Arquivo mensal: agosto 2011

Mental illness rise linked to climate (Sydney Morning Herald)

Erik Jensen Health

August 29, 2011
Climate change“Emotional injury, stress and despair” … the impact of climate change on health. Photo: Reuter

RATES of mental illnesses including depression and post-traumatic stress will increase as a result of climate change, a report to be released today says.

The paper, prepared for the Climate Institute, says loss of social cohesion in the wake of severe weather events related to climate change could be linked to increased rates of anxiety, depression, post-traumatic stress and substance abuse.

As many as one in five people reported ”emotional injury, stress and despair” in the wake of these events.

The report, A Climate of Suffering: The Real Cost of Living with Inaction on Climate Change, called the past 15 years a ”preview of life under unrestrained global warming”.

”While cyclones, drought, bushfires and floods are all a normal part of Australian life, there is no doubt our climate is changing,” the report says.

”For instance, the intensity and frequency of bushfires is greater. This is a ‘new normal’, for which the past provides little guidance …

”Moreover, recent conditions are entirely consistent with the best scientific predictions: as the world warms so the weather becomes wilder, with big consequences for people’s health and well-being.”

The paper suggests a possible link between Australia’s recent decade-long drought and climate change. It points to a breakdown of social cohesion caused by loss of work and associated stability, adding that the suicide rate in rural communities rose by 8 per cent.

The report also looks at mental health in the aftermath of major weather events possibly linked to climate change.

It shows that one in 10 primary school children reported symptoms of post-traumatic stress disorder in the wake of cyclone Larry in 2006. More than one in 10 reported symptoms more than three months after the cyclone.

”There’s really clear evidence around severe weather events,” the executive director of the Brain and Mind Research Institute, Professor Ian Hickie, said.

”We’re now more sophisticated in understanding the mental health effects and these effects are one of the major factors.

”What we have seriously underestimated is the effects on social cohesion. That is very hard to rebuild and they are critical to the mental health of an individual.”

Professor Hickie, who is launching the report today, said climate change and particularly severe weather events were likely to be a major factor influencing mental health in the future.

”When we talk about the next 50 years and what are going to be the big drivers at the community level of mental health costs, one we need to factor in are severe weather events, catastrophic weather events,” he said.

Read more: http://www.smh.com.au/environment/mental-illness-rise-linked-to-climate-20110828-1jger.html#ixzz1WeAsre00

Anúncios

Mais da metade dos alunos não sabe resolver operações matemáticas básicas (JC, O Globo)

JC e-mail 4331, de 26 de Agosto de 2011.

Prova ABC avaliou desempenho de recém-alfabetizados; em leitura, resultado foi melhor: 56,1% mostraram dominar a língua.

Resultados de um teste aplicado em seis mil alunos de todas as capitais e do Distrito Federal mostram que 57,2% dos estudantes do 3 º ano do ensino fundamental – a antiga 2ª série – não conseguem resolver problemas básicos de matemática, como soma ou subtração. Inédita no País, a Prova ABC também avaliou a aprendizagem de leitura e escrita. “A dificuldade é na hora de fazer a conta do ‘vai um'”, explicou ontem, em São Paulo, na divulgação dos resultados, o professor Rubem Klein, da Fundação Cesgranrio, referindo-se à soma de números superiores a uma dezena.

A Prova ABC, ou Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, foi realizada pelo movimento Todos Pela Educação, em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a Fundação Cesgranrio e o Instituto Paulo Montenegro/Ibope. O teste foi aplicado no início deste em estudantes de 250 escolas, conforme a proporção em cada rede (privada, estadual e municipal).

Em matemática, a média nacional de alunos do terceiro ano (2ª série) que aprenderam o esperado foi de 42,8%, o que significa que 57,2% não sabem o mínimo adequado para este período do aprendizado. As escolas privadas tiveram média de 74,3%, e as públicas, de apenas 32,6%, uma diferença de 41,7 pontos percentuais.

“Temos de levar em consideração que os professores dessas primeiras séries são formados em Pedagogia, curso que atrai pessoas de classes mais baixas e que não tiveram boa formação em matemática. É um ciclo vicioso que precisa ser rompido”, analisou o professor Paulo Horta, do Inep.

Teste de leitura: 43,9% não aprenderam o suficiente – A média nacional na prova de leitura foi 56,1%. Isso quer dizer que o restante, ou seja, 43,9% dos alunos, não aprenderam o suficiente. O índice dos que aprenderam o esperado chegou a 79% nas escolas particulares. Já nas públicas ficou em 48,6%.

Em escrita, o índice nacional dos que aprenderam o esperado caiu para 53,4%, ou seja, 46,6% não tiveram o aprendizado adequado. Nas escolas privadas, o aproveitamento foi 82,4%; nas públicas, 43,9%. “Mesmo com um índice melhor das escolas privadas, que são o objetivo dessa nova classe média para os seus filhos, elas não chegaram a 100%. E 100% significa apenas o que é esperado que as crianças tenham aprendido. No geral, a Prova ABC mostrou que as crianças que frequentam os três primeiros anos da escola não estão tendo garantido o direito básico que tem à aprendizagem”, observou a diretora-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

Assim como em outros índices da educação brasileira, o desempenho dos alunos do Sul e do Sudeste superou na Prova ABC os resultados das crianças do Norte e Nordeste, conforme o modelo do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A nota média nacional em matemática foi 171,07 (o desejado era 175), mas no Sul chegou a 185,64 e, no Sudeste, a 179,06. Por outro lado, foi bem menor no Norte (152,62), no Nordeste (158,19).

Regionalmente ainda os resultados da prova de leitura, conforme a escala Saeb de 175 pontos, não foram diferentes. No Sul a média foi 197,93, enquanto no Nordeste chegou a 167,37, uma diferença de 30 pontos. No Centro-Oeste a nota foi 196,57, no Sudeste 193,57 e no Norte 172,78.

Na prova de escrita – cuja nota média para um nível de aprendizagem considerado exitoso é 75, em uma escala de 0 a 100 – o Sudeste atingiu a média de 77,2 – uma diferença de 27 pontos em relação aos 50,2 do Nordeste.

Média nas escolas privadas foi 211; nas públicas, 158 – A metodologia da Prova ABC leva em conta a mesma escala Saeb, responsável por compor a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é o principal indicador de qualidade da educação do País. Nessa prova, como no Saeb, os alunos precisaram obter um resultado igual a 175 pontos para que o aprendizado equivalente ao terceiro ano (ou segunda série) seja considerado suficiente. Na prova escrita, no entanto, que foge do padrão Saeb, a nota média considerada de bom desempenho foi 75.

Por nota, a média nacional em matemática foi 171,1 (211,2 para escolas privadas e 158 para as públicas. Na prova de leitura, a nota média do País foi 185,8 (216,7 para as particulares e 175,8 para as públicas). Com outra escala de pontos, na prova escrita a nota média foi 68,1 (86,2 na rede privada e 62,3 na pública).

Em matemática, para conseguir os 175 pontos, as crianças teriam que demonstrar domínio de soma e subtração resolvendo problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas. Na prova de leitura, os alunos deveriam identificar temas de uma narrativa, identificar características de personagens em textos, como lendas, fábulas e histórias em quadrinhos, e perceber relações de causa e efeito nas narrativas Já na escrita foram exigidas três competências: adequação ao tema e ao gênero, coesão e coerência e registro (grafia, normas gramaticais, pontuação e segmentação de palavras).

Climate Cycles Are Driving Wars: When El Nino Warmth Hits, Tropical Conflicts Double (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 24, 2011) — In the first study of its kind, researchers have linked a natural global climate cycle to periodic increases in warfare. The arrival of El Niño, which every three to seven years boosts temperatures and cuts rainfall, doubles the risk of civil wars across 90 affected tropical countries, and may help account for a fifth of worldwide conflicts during the past half-century, say the authors.

El Nino drought cycles heavily affecting some 90 countries (red) appear to be helping drive modern civil wars. (Credit: Courtesy Hsiang et al./Nature)

The paper, written by an interdisciplinary team at Columbia University’s Earth Institute, appears in the current issue of the leading scientific journal Nature.

In recent years, historians and climatologists have built evidence that past societies suffered and fell due in connection with heat or droughts that damaged agriculture and shook governments. This is the first study to make the case for such destabilization in the present day, using statistics to link global weather observations and well-documented outbreaks of violence. The study does not blame specific wars on El Niño, nor does it directly address the issue of long-term climate change. However, it raises potent questions, as many scientists think natural weather cycles will become more extreme with warming climate, and some suggest ongoing chaos in places like Somalia are already being stoked by warming climate.

“The most important thing is that this looks at modern times, and it’s done on a global scale,” said Solomon M. Hsiang, the study’s lead author, a graduate of the Earth Institute’s Ph.D. in sustainable development. “We can speculate that a long-ago Egyptian dynasty was overthrown during a drought. That’s a specific time and place, that may be very different from today, so people might say, ‘OK, we’re immune to that now.’ This study shows a systematic pattern of global climate affecting conflict, and shows it right now.”

The cycle known as the El Niño-Southern Oscillation, or ENSO, is a periodic warming and cooling of the tropical Pacific Ocean. This affects weather patterns across much of Africa, the Mideast, India, southeast Asia, Australia, and the Americas, where half the world’s people live. During the cool, or La Niña, phase, rain may be relatively plentiful in tropical areas; during the warmer El Niño, land temperatures rise, and rainfall declines in most affected places. Interacting with other factors including wind and temperature cycles over the other oceans, El Niño can vary dramatically in power and length. At its most intense, it brings scorching heat and multi-year droughts. (In higher latitudes, effects weaken, disappear or reverse; La Niña conditions earlier this year helped dry the U.S. Southwest and parts of east Africa.)

The scientists tracked ENSO from 1950 to 2004 and correlated it with onsets of civil conflicts that killed more than 25 people in a given year. The data included 175 countries and 234 conflicts, over half of which each caused more than 1,000 battle-related deaths. For nations whose weather is controlled by ENSO, they found that during La Niña, the chance of civil war breaking out was about 3 percent; during El Niño, the chance doubled, to 6 percent. Countries not affected by the cycle remained at 2 percent no matter what. Overall, the team calculated that El Niño may have played a role in 21 percent of civil wars worldwide — and nearly 30 percent in those countries affected by El Niño.

Coauthor Mark Cane, a climate scientist at Columbia’s Lamont-Doherty Earth Observatory, said that the study does not show that weather alone starts wars. “No one should take this to say that climate is our fate. Rather, this is compelling evidence that it has a measurable influence on how much people fight overall,” he said. “It is not the only factor–you have to consider politics, economics, all kinds of other things.” Cane, a climate modeler, was among the first to elucidate the mechanisms of El Niño, showing in the 1980s that its larger swings can be predicted — knowledge now used by organizations around the world to plan agriculture and relief services.

The authors say they do not know exactly why climate feeds conflict. “But if you have social inequality, people are poor, and there are underlying tensions, it seems possible that climate can deliver the knockout punch,” said Hsiang. When crops fail, people may take up a gun simply to make a living, he said. Kyle C. Meng, a sustainable-development Ph.D. candidate and the study’s other author, pointed out that social scientists have shown that individuals often become more aggressive when temperatures rise, but he said that whether that applies to whole societies is only speculative.

Bad weather does appear to tip poorer countries into chaos more easily; rich Australia, for instance, is controlled by ENSO, but has never seen a civil war. On the other side, Hsiang said at least two countries “jump out of the data.” In 1982, a powerful El Niño struck impoverished highland Peru, destroying crops; that year, simmering guerrilla attacks by the revolutionary Shining Path movement turned into a full-scale 20-year civil war that still sputters today. Separately, forces in southern Sudan were already facing off with the domineering north, when intense warfare broke out in the El Niño year of 1963. The insurrection abated, but flared again in 1976, another El Niño year. Then, 1983 saw a major El Niño–and the cataclysmic outbreak of more than 20 years of fighting that killed 2 million people, arguably the world’s bloodiest conflict since World War II. It culminated only this summer, when South Sudan became a separate nation; fighting continues in border areas. Hsiang said some other countries where festering conflicts have tended to blow up during El Niños include El Salvador, the Philippines and Uganda (1972); Angola, Haiti and Myanmar (1991); and Congo, Eritrea, Indonesia and Rwanda (1997).

The idea that environment fuels violence has gained currency in the past decade, with popular books by authors like Jared Diamond, Brian Fagan and Mike Davis. Academic studies have drawn links between droughts and social collapses, including the end of the Persian Gulf’s Akkadian empire (the world’s first superpower), 6,000 years ago; the AD 800-900 fall of Mexico’s Maya civilization; centuries-long cycles of warfare within Chinese dynasties; and recent insurgencies in sub-Saharan Africa. Last year, tree-ring specialists at Lamont-Doherty Earth Observatory published a 1,000-year atlas of El Niño-related droughts; data from this pinpoints droughts coinciding with the downfall of the Angkor civilization of Cambodia around AD 1400, and the later dissolution of kingdoms in China, Vietnam, Myanmar and Thailand.

Some scientists and historians remain unconvinced of connections between climate and violence. “The study fails to improve on our understanding of the causes of armed conflicts, as it makes no attempt to explain the reported association between ENSO cycles and conflict risk,” said Halvard Buhaug, a political scientist with the Peace Research Institute Oslo in Norway who studies the issue. “Correlation without explanation can only lead to speculation.” Another expert, economist Marshall Burke of the University of California, Berkeley, said the authors gave “very convincing evidence” of a connection. But, he said, the question of how overall climate change might play out remains. “People may respond differently to short-run shocks than they do to longer-run changes in average temperature and precipitation,” he said. He called the study “a useful and illuminating basis for future work.”

The above story is reprinted (with editorial adaptations by ScienceDaily staff) from materials provided by The Earth Institute at Columbia University.

Journal Reference:
Solomon M. Hsiang, Kyle C. Meng, Mark A. Cane. Civil conflicts are associated with the global climate. Nature, 2011; 476 (7361): 438 DOI: 10.1038/nature10311

As Prosperity Rises in Brazil’s Northeast, So Does Drug Violence (N.Y. Times)

A house in Nova Constituinte, in Salvador, is protected by a makeshift fence. The arrival of crack cocaine has been particularly devastating there, and the number of murders in Bahia increased 430 percent between 1999 and 2008. Lalo de Almeida for The New York Times.

By ALEXEI BARRIONUEVO
Published: August 29, 2011

SALVADOR, Brazil — Jenilson Dos Santos Conceição, 20, lay face down on the rough concrete, his body twisted, sandals still on his feet, as the blood from his 14 bullet wounds stained the sloped alleyway.

A small crowd of residents watched dispassionately as a dozen police officers hovered around the young man’s lifeless body.

“He was followed until he was executed right here,” said Bruno Ferreira de Oliveira, a senior investigator. “They wanted to make sure he was dead.”

Mr. Conceição was the third person found murdered in the state of Bahia on that July day. By day’s end, 6 would die violently, and by month’s end 354 had been killed, the police said.

The geography of violence in Brazil has been turned on its head the past few years. In the southeast, home to Rio de Janeiro, São Paulo and many of the country’s most enduring stereotypes of shootouts and kidnappings, the murder rate actually dropped by 47 percent between 1999 and 2009, according to a study by José Maria Nóbrega, a political science professor at the Federal University of Campina Grande.

But here in the northeast, a poor region that benefited most from the wealth-transfer programs that former President Luiz Inácio Lula da Silva championed during his eight years in office, the murder rate nearly doubled in the same 10-year period, turning this area into the nation’s most violent, Dr. Nóbrega found.

Salvador, the region’s largest city, is one of Brazil’s biggest tourist draws, the gateway to some of the country’s most spectacular beaches. And like Rio, it is preparing to co-host the 2014 World Cup. So the authorities here are taking a page from Rio’s playbook, trying to grapple with the surge in violent crime by establishing permanent police units in violent areas frequented by drug traffickers.

The community police forces being installed here are similar to the “police pacification units” the Rio government has been using — to both great fanfare and controversy — since 2008 to stem drug violence there.

The northeast has long been plagued by crime, but the increase illustrates how Brazil’s economic boom is causing drug-related violence — the main cause for the homicide scourge — to migrate to other parts of the country as traffickers seek new markets, straining local police forces, according to both Dr. Nóbrega and local officials.

The same economic wave that put more money in millions of poor Brazilians’ pockets, especially here in the north, has also stimulated more drug trafficking and the deadly crime associated with it, officials here contended. Drug traffickers, realizing the potential of a stronger market, have focused more heavily on the northeast, resulting in drug wars and addiction-fueled violence, they said.

“If the consumer market is booming, the drug trafficker will come here as well,” said Jaques Wagner, the governor of Bahia. “The social progress in Brazil is visible. But at the same time we still have trouble with drug trafficking and with a lack of respect for human life.”

In the states of Bahia and Alagoas, especially, there has been an explosion of violence in the past decade. The number of murders in Bahia grew by 430 percent, to 4,709, between 1999 and 2008, Dr. Nóbrega said, and last year the state’s murder rate of 34.2 per 100,000 residents was higher than Rio’s, which fell to 29.8. (Bahia officials said that after leveling off in 2010, homicides were down 13 percent through July 2011 compared with the first seven months of 2010.)

Travel agencies say they are concerned about the rise in violent crime in Bahia’s slums — as well as the drug-fueled petty assaults in Pelourinho, Salvador’s colorful historic center.

“Salvador, right now, is not ready for the World Cup by any stretch, and they are starting to realize that,” said Paul Irvine, the director of Dehouche, a travel agency in Rio de Janeiro that organizes trips to both cities.

Governor Wagner shrugged off such assertions, noting that Bahia holds a Carnaval celebration every year where more than one million people take to the streets, with 22,000 police officers providing security.

