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¿Adiós al Servicio Meteorológico? Un biólogo argentino predice el clima estudiando hormigas (y acierta) (La Nación)

Jorge Finardi anticipa lluvias y tormentas a partir del comportamiento de insectos

LA NACION

JUEVES 26 DE ENERO DE 2017 • 17:44

¿Chau Servicio Meteorológico? El biólogo argentino que predice el clima estudiando hormigas

¿Chau Servicio Meteorológico? El biólogo argentino que predice el clima estudiando hormigas. Foto: Archivo 

Jorge Finardi predice el clima a través de las hormigas. Estudia sus movimientos, los registra, los compara y llega a la conclusión, por ejemplo, de que mañana a la tarde lloverá. Y acierta. Esta semana, Finardi anticipó con su método el calor sofocante del lunes, la tormenta del martes, y la caída de la temperatura del miércoles. Nada mal.

Finardi es químico, biólogo, y lleva adelante la cuenta de Twitter @GeorgeClimaPron. En ella, comunica sus pronósticos climatológicos. En una entrevista con LA NACION, explica su sistema.

-¿Cómo funciona tu método de análisis?

-En primer lugar, determino el grado de actividad de las hormigas en una escala del 1 al 10. Para armar la escala tengo en cuenta la cantidad de interacciones entre las hormigas, el número de hormigas involucradas, y el tipo y tamaño de carga que llevan, además, de la clase de hormiga que trabaja.

-¿Y de qué manera se relaciona con el clima? ¿Más actividad es indicativa de lluvia?

-En parte sí, pero depende de la carga que lleven. Por ejemplo, cuando las hormigas llevan palitos y barritas, es porque tienen que fortalecer el hormiguero, debido a que se aproxima lluvia o frío. Cuando hay movilización de tierra es porque se viene una lluvia fuerte. Cuando llevan cereal, viene frío, porque el cereal fermenta dentro del hormiguero y produce calor para que nazcan los hongos que ellas comen.

Para las altas temperaturas, por otro lado, se acondicionan los túneles: las hormigas empiezan a abrir “chimeneas”, que son como agujeritos esparcidos dentro del hormiguero, que puede llegar a tener metros de profundidad. Cuando pasa eso, se viene una ola de calor.

-¿Cómo te interesaste por el tema?

-Desde los tres años me paso horas mirando las hormigas y todo tipo de insectos. Por otro lado, mi profesión me ayudó a profundizar estos temas, y también a hablar con gente de edad avanzada que vive en el campo y no se fija en los pronósticos. No los necesita. Así avancé. Así y con un poco de prueba y error. Al principio introduje hormigas en un terrario para poder observarlas más cómodo. Pero ellas se comportaban de otra manera, por el aislamiento. Ahora las sigo con una cámara.

-¿Además de las hormigas, analizás otros insectos?

-Sí. Las arañas, por ejemplo, tienen la capacidad de detectar actividad eléctrica, cuando aparecen y están muy activas. Las libélulas pueden anticipar una tormenta o viento. Las cigarras anuncian calor. Los gallos, cuando cantan a media noche, anuncian neblinas. También hay que prestar atención a las hormigas cuando están desorientadas, porque pueden captar actividad sísmica a grandes distancias.

-¿Este tipo de análisis es científico?

-No. Hay que destacar que el método no es científico, no es positivista, pero sí es cualitativo, experimental y observacional. Y sirve. Los hombres estamos acá desde el período cuaternario, pero las hormigas, por ejemplo, están desde la época de los dinosaurios. Están muy adaptadas, son muy sensibles a los cambios de ambiente. Y la naturaleza, así, nos habla, nos presenta síntomas. Hay que saber leerlos.

Um Brasil mais vulnerável no século XXI (Pesquisa Fapesp)

Projeções apontam aumento do risco de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra e secas extremas, nas próximas décadas 

MARCOS PIVETTA | ED. 249 | NOVEMBRO 2016

CAPA_Desastres_249_info 1Fora da rota dos grandes furacões, sem vulcões ativos e desprovido de zonas habitadas sujeitas a fortes terremotos, o Brasil não figura entre os países mais suscetíveis a desastres naturais. Ocupa apenas a 123ª posição em um índice mundial dos países mais vulneráveis a cataclismos. Mas a aparência de lugar seguro, protegido dos humores do clima e dos solavancos da geologia, deve ser relativizada. Aqui, cerca de 85% dos desastres são causados por três tipos de ocorrências: inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas. Esses fenômenos são relativamente recorrentes em zonas tropicais e seus efeitos podem ser atenuados, em grande medida, por políticas públicas de redução de danos. Nas últimas cinco décadas, mais de 10.225 brasileiros morreram em desastres naturais, a maioria em inundações e devido à queda de encostas. As estiagens duradouras, como as comumente observadas no Nordeste, são, no entanto, o tipo de ocorrência que provoca mais vítimas não fatais no país (ver Pesquisa FAPESP nº 241).

Dois estudos baseados em simulações climáticas feitos por pesquisadores brasileiros indicam que o risco de ocorrência desses três tipos de desastre, ligados ao excesso ou à falta de água, deverá aumentar, até o final do século, na maioria das áreas hoje já afetadas por esses fenômenos. Eles também sinalizam que novos pontos do território nacional, em geral adjacentes às zonas atualmente atingidas por essas ocorrências, deverão se transformar em áreas de risco significativo para esses mesmos problemas. “Os impactos tendem a ser maiores no futuro, com as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e de sua população e a ocupação de mais áreas de risco”, comenta José A. Marengo, chefe da Divisão de Produtos Integrados de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que coordenou as simulações climáticas. Parte dos resultados das projeções já foi divulgada em congressos e relatórios, como o documento federal enviado em abril deste ano à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), e serve de subsídio para direcionar as estratégias do recém-criado Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. Mas dados mais detalhados das simulações vão sair em um artigo científico já aceito para publicação na revista Natural Hazards e em trabalhos destinados a outros periódicos.

Arredores da usina de Sobradinho, Bahia: estiagens devem atingir outras partes do país nas próximas décadas

Expansão das secas
De acordo com os estudos, as estiagens severas, hoje um problema de calamidade pública quase sempre associado a localidades do Nordeste, deverão se intensificar também no oeste e parte do leste da Amazônia, no Centro-Oeste, inclusive em torno de Brasília, em pontos dos estados do Sudeste e até no Sul. “Embora parte do Nordeste seja naturalmente mais árido, a seca não se deve apenas ao clima”, afirma o engenheiro civil Pedro Ivo Camarinha, pesquisador do Cemaden. “A vulnerabilidade da região se dá também por uma série de problemas de ordem socioeconômica, de uso do solo e devido à baixa capacidade de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.” A carência de políticas públicas específicas para enfrentar os meses de estiagem, o baixo grau de escolaridade da população e a escassez de recursos são alguns dos fatores citados pelos autores como determinantes para aumentar a exposição de parcelas significativas do Nordeste a secas futuras.

A vulnerabilidade a inundações e enxurradas tende a se elevar em 30% nos três estados do Sul, na porção meridional do Mato Grosso e em boa parte da faixa litorânea do Nordeste, segundo um cenário projetado para 2100 pelas simulações climáticas. No estado de São Paulo, o mais populoso do país, a intensificação da ocorrência de enchentes-relâmpago, aquelas originadas após poucos minutos de chuvas torrenciais, deverá ser mais modesta, da ordem de 10%, mas ainda assim significativa. No Brasil Central, a vulnerabilidade a enchentes deverá cair, até porque as projeções indicam menos chuvas (e mais secas) em boa parte da região. “Os modelos divergem sobre o regime futuro de chuvas no oeste da Amazônia”, explica Marengo, cujos estudos se desenvolveram em parte no âmbito de um projeto temático da FAPESP. “Um deles aponta um aumento expressivo na frequência de inundações enquanto o outro sinaliza um cenário de estabilidade ou de leve aumento de enchentes.”

O padrão de deslizamento de terra, associado à ocorrência de chuvas intensas ou prolongadas por dias, deverá seguir, grosso modo, as mesmas tendências verificadas com as inundações, ainda que em um ritmo de crescimento mais moderado. O aumento na incidência de quedas de encostas deverá variar entre 3% e 15% nos lugares hoje já atingidos por esse tipo de fenômeno. O destaque negativo recai sobre a porção mais meridional do país. As áreas sujeitas a deslizamentos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná deverão se expandir e abarcar boa parte desses estados até 2100. No Sudeste, a região serrana na divisa entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais deverá se tornar ainda mais vulnerável a esse tipo de desastre. “Precisamos implementar com urgência políticas públicas nas regiões mais vulneráveis a inundações e deslizamentos de terra”, afirma o geógrafo Nathan Debortoli, coautor dos estudos, que hoje faz estágio de pós-doutorado na Universidade McGill, do Canadá. “A maior exposição às mudanças climáticas pode tornar a sobrevivência inviável em algumas regiões do país.”

Enchente de 2014 em União da Vitória (SC): Sul deverá ser palco de mais inundações

Para gerar as projeções de risco futuro de desastres, foram usados dois modelos climáticos globais, o HadGEM2 ES, desenvolvido pelo Centro Hadley, da Inglaterra, e o Miroc5, criado pelo centro meteorológico japonês. Acoplado a eles, rodou ainda o modelo de escala regional Eta, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trabalhando dessa forma, os autores conseguiram avaliar os padrões predominantes do clima futuro que estão associados à ocorrência de desastres naturais em áreas de, no mínimo, 400 quilômetros quadrados, um quadrado com os lados de 20 quilômetros de extensão.

Mais convergências que divergências
Os resultados fornecidos pelos dois modelos climáticos são semelhantes para cerca de 80% do território nacional. Isso dá robustez às projeções. O modelo inglês é usado há mais de 10 anos em simulações feitas por climatologistas brasileiros, que têm boa experiência acumulada com ele. O japonês começa agora a ser empregado com mais frequência. Há, no entanto, algumas discordâncias nas simulações de longo prazo geradas pelos dois modelos. A lista, por exemplo, dos 100 municípios mais vulneráveis a episódios de seca nas próximas três décadas fornecida pelas simulações do HadGEM2 ES é diferente da obtida com o Miroc5. As cidades de maior risco ficam, segundo o modelo japonês, em quatro estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. As fornecidas pelo modelo inglês se encontram, em sua maioria, em outros estados do Nordeste e também no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais. “Com exceção desses exemplos extremos, as projeções dos dois modelos coincidem em grande medida”, comenta Camarinha. No caso dos fenômenos hídricos, a discrepância mais significativa diz respeito ao regime de chuvas na Amazônia, em especial nos estados do oeste da região Norte (Acre, Amazonas e Rondônia). O HadGEM2 ES projeta mais chuvas — portanto, risco aumentado de inundações e deslizamentos — e o Miroc5, menos. “Prever as chuvas na Amazônia ainda é um desafio para os modelos”, afirma Marengo.

Para quantificar o risco futuro de ocorrer desastres naturais em uma área, é preciso ainda incluir nas simulações, além das informações climáticas, uma série de dados locais, como as condições econômicas, sociais e ambientais dos mais de 5.500 municípios brasileiros e de sua população. Ao final dos cálculos, cada área é classificada em um de cinco níveis de vulnerabilidade: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta. “O modelo escolhido, a qualidade dos dados de cada cidade e o peso que se dá a cada variável influenciam no índice final obtido”, explica Camarinha.

CAPA_Desastres_249_info 2O peso do homem
Além da suscetibilidade natural a secas, enchentes, deslizamentos e outros desastres, a ação do homem tem um peso considerável em transformar o que poderia ser um problema de menor monta em uma catástrofe. Os pesquisadores estimam que um terço do impacto dos deslizamentos de terra e metade dos estragos de inundações poderiam ser evitados com alterações de práticas humanas ligadas à ocupação do solo e a melhorias nas condições socioeconômicas da população em áreas de risco.

Moradias precárias em lugares inadequados, perto de encostas ou em pontos de alagamento; infraestrutura ruim, como estradas ou vias que não permitem acesso fácil a zonas de grande vulnerabilidade; falta de uma defesa civil atuante; cidades superpopulosas e impermeabilizadas, que não escoam a água da chuva – todos esses fatores não naturais, da cultura humana, podem influenciar o desfecho final de uma situação de risco. “Até hábitos cotidianos, como não jogar lixo na rua, e o nível de solidariedade e coesão social de uma população podem ao menos mitigar os impactos de um desastre”, pondera a geógrafa Lucí Hidalgo Nunes, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp). “Obviamente, há desastres naturais tão intensos, como os grandes terremotos no Japão, que nem mesmo uma população extremamente preparada consegue evitar. Mas a recuperação nos países mais estruturados é muito mais rápida.”

Em seus trabalhos, os pesquisadores adotaram um cenário global até o final do século relativamente pessimista, mas bastante plausível: o RCP 8.5, que consta do quinto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Esse cenário é marcado por grandes elevações de temperatura e recrudescimento tanto de chuvas como de secas intensas. No caso do Brasil, as projeções indicam que o país deverá ficar ao menos 3 ºC mais quente até o fim do século e que as chuvas podem aumentar até 30% no Sul-Sudeste e diminuir até 40% no Norte-Nordeste. As mudanças climáticas devem tornar mais frequentes os chamados eventos extremos, que podem se manifestar de diferentes formas: secas prolongadas, picos de temperatura, tempestades mais intensas, chuvas prolongadas por vários dias, ressacas mais fortes. Essas ocorrências aumentam o risco de desastres. “Não é, por exemplo, só uma questão da quantidade de chuva que cai em um lugar”, explica Marengo. “Às vezes, a quantidade pode até não mudar, mas a distribuição da chuva ao longo do tempo se altera e essa mudança pode gerar mais desastres.” Numa cidade como São Paulo, chover 50 milímetros no decorrer de três ou quatro dias dificilmente causa danos. Mas, se a pluviosidade se concentrar em apenas uma tarde, provavelmente ocorrerão alagamentos.

