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Torcida única nos clássicos do Rio divide opiniões entre entidades e especialistas (O Globo)

Comandante do Gepe admite que comportamento das organizadas passou do tolerável

POR BERNARDO MELLO / TATIANA FURTADO

16/02/2017 12:25 / atualizado 16/02/2017 17:22

Torcedores socorrem um ferido no confronto entre organizadas de Flamengo e Botafogo – Marcelo Theobald / Agência O Globo

A ação civil pública, do Minstério Público Estadual (MPE), que pede torcida única nos clássicos cariocas ainda será apreciada pelo Juizado do Torcedor e Grandes Eventos. Porém, as autoridades envolvidas diretamente nos casos de brigas entre facções organizadas tendem a concordar com a proibição, ou alguma solução mais efetiva. O argumento voltou à tona após os episódios de violência no confronto entre Botafogo e Flamengo, no último domingo, no Engenhão, que terminaram com a morte de um torcedor e deixaram oito feridos.

A decisão será do juiz Guilherme Schilling, que assumiu o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, este mês. O ex ocupante do cargo, o juiz Marcelo Rubioli, agora no Tribunal de Justiça do Rio, considera que esse pode ser o primeiro degrau para se chegar a um modelo mais seguro para os torcedores.

– Acho que é um caminho. O próximo, talvez, seja inserir os espetáculos esportivos no planjemanto das forças armadas, que estão em caráter excepcional no Rio até o fim do Carnaval. A possibilidade de jogo com portões fechados não é viável do ponto de vista dos clubes. Mas estamos tratando do Estatuto, que prevê a proteção dos torcedores – sugere Rubioli, acrescentando que o interior dos estádios não tem tido problemas graves de segurança, salvo o caso recente do jogo entre Flamengo e Corinthians, no Maracanã. – Hoje, o estádio é um local seguro. No caso de torcida única em clássicos, não haveria aglomeração daquela que não vai entrar nas proximidades. Não tem como garantir qual medida vai ser mais eficaz.

Comandante do Grupamento Especial de Policiamente em Estádios (Gepe), o Major Silvio Luís, informou que vai conversar com o MPE e o Juizado para saber detalhes do pedido, antes de emitir uma opinião sobre o assunto. Porém, o responsável pelo policiamento nos estádios e acompanhamento das organizadas em dias de jogo, ressalta que, diante do comportamento das torcidas, algo precisa ser feito.

– Preciso avaliar o que estão propondo, mas o que posso dizer é que o comportamento das torcidas já passou do tolerável – afirmou o Major, destacando que os clássicos do Rio só não são com torcida dividida igualmente quando a configuração do estádio não permite. – Já tivemos casos assim em São Januário e na Arena da Ilha, onde os visitantes só podem receber 10% dos ingressos.

QUESTÃO ALÉM DOS ESTÁDIOS

As evidências, contudo, apontam que o problema vai além dos estádios. Antes do caso no Engenhão, a última briga de grandes proporções entre torcedores de Flamengo e Botafogo havia acontecido em julho de 2016, terminando com um morto. O conflito ocorreu em Bento Ribeiro, bairro da Zona Norte localizado a mais de 20 km do Estádio Luso-Brasileiro, onde os times se enfrentavam naquele dia.

Para o antropólogo Renzo Taddei, professor da Unifesp e autor de pesquisas sobre torcidas organizadas no futebol, o problema principal não é sequer a falta de policiamento, seja dentro ou fora de estádios. Na avaliação do especialista, torcedores e polícia desenvolveram, ao longo de décadas, uma relação turbulenta que tem questões sociais como pano de fundo:

– Não é à toa que a maior parte da violência a que uma torcida é submetida ou se submete em sua existência são conflitos contra a polícia, e não contra alguma torcida inimiga. O Estado impõe a segmentos inteiros da população um código de comunicação onde não há palavras, apenas brutalidade – avalia.

Torcedores exibem bandeirão pedindo a paz nos estádios em clássico entre Botafogo x Flamengo, marcado por cenas de violência no Engenhão – Marcelo Theobald / Agência O Globo

Taddei argumenta que o distanciamento entre torcidas organizadas e o restante da sociedade tende, na verdade, a acentuar a presença de membros que infringem a lei. Na opinião do antropólogo, lidar com a questão da violência no futebol depende de mais diálogo.

– Se houvesse uma interlocução saudável entre as comunidades das torcidas e o poder público, a mídia e a sociedade em geral, essas situações seriam mais fáceis de serem evitadas. O que eu estou dizendo é que muito menos do que 1% dos integrantes das torcidas causam problemas. Veja só: os Gaviões da Fiel tem cerca de 25 mil associados; as torcidas do Flamengo são também imensas. E qual o saldo do problema com as torcidas? Em 2016 foram 9 mortos em estádios. É muito mais perigoso andar de bicicleta do que ir ao estádio.

PROCURADOR VAI CONTESTAR NA JUSTIÇA

Segundo o blog Gente Boa, a Procuradoria Geral do Estado vai contestar na Justiça o pedido do Ministério Público para que os clássicos do Rio tenham torcida única nos estádios.

– É uma medida inadequada – diz o procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola – O Fla-Flu, por exemplo, é um patrimônio nacional que não pode ser banido por conta da ação de vândalos.

O Botafogo, por meio de nota da assessoria de imprensa, elogiou o trabalho do Gepe, mas se mostrou aberto a experiências que possam tornar os estádios mais seguros.

“Apesar de considerar que no último domingo houve um ponto fora da curva, pois o Gepe sabe fazer escolta, chegada e saída de organizadas, o Botafogo é favorável a experiências no sentido de melhorar as condições de segurança do futebol. Esse tipo de experiência, de torcida única, já deu certo em outros estados. O que o Botafogo não considera simples é ter a responsabilidade de cadastramento de membros de organizadas. É uma premissa quase impossível, porque os clubes não têm poder de fichar torcedores nem tem como controlar acesso a um local. Para o poder público, pode ser mais viável. Se for a decisão dos órgãos competentes, o Botafogo estará pronto para colaborar”, diz a nota.

Já o Flamengo, através de seu presidente Eduardo Bandeira de Mello, disse ser “totalmente contra” a torcida única em clássicos. O Fluminense, por sua vez, mostrou preocupação de que a medida acabe adotada de forma definitiva.

Além do veto à divisão das arquibancadas em clássicos, o promotor Rodrigo Terra também pede aos clubes que “se abstenham de fornecer gratuitamente ingressos às suas torcidas organizadas”. O Botafogo garante que não distribui bilhetes para as organizadas.

Veja também

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/esportes/torcida-unica-nos-classicos-do-rio-divide-opinioes-entre-entidades-especialistas-20936250#ixzz4Z4rXMmZ1
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Nueva Chicago acusa al Ministerio de Seguridad por discriminación (Clarín)

Violencia en el fútbol

Los dirigentes no concurrirán a la cancha esta tarde, cuando el equipo de Mataderos se enfrente a Defensores de Villa Ramallo por la Copa Argentina.

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La dirigencia de Nueva Chicago denunció al Ministerio de Seguridad por discriminación tras obligarlo a jugar sin motivos a puertas cerradas. Además, y en señal de protesta, los dirigentes y los periodistas partidarios del club de Mataderos no concurrirán esta tarde, a las 17, al duelo ante Defensores de Belgrano de Ramallo en cancha de Huracán por los 32avos de la Copa Argentina.

Ayer, el vicepresidente Daniel Ferreiro manifestó: “No sabemos por qué nuestro público no puede estar. Es simple: nos discriminan”, y en esa sintonía hubo acuerdo para no ir al estadio. “Vamos todos o ninguno”, fue el comunicado que enviaron los medios partidarios. “Los dirigentes nos solidarizamos con nuestra gente”, aseguró Ferreiro.

Por tal razón, el club emitió un comunicado en el que sostiene que “ser hincha de Nueva Chicago no es delito”. “Nuestra institución se ajusta a lo solicitado por cuanto organismo de seguridad nos pide, nunca nos tembló el pulso para firmar derechos de admisión a quienes tuvieran comportamientos violentos”, señala en parte el documento firmado por el presidente, Sergio Ramos, y Martin Lamarca, Secretario General del club.

“La Comisión Directiva de Nueva Chicago lamenta profundamente que se le niegue la posibilidad de asistir a nuestra gente al estadio. Consideramos injusta esta medida que nos enteramos por los medios de comunicación y por la empresa Ticketek, dado que nunca nos llegó la notificación oficial”, comienza el comunicado. “A partir de este momento o vamos todos o no va ninguno”, concluye.

*   *   *

25/03/2015 18:57

La violencia gana: seis partidos a puertas cerradas (Mundo D)

Habrá sanciones para varios clubes de Primera, y uno en la Copa Argentina, y por eso se disputarán sin hinchadas. Un repaso del sinsentido.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

Por Mundo D

Cada vez es más complicado vivir el fútbol argentino en paz. La violencia está acorralando al espectáculo y ya no sirve siquiera jugar sólo con público local. En la próxima fecha, por diferentes razones, habrá cinco encuentros de la Primera División a puertas cerradas. Sí, sin nadie en las gradas. Y además, habrá uno de la Copa Argentina. Insólito.

¿Qué partidos serán?

  • San Lorenzo-Lanus
  • Godoy Cruz-Independiente
  • Tigre-Defensa y Justicia
  • Quilmes-Sarmiento
  • Gimnasia de La Plata-River
  • Chicago-Defensores de Villa Ramallo

En el caso de San Lorenzo ante Lanús, no habrá gente en las tribunas por la sanción que el Comité de Seguridad le aplicó al “Cuervo” por los incidentes contra el juez de línea Juan Pablo Belatti en la vuelta de la Recopa ante River.

Sí, San Lorenzo ya jugó ante Colón, San Martín de San Juan y Huracán con público. Recién ahora, llega la suspensión. Cosas de Argentina.

Por su parte, Godoy Cruz recibirá a Independiente a puertas cerradas por la agresión que sufrió el masajista de Lanús en la cuarta fecha, la última vez que “el Tomba” se presentó en el Malvinas Argentinas.

Tanto en Tigre como en Quilmes, habrá situaciones similares. Los dos estadios fueron suspendidos por los incidentes en sus propias tribunas, con distintas porciones de sus propias hinchadas.

La lista sigue con Nueva Chicago, que también pagará una sanción. En el caso del “Torito” no tendrá público en el choque del jueves por Copa Argentina (ante Defensores de Villa Ramallo). Este partido se disputará en la cancha de Huracán y la policía no prestará servicio para trasladar a los hinchas del “Torito”.

River, también
Por último, Gimnasia recibirá el próximo domingo a River en El Bosque pero a puertas cerradas. Es que la Justicia falló a favor de la Aprevide (Agencia de Prevención en el Deporte).

¿Qué había pasado? “El Lobo” había recibido la sanción de la Aprevide (por los incidentes que protagonizaron sus hinchas en el clásico platense) y debía jugar ante Nueva Chicago a puertas cerradas. Pero el club fue a la justicia, que le dio curso a un recurso de amparo y pudo recibir al “Torito” (por la quinta fecha) con hinchas.

Ahora, Aprevide apeló y la justicia le dio la razón.

Futebol na Europa sofre com onda de violência (Folha de S.Paulo)

Briga de torcidas em Roma

Vincenzo Tersigni/Efe

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

26/02/2015 02h00

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

“Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso”, disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

“A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes.”

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

“Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios”, disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

‘MEDO PESADO’

“A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado.”

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco. desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais.

Paz nos estádios é difícil, diz autor de relatório sobre violência no futebol (Folha de S.Paulo)

19/02/2015  02h00

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

“O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática”, disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. “Não tem mágica”, constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema… Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

  Eduardo Knapp/Folhapress  
Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: “acabou”. Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo “A” a de maior risco, “B” a de risco médico e “C” as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo…

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês…

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

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RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE 64

CARGO Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

*

RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas.

Brazil announces hotline to help fight fan violence (AP)

Brazil announces hotline to help fight fan violence

By TALES AZZONI

February 13, 2015 1:07 PM

Brazil Fan Violence

In this March 22, 2009, file photo, police approach Santos soccer fans to break up a fight with fans from the opposing team, the Corinthians, at a Sao Paulo state championship soccer game in Sao Paulo, Brazil. Brazil is dealing with another wave of fan violence just weeks into the new 2015 football season, exposing the continued failure of club officials and local authorities to eradicate the decades-long problem. This year it didn’t take long for Brazilian football to start making headlines for the wrong reasons _ a 16-year-old boy was shot to death after a match. A goalkeeper was injured by fans of Brazil’s most popular club. Supporters of one of the nation’s most successful teams were ambushed inside a subway station. A confrontation between fan groups and police turned supporters away from a game in one of the nation’s most modern venues. (AP Photo/Andre Penner, File)

SAO PAULO (AP) — The Brazilian government is creating a hotline to help fight a wave of fan violence that has brought unwanted attention to local football just weeks into the new season.

The government will also create a nationwide registry of the fan groups who are considered to be at the root of fan violence in the land of football.

The announcement by Brazil’s new sports minister came after a meeting with representatives of the National Association of Fan Groups, which was recently created to improve the dialogue with local authorities and the government.

The hotline will allow the population to denounce fans committing crimes or engaging in violence.

“Fan groups are part of a cultural manifestation and it’s important that they are preserved,” said Sports Minister George Hilton, who took office this year. “But they can’t have members engaging in criminal acts. Fans are important in sports and they need to be protected from bad elements.”

Fan violence is endemic in Brazil, with authorities and club officials historically failing to find solutions to eradicate the problem.

Less than a month into this football season, there have been several cases of violence already — a 16-year-old boy was shot to death during a scuffle between rival fan groups and police after a match; a goalkeeper was injured in his changing room by invading rival fans; supporters were ambushed by a rival group inside a subway station; fans were turned away from a match after a confrontation between fan groups and authorities outside a stadium.

The sports ministry said Brazil has about 1.5 million people linked to fan groups, so it’s important to keep track of them with a nationwide registry. All of the country’s most popular clubs have two or three organized fan groups. Many are partly financed by the clubs themselves, receiving free tickets and free trips to away games.

Authorities in the past tried to ban the most violent groups, but they kept coming back through legal loopholes.

In addition to preventing violence, the government also wants to use the registry to offer social services and educational projects focused on the fans.

A similar registry has been in place in states such as Sao Paulo, but fan violence continued to be a problem.

Hilton is expected to meet with club representatives next week to continue discussing the subject of fan violence.

Polícia Militar tem 25 policiais infiltrados em torcidas organizadas de SP (UOL)

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo 31/01/201506h04 

O 2º Batalhão de Choque da PM de São Paulo

Policiais do 2º Batalhão de Choque da PM-SP marcham durante treinamento diário em seu quartel, na região central de São Paulo Thais Haliski/UOL

O Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar em São Paulo mantém 25 policiais infiltrados nas torcidas organizadas dos principais clubes de futebol do Estado de São Paulo. Eles assistem no estádio às principais partidas dos clubes a que são designados, ficando no mesmo local e usando as camisas de torcidas organizadas como Gaviões da Fiel (Corinthians), Mancha Alviverde (Palmeiras), Independente (São Paulo) e Força e Sangue Jovem (Santos).A ação é executada pelo núcleo de inteligência do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, responsável pelo policiamento e controle de distúrbios de eventos esportivos realizados no Estado.

De acordo com o capitão Marçal Ricardo Razuk, comandante da 1ª Companhia do 2º Batalhão, o trabalho dos agentes infiltrados – que não se identificam como policiais, e interagem e criam relações com os reais torcedores organizados – não visa identificar criminosos ou práticas ilícitas, mas sim compreender as dinâmicas que interferem nas ações desses grupos, conforme ele mesmo exemplifica:

“Este trabalho nos ajuda a entender que, atualmente, os maiores conflitos e possíveis focos de violência estão em rivalidades que surgiram e vêm crescendo entre torcidas organizadas de um mesmo clube, ou ainda entre grupos rivais dentro de uma mesma torcida organizada”.

Para Razuk, que há 16 anos (desde sua formatura como oficial da PM) atua no policiamento em estádios, o confronto entre torcidas de clubes rivais vem sendo combatido paulatinamente pela polícia desde 1995, quando uma batalha campal no gramado do Pacaembu entre torcedores armados de pedras e paus de Palmeiras e São Paulo (após uma final de um campeonato de juniores) levou à morte de um torcedor são paulino de 16 anos.

De lá para cá, afirma o capitão, o esforço da PM em separar rigidamente a entrada dos torcedores rivais nos campos de jogos, e o reforço do policiamento nas dependências internas dos estádios foi, ao longo do tempo, reduzindo a violência no interior das praças esportivas.

Em um segundo momento, coibiu-se os combates entre torcedores nas áreas próximas ou distantes dos estádios, como estações de metrô ou proximidades de sedes de torcidas organizadas. Isso se fez através de táticas como escolta de torcidas com policiais, viaturas e motocicletas, e criação de rotas de acesso específicas e monitoradas para cada torcida.

Assim, o foco de distúrbio que a Polícia Militar enxerga agora são as rivalidades internas das torcidas de cada clube. “No Corinthians, tem conflito entre Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Estopim da Fiel. A Falange Tricolor tem rivalidade com a Independente, as duas do São Paulo. A rixa entre Mancha (Alvi) Verde e TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras) é conhecida há anos, como também entre Sangue Jovem e Torcida Jovem do Santos”, enumera o comandante do Choque.

