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Crow Tribe Elder, Historian Joe Medicine Crow Dead at 102 (New York Times)


Agora a versão portuguesa:

Morreu o último chefe índio dos Estados Unidos (RTP)

[Esse título é uma piada. Não é de estranhar que o jornalista português não saiba o mínimo necessário para falar sobre indígenas sem cometer o erro absurdo de considera-lo o “último” chefe índio, uma vez que os jornalistas brasileiros, que estão tão próximos das populações indígenas, tampouco sejam capazes de evitar tais gafes.-RT]

RTP 04 Abr, 2016, 15:38 / atualizado em 04 Abr, 2016, 15:50 | Cultura

Morreu o último chefe índio dos Estados Unidos

O presidente Obama, ao condecorar Joe Medicine Crow em 2009, debatendo-se com uma pena que lhe entrou pelo nariz. Foto:  Jim Young, Reuters

Joseph Medicine Crow, último chefe da tribo Crow, morreu com 102 anos de idade. Embora tenha nascido em 1913, era considerado uma memória viva do século XIX.

 Joseph Medicine Crow foi educado para ser um guerreiro, absorveu na sua tribo as narrativas de feitos heróicos, em especial a batalha nas margens do rio Little Bighorn, em 1876. Ouviu essas narrativas de guerreiros índios que ainda tinham participado na batalha. Recordavam-na como rara vitória que fora, dos índios sobre as tropas brancas, ocasionada pela aliança entre cheyennes sioux, contra a prática do general George Armstrong Custer, que habitualmente massacrava aldeias índias inteiras.

Custer, retratado sem contemplações no filme Little Big Man, protagonizado por Dustin Hoffman, foi morto na batalha, juntamente com mais de duas centenas de militares norte-americanos.

Na reserva de Lodge Grass, Montana, Joseph Medicine Crow foi treinado desde os seis anos de idade pelo seu avô, Cauda Amarela, para continuar as proezas guerreiras de chefes como Touro Sentado e Cavalo Louco, os dois líderes das tribos coligadas para a vitória de Little Bighorn. O avô fazia-o correr descalço sobre a neve, para criar resistências.

Segundo a nota publicada no New York Times por ocasião da sua morte, Medicine Crow seguiu, contudo, um outro caminho, numa época em que a resistência à ocupação branca já tinha terminado. Foi um dos primeiros índios estudarem e licenciou-se em antropologia em 1939. Mas depois veio a Segunda Guerra Mundial e voltou a emergir Crow, o guerreiro índio.

Entre os seus feitos de guerra conta-se o de roubar cavalos num acampamento inimigo e o de vencer em combate corpo-a-corpo um soldado alemão, a quem finalmente decidiu poupar a vida. Num livro publicado em 2006, Medicine Crow explicava que “fazer a guerra é a nossa arte suprema; mas para os índios da planície fazer a guerra não consiste em matar. É tudo uma questão de inteligência, de liderança e de honra”.

Quando voltou da guerra na frente europeia, Joseph Medicine Crow foi nomeado pelo conselho tribal como historiador da tribo. Diz-se que era dotado de uma memória prodigiosa e que conseguia, muitos anos depois, reproduzir grande parte das conversas que tivera com seis batedores índios que chegara a conhecer e que estiveram ao serviço do general Custer na batalha de Little Bighorn.

O empenhamento de Medicine Crow em cultivar as tradições da sua tribo como parte integrante de uma nação americana resultante do extermínio da população indígena valeu-lhe numerosos louvores e condecorações, mais recentemente por parte do presidente Barack Obama. Entre os elogios fúnebres que lhe fizeram os seus conterrâneos conta-se o do senador Steve Daines, nestas palavras algo ambíguas: “O espírito de Medicine Crow, a sua humildade e as realizações da sua vida, deixam uma marca duradoura na história de Montana”.

Livro traz relato sóbrio e claro sobre aquecimento global (Folha de S.Paulo)

Denis Russo Burgierman

19/03/2016

Quer um conselho sobre o mercado imobiliário? Não compre terreno baixo em frente ao mar : você vai pagar caro hoje e ele vai deixar de existir qualquer dia desses. Mas a verdade é que o traçado da costa não é a única coisa que vai mudar profundamente no mundo nos próximos anos por causa do clima. Quase tudo vai mudar: nenhuma história é tão importante quanto essa para o nosso futuro. Daí a importância de ler “A Espiral da Morte”.

O livro é resultado de 15 anos de trabalho do jornalista Claudio Angelo, ao longo dos quais ele fez cinco viagens às regiões polares das duas pontas do mundo, andando no gelo com cientistas do clima, voando com pesquisadores da Nasa, navegando com militantes do Greenpeace, conversando com caçadores de urso-polar.

Claudio é um sujeito comprometido com os temas que cobre: é o único repórter que já conheci que julgou importante tomar aulas de tupi. E ele tem vocação trágica: se apaixona por esses assuntos terríveis, essas tragédias de aparência irremediável (índios, clima…).

Claro que o resto de nós está ocupado demais com nossos Facebooks, com as campanhas do nosso time na Libertadores, com os roteiros rocambolescos da disputa política. Não temos tempo de ficar nos preocupando com o destino dos índios, dos ursos polares, dos icebergs, das baleias.

Divulgação
Larsen B, geleira que se rompeu em 2002
Larsen B, geleira que se rompeu em 2002

O que a maioria de nós nem suspeita é que essa história que A Espiral da Morte conta vai afetar profundamente a nossa vida – já está afetando. E também a vida dos nossos filhos, e a dos tataranetos dos tataranetos dos nossos filhos, e a dos nossos descendentes 40 mil anos no futuro.

O livro não é um manifesto para que juntos salvemos a natureza, nem uma profecia sombria do apocalipse que nos aguarda. É um relato sóbrio, tranquilo, claro, e com algum humor (negro) de tudo o que sabemos sobre o que está acontecendo neste exato momento nos lugares mais frios da Terra.

Enquanto damos like nuns posts e bloqueamos outros, bilhões de toneladas de gelo socado acumulado ao longo de milênios lentamente derretem nos extremos norte e sul do planeta, e vão ficando a cada dia mais escorregadios.

Não é muito fácil prever exatamente como o gelo vai derreter, como qualquer um que já bebeu uma dose de uísque sabe, mas já está absolutamente claro que está derretendo. Claudio sabe bem disso: ele ouviu o barulho (o estrondo de cachoeira vindo de debaixo do chão de uma geleira).

Um dia desses, pedações do tamanho de países inteiros começarão a despencar no mar como pingões de chuva, na Groenlândia e na Antártida. E aí o oceano do mundo vai subir, talvez vários metros. Em muitos lugares o ar vai secar. Tufões e furacões vão ficar cada vez mais frequentes, assim como epidemias espalhadas por mosquitos.

Enfim, não é exatamente uma leitura leve para levantar o astral – como aliás Claudio cuidou de deixar bem claro já no título. Mas, ainda assim, espero que muita gente leia.

Afinal, é meio assustador que algo tão enormemente importante, que definirá tão profundamente o destino de nossa espécie, seja tão pouco compreendido por nós humanos vivendo sobre a Terra.

É assustador que todos os grandes partidos políticos do Brasil façam projetos de grandes obras ignorando completamente o fato consumado de que o clima está mudando. É assustador que o desenho de nossas cidades, nosso modelo produtivo e nossa matriz energética continuem extremamente desorganizados, despreparados para a crise ambiental que já começou a chegar.

Eu estava lendo o catatau de quase 500 páginas anteontem, quando minha filha de 3 anos, decidida a evitar que eu cumprisse o prazo desta resenha para a Folha, entrou no meu quarto e pediu para eu contar a história do livro para ela. Quando ela viu a capa – um massivo iceberg groenlandês flutuando na água verde-esmeralda –, comentou: “que lindo, papai”. Sorri e olhei para ela. Subitamente, me dei conta de algo que nunca havia me ocorrido: talvez chegue um dia na vida dela em que será muito difícil encontrar uma única praia para ela se deitar ao sol.
DENIS RUSSO BURGIERMAN é diretor de Redação da revista “Superinteressante”

*

A ESPIRAL DA MORTE
AUTOR Claudio Angelo
EDITORA Companhia das Letras
PREÇO R$ 59,90 (496 págs.)
AVALIAÇÃO Muito bom

Meteorologista da Funceme. “A gente fica feliz com essas chuvas” (O Povo)

AGUANAMBI 282

DOM 24/01/2016

De acordo com o meteorologista da Funceme Raul Fritz, vórtice ciclônico, característico da pré-estação chuvosa, pode render chuvas intensas em janeiro, como ocorreu no ano de 2004

Luana Severo, luanasevero@opovo.com.br

FOTOS IANA SOARES

Segundo Fritz, a ciência climática não chegou a um nível tão preciso para ter uma previsão confiável 

Cotidiano

“Nós não queremos ser Deus, apenas tentamos antecipar o que pode acontecer”. Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Raul Fritz, de 53 anos, é supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ele, que afirmou não querer tomar o lugar de Deus nas decisões sobre o clima, começou a trabalhar para a Funceme em 1988, ainda como estagiário, pouco após uma estiagem que se prolongou por cinco anos no Estado, entre 1979 e 1983.

Os anos de prática e a especialização em meteorologia por satélite conferem a Fritz a credibilidade necessária para, por meio de mapas, equações numéricas e o comportamento da natureza, estimar se chove ou não no semiárido cearense. Ele compôs, portanto, a equipe de meteorologistas da Fundação que, na última quarta-feira, 20, previu 65% de chances de chuvas abaixo da média entre os meses de fevereiro e abril deste ano prognóstico que, se concretizado, fará o Ceará completar cinco anos de seca.

Em entrevista ao O POVO, ele detalha o parecer, define o sistema climático cearense e comenta sobre a conflituosa relação entre a Funceme e a população, que sustenta o hábito de desconfiar de todas as previsões do órgão, principalmente porque, um dia após a divulgação do prognóstico, o Estado foi tomado de susto por uma intensa chuvarada.

O POVO – Mesmo com o prognóstico desanimador de 65% de chances de chuvas abaixo da média entre os meses de fevereiro e abril, o cearense tem renovado a fé num “bom inverno” devido às recentes precipitações influenciadas pelo Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). Há a possibilidade de esse fenômeno perdurar?

Raul Fritz – Sim. Esse sistema que está atuando agora apresenta maior intensidade em janeiro. Ele pode perdurar até meados de fevereiro, principalmente pelas circunstâncias meteorológicas atmosféricas que a gente vê no momento.

OP – Por que o VCAN não tem relação com a quadra chuvosa?

Raul – A quadra chuvosa é caracterizada pela atuação de um sistema muito importante para o Norte e o Nordeste, que é a Zona de Convergência Intertropical (ZCI). É o sistema que traz chuvas de forma mais regular para o Estado. O vórtice é muito irregular. Tem anos em que ele traz boas chuvas, tem anos em que praticamente não traz.

OP – O senhor consegue lembrar outra época em que o VCAN teve uma atuação importante em relação às chuvas?

Raul – Em 2004, houve muita chuva no período de janeiro. Em fevereiro também tivemos boas chuvas, mas, principalmente, em janeiro, ao ponto de encher o reservatório do Castanhão, que tinha sido recém-construído. Mas, os meses seguintes a esses dois não foram bons meses de chuva, então é possível a gente ter esse período de agora bastante chuvoso, seguido de chuvas mais escassas.

