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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Paying for pain: What motivates tough mudders and other weekend warriors? (Science Daily)

Date:
March 22, 2017
Source:
Journal of Consumer Research
Summary:
Why do people pay for experiences deliberately marketed as painful? According to a new study, consumers will pay big money for extraordinary — even painful — experiences to offset the physical malaise resulting from today’s sedentary lifestyles.

Why do people pay for experiences deliberately marketed as painful? According to a new study in the Journal of Consumer Research, consumers will pay big money for extraordinary — even painful — experiences to offset the physical malaise resulting from today’s sedentary lifestyles.

“How do we explain that on the one hand consumers spend billions of dollars every year on analgesics and opioids, while exhausting and painful experiences such as obstacle races and ultra-marathons are gaining in popularity?” asked authors Rebecca Scott (Cardiff University), Julien Cayla (Nanyang Technological University), and Bernard Cova (KEDGE Business School).

Tough Mudder is a grueling adventure challenge involving about 25 military-style obstacles that participants — known as Mudders — must overcome in half a day. Among others, its events entail running through torrents of mud, plunging into freezing water, and crawling through 10,000 volts of electric wires. Injuries have included spinal damage, strokes, heart attacks, and even death.

Through extensive interviews with Mudders, the authors learned that pain helps individuals deal with the reduced physicality of office life. Through sensory intensification, pain brings the body into sharp focus, allowing participants who spend much of their time sitting in front of computers to rediscover their corporeality.

In addition, the authors write, pain facilitates escape and provides temporary relief from the burdens of self-awareness. Electric shocks and exposure to icy waters might be painful, but they also allow participants to escape the demands and anxieties of modern life.

“By leaving marks and wounds, painful experiences help us create the story of a fulfilled life spent exploring the limits of the body,” the authors conclude. “The proliferation of videos recording painful experiences such as Tough Mudder happens at least partly because a fulfilled life also means exploring the body in its various possibilities.”


Journal Reference:

  1. Rebecca Scott, Julien Cayla, Bernard Cova. Selling Pain to the Saturated SelfJournal of Consumer Research, 2017; DOI: 10.1093/jcr/ucw071

Gol pagará R$ 4 mi a índios pela queda do avião em 2006 (UOL)

09/11/201611h36

A Gol pagará indenização de R$ 4 milhões por danos ambientais, materiais e imateriais ao povo Mebengokre Kayapó, da Terra Indígena Capoto/Jarina, em Peixoto de Azevedo, a 629 quilômetros de Cuiabá, por causa da queda de um Boeing da companhia, em setembro de 2006, que deixou 154 mortos. Segundo as crenças e tradições do povo Kayapó, a área tornou-se uma “casa dos espíritos” após a tragédia.

O acordo foi fechado em 28 de outubro, intermediado pelo Ministério Público Federal, e veio a público ontem. O avião da Gol fazia a linha do voo 1907, entre Manaus e Rio, e caiu após se chocar com um jato Legacy que seguia para os Estados Unidos, com sete pessoas a bordo. Os pilotos e ocupantes do Legacy conseguiram pousar, sem sofrer maiores danos. Passageiros e tripulação da Gol morreram na queda do Boeing.

Após a tragédia, a área afetada pelo acidente tornou-se “imprópria para o uso da comunidade, por razões de ordem religiosa e cultural”. Segundo as crenças e tradições do povo Kayapó, passou a existir ali uma “casa dos espíritos”. “Naquele lugar nós não vamos caçar, não vamos fazer roça, não vamos pescar. Nós respeitamos os espíritos que moram lá”, explicou o cacique Bedjai Txucarramãe.

A Gol definiu que cabia aos índios discutirem a indenização pela terra perdida. “Para a sociedade branca ainda é difícil entender a vida religiosa e espiritual dos povos indígenas. A conclusão da empresa, após diversas reuniões, é que somente a própria etnia Kayapó poderia valorar os danos passados e futuros sofridos.

Entenda-se esse acordo como gesto de respeito para com a comunidade e a cultura do povo Kayapó, pelo qual a empresa, com absoluta boa-fé, busca realizar a reparação integral dos danos decorrentes do acidente aéreo”, ressaltou um representante da Gol.

Uso dos recursos

A proposta de indenização aceita pelos índios também recebeu aval do diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Fundação Nacional do Índio (Funai), Artur Nobre Mendes, durante a reunião do dia 28. O uso dos recursos será gerido pelo Instituto Raoni, que também deverá prestar contas à Procuradoria da República em Barra do Garças, comprovando que a quantia resultou em melhorias ou benefícios para o povo Mebengokre Kayapó.

O procurador da República Wilson Rocha Fernandes Assis, que atuou na intermediação da negociação, ressaltou no site oficial do MPF o protagonismo da comunidade indígena na celebração do acordo. Segundo ele, caberá ao MPF a elaboração de um laudo antropológico para esclarecer quais lideranças vão formalizar o acordo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


09/07/2016 20h32 – Atualizado em 09/07/2016 20h32

Índios kayapós querem indenização por queda de avião da Gol em MT (G1)

Índios alegam que local virou ‘casa de espíritos’ e vedado ao uso da tribo.
Avião da Gol caiu na terra indígena Capoto-Jarina em setembro de 2006

Lislaine dos Anjos, Do G1 MT

Como duas pesquisadoras estão derrubando clichês sobre a política no Brasil (BBC)

6 junho 2016

ciencia politica

Nara Pavão e Natália Bueno: pesquisadoras questionam chavões da política no Brasil 

O brasileiro é racista e privilegia candidatos brancos ao votar. Políticos corruptos se mantêm no poder porque o eleitor é ignorante. Quem recebe Bolsa Família é conivente com o governo. ONGs são um ralo de dinheiro público no Brasil. Será?

A julgar pelos estudos de duas jovens pesquisadoras brasileiras em ciência política, não.

Natália Bueno e Nara Pavão, ambas de 32 anos, se destacam no meio acadêmico no exterior com pesquisas robustas que desmistificam chavões da política brasileira que alimentam debates em redes sociais e discussões de botequim.

Natural de Belo Horizonte (MG), Natália faz doutorado em Yale (EUA), uma das principais universidades do mundo. Em pouco mais de oito anos de carreira, acumula 13 distinções acadêmicas, entre prêmios e bolsas.

A pernambucana Nara é pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Vanderbilt (EUA). Soma um doutorado (Notre Dame, EUA), dois mestrados em ciência política (Notre Dame e USP), 16 distinções.

Em comum, além da amizade e da paixão pela ciência política, está o interesse das duas em passar a limpo “verdades absolutas” sobre corrupção, comportamento do eleitor e políticas públicas no Brasil.

Eleitor é racista?

O Brasil é um país de desigualdades raciais – no mercado de trabalho, no acesso à educação e à saúde. Atraída pelo tema desde a graduação, Natália Bueno verificou se isso ocorre também na representação política.

O primeiro passo foi confirmar o que o senso comum já sugeria: há, proporcionalmente, mais brancos eleitos do que na população, e os negros são subrepresentados. Por exemplo, embora 45% da população brasileira (segundo o IBGE) se declare branca, na Câmara dos Deputados esse índice é de 80%.

E como a diferença foi mínima na comparação entre população e o grupo dos candidatos que não se elegeram, a conclusão mais rasteira seria: o brasileiro é racista e privilegia brancos ao votar.

politica

Abertura dos trabalhos no Congresso em 2016; pesquisa investigou desigualdade racial na política nacional. FABIO POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

Para tentar verificar essa questão de forma científica, Natália montou um megaexperimento em parceria com Thad Dunning, da Universidade da Califórnia (Berkeley). Selecionou oito atores (quatro brancos e quatro negros), que gravaram um trecho semelhante ao horário eleitoral. Expôs 1.200 pessoas a essas mensagens, que só variavam no quesito raça.

Resultado: candidatos brancos não tiveram melhor avaliação nem respondentes privilegiaram concorrentes da própria raça nas escolhas.

Mas se a discrepância entre população e eleitos é real, onde está a resposta? No dinheiro, concluiu Natália – ela descobriu que candidatos brancos são mais ricos e recebem fatia maior da verba pública distribuída por partidos e também das doações privadas.

A diferença média de patrimônio entre políticos brancos (em nível federal, estadual e local) e não brancos foi de R$ 690 mil. E em outra prova do poder do bolso nas urnas, vencedores registraram R$ 650 mil a mais em patrimônio pessoal do que os perdedores.

Políticos brancos também receberam, em média, R$ 369 mil a mais em contribuições de campanha do que não brancos. A análise incluiu dados das eleições de 2008, 2010 e 2014.

“Se a discriminação tem um papel (na desigualdade racial na representação política), ela passa principalmente pelas inequidades de renda e riqueza entre brancos e negros que afetam a habilidade dos candidatos negros de financiar suas campanhas”, diz.

Corruptos estão no poder por que o eleitor é ignorante?

A corrupção é um tema central no debate político atual no Brasil. E se tantos brasileiros percebem a corrupção como problema (98% da população pensa assim, segundo pesquisa de 2014), porque tantos políticos corruptos continuam no poder?

A partir de dados de diferentes pesquisas de opinião – entre elas, dois levantamentos nacionais, com 2 mil e 1,5 mil entrevistados -, a recifense Nara Pavão foi buscar respostas para além do que a ciência política já discutiu sobre o tema.

politica

Ato contra corrupção no Congresso em 2011; estudo investiga por que corruptos se mantêm no poder. ANTONIO CRUZ/ABR

Muitos estudos já mostraram que a falta de informação política é comum entre a população, e que o eleitor costuma fazer uma troca: ignora a corrupção quando, por exemplo, a economia vai bem.

“Mas para mim a questão não é apenas se o eleitor possui ou não informação sobre políticos corruptos, mas, sim, o que ele vai decidir fazer com essa informação e como essa informação vai afetar a decisão do voto”, afirma a cientista política.

A pesquisa de Nara identificou um fator chave a perpetuar corruptos no poder: o chamado cinismo político – quando a corrupção é recorrente, ela passa ser vista pelo eleitor como um fator constante, e se torna inútil como critério de diferenciação entre candidatos.

Consequência: o principal fator que torna os eleitores brasileiros tolerantes à corrupção é a crença de que a corrupção é generalizada.

“Se você acha que todos os políticos são incapazes de lidar com a corrupção, a corrupção se torna um elemento vazio para você na escolha do voto”, afirma Nara, para quem o Brasil está preso numa espécie de armadilha da corrupção: quão maior é a percepção do problema, menos as eleições servem para resolvê-lo.

Quem recebe Bolsa Família não critica o governo?

O programa Bolsa Família beneficia quase 50 milhões de pessoas e é uma das principais bandeiras das gestões do PT no Planalto. Até por isso, sempre foi vitrine – e também vidraça – do petismo.

Uma das críticas recorrentes pressupõe que o programa, para usar a linguagem da economia política, altera os incentivos que eleitores têm para criticar o governo.

Famílias beneficiadas não se preocupariam, por exemplo, em punir um mau desempenho econômico ou a corrupção, importando-se apenas com o auxílio no começo do mês.

politica

Material de campanha em dia de votação em São Paulo em 2012; receber benefícios do governo não implica em conivência com Poder Público, conclui estudo. MARCELO CAMARGO/ABR

Deste modo, governos que mantivessem programas massivos de transferência de renda estariam blindados contra eventuais performances medíocres. Seria, nesse sentido, um arranjo clientelista – troca de bens (dinheiro ou outra coisa) por voto.

Um estudo de Nara analisou dados do Brasil e de 15 países da América Latina que possuem programas como o Bolsa Família e não encontrou provas de que isso seja verdade.

“Em geral, o peso eleitoral atribuído à performance econômica e à corrupção do governo é relativamente igual entre aqueles que recebem transferências de renda e aqueles que não recebem”, afirma.

A conclusão é que, embora esses programas proporcionem retornos eleitorais para os governantes de plantão, eles não representam – desde que sigam regras rígidas – incentivo para eleitores ignorarem aspectos ddo desempenho do governo.

ONGs são ralo de dinheiro público?

Organizações de sociedade civil funcionam como um importante instrumento para o Estado fornecer, por meio de parcerias e convênios, serviços à população.

Diferentes governos (federal, estaduais e municipais) transferem recursos a essas entidades para executar programas diversos, de construção de cisternas e atividades culturais.

Apenas em nível federal, essas transferências quase dobraram no período 1999-2010: de RS$ 2,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões.

ONGs

Cisterna em Quixadá (CE), em serviço que costuma ser delegado a organizações civis; pesquisadora estudou distribuição de recursos públicos para essas entidades. FERNANDO FRAZÃO/ABR

Esse protagonismo enseja questionamentos sobre a integridade dessas parcerias – não seriam apenas um meio de canalizar dinheiro público para as mãos de ONGs simpáticas aos governos de plantão?

Com o papel dessas organizações entre seus principais de interesses de pesquisa, Natália Bueno mergulhou no tema. Unindo métodos quantitativos e qualitativos, analisou extensas bases de dados, visitou organizações e construiu modelos estatísticos.

Concluiu que o governo federal (ao menos no período analisado, de 2003 a 2011) faz, sim, uma distribuição estratégica desses recursos, de olho na disputa política.

“A pesquisa sugere que governos transferem recursos para entidades para evitar que prefeitos de oposição tenham acesso a repasses de recursos federais. Outros fatores, como implementação de políticas públicas para as quais as organizações tem expertise e capacidade únicas, também tem um papel importante.”

Ela não encontrou provas, porém, de eventual corrupção ou clientelismo por trás desses critérios de escolha – o uso das ONGs seria principalmente parte de uma estratégia político-eleitoral, e não um meio de enriquecimento ilícito.

“Esse tipo de distribuição estratégica de recursos é próprio da política e encontramos padrões de distribuição semelhantes em outros países, como EUA, Argentina e México”, diz Natália.

Corrupção é difícil de verificar, mas a pesquisadora usou a seguinte estratégia: comparou ONGs presentes em cidades com disputas eleitorais apertadas, checou a proporção delas no cadastro de entidades impedidas de fechar parcerias com a União e fez uma busca sistemática por notícias e denúncias públicas de corrupção.

De 281 ONGs analisadas, 10% estavam no cadastro de impedidas, e apenas uma por suspeita de corrupção.

El maldito (Brecha, UY)

Virginia Martínez

Montevideo 10 Marzo, 2017

Cultura, Destacados
Edición 1633 http://brecha.com.uy/el-maldito/; Acesado 13 Marzo 2017

Hijo intelectual y dilecto de Freud, luego disidente expulsado del círculo íntimo del maestro, Wilhelm Reich fue, para muchos, un psicoanalista maldito. Pionero de las terapias corporales, revolucionó la sexología con la teoría sobre la función del orgasmo. Desprestigiado y prohibido, murió en una cárcel de Estados Unidos a donde había llegado huyendo del nazismo para continuar sus investigaciones sobre la energía vital, que él llamaba orgón.

18-Reich-y-Neill-foto-captura-googleWilhelm Reich y Alexander S Neill / Foto: captura Google

Wilhelm Reich nació en una familia judía y acomodada que vivía en una zona rural de la actual Ucrania, por entonces parte del imperio austrohúngaro. El padre le puso el nombre en homenaje al emperador de Alemania, pero la madre prefería llamarlo Willi, quizá para protegerlo de la cólera de ese hombre celoso y autoritario que tenía por marido. Próspero criador de ovejas, León Reich trataba mal a todo el mundo, fuera familia, empleados o vecinos. El niño creció aguantando en silencio las penitencias y las bofetadas del padre. Solitario por obligación, aprendió en casa y de los padres las primeras letras hasta que León contrató a un preceptor.

Una tarde el pequeño Willi descubrió que el preceptor era también el amante de su madre. Aunque lo devoraban los celos, se cuidó de no contarle nada al señor Reich. Después de todo, la madre era el único refugio en el mundo sombrío y hostil de la casa familiar. Hasta que para vengarse de ella por una tontería, la traicionó denunciando la infidelidad. Sobrevino la catástrofe. Reproches, golpes y gritos. La mujer intentó suicidarse con veneno pero el marido la salvó sólo para seguir atormentándola. Willi terminó pupilo en una pensión de familia, y tuvieron que internarlo para tratarlo por una soriasis severa. Determinada a poner fin a una vida de reclusión y violencia, la madre logró irse para siempre en el tercer intento. Durante mucho tiempo el sentimiento de culpa atormentará al muchacho de 14 años que tres años más tarde perderá también al padre.

