Arquivo mensal: julho 2010

>Xamãs, artesãos e mestres da cultura popular serão professores da UnB

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Universidade será a primeira no Brasil a ter uma disciplina baseada nos saberes tradicionais. Aulas devem começar no próximo semestre

Ana Lúcia Moura – Secretaria de Comunicação da UnB
12/07/2010

Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestamento. Maniwa Kamayurá conhece em detalhes as técnicas de construção indígena. Lucely Pio é capaz de identificar com precisão qualquer planta do cerrado. Mas o conhecimento de nenhum deles veio das salas de aula. Eles aprenderam o ofício com os avós e com os pais, e o repassam aos filhos, aos netos. No próximo semestre, porém, vão ensinar o que aprenderam também aos alunos da Universidade de Brasília.

Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki, que é mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu e Lucely, mestre raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, vão passar adiante o conhecimento acumulado durante mais de séculos nas comunidades onde cresceram e vivem até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualísticos. Lucely é mestre quilombola.

Além deles, serão também professores da nova disciplina Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernambucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.

A criação da disciplina, que deve ter carga semanal de seis horas, depende ainda de aprovação do Decanato de Ensino de Graduação. Ela faz parte de um projeto de introdução dos saberes tradicionais na universidade. “Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos”, explica o professor José Jorge de Carvalho, coordenador do projeto e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa. “Os mestres que aqui estarão têm um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir”, completa o professor.

AVANÇO – O professor José Jorge destaca, no entanto, que a introdução dos saberes tradicionais não é uma negação da forma utilizada pelas universidades de produzir e transmitir conhecimento. “Pelo contrário. É uma soma. Sabemos coisas que os mestres tradicionais não sabem, assim como eles conhecem muito do que não conhecemos. A universidade pode ser muito mais rica do que é”, acrescenta. Cada mestre passará duas semanas na UnB e será acompanhado por um professor na sala de aula. “A universidade pode ser mais rica do que é. E, para isso, precisa fazer jus à riqueza de saberes que existem no Brasil”, completa o professor José Jorge.

O chefe do Departamento de Antropologia, Luís Roberto Cardoso de Oliveira, lembra que a criação de disciplinas de módulo livre, que permitem aos alunos contato com um conhecimento totalmente fora de sua área, foi um avanço. “E colocar os mestres frente a frente com os alunos e ao lado dos professores é uma proposta que vai ainda mais além”, comenta.

Para Nina de Paula Laranjeira, diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica do Decanato de Ensino de Graduação, a iniciativa por si só já demostra uma mudança nos modos de pensar. “Precisamos superar o paradigma de que o conhecimento está limitado à comprovação científica”, afirma.

TROCA DE SABERES – As bases pedagógicas e antropológicas da nova disciplina serão discutidas nos dias 15 e 16 de julho, como parte do seminário internacional que vai tratar da introdução de novos saberes nas universidades. “O método de transmissão dos mestres tradicionais é completamente diferente do nosso. O ideal para a raizeira Lucily, por exemplo, é ensinar caminhando pelo cerrado”, explica o professor José Jorge.

Organizado pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e Ministério da Cultura, o Encontro de Saberes vai reunir mestres indígenas e de atividades folclóricas, professores brasileiros e latino americanos, além de representantes do Governo Federal. No encontro, serão apresentadas experiências de universidades de cinco países da América Latina que desenvolvem projetos de inclusão de saberes tradicionais em seus cursos, disciplinas e programas de extensão. O seminário, que acontece no Auditório Dois Candangos, também será uma oportunidade para os novos professores conhecerem melhor a UnB.

Entre os palestrantes estão o reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador; Maria Mercedes Díaz, da Universidade de Catamarca na Argentina; Jaime Arocha, professor de Antropologia da Universidade Nacional da Colômbia; Carlos Callisaya, coordenador das Universidades Indígenas da Bolívia no Ministério da Educação boliviano e Maria Luísa Duarte Medina, que atua em projetos de inclusão dos saberes indígenas nas instituições de ensino superior do Paraguai. “A presença de cada um deles mostra que a inclusão dos saberes tradicionais na academia é um movimento cada vez mais forte”, afirma o professor José Jorge.

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>Copa de estatísticas

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Notícias

23/6/2010

Agência FAPESP – Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) publicaram na internet um modelo estatístico dinâmico com estimativas das chances dos selecionados de atingir cada etapa da Copa do Mundo da África do Sul.

O modelo matemático foi elaborado no Centro de Estudos do Risco do Departamento de Estatística e utiliza como parâmetros a opinião de especialistas sobre os placares da primeira fase, o ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) divulgado em maio e os resultados ao longo do torneio.