Isso não quer dizer que não exista mais violência entre torcedores de times rivais. No último dia 23, corintianos e são-paulinos brigaram entre si e com a PM após um jogo da Taça São Paulo de Futebol Júnior realizado em Limeira, a 143 quilômetros da capital.

A polícia planejara manter os são-paulinos no estádio por mais 30 minutos após o termino da partida, mas depois da vitória alvinegra por 3 a 0, o plano foi alterado, e os torcedores dos dois clubes se encontraram nas ruas de Limeira logo depois do jogo. Houve confronto, e a polícia interviu com balas de borracha e bombas de gás e de efeito moral. “O que houve ali foi mais um problema político. O policiamento não foi feito pelos batalhões de choque, entenderam que não havia necessidade de nos deslocar até lá, e a operação executada não foi a que costuma ser padrão”, afirma o capitão Razuk.
Passagem de poder

Outro foco de discórdia e violência nas torcidas organizadas detectado pela PM se dá entre grupos rivais pertencentes a uma mesma torcida. Ocorre nos momentos em que pessoas que lideram e gozam de prestígio em uma organizada vão ficando mais velhos e tendo sua liderança e linha de conduta substituídas por grupos mais jovens.

“A torcidas são diferentes. Há torcidas que têm lideranças nítidas. Como há também torcidas em que um presidente ou diretor só tem a figura de líder, sem mandar em ninguém. Existe, também, o pessoal da velha guarda, que não são mais os líderes constituídos, mas que possuem uma grande liderança natural, às vezes positiva e às vezes negativa, em cima dos demais torcedores”, explica o oficial da PM.

De fenômenos como esses, surgem situações como a que existe atualmente na Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do Estado. “Lá (na Gaviões), houve o surgimento de uma facção, a Gaviões da Rua São Jorge”, conta Razuk. Dividida, a torcida vive uma situação de disputa entre grupos rivais, que, não raro, leva a situações de violência.

TREINAMENTO E AÇÃO DO 2º BATALHÃO DE CHOQUE DA PM DE SÃO PAULO

A fim de evitar que atos violentos ocorram, os policiais infiltrados da inteligência do 2º Batalhão de Choque buscam detectar os humores, planos e ações desses grupos no âmbito de suas rixas, munindo a PM de informações que permitam que ela haja preventivamente.

Ainda que enxergue conexão direta entre a conjuntura de violência nos estádios paulistas com as torcidas organizadas, o capitão do Choque não é favorável à extinção das torcidas ou à proibição de seus membros frequentarem os estádios vestindo seus uniformes. Ele recorda uma partida emblemática para sustentar sua posição.

“Em 2006, após um jogo entre Corinthians e River Plate (Argentina) no Pacaembu, em que o Corinthians foi eliminado da Copa Libertadores, os torcedores tentaram invadir o gramado, e a PM evitou uma tragédia. Depois disso, durante cerca de quatro meses, os torcedores foram proibidos de entrar com camisas de torcidas nos estádios.

Sabe o que aconteceu? Os torcedores entravam nos jogos sem as camisas, mas se portavam da mesma maneira. Ficavam concentrados nos mesmo locais e cantavam as mesmas músicas, só que com uma coisa diferente: aumentaram as provocações deles à polícia, eles passaram a achar que tinham ‘perdido a briga com a PM’, e queriam ir à forra”.

Depois disso, os gaviões começaram a entrar nos estádios com faixas escondidas, que traziam o nome da torcida. “Pela determinação legal da época, nós deveríamos apreender aquelas faixas, que estavam proibidas. Mas não fizemos isso, porque só aumentaria o clima de rivalidade. A verdade é que o futebol paulista perdeu muito com aquele episódio, por isso não acredito em extinção ou proibição de torcidas”, argumenta o oficial.

Já em relação aos mastros de bandeira, que todos os anos, em início de temporada (o Campeonato Paulista começa neste sábado (31)), voltam ao centro dos debates trazidos por aqueles que defendem sua volta aos estádios, o capitão do Choque é taxativo: “Defendemos e defenderemos, legalmente, se preciso, que os mastros de bandeira não voltem às arquibancadas. E também não permitimos quaisquer objetos que possam ser utilizados para ferir uma pessoa, porque sabemos que eles foram e serão utilizados para isso caso sejam permitidos”.

A lista de itens proibidos nas arquibancadas paulistas foi acrescida neste mês pelo chamado “pau de selfie”, um bastão metálico utilizado por pessoas para fotografarem a si mesmas com maior distância entre si e o telefone celular com câmera. “Em um estádio de futebol, nas mãos de um torcedor mal intencionado, pode virar uma arma. Então, não entra.”

“Si el aguante en el fútbol es ganar o morir estamos jodidos” (La Capiital)

Miércoles, 29 de octubre de 201401:00

El sociólogo Pablo Alabarces analiza al fútbol, el aguante,  y su relación con las  identidades populares y la violencia en su último libro  “Héroes, machos y patriotas”.

“Las narrativas patrióticas son siempre masculinas. Las Leonas ganan todo, pero Los Pumas son protagonistas de la publicidad”, analiza Alabarces.

Por Laura Vilche / Ovación

Pablo Alabarces no vive de jugar al fútbol. Tampoco es técnico: es doctor en sociología por la Universidad de Brighton (Inglaterra), docente de cultura popular y masiva en la Universidad de Buenos Aires e hincha de Vélez. Esa combinación de rigor intelectual y pasión futbolera le bastó para escribir “Héroes, machos y patriotas. El fútbol entre la violencia y los medios”, su último libro. Un texto donde demuestra que se puede hablar con conocimiento de causa sobre fútbol aunque no se viva con la pelota en los pies. Alabarces, colaborador de varios medios gráficos y fundador de la sociología del deporte en América latina, es un crítico implacable.

A los hinchas los analiza desde la categoría del “aguante” para concluir que son “xenófobos y machistas” y que el fanatismo futbolístico hace “peores a las personas”. No se queda atrás con los dirigentes y políticos: argumenta y documenta cuando los responsabiliza de haber hecho del fútbol una institución en crisis, violenta y corrupta.

Le dedica varias páginas al Mundial del 78 (ver aparte), para él toda una deuda de los académicos de las ciencias sociales. También es duro con la televisión, las propagandas, y con muchos periodistas deportivos: toma prestado de un colega el término “fierita” y así se refiere a los trabajadores de prensa que se hacen “amigos de su agenda de jugadores y directores técnicos” para hacer una nota. Habla de la literatura futbolera y rescata especialmente a Fontanarrosa, al punto de que asegura que el escritor Eduardo Sacheri le copia su genialidad.

También problematiza el concepto de identidad. Lo desnaturaliza y pone a Maradona, a Messi y a Tevez bajo la lupa: explica por qué sólo uno de los tres encarna la narrativa patriótica, de la que según dice, “nunca” las mujeres serán parte por más medallas que ganen.

La violencia futbolística es otra de sus preocupaciones: la analiza y plantea alternativas y al entrar en tema  habla de Ñuls y Central. Alabarces es lúcido, provocador, desafiante y riguroso en cada página y cuando dialoga. También es pesimista. Lo demuestra así: “Si tener aguante es ganar o morir por el fútbol estamos jodidos”.

—¿Qué es para usted “la cultura del aguante”?
—Es una dimensión moral de la acción que analizo desde el fútbol, desde el hincha, donde se da con más fuerza pero también se ve en el plano político o del rock. En cada caso los actores se jactan de tener aguante, defienden el territorio, los colores y usan la metáfora y retórica de la genitalidad: dicen que tienen huevos. Pelearse está bien y hasta es obligatorio, es de machos. Un ejemplo claro se dio en el clásico entre Ñuls y Central. Un equipo pierde, se siente humillado, que perdió el honor deportivo, entonces la única forma de recuperarlo es demostrando que se tiene aguante. A veces eso llega a casos extremos como los crímenes a dos hinchas de Central tras el clásico. Enseguida y sin pruebas suficientes los medios dicen que se trata de barras, pero la idea del aguante no se limita a ellos: es un fenómeno estructural de toda la cultura futbolística. La diferencia es que el barra vende aguante a cambio de algo, siempre dinero clandestino, y si se pregunta de dónde viene el dinero aparecen las redes de complicidades que involucra a dirigentes deportivos, políticos, empresarios, policías, jugadores y medios.

—En el libro es descarnado con quienes no son rigurosos, por sus flaquezas teóricas, falta de análisis, investigación, crítica o uso agresivo del lenguaje.
—Apelar a la rigurosidad es la idea, en todos los ámbitos. No se puede generalizar en balde, tengo que ser crítico porque me educaron y me pagan para eso, pero además hay que afirmarse en un lugar para lograrlo. Si digo que Sacheri es flojo es porque repite a Fontanarrosa sin su creatividad y su crítica. Entonces me quedo con Fontanarrosa. Pero además Sacheri abusa de masculinidad, de nostalgia y lugares comunes, al igual que (Juan José) Campanella. Y la nostalgia es empobrecedora al momento de analizar: no explica nada. También hay trabajos poco rigurosos desde los científico. Se suele repetir como un mantra que hay que hacer con los barras como los ingleses con los hooligans. Pero cuando uno estudia de cerca qué se hizo comprueba que se cometieron muchos errores. Que al igual que en Argentina las fuerzas policiales actúan por portación de cara. Y no hay acción sin causa ni sentido. Cuando el periodismo y los políticos creen que solucionan los temas de la violencia en el fútbol hablando de los intrínsecamente violentos —los inadaptados que hay que desterrar, expulsar o exterminar— se cometen equivocaciones aberrantes desde la psicología, la sociología y antropología, también. Además, hay estudios serios que demostraron que las dirigencias suelen ser más violentas que los hinchas.

—También tiene una mirada implacable con cierto periodismo deportivo.
—Sí, pero no es una crítica en bloque, digo con nombre y apellido quienes hacen denuncias sobre la violencia y actividades de las barras bravas en el periodismo, como Gustavo Grabia pero nunca, ni él ni el medio para el que trabaja, reconocen que también son cómplices con su lenguaje del aguante. El caso del locutor de Fútbol para Todos, la voz estatal, es igual. Si hablás en un partido de que “hay que ganar o morir” estamos jodidos porque se produce aquello que se condena.

—Usted marca ocho puntos en el cuadro de la violencia y aporta diez posibles soluciones entre ellas la intervención de AFA y de todos los clubes que se sepa que tienen complicidad con los barras.
—Ese fue un documento colectivo, para nada porteñocéntrico, elaborado en 2012 con colegas de distintas universidades. Desde Rosario participó Juan Manuel Sodo, pero también hubo investigadores de Córdoba y Jujuy. Un trabajo monumental al que nadie le dio pelota y que ahora se pone en escena cuando muchos dirigentes pelean en AFA la herencia del difunto. Ahora hay dos bandos: los supuestamente renovadores y los grondonistas ortodoxos. Si entre los renovadores está (Daniel) Angelici, el presidente de Boca, que se pasó tres años diciendo que en su club no había barras bravas, mal futuro tenemos. Planteamos medidas democráticas, fundamentadas, para obtener resultados a largo plazo e involucran a los hinchas. Pero no a los que por ganar a cualquier costo elijen a dirigentes o medidas corporativas, sexistas y sectarias, como pasó en Independiente y Hugo Moyano. Los mismos hinchas que denunciaron a los barras y a la corrupción de los dirigentes ahora, por amor a la camiseta y con tal de que a Racing le vaya mal o no irse más al descenso votan por el poder sindical. Pasó en Rosario: los hinchas recuperaron Ñuls después de años de despotismo de Eduardo López y ahora muchos de esos hinchas pueden llegar a matar tras el resultado de un partido. Si esto es así sólo queda refugiarnos en el pesimismo.

—¿Por qué las mujeres deportistas no encarnan la narrativa patriótica?
—La diferencia sólo la hace el género. Beatriz Sarlo me discutió esto. Dijo que no hay país en el mundo donde las mujeres ocupen ese lugar destacado. Las narrativas patrióticas siempre son masculinas. Y en Argentina esta muy claro con Las Leonas; no fueron parte de las metáforas patrióticas, sí en cambio Los Pumas, condenados a la “derrota digna” y protagonistas de propagandas de marcas deportivas y de cervezas patrocinantes.

—¿Por qué dice usted que Messi nunca será Maradona?
—Son incomparables y por suerte. Porque Maradona, más nacional y popular a la manera del peronismo, y plebeyo, tuvo que hacerse cargo de cientos de significados en determinados contextos. El pobre Messi puede llegar a hacerle dieciséis goles a Inglaterra en una final del próximo Mundial de Moscú, pero eso no sucederá cuatro años después de la Guerra de Malvinas. Por eso digo por suerte, porque son contextos irrepetibles. Tevez podría ser más maradoniano pero tampoco con él puede repetirse la historia.

‘¡Eeeeh p…!’, el grito homofóbico que ‘divierte’ a los fans del futbol (CNN)

De repente alguien se lo gritó al portero, después ya fueron muchos y ahora ha suplido a la tradicional ‘ola’ en los estadios

Por Esmeralda A. Vázquez

Jueves, 27 de febrero de 2014 a las 06:26

La expresión 'puto' es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

La expresión ‘puto’ es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

 Lo más importante
  • El futbol es un modelo de masculinidad para la cultura mexicana
  • Para los especialistas, la palabra ‘puto’ reafirma el lenguaje ‘peladito’ y ‘cantinflesco’ del mexicano
  • Los futbolistas son productos de la cultura mexicana, donde deben sustentar su masculinidad
¿Por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la palabra ‘puto’
Genaro Lozano, politólogo

(CNNMéxico) — En los partidos de futbol de la LigaMX hay elementos que nunca faltan: dos equipos, cuatro árbitros, varios balones, elementos de seguridad, aficionados… y el grito de “¡eeeh puto!” cuando despeja el portero del equipo rival.

El ‘ritual’ es el siguiente: cuando el balón sale por la línea final del campo y lo toma el portero, los aficionados levantan los brazos, agitan las manos y preparan la garganta para gritar en cuanto el jugador del equipo rival despeje el balón. En ese momento se consuma el grito que enseguida provoca risas.

Leer FIFA indaga gritos homófobos de mexicanos en Brasil

“No lo utilizamos de una manera homofóbica. Alguien que es ‘puto’ es una persona que no defiende. Y también tiene la otra referencia hacia los gays, pero en el contexto del estadio es así, alguien sin valor, que no tiene los ‘huevos’ para pelear o para defender”, dijo en entrevista el Punker, integrante de la barra Sangre Azul que apoya al equipo Cruz Azul.

Según el diccionario de la Real Academia Española, esa palabra puede tener dos significados, el primero, “hombre que tiene concúbito con persona de su sexo”, y el segundo, refiere a una expresión que “denota el esfuerzo que se hace para no ser el último o postrero en algo”.

La expresión tiene más que ver con una cuestión del lenguaje que utiliza el mexicano y no con una connotación sexual, considera Carlos Albert, exfutbolista y conductor de televisión. El “pinche” o “chingar”, que supuestamente son malas palabras, añadió, también las conjugamos para bien o para mal, “no lo justifico, pero tampoco diría que es una ofensa para los que tienen una preferencia distinta”.

Pero el politólogo e internacionalista Genaro Lozano piensa lo contrario.

“Esta palabra se ha utilizado para tratar de amedrentar y hacer menos al equipo contrario en el estadio de futbol. Y la justificación que dan quienes la están utilizando es exactamente decir eso: ‘es que no nos estamos refiriendo para nada a la homosexualidad'”, señaló el también analista, quien ha abordado el tema en varios textos de su autoría.

“Si así fuera —que el grito no tiene connotaciones homofóbicas—, ¿por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la otra”, añadió.

Para el sociólogo Miguel Ángel Lara, dicha expresión, en el ambiente futbolístico, es resultado del lenguaje “peladito (vulgar) y cantinflesco” que caracteriza a la cultura del mexicano, que también ha hecho de este deporte un producto de la masculinidad.

“Es un ámbito masculino, donde toda la testosterona sale a flote, pero es una testosterona que no piensa, que no es inteligente, en cambio sí es manipulada, asustada, reprendida y tiene una limitante”, explica el también profesor de la Universidad Iberoamericana.

De acuerdo con la Encuesta Nacional sobre Discriminación en México(Enadis) 2010, 4 de cada 10 personas en México, sin importar el rango de edad (de 12 a 49 años), opinan que la preferencia sexual provoca mucha división entre la gente, además de permanecer como uno de los mayores problemas de intolerancia en el país.

Albert señaló que “alguien, algún día le gritó ‘puto’ al portero y le pareció gracioso, luego ya fueron cinco y después ya fueron muchos y ahora se convirtió así como en la ola en los estadios y de repente en una especie casi de costumbre”.

“La gran dificultad (para controlarlo) es por el arraigo cultural de ciertos estereotipos sobre los cuales se ha construido este deporte, por ejemplo, una visión de un espacio donde no solamente se juega lo deportivo, sino lo masculino”, dijo Ricardo Bucio, presidente del Conapred, en una entrevista para CNNMéxico en 2013.