Socorro obrero. Luego de la Primera Guerra Mundial Reich empezó a estudiar medicina, se interesó en el psicoanálisis y se convirtió en uno de los discípulos más apreciados de Freud, quien le derivó a sus primeros pacientes. Unos años después el maestro ya se refería a él como “la mejor cabeza” de la Asociación Psicoanalítica de Viena. En 1921 llegó a la consulta una hermosa muchacha, con quien se casó al terminar el tratamiento (“Un hombre joven, de menos de 30 años, no debería tratar pacientes del sexo opuesto”, escribió en su diario). Por esa época profundizó el estudio de la sexualidad (“he llegado a la conclusión de que la sexualidad es el centro en torno al que gravita toda la vida social, tanto como la vida interior del individuo”) y siguió devoto a su mentor.

En ocasión de la fiesta de los 70 años de Freud le ofreció como regalo La función del orgasmo. Mucho más tarde de lo que esperaba recibió una respuesta lacónica del maestro. Fue el primer signo de que las cosas con él no iban bien. Diferencias teóricas (la teoría de Reich sobre el origen sexual de la neurosis) y políticas (su acercamiento a la cuestión social y al marxismo) hicieron el resto.

El 15 de julio de 1927 Reich y Annie, su mujer, presenciaron la represión de una manifestación de trabajadores que dejó cien muertos y más de mil heridos. La conciencia social de Reich había comenzado a forjarse como médico en el hospital público, pero la brutalidad de la actuación policial lo decidió a tomar partido. Se afilió al Socorro Obrero, organización del Partido Comunista austríaco, y comenzó a trabajar la idea de que marxismo y psicoanálisis eran complementarios (“Marx es a la ciencia económica lo que Freud a la psiquiatría”). Empezó a hablar en actos callejeros, repartía volantes, enfrentaba a la policía. Hizo amistad con un tornero, un muchacho más joven que él llamado Zadniker, de quien aprenderá tanto o más que en la universidad. Con Zadniker se asomó a la miseria sexual y las relaciones amorosas en la clase obrera, y conoció el efecto devastador de la desocupación en las relaciones familiares. Compró un camión y lo equipó como una policlínica ambulante, y dedicó los fines de semana a recorrer los barrios pobres de la ciudad junto a un pediatra y un ginecólogo: atendían niños, mujeres, jóvenes y daban clases de educación sexual.

Nada podía ser más ajeno a Freud que la militancia política de Reich. Le advirtió que estaba metiéndose en un avispero y que la función del psicoanalista no era cambiar el mundo. Pero él ya estaba lejos del maestro, viviendo en Berlín, preparándose para publicar el ensayo “Materialismo dialéctico y psicoanálisis” y viajar a la Urss.

Sexualidad proletaria. Aunque en Moscú no encontró un ambiente favorable a las teorías psicoanalíticas, regresó convencido de que la explotación capitalista y la represión sexual eran complementarias. En 1931 fundó la Asociación para una Política Sexual Proletaria. La “Sexpol”, como se la conoció, llegó a reunir a 40 mil miembros en torno a un programa que casi un siglo después mantiene vigencia: legalización del aborto, abolición del adulterio, de la prostitución, de la distinción entre casados y concubinos, pedagogía y libertad sexual, protección de los menores y educación para la vida. Para editar y difundir materiales de educación creó su propia editorial. Cuando tu hijo te pregunta y La lucha sexual de los jóvenes fueron dos de los folletos más exitosos en los que explicaba en lenguaje llano y sin prejuicios los tabúes de la vida sexual: orgasmo, aborto, masturbación, eyaculación precoz, homosexualidad.

El primer día de enero de 1932, a renglón seguido de un comentario sobre el agravamiento de la gastritis que padecía, Freud anotó en su diario: “Medidas contra Reich”. Entendía que su afiliación al partido bolchevique le restaba independencia científica y lo colocaba en una situación equivalente a la de un miembro de la Compañía de Jesús.

Dos días después del incendio del Reichstag, el diario oficial del Partido Nacional Socialista publicó una crítica contra La lucha sexual de los jóvenes. La prédica libertaria también le valió la reprobación de su partido, pues los comunistas temían que el interés por las cuestiones del sexo debilitara el compromiso político de sus militantes. Primero retiraron sus publicaciones y luego lo expulsaron del partido. Poco después la Gestapo lo fue a buscar a su casa.

Psicología de masas del fascismo. La primera escala del exilio que terminaría en Estados Unidos lo llevó a Copenhague, luego a Malmö, en Suecia, y más tarde a Oslo. Publicó La psicología de masas del fascismo, una obra que le dio celebridad, en la que analizaba la relación entre la familia autoritaria, la represión sexual y el nacionalsocialismo. La comunidad psicoanalítica lo excluyó, y empezó a circular el rumor de que estaba loco. A propósito escribió: “Los dictadores directamente expulsan o matan. Los dictadores democráticos asesinan furtivamente con menos coraje y sin asumir la responsabilidad de sus actos”.

En ese período se dedicó a estudiar la naturaleza bioeléctrica de la angustia y del placer. Volvió al laboratorio y al microscopio. A fines de mayo de 1935 escribió en una entrada de su diario: “Éxito total de la experimentación. La naturaleza eléctrica de la sexualidad está probada”. A principios del año siguiente fundó el Instituto Internacional de Economía Sexual para las Investigaciones sobre la Vida, donde reunió a un equipo multidisciplinario de médicos, psicólogos, pedagogos, artistas, sociólogos y laboratoristas. Ese año también conoció al pedagogo inglés Alexander S Neill, fundador de la escuela de Summerhill, con quien forjó una larga amistad personal e intelectual. Reich se interesaba en su pedagogía y él en los estudios sobre la psicología de masas del fascismo. En esa época publicó el artículo “¿Qué es el caos sexual?”, que los estudiantes de Nanterre retomarán como programa político en mayo de 1968, divulgándolo en volantes.

Las investigaciones y el proselitismo en materia de libertad sexual complicaron su situación en Oslo. En 1938, a través del psiquiatra estadounidense Theodor P Wolfe, consiguió un contrato como profesor en la Nueva Escuela de Investigación Social, de la Universidad de Nueva York, que recibía universitarios europeos perseguidos. En agosto del año siguiente desembarcó en la ciudad donde ya vivían su ex mujer y las dos hijas.

19-Wilhelm-Reich-museum-foto-captura-googleMuseo Wilhelm Reich / Foto: captura Google

Acumuladores de orgón. Abandonó el psicoanálisis y se concentró en investigar la relación de la psiquis con el sistema nervioso y el cuerpo. Empezó a trabajar los conceptos de “coraza muscular” (agarrotamiento, tensión) que se correspondían con los de “coraza caracterial” (producto de la represión de los sentimientos). Introdujo prácticas de terapia corporal en la consulta (masajes, abrazos, respiración, estiramiento) para ayudar al paciente a liberarse. Decía que el cuerpo necesitaba contraerse y expandirse en movimientos equivalentes a los de una medusa, y que las corazas y bloqueos impedían el movimiento, originando enfermedades.

Postuló la existencia de una energía vital, el orgón, que determinaba el funcionamiento del cuerpo humano y también estaba presente en la atmósfera. Creó dos instrumentos: el orgonoscopio, dispositivo para medir la energía, y el acumulador de orgón, especie de caja de madera revestida interiormente por capas de metal y material orgánico para atraer y concentrar el orgón. Primero fueron pequeños acumuladores donde colocó ratones con cáncer. En 1940 creó el primer acumulador de tamaño humano, una caja con aspecto de armario en la que uno podía sentarse. Sostenía que en una sesión dentro del acumulador el paciente absorbía orgón del aire que respiraba dentro de él y que esto tenía un efecto beneficioso para el sistema nervioso, los tejidos y la sangre.

Sin apoyo de la comunidad científica, sus investigaciones empezaron a ser tildadas de delirios y él de charlatán. Buscó el respaldo de Einstein, a quien le presentó su trabajo y le ofreció un acumulador, que instaló en su casa. El científico desechó el resultado de sus experiencias y la relación terminó en disputa. Mientras tanto había comenzado a tratar de forma experimental a enfermos de cáncer con la convicción de que el acumulador podía mejorar su capacidad para combatir la enfermedad. Otros enfermos se sumaron voluntariamente al tratamiento. Reich constató notables mejoras en el estado general y un descenso en los dolores de los pacientes. En 1946 compró un terreno al borde del lago Mooselookmeguntic, un edén al norte del país, en el estado de Maine, en la frontera con Canadá. Un sitio de bosques y montañas donde el contacto con la naturaleza era intenso. Allí instaló su vivienda y el laboratorio, un conjunto de edificaciones que pronto los vecinos llamaron “La casa de Frankenstein”. En 1945 se casó con una colaboradora, Ilse Ollendorf, con quien vivía desde tiempo atrás. Un año antes había nacido su hijo Peter, y un año después obtuvo la ciudadanía estadounidense.

En la mira del FBI. Inventando amigos comunes y con el pretexto de que tenía un mensaje para darle, la periodista Mildred Edie Brady logró franquear los filtros que Ilse ponía para salvaguardar a Reich. La recibió, recorrieron juntos el laboratorio y le mostró sus acumuladores de orgón. En abril de 1947 Brady publicó un artículo en Harper’s Magazine titulado “El nuevo culto del sexo y la anarquía”, por el que se haría famosa. Un mes después retomó el tema en The New Republic con “El extraño caso de Wilhelm Reich”. Brady afirmó que la ciencia desaprobaba sus actividades y conclusiones, que tenía más pacientes de los que podía atender y una influencia “mística” y perjudicial en los jóvenes. Fue el inicio de una campaña de desprestigio a la que se sumaron otras publicaciones. La prensa convirtió a los acumuladores en “cajas de sexo” y a la terapia corporal en sesiones de masturbación a los pacientes. En agosto recibió la primera inspección de la Administración de Alimentos y Medicamentos (Fda).

En los años siguientes Reich continuó publicando (Escucha, pequeño hombrecito, 1948, El análisis del carácter, 1949) e investigando, en particular los efectos de las radiaciones nucleares y las posibilidades de neutralizarlas. Para ello colocó una muestra mínima de radio en un acumulador, pero el efecto provocado fue el contrario del que buscaba. El acumulador amplificó la radiactividad, con consecuencias negativas para él y sus colaboradores. Su hija Eva, médica e investigadora, sufrió una bradicardia severa. El resto del equipo volvió a mostrar los síntomas de enfermedades que habían padecido antes. Todos, incluido Reich, presentaron alteraciones emocionales. Poco después, Ilse decidió dejar la casa con el pequeño Peter.

Para limpiar el lugar de la energía tóxica, que llamó Dor (por deathorgone), creó el “Rompe nubes”, una máquina de seis tubos en línea apuntados al cielo. A partir de ella hizo, con éxito, experimentos para provocar lluvia en la región donde vivía, afectada por una larga sequía. Inagotable, pensó en probarla en el desierto y en adaptarla, reduciendo el tamaño, para extraer el Dor de un cuerpo humano enfermo.

Paranoico con delirios de grandeza. A pedido de la Fda, la justicia del Estado de Maine inició una acción contra Reich y su fundación. Le prohibieron trasladar acumuladores a otros estados y calificaron las investigaciones de expedientes publicitarios. Lo acusaron de charlatán y de obtener beneficio económico de la credulidad de los enfermos. El 19 de marzo de 1955 un juez ordenó retirar de circulación y destruir los acumuladores, quemar las publicaciones que hicieran referencia al orgón y, aunque sin relación con lo anterior, también prohibió las ediciones de La psicología de masas del fascismo y El análisis del carácter.

En octubre Reich viajó a Tucson, en Arizona, para, como informó a la justicia, estudiar la energía de orgon en la atmósfera en zonas desérticas. Luego de semanas de intenso trabajo en el desierto lograron hacer llover. Se proponía repetir el experimento en California, cuando el 1 de mayo de 1956 lo detuvieron.

El psiquiatra que lo examinó en la prisión dictaminó que no podía ser objeto de juicio pues se trataba de un enfermo mental: “Manifiesta paranoia con delirio de grandeza y de persecución e ideas de influencia”. La justicia, sin embargo, entendió que estaba en condiciones de ser juzgado. Lo condenaron a dos años de prisión y a pagar una multa de 10 mil dólares.

Dicen los testimonios que fue un preso ejemplar, que se adaptó bien a la disciplina de Lewisburg y que el único privilegio que reclamaba era bañarse con frecuencia para aliviar la soriasis que no lo abandonaba desde los tristes días de la infancia.

El 3 de noviembre de 1957 lo encontraron muerto en su celda. Dos días después iba a asistir a la audiencia donde el juez debía decidir sobre su pedido de libertad condicional. Reich dormía vestido, sin zapatos, sobre la cama tendida. Lo velaron en el observatorio de Orgonon, en Rangley, donde hoy está el museo que lleva su nombre.


Freud sí, Reich no

“Acá todos estamos dispuestos a asumir riesgos por el psicoanálisis, pero no ciertamente por las ideas de Reich, que nadie suscribe. Con relación a eso, he aquí lo que piensa mi padre: si el psicoanálisis debe ser prohibido, que lo sea por lo que es no por la mescolanza de política y psicoanálisis que hace Reich. Por otro lado, mi padre no se opondría a sacárselo de encima como miembro de la asociación.”

Carta de Anna Freud a Ernest Jones, presidente de la Asociación Internacional de Psicoanálisis y biógrafo de Freud. 27 de abril de 1933.

Deseo sexual versus autoritarismo

“La familia autoritaria no está fundada sólo en la dependencia económica de la mujer y los hijos con respecto al padre y marido, respectivamente. Para que unos seres en tal grado de servidumbre sufran esta dependencia es preciso no olvidar nada a fin de reprimir en ellos la conciencia de seres sexuales. De este modo, la mujer no debe aparecer como un ser sexual, sino solamente como un ser generador. La idealización de la maternidad, su culto exaltado, que configura las antípodas del tratamiento grosero que se inflige a las madres de las clases trabajadoras, está destinada, en lo esencial, a asfixiar en la mujer la conciencia sexual, a someterla a la represión sexual artificial, a mantenerla a sabiendas en un estado de angustia y culpabilidad sexual. Reconocer oficial y públicamente a la mujer su derecho a la sexualidad conduciría al hundimiento de todo el edificio de la ideología autoritaria.”

De La psicología de masas del fascismo.

¿Qué es el caos sexual?

Es apelar en el lecho conyugal a los deberes conyugales.

Es comprometerse en una relación sexual de por vida sin antes haber conocido sexualmente a la pareja.

Es acostarse con una muchacha obrera porque “ella no merece más”, y al mismo tiempo no exigirle “una cosa así” a una chica “respetable”.

Es hacer culminar el poderío viril en la desfloración.

Es castigar a los jóvenes por el delito de autosatisfacción y hacerles creer que la eyaculación les debilita la médula espinal.

Es tolerar la industria pornográfica.

Es soñar a los 14 años con la imagen de una mujer desnuda y a los 20 entrar en las listas de los que pregonan la pureza y el honor de la mujer.

¿Qué no es el caos sexual?

Es liberar a los niños y a los adolescentes del sentimiento de culpa sexual y permitirles vivir acorde a las aspiraciones de su edad.

Es no traer hijos al mundo sin haberlos deseado ni poderlos criar.

Es no matar a la pareja por celos.

Es no tener relaciones con prostitutas sino con amigas de tu entorno.

Es no verse obligado a hacer el amor a escondidas, en los corredores, como los adolescentes en nuestra sociedad hoy, cuando lo que uno quiere es hacerlo en una habitación limpia y sin que lo molesten.