OP – O que impulsiona o quadro de estiagem
no Ceará?

Raul – Geograficamente, existem fatores naturais que originam um estado climático de semiaridez. É uma região que tem uma irregularidade muito grande na distribuição das chuvas, tanto ao longo do território como no tempo. Chuvas, às vezes, acontecem bem num período do ano e ruim no seguinte, e se concentram no primeiro semestre, principalmente entre fevereiro e maio, que a gente chama de ‘quadra chuvosa’. Aí tem a pré-estação que, em alguns anos, se mostra boa. Aparenta ser o caso deste ano.

OP – A última seca prolongada no Ceará, que durou cinco anos, ocorreu de 1979 a 1983. Estamos, atualmente, seguindo para o mesmo quadro. O que é capaz de interromper esse ciclo?

Raul – O ciclo geralmente não ultrapassa ou tende a não ultrapassar esse período. A própria variabilidade climática natural interrompe. Poucos casos chegam a ser tão extensos. É mais frequente de dois a três anos. Mas, às vezes, podem se estender a esses dois exemplos, de cinco anos seguidos de chuvas abaixo da média. Podemos ter, também, alguma influência do aquecimento global, que, possivelmente, perturba as condições naturais. Fenômenos como El Niños intensos contribuem. Quando eles chegam e se instalam no Oceano Pacífico, tendem a ampliar esse quadro grave de seca, como é o caso de agora. Esse El Niño que está atuando no momento é equivalente ao de 1997 e 1998, que provocou uma grande seca.

OP – É uma tendência esse panorama de grandes secas intercaladas?

Raul – Sim, e é mais frequente a gente ter anos com chuvas entre normal e abaixo da média, do que anos acima da média.

OP – A sabedoria popular, na voz dos profetas da chuva, aposta em precipitações regulares este ano. Em que ponto ela converge com o conhecimento científico?

Raul – O profeta da chuva percebe, pela análise da natureza, que os seres vivos estão reagindo às condições de tempo e, a partir disso, elabora uma previsão de longo prazo, que é climática. Mas, essa previsão climática pode não corresponder exatamente a um prolongamento daquela variação que ocorreu naquele momento em que ele fez a avaliação. Se acontecer, ele acha que acertou a previsão de clima. Se não, ele considera que errou. Mas, pode coincidir que essa variação a curto prazo se repita e se transforme em longo prazo. Aí é o ponto em que converge. A Funceme tenta antecipar o que pode acontecer num prazo maior, envolvendo três meses a frente. É um exercício muito difícil.

OP – Geralmente, há uma descrença da população em torno das previsões da Funceme. Como desmistificar isso?

Raul – A previsão oferece probabilidades e qualquer uma delas pode acontecer, mas, a gente indica a mais provável. São três que nós lançamos. Acontece que a população não consegue entender essa informação, que é padrão internacional de divulgação. Acha que é uma coisa determinística. Que, se a Funceme previu como maior probabilidade termos chuvas abaixo da média em certo período, acha que já previu seca. Mas, a mais provável é essa mesmo, até para alertar às pessoas com atividades que dependem das chuvas e ao próprio Governo a tomarem precauções, se prevenirem e não só reagirem a uma seca já instalada.

OP – A Funceme, então, também se surpreende com as ocorrências de menor probabilidade, como o VCAN?

Raul – Sim, porque esses vórtices são de difícil previsibilidade. A ciência não conseguiu chegar num nível de precisão grande para ter uma previsão confiável para esse período (de pré-estação chuvosa). De qualquer forma, nos é exigido dar alguma ideia do que possa acontecer. É um risco muito grande que a Funceme assume. A gente sofre críticas por isso. Por exemplo, a gente lançou a previsão de chuvas abaixo da média, aí no outro dia vem uma chuva muito intensa. As pessoas não compreendem, acham que essas chuvas do momento vão se prolongar até o restante da temporada. Apesar da crítica da população, que chega até a pedir para fechar o órgão, a gente fica feliz com a chegada
dessas chuvas.

Frase

“A gente lançou a previsão de chuvas abaixo da média, aí no outro dia vem uma chuva muito intensa. As pessoas não compreendem, acham que essas chuvas do momento vão se prolongar até o restante da temporada”

Raul Fritz, meteorologista da Funceme

VIDEO

Raul Fritz, o cientista da chuva

IANA SOARES/O POVO

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Raul Fritz, de 53 anos, é supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ele começou a trabalhar para a Funceme em 1988, ainda como estagiário, pouco após uma estiagem que se prolongou por cinco anos no Estado, entre 1979 e 1983.

France’s top weatherman sparks storm over book questioning climate change (The Telegraph)

Philippe Verdier, weather chief at France Télévisions, the country’s state broadcaster, reportedly sent on “forced holiday” for releasing book accusing top climatologists of “taking the world hostage”

Philippe Verdier's outspoken views reportedly led France 2 to send him on a 'forced holiday'

Philippe Verdier’s outspoken views reportedly led France 2 to send him on a ‘forced holiday’ 

 By , Paris

Every night, France’s chief weatherman has told the nation how much wind, sun or rain they can expect the following day.

Now Philippe Verdier, a household name for his nightly forecasts on France 2, has been taken off air after a more controversial announcement – criticising the world’s top climate change experts.

Mr Verdier claims in the book Climat Investigation (Climate Investigation) that leading climatologists and political leaders have “taken the world hostage” with misleading data.

In a promotional video, Mr Verdier said: “Every night I address five million French people to talk to you about the wind, the clouds and the sun. And yet there is something important, very important that I haven’t been able to tell you, because it’s neither the time nor the place to do so.”

He added: “We are hostage to a planetary scandal over climate change – a war machine whose aim is to keep us in fear.”

His outspoken views led France 2 to take him off the air starting this Monday. “I received a letter telling me not to come. I’m in shock,” he told RTL radio. “This is a direct extension of what I say in my book, namely that any contrary views must be eliminated.”

The book has been released at a particularly sensitive moment as Paris is due to host a crucial UN climate change conference in December. 

 par Editions_Ring

According to Mr Verdier, top climate scientists, who often rely on state funding, have been “manipulated and politicised”.

He specifically challenges the work of the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC, saying they “blatantly erased” data that went against their overall conclusions, and casts doubt on the accuracy of their climate models.

The IPCC has said that temperatures could rise by up to 4.8°C if no action is taken to reduce carbon emissions.

Mr Verdier writes: “We are undoubtedly on a plateau in terms of warming and the cyclical variability of the climate doesn’t not allow us to envisage if the natural rhythm will tomorrow lead us towards a fall, a stagnation or a rise (in temperature).”

The 330-page book also controversially contains a chapter on the “positive results” of climate change in France, one of the countries predicted to be the least affected by rising temperatures. “It’s politically incorrect and taboo to vaunt the merits of climate change because there are some,” he writes, citing warmer weather attracting tourists, lower death rates and electricity bills in mild winters, and better wine and champagne vintages.

Asked whether he had permission from his employer to release the book, he said: “I don’t think management liked it, let’s be honest.”

“I put myself via this investigation on the path of COP 21, which is a bulldozer, and we can see the results.”

The book was criticised by French newspaper Le Monde as full of “errors”. “The models used to predict the average rise in temperatures on the surface of the globe have proved to be rather reliable, with the gap between observations and predictions quite small,” it countered.

Mr Verdier told France 5: “Making these revelations in the book, which I absolutely have the right to do, can pose problems for my employer given that the government (which funds France 2) is organising COP [the climate change conference]. In fact as soon as you a slightly different discourse on this subject, you are branded a climate sceptic.”

He said he decided to write the book in June 2014 when Laurent Fabius, the French foreign minister, summoned the country’s main weather presenters and urged them to mention “climate chaos” in their forecasts.

“I was horrified by this discourse,” Mr Verdier told Les Inrockuptibles magazine. Eight days later, Mr Fabius appeared on the front cover of a magazine posing as a weatherman above the headline: “500 days to save the planet.”

Mr Verdier said: “If a minister decides he is Mr Weatherman, then Mr Weatherman can also express himself on the subject in a lucid manner.

“What’s shameful is this pressure placed on us to say that if we don’t hurry, it’ll be the apocalypse,” he added, saying that “climate diplomacy” means leaders are seeking to force changes to suit their own political timetables.

According to L’Express magazine, unions at France Television called for Mr Verdier to be fired, but that Delphine Ernotte, the broadcaster’s chief executive, initially said he should be allowed to stay “in the name of freedom of expression”.

Software tool allows scientists to correct climate ‘misinformation’ from major media outlets (ClimateWire)

ClimateWire, April 13, 2015.

Manon Verchot, E&E reporter
Published: Monday, April 13, 2015
After years of misinformation about climate change and climate science in the media, more than two dozen climate scientists are developing a Web browser plugin to right the wrongs in climate reporting.

The plugin, called Climate Feedback and developed by Hypothes.is, a nonprofit software developer, allows researchers to annotate articles in major media publications and correct errors made by journalists.

“People’s views about climate science depend far too much on their politics and what their favorite politicians are saying,” said Aaron Huertas, science communications officer at the Union of Concerned Scientists. “Misinformation hurts our ability to make rational decisions. It’s up to journalists to tell the public what we really know, though it can be difficult to make time to do that, especially when covering breaking news.”

An analysis from the Union of Concerned Scientists found that levels of inaccuracy surrounding climate change vary dramatically depending on the news outlet. In 2013, 72 percent of climate-related coverage on Fox News contained misleading statements, compared to 30 percent on CNN and 8 percent on MSNBC.

Through Climate Feedback, researchers can comment on inaccurate statements and rate the credibility of articles. The group focuses on annotating articles from news outlets it considers influential — like The Wall Street Journal or The New York Times — rather than blogs.

“When you read an article it’s not just about it being wrong or right — it’s much more complicated than that,” said Emmanuel Vincent, a climate scientist at the University of California, Merced’s Center for Climate Communication, who developed the idea behind Climate Feedback. “People still get confused about the basics of climate change.”

‘It’s crucial in a democracy’

According to Vincent, one of the things journalists struggle with most is articulating the effect of climate change on extreme weather events. Though hurricanes or other major storms cannot be directly attributed to climate change, scientists expect warmer ocean temperatures and higher levels of water vapor in the atmosphere to make storms more intense. Factors like sea-level rise are expected to make hurricanes more devastating as higher sea levels allow storm surges to pass over existing infrastructure.

“Trying to connect a weather event with climate change is not the best approach,” Vincent said.

Climate Feedback hopes to clarify issues like these. The group’s first task was annotating an article published inThe Wall Street Journal in September 2014.

In the piece, the newspaper reported that sea-level rise experienced today is the same as sea-level rise experienced 70 years ago. But in the annotated version of the story, Vincent pointed to research from Columbia University that directly contradicted that idea.

“The rate of sea level rise has actually quadrupled since preindustrial times,” wrote Vincent in the margins.

Vincent hopes that tools like Climate Feedback can help journalists learn to better communicate climate research and can make members of the public confident that the information they are receiving is credible.

Researchers who want to contribute to Climate Feedback are required to have published at least one climate-related article that passed a peer review. Many say these tools are particularly important in the Internet era, when masses of information make it difficult for the public to wade through the vast quantities of articles and reports.