Armando Navarrete, portero del Puebla de la LigaMX y exguardameta de equipos como América, Necaxa y Atlante, explica que un futbolista está expuesto a todo y que la cancha y en general el estadio, es un espacio de libre expresión y que para eso los aficionados pagan su boleto.

“A mí nunca me ha parecido bien, pero uno como jugador tiene que aguantar. Como portero, si se dan cuenta que fallo me dicen de cosas, pero no me queda más que aguantar y enfocarme en el partido”, dijo en entrevista telefónica.

La idiosincrasia y la figura del machismo, señalaron las fuentes consultadas por CNNMéxico, influyen en el comportamiento de quienes asisten a los estadios y se expresan de esta manera en las tribunas.

“La cultura popular tiene en nuestro país desde hace muchísimos años ese tipo de cuestiones que pueden parecer pintorescas, chistosas. México es el país del albur y del doble sentido. Los mexicanos usamos un idioma y una jerga que a muchos se les hace simpático y eso, que es parte de nuestra idiosincrasia, se refleja también en el futbol”, añade Albert.

Pero Ricardo Bucio, titular del Conapred, piensa distinto. “El grito de ‘puto’ —al igual que los de ‘maricón’, ‘joto’, ‘puñal’, etc.— es expresión de desprecio, de rechazo. (…) Homologa la condición homosexual con cobardía con equívoco. Pero es también una forma de equiparar a los rivales con las mujeres, haciendo de esta equivalencia una forma de ridiculizarlas en un espacio casi exclusivamente masculino”, escribió en un artículo publicado en el portal de dicho Consejo, luego de que México ganara la medalla de oro en los Juegos Olímpicos de Londres 2012.

Los futbolistas “son productos culturales que forman parte de la familia mexicana y de esa educación de: ‘tú eres el hombrecito, los hombres no lloran’. Es un deporte viril, también en los discursos de la televisión es una entrada viril, de ‘¡hombre!’, sobre todo cuando se barren o cabecean”, complementa Miguel Ángel Lara.

En marzo del 2013, la Suprema Corte de Justicia de la Nación (SCJN)determinó que las expresiones “maricones” o “puñal” son ofensas discriminatorias que no pueden ser resguardadas por la libertad de expresión que consagra la Constitución en su artículo sexto, sin embargo, la palabra “puto” no fue incluida.

“Nosotros somos así, nos gusta decir esa palabra y muchas más. Creo que esa palabra no es tan ofensiva”, comenta El Punker, miembro de la barra Sangre Azul.

Robbie Rogers, jugador estadounidense del equipo Los Ángeles Galaxy de la liga de EU; Anton Hysen, futbolista sueco del Utsiktens BK de la tercera división de ese país; Marcus Urban, un alemán que prefirió retirarse tras dar a conocer su homosexualidad, son algunos de los jugadores de soccer que han hecho públicas sus preferencias, además del también alemán Thomas Hitzlsperger, quien reconoció ser homosexual en enero, tras anunciar que se retiraba como profesional.

“El futbolista mexicano que decida ‘salir del clóset’ debe ser consciente de que tendrá que aceptar algún insulto, aunque igual con el tiempo todo se va a calmar”, afirma el portero del Puebla.

Por su parte, El Punker asegura que si esto ocurriera, sería una presión más para el jugador. “Si es del equipo contrario, nos lo acabaríamos, haríamos mucho, mucho folclor de eso. Pero si se trata de un jugador de nuestro equipo, no dejaríamos de decir ‘puto’ (a los rivales), pero al nuestro sí lo defenderíamos”.

“¿Por qué no nos hacemos la pregunta de si algún director técnico estaría dispuesto a que sus jugadores se sumen a una campaña contra la homofobia?, yo creo que ninguno lo haría, porque muchos de ellos utilizan este lenguaje justamente cuando quieren criticar al oponente, les gritan ‘mujercita’, ‘pégale como hombre’. Sus comentarios son homofóbicos, misóginos y sexistas”, afirmó Genaro Lozano.

Apenas el lunes, la Federación Mexicana de Futbol (Femexfut) anunció que en los partidos oficiales de liga, copa y ascenso será implementado el protocolo contra racismo que dicta la FIFA.

Para Lozano, el Conapred debería asumir un papel más protagónico para hacer frente a este tipo de problemáticas. “(Porque) no ha hecho ningún tipo de campañas justamente para combatir la homofobia. Hace falta el respaldo institucional”, concluyó.

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Mexico chief defends use of gay slurs at the World Cup (Goal.com)

By Vaishali Bhardwaj

23 Jun 2014 9:11:00 AM

The chief operating officer of El Tri says that Fifa can do nothing about the slurs that fans have used at the World Cup in Brazil

Mexico chief defends use of gay slurs at the World CupThe chief operating officer of the Mexico national team has defended the use of gay slurs by the country’s fans, saying that nothing can be done about it.

Mexican supporters who have travelled to watch their side compete in the World Cup in Brazil have been heard shouting a derogatory term each time an opposing goalkeeper takes a kick – a common practice in Mexico.

Four days ago, football’s world governing body, Fifa, announced they had begun disciplinary proceedings in response to the chants.

However, the COO of the Mexico team, Héctor González Iñárritu, defended the fans and explained that it was part of the country’s culture.

“The [Mexican] Federation is unable to restrict this expression. We cannot do anything legally or administratively,” he stated.

“It is not aggression – it is something that we’ve had for a long time in the Mexican League and in international matches.

“The people of Brazil were also yelling ‘wh**e’ at Guillermo [Ochoa] and it’s the same. Fifa would have to punish all federations.”

Mexico coach Miguel Herrera backed the use of the slur recently when he said: “We’re with our fans. It’s something they do to pressure the opposing goalkeeper.”

But, Piara Powar – a member of FARE (Football Against Racism in Europe) and the Committee Against Racism – condemned the behaviour.

“The homophobic chants are totally unacceptable. There must be action quickly before it starts to run out of control,” he said.

“Fifa have strong regulations in this regard. Zero tolerance is what is required here.”

Under Fifa’s regulations, supporters could face punishments such as suspensions or expulsions from grounds if they are found guilty of breaching the rules.

“The sporting sanctions are the only effective punishment,” Fifa president Joseph Blatter said.

Mexico World Cup Chants: Diego Luna Condemns Homophobic ‘Puto’ in Soccer (Latino Post)

By Robert Abel

First Posted: Jun 22, 2014 02:24 PM EDT

Diego Luna

Cada Vez nos Despedimos Mejor Press Conference (Photo : Clasos/CON LatinContent Editorial)

Mexican actor Diego Luna is speaking out against homophobic chants during World Cup matches. Fox News Latino reported that the award-winning actor and producer said it is regrettable that homophobic terms like “puto,” a common cry heard at Mexico’s soccer stadiums, are used to insult players during games.

Some say the word means weak or coward and isn’t directed at gays, but it is clearly meant to mock an opponent as weak and unmanly.

“I went to the [2006] World Cup in Germany, and I did hear [that cry],” the actor said in an interview with MVS radio. He said he never joined in because he couldn’t be proud of doing so.

“Soccer is a reflection of what we are in many ways,” he said. “We live in a classist, racist, homophobic society into which we are very assimilated, that’s all. I’m not really proud of that.”

On Thursday, the International Federation of Association Football, or FIFA, opened a disciplinary inquiry into the chants Mexican fans yelled during World Cup games against Cameroon and Brazil.

ESPN told Outsports it will try to prevent the chants from being heard on-air Monday when Mexico plays Croatia. The network says it is sensitive to the chant.

Andres Aradillas-Lopez, an economics professor at Penn State University, was born in Mexico and said he told Outsports the slur disgusts him.

“I heard them during the Cameroon game and also today against Brazil. Every single time the opposing goalie had a goal kick, they chanted [‘puto’],” Lopez said. “The media should make a bigger deal out of this and publicly shame that country and its fans. No other country in the world does this, and it would be unacceptable in any U.S. stadium.”

Mexico national team coach Miguel Herrera didn’t take the chants seriously, saying, “We have nothing to say; we’re with the fans. They do it to put pressure on the other team’s goalkeeper — I don’t think it’s that serious.”

FIFA statutes state that discrimination — by players, coaches or fans — against any country, individual or group for their race, skin color, ethnic origin, nationality, sex, language, religion or other factor is prohibited.

Luna has played LGBT characters in his films, including “Y Tu Mama Tambien” and “Milk.”

LGBT activists have been using the World Cup to draw attention to anti-gay killings that have plagued Brazil. Last year there were 313 anti-gay killings in the country, according to watchdog Grupo Gay de Bahia.

Stop Italy’s Soccer Hooligans (New York Times)

I love soccer in general, and the Nerazzurri of Inter Milan in particular. Our bright blue and black jersey mirrors the heavens, while our crosstown rivals, Silvio Berlusconi’s A.C. Milan, wear a more infernal red and black.

Inter Milan is often overshadowed by Mr. Berlusconi’s team, but we don’t care. In 2010 we won the “triplete” — the Italian League, the Italian Cup and the European Champions League — and this year they trail us in Serie A, Italy’s top league.

On April 26, minutes before an Inter Milan-Napoli game kicked off at Milan’s San Siro stadium, Inter supporters unfurled a large banner. “Reading opens your mind,” it said. Then came another, even bigger banner in the shape of an antique book. “Television ignores us,” it said. “But without our passion, there is no soccer.”

As I was mentally congratulating them, the local fans started chanting hate slogans at the visitors from Naples. The kindest of these was, “Do your stuff, Vesuvius!” I wrote in a Twitter post from San Siro: How can the same people be so imaginative yet so stupid?

I received plenty of replies, but the most convincing one arrived a week later, at the Stadio Olimpico in Rome. The crowd was waiting for the Coppa Italia final between Napoli and Fiorentina to get underway. The game was delayed, inexplicably. A powerless prime minister, a passive leader of the Senate and an embarrassed president of the International Olympic Committee looked on as a delegation of police officers walked over to a flabby, tattooed hulk perched on a security fence. It was up to him, apparently, whether the match would start.

The hulk’s name is Gennaro de Tommaso, alias “Genny a’ carogna,” or Genny the Swine. He’s the boss of the hard-core Napoli supporters and is suspected of ties with the Camorra organized crime ring. Apparently, if the game began without his permission, violence would follow.

In fact, even as the stadium waited for his nod, the scene was turning bloody. Fans were throwing flares onto the field. A firefighter was injured by a smoke bomb. The crowd booed during the national anthem. Outside the stadium, a man was being treated for gunshot wounds to his spinal cord.

Can we call this sport? Obviously not. It’s madness, and it’s been going on for 30 years. In 1985, just before the beginning of the European Cup final between Italy’s Juventus and Britain’s Liverpool at the Heysel stadium in Belgium, 39 fans were crushed to death during a stampede. In 1989, 93 fans were killed at Hillsborough stadium in Sheffield, England. The British government decided it was time to step in with seating-only stadiums and zero tolerance for hooligans. It worked, and the Premier League is now a major money-spinning machine watched all over the world.

Regretfully, Italy has yet to learn this lesson. Over here, hard-core fans are known as “ultras,” which means “beyond” in Latin. And beyond is where they go. Beyond decency. Beyond common sense. Beyond criminal law. At every match, in every Italian stadium, even if nobody gets hurt, the ultras fill the air with insults, racist chants and smoke bombs. They spit and swear at their police escort as they swagger from stadium to train station, where they proceed to smash up the trains, or get into their buses and fight one another at gas stations along the autostrada.

New regulations were introduced during the 2009-10 season to put an end to the violence, including “tessera del tifoso,” a card that identifies fans as supporters of a specific team and that authorities can use to separate trouble makers. Legislation hasn’t stopped the thugs: 5,000 people have been specifically barred from stadiums, but they cause havoc nearby instead (last year, hooligan attacks on the police increased by 85 percent).

The violence has persuaded many people to stay away from stadiums, which are often painfully empty. Italian soccer is losing a million attendees a year, down to 12.3 million tickets sold in 2012-13 from 13.2 million in 2011-12. Serie B and lower leagues suffer more than Serie A, the main national league. With declining audiences, there is no way soccer teams can sort out their financial mess. The collective debt of Serie A’s 30 clubs is close to 3 billion euros.

Filmmakers, writers and journalists have given hooliganism in Italy and elsewhere a lot of attention. Soccer violence is, after all, spectacular. But it’s also a burden. The Azzurri, as the Italian national team is known, have won four World Cups, most recently in 2006, by playing elegant soccer. Their country has a reputation for flair and style. Mindless aggression is un-Italian.

How do we prevent the hooligans from destroying Italian soccer? Simple. Scrap all military-style paraphernalia, including riot police officers, barbed wire, cage-like stands. Then call a crime a crime wherever one is committed. Offensive language. Threatening behavior. Assault. Zero tolerance worked in Britain; it can work here.

Italy’s penal code covers all that, so there is no need for any more legislation. It is simply a matter of enforcement. Soccer stadiums are not on some planet of their own. They are on Italian soil. They belong to the people who love the sport.

If Matteo Renzi, our 39-year-old prime minister, wants to leave a cost-free mark quickly, this is his chance. He’ll then be able to take his three children to see their beloved Fiorentina play Inter Milan. As usual, the Nerazzurri will win. But that won’t matter.

Beppe Severgnini is a columnist at Corriere della Sera and the author of “La Bella Figura: A Field Guide to the Italian Mind.”

World Cup Reflections on Soccer of Old (New York Times

CreditPaul Hornschemeier

IT’S wonderful that America has fallen in love with World Cup soccer, as it plays out across the greenswards of Brazilian host cities like Natal, Manaus and Curitiba. To walk through New York City on Monday night and hear the restaurant crowds’ whooping at John Brooks’s late-game goal, which propelled the United States over Ghana, was to experience soccer as it is experienced in the rest of the world: collective, noisy and cathartic.

But as someone who grew up in England in the 1970s and ’80s, I still can’t take seriously this idea of soccer as a wholesome multicultural bauble, the sporting equivalent of the small-plate gastropub. I’m bemused by these young people all over New York with their World Cup sticker albums, wearing club shirts from Barcelona and Chelsea — and even Paris St.-Germain, for heaven’s sake.

Until recently, when the Qatar Investment Authority bought Paris St.-Germain and scrubbed it up, investing tens of millions of dollars in new players, it was a terrifying club. Its stands were ruled by a group of fascist skinheads, the notorious Kop de Boulogne. Few Parisians dared venture to its games. At a match in 2008, its fans greeted the visiting club from Lens with a banner reading, “Pedophiles, unemployed and inbred.”

Longtime Chelsea fans now complain that games at their home ground, Stamford Bridge, once raucous affairs, have become as stodgy as a night at the opera. It’s now just thousands of well-behaved bankers and lawyers, chuntering approval at the latest high-priced midfield acquisition. The old frisson of hooliganism is gone.

In Northampton, the town where I grew up, the professional team was nicknamed the Cobblers, a reference to Northampton’s past as a center for shoemaking, but unfortunately also Cockney rhyming slang for “rubbish.” The Cobblers played at the County Ground a mile or so from our house, and on game days my parents ordered me inside and locked the doors as hundreds of fans walked to the game and back, chanting and leaving a trail of lager cans along Christ Church Road.

As a schoolboy, I had to play endless unwanted hours of mediocre soccer. There was the occasional sunny afternoon in our backyard when I would imagine myself as Glenn Hoddle, the midfield genius of Tottenham Hotspur and England’s national team. But if I had to play one of those rapid-fire word association games, here’s what would spring to mind: freezing, rain, ball like a rock, pain, bruise, yelling, losing. My favorite moment from the United States-Ghana match wasn’t the goals but Clint Dempsey’s taking a blow to the face and playing on.

As a cub newspaper reporter, I would drive to lower-division professional matches around the south of England. I would park my car, hide my stereo and walk to the match past a line of mounted police officers in riot gear. You took your life in your hands just eating the meat pies at these games. Grown men would swear with such explosive force you feared their teeth would pop out. Their feelings for the referee and the opposition, rendered in chant, were unprintable.

England’s national team used to be made up of hard nuts willing to bleed for the country on the field and drink off it. On their way back home from a friendly match before the European championships in 1996, they got soused and trashed a plane to the tune of more than $5,000 in damage.

I’m happy the players today are all listening to their nutritionists and thanking God for their blessings, but I wonder if ever there will be another Stuart (Psycho) Pearce to grace the England back four or a Paul (Gazza) Gascoigne to celebrate scoring by pretending to drink pint after pint of lager.

When I moved to New York, in 1998, the Yankees were en route to another championship. It was easy to love Derek Jeter, Bernie Williams and the high-kicking Orlando (El Duque) Hernandez. I went to games at Yankee Stadium, read the works of Roger Angell and Roger Kahn. For one birthday, my wife even bought me a copy of “The Bill James Historical Baseball Abstract” so I could nerd out on sabermetrics.

But when I tried to talk baseball with Americans, I could tell no one took me seriously. However much I knew, I could never really “know” the game in the same way as those who had endured hot summer afternoons of Little League or long losing droughts with the Mets. Anyone could like El Duque, the same way anyone can like Lionel Messi.

So it is with the new crowds of World Cup fans. If I feel a little protective of my game, it’s because my enthusiasm for it has been uneven and hard won. The good news is I don’t have to worry about this ever happening with cricket.