Wilhelm Reich

Cacique de laptop cobra até US$ 10 mil para espantar chuva (Folha de S.Paulo)

Ilustrada. São Paulo, quarta-feira, 06 de outubro de 2010

DE SÃO PAULO

O índio citado pelo diretor artístico do SWU é uma das figuras mais bizarras do show business nacional. Segundo Roberto Medina, o empresário por trás do Rock in Rio, é o trabalho dele que tem segurado a água que invariavelmente jorra do céu toda vez que um festival de música acontece. Embora o assunto seja tratado com discrição, os eventos costumam reservar uma cifra para contratar os “serviços meteorológicos” da Fundação Cacique Cobra Coral (www.fccc.org.br), uma entidade “científica esotérica especializada em fenômenos climáticos”.

Na prática, trata-se de uma dança da chuva ao contrário. O cacique, com métodos que não revela, garante manter as nuvens carregadas longe do local do show.
Medina conta que, no caso dele, o cacique nunca falhou – desde a primeira vez que foi contratado por sua empresa, a Artplan, na edição de 2001 do Rock in Rio.

Apesar da mítica deixada por Woodstock, onde a lama foi protagonista, Medina queria seu festival seco. Mas faltava uma semana para os shows e chovia torrencialmente. Foi quando uma assessora lhe falou do cacique “que fazia parar de chover”.

“Imaginei que chegaria uma pessoa com cocar, mas entrou um sujeito de terno, com laptop”, diz. “Ele pediu US$ 10 mil e eu negociei: “Te pago dois agora e, se não chover mesmo, te pago os oito no final”.”

O que mais o impressionou foi o fato de só não chover onde acontecia o festival. “Na outra esquina chovia sem parar, mas ali não caiu uma gota.”

Quando faz festivais fora do Brasil -como o Rock in Rio de Lisboa-, Medina carrega junto o cacique.

Procurada pela Folha, a Fundação Cacique Cobra Coral diz que tem como norma não identificar seus clientes e só dá entrevistas por e-mail.

“Nossa agência elabora boletins que sinalizam os melhores dias para os shows”, afirma Osmar Santos, da FCCC. “Tais boletins são elaborados por cientistas-meteorologistas, com base em modelos matemáticos e previsões numéricas.”

“Muita gente contrata [esse serviço]”, diz Pablo Fantoni, do Planeta Terra. “Eu não acredito. Se existe uma pessoa que tem poder sobre o tempo, seria um desperdício ele estar sendo usado em festivais de música e não para resolver a seca no Nordeste.”

(IVAN FINOTTI e MARCUS PRETO)

Hoje no Rock: Rock in Rio, 25 anos (Caio Mattos Experience)

Segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Hoje a primeira (e vamos combinar, a única) edição do Rock In Rio, completa 25 anos. Lembro bem da excitação da época e dos boatos, incluindo uma profecia de Nostradamus. O G1 preparou esta lista com 10 curiosidades bem legais. Taí pra voces!

No dia 11 de janeiro de 1985, os portões da Cidade do Rock se abriram para fazer história, inaugurando a era dos megafestivais de música pop no Brasil.

Há 25 anos, por dez dias, o Rock in Rio reuniu 29 artistas e 1,38 milhão de pessoas vibrando com o metal do Iron Maiden, se emocionando com James Taylor e quase nadando na lama nos dias mais chuvosos. As contas gastronômicas ajudam a dar a dimensão do evento – foram consumidos 1,2 milhão de sanduícules, 33 mil pizzas e 1,6 litros de cerveja, chope e refrigerante.

Além dos dados, nem todo mundo conhece outras histórias por trás do Rock in Rio, e o G1 selecionou alguns dos momentos mais curiosos do livro “Metendo o pé na lama”, escrito pelo diretor de arte Cid Castro, funcionário de Roberto Medina e criador da logomarca do festival. Confira abaixo dez curiosidades sobre o Rock in Rio I:

1 – Nostradamus x Bola – Circulavam boatos na época de que uma profecia de Nostradamus diria que um festival na América do Sul acabaria em tragédia. Para combater os rumores, a organização contratou um astrólogo, chamado Bola, para fazer o mapa astral do Rock in Rio. Ele disse que seria um festival tranquilo e acertou em cheio os resultados, até nos pontos baixos (falta de lucro e mau tempo).

2 – Era uma vez um pântano – A Cidade do Rock, arrendada em um campo ao lado do Autódromo de Jacarepaguá, levou três meses só para ter a base pronta. Em novembro de 1984, o pântano de 85 mil metros quadrados havia se transformado em uma área urbanizada com ruas, saneamento, área de lazer e heliporto. Foram necessários 55 mil caminhões de terra para adubar o aterro.

3 – Apostando tudo – Os potenciais patrocinadores do festival avisaram que só entrariam com o dinheiro depois que 50% das atrações internacionais estivessem confirmadas. Sem dinheiro para começar os trabalhos, Roberto Medina teve que dar o prédio de sete andares da agência Artplan como garantia para um empréstimo bancário.

4 – ‘Paitrocínio’ – O festival quase não aconteceu por falta de atrações. Apesar da experiência da Artplan, que já realizara shows de artistas como Barry White, Julio Iglesias e a apresentação lotada de Frank Sinatra no Maracanã com 160 ml pessoas, Roberto Medina passou 40 dias em Nova York correndo atrás de artistas, sem sucesso. Só depois da intervenção de seu pai Abraham Medina, preocupado com o sucesso da operação, é que as coisas começaram a andar – ele publicou matérias pagas em jornais estrangeiros e organizou um cocktail em Los Angeles, e então os contratos começaram a ser fechados.

5 – Jeitinho brasileiro – Para dar agilidade na troca de artistas do festival, que tinha apenas um palco, o cenógrafo Mário Monteiro criou uma estrutura móvel com três “palcos” distintos, correndo sobre trilhos – enquanto uma banda tocava, o equipamento da outra era preparado no tablado lateral.

6 – Saúde é o que interessa – Sem bebidas alcoólicas no camarim, os metaleiros do Whitesnake tinham direito a personal trianer e aquecimento com ginástica antes do show, correndo pela área de camarins. Completavam o time um nutricionista e um massagista.

7 – New wave – A baixista Tina Weymouth e o baterista Chris Frantz, casal que na época integrava o Talking Heads, tocaram como convidados especiais dos colegas da new wave norte-americana B-52s.

8 – Fazendo média – Matthias Jabs, guitarrista do Scorpions, tocou com uma guitarra com o corpo com o formato da América do Sul, inspirado no logo do festival. Para não fazer feio em cima do palco, a banda ainda contava com um coreógrafo, e cada pulo e giro de microfone era ensaiado.

9 – Sinos do inferno – O sino que o AC/DC tocava no início de “Hell’s bells” pesava 1.500 quilos, e teve que ser trazido de navio. Mas, na hora de subir no palco, não deu: a estrutura não aguentaria o peso. A solução foi uma réplica de gesso do sino, e a badalada foi disparada eletronicamente.

10 – Proibido comer morcegos – Com medo de que Ozzy Osbourne cometesse alguma loucura como comer morcegos no palco, a organização o proibiu contratualmente de abocanhar qualquer animal vivo durante o show. Para garantir que a cláusula fosse cumprida, membros da sociedade protetora dos animais fiscalizaram o show.

Postado por Caio Mattos às 02:54 Marcadores: Hoje no Rock, rock in rio

 

2 comentários:

(…)

Danfern disse…

Po, essa história da pajelança do Bola eu não sabia!
E eu achando que Fundação Cacique Cobra Coral era ‘privilégio’ dos nossos tempos…rs

New Research Shocks Scientists: Human Emotion Physically Shapes Reality! (IUV)

BY  /   SUNDAY, 12 MARCH 2017

published on Life Coach Code, on February 26, 2017

Three different studies, done by different teams of scientists proved something really extraordinary. But when a new research connected these 3 discoveries, something shocking was realized, something hiding in plain sight.

Human emotion literally shapes the world around us. Not just our perception of the world, but reality itself.

Emotions-Physically-Shape-Reality

In the first experiment, human DNA, isolated in a sealed container, was placed near a test subject. Scientists gave the donor emotional stimulus and fascinatingly enough, the emotions affected their DNA in the other room.

In the presence of negative emotions the DNA tightened. In the presence of positive emotions the coils of the DNA relaxed.

The scientists concluded that “Human emotion produces effects which defy conventional laws of physics.”

Emotions-Have-An-Effect-On-Reality

In the second, similar but unrelated experiment, different group of scientists extracted Leukocytes (white blood cells) from donors and placed into chambers so they could measure electrical changes.

In this experiment, the donor was placed in one room and subjected to “emotional stimulation” consisting of video clips, which generated different emotions in the donor.

The DNA was placed in a different room in the same building. Both the donor and his DNA were monitored and as the donor exhibited emotional peaks or valleys (measured by electrical responses), the DNA exhibited the IDENTICAL RESPONSES AT THE EXACT SAME TIME.

DNA-Responds-To-Our-Emotions

There was no lag time, no transmission time. The DNA peaks and valleys EXACTLY MATCHED the peaks and valleys of the donor in time.

The scientists wanted to see how far away they could separate the donor from his DNA and still get this effect. They stopped testing after they separated the DNA and the donor by 50 miles and STILL had the SAME result. No lag time; no transmission time.

The DNA and the donor had the same identical responses in time. The conclusion was that the donor and the DNA can communicate beyond space and time.

The third experiment proved something pretty shocking!

Scientists observed the effect of DNA on our physical world.

Light photons, which make up the world around us, were observed inside a vacuum. Their natural locations were completely random.

Human DNA was then inserted into the vacuum. Shockingly the photons were no longer acting random. They precisely followed the geometry of the DNA.

Light-Photons-Followed-The-Geometry-DNA

Scientists who were studying this, described the photons behaving “surprisingly and counter-intuitively”. They went on to say that “We are forced to accept the possibility of some new field of energy!”

They concluded that human DNA literally shape the behavior of light photons that make up the world around us!

So when a new research was done, and all of these 3 scientific claims were connected together, scientists were shocked.

They came to a stunning realization that if our emotions affect our DNA and our DNA shapes the world around us, than our emotions physically change the world around us.

Scientists-Make-A-Claim-That-Human-Emotion-Defy-The-Conventional-Laws-Of-Physics-And-Reality

And not just that, we are connected to our DNA beyond space and time.

We create our reality by choosing it with our feelings.

Science has already proven some pretty MINDBLOWING facts about The Universe we live in. All we have to do is connect the dots.

Sources:
– https://www.youtube.com/watch?v=pq1q58wTolk;
– Science Alert;
– Heart Math;
– Above Top Secret;
– http://www.bibliotecapleyades.net/mistic/esp_greggbraden_11.htm;

Governo de Brasília fecha parceria com fundação esotérica que “promete chuva” (O Globo)

Representante da Cacique Cobra Coral diz que ainda dá tempo

NONATO VIEGAS

17/03/2017 – 17h16 – Atualizado 17/03/2017 17h49

Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: reprodução)

Fundação Cacique Cobra Coral (Foto: Reprodução)

Com risco real de desabastecimento de água em Brasília, o governo do Distrito Federal decidiu, finalmente, fechar parceria com a fundação esotérica que “promete chuva”, a Cacique Cobra Coral. A parceria fora sugerida pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), resistia. O acordo, sem ônus para o governo do Distrito Federal, será publicado nos próximos dias no Diário Oficial. Apesar da demora, o representante da entidade, Osmar Santos, diz que ainda dá tempo de ajudar os brasilienses.


Entidade esotérica critica governo do DF por atraso em obra que garantiria mais água

A Fundação Cobra Coral está preocupada porque a capital federal abrigará o Fórum Mundial da Água no ano que vem

NONATO VIEGAS

09/03/2017 – 11h14 – Atualizado 09/03/2017 11h26

Do jeito que está, diz Santos, corre o risco de Brasília passar vergonha no ano que vem, quando a cidade sediará o Fórum Mundial da Água, evento mais importante sobre o tema no cenário internacional.


Governador de Brasília abriu mão de entidade esotérica para pedir chuva

A Fundação Cacique Cobra Coral foi consultada e esquecida depois

MURILO RAMOS

05/03/2017 – 15h00 – Atualizado 06/03/2017 08h57

Ilustração indio (Foto:  Reprodução)

No fim de 2016, preocupado com o baixo nível dos reservatórios de água em Brasília, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, buscou ajuda da Fundação Cacique Cobra Coral, entidade esotérica, para pedir chuva. Desde dezembro, no entanto, Rollemberg deixou a Cobral Coral de lado, e a questão hídrica em Brasília piorou. Mais de 20 regiões do Distrito Federal enfrentam racionamento de água. Apesar do abandono, o assessor da Cobra Coral, Osmar Santos, diz que ainda dá tempo de resolver o problema.

How the Amazon’s Cashews and Cacao Point to Cultivation by the Ancients (New York Times)

Scientists studying the Amazon rain forest are tangled in a debate of nature versus nurture.

Many ecologists tend to think that before Europeans arrived in the Americas, the vast wilderness was pristine and untouched by humans. But several archaeologists argue that ancient civilizations once thrived in its thickets and played a role in its development.

Now, researchers have found evidence that indigenous people may have domesticated and cultivated Amazonian plants and trees thousands of years ago, further supporting the idea that ancient humans helped shape the forest.

“Large areas of the Amazon are less pristine than we may think,” said Hans ter Steege, a tropical ecologist at the Naturalis Biodiversity Center in the Netherlands, and an author of a paper published in Science on Thursday. “The people who lived there before Columbus left serious footprints that still persist in the composition as we see today.”

He was one of more than a hundred researchers who found that domesticated tree and palm species — like cacao, cashews, the açaí palm, the Brazil nut and rubber — were five times more likely to dominate the modern Amazonian forest than nondomesticated plants.

Carolina Levis, a doctoral student at the National Institute for Amazonian Research in Brazil and Wageningen University and Research Center in the Netherlands, was the lead author on the study. She and her team looked at a database from the Amazon Tree Diversity Network containing 1,170 plots of forest. Most plots measured approximately 2.5 acres each and had previously been investigated on foot by ecologists who counted and identified the plant species in the plots. Ms. Levis then identified 85 domestic plants to analyze.

One way the team determined that a plant had been domesticated was a look at its fruit. They found, for example, some peach palms that bore fruit weighing 200 grams, or 0.44 pounds, when the fruit grown in the wild matured to about one gram. Several of the domesticated plants they identified are still grown by South Americans.

The harvesting of peach palm in the Amazon. Credit: Tinde van Andel 

Ms. Levis compared her list of 85 plants to another database of more than 3,000 archaeological sites, including ceramics, dirt mounds and rock paintings, dating back before the Spaniards and Portuguese arrived in the Americas 500 years ago. The domesticated plants flourished near the archaeological sites, far more so than nondomesticated ones.

“It’s the first time that we show these correlations between plant species in the forest today and archaeological finds,” she said.

The findings suggest that either the ancient civilizations grew and cultivated the plants, or that they purposely settled in areas that had plants they could eat and use. Ms. Levis said she suspected that people were domesticating the plants, although the study did not definitively pinpoint how settlements were chosen. In some plots, more than half of the plant life consisted of domesticated trees and palms.

Jennifer Watling, an archaeologist at the University of São Paulo, Brazil, who was not involved with the study, said in an email that “the large number of data points sampled by these authors gives good reason to believe that the distribution of domesticated species in many areas of Amazonia is strongly linked to the actions of pre-Columbian societies.”

But Crystal McMichael, a paleoecologist from the University of Amsterdam, said the database comparisons were not convincing. New direct evidence, like fossils of domesticated plants at the archaeological sites, would help advance such theories, she said. While the study shows a potential association between ancient people and modern forest composition, it does not preclude the possibility that the domesticated plant patterns occurred with more modern settlements, she said in an email.

Dr. ter Steege disagreed. The study “changed my view of the forest,” he said. “It’s not only the ecology or the environment that created this forest, but also the people who lived there before.”

