Arquivo mensal: junho 2014

Angry White Men and Aggrieved Entitlement (The Society Pages)

by John ZieglerNov 18, 2013, at 09:00 am

From Sheriff Joe Arpaio and his controversial raids on and detentions of immigrants to Rush Limbaugh and his rhetoric about “feminazis,” some white men, those sociologist Michael Kimmelterms “angry white men,” are resisting perceived challenges against their masculinity and historical experiences of privilege.

In his new book Angry White Men, Kimmel has interviewed white men across the country to gauge their feelings about their socioeconomic status in a sluggish and globalizing economy as well as the legal and social advances made by women, people of color, GLBT individuals, and others. Kimmel has coined the term “aggrieved entitlement” to describe these men’s defensiveness and aggravation that both “their” country and sense of self are being taken away from them. Kimmel writes in the Huffington Post,

Raised to believe that this was ‘their’ country, simply by being born white and male, they were entitled to a good job by which they could support a family as sole breadwinners, and to deference at home from adoring wives and obedient children…Theirs is a fight to restore, to reclaim more than just what they feel entitled to socially or economically – it’s also to restore their sense of manhood, to reclaim that sense of dominance and power to which they also feel entitled.

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Cool dudes: The denial of climate change among conservative white males in the United States

Global Environmental Change

Volume 21, Issue 4, October 2011, Pages 1163–1172

Paper

Abstract

We examine whether conservative white males are more likely than are other adults in the U.S. general public to endorse climate change denial. We draw theoretical and analytical guidance from the identity-protective cognition thesis explaining the white male effect and from recent political psychology scholarship documenting the heightened system-justification tendencies of political conservatives. We utilize public opinion data from ten Gallup surveys from 2001 to 2010, focusing specifically on five indicators of climate change denial. We find that conservative white males are significantly more likely than are other Americans to endorse denialist views on all five items, and that these differences are even greater for those conservative white males who self-report understanding global warming very well. Furthermore, the results of our multivariate logistic regression models reveal that the conservative white male effect remains significant when controlling for the direct effects of political ideology, race, and gender as well as the effects of nine control variables. We thus conclude that the unique views of conservative white males contribute significantly to the high level of climate change denial in the United States.

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Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012 (GEMAA)

Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012

30 de junho de 2014

O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (IESP-Uerj), tem o prazer de trazer a público o texto de discussão nº 5 “Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012”.

Nesse texto, apresentamos os 150 casos de suspeita de racismo, discriminação e injúria racial noticiados pelo jornal Folha de S Paulo entre os anos de 2001 e 2012. Os casos foram resumidos em fichas para tornar acessível ao público uma síntese do que foi noticiado em torno da temática ao longo desses 12 anos. São apresentados, a titulo de investigação de caráter preliminar, os insultos raciais proferidos, bem como as palavras mais incidentes nas ofensas de cunho racista, além das frases mobilizadas pelos suspeitos de racismo nas situações de agressão verbal. Esses elementos permitem iluminar algumas das características do racismo manifesto no Brasil, associado a estratégias de desumanização e de recondução das vítimas a um lugar de subalternidade.

Para acessar e fazer download do texto, visite o site do GEMAA:
http://gemaa.iesp.uerj.br/publicacoes/textos-para-discussao/tpd5.html

Um jogo para poucos (Agência Pública)

0/6/2014 – 11h10

por Adriano Belisário, para a Agência Pública

Levantamento do Reportagem Pública mostra como as “quatro irmãs”, Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, se revezam nos contratos para as grandes obras da Copa e Olimpíadas no Rio de Janeiro

Nas maiores intervenções urbanas no Rio de Janeiro em função da Copa e Olimpíadas mudam os objetivos das obras, os valores, os impactos e as suspeitas de ilegalidade na condução dos projetos. Só não mudam as empresas beneficiadas. Por meio de consórcios firmados entre si e com outras empresas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS se revezam nos dez maiores investimentos relacionados aos jogos.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem, chega a quase R$ 30 bilhões o valor oficial das dez maiores obras. São elas: a Linha 4 do Metrô; a construção do Porto Maravilha; a reforma do Maracanã e entorno; os corredores expressos Transcarioca, Transolímpica e Transoeste; a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico; o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT); e a Reabilitação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.Veja o infográfico interativo no link original da matéria:

A Odebrecht é a grande campeã: está presente em oito dos dez projetos. Já a OAS e a Andrade Gutierrez dividem o segundo lugar, com participação em seis projetos cada uma. Em 7 dos 10 projetos a licitação foi ganha por consórcios com presença de duas ou mais das “quatro irmãs”, como são conhecidas. Em dois destes, a concorrência pública foi feita tendo apenas um consórcio na disputa.

Nem sempre a participação das “quatro irmãs” se dá diretamente através das construtoras. Participam também empresas controladas por elas como a CCR e a Invepar. Os acionistas da primeira são Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, aliadas ao o Grupo Soares Penido (Serveng-Civilsan), com 17% de ações cada um. No Rio de Janeiro, a CCR detém o monopólio das travessias na Baía de Guanabara, administrando ao mesmo tempo os serviços das barcas e da Ponte Rio-Niterói. (As duas concessões responderam por quase 5% da receita operacional bruta da empresa, em 2013). A Odebrecht, que também era sócia na CCR, vendeu sua participação para criar sua própria empresa no ramo de mobilidade urbana, a Odebrecht Transport, que hoje administra o serviço de trens na região metropolitana do Rio de Janeiro através da Supervia. Já a gestão do metrô carioca fica por conta da Invepar, cujos controladores são a OAS e os fundos de pensão da Caixa Econômica (FUNCEF), Petrobras (PETROS) e o Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil.

Dentre as obras para Copa e Olimpíadas levantadas pela reportagem, apenas a Reabilitação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá é alvo de investigações oficiais sobre cartelização. Porém, para o economista Paulo Furquim, ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica(CADE), algumas características observadas nas licitações merecem a atenção das autoridades. “Estas situações com grandes projetos, formação de consórcios e vencedores que se alternam trazem evidências que mostram uma probabilidade não desprezível de existência de cartel. Evidências adicionais como superfaturamento são motivos suficientes para investigação. São certamente situações preocupantes, em que uma autoridade de concorrência deve colocar uma lupa e olhar com bastante cuidado”, afirma.

obras 1024x311 Um jogo para poucos

Na história recente dessas empresas acumulam-se obras que mereceram a atenção das autoridades – dentro e fora do pacote da Copa. Executivos da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez já foram investigadas pelo Ministério Público de São Paulo no chamado “cartel do metrô”, que envolveria o acerto de preços para licitações de obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô em São Paulo. O órgão exige uma indenização aos cofres públicos de R$ 2,5 bilhões. Empresa da Camargo Corrêa, a Intercement também aparece em investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre cartel no setor de cimentos.

No Rio de Janeiro, a Andrade Gutierrez e Odebrecht compartilharam documentação na concorrência de obras do PAC no Complexo do Alemão, segundo reportagem da Folha de São Paulo. Além de indicarem a mesma empresa (Pomagalski) para fornecer os materiais para a instalação dos teleféricos, Odebrecht e Andrade Gutierrez usaram a mesma tradução juramentada da apresentação desta companhia. De acordo com a reportagem, “documentos apreendidos em várias operações da Polícia Federal mostram que empreiteiras formam consórcios ‘paralelos’ antes da disputa de licitações com a finalidade de superfaturar obras públicas”.

Enquanto isso, nas obras para as Olímpiadas…

Na construção do Parque Olímpico, em Jacarepaguá, e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no centro da cidade, a licitação teve apenas um concorrente. As construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez se uniram para ganhar a primeira, cujo orçamento estimado ultrapassa R$ 2,1 bilhões. Já no VLT não ficou ninguém de fora: foram agraciadas a Odebrecht, OAS (por meio da Invepar), Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa (por meio da CCR). Para administrar a concessão de R$ 1,2 bilhão por 25 anos, formou-se o Consórcio VLT Carioca. Nele estão presentes, além de duas companhias estrangeiras, a Odebrecht, a CCR, a Invepar e a Riopar, que conta com a participação do empresário Jacob Barata Filho, que controla grande parte da frota rodoviária da cidade. Mesmo assim, quando questionado sobre sua relação com governantes em uma de suas raras entrevistas, Barata foi direto. “Ninguém está mais próximo do poder público do que empreiteira. […] A gente quer um dia chegar lá. Nós somos crianças perto dessa turma”, afirmou.

Odebrecht, CCR e Invepar também estão juntas no consórcio vencedor da licitação para execução das obras e manutenção da BRT Transolímpica, que prevê investimentos de R$ 1,6 bilhão. O corredor expresso ligará a Barra da Tijuca ao bairro de Deodoro, os dois principais polos dos Jogos de 2016. No caso da construção do corredor expresso Transcarioca, da empresa Andrade Gutierrez, o empreendimento foi considerados superfaturado pelo Tribunal de Contas do Município. Segundo auditoria do órgão, houve sobrepreço de R$ 66 milhões na construção dos mergulhões da via que ligará o Aeroporto Antonio Carlos Jobim à Barra da Tijuca. Antes mesmo da inauguração da obra, foram detectados problemas, como asfalto remendado e rachaduras.

O Maraca

Ao contrário do que aconteceu nas obras de outros estádios para a Copa, a reforma e a privatização da gestão do Maracanã foram feitas em duas etapas. Odebrecht e Andrade Gutierrez fizeram as obras do estádio, que recebeu seu primeiro evento-teste em abril de 2013; quase um ano depois, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontou superfaturamento de R$ 67,3 milhões nas obras. Além disso, graças à atuação do Tribunal de Contas da União – que também apontou superfaturamento – o orçamento das obras no estádio foi reduzido entre R$ 150 e 200 milhões, segundo o ministro Benjamin Zymler.

Sem considerar as obras no entorno, o custo da reforma do estádio até agora foi de R$ 1,2 bilhão, bancado com recursos do BNDES e Caixa Econômica Federal, além de empréstimo do CAF (Banco de Desarrollo da América Latina). Assim, inteiramente novo, o Maracanã foi entregue para a iniciativa privada. A própria Odebrecht se candidatou e ganhou a licitação da Parceria Público-Privada (PPP) como integrante do Consórcio Maracanã S/A, ao lado de Eike Batista e da AEG, em um processo que está na mira do Ministério Público do Rio.

manifestantes Um jogo para poucos

A ação civil pública, movida pelo MPRJ, questiona o fato da empresa IMX ter elaborado o projeto utilizado para embasar o edital que ela mesmo venceu e também a decisão de demolir parte do entorno do estádio, como a Aldeia Maracanã (antigo Museu do Índio), Parque Júlio Delamare, Estádio de Atletismo Célio de Barros e a Escola Friedenreich.

“O Estado partiu da premissa que a viabilidade econômica da concessão do Maracanã dependia da exploração do entorno. Nós entendemos que esta é uma premissa falsa, em função justamente deste estudo de viabilidade. As receitas da exploração do estádio já eram suficientes para viabilizar economicamente o negócio”, diz o promotor Eduardo Santos, responsável pelo caso.

Estudos da IMX apontam as atividades comerciais no entorno como responsável por apenas 12% das receitas, enquanto consumiriam mais de 2/3 das despesas. Segundo Eduardo Santos, quando questionados, o Estado e a IMX afirmaram que é uma questão de sinergia. “Diziam que você só vai ter um público mais rentável se tiver um lugar para estacionar, um restaurante bacana. Isto não é algo que possa ser demonstrado matematicamente, mas é o argumento de defesa de ambos”, afirma.

Após as manifestações do ano passado, o governo recuou com a proposta da demolição. Mesmo assim, o Consórcio se manteve na gestão do Estádio. Beneficiando as empresas, a privatização do Maracanã se tornou um mau negócio para o governo do Estado. Os R$ 7 milhões da outorga anual a ser paga pelas empresas aos cofres públicos não cobre nem a terça parte dos juros do empréstimo solicitado pelo então governador Sérgio Cabral ao BNDES para bancar as reformas do estádio antes de privatizá-lo.

PPP da Zona Portuária

demolicao Um jogo para poucos

Igualmente benéfica para o clube das empreiteiras foi a PPP da Zona Portuária. Com investimentos na ordem de R$ 7,7 bilhões, a Operação Urbana Porto Maravilha é executada pela Odebrecht, OAS e Carioca Nielsen. Viabilizada por meio de uma “engenhosa operação financeira”, segundo o site oficial do projeto, a operação urbana foi criada para “promover a reestruturação local por meio da ampliação, articulação e requalificação dos espaços públicos da região, visando à melhoria da qualidade de vida de seus atuais e futuros moradores e à sustentabilidade ambiental e socioeconômica da área”.

Segundo Orlando dos Santos, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR), a operação possui três mecanismos principais: venda de terras públicas, isenções fiscais e emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) para potencializar a exploração econômica do local. Dados do Dossiê do Comitê Popular da Copa apontam que mais de 600 famílias pobres foram removidas por causa do projeto.

A Prefeitura anunciou ainda um empreendimento imobiliário com o grupo Porto 2016/Solace, que além das três empreiteiras do Porto Maravilha (Odebrecht, OAS e Carioca Nielsen) reúne também uma empresa de Eike Batista. Também ofereceu uma linha de crédito especial para os servidores municipais comprarem esses imóveis.

“Hoje [a Zona Portuária] é o lugar da cidade onde mais tem especulação imobiliária, mais do que a Barra, e graças a Deus é assim”, comemorou recentemente o prefeito Eduardo Paes.

“Há um acionamento simbólico das Olimpíadas para validar certas intervenções públicas. É muito mais uma lógica de legitimação das intervenções do que efetivamente estar ou não associado aos Jogos”, critica Orlando dos Santos.

Longe dali, na zona Oeste da Cidade, a PPP do Parque Olímpico (R$ 2,1 bilhões) envolve a remodelagem para as Olimpíadas de aproximadamente 1,18 milhão de metros quadrados, uma área equivalente ao bairro do Leme. Deste total, 75% das terras serão entregues para a iniciativa privada ao fim da operação.

Com forte atuação naquela região, a construtora Carvalho Hosken se uniu com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez para formar o Consórcio Rio Mais, o único que concorreu – e ganhou – a licitação. Odebrecht e Carvalho Hosken também estão à frente da construção da Vila dos Atletas, em terreno próximo ao Parque Olímpico. O local receberá sete condomínios que acomodarão 18 mil atletas em 2016 e serão entregues à iniciativa privada após os jogos.

Carvalho Um jogo para poucos

A arquiteta Giselle Tanaka, que participa do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas e pesquisa as intervenções no Parque Olímpico, acredita que o contrato do projeto não possui risco nenhum para as empresas. “A Prefeitura repassa as terras subvalorizadas para o Consórcio e ainda fazem uma remuneração mensal para as construtoras. Elas recebem dinheiro público por tudo que estão construindo”, afirma. De acordo com estudos realizados pela arquiteta, o valor do metro quadrado no repasse da área bruta de terras públicas para o consórcio Parque Olímpico 2016 (posteriormente batizado como “Consórcio Rio Mais”) foi de cerca de R$ 1,69 mil. No mercado, o metro quadrado das habitações construídas na região é de R$ 7,5 mil, em média, segundo a imobiliária Lopes Rio.

Atualmente, o Ministério Público Federal investiga a denúncia de supressão da vegetação nativa do Parque Olímpico sem nenhum critério ou estudo prévio (Procedimento Administrativo nº 1.30.001.007236/2012-14) e o Ministério Público do Estado recomendou a suspensão das obras do Campo de Golfe no final de maio de 2014.

Cabo de guerra

Considerado um dos grandes legados dos jogos de 2016, o Projeto de Recuperação Ambiental do Sistema Lagunar da Barra e Jacarepaguá teve seu contrato de R$ 673 milhões assinado somente em março deste ano, quase oito meses após o anúncio do vencedor da licitação pelo governo do Estado. A demora ocorreu justamente por causa de uma denúncia de acerto prévio entre as empreiteiras, publicada em julho de 2013 na Revista Época.

A revista teve acesso ao resultado da licitação e o divulgou de forma cifrada cerca de uma semana antes da abertura dos envelopes com os lances que levaram à vitória do Consórcio Complexo Lagunar (formado por Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão). Segundo a reportagem de Isabel Clemente, a Odebrecht teria apresentado uma proposta de cobertura em troca de ter faturado poucos dias antes outra licitação de valor aproximado, em que a Andrade Gutierrez e a Queiroz Galvão apresentaram lances perdedores.

Após a denúncia, a Secretaria de Estado do Ambiente suspendeu o edital e solicitou investigações ao Ministério Público e ao CADE. Em agosto, anunciou uma nova concorrência, que foi questionada na justiça pelas integrantes do Consórcio Complexo Lagunar. O primeiro mandado de segurança foi negado; um segundo, concedido.
Somente no dia 18 de dezembro, já com ambos mandados unidos em um único processo, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) verificou a “coexistência de decisões sobre os mesmos fatos em sentido diametralmente opostos” e permitiu a continuidade do edital.

No dia seguinte, 19, o promotor Rogério Pacheco solicitou o arquivamento do inquérito contra as empresas, concluindo que “diante dos fatos apurados na presente investigação, verifica-se que não restaram indícios mínimos de práticas de atos ilícitos capazes de configurar irregularidades na licitação apresentada”. De acordo com ele, a conduta da Secretaria de Estado no caso foi “calcada, principalmente, na moralidade administrativa” e o fato de nenhum pagamento ter sido feito às empresas “afasta a hipótese de dano ao erário”.

Logo depois as empreiteiras foram ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e interpuseram agravo regimental, recurso especial, recurso extraordinário e medida cautelar para anular o segundo edital.

Novamente, a segunda licitação foi suspensa. Já em meados de janeiro de 2014, o governo do Estado desistiu. Alegando que “passados mais de seis meses das comunicações ao CADE e ao MP, nenhuma medida foi determinada por parte daqueles órgãos”, o secretário Carlos Minc solicitou a revogação da segunda licitação. E convocou o “consórcio vencedor do primeiro certame para assinatura do contrato e imediato início às obras”. Minc enfatizou ainda a “exiguidade de prazos para cumprir compromisso olímpico internacional do país”.

Em março deste ano as empresas investigadas pelo crime de cartelização enfim assinaram o contrato, que prevê 30 meses para a conclusão das obras. Ou seja, no cronograma atual, a recuperação ambiental das lagoas da Barra e Jacarepaguá não será concluída até as Olimpíadas. A Secretaria afirma estudar “alternativas para acelerar as obras”. Responsável pela apuração do crime de cartel, o CADE informou à reportagem que o inquérito é de natureza sigilosa e que “não há prazo para a investigação ser concluída”.

“Caso alguém tenha acesso a uma informação antecipada do resultado, isso não é apenas um ilícito concorrencial, uma coordenação de concorrência. É um ilícito de natureza penal também. Não é só uma questão econômica, é uma questão policial. Os elementos trazidos pela revista Época justificam uma investigação se há algum tipo de coordenação entre as empresas que participaram da licitação – mas não são ainda suficientes para determinar a existência desse ilícito”, afirma o economista Luiz Carlos Delorme, ex-conselheiro do CADE.

Prejuízo aos Trabalhadores

Apesar de serem possíveis indícios de cartelização, a formação dos consórcios e o rodízio entre vencedores não constituem por si só uma prática ilícita. “O crime de cartel é a cooperação ilegal entre empresas com objetivo de obter vantagens concorrenciais. Só é passível de ser provado através de documentos que indiquem este tipo de cooperação”, diz Luiz Carlos Delorme.

Edifício-sede da Petrobras: obra que marcou o início da atuação da Odebrecht no Sudeste – Foto: Rodrigo SoldonAs quatro irmãs Chegada da água bruta no Sistema Cantareira, em São Paulo (Foto: Anne Vigna)Dá para beber essa água? Cidades-sede restringem comércio ambulante na Copa do Mundo. Na foto, Recife. (Foto: Chico Peixoto/Leia Já Imagens)Território da FIFA

Celso Campilongo, conselheiro do CADE entre 2000 e 2002, pós-doutor em Direito e professor da PUC-SP, completa: “Dependendo da estrutura do mercado os rodízios podem significar acordo entre concorrentes. Pode ter uma cortina de fumaça para dar a isso uma aparência de legalidade e por trás dela pode haver uma ampla troca de informações entre concorrentes – o que o direito antitruste procura evitar. Mas também paradoxalmente pode ser o inverso. O fato de não haver sempre as mesmas parcerias, mas um rodízio, pode mostrar dinamismo competitivo”, afirma. Porém, Campilongo destaca a intensa comunicação entre empresas como um elemento potencialmente perigoso para a concorrência nas licitações. Ele cita uma passagem de Adam Smith no livro ‘A Riqueza das Nações’: “Pessoas com o mesmo tipo de negócio raramente se reúnem, ainda que seja meramente por entretenimento ou diversão, sem que a conversa termine em uma conspiração contra o povo ou em algum tipo de acordo para aumentar os preços”.

Para Nilson Duarte, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada, além do possível prejuízo à livre concorrência, os diversos consórcios também prejudicam os trabalhadores. “Eles trabalham em cima de um CNPJ com início, meio e fim. Quando terminam a obra, eliminam o CNPJ e acaba a estabilidade para os trabalhadores, que às vezes estão ainda em tratamento de saúde. Aí eles vão recorrer a quem?”, questiona. “Com aumento concomitante de lucros, nós observamos um aumento da diferença salarial entre executivos (CEOs) e trabalhadores em geral.

