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Clima nos apavora justamente quando conseguimos sobreviver a ele (Folha de S.Paulo)

Luta contra o aquecimento global precisa de inovadores, e não de ativistas obcecados com o apocalipse

Leandro Narloch – artigo original aqui.

11.ago.2021 às 8h56

Na sua opinião, o que aconteceu nos últimos cem anos com o número total de mortes causadas por furacões, inundações, secas, ondas de calor e outros desastres climáticos? Peço que escolha uma destas alternativas:

  • a) Aumentou mais de 800%
  • b) Aumentou cerca de 50%
  • c) Manteve-se constante
  • d) Diminuiu cerca de 50%
  • e) Diminuiu mais de 80%

Como a população mundial cresceu de 1,8 bilhão em 1921 para 8 bilhões em 2021, é razoável cravar as respostas B ou C, pois o fato de haver mais pessoas resultaria em mais vítimas. Muitos leitores devem ter escolhido a primeira opção, tendo em vista as notícias assustadoras do relatório do IPCC desta semana.

A alternativa correta, porém, é a última. As mortes por desastres naturais diminuíram 87% desde a década de 1920 até os anos 2010, segundo dados coletados pelo Our World in Data.

Passaram de 540 mil por ano para 68 mil. A taxa em relação à população teve picos de 63 mortes por 100 mil habitantes em 1921, e 176 em 1931. Hoje está em 0,15.

Esses números levam a dois paradoxos interessantes sobre a relação entre o homem e o clima. O primeiro lembra o Paradoxo de Spencer –referência a Herbert Spencer, para quem “o grau de preocupação pública sobre um problema ou fenômeno social varia inversamente a sua incidência”.

Assim como os ingleses se deram conta da pobreza quando ela começava a diminuir, durante a Revolução Industrial, a humanidade está apavorada com os infortúnios do clima justamente depois de conseguir sobreviver a eles.

O segundo paradoxo: ao mesmo tempo em que emitimos muito (mas muito mesmo) carbono na atmosfera e causamos um grave problema de efeito estufa, também nos tornamos menos vulneráveis à natureza. Na verdade, proteger-se do clima foi um dos principais motivos para termos poluído tanto.

Veja o caso da construção. Produzir cimento consiste grosseiramente em queimar calcário e liberar dióxido de carbono.

Se a indústria de cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de gases do efeito estufa. Mas essa indústria poluidora permitiu que as pessoas deixassem casas de pau-a-pique ou madeira para dormirem abrigadas em estruturas mais seguras.

Já a fome originada pela seca, principal causa de morte por desastres naturais nos anos 1920, foi resolvida com a criação dos fertilizantes químicos, sistemas de irrigação e a construção de represas e redes de saneamento.

Todas essas atividades causaram aquecimento global –mas não deixam de ser grandes conquistas humanas, que merecem ser celebradas e difundidas entre os pobres que ainda vivem sob risco de morrer durante furacões, secas ou inundações.

Será que a queda histórica das mortes por desastres naturais vai se reverter nos próximos anos, tornando realidade os vaticínios apocalípticos de Greta Thunberg, para quem “bilhões de pessoas morrerão se não tomarmos medidas urgentes”?

O ativista climático Michael Shellenberger, autor do brilhante “Apocalipse Nunca”, que será lançado este mês no Brasil pela editora LVM, acha que não.

Pretendo falar mais sobre o livro de Shellenberger em outras colunas, mas já adianto um dos argumentos: o alarmismo ambiental despreza a capacidade humana de se adaptar e resolver problemas.

“Os Países Baixos, por exemplo, tornaram-se uma nação rica mesmo tendo um terço de suas terras abaixo do nível do mar, incluindo áreas que estão nada menos do que sete metros abaixo do mar”, diz ele.

A luta contra o aquecimento global não precisa de ativistas obcecados com o apocalipse (que geralmente desprezam soluções óbvias, como a energia nuclear). Precisa de tecnologia, de inovadores, de gente que dê mais conforto e segurança à humanidade interferindo na natureza cada vez menos.

Previsão atualizada confirma temperatura de -0ºC em SP e neve no Sul (Cajamar Notícias)

[Previsão do tempo e previsão de mortes. Observar reação do poder público municipal.]

Se confirmada, a onda de frio será a maior do século, com geada generalizada e temperaturas negativas, o que pode provocar até morte. 25 de julho de 2021

Mapa mostra a intensidade da nova onda de frio e sua abrangência.

A última atualização dos modelos meteorológicos continuam mantendo a previsão de temperaturas negativas nos três Estados do Sul do Brasil e em áreas do Estado de São Paulo e Sul de Minas Gerais. A fortíssima massa de ar polar poderá ser a mais forte do século e causar prejuízos na agricultura e até mesmo morte de pessoas em situação de vulnerabilidade.

A FRENTE FRIA – SUL

A frente fria que antecede a massa polar vai entrar no Brasil pelo Estado do Rio Grande do Sul na segunda-feira, dia 26, provocando chuva e acentuada queda de temperatura. No dia 27, terça-feira, a chuva já chega em Santa Cataria e no Paraná, fazendo a temperatura despencar rapidamente. Nas serras e áreas de planalto dos três Estados, a temperatura mínima já pode chegar a zero grau.

Na quarta, quinta, sexta e sábado, dias 28,29,30 e 31, praticamente todas as regiões do Sul do Brasil, exceto litoral, terão temperaturas negativas com possibilidade de geada negra, que pode matar a vegetação, provocando sérios prejuízos à agricultura.

NEVE

Os modelos meteorológicos mantém a chance alta de neve nas serras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e até mesmo no planalto sul do Paraná, entre a noite de quarta-feira (28) e madrugada de quinta-feira (29), atingindo cidades, tais como: Canela/RS, Caxias do Sul/RS, São Joaquim/SC, Urupema/SC, Caçador/SC e Cruz Machado/PR. Confira o mapa abaixo:

Mapa mostra a região com chance de neve na madrugada de quinta-feira (29).

A FRENTE FRIA – SÃO PAULO

Na quarta-feira, dia 28, é a vez do Estado de São Paulo experimentar a volta da chuva, que não cairá em todas as regiões, mas manterá o céu nublado com ventos gélidos e temperatura máxima entre 17ºC e 18ºC enquanto as mínimas ficarão entre 5ºC a 10ºC na Grande São Paulo.

Na quinta-feira, dia 29, o Estado de São Paulo já vai amanhecer com muito frio. Temperaturas entre 1ºC e 7ºC serão registradas em toda a Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Vale do Ribeira, regiões de Sorocaba, Bauru, Presidente Prudente e Campinas, conforme mapa abaixo:

Temperaturas previstas para o amanhecer de quinta-feira, dia 29 de julho, na Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Ribeira, regiões de Campinas, Sorocaba, Bauru e Bragança Paulista.

SEXTA-FEIRA – O ‘PICO’ DO FRIO

A sexta-feira, dia 30 de julho de 2021, deverá ficar marcada na história da meteorologia. Se confirmada, será o dia mais frio do século, com geada generalizada no Estado de São Paulo e temperaturas negativas em várias regiões, o que pode provocar a morte de moradores de rua e/ou pessoas em vulnerabilidade.

Em praticamente todas as regiões do Estado de São Paulo, os modelos atuais indicam temperaturas negativas, conforme mapa baixo: (ATENÇÃO: As previsões podem mudar com o passar dos dias, essa é a indicação atual publicada no domingo, dia 25).

Mapa mostra o tamanho da massa de ar frio e temperatura prevista para o dia 30 a 1500 metros de altitude, com inacreditáveis -10ºC em áreas do Sul e faixa leste de São Paulo e até -5ºC nas demais regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, sul e leste de Minas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.

It’s so hot in Dubai the government is paying scientists to make it rain (Wasington Post)

washingtonpost.com

Jonathan Edwards – July 21, 2021

Sunlight reflects off the Burj Khalifa, the world’s tallest building, during a rain shower in Dubai in 2018. (Jon Gambrell/AP)

Facing a hotter future, dwindling water sources and an exploding population, scientists in one Middle East country are making it rain.

United Arab Emirates meteorological officials released a video this week of cars driving through a downpour in Ras al Khaimah in the northern part of the country. The storm was the result of one of the UAE’s newest efforts to increase rainfall in a desert nation that gets about four inches a year on average.

Washington, D.C., in contrast, has averaged nearly 45 inches of rain annually for the past decade.

Scientists created rainstorms by launching drones, which then zapped clouds with electricity, the Independent reports. Jolting droplets in the clouds can cause them to clump together, researchers found. The larger raindrops that result then fall to the ground, instead of evaporating midair — which is often the fate of smaller droplets in the UAE, where temperatures are hot and the clouds are high.

“What we are trying to do is to make the droplets inside the clouds big enough so that when they fall out of the cloud, they survive down to the surface,” meteorologist and researcher Keri Nicoll told CNN in May as her team prepared to start testing the drones near Dubai.

Nicoll is part of a team of scientists with the University of Reading in England whose research led to this week’s man-made rainstorms. In 2017, the university’s scientists received $1.5 million for use over three years from the UAE Research Program for Rain Enhancement Science, which has invested in at least nine different research projects over the past five years.

To test their research, Nicoll and her team built four drones with wingspans of about 6½ feet. The drones, which are launched from a catapult, can fly for about 40 minutes, CNN reported. During flight, the drone’s sensors measure temperature, humidity and electrical charge within a cloud, which lets the researchers know when and where they need to zap.

Water is a big issue in the UAE. The country uses about 4 billion cubic meters of it each year but has access to about 4 percent of that in renewable water resources, according to the CIA. The number of people living in the UAE has skyrocketed in recent years, doubling to 8.3 million between 2005 and 2010, which helps explain why demand for water spiked by a third around that time, according to the government’s 2015 “State of Environment” report. The population kept surging over the next decade and is now 9.9 million.

“The water table is sinking drastically in [the] UAE,” University of Reading professor and meteorologist Maarten Ambaum told BBC News, “and the purpose of this [project] is to try to help with rainfall.”

It usually rains just a few days out of the year in the UAE. During the summer, there’s almost no rainfall. Temperatures there recently topped 125 degrees.

In recent years, the UAE’s massive push into desalination technology — which transforms seawater into freshwater by removing the salt — has helped close the gap between the demand for water and supply. Most of the UAE’s drinkable water, and 42 percent of all water used in the country, comes from its roughly 70 desalination plants, according to the UAE government.

Still, part of the government’s “water security strategy” is to lower demand by 21 percent in the next 15 years.

Ideas to get more water for the UAE have not lacked imagination. In 2016, The Washington Post reported government officials were considering building a mountain to create rainfall. As moist air reaches a mountain, it is forced upward, cooling as it rises. The air can then condense and turn into liquid, which falls as rain.

Estimates for another mountain-building project in the Netherlands came in as high as $230 billion.

Other ideas for getting more water to the UAE have included building a pipeline from Pakistan and floating icebergs down from the Arctic.

Study finds humans are directly influencing wind and weather over North Atlantic (EurekaAlert!)

News Release 17-Apr-2021

The findings suggest that winters in Europe and in eastern US may get warmer and wetter

University of Miami Rosenstiel School of Marine & Atmospheric Science

Research News

IMAGE
IMAGE: The Positive NAO index phase shows a stronger than usual subtropical high pressure center and a deeper than normal Icelandic low. The increased pressure difference results in more and stronger… view more  Credit: Columbia University Lamont-Doherty Earth Observatory.

MIAMI–A new study led by scientists at the University of Miami (UM) Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science provides evidence that humans are influencing wind and weather patterns across the eastern United States and western Europe by releasing CO2 and other pollutants into Earth’s atmosphere.

In the new paper, published in the journal npj Climate and Atmospheric Science, the research team found that changes in the last 50 years to an important weather phenomenon in the North Atlantic–known as the North Atlantic Oscillation–can be traced back to human activities that impact the climate system.

“Scientists have long understood that human actions are warming the planet,” said the study’s lead author Jeremy Klavans, a UM Rosenstiel School alumnus. “However, this human-induced signal on weather patterns is much harder to identify.”

