Arquivo mensal: outubro 2015

Mudança climática pode reduzir capacidade hidrelétrica em até 20% (Estadão)

Giovana Girardi

29 de outubro de 2015

Temperaturas mais elevadas, mudança no regime de chuvas e aumento de eventos climáticos extremos são apenas uma parte da história das mudanças climáticas. A forma como essas mudanças vão impactar agricultura, geração de energia, infraestrutura, oferta d’água e saúde é o outrolado que acaba de ganhar detalhes para o Brasil.

Considerado o mais importante estudo sobre como diversos setores vão reagir diante do clima modificado, o projeto Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas foi publicado ontem no site da extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos(SAE) da Presidência.

Um dos principais resultados é sobre como a oferta de água será afetada. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil deverão sofrer redução. A Sul pode ter um leve aumento na média, mas com uma distribuição muito irregular. Para o Sudeste, há incertezas. Isso pode ter impactos diretos na agricultura e na energia.

Usina hidrelétrica Belo Monte, no pior cenário de mudanças climáticas, pode ser afetada por falta de chuvas e deixar de compensar financeiramente

Usina hidrelétrica Belo Monte, no pior cenário de mudanças climáticas, pode ser afetada por falta de chuvas e deixar de compensar financeiramente

Diversos grupos de pesquisa do Brasil trabalharam com dados de dois modelos climáticos, que, por sua vez, levaram em conta dois cenários do IPCC (o painel da ONU de cientistas do clima). Um, mais pessimista, que considera que o mundo não vai agir para combater as mudanças climáticas, e um intermediário, que imagina que haverá algumas ações, mas não o suficiente, e o mundo ainda vai aquecer pelo menos 3°C. Este segundo cenário é condizente com as propostas de redução das emissões apresentadas como contribuição para a Conferência do Clima de Paris.

No pior cenário, até 2040 a capacidade das hidrelétricas pode ficar de 8% a 20% menor. Já no melhor cenário, a capacidade diminui entre 4% e 15%. Ou seja, mesmo se o mundo fizer tudo o que está prometendo para combater o aquecimento global, ainda podemos ter impacto na produção de energia. Usinas na Amazônia como a de Belo Monte ou o novo projeto pensado para o rio Tapajós seriam inviabilizados.

Hoje o Brasil ainda é altamente dependente da água para a geração de energia elétrica. Cerca de 80% vêm de hidrelétricas. “O que por um lado torna a matriz energética brasileira mais limpa que a média mundial, por outro a torna vulnerável se o clima mudar”, afirma Roberto Schaeffer, da UFRJ, coordenador do capítulo de energia.

O gargalo, principalmente nas hidrelétricas localizadas na Amazônia, é que elas não têm reservatórios. Com isso, não têm estoque de água na seca. “Essa vulnerabilidade que a mudança climática traz talvez nos faça repensar se não é melhor voltar a ter hidrelétricas com reservatório”, complementa.

O Brasil pode ficar mais dependente de térmicas. O estudo até prevê um aumento das energias eólica (no Nordeste) e solar (Sul e Sudeste), mas como elas são intermitentes, há necessidade de ter uma energia de base e, se a hidrelétrica falhar, as térmicas serão a saída. “Mas pode ser a etanol, a bagaço de cana, a biomassa, não a carvão”, sugere Schaeffer. “O ideal é ter diversidade. E planejar a expansão do setor incorporando a variável das mudanças climáticas. Não podemos mais só olhar para as séries hidrológicas do passado para prever o futuro, porque ele será bem diferente.”

Soja em risco. A mudança no regime hídrico pode trazer impactos também às principais commodities agrícolas do Brasil. A redução de área potencial para lavouras pode ser de até 39,3%, no pior cenário. A soja seria a cultura mais afetada, tendo uma perda de até 67% da área plantada na região Sul até 2040.

Produtor rural mostra área afetada pela estiagem em sua plantação de soja, em Santa Maria (RS), em crise de 2012. Falta de chuva no período de plantio pode levar a uma perda de área para o plantio do grão no Estado

Produtor rural mostra área afetada pela estiagem em sua plantação de soja, em Santa Maria (RS), em crise de 2012. Falta de chuva no período de plantio pode levar a uma perda de área para o plantio do grão no Estado

De acordo com Leila Harfuch, do Agroicone, no entanto, áreas do Centro-Oeste e do Norte podem compensar parte dessa perda. Na comparação com um futuro sem mudança do clima, a perda total de área de soja no País seria de 5%.

“Existe uma dinâmica econômica que torna o impacto nacional menos dramática, vai haver uma realocação da produção no caso dos grãos. Mas os impactos locais serão muito relevante, em especial para a região Sul. Vai ter perda de valor de produção, de emprego e renda, mas em termos produtivos, outras regiões podem compensar”, explica Leila.

Segundo ela, algo parecido pode acontecer com as plantações de cana-de-açúcar na região Sudeste. A estimativa, no pior cenário, é de redução de 10% na área plantada na região na comparação com o tamanho que a produção teria se não houvesse mudanças climáticas. Parte seria compensada no Sul e parte no Centro-Oeste.

Segundo o estudo, quem mais deve perder área é a pastagem. Não necessariamente porque o clima prejudique muito o pasto, mas porque tanto áreas degradadas quanto outras que tenham aptidão para a agricultura poderão ser ocupadas com grãos. Está esperada uma queda de 6,5% da área ocupada pela pecuária, mas o estudo espera que haja uma intensificação da produção, de modo que ela deve se manter estável.

Repercussão. O Observatório do Clima, coalizão brasileira com mais de 30 organizações da sociedade civil em torno das mudanças climáticas, afirmou que o estudo tem de servir como alerta para que o Brasil deixe a tratar o problema como um tema marginal.

“O estudo traça um panorama preocupante dos impactos das mudanças climáticas sobre a economia nacional já nos próximos 25 anos. Mostra que a maneira como o Brasil investe em agropecuária e em infraestrutura precisa ser radicalmente revista. Grandes hidrelétricas na Amazônia, como Belo Monte e São Luís do Tapajós, poderão ter reduções importantes de vazão, e a sociedade pode acabar enterrando bilhões de reais em obras que não se pagam”, afirmou Carlos Rittl, secretário-executivo da organização. Para ele, o estudo “aponta a necessidade de o Brasil lutar por um acordo do clima ambicioso nas próximas semanas na conferência de Paris, e de aumentar também a ambição da própria proposta.”

Privilégios ancestrais (Pesquisa Fapesp)

28.10.2015 


Autor do livro Direito e justiça em terras d’el rei na São Paulo colonial 1709 – 1822, Adelto Gonçalves fala sobre como a organização das estruturas de poder na sociedade, o funcionamento da Justiça paulista e a formação de privilégios da elite naquela época descrevem as raízes dos desmandos públicos no Brasil.

Excitement grows as NASA carbon sleuth begins Year Two (Science Daily)

Date:
October 29, 2015
Source:
NASA/Jet Propulsion Laboratory
Summary:
Scientists busy poring over more than a year of data from NASA’s Orbiting Carbon Observatory-2 (OCO-2) mission are seeing patterns emerge as they seek answers to the science questions that drive the mission.

Global average carbon dioxide concentrations as seen by NASA’s Orbiting Carbon Observatory-2 mission, June 1-15, 2015. OCO-2 measures carbon dioxide from the top of Earth’s atmosphere to its surface. Higher carbon dioxide concentrations are in red, with lower concentrations in yellows and greens. Credit: NASA/JPL-Caltech

Scientists busy poring over more than a year of data from NASA’s Orbiting Carbon Observatory-2 (OCO-2) mission are seeing patterns emerge as they seek answers to the science questions that drive the mission.

Launched in July 2014, OCO-2, an experimental carbon-dioxide measurement mission, is designed to give the international science community a new view of the global carbon cycle in unprecedented detail. During its two-year primary mission, the satellite observatory is tracking the large-scale movement of carbon between Earth’s atmosphere, its plants and soil, and the ocean, from season to season and from year to year. OCO-2 began routine science operations in September 2014.

“We can already clearly see patterns of seasonal change and variations in carbon dioxide around the globe,” said Annmarie Eldering, OCO-2 deputy project scientist at NASA’s Jet Propulsion Laboratory in Pasadena, California. “Far more subtle features are expected to emerge over time.”

A new animation depicting the first full year of OCO-2 science operations is available at:

Armed with a full annual cycle of data, OCO-2 scientists are now beginning to study the net sources of carbon dioxide as well as their “sinks” — places in the Earth system that store carbon, such as the ocean and plants on land. This information will help scientists better understand the natural processes currently absorbing more than half the carbon dioxide emitted into the atmosphere by human activities. This is a key to understanding how Earth’s climate may change in the future as greenhouse gas concentrations increase.

The first year of data from the mission reveals a portrait of a dynamic, living planet. Between mid-May and mid-July 2015, OCO-2 saw a dramatic reduction in the abundance of atmospheric carbon dioxide across the northern hemisphere, as plants on land sprang to life and began rapidly absorbing carbon dioxide from the air to form new leaves, stems and roots. During this intense, two-month period, known as the “spring drawdown,” OCO-2 measurements show the concentration of atmospheric carbon dioxide over much of the northern hemisphere decreased by two to three percent. That’s 8 to 12 parts per million out of the global average background concentration of 400 parts per million.

“That’s a big but expected change,” said Eldering. “This is the first time we’ve ever had the opportunity to observe the spring drawdown across the entire northern hemisphere with this kind of spatial resolution, seeing changes from week to week.”

Also as expected, OCO-2 data show increased concentrations of carbon dioxide associated with human activities. Higher carbon dioxide levels of several parts per million are seen in regions where fossil fuels are being consumed by large power plants or megacities. Enhanced levels are also seen in the Amazon, Central Africa and Indonesia, where forests are being cleared and burned to create fields for agricultural use.

Researchers Abhishek Chatterjee of the Global Modeling and Assimilation Office at NASA’s Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Maryland; and Michelle Gierach and Dave Schimel of JPL are investigating a strong correlation observed between atmospheric carbon dioxide over the Pacific Ocean and the current El Nino. Fluctuations in carbon dioxide appear to be strongly linked with warmer sea surface temperatures. OCO-2’s unprecedented density of measurements is giving researchers a unique data set to understand and separate the roles that sea surface temperatures, winds, regional emissions and other variables may be playing in the carbon dioxide concentrations.

“We believe 2016 will see breakthrough OCO-2 research results, as scientists work to unravel the mysteries of finding carbon dioxide sources and natural sinks,” said Eldering.

Through most of OCO-2’s first year in space, the mission team was busy calibrating its science instrument, learning how to process its massive amount of data, and delivering data products to NASA’s Goddard Earth Sciences Data and Information Services Center (GES-DISC) in Greenbelt, Maryland, for distribution to the world’s science community.

Scientists are comparing OCO-2 data to ground-based measurements to validate the satellite data and tie it to internationally accepted standards for accuracy and precision.

Routine delivery of OCO-2 data — calibrated spectra of reflected sunlight that reveal the fingerprints of carbon dioxide — began in late 2014, while estimates of carbon dioxide derived from cloud-free OCO-2 observations have been delivered since March 2015. Recently, the OCO-2 team reprocessed the OCO-2 data set to incorporate improvements in instrument calibration and correct other known issues with the original data release.

Every day, OCO-2 orbits Earth 14.5 times and collects and returns about a million measurements. After eliminating data contaminated by clouds, aerosols and steep terrain, between 10 to 13 percent of the measurements are of sufficient quality to derive accurate estimates of the average carbon dioxide concentration between Earth’s surface and space. That’s at least 100 times more carbon dioxide measurements than from all other sources of precise carbon dioxide data combined.

NASA uses the vantage point of space to increase our understanding of our home planet, improve lives and safeguard our future. NASA develops new ways to observe and study Earth’s interconnected natural systems with long-term data records. The agency freely shares this unique knowledge and works with institutions around the world to gain new insights into how our planet is changing.

For more information on OCO-2, visit:

http://www.nasa.gov/oco-2

For more information about NASA’s Earth science activities, visit:

http://www.nasa.gov/earth

Upcoming UN Climate Summit can’t overlook China’s support of global coal power (Science Daily)

Date:
October 27, 2015
Source:
Princeton University
Summary:
When global leaders converge on Paris on Nov. 30 for the 2015 United Nations climate change conference, they should create guidelines and incentives for developing nations to cooperate with one another on lower-carbon energy projects, according to a new report. Failure to do so could contribute to an unchecked expansion of coal energy in developing counties, which has already accelerated in recent years with the help of Chinese firms going global.

When global leaders converge on Paris on Nov. 30 for the 2015 United Nations climate change conference, their goal will be to deliver an agreement that, for the first time, seeks to safeguard the Earth’s climate by having all nations that are significant sources of carbon dioxide rein in their emissions.

A threat to that plan might be the unchecked growth of coal-intensive energy in the world’s developing nations — a dangerous trend recently accelerated by the expansion of Chinese firms seeking business internationally, according to researchers from Princeton University, Tongji University in Shanghai and the University of California-Irvine.

The Paris conference is the 21st annual meeting to revisit and strengthen the international environmental treaty known as the UN Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). Created at the 1992 UN Conference on Environment and Development, commonly known as the “Earth Summit,” the treaty sets goals and procedures for signatory nations to contain and reduce carbon emissions.

However, the researchers write in the journal Nature Climate Change that any agreement reached in Paris also should be expanded to provide guidelines and incentives — already under discussion for industrialized countries — for developing nations to cooperate with one another on lower-carbon energy projects. Failure to do this, the authors write, could allow further “dirty” energy cooperation between developing nations and complicate the United Nations’ goal to keep the global average temperature within 2 degrees Celsius of what it was around 1750 at the dawn of the Industrial Age.

“After years of effort to construct a truly global climate agreement, negotiators are on course to accept a system with incoherent rules for developed and developing countries in terms of investing in low-carbon energy outside their borders. We think that may be harmful in the long run,” said lead author Phil Hannam, a doctoral candidate in the Program in Science, Technology and Environmental Policy (STEP) at Princeton’s Woodrow Wilson School of Public and International Affairs.

The paper, which includes the first tally of Chinese involvement in power plants around the world, includes co-authors Michael Oppenheimer, the Albert G. Milbank Professor of Geosciences and International Affairs at Princeton; Zhenliang Liao, an associate professor of environmental science and engineering at Tongji University; and Steven Davis, an assistant professor of earth system science at UC-Irvine.

Carbon emissions continue to rise from energy production as developing nations such as India, Brazil and South Africa fuel their rapid industrialization, the researchers report. At the same time, developing nations such as China have the capital and technology to support other burgeoning economies. But the lack of international attention — and UN incentives — for developing nations to support each other’s energy needs in a low-carbon way has helped keep coal power a popular choice, according to the authors.

Chinese firms — which often have financial or policy backing from China’s state banks — have poured coal-power equipment into other Asian countries, partly as a result of China’s slowing domestic power-market growth. The situation could get worse as China pledges to reduce domestic carbon emissions, according to the paper. The researchers found that of the total power capacities in Asian countries other than China that have involvement from Chinese firms, 68 percent in operation, 77 percent under construction and 76 percent in planning burn coal. This level of involvement in coal exceeds the global trend, Hannam said.

“While China has tightened its belt on coal power domestically, that’s pushing Chinese firms to help build coal plants in other countries, so much so that China’s firms are disproportionately focused in coal-intensive energy abroad relative to other nations,” Hannam said. “Instead, if the UNFCCC integrated low-carbon cooperation between developing countries in the climate agreement, China could lead the way for countries to make pledges for low-carbon investment globally, just as they pledge domestic emissions cuts.”