O peso através das gerações (Pesquisa Fapesp)

Entre ratos, efeitos do consumo excessivo ou da falta de comida podem ser transmitidos para filhos e netos 

REINALDO JOSÉ LOPES | ED. 252 | FEVEREIRO 2017

Experimentos com ratos feitos por pesquisadores de universidades de São Paulo reforçam a ideia de que o excesso de peso pode ser um fenômeno que transcende gerações – e não apenas porque os filhos tendem a herdar dos pais genes que favorecem o acúmulo de energia e os tornam predispostos à obesidade ou porque vivem em um ambiente com disponibilidade excessiva de comida. Alterações na oferta de alimento para as fêmeas um pouco antes ou durante a gravidez parecem aumentar, por mecanismos ainda pouco compreendidos, a probabilidade de que tenham filhos e até netos com sobrepeso.

Em uma série de testes, a bióloga Maria Martha Bernardi e sua equipe na Universidade Paulista (Unip) alimentaram algumas ratas no início da vida reprodutiva e outras já grávidas com uma dieta bastante calórica e aguardaram para ver o que acontecia com a primeira geração de filhotes e também com os filhos desses filhotes. Tanto os roedores que nasceram de mães superalimentadas quanto os da geração seguinte apresentaram mais predisposição a desenvolver sobrepeso.

A tendência de ganho excessivo de peso ocorreu mesmo quando os filhos e os netos dessas ratas foram alimentados apenas com a dieta padrão de laboratório. Segundo Martha, esses resultados indicam que o período em que o feto está se desenvolvendo no útero é crucial para definir a regulação do metabolismo do animal e, ao menos, o da geração seguinte.

Se essas mudanças aparecessem apenas na primeira geração, o mais natural seria imaginar que alterações hormonais provocadas pela dieta materna teriam afetado os filhotes. Como o efeito avança até a segunda geração, os pesquisadores suspeitam que a propensão a ganhar peso seja mantida por mecanismos epigenéticos: alterações no padrão de ativação e desligamento dos genes provocadas por fatores ambientais, como a dieta, e transmitidas às gerações seguintes. Essas mudanças no perfil de acionamento dos genes não alteram diretamente a sequência de “letras químicas” do DNA, apesar de serem herdadas através das gerações. Embora o grupo de Martha não tenha analisado o padrão de atividade dos genes, dados obtidos por cientistas mundo afora indicam que mudanças no perfil de ativação gênica sem alteração na sequência de DNA podem acontecer tanto em animais quanto em seres humanos.

Dieta que engorda
Curiosamente, não foi só a superalimentação materna durante a gestação que parece ter mexido com o perfil de ativação de seus genes e deixado filhos e netos com tendência a engordar. Em um dos experimentos, realizado em parceria com pesquisadores das universidades de São Paulo (USP), Federal do ABC (UFABC) e Santo Amaro (Unisa), 12 fêmeas de ratos receberam 40% menos comida do que o considerado normal para as roedoras prenhes, enquanto oito ratas do grupo de controle foram alimentadas com a dieta habitual de laboratório.

As fêmeas que passaram fome durante a gestação ganharam menos da metade do peso das ratas que puderam comer à vontade. Os filhotes das mães submetidas à restrição alimentar nasceram menores e continuaram mais magros durante algum tempo, ainda que recebessem a mesma quantidade de comida que os filhos das ratas que não passaram fome. Só na idade adulta a diferença desapareceu e os dois grupos de roedores alcançaram peso semelhante, embora os filhos das ratas famintas apresentassem uma proporção maior de gordura corporal – em especial, de uma forma de gordura que se acumula entre os órgãos (gordura visceral), associada a maior risco de problemas cardiovasculares.

A diferença mais importante surgiu na segunda geração. Os netos de ratas que haviam comido pouco enquanto estavam prenhes nasceram menores, mas, depois de adultos, eram um pouco (de 10% a 15%) mais pesados que os netos das ratas alimentadas normalmente. Eles tinham mais gordura visceral e também sinais de inflamação no cérebro. Esse ganho extra de peso ocorreu mesmo com as fêmeas da primeira geração, portanto, mães desses animais, tendo sido alimentadas normalmente. É como se a privação de alimento experimentada pelas ratas da geração inicial provocasse uma reprogramação metabólica duradoura em seus descendentes, afirmam os pesquisadores em artigo publicado em maio de 2016 na revista Reproduction, Fertility and Development.

O trabalho da equipe paulista, nesse ponto, confirma pesquisas anteriores que já haviam encontrado uma associação entre episódios de fome na gravidez e o nascimento de filhos com propensão ao aumento de peso e aos problemas de saúde a ele associados. Embora não tenham identificado o mecanismo específico por trás desse efeito, Martha Bernardi e sua equipe suspeitam que compostos produzidos pelo organismo das mães da geração inicial, parcialmente privadas de comida na gestação, ativem genes que favorecem o rápido ganho de peso no filhote. Assim, os sinais químicos emitidos pelo corpo materno funcionariam como um alerta de que o ambiente é de escassez e que é preciso usar com máxima eficiência os recursos alimentares disponíveis. Essa sinalização recebida pelo organismo do filhote poderia fazer toda a diferença, representando a chance de crescer e sobreviver em um ambiente com privação de alimento. “Mas também pode levar à obesidade, caso a oferta de alimentos volte a se normalizar depois que ele nasce”, explica Martha.

Estudos realizados nas décadas anteriores mostraram uma situação muito parecida com a descrita acima entre os descendentes das mulheres que ficaram grávidas durante o chamado Hongerwinter (inverno da fome, em holandês), quando os exércitos nazistas que recuavam na Holanda diante do avanço dos Aliados cortaram boa parte do transporte de suprimentos para o país entre o fim de 1944 e o começo de 1945, no final da Segunda Grande Guerra. Tanto os filhos quanto os netos das sobreviventes do Hongerwinter apresentavam taxas de obesidade e problemas metabólicos acima do esperado para a população geral.

Inflamação no cérebro
Em outro estudo, Martha e seus colegas forneceram alimentação hipercalórica – uma mistura de ração padrão mais um suplemento líquido rico em diferentes tipos de gordura – para 10 ratas logo após o desmame, enquanto outro grupo de fêmeas recebeu a alimentação normal e serviu de controle. Conforme o esperado, as ratas submetidas à dieta hipercalórica quando bebês ficaram acima do peso, ainda que não obesas, ao chegar à puberdade. Efeitos semelhantes foram observados em suas filhas: eram ratas que, quando adultas, apresentaram sobrepeso e alterações metabólicas, como o acúmulo de gordura visceral, embora tenham sido tratadas apenas com uma dieta balanceada durante toda a vida. Também publicado na Reproduction, Fertility and Development, esse trabalho e outros estudos do grupo indicam que o sobrepeso foi o desencadeador de processos inflamatórios que afetaram o cérebro da mãe e da prole, de forma aparentemente duradoura.

Se parece estranho imaginar que o excesso de peso pode levar a uma inflamação cerebral, é preciso lembrar que as células de gordura não são meros depósitos de calorias. Os adipócitos, como são chamados, produzem uma grande variedade de substâncias, entre as quais moléculas desencadeadoras de inflamações, que chegam à corrente sanguínea e, a partir dela, ao hipotálamo, região do cérebro associada, entre outras funções, ao controle da fome.

Trabalhos do grupo da Unip ainda não publicados indicam ainda que essa inflamação pode atingir outras áreas cerebrais dos roedores. A hipótese dos pesquisadores é de que o processo inflamatório no órgão esteja ligado à reprogramação do organismo transmitida da mãe para os filhotes, incluindo aí alterações no controle do apetite que podem se manter durante a vida adulta.

Para Alicia Kowaltowski, pesquisadora do Instituto de Química da USP que estuda a relação entre a dieta e os mecanismos de produção de energia das células, é bastante forte a possibilidade de que a tendência ao sobrepeso e à obesidade seja passada de uma geração para outra por meios que não envolvem a herança de genes favorecedores do ganho de peso. “A questão é saber quais são os mecanismos que estão por trás desses fenômenos”, conta a pesquisadora.

Entre tais mecanismos, um candidato que tem ganhado força são as transformações epigenéticas. O prefixo grego epi significa superior, e na palavra epigenética, cunhada nos anos 1940 pelo embriologista inglês Conrad Waddington, designa a área da biologia que estuda as modificações químicas motivadas pelo ambiente que levam à ativação ou inativação dos genes e alteram o funcionamento do organismo. Uma das modificações químicas mais comuns e simples sofrida pelos genes é a chamada metilação. Nela, um grupo metila, formado por um átomo de carbono e três de hidrogênio (CH3), acopla-se a um trecho de DNA, impedindo que ele seja lido pelo maquinário da célula. O resultado é o silenciamento daquela região. Estudos com dezenas de espécies de animais, plantas e fungos já mostraram que o perfil de metilação pode ser transmitido de uma geração para outra e afetar as características da prole.

Influência paterna
O papel das mães no sobrepeso dos filhos parece cada vez mais sólido. E quanto ao papel do pai? “Há alguns indícios de que a influência paterna também pode ocorrer, mas eles são menos claros”, diz Martha Bernardi. Por um lado, faz sentido que influências epigenéticas possam ser transmitidas pelo lado paterno – assim como outras células do organismo, os espermatozoides podem ser afetados por alterações no padrão de ativação dos genes produzidas por influência do ambiente. Se tais mudanças não forem totalmente eliminadas após o encontro entre as células sexuais masculinas e os óvulos, o novo indivíduo gerado pela fecundação poderia carregar parte da memória epigenética de seu pai.

Um estudo de 2015, feito por uma equipe da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e liderado por Romain Barrès, mostrou que esse cenário é plausível ao estudar os espermatozoides de 16 homens obesos e outros 10 com peso normal. No caso dos voluntários obesos, os padrões epigenéticos, como os de metilação, concentravam-se em genes ligados ao desenvolvimento do sistema nervoso, em especial os que são importantes para o controle do apetite (e, portanto, do peso), o que não ocorria com os homens magros.

Barrès e seus colegas fizeram outra comparação sugestiva entre as marcações epigenéticas dos espermatozoides dos obesos antes da cirurgia de redução de estômago e as desses mesmos participantes após a operação. Resultado: depois da cirurgia, o padrão epigenético das células lembrava o de homens com peso normal.

“O mais importante a respeito dessas descobertas é sugerir que tais modificações podem ocorrer em células germinativas, ou seja, os óvulos e espermatozoides, e ser transmitidas para gerações seguintes”, diz o médico Licio Augusto Velloso, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), que estuda os mecanismos celulares e moleculares ligados à origem da obesidade e do diabetes. “Os estudos epigenéticos avançaram muito na última década e se espera que, num futuro não muito distante, o mapeamento de fatores ambientais e de seu impacto em diferentes aspectos da epigenética nos ajude a prevenir doenças importantes”, afirma Velloso.

Enxergar o excesso de peso pelo prisma epigenético pode trazer mais uma peça relevante para o quebra-cabeça da epidemia global de obesidade e de doenças metabólicas ligadas a ela. Historicamente associado à saúde e à fartura, o excesso de peso se tornou um problema de grandes proporções primeiro nos países ricos, mas hoje é cada vez mais comum em países mais pobres – a começar pelo Brasil, onde quase 60% da população adulta está acima do peso considerado saudável, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitos países em desenvolvimento passaram rapidamente de um contexto em que a desnutrição era um problema grave para outro em que a obesidade é muito mais preocupante.

Artigos científicos
JOAQUIM, A. O. et al. Maternal food restriction in rats of the F0 generation increases retroperitoneal fat, the number and size of adipocytes and induces periventricular astrogliosis in female F1 and male F2 generationsReproduction, Fertility and Development. 31 mai. 2016.
JOAQUIM, A. O. et alTransgenerational effects of a hypercaloric dietReproduction, Fertility and Development. 25 ago. 2015.

The secret of scientists who impact policy (Science Daily)

For influence, engaging stakeholders is key, study shows

Date:
February 21, 2017
Source:
University of Vermont
Summary:
Researchers analyzed 15 policy decisions worldwide, with outcomes ranging from new coastal preservation laws to improved species protections, to produce the first quantitative analysis of how environmental knowledge impacts the attitudes and decisions of conservation policymakers.

Environmental scholars have greater policy influence when they engage directly with stakeholders, a UVM-led study says. Credit: Natural Capital Project

Why does some research lead to changes in public policy, while other studies of equal quality do not?

That crucial question — how science impacts policy — is central to the research of University of Vermont (UVM) Prof. Taylor Ricketts and recent alum Stephen Posner.

According to their findings, the most effective way environmental scholars can boost their policy influence — from protecting wildlife to curbing pollution — is to consult widely with stakeholders during the research process.

Speaking at the American Association for the Advancement of Science annual meeting talk, The Effectiveness of Ecosystem Services Science in Decision-Making, on Feb 18., the team briefed scientists and policy experts on their 2016 study in Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Outreach trumps findings

Surprisingly, the study finds that stakeholder engagement is a better predictor of future policy impacts than perceived scientific credibility, says Ricketts, Director of UVM’s Gund Institute and Gund Professor in the Rubenstein School of Environment and Natural Resources.

The study is the first quantitative analysis of how environmental knowledge impacts the attitudes and decisions of conservation policymakers. Researchers from the UVM, World Wildlife Fund and Natural Capital Project analyzed 15 policy decisions worldwide, with outcomes ranging from new coastal preservation laws to improved species protections.

One hand clapping, academic style

Stephen Posner, a Gund researcher and COMPASS policy engagement associate, characterizes policy-related research without outreach as the academic equivalent of “the sound of one hand clapping.”

“Scholars may have the best policy intentions and important research, but our results suggest that decision-makers are unlikely to listen without meaningful engagement of them and various stakeholders,” he says.

When scholars meet with constituent groups — for example, individual landowners, conservation organizations, or private businesses — it improves policymakers’ perception of scientific knowledge as unbiased and representative of multiple perspectives, the study finds.

“For decision-makers, that made research more legitmate and worthy of policy consideration,” Ricketts adds.

Ways to improve consultation

The research team suggests research institutions offer scholars more time and incentives to improve engagement. They also encourage researchers to seek greater understanding of policy decision-making in their fields, and include stakeholder outreach plans in research projects.

“For those working on policy-related questions, we hope these findings offer a reminder of the value of engaging directly with policy makers and stakeholders, ” Posner says. “This will be crucial as we enter the new political reality of the Trump administration.”

Previous research on science-policy decision-making used qualitative approaches, or focused on a small number of case studies.

Background

The study is called “Policy impacts of ecosystem services knowledge” by Stephen Posner, Emily McKenzie, and Taylor H. Ricketts.

Co-author Emily McKenzie hails from WWF and the Natural Capital Project.

The study used a global sample of regional case studies from the Natural Capital Project, in which researchers used the standardized scientific tool InVest to explore environmental planning and policy outcomes.

Data included surveys of decision-makers and expert review of 15 cases with different levels of policy impact. The forms of engagement studied included emails, phone conversations, individual and group meetings, as well as decision-maker perceptions of the scientific knowledge.


Journal Reference:

  1. Stephen M. Posner, Emily McKenzie, Taylor H. Ricketts. Policy impacts of ecosystem services knowledgeProceedings of the National Academy of Sciences, 2016; 113 (7): 1760 DOI: 10.1073/pnas.1502452113

Shell made a film about climate change in 1991 (then neglected to heed its own warning) (The Correspondent)

27.Feb.2017

Confidential documents show that Shell sounded the alarm about global warming as early as 1986. But despite this clear-eyed view of the risks, the oil giant has lobbied against strong climate legislation for decades. Today we make Shell’s 1991 film, Climate of Concern, public again.

By Jelmer MOMMERS

Shell Oil Company has spent millions of dollars lobbying against measures that would protect the planet from climate catastrophe. But thanks to a film recently obtained by The Correspondent, it’s now clear that their position wasn’t born of ignorance. Shell knows that fossil fuels put us all at risk – in fact, they’ve known for over a quarter of a century. Climate of Concern, a 1991 educational film produced by Shell, warned that the company’s own product could lead to extreme weather, floods, famines, and climate refugees, and noted that the reality of climate change was “endorsed by a uniquely broad consensus of scientists.”

The question, ladies and gentlemen, is what did Shell know and when did they know it. The Correspondent would like to enter into evidence Exhibit A: Climate of Concern.