“In this study, we show that humans are influencing patterns of weather and climate over the Atlantic and that we may be able to use this information predict changes in weather and climate up to a decade in advance,” said Klavans.

The North Atlantic Oscillation, the result of fluctuations in air pressure across the Atlantic, affects weather by influencing the intensity and location of the jet stream. This oscillation has a strong effect on winter weather in Europe, Greenland, the northeastern U.S. and North Africa and the quality of crop yields and productivity of fisheries in the North Atlantic.

The researchers used multiple large climate model ensembles, compiled by researchers at the National Center for Atmospheric Research, to predict the North Atlantic Oscillation. The analysis consisted of 269 model runs, which is over 14,000 simulated model years.

The study, titled “NAO Predictability from External Forcing in the Late Twentieth Century,” was published on March 25 in the journal npj Climate and Atmospheric Science. The study’s authors include: Klavans, Amy Clement and Lisa Murphy from the UM Rosenstiel School, and Mark Cane from Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory.

The study was supported by the National Science Foundation (NSF) Climate and Large-Scale Dynamics program (grant # AGS 1735245 and AGS 1650209), NSF Paleo Perspectives on Climate Change program (grant # AGS 1703076) and NOAA’s Climate Variability and Predictability Program.

New study ties solar variability to the onset of decadal La Nina events (Science Daily)

[Linking solar activity to the onset of droughts in places like Northeast Brazil has historically been treated as something that did not deserve attention by mainstream meteorology. The El Niño Southern Oscillation – of which La Niña is part – was always presented as the main causal factor for droughts. This new study connects solar activity with the La Niña. The interesting thing here is that many local farmers seen as knowledgeable about rains and drought in NE Brazil mention a 10 years period for the repetition of climate events. -RT]

Date: April 5, 2021

Source: National Center for Atmospheric Research/University Corporation for Atmospheric Research

Summary: A new study shows a correlation between the end of solar cycles and a switch from El Nino to La Nina conditions in the Pacific Ocean, suggesting that solar variability can drive seasonal weather variability on Earth.


A new study shows a correlation between the end of solar cycles and a switch from El Nino to La Nina conditions in the Pacific Ocean, suggesting that solar variability can drive seasonal weather variability on Earth.

If the connection outlined in the journal Earth and Space Science holds up, it could significantly improve the predictability of the largest El Nino and La Nina events, which have a number of seasonal climate effects over land. For example, the southern United States tends to be warmer and drier during a La Nina, while the northern U.S. tends to be colder and wetter.

“Energy from the Sun is the major driver of our entire Earth system and makes life on Earth possible,” said Scott McIntosh, a scientist at the National Center for Atmospheric Research (NCAR) and co-author of the paper. “Even so, the scientific community has been unclear on the role that solar variability plays in influencing weather and climate events here on Earth. This study shows there’s reason to believe it absolutely does and why the connection may have been missed in the past.”

The study was led by Robert Leamon at the University of Maryland-Baltimore County, and it is also co-authored by Daniel Marsh at NCAR. The research was funded by the National Science Foundation, which is NCAR’s sponsor, and the NASA Living With a Star program.

Applying a new solar clock

The appearance (and disappearance) of spots on the Sun — the outwardly visible signs of solar variability — have been observed by humans for hundreds of years. The waxing and waning of the number of sunspots takes place over approximately 11-year cycles, but these cycles do not have distinct beginnings and endings. This fuzziness in the length of any particular cycle has made it challenging for scientists to match up the 11-year cycle with changes happening on Earth.

In the new study, the researchers rely on a more precise 22-year “clock” for solar activity derived from the Sun’s magnetic polarity cycle, which they outlined as a more regular alternative to the 11-year solar cycle in several companion studies published recently in peer-reviewed journals.

The 22-year cycle begins when oppositely charged magnetic bands that wrap the Sun appear near the star’s polar latitudes, according to their recent studies. Over the cycle, these bands migrate toward the equator — causing sunspots to appear as they travel across the mid-latitudes. The cycle ends when the bands meet in the middle, mutually annihilating one another in what the research team calls a terminator event. These terminators provide precise guideposts for the end of one cycle and the beginning of the next.

The researchers imposed these terminator events over sea surface temperatures in the tropical Pacific stretching back to 1960. They found that the five terminator events that occurred between that time and 2010-11 all coincided with a flip from an El Nino (when sea surface temperatures are warmer than average) to a La Nina (when the sea surface temperatures are cooler than average). The end of the most recent solar cycle — which is unfolding now — is also coinciding with the beginning of a La Nina event.

“We are not the first scientists to study how solar variability may drive changes to the Earth system,” Leamon said. “But we are the first to apply the 22-year solar clock. The result — five consecutive terminators lining up with a switch in the El Nino oscillation — is not likely to be a coincidence.”

In fact, the researchers did a number of statistical analyses to determine the likelihood that the correlation was just a fluke. They found there was only a 1 in 5,000 chance or less (depending on the statistical test) that all five terminator events included in the study would randomly coincide with the flip in ocean temperatures. Now that a sixth terminator event — and the corresponding start of a new solar cycle in 2020 — has also coincided with an La Nina event, the chance of a random occurrence is even more remote, the authors said.

The paper does not delve into what physical connection between the Sun and Earth could be responsible for the correlation, but the authors note that there are several possibilities that warrant further study, including the influence of the Sun’s magnetic field on the amount of cosmic rays that escape into the solar system and ultimately bombard Earth. However, a robust physical link between cosmic rays variations and climate has yet to be determined.

“If further research can establish that there is a physical connection and that changes on the Sun are truly causing variability in the oceans, then we may be able to improve our ability to predict El Nino and La Nina events,” McIntosh said.


Story Source:

Materials provided by National Center for Atmospheric Research/University Corporation for Atmospheric Research. Original written by Laura Snider. Note: Content may be edited for style and length.


Journal Reference:

  1. Robert J. Leamon, Scott W. McIntosh, Daniel R. Marsh. Termination of Solar Cycles and Correlated Tropospheric Variability. Earth and Space Science, 2021; 8 (4) DOI: 10.1029/2020EA001223

NOAA Acknowledges the New Reality of Hurricane Season (Gizmodo)

earther.gizmodo.com

Molly Taft, March 2, 2021


This combination of satellite images provided by the National Hurricane Center shows 30 hurricanes that occurred during the 2020 Atlantic hurricane season.
This combination of satellite images provided by the National Hurricane Center shows 30 hurricanes that occurred during the 2020 Atlantic hurricane season.

We’re one step closer to officially moving up hurricane season. The National Hurricane Center announced Tuesday that it would formally start issuing its hurricane season tropical weather outlooks on May 15 this year, bumping it up from the traditional start of hurricane season on June 1. The move comes after a recent spate of early season storms have raked the Atlantic.

Atlantic hurricane season runs from June 1 to November 30. That’s when conditions are most conducive to storm formation owing to warm air and water temperatures. (The Pacific ocean has its own hurricane season, which covers the same timeframe, but since waters are colder fewer hurricanes tend to form there than in the Atlantic.)

Storms have begun forming on the Atlantic earlier as ocean and air temperatures have increased due to climate change. Last year, Hurricane Arthur roared to life off the East Coast on May 16. That storm made 2020 the sixth hurricane season in a row to have a storm that formed earlier than the June 1 official start date. While the National Oceanic and Atmospheric Administration won’t be moving up the start of the season just yet, the earlier outlooks addresses the recent history.

“In the last decade, there have been 10 storms formed in the weeks before the traditional start of the season, which is a big jump,” said Sean Sublette, a meteorologist at Climate Central, who pointed out that the 1960s through 2010s saw between one and three storms each decade before the June 1 start date on average.

It might be tempting to ascribe this earlier season entirely to climate change warming the Atlantic. But technology also has a role to play, with more observations along the coast as well as satellites that can spot storms far out to sea.

“I would caution that we can’t just go, ‘hah, the planet’s warming, we’ve had to move the entire season!’” Sublette said. “I don’t think there’s solid ground for attribution of how much of one there is over the other. Weather folks can sit around and debate that for awhile.”

Earlier storms don’t necessarily mean more harmful ones, either. In fact, hurricanes earlier in the season tend to be weaker than the monsters that form in August and September when hurricane season is at its peak. But regardless of their strength, these earlier storms have generated discussion inside the NHC on whether to move up the official start date for the season, when the agency usually puts out two reports per day on hurricane activity. Tuesday’s step is not an official announcement of this decision, but an acknowledgement of the increased attention on early hurricanes.

“I would say that [Tuesday’s announcement] is the National Hurricane Center being proactive,” Sublette said. “Like hey, we know that the last few years it’s been a little busier in May than we’ve seen in the past five decades, and we know there is an awareness now, so we’re going to start issuing these reports early.”

While the jury is still out on whether climate change is pushing the season earlier, research has shown that the strongest hurricanes are becoming more common, and that climate change is likely playing a role. A study published last year found the odds of a storm becoming a major hurricanes—those Category 3 or stronger—have increase 49% in the basin since satellite monitoring began in earnest four decades ago. And when storms make landfall, sea level rise allows them to do more damage. So regardless of if climate change is pushing Atlantic hurricane season is getting earlier or not, the risks are increasing. Now, at least, we’ll have better warnings before early storms do hit.

New study detects ringing of the global atmosphere (Science Daily)

Date: July 7, 2020

Source: University of Hawaii at Manoa

Summary: A ringing bell vibrates simultaneously at a low-pitched fundamental tone and at many higher-pitched overtones, producing a pleasant musical sound. A recent study shows that the Earth’s entire atmosphere vibrates in an analogous manner, in a striking confirmation of theories developed by physicists over the last two centuries.  

A ringing bell vibrates simultaneously at a low-pitched fundamental tone and at many higher-pitched overtones, producing a pleasant musical sound. A recent study, just published in the Journal of the Atmospheric Sciences by scientists at Kyoto University and the University of Hawaii at Manoa, shows that the Earth’s entire atmosphere vibrates in an analogous manner, in a striking confirmation of theories developed by physicists over the last two centuries.

In the case of the atmosphere, the “music” comes not as a sound we could hear, but in the form of large-scale waves of atmospheric pressure spanning the globe and traveling around the equator, some moving east-to-west and others west-to-east. Each of these waves is a resonant vibration of the global atmosphere, analogous to one of the resonant pitches of a bell. The basic understanding of these atmospheric resonances began with seminal insights at the beginning of the 19th century by one of history’s greatest scientists, the French physicist and mathematician Pierre-Simon Laplace. Research by physicists over the subsequent two centuries refined the theory and led to detailed predictions of the wave frequencies that should be present in the atmosphere. However, the actual detection of such waves in the real world has lagged behind the theory.

Now in a new study by Takatoshi Sakazaki, an assistant professor at the Kyoto University Graduate School of Science, and Kevin Hamilton, an Emeritus Professor in the Department of Atmospheric Sciences and the International Pacific Research Center at the University of Hawaii at Manoa, the authors present a detailed analysis of observed atmospheric pressure over the globe every hour for 38 years. The results clearly revealed the presence of dozens of the predicted wave modes.

The study focused particularly on waves with periods between 2 hours and 33 hours which travel horizontally through the atmosphere, moving around the globe at great speeds (exceeding 700 miles per hour). This sets up a characteristic “chequerboard” pattern of high and low pressure associated with these waves as they propagate.

“For these rapidly moving wave modes, our observed frequencies and global patterns match those theoretically predicted very well,” stated lead author Sakazaki. “It is exciting to see the vision of Laplace and other pioneering physicists so completely validated after two centuries.”

But this discovery does not mean their work is done.

“Our identification of so many modes in real data shows that the atmosphere is indeed ringing like a bell,” commented co-author Hamilton. “This finally resolves a longstanding and classic issue in atmospheric science, but it also opens a new avenue of research to understand both the processes that excite the waves and the processes that act to damp the waves.”

So let the atmospheric music play on!


Story Source:

Materials provided by University of Hawaii at Manoa. Note: Content may be edited for style and length.


