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Como ciência tenta prever os eventos ‘cisnes negros’ (BBC News Brasil)

bbc.com


Analía Llorente

BBC News Mundo

4 outubro 2021

Cena do filme 'Cisne Negro'

O que o surgimento da internet, os ataques de 11 de setembro de 2001 e a crise econômica de 2008 têm em comum?

Foram eventos extremamente raros e surpreendentes que tiveram um forte impacto na história.

Acontecimentos deste tipo costumam ser chamados de “cisnes negros”.

Alguns argumentam que a recente pandemia de covid-19 também pode ser considerada um deles, mas nem todo mundo concorda.

A “teoria do cisne negro” foi desenvolvida pelo professor, escritor e ex-operador da bolsa libanês-americano Nassim Taleb em 2007.

E possui três componentes, como o próprio Taleb explicou em um artigo no jornal americano The New York Times no mesmo ano:

– Em primeiro lugar, é algo atípico, já que está fora do âmbito das expectativas habituais, porque nada no passado pode apontar de forma convincente para sua possibilidade.

– Em segundo lugar, tem um impacto extremo.

– Em terceiro lugar, apesar de seu status atípico, a natureza humana nos faz inventar explicações para sua ocorrência após o fato em si, tornando-o explicável e previsível.

A tese de Taleb está geralmente associada à economia, mas se aplica a qualquer área.

E uma vez que as consequências costumam ser catastróficas, é importante aceitar que a ocorrência de um evento”cisne negro” é possível — e por isso é necessário ter um plano para lidar com o mesmo.

Em suma, o “cisne negro” representa uma metáfora para algo imprevisível e muito estranho, mas não impossível.

Por que são chamados assim?

No fim do século 17, navios europeus embarcaram na aventura de explorar a Austrália.

Em 1697, enquanto navegava nas águas de um rio desconhecido no sudoeste da Austrália Ocidental, o capitão holandês Willem de Vlamingh avistou vários cisnes negros, sendo possivelmente o primeiro europeu a observá-los.

Como consequência, Vlamingh deu ao rio o nome de Zwaanenrivier (Rio dos Cisnes, em holandês) por causa do grande número de cisnes negros que havia ali.

Tratava-se de um acontecimento inesperado e novo. Até aquele momento, a ciência só havia registrado cisnes brancos.

A primeira referência conhecida ao termo “cisne negro” associado ao significado de raridade vem de uma frase do poeta romano Décimo Júnio Juvenal (60-128).

Desesperado para encontrar uma esposa com todas as “qualidades certas” da época, ele escreveu em latim que esta mulher era rara avis in terris, nigroque simillima cygno (“uma ave rara nestas terras, como um cisne negro”), detalha o dicionário de Oxford.

Porque naquela época e até cerca de 1,6 mil anos depois, para os europeus, não existiam cisnes negros.

Prevendo os ‘cisnes negros’

Um grupo de cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, está trabalhando para prever o imprevisível.

Ou seja, para se antecipar aos “cisnes negros” — não às aves, mas aos estranhos eventos que acontecem na história.

Embora sua análise primária tenha sido baseada em três ambientes diferentes na natureza, o método computacional que eles criaram pode ser aplicado a qualquer área, incluindo economia e política.

“Ao analisar dados de longo prazo de três ecossistemas, pudemos demonstrar que as flutuações que ocorrem em diferentes espécies biológicas são estatisticamente iguais em diferentes ecossistemas”, afirmou Samuel Bray, assistente de pesquisa no laboratório de Bo Wang, professor de bioengenharia na Universidade de Stanford.

“Isso sugere que existem certos processos universais que podemos utilizar para prever esse tipo de comportamento extremo”, acrescentou Bray, conforme publicado no site da universidade.

Para desenvolver o método de previsão, os pesquisadores procuraram sistemas biológicos que vivenciaram eventos “cisne negro” e como foram os contextos em que ocorreram.

Eles se basearam então em ecossistemas monitorados de perto por muitos anos.

Os exemplos incluíram: um estudo de oito anos do plâncton do Mar Báltico com níveis de espécies medidos duas vezes por semana; medições de carbono de um bosque da Universidade de Harvard, nos EUA, que foram coletadas a cada 30 minutos desde 1991; e medições de cracas (mariscos), algas e mexilhões na costa da Nova Zelândia, feitas mensalmente por mais de 20 anos, detalha o estudo publicado na revista científica Plos Computational Biology.

Os pesquisadores aplicaram a estas bases de dados a teoria física por trás de avalanches e terremotos que, assim como os “cisnes negros”, mostram um comportamento extremo, repentino e de curto prazo.

A partir desta análise, os especialistas desenvolveram um método para prever eventos “cisne negro” que fosse flexível entre espécies e períodos de tempo e também capaz de trabalhar com dados muito menos detalhados e mais complexos.

Posteriormente, conseguiram prever com precisão eventos extremos que ocorreram nesses sistemas.

Até agora, “os métodos se baseavam no que vimos para prever o que pode acontecer no futuro, e é por isso que não costumam identificar os eventos ‘cisne negro'”, diz Wang.

Mas este novo mecanismo é diferente, segundo o professor de Stanford, “porque parte do pressuposto de que estamos vendo apenas parte do mundo”.

“Extrapola um pouco do que falta e ajuda enormemente em termos de previsão”, acrescenta.

Então, os “cisnes negros” poderiam ser detectados em outras áreas, como finanças ou economia?

“Aplicamos nosso método às flutuações do mercado de ações e funcionou muito bem”, disse Wang à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, por e-mail.

Os pesquisadores analisaram os índices Nasdaq, Dow Jones Industrial Average e S&P 500.

“Embora a principal tendência do mercado seja o crescimento exponencial de longo prazo, as flutuações em torno dessa tendência seguem as mesmas trajetórias e escalas médias que vimos nos sistemas ecológicos”, explica.

Mas “embora as semelhanças entre as variações na bolsa e ecológicas sejam interessantes, nosso método de previsão é mais útil nos casos em que os dados são escassos e as flutuações geralmente vão além dos registros históricos (o que não é o caso do mercado de ações)”, adverte Wang.

Por isso, temos que continuar atentos para saber se o próximo “cisne negro” vai nos pegar de surpresa… ou talvez não.

What next? 22 emerging technologies to watch in 2022 (The Economist)

economist.com

[Solar radiation management is listed first. Calling it “controversial” is bad journalism. It is extremely dangerous and there is not a lot of controversy about this aspect of the thing.]

Nov 8th 2021


The astonishingly rapid development and rollout of coronavirus vaccines has been a reminder of the power of science and technology to change the world. Although vaccines based on new mRNA technology seemed to have been created almost instantly, they actually drew upon decades of research going back to the 1970s. As the saying goes in the technology industry, it takes years to create an overnight success. So what else might be about to burst into prominence? Here are 22 emerging technologies worth watching in 2022

Solar geoengineering

It sounds childishly simple. If the world is getting too hot, why not offer it some shade? The dust and ash released into the upper atmosphere by volcanoes is known to have a cooling effect: Mount Pinatubo’s eruption in 1991 cooled the Earth by as much as 0.5°C for four years. Solar geoengineering, also known as solar radiation management, would do the same thing deliberately.

This is hugely controversial. Would it work? How would rainfall and weather patterns be affected? And wouldn’t it undermine efforts to curb greenhouse-gas emissions? Efforts to test the idea face fierce opposition from politicians and activists. In 2022, however, a group at Harvard University hopes to conduct a much-delayed experiment called SCoPEX. It involves launching a balloon into the stratosphere, with the aim of releasing 2kg of material (probably calcium carbonate), and then measuring how it dissipates, reacts and scatters solar energy.

Proponents argue that it is important to understand the technique, in case it is needed to buy the world more time to cut emissions. The Harvard group has established an independent advisory panel to consider the moral and political ramifications. Whether the test goes ahead or not, expect controversy.

Heat pumps

Keeping buildings warm in winter accounts for about a quarter of global energy consumption. Most heating relies on burning coal, gas or oil. If the world is to meet its climate-change targets, that will have to change. The most promising alternative is to use heat pumps—essentially, refrigerators that run in reverse.

Instead of pumping heat out of a space to cool it down, a heat pump forces heat in from the outside, warming it up. Because they merely move existing heat around, they can be highly efficient: for every kilowatt of electricity consumed, heat pumps can deliver 3kW of heat, making them cheaper to run than electric radiators. And running a heat pump backwards cools a home rather than heating it.

Gradient, based in San Francisco, is one of several companies offering a heat pump that can provide both heating and cooling. Its low-profile, saddle-bag shaped products can be mounted in windows, like existing air conditioners, and will go on sale in 2022.

Hydrogen-powered planes

Electrifying road transport is one thing. Aircraft are another matter. Batteries can only power small aircraft for short flights. But might electricity from hydrogen fuel cells, which excrete only water, do the trick? Passenger planes due to be test-flown with hydrogen fuel cells in 2022 include a two-seater being built at Delft University of Technology in the Netherlands. ZeroAvia, based in California, plans to complete trials of a 20-seat aircraft, and aims to have its hydrogen-propulsion system ready for certification by the end of the year. Universal Hydrogen, also of California, hopes its 40-seat plane will take off in September 2022.

Direct air capture

Carbon dioxide in the atmosphere causes global warming. So why not suck it out using machines? Several startups are pursuing direct air capture (DAC), a technology that does just that. In 2022 Carbon Engineering, a Canadian firm, will start building the world’s biggest DAC facility in Texas, capable of capturing 1m tonnes of CO2 per year. ClimeWorks, a Swiss firm, opened a DAC plant in Iceland in 2021, which buries captured CO2 in mineral form at a rate of 4,000 tonnes a year. Global Thermostat, an American firm, has two pilot plants. DAC could be vital in the fight against climate change. The race is on to get costs down and scale the technology up.

Vertical farming

A new type of agriculture is growing. Vertical farms grow plants on trays stacked in a closed, controlled environment. Efficient LED lighting has made the process cheaper, though energy costs remain a burden. Vertical farms can be located close to customers, reducing transport costs and emissions. Water use is minimised and bugs are kept out, so no pesticides are needed.

In Britain, the Jones Food Company will open the world’s largest vertical farm, covering 13,750 square metres, in 2022. AeroFarms, an American firm, will open its largest vertical farm, in Daneville, Virginia. Other firms will be expanding, too. Nordic Harvest will enlarge its facility just outside Copenhagen and construct a new one in Stockholm. Plenty, based in California, will open a new indoor farm near Los Angeles. Vertical farms mostly grow high-value leafy greens and herbs, but some are venturing into tomatoes, peppers and berries. The challenge now is to make the economics stack up, too.

Container ships with sails

Ships produce 3% of greenhouse-gas emissions. Burning maritime bunker fuel, a dirty diesel sludge, also contributes to acid rain. None of this was a problem in the age of sail—which is why sails are making a comeback, in high-tech form, to cut costs and emissions.

In 2022 Michelin of France will equip a freighter with an inflatable sail that is expected to reduce fuel consumption by 20%. MOL, a Japanese shipping firm, plans to put a telescoping rigid sail on a ship in August 2022. Naos Design of Italy expects to equip eight ships with its pivoting and foldable hard “wing sails”. Other approaches include kites, “suction wings” that house fans, and giant, spinning cylinders called Flettner rotors. By the end of 2022 the number of big cargo ships with sails of some kind will have quadrupled to 40, according to the International Windship Association. If the European Union brings shipping into its carbon-trading scheme in 2022, as planned, that will give these unusual technologies a further push.

VR workouts

Most people do not do enough exercise. Many would like to, but lack motivation. Virtual reality (VR) headsets let people play games and burn calories in the process, as they punch or slice oncoming shapes, or squat and shimmy to dodge obstacles. VR workouts became more popular during the pandemic as lockdowns closed gyms and a powerful, low-cost headset, the Oculus Quest 2, was released. An improved model and new fitness features are coming in 2022. And Supernatural, a highly regarded VR workout app available only in North America, may be released in Europe. Could the killer app for virtual reality be physical fitness?

Vaccines for HIV and malaria

The impressive success of coronavirus vaccines based on messenger RNA (mRNA) heralds a golden era of vaccine development. Moderna is developing an HIV vaccine based on the same mRNA technology used in its highly effective coronavirus vaccine. It entered early-stage clinical trials in 2021 and preliminary results are expected in 2022. BioNTech, joint-developer of the Pfizer-BioNTech coronavirus vaccine, is working on an mRNA vaccine for malaria, with clinical trials expected to start in 2022. Non-mRNA vaccines for HIV and malaria, developed at the University of Oxford, are also showing promise.

3D-printed bone implants

For years, researchers have been developing techniques to create artificial organs using 3D printing of biological materials. The ultimate goal is to take a few cells from a patient and create fully functional organs for transplantation, thus doing away with long waiting-lists, testing for matches and the risk of rejection.

That goal is still some way off for fleshy organs. But bones are less tricky. Two startups, Particle3D and ADAM, hope to have 3D-printed bones available for human implantation in 2022. Both firms use calcium-based minerals to print their bones, which are made to measure based on patients’ CT scans. Particle3D’s trials in pigs and mice found that bone marrow and blood vessels grew into its implants within eight weeks. ADAM says its 3D-printed implants stimulate natural bone growth and gradually biodegrade, eventually being replaced by the patient’s bone tissue. If all goes well, researchers say 3D-printed blood vessels and heart valves are next.

Flying electric taxis

Long seen as something of a fantasy, flying taxis, or electric vertical take-off and landing (eVTOL) aircraft, as the fledgling industry calls them, are getting serious. Several firms around the world will step up test flights in 2022 with the aim of getting their aircraft certified for commercial use in the following year or two. Joby Aviation, based in California, plans to build more than a dozen of its five-seater vehicles, which have a 150-mile range. Volocopter of Germany aims to provide an air-taxi service at the 2024 Paris Olympics. Other contenders include eHang, Lilium and Vertical Aerospace. Keep an eye on the skies.

Space tourism

After a stand-out year for space tourism in 2021, as a succession of billionaire-backed efforts shot civilians into the skies, hopes are high for 2022. Sir Richard Branson’s Virgin Galactic just beat Jeff Bezos’s Blue Origin to the edge of space in July, with both billionaires riding in their own spacecraft on suborbital trips. In September Elon Musk’s company, SpaceX, sent four passengers on a multi-day orbital cruise around the Earth.

All three firms hope to fly more tourists in 2022, which promises to be the first year in which more people go to space as paying passengers than as government employees. But Virgin Galactic is modifying its vehicle to make it stronger and safer, and it is not expected to fly again until the second half of 2022, with commercial service starting in the fourth quarter. Blue Origin plans more flights but has not said when or how many. For its part, SpaceX has done a deal to send tourists to the International Space Station. Next up? The Moon.

Delivery drones

They are taking longer than expected to get off the ground. But new rules, which came into effect in 2021, will help drone deliveries gain altitude in 2022. Manna, an Irish startup which has been delivering books, meals and medicine in County Galway, plans to expand its service in Ireland and into Britain. Wing, a sister company of Google, has been doing test deliveries in America, Australia and Finland and will expand its mall-to-home delivery service, launched in late 2021. Dronamics, a Bulgarian startup, will start using winged drones to shuttle cargo between 39 European airports. The question is: will the pace of drone deliveries pick up—or drop off?

Quieter supersonic aircraft

For half a century, scientists have wondered whether changes to the shape of a supersonic aircraft could reduce the intensity of its sonic boom. Only recently have computers become powerful enough to run the simulations needed to turn those noise-reduction theories into practice.

In 2022 NASA’s X-59 QueSST (short for “Quiet Supersonic Technology”) will make its first test flight. Crucially, that test will take place over land—specifically, Edwards Air Force Base in California. Concorde, the world’s first and only commercial supersonic airliner, was not allowed to travel faster than sound when flying over land. The X-59’s sonic boom is expected to be just one-eighth as loud as Concorde’s. At 75 perceived decibels, it will be equivalent to a distant thunderstorm—more of a sonic “thump”. If it works, NASA hopes that regulators could lift the ban on supersonic flights over land, ushering in a new era for commercial flight.

3D-printed houses

Architects often use 3D printing to create scale models of buildings. But the technology can be scaled up and used to build the real thing. Materials are squirted out of a nozzle as a foam that then hardens. Layer by layer, a house is printed—either on site, or as several pieces in a factory that are transported and assembled.

In 2022 Mighty Buildings, based in California, will complete a development of 15 eco-friendly 3D-printed homes at Rancho Mirage. And ICON, based in Texas, plans to start building a community of 100 3D-printed homes near Austin, which would be the largest development of its kind.

Sleep tech

It’s become a craze in Silicon Valley. Not content with maximising their productivity and performance during their waking hours, geeks are now optimising their sleep, too, using an array of technologies. These include rings and headbands that record and track sleep quality, soothing sound machines, devices to heat and cool mattresses, and smart alarm clocks to wake you at the perfect moment. Google launched a sleep-tracking nightstand tablet in 2021, and Amazon is expected to follow suit in 2022. It sounds crazy. But poor sleep is linked with maladies from heart disease to obesity. And what Silicon Valley does today, everyone else often ends up doing tomorrow.

Personalised nutrition

Diets don’t work. Evidence is growing that each person’s metabolism is unique, and food choices should be, too. Enter personalised nutrition: apps that tell you what to eat and when, using machine-learning algorithms, tests of your blood and gut microbiome, data on lifestyle factors such as exercise, and real-time tracking of blood-sugar levels using coin-sized devices attached to the skin. After successful launches in America, personalised-nutrition firms are eyeing other markets in 2022. Some will also seek regulatory approval as treatments for conditions such as diabetes and migraine.

Wearable health trackers

Remote medical consultations have become commonplace. That could transform the prospects for wearable health trackers such as the Fitbit or Apple Watch. They are currently used primarily as fitness trackers, measuring steps taken, running and swimming speeds, heart rates during workouts, and so forth. But the line between consumer and medical uses of such devices is now blurring, say analysts at Gartner, a consultancy.

Smart watches can already measure blood oxygenation, perform ECGs and detect atrial fibrillation. The next version of the Apple Watch, expected in 2022, may include new sensors capable of measuring levels of glucose and alcohol in the blood, along with blood pressure and body temperature. Rockley Photonics, the company supplying the sensor technology, calls its system a “clinic on the wrist”. Regulatory approval for such functions may take a while, but in the meantime doctors, not just users, will be paying more attention to data from wearables.

The metaverse

Coined in 1992 by Neal Stephenson in his novel “Snow Crash”, the word “metaverse” referred to a persistent virtual world, accessible via special goggles, where people could meet, flirt, play games, buy and sell things, and much more besides. In 2022 it refers to the fusion of video games, social networking and entertainment to create new, immersive experiences, like swimming inside your favourite song at an online concert. Games such as Minecraft, Roblox and Fortnite are all stepping-stones to an emerging new medium. Facebook has renamed itself Meta to capitalise on the opportunity—and distract from its other woes.

Quantum computing

An idea that existed only on blackboards in the 1990s has grown into a multi-billion dollar contest between governments, tech giants and startups: harnessing the counter-intuitive properties of quantum physics to build a new kind of computer. For some kinds of mathematics a quantum computer could outperform any non-quantum machine that could ever be built, making quick work of calculations used in cryptography, chemistry and finance.

But when will such machines arrive? One measure of a quantum computer’s capability is its number of qubits. A Chinese team has built a computer with 66 qubits. IBM, an American firm, hopes to hit 433 qubits in 2022 and 1,000 by 2023. But existing machines have a fatal flaw: the delicate quantum states on which they depend last for just a fraction of a second. Fixing that will take years. But if existing machines can be made useful in the meantime, quantum computing could become a commercial reality much sooner than expected.

Virtual influencers

Unlike a human influencer, a virtual influencer will never be late to a photoshoot, get drunk at a party or get old. That is because virtual influencers are computer-generated characters who plug products on Instagram, Facebook and TikTok.

The best known is Miquela Sousa, or “Lil Miquela”, a fictitious Brazilian-American 19-year-old with 3m Instagram followers. With $15bn expected to be spent on influencer marketing in 2022, virtual influencers are proliferating. Aya Stellar—an interstellar traveller crafted by Cosmiq Universe, a marketing agency—will land on Earth in February. She has already released a song on YouTube.

Brain interfaces

In April 2021 the irrepressible entrepreneur Elon Musk excitedly tweeted that a macaque monkey was “literally playing a video game telepathically using a brain chip”. His company, Neuralink, had implanted two tiny sets of electrodes into the monkey’s brain. Signals from these electrodes, transmitted wirelessly and then decoded by a nearby computer, enabled the monkey to move the on-screen paddle in a game of Pong using thought alone.

In 2022 Neuralink hopes to test its device in humans, to enable people who are paralysed to operate a computer. Another firm, Synchron, has already received approval from American regulators to begin human trials of a similar device. Its “minimally invasive” neural prosthetic is inserted into the brain via blood vessels in the neck. As well as helping paralysed people, Synchron is also looking at other uses, such as diagnosing and treating nervous-system conditions including epilepsy, depression and hypertension.

Artificial meat and fish

Winston Churchill once mused about “the absurdity of growing a whole chicken to eat the breast or wing”. Nearly a century later, around 70 companies are “cultivating” meats in bioreactors. Cells taken from animals, without harming them, are nourished in soups rich in proteins, sugars, fats, vitamins and minerals. In 2020 Eat Just, an artificial-meat startup based in San Francisco, became the first company certified to sell its products, in Singapore.

It is expected to be joined by a handful of other firms in 2022. In the coming year an Israeli startup, SuperMeat, expects to win approval for commercial sales of cultivated chicken burgers, grown for $10 a pop—down from $2,500 in 2018, the company says. Finless Foods, based in California, hopes for approval to sell cultivated bluefin tuna, grown for $440 a kilogram—down from $660,000 in 2017. Bacon, turkey and other cultivated meats are in the pipeline. Eco-conscious meat-lovers will soon be able to have their steak—and eat it.

By the Science and technology correspondents of The Economist

This article appeared in the What next? section of the print edition of The World Ahead 2022 under the headline “What next?”

Agronegócio banca palestras que espalham mito de que aquecimento global pelo homem é fraude (BBC News Brasil)

bbc.com


Juliana Gragnani – @julianagragnani

Da BBC News Brasil em Londres

18 novembro 2021

As Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) de Meio Ambiente (CMA) realizam audiência pública conjunta para tratar sobre questões relacionadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global. Foto tirada em 28 de maio de 2019
Legenda da foto, Luiz Carlos Molion, professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas, disse em uma de suas palestras que aquecimento global “é uma farsa”

Uma sala repleta de estudantes de agronomia assiste a uma palestra sobre mudanças climáticas no Brasil. Estão em uma faculdade no Estado do Mato Grosso, maior produtor de soja do país, ouvindo falar um professor da Universidade de São Paulo. Mas o que escutam é o contrário do que acredita a esmagadora maioria da comunidade científica do mundo. Ali, a mensagem transmitida é de que não existe aquecimento global causado pelo homem.

“Os objetivos [de quem fala em mudanças climáticas] são congelar os países em desenvolvimento. O Brasil é o principal foco dessas operações que envolvem meio ambiente e clima. A ideia da mudança climática e dessas questões ambientais são para segurar o nosso desenvolvimento”, afirmou o palestrante, o meteorologista Ricardo Felicio, sem respaldo científico, em uma entrevista concedida após o evento que aconteceu em 2019.

Na realidade, segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de agosto deste ano, o papel da influência humana no aquecimento do planeta é “inequívoco”. É para limitar as mudanças climáticas por meio da redução na emissão de gases de efeito estufa que líderes se reuniram nas últimas duas semanas na COP26 em Glasgow, no Reino Unido.

No Brasil, a maior causa de emissões de dióxido de carbono é o desmatamento feito para expansão da agricultura e da pecuária.

Mas, na contramão do que diz a ciência, associações do agronegócio — de fazendeiros de soja, passando por cafeicultores, sindicatos rurais, faculdades ligadas a agronomia e até uma empresa de fertilizantes — estão bancando palestras dos chamados “negacionistas climáticos”, pessoas que não acreditam que existam mudanças climáticas causadas pelo homem e que apresentam esse fato como uma fraude. As apresentações são direcionadas a outros fazendeiros, produtores rurais ou estudantes de agronomia.

A reportagem contou ao menos 20 palestras do tipo nesses ambientes nos últimos três anos feitas por Felicio e por outro professor. A citada no início desta reportagem aconteceu em 2019, e fez parte de um circuito universitário de um total de 11 palestras com o nome “Aquecimento global, mito ou realidade?” em nove faculdades e dois sindicatos no Mato Grosso. Todas elas foram bancadas pela Aprosoja Mato Grosso, a associação de produtores de soja e milho do Estado, maior produtor de soja do Brasil.

Ao mesmo tempo em que negam o aquecimento global antropogênico, as palestras pagas e vistas por ruralistas os absolvem de reconhecer seu papel nas mudanças climáticas. Elas seriam, de acordo com o conteúdo contrário ao consenso científico apresentado pelos professores, somente fruto de variações naturais, sem interferência alguma do homem.

Ao contrário desse setor “negacionista” do agronegócio, o presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcello Brito, diz que a associação se pauta “pela melhor ciência” e que “jogar fora a ciência porque ela não nos traz só vantagens, mas também deveres, é no mínimo contraproducente, jogando contra a melhoria contínua”.