A Copa do Mundo certamente ajudou a nos fazer uma sociedade mais desigual”, diz o jornalista e sindicalista sul-africano Eddie Cottle, autor do livro ‘Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?’. Se aqui as empreiteiras são chamadas de irmãs, lá as cinco maiores construtoras do país (Aveng, Murray & Roberts, Group Five, Wilson Bayly Holmes–Ovcon – WBHO – e Basil Read) são conhecidas como “Big Five”. Enquanto aqui pairam suspeitas sobre as empreiteiras, lá elas foram condenadas pela conduta anticompetitiva.

“Dois caminhos levaram à descoberta do cartel. Primeiro, a investigação da Comissão de Concorrência da África do Sul sobre outras condutas anticompetitivas no setor de construção revelou que estas eram amplamente difundidas em todo setor. Segundo, houve aumentos contínuos no orçamento alocado pelo governo para a construção de estádios e outros projetos de infraestrutura para a Copa, o que levou a Comissão a iniciar um projeto de pesquisa para determinar se a conduta anticoncorrencial poderia ter contribuído para estes aumentos de custos”, afirmou em nota o órgão – algo como o CADE da África do Sul.

Das 9 cidades-sede na África do Sul, 6 construíram ou reformaram seus estádios para a Copa: em todas eles houve conluio entre as empresas. Depois das investigações, em 2011, a Comissão fechou um acordo oficial [Fast-Track Settlement] com 15 empreiteiras que assumiram suas condutas anticompetitivas em diversas obras, inclusive da Copa, para o pagamento de 1,4 bilhões de rands no total. A empresa mais penalizada pagou 311 milhões de rands – algo em torno de R$ 65 milhões hoje. Eddie considera a penalidade “bastante modesta, dado os lucros na época”. Agora, a Comissão está finalizando a investigação e a ação penal contra as empresas que não vieram a público revelar suas condutas.

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“Aumentos consistentes nos preços de materiais e custos dos estádios e infraestrutura são os fatores mais evidentes na identificação do cartel. Claro, isso pode ser escondido pelo disfarce da inflação, mas então os cartéis por sua própria natureza produzem pressões inflacionárias”, pondera o jornalista sobre o cartel das empreiteiras em seu país. Cottle afirma que o “Big Five” obteve em média 100% de lucro entre 2004 e 2009. E provoca: “Será que no Brasil é diferente?”. Procurada pela reportagem, nenhuma das “quatro irmãs” forneceu explicações sobre a razão econômica para a formação dos consórcios. A Andrade Gutierrez se limitou a dizer que “são decisões estratégicas” e que não iria comentar o assunto.

Uma longa história

Segundo o historiador Pedro Campos, professor da Universidade Federal Rural de Rio de Janeiro, a prática de cartelização no Brasil vem de longa data e é típica de períodos com grandes investimentos públicos. “Quando se trata de períodos de regressão econômica as empreiteiras entram em uma briga fratricida. Mas na ditadura, por exemplo, elas agiram claramente de forma cartelizada. Isso era aberto”.

Em sua tese de doutorado, ele aponta como a divisão de obras era explícita mesmo às vésperas da redemocratização do país, tendo nos sindicatos e associações empresariais os principais intermediários. “Eles combinavam inclusive possíveis brigas e recursos. Dividiam obras para garantir sempre um maior taxa de rentabilidade. Entre as empreiteiras isso é notório”, afirma. A prática ocorria às claras, principalmente por meio dos sindicatos patronais e associações de empreiteiras.

Um exemplo: em 1984 o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (SINICON) estampou no primeiro número de seu informe impresso a seguinte manchete: “SINICON quer dividir obras rodoviárias”. A notícia relatava o lobby do sindicato no Ministério dos Transportes para conseguir uma “distribuição proporcional de obras do Programa de Recuperação de Estradas” entre seus membros.

“No Brasil os cartéis não eram entendidos como ilícitos. Nós temos desde 1938 um dispositivo legal proibindo os cartéis, porém ele não era aplicado. Em muitos períodos históricos o próprio governo incentivou a comunhão dos agentes econômicas e sua atuação coordenada. No governo militar isso era muito forte. A mudança de orientação do governo veio na primeira metade dos anos 2000. Antes disso, eram raríssimos os casos [de condenação por cartel]. As partes sequer tinham consciência da ilicitude do que estavam fazendo”, explica a advogada Paula Forgioni, professora da USP que atua com direito da concorrência.

Hoje, a atual diretoria do SINICON tem João Borba Filho (Odebrecht) na presidência. Roberto Zardi (OAS), Flávio Gomes Machado (Andrade Gutierrez) e Marcelo Bisordi (Camargo Corrêa) dividem a vice-presidência com outros executivos. Dentre as empresas, as três primeiras também possuem representantes na diretoria da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ).

Fundada em 1975 “com a missão de lutar, junto às autoridades estaduais e municipais por melhores condições de trabalho e por preços justos”, a Associação de Empreiteiros do Estado do Rio de Janeiro (AEERJ) percebeu em 1998 “que a sua credibilidade estava ameaçada pela palavra ‘empreiteiro’, estigmatizada pela opinião pública, que não via com bons olhos qualquer pleito ou informação desse setor”. “Após diversas consultas, pesquisas realizadas por empresas de comunicação e exaustivas discussões na Diretoria, foi aprovada, em Assembleia Geral, a mudança do nome da entidade […], mantendo a sigla AEERJ”, relata sua publicação “30 Anos: 30 anos de obras públicas no Rio de Janeiro (1975-2005)”.

Durante a preparação para a Copa as associações de empreiteiras também buscaram influenciar decisões, como aponta a arquiteta Any Ivo em sua tese de doutorado. Ainda em 2007 a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) organizou um seminário sobre a Copa em Brasília com a presença do Presidente Lula, 12 ministros e representantes da Câmara dos Deputados, Senado e Poder Judiciário. O objetivo era chegar a uma “visão bastante sincronizada do que é preciso fazer e como fazer”,segundo Ralph Terra, vice-presidente executivo da Associação.

The real costs of public protest (Mining.com)

[Note from blog editor: this article shows new sophisticated PR strategies in the attempt to manipulate local communities and public opinion]

Public Strategy Group | June 26, 2014

A May 2014 joint report from the University of Queensland Centre for Social Responsibility in Mining and the Harvard Kennedy School confirms the real costs of public opposition to development.

Researchers analysed over fifty mining, oil and gas projects in India, Chile, Peru, Australia and Argentina to examine and total the costs of public opposition to their businesses. The results were staggering but not unexpected from industries often faced with costly cancellations and delays caused by public objection.

“There is a popular misconception that local communities are powerless in the face of large corporations and governments,” according to key study contributor Dr. Daniel Franks.

Franks asserts that this sentiment is false and concludes that the study’s findings “show that community mobilization can be very effective at raising the costs to companies.”

The study points out that project delays resulted in the most frequent source of costs to companies, with approximately $20 million per week wasted for mining projects valued between $3 billion and $5 billion.

However, project suspensions caused the most overall economic damage. One example the study referenced is a gold and copper mine established in Peru by the Newmont Mining Corporation. The mine, known as the Conga project, aimed to extract 350,000 ounces of gold and 120 million pounds of copper from Peru’s Cajamarca region annually.

But after some initial investments in the $5 billion project were made, local residents grew increasingly concerned that the mine could have negative effects on water quality in the area. Citizens’ concerns eventually lead to a series of protests that escalated into violence and a government order to halt all work at the mine. Two years later, the mine remains closed, leaving Newmont with a $2 billion loss on the investment.

Switching to an industry-wide perspective, in 2012 Swiss financial firm Credit Suisse found “environmental, social and governance risks” across the Australian mining, oil and gas sector to be worth $8 billion.

According Dr. Frank, this level of risk could be negated if companies focus more on investment in risk mitigation at the outset of projects rather than acting retroactively. Franks argues that companies should focus on “meaningful” dialogue at the outset of a project and that this attempt to reach out “is something that the best practice companies are doing at the moment, and something that the International Council for Mining and Metals argues that companies should be doing.”

Contributor Rachel Davis of the Harvard Kennedy School’s Corporate Social Responsibility Initiative notes that “it is much harder for a company to repair its relationship with a local community after it has broken down; relationships cannot be ‘retro-fitted.’”

What is the best course of action for companies going forward then? While there may not be one perfect formula, companies can start by taking a few important steps to formulate a strategy that minimizes public opposition.

Starting early

Strive to create an open environment for dialogue. Even if opposition appears limited, it only takes a few angry voices to change the atmosphere into one of intimidation and disapproval. Local residents may want a development to succeed, but not at the cost of angering their neighbors. Therefore, the moment a project is internally approved, project managers must have an infrastructure for communication ready, both on the ground and in cyberspace. This way, rapid communication to build an advocacy network can take place by the time opposition starts. Receptive citizens will then have the resources necessary to receive information and voice approval.

Reaching out

Those with new mining proposals must engage residents as their new neighbors by creating a dialogue and allowing residents to develop a sense of familiarity with the company coming to town. Successful projects inform and educate the community using a variety of communication vehicles, including phone calls, direct mailing, press conferences and releases, and open house information sessions. People are invested in their communities; they want to be informed and to know the assets and drawbacks a project will bring. If developers neglect to inform them, opposition groups will.

Furthermore, some locals may have very legitimate concerns that require in-depth answers. It is paramount that these concerns are answered in plain and direct language from the company itself. Rather than ignoring a citizen’s complaint, engage the resident even if a solution is not immediately feasible.

Keeping in touch

Companies must also build a database of supporters and call upon them.

Supporters want the success of the development, and they will help if asked. Let both advocates and the community know about the status of a project – where it is doing well and where it needs help. A few supportive voices at a town meeting will make a significant difference.

Additionally, social media cannot be neglected. Creative content that can be shared easily is an important digital dialogue facilitator.

Staunch opposition will never tire out in its public outreach, and neither can those putting forth the proposal.

Turning local support into legislative support

Finally, supporters must be made aware that success at the local level can be overturned at the state level.

Teach supporters how to engage most effectively with their local and state elected officials through the platforms upon which officials most frequently engage.

Make sure that every mining project is accompanied by a grassroots advocacy campaign that will keep the project popular both with locals and state governments. Politicians will be much more likely to stand behind the industry if it is backed by voting constituents.

With a strong local and legislative advocacy network built by an active grassroots campaign, mining projects will reduce the risk of project delays that can cost millions.

http://www.mining.com/web/the-real-costs-of-public-protest/?utm_source=digest-en-mining-140625&utm_medium=email&utm_campaign=digest

Map of most influential environmental justice conflicts in the US is released this week (EJOLT Project)

UScases [BRUSSELS, 25 June 2014] The 40 most influential environmental justice conflicts in recent American history are now included in a Global Atlas of Environmental Justice. The U.S. cases were compiled by the University of Michigan’s School of Natural Resources and Environment. The interactive atlas is a product of the EJOLT project (Environmental Justice Organizations, Liabilities and Trade), which brings together dozens of universities and environmental justice organizations from four continents.

In the United States, decades of research have documented a strong correlation between the location of environmental burdens and the racial/ethnic background of the most impacted residents. In an effort to choose landmark cases in the U.S. the team from University of Michigan elicited feedback from more than 200 environmental justice leaders, activists, and scholars in identifying these case studies. “We felt that we could not identify influential cases without incorporating the voices of the activists and leaders who have worked within the field for more than three decades” says Alejandro Colsa-Perez, a Fulbright scholar from Spain and one of the four students from the team that recently graduated from the University of Michigan while doing the research on the top forty environmental justice cases.

Fossil fuels and climate justice conflicts; industrial conflicts and waste management conflicts dominate the list of most influential environmental justice conflicts, with seven cases each. The list includes historical cases within the environmental justice movement, such as 1978 Love Canal, New York, and the 1982 Warren County, North Carolina, protests. With the inclusion of tragedies like Hurricane Sandy and Hurricane Katrina, it is becoming clear that climate change threats are also disproportionately impacting the same communities that have suffered historically from environmental racism. The forty cases identified by participants in the survey represent a wide range of time periods, geographic regions, communities, and environmental challenges.

Although some of the cases have a clear ending point, many of these conflicts are ongoing and unresolved. An element of hope arises when looking at the percentage of conflicts where EJOLT collaborators believe environmental justice has been served, based on the way the conflict was resolved or on the improvements that impacted communities have achieved in their fight against injustices (e.g. the existence of compensation to communities, court cases in favor of environmental justice communities, rehabilitation/restoration of the area, or strengthening of participation in decision-making). As judged by the EJOLT team, in the U.S. approximately 35% have experienced some form of environmental justice success, compared to an average of 17% worldwide. “The long history of environmental justice activism in the United States can provide an important guide for activists and researchers across the Globe to learn about strategies that vulnerable communities have used in the past to help improve conditions within their communities”, says Professor Paul Mohai from the School of Natural Resources and Environment at the University of Michigan.

The Global Atlas already has over 1100 stories about communities struggling for environmental justice. It serves as a virtual space for those working on environmental justice issues to get information, find other groups working on related issues, and increase the visibility of environmental conflicts. According to Atlas coordinator Leah Temper from the Autonomous University of Barcelona “only once communities stand up and say we will no longer be polluted, will governments and companies change their behaviour”.

“Rollin’ Coal” Is Pollution Porn for Dudes With Pickup Trucks (Vocativ)

Diesel drivers in rural America have been modifying their trucks to spew out black soot, then posting pics to the Internet. They hate you and your Prius

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Posted: 06/16/14 08:51 EDT

In small towns across America, manly men are customizing their jacked-up diesel trucks to intentionally emit giant plumes of toxic smoke every time they rev their engines. They call it “rollin’ coal,” and it’s something they do for fun.

An entire subculture has emerged on the Internet surrounding this soot-spewing pastime—where self-declared rednecks gather on Facebook pages (16,000 collective followers) Tumblers and Instagram (156,714 posts) to share photos and videos of their Dodge Rams and GM Silverados purposefully poisoning the sky. As one of their memes reads: “Roll, roll, rollin’ coal, let the hybrid see. A big black cloud. Exhaust that’s loud. Watch the city boy flee.”

Video: https://www.vocativ.com/embed/89277/

Of course, there are things about diesel lovers and their trucks that the rest of us weren’t meant to understand. Like how the guttural noise of a grumbling engine sounds like music when the muffler is removed. Or how the higher the lift and the bigger the tires—the better the man. As Robbie, a 25-year-old mechanic at a diesel garage in South Carolina, puts it, “Your truck is not just something to get you from point A to point B. It’s who you are.” In other words, mushrooming clouds of diesel exhaust are just another way to show off your manhood.

Robbie has been rollin’ coal since he got his first truck 12 years ago, but he admits the allure is “kind of hard to put words on.” “It’s just fun,” he says. “Just driving and blowing smoke and having a good time.”

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CoalMontage

The pollution pageantry has its origins in Truck Pulls, a rural motorsport where diesel pickups challenge one another to see who can pull a weighted sled the farthest. In order to have an edge, drivers started modifying their trucks to dump excessive fuel into the motor, which gave them more horsepower, torque, speed and a better chance of winning. It also made their trucks emit black smoke, an affectation that apparently won the hearts of country boys everywhere. Today kids will spend anywhere from $1,000 to $5,000 modifying their pickups for this sole purpose; adding smoke stacks and smoke switches (which trick the engine into thinking it needs more gas), or even revamping the entire fuel system.

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A Dodge doing its part.
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Aside from being macho, the rollin’ coal culture is also a renegade one. Kids make a point of blowing smoke back at pedestrians, in addition to cop cars and rice burners (Japanese-made sedans), which can make it dangerously difficult to see out of the windshield. Diesel soot can also be a great road rage weapon should some wimpy looking Honda Civic ever piss you off. “If someone makes you mad, you can just roll coal, and it makes you feel better sometimes,” says Ryan, a high school senior who works at the diesel garage with Robbie. “The other day I did it to this kid who was driving a Mustang with his windows down, and it was awesome.”

The ultimate highway enemy, however, are “nature nuffies,” or people who drive hybrid cars, because apparently, pro-earth sentiment is an offense to the diesel-trucking lifestyle. “The feeling around here is that everyone who drives a small car is a liberal,” says Ryan. “I rolled coal on a Prius once just because they were tailing me.”

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INSTAGRAM

According to the Clean Air Taskforce, diesel exhaust is one of the country’s greatest sources of toxic pollutants and leads to 21,000 premature deaths each year, but even that won’t deter the coal rollers. “I’m not a scientist, but it couldn’t be too horrible,” Robbie says. “There are a lot of factories that are doing way worse than my truck.”

It should be said that not all diesel drivers roll coal. Older enthusiasts call it a waste of fuel and think it gives their kind a bad name, but like a tobacco habit, the younger set are willing to overlook the risks. “It’s bad for the environment. That’s definitely true,” says Ryan. “And some of the kids that have diesel trucks can look like tools. And you can cause a wreck, but everything else about it is pretty good.”

Eric Eyges contributed Deep Web reporting to this article.

Welcome to West Port Arthur, Texas, Ground Zero in the Fight for Climate Justice (The Nation)

If you live in a toxic environment like this, surrounded by refineries, you’re probably not thinking about some future apocalypse. You’re living in one.

Wen Stephenson

June 3, 2014   |    This article appeared in the June 23-30, 2014 edition of The Nation.

West Port Arthur

(AP Photo/LM Otero)

“We are now faced with the fact that tomorrow is today.” —Martin Luther King Jr.

Hilton Kelley stood smiling in the clear April sunshine outside Kelley’s Kitchen in the Gulf Coast city of Port Arthur, Texas, and extended a hand. Kelley, 53, is a big-framed man, with generous, gentle eyes and white stubble. The sign on the small corner restaurant readsDelicious Home-Cooked Food, but Kelley’s Kitchen is no longer serving. Kelley opened the place up in his beloved hometown in 2010 and managed to keep it running for about two and a half years. “It was going fairly well,” he told me. “But, you know, the town really doesn’t get a lot of foot traffic on this side of Port Arthur anymore.”

Kelley’s Kitchen is the only structure left standing on its section of Austin Avenue, just two blocks from the main downtown thoroughfare. In every direction are more vacant lots and dilapidated buildings—windows blown out, many of them empty for years, even decades. In the bright sun, the streets at midday on a Friday were ghostly quiet.

“This area was once a thriving community,” Kelley said. “It was traffic up and down Austin Avenue here.”

He invited me inside, out of the glare, and we sat at one of the tables in the well-kept place, which he now rents out for private parties and special occasions—there’s even a small dance floor complete with shiny disco ball. But that’s not all that goes on at Kelley’s Kitchen. The space doubles as the office of the Community In-Power & Development Association, or CIDA—the small, tough, grassroots community advocacy and environmental justice organization that Kelley founded in 2000, soon after returning to Port Arthur from California, where he was working in the movie industry as an actor and stunt man. In 2011, he received the prestigious Goldman Prize for his environmental justice activism. Kelley has testified before the Texas Legislature and the US Senate, addressed UNESCO in Paris, and met President Obama at the White House.

Just a few blocks from where we sat is the historic African-American community of West Port Arthur, where Kelley was born and raised in the Carver Terrace housing project, on the fence line of two massive oil refineries—one owned by Valero (formerly Gulf Oil) and the other by Motiva (formerly Texaco). In fact, the recently completed expansion of the Motiva refinery, which Kelley’s group fought hard against, makes it the largest in the nation, having more than doubled its capacity to 600,000 barrels of crude per day. Nearby are five more petrochemical plants and the Veolia incinerator facility. Port Arthur is on the receiving end of the Keystone XL tar-sands pipeline, the southern leg of which—cutting through East Texas communities—went operational in January. But the industry brings few jobs to West Port Arthur, where unemployment is over 15 percent. Workers commute to the plants, and economic development has moved north since the 1980s, along with white flight, to the newer Mid-County area along Highway 69 toward Nederland, where you’ll find a sudden explosion of malls, big-box stores, hotels and theme restaurants with busy parking lots.

And yet the economic abandonment of the downtown area and West Port Arthur, in the very shadow of the world’s richest industry, isn’t even the whole story—there’s also the pollution, some of the most toxic in the country. “One in five West Port Arthur households has someone in it with a respiratory illness,” Kelley said. “One in five.” The county’s cancer mortality rate, according to a recent study, is 25 percent higher than the state average. Toxic “events”—whether from gas flares or accidents—are common, Kelley told me: emissions often darkening the sky, fumes wafting into the neighborhood. The community is downwind of several of the refineries nearby. “If one isn’t flaring or smoking, another one is,” Kelley said. “At least twice a month, we’re going to get some flaring and smoke from one of them.” As much as he can, he documents the events. “Sometimes it’ll be really pungent, to the point where it stings the nose and eyes.”

But apart from these incidents, he added, there’s the constant day-to-day toxic menace in the air. “It’s not always what you see—it’s what you don’t see. A lot of these gases are very dangerous. Sometimes newcomers will smell it and we can’t, because we’re desensitized to it.”

