti,” he said — that provide a map of blood vessels. A clot shows up as a blank spot. As he used a needlelike device to pull out the clot, he saw new clots forming in real-time around it.

“This is crazy,” he remembers telling his boss.

These strokes, several doctors who spoke to the Post theorized, could explain the high number of patients dying at home — four times the usual rate in New York, many or most of them, perhaps, dying quite suddenly. According to the Brigham and Women’s guidelines, only 53 percent of COVID-19 patients have died from respiratory failure alone.

It’s not unheard of, of course, for a disease to express itself in complicated or hard-to-parse ways, attacking or undermining the functioning of a variety of organs. And it’s common, as researchers and doctors scramble to map the shape of a new disease, for their understanding to evolve quite quickly. But the degree to which doctors and scientists are, still, feeling their way, as though blindfolded, toward a true picture of the disease cautions against any sense that things have stabilized, given that our knowledge of the disease hasn’t even stabilized. Perhaps more importantly, it’s a reminder that the coronavirus pandemic is not just a public-health crisis but a scientific one as well. And that as deep as it may feel we are into the coronavirus, with tens of thousands dead and literally billions in precautionary lockdown, we are still in the very early stages, when each new finding seems as likely to cloud or complicate our understanding of the coronavirus as it is to clarify it. Instead, confidence gives way to uncertainty.

In the space of a few months, we’ve gone from thinking there was no “asymptomatic transmission” to believing it accounts for perhaps half or more of all cases, from thinking the young were invulnerable to thinking they were just somewhat less vulnerable, from believing masks were unnecessary to requiring their use at all times outside the house, from panicking about ventilator shortages to deploying pregnancy massage pillows instead. Six months since patient zero, we still have no drugs proven to even help treat the disease. Almost certainly, we are past the “Rare Cancer Seen in 41 Homosexuals” stage of this pandemic. But how far past?

Opinion | When Will Life Be Normal Again? We Just Don’t Know (The New York Times)

nytimes.com

By Charlie Warzel, April 13, 2020

Many Americans have been living under lockdown for a month or more. We’re all getting antsy. The president is talking about a “light at the end of the tunnel.” People are looking for hope and reasons to plan a return to something — anything — approximating normalcy. Experts are starting to speculate on what lifting restrictions will look like. Despite the relentless, heroic work of doctors and scientists around the world, there’s so much we don’t know.

We don’t know how many people have been infected with Covid-19.

We don’t know the full range of symptoms.

We don’t always know why some infections develop into severe disease.

We don’t know the full range of risk factors.

We don’t know exactly how deadly the disease is.

We don’t have answers to more detailed questions about how the virus spreads, including: “How many virus particles does it even take to launch an infection? How far does the virus travel in outdoor spaces, or in indoor settings? Have these airborne movements affected the course of the pandemic?”

We don’t know for sure how this coronavirus first emerged.

We don’t know how much China has concealed the extent of the coronavirus outbreak in that country.

We don’t know what percentage of adults are asymptomatic. Or what percentage of children are asymptomatic.

We don’t know the strength and duration of immunity. Though people who recover from Covid-19 likely have some degree of immunity for some period of time, the specifics are unknown.

We don’t yet know why some who’ve been diagnosed as “fully recovered” from the virus have tested positive a second time after leaving quarantine.

We don’t know why some recovered patients have low levels of antibodies.

We don’t know the long-term health effects of a severe Covid-19 infection. What are the consequences to the lungs of those who survive intensive care?

We don’t yet know if any treatments are truly effective. While there are many therapies in trials, there are no clinically proven therapies aside from supportive care.

We don’t know for certain if the virus was in the United States before the first documented case.

We don’t know when supply chains will strengthen to provide health care workers with enough masks, gowns and face shields to protect them.

In America, we don’t know the full extent to which black people are disproportionately suffering. Fewer than a dozen states have published data on the race and ethnic patterns of Covid-19.

We don’t know if people will continue to adhere to social distancing guidelines once infections go down.

We don’t know when states will be able to test everyone who has symptoms.

We don’t know if the United States could ever deploy the number of tests — as many as 22 million per day — needed to implement mass testing and quarantining.

We don’t know if we can implement “test and trace” contact tracing at scale.

We don’t know whether smartphone location tracking could be implemented without destroying our privacy.

We don’t know if or when researchers will develop a successful vaccine.

We don’t know how many vaccines can be deployed and administered in the first months after a vaccine becomes available.

We don’t know how a vaccine will be administered — who will get it first?

We don’t know if a vaccine will be free or costly.

We don’t know if a vaccine will need to be updated every year.

We don’t know how, when we do open things up again, we will do it.

We don’t know if people will be afraid to gather in crowds.

We don’t know if people will be too eager to gather in crowds.

We don’t know what socially distanced professional sports will look like.

We don’t know what socially distanced workplaces will look like.

We don’t know what socially distanced bars and restaurants will look like.

We don’t know when schools will reopen.

We don’t know what a general election in a pandemic will look like.

We don’t know what effects lost school time will have on children.

We don’t know if the United States’s current and future government stimulus will stave off an economic collapse.

We don’t know whether the economy will bounce back in the form of a “v curve” …

Or whether it’ll be a long recession.

We don’t know when any of this will end for good.

There is, at present, no plan from the Trump White House on the way forward.

We’re working on a project about the ways people’s lives might be permanently altered by the coronavirus, even after the pandemic subsides. In what ways do you think your life will change in the long term? What will be your new “normal”?

To Tackle a Virus, Indian Officials Peddle Pseudoscience (Undark)

Original article

By Ruchi Kumar 04.19.2020

Blending nationalism and pseudoscience, the “cures” touted by an Indian ministry are raising public health concerns.

A government banner at Arogya, an Ayurvedic expo funded by the government of India, in December of 2010. Visual: Hari Prasad Nadig / flickr By Ruchi Kumar 04.19.2020

When it was announced in late March that Prince Charles, heir to the British throne, was well on his way to recovering from Covid-19, there was some celebration 4,000 miles away in India, a former British colony. But it was not colonial nostalgia that brought on the cheer, so much as the declaration a few days later by an Indian government minister that the Prince of Wales had been cured using Ayurveda — a blend of, among other things, herbal medicine, breathing exercises, and meditation.

At an April 2 press conference, Shripad Naik, India’s minister for alternative medicines, declared that the treatment’s supposed success “validates our age-old practice.” The British government swiftly issued a statement rejecting his claim. “This information is incorrect. The Prince of Wales followed the medical advice of the National Health Service in the U.K. and nothing more,” a spokesperson said the following day.

But this hasn’t deterred Naik’s Ministry of Ayurveda, Yoga & Naturopathy, Unani, Siddha, and Homeopathy — or AYUSH for short — from promoting Indian alternative medicines as treatments for Covid-19. Established in 2014, the goal of AYUSH is to develop and popularize these treatments, many of which have their historical roots in India. Ayurveda, for example, has been practiced in India for thousands of years.

Now, Naik said, the ministry aims to confirm that Prince Charles was cured using a combination of Ayurveda and the pseudoscience known as homeopathy, which has its roots in Germany, so that the treatment can be rolled out to the masses. This is in stark contrast to the position of mainstream medicine, which has not yet confirmed any evidence-based medicine for Covid-19, and is still highly cautious of giving experimental drugs to patients.

And yet for many, the actions of the right-wing Indian government don’t come as a surprise. Aside from the popularity of alternative medicine in India generally, the ruling Bharatiya Janata Party (BJP) is known for supporting Hindutva, a form of nationalism that seeks to transform India from being a secular nation into an openly Hindu one. This partly plays out in the field of health, where alternative therapies that have their roots in India, such as Ayurveda, are considered more “Hindu” or “Indian” than modern medicine. Supporting them becomes an opportunity to push forward this nationalist agenda.

In the early days of the epidemic, AYUSH heavily promoted therapies that lack an evidence base, said Sumaiya Shaikh, a neuroscientist based at the Center for Social and Affective Neuroscience at Linköping University Hospital in Sweden. Shaikh is also editor of science at Alt News, an Indian website that works to expose misinformation.

Examples of treatments pushed by AYUSH included a homeopathic medicine containing diluted arsenic, an Ayurvedic drug developed by the ministry to treat malaria, and dietary changes including drinking warm water, putting sesame oil inside the nose, or consuming holy basil, ginger, cloves, and turmeric. The ministry suggested these interventions could prevent people from developing Covid-19 as well as treat its symptoms.

“There was some amount of criticism to that,” said Shaikh. And so in response, the ministry provided a list of “scientific evidence” to bolster its claims. Aside from the fact that homeopathy has been repeatedly shown to have no biological effects, Shaikh said that when she and her team reviewed the list, the only actual research they could find was one analysis that examined the the same homeopathic treatment in bovines with gastric infections. Despite this, the ministry’s promotion of the therapy increased demand in many Indian states.

This isn’t the first time the ministry has faced criticism for promoting unscientific claims or backing research derived from religious myths and beliefs. One of its repeated focuses has been cow urine, which is believed by many Hindus to have healing properties given the sacred nature of cows in Hinduism. The urine has been touted as a treatment for many illnesses, including diabetes, epilepsy, and AIDS. Naik himself has made several comments in parliament about how cow urine can cure cancer. In reality, its use can be dangerous.

In fact, so widespread is the belief in cow urine that on March 17, an activist working for the BJP in Kolkata organized a “gomutra (cow urine) party” to ward off Covid-19. He believed that drinking the urine would protect them from the disease. Unfortunately, one of the volunteers fell seriously ill after ingesting the urine.

The Ministry of AYUSH’s research portal carries papers on the uses of panchagavya, the five products derived from a cow, of which urine is one, supporting its use as a medical product. However, Ipsita Mohanty, who co-wrote a paper listed there titled “Diversified Uses of Cow Urine,” said in an email that she couldn’t definitively answer whether cow urine fights off Covid-19, as “it has not been proven by independent researchers.”

This reflects how AYUSH researchers and doctors seek validation, explained Shaikh. “If a paper gets published anywhere — doesn’t matter what type of journal it is or how bad the statistics are — they take it as scientific proof,” she said, adding that the alternative medicine community also has a lot of journals of its own. These are regulated and edited by the same people who are published in them, Shaikh said.

Despite being an advocate of cow urine, Mohanty urges doctors to not spread misinformation. “It is misleading to spread the rumor about something so important when more than half of our world is engulfed by Covid-19,” she said. “There is no vaccine nor any treatment for it. At this point, promoting cow urine against Covid-19 can be very fatal, as people might resort to it for treatment as their only hope.”

The Ministry of AYUSH did not respond to requests for comments from Undark.

“Practitioners of such therapies get their clientele from two distinct groups,” said Aniket Sule, a science education researcher and astronomer at the Homi Bhabha Center for Science Education. He is part of a steadily growing rationalist movement in India that is encouraging dialogue and critical thinking to counter misinformation, including within the realm of alternative medicine.

The first group Sule identified is patients from impoverished communities and remote villages, “who don’t have access to doctors prescribing modern medicines.” The other set of clients is the “affluent and educated class in the cities, who have read half-baked internet posts and develop strong skepticism towards modern medicines,” he said.

“Pushing such a narrative to gullible masses is akin to actively spreading misinformation, and senior functionaries of government should take strict action against such baseless propaganda,” he urged.

The ministry has faced some institutional backlash. The Press Council of India, the statutory body responsible for maintaining good media standards, has issued an order asking print media to stop publicity and advertisements of AYUSH-related claims for Covid-19 treatments.

But despite that, the Ministry of AYUSH continues not only to receive political backing but also a large share of the annual health budget. From 2019 to 2020, the Indian government allotted approximately $250 million for study and promotion of alternative medicines, a 15 percent increase from the previous year. According to Shaikh, only the defense ministry saw a larger proportional increase to its budget last year.

Indian scientists fighting disinformation say there is an underlying nationalist agenda to this move. Certain radical groups affiliated with the government have dreams of spreading Hindu values beyond India’s borders to create an “Akhand Bharat,” or “consolidated Hindu nation,” which would include annexing a large part of the Indian subcontinent. One of these is Rashtriya Swayamsevak Sangh, a militant organization that has a long history of promoting Hindutva. Its leader recently said that Ayurveda is part of India’s “soft power” in the South Asian region, said Shaikh.

The Press Council of India, the statutory body responsible for maintaining good media standards, has issued an order asking print media to stop publicity and advertisements of AYUSH-related claims for Covid-19 treatments.

Since coming to power in 2014, India’s current government (BJP) has increasingly backed divisive policies that consolidate the power of the majoritarian Hindu population. “Overall, this government has made virtue out of extreme and thoughtless nationalism. Increased support to all these questionable therapies is a natural byproduct of that,” Sule said, adding there is also a distinct motivation among many people who believe in these claims. “There are people who are so completely blinded by ‘glorious ancient India’ that they willingly walk into any trap if it is presented as ‘this is what our great ancestors did,’” he said.