The loopholes of ‘climate finance’

“Climate finance,” which Hannam and his co-authors focus on, is an important tool for guiding clean-energy development internationally. In an effort to keep global emissions low, a nation’s government — usually in concert with private money — will support low-carbon development in other nations. Richer industrialized nations with a long history of emissions have committed to mobilizing climate finance to the tune of US$100 billion per year by 2020. Some of this funding will flow through the Green Climate Fund established in 2010 to support low-carbon investment in the developing world.

Developing nations — generally with China at the helm — have entered into numerous parallel arrangements to support energy-sector growth in other developing nations. China has established the South-South Cooperation Fund for supporting low-carbon investment.

Several other energy-financing agreements, however, are not only outside the UN’s purview, they often benefit from vastly more funding than the Green Climate Fund or the South-South fund and have no explicit low-carbon directive, the authors reported.

The New Development Bank headquartered in Shanghai and formed by China, Brazil, Russia, India and South Africa to support infrastructure projects in developing countries boasts a starting capital of $100 billion. Some $50 billion in capital is already behind the China-based Asian Infrastructure Investment Bank, and another $40 billion supports China’s Silk Road Fund — both entities are intended to accelerate development in China’s less prosperous neighbors.

Efforts to encourage countries to support low-carbon development is complicated by the fact that there are no universally accepted standards for climate finance, Hannam said. Even the Green Climate Fund may permit financing for coal power.

“This highlights the need for both developed and developing countries to agree to common definitions of what qualifies as climate finance,” Hannam said. “Then the UNFCCC can look across the multiple emerging institutions and provide incentives for all power-sector finance — regardless of country of origin — to shift from coal to lower-carbon sources.”

The issues the authors discuss have already been broached in diplomatic circles, said Oppenheimer, who will be attending the Paris conference in part to promote the ideas laid out in the perspective piece. The United States recently persuaded China to reconsider its carbon-intensive power investments abroad, he said. While American support is crucial, climate finance is a complicated international balancing act that is influenced by many nations’ pursuit of economic gain and influence, Oppenheimer said.

“If the United States stays focused and makes this a priority within its international climate approach, then there’s a fair chance other governments will likewise support such an effort,” Oppenheimer said. “However, there is clearly more to international energy finance than just the United States and China. Japan, for instance, also finances coal power internationally and has a lot at stake politically in China’s Asia-focused institutions. It’s not simple.”

Gilbert Metcalf, a professor of economics at Tufts University and former deputy assistant secretary for environment and energy at the U.S. Department of Treasury, agreed that developing nations also must be brought into the fold. The norm has been for industrialized nations to foot the bill for low-carbon investment in poorer nations. The recent initiatives by China and other developing nations have somewhat upset that dynamic, but countries with small economies might still hesitate to commit themselves to investment standards long applied only to rich countries, said Metcalf, who was not involved in the research but is familiar with it.

Nonetheless, Metcalf said, the paper in Nature Climate Change is significant for taking a proactive approach to dealing with the climate-finance issue, as well as for detailing the energy-sector investments for an emerging financial force such as China.

“Providing some systematic measurement of climate finance is extremely valuable, especially with regard to climate finance from China and other developing countries. As China’s recent announcement to provide climate finance outside of the Green Climate Fund indicates, developing country finance will be an important part of the climate finance architecture,” he said.

“The massive external coal investment highlighted in [this paper] makes clear that South-South investment is not necessarily green investment,” he said. “It also makes clear that incentives built into the Paris agreement — or post-Paris negotiations — to green South-South investment will be extremely valuable to support global efforts to decarbonize.”


Journal Reference:

  1. Phillip M. Hannam, Zhenliang Liao, Steven J. Davis, Michael Oppenheimer. Developing country finance in a post-2020 global climate agreementNature Climate Change, 2015; 5 (11): 983 DOI: 10.1038/nclimate2731

Dudas sobre El Niño retrasan preparación ante desastres (SciDev Net)

Dudas sobre El Niño retrasan preparación ante desastres

Crédito de la imagen: Patrick Brown/Panos

27/10/15

Martín De Ambrosio

De un vistazo

  • Efectos del fenómeno aún son confusos a lo largo del continente
  • No hay certeza, pero cruzarse de brazos no es opción, según Organización Panamericana de la Salud
  • Hay consenso científico del 95 por ciento sobre posibilidades de un El Niño fuerte

Los desacuerdos que existen entre los científicos sobre la posibilidad de que Centro y Sudamérica sufran o no un fuerte evento El Niño están generando cierto retraso en las preparaciones, según advierten las principales organizaciones que trabajan en el clima de la región.

Algunos investigadores sudamericanos aún tienen dudas sobre la forma cómo se desarrolla el evento este año. Esta incertidumbre impacta en los funcionarios y los estados, que deberían actuar cuanto antes para prevenir los peores escenarios, incluyendo muertes debido a desastres naturales, reclaman las organizaciones meteorológicas.

Eduardo Zambrano, investigador del Centro de Investigación Internacional sobre el Fenómeno de El Niño (CIIFEN) en Ecuador, y uno de los centros regionales de la Organización Meteorológica Mundial, dice que el problema es que los efectos del fenómeno todavía no han sido claros y evidentes en todo el continente.

“Algunas imágenes de satélite nos muestran un Océano Pacífico muy caliente, una de las características de El Niño”.

Willian Alva León, presidente de la Sociedad Meteorológica del Perú

“De todos modos podemos hablar sobre las extremas sequías en el noreste de Brasil, Venezuela y la zona del Caribe”, dice, y menciona además las inusualmente fuertes lluvias en el desierto de Atacama en Chile desde marzo y las inundaciones en zonas de Argentina, Uruguay y Paraguay.

El Niño alcanza su pico cuando una masa de aguas cálidas para los habituales parámetros del este del Océano Pacífico, se mueve de norte a sur y toca costas peruanas y ecuatorianas. Este movimiento causa efectos en cascada y estragos en todo el sistema de América Central y del Sur, convirtiendo las áridas regiones altas en lluviosas, al tiempo que se presentan sequías en las tierras bajas y tormentas sobre el Caribe.

Pero El Niño continúa siendo de difícil predicción debido a sus muy diferentes impactos. Los científicos, según Zambrano, esperaban al Niño el año pasado “cuando todas las alarmas sonaron, y luego no pasó nada demasiado extraordinario debido a un cambio en la dirección de los vientos”.

Tras ese error, muchas organizaciones prefirieron la cautela para evitar el alarmismo. “Algunas imágenes de satélite nos muestran un Océano Pacífico muy caliente, una de las características de El Niño”, dice Willian Alva León, presidente de la Sociedad Meteorológica del Perú. Pero, agrega, este calor no se mueve al sudeste, hacia las costas peruanas, como sucedería en caso del evento El Niño.

Alva León cree que los peores efectos ya sucedieron este año, lo que significa que el fenómeno está en retirada. “El Niño tiene un límite de energía y creo que ya ha sido alcanzado este año”, dice.

Este desacuerdo entre las instituciones de investigación del clima preocupa a quienes generan políticas, pues necesitan guías claras para iniciar las preparaciones necesarias del caso. Ciro Ugarte, asesor regional del área de Preparativos para Emergencia y Socorro en casos de Desastrede la Organización Panamericana de la Salud, dice que es obligatorio actuar como si El Niño en efecto estuviera en proceso para asegurar que el continente enfrente las posibles consecuencias.

“Estar preparados es importante porque reduce el impacto del fenómeno así como otras enfermedades que hoy son epidémicas”, dice.

Para asegurar el grado de probabilidad de El Niño, algunos científicos usan modelos que abstraen datos de la realidad y generan predicciones. María Teresa Martínez, subdirectora de meteorología del Instituto de Hidrología, Meteorología y Estudios Ambientales de Colombia, señala que los modelos más confiables predijeron en marzo que había entre un 50 y un 60 por ciento de posibilidad de un evento El Niño. “Ahora El Niño se desarrolla con fuerza desde su etapa de formación hacia la etapa de madurez, que será alcanzada en diciembre”, señala.

Ugarte admite que no hay certezas, pero dice que para su organización “no hacer nada no es una opción”.

“Como creadores de políticas de prevención, lo que tenemos que hacer es usar lo que es el consenso entre los científicos, y hoy ese consenso dice que hay un 95% de posibilidades de tener un fuerte o muy fuerte evento El Niño”, dice.

Populações pré-colombianas afetavam pouco a Amazônia, diz estudo (Estado de São Paulo)

Fábio de Castro

28 de outubro de 2015

Antes da chegada dos Europeus às Américas, uma grande população indígena habitava a Amazônia. Mas, ao contrário do que sustentam alguns cientistas, os impactos dessa ocupação humana sobre a floresta eram extremamente pequenos, segundo um novo estudo internacional realizado com participação brasileira.

pesquisa, publicada nesta quarta-feira, 28, na revista científica Journal of Biogeography, foi liderada por cientistas do Instituto de Tecnologia da Flórida, nos Estados Unidos e teve a participação de Carlos Peres, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Imagem de satélite da Amazônia ocidental mostra mendros de rios com 'braços-mortos', onde viviam grandes populações antes da chegada dos europeus; o novo estudo mostra que o impacto desses povos na floresta era menor do que se pensava

Imagem de satélite da Amazônia ocidental mostra mendros de rios com ‘braços-mortos’, onde viviam grandes populações antes da chegada dos europeus; o novo estudo mostra que o impacto desses povos na floresta era menor do que se pensava

Segundo o novo estudo, as populações amazônicas pré-colombianas viviam em densos assentamentos perto dos rios, afetando profundamente essas áreas. Mas os impactos que elas produziam na floresta eram limitados a uma distância de um dia de caminhada a partir das margens – deixando intocada a maior parte da Bacia Amazônica.

A pesquisa foi realizada com o uso de plantas fósseis, estimativas de densidade de mamíferos, sensoriamento remoto e modelagens computacionais de populações humanas. Segundo os autores, os resultados indicam que as florestas amazônicas podem ser muito vulneráveis às perturbações provocadas por atividades madeireiras e de mineração.

O novo estudo refuta uma teoria emergente, sustentada por alguns arqueólogos e antropólogos, de que as florestas da Amazônia são resultado de modificações da paisagem produzidas por populações ancestrais. Essa teoria contradiz a noção de que as florestas são ecossistemas frágeis.

“Ninguém duvida da importância da ação humana ao longo das principais vias fluviais. Mas, na Amazônia ocidental, ainda não se sabe se os humanos tiveram sobre o ecossistema um impacto maior que qualquer outro grande mamífero”, disse o autor principal do estudo, Mark Bush, do Instituto de Tecnologia da Flórida.

Dolores Piperno, outra autora do estudo, arqueóloga do Museu Americano de História Natural, afirma que há exagero na ideia de que a Amazônia é uma paisagem fabricada e domesticada. “Estudos anteriores se basearam em poucos sítios arqueológicos próximos aos cursos de água, e extrapolaram os efeitos da ocupação humana pré-histórica para todo o bioma. Mas a Amazônia é heterogênea e essas extrapolações precisam ser revistas com dados empíricos”, disse ela.

“Esse não é apenas um debate sobre o que ocorreu há 500 anos, ele tem implicações muito relevantes para a sociedade moderna e para as iniciativas de conservação”, afirmou Bush.

De acordo com Bush, se as florestas tivessem sido pesadamente modificadas antes da chegada dos Europeus e tivessem se recuperado no período de uma só geração de árvores para adquirir um nível tão vasto de biodiversidade, essa capacidade de recuperação rápida poderia ser usada como justificativa para uma atividade madeireira agressiva.

Entretanto, se a influência dos humanos foi muito limitada, como mostra o novo estudo, a atividade madeireira e mineradora têm potencial para provocar na floresta consequências de longo prazo, possivelmente irreversíveis.

“Essa distinção se torna cada vez mais importante, à medida em que os gestores decidem se irão reforçar ou flexibilizar a proteção de áreas já designadas como parques de conservação”, afirmou Bush.

Anthropologies #21: Is There Hope for an Anthropocene Anthropology? (Savage Minds)

September 5, 2015, by Ryan.

This entry is part 4 of 10 in the Anthropologies #21 series.

Up next for this issue we have Todd Sanders and Elizabeth F. Hall. Sanders is an Associate Professor of Anthropology at the University of Toronto. He has written extensively on African and Euro-American knowledge practices, and is currently collaborating with Elizabeth Hall on a project called ‘Knowing Climate Change.’ Hall is a physician-scientist and Research Associate at the Centre for Ethnography at the University of Toronto Scarborough. She trained as a specialist in public health medicine and holds a PhD in epidemiology.  –R.A.

Global climate change is driving anthropologists in opposite directions. Some are enthusiastically adopting “the Anthropocene” – a “gift” from our friends in the natural sciences (Latour 2014) that might enable us to exit, at long last, our Modern world and its Holocene thinking (Hamilton, et al. 2015). The concept potentially dovetails with old and new concerns – networks, rhizomes and relational ontologies; more-than-human socialities; hybrids, nonhumans and the posthuman; multispecies, multinaturalisms and modes of existence – and promises critical purchase over today’s troubled times. For as we enter the Anthropocene, we’ll need new conceptual tools and ways of thinking to understand our new home. The familiar dualisms that have long dogged our discipline and world – Nature and Culture; local and global; Moderns and non-moderns; and so on – are not up to the task. Discard the Modern dualisms. Dwell on the emergent processes of their production. And reimagine worlds as partial and provisional, composed through multiple, heterogeneous entanglements. For many anthropologists, the time is ripe for such an Anthropocene Anthropology.

At the same time, climate change is leading other anthropologists right back to the Holocene. For them, this is not the time to abandon dualisms nor to theorise partial, emergent, hybrid worlds. Instead, we must entrench and purify the well-known anthropological categories of nature and culture, tradition and the local, and insist on the merits of holism. These anthropologists share theoretical affinities more with Julian Steward and Robert Netting than with, say, Latour or Tsing. Their scholarship is large and growing, and asks how climate change will impact local, traditional cultures. The story ordinarily goes like this: local, traditional cultures crucially depend on nature for their cultural, material and spiritual needs. They will therefore suffer first, worst and most directly from rapid climate change. These place-based peoples are somewhat resilient and adaptive, due to their local, indigenous or traditional ecological knowledge. Yet cultural adaptation has limits. Urgent anthropological interventions are thus required to mediate and translate between local and global worlds to help these cultures adapt. The Anthropocene figures here too: not as an opportunity to reconfigure and overcome Modern dualisms but as a way to underscore and holistically integrate them. Welcome to the Holocene!

While this approach is strongly endorsed by the AAA’s Global Climate Change Task Force (Fiske, et al. 2014), other anthropologists will insist that in today’s world, old ideas about local, traditional cultures are “obsolete from the outset” (Hastrup 2009: 23). For them, entrenching ourselves in the Holocene is not the obvious way to enter the Anthropocene. Still, it’s worth noting that obsolescence is a matter of perspective and is context-dependent. This pedestrian point is crucial because, when it comes to climate change, anthropology is not the only discipline in town. And because it isn’t, anthropologists may not get the last word on which of our knowledges and knowledge practices are useful, or useless, in the wider climate change arena.

In this vast, bustling arena, considerable efforts are being devoted to putting a human face on climate change. For many in the human sciences, this means supplementing and nuancing abstract, paternalistic, quantitative climate sciences with humanistic, qualitative data and values from real people (Hulme 2011; Jasanoff 2010). As we discuss elsewhere, this is one reason growing numbers of social and natural scientists are doing ethnographic research on “the human dimensions of climate change” (Hall and Sanders 2015). From geographers to geophysicists, ecologists to ethnobotanists, scholars from every alcove of the academy are joining the human dimensions enterprise. They travel to remote places on the planet to understand how local, traditional cultures will – or will not – adapt to climate change. And they tell familiar tales: the same tales, in fact, that some anthropologists tell about local, traditional, place-based cultures being done in by a changing climate. In this broader academic arena, such local, traditional peoples are fast becoming the human face of climate change. Figure 1, reproduced from a leading interdisciplinary climate change journal, is emblematic.