“We have gone four years without a homicide on the parade route,” he said. “For me, police readiness for the World Cup won’t be any problem at all.”

Rio’s violent slums have been characterized by battles between the police and heavily armed drug gangs that have controlled large areas. But in the northeast, security officials contend, people have historically settled disputes on their own — neighbor to neighbor, with deadly impunity.

“The northeast is used to seeking justice with its own hands,” said Mauricio Teles Barbosa, the secretary of security in Bahia. “They do not believe in the police because they were the police. They were the colonels, the outlaws that sought justice without the participation of the state.”

Mr. Wagner argued that these attitudes toward violence, along with an indifference shown by the state in providing police protection and social services, allowed murders to go largely unchecked. But more rampant drug trafficking, fueled in part by criminal gangs operating out of São Paulo, has greatly worsened the situation, Mr. Barbosa said.

The arrival of crack cocaine has been particularly devastating. In Nova Constituinte, a community on the outskirts of Salvador that sprouted on a former banana plantation, a series of drug-related killings has stalked the area for the past five years, including the massacre of six teenagers caught in the crossfire of rival gangs, said Arnaldo Anselmo, 42, a community leader.

Gildasio Oliveira Silva said that drug traffickers twice tried to kill his teenage son, who had fallen prey to crack and owed his dealers money. Last December, he said, they gunned down his wife, Ana Maria Passos ou Assis, 39, as she was cleaning the bathroom of Mr. Silva’s small convenience store along Nova Constituinte’s main avenue.

“The violence has gotten worse here,” said Mr. Silva, 68, a former police officer. “And it’s all related to drugs.”

After becoming governor in 2007, Mr. Wagner vowed to build up the police and try to stem the surging violence. He has added 7,000 new police officers in the past four years and authorized 3,500 more this year.

Bahia inaugurated its first community police unit in Calabar, a poor enclave surrounded by more expensive high-rises. Since opening in April with 120 officers, no homicides have been reported, said Capt. Maria de Oliveira Silva, who heads the unit.

“In the last three years, you didn’t go a month without someone getting killed here,” said Lindalva Reis, 58, who has lived in Calabar for 38 years.

Three more community police units are scheduled to open over the next year near Nova Constituinte.

Like the units in Rio, the officers being selected are mostly rookies, to try to cut down on corruption and the more aggressive habits of some older officers.

Unlike in Rio, the installation of the new units here has not required first clearing out entrenched drug gangs with bloody police and military operations that can last weeks.

To counter criticism that its police have struggled to solve crimes, the Bahia State government established a dedicated homicide department earlier this year, with 150 officers focused on murder investigations.

Among the challenges of the new unit is rooting out “extermination groups,” militias composed of police officers who have practiced vigilante justice and been suspected in dozens of murders, said Arthur Gallas, the homicide unit’s director.

Then there is the mountain of unresolved cases. In the new department’s offices, investigators recently pored over stacks of files containing 1,500 unsolved homicides dating from before 2007.

But the new push is still a work in progress.

At the crime scene of Mr. Conceição, the police did not set up security tape to prevent evidence contamination. “Preserving evidence is very difficult here,” said Helder Cunha, a crime scene investigator, noting that a proposal to require crime scene tape in Bahia had yet to be put into practice.

Myrna Domit contributed reporting from São Paulo.

Profits Before Environment (N.Y. Times)

August 30, 2011, 10:27 PM
By MARK BITTMAN

I wasn’t surprised when the administration of George W. Bush sacrificed the environment for corporate profits. But when the same thing happens under a Democratic administration, it’s depressing. With little or no public input, policies that benefit corporations regardless of the consequences continue to be enacted.

No wonder an April 2010 poll from the Pew Research Center found that about only 20 percent of Americans have faith in the government (it’s one thing upon which the left and right and maybe even the center agree). But maybe this is nothing new: as Glenda Farrell, as Genevieve “Gen” Larkin, put it in “Gold Diggers of 1937,” “It’s so hard to be good under the capitalistic system.”

But is anyone in power even trying? Last winter, the Department of Agriculture deregulated Monsanto’s genetically modified alfalfa, despite concerns about cross-pollination of non-genetically modified crops. It then defied a court order banning the planting of genetically modified sugar beets pending completion of an environmental impact study.

Monsanto engineers these plants and makes Roundup, the herbicide they resist. But Roundup-ready crops don’t increase long-term yields, a host of farmers are now dealing with “superweeds” and there is worry about superbugs, nearly all courtesy of Monsanto. In fact, this system doesn’t contribute to much of anything except Monsanto’s bottom line. Yet Agriculture Secretary Tom Vilsack gave Monsanto the nod, perhaps yielding to pressure from the White House.

The United States exerts that same kind of pressure abroad. WikiLeaks cables show that U.S. “biotechnology outreach programs” have promoted genetically modified crops in Africa, Asia and South America; they’ve also revealed that diplomats schemed to retaliate against any European Union countries that oppose those crops.

Sacrificing the environment for profits didn’t stop with Bush, and it doesn’t stop with genetically modified organisms. Take, for example, the Keystone XL pipeline extension. XL is right: the 36-inch-wide pipeline, which will stretch from the Alberta tar sands across the Great Plains to the Gulf Coast, will cost $7 billion and run for 1,711 miles — more than twice as long as the Alaska pipeline. It will cross nearly 2,000 rivers, the huge wetlands ecosystem called the Nebraska Sandhills and the Ogallala aquifer, the country’s biggest underground freshwater supply.

If Keystone is built, we’ll see rising greenhouse gas emissions right away (tar sands production creates three times as many greenhouse gases as does conventional oil), and our increased dependence on fossil fuels will further the likelihood of climate-change disaster. Then there is the disastrous potential of leaks of the non-Wiki-variety. (It’s happened before.)

Proponents say the pipeline will ease gas prices and oil “insecurity.” But domestic drilling has raised, not lowered, oil prices, and as for the insecurity — what we need is to develop wiser ways to use the oil we have.

They say, too, that the pipeline could create 100,000 new jobs. But even the Amalgamated Transit Union and the Transport Workers Union oppose the pipeline, saying, “We need jobs, but not ones based on increasing our reliance on Tar Sands oil.”

Sounds as if union officials have been reading the writer and activist Bill McKibben, who calls the pipeline “a fuse to the biggest carbon bomb on the continent,” and NASA scientist Jim Hansen, who says the oil Keystone will deliver “is essentially game over” for the planet.

Game over? No problem, says the State Department, which concluded that the project will have no significant impact on “most resources along the proposed pipeline corridor.” The Sierra Club quickly responded by calling the report “an insult to anyone who expects government to work for the interests of the American people.”

I do expect that, and I am insulted. President Obama can deny Keystone the permit. A truly environmentally friendly president (like the one candidate Obama appeared to be) would be looking for creative ways to leave fossil fuels underground, not extract them. Perhaps he doesn’t “believe in” global warming at this point, like many Republicans?

When government defends corporate interests, citizens must fight. McKibben has helped organize protests at the White House against Keystone, and he’s one of hundreds who’ve been arrested in the last couple of weeks. These people are showing that the role of government as corporate ally must be challenged.

As it will be in the fight against carte blanche for genetically modified organisms: From Oct. 1 to Oct. 16, there will be a march from New York City to Washington to demand that genetically modified foods be labeled, something a majority of Americans want. This small, perfectly reasonable request has run into joint opposition from the biotech industry and (here we go again) the Food and Drug Administration.

Why are most of us are filled with mistrust of the government? Maybe because we, like Gen Larkin, know it’s so hard to be good under the capitalistic system.

O MITO DO TORCEDOR VIOLENTO (Fazendo Media/Le Monde Diplomatique Brasil)

Por Irlan Simões, 02.08.2011
Fazendo Media

Em maio de 2010, após intensas discussões entre o poder público, a Polícia Militar e presidentes de clubes, o estado de Sergipe tornou-se pioneiro em um processo que avança sobre o futebol brasileiro: a criminalização das torcidas organizadas (ou T.O.s). Uma mestranda do núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, Klecia Renata de Oliveira Batista, animou-se a avaliar tal fenômeno.

Durante dois anos, a mestranda sergipana acompanhou o funcionamento interno da torcida Trovão Azul, adepta do Confiança, interessada em estudar a violência no meio. Intitulado “Entre torcer e ser banido, vamos nos (re)organizar: um estudo psicanalítico da torcida Trovão Azul”, a tese tornou-se um documento inédito sobre a criminalização das torcidas organizadas a partir da realidade sergipana. “Foi um processo fundamental para o meu trabalho, justamente quando eu estava tentando mapear a pressão que a torcida vinha enfrentando no momento”, afirma Klecia.

Defendido em 27 de maio último, o trabalho de Klecia aponta: a “modernização” do futebol brasileiro visa na verdade adequar o jogo aos interesses do mercado; ela está sendo imposta mesmo que as transformações custem a perda dos valores culturais embutidos no futebol. “O que se vê hoje é a torcida organizada enquadrando-se ao que alguns historiadores chamam de torcidas-empresa, rendendo-se a uma lógica organizada pelo capital”, afirma a pesquisadora.

O Estado como protagonista

Visando explicar o fenômeno, a mestranda recorreu ao referencial psicanalítico de Sigmund Freud. Ela sugere que, na busca de uma adequação dos estádios e do jogo ao que se entende pelo “ideal da ordem, limpeza e beleza da Modernidade”. Justifica assim as medidas punitivas que têm sido tomadas contra as torcidas organizadas.

Segundo a pesquisadora, estes coletivos cumpriam papel de resistência a esse processo. “Hoje, não há mais margem de sobreviver no futebol fora desse padrão de “modernidade”. Dessa realidade, a única coisa que tinha sobrado eram as torcidas, que agora também estão sendo ameaçadas”, afirma. Para ela, a violência no futebol não se restringe às torcidas organizadas. Na realidade, a violência é própria da vida do homem em sociedade e as torcidas constituem, no âmbito futebolístico, um microespaço no qual essa violência se torna presente.

“O novo Estatuto do Torcedor é o carro-chefe desse processo de modernização”, afirma Klecia Renata, questionando o papel que o projeto aplicado pelo ministério dos Esportes vem cumprindo. Para ela, a lei sancionada em 2010 é responsável pelas ameaças de banimento, proibição da entrada nos estádios, venda de materiais padronizados e criminalização dos torcedores organizados. Ainda segundo a pesquisadora, a reorganização das T.Os tem gerado elitização de seu corpo de integrantes, uma vez que a concepção de que o torcedor mais pobre é o causador da violência é o que tem imperado no senso comum.

Panorama nacional

Além da orientação do professor Eduardo Leal Cunha e da presença de Daniel Menezes Coelho, ambos da UFS, a defesa da dissertação teve como convidado o historiador Bernardo Borges Buarque de Hollanda, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Faculdade Getúlio Vargas (CPDOC-FGV). Estudioso do assunto há mais de dez anos, Bernardo reforçou, no seu comentário como integrante da banca da defesa da dissertação, a ligação entre o “ideal da ordem e limpeza da Modernidade” e o processo de elitização do público torcedor do futebol, traçando paralelos com os processos ocorridos em outros países, como a Inglaterra.

O pesquisador, que também estudou o histórico das torcidas organizadas no Brasil, lembra que criminalizar os torcedores uniformizados é parte do mesmo projeto que busca excluir o torcedor mais pobre dos estádios. “Isso é uma forma de elitizar o espectador, e essa vai ser a tendência. O “telespectador” vai ser o lugar das classes populares”, afirma. Bernardo justifica sua hipótese mostrando como os estádios têm diminuído, após sucessivas reformas, a sua capacidade de público e aumentado o valor dos ingressos buscando atingir apenas um público consumidor de classe média-alta.

Um aspecto também ressaltado pelo estudioso é a movimentação das torcidas organizadas buscando frear tal processo. No Rio de Janeiro, foi fundada a Federação das Torcidas Organizadas, a Ftorj, enquanto no âmbito nacional a Confederação das Torcidas Organizadas (Conatorg) dá os primeiros passos. “É sempre muito difícil uma representação das torcidas organizadas porque existem muitos conflitos internos e entre elas. Mas já é um sinal de que há um avanço, uma possibilidade de declamar direitos. Não apenas deveres, como querem os dirigentes”, afirma.

Quando questionado sobre como o senso comum brasileiro tem apoiado tal processo de modernização, Bernardo é enfático: “É muito desigual essa transmissão de mensagens”. Para ele há grande dificuldade em explicar como esse processo vai excluir os próprios torcedores que aprovam tais medidas.

O avanço do processo de criminalização

Em 13 de junho de 2011, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acionou as torcidas organizadas para uma audiência pública. Estavam presentes representantes de 36 torcidas, do ministério do Esporte, da Polícia Militar, da secretaria de Estado de Esporte e Lazer, da superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (Ftorj).

Todos os convidados tiveram de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que operacionaliza o Estatuto do Torcedor. Entre as exigências, estão a proibição de diversos artigos, como bandeiras, faixas, e materiais que possivelmente ocasionariam o ferimento dos presentes no estádio e a penalização da Torcida Organizada em caso de descumprimento de algumas normas por parte de algum dos seus integrantes.

Ao fim da Audiência, Flávio Martins, presidente da Ftorj, lamentou que apenas as torcidas organizadas fossem responsabilizadas pelo esvaziamento dos estádios. “Muito se fala da violência promovida pelas torcidas, mas nunca se questiona a condição do transporte público que tem sido disponibilizado, nem o valor dos ingressos e nem o horário dos jogos”, afirmou.

(*) Matéria publicada originalmente no Outras Palavras, do Le Monde Diplomatique Brasil.

Seca de 2010 na Amazônia foi a mais drástica desde 1902 (Fapesp)

Constatação foi feita por pesquisadores do Inpe a partir da análise de série histórica de dados de pluviosidade na região da bacia amazônica (foto:Fapeam)

30/08/2011

Agência FAPESP – Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluíram em um estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters, que a seca de 2010 na Amazônia foi a mais drástica já registrada desde 1902, superando a de 2005, que até então era considerada a maior do século.

A constatação foi feita a partir da análise de uma série histórica de dados de pluviosidade na região da bacia amazônica, com medições desde 1902.

Os resultados do estudo apontam que o processo teve início no começo do verão, durante o El Niño (um processo natural de aquecimento das águas do Pacífico), mas foi intensificado pelo aquecimento das águas tropicais do Atlântico Norte. Em função disso, se originou uma estação seca que se estendeu por muitos meses, ocasionando alterações no ciclo hidrológico.

Como consequência desse processo, houve rebaixamento dos níveis de água e seca completa de cursos d’água e tributários de rios na bacia amazônica. A região sul foi a mais afetada. O fenômeno causou graves problemas socioambientais, especialmente às populações ribeirinhas, que ficaram isoladas por dependerem dos rios para seu deslocamento.

Em outro artigo recém-publicado na revista Theoretical Applied Climatology, pesquisadores do Inpe apresentaram os resultados de um amplo estudo sobre as inundações na Amazônia e Nordeste do Brasil, ocorridas no período de maio a julho de 2009. O fenômeno provocou mortes e deixou milhares de famílias desabrigadas. O trabalho demonstra que essas chuvas torrenciais foram as mais intensas e duradouras já registradas.

O rio Negro, principal tributário do rio Amazonas, atingiu seu maior nível em 107 anos. Os autores concluíram que o evento foi resultado de uma conjuntura de fatores meteorológicos, especialmente o aquecimento acima do normal das águas superficiais do Atlântico Sul – aspecto importante para a explicação das chuvas abundantes em vastas regiões do leste amazônico e Nordeste do país.

Os pesquisadores destacaram também que esses episódios extremos, assim como a seca duradoura ocorrida no ano de 2010 na bacia amazônica, reforçam a hipótese de que anomalias no regime pluviométrico e de temperatura serão mais frequentes em cenários futuros de mudanças climáticas.

Entre os autores dos estudos está José Antônio Marengo Orsini, chefe do Centro de Sistema Terrestre do Inpe.

O artigo The drought of 2010 in the context of historical droughts in the Amazon region(doi:10.1029/2011GL047436), de Orsini e outros, pode ser lido em www.inpe.br/noticias/arquivos/pdf/2011GL047436.pdf.

O partido anticiência (JC, O Globo)

JC e-mail 4333, de 30 de Agosto de 2011.

Artigo de Paul Krugman publicado no O Globo de hoje (30).

John Huntsman Jr., ex-governador de Utah e embaixador na China, não é um forte pré-candidato à indicação do Partido Republicano para concorrer à Presidência. E isto é muito ruim porque o desejo de Huntsman é dizer o indizível sobre o partido – especialmente que ele está se tornando o “partido anticiência”. Isto é algo enormemente importante. E deveria nos aterrorizar.

Para entender o que Huntsman defende, considere declarações recentes dos dois mais fortes pretendentes à indicação republicana: Rick Perry e Mitt Romney.

Perry, governador do Texas, fez manchetes recentemente ao fazer pouco da evolução humana como uma “simples teoria”, que tem “algumas lacunas” – uma observação que soaria como novidade para a vasta maioria dos biólogos. Mas o que mais chamou a atenção foi o que ele disse sobre mudança climática: “Penso que há um número substancial de cientistas que manipulou dados para obter dólares para seus projetos. E penso que estamos vendo, quase toda semana, ou todo dia, cientistas questionando a ideia original de que o aquecimento global provocado pelo homem é a causa da mudança climática.” É uma declaração extraordinária – ou talvez o adjetivo correto seja “vil”.

A segunda parte da declaração de Perry é falsa: o consenso científico sobre a interferência humana no aquecimento global – que inclui 97% a 98% dos pesquisadores de campo, segundo a Academia Nacional de Ciências – está se tornando mais forte à medida que aumentam as evidências sobre a mudança do clima.