Journal Reference:

  1. Takatoshi Sakazaki, Kevin Hamilton. An Array of Ringing Global Free Modes Discovered in Tropical Surface Pressure Data. Journal of the Atmospheric Sciences, 2020; 77 (7): 2519 DOI: 10.1175/JAS-D-20-0053.1

Cold War nuke tests changed rainfall (Science Daily)

Radioactive period following nuclear bomb tests changed rainfall patterns thousands of miles from the detonation sites

Date: May 13, 2020

Source: University of Reading

Summary: Historic records from weather stations show that rainfall patterns in Scotland were affected by charge in the atmosphere released by radiation from nuclear bomb tests carried out in the 1950s and ’60s.

Nuclear bomb tests during the Cold War may have changed rainfall patterns thousands of miles from the detonation sites, new research has revealed.

Scientists at the University of Reading have researched how the electric charge released by radiation from the test detonations, carried out predominantly by the US and Soviet Union in the 1950s and 1960s, affected rainclouds at the time.

The study, published in Physical Review Letters, used historic records between 1962-64 from a research station in Scotland. Scientists compared days with high and low radioactively-generated charge, finding that clouds were visibly thicker, and there was 24% more rain on average on the days with more radioactivity.

Professor Giles Harrison, lead author and Professor of Atmospheric Physics at the University of Reading, said: “By studying the radioactivity released from Cold War weapons tests, scientists at the time learnt about atmospheric circulation patterns. We have now reused this data to examine the effect on rainfall.

“The politically charged atmosphere of the Cold War led to a nuclear arms race and worldwide anxiety. Decades later, that global cloud has yielded a silver lining, in giving us a unique way to study how electric charge affects rain.”

It has long been thought that electric charge modifies how water droplets in clouds collide and combine, potentially affecting the size of droplets and influencing rainfall, but this is difficult to observe in the atmosphere. By combining the bomb test data with weather records, the scientists were able to retrospectively investigate this.

Through learning more about how charge affects non-thunderstorm clouds, it is thought that scientists will now have a better understanding of important weather processes.

The race to develop nuclear weapons was a key feature of the Cold War, as the world’s superpowers sought to demonstrate their military capabilities during heightened tensions following the Second World War.

Although detonations were carried out in remote parts of the world, such as the Nevada Desert in the US, and on Pacific and Arctic islands, radioactive pollution spread widely throughout the atmosphere. Radioactivity ionises the air, releasing electric charge.

The researchers, from the Universities of Reading, Bath and Bristol, studied records from well-equipped Met Office research weather stations at Kew near London and Lerwick in the Shetland Isles.

Located 300 miles north west of Scotland, the Shetland site was relatively unaffected by other sources of anthropogenic pollution. This made it well suited as a test site to observe rainfall effects which, although likely to have occurred elsewhere too, would be much more difficult to detect.

Atmospheric electricity is most easily measured on fine days, so the Kew measurements were used to identify nearly 150 days where there was high or low charge generation over the UK while it was cloudy in Lerwick. The Shetland rainfall on these days showed differences which vanished after the major radioactivity episode was over.

The findings may be helpful for cloud-related geoengineering research, which is exploring how electric charge could influence rain, relieve droughts or prevent floods, without the use of chemicals.

Professor Harrison is leading a project investigating electrical effects on dusts and clouds in the United Arab Emirates, as part of their national programme in Rain Enhancement Science. These new findings will help to show the typical charges possible in natural non-thunderstorm clouds.

WMO is concerned about impact of COVID-19 on observing system (WMO)

WMO concerned about impact of COVID19 on global observing system

1 April 2020 Press Release Number: 01042020

Geneva, 1 April 2020 – The World Meteorological Organization (WMO) is concerned about the impact of the COVID-19 pandemic on the quantity and quality of weather observations and forecasts, as well as atmospheric and climate monitoring.

WMO’s Global Observing System serves as a backbone for all weather and climate services and products provided by the 193 WMO Member states and territories to their citizens. It provides observations on the state of the atmosphere and ocean surface from land-, marine- and space-based instruments. This data is used for the preparation of weather analyses, forecasts, advisories and warnings.

“National Meteorological and Hydrological Services continue to perform their essential 24/7 functions despite the severe challenges posed by the Coronavirus pandemic,” said WMO Secretary-General Petteri Taalas. “We salute their dedication to protecting lives and property but we are mindful of the increasing constraints on capacity and resources,” he said.

“The impacts of climate change and growing amount of weather-related disasters continue. The COVID-19 pandemic poses an additional challenge, and may exacerbate multi-hazard risks at a single country level. Therefore it is essential that governments pay attention to their national early warning and weather observing capacities despite the COVID-19 crisis,” said Mr Taalas.

Large parts of the observing system, for instance its satellite components and many ground-based observing networks, are either partly or fully automated. They are therefore expected to continue functioning without significant degradation for several weeks, in some cases even longer. But if the pandemic lasts more than a few weeks, then missing repair, maintenance and supply work, and missing redeployments will become of increasing concern.

Some parts of the observing system are already affected. Most notably the significant decrease in air traffic has had a clear impact. In-flight measurements of ambient temperature and wind speed and direction are a very important source of information for both weather prediction and climate monitoring.

AMDAR observation - March 2020

Meteorological data from aircraft

Commercial airliners contribute to the Aircraft Meteorological Data Relay programme (AMDAR), which uses onboard sensors, computers and communications systems to collect, process, format and transmit meteorological observations to ground stations via satellite or radio links.

In some parts of the world, in particular over Europe, the decrease in the number of measurements over the last couple of weeks has been dramatic (see chart below provided by EUMETNET).  The countries affiliated with EUMETNET, a collaboration between the 31 national weather services in Europe, are currently discussing ways to boost the short-term capabilities of other parts of their observing networks in order to partly mitigate this loss of aircraft observations.

The AMDAR observing system has traditionally produced over 700 000 high-quality observations per day of air temperature and wind speed and direction, together with the required positional and temporal information, and with an increasing number of humidity and turbulence measurements being made.

Surface-based observations

In most developed countries, surface-based weather observations are now almost fully automated.

However, in many developing countries, the transition to automated observations is still in progress, and the meteorological community still relies on observations taken manually by weather observers and transmitted into the international networks for use in global weather and climate models.

WMO has seen a significant decrease in the availability of this type of manual observations over the last two weeks. Some of this may well be attributable to the current coronavirus situation, but it is not yet clear whether other factors may play a role as well. WMO is currently investigating this.

“At the present time, the adverse impact of the loss of observations on the quality of weather forecast products is still expected to be relatively modest. However, as the decrease in availability of aircraft weather observations continues and expands, we may expect a gradual decrease in reliability of the forecasts,” said Lars Peter Riishojgaard, Director, Earth System Branch in WMO’s Infrastructure Department.

“The same is true if the decrease in surface-based weather observations continues, in particular if the COVID-19 outbreak starts to more widely impact the ability of observers to do their job in large parts of the developing world. WMO will continue to monitor the situation, and the organization is working with its Members to mitigate the impact as much as possible,” he said.

Variability of surface observations - January 2020
(Map provided by WMO; countries shown in darker colors provided fewer observations over the last week than averaged for the month of January 2020 (pre-COVID-19); countries shown in black are currently not sending any data at all).

Currently, there are 16 meteorological and 50 research satellites, over 10 000 manned and automatic surface weather stations, 1 000 upper-air stations, 7 000 ships, 100 moored and 1 000 drifting buoys, hundreds of weather radars and 3 000 specially equipped commercial aircraft measure key parameters of the atmosphere, land and ocean surface every day. 

For further information contact: Clare Nullis, media officer. Email cnullis@wmo.int, Cell +41 79 709 13 97

See original article here.

Meteorologia pode sofrer impacto com covid-19, diz WMO (Climatempo)

02/04/2020 – por redação

Organização Meteorológica Mundial (WMO) teme que coronavírus influencie na qualidade das previsões e no monitoramento da atmosfera

A Organização Meteorológica Mundial (Word Meteorological Organization, WMO, na sigla em inglês) está preocupada com o impacto da pandemia do covid-19 na quantidade e qualidade das observações e previsões meteorológicas, bem como no monitoramento da atmosfera e do clima.

O Sistema de Observação Global da WMO serve como espinha dorsal de todos os serviços e produtos climáticos fornecidos a seus cidadãos pelos 193 estados e territórios membros da organização. Ele fornece observações sobre o estado da atmosfera e da superfície do oceano a partir de instrumentos terrestres, marinhos e espaciais. Estes dados são utilizados para a preparação de análises meteorológicas, previsão do tempo e monitoramento do clima.

“Os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais continuam desempenhando suas funções essenciais 24 horas por dia e sete dias por semana, apesar dos graves desafios impostos pela pandemia de coronavírus”, disse o secretário-geral da WMO, Petteri Taalas. “Saudamos sua dedicação em proteger vidas e propriedades, mas estamos atentos às crescentes restrições de capacidade e recursos”.

Taalas afirmou ainda que os impactos das mudanças climáticas e a crescente quantidade de desastres relacionados ao clima continuam. “A pandemia do Covid-19 representa um desafio que  grava os riscos de vários perigos em um único país. Portanto, é essencial que os governos prestem  atenção em seu alerta nacional e às capacidades de observação do clima, apesar da crise do Covid-19”.

Grande parte do sistema de observação, como os componentes de satélite e redes de observação terrestres, por exemplo, são parcialmente ou totalmente automatizados. Por isso, espera-se que continuem funcionando sem problemas significativos por várias semanas, em alguns casos até mais. Porém, se a pandemia durar mais de algumas semanas, a falta de reparos, manutenção e suprimentos, e as redistribuições se tornarão uma preocupação crescente.

Algumas partes do sistema de observação já estão sendo afetadas, com destaque para a diminuição significativa do tráfego aéreo. As medições de temperatura ambiente e da velocidade e direção do vento em voo são uma fonte muito importante de informações para a previsão do tempo e monitoramento do clima.

Dados meteorológicos de aeronaves 

Aviões comerciais contribuem para o programa “Airbus Meteorological Data Relay” (AMDAR), que usa sensores, computadores e sistemas de comunicação a bordo para coletar, processar, formatar e transmitir observações meteorológicas para estações terrestres via satélite ou rádio.

Em algumas partes do mundo, em particular na Europa, a diminuição do número de medições nas últimas duas semanas tem sido dramática.  Veja o gráfico fornecido pela  EUMETNET.

Total de observações do sistema AMDAR em março de 2020 (Fonte: WMO)

Os países afiliados à EUMETNET, que reúne 31 serviços meteorológicos nacionais na Europa, estão atualmente discutindo maneiras de aumentar as capacidades de curto prazo de outras partes de suas redes de observação, a fim de diminuir parcialmente a perda de observações de aeronaves.

O sistema de observação AMDAR normalmente produzia por dia mais de 700 mil observações de alta qualidade de temperatura do ar, velocidade e direção do vento. Além disso, fornecia informações posicionais e temporais necessárias, com número crescente de medições de umidade e turbulência.

Observações baseadas em superfície

Na maioria dos países desenvolvidos, as observações meteorológicas de superfície são quase totalmente automatizadas. No entanto, em muitos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, a transição para observações automatizadas ainda está em andamento, e a comunidade meteorológica ainda depende de observações feitas manualmente por observadores, que as transmitem às redes internacionais para uso em modelos globais de tempo e clima.

A WMO registrou diminuição significativa na disponibilidade de observação manual nas últimas duas semanas. Parte disso pode estar relacionada à situação atual de coronavírus, mas ainda não está claro se outros fatores também podem ter contribuído. A WMO está investigando outras possíveis causas.

Atualmente, o impacto adverso da perda de observações na qualidade dos produtos para previsão do tempo ainda é relativamente pequeno. No entanto, à medida que a diminuição na disponibilidade de observações meteorológicas das aeronaves continua e se expande, podemos esperar uma queda gradual na confiabilidade das previsões”, disse Lars Peter Riishojgaard, diretor da filial do sistema terrestre no departamento de infraestrutura da WMO.