Esse caráter dinâmico é responsável pela alteração constante na lista das equipes com maior chance de vencer o mundial. No início do campeonato a Espanha encabeçava esse grupo. Após a primeira rodada, a Alemanha ficou no topo da lista e, em seguida, o Brasil assumiu a primeira posição.

Os placares de cada jogo são comparados às previsões, mostrando que os resultados improváveis foram abundantes nessa Copa. Foi o caso do empate entre Portugal e Costa do Marfim, que tinha 15,9% de chances de ocorrer, de acordo com o modelo da UFSCar, e a vitória da Sérvia sobre a Alemanha, com apenas 9,6% de probabilidade.

A Previsão Estatística Copa 2010 da UFSCar pode ser acessada no endereço: www.copa2010.ufscar.br/index_br.html

>What cap? Dems’ climate word war

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By Darren Samuelsohn
Politico.com, Capitol News Company
July 18, 2010 07:12

Senate Majority Leader Harry Reid played dumb last week when a reporter asked him if the energy and climate bill headed to the floor would come with a “cap” on greenhouse gas emissions.

“I don’t use that,” the Nevada Democrat replied. “Those words are not in my vocabulary. We’re going to work on pollution.”

Moments earlier, Reid had confirmed he was trying to craft legislation targeting the heat-trapping pollution that comes from power plants. But he’s determined to win the war of words when it comes to a carbon cap — and that means losing the lexicon attached to past climate battles.

Gone, in the Democrat’s mind, are the terms “cap” and “cap and trade,” which are synonymous with last June’s House-passed climate bill as well as other existing environmental policies for curbing traditional air pollutants. In their place are new slogans recommended by prominent pollsters (and even a neuroscientist) that Reid and allies hope they can use to overcome the long-shot prospects for passing climate legislation.

But they’ve got a difficult job ahead. Already, Republican-led attacks during the past year have crushed the Democrats in the message war over a very complex piece of legislation. GOP opponents have exploited public angst over record unemployment levels, higher taxes and the creation of a new carbon market that’s potentially worth trillions of dollars, a reminder for voters of the recent Wall Street collapse.

“There’s been a communication battle that’s been very much one-sided up to this point,” said Anthony Leiserowitz, director of the Yale Project on Climate Change and an expert on public opinion surrounding global warming science and policy.

In January, Leiserowitz published a study that found that fewer than a third of Americans had ever heard of the term “cap and trade” — not exactly fertile ground to be passing legislation with such a program at its core.

“That’s an enormous indictment of how little Democrats and environmental advocates, all of the stakeholders, how poorly they’d laid the groundwork among the public to actually get something done,” he said.

“And that left a giant vacuum in which opponents of legislation have been very quick … to call it ‘cap and tax’ and a ‘national energy tax.’”

Enter the rebranding strategy — a controversial overhaul that many Republicans still see as spin. Some Democrats remain dubious, too. Last week, Reid’s office brought in Drew Westen, an Emory University neuroscience professor, to explain the best messaging practices to about 30 Democratic Senate chiefs of staff and communications directors.

A Senate Democratic aide in the room said Westen covered a lot of ground, starting with a call to “get us out of acronym land, get us out of Senate-speak and [get] it down to regular terminology of what’s effective and what’s not.”

That means no longer referring to climate legislation by any one particular author, such as Sen. John Kerry (D-Mass.) or Sen. Joe Lieberman (I-Conn.). It’s also about playing up the patriotism angle, including the prospect of losing out to the Chinese on development of clean energy technologies. And then Westen urged them to go for the political jugular by associating Democrats with new ideas for clean fuels while labeling GOP opponents as “trying to go backward with dirty fuels.”

“Being aspirational but also drawing clear contrasts,” the Senate Democratic staffer said.

In fact, climate bill advocates have been trying to implement ideas from Westen and other well-known wordsmiths over the past year.

Just before President Barack Obama’s State of the Union speech, Environmental Defense Fund President Fred Krupp and GOP pollster Frank Luntz, who had famously done work for climate change opponents during the George W. Bush administration, released a study showing that the best way to sell greenhouse gas legislation was by talking about national security and “energy independence,” while avoiding debate over the science of climate change.

Then there’s Sen. Lindsey Graham (R-S.C.), who worked from October 2009 until April 2010 in closed-door talks with Kerry and Lieberman on a climate bill and became arguably the issue’s best spokesman. Earlier this year, Graham declared “cap and trade economywide is dead,” even as Senate staff worked on a plan that placed the economy’s three biggest polluting sectors (power plants, manufacturers and transportation) into their own regulatory schemes.

