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O falso dilema do “infanticídio indígena”: por que o PL 119/2015 não defende a vida de crianças, mulheres e idosos indígenas (Combate Racismo Ambiental)

Protesto “contra o infanticídio” organizado por grupos religiosos em frente ao prédio do governo do RJ. Foto: Gazeta do Povo, 2015.

29 de janeiro de 2017

O Projeto de Lei 119/2015, que trata do chamado “infanticídio indígena”, está agora tramitando no Senado. Não por acaso, no início da semana que se encerrou ontem, 28, voltaram a ser publicadas matérias tendenciosas sobre a questão. Considerando a atual conjuntura, na qual mais que nunca é fundamental estarmos alertas e atuantes, convidamos a antropóloga Marianna Holanda a escrever um artigo que dialogasse conosco e nos oferecesse os necessários argumentos para mais esta luta. O resultado é o excelente texto que socializamos abaixo. (Tania Pacheco).

Por Marianna A. F. Holanda*, especial para Combate Racismo Ambiental

Desde 2005, acompanhamos no Brasil uma campanha que se pauta na afirmação de que os povos indígenas teriam tradições culturais nocivas e arcaicas que precisam ser mudadas por meio de leis e da punição tanto dos indígenas responsáveis como de quaisquer funcionários do Estado, agentes de organizações indigenistas e/ou profissionais autônomos que trabalhem junto a estes povos.

Afirma-se que há dados alarmantes de infanticídio entre os povos indígenas de modo a fazer parte da sociedade pensar que, incapazes de refletir sobre as suas próprias dinâmicas culturais, os povos indígenas – sobretudo as mulheres – matariam sem pudor dezenas de crianças. As notícias de jornal, as pautas sensacionalistas da grande mídia, organizações de fins religiosos e políticos “em favor da vida” fazem crer que não estamos falando de pessoas humanas – no sentido mais tradicional dos termos –, mas de sujeitos que devido à sua ignorância cultural cometem sem ética, afeto e dúvidas crimes contra seus próprios filhos, contra seu próprio povo.

Me pergunto por que um argumento como esse transmite credibilidade entre aqueles que não conhecem as realidades indígenas – pois quem trabalha junto aos povos indígenas e em prol de seus direitos não dissemina este tipo de desinformação. A maior parte da sociedade brasileira não indígena é profundamente ignorante sobre os povos indígenas que aqui habitam e sobre seus modos de vida, mantendo imagens estereotipadas e caricaturadas sobre os índios carregadas de preconceito e discriminação.

Alguns dados importantes sobre infanticídio, abandono de crianças e adoção

Desde os tempos de Brasil império há registros de infanticídios entre os povos indígenas – como também havia inúmeros registros de infanticídio nas cidades da colônia: historiadores apontam a normalidade com que recém-nascidos eram abandonados nas ruas de cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Florianópolis. Realidade que também era comum na Europa e que a igreja católica passou a combater a partir do século VIII d.C por meio de bulas papais e pela criação de Casas de Expostos – lugares aonde podia-se abandonar legalmente crianças neonatas que mais tarde vieram a se tornar o que conhecemos como orfanatos. Não apenas os infanticídios não cessaram como os índices de mortalidade nesses locais foram estarrecedores, beirando a 70% no caso europeu e 95% no caso brasileiro. Recém-nascidos eram retirados da exposição pública para morrer entre quatro paredes, com aval das leis, dos registros estatais e da moralidade cristã da época. (Sobre este tema, ver: Marcílio e Venâncio 1990, Trindade 1999, Valdez 2004 e Faleiros 2004).

Ainda hoje, centenas de crianças no Brasil são abandonadas em instituições públicas e privadas de caráter semelhante, aguardando anos por uma adoção. A maioria – em geral as crianças pardas e negras, mais velhas e/ou com algum tipo de deficiência – esperam por toda a infância e adolescência, até tornarem-se legalmente adultas e serem novamente abandonadas, agora pelo Estado. Os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que das seis mil crianças nesta situação, 67% são pardas e negras.

Apesar da rejeição à adoção de crianças negras e pardas ter caído na última década, o quadro de discriminação permanece. Entre as crianças indígenas, acompanhamos um fenômeno crescente de pedidos de adoção por não indígenas, sobretudo casais heterossexuais, brancos, evangélicos e, em muitos casos, estrangeiros. Contudo, há mais de 100 processos no Ministério Público envolvendo denúncias a violações de direitos nestes casos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê o direito à permanência da criança com a própria família e ao esforço conjunto e multidisciplinar de profissionais para que isto ocorra. Esgotada esta possibilidade, a criança tem o direito de ser encaminhada para família substituta na própria comunidade indígena de origem ou junto a família substituta de outra aldeia ou comunidade, mas ainda da mesma etnia.

Vale mencionar que estas estratégias de realocação e adoção de crianças ocorre tradicionalmente entre diversos povos indígenas, independente das leis e da intervenção estatal. É muito comum que avós, tias ou primas adotem crianças quando pais e mães passam por qualquer espécie de dificuldade, ou ainda, seguindo articulações próprias das relações de parentesco que vão muito além de pai e mãe biológicos.

Contudo, sob estas recentes acusações de “risco de infanticídio” famílias indígenas são colocadas sob suspeita e dezenas de crianças têm sido retiradas de sua comunidade, terra e povo e adotadas por famílias não indígenas sem ter direitos básicos respeitados. Juízes são levados por esta argumentação falha, que carece de base concreta na realidade, nas estatísticas, nas etnografias. Em alguns casos, pleiteia-se apenas a guarda provisória da criança e não a adoção definitiva, o que significa que a guarda é válida somente até os 18 anos, não garantindo vínculo de parentesco e direito à herança, por exemplo. Quantas violações uma criança indígena retirada de seu povo e de seus vínculos ancestrais enfrenta ao ser lançada ao mundo não indígena como adulta?

Infâncias indígenas no Brasil e crescimento demográfico

Nos últimos 50 anos, as etnografias junto a povos indígenas – importante método de pesquisa e registro de dados antropológicos – vem demonstrando que as crianças indígenas são sujeitos criativos e ativos em suas sociedades tendo diversos graus de autonomia. Aprendemos que as práticas de cuidado e a pedagogia das mulheres indígenas envolvem um forte vínculo com as crianças, que são amamentadas até os 3, 4, 5 anos. Envolvem uma relação de presença e afeto que deixa a desejar para muitas mães modernas. Aprendemos também que a rede de cuidados com as crianças envolve relações de parentesco e afinidade que extrapolam a consanguinidade.

Enquanto a maior parte das populações no mundo está passando pela chamada “transição demográfica”, ou seja, queda e manutenção de baixos níveis de fecundidade, os povos indígenas na América Latina, se encontram num processo elevado de crescimento populacional. De acordo com o último censo do IBGE (2010), a população indígena no Brasil cresceu 205% desde 1991, uma dinâmica demográfica com altos níveis de fecundidade, levando à duplicação da população em um período de 15 anos (Azevedo 2008).

A partir dos anos 2000, começaram a tomar corpo pesquisas etnográficas que apontam o número crescente de nascimentos gemelares entre os povos indígenas, de crianças indígenas albinas e de crianças com deficiência (Verene 2005, Bruno e Suttana 2012, Araújo 2014). Apesar de suas diferenças, estas crianças são estimuladas a participar do cotidiano da aldeia, e muitas delas, ao tornarem-se adultas, casam-se e constituem família.

Há 54 milhões de indígenas com deficiência ao redor do globo (ONU 2013). No Brasil, segundo o censo do IBGE de 2010, 165 mil pessoas – ou seja, 20% da população autodeclarada indígena – possuem ao menos uma forma de deficiência (auditiva, visual, motora, mental ou intelectual). Um número que relaciona-se também às políticas públicas e de transferência de renda para as famílias indígenas nessa situação (Araújo 2014). Tanto o crescimento demográfico acelerado quanto os dados de que 20% da população indígena brasileira tem alguma deficiência nos permitem demonstrar que a afirmação de que há uma prescrição social para que estas crianças sejam mortas por seus pais e familiares não se sustenta.

Como morrem as crianças e adultos indígenas?

A mortalidade infantil entre os povos indígenas é quatro vezes maior do que a média nacional. A quantidade de mortes de crianças indígenas por desassistência subiu 513% nos últimos três anos. Os dados parciais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) de 2015 revelaram a morte de 599 crianças menores de 5 anos. As principais causas são: desnutrição, diarreia, viroses e infecções respiratórias, falta de saneamento básico além de um quadro preocupante de desassistência à saúde. Ora, sabemos que pneumonia, diarreia e gastroenterite são doenças facilmente tratáveis desde que estas crianças tenham acesso às políticas de saúde. A região Norte do país concentra o maior número de óbitos.

Quando abordamos os números relativos ao suicídio a situação é igualmente alarmante. De acordo com dados da Sesai, 135 indígenas cometeram suicídio em 2014 – o maior número em 29 anos. Sabemos que os quadros de suicídio se agravam em contextos de luta pelos direitos territoriais quando populações inteiras vivem em condições de vulnerabilidade extrema.

Jovens e adultos do sexo masculino também são as principais vítimas dos conflitos territoriais que resultam do omissão e letargia do Estado brasileiro nos processos de demarcação das terras indígenas. Em 2014, 138 indígenas foram assassinados; em 2015, foram 137. No período de 2003 a 2016, 891 indígenas foram assassinados em solo brasileiro, em uma média anual de 68 casos (Cimi 2016). Esses assassinatos acontecem em contextos de lutas e retomadas de terras, tendo como alvo principal as lideranças indígenas à frente dos movimentos reivindicatórios de direitos.

Diante desse cenário de permanente e impune genocídio contra os povos indígenas no Brasil, é importante refletirmos sobre o histórico de atuação dos senadores responsáveis pela votação do PL 119/2015: quais deles atuam ou já atuaram na proteção e no resguardo dos direitos indígenas? Quais deles são financiados pelo agronegócio, pela mineração, pelos grandes empreendimentos em terras indígenas? Como um Projeto de Lei que criminaliza os próprios povos indígenas pela vulnerabilidade e violências causadas pelo Estado e por terceiros pode ajudar na proteção e promoção de seus direitos?

O falso dilema da noção de “infanticídio indígena”

O PL 119/2015 – outrora PL 1057/2007 – supõe que há um embate entre “tradições culturais” que prescrevem a morte de crianças e o princípio básico e universal do direito à vida. Ao afirmar que o infanticídio é uma tradição cultural indígena – como se ele não ocorresse, infelizmente, em toda a humanidade – o texto e o parlamento brasileiros agem com racismo e discriminação, difamando povos e suas organizações socioculturais. Todos nós temos direito à vida e não há nenhuma comunidade indígena no Brasil e no mundo que não respeite e pleiteie esse direito básico junto às instâncias nacionais e internacionais.

Ao invés de buscarem aprovar o novo texto do Estatuto dos Povos Indígenas que vem sendo discutido no âmbito da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) desde 2008, utilizando como base o Estatuto o Substitutivo ao Projeto de Lei 2057, de 1994, que teve ampla participação indígena em sua formulação, o parlamento está optando por remendar a obsoleta Lei 6.001 – conhecida como Estatuto do Índio – datada de 1973, carregada de vícios próprios da ditadura militar, como as noções de tutela e de integração dos povos indígenas à comunidade nacional, pressupondo que com o tempo, eles deixariam de “ser índios”.

O PL também equivoca-se ao afirmar que há uma obrigatoriedade de morte a qualquer criança gêmea, albina e/ou com algum tipo de deficiência física e mental, além de mães solteiras. Trata-se de situações que desafiam qualquer família, indígena ou não, mas que em comunidades com fortes vínculos sociais tendem a ser melhor sanadas pois há níveis de solidariedade maior do que os de individualismo.

O dilema do infanticídio também é falso quando afirma que trata-se de uma demanda por “relativismo cultural” diante do direito à vida e dos Direitos Humanos; mas afirmamos que violência, tortura e opressão não se relativizam. A demanda posta pelos povos indígenas é historicamente a de respeito à diversidade cultural – o que implica no reparo, por parte do Estado, da expropriação territorial garantindo a regularização de todas as terras indígenas no País e o acesso a direitos essenciais como saúde e educação diferenciadas. Também é direito das comunidades indígenas o acesso à informação e ao amparo do Estado para lidar com situações em que a medicina biomédica já encontrou cura ou tratamento adequado. A Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, ratificada em 2005 pela UNESCO, é enfática quando trata a diversidade cultural como patrimônio comum da humanidade, e isso inclui, portanto, o direito das crianças indígenas a permanecerem junto à sua família e de receberem suporte médico dentro de suas comunidades.

Há 10 anos acompanhamos a exposição midiática das mesmas crianças – algumas hoje já adolescentes – bem como os depoimentos de indígenas adultos que afirmam que sobreviveram, em condições diversas, ao infanticídio. São histórias que precisamos ouvir e que nos ensinam que os povos indígenas têm encontrado novas estratégias para lidar com seus dilemas éticos e morais. Sabemos que a transformação é uma característica cultural dos povos indígenas; ao mesmo tempo em que lutamos pelo respeito aos Direitos Humanos, lutamos para que as Dignidades Humanas dos povos indígenas sejam respeitadas a partir de seu tempo de transformação.

Nenhum caso de infanticídio e qualquer outra forma de violência, entre povos indígenas ou não, pode ser afirmado como uma “tradição cultural”; ou podemos dizer que a nossa própria cultura é infanticida generalizando tal grau de acusação e julgamento para todas as pessoas? Se a resposta é um sonoro “não”, porque o PL 119/2015 pretende fazer isso com os povos indígenas?

O mesmo exercício pode ser feito com as outras tipificações de violência e atentados à Dignidade Humana no texto do PL como: homicídio, abuso sexual, estupro individual e coletivo, escravidão, tortura em todas as suas formas, abandono de vulneráveis e violência doméstica. Estaríamos nós transferindo os nossos preconceitos e violências para os povos indígenas, transformando isso em parte da sua cultura? Ao fazer isso, afirmamos que violências tão características da colonialidade do poder são o que fazem dos índios, índios.

Por fim, é importante mencionar que o texto inicial do PL 1057/2007 que foi aprovado na Câmara sofreu alterações ao transformar-se no PL 119/2015 que tramita no Senado. O que antes era “combate a práticas tradicionais nocivas” mudou de retórica para “defesa da vida e da dignidade humana” mas não nos enganemos: seu conteúdo permanece afirmando a existência violências tratadas como práticas tradicionais exclusivas e características dos povos indígenas.

Igualdade, equidade e isonomia de direitos

Por uma questão de isonomia e igualdade de direitos, os povos indígenas estão submetidos à legislação brasileira, podendo ser julgados e punidos como qualquer cidadão deste país. Hoje, aproximadamente 750 indígenas estão cumprindo pena em sistema de regime fechado, dos quais cerca de 65% não falam ou não compreendem a língua portuguesa. Portanto, as leis que punem infanticídio, maus tratos de crianças e qualquer forma de violação de direitos, inclusive os Direitos Humanos, também incidem sobre os indígenas, ainda que suas prisões não sejam por estes motivos.

Qual a justificativa de um PL que verse especificamente sobre estas violações entre os povos indígenas e que promove interpretações equivocadas e sem embasamento científico e técnico, difamando as realidades dos povos indígenas? Ao tornar a pauta redundante, os indígenas seriam, duas vezes, julgados e condenados por um mesmo crime?

Não se trata apenas da defesa do direito individual. Um direito fundamental de toda pessoa é precisamente o de ser parte de um povo, isto é, o direito de pertencimento. E um povo criminalizado tem a sua dignidade ferida.

Durante o último Acampamento Terra Livre (ATL) que aconteceu em Brasília durante os dias 10 e 13 de maio de 2016 e reuniu cerca de 1.000 lideranças dos povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou o “Manifesto do 13º Acampamento Terra Livre” denunciando “os ataques, ameaças e retrocessos” orquestrados contra seus direitos fundamentais “sob comando de representantes do poder econômico nos distintos âmbitos do Estado e nos meios de comunicação”. A nota manifesta ainda “repúdio às distintas ações marcadamente racistas, preconceituosas e discriminatórias protagonizadas principalmente por membros da bancada ruralista no Congresso Nacional contra os nossos povos, ao mesmo tempo em que apresentam e articulam-se para aprovar inúmeras iniciativas legislativas, propostas de emenda constitucional e projetos de lei para retroceder ou suprimir os nossos direitos”.

O manifesto encerra-se afirmando: “PELO NOSSO DIREITO DE VIVER!”, pois é de vida e não de morte que se trata a defesa dos direitos indígenas. Se os nobres parlamentares estão preocupados com a defesa da vida e da dignidade indígenas, que retrocedam neste PL e em tantos outros que os violentam diretamente e que foram elaborados sem sua participação, consentimento e consulta.

*

Referências

AZEVEDO, Marta Maria. Diagnóstico da População Indígena no Brasil. Em: Ciência e Cultura, vol.60 nº4 São Paulo. Out. 2008

ARAÚJO, Íris Morais. Osikirip: os “especiais” Karitiana e a noção de pessoa ameríndia. Tese de doutorado aprovada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 2014.

BRUNO, Marilda Moraes Garcia; SUTTANA, Renato (Org.). Educação, diversidade e fronteiras da in/exclusão. Dourados: Ed. UFGD, 2012. 224 p.

BURATTO, Lúcia Gouvêa. A educação escolar indígena na legislação e os indígenas com necessidades educacionais especiais. s.d. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/565-4.pdf. Acesso em: 25 jan. 2017.

FALEIROS, Vicente de P. 2004. “Infância e adolescência: trabalhar, punir, educar, assistir, proteger”. In: Revista Ágora: Políticas Públicas e Serviço Social, ano 1, nº 1. Disponível em: http://www.assistenciasocial.com.br

MANIFESTO DO 13º ACAMPAMENTO TERRA LIVRE. Disponível em: https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/2016/05/12/manifesto-do-13o-acampamento-terra-livre/

MARCÍLIO, Maria L. e VENÂNCIO, Renato P. 1990. “Crianças Abandonadas e primitivas formas de sua proteção” In: Anais do VII Encontro de Estudos Populacionais ou http://www.abep.org.br

QUERMES, Paulo Afonso de Araújo & ALVES DE CARVALHO, Jucelina. Os impactos dos benefícios assistenciais para os povos indígenas: estudo de caso em aldeias Guaranis. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo (SP), n.116, p. 769-791, 2013.