CAPA_Desastres_249_info 3Para testar o grau de confiabilidade do índice de vulnerabilidade, os pesquisadores brasileiros compararam os resultados obtidos pelos modelos com os registros reais de desastres do passado recente (1960 a 1990), compilados pelo Atlas brasileiro de desastres naturais. Dessa forma, foi possível ter uma boa ideia se os modelos eram, de fato, úteis para prever as áreas onde ocorreram inundações, deslizamentos de terra e secas no Brasil durante as últimas décadas. Os dados do atlas também serviram de termo de comparação, como base presente para se quantificar o aumento ou a diminuição da vulnerabilidade futura de uma área a desastres. Para estiagem, as simulações do Miroc5 se mostraram geralmente mais confiáveis na maior parte do território nacional. No caso das enchentes e deslizamentos de terra, o HadGEM2 ES forneceu previsões mais precisas para áreas subtropicais e montanhosas, no Sul e Sudeste, e o Miroc5, para o resto do país. A Amazônia, como já destacado, foi o alvo de discórdia.

Um trabalho com metodologia semelhante à empregada pelos estudos de Marengo e de seus colaboradores, mas com enfoque apenas na situação atual, sem as projeções de aumento ou diminuição de risco futuro, foi publicado em abril no International Journal of Disaster Risk Reduction. Em parceria com pesquisadores alemães, o geógrafo Lutiane Queiroz de Almeida, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), calculou um conjunto de índices que apontaria o risco de ocorrer desastres naturais em cada município do país. Denominado Drib (Disaster risk indicators in Brazil), o indicador é uma adaptação do trabalho feito em escala mundial pela Universidade das Nações Unidas e instituições europeias (ver mapa e texto às páginas 22 e 23). Além de levar em conta dados sobre o risco de secas, enchentes e deslizamentos de terra, o Drib inclui em seu índice a exposição dos municípios costeiros ao aumento do nível do mar. Para esse tipo de problema, as cidades que se mostraram em maior perigo foram Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo, Santos (SP) e Salvador (BA).

Almeida produziu índices de vulnerabilidade para os principais tipos de desastre em todo o território nacional e um número final, o Drib, que indicaria o risco geral de um lugar para a ocorrência de eventos extremos. Chamou a atenção a classificação de praticamente todo o território do Amazonas e do Acre e de metade do Pará como áreas de risco muito elevado, com populações socialmente vulneráveis e expostas a inundações. Entre os 20 municípios com pior desempenho no índice Drib, 12 são da região Norte. Os demais são do Nordeste (seis) e do Sudeste (dois). “Esses municípios têm pequenas populações, entre 3 mil e 25 mil habitantes, alta exposição a desastres e baixa capacidade adaptativa”, comenta o geógrafo da UFRN. “O estudo aponta que apenas 20% dos municípios brasileiros estão bem preparados para mitigar os impactos e reagir imediatamente a eventos extremos.” Em geral, essa é uma característica das regiões Sul e Sudeste.

Deslizamento em Nova Friburgo (RJ) em 2011: alta vulnerabilidade a desastres

Tragédias que se repetem
Muito antes das discussões atuais sobre as mudanças climáticas, os cataclismos naturais despertam interesse no homem. Os desastres são um capítulo trágico da história da humanidade desde tempos imemoriais. Alegado castigo divino, o mítico dilúvio global que teria acabado com a vida na Terra, com exceção das pessoas e animais que embarcaram na arca de Noé, é uma narrativa presente no Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento cristão e do Tanach, o conjunto de textos sagrados do judaísmo. Supostas inundações gigantescas e catastróficas, antes e depois da publicação do Gênesis, aparecem em relatos de várias culturas ao longo dos tempos, desde os antigos mesopotâmicos e gregos até os maias centro-americanos e os vikings. As antigas cidades romanas de Pompeia e Herculano foram soterradas pela lava do monte Vesúvio na famosa erupção de 79 d.C. e, estima-se, cerca de 2 mil pessoas morreram. Dezessete anos antes, essa região da Campania italiana já havia sido afetada por um terremoto de menor magnitude. “Costumamos dizer que, se um desastre já ocorreu em um lugar, ele vai se repetir, mais dia ou menos dia”, comenta Lucí.

Projeto
Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option (nº 2008/58161-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais – Temático (Acordo FAPESP/CNPq – Pronex); Pesquisador responsável José A. Marengo (Cemaden); Investimento R$ 812.135,64.

Artigos científicos
DEBORTOLI, N. S et al. An index of Brazil’s vulnerability to expected increases in natural flash flooding and landslide disasters in the context of climate change. Natural Hazards. No prelo.
ALMEIDA, L. Q. et alDisaster risk indicators in Brazil: A proposal based on the world risk index. International Journal of Disaster Risk Reduction. 17 abr. 2016.

Com 516 milímetros de chuva em 5 anos, Ceará tem pior seca desde 1910 (G1)

09/09/2016 09h20 – Atualizado em 09/09/2016 11h57

Previsão para 2017 ainda é indefinida devido ao “Oceano Pacífico Neutro”.
Águas do Açude Orós estão sendo transferidas para o Castanhão.

Do G1 CE com informações da TV Verdes Mares

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Levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nesta quinta-feira (8) mostra que nos últimos cinco anos, de 2012 a 2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no Ceará. O índice é o menor desde 1910.

De acordo com o meteorologista Davi Ferran, vai ser preciso conviver com a incerteza pelos próximos meses, já que ainda é cedo pra afirmar se 2017 vai trazer chuva ou não.

Ano Chuva (mm)
2012 388
2013 552
2014 565
2015 524
2016 550
Média 516
Fonte: Funceme

“No período chuvoso do ano que vem, ou seja, março, abril e maio, que é o período chuvoso principal, a maior probabilidade é que o Oceano Pacífico não tenha El Niño nem La Niña. Vamos ter o Oceano Pacífico neutro. Em anos de Oceano Pacífico neutro, a probabilidade de chuvas no Ceará depende mais fortemente do Atlântico. Então a previsão vai ser divulgada somente em janeiro”, explica.

Enquanto isso, segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os reservatórios secam cada vez mais. No momento, o nível médio dos 153 açudes monitorados pela Cogerh é de apenas 9,4% do volume total.O “Gigante” Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está praticamente sem água. Há apenas sete anos, ele chegou a inundar a cidade de Jaguaribara com a enorme vazão das comportas.

Hoje, a Cogerh diz que o maior açude do Ceará está com apenas 6% da capacidade. Bem perto dele, o Açude Orós, também na Região Jaguaribana, sangrou em 2004 e 2008. Na época, virou até atração turística no Centro Sul do Estado.

Agora em 2016, o Orós aparece nesse cenário de seca em forma de ajuda. Desde julho, as águas do açude estão sendo transferidas para o Castanhão. Segundo a Cogerh, essa água deve chegar às residências da Região Metropolitana de Fortaleza em setembro, e garantir o abastecimento pelo menos durante esse período  de crise hídrica.

“Nossa programação é até o final de janeiro. Ou seja, até janeiro vamos estar operando de forma integrada os dois reservatórios. O caso da Região Metropolitana, ela está totalmente integrada à Região do Jaguaribe por dois grandes canais: o do Trabalhador e Eixão das Águas. Então é o caso de uma bacia hoje tem uma maior dependência de outra região, de outra bacia hidrográfica, mas elas estão integradas. Esse é o caso que eu diria mais emblemática no Estado”, explica o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

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Tsunami meteorológico? Entenda fenômeno que assustou Santa Catarina (UOL Notícias)

Fernando Cymbaluk*
Do UOL, em São Paulo 19/10/2016, 12h44 

VIDEO: http://tv.uol/15G3x

 

Uma onda que atingiu duas praias no sul de Santa Catarina arrastou carros e assustou os banhistas em um dia de calor e fortes ventos. O fenômeno foi provocado por uma grande tempestade no mar que impulsionou a onda “gigante”. O evento, que é raro e perigoso, tem nome: tsunami meteorológico.

Sim, podemos dizer que ocorrem tsunamis no Brasil. Comuns no leste e sudeste da Ásia, tsunamis são ondas que avançam na costa provocando danos (em japonês, “tsu” quer dizer porto, e “nami” significa onda).

Os tsunamis que já devastaram grandes áreas de países como o Japão são provocados por abalos sísmicos em um ponto do oceano. Eles são muito mais drásticos do que o caso brasileiro, com ondas bem maiores, que alcançam diversas praias após irradiarem do epicentro do tremor.

Já o tsunami meteorológico, como o nome diz, é provocado por eventos meteorológicos (da atmosfera) e ocorre mais localmente. É mais propício na primavera e no verão, época de tempestades.

Apesar de raro, há registros de sua ocorrência em locais como Cabo Frio (RJ) e Florianópolis (SC). Uma onda mais forte atingindo a praia é algo perigoso para banhistas e pessoas que morem nas costas. Além disso, tempestades no mar também trazem riscos devido aos ventos, raios e trovões.

Carros arrastados por onda em Balneário Rincão (SC). Ao fundo, nuvem de tempestade que provoca tsunami meteorógico

Como se forma

Um tsunami meteorológico ocorre quando um conjunto de cúmulo-nimbo, a nuvem que provoca as tempestades, se propaga em paralelo sobre o oceano. Nesse cenário, uma grande onda pode se formar caso as ondas do mar também estejam alinhadas a essas nuvens.

“Ocorre uma ressonância entre a onda de pressão [nuvem] e a onda do mar, que se aproxima da costa, cresce em amplitude e pode inundar a região costeira”, explica Renato Ramos da Silva, professor de física da atmosfera da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em uma tempestade, o ar sobe, formando uma zona de baixa pressão atmosférica. Tal mudança nas condições atmosféricas ocorre de forma brusca. Essa formação é chamada de linha de instabilidade. Seu rápido deslocamento acoplado às ondas do mar faz com que a onda ganhe tamanho.

O nome tsunami meteorológico, contudo, não é consenso entre os meteorologistas. Para José Carlos Figueiredo, meteorologista da Unesp, a grande onda que se verificou em SC é comum no Nordeste, sem contudo ser chamada de tsunami.

“Em algumas praias, há ondas que invadem a areia. O avanço pode ser provocado por tempestades naturais no mar”, diz Figueiredo. Ele lembra ainda que ciclones que ocorrem no Sul do Brasil provocam ressacas em praias de SP e RJ. Nesses episódios, fortes ondas também invadem a costa.

Para o meteorologista, outro fenômeno, conhecido como “downburst”, pode explicar para a grande onda que atingiu as praias catarinenses. Nesse tipo de evento, a chuva, “em vez de precipitar normal e pausadamente, precipita tudo de uma vez”, explica. A grande chuva poderia, assim, ter levado a formação de uma onda maior.

Difícil de prever

Tsunamis meteorológicos não são nada fáceis de serem previstos. Isso porque sua ocorrência é muito localizada, dependendo da formação de tempestades em um ponto do oceano e das condições do mar um lugar específico.

Segundo Silva, para prever o fenômeno a tempo de avisar a população seria necessária “uma boa previsão meteorológica junto de um modelo oceânico de previsão de ondas”.

* Com colaboração de Gabriel Francisco Ribeiro

Relembre tornado que atingiu SC

27.abr.2015 – A presidente Dilma Rousseff sobrevoa o município de Xanxerê, em Santa Catarina, e observa os estragos provocados pelo tornado que devastou a cidade do interior catarinense (situada a 551 km de Florianópolis), na última segunda-feira (20). De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 4.275 pessoas estão desalojadas e há 539 desabrigadas em Xanxerê, por conta dos ventos que ultrapassaram a velocidade de 250 km/h  VEJA MAIS > Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR

Seca se intensifica com alto risco para cerca de 90 municípios do semiárido brasileiro (CEMADEN)

JC, 5498, 8 de setembro de 2016

As chuvas de setembro a novembro devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Há poucas chances de reversão do quadro crítico dos municípios impactados pela seca, conforme o Relatório da Seca no Semiárido Brasileiro e Impactos divulgado, hoje, pelo Cemaden

O período chuvoso, entre abril e julho, apresentou um déficit pluviométrico, agravado no mês de agosto,  com o registro de acumulados de chuva inferiores a 60 mm nos municípios da maior parte da região Nordeste. Esses municípios, principalmente na zona da mata, foram caracterizados por condições de  “ Muito Seco”.

A avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o ano hidrológico 2015/2016 – referente ao período de outubro de 2015 a 31 de agosto de 2016- indicou que cerca de 90 municípios foram classificados como de risco “Alto”, aos que apresentaram entre 60 a 75 dias com déficit hídrico  e  de “Muito Alto”, para os municípios com mais de 75 dias com o déficit hídrico.

O trimestre agosto -setembro-outubro de 2016 pode marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com fraca intensidade. A evolução climatológica (histórica) das precipitações no trimestre Setembro-Outubro-Novembro/2016 indica que as chuvas devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Portanto, para os municípios impactados pela seca, nestes Estados, há poucas chances de reversão do quadro crítico.

“A intensidade dos impactos da seca atingem as atividades agrícolas e/ou pastagens. A situação de seca intensificou-se, principalmente, na parte leste da Região Semiárida, atingindo os municípios inseridos nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.”, destaca o coordenador-geral do Cemaden, meteorologista Marcelo Seluchi. Ele explica que essa seca é o reflexo dos acumulados de chuva inferiores a média dos meses da estação chuvosa- entre os meses de abril a julho – conforme o sensoriamento remoto com base no índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI).