De fato, se você acompanha a ciência climática sabe que o principal aspecto nos últimos anos tem sido a preocupação crescente de que as projeções sobre o futuro do clima estejam subestimando o provável aumento da temperatura. Advertências de que poderemos enfrentar mudanças cimáticas capazes de ameaçar a civilização no fim do século, antes consideradas estranhas, partem agora dos principais grupos de pesquisa.

Mas não se preocupe, sugere Perry; os cientistas estão apenas atrás de dinheiro, “manipulando dados” para criar uma falsa ameaça. Em seu livro “Fed Up”, ele despreza a ciência do clima como “uma bagunça falsa e artificial que está se desmanchando”.

Eu poderia dizer que Perry está tirando isso de uma teoria conspiratória verdadeiramente louca, que afirma que milhares de cientistas de todo o mundo estão levando dinheiro, sem que nenhum deseje quebrar o código de silêncio. Poderia apontar que múltiplas investigações em acusações de falsidade intelectual da parte dos cientistas climáticos acabaram com a absolvição dos pesquisadores de todas as acusações. Mas não se preocupe: Perry e os que pensam como ele sabem em que desejam acreditar e sua resposta a qualquer um que os contradiga é iniciar uma caça às bruxas.

Então de que modo Romney, o outro forte concorrente à indicação republicana, respondeu ao desafio de Perry? Correndo dele. No passado, Romney, ex-governador de Massachusetts, endossou fortemente a noção de que a mudança climática provocada pelo homem é uma real preocupação. Mas, na semana passada, ele suavizou isso e disse pensar que o mundo está realmente esquentando, mas “eu não conheço isto” e “não sei se isso é causado principalmente pelo homem”. Que coragem moral!

É claro, sabemos o que está motivando a súbita falta de convicção de Romney. Segundo o Public Policy Polling, somente 21% dos eleitores republicanos de Iowa acreditam no Aquecimento Global (e somente 35% creem na evolução). Dentro do Partido Republicano, ignorância deliberada tornou-se um teste decisivo para os candidatos, no qual Romney está determinado a passar a qualquer custo.

Então, é agora altamente provável que o candidato presidencial de um de nossos dois grandes partidos políticos será ou um homem que acredita no que quer acreditar, ou um homem que finge acreditar em qualquer coisa que ele ache que a base do partido quer que ele acredite.

E o caráter crescentemente anti-intelectual da direita, tanto dentro do Partido Republicano como fora dele, se estende além da questão da mudança climática.

Ultimamente, por exemplo, a seção editorial do “Wall Street Journal” passou da antiga preferência pelas ideias econômicas de “charlatães e maníacos” — pela definição famosa de um dos principais conselheiros econômicos do ex-presidente George W. Bush – para um descrédito geral do pensamento árduo sobre questões econômicas. Não prestem atenção a “teorias fantasiosas” que conflitam com o “senso comum”, diz-nos o “Journal”. Por que deveria alguém imaginar que se precisa mais do que estômago para analisar coisas como crises financeiras e recessões?

Agora, não se sabe quem ganhará a eleição presidencial do próximo ano. Mas há chances de que, mais dia menos dia, a maior nação do mundo será dirigida por um partido que é agressivamente anticiência, mesmo anticonhecimento. E, numa era de grandes desafios – ambiental, econômico e outros – é uma terrível perspectiva.

Paul Krugman é colunista do “New York Times”.

David Graeber on the History of Debt (PBS, Naked Capitalism)

 

FRIDAY, AUGUST 26, 2011 (nakedcapitalism.com)
What is Debt? – An Interview with Economic Anthropologist David Graeber

David Graeber currently holds the position of Reader in Social Anthropology at Goldsmiths University London. Prior to this he was an associate professor of anthropology at Yale University. He is the author of ‘Debt: The First 5,000 Years’ which is available from Amazon.

Interview conducted by Philip Pilkington, a journalist and writer based in Dublin, Ireland.

Philip Pilkington: Let’s begin. Most economists claim that money was invented to replace the barter system. But you’ve found something quite different, am I correct?

David Graeber: Yes there’s a standard story we’re all taught, a ‘once upon a time’ — it’s a fairy tale.

It really deserves no other introduction: according to this theory all transactions were by barter. “Tell you what, I’ll give you twenty chickens for that cow.” Or three arrow-heads for that beaver pelt or what-have-you. This created inconveniences, because maybe your neighbor doesn’t need chickens right now, so you have to invent money.

The story goes back at least to Adam Smith and in its own way it’s the founding myth of economics. Now, I’m an anthropologist and we anthropologists have long known this is a myth simply because if there were places where everyday transactions took the form of: “I’ll give you twenty chickens for that cow,” we’d have found one or two by now. After all people have been looking since 1776, when the Wealth of Nations first came out. But if you think about it for just a second, it’s hardly surprising that we haven’t found anything.

Think about what they’re saying here – basically: that a bunch of Neolithic farmers in a village somewhere, or Native Americans or whatever, will be engaging in transactions only through the spot trade. So, if your neighbor doesn’t have what you want right now, no big deal. Obviously what would really happen, and this is what anthropologists observe when neighbors do engage in something like exchange with each other, if you want your neighbor’s cow, you’d say, “wow, nice cow” and he’d say “you like it? Take it!” – and now you owe him one. Quite often people don’t even engage in exchange at all – if they were real Iroquois or other Native Americans, for example, all such things would probably be allocated by women’s councils.

So the real question is not how does barter generate some sort of medium of exchange, that then becomes money, but rather, how does that broad sense of ‘I owe you one’ turn into a precise system of measurement – that is: money as a unit of account?

By the time the curtain goes up on the historical record in ancient Mesopotamia, around 3200 BC, it’s already happened. There’s an elaborate system of money of account and complex credit systems. (Money as medium of exchange or as a standardized circulating units of gold, silver, bronze or whatever, only comes much later.)

So really, rather than the standard story – first there’s barter, then money, then finally credit comes out of that – if anything its precisely the other way around. Credit and debt comes first, then coinage emerges thousands of years later and then, when you do find “I’ll give you twenty chickens for that cow” type of barter systems, it’s usually when there used to be cash markets, but for some reason – as in Russia, for example, in 1998 – the currency collapses or disappears.

PP: You say that by the time historical records start to be written in the Mesopotamia around 3200 BC a complex financial architecture is already in place. At the same time is society divided into classes of debtors and creditors? If not then when does this occur? And do you see this as the most fundamental class division in human history?

DG: Well historically, there seem to have been two possibilities.

One is what you found in Egypt: a strong centralized state and administration extracting taxes from everyone else. For most of Egyptian history they never developed the habit of lending money at interest. Presumably, they didn’t have to.

Mesopotamia was different because the state emerged unevenly and incompletely. At first there were giant bureaucratic temples, then also palace complexes, but they weren’t exactly governments and they didn’t extract direct taxes – these were considered appropriate only for conquered populations. Rather they were huge industrial complexes with their own land, flocks and factories. This is where money begins as a unit of account; it’s used for allocating resources within these complexes.

Interest-bearing loans, in turn, probably originated in deals between the administrators and merchants who carried, say, the woollen goods produced in temple factories (which in the very earliest period were at least partly charitable enterprises, homes for orphans, refugees or disabled people for instance) and traded them to faraway lands for metal, timber, or lapis lazuli. The first markets form on the fringes of these complexes and appear to operate largely on credit, using the temples’ units of account. But this gave the merchants and temple administrators and other well-off types the opportunity to make consumer loans to farmers, and then, if say the harvest was bad, everybody would start falling into debt-traps.

This was the great social evil of antiquity – families would have to start pawning off their flocks, fields and before long, their wives and children would be taken off into debt peonage. Often people would start abandoning the cities entirely, joining semi-nomadic bands, threatening to come back in force and overturn the existing order entirely. Rulers would regularly conclude the only way to prevent complete social breakdown was to declare a clean slate or ‘washing of the tablets,’ they’d cancel all consumer debt and just start over. In fact, the first recorded word for ‘freedom’ in any human language is the Sumerian amargi, a word for debt-freedom, and by extension freedom more generally, which literally means ‘return to mother,’ since when they declared a clean slate, all the debt peons would get to go home.

PP: You have noted in the book that debt is a moral concept long before it becomes an economic concept. You’ve also noted that it is a very ambivalent moral concept insofar as it can be both positive and negative. Could you please talk about this a little? Which aspect is more prominent?

DG: Well it tends to pivot radically back and forth.

One could tell the history like this: eventually the Egyptian approach (taxes) and Mesopotamian approach (usury) fuse together, people have to borrow to pay their taxes and debt becomes institutionalized.

Taxes are also key to creating the first markets that operate on cash, since coinage seems to be invented or at least widely popularized to pay soldiers – more or less simultaneously in China, India, and the Mediterranean, where governments find the easiest way to provision the troops is to issue them standard-issue bits of gold or silver and then demand everyone else in the kingdom give them one of those coins back again. Thus we find that the language of debt and the language of morality start to merge.

In Sanskrit, Hebrew, Aramaic, ‘debt,’ ‘guilt,’ and ‘sin’ are actually the same word. Much of the language of the great religious movements – reckoning, redemption, karmic accounting and the like – are drawn from the language of ancient finance. But that language is always found wanting and inadequate and twisted around into something completely different. It’s as if the great prophets and religious teachers had no choice but to start with that kind of language because it’s the language that existed at the time, but they only adopted it so as to turn it into its opposite: as a way of saying debts are not sacred, but forgiveness of debt, or the ability to wipe out debt, or to realize that debts aren’t real – these are the acts that are truly sacred.

How did this happen? Well, remember I said that the big question in the origins of money is how a sense of obligation – an ‘I owe you one’ – turns into something that can be precisely quantified? Well, the answer seems to be: when there is a potential for violence. If you give someone a pig and they give you a few chickens back you might think they’re a cheapskate, and mock them, but you’re unlikely to come up with a mathematical formula for exactly how cheap you think they are. If someone pokes out your eye in a fight, or kills your brother, that’s when you start saying, “traditional compensation is exactly twenty-seven heifers of the finest quality and if they’re not of the finest quality, this means war!”

Money, in the sense of exact equivalents, seems to emerge from situations like that, but also, war and plunder, the disposal of loot, slavery. In early Medieval Ireland, for example, slave-girls were the highest denomination of currency. And you could specify the exact value of everything in a typical house even though very few of those items were available for sale anywhere because they were used to pay fines or damages if someone broke them.

But once you understand that taxes and money largely begin with war it becomes easier to see what really happened. After all, every Mafiosi understands this. If you want to take a relation of violent extortion, sheer power, and turn it into something moral, and most of all, make it seem like the victims are to blame, you turn it into a relation of debt. “You owe me, but I’ll cut you a break for now…” Most human beings in history have probably been told this by their debtors. And the crucial thing is: what possible reply can you make but, “wait a minute, who owes what to who here?” And of course for thousands of years, that’s what the victims have said, but the moment you do, you are using the rulers’ language, you’re admitting that debt and morality really are the same thing. That’s the situation the religious thinkers were stuck with, so they started with the language of debt, and then they tried to turn it around and make it into something else.

PP: You’d be forgiven for thinking this was all very Nietzschean. In his ‘On the Genealogy of Morals’ the German philosopher Friedrich Nietzsche famously argued that all morality was founded upon the extraction of debt under the threat of violence. The sense of obligation instilled in the debtor was, for Nietzsche, the origin of civilisation itself. You’ve been studying how morality and debt intertwine in great detail. How does Nietzsche’s argument look after over 100 years? And which do you see as primal: morality or debt?

DG: Well, to be honest, I’ve never been sure if Nietzsche was really serious in that passage or whether the whole argument is a way of annoying his bourgeois audience; a way of pointing out that if you start from existing bourgeois premises about human nature you logically end up in just the place that would make most of that audience most uncomfortable.
In fact, Nietzsche begins his argument from exactly the same place as Adam Smith: human beings are rational. But rational here means calculation, exchange and hence, trucking and bartering; buying and selling is then the first expression of human thought and is prior to any sort of social relations.

But then he reveals exactly why Adam Smith had to pretend that Neolithic villagers would be making transactions through the spot trade. Because if we have no prior moral relations with each other, and morality just emerges from exchange, then ongoing social relations between two people will only exist if the exchange is incomplete – if someone hasn’t paid up.

But in that case, one of the parties is a criminal, a deadbeat and justice would have to begin with the vindictive punishment of such deadbeats. Thus he says all those law codes where it says ‘twenty heifers for a gouged-out eye’ – really, originally, it was the other way around. If you owe someone twenty heifers and don’t pay they gouge out your eye. Morality begins with Shylock’s pound of flesh.
Needless to say there’s zero evidence for any of this – Nietzsche just completely made it up. The question is whether even he believed it. Maybe I’m an optimist, but I prefer to think he didn’t.

Anyway it only makes sense if you assume those premises; that all human interaction is exchange, and therefore, all ongoing relations are debts. This flies in the face of everything we actually know or experience of human life. But once you start thinking that the market is the model for all human behavior, that’s where you end up with.

If however you ditch the whole myth of barter, and start with a community where people do have prior moral relations, and then ask, how do those moral relations come to be framed as ‘debts’ – that is, as something precisely quantified, impersonal, and therefore, transferrable – well, that’s an entirely different question. In that case, yes, you do have to start with the role of violence.

PP: Interesting. Perhaps this is a good place to ask you about how you conceive your work on debt in relation to the great French anthropologist Marcel Mauss’ classic work on gift exchange.

DG: Oh, in my own way I think of myself as working very much in the Maussian tradition. Mauss was one of the first anthropologists to ask: well, all right, if not barter, then what? What do people who don’t use money actually do when things change hands? Anthropologists had documented an endless variety of such economic systems, but hadn’t really worked out common principles. What Mauss noticed was that in almost all of them, everyone pretended as if they were just giving one another gifts and then they fervently denied they expected anything back. But in actual fact everyone understood there were implicit rules and recipients would feel compelled to make some sort of return.

What fascinated Mauss was that this seemed to be universally true, even today. If I take a free-market economist out to dinner he’ll feel like he should return the favor and take me out to dinner later. He might even think that he is something of chump if he doesn’t and this even if his theory tells him he just got something for nothing and should be happy about it. Why is that? What is this force that compels me to want to return a gift?

This is an important argument, and it shows there is always a certain morality underlying what we call economic life. But it strikes me that if you focus too much on just that one aspect of Mauss’ argument you end up reducing everything to exchange again, with the proviso that some people are pretending they aren’t doing that.

Mauss didn’t really think of everything in terms of exchange; this becomes clear if you read his other writings besides ‘The Gift’. Mauss insisted there were lots of different principles at play besides reciprocity in any society – including our own.

For example, take hierarchy. Gifts given to inferiors or superiors don’t have to be repaid at all. If another professor takes our economist out to dinner, sure, he’ll feel that he should reciprocate; but if an eager grad student does, he’ll probably figure just accepting the invitation is favor enough; and if George Soros buys him dinner, then great, he did get something for nothing after all. In explicitly unequal relations, if you give somebody something, far from doing you a favor back, they’re more likely to expect you to do it again.

Or take communistic relations – and I define this, following Mauss actually, as any ones where people interact on the basis of ‘from each according to their abilities to each according to their needs’. In these relations people do not rely on reciprocity, for example, when trying to solve a problem, even inside a capitalist firm. (As I always say, if somebody working for Exxon says, “hand me the screwdriver,” the other guy doesn’t say, “yeah and what do I get for it?”) Communism is in a way the basis of all social relations – in that if the need is great enough (I’m drowning) or the cost small enough (can I have a light?) everyone will be expected to act that way.

Anyway that’s one thing I got from Mauss. There are always going to be lots of different sorts of principles at play simultaneously in any social or economic system – which is why we can never really boil these things down to a science. Economics tries to, but it does it by ignoring everything except exchange.

PP: Let’s move onto economic theory then. Economics has some pretty specific theories about what money is. There’s the mainstream approach that we discussed briefly above; this is the commodity theory of money in which specific commodities come to serve as a medium of exchange to replace crude barter economies. But there’s also alternative theories that are becoming increasingly popular at the moment. One is the Circuitist theory of money in which all money is seen as a debt incurred by some economic agent. The other – which actually integrates the Circuitist approach – is the Chartalist theory of money in which all money is seen as a medium of exchange issued by the Sovereign and backed by the enforcement of tax claims. Maybe you could say something about these theories?

DG: One of my inspirations for ‘Debt: The First 5,000 Years’ was Keith Hart’s essay ‘Two Sides of the Coin’. In that essay Hart points out that not only do different schools of economics have different theories on the nature of money, but there is also reason to believe that both are right. Money has, for most of its history, been a strange hybrid entity that takes on aspects of both commodity (object) and credit (social relation.) What I think I’ve managed to add to that is the historical realization that while money has always been both, it swings back and forth – there are periods where credit is primary, and everyone adopts more or less Chartalist theories of money and others where cash tends to predominate and commodity theories of money instead come to the fore. We tend to forget that in, say, the Middle Ages, from France to China, Chartalism was just common sense: money was just a social convention; in practice, it was whatever the king was willing to accept in taxes.

PP: You say that history swings between periods of commodity money and periods of virtual money. Do you not think that we’ve reached a point in history where due to technological and cultural evolution we may have seen the end of commodity money forever?

DG: Well, the cycles are getting a bit tighter as time goes by. But I think we’ll still have to wait at least 400 years to really find out. It is possible that this era is coming to an end but what I’m more concerned with now is the period of transition.

The last time we saw a broad shift from commodity money to credit money it wasn’t a very pretty sight. To name a few we had the fall of the Roman Empire, the Kali Age in India and the breakdown of the Han dynasty… There was a lot of death, catastrophe and mayhem. The final outcome was in many ways profoundly libratory for the bulk of those who lived through it – chattel slavery, for example, was largely eliminated from the great civilizations. This was a remarkable historical achievement. The decline of cities actually meant most people worked far less. But still, one does rather hope the dislocation won’t be quite so epic in its scale this time around. Especially since the actual means of destruction are so much greater this time around.