Palestras

Felicio, o professor do departamento de Geografia da USP contratado pela Aprosoja Mato Grosso em 2019, é conhecido por suas posições controversas — ultimamente, em relação à pandemia de covid-19. Em um vídeo publicado em agosto deste ano em seu canal do YouTube, chamou a pandemia de “fraudemia” e disse, sem base científica, que vacinas causam danos maiores que a covid-19. Em outro, afirmou que máscaras não são efetivas contra a covid-19. É também um notório negacionista das mudanças climáticas causadas pelo homem. Ficou conhecido em 2012, quando foi convidado ao Programa do Jô, da Globo, e, sem provas, negou o efeito estufa.

Ricardo Felicio (no canto esquerdo) e Luiz Carlos Molion (no canto direito) dão palestras pelo Brasil; na foto, eles participam de audiência pública no Senado. Crédito, Geraldo Magela/Agência Senado

Durante três semanas, a reportagem tentou falar com Felicio por telefonemas, mensagens de texto e e-mails, mas não obteve resposta. O vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Beber, justificou o convite em entrevista à BBC News Brasil.

“A gente trouxe o Ricardo Felicio para fazer um contraponto com aquilo que é replicado na mídia hoje, que parece uma verdade absoluta. A gente não queria impor aquilo como uma verdade, mas sim trazer a um debate”, afirma. Para ele, as mudanças climáticas causadas pelo homem ainda são uma “incerteza” — embora já haja consenso científico em torno delas. Beber também disse não se lembrar quanto custou o ciclo de 11 palestras feitas por Felicio naquele ano.

Vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso diz que convite a professor considerado negacionista se deu para promover ‘contraponto com o que é replicado na mídia’. Crédito, Getty Images

No ano passado, o meteorologista também foi convidado para falar no Tecno Safra Nortão 2020, uma feira para produtores rurais, lideranças, técnicos, pesquisadores e estudantes organizada pelo sindicato rural de Matupá, município no norte de Mato Grosso.

Segundo o vice-presidente do sindicato, Fernando Bertolin, ao menos cem pessoas, entre pequenos e grandes agricultores, pecuaristas e outras pessoas da cidade assistiram à palestra. Ele defende o convite, dizendo que, à época, Felicio estava “bem forte na mídia” e que sua palestra “foi um pedido dos produtores”. “A gente ouve todo mundo. Ele tem o embasamento teórico dele e a gente queria saber por que ele dizia aquilo.”

Bertolin diz não se recordar do valor da palestra de Felicio de cabeça, mas afirma que nenhuma das contratadas pela feira custou mais de R$ 15 mil.

Em 2018, Felicio concorreu, sem sucesso, ao cargo de deputado federal pelo PSL, antigo partido do presidente Jair Bolsonaro.

Um ano antes, o presidente tuitou um vídeo de uma entrevista em que Felicio nega a existência de mudanças climáticas causadas pelo homem. Bolsonaro escreveu: “Vale a pena conferir”. Consultada pela BBC News Brasil sobre esta recomendação feita por Bolsonaro, a assessoria da Presidência não respondeu.

O professor não foi aclamado apenas pelo presidente. Em 2019, Felicio foi convidado para dar uma palestra no Senado ao lado de outro acadêmico que não acredita no aquecimento global causado pelo homem, o professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), meteorologista Luiz Carlos Molion.

O convite para que os professores falassem em uma audiência pública conjunta das comissões de Relações Exteriores e de Meio Ambiente do Senado sobre as mudanças climáticas partiu do senador do Acre Marcio Bittar (hoje PSL, mas, na época, do MDB), um ex-pecuarista que faz parte da bancada ruralista.

Ao lado de Felicio, Molion é considerado um dos principais representantes do negacionismo climático no Brasil e autor das outras palestras contabilizadas pela reportagem.

Nos últimos três anos, Molion fez diversas palestras promovidas por entidades como a Cooperativa Agrícola de Unaí, em Minas Gerais, a Associação Avícola de Pernambuco, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém, com o patrocínio oficial do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo, a Central Campo, uma empresa especializada na venda de insumos agrícolas, a Feira Agrotecnológica do Tocantins, do governo do Tocantins, a feira de Agronegócios da Cooabriel, uma cooperativa de café com atuação no Espírito Santo e na Bahia, e o sindicato rural de Canarana, no Mato Grosso.

Molion também foi convidado para falar em universidades: o Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A BBC News Brasil procurou todas essas instituições para comentar sobre os convites que fizeram a Molion — leia as respostas abaixo e no fim desta reportagem.

A maior parte dessas palestras tem como tema as perspectivas climáticas para o ano seguinte e as “tendências para os próximos 10 anos”. Nas palestras — a maioria disponível no YouTube e vistas pela BBC News Brasil —, Molion de fato faz previsões para o ano seguinte, útil para que os produtores rurais se planejem para as próximas safras, mas reserva a última parte da palestra para falar sobre como o “aquecimento global é uma fraude” — novamente, uma afirmação sem embasamento científico.

Ele mostra um slide na parte final em sua apresentação de Powerpoint, com suas palavras finais. O texto da apresentação diz que o clima “varia por causas naturais”, e que “eventos extremos sempre ocorreram”. Afirma, também: “Aquecimento global é mito. CO2 não controla o clima, não é vilão (…) Redução de emissões: inútil!”

Segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de agosto deste ano, o papel da influência humana no aquecimento do planeta é “inequívoco”; no Brasil, a maior causa de emissões de gases do efeito estufa é o desmatamento. Crédito, AFP

Na palestra promovida pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura do governo do Tocantins em maio de 2020, por exemplo, Molion afirmou, contrariando a ciência, que o “aquecimento global é uma farsa, é um mito”. “Reduzir emissões como quer esse Acordo de Paris de 2015 é inútil, o Brasil tinha que pular fora porque reduzir emissões não vai causar nenhum benefício para o planeta, para o clima, porque o CO2 não controla o clima”, disse, indo contra a esmagadora maioria da produção científica dos últimos anos e aos esforço global de selar acordos para diminuir as emissões dos gases de efeito estufa.

A secretaria disse que o convidou, ao lado de outros palestrantes, para “alinhar o setor agropecuário quanto às diversas correntes existentes e auxiliá-los no seu planejamento e tomadas de decisão mais assertivas para seu empreendimento rural”.

Depois, em outubro de 2020, em um seminário virtual promovido pela Central Campo, uma empresa mineira especializada na venda de insumos agrícolas, Molion fez as mesmas afirmações sobre o CO2 e o Acordo de Paris.

O diretor da empresa, Artur Barros, disse por e-mail à BBC News Brasil que a empresa “sempre soube do posicionamento do professor Molion, que é muito pragmático quanto às questões climáticas” e “o profissional que tem maior assertividade nas previsões”. “A Central Campo, assim como grande parte dos produtores atendidos pela empresa, está muito alinhada ao posicionamento do professor Molion”.

À BBC News Brasil, Molion afirmou: “Procuro usar minhas palestras para o agronegócio, que não são poucas, para no terceiro bloco falar sobre as mudanças climáticas e a farsa do CO2 como controlador do clima global. Faço um diagnóstico local, previsão para safra e depois falo sobre a tendência do clima dos próximos dez, 15 anos, que é de resfriamento.”

Segundo Molion, ele dá 50 palestras por ano, “a grande maioria, 80%, 85% para o agronegócio”, cobrando R$ 4 mil por cada uma. Barros, da Central Campo, afirmou que foi este o valor que pagou pela palestra do professor.

O meteorologista diz que não se incomoda de ser chamado de “negacionista”, embora, ressalte, nunca tenha negado que houve aquecimento no planeta em um período específico no passado. “Eu levo o que acho que está correto, pode ser que daqui a alguns anos me provem que estou errado e vou reconhecer isto. Não sou paraquedista. Eu tenho visão muito crítica do clima local e global graças ao meu treinamento.”

Um dos seminários mais recentes de que participou teve também a presença de membros do governo Bolsonaro: o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro de Infraestrutura, Tarcisio Freitas. Foi um seminário virtual sobre a Amazônia em agosto deste ano organizado pelo Instituto General Villas Bôas, ONG do ex-comandante do Exército.

Contrariando o consenso da comunidade científica sobre as mudanças climáticas, Molion defendeu que o clima global varia naturalmente, sem influência da ação humana, e apresentou um slide em que dizia que o efeito-estufa, “como descrito pelo IPCC, é questionável”. Antes de passar a palavra para o ministro Freitas, afirmou: “CO2 não é vilão, quanto mais CO2 tiver na atmosfera, melhor”.

Vice-presidente Hamilton Mourão participou de seminário sobre a Amazônia que teve a participação do professor Luiz Carlos Molion; sua assessoria disse que ele se baseia em ‘dados científicos para emissão de suas ideias e opiniões’. Crédito, Adnilton Farias/Palácio do Planalto

A BBC News Brasil procurou a vice-presidência questionando por que Mourão aceitou participar de um seminário ao lado de um professor que nega que a ação do homem esteja contribuindo para o aquecimento global. Sua assessoria disse apenas que Mourão participou do evento a convite do Instituto General Villas Bôas e que “baseia-se em dados científicos para emissão de suas ideias e opiniões”.

A assessoria do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, afirmou que ele participou do seminário após convite feito pelo próprio general Villas Boas. A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, foi inicialmente anunciada como um dos nomes de ministros que participariam do seminário, mas sua assessoria informou que ela não participaria do evento, sem responder por que desistiu.

Negacionismo climático no Brasil

A genealogia do negacionismo climático no Brasil começa nos anos 2000, quando a imprensa “dava pesos iguais para argumentos com pesos totalmente diferentes”, avalia o sociólogo Jean Miguel, pesquisador associado da Unifesp que estuda o tema. O debate sobre o assunto no Brasil se deu principalmente a partir do documentário americano Uma Verdade Inconveniente (2006), sobre a campanha do ex-vice-presidente americano Al Gore a respeito do aquecimento global.

Enquanto isso, um grupo pequeno de negacionistas na academia brasileira, incluindo Felicio e Molion, se pronunciavam publicamente sobre o tema. Para Miguel, eles são “verdadeiros mercadores da dúvida, trabalhando para destacar lacunas que toda ciência possui e amplificar incertezas”.

“[E quem os ouviu no Brasil] foi parte do agronegócio interessado na desregulamentação florestal”, responde Miguel.

Hoje, “as palestras fazem massagem no ego do produtor rural e criam a mentalidade de que esses grupos de agronegócio estão sendo injustiçados enquanto estão contribuindo para o PIB nacional”, diz o pesquisador.

Não significa que todos os produtores rurais sejam negacionistas. “A briga hoje é entre dois lados: o setor de agroexportação, que está mais em contato com compradores internacionais, portanto mais pressionado pela questão reputacional, e que faz investimentos a longo prazo, pensando na questão produtiva na próxima década, não na próxima safra”, diz Raoni Rajão, professor de gestão ambiental na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Outro lado do setor são os produtores, mais politizados e fortes apoiadores de Bolsonaro e toda sua agenda. Eles de certa forma compram esse discurso que toda a narrativa de mudança climática é algo para poder impedir o desenvolvimento do Brasil.”

Apesar de não começar no governo Bolsonaro, o negacionismo “encontra terreno fértil para proliferar” em sua gestão, avalia Miguel, citando algumas ações do governo atual, como o fechamento da secretaria responsável por elaborar políticas públicas sobre as mudanças climáticas, no início da gestão Bolsonaro (ela foi reaberta em meio a críticas no ano seguinte) e a desistência em sediara COP-25 que ocorreria no Brasil em novembro de 2019. Em sua campanha, em 2018, Bolsonaro também prometeu acabar com o que chamava de “indústria das multas” ambientais.

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que ficou no cargo do começo do governo Bolsonaro até março de 2021, chegou a colocar em dúvida que as mudanças climáticas seriam causadas pela ação humana, na contramão do consenso científico.

ara sociólogo, negacionismo climático no Brasil não começou no governo Bolsonaro, mas encontrou ‘terreno fértil para proliferar’ em sua gestão. Crédito, EPA/Joedson Alves

“Eles estão altamente informados pelo negacionismo climático. Mesmo que não digam que é uma fraude, de uma maneira interna vão criando as possibilidade de sabotar a ciência e as políticas climáticas nacionais, com formas práticas de negacionismo climático”, afirma Miguel.

Desmatamento

Mas ações práticas terão de ser adotadas para que o Brasil cumpra as metas anunciadas pelo governo durante a COP-26: zerar o desmatamento ilegal no país até 2028, reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

O desmatamento, causado pela expansão da agricultura e da pecuária, é responsável pela maior emissão de CO2 no Brasil.

Só entre agosto de 2019 e julho de 2020, uma área de 10.851 km2 — mais ou menos metade da área do Estado de Sergipe — foi desmatada na Amazônia Legal, segundo dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O valor representou um aumento de 7,13% em relação ao ano anterior.

Esse crescimento teve um claro reflexo nas emissões de gases poluentes pelo Brasil em 2020. Houve um aumento de 9,5%, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, principalmente por mudanças no uso da terra e floresta, que inclui o desmatamento, e a agropecuária. O aumento aconteceu na contramão do mundo que, parado por conta da pandemia de covid-19, diminuiu as emissões em 7%.

Só entre agosto de 2019 e julho de 2020, uma área de 10.851 km2 – mais ou menos metade da área do Estado de Sergipe – foi desmatada na Amazônia Legal. Crédito, Adriano Machado/Reuters

Para Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, a boa notícia é que, se o Brasil conseguir controlar o desmatamento, “as emissões cairão muito rapidamente”. “Se controlarmos o desmatamento, não há país no mundo que vai ter emissões menores proporcionalmente do que temos no Brasil, então acho que é uma oportunidade. Teremos um resultado incrível para o Brasil e para o planeta.”

Apesar de pertencer ao setor responsável pela maior parte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil, parte dos ruralistas diz acreditar ser injustamente acusada por ambientalistas.

As palestras do meteorologista Felicio no Mato Grosso, em 2019, “foram bem numa época em que era moda dizer que o agricultor era quem estava acabando com o mundo”, diz o produtor rural Artemio Antonini, presidente do sindicato rural de Nova Xavantina, no Mato Grosso. Também cético em relação às mudanças climáticas, Antonini ajudou a organizar a palestra de Felicio na região.

Na opinião de Rajão, da UFMG, “o agro como um todo toma as dores e se sente ofendido quando se fala de desmatamento”. “A reação é negar o desmatamento e a existência das mudanças climáticas.”

“Tomar as dores” porque, de fato, quem desmata primariamente não é produtor rural. Uma área desmatada começa com uma onda de especuladores – quem demarca a terra e serra dali a vegetação depois quem tenta regularizar a área -, em seguida vem o pecuarista e depois vem o agricultor, explica Rajão. “Por isso que quando dizem que não estão envolvidos com o desmatamento, é verdade, boa parte deles não está. Mas se beneficiam de um fornecimento de terra barata, que vem de todo o processo de desmatamento ilegal que às vezes aconteceu 10 anos antes.”

A ilegalidade é bastante concentrada. O estudo “As maçãs podres do agronegócio brasileiro”, de Rajão e outros pesquisadores, mostrou que mais de 90% dos produtores na Amazônia e no Cerrado não praticaram desmatamento ilegal após 2008. Além disso, apenas 2% das propriedades nessas regiões eram responsáveis por 62% de todo desmatamento potencialmente ilegal. O trabalho foi publicado na revista Science no ano passado.

‘Agrosuicídio’

O agricultor de soja Ilson Redivo também esteve na plateia em uma das palestras que o professor Ricardo Felicio deu em 2019, no município de Sinop, norte do Mato Grosso.

Redivo migrou do Paraná para Sinop em 1988, inicialmente trabalhando, como a maioria dos migrantes, no setor madeireiro. “Era um grande polo madeireiro, e era o que dava retorno na época”, diz. Hoje, ele possui uma fazenda de 4200 hectares de milho e soja na região, e é presidente do Sindicato Rural da cidade.

Ele diz ter gostado da palestra de Felicio. Como ele, o produtor rural também rejeita a ciência estabelecida sobre o aquecimento global. Ele diz que é uma “narrativa econômica”, não ambiental, criada para conter o desenvolvimento do Brasil.

“Eu estou há trinta anos aqui, foi desmatado um monte e o clima continua da mesma forma, tá certo? Não houve alteração climática”, diz Redivo à BBC News Brasil.

Ecoando argumentos já usados por Bolsonaro, o agricultor diz que o Brasil é “um exemplo para o mundo em preservação ambiental”. “O produtor brasileiro é o cara que mais preserva.”

O argumento é repetido por outros produtores rurais. “Ninguém fala que o agricultor está deixando 80% e só usando 20% da área para produzir”, reclama o produtor rural Antonini.

Durante a COP-26, em Glasgow, Brasil prometeu zerar o desmatamento ilegal no país até 2028. Crédito, Reuters

Eles se referem à Reserva Legal, um dispositivo criado no Código Florestal Brasileiro que obriga os proprietários de terras na Amazônia a preservar 80% da floresta nativa (no Cerrado, o valor é de 35%; em outros biomas, 20%), algo que beneficia o próprio agronegócio, por meio dos serviços ambientais prestados pela floresta. Muitos agricultores acham isso injusto. Mas, na prática, nem todos respeitam essa exigência.

A pesquisadora do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Ritaumaria Pereira conduziu entrevistas com 131 criadores de gado no Pará em 2013 e 2014 e descobriu que mais de 95% deles declararam preservar menos do que a quantidade exigida. Segundo ela, argumentam que, quando chegaram, a terra já estava nua, ou que no passado tinham o estímulo para desmatar, ou que não tinham recursos para regenerar 80%.

Para Pereira, da Imazon, para que o Brasil consiga cumprir as metas anunciadas durante a COP-26, será preciso investir em fiscalização na Amazônia, fortalecendo órgãos como o Ibama e o ICMBio.

Também será preciso combater o discurso do negacionismo climático. A mensagem transmitida a produtores rurais, diz ela, legitima o desmatamento, e “traz mais pessoas para esse pensamento, para que, num futuro próximo, validem assim tudo o que já desmataram”.

Para Rajão, da UFMG, é uma narrativa “que no curto prazo é confortante, mas no longo prazo contribui para o chamado ‘agrosuicídio'”.

Posicionamentos de empresas que convidaram professores para palestras

Cooperativa Agrícola de Unaí (Coagril)

A Cooperativa Agrícola de Unaí Ltda (Coagril) diz “ter contratado o professor Molion no intuito de obter informações acerca do regime de chuvas para a região de sua atuação, visando ao planejamento estratégico dos seus negócios e de seus cooperado”.

Associação Avícola de Pernambuco

“A AVIPE reforça seu caráter plural onde preza pela diversidade de ideias onde o debate de todos os pontos de vista precisa ser exaurido constantemente com o intuito da busca eterna de uma conclusão contingente sobre quaisquer assuntos. (…) Como associação, não nos cabe acreditar ou não se os fatos humanos causam mudanças climáticas, pois nosso papel não é de credo, mas sim de apoiar o debate científico por aqueles que se dedicam toda uma vida em pesquisa. Não condiz com nossos princípios, condutas e valores, selecionar uma parcela de opiniões do mundo científico para apoiar determinada conclusão com fins casuísticos ou individuais. Aspectos financeiros são reservados apenas aos nossos associados.”

Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém, com o patrocínio oficial do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo

A Associação de Engenheiros e Arquitetos de Itanhaém recebeu o pedido da BBC News Brasil por e-mail e WhatsApp, mas não respondeu.

O Crea-SP respondeu que “tem como missão legal o aperfeiçoamento técnico e cultural dos profissionais da área tecnológica, conforme a Lei 5.194”.

“Os eventos com essa finalidade, realizados pelas associações, são de responsabilidade de seus idealizadores e não necessariamente representam a posição do Crea-SP.

O Conselho reforça ainda que acredita em mudanças climáticas causadas pelas ações humanas e, como forma de apoiar medidas para combatê-las, é signatário dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.”

Cooperativa de café Cooabriel

Recebeu o pedido da BBC News Brasil por e-mail, mas não respondeu.

Sindicato rural de Canarana

O presidente do sindicato, Alex Wisch, respondeu, por mensagem via WhatsApp: “Propomos que vocês indiquem um cientista de mesmo nível acadêmico do Prof. Molion para que todos possam ter conhecimento da verdade científica sobre esse tema. Podemos colaborar financeiramente com esse evento e inclusive sediar o evento.”

Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Por telefone, o vice-diretor do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG, Helder Augusto, afirmou: “Na universidade, há diversidade de ideias e contrapontos. Não é um posicionamento da UFMG. É um ponto de vista dele, é uma fala relativa. A pessoa veio, fez palestra e pode falar o que bem entender porque é um ambiente público. A universidade não paga palestra para ninguém.”

Universidade Federal da Paraíba

“O evento foi realizado no auditório do Centro de Tecnologia da UFPB, organizado no âmbito do Departamento de Engenharia Mecânica, que aproveitou que o palestrante já estava em João Pessoa (PB) e o convidou para ministrar palestra na UFPB, portanto, neste caso em particular, sem ônus para a UFPB.

A iniciativa de convidar o pesquisador para ministrar palestra sobre seus estudos não se confunde com a visão, missão e valores da UFPB, entre os quais destaca-se o caráter público e autônomo da Universidade.

A UFPB defende o papel da academia e apoia a ciência e a pesquisa, o conhecimento gerado a partir de métodos científicos, no intuito de encontrar soluções para desafios em todas as áreas e geração de benefícios para a sociedade. Por meio da ciência, as teorias são constantemente testadas, visando sua comprovação ou substituição por outra teoria que resista à checagem. Não compete à Universidade aplicar censura prévia à ciência.”

India Should Demand International, Political Oversight for Geoengineering R&D (The Wire)

thewire.in

Some ‘high-level’ scientific pronouncements have assumed stewardship of climate geoengineering in the absence of other agents. This is dangerous, as effects on the Indian monsoons will show.

Prakash Kashwan – 28/Dec/2018


Multilateral climate negotiations led by the UN have ended on disappointing notes of late. This has prompted climate scientists to weigh the pros and cons of climate geoengineering. Indian scientists, policymakers, and the public must also engage in these debates, especially given the potentially major implications of geoengineering for the monsoons in South Asia and Africa.

But while a proper scientific and technological assessment of potential risks is important, it wouldn’t be enough.

Since 2016, an academic working group (AWG) of 14 global governance experts (including the author) has deliberated on the wisdom and merits of geoengineering. In a report, we argue that we ought to develop ‘anticipatory governance mechanisms’.

While people often equate governance with top-down regulations, the AWG’s vision emphasises a combination of regulatory and voluntary strategies adopted by diverse state and non-state actors.

In the same vein, it’s also important to unpack the umbrella terminology of ‘geoengineering’. It comprises two sets of technologies with different governance implications: carbon geoengineering and solar geoengineering.

Carbon geoengineering, or carbon-dioxide removal, seeks to remove large quantities of the greenhouse gas from the atmosphere. The suite of options it presents include bioenergy with carbon capture and storage (BECCS). This would require planting bioenergy crops over an area up to five times the size of India by 2100. Obviously such large-scale and rapid land-use change will strain the already precarious global food security and violate the land, forest and water rights of hundreds of millions.

The second cluster of geoengineering technologies, solar geoengineering, a.k.a. solar radiation management (SRM), seeks to cool the planet by reflecting a fraction of sunlight back into space. While this could help avoid some of the more severe effects of climate change, SRM doesn’t help reduce the stock of carbon already present in the atmosphere. Scientists also caution that geoengineering may distract us from investing in emissions reduction. But we know from experience that policymakers could ignore such cautions in the policymaking process.

This means problems like air pollution and ocean acidification will continue unabated in the absence of profound climate mitigation actions. On the other hand, by altering atmospheric temperature, SRM could significantly disrupt the hydrological cycle and affect the monsoons.

Just being interested in minimising disruptions to the monsoons should encourage India to help develop international geoengineering governance.

But before we can get into into the nitty-gritty, there’s a question that must be answered. Why should the global community think about  governing climate engineering at this stage when all that exists of SRM are computer simulations of its pros and cons?

Some reasons follow:

First, the suggestion that geoengineering technologies merely fill a void left open by a “lack of political will” doesn’t capture the full array of possibilities. The IPCC Special Report on the effects on a world warming by 1.5°C includes a scenario in which the Paris Agreement’s goals are secured by 2050. This pathway banks on social, business and technological innovations, and doesn’t require resorting to radical climate responses or sacrificing improvements in basic living standards in the developing world.

On the other hand, $8 trillion’s worth of investments have already been redirected away from fossil fuel operations. These successes owe thanks to a global divestment movement led by environmental activists and student groups. (Such an outcome was thought to be politically infeasible only a few years ago.)

Second, recent research has shown that some geoengineering technologies, such as BECCS, could compete against the pursuits of more “ ecologically sound, economical, and scalable” methods (source) for enhancing natural climate sinks.

Third, despite a lot of progress in recent years, we don’t know enough to support a full assessment of the intended and unintended effects of geoengineering.