The Climate of Concern stories are the result of over a year of investigative reporting by You can find Jelmer’s original reconstruction here (in Dutch). Jelmer Mommers for The Correspondent. For the English-language version of the main report, we teamed up with the Guardian’s Environment Editor You can find the Guardian piece here. Damian Carrington, who conducted additional research and covered the story for his outlet.

Nobody understands what consciousness is or how it works. Nobody understands quantum mechanics either. Could that be more than coincidence? (BBC)

What is going on in our brains? (Credit: Mehau Kulyk/Science Photo Library)

What is going on in our brains? (Credit: Mehau Kulyk/Science Photo Library)

Quantum mechanics is the best theory we have for describing the world at the nuts-and-bolts level of atoms and subatomic particles. Perhaps the most renowned of its mysteries is the fact that the outcome of a quantum experiment can change depending on whether or not we choose to measure some property of the particles involved.

When this “observer effect” was first noticed by the early pioneers of quantum theory, they were deeply troubled. It seemed to undermine the basic assumption behind all science: that there is an objective world out there, irrespective of us. If the way the world behaves depends on how – or if – we look at it, what can “reality” really mean?

The most famous intrusion of the mind into quantum mechanics comes in the “double-slit experiment”

Some of those researchers felt forced to conclude that objectivity was an illusion, and that consciousness has to be allowed an active role in quantum theory. To others, that did not make sense. Surely, Albert Einstein once complained, the Moon does not exist only when we look at it!

Today some physicists suspect that, whether or not consciousness influences quantum mechanics, it might in fact arise because of it. They think that quantum theory might be needed to fully understand how the brain works.

Might it be that, just as quantum objects can apparently be in two places at once, so a quantum brain can hold onto two mutually-exclusive ideas at the same time?

These ideas are speculative, and it may turn out that quantum physics has no fundamental role either for or in the workings of the mind. But if nothing else, these possibilities show just how strangely quantum theory forces us to think.

The famous double-slit experiment (Credit: Victor de Schwanberg/Science Photo Library)

The famous double-slit experiment (Credit: Victor de Schwanberg/Science Photo Library)

The most famous intrusion of the mind into quantum mechanics comes in the “double-slit experiment”. Imagine shining a beam of light at a screen that contains two closely-spaced parallel slits. Some of the light passes through the slits, whereupon it strikes another screen.

Light can be thought of as a kind of wave, and when waves emerge from two slits like this they can interfere with each other. If their peaks coincide, they reinforce each other, whereas if a peak and a trough coincide, they cancel out. This wave interference is called diffraction, and it produces a series of alternating bright and dark stripes on the back screen, where the light waves are either reinforced or cancelled out.

The implication seems to be that each particle passes simultaneously through both slits

This experiment was understood to be a characteristic of wave behaviour over 200 years ago, well before quantum theory existed.

The double slit experiment can also be performed with quantum particles like electrons; tiny charged particles that are components of atoms. In a counter-intuitive twist, these particles can behave like waves. That means they can undergo diffraction when a stream of them passes through the two slits, producing an interference pattern.

Now suppose that the quantum particles are sent through the slits one by one, and their arrival at the screen is likewise seen one by one. Now there is apparently nothing for each particle to interfere with along its route – yet nevertheless the pattern of particle impacts that builds up over time reveals interference bands.

The implication seems to be that each particle passes simultaneously through both slits and interferes with itself. This combination of “both paths at once” is known as a superposition state.

But here is the really odd thing.

The double-slit experiment (Credit: GIPhotoStock/Science Photo Library)

The double-slit experiment (Credit: GIPhotoStock/Science Photo Library)

If we place a detector inside or just behind one slit, we can find out whether any given particle goes through it or not. In that case, however, the interference vanishes. Simply by observing a particle’s path – even if that observation should not disturb the particle’s motion – we change the outcome.

The physicist Pascual Jordan, who worked with quantum guru Niels Bohr in Copenhagen in the 1920s, put it like this: “observations not only disturb what has to be measured, they produce it… We compel [a quantum particle] to assume a definite position.” In other words, Jordan said, “we ourselves produce the results of measurements.”

If that is so, objective reality seems to go out of the window.

And it gets even stranger.

Particles can be in two states (Credit: Victor de Schwanberg/Science Photo Library)

Particles can be in two states (Credit: Victor de Schwanberg/Science Photo Library)

If nature seems to be changing its behaviour depending on whether we “look” or not, we could try to trick it into showing its hand. To do so, we could measure which path a particle took through the double slits, but only after it has passed through them. By then, it ought to have “decided” whether to take one path or both.

The sheer act of noticing, rather than any physical disturbance caused by measuring, can cause the collapse

An experiment for doing this was proposed in the 1970s by the American physicist John Wheeler, and this “delayed choice” experiment was performed in the following decade. It uses clever techniques to make measurements on the paths of quantum particles (generally, particles of light, called photons) after they should have chosen whether to take one path or a superposition of two.

It turns out that, just as Bohr confidently predicted, it makes no difference whether we delay the measurement or not. As long as we measure the photon’s path before its arrival at a detector is finally registered, we lose all interference.

It is as if nature “knows” not just if we are looking, but if we are planning to look.

(Credit: Emilio Segre Visual Archives/American Institute Physics/Science Photo Library)

Eugene Wigner (Credit: Emilio Segre Visual Archives/American Institute of Physics/Science Photo Library)

Whenever, in these experiments, we discover the path of a quantum particle, its cloud of possible routes “collapses” into a single well-defined state. What’s more, the delayed-choice experiment implies that the sheer act of noticing, rather than any physical disturbance caused by measuring, can cause the collapse. But does this mean that true collapse has only happened when the result of a measurement impinges on our consciousness?

It is hard to avoid the implication that consciousness and quantum mechanics are somehow linked

That possibility was admitted in the 1930s by the Hungarian physicist Eugene Wigner. “It follows that the quantum description of objects is influenced by impressions entering my consciousness,” he wrote. “Solipsism may be logically consistent with present quantum mechanics.”

Wheeler even entertained the thought that the presence of living beings, which are capable of “noticing”, has transformed what was previously a multitude of possible quantum pasts into one concrete history. In this sense, Wheeler said, we become participants in the evolution of the Universe since its very beginning. In his words, we live in a “participatory universe.”

To this day, physicists do not agree on the best way to interpret these quantum experiments, and to some extent what you make of them is (at the moment) up to you. But one way or another, it is hard to avoid the implication that consciousness and quantum mechanics are somehow linked.

Beginning in the 1980s, the British physicist Roger Penrosesuggested that the link might work in the other direction. Whether or not consciousness can affect quantum mechanics, he said, perhaps quantum mechanics is involved in consciousness.

Physicist and mathematician Roger Penrose (Credit: Max Alexander/Science Photo Library)

Physicist and mathematician Roger Penrose (Credit: Max Alexander/Science Photo Library)

What if, Penrose asked, there are molecular structures in our brains that are able to alter their state in response to a single quantum event. Could not these structures then adopt a superposition state, just like the particles in the double slit experiment? And might those quantum superpositions then show up in the ways neurons are triggered to communicate via electrical signals?

Maybe, says Penrose, our ability to sustain seemingly incompatible mental states is no quirk of perception, but a real quantum effect.

Perhaps quantum mechanics is involved in consciousness

After all, the human brain seems able to handle cognitive processes that still far exceed the capabilities of digital computers. Perhaps we can even carry out computational tasks that are impossible on ordinary computers, which use classical digital logic.

Penrose first proposed that quantum effects feature in human cognition in his 1989 book The Emperor’s New Mind. The idea is called Orch-OR, which is short for “orchestrated objective reduction”. The phrase “objective reduction” means that, as Penrose believes, the collapse of quantum interference and superposition is a real, physical process, like the bursting of a bubble.

Orch-OR draws on Penrose’s suggestion that gravity is responsible for the fact that everyday objects, such as chairs and planets, do not display quantum effects. Penrose believes that quantum superpositions become impossible for objects much larger than atoms, because their gravitational effects would then force two incompatible versions of space-time to coexist.

Penrose developed this idea further with American physician Stuart Hameroff. In his 1994 book Shadows of the Mind, he suggested that the structures involved in this quantum cognition might be protein strands called microtubules. These are found in most of our cells, including the neurons in our brains. Penrose and Hameroff argue that vibrations of microtubules can adopt a quantum superposition.

But there is no evidence that such a thing is remotely feasible.

Microtubules inside a cell (Credit: Dennis Kunkel Microscopy/Science Photo Library)

Microtubules inside a cell (Credit: Dennis Kunkel Microscopy/Science Photo Library)

It has been suggested that the idea of quantum superpositions in microtubules is supported by experiments described in 2013, but in fact those studies made no mention of quantum effects.

Besides, most researchers think that the Orch-OR idea was ruled out by a study published in 2000. Physicist Max Tegmark calculated that quantum superpositions of the molecules involved in neural signaling could not survive for even a fraction of the time needed for such a signal to get anywhere.

Other researchers have found evidence for quantum effects in living beings

Quantum effects such as superposition are easily destroyed, because of a process called decoherence. This is caused by the interactions of a quantum object with its surrounding environment, through which the “quantumness” leaks away.

Decoherence is expected to be extremely rapid in warm and wet environments like living cells.

Nerve signals are electrical pulses, caused by the passage of electrically-charged atoms across the walls of nerve cells. If one of these atoms was in a superposition and then collided with a neuron, Tegmark showed that the superposition should decay in less than one billion billionth of a second. It takes at least ten thousand trillion times as long for a neuron to discharge a signal.

As a result, ideas about quantum effects in the brain are viewed with great skepticism.

However, Penrose is unmoved by those arguments and stands by the Orch-OR hypothesis. And despite Tegmark’s prediction of ultra-fast decoherence in cells, other researchers have found evidence for quantum effects in living beings. Some argue that quantum mechanics is harnessed by migratory birds that use magnetic navigation, and by green plants when they use sunlight to make sugars in photosynthesis.

Besides, the idea that the brain might employ quantum tricks shows no sign of going away. For there is now another, quite different argument for it.

Could phosphorus sustain a quantum state? (Credit: Phil Degginger/Science Photo Library)

Could phosphorus sustain a quantum state? (Credit: Phil Degginger/Science Photo Library)

In a study published in 2015, physicist Matthew Fisher of the University of California at Santa Barbara argued that the brain might contain molecules capable of sustaining more robust quantum superpositions. Specifically, he thinks that the nuclei of phosphorus atoms may have this ability.

Phosphorus atoms are everywhere in living cells. They often take the form of phosphate ions, in which one phosphorus atom joins up with four oxygen atoms.

Such ions are the basic unit of energy within cells. Much of the cell’s energy is stored in molecules called ATP, which contain a string of three phosphate groups joined to an organic molecule. When one of the phosphates is cut free, energy is released for the cell to use.

Cells have molecular machinery for assembling phosphate ions into groups and cleaving them off again. Fisher suggested a scheme in which two phosphate ions might be placed in a special kind of superposition called an “entangled state”.

Phosphorus spins could resist decoherence for a day or so, even in living cells

The phosphorus nuclei have a quantum property called spin, which makes them rather like little magnets with poles pointing in particular directions. In an entangled state, the spin of one phosphorus nucleus depends on that of the other.

Put another way, entangled states are really superposition states involving more than one quantum particle.

Fisher says that the quantum-mechanical behaviour of these nuclear spins could plausibly resist decoherence on human timescales. He agrees with Tegmark that quantum vibrations, like those postulated by Penrose and Hameroff, will be strongly affected by their surroundings “and will decohere almost immediately”. But nuclear spins do not interact very strongly with their surroundings.

All the same, quantum behaviour in the phosphorus nuclear spins would have to be “protected” from decoherence.

Quantum particles can have different spins (Credit: Richard Kail/Science Photo Library)

Quantum particles can have different spins (Credit: Richard Kail/Science Photo Library)

This might happen, Fisher says, if the phosphorus atoms are incorporated into larger objects called “Posner molecules”. These are clusters of six phosphate ions, combined with nine calcium ions. There is some evidence that they can exist in living cells, though this is currently far from conclusive.

I decided… to explore how on earth the lithium ion could have such a dramatic effect in treating mental conditions

In Posner molecules, Fisher argues, phosphorus spins could resist decoherence for a day or so, even in living cells. That means they could influence how the brain works.

The idea is that Posner molecules can be swallowed up by neurons. Once inside, the Posner molecules could trigger the firing of a signal to another neuron, by falling apart and releasing their calcium ions.

Because of entanglement in Posner molecules, two such signals might thus in turn become entangled: a kind of quantum superposition of a “thought”, you might say. “If quantum processing with nuclear spins is in fact present in the brain, it would be an extremely common occurrence, happening pretty much all the time,” Fisher says.

He first got this idea when he started thinking about mental illness.

A capsule of lithium carbonate (Credit: Custom Medical Stock Photo/Science Photo Library)

A capsule of lithium carbonate (Credit: Custom Medical Stock Photo/Science Photo Library)

“My entry into the biochemistry of the brain started when I decided three or four years ago to explore how on earth the lithium ion could have such a dramatic effect in treating mental conditions,” Fisher says.

At this point, Fisher’s proposal is no more than an intriguing idea

Lithium drugs are widely used for treating bipolar disorder. They work, but nobody really knows how.

“I wasn’t looking for a quantum explanation,” Fisher says. But then he came across a paper reporting that lithium drugs had different effects on the behaviour of rats, depending on what form – or “isotope” – of lithium was used.

On the face of it, that was extremely puzzling. In chemical terms, different isotopes behave almost identically, so if the lithium worked like a conventional drug the isotopes should all have had the same effect.

Nerve cells are linked at synapses (Credit: Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library)

Nerve cells are linked at synapses (Credit: Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library)

But Fisher realised that the nuclei of the atoms of different lithium isotopes can have different spins. This quantum property might affect the way lithium drugs act. For example, if lithium substitutes for calcium in Posner molecules, the lithium spins might “feel” and influence those of phosphorus atoms, and so interfere with their entanglement.

We do not even know what consciousness is

If this is true, it would help to explain why lithium can treat bipolar disorder.

At this point, Fisher’s proposal is no more than an intriguing idea. But there are several ways in which its plausibility can be tested, starting with the idea that phosphorus spins in Posner molecules can keep their quantum coherence for long periods. That is what Fisher aims to do next.

All the same, he is wary of being associated with the earlier ideas about “quantum consciousness”, which he sees as highly speculative at best.

Consciousness is a profound mystery (Credit: Sciepro/Science Photo Library)

Consciousness is a profound mystery (Credit: Sciepro/Science Photo Library)

Physicists are not terribly comfortable with finding themselves inside their theories. Most hope that consciousness and the brain can be kept out of quantum theory, and perhaps vice versa. After all, we do not even know what consciousness is, let alone have a theory to describe it.

We all know what red is like, but we have no way to communicate the sensation

It does not help that there is now a New Age cottage industrydevoted to notions of “quantum consciousness“, claiming that quantum mechanics offers plausible rationales for such things as telepathy and telekinesis.

As a result, physicists are often embarrassed to even mention the words “quantum” and “consciousness” in the same sentence.

But setting that aside, the idea has a long history. Ever since the “observer effect” and the mind first insinuated themselves into quantum theory in the early days, it has been devilishly hard to kick them out. A few researchers think we might never manage to do so.

In 2016, Adrian Kent of the University of Cambridge in the UK, one of the most respected “quantum philosophers”, speculated that consciousness might alter the behaviour of quantum systems in subtle but detectable ways.

We do not understand how thoughts work (Credit: Andrzej Wojcicki/Science Photo Library)

We do not understand how thoughts work (Credit: Andrzej Wojcicki/Science Photo Library)

Kent is very cautious about this idea. “There is no compelling reason of principle to believe that quantum theory is the right theory in which to try to formulate a theory of consciousness, or that the problems of quantum theory must have anything to do with the problem of consciousness,” he admits.

Every line of thought on the relationship of consciousness to physics runs into deep trouble

But he says that it is hard to see how a description of consciousness based purely on pre-quantum physics can account for all the features it seems to have.

One particularly puzzling question is how our conscious minds can experience unique sensations, such as the colour red or the smell of frying bacon. With the exception of people with visual impairments, we all know what red is like, but we have no way to communicate the sensation and there is nothing in physics that tells us what it should be like.