* * *

Kelley had offered to show me around Port Arthur and give me the fence-line tour on the west side, the community where he grew up. I knew about his accomplishments with CIDA—among other things, how they’d successfully pressured both Motiva and Valero, the former to install state-of-the-art equipment to reduce toxic emissions and pay for a community development center, and the latter to fund a new health clinic. And I understood that CIDA is more than an environmental justice group: its mission is to educate, empower and revitalize the community, working especially with young people. I knew that Kelley has made a real difference since returning home.

But before we left Kelley’s Kitchen, I needed to ask him about another threat—one that, given Port Arthur’s economic and racial marginalization, its proximity to dangerous petrochemical infrastructure, and its location on the gulf, could ultimately be the most devastating of all.

Yes, he answered, “we are seeing some of the impacts of climate change around here, as a matter of fact.” The rising sea level has washed out parts of Highway 87 between Port Arthur and Galveston. “They’ve abandoned the road,” Kelley said. And the ferocity of hurricanes, from Katrina and Rita to Ike, has shaken even Port Arthur natives like him. They were spared the worst of Katrina, “but Rita came very soon after that, and that’s when we got hit hard,” Kelley said. “I mean, a lot of the houses are gone. You can still see the FEMA tarps on some of the roofs today. A lot of homes that were once inhabited are now abandoned, because the federal dollars didn’t come in soon enough and the houses just dry-rotted.” The residents of Port Arthur haven’t faced the kind of epic flooding that was seen in New Orleans, but with Hurricane Ike they came close. “Ike brought in a huge surge, and it reached right to the top of our hundred-year levee but didn’t breach it.” Even so, the roof of Kelley’s old office was torn off: “The rain just poured in and destroyed everything.”

I’d heard about Port Arthur, but nothing prepared me for the physical reality of the place—a decaying, all-but-forgotten urban landscape inhabited by a struggling and precariously resilient community. As you drive west and north out of downtown, the refineries stretch for miles, at times towering over you like something out of dystopian science fiction. But this is not some futuristic scenario—it’s here and now. And those same smokestacks that are poisoning the inhabitants of Port Arthur are part of a global fossil fuel infrastructure that has trapped us in its political-economic grip, threatening civilization and the future of life on Earth—threatening not only the children of Port Arthur but everyone’s children, everywhere, including my own.

And yet, here’s the thing: if you live in West Port Arthur and toxic emissions have ruined your health, or your child can’t go to school because she can’t breathe, or you can’t find a job and feed your kids and see no way out of the projects—or all of the above—then you’re probably not thinking about some future apocalypse. You’re living in one. You inhabit an apocalyptic present. And what’s true of Port Arthur is true of frontline communities across the Gulf Coast and across the continent—and the world.

* * *

The struggle for climate justice is a struggle at the crossroads of historic and present injustices and a looming catastrophe that will prove to be, if allowed to unfold unchecked, the mother of all injustices. Because the disaster that is unfolding now will not only compound the suffering of those already oppressed—indeed, is already compounding it—but may very well foreclose any future hope of social stability and social justice.

So why does the term “climate justice” barely register in the American conversation about climate change? Lurking in that question is a tension at the heart of the struggle: a tension between the mainstream climate movement (largely white, well-funded and Washington-focused) and those—most often people of color—who have been fighting for social and environmental justice for decades.

Nobody has worked longer and harder at this intersection of climate and environmental justice than Robert Bullard, the celebrated sociologist and activist who is often called the father of the environmental justice movement. In 1994, he founded the Environmental Justice Resource Center at Clark Atlanta University, the first of its kind, and since 2011 he’s been the dean of the Barbara Jordan–Mickey Leland School of Public Affairs at Texas Southern University (TSU) in Houston. It was Bullard who introduced me to Hilton Kelley, and I knew he could offer historical insight into the relationship between the environmental justice and climate movements.

“Climate change looms as the global environmental justice issue of the twenty-first century,” Bullard writes in 2012’s The Wrong Complexion for Protection: How the Government Response to Disaster Endangers African American Communities, co-authored with longtime collaborator Beverly Wright, founding director of the Deep South Center for Environmental Justice at Dillard University in New Orleans. “It poses special environmental justice challenges for communities that are already overburdened with air pollution, poverty, and environmentally related illnesses.” Climate change, as Bullard and Wright show, exacerbates existing inequities. “The most vulnerable populations will suffer the earliest and most damaging setbacks,” they write, “even though they have contributed the least to the problem of global warming.” (As if to prove the point, their project was delayed for more than two years by Hurricane Katrina, which destroyed the Deep South Center’s computer files and devastated Wright’s New Orleans East community. Her chapters documenting the unequal treatment of the city’s African-Americans in the Katrina recovery are a tour de force.)

Bullard’s landmark 1990 book Dumping in Dixie: Race, Class, and Environmental Qualityestablished the empirical and theoretical—and, for that matter, moral—basis of environmental justice. Through his early work on the siting of urban landfills in Houston’s African-American neighborhoods, beginning in 1978, as well as the siting around the country of toxic waste and incineration facilities, petrochemical plants and refineries, polluting power plants and more, Bullard has systematically exposed the structural and at times blatant racism—which he calls “environmental racism”—underlying the disproportionate burden of pollution on communities of color, especially African-African communities in the South. His work has done much to set the agenda of the environmental-justice movement.

This year marks the twentieth anniversary of Executive Order 12898, signed by Bill Clinton in February 1994, which explicitly established environmental justice in minority and low-income populations as a principle of federal policy. This year also marks the fiftieth anniversary of the Civil Rights Act—a fitting coincidence, as Bullard likes to point out, because the “EJ” executive order reinforced the historic 1964 law. However, in a report released in February called “Environmental Justice Milestones and Accomplishments: 1964 to 2014,” Bullard and his colleagues at TSU write, in what must qualify as understatement: “The EJ Executive Order after twenty years and three U.S. presidents has never been fully implemented.”

I sat down with Bob Bullard (as he’s universally known) in April in his office at TSU, where we had two lively and substantive conversations. I’d interviewed him once before, by phone last August, and in the meantime he’d been much in demand. In September, he received the Sierra Club’s John Muir Award, its highest honor; in March, he delivered the opening keynote address at the National Association of Environmental Law Societies conference at Harvard Law School, assessing environmental justice after twenty years (former EPA chief Lisa Jackson was the other keynoter). He received two standing ovations from the jam-packed Harvard audience.

* * *

Bullard, who grew up in small-town Alabama, speaks with an orator’s cadences and a comedian’s timing. At 67, he has a fighter’s glint in his eye and an irresistibly mischievous grin above a Du Boisian goatee (he calls W.E.B. Du Bois his intellectual hero). In Houston, I asked him about the relationship between environmental justice, traditionally understood, and climate justice—and why they sometimes appear to be in tension, at least in the United States.

Bullard likes to start with a history lesson. In 1991, he helped convene the First National People of Color Environmental Leadership Summit in Washington, DC, where seventeen “Principles of Environmental Justice” were adopted. At the 1992 Earth Summit in Rio, those principles were circulated in several languages. But it wasn’t until 2000, in The Hague, that Bullard joined other leaders and groups from around the world for the first “climate justice summit,” meeting in parallel with the sixth United Nations climate conference, or COP 6. “It was a very transformative time,” Bullard recalled. “When environmental justice groups and groups working on climate, on human rights and social justice and civil rights, came together in The Hague in 2000, ‘climate justice’ was not a term that was universally used.” At that summit, “we said that climate justice has to be the centerpiece in dealing with climate change. If you look at the communities that are impacted first, worst and longest—whether in Asia, Africa, Latin America or here in the US—when you talk about the majority of people around the world, climate justice is not a footnote. It is the centerpiece.” And this is not a minority view, he added: “It’s the majority view.”

And yet, Bullard said, here in the United States, “equity and justice get a footnote”—in terms of framing the conversation, it’s been a struggle to make sure that justice is given parity with the science. “That’s the rub,” Bullard told me. “And that’s why the climate movement has not been able to get traction like you’d think it would, given the facts that are there. The people on the ground who could actually form the face of climate change, be the poster child of global warming—they’re almost relegated to the fringes. And that is a mistake.” In the United States as well as globally, Bullard said, “we know the faces, we know what they look like. We know the frontline communities, the frontline nations. But to what extent do we have leadership that’s reflective of communities that are hardest hit? Very little has changed over the last twenty years when it comes to who’s out there.”

I observed that climate justice ought to be the most unifying concept on the planet, if only for the simple reason that people tend to care about their children and grandchildren. I had asked Bullard earlier about the idea of intergenerational justice—the fact that, along with those in the poorest and most vulnerable communities around the world, today’s young people and future generations will bear the vastly disproportionate, potentially devastating impacts of climate change. Isn’t climate justice really environmental justice writ large—in fact, on a global scale—yet with this added generational dimension?

“Exactly,” Bullard said. “And for me, that’s the glue and the organizing catalyst that can bring people together across racial and class lines.”

In that case, I wondered aloud, if the central mission and purpose of the climate movement is to prevent runaway, civilization-destroying global warming—in other words, to create the necessary political and economic conditions for a last-ditch, all-out effort to keep enough fossil fuels in the ground—then isn’t that work already about racial, economic, social and, yes, generational justice? Because the consequences, if we don’t do everything possible to keep fossil fuels in the ground—

“Then we’re not going to have any justice,” Bullard interjected.

“In terms of the moral imperative,” he added, “looking at the severe impacts—the impact on food security, on cross-border conflicts, war, climate refugees—when you look at the human rights piece, in terms of threats to humanity, if we drew it out and looked at it, I think more people would be appalled at these little baby steps that we’re taking. This is an emergency, and it calls for emergency action—not baby steps, but emergency action.”

Nevertheless, Bullard also explained why that all-consuming focus on greenhouse gas emissions is insufficient by itself.

“You have to understand that in order to have a movement, people have to identify with—andown—the movement,” he said. “Just saying climate change is a big problem is not enough to get people to say, ‘We’re gonna work to try to keep coal and oil in the ground.’ There has to be something to trigger people to say, ‘This is my own movement.’”

Bullard believes that the climate justice framework can “bring more people to the table.” Take the example of coal plants: “The environmental justice analysis is that it’s not just the greenhouse gases we’re talking about; in terms of health, it’s also these nasty co-pollutants that are doing damage right now. Not the future—right now.”

So to bring those people to the table, he continued, “you have to say: How do you build a movement around that and reach people where they are?”

* * *

Last year, Bullard and his colleagues at TSU and other historically black colleges and universities—including Beverly Wright at Dillard and the Deep South Center in New Orleans—launched an initiative they call the Climate Education Community University Partnership (CECUP). “We’re linking our schools with these vulnerable communities,” Bullard told me, “trying to get to a population that has historically been left out. We’re going to try to get our people involved.”

When you look at the most vulnerable communities, the “adaptation hot spots,” he added, these are the same communities the schools were founded to serve, and often the very places in which they are located. “We’re not going to wait for somebody to ride in on a white horse and say, ‘We’re going to save these communities!’” Bullard said. “We have to take leadership.”

The initiative invests in a new generation of young scholars and leaders who can draw the connections between greenhouse gas emissions, climate adaptation, and the classic environmental justice issues of pollution, health, and racial and class disparities. “Our folks on the ground can make the connections between these dirty diesel buses, that dirty coal plant, and their kids having to go to the emergency room because of an asthma attack, with no health insurance,” Bullard said. “We see it as human rights issues, environmental issues, health issues, issues of differential power.”

Clearly, anyone like me—with my 40,000-foot view of the climate crisis—would do well to try seeing the concept of climate justice from the ground up, at street level, and through a racial-equity lens. Sitting down with five of Bullard’s graduate students at TSU—joined by two of his colleagues, sociologist and associate dean Glenn Johnson and environmental toxicologist Denae King—I was treated to a generous portion of that ground-up perspective.

For Steven Washington, a 29-year-old native of Houston’s Third Ward and a second-year master’s student in urban planning and public policy, “climate change means asthma; it means health disparities.” Working in Pleasantville, a fence-line community along the Port of Houston, he’s concerned about the city’s notorious air quality, graded F by the American Lung Association, and what it means for a population—especially the elderly—ill equipped to deal with the impacts of climate change. For Jenise Young, a 33-year-old doctoral student in urban planning and environmental policy whose 9-year-old son suffers from severe asthma, climate change is also about “food deserts” like the one surrounding the TSU campus—a social inequity that climate change, as it increases food insecurity, only deepens. (The wealthier University of Houston campus next door inhabits something of an oasis in that desert.) Jamila Gomez, 26, a second-year master’s student in urban planning and environmental policy, points to transportation inequities—the fact that students can’t get to internships in the city, that the elderly can’t get to grocery stores and doctors’ offices, that the bus service takes too long and Third Ward bus stops lack shade on Houston’s sweltering summer days.

I asked the students if they see the growing US climate justice movement—especially students and young people who want to foreground these issues—as a hopeful sign.

“My major concern is that this is a lifelong commitment,” Young replied. “That’s my issue with a lot of the climate justice movement—that it’s the hot topic right now. Prior to that, it was Occupy Wall Street. Prior to that, it was the Obama campaign. But what happens when this is not a fad for you anymore? Because this is not a fad.”

Glenn Johnson, the co-editor of several books, including Environmental Health and Racial Equity in the United States, chimed in: “It’s a life-and-death situation. There are others who come into the movement, they have a choice—they can go back to their respective communities. But for us, there’s no backing out of talking about the [Houston] ship channel. We are the front line; it’s 24/7. When we wake up, we smell that shit.”

“It’s not one problem,” said Denae King. “It’s multiple problems—poverty, food security, greenhouse emissions, all of these things happening at once. In the mind of a person living in a fence-line community, you have to address all of the problems.” Climate change is urgent, she added, “but still, I have to pay my bills today. I have to provide healthy food today.”

All of which is undeniably true. And it is equally true that the scientific evidence overwhelmingly indicates that the window in which to take serious action on climate change is closing fast. Unless we act now to begin radically reducing greenhouse gas emissions and building resilience, our children and future generations face catastrophe. What you hear from climate justice advocates working on the front lines is that, precisely because of this emergency, the way to build a powerful movement is to approach climate change as an intersectional issue.

After I left Houston, I spoke with Jacqueline Patterson, director of the Environmental and Climate Justice Program at the NAACP. One of the first things she did upon arriving in 2009, Patterson told me, was to write a memo looking at climate justice and the NAACP’s traditional agenda. “It went area by area—health, education, civic engagement, criminal justice, economic development—and showed how environmental and climate justice directly intersect in myriad ways.”

Patterson’s work rests on the understanding that if we’re going to address climate change seriously, then we’re in for a rapid energy transition—one that’s by no means guaranteed to be smooth or economically just. In December, her initiative released its “Just Energy Policies” report, looking state by state at the measures—from local-hire provisions to ones for minority- and women-owned businesses—that can help bring about a just transition to clean energy. At a press conference in Milwaukee the day before, Patterson said, she stood next to NAACP leaders, “and we were talking about starting a training and job-placement program for formerly incarcerated youth and youth at risk around solar installation and energy-efficiency retrofitting.” An energy-efficiency bill was recently introduced in the Missouri Legislature, she noted. “Before, we might not have seen the NAACP getting behind that legislation, because the energy conversation wasn’t seen as part of our civil rights agenda. Now, they’re in with both feet.”

Bob Bullard talks about growing up in the small, deeply segregated town of Elba, Alabama, where he graduated from high school in 1964, the year of Freedom Summer and the Civil Rights Act. He went to Alabama A&M, the historically black university in Huntsville, graduated in 1968, then served in the Marines from 1968 to 1970 (but was mercifully spared Vietnam). Bullard was formed by the civil rights struggle. “I was a sophomore in 1965,” he said. “That was the year of Selma and the bridge. As students, you’re very conscious.” He revered Martin Luther King Jr., Rosa Parks, Malcolm X, Stokely Carmichael, Fannie Lou Hamer, Ella Baker and many others. “You identified with a struggle, and you saw it as your struggle.”

Bullard has written about King’s final campaign, when he went to Memphis in 1968 to march in solidarity with the striking sanitation workers. “I tell my students, ‘If you don’t think garbage is an environmental justice issue, you let the garbage workers go on strike.’”

If environmental justice emerged out of the civil rights struggle, then you could almost say that Bullard’s work, and the movement to which he’s dedicated his life, began there in Memphis—picking up where King’s work was cut short.

* * *

Hilton Kelley drove me up Houston Avenue, through what he calls Old Port Arthur, parallel to the railroad tracks that separate the African-American west side from downtown. “This was the booming area during the heyday of Port Arthur,” he said. As we drove alongside the tracks, Kelley pointed to at least three small grocery stores that had long since gone out of business.

We crossed the tracks and drove past a housing project built in the 1970s. Kelley showed me St. John’s Missionary Baptist Church, where the Rev. Elijah “EJ” James allowed him to hold some of his first organizing meetings. But he’s been asked not to distribute fliers outside some of the churches. Kelly affected an old man’s voice: “‘We can appreciate what you’re doing, son. But don’t pass that out around here.’” He added, “Some of them work at the plants.”

We stopped to see his old high school, now a middle school. I noticed the flag was flying at half-staff and wondered why. We both thought for a moment.

“Oh, it must be for MLK,” Kelley said.

Of course. I had completely forgotten—it was April 4.

“I remember when Martin Luther King was shot,” he said. “You could hear the neighbors crying. So I ran down the street to tell my mother, who was down at the laundromat, and she was already in tears. She’d already heard about it. I was 7 years old. It was a sad day.”

We drove down 14th Street, past the small houses—some in good repair with well-kept front yards, many others in poor condition, some at the point of collapse. A few blocks farther, where the road ends, was Carver Terrace, the housing project where Kelley grew up, a stone’s throw from the Valero refinery. Carver Terrace is empty now, slated for demolition, its residents given housing vouchers with the option to relocate to a new project in another part of town—one at least not directly in harm’s way. The last family had moved out about three weeks earlier, Kelley told me.

We got out and stood among the rows of long, plain-brick, two-story buildings. “If you’d come here six months ago,” Kelley said, “you would’ve seen kids running across the street and playing ball right here.”

I asked him how it felt to see it like this now.

“Oh, man, it’s like The Twilight Zone,” he said. “I’m getting used to it, but I ride by here every day.”

Not fifty yards from Carver Terrace, and even closer to a playground with new play structures, exposed pipes emerged from the berm along the Valero fence. Signs read:Warning: Light Hydrocarbon Pipeline.

Kelley told me that he never thought he’d be doing this work for as long as he has. “But here I am,” he said, “fourteen years down the road, still chopping away at it. New issues keep cropping up. But trust me, I’m no ways tired. What I’ve discovered is that we are a necessary entity in this community. I’m here to stay.”

It was a beautiful day, and Kelley drove with the windows down. A middle-aged woman on the street called out to him. “How’s it going?” Kelley said, genuine warmth in his voice.

“Pretty good,” she called back. “How you doin’?”

“I’m hangin’ on in there, enjoyin’ this day.”

“This is a great community to grow up in,” Kelley told me. “I ran and played up and down these streets. I love the smell in the air right now, the plants growing, the springtime. We’ve got a pretty good day today—don’t have any high emissions levels. I’m lovin’ it. You can smell the flowers.”

* * *

The next morning, I went back on my own and drove around downtown and the west side of Port Arthur. It was overcast now, the gray light altering the mood of the day before, and I was overcome by a need to see the ocean, across Sabine Lake and the coastal marshes on the Louisiana side. So I drove out of Port Arthur on Highway 82, passing still more petrochemical plants along the way, and stopped after half an hour at a row of beach houses built on sturdy pilings. The wind on my face was fresh and welcome, but on the horizon, up and down the coast, I could see the oil platforms. No escape.

Heading back into Port Arthur, crossing the wide channel at the mouth of Sabine Lake, I drove over the Martin Luther King Jr. Memorial Bridge. As I crested its steep ascent, the Valero and Motiva refineries were spread out in front of me. The dystopian petrochemical landscape stretched into the distance, and I caught my breath at the sight of it as I descended.

What are we fighting for? What are any of us who care about climate justice fighting for? What does “climate justice” mean in the face of the dehumanizing, world-devouring carbon-industrial machine, of which we ourselves are a part? What does it mean in the face of the latest science—which keeps telling us, in its bloodless language, just how late the hour really is?

In 1967, Martin Luther King published his final book, Where Do We Go From Here: Chaos or Community? In those pages, and in his speeches during those last years, he struggled to reinvigorate and reunite the civil rights movement, which was coming apart at the seams over Black Power and nonviolence, over separatism and integration, over how fast and how hard to push for economic justice and against the war in Vietnam. And while he’s often cast these days as a moderate, it’s important to remember just how radical King was.

Critics—including some of his allies—thought that he should stick to race and civil rights and not address what they considered the “separate issues” of labor, poverty and, most of all, war. But King understood that all of these issues were interconnected—that, at a profound level, they intersected. He saw that the “unholy trinity” of racism, poverty and war—with the threat of nuclear annihilation always in the air—were, at root, one and the same. They are all forms of violence, he argued; they all grow from “man’s inhumanity to man” and must be confronted by an unconditional and universal love.

It seems that movements can reach a critical point at which unity—the need to come together around common principles and a common struggle, and a common understanding of what that struggle is about—becomes all-important. The question now is whether climate justice can be defined broadly enough to encompass everyone—not only our own communities, our own children, but everyone, everywhere, including generations not yet born—in order to keep even the possibility of justice alive on Earth.