Decisions about which unresolved questions of geoengineering deserve public investment can’t be left only to  the scientists and policymakers. The community of climate engineering scientists tends to frame geoengineering in certain ways over other equally valid alternatives.

This includes considering the global average surface temperature as the central climate impact indicator and ignoring vested interests linked to capital-intensive geoengineering infrastructure. This could bias future R&D trajectories in this area.

And these priorities, together with the assessments produced by eminent scientific bodies, have contributed to the rise of a de facto form of governance. In other words, some ‘high-level’ scientific pronouncements have assumed stewardship of climate geoengineering in the absence of other agents.

Such technocratic modes of governance don’t enjoy broad-based social or political legitimacy.

Individual research groups (e.g. Harvard University’s Solar Geoengineering Research Program) have opened themselves up to public scrutiny. They don’t support commercial work on solar geoengineering and have decided not to patent technologies being developed in their labs. While this is commendable, none of this can substitute more politically legitimate arrangements.

The case of the Indian monsoons illustrates these challenges well. Various models of the Geoengineering Model Intercomparison Project have shown that SRM in use will likely cause the net summer monsoon precipitation to decline from 6.4% to 12.7%. (These predictions are based on average changes in atmospheric temperature, which means bigger or smaller variations could occur over different parts of India.)

So politically legitimate international governance is important to ensure global responses to climate change account for these and other domestic consequences.

As a first step, the AWG report recommends the UN secretary-general establish a high-level representative body to engage in international dialogue on various questions of governing SRM R&D, supported by a General Assembly resolution. Among other things, the mandate of this ‘World Commission’ could include debating whether, and to what end, SRM should be researched and developed and how it could fit within broader climate response strategies.

Then again, debates over solar geoengineering can’t be limited to global bodies and commissions. So the AWG also recommends the UN create a global forum for stakeholder dialogue to facilitate discussions on solar geoengineering. Such a forum could engage a variety of stakeholders, including local governments, communities, indigenous peoples and other climate-vulnerable groups, youth organisations and women’s groups. Only such a process is likely to effectively represent Indian peasants and farmers at the receiving end of a longstanding agrarian crisis.

These proposals for geoengineering governance build on various precedents. For example, from the 1990s, the World Commission on Dams demonstrated the feasibility and value of an extensive multi-level governance arrangement.

In 2018, policy experts have finally recognised  that global climate governance can’t ignore the general public’s concerns. It would be best to avoid rediscovering this wheel in the international governance domain of climate geoengineering.

Prakash Kashwan is an associate professor at the University of Connecticut, Storrs, and was a member of the AWG. The South Asia edition of his book Democracy in the Woods (2017) is due out later this month.

Also read: Geoengineering: Should India Tread Carefully or Go Full Steam Ahead?

Also read: Should We Engineer the Climate? A Social Scientist and Natural Scientist Discuss

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What to expect in year three of the pandemic (The Economist)

economist.com

New antibody and antiviral treatments, and better vaccines, are on the way

The Economist – Nov 8th 2021



IN THE WELL-VACCINATED wealthier countries of the world, year three of the pandemic will be better than year two, and covid-19 will have much less impact on health and everyday activities. Vaccines have weakened the link between cases and deaths in countries such as Britain and Israel (see chart). But in countries that are poorer, less well vaccinated or both, the deleterious effects of the virus will linger. A disparity of outcomes between rich and poor countries will emerge. The Gates Foundation, one of the world’s largest charities, predicts that average incomes will return to their pre-pandemic levels in 90% of advanced economies, compared with only a third of low- and middle-income economies.

Although the supply of vaccines surged in the last quarter of 2021, many countries will remain under-vaccinated for much of 2022, as a result of distribution difficulties and vaccine hesitancy. This will lead to higher rates of death and illness and weaker economic recoveries. The “last mile” problem of vaccine delivery will become painfully apparent as health workers carry vaccines into the planet’s poorest and most remote places. But complaints about unequal distribution will start to abate during 2022 as access to patients’ arms becomes a larger limiting factor than access to jabs. Indeed, if manufacturers do not scale back vaccine production there will be a glut by the second half of the year, predicts Airfinity, a provider of life-sciences data.

Booster jabs will be more widely used in 2022 as countries develop an understanding of when they are needed. New variants will also drive uptake, says Stanley Plotkin of the University of Pennsylvania, inventor of the rubella vaccine. Dr Plotkin says current vaccines and tweaked versions will be used as boosters, enhancing protection against variants.

The vaccination of children will also expand, in some countries to those as young as six months. Where vaccine hesitancy makes it hard for governments to reach their targets they will be inclined to make life difficult for the unvaccinated—by requiring vaccine passports to attend certain venues, and making vaccination compulsory for groups such as health-care workers.

Immunity and treatments may be widespread enough by mid-2022 to drive down case numbers and reduce the risk of new variants. At this point, the virus will become endemic in many countries. But although existing vaccines may be able to suppress the virus, new ones are needed to cut transmission.

Stephane Bancel, the boss of Moderna, a maker of vaccines based on mRNA technology, says his firm is working on a “multivalent” vaccine that will protect against more than one variant of covid-19. Beyond that he is looking at a “pan-respiratory” vaccine combining protection against multiple coronaviruses, respiratory viruses and strains of influenza.

Other innovations in covid-19 vaccines will include freeze-dried formulations of mRNA jabs, and vaccines that are given via skin patches or inhalation. Freeze-dried mRNA vaccines are easy to transport. As the supply of vaccines grows in 2022, those based on mRNA will be increasingly preferred, because they offer higher levels of protection. That will crimp the global market for less effective vaccines, such as the Chinese ones.

In rich countries there will also be greater focus on antibody treatments for people infected with covid-19. America, Britain and other countries will rely more on cocktails such as those from Regeneron or AstraZeneca.

Most promising of all are new antiviral drugs. Pfizer is already manufacturing “significant quantities” of its protease inhibitor. In America, the government has agreed to buy 1.2bn courses of an antiviral drug being developed by Merck, known as molnupiravir. This has shown its efficacy in trials, and the company has licensed it for widespread, affordable production.

There are many other antivirals in the pipeline. Antiviral drugs that can be taken in pill form, after diagnosis, are likely to become blockbusters in 2022, helping make covid-19 an ever more treatable disease. That will lead, in turn, to new concerns about unequal access and of misuse fostering resistant strains.

The greatest risk to this more optimistic outlook is the emergence of a new variant capable of evading the protection provided by existing vaccines. The coronavirus remains a formidable foe.

Natasha Loder: Health-policy editor, The Economist

This article appeared in the Science and Technology section of the print edition of The World Ahead 2022 under the headline “From pandemic to endemic”

How to think about weird things (AEON)

From discs in the sky to faces in toast, learn to weigh evidence sceptically without becoming a closed-minded naysayer

by Stephen Law

Stephen Law is a philosopher and author. He is director of philosophy at the Department of Continuing Education at the University of Oxford, and editor of Think, the Royal Institute of Philosophy journal. He researches primarily in the fields of philosophy of religion, philosophy of mind, Ludwig Wittgenstein, and essentialism. His books for a popular audience include The Philosophy Gym (2003), The Complete Philosophy Files (2000) and Believing Bullshit (2011). He lives in Oxford.

Edited by Nigel Warburton

10 NOVEMBER 2021

Many people believe in extraordinary hidden beings, including demons, angels, spirits and gods. Plenty also believe in supernatural powers, including psychic abilities, faith healing and communication with the dead. Conspiracy theories are also popular, including that the Holocaust never happened and that the terrorist attacks on the United States of 11 September 2001 were an inside job. And, of course, many trust in alternative medicines such as homeopathy, the effectiveness of which seems to run contrary to our scientific understanding of how the world actually works.

Such beliefs are widely considered to be at the ‘weird’ end of the spectrum. But, of course, just because a belief involves something weird doesn’t mean it’s not true. As science keeps reminding us, reality often is weird. Quantum mechanics and black holes are very weird indeed. So, while ghosts might be weird, that’s no reason to dismiss belief in them out of hand.

I focus here on a particular kind of ‘weird’ belief: not only are these beliefs that concern the enticingly odd, they’re also beliefs that the general public finds particularly difficult to assess.

Almost everyone agrees that, when it comes to black holes, scientists are the relevant experts, and scientific investigation is the right way to go about establishing whether or not they exist. However, when it comes to ghosts, psychic powers or conspiracy theories, we often hold wildly divergent views not only about how reasonable such beliefs are, but also about what might count as strong evidence for or against them, and who the relevant authorities are.

Take homeopathy, for example. Is it reasonable to focus only on what scientists have to say? Shouldn’t we give at least as much weight to the testimony of the many people who claim to have benefitted from homeopathic treatment? While most scientists are sceptical about psychic abilities, what of the thousands of reports from people who claim to have received insights from psychics who could only have known what they did if they really do have some sort of psychic gift? To what extent can we even trust the supposed scientific ‘experts’? Might not the scientific community itself be part of a conspiracy to hide the truth about Area 51 in Nevada, Earth’s flatness or the 9/11 terrorist attacks being an inside job?

Most of us really struggle when it comes to assessing such ‘weird’ beliefs – myself included. Of course, we have our hunches about what’s most likely to be true. But when it comes to pinning down precisely why such beliefs are or aren’t reasonable, even the most intelligent and well educated of us can quickly find ourselves out of our depth. For example, while most would pooh-pooh belief in fairies, Arthur Conan Doyle, the creator of the quintessentially rational detective Sherlock Holmes, actually believed in them and wrote a book presenting what he thought was compelling evidence for their existence.

When it comes to weird beliefs, it’s important we avoid being closed-minded naysayers with our fingers in our ears, but it’s also crucial that we avoid being credulous fools. We want, as far as possible, to be reasonable.

I’m a philosopher who has spent a great deal of time thinking about the reasonableness of such ‘weird’ beliefs. Here I present five key pieces of advice that I hope will help you figure out for yourself what is and isn’t reasonable.

Let’s begin with an illustration of the kind of case that can so spectacularly divide opinion. In 1976, six workers reported a UFO over the site of a nuclear plant being constructed near the town of Apex, North Carolina. A security guard then reported a ‘strange object’. The police officer Ross Denson drove over to investigate and saw what he described as something ‘half the size of the Moon’ hanging over the plant. The police also took a call from local air traffic control about an unidentified blip on their radar.

The next night, the UFO appeared again. The deputy sheriff described ‘a large lighted object’. An auxiliary officer reported five lighted objects that appeared to be burning and about 20 times the size of a passing plane. The county magistrate described a rectangular football-field-sized object that looked like it was on fire.

Finally, the press got interested. Reporters from the Star newspaper drove over to investigate. They too saw the UFO. But when they tried to drive nearer, they discovered that, weirdly, no matter how fast they drove, they couldn’t get any closer.

This report, drawn from Philip J Klass’s book UFOs: The Public Deceived (1983), is impressive: it involves multiple eyewitnesses, including police officers, journalists and even a magistrate. Their testimony is even backed up by hard evidence – that radar blip.

Surely, many would say, given all this evidence, it’s reasonable to believe there was at least something extraordinary floating over the site. Anyone who failed to believe at least that much would be excessively sceptical – one of those perpetual naysayers whose kneejerk reaction, no matter how strong the evidence, is always to pooh-pooh.

What’s most likely to be true: that there really was something extraordinary hanging over the power plant, or that the various eyewitnesses had somehow been deceived? Before we answer, here’s my first piece of advice.NEED TO KNOWTHINK IT THROUGHKEY POINTSWHY IT MATTERSLINKS & BOOKS

Think it through

1. Expect unexplained false sightings and huge coincidences

Our UFO story isn’t over yet. When the Star’s two-man investigative team couldn’t get any closer to the mysterious object, they eventually pulled over. The photographer took out his long lens to take a look: ‘Yep … that’s the planet Venus all right.’ It was later confirmed beyond any reasonable doubt that what all the witnesses had seen was just a planet. But what about that radar blip? It was a coincidence, perhaps caused by a flock of birds or unusual weather.

What moral should we draw from this case? Not, of course, that because this UFO report turned out to have a mundane explanation, all such reports can be similarly dismissed. But notice that, had the reporters not discovered the truth, this story would likely have gone down in the annals of ufology as one of the great unexplained cases. The moral I draw is that UFO cases that have multiple eyewitnesses and even independent hard evidence (the radar blip) may well crop up occasionally anyway, even if there are no alien craft in our skies.

We tend significantly to underestimate how prone to illusion and deception we are when it comes to the wacky and weird. In particular, we have a strong tendency to overdetect agency – to think we are witnessing a person, an alien or some other sort of creature or being – where in truth there’s none.

Psychologists have developed theories to account for this tendency to overdetect agency, including that we have evolved what’s called a hyperactive agency detecting device. Had our ancestors missed an agent – a sabre-toothed tiger or a rival, say – that might well have reduced their chances of surviving and reproducing. Believing an agent is present when it’s not, on the other hand, is likely to be far less costly. Consequently, we’ve evolved to err on the side of overdetection – often seeing agency where there is none. For example, when we observe a movement or pattern we can’t understand, such as the retrograde motion of a planet in the night sky, we’re likely to think the movement is explained by some hidden agent working behind the scenes (that Mars is actually a god, say).

One example of our tendency to overdetect agency is pareidolia: our tendency to find patterns – and, in particular, faces – in random noise. Stare at passing clouds or into the embers of a fire, and it’s easy to interpret the randomly generated shapes we see as faces, often spooky ones, staring back.

And, of course, nature is occasionally going to throw up the face-like patterns just by chance. One famous illustration was produced in 1976 by the Mars probe Viking Orbiter 1. As the probe passed over the Cydonia region, it photographed what appeared to be an enormous, reptilian-looking face 800 feet high and nearly 2 miles long. Some believe this ‘face on Mars’ was a relic of an ancient Martian civilisation, a bit like the Great Sphinx of Giza in Egypt. A book called The Monuments of Mars: A City on the Edge of Forever (1987) even speculated about this lost civilisation. However, later photos revealed the ‘face’ to be just a hill that looks face-like when lit a certain way. Take enough photos of Mars, and some will reveal face-like features just by chance.

The fact is, we should expect huge coincidences. Millions of pieces of bread are toasted each morning. One or two will exhibit face-like patterns just by chance, even without divine intervention. One such piece of toast that was said to show the face of the Virgin Mary (how do we know what she looked like?) was sold for $28,000. We think about so many people each day that eventually we’ll think about someone, the phone will ring, and it will be them. That’s to be expected, even if we’re not psychic. Yet many put down such coincidences to supernatural powers.

2. Understand what strong evidence actually is

When is a claim strongly confirmed by a piece of evidence? The following principle appears correct (it captures part of what confirmation theorists call the Bayes factor; for more on Bayesian approaches to assessing evidence, see the link at the end):

Evidence confirms a claim to the extent that the evidence is more likely if the claim is true than if it’s false.

Here’s a simple illustration. Suppose I’m in the basement and can’t see outside. Jane walks in with a wet coat and umbrella and tells me it’s raining. That’s pretty strong evidence it’s raining. Why? Well, it is of course possible that Jane is playing a prank on me with her wet coat and brolly. But it’s far more likely she would appear with a wet coat and umbrella and tell me it’s raining if that’s true than if it’s false. In fact, given just this new evidence, it may well be reasonable for me to believe it’s raining.

Here’s another example. Sometimes whales and dolphins are found with atavistic limbs – leg-like structures – where legs would be found on land mammals. These discoveries strongly confirm the theory that whales and dolphins evolved from earlier limbed, land-dwelling species. Why? Because, while atavistic limbs aren’t probable given the truth of that theory, they’re still far more probable than they would be if whales and dolphins weren’t the descendants of such limbed creatures.

The Mars face, on the other hand, provides an example of weak or non-existent evidence. Yes, if there was an ancient Martian civilisation, then we might discover what appeared to be a huge face built on the surface of the planet. However, given pareidolia and the likelihood of face-like features being thrown up by chance, it’s about as likely that we would find such face-like features anyway, even if there were no alien civilisation. That’s why such features fail to provide strong evidence for such a civilisation.

So now consider our report of the UFO hanging over the nuclear power construction site. Are several such cases involving multiple witnesses and backed up by some hard evidence (eg, a radar blip) good evidence that there are alien craft in our skies? No. We should expect such hard-to-explain reports anyway, whether or not we’re visited by aliens. In which case, such reports are not strong evidence of alien visitors.

Being sceptical about such reports of alien craft, ghosts or fairies is not knee-jerk, fingers-in-our-ears naysaying. It’s just recognising that, though we might not be able to explain the reports, they’re likely to crop up occasionally anyway, whether or not alien visitors, ghosts or fairies actually exist. Consequently, they fail to provide strong evidence for such beings.

3. Extraordinary claims require extraordinary evidence

It was the scientist Carl Sagan who in 1980 said: ‘Extraordinary claims require extraordinary evidence.’ By an ‘extraordinary’ claim, Sagan appears to have meant an extraordinarily improbable claim, such as that Alice can fly by flapping her arms, or that she can move objects with her mind. On Sagan’s view, such claims require extraordinarily strong evidence before we should accept them – much stronger than the evidence required to support a far less improbable claim.

Suppose for example that Fred claims Alice visited him last night, sat on his sofa and drank a cup of tea. Ordinarily, we would just take Fred’s word for that. But suppose Fred adds that, during her visit, Alice flew around the room by flapping her arms. Of course, we’re not going to just take Fred’s word for that. It’s an extraordinary claim requiring extraordinary evidence.

If we’re starting from a very low base, probability-wise, then much more heavy lifting needs to be done by the evidence to raise the probability of the claim to a point where it might be reasonable to believe it. Clearly, Fred’s testimony about Alice flying around the room is not nearly strong enough.

Similarly, given the low prior probability of the claims that someone communicated with a dead relative, or has fairies living in their local wood, or has miraculously raised someone from the dead, or can move physical objects with their mind, we should similarly set the evidential bar much higher than we would for more mundane claims.

4. Beware accumulated anecdotes

Once we’ve formed an opinion, it can be tempting to notice only evidence that supports it and to ignore the rest. Psychologists call this tendency confirmation bias.

For example, suppose Simon claims a psychic ability to know the future. He can provide 100 examples of his predictions coming true, including one or two dramatic examples. In fact, Simon once predicted that a certain celebrity would die within 12 months, and they did!

Do these 100 examples provide us with strong evidence that Simon really does have some sort of psychic ability? Not if Simon actually made many thousands of predictions and most didn’t come true. Still, if we count only Simon’s ‘hits’ and ignore his ‘misses’, it’s easy to create the impression that he has some sort of ‘gift’.

Confirmation bias can also create the false impression that a therapy is effective. A long list of anecdotes about patients whose condition improved after a faith healing session can seem impressive. People may say: ‘Look at all this evidence! Clearly this therapy has some benefits!’ But the truth is that such accumulated anecdotes are usually largely worthless as evidence.

It’s also worth remembering that such stories are in any case often dubious. For example, they can be generated by the power of suggestion: tell people that a treatment will improve their condition, and many will report that it has, even if the treatment actually offers no genuine medical benefit.

Impressive anecdotes can also be generated by means of a little creative interpretation. Many believe that the 16th-century seer Nostradamus predicted many important historical events, from the Great Fire of London to the assassination of John F Kennedy. However, because Nostradamus’s prophecies are so vague, nobody was able to use his writings to predict any of these events before they occurred. Rather, his texts were later creatively interpreted to fit what subsequently happened. But that sort of ‘fit’ can be achieved whether Nostradamus had extraordinary abilities or not. In which case, as we saw under point 2 above, the ‘fit’ is not strong evidence of such abilities.

5. Beware ‘But it fits!’

Often, when we’re presented with strong evidence that our belief is false, we can easily change our mind. Show me I’m mistaken in believing that the Matterhorn is near Chamonix, and I’ll just drop that belief.

However, abandoning a belief isn’t always so easy. That’s particularly the case for beliefs in which we have invested a great deal emotionally, socially and/or financially. When it comes to religious and political beliefs, for example, or beliefs about the character of our close relatives, we can find it extraordinarily difficult to change our minds. Psychologists refer to the discomfort we feel in such situations – when our beliefs or attitudes are in conflict – as cognitive dissonance.

Perhaps the most obvious strategy we can employ when a belief in which we have invested a great deal is threatened is to start explaining away the evidence.

Here’s an example. Dave believes dogs are spies from the planet Venus – that dogs are Venusian imposters on Earth sending secret reports back to Venus in preparation for their imminent invasion of our planet. Dave’s friends present him with a great deal of evidence that he’s mistaken. But, given a little ingenuity, Dave finds he can always explain away that evidence:

‘Dave, dogs can’t even speak – how can they communicate with Venus?’

‘They can speak, they just hide their linguistic ability from us.’

‘But Dave, dogs don’t have transmitters by which they could relay their messages to Venus – we’ve searched their baskets: nothing there!’

‘Their transmitters are hidden in their brain!’

‘But we’ve X-rayed this dog’s brain – no transmitter!’

‘The transmitters are made from organic material indistinguishable from ordinary brain stuff.’

‘But we can’t detect any signals coming from dogs’ heads.’

‘This is advanced alien technology – beyond our ability to detect it!’

‘Look Dave, Venus can’t support dog life – it’s incredibly hot and swathed in clouds of acid.’

‘The dogs live in deep underground bunkers to protect them. Why do you think they want to leave Venus?!’

You can see how this conversation might continue ad infinitum. No matter how much evidence is presented to Dave, it’s always possible for him to cook up another explanation. And so he can continue to insist his belief is logically consistent with the evidence.

But, of course, despite the possibility of his endlessly explaining away any and all counterevidence, Dave’s belief is absurd. It’s certainly not confirmed by the available evidence about dogs. In fact, it’s powerfully disconfirmed.

The moral is: showing that your theory can be made to ‘fit’ – be consistent with – the evidence is not the same thing as showing your theory is confirmed by the evidence. However, those who hold weird beliefs often muddle consistency and confirmation.

Take young-Earth creationists, for example. They believe in the literal truth of the Biblical account of creation: that the entire Universe is under 10,000 years old, with all species being created as described in the Book of Genesis.

Polls indicate that a third or more of US citizens believe that the Universe is less than 10,000 years old. Of course, there’s a mountain of evidence against the belief. However, its proponents are adept at explaining away that evidence.

Take the fossil record embedded in sedimentary layers revealing that today’s species evolved from earlier species over many millions of years. Many young-Earth creationists explain away this record as a result of the Biblical flood, which they suppose drowned and then buried living things in huge mud deposits. The particular ordering of the fossils is supposedly accounted for by different ecological zones being submerged one after the other, starting with simple marine life. Take a look at the Answers in Genesis website developed by the Bible literalist Ken Ham, and you’ll discover how a great deal of other evidence for evolution and a billions-of-years-old Universe is similarly explained away. Ham believes that, by explaining away the evidence against young-Earth creationism in this way, he can show that his theory ‘fits’ – and so is scientifically confirmed by – that evidence:

Increasing numbers of scientists are realising that when you take the Bible as your basis and build your models of science and history upon it, all the evidence from the living animals and plants, the fossils, and the cultures fits. This confirms that the Bible really is the Word of God and can be trusted totally.
[my italics]

According to Ham, young-Earth creationists and evolutionists do the same thing: they look for ways to make the evidence fit the theory to which they have already committed themselves:

Evolutionists have their own framework … into which they try to fit the data.
[my italics]

But, of course, scientists haven’t just found ways of showing how the theory of evolution can be made consistent with the evidence. As we saw above, that theory really is strongly confirmed by the evidence.

Any theory, no matter how absurd, can, with sufficient ingenuity be made to ‘fit’ the evidence: even Dave’s theory that dogs are Venusian spies. That’s not to say it’s reasonable or well confirmed.

Of course, it’s not always unreasonable to explain away evidence. Given overwhelming evidence that water boils at 100 degrees Celsius at 1 atmosphere, a single experiment that appeared to contradict that claim might reasonably be explained away as a result of some unidentified experimental error. But as we increasingly come to rely on explaining away evidence in order to try to convince ourselves of the reasonableness of our belief, we begin to drift into delusion.

Key points – How to think about weird things

  1. Expect unexplained false sightings and huge coincidences. Reports of mysterious and extraordinary hidden agents – such as angels, demons, spirits and gods – are to be expected, whether or not such beings exist. Huge coincidences – such as a piece of toast looking very face-like – are also more or less inevitable.
  2. Understand what strong evidence is. If the alleged evidence for a belief is scarcely more likely if the belief is true than if it’s false, then it’s not strong evidence.
  3. Extraordinary claims require extraordinary evidence. If a claim is extraordinarily improbable – eg, the claim that Alice flew round the room by flapping her arms – much stronger evidence is required for reasonable belief than is required for belief in a more mundane claim, such as that Alice drank a cup of tea.
  4. Beware accumulated anecdotes. A large number of reports of, say, people recovering after taking an alternative medicine or visiting a faith healer is not strong evidence that such treatments actually work.
  5. Beware ‘But it fits!’ Any theory, no matter how ludicrous (even the theory that dogs are spies from Venus), can, with sufficient ingenuity, always be made logically consistent with the evidence. That’s not to say it’s confirmed by the evidence.