Sensations like this are called “qualia”. We perceive them as unified properties of the outside world, but in fact they are products of our consciousness – and that is hard to explain. Indeed, in 1995 philosopher David Chalmers dubbed it “the hard problem” of consciousness.

How does our consciousness work? (Credit: Victor Habbick Visions/Science Photo Library)

How does our consciousness work? (Credit: Victor Habbick Visions/Science Photo Library)

“Every line of thought on the relationship of consciousness to physics runs into deep trouble,” says Kent.

This has prompted him to suggest that “we could make some progress on understanding the problem of the evolution of consciousness if we supposed that consciousnesses alters (albeit perhaps very slightly and subtly) quantum probabilities.”

“Quantum consciousness” is widely derided as mystical woo, but it just will not go away

In other words, the mind could genuinely affect the outcomes of measurements.

It does not, in this view, exactly determine “what is real”. But it might affect the chance that each of the possible actualities permitted by quantum mechanics is the one we do in fact observe, in a way that quantum theory itself cannot predict. Kent says that we might look for such effects experimentally.

He even bravely estimates the chances of finding them. “I would give credence of perhaps 15% that something specifically to do with consciousness causes deviations from quantum theory, with perhaps 3% credence that this will be experimentally detectable within the next 50 years,” he says.

If that happens, it would transform our ideas about both physics and the mind. That seems a chance worth exploring.

Torcida única nos clássicos do Rio divide opiniões entre entidades e especialistas (O Globo)

Comandante do Gepe admite que comportamento das organizadas passou do tolerável

POR BERNARDO MELLO / TATIANA FURTADO

16/02/2017 12:25 / atualizado 16/02/2017 17:22

Torcedores socorrem um ferido no confronto entre organizadas de Flamengo e Botafogo – Marcelo Theobald / Agência O Globo

A ação civil pública, do Minstério Público Estadual (MPE), que pede torcida única nos clássicos cariocas ainda será apreciada pelo Juizado do Torcedor e Grandes Eventos. Porém, as autoridades envolvidas diretamente nos casos de brigas entre facções organizadas tendem a concordar com a proibição, ou alguma solução mais efetiva. O argumento voltou à tona após os episódios de violência no confronto entre Botafogo e Flamengo, no último domingo, no Engenhão, que terminaram com a morte de um torcedor e deixaram oito feridos.

A decisão será do juiz Guilherme Schilling, que assumiu o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, este mês. O ex ocupante do cargo, o juiz Marcelo Rubioli, agora no Tribunal de Justiça do Rio, considera que esse pode ser o primeiro degrau para se chegar a um modelo mais seguro para os torcedores.

– Acho que é um caminho. O próximo, talvez, seja inserir os espetáculos esportivos no planjemanto das forças armadas, que estão em caráter excepcional no Rio até o fim do Carnaval. A possibilidade de jogo com portões fechados não é viável do ponto de vista dos clubes. Mas estamos tratando do Estatuto, que prevê a proteção dos torcedores – sugere Rubioli, acrescentando que o interior dos estádios não tem tido problemas graves de segurança, salvo o caso recente do jogo entre Flamengo e Corinthians, no Maracanã. – Hoje, o estádio é um local seguro. No caso de torcida única em clássicos, não haveria aglomeração daquela que não vai entrar nas proximidades. Não tem como garantir qual medida vai ser mais eficaz.

Comandante do Grupamento Especial de Policiamente em Estádios (Gepe), o Major Silvio Luís, informou que vai conversar com o MPE e o Juizado para saber detalhes do pedido, antes de emitir uma opinião sobre o assunto. Porém, o responsável pelo policiamento nos estádios e acompanhamento das organizadas em dias de jogo, ressalta que, diante do comportamento das torcidas, algo precisa ser feito.

– Preciso avaliar o que estão propondo, mas o que posso dizer é que o comportamento das torcidas já passou do tolerável – afirmou o Major, destacando que os clássicos do Rio só não são com torcida dividida igualmente quando a configuração do estádio não permite. – Já tivemos casos assim em São Januário e na Arena da Ilha, onde os visitantes só podem receber 10% dos ingressos.

QUESTÃO ALÉM DOS ESTÁDIOS

As evidências, contudo, apontam que o problema vai além dos estádios. Antes do caso no Engenhão, a última briga de grandes proporções entre torcedores de Flamengo e Botafogo havia acontecido em julho de 2016, terminando com um morto. O conflito ocorreu em Bento Ribeiro, bairro da Zona Norte localizado a mais de 20 km do Estádio Luso-Brasileiro, onde os times se enfrentavam naquele dia.

Para o antropólogo Renzo Taddei, professor da Unifesp e autor de pesquisas sobre torcidas organizadas no futebol, o problema principal não é sequer a falta de policiamento, seja dentro ou fora de estádios. Na avaliação do especialista, torcedores e polícia desenvolveram, ao longo de décadas, uma relação turbulenta que tem questões sociais como pano de fundo:

– Não é à toa que a maior parte da violência a que uma torcida é submetida ou se submete em sua existência são conflitos contra a polícia, e não contra alguma torcida inimiga. O Estado impõe a segmentos inteiros da população um código de comunicação onde não há palavras, apenas brutalidade – avalia.

Torcedores exibem bandeirão pedindo a paz nos estádios em clássico entre Botafogo x Flamengo, marcado por cenas de violência no Engenhão – Marcelo Theobald / Agência O Globo

Taddei argumenta que o distanciamento entre torcidas organizadas e o restante da sociedade tende, na verdade, a acentuar a presença de membros que infringem a lei. Na opinião do antropólogo, lidar com a questão da violência no futebol depende de mais diálogo.

– Se houvesse uma interlocução saudável entre as comunidades das torcidas e o poder público, a mídia e a sociedade em geral, essas situações seriam mais fáceis de serem evitadas. O que eu estou dizendo é que muito menos do que 1% dos integrantes das torcidas causam problemas. Veja só: os Gaviões da Fiel tem cerca de 25 mil associados; as torcidas do Flamengo são também imensas. E qual o saldo do problema com as torcidas? Em 2016 foram 9 mortos em estádios. É muito mais perigoso andar de bicicleta do que ir ao estádio.

PROCURADOR VAI CONTESTAR NA JUSTIÇA

Segundo o blog Gente Boa, a Procuradoria Geral do Estado vai contestar na Justiça o pedido do Ministério Público para que os clássicos do Rio tenham torcida única nos estádios.

– É uma medida inadequada – diz o procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola – O Fla-Flu, por exemplo, é um patrimônio nacional que não pode ser banido por conta da ação de vândalos.

O Botafogo, por meio de nota da assessoria de imprensa, elogiou o trabalho do Gepe, mas se mostrou aberto a experiências que possam tornar os estádios mais seguros.

“Apesar de considerar que no último domingo houve um ponto fora da curva, pois o Gepe sabe fazer escolta, chegada e saída de organizadas, o Botafogo é favorável a experiências no sentido de melhorar as condições de segurança do futebol. Esse tipo de experiência, de torcida única, já deu certo em outros estados. O que o Botafogo não considera simples é ter a responsabilidade de cadastramento de membros de organizadas. É uma premissa quase impossível, porque os clubes não têm poder de fichar torcedores nem tem como controlar acesso a um local. Para o poder público, pode ser mais viável. Se for a decisão dos órgãos competentes, o Botafogo estará pronto para colaborar”, diz a nota.

Já o Flamengo, através de seu presidente Eduardo Bandeira de Mello, disse ser “totalmente contra” a torcida única em clássicos. O Fluminense, por sua vez, mostrou preocupação de que a medida acabe adotada de forma definitiva.

Além do veto à divisão das arquibancadas em clássicos, o promotor Rodrigo Terra também pede aos clubes que “se abstenham de fornecer gratuitamente ingressos às suas torcidas organizadas”. O Botafogo garante que não distribui bilhetes para as organizadas.

Veja também

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/esportes/torcida-unica-nos-classicos-do-rio-divide-opinioes-entre-entidades-especialistas-20936250#ixzz4Z4rXMmZ1
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Long Before Making Enigmatic Earthworks, People Reshaped Brazil’s Rain Forest (N.Y.Times)

By   FEB. 10, 2017

New research suggests people were sustainably managing the Amazon rain forest much earlier than was previously thought. Credit: Jenny Watling 

Deep in the Amazon, the rain forest once covered ancient secrets. Spread across hundreds of thousands of acres are massive, geometric earthworks. The carvings stretch out in circles and squares that can be as big as a city block, with trenches up to 12 yards wide and 13 feet deep. They appear to have been built up to 2,000 years ago.

Were the broken ceramics found near the entrances used for ritual sacrifices? Why were they here? The answer remains a mystery.

There are 450 geoglyphs concentrated in Brazil’s Acre State. Credit: Jenny Watling 

For centuries, the enigmatic structures remained hidden to all but a few archaeologists. Then in the 1980s, ranchers cleared land to raise cattle, uncovering the true extent of the earthworks in the process. More than 450 of these geoglyphs are concentrated within Acre State in Brazil.

Since the discovery, archaeological study of the earthworks and other evidence has challenged the notion that the rain forests of the Amazon were untouched by human hands before the arrival of European explorers in the 15th century. And while the true purpose of the geoglyphs remains unknown, a study published on Monday in The Proceedings of the National Academy of Sciences offers new insight into the lives of the ancient people who lived in the Amazon. Thousands of years before the earthworks were built, humans were managing the forests, using what appear to be sustainable agricultural practices.

“Our study was looking at the environmental impact that the geoglyph builders had on the landscape,” said Jennifer Watling, an archaeologist at the University of São Paulo, Brazil, who conducted the research while a student at the University of Exeter in Britain. “A lot of people have the idea that the Amazon forests are pristine forests, never touched by humans, and that’s obviously not the case.”

Dr. Watling and her team reconstructed a 6,000-year-old environmental history of two geoglyph sites in the Amazon rain forest. To do this, they searched for clues in soil samples in and around the sites. Microscopic plant fossils called phytoliths told them about ancient vegetation. Bits of charcoal revealed evidence of burnings. And a kind of carbon dating gave them a sense of how open the vegetation had been in the past.

About 4,000 years ago, people started burning the forest, which was mostly bamboo, just enough to make small openings. They may have planted maize or squash, weeded out some underbrush, and transported seeds or saplings to create a partly curated forest of useful tree products that Dr. Watling calls a “prehistoric supermarket.” After that, they started building the geoglyphs. The presence of just a few artifacts, and the layout of the earthworks, suggest they weren’t used as ancient villages or for military defenses. They were likely built for rituals, some archaeologists suspect.

Dr. Watling and her colleagues found that in contrast with the large-scale deforestation we see today — which threatens about 20 percent of the largest rain forest in the world — ancient indigenous people of the Amazon practiced something more akin to what we now call agroforestry. They restricted burns to site locations and maintained the surrounding landscape, creating small, temporary clearings in the bamboo and promoting the growth of plants like palm, cedar and Brazil nut that were, and still are, useful commodities. Today, indigenous groups around the world continue these sustainable practices in forests.

“Indigenous communities have actually transformed the ecosystem over a very long time,” said Dr. Watling. “The modern forest owes its biodiversity to the agroforestry practices that were happening during the time of the geoglyph builders.”

Entidade esotérica que controla o tempo faz parceria com Doria (Região Noroeste)

BIZARRO

08/02/2017 – as 17:00:00

Pouca gente sabe no Brasil, mas no Rio de Janeiro o povo se acostumou a ver um espírito tendo contrato com a prefeitura para controlar o tempo e evitar enchentes e outras tragédias. O contrato com a Fundação Cacique Cobra Coral começou com o prefeito César Maia em 2001 e durou até a última gestão, de Eduardo Paes.

O novo prefeito, bispo evangélico Marcelo Crivella, não renovou o contrato. Mas o que será de Cobra Coral, o espírito que encarna na médium Adelaide Scritori e já teria encarnado antes no cientista Galileu Galilei e no ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln?

Segundo o jornal O Globo, o espírito de Cobra Coral, por meio de seu porta-voz Osmar Santos, firmou parceria com o prefeito de São Paulo, João Doria Júnior, para diminuir os impactos das chuvas na maior cidade do país.

“São Paulo vai exigir mais esforço e empenho pessoal do cacique. É muito mais difícil atuar para dispersar as chuvas por ser uma cidade mais plana. No Rio, o relevo ajuda, pois tem como desviar as nuvens para regiões montanhosas ou o mar”, disse Santos ao jornal.

João Doria apela para o ‘sobrenatural’ em São Paulo (Encontro)

O prefeito anunciou um contrato com a fundação Cacique Cobra Coral, que, supostamente, consegue controlar o tempo

por Marcelo Fraga  08/02/2017 08:14

Instagram/jdoriajr/Reprodução

O prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, já causou polêmica com seu projeto Cidade Linda e, agora, acaba de fechar uma parceria com uma entidade “sobrenatural” que diz controlar o tempo (foto: Instagram/jdoriajr/Reprodução)

Recém-empossado prefeito de São Paulo, o empresário João Doria Júnior começou sua trajetória à frente da capital paulista com medidas polêmicas. Logo nos primeiros dias no poder, ele já se vestiu de Gari, simulou ser cadeirante e mandou apagar grafites em pontos famosos de SP. Agora, a mais nova ação de Doria também promete causar controvérsia.

De acordo com a jornalista Cleo Guimarães, responsável pela coluna Gente Boa, do jornal O Globo, o prefeito fechou uma parceria com a fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), conhecida por, supostamente, conseguir “intervir” no tempo de forma mediúnica – teria “poderes sobrenaturais”.

De acordo com Cleo Guimarães, a FCCC estaria de mudança para a China, mas, a entidade decidiu permanecer no Brasil porque pretende dar “atenção especial a São Paulo”. Ainda segundo a jornalista, a fundação negociou com os chineses um trabalho à distância. Não se sabe qual função terá a Cacique Cobra Coral no país mais populoso do mundo.

Em seu site oficial, a FCCC afirma que sua missão é “minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”. Isso, segundo a entidade, é feito por meio de sua presidente, Adelaide Scritori, filha do fundador, Ângelo Scritori. Ela, supostamente, incorpora o espírito do Cacique Cobra Coral e, assim, consegue intervir no clima.

Um dos casos famosos de atuação da fundação se deu em 2009, quando a médium Adelaide Scritori foi convocada pela prefeitura do Rio de Janeiro para usar seus supostos poderes para evitar a tempestade que prevista para a tradicional festa de Réveillon em Copacabana.

Prefeito de São Paulo firma parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral (O Globo)

POR CLEO GUIMARÃES

05/02/2017 13:05

Osmar Santos e João Dória

Osmar Santos e João Dória | Divulgação

João Doria, prefeito de São Paulo, fechou parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral, a entidade esotérica que teria o poder de controlar o clima. O contrato com a prefeitura paulista havia sido firmado na gestão José Serra e finalizado com Gilberto Kassab. A fundação estava de mudanças para a China, mas desistiu porque quer dar uma atenção especial a SP. No entanto, negociou com os chineses de trabalhar à distância.

Sem convênio com Crivella, Cobra Coral vai priorizar SP no ‘controle do tempo’ (O Globo)

Assessor da médium diz que cidade vai exigir mais ‘esforço e empenho pessoal’ do cacique. Fundação ainda recebe dados meteorológicos do Alerta Rio

Forte chuva alaga a Estrada do Itanhangá, em 31/01/2015 Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Forte chuva alaga a Estrada do Itanhangá, em 31/01/2015 – Pablo Jacob / Agência O Globo

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

07/02/2017 8:21 / atualizado 07/02/2017 16:54RIO — Depois de quase duas décadas dando prioridade ao trabalho espiritual de tentar desviar nuvens de chuva que pairam sobre o Rio e expõem a cidade aos riscos de enchentes e deslizamentos, a Fundação Cacique Cobra Coral informa que mudou seu foco. Decidiu centrar seus esforços no controle do clima em São Paulo, após um pedido pessoal do prefeito João Doria Júnior, feito no fim de janeiro à fundação, conforme adiantou a Coluna Gente Boa no domingo. No entanto, a médium Adelaide Scritori, que diz incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, entidade que teria a capacidade de controlar o tempo, não abandonará os cariocas, apesar do convênio da fundação com a prefeitura do Rio ter expirado com o fim do governo do ex-prefeito Eduardo Paes.