Graham also has tried to appeal to climate bill opponents by arguing the measure isn’t about global warming. “There’s nowhere near 60 votes to save the polar bear,” he said last month.

While the South Carolina Republican remains on the sidelines when it comes to brass-tack negotiations before the floor, he told POLITICO last week that he still believes in the message.

“Controlling smokestack emissions as part of an energy independence, job creation plan has some resonance with me,” he said. “Cap and trade is associated with a solution to global warming. Again, carbon pollution is bad for people, bad for the environment. But you’re not going to turn the economy upside down based on that theory.”

Many Republicans said they aren’t buying the rhetorical shift, and they say they will pound away on the bill as a new tax increase if and when the legislation hits the floor.

“It’s cap and trade,” said New Hampshire Sen. Judd Gregg, one of a handful of Republicans Democrats still consider swing votes on the legislation. “If it looks like a duck, walks like a duck, swims like a duck, it’s a duck.”

“That’s just an exercise in spin,” said Robert Dillon, a spokesman for Energy and Natural Resources Committee Chairman Lisa Murkowski (R-Alaska). “The bottom line is, it’s legislation that will raise energy prices for Americans.”

“Why has Sen. Reid engaged in semantics in trying to change the wording, if not because he knows that raising energy prices in a time of economic woe is a nonstarter?” Dillon added.

Climate bill advocates look at the historical record and scratch their heads. They recall that free-market Republicans are the original source of the “cap-and-trade” concept, after they went looking for alternatives to the “command-and-control” system of the 1970s, when direct limits went on tailpipes and smokestacks.

President George H.W. Bush proposed and signed into law the 1990 Clean Air Act Amendments that set up a cap-and-trade system to reduce acid rain. Climate critics of the second President Bush hounded him whenever he talked about the issue without bending in his opposition to mandatory caps. And Sen. John McCain (R-Ariz.) even embraced an economywide climate cap-and-trade bill to distinguish himself from the Bush administration.

“Cap and trade has certainly been demonized,” said Sen. Ben Cardin (D-Md.). “I think that’s unfortunate. … So we’ll just call it something different.”

Mark Mellman, a Washington-based Democratic pollster, said Republicans are misleading the public when they smack a “tax” label on a policy that forces companies, rather than individual citizens, to clean up their pollution.

“They’re stretching the meaning of these words so far that they have no meaning at all,” said Mellman, who has given more than a dozen briefings to House and Senate Democrats and their staffs on the lingo of climate change legislation. “And there’s a definition for that. It’s called the ‘big lie’ technique.”

Yet some advocates for climate legislation still concede that their messaging campaign isn’t working — especially not so late in the game.

“Rebranded strategies rarely work when people say, ‘I’m not going to use those words anymore,’” said an environmental advocate close to the debate. “They usually require a different, more subtle approach.”

“The problem with a rebranding strategy is, the other side has to go along, too. This is a mature, 10-year debate, and I don’t think you can change the paint job the day before the sale.

>Forecasting Uncertainty

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New research from Maxim Ulrich shows that inflation uncertainty impacts bond prices and yields more dramatically than GDP uncertainty.

Columbia Business School – Ideas at work
June 18, 2010

Treasury bonds are typically viewed as among the safest investments, providing lower returns than the stock market but avoiding high degrees of risk and volatility. But no investor can escape uncertainty altogether, and bond investors use GDP and inflation forecasts as rough barometers for term structure, or bond prices and yields.

Dozens of forecasters provide quarterly estimates of how much inflation and GDP are likely to change in the short term, providing bond investors a means to gauge future yields. But when forecasts vary significantly, investors are left to determine which of these conflicting stories represents the best estimate. All forecasts can’t be correct, and few are ever spot-on, so what’s a savvy investor to do?

“Some argue that investors should simply take the average of forecasts to get at the best projection of GDP and inflation,” Professor Maxim Ulrich says. But some forecasts are very close to each other, suggesting low uncertainty, while in other quarters the forecasts diverge widely, suggesting high uncertainty. An average taken in a quarter with a great deal of variance in forecasts is likely to be less reliable than one taken in a quarter with low variance.

Nor do GDP and inflation estimates fluctuate at the same time or rate, so there is no clear means to determine how each measure exerts influence on term structure. Research has typically focused on the impact of GDP uncertainty, rather than inflation uncertainty. Ulrich attributes this focus to the greater variance in GDP forecasts than inflation forecasts. “That variance suggests that there is greater uncertainty about GDP than about inflation,” he says, “and that it should be easier for investors to predict how inflation will move than how GDP will move.”