“There are big decisions that need to be made about climate change,” Vincent said. “It’s crucial in a democracy for people to know about these issues.”

Conversation with Gabriella Coleman about her latest book “Hacker, Hoaxer, Whistleblower, Spy: The Many Faces of Anonymous” (Fruzsina Eördögh)

 Author: 

shelfie hibbard for twitter

Here is the unedited 30 minute conversation/interview with Coleman, three times the length as the one published on CSM’s Passcode

FE: I finally finished your book last night…. at 3 in the morning….  it’s a pretty long book… while I was reading it, it hit me that this book is really about everything that has to do with the modern Internet, so in that way it makes sense why it is so long… you have to provide context for all these different and new concepts that no one has really written about.

GC: that’s something that’s been interesting to see the reviews, a lot of them have been repetitive. It is about Anonymous, but it is about so much more….

FE: Like modern activism…

GC: yeah, and what it means for hackers… they’ve really coalesced into a major political force just in the last five or six years.

FE: I’m glad you brought the political activism angle, do you think there will ever be an Anonymous political party?

GC: I don’t think so, they’re going to continue in their guerrilla war fashion, but we will see more hackers in government, for sure. Anonymous has to be independent… there’s no way that they can overtly work with government…

FE: So, onto prepared questions… what does the media still get wrong about Anonymous?

GC: I am currently writing this article for this anthropology book about relationships with journalists, and how I came to see journalism differently over time, just as the same way Anonymous is not unanimous, the same can be said for journalism. There are much more local journalists, and some are fucked up, there are structural constraints, and it is the same for Anonymous.

GC:  But basically, I do think a lot of journalists get it, and initially there was three things that were really difficult.

First, so many people just wanted to say that they were all hackers and I think over time a great majority realized that sure hacking is very important, but what makes Anonymous interesting is precisely the fact that general geeks can join.

GC:  The second has to do with the leader issue and for that first year [of research], in 2011, so many people, even journalists that I respect, were still wanting to boil down leadership to sabu or topiary. While it is absolutely the case that the hacker groups command more power, for example, topiary and sabu were two of those charismatic public figures so they became really important brokers between the world of Anonymous and the public, these are not leaders… the chat logs show how organic everything arises.

GC: And that’s really tough to understand [for outsiders], and still continues a little bit, except for those people who have actually bothered to find out about Anonymous. Here’s a great story: a senior investigative reporter producer for one of the top networks contacted me soon after operation ISIS started, and they were like, well, you know, “can you get us in touch with the Julian Assange type figure in Anonymous?”  and I was like “oh my god, did you just not read a single article? Because had you read a single article” the journalism has gotten so good, I think, that he wouldn’t have asked such a stupid question.

FE: it’s an easier narrative to sell, it’s easier to understand, for them to do their job.

GC: it is, for sure,

FE: but on the other hand that’s a bit of laziness, because the simplest explanation is not always the correct explanation

GC: that’s right, and everyone else has accommodated, including much of mainstream journalism…

And one final bit, while looking over my notes from the first year, there was a lot of characterization of Anonymous as vigilantes, I actually don’t think there was a lot of vigilante operations that year!  A lot of that came later…

FE: or a lot of that was the lower case anons, on 4chan, when they were like, “OMG people abusing cats,” or “my gf dumped me, let’s harass her on Facebook.”

GC: that’s exactly it. And a lot of people in the public and some journalists still think they’re primarily vigilantes, while it is — I don’t have a number but it is probably a quarter or less of their operations, are vigilante operations.

FE: Speaking of vigilantism, about the “white knight ops”… do you think they were the best way Anonymous could have chosen to endear themselves to the general public and to feminists?

GC: I generally agree, although it’s fascinating because Steubenville is what put them on the map in that “white knight oping” I think overall– and this is one of the most heavily qualified statements– they did a service but they did it poorly. I do think the two subsequent ones were executed with a lot more precision and nuance, thankfully.

But I wish that had been the case with Steubenville as well. We have to take seriously that collateral damage but I also think it’s something journalists also fall prey to as well, they make these big big mistakes when they take action and they should do everything possible to call out folks who do that, like that Rolling Stone piece, but I am not going to damn the entire bit of Anonymous for making those mistakes, for one person, unless they keep on doing it time after time but they didn’t.

FE: yeah that’s one of Anonymous’ strengths, that they adapt over time

GC: exactly, so you’ve really got to fully take that into account and the biggest mistake that came after Steubenville came over a year later, with Darren Wilson, rather, not correctly identifying Darren Wilson —

FE: oh but that The Anon Message account is just a whole other issue —

GC: exactly, crazy, he’s totally crazy, and you’re going to get that sometimes, you’re going to get the loose cannon and that is one of the weaknesses of Anonymous, that loose cannon person

FE: it’s weird though, that everyone in the community knows that TAM is a loose cannon, untrustworthy, but then media outlets still take what he says seriously

GC: yeah, and that’s maybe one of the weaknesses to raise, when you don’t have a spokesperson, to say “hey don’t listen to them” and I at one time took that role, and helped a lot of journalists, saying “he is credible, she is credible, he is not credible” but because I am not active any more I don’t play that role.

FE: it’s interesting that Anonymous hasn’t really decided to create like an IRC channel that is just for press,

GC: I would say in 2011, the AnonOps reporter channel was that way, but post when AnonOps was DDoSed, when Ryan Cleary dropped all the IP addresses, AnonOps became less of a central place…and that reporter channel couldn’t function in the way it once did. You’re right, there isn’t a single place you can go today for that type of verification…it’s much more fragmented today.

FE: Were you aware of the controversy around KYanonymous?

GC: he was one of the people I could have featured like I did with Barrett Brown, but I had less original material…

FE: KY is just so horribly hated, and I read a lot of posts and talked to a lot of people who are convinced everything they say about him online is true–

GC: yeah, it’s hard to dig in, because on the one hand the reality is he went on talk shows and he was pushing his rap music, but I think they demonized him a little bit too much, if that makes sense. Had he just been like, “yo, I’ve been arrested,” and he didn’t try to financially capitalize, I think [Anons] would have come and financially supported him. They ostracize those that try to convert their personal relationships inside Anonymous for personal gain, and they would have, I’M SURE, organized a financial campaign to help him… but it was too much, to sell his story to Rolling Stone, which got sold as movie rights, and the rap stuff, you know in some ways, [similar to] Barrett Brown

FE: What’s your take on the general Anon view of women? You mentioned it briefly in your book, when talking about AnonOps 2011

GC:  so the hackers are all male, and we could blame Anonymous for keeping them out, but they are not keeping black hat hackers out because they barely exist. Now that said, there is a culture where they embrace this very offensive language, including misogynistic language, and this is obviously going to be a barrier, not simply for women but certain quarters of the leftist community.

There are definitely women who participate, I put the number at about 25% so probably much higher than Open Source development and they play key roles with Twitter accounts, organizers, these sorts of things, but it is certainly the case that… my experience is that leftists tend to love Anonymous or hate Anonymous

GC: they love Anonymous because they’re bold, taking action, and some of whom are still uncomfortable with the language, like how Jeremy Hammond was, but still decided that it was worth it, others who kind of enjoy the transgressive language, and then among a kind of  a camp on the left, understandably, their language politics are too naive and they don’t buy into the importance of transgressing language and norms and that acts as a barrier for them. i won’t be able to solve this question right now I actually go back and forth myself on the language issue, and certainly, it can act as a barrier for women and some leftists in general. That is just a fact. whether or not you agree with the language politics, it can and will act as a barrier.

FE: I thought with the “white knight ops” that it would draw more women to Anonymous, but it didn’t really, probably because of the language and the culture.

GC: that’s right, feminists were very torn, some saw them as quite bold and I quoted someone in that position, I quoted another woman, Jackie, was the woman that could see the value, but there’s others who really are just like, “it’s incredibly regressive.”

FE: Did you find any challenges while researching and writing about Anonymous and their taboo relationship with “the online troll?”

GC: yeah, for sure, I mean, like, because of trolling or…?

FE: as in, do people take what you have to say less seriously because you are caught up in this trollish community, did you have to take extra time to prove your point because of the troll stigma…

GC:  I do not evny those folks who have to write purely on trolling, because you become polluted by the trolls. Many people can respect very much what you do but a lot of people, and I’ve seen this with some of my good friends that write about trolls, some people, you know they are not giving trolls a free pass whatsoever, they’re trying to go beyond, “it’s simply racism”… there’s other things going on, right. As a result, they become polluted by the trolls and certain academics are really critical of that type of scholarship. Which is very very problematic. I was certainly concerned because I addressed trolls to some degree but I was relieved that I didn’t address it deeply.

FE: it makes me think of Whitney Phillips’ book

GC: [00:20:15.00] OFF THE RECORD DISCUSSION [00:21:05.07]

You know one of the difficulties is weev, in a lot of ways, because, obviously I interacted with him a lot and I really did want to convey how frightening of a troll he was, but not necessarily, simply moralize it from the get-go but show the cultural logic. I think I succeeded. Some of his victims thanked me for not white-washing him. But also, I went beyond the kind of moral narrative of good and bad even though I think it was pretty clear.

GC: As I like to say [to] weev [who] likes to call himself puck, “no, you’re more like loki, because loki is really fucking frightening and is far more playful.”

FE: do you feel DDoS will ever be recognized as a form of protest?

GC: Yeah, it might, in certain places of the world, certainly not the United States.

FE: why not the United States?

GC:Because it falls under the Computer Fraud and Abuse Act, because the United States has zero tolerance for “computer crimes” right, it will put anything under, any attack under the CFAA and just the history has shown they are not going to budge on this. Granted, the paypal14 outcome was more favorable than I expected, and this goes to show [that if] there is a big movement behind a case [it] can make a difference. If people weren’t watching, if there wasn’t a Free Anonymous campaign, if they didn’t have great lawyers, it would be much worse.

FE: so in your book you wrote that Brazil, Italy and Hispanic-Mexican Anons were the largest contingent. Do you still think that is the case in 2015?

GC: yeah, Italy not so much because there have been a lot of arrests, but certainly lulzsec peru is still kicking strong, and even in September they had that famous hack against the Peruvian government, that linked to emails that exposed corruption.

I have to see about Asia, not too sure about today, but certainly for the Umbrella Revolution they were quite active with hacking but again, we’re not seeing that coverage, understandably, Anonymous is quite hard to study now because of the language barrier, but once you differentiate between no activity versus global off-shoring…

FE: A few people think German Anons have best hackers right now,

GC: What you can say is that they’ve gotten smarter, they’re being quieter, hiding their tracks, [CUT]

FE: there’s so many levels of irony, contradictions to various aspects of Anonymous, right, like how they forgo identity yet are incredibly publicity hungry, they are leaderless, but then they always have a handful of temporary leaders for short periods of time, they’re not anyone’s personal army and yet they are, for someone or for a cause…

GC: and in many of their operations people are like, “hey help us,” and sometimes they initiate it but others… like Ferguson comes to mind, where they said “hey, we need Anonymous”

FE: and Anonymous is like, “yeah, we’ll be your Batman!”

GC: exactly

FE: and the last one is how it is not entirely Anonymous, the collective has to be pseudo-anonymous to function, so… out of all these levels of contradictions, which one do you think is the hardest to explain, and get around?