Sule also thinks that AYUSH exists, in part, to protect commercial interests. There are nearly 800,000 practitioners of alternative medicine in India, he said, and over 650 colleges teaching related courses. The Ayurveda industry alone in India is worth $4.4 billion and is expected to grow by 16 percent in the next five years.

Shaikh, Sule, and others have been critical of the Ministry of AYUSH for years, exposing and unmasking its questionable research and dubious medical advice. “It is very dangerous, especially now. We are the only country that has a parallel ministry for alternative systems,” Shaikh said. “Why not just have the one ministry and then have everything under it? Use whatever herbs you want, but run them through appropriate trials, and if they work then they should be in the mainstream and everybody should benefit from them,” she said.

Shaikh doesn’t call for closing the ministry but insists the way it works needs to change.

“Don’t start with a belief system, start with the hypothesis,” she advised. “Don’t start with the basis that this drug is going to work. Start with realizing that ‘we don’t know and we want to find out.’ That is unbiased research.”

Many experts say that statements like Naik’s are false and dangerous, particularly now that the country is struggling to control the spread of the novel coronavirus, SARS-CoV-2, among its 1.35 billion people. With a lack of testing and a shortage of physicians, many experts feel the Indian government is failing its people by directing attention and resources to unsubstantiated and unscientific practices — especially when these practices themselves can be harmful.

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In Germany, a Heated Debate Over Homeopathy

Recovered, almost: China’s early patients unable to shed coronavirus (Reuters)

uk.reuters.com

Brenda Goh, April 22, 2020

WUHAN, China (Reuters) – Dressed in a hazmat suit, two masks and a face shield, Du Mingjun knocked on the mahogany door of a flat in a suburban district of Wuhan on a recent morning.

FILE PHOTO: Medical personnel in protective suits wave hands to a patient who is discharged from the Leishenshan Hospital after recovering from the novel coronavirus, in Wuhan, the epicentre of the novel coronavirus outbreak, in Hubei province, China March 1, 2020. China Daily via REUTERS

A man wearing a single mask opened the door a crack and, after Du introduced herself as a psychological counsellor, burst into tears.

“I really can’t take it anymore,” he said. Diagnosed with the novel coronavirus in early February, the man, who appeared to be in his 50s, had been treated at two hospitals before being transferred to a quarantine centre set up in a cluster of apartment blocks in an industrial part of Wuhan.

Why, he asked, did tests say he still had the virus more than two months after he first contracted it?

The answer to that question is a mystery baffling doctors on the frontline of China’s battle against COVID-19, even as it has successfully slowed the spread of the coronavirus across the country.

Chinese doctors in Wuhan, where the virus first emerged in December, say a growing number of cases in which people recover from the virus, but continue to test positive without showing symptoms, is one of their biggest challenges as the country moves into a new phase of its containment battle.

Those patients all tested negative for the virus at some point after recovering, but then tested positive again, some up to 70 days later, the doctors said. Many have done so over 50-60 days.

The prospect of people remaining positive for the virus, and therefore potentially infectious, is of international concern, as many countries seek to end lockdowns and resume economic activity as the spread of the virus slows. Currently, the globally recommended isolation period after exposure is 14 days.

So far, there have been no confirmations of newly positive patients infecting others, according to Chinese health officials.

China has not published precise figures for how many patients fall into this category. But disclosures by Chinese hospitals to Reuters, as well as in other media reports, indicate there are at least dozens of such cases.

In South Korea, about 1,000 people have been testing positive for four weeks or more. In Italy, the first European country ravaged by the pandemic, health officials noticed that coronavirus patients could test positive for the virus for about a month.

As there is limited knowledge available on how infectious these patients are, doctors in Wuhan are keeping them isolated for longer.

Zhang Dingyu, president of Jinyintan Hospital, where the most serious coronavirus cases were treated, said health officials recognised the isolations may be excessive, especially if patients proved not to be infectious. But, for now, it was better to do so to protect the public, he said.    

He described the issue as one of the most pressing facing the hospital and said counsellors like Du are being brought in to help ease the emotional strain.

“When patients have this pressure, it also weighs on society,” he said.

DOZENS OF CASES

The plight of Wuhan’s long-term patients underlines how much remains unknown about COVID-19 and why it appears to affect different people in numerous ways, Chinese doctors say. So far global infections have hit 2.5 million with over 171,000 deaths.

As of April 21, 93% of 82,788 people with the virus in China had recovered and been discharged, official figures show.

Yuan Yufeng, a vice president at Zhongnan Hospital in Wuhan, told Reuters he was aware of a case in which the patient had positive retests after first being diagnosed with the virus about 70 days earlier.

“We did not see anything like this during SARS,” he said, referring to the 2003 Severe Acute Respiratory Syndrome outbreak that infected 8,098 people globally, mostly in China.

Patients in China are discharged after two negative nucleic acid tests, taken at least 24 hours apart, and if they no longer show symptoms. Some doctors want this requirement to be raised to three tests or more.

China’s National Health Commission directed Reuters to comments made at a briefing Tuesday when asked for comment about how this category of patients was being handled.

Wang Guiqiang, director of the infectious disease department of Peking University First Hospital, said at the briefing that the majority of such patients were not showing symptoms and very few had seen their conditions worsen.

“The new coronavirus is a new type of virus,” said Guo Yanhong, a National Health Commission official. “For this disease, the unknowns are still greater than the knowns.”

REMNANTS AND REACTIVATION

Experts and doctors struggle to explain why the virus behaves so differently in these people.

Some suggest that patients retesting as positive after previously testing negative were somehow reinfected with the virus. This would undermine hopes that people catching COVID-19 would produce antibodies that would prevent them from getting sick again from the virus.

Zhao Yan, a doctor of emergency medicine at Wuhan’s Zhongnan Hospital, said he was sceptical about the possibility of reinfection based on cases at his facility, although he did not have hard evidence.

“They’re closely monitored in the hospital and are aware of the risks, so they stay in quarantine. So I’m sure they were not reinfected.”

Jeong Eun-kyeong, director of the Korea Centers for Disease Control and Prevention, has said the virus may have been “reactivated” in 91 South Korean patients who tested positive after having been thought to be cleared of it.  

Other South Korean and Chinese experts have said that remnants of the virus could have stayed in patients’ systems but not be infectious or dangerous to the host or others.

Few details have been disclosed about these patients, such as if they have underlying health conditions.

Paul Hunter, a professor at the University of East Anglia’s Norwich School of Medicine, said an unusually slow shedding of other viruses such as norovirus or influenza had been previously seen in patients with weakened immune systems.

In 2015, South Korean authorities disclosed that they had a Middle East Respiratory Syndrome patient stricken with lymphoma who showed signs of the virus for 116 days. They said his impaired immune system kept his body from ridding itself of the virus. The lymphoma eventually caused his death.

FILE PHOTO: A volunteer walks inside a convention center that was used as a makeshift hospital to treat patients with the coronavirus disease (COVID-19), in Wuhan, Hubei province, China April 9, 2020. REUTERS/Aly Song

Yuan said that even if patients develop antibodies, it did not guarantee they would become virus-free.

He said that some patients had high levels of antibodies, and still tested positive to nucleic acid tests.

“It means that the two sides are still fighting,” he said.

MENTAL TOLL

As could be seen in Wuhan, the virus can also inflict a heavy mental toll on those caught in a seemingly endless cycle of positive tests.

Du, who set up a therapy hotline when Wuhan’s outbreak first began, allowed Reuters in early April to join her on a visit to the suburban quarantine centre on the condition that none of the patients be identified.

One man rattled off the names of three Wuhan hospitals he had stayed at before being moved to a flat in the centre.  He had taken over 10 tests since the third week of February, he said, on occasions testing negative but mostly positive.

“I feel fine and have no symptoms, but they check and it’s positive, check and it’s positive,” he said. “What is with this virus?”

Patients need to stay at the centre for at least 28 days and obtain two negative results before being allowed to leave. Patients are isolated in individual rooms they said were paid for by the government.

The most concerning case facing Du during the visit was the man behind the mahogany door; he had told medical workers the night before that he wanted to kill himself.

“I wasn’t thinking clearly,” he told Du, explaining how he had already taken numerous CT scans and nucleic acid tests, some of which tested negative, at different hospitals. He worried that he had been reinfected as he cycled through various hospitals.

His grandson missed him after being gone for so long, he said, and he worried his condition meant he would never be able to see him again.

He broke into another round of sobs. “Why is this happening to me?”

Reporting by Brenda Goh; Additional reporting by Jack Kim in Seoul, Elvira Pollina in Milan, Belen Carreno in Madrid, and Shanghai newsroom; Editing by Philip McClellan

Pandemia: cientistas ganham exposição inédita nos meios de comunicação (Faperj)

Paul Jürgens – Publicado em: 09/04/2020 | Atualizado em: 10/04/2020

Luiz Davidovich: o presidente da Academia Brasileira de Ciências
espera que a positiva exposição midiática por que passa a ciência
neste momento não cesse após a epidemia ser superada

A chegada do coronavirus ao País provocou um impacto sem precedentes na rotina do funcionamento das instituições e empresas brasileiras, e no dia da dia da população. Com o trabalho da Imprensa, não foi diferente. Em poucos dias, jornalistas reviravam suas agendas em busca de contatos no meio científico, na tentativa de entender o que estava em jogo com a chegada da Covid-19 e de oferecer informações seguras a seus leitores. Um dos jornais impressos de maior circulação no País anunciou há poucos dias que estava convidando cinco cientistas para, alternadamente, assinaram coluna diária em suas páginas, intitulada “A Hora da Ciência”. O Boletim FAPERJ foi ouvir o que os pesquisadores e gestores que atuam na área da Ciência, Tecnologia e Inovação pensam desse súbito interesse de todos os meios de comunicação pela pesquisa no País, e que legado isso pode deixar para as relações da comunidade científica com os jornalistas, uma vez superada a crise sanitária.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências, o físico Luiz Davidovich, a crise atual envolve todo o planeta, atingindo ricos e pobres, que agora estão tendo a oportunidade de acompanhar os avanços mais recentes da ciência, que por meio de técnicas cada vez mais sofisticadas permite conhecer o modo de ação do vírus, e que motiva equipes em todo o mundo para encontrar remédios e vacina. “A comunidade científica está tendo a oportunidade de dar o seu recado, diariamente, de forma clara e objetiva, sem partidarismo político. A primeira pessoa a anunciar a vitória da humanidade contra esse inimigo invisível e insidioso não será um político. A notícia virá, em primeira mão, com um comunicado redigido com termos técnicos, do grupo de pesquisas que descobrir a vacina”, diz Davidovich, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele espera que a positiva exposição midiática por que passa a ciência neste momento não cesse após a epidemia ser dominada. “Temos muitas ameaças no horizonte, por exemplo, com novos vírus que aparecem frequentemente e a questão das mudanças climáticas.E certamente muitas descobertas que mudarão nosso quotidiano, em benefício da qualidade de vida, ainda estão por vir”, acrescentou.

O coordenador de estratégias de integração regional e nacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Wilson Savino, avalia que uma parte significativa da população do planeta já tinha motivos para acreditar na ciência. Ele, no entanto, acredita que isso não necessariamente se traduz por tomadas de consciência em termos de atitudes e de ações. “Somente quando a vida está em perigo, e, no caso da pandemia de Covid-19 esse medo tem dimensão planetária, é que a percepção de que a ciência poderá dar respostas (res)surge”, diz. “A mídia não age de maneira diferente. Não apenas os atores da comunicação midiática sentem o mesmo, procurando informação da melhor qualidade possível junto aos cientistas e instituições científicas, mas também sabem que seus leitores e ouvintes estão ávidos por informação confiável sobre seus próprios destinos”, fala. Vice-coordenador geral das redes de Pesquisa em Arboviroses, que recebe apoio da FAPERJ, Savino, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências, torce para que a avidez por respostas científicas para resolver questões relevantes na vida da sociedade não desapareça após o controle da pandemia. “Que a ciência tenha uma nova iluminação nos corações e mentes deste nosso Brasil”.

Eliete Bouskela: para a médica e pesquisadora,
aproximação da sociedade com os cientistas
pode trazer enormes benefícios

Primeira mulher a ocupar o cargo de diretora Científica da FAPERJ, a médica e pesquisadora Eliete Bouskela afirma que cientistas costumam abordar os problemas de forma mais racional e que isso também contribui para o aumento do interesse dos meios de comunicação pela ciência, sobretudo em um momento como esse, de pandemia. “Nós, pesquisadores, tratamos das questões de forma mais racional, transparente, e, quando necessário, não hesitamos em declarar que não temos uma resposta, que estamos buscando soluções”, diz. Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e membro associado da Academia Francesa de Medicina, ela acredita que o atual escrutínio da imprensa pelo trabalho dos cientistas deve contribuir para aproximar a comunidade científica do resto da sociedade. “À medida que saímos da torre de marfim e construímos um canal de comunicação com a população, isso certamente resultará em um aumento do interesse das pessoas pelo conhecimento científico e pela carreira de professor e pesquisador. A aproximação da sociedade com os cientistas, que também fazem parte da sociedade, pode trazer enormes benefícios”, assegura.