Why it matters

Sometimes, belief in weird things is pretty harmless. What does it matter if Mary believes there are fairies at the bottom of her garden, or Joe thinks his dead aunty visits him occasionally? What does it matter if Sally is a closed-minded naysayer when it comes to belief in psychic powers? However, many of these beliefs have serious consequences.

Clearly, people can be exploited. Grieving parents contact spiritualists who offer to put them in contact with their dead children. Peddlers of alternative medicine and faith healing charge exorbitant fees for their ‘cures’ for terminal illnesses. If some alternative medicines really work, casually dismissing them out of hand and refusing to properly consider the evidence could also cost lives.

Lives have certainly been lost. Many have died who might have been saved because they believed they should reject conventional medicine and opted for ineffective alternatives.

Huge amounts of money are often also at stake when it comes to weird beliefs. Psychic reading and astrology are huge businesses with turnovers of billions of dollars per year. Often, it’s the most desperate who will turn to such businesses for advice. Are they, in reality, throwing their money away?

Many ‘weird’ beliefs also have huge social and political implications. The former US president Ronald Reagan and his wife Nancy were reported to have consulted an astrologer before making any major political decision. Conspiracy theories such as QAnon and the Sandy Hook hoax shape our current political landscape and feed extremist political thinking. Mainstream religions are often committed to miracles and gods.

In short, when it comes to belief in weird things, the stakes can be very high indeed. It matters that we don’t delude ourselves into thinking we’re being reasonable when we’re not.

The Atlantic article ‘The Cognitive Biases Tricking Your Brain’ (2018) by Ben Yagoda provides a great introduction to thinking that can lead us astray, including confirmation bias.

The UK-based magazine The Skeptic provides some high-quality free articles on belief in weird things. Well worth a subscription.

The Skeptical Inquirer magazine in the US is also excellent, and provides some free content.

The RationalWiki portal provides many excellent articles on pseudoscience.

The British mathematician Norman Fenton, professor of risk information management at Queen Mary University of London, provides a brief online introduction to Bayesian approaches to assessing evidence.

My book Believing Bullshit: How Not to Get Sucked into an Intellectual Black Hole (2011) identifies eight tricks of the trade that can turn flaky ideas into psychological flytraps – and how to avoid them.

The textbook How to Think About Weird Things: Critical Thinking for a New Age (2019, 8th ed) by the philosophers Theodore Schick and Lewis Vaughn, offers step-by-step advice on sorting through reasons, evaluating evidence and judging the veracity of a claim.

The book Critical Thinking (2017) by Tom Chatfield offers a toolkit for what he calls ‘being reasonable in an unreasonable world’.

Trust in meteorology has saved lives. The same is possible for climate science. (Washington Post)

washingtonpost.com

Placing our faith in forecasting and science could save lives and money

Oliver Uberti

October 14, 2021


2021 is shaping up to be a historically busy hurricane season. And while damage and destruction have been serious, there has been one saving grace — that the National Weather Service has been mostly correct in its predictions.

Thanks to remote sensing, Gulf Coast residents knew to prepare for the “life-threatening inundation,” “urban flooding” and “potentially catastrophic wind damage” that the Weather Service predicted for Hurricane Ida. Meteorologists nailed Ida’s strength, surge and location of landfall while anticipating that a warm eddy would make her intensify too quickly to evacuate New Orleans safely. Then, as her remnants swirled northeast, reports warned of tornadoes and torrential rain. Millions took heed, and lives were saved. While many people died, their deaths resulted from failures of infrastructure and policy, not forecasting.

The long history of weather forecasting and weather mapping shows that having access to good data can help us make better choices in our own lives. Trust in meteorology has made our communities, commutes and commerce safer — and the same is possible for climate science.

Two hundred years ago, the few who studied weather deemed any atmospheric phenomenon a “meteor.” The term, referencing Aristotle’s “Meteorologica,” essentially meant “strange thing in the sky.” There were wet things (hail), windy things (tornadoes), luminous things (auroras) and fiery things (comets). In fact, the naturalist Elias Loomis, who was among the first to spot Halley’s comet upon its return in 1835, thought storms behaved as cyclically as comets. So to understand “the laws of storms,” Loomis and the era’s other leading weatherheads began gathering observations. Master the elements, they reasoned, and you could safely sail the seas, settle the American West, plant crops with confidence and ward off disease.

In 1856, Joseph Henry, the Smithsonian Institution’s first director, hung a map of the United States in the lobby of its Washington headquarters. Every morning, he would affix small colored discs to show the nation’s weather: white for places with clear skies, blue for snow, black for rain and brown for cloud cover. An arrow on each disc allowed him to note wind direction, too. For the first time, visitors could see weather across the expanding country.

Although simple by today’s standards, the map belied the effort and expense needed to select the correct colors each day. Henry persuaded telegraph companies to transmit weather reports every morning at 10. Then he equipped each station with thermometers, barometers, weathervanes and rain gauges — no small task by horse and rail, as instruments often broke in transit.

For longer-term studies of the North American climate, Henry enlisted academics, farmers and volunteers from Maine to the Caribbean. Eager to contribute, “Smithsonian observers” took readings three times a day and posted them to Washington each month. At its peak in 1860, the Smithsonian Meteorological Project had more than 500 observers. Then the Civil War broke out.

Henry’s ranks thinned by 40 percent as men traded barometers for bayonets. Severed telegraph lines and the priority of war messages crippled his network. Then in January 1865, a fire in Henry’s office landed the fatal blow to the project. All of his efforts turned to salvaging what survived. With a vacuum of leadership in Washington, citizen scientists picked up the slack.

Although the Chicago Tribune lampooned Lapham, wondering “what practical value” a warning service would provide “if it takes 10 years to calculate the progress of a storm,” Rep. Halbert E. Paine (Wis.), who had studied storms under Loomis, rushed a bill into Congress before the winter recess. In early 1870, a joint resolution establishing a storm-warning service under the U.S. Army Signal Office passed without debate. President Ulysses S. Grant signed it into law the following week.

Despite the mandate for an early-warning system, an aversion to predictions remained. Fiscal hawks could not justify an investment in erroneous forecasts, religious zealots could not stomach the hubris, and politicians wary of a skeptical public could not bear the fallout. In 1893, Agriculture Secretary J. Sterling Morton cut the salary of one of the country’s top weather scientists, Cleveland Abbe, by 25 percent, making an example out of him.

While Moore didn’t face consequences for his dereliction of duty, the Weather Bureau’s hurricane-forecasting methods gradually improved as the network expanded and technologies like radio emerged. The advent of aviation increased insight into the upper atmosphere; military research led to civilian weather radar, first deployed at Washington National Airport in 1947. By the 1950s, computers were ushering in the future of numerical forecasting. Meanwhile, public skepticism thawed as more people and businesses saw it in their best interests to trust experts.

In September 1961, a local news team decided to broadcast live from the Weather Bureau office in Galveston, Tex., as Hurricane Carla angled across the Gulf of Mexico. Leading the coverage was a young reporter named Dan Rather. “There is the eye of the hurricane right there,” he told his audience as the radar sweep brought the invisible into view. At the time, no one had seen a radar weather map televised before.

Rather realized that for viewers to comprehend the storm’s size, location and imminent danger, people needed a sense of scale. So he had a meteorologist draw the Texas coast on a transparent sheet of plastic, which Rather laid over the radarscope. Years later, he recalled that when he said “one inch equals 50 miles,” you could hear people in the studio gasp. The sight of the approaching buzz saw persuaded 350,000 Texans to evacuate their homes in what was then the largest weather-related evacuation in U.S. history. Ultimately, Carla inflicted twice as much damage as the Galveston hurricane 60 years earlier. But with the aid of Rather’s impromptu visualization, fewer than 50 lives were lost.

In other words, weather forecasting wasn’t only about good science, but about good communication and visuals.

Data visualization helped the public better understand the weather shaping their lives, and this enabled them to take action. It also gives us the power to see deadly storms not as freak occurrences, but as part of something else: a pattern.

A modified version of a chart that appears in “Atlas of the Invisible: Maps and Graphics That Will Change How You See the World.” Copyright © 2021 by James Cheshire and Oliver Uberti. With permission of the publisher, W.W. Norton & Co. All rights reserved.

Two hundred years ago, a 10-day forecast would have seemed preposterous. Now we can predict if we’ll need an umbrella tomorrow or a snowplow next week. Imagine if we planned careers, bought homes, built infrastructure and passed policy based on 50-year forecasts as routinely as we plan our weeks by five-day ones.

Unlike our predecessors of the 19th or even 20th centuries, we have access to ample climate data and data visualization that give us the knowledge to take bold actions. What we do with that knowledge is a matter of political will. It may be too late to stop the coming storm, but we still have time to board our windows.

O futuro sombrio previsto por agências de inteligência dos EUA para o mundo em 2040 (BBC Brasil)

Gordon Corera

20 abril 2021

Logo da CIA em sua sede
Previsões incluem incerteza e instabilidade crescentes e mais polarização e populismo

A Comunidade de Inteligência dos EUA (CI), federação de 17 agências governamentais independentes que realizam atividades de inteligência, divulgou uma pesquisa sobre o estado do mundo em 2040.

E o futuro é sombrio: o estudo alerta para uma volatilidade política e crescente competição internacional ou mesmo conflito.

O relatório intitulado “Globo Trends 2040 – A More Contested World” (“Tendências Globais 2040 – Um Mundo Mais Disputado”, em português) é uma tentativa de analisar as principais tendências, descrevendo uma série de cenários possíveis.

É o sétimo relatório desse tipo, publicado a cada quatro anos pelo Conselho Nacional de Inteligência desde 1997.

Não se trata de uma leitura relaxante para quem é um líder político ou diplomata internacional – ou espera ser um nos próximos anos.

Em primeiro lugar, o relatório foca nos fatores-chave que vão impulsionar a mudança.

Um deles é a volatilidade política.

“Em muitos países, as pessoas estão pessimistas sobre o futuro e estão cada vez mais desconfiadas de líderes e instituições que consideram incapazes ou relutantes em lidar com tendências econômicas, tecnológicas e demográficas disruptivas”, adverte o relatório.

Bandeiras dos EUA e China tremulando lado a lado
Tensão entre EUA e China pode dividir o mundo, diz relatório

Democracias vulneráveis

O estudo argumenta que as pessoas estão gravitando em torno de grupos com ideias semelhantes e fazendo demandas maiores e mais variadas aos governos em um momento em que esses mesmos governos estão cada vez mais limitados no que podem fazer.

“Essa incompatibilidade entre as habilidades dos governos e as expectativas do público tende a se expandir e levar a mais volatilidade política, incluindo crescente polarização e populismo dentro dos sistemas políticos, ondas de ativismo e movimentos de protesto e, nos casos mais extremos, violência, conflito interno, ou mesmo colapso do estado”, diz o relatório.

Expectativas não atendidas, alimentadas por redes sociais e tecnologia, podem criar riscos para a democracia.

“Olhando para o futuro, muitas democracias provavelmente serão vulneráveis a uma erosão e até mesmo ao colapso”, adverte o texto, acrescentando que essas pressões também afetarão os regimes autoritários.

Pandemia, uma ‘grande ruptura global’

O relatório afirma que a atual pandemia é a “ruptura global mais significativa e singular desde a 2ª Guerra Mundial”, que alimentou divisões, acelerou as mudanças existentes e desafiou suposições, inclusive sobre como os governos podem lidar com isso.

Uma loja fechada a cadeado exibe uma placa dizendo 'desculpe, estamos fechados até novo aviso do governo, desculpe por qualquer inconveniente, nos vemos em breve'
Analistas previram ‘grande pandemia de 2023’, mas não associaram à covid

O último relatório, de 2017, previu a possibilidade de uma “pandemia global em 2023” reduzir drasticamente as viagens globais para conter sua propagação.

Os autores reconhecem, no entanto, que não esperavam o surgimento da covid-19, que dizem ter “abalado suposições antigas sobre resiliência e adaptação e criado novas incertezas sobre a economia, governança, geopolítica e tecnologia”.

As mudanças climáticas e demográficas também vão exercer um impacto primordial sobre o futuro do mundo, assim como a tecnologia, que pode ser prejudicial, mas também trazer oportunidades para aqueles que a utilizarem de maneira eficaz e primeiro.

Competição geopolítica

Internacionalmente, os analistas esperam que a intensidade da competição pela influência global alcance seu nível mais alto desde a Guerra Fria nas próximas duas décadas em meio ao enfraquecimento contínuo da velha ordem, enquanto instituições como as Nações Unidas enfrentam dificuldades.

Mãos segurando um cartaz dizendo 'nós, o povo, significa todo mundo'
Pessoas estão gravitando em torno de grupos com ideias semelhantes e fazendo demandas maiores e mais variadas aos governos em um momento em que esses mesmos governos estão cada vez mais limitados no que podem fazer, diz relatório

Organizações não-governamentais, incluindo grupos religiosos e as chamadas “empresas superestrelas da tecnologia” também podem ter a capacidade de construir redes que competem com – ou até mesmo – driblam os Estados.

O risco de conflito pode aumentar, tornando-se mais difícil impedir o uso de novas armas.

O terrorismo jihadista provavelmente continuará, mas há um alerta de que terroristas de extrema direita e esquerda que promovem questões como racismo, ambientalismo e extremismo antigovernamental possam ressurgir na Europa, América Latina e América do Norte.

Os grupos podem usar inteligência artificial para se tornarem mais perigosos ou usar realidade aumentada para criar “campos de treinamento de terroristas virtuais”.

A competição entre os EUA e a China está no centro de muitas das diferenças nos cenários – se um deles se torna mais bem-sucedido ou se os dois competem igualmente ou dividem o mundo em esferas de influência separadas.

Um relatório de 2004 também previu um califado emergindo do Oriente Médio, como o que o autodenominado Estado Islâmico tentou criar na última década, embora o mesmo estudo – olhando para 2020 – não tenha capturado a competição com a China, que agora domina as preocupações de segurança dos EUA.

O objetivo geral é analisar futuros possíveis, em vez de acertar previsões.

Democracias mais fortes ou ‘mundo à deriva’?

Existem alguns cenários otimistas para 2040 – um deles foi chamado de “o renascimento das democracias”.

Isso envolve os EUA e seus aliados aproveitando a tecnologia e o crescimento econômico para lidar com os desafios domésticos e internacionais, enquanto as repressões da China e da Rússia (inclusive em Hong Kong) sufocam a inovação e fortalecem o apelo da democracia.

Mas outros são mais desanimadores.

“O cenário do mundo à deriva” imagina as economias de mercado nunca se recuperando da pandemia de Covid, tornando-se profundamente divididas internamente e vivendo em um sistema internacional “sem direção, caótico e volátil”, já que as regras e instituições internacionais são ignoradas por países, empresas e outros grupos.

Um cenário, porém, consegue combinar pessimismo com otimismo.

“Tragédia e mobilização” prevê um mundo em meio a uma catástrofe global no início de 2030, graças às mudanças climáticas, fome e agitação – mas isso, por sua vez, leva a uma nova coalizão global, impulsionada em parte por movimentos sociais, para resolver esses problemas.

Claro, nenhum dos cenários pode acontecer ou – mais provavelmente – uma combinação deles ou algo totalmente novo pode surgir. O objetivo, dizem os autores, é se preparar para uma série de futuros possíveis – mesmo que muitos deles pareçam longe de ser otimistas.

How big science failed to unlock the mysteries of the human brain (MIT Technology Review)

technologyreview.com

Large, expensive efforts to map the brain started a decade ago but have largely fallen short. It’s a good reminder of just how complex this organ is.

Emily Mullin

August 25, 2021


In September 2011, a group of neuroscientists and nanoscientists gathered at a picturesque estate in the English countryside for a symposium meant to bring their two fields together. 

At the meeting, Columbia University neurobiologist Rafael Yuste and Harvard geneticist George Church made a not-so-modest proposal: to map the activity of the entire human brain at the level of individual neurons and detail how those cells form circuits. That knowledge could be harnessed to treat brain disorders like Alzheimer’s, autism, schizophrenia, depression, and traumatic brain injury. And it would help answer one of the great questions of science: How does the brain bring about consciousness? 

Yuste, Church, and their colleagues drafted a proposal that would later be published in the journal Neuron. Their ambition was extreme: “a large-scale, international public effort, the Brain Activity Map Project, aimed at reconstructing the full record of neural activity across complete neural circuits.” Like the Human Genome Project a decade earlier, they wrote, the brain project would lead to “entirely new industries and commercial ventures.” 

New technologies would be needed to achieve that goal, and that’s where the nanoscientists came in. At the time, researchers could record activity from just a few hundred neurons at once—but with around 86 billion neurons in the human brain, it was akin to “watching a TV one pixel at a time,” Yuste recalled in 2017. The researchers proposed tools to measure “every spike from every neuron” in an attempt to understand how the firing of these neurons produced complex thoughts. 

The audacious proposal intrigued the Obama administration and laid the foundation for the multi-year Brain Research through Advancing Innovative Neurotechnologies (BRAIN) Initiative, announced in April 2013. President Obama called it the “next great American project.” 

But it wasn’t the first audacious brain venture. In fact, a few years earlier, Henry Markram, a neuroscientist at the École Polytechnique Fédérale de Lausanne in Switzerland, had set an even loftier goal: to make a computer simulation of a living human brain. Markram wanted to build a fully digital, three-dimensional model at the resolution of the individual cell, tracing all of those cells’ many connections. “We can do it within 10 years,” he boasted during a 2009 TED talk

In January 2013, a few months before the American project was announced, the EU awarded Markram $1.3 billion to build his brain model. The US and EU projects sparked similar large-scale research efforts in countries including Japan, Australia, Canada, China, South Korea, and Israel. A new era of neuroscience had begun. 

An impossible dream?

A decade later, the US project is winding down, and the EU project faces its deadline to build a digital brain. So how did it go? Have we begun to unwrap the secrets of the human brain? Or have we spent a decade and billions of dollars chasing a vision that remains as elusive as ever? 

From the beginning, both projects had critics.

EU scientists worried about the costs of the Markram scheme and thought it would squeeze out other neuroscience research. And even at the original 2011 meeting in which Yuste and Church presented their ambitious vision, many of their colleagues argued it simply wasn’t possible to map the complex firings of billions of human neurons. Others said it was feasible but would cost too much money and generate more data than researchers would know what to do with. 

In a blistering article appearing in Scientific American in 2013, Partha Mitra, a neuroscientist at the Cold Spring Harbor Laboratory, warned against the “irrational exuberance” behind the Brain Activity Map and questioned whether its overall goal was meaningful. 

Even if it were possible to record all spikes from all neurons at once, he argued, a brain doesn’t exist in isolation: in order to properly connect the dots, you’d need to simultaneously record external stimuli that the brain is exposed to, as well as the behavior of the organism. And he reasoned that we need to understand the brain at a macroscopic level before trying to decode what the firings of individual neurons mean.  

Others had concerns about the impact of centralizing control over these fields. Cornelia Bargmann, a neuroscientist at Rockefeller University, worried that it would crowd out research spearheaded by individual investigators. (Bargmann was soon tapped to co-lead the BRAIN Initiative’s working group.)

There isn’t a single, agreed-upon theory of how the brain works, and not everyone in the field agreed that building a simulated brain was the best way to study it.

While the US initiative sought input from scientists to guide its direction, the EU project was decidedly more top-down, with Markram at the helm. But as Noah Hutton documents in his 2020 film In Silico, Markram’s grand plans soon unraveled. As an undergraduate studying neuroscience, Hutton had been assigned to read Markram’s papers and was impressed by his proposal to simulate the human brain; when he started making documentary films, he decided to chronicle the effort. He soon realized, however, that the billion-dollar enterprise was characterized more by infighting and shifting goals than by breakthrough science.

In Silico shows Markram as a charismatic leader who needed to make bold claims about the future of neuroscience to attract the funding to carry out his particular vision. But the project was troubled from the outset by a major issue: there isn’t a single, agreed-upon theory of how the brain works, and not everyone in the field agreed that building a simulated brain was the best way to study it. It didn’t take long for those differences to arise in the EU project. 

In 2014, hundreds of experts across Europe penned a letter citing concerns about oversight, funding mechanisms, and transparency in the Human Brain Project. The scientists felt Markram’s aim was premature and too narrow and would exclude funding for researchers who sought other ways to study the brain. 

“What struck me was, if he was successful and turned it on and the simulated brain worked, what have you learned?” Terry Sejnowski, a computational neuroscientist at the Salk Institute who served on the advisory committee for the BRAIN Initiative, told me. “The simulation is just as complicated as the brain.” 

The Human Brain Project’s board of directors voted to change its organization and leadership in early 2015, replacing a three-member executive committee led by Markram with a 22-member governing board. Christoph Ebell, a Swiss entrepreneur with a background in science diplomacy, was appointed executive director. “When I took over, the project was at a crisis point,” he says. “People were openly wondering if the project was going to go forward.”

But a few years later he was out too, after a “strategic disagreement” with the project’s host institution. The project is now focused on providing a new computational research infrastructure to help neuroscientists store, process, and analyze large amounts of data—unsystematic data collection has been an issue for the field—and develop 3D brain atlases and software for creating simulations.

The US BRAIN Initiative, meanwhile, underwent its own changes. Early on, in 2014, responding to the concerns of scientists and acknowledging the limits of what was possible, it evolved into something more pragmatic, focusing on developing technologies to probe the brain. 

New day

Those changes have finally started to produce results—even if they weren’t the ones that the founders of each of the large brain projects had originally envisaged. 

Last year, the Human Brain Project released a 3D digital map that integrates different aspects of human brain organization at the millimeter and micrometer level. It’s essentially a Google Earth for the brain. 

And earlier this year Alipasha Vaziri, a neuroscientist funded by the BRAIN Initiative, and his team at Rockefeller University reported in a preprint paper that they’d simultaneously recorded the activity of more than a million neurons across the mouse cortex. It’s the largest recording of animal cortical activity yet made, if far from listening to all 86 billion neurons in the human brain as the original Brain Activity Map hoped.

The US effort has also shown some progress in its attempt to build new tools to study the brain. It has speeded the development of optogenetics, an approach that uses light to control neurons, and its funding has led to new high-density silicon electrodes capable of recording from hundreds of neurons simultaneously. And it has arguably accelerated the development of single-cell sequencing. In September, researchers using these advances will publish a detailed classification of cell types in the mouse and human motor cortexes—the biggest single output from the BRAIN Initiative to date.

While these are all important steps forward, though, they’re far from the initial grand ambitions. 

Lasting legacy

We are now heading into the last phase of these projects—the EU effort will conclude in 2023, while the US initiative is expected to have funding through 2026. What happens in these next years will determine just how much impact they’ll have on the field of neuroscience.

When I asked Ebell what he sees as the biggest accomplishment of the Human Brain Project, he didn’t name any one scientific achievement. Instead, he pointed to EBRAINS, a platform launched in April of this year to help neuroscientists work with neurological data, perform modeling, and simulate brain function. It offers researchers a wide range of data and connects many of the most advanced European lab facilities, supercomputing centers, clinics, and technology hubs in one system. 

“If you ask me ‘Are you happy with how it turned out?’ I would say yes,” Ebell said. “Has it led to the breakthroughs that some have expected in terms of gaining a completely new understanding of the brain? Perhaps not.” 

Katrin Amunts, a neuroscientist at the University of Düsseldorf, who has been the Human Brain Project’s scientific research director since 2016, says that while Markram’s dream of simulating the human brain hasn’t been realized yet, it is getting closer. “We will use the last three years to make such simulations happen,” she says. But it won’t be a big, single model—instead, several simulation approaches will be needed to understand the brain in all its complexity. 

Meanwhile, the BRAIN Initiative has provided more than 900 grants to researchers so far, totaling around $2 billion. The National Institutes of Health is projected to spend nearly $6 billion on the project by the time it concludes. 

For the final phase of the BRAIN Initiative, scientists will attempt to understand how brain circuits work by diagramming connected neurons. But claims for what can be achieved are far more restrained than in the project’s early days. The researchers now realize that understanding the brain will be an ongoing task—it’s not something that can be finalized by a project’s deadline, even if that project meets its specific goals.

“With a brand-new tool or a fabulous new microscope, you know when you’ve got it. If you’re talking about understanding how a piece of the brain works or how the brain actually does a task, it’s much more difficult to know what success is,” says Eve Marder, a neuroscientist at Brandeis University. “And success for one person would be just the beginning of the story for another person.” 

Yuste and his colleagues were right that new tools and techniques would be needed to study the brain in a more meaningful way. Now, scientists will have to figure out how to use them. But instead of answering the question of consciousness, developing these methods has, if anything, only opened up more questions about the brain—and shown just how complex it is. 

“I have to be honest,” says Yuste. “We had higher hopes.”

Emily Mullin is a freelance journalist based in Pittsburgh who focuses on biotechnology.

Metaverso pode ser nova Internet e vira prioridade das Big Techs (MIT Technology Review)

mittechreview.com.br

by Guilherme Ravache

setembro 10, 2021


Em maio, afirmei, aqui na MIT Technology Review Brasil, que o “Brasil tem chance de liderar a corrida pelo metaverso”. Em apenas três meses muito aconteceu e o metaverso se tornou um termo cada vez mais presente na mídia, e principalmente, uma nova estratégia de gigantes de tecnologia. O termo foi mencionado por CEOs em várias recentes conferências de anúncio de resultados no segundo trimestre. Mark Zuckerberg, do Facebook, Satya Nadella, da Microsoft, David Baszucki, da Roblox, e Shar Dubey, da Match Group, afirmaram que o metaverso iria pautar a estratégia de suas empresas.