GC: [CUT]

I think the hardest thing to convey is the changing structures of leadership, because people still are like, “but there must be leaders” when they say there is not a single spokesperson, and then I have to agree with them in that certain moments, certain teams or individuals are more important than others but, because of the fact that there are multiple ones, and it is highly dynamic and shifts, it means that it doesn’t resemble a certain organization where there really is a chosen spokesperson, or having an assigned roles, like with Red Hat Turkish group.

GC: I think some people have trouble understanding because they’ve never been on internet relay chat, and they don’t know what the exchange looks like, and that’s completely understandable that they can’t grasp the reality of those chats, and that was one of the reasons why I included so many chats in the book and why I also included the hackers working together and in a small team. And what’s interesting about Anonymous and this also goes back to the contradiction, it’s not simply that there is a shifting leadership, you have small teams that are very controlled at some level even if it is very much consensus-based and you have those big channels in the public that can determine what happens. This is why I included that example of the back channel DDoSing the Motion Picture Association of America and then when the group outed itself in the public channel and then the public channel engaged in mutiny,

FE: hanging out in IRC is quite a trip

BC: it really makes your ADHD worse…but that’s really hard because it is not simply the contradiction, if you have not experienced this interchanging spaces it is very understandably hard to wrap your head around it.

FE: I think that people are just confused that you can have leaders of a group of 10 people, and there will be 3 “leaders,” and they’ll only be “leaders” for a day or two, or a week,

GC: and some people like Commander X is really liked by some, and hated by some, so like the important movers and shakers he also gets a bad rap because he has talked to the media. But then he’s also put in a lot of work, and gets stuff done…

But you’re absolutely right, there’s a series of contradictions and that really defines who Anonymous is and it’s hard to convey some of them,

FE: it’s like in your book, when you mention you are breaking down the myth, but at the same time, that myth is what draws people to Anonymous so you also uphold it, it is a balancing act

GC: and that was like the central idea, I didn’t reveal it until the end, but yeah, my whole book is traveling this contradictory set of goals… there are too many misconceptions but I also wanted to make it exciting and enchanting and all sorts of things.

FE: so Barrett Brown, I know you said you didn’t want to talk about him, but…why do you think he was given more prison time?

GC: I think he was given… well, there are a couple things going on. Over the course of the history of transgressive hacking, or hacktivism, he’s not a hacker — so he took part in the hacktivism without the hacking — but whether it is Kevin Mitnick and the past, or now Barrett Brown, I think the state does want to create an example out of certain people, and he is the example of the non-hacker rabble-rouser who gets very close to the hackers,

FE: it’s very upsetting to me, because it’s like they are villianizing PR. PR is not a crime, and maybe that’s why he keeps denying he was a spokesperson… even if he wasn’t technically the official spokesperson, he still functioned like a PR rep,

GC: exactly, it’s true he was at times very close and involved in a lot of operations but you know, I was there for a lot of the Stratfor stuff, and Antisec was keeping him at bay. They didn’t even give him the emails! So it was really this unbelievable witch hunt against him, and it is true they capitalized off the fact that he was a central participant to kind of make their case, even though I think it was really ungrounded.

Negacionistas do clima e da evolução não são ‘céticos’ (Folha de S.Paulo)

POR MAURÍCIO TUFFANI

21/02/15  13:53

Página de petição provida pelo CSI (Comitê para Investigação Cética). Imagem: ReproduçãoPágina de petição provida pelo CSI (Comitê para Investigação Cética). Imagem: Reprodução

Já conta com quase 23 mil assinaturas de cientistas a petição “Negadores não são céticos”, promovida nos Estados Unidos em apelo à  imprensa para deixar de chamar de “céticos” os negadores do aquecimento global antropogênico, isto é, provocado pela ação humana e além do efeito estufa natural. Organizada pelo CSI (Comitê para Investigação Cética) em dezembro do ano passado, a iniciativa pretende alcançar 25 mil assinaturas de pesquisadores.

O comitê foi criado em 1976, tendo entre seus objetivos o de “promover a pesquisa por meio da investigação objetiva e imparcial em áreas onde ela for necessária”. O grupo reúne cerca de 100 pesquisadores de projeção internacional, inclusive ganhadores do Prêmio Nobel, como os físicos norte-americanos Murray Gell-Mann (1969), Steven Weinberg (1979) e o químico britânico Harry Kroto(1996). Na petição, os membros do conselho executivo do CSI afirmam:

“estamos preocupados por as palavras ‘cético’ e ‘negador’ terem sido confundidas pela mídia popular. O verdadeiro ceticismo promove a investigação científica, a investigação crítica e do uso da razão ao examinar alegações controversas e extraordinárias. Ele é fundamental para o método científico. A negação, por outro lado, é a rejeição a priori de ideias sem consideração objetiva.”

Mau uso

A expressão “céticos do clima” e suas variações passaram a ser usadas mais intensamente a partir de 2001 com o lançamento do livro “O Ambientalista Cético”, do estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg. Em 2003, o Comitê Dinamarquês sobre Desonestidade Científica concluiu que essa obra se enquadrava em seus critérios de má-conduta na pesquisa, pois seus dados argumentos se baseados em pesquisas não foram contrapostos por fontes semelhantes, mas praticamente só por reportagens.

Os autores do abaixo-assinado têm razão ao apontar esse mau uso do termo “cético”. De fato, não há problema em usar a palavra para se referir a pesquisadores que, por razões exclusivamente acadêmicas, e sem ser recorrer a más-condutas científicas, contestam o aquecimento global antropogênico.

Lobbies

O problema é que entre os mais atuantes contestadores da mudança climática tem sido difícil encontrar exemplos de interesse exclusivamente científico, que são minoria na comunidade científica e mal aparecem na imprensa. Desse modo, o rótulo tem sido muito mais aplicado a políticos e também a acadêmicos e especialistas comprometidos com lobbies da indústria do petróleo e de grupos atrasados do agronegócio.

Esses grupos são contrários às ações propostas pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas) para reduzir as emissões de gases estufa, especialmente pelo uso de combustíveis fósseis. Por essa razão eles rejeitam as conclusões cientificas do painel da ONU sobre a origem humana do aumento de 0,85ºC da temperatura média global de 1888 a 2012 e de sua previsão de até 2100 a elevação a partir de agora ultrapassar 2ºC, podendo chegar a 4,5ºC.

Um exemplo desses lobbies é o do American Enterprise Institute, que recebe recursos do grupo Exxon, como mostrou a reportagem “Crescem pedidos de quebra de sigilo de climatologistas dos EUA, publicada pela Folha na quinta-feira (19.fev). Entidades que atuam da mesma forma e também têm suporte de empresas petrolíferas são o Energy & Environmental Legal Institute, dos EUA, e a GWPF (Fundação da Política do Aquecimento Global), sediada em Londres, no Reino Unido.

Rótulos

A petição do CSI finaliza dizendo:

“Somos céticos que dedicaram grande parte de nossas carreiras para praticar e promover o ceticismo científico. Pedimos aos jornalistas que tenham mais cuidado ao reportarem sobre aqueles que rejeitam a ciência do clima, e mantenham os princípios da verdade nessa classificação. Por favor, parem de usar a palavra ‘cético’ para designar negadores.”

Na verdade, faltou ao CSI nessa reclamação ser realmente crítico, pois o mau uso condenado pelo comitê não é exclusivo dos meios de comunicação. Além de muitos pesquisadores, inclusive em artigos científicos, até mesmo autoridades das Nações Unidas também têm empregado o rótulo dessa forma, como o próprio secretário-geral Bam Ki-Moon, que em um pronunciamento em setembro do ano passado afirmou:

“Vamos reunir esforços para empurrar para trás céticos e interesses entrincheirados.”

Na língua portuguesa já tem sido usado o neologismo “negacionistas” para designar esses negadores com segundas intenções, entre elas a rejeição às metas de redução da emissão de gases estufa, previstas no protocolo de Kyoto, criado em 1997 no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática e vigente desde 2005.

Muitos jornalistas têm adotado o cuidado de usar aspas ao reportarem sobre negacionistas. Foi o que fiz na segunda-feira (16.fev) ao publicar neste blog o post “O ciclo do carbono e os ‘céticos’ do clima”. Outro recurso também tem sido fazer referência a eles como “os autodenominados” ou “os chamados céticos”.

Filosofia

Além do significado científico apontado pelo CSI, o termo “cético” teve inicialmente um sentido filosófico. O ceticismo é a corrente cujo maior expoente na Antiguidade foi Pirro de Élis (c. 360-275 a.C.), cujo pensamento foi resgatado na obra “Hipotiposes Pirrônicas”, de Sexto Empírico (c. 160-210 d.C.). Pirro propunha a ataraxia, que em grego significa a imperturbabilidade diante de questões controversas, como explica o professor de filosofia Plínio Junqueira Smith, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo):

“A terapia pirrônica, tal como no-la descreve Sexto, faz-se por meio da oposição de discursos e razões e supõe que os dogmáticos sofrem de precipitação e arrogância, que se manifestariam na adesão apressada a um discurso argumentativo e a uma tese em detrimento da tese e discurso argumentativo opostos. O problema do dogmático não consiste na adoção desta ou daquela tese filosófica, mas numa atitude que se caracteriza pela precipitação e pela arrogância. É essa atitude, segundo Sexto, que deve ser tratada. Além disso, a idéia pirrônica é que essa atitude dogmática é fonte de perturbação e de uma vida pior.”
(Plínio Junqueira Smith, “Ceticismo dogmático e dogmatismo sem dogmas”, revista “Integração”, nº 45, abr/mai/jun 2006, págs. 181-182.)

Enfim, os negacionistas não têm nada a ver com o ceticismo, seja no sentido científico ou no filosófico. Além disso, pouco importa para eles que as ações propostas para reduzir as emissões crescentes de gases estufa estão também diretamente relacionadas à prevenção de outros impactos ambientais, como a poluição do ar e das águas e a devastação de áreas de vegetação nativa, que trazem prejuízos cada vez maiores para a capacidade de o planeta atender às necessidades humanas atuais e das futuras gerações.

O pior de tudo é que também existem negacionistas da teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural. E eles já começaram a se autodenominar “céticos da evolução” ou “céticos de Darwin”. Só falta essa impostura ser consagrada pelo uso!

Tres imágenes que ilustran la tensión en Brasil antes del Mundial (BBC Mundo)

Gerardo Lissardy

BBC Mundo, Brasil

30 Mayo 2014

Maracaná

Las imágenes de esta semana difieren radicalmente del mensaje oficial respecto del Mundial.

Tres imágenes de Brasil esta semana parecieron convertir en un abismo la distancia que separa la realidad de algunos mensajes oficiales sobre el Mundial que comienza en 13 días.

Una de ellas mostró a un grupo de profesores en huelga rodeando el autobús de la selección brasileña en Río de Janeiro el lunes, reclamando por los costos astronómicos de la Copa. Otra imagen salió de Brasilia cuando policías a caballo lanzaron gas lacrimógeno a activistas anti-Mundial e indígenas con arcos y flechas cerca del moderno estadio mundialista.

La tercera apareció en las redes sociales: un texto compartido por la directora ejecutiva del Comité Organizador Local (COL) de la Copa diciendo que “lo que había de ser gastado, robado, ya fue”.