“Mais fortes e maduros”. É assim que o médico e Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Antonio Egidio Nardi acredita que sairemos da crise sanitária atual. “Vidas serão perdidas e isso é muitíssimo lamentável. Mas a sociedade também ganhará com esta crise relacionada à Covid-19, por exemplo, com a valorização da educação e dos investimentos em ciência e saúde”. Segundo o pesquisador, é possível observar que tanto nos sites informais, quanto na mídia de qualidade, já se discute, com algum embasamento científico, a origem da pandemia, a forma de propagação, como evitar o contágio rápido e as possibilidades de tratamento. “Artigos científicos  comentários de pesquisadores e editoriais de revistas com credibilidade circulam nas mídias sociais de forma surpreendente. A ciência está viva, sendo mundo valorizada. O conhecimento científico está atingindo um grande público. Este é o objetivo primordial da ciência e das sociedades científicas: ajudar a sociedade a viver melhor”, destaca.A sociedade pós-pandemia será melhor e saberá reconhecer o valor de pesquisas, dos profissionais de saúde e da educação de qualidade”, aposta o médico, membro da Academia Nacional de Medicina e que recebe apoio da FAPERJ para suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado.

Idealizador e ex-diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, o engenheiro Mauricio Guedes, que desde julho de 2018 ocupa o cargo de diretor de Tecnologia da FAPERJ, acredita que a humanidade está tendo uma rara oportunidade para repensar o seu modelo de sociedade. “Essa grande exposição midiática sobre as atividades ligadas à ciência, com horas e horas de transmissões ao vivo nas tevês e pela Internet, e também em reportagens que agora ocupam quase todo o espaço disponível em jornais e revistas, certamente trará uma contribuição decisiva para que a população e os meios de comunicação reconheçam o valor da pesquisa e o papel central dos cientistas e tecnólogos no nosso futuro”, observa. “Enxergo aqui uma nova chance de entendermos o mais rápido possível que universidades e empresas precisam se unir para promover o avanço do conhecimento, ao mesmo tempo em que criam soluções em grande escala para o enfrentamento desta crise planetária”, diz. “O mundo não será como antes”.

Para o médico e imunologista Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, coordenador do Centro de Pesquisa Diagnóstico e Treinamento em Malária no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o papel da mídia tem sido exemplar, confrontando informações e tentando esclarecer dúvidas da população. “Nesse contexto dramático e assustador, temos a sorte de ver uma imprensa que busca os fatos, lá onde o conhecimento é produzido; na ciência, para esclarecer a sociedade, desinformada, parte por não saber como e onde ter acesso a dados fidedignos, parte por que leigos, agindo em nome de vísões tão desinformadas quanto descoladas da realidade dos fatos, insistem em propalar notícias e opiniões incorretas, que confundem a população”, diz.

Professor TItular de Fisiologia e Biofísica Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, Antonio Carlos Campos de Carvalho alerta que só a ciência pode oferecer soluções que minimizem os estragos que esta crise fará no mundo. “Em situações de crise mundial, como a atual, a sociedade e os governos sempre se voltam para a ciência, buscando projetar cenários e as melhores respostas para o problema. Sem a ciência, a mídia já percebeu que estaremos sujeitos a achismos de pessoas desqualificadas para lidar com a crise”, diz. “Se nossos governantes entenderem que a ciência é capaz de trazer soluções racionais para nossos problemas, veremos adiante um apoio maciço às universidades e institutos de pesquisa através das agências de fomento, como a FAPERJ. Só ciência e tecnologia geram inovação e progresso social e econômico. O que sustenta nossa economia atualmente é o agronegócio, fortemente impactado justamente pelos avanços científicos e tecnológicos, promovidos, no passado, por diversas instituições nacionais de pesquisa. Com o avanço das técnicas de edição de genomas, vários países terão ganhos significativos de produtividade e temo pelo que pode acontecer com a economia brasileira se perdermos nossa posição de liderança no agronegócio mundial”, analisa o assessor para área da Saúde da Diretoria Científica da FAPERJ.

À frente da Assessoria de Relações Internacionais da FAPERJ, a pesquisadora Vânia Paschoalin acredita que, frente a uma situação de muito agravo à saúde humana, onde um vírus reemergente provoca mortes e sofrimentos, a humanidade parece ter entendido a importância da ciência para salvar vidas, diminuir o sofrimento humano e proporcionar bem estar e saúde. “Os cientistas sempre estiveram à disposição para explicar, com conhecimento e profundidade, o que lhes é perguntado. Assim, acabaram por assumir, neste momento, um papel muito importante de esclarecimentos e direções, devido à credibilidade que a sociedade sempre conferiu a eles”, avalia. Para a diretora-adjunta de Pós-Graduação do Instituto de Química da UFRJ, a humanidade está passando por muitas mudanças neste momento e o interesse dos jornalistas em ouvir os cientistas é reflexo disso. “Espero que tenhamos um apreço ainda mais respeitoso pela Ciência e pelo trabalho obstinado dos cientistas daqui para a frente, e que isso seja revertido em verbas regulares a pesquisa, de maneira que os cientistas possam gerar e disponibilizar conhecimentos para o bem da humanidade”, conclui.

Pandemia do coronavírus faz crescer confiança na Ciência, indica pesquisa (O Globo)

Artigo original

Carol Knoploch, 9 de abril de 2020

Em dez países, 85% dos entrevistados disseram que precisam ouvir mais os cientistas e menos os políticos; no Brasil, esta porcentagem foi de 89%

09/04/2020 – 12:31 / Atualizado em 09/04/2020 – 13:35

Uma cientista examina, por meio de um microscópio, máscara facial reutilizável, com camada com íons de prata, em Kalingrado, na Rússia. Foto: VITALY NEVAR / REUTERS
Uma cientista examina, por meio de um microscópio, máscara facial reutilizável, com camada com íons de prata, em Kalingrado, na Rússia. Foto: VITALY NEVAR / REUTERS

RIO – A pandemia do coronavírus, que já matou cerca de 80 mil pessoas e adoeceu cerca de 1,3 milhão (dados oficiais da Organização Mundial da Saúde do último dia 8), fez crescer no mundo inteiro a confiança na Ciência.

Veja: Isolamento social funciona mas efeito leva um mês para ser sentido

Segundo pesquisa da Edelman Trust Barometer, sobre a “Confiança e o Coronavírus”, 85% dos entrevistados disseram que precisam ouvir mais os cientistas e menos os políticos. No Brasil, esta porcentagem foi de 89%.

Sobre porta vozes confiáveis, os cientistas são os mais citados no geral (83%), seguido pelo médico pessoal (82%), assim como no Brasil (91% e 86% respectivamente).   Autoridades governamentais receberam 48% (geral) e 53% (Brasil) das indicações — era possível escolher mais de uma resposta.

— Talvez a notícia que mais esperamos nos dias de hoje é a descoberta de uma vacina contra o coronavírus. E ela será dada por um cientista — declarou o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. — A Ciência está muito presente nesse momento atual no mundo inteiro. Aqui no Brasil, na mídia e na fala do nosso ministro da Saúde. O tempo inteiro, (Luiz Henrique) Mandetta enfatiza o papel da Ciência no combate ao coronavírus. Cientistas do mundo todo se comunicam, trocam informações e estão nessa corrida contra o tempo. Não sei o que acontecerá depois desta pandemia, mas os governos e as pessoas em geral deveriam manter seus apoios e confiança nos cientistas.

. Foto: Editoria de Arte
. Foto: Editoria de Arte
. Foto: Editoria de Arte
. Foto: Editoria de Arte

Interativo:  Veja a disseminação do coronavírus no Brasil e no Mundo

A pesquisa foi feita entre 6 e 10 de março de 2020, por sondagem on-line em 10 países: África do Sul, Alemanha, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Foram 10 mil entrevistados (1.000 por país) e todos os dados têm representatividade nacional em termos de idade, região e gênero. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Mostrou ainda que a maioria se disse preocupada com a politização da crise: na Coreia do Sul este índice foi o maior (67%), seguindo pela África do Sul e Estados Unidos (62%), França e Alemanha (61%) e Brasil, com 58%, mesma porcentagem no total geral.

Davidovich afirma que antes desta pandemia, a “atitude anticiência” mostrava-se presente em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Citou a falta de investimentos e apoio na área e também exemplos dos movimentos contra a vacinação e  o “exótico” terraplanismo, que ganhou força nos Estados Unidos a partir de 2014.

— Quando um presidente de um país, poderoso como os EUA, fala contra as evidencias cientificas com relação às mudanças climáticas, por exemplo, ele afeta o mundo inteiro. Isso vai ser corrigido depois desta epidemia, em que os cientistas seguem como fonte mais confiável?

Cientista mostra tubo com uma solução contendo anticorpos para Covid-19, com o qual trabalha para descobrir um medicamento, na Universidade de Tsinghua, em Pequim, China. Foto: Thomas Peter / REUTERS
Cientista mostra tubo com uma solução contendo anticorpos para Covid-19, com o qual trabalha para descobrir um medicamento, na Universidade de Tsinghua, em Pequim, China. Foto: Thomas Peter / REUTERS

Altar

Para o antropólogo Ruben George Oliven, titular do programa de pós-graduação de Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acredita que pesquisa mostra o quanto o cientista e os profissionais da saúde estão valorizados nos tempos atuais. Mesmo que a pesquisa tenha sido feita em países tão diferentes. Observou que no Brasil,  os discursos antagônicos entre a presidência e o Ministério da Saúde colocam as autoridades governamentais em xeque.

— Mesmo num país como Brasil, em que a religiosidade é importante e os lideres religiosos não estão citados na pesquisa, as pessoas confiam no cientista. Diferentemente do político, que precisa estar bem com todo mundo para se reeleger, que tem discursos diferentes para diferentes grupos, o cientista tem alto grau é visto como alguém que se dedica a descobrir a verdade. Está numa especie de altar, ao lado dos profissionais da saúde — comenta Oliven, que destaca ainda o médico pessoal. — O meu medico é a pessoa que me trata, no qual eu deposito confiança e o que ele diz tem grau de veracidade muito grande. É o que caracteriza uma boa relação médico-paciente.

Ana Julião, gerente geral da Edelman, agência global de comunicação e responsável pela pesquisa, afirma que a empresa faz pesquisas sobre confiança, no mundo inteiro, há 20 anos e tem observado uma polarização entre informação e opinão:

— Essa crise gera um medo natural nas pessoas e faz com que os cientistas sejam os mais confiáveis. Nesse momento, a gente vê o quanto a informação é muito mais importante que a opinião.

Fake news

Sobre a busca por informações, a pesquisa mostrou que a Italia destacou as fonte governamentais (63%). Na África do Sul (72%) e no Brasil (64%), as mídias sociais são citadas como principal fonte de informação. Mas a maioria, sete países, buscam dados prioritariamente com os veículos de comunicação, cujo índice total (incluindo todos os pesquisados) é de 64%.  No Brasil, a imprensa (59%) aparece em segundo e depois, as fontes do governo (40%).

. Foto: Editoria de Arte
. Foto: Editoria de Arte

No total geral, depois da imprensa, aparecem: fontes do governo nacional (40%), mídias sociais (38%), organizações globais de saúde como a OMS (34%), autoridades sanitárias nacionais (29%), amigos e familiares (27%) e fontes do governo local (26%).

Segundo a pesquisa, no Brasil, 85% dizem se preocupar com fake news sobre a pandemia. Além disso, 52% admitem ter dificuldade para encontrar informações confiáveis e de credibilidade sobre o coronavírus e seus efeitos e 89% afirmam que precisam ouvir mais os cientistas e menos os políticos.

No geral, levando em consideração os dez países pesquisados, 74% se dizem preocupados com notícias falsas, 45% tem dificuldade para encontrar dados confiáveis e 85% confiam mais na ciência do que nos políticos.

A filosofa Carla Rodrigues, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, observa ainda que a pesquisa foi feita no início de março e que houve, no Brasil, uma explosão de fake news nos últimos dias. Assim, segundo ela, as pessoas devem ter mais dificuldade para buscar dados confiáveis. Também destacou o fato da pesquisa mostrar que entre os porta vozes mais eficientes não está as autoridades governamentais.