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Figure 1. “Theo Ikummaq in the middle of Fury and Hecla Strait, between Igloolik and Baffin Island, explaining the challenges with spring ice conditions, while waiting at a seal hole (June 22, 2005).” (With kind permission from Springer Science+Business Media: Climatic Change, Travelling and hunting in a changing Arctic: assessing Inuit vulnerability to a sea ice change in Igloolik, Nunavut, 94, 2009, p. 375, Laidler GJ, Ford JD, Gough WA, Ikummaq T, Gagnon AS, Kowal S, Qrunnut K, Irngaut C, figure 2).

This scholarship shares affinities with salvage anthropology and cultural ecology, and while not unaware of the many critiques of such projects, remains mostly unfazed by them. These are urgent, real-world problems, after all, that require serious ethnographic attention. There’s no time for wiffle-waffle. But whatever one’s views on the matter, the point is that this multi- and interdisciplinary scholarship is large, and working hard to complement and complete the climate change puzzle: to serve up culture to nature, local to the global, traditional to the modern, values to facts, indigenous knowledge to Western Science. This is Holocene thinking replayed with a vengeance.

After decades of imploring social scientists to step up to the plate, to leave our ivory towers, to add the missing human piece to the climate change puzzle, “harder” natural scientists are welcoming such “soft” climate change scholars and scholarship. Of course economists got there first. But this new wave of human dimensions scholarship provides hope that, after decades of delay, important aspects of “the human” might finally be fleshed out and “integrated” into our understandings of climate change. These hopes are understandable, given the Modern metaphysics many in this arena share.

It all began with capital-n Nature, which natural and computational scientists reanimated decades ago. Today, this Nature takes the form of coupled Ocean-Atmosphere General Circulation Models (OAGCMs) and Earth System Models (ESMs), which rely on formally-specified (i.e., mathematical) equations to model the Earth System’s natural components and the complex links among them. “The human” came later. Social scientists from many disciplines are now adding in the human, or trying to, and the calls for more such efforts continue.

One perpetual challenge in this arena has been how to combine the two, Nature and Culture, the Ecological and the Sociological. Thus funding streams like the NSF’s long-running Dynamics of Coupled Natural and Human Systems (CNH) Program have been established for precisely this purpose. The research projects they support are often large, always interdisciplinary and “must include analyses of four different components: (1) the dynamics of a natural system; (2) the dynamics of a human system; (3) the processes through which the natural system affects the human system; and (4) the processes through which the human system affects the natural system.”

But however funded, efforts to “integrate” human and natural components of the system in the name of climate change are legion. Consider the tightly-coupled Integrated Assessment Models (IAMs), which aim quantitatively to bring diverse natural “scientific, economics and social science expertise together to provide analysis and advice that comprehensively addresses all or at least many aspects of the climate change issue” (Sarofim and Reilly 2011: 27). There are also many looser modelling efforts with telling titles – coupled human and natural systems (CHANS), human-environment systems (HES), social-ecological systems (SES) – that aim to couple human and natural components of the Earth System. Such holistic, Modern integrationist efforts stabilise “components” through the act of “coupling” them, and sometimes mistake models for the world. They are also widespread and flourishing.

The Stockholm Resilience Centre, for instance, funded by the Swedish Foundation for Strategic Environmental Research (MISTRA) to the tune of 30 million US dollars, is well-known for developing complex social-ecological systems to aid decision-making around climate change. The Centre’s Science Director, Carl Folke, notes:

We want to build a unique transdisciplinary research environment where innovative ideas can flourish. By combining new forms of cooperation with a holistic perspective, we hope to generate the insights that are needed to strengthen societies’ and the ecosystems’ capacities to meet a world which spins faster and faster.

Folke is one of the Centre’s founders, and has devoted much of his distinguished career to theorising “resilience” and “social-ecological systems.” While Figure 2 is illustrative of some of his influential work on coupled systems, similar diagrams could be reproduced from countless other scholars.

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Figure 2. A conceptual framework developed in relation to the resilience approach. (Republished with permission of Global Environmental Change, from “Resilience: the emergence of a perspective for social-ecological systems analysis,” Folke, C., vol. 16, 2006; permission conveyed through Copyright Clearance Center, Inc.).

Note how the all-embracing social-ecological system is composed of Latour’s modern constitution: a Great Divide between Nature (left) and Culture/Society (right), with feedback loops between the system’s component parts. Note, too, how scale works, also in a Modern register: each side is composed of “nested hierarchies,” the “larger” levels encompassing the “smaller.” (There’s obvious scope here to fill local slots with local knowledges and peoples). While Folke acknowledges that these are conceptual models, many others do not, leading to statements like “[c]oupled human and natural systems (CHANS) are systems in which humans and natural components interact” (Liu, et al. 2007: 639). Coupled systems scholarship may enable us to sort messy empirical worlds into tidy, Modern boxes, and to pretend we haven’t done so. But such purifying practices are of little interest to Anthropocene Anthropology, and do not create an environment in which Anthropocene thinking might flourish. Where to find such a place?

Last year, we attended Carbon 14: Climate is Culture, an innovative ArtScience collaboration at the Royal Ontario Museum in Toronto. The event was produced by a London-based charitable organisation whose mission is to bring together artists, scientists, journalists, media specialists and other publics “to stimulate a cultural narrative that will engage and inspire a sustainable and vibrant future society” in the face of global climate change.

The four-month-long exhibition and festival was big, Canadian-flavoured, and guided by a single question, and answer, prominently printed on the catalogue cover: “What does Culture have to do with Climate Change? Everything.” The “culture” had two senses: as in the cultural arts (music, theatre, photography, etc.), which play a crucial role innovating and communicating to the public; and in the anthropological sense (more or less). The event featured a performance by Inuit musician Tanya Tagaq and a mock trial of Canadian broadcaster, environmentalist and scientist, David Suzuki, for his Carbon Manifesto; poetry slams and a performance art piece by Dene-Inuvialuit artist, Reneltta Arluk, that examined “the impacts of climate change on Northern peoples and explore[d] the artist’s personal cultural identity;” talks by journalists, artists and others on fossil fuel dependence and the health of the oceans, biodiversity, sustainability and extinction; workshops on provocative, environmental activist arts; public discussions, including one with University of Victoria climate scientist Andrew Weaver and Sheila Watt-Cloutier, the well-known Canadian Inuit cultural and human rights activist and author (Watt-Cloutier 2015). The event also featured visual arts and artists: videos produced with Inuit filmmakers on climate change and Inuit traditional knowledge, on everyday life in the far North, and others; photographs of majestic Nature; and awe-inspiring photos that the Canadian astronaut, Chris Hadfield, took from outer space.

Climate is Culture was spectacular. Yet the event left us haunted by the thought that the sustainable, vibrant, dare we say “Anthropocene” future we had hoped to find looked strikingly like the present – or even the past. Nature had thoroughly bifurcated from Culture, while Culture had simultaneously split in two: planet destroyers (the global, modern, fossil-fuel-burning West) versus innocent victims (the local, traditional Rest). Modern dualisms ran amok, creating Nature and Culture, local and global, Moderns and non-moderns everywhere we turned. One prominently-displayed photo captured the mood most eloquently: a lone, Inuk elder standing on an ice flow, poised to harpoon an unsuspecting walrus poking its head out from beneath the sea (similar to Figure 1 above, add walrus). “Lukie, 70, prepares to harpoon a walrus while standing on moving ice in Foxe Basin,” read the caption. It continued: “This scene could have been from a thousand years ago, but it is today.” The photographer, a visual artist and Associate Professor of Geography at a major Canadian university, provided the perfect title: “1000 Years Ago Today.” Though the photo, caption and title said it all, a further plaque was provided, just in case:

The Arctic: A Place of Global Warming and Wisdom

Arctic climate change is a hot topic with surface air temperatures in the region warming at double the global average, and corresponding loss of sea ice, glaciers, and permafrost being observed by both scientists and local people. In Canada’s North, Inuit are on the front lines, and traditional knowledge and experience indicate that climate change already affects travel routes and safety; wildlife, vegetation and habitat; human food security and health; and communities and coastal infrastructure. These cumulative impacts challenge cultural and social identity. However, with an ancient culture, persisting over millennia, Inuit show that human ingenuity, connectedness with the land, and respect for future generations are all-important teachings for the modern world as we collectively face climate change, the paramount issue of our time.

*   *   *

So, what should we think when so many cutting-edge scientists including anthropologists, avant-garde artists, activists, journalists, charitable foundations, non-profit and government funders from across the planet are living happily in the Holocene – as if our theoretical lexicons and social imagination were firmly fixed, if not 1000 years ago today, perhaps 100? Who in this world is ready for an Anthropocene Anthropology? Are there grounds for hope? Enthusiasm? We think so, but only with certain shifts in anthropological practice.

First of all, more critical reflections, debates and theorising of anthropological knowledge practices around climate change are required. Many anthropological writings on climate change imply that holistically integrating our discipline’s disparate questions and theoretical concerns, knowledges and knowledge practices is possible and desirable – a win-win scenario, as it were. This approach is seductive: it suggests that every anthropologist can contribute her or his crucial piece of the climate change puzzle. But it is also seriously undertheorised, and does not accord with current thinking in the social sciences – including in anthropology – about what knowledge is and how it works. Partial connections and incommensurabilities render puzzle metaphors suspect. Knowledges are not puzzle pieces, nor can they simply “add up” to create “the whole.” Focus is required. Choices are always made. Power is never absent. Such commonplaces hold within as well as beyond anthropology. For these reasons, sustained engagements with social theory and the anthropology of knowledge would prove productive. How should we understand climate change anthropologically? Which of our many competing analytics provide the most theoretical purchase over the problem at hand? What are their real-world consequences? Should we dwell on culture or “culture”? Local or “local”? Or something altogether different, of which many promising candidates exist? Forging a meaningful Anthropocene Anthropology will mean prioritising certain anthropological knowledges, analytics and concerns over others. We can’t have it all ways.

Second, whatever our disciplinary response, we must recognise that anthropologists may not be the final arbiters on which of our knowledges and knowledge practices find favour in the wider world. Anthropology, after all, exists in a broader context. And as every anthropologist knows, context matters. The way forward is thus not to repeat, at higher volume, the truism that anthropology has lots to offer. It is to anthropologise the myriad Euro-American contexts in which climate change knowledge is produced and put to work. This means critically interrogating natural and social science knowledge practices surrounding climate change (e.g., interdisciplinarity, collaboration, producing “useful knowledge,” etc.), as well as the disparate policy and science policy realms through which scientific knowledges of climate change are institutionalised. Venerable traditions in political and legal anthropology, and in the anthropology of science and of policy, point the way. But whatever context we choose to study – there are many – Anthropocene Anthropology has its work cut out for it. For in today’s world, as Geertz might have said, it’s Holocene turtles all the way down.

References

Fiske, Shirley, J., Crate, Susan A., Crumley, Carole L., Galvin, Kathleen A., Lazrus, Heather, Luber, George, Lucero, Lisa, Oliver-Smith, Anthony, Orlove, Ben, Strauss, Sarah and Wilk, Richard R. 2014. Changing the atmosphere: anthropology and climate change. Final Report of the AAA Global Climate Change Task Force. Arlington, VA: American Anthropological Association.

Hall, Elizabeth F. and Sanders, Todd. 2015. Accountability and the academy: producing knowledge about the human dimensions of climate change. [link: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1467-9655.12162/epdf] Journal of the Royal Anthropological Institute 21(2): 438-461.

Hamilton, Clive, Bonneuil, Christophe and Gemenne, François, eds. 2015. The Anthropocene and the global environmental crisis: rethinking modernity in a new epoch. London: Routledge.

Hastrup, Kirsten. 2009. Waterworlds: framing the question of social resilience. Pp. 11-30 in The question of resilience: social responses to climate change, ed. K. Hastrup. Copenhagen: Special-Trykkeriet Viborg a-s.

Hulme, Mike. 2011. Meet the humanities. Nature Climate Change 1: 177-79.

Jasanoff, Sheila. 2010. A new climate for society. Theory, Culture & Society 27(2-3): 233-53.

Latour, Bruno. 2014. Anthropology at the time of the Anthropocene: a personal view of what is to be studied. 113th Annual Meeting of the American Anthropological Association Annual Meeting. Washington DC.

Liu, Jianguo, Dietz, Thomas, Carpenter, Stephen R., Folke, Carl, Alberti, Marina, Redman, Charles L., Schneider, Stephen H., Ostrom, Elinor, Pell, Alice N., Lubchenco, Jane, Taylor, William W., Ouyang, Zhiyun, Deadman, Peter, Kratz, Timothy and Provencher, William. 2007. Coupled human and natural systems. Ambio 36(8): 639-49.

Sarofim, Marcus C. and Reilly, John M. 2011. Applications of integrated assessment modeling to climate change. WIREs Climate Change 2: 27-44.

Watt-Cloutier, Sheila. 2015. The right to be cold: one woman’s story of protecting her culture, and the Arctic and the whole planet. Toronto: Allen Lane.

“Strongest Storm Ever Recorded” Bears Down on Mexico

Climate Denial Crock of the Week

Above, scientists explain why climate change intensifies storms and precipitation.

CNN:

Patricia — the strongest hurricane ever recorded — barreled closer and closer Friday morning to Mexico’s Pacific coast, where residents have been told to brace for its 200-mph sustained winds and torrential rains.

The Miami-based meteorological center, in its 10 a.m. CT (11 a.m. ET) advisory, warned of a “potentially catastrophic landfall … in southwestern Mexico” late that afternoon or early evening. While its strength could fluctuate, “Patricia is expected to remain an extremely dangerous Category 5 hurricane through landfall.”

Patricia has potential to cause massive death and destruction over a large swath of the Mexican Pacific coast, including the tourist hot spots of Puerto Vallarta and Acapulco.patriciaCiting observations by hurricane hunters, Patricia is “the strongest hurricane on record in the National Hurricane Center’s area of responsibility (AOR) which includes the Atlantic and the eastern North Pacific basins,”…

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Loving, Eating, Teaching, and Wayfaring in the Anthropocene

Engagement

By Trevor Durbin, Kansas State University §

“I took this class because I wanted to address my relationship with the idea of climate change. I think I was somewhere between guilt and grief…” I read these opening lines of a student essay with a sinking in the pit of my stomach. It was written by a young woman in a seminar I teach at the Kansas State University called “Environmental Anthropology in the Anthropocene.” She was distraught over our planetary future and, more importantly, over her inability to imagine anything she might do that would make a difference. She continued:

The problem seemed so enormous. And then I started doing the readings for this class, and every problem that we learn about stresses me out so much. It feels uncomfortable to just go on with my normal, student life. I want to do something about climate change, but an…

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Humanities research is groundbreaking, life-changing… and ignored (The Guardian)

Humanities scholars are making strides in sectors from sustainability to robotics – why are so few people aware of their work?

Philosopher Don Howard worked with computer scientists on the ethics of ‘human-robot interaction’.

Philosopher Don Howard worked with computer scientists on the ethics of ‘human-robot interaction’. Photograph: Alamy

Deep in the corridors of Stanford University’s English department, graduate student Jodie Archer developed a computer model that can predict New York Times bestsellers. Her soon-to-be published research landed her a top job with Apple iBooks and may revolutionise the publishing industry. At the University of Notre Dame, philosopher Don Howard worked with a computer scientist to develop a code of ethics for “human-robot interaction” that could change the way Silicon Valley designs robots.