Segundo Riishojgaard, o mesmo vale se a diminuição das observações meteorológicas na superfície continuar e, em particular, se o surto de covid-19 começar a impactar de forma mais significativa a capacidade de trabalho de observadores em países subdesenvolvidos. “A WMO continuará monitorando a situação, e a organização está trabalhando com seus membros para mitigar o impacto o máximo possível”, afirmou.

Mapa fornecido pela WMO: os países mostrados em cores mais escuras forneceram menos observações na última semana do que a média do mês de janeiro de 2020 (pré-covid-19); os países mostrados em preto atualmente não estão enviando nenhum dado.

Atualmente, existem 16 satélites meteorológicos e 50 de pesquisa no mundo, além de mais de 10 mil estações meteorológicas de superfície automáticas e tripuladas, mil estações aéreas, 7 mil navios, 100 bóias ancoradas e mil flutuantes, centenas de radares meteorológicos e 3 mil estações comerciais especialmente equipadas em aeronaves, que medem parâmetros-chave da atmosfera, da terra e da superfície do oceano todos os dias.

Tradução e adaptação de Paula Soares e Amanda Sampaio, do conteúdo publicado no site da WMO – World Meteorological Organization.

Link da matéria original no site da WMO: https://public.wmo.int/en/media/press-release/wmo-concerned-about-impact-of-covid-19-observing-system

Link da matéria no site da Climatempo: https://www.climatempo.com.br/noticia/2020/04/02/meteorologia-pode-sofrer-impacto-com-covid-19-diz-wmo-2635

Distant tropical storms have ripple effects on weather close to home (Science Daily)

Researchers describe a breakthrough in making accurate predictions of weather weeks ahead

Date:
February 20, 2018
Source:
Colorado State University
Summary:
Researchers report a breakthrough in making accurate predictions of weather weeks ahead. They’ve created an empirical model fed by careful analysis of 37 years of historical weather data. Their model centers on the relationship between two well-known global weather patterns: the Madden-Julian Oscillation and the quasi-biennial oscillation.

Storm clouds (stock image). Credit: © mdesigner125 / Fotolia

The famously intense tropical rainstorms along Earth’s equator occur thousands of miles from the United States. But atmospheric scientists know that, like ripples in a pond, tropical weather creates powerful waves in the atmosphere that travel all the way to North America and have major impacts on weather in the U.S.

These far-flung, interconnected weather processes are crucial to making better, longer-term weather predictions than are currently possible. Colorado State University atmospheric scientists, led by professors Libby Barnes and Eric Maloney, are hard at work to address these longer-term forecasting challenges.

In a new paper in npj Climate and Atmospheric Science, the CSU researchers describe a breakthrough in making accurate predictions of weather weeks ahead. They’ve created an empirical model fed by careful analysis of 37 years of historical weather data. Their model centers on the relationship between two well-known global weather patterns: the Madden-Julian Oscillation and the quasi-biennial oscillation.

According to the study, led by former graduate researcher Bryan Mundhenk, the model, using both these phenomena, allows skillful prediction of the behavior of major rain storms, called atmospheric rivers, three and up to five weeks in advance.

“It’s impressive, considering that current state-of-the-art numerical weather models, such as NOA’s Global Forecast System, or the European Centre for Medium-Range Weather Forecasts’ operational model, are only skillful up to one to two weeks in advance,” says paper co-author Cory Baggett, a postdoctoral researcher in the Barnes and Maloney labs.

The researchers’ chief aim is improving forecast capabilities within the tricky no-man’s land of “subseasonal to seasonal” timescales: roughly three weeks to three months out. Predictive capabilities that far in advance could save lives and livelihoods, from sounding alarms for floods and mudslides to preparing farmers for long dry seasons. Barnes also leads a federal NOAA task force for improving subseasonal to seasonal forecasting, with the goal of sharpening predictions for hurricanes, heat waves, the polar vortex and more.

Atmospheric rivers aren’t actual waterways, but”rivers in the sky,” according to researchers. They’re intense plumes of water vapor that cause extreme precipitation, plumes so large they resemble rivers in satellite pictures. These “rivers” are responsible for more than half the rainfall in the western U.S.

The Madden-Julian Oscillation is a cluster of rainstorms that moves east along the Equator over 30 to 60 days. The location of the oscillation determines where atmospheric waves will form, and their eventual impact on say, California. In previous work, the researchers have uncovered key stages of the Madden-Julian Oscillation that affect far-off weather, including atmospheric rivers.

Sitting above the Madden-Julian Oscillation is a very predictable wind pattern called the quasi-biennial oscillation. Over two- to three-year periods, the winds shift east, west and back east again, and almost never deviate. This pattern directly affects the Madden-Julian Oscillation, and thus indirectly affects weather all the way to California and beyond.

The CSU researchers created a model that can accurately predict atmospheric river activity in the western U.S. three weeks from now. Its inputs include the current state of the Madden-Julian Oscillation and the quasi-biennial oscillation. Using information on how atmospheric rivers have previously behaved in response to these oscillations, they found that the quasi-biennial oscillation matters — a lot.

Armed with their model, the researchers want to identify and understand deficiencies in state-of-the-art numerical weather models that prevent them from predicting weather on these subseasonal time scales.

“It would be worthwhile to develop a good understanding of the physical relationship between the Madden-Julian Oscillation and the quasi-biennial oscillation, and see what can be done to improve models’ simulation of this relationship,” Mundhenk said.

Another logical extension of their work would be to test how well their model can forecast actual rainfall and wind or other severe weather, such as tornadoes and hail.


Journal Reference:

  1. Bryan D. Mundhenk, Elizabeth A. Barnes, Eric D. Maloney, Cory F. Baggett. Skillful empirical subseasonal prediction of landfalling atmospheric river activity using the Madden–Julian oscillation and quasi-biennial oscillation. npj Climate and Atmospheric Science, 2018; 1 (1) DOI: 10.1038/s41612-017-0008-2

Nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas (Pesquisa Fapesp)

05 de junho de 2017

Elton Alisson | Agência FAPESP – O nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas. No Brasil, contudo, onde mais de 60% da população vive em cidades costeiras, não há um estudo integrado da vulnerabilidade dos municípios litorâneos a este e a outros impactos decorrentes das mudanças climáticas, como o aumento da frequência e da intensidade de chuvas. Um estudo desse gênero possibilitaria estimar os danos sociais, econômicos e ambientais e elaborar um plano de ação com o intuito de implementar medidas adaptativas.

As conclusões são do relatório especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) sobre “Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas”, lançado nesta segunda-feira (05/06) durante um evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

A publicação tem apoio da FAPESP e parte dos estudos nos quais se baseia são resultado do Projeto Metrópole e de outros projetos apoiados pela Fundação no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas, financiado pela Fundação e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A ideia do relatório foi mostrar o estado da arte sobre mudanças de clima e cidades costeiras, baseado em uma exaustiva revisão de publicações internacionais e nacionais sobre o tema, e também identificar lacunas no conhecimento para que os formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão no Brasil possam propor e implementar medidas de adaptação”, disse José Marengo, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos autores e editores do relatório, à Agência FAPESP.

De acordo com dados do documento, entre 1901 e 2010 o nível médio do mar globalmente aumentou 19 centímetros – com variação entre 17 e 21 centímetros.

Entre 1993 e 2010, a taxa de elevação correspondeu a mais de 3,2 milímetros (mm) por ano – com variação entre 2,8 e 3,6 mm por ano.

No Brasil também há uma tendência de aumento do nível do mar nas regiões costeiras com algum grau de incerteza porque não há registros históricos contínuos e confiáveis, ponderam os autores.

“Ainda não conseguimos detectar o aumento do nível do mar no Brasil por conta das poucas observações existentes e de estudos de modelagem para avaliar os impactos. Mas já identificamos por meio de estudos regionais diversas cidades de médio e grande porte que apresentam alta exposição à elevação do nível relativo do mar e já têm sofrido os impactos desse fenômeno, particularmente na forma de ressacas e inundações”, disse Marengo.

Entre essas cidades, onde 60% da população reside na faixa de 60 quilômetros da costa, estão Rio Grande (RS), Laguna e Florianópolis (SC), Paranaguá (PR), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE), São Luís (MA), Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, têm sido registradas taxas de aumento do nível médio do mar de 1,8 a 4,2 mm por ano desde a década de 1950.

Na cidade de Santos, no litoral sul paulista, onde está situado o maior porto da América Latina, o nível do mar tem aumentado 1,2 mm por ano, em média, desde a década de 1940. Além disso, ocorreu um aumento significativo na altura das ondas – que alcançava 1 metro em 1957 e passou a atingir 1,3 m, em 2002 – e na frequência de ressacas no município.

Já no Rio de Janeiro, a análise dos dados da estação maregráfica da Ilha Fiscal – que tem a série histórica mais antiga do Brasil e fica no meio da Baía da Guanabara – indica uma tendência média de aumento do nível do mar de mais ou menos 1,3 mm por ano, com base nos dados mensais do nível do mar do período de 1963 a 2011 e com um índice de confiança de 95%.

Por sua vez, em Recife o nível do mar aumentou 5,6 mm entre 1946 e 1988 – o que corresponde a uma elevação de 24 centímetros em 42 anos. A erosão costeira e a ocupação do pós-praia provocaram uma redução da linha de praia em mais de 20 metros na Praia de Boa Viagem – a área da orla mais valorizada da cidade –, apontam os autores do relatório.

“Existem poucas observações como essas em outras regiões do país. Quando tentamos levantar dados dos últimos 40 ou 100 anos sobre o aumento do nível do mar em outras cidades do Nordeste, como Fortaleza, por exemplo, é difícil encontrar”, disse Marengo.

Impactos socioeconômicos

De acordo com os autores do relatório, as mudanças climáticas e um acelerado ritmo de elevação do nível do mar podem causar sérios impactos nas áreas costeiras do Brasil.

Os impactos socioeconômicos seriam mais restritos às vizinhanças das 15 maiores cidades litorâneas, que ocupam uma extensão de 1,3 mil quilômetros da linha costeira – correspondente a 17% da linha costeira do Brasil.

Entre as principais consequências da elevação do nível do mar, entre diversas outras, estão o aumento da erosão costeira, da frequência, intensidade e magnitude das inundações, da vulnerabilidade de pessoas e bens e a redução dos espaços habitáveis.

“Os impactos mais evidentes da elevação do nível do mar são o aumento da frequência das inundações costeiras e a redução da linha de praia. Mas há outros não tão perceptíveis, como a intrusão marinha, em que a água salgada do mar começa a penetrar aquíferos e ecossistemas de água doce”, ressaltou Marengo.

As projeções do quinto relatório (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) são que a elevação do nível do mar globalmente varie entre 0,26 e 0,98 metro até 2100 – em um cenário mais pessimista. O relatório apresenta estimativas similares para a costa brasileira.

Considerando que a probabilidade de inundações aumenta com a elevação do nível do mar pode ser esperada uma maior probabilidade de inundações em áreas que apresentam mais de 40% de mudanças no nível do mar observadas nos últimos 60 anos – como é o caso de várias metrópoles costeiras brasileiras, ressaltam os autores.

As inundações costeiras serão mais preocupantes no litoral do Nordeste, Sul e Sudeste, e também podem afetar o litoral sul e sudoeste da cidade do Rio de Janeiro. Os seis municípios fluminenses mais vulneráveis à elevação do nível do mar, de acordo com estudos apresentados no relatório, são Parati, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé e Campos dos Goytacazes.

“A combinação do aumento do nível do mar com tempestades e ventos mais fortes pode provocar danos bastante altos na infraestrutura dessas cidades”, estimou Marengo.

Exemplo de plano

O documento destaca o Plano Municipal de Adaptação à Mudança de Clima (PMAMC) da cidade de Santos como exemplo de plano de ação para adaptação às mudanças de clima e os seus impactos nas cidades [Leia mais sobre o assunto em http://agencia.fapesp.br/21997/].

A elaboração do plano foi baseada nos resultados do Projeto Metrópole, coordenado por Marengo.