Apesar do cerco das autoridades e do controle das fronteiras, barras bravas argentinas estão no Rio (Extra)

15/06/14 05:00 

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor Foto: Reprodução/Twitter

Leandro Saudino e Rafael Soares

O governo argentino entregou às forças de segurança brasileiras uma lista com 2,1 mil nomes de integrantes de torcidas organizadas argentinas — as populares e violentas barras bravas. Para evitar brigas em jogos do Mundial, esses “hinchas” — que já foram condenados pela Justiça ou barrados dos estádios pelos clubes — estão proibidos de entrar em território brasileiro. Quando identificados pelas autoridades nas fronteiras, são deportados. Porém, a Interpol vê brechas no sistema.

— Pelo ar, não há como passar pelo controle migratório. Mas, por vias terrestres, em postos sem pontes, como em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, não há como controlar. Não vamos fechar 100% as fronteiras — admitiu, ao Jogo Extra, o chefe da Interpol no Brasil Luiz Eduardo Navajas. — Sem contar que torcedores fora da lista também podem fazer parte de torcidas e não temos motivos para barrá-los.

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana Foto: Reprodução/Twitter

Apesar do cerco, alguns “hinchas” já estão no Rio: no Twitter, o perfil “barrabravphotos” postou, durante a semana, imagens que mostram os “hinchas” desfilando, com naturalidade, com suas faixas e surdos por pontos turísticos como o Cristo Redentor e a Praia de Copacabana. Nas fotos, aparecem torcedores de equipes de menor expressão no cenário argentino, como Club Deportivo Laferrere, Club Atlético Talleres e Clube Atlético Chaco For Ever.

A Polícia Federal e a Interpol monitoram os grupos de torcedores que entram no país. Os órgãos de inteligência da PF já identificaram que os torcedores mudaram a rota de entrada no país após cinco torcedores serem deportados — dois pela via aérea e três pelo município de Uruguaiana. Agora, eles estão tentando entrar pelo Uruguai, onde o controle é mais difícil.

— A lista com os barras bravas pode ser acessada em todo posto de imigração. Os barras bravas que estão na lista e conseguirem entrar vão fazer isso de forma ilegal. Vamos intensificar os bloqueios da Polícia Rodoviária nessas regiões — afirma Navajas.

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio Foto: Reprodução/Twitter 

Alto escalão abre portas para torcedores

Organizadas, influentes e poderosas. As “hinchadas”, ao mesmo tempo em que protagonizam alguns dos episódios mais tristes do futebol argentino, frequentam os gabinetes do alto escalão da política nacional. Criado para a Copa da África do Sul, com apoio e financiamento do governo kirchnerista, o grupo Hinchadas Unidas Argentinas (HUA) — que conta com integrantes de torcidas de mais de 40 clubes do país — teve sua dissolução anunciada no início de junho.

Durante a coletiva de imprensa, a advogada da entidade Débora Hambo acusou a Associação do Futebol Argentino (AFA) de repassar entradas da Copa do Mundo do Brasil para outros grupos de barras bravas, ligados aos grandes clubes de futebol do país vizinho, como Boca Juniors e River Plate.

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata Foto: Reprodução/Twitter

Nesse mesmo evento, a HUA divulgou que 150 integrantes da entidade viriam ao Brasil, mesmo sem ingressos, para torcer para a Argentina. Esses torcedores viriam ao Rio para tentar se encontrar com o presidente da AFA, Julio Grondona. Antes da dissolução, a HUA havia pedido à AFA 1.500 ingressos.

Em abril, o jornal argentino “Olé” publicou uma entrevista com o líder de uma torcida organizada do Internacional (Gilberto Bitancourt Viegas), conhecido como Giba, em que ele afirmava que conseguiria ingressos para 200 argentinos verem jogos da Copa.

Mesmo que os barras bravas consigam os ingressos, eles não poderão entrar nos estádios com suas faixas e instrumentos: a Fifa proíbe a entrada de cartazes com manifestações ou nomes de organizações nos estádios.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/apesar-do-cerco-das-autoridades-do-controle-das-fronteiras-barras-bravas-argentinas-estao-no-rio-12864333.html#ixzz34jWTYw3z

Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional (Diario Popular)

17 | 05 | 2014

Con un espectacular tiro libre de “Gomito” Gómez, de 39 años y máximo ídolo del club, el cuadro de Mataderos venció por 1-0 a Colegiales como visitante y se adjudicó el título.

 Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional

Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional

Nueva Chicago logró el ascenso a la B Nacional al vencer por 1-0 como visitante aColegiales y obtener así el campeonato de la Primera B Metropolitana.

El “Torito” de Mataderos se impuso con un golazo de Christian “Gomito” Gómez, de tiro libre a los 15 minutos del primer tiempo, en la cancha de Colegiales, y allí, en Munro y ante una multitud de hinchas “neutrales” (no está permitido el ingreso del público visitante), festejó el ansiado retorno a la antesala del fútbol grande.

De la mano de su técnico Pablo Guede, Chicago alcanzó 73 puntos y les sacó una diferencia irremontable a sus seguidores Temperley (65 con dos partidos por jugar) y Atlanta (64).

“Gomito” Gómez, enganche de 39 años y máximo ídolo de la institución, volvió a ser la figura del equipo de Mataderos como en toda la temporada y goleador, ahora con 10 tantos.

La gran campaña de Chicago para resultar campeón y ascendido a una fecha del final incluyó 20 victorias, 13 empates y seis derrotas, con 42 goles a favor y 22 en contra.

Barrio de guapos, historia pura

Chicago es patrimonio de un barrio del oeste de la Ciudad de Buenos Aires, donde desde el 1899 se instaló el Matadero Municipal, que también tiene una antigua prosapia tanguera y donde nacieron el cantor Horacio Deval y el bailarín Juan Carlos Copes.

Uno de los signos distintivos del club Nueva Chicago es su seguidora hinchada, que si bien en los últimos tiempos le ha dado dolores de cabeza a sus dirigentes por las sanciones que acarrearon sus comportamientos, se caracterizó siempre por ser una de las más conocidas del Ascenso.

Esa hinchada fue, por su fuerte identificación peronista, un baluarte de resistencia durante la dictadura militar y sufrió, por ejemplo, el 25 de octubre de 1981, el arresto de 49 de sus miembros, que fueron llevados al trote a la comisaría 48va. de la Federal, por cantar la  marcha partidaria durante un partido contra Defensores de Belgrano.

Nueva Chicago, apodado “El Torito de Mataderos”, igual que aquel prestigioso boxeador de peso liviano llamado Justo Suárez, también nacido a principios del siglo XX en el corazón del barrio de los corrales y los frigoríficos, fue fundado el 1 de julio de 1911 por iniciativa de un grupo de jóvenes en las calles Tellier (hoy Lisandro de la Torre) y Francisco Bilbao.

El nombre elegido para el nuevo club fue “Los Unidos de Nueva Chicago”, en coincidencia a la ciudad estadounidense que al igual que el barrio porteño nucleaba en el país del norte a los frigoríficos.

Los colores de la camiseta, tras largas discusiones, fueron elegidos de manera singular ya que, estando reunidos los fundadores, pasó por la avenida Crovara una ‘chata’ hacia los corrales cargada con fardos de pasto que tenía los colores verde y negro y José Varela al verla exclamó:

“Muchachos, ya tenemos los colores, serán el verde y negro”, que fue aceptado por la mayoría. La primera y modesta cancha estuvo ubicada en un predio delimitado por las calles San Fernando (hoy Lisandro de la Torre), Tandil, Chascomús y Jachal (hoy Timoteo Gordillo) y, a partir de  1940, se mudó al terreno donde se encuentra su actual estadio República de Mataderos, en las calles Justo Suárez, Cárdenas y Francisco Bilbao.

El estadio fue famoso porque también allí se desarrollaron a partir de la década del ’70, alrededor del campo de juego, las carreras de autos categoría ‘midget’ (sin caja de velocidades y sin frenos).

Chicago militó mucho tiempo en el ascenso, pero tuvo también la oportunidad de jugar en Primera División en 1930 (bajó de categoría en 1934), 1981 (luego descendió en 1983), 2001 (en el 2004 se fue a la B Nacional) y 2006 (bajó en 2007).

De todas esas épocas, el resultado más resonante fue la victoria contra Boca Juniors, por 5-0, en el Torneo Metropolitano de 1983, partido jugado en Vélez. En ese histórico encuentro anotaron Claudio Otermín (2), Carlos Acuña (2) e Ignacio Vera Benítez.

Ariel Palácios: “Não são gentlemen” – sobre os barrabravas argentinos (OESP)

20.março.2014 15:06:53

Seção “Não são gentlemen”: Barrabravas argentinos intensificam violência enquanto preparam as malas para viajar para a Copa

Hunos fazendo rolezinho em terras europeias no dia 20 de junho de 451. A gravura, de A. De Neuville (1836-1885), ilustra os bárbaros descendo pauleira na Batalha de Chalôns. Os barrabravas – os hooligans argentinos – teriam estado à vontade. Os “barrabravas” argentinos cresceram durante a ditadura militar com respaldo das autoridades e dos cartolas dos times. Nas últimas três décadas de democracia continuaram sua expansão.

Mais de 50 times de futebol da Argentina, desde os grandes Boca Juniors eRiver Plate aos pequenos El Porvenir e o Chaco For Ever, estão padecendo uma intensificação generalizada das atividades dos“barrabravas”, denominação nativa para os “hooligans”. Tiroteios, assassinatos, espancamentos, extorsões e depredação da propriedade privada e pública foram a tônica no futebol local nos últimos meses, somadas às costumeiras atividades de vendas de drogas, revenda de entradas nos estádios, entre outras. No meio da polêmica sobre esta escalada de violência os responsáveis por estas ações estão planejando detalhadamente sua viagem ao Brasil, onde pretendem assistir os jogos da Copa do Mundo.

Ou, caso não consigam as entradas (a imensa maioria destes barrabravas, segundo informações extraoficiais, ainda não contam com os tíquetes), ficariam do lado de fora dos estádios, fazendo o que os argentinos denominam de “el aguante” (expressão local para designar a exibição de respaldo enfático que uma torcida propicia a seu time).

‘ROLÊ’ NO BRASIL – Uma comitiva de dez barrabravas viajará a Porto Alegre no final de março para reunir-se com contatos locais – entre eles José “Hierro” Martins, da Guarda Popular, do Inter – para preparar o desembarque do contingente das torcidas organizadas argentinas, que usariam a capital gaúcha como quartel-generalpara as viagenspelo resto do país. O grupo argentino estáorganizando o financiamento da viagem desde 2011.

Diversas estimativas indicam que ao redor de 650 barrabravas de 38 clubes argentinos viajariam ao Brasil em dez ônibus para estar presentes durante a Copa. Este volume implicaria em um aumento de 150% em comparação ao número de barrabravas que viajaram à Copa da África do Sul em 2010.

Estes barrabravas integram a Torcidas Unidas Argentinas, entidade conhecida pela sigla “HUA”, que se auto-apresenta como uma ONG para divulgar a “cultura do futebol”. Mas, enquanto que na Copa de 2010 os barrabravas desta organização contavam com lideranças fortes que serviam de interlocutor com diversos integrantes do governo dapresidente Cristina Kirchner, que lhes conseguiam financiamentos, atualmente não possuem um comando único, além de receberem apoios econômicos por parte de aliados da Casa Rosada e da oposição.

Não, o moço do moletom preto não está dando um abraço no rapaz da camista cinza. Segundo diversas autoridades e colunistas esportivos é apenas “paixão esportiva”.

Analistas esportivos consultados pelo Estado sustentam que este cenário de atomização das lideranças e vínculos complicou nos últimos anos o controle da violência dos barrabravas por parte das forças de segurança. No entanto, as autoridades argentinas prometem fiscalizar estes grupos violentos que viajarão ao Brasil. Mas os críticos ironizam, afirmando que o governo Kirchner sequer consegue controlar os barrabravas dentro do próprio país.

O município de Quilmes, na Grande Buenos Aires, foi o cenário de confrontos de barrabravas na semana passada. Os torcedores do clube Quilmes, famosos por sua violência, espancaram os rivais do All Boys com pás, além de desferir punhaladas. Além dos conflitos com outras torcidas, os divididos barrabravas do Quilmes também protagonizam combates internos. Segundo odeputado Fernando Pérez, da União Cívica Radical (UCR), “a Copa acelera as disputas porque os barrabravas se desesperam por financiar suas viagens ao Brasil”.

Estimativas das agênciasde turismo indicamque15 mil argentinos viajariam ao Brasil paraparticipar dos eventos da Copa. Mas, deste total, apenas 4.300 argentinos conseguiram entradas por intermédio da site na internet da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Uma parte destes visitantes conseguiriam entradas por intermédios dos cambistas. No entanto, a maioria ficaria sem entradas.

Barrabravas de um time expressam o que desejam que aconteça aos torcedores do time rival com metáfora funérea.

MORTES E BUSINESS – Desde o primeiro ataque protagonizado por barrabravas com saldos fatais na Argentina em 1924 até o ano passado haviam morrido 230 pessoas, além de milhares de feridos. As brigas, que até os anos 80 eram resolvidas a base de socos e pontapés, nos últimos 30 anos foram definidas a base de armas de fogo. Nestes 90 anos a Justiça argentina foi costumeiramente omissa, já que pouco mais de três dezenas de pessoas foram condenadas por essas mortes entre 1924 e 2013.

Ao contrário de outros países onde as torcidas organizadas mais violentas estão vinculadas a grupos de skinheads e neonazistas, na Argentina os barrabravas possuem fortes laços políticos e econômicos com ministros, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores, para os quais trabalham organizando comícios, cabos eleitorais e seguranças.

Nos últimos anos na cidade de Buenos Aires enos municípios da Grande Buenos Aires osbarrabravas assumiram gradualmente o controle dos flanelinhas que circulam nas áreas dos shows de rock, estádios de futebol, exposições e demais lugares de passeio dos habitantes da área. Os barrabravas também estão vinculados ao tráfico de drogas, que cresceu de forma acelerada na última década no país. As lideranças destas torcidas organizadas obtêm dos cartolas dos times argentinos entradas para os jogos que são revendidas e também arrancam dízimos dos vendedores de cachorro-quente e outros camelôs. “Não somos escoteiros”, admitiu um barrabrava consultado pelo Estado.

Coreografia improvisada da violência dos estádios argentinos. Um clássico que repete-se com mais frequência nos últimos anos.

ATAQUES – Na semana retrasada, no distrito de Gerli, no município de Lanús, na zona sul da Grande Buenos Aires,um grupo de barrabravas incendiou um carro da polícia estacionado na frente da residência de Enrique Merellas, diretorde El Porvenir, um pequeno time local. “Merellas, você morrerá!” foi uma das legendas pintadas no muro do campo do time. No ano passado o diretor do clube havia apresentado na Justiça 53 denúncias por ameaças e agressões dos barrabravas, que aumentaram desde queo timefoi rebaixado à quinta divisão. “Este time é um depósito de drogas, tal como os outros clubes do país”, sustentou Merellas.

Merellas havia pedido ajuda ao governadorde Buenos Aires eao secretário da Justiça, que colocaram à sua disposição uma viatura policial para proteger sua casa. No entanto, na hora do ataque, os policiais não estavam no carro.

No mesmo dia, no norte da Argentina, na província do Chaco, a casa de Héctor Gómez, presidente do clube Chaco For Ever, da terceira divisão, foi alvo de tiros disparados por um grupo de barrabravas, irritados com sanções da Justiça que determinam que somente os sócios do time podem assistir os jogos quando o clube é anfitrião. “É muito difícil combater a violência no futebol argentino”, lamentou Gómez, que destacou que as drogas e álcool dentro de um estádio tornam “incontrolável” o comportamento dos barrabravas. Segundo Gómez, “o governo e a política usam estes rapazes”.

General e ditador Jorge Rafael Videla com sorriso amplo celebra a conquista da Copa de 1978 na Argentina. Durante o regime militar os barrabravas consolidaram-se e iniciaram sua expansão.

DITADURA E BARRABRAVAS – A Copa de 1978 na Argentina foi um divisor de águas na violência e na estrutura dos “cartolas” do futebol local. Por um lado, a truculência do regime teve influência sobre as torcidas, consolidando o crescimento dos “barrabravas”, que nos anos seguintes à copa começaram a desfrutar da cumplicidade das autoridades esportivas em suas atividades violentas. Simultaneamente, vários técnicos, jogadores de futebol e grupos de barrabravas colaboraram ativamente com o regime militar na repressão aos civis.

Meses após a final de 1978, apadrinhado pela Marinha argentina – que participava da Junta Militar – estabeleceu-se um grupo de poder no controle da Associação de Futebol da Argentina (AFA), liderado por Julio Grondona, que mantém-se no comando do futebol argentino há três décadas e meia. Grondona reelegeu-se ininterruptamente nove vezes desde os tempos da Ditadura. Octogenário, não exibia em 2014 sinais de querer se aposentar.

Barrabravas: sangue, suor e musculatura. Na companhia de colegas do mesmo sexo, com torsos nus, barrabravas fazem apologia da heterossexualidade em âmbito público esportivo. 