Do Vale do Silício a Shenzhen, as empresas de tecnologia aumentam suas apostas nesse setor. Para os não iniciados, “o metaverso é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais. É um espaço coletivo e virtual compartilhado, constituído pela soma de ‘realidade virtual’, ‘realidade aumentada’ e ‘Internet’”, como afirma a página do termo na Wikipédia. A expressão foi cunhada pelo escritor Neal Stephenson em seu romance de 1992, “Snow Crash”. Depois, Ernest Cline usou o mesmo conceito para criar o Oásis em seu romance “Ready Player One”, que virou filme de Steven Spielberg.

Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, parece ter se tornado o mais recente convertido ao metaverso. O executivo deu uma série de entrevistas recentemente afirmando que o Facebook vai apostar o seu futuro no metaverso. “Nós vamos realizar uma transição de ser empresa vista primariamente como de redes sociais para sermos uma empresa de mertaverso”, disse Zuckerberg.

Em julho, o Facebook disse que estava criando uma equipe de produto para trabalhar no metaverso que faria parte de seu grupo de AR e VR, no Facebook Reality Labs. Dias atrás tivemos uma demonstração do que está por vir. O Facebook convidou um grupo de jornalistas para conhecer seu Horizon Workrooms. O app é a primeira tentativa da rede social de criar uma experiência de Realidade Virtual especificamente para as pessoas trabalharem juntas.

Segundo o jornalista Alex Heath, que participou da demonstração, até 16 pessoas em VR podem estar juntas em uma sala de trabalho, enquanto outras 34 pessoas podem entrar em uma videochamada sem usar um fone de ouvido. Um aplicativo de desktop complementar permite que você faça uma transmissão ao vivo da tela do seu computador sobre o seu espaço de mesa virtual. Graças ao rastreamento manual e às câmeras frontais, uma representação virtual do seu teclado físico fica embaixo da tela para digitar em um aplicativo web simples que o Facebook criou para fazer anotações e gerenciar calendários. Ou seja, você entra em um mundo virtual para realizar a reunião com seus colegas.

Facebook não deve liderar o metaverso

Zuckerberg fala de realidade virtual há anos. Ainda em 2014, quando o Facebook comprou a Oculus por US$ 2 bilhões, ele afirmou com entusiasmo que a compra permitiria experiências virtuais imersivas nas quais você se sentiria “presente em outro lugar com outras pessoas”. De certa forma, o metaverso é uma sequência dos planos do Facebook iniciados há quase uma década.

O Facebook é um player gigante a ser reconhecido, mas minha aposta é que não será o vencedor na corrida pelo metaverso. Da mesma forma que a IBM não se tornou a líder nos computadores pessoais ou na nuvem, o Google nunca conseguiu construir uma presença sólida nas redes sociais ou no setor de mensagens instantâneas e nem a Microsoft e muito menos a Nokia se tornaram as líderes em smartphones, o Facebook, apesar de seu entusiasmo, não deve liderar essa corrida.

Basicamente, porque mesmo tendo a vontade e os recursos, usualmente falta às empresas líderes a cultura para operar nesses novos mercados. E não estou dizendo que o Facebook será um player irrelevante, longe disso. Os bilhões de dólares que a empresa já investiu no desenvolvimento do Oculos Quest e toda a tecnologia de hardware criada para uso em realidade virtual (e consequentemente o metaverso) são impressionantes e levaram a avanços indiscutíveis.

“O metaverso, o sonho de um tecnólogo, é o pesadelo do Facebook. Ele tornaria a rede social irrelevante”, afirmou Scott Galloway, professor de marketing. “O ativo mais valioso do Facebook é seu gráfico social, seu conjunto de dados de usuários, links entre usuários e seu conteúdo compartilhado. Em um futuro metaverso, nós todos teremos identidades no metaverso e qualquer um pode abrir um espaço virtual para compartilhar fotos da festa de aniversário de seu filho de 10 anos ou discutir sobre vacinas”, conclui.

Quem tem potencial no metaverso?

De um ponto de vista ocidental, eu apostaria minhas fichas na Roblox e na Epic Games como novos líderes do metaverso de maneira mais ampla. Nas aplicações empresariais, a vantagem seria da Microsoft.

Da perspectiva hardware/software Nvidia e Apple levam vantagem por já terem a capacidade de desenvolverem seus próprios chips (o Facebook compra chips prontos da Qualcomm). Uma vasta biblioteca de chips de Inteligência Artificial e o software necessário para executá-los também são peças essenciais do metaverso.

Do outro lado do mundo, Tencent, Bytedance e Sea são competidores robustos, mas as duas primeiras se vêem diante da crescente regulação chinesa e a terceira tem seu foco na construção de um e-commerce competitivo na Ásia.

A Microsoft tem uma grande vantagem não somente por sua gigantesca comunidade de desenvolvedores criando soluções corporativas e sua robusta presença no mundo corporativo. A Microsoft também está trazendo jogos em nuvem para seus consoles Xbox. Em breve, os assinantes do Xbox Game Pass Ultimate nos consoles Xbox Series X / S e Xbox One poderão transmitir mais de 100 jogos sem baixá-los. Segundo a Microsoft, as métricas de desempenho do serviço serão 1080p e 60 frames por segundo. O Xbox Cloud Gaming se tornou disponível para dispositivos móveis e PC em junho de 2021. A Microsoft também anunciou esta semana que o próximo capítulo da popular série Halo, Halo Infinite, será lançado em 8 de dezembro de 2021.

O poder da comunidade

Há anos a Microsoft desenvolve hardware de mixed reality para aplicações corporativas. Seu HoloLens é um dos mais usados no mercado. Realidade mista ou realidade híbrida é a tecnologia que une características da realidade virtual com a realidade aumentada. Ela insere objetos virtuais no mundo real e permite a interação do usuário com os objetos, produzindo novos ambientes nos quais itens físicos e virtuais coexistem e interagem em tempo real.

No ano passado, a Nvidia lançou sua plataforma Omniverse “para conectar mundos 3D em um universo virtual compartilhado.” O presidente-executivo, Jensen Huang, usou a maior conferência anual da empresa, em outubro, para creditar publicamente “Snow Crash”, de Stephenson, como a inspiração original para o conceito de um sucessor de realidade virtual para a Internet, afirmando que “o metaverso está chegando”.

Mas o que definirá os vencedores do metaverso não será apenas o dinheiro, a vontade de fazer liderar esse movimento ou a propriedade intelectual de uma empresa. É a capacidade de envolver comunidades, seja para as pessoas congregarem no metaverso ou desenvolverem as experiências desse ambiente digital que criará os vencedores.

Games, Netflix e onde gastamos nosso tempo

Os games são uma parte essencial do metaverso, mas o metaverso não irá se limitar aos jogos. Eles são apenas a porta de entrada, um primeiro passo nesse sentido. Reed Rastings, CEO da Netflix, já disse que o Netflix “compete com (e perde para) o Fortnite mais do que a HBO”. Recentemente, a Netflix inclusive anunciou que a partir de 2022 entrará no segmento de jogos, oferecendo games em seu app.

Como aponta o ensaísta Matthew Ball, o mercado de games é enorme e cresce rapidamente, mas essa não é a única razão para a entrada da Netflix em games. “Embora seja comum ouvir que ‘os jogos agora têm quatro vezes o tamanho da bilheteria global dos cinemas’, a bilheteria é menos de 1/15 da receita total de vídeo globalmente. Em outras palavras, os jogos provavelmente vão arrecadar cerca de US$ 180 bilhões em 2021, enquanto os vídeos excederão US$ 650 bilhões”, diz Ball. Ou seja, na guerra pela atenção do consumidor o videogame e o metaverso têm um potencial enorme e a receita de games mostra que esse ainda é um mercado bastante incipiente em comparação ao vídeo como um todo.

Vale lembrar que somente em 2021 a Netflix deve investir US$ 19 bilhões na produção de conteúdo original. Mesmo assim, a empresa tem perdido assinantes nos Estados Unidos e Canadá. A entrada do HBO Max, Paramount+ e diversos novos concorrentes ajudam a explicar a queda, mas os games também são um elemento a ser considerado. E no final do dia, a Netflix está no mercado de vender entretenimento, e estar próximo da indústria de games não é uma ideia ruim.

Nossas crianças, nosso futuro

Mas assim como o Facebook, se sobra dinheiro e vontade/necessidade de reter nossa atenção, falta o elemento da comunidade de desenvolvedores para uma entrada relevante no metaverso. Ao observarmos o Roblox fica mais fácil de entender como esse elemento se aplica.

O Roblox é muito mais que um jogo, é uma plataforma onde qualquer um pode criar um jogo (ou experiência). Hoje, já são mais de 8 milhões de desenvolvedores criando essas experiências. São mais de 20 milhões de experiências, que vão desde adotar um animal de estimação no Adopt Me! ou aprender sobre história em uma visita virtual ao Coliseu.

Desde 2008, quando a plataforma foi lançada, os usuários já passaram mais de 30,6 bilhões de horas engajados no jogo. No segundo trimestre, a receita da Roblox aumentou 127% em relação ao segundo trimestre de 2020, indo para US$ 454,1 milhões. A média de usuários ativos diários (DAUs) foi de 43,2 milhões, um aumento de 29% ano após ano.

Perceba a ironia de que enquanto Facebook e Netflix estagnaram no crescimento de usuários, a Roblox continua aumentando sua base mesmo com a pandemia diminuindo o isolamento social e permitindo que muitos retornem às suas atividades.

Mas provavelmente os grandes números do Roblox e da Epic Games (dona do Fortnite), que tem o capital fechado e não divulga números da mesma maneira que o Roblox, são o aspecto menos interessante das possibilidades que oferecem.

O metaverso é o novo terceiro lugar 

Como já escrevi aqui na MIT Tech Review ao falar sobre o impacto dos games no e-commerce, o crescimento dos jogos eletrônicos está diretamente ligado à transformação dos games em um “Terceiro Lugar”. O termo foi cunhado pelo sociólogo Ray Oldenburg e se refere a lugares onde as pessoas passam o tempo entre a casa (“primeiro” lugar) e o trabalho (“segundo” lugar). São espaços onde as pessoas trocam ideias, se divertem e estabelecem relacionamentos. Igrejas, cafés e parques são exemplos de “Terceiro Lugar”. Ter um terceiro lugar para socializar fora de casa e do trabalho é crucial para o bem-estar, pois traz um sentimento de conexão e pertencimento. E os videogames são cada vez mais um “Terceiro Lugar”. Historicamente, as atividades e o desenvolvimento da comunidade eram offline, mas graças aos avanços da tecnologia os videogames se tornaram sociais.

Não por acaso, são cada vez mais frequentes shows e eventos dentro do Roblox e Fortnite (Travis Scott reuniu milhares de pessoas e o diretor Christopher Nolan fez uma premiere). As marcas têm investido pesadamente para entrar nesse universo. De olho nos 43 milhões de usuários que acessam o Roblox diariamente, a Netflix anunciou em julho um novo ponto de encontro virtual baseado na série Stranger Things. Mais recentemente, a Roblox anunciou o lançamento do Vans World, um metaverso de skate interativo da marca Vans dentro do mundo dos jogos. Ele é inspirado nos locais da marca, como a House of Vans e outros destinos de skate, o Vans World é um espaço 3D contínuo onde os fãs podem praticar suas manobras com outras pessoas e experimentar os equipamentos da marca.

“A Roblox é o novo ponto de encontro social, muito parecido com o shopping local na década de 1980, onde os adolescentes se reuniam”, afirma Christina Wootton, vice-presidente de parcerias de marca da Roblox. “O Starcourt Mall virtual é um cenário semelhante reinventado dentro do Roblox que abre possibilidades únicas para envolver e aumentar o público global do programa.”

Vale assistir a essa apresentação de fevereiro de David Baszucki, CEO da Roblox. Nela, o executivo detalha a estratégia de crescimento da empresa com seu potencial de criar experiências, inclusive educativas e comerciais, com uma crescente comunidade.

Brasil pode ser protagonista no metaverso

De tempos em tempos acontece um alinhamento de estrelas que pode beneficiar um mercado. E o Brasil possivelmente se vê diante dessa oportunidade. Na China, o governo cria um ambiente cada vez mais inóspito para empresas e desenvolvedores. Nos Estados Unidos, existe o dinheiro e a escala de usuários, mas falta engajamento e mão de obra. Não é fácil apostar no metaverso em um país que sobram empregos e faltam candidatos. Na Europa há desenvolvedores, principalmente no Leste Europeu, mas a fragmentação é gigantesca.

Enrico Machado, brasileiro que desenvolve Roblox, é um exemplo do potencial de milhares de usuários acostumados a uma base desde a infância. Ele começou a jogar Roblox com 11 anos de idade. Aos 15 já era um desenvolvedor. Hoje, na faculdade, cursa sistemas da informação e trabalha em um grande estúdio brasileiro desenvolvendo apenas jogos para Roblox.

“O Roblox está muito popular. Ele funciona a partir de microtransações. Você pode comprar coisas nos jogos que as pessoas criam e os desenvolvedores ganham dinheiro com isso. Hoje tem muita gente fazendo uma grana absurda. É tipo o mercado de futebol que você tem que você tem alguns caras que estão no topo da Pirâmide. Para cada Neymar você tem milhões de pessoas que gostariam de ser Neymar, essa relação é parecida. Mas qualquer pessoa pode ganhar um dinheiro razoável”, diz Machado.

Ele garante que não é muito difícil ganhar um dinheiro razoável na plataforma.

Tem muita consumidor querendo jogar. Então, se você entende o básico de comunidade, de design, de jogo, de programação, você sai do zero e em um curto espaço de tempo já começa a ganhar uma graninha se você focar nisso”.

Machado trabalha em um estúdio com outras dezenas de desenvolvedores. “No estúdio fazemos reuniões e tudo mais para para aplicar as melhores práticas para todos os jogos. Estou aprendendo bastante com eles. Eu sei programar, sei fazer um joguinho bonitinho mas eu não entendo nada de game design. Eu não sei como fazer um jogo de sucesso. Você sabe que existem melhores práticas, mas com um grupo maior fica mais fácil. Conhecer essas práticas é tão importante quanto saber programar”, garante.

Milhões de desenvolvedores se unindo 

Não é um caso isolado. Como Machado existem milhares de jovens no Brasil trabalhando em estúdios enormes desenvolvendo Roblox. E diferentemente de outras linguagens, a utilizada pela Roblox é acessível e de fácil aprendizado. Além disso, não é essencial ter um computador super poderoso ou uma conexão ultra-rápida.

Não por acaso o Brasil já é o quinto mercado de games do mundo, tem uma das maiores comunidades de usuários do planeta, um crescente mercado de streaming e ícones de jogos eletrônicos como Nobru.

A Wildlife, unicórnio brasileiro avaliado em mais de US$ 1,3 bilhão, já conta com mais de 800 colaboradores em países como Brasil, Estados Unidos, Argentina e Irlanda. Criada em 2011, a empresa tem mais de 60 jogos mobile.

O metaverso precisa de tecnologia e software, mas o fator determinante é uma engajada comunidade de desenvolvedores e usuários. Por essas razões, o Roblox e o Fortnite estão na dianteira. Já o Brasil tem todos os elementos para ser o líder global neste setor. Mas nada garante que isso irá acontecer. Montreal, no Canadá, oferece pistas sobre como podemos acelerar esse processo ao criar incentivos para atrair e reunir empresas, desenvolvedores e investimentos. Mas esse será assunto para a próxima coluna.

O metaverso deverá se tornar a próxima Internet e muitos gigantes de hoje vão perder influência. Mas assim como a Internet criou uma nova indústria, com novos empregos e novos bilionários, o metaverso repetirá essa história e possivelmente em uma escala ainda maior. É irônico que Stephenson tenha dito para a revista Vanity Fair, em 2017, que quando escrevia “Snow Crash” e criava o metaverso, estava “apenas inventando merda”. Décadas depois, os CEOs levam essa “invenção” cada vez mais a sério.


Este artigo foi produzido por Guilherme Ravache, jornalista, consultor digital e colunista da MIT Technology Review Brasil.

Mudanças climáticas extremas afetam até voos de aviões (Folha de S.Paulo)

Tempestades, fumaça de incêndios e calor, que reduz a força de ascensão das aeronaves, prejudicam companhias aéreas

23.ago.2021 às 22h15

Claire Bushey, Philip Georgiadis – Financial Times

Algumas companhias de aviação e aeroportos começaram a se planejar para um futuro no qual abalos climáticos severos afetam os cronogramas de voos com mais frequência, agora que a mudança do clima está fazendo com que aumente a probabilidade de calor extremo e grandes tempestades.

Este mês, tempestades forçaram o cancelamento de mais de 300 voos no aeroporto O’Hare, de Chicago, e no aeroporto de Dalas/Fort Worth, no Texas. Em julho, oito voos foram cancelados em Denver e outros 300 sofreram atrasos devido aos incêndios florestais que atingiram a região do Pacífico Noroeste dos Estados Unidos. O calor extremo afetou decolagens em Las Vegas e no Colorado no começo deste verão [do final de junho ao final de setembro, no hemisfério norte].

As perturbações se alinham a uma tendência: cancelamentos e atrasos de voos causados pelo clima se tornaram muito mais frequentes nos Estados Unidos e na Europa durante as duas últimas décadas, demonstram dados das autoridades regulatórias. Embora seja difícil vincular qualquer tempestade ou onda de calor individual à mudança do clima, estudos científicos determinaram que elas se tornarão mais frequentes ou intensas à medida que o planeta se aquece.

A ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil), o órgão vinculado à ONU que estabelece normas para o setor, constatou em uma pesquisa de 2019 entre seus países membros que três quartos dos respondentes afirmavam que seus setores de transporte aéreo já estavam experimentando algum impacto causado pela mudança no clima.

“É algo que absolutamente ocupa nossos pensamentos, com relação a se poderemos continuar mantendo nosso cronograma de voos, especialmente se considerarmos o crescimento que temos planejado para o futuro”, disse David Kensick, vice-presidente de operações mundiais da United Airlines. “Com a mudança no clima, estamos vendo um clima cada vez mais difícil de prever, e por isso teremos de lidar melhor com as situações criadas por ele”.

As companhias de aviação respondem por cerca de 2% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, ainda que, se outras substâncias emitidas por aviões forem consideradas, alguns estudos indiquem que seu impacto sobre o clima pode ser ainda maior.

O impacto potencial da mudança do clima sobre o setor é abrangente. Em curto prazo, as condições climáticas intensas criam dores de cabeça operacionais. Desvios forçados e cancelamentos de voos aumentam os custos de um setor que perdeu bilhões de dólares durante a pandemia.

Em prazo mais longo, as companhias de aviação acreditam que as mudanças nos padrões do clima alterarão as rotas de voo e o consumo de combustível. Provavelmente, voos entre a Europa e os Estados Unidos demorarão mais tempo, quando a “jet stream” que existe por sobre o Atlântico Norte mudar, por exemplo.

“A aviação será vítima da mudança do clima, além de ser vista, por muitas pessoas, como um dos vilões”, disse Paul Williams, professor de ciência atmosférica na Universidade de Reading, no Reino Unido.

O número de atrasos atribuídos ao mau tempo no espaço aéreo europeu subiu de 2,5 milhões em 2003 a um pico de 6,5 milhões em 2019, de acordo com dados da Eurocontrol, embora parte dessa alta possa ser atribuída ao crescimento do setor. Como proporção das causas gerais de atraso, problemas de clima subiram de 23% para 27% no mesmo período.

A proporção de voos cancelados nos Estados Unidos por conta do clima aumentou de aproximadamente 35% do total em 2004 para 54% em 2019, de acordo com a FAA (Administração Federal da Aviação) americana.

Mark Searle, diretor mundial de segurança na Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), disse que as companhias de aviação haviam se adaptado ao longo dos anos à mudança do clima.

“Existe uma situação evoluindo, mas não é como se estivéssemos à beira do precipício”, ele disse. “Na verdade, nós a estamos administrando muito bem”.

Para os aeroportos, isso pode significar preparação para níveis de mar mais elevados. O novo terminal de passageiros do aeroporto de Changi, em Cingapura, foi construído apenas 5,5 metros acima do nível médio do mar. A Avinor, que opera aeroportos ao longo da costa da Noruega, determinou que todas as pistas de aterrissagem novas sejam construídas pelo menos sete metros acima do nível do mar.

No caso das companhias de aviação, será necessário recorrer à tecnologia. A American Airlines e a United Airlines melhoraram sua capacidade de prever a proximidade de relâmpagos, permitindo que o trabalho nos pátios continue por mais tempo, antes de uma tempestade que se aproxima, sem colocar em risco o pessoal de terra.

Em diversos de seus aeroportos centrais, a United Airlines, sediada em Chicago, também criou sistemas de taxiagem automática que permitem que aviões sejam conduzidos aos terminais mesmo que tempestades impeçam que agentes de rampa os orientem até os portões.

O clima severo exige pessoal adicional. As operadoras são forçadas a pagar horas extras quando seu pessoal de embarque e dos call centers enfrenta demanda adicional gerada por passageiros tentando reorganizar suas viagens. As empresas terão de calcular se compensa mais pagar o adicional por horas extras, criar turnos adicionais de trabalho ou deixar que os passageiros arquem com as consequências dos problemas.

“Haverá custo adicional de qualquer forma se –e essa é uma questão em aberto– as companhias de aviação decidirem que querem lidar com isso”, disse Jon Jager, analista da Cirium, uma empresa de pesquisa sobre aviação.

Embora os passageiros tipicamente culpem as companhias de aviação pelos problemas que encontram, as regras dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia não exigem que elas indenizem os passageiros por problemas causados pelo clima. “A Mãe Natureza serve como desculpa para livrar as companhias de aviação de problemas”, disse Jager.

Perturbações surgem não só com tempestades, mas com extremos de calor. Aviões enfrentam dificuldade para decolar em temperaturas muito elevadas, porque o ar quente é menos denso, o que significa que as asas criam menos empuxo aerodinâmico. Quanto mais quente a temperatura, mais leve um avião precisa estar para decolar, especialmente em aeroportos com pistas curtas e em áreas quentes.

Williams, o cientista atmosférico, publicou um estudo no qual constata que, para um Airbus A320 decolando da ilha grega de Chios, a carga útil teve de ser reduzida em cerca de 130 quilos por ano, ao longo de três décadas –o que equivale, em linhas gerais, ao peso de um passageiro e sua bagagem.

A Iata está negociando com seus integrantes sobre a adoção de novas metas relacionadas à mudança do clima neste ano. As metas atuais do setor, adotadas em 2009, incluem reduzir à metade o nível de emissões de 2005, até 2050, e que todo crescimento seja neutro em termos de emissões de carbono, de 2020 em diante.

Mas em muitas áreas do setor, especialmente na Europa e Estados Unidos, existe uma convicção de que metas mais duras, incluindo um compromisso de zerar as emissões líquidas de poluentes, são necessárias.

“Acreditamos que provavelmente devemos ir além, e estamos trabalhando nisso”, disse Alexandre de Juniac, que está encerrando seu mandato como presidente da Iata, ao Financial Times alguns meses atrás.

Williams disse que a abordagem do setor de aviação quanto à mudança do clima parecia estar mudando.

“Historicamente, havia muita gente cética sobre a mudança do clima no setor de aviação, mas percebi uma mudança”, ele disse. “Agora o setor é muito mais honesto”.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

Climate Change Brings a Flood of Hyperbole/The Climate Has a Gun (The Wall Street Journal)

wsj.com

Opinion | The Climate Has a Gun (The Wall Street Journal)

Those who dismiss risk of climate change often appeal to uncertainty, but they have it backward.

Aug. 17, 2021 1:14 pm ET 2 minutes


In “Climate Change Brings a Flood of Hyperbole” (op-ed, Aug. 11), Steven Koonin put himself in the unenviable position of playing down climate change precisely while we are experiencing unprecedented heat waves, storms, fires, droughts, and floods that exceed model-based expectations.

Mr. Koonin claims that regional projections are “meant to scare people.” But the paper he cites for support addresses the “unfolding of what may become catastrophic changes to Earth’s climate” and argues that “being able to anticipate what would otherwise be surprises in extreme weather and climate variations” requires better models. In other words, our current models cannot rule out a catastrophic future.

Model uncertainty is two-edged. If we’d been lucky, we’d be discovering that we overestimated the danger. But all indicators suggest the opposite. Those who dismiss climate risk often appeal to uncertainty, but they have it backward. Climate uncertainty is like not knowing how many shots Dirty Harry fired from his .44-caliber Magnum. Now that it’s pointed at our head, it’s dawning on us that we’ve probably miscalculated. By the time we’re sure, it’s too late. We’ve got to ask ourselves one question: Do we feel lucky? Well, do we?