O estudo internacional estimou que a inundação de áreas costeiras das zonas sudeste e noroeste de Santos, causada pela combinação da elevação do nível do mar com ressacas, marés meteorológicas e astronômicas e eventos climáticos extremos, pode causar prejuízos acumulados de quase R$ 2 bilhões até 2100 se não forem implementadas medidas de adaptação.

O estudo é realizado por pesquisadores do Cemaden, dos Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Geológico (IG) e das Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da University of South Florida, dos Estados Unidos, do King’s College London, da Inglaterra, além de técnicos da Prefeitura Municipal de Santos.

“Nossa intenção é aplicar essa metodologia utilizada em Santos em outras cidades litorâneas brasileiras para termos pelo menos uma estimativa inicial do custo de adaptação à elevação do nível do mar”, disse Marengo.

Every Year, the Sky ‘Rains Fish.’ Explanations Vary. (N.Y.Times)

O casal que afirma incorporar índio para controlar a chuva (Veja SP)

Fundação Cacique Cobra Coral já foi chamada pela organização do Rock in Rio e até pela gestão José Serra

Na tarde do último dia 6 de abril, o empresário Osmar Santos, de 53 anos, e a médium e corretora de imóveis Adelaide Scritori, 55, receberam por e-mail uma preocupante previsão. Uma grande tempestade estava se aproximando da cidade. Poucas horas depois, os dois se instalaram no escritório do apartamento onde moram, nos Jardins.

É um cômodo branco, que abriga apenas uma escrivaninha, na qual um tampo de vidro protege um mapa-múndi com os continentes delineados em preto. Na parede, um desenho a lápis retrata um índio. A mulher começou a se concentrar, fechou os olhos e, em um minuto, sua voz ficou baixa, rouca e ganhou um timbre masculino.

Santos com o retrato do índio na sede da empresa: “Reduzimos os estragos” (Antonio Milena/Veja SP)

Segundo o casal, ela havia acabado de incorporar o cacique Cobra Coral. O marido, que acompanhava a cena de perto, ditou as condições climáticas. Ela o ouviu e, com giz de cera, desenhou símbolos meteorológicos sobre a mesa para redirecionar as nuvens a outros cantos. Naquela madrugada, a chuva caiu sobre a capital, mas, de acordo com eles, com menos intensidade que a prevista. “Somos como um airbag”, compara Santos. “Não eliminamos os desastres naturais, mas reduzimos os estragos.”

Essa é a descrição de uma típica cerimônia da Fundação Cacique Cobra Coral. Embora a dupla de criadores viva na metrópole, a organização umbandista é sediada em Guarulhos. Sua missão: controlar o clima por meio dos poderes de um índio. Segundo os fiéis, o espírito reencarnou em vários personagens da história, como o cientista Galileu Galilei e o presidente americano Abraham Lincoln.

Ninguém sabe ao certo de onde teria vindo seu poder de controlar o clima. “O povo indígena sempre teve uma relação estreita com o tempo”, arrisca Santos. Adelaide diz ter recebido a entidade pela primeira vez aos 7 anos, em um centro espírita. À época, seu pai, Ângelo Scritori, a ajudava nas sessões. A partir da década de 80, o marido se tornou o escudeiro.

Os alegados poderes do cacique levaram o casal a ser procurado por órgãos públicos e empresas particulares. Em 2005, durante a gestão de José Serra na prefeitura, um contrato firmado com a dupla chegou a ser publicado no Diário Oficial, segundo o qual Santos e Adelaide se comprometiam a colaborar para reduzir as enchentes na capital. Na ocasião, o secretário das subprefeituras, Andrea Matarazzo, justificava a parceria pela ausência de custos para os cofres públicos. “O convênio é inodoro, sem valor financeiro”, defendia.

Se em alguns locais há excesso de água, em outros o desafio é a falta dela. No início deste ano, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, convocou a fundação para combater a seca. As águas ainda não rolaram da forma como se esperava, mas a fé continua inabalável. “Como católico, tenho rezado muito para que chova bastante no Distrito Federal, e a fundação é mais uma energia que se junta a esse esforço”, afirmou Rollemberg nas redes sociais.

Na esfera privada, o Rock in Rio era um de seus clientes mais antigos. A parceria começou em 2008 e se estendeu nas edições seguintes do festival. Executivos da empresa organizadora não quiseram comentar o contrato, mas uma pessoa ligada à produção afirmou que o trabalho foi interrompido.

A gota d’água para o divórcio teria sido a tempestade que caiu em um show de Katy Perry em 2015. “O motorista estava sem a credencial e chegamos ao espaço após a entrada da frente fria”, diz Santos. “Mas, depois, continuamos sendo chamados por eles”, garante. No ano passado, durante a Olimpíada, ele e Adelaide circularam pelo Rio com credenciais.

A atuação do espírito se estende a outros países. Entre abril e maio, o casal esteve em Angola e na China para dar conta das forças naturais fora de controle.

Em seu celular, Santos carrega fotografias em que eles aparecem ao lado de personalidades como o prefeito João Doria e o escritor Paulo Coelho. O autor, inclusive, ajudou a popularizar a Cobra Coral ao ocupar o cargo de vice-presidente da fundação entre 2004 e 2006. Há até mesmo membros da comunidade científica entre os admiradores. “Verifiquei uma mudança no clima logo após presenciar um ritual, em 2000”, diz Rubens Villela, professor aposentado do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Adelaide ao lado de Paulo Coelho (à dir.), ex-vice-presidente da fundação: grandes eventos e celebridades (Arquivo Pessoal/Veja SP)

Apesar de firmar contratos, o cacique não permite ser remunerado pelo trabalho. Santos e Adelaide mantêm-se com as atividades de suas empresas, como a Nostradamus Corretora de Seguros, a TWX Capas de Chuva e a OAS Empreendimentos Imobiliários, que negocia imóveis acima de 5 milhões de reais.

Caseiros, os dois só costumam deixar o apartamento de 120 metros quadrados próximo à Avenida Paulista para frequentar salas de cinema. “Gostamos de filmes-catástrofe”, diz Santos. Juntos desde 1977, eles têm dois filhos — o coach Jorge, de 38 anos, e a terapeuta floral Barbara, de 22. A caçula, inclusive, pode levar os dotes da Cobra Coral à próxima geração. “Percebemos nela um talento para a tarefa”, afirma o pai.

Cacique de laptop cobra até US$ 10 mil para espantar chuva (Folha de S.Paulo)

Ilustrada. São Paulo, quarta-feira, 06 de outubro de 2010

DE SÃO PAULO

O índio citado pelo diretor artístico do SWU é uma das figuras mais bizarras do show business nacional. Segundo Roberto Medina, o empresário por trás do Rock in Rio, é o trabalho dele que tem segurado a água que invariavelmente jorra do céu toda vez que um festival de música acontece. Embora o assunto seja tratado com discrição, os eventos costumam reservar uma cifra para contratar os “serviços meteorológicos” da Fundação Cacique Cobra Coral (www.fccc.org.br), uma entidade “científica esotérica especializada em fenômenos climáticos”.

Na prática, trata-se de uma dança da chuva ao contrário. O cacique, com métodos que não revela, garante manter as nuvens carregadas longe do local do show.
Medina conta que, no caso dele, o cacique nunca falhou – desde a primeira vez que foi contratado por sua empresa, a Artplan, na edição de 2001 do Rock in Rio.

Apesar da mítica deixada por Woodstock, onde a lama foi protagonista, Medina queria seu festival seco. Mas faltava uma semana para os shows e chovia torrencialmente. Foi quando uma assessora lhe falou do cacique “que fazia parar de chover”.

“Imaginei que chegaria uma pessoa com cocar, mas entrou um sujeito de terno, com laptop”, diz. “Ele pediu US$ 10 mil e eu negociei: “Te pago dois agora e, se não chover mesmo, te pago os oito no final”.”

O que mais o impressionou foi o fato de só não chover onde acontecia o festival. “Na outra esquina chovia sem parar, mas ali não caiu uma gota.”

Quando faz festivais fora do Brasil -como o Rock in Rio de Lisboa-, Medina carrega junto o cacique.

Procurada pela Folha, a Fundação Cacique Cobra Coral diz que tem como norma não identificar seus clientes e só dá entrevistas por e-mail.

“Nossa agência elabora boletins que sinalizam os melhores dias para os shows”, afirma Osmar Santos, da FCCC. “Tais boletins são elaborados por cientistas-meteorologistas, com base em modelos matemáticos e previsões numéricas.”

“Muita gente contrata [esse serviço]”, diz Pablo Fantoni, do Planeta Terra. “Eu não acredito. Se existe uma pessoa que tem poder sobre o tempo, seria um desperdício ele estar sendo usado em festivais de música e não para resolver a seca no Nordeste.”

(IVAN FINOTTI e MARCUS PRETO)

Ciência climática é ferramenta no combate à seca no Nordeste, afirma Carlos Nobre (ABIPTI)

JC 5593, 7 de fevereiro de 2017

“O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste”, afirmou

O relatório oriundo da última reunião do Grupo de Trabalho de Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aponta para um cenário preocupante: até o início de 2018, é esperado que os grandes e médios reservatórios nordestinos sequem. Por isso, é preciso criar novas oportunidades para a população.

Reconhecido como um dos principais pesquisadores mundiais sobre clima, Carlos Nobre destacou o papel das ciências climáticas para mitigar os impactos econômicos e sociais da seca na Região Nordeste. O pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ressaltou que o conhecimento do clima cria alternativas econômicas e sociais para os moradores da região.

Na avaliação do pesquisador, a ciência climática evoluiu rapidamente nas últimas décadas, sendo uma ferramenta eficaz no combate à seca. “O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste de fevereiro a maio ser deficiente, normal ou abundante. Estas previsões climáticas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo e utilizadas para apoio ao planejamento agrícola, à gestão hídrica e à mitigação de desastres naturais”, afirmou Nobre.

Entre as ações propostas pelo cientista, está o investimento na criação de uma economia regional baseada em recursos naturais renováveis. Uma das alternativas sugeridas é a criação de parques de geração de energia eólica e solar fotovoltaica.

“O Nordeste tem um enorme potencial de energia eólica e solar, capaz de atender a todas suas necessidades e ainda exportar grandes volumes para o restante do Brasil. Estas formas de energia renovável distribuídas geram empregos permanentes localmente, mais numerosos do que aqueles gerados por hidrelétricas ou termelétricas e que poderiam beneficiar populações urbanas e rurais da região”, informou.

Carlos Nobre tem extensa atuação na área climática. Além de ocupar vários cargos no governo referentes ao setor climático, foi vencedor do Volvo Environment Prize – um dos principais prêmios internacionais sobre clima – e membro do Conselho Científico sobre Sustentabilidade Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência ABIPTI, com informações do MCTI e Valor Econômico

¿Adiós al Servicio Meteorológico? Un biólogo argentino predice el clima estudiando hormigas (y acierta) (La Nación)

Jorge Finardi anticipa lluvias y tormentas a partir del comportamiento de insectos

LA NACION

JUEVES 26 DE ENERO DE 2017 • 17:44

¿Chau Servicio Meteorológico? El biólogo argentino que predice el clima estudiando hormigas

¿Chau Servicio Meteorológico? El biólogo argentino que predice el clima estudiando hormigas. Foto: Archivo 

Jorge Finardi predice el clima a través de las hormigas. Estudia sus movimientos, los registra, los compara y llega a la conclusión, por ejemplo, de que mañana a la tarde lloverá. Y acierta. Esta semana, Finardi anticipó con su método el calor sofocante del lunes, la tormenta del martes, y la caída de la temperatura del miércoles. Nada mal.

Finardi es químico, biólogo, y lleva adelante la cuenta de Twitter @GeorgeClimaPron. En ella, comunica sus pronósticos climatológicos. En una entrevista con LA NACION, explica su sistema.

-¿Cómo funciona tu método de análisis?

-En primer lugar, determino el grado de actividad de las hormigas en una escala del 1 al 10. Para armar la escala tengo en cuenta la cantidad de interacciones entre las hormigas, el número de hormigas involucradas, y el tipo y tamaño de carga que llevan, además, de la clase de hormiga que trabaja.