Both scholars share an academic background in humanities. And they join countless others working in fields such as technology, environmental sustainability and even infectious disease control.

But humanities is experiencing a crisis. Public support has dwindled. Enrolment in humanities majors is down and courses are disappearing from university curricula. A tightening job market means more humanities PhDs than ever are looking for – and not finding – jobs outside of academia.

In theory, our society cherishes the humanities – the 50th anniversary of the National Endowment for the Humanities (NEH) is even being celebrated with a ceremony at the White House. In its years, the NEH has awarded more than $5bn (£3.2m) in grants to promote innovative research and cultural projects, such as the development of a database to track the transatlantic slave trade and the preservation and publication of the Dead Sea scrolls.

Even so, congressional support for the humanities has plummeted along with federal, state and private funding. Adjusted for inflation, the current $146m budget for the NEH represents just half of its expenditure in 1980.

Part of the issue is an image problem around the impact of humanities research on the wider world. The public should know about Priscilla Wald, an English professor at Duke University, whose explanation of the “outbreak narrative” of contagion is changing the way scientists think about the spread of infectious diseases. They should know about environmental humanities professor Joni Adamson, who is applying the study of indigenous cultures to make desert cities into more sustainable ecosystems.

Most arguments for “saving” the humanities focus on the fact that employers prize the critical thinking and communication skills that undergraduate students develop. Although that may be true, such arguments highlight the value of classroom study, not the value of research.

But humanities research teaches us about the world beyond the classroom, and beyond a job. Humanities scholars explore ethical issues, and discover how the past informs the present and the future. Researchers delve into the discourses that construct gender, race, and class. We learn to decode the images that surround us; to understand and use the language necessary to navigate a complex and rapidly shifting world.

The academy itself is partly to blame for this image problem. The inward-focused nature of scholarship has left the public with no choice but to respond to our work with indifference and even disdain, because we have made little effort to demonstrate what purpose our work may have beyond the lecture hall or academic journal.

The traditional academic model does not reward public humanities scholarship. Rather, humanities scholars are saddled with the expectation of producing peer-reviewed articles and monographs published by university presses for tenure and promotion. This antiquated system encourages scholars to write and speak only for an audience of peers, keeping graduate students from branching away from the proto-book dissertation model and faculty from exploring popular venues for their work.

The potential applications of this type of research are endless – the examples above are the just the tip of the iceberg. And more employers need to see that such research has wide application outside of the academy. The American Council of Learned Societies Public Fellows programme is helping to facilitate this process by placing humanities PhDs in high-profile positions in government and non-profit organisations such as the US department of state, Amnesty International and the Human Rights Campaign.

Humanities scholars need to take what feels – right now – like a risk, and engage in more public scholarship. After all, we are the best qualified to talk about our own work. And we need our chairs, our deans and our provosts to afford us the support and incentives to do so.

The payoff will not only be in increased visibility and perceived value for humanities research, but the opportunity to make an impact that is much greater than that offered by the solitary scholar model.

Extreme weather: Is it all in your mind? (USA Today)

Thomas M. Kostigen, Special for USA TODAY9:53 a.m. EDT October 17, 2015

Weather is not as objective an occurrence as it might seem. People’s perceptions of what makes weather extreme are influenced by where they live, their income, as well as their political views, a new study finds.

There is a difference in both seeing and believing in extreme weather events, according to the study in the journal Environmental Sociology.

“Odds were higher among younger, female, more educated, and Democratic respondents to perceive effects from extreme weather than older, male, less educated, and Republican respondents,” said the study’s author, Matthew Cutler of the University of New Hampshire.

There were other correlations, too. For example, people with lower incomes had higher perceptions of extreme weather than people who earned more. Those who live in more vulnerable areas, as might be expected, interpret the effects of weather differently when the costs to their homes and communities are highest.

Causes of extreme weather and the frequency of extreme weather events is an under-explored area from a sociological perspective. Better understanding is important to building more resilient and adaptive communities. After all, why prepare or take safety precautions if you believe the weather isn’t going to be all that bad or occur all that often?

The U.S. Climate Extremes Index, compiled by the National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), shows a significant rise in extreme weather events since the 1970s, the most back-to-back years of extremes over the past decade since 1910, and all-time record-high levels clocked in 1998 and 2012.

“Some recent research has demonstrated linkages between objectively measured weather, or climate anomalies, and public concern or beliefs about climate change,” Cutler notes. “But the factors influencing perceptions of extreme or unusual weather events have received less attention.”

Indeed, there is a faction of the public that debates how much the climate is changing and which factors are responsible for such consequences as global warming.

Weather, on the other hand, is a different order of things: it is typically defined in the here and now or in the immediate future. It also is largely confined, because of its variability, to local or regional areas. Moreover, weather is something we usually experience directly.

Climate is a more abstract concept, typically defined as atmospheric conditions over a 30-year period.

When weather isn’t experiential, reports are relied upon to gauge extremes. This is when beliefs become more muddied.

“The patterns found in this research provide evidence that individuals experience extreme weather in the context of their social circumstances and thus perceive the impacts of extreme weather through the lens of cultural and social influences. In other words, it is not simply a matter of seeing to believe, but rather an emergent process of both seeing and believing — individuals experiencing extreme weather and interpreting the impacts against the backdrop of social and economic circumstances central to and surrounding their lives,” Cutler concludes.

Sophocles said, “what people believe prevails over the truth.” The consequences of disbelief come at a price in the context of extreme weather, however, as damage, injury, and death are often results.

Too many times do we hear about people being unprepared for storms, ignoring officials’ warnings, failing to evacuate, or engaging in reckless behavior during weather extremes.

There is a need to draw a more complete picture of “weather prejudice,” as I’ll call it, in order to render more practical advice about preparing, surviving, and recovering from what is indisputable: extreme weather disasters to come.

Thomas M. Kostigen is the founder of TheClimateSurvivalist.com and a New York Times bestselling author and journalist. He is the National Geographic author of “The Extreme Weather Survival Guide: Understand, Prepare, Survive, Recover” and the NG Kids book, “Extreme Weather: Surviving Tornadoes, Tsunamis, Hailstorms, Thundersnow, Hurricanes and More!” Follow him @weathersurvival, or email kostigen@theclimatesurvivalist.com.

Com ajuda da ciência (Revista Fapesp)

Experiências internacionais inspiram governo de São Paulo a criar cargo de cientista-chefe em secretarias estaduais

BRUNO DE PIERRO | ED. 236 | OUTUBRO 2015

030-035_Cientistas chefes_236Uma medida inédita no país anunciada pelo governo do estado de São Paulo pretende aproximar ciência e gestão pública. Até o início de 2016, cada secretaria estadual deverá contar com um cientista-chefe, cuja função principal será apontar as melhores soluções baseadas no conhecimento científico para enfrentar desafios da respectiva pasta. O anúncio foi feito por Márcio França, vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, na abertura do Fórum Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), realizado em 27 e 28 de agosto, na capital paulista. A iniciativa é inspirada no modelo de aconselhamento científico praticado em diferentes níveis de governo em países como Estados Unidos, Reino Unido e Israel.

A iniciativa começou a amadurecer em uma reunião do Conselho Superior da FAPESP, no dia 18 de março, da qual o vice-governador participou como convidado. Na ocasião, França mencionou a dificuldade de identificar pesquisadores com ideias para auxiliar a gestão pública. A sugestão de criar a função de cientista-chefe partiu de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação. “O professor Brito citou a experiência de países europeus, entre eles o Reino Unido, que criaram o cargo de cientista-chefe em suas estruturas de governo para auxiliar ministros, primeiros-ministros ou presidentes a tomar decisões”, relata Fernando Costa, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Superior da FAPESP, um dos presentes à reunião.

No encontro, Brito Cruz explicou ao vice-governador que cerca de 55% dos recursos da FAPESP são investidos em pesquisas voltadas para aplicações, e Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da instituição, acrescentou que quase 30% dos investimentos da Fundação são direcionados para a área da saúde e podem beneficiar diretamente ações da Secretaria da Saúde. “Outros campos, como agricultura, educação e segurança pública, também deveriam aproveitar mais a contribuição de pesquisadores”, afirma Krieger. Márcio França gostou da sugestão. “Pensei: por que não aprimorar o diálogo com a comunidade científica por meio de uma fundação como a FAPESP?”, recorda-se o vice-governador, que levou a ideia ao governador Geraldo Alckmin e recebeu sinal verde para implementá-la.

Robin Grimes, do governo britânico, em visita ao campus da Universidade de Nottingham na Malásia, em 2013 (acima, de gravata);

Robin Grimes, do governo britânico, em visita ao campus da Universidade de Nottingham na Malásia, em 2013 (acima, de gravata)

“Essa medida não significa que o governo de São Paulo não vem ouvindo a comunidade científica”, observa Marilza Vieira Cunha Rudge, vice-reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também membro do Conselho Superior da FAPESP. Segundo ela, o objetivo é fazer com que os conhecimentos gerados em universidades e instituições de pesquisa do estado sejam absorvidos rapidamente pela administração pública. Uma minuta do decreto está sendo redigida com assessoria da Fundação. Um dos objetivos é que os cientistas-chefes ampliem a aplicação de resultados de pesquisas, entre as quais as apoiadas pela FAPESP, sugerindo articulações com projetos em andamento e propondo novos projetos.

O governo analisa agora os detalhes da iniciativa. O primeiro passo será selecionar os cientistas-chefes que atuarão nas secretarias. Segundo França, o mais provável é que se convidem professores vinculados às três universidades estaduais paulistas – a de São Paulo (USP), a Unicamp e a Unesp – que poderiam ou não se licenciar. Também se discute qual seria o prazo mais adequado para o seu mandato. Para França, uma coisa é certa: os cientistas-chefes terão muito trabalho. “Os problemas e os desafios surgem aos montes na administração pública. Todos os dias e nas mais diversas áreas”, observa o vice-governador.

A bússola que orienta os caminhos futuros é a dos exemplos internacionais. Em setembro de 2014, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu um prêmio de US$ 20 milhões para o grupo de pesquisa que conseguir desenvolver o melhor teste de diagnóstico capaz de reconhecer rapidamente infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos. Segundo informações do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), essas infecções são responsáveis pela morte anual de 23 mil norte-americanos. A ação foi motivada por uma avaliação encomendada pela Casa Branca ao Conselho de Ciência e Tecnologia (PCAST), formado por cerca de 20 especialistas, entre ganhadores de Prêmio Nobel e representantes do setor industrial. O grupo é comandado por John Holdren, professor da Universidade Harvard e conselheiro científico de Obama.

John Holdren, cientista-chefe dos Estados Unidos, que aconselha o presidente Obama (abaixo)

Os Estados Unidos têm tradição em aconselhamento científico. Em 1933, o presidente Franklin Roosevelt criou um comitê consultivo formado por cientistas, engenheiros e profissionais da saúde para assessorá-lo. Em 1957, o país foi o primeiro a nomear um cientista-chefe para trabalhar na Casa Branca. Logo departamentos e autarquias passaram a contar com a consultoria de especialistas. Em 1998, a então secretária de Estado, Madeleine Albright, encomendou um relatório para as Academias Nacionais de Ciências dos Estados Unidos sobre o suporte que a ciência poderia dar em assuntos relativos à política externa. A recomendação foi que ela escolhesse um assessor científico. “Minha tarefa é ajudar o governo a aproveitar os recursos da ciência e da tecnologia para embasar a política externa”, disse à Pesquisa FAPESP Vaughan Turekian, assessor científico de John Kerry, o atual secretário de Estado. Ex-diretor internacional da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), Turekian conta que foi submetido a um rigoroso processo de análise de suas credenciais científicas. “O assessor é nomeado por um período determinado. Isso é intencional. Convém lembrar que o cargo não é uma indicação política”, esclarece.

Outra referência é o Reino Unido, que criou o cargo em 1964. A função de cientista-chefe é desempenhada hoje pelo imunologista Mark Walport, ex-diretor do Wellcome Trust, fundação que financia pesquisa biomédica. Desde 2013, Walport assessora o premiê David Cameron. Um dos primeiros temas tratados por Walport no governo foi o da experimentação animal. Em 2014, após estatísticas mostrarem que o número de animais utilizados em testes pré-clínicos aumentou nos últimos anos no Reino Unido, o governo anunciou medidas para reduzir ou substituir seu uso. Walport atuou como ponte entre o governo e a comunidade científica. Reconheceu a necessidade de mudanças, mas salientou que a abolição de animais em estudos científicos ainda é inviável.

Walport também preside o Conselho de Ciência e Tecnologia (CST), ligado ao Departamento de Negócios, Inovação e Capacitação do Reino Unido. O órgão dispõe de uma divisão de especialistas que forma o Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage). A equipe foi acionada em 2010, quando cinzas de um vulcão na Islândia afetaram o espaço aéreo do Reino Unido, e em 2011, após o incidente nuclear de Fukushima, no Japão.

Mark Walport, cientista-chefe do Reino Unido, em visita a centro de pesquisa no Quênia, em julho (primeiro à esquerda na foto ao lado)

O Reino Unido conta com cientistas-chefes em departamentos e ministérios. “Há uma rede de conselheiros científicos dentro do governo. Isso aproximou ainda mais os diferentes ministérios. O professor Walport organiza uma reunião semanal com os conselheiros, que discutem juntos as prioridades de cada área”, disse à Pesquisa FAPESP Robin Grimes, conselheiro-chefe para assuntos científicos do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido. “Acredito que São Paulo conseguirá se articular melhor com a ciência ao adotar essa medida, além de obter acesso a conceituadas redes de pesquisadores no Brasil e no mundo”, afirmou Grimes.

Para James Wilsdon, especialista em política científica da Universidade de Sussex, Inglaterra, esses exemplos ajudaram outros países a criar modelos de aconselhamento científico adaptados a suas realidades. “Há uma grande variedade de temas que demandam o olhar da ciência, como mudanças climáticas, pandemias, segurança alimentar e pobreza”, explica Wilsdon em um relatório apresentado na conferência da Rede Internacional para Aconselhamento Científico a Governos (INGSA), realizada em agosto de 2014 em Auckland, na Nova Zelândia. A entidade reúne tomadores de decisão e pesquisadores com o objetivo de compartilhar experiências e discutir a utilização de informações científicas em governos. O documento apresenta uma avaliação dos modelos de aconselhamento adotados em 20 países. Além dos exemplos clássicos, são apresentados casos de países que criaram recentemente o cargo, como a Nova Zelândia, cujo primeiro cientista-chefe, Peter Gluckman, foi nomeado em 2009.

O estudo mostra que alguns países optaram por formas de aconselhamento não atreladas à figura de um cientista-chefe. No Japão, o Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação (CSTI) é um dos quatro conselhos que auxiliam o gabinete do primeiro-ministro. Ele é formado pelo primeiro-ministro, seis ministros de Estado e representantes da comunidade científica e do setor industrial. Já países como China, Alemanha, Holanda e África do Sul aproveitam a expertise das entidades representativas da comunidade científica. A Sociedade Alemã de Pesquisas Científicas (DFG), agência não governamental de apoio à pesquisa, é consultada pelo governo e ajuda a elaborar políticas públicas. “Fazemos declarações em comissões do
Senado e temos interação direta com o governo”, diz Dietrich Halm, diretor-presidente da DFG para a América-Latina. Segundo Wilsdon, uma das vantagens desse modelo é que os pesquisadores gozam de independência em relação ao governo.