Because the only chance we have now is to fight for each other. We have to fight for the person sitting next to us and the person living next door to us, for the person across town and across the tracks from us, and for the person across the continent and across the ocean from us. Because we’re fighting for our humanity. Not simply for our own survival, but for the survival of some legitimate hope for what King called the “beloved community.” Even as we struggle just to survive.

Our fight is against chaos and for community. And it cannot wait. “We are now faced with the fact that tomorrow is today,” King wrote in the final paragraph of his last book. “We are confronted with the fierce urgency of now. In this unfolding conundrum of life and history there is such a thing as being too late.”

It may be too late to prevent catastrophe for countless people. Yet even in the face of all we now know, will it ever be too late to hold on to our humanity?

‘Bad’ video game behavior increases players’ moral sensitivity: May lead to pro-social behavior in real world (Science Daily)

Date: June 27, 2014

Source: University at Buffalo

Summary: New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated. The current study found such guilt can lead players to be more sensitive to the moral issues they violated during game play. Other studies have established that in real life scenarios, guilt evoked by immoral behavior in the “real-world” elicits pro-social behaviors in most people.

Young men playing video games. New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated. (stock image). Credit: © Nebojsa Bobic / Fotolia 

New evidence suggests heinous behavior played out in a virtual environment can lead to players’ increased sensitivity toward the moral codes they violated.

That is the surprising finding of a study led by Matthew Grizzard, PhD, assistant professor in the University at Buffalo Department of Communication, and co-authored by researchers at Michigan State University and the University of Texas, Austin.

“Rather than leading players to become less moral,” Grizzard says, “this research suggests that violent video-game play may actually lead to increased moral sensitivity. This may, as it does in real life, provoke players to engage in voluntary behavior that benefits others.”

The study, “Being Bad in a Video Game Can Make Us More Morally Sensitive,” was published online ahead of print on June 20 in the journalCyberpsychology, Behavior and Social Networking.

Grizzard points out that several recent studies, including this one, have found that committing immoral behaviors in a video game elicits feelings of guilt in players who commit them.

The current study found such guilt can lead players to be more sensitive to the moral issues they violated during game play. Other studies have established that in real life scenarios, guilt evoked by immoral behavior in the “real-world” elicits pro-social behaviors in most people.

“We suggest that pro-social behavior also may result when guilt is provoked by virtual behavior,” Grizzard says.

Researchers induced guilt in participants by having them play a video game where they violated two of five moral domains: care/harm, fairness/reciprocity, in-group loyalty, respect for authority, and purity/sanctity.

“We found that after a subject played a violent video game, they felt guilt and that guilt was associated with greater sensitivity toward the two particular domains they violated — those of care/harm and fairness/reciprocity,” Grizzard says. The first includes behaviors marked by cruelty, abuse and lack of compassion, and the second, by injustice or the denial of the rights of others.

“Our findings suggest that emotional experiences evoked by media exposure can increase the intuitive foundations upon which human beings make moral judgments,” Grizzard says. “This is particularly relevant for video-game play, where habitual engagement with that media is the norm for a small, but considerably important group of users.”

Grizzard explains that in life and in game, specific definitions of moral behavior in each domain will vary from culture to culture and situation to situation.

“For instance,” he says, “an American who played a violent game ‘as a terrorist’ would likely consider his avatar’s unjust and violent behavior — violations of the fairness/reciprocity and harm/care domains — to be more immoral than when he or she performed the same acts in the role of a ‘UN peacekeeper.'”

In conducting the study, researchers combined a model of intuitive morality and exemplars representing current advances in moral psychology with media-effects theories to explain how mediated or indirect experiences influence individuals’ moral judgments.

The study involved 185 subjects who were randomly assigned to either a guilt-inducing condition — in which they played a shooter game as a terrorist or were asked to recall real-life acts that induced guilt — or a control condition — shooter game play as a UN soldier and the recollection of real-life acts that did not induce guilt.

After completing the video game or the memory recall, participants completed a three-item guilt scale and a 30-item moral foundations questionnaire designed to assess the importance to them of the five moral domains cited above.

Correlations were calculated among the variables in the study, with separate correlation matrices calculated for the video-game conditions and the memory-recall conditions. The study found significant positive correlations between video-game guilt and the moral foundations violated during game play.

The study was co-authored by Ron Tamborini, PhD, professor, Department of Communication, Michigan State University; Robert J. Lewis, PhD, assistant professor, Department of Advertising and Public Relations, University of Texas, Austin; and Lu Wang, a former graduate student in the Department of Communication at Michigan State.

In May, a study by Tamborini, Grizzard, Lewis and three other authors published inJournal of Communication described mechanisms involved in exposure to entertainment and moral judgment processes.

Journal Reference:

  1. Matthew Grizzard, Ron Tamborini, Robert J. Lewis, Lu Wang, Sujay Prabhu. Being Bad in a Video Game Can Make Us More Morally SensitiveCyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 2014; 140620081138007 DOI:10.1089/cyber.2013.0658

Heidegger and Geology (Public Seminar)

McKenzie Wark

June 26th, 2014

A small, handmade green book mysteriously appeared in my New School mail slot, with the intriguing title: The Anthropocene, or “The work is going well, but it looks like it might be the end of the world.” 

Its author is Woodbine, which turns out to be an address in Brooklyn where the texts in this small book were first presented. (The texts, and information about this interesting project, can also be found here and here). I have never been to Woodbine, but good things seem to be happening there.

I read the book on the way home to Queens from the New School, on the subway. As it turns out this was a fitting place to be reading these very interesting texts, passing through geological strata.

Whenever I raise the Anthropocene with humanities-trained people, their first instinct is to critique it as a concept. It’s hard to buck that liberal arts and grad school training, but it’s an impulse to resist. It’s time to rethink the whole project of ‘humanist culture’, to which even us card-carrying anti-humanists still actually belong.

The Woodbine text makes some useful advances in that direction. But for me I think the project now is not to apply the old grad school bag o’tricks to the Anthropocene, but rather to apply the Anthropocene to a root-and-branch rethinking of how we make knowledge outside the sciences and social sciences.

Woodbine: “The naming of the Anthropocene comes not to announce humankind’s triumph but rather its exhaustion.” (3) This disposes with the most idiotic criticism of the Anthropocene, that it is ‘hubris’ to raise up the human to such a power that it could name a geological age. The Anthropocene actually does something very different. Its not the old rhetoric of a Promethean triumph over nature, but rather poses the question: “How are we to live in a ruin?” (4)

The geologist Paul Crutzen has succinctly listed the signs of the Anthropocene: deforestation, urbanization, mass extinctions, ocean acidification, loss of biodiversity and climate change. He thinks collective human labor is starting to transform the very lithosphere itself. Woodbines modulates this a bit, calling this “the Anthropocene biopolitical epoch.” (15) But that’s where I think the radical import of the Anthropocene gets lost. Those trained in the humanities are besotted with the idea of politics, attributing all sorts of magical agency to it. But really, up against the lithosphere, politics may be as uselessly superstructural as fine art, or as imaginary as the Gods of the religions.

Woodbine engagingly calls Marx ‘Captain Anthropocene.’ He is perhaps one of our great witness-conceptualizers about the moment when the Anthropocene really accelerated: “Proletarianizing us, as Marx called it, didn’t just separate us from our conditions of existence: it literally recreated how we live, setting up walls against any other way of living.” (12) Collective social labor made a second nature, over and against nature, but in part also alienating the human from that which produced it.

As I have argued elsewhere, the historical response to this has been to erect a third nature, over and against second nature, to overcome its alienating effects – but in the process producing new ones. That’s where we are now, with the growing disenchantment with the internet and all that.

Crisis is a tricky concept, as my New School colleague Janet Roitman ably explains in her book Anti-Crisis. If there’s no crisis then how can the critical be made to work? The self interest of the latter requires the perception of the former. As somebody once said, to a critic with a hammer, everything looks like a thumb.

The Anthropocene might subtly modulate the old rhetoric of crisis. Woodbine: “with the Anthropocene, the catastrophe is here in the form of the age itself, meaning our entire civilization, and its requisite way of life, is already a ruin.” (18) Crisis is not a thing or event in the world, it is the world.

This would be the profound shock of Crutzen’s provocation, that crisis is not merely political or even economic, but geological. Woodbine: “It’s crazy, like we’re reading Heidegger in the annals of the geological societies!” (19) Actually, here is where I would want to dissent from the Woodbine text. It is not that one finds Heidegger in the geological annals, but the reverse. Heidegger is only of any interest to the extent that one finds the geological in his thought, unrecognized.

It is striking how much of the grad school canon lets us down when it comes to the Anthropocene. It’s disorienting. Things once safely left unaddressed cannot be depended on. Latour: “to live in the Anthropocene is to live in a declared state of war.” But one has to ask whether Latour’s recent discovery of the Anthropocene is really all that consistent with his past work, which seems to me to concede too much to the vanity of humanists. It was only ever about part- or quasi- objects. It never really made the leap of recognizing the weakness of its own methods. Latour was a half-way house, a holding operation. As Donna Haraway pointed out a long time ago, Latour still has a thing for stories about great men waging great conflicts.

For Woodbine, the Anthropocene is the scene of a “metaphysical war.” (21) But it might be more interesting to think this the other way around. What if metaphysics was nothing more than a displaced echo of the Anthropocene? Metaphysics is not an essential key to it. Metaphysics is rather one of the pollutants. Metaphysics is just the off-gassing of the Anthropocene.

Let’s pause, too, over the war metaphor, so beloved of the cold war decision sciences. We need a new imaginary of the relation.

Still, Woodbine does get some mileage out of the dust of the old concepts. There is surely a crisis of state at the moment. The link between rationality and governance can no longer be finessed, it is finally abandoned. Governments become ad hoc reaction machines. Its what I call the spectacle of disintegration, where the state can (1) no longer orient itself in an historical time, (2) is now deceiving itself, and not just its subjects, and (3) wears out and fragments all of the ideological detritus that once sustained at least the illusion that state and history were one.

This is where Woodbine is right to point to the rhetorical figure of ‘resilience’ as a salient one. It’s a rejection of the old mastery trope. No longer is the state the collective subject of history bending the objects of nature to a collective will. Rather, it’s a rhetoric of connecting what were once objects and subjects together in webs and nets in constant flux. Now it’s all feedback loops and recursive, adaptive systems. At least in theory. For now in actuality, power is just disintegrating. Its new militarization is a sign of its lack of confidence. The game is up.

Woodbine chooses here a local, New York example. MoMA organized a show, just after the housing bubble burst, called Rising Currents. The brief was for architects and planners to show how the city (actually mostly Manhattan and the cool bits of Brooklyn) could be more resilient. One project imagines a restoration of the old oyster beds that used to dot the foreshores, as a kind of eco- econo- climate resilience virtuous circle.

When I heard someone not unconnected to Woodbine present this part of the Woodbine text at the Historical Materialism conference, the oyster bed project was met with hoots of laughter. But to me this just shows how alienated humanities-trained people are from design and urban planning as kinds of practice. It’s so much harder to even imagine what one might build in the Anthropocene than to divine its concept. And particularly hard to even imagine what one could build that would scale, that would work for the seven billion.

“The Anthropocene provides the urgency to draw together previously unrelated knowledges, practices, and technologies into a network of relation….” (26-27) One might struggle for and against certain forms such networks might take, or even as to whether they are really going to be ‘networks’ (that word which in our time is both ideological and yet so real). Maybe we would rather be infuriating swarms or packs than networks.

Woodbine: “In the Anthropocene, the critical gesture is finished. New Land, new horizons. Everything is to be reinvented.” (28) One might not want to put it in too declarative a style, but yes indeed. Perhaps its time to get to work re-inventing what humanities knowledge might be, and with what it connects, and how it connects.

The actual culture may be way ahead of us. On the one hand, the Anthropocene is the cultural unconscious. Every movie and tv show is about it, whether it knows it or not. We are “living in this end without end, an exhausted civilization dreams its apocalypse anew each morning…” (32) But a certain paralysis results from this.

Woodbine has a good analysis of this. The apocalypse means to uncover, reveal. For the messianic sects that arose out of Rome in decline, apocalyptic time was unidirectional and teleological. Things are in a state of incompletion. The meaning of the fragments around about one lies in the anticipation of the revealing of their unit. “As a result of this anticipation of an eschatological event through which things and beings will be saved from their decrepitude, the whole of reality is derealized. The disenchantment of the world has closely followed this strange derealization of the real…” (39) This is the problem: the apocalypse disconnects us from the world. As for that matter does the communist horizon, that partly secularized version of the temporal logic of apocalypse.

In this perspective, empire is that which holds back the purifying apocalypse. But in our time, apocalypse has been desacralized. It no longer promises redemption. Resilience is government under conditions of constant apocalypse. It’s a temporality which disperses apocalypse, but also takes away its redeeming power. It is to be endured. There’s no revelation imminent. “If we can understand Rome as catechon, warding off a single catastrophe in space and time (Armageddon), resilience multiplies and diffuses this structure across the whole globe…” (49) Salvation is unthinkable, resilience is all about survival.

And yet, curiously, resilience “maintains the homogenous time of a government without end.” (50) Empire wants to think it is not that which impedes the apocalypse which reveals meaning in its totality, after time breaks. Empire today wants to think it can be rubbery enough to be ‘sustainable’, to pass through multiple crises, but keep a homogenous, spectacular time ticking over. Power gets it that the old subject as master of the object ontology has to go, but strangely still maintains a universal homogenous time of petty and baseless things and their wondrous ‘networks.’

That, I think, is a wonderfully distilled analysis. I read Woodbine as wanting to reanimate the messianic rather than abandoning this whole conceptual tar pit. Hence: “Inhabiting the messianic means no longer waiting for the end of the world.” (55) The project is one of transforming lived time. The messianic becomes a practice of the here and now, a practice that might restore a shattered world, that restore being: “we must inhabit the desert.” (57)

There’s a Deleuzian note here, from the cinema books, for example, about believing in the world. “To enter messianic time is to believe in the world, in its possibilities of movement and intensities, and to create worlds.” (58) But as Woodbine acknowledges, this is worse than collapse of Rome. If it’s a ‘crisis’ it is not one that happens in time, it is rather a crisis of time.

Perhaps the worn-out old names so endlessly recycled in grad school are not going to be of much help to us. Are we really expecting, that if time appears now in a very new way, that those who survived the old time and became those who marked its tempo are going to talk about a time not their own? What if Walter Benjamin, Martin Heidegger or Carl Schmitt had nothing to say about the Anthropocene? When did humanists become the arch-conservatives? Insisting on ever occasion that the answers are always in the same old books? And always the same answers, no matter what the question.

On the one hand, it might be more interesting to pay attention to the organic intellectuals emerging out of more or less consciously Anthropocene practices. Woodbine thinks these are in two categories. Firstly, there’s the insurrections and occupations. Secondly, there’s the cultures of hacking, prepping, modding, which are often not ‘political’ in any overt sense, but which tend to have a firm notion that we need new practices of engaging with the world.

Woodbine wants to think insurrection and occupation as having an almost spiritual dimension. But perhaps the driver of the dissolution of legitimate political form really is going to be the food riot, as it was so often in the past as well. Here I want a much more vulgar read on Marx than Woodbine. We’re going to have to get our hands at least conceptually dirty.

Thinking alongside the organic intellectuals who are hacking and modding the interfaces to the old infrastructure strikes me as a necessary project. I agree with Benjamin Bratton that the question of our time is (as I hear him phrase it, at least): can the infrastructure of the old world produce a qualitatively new infrastructure? But thinking that problem would require a much wider collaboration among forms of knowledge and practice than I think Woodbine is prepared to entertain. It is not the case that only the Gods can save us.

The discourse of the humanities revels in the qualitative, and wants to see only the good side of the qualitative and the bad side of quantitative knowledge, viz: “To be able to judge a situation, or a being, you must introduce some standard of measurement, and hence reduce a living, breathing fullness to an abstracted mass of equivalents. A subject or an object is thus the stripped bare life that can be replaced.” (74)

The problem with this is that it doesn’t follow. There’s no necessary link between measuring something and thinking it replaceable. Climate science, as quantitative knowledge, is counter-factual example enough. On the other hand, the qualitative, as that which makes distinctions, is perfectly capable of making distinctions between who or what matters and what doesn’t, and is replaceable. ‘Bare life’, after all, is a Roman legal category, which has nothing to do with quantification.

Hence I am not too convinced that salvation alone lies in reworking a kind of affirmative ontology: “Whatever singularity is simply the inhabiting, really inhabiting, of the being that we already are…” (75) Rather, the problem might be the very notion that a philosophy can have such magical properties, if only one gets the incantation right. If philosophy was ever going to save us, it would have done so by now.

Most of our theories, it seems now in the Anthropocene, are not keys or tools, but rather symptoms. They are more part of the problem than the solution. I see no difference between keeping the Heidegger industry going and keeping the coal-fired power industry going. Except that the former has even more tenacious apologists.

But I like the Woodbine texts. I salute their attention to what matters. Theory has to know what time it is. Its time is the Anthropocene.

Com a corda no pescoço (Folha de S.Paulo)

São Paulo, domingo, 05 de novembro de 2006

Físico americano revela em livro a celeuma travada nos bastidores da academia em torno da teoria de cordas e argumenta que talvez o Universo não seja elegante, afinal

FLÁVIO DE CARVALHO SERPA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Há tempos a comunidade dos físicos está dividida numa guerra surda, abafada pelos muros da academia. Agora, pela primeira vez, dois livros trazem a público os detalhes dessa desavença, que põe em xeque o modo de produzir a ciência moderna, revelando uma doença que pode estar se espalhando por todo o edifício acadêmico.

“The Trouble With Physics” (“A Crise da Física”), livro lançado no mês passado nos EUA e ainda sem tradução no Brasil, do físico teórico Lee Smolin, abre uma discussão que muitos prefeririam manter longe do grande público: está a física moderna completamente estagnada há três décadas?

“A história que vou contar”, escreve Smolin, “pode ser lida como uma tragédia. Para ser claro e antecipar o desfecho: nós fracassamos”, diz ele, invocando o cargo de porta-voz de toda uma geração de cientistas. Pior: a razão da estagnação seria a formação de gangues de cientistas, incluindo as mentes mais brilhantes do mundo, para afastar dos postos acadêmicos os teóricos dissidentes.

Os principais acusados são os físicos adeptos da chamada teoria de cordas, que promete, desde o início da década de 1970, unificar todas as forças e partículas do Universo conhecido. “A teoria de cordas tem uma posição tão dominante na academia”, escreve Smolin, “que é praticamente suicídio de carreira para um jovem teórico não juntar-se à onda”.

Smolin, um polêmico e respeitado físico teórico, com PhD em Harvard e professorado em Yale, não está só. Também o físico matemático Peter Woit disparou contra os físicos das cordas uma acusação pesada que transparece já no título de seu livro: “Not Even Wrong” (“Nem Sequer Errado”). Esse era o pior insulto que o legendário físico Wolfgang Pauli reservava para os trabalhos e teses mal feitas. Afinal, se uma tese fica comprovadamente errada, ela tem o lado positivo de fechar becos sem saída na busca do caminho certo.

Mas o alerta de Smolin não está restrito ao desenvolvimento teórico da física. Para manter privilégios acadêmicos, a comunidade dos teóricos de cordas tomou conta das principais universidades e centros de pesquisas, barrando a carreira de pesquisadores com enfoques alternativos. Smolin,que já namorou a teoria de cordas, produzindo 18 artigos sobre o assunto, emerge na arena científica como uma espécie de mafioso desertor, disparando sua metralhadora giratória.

Modelo Padrão
O mais surpreendente é que a confusão tenha começado logo após décadas de avanços contínuos no século que começa com Einstein e a consolidação da mecânica quântica.

O último capítulo dessa epopéia -e a raiz da bagunça- foi o espetacular sucesso do chamado Modelo Padrão das Forças e Partículas Elementares. Essa formulação, obra de gênios como Richard Feynman, Freeman Dyson, Murray Gell-Mann e outros, teve como canto do cisne a comprovação teórica e experimental da unificação da força fraca e o eletromagnetismo, feita pelos Prêmios Nobel Abdus Salam e Steven Weinberg. A unificação de forças é o santo graal da física desde Johannes Kepler (unificação das órbitas celestes), passando por Isaac Newton (unificação da gravidade e movimento orbital) James Maxwell (unificação da luz, eletricidade e magnetismo) e Einstein (unificação da energia e matéria) .

Mas o portentoso edifício do Modelo Padrão, tinha (e tem) graves rachaduras. Apesar de descrever todas as partículas e forças detectadas e previstas com incrível precisão, não incorporava a força da gravidade nem dizia nada sobre a histórica divisão entre os excludentes mundos da relatividade geral e da mecânica quântica.

Mas todos físicos da área de partículas e altas energias, teóricos e experimentais, mergulharam nas furiosas calculeiras do Modelo Padrão. Absorvidos no que se chama o modo de produção da ciência normal (em oposição aos períodos de erupção revolucionária, como o da relatividade), as mais brilhantes mentes do mundo chegaram a um beco sem saída: quase todas as previsões experimentais do Modelo Padrão foram vitoriosamente testadas. O que fazer depois?