SEGATO, Rita Laura. Que cada povo teça os fios da sua história: o pluralismo jurídico em diálogo didático com legisladores. Revista Direito. UnB, janeiro–junho de 2014, v. 01, n.01 66.

TRINDADE. 1999. Trindade, Judite M. B. 1999. “O abandono de crianças ou a negação do óbvio” In: Revista Brasileira de História, Vol. 19, nº 37. São Paulo. p. 1-18.

VENERE, Mario Roberto. 2005. Políticas públicas para populações indígenas com necessidades especiais em Rondônia: o duplo desafio da diferença. 2005. 139 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) ‒ NCT, UNIR, RO, [2005].

* Marianna Holanda é antropóloga, doutora em Bioética e pesquisadora associada da Cátedra Unesco de Bioética – UnB.

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Provas #8.754.392.312 e #8.754.392.313 de que o Brasil Odeia Ciência (Meio Bit)

Postado Por  em 12 08 2016

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O brasileiro tem um problema sério com ciência. Ele acha que não precisamos dela. Temos basicamente zero programas sobre ciência na TV aberta, versus centenas de horas semanais de programas religiosos. Todo fim de ano canais abrem espaço para videntes e suas previsões para o ano novo, apenas para misteriosamente esquecer de todas as previsões erradas feitas pelas mesmas pessoas no ano anterior.

O Fantástico dedica 95% do tempo de uma reportagem sobre uma pirâmide idiota flutuando por causa de uns imãs, e 5% com cientistas explicando o truque óbvio. Nos comentários do MeioBit? Vários DEFENDENDO a matéria.

Um tempo atrás o Romário apresentou um Projeto de Lei para desburocratizar a importação de material científico como reagentes, que ficam tanto tempo na aduana que acabam estragando. Teve gente que escreveu cartas pra jornal reclamando, dizendo que não se deve investir em ciência, “e sim em saúde e educação”. No final o projeto foi arquivado.

Estatisticamente as chances de achar um astrólogo em um programa desses de entrevistas tipo Fátima são imensas, tanto quanto são ínfimas as de achar um cientista, sendo que o cientista sempre terá um pastor ou pai de santo como “contraponto”.

No Brasil a profissão de BENZEDEIRA é reconhecida pelo governo e tratada como “patrimônio cultural”. Sendo que a diferença entre benzedeiras e charlatões é que elas rezam antes de cobrar.  Agora, como cereja do bolo de bosta, temos isto:

ufeiro

Isso mesmo. Segundo o G1 o excelentíssimo sr deputado Edmir Chedid, do DEM apresentou uma moção propondo o reconhecimento da profissão de ufeiro, que iria garantir direitos aos ufeiros. Ele diz que

reconhecer a atividade científica que busca entender esses fenômenos, possibilitando financiamentos e linhas de pesquisa destinadas a esse fim junto à Universidades e outras instituições públicas ou privadas”.

Ancient-aliens-guy

Não é surpresa que o Google desconheça projetos do deputado relacionados com ciência de verdade. Ele pelo visto passa boa parte do tempo assistindo History Channel, mas os programas errados. E não, não estou exagerado. Ainda o Deputado:

“os contatos ufológicos acontecem desde os mais remotos tempos da humanidade”. “Há muito tempo atrás, acreditavam que os tais seres ou mesmo suas manifestações eram de origem quase divina, onde estes mesmo seres eram os nossos ‘salvadores’, nossos mediadores entre a ignorância e a sabedoria, para viver uma vida digna e feliz.”

Ele quer gastar dinheiro público com “pesquisadores” dessa bobagem que é basicamente uma seita, e preenche todos os requisitos de pseudociência: é quase 100% baseado em informação anedótica, não é reproduzível, não traz justificativas das hipóteses, etc, etc, etc.

Enquanto isso a FAPESP — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo teve reduzidos em R$ 17 milhões seus repasses para Mestrados e Doutorados, nos últimos 4 anos. Assim não sobra nem pros ufeiros, deputado. O que o senhor tem feito para ajudar a FAPESP? É, eu imaginava.

Acha que acabou? Temos aquele “fenômeno”, aquele grupo picareta chamado Fundação Cacique Cobra Coral, que diz “controlar o tempo” e abusam da credulidade dos retardados, incluindo aí a Prefeitura do Rio que por anos contratou os caras para garantir bom tempo no Réveillon. A taxa de acerto deles? Eu diria que no máximo 50%. A mesma da minha Pedra Controladora do Clima que tenho aqui na minha mesa.

Pior: como todo “místico” no Brasil essa gente é incensada pela mídia, até o Marcelo Tas, que eu julgava inteligente enche a bola dos caras.

Estamos em 2016, imagina-se que gente prometendo controlar o clima através de magia seria no mínimo alvo de risada, certo? Errado. ALGUÉM pagou pra esses espertos irem na Olimpíada de Londres, onde juraram que foram os responsáveis pela pouca chuva na Abertura, e tinham até credencial para um evento com a Dilma. E agora temos… isto:

cacique

Isso mesmo. O tempo está uma bosta, mas eles não falharam. Na matéria do Globo o porta-voz da Fundação diz que o foco deles era garantir o tempo bom na abertura da Olimpíada. Então tá.

Que o clima já estivesse previsto por ciência de verdade, é apenas um detalhe.

O mais triste disso tudo é que todo mundo que promove divulga e protege pseudociência e misticismo faz uso dos benefícios da ciência que diz não “acreditar”. Se ciência é tão ruim assim, incluindo a malvada “alopatia” que tal parar de vacinar suas crianças, rasgar o cartão do pediatra, jogar fora a Insulina e o Isordil e se tratar com chazinhos e homeopatia? GPS? Coisa do capeta, use uma varinha de radbomancia para se achar. Tem uma plantação? Contrate a Cacique Cobra Coral, e não acesse mais as previsões do INPE.

A reserva genética da Humanidade agradecerá.

Para compreender os conflitos entre fazendeiros e indígenas em MS (Campo Grande News)

22/09/2015 09:17

Por Jorge Eremites e Paulo Esselin (*)

Há muito os problemas que atingem os povos indígenas em Mato Grosso do Sul ganharam manchete na imprensa regional, nacional e internacional. Todos os anos índios são mortos e nada é feito de objetivo para mudar a realidade. Autoridades eleitas pelo povo, como vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos e governador, mandato após mandato e salvo honrosas excessões, simplificam o problema. Ao fazerem isso, rechaçam o enfrentamento da questão fundiária, causa maior dos conflitos entre fazendeiros e comunidades indígenas.

Além disso, não raramente recorrem ao argumento de culpar instituições alhures pelo etnocídio ou genocídio cultural em andamento no estado: Supremo Tribunal Federal, Governo Federal, Ministério da Justiça, ONGs, Presidência da República, Conselho Indigenista Missionário, Ministério Público Federal, forças alienígenas que desejariam se apoderar do Aquífero Guarani etc. Repetidas vezes, de maneira costumeira, utilizam de sofismas dos mais variados para distorcer a realidade e formar opinião pública contrária à regularização das terras indígenas no país.

Ao fazerem isso, essas autoridades se isentam de quaisquer responsabilidades, terceirizam o problema e lavam as mãos. Afirmam que é a União, e basicamente ela, que pode e deve solucionar os conflitos pela posse da terra, desde que assim o faça a favor dos fazendeiros, aqueles que possuem títulos de propriedade privada da terra e por vezes financiam campanhas eleitorais e projetos de poder.

A questão fundiária, por sua vez, é um problema muito antigo e suas origens remontam aos séculos 18, 19 e 20, quando se deu a origem da propriedade privada da terra na região. Com o final da chamada Guerra do Paraguai (1864-1870), o antigo sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, passou a ser mais rapidamente colonizado por migrantes oriundos de outras partes do Brasil, além de imigrantes vindos de além-mar e paízes vizinhos. Desde então o espaço regional se configurou como palco de muitos conflitos pela posse da terra, especialmente quando comunidades indígenas tiveram seus territórios invadidos por fazendeiros e militares desmobilizados do exército imperial. A documentação oficial da época, como os relatórios da Diretória dos Índios da Província de Mato Grosso, comprova a situação. Contudo, sem os povos originários esta parte da bacia platina não estaria incorporada ao território nacional.

Foi graças às alianças com os indígenas, feitas desde o século 18, que Portugal estabeleceu sua hegemonia na porção central da América do Sul. Posteriormente, quando o Brasil tornou-se Estado-nação, as alianças permaneceram durante o período imperial. Exemplo disso foi o protagonismo que os indígenas tiveram na defesa do território nacional durante a Guerra do Paraguai. Autores renomados como o Visconde de Taunay, apenas para citar um exemplo, extenderam-se sobre o assunto e teceram elogios à participação dos Terena, Kinikinao, Kadiwéu, Guató e outros povos que, sozinhos ou ao lado do exército imperial, combateram as tropas invasoras do Paraguai na década de 1860.

Com o fim do conflito bélico platino houve a expansão da fronteira pastoril e, consequentemente, o aumento da titulação dolosa de territórios indígenas a favor de terceiros. A partir de então os povos originários passaram a ter suas terras usurpadas e via de regra não tinham a quem recorrer. Esta é uma das marcas colonialistas da formação do Estado Brasileiro e da propriedade privada da terra em Mato Grosso do Sul.

Neste contexto foi ainda imposto aos Guarani, Kaiowá, Terena e outros indígenas uma forma perversa de exploração da força de trabalho, análoga à escravidão moderna, baseada no conhecido sistema do barracão. Durante a primeira metade do século 20, muitos fazendeiros tinham transformado milhares de indígenas na principal mão-de-obra a ser explorada nas propriedades rurais que eram organizadas no antigo sul de Mato Grosso. Esta situação é verificada na fronteira com o Paraguai e a Bolívia, na Serra de Maracaju e em praticamente todo o estado.

Milhares de indígenas passaram a trabalhar na condição de vaqueiros e em outras atividades econômicas, tais como: lavoura, colheita e preparo da erva-mate, exploração de ipecacuanha, transporte fluvial etc. Muitas mulheres foram ainda “pegas a laço”, violentadas e forçadas a se casar com não-índios, história esta presente na memória de muitos dos antigos (sul) mato-grossenses. Apesar disso tudo, os índios pouco usufruiram das riquezas que produziram e passaram a viver em situações cada vez mais difíceis, sobremaneira quando suas roças foram invadidas pelo gado e os fazendeiros mandaram derrubar as matas existentes em seus territórios. Depois de formadas as propriedades rurais, especiamente entre os anos de 1950 a 1970, a mão-de-obra indígena foi dispensada de muitas fazendas.

Neste contexto histórico, marcado pela expansão do agronegócio no Centro-Oeste, dezenas de comunidades indígenas, as quais ainda conseguiam viver no fundo das fazendas, foram expulsas das terras de ocupação tradicional. Este processo de esbulho foi concluído na década de 1980.

No começo do século 20, Cândido Mariano da Silva Rondon, posteriormente conhecido como Marechal Rondon, à frente da Comissão de Linhas Telegráficas do Estado de Mato Grosso, deixou registrado os ataques que fazendeiros desfechavam contra os indígenas, como ocorria na bacia do rio Taboco. Em suas palavras: “[…] eivados da falsa noção de que o índio deve ser tratado e exterminado como uma fera contra o qual devem fazer convergir todas as suas armas de guerra, os fazendeiros ao invés de reconciliarem-se com os silvícolas trucidavam homens, mulheres e crianças e aprisionando os que não havia logrado fugir”.

Segundo Rondon, não contentes com os assassinatos, alguns fazendeiros “abriam os ventres de índias que se achavam em adiantado estado de gravidez”. Ações desta natureza são definidas como etnocídio e persistem, com outras roupagens, até o tempo presente. Por isso em Mato Grosso do Sul os indígenas são percebidos por muitos como não-humanos, chamados pejorativamente de “bugres”.

Dessa forma, no âmbito da constituição do Estado Brasileiro e da formação da sociedade nacional, foram registradas sucessivas tentativas de exploração, dominação e até extermínio contra os povos indígenas. À medida que se estabeleceram na região, fazendeiros incorporaram territórios indígenas ao seu patrimônio. Muitos conseguiram isso requerendo junto às autoridades estaduais, sem muitas dificuldades e por meio pouco ortodoxos, títulos de propriedade privada da terra. Muitas áreas atingiam um tamanho tal que era demarcada vagamente em função da particularidade geográfica de cada região: córregos, rios, morros etc. Embora tivessem logrado a titularidade de vastas extensões, frequentemente não tomaram posse imediata das terras, onde comunidades indígenas conseguiram permanecer, de maneira mansa e pacífica, por décadas sem grandes infortúnios.

À frente desses fazendeiros emergiu um grupo de proprietários de terra que se enriqueceu ao longo dos anos e, aproveitando-se da influência que tinham nos governos municipais, estadual e federal, ganhou poderes sobre pessoas e coisas. Mais ainda, promoveu todo tipo de violação dos direitos elementares dos povos indígenas. Constituiu-se, assim, uma elite ruralista com muita influência nos poderes constituídos na República, isto é, no próprio Estado Brasileiro. Seus feitos são enaltecidos por uma historiografia colonialista, geralmente financiada com dinheiro público, ligada à construção de uma história oficial e de uma identidade sul-mato-grossense, geralmente em oposição à de Mato Grosso, particularmente de Cuiabá.

Assim, no tempo presente observamos mais uma situação de conflitos entre ruralistas e comunidades Guarani, Kaiowá e Terena. O resultado disso foi mais um indígena assassinado durante a retomada de uma área oficialmente declarada como terra indígena, chamada Ñande Ru Marangatu, localizada no município de Antônio João, na fronteira com o Paraguai. Sobre o assunto, até o momento nenhuma autoridade esclareceu de onde veio o tiro que no dia 29 de agosto de 2015 ceifou a vida do Kaiowá Simeão Fernandes Vilhalba, 24 anos. A julgar pelo histórico do assassinato de indígenas no estado, como aconteceu com Nelson Franco (1952) e Marçal de Souza (1983), este será mais um caso em que os criminosos permanecerão impunes.

As autoridades máximas estaduais, com destaque para o governador do estado, em tese teriam a obrigação de contribuir positivamente para a elucidação dos fatos e repressão a todo tipo de violência armada contra povos originários. Trata-se de uma responsabilidade inerente ao cargo para o qual foram eleitos e em defesa do Estado Democrático de Direito, cujo conceito não se limita à defesa da propriedade privada da terra e da classe social à qual pertencem. Todavia, uma conduta desse tipo é incompatível com o protagonismo que certas autoridades tiveram no chamado Leilão da Resistência, ação planejada e executada por ruralistas para arrecadar fundos e financiar ações contra a retomada de terras indígenas, com a contratação de milícias armadas, tal qual noticiado pela imprensa desde 2013.

Por isso em Mato Grosso do Sul há uma situação peculiar da qual parte da população do estado não sente orgulho: quem não é fazendeiro, será tratado como boi bagual e, portanto, como não-humano ou animal selvagem, sobretudo os povos originários, comunidades tradicionais e segmentos de classes sociais em situação de vulnerabilidade social.

(*) Jorge Eremites de Oliveira é doutor em História (Arqueologia) pela PUCRS e docente da Universidade Federal de Pelotas e Paulo Marcos Esselin é doutor em História (História Ibero-Americana) pela PUCRS e docente da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

A Brief History of the “Testocracy,” Standardized Testing and Test-Defying (Truthout)

Wednesday, 25 March 2015 00:00

By Jesse Hagopian, Haymarket Books | Book Excerpt 

CHICAGO- 24 April, 2013: Demonstrator holds sign at a rally against school closings and over testing. (Photo: Sarah Jane Rhee)

Demonstrators rally against school closings and testing in Chicago, April 24, 2013. (Photo: Sarah Jane Rhee)

“We are experiencing the largest ongoing revolt against high-stakes standardized testing in US history,” according to Jesse Hagopian, high school history teacher, education writer and editor of More Than a Score. This remarkable book introduces the educators, students, parents and others who make up the resistance movement pushing back against the corporate “testocracy.” Click here to order More Than a Score today by making a donation to Truthout!

In this excerpt from More Than a Score, Jesse Hagopian explains who the “testocracy” are, what they want – for everybody else’s children and for their own – and why more people than ever before are resisting tests and working collectively to reclaim public education.

Who are these testocrats who would replace teaching with testing? The testocracy, in my view, does not only refer to the testing conglomerates—most notably the multibillion-dollar Pearson testing and textbook corporation—that directly profit from the sale of standardized exams. The testocracy is also the elite stratum of society that finances and promotes competition and privatization in public education rather than collaboration, critical thinking, and the public good. Not dissimilar to a theocracy, under our current testocracy, a deity—in this case the exalted norm-referenced bubble exam—is officially recognized as the civil ruler of education whose policy is governed by officials that regard test results as divine. The testocratic elite are committed to reducing the intellectual and emotional process of teaching and learning to a single number—a score they subsequently use to sacrifice education on the altar devoted to high-stakes testing by denying students promotion or graduation, firing teachers, converting schools into privatized charters, or closing schools altogether. You’ve heard of this program; the testocracy refers to it as “education reform.”

Among the most prominent members of the testocracy are some of the wealthiest people the world has ever known.

Among the most prominent members of the testocracy are some of the wealthiest people the world has ever known. Its tsars include billionaires Bill Gates, Eli Broad, and members of the Walton family (the owners of Walmart), who have used their wealth to circumvent democratic processes and impose test-and-punish policies in public education. They fund a myriad of organizations—such as Michelle Rhee’s StudentsFirst, Teach for America, and Stand for Children—that serve as shock troops to enforce the implantation of high-stakes testing and corporate education reform in states and cities across the nation. Secretary of Education Arne Duncan serves to help coordinate and funnel government money to the various initiatives of the testocracy. The plan to profit from public schools was expressed by billionaire media executive Rupert Murdoch, when he said in a November 2010 press release: “When it comes to K through 12 education, we see a $500 billion sector in the U.S. alone that is waiting desperately to be transformed by big breakthroughs that extend the reach of great teaching.”