Peter Gluckman, cientista-chefe do primeiro-ministro da Nova Zelândia

Na região da América-Latina e Caribe, o relatório do fórum de aconselhamento científico cita os exemplos de Cuba e El Salvador. No modelo cubano, há um escritório de aconselhamento científico vinculado ao conselho de Estado, formado por 31 membros. Embora o Brasil nunca tenha contado com a figura do cientista-chefe, a administração pública no país criou mecanismos de articulação com pesquisadores. “Informalmente, o governo federal é aconselhado pela comunidade científica em vários temas”, disse Aldo Rebelo, então ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “No meu caso, mantive contato com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e com sociedades científicas.” Segundo o vice-presidente da FAPESP, Eduardo Moacyr Krieger, que também foi presidente da ABC, a atuação do cientista-chefe deve complementar o trabalho que as academias de ciências desenvolvem. “As recomendações dadas pelas academias aos governos estão no plano macro. Já o cientista-chefe está no plano da implementação e do detalhamento do que deve ser feito no cotidiano da administração pública”, diz ele.

No estado de São Paulo a assessoria científica ao governo já era praticada em situações específicas, mesmo sem a presença de cientistas-chefes. É o caso da interlocução entre especialistas ligados ao Programa Biota-FAPESP e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Desde o lançamento do programa em 1999, 23 resoluções e decretos estaduais mencionam resultados do Biota como referência para a tomada de decisões. Há um canal de diálogo com gestores das unidades de conservação onde são desenvolvidos projetos. “Os pesquisadores costumam ser membros de conselhos consultivos de parques estaduais e outras áreas protegidas”, observa Carlos Joly, professor da Unicamp e coordenador do programa. Os especialistas vinculados ao Biota também trabalham em parceria com instituições ligadas à secretaria, como o Instituto de Botânica, o Instituto Florestal e a Fundação Florestal. E o próprio gabinete da secretária do Meio Ambiente, Patricia Faga Iglecias Lemos, acompanha a produção científica do programa.

Outra experiência é a do Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, criado em 2014 para assessorar a Secretaria da Saúde na formulação e condução de políticas. O órgão é composto por representantes de universidades públicas instaladas em São Paulo, institutos, centros de pesquisa, hospitais e entidades ligadas ao setor industrial. “Atualmente, o conselho discute a proposta de criação de uma política estadual de ciência, tecnologia e inovação em saúde”, explica Sergio Swain Muller, presidente do conselho. “Já realizamos oficinas, ouvimos a contribuição das universidades e estamos preparando um documento com diagnósticos e ações para a consolidação desse plano.” Cabe também ao conselho auxiliar na definição de prioridades para o próximo edital do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), conduzido pela FAPESP em parceria com a Secretaria da Saúde, o Ministério da Saúde e o CNPq. “Uma das prioridades é apoiar pesquisas sobre novos mecanismos de gestão pública da saúde”, diz Muller. Já no âmbito da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento foi criada em 2002 a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), que atua na coordenação de pesquisas de interesse da pasta. Sua estrutura compreende os institutos Agronômico (IAC), Biológico, de Economia Agrícola, de Pesca, de Tecnologia de Alimentos e o de Zootecnia, além de 15 polos regionais de pesquisa.

e Vaughan Turekian, assessor direto de John Kerry, secretário de Estado norte-americano

“Prospectamos estudos capazes de resolver problemas enfrentados por agricultores e os encaminhamos para a secretaria”, diz Orlando Melo de Castro, coordenador da Apta. Um dos desafios da secretaria cuja solução vem sendo debatida entre os institutos abrigados pela agência é tornar a cana-de-açúcar mais resistente à seca. “O IAC foi procurado, porque já trabalha nesse assunto, inclusive em parceria com usinas localizadas em Goiás, onde há um período de seca prolongado. A ideia é aproveitar essas pesquisas em programas da secretaria”, explica Castro.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, estudioso da comunidade científica brasileira e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, o país não tem tradição no uso da ciência por gestores públicos. “Claro, há exceções”, pondera. “O Ministério da Saúde conta com um centro de pesquisas próprio, o Instituto Oswaldo Cruz, assim como acontece com o Ministério da Agricultura, que tem a ajuda da Embrapa.” Carlos Joly recorda-se que a comunidade científica costumava impor barreiras na hora de se sentar à mesa com políticos. “Colaborei como assessor de meio ambiente na elaboração da Constituição Federal de 1988. Na época, fui criticado por colegas, que pensavam que cientista não deveria se envolver com assuntos da política”, conta. Em 1995, Joly foi convidado pelo então secretário de Meio Ambiente do estado de São Paulo, Fábio Feldmann, a trabalhar como seu assessor. “Naquele momento isso já não foi visto como algo incomum. Aos poucos os pesquisadores se deram conta da importância de trabalhar em colaboração com gestores públicos”, afirma Joly.

O climatologista Carlos Nobre, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), guarda na memória histórias da relação tensa entre políticos e cientistas. Em 1998, Nobre e sua equipe do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) encaminharam ao governo federal e ao Congresso um parecer prevendo uma seca de grande intensidade no Nordeste nos meses seguintes, em decorrência do El Niño. “Ninguém nos ouviu”, lembra Nobre. “Acho que não acreditavam, na época, que fosse possível fazer previsão de secas de qualidade com base em modelos matemáticos.”

O vice-governador Márcio França reconhece que há pontos de tensão quando políticos e cientistas se encontram. “A questão é que nem sempre o consenso científico é financeira e politicamente viável naquele momento”, diz ele. Para Carlos Nobre, que já ocupou cargos de gestão de política científica no MCTI e integra o corpo de especialistas do fórum global de aconselhamento científico, ainda assim a situação é melhor hoje. “Ambos os lados perceberam que a solução de problemas como secas e desastres naturais dependem de ações conjuntas”, afirma.

Autora do livro The fifth branch: science advisers as policymakers e de artigos que abordam a relação entre ciência, democracia e política, a norte-americana Sheila Jasanoff, da Universidade Harvard, adverte que o aconselhamento científico a governos exige muitos julgamentos. “Requer a tomada de decisões sobre, por exemplo, se é melhor correr um risco ou se precaver. É preciso saber como pesar as diversas evidências”, explica. Segundo ela, o aconselhamento pode de fato auxiliar os gestores. “Mas os órgãos científicos consultivos precisam operar de forma aberta e transparente. Isso é exigido por lei nos Estados Unidos”, explica. Em 2010, o governo britânico divulgou um documento no qual recomenda que os níveis de incerteza presentes em torno de questões científicas sejam explicitamente identificados nos pareceres enviados a gestores públicos, comunicados em linguagem simples e direta.

France’s top weatherman sparks storm over book questioning climate change (The Telegraph)

Philippe Verdier, weather chief at France Télévisions, the country’s state broadcaster, reportedly sent on “forced holiday” for releasing book accusing top climatologists of “taking the world hostage”

Philippe Verdier's outspoken views reportedly led France 2 to send him on a 'forced holiday'

Philippe Verdier’s outspoken views reportedly led France 2 to send him on a ‘forced holiday’ 

 By , Paris

Every night, France’s chief weatherman has told the nation how much wind, sun or rain they can expect the following day.

Now Philippe Verdier, a household name for his nightly forecasts on France 2, has been taken off air after a more controversial announcement – criticising the world’s top climate change experts.

Mr Verdier claims in the book Climat Investigation (Climate Investigation) that leading climatologists and political leaders have “taken the world hostage” with misleading data.

In a promotional video, Mr Verdier said: “Every night I address five million French people to talk to you about the wind, the clouds and the sun. And yet there is something important, very important that I haven’t been able to tell you, because it’s neither the time nor the place to do so.”

He added: “We are hostage to a planetary scandal over climate change – a war machine whose aim is to keep us in fear.”

His outspoken views led France 2 to take him off the air starting this Monday. “I received a letter telling me not to come. I’m in shock,” he told RTL radio. “This is a direct extension of what I say in my book, namely that any contrary views must be eliminated.”

The book has been released at a particularly sensitive moment as Paris is due to host a crucial UN climate change conference in December. 

 par Editions_Ring

According to Mr Verdier, top climate scientists, who often rely on state funding, have been “manipulated and politicised”.

He specifically challenges the work of the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC, saying they “blatantly erased” data that went against their overall conclusions, and casts doubt on the accuracy of their climate models.

The IPCC has said that temperatures could rise by up to 4.8°C if no action is taken to reduce carbon emissions.

Mr Verdier writes: “We are undoubtedly on a plateau in terms of warming and the cyclical variability of the climate doesn’t not allow us to envisage if the natural rhythm will tomorrow lead us towards a fall, a stagnation or a rise (in temperature).”

The 330-page book also controversially contains a chapter on the “positive results” of climate change in France, one of the countries predicted to be the least affected by rising temperatures. “It’s politically incorrect and taboo to vaunt the merits of climate change because there are some,” he writes, citing warmer weather attracting tourists, lower death rates and electricity bills in mild winters, and better wine and champagne vintages.

Asked whether he had permission from his employer to release the book, he said: “I don’t think management liked it, let’s be honest.”

“I put myself via this investigation on the path of COP 21, which is a bulldozer, and we can see the results.”

The book was criticised by French newspaper Le Monde as full of “errors”. “The models used to predict the average rise in temperatures on the surface of the globe have proved to be rather reliable, with the gap between observations and predictions quite small,” it countered.

Mr Verdier told France 5: “Making these revelations in the book, which I absolutely have the right to do, can pose problems for my employer given that the government (which funds France 2) is organising COP [the climate change conference]. In fact as soon as you a slightly different discourse on this subject, you are branded a climate sceptic.”

He said he decided to write the book in June 2014 when Laurent Fabius, the French foreign minister, summoned the country’s main weather presenters and urged them to mention “climate chaos” in their forecasts.

“I was horrified by this discourse,” Mr Verdier told Les Inrockuptibles magazine. Eight days later, Mr Fabius appeared on the front cover of a magazine posing as a weatherman above the headline: “500 days to save the planet.”

Mr Verdier said: “If a minister decides he is Mr Weatherman, then Mr Weatherman can also express himself on the subject in a lucid manner.

“What’s shameful is this pressure placed on us to say that if we don’t hurry, it’ll be the apocalypse,” he added, saying that “climate diplomacy” means leaders are seeking to force changes to suit their own political timetables.

According to L’Express magazine, unions at France Television called for Mr Verdier to be fired, but that Delphine Ernotte, the broadcaster’s chief executive, initially said he should be allowed to stay “in the name of freedom of expression”.

What if Dean Radin is right? (The Sceptic’s Dictionary)

by Robert Todd Carroll

Dean Radin, author of The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena (HarperSanFrancisco 1997), says that “psi researchers have resolved a century of skeptical doubts through thousands of replicated laboratory studies” (289) regarding the reality of psychic phenomena such as ESP(extrasensory perception) and PK (psychokinesis). Of course, Radin also considers meta-analysis as the most widely accepted method of measuring replication in science (51). Few scientists would agree with either of these claims. In any case, most American adults—about 75%, according to a 2005 Gallup poll—believe in at least one paranormal phenomenon. Forty-one percent believe in ESP. Fifty-five percent believe in the power of the mind to heal the body. One doesn’t need to be psychic to know that the majority of believers in psi have come to their beliefs through experience or anecdotes, rather than through studying the scientific evidence Radin puts forth in his book.

Radin doesn’t claim that the scientific evidence is going to make more believers. He realizes that the kind of evidence psi researchers have put forth hasn’t persuaded most scientists that there is anything of value in parapsychology. He thinks  there is “a general uneasiness about parapsychology” and that because of the “insular nature of scientific disciplines, the vast majority of psi experiments are unknown to most scientists.” He also dismisses critics as skeptics who’ve conducted “superficial reviews.” Anyone familiar with the entire body of research, he says, would recognize he is correct and would see that there are “fantastic theoretical implications” (129) to psi research. Nevertheless, in 2005 the Nobel Committee once again  passed over the psi scientists when handing out awards to those who have made significant contributions to our scientific knowledge.

The evidence Radin presents, however, is little more than a hodgepodge of occult statistics. Unable to find a single person who can correctly guess a three-letter word or move a pencil an inch without trickery, the psi researchers have resorted to doing complex statistical analyses of data. In well-designed studies they assume that whenever they have data that, by some statistical formula, is not likely due to chance, they attribute the outcome to psi. A well-designed study is one that carefully controls for such things as cheating, sensory leakage (unintentional transfer of information by non-psychic means), inadequate randomization, and other factors that might lead to an artifact (something that looks like it’s due to psi when it’s actually due to something else).

The result of this enormous data that Radin cites is that there is statistical evidence (for what it’s worth) that indicates (however tentatively) that some very weak psi effects are present (so weak that not a single individual who participates in a successful study has any inkling of possessing psychic power). Nevertheless, Radin thinks it is appropriate to speculate about the enormous implications of psi for biology, psychology, sociology, philosophy, religion, medicine, technology, warfare, police work, business, and politics. Never mind that nobody has any idea as to how psi might work. That is a minor detail to someone who can write with a straight face (apparently) that:

lots of independent, simple glimpses of the future may one day innocently crash the future. It’s not clear what it means to “crash the future,” but it doesn’t sound good. (297)

No, it certainly doesn’t sound good. But, as somebody once said, “the future will be better tomorrow.”

According to Radin, we may look forward to a future with “psychic garage-door openers” and the ability to “push atoms around” with our minds (292). Radin is not the least bit put off by the criticism that all the other sciences have led us away from superstition andmagical thinking, while parapsychology tries to lead us into those pre-scientific modes. Radin notes that “the concept that mind is primary over matter is deeply rooted in Eastern philosophy and ancient beliefs about magic.” However, instead of saying that it is now time to move forward, he rebuffs “Western science” for rejecting such beliefs as “mere superstition.” Magical thinking, he says, “lies close beneath the veneer of the sophisticated modern mind” (293). He even claims that “the fundamental issues [of consciousness] remain as mysterious today as they did five thousand years ago.” We may not have arrived at a final theory of the mind, but a lot of the mystery has evaporated with the progress made in the neurosciences over the past century. None of our advancing knowledge of the mind, however, has been due to contributions from parapsychologists. (Cf. Blackmore 2001).

Radin doesn’t grasp the fact that the concept of mind can be an illusion without being a “meaningless illusion” (294). He seems to have read David Chalmers, but I suggest he and his followers read Daniel Dennett. I’d begin with Sweet Dreams (2005)Consciousness is not “a complete mystery,” as Radin claims (294). The best that Radin can come up with as evidence that psi research has something to offer consciousness studies is the claim that “information can be obtained in ways that bypass the ordinary sensory system altogether” (295). Let’s ignore the fact that this claim begs the question. What neuroscience has uncovered is just how interesting and complex this “ordinary sensory system” turns out to be.

Radin would have us believe that magical thinking is essential to our psychological well being (293). If he’s right, we’ll one day be able to solve all social problems by “mass-mind healings.” And religious claims will get new meaning as people come to understand the psychic forces behind miracles and talking to the dead. According to Radin, when a medium today talks to a spirit “perhaps he is in contact with someone who is alive in the past.From the ‘departed’ person’s perspective, she may find herself communicating with someone from the future, although it is not clear that she would know that” (295). Yes, I don’t think that would be clear, either.

In medicine, Radin expects distant mental healing (which he argues has been scientifically established) to expand to something that “might be called techno-shamanism” (296). He describes this new development as “an exotic, yet rigorously schooled combination of ancient magical principles and future technologies” (296). He expects psi to join magnetic resonance imaging and blood tests as common stock in the world of medicine. “This would translate into huge savings and improved quality of life for millions of people” (192) as “untold billions of dollars in medical costs could be saved” (193). 