— São Paulo vai exigir mais esforço e empenho pessoal do cacique. É muito mais difícil atuar para dispersar as chuvas por ser uma cidade mais plana. No Rio, o relevo ajuda, pois tem como desviar as nuvens para regiões montanhosas ou o mar. O objetivo será atuar para que as precipitações que acabam provocando enchentes na capital paulista se concentrem no Vale do Paraíba, junto à Serra da Cantareira, para permitir um aumento do volume de água nos reservatórios que atendem Rio e São Paulo. A situação nesses reservatórios melhorou este ano após a estiagem de 2014/2015, mas ainda não voltou aos níveis antigos— disse o porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral, Osmar Santos.

No Rio, a parceria com a prefeitura começou em 2001 por iniciativa do ex-prefeito Cesar Maia. Nesses anos, a parceria que era sem ônus para a prefeitura, vinha sendo renovada. A Fundação Cacique Cobra Coral só exigia que recebesse dados sobre investimentos na prevenção a enchentes e pudesse fazer publicidade do acordo. Em janeiro de 2009, quando o ex-prefeito Eduardo Paes assumiu o comando da cidade pela primeira vez, o município chegou a anunciar que dispensaria a fundação, mas voltou atrás 15 dias depois, após o primeiro temporal que atingiu a cidade.

Adelaide Scritori, médium que diz incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral – Luiz Ernesto Magalhães / O Globo

Osmar Santos acrescentou que o Cacique Cobra Coral vai continuar a monitorar o Rio, porque, apesar de o prefeito Marcelo Crivella não ter renovado o convênio, a entidade continua a atuar como consultora. Isso porque a ajuda espiritual se dá também com o apoio da tecnologia. Sempre que a prefeitura decreta estado de alerta de risco dos temporais, os meteorologistas do Alerta Rio repassam dados detalhados sobre as condições climáticas por e-mail. O GLOBO teve acesso a alguns desses informes, que são repassados para um grupo limitado de pessoas na prefeitura.

Eventos no Rio em que Cacique Cobra Coral trabalhou

Edições do Rock in Rio desde 2005

Durante o show do A-ha, chuva castigou público do festival em 27/09/2015 Foto: Marcelo Theobald / Extra / Agência O Globo

A Fundação foi chamada para evitar temporais que atrapalhassem os shows. Em alguns dias dos eventos, no entanto, choveu bastante, como durante o show do Ah-a em 2015, última edição do festival.

Réveillons desde 2000

Queima de fogos do réveillon de Copacabana em 2015 Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

A Fundação foi chamada para evitar temporais na virada do ano em Copacabana desde o ano 2000.

Encerramento da Copa do Mundo de 2014

Alemães comemoram conquista da Copa do Mundo de 2014 no Maracanã Foto: Guito Moreto em 13/07/2014 / Agência O Globo

A final da Copa do Mundo no Brasil foi no Maracanã: uma partida entre Alemanha e Argentina. Os alemães conquistaram seu tetracampeonato.

Carnavais no Rio desde 2000

Guga e Nadal sob chuva no desfile da Viradouro em 15/02/2015 Foto: Marcio Alves / Agência O Globo

A Fundação monitorou os carnavais da cidade desde o ano 2000. A única exceção foi 2015, quando o estado vivia uma crise hídrica. Exatamente naquele ano, um temporal atrapalhou os desfiles da Mocidade, da Mangueira e da Viradouro, que até foi rebaixada.

Olímpiada no Rio

Cerimônia de Encerramento da Rio 2016 Foto: Jae C. Hong / AP

A Fundação Cobra Coral foi chamada para os Jogos Olímpicos no Rio. Na cerimônia de encerramento da Olimpíada, um temporal caiu sobre a cidade.

— Nós somos a melhor prova de que, com convênio formalizado ou não, assim como diz o prefeito Marcelo Crivella, nós não misturamos política com religião. Nosso objetivo é atender às cidades e não aos políticos. Mas não resolvemos tudo. Nós somos uma espécie de air bag do tempo que minimiza os danos. Problemas podem continuar a ocorrer — disse Osmar Santos.

MÉDIUM VIVE EM SÃO PAULO

Apesar de anos de dedicação ao Rio, Osmar e Adelaide têm residência também em São Paulo, onde passam a maior parte do tempo. Antes do acordo com João Doria, a Fundação Cacique Cobra Coral já havia prestado consultoria climática e espiritual à cidade. O acordo acabou rompido em 1999 devido a um desentendimento com o ex-prefeito Gilberto Kassab. Segundo Osmar Santos, o Cacique se irritou com o fato de os recursos para o combate a enchentes na cidade ter sido remanejado para outros investimentos.

Antes do convite de Doria, a médium fazia planos de passar alguns anos na China e monitor o clima brasileiro à distância. O acordo foi renegociado, e agora Adelaide vai passar apenas 40 dias por ano na Ásia.

Segundo a ONG divulga, o Cacique Cobra Coral é uma entidade que em outras encarnações já teria vivido na pele de personalidades como o cientista Galileu Galilei e o ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln. Um dos ex-diretores da Fundação é o escritor Paulo Coelho.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/rio/sem-convenio-com-crivella-cobra-coral-vai-priorizar-sp-no-controle-do-tempo-20883979#ixzz4Y2O5DPdO 
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Ciência climática é ferramenta no combate à seca no Nordeste, afirma Carlos Nobre (ABIPTI)

JC 5593, 7 de fevereiro de 2017

“O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste”, afirmou

O relatório oriundo da última reunião do Grupo de Trabalho de Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) aponta para um cenário preocupante: até o início de 2018, é esperado que os grandes e médios reservatórios nordestinos sequem. Por isso, é preciso criar novas oportunidades para a população.

Reconhecido como um dos principais pesquisadores mundiais sobre clima, Carlos Nobre destacou o papel das ciências climáticas para mitigar os impactos econômicos e sociais da seca na Região Nordeste. O pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ressaltou que o conhecimento do clima cria alternativas econômicas e sociais para os moradores da região.

Na avaliação do pesquisador, a ciência climática evoluiu rapidamente nas últimas décadas, sendo uma ferramenta eficaz no combate à seca. “O entendimento das causas subjacentes às secas do Nordeste tem permitido se prever com antecedência de alguns meses a probabilidade de uma particular estação de chuvas no semiárido do Nordeste de fevereiro a maio ser deficiente, normal ou abundante. Estas previsões climáticas vêm sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo e utilizadas para apoio ao planejamento agrícola, à gestão hídrica e à mitigação de desastres naturais”, afirmou Nobre.

Entre as ações propostas pelo cientista, está o investimento na criação de uma economia regional baseada em recursos naturais renováveis. Uma das alternativas sugeridas é a criação de parques de geração de energia eólica e solar fotovoltaica.

“O Nordeste tem um enorme potencial de energia eólica e solar, capaz de atender a todas suas necessidades e ainda exportar grandes volumes para o restante do Brasil. Estas formas de energia renovável distribuídas geram empregos permanentes localmente, mais numerosos do que aqueles gerados por hidrelétricas ou termelétricas e que poderiam beneficiar populações urbanas e rurais da região”, informou.

Carlos Nobre tem extensa atuação na área climática. Além de ocupar vários cargos no governo referentes ao setor climático, foi vencedor do Volvo Environment Prize – um dos principais prêmios internacionais sobre clima – e membro do Conselho Científico sobre Sustentabilidade Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

Agência ABIPTI, com informações do MCTI e Valor Econômico

Decision-making process of viruses could lead to new antibiotic treatments (Science Daily)

Date:
February 6, 2017
Source:
Texas A&M AgriLife Communications
Summary:
Humans face hundreds of decisions every day. But we’re not alone. Even the tiniest viruses also make decisions, and scientists are researching how they do so, to help lead to better treatments for some diseases. A team of scientists has discovered how the lambda phage decides what actions to take in its host, the E. coli bacterium.

The lambda phage prefers to destroy E. coli bacteria, which makes it a prime target for researchers. Dr. Lanying Zeng, left, and her graduate student Jimmy Trinh developed a four-color fluorescence reporter system to track it at the single-virus level. Credit: Texas A&M AgriLife Research photo by Kathleen Phillips

Humans face hundreds of decisions every day. But we’re not alone. Even the tiniest viruses also make decisions, and scientists are researching how they do so, to help lead to better treatments for some diseases.

In a study published Feb. 6 in the journal Nature Communications, Dr. Lanying Zeng and her team at Texas A&M AgriLife Research discovered how the lambda phage decides what actions to take in its host, the E. coli bacterium.

A phage is a virus that infects and replicates within a bacterium. Phages were first discovered about 100 years ago, but recently scientists have begun to study how they can be used to attack disease-causing bacteria, especially strains that have become more resistant to antibiotics.

So numerous and diverse are phages — numbering into the billions, according to various reports in the U.S. National Library of Medicine — that researchers are now hot on the trail of phages that have the potential for curing specific bacterial maladies.

The lambda phage, for example, prefers to destroy E. coli bacteria, which makes it a prime target for researchers. In tracking that target, Zeng’s graduate student Jimmy Trinh developed a four-color fluorescence reporter system to track it at the single-virus level. This was combined with computational models devised by Dr. Gábor Balázsi, a biomedical engineer and collaborator at Stony Brook University in Stony Brook, New York, “to unravel both the interactions between phages and how individual phages determine” the fate of a cell.

What they found was not unlike the decision-making process of humans. Sometimes the lambda phage cooperates with others. Sometimes it competes.

“Instead of just the cell making a decision, we found the phage DNAs themselves also make decisions,” Zeng said.

Through the process they developed, the scientists were able to determine that timing played a role in decision-making.

Zeng explained that some phages can have two cycles of reproduction: lytic and lysogenic.

In the lytic cycle, full copies of the virus are made inside of a cell, say an E. coli cell. When the phage-infected cell becomes full of the replicating viruses, it bursts open and is destroyed. In the lysogenic cycle, the phage’s DNA lives as part of the bacterium itself and both continue to reproduce as one. In short, lysis involves competition while lysogeny involves cooperation, she said.

So, a key to using phages to destroy bacteria, Zeng said, is to understand how and when a phage decides to “go lytic” on the pathogen.

“Say you have two lambda phages that infect one cell,” she said. “Each phage DNA within the cell is capable of making a decision. We want to know how they make a decision, whether one is more dominant than the other, whether they have any interactions and compete to see who will win, or whether they compromise.”

“They may even coexist for some time and then finally choose one decision,” she said. “But the phage is making a subcellular decision — and that is very important. There could be a lot of implications.”

The four-color fluorescence reporter system helped the researchers visualize that many factors contribute to the decision and that “from the evolutionary point of view, the phages want to optimize their own fitness or survival,” she said. “So that is why they choose either lytic or lysogenic to maximize or optimize their survival.”

The team identified some of the factors that led to competition and others that led to cooperation.

Zeng said because phage therapy is a growing field for seeking ways to treat bacteria, the results of this study will help other scientists advance their research.

“This is a paradigm for bacteriophages,” she said. “When we understand the mechanism of the decision more, that can lead to more applications and better characterization of other systems.”


Journal Reference:

  1. Jimmy T. Trinh, Tamás Székely, Qiuyan Shao, Gábor Balázsi, Lanying Zeng. Cell fate decisions emerge as phages cooperate or compete inside their hostNature Communications, 2017; 8: 14341 DOI: 10.1038/ncomms14341

Hundreds of ancient earthworks built in the Amazon (Science Daily)

Date:
February 7, 2017
Source:
University of Exeter
Summary:
The Amazonian rainforest was transformed over 2,000 years ago by ancient people who built hundreds of large, mysterious earthworks.

Geoglyph photos. Credit: Jenny Watling

The Amazonian rainforest was transformed over two thousand years ago by ancient people who built hundreds of large, mysterious earthworks.

Findings by Brazilian and UK experts provide new evidence for how indigenous people lived in the Amazon before European people arrived in the region.

The ditched enclosures, in Acre state in the western Brazilian Amazon, were concealed for centuries by trees. Modern deforestation has allowed the discovery of more than 450 of these large geometrical geoglyphs.

The function of these mysterious sites is still little understood — they are unlikely to be villages, since archaeologists recover very few artefacts during excavation. The layout doesn’t suggest they were built for defensive reasons. It is thought they were used only sporadically, perhaps as ritual gathering places.

The structures are ditched enclosures that occupy roughly 13,000 km2. Their discovery challenges assumptions that the rainforest ecosystem has been untouched by humans.

The research was carried out by Jennifer Watling, post-doctoral researcher at the Museum of Archaeology and Ethnography, University of São Paulo, when she was studying for a PhD at the University of Exeter.

Dr Watling said: “The fact that these sites lay hidden for centuries beneath mature rainforest really challenges the idea that Amazonian forests are ‘pristine ecosystems`.

“We immediately wanted to know whether the region was already forested when the geoglyphs were built, and to what extent people impacted the landscape to build these earthworks.”

Using state-of-the-art methods, the team members were able to reconstruct 6000 years of vegetation and fire history around two geoglyph sites. They found that humans heavily altered bamboo forests for millennia and small, temporary clearings were made to build the geoglyphs.

Instead of burning large tracts of forest — either for geoglyph construction or agricultural practices — people transformed their environment by concentrating on economically valuable tree species such as palms, creating a kind of ‘prehistoric supermarket’ of useful forest products. The team found tantalizing evidence to suggest that the biodiversity of some of Acre’s remaining forests may have a strong legacy of these ancient ‘agroforestry’ practices.

Dr. Watling said: “Despite the huge number and density of geoglyph sites in the region, we can be certain that Acre’s forests were never cleared as extensively, or for as long, as they have been in recent years.

“Our evidence that Amazonian forests have been managed by indigenous peoples long before European Contact should not be cited as justification for the destructive, unsustainable land-use practiced today. It should instead serve to highlight the ingenuity of past subsistence regimes that did not lead to forest degradation, and the importance of indigenous knowledge for finding more sustainable land-use alternatives.”

The full article will be released in the Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA and involved researchers from the universities of Exeter, Reading and Swansea (UK), São Paulo, Belém and Acre (Brazil). The research was funded by the Arts and Humanities Research Council, National Geographic, and the Natural Environment Research Council Radiocarbon Facility.

To conduct the study, the team extracted soil samples from a series of pits dug within and outside of the geoglyphs. From these soils, they analysed ‘phytoliths’, a type of microscopic plant fossil made of silica, to reconstruct ancient vegetation; charcoal quantities, to assess the amount of ancient forest burning; and carbon stable isotopes, to indicate how ‘open’ the vegetation was in the past.


Journal Reference:

  1. Jennifer Watling, José Iriarte, Francis E. Mayle, Denise Schaan, Luiz C. R. Pessenda, Neil J. Loader, F. Alayne Street-Perrott, Ruth E. Dickau, Antonia Damasceno, Alceu Ranzi. Impact of pre-Columbian “geoglyph” builders on Amazonian forestsProceedings of the National Academy of Sciences, 2017; 201614359 DOI: 10.1073/pnas.1614359114

O falso dilema do “infanticídio indígena”: por que o PL 119/2015 não defende a vida de crianças, mulheres e idosos indígenas (Combate Racismo Ambiental)

Protesto “contra o infanticídio” organizado por grupos religiosos em frente ao prédio do governo do RJ. Foto: Gazeta do Povo, 2015.

29 de janeiro de 2017

O Projeto de Lei 119/2015, que trata do chamado “infanticídio indígena”, está agora tramitando no Senado. Não por acaso, no início da semana que se encerrou ontem, 28, voltaram a ser publicadas matérias tendenciosas sobre a questão. Considerando a atual conjuntura, na qual mais que nunca é fundamental estarmos alertas e atuantes, convidamos a antropóloga Marianna Holanda a escrever um artigo que dialogasse conosco e nos oferecesse os necessários argumentos para mais esta luta. O resultado é o excelente texto que socializamos abaixo. (Tania Pacheco).