PP: Which do you see as playing a more important role in human history: money or debt?

DG: Well, it depends on your definitions. If you define money in the broadest sense, as any unit of account whereby you can say 10 of these are worth 7 of those, then you can’t have debt without money. Debt is just a promise that can be quantified by means of money (and therefore, becomes impersonal, and therefore, transferable.) But if you are asking which has been the more important form of money, credit or coin, then probably I would have to say credit.

PP: Let’s move on to some of the real world problems facing the world today. We know that in many Western countries over the past few years households have been running up enormous debts, from credit card debts to mortgages (the latter of which were one of the root causes of the recent financial crisis). Some economists are saying that economic growth since the Clinton era was essentially run on an unsustainable inflating of household debt. From an historical perspective what do you make of this phenomenon?

DG: From an historical perspective, it’s pretty ominous. One could go further than the Clinton era, actually – a case could be made that we are seeing now is the same crisis we were facing in the 70s; it’s just that we managed to fend it off for 30 or 35 years through all these elaborate credit arrangements (and of course, the super-exploitation of the global South, through the ‘Third World Debt Crisis’.)

As I said Eurasian history, taken in its broadest contours, shifts back and forth between periods dominated by virtual credit money and those dominated by actual coin and bullion. The credit systems of the ancient Near East give way to the great slave-holding empires of the Classical world in Europe, India, and China, which used coinage to pay their troops. In the Middle Ages the empires go and so does the coinage – the gold and silver is mostly locked up in temples and monasteries – and the world reverts to credit. Then after 1492 or so you have the return world empires again; and gold and silver currency together with slavery, for that matter.

What’s been happening since Nixon went off the gold standard in 1971 has just been another turn of the wheel – though of course it never happens the same way twice. However, in one sense, I think we’ve been going about things backwards. In the past, periods dominated by virtual credit money have also been periods where there have been social protections for debtors. Once you recognize that money is just a social construct, a credit, an IOU, then first of all what is to stop people from generating it endlessly? And how do you prevent the poor from falling into debt traps and becoming effectively enslaved to the rich? That’s why you had Mesopotamian clean slates, Biblical Jubilees, Medieval laws against usury in both Christianity and Islam and so on and so forth.

Since antiquity the worst-case scenario that everyone felt would lead to total social breakdown was a major debt crisis; ordinary people would become so indebted to the top one or two percent of the population that they would start selling family members into slavery, or eventually, even themselves.

Well, what happened this time around? Instead of creating some sort of overarching institution to protect debtors, they create these grandiose, world-scale institutions like the IMF or S&P to protect creditors. They essentially declare (in defiance of all traditional economic logic) that no debtor should ever be allowed to default. Needless to say the result is catastrophic. We are experiencing something that to me, at least, looks exactly like what the ancients were most afraid of: a population of debtors skating at the edge of disaster.

And, I might add, if Aristotle were around today, I very much doubt he would think that the distinction between renting yourself or members of your family out to work and selling yourself or members of your family to work was more than a legal nicety. He’d probably conclude that most Americans were, for all intents and purposes, slaves.

PP: You mention that the IMF and S&P are institutions that are mainly geared toward extracting debts for creditors. This seems to have become the case in the European monetary union too. What do you make of the situation in Europe at the moment?

DG: Well, I think this is a prime example of why existing arrangements are clearly untenable. Obviously the ‘whole debt’ cannot be paid. But even when some French banks offered voluntary write-downs for Greece, the others insisted they would treat it as if it were a default anyway. The UK takes the even weirder position that this is true even of debts the government owes to banks that have been nationalized – that is, technically, that they owe to themselves! If that means that disabled pensioners are no longer able to use public transit or youth centers have to be closed down, well that’s simply the ‘reality of the situation,’ as they put it.

These ‘realities’ are being increasingly revealed to simply be ones of power. Clearly any pretence that markets maintain themselves, that debts always have to be honored, went by the boards in 2008. That’s one of the reasons I think you see the beginnings of a reaction in a remarkably similar form to what we saw during the heyday of the ‘Third World debt crisis’ – what got called, rather weirdly, the ‘anti-globalization movement’. This movement called for genuine democracy and actually tried to practice forms of direct, horizontal democracy. In the face of this there was the insidious alliance between financial elites and global bureaucrats (whether the IMF, World Bank, WTO, now EU, or what-have-you).

When thousands of people begin assembling in squares in Greece and Spain calling for real democracy what they are effectively saying is: “Look, in 2008 you let the cat out of the bag. If money really is just a social construct now, a promise, a set of IOUs and even trillions of debts can be made to vanish if sufficiently powerful players demand it then, if democracy is to mean anything, it means that everyone gets to weigh in on the process of how these promises are made and renegotiated.” I find this extraordinarily hopeful.

PP: Broadly speaking how do you see the present debt/financial crisis unravelling? Without asking you to peer into the proverbial crystal-ball – because that’s a silly thing to ask of anyone – how do you see the future unfolding; in the sense of how do you take your bearings right now?

DG: For the long-term future, I’m pretty optimistic. We might have been doing things backwards for the last 40 years, but in terms of 500-year cycles, well, 40 years is nothing. Eventually there will have to be recognition that in a phase of virtual money, safeguards have to be put in place – and not just ones to protect creditors. How many disasters it will take to get there? I can’t say.

But in the meantime there is another question to be asked: once we do these reforms, will the results be something that could even be called ‘capitalism’?

A cultura dos geoglifos (Fapesp)

HUMANIDADES | ARQUEOLOGIA
Enormes círculos e quadrados foram escavados no chão da Amazônia há 2 mil anos
Marcos Pivetta
Edição Impressa – Agosto 2011
© EDISON CAETANO
Desenho geométrico em Plácido de Castro, no Acre: palco de cerimônias

Houve uma época em que os deuses parecem ter sido geométricos num canto da Amazônia, o leste do Acre, perto da divisa com a Bolívia. E essa época provavelmente começou bem antes do que se pensava. Doze datações por radiocarbono feitas em diferentes setores de três sítios arqueológicos dessa região sinalizam que a construção dos chamados geoglifos – grandes desenhos escavados no solo da floresta por uma cultura pré-colombiana ainda não determinada, admiradora das linhas retas de quadrados e retângulos e dos traços arredondados de círculos e elipses – teve início há no mínimo 2 mil anos. Coordenado pela arqueóloga Denise Schaan, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o novo estudo, cujo artigo está sendo finalizado antes de ser submetido à publicação numa revista científica, amplia a cronologia da cultura amazônica dos geoglifos. Até agora existia apenas o dado de uma datação feita em 2003 no Acre por pesquisadores finlandeses num desses sítios arqueológicos, que situava os desenhos como tendo sido produzidos entre os séculos XIII e XIV.

Feita a partir de restos de carvão queimado encontrados numa camada geológica rica em pedaços de cerâmica, um indicativo de que houve ali alguma presença humana, a nova série de datações também sugere que os desconhecidos autores dos geoglifos podem ter desaparecido antes da chegada dos europeus nas Américas. Nenhum dos três sítios estudados (Fazenda Colorada, Jacó Sá e Severino Calazas), situados num raio de 20 quilômetros dentro de uma área de platô, de terra firme, não inundável, entre os vales dos rios Acre e Iquiri, forneceu, até agora, elementos de que foram habitados por tribos há mais de 500 anos. “O resultado das datações foi uma surpresa”, diz Denise, que comanda os trabalhos arqueológicos sobre os geoglifos desde 2005 com verbas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da Academia de Ciências da Finlândia e do estado do Acre.

A idade dos desenhos geométricos, moldados no solo amazônico por meio da retirada de grandes quantidades de terra, não é o único ponto em revisão. A função primordial desses sítios, que podem apresentar mais de um tipo de geoglifo e vestígios de antigas estradas, também está em aberto. Desde os anos 1970, quando partes do Acre começaram a ser desmatadas por atividades agropecuárias e foram avistados os primeiros geoglifos em pontos até então cobertos pela floresta, os pesquisadores se indagam por que os antigos habitantes da região esculpiram círculos e quadrados em baixo-relevo no solo. A hipótese inicial de que as construções, cujos contornos são formados por valas contínuas abertas no terreno, poderiam ter tido funções defensivas, semelhantes à de um forte, parece fazer cada vez menos sentido. Escavações recentes feitas em quase uma dezena de sítios do Acre associados à ocorrência dos desenhos sinalizam que esses lugares não foram usados prioritariamente como moradia por povos antigos. Como uma espécie de praça tribal, a área interna dos geoglifos deve ter sido utilizada para cerimônias. “A evidência arqueológica sugere que esses sítios eram usados para encontros especiais, cultos religiosos e apenas ocasionalmente como aldeia”, diz Denise.

Quando iniciaram as incursões de campo, os pesquisadores trabalhavam com a ideia de que os sítios com geoglifos pudessem fornecer algum tipo de evidência de ocupação humana em larga escala e por um período prolongado em sua vizinhança. Afinal, é mais do que razoável supor que o povo responsável pela confecção dos grandes e precisos desenhos no solo era numeroso e apresentava uma estrutura social complexa. “Os construtores dos geoglifos não tinham pedras naquela região, mas fizeram enormes trabalhos na terra que demandavam poderio e habilidades de organização comparáveis à de outras civilizações antigas”, diz o arqueólogo Martti Pärssinen, do Instituto Ibero-americano da Finlândia, sediado em Madri, que colabora com a equipe brasileira e também um dos autores do trabalho com as novas datações dos geoglifos acreanos.

Em média, a área interna de um geoglifo varia de 1 a 3 hectares. As figuras menores apresentam geralmente linhas arredondadas, enquanto as maiores podem ser tanto círculos como quadrados. Nos sítios estudados, a profundidade dos buracos no solo que formam os traços dos desenhos variou de 35 centímetros a 5 metros (m) e a amplitude das valetas foi de 1,75 a 20 m. A terra retirada para abrir os fossos era usada pelos arquitetos dos geoglifos para fazer pequenas muretas, de até 1,5 m, que seguiam os contornos das figuras. Para dar conta de todo esse serviço, milhares de pessoas deveriam ter vivido em algum momento nos arredores dos geoglifos e trabalhado de forma coordenada para sua construção. Mas os achados arqueológicos nos sítios investigados em detalhe não ratificam, uma vez mais, o pressuposto inicial dos pesquisadores.

Ossadas humanas preservadas não foram encontradas em nenhum lugar. Não há também manchas da chamada terra preta, um tipo de solo negro muito comum em outras partes da Amazônia, que se forma a partir de restos orgânicos produzidos pelo estabelecimento de ocupações humanas prolongadas numa área. Os poucos artefatos associados a uma cultura material, em geral alguns pedaços de cerâmica, foram resgatados no topo ou no fundo das valas que formam as linhas geométricas ou em pequenos montículos de terra, provavelmente restos de habitações pré-históricas, que se situam bem ao lado dos contornos dos geoglifos. Dentro da área plana demarcada pelos misteriosos círculos e quadrados escavados no chão nada de realmente relevante foi resgatado. “Ainda precisamos achar os locais de moradia e cemitérios dos construtores dos geoglifos”, afirma o paleontólogo Alceu Ranzi, hoje professor aposentado na Universidade Federal do Acre (Ufac), a quem se deve a (re)descoberta dos desenhos no solo nas duas últimas décadas. “Eles devem ter vivido em algum lugar não muito longe dos sítios.”

© AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO ACRE E EDISON CAETANO / PROJETO GEOGLIFOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL
Diversidade de formas: geoglifos com linhas arredondadas e retas

A tecnologia aeroespacial tem sido uma aliada dos arqueólogos na tarefa de localizar e estudar os sítios amazônicos com geoglifos. Estar um pouco longe e acima dos desenhos, dentro de um avião ou tendo como olhos as lentes de um satélite, facilita o trabalho de procura das grandes figuras geométricas em meio a áreas desmatadas (se há floresta esse expediente não funciona). Inicialmente, os cientistas usaram as imagens gratuitas do serviço Google Earth para procurar novas ocorrências dos desenhos. A partir de 2007, com apoio do governo do Acre, obtiveram também as imagens do satélite taiwanês Formosat-2, que têm maior cobertura. Com o emprego dessas ferramentas de prospecção remota, a quantidade de sítios conhecidos com geoglifos deu um salto: saiu de 32 em 2005, chegou a 150 dois anos mais tarde e hoje está na casa dos 300. Esses são os números relativos ao Acre, que parece ter sido a região onde os desenhos se concentram e podem se espalhar por uma porção do estado com uma área de 25 mil quilômetros quadrados, 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Nos estados vizinhos do Amazonas e de Rondônia e também na Bolívia foram identificadas áreas com geoglifos por essa metodologia. “Não é mais tão fácil encontrar novos sítios, pois já fizemos várias varreduras sistemáticas”, explica a geógrafa Antonia Barbosa, da (Ufac), membro da equipe nacional que estudou os geoglifos. “Quando iniciamos o trabalho com imagens de satélite, encontrávamos em uma varredura uns 10 sítios. Hoje, com sorte, achamos um ou dois.”

Não há evidências concretas sobre quem foram os construtores dos geoglifos nem quanto tempo foi consumido nessa tarefa. A construção de valetas e muretas para cercar casas e aldeias já ocorria, por exemplo, na Europa há aproximadamente 10 mil anos, nos primórdios da agricultura. Mas na Amazônia esse tipo de construção é bem mais rara. Como até agora não há indícios de que a fronteira do Acre com a Bolívia foi a morada de uma única e grande civilização perdida, cujos restos das casas e grandes aldeias ninguém consegue encontrar, os arqueólogos passaram a trabalhar com um cenário intermediário. Não deve ter havido um enorme império perdido que cultuava deuses geométricos nesse canto da Amazônia, mas talvez dois ou três povos, ainda seminômades e espalhados por pequenas aldeias (hoje mais difíceis de serem encontradas), que partilhavam alguns traços culturais em comum, como a feitura dos geoglifos. “A sociedade dos geoglifos era de alguma forma complexa, mas estava num estágio formativo, de transição”, diz a arqueóloga Sanna Saunaluoma, da Universidade de Helsinque, que estuda os desenhos tanto na Bolívia como no Acre, aqui do lado dos brasileiros.

Membros das etnias Tacana e Aruaque, que hoje habitam respectivamente o lado boliviano e brasileiro dessa fronteira binacional, são apontados como os possíveis descendentes dos povos que tiveram a tradição de traçar enormes círculos e quadrados no solo. Mas, se um dia foram portadores dessa tradição comum, hoje não a professam mais. Para tornar o quadro mais incerto, não há provas de que as duas tribos estivessem realmente presentes nessa área na época em que os geoglifos foram feitos, tampouco se sabe qual era a divisa territorial que as separava. Uma pista, ainda tênue, de que ao menos uma dessas etnias, a Tacana, pode ter construído geoglifos vem de um texto do final do século XIX. O escrito relata o encontro de um coronel brasileiro, na divisa com a Bolívia, com 200 índios que moravam numa aldeia muito organizada e cultuavam deuses geométricos, talhados em madeira. A história não prova nada, mas pode ser um rastro a ser seguido.

Infanticídio indígena: traços de uma cultura em transformação (I.H. Unisinos)

15/8/2011 –  Instituto Humanitas Unisinos
Infanticídio indígena: traços de uma cultura em transformação. Entrevista especial com Saulo Feitosa
“Se as pessoas querem defender a vida das crianças indígenas, devem aderir a outros projetos de lei”, como o Estatuto dos Povos Indígenas, diz Saulo Feitosa à IHU On-Line, ao criticar oProjeto de Lei 1057/2007, que criminaliza os povos que praticam infanticídio.

Em entrevista concedida por telefone, ele explica que todos os indígenas que vivem no Brasil estão submetidos à legislação brasileira e que, portanto, não há necessidade de sancionar o Projeto de Lei 1057/2007, de autoria do deputado Henrique Afonso (PT/AC). Na avaliação do secretário doCimi, o Projeto tem uma carga preconceituosa, racista e serve “para ampliar o grau de preconceito da sociedade contra os povos indígenas, e para justificar interesses colonialistas que se mantêm nos dias de hoje”.

De acordo com Feitosa, o infanticídio era praticado no período colonial e desde o início da década de 1990 não se têm informações de casos de infanticídio em tribos indígenas. “Todos os registros históricos, dos quais tenho conhecimento, acenam que, entre os indígenas, o índice de infanticídio é baixíssimo. Inclusive viajantes como Fernão Cardim, que escreveu um livro sobre os hábitos do Brasil, faziam referência à maneira carinhosa como as mulheres indígenas cuidavam de seus filhos em comparação às mulheres de Lisboa. (…) Causa-nos estranheza que, 500 anos depois, apareçam grupos fundamentalistas acusando indígenas de matanças generalizadas de suas crianças”.

Feitosa explica ainda que o infanticídio era regido por uma cosmologia indígena e que fazia parte da cultura de alguns povos. “O fato de existir uma narrativa cosmológica não significa que a cultura se mantém atualizada”, enfatiza. E dispara: “A questão do infanticídio, na prática, é residual porque os povos mudam suas culturas”.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como avalia a polêmica acerca da prática do infanticídio e o projeto de lei que criminaliza indígenas e profissionais de órgãos governamentais por tais práticas? ONGs e deputados evangélicos acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças e defendem que o Estado é obrigado por lei a protegê-las.