Then, of course, there will be the very useful developments that include the ability to telepathically “call a friend in a distant spacecraft, or someone in a deeply submerged submarine” (296). On the other hand, the use of psychic power by the military and by police investigators will depend, Radin says, on “the mood of the times.” If what is popular on television is an indicator of the mood of the times, I predict that there will be full employment for psychic detectives and remote viewers in the future.

Radin looks forward to the day when psi technology “might allow thought control of prosthetics for paraplegics” and “mind-melding techniques to provide people with vast, computer-enhanced memories, lightning-fast mathematical capabilities, and supersensitive perceptions” (197). He even suggests we employ remote viewer Joe McMoneagle  to reveal future technological devices he “has sensed in his remote-viewing sessions” (100).

Radin considers a few other benefits that will come from our increased ability to use psi powers: “to guide archeological digs and treasure-hunting expeditions, enhance gambling profits, and provide insight into historical events” (202). However, he does not consider some of the obvious problems and benefits that would occur should psychic ability become common. Imagine the difficulties for the junior high teacher in a room full of adolescents trained in PK. Teachers and parents would be spending most of their psychic energy controlling the hormones of their charges. The female garment and beauty industries would be destroyed as many attractive females would be driven to try to make themselves look ugly to avoid having their clothes being constantly removed by psychic perverts and pranksters. 

Ben Radford has noted the potential for “gross and unethical violations of privacy,” as people would be peeping into each other’s minds. On the other hand, infidelity and all forms of deception might die out, since nobody could deceive anyone about anything if we were all psychic. Magic would become pointless and “professions that involve deception would be worthless” (Radford 2000). There wouldn’t be any need for undercover work or spies. Every child molester would be identified immediately. No double agent could ever get away with it. There wouldn’t be any more lotteries, since everybody could predict the winning numbers. We wouldn’t need trials of accused persons and the polygraph would be a thing of the past.

Hurricanes, tsunamis, earthquakes, floods, and other signs of intelligent design will become things of the past as billions of humans unite to focus their thoughts on predicting and controlling the forces of nature. We won’t need to build elaborate systems to turn away errant asteroids or comets heading for our planet: billons of us will unite to will the objects on their merry way toward some other oblivion. It is unlikely that human nature will change as we become more psychically able, so warfare will continue but will be significantly changed. Weapons won’t be needed because we’ll be able to rearrange our enemies’ atoms and turn them into mush from the comfort of our living rooms. (Who knows? It might only take a few folks with super psi powers to find Osama bin Laden and turn him into a puddle of irradiated meat.) Disease and old age will become things of the past as we learn to use our thoughts to kill cancer cells and control our DNA.

Space travel will become trivial and heavy lifting will be eliminated as we will be able to teleport anything to anywhere at anytime through global consciousness. We’ll be able to transport all the benefits of earthly consciousness to every planet in the universe. There are many other likely effects of global psychic ability that Radin has overlooked but this is understandable given his heavy workload as Senior Scientist at IONS (The Institute of Noetic Sciences) and as a blogger.

Radin notes only one problem should psi ability become common: we’ll all be dipping into the future and we might “crash the future,” whatever that means. The bright side of crashing the future will be the realization of “true freedom” as we will no longer be doomed to our predestined fate. We will all have the power “to create the future as we wish, rather than blindly follow a predetermined course through our ignorance” (297). That should make even the most cynical Islamic fundamentalist or doomsday Christian take heed. This psi stuff could be dangerous to one’s delusions even as it tickles one’s funny bone and stimulates one’s imagination to aspire to the power of gods and demons.

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update: Radin has a follow-up book out called Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Like The Conscious Universe, this one lays out the scientific evidence for psi as seen from the eyes of a true believer. As noted above, in The Conscious Universe, Radin uses statistics and meta-analysisto prove that psychic phenomena really do exist even if those who have the experiences in the labs are unaware of them. Statistical data show that the world has gone psychic, according to the latest generation of parapsychologists. You may be unconscious of it, but your mind is affecting random number generators all over the world as you read this. The old psychic stuff—thinking about aunt Hildie moments before she calls to tell you to bugger off—is now demonstrated to be true by statistical methods that were validated in 1937 by Burton Camp and meta-validated by Radin 60 years later when he asserted that meta-analysis was the replication parapsychologists had been looking for. The only difference is that now when you think of aunt Hildie it might be moments before she calls her car mechanic and that, too, may be linked to activity in your mind that you are unaware of.

Radin’s second book sees entanglement as a key to understanding extrasensory phenomena. Entanglement is a concept from quantum physics that refers to connections between subatomic particles that persist regardless of being separated by various distances. He notes that some physicists have speculated that the entire universe might be entangled and that the Eastern mystics of old might have been on to something cosmic. His speculations are rather wild but his assertions are rather modest. For example: “I believe that entanglement suggests a scenario that may ultimately lead to a vastly improved understanding of psi” (p. 14) and “I propose that the fabric of reality is comprised [sic] of ‘entangled threads’ that are consistent with the core of psi experience” (p. 19). Skeptics might suggest that studying self-deception and wishful thinking would lead to a vastly improved understanding of psi research and that being consistent with a model is a minimal, necessary condition for taking any model seriously, but hardly sufficient to warrant much faith.

Readers of The Conscious Universe will be pleased to know that Radin has outdone himself on the meta-analysis front. In his second book, he provides a meta-meta-analysis of over 1,000 studies on dream psi, ganzfeld psi, staring, distant intention, dice PK, and RNG PK. He concludes that the odds against chance of getting these results are 10104 against 1 (p. 276). As Radin says, “there can be little doubt that something interesting is going on” (p. 275). Yes, but I’m afraid it may be going on only in some entangled minds.

On the bright side, Radin continues to ignore Gary Schwartz and self-proclaimed psychics like Jon Edward, Sylvia BrowneUri Geller, and Ted Owens. He still has a fondness for remote viewers like Joe McMoneagle, however, who seems impressive if you don’t understand subjective validation, are willing to ignore the vast majority of his visions, and aren’t bothered by vagueness in the criteria as to what counts as a “hit” in remote viewing. Even a broken clock is right twice a day.

Radin predicts that some day “psi research will be taught in universities with the same aplomb as today’s elementary economics and biology” (p. 295). Perhaps psi research will be taught in the same classroom as intelligent design, though this seems unlikely as parapsychology attempts to reduce all supernatural and paranormal phenomena to physics. Maybe they could both be taught in the same curriculum: things that explain everything but illuminate nothing.

note: If the reader wants to see a more complete review of Radin’s work, please read my reviews of his books. Links are given below.

further reading

book reviews by Robert T. Carroll

The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena
by Dean Radin (HarperOne 1997)

Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality
by Dean Radin (Paraview Pocket Books 2006)

The End of Materialism: How Evidence of the Paranormal is Bringing Science and Spirit Together by Charles T. Tart, Ph.D. (New Harbinger 2009)

Spook: Science Tackles the Afterlife 
by Mary Roach (W. W. Norton 2005).

The Afterlife Experiments: Breakthrough Scientific Evidence of Life After Death
by Gary Schwartz (Atria 2003)

Ghost Hunters – William James and the Hunt for Scientific Proof of Life After Death
by Deborah Blum (Penguin Press 2006).

books and articles

Blackmore, Susan. (2001) “What Can the Paranormal Teach Us About Consciousness?” Skeptical Inquirer, March/April.

Blackmore, Susan (2003). Consciousness: An Introduction. Oxford University Press.

Good, I. J. (1997). Review of The Conscious UniverseNatureOctober 23, with links to responses by Radin, Brian Josephson, and Nick Herbert.

Larsen, Claus. (2002). An evening with Dean Radin.

Pedersen, Morten Monrad. (2003). Book Review of Dean Radin’s The Conscious Universe

Radin, Dean. (1997). The Conscious Universe – The Scientific Truth of Psychic Phenomena. HarperCollins.

Radin, Dean. (2006). Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Paraview Pocket Books.

Radford, Benjamin. (2000). “Worlds in Collision – Applying Reality to the Paranormal,” Skeptical Inquirer, November/December.

Last updated 01-Aug-2015

Aquecimento pode triplicar seca na Amazônia (Observatório do Clima)

15/10/2015

 Seca em Silves (AM) em 2005. Foto: Ana Cintia Gazzelli/WWF

Seca em Silves (AM) em 2005. Foto: Ana Cintia Gazzelli/WWF

Modelos de computador sugerem que leste amazônico, que contém a maior parte da floresta, teria mais estiagens, incêndios e morte de árvores, enquanto o oeste ficaria mais chuvoso.

As mudanças climáticas podem aumentar a frequência tanto de secas quanto de chuvas extremas na Amazônia antes do meio do século, compondo com o desmatamento para causar mortes maciças de árvores, incêndios e emissões de carbono. A conclusão é de uma avaliação de 35 modelos climáticos aplicados à região, feita por pesquisadores dos EUA e do Brasil.

Segundo o estudo, liderado por Philip Duffy, do WHRC (Instituto de Pesquisas de Woods Hole, nos EUA) e da Universidade Stanford, a área afetada por secas extremas no leste amazônico, região que engloba a maior parte da Amazônia, pode triplicar até 2100. Paradoxalmente, a frequência de períodos extremamente chuvosos e a área sujeita a chuvas extremas tende a crescer em toda a região após 2040 – mesmo nos locais onde a precipitação média anual diminuir.

Já o oeste amazônico, em especial o Peru e a Colômbia, deve ter um aumento na precipitação média anual.

A mudança no regime de chuvas é um efeito há muito teorizado do aquecimento global. Com mais energia na atmosfera e mais vapor d’água, resultante da maior evaporação dos oceanos, a tendência é que os extremos climáticos sejam amplificados. As estações chuvosas – na Amazônia, o período de verão no hemisfério sul, chamado pelos moradores da região de “inverno” ficam mais curtas, mas as chuvas caem com mais intensidade.

No entanto, a resposta da floresta essas mudanças tem sido objeto de controvérsias entre os cientistas. Estudos da década de 1990 propuseram que a reação da Amazônia fosse ser uma ampla “savanização”, ou mortandade de grandes árvores, e a transformação de vastas porções da selva numa savana empobrecida.

Outros estudos, porém, apontaram que o calor e o CO2 extra teriam o efeito oposto – o de fazer as árvores crescerem mais e fixarem mais carbono, de modo a compensar eventuais perdas por seca. Na média, portanto, o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia seria relativamente pequeno.

Ocorre que a própria Amazônia encarregou-se de dar aos cientistas dicas de como reagiria. Em 2005, 2007 e 2010, a floresta passou por secas históricas. O resultado foi ampla mortalidade de árvores e incêndios em florestas primárias em mais de 85 mil quilômetros quadrados. O grupo de Duffy, também integrado por Paulo Brando, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), aponta que de 1% a 2% do carbono da Amazônia foi lançado na atmosfera em decorrência das secas da década de 2000. Brando e colegas do Ipam também já haviam mostrado que a Amazônia está mais inflamável, provavelmente devido aos efeitos combinados do clima e do desmatamento.

Os pesquisadores simularam o clima futuro da região usando os modelos do chamado projeto CMIP5, usado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) no seu último relatório de avaliação do clima global. Um dos membros do grupo, Chris Field, de Stanford, foi um dos coordenadores do relatório – foi também candidato à presidência do IPCC na eleição realizada na semana passada, perdendo para o coreano Hoesung Lee.

Os modelos de computador foram testados no pior cenário de emissões, o chamado RMP 8.5, no qual se assume que pouca coisa será feita para controlar emissões de gases-estufa.

Eles não apenas captaram bem a influência das temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico sobre o padrão de chuvas na Amazônia – diferenças entre os dois oceanos explicam por que o leste amazônico ficará mais seco e o oeste, mais úmido –, como também mostraram nas simulações de seca futura uma característica das secas recorde de 2005 e 2010: o extremo norte da Amazônia teve grande aumento de chuvas enquanto o centro e o sul estorricavam.

Segundo os pesquisadores, o estudo pode ser até mesmo conservador, já que só levou em conta as variações de precipitação. “Por exemplo, as chuvas no leste da Amazônia têm uma forte dependência da evapotranspiração, então uma redução na cobertura de árvores poderia reduzir a precipitação”, escreveram Duffy e Brando. “Isso sugere que, se os processos relacionados a mudanças no uso da terra fossem mais bem representados nos modelos do CMIP5, a intensidade das secas poderia ser maior do que a projetada aqui.”

O estudo foi publicado na PNAS, a revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA. (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

Exxon’s climate lie: ‘No corporation has ever done anything this big or bad’ (The Guardian)

The truth of Exxon’s complicity in global warming must to be told – how they knew about climate change decades ago but chose to help kill our planet

Exxon refinery in Texas

By 1978 Exxon’s senior scientists were telling top management that climate change was real, caused by man, and would raise global temperatures by 2-3C. Photograph: Pat Sullivan/AP

I’m well aware that with Paris looming it’s time to be hopeful, and I’m willing to try. Even amid the record heat and flooding of the present, there are good signs for the future in the rising climate movement and the falling cost of solar.

But before we get to past and present there’s some past to be reckoned with, and before we get to hope there’s some deep, blood-red anger.

In the last three weeks, two separate teams of journalists — the Pulitzer-prize winning reporters at the website Inside Climate News and another crew composed of Los Angeles Times veterans and up-and-comers at the Columbia Journalism School — have begun publishing the results of a pair of independent investigations into ExxonMobil.

Though they draw on completely different archives, leaked documents, and interviews with ex-employees, they reach the same damning conclusion: Exxon knew all that there was to know about climate change decades ago, and instead of alerting the rest of us denied the science and obstructed the politics of global warming.

To be specific:

  • By 1978 Exxon’s senior scientists were telling top management that climate change was real, caused by man, and would raise global temperatures by 2-3C this century, which was pretty much spot-on.
  • By the early 1980s they’d validated these findings with shipborne measurements of CO2 (they outfitted a giant tanker with carbon sensors for a research voyage) and with computer models that showed precisely what was coming. As the head of one key lab at Exxon Research wrote to his superiors, there was “unanimous agreement in the scientific community that a temperature increase of this magnitude would bring about significant changes in the earth’s climate, including rainfall distribution and alterations in the biosphere”.
  • And by the early 1990s their researchers studying the possibility for new exploration in the Arctic were well aware that human-induced climate change was melting the poles. Indeed, they used that knowledge to plan their strategy, reporting that soon the Beaufort Sea would be ice-free as much as five months a year instead of the historic two. Greenhouse gases are rising “due to the burning of fossil fuels,” a key Exxon researcher told an audience of engineers at a conference in 1991. “Nobody disputes this fact.”

But of course Exxon did dispute that fact. Not inside the company, where they used their knowledge to buy oil leases in the areas they knew would melt, but outside, where they used their political and financial might to make sure no one took climate change seriously.

They helped organise campaigns designed to instil doubt, borrowing tactics and personnel from the tobacco industry’s similar fight. They funded “institutes” devoted to outright climate denial. And at the highest levels they did all they could to spread their lies.

To understand the treachery – the sheer, profound, and I think unparalleled evil – of Exxon, one must remember the timing. Global warming became a public topic in 1988, thanks to Nasa scientist James Hansen – it’s taken a quarter-century and counting for the world to take effective action. If at any point in that journey Exxon – largest oil company on Earth, most profitable enterprise in human history – had said: “Our own research shows that these scientists are right and that we are in a dangerous place,” the faux debate would effectively have ended. That’s all it would have taken; stripped of the cover provided by doubt, humanity would have gotten to work.

