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Elevação do nível do mar traga várias ilhas do Pacífico (El País)

Mudanças climáticas estão elevando as águas pelo menos desde meados do século XX

MIGUEL ÁNGEL CRIADO

15 MAI 2016 – 00:19 CEST

Desaparecem ilhas do Pacífico:. A imagem aérea mostra a ilha de Nuatambu partida em duas pelas águas. SIMON ALBERT / EL PAÍS VÍDEO

Desta vez não se trata de previsões ameaçadoras para um futuro distante: um grupo de pesquisadores comprovou como em apenas poucas décadas várias ilhas do oceano Pacífico desapareceram sob o mar. Seu estudo conecta as mudanças climáticas mundiais com a elevação do nível do mar em escala local. Uma conexão que tragará muitas outras ilhas e zonas costeiras nas próximas décadas.

Usando imagens aéreas e por satélites obtidas desde 1947, cientistas australianos têm acompanhado a elevação do nível das águas que rodeiam as ilhas Salomão, no meio do Pacífico ocidental. O arquipélago, formado por cerca de 1.000 ilhas que, juntas, mal superam os 28.000 quilômetros quadrados de extensão, é o lar de mais de meio milhão de pessoas. De origem vulcânica, muitas são pequenos pedaços de terra de poucos hectares, quase ao nível do mar. Por isso são um laboratório onde testar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.

Os registros dendrocronológicos obtidos dos troncos das árvores mostram que o nível do mar se manteve estável nos últimos séculos, somente sujeito a variações temporais pelo impacto de fenômenos climáticos como El Niño. No entanto, esse equilíbrio foi para o espaço nas últimas décadas. Desde meados do século passado o oceano subiu 3 milímetros por ano, uma cifra que se elevou até os 7 milímetros anuais desde 1994.

Cinco pequenas ilhas das Salomão desapareceram e outras seis perderam a maior parte da terra

Com esses dados, os pesquisadores puderam comprovar com imagens o desaparecimento de cinco ilhas. Apesar de que a maior tinha apenas cinco hectares, trata-se de ilhotas com vegetação, vida silvestre e, pelo menos em dois casos, habitadas. Em algumas ainda é possível ver árvores que se afogam com as raízes sob o mar.

O estudo, publicado na Environmental Research Letters, também mostra que outras seis ilhas perderam até 62% de sua terra. Além disso, o ritmo do avanço do mar está ficando mais acelerado. As imagens tomadas do céu demonstram que até os anos 60 as águas arrebataram apenas 0,1% por unidade de área. A porcentagem se elevou até 0,5% anual até 2002 e, a partir daí, explodiu até 1,9%.

“A elevação do nível do mar nas Ilhas Salomão nos últimos 20 anos foi três vezes maior que a média mundial”, diz em uma mensagem o pesquisador da Universidade de Queensland (Austrália), Simon Albert. Embora possa parecer que o nível do mar tenda a ser igual em todo o planeta, há fatores locais que o elevam ou baixam.

No caso das Salomão, “em parte isso se deve ao aumento do nível do mar e, em parte, ao ciclo natural dos ventos alísios que movem a água no Pacífico ocidental”, esclarece o cientista australiano. “Mas, independentemente da combinação de causas, esses resultados nos apresentam uma visão dos impactos da elevação do nível do mar na segunda metade deste século, quando o restante do planeta sofrer um ritmo semelhante ao que experimentaram as Ilhas Salomão nestes 20 anos”, acrescenta Albert.

Comunidades de pescadores tiveram de mudar-se morro acima para distanciar suas casas do mar

O drama está transcorrendo quase ao vivo. Na ilha de Nuatambu, por exemplo, viviam 25 famílias. O mar lhes roubou a metade da terra e, na década atual, arrebatou 11 casas. Em várias ilhas as pessoas já tiveram de mudar-se para as zonas mais altas ou mudar de ilha. Algumas comunidades se fragmentaram, com alguns membros deslocados e outros ainda resistindo.

No artigo que os próprios pesquisadores escrevem em The Conversation está incluído o depoimento de Sirilo Sutaroti, o ancião-chefe que aos 94 anos rege o povo paurata, uma tribo de pescadores: “O mar começou a adentrar, o que nos obrigou a ir morro acima e reconstruir nosso povoado longe do mar”.

So far, most atolls winning the sea level rise battle (Pacific Institute of Public Policy)

So far, most atolls winning the sea level rise battle

An increasing number of atoll studies are not supporting claims of Pacific island leaders that “islands are sinking.” Scientific studies published this year show, for example, that land area in Tuvalu’s capital atoll of Funafuti grew seven percent over the past century despite significant sea level rise. Another study reported that 23 of 27 atoll islands across Kiribati, Tuvalu and the Federated States of Micronesia either increased in area or remained stable over recent decades.