Testing companies got the memo and are working diligently to define great teaching as preparing students for norm-referenced exams—available to districts across the country if the price is right. The textbook and testing industry generates between $20 billion and $30 billion dollars per year. Pearson, a multi-national corporation based in Britain, brings in more than $9 billion annually, and is the world’s largest education company and book publisher. But it’s not the only big testing company poised to profit from the testocracy. Former president George W. Bush’s brother Neil and his parents founded a company called Ignite! Learning to sell test products after the passage of No Child Left Behind.

“An Invalid Measure”: The Fundamental Flaws of Standardized Testing

The swelling number of test-defiers is rooted in the increase of profoundly flawed standardized exams. Often, these tests don’t reflect the concepts emphasized in the students’ classes and, just as often, the results are not available until after the student has already left the teacher’s classroom, rendering the test score useless as a tool for informing instruction. Yet the problem of standardized bubble tests’ usefulness for educators extends well beyond the lag time (which can be addressed by computerized tests that immediately calculate results). A standardized bubble test does not help teachers understand how a student arrived at answer choice “C.” The student may have selected the right answer but not known why it was right, or conversely, may have chosen the wrong answer but had sophisticated reasoning that shows a deeper understanding of the concept than someone else who randomly guessed correctly. Beyond the lack of utility of standardized testing in facilitating learning there is a more fundamental flaw. A norm-referenced, standardized test compares each individual student to everyone else taking the test, and the score is then usually reported as a percentile. Alfie Kohn describes the inherent treachery of the norm-referenced test:

No matter how many students take an NRT [norm-referenced test], no matter how well or poorly they were taught, no matter how difficult the questions are, the pattern of results is guaranteed to be the same: Exactly 10 percent of those who take the test will score in the top 10 percent. And half will always fall below the median. That’s not because our schools are failing; that’s because of what the word median means.

And as professor of education Wayne Au explained in 2011, when he was handed a bullhorn at the Occupy Education protest outside the headquarters of Gates Foundation, “If all the students passed the test you advocate, that test would immediately be judged an invalid metric, and any measure of students which mandates the failure of students is an invalid measure.”

Researchers have long known that what standardized tests measure above all else is a student’s access to resources.

Unsurprisingly, the Gates Foundation was not swayed by the logic of Au’s argument. That is because standardized testing serves to reinforce the mythology of a meritocracy in which those on the top have achieved their position rightfully—because of their hard work, their dedication to hitting the books, and their superior intelligence as proven by their scores. But what researchers have long known is that what standardized tests measure above all else is a student’s access to resources. The most damning truth about standardized tests is that they are a better indicator of a student’s zip code than a student’s aptitude. Wealthier, and predominantly whiter, districts score better on tests. Their scores do not reflect the intelligence of wealthier, mostly white students when compared to those of lower-income students and students of color, but do reflect the advantages that wealthier children have—books in the home, parents with more time to read with them, private tutoring, access to test-prep agencies, high-quality health care, and access to good food, to name a few. This is why attaching high stakes to these exams only serves to exacerbate racial and class inequality. As Boston University economics professors Olesya Baker and Kevin Lang’s 2013 study, “The School to Prison Pipeline Exposed,” reveals, the increases in the use of high-stakes standardized high school exit exams are linked to higher incarceration rates. Arne Duncan’s refusal to address the concerns raised by this study exposes the bankruptcy of testocratic policy.

Hypocrisy of the Testocracy

At first glance it would be easy to conclude that the testocracy’s strategy for public schools is the result of profound ignorance. After all, members of the testocracy have never smelled a free or reduced-price lunch yet throw a tantrum when public school advocates suggest poverty is a substantial factor in educational outcomes. The testocracy has never had to puzzle over the conundrum of having more students than available chairs in the classroom, yet they are the very same people who claim class size doesn’t matter in educational outcomes. The bubble of luxury surrounding the testocracy has convinced many that most testocrats are too far removed from the realities facing the majority of US residents to ever understand the damage caused by the high-stakes bubble tests they peddle. While it is true that the corporate reform moguls are completely out of touch with the vast majority of people, their strategy for remaking our schools on a business model is not the result of ignorance but of arrogance, not of misunderstanding but of the profit motive, not of silliness but rather of a desire for supremacy.

In fact, you could argue that the MAP test boycott did not actually begin at Garfield High School. A keen observer might recognize that the boycott of the MAP test—and so many other standardized tests—began in earnest at schools like Seattle’s elite private Lakeside High School, alma mater of Bill Gates, where he sends his children, because, of course, Lakeside, like one-percenter schools elsewhere, would never inundate its students with standardized tests. These academies, predominantly serving the children of the financially fortunate, shield students from standardized tests because they want their children to be allowed to think outside the bubble test, to develop critical thinking skills and prioritize time to explore art, music, drama, athletics, and debate. Gates values Lakeside because of its lovely campus, where the average class size is sixteen, the library contains some twenty thousand volumes, and the new sports facility offers cryotherapy and hydrotherapy spas. Moreover, while Gates, President Obama, and Secretary of Education Duncan are all parents of school-age children, none of those children attend schools that use the CCSS or take Common Core exams. As Dao X. Tran, then PTA co-chair at Castle Bridge Elementary School, put it (in chapter 20 of More Than a Score): “These officials don’t even send their children to public schools. They are failing our children, yet they push for our children’s teachers to be accountable based on children’s test data. All while they opt for their own children to go to schools that don’t take these tests, that have small class sizes and project-based, hands-on, arts-infused learning—that’s what we want for our children!” The superrich are not failing to understand the basics of how to provide a nurturing education for the whole child. The problem is that they believe this type of education should be reserved only for their own children.

A Brief History of Test-defying

The United States has a long history of using standardized testing for the purposes of ranking and sorting youth into different strata of society. In fact, standardized tests originally entered the public schools with the eugenics movement, a white-supremacist ideology cloaked in the shabby garments of fraudulent science that became fashionable in the late nineteenth and early twentieth centuries. As Rethinking Schools editorialized,

The United States has a long history of using intelligence tests to support white supremacy and class stratification. Standardized tests first entered the public schools in the 1920s, pushed by eugenicists whose pseudoscience promoted the “natural superiority” of wealthy, white, U.S.-born males. High-stakes standardized tests have disguised class and race privilege as merit ever since. The consistent use of test scores to demonstrate first a “mental ability” gap and now an “achievement” gap exposes the intrinsic nature of these tests: They are built to maintain inequality, not to serve as an antidote to educational disparities.

When the first “common schools” began in the late 1800s, industrialists quickly recognized an opportunity to shape the schools in the image of their factories. These early “education reformers” recognized the value of using standardized tests—first developed in the form of IQ tests used to sort military recruits for World War I—to evaluate the efficiency of the teacher workforce in producing the “student-product.” Proud eugenicist and Princeton University professor Carl Brigham left his school during World War I to implement IQ testing as an army psychologist. Upon returning to Princeton, Brigham developed the SAT exam as the admissions gatekeeper to Princeton, and the test confirmed in his mind that whites born in the United States were the most intelligent of all peoples. As Alan Stoskopf wrote, “By the early 1920s, more than 2 million American school children were being tested primarily for academic tracking purposes. At least some of the decisions to allocate resources and select students for academic or vocational courses were influenced by eugenic notions of student worth.”

Some of the most important early voices in opposition to intelligence testing came from leading African American scholars.

Resistance to these exams surely began the first time a student bubbled in every “A” on the page in defiance of the entire testing process. Yet, beyond these individual forms of protest, an active minority of educators, journalists, labor groups, and parents resisted these early notions of using testing to rank intelligence. Some of the most important early voices in opposition to intelligence testing—especially in service of ranking the races—came from leading African American scholars such as W. E. B. Du Bois, Horace Mann Bond, and Howard Long. Du Bois recalled in 1940, “It was not until I was long out of school and indeed after the [First] World War that there came the hurried use of the new technique of psychological tests, which were quickly adjusted so as to put black folk absolutely beyond the possibility of civilization.”

In a statement that is quite apparently lost on today’s testocracy, Horace Mann Bond, in his work “Intelligence Tests and Propaganda,” wrote:

But so long as any group of men attempts to use these tests as funds of information for the approximation of crude and inaccurate generalizations, so long must we continue to cry, “Hold!” To compare the crowded millions of New York’s East Side with the children of Morningside Heights [an upper-class neighborhood at the time] indeed involves a great contradiction; and to claim that the results of the tests given to such diverse groups, drawn from such varying strata of the social complex, are in any wise accurate, is to expose a fatuous sense of unfairness and lack of appreciation of the great environmental factors of modern urban life.

This history of test-defiers was largely buried until the mass uprisings of the civil rights and Black Power movements of the 1950s, ’60s, and ’70s transformed public education. In the course of these broad mass movements, parents, students, teachers, and activists fought to integrate the schools, budget for equitable funding, institute ethnic studies programs, and even to redefine the purpose of school.

In the Jim Crow–segregated South, literacy was inherently political and employed as a barrier to prevent African Americans from exercising their right to vote. The great activist and educator Myles Horton was a founder of the Highlander Folk School in Tennessee that would go on to help organize the Citizenship Schools of the mid-1950s and 1960s. The Citizenship Schools’ mission was to create literacy programs to help disenfranchised Southern blacks achieve access to the voting booth. Hundreds of thousands of African Americans attended the Citizenship Schools, which launched one of the most important educational programs of the civil rights movement, redefining the purpose of education and the assessment of educational outcomes. Horton described one of the Citizenship Schools he helped to organize, saying, “It was not a literacy class. It was a community organization. . . . They were talking about using their citizenship to do something, and they named it a Citizenship School, not a literacy school. That helped with the motivation.” By the end of the class more than 80 percent of those students passed the final examination, which was to go down to the courthouse and register to vote!

What the Testocracy Wants

The great civil rights movements of the past have reimagined education as a means to creating a more just society. The testocracy, too, has a vision for reimagining the education system and it is flat-out chilling. The testocracy is relentlessly working on new methods to reduce students to data points that can be used to rank, punish, and manipulate. Like something out of a dystopian sci-fi film, the Bill and Melinda Gates Foundation spent $1.4 million to develop bio-metric bracelets designed to send a small current across the skin to measure changes in electrical charges as the sympathetic nervous system responds to stimuli. These “Q Sensors” would then be used to monitor a student’s “excitement, stress, fear, engagement, boredom and relaxation through the skin.” Presumably, then, VAM assessments could be extended to evaluate teachers based on this biometric data. As Diane Ravitch explained to Reuters when the story broke in the spring of 2012, “They should devote more time to improving the substance of what is being taught . . . and give up all this measurement mania.”

But the testocracy remains relentless in its quest to give up on teaching and devote itself to data collection. In a 2011 TIME magazine feature on the future of education, readers are asked to “imagine walking into a classroom and seeing no one in the front of the classroom. Instead you’re led to a computer terminal at a desk and told this will be your teacher for the course. The only adults around are a facilitator to make sure that you stay on task and to fix any tech problems that may arise.” TIME goes on to point out, “For some Florida students, computer-led instruction is a reality. Within the Miami-Dade County Public School district alone, 7,000 students are receiving this form of education, including six middle and K–8 schools, according to the New York Times.” This approach to schooling is known as “e-learning labs,” and from the perspective of the testocracy, if education is about getting a high score, then one hardly needs nurturing, mentorship, or human contact to succeed. Computers can be used to add value—the value of rote memorization, discipline, and basic literacy skills—to otherwise relatively worthless students. Here, then, is a primary objective of an education system run by the testocracy: replace the compassionate hand of the educator with the cold, invisible, all-thumbs hand of the free market.

Por que você foi às ruas? (TV Folha e BBC)

Em ato contra governo, manifestantes divergem sobre impeachment (TV Folha)

16/03/2015 – TV Folha – Multimídia – Folha de S.Paulo

Vídeo

As manifestações de rua realizadas neste domingo (15) contra o governo da presidente Dilma Rousseff e o PT alcançaram todos os Estados do país, com protestos reunindo milhares de pessoas mesmo em redutos petistas.

O maior ato ocorreu em São Paulo, onde 210 mil pessoas passaram pela avenida Paulista ao longo do dia, segundo o Datafolha, apesar da chuva intermitente.

Nas ruas, apesar do discurso ser contrário ao governo de Dilma Rousseff, os manifestantes divergiam sobre o impeachment da presidente, como mostra o vídeo acima.

A Polícia Militar calculou em 1 milhão o número de participantes, com base em fotografias aéreas, segundo nota da corporação.

Se considerado o número do Datafolha, os protestos reuniram ao menos 877 mil pessoas em todo o Brasil. Pela estimativa da PM paulista, o total sobe para 1,7 milhão.

Editoria de Arte/Folhapress

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Por que você foi às ruas? (BBC)

Atualizado pela última vez 05:29 (Brasília) 08:29 GMT

Vídeo

A BBC Brasil conversou com pessoas que foram às ruas de São Paulo – palco das maiores manifestações do país nos últimos dias – para saber o que as levou às ruas contra e a favor do governo de Dilma Rousseff.

Na sexta-feira, 13 de março, sindicatos, movimentos estudantis e sociais levaram milhares de pessoas à Avenida Paulista em uma manifestação que fez críticas ao governo, mas ofereceu apoio à presidente.

Muitos dos manifestantes falavam em evitar “uma tentativa de golpe”, referindo-se aos pedidos de impeachment, que outro grupo levou às ruas, com centenas de milhares de vozes, no domingo.

O protesto contra a presidente petista no dia 15 de março reuniu discursos diferentes a respeito dos problemas e das soluções possíveis para o sistema político brasileiro – alguns falavam em reforma política, outros chegavam a pedir uma intervenção militar.

Piadas sobre falta de água reacendem rixa do Norte e Nordeste com o Sudeste (UOL)

Aliny Gama e Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

17/02/201506h00

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Reprodução/Redes sociais. Piadas e provocações nas redes sociais ironizam a falta de água no Sudeste do país

Em uma daquelas peças que o destino prega, os moradores do Sudeste são vítimas hoje de provocações parecidas com as que muitos costumavam fazer com os nordestinos. Tudo por conta da falta de água que atinge a região e serve de combustível para uma nova onda de piadas, agora voltadas principalmente contra os habitantes do Rio e de São Paulo.

Com humor, nordestinos e nortistas não perdoam a atual crise hídrica nos Estados do Sudeste e acirram o bairrismo entre as regiões. São muitas as postagens em redes sociais que fazem menção à situação.

Em um vídeo que viralizou na internet nesta semana, um garoto do Acre toma banho com o jato do cano ao retirar a torneira da pia. “Aqui é Acre, p… As meninas de São Paulo, sabem o que elas querem? Banho!”, diz o menino.

Em uma outra postagem, moradores de Maceió (AL) tomam banho com um caminhão-pipa durante as prévias carnavalescas e dizem que estão “ostentando” por terem água. “Enquanto vocês criticam nós, nordestinos, eu tomo banho de chuveiro. Claro que é com moderação”, diz, em outro vídeo, o promotor de eventos Galisteu Matias, que reside em Maceió.

Mas qual é o limite entre brincadeira e ofensa? O professor de direito e processo penal da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Welton Roberto, avalia que, nos exemplos citados, não ocorreu nenhum crime e, apesar do gosto duvidoso das piadas, estes casos não caracterizam injúria.

“Só existiria crime se fosse postada alguma agressão, como alguém chamando o outro de burro ou outro palavrão que fosse, caracterizando a injúria penal. Mas brincadeira, mesmo sendo de mal gosto, é brincadeira. Vejo que não atingiu de forma discriminatória ninguém, nem atingiu a dignidade de ninguém”, diz Roberto.

O advogado afirma que quem se sentir ofendido por ter a honra atingida em alguma postagem na internet deve salvar o material e contratar um advogado para que seja feita a queixa-crime. O crime de injúria é previsto no Código Penal e, em caso de condenação, a pena varia de acordo com o grau da ofensa.

Vingança

Para o doutor em história social pela USP (Universidade de São Paulo) e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Michel Zaidan Filho, a rixa entre moradores do Nordeste e do Sudeste é antiga e existe desde o início do século passado.

“Esse problema remonta desde que alguns Estados do Nordeste, da região sucroalcooleira, perderam importância no contexto econômico e social. Ainda na Primeira República (1889-1930), a região entrou em uma crise grande e se criou uma divisão do trabalho que até hoje persiste: o Nordeste comprador de mercadorias e insumos e fornecedor de mão-de-obra”, afirma o pesquisador.

Sobre as piadas que passaram a circular com provocações sobre a crise hídrica nos Estados do Sudeste, Zaidan Filho avalia que são uma consequência normal e uma espécie de vingança de quem sempre foi o alvo da gozação. Para ele, elas também fazem parte de uma herança cultural.

“Essa vingança faz parte deste contexto marcado por desigualdade e diferenciação cultural muito grande. Isso é um mecanismo psicológico muito comum, só que agora se inverteu, com a região mais forte e poderosa penalizada pelo racionamento de energia e água. Agora, fica muito conveniente ridicularizá-los”, afirma.

Apesar do clima ser de piadas, o professor aponta problemas de convivência que podem resultar da criação de grupos regionais. “O produto que existe é um apartheid, um separatismo que emerge sobretudo em períodos de crise, quando se demoniza os nordestinos. Na Europa, isso também existe com os imigrantes, que são responsabilizados pela crise econômica. É um pouco da situação que ocorre no Brasil”, conclui o pesquisador.

What do some Afro-Brazilian religions actually believe? (Washington Post)

 February 6 at 3:30 AM

Video

Candomblé is a Brazilian religion developed from animist beliefs, imported by African slaves. But the quasi-respectability gained in recent decades is now under attack from radical Evangelical Christians – a growing force in Catholic Brazil – who regard it as the devil’s work. (The Washington Post)

RIO DE JANEIRO — In its contemporary form, Brazil’s Candomblé religion looks about as removed from Western Christianity as could be imagined. It must have seemed positively diabolical, then, to the brutal Portuguese overlords whose slaves imported it from Africa, and whom they believed had been converted. Those slaves may have cleverly “synchronized” their own deities with Catholic saints to be able to continue worshiping, but they did not synchronize their beliefs.

This does not make Candomblé the devil’s work. It does not have the concept of heaven and hell, nor a rigid moral code in the sense that Christians would understand it. Instead, believers are supposed to fulfill their destiny, whatever that might be. Both men and women can become priests. Homosexuality is accepted, secretive animal sacrifices play an important role and the sexual lives of devotees are their own business when they are outside the walls of the Candomblé “house,” or center.