E embaixo, do pintor francês Jean-Léon Gérôme (1824-1904), a emblemática obra “Police Verso” (Polegares para baixo) que retrata o “panem et circenses” (pão e circo) do Império Romano. O quadro está no Phoenix Art Museum, Arizona, EUA. A cena pode parecer algo velha…Mas no fundo é bem atual. Gérôme nasceu em 1824. E morreu em 1904, época em que o futebol era apenas um esporte jogado de forma cavalheiresca.

   

E vamos para um pouco da imprescindível civilização: Georges Prête rege o Intermezzo da Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni:

*   *   *

Seção “Não são gentlemen”, parte II: Mais de 1.200 ‘barrabravas’ tentariam entrar no Brasil durante a Copa

Não é massagem reiki. São os barrabravas de uma facção do clube Quilmes que espancam outros torcedores do mesmo time (mas de setores rivais).

Mais de 1.200 “barrabravas”, denominação dos ‘hooligans’ argentinos, estão preparando as malas para viajar ao Brasil durante a Copa do Mundo. Isso é o que sustentam investigações feitas pelo jornal portenho “Clarín”, que indicam que o volume de “barrabravas” teria duplicado as estimativas originais, de março, quando as autoridades argentinas calculavam que iriam ao lado brasileiro da fronteira 650 integrantes das violentas torcidas organizadas de times de Buenos Aires e outras cidades do país.

Organizados na “ONG” Hinchadas Unidas Argentinas (Torcidas Unidas Argentinas), conhecida pela sigla “HUA”, os barrabravas foram favorecidos em abril por uma determinação da Justiça de Buenos Aires que permitirá que possam sair da Argentina sem problemas, a não ser nos casos de pessoas que, por questões de processos nos tribunais, estejam impedidos de viajar para fora do país.

Segundo a advogada da HUA, Debora Hambo, os torcedores que irão ao Brasil “não possuem processos penais abertos nem antecedentes de fatos de violência. Os torcedores que viajarão não possuem grau algum de periculosidade”.

Apesar das recentes declarações do ministro dos esportes do Brasil, Aldo Rebelo, de que as autoridades brasileiras estarão de olho nos voos provenientes da Argentina e nos principais pontos de passagem na fronteira entre o Brasil e a Argentina, diversos barrabravas argentinos já estão planejando entrar em território brasileiro pelas fronteiras que o país possui com o Paraguai e Bolívia.

Os barrabravas argentinos teriam conseguido pelo menos 900 entradas para os jogos da primeira fase da Argentina por intermédio da Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada desde 1979 por Julio Grondona. O cartola, aliado de todos os presidentes de plantão, civis e militares, tornou-se colaborador da presidente Cristina Kirchner a partir de 2009, quando fez um lucrativo acordo com o governo para estatizar as transmissões dos jogos de futebol.

Há duas semanas um grupo de 300 barrabravas manifestou-se nas portas da AFA para exigir entradas para os jogos da Argentina no Brasil. Os integrantes da HUA alegam que constituem uma ONG de “luta contra a violência”, e que, portanto, merecem as entradas.

Outras épocas, outros protagonistas de pancadarias a granel. Gravura do séc.XIX sobre invasões bárbaras.

MORTES – Desde 1924, quando ocorreu a primeira morte em um estádio argentino, um total de 278 pessoas foram assassinadas pelos barrabravas em confrontos diretos individuais ou choques de grupos. A AFA, que tem contatos fluidos com as torcidas organizadas – aos quais ocasionalmente recebe em sua sede no centro portenho – jamais atendeu os parentes das vítimas da violência nos estádios. Nestes 90 anos a Justiça argentina condenou apenas três dezenas de pessoas por essas mortes.

 

 

Argentina hooligans can go to Brazil World Cup (Global Post)

 

Notorious Argentine “barras bravas” football hooligans can travel to the World Cup without intelligence being passed on beforehand to hosts Brazil, a court has ruled.

The court in Buenos Aires said that the Argentine government is not allowed to tell another country personal information about its citizens, a lawyer for the United Argentine Fans (HUA) supporters’ group said Wednesday.

Debora Hambo welcomed the judgment “to avoid persecution of supporters, like in South Africa in 2010.”

During the World Cup in South Africa, 30 Argentine supporters considered dangerous were turned back at airports or deported shortly after arrival, after Argentine authorities passed on intelligence about potential trouble-makers.

An Argentina fan was killed in Cape Town during a clash between rival barras bravas groups on the eve of the quarter-final between Germany and Argentina.

Brazilian and Argentine authorities have held preliminary discussions about cooperation on security.

Argentina has a long and troubled history of football hooliganism with at least 24 people killed in trouble between fans in the last two years.

Argentina face Bosnia and Herzegovina, Iran and Nigeria in the group phase of the June-July world Cup.

Brasil se preocupa com invasão de barrabravas argentinos na Copa (OESP)

Autoridades dos dois países se reuniram na terça e selaram acordo de cooperação

20 de março de 2014

Ariel Palacios – O Estado de S. Paulo

BUENOS AIRES – Os barrabravas, os violentos torcedores argentinos, estão se preparando para assistir à Copa do Mundo. O planejamento da viagem ao Brasil é bastante detalhado – passa até por contatos com líderes de torcida do futebol gaúcho, pois a ideia é fazer Porto Alegre de quartel-general. Preocupados, os governos de Brasil e Argentina firmaram acordo de cooperação para tentar controlar esses torcedores.

Torcedores do Boca enfrentam a polícia - Marcos Brindicci/Reuters

Marcos Brindicci/Reuters. Torcedores do Boca enfrentam a polícia

O plano dos barrabravas prevê até o que farão aqueles que não conseguirem ingressos. Eles ficariam do lado de fora dos estádios, fazendo o que os argentinos chamam de “el aguante”, expressão usada para definir o apoio fanático e apaixonado de uma torcida por seu time.

No fim do mês, uma comitiva com dez torcedores argentinos viajará a Porto Alegre para se reunir com contatos locais – entre eles José Hierro Martins, da Guarda Popular, do Internacional – para preparar o desembarque das organizadas argentinas na capital gaúcha, de onde partiriam para o resto do País. O grupo está organizando o financiamento da viagem desde 2011.

A seleção argentina está no Grupo F da Copa do Mundo e jogará no Rio de Janeiro em 15 de junho, contra a Bósnia; em Belo Horizonte no dia 21, contra o Irã; e no dia 25 em Porto Alegre, contra a Nigéria.

Diversas estimativas indicam que ao redor de 650 barrabravas de 38 clubes argentinos viajarão ao Brasil, em dez ônibus, aumento de 150% em relação ao contingente que foi à África do Sul em 2010. São integrantes das Torcidas Unidas Argentinas, entidade conhecida pela sigla HUA, que se apresenta como uma ONG para divulgar a “cultura do futebol”.

Em 2010, os barrabravas contavam com lideranças fortes, que serviam de interlocutores com diversos integrantes do governo da presidente Cristina Kirchner que lhes conseguiam financiamentos. Atualmente, eles não possuem um comando único e recebem apoio econômico tanto de aliados da Casa Rosada como da oposição.

Analistas esportivos consultados pelo Estado sustentam que esse cenário de “atomização’’ das lideranças e vínculos complicou nos últimos anos o controle da violência dos barrabravas por parte das forças de segurança. No entanto, as autoridades argentinas prometem fiscalizar estes grupos violentos que viajarão ao Brasil. Os críticos ironizam, afirmando que o governo Kirchner nem sequer consegue controlá-los dentro do próprio país.

O município de Quilmes, na Grande Buenos Aires, foi o cenário de confrontos de barrabravas na semana passada. Os torcedores do Quilmes, famosos por sua violência, espancaram os rivais do All Boys com pás, além de desferir punhaladas. Segundo o deputado Fernando Pérez, da União Cívica Radical (UCR), “a Copa acelera as disputas porque os barrabravas se desesperam por financiar suas viagens ao Brasil”. Estimativas das agências de turismo indicam que, no total, 15 mil argentinos viajarão ao Brasil para acompanhar a Copa.

ACORDO

Na terça-feira, autoridades dos dois países se reuniram na embaixada da Argentina, em Brasília, e selaram acordo de cooperação. Por ele, a Argentina vai fornecer ao Brasil todas as informações solicitadas nas área de segurança e migração. O acordo prevê o reforço na segurança nas fronteiras entre os dois países. A entrada de torcedores argentinos no território brasileiro vai merecer controle especial.

A reunião em Brasília teve a presença também de policiais dos dois países, dirigentes do futebol argentino e representantes dos comitês do Rio, de Belo Horizonte e Porto Alegre, as cidades que receberão a seleção de Messi na primeira fase da Copa do Mundo.

MORTES E NEGÓCIOS

Desde o primeiro ataque protagonizado por barrabravas com morte na Argentina, em 1924, até o ano passado haviam morrido 230 pessoas em confrontos violentos e milhares ficaram feridas. As brigas, que até os anos 80 eram resolvidas com socos e pontapés, nos últimos 30 anos foram definidas à base de armas de fogo. Nestes 90 anos a Justiça argentina foi costumeiramente omissa, já que somente pouco mais de três dezenas de pessoas foram condenadas por essas mortes entre 1924 e 2013.

Ao contrário de outros países, onde muitas torcidas organizadas mais violentas estão vinculadas a grupos extremistas, como skinheads e neonazistas, na Argentina os barrabravas possuem fortes laços políticos e econômicos com ministros, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores, para os quais trabalham organizando comícios, como cabos eleitorais e seguranças.

Torcida organizada do Fluminense faz festa de aniversário dentro da sede do clube, em Laranjeiras (ESPN)

Por Thales Machado, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.COM.BR

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Fluminense Torcida Young Flu Festa Sede do Clube Laranjeiras

Torcida organizada do Fluminense, a “Young Flu” fez sua festa de aniversário na sede do clube, em Laranjeiras

O elenco do Fluminense faz a pré-temporada na cidade de Mangaratiba, 85km distante do Rio de Janeiro. A sede social tricolor, no entanto, ficou agitada no último domingo. Em uma época na qual as relações entre agremiações e torcidas organizadas estão em pauta, a sede do clube tricolor, em Laranjeiras, recebeu uma grande festa de comemoração dos 43 anos da “Young Flu”, maior torcida organizada do time.

Se a torcida organizada pode frequentar o mesmo local onde os jogadores treinam, dirigentes administram e sócios frequentam o clube, o mesmo não se pode dizer dos estádios. A torcida “Young Flu” está, desde o fim de outubro do ano passado, suspensa dos estádios onde o Fluminense jogar, por um prazo de seis meses.

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Fluminense Torcida Young Flu Festa Sede do Clube Laranjeiras Torcedores Portão da Sede
Torcedores da “Young Flu” posam para foto em frente à sede do clube, onde a organizada fez sua festa
Reprodução

Fluminense Torcedor Posta Foto Campo Laranjeiras Festa Young Flu

Torcedores postaram foto pisando no campo de treino

A decisão foi do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e ocorreu após ação violenta de um grupo de 30 integrantes da mesma depois da partida entre o Fluminense e o Vitória, pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã. A assessoria de imprensa do TJ confirma que a suspensão continua em 2014.

Com entradas cobradas a R$ 30 para homens e R$ 10 para mulheres, a festa ocupou uma das quadras da sede social, que foi decorada com bandeiras da facção. Na Rua Pinheiro Machado, em frente ao clube, ônibus de diversas cidades do Rio e de fora do estado desembarcavam membros da torcida. A entrada era controlada por seguranças do Fluminense Football Club.

“O espaço foi cedido para sócios do Fluminense, que fazem parte da torcida em questão. Os mesmos solicitaram espaço no clube para a realização de uma festa na qualidade de sócios. Todos os associados do clube possuem esse direito. Os convites para o evento não foram vendidos no Fluminense e qualquer pessoa que venha realizar uma festa no clube tem direito de cobrar a entrada, o mesmo valeria para a realização de uma festa de aniversário, onde o aniversariante pede a contribuição de seus convidados, por exemplo”, esclareceu em nota a assessoria de imprensa do Fluminense.

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Fluminense Torcedora Posta Foto Campo Laranjeiras Festa Young Flu

Fluminense diz que torcedores foram ‘repreendidos’ pelas fotos

No cartaz da foto, no entanto, é possível observar que a festa é claramente da organizada, não aparecendo nome de nenhum sócio. Para adentrar a festa, era obrigatório o uso de uma camisa especial da Young Flu, confeccionada para a festa.

Algumas fotos mostram que a festa se estendeu em outras partes do clube, incluindo o campo de treinamento, alvo de constantes reclamações de atletas e treinadores. No sábado, o clube divulgou imagens do tratamento que o campo vem recebendo, parecido com o do Maracanã. No dia seguinte, imagens de alguns torcedores que foram na festa posando no gramado podiam ser encontradas publicamente em redes sociais. Informado pela reportagem, o clube diz que os torcedores foram repreendidos pela administração logo que tiraram as fotos à beira do campo.

Prática não é comum em outros clubes do Rio

Reprodução

Fluminense Torcida Young Flu Cartaz Festa Sede do Clube Laranjeiras

Cartaz da festa da “Young Flu”, feita na sede do Flu

As conturbadas relações entre clubes e torcidas fazem parte da história recente do futebol no Rio de Janeiro. O próprio Fluminense já se envolveu em polêmicas com ingressos sendo distribuídos a facções. Os rivais, Vasco, Fluminense e Botafogo, já tiveram problemas diversos, envolvendo até violência e ameaça a jogadores.

Tradicionais entre as torcidas, as festas de aniversário não costumam acontecer nas dependências dos clubes, como no caso da agremiação tricolor agora. A Força Jovem Vascaína, por exemplo, maior torcida do Vasco, comemorou seus 42 anos na quadra da Unidos da Tijuca, escola de samba importante da cidade. A Fúria Jovem do Botafogo costumava comemorar seu aniversário na Kabanna Catonho, uma casa de shows. O local foi interditado por falta de segurança, e ano passado a torcida mudou a festa para outro local na Penha, Zona Norte do Rio. A exceção é a torcida “Botachopp”, do Botafogo, que comemorou 11 anos de existência em uma festa no ano passado, no interditado Engenhão.

“Isso só ocorre com a Botachopp porque é uma torcida bem mais família. São senhoras, senhores, gente de paz, tem até a ´BotaSuco´, que é para confraternizar as crianças. A torcida nunca se envolveu em briga, ou foi suspensa, nem teve ninguém preso. Duvido muito que a diretoria liberaria o Engenhão ou General Severiano se fosse a Fúria ou a TJB, que são mais perigosas”, afirmou Rafael Oliveira, integrante da torcida desde 2006.

Duas maiores organizadas do Flamengo, “Jovem Fla” e “Raça Rubro Negra” também não usam a Gávea ou qualquer outra dependência do clube para qualquer evento festivo, usando, em maioria, casas de shows para isso.

Reprodução

Torcida Fúria Jovem Botafogo

Comunicado da “Fúria Jovem”, do Botafogo, sobre mudança do local de sua festa 

Brazil hooligan clubs face record fines (Sydney Morning Herald)

December 11, 2013 – 11:24AM

Vasco da Gama soccer fans beat up an Atletico Paranaense fan. Photo: Reuters

RIO DE JANEIRO: Brazilian sides Atletico PR and relegated Vasco da Gama face record fines and stadium closures after their fans were caught up in violence on Sunday.

The shocking scenes of fans kicking and punching each other on the terraces in the southern city of Joinville has provoked a storm — not least as it harms Brazil’s image six months before it hosts the World Cup.

Brazil’s Supreme Tribunal for Sporting Justice (STJD), part of the Brazilian Football Confederation (CBF), on Tuesday confirmed it was assessing what punishment should be dished out after violence which Brazilian President Dilma Rousseff said the country would not tolerate.

“Given the seriousness of this case we must make a judgement now as everyone wants a response — we shall not leave it til 2014,” said STJD chairman Flavio Zveiter, adding the Tribunal would likely hold an extraordinary session on the case.

Additional controversy erupted after it emerged police were only on duty outside with private security drafted inside, a decision which had police and state government firing accusations and counter-accusations at each other Tuesday.

The STJD could hand both clubs as much as a 20-game stadium ban and a fine in the region of $US50,000 ($A55,000).

Match referee Ricardo Ribeiro faces a four-month suspension if he is found to have officiated a match “without adequate security,” Zveiter told Lance sports daily.

AFP

Read more: http://www.smh.com.au/sport/soccer/brazil-hooligan-clubs-face-record-fines-20131211-2z4v9.html#ixzz2nC8ZlKYC

Até quando? (Universidade do Futebol)

09/12/2013 16:20:20

Já se vão 13 anos de São Januário e, ao que tudo indica, o futebol no Brasil continua parado no tempo

Erich Beting*

Hoje seria dia para falar sobre os erros e acertos de quem ganhou e perdeu no Brasileirão. Ou, então, de enfatizar o estágio ainda de semiprofissionalismo em que alguns times do futebol no país se encontram e que explicam, em parte, como o campeão de 2012 é rebaixado em 2013 no campeonato. Ou como um clube recém-promovido da Série B consegue chegar em terceiro lugar no ano seguinte apenas por fazer o dever de casa, enquanto os clubes, na sua maioria, enchem os cofres de dinheiro, mas os esvaziam com a rapidez e a irresponsabilidade de um estagiário em seu primeiro salário.