Boas vibrações
É quando emergem as cordas. Em vez de partículas pontuais quase sem dimensão como constituintes básicos da matéria, surge a idéia revolucionária das entidades elementares serem na verdade literalmente cordas bidimensionais. Idênticas às dos violinos (no sentido matemático), só que de dimensões minúsculas (da ordem de um trilhão de vezes menores que um próton) e, mais espantoso, vibrando num Universo de mais do que as três dimensões habituais. Nas últimas formulações, nada menos que 11, incluindo o tempo.

No começo o progresso foi espantoso: a força da gravidade, uma deserdada da mecânica quântica e do Modelo Padrão, emergia naturalmente das harmonias de cordas, como ressuscitando as intuições pitagóricas. Todas as forças e partículas foram descritas matematicamente como formas particulares de oscilação de poucos tipos básicos de corda.

Mas logo as complicações começaram também a brotar descontroladamente das equações. Se o Modelo Padrão exigia 19 constantes, ajustadas na marra pelos teóricos para coincidir com a realidade, os desdobramentos da teoria de cordas passaram a exigir centenas delas.

No princípio a beleza da teoria de cordas vem de existir apenas o parâmetro da tensão de corda. Cada partícula ou força seria apenas uma variação das cordas básicas, mudando apenas sua tensão e modo de vibrar. A gravidade, por exemplo, seria uma corda fechada, como um elástico de borracha de prender cédulas. Elétrons seriam cordas oscilando com apenas uma extremidade presa.

A cada ajuste na geometria para tornar a teoria compatível com o Universo observável, foi tornando o modelo cada vez mais complicado, de maneira parecida ao modelo cósmico do astrônomo egípcio Ptolomeu, com as adições de ciclos e epiciclos para explicar os movimentos dos planetas.

Macumba
Veio então a explosão final. Logo surgiram cinco alternativas de teorias de cordas. Depois a conjectura de existir uma tal teoria M, que agruparia todas com casos especiais. Finalmente, a teoria de cordas, que prometia simplicidade de beleza tão clara como a célebre E= mc2, revelou-se capaz de produzir nada menos que 10500 (o número 1 seguido de 500 zeros) soluções possíveis, cada uma delas representando um Universo alternativo, com forças e partículas diferentes. Ou seja, há mais soluções para as contas dos físicos de cordas do que há partículas e átomos no Universo inteiro.

Pior, uma parcela mais maluca da comunidade dos teóricos de cordas acha isso muito natural e insinua agora que a necessidade de prova experimental é um ranço arcaico da ciência.

“Vale a pena tentar ensinar mecânica quântica para um cachorro?” -perguntam eles. Seria igualmente inútil para nossos cérebros tentar entender e provar experimentalmente a grande bagunça instalada na ciência nos últimos 30 anos?

É claro que a maioria dos mais brilhantes teóricos de cordas não endossa esse impasse epistemológico. O próprio Brian Greene, físico americano e principal divulgador da concepção de cordas, autor do best-seller (mais falado do que lido, é verdade) “O Universo Elegante”, escreveu um artigo para o jornal “The New York Times” ressaltando que a prova experimental é essencial e que a questão levantada por Smolin é procedente. “O rigor matemático e a elegância não bastam para demonstrar a relevância de uma teoria. Para ser considerada uma descrição correta do Universo, uma teoria deve fazer previsões confirmadas por experimentos.


As dimensões das cordas e as energias que elas envolvem para serem comprovadas estão fora de alcance. Um acelerador de partículas para produzi-las artificialmente, deveria ser maior do que o Sistema Solar


E, quando um pequeno mas barulhento grupo de críticos da teoria de cordas ressalta isso com razão, a teoria de cordas ainda tem de fazer isso. Essa é uma questão chave e merece um escrutínio sério.”

Enquanto o diálogo entre Greene e Smolin tem sido diplomático, nos blogs das comunidades científicas a guerra está vários pontos para baixo. No diário on-line do físico Lubos Motl, de Harvard (motls.blogspot.com), por exemplo, já foram até excluídos posts da cosmóloga brasileira Christine Dantas (christinedantas.blogspot .com). “Na verdade não existe uma guerra entre os muros da academia”, ameniza Victor Rivelles, do Instituto de Física da USP. “O que é novo é que a internet, e particularmente os blogs, amplificam essa discussão dando a impressão de que é muito maior do que na realidade é.”

Saída pela esquerda
Para contornar a questão apareceu o que se chama princípio antrópico: entre os incontáveis Universos possíveis, os observáveis seriam apenas os feitos sob medida para os humanos. Uma interpretação que resvala para o misticismo e devolve o homem ao centro do Universo, como na Idade Média.

Lamentavelmente, a física experimental, a juíza última das verdades desde os tempos de Galileu e Kepler, pouca coisa pode fazer. As dimensões das cordas elementares e as energias que elas envolvem para serem comprovadas estão fora de alcance. Um acelerador de partículas para produzi-las artificialmente, como foi feito na comprovação do Modelo Padrão, deveria ter uma dimensão maior que a do Sistema Solar.

Todas as esperanças de todos os físicos se voltam agora para o Grande Colisor de Hádrons (prótons ou nêutrons), a ser ligado a partir do ano que vem perto de Genebra, na fronteira da Suíça com a França, na sede do Cern (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares). Pela primeira vez, esse acelerador, um túnel ultrafrio com 27 km de circunferência, vai atingir energias suficientes para produzir indícios indiretos da existência de uma quarta dimensão espacial. Lamentavelmente isso não prova nem refuta a teoria de cordas, pois o postulado de dimensões adicionais não é uma exclusividade desse modelo. A pendenga na comunidade dos físicos, portanto, pode persistir.

Pano de fundo
A linha teórica desenvolvida por Smolin, por outro lado, é igualmente nebulosa. Ele é um dos principais articuladores da gravitação quântica de laço, que pretende retomar o enfoque einsteniano de unificação. A teoria geral da relatividade, explica Smolin, independe da geometria do espaço-tempo. Mas para toda a teoria de cordas, e mesmo o modelo padrão, as forças e partículas são como atores num cenário ou pano de fundo de uma paisagem espaço-temporal definida.

É o que ele chama de teorias dependente do fundo. A gravitação quântica de laço, ao contrário, é independente do fundo. É uma conjectura arrojada: em vez de partículas e forças elementares, Smolin sugere que as entidades fundamentais são nós ou laços no tecido do espaço-tempo.

Assim como a teoria de cordas deriva todas as partículas e forças a partir de modos diferentes das cordas elementares vibrarem, Smolin acredita que essas entidades surjam de enroscos no tecido do espaço-tempo. Assim, as dimensões espaciais e a passagem do tempo emergem não como cenário do teatro das partículas, mas como sua gênese. Outra conseqüência da teoria é que o espaço-tempo não é contínuo: ele também é quantizado, existindo tamanhos mínimos, como átomos de espaço-tempo.

Lamentavelmente esses enroscos também são indetectáveis, mesmo nos mais poderosos aceleradores. No fim, pateticamente, Smolin admite que não se saiu melhor do que os teóricos de cordas e que seu livro “é uma forma de procrastinação”.

Mas as questões sociológicas colocadas nos últimos capítulos do livro de Smolin não podem mais ficar no limbo. A acusação da formação de gangues nos centros de pesquisa é agora uma questão pública, que envolve a aplicação do dinheiro dos impostos e a estagnação das ciências e, indiretamente, da tecnologia que ela deveria gerar.


LIVRO – “The Trouble With Physics: The Rise of String Theory, the Fall of a Science, and What Comes Next” 
Lee Smolin; Houghton Mifflin, 392 páginas US$26.

In This Papua New Guinea Village, People Use Cell Phones to Call the Dead (New Republic)

JUNE 17, 2014

By 

We often fret that we’re too attached to our smartphones or that we let them wield too much influence over our lives. But our reverence for technology is relative. In the remote Ambonwari society of Papua New Guinea, villagers believe that cell phones are extensions of their human owners and can be used to commune with the departed.

Borut Telban, an associate professor of anthropology at the Slovenian Academy of Sciences and Arts, and Daniela Vavrova, an anthropologist at James Cook University in Australia, spent a year embedded in the remote village of Ambonwari in Papua New Guinea, looking at how the locals incorporate new digital technology into their existing cosmologies. They published an early version of their findings online in the Australian Journal of Anthropology.

“For 60,000 years, they had no influence of Western philosophy, no influence of Eastern or Western religion,” says Telban, who has spent years living and working with the Ambonwari as well as other cultures of Papua New Guinea. “They developed their own philosophy of life.” In the 1950s, a Catholic bishop introduced them to Christianity; in 1994, Australian Charismatics brought their brand of Pentecostalism to the village. The Ambonwari adapted elements of each Christian tradition while maintaining many of their own rituals and social structures.

When the mobile phone network provider Digicel began introducing cell phones to the village in 2007, the Ambonwari enthusiastically embraced the new technology. Even though their service was, and remains, sporadicvillagers travel to the hills of nearby towns to try to get a connection, and can rarely scrape together enough credit for a real conversationthey have found other uses for their phones: as watches, torches, music players, and simply toys. “They love playing with the phones,” said Telban. “They’ll look at the screen endlessly.”

The Ambonwari have also incorporated the new technology into their existing systems of thought. They have long been confident in their ability to talk to the dead, believing they can communicate with the world of spirits in dreams, visions, and trances induced by special rituals. The introduction of mobile phones has opened up new possibilities: The Ambonwari believe they can use them to contact their dead relatives, whose numbers they obtain from healers. And once they reach them, they can ask for anything. “It is a general conviction,” write Telban and Vavrova, “that once people know the phone numbers of their deceased relatives they can ring and ask the spirits to put money in their bank accounts.” I asked Telban if the villagers are discouraged that they never get through to the spirit world; he assured me that they’re not. They might assume the spirits aren’t available. And they ring random numbers so often that occasionally they do reach someone, whose voice they attribute to a spirit.

When their calls don’t go through, they don’t blame shoddy service or wrong numbers; they believe the spirits of the dead can interfere with their connections. Telban recalled one instance when an Ambonwari man called Terence died in the nearby province of Madang. Over the course of the next few weeks, several men attempted to call Madang. When they had trouble getting through, they concluded that Terence’s spirit was getting in the way of the phone line.

Better cell phone service would allow villagers to stay in touch with family members who move to other towns, but the prospect of increased connectivity presents risks, too. Telban is concerned about what would happen if the villagers got Internet connection through their phones. “They have no clue about spam,” he said. “They would be tricked immediately into sending money.”

And mobile phonesa prized possessionhave already proved a source of conflict in this traditionally egalitarian society. “Those few who are in possession of a wireless or mobile phone are constantly watched and expected to provide others with both information and goods,” write Telban and Vavrova. And Digicel has unintentionally incited ill will between villages, which compete to host the cell phone towers.

They haven’t had time to develop telephone etiquette have, either. Back in Slovenia, Telban’s phone rings nonstop. “They really love just to ring me,” he said. He never knows who’s calling, since villagers share the phones, and as soon as he answers, the other person hangs up: They don’t have enough credit for an actual conversation. But Telban doesn’t mind. “They are my friends,” he said. “They’re just saying hello.”

Academic article: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/taja.12090/abstract

‘¡Eeeeh p…!’, el grito homofóbico que ‘divierte’ a los fans del futbol (CNN)

De repente alguien se lo gritó al portero, después ya fueron muchos y ahora ha suplido a la tradicional ‘ola’ en los estadios

Por Esmeralda A. Vázquez

Jueves, 27 de febrero de 2014 a las 06:26

La expresión 'puto' es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

La expresión ‘puto’ es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

 Lo más importante
  • El futbol es un modelo de masculinidad para la cultura mexicana
  • Para los especialistas, la palabra ‘puto’ reafirma el lenguaje ‘peladito’ y ‘cantinflesco’ del mexicano
  • Los futbolistas son productos de la cultura mexicana, donde deben sustentar su masculinidad
¿Por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la palabra ‘puto’
Genaro Lozano, politólogo

(CNNMéxico) — En los partidos de futbol de la LigaMX hay elementos que nunca faltan: dos equipos, cuatro árbitros, varios balones, elementos de seguridad, aficionados… y el grito de “¡eeeh puto!” cuando despeja el portero del equipo rival.

El ‘ritual’ es el siguiente: cuando el balón sale por la línea final del campo y lo toma el portero, los aficionados levantan los brazos, agitan las manos y preparan la garganta para gritar en cuanto el jugador del equipo rival despeje el balón. En ese momento se consuma el grito que enseguida provoca risas.

Leer FIFA indaga gritos homófobos de mexicanos en Brasil

“No lo utilizamos de una manera homofóbica. Alguien que es ‘puto’ es una persona que no defiende. Y también tiene la otra referencia hacia los gays, pero en el contexto del estadio es así, alguien sin valor, que no tiene los ‘huevos’ para pelear o para defender”, dijo en entrevista el Punker, integrante de la barra Sangre Azul que apoya al equipo Cruz Azul.

Según el diccionario de la Real Academia Española, esa palabra puede tener dos significados, el primero, “hombre que tiene concúbito con persona de su sexo”, y el segundo, refiere a una expresión que “denota el esfuerzo que se hace para no ser el último o postrero en algo”.

La expresión tiene más que ver con una cuestión del lenguaje que utiliza el mexicano y no con una connotación sexual, considera Carlos Albert, exfutbolista y conductor de televisión. El “pinche” o “chingar”, que supuestamente son malas palabras, añadió, también las conjugamos para bien o para mal, “no lo justifico, pero tampoco diría que es una ofensa para los que tienen una preferencia distinta”.

Pero el politólogo e internacionalista Genaro Lozano piensa lo contrario.

“Esta palabra se ha utilizado para tratar de amedrentar y hacer menos al equipo contrario en el estadio de futbol. Y la justificación que dan quienes la están utilizando es exactamente decir eso: ‘es que no nos estamos refiriendo para nada a la homosexualidad'”, señaló el también analista, quien ha abordado el tema en varios textos de su autoría.

“Si así fuera —que el grito no tiene connotaciones homofóbicas—, ¿por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la otra”, añadió.

Para el sociólogo Miguel Ángel Lara, dicha expresión, en el ambiente futbolístico, es resultado del lenguaje “peladito (vulgar) y cantinflesco” que caracteriza a la cultura del mexicano, que también ha hecho de este deporte un producto de la masculinidad.

“Es un ámbito masculino, donde toda la testosterona sale a flote, pero es una testosterona que no piensa, que no es inteligente, en cambio sí es manipulada, asustada, reprendida y tiene una limitante”, explica el también profesor de la Universidad Iberoamericana.

De acuerdo con la Encuesta Nacional sobre Discriminación en México(Enadis) 2010, 4 de cada 10 personas en México, sin importar el rango de edad (de 12 a 49 años), opinan que la preferencia sexual provoca mucha división entre la gente, además de permanecer como uno de los mayores problemas de intolerancia en el país.

Albert señaló que “alguien, algún día le gritó ‘puto’ al portero y le pareció gracioso, luego ya fueron cinco y después ya fueron muchos y ahora se convirtió así como en la ola en los estadios y de repente en una especie casi de costumbre”.

“La gran dificultad (para controlarlo) es por el arraigo cultural de ciertos estereotipos sobre los cuales se ha construido este deporte, por ejemplo, una visión de un espacio donde no solamente se juega lo deportivo, sino lo masculino”, dijo Ricardo Bucio, presidente del Conapred, en una entrevista para CNNMéxico en 2013.

Armando Navarrete, portero del Puebla de la LigaMX y exguardameta de equipos como América, Necaxa y Atlante, explica que un futbolista está expuesto a todo y que la cancha y en general el estadio, es un espacio de libre expresión y que para eso los aficionados pagan su boleto.

“A mí nunca me ha parecido bien, pero uno como jugador tiene que aguantar. Como portero, si se dan cuenta que fallo me dicen de cosas, pero no me queda más que aguantar y enfocarme en el partido”, dijo en entrevista telefónica.

La idiosincrasia y la figura del machismo, señalaron las fuentes consultadas por CNNMéxico, influyen en el comportamiento de quienes asisten a los estadios y se expresan de esta manera en las tribunas.

“La cultura popular tiene en nuestro país desde hace muchísimos años ese tipo de cuestiones que pueden parecer pintorescas, chistosas. México es el país del albur y del doble sentido. Los mexicanos usamos un idioma y una jerga que a muchos se les hace simpático y eso, que es parte de nuestra idiosincrasia, se refleja también en el futbol”, añade Albert.

Pero Ricardo Bucio, titular del Conapred, piensa distinto. “El grito de ‘puto’ —al igual que los de ‘maricón’, ‘joto’, ‘puñal’, etc.— es expresión de desprecio, de rechazo. (…) Homologa la condición homosexual con cobardía con equívoco. Pero es también una forma de equiparar a los rivales con las mujeres, haciendo de esta equivalencia una forma de ridiculizarlas en un espacio casi exclusivamente masculino”, escribió en un artículo publicado en el portal de dicho Consejo, luego de que México ganara la medalla de oro en los Juegos Olímpicos de Londres 2012.

Los futbolistas “son productos culturales que forman parte de la familia mexicana y de esa educación de: ‘tú eres el hombrecito, los hombres no lloran’. Es un deporte viril, también en los discursos de la televisión es una entrada viril, de ‘¡hombre!’, sobre todo cuando se barren o cabecean”, complementa Miguel Ángel Lara.

En marzo del 2013, la Suprema Corte de Justicia de la Nación (SCJN)determinó que las expresiones “maricones” o “puñal” son ofensas discriminatorias que no pueden ser resguardadas por la libertad de expresión que consagra la Constitución en su artículo sexto, sin embargo, la palabra “puto” no fue incluida.

“Nosotros somos así, nos gusta decir esa palabra y muchas más. Creo que esa palabra no es tan ofensiva”, comenta El Punker, miembro de la barra Sangre Azul.

Robbie Rogers, jugador estadounidense del equipo Los Ángeles Galaxy de la liga de EU; Anton Hysen, futbolista sueco del Utsiktens BK de la tercera división de ese país; Marcus Urban, un alemán que prefirió retirarse tras dar a conocer su homosexualidad, son algunos de los jugadores de soccer que han hecho públicas sus preferencias, además del también alemán Thomas Hitzlsperger, quien reconoció ser homosexual en enero, tras anunciar que se retiraba como profesional.

“El futbolista mexicano que decida ‘salir del clóset’ debe ser consciente de que tendrá que aceptar algún insulto, aunque igual con el tiempo todo se va a calmar”, afirma el portero del Puebla.

Por su parte, El Punker asegura que si esto ocurriera, sería una presión más para el jugador. “Si es del equipo contrario, nos lo acabaríamos, haríamos mucho, mucho folclor de eso. Pero si se trata de un jugador de nuestro equipo, no dejaríamos de decir ‘puto’ (a los rivales), pero al nuestro sí lo defenderíamos”.

“¿Por qué no nos hacemos la pregunta de si algún director técnico estaría dispuesto a que sus jugadores se sumen a una campaña contra la homofobia?, yo creo que ninguno lo haría, porque muchos de ellos utilizan este lenguaje justamente cuando quieren criticar al oponente, les gritan ‘mujercita’, ‘pégale como hombre’. Sus comentarios son homofóbicos, misóginos y sexistas”, afirmó Genaro Lozano.

Apenas el lunes, la Federación Mexicana de Futbol (Femexfut) anunció que en los partidos oficiales de liga, copa y ascenso será implementado el protocolo contra racismo que dicta la FIFA.

Para Lozano, el Conapred debería asumir un papel más protagónico para hacer frente a este tipo de problemáticas. “(Porque) no ha hecho ningún tipo de campañas justamente para combatir la homofobia. Hace falta el respaldo institucional”, concluyó.

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Mexico chief defends use of gay slurs at the World Cup (Goal.com)

By Vaishali Bhardwaj

23 Jun 2014 9:11:00 AM

The chief operating officer of El Tri says that Fifa can do nothing about the slurs that fans have used at the World Cup in Brazil

Mexico chief defends use of gay slurs at the World CupThe chief operating officer of the Mexico national team has defended the use of gay slurs by the country’s fans, saying that nothing can be done about it.

Mexican supporters who have travelled to watch their side compete in the World Cup in Brazil have been heard shouting a derogatory term each time an opposing goalkeeper takes a kick – a common practice in Mexico.

Four days ago, football’s world governing body, Fifa, announced they had begun disciplinary proceedings in response to the chants.

However, the COO of the Mexico team, Héctor González Iñárritu, defended the fans and explained that it was part of the country’s culture.

“The [Mexican] Federation is unable to restrict this expression. We cannot do anything legally or administratively,” he stated.

“It is not aggression – it is something that we’ve had for a long time in the Mexican League and in international matches.

“The people of Brazil were also yelling ‘wh**e’ at Guillermo [Ochoa] and it’s the same. Fifa would have to punish all federations.”

Mexico coach Miguel Herrera backed the use of the slur recently when he said: “We’re with our fans. It’s something they do to pressure the opposing goalkeeper.”

But, Piara Powar – a member of FARE (Football Against Racism in Europe) and the Committee Against Racism – condemned the behaviour.