Adj. Prof. Mark BosloughUniversity of New Mexico


wsj.com

Opinion | Climate Change Brings a Flood of Hyperbole (The Wall Street Journal)

Despite constant warnings of catastrophe, things aren’t anywhere near as dire as the media say.

Steven E. Koonin – Aug. 10, 2021 6:33 pm ET


The Intergovernmental Panel on Climate Change has issued its latest report assessing the state of the climate and projecting its future. As usual, the media and politicians are exaggerating and distorting the evidence in the report. They lament an allegedly broken climate and proclaim, yet again, that we are facing the “last, best chance” to save the planet from a hellish future. In fact, things aren’t—and won’t be—anywhere near as dire.

The new report, titled AR6, is almost 4,000 pages, written by several hundred government-nominated scientists over the past four years. It should command our attention, especially because this report will be a crucial element of the coming United Nations Climate Change Conference in Glasgow. Leaders from 196 countries will come together there in November, likely to adopt more-aggressive nonbinding pledges to reduce greenhouse-gas emissions.

Previous climate-assessment reports have misrepresented scientific research in the “conclusions” presented to policy makers and the media. The summary of the most recent U.S. government climate report, for instance, said heat waves across the U.S. have become more frequent since 1960, but neglected to mention that the body of the report shows they are no more common today than they were in 1900. Knowledgeable independent scientists need to scrutinize the latest U.N. report because of the major societal and economic disruptions that would take place on the way to a “net zero” world, including the elimination of fossil-fueled electricity, transportation and heat, as well as complete transformation of agricultural methods.

It is already easy to see things in this report that you almost certainly won’t learn from the general media coverage. Most important, the model muddle continues. We are repeatedly told “the models say.” But the complicated computer models used to project future temperature, rainfall and so on remain deficient. Some models are far more sensitive to greenhouse gases than others. Many also disagree on the baseline temperature for the Earth’s surface.

The latest models also don’t reproduce the global climate of the past. The models fail to explain why rapid global warming occurred from 1910 to 1940, when human influences on the climate were less significant. The report also presents an extensive “atlas” of future regional climates based on the models. Sounds authoritative. But two experts, Tim Palmer and Bjorn Stevens, write in the Proceedings of the National Academy of Sciences that the lack of detail in current modeling approaches makes them “not fit” to describe regional climate. The atlas is mainly meant to scare people.

Sem chuvas, Brasil pode ter estagnação econômica e inflação, diz analista (Folha de S.Paulo)

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Crise de energia pode derrubar o PIB e aumentar a inflação no ano que vem, aponta relatório da RPS Capital

Douglas Gavras – 19 de agosto de 2021


O Brasil pode entrar em um quadro de estagflação (combinação de fraqueza econômica e preços em alta), caso não volte a chover no quarto trimestre do ano, segundo avaliação dos analistas da RPS Capital.

Na visão deles, a economia brasileira tem absorvido vários choques ao longo do ano, com desorganização de cadeias produtivas globais e, mais recentemente, aumento do custo do frete, com um novo surto de Covid na China.

“Se o período úmido for ruim, a gente pode ter complicações e o risco não é pequeno. O cenário de estiagem precisa passar até outubro, quando ocorre a transição desse período mais chuvoso”, diz Gabriel Barros, da RPS.

Para o analista, o governo tem adotado algumas medidas, que vão na direção correta, mas não são suficientes para evitar um cenário preocupante nos reservatórios das usinas.

“O que o governo tem anunciado é mais focado em grandes consumidores, ao deslocar o pico de carga da indústria para suavizar a curva”, diz. Como a situação é dramática, no entanto, deveria ser adotado um plano mais amplo de economia de energia.

Ele lembra que a inflação de alimentos ainda deve pesar no bolso, combinada com o aumento de preços da energia.

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,96% em julho, o maior resultado para o mês desde 2002, quando a alta foi de 1,19%.

No ano, o indicador acumula alta de 4,76% e, em 12 meses, 8,99%. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), oito dos nove grupos pesquisados apresentaram alta no mês. A maior pressão veio do aumento de 3,10% na habitação, pela alta de 7,88% na energia elétrica.

Além disso, a economia se beneficiou de um avanço na vacinação, o que deve movimentar o setor de serviços no segundo semestre. “Esses negócios estão em um momento de recompor preços e a inflação de serviços mostrou que está viva”, diz o analista.

Conforme o setor for reabrindo, a inflação como um todo também deve ficar mais alta. “São vários choques sequenciais e acontecendo ao mesmo tempo, criando uma tempestade perfeita para o BC”, diz o economista.

Diante desse quadro, caso o período de seca seja prolongado e não tenha chuva no fim do ano, cresce a possibilidade de que a economia não aguente mais um choque, explica Barros. “Uma seca mais aguda poderia gerar um cenário de estagflação.”

A geração hidrelétrica continua representando a maior parcela do parque gerador do país, que já representou 90% durante o apagão de 2001 e está em torno de 70%. Com a seca histórica, os reservatórios atingiram nível crítico e o governo precisou acionar térmicas (mais caras) para manter a geração.

“A reabertura da economia ajuda, mas tem de ter energia. Sem energia, isso vai derrubar o PIB (Produto Interno Bruto) e aumentar a inflação no ano que vem.”

O crescimento de 2022, que está sendo revisto para baixo, pode ficar ainda mais fraco sem chuvas. Uma redução compulsória de carga vai reduzir o crescimento, isso afeta diretamente o PIB.

Segundo o mais recente Boletim Focus, do Banco Central, a perspectiva de crescimento da economia é de 2,04% —sendo que já foi de 2,1% há um mês e de 2,5% no começo do ano.

Desmatamento pode aumentar chance de novas pandemias, diz relatório de Harvard (Folha de S.Paulo)

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Cientistas destacam que há pouco investimento contra surgimento de doenças

Phillippe Watanabe – 20 de agosto de 2021


Um relatório da Universidade Harvard reforça que alterações humanas no uso da terra e a destruição de florestas tropicais são fatores que podem aumentar as chances de surgimento de doenças com potencial pandêmico. Os pesquisadores apontam a conservação ambiental como uma das estratégias para evitar novas doenças.

O Harvard Global Health Institute e o Center for Climate, Health, and the Global Environment, da escola de saúde pública de Harvard, reuniram pesquisadores para analisar a literatura científica disponível até o momento e apontar caminhos para prevenção de novas pandemias.

Um dos pontos citados diretamente pelo relatório é o desmatamento. Os cientistas apontam como exemplo o aumento, após processos de desmate na América Central, de roedores como reservatórios de hantavírus —que, em caso de contaminação de humanos, pode levar à síndrome pulmonar por hantavírus.

A expansão de áreas agricultáveis também está ligada ao surgimento de novas doenças. Isso ocorre, afirmam os pesquisadores, pelo potencial de tal ação aproximar humanos a rebanhos de animais silvestres.

“Cerca de 22% da área terrestre em hotspots de biodiversidade, muitas vezes sobrepostos a hotspots de doenças emergentes, é ameaçada por expansão agrícola”, afirma o documento.

O relatório aponta que processos de urbanização descontrolados e sem planejamento podem ter um papel no surgimento de doenças, pelas mudanças no uso de terra e por possíveis grandes concentrações de pessoas e condições de vida ruins.

Há ainda fazendas de animais como outro ponto importante em eventos de spillover, ou transbordamento, em tradução do inglês, de zoonoses —basicamente, quando um vírus salta de uma espécie para uma nova, como para humanos. Os pesquisadores apontam a baixa diversidade genética e o elevado número de animais mantidos em alguns desses locais.

Os cientistas dão como exemplo a transmissão —inicialmente entre suínos e depois para trabalhadores agrícolas— do vírus nipah, na Malásia, em fazendas de porcos com altas concentrações de animais.

Além disso, a caça, o consumo e o comércio de animais selvagens também podem provocar o spillover.

A crise climática é mais um fator que deve impactar nos riscos de aparecimento de novas doenças no mundo, considerando as alterações que ocorrerão em ecossistemas. Segundo os pesquisadores, existe a possibilidade de habitats adequados para espécies diminuírem, o que poderia promover mais encontros entre vida selvagem e humanos, e, com isso, mais eventos de spillover.

“A redução de habitats e disponibilidade de néctar para morcegos, por exemplo, têm pressionado esses animais a buscar fontes alternativas de alimento em áreas urbanas e arredores”, afirmam os cientistas no relatório.

Por fim, os pesquisadores convocados por Harvard apontam estratégias para evitar eventos de spillover. A conservação ambiental é a primeira a ser destacada no relatório.

Outras estratégias listadas são restrições ao consumo de animais selvagens, investigações sobre vírus na vida selvagem e uma rede global de vigilância de patógenos em humanos, animais criados para abate e vida silvestre, entre outras iniciativas.

Segundo o documento, são baixos os investimentos destinados a impedir spillover. “Não mais do que US$ 4 bilhões [R$ 21,5 bilhões] são gastos a cada ano em todo o mundo em atividades de prevenção de transbordamento. A Covid-19 sozinha resultou em uma perda de PIB global estimada em US$ 4 trilhões [R$ 21,5 trilhões], ou cerca de US$ 40 bilhões [R$ 215 bilhões] por ano durante um século”, aponta o relatório.

IPCC: Já não há mais tempo para uma ecologia sutil – Outras Palavras (Outras Palavras)

outraspalavras.net

por Ricardo Abramovay – 13/08/2021 às 15:32 – Atualizado 13/08/2021 às 20:06


Relatório da ONU aponta: frear a crise climática exigirá novo paradigma ecológico e de bem-estar, que se sobreponha ao cálculo econômico. Um dos entraves será a indústria do cimento, altamente poluidora, que prepara novo boom da construção
Projeto “+1,5ºC Muda Tudo” , entre o Museu do Prado e a WWF, que atualiza obras clássicas sob a catástrofe climática

Nada indica que os mais importantes tomadores de decisão do planeta estejam preparados para enfrentar o horizonte traçado nesta semana pelo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que analisa a evolução e as perspectivas da relação entre as sociedades humanas e o sistema climático do qual a vida na Terra depende. Uma das mais importantes e promissoras conclusões do relatório é que ainda existe uma estreita janela de oportunidades para que a temperatura global média não suba além de 1,5ºC até o final do século.

Mas esta janela converte-se numa quase invisível fresta quando o mais importante jornal de economia do mundo, o Financial Times, retrata o entusiasmo de Jan Jenisch, presidente do maior grupo produtor global de cimento (Holcin), com o que ele chama de boom da construção, em função das necessidades de infraestrutura dos países em desenvolvimento. Sua alegria é compartilhada por Fernando Gonzales, o CEO da Cemex mexicana que fala em superciclo da construção.

O curioso é que a informação do Financial Times aparece num podcast do jornal, logo antes de um comentário sobre as enchentes na Alemanha e na China e a quebra de recorde de aumento de temperatura na América do Norte, sem que se faça qualquer relação entre cimento e eventos climáticos extremos. Ora, se fosse um país, o setor de cimento seria o terceiro maior emissor global. E não se pode dizer que o setor não esteja atento a seus impactos sobre o sistema climático.

Em 2021, cada tonelada de cimento é produzida com emissões 18% menores do que três décadas antes, mostra um trabalho do CarbonBrief. Neste período, porém, a demanda de cimento no mundo triplicou. O resultado é que, apesar dos avanços tecnológicos do setor, suas emissões continuam subindo.

O recente relatório conjunto da Agência Internacional de Energia e do Conselho Global de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) corrobora esta informação. Até 2050, a produção global de cimento deve aumentar 12%, mas suas emissões crescem “somente” 4%. O relatório do IPCC lançado esta semana faz com que esta inegável conquista (emitir menos por unidade produzida) se converta tragicamente em componente decisivo da crise climática.

O cimento aqui é tomado como um exemplo que atinge o conjunto da vida econômica. Os dados do Painel Internacional de Recursos das Nações Unidas são claros a este respeito: as emissões vindas da produção de materiais (metais, madeira, construção e plástico, sem incluir combustíveis fósseis e alimentos) dobraram entre 1995 e 2016 e passaram de 15% a 23% das emissões globais. E, da mesma forma que no cimento, os avanços técnicos para descarbonizar a oferta de ferro, aço, plástico e borracha foram imensos.

Se a este quadro se acrescentam os planos de ampliação da produção de petróleo e mesmo de carvão e as emissões derivadas da agropecuária no mundo todo, a conclusão é que tanto as estratégias empresariais quanto os planos governamentais de combate à crise climática estão muito aquém da urgência colocada pelo relatório do IPCC. É o que explica a afirmação de Cristiana Figueres, que dirigiu a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e foi uma das responsáveis pelo Acordo de Paris de 2015, numa entrevista após a divulgação do relatório do IPCC: “Nós não estamos à altura do desafio de nosso tempo… Estamos ainda promovendo melhorias marginais e os tempos apelam para mudança drástica”.

O relatório do IPCC terá alcançado o objetivo de desencadear esta mudança drástica sob duas condições. A primeira é que cada cidadão e cada consumidor encare a crise climática contemporânea com a seriedade e a urgência que enfrentou a pandemia. É fundamental que a economia propicie bem-estar, conforto e condições para que as pessoas e suas comunidades floresçam, mas se não formos capazes de fazer escolhas orientadas pelas mensagens que o IPCC nos está transmitindo o resultado é que simplesmente não haverá futuro.

Neste sentido, enfrentar a crise climática consiste, antes de tudo, em combater as desigualdades, ou seja, em utilizar os recursos de que dispomos sob a orientação gandhiana de que o mundo é capaz de satisfazer as necessidades humanas, mas não o luxo, o desperdício e a cobiça. Nosso bem-estar tem que depender, cada vez mais, de bens comuns, de solidariedade, de sentido comunitário, de empatia e de cooperação social.

Nesta dimensão coletiva do bem-estar se fundamenta o vínculo entre combate à crise climática e sentimento democrático. Sociedades que cultivam o individualismo e a ideia de que a ascensão social é um esforço que depende estritamente das pessoas e não de suas relações comunitárias dificilmente terão condições de enfrentar a crise climática.

A segunda condição para que possamos nos aproximar do que Cristiana Figueres chamou de “mudança drástica” é que tanto as políticas econômicas como as decisões empresariais passem a se nortear por uma pergunta central: como isso vai impactar a relação entre sociedade e natureza e, especialmente, as mudanças climáticas? A urgência atual não permite mais que este tema seja encarado como “externo” à vida econômica, como uma espécie de consequência não antecipada, não prevista de nossas atividades e que será corrigida em algum momento. A luta contra a crise climática tem que estar no cerne da gestão econômica pública e privada.

União Europeia, China, Estados Unidos, Japão, Índia e inúmeras organizações empresariais dão claros sinais de que estão ao menos iniciando medidas nesta direção. A distância entre esta agenda e a dos fanáticos fundamentalistas que estão no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios não poderia ser maior. No centro da luta para superar as ameaças que pesam sobre a democracia brasileira agora e no ano que vem está a mudança radical que Cristiana Figueres preconiza e que exige uma vida econômica que regenere os tecidos sociais, e naturais que até aqui tem acompanhado sistematicamente nossa oferta de bens e serviços.

Planeta queima, Folha assopra (Folha de S.Paulo)

Leitores pedem mais destaque para a crise do clima e demissão de colunista

José Henrique Mariante – Ombudsman

14.ago.2021 às 23h15

“A atividade humana está alterando o clima da Terra de maneira ‘sem precedentes’ em centenas de milhares de anos, com algumas mudanças já inevitáveis e ‘irreversíveis’, alertaram cientistas do clima.”

“Países atrasaram tanto a contenção de emissões de combustíveis fósseis que já não podem mais interromper a intensificação do aquecimento global pelos próximos 30 anos, ainda que exista uma janela para prevenir o futuro mais angustiante, concluiu um grande relatório científico da ONU.”

“Pela primeira vez, os cientistas do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU) quantificaram em um relatório o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas.”

Se é pelo dedo que se conhece o gigante, os primeiros parágrafos do noticiário mais importante do ano sobre a crise do clima mostra como o assunto está longe de um senso comum. As três aberturas acima foram cometidas por, respectivamente, The Guardian, The New York Times e Folha. A diferença de tom não é pequena: o apocalipse está próximo para o diário britânico; políticos precisam acordar antes que seja tarde segundo o americano; a ciência mostra que algo ocorre, diz o brasileiro.

Ilustração Carvall publicada no dia 15 de agosto de 2021. Nela um globo terrestre amarelo e vermelho, esta dentro de uma frigideira que esta sobre o fogo.
Carvall

O destaque da notícia nos três jornais também apresentou muitas diferenças. Valendo-se do fuso horário, o Times deu a notícia como manchete na edição impressa de segunda-feira (9) e manteve o assunto na capa no dia seguinte. O tratamento no site foi semelhante. O Guardian apurou o conteúdo do relatório com políticos e ONGs e adiantou que o tom do alerta seria grave já no domingo. Deu duas manchetes seguidas no impresso e 12 títulos em seu site apenas na segunda, além de um vídeo.

A Folha foi bem mais econômica. Resolveu a questão em três textos. No site, na segunda de manhã, o assunto não aparecia nem no primeiro scroll, a parte de cima da Home Page, mais nobre e de maior audiência. Onde estava, a chamada tinha peso parecido com o dado para uma nota sobre venda de Porsches no Brasil. O título principal dizia apenas que a “crise climática já agrava secas, tempestades e temperaturas”.

Em crítica interna. este ombudsman observou que o tratamento não condizia com o tamanho da notícia e que a comparação com a mídia internacional e até com concorrentes locais não era favorável. O destaque aumentou um pouco nas horas seguintes e a palavra “irreversível” foi acrescida ao enunciado original.

Na terça, em seu impresso, a Folha preferiu dar manchete para o desfile militar no bananal de Jair Bolsonaro. Clima virou um título, na parte debaixo da Primeira Página, em uma coluna. O Bolsa Família reloaded do presidente candidato mereceu duas colunas. Há, é claro, problemas em demasia no país, mas a opção da Folha restou entre as exceções em um dia importante.

Dos concorrentes diretos O Globo e O Estado de S.Paulo aos grandes jornais de Estados Unidos, Reino Unido e Europa, incluindo os econômicos The Wall Street Journal e Financial Times, todas as manchetes foram ocupadas pelo documento do IPCC. Com ou sem alarmismo, mas refletindo corretamente a amplitude do problema, a dimensão da notícia.

Leitores reclamaram. Alguns em tom ativista, cobrando da Folha comprometimento com a causa ambiental. Outros com pura preocupação, aquela que se sente diante do noticiário já quase diário de incêndios florestais, ondas de calor, inundações e secas pelo planeta. O temor que várias cidades brasileiras já sentem diante do racionamento de água. E o que vamos sentir todos daqui a pouco diante da falta de energia se o governo federal mantiver a incompetência de hábito.

No meio de tudo isso, surgiu um prenúncio de mudança. O jornal, na terça, padronizou que os eventos extremos devem ser tratados preferencialmente como “crise do clima”. Na quarta, porém, mais uma revolta se instalou na caixa de entrada. Leandro Narloch, de volta à Folha, repetiu argumentos negacionistas para falar de “aquecimento global” em sua coluna de reestreia.

Leitores furiosos listaram as polêmicas que cercam o jornalista conservador. Chamaram-no de homofóbico e racista. Pediram sua demissão, anunciaram o cancelamento de assinaturas do jornal e do UOL.

O episódio reforça as contradições da Folha na cobertura do clima. Sua brava equipe de Ciência faz excelente trabalho, tem bons analistas e cobertura consistente da Amazônia, mas isso é pouco para enfrentar um desafio multidisciplinar.

Crise climática precisa virar real prioridade, pauta que se impõe ao público pelo simples fato de que ela irá se impor de qualquer maneira. Não é mais questão de acreditar ou não em cientistas ou de pirralhas anunciando o fim do mundo.

O país está na berlinda na questão ambiental. A Folha não precisa ficar junto.

‘How lucky do you feel?’: The awful risks buried in the IPCC report (Sydney Morning Herald)

smh.com.au

Peter Hannam

The latest landmark climate science report goes much further than previous ones in providing estimates of how bad things might get as the planet heats up, even if a lack of data may mean it underestimates the perils.

Scientists have used the seven years since the previous assessment report of the Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC) to narrow the uncertainties around major issues, such as how much the planet will warm if we double atmospheric levels of carbon dioxide and other greenhouse gases.

While temperatures have risen largely in lockstep with rising CO2, this IPCC report examines in much more detail the risks of so-called abrupt changes, when relatively stable systems abruptly and probably irreversibly shift to a new state.

Michael Mann, director of the Pennsylvania State University’s Earth System Science and one of the world’s most prominent climate researchers, says the models are not capturing all the risks as the climate heats up.

Running AMOC

Perhaps the most prominent of these threats is a possible stalling of the Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC). Also known as the Gulf Stream, it brings tropic water north from the Caribbean, keeping northern Europe much warmer than its latitude might otherwise suggest, and threatening massive disruptions if it slows or stops.

“Where the models have underestimated the impact is with projections of ice melt, the AMOC, and – I argue in my own work – the uptick on extreme weather events,” Professor Mann tells the Herald and The Age.

Stefan Rahmstorf, head of research at the Potsdam Institute for Climate Impact Research, agrees that climate models have not done a good job of reproducing the so-called cold blob in the subpolar Atlantic that is forming where melting Greenland ice is cooling the subpolar Atlantic.

Breaking up: The US Coast Guard Icebreaker Healy on a research cruise in the Chukchi Sea of the Arctic Ocean.
Breaking up: The US Coast Guard Icebreaker Healy on a research cruise in the Chukchi Sea of the Arctic Ocean. Credit:AP

If they are not picking that blob up, “should we trust those models on AMOC stability?” Professor Rahmstorf asks.

The IPCC’s language, too, doesn’t necessarily convey the nature of the threat, much of which will be detailed in the second AR6 report on the impacts of climate change, scheduled for release next February.

“Like just stating the AMOC collapse by 2100 is ‘very unlikely’ – that was in a previous report – it sounds reassuring,” Professor Rahmstorf said. “Now the IPCC says they have ‘medium confidence’ that it won’t happen by 2100, whatever that means.”

West Antarctica has enough ice to raise global sea levels by more than 3 metres if it melts.
West Antarctica has enough ice to raise global sea levels by more than 3 metres if it melts.Credit:Ian Joughin

West Antarctic melt

Another potential tipping point is the possible disintegration of the West Antarctic ice sheet. Much of the sheet lies below sea level and as the Southern Ocean warms, it will melt causing it to “flow” towards the sea in a process that is expected to be self-sustaining.

This so-called marine ice sheet instability is identified in the IPCC report as likely resulting in ice mass loss under all emissions scenarios. There is also “deep uncertainty in projections for above 3 degrees of warming”, the report states.

Containing enough water to lift sea levels by 3.3 metres, it matters what happens to the ice sheet. As Andrew Mackintosh, an ice expert at Monash University, says, the understanding is limited: “We know more about the surface of Mars than the ice sheet bed under the ice.”

Permafrost not so permanent

Much has been made about the so-called “methane bomb” sitting under the permafrost in the northern hemisphere. As the Arctic has warmed at more than twice the pace of the globe overall, with heatwaves of increasing intensity and duration, it is not surprising that the IPCC has listed the release of so-called biogenic emissions from permafrost thaw as among potential tipping points.

These emissions could total up to 240 gigatonnes of CO2-equivalent which, if released, would add an unwanted warming boost.

The IPCC lists as “high” the probability of such releases during this century, adding there is “high confidence” that the process is irreversible at century scales.

“In some cases abrupt changes can occur in Earth System Models but don’t on the timescales of the projections (for example, an AMOC collapse),” said Peter Cox, a Professor of Climate System Dynamics at the UK’s University of Exeter. “In other cases the processes involved are not yet routinely included in ESMs [such as] CO2 and methane release from deep permafrost.”

“In the latter cases IPCC statements are made on the basis of the few studies available, and are necessarily less definitive,” he said.

Other risks

From the Amazon rainforest to the boreal forests of Russia and Canada, there is a risk of fire and pests that could trigger dieback and transform those regions.

Australia’s bush faces an increased risk of bad fire weather days right across the continent, the IPCC notes. How droughts, heatwaves and heavy rain and other extreme events will play out at a local level is also not well understood.

Ocean acidification and marine heatwaves also mean the world’s coral reefs will be much diminished at more than 1.5 degrees of warming. “You can kiss it goodbye as we know it,” says Sarah Perkins-Kirkpatrick, a climate researcher at the University of NSW, said.

Global monsoons, which affect billions of people including those on the Indian subcontinent, are likely to increase their rainfall in most parts of the world, the IPCC said.

Andy Pitman, director of the ARC Centre of Excellence for Climate Extremes, said policymakers need to understand that much is riding on these tipping points not being triggered as even one or two of them would have long-lasting and significant effects. “How lucky do you feel?” Professor Pitman says.

The Biggest uncertainty

Christian Jakob, a Monash University climate researcher, said that while there remain important uncertainties, science is honing most of those risks down.

Much harder to gauge, though, is which emissions path humans are going to take. Picking between the five scenarios ranging from low to high that we are going to choose is “much larger than the uncertainty we have in the science,” Professor Jakob said.