Essa análise foi divulgada, hoje,  no Boletim da Seca e Impactos no Semiárido Brasileiro de Agosto 2016, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

No relatório, de acordo com o índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI), 981 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de agosto de 2016. “ A estação chuvosa foi encerrada no ultimo mês de julho e, em razão disso, o estresse vegetativo atual é esperado.”, explica Seluchi.  Considerando as poucas regiões onde o calendário de plantio se estende até o mês de junho,  o ciclo fenológico pode ainda estar em curso nos municípios inseridos no Estado de Alagoas, região leste da Bahia, Pernambuco e Sergipe. Nessa região, as áreas impactadas pela seca somam cerca de 9 milhões de hectares.

As previsões em escala de médio prazo (até 21 de agosto) indicam condições favoráveis para a ocorrência de precipitações no litoral da Bahia, ao sul de Salvador. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para setembro-outubro e novembro de 2016 mostra, para toda a região Nordeste do País, uma previsão na qual os três cenários (acima-dentro-abaixo da média) são igualmente prováveis, indicando a incerteza associada a esta previsão.

Assessoria de Comunicação do Cemaden

Global climate models do not easily downscale for regional predictions (Science Daily)

Date:
August 24, 2016
Source:
Penn State
Summary:
One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to climate researchers who caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to Penn State climate researchers.

“The impacts of climate change rightfully concern policy makers and stakeholders who need to make decisions about how to cope with a changing climate,” said Fuqing Zhang, professor of meteorology and director, Center for Advanced Data Assimilation and Predictability Techniques, Penn State. “They often rely upon climate model projections at regional and local scales in their decision making.”

Zhang and Michael Mann, Distinguished professor of atmospheric science and director, Earth System Science Center, were concerned that the direct use of climate model output at local or even regional scales could produce inaccurate information. They focused on two key climate variables, temperature and precipitation.

They found that projections of temperature changes with global climate models became increasingly uncertain at scales below roughly 600 horizontal miles, a distance equivalent to the combined widths of Pennsylvania, Ohio and Indiana. While climate models might provide useful information about the overall warming expected for, say, the Midwest, predicting the difference between the warming of Indianapolis and Pittsburgh might prove futile.

Regional changes in precipitation were even more challenging to predict, with estimates becoming highly uncertain at scales below roughly 1200 miles, equivalent to the combined width of all the states from the Atlantic Ocean through New Jersey across Nebraska. The difference between changing rainfall totals in Philadelphia and Omaha due to global warming, for example, would be difficult to assess. The researchers report the results of their study in the August issue of Advances in Atmospheric Sciences.

“Policy makers and stakeholders use information from these models to inform their decisions,” said Mann. “It is crucial they understand the limitation in the information the model projections can provide at local scales.”

Climate models provide useful predictions of the overall warming of the globe and the largest-scale shifts in patterns of rainfall and drought, but are considerably more hard pressed to predict, for example, whether New York City will become wetter or drier, or to deal with the effects of mountain ranges like the Rocky Mountains on regional weather patterns.

“Climate models can meaningfully project the overall global increase in warmth, rises in sea level and very large-scale changes in rainfall patterns,” said Zhang. “But they are uncertain about the potential significant ramifications on society in any specific location.”

The researchers believe that further research may lead to a reduction in the uncertainties. They caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

“Uncertainty is hardly a reason for inaction,” said Mann. “Moreover, uncertainty can cut both ways, and we must be cognizant of the possibility that impacts in many regions could be considerably greater and more costly than climate model projections suggest.”

Mudanças do clima ameaça segurança alimentar de América Latina e Caribe (ONU)

Relatório produzido pela FAO, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe e Associação Latino-Americana de Integração destacou que as mudanças climáticas afetarão o rendimento dos cultivos da agricultura, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central

O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da Celac realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da Celac 2025.

Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.

“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da Cepal.

Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da Celac e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.

O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.

“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.

Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.

Alguns países da região, assim como a Celac, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.

Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar

Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.

O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.

Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.

No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.

Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.

Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos.

Leia aqui o relatório completo (em espanhol).

ONU

Cemaden completa cinco anos com o monitoramento de 957 municípios do País (MCTI)

JC, 5449, 1 de julho de 2016

Mais de R$ 72 milhões já foram investidos em radares meteorológicos de alta resolução para monitoramento de áreas de risco. Além disso, o Cemaden desenvolve tecnologia para previsão de quebra de safra no semiárido

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) completa cinco anos com o monitoramento de áreas de risco em 957 municípios do País. Um trabalho feito 24 horas por dia, sem interrupção. As informações fornecidas por radares meteorológicos de alta tecnologia já permitiram a emissão de 5,5 mil alertas para a Defesa Civil. Segundo o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, 12 novos equipamentos serão adquiridos, o que vai aumentar a confiabilidade dos alertas.

“Os radares serão instalados nas áreas que atualmente não estão cobertas, o que fará com que o Brasil possua um dos mais avançados sistemas de monitoramento de risco de ocorrência de desastres naturais do mundo”, afirma Moraes.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Cemaden investiu R$ 72 milhões em nove radares meteorológicos, equipamentos no estado da arte para aplicações voltadas ao monitoramento de desastres naturais instalados em Petrolina (PE), Natal (RN), Maceió (AL), Salvador (BA), Almenara (MG), Três Marias (MG), São Francisco (MG), Santa Teresa (ES) e Jaraguari (MS). Com eles, o Cemaden consegue mensurar a quantidade de chuvas, fazer uma previsão de tempo de curtíssimo prazo e antecipar a emissão de alertas para municípios com risco de desastres naturais. Os dados estão disponíveis em tempo real para acesso público.

“Esses radares possuem a capacidade de identificar e localizar as nuvens presentes dentro da área de cobertura do equipamento, além de medir a quantidade de chuva em um determinado local. O uso permite que os operadores do Cemaden identifiquem os locais onde as condições meteorológicas aumentam o risco de desastres naturais. Com isso, podemos emitir alertas antecipados sobre o risco de deslizamentos de terra e enchentes, por exemplo, preservando as vidas das pessoas expostas ao risco”, explica o coordenador do projeto Radares Meteorológicos do Cemaden, Carlos Frederico de Angelis.

Ele ressalta que a unidade implantada em Maceió, por exemplo, possui tecnologia e sensibilidade para levantar dados elaborados sobre chuvas num raio de 400 quilômetros de distância. Segundo Angelis, o equipamento é capaz de antecipar os riscos de desastres provocados por fenômenos meteorológicos com até seis horas de antecedência.

“Um desastre natural afeta não só a vida das pessoas que estão em áreas de risco como também a infraestrutura e a economia, como o agronegócio, por exemplo. Os impactos são ainda maiores para os pequenos produtores”, diz Angelis.

Ciência Cidadã

A quebra de safras agrícolas também está no radar do Cemaden, que vai lançar, no segundo semestre, o Sistema de Previsão de Riscos de Colapso de Safras no Semiárido Brasileiro com previsões de risco de colapso de safras geradas a partir de estimativas de modelos agrometeorológicos; dados públicos de safras típicas (milho, mandioca, feijão, arroz e sorgo) por região; e previsão do tempo para um período de 15 a 45 dias.

“A implantação deste projeto contempla o uso de modelos agrometeorológicos integrados a uma rede de monitoramento de dados (meteorológicos, fenológicos, práticas de manejo e informações do solo), contribuindo para a geração de indicadores para o monitoramento da seca, previsão e manejo dos riscos de colapso de safras e aprimoramento dos sistemas de alerta”, explica o diretor do Cemaden.

Além disso, o sistema vai contar com as informações enviadas pelos próprios produtores por meio de aplicativo desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT) do MCTIC e o International Institute for Applied Systems Analysis (Iiasa), da Áustria.

Disponibilizado para aparelhos celulares desde o início do ano, o AgriSupport permite o registro fotográfico georreferenciado de áreas plantadas e a coleta de informações sobre plantios realizados pelos pequenos produtores do semiárido.

No futuro, o monitoramento das safras será estendido para outros cultivos em outras regiões do País.

 MCTIC

2016 é um dos anos mais secos do Ceará e o pior começa agora (O Povo)

CHUVA 14/06/2016

Os meteorologistas afirmam que não há previsão de precipitações para os últimos seis meses do ano 

Igor Cavalcante

Os próximos meses serão de mais escassez hídrica para o Ceará. Quando o assunto é chuva, o segundo semestre é o mais crítico para o Estado. As precipitações que ainda acontecem são causadas por instabilidades meteorológicas e não devem impactar no cenário de estiagem.

Em coletiva de imprensa ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) informou que, de 2012 para cá, a estiagem deste ano é a segunda pior. Em algumas regiões não choveu nem metade do esperado. O cenário faz de 2016 um dos dez anos mais secos da história.

Contudo, monitoramento do Oceano Pacífico indica que águas estão resfriando. É um sinal de que precipitações podem aumentar no próximo ano. O aquecimento oceânico, fenômeno conhecido como El Niño, impacta na formação da Zona de Convergência Intertropical, principal responsável pelas chuvas na costa cearense. Quando parte do Pacífico está aquecida, as nuvens tendem a se formar e precipitar no mar.

De acordo com Eduardo Sávio Martins, presidente da Funceme, ainda é cedo para garantir boa quadra chuvosa para 2017. “É um aspecto positivo, mas temos de aguardar como vai ser o padrão desse resfriamento”, pondera.

O meteorologista Raul Fritz também é cauteloso quanto às previsões. Segundo ele, mesmo num cenário em que não haja El Niño, bom inverno é incerto.

A preocupação dos meteorologistas é com os meses até a próxima quadra chuvosa.. “A gente tem certeza da chuva no primeiro semestre e certeza de que não chove no segundo semestre”, cita o presidente da Funceme. Historicamente, mais de 90% do volume anual de chuva no Estado acontece no primeiro semestre.

Abaixo do esperado

Também foram as temperaturas elevadas das águas do Pacífico que contribuíram para as poucas precipitações no Estado. Conforme O POVO havia adiantado na edição do último dia 1°, a quadra chuvosa deste ano terminou como a segunda pior desde 2012, quando começou a sequência de cinco anos de estiagem.

Entre fevereiro e maio deste ano, as chuvas ficaram 45,2% abaixo do esperado. Fevereiro foi o período mais crítico, quando o volume no Estado ficou 55,3% abaixo da expectativa. Os meses de março e abril — historicamente de mais chuva — também tiveram precipitações inferiores à média.

As regiões Jaguaribana e do Sertão dos Inhamuns foram as de maior escassez. Nos municípios, as chuvas sequer atingiram metade do esperado, ficando 54,5% e 52,3% abaixo da média, respectivamente.

Segundo o presidente da Funceme, desde o início do ano, o Estado trabalha com o cenário da seca e promove ações para garantir licitações de poços e adutoras emergenciais na tentativa de suprir a necessidade hídrica do Interior.

Saiba mais 

Uma das alternativas para amenizar a escassez hídrica, o Projeto de Integração do rio São Francisco será concluído em dezembro, com previsão de abastecer os reservatórios em janeiro do próximo ano.

No último fim de semana, comitiva do Ministério da Integração vistoriou os eixos Norte e Leste do Projeto. Além do Ceará, Pernambuco e Paraíba devem ser beneficiados a partir de 2017.

Mudanças climáticas podem levar à exclusão de espécies arbóreas em áreas úmidas (INPA)

JC 5423, 24 de maio de 2016

Alterações na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem

Cheias e secas extremas e subsequentes, como essas que os rios da Amazônia vêm sofrendo nas duas últimas décadas, podem levar à exclusão de espécies de árvores e à colonização por outras espécies menos tolerantes à inundação.

É o que apontam estudos desenvolvidos por pesquisadores associados ao Grupo Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus, que participa, desde 2013, do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (Peld), por meio do Peld-Maua.

Durante a década de 1970, por exemplo, os níveis máximos anuais do rio Negro ficaram alguns metros acima do valor médio da enchente, e a descida das águas não foi intensa, resultando na inundação de várias populações de plantas durante anos consecutivos. Isso causou a exclusão de muitas espécies arbustivas e arbóreas nas baixas topografias de igapós na região da Amazônia Central, como é o caso de macacarecuia (Eschweilera tenuifolia).

“Acredita-se que esses fenômenos podem ser consequência das mudanças climáticas em curso, mas podem também derivar de variações naturais do ciclo hidrológico. Os estudos realizados no âmbito do Peld-Maua visam confirmar a origem desses fenômenos utilizando informações sobre o crescimento da vegetação”, adianta a coordenadora do Peld-Maua, a pesquisadora do Inpa Maria Teresa Fernandez Piedade.

Anos de secas ou cheias consecutivas podem ultrapassar a capacidade adaptativa das espécies de árvores, especialmente de populações estabelecidas nos extremos do ótimo de distribuição no gradiente inundável (composição de diferentes níveis de inundação a que estão sujeitas as áreas alagáveis).

Segundo Piedade, como a vegetação sustenta a fauna desses ambientes, mudanças na composição de espécies vegetais poderão trazer implicações para toda a cadeia alimentar, incluindo o homem. “A vegetação arbórea das áreas alagáveis amazônicas é bem adaptada à dinâmica anual de cheias e vazantes”, destaca a pesquisadora.

Para ela, determinar o grau de tolerância a períodos extremos das espécies de árvores desses ambientes e de sua fauna associada, como os peixes e roedores, e conhecer sua reação com a dinâmica de alternância entre fases inundadas e não inundadas normais e extremas é um grande desafio e se constitui na base para seu uso sustentável e preservação.

Segundo Piedade, as áreas úmidas (várzeas, igapós, buritizais e outros tipos) cobrem cerca de 30% da região amazônica e são de fundamental importância ecológica e econômica. Ela explica que na várzea, múltiplas atividades econômicas são tradicionalmente desenvolvidas, como a pesca e a agricultura familiar, enquanto que nos igapós, por serem mais pobres em nutrientes e em espécies de plantas e animais, menos atividades econômicas são praticadas. Já nas campinas/campinaranas alagáveis essas atividades são ainda mais reduzidas.