Mas, para variar, uma briga generalizada na arquibancada de uma partida tirou o brilho de um campeonato que teve a constelação cruzeirense campeã, mas que pouco, ou quase nada, brilhou.

Campeonato que ficou marcado pelos jogadores sentados nos chãos, de braços cruzados, trocando bola por quase um minuto, dando um recado mais do que sabido a quem (des)gerencia o futebol brasileiro.

Campeonato que teve como eclipse um jogo paralisado por mais de meia hora por conta de uma briga que terminou em feridos hospitalizados e cenas que chocaram quem ainda acha que futebol é algo para se divertir.

O problema não é essas imagens rodarem o mundo e colocarem mais uma vez em questão o que acontece com o país que abrigará a Copa do Mundo daqui a quase sete meses.

O problema é que essas imagens não são novidade há pelo menos 20 anos no país que se orgulha de ser “do futebol” e único pentacampeão do mundo.

Para quem é fanático pelo esporte, como sempre fui desde pequeno, não serve o rótulo de que “é só futebol”. Mas para quem é fanático em trabalhar com esporte, como me tornei ao longo dos últimos 13 anos, não serve também o rótulo de que “isso é o futebol”.

Em 2000, quando as arquibancadas de São Januário cederam na final da Copa João Havelange, parecia que aquele seria o início do fim.

Fim das gestões amadorísticas e popularescas personificadas na figura de Eurico Miranda.

Fim do descaso com o conforto e a segurança daquele que é o financiador do futebol, que é o torcedor.

Fim do “diz-que-diz” da mídia que posa de boa moça e paladinos da justiça quando essas brigas rolam pela arquibancada, mas que é a primeira a querer criar polêmicas vazias às vésperas de jogos só para “dar audiência”, sem se preocupar com o peso das palavras, escritas ou faladas, que arrotam antes das decisões e criam o clima beligerante para quem vai ao jogo.

Fim do despreparo de quem vai trabalhar com a segurança de uma partida de futebol, seja ela pública ou privada, sempre tratando o torcedor como transgressor antes mesmo de uma pretensa infração à lei.

Fim dos torcedores que atuam em bando, transformando-se de garotos responsáveis em bárbaros sanguinários, no melhor estilo “O Senhor das Moscas”, escrito em 1955 (!) por William Golding.

Mas já se vão 13 anos de São Januário e, ao que tudo indica, o futebol no Brasil continua parado no tempo. Sim, evoluímos consideravelmente em diversos aspectos, mas alguns princípios básicos de gestão continuam num Período Pré-Cambriano.

As receitas dos clubes infladas por novos acordos de televisão e material esportivo mascaram o que há de mais arcaico na gestão do futebol, que é o relacionamento com o torcedor. Ir a um estádio de futebol é, antes de um programa, uma aventura. Não há conforto, não há segurança, não há tratamento do torcedor como consumidor, mas como um operário dentro de uma fábrica inglesa do século XVIII, sem quaisquer condições humanas de tratamento.

Em 15 de abril de 1989 (!), a Inglaterra teve de assistir à morte de 96 torcedores por negligência policial e despreparo de relacionamento com o público para começar a mudar a realidade do tratamento com a torcida de futebol no país.

Reportagem de hoje do diário Lance! mostra que já são, desde 1988, 234 mortos em confrontos de torcedores no pretenso “país do futebol” (leia aqui). Já temos quase três tragédias de Hillsborough nos últimos 25 anos e nada, absolutamente nada, foi feito para melhorar e conter esses números.

Está claro que o problema não é só da torcida organizada. Hoje, a epopeia de um torcedor para conseguir chegar a um estádio de futebol para acompanhar seu time já dá motivos suficientes para ele adentrar a arquibancada com a cabeça cheia, querendo extravasar todo o mau trato sofrido pelo caminho. Dentro do estádio, nada é feito para melhorar o humor desse torcedor, que só tem a partida em si e o torcedor rival para descarregar a angústia, a frustração e o stress ao qual ele foi submetido nas horas anteriores.

O torcedor briguento não é vítima, mas também não é o único vilão nessa história.

Até quando teremos mortes e violência povoando um ambiente que pretensamente deveria ser de confraternização?

A história da evolução humana mostra que o esporte é um meio de representar, de forma civilizada, o que antes era manifestado em guerras e conquista de povos. Hoje parece que o meio não consegue mais absorver esse conceito.

A história da involução do futebol no Brasil mostra que o esporte é, cada vez mais, um reflexo do processo de desconstrução da vida em sociedade que boa parte do país vive. A intolerância ao outro que encontramos nas grandes cidades é refletida na arquibancada de um estádio.

O problema é que ela é transmitida ao vivo para milhões de pessoas, enquanto que nos faróis, no trânsito, no pedido de esmola, não há narração, comentários e mesas-redondas para debater os principais lances da barbárie.

A violência no futebol tem de acabar, mas é preciso, antes de mais nada, que o país passe a ser mais consciente de que a sociedade tem de dar um basta na violência.

No futebol, há 25 anos que mortes e confusões são parte de uma dura realidade. Para quem trabalha com isso, parece que é hora de dar um basta. Se não for pelo princípio básico de vida em sociedade, que seja pelo bem de quem quer continuar a trabalhar nessa indústria.

*Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. Além disso,  é consultor editorial da Universidade do Futebol. A coluna foi originalmente publicada no blog do autor, no portal UOL.

Violência no futebol: sobre a briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense na Arena Joinville

10/12/13 04:00 Atualizado em 10/12/13 10:50 

Leone Mendes, o brutamonte da barra de ferro, era da banda da igreja e é dono de barbearia (Extra)

Wilson Mendes

Leone preso na Delegacia de Joinville Foto: Terceiro / Divulgação Polícia Civil de SC

Para os moradores de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, as cenas de selvageria protagonizadas pelo vascaíno Leone Mendes da Silva, de 23 anos, não combinam com o descontraído e pacato barbeiro do bairro, ex-saxofonista da banda da igreja evangélica local.

— Ele sempre torceu pelo Vasco, mas esse fanatismo aumentou com o tempo. Eu sempre falando: “Meu filho, larga isso de jogo, de torcida”. Mas nunca pensei que ele faria uma coisa dessas. Eu preciso que ele me explique o que aconteceu lá. Ele é um rapaz bom — avaliou, entre lágrimas, Cleuza Mendes da Silva, de 48 anos, mãe de Leone. Eles ainda não se falaram depois da prisão.

Solteiro e filho único, é o barbeiro quem sustenta a casa, construída no mesmo terreno utilizado por outros parentes. A braçadeira de capitão do lar foi transferida em definitivo há cerca de três anos, depois que ele terminou o Ensino Médio e Cleuza sofreu um derrame.

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

— Ele ajudou muito a mãe nessa época. Tantos remédios que comprou! — defende a tia, que não se identificou. Os vizinhos jogam no mesmo time da tia, numa tática de defesa calçada em rápidos elogios anônimos.

— Eu estou realmente surpresa. Ele foi aluno do meu marido, frequentou a minha casa e sempre foi uma ótima pessoa. Não sei o que aconteceu — diz a moradora da esquina.

O grupo de vizinhos da frente, incluindo um jovem devidamente uniformizado com a camisa da torcida organizada, garante que Leone nunca criou problemas nas partidas que acompanhou.

— Ele ia mais a jogos no Rio e São Paulo. Acho que longe assim esse foi o primeiro. Nunca ouvi dizer dele envolvido em briga. Nem machucado ele voltava — relatou um homem.

A mãe reclama de jogo sujo, e diz que fará de tudo para que as partidas com a Justiça seja disputadas em casa, no Rio de Janeiro.

— Eu não tenho dinheiro agora, mas se for preciso vendo até a casa. Eu quero que saibam que tenho ciência que o que ele fez foi errado. Não estou passando a mão na cabeça dele, mas ele tem 23 anos, emprego, carro e um salão. É trabalhador — desabafou Cleuza.

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho Foto: Paulo Nicolella / Extra

De acordo com ela, os organizadores é que erraram ao deixar uma partida de futebol decisiva e com tantos torcedores acontecer sem apoio policial.

— Mostram ele, mas como pode milhares de pessoas juntas sem policiamento, sem segurança? O organizador desse jogo queria mesmo uma tragédia.

Enquanto o filho está detido na Penitenciária Regional de Joinville, aguardando os trâmites do processo que responde por tentativa de homicídio, a mãe reza.

— Eu oro que isso sirva para ele voltar para os pés do Senhor e para mim. Também peço que o jovem ferido fique bem, para dar paz à mãe dele, que está sofrendo tanto quanto eu. Porque houve má organização, mas nós que sofremos — arrematou.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/leone-mendes-brutamonte-da-barra-de-ferro-era-da-banda-da-igreja-e-dono-de-barbearia-11021154.html#ixzz2n6D55JxF

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10/12/13 04:00 

Diretoria do Vasco pagou aluguel de ônibus e deu desconto de 75% nos ingressos para a torcida (Extra)

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção Foto: Pedro Kirilos

Por Bruno Marinho

A campanha que culminou com a queda do Vasco para a Série B este ano entrará negativamente para a história, assim como os episódios de violência protagonizados por sua principal torcida organizada. Tudo com a conivência da diretoria. O clube financia torcedores uniformizados subsidiando 75% do valor dos ingressos e ajudando também no transporte para as partidas como visitante. Foram justamente em duas partidas longe do Rio que as brigas ocorreram.

Domingo, cerca de 100 torcedores da principal facção vascaína partiram do Rio para Joinville, em dois ônibus. O ingresso, que estava sendo vendido por R$ 100, custou R$ 25 para os membros da organizada. O gasto com o aluguel do ônibus também é dividido. Neste fim de semana, um foi bancado pelos torcedores, o outro pelo Vasco.

Antes do conflito em Santa Catarina, o clube já tinha sofrido com o confronto entre torcedores rivais na partida contra o Corinthians, dia 25 de agosto. Na ocasião, o time perdeu quatro mandos de campo. Punição semelhante deverá se repetir por causa da briga generalizada de domingo, com a pena a ser cumprida nas primeiras rodadas da Segunda Divisão.

Procurada, a diretoria da Força Jovem Vasco, cujos integrantes foram flagrados pelas câmeras de TV na briga na Arena Joinville, se defendeu, mas admitiu que houve excessos.

— As imagens mostram que estávamos nos defendendo, com os torcedores do Atlético na área destinada aos vascaínos. Mas eu entendo que houve excessos, sim — disse Jean Santana, diretor financeiro da organizada.

Já a diretoria do Vasco não foi encontrada para comentar o financiamento à torcida. Manoel Barbosa, vice de patrimônio e responsável pela venda de ingressos, não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa do clube também foi procurada. Ela informou que o Vasco repudia qualquer tipo de violência e que o clube ajudará no que for possível para que os culpados sejam punidos.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/diretoria-do-vasco-pagou-aluguel-de-onibus-deu-desconto-de-75-nos-ingressos-para-torcida-11020955.html#ixzz2n6ExOYcX

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10/12/13 05:00 

Primo de brigão da barra de ferro diz que advogado da Força Jovem alegará legítima defesa (Extra)

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

Wilson Mendes

A defesa de Leone Mendes da Silva, de 23 anos, o vascaíno flagrado agredindo um torcedor do Atlético com uma barra de ferro, deve alegar que a ação foi por legítima defesa. A informação foi dada por um primo de Leone, que está acompanhando o caso. Leone está preso sob a acusação de tentativa de homicídio e será defendido pelo advogado da organizada Força Jovem.

— A torcida entrou em contato conosco oferecendo o serviço. Nós já tínhamos procurado um advogado, mas ele cobrou R$ 4 mil somente para ir até Santa Catarina fazer contato e buscar informações. Vamos esperar a definição da torcida para não termos que gastar tanto — disse.

A família espera que a defesa consiga libertá-lo com a justificativa de legítima defesa. Para eles, Leone entrou na briga para se defender de agressões e, como os vascaínos eram minoria, “utilizaram o que tinham em mãos”.

Até a tarde de ontem, nenhum parente de Leone havia recebido qualquer contato do Vasco com oferta de ajuda. Sem muitos recursos, eles depositam as esperanças no defensor da torcida organizada.

— Eles me explicaram que o que está pesando muito é a imagem dele batendo em um homem já caído. Mas, no meio da confusão, as pessoas não pensam direito — opinou o primo.

Leone, que tem uma barbearia em Austin, na Baixada Fluminense, deixou a casa da mãe com destino ao Sul às 19h de sábado, num ônibus fretado pela Força Jovem. O último contato com a família foi feito uma hora antes do jogo.

— Precisamos ir até lá. Ele não ligou para casa, está sem roupas e sem os documentos, que ficaram aqui na casa — diz o primo, revelando que outros parentes de Leone estão recebendo ameaças pelo Facebook: — Dizem que se ele voltar vão espancá-lo e atear fogo no salão dele.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/primo-de-brigao-da-barra-de-ferro-diz-que-advogado-da-forca-jovem-alegara-legitima-defesa-11021252.html#ixzz2n6FNONV2

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10/12/13 05:00 

Ministério Público do Rio pedirá suspensão da Força Jovem por três anos (Extra)

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca Foto: Pedro_Kirilos

Paolla Serra

A Força Jovem está com os dias contados nos estádios. Horas depois da briga generalizada que deixou quatro torcedores internados após ficarem feridos durante a partida entre Atlético Paranaense e Vasco, na Arena Joinville, o Ministério Público promete uma medida drástica em relação a torcida organizada carioca. Nos próximos dias, o promotor de Justiça Paulo Sally irá pedir que a Força Jovem do Vasco (FJV) fique impedida de ir aos estádios por três anos.

De acordo com Sally, o MP do Rio e o de Santa Catarina estão fazendo uma ação conjunta para evitar que cenas como a de anteontem, consideradas por ele como “terríveis”, se repitam. O promotor informou que aguarda apenas as documentações referentes às prisões para dar entrada no pedido para afastar a Força Jovem dos jogos. Ele informou ainda que os promotores catarinenses também irão tomar medidas em relação a Fanáticos, uniformizada do Atlético-PR.

Paulo Sally, da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, afirmou ainda que as duas torcidas já eram alvos de investigações do órgão. A FJV deixou de cumprir obrigações, inclusive, como entregar os nomes de seus componentes do grupo antes do jogo.

O promotor tomará como base o artigo 39 do Estatuto do Torcedor, que prevê que a torcida organizada “que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos”.

— O relatório das prisões e outros documentos serão importantes e vão dar alicerce a punição que será dada a Força Jovem — disse Sally.

Contra a Justiça não há Força.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/ministerio-publico-do-rio-pedira-suspensao-da-forca-jovem-por-tres-anos-11021128.html#ixzz2n6FrGApL

Uniformizadas do Corinthians se mobilizam para afastar vândalos da frente do Itaquerão (Terra)

Por Luciano Borges

Em 24/06/2013

“Aviso” de corintianos que está circulando na internet

As torcidas uniformizadas do Corinthians estão mobilizadas desde a semana passada. Motivo: o temor de que manifestações organizadas na zona leste parem ou passem na porta das obras onde está sendo construído o Itaquerão, estádio do clube paulista, que será sede da partida de abertura da Copa do Mundo  de 2014. 

Na última quinta-feira, um grupo de manifestantes ficou na porta do estádio e gritou palavras de ordens contra o dinheiro gasto na organização da Copa do Mundo de 2014. Foi um ato pacífico, que pegou os uniformizados de surpresa.

Já na sexta-feira, avisada por corintianos da zona leste, a Gaviões da Fiel decidiu “proteger” o Itaquerão de possíveis ações de vandalismo. “Como começaram os atos de vandalismo, isso preocupou a torcida. Somos favoráveis às manifestações, mas não aceitamos que queiram depredar uma propriedade particular como é nosso estádio”, disse Alex da Matta, integrante da área de comunicação da Gaviões.

Rapidamente, os uniformizados entraram em ação. Oficialmente, organizaram um churrasco na porta da futura arena. Na prática, montaram um cordão na porta da obra em Itaquera.

Junto com outras torcidas (Camisa 12, Pavilhão Nove, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra), eles saíram da sede social e seguiram de metrô até Itaquera. Cerca de dois mil torcedores se prepararam para qualquer confronto.

Os torcedores se reuniram ainda no final da tarde da sexta-feira Foto: Gaviões da Fiel

Não foi preciso. Informantes munidos de rádios e telefones celulares participaram da manifestação que começou no Tatuapé e informavam quais as intenções dos líderes da passeata. Ficou claro que o Itaquerão não estava no roteiro. Ficou apenas o churrasco.

Mesmo assim, neste domingo, a diretoria da Gaviões conversou com líderes de movimentos sociais da Zona Leste de São Paulo. Queria garantia de que a integridade da obra seria mantida. Mesmo com o compromisso de que futuros protestos nas ruas da região não vão passar pelo Itaquerão, os alvinegros continuam atentos.

Um comunicado oficial emitido pela Gaviões no site e nas mídias sociais explica a posição da torcida. E, na Internet, um cartaz mostra bem a disposição de avisar que o Itaquerão é intocável.