Saulo Feitosa – Por trás desse projeto de lei e desse debate existe uma questão fundamentalista religiosa e uma questão política. Os povos indígenas estão submetidos à mesma legislação brasileira. Portanto, se vierem a cometer qualquer crime, serão julgados e punidos como todos os cidadãos deste país. Hoje, aproximadamente 750 indígenas estão cumprindo pena no sistema penitenciário nacional. Desse modo, não há razão para existir uma lei específica para falar de infanticídio indígena. No entendimento do Cimi, na medida em que se cria uma lei, os índios seriam, duas vezes, julgados e condenados por um mesmo crime.

Todos sabemos que os indígenas defendem a vida, a natureza. Portanto, existe uma campanha nacional e internacional negativa contra os povos indígenas e isso gera um descrédito da população em relação a essas comunidades. É nesse contexto ofensivo contra os direitos indígenas que surge a questão do infanticídio indígena. Os propositores do Projeto de Lei 1057/2007 afirmam que há, entre os povos indígenas do Brasil, a prática do sacrifício de crianças e que esta prática não é combatida pelo Estado e pelos órgãos que atuam junto dos povos indígenas. Sendo assim, eles querem obrigar as pessoas que trabalham com a questão indígena a denunciarem os índios caso suspeitassem da possibilidade de alguma mulher, em processo de gestação, abandonar o filho. Se os profissionais não denunciarem os indígenas, serão julgados pelo crime de omissão. Essa medida mostra novamente a carga preconceituosa e racista do projeto.

IHU On-Line – Qual é a origem e o sentido do infanticídio para as comunidades indígenas? Ele ainda é praticado no Brasil? Quais são as etnias indígenas que praticam o infanticídio?

Saulo Feitosa – Segundo os parlamentares que querem aprovar o Projeto de Lei, o infanticídio seria uma prática regular dos povos indígenas. Temos conhecimento de experiências isoladas, da mesma forma que identificamos casos de abandono infantil na sociedade brasileira. Semanalmente, assisto, no noticiário, informações de crianças abandonadas em grandes cidades: recém-nascidos jogados em lixeiras, abandonados nas ruas, etc. Essa questão do abandono e, mesmo do assassinato de crianças, é uma questão que aflige a toda a humanidade.

Todos os registros históricos dos quais tenho conhecimento acenam que, entre os indígenas, o índice de infanticídio é baixíssimo. Inclusive viajantes como Fernão Cardim, que escreveu um livro sobre os hábitos do Brasil, faziam referência à maneira carinhosa como as mulheres indígenas cuidavam de seus filhos em comparação às mulheres de Lisboa. Muitos historiadores afirmam que a prática de infanticídio era comum no período colonial, especialmente em comunidades que viviam no Rio de JaneiroSalvador e Recife. Há relatos históricos de uma quantidade enorme de recém-nascidos que eram abandonados nas calçadas, nas ruas, mortos e comidos por porcos e cachorros. Os historiadores que relatam esses fatos sempre os comparam com a questão indígena, e afirmam que, entre os índios, essa prática era muito diminuta.

Causa-nos estranheza que, 500 anos depois, apareçam grupos fundamentalistas acusando indígenas de matanças generalizadas de suas crianças. Nós, do Cimi, temos conhecimentos de casos isolados. Alguns missionários já presenciaram atos de abandono de crianças nas florestas. Entretanto, não temos relatos recentes de missionários sobre esses casos. Por isso, não podemos afirmar que há prática de infanticídio nas comunidades indígenas e, tampouco, que acontecem em grandes proporções.

Infanticídio

Vi, em matéria recente de um jornal de grande circulação, que, de um total de 250 povos, cerca de 20 praticam o infanticídio. Não sei como eles chegaram a esse número, considerando que os últimos registros do Cimi datam de 1990. Sabemos que oito povos ainda praticam o infanticídio, os quais têm pouquíssimo contato com a sociedade nacional.

Antigamente alguns povos abandonavam recém-nascidos por não ter informações sobre o que significa, por exemplo, uma criança nascer com retardamento psicomotor. Não tendo condições de sobreviver na floresta, essas crianças eram abandonadas. Há outros relatos de crianças que nascem sem um “pai social”. Para os indígenas, uma criança que nasce sem um pai para poder caçar e garantir a sua sobrevivência não tem condições de sobreviver. Nesses casos, os recém-nascidos eram abandonados por questões práticas, pois, na percepção da comunidade, não teriam condições de sobreviver na selva. Outros relatos referem-se às narrativas cosmológicas do nascimento de gêmeos. Pesquisadores registraram, através da história oral, que não se aceitava, em determinadas culturas, o nascimento de gêmeos. Então, em função da cosmologia e dos mitos de origem do povo, se acreditava que os gêmeos deveriam ser sacrificados.

Campanha contra o infanticídio

Hoje, essas campanhas contra o chamado infanticídio indígena se fundamentam nesta narrativa cosmológica, o que, para nós, é um absurdo. O fato de existir uma narrativa cosmológica não significa que a cultura se mantém atualizada. A prática dos processos de cultura é dinâmica. Então, deve haver, em povos que têm pouco contato com outras culturas, essa referência cosmológica, que justificaria o abandono de uma criança gêmea, por exemplo. Mas em muitos povos onde essa narrativa estava presente, a prática deixou de existir. É muito fácil compreender isso: muitas práticas do Antigo Testamento são condenáveis na sociedade de hoje. Apesar de elas permanecerem na Bíblia, não são praticadas pelos cristãos do século XXI. Então, não podemos olhar para o nosso universo religioso e olhar para os demais povos de outra forma. Embora subsista, nas narrativas cosmológicas, informações a respeito da gravidez de gêmeos, na prática, as ações têm se alterado. Por isso, costumamos dizer que a questão do infanticídio, na prática, é residual porque os povos mudam suas culturas. O pluralismo histórico acontece em todas as culturas, as quais adquirem, com o tempo, novas formas.

Quando o Cimi foi fundado, os povos indígenas não tinham acesso à saúde e, portanto, os missionários eram treinados para suprir essa carência. Hoje, existe a assistência à saúde, ao médico, por mais precária que seja. Isso também contribui para alterar a cultura dos povos.

No Mato Grosso tem um povo formado por aproximadamente 100 pessoas. Eles foram combatidos em 1978. Na época, sobreviveram 27 pessoas. Desde então acompanhamos essa comunidade. Daquele número de 27 pessoas, eram poucas as mulheres em idade fértil. Logo após a inserção da nossa equipe na comunidade, nasceu uma criança doente. Para os indígenas, o recém-nascido era vítima de feitiço e, portanto, deveria ser sacrificado. Os missionários que estavam no local explicaram que, na nossa sociedade, havia uma espécie de pajé que conseguia realizar um tratamento e sanar aquela deficiência. A comunidade aceitou e a criança foi levada a um hospital em Goiânia, onde foi submetida a uma cirurgia de reparação. O bebê retornou um tempo depois e foi aceito pela comunidade. Para resolver essa questão, não foi preciso uma lei, mas, sim, diálogo. É lógico que depois daquele acontecimento, a cultura da comunidade sofreu mudanças. Então, nada justifica que agora se insista na aprovação de um projeto de lei para criminalizar um povo. Projetos como esse servem para ampliar o grau de preconceito da sociedade contra os povos indígenas e para justificar interesses colonialistas que se mantêm nos dias de hoje.

Esses povos têm muitos valores e nós precisamos aprender com eles. Então, não aceitamos, em hipótese alguma, essa leviandade que está sendo veiculada na mídia, inclusive com a produção de um pseudodocumentário mentiroso que fala do enterramento de crianças junto dos povos Suruwahá. Não se trata de um documentário e, sim, de uma ficção gerada pela mente colonizadora.

O povo Suruwahá pratica o suicídio coletivo. Eles são conhecidos como o povo do veneno. A população deles é diminuta, algo em torno de 100 pessoas. Com a morte dos adultos, muitas crianças ficam órfãs. Então, o problema do Suruwahá não é o infanticídio e, sim, o suicídio. Os membros de organizações que criticam o infanticídio dizem que os índios praticam o suicídio porque são obrigados a matar seus filhos e, para não matá-los, elas se suicidam. Isso é uma mentira, uma distorção de informações. Esse povo sofreu, há séculos, um grande ataque e os sobreviventes nunca mais conseguiram formar novos pajés. Então, eles adotaram a prática do suicídio ainda jovem para se encontrarem com os pajés em outra esfera. Este ano estive na Amazônia e a equipe que trabalha lá disse que houve redução de casos de suicídios entre esses índios dessa etnia.

IHU On-Line – Então a discriminação contra os indígenas tem um viés religioso? Que religiões manifestam essa posição e por quê?

Saulo Feitosa – Quem coordena e estimula essa campanha é a ONG Atini – Voz pela vida, e outros grupos religiosos fundamentalistas. O povo brasileiro tomou conhecimento do infanticídio a partir do ano de 2006, quando foi produzido um documentário chamado Hakani. A história de uma sobrevivente, que mostra o enterro de crianças vivas. Os atores indígenas que desempenharam esses papéis receberam 30 reais. Depois da veiculação do vídeo, o Ministério Público entrou com uma ação contra os produtores do documentário, porque as crianças que apareceram no filme pertenciam ao povo Karitiana, de Rondônia. O documentário foi exibido em um programa de televisão e as pessoas da comunidade assistiram. Pela cultura daquele povo, quem simula o enterramento perde a sua alma. Portanto, as imagens criaram um problema cultural grave para as crianças. Inclusive, no depoimento para o Ministério Público, os pais das crianças indígenas disseram que receberam 30 reais para as crianças serem fotografadas. Eles não sabiam que elas participariam de um documentário.

IHU On-Line – Quais são as razões da intolerância indígena hoje?

Saulo Feitosa – Uma das razões é a distribuição da terra. A grande função do projeto de Lei é criar, dentro do Congresso Nacional, um clima anti-indígena porque existem diversos projetos de leis a favor dos povos indígenas tramitando no Congresso. Há uma campanha internacional para demonstrar que os povos indígenas são selvagens. Essa imagem certamente irá repercutir em outros projetos de leis referentes à demarcação de terras indígenas, exploração de minérios em terras indígenas, etc., reforçando a imagem negativa que se tem desses povos.

Se as pessoas querem defender a vida das crianças indígenas, devem aderir a outros projetos de lei. Existe no Congresso uma proposta, que foi amplamente discutida com todos os povos indígenas do Brasil, sobre a criação do Estatuto dos Povos Indígenas, porque a legislação que está em vigor é de 1973, ou seja, é anterior à Constituição Federal e, portanto, não está adequada para a atual situação dessas comunidades. O novo texto tem, inclusive, um artigo especial de proteção à criança e ao adolescente indígena, o qual enfatiza que, caso uma criança seja rejeitada pelos pais, poderá ser adotada por pessoas do próprio povo ou povos próximos.

IHU On-Line – Nesta semana, o povo Kaingang bloqueou sete estradas federais no Rio Grande do Sul, reivindicando melhores condições na área da saúde. Eles argumentam que, embora tenham acesso ao SUS, as condições de atendimento são precárias. Como avalia essa questão? O acesso à saúde entre as comunidades indígenas é mais precário do que para a população em geral?

Saulo Feitosa – No final dos anos 1980, o Brasil instalou um sistema correlato de atenção à saúde indígena. Portanto, os índios têm um sistema próprio de saúde que se fundamenta nos distritos especiais indígenas. Esses distritos foram projetados com a perspectiva de serem autônomos do ponto de vista da gestão, assim, eles teriam quadros de funcionários para atender as comunidades. Esse projeto de assistência à saúde foi bem desenhado, mas, na prática, ocorreram privatizações e um esvaziamento da proposta original de se criar distritos para atender as comunidades. Os serviços foram terceirizados e essa terceirização foi agravada pelo alto índice de corrupção dentro daFundação Nacional da Saúde – Funasa: auditorias demonstram os desvios de verbas da saúde pública. Além disso, cargos foram loteados para políticos e os distritos não foram administrados por pessoas competentes. Nesse sentido, a saúde indígena é tão precária quanto à dos demais brasileiros. O governo deveria abrir concurso público para atender à saúde indígena. Enquanto isso não acontecer, continuaremos assistindo essa precariedade e a morte de crianças.

IHU On-Line – Como vê a política indigenista hoje? Quais os avanços e os limites?

Saulo Feitosa – O governo e a Fundação Nacional do Índio – Funai têm um discurso progressista de reconhecimento aos direitos indígenas, de valorização da cultura, mas, uma prática colonialista. O governo Lula criou a Comissão Nacional de Política Indigenista, a qual pensávamos ser um processo importante, mas percebemos que o governo inicialmente apenas sinalizou para uma discussão. Quando os índios passaram a exercer a sua autonomia, o governo começou a tomar atitudes autoritárias ao ponto de fazer uma reestruturação da Funai sem discutir com os povos indígenas. Esse era um processo para ser feito como uma construção coletiva, e não reproduzindo modelos autoritários do período militar.

Ainda este ano, o presidente da Funai, junto com o ministro da Justiça e o delegado geral da União, publicaram uma portaria para redefinir as bases para a demarcação de terras indígenas incluindo a participação dos municípios, que historicamente sempre foram contra à demarcação de terras por causa de interesses econômicos e políticos locais. Essa situação se agravou e, na última reunião daComissão Nacional de Política Indigenista – CNPI, em junho, os representantes indígenas dessa comissão, em protesto, disseram que não votariam e se retirariam da reunião. Eles só voltariam a se reunir se a presidenta Dilma estivesse presente porque, desde que foi eleita, ela não conversou com as representações indígenas do país.

As obras do PAC afetam as terras indígenas e os povos não são consultados, embora o país seja signatário da Organização Internacional do Trabalho – OIT, e embora a Constituição obrigue o Estado a fazer consultas em relação a temas polêmicos como Belo Monte, a transposição do rioSão Francisco, as hidrelétricas do rio Madeira etc. Diria que os documentos do governo não reproduzem mais o ranço da ditadura militar, mas, na prática, agem da mesma maneira.

O paraíso indígena e a lenda da “pedra da Batateiras” (O Povo)

No Cariri, conta a tradição indígena que uma pedra rolará da Chapada do Araripe, inundando toda a região

20.08.2011| 16:00

A pedra fica na nascente do rio Batateiras, na Chapada do Araripe (DIVULGAÇÃO)

Conta-se no Cariri que a pedra da nascente do rio Batateiras, o maior olho d’água da Chapada do Araripe, um dia irá rolar, inundando toda a região e despertando uma serpente que vem devolver as terras dos índios escravizados pelos brancos.

A lenda da catástrofe, seguida da volta do povoamento dos índios cariris, contada há séculos, ganha nova leitura com a pesquisa do historiador Eldinho Pereira. O texto inédito “A Pedra da Batateiras e a restauração do ‘Paraíso’” reconta a história dos índios cariris e as origens da lenda que cerca a nascente.

Pesquisador do Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec), com sede em Fortaleza, Eldinho explica que muitos aspectos da lenda são recuperados por relatos que chegaram até os dias atuais.

“Desde criança tenho ouvido histórias fantásticas. Comecei a colocar alguma coisa no papel e os depoimentos de pessoas locais diferentes acabaram convergindo”, detalha o historiador, natural de Farias Brito, no Cariri.

Eldinho é adepto da tese do cineasta Rosemberg Cariry, para quem os movimentos de Canudos, liderado por Antônio Conselheiro, de Juazeiro do Norte, por Padre Cícero, e do Caldeirão, pelo beato José Lourenço, “constituíram verdadeiras tentativas de recriações do ‘Paraíso’ dos índios cariris e dos mestiços despojados de suas próprias terras”.

Mar e Sertão

O historiador relaciona a lenda da “pedra da Batateiras” à percepção dos índios cariris de que a região um dia abrigou mar.

“Como os índios não tinham conhecimentos específicos, apelaram para o imaginário. Para eles, o mar tinha se evacuado, descido para o subsolo e a água voltaria pela nascente do rio Batateiras”, conta Eldinho.

O pesquisador cita ainda a importância de movimentos como a tentativa de reorganização de povos cariri no sítio Poço Dantas, na zona rual do Crato, onde vivem entre 30 e 40 famílias descendentes da etnia.

Como

ENTENDA A NOTÍCIA
O mais provável é que a lenda tenha surgido entre os índios aldeados na Missão do Miranda, no século XVIII. De acordo com Rosemberg Cariry, os pajés profetizavam que a pedra rolaria e, quando as águas baixassem, a terra voltaria a ser fértil e os cariris voltariam para o “Paraíso”.

SAIBA MAIS
Eldinho Pereira conta que, sob a ótica católica, a lenda da serpente é trocada por uma baleia que habitaria o subterrâneo do centro do Crato. “Quando ela sair, anunciará o novo tempo, expulsando os homens maus. Anjos suspenderiam Juazeiro e a água passaria por baixo”, relata.

As forte chuvas no Crato, em janeiro, foram motivo para que a população da cidade lembrasse a lenda. “A pedra da Batateira rolou”, comentava-se.

Segundo Eldinho, Antônio Conselheiro teria tomado conhecimento da lenda em sua passagem pelo sul do Ceará e Nordeste da Bahia, onde também habitavam os cariris. Daí as menções de que o “sertão vai virar mar” em seus discursos.

Thiago Mendes
thiagomendes@opovo.com.br

Os donos da chuva (Fapesp)

Pesquisa FAPESP
Edição 186 – Agosto 2011
Política de C & T > Polêmica

Intervenções no clima global podem já ser viáveis, mas têm enormes riscos 
Por Carlos Fioravanti

Duas novas expressões – gerenciamento do clima e geoengenharia – estão aparecendo com mais frequência nos debates internacionais sobre a ciência e a política das mudanças climáticas. Uma das razões é o fracasso nas tentativas de implementação de políticas efetivas de redução de emissões de gases estufa. O que há de novo é que não é mais utópico pensar em intervir no clima regional ou mundial para evitar a contínua elevação da temperatura média global, as secas ou inundações intensas que se tornam mais frequentes à medida que as alterações climáticas se intensificam. Já pode ser viável usar aviões, balões ou canhões para espalhar partículas de aerossóis na estratosfera ou aumentar a nebulosidade do planeta semeando nuvens. Essas intervenções poderiam refletir parte da radiação solar de volta para o espaço e resfriar o planeta como forma de reduzir os efeitos das crescentes concentrações de gases do efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2).