— Esse número de 52% seria muito maior, sem dúvida. Principalmente por causa da politização criada em torno do coronavírus. Há cerca de duas semanas, a quantidade de fake news é enorme e se criou uma confusão sobre o tema — diz Carla, que acrescenta que nos últimos anos se intensificou o uso de fake news como instrumento de mobilização contra diversas instituições. — Incluindo a Ciência que foi muito enfraquecida. Nesse contexto, é muito mais difícil fazer com que as instituições responsáveis pelo combate a pandemia sejam respeitadas. Ou seja, mais um obstáculo a enfrentar.

A “busca pela verdade”, pelos cientistas, segundo Carla, é constante, mutante, e que é preciso ter cuidado. Isso porque as descobertas serão, em sua maioria, superadas e não se pode usar este fenômeno para desacreditar a classe.

— O coronavírus é um problema novo. E a Ciência vai continuar a pesquisar e investigar. A resposta será sempre atualizada e passível de revisão. Muitas vezes este fenômeno é usado para desacreditar a Ciência. Mas, a boa Ciência não é absoluta, não tem uma verdade final. Ainda bem.

O luto e os sentidos da morte

Mulher Luto Arte - Foto gratuita no Pixabay
Pixabay

Renzo Taddei – 20 de abril de 2020

Em um texto anterior, escrito há exatamente um mês, eu calculei que, se a taxa de mortalidade no Brasil se igualasse à da Itália, 166 das minhas amizades no Facebook estariam mortas no final da pandemia; considerando apenas aquela com as quais tenho contato mais frequente ou pessoal, e adicionando indivíduos mais velhos que não usam o Facebook, calculei o tamanho do meu luto previsto: 65 pessoas queridas. E perguntei: quem é que está preparado para perder, em poucas semanas, cinco dúzias de afetos?

Naquele momento, eu não havia recebido a notícia de mortes relacionadas ao COVID-19 de uma das minhas amizades sequer. Percebi que meu texto provocou aversão em alguns conhecidos; outro disseram-me que foi o que fez a ficha cair.

Quinze dias depois, republiquei no meu blogue uma entrevista com David Kessler, um especialista em luto. Na entrevista, ele afirmava que muitas pessoas estavam sentindo-se emocionalmente alteradas, e que tratava-se de uma forma de luto direcionada não a pessoas, mas a contextos e modos de vida. Certamente há muitas variedades de certeza e de segurança que não voltarão jamais. Com relação à estranheza do distanciamento social, ele diz que existem fases que são idênticas às fases típicas do processo psicológico do luto:

Existe a negação, que acontece bastante no início: “este vírus não vai nos afetar”. Existe a raiva: “vocês estão nos fazendo ficar em casa e tirando nossos trabalhos”. Existe a barganha: “ok, se estabelecemos o distanciamento social por duas semanas, tudo vai melhorar, certo?”. Existe a tristeza: “eu não sei quando isto vai terminar”. E, finalmente, a aceitação: “isto está acontecendo; eu tenho que descobrir como seguir adiante”.

Kessler ressalta que as fases podem não ocorrer de forma linear no tempo. Em livro mais recente, ele acresceu uma sexta fase: a descoberta de significado.

Menos de uma semana após a publicação da entrevista, meu sogro faleceu de COVID-19. Tenho a impressão de que, das minhas 2660 amizades no Facebook, os parentes consanguíneos do meu sogro e eu fomos os primeiros a sentir o baque. Poucos dias depois, começaram as postagens, esparsas e discretas, de pais e avós que haviam falecido. Comecei a escutar isso também nas conversas pessoais, fora das redes sociais, de forma crescente.

 No dia 16 de abril, rodou o país notícia de modelo matemático que previa que o sistema de saúde no país entraria em colapso no dia 21 de abril. Amanhã. Ontem, no noticiário da noite, repórteres desorientados informavam que, na maior metrópole do país, o número de leitos disponíveis de UTI se esgotaria em poucos dias.

Estamos afetados por uma quantidade imensa de lutos encavalados. É impossível estar dentro do furacão e não elaborar sentidos e narrativas. A mais imediata e intuitiva é a que afirma que é preciso fazer isso tudo valer, e o faremos se sairmos melhores do que entramos. Frente à imagem prevista dos corpos empilhados em containers refrigerados, produzidos pela tsunami de mortes que nos aguarda, velamos a ideia de que éramos, humanos, o topo da cadeia alimentar e que não tínhamos predadores. Que deste luto emerja a compreensão coletiva de que o futuro só existirá se reconstruirmos nossa relação com ecossistemas e demais seres vivos, como vizinhos e não como patrões (que nunca fomos).

Pelo desgoverno de quem nos dirige, velamos o sentimento de que o progresso, em qualquer de suas variações, ocorreria de qualquer modo, independente de nossas ações e de nossas capacidades. Que deste luto emerja a consciência de que o mundo é resultado das relações que construímos, e portanto só existirá felicidade se os mundos da política e da economia forem construídos sobre bases que a promovam.

Na impossibilidade de sentir fisicamente o calor humano do abraço de tanta gente querida, alguns até o final da pandemia, outro para sempre, velamos nossas ilusões a respeito de vidas vividas com pressa e sem cuidado, com produtividade e sem delicadeza, com metas e sem sentido. Que deste luto emerja a consciência de que ninguém é capaz de constituir-se, como pessoa e mesmo como organismo, sem a troca incessante com os demais; e se queremos um futuro de paz e serenidade, as trocas que nos constituem mutuamente têm que ser pautadas por essas qualidades.

Há, no entanto, o luto mais difícil, o mais literal: o da morte fria, brutal, a um palmo de distância, dilacerando os sentimentos e a capacidade de raciocínio. É também o mais importante dos lutos, porque garante a continuidade da nossa vida psíquica e emocional, se o vivermos bem. É preciso viver o luto, com coragem. Mas não é preciso que se viva o luto sem apoio e ajuda. Como afirmou David Kessler, o significado é parte fundamental da experiência do sofrimento, não apenas no luto, mas em todas as situações difíceis. Ocorre, no entanto, que se sairmos da psicologia e olharmos para a antropologia ou para a história, veremos que a humanidade é riquíssima em tecnologias e ferramentas para lidar com o sofrimento e com o luto, e a ideia de que o sentido emerge apenas no final do processo é, no meu entendimento, desperdiçar oportunidades e sofrer mais do que o necessário. É como ter um problema psicológico e colocar-se a responsabilidade de reinventar a própria psicologia no processo de cura. Obviamente as coisas não precisam ser assim.

Um problema aqui é que, além da própria psicologia e da psiquiatria, boa parte das demais tecnologias é classificada como “religião”, o que afasta muita gente. Isso é, em geral, uma bobagem, e ocorre em função de como nosso pensamento e percepção das coisas são colonizados por realidades culturais que não refletem de forma clara o nosso mundo cotidiano. Estou me referindo ao fato de que a suposta guerra entre “ciência” e “religião” não é sobre ciência, de forma genérica, nem religião, de maneira ampla, mas à ciência que dominavas as atenções do império britânico na época de Darwin (um naturalismo que via no mundo o reflexo do liberalismo individualista que dominava o pensamento inglês) e a religião hegemônica dentro do mesmo império britânico (um protestantismo literalista que se colocava em rota de colisão com outros literalismos, como o científico). Quando nossos cientistas brasileiros bradam a respeito das incompatibilidades entre ciência e religião, estão se referindo a um tipo específico de ciência e à religião que mimetiza o que Darwin tinha no seu tempo, de forma exacerbada: o neopentecostalismo. Com um pouco de imaginação, pesquisa e estudo, facilmente se descobre que, quanto mais o tempo passa, maiores e mais frutíferas são as colaborações entre o budismo e a ciência; o papa Francisco gerou uma volta de cento e oitenta graus na relação entre o Vaticano e a ciência, e tornou-se o primeiro papa declaradamente ambientalista da história; as obras de Alan Kardec, que fundamentam as práticas do Espiritismo Kardecista e de boa parte da Umbanda, dizem repetidamente que a fé só é verdadeira se pautada por pensamento racional e em harmonia com a ciência. Finalmente, há tempos a psiquiatria descobriu que sistemas de crenças que não induzem à culpa têm efeito efetivamente positivos no tratamento de doenças mentais, não sendo apenas “placebos”.

Além disso, dizer que a religião não tem nada a ver com a ciência é um equívoco: a ciência mostra, de forma clara, que a construção de narrativas que promovem coesão social e dão sentido à existência, como as religiões, foram fundamentais no desenvolvimento de todas as sociedades humanas – e continuam sendo. Yuval Harari, em seu livro Sapiens, por exemplo, diz de forma provocadora que o capitalismo e o socialismo (e muitas outras coisas) são formas de religião.

O luto precisa ser vivido, mas pode ser vivido mais fácil e positivamente. Em texto anterior, listei uma longa série de organizações e profissionais das áreas de psicologia e psiquiatria que organizaram-se para ofertar apoio gratuito e virtual às pessoas psicologicamente afetadas pela pandemia. Nas próximas semanas, este tipo de apoio será fundamental. Aqui, listo abaixo organizações religiosas localizadas na cidade de São Paulo que oferecem canal de comunicação e serviços de apoio, com o objetivo de oferecer consolo e ajudar as pessoas a encontrarem sentido e propósito no sofrimento pelo qual estão passando. Como os atendimentos estão sendo feitos de forma remota, por telefone ou internet, não é necessário residir em São Paulo para fazer uso dos serviços.

Se você conhece instituição religiosa que organizou-se para oferecer serviços no contexto presente e não está listada aqui, por favor envie esta informação para o autor ou deixe comentário abaixo.

Em ordem alfabética:

Budismo

– Centro de Estudos Budistas Bodisatva: site: http://www.cebb.org.br/centros/sp/; Facebook: https://www.facebook.com/cebbsp/

Catolicismo

– Marcus Tullius, coordenador nacional da Pastoral da Comunicação, informou que não há atividade centralizada, em função da quantidade e abrangência geográfica de fiéis, e que estes devem entrar em contato com as suas paróquias. As paróquias e os padres locais estão se organizando para atenderem as comunidades. É possível encontrar paróquias na lista de paróquias da Arquidiocese de São Paulo: http://arquisp.org.br/buscar-paroquias

Hare Krishna

– Centro Hare Krishna de Bhakti Yoga: e-mail centroharekrishnasp@gmail.com; Facebook: https://www.facebook.com/harekrishnasp/

– Templo Hare Krishna em São Paulo, Centro Cultural Vrinda: e-mail satyamssdd@gmail.com

– Vrinda São Paulo Templo Hare Krishna: https://www.facebook.com/temploharekrishnaSP/

Igreja Ortodoxa

– Igreja Ortodoxa Antioquina: E-mail catedralortodoxa@uol.com.br; site: http://www.catedralortodoxa.com.br

Judaísmo

– Congregação Israelita Paulista: site cip.org.br; email central.atendimento@cip.org.br;

– União Brasileiro Israelita do Bem Estar Social: email unibes@unibes.org.br; https://www.facebook.com/Unibes/

Kardecismo (Espiritismo)

– Os centros espíritas associados à União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo estão organizando atendimento em suas áreas de atuação. Use o localizador de entidades associadas: https://usesp.org.br/localizar. A USE tem perfil no Facebook: https://www.facebook.com/USESP/

– A Federação Espírita do Estado de São Paulo possui um canal de atendimento telefônico, no número (11) 3106.4403 ou pelo site https://feesp.com.br/telefeesp/; possui também perfil no Facebook: https://www.facebook.com/FEESPoficial/

Umbanda e Candomblé

– O Pai Salun, da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo, coloca a entidade à disposição através do site https://www.fucesp.com.br; no site é possível encontrar lista de entidades filiadas: https://www.fucesp.com.br/nossos-filiados.

Hélio Schwartsman: Bolsonaro, a ciência e a ética (Folha de S.Paulo)

Artigo original

17 de abril de 2020

Hoje eu vou dar uma de filósofo chato e preciosista. Tornou-se um lugar-comum afirmar que Bolsonaro age contra a ciência e que suas atitudes diante da pandemia de Covid -19 são absurdas. Concordo que são absurdas, mas receio que não seja tão simples carimbá-las como anticientíficas.

Não me entendam mal, sou fã da ciência. É a ela que devemos quase todos os desenvolvimentos que tornaram a existência humana menos miserável nos últimos séculos. Mas, se quisermos usar os conceitos com algum rigor, a ciência nunca nos diz como devemos atuar.

Quem chamou a atenção para o problema foi David Hume (1711-1776). Para o filósofo, existe uma diferença lógica fundamental entre proposições descritivas, que são as que a ciência nos dá, e proposições prescritivas ou normativas, que são as que se traduzem em decisões de como agir. Nós nunca podemos extrair as segundas diretamente das primeiras. Esse passo necessariamente envolve valores, que não são do domínio da ciência, mas da ética.