Decorative body paint, jewelry and costumes are part in a Candomble ceremony in Rio de Janeiro on Jan. 23. (Lianne Milton for The Washington Post)

There are elaborate theatrical rituals, with costumes and accessories that can include robes, small swords and shields, a mini archer’s bow, and even as witnessed in one ceremony in Rio, an elaborate silver helmet with a tiny figure on a plinth on top that looked like something a 19th-century Prussian army officer might have sported.

But these accoutrements are no more outlandish than a Catholic Mass might have appeared to an 19th-century African who had just been enslaved. Candomblé is a religion like any other, with its own rules, hierarchies and sense of the spiritual. This is true especially in Brazil, where the existence of spirituality and an afterlife is regarded as an incontestable truth by the majority of the population — be they Catholics, or followers of more esoteric, yet tolerated religions, such as the spiritualist sect that follows the teachings of 19th-century French writer Hippolyte Léon Denizard Rivail, who wrote the Spiritist Codification under the pseudonym Allan Kardec.

Or followers of both, because many Catholics have no problem also being spiritualists. Religious duality is popular in Brazil, one reason why some estimates put followers of Candomblé and its sister religion, Umbanda, in the tens of millions, not the official half a million or so who admitted to it in the 2010 government census.

Candomblé is an oral culture with no sacred text. There are seven Candomblé nations — or variations – such as Ketu and Angola, depending on which Brazilian state it developed in, and where in Africa the slaves practicing it came from. They believe in a supreme being, called Olódùmarè (whose name can be spelled with or without the accents). Beneath this god are 16 Orixás — deities, or entities — many of whom have characteristics that are distinctly human in nature.

Yemanjá, the sea goddess, is given gifts like flowers or champagne by millions of Brazilians every New Year’s Eve. She is sometimes associated with the Virgin Mary, but she is also famously vain.

The warrior Ogum is linked to Saint George — courageous and persistent, and popular in Brazil for these qualities.

Then there is a female Orixá of the wind, Iansã, who is — as might be expected in Brazil — a more sensual deity.

Nature is perhaps the single most important factor in Candomblé, and each Orixá is connected to an element. “All of them are responsible for a part of nature,” said Rodrigo Silva, “father-of-saint,” or priest of the Logun Edé Palace Candomblé center. It is not uncommon to see Candomblé being practiced on beaches, or in waterfalls. “Our gods are ecological gods,” said Beatriz Moreira Costa, 84, a revered priestess called Mother Beatá.

In its sister religion, Umbanda, invented in Rio in the early 20th century, both the Catholic God and reincarnation also play a part. “It is a Christian doctrine,” said Tábata Lugao, 27, a recent convert. Orixás and Catholic saints are synchronized — but Umbanda also has its own holy figures, such as Preto Velho, or “Old Black Man,” a wily old slave figure who smokes a pipe.

The mostly female, middle-age worshippers being “incorporated” by Preto Velho at a recent Umbanda ceremony in São Gonçalo, near Rio, drank beer and smoked cigars and appeared to be enjoying themselves enormously, but they also took their ceremony extremely seriously — another kind of quintessentially Brazilian religious duality.

Unlike Umbanda, Candomblé initiates spend 21 days in seclusion living in the center, before being initiated as Yaô (this can also be spelled in different ways). Then they can be “incorporated” by Orixás — and initiates have individual Orixás they must follow.

After seven years as a Yaô, they become an Egbomi, and can then decide if they want to progress to the highest stage, that of father-of-saint or mother-of-saint.

The musicians who play percussion and sing the songs in African languages at Candomblé ceremonies that aim to honor and conjure up the Orixás are another kind of Yaô, called Ogá.

This does not necessarily involve being righteous, and it is here, perhaps, that Candomblé is most controversial. Those priests who sell curses or spells, via lower-level spirits called Exús, prompt some of the prejudice that surrounds the religion. “There are those who have pleasure in doing bad, others who like to help,” said Silva.

His center, he emphasized, does not get involved in the darker side of Candomblé’s neighborhood witchcraft, pejoratively called Macumba in Brazil. “It was made to protect and help people who need this help,” he said. “We fight for peace.”

New ‘science of climate diversity’ (Science Daily)

Date: December 8, 2014

Source: Cornell University

Summary: There is cloud hanging over climate science, but one expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air. He argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.


There is cloud hanging over climate science, but one Cornell University expert on communication and environmental issues says he knows how to help clear the air.

In the December issue of Nature Climate Change, Jonathon Schuldt, assistant professor of communication, argues that only by creating a “science of climate diversity” can climate science and the larger climate change movement overcome a crippling lack of ethnic and racial diversity.

“There is an invisible, but very real barrier to climate engagement,” Schuldt said. “We need to engage with all kinds of diverse folks if we’re going to face this challenge. It will be a problem if the perception, and the reality, is that it’s a bunch of white male scientists at the table.”

The commentary, “Facing the diversity crisis on climate science,” was born when Schuldt and co-author Adam Pearson, an assistant professor of psychology at Pomona College, began talking about University of Michigan Professor Dorceta Taylor report, “The State of Diversity in Environmental Organizations.” In the report, Taylor examined non-profits, government agencies and grant-making foundations and found that non-white minorities comprised no more than 16 percent of staff in these institutions, in spite of constituting 29 percent of the U.S. science and engineering workforce and 38 percent of the American population. The report found that this “white Green Insiders club” narrows research and limits public engagement.

Schuldt agrees, but thinks more than just institutional changes are needed.

“What is missing is science-based solutions that focus on the fundamentally social nature of this problem,” the authors state. “Research from social psychology offers insight into factors that can powerfully influence participation.”

Schuldt and Pearson argue that early successes in diversifying other STEM research fields, and expanding the role women play in the environmental movement, point to three immediate and essential steps for climate research and outreach organizations.

First, boosting racial and ethnic diversity in climate research and outreach leadership can have an instant impact — provided this leadership is represented in how institutions present themselves. Put simply, Schuldt said, climate science “needs to present a more diverse face.”

Next, the authors urge all those who communicate around climate science to confront lingering stereotypes about environmentalism and minority engagement. Schuldt said one of the most pernicious fallacies needs to quickly be dismantled: that concern for climate issues is lacking in America’s non-white population. He notes recent work by social science researchers has shown this “underrepresentation by choice” idea to be false, and said climate leaders need to highlight the reality of deep minority community concern.

Lastly, the authors insist organizational messages can help bridge this gap. Among the most destructive ideas that needs to be abandoned, Schuldt said, is that communication around climate science should be “color blind.”

“Color-blind communications are, paradoxically, ineffective,” Schuldt said. “What it implies to minority individuals is that their unique perspectives and experiences don’t matter.”

Instead, Schuldt suggested, messages that highlight diversity while pointing toward a common goal are key: “We are all different, but we’re all in this together.” The long-range goal, Schuldt and Pearson state, needs to be the creation of a new science of climate diversity. Climate scientists must collaborate with psychology and the social sciences, and these research partnerships need to be supported by academic, public and private institutions alike. Once that is done and a “new nexus of research” begins to form around how climate science and the climate change movement can increase racial and ethnic diversity, those fact-based findings can be used to guide public climate advocacy and policy reform efforts. That, Schuldt said, is the only way a problem as complex and far-reaching as climate change can effectively, and equitably, be addressed.

“Diverse teams are better at solving complex problems, and there’s every reason to believe this is the same, if not more important, when facing climate change,” Schuldt said.


Journal Reference:

  1. Adam R. Pearson, Jonathon P. Schuldt. Facing the diversity crisis in climate scienceNature Climate Change, 2014; 4 (12): 1039 DOI: 10.1038/nclimate2415

Em site, indígenas ensinam sua história e derrubam preconceitos (Estadão)

Índio Educa publica material didático multimídia sobre histórias, tradições e lutas de povos do Brasil

Sempre que o índio xucuru Casé Angatu deixa Ilhéus, na Bahia, para oferecer em São Paulo um curso sobre culturas indígenas, ele ouve de algum participante: “Vocês comem pessoas?”. De tão acostumado a ser lembrado pelos estereótipos, Casé ri, disfarça e aproveita a oportunidade para apresentar ao grupo, na frente do Pátio do Colégio, o projeto Índio Educa. No site, indígenas de todo o Brasil produzem material didático multimídia sobre suas histórias, tradições e lutas.

Veja o texto na íntegra em: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,em-site-indigenas-ensinam-sua-historia,1601271

(Estado S.Paulo)

In Amazon wars, bands of brothers-in-law (University of Utah)

[Chagnon is restless.Gosh]

27-Oct-2014

Contact: Lee J. Siegel

How culture influences violence among the Amazon’s ‘fierce people’

IMAGE: In this mid-1960s photo, men from two Yanomamo villages in the Amazon engage in nonhostile combat to determine the strength and fighting prowess of potential alliance partners. A new study…

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SALT LAKE CITY, Oct. 27, 2014 – When Yanomamö men in the Amazon raided villages and killed decades ago, they formed alliances with men in other villages rather than just with close kin like chimpanzees do. And the spoils of war came from marrying their allies’ sisters and daughters, rather than taking their victims’ land and women.

Those findings – which suggest how violence and cooperation can go hand-in-hand and how culture may modify any innate tendencies toward violence – come from a new study of the so-called “fierce people” led by provocative anthropologist Napoleon Chagnon and written by his protégé, University of Utah anthropologist Shane Macfarlan.

Macfarlan says the researchers had expected to find the Yanomamö fought like “bands of brothers” and other close male kin like fathers, sons and cousins who live in the same community and fight nearby communities. That is how fights are conducted by chimpanzees – the only other apes besides humans that form coalitions to fight and kill.

Instead, “a more apt description might be a ‘band of brothers-in-law,'” in which Yanomamö men ally with similar-age men from nearby villages to attack another village, then marry their allies’ female kin, Macfarlan, Chagnon and colleagues write in the study, published this week in the journal Proceedings of the National Academy of Sciences.

The study provides a mechanism to explain why Yanomamö warriors in a 1988 Chagnon study had more wives and children than those who did not kill.

“We are showing these guys individually get benefits from engaging in killing,” Macfarlan says. “They’re getting long-term alliance partners – other guys they can trust to get things done. And they are getting marriage opportunities.”

Since his 1968 book “Yanomamö: The Fierce People,” Chagnon has been harshly criticized by some cultural anthropologists who claim he places undue emphasis on genes and biology as underpinnings of human violence, based on his 1964-1993 visits to the Yanomamö. Defenders such as Macfarlan say Chagnon takes a much more balanced view, and that “it’s never a genes-versus-culture argument. They operate in tandem.”

Chagnon got what was seen as vindication in 2012 when he was elected to the prestigious National Academy of Sciences. The new study, with Macfarlan as first author and Chagnon as senior author – is Chagnon’s inaugural PNAS article as a member.

Macfarlan joined the University of Utah faculty this year an assistant professor of anthropology. He worked as Chagnon’s postdoctoral fellow at the University of Missouri from January 2013 to June 2014. Chagnon and Macfarlan conducted the study with two Missouri colleagues: anthropologists Robert S. Walker and Mark V. Flinn.

Models of Warfare

The Yanomamö – hunters and farmers who live in southern Venezuela and northern Brazil – once gained social status as “unokai” for killing.

Up to 20 Yanomamö (pronounced yah-NO-mama, but also spelled Yanomami or Yanomama) would sneak up on another village at dawn, “shoot the first person they saw and then hightail back home,” Macfarlan says. Some Yanomamö men did this once, some up to 11 times and some never killed. (Data for the study, collected in the 1980s, covered somewhat earlier times when spears, bows and arrows were the primary weapons.)

IMAGE: University of Utah anthropologist Shane Macfarlan, shown here, is first author of a new study with provocative anthropologist Napoleon Chagnon about the Yanomamo, or so called ‘fierce people’ of…

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Macfarlan says the classic debate has been, “does warfare in small-scale societies like the Yanomamö resemble chimpanzee warfare?” – a theory known as the “fraternal interest group” model, in which bands of brothers, fathers, sons and paternal uncles all living in the same community fight other similar communities.

The new study asked whether Yanomamö killing follows that model or the “strategic alliance model,” which the researchers dub the “band of brothers-in-law” model. This model – supported by the study’s findings – indicates that Yanomamö men form alliances not with close kin from the same community, but with men from other communities. After killing together, a bond is formed and they often marry each other’s daughters or sisters and move into one or the other’s village or form a new village.

“When we started off this project, we all assumed it would be the chimpanzee-like model. But in human groups we have cultural rules that allow us to communicate with other communities. You certainly don’t see chimpanzees doing this.”

Is the study a retreat from what Chagnon’s critics see as too much focus on genetic and biological underpinnings of violence? Macfarlan says no, that Chagnon “has never been as all-biology as people have painted him. Most of his published research shows how unique cultural rules make the Yanomamö an interesting group of people.”

Earlier research suggested that for chimps, warfare is adaptive in an evolutionary sense, and that it also benefits small-scale human societies. The new study asked, “If warfare is adaptive, in what way do the adaptive benefits flow?” Macfarlan says.

“Some people, myself included, said, to the victor goes the spoils, because if you conquer another territory, you might take their land, food or potentially their females.”

But the new study indicates “the adaptive benefits are the alliances you build by perpetrating acts of warfare,” he adds. “It’s not that you are taking land or females from the vanquished group, but for the Yanomamö, what you acquire is that you can exchange resources with allies, such as labor and, most importantly, female marriage partners.”

The study’s findings that the Yanomamö form strategic alliances to kill suggest that “our ultracoooperative tendencies tend to go hand-in-hand with our ultralethal tendencies,” Macfarlan says. “We show a relationship between cooperation and violence at a level unseen in other organisms.” That may seem obvious for allied nations in modern wars, but “we’re saying that even in small-scale societies this is the case.”

IMAGE: Men from one Yanomamo village in the Amazon ‘dance’ in a neighboring village to show off their military prowess, weaponry and group cohesion after they were invited to a…

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How the Study was Conducted

The new study analyzed data collected by Chagnon in the 1980s, when about 25,000 Yanomamö lived in about 250 villages ranging from 25 to 400 people.

The study examined 118 Yanomamö warriors or unokai who had killed a total of 47 people by forming raiding parties of two to 15 men. The researchers analyzed the relationships between every possible pair of men in those raiding parties. Among the 118 unokai men, there were 509 possible pairs. Macfarlan says the findings revealed surprises about the relationship between co-unokai – pairs of men who kill together:

  • Only 22 percent of men who kill together were from the same lineage.
  • Only 34 percent of co-unokai pairs were from the same place of birth. “Guys who come from different places of birth are more likely to kill together.”
  • Among co-killers known to be related, a majority were related on their mother’s side rather than their father’s side – more evidence of forming alliances beyond the immediate paternal kinship group. In Yanomamö culture, true kin are viewed as being on the paternal side, while maternal relatives are seen as belonging to another social group.
  • The Yanomamö preferred forming coalitions with men within a median of age difference of 8 years. “The more similar in age, the more likely they will kill multiple times,” Macfarlan says.
  • Of the 118 unokai, 102 got married in a total of 223 marriages to 206 women. Of married killers, 70 percent married at least one woman from the same paternal line as an ally in killing. And “the more times they kill together, the more likely they are going to get marriage partners from each other’s family line,” Macfarlan says.
  • As a result, “The more times the guys kill together, the more likely they are to move into the same village later in life, despite having come from different village.”

The study found allies-in-killing often are somewhere between maternal first and second cousins, Macfarlan says. Under Yanomamö rules, a man’s ideal marriage partner is a maternal first cousin, who would be the offspring of your mother’s brother. He says Yanomamö rules allow marriage to a maternal first cousin, but not a paternal first cousin.

Despite debate over the biological roots of deadly coalitions in chimps and humans, the new study shows how culture can make it “uniquely human” because if Yanomamö men “kill together, they are plugged into this social scene, this marriage market,” Macfarlan says. “They are playing the game of their culture.”

California water witches see big business as the drought drags on (The Guardian)

Dowsers, sometimes known as ‘water witches,’ are in high demand in drought-stricken California, where four dry years find farmers and vintners taking desperate measures

Mary Catherine O’Connor

Monday 15 September 2014 07.00 BST

VIDEO:

Sharron Hope has been a dowser since 1997. Markedly cheaper than hiring a hydrogeologist – which can cost as much as $50,000 – Hope OFFERS her services for around $500 a consultation. Video: Mary Catherine O’Connor

Outside of a farmhouse on a 1,800-acre organic dairy farm near Oroville, California, Sharron Hope bends over a printout of a Google Earth map, holding a small jade Buddha pendant. The map shows a small section of the farm to the east, and Hope is hunting for water. As the pendant swings, she notes a subtle change in motion that, she says, indicates she has found some.

Is there any significance to the jade? No, she says, I just like it. Plus, she adds, “I figure Buddha’s gotta know.”

Hope is a water dowser, or someone who uses intuition, energy VIBRATIONS and divining rods or pendulums to mark the best spots for wells.

As California rounds the corner towards a four-year historic drought, many farmers and vintners have become completely reliant on groundwater. After divvying surface water allotments to satisfy urban, ecosystem and industrial needs, farmers in many parts of the state received little or no irrigation water from state agencies this year. In a normal year, allotments would cover roughly two-thirds of farmers’ needs.

1Sharron Hope, a water dowser in California, uses a jade pendant to locate underground water on a map. Photograph: Mary Catherine O’Connor

Under these severe drought conditions, the success or failure of a well can mean the success or failure of a farm or vineyard, so before the drill bit hits the dirt, landowners need an educated guess as to where to find the most productive well site on their property. To get that, they can call in a professional hydrogeologist, which can cost tens of thousands of dollars – or they can drop a fraction of the cost on a dowser, such as Hope.

Despite a distinct lack of empirical evidence regarding dowsers’ efficacy, demand is high and dowsers’ phones are ringing off the hook.

“I’ve gotten far more calls this year from farmers looking for a water dowser than in most years,” says Sacramento-based Donna Alhers, who heads the Sierra Dowsers, a chapter of the American Society of Dowsers.

Water dowsers from around the state are also seeing a spike in demand. “I’m getting a lot of calls from people whose wells have run dry,” Hope says.