Os especialistas alertam, porém, que pode ser bastante perigoso – e não só porque os efeitos dessas intervenções no clima global são imprevisíveis. “Um só país ou um só milionário pode tentar mudar o clima na Terra, com consequências imprevisíveis”, observou o físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP), em um debate realizado em junho no Instituto de Relações Internacionais da USP. “Espero que não comece uma competição entre países, grandes empresas ou bilionários dos Estados Unidos, da Inglaterra ou do mundo árabe que queiram salvar o mundo mudando o clima de propósito. A possibilidade já existe, basta uma decisão.”

Estima-se que despejar toneladas de enxofre na alta atmosfera para produzir partículas de aerossóis custaria US$ 10 bilhões ao ano, bem menos do que o US$ 1 trilhão previsto para reduzir as emissões de CO2. A geoengenharia ou engenharia climática, como é chamada a intervenção deliberada e de ampla escala no clima, oferece outras possibilidades. As mais simples incluem o aumento da refletividade das superfícies das construções e o reflorestamento em larga escala, já que as plantas absorvem muito CO2 enquanto crescem. Possibilidades mais refinadas consistem no espalhamento de íons de ferro no oceano para aumentar a fertilidade de algas marinhas, que sequestrariam CO2 e o levariam para o fundo dos oceanos.

Debatida no mundo acadêmico desde os anos 1960, a geoengenharia ganhou visibilidade pública com George W. Bush, presidente dos Estados Unidos de 2001 a 2009. Bush preferia apostar em estratégias desse tipo para lidar com os efeitos dos problemas provocados pelo aquecimento global em vez de reduzir as emissões, prevenindo os impactos. Os adeptos da geoengenharia – um grupo que inclui a indústria de combustíveis fósseis e alguns cientistas que acham que o problema climático é tão urgente que requer intervenções drásticas – argumentam que existe a possibilidade de reduzir a temperatura do planeta de propósito, não como panaceia, mas como medida paliativa, enquanto outras medidas mais demoradas são colocadas em prática.

Riscos – Alan Robock, pesquisador da Universidade Rutgers, Estados Unidos, tem alertado que os riscos podem superar os benefícios, mesmo que a geoengenharia funcione como esperado. Segundo ele, mudanças propositais no clima global poderiam amenizar a pressão social pela adoção de medidas de redução da emissão de gases do efeito estufa, além de descontrolar o clima ainda mais – um dos efeitos previstos é a redução das chuvas anuais – as monções – sobre a Ásia e a África, ameaçando a produção de alimentos para centenas de milhões de pessoas.

Em 2008, na Science, Robock afirmou que a geoengenharia poderia ser usada como arma de guerra de um país contra povos inimigos, causando secas ou inundações de consequências catastróficas em territórios hostis. Emergem também perguntas ainda sem respostas: quem vai controlar o clima e dizer que é hora de parar? Robock propõe a seguinte situação: e se a Rússia quisesse a temperatura global um pouco mais alta e a Índia um pouco mais baixa? O sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Viola, que participou do debate na USP, teme que os países mais poderosos, como China, Rússia, Estados Unidos, tomem unilateralmente decisões que possam beneficiá-los, mas prejudicar muitos outros.

“Não temos governança global para lidar com esses problemas. O que um presidente dos Estados Unidos como Sarah Palin faria?”, indagou Jason Blackstock, pesquisador do Center for International Governance Innovation (Cigi), Canadá, em sua apresentação na USP. “Temos de ter um entendimento claro de todas as implicações.” Cada estratégia traz fortes efeitos colaterais. Segundo ele, aumentar a quantidade de enxofre na atmosfera pode esfriar a Terra, mas também alterar a precipitação e o balanço de radiação direta e difusa, com fortes efeitos sobre o funcionamento dos ecossistemas. Inversamente, a proposta de reduzir em 0,5% o teor de enxofre do combustível usado em navios até 2020, cogitada como forma de evitar 35 mil mortes de pessoas, principalmente nas proximidades de portos, poderia aumentar a incidência de luz solar na superfície – e o planeta esquentaria um pouco mais.

“Os cientistas em geral são favoráveis à pesquisa de geoengenharia e podem planejar experimentos em pequena escala nos próximos anos”, diz Artaxo, com base nas reuniões internacionais de que tem participado. “O problema é que não há efeito apenas local.” Por causa dos ventos, parte de uma carga de enxofre lançada, por exemplo, na região central dos Estados Unidos facilmente em apenas um dia iria para o Atlântico ou para o Pacífico, com consequências imprevisíveis sobre o equilíbrio do clima terrestre.

As descargas intencionais de partículas aerossóis teriam um efeito similar ao das supererupções vulcânicas. O exemplo mais citado é o Pinatubo, vulcão das Filipinas que entrou em erupção em junho de 1991. Em poucos dias, ele liberou 20 megatoneladas (cada megatonelada equivale a 1 bilhão de quilogramas) de dióxido de enxofre. As partículas se espalharam pela atmosfera e a temperatura do ar na superfície dos continentes do hemisfério Norte caiu dois graus. Depois de um ano, as partículas assentaram e a temperatura voltou a aumentar.

Em 2002, na Science, Robock observou que o espalhamento de partículas vindas de erupção vulcânica não é um fenômeno inócuo: pode reduzir a radiação solar e, consequentemente, a evaporação e a chuva por um ou dois anos. Artaxo aponta outra consequência do acúmulo de aerossóis na atmosfera: “Nunca mais teremos céus azuis como hoje, e os telescópios ópticos na superfície terrestre seriam inúteis”.

Para ele, a melhor solução contra os impactos do aquecimento global é reduzir rapidamente o consumo de combustíveis fósseis e as emissões de gases do efeito estufa e mudar o modo pelo qual usamos os recursos naturais do planeta. “Se formos inteligentes”, diz ele, “podemos usar os recursos naturais do planeta de modo mais eficiente e sustentável, sem precisar de experiências mirabolantes que colocam ainda mais em risco nosso frágil ecossistema terrestre”.

As pedras do sol (Fapesp)

Pesquisa FAPESP – Edição 186 – Agosto 2011
Humanidades

Blocos de granito talhados há mil anos no Amapá estão alinhados com a trajetória do astro 
Por Marcos Pivetta

© MARIANA PETRY CABRAL
Sítio do Rego Grande: astronomia e cemitério

No final do século XIX, o zoólogo suíço Emílio Goeldi fez uma expedição ao rio Cunani e encontrou grandes blocos de rocha que pareciam apontar para o céu em terras do atual norte do Amapá, uma área então em litígio entre o Brasil e a França. Ao longo das seis primeiras décadas do século passado, alguns pesquisadores de renome, como o alemão Curt Nimuendajú nos anos 1920 e os americanos Betty Meggers e Clifford Evans no final dos anos 1950, também avistaram essas construções humanas com os tais blocos de granito em alguns sítios arqueológicos. Pouca cerâmica associada aos locais dos megálitos, como são chamadas as grandes estruturas de pedra arranjadas ou construídas por mãos humanas, foi resgatada e ganhou corpo a interpretação de que, naquele pedaço quase perdido da Amazônia, apenas uma pequena população de algum povo pré-colombiano deve ter feito sua morada. Os sítios deveriam ter sido usados basicamente para fins cerimoniais. Depois disso, a região caiu num semiesquecimento para a ciência.

Até que, em 2005, um jovem casal de arqueólogos gaúchos, Mariana Petry Cabral e João Darcy de Moura Saldanha, deixou o Sul, se mudou para a capital amapaense e passou a se dedicar ao estudo de alguns 200 sítios pré-históricos do estado, dos quais uns 30 apresentam megálitos. Embora ainda haja muitas lacunas de conhecimento sobre a antiga cultura que talhou e ordenou os blocos de granito, alguns com até 2,5 metros de altura e 4 toneladas, a dupla de pesquisadores produziu uma série de novos dados sobre o contexto em que as estruturas foram erigidas. Pela primeira vez, o importante sítio do Rego Grande, dotado de vistosas pedras na posição vertical e situado em Calçoene, município distante 460 quilômetros ao norte de Macapá, foi alvo de uma datação por carbono 14, um dos métodos mais confiáveis. “Conseguimos realizar três datações de fragmentos de carvão encontrados dentro de poços funerários do Rego Grande”, diz Mariana, que, como Saldanha, trabalha no Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). O local foi habitado há cerca de mil anos, dado que confirma as estimativas iniciais dos cientistas. Outros 10 sítios do Amapá, três deles com megálitos, também foram datados e todos parecem ter sido ocupados entre 700 e mil anos atrás.

É relativamente comum que sítios pré-históricos com megálitos exibam evidências de terem sido usados como lugares para observação de algum fenômeno astronômico. Essa é uma das funções que se atribuem comumente ao famoso círculo de pedras de Stonehenge, erigido há 4,5 mil anos no sul da Inglaterra. Seria o Rego Grande um Stonehenge amazônico? As evidências apoiam essa interpretação. Nos últimos anos os arqueólogos realizaram medições sistemáticas sempre na data de 21 ou 22 de dezembro, que marca o solstício de inverno (Calçoene está acima da linha do equador), e verificaram que um fino monólito parece estar alinhado com a trajetória do sol ao longo desse dia. Ao nascer, o sol está no topo da rocha e, com o passar das horas, vai descendo até morrer na base da rocha. “Nessa época do ano o solstício marca o início da temporada de chuvas na Amazônia”, comenta Saldanha. “Os índios deviam saber disso.” Dois outros blocos de granito, inclusive um com furo feito por mãos humanas, também ocupam posições aparentemente associadas ao movimento do astro nessa data. Como as pedras e blocos inclinados do Rego Grande exibem uma robusta fundação, feita também de pedras, os arqueólogos acreditam que a angulação do megálito foi pensada por seus idealizadores, e não seria fruto do desgaste natural sofrido pelos pedaços de granito do sítio.

Especialista em megálitos, em especial os do Alentejo, o arqueólogo português Manoel Calado, da Universidade de Lisboa, concorda com a hipótese de que as pedras inclinadas do Rego Grande podem ter sido dispostas dessa maneira para marcar a observação, na linha do horizonte, de eventos astronômicos simples, de caráter cíclico, como a trajetória do sol solsticial. “Não tenho nenhuma dúvida (disso)”, diz Calado, que já esteve no Amapá para conhecer as estruturas líticas desse sítio, mas não faz parte do grupo de pesquisa dos brasileiros. “Esse é um dos aspectos que tornam os megálitos amazônicos muito semelhantes aos da Europa.” Para ele, a construção desse tipo de estrutura pode ter sido realizada no Amapá num momento em que as tribos locais passavam por um processo de sedentarização e de eclosão ou desenvolvimento da agricultura. Era preciso estar fixo à terra para alterar a paisagem com estruturas como os megálitos.

Cemitério – Rego Grande e outros sítios com megálitos exibem traços de terem sido usados também como cemitérios, outra característica típica desse tipo de estrutura pré-histórica. Urnas funerárias feitas no estilo cerâmico aristé, marcado por desenhos vermelhos sob um fundo branco ou pontuado por gravuras feitas na argila ainda úmida, foram encontradas nesses locais. Pedaços de vasos decorados, achados junto às urnas, indicam que os mortos podem ter sido enterrados ao lado de oferendas. “Os sítios com grandes megálitos devem ter sido destinados às pessoas mais importantes da tribo”, afirma Saldanha. O problema é que cerâmicas desse estilo foram igualmente encontradas em sítios pré-históricos que não exibem monumentos de pedra. Comum em todo o litoral norte do Amapá e na Guiana Francesa, a elaborada cerâmica aristé deixou de ser produzida depois da chegada do europeu às Américas e, segundo Mariana, sua confecção não pode ser associada a nenhum povo indígena atual da região.

A dupla de pesquisadores, que representa dois terços da arqueologia amapaense (só há mais um especialista nesse tema no estado), escavou ainda duas aldeias antigas, também na região de Calçoene, onde devem ter morado os construtores das grandes estruturas líticas. Descobriram vestígios de apenas meia dúzia de habitações em cada aldeia. No início de seus trabalhos os arqueólogos ainda se amparavam na hipótese de que poderia ter havido uma sociedade complexa e organizada, com uma população numerosa e grandes acampamentos, no norte do Amapá, por volta do ano mil da era cristã, quando surgiram os primeiros megálitos. Agora acreditam que a alteração na paisagem natural do Amapá pode ter sido produzida por tribos com poucos representantes. “Eles parecem ter vivido em pequenas aldeias esparsas, mas tinham uma liderança e organização para ter feito os megálitos”, afirma Saldanha.

Psychologist James Pennebaker reveals the hidden meaning of pronouns (Scientific American)

The Secret Language Code

By Gareth Cook | Tuesday, August 16, 2011

Psychologist James Pennebaker. Image: Marsha Miller

Are there hidden messages in your emails? Yes, and in everything you write or say, according to James Pennebaker, chair of the department of psychology at the University of Texas at Austin. Pennebaker has been a leader in the computer analysis of texts for their psychological content. And in his new book, “The Secret Life of Pronouns,” he argues that how we use words like “I,” “she,” and “who” reveal secrets of our psychology. He spoke recently with Mind Matters editor Gareth Cook.

COOK: How did you become interested in pronouns?

PENNEBAKER: A complete and total accident. Until recently, I never thought about parts of speech. However, about ten years ago I stumbled on some findings that caught my attention. In the 1980s, my students and I discovered that if people were asked to write about emotional upheavals, their physical health improved. Apparently, putting emotional experiences into language changed the ways people thought about their upheavals. In an attempt to better understand the power of writing, we developed a computerized text analysis program to determine how language use might predict later health improvements. In other words, I wanted to find if there was a healthy way to write.

Much to my surprise, I soon discovered that the ways people used pronouns in their essays predicted whose health would improve the most. Specifically, those people who benefited the most from writing changed in their pronoun use from one essay to another. Pronouns were reflecting people’’s abilities to change perspective.

As I pondered these findings, I started looking at how people used pronouns in other texts — blogs, emails, speeches, class writing assignments, and natural conversation. Remarkably, how people used pronouns was correlated with almost everything I studied. For example, use of first-person singular pronouns (I, me, my) was consistently related to gender, age, social class, honesty, status, personality, and much more. Although the findings were often robust, people in daily life were unable to pick them up when reading or listening to others. It was almost as if there was a secret world of pronouns that existed outside our awareness.

COOK: What would make you think that the use of pronouns would be meaningful?

PENNEBAKER: Never in a million years would I have thought that pronouns would be a worthwhile research topic. I ran study after study and initially found large and unexpected differences between people in their pronoun use. In hindsight, I think I ignored the findings because they didn’’t make sense. One day, I lined up about 5 experiments that I had conducted and every one revealed the same effects. It was that day that I finally admitted to myself that pronouns must be meaningful.

COOK: What differences have you found between men and women?

PENNEBAKER: Almost everything you think you know is probably wrong. Take this little test. Who uses the following words more, women or men?

> 1st person singular (I, me, my)
> 1st person plural (we, us our)
> articles (a, an, the)
> emotion words (e.g., happy, sad, love, hate)
> cognitive words (e.g., because, reason, think, believe)
> social words (e.g., he, she, friend, cousin)

Most people assume that men use I-words and cognitive words more than women and that women use we-words, emotions, and social words more than men. Bad news. You were right if you guessed that women use social words more. However, women use I-words and cognitive words at far higher rates than men. There are no reliable differences between men and women for use of we-words or emotion words (OK, those were trick questions). And men use articles more than women, when you might guess there’d be no difference.

These differences hold up across written and spoken language and most other languages that we have studied. You can’t help but marvel at the fact that we are all bombarded by words from women and men every day of our lives and most of us have never “heard” these sex differences in language. Part of the problem is that our brains aren’t wired to listen to pronouns, articles, prepositions, and other “junk” words. When we listen to another person, we typically focus on what they are saying rather than how they are saying it.

Men and women use language differently because they negotiate their worlds differently. Across dozens and dozens of studies, women tend to talk more about other human beings. Men, on the other hand, are more interested in concrete objects and things. To talk about human relationships requires social and cognitive words. To talk about concrete objects, you need concrete nouns which typically demand the use of articles.

No matter what your sex, if you have to explain that Sally is leaving her husband because of her new lover, you have to make references to all the actors and you have to do some fairly complex cognitive analyses. If you have to explain why your carburetor in your car is broken, your causal analysis will likely be relatively pallid and will involve referring to concrete nouns.

COOK: You write about using this to analyze historical documents. Do you think this tool might be of any use to historians or biographers?

PENNEBAKER: Historians and biographers should jump on this new technology. The recent release of the Google Books Project should be required reading for everyone in the humanities. For the first time in the history of the world, there are methods by which to analyze tremendously large and complex written works by authors from all over the world going back centuries. We can begin to see how thinking, emotional expression, and social relations evolve as a function of world-wide events. The possibilities are breathtaking.

In my own work, we have analyzed the collected works of poets, playwrights, and novelists going back to the 1500s to see how their writing changed as they got older. We’ve compared the pronoun use of suicidal versus non-suicidal poets. Basically, poets who eventually commit suicide use I-words more than non-suicidal poets.
The analysis of language style can also serve as a psychological window into authors and their relationships. We have analyzed the poetry of Elizabeth Barrett and Robert Browning and compared it with the history of their marriage. Same thing with Ted Hughes and Sylvia Plath. Using a method we call Language Style Matching, we can isolate changes in the couples’ relationships.