Posicionamento sobre os protestos em nosso Estádio

Os Gaviões da Fiel desde os primeiros protestos se posicionou a favor dos verdadeiros movimentos que reivindicam mudanças absolutamente necessárias para o bem do nosso país. Não poderia ser de outra forma, esta é uma marca da nossa agremiação desde a sua fundação.

Porém, desde a última semana circulavam alguns boatos e notas via internet que haveria protestos relacionados à construção do Estádio em Itaquera, logo, entramos em contato com vários movimentos e nenhum deles se posicionou como organizadores do ato.

Sendo assim não apenas os Gaviões, como as outras organizadas do Sport Club Corinthians Paulista se mobilizaram para ir ao estádio com a preocupação de possíveis ações oportunistas. Neste domingo dia 23/06 alguns movimentos (dos quais preservaremos suas posições) entraram em contato conosco e passaram uma posição sobre possíveis manifestos na região da Zona Leste de São Paulo, dialogamos e chegamos num consenso a respeito da região do Estádio.

 Isso não quer dizer que no futuro próximo algum grupo sem uma posição oficial, diferente de tais movimentos organizados, não possa agir por conta própria, ou até mesmo outros grupos oportunistas. Mas estaremos de olho.

Mais uma vez deixamos bem claro que o Estádio em Itaquera é propriedade particular do Sport Club Corinthians Paulista, não entraremos em questões desnecessárias, pois sabemos que o clubismo de rivais fala mais alto do que o bom senso. 

Os Gaviões jamais aceitaria que ações que prejudicassem a população do nosso país fossem necessárias para alcançar um patrimônio do qual a sua falta nunca influenciou em nossas conquistas e glórias.

Temos a consciência que juntamente com a construtora o Corinthians pagará o valor do financiamento, já que no dia 4 de junho de 2013, o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou o Parque São Jorge como garantia financeira para o banco Caixa Econômica solicitar o empréstimo ao BNDS.

A mesma instituição financeira realizou o levantamento e constatou que o terreno oferecido como garantia vale em torno de R$ 1,2 bi. A outra parte do valor da obra será pago através de certificados de Incentivo ao desenvolvimento emitido pela Prefeitura de São Paulo. A emissão de certificados de Incentivo ao desenvolvimento para a construção do estádio corresponde a uma lei municipal de incentivo ao desenvolvimento que é aplicada a qualquer investimento na Zona Leste da cidade de São Paulo, e não consiste em dinheiro que o governo irá pagar diretamente. Junto a isto, contará com patrocínios.

Portanto não aceitaremos de forma alguma que o nosso futuro estádio possa ser alvo de possíveis atos sem preocupações éticas. 

Com relação à Copa do Mundo e outros seguimentos, os Gaviões continuarão apoiando toda e qualquer forma de protestos que contribuam verdadeiramente para o bem do povo Brasileiro, e contribuirá para que a sujeira que toma conta do nosso país seja limpa e que o nosso futuro realmente espelhe a nossa grandeza. Gaviões da Fiel Torcida uma Família que Defende o Coringão.

O tabu das arquibancadas (Pública)

O TABU DAS ARQUIBANCADAS

14.11.13 Por Ciro Barros e Giulia Afiune – 

Surgimento de torcidas gays em 2013 mostra que LGBTs querem ocupar espaço no esporte (Foto:Reprodução/Facebook Bambi Tricolor)
“Ganhamos fama de pé quente”, conta o criador da Coligay, que aos pouco conquistou o apoio de outros torcedores do Grêmio.  (Foto: Reprodução/ Acervo Revista Placar)
Selinho de Emerson Sheik compartilhado no Instagram desperta reações agressivas. (Foto: Reprodução/Instagram/10emerson10)
Logo da Galo Queer exibido na Marcha das Vadias de Belo Horizonte, em 2013. (Foto: Reprodução/Facebook Galo Queer)
Torcedora do Atlético-MG em frente ao Mineirão.  (Foto: Reprodução/Facebook Galo Queer)
Torcedores assumem homofobia em protesto contra a contratação do volante e lateral Richarlyson. (Foto: Reprodução/Impedimento.org)
Torcedores da Camisa 12 em protesto contra o selinho de Sheik em agosto desse ano. (Foto: Mauro Horita/AGIF )
Usando túnicas com as cores do grêmio, a Coligay inovava no jeito de torcer (Foto: Reprodução/Acervo Imortal Tricolor)
Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

Enquanto torcedores formam grupos para dar visibilidade à homossexualidade, organizadas temem perda de espaço. Discussão sobre homofobia no futebol é inadiável

O ano de 2013 foi expressivo para a discussão de dois grandes tabus do futebol brasileiro: a homossexualidade e a homofobia. Em 9 de abril, torcedores do Atlético-MG fundaram a Galo Queer, uma página no Facebook que reúne torcedores alvinegros com uma postura anti-homofobia e anti-sexismo. “Galo” é o apelido do clube de Minas Gerais e “Queer”, em inglês, significa gay. Em 15 dias, a página ganhou cinco mil fãs, e hoje conta com mais de 6.600.

O gesto da torcida atleticana motivou outras a fazerem o mesmo. Ao longo do mês de abril, surgiram páginas semelhantes de torcidas de todo o país: CruzeiroSão_PauloNáuticoGrêmio,VitóriaBahiaInternacionalPalmeirasCorinthiansFlamengo, entre outros. A lista é extensa e mostra que a discussão da homofobia no futebol, até então, ainda estava dentro do armário.

“O estádio é um ambiente super homofóbico. Lá não se vê nenhuma manifestação de diversidade afetiva”, diz o jornalista – e palmeirense – William de Lucca, colaborador da Folha de S. Paulo em João Pessoa, na Paraíba. Ele é homossexual assumido e se esforça para prestigiar os jogos do Palmeiras em cidades próximas, como Recife ou Natal. William já era militante LGBT e, assim que ouviu falar, aderiu à página anti-homofóbica “Palmeiras Livre”. “Em 2008, eu morei alguns meses em São Paulo e tinha um namorado que era palmeirense também. A gente foi até aconselhado por um amigo dele da torcida organizada a não ter nenhuma demonstração de afeto dentro do estádio, porque a gente poderia ser agredido”, lembra. “A gente sempre fica com medo. Em outros ambientes, sou muito seguro quanto a manifestar meu afeto: ando de mão dada e tal, inclusive na rua, mas acho que o estádio de futebol é mais hostil do que a própria rua, sabe? A homofobia é muito mais explícita”, conta.

“A gente só não tem mais relatos disso porque os homossexuais que torcem nos estádios não arriscam nenhum tipo de demonstração afetiva”, conclui William.

Dentro da Palmeiras Livre, assim como nas outras organizações, ainda se discute quais serão os próximos passos. Os integrantes querem ocupar as arquibancadas, mas temem agressões físicas, já que as verbais ocorrem diariamente. “Dia sim e outro também nós recebemos ameaças”, conta a fotógrafa e analista de mídias sociais Thaís Nozue, também integrante da Palmeiras Livre. “As pessoas vem ameaçando, dizendo que estão mexendo com o time errado, que eles vão descobrir quem é, que não sei o quê”. Por enquanto, a hostilidade está restrita a mensagens no Facebook como: “Vão morrer”, “Experimenta aparecer na torcida e vocês vão apanhar”, “A Mancha [maior organizada do Palmeiras] bate em polícia e não vai bater em um monte de bicha?” – o que não significa que a ameaça venha da Mancha, como explica Thaís.

Segundo ela, a causa da Palmeiras Livre também foi rechaçada pelas organizadas alviverdes. “A gente até tentou uma aproximação com as organizadas, mas elas deram um recado para a gente não se meter com elas. Às vezes aparecem pessoas se dizendo das organizadas nos ameaçando, mas a gente não tem como comprovar se são mesmo”, diz.

A HOMOFOBIA VESTE VERDE?

Procurado pela Pública, Marcos Ferreira, o Marquinhos, presidente da Mancha Alviverde, não quis dar uma entrevista sobre a polêmica da homofobia e sobre um episódio envolvendo o volante e lateral Richarlyson, hoje no Atlético-MG e tido como homossexual, apesar de sempre se declarar heterossexual.

No início de 2012, o Verdão estudava a possibilidade de contratar Richarlyson. A Mancha Verde convocou um protesto no dia 4 de janeiro, na frente do Centro de Treinamento (CT) do Palmeiras, zona oeste de São Paulo. Segundo a torcida o motivo era uma rixa antiga com o jogador, que estava à beira de um acordo com o Alviverde, mas acabou indo jogar no rival São Paulo. Porém, uma grande faixa estendida por duas pessoas durante aquele ato dizia: “A homofobia veste verde”.

Ao telefone, Marquinhos negou repetidas vezes que a Mancha tenha algo a ver com a faixa – ela seria obra de duas pessoas desconhecidas da organizada que foram ao protesto. Mas ele disse que “não via nada de agressivo na faixa”. A Pública também tentou contato com Richarlyson, mas foi informada pelo seu empresário, Julio Fressato, que ele estava se recuperando de uma cirurgia.

O SELINHO DE SHEIK E O VOO DAS GAIVOTAS

Na esteira das iniciativas anti-homofóbicas, dois episódios jogaram o Corinthians no centro da discussão. O atacante Emerson Sheik, herói corintiano da inédita conquista da Libertadores em 2012, foi vítima de uma onda de ataques homofóbicos depois da vitória do Corinthians sobre o Coritiba por 1 a 0, no Pacaembu, no dia 18 de agosto. Para comemorar, Sheik postou uma foto em seu perfil oficial no Instagram em que aparecia dando um selinho em um amigo de longa data, o empresário Isaac Azar. “Tem que ser muito valente para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apoia sempre”, escreveu.

No dia seguinte, cinco integrantes da Camisa 12, segunda maior torcida organizada do Corinthians, foram ao CT do clube protestar contra a atitude de Sheik, levando três faixas que diziam “Vai beijar a P.Q.P. Aqui é lugar de homem”, “Respeito é pra quem tem” e “Viado não”.

Dois meses depois, o jornalista e apresentador Luiz Felipe de Campos Mundin, que assina como Felipeh Campos, anunciou que faltava pouco para fundar a já polêmica Gaivotas Fiéis, primeira torcida organizada com conceito gay do Corinthians.

Pública conseguiu entrevistar um personagem importante em ambos os episódios, Marco Antônio de Paula Rodrigues, de 34 anos. Conhecido pelo apelido “Capão”, por ter crescido no Capão Redondo, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ele é presidente da Camisa 12, e foi um dos cinco que protestaram contra o selinho de Sheik. Ele revela ter sido o autor da faixa que dizia “Viado não” – a única, dentre as três, que considera agressiva. “Só essa foi um pouco mais forte, foi um excesso. Eu que risquei com o spray essa faixa, eu até pensei [que era agressiva], mas depois que nós já estávamos lá, a gente não podia voltar atrás”, diz. Trajado da cabeça aos pés com roupas da Camisa 12 (boné, camiseta, agasalho, bermuda e até meias da torcida), Capão é assertivo, olha nos olhos e tem a voz rouca. Aceitou falar durante uma hora e meia com a reportagem da Pública na sede da torcida, no bairro paulistano do Pari, região central, para “dar a explanação” sobre os dois episódios.

Sobre a iniciativa de Felipeh Campos, Capão vê a nova torcida gay como puro marketing. “Acredito que ele está pensando mais numa autopromoção do que numa torcida organizada. Porque para nós, uma torcida organizada começa como a gente sempre troca ideia nas torcidas: o cara vai para uma caravana, o cara participa de vários jogos do Corinthians na arquibancada e não na numerada, a pessoa participa de inúmeras manifestações corintianas que teve nesses últimos anos, tanto de protesto contra diretoria, contra jogador. Tem uma caminhada ideológica dentro de uma instituição para você fundar uma torcida organizada. Torcida organizada não é um comércio, mano”, argumenta.

“Tomei muita borrachada da polícia por aí, passei muita fome na estrada, nunca fomos pra qualquer lugar e fomos bem recebidos por qualquer órgão que cuida da organização do jogo no estádio, da segurança pública, nós sempre fomos maltratados por muitos deles, então a torcida organizada não é simplesmente chegar e falar: ‘Ó, vou criar uma torcida hoje. Vou criar uma camisa e vou pro estádio’”.

Para Capão, é “inaceitável” a escolha do nome da torcida gay e a corruptela do símbolo do Corinthians – no brasão da Gaivotas,  além da nova ave, o símbolo tem como fundo um espelho de maquiagem com direito a pincel e lápis, e a bandeira do Estado de São Paulo foi pintada com as cores do arco-íris, ícone do movimento gay.

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

Símbolos da Gaviões da Fiel e da Gaivotas Fiéis. Para a Gaviões, houve plágio do jornalista Felipeh Campos (Foto: Reprodução)

“Eu acho que o rapaz lá acaba beirando até o ridículo… Ele está transmutando as nossas coisas. Tanto pelo nome que ele coloca se referindo a uma torcida que tem uma puta tradição [Gaviões da Fiel, a maior organizada do Corinthians, fundada em 1969] quanto do nosso símbolo do Corinthians, ele colocar um espelho e uns negócios de maquiagem no símbolo… Numa entrevista que eu vi, perguntaram: ‘Mas por que isso daí?’ E ele: ‘Ah, porque na verdade o corintiano vai gostar de se pintar na arquibancada’. Meu, torcida do Coringão é 90 minutos, mano. A gente gosta é de cantar, de sofrer, de chorar pelo Coringão. Não é de se pintar. Com todo o respeito, nem as nossas mulheres fazem isso”, afirma Capão, que é contra a existência de uma torcida gay. “Já digo de pronto que eu não sou favorável a ter uma torcida gay, porque eu acho que os gays não precisam disso daí pra poder se achar numa sociedade que já está abrangendo todo mundo”.

Perguntado se existem gays na Camisa 12, Capão não hesita: “Nós não temos gays na torcida, mano. Pelo menos nunca soubemos, entendeu. Meu, se o cara tá lá, tá assistindo o jogo. Tudo bem, nós vamos respeitar, mas qualquer faixa assim, nós somo contra mano. Nós não queremos, de verdade mano, aqui dentro da 12. Pra nós é sério o estádio, não é só pra brincar”. Capão, explicando que, se “no meio de um gol os dois de repente se beijarem no meio da nossa torcida”, seria “ruim”: “O estádio pra nós é um templo”.

O lastro, para Capão – que não se considera homofóbico –, é sempre a tradição. “O cara ir pro jogo, se for um homem, de shortinho amarradinho, camisa amarradinha e todo pintado… Pra nós não rola meu, de verdade. Porque o nosso tradicionalismo, infelizmente, meio ogro, tá ligado, até beirando homem da caverna não permite isso daí, certo?”. Se a Camisa 12 fosse homofóbica, exemplifica Capão, “a gente juntava os associados da 12 e ia lá na passeata gay quebrar todo mundo. No entanto que ninguém tá muito se manifestando [sobre a Gaivotas Fiéis], certo? Por quê? Porque tudo que a gente fala, a mídia distorce”.

Sobre o episódio do selinho do Sheik, Capão diz que o problema foi o atacante ter declarado que o beijo era para comemorar a vitória do Corinthians. “Quando ele falou que ele estava fazendo aquilo pra comemorar o jogo ele já transferiu a responsa pro Corinthians”, afirma, explicando que, depois do episódio, onde quer que o Timão jogue é recebido com gritos de “beija beija beija” pelos torcedores rivais. “Estávamos ali [no protesto] representando muitos torcedores. Muitos pediram para que a gente tomasse a frente, tanto que eu recebi inúmeras congratulações depois”, diz.

GAVIÕES X GAIVOTAS

A Gaviões da Fiel, maior organizada do Corinthians, fez uma denúncia de crime contra a propriedade industrial no 1º DP de Guarulhos, contestando a sátira à marca da torcida, que é registrada. A torcida reclama que a proximidade dos nomes e símbolos das duas pode induzir ao erro. “Eu não sei onde eles enxergaram plágio”, contesta Felipeh Campos, da Gaivotas. “A minha torcida chama Gaivotas Fiéis, não é gavioa. Já começa que Gaivota é feminino, não é masculino. Se eu tivesse colocado cílios e salto alto no gavião, aí eu até acredito que poderia ter sido uma questão de plágio. Porém eu não estou utilizando as peças do emblema para plagiar alguma coisa. Entendo isso como uma retaliação homofóbica”, diz.

Felipeh conta que vem sendo ameaçado nas redes sociais, e que foi agredido verbalmente na semana passada, na Avenida Paulista. “As ameaças são coisas do tipo ‘Cuidado, eu vou te matar’, ‘Você já tá jurado de morte’, ‘Abre teu olho’. Então você vê que são atitudes extremamente homofóbicas e preconceituosas, elas não têm outros motivos”, diz. Sobre a agressão ao vivo, ele conta que ocorreu na saída de seu trabalho, na sede da TV Gazeta, na avenida Paulista. “Eu estava com um amigo meu na Paulista e um cara passou, me esbarrou e começou a me xingar. E eu falei: ‘É comigo que você tá falando?’ E ele: ‘ Você acha que é com quem? Tá pensando que você e a sua turminha vai entrar em estádio? Não vai não, mano’. E eu falei: ‘Bom, vamos conversar, abaixa o tom de voz’. E aí ele continuou a gritar e eu falei: ‘Ótimo, a polícia está vindo ali, eu vou te incriminar agora em crime de homofobia e você vai sair daqui para a cadeia’. Aí na hora que ele viu que a polícia vinha vindo a pé, ele meio que saiu de canto e deu um pinote”, relata.