“A ecologia, o funcionamento e as limitações para determinadas práticas econômicas nas várzeas são bastante conhecidas, mas nos igapós de água pretas e nas campinas/campinaranas alagáveis tais aspectos ainda são pouco estudados”, diz Piedade. “Embora se saiba que esses ambientes são frágeis, aumentar e disponibilizar informações sobre eles é fundamental”, acrescenta.

Peld-Mauá

Com o título “Monitoramento e modelagem de dois grandes ecossistemas de áreas úmidas amazônicas em cenários de mudanças climáticas”, o Peld-Maua é um projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e também conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Insere-se no plano de ação “Ciência, Tecnologia e Inovação para Natureza e Clima”, do MCTI.

O Programa Peld foca no estabelecimento de sítios de pesquisa permanentes em diversos ecossistemas do País, integrados em redes para o desenvolvimento e o acompanhamento de pesquisas ecológicas de longa duração. Atualmente, existem 31 sítios de pesquisa vigentes.

O Peld-Maua é gerenciado pelo Inpa, em Manaus. Tem como vice-coordenador o pesquisador do Inpa, Jochen Schöngart; e como coordenador do Banco de Dados o pesquisador Florian Wittmann, do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max-Planck de Química, com sede em Mainz, na Alemanha.

A coordenadora do Peld-Maua explica que as atividades tiveram início há três anos. “Na primeira fase, que será completada agora em 2016, o Peld-Maua priorizou estudos em um ambiente de igapó e outro de campinarana alagável, mas espera-se que os estudos tenham continuidade e sejam expandidos para outras tipologias alagáveis amazônicas”, diz Piedade.

O Peld-Maua desenvolve estudos nas áreas de inundação das florestas de igapó no Parque Nacional do Jaú (Parna Jaú) – Unidade de Conservação localizada entre os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Amazonas –, e ao longo dos gradientes de profundidade do lençol freático das florestas de campinas/campinaranas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, situada entre os municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, também no Amazonas.

Conforme Piedade, diante da conectividade entre os ambientes alagáveis e as formações contíguas de terra-firme ou outras, os sítios de estudos foram escolhidos em ambientes onde os gradientes podem ser também avaliados. “Isso aumenta as possibilidades de trabalhos comparativos”, ressalta.

O Peld-Maua tem por objetivo relacionar a estrutura, composição florística e dinâmica de plantas que produzem sementes (fanerógamas) de dois ecossistemas de áreas úmidas na Amazônia Central com fatores do solo e da disponibilidade de água (hidro-edáficos), por meio do monitoramento em longo prazo para entender possíveis impactos e respostas da vegetação frente a mudanças dos regimes pluviométricos e hidrológicos.

O programa, até o momento, já permitiu a realização de cinco dissertações de mestrado e uma tese de doutorado. Além dos estudos já finalizados, estão em andamento dois pós-doutorados, seis doutorados e quatro mestrados. Quanto à formação de pessoal, dois bolsistas do Programa de Capacitação Institucional (PCI) concluíram suas atividades e dois estão realizando seus projetos, e dois bolsistas do programa de Bolsa de Fomento ao Desenvolvimento Tecnológico (DTI) e dois Pibic’s realizaram seus projetos junto ao Peld-Maua.

Inpa

Há um limite para avanços tecnológicos? (OESP)

16 Maio 2016 | 03h 00

Está se tornando popular entre políticos e governos a ideia que a estagnação da economia mundial se deve ao fato de que o “século de ouro” da inovação científica e tecnológica acabou. Este “século de ouro” é usualmente definido como o período de 1870 a 1970, no qual os fundamentos da era tecnológica em que vivemos foram estabelecidos.

De fato, nesse período se verificaram grandes avanços no nosso conhecimento, que vão desde a Teoria da Evolução, de Darwin, até a descoberta das leis do eletromagnetismo, que levou à produção de eletricidade em larga escala, e telecomunicações, incluindo rádio e televisão, com os benefícios resultantes para o bem-estar das populações. Outros avanços, na área de medicina, como vacinas e antibióticos, estenderam a vida média dos seres humanos. A descoberta e o uso do petróleo e do gás natural estão dentro desse período.

São muitos os que argumentam que em nenhum outro período de um século – ao longo dos 10 mil anos da História da humanidade – tantos progressos foram alcançados. Essa visão da História, porém, pode e tem sido questionada. No século anterior, de 1770 a 1870, por exemplo, houve também grandes progressos, decorrentes do desenvolvimento dos motores que usavam o carvão como combustível, os quais permitiram construir locomotivas e deram início à Revolução Industrial.

Apesar disso, os saudosistas acreditam que o “período dourado” de inovações se tenha esgotado e, em decorrência, os governos adotam hoje medidas de caráter puramente econômico para fazer reviver o “progresso”: subsídios a setores específicos, redução de impostos e políticas sociais para reduzir as desigualdades, entre outras, negligenciando o apoio à ciência e tecnologia.

Algumas dessas políticas poderiam ajudar, mas não tocam no aspecto fundamental do problema, que é tentar manter vivo o avanço da ciência e da tecnologia, que resolveu problemas no passado e poderá ajudar a resolver problemas no futuro.

Para analisar melhor a questão é preciso lembrar que não é o número de novas descobertas que garante a sua relevância. O avanço da tecnologia lembra um pouco o que acontece às vezes com a seleção natural dos seres vivos: algumas espécies são tão bem adaptadas ao meio ambiente em que vivem que deixam de “evoluir”: esse é o caso dos besouros que existiam na época do apogeu do Egito, 5 mil anos atrás, e continuam lá até hoje; ou de espécies “fósseis” de peixes que evoluíram pouco em milhões de anos.

Outros exemplos são produtos da tecnologia moderna, como os magníficos aviões DC-3, produzidos há mais de 50 anos e que ainda representam uma parte importante do tráfego aéreo mundial.

Mesmo em áreas mais sofisticadas, como a informática, isso parece estar ocorrendo. A base dos avanços nessa área foi a “miniaturização” dos chips eletrônicos, onde estão os transistores. Em 1971 os chips produzidos pela Intel (empresa líder na área) tinham 2.300 transistores numa placa de 12 milímetros quadrados. Os chips de hoje são pouco maiores, mas têm 5 bilhões de transistores. Foi isso que permitiu a produção de computadores personalizados, telefones celulares e inúmeros outros produtos. E é por essa razão que a telefonia fixa está sendo abandonada e a comunicação via Skype é praticamente gratuita e revolucionou o mundo das comunicações.

Há agora indicações que essa miniaturização atingiu seus limites, o que causa uma certa depressão entre os “sacerdotes” desse setor. Essa é uma visão equivocada. O nível de sucesso foi tal que mais progressos nessa direção são realmente desnecessários, que é o que aconteceu com inúmeros seres vivos no passado.

O que parece ser a solução dos problemas do crescimento econômico no longo prazo é o avanço da tecnologia em outras áreas que não têm recebido a atenção necessária: novos materiais, inteligência artificial, robôs industriais, engenharia genética, prevenção de doenças e, mais do que tudo, entender o cérebro humano, o produto mais sofisticado da evolução da vida na Terra.

Entender como uma combinação de átomos e moléculas pode gerar um órgão tão criativo como o cérebro, capaz de possuir uma consciência e criatividade para compor sinfonias como as de Beethoven – e ao mesmo tempo promover o extermínio de milhões de seres humanos –, será provavelmente o avanço mais extraordinário que o Homo sapiens poderá atingir.

Avanços nessas áreas poderiam criar uma vaga de inovações e progresso material superior em quantidade e qualidade ao que se produziu no “século de ouro”. Mais ainda enfrentamos hoje um problema global, novo aqui, que é a degradação ambiental, resultante em parte do sucesso dos avanços da tecnologia do século 20. Apenas a tarefa de reduzir as emissões de gases que provocam o aquecimento global (resultante da queima de combustíveis fósseis) será uma tarefa hercúlea.

Antes disso, e num plano muito mais pedestre, os avanços que estão sendo feitos na melhoria da eficiência no uso de recursos naturais é extraordinário e não tem tido o crédito e o reconhecimento que merecem.

Só para dar um exemplo, em 1950 os americanos gastavam, em média, 30% da sua renda em alimentos. No ano de 2013 essa porcentagem havia caído para 10%. Os gastos com energia também caíram, graças à melhoria da eficiência dos automóveis e outros fins, como iluminação e aquecimento, o que, aliás, explica por que o preço do barril de petróleo caiu de US$ 150 para menos de US$ 30. É que simplesmente existe petróleo demais no mundo, como também existe capacidade ociosa de aço e cimento.

Um exemplo de um país que está seguindo esse caminho é o Japão, cuja economia não está crescendo muito, mas sua população tem um nível de vida elevado e continua a beneficiar-se gradualmente dos avanços da tecnologia moderna.

*José Goldemberg é professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e é presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Abril é o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde no planeta (O Globo)

Por O Globo. 16/05/2016


 

RIO — Abril deste ano registrou as temperaturas mais quentes para este mês na História, segundo informações da Nasa. É o sétimo mês consecutivo de temperaturas recorde, com mais de 1 grau Celsius de diferença em relação à média entre 1951 e 1980.

A temperatura média global em abril foi 1.11 grau Celsius acima da média do período 1951-1980, esmagando o recorde anterior para o mês, registrado em 2010, de 0,24 grau Celsius acima da média.

— O mais interessante é a escala na qual estamos quebrando os recordes — disse Andy Pitman, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em entrevista ao “Guardian”. —Claramente, tudo está caminhando na direção errada. Os cientistas climáticos estão alertando sobre isso desde os anos 1980, e tem sido óbvio desde os anos 2000. Então onde está a surpresa?

É o terceiro mês consecutivo em que o recorde de temperatura é quebrado pela maior diferença já registrada. Desde fevereiro, quando as margens começaram a quebrar recordes, os cientistas começaram a falar sobre “emergência climática”. Existe a influência do El Niño, mas o temor é que o planeta esteja aquecendo de forma mais acelerada que o imaginado, o que coloca em risco os objetivos acertados em Paris.

— O alvo de 1.5 grau Celsius é um desejo. Eu não sei se conseguiríamos esse objetivo se parássemos com as emissões hoje. Existe inércia no sistema. E o resultado de abril coloca pressão para os 2 graus Celsius — disse Pitman.

Anthropologies #21: Weather changes people: stretching to encompass material sky dynamics in our ethnography (Savage Minds)

See original text here.

September 24, 2015.

This entry is part 10 of 10 in the Anthropologies #21 series.

Heid Jerstad brings our climate change issue to a close with this thoughtful essay. Jerstad (BA Oxford, MRes SOAS) is writing up her PhD on the effects of weather on peoples lives at the university of Edinburgh. Having done fieldwork in the western Indian Himalayas, she is particularly interested in the range of social and livelihood implications that weather (and thus climate change) has. She is on twitter @entanglednotion –R.A.

For most people, the climate change issue is a bundle of scientific ideas, or maybe a chunk of guilt lurking behind that short haul flight. The words have fused together to form a single stone, immobile and heavy. Change is a bit of a nothing word anyway – anything can change, and who is to say if it is good or bad, drastic or practically unnoticeable?

But what about climate? It is a big science-y word, neither human nor particularly tangible. Climate is about a place – engrained, palimpsested, with time-depth. That big sky, those habits – the Frenchman advising wine and bed on a rainy day, the Croatian judge lenient because there was a hot wind from the Sahara that day. This is weather I am talking about, seasons, years, the heat, damp and sparkling frost.

People care about the weather. We consider ourselves used to this or good at observing that. My home has more weather than other places – it is colder in winter, the air is clearer and brighter – because it is mine. My sunsets – this is eastern Norway – are vibrant and fill the sky, my sky will snow in June with not a cloud, my nose can feel that special tingle when it gets to below -20˚c. The north is not gloomy in winter – the snow is bright white, the hydro-fuelled streetlights illuminate empty streets and windows seal the warmth in.

What is your weather? It would be safe to assume it is part of the climate and I would go out on a limb and say I think you care about it. Am I wrong?

When the weather matters to people, the task becomes one of bridging this caring and the climate change science and projections. Looking at the impact of these weather changes in different areas of life is, then, going to make up a steadily larger part of useful climate change research.

Mead famously convened a conference with Kellogg titled ‘The Atmosphere: Endangered and Endangering’ in 1975, and Douglas published Risk and Blame in 1992. In the new millennium Strauss and Orlove (2003), Crate and Nuttall (2009) and Hastrup and Rubow (2014) brought edited volumes to the debate. It seems to be fairly well established, then, that climate change is a matter for anthropologists, as phrased by the AAA statement on climate change: ‘Climate change is rooted in social institutions and cultural habits. … Climate change is not a natural problem, it is a human problem.’ What then, can anthropologists do, about this problem?

Anthropologists provide description. The mapping of people’s stories of how the weather is ‘going wrong’, stories of change, and of coping and consequences is underway (Crate 2008 described the effects of unusual winter melt on the Vilui Sakha in Siberia, Cruikshank 2005 explored the tendrils of meaning surrounding glaciers between Alaska, British Colombia and the Yukon territory). Linked to the description, of course, and not really disentanglable from it is the explanation. Explanations and understandings of weather and weather changes in the places where they are happening, whether Chesapeake Bay, the Marshall Islands, or Rajasthan, India, fill in the social significance of what had been an empty sky (Paolisso 2003, Rudiak-Gould 2013, Grodzins-Gold 1998). The weather changes, in fact, constitute one of those satisfying areas of inquiry which concern those asked as much as the anthropologist.