Crise do clima afeta saúde individual com mais dias de calorão e tempo seco; entenda (Folha de S.Paulo)

Aumento das inundações também está entre mudanças previstas por painel da ONU

Phillippe Watanabe – São Paulo

14.ago.2021 às 12h00

OK, você já entendeu que a crise do clima é para valer e causada pela atividade humana, como mostrou o relatório recente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima). Agora, como isso pode afetar seu dia a dia?

O impacto do aumento da temperatura média na Terra é planetário, com elevação do nível do mar e alteração de ecossistemas inteiros, entre outras mudanças.

Alterações regionais do clima, com maior frequência de eventos extremos, já são percebidas e se intensificarão nos próximos anos, com consequências diretas na saúde de todos.

No Brasil, alguns estados conviverão com mais dias de calorão, que podem ser prejudiciais à saúde a ponto de provocar a morte de idosos.

Em outros, chuvas intensas se tornarão mais recorrentes, ocasionando inundações que aumentam o risco de doenças, quando não destroem bairros e cidades.

Por fim, as secas também devem ficar mais intensas, o que pode agravar problemas respiratórios.

Além disso, tanto as chuvas intensas quanto as secas prejudicam lavouras, aumentando o preço dos alimentos.

Um exemplo prático de aumento de temperatura está no Sudeste e no Sul do Brasil. Segundo o cenário mais otimista do IPCC, até 2040 os dias com termômetros acima de 35°C passarão de 26 por ano (média de 1995 a 2014) para 32. Num cenário intermediário, até o final do século esse número pode chegar a 43, um aumento de mais de 65% em relação à situação recente.

No Centro-Oeste, o aumento do calorão é ainda mais severo. No cenário intermediário, do IPCC, a média de 53 dias por ano com termômetros acima de 35°C salta para cerca de 72 até 2040 e para 108 até o fim do século, ou pouco mais de um trimestre de temperatura extrema.

​As consequências para a saúde são graves. Ondas de calor extremo podem causar hipertermia, que afeta os órgãos internos e provoca lesões no coração, nas células musculares e nos vasos sanguíneos. São danos que podem levar à morte.

Homem empurra carrinho com frutas em rua inundada em Manaus, que enfrentou, nos últimos meses, a maior cheia já registrada do rio Negro
Homem empurra carrinho com frutas em rua inundada em Manaus, que enfrentou, nos últimos meses, a maior cheia já registrada do rio Negro – Michael Dantas/AFP

Em junho, uma onda de calor nos estados de Oregon e Washington, nos Estados Unidos, custou a vida de centenas de pessoas. Segundo reportagem do jornal The New York Times, foram registrados cerca de 600 óbitos em excesso no período.

Além do calor, a crise do clima deve tornar mais frequentes os períodos de seca e os dias sem chuva em muitas regiões. É o caso da Amazônia.

Dados do IPCC apontam que, na região Norte, no período 1995-2014 eram em média 43 dias consecutivos sem chuva por ano, que podem aumentar para 51, com períodos 10% mais secos até 2040.

Situação similar deve ocorrer no Centro-Oeste, que tinha 69 dias consecutivos sem chuva por ano, que podem ir a 76, com períodos 13% mais secos.

Períodos mais secos nessas regiões preocupam por causa das queimadas. Na Amazônia, por exemplo, a época sem chuvas é associada à intensificação de processos de desmatamento e de incêndios.

As queimadas na região amazônica têm relação com piora da qualidade do ar e consequentes problemas respiratórios. A Fiocruz e a ONG WWF-Brasil estimam que estados amazônicos com índices elevados de queimadas tenham gastado, em dez anos, quase R$ 1 bilhão com hospitalizações por doenças respiratórias provavelmente relacionadas à fumaça dos incêndios.

No ano passado, o Pantanal passou por sua pior seca dos últimos 60 anos, estiagem que ainda pode continuar por até cinco anos, segundo afirmou à época a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. A situação fez explodir o número de queimadas na região.

O IPCC também aponta aumento da frequência e da intensidade de chuvas extremas e enchentes em diversas regiões do Brasil.

Além dos danos óbvios na infraestrutura das cidades, as inundações provocam problemas de saúde. Hepatite A (transmitida de modo oral-fecal, ou seja, por alimentos e água contaminada) e leptospirose (com transmissão a partir do contato com urina de ratos) são suspeitos conhecidos, mas há também o risco de acidentes com animais peçonhentos, já que cobras e escorpiões podem procurar abrigos dentro das casas.

Manaus tornou-se exemplo recente desse tipo de situação. A cidade enfrentou uma cheia histórica, a maior desde o início das medições, há 119 anos. As águas do rio Negro provocaram inundações com duração superior a um mês na principal capital da região amazônica. Seis das dez maiores cheias já registradas no rio ocorreram no século 21, ou seja, nas últimas duas décadas.

Ruas da região do porto de Manaus tiveram que ser interditadas e foi necessária a construção de passarelas sobre as vias alagadas. Enquanto isso, comerciantes fizeram barreiras com sacos de areia e jogaram cal na água parada para tentar neutralizar o cheiro de fezes.

Em meio à inundação em igarapés, houve acúmulo de lixo, que chegou a cobrir toda a área superficial da água. Dentro das casas, moradores usaram plataformas de madeira (chamadas de marombas) para suspender móveis e eletrodomésticos.

As enchentes não são exclusividade amazônica. Elas também ocorrem na região Sudeste, em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo.

Pouco tempo depois da cheia em Manaus, a Europa também viu chuvas intensas concentradas em um curto espaço de tempo causarem inundações severas, principalmente na Alemanha. Além da destruição de vias públicas e imóveis, houve mais de uma centena de mortes.

Também no mesmo período, a China teve que lidar com grandes precipitações e perda de vidas humanas pelas inundações, que chegaram a encher de água o metrô, deixando pessoas presas. Foram as piores chuvas em 60 anos em Zhengzhou, capital da província de Henan.

Em termos globais, um estudo recente apontou o aumento da população exposta a inundações. De 2000 a 2015, de 255 milhoes a 290 milhões de pessoas foram diretamente afetadas por enchentes.

Atlas

Umas das novidades do novo relatório do IPCC é o espaço dedicado às emergências climáticas regionais e, relacionado a isso, o Atlas interativo, uma ferramenta que permite o acesso às informações do clima de diferentes regiões do mundo .

Segundo Lincoln Alves, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e autor-líder do Atlas do IPCC, a ferramenta pretende facilitar o acesso a informações normalmente complexas. “É visível a mudança do clima”, afirma o pesquisador.

A partir do Atlas, diz Alves, é possível que comunidades, empresas e até esferas do governo consigam olhar de forma mais regional para os efeitos da crise do clima.

A ferramenta permite ver a história climática da Terra e observar as projeções para diferentes variáveis em diferentes cenários de emissões —e de aquecimento, como 1,5°C e 2°C— apontados pelo IPCC.


PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO RELATÓRIO DO IPCC

  • Aumento de temperatura provocada pelo ser humano desde 1850-1900 até 2010-2019: de 0,8°C a 1,21°C
  • Os anos de 2016 a 2020 foram o período de cinco anos mais quentes de 1850 a 2020
  • De 2021 a 2040, um aumento de temperatura de 1,5°C é, no mínimo, provável de acontecer em qualquer cenário de emissões
  • A estabilização da temperatura na Terra pode levar de 20 a 30 anos se houver redução forte e sustentada de emissões
  • O oceano está esquentando mais rápido —inclusive em profundidades maiores do que 2.000 m— do que em qualquer período anterior, desde pelo menos a última transição glacial. É extremamente provável que as atividades humanas sejam o principal fator para isso
  • O oceano continuará a aquecer por todo o século 21 e provavelmente até 2300, mesmo em cenários de baixas emissões
  • O aquecimento de áreas profundas do oceano e o derretimento de massas de gelo tende a elevar o nível do mar, o que tende a se manter por milhares de anos
  • Nos próximos 2.000 anos, o nível médio global do mar deve aumentar 2 a 3 metros, se o aumento da temperatura ficar contido em 1,5°C. Se o aquecimento global ficar contido a 2°C, o nível deve aumentar de 2 a 6 metros. No caso de 5°C de aumento de temperatura, o mar subirá de 19 a 22 metros

The Art of Pondering Distant Future Earths (MIT Press Reader)

Stretching the mind across time can help us become more responsible planetary stewards and foster empathy across generations.

Posted on Aug 10, 2021

Source: Jake Weirick, via Unsplash

By: Vincent Ialenti

The word has been out for decades: We were born on a damaged planet careening toward environmental collapse. Yet our intellects are poorly equipped to grasp the scale of the Earth’s ecological death spiral. We strain to picture how, in just a few decades, climate change may displace entire populations. We struggle to envision the fate of plastic waste that will outlast us by centuries. We fail to imagine our descendants inhabiting an exhausted Earth worn out from resource extraction and devoid of biodiversity. We lack frames of reference in our everyday lives for thinking about nuclear waste’s multimillennial timescales of radioactive hazard.

I am an anthropologist who studies how societies hash out relationships between living communities of the present and unborn communities imagined to inhabit the future. Studying how a community relates to the passage of time, I’ve learned, can offer a window into its values, worldviews, and lifeways.

This article adapted from Vincent Ialenti’s book “Deep Time Reckoning: How Future Thinking Can Help Earth Now.”

From 2012 to 2014, I conducted 32 months of anthropological fieldwork exploring how Finland’s nuclear energy waste experts grappled with Earth’s radically long-term future. These experts routinely dealt with long-lived radionuclides such as uranium-235, which has a half-life of over 700 million years. They worked with the nuclear waste management company Posiva to help build a final disposal facility approximately 450 meters below the islet of Olkiluoto in the Gulf of Bothnia in the Baltic Sea. If all goes according to plan, this facility will, in the mid-2020s, become the world’s first operating deep geologic repository for spent nuclear fuel.

To assess the Olkiluoto repository’s long-term durability, these experts developed a “safety case” forecasting geological, hydrological, and ecological events that could potentially occur in Western Finland over the coming tens of thousands — or even hundreds of thousands — of years. From their efforts emerged visions of distant future glaciations, climate changes, earthquakes, floods, human and animal population changes, and more. These forecasts became the starting point for a series of “mental time travel” exercises that I incorporated into my book, “Deep Time Reckoning.”

Stretching the mind across time — even in the most speculative ways — can help us become more responsible planetary stewards: It can help endow us with the time literacy necessary for tackling long-term challenges such as biodiversity loss, microplastics accumulation, climate change, antibiotic resistance, asteroid impacts, sustainable urban planning, and more. This can not only make us feel more at home in pondering our planet’s pasts and futures. It can also draw us to imagine the world from the perspective of future human and non-human communities — fostering empathy across generations.


5710 CE. A tired man lounges on a sofa. He lives in a small wooden house in a region once called Eurajoki, Finland. He works at a local medical center. Today is his day off. He’s had a long day in the forest. He hunted moose and deer and picked lingonberries, mushrooms, and bilberries. He now sips water, drawn from a village well, from a wooden cup. His husband brings him a dinner plate. On it are fried potatoes, cereal, boiled peas, and beef. All the food came from local farms. The cattle were watered at a nearby river. The crops were watered by irrigation channels flowing from three local lakes.

The man has no idea that, more than 3,700 years ago, safety case biosphere modelers used 21st-century computer technologies to reckon everyday situations like his. He does not know that they once named the lakes around him — which formed long after their own deaths — “Liiklanjärvi,” “Tankarienjärvi,” and “Mäntykarinjärvi.” He is unaware of Posiva’s ancient determination that technological innovation and cultural habits are nearly impossible to predict even decades in advance. He is unaware that Posiva, in response, instructed its modelers to pragmatically assume that Western Finland’s populations’ lifestyles, demographic patterns, and nutritional needs will not change much over the next 10,000 years. He does not know the safety case experts inserted, into their models’ own parameters, the assumption that he and his neighbors would eat only local food.

Yet the hunter’s life is still entangled with the safety case experts’ work. If they had been successful, then the vegetables, meat, fruit, and water before him should have just a tiny chance of containing only tiny traces of radionuclides from 20th-century nuclear power plants.


12020 CE. A solitary farmer looks out over her pasture, surrounded by a green forest of heath trees. She lives in a sparse land once called Finland, on a fertile island plot once called Olkiluoto. The area is an island no longer. What was once a coastal bay is now dotted with small lakes, peat bogs, and mires with white sphagnum mosses and grassy sedge plants. The Eurajoki and Lapijoki Rivers drain out into the sea. When the farmer goes fishing at the lake nearby, she catches pike. She watches a beaver swim about. Sometimes she feels somber. She recalls the freshwater ringed seals that once shared her country before their extinction.

The woman has no idea that, deep beneath her feet, lies an ancestral deposit of copper, iron, clay, and radioactive debris. This is a highly classified secret — leaked to the public several times over the millennia, but now forgotten. Yet even the government’s knowledge of the burial site is poor. Most records were destroyed in a global war in the year 3112. It was then that ancient forecasts of the site, found in the 2012 safety case report “Complementary Considerations,” were lost to history.

But the farmer does know the mythical stories of Lohikäärme: a dangerous, flying, salmon-colored venomous snake that kills anyone who dares dig too close to his underground cave. She and the other farmers in the area grow crops of peas, sugar beet, and wheat. They balk at the superstitious fools who tell them the monster living beneath their feet is real.


35,012 CE. A tiny microbe floats in a large, northern lake. It does not know that the clay, silt, and mud floor below it is gaining elevation, little by little, year after year. It is unaware that, 30 millennia ago, the lake was a vast sea. Dotted with sailboats, cruise and cargo ships, it was known by humans as the Baltic. Watery straits, which connected the Baltic Sea to the North Sea, had risen above the water thousands of years ago. Denmark and Sweden fused into a single landmass. The seafloor was decompressing from the Weichselian glaciation — an enormous sheet of ice that pressed down on the land during a previous ice age.

After the last human died, the landmass kept on rising. Its uplift was indifferent to human extinction. It was indifferent to how, in 2013 CE, an anthropologist and a safety case expert sat chatting in white chairs in Ravintola Rytmi: a café in Helsinki. There, the safety case expert relayed his projection that, by 52,000 CE, there would no longer be water separating Turku, Finland, and Stockholm, Sweden. At that point, one could walk from one city to the other on foot. The expert reckoned that, to the north — between Vaasa, Finland, and Umeå, Sweden — one would someday find a waterfall with the planet’s largest deluge of flowing water. The waterfall could be found at the site of a once-submerged sea shelf.

The microbe, though, does not know or care about Vaasa, Umeå, Denmark, long-lost boats, safety case reports, or Helsinki’s past dining options. It has no concept of them. Their significances died with the humans. Nor does the microbe grasp the suffering they faced when succumbing to Anthropocene collapse. Humans’ past technological feats, grand civilizations, passion projects, intellectual triumphs, wartime sacrifices, and personal struggles are now moot. And yet, the radiological safety of the microbe’s lake’s waters still hinges on the work of a handful of human safety case experts who lived millennia ago. Thinking so far ahead, these experts never lived to see whether their deep time forecasts were accurate.


We do not, of course, live in these imagined worlds. In this sense, they are unreal — merely fictions. However, our capacities to envision potential futures, and to feel empathy for those who may inhabit them, are very real. Depictions of tomorrow can have powerful, concrete effects on the world today. This is why deep time thought experiments are not playful games, but serious acts of intellectual problem-solving. It is why the safety case experts’ models of far future nuclear waste risks are uniquely valuable, even if they are, at the end of the day, mere approximations.

Yet pondering distant future Earths can also help us take a step back from our everyday lives — enriching our imaginations by transporting our minds to different places and times. Corporate coaches have recommended taking breaks from our familiar thinking patterns to experience the world in new ways and overcome mental blocks. Cognitive scientists have shown how creativity can be sparked by perceiving “something one has not seen before (but that was probably always there).”

Putting aside a few minutes each day for long-termist, planetary imagination can enrich us with greater mental dexterity in navigating between multiple, interacting timescales. This can cultivate more longsighted empathy for landscapes, people, and other organisms across decades, centuries, and millennia. As the global ecological crisis takes hold, embracing planetary empathy will prove essential to our collective survival.

Vincent Ialenti is a Research Fellow at The University of Southern California and The Berggruen Institute. His recent book, “Deep Time Reckoning,” is an anthropological study of how Finland’s nuclear waste repository experts grappled with distant future ecosystems and the limits of human knowledge.

The new IPCC Report includes – get this, good news (Yale Climate Connections)

Yale Climate Connections

By Dana Nuccitelli August 12, 2021

As the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) released its Sixth Assessment Report, summarized nicely on these pages by Bob Henson, much of the associated media coverage carried a tone of inevitable doom.

These proclamations of unavoidable adverse outcomes center around the fact that in every scenario considered by IPCC, within the next decade average global temperatures will likely breach the aspirational goal set in the Paris climate agreement of limiting global warming to 1.5 degrees Celsius (2.7 degrees Fahrenheit) above pre-industrial temperatures. The report also details a litany of extreme weather events like heatwaves, droughts, wildfires, floods, and hurricanes that will all worsen as long as global temperatures continue to rise.

While United Nations Secretary-General António Guterres rightly called the report a “code red for humanity,” tucked into it are details illustrating that if  BIG IF top-emitting countries respond to the IPCC’s alarm bells with aggressive efforts to curb carbon pollution, the worst climate outcomes remain avoidable.

The IPCC’s future climate scenarios

In the Marvel film Avengers: Infinity War, the Dr. Strange character goes forward in time to view 14,000,605 alternate futures to see all the possible outcomes of the Avengers’ coming conflict. Lacking the fictional Time Stone used in this gambit, climate scientists instead ran hundreds of simulations of several different future carbon emissions scenarios using a variety of climate models. Like Dr. Strange, climate scientists’ goal is to determine the range of possible outcomes given different actions taken by the protagonists: in this case, various measures to decarbonize the global economy.

The scenarios considered by IPCC are called Shared Socioeconomic Pathways (SSPs). The best-case climate scenario, called SSP1, involves a global shift toward sustainable management of global resources and reduced inequity. The next scenario, SSP2, is more of a business-as-usual path with slow and uneven progress toward sustainable development goals and persisting income inequality and environmental degradation. SSP3 envisions insurgent nationalism around the world with countries focusing on their short-term domestic best interests, resulting in persistent and worsening inequality and environmental degradation. Two more scenarios, SSP4 and SSP5, consider even greater inequalities and fossil fuel extraction, but seem at odds with an international community that has agreed overwhelmingly to aim for the Paris climate targets.

The latest IPCC report’s model runs simulated two SSP1 scenarios that would achieve the Paris targets of limiting global warming to 1.5 and 2°C (2.7 and 3.6°F); one SSP2 scenario in which temperatures approach 3°C (5.4°F) in the year 2100; an SSP3 scenario with about 4°C (7.2°F) global warming by the end of the century; and one SSP5 ‘burn all the fossil fuels possible’ scenario resulting in close to 5°C (9°F), again by 2100.

Projected global average surface temperature change in each of the five SSP scenarios. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

The report’s SSP3-7.0 pathway (the latter number represents the eventual global energy imbalance caused by the increased greenhouse effect, in watts per square meter), is considered by many experts to be a realistic worst-case scenario, with global carbon emissions continuing to rise every year throughout the 21st century. Such an outcome would represent a complete failure of international climate negotiations and policies and would likely result in catastrophic consequences, including widespread species extinctions, food and water shortages, and disastrous extreme weather events.

Scenario SSP2-4.5 is more consistent with government climate policies that are currently in place. It envisions global carbon emissions increasing another 10% over the next decade before reaching a plateau that’s maintained until carbon pollution slowly begins to decline starting in the 2050s. Global carbon emissions approach but do not reach zero by the end of the century. Even in this unambitious scenario, the very worst climate change impacts might be averted, although the resulting climate impacts would be severe.

Most encouragingly, the report’s two SSP1 scenarios illustrate that the Paris targets remain within reach. To stay below the main Paris target of 2°C (3.6°F) warming, global carbon emissions in SSP1-2.6 plateau essentially immediately and begin to decline after 2025 at a modest rate of about 2% per year for the first decade, then accelerating to around 3% per year the next decade, and continuing along a path of consistent year-to-year carbon pollution cuts before reaching zero around 2075. The IPCC concluded that once global carbon emissions reach zero, temperatures will stop rising. Toward the end of the century, emissions in SSP1-2.6 move into negative territory as the IPCC envisions that efforts to remove carbon from the atmosphere via natural and technological methods (like sequestering carbon in agricultural soils and scrubbing it from the atmosphere through direct air capture) outpace overall fossil fuel emissions.

Meeting the aspirational Paris goal of limiting global warming to 1.5°C (2.7°F) in SSP1-1.9 would be extremely challenging, given that global temperatures are expected to breach this level within about a decade. This scenario similarly envisions that global carbon emissions peak immediately and that they decline much faster than in SSP1-2.6, at a rate of about 6% per year from 2025 to 2035 and 9% per year over the following decade, reaching net zero by around the year 2055 and becoming net negative afterwards.

Global carbon dioxide emissions (in billions of tons per year) from 2015 to 2100 in each of the five SSP scenarios. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

For perspective, global carbon emissions fell by about 6-7% in 2020 as a result of restrictions associated with the COVID-19 pandemic and are expected to rebound by a similar amount in 2021. As IPCC report contributor Zeke Hausfather noted, this scenario also relies on large-scale carbon sequestration technologies that currently do not exist, without which global emissions would have to reach zero a decade sooner.

More warming means more risk

The new IPCC report details that, depending on the region, climate change has already worsened extreme heat, drought, fires, floods, and hurricanes, and those will only become more damaging and destructive as temperatures continue to rise. The IPCC’s 2018 “1.5°C Report” had entailed the differences in climate consequences in a 2°C vs. 1.5°C world, as summarized at this site by Bruce Lieberman.

Consider that in the current climate of just over 1°C (2°F) warmer than pre-industrial temperatures, 40 countries this summer alone have experienced extreme flooding, including more than a year’s worth of rain falling within 24 hours in Zhengzhou, China. Many regions have also experienced extreme heat, including the deadly Pacific Northwest heatwave and dangerously hot conditions during the Olympics in Tokyo. Siberia, Greece, Italy, and the US west coast are experiencing explosive wildfires, including the “truly frightening fire behavior” of the Dixie fire, which broke the record as the largest single wildfire on record in California. The IPCC report warned of “compound events” like heat exacerbating drought, which in turn fuels more dangerous wildfires, as is happening in California.

Western North America (WNA) and the Mediterranean (MED) regions are those for which climate scientists have the greatest confidence that human-caused global warming is exacerbating drought by drying out the soil. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)
The southwestern United States and Mediterranean are also among the regions for which climate scientists have the greatest confidence that climate change will continue to increase drought risk and severity. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

The IPCC report notes that the low-emissions SSP1 scenarios “would lead to substantially smaller changes” in these sorts of climate impact drivers than the higher-emissions scenarios. It also points out that with the world currently at around 1°C of warming, the intensity of extreme weather will be twice as bad compared to today’s conditions if temperatures reach 2°C (1°C hotter than today) than if the warming is limited to 1.5°C (0.5°C hotter than today), and quadruple as bad if global warming reaches 3°C (2°C hotter than today). For example, what was an extreme once-in-50-years heat wave in the late-1800s now occurs once per decade, which would rise to almost twice per decade at 1.5°C,  and nearly three times per decade at 2°C global warming.

The increasing frequency and intensity of what used to be 1-in-50-year extreme heat as global temperatures rise. (Source: IPCC Sixth Assessment Report)

Climate’s fate has yet to be written

At the same time, there is no tipping point temperature at which it becomes “too late” to curb climate change and its damaging consequences. Every additional bit of global warming above current temperatures will result in increased risks of worsening extreme weather of the sorts currently being experienced around the world. Achieving the aspirational 1.5°C Paris target may be politically infeasible, but most countries (137 total) have either committed to or are in the process of setting a target for net zero emissions by 2050 (including the United States) or 2060 (including China).

That makes the SSP1 scenarios and limiting global warming to less than 2°C a distinct possibility, depending on how successful countries are at following through with decarbonization plans over the coming three decades. And with its proposed infrastructure bipartisan and budget reconciliation legislative plans – for which final enactment of each remains another big IF – the United States could soon implement some of the bold investments and policies necessary to set the world’s second-largest carbon polluter on a track consistent with the Paris targets.

As Texas Tech climate scientist Katharine Hayhoe put it,

Again and again, assessment after assessment, the IPCC has already made it clear. Climate change puts at risk every aspect of human life as we know it … We are already starting to experience those risks today; but we know what we need to do to avoid the worst future impacts. The difference between a fossil fuel versus a clean energy future is nothing less than the future of civilization as we know it.

Back to the Avengers: They had only one chance in 14 million to save the day, and they succeeded. Time is running short, but policymakers’ odds of meeting the Paris targets remain much better than that. There are no physical constraints playing the role of Thanos in our story; only political barriers stand between humanity and a prosperous clean energy future, although those can sometimes be the most difficult types of barriers to overcome.

Also see:    Key takeaways from the new IPCC report

Eight key takeaways from the IPCC report that prove we need to put in the work to fight climate change (Technology News, Firstpost)

firstpost.com


The new IPCC report is “a code red for humanity.”