“The homophobic chants are totally unacceptable. There must be action quickly before it starts to run out of control,” he said.

“Fifa have strong regulations in this regard. Zero tolerance is what is required here.”

Under Fifa’s regulations, supporters could face punishments such as suspensions or expulsions from grounds if they are found guilty of breaching the rules.

“The sporting sanctions are the only effective punishment,” Fifa president Joseph Blatter said.

Mexico World Cup Chants: Diego Luna Condemns Homophobic ‘Puto’ in Soccer (Latino Post)

By Robert Abel

First Posted: Jun 22, 2014 02:24 PM EDT

Diego Luna

Cada Vez nos Despedimos Mejor Press Conference (Photo : Clasos/CON LatinContent Editorial)

Mexican actor Diego Luna is speaking out against homophobic chants during World Cup matches. Fox News Latino reported that the award-winning actor and producer said it is regrettable that homophobic terms like “puto,” a common cry heard at Mexico’s soccer stadiums, are used to insult players during games.

Some say the word means weak or coward and isn’t directed at gays, but it is clearly meant to mock an opponent as weak and unmanly.

“I went to the [2006] World Cup in Germany, and I did hear [that cry],” the actor said in an interview with MVS radio. He said he never joined in because he couldn’t be proud of doing so.

“Soccer is a reflection of what we are in many ways,” he said. “We live in a classist, racist, homophobic society into which we are very assimilated, that’s all. I’m not really proud of that.”

On Thursday, the International Federation of Association Football, or FIFA, opened a disciplinary inquiry into the chants Mexican fans yelled during World Cup games against Cameroon and Brazil.

ESPN told Outsports it will try to prevent the chants from being heard on-air Monday when Mexico plays Croatia. The network says it is sensitive to the chant.

Andres Aradillas-Lopez, an economics professor at Penn State University, was born in Mexico and said he told Outsports the slur disgusts him.

“I heard them during the Cameroon game and also today against Brazil. Every single time the opposing goalie had a goal kick, they chanted [‘puto’],” Lopez said. “The media should make a bigger deal out of this and publicly shame that country and its fans. No other country in the world does this, and it would be unacceptable in any U.S. stadium.”

Mexico national team coach Miguel Herrera didn’t take the chants seriously, saying, “We have nothing to say; we’re with the fans. They do it to put pressure on the other team’s goalkeeper — I don’t think it’s that serious.”

FIFA statutes state that discrimination — by players, coaches or fans — against any country, individual or group for their race, skin color, ethnic origin, nationality, sex, language, religion or other factor is prohibited.

Luna has played LGBT characters in his films, including “Y Tu Mama Tambien” and “Milk.”

LGBT activists have been using the World Cup to draw attention to anti-gay killings that have plagued Brazil. Last year there were 313 anti-gay killings in the country, according to watchdog Grupo Gay de Bahia.

O problema de Benzema, o craque da França que não canta a Marselhesa (Diário do Centro do Mundo)

Postado em 20 jun 2014

por : 

Ele

O melhor em campo na partida em que a França atropelou a Suíça, Karim Benzema perdeu um pênalti, fez dois gols (o segundo não valeu por que o juiz caprichosamente havia apitado o fim da partida), deu duas assistências — e não cantou o hino.

Não é um detalhe. Ele não estava nervoso e atrapalhado. Benzema não entoa a gloriosa “Marselhesa” jamais. “Não é porque eu canto que eu vou marcar três gols. Se eu não cantar a ‘Marselhesa’ e marcar três gols, não acho que no final do jogo alguém vai reclamar. Zidane, por exemplo, não cantava. E há outros. Eu não vejo isso como um problema”, disse ele.

Benzema, como Zidane, seu ídolo e amigo, é filho de imigrantes argelinos e é muçulmano. O silêncio é um protesto a uma letra que fala: “Às armas, cidadãos/ formai vossos batalhões/ marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo”. É duramente criticado por essa atitude. A Frente Nacional, de extrema direita, fundada por Jean Marie Le Pen, o chamou de mercenário desleal e pediu seu banimento. “Ele não vê problema nisso. Bem, o povo francês não veria nenhum problema se ele não estivesse mais no time”.

É uma falácia. Benzema, que também cravou dois contra Honduras na estreia, faz toda a diferença para a França, uma equipe majoritariamente de filhos de imigrantes. Além dele, o time tem Valbuena (descendente de espanhois), Cabaye (de vietnamitas), Matuidi (angolanos), Sagna (senegaleses), Varane (os pais são da Martinica).

Há três anos, o ex-técnico da seleção, Laurent Blanc, chegou a sugerir que se limitasse o número de atletas não-brancos. Blanc queria uma cota de 30% de descendentes de africanos na federação. Para sorte dos franceses, a ideia não foi adiante.

Na Espanha, Benzema costuma ser chamado de “vendedor de kebabs”. “Se marco gol, sou francês. Se não marco, sou árabe”, afirma. Karim Benzema e seus colegas são um problema, sem dúvida, mas para os adversários. E uma lembrança perigosa para o Brasil, cujos jogadores estufam o peito para cantar a capella o ouvirundum.

 

The New Abolitionism (The Nation)

Nas mãos do pajé (OESP)

BARBARA MAISONNAVE ARISI – O ESTADO DE S. PAULO

14 Junho 2014 | 16h 00

Antropóloga picada de cobra na floresta amazônica denuncia a falta de atenção da ‘saúde dos brancos’ com os indígenas

Antropóloga denuncia a falta de atenção da ‘saúde dos brancos’ com os indígenas

Antropóloga denuncia a falta de atenção da ‘saúde dos brancos’ com os indígenas. Jeremy Collins

Quinta-feira, 5 de junho, final de tarde amazônico, o céu alaranjando. Após um dia de filmagem com os índios matis e a equipe de Céline Cousteau, neta de Jacques Cousteau, tomar um banho de rio parece ser o merecido presente para um longo dia ouvindo as trágicas narrativas de mortes e perdas que fazem parte do cotidiano de quem vive na Terra Indígena Vale do Javari, segunda maior área de proteção etnoambiental brasileira.

Desço no rumo do Rio Branco e ela me escolhe. Salta e a flagro ainda em voo, negra, comprida e ainda com o rabo enrodilhado. A dor aterrissa na minha panturrilha. Sinto o veneno entrar na carne, a queimação. Levanto a perna e a cobra fica pendurada, ganho noção de seu peso. Ela me solta e corre. Grito em inglês para o colega da equipe que caminhava à frente: “snake bite”. E em matis: “dunu peax”, a cobra picou.

Aperto minha perna e correm dois fios de sangue. Meu irmão adotivo indígena Tëpi me segura e vamos para a casa de madeira serrada que abriga a farmácia da aldeia Tawaya. Entro e o enfermeiro está arrumando a maca estropiada onde costuma fazer atendimento ambulatorial dos indígenas. Felipe Machado começou a trabalhar no Javari em janeiro, antes estava na área ticuna. “Vamos que vamos, amigo, você vai me salvar”, digo. “É meu primeiro acidente ofídico, mas eu conheço o protocolo”, responde ele.

Prepara o antianafilático, enquanto a técnica dissolve a ampola de antiofídico liofilizado. Já vi quatro acidentes assim. Sempre carreguei o soro produzido na Colômbia cuja importação é proibida pela Anvisa. No Brasil, temos soros que precisam de geladeira para serem armazenados. Quem se salva com soro quase sempre usa o colombiano.

Estou a 14 horas da cidade de Atalaia do Norte. Um menino do povo marubo, vítima de acidente ofídico como eu, teve a perna amputada neste ano. Mesmo ateia, rezo uma ave-maria e, na hora do “nossa morte”, arremedo “que não vai ser hoje, não”.

Chega o ancião matis Binan Chapu Chunu, herborista e conhecedor de tratamentos para cobras, um de meus professores e interlocutor de minha tese. Ele me olha tranquilo e pergunta se tenho dor de cabeça, se meu pé dói, se vomitei. Felipe começa a aplicar o soro e Binan Chapu se oferece para chupar a picada e sugar para cuspir o veneno. Recebo hidrocortisona. A comunicação por rádio UHF não opera depois das 18 horas, mas Felipe consegue informar Magna Nobre, técnica da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Magna é sobrevivente da queda da aeronave que, em 2009, levava a equipe de vacinação de Cruzeiro do Sul (AC) para Tabatinga (AM). Ela e os colegas passaram a noite na floresta e, graças a Txema Matis (ancião que caçava quando percebeu um motor de avião silenciar durante o voo), foram achados no dia seguinte. Ela retornava: “Barbara? A antropóloga?”. Consultou o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena, Jean Heródoto Salles, e informou que remoção por helicóptero era só para indígenas. Felipe, incrédulo, questionava: “E se fosse da equipe da saúde?”.

O gerador para de funcionar e acendemos três velas. Alguns matis e um piloto da equipe de saúde partem para a aldeia Bokwat-Paraíso, para buscar outra ampola de soro. O enfermeiro pendura sua rede perto da minha maca e, a cada tanto, confere meus sinais vitais. Às 23h, chega a canoa com motor peque-peque, e aplicamos mais uma ampola. “Calma, não acelera o coração.” Na parede, move-se uma caranguejeira. Seguro a bolsa de soro enquanto Felipe mata a aranha com um pau de vassoura.

Às 7h, transportam-me na rede até a baleeira com motor de 200 HP. Vamos pelo Rio Branco, desembocamos no Rio Itacoaí e às 17 horas chegamos à base de vigilância da Funai. O enfermeiro de lá me avalia e descemos pelo Rio Javari no rumo de Atalaia do Norte. Chegamos à balsa flutuante na sexta às 20h30, perto de um hospital. Mas não há médicos no plantão. Não é surpresa para mim. Em 2011, escrevi com a médica Deise Francisco e o antropólogo Pedro Cesarino, a pedido do Instituto Socioambiental e do Centro de Trabalho Indigenista, um diagnóstico sobre o Javari com recomendações para uma política de saúde indígena na região. Agora vivia a vulnerabilidade de uma emergência, com precários recursos, falta de controle social e o descaso.

O coordenador da regional da Funai, Bruno Pereira, dirige mais 25 km até Benjamin Constant por uma péssima estrada. Chegamos ao hospital geral, onde sou atendida por um médico que administra mais cinco ampolas de soro antiofídico e entra com antibióticos. Muitos doutores que atendem lá são da Colômbia, Peru e Bolívia, pois não há médicos brasileiros que se candidatem a essas vagas. Esses doutores não têm registro no CRM e não podem “referenciar” pacientes para prosseguir tratamento em outros hospitais ou prescrever medicações. Como eles, enfermeiros, técnicos e auxiliares são terceirizados, não possuem plano de carreira nem direitos trabalhistas.

Fico hospitalizada dois dias. Assino um documento em que me responsabilizo por optar sair do hospital. Argumento que busco melhor atendimento e a proximidade da família. De Benjamin, barco catraia para Tabatinga. De lá, voamos para Manaus. A equipe segue para os EUA e eu para Cumbica. Chove em Foz do Iguaçu e o aeroporto está fechado. Estou há mais de 24 horas sem antibióticos. Penso em buscar atendimento em São Paulo, mas há greve de metrô e o trânsito está caótico. Meu voo é anunciado. Tenho 38° de febre quando me apresento novamente no hospital, onde conto essa longa história e faço a notificação nacional de ataque de animal peçonhento. Entrarei na triste estatística de 20% de mulheres que sofrem esse tipo de acidente.

Cobras só atacam quando alguém manda. O aparecimento da aranha na mesma noite comprova que os animais que têm “xó” (poder xamânico) andavam à minha espreita. Como vivi depois de uma “quase morte”, agora o “dunu tsussin” (força desencorporada da cobra) vai me ensinar e posso seguir estudando para ser pajé. O caminho é longo, mas certamente menor do que lutar por uma mudança do governo quanto à saúde dos povos indígenas e daqueles que, como o enfermeiro Felipe e eu, trabalham com eles na Amazônia. Como pesquisadora, continuarei a caminhar pela floresta no Vale do Javari. Melhor contar com a força e o espírito da jararaca. A saúde dos brancos pelo jeito nunca será solução.

Bárbara Maisonnave Arisi é antropóloga e professora de Etnologia Indígena na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)

Deep in the Amazon, an Isolated Village Tunes In to the World Cup (New York Times)

MANAUS, Brazil — The PP Maués would not set sail for an hour, but its long and narrow decks were already crisscrossed with hammocks for an overnight trip down the Amazon.

By the time it was to dock early last Monday at the regional port for which it was named, the Maués would have traveled 15 hours from the nearest World Cup stadium.

A second boat would be needed to reach an even more remote indigenous village that planned to watch Brazil play Mexico last Tuesday. The village did not have electricity or cellphone signals and would rely on a diesel generator to indulge its secluded passion for soccer.

While Rio de Janeiro and its famous beaches provide the touristic backdrop of the World Cup, the fevered grip of the world’s most popular sporting event can be felt even in some of the most isolated areas of the rain forest, where outsiders seldom visit.

“Football is in our blood,” said Andre Pereira da Silva, 32, the chief of a small community of Sateré-Mawé Indians in Manaus, the largest city in the Amazon, who served as a guide. The intended destination was his home village, Monte Salém, one of an estimated 150 Sateré-Mawé (pronounced sah-teh-RAY mah-WAY) communities of about 11,000 residents along the lower Amazon.

The decks of the PP Maués were crisscrossed with hammocks for an overnight trip down the Amazon.CreditMauricio Lima for The New York Times

“Wait until you see it,” Pereira da Silva said. “You will feel you are in the middle of the stars.”

As a boy in Monte Salém, he made soccer balls with the sap of rubber trees, using a stick to shape the latex into an improvised if sometimes uncontrollable sphere.

“Ten trees for one ball,” he said, sitting in the boat’s tiny dining room Sunday with his young son, his own thick hair tied in a ponytail. “The problem was, it bounced too much.”

On the passenger boat’s upper deck, the sentimental romance of Brega music played from two huge speakers. More than 300 customers were aboard a ship half the length of a football field. Children played among the hammocks and the luggage or peered over the rails. Some passengers transported used televisions or flat screens still in their boxes. In the aft of the boat, a new washing machine and refrigerator were lashed together, as if exposed as stowaways.

Most passengers lay in their hammocks, sleeping, reading, or listening to music and playing games on smartphones. Some watched on tiny green screens as Lionel Messi and Argentina opened their World Cup against Bosnia and Herzegovina.

The game was also showing on a small, staticky television in the boat’s galley. Two men sat on backless chairs. Two more peered in the doorway as a cook made gelatinous soup from orzo, meat and carrots.

“Messi’s slow tonight,” Rodrigo Xavier, 26, said. “He’s not playing well.

Xavier, a Brazil fan, drew great pleasure from this.

Minutes later, Messi passed the ball and retrieved it on a give-and-go. He skimmed the top of the penalty area, dribbling past two defenders who collided and fell behind him. Given wide space, he ricocheted a shot off the left goal post and into the net. Xavier smiled. This was why Messi was widely considered the best player in the world. Even a Brazilian had to admit his appreciation.

Abruptly, the kitchen cleared. The boat had no satellite dish, and the TV’s antennas lost contact with the signal from Manaus. Paulo José, the ship’s owner, was left to eat in silence. He did not seem to mind.

“I don’t like football at all,” José said. “I’m different from most of the men.”

A nearly full moon appeared, sending a column of light rippling toward the boat. A man pointed his flashlight at the water’s edge, searching for caimans and their cigarette eyes. The stars seemed as white and near as the blossoms that hung from trees like scoops of ice cream.

MONDAY DAWNED COOL and overcast. Lightning flashed on the horizon. The rain came, and rolls of blue plastic were unfurled along the sides of the decks to keep passengers dry.

“It’s raining because the English are here” at the World Cup, Pereira da Silva said with a laugh.

Passengers disembarked the Maués after a 15-hour overnight trip down the Amazon.Credit Mauricio Lima for The New York Times

By 8 a.m., only a drizzle remained as the boat reached Maués, a small regional port where a caffeine-rich plant called guaraná is manufactured for use in sodas, energy drinks and herbal teas. Firecrackers greeted the ship’s arrival. Fishermen paddled canoes toward market, their foam coolers full of prized fish with striped tails.

On streets above the docks, Brazil flags fluttered from an armada of motorcycles. The most deft or careless of the bikers steered with one hand and held an open umbrella in the other. Shops sold soccer balls, hats, plastic trumpets and jerseys of Neymar, the young Brazilian star forward. Even a kitten wore a necklace in Brazil’s colors, yellow and green.

Some men wore jerseys of the big Brazilian club teams — Flamengo and Vasco da Gama — allegiances built in the 1950s and 1960s, when the only radio signal that reached Maués came from Rio, more than 1,600 miles away.

A few teenagers were spotted wearing their own versions of Neymar’s distinct Mohawk mullet, which he sometimes dyes blond.

Neymar scored twice in Brazil’s opener against Croatia, but Pereira da Silva was not certain that Neymar was ready for the World Cup.

“He needs more experience; he needs to fight a little more,” he said. “He’s only interested in his gold hair. That’s the story of footballers today. They want to be good-looking.”

He carried a large sack of clothes to give to the chief of Monte Salém or trade for seeds to make necklaces and bracelets. He was to meet his mother and father in Maués and then travel together to the family’s ancestral village. At least that was the plan. Now there was a problem. The generator in Monte Salém was broken.

“Argentina,” Pereira da Silva said wryly, finding a convenient scapegoat. “Argentina breaks everything.”

After a breakfast of soup and hot sauce, he found another village with a working generator. It was called Nova Belo Horizonte. The trip would take 75 minutes by power boat from Maués. In midafternoon Monday, the equatorial heat was stifling, but Pereira da Silva’s parents yelled, “Waku sese” as the boat reached the village. Everything is really good.

Nova Belo Horizonte is home to 22 families, most of them living in wooden houses with thatched roofs. A rudimentary soccer field, with wood goal posts and no nets, has been cleared of stones and tamped flat amid the surrounding groves of guaraná, pineapples, oranges, bananas, peppers and the staple root called manioc.

For the first time, men’s and women’s teams from the village are participating in an area tournament of Brazil’s Indigenous Games. An important men’s match is scheduled for Sunday. The winner of the tournament will receive $1,500, which could readily be used in a village that, like other indigenous communities, has tried to protect traditional lands from encroaching development and perceived government indifference.

Health care is distant and inadequate, village elders said. There is no radio contact with the hub Maués, four or five hours away on the most common type of boat. Cellphones do not work.

The front steps of the school have crumbled, and the ceiling leaks. Classes for older students in Nova Belo Horizonte cannot be held at night during the World Cup, villagers said, because area government officials seem to be on holiday. Only a portion of the diesel needed to fuel the community generator had been provided.

“They only want our votes,” said Pereira da Silva’s father, Luiz Sateré, 56, a community coordinator for the Sateré-Mawé. “It’s the only thing that matters.

Sateré-Mawé Indians playing soccer in the Nova Belo Horizonte village. Credit Mauricio Lima for The New York Times

Yet even if spending on World Cup stadiums seemed wasteful in a country with so many needs, it was important that the tournament returned to Brazil for the first time since 1950, said Reginaldo da Silva Andrade, 27, the chief of Nova Belo Horizonte.

“Brazilian people are the ones who love and watch the game the most in the world,” da Silva Andrade said.

IN NOVA BELO HORIZONTE, soccer serves many purposes: fun, fitness, conflict avoidance and a diversion from alcohol and drugs. It also provides a chance to socialize with other river villages. Teams travel by boat, and tournaments are often accompanied by festivals.

More important than the money available in the Indigenous Games, da Silva Andrade said, is a chance to “show people on the outside that we are capable of doing this.” He added: “We are realizing our dreams. People think we can’t play. We’ve got to show them.”

On Tuesday, when Brazil played Mexico, all classes were canceled in Nova Belo Horizonte. It will be the same every time Brazil plays. At sunrise, women in the village began hauling water from the well, carrying buckets on their heads. Soon, children kicked around a soccer ball. Some stood in the goal wearing flip-flops on their hands to cushion the heaviness of the shots.

Two small boys played with a ball made from plastic bags, paper and a sleeveless T-shirt. One kicked the ball past the other and yelled, “Goooooooal!” The generator rumbled on to test the television at the chief’s home. The TV kept going on and off.

It is a widely repeated story that soccer came to Brazil in the late 1890s when a man named Charles Miller returned from schooling in England with two balls in his suitcase.

But Pareci Indians earlier made balls from the latex of rubber trees and played a game called zicunati, which permitted only heading, according to “Futebol: The Brazilian Way of Life,” a book by the British writer Alex Bellos.

An Indian nicknamed Indio helped Brazil qualify for the 1958 World Cup, the tournament that introduced Pelé to the world, Bellos wrote. In the late 1990s, José Sátiro do Nascimento, a defender who sometimes used coconuts for balls as a boy, became the first Indian to make one of Brazil’s top club teams, Corinthians of São Paulo. In 2009, a professional team of indigenous players was formed in the state of Pará.

Among the Sateré-Mawé, female players are welcomed, which is not always the case in the broader macho culture of Latin American soccer. One women’s team in Manaus, the capital of Amazonas state, carries the name of the initiation ritual in which boys in the tribe become men after being repeatedly stung by venomous ants.