-¿Y de qué manera se relaciona con el clima? ¿Más actividad es indicativa de lluvia?

-En parte sí, pero depende de la carga que lleven. Por ejemplo, cuando las hormigas llevan palitos y barritas, es porque tienen que fortalecer el hormiguero, debido a que se aproxima lluvia o frío. Cuando hay movilización de tierra es porque se viene una lluvia fuerte. Cuando llevan cereal, viene frío, porque el cereal fermenta dentro del hormiguero y produce calor para que nazcan los hongos que ellas comen.

Para las altas temperaturas, por otro lado, se acondicionan los túneles: las hormigas empiezan a abrir “chimeneas”, que son como agujeritos esparcidos dentro del hormiguero, que puede llegar a tener metros de profundidad. Cuando pasa eso, se viene una ola de calor.

-¿Cómo te interesaste por el tema?

-Desde los tres años me paso horas mirando las hormigas y todo tipo de insectos. Por otro lado, mi profesión me ayudó a profundizar estos temas, y también a hablar con gente de edad avanzada que vive en el campo y no se fija en los pronósticos. No los necesita. Así avancé. Así y con un poco de prueba y error. Al principio introduje hormigas en un terrario para poder observarlas más cómodo. Pero ellas se comportaban de otra manera, por el aislamiento. Ahora las sigo con una cámara.

-¿Además de las hormigas, analizás otros insectos?

-Sí. Las arañas, por ejemplo, tienen la capacidad de detectar actividad eléctrica, cuando aparecen y están muy activas. Las libélulas pueden anticipar una tormenta o viento. Las cigarras anuncian calor. Los gallos, cuando cantan a media noche, anuncian neblinas. También hay que prestar atención a las hormigas cuando están desorientadas, porque pueden captar actividad sísmica a grandes distancias.

-¿Este tipo de análisis es científico?

-No. Hay que destacar que el método no es científico, no es positivista, pero sí es cualitativo, experimental y observacional. Y sirve. Los hombres estamos acá desde el período cuaternario, pero las hormigas, por ejemplo, están desde la época de los dinosaurios. Están muy adaptadas, son muy sensibles a los cambios de ambiente. Y la naturaleza, así, nos habla, nos presenta síntomas. Hay que saber leerlos.

Global warming hiatus disproved — again (Science Daily)

Study confirms steady warming of oceans for past 45 years

Date:
January 4, 2017
Source:
University of California – Berkeley
Summary:
Scientists calculated average ocean temperatures from 1999 to 2015, separately using ocean buoys and satellite data, and confirmed the uninterrupted warming trend reported by NOAA in 2015, based on that organization’s recalibration of sea surface temperature recordings from ships and buoys. The new results show that there was no global warming hiatus between 1998 and 2012.

A new UC Berkeley analysis of ocean buoy (green) and satellite data (orange) show that ocean temperatures have increased steadily since 1999, as NOAA concluded in 2015 (red) after adjusting for a cold bias in buoy temperature measurements. NOAA’s earlier assessment (blue) underestimated sea surface temperature changes, falsely suggesting a hiatus in global warming. The lines show the general upward trend in ocean temperatures. Credit: Zeke Hausfather, UC Berkeley

A controversial paper published two years ago that concluded there was no detectable slowdown in ocean warming over the previous 15 years — widely known as the “global warming hiatus” — has now been confirmed using independent data in research led by researchers from the University of California, Berkeley, and Berkeley Earth, a non-profit research institute focused on climate change.

The 2015 analysis showed that the modern buoys now used to measure ocean temperatures tend to report slightly cooler temperatures than older ship-based systems, even when measuring the same part of the ocean at the same time. As buoy measurements have replaced ship measurements, this had hidden some of the real-world warming.

After correcting for this “cold bias,” researchers with the National Oceanic and Atmospheric Administration concluded in the journal Science that the oceans have actually warmed 0.12 degrees Celsius (0.22 degrees Fahrenheit) per decade since 2000, nearly twice as fast as earlier estimates of 0.07 degrees Celsius per decade. This brought the rate of ocean temperature rise in line with estimates for the previous 30 years, between 1970 and 1999.

This eliminated much of the global warming hiatus, an apparent slowdown in rising surface temperatures between 1998 and 2012. Many scientists, including the International Panel on Climate Change, acknowledged the puzzling hiatus, while those dubious about global warming pointed to it as evidence that climate change is a hoax.

Climate change skeptics attacked the NOAA researchers and a House of Representatives committee subpoenaed the scientists’ emails. NOAA agreed to provide data and respond to any scientific questions but refused to comply with the subpoena, a decision supported by scientists who feared the “chilling effect” of political inquisitions.

The new study, which uses independent data from satellites and robotic floats as well as buoys, concludes that the NOAA results were correct. The paper is published Jan. 4 in the online, open-access journal Science Advances.

“Our results mean that essentially NOAA got it right, that they were not cooking the books,” said lead author Zeke Hausfather, a graduate student in UC Berkeley’s Energy and Resources Group.

Long-term climate records

Hausfather said that years ago, mariners measured the ocean temperature by scooping up a bucket of water from the ocean and sticking a thermometer in it. In the 1950s, however, ships began to automatically measure water piped through the engine room, which typically is warm. Nowadays, buoys cover much of the ocean and that data is beginning to supplant ship data. But the buoys report slightly cooler temperatures because they measure water directly from the ocean instead of after a trip through a warm engine room.

NOAA is one of three organizations that keep historical records of ocean temperatures — some going back to the 1850s — widely used by climate modelers. The agency’s paper was an attempt to accurately combine the old ship measurements and the newer buoy data.

Hausfather and colleague Kevin Cowtan of the University of York in the UK extended that study to include the newer satellite and Argo float data in addition to the buoy data.

“Only a small fraction of the ocean measurement data is being used by climate monitoring groups, and they are trying to smush together data from different instruments, which leads to a lot of judgment calls about how you weight one versus the other, and how you adjust for the transition from one to another,” Hausfather said. “So we said, ‘What if we create a temperature record just from the buoys, or just from the satellites, or just from the Argo floats, so there is no mixing and matching of instruments?'”

In each case, using data from only one instrument type — either satellites, buoys or Argo floats — the results matched those of the NOAA group, supporting the case that the oceans warmed 0.12 degrees Celsius per decade over the past two decades, nearly twice the previous estimate. In other words, the upward trend seen in the last half of the 20th century continued through the first 15 years of the 21st: there was no hiatus.

“In the grand scheme of things, the main implication of our study is on the hiatus, which many people have focused on, claiming that global warming has slowed greatly or even stopped,” Hausfather said. “Based on our analysis, a good portion of that apparent slowdown in warming was due to biases in the ship records.”

Correcting other biases in ship records

In the same publication last year, NOAA scientists also accounted for changing shipping routes and measurement techniques. Their correction — giving greater weight to buoy measurements than to ship measurements in warming calculations — is also valid, Hausfather said, and a good way to correct for this second bias, short of throwing out the ship data altogether and relying only on buoys.

Another repository of ocean temperature data, the Hadley Climatic Research Unit in the United Kingdom, corrected their data for the switch from ships to buoys, but not for this second factor, which means that the Hadley data produce a slightly lower rate of warming than do the NOAA data or the new UC Berkeley study.

“In the last seven years or so, you have buoys warming faster than ships are, independently of the ship offset, which produces a significant cool bias in the Hadley record,” Hausfather said. The new study, he said, argues that the Hadley center should introduce another correction to its data.

“People don’t get much credit for doing studies that replicate or independently validate other people’s work. But, particularly when things become so political, we feel it is really important to show that, if you look at all these other records, it seems these researchers did a good job with their corrections,” Hausfather said.

Co-author Mark Richardson of NASA’s Jet Propulsion Laboratory and the California Institute of Technology in Pasadena added, “Satellites and automated floats are completely independent witnesses of recent ocean warming, and their testimony matches the NOAA results. It looks like the NOAA researchers were right all along.”

Other co-authors of the paper are David C. Clarke, an independent researcher from Montreal, Canada, Peter Jacobs of George Mason University in Fairfax, Virginia, and Robert Rohde of Berkeley Earth. The research was funded by Berkeley Earth.


Journal Reference:

  1. Zeke Hausfather, Kevin Cowtan, David C. Clarke, Peter Jacobs, Mark Richardson, Robert Rohde. Assessing recent warming using instrumentally homogeneous sea surface temperature recordsScience Advances, 2017; 3 (1): e1601207 DOI: 10.1126/sciadv.1601207

Um Brasil mais vulnerável no século XXI (Pesquisa Fapesp)

Projeções apontam aumento do risco de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terra e secas extremas, nas próximas décadas 

MARCOS PIVETTA | ED. 249 | NOVEMBRO 2016

CAPA_Desastres_249_info 1Fora da rota dos grandes furacões, sem vulcões ativos e desprovido de zonas habitadas sujeitas a fortes terremotos, o Brasil não figura entre os países mais suscetíveis a desastres naturais. Ocupa apenas a 123ª posição em um índice mundial dos países mais vulneráveis a cataclismos. Mas a aparência de lugar seguro, protegido dos humores do clima e dos solavancos da geologia, deve ser relativizada. Aqui, cerca de 85% dos desastres são causados por três tipos de ocorrências: inundações bruscas, deslizamentos de terra e secas prolongadas. Esses fenômenos são relativamente recorrentes em zonas tropicais e seus efeitos podem ser atenuados, em grande medida, por políticas públicas de redução de danos. Nas últimas cinco décadas, mais de 10.225 brasileiros morreram em desastres naturais, a maioria em inundações e devido à queda de encostas. As estiagens duradouras, como as comumente observadas no Nordeste, são, no entanto, o tipo de ocorrência que provoca mais vítimas não fatais no país (ver Pesquisa FAPESP nº 241).

Dois estudos baseados em simulações climáticas feitos por pesquisadores brasileiros indicam que o risco de ocorrência desses três tipos de desastre, ligados ao excesso ou à falta de água, deverá aumentar, até o final do século, na maioria das áreas hoje já afetadas por esses fenômenos. Eles também sinalizam que novos pontos do território nacional, em geral adjacentes às zonas atualmente atingidas por essas ocorrências, deverão se transformar em áreas de risco significativo para esses mesmos problemas. “Os impactos tendem a ser maiores no futuro, com as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e de sua população e a ocupação de mais áreas de risco”, comenta José A. Marengo, chefe da Divisão de Produtos Integrados de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que coordenou as simulações climáticas. Parte dos resultados das projeções já foi divulgada em congressos e relatórios, como o documento federal enviado em abril deste ano à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), e serve de subsídio para direcionar as estratégias do recém-criado Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. Mas dados mais detalhados das simulações vão sair em um artigo científico já aceito para publicação na revista Natural Hazards e em trabalhos destinados a outros periódicos.

Arredores da usina de Sobradinho, Bahia: estiagens devem atingir outras partes do país nas próximas décadas

Expansão das secas
De acordo com os estudos, as estiagens severas, hoje um problema de calamidade pública quase sempre associado a localidades do Nordeste, deverão se intensificar também no oeste e parte do leste da Amazônia, no Centro-Oeste, inclusive em torno de Brasília, em pontos dos estados do Sudeste e até no Sul. “Embora parte do Nordeste seja naturalmente mais árido, a seca não se deve apenas ao clima”, afirma o engenheiro civil Pedro Ivo Camarinha, pesquisador do Cemaden. “A vulnerabilidade da região se dá também por uma série de problemas de ordem socioeconômica, de uso do solo e devido à baixa capacidade de adaptação aos impactos das mudanças climáticas.” A carência de políticas públicas específicas para enfrentar os meses de estiagem, o baixo grau de escolaridade da população e a escassez de recursos são alguns dos fatores citados pelos autores como determinantes para aumentar a exposição de parcelas significativas do Nordeste a secas futuras.