Isso significa que a ciência só vai até certo ponto. Ela nos esclarece sobre o comportamento de vírus novos em populações suscetíveis, alerta para a força avassaladora da curva exponencial e vai nos municiando com os parâmetros epidemiológicos do Sars-Cov-2, sobre os quais ainda paira muita incerteza. O que fazemos com essas informações, porém, já não é da alçada da ciência.

Muitas vezes, os cenários traçados pelos especialistas são tão desequilibrados que não deixam margem a dúvida. A escolha sobre o que fazer se torna simples aplicação do bom senso. É o caso da adoção do isolamento social nesta primeira fase da epidemia. Em outras tantas, porém, sobrepõem-se camadas adicionais de complexidade, que precisamos sopesar à luz de valores.

O ponto central é que nossas decisões devem ser informadas pela ciência, mas são inapelavelmente determinadas pela ética —​ou pela falta dela.

Lilia Schwarcz: Pandemia marca fim do século 20 e indica limites da tecnologia (UOL Universa)

Camila Brandalise e Andressa Rovani, 9 de abril de 2020

Um milhão e quinhentas mil pessoas infectadas pelo mundo —um terço delas na última semana. Oitenta e sete mil mortos em uma velocidade desconcertante. O fim dos deslocamentos. Milhões de pessoas obrigadas a readequar suas rotinas ao limite de suas casas. Há 100 dias, o mundo parou.

Em 31 de dezembro de 2019 um comunicado do governo chinês alertava a Organização Mundial da Saúde para a ocorrência de casos de uma pneumonia “de origem desconhecida” registrada no sul do país. Ainda sem nome, o novo coronavírus alcançaria 180 países ou territórios. “É incrível refletir sobre quão radicalmente o mundo mudou em tão curto período de tempo”, indica o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

Para uma das principais historiadoras do país, no futuro, professores precisarão investir algumas aulas para explicar o que vivemos hoje —momento que, para ela, pode ser comparado à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. “A quebra da Bolsa também parecia inimaginável”, afirma Lilia Schwarcz, professora da Universidade de São Paulo e de Princeton, nos EUA. “A aula vai se chamar: O dia em que a Terra parou.”

Lilia sugere ainda que a crise causada pela disseminação da covid-19 marca o fim do século 20, período pautado pela tecnologia. “Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites”, diz.

A seguir, trechos da entrevista em que a historiadora compara o coronavírus à gripe espanhola, de 1918, diz que o negacionismo em relação a doenças sempre existiu e afirma que grandes crises sanitárias construíram heróis nacionais, como Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, e reforçaram a fé na ciência.

Completam-se 100 dias desde que o primeiro caso de coronavírus, na China, foi notificado à Organização Mundial de Saúde. Podemos considerar que esses 100 dias mudaram o mundo?

É impressionante como um uma coisinha tão pequena, minúscula, invisível, tenha capacidade de paralisar o planeta. É uma experiência impressionante de assistir. Eu estava dando aula em Princeton [universidade nos EUA], e foi muito impressionante ver como as instituições foram fechando. É uma coisa que só se conhecia do passado, ou de distopias, era mais uma fantasia.

Nunca se sai de um estado de anomalia da mesma maneira. Crises desse tipo fecham e abrem portas. Estamos privados da nossa rotina, sem poder ver pessoas que a gente gosta, de quem sentimos imensa falta, não podemos cumprir compromissos.

Mas também abre portas: estamos refletindo um pouco se essa rotina acelerada é de fato necessária, se todas as viagens de avião são necessárias, se todo mundo precisa sair de casa e voltar no mesmo horário. Se não podemos ser mais flexíveis, menos congestionados, com menos poluição.

Então, talvez abra [a oportunidade] para refletir sobre alguns valores como a solidariedade. Todo mundo que diz que sabe o que vai acontecer está equivocado, a humanidade é muito teimosa. Mas penso que estamos vivendo uma situação muito singular, de outra temporalidade, num tempo diferente. Isso pode romper com algumas barreiras: estamos vivendo num país de muito negacionismo. No Brasil vivemos situação paradoxal, o presidente nega a pandemia.

Mas o mundo, neste momento, é outro?

Neste exato momento em que conversamos, o mundo está mudado. Nós que éramos tão certeiros nas nossas agendas, draconianas, de repente me convidam para um evento em setembro, eu digo: “Olha, não sei se vou poder ir, se vai dar para confirmar”. Essa humanização das nossas agendas, dos nossos tempos, eu penso que já mudou, sim.

Ficar em casa é reinventar sua rotina, se descobrir como uma pessoa estrangeira [à nova rotina]. Eu me conheço como uma pessoa que acorda de manhã, vai correr, vai para o trabalho, vai para o outro, chega em casa exausta. Agora, sou eu tendo que me inventar numa temporalidade diferente, que parece férias mas não é. É um movimento interior de redescoberta.

Insisto que nem todos passam por isso. [O filósofo francês] Montaigne dizia: “A humanidade é vária”. Nem todos estão passando por isso da mesma maneira, depende de raça, classe, há diferenças, varia muito.

E em relação aos papéis sociais dos homens e das mulheres?

Nós, mulheres, já temos um conhecimento distinto dos homens na noção do cuidado, na casa, acho que a mudança vai ser maior para os homens, que não estão acostumados com o dia a dia da casa, com fazer comida, arrumar. Essa ideia de cuidado foi eminentemente uma função feminina.

E estou muito interessada em ver como os homens vão lidar com essa ideia de ficar em casa e ter que cuidar também. É uma experiência muito única que vivemos.

Há discussões que dizem que o século 20 carecia de um “marco” para seu fim e que as primeiras décadas do século 21 ainda estavam lidando com a herança do século passado. A senhora concorda? Essa pandemia pode funcionar como esse divisor?

Sim. [O historiador britânico Eric] Hobsbawn disse que o longo século 19 só terminou depois das Primeira Guerra Mundial [1914-1918]. Nós usamos o marcador de tempo: virou o século, tudo mudou. Mas não funciona assim, a experiência humana é que constrói o tempo. Ele tem razão, o longo século 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experiência do luto, mas também o que significou sobre a capacidade destrutiva.

Acho que essa nossa pandemia marca o final do século 20, que foi o século da tecnologia. Nós tivemos um grande desenvolvimento tecnológico, mas agora a pandemia mostra esses limites

Mostra que não dá conta de conter uma pandemia como essa, nem de manter a sua rotina numa situação como essa. A grande palavra do final do século 19 era progresso. Euclides da Cunha dizia: “Estamos condenados ao progresso”. Era quase natural, culminava naquela sociedade que gostava de se chamar de civilização.

O que a Primeira Guerra mostrou? Que [o mundo] não era tão civilizado quando se imaginava. Pessoas se guerreavam frente a frente. E isso mostrou naquele momento o limite da noção de civilização e de evolução, que era talvez o grande mito do final do século 19 e começo do 20. E nós estamos movendo limites. Investimos tanto na tecnologia, mas não em sistemas de saúde e de prevenção que pudessem conter esse grande inimigo invisível.

A senhora já assinalou que a gripe espanhola matou muito mais do que as duas Grandes Guerras juntas e que, assim como vivemos hoje no Brasil, houve muito negacionismo e lentidão na tomada de decisões. Não aprendemos essa lição? Por que é difícil não repetir os erros?

A doença, seja ela qual for, produz uma sensação de medo e insegurança. Diante desse tipo de crise, sanitária, a nossa primeira reação é dizer: “Não, aqui não, aqui não vai entrar”. Antes de virar pandemia, as mortes são distantes, esse discurso do “aqui não”, é muito claro, é natural, com todas as aspas que se pode colocar, porque o estado que queremos é de saúde. Mas nós também somos uma sociedade que esquece o nosso próprio corpo, ele serve para botar uma roupa, pentear o cabelo, é como se ele não existisse.

É demorado assumir, o negacionismo existiu sempre. No começo do século, em 1903, a expectativa de vida era de 33 anos. O Brasil era chamado de grande hospital e tinha todo tipo de doença: lepra, sífilis, tuberculose, peste bubônica, febre amarela. Quando entra [o presidente] Rodrigues Alves e indica um médico sanitarista para combater a febre amarela, a peste bubônica e a varíola, eles começam matando ratos e mosquitos e depois passam a vacinar contra a varíola.

Mas na época a população não entendeu, não foi informada e reagiu. O mesmo presidente que indicou Osvaldo Cruz é o que vai estar no poder no contexto da gripe espanhola. Osvaldo Cruz já tinha morrido, então indica o herdeiro dele, Carlos Chagas. [Com a gripe espanhola] As autoridades brasileiras já sabiam o que estava acontecendo, mesmo assim não tomaram atitude. A gripe entrou a bordo de navios que atracaram no Brasil e aí explodiu. Mas a atitude sempre foi essa: “Aqui não, é um país de clima quente, não é de pessoas idosas”.

Como pode falar em ter menos risco no Brasil porque a população é mais jovem, se é muito mais desigual que países europeus que já estão sofrendo? O negacionismo cria o bode expiatório, é recorrente.

Mas por que não aprendemos com os erros do passado?

Porque o negacionismo nega a história também. É dizer: “Em 1918 não tínhamos as condições que temos agora, não tínhamos a tecnologia”. Então também se pode usar a história de maneira negacionista, negando o passado e dizendo que isso aconteceu naquela época mas não vai acontecer agora.

Quando se fala em guerra, o que acontece? Por que todos os países têm seu exército e tem reserva? Porque, na hipótese de ter uma guerra, temos que ter um exército, tem toda uma população de reserva na hipótese de ter guerra.

Se o estado brasileiro levasse a sério a metáfora bélica, o que já deveria ter sido feito? Uma estrutura para atender guerras de saúde, e isso não é só no Brasil, mas os estados não fazem, não existe um sistema para prevenir as pandemias.

A doença só existe quando as pessoas concordam que ela existe, é preciso ensinar para população. Se não tem esse comando, as pessoas não constroem a doença e continuam a negá-la

As reações contra a gripe espanhola foram muito semelhantes às de agora: poucas pessoas andavam nas ruas, quem andava estava de máscara, igrejas fechadas, teatros lavados com detergente. A humanidade ainda não inventou outra maneira de lidar com a pandemia a não ser esperar pelo remédio ou pela vacina.

Nos acostumamos com o discurso de que os idosos vão morrer quase que inevitavelmente caso sejam infectados. O que isso mostra sobre a maneira como lidamos com as pessoas mais velhas?

Mostra que somos uma sociedade que preza a juventude e faz o que com a história e com os idosos? Transforma tudo em velharia. Eu particularmente não acho que juventude seja qualidade. É uma forma de estar no mundo. Você pode ser jovem na terceira idade, ou um velho jovem. Essa nossa construção da juventude faz muito mal.

E a pergunta que cada um de nós tem que se fazer: alguém tem direito de dizer quem pode morrer ou não? Se cuidarmos melhor das populações vulneráveis, e aí se incluem os idosos, estaremos cuidando melhor de nós mesmos, não só na questão simbólica, também na questão prática.

O que é não lidar com a velhice? É uma forma que nós temos de não lidar com a morte, não sabemos falar do luto. Não vemos o presidente falar uma palavra de solidariedade às famílias das pessoas que morreram, é como se não quisesse falar da morte.

Estamos esticando a nossa linha do tempo, as pessoas não podem envelhecer, e ao mesmo tempo estamos acabando com nossa capacidade subjetiva. Velhice é vista só como momento de decrepitude. Não são valores que são estimados pela população e no nosso século.

Tem a ver com tecnologia também: velho é aquele que não sabe lidar com ela. Portanto, o isole. E ele que aguarde a morte.

Remédios milagrosos também fazem parte da história das pandemias?

Todos nós sempre esperamos por um milagre. Nossa prepotência é um pouco esta: achamos que somos uma sociedade muito racional, que se pauta pela tecnologia, mas todos nós esperamos por um milagre sempre.

Todo mundo quer ouvir o que o presidente fala: “Tenho um remédio que vai acabar com isso tudo”. Que pensamento mágico é esse? A crise vai mudar o mundo? Depende do quanto as pessoas saírem do pensamento mágico, refletirem mais sobre seus castelos de verdades.

A pandemia traz alguma mudança em relação à história das mulheres?

A questão das mulheres é também questão de gênero e classe social. Mulheres de classes média e alta têm muitos recursos e podem lidar mais livremente com trabalho. O que é muito diferente no caso de mulheres pobres, negras, que vivenciam ainda mais essa situação. Há muitas enfermeiras negras e pardas. A posição da enfermeira é de cuidado também, com os pacientes, até com os médicos, ela desempenha esse papel que tem no interior da sua casa no sistema de saúde.

E essas mulheres são vulneráveis porque muitas delas estão nas lidas dos hospitais, sem proteção necessária, e porque estão nas lidas das suas casas.