Por Marianna A. F. Holanda*, especial para Combate Racismo Ambiental

Desde 2005, acompanhamos no Brasil uma campanha que se pauta na afirmação de que os povos indígenas teriam tradições culturais nocivas e arcaicas que precisam ser mudadas por meio de leis e da punição tanto dos indígenas responsáveis como de quaisquer funcionários do Estado, agentes de organizações indigenistas e/ou profissionais autônomos que trabalhem junto a estes povos.

Afirma-se que há dados alarmantes de infanticídio entre os povos indígenas de modo a fazer parte da sociedade pensar que, incapazes de refletir sobre as suas próprias dinâmicas culturais, os povos indígenas – sobretudo as mulheres – matariam sem pudor dezenas de crianças. As notícias de jornal, as pautas sensacionalistas da grande mídia, organizações de fins religiosos e políticos “em favor da vida” fazem crer que não estamos falando de pessoas humanas – no sentido mais tradicional dos termos –, mas de sujeitos que devido à sua ignorância cultural cometem sem ética, afeto e dúvidas crimes contra seus próprios filhos, contra seu próprio povo.

Me pergunto por que um argumento como esse transmite credibilidade entre aqueles que não conhecem as realidades indígenas – pois quem trabalha junto aos povos indígenas e em prol de seus direitos não dissemina este tipo de desinformação. A maior parte da sociedade brasileira não indígena é profundamente ignorante sobre os povos indígenas que aqui habitam e sobre seus modos de vida, mantendo imagens estereotipadas e caricaturadas sobre os índios carregadas de preconceito e discriminação.

Alguns dados importantes sobre infanticídio, abandono de crianças e adoção

Desde os tempos de Brasil império há registros de infanticídios entre os povos indígenas – como também havia inúmeros registros de infanticídio nas cidades da colônia: historiadores apontam a normalidade com que recém-nascidos eram abandonados nas ruas de cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Florianópolis. Realidade que também era comum na Europa e que a igreja católica passou a combater a partir do século VIII d.C por meio de bulas papais e pela criação de Casas de Expostos – lugares aonde podia-se abandonar legalmente crianças neonatas que mais tarde vieram a se tornar o que conhecemos como orfanatos. Não apenas os infanticídios não cessaram como os índices de mortalidade nesses locais foram estarrecedores, beirando a 70% no caso europeu e 95% no caso brasileiro. Recém-nascidos eram retirados da exposição pública para morrer entre quatro paredes, com aval das leis, dos registros estatais e da moralidade cristã da época. (Sobre este tema, ver: Marcílio e Venâncio 1990, Trindade 1999, Valdez 2004 e Faleiros 2004).

Ainda hoje, centenas de crianças no Brasil são abandonadas em instituições públicas e privadas de caráter semelhante, aguardando anos por uma adoção. A maioria – em geral as crianças pardas e negras, mais velhas e/ou com algum tipo de deficiência – esperam por toda a infância e adolescência, até tornarem-se legalmente adultas e serem novamente abandonadas, agora pelo Estado. Os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que das seis mil crianças nesta situação, 67% são pardas e negras.

Apesar da rejeição à adoção de crianças negras e pardas ter caído na última década, o quadro de discriminação permanece. Entre as crianças indígenas, acompanhamos um fenômeno crescente de pedidos de adoção por não indígenas, sobretudo casais heterossexuais, brancos, evangélicos e, em muitos casos, estrangeiros. Contudo, há mais de 100 processos no Ministério Público envolvendo denúncias a violações de direitos nestes casos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê o direito à permanência da criança com a própria família e ao esforço conjunto e multidisciplinar de profissionais para que isto ocorra. Esgotada esta possibilidade, a criança tem o direito de ser encaminhada para família substituta na própria comunidade indígena de origem ou junto a família substituta de outra aldeia ou comunidade, mas ainda da mesma etnia.

Vale mencionar que estas estratégias de realocação e adoção de crianças ocorre tradicionalmente entre diversos povos indígenas, independente das leis e da intervenção estatal. É muito comum que avós, tias ou primas adotem crianças quando pais e mães passam por qualquer espécie de dificuldade, ou ainda, seguindo articulações próprias das relações de parentesco que vão muito além de pai e mãe biológicos.

Contudo, sob estas recentes acusações de “risco de infanticídio” famílias indígenas são colocadas sob suspeita e dezenas de crianças têm sido retiradas de sua comunidade, terra e povo e adotadas por famílias não indígenas sem ter direitos básicos respeitados. Juízes são levados por esta argumentação falha, que carece de base concreta na realidade, nas estatísticas, nas etnografias. Em alguns casos, pleiteia-se apenas a guarda provisória da criança e não a adoção definitiva, o que significa que a guarda é válida somente até os 18 anos, não garantindo vínculo de parentesco e direito à herança, por exemplo. Quantas violações uma criança indígena retirada de seu povo e de seus vínculos ancestrais enfrenta ao ser lançada ao mundo não indígena como adulta?

Infâncias indígenas no Brasil e crescimento demográfico

Nos últimos 50 anos, as etnografias junto a povos indígenas – importante método de pesquisa e registro de dados antropológicos – vem demonstrando que as crianças indígenas são sujeitos criativos e ativos em suas sociedades tendo diversos graus de autonomia. Aprendemos que as práticas de cuidado e a pedagogia das mulheres indígenas envolvem um forte vínculo com as crianças, que são amamentadas até os 3, 4, 5 anos. Envolvem uma relação de presença e afeto que deixa a desejar para muitas mães modernas. Aprendemos também que a rede de cuidados com as crianças envolve relações de parentesco e afinidade que extrapolam a consanguinidade.

Enquanto a maior parte das populações no mundo está passando pela chamada “transição demográfica”, ou seja, queda e manutenção de baixos níveis de fecundidade, os povos indígenas na América Latina, se encontram num processo elevado de crescimento populacional. De acordo com o último censo do IBGE (2010), a população indígena no Brasil cresceu 205% desde 1991, uma dinâmica demográfica com altos níveis de fecundidade, levando à duplicação da população em um período de 15 anos (Azevedo 2008).

A partir dos anos 2000, começaram a tomar corpo pesquisas etnográficas que apontam o número crescente de nascimentos gemelares entre os povos indígenas, de crianças indígenas albinas e de crianças com deficiência (Verene 2005, Bruno e Suttana 2012, Araújo 2014). Apesar de suas diferenças, estas crianças são estimuladas a participar do cotidiano da aldeia, e muitas delas, ao tornarem-se adultas, casam-se e constituem família.

Há 54 milhões de indígenas com deficiência ao redor do globo (ONU 2013). No Brasil, segundo o censo do IBGE de 2010, 165 mil pessoas – ou seja, 20% da população autodeclarada indígena – possuem ao menos uma forma de deficiência (auditiva, visual, motora, mental ou intelectual). Um número que relaciona-se também às políticas públicas e de transferência de renda para as famílias indígenas nessa situação (Araújo 2014). Tanto o crescimento demográfico acelerado quanto os dados de que 20% da população indígena brasileira tem alguma deficiência nos permitem demonstrar que a afirmação de que há uma prescrição social para que estas crianças sejam mortas por seus pais e familiares não se sustenta.

Como morrem as crianças e adultos indígenas?

A mortalidade infantil entre os povos indígenas é quatro vezes maior do que a média nacional. A quantidade de mortes de crianças indígenas por desassistência subiu 513% nos últimos três anos. Os dados parciais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) de 2015 revelaram a morte de 599 crianças menores de 5 anos. As principais causas são: desnutrição, diarreia, viroses e infecções respiratórias, falta de saneamento básico além de um quadro preocupante de desassistência à saúde. Ora, sabemos que pneumonia, diarreia e gastroenterite são doenças facilmente tratáveis desde que estas crianças tenham acesso às políticas de saúde. A região Norte do país concentra o maior número de óbitos.

Quando abordamos os números relativos ao suicídio a situação é igualmente alarmante. De acordo com dados da Sesai, 135 indígenas cometeram suicídio em 2014 – o maior número em 29 anos. Sabemos que os quadros de suicídio se agravam em contextos de luta pelos direitos territoriais quando populações inteiras vivem em condições de vulnerabilidade extrema.

Jovens e adultos do sexo masculino também são as principais vítimas dos conflitos territoriais que resultam do omissão e letargia do Estado brasileiro nos processos de demarcação das terras indígenas. Em 2014, 138 indígenas foram assassinados; em 2015, foram 137. No período de 2003 a 2016, 891 indígenas foram assassinados em solo brasileiro, em uma média anual de 68 casos (Cimi 2016). Esses assassinatos acontecem em contextos de lutas e retomadas de terras, tendo como alvo principal as lideranças indígenas à frente dos movimentos reivindicatórios de direitos.

Diante desse cenário de permanente e impune genocídio contra os povos indígenas no Brasil, é importante refletirmos sobre o histórico de atuação dos senadores responsáveis pela votação do PL 119/2015: quais deles atuam ou já atuaram na proteção e no resguardo dos direitos indígenas? Quais deles são financiados pelo agronegócio, pela mineração, pelos grandes empreendimentos em terras indígenas? Como um Projeto de Lei que criminaliza os próprios povos indígenas pela vulnerabilidade e violências causadas pelo Estado e por terceiros pode ajudar na proteção e promoção de seus direitos?

O falso dilema da noção de “infanticídio indígena”

O PL 119/2015 – outrora PL 1057/2007 – supõe que há um embate entre “tradições culturais” que prescrevem a morte de crianças e o princípio básico e universal do direito à vida. Ao afirmar que o infanticídio é uma tradição cultural indígena – como se ele não ocorresse, infelizmente, em toda a humanidade – o texto e o parlamento brasileiros agem com racismo e discriminação, difamando povos e suas organizações socioculturais. Todos nós temos direito à vida e não há nenhuma comunidade indígena no Brasil e no mundo que não respeite e pleiteie esse direito básico junto às instâncias nacionais e internacionais.

Ao invés de buscarem aprovar o novo texto do Estatuto dos Povos Indígenas que vem sendo discutido no âmbito da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) desde 2008, utilizando como base o Estatuto o Substitutivo ao Projeto de Lei 2057, de 1994, que teve ampla participação indígena em sua formulação, o parlamento está optando por remendar a obsoleta Lei 6.001 – conhecida como Estatuto do Índio – datada de 1973, carregada de vícios próprios da ditadura militar, como as noções de tutela e de integração dos povos indígenas à comunidade nacional, pressupondo que com o tempo, eles deixariam de “ser índios”.

O PL também equivoca-se ao afirmar que há uma obrigatoriedade de morte a qualquer criança gêmea, albina e/ou com algum tipo de deficiência física e mental, além de mães solteiras. Trata-se de situações que desafiam qualquer família, indígena ou não, mas que em comunidades com fortes vínculos sociais tendem a ser melhor sanadas pois há níveis de solidariedade maior do que os de individualismo.

O dilema do infanticídio também é falso quando afirma que trata-se de uma demanda por “relativismo cultural” diante do direito à vida e dos Direitos Humanos; mas afirmamos que violência, tortura e opressão não se relativizam. A demanda posta pelos povos indígenas é historicamente a de respeito à diversidade cultural – o que implica no reparo, por parte do Estado, da expropriação territorial garantindo a regularização de todas as terras indígenas no País e o acesso a direitos essenciais como saúde e educação diferenciadas. Também é direito das comunidades indígenas o acesso à informação e ao amparo do Estado para lidar com situações em que a medicina biomédica já encontrou cura ou tratamento adequado. A Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, ratificada em 2005 pela UNESCO, é enfática quando trata a diversidade cultural como patrimônio comum da humanidade, e isso inclui, portanto, o direito das crianças indígenas a permanecerem junto à sua família e de receberem suporte médico dentro de suas comunidades.

Há 10 anos acompanhamos a exposição midiática das mesmas crianças – algumas hoje já adolescentes – bem como os depoimentos de indígenas adultos que afirmam que sobreviveram, em condições diversas, ao infanticídio. São histórias que precisamos ouvir e que nos ensinam que os povos indígenas têm encontrado novas estratégias para lidar com seus dilemas éticos e morais. Sabemos que a transformação é uma característica cultural dos povos indígenas; ao mesmo tempo em que lutamos pelo respeito aos Direitos Humanos, lutamos para que as Dignidades Humanas dos povos indígenas sejam respeitadas a partir de seu tempo de transformação.

Nenhum caso de infanticídio e qualquer outra forma de violência, entre povos indígenas ou não, pode ser afirmado como uma “tradição cultural”; ou podemos dizer que a nossa própria cultura é infanticida generalizando tal grau de acusação e julgamento para todas as pessoas? Se a resposta é um sonoro “não”, porque o PL 119/2015 pretende fazer isso com os povos indígenas?

O mesmo exercício pode ser feito com as outras tipificações de violência e atentados à Dignidade Humana no texto do PL como: homicídio, abuso sexual, estupro individual e coletivo, escravidão, tortura em todas as suas formas, abandono de vulneráveis e violência doméstica. Estaríamos nós transferindo os nossos preconceitos e violências para os povos indígenas, transformando isso em parte da sua cultura? Ao fazer isso, afirmamos que violências tão características da colonialidade do poder são o que fazem dos índios, índios.

Por fim, é importante mencionar que o texto inicial do PL 1057/2007 que foi aprovado na Câmara sofreu alterações ao transformar-se no PL 119/2015 que tramita no Senado. O que antes era “combate a práticas tradicionais nocivas” mudou de retórica para “defesa da vida e da dignidade humana” mas não nos enganemos: seu conteúdo permanece afirmando a existência violências tratadas como práticas tradicionais exclusivas e características dos povos indígenas.

Igualdade, equidade e isonomia de direitos

Por uma questão de isonomia e igualdade de direitos, os povos indígenas estão submetidos à legislação brasileira, podendo ser julgados e punidos como qualquer cidadão deste país. Hoje, aproximadamente 750 indígenas estão cumprindo pena em sistema de regime fechado, dos quais cerca de 65% não falam ou não compreendem a língua portuguesa. Portanto, as leis que punem infanticídio, maus tratos de crianças e qualquer forma de violação de direitos, inclusive os Direitos Humanos, também incidem sobre os indígenas, ainda que suas prisões não sejam por estes motivos.

Qual a justificativa de um PL que verse especificamente sobre estas violações entre os povos indígenas e que promove interpretações equivocadas e sem embasamento científico e técnico, difamando as realidades dos povos indígenas? Ao tornar a pauta redundante, os indígenas seriam, duas vezes, julgados e condenados por um mesmo crime?

Não se trata apenas da defesa do direito individual. Um direito fundamental de toda pessoa é precisamente o de ser parte de um povo, isto é, o direito de pertencimento. E um povo criminalizado tem a sua dignidade ferida.

Durante o último Acampamento Terra Livre (ATL) que aconteceu em Brasília durante os dias 10 e 13 de maio de 2016 e reuniu cerca de 1.000 lideranças dos povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou o “Manifesto do 13º Acampamento Terra Livre” denunciando “os ataques, ameaças e retrocessos” orquestrados contra seus direitos fundamentais “sob comando de representantes do poder econômico nos distintos âmbitos do Estado e nos meios de comunicação”. A nota manifesta ainda “repúdio às distintas ações marcadamente racistas, preconceituosas e discriminatórias protagonizadas principalmente por membros da bancada ruralista no Congresso Nacional contra os nossos povos, ao mesmo tempo em que apresentam e articulam-se para aprovar inúmeras iniciativas legislativas, propostas de emenda constitucional e projetos de lei para retroceder ou suprimir os nossos direitos”.

O manifesto encerra-se afirmando: “PELO NOSSO DIREITO DE VIVER!”, pois é de vida e não de morte que se trata a defesa dos direitos indígenas. Se os nobres parlamentares estão preocupados com a defesa da vida e da dignidade indígenas, que retrocedam neste PL e em tantos outros que os violentam diretamente e que foram elaborados sem sua participação, consentimento e consulta.

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Referências

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* Marianna Holanda é antropóloga, doutora em Bioética e pesquisadora associada da Cátedra Unesco de Bioética – UnB.