COOK: What are some of the more unusual “texts” you have applied this technique to?

PENNEBAKER: Some of the more unusual texts have been my own. There is something almost creepy about analyzing your own emails, letters of recommendation, web pages, and natural conversations.

COOK: And what have you found?

PENNEBAKER: One of the most interesting results was part of a study my students and I conducted dealing with status in email correspondence. Basically, we discovered that in any interaction, the person with the higher status uses I-words less (yes, less) than people who are low in status. The effects were quite robust and, naturally, I wanted to test this on myself. I always assumed that I was a warm, egalitarian kind of guy who treated people pretty much the same.

I was the same as everyone else. When undergraduates wrote me, their emails were littered with I, me, and my. My response, although quite friendly, was remarkably detached — hardly an I-word graced the page. And then I analyzed my emails to the dean of my college. My emails looked like an I-word salad; his emails back to me were practically I-word free.

COOK: Does your work have any application in lie detection?

PENNEBAKER: It does. Several labs, including ours, have now conducted studies to evaluate the prospect of building a linguistic lie detector. The preliminary findings are promising. In controlled studies, we can catch lying about 67% of the time where 50% is chance. Humans, reading the same transcripts, only catch lying 53% of the time. This is actually quite impressive unless you are a person in the judicial system. If you are waiting for a language-based system to catch real world lying at rates of 90 or 95 percent of the time, it won’t happen in your lifetime. It’s simply too complicated.

COOK: What are you looking into now? Where do you see the field going in the future?

PENNEBAKER: One of the most fascinating effects I’ve seen in quite awhile is that we can predict people’s college performance reasonably well by simply analyzing their college admissions essays. Across four years, we analyzed the admissions essays of 25,000 students and then tracked their grade point averages (GPAs). Higher GPAs were associated with admission essays that used high rates of nouns and low rates of verbs and pronouns. The effects were surprisingly strong and lasted across all years of college, no matter what the students’ major.

To me, the use of nouns — especially concrete nouns — reflects people’s attempts to categorize and name objects, events, and ideas in their worlds. The use of verbs and pronouns typically occur when people tell stories. Universities clearly reward categorizers rather than story tellers. If true, can we train young students to categorize more? Alternatively, are we relying too much on categorization strategies in American education?

I think one advantage I have had in my career is that I’ve got a short attention span. If something new and exciting bubbles up in our data, I will likely drop what I’m doing and try to understand it. It’s a wonderful time to be alive.

A vida na estação meteorológica (OESP)

JC e-mail 4321, de 12 de Agosto de 2011.

Saiba como funcionam os dois principais pontos de medição de umidade, vento e temperatura na capital: o Mirante de Santana e o tradicional IAG.

Os trabalhos nas duas principais estações meteorológicas da cidade de São Paulo não param em fins de semana, feriados, dias chuvosos, frios ou secos. Até porque é desses lugares que vem parte das informações que o paulistano usa todos os dias para decidir se pega o casaco ou o guarda-chuva. Tanto na estação do Mirante de Santana, a oficial da cidade, quanto na do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP – a mais antiga em atividade na capital, desde 1933 -, os trabalhos estão a cargo de gente apaixonada pelo que faz.

Evocado diariamente nos boletins de clima, o Mirante de Santana dá nome à estação meteorológica usada como parâmetro para os índices históricos da cidade, com o recordes de baixa umidade e temperatura e comparações de índices de chuvas. São três medições diárias, às 9h, 15h e 21h. “Os horários são definidos por padrões internacionais. Atarefa é coletar no abrigo temperaturas, umidade relativa do ar, evaporação e demais variáveis”, explica Marise Basilio Amadei, de 52 anos, que há 33 trabalha como observadora no Mirante.

Após a coleta, tudo é registrado em planilhas, codificado e, por telefone, repassado ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão ligado ao Ministério da Agricultura. A estação está no mesmo lugar desde 1945. E é fácil chegar lá: o Mirante fica na Praça Vaz Guaçu, no Jardim São Paulo, zona norte da cidade. É uma praça gramada, de onde é possível ter boa vista da capital. No meio da grama, um cercadinho protege a estação meteorológica, onde estão equipamentos convencionais como termômetros, higrômetro – que mede a umidade relativa do ar -, além de pluviógrafo, que registra a chuva, e anemômetro, que mede o vento. Há também uma estação eletrônica, que envia os dados automaticamente -mas não é levada em conta nos números históricos.

No alto da praça, uma construção serve de escritório aos três observadores que atualmente se revezam na estação. “Já houve época sem que fiquei sozinha e fazia todos os horários. Mas sei que faço um serviço de utilidade pública, sempre vesti a camisa”, diz Marise. Já disseram que ela tem um “caso” com o Mirante, tal seu comprometimento – a brincadeira ganha força quando, no meio de uma festa, por exemplo, ela precisa sair para fazer medições.

Pudera. Marise nasceu no Mirante. A casa do pai, o aposentado Mario Basilio Silva, de 83 anos, fica na praça. Quando ele se mudou para o local, em1962, não havia nem asfalto, mas a vista compensava. Aos 18 anos, Marise recebeu em casa o convite de trabalho de uma senhora que fazia a observação na estação. Começou e não parou mais. Eat é o marido acabou envolvido no trabalho – o administrador Luiz Carlos Amadei, de 56 anos, tornou-se companhia diária nas medições. De tanto acompanhar, acabou virando observador no mirante, em 1999, onde permaneceu até 2008.

IAG. Do outro lado da cidade, na Água Funda, zona sul, a estação meteorológica do IAG também tem seu diletomorador. O professor Frederico Luiz Funari, de 74 anos, confere as medições e o funcionamento dos equipamentos de segunda a segunda -mesmo já estando aposentado há 3. Ele mora desde 1971 em uma casa dentro do Parque Ciência e Tecnologia da USP (Cientec), onde fica a estação.

“Já fiquei 40 dias de licença compilando dados meteorológicos. Eu mando bala, não paro no serviço.” Nas férias é a mesma coisa, garante ele, que começou como observador, foi pesquisador, lecionou na universidade e, mesmo aposentado, ingressou no pós-doutorado no ano passado. A estação pertence à USP desde 1947 e o parque foi criado só em 2001. Em 2002, as aulas do IAG foram transferidas para a Cidade Universitária, mas algumas disciplinas ainda são dadas na Água Funda. Quase nada na estação do IAG precisa de energia e os equipamentos pouco mudaram em termos de tecnologia nos últimos tempos. No IAG, entretanto, há medições de temperatura do solo. Além disso, as observações são anotadas de hora em hora, entre 7h e meia-noite. Cinco técnicos se revezam no trabalho.

“Assim, temos mais confiabilidade e precisão. E, se houver problema em algum aparelho, perdemos um intervalo pequeno”, explica a meteorologista Samantha Martins, desde 2009 no local. O professor Mario Festa, desde 1969 por ali e responsável pela estação, explica que o equipamento remonta os primórdios das observações meteorológicas no Estado. Funcionou na Avenida Paulista a partir de 1927 e depois, em 1932, foi para o local onde permanece ainda hoje, vizinho do zoológico. As medições começaram em 1933. Dos mais de dez prédios que compõem o complexo, pelo menos cinco datam dos anos 1940, em estilo art déco. Dois têm cúpula de aço típica de observadores. “A estação é uma instituição dentro do IAG”, explica Festa. “Fazemos
trabalhos de observação, mas também ensino, pesquisa e extensão.”

Museu. Festa reúne equipamentos meteorológicos históricos, além de documentos e móveis da antiga Comissão Geographica e Geológica, de 1886. Ele trabalha há quatro anos na elaboração do projeto do Museu da Meteorologia na estação. “Temos muita coisa e queremos resgatar essa história.” Neste mês, o local vai ganhar um planetário em um dos prédios históricos, que foi reformado.
(O Estado de São Paulo)

Religion: Sacred Electronics (Time Magazine)

Monday, Dec. 31, 1956

The five machines stood, rectangular, silver-green, silent. They were obviously not thinking about anything at all as Archbishop Giovanni Battista Montini of Milan raised his hand to bless them.

“It would seem at first sight,” said the archbishop, “that automation, which transfers to machines operations that were previously reserved to man’s genius and labor, so that machines think and remember and correct and control, would create a vaster difference between man and the contemplation of God. But this isn’t so. It mustn’t be so. By blessing these machines, we are causing a contract to be made and a current to run between the one pole, religion, and the other, technology . . . These machines become a modern means of contact between God and man.”

So last week at the Jesuit philosophical institute known as the Aloysianum (for St. Aloysius Gonzaga) in Gallarate, near Milan, man put his electronic brains to work for the glory of God. The experiment began ten years ago, when a young Jesuit named Roberto Busa at Rome’s Gregorian University chose an extraordinary project for his doctor’s thesis in theology: sorting out the different shades of meaning of every word used by St. Thomas Aquinas. But when he found that Aquinas had written 13 million words, Busa sadly settled for an analysis of only one word—the various meanings assigned by St. Thomas to the preposition “in.” Even this took him four years, and it irked him that the original task remained undone.

With permission from Jesuit General John B. Janssens himself, Father Busa took his problem to the U.S. and to International Business Machines. When he heard what Busa wanted, IBM Founder Thomas J. Watson threw up his hands. “Even if you had time to waste for the rest of your life, you couldn’t do a job like that,” he said. “You seem to be more go-ahead and American than we are!”

But in seven years IBM technicians in the U.S. and in Italy, working with Busa, devised a way to do the job. The complete works of Aquinas will be typed onto punch cards; the machines will then work through the words and produce a systematic index of every word St. Thomas used, together with the number of times it appears, where it appears, and the six words immediately preceding and following each appearance (to give the context). This will take the machines 8,125 hours; the same job would be likely to take one man a lifetime.

Next job for the scriptural brain: the Dead Sea Scrolls. In these and other ancient documents, gaps can often be filled in by examining the words immediately preceding and following the gap and determining what other words are most frequently associated with them in the rest of the text. “I am praying to God,” said Father Busa last week, “for ever faster, ever more accurate machines.”

Read more: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,867529,00.html#ixzz1UkZsIT6S

Confronting the ‘Paradox of Progress’ (Yale Forum on Climate Change & The Media)

A First-Hand Perspective
Google’s Science Communication Fellows

Paul Higgins August 2, 2011

The ‘paradox of progress’ illustrated by climate change prompts a first-hand participant in a recent Google fellowship program to ponder how best to combine scientific and technological advances with improved public understanding for the benefit of society overall.

Scientific and technological advances are creating a challenging paradox for society, a paradox of progress.

Advances in the sciences and technical fields provide our society with tremendous capacity to overcome the numerous challenges we face. But those challenges in many cases are driven by the rapidly expanding scale of human activities, which are made possible in the first place by advances in science and technology.

Circumventing this paradox of progress — reaping the benefits that science and technology bring us, while avoiding the unintended negative consequences — will depend on using those advances more effectively throughout all of society.

Climate change illustrates the paradox of progress extremely well. The social and technological advances that powered the Industrial Revolution vastly improve our quality of life and well-being, but also drive our global disruption of the climate system. All the while, scientific and technological advances help us understand the causes, consequences, and potential risk management solutions to climate change.

It’s a serious concern that these massive advances in scientific knowledge have had little impact on public understanding of climate science, its implications, or society’s risk management efforts.

Given the importance of circumventing the paradox of progress, for climate change and more broadly, I was pleased to learn that Google was initiating a Science Communication Fellowship Program and thrilled to be named a member of the inaugural class of 21 fellows. Still, the question, to me, is this: Can the combination of the technological capabilities of one of the world’s leading IT companies and the expertise of the scientific community transform scientific communication for climate change and, more broadly, for all socially-relevant scientific disciplines?

The fellowship program centered on a workshop held in June at Google’s headquarters in Mountain View, California. There were, in my view, three specific goals of the workshop and the fellowship:

– to promote collaboration among the fellows;

– to develop transformative project ideas that could harness new media and information technology (IT) for more effective communication of the science of climate change; and

– to help develop communication approaches that would be broadly and generally transferable to other scientific disciplines.

The workshop included perspectives from outside experts, presentations from Googlers (the internal moniker for Google staff) on new media and advances in IT, and brainstorming activities designed to generate new ideas.

The Googlers’ presentations were impressive, perhaps even a little daunting. They brought home, in a way I hadn’t realized before (despite my heavy reliance on new technology), how rapidly the IT world is advancing and how much potential IT has to transform society. At times, seeing what these Googlers could do with information technology left me questioning what was left for me to contribute. Fortunately, the brainstorming provided an answer.

I had gone to Google with two ideas for climate science communication and I had two more ideas while there. That seemed fairly standard among the fellows so by the end we were awash in new, interesting, and potentially transformative ideas for communicating climate science.

Of course, with so many ideas and a need to winnow them to a tractable number of actual project proposals, everyone was bound to see some of their favorite ideas end up forlorn and abandoned on the bottom of a white board. I had two ideas that I was sorry to see stall during the vetting but that I intend to pursue separately nonetheless. (At this stage it is appropriate and consistent with the workshop protocol, in my view, to discuss only those ideas that were both my own and that are not moving forward formally within the fellowship program).

The first is a multi-media show featuring leading climate experts. Each show will follow a one-on-one interview format and will showcase the expert’s knowledge and understanding. The discussion will explore what the expert does, why their work is important, what the current state of knowledge is (what is known and understood and with what level of confidence), what key questions remain unresolved or contentious, and the broader implications of their work to society.

The show would meet three critical needs: 1) it would help educate the public about climate change; 2) it would provide a new venue for rapid responses to important events (e.g., ground-breaking research findings and public controversies and misunderstandings), and 3) it would help develop the communication skills of climate experts.

The second idea involves development of an interactive game that would give users a chance to assess and manage climate change risks for themselves. Subjective preferences have major implications, good and bad, for policy choices, and this tool could help reveal and encourage reflection over those opinions. Are you risk averse? If so, how do you balance your risk aversion between policy choices that are too aggressive (e.g., that risk excessive increases in energy and transportation prices) or too weak (i.e., that risk disruption of key life-support services)? How do your answers change as you learn more about the nature of the risk management problem (i.e., with additional information from the physical, natural, and social sciences)?

Breakthroughs in Science and Public Understanding

Over the next few weeks, the 21 fellows will refine project ideas and submit proposals to Google for possible seed funding. Whether these ideas can ultimately transform science communication will take time to determine. Regardless, the process of generating new ideas during the workshop was profoundly successful. That’s a good first step because resolving the paradox of progress will depend on achieving breakthroughs not only in science but also in how society uses the knowledge and understanding that results.

With more effective use of scientific knowledge and understanding, we can make choices with the greatest chance to benefit society overall. So far the massive advances in scientific understanding of climate change appear to have little impact on public understanding of climate science, its implications, or society’s risk management efforts. But perhaps Google’s Science Communication Fellowship Program over time can do for civic engagement of science what Google has done for information technology.

Championing Ideas … Your Own and Those of Others

The combination of talks and brainstorming made for an invigorating three days but also a grueling workshop experience. By the end of each day, many participants were clearly spent and more than a little confused about best paths forward. That is what happens when people’s horizons are expanding and they are confronting new challenges.

Fortunately, by the following morning, I had integrated what I’d learned the day before and found what I thought would be a good path forward.

For me, the most critical breakthrough was to recognize and accommodate two complementary approaches: 1) to champion the idea(s) that I thought most promising, regardless of whether others at the workshop liked my vision or not; and 2) to help, however possible, champions of other ideas successfully implement their visions.

This two-pronged approach for me captures the nature of scientific pursuit at its best. Science relies on personal autonomy, individual incentives, and unique contributions, but also depends on collaboration and cooperation to help make everyone’s work more effective. The first component reflects the importance of individual insight and ability, the second the importance of staying focused on broader, shared goals: the pursuit of knowledge and understanding in the case of scientific research, increased public understanding in the case of science communication.

Author
Paul Higgins is the Associate Director of the American Meteorological Society’s Policy Program in Washington, D.C.

Climate Change Sparks Battles in Classroom (Science)

Science 5 August 2011: Vol. 333 no. 6043 pp. 688-689 DOI: 10.1126/science.333.6043.688

SCIENCE EDUCATION
Sara Reardon

The U.S. political debate over climate change is seeping into K-12 science classrooms, and teachers are feeling the heat.

Growth potential. Students gather acorns for a middle school science project. CREDIT: JEFF CASALE/AP IMAGES

This Spring, when the science department of Los Alamitos High School in southern California proposed an advanced class in environmental science, members of the elected school board for the small district in Orange County thought the course was a great idea. Then they read the syllabus and saw a mention of climate change.

The topic, the board decided, is a “controversial issue.” Its next step was a new policy requiring teachers to explain to the school board how they are handling such topics in class in a “balanced” fashion. And the new environmental science course, which starts this fall, will be the first affected.

Local teachers immediately deplored the board’s actions. “It’s very difficult when we, as science teachers, are just trying to present scientific facts,” says Kathryn Currie, head of the high school’s science department. And science educators around the country say such attacks are becoming all too familiar. They see climate science now joining evolution as an inviting target for those who accuse “liberal” teachers of forcing their “beliefs” upon a captive audience of impressionable children.

“Evolution is still the big one, but climate change is catching up,” says Roberta Johnson, executive director of the National Earth Science Teachers Association (NESTA) in Boulder, Colorado. An informal survey this spring of 800 NESTA members (see word cloud) found that climate change was second only to evolution in triggering protests from parents and school administrators. One teacher reported being told by school administrators not to teach climate change after a parent threatened to come to class and make a scene. Online message boards for science teachers tell similar tales.