Os séculos 20 e 21 são da revolução feminista, como já vai aparecendo. As mulheres não vão voltar atrás. Teremos uma realidade marcada por uma nova posição das mulheres

Eu desejo que as pessoas usem esse momento para repensar suas verdades, e dentre as muitas verdades [que precisam ser repensadas, está essa questão de gênero muitas vezes invisível: mulheres ocupam as posições de cuidado sem ser vista.

Como um professor de história explicará a pandemia de 2020 daqui a 100 anos?

Vai explicar como o crash da Bolsa de Nova York é explicado hoje. Essa pandemia vai merecer algumas aulas. A quebra da Bolsa também parecia inimaginável, e estamos vivendo situações que são anomalias nesse sentido, porque são inimagináveis.

O professor de história terá que lidar com o fato de que a pandemia poderá marcar o final de um século e começo de outro, como também conseguiu parar o mundo em tal atividade e com tal rotatividade, e com tanta velocidade. Nós aceleramos muito, e agora tivemos que parar.

O título da aula será: “O dia em que a Terra parou”

A ameaça da pandemia também deu mais voz a quem tenta chamar a atenção para as condições de moradia e saúde precárias de uma parte significativa dos brasileiros. A crise é também uma oportunidade para uma mudança social?

O Brasil consistentemente vai ganhando posições de proeminência de desigualdade social, há classes sociais muito distintas no alcance das benesses da tão proclamada civilização. O Brasil é o 6º país mais desigual do mundo. Tendemos também a negar a desigualdade. Não acho que será pior com classes baixas do que será com idosos, são grupos muito vulneráveis [ao risco de agravamento].

Na gripe espanhola, os grupos mais afetados eram as populações pobres, dos subúrbios. As vítimas tinham entre 20 a 40 anos, mas muitos mais morreram em nome da civilização, porque a pobreza foi expulsa [do centro]. E as epidemias são impiedosas. Quando dizem “Fique em casa, mantenha o isolamento”, tem que refletir sobre as condições que moram essas populações.

Em um Brasil tão múltiplo, com condições sociais tão diferentes, os mais pobres serão as populações mais afetadas. O Brasil também é o terceiro país em população carcerária. Me tira o sono o que vai acontecer se a pandemia entrar nas prisões. Se é que já não chegou e nós não sabemos. Se isso acontecer, quando chegar nos mais pobres, vamos ter que enfrentar como é perversa a correlação de pandemia e desigualdade social.

No Brasil, que tem uma saúde dividida entre privada e pública, as pessoas de mais renda nem pensam em usar a saúde pública. A doença faz isso, vai nivelar, porque atinge as várias classes sociais

Já podemos vislumbrar alguma aprendizagem com a crise atual?

Eu penso que sim, vários países já estão começando a pensar no exército de reserva, como vamos construir não só uma estrutura para reagir à pandemia mas que também se antecipe.

O problema é que nós vivemos um governo no Brasil que não acredita na ciência. Vamos ver se aprendemos de uma vez, que a gente pense no que a ciência produz. Em horas como agora fica mais claro: a saída virá da ciência, com a vacina ou remédio que venha controlar a pandemia.

Não estranharia se tivermos os próximos presidentes médicos, o que estamos aprendendo nos vários países é a importância do Ministério da Saúde, e de termos de fato especialistas nos ministérios, contar não apenas com um político, mas com um político especialista.


Que grande mudança política já é possível dizer que a pandemia trouxe ao Brasil?

Ela está acontecendo. O presidente foi destituído pelo Ministro da Saúde. Mandetta seria demitido mas recuou após pressão. Você já está verificando um crescimento dessas figuras, como aconteceu na época da Revolta da Vacina [1904], o grande herói daquele momento era Oswaldo Cruz, e na gripe espanhola, Carlos Chagas virou grande herói nacional.

Espero que essas pessoas, se chegarem a esses lugares, não usem a posição para garantir mais poder, torço muito para que usem de forma generosa essa posição.

A política é como cachaça, quem tomou não abre mais mão. É o caso de não baixar a vigilância cidadã em relação a políticos médicos. Mandetta, que está ocupando bem seu cargo, foi profundamente ideológico, com a carreira vinculada a seguros médicos privados, e, por ideologia, acabou com o Mais Médicos.

As pessoas olhavam para nós, acadêmicos, e diziam: “Vocês são parasitas”. Espero que as pessoas reflitam e entendam que o mundo da produção tem temporalidades diferentes.

Uma coisa é o tempo da indústria, da tecnologia, que é questão de segundos. Outra é o tempo do cientista, que usa da temporalidade mais alargada para descobrir novas saídas. As pessoas vão começar a entender, como na época da gripe espanhola, porque Carlos Chagas se tornou mais popular do que cantor e jogador de futebol — as charges falavam isso.

A ciência, que era o bandido, é hoje a grande a utopia.

Antropóloga e historiadora, Lila Schwarcz é professora titular na Universidade de São Paulo e professora visitante na Universidade de Princeton, nos EUA. É autora de uma série de livros, entre eles: “Sobre o autoritarismo brasileiro“; “Espetáculo das raças” e “Brasil: Uma biografia”. É editora da Companhia das Letras, colunista do jornal Nexo e curadora adjunta para histórias do Masp.

During coronavirus crisis, Congress’s first caucus for nonreligious belief seeks a larger role in promoting science (Washington Post)

By Julie Zauzmer April 9, 2020 at 4:53 p.m. GMT-3

When Rep. Jared Huffman (D-Calif.) found out that a Trump administration rule that restricts research using fetal tissue from elective abortions was hampering scientists seeking treatments for the novel coronavirus, he had a coterie of like-minded members of Congress ready to help him protest.

The group is called the Congressional Freethought Caucus — the first caucus for nonreligious members of Congress and those who advocate for keeping religion out of government. Huffman, the only avowed non-theist in Congress, and Rep. Jamie B. Raskin (D-Md.) founded the group in 2018.

The coronavirus struck just as the caucus’s dozen members were having discussions early this year about how they could play a more active role in policymaking. The crisis has provided an opportunity for them to loudly proclaim the importance of science as the grounding for laws.

“We urge you to prioritize science during an unprecedented global health emergency and remove all barriers to lifesaving research,” Huffman wrote in a public letter to Health and Human Services Secretary Alex Azar, asking HHS to remove its ban on government scientists using fetal tissue that women choose to donate to research after an abortion. Four fellow members of the Freethought Caucus added their names to the letter, and they got eight colleagues outside the caucus to sign on.

While the small band of lawmakers in the Freethought Caucus comes nowhere close to the powerful heft of the religious right, they say they hope to be a counterweight, pushing the balance back toward secularism.

These lawmakers are agitating for secularism within a legislature that has long been comfortable with some level of mixing faith with government — every session starts with a prayer from a congressional chaplain or an invited religious guest — and that skews far more religious than the country it represents. More than a quarter of Americans say they identify with no religious tradition, and almost 1 in 10 say they don’t believe in God or aren’t sure God exists. Huffman is the only one out of 535 members of Congress who says the same.

As the caucus members discussed ramping up their efforts in the early months of the year, they listed many goals: Passing a bill condemning the blasphemy laws that target nonbelievers and dissident believers in foreign countries. Securing government funding for secular sobriety programs that compete with the higher-power-focused Alcoholics Anonymous. Passing legislation that would make it harder for the president to disband scientific advisory committees.

In early March, before the coronavirus took precedence, Huffman said one of his main goals for the caucus was getting behind the No Ban Act, a bill that would put an end to President Trump’s travel ban (the one that started at the beginning of his presidency, not the new coronavirus-inspired bans). Huffman and many other Democratic lawmakers view the president’s ban as targeting Muslims specifically.

“It’s one of a zillion ways this administration is weaponizing religion in insidious ways,” he said. He said the Freethought Caucus was also working on a letter urging the House Appropriations Committee to defund many of the groups Trump has set up that bring religion into government: a religious liberty task force in the Justice Department that focuses on the rights of Christians; Trump’s White House Faith and Opportunity Initiative; the State Department’s controversial new Commission on Unalienable Rights.

Though a few well-known congressional caucuses have significant legislative clout, most caucuses exist simply as a way for members to sign up and show affiliation with a cause, not as active advocacy groups. Huffman and Raskin are trying to turn their two-year-old affiliate group into more of a mover and shaker.

Recently, Huffman set up a meeting on Capitol Hill on behalf of former Muslims from countries where being a nonbeliever might expose them to violence or prosecution. These former Muslims said that they had been conversing in secret Facebook groups, but that Facebook’s policies could allow their identities to be potentially exposed. Huffman got three Facebook employees to attend a meeting to discuss remedies to the problem.

When Dan Barker, the president of the Freedom From Religion Foundation, sued the House chaplain in an attempt to get permission to deliver a nonreligious invocation before the House like clergymen do, the Freethought Caucus filed a friend-of-the-court brief.

Barker said the caucus invited him and other leaders of secular organizations to a meeting in February, where they asked for ideas of issues to work on. The idea of supporting secular addiction recovery programs was a popular one.

“We’ve always known not all members of Congress are religious. … They thought it was politically dangerous. Now we’re learning that it’s not so dangerous anymore, especially with the demographics. The fastest-growing religious idea right now in the country is nonreligious,” Barker said. “It was really fun to sit around the table with our representatives talking about real secular values.”

The caucus’s dozen members are all Democrats. Three are Jewish — Raskin, Steve Cohen (Tenn.) and Susan Wild (Pa.); two are Catholic — Daniel Kildee (Mich.) and Jerry McNerney (Calif.); Zoe Lofgren (Calif.) is Lutheran; and Del. Eleanor Holmes Norton (D.C.) is Episcopalian. One of the two Buddhists in Congress, Hank Johnson (Ga.), is a member. Three members have not answered CQ Roll Call’s questionnaire asking every U.S. lawmaker’s religion — Sean Casten (Ill.), Pramila Jayapal (Wash.) and Mark Pocan (Wis.) — but have never identified themselves as nonreligious like Huffman.

In early March, Huffman went to a meeting of the far larger and more influential Progressive Caucus and made a pitch for members to join the Freethought Caucus. Some are thinking about it, he said.

The nation is growing increasingly nonreligious. Last year, the Pew Research Center reported that 26 percent of Americans now say they are not affiliated with any religious tradition, compared with 17 percent in 2009.

Many of those unaffiliated Americans still believe in God and incorporate spiritual practices into their lives. But the share of atheists has doubled, from 2 percent of Americans in 2009 to 4 percent in 2019. An additional 5 percent now call themselves agnostics, compared with 3 percent a decade earlier.

Nonreligious people are far less organized than religious groups, which have the advantage of gathering their believers together every week. But secular groups like the Secular Coalition for America and the American Humanist Association have lobby days where they take like-minded citizens to petition their members of Congress, and Huffman said his colleagues have taken notice.

“Their numbers are beginning to surprise people,” Huffman said. “This caucus is probably going to be more and more relevant. People are going to start demanding this kind of work in Congress.”

Jason Lemieux, who leads lobbying efforts for the secular Center for Inquiry, said it’s important for Americans to simply see this group exists in Congress.

“They consider it a very important goal to even have this place at all, where you can be a member of Congress and not believe in God, or explicitly support the rights of those who don’t believe in God,” he said.

Raskin said his advocacy for secularism sneaks into his unrelated work as a congressman. In his recent time in the spotlight as a member of the House Judiciary Committee during the impeachment hearings, Raskin said he tried to quote as often as possible from Thomas Paine — the pamphleteer of the American Revolution, who was outspokenly skeptical of religion.

House Speaker Nancy Pelosi (D-Calif.) asked him to change Paine’s most famous sentence, he said, in a nod to gender equality: “These are the times that try men’s and women’s souls.”

Raskin wants to get a statue of Paine put up somewhere in or near the Capitol. When he and Huffman first founded the Freethought Caucus, he suggested a different name for it: the Thomas Paine Caucus.

But the people they consulted told them that Paine’s ideas were still too radical, more than two centuries later.

Entenda por que as teorias da conspiração sobre coronavírus se proliferam tanto (Estadão)

internacional.estadao.com.br

Max Fischer, New York Times – 8 de abril de 2020

NOVA YORK – O coronavírus deu origem a uma enxurrada de teorias da conspiração, desinformação e propaganda, minando as autoridades de saúde e corroendo a confiança do público de maneiras que podem prolongar a pandemia e até mesmo se estender para além dela.

Alegações de que o novo coronavírus seria uma arma biológica estrangeira, uma invenção partidária ou parte de um projeto de reengenharia social substituíram um vírus sem razão nem propósito por vilões mais familiares e compreensíveis. Cada alegação parece dar a essa tragédia sem sentido algum grau de significado, por mais sombrio que seja.

Rumores de curas secretas – beber alvejante diluído, desligar os aparelhos eletrônicos, comer banana – dão uma esperança de proteção contra uma ameaça da qual nem mesmo os líderes mundiais estão escapando.