Where did dowsing come from?

The exact origins of dowsing are murky, but its roots can be traced back as far as the Middle Ages. The practice, sometimes used by miners and fortune seekers, was reportedly condemned in the 16th century as the work of the devil.

Today, dowsers hail from one of two camps. Some have agrarian backgrounds, and learned the practice from ancestors who used it to locate good sites for wells on their own or their neighbors’ farms. The second group hails from the New Age movement and tend to be devotees of a wide range of mystical practices and “energy work”.

Traditionally, dowsing has been used not just to find groundwater, but also minerals and natural gas. Many dowsers claim they can dowse anything, from lost items or pets to criminals on the lam. You name it, they say they can divine it.

Hope began dowsing for water in 1977 after learning about the practice from Walter Woods, a science teacher at Butte College, where she was a STUDENT. Woods had learned dowsing from his father, a farmer, and eventually became a well-known authority on dowsing. He authored a widely read dowsing primer, Letter to Robin, and served as president of the American Society of Dowsers.

Woods taught Hope to scan for signs of groundwater by observing the landscape and looking for signs like deer trails. “Deer have magnetite in their pineal gland [an endocrine gland in the brain]. As water moves underground, electrons are stripped out and move to the surface,” Hope says. “Deer can sense it and tend to walk along that vein of underground water toward a spring.” Dowsing is based on the premise that humans can tap into that energy, too, using instruments such as branches and pendulums.

Energy marks the spot

After Hope finishes with the map, she heads out to the spots she has marked, walking the land and searching for very faint energy markings over the landscape, which she’ll use more talismans to locate.

She begins a general scan of the area with a forked pine branch, holding the ends in her hands and sweeping it through the air. Despite scientific evidence, Hope believes that the branch she holds channels the energy emitted by submerged water. Once she homes in on the most promising region (which matches, as it turns out, the area she had marked on the map) she TRADES the branch for what are known in the dowsing world as “L-rods”, two long metal bars with a short handle and long extension, forming an L.

2Sharron Hope works as a dowser in California’s CENTRAL VALLEY. Here she uses a pine branch to lead her to to a potential well site. Photograph: Mary Catherine O’Connor

Hope holds these in front of her, with her elbows at 90 degrees, and walks slowly up – and then laterally along – the rise. As the long ends of the bars begin to fall away from each other, she stops.

The energy moving up from the groundwater, she says, creates a field that L-rods respond to. This, she says, marks the edge of the underground stream. She then traverses the hillside, down slope, and stops again when the bars cross in front of her. This, she explains, marks the spot where two veins of groundwater cross over each other, making it a potentially very productive well site.

“I have goosebumps,” Hope says with a smile. “I feel the energy moving up from the ground.”

Although Hope and other dowsers often refer to underground veins and streams, USGS hydrologist Ralph Health, in a highly cited report on groundwater basics, says the vast majority of groundwater is found in relatively still aquifers. Swiftly moving streams are quite rare.

Water, water everywhere

Out in the field, Hope locates three possible well sites in roughly 30 minutes. She decides that the third is the best option, even though she doesn’t think it has the strongest flow rate, because it is relatively shallow at 200 feet (about 61 meters) below ground and is the most accessible and FLAT option. Daley stakes the spot and the dowsing is done. Daley is now awaiting drilling permits, and once those come through, she’ll call in a local driller.

“I have about 90% accuracy,” Hope claims, meaning that 90% of the sites she recommends produce water.

This actually isn’t that surprising, hydrogeologists say. “Dowsers may seem convincing, but when [their practice is] exposed to scientific review, groundwater is very prevalent, so it’s hard to miss it when you drill a well,” says Ted Johnson, chief hydrogeologist for the Water Replenishment District of Southern California and president of the board of the Groundwater Resources Association of California. “When you use science to site a well, you can test for quality, depth and how long [the flow] will last.”

To site a well, hydrogeologists will review driller well logs from the Department of Water Resources and geologic maps that show areas of alluvial soils, under which groundwater is most likely to accumulate. To really zero in on well sites, they drill a test well, which produces cuttings of the various strata. They then test for each layer’s ability to transport water. It’s a time-consuming and expensive process.

Because a landowner is unlikely to hire both a dowser and a hydrogeologist to see who finds the best-producing well (though that could make for some mildly entertaining reality television), the two groups coexist and generally ignore each other, aside from tossing verbal jabs.

“I’m a scientist and I’ve been trained on scientific principles, and that’s what I use [to locate groundwater],” says Tim Parker, a hydrogeologist and independent consultant based in Sacramento. “There’s no scientific evidence that dowsing is more effective than random chance.”

Of cash and crops

So why are so many farmers turning to dowsers instead of hydrologists? Part of it’s probably the money: dowsers might charge $1,000 (Hope charges most of her clients around $500, and less for a small residential well), while a big consulting firm costs $10,000 to $50,000, Johnson says. “All a farmer cares about is getting the groundwater,” he says.

But Cynthia Daley, who hired Sharron Hope to dowse for a well on her dairy farm, says it’s not about costs. “Dowsing is based on energy and it is something that the scientific community has not embraced, but I’m not arrogant enough to think science knows everything – and I am a scientist; I have a PhD,” she says.

Whether farmers and vintners are using dowsers merely as a result of their relative affordability or out of a strong belief in the practice is hard to, well, divine. What is clear is that the popularity of dowsing is growing, not just in the CENTRAL VALLEY, but throughout the state.

Daley, who has degrees in animal science with a doctorate in endocrinology, is a professor in the College of Agriculture at nearby California State University at Chico, where she runs an organic dairy program. She is developing an organic dairy operation on her property, which is why she’s drilling wells. “Everyone I know who has had wells put in around here has used dowsers.”

Many more wells are springing up. State agencies from counties around California are issuing twice – and sometimes three times as many – well drilling permits this summer than last summer, according to the Associated Press.

Keeping Marc Mondavi busy

Marc Mondavi, grandson of Napa Valley WINE pioneer Cesare Mondavi and a longtime dowser, says that he can’t keep up with the demand: “I’m doing anywhere from two to four projects a week and I’m backlogged, and drillers around here are backlogged for three to five months.”

Mondavi uses dowsing not only as a revenue stream, but also as a means of marketing his own brand, The Divining Rod. He doesn’t shy away from the name “water witch”, a term other dowsers consider pejorative. His daughter Alycia Mondavi even made a short promo VIDEO CALLED “My Dad is a Witch.”

He acknowledges it’s hard not to strike groundwater, but says that using his intuitive dowsing skills allows him to find the best spots, especially as the drought depletes the water table. “No matter where you drill, you might hit [a flow of] four gallons per minute,” he says. “In those areas maybe I can find eight to 10 gallons per minute.”

The dowsing divide might persist for decades to come, but there is plenty of indisputable evidence that groundwater is being overtaxed as the drought drags on. Amplifying the problem of groundwater scarcity, policy experts say, is a lack of regulation. That looks likely to change. Governor Brown is expected to sign one of three separate groundwater regulation bills currently sitting on his desk.

Some agriculture groups, including the Agriculture Council of California and Blue Diamond Growers, have rallied against the bills, saying they will drive up costs for already cash-strapped farmers and deny long-held water rights.

But Daley says groundwater is too important to remain unchecked. “We have to regulate it. It’s a very important resource.”

Until that happens, however, sun-baked farmers will keep digging for rain.

Mary Catherine O’Connor is an independent reporter and co-founder of Climate Confidential.

The Vital Signs platform is funded by Avery Dennison, Domtar and Chiquita. All content is editorially independent except for pieces labelled advertisement feature. Find out more here.

The World Cup 2014 in Brazil: better organised than the Olympics in London 2012? (FREE)

JUNE 26, 2014

Football Research in an Enlarged Europe (FREE)

Yesterday, I was quoted in a number of French newspapers as saying that the World Cup 2014 has been, so far, better organised than the London Olympics 2012. It is my duty to report that this does not in any way whatsoever misrepresent my views.
I stand by what I said.

There have been months, if not years, of negative reports on the 2014 World Cup. Before the event started, comments from all quarters (Western media, FIFA, patrons and waiters at the pub alike) promised absolute doom and gloom in Brazil. The stadia would not be ready in time, spectators would be prevented from travelling to the venues because the infrastructures would not be ready in time or because Brazilians would be protesting to no end. Most commentators were very short of saying ‘those lazy, unpatriotic and unreliable Brazilians’ – when they did not actually say it…

Unless I am mistaken, so far none of this has actually happened. All the stadia are ready and used for the Cup. Brazilians are exercising their democratic right to protest and there are isolated reports of Pelé or other football celebrities not making it to the venue. Yet, stadia are not only ready. They are full at every game! Even when South Korea is playing Algeria, in a game where the sporting stakes are not high.

Compare this with the London Olympics which were marred by a number of controversies:

We could add to the list of ‘things that went pearshaped at London 2012’: for example, the gatecrasher at the parade of nations which shocked many people in India, LOCOG displaying a South-Korean flag instead of North-Korea (logically the North-Korean team refused to warm up and play until the right flag was displayed, prompting the game to be very much delayed…) but the point is not to criticise otherwise relatively well organised Olympics. I don’t want to be unfair with the Brits either as there are often controversies surrounding the organisation of a mega event. Let’s just recall that, to my knowledge, the only international sporting event that had to change country because a stadium was not built in time, is the 2007 Athletics World Championship, planned in Wembley, London and which finally happened in Oslo. Once more, let’s be fair with Britain: construction delays are common in every country, and construction budgets almost invariably go overboard.

The point, instead, is to show the gap between reality and perception. Whenever an event is organised in a Southern country, the discourse, and the memory, is of potential fiascos, that have usually not materialised. Whenever an event is organised in a Northern country, the discourse, and the memory, is of success, even when there were actual fiascos.

Following Edward Said, we can call this ‘orientalisation’, and say that in a world where the East/West divide was replaced in the 1990s by a North-South divide,  this is the result of a distorted view that the Western/Northern media have of the Orient/South.

Let’s say things much more clearly: this is a xenophobic, or even racist, discourse.

David Ranc

Brasil x Argentina: a promoção disfarçada do ódio (Carta Capital)

Não dá para aceitar que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência

por Coletivo Intervozes — publicado 01/07/2014 11:15, última modificação 01/07/2014 12:45

Juan Mabromata / AFP

Torcida da Argentina na Copa do Mundo

Torcedores argentinos aguardam a chegada de sua seleção na porta do Beira-Rio, estádio da Copa do Mundo em Porto Alegre

*Por Bruno Marinoni

Todos eles foram levados para dentro de uma pequena casa à beira-mar, trancafiados e eliminados. Mais um filme sobre o genocídio nazista? Não. Trata-se de uma “humorada” publicidade de cerveja sobre a “rivalidade” entre brasileiros e argentinos, que vem sendo veiculada desde a partida Argentina e Nigéria, no dia 25 de junho. Qual o problema de os nossos veículos de comunicação alimentarem a xenofobia? De fazerem graça com a proposta de que os hermanos devem ser lançados ao mar, ou ao espaço por nós?

O portal Diário na Copa, do grupo Diário do Nordeste (CE), no mesmo dia 25, publicou uma matéria com a manchete “Argentinos assaltam torcedores e roubam ingressos antes de partida em Porto Alegre”. O conteúdo da notícia aponta que os suspeitos são argentinos, pois vestiam camisas da seleção argentina. E, assim, nossa imprensa acredita possuir elementos suficientes para associar as imagens do crime à de uma nacionalidade específica. Essa é uma equação bem conhecida pelas vítimas de campanhas racistas e xenófobas. Qual o problema de chamar de “assaltantes argentinos” pessoas que vestem camisa da argentina e roubam ingressos?

Uma matéria do site do Globo Esporte do dia 21 anunciava que “a Copa do Mundo registrou na madrugada deste sábado a primeira grande briga entre brasileiros e argentinos”. Qual o problema de se naturalizar a briga entre representantes das duas nacionalidades, já insinuando que ela é a primeira de uma série?

Temos assim exemplos nos quais o espetáculo da Copa do Mundo, a grande competição entre as nações, mostra-se um prato cheio para que a nossa indústria cultural alimente e se alimente da violência (simbólica?). Promover a criminalização de um determinado grupo, a naturalização da violência e a necessidade de eliminação do outro: eis um mecanismo comum que se volta de diferentes maneiras para diversos atores no nosso cotidiano e para o qual é preciso estarmos atentos.

Enquanto na publicidade temos um exemplo que se vale do humor para tentar neutralizar qualquer possibilidade de crítica, tem-se por outro lado a imprensa utilizando a estratégia do “realismo”, na qual o “relato objetivo do fato” esconde o papel ativo do jornalismo na construção do discurso sobre a realidade. Dessa forma, o discurso que demoniza um determinado grupo tenta nos seduzir tanto de forma indireta (foi só uma piada!) como de forma direta (essa é a verdade).

Alguém pode minorar o fato de que o futebol é um fenômeno midiático e argumentar que essa rivalidade entre brasileiros e argentinos não foi criada pela mídia. Tá legal, eu aceito o argumento. O que não dá para aceitar é que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência. Seu papel deveria ser problematizar e combater, ao invés de estimular, o espetáculo do ódio travestido de rivalidade.

Abaixo, o vídeo em que os argentinos são mandados para o espaço:

* Bruno Marinoni é repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.

Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012 (GEMAA)

Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012

30 de junho de 2014

O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (IESP-Uerj), tem o prazer de trazer a público o texto de discussão nº 5 “Os casos de suspeita de racismo noticiados pela Folha de S. Paulo: 2001-2012”.

Nesse texto, apresentamos os 150 casos de suspeita de racismo, discriminação e injúria racial noticiados pelo jornal Folha de S Paulo entre os anos de 2001 e 2012. Os casos foram resumidos em fichas para tornar acessível ao público uma síntese do que foi noticiado em torno da temática ao longo desses 12 anos. São apresentados, a titulo de investigação de caráter preliminar, os insultos raciais proferidos, bem como as palavras mais incidentes nas ofensas de cunho racista, além das frases mobilizadas pelos suspeitos de racismo nas situações de agressão verbal. Esses elementos permitem iluminar algumas das características do racismo manifesto no Brasil, associado a estratégias de desumanização e de recondução das vítimas a um lugar de subalternidade.

Para acessar e fazer download do texto, visite o site do GEMAA:
http://gemaa.iesp.uerj.br/publicacoes/textos-para-discussao/tpd5.html

‘¡Eeeeh p…!’, el grito homofóbico que ‘divierte’ a los fans del futbol (CNN)

De repente alguien se lo gritó al portero, después ya fueron muchos y ahora ha suplido a la tradicional ‘ola’ en los estadios

Por Esmeralda A. Vázquez

Jueves, 27 de febrero de 2014 a las 06:26

La expresión 'puto' es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

La expresión ‘puto’ es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

 Lo más importante
  • El futbol es un modelo de masculinidad para la cultura mexicana
  • Para los especialistas, la palabra ‘puto’ reafirma el lenguaje ‘peladito’ y ‘cantinflesco’ del mexicano
  • Los futbolistas son productos de la cultura mexicana, donde deben sustentar su masculinidad
¿Por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la palabra ‘puto’
Genaro Lozano, politólogo

(CNNMéxico) — En los partidos de futbol de la LigaMX hay elementos que nunca faltan: dos equipos, cuatro árbitros, varios balones, elementos de seguridad, aficionados… y el grito de “¡eeeh puto!” cuando despeja el portero del equipo rival.

El ‘ritual’ es el siguiente: cuando el balón sale por la línea final del campo y lo toma el portero, los aficionados levantan los brazos, agitan las manos y preparan la garganta para gritar en cuanto el jugador del equipo rival despeje el balón. En ese momento se consuma el grito que enseguida provoca risas.

Leer FIFA indaga gritos homófobos de mexicanos en Brasil

“No lo utilizamos de una manera homofóbica. Alguien que es ‘puto’ es una persona que no defiende. Y también tiene la otra referencia hacia los gays, pero en el contexto del estadio es así, alguien sin valor, que no tiene los ‘huevos’ para pelear o para defender”, dijo en entrevista el Punker, integrante de la barra Sangre Azul que apoya al equipo Cruz Azul.

Según el diccionario de la Real Academia Española, esa palabra puede tener dos significados, el primero, “hombre que tiene concúbito con persona de su sexo”, y el segundo, refiere a una expresión que “denota el esfuerzo que se hace para no ser el último o postrero en algo”.

La expresión tiene más que ver con una cuestión del lenguaje que utiliza el mexicano y no con una connotación sexual, considera Carlos Albert, exfutbolista y conductor de televisión. El “pinche” o “chingar”, que supuestamente son malas palabras, añadió, también las conjugamos para bien o para mal, “no lo justifico, pero tampoco diría que es una ofensa para los que tienen una preferencia distinta”.

Pero el politólogo e internacionalista Genaro Lozano piensa lo contrario.

“Esta palabra se ha utilizado para tratar de amedrentar y hacer menos al equipo contrario en el estadio de futbol. Y la justificación que dan quienes la están utilizando es exactamente decir eso: ‘es que no nos estamos refiriendo para nada a la homosexualidad'”, señaló el también analista, quien ha abordado el tema en varios textos de su autoría.

“Si así fuera —que el grito no tiene connotaciones homofóbicas—, ¿por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la otra”, añadió.

Para el sociólogo Miguel Ángel Lara, dicha expresión, en el ambiente futbolístico, es resultado del lenguaje “peladito (vulgar) y cantinflesco” que caracteriza a la cultura del mexicano, que también ha hecho de este deporte un producto de la masculinidad.

“Es un ámbito masculino, donde toda la testosterona sale a flote, pero es una testosterona que no piensa, que no es inteligente, en cambio sí es manipulada, asustada, reprendida y tiene una limitante”, explica el también profesor de la Universidad Iberoamericana.

De acuerdo con la Encuesta Nacional sobre Discriminación en México(Enadis) 2010, 4 de cada 10 personas en México, sin importar el rango de edad (de 12 a 49 años), opinan que la preferencia sexual provoca mucha división entre la gente, además de permanecer como uno de los mayores problemas de intolerancia en el país.

Albert señaló que “alguien, algún día le gritó ‘puto’ al portero y le pareció gracioso, luego ya fueron cinco y después ya fueron muchos y ahora se convirtió así como en la ola en los estadios y de repente en una especie casi de costumbre”.