The question of knowledge, however, can still seem a barrier when climate scientists are those with a mandate to understand changing weather. Anna Tsing, in the Firth Lecture at the Association of Social Anthropologists of the UK and Commonwealth’s (ASA) 2015 conference in Exeter, brought the contextual ecological study of mushrooms and the trees that they are mutual with in the forests of Japan and China to illustrate the gains anthropology can make when we give up scepticism of natural science. Earlier in the year, Moore, at the launch of the Centre of the Anthropology of Sustainability (CAOS) at University College London used microbial research to break down the bounded image of the body, where on the cellular level culture and biology shape each other – for instance when poor black women in the States eat fish which contains mercury and this affects the biological development of their children. Tsing and Moore brought together what might previously have been considered within the remit of ecology or biology to make important points about the capacity of anthropology—and to suggest where we might go next, expanding vision of social science. When mushrooms and microbes are appropriate topics for anthropological research, then looking at the climate and its material as well as social effects (rotting, drying, illness (Jerstad 2014)) starts to look feasible.

The anthropocene is a term which has been shown to have considerable analytical purchase outside of geology, illuminating moral and political debates about blame, the north-south divide and the global movement of materials, people and plants (Chakrabarty 2014, Tsing 2013). These ideas have been applyied in the study of climate scientists themselves (Simonetti 2015) as well as climate policy (Lahsen 2009). The anthropocene, i.e. the world as subject to the effects of human activities such as climate change, may be read as a set of material relationships, where the weather, bodies and landscapes meet, as Ingold showed (2010). This term allows the larger picture, where the world and all the people in it – those people for whom climate change matters – to be considered in a single conceptual space. In this space climate change can be seen as part of the encompassing extra-somatic human activity which defines our world as we are starting to understand it.

The anthropocene and climate change, however, both involve the challenge of how to follow the conceptual and material threads that lead from these global issues and into particular, ethnographically described lives:

 A close examination of scientific practice makes clear that localizing is as much a problem for climate researchers as it is for ethnographers. This holds not only for the     interconnectedness of the global and the local climate, but also for the separation of climate change as a ‘scientific fact’ on the one hand, and a ‘matter of concern’ on the other. Climate research offers an insight into a messy world of ramifications, surprising activities and unexpected “social” context (Krauss 2009:149–50).

Anthropological work has the reflexive capacity to deal with the messy world Krauss refers to here, where these ramifications, surprising activities and unexpected ‘social’ context are part of the particular places where we, as anthropologists, work, taking cues from events and observations around us. In my own fieldwork I found all kinds of unanticipated connections between weathers and other aspects of life. With a research proposal full of religion and ‘belief’ I ended up with far more material interests, guided by the sometimes patient and sometimes exasperated villagers with whom I lived in the western Indian Himalayas.

I was walking with Karishma to get green grass one day during the monsoon. She told me that our village (Gau) is famous for being misty, and therefore that the girls are known, both for working hard and for being beautiful, because even though they are outside the mistiness keeps them pale. So apparently on festival days people say that the girls from this village are gori (white) because there is so much mist here. But Karishma pointed out that this can’t be true because there is mist only in the rainy season. Then she said that the girls here wear sweaters to stay gori. Also, she said girls of this village have a reputation for being hard working so people ask for them in marriage when there is a household where work is to be done. This (I think) might be part of why quite a few of the new brides in Gau are not used to doing as much work as women do here. But then Karishma said fairly that it is not just the girls who work hard, everyone works hard in this village (well, most people). She said that when girls go away to study, like she did, then they come back more beautiful. That is to say pale from not being outside. She was saying how on the other hand I had become more black (kala) since being there in the village (this was true).

People, whether Himalayan villagers or Norwegian PhD students, live with weather on an ongoing basis, and consistently live in the weather, which is not always catastrophic but does always impinge (think food perishability, wardrobe choices, sitting in the shade). The considerations people have with regards to the weather, then, necessarily translate to potential climate change concerns. Climate change is a threat, it has potentially deadly dimensions, but weather is inherent to our world, and I would not want to pathologize it.

Weather relates in fundamental ways to sensation and the body, thermal infrastructure, agriculture and animal husbandry, health and illness, disasters and other areas of anthropology (that is to say life). Weather may be implicated in all kinds of ways with other areas of life – for instance the hot/cold symbolism in India which classifies illness, the body, food and even moods. I think that it can be surprisingly easy to forget or ignore weather precisely because it is so pervasive. And this resistance of the mind against focusing on it is a risk when it comes to climate change. It can be tiring to think about. How, after all, do you write about the wind? And people have (Parkin 1995, James 1972, Hsu and Low 2007), but personally I find it challenging just to make a start – capturing the sky with a few black marks on paper feels so unrealistic. In that sense it is a great stretching area for our minds, about the material and the social, about what we mean with words like ‘impact’ and ‘atmosphere’ and the connections between people and places.

Finally there is the role of anthropology in clarifying the terms of the climate change debate. This is a new kind of challenge, it is a global one (hence the usefulness of Tsing’s work, who demonstrated the crucial part material relationships and meetings play in globalisation (2005)), it is to do with both technologies and nature (we can apply Latour, who shows in ‘we have never been modern’ (1993) how ‘modernity’ has not succeeded in cutting us off from the material and natural world around us), it is political, historical (hence Chakrabarty, whose work pushes us to think in new ways about how we are positioned in history and what place climate change has in this context), and there is something about it which is pushing at the edges in all these areas and others, in which new terms are required to even conceive of some of these problematics. Building on what we understand and moving further, in ways that might tread new neural pathways and enable new realities, simply from the newness of our thinking, feels like a worthwhile undertaking. I suggest that the orientation of research which maps out the weather-weight of social life can help bring the people back into climate change.

So the immovable stone of ‘climate change’ is being loosened up, pulled apart to reassemble in illuminating and constructive ways by people contributing to blow away the fog obstructing understanding, using the culminations of what we know so far and the ways in which we can think new thoughts. This effort rewards.

References

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Tsing, Anna. 2005. Friction. Princeton University Press.

Brasil e mais 169 países assinam acordo sobre mudança climática (Estadão)

Cláudia Trevisan e Altamira Silva Junior – 22 de abril de 201

Dilma: 'O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos'

Dilma: ‘O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos’

Representantes de 170 países assinaram nesta sexta-feira, 22, o Acordo de Paris sobre mudança climática, batendo o recorde da história da Organização das Nações Unidas (ONU) de adesão a um tratado internacional em um único dia. Mas todos ouviram o alerta do secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon, de que as boas intenções terão pouco impacto se a convenção não for ratificada pelos países o mais breve possível. Sem isso, o tratado não entrará em vigor.

“Estamos em uma corrida contra o tempo”, disse Ban no discurso de abertura da cerimônia, no plenário da ONU em Nova York. A urgência foi enfatizada por vários chefes de Estado, incluindo os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da França, François Hollande.

Dilma assegurou “a pronta entrada em vigor” da convenção, mas essa decisão depende do Congresso. “O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos”, disse a presidente em seu discurso. E repetiu os compromissos assumidos pelo Brasil durante a negociação do tratado, entre os quais a promessa de reduzir em 37% a emissão de gases poluentes até 2025, na comparação com os patamares registrados em 2005.

Frustração. Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, disse que Dilma frustrou as expectativas de entidades ambientais que esperavam uma sinalização clara de que o Brasil assumirá metas mais ambiciosas em 2018, quando haverá uma avaliação dos resultados do acordo. “O Brasil precisa reconhecer que deve fazer mais que o prometido no ano passado”, disse. “Todos devem, porque estamos na trajetória de 3ºC de aquecimento.”

Aprovado por representantes de 195 nações em dezembro, o tratado prevê uma série de compromissos nacionais com o objetivo de limitar o aumento da temperatura do planeta a 2ºC até o fim do século, em relação ao patamar anterior ao período industrial. Para que entre em vigor, o Acordo de Paris precisa ser ratificado por pelo menos 55 países que representem ao menos 55% das emissões de gases do efeito estufa.

“A era do consumo sem consequências chegou ao fim. Nós temos de intensificar os esforços para ‘descarbonizar’ nossas economias”, ressaltou o secretário-geral das Nações Unidas. Além do caráter simbólico, a cerimônia desta sexta tinha o objetivo de mobilizar os líderes mundiais em torno da ratificação do acordo, de forma que entre em vigor no próximo ano e não em 2020, como inicialmente previsto.

Primeiro a discursar, o presidente da França lembrou que Paris vivia uma situação trágica em dezembro, sob o impacto dos atentados terroristas que haviam provocado a morte de 130 pessoas no mês anterior. Ainda assim, ressaltou, foi possível fechar o acordo histórico sobre mudança climática.

By 2050 Asia at high risk of severe water shortages: MIT study (Reuters)

Thu Apr 14, 2016 11:30am EDT

CAMBRIDGE, MASS 

A new study points to the risk that China and India will be facing severe water shortages due to a perfect storm of economic growth, climate change, and demands of fast growing populations by mid century. 

Within 35 years, the countries where roughly half the world’s population lives may be facing what scientists are calling a “high risk of severe water stress”. That translates into billions of people having access to a lot less water than they do today, according to a new study from MIT.

“There is about a one in three chance that if we take no action to mitigate climate or to do anything to curtail any of the factors that go into this water stress metric, there is a one in three chance that you will reach this unsustainable situation by the middle of the century,” said Adam Schlosser, a senior research scientist who co-authored the paper published in the journal PLOS ONE.

“It’s very important to show that all things being equal, all things not changing, if we continue with what we are doing now we are running along a very dangerous pathway,” he added.

The scientists simulated hundreds of scenarios looking into the future and found that on average, the water basins that feed economic growth in China and India will have less water than they do today. At the same time, they say pressure on water resources will continue to grow as populations increase, creating an unsustainable scenario where supply loses out to demand.

“We are looking at a region where nations are really at a very rapid developing stage or they are at the precipice of a very rapid development stage and so you really can’t ignore the growth effect, you just can’t, particularly when it comes to resources,” said Schlosser.

But overshadowing everything else, they say, is climate change. While some models show that the effects of climate change could potentially benefit water resources in Asia, the majority point in the opposite direction.

Schlosser and his colleagues believe it will only exacerbate an already gloomy outlook for the future.

Regulators Warn 5 Top Banks They Are Still Too Big to Fail (New York Times)

‘LIVING WILLS’ AT A GLANCE

The Fed and the F.D.I.C. found that the plans of five banks were “not credible.”

  • Failed

  • JPMorgan Chase
  • Bank of America
  • Wells Fargo
  • Bank of New York Mellon
  • State Street
  • Mostly Satisfied

  • Citigroup
  • Split Decision

  • Goldman Sachs
  • Morgan Stanley

The five banks that received rejections have until Oct. 1 to fix their plans.

After those adjustments, if the Fed and the F.D.I.C. are still dissatisfied with the living wills, they may impose restrictions on the banks’ activities or require the banks to raise their capital levels, which in practice means using less borrowed money to finance their business.

And if, after two years, the regulators still find the plans deficient, they may require the banks to sell assets and businesses, with the aim of making them less complex and simpler to unwind in a bankruptcy.

Also on Wednesday, JPMorgan announced a decline in both profit and revenue for the first quarter. Other large banks will report quarterly results this week.

“Obviously we were disappointed,” Marianne Lake, chief financial officer of JPMorgan, said on Wednesday morning.

The results are a particular blow for JPMorgan because it often boasts about the strength of its operations and its ability to weather any crisis. Just last week, Jamie Dimon, the chief executive, bragged in his annual letterthat the bank “had enough loss-absorbing resources to bear all the losses,” under the Fed’s annual stress-test situations, of the 31 largest banks in the country.

But the Fed and F.D.I.C. said on Wednesday that JPMorgan appeared to be unprepared for a crisis in a number of areas. The regulators said, for instance, that the bank did not have adequate plans to move money from its operations overseas if something went wrong in the markets.

The letter also said that JPMorgan did not have a good plan to wind down its outstanding derivative contracts if other banks stopped trading with it.

Ms. Lake said “there’s going to be significant work to meet the expectations of regulators.” But she also expressed confidence that the bank could do so without significantly changing how it does business.

Investors appeared to agree that the verdicts from regulators did not endanger the banks’ current business models. Shares of all of the big banks rose on Wednesday.

Wells Fargo, which is generally considered the safest of the large banks, was the target of unexpected criticism from the Fed and F.D.I.C.

The agencies criticized Wells Fargo’s governance and legal structure, and faulted it for “material errors,” which, the regulators said, raised questions about whether the bank has a “robust process to ensure quality control and accuracy.”

In a statement, Wells Fargo said it was disappointed and added, “We understand the importance of these findings, and we will address them as we update our plan.”

The banking industry has complained that the process of submitting living wills is complex and hard to complete and it has suggested changes.

“A useful process reform might be to do living wills every two or three years, instead of annually,” said Tony Fratto, a partner at Hamilton Place Strategies, a public relations firm that works with the banks. “The time required for banks to produce them and regulators to react to them is clearly too tight.”

But Martin J. Gruenberg, the chairman of the F.D.I.C., said on Wednesday that regulators were “committed to carrying out the statutory mandate that systemically important financial institutions demonstrate a clear path to an orderly failure under bankruptcy at no cost to taxpayers.”

“Today’s action is a significant step toward achieving that goal,” he added.

Médium dá previsão de nuvens sombrias sobre a Esplanada (UOL)

Leandro Mazzini – Coluna Esplanada

04/04 01:10 

A médium Adelaide Scritori, da Fundação Cacique Cobra Coral, que há décadas diz controlar o tempo em trabalho mediúnico, avisou a expoentes dos três Poderes estar atenta.