Felipeh Campos conta que desde pequeno frequenta estádios.  “O futebol nas décadas de 70 e 80 era uma grande festa. Mas foi crescendo de uma forma tão grande que deixou de olhar para a questão democrática. Não está escrito na porta do estádio que só é permitida a entrada de homens, né? Eu acredito que não só os gays têm que frequentar os estádios, como a mulher, as crianças, entendeu? O futebol é pra todos”, diz. “Mas é claro que o conceito da torcida é gay e o meu objetivo maior é inserir o público gay no estádio de futebol. Eles [as organizadas] monopolizaram os estádios”, diz.

De fato, a divisão do estádio do Pacaembu é um dos argumentos de Capão para rejeitar a convivência com as Gaivotas. Por determinação da Federação Paulista de Futebol, as organizadas do Corinthians têm que ocupar as arquibancadas Verde e Amarela, atrás de um dos gols, nos jogos em que o clube é mandante. Se ficasse fora desse setor, a Gaivotas estaria violando a regra. “Mas dentro desse setor, nós já temos seis torcidas: temos a Gaviões da Fiel, temos a Camisa 12, a Pavilhão 9, a Estopim da Fiel, a Coringão Chopp e a Fiel Macabra. São seis torcidas que estão ali e todas elas obtiveram a caminhada. Ninguém chegou do nada não”, argumenta Capão.

Felipeh garante que o objetivo não é “fazer represália com qualquer tipo de segmento sexual”. Porém, sobre dividir espaço com as outras organizadas, ele é enfático. “Nem que eu tiver que pedir segurança para o exército. Mas que a minha torcida vai entrar nos estádios, isso vai, com certeza. Nem que a gente tenha que chegar de carro-forte, de tanque”. Ele ressalta que a sua torcida será profissional e que todo o corpo diretivo será remunerado, diferentemente das outras organizadas.

Procurado pela Pública, Jerry Xavier, diretor da Gaviões da Fiel, disse que a torcida não se pronuncia sobre esse tema. O Corinthians também afirmou, via assessoria, que não se manifesta a respeito de torcidas.

HOMOFOBIA BATE RECORDE NO BRASIL

O Brasil, o país do futebol, vem sendo líder no ranking de mortes por homofobia. Segundo dados do relatório “Assassinatos de Homossexuais (LGBT) no Brasil”, de 2012, do Grupo Gay da Bahia, o Brasil concentra 44% do total de assassinatos por motivação homofóbica no mundo. Em 2012, foram registradas 3.084 denúncias de violações ligadas à homofobia e 310 homicídios por esse motivo. Veja o infográfico abaixo.

ESTÁDIO: A TERRA DO MACHO

“Por ser o estádio um ambiente que tem uma série de permissões nas relações masculinas – carinhos, afetos, às vezes até mesmo agressões – é necessário que esse ambiente seja considerado seguro para os homens. Para garantir essa suposta ‘segurança’, os torcedores precisam reforçar a sua masculinidade. E uma das coisas que melhor reforça a masculinidade na nossa cultura é a homofobia. Por isso ela aparece de forma tão gritante”, afirma o pedagogo e professor da UFRGS, Gustavo Andrada Bandeira, autor da tese de mestrado “‘Eu canto, bebo e brigo…alegria do meu coração’: currículo de masculinidades nos estádios de futebol”.

Para Bandeira, esse é o motivo da rejeição às torcidas gays: “Se a torcida do Corinthians, do Grêmio ou do Internacional for a primeira a levantar uma bandeira pró ações afirmativas, ela poderá ser chamada de a ‘torcida gay’, e as torcidas acham que isso é um problema”, diz.

Para Marco Antonio Bettine de Almeida, professor livre docente na Pós-graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP, a reação é “natural” num espaço que sempre foi dominado pelo masculino. “A partir do momento que as agendas de visibilidades desses grupos excluídos, que tiveram seus direitos cerceados, que são espancados, é natural, vendo a representação que o futebol tem no Brasil, começar toda essa movimentação de garantir uma representação nesse espaço eminentemente masculino, do macho, do falo”. Para ele, no entanto, há espaço para negociação entre os grupos LGBT e as organizadas. “Uma mulher no estádio é aceita, por exemplo, mas tem que representar os papéis dentro do estádio, que é torcer, xingar, participar. As torcidas gays ou não gays têm que incorporar um pouco da história desse espaço do torcer. E conhecer, minimamente, os códigos, senão vai gerar conflito. Porque o espaço é um espaço sagrado e tem uma carga cultural muito forte”.

Bandeira discorda. “Se é uma torcida gay, que ela tenha comportamentos diferentes das torcidas não gays. É sempre complicado quando a gente quer transgredir as regras de gênero sexual num ambiente muito marcado. Mas me parece que seria muito mais interessante se eles fizessem algo diferente”. Foi essa a aposta da Coligay, a primeira torcida homossexual do país, que em plena ditadura militar conquistou seu espaço dentre os torcedores do Grêmio (leia Box).

Uma inspiração para o caso brasileiro pode ser a GFSN (Gay Football Supporters Network, Rede de Torcedores de Futebol Gays, numa tradução livre). Fundada em 1989, a associação do Reino Unido tem diversas iniciativas para a inserção do público LGBT no futebol. “Estamos em contato permanente com muitos clubes para recomendar políticas anti-homofóbicas por parte deles”, afirma Simon Smith, do departamento de comunicação. “Ajudamos, por exemplo, a consolidar os Gay Gooners, a torcida LGBT do Arsenal e conseguimos o apoio formal de representantes do Liverpool e do Everton para a parada do orgulho LGBT da cidade de Liverpool. Dentro de campo, organizamos há dez anos campeonatos de futebol voltados ao público LGBT para a inclusão no esporte”, conta Smith.

A GFSN também registra com precisão britânica a ocorrência de gritos e cânticos homofóbicos nos estádios – e faz campanha permanente contra eles. “Na temporada passada, os torcedores do Brighton & Hove Albion FC sofreram com cantos homofóbicos em 72% dos jogos que disputaram. Nós documentamos isso e enviamos à FA (Football Association, a CBF inglesa), que ainda não tomou nenhuma atitude. Mas nós continuamos pressionando”, diz.

No próximo ano, a Copa do Mundo promete ser palco de discussão sobre homossexualidade –  pelo menos em São Paulo, onde mais de 40 mil pessoas são esperadas para acompanhar a transmissão dos jogos nos telões da Fan Fest, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade. Ali, a prefeitura planeja realizar uma intervenção para discutir homofobia, com direito a exibição de vídeos em telas e distribuição de folhetos sobre o tema. Outra ação que está sendo estudada é transmitir os jogos em telões no Largo do Arouche, um “point” LGBT da cidade, para esses torcedores.

Um pouco de história: em plena ditadura, nascia a Coligay

A tentativa de formar uma torcida organizada gay não é novidade no futebol brasileiro. Foi no dia 10 de abril de 1977, quando o Grêmio foi disputar uma partida pelo Campeonato Gaúcho contra o Santa Cruz (RS), que a novidade estampava as arquibancadas do estádio Olímpico: cerca de 60 torcedores homossexuais impressionaram os demais pela festa que faziam. Era a Coligay, a primeira torcida organizada assumidamente gay do Brasil. A Coligay foi fundada por Volmar Santos, que hoje é colunista social do jornal O Nacional, de Passo Fundo (RS).

Gremista fanático, Volmar nunca deixou de frequentar o Olímpico. “Eu ia aos jogos e achava as torcidas muito quietas, sem animação nenhuma. Foi quando eu resolvi formar uma torcida organizada. Aí me veio a ideia de fazer uma torcida gay”, conta. A ideia surgiu quando ele administrava a boate Coliseu, em Porto Alegre, voltada ao público gay, que não tinha muitas opções na capital gaúcha. O nome Coligay vem do nome da boate. “Foi aí que eu mandei fazer uns kaftas, uma espécie de túnica com as cores do Grêmio, e fomos torcer no estádio. A nossa marca era nunca deixar de cantar, fazer festa, apoiar sempre o nosso time. E a cada jogo a gente inventava coisas diferentes”, relembra. A torcida ganhou fama de pé quente: em 1977, com a Coligay nas arquibancadas, o Grêmio quebrou um jejum de oito anos sem títulos estaduais.

Naquele longínquo ano de 1977, o mesmo Corinthians chegou a convidar a torcida gay a prestigiar os seus jogos – e a Coligay esteve presente na quebra do jejum de 23 anos sem títulos do Timão. “Ganhamos fama de pé quente e o Vicente Matheus [ex-presidente do Corinthians] nos convidou. Assistimos o título do Corinthians contra a Ponte Preta de dentro do Morumbi, vestidos como gremistas”, recorda.

A Coligay durou cerca de seis anos, e acabou em 1983. “A torcida era muito centrada na figura do Volmar. Quando ele teve que ir para Passo Fundo, não teve uma liderança que conseguisse dar continuidade”, conta Leo Gerchmann, repórter especial do jornal Zero Hora, autor de um livro sobre a Coligay que deve ser lançado nos próximos meses.

Segundo Léo, a torcida enfrentou muita resistência por parte do Grêmio e da sua organizada Eurico Lara. “Temendo agressões, eu até coloquei o pessoal pra fazer karatê pra nos defendermos de possíveis ataques”, diz Volmar. Assim, na ocasião em que foram de fato atacados por torcedores do Gaúcho, clube de Passo Fundo, durante o Campeonato Gaúcho de 1977, a Coligay colocou os agressores para correr. “Com o tempo o clube e a própria torcida adotaram a Coligay. Alguns conselheiros gremistas até deram apoio financeiro à torcida. Acho uma página bonita da história do Grêmio, de aceitação da diferença”, diz Gerchmann. “Houve outras experiências de torcidas gays, coisas efêmeras no Cruzeiro, Fluminense e até no Internacional, que teve a Inter Flowers. E dois anos depois da Coligay, teve a Fla-Gay fundada pelo carnavalesco Clóvis Bornay, apesar dele ser vascaíno”.

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Scott Atran: ” the best predictor (in the sense of a regression analysis) of willingness to commit an act of jihadi violence is if one belongs to an action-oriented social network, such as a neighborhood help group or even a sports team”

Here He Goes Again: Sam Harris’s Falsehoods

Sam Harris

Here He Goes Again: Sam Harris’s Falsehoods (This View of Life)

POST: JUNE 13, 2013 1:05 PM
AUTHOR: SCOTT ATRAN         SOURCE: TVOL EXCLUSIVE

Sam Harris posted a recent blog about my views on Jihadis that is unbecoming of serious intellectual debate, if not ugly. He claims that I told him following a “preening and delusional lecture” that “no one [connected with suicide bombing] believes in paradise.” What I actually said to him (as I have to many others) was exactly what every leader of a jihadi group I interviewed told me, namely, that anyone seeking to become a martyr in order to obtain virgins in paradise would be rejected outright. I also said (and have written several articles and a book laying out the evidence) that although ideology is important, the best predictor (in the sense of a regression analysis) of willingness to commit an act of jihadi violence is if one belongs to an action-oriented social network, such as a neighborhood help group or even a sports team (see Atran, TALKING TO THE ENEMY, Penguin, 2010).

Harris’s views on religion ignore the considerable progress in cognitive studies on the subject over the last two decades, which show that core religious beliefs do not have fixed propositional content (Atran & Norenzayan, “Religion’s Evolutionary Landscape,” BEHAVIORAL AND BRAIN SCIENCES, 2004). Indeed, religious beliefs, in being absurd (whether or not they are recognized as such), cannot even be processed as comprehensible because their semantic content is contradictory (for example, a bodiless but physically powerful and sentient being, a deity that is one in three, etc). It is precisely the ineffable nature of core religious beliefs that accounts, in part, for their social and political adaptability over time in helping to bond and sustain groups (Atran & Ginges, “Religious and Sacred Imperatives in Human Conflict,” SCIENCE, 2012). In fact, it is the ecstasy-provoking rituals that Harris describes as being associated with such beliefs which renders them immune to the logical and empirical scrutiny that ordinarily accompanies belief verification (see Atran & Henrich, “The Evolution of Religion,” BIOLOGICAL THEORY, 2010).

Harris’s generalizations of his own fMRIs on belief change among a few dozen college students as supportive of his views of religion as simply false beliefs are underwhelming. As Pat Churchland surmised: “There is not one single example in [Harris’s work] of what we have learned from neuroscience that should impact our moral judgments regarding a particular issue. There may EXIST examples, but he does not provide any.” (personal communication 2/24/11; see also the fMRI work by our neuroeconomics team lead by Greg Berns in the theme issue on “The Biology of Conflict,” PHILOSOPHICAL TRANSACTIONS OF THE ROYAL SOCIETY, 2012).

Context-free declarations about whether Islam, or any religion, is inherently compatible or incompatible with extreme political violence – or Democracy or any other contemporary political doctrine for that matter — is senseless. People make religious belief – whether Islam, Christianity, Judaism, Buddhism, and so forth – compatible with violence or non-violence according to how they interpret their religious beliefs. And how people interpret religious injunctions (e.g., the Ten Commandments), as well as transcendental aspects of political ideologies, almost invariably changes over time. For example, on the eve of the Second World War, political and Church leaders in Fascist Italy and Spain claimed that Catholicism and Democracy were inherently incompatible, and many Calvinist and Lutheran Protestants believed that God blessed the authoritarian regime. As Martin Luther proclaimed, “if the Emperor calls me, God calls me” – a sentiment that Luther, like many early Christians, believed was sanctified by Jesus’s injunction to “Render to Caesar the things that are Caesar’s, and to God the things that are God’s.” Nevertheless, the principles of modern liberal democracy first took root and grew to full strength in The European Christian and Colonial heartland. As Benjamin Franklin expressed it in his proposal for the motto of the new American Republic: “ Rebellion against Tyranny is Obedience to God.” Or, as the Coordinating Council of Yemeni Revolution for Change put it, an Islam of “basic human rights, equality, justice, freedom of speech, freedom of demonstration, and freedom of dreams!” (National Yemen, “The Facts As They Are,” Youth Revolutionary Council Addresses International Community, April 25, 2011).

That there is a cruel and repugnantly violent contemporary current in Islam, there is no doubt. Factions of the Christian identity movement, the Tamil Tiger interpretation of Hinduism as necessitating suicide attacks against Buddhist enemies, Imperial Japan’s interpretation of Zen Buddhism as a call to a war of extermination against the Chinese, all have produced cruel and barbarous behavior that has adversely affected millions of people. But Harris’s take on such matters is so scientifically uninformed and mendacious as to be a menace to those who seek a practical and reasoned way out of the morass of obscurantism.

As a final note, I should also mention that I am a lead investigator on several multiyear, multidisciplinary field-based science projects sponsored by the Department of Defense, including “Motivation, Ideology, and the Social Process in Radicalization,” aspects of which are taught to military personnel from general officers down. And I am recurrently asked to give briefings on these subjects to the White House, Congress and allied governments. I know of no comparable demands or operational interest among the political, defense or intelligence agencies of the U.S. and its allies for Harris’s musings on religious ecstasy. In Harris’s strange worldview, which is admittedly popular among many who believe that reason’s mission is to end religion to save the species, failure to apply those musings to stop religiously-directed violence across the globe may well be a another sign of the “crazy” ideas that he regularly ascribes to those who refuse his truth.

Here is what Harris wrote:

I have long struggled to understand how smart, well-educated liberals can fail to perceive the unique dangers of Islam. In The End of Faith, I argued that such people don’t know what it’s like to really believe in God or Paradise—and hence imagine that no one else actually does. The symptoms of this blindness can be quite shocking. For instance, I once ran into the anthropologist Scott Atran after he had delivered one of his preening and delusional lectures on the origins of jihadist terrorism. According to Atran, people who decapitate journalists, filmmakers, and aid workers to cries of “Alahu akbar!” or blow themselves up in crowds of innocents are led to misbehave this way not because of their deeply held beliefs about jihad and martyrdom but because of their experience of male bonding in soccer clubs and barbershops. (Really.) So I asked Atran directly:

“Are you saying that no Muslim suicide bomber has ever blown himself up with the expectation of getting into Paradise?”

“Yes,” he said, “that’s what I’m saying. No one believes in Paradise.”

At a moment like this, it is impossible to know whether one is in the presence of mental illness or a terminal case of intellectual dishonesty. Atran’s belief—apparently shared by many people—is so at odds with what can be reasonably understood from the statements and actions of jihadists that it admits of no response. The notion that no one believes in Paradise is far crazier than a belief in Paradise.

http://www.samharris.org/blog/item/islam-and-the-misuses-of-ecstasy

Scott Atran is an American and French anthropologist who is a Director of Research in Anthropology at the Centre National de la Recherche Scientifique in Paris, Senior Research Fellow at Oxford University in England, Presidential Scholar at John Jay College of Criminal Justice in New York, and also holds offices at the University of Michigan. He has studied and written about terrorism, violence and religion, and has done fieldwork with terrorists and Islamic fundamentalists, as well as political leaders.