Speaking about Kiribati, Canadian climatologist Simon Donner commented in the Scientific American: ‘Right now it is clear that no one needs to immediately wall in the islands or evacuate all the inhabitants. What the people of Kiribati and other low-lying countries need instead are well-thought-out, customized adaption plans and consistent international aid — not a breathless rush for a quick fix that makes the rest of the world feel good but obliges the island residents to play the part of helpless victim.’

These same climate scientists who are conducting ongoing research in Tuvalu, Kiribati and the Marshall Islands acknowledge the documented fact of sea level rise in the Pacific, and the potential threat this poses. But they are making the point, as articulated by Donner, that ‘the politicized public discourse on climate change is less nuanced than the science of reef islands.’

A recent report carried in Geology, the publication of the Geological Society of America, says Tuvalu has experienced ‘some of the highest rates of sea level rise over the past 60 years.’ At the same time, ‘no islands have been lost, the majority have enlarged, and there has been a 7.3 percent increase in net island area over the past century.’

To gain international attention to climate concerns and motivate funding to respond to what is described as climate damage, political leaders from the Pacific are predicting dire consequences.

The future viability of the Marshall Islands — and all island nations — is at stake,’ Marshall Islands Foreign Minister Tony deBrum told the global climate meeting in Peru last December.

‘It keeps me awake at night,’ said Tuvalu Prime Minister Enele Sopoaga in a recent interview. ‘Will we survive? Or will we disappear under the sea?’

Obviously, statements of island leaders at international meetings and the observations of recent scientific reports are at odds. Does it matter?

Comments Donner: ‘Exaggeration, whatever its impetus, inevitably invites backlash, which is bad because it can prevent the nation from getting the right kind of help.’

If we want to grab headlines, the ‘disappearing island’ theme is good. But to find solutions to, for example, the increasing number of ocean inundations that are occurring requires well-thought out plans.

Scientists studying these low-lying islands should be seen as allies, whose information can be used to focus attention on key areas of need. For example, the New Zealand and Australian scientists working in Tuvalu said their results “show that islands can persist on reefs under rates of sea level rise on the order of five millimeters per year.” With sea level rates projected to double in the coming years, ‘it is unclear whether islands will continue to maintain their dynamic adjustment at these higher rates of change,’ they said. ‘The challenge for low-lying atoll nations is to develop flexible adaptation strategies that recognize the likely persistence of islands over the next century, recognize the different modes of island change, and accommodate the ongoing dynamism of island margins.’

Developing precise information on atoll nations as these scientists are doing is needed to inform policy makers and local residents as people are inundated with discussion about — and, possibly, outside donor funding for — ‘adaptation’ and ‘mitigation’ in these islands.

In the 1990s and early 2000s, the Nuclear Claims Tribunal in the Marshall Islands hired internationally recognized scientists and medical doctors to advise it on such things as radiation exposure standards for nuclear test clean up programs and medical conditions deserving of compensation, while evaluating U.S. government scientific studies on the Marshall Islands. These scientists and doctors provided knowledge and advice that helped inform the compensation and claims process.

It seems this nuclear test-related model would be of significant benefit to islands in the region, by linking independent climate scientists with island governments so there is a connection between science and climate policies and actions of governments.

If we want to grab headlines, the ‘disappearing island’ theme is good. But to find solutions to, for example, the increasing number of ocean inundations that are occurring requires well-thought out plans.

‘The reality is that the next few decades for low-lying reef islands will be defined by an unsexy, expensive slog to adapt,’ wrote Donner in the Scientific American. ‘Success will not come from single land purchase or limited-term aid projects. It will come from years of trial and error and a long-term investment by the international community in implementing solutions tailored to specific locales.’ He comments that a World Bank-supported adaptation program in Kiribati took eight years of consultation, training, policy development and identifying priorities to finally produce a plan of action. And even then, when they rolled out sea walls for several locations, there were design faults that need to be fixed. Donner’s observation about Kiribati could equally apply to the rest of the Pacific: “Responding to climate change in a place like Kiribati requires a sustained commitment to building local scientific and engineering capacity and learning from mistakes.”

It is excellent advice.

Image: Low-lying islands, such as Majuro Atoll pictured here, are changing due to storms, erosion, high tides, seawalls and causeways, and sea level rise. But few are disappearing. Photo credit: Isaac Marty