E mandou um alerta: Ela também está sub judice, não vai poder ajudar muito, porque ninguém tem feito direito seu trabalho. A FCCC já manteve convênio por anos, sem custos, com o Ministério de Minas e Energia, para monitorar os reservatórios das usinas. Desde a Era José Sarney no Palácio.

Que os políticos reparem as nuvens sombrias que se forjam sobre a Esplanada, nas próximas semanas. A conferir.

Vidente do Poder envia e-mail para Cunha e pede renúncia: fatos novos virão (UOL)

Leandro Mazzini – Coluna Esplanada24/11 02:00

A conhecida médium Adelaide Scritori, criadora da Fundação Cacique Cobra Coral, teve visão de nuvens cinzentas que se forjam com “novos fatos” perturbadores para Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Não titubeou em enviar-lhe um e-mail e sugeriu que ele renuncie, antes que seja tarde e vire alvo para valer do STF.

Adelaide é conhecida do circuito do Poder, no eixo Brasília-SP-Rio. Anuncia que sua fundação faz trabalhos espirituais de controle do tempo, e manteve parcerias (diz sem remuneração) com o Ministério de Minas e Energia e Prefeitura do Rio, entre outros clientes mundo afora.

Ficou famosa ao recomendar ao então presidente José Sarney que evitasse uma viagem programada no avião presidencial porque poderia sofrer um acidente. Cauteloso e supersticioso, Sarney acolheu a dica. A FAB teria descoberto depois uma falha numa peça da aeronave.

The Stark Realities of Baked-In Catastrophes (Collapse of Industrial Civilization)

02 Apr 2016

Joe-Webb-Greetings-From-California

In a civilization gone mad with delusions of grandeur, we’re left with tatters of human sociability held together by rancid mythologies.

Despite human fossil fuel burning recently reported to be “flat”, CO2 levels have been on a tear for the last six months, reaching new worrying levels which have some wondering whether permafrost melt may be contributing to the unusually high spike if no decline happens soon. The giant holes in Siberia serve as an ominous sign. Considering that the current El Niño is contributing only 10% to what we are now seeing, runaway global warming may be accelerating worldwide. But don’t worry, Warren Buffett says climate change is no more of a problem than the Y2K bug and will be profitable through increased premiums and inflation.

Ever dire studies continue to reaffirm worst case scenarios, making clear to anyone paying attention that Earth in the next century will be unrecognizable from its current state. Basic planetary geography and atmospheric conditions will be altered through warming oceans and rising sea levels which are now increasing faster than at any time in the past 2800 years. On average, sea levels were between 50 and 82 feet higher the last time CO2 levels were at 400ppm. Glaciologist Jason Box expects ice melt from the West Antarctic to become the biggest contributor to sea level rise in the coming decades due to a feedback loop not in the climate models. CO2 levels have been increasing around 3ppm per year, a twentyfold increase since pre-industrial times when the highest recorded increase was 0.15 ppm per year. We’ve long since passed the tipping point of melting Arctic summer sea ice; 300-350 ppm of CO2 was the threshold for many parts of the climate. These changes are irreversible on a timescale of human civilizations. Even if all human industrial activity magically ceased today, the footprint man has already left will be felt for eons.

In our warming world, the hydrologic cycle is changing and creating extreme weather; crop-destroying droughts and floods are becoming more frequent. The Jet Stream is transforming into something different, becoming wavier with higher ridges and troughs prone to stagnating in the same region. As global temperatures rise over time, hotter air will be trapped under these layers of high pressure from a mangled Jet Stream, cooking everything to death. Rising winter temperatures are beginning to destroy the “winter chill” needed for many fruit and nut trees to properly blossom and produce maximally. Climate change is also disrupting flower pollination and pushing fish toward North/South poles, robbing poorer countries at Equator of crucial food resources. In a new study, marine scientists are surprised to find a disturbing trend in the increasing numbers of a specific type of phytoplankton, coccolithophores, which have been “typically more abundant during Earth’s warm interglacial and high CO2 periods.”

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Homo sapiens have only been on the planet for the equivalent of a few seconds in geologic time but have managed to overwhelm and foul up all of earth’s natural processes and interdependencies, leaving a distinct layer in the sedimentary record. There is nothing modern humans do that is truly sustainable. Here are a few glaring examples:

No amount of reafforestation or growing of new trees will ultimately off-set continuing CO2 emissions due to environmental constraints on plant growth and the large amounts of remaining fossil fuel reserves,” Mackey says. “Unfortunately there is no option but to cut fossil fuel emissions deeply as about a third of the CO2 stays in the atmosphere for 2 to 20 millennia.

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Relying on machines for answers to the existential problems of a species run amok with planet-destroying tools and weaponry is rather ironic and tragic. We’re locked-up inside a complexity trap of our own making. The human propensity for tool-building coupled with our discovery of fossil fuels has created a set of living arrangements in which we are now enslaved to those machines and tools. The globalized capitalist economy externalizes its destruction and atrocities, keeping the masses in a state of ignorance and denial. Our corporate overlords are not conscientious citizens, but mindless organizations whose sole purpose is to grow profits no matter the external damage done to society and the environment. Between the economic oil hitmen who ensure that profits flow smoothly and GOP politicians who openly espouse their science illiteracy, a hospitable climate for future humans seems remote. Hopeful delusions have given way to the stark reality of our predicament as scholars like Noam Chomsky who originally started his career fighting for a modicum of social justice have now set the bar at just the chance of human survival. Despite the best efforts of scientists, environmentalists, and activists, the wealthy countries most able to do something won’t “get it” until famine, disease, and war come to their country. All is being left for the almighty ‘free market’ to sort out at the same time that climate change, a conflict multiplier, ramps up.

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The sixth mass extinction gathers steam and climate inertia works to catch up to the catastrophic ecological collapse already baked-in. All the while, modern man engages in the spectacle of tribal politics(building walls, exuding military strength, recapturing past glories of their nation) and presidential candidates discuss the size of their penis.

For those who come to understand modern man’s predicament, it can either be the ultimate mind fuck or an epiphany that helps a person appreciate the fragility of life, the urgency of living in the here and now, and the grand cosmic joke of a global, hi-tech civilization that arose from the burning of ancient fossil remains only to have those fumes become a deadly curse, extinguishing any trace of our lofty accomplishments…

The fossil record, Plotnick points out, is much more durable than any human record.

As humanity has evolved, our methods of recording information have become ever more ephemeral,” he said. “Clay tablets last longer than books. And who today can read an 8-inch floppy?” he shrugged. “If we put everything on electronic media, will those records exist in a million years? The fossils will.
– Link

Mudanças climáticas provocarão prejuízo de US$ 2,5 trilhões (O Globo)

05/04/2016, por O Globo

Colheita de cana de açúcar: rombo acontecerá mesmo se os países cumprirem as metas voluntárias apresentadas na conferência climática de Paris, em dezembro de 2015 – Paulo Fridman/Bloomberg/18-9-2014

RIO — As mudanças climáticas podem afetar investimentos equivalentes a US$ 2,5 trilhões da economia mundial até 2100, segundo um estudo publicado ontem na revista “Nature Climate Change”. O prejuízo seria resultado do aumento da temperatura em 2,5 graus Celsius até o fim do século, em relação aos níveis pré-industriais. Esta quantia é equivalente à metade do valor atual das empresas de combustíveis fósseis. Se os termômetros avançarem além de 2 graus Celsius — valor máximo admitido pelos climatologistas —, a economia mundial sofreria um rombo de US$ 1,7 trilhão.

Entre os meios de destruição mais comuns ligados às mudanças climáticas estão o aumento do nível do mar — que afeta principalmente setores da economia atuantes na zona costeira —, além de secas e tempestades, capazes de interromper atividades de diferentes ramos do mercado.

A pesquisa concentrou-se principalmente em investimentos ligados a petróleo, carvão e gás, recursos que serão perdidos se os países insistirem na adoção de combustíveis fósseis, em de vez de optar por energias sustentáveis.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças Climáticas, que elaborou o estudo, seus cálculos são a primeira estimativa do impacto causado pelo aquecimento global sobre ativos financeiros.

As projeções, realizadas com o uso de modelos matemáticos, foram baseados em um valor estimado de US$ 143,3 trilhões em ativos não bancários globais em 2013, valor determinado por economistas.

Considerando as atuais emissões de gases-estufa, os climatologistas indicam que o planeta está a caminho de um aquecimento global equivalente ou superior a 4 graus Celsius. Se as nações cumprirem as metas que apresentaram na Conferência do Clima em Paris, no fim do ano passado, o aumento da temperatura global chegará a 3 graus Celsius.

As mudanças climáticas devem ser encaradas com preocupação para setores e investidores que exercem a atividade pensando a longo prazo, como os fundos de pensão e reguladores financeiros.

Diretor do programa de finanças sustentáveis da Universidade de Oxford, no Reino Unido, Ben Caldecott ressalta que os impactos financeiros das mudanças climáticas são um risco de grande escala.

— Os investidores podem fazer muito para diferenciar entre as empresas mais ou menos expostas e, assim, conseguirem ajudar a reduzir os riscos para a economia global, apoiando ações ambientais sobre as mudanças climáticas.

MAIS GRAVE QUE POLIOMIELITE

Ontem, um relatório divulgado na Casa Branca alertou que as mudanças climáticas representam uma grave ameaça para a saúde pública — em muitos aspectos, pior do que a poliomielite — e atacará especialmente gestantes, crianças, pessoas de baixa renda, negros, asiáticos e hispânicos.

O documento “Os impactos das mudanças climáticas na saúde humana nos EUA: uma avaliação científica”, adverte sobre os riscos arrebatadores para a saúde pública do aumento da temperatura nas próximas décadas, que também levaria a mais mortes e doenças por insolação, insuficiência respiratória e doenças como o vírus do Nilo Ocidental.

Leading Climate Scientists: ‘We Have A Global Emergency,’ Must Slash CO2 ASAP (Think Progress)

 MAR 22, 2016 2:38 PM

CREDIT: AP/DENNIS COOK

James Hansen and 18 leading climate experts have published a peer-reviewed version of their 2015 discussion paper on the dangers posed by unrestricted carbon pollution. The study adds to the growing body of evidence that the current global target or defense line embraced by the world — 2°C (3.6°F) total global warming — “could be dangerous” to humanity.

That 2°C warming should be avoided at all costs is not news to people who pay attention to climate science, though it may be news to people who only follow the popular media. The warning is, after all, very similar to the one found in an embarrassingly underreported report last year from 70 leading climate experts, who had been asked by the world’s leading nations to review the adequacy of the 2°C target.

Specifically, the new Hansen et al study — titled “Ice melt, sea level rise and superstorms: evidence from paleoclimate data, climate modeling, and modern observations that 2 C global warming could be dangerous” — warns that even stabilizing at 2°C warming might well lead to devastating glacial melt, multimeter sea level rise and other related catastrophic impacts. The study is significant not just because it is peer-reviewed, but because the collective knowledge about climate science in general and glaciology in particular among the co-authors is quite impressive.

Besides sea level rise, rapid glacial ice melt has many potentially disastrous consequences, including a slowdown and eventual shutdown of the key North Atlantic Ocean circulation and, relatedly, an increase in super-extreme weather. Indeed, that slowdown appears to have begun, and, equally worrisome, it appears to be supercharging both precipitation, storm surge, and superstorms along the U.S. East Coast (like Sandy and Jonas), as explained here.

It must be noted, however, that the title of the peer-reviewed paper is decidedly weaker than the discussion paper’s “Ice melt, sea level rise and superstorms: evidence from paleoclimate data, climate modeling, and modern observations that 2°C global warming is highly dangerous.” The switch to “could be dangerous” is reminiscent of the switch (in the opposite direction) from the inaugural 1965 warning required for cigarette packages, “Caution: Cigarette Smoking May Be Hazardous to Your Health” to the 1969 required label “Warning: The Surgeon General Has Determined that Cigarette Smoking Is Dangerous to Your Health.”

And yes I’m using the analogy to suggest readers should not be sanguine about the risks we face at 2°C warning. Based on both observations and analysis, the science is clearly moving in the direction that 2°C warming is not “safe” for humanity. But as Hansen himself acknowledged Monday on the press call, the record we now have of accelerating ice loss in both Greenland and West Antarctica is “too short to infer accurately” whether the current exponential trend will continue through the rest of the century.

Hansen himself explains the paper’s key conclusions and the science underlying them in a new video:

The fact that 2°C total warming is extremely likely to lock us in to sea level rise of 10 feet or more has been obvious for a while now. The National Science Foundation (NSF) itself issued a news release back in 2012 with the large-type headline, “Global Sea Level Likely to Rise as Much as 70 Feet in Future Generations.” The lead author explained, “The natural state of the Earth with present carbon dioxide levels is one with sea levels about 70 feet higher than now.” Heck, a 2009 paper in Science found the same thing.

What has changed is our understanding of just how fast sea levels could rise. In 2014 and 2015, a number of major studies revealed that large parts of the Antarctic and Greenland ice sheets are unstable and headed toward irreversible collapse — and some parts may have already passed the point of no return. Another 2015 study found that global sea level rise since 1990 has been speeding up even faster than we knew.

The key question is how fast sea levels can rise this century and beyond. In my piece last year on Hansen’s discussion draft, I examined the reasons the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) and scientific community have historically low-balled the plausible worst-case for possible sea level rise by 2100. I won’t repeat that all here.

The crux of the Hansen et al. forecast can be found in this chart on ice loss from the world’s biggest ice sheet:

Antarctic ice mass change

Antarctic ice mass change from GRACE satallite data (red) and surface mass balance method (MBM, blue). Via Hansen et al.

Hansen et al. ask the question: if the ice loss continues growing exponentially how much ice loss (and hence how much sea level rise) will there be by century’s end? If, for instance, the ice loss rate doubles every 10 years for the rest of the century (light green), then we would see multi-meter sea level rise before 2100? On the other hand, it is pretty clear just from looking at the chart that there isn’t enough data to make a certain projection for the next eight decades.