“La gran dificultad (para controlarlo) es por el arraigo cultural de ciertos estereotipos sobre los cuales se ha construido este deporte, por ejemplo, una visión de un espacio donde no solamente se juega lo deportivo, sino lo masculino”, dijo Ricardo Bucio, presidente del Conapred, en una entrevista para CNNMéxico en 2013.

Armando Navarrete, portero del Puebla de la LigaMX y exguardameta de equipos como América, Necaxa y Atlante, explica que un futbolista está expuesto a todo y que la cancha y en general el estadio, es un espacio de libre expresión y que para eso los aficionados pagan su boleto.

“A mí nunca me ha parecido bien, pero uno como jugador tiene que aguantar. Como portero, si se dan cuenta que fallo me dicen de cosas, pero no me queda más que aguantar y enfocarme en el partido”, dijo en entrevista telefónica.

La idiosincrasia y la figura del machismo, señalaron las fuentes consultadas por CNNMéxico, influyen en el comportamiento de quienes asisten a los estadios y se expresan de esta manera en las tribunas.

“La cultura popular tiene en nuestro país desde hace muchísimos años ese tipo de cuestiones que pueden parecer pintorescas, chistosas. México es el país del albur y del doble sentido. Los mexicanos usamos un idioma y una jerga que a muchos se les hace simpático y eso, que es parte de nuestra idiosincrasia, se refleja también en el futbol”, añade Albert.

Pero Ricardo Bucio, titular del Conapred, piensa distinto. “El grito de ‘puto’ —al igual que los de ‘maricón’, ‘joto’, ‘puñal’, etc.— es expresión de desprecio, de rechazo. (…) Homologa la condición homosexual con cobardía con equívoco. Pero es también una forma de equiparar a los rivales con las mujeres, haciendo de esta equivalencia una forma de ridiculizarlas en un espacio casi exclusivamente masculino”, escribió en un artículo publicado en el portal de dicho Consejo, luego de que México ganara la medalla de oro en los Juegos Olímpicos de Londres 2012.

Los futbolistas “son productos culturales que forman parte de la familia mexicana y de esa educación de: ‘tú eres el hombrecito, los hombres no lloran’. Es un deporte viril, también en los discursos de la televisión es una entrada viril, de ‘¡hombre!’, sobre todo cuando se barren o cabecean”, complementa Miguel Ángel Lara.

En marzo del 2013, la Suprema Corte de Justicia de la Nación (SCJN)determinó que las expresiones “maricones” o “puñal” son ofensas discriminatorias que no pueden ser resguardadas por la libertad de expresión que consagra la Constitución en su artículo sexto, sin embargo, la palabra “puto” no fue incluida.

“Nosotros somos así, nos gusta decir esa palabra y muchas más. Creo que esa palabra no es tan ofensiva”, comenta El Punker, miembro de la barra Sangre Azul.

Robbie Rogers, jugador estadounidense del equipo Los Ángeles Galaxy de la liga de EU; Anton Hysen, futbolista sueco del Utsiktens BK de la tercera división de ese país; Marcus Urban, un alemán que prefirió retirarse tras dar a conocer su homosexualidad, son algunos de los jugadores de soccer que han hecho públicas sus preferencias, además del también alemán Thomas Hitzlsperger, quien reconoció ser homosexual en enero, tras anunciar que se retiraba como profesional.

“El futbolista mexicano que decida ‘salir del clóset’ debe ser consciente de que tendrá que aceptar algún insulto, aunque igual con el tiempo todo se va a calmar”, afirma el portero del Puebla.

Por su parte, El Punker asegura que si esto ocurriera, sería una presión más para el jugador. “Si es del equipo contrario, nos lo acabaríamos, haríamos mucho, mucho folclor de eso. Pero si se trata de un jugador de nuestro equipo, no dejaríamos de decir ‘puto’ (a los rivales), pero al nuestro sí lo defenderíamos”.

“¿Por qué no nos hacemos la pregunta de si algún director técnico estaría dispuesto a que sus jugadores se sumen a una campaña contra la homofobia?, yo creo que ninguno lo haría, porque muchos de ellos utilizan este lenguaje justamente cuando quieren criticar al oponente, les gritan ‘mujercita’, ‘pégale como hombre’. Sus comentarios son homofóbicos, misóginos y sexistas”, afirmó Genaro Lozano.

Apenas el lunes, la Federación Mexicana de Futbol (Femexfut) anunció que en los partidos oficiales de liga, copa y ascenso será implementado el protocolo contra racismo que dicta la FIFA.

Para Lozano, el Conapred debería asumir un papel más protagónico para hacer frente a este tipo de problemáticas. “(Porque) no ha hecho ningún tipo de campañas justamente para combatir la homofobia. Hace falta el respaldo institucional”, concluyó.

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Mexico chief defends use of gay slurs at the World Cup (Goal.com)

By Vaishali Bhardwaj

23 Jun 2014 9:11:00 AM

The chief operating officer of El Tri says that Fifa can do nothing about the slurs that fans have used at the World Cup in Brazil

Mexico chief defends use of gay slurs at the World CupThe chief operating officer of the Mexico national team has defended the use of gay slurs by the country’s fans, saying that nothing can be done about it.

Mexican supporters who have travelled to watch their side compete in the World Cup in Brazil have been heard shouting a derogatory term each time an opposing goalkeeper takes a kick – a common practice in Mexico.

Four days ago, football’s world governing body, Fifa, announced they had begun disciplinary proceedings in response to the chants.

However, the COO of the Mexico team, Héctor González Iñárritu, defended the fans and explained that it was part of the country’s culture.

“The [Mexican] Federation is unable to restrict this expression. We cannot do anything legally or administratively,” he stated.

“It is not aggression – it is something that we’ve had for a long time in the Mexican League and in international matches.

“The people of Brazil were also yelling ‘wh**e’ at Guillermo [Ochoa] and it’s the same. Fifa would have to punish all federations.”

Mexico coach Miguel Herrera backed the use of the slur recently when he said: “We’re with our fans. It’s something they do to pressure the opposing goalkeeper.”

But, Piara Powar – a member of FARE (Football Against Racism in Europe) and the Committee Against Racism – condemned the behaviour.

“The homophobic chants are totally unacceptable. There must be action quickly before it starts to run out of control,” he said.

“Fifa have strong regulations in this regard. Zero tolerance is what is required here.”

Under Fifa’s regulations, supporters could face punishments such as suspensions or expulsions from grounds if they are found guilty of breaching the rules.

“The sporting sanctions are the only effective punishment,” Fifa president Joseph Blatter said.

Mexico World Cup Chants: Diego Luna Condemns Homophobic ‘Puto’ in Soccer (Latino Post)

By Robert Abel

First Posted: Jun 22, 2014 02:24 PM EDT

Diego Luna

Cada Vez nos Despedimos Mejor Press Conference (Photo : Clasos/CON LatinContent Editorial)

Mexican actor Diego Luna is speaking out against homophobic chants during World Cup matches. Fox News Latino reported that the award-winning actor and producer said it is regrettable that homophobic terms like “puto,” a common cry heard at Mexico’s soccer stadiums, are used to insult players during games.

Some say the word means weak or coward and isn’t directed at gays, but it is clearly meant to mock an opponent as weak and unmanly.

“I went to the [2006] World Cup in Germany, and I did hear [that cry],” the actor said in an interview with MVS radio. He said he never joined in because he couldn’t be proud of doing so.

“Soccer is a reflection of what we are in many ways,” he said. “We live in a classist, racist, homophobic society into which we are very assimilated, that’s all. I’m not really proud of that.”

On Thursday, the International Federation of Association Football, or FIFA, opened a disciplinary inquiry into the chants Mexican fans yelled during World Cup games against Cameroon and Brazil.

ESPN told Outsports it will try to prevent the chants from being heard on-air Monday when Mexico plays Croatia. The network says it is sensitive to the chant.

Andres Aradillas-Lopez, an economics professor at Penn State University, was born in Mexico and said he told Outsports the slur disgusts him.

“I heard them during the Cameroon game and also today against Brazil. Every single time the opposing goalie had a goal kick, they chanted [‘puto’],” Lopez said. “The media should make a bigger deal out of this and publicly shame that country and its fans. No other country in the world does this, and it would be unacceptable in any U.S. stadium.”

Mexico national team coach Miguel Herrera didn’t take the chants seriously, saying, “We have nothing to say; we’re with the fans. They do it to put pressure on the other team’s goalkeeper — I don’t think it’s that serious.”

FIFA statutes state that discrimination — by players, coaches or fans — against any country, individual or group for their race, skin color, ethnic origin, nationality, sex, language, religion or other factor is prohibited.

Luna has played LGBT characters in his films, including “Y Tu Mama Tambien” and “Milk.”

LGBT activists have been using the World Cup to draw attention to anti-gay killings that have plagued Brazil. Last year there were 313 anti-gay killings in the country, according to watchdog Grupo Gay de Bahia.

O problema de Benzema, o craque da França que não canta a Marselhesa (Diário do Centro do Mundo)

Postado em 20 jun 2014

por : 

Ele

O melhor em campo na partida em que a França atropelou a Suíça, Karim Benzema perdeu um pênalti, fez dois gols (o segundo não valeu por que o juiz caprichosamente havia apitado o fim da partida), deu duas assistências — e não cantou o hino.

Não é um detalhe. Ele não estava nervoso e atrapalhado. Benzema não entoa a gloriosa “Marselhesa” jamais. “Não é porque eu canto que eu vou marcar três gols. Se eu não cantar a ‘Marselhesa’ e marcar três gols, não acho que no final do jogo alguém vai reclamar. Zidane, por exemplo, não cantava. E há outros. Eu não vejo isso como um problema”, disse ele.

Benzema, como Zidane, seu ídolo e amigo, é filho de imigrantes argelinos e é muçulmano. O silêncio é um protesto a uma letra que fala: “Às armas, cidadãos/ formai vossos batalhões/ marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo”. É duramente criticado por essa atitude. A Frente Nacional, de extrema direita, fundada por Jean Marie Le Pen, o chamou de mercenário desleal e pediu seu banimento. “Ele não vê problema nisso. Bem, o povo francês não veria nenhum problema se ele não estivesse mais no time”.

É uma falácia. Benzema, que também cravou dois contra Honduras na estreia, faz toda a diferença para a França, uma equipe majoritariamente de filhos de imigrantes. Além dele, o time tem Valbuena (descendente de espanhois), Cabaye (de vietnamitas), Matuidi (angolanos), Sagna (senegaleses), Varane (os pais são da Martinica).

Há três anos, o ex-técnico da seleção, Laurent Blanc, chegou a sugerir que se limitasse o número de atletas não-brancos. Blanc queria uma cota de 30% de descendentes de africanos na federação. Para sorte dos franceses, a ideia não foi adiante.

Na Espanha, Benzema costuma ser chamado de “vendedor de kebabs”. “Se marco gol, sou francês. Se não marco, sou árabe”, afirma. Karim Benzema e seus colegas são um problema, sem dúvida, mas para os adversários. E uma lembrança perigosa para o Brasil, cujos jogadores estufam o peito para cantar a capella o ouvirundum.

 

Grupos judaicos protestam contra Prêmio Adorno para filósofa crítica de Israel (DW)

11.09.2012

Detratores atacam escolha de filósofa e ativista política Judith Butler para importante prêmio cultural alemão. Condenação da filósofa de origem judaica à política do Estado de Israel é equiparada a antissemitismo.

Filósofa norte-americana Judith ButlerFilósofa norte-americana Judith Butler

O anúncio da cidade de Frankfurt, em maio último, de que Judith Butler receberia o Prêmio Theodor W. Adorno por sua contribuição extraordinária ao pensamento filosófico, desencadeou uma guerra de palavras especialmente violenta entre a pensadora e seus críticos.

Professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade de Berkeley, Califórnia, Butler é conhecida sobretudo por suas obras sobre teorias queer e dos gêneros, entre as quais Gender trouble: Feminism and the subversion of identity (1990) e Undoing gender (2004).

Mais recentemente, ela ganhou destaque como ativista política e crítica da política de Israel no Oriente Médio. Butler é adepta veemente do movimento Boycott, Divestment and Sanctions (BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende medidas não punitivas contra o Estado israelense.

“Judia de álibi”

Concedida a cada três anos, a distinção que traz o nome do filósofo e teórico alemão Theodor W. Adorno premia desempenhos extraordinários nos campos da música, literatura, filosofia e cinema.

Bandeira israelense em Jerusalém. Ao fundo, cúpula da Mesquita da RochaBandeira israelense em Jerusalém. Ao fundo, cúpula da Mesquita da Rocha

Em seguida à escolha de Judith Butler em 31 de maio último, membros da comunidade judaica, acadêmicos e articulistas reagiram com um longo e corrosivo ataque publicado no jornalJerusalem Post, condenando em especial o apoio da autora ao BDS.

Gerald Steinberg, docente de Ciência Política na Universidade Bar-Ilan, em Ramat Gan, definiu a campanha do BDS como “a acepção moderna do antissemitismo”. “Butler é uma de um ínfimo número de ‘judeus de álibi’, usados para legitimar a guerra continuada contra Israel, seguindo uma obscura prática empregada durante séculos na diáspora”, afirmou.

Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, deplorou a decisão de dar o prêmio a alguém que “notoriamente odeia Israel”. Conceder a distinção – que leva o nome de um filósofo forçado a fugir do regime nazista devido a sua própria herança judaica – não pode ser considerado “um mero equívoco”, condenou Kramer.

“Tática de silenciamento”

Judith Butler, judia norte-americana de ascendência russa e húngara, respondeu a seus detratores num longo artigo publicado pelo website de notícias judaicas Mondoweiss. Obviamente magoada pelas críticas direcionadas contra ela, denunciou os ataques como “tática de silenciamento”.

“É falso, absurdo e doloroso alguém argumentar que quem formula críticas ao Estado de Israel seja antissemita ou, se judeu, autodesprezador. Tais ataques visam demonizar a pessoa que está articulando um ponto de vista crítico, assim desqualificando de antemão seu ponto de vista.” Além disso, seus adversários estariam tentando monopolizar o direito de falar em nome dos judeus, apontou a filósofa.

Um pomo da discórdia específico têm sido os comentários feitos por Butler sobre grupos políticos palestinos e libaneses, durante um fórum antibélico em 2011: “Entender o Hamas e o Hizbollah como movimentos sociais que são progressivos, de esquerda, que são parte da esquerda global, é extremamente importante”.

Em sua inflamada réplica, a norte-americana alega que o sentido de seus comentários foi arrancado do contexto e seriamente distorcido. Partidária da resistência não violenta, ela afirma não endossar nem o Hamas nem o Hizbollah. “Na minha opinião, dada a minha história, é importantíssimo, como judia, pronunciar-me contra a injustiça e lutar contra todas as formas de racismo.”

Prêmio será entregue na Igreja de S. Paulo de FrankfurtPrêmio será entregue na Igreja de S. Paulo de Frankfurt

Contexto teuto-israelense delicado

A autora austríaca Marlene Streeruwitz, integrante da banca do Prêmio Adorno, defendeu a decisão de laurear Judith Butler. Ela declarou-se atônita diante da celeuma resultante, que classificou uma verdadeira “denunciação”, e louvou a “complexa e diferenciada atitude em relação ao mundo” representada por Butler.

O democrata-cristão Felix Semmelroth, encarregado para assuntos de cultura em Frankfurt, também manifestou apoio à decisão do júri, denominando Butler “uma das pensadoras-chaves de nosso tempo”. Quanto à crítica à premiação, ela seria “compreensível, mas injustificada”, observou o político conservador alemão.

A autora estadunidense não é a única voz crítica a Israel a enfrentar oposição ferrenha. Em março de 2012, o autor alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura, também desencadeou polêmica com seu poema O que deve ser dito, no qual tacha Israel de ameaça à paz mundial. Em meio à celeuma, Grass expressou frustração por toda crítica a Israel ser equiparada a antissemitismo.

Filósofo Theodor W. Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903Filósofo Theodor W. Adorno nasceu em 11 de setembro de 1903

A decisão de conceder o Prêmio Adorno à pensadora estadunidense coincide com um momento atipicamente sensível nas relações teuto-israelenses do pós-guerra. Em junho, um tribunal da cidade de Colônia classificou a circuncisão de bebês como “lesão corporal criminosa”, provocando protestos das comunidades judaica e muçulmana da Alemanha e do resto do mundo. No início de setembro, entretanto, o estado de Berlim considerou a circuncisão legal por motivos religiosos.

Opositor de nacionalismos e racismos

Nascido na cidade de Frankfurt em 1903, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno tinha uma relação complexa com sua própria identidade judaica. Integrante central da Escola de Frankfurt de Teoria Crítica, mantendo laços estreitos com pensadores como Max Horkheimer, Ernst Bloch e Walter Benjamin, Adorno foi um dos principais filósofos da estética, música e cultura de massa de sua geração.

Crítico determinado do fascismo, Adorno exilou-se da Alemanha em 1934. Em Cultura crítica e sociedade, de 1951, ele cunhou a famosa frase “Escrever poesia depois de Auschwitz é barbárie”, mas que depois rejeitaria. Durante toda sua vida, permaneceu extremamente cético no tocante a todas as formas de nacionalismo.

Retornando à Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, atuou como professor na Universidade de Frankfurt de 1949 até sua morte, em 1969. Em sua honra e no dia de seu aniversário, 11 de setembro, desde 1977 a cidade natal concede a cada três anos o prêmio que leva seu nome, dotado com 50 mil euros. Entre os laureados estiveram Jürgen Habermas (1980), Jean-Luc Godard (1995), Jacques Derrida (2001) e Alexander Kluge (2009).

Judith Butler recebe o Prêmio Theodor W. Adorno neste 11 de setembro, na Igreja de São Paulo de Frankfurt.

Autor: Helen Whittle (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

Apesar do cerco das autoridades e do controle das fronteiras, barras bravas argentinas estão no Rio (Extra)

15/06/14 05:00 

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor Foto: Reprodução/Twitter

Leandro Saudino e Rafael Soares

O governo argentino entregou às forças de segurança brasileiras uma lista com 2,1 mil nomes de integrantes de torcidas organizadas argentinas — as populares e violentas barras bravas. Para evitar brigas em jogos do Mundial, esses “hinchas” — que já foram condenados pela Justiça ou barrados dos estádios pelos clubes — estão proibidos de entrar em território brasileiro. Quando identificados pelas autoridades nas fronteiras, são deportados. Porém, a Interpol vê brechas no sistema.