¿Qué dicen estas imágenes acerca del Mundial que llega a Brasil?

1. Falla de seguridad

Profesores en huelga protestan frente al bus de la selección de Brasil

El cerco de manifestantes al bus de la selección brasileña fue considerado una falla de seguridad

De pronto, decenas de manifestantes rodearon el vehículo, lo tapizaron de adhesivos con reclamos gremiales y algunos llegaron a golpearlo. La situación demoró varios minutos el avance del bus.

La protesta buscó mostrar “el tamaño de la crisis que existe en Brasil en relación a la educación”, declaró allí Vera Nepomuceno, miembro del sindicato de profesores de Río. Uno de los gritos de los manifestantes decía que “un educador vale más que Neymar”.

Pero la escena también expuso fallas en el operativo de seguridad montado para proteger a las estrellas verde-amarelas, que fue fácilmente vulnerado por los docentes.

“El sistema de seguridad no esperaba semejante osadía por parte de los manifestantes”, dijo Paulo Storani, experto en seguridad pública y exdirector del Batallón de Operaciones Especiales (BOPE) de Río, a BBC Mundo.

Este hecho llevó al gobierno de Dilma Rousseff a pedir al Ejército que asuma la seguridad de aeropuertos, hoteles y calles donde pasarán las 32 selecciones del Mundial, informó el jueves el diario O Globo.

Los ministros de Rousseff insisten en que los extranjeros que vengan a la Copa estarán seguros.

Pero Storiani sostuvo que la imagen de esta semana fue preocupante. “Si hubiera alguna manifestación que pueda llegar a algo próximo o peor de lo que ocurrió el lunes, hay posibilidades de crear una crisis en la Copa, porque es lógico que cualquier delegación extranjera va a exigir un mínimo de seguridad”, indicó.

2. Gases, arcos y flechas

Indígena apunta su arco y flecha en una protesta en Brasilia

Una imagen impensable a días del Mundial en Brasil

Cuando Brasil fue elegido en 2007 como sede del Mundial de este año, sus autoridades esperaban que el evento proyectase al planeta la imagen de un país pujante y en desarrollo.

Pero la foto que salió el martes de Brasilia, con policías montados lanzando gases lacrimógenos a activistas anti-Copa e indígenas apuntando con arcos y flechas a los uniformados, muestra otra cosa.

Fue una de las tantas protestas de grupos sociales en Brasil por los US$11.000 millones que costó organizar el Mundial. Y los indígenas, que estaban en la capital para oponerse a un proyecto que cambia las reglas de demarcación de sus tierras, se unieron en el momento a la marcha.

La confrontación ocurrió cuando más de 1.000 manifestantes intentaron acercarse al Estadio Nacional de Brasilia y la policía lo impidió con gases lacrimógenos.

En medio de la confusión, algunos indígenas llegaron a lanzar flechas, una de las cuales hirió levemente a un policía.

Los incidentes obligaron a cancelar la exhibición de la Copa del Mundo en el estadio, el cual tendrá un costo cercano a US$850 millones, cerca del triple de lo proyectado inicialmente.

“Brasil fue muy ingenuo con el Mundial: se creía que sólo iba a ganar”, dijo Renzo Taddei, un antropólogo de la Universidad Federal de São Paulo especializado en conflictos sociales.

Pero agregó que imágenes como las del martes en Brasilia muestran otra cosa y, respecto a los indígenas, exponen un viejo conflicto acerca de sus derechos “que nunca se resolvió”.

3. Copa y corrupción

El mensaje en Instagram

Este mensaje en Instagram desató un debate.

Esta imagen de un texto contra las protestas en el Mundial apareció en la red social Instagram y rápidamente se volvió viral y polémica.

Quien la publicó en su cuenta personal el martes fue Joana Havelange, directora ejecutiva del COL del Mundial, nieta del expresidente de la FIFA Joao Havelange e hija del expresidente de la Confederación Brasileña de Fútbol (CBF), Ricardo Teixeira.

“Lo que había de ser gastado, robado, ya fue. Si era para protestar, tenía que haberse hecho antes”, se lee en un pasaje del texto.

La controversia por la referencia a robos llevó a un diputado estatal de Río, Marcelo Freixo, a solicitar al Ministerio Público que exija explicaciones a Havelange.

El COL indicó luego que la autoría de la carta no habría sido de su directora y ésta negó vía internet que haya prestado atención a la frase sobre los robos, que negó compartir y retiró del texto.

Pero la imagen del texto inicial rozó un nervio sensible en un país donde muchos creen que el Mundial fue aprovechado por corruptos y descreen del discurso oficial sobre el “legado” del evento.

“Cualquiera que haya acompañado la Copa sabe que la probabilidad de tener mucho robo de recursos públicos en esas obras de infraestructura y demás es muy alta”, dijo Claudio Abramo, director ejecutivo de Transparencia Brasil.

Abramo señaló que el COL no manejó dinero público para el Mundial, pero dijo que “por la posición que ocupa tal vez (Havelange) sepa cosas que sería bueno que explicase”.

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Ariel Palácios: “Não são gentlemen” – sobre os barrabravas argentinos (OESP)

20.março.2014 15:06:53

Seção “Não são gentlemen”: Barrabravas argentinos intensificam violência enquanto preparam as malas para viajar para a Copa

Hunos fazendo rolezinho em terras europeias no dia 20 de junho de 451. A gravura, de A. De Neuville (1836-1885), ilustra os bárbaros descendo pauleira na Batalha de Chalôns. Os barrabravas – os hooligans argentinos – teriam estado à vontade. Os “barrabravas” argentinos cresceram durante a ditadura militar com respaldo das autoridades e dos cartolas dos times. Nas últimas três décadas de democracia continuaram sua expansão.

Mais de 50 times de futebol da Argentina, desde os grandes Boca Juniors eRiver Plate aos pequenos El Porvenir e o Chaco For Ever, estão padecendo uma intensificação generalizada das atividades dos“barrabravas”, denominação nativa para os “hooligans”. Tiroteios, assassinatos, espancamentos, extorsões e depredação da propriedade privada e pública foram a tônica no futebol local nos últimos meses, somadas às costumeiras atividades de vendas de drogas, revenda de entradas nos estádios, entre outras. No meio da polêmica sobre esta escalada de violência os responsáveis por estas ações estão planejando detalhadamente sua viagem ao Brasil, onde pretendem assistir os jogos da Copa do Mundo.

Ou, caso não consigam as entradas (a imensa maioria destes barrabravas, segundo informações extraoficiais, ainda não contam com os tíquetes), ficariam do lado de fora dos estádios, fazendo o que os argentinos denominam de “el aguante” (expressão local para designar a exibição de respaldo enfático que uma torcida propicia a seu time).

‘ROLÊ’ NO BRASIL – Uma comitiva de dez barrabravas viajará a Porto Alegre no final de março para reunir-se com contatos locais – entre eles José “Hierro” Martins, da Guarda Popular, do Inter – para preparar o desembarque do contingente das torcidas organizadas argentinas, que usariam a capital gaúcha como quartel-generalpara as viagenspelo resto do país. O grupo argentino estáorganizando o financiamento da viagem desde 2011.

Diversas estimativas indicam que ao redor de 650 barrabravas de 38 clubes argentinos viajariam ao Brasil em dez ônibus para estar presentes durante a Copa. Este volume implicaria em um aumento de 150% em comparação ao número de barrabravas que viajaram à Copa da África do Sul em 2010.

Estes barrabravas integram a Torcidas Unidas Argentinas, entidade conhecida pela sigla “HUA”, que se auto-apresenta como uma ONG para divulgar a “cultura do futebol”. Mas, enquanto que na Copa de 2010 os barrabravas desta organização contavam com lideranças fortes que serviam de interlocutor com diversos integrantes do governo dapresidente Cristina Kirchner, que lhes conseguiam financiamentos, atualmente não possuem um comando único, além de receberem apoios econômicos por parte de aliados da Casa Rosada e da oposição.

Não, o moço do moletom preto não está dando um abraço no rapaz da camista cinza. Segundo diversas autoridades e colunistas esportivos é apenas “paixão esportiva”.

Analistas esportivos consultados pelo Estado sustentam que este cenário de atomização das lideranças e vínculos complicou nos últimos anos o controle da violência dos barrabravas por parte das forças de segurança. No entanto, as autoridades argentinas prometem fiscalizar estes grupos violentos que viajarão ao Brasil. Mas os críticos ironizam, afirmando que o governo Kirchner sequer consegue controlar os barrabravas dentro do próprio país.

O município de Quilmes, na Grande Buenos Aires, foi o cenário de confrontos de barrabravas na semana passada. Os torcedores do clube Quilmes, famosos por sua violência, espancaram os rivais do All Boys com pás, além de desferir punhaladas. Além dos conflitos com outras torcidas, os divididos barrabravas do Quilmes também protagonizam combates internos. Segundo odeputado Fernando Pérez, da União Cívica Radical (UCR), “a Copa acelera as disputas porque os barrabravas se desesperam por financiar suas viagens ao Brasil”.

Estimativas das agênciasde turismo indicamque15 mil argentinos viajariam ao Brasil paraparticipar dos eventos da Copa. Mas, deste total, apenas 4.300 argentinos conseguiram entradas por intermédio da site na internet da Associação de Futebol da Argentina (AFA). Uma parte destes visitantes conseguiriam entradas por intermédios dos cambistas. No entanto, a maioria ficaria sem entradas.

Barrabravas de um time expressam o que desejam que aconteça aos torcedores do time rival com metáfora funérea.

MORTES E BUSINESS – Desde o primeiro ataque protagonizado por barrabravas com saldos fatais na Argentina em 1924 até o ano passado haviam morrido 230 pessoas, além de milhares de feridos. As brigas, que até os anos 80 eram resolvidas a base de socos e pontapés, nos últimos 30 anos foram definidas a base de armas de fogo. Nestes 90 anos a Justiça argentina foi costumeiramente omissa, já que pouco mais de três dezenas de pessoas foram condenadas por essas mortes entre 1924 e 2013.

Ao contrário de outros países onde as torcidas organizadas mais violentas estão vinculadas a grupos de skinheads e neonazistas, na Argentina os barrabravas possuem fortes laços políticos e econômicos com ministros, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores, para os quais trabalham organizando comícios, cabos eleitorais e seguranças.

Nos últimos anos na cidade de Buenos Aires enos municípios da Grande Buenos Aires osbarrabravas assumiram gradualmente o controle dos flanelinhas que circulam nas áreas dos shows de rock, estádios de futebol, exposições e demais lugares de passeio dos habitantes da área. Os barrabravas também estão vinculados ao tráfico de drogas, que cresceu de forma acelerada na última década no país. As lideranças destas torcidas organizadas obtêm dos cartolas dos times argentinos entradas para os jogos que são revendidas e também arrancam dízimos dos vendedores de cachorro-quente e outros camelôs. “Não somos escoteiros”, admitiu um barrabrava consultado pelo Estado.

Coreografia improvisada da violência dos estádios argentinos. Um clássico que repete-se com mais frequência nos últimos anos.