The authors write, “our conclusions suggest that a target of limiting global warming to 2°C … does not provide safety.” On the one hand, they note, “we cannot be certain that multi-meter sea level rise will occur if we allow global warming of 2 C.” But, on the other hand, they point out:

There is a possibility, a real danger, that we will hand young people and future generations a climate system that is practically out of their control.
We conclude that the message our climate science delivers to society, policymakers, and the public alike is this: we have a global emergency. Fossil fuel CO2 emissions should be reduced as rapidly as practical.

I have talked to many climate scientists who quibble with specific elements of this paper, in particular whether the kind of continued acceleration of ice sheet loss is physically plausible. But I don’t find any who disagree with the bold-faced conclusions.

Since there are a growing number of experts who consider that 10 feet of sea level rise this century is a possibility, it would be unwise to ignore the warning. That said, on our current emissions path we already appear to be headed toward the ballpark of four to six feet of sea level rise in 2100 — with seas rising up to one foot per decade after that. That should be more than enough of a “beyond adaptation” catastrophe to warrant strong action ASAP.

The world needs to understand the plausible worst-case scenario for climate change by 2100 and beyond — something that the media and the IPCC have failed to deliver. And the world needs to understand the “business as usual” set of multiple catastrophic dangers of 4°C if we don’t reverse course now. And the world needs to understand the dangers of even 2°C warming.

So kudos to all of these scientists for ringing the alarm bell: James Hansen, Makiko Sato, Paul Hearty, Reto Ruedy, Maxwell Kelley, Valerie Masson-Delmotte, Gary Russell, George Tselioudis, Junji Cao, Eric Rignot, Isabella Velicogna, Blair Tormey, Bailey Donovan, Evgeniya Kandiano, Karina von Schuckmann, Pushker Kharecha, Allegra N. Legrande, Michael Bauer, and Kwok-Wai Lo.

Risk of multiple tipping points should be triggering urgent action on climate change (Science Daily)

To avoid multiple climate tipping points, policy makers need to act now to stop global CO2 emissions by 2050 and meet the Paris Agreement’s goal of limiting global warming to 1.5 °C above pre-industrial levels, a new study has said

Date:
March 21, 2016
Source:
University of Exeter
Summary:
Pioneering new research shows that existing studies have massively under-valued the risk that ongoing carbon dioxide emissions pose of triggering damaging tipping points.

Detailed view of Earth from space. Credit: Elements of this image furnished by NASA; © timothyh / Fotolia

To avoid multiple climate tipping points, policy makers need to act now to stop global CO2 emissions by 2050 and meet the Paris Agreement’s goal of limiting global warming to 1.5 °C above pre-industrial levels, a new study has said.

Pioneering new research, carried out by the Universities of Exeter, Zurich, Stanford and Chicago, shows that existing studies have massively under-valued the risk that ongoing carbon dioxide emissions pose of triggering damaging tipping points.

The collaborative study suggests that multiple interacting climate tipping points could be triggered this century if climate change isn’t tackled — leading to irreversible economic damages worldwide.

Using a state-of-the-art model, the researchers studied the effects of five interacting tipping points on the global economy — including a collapse of the Atlantic overturning circulation, a shift to a more persistent El Nino regime, and a dieback of the Amazon rainforest.

The study showed that the possibility of triggering these future tipping points increased the present ‘social cost of carbon’ in the model by nearly eightfold — from US$15 per tonne of carbon dioxide emitted, to US$116/tCO2.

Furthermore, the model suggests that passing some tipping points increases the likelihood of other tipping points occurring to such an extent that the social cost of carbon would further increase abruptly.

The recommended policy therefore involves an immediate, massive effort to reduce CO2 emissions, stopping them completely by the middle of the century, in order to stabilize climate change at less than 1.5 °C above pre-industrial levels.

Professor Tim Lenton, from the University of Exeter and one of the authors of the study said: “Irreversible tipping points are one of the biggest risks we face if we carry on changing the climate. Our work shows that taking that risk seriously radically changes policy recommendations. We need to act urgently and globally to meet the most ambitious targets agreed in Paris last December and reduce the risk of future tipping points.”


Journal Reference:

  1. Yongyang Cai, Timothy M. Lenton, Thomas S. Lontzek. Risk of multiple interacting tipping points should encourage rapid CO2 emission reductionNature Climate Change, 2016; DOI: 10.1038/nclimate2964

On the anthropology of climate change (Eurozine)

Thomas Hylland EriksenDasa Licen

Original in English
First published in Razpotja 22 (2015)

Contributed by Razpotja
© Thomas Hylland Eriksen, Dasa Licen / Razpotja
© Eurozine

A conversation with Thomas Hylland Eriksen

Mainstream literature on globalization tends not to take the uniqueness of each locality seriously enough, says Thomas Hylland Eriksen. He explains how the anthropology of climate change is responding to the need for an analysis of the global situation seen from below.

Dasa Licen: You have a blog, a vlog where you report on your fieldwork, where you look a bit like Indiana Jones. On top of that, you write popular articles and essays. You seem to believe that media are very important for anthropology.

Thomas Hylland Eriksen: I think anthropologists should be more conscious about how they are perceived in the wider public. Unfortunately, for decades now, there has in many places been a certain withdrawal of anthropology from the public sphere. There are many burning issues, from climate change to identity politics to debates on human nature, where anthropologists are not present the way they could be. This was not always the case.

If you go back a few generations, there were many anthropologists who were also engaged public intellectuals. They were visible, well known, they wrote popular books, took part in political debates, and so on. Think of a scholar like Margaret Mead back in the 1960s: her research was controversial, but she succeeded in placing anthropology on the map by being engaged in important debates. Nowadays, there are important discussions where anthropologists would have a lot to offer, yet they are more or less absent.

An obvious example is identity politics, but you can also take the debates on human nature. In many western countries, these have been monopolized by evolutionary biologists or psychologists. The things anthropologists say about human nature are quite different, and while we are rather good at criticizing sociobiology and evolutionary perspectives amongst ourselves, we rarely go out and present our nuanced message to a wider public. It is a striking fact that the most famous anthropologists today is not an anthropologists. He is an ornithologist and physiologist called Jared Diamond who has written bestsellers about where we come from and where we are going. His latest book called The World until Yesterday is a sort of anthropological treatise about other cultures, traditional peoples, and about the kind of wisdom they contribute to the modern world. His book has not been very well received by anthropologists, because he gets a lot of things nearly right. Although he has not been trained as an anthropologist, he uses anthropological sources and asks the kind of questions we do. But he manages to do it in a way that makes people want to read his book. We should learn from these examples.

DL: We all know the case of the doctor who is walking down the street and sees an injured person: he must offer to help. Do you think something similar applies to anthropologists in the face of global crises?

THE: I do think so. In my own work, I try to address two big lumps of questions. One of them is the extent to which we can apply anthropology as a tool to understand the contemporary world. This is what my project “Overheating” is about. The second is a more general question: what is it to be human? There are two groups of answers, one of them says, well a human being is a small twig on a branch on the big tree of life: that’s the story of evolution and while it generates some important some insight, it leaves aside a different set of questions about human subjectivity and emotions. I am talking about the complexities of life, all the existential struggles that human beings are confronted with. This perspective generates an entirely different set or answers, which are at the basis of what we do as anthropologists. By addressing them, we can contribute to a more nuanced view to what it is to be a human.

We are not only homo economics, merely maximizing creatures, and although instincts can be important for understanding our behaviour, we are not driven by them but immersed in a network of additional aspects. We are also not just social animals… Clifford Geertz insisted that human beings are primarily self-defining animals. Such a perspective enables not only a better understanding of the realities of human lives, but it also has its moral implications.

DL: Which ones?

THE: Let me give you an example. One of my PhD students works in rural Sierra Leone. It is an overheated place, in the sense that the Chinese and other foreign investors are coming in, opening up mines, new roads are being built… For many people this means opportunities, for many others it means misery. My student asks a guy, “so how do you explain these changes taking place in your community in the last years?”, and this guy would just shrug and say, “well you know man, it’s the global”. We have to try to find out what exactly he means when he says “it’s the global”.

DL: Is this the aim of the Overheating project which you mentioned?

THE: What we are trying to do with Overheating is to fill a gap in the literature on globalization: we are trying to say something general about what I call the clash of scales, the dichotomy between the large and local. The large scale is the world of global capitalism, of the environment and of nation-states; on the other hand, there are the lives people live in their own communities. We are a group of researchers who’ve done fieldwork in lots of locations around the world and we try to produce ethnographic material that is comparable, so that we can use our material to create, if I can be a bit pretentious, an anthropological history of the early twenty-first century. So we are working very hard to create an analysis of the global situation seen from below.

DL: Your project seems so wide that it almost looks like the anthropology of everything…

THE: Not quite. It is the anthropology of global crisis as perceived locally. Say you live somewhere in Australia and all of a sudden a mining company arrives next door and disrupts the ecosystem, and you ask yourself, “who can I blame and what can I do”? It’s the kind of question that many people ask when confronted with changes on the large scale that affect their local community. Our informants do not distinguish between the environment, the economy, identity as they all interact and effect local life. What we are interested in is the anthropology of local responses to global changes.

DL: So, you are trying to advance an anthropological understanding of globalization?

THE: Yes. I think one of the shortcomings of the mainstream literature on globalization is that the uniqueness of each locality is not taken seriously enough: the local is present mostly in the form of anecdotes from people’s lives. The problem of anthropological studies of globalization has often been the opposite: you go really deeply into one place and you neglect the wider perspective. We are trying to feel the gap in both approaches. The metaphor I often use is that of a social scientist who sits in a helicopter with a pair of binoculars and looks at the world. This would be the case of authors like Anthony Giddens or Manuel Castells. On the other hand, you have the person who works with a magnifying glass. We are trying to bring these two levels closer.

DL: The seriousness of global warming has been neglected by anthropologists, indeed by all social sciences for a long time.

THE: This is changing. The anthropology of climate change has become one of the big growth industries in academia, just as ethnicity and nationalism were big in the 1970s and 1980s. You are from Slovenia, you know the breakup of Yugoslavia, which came as a shock to us and we needed to understand what was happening. The genocide in Rwanda happened around the same time, Hindu nationalists came to power in India, contradicting everything we thought we knew about the country, controversies emerged around migration, multiculturalism, diversity, Islam in western Europe. After the turn of the century, the issue of climate change came to be understood as another layer on top of these issues.

DL: When did you develop your interest in climate change?

THE: It must have been many years ago but it took a while before I got the opportunity to look at these interconnected issues more closely. We are not geophysicists, we do not know much about CO2, we cannot predict the temperature of the world. What we can do is study how people respond, how they react, how they talk about it and what they do.

Summit camp on top of the Austfonna Ice Cap in Svalbard (Norwegian Arctic). Photo: NASA Goddard Space Flight Center / Thorben Dunse, University of Oslo. Source: Flickr

The dangerous thing about climate changes is that it has deep consequences, and yet it is hard to find anybody to blame. Think about it: say you are in small town or village in the Andes in Peru and you notice there is something odd with the water. It is not the way it used to be, you notice the glaciers are melting, and then you know that mining company has opened an operation venue nearby. You think the mining company must be to blame, because they probably pumped out all the water and they destabilized the local climate, and so you march up to them telling them “look, you are taking away our water, we need compensation”, and they come out and they say “I’m sorry but it is not us, it is global climate change”. Where do you go to address that question? Do you write to Obama, do you write a letter to the Chinese?

The concern with climate change can be very serious in the sense that it creates a sense of powerlessness. We just have to let things happen. For this reason I have been interested in how environmental engagement begins with things that are within your reach. I probably can’t do anything about world climate, but maybe I can save some trees, or the dolphins in the harbour. That’s how engagement begins.

DL: Do you feel such helplessness when you talk about global warming and they ask you, “so what is your solution”?

THE: Good question. I guess we all have to find the best way of acting where we are. It is not as if you or I have the responsibility to save to planet, or that you will fail if you have not been able to save it. I remember that as a schoolboy I had a devout Christian teacher who was raised by missionaries in Japan. Being a Christian missionary in Japan can be very difficult because the people are generally not very interested in evangelization. She told us about a fellow Christian who had spend his entire life as a missionary in Japan and succeeded in converting one person, which made his life feel worthwhile. He felt saving one soul was well worth 50 years of hard work. We should not be overambitious regarding what we are able to achieve. We can take part in public debates, add one drop of complexity, a drop of doubt. Maybe sometimes it is enough or rather, it is all we can do.

DL: As an anthropologist you are not allowed to pass judgment on people, however sometimes it is extremely hard to avoid judgment, for example when we are confronted with obtuse forms of climate change denial.

THE: Traditionally, anthropologists have not been too good at thinking of themselves as engaged subjects, we have been taught not to pass judgment, to just lay out the facts and say, well this is what the world looks like and this is why this makes sense to those people and not to those people, and I believe that this paradigm, this kind of relative paradigm has collapsed. Such an approach can no longer function precisely for the reasons I was suggesting: we are now all in the same boat. So there is no good reason anymore to make sharp distinctions between scholarship and the wider public, because we are facing the same radical challenges. We are all part of the same moral space and sometimes we have to take an ethical or political stance, anything else would be irresponsible. But we have to strike a balance between that kind of engagement and our credibility as researchers.

Back to your question: when I study people who deny the reality of climate change I have to take their view of world seriously. Many of them really believe in the paradigm or progress, industrialism and so on. This to me is a key double bind in contemporary civilization: there is no easy way out, between economic growth and the ecological sustainability. There is no reason that anybody should have the answer. When people ask me what to do, I have to say: “Sorry, I am trying to work this out together with you. I do not have the answer.”