Instead, knowingly, they helped organise the most consequential lie in human history, and kept that lie going past the point where we can protect the poles, prevent the acidification of the oceans, or slow sea level rise enough to save the most vulnerable regions and cultures. Businesses misbehave all the time, but VW is the flea to Exxon’s elephant. No corporation has ever done anything this big and this bad.

I’m aware that anger at this point does little good. I’m aware that all clever people will say “of course they did” or “we all use fossil fuels”, as if either claim is meaningful. I’m aware that nothing much will happen to Exxon – I doubt they’ll be tried in court, or their executives sent to jail.

But nonetheless it seems crucial simply to say, for the record, the truth: this company had the singular capacity to change the course of world history for the better and instead it changed that course for the infinitely worse. In its greed Exxon helped — more than any other institution — to kill our planet.

Justiça pré-científica (Folha de S.Paulo)

Editorial

18/10/2015  02h00

A situação é surreal. Decisões judiciais têm obrigado a USP a produzir e fornecer a pessoas com câncer uma substância cujos efeitos não são conhecidos, que não teve sua eficácia comprovada e, pior, jamais foi submetida a testes de segurança em seres humanos.

As liminares concedidas não só ignoram princípios básicos da pesquisa científica como também colocam em risco a vida dos mais de mil pacientes autorizados a receber um composto a respeito do qual praticamente nada se sabe.

Estudada por um professor do Instituto de Química da USP de São Carlos, a fosfoetanolamina só passou por experimentos em células e animais, nos quais mostrou algum potencial contra certos cânceres.

Noticia-se que o docente, seguro das possibilidades terapêuticas da substância –que não pode ser considerada um remédio–, a distribuía por conta própria. Em 2014, uma portaria da universidade interrompeu o fornecimento.

Iniciou-se, então, uma disputa judicial. Centenas de liminares determinando que a USP providenciasse a droga foram concedidas na primeira instância, mas, em setembro, terminaram suspensas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

No começo de outubro, o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, ordenou que um paciente recebesse cápsulas de fosfoetanolamina. Ato contínuo, o presidente do TJ-SP, José Renato Nalini, reconsiderou a suspensão de entrega da substância.

A argumentação dos magistrados denuncia profundo desconhecimento dos protocolos universalmente adotados para o desenvolvimento de fármacos.

Fachin, por exemplo, parece considerar o registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) um detalhe desimportante. Não é. Trata-se de garantia de que a droga passou por todos os testes devidos –razão pela qual nem sequer há pedido de registro da fosfoetanolamina na agência.

Nalini, por sua vez, afirma que “não se podem ignorar os relatos de pacientes que apontam melhora no quadro clínico”. Ocorre que a ausência de testes controlados torna impossível saber se os alegados progressos decorreram de propriedades do composto.

Mais: sem as pesquisas apropriadas, não se podem descartar efeitos colaterais e graves problemas gerados pela interação com substâncias presentes em medicamentos.

Compreende-se que a luta contra o câncer leve pacientes a buscar todo tipo de tratamento –mas essa é uma questão individual. O Poder Judiciário, entretanto, ao decidir casos dessa natureza, não pode atropelar as normas de validação científica.

‘Não podemos brincar de Deus com as alterações no genoma humano’, alerta ONU (ONU)

Publicado em Atualizado em 07/10/2015

A modificação do código genético permite tratar doenças como o câncer, mas pode gerar mudanças hereditárias. UNESCO pede uma regulamentação clara sobre os procedimentos científicos e informação à população.

Foto: Flickr/ ynse

“Terapia genética poderia ser o divisor de águas na história da medicina e a alteração no genoma é sem dúvida um dos maiores empreendimentos da ciência em nome da humanidade”, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre um relatório publicado pelo Comitê Internacional de Bioética (IBC) nesta segunda-feira (5).

O IBC acrescentou, no entanto, que intervenções no genoma humano deveriam ser autorizadas somente em casos preventivos, diagnósticos ou terapêuticos que não gerem alterações para os descendentes. O relatório destaca também a importância da regulamentação e informação clara aos consumidores.

O documento ressaltou os avanços na possibilidade de testes genéticos em casos de doenças hereditárias, por meio da terapia genética, o uso de células tronco embrionárias na pesquisa médica e uso de clones e alterações genéticas para fins medicinais. São citadas também novas técnicas que podem inserir, tirar e corrigir o DNA, podendo tratar ou curar o câncer e outras doenças. Porém, estas mesmas técnicas também possibilitam mudanças no DNA, como determinar a cor dos olhos de um bebê, por exemplo.

“O grande medo é que podemos estar tentando “brincar de Deus” com consequências imprevisíveis” e no final precipitando a nossa própria destruição”, alertou o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan em 2004, quando perguntado qual seria a linha ética que determinaria o limite das alterações no genoma humano. Para responder a essa questão, os Estados-membros da UNESCO adotaram em 2005 a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos que lida com os dilemas éticos levantados pelas rápidas mudanças na medicina, na ciência e tecnologia.

Brasileira é eleita vice-presidente do IPCC (Observatório do Clima)

07/10/2015

Thelma Krug, pesquisadora do Inpe e ex-secretária nacional de Mudança Climática, dividirá função com uma americana e um malês; painel do clima se reúne na Croácia para eleger novos líderes

Thelma Krug, em foto de 2009 (Foto: IISD)

Thelma Krug, em foto de 2009 (Foto: IISD)

DO OC

A matemática Thelma Krug, 64, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, foi eleita na manhã desta quarta-feira para uma das três vice-presidências do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Ela dividirá a função com a americana Ko Barrett, da Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera) e com o malês Youba Sokona, diretor de Desenvolvimento Sustentável do South Centre, na Suíça.

Barrett é há 15 anos representante do governo americano no IPCC; Sokona foi um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 3 (que produz os relatórios do IPCC sobre mitigação) durante o Quinto Relatório de Avaliação, o AR5, lançado em 2014. Krug chefia há 13 anos a força-tarefa do IPCC sobre inventários de emissões de gases-estufa.

Ex-secretária nacional de Mudança Climática (governo Lula), Thelma Krug trabalha no Inpe com monitoramento de mudança de uso da terra. Foi responsável pelo primeiro inventário brasileiro de emissões por desmatamento. Coordenou até 2001 o monitoramento por satélite da Amazônia, feito pelo sistema Prodes, que informa a taxa oficial de perda de floresta.

Com a eleição dos vice-presidentes, o IPCC tem na sua liderança uma maioria de representantes de países em desenvolvimento. Nesta terça-feira, o sul-coreano Hoesung Lee foi eleito presidente do painel do clima. Para a Convenção do Clima da ONU, a Coreia do Sul é considerada país em desenvolvimento.

A 42a reunião plenária do IPCC, que ocorre em Dubrovnik, Croácia, elegeria nesta quarta-feira ainda os seis co-presidentes dos grupos de trabalho 1 (que lida com a base física das mudanças do clima), 2 (que lida com impactos e vulnerabilidades) e 3 (mitigação).

Borboletas estão encolhendo por causa das mudanças climáticas (O Globo)

Estudo mostra redução no tamanho de duas espécies na Groenlândia

POR O GLOBO

A Boloria chariclea foi uma das espécies analisadas pelos pesquisadores – Divulgação/Toke T. Hoye

RIO — As mudanças climáticas já provocam impactos sobre a Humanidade, mas também sobre algumas espécies animais. Um estudo publicado ontem na revista científica “Biology Letters” mostra que borboletas na Groenlândia se tornaram menores como resposta ao aumento das temperaturas. Para os pesquisadores, a mudança no tamanho corporal prejudica a mobilidade, que pode causar graves consequências à dinâmica populacional e distribuição geográfica das espécies.

Pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, analisaram aproximadamente 4,5 mil borboletas de duas espécies diferentes capturadas entre 1996 e 2013. Os resultados apontaram para uma redução no tamanho das asas, na mesma taxa em ambas as espécies, provocada pelo aumento das temperaturas durante o verão. As espécies estudadas foram a Boloria chariclea e a Colias hecla.

— Nossos estudos mostram que machos e fêmeas seguem o mesmo padrão, que é similar em duas espécies diferentes, o que sugere que o clima exerce um papel importante na determinação do tamanho corporal das borboletas na Groenlândia — explicou Toke T. Hoye, pesquisador da Universidade de Aarhus.Esse é um dos primeiros estudos a acompanhar mudanças no tamanho corporal de uma espécie durante um período de mudanças climáticas, e corrobora pesquisas realizadas em laboratório, mas raramente demonstradas em campo.

A Colias hecla está ficando menor por causa dos verões mais quentes no Ártico – Divulgação/Toke T. Hoye

Experimentos apontam que a mudança no tamanho corporal é uma resposta antecipada às mudanças climáticas, que pode acontecer de duas maneiras. Para algumas espécies, uma temporada maior de alimentação pode resultar no aumento do tamanho, enquanto para outras, alterações metabólicas provocam a perda de energia e consequente redução das dimensões.

— Nós, humanos, usamos mais energia quando está frio, porque precisamos manter a temperatura corporal constante — disse Hoye. — Mas para a larva da borboleta e outros animais de sangue frio, que dependem do ambiente para manter a temperatura, o metabolismo aumenta em temperaturas maiores por causa dos processos bioquímicos que se tornam mais rápidos. Dessa maneira, a larva gasta mais energia do que é capaz de consumir. Nossos resultados indicam que essa mudança é tão significativa que a taxa de crescimento das larvas diminui. E quando as larvas são menores, as borboletas também se tornam menores.

As consequências para as borboletas do Ártico podem ser significativas. Com corpos menores, a mobilidade é reduzida. Como as duas espécies vivem apenas no Norte, a redução no tamanho pode ter graves consequências na dinâmica populacional, e prejudicar a dispersão dos insetos.

— Elas vivem tão ao Norte que não podem se mover para regiões mais frias, e elas provavelmente vão desaparecer da parte mais ao Sul da Groenlândia por causa do aumento da temperatura — disse Hoye. — Além disso, sua capacidade de dispersão está se deteriorando, e corpos menores devem resultar em menor taxa de fecundidade. Então, essas espécies do Ártico devem enfrentar desafios severos causados pela rápida mudança climática.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/borboletas-estao-encolhendo-por-causa-das-mudancas-climaticas-17714284#ixzz3o0Y0gr6z
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ONU desiste de criar órgão para cuidar de refugiados climáticos (O Globo)

Ideia foi retirada do rascunho de acordo que será levado à Conferência de Paris

POR O GLOBO

Operários cruzam com o Ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, durante sua visita ao local onde será realizada a 21ª Conferência do Clima, em Le Bourget – JACKY NAEGELEN / REUTERS

RIO — O rascunho do acordo global sobre mudanças climáticas, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última segunda-feira, já mostra alterações feitas, aparentemente, devido a pressões de alguns países. O documento será usado como base para as negociações durante a 21ª Conferência do Clima (COP 21) em Paris, em dezembro.Porém, foi retirada do documento a ideia de se criar um organismo para ajudar as pessoas a escapar dos desastres causados pelas mudanças climáticas.

Segundo o site do jornal britânico “The Guardian”, o passo atrás aconteceu por pressão da Austrália, que vem sendo criticada por sua pouca ambição em diminuir a emissão de gases de efeito estufa. A versão anterior do acordo incluía “instalações para a coordenação dos deslocamentos causados pelas mudanças climáticas” que deveriam prover “migrações organizadas e realocações planejadas”, assim como compensações, em dinheiro, para as pessoas que necessitam deixar suas casas para escapar da elevação do nível do mar, de condições meteorológicas extremas ou se mudar por conta da destruição da agricultura local.

A Austrália, no entanto, se opôs à criação das instalações, e essa medida foi retirada do novo texto. “A Austrália não vê a criação de instalações para a coordenação dos deslocamentos causados pelo clima como a maneira mais eficaz ou eficiente de progredir em direção a uma ação internacional significativa para enfrentar os impactos das mudanças climáticas”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores e Comércio, segundo o jornal “Guardian”. “A Austrália já está trabalhando com os nossos parceiros do Pacífico nessas questões importantes”.O país da Oceania já gastou mais de US$ 50 milhões em projetos de combate às mudanças climáticas no Pacífico e contribuiu com US$ 200 milhões para o Fundo Verde do Clima, mas vem sendo criticado por sua falta de ambição em cortar suas emissões de gases do efeito estufa e não ter um quadro político que apoie a causa de maneira consistente. O novo rascunho de 20 páginas, que substituiu outro, de 90, exortou todas as nações a se comprometerem com políticas de mitigação e endurecerem seus compromissos a cada cinco anos.

O projeto também salienta a importância da cooperação internacional e do apoio aos esforços de adaptação dos países em desenvolvimento, mais vulneráveis aos efeitos da mudança climática. O acordo ainda aponta a necessidade de todos os governos estarem engajados na causa.

Os impactos da mudanças climáticas devem deslocar até 250 milhões de pessoas em todo o mundo até 2050, incluindo muitos habitantes das ilhas do Pacífico. Em algumas áreas do Pacífico, o nível do mar está subindo 1,2 centímetros por ano, quatro vezes mais rápido do que a média global, o que é alarmante. Em ilhas a dois ou três metros acima do nível do mar, comunidades já estão sendo realocadas, e a água potável e as colheitas são constantemente ameaçadas por inundações de água salgada.

A COP 21 terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, diminuindo o aquecimento global e, em consequência, limitar o aumento da temperatura global em 2ºC até 2100.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/onu-desiste-de-criar-orgao-para-cuidar-de-refugiados-climaticos-17709772#ixzz3o0X1HOcF
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Desastres naturais forçam migrações de 60 mil por dia (O Globo)

Vítimas das mudanças climáticas deslocam-se em busca de meios de subsistência

POR RENATO GRANDELLE

Somalis caminham em direção a um campo de refugiados no Quênia: desertificação do campo – Rebecca Blackwell/AP

BOGOTÁ — O Pentágono chama de “multiplicação de ameaças”. O secretário de Estado americano, John Kerry, alerta para os “novos refugiados”. Sua antecessora, a pré-candidata à Presidência dos EUA Hillary Clinton, ressalta a “guerra pela água”. Paddy Ashdown, um político veterano britânico, acredita que o planeta vive uma “crise humanitária”. Não importa o termo, a população desalojada pelas mudanças climáticas e pelas catástrofes naturais preocupa autoridades mundiais. Estima-se que, desde 2008, cerca de 22,5 milhões de pessoas deixaram suas casas, por ano, devido a eventos extremos do clima — o equivalente a 62 mil casos diários. Este cenário ainda pode piorar.

Essas pessoas são desabrigadas por problemas como a desertificação de terras, ou mesmo por catástrofes como tufões e inundações, mais comuns devido às mudanças no clima. A odisseia em busca de moradia pode começar dentro do próprio país. Normalmente, os refugiados migram do campo para áreas urbanas, onde enfrentam problemas, já que habilidades como o cultivo agrícola não podem ser aproveitadas.— Cada centro urbano deve desenvolver uma forma para reduzir o contraste entre a elite local e os miseráveis que chegam — defendeu Beatriz Sanches, professora de Direito Internacional da Universidade de Los Andes, na Colômbia, durante o Encontro das Américas sobre as Mudanças Climáticas, que aconteceu em Bogotá. — Mesmo diante das dificuldades das zonas rurais, deixamos que um Deus Todo Poderoso resolva tudo.

EXCLUÍDOS NA CIDADE

Javier Gonzaga, da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade de Caldas, também da Colômbia, assinala que os migrantes climáticos não conseguem mais manter os meios seculares que garantiam sua sobrevivência.

— Não é possível saber se a principal causa da migração é a pobreza ou a destruição do ecossistema rural. Ambos estão unidos — explica Gonzaga. — A vulnerabilidade social, associada às migrações ligadas ao clima, está aumentando com diferentes intensidades em cada país. Alguns cenários alarmistas previstos pela ONU para 2070 já podem ocorrer no meio do século.