A vulnerabilidade a inundações e enxurradas tende a se elevar em 30% nos três estados do Sul, na porção meridional do Mato Grosso e em boa parte da faixa litorânea do Nordeste, segundo um cenário projetado para 2100 pelas simulações climáticas. No estado de São Paulo, o mais populoso do país, a intensificação da ocorrência de enchentes-relâmpago, aquelas originadas após poucos minutos de chuvas torrenciais, deverá ser mais modesta, da ordem de 10%, mas ainda assim significativa. No Brasil Central, a vulnerabilidade a enchentes deverá cair, até porque as projeções indicam menos chuvas (e mais secas) em boa parte da região. “Os modelos divergem sobre o regime futuro de chuvas no oeste da Amazônia”, explica Marengo, cujos estudos se desenvolveram em parte no âmbito de um projeto temático da FAPESP. “Um deles aponta um aumento expressivo na frequência de inundações enquanto o outro sinaliza um cenário de estabilidade ou de leve aumento de enchentes.”

O padrão de deslizamento de terra, associado à ocorrência de chuvas intensas ou prolongadas por dias, deverá seguir, grosso modo, as mesmas tendências verificadas com as inundações, ainda que em um ritmo de crescimento mais moderado. O aumento na incidência de quedas de encostas deverá variar entre 3% e 15% nos lugares hoje já atingidos por esse tipo de fenômeno. O destaque negativo recai sobre a porção mais meridional do país. As áreas sujeitas a deslizamentos no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná deverão se expandir e abarcar boa parte desses estados até 2100. No Sudeste, a região serrana na divisa entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais deverá se tornar ainda mais vulnerável a esse tipo de desastre. “Precisamos implementar com urgência políticas públicas nas regiões mais vulneráveis a inundações e deslizamentos de terra”, afirma o geógrafo Nathan Debortoli, coautor dos estudos, que hoje faz estágio de pós-doutorado na Universidade McGill, do Canadá. “A maior exposição às mudanças climáticas pode tornar a sobrevivência inviável em algumas regiões do país.”

Enchente de 2014 em União da Vitória (SC): Sul deverá ser palco de mais inundações

Para gerar as projeções de risco futuro de desastres, foram usados dois modelos climáticos globais, o HadGEM2 ES, desenvolvido pelo Centro Hadley, da Inglaterra, e o Miroc5, criado pelo centro meteorológico japonês. Acoplado a eles, rodou ainda o modelo de escala regional Eta, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Trabalhando dessa forma, os autores conseguiram avaliar os padrões predominantes do clima futuro que estão associados à ocorrência de desastres naturais em áreas de, no mínimo, 400 quilômetros quadrados, um quadrado com os lados de 20 quilômetros de extensão.

Mais convergências que divergências
Os resultados fornecidos pelos dois modelos climáticos são semelhantes para cerca de 80% do território nacional. Isso dá robustez às projeções. O modelo inglês é usado há mais de 10 anos em simulações feitas por climatologistas brasileiros, que têm boa experiência acumulada com ele. O japonês começa agora a ser empregado com mais frequência. Há, no entanto, algumas discordâncias nas simulações de longo prazo geradas pelos dois modelos. A lista, por exemplo, dos 100 municípios mais vulneráveis a episódios de seca nas próximas três décadas fornecida pelas simulações do HadGEM2 ES é diferente da obtida com o Miroc5. As cidades de maior risco ficam, segundo o modelo japonês, em quatro estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. As fornecidas pelo modelo inglês se encontram, em sua maioria, em outros estados do Nordeste e também no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais. “Com exceção desses exemplos extremos, as projeções dos dois modelos coincidem em grande medida”, comenta Camarinha. No caso dos fenômenos hídricos, a discrepância mais significativa diz respeito ao regime de chuvas na Amazônia, em especial nos estados do oeste da região Norte (Acre, Amazonas e Rondônia). O HadGEM2 ES projeta mais chuvas — portanto, risco aumentado de inundações e deslizamentos — e o Miroc5, menos. “Prever as chuvas na Amazônia ainda é um desafio para os modelos”, afirma Marengo.

Para quantificar o risco futuro de ocorrer desastres naturais em uma área, é preciso ainda incluir nas simulações, além das informações climáticas, uma série de dados locais, como as condições econômicas, sociais e ambientais dos mais de 5.500 municípios brasileiros e de sua população. Ao final dos cálculos, cada área é classificada em um de cinco níveis de vulnerabilidade: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta. “O modelo escolhido, a qualidade dos dados de cada cidade e o peso que se dá a cada variável influenciam no índice final obtido”, explica Camarinha.

CAPA_Desastres_249_info 2O peso do homem
Além da suscetibilidade natural a secas, enchentes, deslizamentos e outros desastres, a ação do homem tem um peso considerável em transformar o que poderia ser um problema de menor monta em uma catástrofe. Os pesquisadores estimam que um terço do impacto dos deslizamentos de terra e metade dos estragos de inundações poderiam ser evitados com alterações de práticas humanas ligadas à ocupação do solo e a melhorias nas condições socioeconômicas da população em áreas de risco.

Moradias precárias em lugares inadequados, perto de encostas ou em pontos de alagamento; infraestrutura ruim, como estradas ou vias que não permitem acesso fácil a zonas de grande vulnerabilidade; falta de uma defesa civil atuante; cidades superpopulosas e impermeabilizadas, que não escoam a água da chuva – todos esses fatores não naturais, da cultura humana, podem influenciar o desfecho final de uma situação de risco. “Até hábitos cotidianos, como não jogar lixo na rua, e o nível de solidariedade e coesão social de uma população podem ao menos mitigar os impactos de um desastre”, pondera a geógrafa Lucí Hidalgo Nunes, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp). “Obviamente, há desastres naturais tão intensos, como os grandes terremotos no Japão, que nem mesmo uma população extremamente preparada consegue evitar. Mas a recuperação nos países mais estruturados é muito mais rápida.”

Em seus trabalhos, os pesquisadores adotaram um cenário global até o final do século relativamente pessimista, mas bastante plausível: o RCP 8.5, que consta do quinto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Esse cenário é marcado por grandes elevações de temperatura e recrudescimento tanto de chuvas como de secas intensas. No caso do Brasil, as projeções indicam que o país deverá ficar ao menos 3 ºC mais quente até o fim do século e que as chuvas podem aumentar até 30% no Sul-Sudeste e diminuir até 40% no Norte-Nordeste. As mudanças climáticas devem tornar mais frequentes os chamados eventos extremos, que podem se manifestar de diferentes formas: secas prolongadas, picos de temperatura, tempestades mais intensas, chuvas prolongadas por vários dias, ressacas mais fortes. Essas ocorrências aumentam o risco de desastres. “Não é, por exemplo, só uma questão da quantidade de chuva que cai em um lugar”, explica Marengo. “Às vezes, a quantidade pode até não mudar, mas a distribuição da chuva ao longo do tempo se altera e essa mudança pode gerar mais desastres.” Numa cidade como São Paulo, chover 50 milímetros no decorrer de três ou quatro dias dificilmente causa danos. Mas, se a pluviosidade se concentrar em apenas uma tarde, provavelmente ocorrerão alagamentos.

CAPA_Desastres_249_info 3Para testar o grau de confiabilidade do índice de vulnerabilidade, os pesquisadores brasileiros compararam os resultados obtidos pelos modelos com os registros reais de desastres do passado recente (1960 a 1990), compilados pelo Atlas brasileiro de desastres naturais. Dessa forma, foi possível ter uma boa ideia se os modelos eram, de fato, úteis para prever as áreas onde ocorreram inundações, deslizamentos de terra e secas no Brasil durante as últimas décadas. Os dados do atlas também serviram de termo de comparação, como base presente para se quantificar o aumento ou a diminuição da vulnerabilidade futura de uma área a desastres. Para estiagem, as simulações do Miroc5 se mostraram geralmente mais confiáveis na maior parte do território nacional. No caso das enchentes e deslizamentos de terra, o HadGEM2 ES forneceu previsões mais precisas para áreas subtropicais e montanhosas, no Sul e Sudeste, e o Miroc5, para o resto do país. A Amazônia, como já destacado, foi o alvo de discórdia.

Um trabalho com metodologia semelhante à empregada pelos estudos de Marengo e de seus colaboradores, mas com enfoque apenas na situação atual, sem as projeções de aumento ou diminuição de risco futuro, foi publicado em abril no International Journal of Disaster Risk Reduction. Em parceria com pesquisadores alemães, o geógrafo Lutiane Queiroz de Almeida, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), calculou um conjunto de índices que apontaria o risco de ocorrer desastres naturais em cada município do país. Denominado Drib (Disaster risk indicators in Brazil), o indicador é uma adaptação do trabalho feito em escala mundial pela Universidade das Nações Unidas e instituições europeias (ver mapa e texto às páginas 22 e 23). Além de levar em conta dados sobre o risco de secas, enchentes e deslizamentos de terra, o Drib inclui em seu índice a exposição dos municípios costeiros ao aumento do nível do mar. Para esse tipo de problema, as cidades que se mostraram em maior perigo foram Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo, Santos (SP) e Salvador (BA).

Almeida produziu índices de vulnerabilidade para os principais tipos de desastre em todo o território nacional e um número final, o Drib, que indicaria o risco geral de um lugar para a ocorrência de eventos extremos. Chamou a atenção a classificação de praticamente todo o território do Amazonas e do Acre e de metade do Pará como áreas de risco muito elevado, com populações socialmente vulneráveis e expostas a inundações. Entre os 20 municípios com pior desempenho no índice Drib, 12 são da região Norte. Os demais são do Nordeste (seis) e do Sudeste (dois). “Esses municípios têm pequenas populações, entre 3 mil e 25 mil habitantes, alta exposição a desastres e baixa capacidade adaptativa”, comenta o geógrafo da UFRN. “O estudo aponta que apenas 20% dos municípios brasileiros estão bem preparados para mitigar os impactos e reagir imediatamente a eventos extremos.” Em geral, essa é uma característica das regiões Sul e Sudeste.

Deslizamento em Nova Friburgo (RJ) em 2011: alta vulnerabilidade a desastres

Tragédias que se repetem
Muito antes das discussões atuais sobre as mudanças climáticas, os cataclismos naturais despertam interesse no homem. Os desastres são um capítulo trágico da história da humanidade desde tempos imemoriais. Alegado castigo divino, o mítico dilúvio global que teria acabado com a vida na Terra, com exceção das pessoas e animais que embarcaram na arca de Noé, é uma narrativa presente no Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento cristão e do Tanach, o conjunto de textos sagrados do judaísmo. Supostas inundações gigantescas e catastróficas, antes e depois da publicação do Gênesis, aparecem em relatos de várias culturas ao longo dos tempos, desde os antigos mesopotâmicos e gregos até os maias centro-americanos e os vikings. As antigas cidades romanas de Pompeia e Herculano foram soterradas pela lava do monte Vesúvio na famosa erupção de 79 d.C. e, estima-se, cerca de 2 mil pessoas morreram. Dezessete anos antes, essa região da Campania italiana já havia sido afetada por um terremoto de menor magnitude. “Costumamos dizer que, se um desastre já ocorreu em um lugar, ele vai se repetir, mais dia ou menos dia”, comenta Lucí.

Projeto
Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option (nº 2008/58161-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais – Temático (Acordo FAPESP/CNPq – Pronex); Pesquisador responsável José A. Marengo (Cemaden); Investimento R$ 812.135,64.

Artigos científicos
DEBORTOLI, N. S et al. An index of Brazil’s vulnerability to expected increases in natural flash flooding and landslide disasters in the context of climate change. Natural Hazards. No prelo.
ALMEIDA, L. Q. et alDisaster risk indicators in Brazil: A proposal based on the world risk index. International Journal of Disaster Risk Reduction. 17 abr. 2016.

Com 516 milímetros de chuva em 5 anos, Ceará tem pior seca desde 1910 (G1)

09/09/2016 09h20 – Atualizado em 09/09/2016 11h57

Previsão para 2017 ainda é indefinida devido ao “Oceano Pacífico Neutro”.
Águas do Açude Orós estão sendo transferidas para o Castanhão.