A crença de que alguém teve acesso ao conhecimento proibido proporciona uma sensação de certeza e controle em meio a uma crise que virou o mundo de cabeça para baixo. E compartilhar esse “conhecimento” pode dar às pessoas algo difícil de encontrar depois de semanas de isolamento e morte: a sensação de que se está fazendo alguma coisa.

“Aí estão todos os ingredientes que empurram as pessoas para as teorias da conspiração”, disse Karen Douglas, psicóloga social que estuda a crença em conspirações na Universidade de Kent, na Grã-Bretanha.

Rumores e afirmações flagrantemente estapafúrdias são disseminados por pessoas comuns cujas faculdades críticas simplesmente se viram esmagadas sob sentimentos de confusão e desamparo, dizem os psicólogos.

Mas muitas alegações falsas também vêm sendo promovidas por governos que tentam esconder seus fracassos, líderes partidários em busca de benefícios políticos, golpistas em geral e, nos Estados Unidos, por um presidente que insiste em curas não comprovadas e dispara falsidades que procuram eximi-lo de qualquer culpa.

Todas as teorias da conspiração carregam uma mensagem em comum: o único jeito de se proteger é saber as verdades secretas que “eles” não querem que você ouça.

O sentimento de segurança e controle proporcionado por esses rumores pode ser ilusório, mas os danos à confiança do público são bem reais.

As teorias conspiratórias estão levando as pessoas a consumir remédios caseiros que se revelaram letais e a desrespeitar as orientações de distanciamento social. E estão sabotando as ações coletivas, como ficar em casa ou usar máscaras, atitudes necessárias para conter um vírus que já matou mais de 79 mil pessoas.

“Já enfrentamos pandemias antes desta”, disse Graham Brookie, que dirige o Laboratório de Pesquisa Forense Digital do Atlantic Council. “Mas nunca enfrentamos uma pandemia num momento em que as pessoas estivessem tão conectadas e tivessem tanto acesso a informações quanto agora.”

Esse crescente ecossistema de desinformação e desconfiança pública obrigou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a ligar o alerta para uma “infodemia”. “Estamos assistindo a uma verdadeira inundação”, disse Brookie. “A ansiedade é viral, e todos estamos nos sentindo mais ansiosos que nunca.”

O fascínio do ‘conhecimento secreto’

“As conspirações atraem as pessoas porque prometem satisfazer certos motivos psicológicos que são importantes para elas”, disse Douglas. Os principais deles: o domínio sobre os fatos, a autonomia sobre o bem-estar e a sensação de controle.

Quando a verdade não atende a essas necessidades, nós humanos temos uma capacidade incrível de inventar histórias que atenderão, mesmo que uma parte de nós saiba que as histórias são falsas. Um estudo recente revelou que as pessoas são significativamente mais propensas a compartilhar informações falsas sobre o coronavírus do que imaginam.

“A magnitude da desinformação que se espalhou com a pandemia da covid-19 está sobrecarregando nossa equipe”, escreveu no Twitter o Snopes, um site de verificação de fatos. “Estamos vendo que milhares de pessoas, na ânsia de encontrar algum conforto, acabam piorando as coisas ao compartilhar informações falsas (e, às vezes, perigosas).”

Vastamente compartilhadas, postagens de Instagram alegaram, falsamente, que o coronavírus fora planejado por Bill Gates em benefício de empresas farmacêuticas. No Alabama, postagens de Facebook afirmaram, falsamente, que poderes obscuros haviam ordenado que doentes fossem secretamente enviados de helicóptero para o Estado. Na América Latina, proliferaram rumores igualmente infundados de que o vírus fora projetado para espalhar o HIV. No Irã, vozes pró-governo retrataram a doença como uma trama ocidental.

Se as alegações parecerem sigilosas, melhor ainda

A crença de que temos acesso a informações secretas pode nos dar a sensação de que temos uma vantagem, de que, de alguma forma, estamos mais seguros. “Quem acredita em teorias da conspiração acha que tem um poder, conferido pelo conhecimento, que as outras pessoas não têm”, disse Douglas.

A mídia italiana repercutiu um vídeo postado por um italiano que morava em Tóquio, no qual ele dizia que o coronavírus era tratável, mas que as autoridades italianas estavam “escondendo a verdade”.

Outros vídeos, muito populares no YouTube, afirmam que toda a pandemia é uma ficção encenada para controlar a população.

As teorias da conspiração também podem fazer as pessoas se sentirem menos sozinhas. Poucas coisas estreitam mais os laços entre “nós” do que combater “eles”, especialmente quando “eles” são estrangeiros e minorias, frequentes bodes expiatórios de boatos sobre o coronavírus e muitas outras coisas no passado.

Mas qualquer conforto que essas teorias proporcionem terá vida curta. Com o tempo, segundo pesquisas, o intercâmbio de conspirações não apenas fracassa em satisfazer nossas necessidades psicológicas, disse Douglas, como também tende a agravar sentimentos de medo e desamparo.

E isso pode nos levar a procurar explicações ainda mais extremas, como viciados em busca de doses cada vez mais fortes.

Governos vêm uma oportunidade na confusão  

Os conspiradores e questionadores agora têm apoio dos governos. Antecipando a repercussão política da crise, líderes governamentais agiram rapidamente para se eximirem da culpa, espalhando suas próprias mentiras.

Uma importante autoridade chinesa disse que o vírus foi introduzido na China por membros do Exército dos Estados Unidos, uma acusação que teve permissão para se disseminar nas mídias sociais rigidamente controladas da China.

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro sugeriu que o vírus era uma arma biológica americana cujo alvo seria a China. No Irã, as autoridades o chamaram de conspiração para acabar com o processo eleitoral no país. E agências de notícias que apoiam o governo russo, algumas com filiais na Europa ocidental, ventilaram alegações de que os Estados Unidos projetaram o vírus para minar a economia chinesa.

Nas antigas repúblicas soviéticas do Turcomenistão e Tadjiquistão, líderes recomendaram tratamentos falsos e defenderam a ideia de que os cidadãos deveriam continuar trabalhando.

Mas as autoridades tampouco deixaram de espalhar boatos em nações mais democráticas, particularmente naquelas em que a desconfiança em relação à autoridade abriu espaço para a ascensão de fortes movimentos populistas.

Matteo Salvini, líder do partido anti-imigração Liga Norte, na Itália, escreveu no Twitter que a China havia criado um “supervírus de pulmão” a partir de “morcegos e ratos”.

E o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, repetidas vezes propagandeou tratamentos não comprovados e insinuou que o coronavírus seria menos perigoso do que dizem os especialistas. Facebook, Twitter e YouTube tomaram a extraordinária decisão de remover suas postagens.

O presidente Donald Trump também insistiu repetidamente no uso de medicamentos não comprovados, apesar das advertências dos cientistas e de pelo menos uma overdose fatal, a qual vitimou um homem cuja esposa disse que ele havia tomado o remédio por sugestão de Trump.

Trump acusou seus supostos inimigos de tentar “inflamar” a “situação” do coronavírus para prejudicá-lo. Quando começaram a faltar equipamentos de proteção individual nos hospitais de Nova York, ele insinuou que os profissionais de saúde estavam roubando as máscaras. Seus aliados foram ainda mais longe.

O senador Tom Cotton, republicano do Arkansas, e outros sugeriram que o vírus foi produzido por um laboratório de armas chinês. Alguns aliados da mídia alegaram que os inimigos de Trump exageraram o número de mortos.

Uma crise paralela

“Essa supressão de informações é perigosa – muito, muito perigosa”, disse Brookie, referindo-se aos esforços chineses e americanos para minimizar a ameaça do surto.

A supressão de informações alimentou não apenas conspirações específicas, mas também uma sensação mais generalizada de que as fontes e dados oficiais não são confiáveis, bem como a ideia cada vez mais disseminada de que as pessoas devem buscar a verdade por conta própria.

A cacofonia dos epidemiologistas de sofá, que costumam chamar a atenção com afirmações sensacionalistas, muitas vezes encobre a fala de especialistas legítimos, cujas respostas raramente são muito sintéticas ou tranquilizadoras.

Eles prometem curas fáceis, como evitar os aparelhos eletrônicos ou até mesmo comer bananas, e dizem que o transtorno do isolamento social é desnecessário. Alguns chegam a vender tratamentos enganosos que eles próprios inventaram.

“As teorias da conspiração do campo da medicina têm o poder de aumentar a desconfiança nas autoridades médicas, o que pode afetar a disposição das pessoas a se protegerem”, escreveram Daniel Jolley e Pia Lamberty, pesquisadores de psicologia, em um artigo recente.

Demonstrou-se que tais alegações deixam as pessoas menos propensas a tomar vacinas ou antibióticos e mais propensas a procurar aconselhamento médico junto a amigos e familiares, e não profissionais de saúde.

A crença em uma conspiração também tende a aumentar a crença nas outras. As consequências, alertam os especialistas, podem não apenas piorar a pandemia, mas também se estender para além dela. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU 

Why Coronavirus Conspiracy Theories Flourish. And Why It Matters (New York Times)

The Interpreter

Unseen villains. Top-secret cures. In their quest for reassurance during the pandemic, many people are worsening more than just their own anxiety.

Volunteers disinfecting a theater in Wuhan, China, last week.
Volunteers disinfecting a theater in Wuhan, China, last week.Credit…Aly Song/Reuters

By Max Fisher

April 8, 2020; Updated 8:55 a.m. ET

The coronavirus has given rise to a flood of conspiracy theories, disinformation and propaganda, eroding public trust and undermining health officials in ways that could elongate and even outlast the pandemic.

Claims that the virus is a foreign bioweapon, a partisan invention or part of a plot to re-engineer the population have replaced a mindless virus with more familiar, comprehensible villains. Each claim seems to give a senseless tragedy some degree of meaning, however dark.

Rumors of secret cures — diluted bleach, turning off your electronics, bananas — promise hope of protection from a threat that not even world leaders can escape.

The belief that one is privy to forbidden knowledge offers feelings of certainty and control amid a crisis that has turned the world upside down. And sharing that “knowledge” may give people something that is hard to come by after weeks of lockdowns and death: a sense of agency.

“It has all the ingredients for leading people to conspiracy theories,” said Karen M. Douglas, a social psychologist who studies belief in conspiracies at the University of Kent in Britain.

Rumors and patently unbelievable claims are spread by everyday people whose critical faculties have simply been overwhelmed, psychologists say, by feelings of confusion and helplessness.

But many false claims are also being promoted by governments looking to hide their failures, partisan actors seeking political benefit, run-of-the-mill scammers and, in the United States, a president who has pushed unproven cures and blame-deflecting falsehoods.

The conspiracy theories all carry a common message: The only protection comes from possessing the secret truths that “they” don’t want you to hear.

The feelings of security and control offered by such rumors may be illusory, but the damage to the public trust is all too real.

It has led people to consume fatal home remedies and flout social distancing guidance. And it is disrupting the sweeping collective actions, like staying at home or wearing masks, needed to contain a virus that has already killed more than 79,000 people.

“We’ve faced pandemics before,” said Graham Brookie, who directs the Atlantic Council’s Digital Forensic Research Lab. “We haven’t faced a pandemic at a time when humans are as connected and have as much access to information as they do now.”

People gathering on a beach in Rio de Janeiro last week. Brazil’s president has implied that the virus is less dangerous than experts say.
People gathering on a beach in Rio de Janeiro last week. Brazil’s president has implied that the virus is less dangerous than experts say.Credit…Antonio Lacerda/EPA, via Shutterstock

This growing ecosystem of misinformation and public distrust has led the World Health Organization to warn of an “infodemic.”

“You see the space being flooded,” Mr. Brookie said, adding, “The anxiety is viral, and we’re all just feeling that at scale.”

“People are drawn to conspiracies because they promise to satisfy certain psychological motives that are important to people,” Dr. Douglas said. Chief among them: command of the facts, autonomy over one’s well-being and a sense of control.

If the truth does not fill those needs, we humans have an incredible capacity to invent stories that will, even when some part of us knows they are false. A recent study found that people are significantly likelier to share false coronavirus information than they are to believe it.

[Analysis: Peaks, testing and lockdowns: How coronavirus vocabulary causes confusion.]

“The magnitude of misinformation spreading in the wake of the Covid-19 pandemic is overwhelming our small team,” Snopes, a fact-checking site, said on Twitter. “We’re seeing scores of people, in a rush to find any comfort, make things worse as they share (sometimes dangerous) misinformation.”

Widely shared, Instagram posts falsely suggested that the coronavirus was planned by Bill Gates on behalf of pharmaceutical companies. In Alabama, Facebook posts falsely claimed that shadowy powers had ordered sick patients to be secretly helicoptered into the state. In Latin America, equally baseless rumors have proliferated that the virus was engineered to spread H.I.V. In Iran, pro-government voices portray the disease as a Western plot.

If the claims are seen as taboo, all the better.