ATAQUES – Na semana retrasada, no distrito de Gerli, no município de Lanús, na zona sul da Grande Buenos Aires,um grupo de barrabravas incendiou um carro da polícia estacionado na frente da residência de Enrique Merellas, diretorde El Porvenir, um pequeno time local. “Merellas, você morrerá!” foi uma das legendas pintadas no muro do campo do time. No ano passado o diretor do clube havia apresentado na Justiça 53 denúncias por ameaças e agressões dos barrabravas, que aumentaram desde queo timefoi rebaixado à quinta divisão. “Este time é um depósito de drogas, tal como os outros clubes do país”, sustentou Merellas.

Merellas havia pedido ajuda ao governadorde Buenos Aires eao secretário da Justiça, que colocaram à sua disposição uma viatura policial para proteger sua casa. No entanto, na hora do ataque, os policiais não estavam no carro.

No mesmo dia, no norte da Argentina, na província do Chaco, a casa de Héctor Gómez, presidente do clube Chaco For Ever, da terceira divisão, foi alvo de tiros disparados por um grupo de barrabravas, irritados com sanções da Justiça que determinam que somente os sócios do time podem assistir os jogos quando o clube é anfitrião. “É muito difícil combater a violência no futebol argentino”, lamentou Gómez, que destacou que as drogas e álcool dentro de um estádio tornam “incontrolável” o comportamento dos barrabravas. Segundo Gómez, “o governo e a política usam estes rapazes”.

General e ditador Jorge Rafael Videla com sorriso amplo celebra a conquista da Copa de 1978 na Argentina. Durante o regime militar os barrabravas consolidaram-se e iniciaram sua expansão.

DITADURA E BARRABRAVAS – A Copa de 1978 na Argentina foi um divisor de águas na violência e na estrutura dos “cartolas” do futebol local. Por um lado, a truculência do regime teve influência sobre as torcidas, consolidando o crescimento dos “barrabravas”, que nos anos seguintes à copa começaram a desfrutar da cumplicidade das autoridades esportivas em suas atividades violentas. Simultaneamente, vários técnicos, jogadores de futebol e grupos de barrabravas colaboraram ativamente com o regime militar na repressão aos civis.

Meses após a final de 1978, apadrinhado pela Marinha argentina – que participava da Junta Militar – estabeleceu-se um grupo de poder no controle da Associação de Futebol da Argentina (AFA), liderado por Julio Grondona, que mantém-se no comando do futebol argentino há três décadas e meia. Grondona reelegeu-se ininterruptamente nove vezes desde os tempos da Ditadura. Octogenário, não exibia em 2014 sinais de querer se aposentar.

Barrabravas: sangue, suor e musculatura. Na companhia de colegas do mesmo sexo, com torsos nus, barrabravas fazem apologia da heterossexualidade em âmbito público esportivo. 

E embaixo, do pintor francês Jean-Léon Gérôme (1824-1904), a emblemática obra “Police Verso” (Polegares para baixo) que retrata o “panem et circenses” (pão e circo) do Império Romano. O quadro está no Phoenix Art Museum, Arizona, EUA. A cena pode parecer algo velha…Mas no fundo é bem atual. Gérôme nasceu em 1824. E morreu em 1904, época em que o futebol era apenas um esporte jogado de forma cavalheiresca.

   

E vamos para um pouco da imprescindível civilização: Georges Prête rege o Intermezzo da Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni:

*   *   *

Seção “Não são gentlemen”, parte II: Mais de 1.200 ‘barrabravas’ tentariam entrar no Brasil durante a Copa

Não é massagem reiki. São os barrabravas de uma facção do clube Quilmes que espancam outros torcedores do mesmo time (mas de setores rivais).

Mais de 1.200 “barrabravas”, denominação dos ‘hooligans’ argentinos, estão preparando as malas para viajar ao Brasil durante a Copa do Mundo. Isso é o que sustentam investigações feitas pelo jornal portenho “Clarín”, que indicam que o volume de “barrabravas” teria duplicado as estimativas originais, de março, quando as autoridades argentinas calculavam que iriam ao lado brasileiro da fronteira 650 integrantes das violentas torcidas organizadas de times de Buenos Aires e outras cidades do país.

Organizados na “ONG” Hinchadas Unidas Argentinas (Torcidas Unidas Argentinas), conhecida pela sigla “HUA”, os barrabravas foram favorecidos em abril por uma determinação da Justiça de Buenos Aires que permitirá que possam sair da Argentina sem problemas, a não ser nos casos de pessoas que, por questões de processos nos tribunais, estejam impedidos de viajar para fora do país.

Segundo a advogada da HUA, Debora Hambo, os torcedores que irão ao Brasil “não possuem processos penais abertos nem antecedentes de fatos de violência. Os torcedores que viajarão não possuem grau algum de periculosidade”.

Apesar das recentes declarações do ministro dos esportes do Brasil, Aldo Rebelo, de que as autoridades brasileiras estarão de olho nos voos provenientes da Argentina e nos principais pontos de passagem na fronteira entre o Brasil e a Argentina, diversos barrabravas argentinos já estão planejando entrar em território brasileiro pelas fronteiras que o país possui com o Paraguai e Bolívia.

Os barrabravas argentinos teriam conseguido pelo menos 900 entradas para os jogos da primeira fase da Argentina por intermédio da Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada desde 1979 por Julio Grondona. O cartola, aliado de todos os presidentes de plantão, civis e militares, tornou-se colaborador da presidente Cristina Kirchner a partir de 2009, quando fez um lucrativo acordo com o governo para estatizar as transmissões dos jogos de futebol.

Há duas semanas um grupo de 300 barrabravas manifestou-se nas portas da AFA para exigir entradas para os jogos da Argentina no Brasil. Os integrantes da HUA alegam que constituem uma ONG de “luta contra a violência”, e que, portanto, merecem as entradas.

Outras épocas, outros protagonistas de pancadarias a granel. Gravura do séc.XIX sobre invasões bárbaras.

MORTES – Desde 1924, quando ocorreu a primeira morte em um estádio argentino, um total de 278 pessoas foram assassinadas pelos barrabravas em confrontos diretos individuais ou choques de grupos. A AFA, que tem contatos fluidos com as torcidas organizadas – aos quais ocasionalmente recebe em sua sede no centro portenho – jamais atendeu os parentes das vítimas da violência nos estádios. Nestes 90 anos a Justiça argentina condenou apenas três dezenas de pessoas por essas mortes.

 

 

John Oliver Does Science Communication Right (I Fucking Love Science)

May 15, 2014 | by Stephen Luntz

photo credit: Last Week Tonight With John Oliver (HBO). Satirist John Oliver shows how scientific pseudo-debates should be covered

One of the most frustrating experiences scientists, science communicators and anyone who cares about science have is the sight of media outlets giving equal time to positions held by a tiny minority of researchers.

This sort of behavior turns up for all sorts of concocted “controversies”, satirized as “Opinions differ on the Shape of the Earth”. However, the most egregious examples occur in reporting climate change. Thousands of carefully researched peer reviewed papers are weighed in the balance and judged equal to a handful of shoddily writtennumerically flaky publications whose flaws take less than a day  to come to light.

That is, of course, if you ignore the places where the anti-science side pretty much gets free range.

So it is a delight to see John Oliver show how it should be done.
We have only one problem with Oliver’s work. He repeats the claim that 97% of climate scientists agree that humans are warming the planet. In fact the study he referred to has 97.1% of peer reviewed papers on climate change endorsing this position. However, these papers were usually produced by large research teams, while the opposing minority were often cooked up by a couple of kooks in their garage. When you look at the numbers of scientists involved the numbers are actually 98.4% to 1.2%, with the rest undecided. Which might not sound like a big difference, but would make Oliver’s tame “skeptic” look even more lonely.
HT Vox, with a nice summary of the evidence


Read more at http://www.iflscience.com/environment/john-oliver-does-science-communication-right#9A4CD6abdJTOOMHK.99

Loss Adjustment (Mobiot.com)

March 31, 2014

When people say we should adapt to climate change, do they have any idea what that means?

By George Monbiot, published in the Guardian 1st April 2014

To understand what is happening to the living planet, the great conservationist Aldo Leopold remarked, is to live “in a world of wounds … An ecologist must either harden his shell and make believe that the consequences of science are none of his business, or he must be the doctor who sees the marks of death in a community that believes itself well and does not want to be told otherwise.”(1)

The metaphor suggests that he might have seen Henrik Ibsen’s play An Enemy of the People(2). Thomas Stockmann is a doctor in a small Norwegian town, and medical officer at the public baths whose construction has been overseen by his brother, the mayor. The baths, the mayor boasts, “will become the focus of our municipal life! … Houses and landed property are rising in value every day.”

But Dr Stockmann discovers that the pipes were built in the wrong place, and the water feeding the baths is contaminated. “The source is poisoned …We are making our living by retailing filth and corruption! The whole of our flourishing municipal life derives its sustenance from a lie!” People bathing in the water to improve their health are instead falling ill.

Dr Stockmann expects to be treated as a hero for exposing this deadly threat. After the mayor discovers that re-laying the pipes would cost a fortune and probably sink the whole project, he decides that his brother’s report “has not convinced me that the condition of the water at the baths is as bad as you represent it to be.” He proposes to ignore the problem, make some cosmetic adjustments and carry on as before. After all, “the matter in hand is not simply a scientific one. It is a complicated matter, and has its economic as well as its technical side.” The local paper, the baths committee and the business people side with the mayor against the doctor’s “unreliable and exaggerated accounts”.

Astonished and enraged, Dr Stockmann lashes out madly at everyone. He attacks the town as a nest of imbeciles, and finds himself, in turn, denounced as an enemy of the people. His windows are broken, his clothes are torn, he’s evicted and ruined.

Yesterday’s editorial in the Daily Telegraph, which was by no means the worst of the recent commentary on this issue, follows the first three acts of the play(3). Marking the new assessment by the Intergovernmental Panel on Climate Change, the paper sides with the mayor. First it suggests that the panel cannot be trusted, partly because its accounts are unreliable and exaggerated and partly because it uses “model-driven assumptions” to forecast future trends. (What would the Telegraph prefer? Tea leaves? Entrails?). Then it suggests that trying to stop manmade climate change would be too expensive. Then it proposes making some cosmetic adjustments and carrying on as before. (“Perhaps instead of continued doom-mongering, however, greater thought needs to be given to how mankind might adapt to the climatic realities.”)

But at least the Telegraph accepted that the issue deserved some prominence. On the Daily Mail’s website, climate breakdown was scarcely a footnote to the real issues of the day: “Kim Kardashian looks more confident than ever as she shows off her toned curves” and “Little George is the spitting image of Kate”.

Beneath these indispensable reports was a story celebrating the discovery of “vast deposits of coal lying under the North Sea, which could provide enough energy to power Britain for centuries.”(4) No connection with the release of the new climate report was made. Like royal babies, Kim’s curves and Ibsen’s municipal baths, coal is good for business. Global warming, like Dr Stockmann’s contaminants, is the spectre at the feast.

Everywhere we’re told that it’s easier to adapt to global warming than to stop causing it. This suggests that it’s not only the Stern review on the economics of climate change (showing that it’s much cheaper to avert climate breakdown than to try to live with it(5)) that has been forgotten, but also the floods which have so recently abated. If a small, rich, well-organised nation cannot protect its people from a winter of exceptional rainfall – which might have been caused by less than one degree of global warming – what hope do other nations have, when faced with four degrees or more?