Do G1 CE com informações da TV Verdes Mares

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Levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) nesta quinta-feira (8) mostra que nos últimos cinco anos, de 2012 a 2016, foram apenas 516 milímetros de chuva, em média, no Ceará. O índice é o menor desde 1910.

De acordo com o meteorologista Davi Ferran, vai ser preciso conviver com a incerteza pelos próximos meses, já que ainda é cedo pra afirmar se 2017 vai trazer chuva ou não.

Ano Chuva (mm)
2012 388
2013 552
2014 565
2015 524
2016 550
Média 516
Fonte: Funceme

“No período chuvoso do ano que vem, ou seja, março, abril e maio, que é o período chuvoso principal, a maior probabilidade é que o Oceano Pacífico não tenha El Niño nem La Niña. Vamos ter o Oceano Pacífico neutro. Em anos de Oceano Pacífico neutro, a probabilidade de chuvas no Ceará depende mais fortemente do Atlântico. Então a previsão vai ser divulgada somente em janeiro”, explica.

Enquanto isso, segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), os reservatórios secam cada vez mais. No momento, o nível médio dos 153 açudes monitorados pela Cogerh é de apenas 9,4% do volume total.O “Gigante” Castanhão, responsável por abastecer toda a Região Metropolitana de Fortaleza, está praticamente sem água. Há apenas sete anos, ele chegou a inundar a cidade de Jaguaribara com a enorme vazão das comportas.

Hoje, a Cogerh diz que o maior açude do Ceará está com apenas 6% da capacidade. Bem perto dele, o Açude Orós, também na Região Jaguaribana, sangrou em 2004 e 2008. Na época, virou até atração turística no Centro Sul do Estado.

Agora em 2016, o Orós aparece nesse cenário de seca em forma de ajuda. Desde julho, as águas do açude estão sendo transferidas para o Castanhão. Segundo a Cogerh, essa água deve chegar às residências da Região Metropolitana de Fortaleza em setembro, e garantir o abastecimento pelo menos durante esse período  de crise hídrica.

“Nossa programação é até o final de janeiro. Ou seja, até janeiro vamos estar operando de forma integrada os dois reservatórios. O caso da Região Metropolitana, ela está totalmente integrada à Região do Jaguaribe por dois grandes canais: o do Trabalhador e Eixão das Águas. Então é o caso de uma bacia hoje tem uma maior dependência de outra região, de outra bacia hidrográfica, mas elas estão integradas. Esse é o caso que eu diria mais emblemática no Estado”, explica o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias.

saiba mais

Tsunami meteorológico? Entenda fenômeno que assustou Santa Catarina (UOL Notícias)

Fernando Cymbaluk*
Do UOL, em São Paulo 19/10/2016, 12h44 

VIDEO: http://tv.uol/15G3x

 

Uma onda que atingiu duas praias no sul de Santa Catarina arrastou carros e assustou os banhistas em um dia de calor e fortes ventos. O fenômeno foi provocado por uma grande tempestade no mar que impulsionou a onda “gigante”. O evento, que é raro e perigoso, tem nome: tsunami meteorológico.

Sim, podemos dizer que ocorrem tsunamis no Brasil. Comuns no leste e sudeste da Ásia, tsunamis são ondas que avançam na costa provocando danos (em japonês, “tsu” quer dizer porto, e “nami” significa onda).

Os tsunamis que já devastaram grandes áreas de países como o Japão são provocados por abalos sísmicos em um ponto do oceano. Eles são muito mais drásticos do que o caso brasileiro, com ondas bem maiores, que alcançam diversas praias após irradiarem do epicentro do tremor.

Já o tsunami meteorológico, como o nome diz, é provocado por eventos meteorológicos (da atmosfera) e ocorre mais localmente. É mais propício na primavera e no verão, época de tempestades.

Apesar de raro, há registros de sua ocorrência em locais como Cabo Frio (RJ) e Florianópolis (SC). Uma onda mais forte atingindo a praia é algo perigoso para banhistas e pessoas que morem nas costas. Além disso, tempestades no mar também trazem riscos devido aos ventos, raios e trovões.

Carros arrastados por onda em Balneário Rincão (SC). Ao fundo, nuvem de tempestade que provoca tsunami meteorógico

Como se forma

Um tsunami meteorológico ocorre quando um conjunto de cúmulo-nimbo, a nuvem que provoca as tempestades, se propaga em paralelo sobre o oceano. Nesse cenário, uma grande onda pode se formar caso as ondas do mar também estejam alinhadas a essas nuvens.

“Ocorre uma ressonância entre a onda de pressão [nuvem] e a onda do mar, que se aproxima da costa, cresce em amplitude e pode inundar a região costeira”, explica Renato Ramos da Silva, professor de física da atmosfera da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em uma tempestade, o ar sobe, formando uma zona de baixa pressão atmosférica. Tal mudança nas condições atmosféricas ocorre de forma brusca. Essa formação é chamada de linha de instabilidade. Seu rápido deslocamento acoplado às ondas do mar faz com que a onda ganhe tamanho.

O nome tsunami meteorológico, contudo, não é consenso entre os meteorologistas. Para José Carlos Figueiredo, meteorologista da Unesp, a grande onda que se verificou em SC é comum no Nordeste, sem contudo ser chamada de tsunami.

“Em algumas praias, há ondas que invadem a areia. O avanço pode ser provocado por tempestades naturais no mar”, diz Figueiredo. Ele lembra ainda que ciclones que ocorrem no Sul do Brasil provocam ressacas em praias de SP e RJ. Nesses episódios, fortes ondas também invadem a costa.

Para o meteorologista, outro fenômeno, conhecido como “downburst”, pode explicar para a grande onda que atingiu as praias catarinenses. Nesse tipo de evento, a chuva, “em vez de precipitar normal e pausadamente, precipita tudo de uma vez”, explica. A grande chuva poderia, assim, ter levado a formação de uma onda maior.

Difícil de prever

Tsunamis meteorológicos não são nada fáceis de serem previstos. Isso porque sua ocorrência é muito localizada, dependendo da formação de tempestades em um ponto do oceano e das condições do mar um lugar específico.

Segundo Silva, para prever o fenômeno a tempo de avisar a população seria necessária “uma boa previsão meteorológica junto de um modelo oceânico de previsão de ondas”.

* Com colaboração de Gabriel Francisco Ribeiro

Relembre tornado que atingiu SC

27.abr.2015 – A presidente Dilma Rousseff sobrevoa o município de Xanxerê, em Santa Catarina, e observa os estragos provocados pelo tornado que devastou a cidade do interior catarinense (situada a 551 km de Florianópolis), na última segunda-feira (20). De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 4.275 pessoas estão desalojadas e há 539 desabrigadas em Xanxerê, por conta dos ventos que ultrapassaram a velocidade de 250 km/h  VEJA MAIS > Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR

Global climate models do not easily downscale for regional predictions (Science Daily)

Date:
August 24, 2016
Source:
Penn State
Summary:
One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to climate researchers who caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to Penn State climate researchers.

“The impacts of climate change rightfully concern policy makers and stakeholders who need to make decisions about how to cope with a changing climate,” said Fuqing Zhang, professor of meteorology and director, Center for Advanced Data Assimilation and Predictability Techniques, Penn State. “They often rely upon climate model projections at regional and local scales in their decision making.”

Zhang and Michael Mann, Distinguished professor of atmospheric science and director, Earth System Science Center, were concerned that the direct use of climate model output at local or even regional scales could produce inaccurate information. They focused on two key climate variables, temperature and precipitation.

They found that projections of temperature changes with global climate models became increasingly uncertain at scales below roughly 600 horizontal miles, a distance equivalent to the combined widths of Pennsylvania, Ohio and Indiana. While climate models might provide useful information about the overall warming expected for, say, the Midwest, predicting the difference between the warming of Indianapolis and Pittsburgh might prove futile.

Regional changes in precipitation were even more challenging to predict, with estimates becoming highly uncertain at scales below roughly 1200 miles, equivalent to the combined width of all the states from the Atlantic Ocean through New Jersey across Nebraska. The difference between changing rainfall totals in Philadelphia and Omaha due to global warming, for example, would be difficult to assess. The researchers report the results of their study in the August issue of Advances in Atmospheric Sciences.

“Policy makers and stakeholders use information from these models to inform their decisions,” said Mann. “It is crucial they understand the limitation in the information the model projections can provide at local scales.”

Climate models provide useful predictions of the overall warming of the globe and the largest-scale shifts in patterns of rainfall and drought, but are considerably more hard pressed to predict, for example, whether New York City will become wetter or drier, or to deal with the effects of mountain ranges like the Rocky Mountains on regional weather patterns.

“Climate models can meaningfully project the overall global increase in warmth, rises in sea level and very large-scale changes in rainfall patterns,” said Zhang. “But they are uncertain about the potential significant ramifications on society in any specific location.”

The researchers believe that further research may lead to a reduction in the uncertainties. They caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

“Uncertainty is hardly a reason for inaction,” said Mann. “Moreover, uncertainty can cut both ways, and we must be cognizant of the possibility that impacts in many regions could be considerably greater and more costly than climate model projections suggest.”

Cobrada pelo mau tempo, Fundação Cacique Cobra Coral diz que não falhou (O Globo)

Representantes da organização garantem que não houve falhas em sua operação

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas Foto: Jorge William / Agência O Globo

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas – Jorge William / Agência O Globo

POR LUIZ ERNESTO MAGALHAES

10/08/2016 15:53 / atualizado 10/08/2016 16:17

RIO – Regatas na Lagoa adiadas, sessões de tênis remarcadas, transtornos provocados por ressacas que invadem instalações na Praia de Copacabana… Credenciados pelo Comitê Organizador Rio-2016 para acompanhar as condições climáticas durante a Olimpíada, os integrantes da Fundação Cacique Cobra Coral, que garantem ter poder sobrenatural para controlar o tempo, afirmam que não houve falhas na operação espiritual para garantir o sucesso da Olimpíada.

A médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, já circulou várias vezes pelo Parque Olímpico. O porta-voz da fundação, Osmar Santos, garante que o desempenho até agora da entidade é digno de medalha de ouro. Segundo ele, as prioridades foram direcionar o tempo para garantir a cerimônia de abertura sem chuvas e que os ventos soprassem de forma a a garantir que as regatas da Baía de Guanabara ocorressem em raias sem lixo:

Segundo Osmar, no domingo, quando uma forte ventania atingiu a cidade causando estragos e adiando provas do remo, Adelaide sequer estava no Rio. A médium, segundo ele, estaria na Região Serrana, encerrando a operação da Cerimônia de Abertura. O porta voz da médium argumenta que as demandas espirtuais da entidade são inúmeras e não se limitam a Olimpíada

– O grande legado nosso da cerimônia de abertura foi o desvio da Frente Fria que estava no Rio e foi desviada para Minas erais onde despejou 30 milímetros de chuva em pleno agosto no Vale do Jequitinonha. Isso para o cacique é muito mais importante. Agora vamos abrir um corredor para as frentes entrarem pelo continente e apagarem as queimadas no Pantanal – disse Osmar.

De acordo com Osmar, o mau tempo de hoje está relacionado com o atraso na entrada da frente fria na cidade para garantir a limpeza da Baía

Essa não é a primeira vez que a Fundação atua numa Olimpíada. Repórteres do GLOBO encontraram integrantes da Fundação em Londres, em 2012, credenciados inclusive para uma visita da presidente afastada Dilma Roousseff durante um evento oficial do Comitê Olímpico do Brasil. Adelaide também estava em Copenhague (Dinamarca) em 2009 quando o Rio foi eleito cidade sede da Olimpíada de 2016.

A Fundação também, é chamada para outros eventos como o Réveillon e o Rock in Rio. Nas últimas edições das Olimpíadas, no entanto, chegou a chover forte alguns dias. A Fundação Cacique Cobra Coral nas duas ocasiões alegou que ficou retida antes de chegar à Cidade do Rock por problemas no credenciamento do carro que transportava os integrantes.

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