A ONU e algumas instituições de pesquisa, como o Centro de Monitoramento de Deslocamento do Conselho Norueguês de Refugiados, acreditam que o número de pessoas desalojadas pelo clima pode chegar à marca de 250 milhões, por ano, em 2050.

A categoria de migrantes climáticos não é protegida pelo direito internacional, como são os refugiados de guerra que há meses deixam a Síria ou as vítimas de violações de direitos humanos. Então, podem ser obrigados a voltar para a região devastada. Também precisam adaptar-se a diferentes legislações, idiomas e culturas, e podem ser excluídos de sistemas básicos de assistência social, como o acesso a escolas ou a programas de saúde.

Refugiados sírios passam por cerca para atravessar a fronteira entre a Sérvia e a Hungria: além da guerra civil, país asiático sofre com estiagem há cinco anos – Bela Szandelszky/AP

Para piorar, há uma confusão crescente sobre as categorias dos refugiados. Os milhares de migrantes que tentam trocar a guerra civil na Síria pela Europa Ocidental fogem também da seca. Entre 2006 e 2011, o país asiático sofreu com a estiagem. O mesmo problema se manifesta na África, onde somalis e etíopes testemunham a desertificação do campo, inviabilizando a agricultura de subsistência. Tentam buscar uma solução nas balsas lotadas que atravessam o Mar Mediterrâneo, em direção à Itália.

— Em qualquer lugar do planeta, as mudanças climáticas podem levar à desertificação e à perda da qualidade de vida. Com um ambiente propício à violência, pode ocorrer um cenário semelhante ao da Síria — avalia o economista Pavan Sukhdev, embaixador da ONU para Meio Ambiente, que esteve semana passada no Fórum Agenda Bahia. — E há locais em que o clima, sozinho, já serve como um gatilho para a migração. O derretimento de calotas polares da Antártica e do Ártico, por exemplo, pode levar a um aumento do nível do mar de até seis metros neste século.

A inundação teria consequências drásticas em Bangladesh, o oitavo país mais populoso do mundo, que perderia para as águas cerca de 17% de seu território até 2050. Estes eventos extremos levariam ao surgimento de mais de 20 milhões de refugiados climáticos naquela região.

Alguns Estados insulares já providenciam o deslocamento de sua população. O arquipélago de Kiribati, no Oceano Pacífico, comprou terras na vizinha Fiji. No Oceano Índico, as Maldivas perderiam todas as suas 1.200 ilhas. A economia, baseada no turismo e na pesca, seria aniquilada. Por isso, seu governo planeja construir ilhas artificiais flutuantes, enquanto negocia programas de evacuação com autoridades da Austrália e da Índia.

— A falta de preparo para lidar com as catástrofes naturais sempre foi um grande desafio para as nações — lamenta Irwin Redlener, diretor do Centro Nacional de Preparação para Desastres dos EUA. — Às vezes, os custos são importantes. Em outras ocasiões, há fatores psicológicos e culturais que inibem a adoção de uma “preparação mental” entre os cidadãos ou mesmo dos chefes de Estado.

MORTE DOS CORAIS

Segundo Sukhdev, as consequências das mudanças climáticas nos oceanos podem repercutir mesmo nos países que não correm risco de serem afundados.

— Os oceanos vão absorver o excesso de carbono na atmosfera e, com isso, as águas ficarão mais ácidas — descreve. — A vida marinha dos corais, que são a fonte de alimentação dos peixes, está ameaçada. Até 600 milhões de pessoas que dependem da indústria pesqueira nos litorais não conseguirão manter sua atividade econômica e precisarão migrar. E, muitas vezes, estão próximas a zonas urbanas superpopulosas, onde não devem encontrar espaço ou oportunidades.

Coordenador do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped-UFSC), Antonio Edésio Jungles pondera que o Brasil melhorou recentemente seus sistemas de alerta precoce contra desastres climáticos. O país, no entanto, continua exposto a fenômenos cada vez mais intensificados pelas mudanças climáticas.

— As consequências são lentas e graduais. Em Santa Catarina, por exemplo, temos problemas de estiagens cíclicas, o que faz com que a população se afaste e as empresas deixem de se instalar em algumas regiões. Essas catástrofes climáticas devem se acirrar nos próximos anos — comenta. — Tudo tem um limite, um ponto em que o equilíbrio com a cadeia produtiva, a flora e a fauna fica comprometido, e muitas vezes estas mudanças não são rapidamente percebidas.

Sukhdev já enxerga mudanças provocadas pelo clima no país.

— Algumas cidades costeiras, como Salvador, Rio, Recife e São Luís, estarão entre as prejudicadas pela modificação no ecossistema marinho — revela. — Em São Paulo, a temperatura registrada no último dia de inverno foi de 37 graus Celsius. Nem no verão este índice seria comum.

Perguntado sobre qual região do planeta estaria mais a salvo das mudanças climáticas — e receptiva aos migrantes —, Sukhdev foi taxativo:

— Estamos em uma estrada e está vindo um caminhão. Podemos sair da frente dele daqui a um segundo ou daqui a cinco ou dez, mas ele vai passar de qualquer forma. Não há uma região. O que existe é a economia verde e sustentável. E ela precisa ser adotada.

Petróleo, gás e mineração ameaçam quase um terço dos Patrimônios Naturais Mundiais (WWF)

01 Outubro 2015

Londres – 1º de outubro de 2015 – Quase um terço de todos os locais pertencentes à lista de Patrimônio Mundial Natural está ameaçado pela exploração de petróleo, gás e mineração. A informação foi divulgada no novo relatório “Protegendo um Excepcional Valor Natural”, produzido pelo WWF, Aviva Investors and Investec Asset Management, e que ressalta ainda o risco para os investidores que trabalham ou possuem a intenção de trabalhar com empresas que atuam com extração nesses lugares ou próximos a eles.

Patrimônios Mundiais Naturais (ou World Heritage Site, em inglês) são lugares de enorme valor natural, como o Grand Canyon, a Grande Barreira de Corais e a Reserva Selous Game, na Tanzânia. Cobrindo menos de 1% do planeta, eles contêm um enorme valor natural, como paisagens singulares e alguns dos animais mais raros da Terra, como gorilas da montanha, elefantes africanos, leopardos da neve, baleias e tartarugas marinhas.

De acordo com o relatório, os pontos de Patrimônio Mundial Natural estão em risco mais elevado do que jamais se pensou até então.

As ameaças estão relacionadas às operações em atividade ou à entrada de empresas para concessão de exploração de minérios, petróleo ou gás, e podem causar danos irreparáveis aos locais à biodiversidade, além de prejudicar as comunidades que tiram dali sua subsistência. No mundo todo, a maior ameaça está na África, onde o risco atinge 61% desses locais.

No relatório, os investidores estão sendo alertados dos riscos que correm ao apoiarem essas empresas – tanto riscos financeiros quanto de reputação. Em resumo, neste caso, há muito risco envolvido para um retorno que não é o suficiente.

O documento convida potenciais financiadores e apoiadores a:

•    Buscar informações se as empresas em que estão investindo, ou considerando investir, possuem concessões ou operações dentro de lugares considerados Patrimônios Mundiais Naturais;

•    Abordar diretamente companhias que trabalham nesses locais ou próximos a eles e as encorajar a mudar seus planos;

•    Considerar retirar o investimento nessas companhias se não forem tomadas medidas para sair desses lugares, e ainda divulgar o fim do apoio e as razões para isso.

O desenvolvimento alternativo e sustentável dos Patrimônios Naturais Mundiais é uma proposta muito melhor para resguardar tanto o futuro dos recursos naturais quanto o das comunidades locais, nacionais e globais. A preservação desses locais e de seus ecossistemas pode fornecer, a longo prazo, benefícios significativos, visto que:

•    93% dos Patrimônios Mundiais Naturais promovem o turismo e a recreação;
•    91% deles geram empregos;
•    84% deles contribuem para a educação.

O WWF convoca investidores a usar as evidências desse relatório para abordar as companhias de extração e encorajá-las a adotar compromissos significativos de “não atuação” e “não impacto” nos Patrimônios Mundiais Naturais, além de divulgar de forma proativa as operações em atividade (existentes, ou em vias de existir), dentro ou nas proximidades de Patrimônios Mundiais Naturais.

De acordo com o diretor-executivo do WWF do Reino Unido, David Nussbaum: “nós estamos indo aos confins da Terra em busca de mais recursos – incluindo minérios, petróleo e gás, que estão cada vez mais caros e difíceis de serem extraídos. Com isso, alguns dos lugares mais preciosos do mundo estão ameaçados por atividades industriais destrutivas que põem em perigo os valores pelos quais eles foram agraciados com o maior nível de reconhecimento do planeta”, comenta.

“Proteger esses locais únicos não é somente importante do ponto de vista ambiental, é crucial para o sustento e o futuro da população que depende deles. Os investidores têm uma oportunidade única assim como uma responsabilidade de administrar seu capital e desenhar nosso futuro”, completa Nussbaum.

Naomi Klein’s Radical Guide to the Anthropocene (The New Republic)

FILM

OCTOBER 1, 2015

In the author’s new documentary, the climate crisis is tied to our rotten economic system.

By 

Last year, Naomi Klein’s book This Changes Everything laid bare the capitalist economic system’s dependence on environmental devastation. We can’t fight climate change until we properly understand capitalism’s culpability, she argued. And with her characteristic brand of activist-oriented problem solving, Klein suggested we could seize this moment of climate crisis to revamp our addled global economy. A documentary of the same name, directed by Klein’s husband Avi Lewis, was conceived as a parallel project to Klein’s book and had its world premiere at the Toronto International Film Festival last month. It trumpets the same battle cry: that fighting global warming effectively means overturning capitalism. As politicians keep bickering over absurdly modest measures like cap-and-trade programs and scientists continue to announce startling figures of shrinking glaciers, Lewis and Klein’s message feels as urgent as ever.

Klein is really good at making radical arguments like this one terrifically accessible. This Changes Everything is the third book in Klein’s anti-globalization trilogy, following 1999’s No Logo, which criticized brand-oriented consumer culture, and 2007’s The Shock Doctrine, which chronicled how corporations take advantage of disasters to implement free-market policies designed to enrich a small elite. The film This Changes Everything marks the second time that Klein and Lewis have collaborated on a documentary. Eleven years ago, the pair made The Take, a movie that followed a group of autoworkers in Argentina who took over their factory and turned it into a cooperative. Lewis and Klein’s new film is similar in its aim to promote grassroots anti-capitalist action.

“A book can’t help you from feeling isolated and alone. A film, I think, can,” said Klein when I caught up with her and Lewis in Toronto to talk about the documentary. This Friday, it will be released in select theaters in New York, and will roll out in Los Angeles and Canada soon afterward. In the film, Klein’s thesis—that the climate crisis is inextricably tied to our rotten economic system—is woven together with portraits of activists fighting against mining and energy projects everywhere from Canada to Greece to South India. Like the book, the film succeeds in making a rigorous argument intelligible to a wide audience. By mixing essayistic filmmaking with vérité documentary techniques that showcase the stories of regular people turned activists, This Changes Everything also communicates an emotional urgency perhaps best suited to the cinematic medium. The documentary connects the past and the present, historicizing the activist battle against new coal plants and oil wells.

Klein traces the ideological infrastructure our current petrochemical economy is founded on back to the Enlightenment period. “It’s a moment in history where you have the Scientific Revolution and you also have the colonial project overlapping temporarily. The idea of infinite growth begins and there’s the birth of the machine,” she said. “These are all happening in the very same century.” She thinks drawing attention to when and where these concepts came from is intrinsic to developing alternatives to them. “Calling it human nature erases that it comes from a place. There are other ideas and other ways of relating to the world.”

From the indigenous tribes affected by Tar Sands development in Alberta to the South Indian villagers protesting a proposed coal plant, the documentary shows communities that practice non-capitalist ways of relating to nature. They’re all suspicious of the narrow post-Enlightenment idea of progress that fossil-fuel development promises. They don’t see the industrial extraction of resources as a necessary pit-stop on the way to an advanced society, but are rather see polluting resources like water which sustain human life as backward.

Klein uses these communities as examples of alternative ways of relating to the environment. She refutes the idea that we are doomed because it’s human nature to live in an environmentally destructive manner. A tendency to generalize “human impact” is embedded in terms like the anthropocene, Klein noted, which is the scientific designation for our era—it refers to the epoch in which human activity from industrial farming to resource extraction has irreversibly changed the planet. Basically, you can read our impact in the rocks of Earth itself. “It being ‘the age of man’ diagnoses the problem as being something essential in humans and glosses over the fact it’s not all humans,” Klein said, noting an essay on the subject by Andreas Malm from Jacobin magazine. “[Malm] makes the argument that it’s only a very small subset of humans that came up with the idea of burning fossil fuels on an industrial scale, and it’s still a minority of humans who do so.” For example, the average American consumes 500 times more energy than the average person living in a country like Ethiopia or Afghanistan. And even within the U.S., there are inequalities.

Environmental issues are inextricable from issues of economic and racial justice. “Being in New York the week after Sandy, there were powerful and disturbing flashbacks to being in New Orleans a week after Katrina happened,” said Lewis. For them, they said, the 10-year anniversary of Hurricane Katrina this year connected the racial justice movement and the climate movement for many. “I think that because Black Lives Matter has united that conversation in the U.S., and then having the Katrina anniversary, for a lot of people it was a bit of an ‘oh yeah’ moment,” Klein said. “If you have a system in which black lives are treated as if they don’t matter, when you layer climate change on top of that then you see the issue on the mass scale.”

Environmental issues are inextricable from issues of economic and racial justice.

While Lewis and Klein’s documentary doesn’t focus on Hurricane Katrina or the intersection of American racial justice and climate change in particular, it does outline how the current economic system values some lives more than others. Klein’s narration returns over and over again to the idea of “sacrifice zones”: A resource economy depends on certain areas being disproportionately ravaged by extraction and processing—these places and the people in them are seen as worth sacrificing for some nebulous concept of the greater good. Populations in sacrifice zones have often been disproportionately poor and people of color, but in the film, we see that as the zones keep expanding middle-class white people from Montana to Greece are realizing they’re new targets of exploitation.

The emotional core of the film comes from individuals battling against being seen as disposable. Though as filmmakers Lewis and Klein unpack troubling realities, their film is cautiously optimistic, and focuses on the power and potential of these grassroots movements. We need a new system, in their view.

While the film concentrates its attention on citizen-driven actions, Klein also spearheaded the policy-focused Leap Manifesto, which was just released in mid-September in advance of the Canadian election, which takes place on October 19. “It’s basically a roadmap for Canada to get off fossil fuels,” explained Klein. Its signatories include public figures like environmentalist David Suzuki and folk-rock icon Neil Young.

Though Lewis and Klein are hopeful, they’re also realistic. Talking to them about the most recent price shocks—which happened since they wrapped shooting, and which have caused the price of oil from the Alberta Tar Sands to fall to historic lows—Lewis notes that “it is not affecting oil company profits as much as you might think it is.” He continued. “There are projects that have been suspended, but there’s thousands of barrels of new capacity that’s going ahead in Alberta each day. It’s not expanding as fast as they want it to, but it’s still expanding.”

Still, Klein explained the price shock is an opportunity. “Here is a pause in the frenetic energy. That kind of money makes it really hard to think. It’s hard to think with oil at $100 a barrel,” she said. “But now we have a moment where we can look in the mirror, and ask is this the best way to run the economy?” Her answer? No.