DL: You probably know Slavoj Zizek, he is more famous than Slovenia. He has had an ongoing dispute with Dipesh Chakrabarty on a related issue: should we first do something about global warming or engage in revolutionary struggle? Zizek believes climate change cannot be addressed outside the struggle for global emancipation, Chakrabarty on the other hand insists on the need to strike a historical compromise on a global level. What is your stance in this polemics?

THE: That is a very interesting question. On the one hand, I see the biggest tension in contemporary civilization is that between economic growth, which for two hundred years has been based on fossil fuels, and sustainability. Fossil fuels have been a blessing for humanity. They have created the foundations for modern life. Yet they are now becoming a damnation, a threat to civilization. This is hard to see from the viewpoint of a classical progressivist perspective.

This is strongly linked to another contradiction, the tension between a class based politics and green politics. What is more important, to do something about inequality or to save the world climate? Sometimes you just cannot pursue both aims. I worked in Australia, in a place where virtually everybody works directly or indirectly in industry. They have a huge power station, a cement factory, it is an industrial hub. Very few people have any environmental engagement to talk of. There is nothing about climate change in the local newspaper. It is all about industrial growth and job security. Being an environment activist in that place is very hard because your neighbours are not going to like it, but they have a very strong union-based socialist movement in that town. Those people see green politics as something that is a kind of a middle class thing. They associate it with cappuccino-sipping do-gooder students in Sydney and Melbourne, whereas us, the hard working industrial employees are the ones actually producing the cappuccino, the tablets, and they are not aware of where their wealth comes from. There is a widespread feeling of the hypocrisy of green politics.

Where do I stand? I think saving the climate is the main issue. But it should be pursued with concern for social justice. The first priority has to be to create sustainable jobs. If you take away a million jobs, you have to reproduce those jobs somewhere else. This leads me to what I think could have been an answer, had Zizek been aware of it, namely the anthropological school called human economy. There is a very creative English anthropologist who works in South Africa called Keith Hart who works from this perspective. David Graeber is sort of within the same world, looking at feasible economic alternatives to global neoliberalism. We are not talking about state socialism here: you are from Slovenia, you are too young to remember it, but state socialism did not make people too happy and it was not good for the environment either.

The point is that we need to talk about the economy in terms of human needs. The goal of economy is to satisfy human needs; not just material needs but also the need to something meaningful, to be useful for others, to see the results of what you are doing. The point of economy is not only to generate profits, but to try to fight alienation.

DL: You wrote somewhere that the Left lacks an understanding of multiculturalism and knowledge of the environment, and it tends to neglect these two fields that are extremely important right now. Isn’t that a surprising statement given that in the West, these issues have become almost synonymous with leftism?

THE: Things are indeed changing. That is probably one of the reasons Slavoj Zizek gets so angry sometimes, because he identifies with the Left, but the Left has abandoned his positions. I think many of us have the same feeling of being ideologically homeless. For 200 hundred years, the Left was quite good at promoting equality and social justice, presuming that economic growth will continue indefinitely. Then, in the 1980s multiculturalism emerged. The Left tried to appropriate it, tried to promote diversity, but it has not succeeded, because leftist movements have been good at promoting equality but not difference. Then environmental issues came as another factor complicating the picture. What do you do when you have to choose between class politics and green politics? You probably stick with class politics, but then you realize it is part of the problem, especially if you live in a rich country, as I do, where the working class flies to southern Europe all the time, going on holiday, driving cars, eating imported meat and so on. There is a big dilemma here. Again I must insist I don’t have the final answer, but at least if we identify the problem we make small steps in the right direction.

By the way, I very strongly disagree with what Zizek says about multiculturalism. Whenever he makes jokes about it, he produces a caricature of multiculturalism, rather than a parody which is arguably his aim. He does not really know what he is talking about. He knows a lot of things, but multiculturalism is not one of his strong points.

DL: Zizek has advanced a positive interpretation of the Judeo-Christian tradition from a leftist perspective. Do you think that this tradition, which sees the Earth as ultimately doomed, poses a problem for environmentalism?

THE: Good question. Probably there is something about the way in which many people talk about climate change that resembles these Judeo-Christian ideas about the end of time. We are approaching the end, we are approaching the final phase. Think about the popularity of post-apocalyptic films in science fiction. It started already in the early 1980s with Mad Max films, and there has been a series of Hollywood and other movies about the world after the apocalypse. There is a real thirst for this sort of narratives. In the text I am writing now I just quoted T. S. Eliot who writes famously that the world ends not with a bomb but with a whimper. There is no before and after. Many of the communist revolutionaries held similar chiliastic ideas: things are going to get worse and worse and worse, and then after the revolution everything is going to be fine. But we have some 200 years of experience with revolutions, and we know they tend to reproduce many of the problems they were meant to solve, and on top of that they create new ones. Take the Arab spring in North Africa and the Middle East. I think it is very dangerous to behave as if the history has a direction.

DL: This is somewhat connected to the wider issue of the role of human civilization in the environmental history of the planet. You use the term Anthropocene, yet some find it inappropriate as it puts humans in the centre, not only as the source of the trouble we are facing but also as more important than anything else on the planet. How do you feel about that?

THE: Some scientists want to have it both ways. Some think in terms of the changes that characterize the Anthropocene and at the same time they emphasize that humans and non-humans are really in a symbiotic relationship. I do not have a lot of patience for that kind of argument, especially if you think of the state of the world in times of climate change, with huge extractive industries, the global mining boom as the result of the growing Chinese and Indian economies, the upsurge of fracking which seems to have provided us with an almost indefinite supply of fossil fuels. I feel it is irresponsible to question the responsibility of humanity. And yet, however much I may love my cat and acknowledge that humans and domestic animals have coevolved, we must realize that human beings are special. There is no chimpanzee or the smartest of dolphins able to say, “well my dad was poor but at least he was honest”. Only human beings can create that sentence: our sense of moral responsibility is unique and we must live up to it.

DL: Speaking of moral responsibility: I understand you had an important role in the coming to terms with the Breivik tragedy…

THE: Yes, I spent about three weeks after the terrorist attack and doing little other than talking to foreign journalist and writing articles for foreign newspapers. They contacted me not only because I have been writing about identity politics and nationalism, but also because Breivik had a sort of soft spot for me. He sees me as a symbol of everything that has gone wrong in Norway, a sort of spineless effeminate cosmopolitan middle class multiculturalist Muslim lover. There has been a hardening; polarization is much more strong now than it was only 20 years.

In the 1990s, people who had said things like I do about cultural diversity would perhaps have been accused of being naive, whereas in the last few years we are increasingly being accused of being traitors – which is different. Breivik quoted me about 15 times in his manifesto and his YouTube film. You might say he had a mild obsession with me. Eventually, I was called in as a witness in the trial by the defence. Originally, the psychiatrists who examined Breivik concluded he was insane. He should have received psychiatric treatment, and thus could not be punished for what he did. Of course, at the certain level one has to be insane to kill so many innocent young people. But his ideas are not the result of mental illness, they are quite widely shared. We have websites in Norway, with 20,000 unique visits every week, that were among his favourite websites. The defence wanted to call me in as a witness to testify that although he may be a murderer, his ideas are very common, they are shared by thousands of others. Which is true, but in the end I did not have to go because they had a long list of witnesses and they only used some of them.

DL: Were you scared by this kind of exposure?

THE: Not really. But in the first few weeks after the terrorist attack when everybody in Norway was in a state of shock, I noticed that some people at the university whom I hardly knew would come over to me and were behaving unusually nicely. I realized they probably thought that was the last time they see of me because I was probably next on the dead list. Then things went back to normal. You can never feel entirely safe. Breivik reminds us that even a handful of people can do immense harm, just like the terrorist attack in United States in 2001. It has probably made society a little bit less trusting, a bit more worried. But I do not think about my own person security. About the security of my family, yes, but not mine. You cannot. That would be allowing the other people to win.

DL: Would you say that Norway has learnt anything from this tragedy?

THE: Unfortunately not. There was a chance that we could have, and many of us were hoping that an attack like that should make us understand that the idea of ethnic purity is absurd, crazy and not feasible in this century. We hoped that we could now get together to sit down and discuss these issues in a more measured, serious, balanced way, but it did not happen. It took only a couple of weeks for the usual political polarization to return. If anything, people who were against immigration became even more aggressive than before. We missed an opportunity there.

DL: You are coming to Ljubljana to a convention with the provocative title, Why the world needs anthropologists. But isn’t it a bit pretentious to suggest that the world needs us at all?

THE: That is an excellent question. I do not know whether the world needs novelists, but it probably does not does need poets. It can easily manage without them. And yet, the human need for meaning is just as powerful as the need for food and shelter. The kind of meaning sensitive and intelligent people can provide is especially important, when we need to reformulate the main questions.

I sometimes think about students of mine who are never going to work as anthropologist, they will find jobs elsewhere, but studying anthropology enables them to lead a better life because they understand more of themselves and of the world. I even think that doing anthropology makes you a better person: just like reading novels, it enables you to identify with others. When you then see the refugees in the Mediterranean, at least you know, it could have been me. You think that because you relate to people in all parts of the world. I think the main sort of moral message of anthropology perhaps is that all human lives have value, no matter how alien no matter how strange it might appear. So yes, I think world needs anthropologists, just as it needs novelists and poets.

Livro traz relato sóbrio e claro sobre aquecimento global (Folha de S.Paulo)

Denis Russo Burgierman

19/03/2016

Quer um conselho sobre o mercado imobiliário? Não compre terreno baixo em frente ao mar : você vai pagar caro hoje e ele vai deixar de existir qualquer dia desses. Mas a verdade é que o traçado da costa não é a única coisa que vai mudar profundamente no mundo nos próximos anos por causa do clima. Quase tudo vai mudar: nenhuma história é tão importante quanto essa para o nosso futuro. Daí a importância de ler “A Espiral da Morte”.

O livro é resultado de 15 anos de trabalho do jornalista Claudio Angelo, ao longo dos quais ele fez cinco viagens às regiões polares das duas pontas do mundo, andando no gelo com cientistas do clima, voando com pesquisadores da Nasa, navegando com militantes do Greenpeace, conversando com caçadores de urso-polar.

Claudio é um sujeito comprometido com os temas que cobre: é o único repórter que já conheci que julgou importante tomar aulas de tupi. E ele tem vocação trágica: se apaixona por esses assuntos terríveis, essas tragédias de aparência irremediável (índios, clima…).

Claro que o resto de nós está ocupado demais com nossos Facebooks, com as campanhas do nosso time na Libertadores, com os roteiros rocambolescos da disputa política. Não temos tempo de ficar nos preocupando com o destino dos índios, dos ursos polares, dos icebergs, das baleias.

Divulgação
Larsen B, geleira que se rompeu em 2002
Larsen B, geleira que se rompeu em 2002

O que a maioria de nós nem suspeita é que essa história que A Espiral da Morte conta vai afetar profundamente a nossa vida – já está afetando. E também a vida dos nossos filhos, e a dos tataranetos dos tataranetos dos nossos filhos, e a dos nossos descendentes 40 mil anos no futuro.

O livro não é um manifesto para que juntos salvemos a natureza, nem uma profecia sombria do apocalipse que nos aguarda. É um relato sóbrio, tranquilo, claro, e com algum humor (negro) de tudo o que sabemos sobre o que está acontecendo neste exato momento nos lugares mais frios da Terra.

Enquanto damos like nuns posts e bloqueamos outros, bilhões de toneladas de gelo socado acumulado ao longo de milênios lentamente derretem nos extremos norte e sul do planeta, e vão ficando a cada dia mais escorregadios.

Não é muito fácil prever exatamente como o gelo vai derreter, como qualquer um que já bebeu uma dose de uísque sabe, mas já está absolutamente claro que está derretendo. Claudio sabe bem disso: ele ouviu o barulho (o estrondo de cachoeira vindo de debaixo do chão de uma geleira).

Um dia desses, pedações do tamanho de países inteiros começarão a despencar no mar como pingões de chuva, na Groenlândia e na Antártida. E aí o oceano do mundo vai subir, talvez vários metros. Em muitos lugares o ar vai secar. Tufões e furacões vão ficar cada vez mais frequentes, assim como epidemias espalhadas por mosquitos.

Enfim, não é exatamente uma leitura leve para levantar o astral – como aliás Claudio cuidou de deixar bem claro já no título. Mas, ainda assim, espero que muita gente leia.

Afinal, é meio assustador que algo tão enormemente importante, que definirá tão profundamente o destino de nossa espécie, seja tão pouco compreendido por nós humanos vivendo sobre a Terra.

É assustador que todos os grandes partidos políticos do Brasil façam projetos de grandes obras ignorando completamente o fato consumado de que o clima está mudando. É assustador que o desenho de nossas cidades, nosso modelo produtivo e nossa matriz energética continuem extremamente desorganizados, despreparados para a crise ambiental que já começou a chegar.

Eu estava lendo o catatau de quase 500 páginas anteontem, quando minha filha de 3 anos, decidida a evitar que eu cumprisse o prazo desta resenha para a Folha, entrou no meu quarto e pediu para eu contar a história do livro para ela. Quando ela viu a capa – um massivo iceberg groenlandês flutuando na água verde-esmeralda –, comentou: “que lindo, papai”. Sorri e olhei para ela. Subitamente, me dei conta de algo que nunca havia me ocorrido: talvez chegue um dia na vida dela em que será muito difícil encontrar uma única praia para ela se deitar ao sol.
DENIS RUSSO BURGIERMAN é diretor de Redação da revista “Superinteressante”

*

A ESPIRAL DA MORTE
AUTOR Claudio Angelo
EDITORA Companhia das Letras
PREÇO R$ 59,90 (496 págs.)
AVALIAÇÃO Muito bom