Aug 13, 2021 20:25:56 IST

The new IPCC report is “a code red for humanity”, says UN Secretary-General António Guterres.

Established in 1988 by United Nations Environment Programme (UNEP) and the World Meteorological Organisation (WMO), the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) assesses climate change science. Its new report is a warning sign for policy makers all over the world.

On 26 October 2014, Peia Kararaua, 16, swims in the flooded area of Aberao village in Kiribati. Kiribati is one of the countries most affected by sea level rise. During high tides many villages become inundated making large parts of them uninhabitable.....On 22 March 2017, a UNICEF report projects that some 600 million children – or 1 in 4 children worldwide – will be living in areas where water demand far outstrips supply by 2040. Climate change is one of the key drivers of water stress, which occurs when more than 80 per cent of the water available for agriculture, industry and domestic use is withdrawn annually. According to the report “Thirsting for a Future”, warmer temperatures, rising sea levels, increased floods, droughts and melting ice affect the quality and availability of water. Population growth, increased water consumption, and an even higher demand for water largely due to industrialization, are also draining water resources worldwide, forcing children to use unsafe water, which exposes them to potentially deadly diseases like cholera and diahrroea. The poorest and most vulnerable children will be most impacted, as millions of them already live in areas with low access to safe water and sanitation. The impact of climate change on water sources is not inevitable, the report says, citing a series of recommendations that can help curb its effect on the lives of children.

In this picture taken on 26 October, 2014, Peia Kararaua, 16, swims in the flooded area of Aberao village in Kiribati. Kiribati is one of the countries worst hit by the sea level rise since high tides mean many villages are inundated, making them uninhabitable. Image credit: UNICEF/Sokhin

This was the first time the approval meeting for the report was conducted online. There were 234 authors from the world over who clocked in 186 hours working together to get this report released.

For the first time, the report offers an interactive atlas for people to see what has already happened and what may happen in the future to where they live.

“This report tells us that recent changes in the climate are widespread, rapid and intensifying, unprecedented in thousands of years,” said IPCC Vice-Chair Ko Barrett.

UNEP Executive Director Inger Andersen that scientists have been issuing these messages for more than three decades, but the world hasn’t listened.

Here are the most important takeaways from the report:

Humans are to be blamed

Human activity is the cause of climate change and this is an unequivocal fact. All the warming caused in the pre-industrial times had been generated by the burning of fossil fuels such as coal, oil, wood, and natural gas.

Global temperatures have already risen by 1.1 degrees Celsius since the 19th century. They have reached their highest in over 100,000 years, and only a fraction of that increase has come from natural forces.

Michael Mann told the Independent the effects of climate change will be felt in all corners of the world and will worsen, especially since “the IPCC has connected the dots on climate change and the increase in severe extreme weather events… considerably more directly than previous assessments.”

We will overshoot the 1.5 C mark

According to the report’s highly optimistic-to-reckless scenarios, even if we do everything right and start reducing emissions now, we will still overshoot the 1.5C mark by 2030. But, we will see a drop in temperatures to around 1.4 C.

Control emissions, Earth will do the rest

According to the report, if we start working to bring our emissions under control, we will be able to decrease warming, even if we overshoot the 1.5C limit.

The changes we are living through are unprecedented; however, they are reversible to a certain extent. And it will take a lot of time for nature to heal. We can do this by reducing our greenhouse gas (GHG) emissions. While we might see some benefits quickly, “it could take 20-30 years to see global temperatures stabilise” says the IPCC.

Sea level rise

Global oceans have risen about 20 centimetres (eight inches) since 1900, and the rate of increase has nearly tripled in the last decade. Crumbling and melting ice sheets atop Antarctica (especially in Greenland) have replaced glacier melt as the main drivers.

If global warming is capped at 2 C, the ocean watermark will go up about half a metre over the 21st century. It will continue rising to nearly two metres by 2300 — twice the amount predicted by the IPCC in 2019.

Because of uncertainty over ice sheets, scientists cannot rule out a total rise of two metres by 2100 in a worst-case emissions scenario.

CO2 is at all-time high

CO2 levels were greater in 2019 than they had been in “at least two million years.”  Methane and nitrous oxide levels, the second and third major contributors of warming respectively, were higher in 2019 than at any point in “at least 800,000 years,” reported the Independent.

Control methane

The report includes more data than ever before on methane (CH4), the second most important greenhouse gas after CO2, and warns that failure to curb emissions could undermine Paris Agreement goals.

Human-induced sources are roughly divided between leaks from natural gas production, coal mining and landfills on one side, and livestock and manure handling on the other.

CH4 lingers in the atmosphere only a fraction as long as CO2, but is far more efficient at trapping heat. CH4 levels are their highest in at least 800,000 years.

Natural allies are weakened

Since about 1960, forests, soil and oceans have absorbed 56 percent of all the CO2 humanity has released into the atmosphere — even as those emissions have increased by half. Without nature’s help, Earth would already be a much hotter and less hospitable place.

But these allies in our fight against global heating — known in this role as carbon sinks — are showing signs of saturatation, and the percentage of human-induced carbon they soak up is likely to decline as the century unfolds.

Suck it out

The report suggests that warming could be brought back down via “negative emissions.” We could cool down the planet by sucking out or sequestering the carbon from the atmosphere. While this is a viable suggestion that has been thrown around and there have been small-scale studies that have tried to do this, the technology is not yet perfect. The panel said that could be done starting about halfway through this century but doesn’t explain how, and many scientists are skeptical about its feasibility.

Cities will bear the brunt

Experts warn that the impact of some elements of climate change, like heat, floods and sea-level rise in coastal areas, may be exacerbated in cities. Furthermore, IPCC experts warn that low-probability scenarios, like an ice sheet collapse or rapid changes in ocean circulation, cannot be ruled out.

Also read: Leaders and experts speak up after the release of the new IPCC report

Negacionismo de sapatênis (Folha de S.Paulo)

Não é com desinformação que o jornalismo contribuirá ao tema do clima

Thiago Amparo – artigo original aqui.

11.ago.2021 às 22h05

A perversidade do negacionismo recai em jurar que se está dizendo o contrário do que de fato se diz. Nesta novilíngua, negacionismo veste o sapatênis do antialarmismo. Chega a ser tedioso, posto que mofado, o argumento de Leandro Narloch nesta Folha na terça (10). Mofado pois —como relata Michael Mann em “The New Climate War”— não passa da mesma retórica negacionista 2.0.

Em essência, Narloch defende que há atividades nocivas ao clima que devem ser “celebradas e difundidas” por nos tornar “menos vulneráveis à natureza”. Narloch está cientificamente errado. E o faz subscrevendo a uma das formas mais nefárias de negacionismo: mascara-o, vendendo soluções que não só não são capazes de mitigar e adaptar as sociedades à crise climática como possuem o efeito adverso. Implode-se a Amazônia para salvá-la, eis o argumento.

Esses e outros discursos negacionistas já tinham sido mapeados na revista Global Sustaintability, de Cambridge, em julho de 2020: não são novos. Em vez de mexer em tabus do século 21, vendem-se inverdades como se ciência fosse. Narloch erra no conceito de vulnerabilidade: dos incêndios florestais na Califórnia às inundações na Alemanha, não estamos protegidos contra a natureza porque nela estamos inseridos. Ignora, ademais, a vasta literatura do Painel do Clima sobre vulnerabilidade.

Narloch desconsidera o conceito da ciência climática de “feedback loops”: a crise climática aciona uma série de gatilhos de dimensão incalculável, uma reação de cadeia nunca vista. Destruir o clima não nos protegerá do clima, porque é a ausência de uma mudança drástica energética que tem aprofundado a crise climática. É ineficiente o investir no contrário.

Se o relatório do Painel do Clima acendeu o sinal vermelho, não é com desinformação que o jornalismo contribuirá ao tema. Pluralismo é um rio onde as ideias se movem dentro das margens da verdade e da ciência. Não reclamem quando o rio secar, implodindo as margens que o jornalismo deveria ter protegido.

Clima nos apavora justamente quando conseguimos sobreviver a ele (Folha de S.Paulo)

Luta contra o aquecimento global precisa de inovadores, e não de ativistas obcecados com o apocalipse

Leandro Narloch – artigo original aqui.

11.ago.2021 às 8h56

Na sua opinião, o que aconteceu nos últimos cem anos com o número total de mortes causadas por furacões, inundações, secas, ondas de calor e outros desastres climáticos? Peço que escolha uma destas alternativas:

  • a) Aumentou mais de 800%
  • b) Aumentou cerca de 50%
  • c) Manteve-se constante
  • d) Diminuiu cerca de 50%
  • e) Diminuiu mais de 80%

Como a população mundial cresceu de 1,8 bilhão em 1921 para 8 bilhões em 2021, é razoável cravar as respostas B ou C, pois o fato de haver mais pessoas resultaria em mais vítimas. Muitos leitores devem ter escolhido a primeira opção, tendo em vista as notícias assustadoras do relatório do IPCC desta semana.

A alternativa correta, porém, é a última. As mortes por desastres naturais diminuíram 87% desde a década de 1920 até os anos 2010, segundo dados coletados pelo Our World in Data.

Passaram de 540 mil por ano para 68 mil. A taxa em relação à população teve picos de 63 mortes por 100 mil habitantes em 1921, e 176 em 1931. Hoje está em 0,15.

Esses números levam a dois paradoxos interessantes sobre a relação entre o homem e o clima. O primeiro lembra o Paradoxo de Spencer –referência a Herbert Spencer, para quem “o grau de preocupação pública sobre um problema ou fenômeno social varia inversamente a sua incidência”.

Assim como os ingleses se deram conta da pobreza quando ela começava a diminuir, durante a Revolução Industrial, a humanidade está apavorada com os infortúnios do clima justamente depois de conseguir sobreviver a eles.

O segundo paradoxo: ao mesmo tempo em que emitimos muito (mas muito mesmo) carbono na atmosfera e causamos um grave problema de efeito estufa, também nos tornamos menos vulneráveis à natureza. Na verdade, proteger-se do clima foi um dos principais motivos para termos poluído tanto.

Veja o caso da construção. Produzir cimento consiste grosseiramente em queimar calcário e liberar dióxido de carbono.

Se a indústria de cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de gases do efeito estufa. Mas essa indústria poluidora permitiu que as pessoas deixassem casas de pau-a-pique ou madeira para dormirem abrigadas em estruturas mais seguras.

Já a fome originada pela seca, principal causa de morte por desastres naturais nos anos 1920, foi resolvida com a criação dos fertilizantes químicos, sistemas de irrigação e a construção de represas e redes de saneamento.

Todas essas atividades causaram aquecimento global –mas não deixam de ser grandes conquistas humanas, que merecem ser celebradas e difundidas entre os pobres que ainda vivem sob risco de morrer durante furacões, secas ou inundações.

Será que a queda histórica das mortes por desastres naturais vai se reverter nos próximos anos, tornando realidade os vaticínios apocalípticos de Greta Thunberg, para quem “bilhões de pessoas morrerão se não tomarmos medidas urgentes”?

O ativista climático Michael Shellenberger, autor do brilhante “Apocalipse Nunca”, que será lançado este mês no Brasil pela editora LVM, acha que não.

Pretendo falar mais sobre o livro de Shellenberger em outras colunas, mas já adianto um dos argumentos: o alarmismo ambiental despreza a capacidade humana de se adaptar e resolver problemas.

“Os Países Baixos, por exemplo, tornaram-se uma nação rica mesmo tendo um terço de suas terras abaixo do nível do mar, incluindo áreas que estão nada menos do que sete metros abaixo do mar”, diz ele.

A luta contra o aquecimento global não precisa de ativistas obcecados com o apocalipse (que geralmente desprezam soluções óbvias, como a energia nuclear). Precisa de tecnologia, de inovadores, de gente que dê mais conforto e segurança à humanidade interferindo na natureza cada vez menos.

We read the 4000-page IPCC climate report so you don’t have to (Quartz)

qz.com

Amanda Shendruk, Tim McDonnell, David Yanofsky, Michael J. Coren

Published August 10, 2021

[Check the original publication here for the text of the report with most important parts highlighted.]


The most important takeaways from the new Intergovernmental Panel on Climate Change report are easily summarized: Global warming is happening, it’s caused by human greenhouse gas emissions, and the impacts are very bad (in some cases, catastrophic). Every fraction of a degree of warming we can prevent by curbing emissions substantially reduces this damage. It’s a message that hasn’t changed much since the first IPCC report in 1990.

But to reach these conclusions (and ratchet up confidence in their findings), hundreds of scientists from universities around the globe spent years combing through the peer-reviewed literature—at least 14,000 papers—on everything from cyclones to droughts.

The final Aug. 9 report is nearly 4,000 pages long. While much of it is written in inscrutable scientific jargon, if you want to understand the scientific case for man-made global warming, look no further. We’ve reviewed the data,  summarized the main points, and created an interactive graphic showing a “heat map” of scientists’ confidence in their conclusions. The terms describing statistical confidence range from very high confidence (a 9 out of 10 chance) to very low confidence (a 1 in 10 chance). Just hover over the graphic [here] and click to see what they’ve written.

Here’s your guide to the IPCC’s latest assessment.

CH 1: Framing, context, methods

The first chapter comes out swinging with a bold political charge: It concludes with “high confidence” that the plans countries so far have put forward to reduce emissions are “insufficient” to keep warming well below 2°C, the goal enshrined in the 2015 Paris Agreement. While unsurprising on its own, it is surprising for a document that had to be signed off on by the same government representatives it condemns. It then lists advancements in climate science since the last IPCC report, as well as key evidence behind the conclusion that human-caused global warming is “unequivocal.”

Highlights

👀Scientists’ ability to observe the physical climate system has continued to improve and expand.

📈Since the last IPCC report, new techniques have provided greater confidence in attributing changes in extreme events to human-caused climate change.

🔬The latest generation of climate models is better at representing natural processes, and higher-resolution models that better capture smaller-scale processes and extreme events have become available.

CH 2: Changing state of the climate system

Chapter 2 looks backward in time to compare the current rate of climate changes to those that happened in the past. That comparison clearly reveals human fingerprints on the climate system. The last time global temperatures were comparable to today was 125,000 years ago, the concentration of atmospheric carbon dioxide is higher than anytime in the last 2 million years, and greenhouse gas emissions are rising faster than anytime in the last 800,000 years.

Highlights

🥵Observed changes in the atmosphere, oceans, cryosphere, and biosphere provide unequivocal evidence of a world that has warmed. Over the past several decades, key indicators of the climate system are increasingly at levels unseen in centuries to millennia, and are changing at rates unprecedented in at least the last 2000 years

🧊Annual mean Arctic sea ice coverage levels are the lowest since at least 1850. Late summer levels are the lowest in the past 1,000 years.

🌊Global mean sea level (GMSL) is rising, and the rate of GMSL rise since the 20th century is faster than over any preceding century in at least the last three millennia. Since 1901, GMSL has risen by 0.20 [0.15–0.25] meters, and the rate of rise is accelerating.

CH 3: Human influence on the climate system

Chapter 3 leads with the IPCC’s strongest-ever statement on the human impact on the climate: “It is unequivocal that human influence has warmed the global climate system since pre-industrial times” (the last IPCC report said human influence was “clear”). Specifically, the report blames humanity for nearly all of the 1.1°C increase in global temperatures observed since the Industrial Revolution (natural forces played a tiny role as well), and the loss of sea ice, rising temperatures, and acidity in the ocean.

🌍Human-induced greenhouse gas forcing is the main driver of the observed changes in hot and cold extremes.

🌡️The likely range of warming in global-mean surface air temperature (GSAT) in 2010–2019 relative to 1850–1900 is 0.9°C–1.2°C. Of that, 0.8°C–1.3°C is attributable to human activity, while natural forces contributed −0.1°C–0.1°C.

😬Combining the attributable contributions from melting ice and the expansion of warmer water, it is very likely that human influence was the main driver of the observed global mean sea level rise since at least 1970.

CH 4: Future global climate: Scenario-based projections and near-term information

Chapter 4 holds two of the report’s most important conclusions: Climate change is happening faster than previously understood, and the likelihood that the global temperature increase can stay within the Paris Agreement goal of 1.5°C is extremely slim. The 2013 IPCC report projected that temperatures could exceed 1.5°C in the 2040s; here, that timeline has been advanced by a decade to the “early 2030s” in the median scenario. And even in the lowest-emission scenario, it is “more likely than not” to occur by 2040.

Highlights

🌡️By 2030, in all future warming scenarios, globally averaged surface air temperature in any individual year could exceed 1.5°C relative to 1850–1900.

🌊Under all scenarios, it is virtually certain that global mean sea level will continue to rise through the 21st century.

💨Even if enough carbon were removed from the atmosphere that global emissions become net negative, some climate change impacts, such as sea level rise, will be not reversed for at least several centuries.

CH 5: Global carbon and other biochemical cycles and feedbacks

Chapter 5 quantifies the level by which atmospheric CO2 and methane concentrations have increased since 1750 (47% and 156% respectively) and addresses the ability of oceans and other natural systems to soak those emissions up. The more emissions increase, the less they can be offset by natural sinks—and in a high-emissions scenario, the loss of forests from wildfires becomes so severe that land-based ecosystems become a net source of emissions, rather than a sink (this is already happening to a degree in the Amazon).

Highlights

🌲The CO2 emitted from human activities during the decade of 2010–2019 was distributed between three Earth systems: 46% accumulated in the atmosphere, 23% was taken up by the ocean, and 31% was stored by vegetation.

📉The fraction of emissions taken up by land and ocean is expected to decline as the CO2 concentration increases.

💨Global temperatures rise in a near-linear relationship to cumulative CO2 emissions. In other words, to halt global warming, net emissions must reach zero.

CH 6: Short-lived climate forcers

Chapter 6 is all about methane, particulate matter, aerosols, hydrofluorocarbons, and other non-CO2 gases that don’t linger very long in the atmosphere (just a few hours, in some cases) but exert a tremendous influence on the climate while they do. In cases, that influence might be cooling, but their net impact has been to contribute to warming. Because they are short-lived, the future abundance and impact of these gases are highly variable in the different socioeconomic pathways considered in the report. These gases have a huge impact on the respiratory health of people around the world.

Highlights

⛽The sectors most responsible for warming from short-lived climate forcers are those dominated by methane emissions: fossil fuel production and distribution, agriculture, and waste management.

🧊In the next two decades, it is very likely that emissions from short-lived climate forcers will cause a warming relative to 2019, in addition to the warming from long-lived greenhouse gases like CO2.

🌏Rapid decarbonization leads to air quality improvements, but on its own is not sufficient to achieve, in the near term, air quality guidelines set by the World Health Organization, especially in parts of Asia and in some other highly polluted regions.

CH 7: The Earth’s energy budget, climate feedbacks, and climate sensitivity

Climate sensitivity is a measure of how much the Earth responds to changes in greenhouse gas concentrations. For every doubling of atmospheric CO2, temperatures go up by about 3°C, this chapter concludes. That’s about the same level scientists have estimated for several decades, but over time the range of uncertainty around that estimate has narrowed. The energy budget is a calculation of how much energy is flowing into the Earth system from the sun. Put together these metrics paint a picture of the human contribution to observed warming.

🐻‍❄️The Arctic warms more quickly than the Antarctic due to differences in radiative feedbacks and ocean heat uptake between the poles.

🌊Because of existing greenhouse gas concentrations, energy will continue to accumulate in the Earth system until at least the end of the 21st century, even under strong emissions reduction scenarios.

☁️The net effect of changes in clouds in response to global warming is to amplify human-induced warming. Compared to the last IPCC report, major advances in the understanding of cloud processes have increased the level of confidence in the cloud feedback cycle.

CH 8: Water cycle changes

This chapter catalogs what happens to water in a warming world. Although instances of drought are expected to become more common and more severe, wet parts of the world will get wetter as the warmer atmosphere is able to carry more water. Total net precipitation will increase, yet the thirstier atmosphere will make dry places drier. And within any one location, the difference in precipitation between the driest and wettest month will likely increase. But rainstorms are complex phenomenon and typically happen at a scale that is smaller than the resolution of most climate models, so specific local predictions about monsoon patterns remains an area of relatively high uncertainty.

Highlights

🌎Increased evapotranspiration will decrease soil moisture over the Mediterranean, southwestern North America, south Africa, southwestern South America, and southwestern Australia.

🌧️Summer monsoon precipitation is projected to increase for the South, Southeast and East Asian monsoon domains, while North American monsoon precipitation is projected to decrease. West African monsoon precipitation is projected to increase over the Central Sahel and decrease over the far western Sahel.

🌲Large-scale deforestation has likely decreased evapotranspiration and precipitation and increased runoff over the deforested regions. Urbanization has increased local precipitation and runoff intensity.

CH 9: Ocean, cryosphere, and sea level change

Most of the heat trapped by greenhouse gases is ultimately absorbed by the oceans. Warmer water expands, contributing significantly to sea level rise, and the slow, deep circulation of ocean water is a key reason why global temperatures don’t turn on a dime in relation to atmospheric CO2. Marine animals are feeling this heat, as scientists have documented that the frequency of marine heatwaves has doubled since the 1980s. Meanwhile, glaciers, polar sea ice, the Greenland ice sheet, and global permafrost are all rapidly melting. Overall sea levels have risen about 20 centimeters since 1900, and the rate of sea level rise is increasing.

Highlights

📈Global mean sea level rose faster in the 20th century than in any prior century over the last three millennia.

🌡️The heat content of the global ocean has increased since at least 1970 and will continue to increase over the 21st century. The associated warming will likely continue until at least 2300 even for low-emission scenarios because of the slow circulation of the deep ocean.

🧊The Arctic Ocean will likely become practically sea ice–free during the seasonal sea ice minimum for the first time before 2050 in all considered SSP scenarios.

CH 10: Linking global to regional climate change

Since 1950, scientists have clearly detected how greenhouse gas emissions from human activity are changing regional temperatures. Climate models can predict regional climate impacts. Where data are limited, statistical methods help identify local impacts (especially in challenging terrain such as mountains). Cities, in particular, will warm faster as a result of urbanization. Global warming extremes in urban areas will be even more pronounced, especially during heatwaves. Although global models largely agree, it is more difficult to consistently predict regional climate impacts across models.

Highlights

⛰️Some local-scale phenomena such as sea breezes and mountain wind systems can not be well represented by the resolution of most climate models.

🌆The difference in observed warming trends between cities and their surroundings can partly be attributed to urbanization. Future urbanization will amplify the projected air temperature change in cities regardless of the characteristics of the background climate.

😕Statistical methods are improving to downscale global climate models to more accurately depict local or regional projections.

CH 11: Weather and climate extreme events in a changing climate

Better data collection, modeling, and means scientists are more confident than ever in understanding the role of rising greenhouse gas concentration in weather and climate extremes.  We are virtually certain humans are behind observed temperature extremes.

Human activity is more making extreme weather and temperatures more intense and frequent, especially rain, droughts, and tropical cyclones. While even 1.5°C of warming will make events more severe, the intensity of extreme events is expected to at least double with 2°C of global warming compared today’s conditions, and quadruple with 3°C of warming. As global warming accelerates, historically unprecedented climatic events are likely to occur.

Highlights

🌡️It is an established fact that human-induced greenhouse gas emissions have led to an increased frequency and/or intensity of some weather and climate extremes since pre-industrial time, in particular for temperature extremes.

🌎Even relatively small incremental increases in global warming cause statistically significant changes in extremes.

🌪️The occurrence of extreme events is unprecedented in the observed record, and will increase with increasing global warming.

⛈️Relative to present-day conditions, changes in the intensity of extremes would be at least double at 2°C, and quadruple at 3°C of global warming.

CH 12: Climate change information for regional impact and for risk assessment

Climate models are getting better, more precise, and more accurate at predicting regional impacts. We know a lot more than we did in 2014 (the release of AR5). Our climate is already different compared ti the early or mid-20th century and we’re seeing big changes to mean temperatures, growing season, extreme heat, ocean acidification, and deoxygenation, and Arctic sea ice loss. Expect more changes by mid-century: more rain in the northern hemisphere, less rain in a few regions (the Mediterranean and South Africa), as well as sea-level rise along all coasts. Overall, there is high confidence that mean and extreme temperatures will rise over land and sea. Major widespread damages are expected, but also benefits are possible in some places.

Highlights

🌏Every region of the world will experience concurrent changes in multiple climate impact drivers by mid-century.

🌱Climate change is already resulting in significant societal and environmental impacts and will induce major socio-economic damages in the future. In some cases, climate change can also lead to beneficial conditions which can be taken into account in adaptation strategies.

🌨️The impacts of climate change depend not only on physical changes in the climate itself, but also on whether humans take steps to limit their exposure and vulnerability.


What we did:

The visualization of confidence is only for the executive summary at the beginning of each chapter. If a sentence had a confidence associated with it, the confidence text was removed and a color applied instead. If a sentence did not have an associated confidence, that doesn’t mean scientists do not feel confident about the content; they may be using likelihood (or certainty) language in that instance instead. We chose to only visualize confidence, as it is used more often in the report. Highlights were drawn from the text of the report but edited and in some cases rephrased for clarity.