Ulrich modeled the term structure for U.S. government bonds, taking into account the many estimates for GDP and inflation that investors are confronted with. Using the Survey of Professional Forecasters, published quarterly by the Federal Reserve Bank of Philadelphia, Ulrich observed the variance among all forecasts as a measure of general uncertainty. By comparing this modeled GDP and inflation, Ulrich was able to distinguish GDP uncertainty from inflation uncertainty and show how each affects real and nominal bond prices and rates. He concluded that while GDP forecasts may vary more from quarter to quarter, uncertainty about inflation has a greater long-term impact on term structure.

“The quarterly forecasts for inflation don’t vary a lot, but over the long term, the misspecifications will have a greater effect on yields,” Ulrich explains. He found that investors demand a bigger premium for long-run inflation uncertainty than for long-run GDP uncertainty.

The model also provides a simple method investors can use when consulting the forecasts. “The Survey of Professional Forecasters provides our best empirical proxy for determining the amount of uncertainty bond investors face,” Ulrich says. “Investors can look at all key forecasts of GDP and inflation each quarter and, using a simple calculation, observe the magnitude of uncertainty.”

Maxim Ulrich is assistant professor of finance and economics at Columbia Business School.

>O Nordeste e as mudanças climáticas (FAPESP)

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Especiais

Por Fabio Reynol, de Natal (RN)
27/7/2010

Agência FAPESP – O primeiro quadrimestre de 2010 foi o mais quente já registrado, de acordo com dados de satélite da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos.

No Brasil, a situação não foi diferente. Entre 1980 e 2005, as temperaturas máximas medidas no Estado de Pernambuco, por exemplo, subiram 3ºC. Modelos climáticos apontam que, nesse ritmo, o número de dias ininterruptos de estiagem irá aumentar e envolver uma faixa que vai do norte do Nordeste do país até o Amapá, na região Amazônica.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que começou no domingo (25) e vai até a sexta-feira (30), em Natal, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Além da expansão da seca, o pesquisador frisou que o Nordeste deverá sofrer também com as alterações nos oceanos, cujos níveis vêm subindo devido ao aumento da temperatura do planeta. Isso ocorre não somente pelo derretimento das geleiras, mas também devido à expansão natural da água quando aquecida.

Cidades que possuem relevos mais baixos, como Recife (PE), sentirão mais o aumento do nível dos oceanos. E Nobre alerta que a capital pernambucana já está sofrendo as alterações no clima. “Com o aumento do volume de chuva, Recife tem inundado com mais facilidade, pois não possui uma rede de drenagem pluvial adequada para um volume maior”, disse.

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da região Nordeste seria a constante associação entre seca e pobreza. A pobreza, segundo o pesquisador, vem de atividades não apropriadas ao clima local e que vêm sendo praticadas ao longo dos anos na região. Plantações de milho e feijão e outras culturas praticadas no Nordeste não são bem-sucedidas por não serem adequadas à caatinga, segundo Nobre.

“A agricultura de subsistência é difícil hoje e ficará inviável em breve. Para que o sertanejo prospere, teremos que mudar sua atividade econômica”, disse.

O cientista citou um estudo feito na Universidade Federal de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que indicou que o desemprego no Nordeste tenderá a aumentar caso as atividades econômicas praticadas no interior continuem.

Nobre sugere a instalação de usinas de energia solar como alternativa. “A Europa está investindo US$ 495 bilhões em produção de energia captada de raios solares a partir do deserto do Saara, no norte da África. O mercado de energia solar tem o Brasil como um de seus potenciais produtores devido à sua localização geográfica e clima, e o Nordeste é a região mais adequada a receber essas usinas”, indicou.

“Ficar sem chuva durante longos períodos é motivo de comemoração para um produtor de energia solar”, disse Nobre, que ressaltou a importância dessa fonte energética na mitigação do aquecimento, pois, além de não liberar carbono, ainda economiza custos de transmissão por ser produzida localmente.

Mais eventos extremos

O potencial do Nordeste para a geração de energia eólica também foi destacado pelo pesquisador do Inpe. Devido aos ventos alísios que sopram do oceano Atlântico, o Nordeste tem em seu litoral um constante fluxo de vento que poderia alimentar uma vasta rede de turbinas.

Além da economia, Nobre chamou a atenção para as atividades que visam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que seriam importantes também para o Nordeste. “Os efeitos dessas mudanças são locais e cada lugar as sofre de um modo diferente”, disse.

Um dos efeitos dessas alterações é o aumento dos eventos extremos como tempestades, furacões e tsunamis. Em Pernambuco, as chuvas de volume superior a 100 milímetros em um período de 24 horas aumentaram em quantidade nos últimos anos.