When our environment secretary, Owen Paterson, assures us that climate change “is something we can adapt to over time”(6) or Simon Jenkins, in the Guardian yesterday, says that we should move towards “thinking intelligently about how the world should adapt to what is already happening”(7), what do they envisage? Cities relocated to higher ground? Roads and railways shifted inland? Rivers diverted? Arable land abandoned? Regions depopulated? Have they any clue about what this would cost? Of what the impacts would be for the people breezily being told to live with it?

My guess is that they don’t envisage anything: they have no idea what they mean when they say adaptation. If they’ve thought about it at all, they probably picture a steady rise in temperatures, followed by a steady rise in impacts, to which we steadily adjust. But that, as we should know from our own recent experience, is not how it happens. Climate breakdown proceeds in fits and starts, sudden changes of state against which, as we discovered on a small scale in January, preparations cannot easily be made.

Insurers working out their liability when a disaster has occurred use a process they call loss adjustment. It could describe what all of us who love this world are going through, as we begin to recognise that governments, the media and most businesses have no intention of seeking to avert the coming tragedies. We are being told to accept the world of wounds; to live with the disappearance, envisaged in the new climate report, of coral reefs and summer sea ice, of most glaciers and perhaps some rainforests, of rivers and wetlands and the species which, like many people, will be unable to adapt(8).

As the scale of the loss to which we must adjust becomes clearer, grief and anger are sometimes overwhelming. You find yourself, as I have done in this column, lashing out at the entire town.

http://www.monbiot.com

References:

1. Aldo Leopold, 1949. A Sand County Almanac. Oxford University Press.

2. Read at http://www.gutenberg.org/files/2446/2446-h/2446-h.htm

3. http://www.telegraph.co.uk/comment/telegraph-view/10733381/The-climate-debate-needs-more-than-alarmism.html

4. http://www.dailymail.co.uk/news/article-2593032/Coal-fuel-UK-centuries-Vast-deposits-totalling-23trillion-tonnes-North-Sea.html

5. http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/http:/www.hm-treasury.gov.uk/sternreview_index.htm

6. http://www.theguardian.com/environment/2013/sep/30/owen-paterson-minister-climate-change-advantages

7. http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/31/ipcc-report-adaptation-climate-change

8. http://ipcc-wg2.gov/AR5/images/uploads/IPCC_WG2AR5_SPM_Approved.pdf

Global Warming Scare Tactics (New York Times)

 OAKLAND, Calif. — IF you were looking for ways to increase public skepticism about global warming, you could hardly do better than the forthcoming nine-part series on climate change and natural disasters, starting this Sunday on Showtime. A trailer for “Years of Living Dangerously” is terrifying, replete with images of melting glaciers, raging wildfires and rampaging floods. “I don’t think scary is the right word,” intones one voice. “Dangerous, definitely.”

Showtime’s producers undoubtedly have the best of intentions. There are serious long-term risks associated with rising greenhouse gas emissions, ranging from ocean acidification to sea-level rise to decreasing agricultural output.

But there is every reason to believe that efforts to raise public concern about climate change by linking it to natural disasters will backfire. More than a decade’s worth of research suggests that fear-based appeals about climate change inspire denial, fatalism and polarization.

For instance, Al Gore’s 2006 documentary, “An Inconvenient Truth,” popularized the idea that today’s natural disasters are increasing in severity and frequency because of human-caused global warming. It also contributed to public backlash and division. Since 2006, the number of Americans telling Gallup that the media was exaggerating global warming grew to 42 percent today from about 34 percent. Meanwhile, the gap between Democrats and Republicans on whether global warming is caused by humans rose to 42 percent last year from 26 percent in 2006, according to the Pew Research Center.

Other factors contributed. Some conservatives and fossil-fuel interests questioned the link between carbon emissions and global warming. And beginning in 2007, as the country was falling into recession, public support for environmental protection declined.

Still, environmental groups have known since 2000 that efforts to link climate change to natural disasters could backfire, after researchers at the Frameworks Institute studied public attitudes for its report “How to Talk About Global Warming.” Messages focused on extreme weather events, they found, made many Americans more likely to view climate change as an act of God — something to be weathered, not prevented.

Some people, the report noted, “are likely to buy an SUV to help them through the erratic weather to come” for example, rather than support fuel-efficiency standards.

Since then, evidence that a fear-based approach backfires has grown stronger. A frequently cited 2009 study in the journal Science Communication summed up the scholarly consensus. “Although shocking, catastrophic, and large-scale representations of the impacts of climate change may well act as an initial hook for people’s attention and concern,” the researchers wrote, “they clearly do not motivate a sense of personal engagement with the issue and indeed may act to trigger barriers to engagement such as denial.” In a controlled laboratory experiment published in Psychological Science in 2010, researchers were able to use “dire messages” about global warming to increase skepticism about the problem.

Many climate advocates ignore these findings, arguing that they have an obligation to convey the alarming facts.

But claims linking the latest blizzard, drought or hurricane to global warming simply can’t be supported by the science. Our warming world is, according to the United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change, increasing heat waves and intense precipitation in some places, and is likely to bring more extreme weather in the future. But the panel also said there is little evidence that this warming is increasing the loss of life or the economic costs of natural disasters. “Economic growth, including greater concentrations of people and wealth in periled areas and rising insurance penetration,” the climate panel noted, “is the most important driver of increasing losses.”

What works, say environmental pollsters and researchers, is focusing on popular solutions. Climate advocates often do this, arguing that solar and wind can reduce emissions while strengthening the economy. But when renewable energy technologies are offered as solutions to the exclusion of other low-carbon alternatives, they polarize rather than unite.

One recent study, published by Yale Law School’s Cultural Cognition Project, found that conservatives become less skeptical about global warming if they first read articles suggesting nuclear energy or geoengineering as solutions. Another study, in the journal Nature Climate Change in 2012, concluded that “communication should focus on how mitigation efforts can promote a better society” rather than “on the reality of climate change and averting its risks.”

Nonetheless, virtually every major national environmental organization continues to reject nuclear energy, even after four leading climate scientists wrote them an open letter last fall, imploring them to embrace the technology as a key climate solution. Together with catastrophic rhetoric, the rejection of technologies like nuclear and natural gas by environmental groups is most likely feeding the perception among many that climate change is being exaggerated. After all, if climate change is a planetary emergency, why take nuclear and natural gas off the table?

While the urgency that motivates exaggerated claims is understandable, turning down the rhetoric and embracing solutions like nuclear energy will better serve efforts to slow global warming.

Environmentalists Doing It Wrong, Again (Washington Post)

Want to see Tom get annoyed? Of course you do. Well then tune in and pull up a chair. The article that got to me was so exasperating because it’s 2014 and it’s the New York Times. It’s too late in the day and too beside-the-real-point for a publication such as the Times to do this, though I’m not saying such a thing is impossible at my own publication either. I can’t decide whether to link to it or not. I think I won’t.

I’ll place it squarely in the category of Concern Trolling, a great conceptual meme that identifies opinions that purport to be on your side and just trying to help, but function in the exact opposite way. I won’t get into motives here because I don’t know what they are and it doesn’t make any difference.

The piece says that ‘environmentalists’ are using bad ‘tactics’ in drawing comparisons between current weather catastrophes and climate change. Any linkage to a specific event can’t be specifically proven, but that’s not the stated concern of this piece. The ‘concern’ is that as a tactic it can ‘backfire’ and not win over conservatives to climate change action. Not win over conservatives! The article doesn’t place ALL the blame on faulty environmentalist tactics. It pauses to include what may be the most understated disclaimer in history: “Other factors contributed. Some conservatives and fossil-fuel interests questioned the link between carbon emissions and global warming.” Some! Really???

Now to the ‘backfire’ part of this. This is just maddening. If environmentalists aren’t careful, it says, sufficient support for an adequate policy response might go away. Go away! As though it was ever even close to being there in the first place. They cite Al Gore’s 2006 ‘Inconvenient Truth’ as contributing to backlash and division. Do they think no one has any memory whatsoever? Let me remind those who don’t. Before “Inconvenient Truth’ there was close to ZERO widespread public concern about climate change. This film was a watershed in opening people’s eyes to the pending climate calamity and getting people to take the issue seriously. The backlash was not about the particulars of the argument, the backlash was against how effective it was in bringing the nation closer to actually doing something about it. The article says a better ‘tactic’ is to emphasize ‘popular solutions.’ Only one problem with ‘popular solutions.’ They don’t come ANYWHERE CLOSE TO BEING ADEQUATE solutions.

And finally, please please just stop saying it is the responsibility of ‘environmentalists’ to come up with tactics to persuade the rest of us, who by implication are perfectly entitled to sit back and not take our responsibilities on this issue seriously unless and until ‘environmentalists’ come up with arguments that are appealing to us in every way. Gaaaaah!

Repercussões do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

Brasil já se prepara para adaptações às mudanças climáticas, diz especialista (Agência Brasil)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Com base no relatório do IPCC,dirigente do INPE disse que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas

Com o título Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, o relatório divulgado ontem (31) pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sinaliza que os efeitos das mudanças do clima já estão sendo sentidos em todo o mundo. O relatório aponta que para se alcançar um aquecimento de apenas 2 graus centígrados, que seria o mínimo tolerável para que os impactos não sejam muito fortes, é preciso ter emissões zero de gases do efeito estufa, a partir de 2050.

“O compromisso é ter emissões zero a partir de 2040 /2050, e isso significa uma mudança de todo o sistema de desenvolvimento, que envolve mudança dos combustíveis”, disse hoje (1º) o chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestr,e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, um dos autores do novo relatório do IPCC. Marengo apresentou o relatório na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, e destacou que alguns países interpretam isso como uma tentativa de frear o crescimento econômico. Na verdade, ele assegurou que a intenção é chegar a um valor para que o aquecimento não seja tão intenso e grave.

Com base no relatório do IPCC, Marengo comentou que o Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas. “Eu acho que o Brasil já escutou a mensagem. Já está começando a preparar o plano nacional de adaptação, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Essa adaptação, acrescentou, é acompanhada de avaliações de vulnerabilidades, “e o Brasil é vulnerável às mudanças de clima”, lembrou.

A adaptação, segundo ele, atenderá a políticas governamentais, mas a comunidade científica ajudará a elaborar o plano para identificar regiões e setores considerados chave. “Porque a adaptação é uma coisa que muda de região e de setor. Você pode ter uma adaptação no setor saúde, no Nordeste, totalmente diferente do Sul. Então, essa é uma política que o governo já está começando a traçar seriamente”.

O plano prevê análises de risco em setores como agricultura, saúde, recursos hídricos, regiões costeiras, grandes cidades. Ele está começando a ser traçado como uma estratégia de governo. Como as vulnerabilidades são diferentes, o plano não pode criar uma política única para o país. Na parte da segurança alimentar, em especial, José Marengo ressaltou a importância do conhecimento indígena, principalmente para os países mais pobres.

Marengo afiançou, entretanto, que esse plano não deverá ser concluído no curto prazo. “É uma coisa que leva tempo. Esse tipo de estudo não pode ser feito em um ou dois anos. É uma coisa de longo prazo, porque vai mudando continuamente. Ou seja, é um plano dinâmico, que a cada cinco anos tem que ser reavaliado e refeito. Poucos países têm feito isso, e o Brasil está começando a elaborar esse plano agora”, manifestou.