— Pelo ar, não há como passar pelo controle migratório. Mas, por vias terrestres, em postos sem pontes, como em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, não há como controlar. Não vamos fechar 100% as fronteiras — admitiu, ao Jogo Extra, o chefe da Interpol no Brasil Luiz Eduardo Navajas. — Sem contar que torcedores fora da lista também podem fazer parte de torcidas e não temos motivos para barrá-los.

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana Foto: Reprodução/Twitter

Apesar do cerco, alguns “hinchas” já estão no Rio: no Twitter, o perfil “barrabravphotos” postou, durante a semana, imagens que mostram os “hinchas” desfilando, com naturalidade, com suas faixas e surdos por pontos turísticos como o Cristo Redentor e a Praia de Copacabana. Nas fotos, aparecem torcedores de equipes de menor expressão no cenário argentino, como Club Deportivo Laferrere, Club Atlético Talleres e Clube Atlético Chaco For Ever.

A Polícia Federal e a Interpol monitoram os grupos de torcedores que entram no país. Os órgãos de inteligência da PF já identificaram que os torcedores mudaram a rota de entrada no país após cinco torcedores serem deportados — dois pela via aérea e três pelo município de Uruguaiana. Agora, eles estão tentando entrar pelo Uruguai, onde o controle é mais difícil.

— A lista com os barras bravas pode ser acessada em todo posto de imigração. Os barras bravas que estão na lista e conseguirem entrar vão fazer isso de forma ilegal. Vamos intensificar os bloqueios da Polícia Rodoviária nessas regiões — afirma Navajas.

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio Foto: Reprodução/Twitter 

Alto escalão abre portas para torcedores

Organizadas, influentes e poderosas. As “hinchadas”, ao mesmo tempo em que protagonizam alguns dos episódios mais tristes do futebol argentino, frequentam os gabinetes do alto escalão da política nacional. Criado para a Copa da África do Sul, com apoio e financiamento do governo kirchnerista, o grupo Hinchadas Unidas Argentinas (HUA) — que conta com integrantes de torcidas de mais de 40 clubes do país — teve sua dissolução anunciada no início de junho.

Durante a coletiva de imprensa, a advogada da entidade Débora Hambo acusou a Associação do Futebol Argentino (AFA) de repassar entradas da Copa do Mundo do Brasil para outros grupos de barras bravas, ligados aos grandes clubes de futebol do país vizinho, como Boca Juniors e River Plate.

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata Foto: Reprodução/Twitter

Nesse mesmo evento, a HUA divulgou que 150 integrantes da entidade viriam ao Brasil, mesmo sem ingressos, para torcer para a Argentina. Esses torcedores viriam ao Rio para tentar se encontrar com o presidente da AFA, Julio Grondona. Antes da dissolução, a HUA havia pedido à AFA 1.500 ingressos.

Em abril, o jornal argentino “Olé” publicou uma entrevista com o líder de uma torcida organizada do Internacional (Gilberto Bitancourt Viegas), conhecido como Giba, em que ele afirmava que conseguiria ingressos para 200 argentinos verem jogos da Copa.

Mesmo que os barras bravas consigam os ingressos, eles não poderão entrar nos estádios com suas faixas e instrumentos: a Fifa proíbe a entrada de cartazes com manifestações ou nomes de organizações nos estádios.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/apesar-do-cerco-das-autoridades-do-controle-das-fronteiras-barras-bravas-argentinas-estao-no-rio-12864333.html#ixzz34jWTYw3z

As malocas da praça de maio (Taqui Pra Ti)

José Ribamar Bessa Freire

01/06/2014 – Diário do Amazonas

 

Na Argentina, elas foram reprimidas por baionetas quando indagaram, em 1977, pelos filhos presos. Os generais golpistas debocharam: “son las locas de Plaza de Mayo“. Obstinadas, não desistiram. Desafiaram o terror e continuaram ocupando a Praça de Maio, desfilando o seu protesto semanal diante da Casa Rosada e da catedral até que, finamente, reconhecidas pela sociedade, contribuíram para o fim da ditadura e a prisão dos torturadores.
No Brasil, vários movimentos nos fizeram ouvir a voz de quem foi silenciado. No entanto, como ninguém entende línguas indígenas, nem se interessa por aprendê-las, não se escuta o clamor dos índios, seja de mães indígenas por seus filhos ou de índios por seus pais desaparecidos. Desta forma, os índios, sempre invisíveis na historia do Brasil, ficaram de fora das narrativas e não figuram nas estatísticas dos desaparecidos políticos. Na floresta, não há praças de maio.
Mas agora isso começa a mudar. Relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, que será em breve publicado pela Editora Curt Nimuendajú, de Campinas (SP), dá voz aos índios e mapeia os estragos, comprovando que na Amazônia, mais do que militantes de esquerda, a ditadura eliminou índios, entre outros, Cinta-Larga e Surui (RO/MT), Krenhakarore na rodovia Cuiabá-Santarém, Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos (MT), Avá-Canoeiro (GO), Parakanã e Arara (PA), Kaxinawa e Madiha (AC), Juma, Yanomami e Waimiri-Atroari (AM/RR).
O foco do primeiro relatório, de 92 páginas, já encaminhado à Comissão Nacional da Verdade (CNV), incide sobre os Kiña, denominados também como Waimiri-Atroari, cujos desaparecidos são conhecidos hoje por seus nomes, graças a um trabalho cuidadoso que ouviu índios em suas línguas, consultou pesquisadores e indigenistas, fuçou arquivos e examinou documentos, incluindo desenhos que mostram índios metralhados por homens armados com revólver, fuzil, rifles, granadas e cartucheira, jogando bombas sobre malocas incendiadas.
Os desaparecidos
De noite, nas malocas, os sobreviventes narram a história da violência sofrida, que começou a ser escrita e desenhada por crianças, jovens e adultos alfabetizados na língua Kiña pelos professores Egydio e Doroti Schwade com o método Paulo Freire. Toda a aldeia Yawará, no sul de Roraima, participou do processo, em 1985 e 1986, até mesmo crianças de colo. A comunicação foi facilitada pelo fato de o casal morar lá com seus quatro filhos pequenos, antes de ser expulso pelo então presidente da Funai, Romero Jucá, lacaio subserviente das empresas mineradoras.
Todo o processo de alfabetização ocorreu num clima que iniciou com a narração oral das historias e continuou com a criação dos desenhos, a leitura dos desenhos, a discussão sobre eles e, finalmente, com a escrita alfabética.
Durante esse período, Egydio registrou, com ajuda de Doroti, as narrativas contadas por quem testemunhou os fatos ou por quem ouviu falar sobre eles. Os primeiros textos escritos por recém-alfabetizados, ilustrados por desenhos, revelaram “o método e as armas usadas para dizimá-los: aviões, helicópteros, bombas, metralhadoras, fios elétricos e estranhas doenças. Comunidades inteiras desapareceram depois que helicópteros com soldados sobrevoaram ou pousaram em suas aldeias” – diz o relatório.
Com a abertura da rodovia BR-174 e a entrada das empresas mineradoras, muitas outras aldeias foram varridas do mapa. “Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi a geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o início da construção da BR-174, em 1967, até sua inauguração em 1977” – segundo o relatório.
Alguns sobreviventes refugiados na aldeia Yawará conviveram durante dois anos com Egydio e Doroti.  Lá, todas as pessoas acima de dez anos eram órfãs, exceto duas irmãs, cuja mãe sobreviveu ao massacre. O relatório transcreve a descrição feita pelo índio Panaxi:
“Civilizado matou com bomba” – escreve Panaxi ao lado do desenho, identificando um a um os mortos com seus nomes: Sere, Podanî, Mani, Priwixi, Akamamî, Txire, Tarpiya.
A eles se somaram outros de uma lista feita por Yaba: Mawé, Xiwya, Mayede – marido de Wada, Eriwixi, Waiba, Samyamî – mãe de Xeree, Pikibda, a pequena Pitxenme, Maderê, Wairá – mulher de Amiko, Pautxi – marido de Woxkî, Arpaxi – marido de Sidé, Wepînî – filho de Elsa, Kixii e seu marido Maiká, Paruwá e sua filha Ida, Waheri, Suá – pai de Warkaxi, sua esposa e um filho, Kwida – pai de Comprido, Tarakña e tantos outros.
Quem matou
A lista é longa, os mortos têm nomes, mas às vezes são identificados pelo laço de parentesco: “a filha de Sabe que mora no Mrebsna Mudî, dois tios de Mário Paruwé, o pai de Wome, uma filha de Antônio”, etc. O relatório se refere ao“desaparecimento de mais de 2.000 Waimiri-Atroari em apenas dez anos”. Na área onde se localiza hoje a Mineradora Taboca (Paranapanema) desapareceram pelo menos nove aldeias aerofotografadas pelo padre Calleri, em 1968, em sobrevoos a serviço da FUNAI. Os alunos da aldeia Yawará desenharam casas e escreveram ao lado frases como:
– Apapa takweme apapeme batkwapa kamña nohmepa [o meu pai foi atirado com espingarda por civilizado e morreu] – escreveu Pikida, ao lado do desenho que ilustra o fato.
– Taboka ikame Tikiriya yitohpa. Apiyamyake, apiyemiyekî? [Taboca chegou, Tikiria sumiu, por que? Por que?]
A resposta pode ser encontrada no ofício 042-E2-CONF. do Comando Militar da Amazônia, de 21/11/1974, assinado pelo General Gentil Nogueira, que recomendava o uso da violência armada contra os índios, segundo o relatório encaminhado à Comissão Nacional da Verdade. Era uma política de Estado a serviço de interesses privados, implementada com métodos de bandidagem.
Um mês e meio depois, o sertanista Sebastião Amâncio da Costa, nomeado chefe de Frente de Atração Waimiri-Atroari (FAWA), em entrevista ao jornal O Globo (06/01/1975), assumiu de público as determinações do general Gentil, declarando que faria “uma demonstração de força dos civilizados que incluiria a utilização de dinamite, granadas, bombas de gás lacrimogêneo e rajadas de metralhadoras e o confinamento dos chefes índios em outras regiões do País”.
O resultado de toda essa lambança é descrito por Womé Atroari, em entrevista à TV Brasil, relatando um ataque aéreo a uma aldeia e outros fatos que presenciou:
– Foi assim tipo bomba, lá na aldeia. O índio que estava na aldeia não escapou ninguém. Ele veio no avião e de repente esquentou tudinho, aí morreu muita gente. Foi muita maldade na construção da BR-174. Aí veio muita gente e pessoal armado, assim, pessoal do Exército, isso eu vi. Eu sei que me lembro bem assim, tinha um avião assim um pouco de folha, assim, desenho de folha, assim, um pouco vermelho por baixo, só isso. Passou isso aí, morria rapidinho pessoa. Desse aí que nós via.
Os tratores que abriam a estrada eram vistos pelos índios como tanques de guerra. “Muitas vezes os tratores amanheciam amarrados com cipós.Essa era uma maneira clara de dizer que não queriam que as obras continuassem. Como essa resistência ficou muito forte, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem do Amazonas-DER-AM, inicialmente responsável pela construção, começou a usar armas de fogo contra os indígenas”.
Sacopã e Parasar
O relatório informa que “as festas que reuniam periodicamente os Waimiri-Atroari foram aproveitadas pelo PARASAR para o aniquilamento dos índios”. Conta detalhes. Registra ainda o desaparecimento de índios que se aproximaram, em agosto de 1985, do canteiro de obras da hidrelétrica do Pitinga, então em construção:
“É muito provável que tenham sido mortos pela Sacopã, uma empresa de jagunços, comandada por dois ex-oficiais do Exército e um da ativa, subordinado ao Comando Militar da Amazônia, empresa muito bem equipada, que oferecia na época serviços de “limpeza” na floresta à Paranapanema no entorno de seus projetos minerais. Os responsáveis pela empresa foram autorizados pelo Comando Militar da Amazônia a manter ao seu serviço 400 homens equipados com cartucheiras 20 milímetros, rifle 38, revolveres de variado calibre e cães amestrados”.
Os autores do relatório dão nomes aos bois, esclarecendo que quem comandava a Sacopã no trabalho de segurança da Mineração Taboca/Paranapanema e no controle de todo acesso à terra indígena eram dois militares da reserva: o tenente Tadeu Abraão Fernandes e o coronel reformado Antônio Fernandes, além de um coronel da ativa, João Batista de Toledo Camargo, então chefe de polícia do Comando Militar da Amazônia.
É Rondon de cabeça pra baixo: “Matar ainda que não seja preciso; morrer nunca”, num processo iniciado com o colonizador e ainda não concluído.  Na Amazônia, o cônego Manoel Teixeira, irmão do governador Pedro Teixeira, em carta ao rei de Portugal, em 5 de janeiro de 1654, escrita no leito da morte, na hora da verdade, declara que “no espaço de trinta e dois anos, são extintos a trabalho e a ferro, segundo a conta dos que ouviram, mais de dois milhões de índios de mais de quatrocentas aldeias”.
O relatório é um bom começo, porque evidencia que os índios precisam de uma Comissão da Verdade não apenas para os 21 anos de ditadura militar, mas para os 514 anos de História em que crimes foram e continuam sendo cometidos contra eles. Assim, podem surgir praças de maio dentro das malocas para que o Brasil generoso e solidário cobre mudanças radicais na política indigenista do país, impedindo que o Estado continue a serviço de interesses privados escusos.

Ariel Palácios: “Não são gentlemen” – sobre os barrabravas argentinos (OESP)

20.março.2014 15:06:53

Seção “Não são gentlemen”: Barrabravas argentinos intensificam violência enquanto preparam as malas para viajar para a Copa

Hunos fazendo rolezinho em terras europeias no dia 20 de junho de 451. A gravura, de A. De Neuville (1836-1885), ilustra os bárbaros descendo pauleira na Batalha de Chalôns. Os barrabravas – os hooligans argentinos – teriam estado à vontade. Os “barrabravas” argentinos cresceram durante a ditadura militar com respaldo das autoridades e dos cartolas dos times. Nas últimas três décadas de democracia continuaram sua expansão.

Mais de 50 times de futebol da Argentina, desde os grandes Boca Juniors eRiver Plate aos pequenos El Porvenir e o Chaco For Ever, estão padecendo uma intensificação generalizada das atividades dos“barrabravas”, denominação nativa para os “hooligans”. Tiroteios, assassinatos, espancamentos, extorsões e depredação da propriedade privada e pública foram a tônica no futebol local nos últimos meses, somadas às costumeiras atividades de vendas de drogas, revenda de entradas nos estádios, entre outras. No meio da polêmica sobre esta escalada de violência os responsáveis por estas ações estão planejando detalhadamente sua viagem ao Brasil, onde pretendem assistir os jogos da Copa do Mundo.

Ou, caso não consigam as entradas (a imensa maioria destes barrabravas, segundo informações extraoficiais, ainda não contam com os tíquetes), ficariam do lado de fora dos estádios, fazendo o que os argentinos denominam de “el aguante” (expressão local para designar a exibição de respaldo enfático que uma torcida propicia a seu time).

‘ROLÊ’ NO BRASIL – Uma comitiva de dez barrabravas viajará a Porto Alegre no final de março para reunir-se com contatos locais – entre eles José “Hierro” Martins, da Guarda Popular, do Inter – para preparar o desembarque do contingente das torcidas organizadas argentinas, que usariam a capital gaúcha como quartel-generalpara as viagenspelo resto do país. O grupo argentino estáorganizando o financiamento da viagem desde 2011.

Diversas estimativas indicam que ao redor de 650 barrabravas de 38 clubes argentinos viajariam ao Brasil em dez ônibus para estar presentes durante a Copa. Este volume implicaria em um aumento de 150% em comparação ao número de barrabravas que viajaram à Copa da África do Sul em 2010.

Estes barrabravas integram a Torcidas Unidas Argentinas, entidade conhecida pela sigla “HUA”, que se auto-apresenta como uma ONG para divulgar a “cultura do futebol”. Mas, enquanto que na Copa de 2010 os barrabravas desta organização contavam com lideranças fortes que serviam de interlocutor com diversos integrantes do governo dapresidente Cristina Kirchner, que lhes conseguiam financiamentos, atualmente não possuem um comando único, além de receberem apoios econômicos por parte de aliados da Casa Rosada e da oposição.

Não, o moço do moletom preto não está dando um abraço no rapaz da camista cinza. Segundo diversas autoridades e colunistas esportivos é apenas “paixão esportiva”.

Analistas esportivos consultados pelo Estado sustentam que este cenário de atomização das lideranças e vínculos complicou nos últimos anos o controle da violência dos barrabravas por parte das forças de segurança. No entanto, as autoridades argentinas prometem fiscalizar estes grupos violentos que viajarão ao Brasil. Mas os críticos ironizam, afirmando que o governo Kirchner sequer consegue controlar os barrabravas dentro do próprio país.

O município de Quilmes, na Grande Buenos Aires, foi o cenário de confrontos de barrabravas na semana passada. Os torcedores do clube Quilmes, famosos por sua violência, espancaram os rivais do All Boys com pás, além de desferir punhaladas. Além dos conflitos com outras torcidas, os divididos barrabravas do Quilmes também protagonizam combates internos. Segundo odeputado Fernando Pérez, da União Cívica Radical (UCR), “a Copa acelera as disputas porque os barrabravas se desesperam por financiar suas viagens ao Brasil”.

Estimativas das agênciasde turismo indicamque15 mil argentinos viajariam ao Brasil paraparticipar dos eventos da Copa. Mas, deste total, apenas 4.300 argentinos conseguiram entradas por intermédio da site na internet da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Uma parte destes visitantes conseguiriam entradas por intermédios dos cambistas. No entanto, a maioria ficaria sem entradas.

Barrabravas de um time expressam o que desejam que aconteça aos torcedores do time rival com metáfora funérea.