Hot topic. Teachers can bone up on climate science in workshops and classes. CREDIT: SOURCE: ROBERTA KILLEEN JOHNSON, NATIONAL EARTH SCIENCE TEACHERS ASSOCIATION

Unlike those biology teachers who have borne the brunt of the century-long assault on evolution, however, today’s earth science teachers won’t have the protection of the First Amendment’s language about religion if climate change deniers decide to take their cause to court. But the teachers feel their arguments are equally compelling: Science courses should reflect the best scientific knowledge of the day, and offering opposing views amounts to teaching poor science.

Most science teachers don’t relish having to engage this latest threat to their profession. “They want to teach the science,” says Susan Buhr, education director at the Cooperative Institute for Research in Environmental Sciences (CIRES) in Boulder. “They’re struggling to be on top of the science in the first place.”

CIRES and NESTA offer workshops and online resources for educators seeking more information on climate change. But teachers also say that they resent devoting any of their precious classroom time to a discussion of an alleged “controversy.” And they believe that politics has no place in a science classroom.

Even so, some are being dragged against their will into a conflict they fear could turn ugly. “There seems to be a lynch-mob hate against any teacher trying to teach climate change,” says Andrew Milbauer, an environmental sciences teacher at Conserve School, a private boarding school in Land O’Lakes, Wisconsin.

Milbauer felt that wrath after receiving an invitation to participate in a public debate about climate change. The event, put on last year by Tea Party activists, proposed to pit high school teachers against professors and climate change deniers David Legates and Willie Soon in front of students from 200 high schools. Organizers said the format was designed “to expand knowledge of the global warming debate to the youth of our state.” When Milbauer and his colleagues declined to participate, organizer Kim Simac complained to the local papers about their “suspicious” behavior. Milbauer corresponded for a time on the organization’s blog until Simac wrote that Milbauer, “in his role as science teacher, is passing on to our youth this monstrous hoax as being the gospel truth.”

Milbauer regards the episode as an unfortunate but telling example of misguided science and uses it in class discussions. “I explain this is the trap the [other side] is building,” he says.

Some teachers would disagree, however. In comments in the NESTA survey, a handful of teachers called climate change “just a theory like evolution” or said they firmly believed that opposing views should be presented with equal weight.

Sowing confusion

Given the ongoing and noisy national debate over climate change, it’s not surprising that those disagreements are seeping into K-12 schools, too. Science educators are scrambling to figure out how to deliver top-quality instruction without being sucked into the maelstrom. The issue is acute in Louisiana, which enacted a law in 2008 that lists climate change along with evolution as “controversial” subjects that teachers and students alike can challenge in the classroom without fear of reprisal.

A hotter climate? The phrase “climate change” came up often when NESTA asked its teacher members what classroom concepts trigger outside concerns. SOURCE: ROBERTA KILLEEN JOHNSON, NATIONAL EARTH SCIENCE TEACHERS ASSOCIATION

When a state law suggests that established scientific theories are controversial, says Ian Binns, a science education researcher at Louisiana State University in Baton Rouge, “it tells our students and teachers that there are problems that there aren’t.” That ambiguity, he and others fear, can distort a student’s understanding of the nature of scientific inquiry. “Science is not about providing balance to every viewpoint that’s out there,” says Joshua Rosenau of the National Center for Science Education, a nonprofit organization in Oakland, California, that has begun to monitor controversies regarding climate change in addition to battles over evolution. To Rosenau, staging debates over science in schools or on the floors of Congress “is madness.”

In Los Alamitos, the course will follow the curriculum laid out by the nonprofit College Board for its Advanced Placement (AP) course in environmental science, which presents the scientific evidence for climate change. This curriculum, which prepares students to take an end-of-year test for college credit, is what irritated Jeffrey Barke, a Los Alamitos school board member and physician who led the push to revise the district’s policies after learning about the course. Barke has spoken publicly about his concern that “liberal faculty” members would use the course to present global warming as “dogma.”

Science department head Currie criticizes the board’s new policy and feels that it may confuse students when they answer multiple-choice questions relating to climate change on the final AP exam. “When a kid comes across that on the AP test, what are they supposed to bubble?” she asks. “The fact, or [Barke’s] belief that it’s not a fact?” The school board, however, has said that the new policy is simply a way to prevent political bias from entering the classroom.

Currie and her colleagues are spending the summer working up a lesson plan for the new course, but she isn’t sure what will satisfy the board. “I’m going to fight for scientific facts being presented in the classroom,” she says. “I want to keep politics out.”

Arming for battle

The extent to which politics is affecting geoscience courses around the country is hard to measure, Rosenau says: “Just like with evolution, it’s difficult to know what a given teacher in a given classroom is teaching.”

To improve the quality of that instruction, both CIRES and NESTA are trying to put up-to-date, data-rich climate science materials into the hands of teachers and students to supplement textbooks. They’re not the only ones; even government agencies such as the National Oceanic and Atmospheric Administration, spurred by language in the 2007 America COMPETES Act about their role in improving science education, have beefed up their teacher training programs.

But it’s not enough to say that “you just need to teach people more,” Rosenau says. Teachers also have to learn how to defend themselves against parents or administrators wearing “ideological blinders,” he says. CIRES has analyzed the strategies that teachers used in the creationism debates and repurposed them for discussions about climate change. That includes citing state science standards—30 states include climate science in their description of what should be taught—and enlisting the support of administrators before tackling the subject in class.

Those who have taught geoscience or environmental science may feel more confident than colleagues who teach general physical science in managing a classroom discussion. Parents and students trying to poke holes in what they are being taught often “can’t articulate what the opposing view even is,” says Karen Lionberger, director of curriculum and content development for AP Environmental Science in Duluth, Georgia.

Of course, some attacks on climate change come from well-heeled sources. In 2009, the Heartland Institute, which has received significant funding from Exxon-Mobil, expanded its audience beyond teachers and students with a pamphlet, called The Skeptic’s Handbook, mailed to the presidents of the country’s 14,000 public school boards.

Heartland Institute senior fellow James Taylor, who sent out the pamphlet, says the underlying message is that educators need “to understand that there is quite a bit that remains to be learned” about climate change. Taylor also applauds the actions of the Los Alamitos school board, saying that “if the science is unsettled on any topic, of course you should present all points of view.”

The AP course itself doesn’t take a position on the issue, Lionberger says. The handful of multiple-choice questions on the final exam relating to climate change are not “slanted in any way,” she says, and none explicitly asks whether climate change is occurring. But because AP courses can be taken for college credit, she says, “we’re going to follow what colleges and universities are doing” by teaching students about the factors that contribute to climate change and its effects on the planet. Although researchers are always adding to that pool of knowledge, she says “for now, we will fall on the side of consensus science.”

VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? (TRIP)

Roberto da Matta reflete sobre como limites são as maiores conquistas e os maiores riscos

TRIP 196 – 14.02.2011 | Texto por Roberto da Matta
Fotos http://www.flickr.com/commons

Não deixa de ser curioso que o ser vivo mais consciente da própria morte, o animal mais certo de que sua única certeza é um limite final e definitivo — a morte —, seja o bicho que mais inventa e questiona limites. Os seus limites e os dos outros. Mais os dos outros que os seus.

A reflexão sobre os limites, sobre o que é suficiente ou bastante para cada um de nós (e consequentemente para os outros), é o resultado de mais igualdade, liberdade, oportunidade, poder de consumo e daquilo que se chama de “modernidade”: de mercado e competição eleitoral e de democracia. Da operação consistente de um sistema que tem no centro o indivíduo-cidadão livre e igual perante a lei. Todas as sociedades que passaram por uma aguda transformação no sentido de maior igualdade, acoplada a uma consciência mais aguda de liberdade, vivem um aparente paradoxo. Como usufruir a liberdade e a igualdade sem ofender os outros e, mais que isso, sem levar o sistema a uma anarquia e a um caos no qual alguns podem fazer tudo, o outro não existe e — como consequência — quem ocupa cargos importantes sobretudo no governo e do Estado acaba virando um mandão (ou mandona) de modo que, em vez de igualdade e limite, temos o justo oposto: uma hierarquia e o enriquecimento dos poderosos por meio daquilo que é o teste mais claro do limite e da igualdade: o sistema eleitoral que os elegeu.

— II —

http://www.flickr.com/commons

Neste momento em que o Brasil consolida sua democracia e torna-se um ator global, é crucial discutir esse equilíbrio entre o que aspiramos construir como coletividade mais justa e humana e as leis e normas que agindo sobre todos nós e governando por assim dizer esse jogo democrático que vem sendo jogado faz um tempo considerável, considerando nossa história republicana, limitam os nossos movimentos indicando o que é correto e ético realizar.

Não nos parece uma tarefa fácil conciliar desejos (que geralmente são ilimitados e odeiam controles) e a questão fundamental de cumprir regras, seguir leis e construir espaços públicos seguros e igualitários, válidos para todos, numa sociedade que também tem o seu lado claramente aristocrático e hierárquico. Um sistema que ama a democracia, mas também gosta de usar o “Você sabe com quem está falando?”, que é justamente a prova, conforme disse em Carnavais, malandros e heróis, um livro publicado, imagine, em 1979!

Ali, eu descobri o nosso amor simultâneo pela igualdade e, a seu lado, o nosso afeto pelo familismo e pelo partidarismo governados pela ética de condescendência tão nossa conhecida, que diz: nós somos diferentes e temos biografia; para os amigos tudo, aos inimigos (e estranhos, os que não conhecemos) a lei!

Não há nada mais claro da nossa aversão aos limites do que essa recusa de obedecer a lei, o cargo público para o qual fomos eleitos ou o sinal de trânsito. Uma pessoa, como digo no citado ensaio, que não foi criada para pensar em limites, porque todos somos (ou fomos) filhinhos de mamãe e criados em ambientes onde sabíamos perfeitamente bem quem era superior, quem era subordinado, quem mandava e quem obedecia, não pode funcionar igualitariamente na rua, onde ninguém é de ninguém ou sabe quem são os outros.

http://www.flickr.com/commons

A dificuldade em usar com tranquilidade o “Você sabe com quem está falando?” decorre da massificação da sociedade brasileira, que, com o aumento de renda e dos mecanismos destinados a melhorar o consumo das camadas mais pobres, torna todo mundo muito mais parecido e de certo modo obriga tanto o milionário filho de família tradicional quanto o pedreiro, o padeiro, o garçom, o estudante, o operário e o empregado doméstico a entrar numa fila. E, nela, a pensar que somos todos realmente iguais em certas situações públicas porque o limite do outro garante o meu limite.

O resultado dessa tomada de posição, básica numa democracia, é simples, mas muitas vezes ignorado entre nós: a minha liberdade teoricamente ilimitada tem que se ajustar à sua e as duas acabam promovendo uma conformidade voluntária com limites, com fronteiras cívicas que não podem ser ultrapassadas, como a de furar a fila ou a de dar uma carteirada.

Na sua simplicidade, a fila é um dos melhores, se não for o melhor, exemplos de como operam os limites numa democracia. Seus princípios são simples e reveladores: quem chega primeiro é atendido em primeiro lugar. Numa fila, portanto, não vale o oculto. Ou temos uma clara linha de pessoas, umas atrás das outras, ou a vaca vai para o brejo. Quando eu era menino, lembro-me bem como era impossível ter uma fila no Brasil. As velhas senhoras e as pessoas importantes (sobretudo os políticos) não se conformavam com suas regras e traziam como argumento para serem atendidos, passando na frente dos outros, ou a idade, ou o cargo, ou conhecimento com quem estava atendendo, ou algum laço de família. Afinal quem vai deixar a vovó esperando para depois tomar uma bronca em casa? Hoje, sabemos que idosos e deficientes não entram em fila. Mas estamos igualmente alertas para o fato de que um cargo ou um laço de amizade não faz de alguém um supercidadão com poderes ilimitados junto aos que estão penando numa fila por algumas horas. O princípio do quem primeiro chega é primeiro atendido revela uma outra dimensão da democracia e dos limites que deve ser igualmente discutida.

Refiro-me ao fato de que a fila anda (ou deve andar!). Ela é construída, como tudo que é governado por regras simples e conhecidas de todos, pelo princípio da rotatividade. Se “a fila anda”, ela faz com que o último acabe em primeiro e quem estava na frente seja obrigado a sair depois de ter sido atendido. Mais: se ele (ou ela) quiser voltar, vai para o “fim da fila”. Ora, isso não é um belo exemplo dos limites que tornam todos iguais, fazendo-os primeiros ou últimos e, consequentemente, tornando o primeiro e o último relativos? Numa hora e em dado lugar sou o primeiro, noutro sou um cara comum e apenas sigo as normas gerais da cidadania. Mas sei — e esse é um ponto capital — que, mesmo em primeiro lugar ou no último, tenho limites, tolerâncias, direitos sem dúvida, mas um monte de deveres. Uma vez atendido, cedo lugar a um outro que faz o mesmo com o seguinte e assim, meus amigos, a fila da democracia anda!

Tal como num jogo de futebol ou numa disputa política liberal e competitiva, a fila requer conformidade com as regras, com os limites impostos pela disputa, bem como um mínimo de honradez diante delas. Se entro na fila, espero que todos honrem o meu e os seus lugares. Isto é: o meu senso de limites é despertado pelo senso de limites dos outros. Se, numa disputa política, um partido não segue as regras e compra políticos e votos, então o sistema de disputa fica abalado ou deixa de existir. Todo jogador quer vencer, todo atacante quer o gol da vitória, mas ele não pode vencer quebrando as pernas dos seus adversários.

http://www.flickr.com/commons

Do mesmo modo e pela mesma lógica, ninguém pode ser sempre o primeiro da fila (e nem o último), como ninguém pode ser campeão para sempre. Se isso acontece, ou seja, se um time campeão mudar as regras para ser campeão para sempre, então o futebol vai pros quintos dos infernos. Ele simplesmente acaba com o jogo como uma disputa. Na disputa, o adversário não é um inimigo, do mesmo modo que, numa fila, quem está na frente não é um superior. O poder ilimitado e congelado ou fixo em pessoas ou partidos, como ocorre nas ditaduras, liquida a democracia justamente porque ele usurpa os limites nos quais se baseia a fila. Justamente porque ele acaba com a disputa e a esperança banal, mas básica, de que a fila anda e que amanhã podemos ser campeões! O fim do rodízio do poder que obriga o respeito aos limites de todos é a raiz dos autoritarismos que são hoje impensáveis no Brasil. Sem ele, a oposição e a esquerda não estariam no poder honrando e ajudando a provar que, onde há disputa, alguém vai perder ou ganhar.

— III —

Termino com uma história que é, de fato, uma parábola que fala tanto de democracia quanto de capitalismo, com seu poder de despertar inveja e aristocratizar pelo dinheiro.

Conta-se que, numa reunião na mansão de um milhardário americano, o escritor Kurt Vonnegut Jr. (autor, entre outros, do incrível Matadouro 5) perguntou ao seu colega Joseph Heller (autor do não menos perturbador Ardil 22): “Joe, você não fica chateado sabendo que esse cara ganha mais num dia do que você jamais ganhou com a venda de Ardil 22 no mundo todo?”. Heller respondeu: “Não, porque eu tenho alguma coisa que esse cara não tem”. Vonnegut olhou firme para ele e disse: “E o que é que você pode ter que esse sujeito já não tenha?”. Resposta do Heller: “Eu conheço o significado da palavra suficiente”.

Ora, é justamente esse suficiente que nos torna resistentes tanto ao poder do dinheiro como fim valor absoluto, capaz de suspender limites numa sociedade de iguais, quanto a uma dimensão muito importante da vida. É ele que permite valorizar o que somos e temos, o modo como vivemos, os nossos prazeres e escolhas. É essa reflexão sobre o que nos basta que nos faz ver a olho nu que ninguém pode ter (ou tem) tudo. E, se ninguém pode ter tudo, todos temos alguma coisa.

http://www.flickr.com/commons

A ideia de suficiência e de limite, portanto, traz de volta uma dimensão humana importante e não conformista. A dimensão que assegura por linhas tortas, é certo, que nenhum ser humano pode ser belo, bonito, rico, saudável e feliz ao mesmo tempo. Os reveses da vida, que nos fazem estar sempre no fim ou no início da fila, que nos dão a impressão de impotência ou onipotência, têm muito a ver com essa reflexão que pouco fazemos no Brasil. A saber: o que queremos do nosso país e deste mundo? O que precisamos e em que quantidade ou escala? Será que sendo quem sou eu não tenho mais do que o mais rico dos ricos ou o mais poderoso dos poderosos? Afinal de contas, a igualdade na diferença é uma alternativa para estilos de ser. Não se pode negar o valor do dinheiro, mas não se pode aceitar que o dinheiro seja tudo e que o amor, a compaixão, a honestidade, a honradez e a alegria de viver em harmonia consigo mesmo sejam inferiores à riqueza ou ao poder. Afinal de contas, o que seria da vida sem esses pequenos-grandes prazeres e gozos que são de fato o seu sal e a sua pimenta? Vale a pena ser infeliz com uma grande conta bancária, ou ser feliz com uma conta bancária? Ou, quem sabe, viver sem ir ao banco?

Porque, afinal de contas, o limite não está apenas nas coisas externas, ele está em todos nós — mortais complexos destinados ao gozo e ao sofrimento neste maravilhoso e único vale de lágrimas, nesta interminável fila que, andando, nos obriga a dialogar com os nossos limites e com o lado ilimitado de cada um de nós.

*Antropólogo, escritor e professor da PUC-RJ. Autor de vários ensaios sobre sociedades tribais e o Brasil, como Um Mundo Dividido; Carnavais, malandros e heróis; O que faz o Brasil, Brasil; Relativizando: uma introdução à antropologia social, todos editados pela Rocco. Seu último livro, Fé em Deus e pé na tábua, é um ensaio sobre o trânsito no Brasil. DaMatta tem uma coluna semanal nos jornais O Estado de São Paulo, no Globo e Diário de Fortaleza