When Brazil played Croatia in the World Cup opener, Janildzes Michiles, 28, said, she took written notes, concentrating on the defensive work of the mop-haired star David Luiz.

“It is a way to show women can do the same as men,” Michiles said.

On Monday night, while the generator in Nova Belo Horizonte ran for a couple of hours, Michiles watched the United States defeat Ghana, 2-1. Ghana seemed to play better, applying more consistent pressure, she said.

“The Americans ran hard for the ball, but they have to get faster,” she said. “They looked slow.”

Sateré-Mawé Indians in the Nova Belo Horizonte village watch the Brazil-Mexico match.Credit Mauricio Lima for The New York Times

EARLY TUESDAY AFTERNOON, Nova Belo Horizonte hosted men and women from a nearby village, Brasileia, for two pickup matches. The visitors traveled in boats decorated with green and yellow streamers and announced their arrival by blowing whistles.

Both the women and the men from Brasileia prevailed by 3-1 scores in wilting heat. After Rariani da Silva Andrade finished the women’s game for the visitors, she lent her right shoe to her husband, Isaías Oliveira Gomes, whose left foot remained bare.

“He has an injured toe,” she explained.

Friendly defeat for Nova Belo Horizonte did not dampen enthusiasm for Brazil’s World Cup match against Mexico. Some villagers watched from their own homes. About 20 spectators gathered in the outdoor kitchen of the community chief. A few wore festive crowns made from palm fronds. Chicken stew and a crunchy flour called farinha were prepared. Eleven minutes into the match, the television clicked on.

“We will watch and learn,” said da Silva Andrade, the village chief.

Neymar soon threatened with a header, but Guillermo Ochoa, Mexico’s goalkeeper, dived and pushed the shot wide. At halftime, the match remained scoreless.

“I’ll be playing for Brazil in the second half,” da Silva Andrade joked.

When the game started again, Ochoa remained impenetrable. He deflected the ball with his hands and his thigh. His positioning and anticipation and reaction were impeccable. The villagers in Nova Belo Horizonte grew nervous, frustrated.

A pet parrot began to squawk at the anxious voices. One woman held tightly to her lucky beads. Michiles, the women’s player, hid her face behind three palm fronds. In the final minute of regulation, the score remained 0-0. Then the television went out.

It came back on briefly, then failed again as the game extended into three minutes of added time.

“The TV is angry with Brazil,” joked Pereira da Silva, the village chief and guide from Manaus.

Again and again, the screen flickered on, then went blank.

“The TV is scared,” said another villager, Geovani Miranda, laughing.

The screen went dark another time. When the picture returned, Luiz Felipe Scolari, Brazil’s coach, was giving a postgame interview. For a few seconds, there was confusion in Nova Belo Horizonte. Then came confirmation. The final score was 0-0 on an afternoon of intrigue and missed opportunity.

When Pelé appeared on the screen to give his analysis, the TV again went off. It was just as well.

“I don’t want to hear any apologies; I don’t want to hear how it would be different if Pelé was playing,” Pereira da Silva said, the humor gone from his voice. “Even the TV doesn’t want to hear him.”

It could have been worse. At least Brazil had not lost. In Nova Belo Horizonte, the home team remained favored to win the World Cup.

“Brazil is a fighter,” said Luiz Sateré, Pereira da Silva’s father, who wore a Neymar jersey. “Brazil is a warrior.”

Rotas alternativas (Fapesp)

Esforço de pesquisa para substituir o uso de animais em testes começa a mostrar resultados

FABRÍCIO MARQUES | Edição 220 – Junho de 2014

Pele cultivada artificialmente por pesquisadores da USP : objetivo é criar kit comercial para testes de cosméticos

Ganha musculatura no país uma articulação entre laboratórios públicos, grupos de pesquisa e órgãos governamentais para reduzir ou substituir o uso de animais em testes de segurança e eficácia de produtos. O esforço foi deflagrado em 2012, com a criação pelo governo federal da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama) e o lançamento de uma chamada de projetos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que contemplou 10 projetos de pesquisa no âmbito da Renama. Todos estão em andamento e têm focos diversos, como a produção de kits de pele artificial para testes de sensibilidade de cosméticos, estudos com larvas capazes de substituir mamíferos em exames de toxicidade ou a redução do número de roedores no controle de qualidade de vacinas. Três laboratórios fazem parte do núcleo central da Renama. Um deles é o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas. Os outros ficam no Rio de Janeiro: o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), vinculado à Fundação Oswaldo Cruz, e o  Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Em março, essa estrutura ainda em fase de consolidação foi desafiada a cumprir uma meta ambiciosa: dar suporte para a substituição progressiva, nos próximos cinco anos, do uso de animais em testes, sempre que existir uma alternativa validada. Para novos métodos ainda não validados, esse processo envolverá o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam) e toda a estrutura da Renama. A substituição foi decidida pelo Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea), instituição colegiada vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável desde 2009 por estabelecer normas para a experimentação animal no Brasil e substituir animais para propósitos científicos e didáticos quando existirem recursos alternativos. Em maio, o Concea recebeu do Bracvam a primeira recomendação de métodos alternativos já validados e aceitos internacionalmente. São 17 técnicas, que envolvem sensibilidade cutânea, potencial de irritação e corrosão ocular e toxicidade. “A resolução permitirá que o país efetivamente adote métodos alternativos em testes de agrotóxicos, cosméticos e medicamentos”, diz o coordenador do Concea, José Mauro Granjeiro.

O maior potencial para a substituição de animais por métodos alternativos não está nas pesquisas científicas de cunho acadêmico, mas sim nos testes exigidos pelas agências regulatórias para garantir a segurança e a eficácia de produtos. “Os experimentos com animais feitos para averiguar hipóteses científicas são idealizados de forma independente pelos pesquisadores: cada um tem a sua pergunta específica e idealiza um conjunto peculiar de experimentos para respondê-la. Portanto, é muito mais difícil padronizá-los”, explica Eduardo Pagani, pesquisador e gerente de desenvolvimento de fármacos do LNBio. “Já os testes exigidos por agências do mundo inteiro para cosméticos e outros produtos são sempre feitos de acordo com métodos padronizados. Neles, há mais espaço para propor alternativas que não usem animais”, observa. A exigência dos testes in vivo para registro de medicamentos e cosméticos começou na década de 1960, após o conhecido acidente com a substância talidomida. O medicamento foi vendido no mundo todo com a indicação de combater o enjoo em grávidas. Milhares de mães que usaram o remédio tiveram filhos com deformações. Já o movimento para substituir os modelos animais por métodos alternativos ganhou força em 2003, quando a Europa propôs o banimento do uso em testes de cosméticos, e demorou duas décadas para ser implementado.

Produção de pele artificial pelo grupo da professora Silvya Stuchi-Maria Engler, da USP

Os projetos sobre métodos alternativos apoiados pelo MCTI em 2012 foram divididos em duas vertentes. Numa delas, a meta foi identificar grupos que já trabalhavam com métodos alternativos e apoiar estudos realizados por eles. Nove projetos de grupos de São Paulo, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram selecionados. Uma segunda vertente tinha foco específico: desenvolver competência no Brasil para produzir em escala industrialkits de pele humana cultivada, utilizados pela indústria de cosméticos para testes de segurança de seus produtos, mas cuja importação se tornou um problema no Brasil. Acontece que os kits com células vivas deterioram em poucos dias e a demora nos trâmites alfandegários frequentemente inviabiliza sua aquisição – o que leva as indústrias a realizar tais testes no exterior.

O projeto contemplado foi o de um grupo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, liderado por Silvya Stuchi-Maria Engler, que começou a produzir pele artificial em meados dos anos 2000, com apoio da FAPESP (ver Pesquisa FAPESP nº 166). Produzida a partir de células retiradas de doadores, a pele reproduz os mesmos tecidos biológicos da humana e pode ser utilizada para avaliar a toxicidade e a eficácia de novos compostos para fármacos e produtos cosméticos. Originalmente, a pesquisa sobre pele cultivada buscava dar suporte a outra linha de investigação em que Silvya está envolvida: o estudo de moléculas capazes de deter o melanoma, tumor de pele muito agressivo. “Logo percebemos que a pele poderia ajudar as empresas”, afirma. “Oskits são uma alternativa para testes de cosméticos, mas é bom lembrar que o uso de animais segue imprescindível, por exemplo, em testes para o desenvolvimento de medicamentos”, observa Silvya.

O Instituto Butantan, com sua vocação para desenvolver e produzir soros e vacinas, vem diminuindo a quantidade de animais, como camundongos e cobaias, utilizados para o controle de qualidade. Esse esforço já levou, entre outros avanços, à redução em mais de 60% do uso de camundongos em testes de qualidade da vacina recombinante contra a hepatite B, graças à criação de um teste imunoenzimático com funções equivalentes. O trabalho do instituto habilitou-o a apresentar um projeto no edital da Renama, envolvendo vários métodos alternativos para controle de qualidade de vacinas e soros. Numa das frentes de pesquisa, o objetivo é reduzir o número de animais nos testes em lotes da vacina de difteria e tétano, com a adoção de um ensaio in vitro para detectar a atividade imunogênica. Em outra, a meta é substituir ensaios em cobaias por ensaios em células no controle da anatoxina diftérica – toxina da difteria que mantém atividade imunogênica, embora não seja mais tóxica. Um terceiro foco é a adaptação para vacinas produzidas pelo instituto de um kit que substitui o uso de coelhos em testes de pirogênios, contaminantes que causam febre e podem ser oriundos de microrganismos ou aglomerados proteicos. Em quarto lugar, procura-se reduzir o uso de camundongos na sorologia para vacina de coqueluche – a ideia é utilizar para a doença os mesmos animais usados para dosar anticorpos contra difteria e tétano. A redução do número é sensível: de 170 animais por lote de vacina para apenas seis cobaias.

Por fim, o Butantan já está obtendo êxito em uma técnica com potencial para substituir o uso de camundongos por um ensaio imunoenzimático numa etapa da produção da vacina contra a raiva. “A redução e a substituição de animais é um caminho sem volta”, diz o químico Wagner Quintilio, pesquisador do Butantan responsável pelo projeto. “Existe a pressão da sociedade e dos comitês de ética em pesquisa, que não permitem o uso exagerado de animais. Há também a pressão econômica. Criar os animais em condições adequadas custa caro e ocupa muito espaço”, afirma.

Pele artificial

Já o projeto do grupo liderado pela micologista Maria José Giannini, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), prevê a criação do Centro para o Desenvolvimento e Validação de Métodos Alternativos (Cedevam), a fim de criar e testar técnicas que reduzam o uso de animais. Maria José é supervisora da pós-doutoranda Liliana Scorzoni, responsável por uma pesquisa sobre modelos capazes de substituir mamíferos por outros organismos em testes de virulência de micróbios e a eficácia de drogas. O front mais adiantado é o do Galleria mellonella, espécie de inseto lepidóptero, cuja larva é útil para verificar a atividade de determinadas substâncias. “É de fácil manuseio e pode minimizar o uso de animais”, diz Maria José, que também é membro do Conselho Superior da FAPESP. “A larva tem células semelhantes às do sistema imunológico. Quando se injeta uma substância tóxica, ela reage e escurece”, afirma. A expectativa é de que o Galleria substitua outros animais, como ratos e camundongos, em pelo menos alguma etapa dos testes de toxicidade e virulência.

Outro modelo alternativo na mira do grupo da Unesp é o C. elegans, nematódeo de um milímetro de comprimento sensível à infecção por bactérias e fungos patógenos. “Tem um sistema imune para o reconhecimento e a eliminação de patógenos com alta semelhança ao dos vertebrados. Além disso, seu genoma foi completamente sequenciado, o que ainda não é o caso do Galleria”, afirma Maria José. Os dois modelos estão sendo testados para avaliar a virulência de fungos Paracoccidioides, endêmicos na América Latina. Outros modelos, como o do peixe zebrafish, serão testados. Em 2010, a Pró-reitoria de Pesquisa da Unesp, cuja titular é a professora Maria José, organizou em São Paulo um fórum internacional para discutir alternativas a testes de toxicidade com animais, que trouxe autoridades como Thomas Hartung, diretor do Centro de Alternativas aos Testes em Animais, da Universidade Johns Hopkins. “A busca de modelos alternativos é importante também para desenvolver métodos mais eficientes. Modelos animais têm limitações e, às vezes, não são suficientes para garantir a segurança, como se pode ver com medicamentos aprovados que acabam retirados do mercado”, diz Maria José.

A decisão do Concea de impulsionar o reconhecimento de métodos alternativos validados foi uma resposta a uma petição da organização não governamental Humane Society International, que reivindicava o banimento de ensaios em animais para cosméticos. No estado de São Paulo, ensaios em animais para cosméticos estão proibidos por uma lei estadual sancionada em janeiro de 2014. O Concea, que não aceitou o pedido, entendeu que acelerar a implantação de técnicas alternativas promoverá maior redução no uso de animais que apenas a proibição exclusiva do uso de animais para análise de cosméticos, já que praticamente não se usam mais animais para este fim. “O banimento completo colocaria em xeque a segurança da população”, diz o médico e biofísico Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-coordenador do Concea. “Ele pode inviabilizar o desenvolvimento de cosméticos com ingredientes novos ou moléculas descobertas na nossa biodiversidade que contenham contaminantes desconhecidos”, afirma. Luiz Henrique do Canto Pereira, coordenador-geral de biotecnologia e saúde do MCTI, afirma que o banimento poderia prejudicar a estratégia definida pelo MCTI de substituir, reduzir e refinar o uso de animais em testes sempre que isso for possível. “A campanha pelo banimento atropela o esforço que estamos fazendo desde 2011, quando começamos a conceber essa iniciativa, para organizar no país uma rede estruturada, capaz de validar e disseminar de forma mais ampla os métodos alternativos, incluindo não apenas cosméticos mas também fármacos e agrotóxicos”, afirma. “Mesmo na Europa há salvaguardas que permitem a realização de testes se houver riscos à saúde da população.”

Zebrafish e Galleria mellonella, cuja larva pode substituir animais em testes de toxicidade: modelos alternativos

Há quem veja certo açodamento no prazo de cinco anos para a substituição estipulado pelo Concea. “Começamos recentemente a investir no desenvolvimento de métodos alternativos aqui no Brasil e agora corremos o risco de morrer na praia se não tivermos resultados imediatos”, diz Maria José Giannini, da Unesp. “As empresas, pressionadas pelo prazo, poderão importar técnicas em vez de usar aexpertise nacional. Isso já acontece hoje. Empresas de cosméticos afirmam que não fazem testes com animais no Brasil. Mas fazem em outros países, para garantir a segurança dos produtos”, explica.

A expectativa de Octavio Presgrave, coordenador do Bracvam, é de que práticas aceitas internacionalmente tenham aprovação rápida. “Para a validação interna será necessário demonstrar que os registros já obtidos no exterior se reproduzem em testes feitos nos nossos laboratórios”, afirma Presgrave, que é pesquisador do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). Segundo ele, o prazo de cinco anos é factível. “É tempo suficiente para que as empresas e laboratórios se adaptem”, diz. Em outros casos, o trabalho do Bracvam será mais demorado. É o caso, por exemplo, do protocolo Het-Cam, que busca substituir o uso de coelhos por uma membrana do ovo de galinha na identificação de compostos corrosivos ou muito irritantes. O método, criado na Europa em 1985, é aceito apenas como pré-teste na França e na Alemanha. O processo do Het-Cam será o primeiro estudo de validação no Brasil seguindo preceitos internacionais, afirma Presgrave. “Quando deixamos de usar animal num teste, há um ganho ético importante. Mas um novo método também significa criar conhecimento. Desenvolvemos inovações na busca de métodos mais fidedignos e sensíveis”, afirma.

Em outra frente para reduzir o uso de animais em testes de laboratório, o LNBio recebeu recursos do MCTI para criar um núcleo de testes in silico, para reduzir o uso de animais na pesquisa de medicamentos. In silico refere-se ao silício utilizado em circuitos integrados e significa “em computador”. Essa expressão foi criada em analogia às expressões in vivo e in vitro, utilizadas há bastante tempo. Testes in silicoenvolvem simulações em computador para avaliar, por exemplo, se moléculas candidatas a novos medicamentos têm realmente essa vocação. “O computador pode comparar a estrutura da molécula candidata com a de outras já testadas e cujas características estão armazenadas em bancos de dados para definir se vale a pena prosseguir com seu desenvolvimento”, diz Eduardo Pagani, do LNBio. Estes testes também podem ajudar a avaliar se uma determinada molécula, mesmo com potencial, tem mesmo chances de ser absorvida pelo organismo se administrada, por via oral. Estimativas clássicas dão conta de que de 5 mil a 10 mil moléculas são inicialmente avaliadas para potencial atividade em um alvo; 250 são sintetizadas e iniciam testes em animais; cinco iniciam os testes clínicos em humanos e apenas uma chega ao mercado como medicamento. “A ideia dos testes in silico é diminuir ainda mais o número de substâncias que são submetidas a testes em animais pela eliminação rápida daquelas que se mostrarem inviáveis. Trata-se de um filtro que evita o desperdício de tempo, recursos financeiros e principalmente o uso injustificável de animal em projetos previsivelmente destinados ao fracasso.”

Cultura de células para o ensaio de citotoxicidade para anatoxina diftérica que substitui o uso de cobaias no controle de qualidade da vacina contra difteria

O LNBio divulgou no mês passado os resultados de um edital que franqueou a empresas, institutos de pesquisa e universidades a possibilidade de realizar testes in silico no laboratório. Foram recebidas 19 propostas de sete empresas. “Todas foram aprovadas e, nos próximos meses, vamos iniciar os testes”, diz Tiago Sobreira, pesquisador de bioinformática do LNBio responsável pela parte operacional dos testes in silico. As empresas manifestaram o interesse de participar da chamada e agora negociarão os termos dessa participação, que inclui a proteção de segredos industriais. Entre os contemplados estão laboratórios, como Farmanguinhos, Cristália e Eurofarma, e indústrias de cosméticos, como Boticário e Natura. “Quem desenvolve fármacos diz que demora 15 anos e custa R$ 1 bilhão para colocar um produto no mercado. O Brasil tem um déficit comercial farmacêutico de R$ 6 bilhões por ano. Precisamos gerar um esforço público para os brasileiros desenvolverem remédios aqui”, diz Pagani.

A implementação de métodos alternativos depende da existência de laboratórios reconhecidos nas chamadas boas práticas de laboratório (BPL), mas eles ainda são poucos no Brasil. “As boas práticas contribuem para a rastreabilidade e, portanto, para a confiança no estudo realizado. A confiabilidade dos métodos alternativos também será garantida pela realização de comparações entre os laboratórios da Renama”, diz o coordenador do Concea, José Mauro Granjeiro, responsável por essa área no Inmetro. Recentemente, o Inmetro coordenou uma comparação entre cinco laboratórios da rede, com apoio de uma consultoria internacional com experiência – Centro Europeu para Validação de Métodos Alternativos (Ecvam, na sigla em inglês) –, cujos resultados estão sendo analisados.

A ampliação dos estudos sobre métodos alternativos dependerá de um reforço no financiamento aos grupos de pesquisa envolvidos, observa Luiz Henrique Canto, do MCTI. “Conseguimos desenhar uma estrutura e começamos a avançar e o MCTI vem envidando todos os esforços, inclusive buscando apoio no Congresso por meio de emendas parlamentares, para o fortalecimento da Renama. Acreditamos que essa iniciativa poderá beneficiar em muito o desenvolvimento científico e tecnológico do país na área das ciências da vida”, afirma.

Grupos judaicos protestam contra Prêmio Adorno para filósofa crítica de Israel (DW)

11.09.2012

Detratores atacam escolha de filósofa e ativista política Judith Butler para importante prêmio cultural alemão. Condenação da filósofa de origem judaica à política do Estado de Israel é equiparada a antissemitismo.

Filósofa norte-americana Judith ButlerFilósofa norte-americana Judith Butler

O anúncio da cidade de Frankfurt, em maio último, de que Judith Butler receberia o Prêmio Theodor W. Adorno por sua contribuição extraordinária ao pensamento filosófico, desencadeou uma guerra de palavras especialmente violenta entre a pensadora e seus críticos.

Professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade de Berkeley, Califórnia, Butler é conhecida sobretudo por suas obras sobre teorias queer e dos gêneros, entre as quais Gender trouble: Feminism and the subversion of identity (1990) e Undoing gender (2004).

Mais recentemente, ela ganhou destaque como ativista política e crítica da política de Israel no Oriente Médio. Butler é adepta veemente do movimento Boycott, Divestment and Sanctions (BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende medidas não punitivas contra o Estado israelense.

“Judia de álibi”

Concedida a cada três anos, a distinção que traz o nome do filósofo e teórico alemão Theodor W. Adorno premia desempenhos extraordinários nos campos da música, literatura, filosofia e cinema.

Bandeira israelense em Jerusalém. Ao fundo, cúpula da Mesquita da RochaBandeira israelense em Jerusalém. Ao fundo, cúpula da Mesquita da Rocha

Em seguida à escolha de Judith Butler em 31 de maio último, membros da comunidade judaica, acadêmicos e articulistas reagiram com um longo e corrosivo ataque publicado no jornalJerusalem Post, condenando em especial o apoio da autora ao BDS.