MORTES E BUSINESS – Desde o primeiro ataque protagonizado por barrabravas com saldos fatais na Argentina em 1924 até o ano passado haviam morrido 230 pessoas, além de milhares de feridos. As brigas, que até os anos 80 eram resolvidas a base de socos e pontapés, nos últimos 30 anos foram definidas a base de armas de fogo. Nestes 90 anos a Justiça argentina foi costumeiramente omissa, já que pouco mais de três dezenas de pessoas foram condenadas por essas mortes entre 1924 e 2013.

Ao contrário de outros países onde as torcidas organizadas mais violentas estão vinculadas a grupos de skinheads e neonazistas, na Argentina os barrabravas possuem fortes laços políticos e econômicos com ministros, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores, para os quais trabalham organizando comícios, cabos eleitorais e seguranças.

Nos últimos anos na cidade de Buenos Aires enos municípios da Grande Buenos Aires osbarrabravas assumiram gradualmente o controle dos flanelinhas que circulam nas áreas dos shows de rock, estádios de futebol, exposições e demais lugares de passeio dos habitantes da área. Os barrabravas também estão vinculados ao tráfico de drogas, que cresceu de forma acelerada na última década no país. As lideranças destas torcidas organizadas obtêm dos cartolas dos times argentinos entradas para os jogos que são revendidas e também arrancam dízimos dos vendedores de cachorro-quente e outros camelôs. “Não somos escoteiros”, admitiu um barrabrava consultado pelo Estado.

Coreografia improvisada da violência dos estádios argentinos. Um clássico que repete-se com mais frequência nos últimos anos.

ATAQUES – Na semana retrasada, no distrito de Gerli, no município de Lanús, na zona sul da Grande Buenos Aires,um grupo de barrabravas incendiou um carro da polícia estacionado na frente da residência de Enrique Merellas, diretorde El Porvenir, um pequeno time local. “Merellas, você morrerá!” foi uma das legendas pintadas no muro do campo do time. No ano passado o diretor do clube havia apresentado na Justiça 53 denúncias por ameaças e agressões dos barrabravas, que aumentaram desde queo timefoi rebaixado à quinta divisão. “Este time é um depósito de drogas, tal como os outros clubes do país”, sustentou Merellas.

Merellas havia pedido ajuda ao governadorde Buenos Aires eao secretário da Justiça, que colocaram à sua disposição uma viatura policial para proteger sua casa. No entanto, na hora do ataque, os policiais não estavam no carro.

No mesmo dia, no norte da Argentina, na província do Chaco, a casa de Héctor Gómez, presidente do clube Chaco For Ever, da terceira divisão, foi alvo de tiros disparados por um grupo de barrabravas, irritados com sanções da Justiça que determinam que somente os sócios do time podem assistir os jogos quando o clube é anfitrião. “É muito difícil combater a violência no futebol argentino”, lamentou Gómez, que destacou que as drogas e álcool dentro de um estádio tornam “incontrolável” o comportamento dos barrabravas. Segundo Gómez, “o governo e a política usam estes rapazes”.

General e ditador Jorge Rafael Videla com sorriso amplo celebra a conquista da Copa de 1978 na Argentina. Durante o regime militar os barrabravas consolidaram-se e iniciaram sua expansão.

DITADURA E BARRABRAVAS – A Copa de 1978 na Argentina foi um divisor de águas na violência e na estrutura dos “cartolas” do futebol local. Por um lado, a truculência do regime teve influência sobre as torcidas, consolidando o crescimento dos “barrabravas”, que nos anos seguintes à copa começaram a desfrutar da cumplicidade das autoridades esportivas em suas atividades violentas. Simultaneamente, vários técnicos, jogadores de futebol e grupos de barrabravas colaboraram ativamente com o regime militar na repressão aos civis.

Meses após a final de 1978, apadrinhado pela Marinha argentina – que participava da Junta Militar – estabeleceu-se um grupo de poder no controle da Associação de Futebol da Argentina (AFA), liderado por Julio Grondona, que mantém-se no comando do futebol argentino há três décadas e meia. Grondona reelegeu-se ininterruptamente nove vezes desde os tempos da Ditadura. Octogenário, não exibia em 2014 sinais de querer se aposentar.

Barrabravas: sangue, suor e musculatura. Na companhia de colegas do mesmo sexo, com torsos nus, barrabravas fazem apologia da heterossexualidade em âmbito público esportivo. 

E embaixo, do pintor francês Jean-Léon Gérôme (1824-1904), a emblemática obra “Police Verso” (Polegares para baixo) que retrata o “panem et circenses” (pão e circo) do Império Romano. O quadro está no Phoenix Art Museum, Arizona, EUA. A cena pode parecer algo velha…Mas no fundo é bem atual. Gérôme nasceu em 1824. E morreu em 1904, época em que o futebol era apenas um esporte jogado de forma cavalheiresca.

   

E vamos para um pouco da imprescindível civilização: Georges Prête rege o Intermezzo da Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni:

*   *   *

Seção “Não são gentlemen”, parte II: Mais de 1.200 ‘barrabravas’ tentariam entrar no Brasil durante a Copa

Não é massagem reiki. São os barrabravas de uma facção do clube Quilmes que espancam outros torcedores do mesmo time (mas de setores rivais).

Mais de 1.200 “barrabravas”, denominação dos ‘hooligans’ argentinos, estão preparando as malas para viajar ao Brasil durante a Copa do Mundo. Isso é o que sustentam investigações feitas pelo jornal portenho “Clarín”, que indicam que o volume de “barrabravas” teria duplicado as estimativas originais, de março, quando as autoridades argentinas calculavam que iriam ao lado brasileiro da fronteira 650 integrantes das violentas torcidas organizadas de times de Buenos Aires e outras cidades do país.

Organizados na “ONG” Hinchadas Unidas Argentinas (Torcidas Unidas Argentinas), conhecida pela sigla “HUA”, os barrabravas foram favorecidos em abril por uma determinação da Justiça de Buenos Aires que permitirá que possam sair da Argentina sem problemas, a não ser nos casos de pessoas que, por questões de processos nos tribunais, estejam impedidos de viajar para fora do país.

Segundo a advogada da HUA, Debora Hambo, os torcedores que irão ao Brasil “não possuem processos penais abertos nem antecedentes de fatos de violência. Os torcedores que viajarão não possuem grau algum de periculosidade”.

Apesar das recentes declarações do ministro dos esportes do Brasil, Aldo Rebelo, de que as autoridades brasileiras estarão de olho nos voos provenientes da Argentina e nos principais pontos de passagem na fronteira entre o Brasil e a Argentina, diversos barrabravas argentinos já estão planejando entrar em território brasileiro pelas fronteiras que o país possui com o Paraguai e Bolívia.

Os barrabravas argentinos teriam conseguido pelo menos 900 entradas para os jogos da primeira fase da Argentina por intermédio da Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada desde 1979 por Julio Grondona. O cartola, aliado de todos os presidentes de plantão, civis e militares, tornou-se colaborador da presidente Cristina Kirchner a partir de 2009, quando fez um lucrativo acordo com o governo para estatizar as transmissões dos jogos de futebol.

Há duas semanas um grupo de 300 barrabravas manifestou-se nas portas da AFA para exigir entradas para os jogos da Argentina no Brasil. Os integrantes da HUA alegam que constituem uma ONG de “luta contra a violência”, e que, portanto, merecem as entradas.

Outras épocas, outros protagonistas de pancadarias a granel. Gravura do séc.XIX sobre invasões bárbaras.

MORTES – Desde 1924, quando ocorreu a primeira morte em um estádio argentino, um total de 278 pessoas foram assassinadas pelos barrabravas em confrontos diretos individuais ou choques de grupos. A AFA, que tem contatos fluidos com as torcidas organizadas – aos quais ocasionalmente recebe em sua sede no centro portenho – jamais atendeu os parentes das vítimas da violência nos estádios. Nestes 90 anos a Justiça argentina condenou apenas três dezenas de pessoas por essas mortes.

 

 

Umbanda e candomblé não são religiões, diz juiz federal (FSP)

FABIO BRISOLLA

DO RIO

16/05/2014 19h34

Uma tentativa do Ministério Público Federal (MPF) de retirar do Youtube uma série de vídeos com ofensas à umbanda e ao candomblé resultou em uma decisão polêmica: a Justiça optou por manter a exibição das imagens e ainda salientou que “as manifestações religiosas afro-brasileiras” não podem ser classificadas como religião.

Em decisão de 28 de abril de 2014, o juiz Eugênio Rosa de Araújo, titular da 17ª Vara Federal, afirmou que as crenças afro-brasileiras “não contêm os traços necessários de uma religião”. De acordo com o magistrado, as características essenciais a uma religião seriam a existência de um texto base (como a Bíblia ou Alcorão), de uma estrutura hierárquica e de um Deus a ser venerado.

“Se o Juiz tivesse simplesmente negado que havia ofensa nos vídeos já seria uma decisão lamentável. Mas ele foi além. Em poucas linhas, resolveu ditar o que seria ou não uma religião, o que nos pareceu um absurdo”, disse à Folha o procurador Jaime Mitropoulos, que apresentou um recurso contra a decisão da 17ª Vara Federal.

Procurado pela Folha, o juiz Eugênio Rosa de Araújo preferiu não falar sobre a decisão.

Nos vídeos denunciados pelo MPF, pastores evangélicos associam praticantes de umbanda a uma legião de demônios. Também fazem comparação semelhante com o culto aos orixás característico do Candomblé.

A ação do MPF teve origem em uma denúncia da Associação Nacional de Mídia Afro, que pedia a exclusão dos vídeos citados do Youtube pelas ofensas disseminadas contra as religiões com raízes africanas.

No início de 2014, o MPF chegou a recomendar que a representação do Google no Brasil deletasse os vídeos. Entretanto, segundo a Procuradoria, a empresa se negou a atender a orientação. A partir daí, o caso foi encaminhado à Justiça.

A Via Sacra dos índios (Diário do Amazonas/Taqui Pra Ti)

José Ribamar Bessa Freire

20/04/2014 – Diário do Amazonas

A Semana do Índio celebrada nas escolas do Brasil coincidiu este ano com a Semana Santa, quando o mundo cristão rememora a paixão e morte de Cristo. Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, a II Bienal Brasil do Livro e da Leitura programou no sábado de aleluia, Dia do Índio, o seminário Narrativas Contemporâneas da História do Brasil. Numa das mesas, no Auditório Jorge Amado, a índia Fernanda Kaingang, advogada com mestrado em Direito Público, debate as desigualdades sociais no Brasil com Muniz Sodré, Afonso Celso e este locutor que vos fala.

Qual é o índio celebrado cada ano, em abril, que emerge nas narrativas da história do Brasil? O índio de Pero Vaz de Caminha que permanece no imaginário dos brasileiros? Aquele escravizado pelos bandeirantes ou o catequizado pelos missionários? O índio da senadora Kátia Abreu e do agronegócio “obstáculo ao progresso”? Ou o das descrições etnográficas dos antropólogos, que nos ensina que outro mundo é possível? O “índio atrasado” ou o que acumulou sofisticados saberes? A vítima do colonialismo ou o combatente que resistiu?

Afinal, qual o pedaço de nós que comemoramos no Dia do Índio? Ou ele não é parte de nós? No século XVI, na polêmica com o advogado Sepúlveda, Bartolomeu De Las Casas afirmou que durante todo o período colonial milhares de Cristos foram crucificados na América, sem a esperança da ressurreição. Testemunha da dor, do sofrimento e da resistência dos índios, Las Casas descreve o trajeto seguido por eles carregando a cruz numa via sacra dolorosa, que vai do Pretório Ibérico até o Calvário, de 1492 aos dias atuais.

As Estações

Logo na 1ª Estação, o índio é condenado à morte. Colombo e Cabral que aqui desembarcam com a cruz, perguntam às Coroas Ibéricas: “O que faço com o índio?” Aqueles que querem se apropriar das terras indígenas gritam: “Que o crucifiquem”. Os reis lavam as mãos e através de leis e ordenações do Reino, entregam o índio aos seus súditos.

Despojado de suas terras, escravizado, na 2ª Estação, o índio começa a carregar a cruz às costas, num processo que não terminou. Las Casas registra a invasão das aldeias, o massacre e a prisão dos índios nas chamadas ‘guerras justas’: “Oh! Grande Deus e Senhor, como podiam ser escravizados de ‘forma justa’ estando em suas próprias terras e em suas casas sem fazer mal a ninguém?”.

Na 3ª Estação, o índio cai pela primeira vez, numa jornada de trabalho que dura até 18 horas diárias, segundo Las Casas que detalha o recrutamento de menores e mulheres gestantes, os acidentes de trabalho, os castigos físicos, as doenças, a alimentação insuficiente: “E até mesmo as bestas costumam ter um tempinho de liberdade para pastarem no campo e os nossos espanhóis nem sequer isto concediam aos índios”.

O encontro com a Mãe acontece na 4ª Estação. A Mãe Terra, que dá vida aos seres do universo, símbolo da fecundidade e da biodiversidade, tem sua alma transpassada por uma espada. Matas devastadas, minas escavadas em busca de metais preciosos, rios poluídos, animais, plantas e gente exterminados: a Mãe Terra é ferida de morte. Acontece a maior catástrofe demográfica da histórica da humanidade: nunca um continente foi esvaziado tão rapidamente como a América, escrevem os demógrafos da Escola de Berkeley.

A cruz pesa em demasia. Na 5ª Estação, os soldados obrigam Simão de Cirene, do Norte da África, a ajudar a carregar a cruz, ao lado do Negro oriundo do mesmo continente. Com o rosto ensanguentado, sujo, cansado e cheio de escarros, na 6ª Estação o índio espera que apareça uma Verônica para enxugá-lo, para deixar a imagem da coroa de espinhos gravada no lenço. Em vão. Como no poema “Los dados eternos”, de César Vallejo, vem a justificativa: “Tu no tienes Marias que se ván“.

Eliminar da História

Na 7ª Estação o índio, esgotado, cai pela segunda vez, depois das novas investidas dos bandeirantes, cujo modus operandi é descrito por Raposo Tavares em depoimento ao padre Vieira“Nós damos uma descarga cerrada de tiros: muitos caem mortos, outros fogem. Invadimos, então, a aldeia. Agarramos tudo o que necessitamos e levamos para as nossas canoas. Se as canoas deles forem melhores que as nossas, nós nos apropriamos delas, para continuar a viagem”.

As mulheres de Belém estavam na 8ª Estação, ao lado de Maria Quitéria de Jesus, a baiana heroína da Guerra da Independência, que depois recebeu o título de Patrona dos Oficiais do Exército Brasileiro. No encontro com o índio, as mulheres paraenses e até Maria Quitéria, embora sendo de Jesus, não choraram por ele, mas por elas mesmas e por seus filhos.

Na 9ª Estação, a terceira queda sob o peso da cruz ocorre, quando Paulo de Frontin, presidente da Comissão do Quarto Centenário do Descobrimento do Brasil, em 1900, no seu discurso oficial de abertura, declara:

“O Brasil não é o índio; os selvícolas, esparsos, ainda abundam nas nossas magestosas florestas e em nada differem dos seus ascendentes de 400 anos atrás; não são nem podem ser considerados parte integrante da nossa nacionalidade; a esta cabe assimilá-los e, não o conseguindo, eliminá-los”.

As cinco últimas estações da via sacra, a caminho do Calvário, se localizam já no Brasil republicano. O índio despojado de sua língua, de seus saberes, é definitivamente eliminado das narrativas sobre a história do Brasil.

Na 10ª Estação, o índio é esbofeteado na comemoração do 5° Centenário, em 2000, quando o então Ministro da Cultura, Francisco Weffort, depois de fazer uma apologia dos bandeirantes, propõe a criação do Museu Aberto do Descobrimento, incompatível com a historiografia crítica e com o projeto intelectual de renovação da cultura brasileira, numa vitória inequívoca do obscurantismo intelectual.

Anos depois, já como ex-ministro, Weffort publica o livro “Espada, Cobiça e Fé – As Origens do Brasil”.  No desenho que faz do nosso país, ele justifica o calvário dos índios, afirmando que os bandeirantes faziam “parte de uma cultura na qual a violência na vida cotidiana e o saqueio na guerra eram recursos habituais. (…) Sei que os bandeirantes foram brutais e violentos, mas conquistaram esta terra. Todos temos uma dívida com eles. Então é preciso entendê-los”.

Diakui Abreu

Na 11ª Estação, o índio é ferido de morte pelo escárnio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO, viche, viche) em artigo no Caderno Mercado da Folha de São Paulo – Cidadania, e não apito.Presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), ela repete pela milésima vez que o calvário dos índios se deve ao “difícil acesso à saúde e não à falta de terra“, fingindo não ver a relação entre uma e outra. Admite, no entanto, que “se o problema consiste em terra, que sejam compradas a preço de mercado” pelo Estado brasileiro “com seus próprios meios que são os impostos extraídos de toda a populaçao brasileira“.

Na 12 ª Estação, ela tenta convencer o índio agonizante que gosta dele e, por isso, “minha homenagem pessoal aos povos indígenas fiz a cada nascimento de meus filhos que não por acaso se chamam Irajá, Iratã e Iana”. Além das terras, a senadora se apropria também dos nomes indígenas. Anunciará qualquer dia, no Caderno Mercado, que vai ao Cartório mudar de Kátia para Diakui Abreu.

Na 13ª Estação, o deputado federal Osmar Seraglio (PMDB – PR, viche, viche), relator da Proposta de Emenda Constitucional – a PEC 215 – enfia uma lança no ventre do índio ao justificar, em artigo na FSP (19/04/14) que o poder de demarcar terras indígenas deve ser transferido do Executivo para o Congresso Nacional, atendendo os interesses da bancada ruralista, que torna inviável qualquer processo de demarcação.

O protagonista da 14ª e última estação é o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP- RS, viche, viche). Ele apoia a Portaria do Ministério da Justiça que, antes mesmo da aprovação da PEC 215, já permite a ingerência dos ruralistas nos estudos sobre demarcação de terras indígenas. Na audiência realizada no município de Vicente Dutra (RS), Heinze afirma que “índios, quilombolas, gays e lésbicas são tudo o que não presta”.

A partir daqui, a via sacra continua,desdobrando a agonia lenta e inexorável em outras estações, colocando em dúvida se um dia haverá ressurreição.