The belief that we have access to secret information may help us feel that we have an advantage, that we are somehow safer. “If you believe in conspiracy theories, then you have power through knowledge that other people don’t have,” Dr. Douglas said.

Amid a swirl of rumors about the cause of Covid-19, some have attacked cellphone towers, like this one in Birmingham, England.
Amid a swirl of rumors about the cause of Covid-19, some have attacked cellphone towers, like this one in Birmingham, England.Credit…Carl Recine/Reuters

Italian media buzzed over a video posted by an Italian man from Tokyo in which he claimed that the coronavirus was treatable but that Italian officials were “hiding the truth.”

Other videos, popular on YouTube, claim that the entire pandemic is a fiction staged to control the population.

Still others say that the disease is real, but its cause isn’t a virus — it’s 5G cellular networks.

One YouTube video pushing this falsehood, and implying that social distancing measures could be ignored, has received 1.9 million views. In Britain, there has been a rash of attacks on cellular towers.

Conspiracy theories may also make people feel less alone. Few things tighten the bonds of “us” like rallying against “them,” especially foreigners and minorities, both frequent scapegoats of coronavirus rumors and much else before now.

But whatever comfort that affords is short-lived.

Over time, research finds, trading in conspiracies not only fails to satisfy our psychological needs, Dr. Douglas said, but also tends to worsen feelings of fear or helplessness.

And that can lead us to seek out still more extreme explanations, like addicts looking for bigger and bigger hits.

The homegrown conspiracists and doubters are finding themselves joined by governments. Anticipating political backlash from the crisis, government leaders have moved quickly to shunt the blame by trafficking in false claims of their own.

A senior Chinese official pushed claims that the virus was introduced to China by members of the United States Army, an accusation that was allowed to flourish on China’s tightly controlled social media.

In Venezuela, President Nicolás Maduro suggested that the virus was an American bioweapon aimed at China. In Iran, officials called it a plot to suppress the vote there. And outlets that back the Russian government, including branches in Western Europe, have promoted claims that the United States engineered the virus to undermine China’s economy.

In the former Soviet republics of Turkmenistan and Tajikistan, leaders praised bogus treatments and argued that citizens should continue working.

But officials have hardly refrained from the rumor mongering in more democratic nations, particularly those where distrust of authority has given rise to strong populist movements.

Matteo Salvini, the leader of Italy’s anti-migrant League Party, wrote on Twitter that China had devised a “lung supervirus” from “bats and rats.”

And President Jair Bolsonaro of Brazil has repeatedly promoted unproven coronavirus treatments, and implied that the virus is less dangerous than experts say. Facebook, Twitter and YouTube all took the extraordinary step of removing the posts.

President Trump has pushed unproven drugs, despite warnings from scientists.
President Trump has pushed unproven drugs, despite warnings from scientists.Credit…Doug Mills/The New York Times

President Trump, too, has repeatedly pushed unproven drugs, despite warnings from scientists and despite at least one fatal overdose of a man whose wife said he had taken a drug at Mr. Trump’s suggestion.

Mr. Trump has accused perceived enemies of seeking to “inflame” the coronavirus “situation” to hurt him. When supplies of personal protective equipment fell short at New York hospitals, he implied that health workers might be stealing masks.

His allies have gone further.

Senator Tom Cotton, Republican of Arkansas, and others have suggested that the virus was produced by a Chinese weapons lab. Some media allies have claimed that the death toll has been inflated by Mr. Trump’s enemies.

“This kind of information suppression is dangerous — really, really dangerous,” Mr. Brookie said, referring to Chinese and American efforts to play down the threat of the outbreak.

It has nourished not just individual conspiracies but a wider sense that official sources and data cannot be trusted, and a growing belief that people must find the truth on their own.

A cacophony arising from armchair epidemiologists who often win attention through sensational claims is at times crowding out legitimate experts whose answers are rarely as tidy or emotionally reassuring.

They promise easy cures, like avoiding telecommunications or even eating bananas. They wave off the burdens of social isolation as unnecessary. Some sell sham treatments of their own.

“Medical conspiracy theories have the power to increase distrust in medical authorities, which can impact people’s willingness to protect themselves,” Daniel Jolley and Pia Lamberty, scholars of psychology, wrote in a recent article.

Such claims have been shown to make people less likely to take vaccines or antibiotics, and more likely to seek medical advice from friends and family instead of from doctors.

Supposed coronavirus remedies at a market in Yogyakarta, Indonesia.
Supposed coronavirus remedies at a market in Yogyakarta, Indonesia.Credit…Ulet Ifansasti for The New York Times

Belief in one conspiracy also tends to increase belief in others. The consequences, experts warn, could not only worsen the pandemic, but outlive it.

Medical conspiracies have been a growing problem for years. So has distrust of authority, a major driver of the world’s slide into fringe populism. Now, as the world enters an economic crisis with little modern precedent, that may deepen.

The wave of coronavirus conspiracies, Dr. Jolley and Dr. Lamberty wrote, “has the potential to be just as dangerous for societies as the outbreak itself.”

Emma Bubola contributed reporting from Rome.

Fallacy Taxonomy and Icons available via Wikimedia (Skeptical Science)

Fallacy Taxonomy and Icons available via Wikimedia

Posted on 16 March 2020 by BaerbelW

Many of you will already be familiar with the FLICC graphic which shows the 5 main characterstics of (climate) science denial, namely fake experts, logical fallacies, impossible expectations, cherry picking and conspiracy theories. It was first introduced when our MOOC “Denial101x – Making sense of climate science denial” launched in April 2015.

FLICC

In the five (!) years since, John Cook and colleagues have been busy refining and enlarging this fallacy taxonomy as explained in a series of three new videos for Denial101x. Here is the first of them:

Part 2

Part 3

While working on the Cranky Uncle book and app, John Cook added even more icons to the taxonomy and gave people a chance to get to know them via several FLICC quizzes published on social media. They are still online and you can access them via these short links: http://sks.to/quiz1http://sks.to/quiz2http://sks.to/quiz9.

We recently received an email from a current Denial101x student suggesting to make the fallacy icons available as emojis to have them readily available when responding to comments on social media. While this might not be quite as easy as it sounds (anybody know?), it gave us another idea: make the current set of fallacy icons available on Wikimedia commons! So, this is what we did! The significantly larger taxonomy makes for a good entry point:

Large Taxonomy

The individual icons can be found on the page listing all of our uploaded files (which we plan to add to soon with more fallacy icons as well as other graphics from our large collection – please feel free to help us decide which ones to upload by posting a comment!).

And to state the obvious: these fallacies not only plague climate science but also many other scientific discussions. It for example didn’t take long for them to appear with the ongoing COVID-19 pandemic as John Cook noted in a recent tweet sharing the taxonomy graphic:

Seeing the same fallacies & science denial techniques proliferate with coronavirus as they do with climate science denial inspired me to post the latest version of the FLICC taxonomy, documenting many of the techniques found in science misinformation.

The individual icons will therefore hopefully come in handy to call-out fallacies regardless of the topics they show up with!

With little training, machine-learning algorithms can uncover hidden scientific knowledge (Science Daily)

Date: July 3, 2019 Source: DOE/Lawrence Berkeley National Laboratory

Summary: Researchers have shown that an algorithm with no training in materials science can scan the text of millions of papers and uncover new scientific knowledge. They collected 3.3 million abstracts of published materials science papers and fed them into an algorithm called Word2vec. By analyzing relationships between words the algorithm was able to predict discoveries of new thermoelectric materials years in advance and suggest as-yet unknown materials as candidates for thermoelectric materials.


Sure, computers can be used to play grandmaster-level chess (chess_computer), but can they make scientific discoveries? Researchers at the U.S. Department of Energy’s Lawrence Berkeley National Laboratory (Berkeley Lab) have shown that an algorithm with no training in materials science can scan the text of millions of papers and uncover new scientific knowledge.

A team led by Anubhav Jain, a scientist in Berkeley Lab’s Energy Storage & Distributed Resources Division, collected 3.3 million abstracts of published materials science papers and fed them into an algorithm called Word2vec. By analyzing relationships between words the algorithm was able to predict discoveries of new thermoelectric materials years in advance and suggest as-yet unknown materials as candidates for thermoelectric materials.

“Without telling it anything about materials science, it learned concepts like the periodic table and the crystal structure of metals,” said Jain. “That hinted at the potential of the technique. But probably the most interesting thing we figured out is, you can use this algorithm to address gaps in materials research, things that people should study but haven’t studied so far.”

The findings were published July 3 in the journal Nature. The lead author of the study, “Unsupervised Word Embeddings Capture Latent Knowledge from Materials Science Literature,” is Vahe Tshitoyan, a Berkeley Lab postdoctoral fellow now working at Google. Along with Jain, Berkeley Lab scientists Kristin Persson and Gerbrand Ceder helped lead the study.

“The paper establishes that text mining of scientific literature can uncover hidden knowledge, and that pure text-based extraction can establish basic scientific knowledge,” said Ceder, who also has an appointment at UC Berkeley’s Department of Materials Science and Engineering.

Tshitoyan said the project was motivated by the difficulty making sense of the overwhelming amount of published studies. “In every research field there’s 100 years of past research literature, and every week dozens more studies come out,” he said. “A researcher can access only fraction of that. We thought, can machine learning do something to make use of all this collective knowledge in an unsupervised manner — without needing guidance from human researchers?”

‘King — queen + man = ?’

The team collected the 3.3 million abstracts from papers published in more than 1,000 journals between 1922 and 2018. Word2vec took each of the approximately 500,000 distinct words in those abstracts and turned each into a 200-dimensional vector, or an array of 200 numbers.

“What’s important is not each number, but using the numbers to see how words are related to one another,” said Jain, who leads a group working on discovery and design of new materials for energy applications using a mix of theory, computation, and data mining. “For example you can subtract vectors using standard vector math. Other researchers have shown that if you train the algorithm on nonscientific text sources and take the vector that results from ‘king minus queen,’ you get the same result as ‘man minus woman.’ It figures out the relationship without you telling it anything.”

Similarly, when trained on materials science text, the algorithm was able to learn the meaning of scientific terms and concepts such as the crystal structure of metals based simply on the positions of the words in the abstracts and their co-occurrence with other words. For example, just as it could solve the equation “king — queen + man,” it could figure out that for the equation “ferromagnetic — NiFe + IrMn” the answer would be “antiferromagnetic.”

Word2vec was even able to learn the relationships between elements on the periodic table when the vector for each chemical element was projected onto two dimensions.

Predicting discoveries years in advance

So if Word2vec is so smart, could it predict novel thermoelectric materials? A good thermoelectric material can efficiently convert heat to electricity and is made of materials that are safe, abundant and easy to produce.

The Berkeley Lab team took the top thermoelectric candidates suggested by the algorithm, which ranked each compound by the similarity of its word vector to that of the word “thermoelectric.” Then they ran calculations to verify the algorithm’s predictions.

Of the top 10 predictions, they found all had computed power factors slightly higher than the average of known thermoelectrics; the top three candidates had power factors at above the 95th percentile of known thermoelectrics.

Next they tested if the algorithm could perform experiments “in the past” by giving it abstracts only up to, say, the year 2000. Again, of the top predictions, a significant number turned up in later studies — four times more than if materials had just been chosen at random. For example, three of the top five predictions trained using data up to the year 2008 have since been discovered and the remaining two contain rare or toxic elements.

The results were surprising. “I honestly didn’t expect the algorithm to be so predictive of future results,” Jain said. “I had thought maybe the algorithm could be descriptive of what people had done before but not come up with these different connections. I was pretty surprised when I saw not only the predictions but also the reasoning behind the predictions, things like the half-Heusler structure, which is a really hot crystal structure for thermoelectrics these days.”

He added: “This study shows that if this algorithm were in place earlier, some materials could have conceivably been discovered years in advance.” Along with the study the researchers are releasing the top 50 thermoelectric materials predicted by the algorithm. They’ll also be releasing the word embeddings needed for people to make their own applications if they want to search on, say, a better topological insulator material.

Up next, Jain said the team is working on a smarter, more powerful search engine, allowing researchers to search abstracts in a more useful way.

The study was funded by Toyota Research Institute. Other study co-authors are Berkeley Lab researchers John Dagdelen, Leigh Weston, Alexander Dunn, and Ziqin Rong, and UC Berkeley researcher Olga Kononova.


Story Source:

Materials provided by DOE/Lawrence Berkeley National Laboratory. Note: Content may be edited for style and length.


Journal Reference:

  1. Vahe Tshitoyan, John Dagdelen, Leigh Weston, Alexander Dunn, Ziqin Rong, Olga Kononova, Kristin A. Persson, Gerbrand Ceder, Anubhav Jain. Unsupervised word embeddings capture latent knowledge from materials science literature. Nature, 2019; 571 (7763): 95 DOI: 10.1038/s41586-019-1335-8