Gerald Steinberg, docente de Ciência Política na Universidade Bar-Ilan, em Ramat Gan, definiu a campanha do BDS como “a acepção moderna do antissemitismo”. “Butler é uma de um ínfimo número de ‘judeus de álibi’, usados para legitimar a guerra continuada contra Israel, seguindo uma obscura prática empregada durante séculos na diáspora”, afirmou.

Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, deplorou a decisão de dar o prêmio a alguém que “notoriamente odeia Israel”. Conceder a distinção – que leva o nome de um filósofo forçado a fugir do regime nazista devido a sua própria herança judaica – não pode ser considerado “um mero equívoco”, condenou Kramer.

“Tática de silenciamento”

Judith Butler, judia norte-americana de ascendência russa e húngara, respondeu a seus detratores num longo artigo publicado pelo website de notícias judaicas Mondoweiss. Obviamente magoada pelas críticas direcionadas contra ela, denunciou os ataques como “tática de silenciamento”.

“É falso, absurdo e doloroso alguém argumentar que quem formula críticas ao Estado de Israel seja antissemita ou, se judeu, autodesprezador. Tais ataques visam demonizar a pessoa que está articulando um ponto de vista crítico, assim desqualificando de antemão seu ponto de vista.” Além disso, seus adversários estariam tentando monopolizar o direito de falar em nome dos judeus, apontou a filósofa.

Um pomo da discórdia específico têm sido os comentários feitos por Butler sobre grupos políticos palestinos e libaneses, durante um fórum antibélico em 2011: “Entender o Hamas e o Hizbollah como movimentos sociais que são progressivos, de esquerda, que são parte da esquerda global, é extremamente importante”.

Em sua inflamada réplica, a norte-americana alega que o sentido de seus comentários foi arrancado do contexto e seriamente distorcido. Partidária da resistência não violenta, ela afirma não endossar nem o Hamas nem o Hizbollah. “Na minha opinião, dada a minha história, é importantíssimo, como judia, pronunciar-me contra a injustiça e lutar contra todas as formas de racismo.”

Prêmio será entregue na Igreja de S. Paulo de FrankfurtPrêmio será entregue na Igreja de S. Paulo de Frankfurt

Contexto teuto-israelense delicado

A autora austríaca Marlene Streeruwitz, integrante da banca do Prêmio Adorno, defendeu a decisão de laurear Judith Butler. Ela declarou-se atônita diante da celeuma resultante, que classificou uma verdadeira “denunciação”, e louvou a “complexa e diferenciada atitude em relação ao mundo” representada por Butler.

O democrata-cristão Felix Semmelroth, encarregado para assuntos de cultura em Frankfurt, também manifestou apoio à decisão do júri, denominando Butler “uma das pensadoras-chaves de nosso tempo”. Quanto à crítica à premiação, ela seria “compreensível, mas injustificada”, observou o político conservador alemão.

A autora estadunidense não é a única voz crítica a Israel a enfrentar oposição ferrenha. Em março de 2012, o autor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura, também desencadeou polêmica com seu poema O que deve ser dito, no qual tacha Israel de ameaça à paz mundial. Em meio à celeuma, Grass expressou frustração por toda crítica a Israel ser equiparada a antissemitismo.

Filósofo Theodor W. Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903Filósofo Theodor W. Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903

A decisão de conceder o Prêmio Adorno à pensadora estadunidense coincide com um momento atipicamente sensível nas relações teuto-israelenses do pós-guerra. Em junho, um tribunal da cidade de Colônia classificou a circuncisão de bebês como “lesão corporal criminosa”, provocando protestos das comunidades judaica e muçulmana da Alemanha e do resto do mundo. No início de setembro, entretanto, o estado de Berlim considerou a circuncisão legal por motivos religiosos.

Opositor de nacionalismos e racismos

Nascido na cidade de Frankfurt em 1903, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno tinha uma relação complexa com sua própria identidade judaica. Integrante central da Escola de Frankfurt de Teoria Crítica, mantendo laços estreitos com pensadores como Max Horkheimer, Ernst Bloch e Walter Benjamin, Adorno foi um dos principais filósofos da estética, música e cultura de massa de sua geração.

Crítico determinado do fascismo, Adorno exilou-se da Alemanha em 1934. Em Cultura crítica e sociedade, de 1951, ele cunhou a famosa frase “Escrever poesia depois de Auschwitz é barbárie”, mas que depois rejeitaria. Durante toda sua vida, permaneceu extremamente cético no tocante a todas as formas de nacionalismo.

Retornando à Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, atuou como professor na Universidade de Frankfurt de 1949 até sua morte, em 1969. Em sua honra e no dia de seu aniversário, 11 de setembro, desde 1977 a cidade natal concede a cada três anos o prêmio que leva seu nome, dotado com 50 mil euros. Entre os laureados estiveram Jürgen Habermas (1980), Jean-Luc Godard (1995), Jacques Derrida (2001) e Alexander Kluge (2009).

Judith Butler recebe o Prêmio Theodor W. Adorno neste 11 de setembro, na Igreja de São Paulo de Frankfurt.

Autor: Helen Whittle (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

Ancient Man Used “Super-Acoustics” to Alter Consciousness (… and speak with the dead?) (Phys.Org)

June 16th, 2014 Linda Eneix

Ancient Man Used “Super-Acoustics” to Alter Consciousness (... and speak with the dead?)

Research team members enter the “Oracle Room” of the Hal Saflieni Hypogeum, Malta (ca. 3600 BCE)

A prehistoric necropolis yields clues to the ancient use of sound and its effect on human brain activity.Researchers detected the presence of a strong double resonance frequency at 70Hz and 114Hz inside a 5,000-years-old mortuary temple on the Mediterranean island of Malta. The Ħal Saflieni Hypogeum is an underground complex created in the Neolithic (New Stone Age) period as a depository for bones and a shrine for ritual use. A chamber known as “The Oracle Room” has a fabled reputation for exceptional sound behavior.

During testing, a deep male voice tuned to these frequencies stimulated a resonance phenomenon throughout the hypogeum, creating bone-chilling effects. It was reported that sounds echoed for up to 8 seconds. Archaeologist Fernando Coimbra said that he felt the sound crossing his body at high speed, leaving a sensation of relaxation. When it was repeated, the sensation returned and he also had the illusion that the sound was reflected from his body to the ancient red ochre paintings on the walls. One can only imagine the experience in antiquity: standing in what must have been somewhat odorous dark and listening to ritual chant while low light flickered over the bones of one’s departed loved ones.

Sound in a Basso/Baritone range of 70 – 130 hz vibrates in a certain way as a natural phenomenon of the environment in the Hypogeum, as it does in Newgrange passage tomb, megalithic cairns and any stone cavity of the right dimensions. At these resonance frequencies, even small periodic driving forces can produce large amplitude oscillations, because the system stores vibrational energy. Echoes bounce off the hard surfaces and compound before they fade. Laboratory testing indicates that exposure to these particular resonant frequencies can have a physical effect on human brain activity.

In the publication from the conference on Archaeoacoustics which sparked the study, Dr. Paolo Debertolis reports on tests conducted at the Clinical Neurophysiology Unit at the University of Trieste in Italy: “…each volunteer has their own individual frequency of activation, …always between 90 and 120 hz. Those volunteers with a frontal lobe prevalence during the testing received ideas and thoughts similar to what happens during meditation, whilst those with occipital lobe prevalence visualized images.” He goes on to state that under the right circumstances, “Ancient populations were able to obtain different states of consciousness without the use of drugs or other chemical substances.”

Hal Saflieni (ca. 3600 BCE)

Credit: Mediterranean Institute of Ancient CivilizationsWriting jointly, Anthropologist, Dr. Ezra Zubrow, Archaeologist and Psychologist, Dr. Torill Lindstrom state: “We regard it as almost inevitable that people in the Neolithic past in Malta discovered the acoustic effects of the Hypogeum, and experienced them as extraordinary, strange, perhaps even as weird and “otherworldly”.

What is astounding is that five thousand years ago the builders exploited the phenomenon, intentionally using architectural techniques to boost these “super-acoustics”. Glenn Kreisberg, a radio frequency spectrum engineer who was with the research group, observed that in the Hypogeum, “The Oracle Chamber ceiling, especially near its entrance from the outer area, and the elongated inner chamber itself, appears to be intentionally carved into the form of a wave guide.”

Project organizer Linda Eneix points to other features: “The carving of the two niches which concentrate the effect of sound, the curved shape of the Oracle Chamber with its shallow “shelf” cut high across the back, the corbelled ceilings and concave walls in the finer rooms are all precursors of todays’ acoustically engineered performance environments.” She says, “If we can accept that these developments were not by accident, then it’s clear that Ħal Saflieni’s builders knew how to manipulate a desired human psychological and physiological experience, whether they could explain it or not.”

Why?

It was demonstrated at the conference that special sound is associated with the sacred: from prehistoric caves in France and Spain to musical stone temples in India; from protected Aztec codexes in Mexico to Eleusinian Mysteries and sanctuaries in Greece to sacred Elamite valleys in Iran. It was human nature to isolate these hyper-acoustic places from mundane daily life and to place high importance to them because abnormal sound behavior implied a divine presence.

In the same conference publication Emeritus Professor Iegor Reznikoff suggests that Ħal Saflieni is a link between Palaeolithic painted caves and Romanesque chapels … “That people sang laments or prayers for the dead in the Hypogeum is certain, for a) it is a universal practice in all oral traditions we know, b) at the same period, around 3,000 BC, we have the Sumerian or Egyptian inscriptions mentioning singing to the Invisible, particularly in relationship with death and Second Life, and finally c) the resonance is so strong in the Hypogeum already when simply speaking, that one is forced to use it and singing becomes natural.”

Drs. Lindstrom and Zubrow hint at a more hierarchal purpose for the manipulation of sound. “The Neolithic itself was characterized by cultures focused on new invention…enormous collective collaborations over extended periods of time. For these large-scale projects of agriculture and building, social cohesion and compliance was absolutely necessary.”

The same people who created Ħal Saflieni also engineered a complete solar calendar with solstice and equinox sunrise alignments that still function today in one of their above-ground megalithic structures. There is no question that a sophisticated school of architectural, astronomic and audiologic knowledge was already in place a thousand years before the Egyptians started building pyramids. Eneix believes that Malta’s Ħal Saflieni Hypogeum is a remnant of a rich cultural tradition carried by the Neolithic migrations that spanned thousands of years and thousands of miles.

Corte seletivo e fogo fazem Floresta Amazônica perder 54 milhões de toneladas de carbono por ano (Agência Fapesp)

JC e-mail 4973, de 16 de junho de 2014

A perda de carbono corresponde a 40% daquela causada pelo desmatamento total

Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino Unido quantificou o impacto causado na Floresta Amazônica por corte seletivo de árvores, destruição parcial pelo fogo e fragmentação decorrente de pastagens e plantações. Em conjunto, esses fatores podem estar subtraindo da floresta cerca de 54 milhões de toneladas de carbono por ano, lançados à atmosfera na forma de gases de efeito estufa. Esta perda de carbono corresponde a 40% daquela causada pelo desmatamento total.

O estudo, desenvolvido por 10 pesquisadores de 11 instituições do Brasil e do Reino Unido, foi publicado em maio na revista Global ChangeBiology.

“Os impactos da extração madeireira, do fogo e da fragmentação têm sido pouco percebidos, pois todos os esforços estão concentrados em evitar mais desmatamento. Essa postura deu grandes resultados na conservação da Amazônia brasileira, cuja taxa de desmatamento caiu em mais de 70% nos últimos 10 anos. No entanto, nosso estudo mostrou que esse outro tipo de degradação impacta severamente a floresta, com enormes quantidades de carbono antes armazenadas sendo perdidas para a atmosfera”, disse a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora do Lancaster Environment Centre, da Lancaster University, no Reino Unido, primeira autora do estudo.

Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental), em Belém (PA), e segunda autora do estudo, um dos motivos dessa degradação ser menos percebida é a dificuldade de monitoramento. “As imagens de satélite permitem detectar com muito mais facilidade as áreas totalmente desmatadas”, afirmou.

“Nossa pesquisa combinou imagens de satélite com estudo de campo. Fizemos uma avaliação, pixel a pixel [cada pixel na imagem corresponde a uma área de 900 metros quadrados], sobre o que aconteceu nos últimos 20 anos. Na pesquisa de campo, estudamos 225 parcelas (de 3 mil metros quadrados cada) em duas grandes regiões, com 3 milhões de hectares [30 mil quilômetros quadrados], utilizadas como modelo para estimar o que ocorre no conjunto da Amazônia”, explicou Ferreira.

As imagens de satélite, comparadas de dois em dois anos, possibilitaram que os pesquisadores construíssem um grande painel da degradação da floresta ao longo da linha do tempo, em uma escala de 20 anos. Na pesquisa de campo foram avaliadas as cicatrizes de fogo, de exploração madeireira e outras agressões. A combinação das duas investigações resultou na estimativa de estoque de carbono que se tem hoje.

Duas regiões foram estudadas in loco: Santarém e Paragominas, na porção leste da Amazônia, ambas submetidas a fortes pressões de degradação. Nessas duas regiões foram investigadas as 225 áreas.

“Coletamos dados de mais de 70 mil árvores e de mais de 5 mil amostras de solo, madeira morta e outros componentes dos chamados estoques de carbono. Foi o maior estudo já realizado até o momento sobre a perda de carbono de florestas tropicais devido à extração de madeira e fogos acidentais”, disse Ferreira.

Segundo ela, a pesquisa contemplou quatro dos cinco compartimentos de carbono cujo estudo é recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU): biomassa acima do solo (plantas vivas), matéria orgânica morta, serapilheira (camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição) e solos (até 30 centímetros de profundidade). “Só não medimos o estoque de carbono nas raízes”, disse.

Para efeito de comparação, foram consideradas cinco categorias de florestas: primária (totalmente intacta); com exploração de madeira; queimada; com exploração de madeira e queimada; e secundária (aquela que foi completamente cortada e cresceu novamente).

As florestas que sofreram perturbação, por corte ou queimada, apresentaram de 18% a 57% menos carbono do que as florestas primárias. Uma área de floresta primária chegou a ter mais de 300 toneladas de carbono por hectare, enquanto as áreas de floresta queimada e explorada para madeira tiveram, no máximo, 200 toneladas por hectare, e, em média, menos de 100 toneladas de carbono por hectare.

Corte seletivo tradicional
O roteiro da degradação foi bem estabelecido pelos pesquisadores. O ponto de partida é, frequentemente, a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê; essas árvores são cortadas de forma seletiva, mas sua retirada impacta dezenas de árvores vizinhas.

Deflagrada a exploração, formam-se várias aberturas na cobertura vegetal, o que torna a floresta muito mais exposta ao sol e ao vento, e, portanto, muito mais seca e suscetível à propagação de fogos acidentais. O efeito é fortemente acentuado pela fragmentação da floresta em decorrência de pastagens e plantações.

A combinação dos efeitos pode, então, transformar a floresta em um mato denso, cheio de árvores e cipós de pequeno porte, mas com um estoque de carbono 40% menor do que o da floresta não perturbada.

“Existem, hoje, vários sistemas de corte seletivo, alguns um pouco menos impactantes do que outros. O sistema predominante, que foi aquele detectado em nosso estudo, associado ao diâmetro das árvores retiradas e à sua idade, pode subtrair da floresta uma enorme quantidade de carbono”, disse Plínio Barbosa de Camargo, diretor da Divisão de Funcionamento de Ecossistemas Tropicais do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação da área de Biologia da FAPESP, que também assinou o artigo publicado na Global ChangeBiology.

“Por mais que recomendemos no sentido contrário, na hora do manejo efetivo acabam sendo retiradas as árvores com diâmetros muito grandes, em menor quantidade. Em outra pesquisa, medimos a idade das árvores com carbono 14. Uma árvore cujo tronco apresente o diâmetro de um metro com certeza tem mais de 300 ou 400 anos. Não adianta retirar essa árvore e imaginar que ela possa ser substituída em 30, 40 ou 50 anos”, comentou Camargo.

A degradação em curso torna-se ainda mais preocupante no contexto da mudança climática global. “O próximo passo é entender melhor como essas florestas degradadas responderão a outras formas de distúrbios causados pelo homem, como períodos de seca mais severos e estações de chuva com maiores níveis de precipitação devido às mudanças climáticas”, afirmou o pesquisador britânico Jos Barlow, da Lancaster University, um dos coordenadores desse estudo e um dos responsáveis pelo Projeto Temático ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica.

Além dos pesquisadores já citados, assinaram também o artigo da Global ChangeBiologyToby Alan Gardner (Universityof Cambridge e Stockholm EnvironmentInstitute), Carlos Eduardo Cerri e Mariana Durigan (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e UniversityofExeter), Raimundo Cosme de Oliveira Junior (Embrapa Amazônia Oriental) e Ima Célia Guimarães Vieira (Museu Paraense Emílio Goeldi).

O artigo A large-scalefieldassessmentofcarbon stocks in human-modified tropical forests (doi: 10.1111/gcb.12627), de Erika Berenguer e outros, pode ser lido em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.12627/full.

(Agência Fapesp)

Faltam recursos para preservar o mascote da Copa (Jornal da Ciência)

JC e-mail 4973, de 16 de junho de 2014

Para driblar a extinção, tatu-bola ganha um plano nacional de conservação

O tatu-bola, escolhido como mascote da Copa no Brasil, é um animal em extinção devido à destruição de seus habitats na Caatinga e no Cerrado, além de sofrer com a caça. O pequeno mamífero também está correndo o risco de perder um importante reforço na luta por sua preservação. O trabalho desenvolvido pela Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, está ameaçado por falta de recursos.

De acordo com a professora Rute Maria Gonçalves de Andrade, do conselho fiscal da FUMDHAM, todo o trabalho que vem sendo realizado em mais de 40 anos está ameaçado, além das espécies animais que ficarão desamparadas, mais de100 pessoas podem ficar desempregadas. “Infelizmente a fundação não tem recebido os recursos do ICMBio, nem do IPHAN já que o Parque é declarado pela UNESCO como Patrimônio Natural e Histórico da Humanidade, em quantidade suficiente e nos prazos devidos para fazer esta gestão”, desabafou.

Por meio de sua Divisão de Comunicação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou que “não houve nenhuma interrupção de repasses para a Fundação Museu do Homem Americano. Em 2014, foram repassados R$ 400 mil de recursos de compensação ambiental e há a previsão de mais R$ 300 mil, oriundos de emenda parlamentar”. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão do Ministério da Cultura (MinC), não se pronunciou até o fechamento desta edição por conta de uma greve de seus funcionários.

Desde os anos 90, a equipe da FUMDHAM, liderada por sua presidente a arqueóloga Niède Guidon desenvolve ações de preservação da fauna local, o que tem sido decisivo para manter o equilíbrio da densidade populacional no parque de muitos vertebrados. Este trabalho consiste em manter limpos e cheios os reservatórios naturais de água existentes no Parque conhecidos como caldeirões, além de outros que foram construídos, para que os animais tivessem água na época da seca.

Para Rute esse é o momento ideal para chamar a atenção para os esforços de preservação da fauna e flora brasileira. “Talvez fosse importante que a partir da Copa fosse lançada uma grande campanha nacional em favor das Unidades de Conservação que preservam a duras penas o tatu-bola”, sugeriu.

Até o momento o trabalho de conservação do tatu-bola – cujo nome científico é Tolypeutestricinctus – está dando bons resultados. Segundo a professora Rute ele é um dos animais que compõem a fauna do Parque. “Após a fiscalização relativa à caça e o trabalho de fornecimento de água na época da seca possibilitaram manter a população desta espécie de mamífero, endêmico do Bioma caatinga”, afirmou.

Plano Nacional de Conservação – O biólogo Leandro Jerusalinsky, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), em João Pessoa (PB), faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola (PAN Tatu-bola). A ideia é consolidar uma estratégia para diminuir o risco de extinção de duas espécies. “O plano tem como objetivo geral a redução do risco de extinção do Tolypeutestricinctus, que habita a Caatinga e o Cerrado, para a categoria Vulnerável e avaliação adequada do estado de conservação do Tolypeutesmatacus, encontrado no Pantanal e Cerrado, em cinco anos”, explicou.

Ainda segundo Jerusalinsky, o PAN Tatu-bola vai ajudar na conservação destas espécies por estabelecer de forma clara quais são as ações prioritárias para reverter ou atenuar os principais impactos sobre elas, que consistem na perda e fragmentação de habitats, caça e falta de conhecimento. “Desta forma, as diversas instituições envolvidas em pesquisa, fiscalização e licenciamento ambiental, por exemplo, poderão adotar essas ações em sua atuação, ajudando a conhecer e a proteger os tatus-bola”, detalhou.

O PAN foi elaborado por um conjunto de especialistas nestas espécies, sediados em instituições de ensino e pesquisa como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Vale do Rio São Francisco (UNIVASF), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT), EMBRAPA Pantanal, além do próprio ICMBio.

(Edna Ferreira)
Essa matéria está na página 12 da última edição do Jornal da Ciência. Essa e outras reportagens podem ser acessadas em http://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC760.pdf