“Isso é terrível, pois as culturas agrícolas precisam de uma precipitação regular. Uma chuva intensa e rápida leva os nutrientes da terra, não alimenta os aquíferos e ainda provoca assoreamento dos rios, reduzindo ainda mais a capacidade de armazenamento dos açudes”, disse.

Nobre propõe que os governos dos Estados do Nordeste poderiam empregar ex-agricultores sertanejos em projetos de reflorestamento da caatinga com espécies nativas. A reconstrução dessa vegetação e das matas ciliares ajudaria a proteger o ecossistema das alterações climáticas e ainda contribuiria para mitigá-las.

O cientista defendeu também o acesso à educação de qualidade a toda a população, uma vez que a porção mais afetada é aquela que menos tem acesso a recursos financeiros e educacionais.

A implantação de uma indústria de fruticultura para exportação é outra sugestão de Nobre para preparar o Nordeste para as mudanças no clima e que poderia fortalecer a sua economia.

“A relação seca-pobreza é um ciclo vicioso de escravidão e que precisa ser rompido. Isso se manterá enquanto nossas crianças não souberem ler, não aprenderem inglês ou não conseguirem programar um celular, por exemplo”, disse.

>Germans shell-shocked by oracle octopus (Reuters)

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By Erik Kirschbaum, Reuters
BERLIN, Tue Jul 6, 2010 10:22am EDT

Two year-old octopus Paul, the so-called ”octopus oracle” predicts Spain’s victory in their 2010 World Cup semi-final soccer match against Germany by choosing a mussel, from a glass box decorated with the Spanish national flag instead of a glass box with the German flag, at the Sea Life Aquarium in the western German city of Oberhausen July 6, 2010. Paul has correctly picked the winner of Germany’s five World Cup results so far. REUTERS/Wolfgang Rattay

BERLIN (Reuters) – Germany was in a state of shock on Tuesday after their “oracle octopus” Paul picked Spain to win the World Cup semi-final match against Germany in South Africa on Wednesday.

Not an ordinarily superstitious people, Germans have become believers in Paul’s possible psychic powers.

“This is not a good omen,” wrote Bild newspaper’s online edition after the news of Paul’s pick flashed across Germany.

The octopus has turned into an international celebrity after accurately picking the winner of all five German World Cup matches to date — including their 1-0 loss to Serbia.

Two national networks interrupted their programing on Tuesday for live coverage of Paul’s latest forecast, and groans of disappointment rang out across Germany after Paul went for a container with a morsel of food in it bearing the Spanish flag.

“We were all a little bit shocked when Paul picked Spain,” said Tanja Munzig, a spokeswoman for Sea Life in Oberhausen. “To err is not only human — animals can also make mistakes. Let’s hope Paul got this one wrong.”

The octopus, considered by some to be the most intelligent of all invertebrates, was again given the choice of picking food from two different transparent containers lowered into his tank — one with a German flag on it and one with a Spanish.

The container Paul opens first is regarded as his pick for the match. Paul first put his tentacles around the German container before moving to his left to the Spanish box — first opening the lid and then snatching the morsel of food inside.

Germans stunned by Paul’s decision to pick Spain took consolation in the fact that Paul got one of his five picks wrong at the Euro in 2008. Oddly enough it also involved Spain: In the final Paul picked Germany over Spain. But Spain won 1-0.

It was Paul’s only inaccurate pick of that tournament. He has never been wrong since and has an overall record of 9-1.

“Maybe Paul was just trying to give Spain a false sense of security,” said Munzig, who said scores of journalists were at Sea Life to witness Paul’s latest pick. Thousands of people have visited Sea Life to see Germany’s newest celebrity.

“To be honest I’m going to have butterflies in my stomach watching the Spain match,” she added. “I’m not a superstitious person but he’s had an incredible winning streak so far.”

Paul was born in England. He has been five for five at the World Cup. He picked Germany wins over Australia, Ghana, England and Argentina — as well as their Group D loss to Serbia.

Media attention over Paul’s picks in Germany and abroad has grown with each pick and some commentators have even wondered aloud whether his uncanny run might even be having an influence on superstitious players.

Paul’s winning streak may have contributed to a growing superstition among the Germany team.

Germany coach Joachim Loew admitted he will not wash a favorite blue sweater as long as his team keeps winning. Loew said he bowed to pressure from other coaching staff and players to keep wearing the sweater for their matches.

Every time Loew wore the blue V-neck sweater Germany scored four goals. “I am not even allowed to wash it now and I think I will wear it again (against Spain),” Loew said on Monday.

(Additional reporting by Brian Rohan and Reuters Television. Editing by Jon Bramley and Paul Casciato)