Marengo admitiu que a adaptação às mudanças climáticas tem que ter também um viés econômico, por meio da regulação. “Quando eu falo em adaptação, é uma mistura de conhecimento científico para identificar que área é vulnerável. Mas tudo isso vem acompanhado de coisas que não são climáticas, mas sim, econômicas, como custos e investimento. Porque adaptação custa dinheiro. Quem vai pagar pela adaptação? “, indagou.

O IPCC não tem uma posição a respeito, embora Marengo mencione que os países pobres querem que os ricos paguem pela sua adaptação às mudanças do clima. O tema deverá ser abordado na próxima reunião da 20ª Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima COP-20, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em Lima, no Peru, no final deste ano.

Entretanto, o IPCC aponta situações sobre o que está ocorrendo nas diversas partes do mundo, e o que poderia ser feito. As soluções, salientou, serão indicadas no próximo relatório do IPCC, cuja divulgação é aguardada para este mês. O relatório, segundo ele, apontará que “a solução está na mitigação”. Caso, por exemplo, da redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso menor de combustíveis fósseis e maior uso de fontes de energia renováveis, novas opções de combustíveis, novas soluções de tecnologia, estabilização da população. “Tudo isso são coisas que podem ser consideradas”. Admitiu, porém, que são difíceis de serem alcançadas, porque alguns países estão dispostos a isso, outros não. “É uma coisa que depende de acordo mundial”.

De acordo com o relatório do IPCC, as tendências são de aumento da temperatura global, aumento e diminuição de precipitações (chuvas), degradação ambiental, risco para as áreas costeiras e a fauna marinha, mudança na produtividade agrícola, entre outras. A adaptação a essas mudanças depende do lugar e do contexto. A adaptação para um setor pode não ser aplicável a outro. As medidas visando a adaptação às mudanças climáticas devem ser tomadas pelos governos, mas também pela sociedade como um todo e pelos indivíduos, recomendam os cientistas que elaboraram o relatório.

Para o Nordeste brasileiro, por exemplo, a construção de cisternas pode ser um começo no sentido de adaptação à seca. Mas isso tem de ser uma busca permanente, destacou José Marengo. Observou que programas de reflorestamento são formas de mitigação e, em consequência, de adaptação, na medida em que reduzem as emissões e absorvem as emissões excedentes.

No Brasil, três aspectos se distinguem: segurança hídrica, segurança energética e segurança alimentar. As secas no Nordeste e as recentes enchentes no Norte têm ajudado a entender o problema da vulnerabilidade do clima, acrescentou o cientista. Disse que, de certa forma, o Brasil tem reagido para enfrentar os extremos. “Mas tem que pensar que esses extremos podem ser mais frequentes. A experiência está mostrando que alguns desses extremos devem ser pensados no longo prazo, para décadas”, salientou.

O biólogo Marcos Buckeridge, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e membro do IPCC, lembrou que as queimadas na Amazônia, apesar de mostrarem redução nos últimos anos, ainda ocorrem com intensidade. “O Brasil é o país que mais queima floresta no mundo”, e isso leva à perda de muitas espécies animais e vegetais, trazendo, como resultado, impactos no clima.

Para a pesquisadora sênior do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas – Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carolina Burle Schmidt Dubeux, a economia da adaptação deve pensar o gerenciamento também do lado da demanda. Isso quer dizer que tem que englobar não só investimentos, mas também regulação econômica em que os preços reflitam a redução da oferta de bens. “Regulação econômica é muito importante para que a gente possa se adaptar [às mudanças do clima]. As políticas têm que refletir a escassez da água e da energia elétrica e controlar a demanda”, apontou.

Segundo a pesquisadora, a internalização de custos ambientais nos preços é necessária para que a população tenha maior qualidade de vida. “A questão da adaptação é um constante gerenciamento do risco das mudanças climáticas, que é desconhecido e imprevisível”, acrescentou. Carolina defendeu que para ocorrer a adaptação, deve haver uma comunicação constante entre o governo e a sociedade. “A mídia tem um papel relevante nesse processo”, disse.

(Agência Brasil)

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Mudanças climáticas ameaçam produtos da cesta básica brasileira (O Globo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Dieta será prejudicada por queda das safras e da atividade pesqueira

Os impactos das mudanças climáticas no país comprometerão o rendimento das safras de trigo, arroz, milho e soja, produtos fundamentais da cesta básica do brasileiro. Outro problema desembarca no litoral. Segundo prognósticos divulgados esta semana pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), grandes populações de peixes deixarão a zona tropical nas próximas décadas, buscando regiões de alta latitude. Desta forma, a pesca artesanal também é afetada.

A falta de segurança alimentar também vai acometer outros países. Estima-se que a atividade agrícola da União Europeia caia significativamente até o fim do século. Duas soluções já são estudadas. Uma seria aumentar as importações – o Brasil seria um importante mercado, se conseguir nutrir a sua população e, além disso, desenvolver uma produção excedente. A outra possibilidade é a pesquisa de variedades genéticas que deem resistência aos alimentos diante das novas condições climáticas.

– Os eventos extremos, mesmo quando têm curta duração, reduzem o tamanho da safra – contou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da USP e coautor do relatório do IPCC, em uma apresentação realizada ontem na Academia Brasileira de Ciências. – Além disso, somos o país que mais queima florestas no mundo, e a seca é maior justamente na Amazônia Oriental, levando a perdas na agricultura da região.

O aquecimento global também enfraquecerá a segurança hídrica do país.

– É preciso encontrar uma forma de garantir a disponibilidade de água no semiárido, assim como estruturas que a direcione para as áreas urbanas – recomenda José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e também autor do relatório.

Marengo lembra que o Nordeste enfrenta a estiagem há três anos. Segundo ele, o uso de carros-pipa é uma solução pontual. Portanto, outras medidas devem ser pensadas. A transposição do Rio São Francisco também pode não ser suficiente, já que a região deve passar por um processo de desertificação até o fim do século.

De acordo com um estudo realizado em 2009 por diversas instituições brasileiras, e que é citado no novo relatório do IPCC, as chuvas no Nordeste podem diminuir até 2,5mm por dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreiro dos bovinos de corte. O retrocesso da pecuária é outro ataque à dieta do brasileiro.

– O Brasil perderá entre R$ 719 bilhões e R$ 3,6 trilhões em 2050, se nada fizer . Enfrentaremos perda agrícola e precisaremos de mais recursos para o setor hidrelétrico – alerta Carolina Dubeux, pesquisadora do Centro Clima da Coppe/UFRJ, que assina o documento. – A adaptação é um constante gerenciamento de risco.

(Renato Grandelle / O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-ameacam-produtos-da-cesta-basica-brasileira-12061170#ixzz2xjSEUoVy

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Impactos mais graves no clima do país virão de secas e de cheias (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Brasileiros em painel da ONU dizem que país precisa se preparar para problemas opostos em diferentes regiões

As previsões regionais do novo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) aponta como principais efeitos da mudança climática no país problemas na disponibilidade de água, com secas persistentes em alguns pontos e cheias recordes em outros. Lançado anteontem no Japão, o documento do grupo de trabalho 2 do IPCC dá ênfase a impactos e vulnerabilidades provocados pelo clima ao redor do mundo. Além de listar os principais riscos, o documento ressalta a necessidade de adaptação aos riscos projetados. No Brasil, pela extensão territorial, os efeitos serão diferentes em cada região.

Além de afetar a floresta e seus ecossistemas, a mudança climática deve prejudicar também a geração de energia, a agricultura e até a saúde da população. “Tudo remete à água. Onde nós tivermos problemas com a água, vamos ter problemas com outras coisas”, resumiu Marcos Buckeridge, professor da USP e um dos autores do relatório do IPCC, em entrevista coletiva com outros brasileiros que participaram do painel.

Na Amazônia, o padrão de chuvas já vem sendo afetado. Atualmente, a cheia no rio Madeira já passa dos 25 m –nível mais alto da história– e afeta 60 mil pessoas. No Nordeste, que nos últimos anos passou por secas sucessivas, as mudanças climáticas podem intensificar os períodos sem chuva, e há um risco de que o semiárido vire árido permanentemente.

Segundo José Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e um dos autores principais do documento, ainda é cedo para saber se a seca persistente em São Paulo irá se repetir no ano que vem ou nos outros, mas alertou que é preciso que o Brasil se prepare melhor.

MITIGAR E ADAPTAR
O IPCC fez previsões para diferentes cenários, mas, basicamente, indica que as consequências são mais graves quanto maiores os níveis de emissões de gases-estufa. “Se não dá para reduzir as ameaças, precisamos pelo menos reduzir os riscos”, disse Marengo, destacando que, no Brasil, nem sempre isso acontece. No caso das secas, a construção de cisternas e a mobilização de carros-pipa seriam alternativas de adaptação. Já nos locais onde deve haver aumento nas chuvas, a remoção de populações de áreas de risco, como as encostas, seria a alternativa.

Carolina Dubeux, da UFRJ, que também participa do IPCC, afirma que, para que haja equilíbrio entre oferta e demanda, é preciso que a economia reflita a escassez dos recursos naturais, sobretudo em áreas como agricultura e geração de energia. “É necessário que os preços reflitam a escassez de um bem. Se a água está escassa, o preço dela precisa refletir isso. Não podemos só expandir a oferta”, afirmou.

Neste relatório, caiu o grau de confiança sobre projeções para algumas regiões, sobretudo em países em desenvolvimento. Segundo Carlos Nobre, secretário do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, isso não significa que o documento tenha menos poder político ou científico.

Everton Lucero, chefe de clima no Itamaraty, diz que o documento será importante para subsidiar discussões do próximo acordo climático mundial. “Mas há um desequilíbrio entre os trabalhos científicos levados em consideração pelo IPCC, com muito mais ênfase no que é produzido nos países ricos. As nações em desenvolvimento também produzem muita ciência de qualidade, que deve ter mais espaço”, disse.

(Giuliana Miranda/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/159305-impactos-mais-graves-no-clima-do-pais-virao-de-secas-e-de-cheias.shtml

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Relatório do IPCC aponta riscos e oportunidades para respostas (Ascom do MCTI)

JC e-mail 4925, de 02 de abril de 2014

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório

O novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) diz que os efeitos das mudanças climáticas já estão ocorrendo em todos os continentes e oceanos e que o mundo, em muitos casos, está mal preparado para os riscos. O documento também conclui que há oportunidades de repostas, embora os riscos sejam difíceis de gerenciar com os níveis elevados de aquecimento.

O relatório, intitulado Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, foi elaborado pelo Grupo de Trabalho 2 (GT 2) do IPCC e detalha os impactos das mudanças climáticas até o momento, os riscos futuros e as oportunidades para uma ação eficaz para reduzir os riscos. Os resultados foram apresentados à imprensa brasileira em entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º).

Um total de 309 cientistas de 70 países, entre coordenadores, autores, editores e revisores, foram selecionados para produzir o relatório. Eles contaram com a ajuda de 436 autores contribuintes e 1.729 revisores especialistas.

Os autores concluem que a resposta às mudanças climáticas envolve fazer escolhas sobre os riscos em um mundo em transformação, assinalando que a natureza dos riscos das mudanças climáticas é cada vez mais evidente, embora essas alterações também continuem a produzir surpresas. O relatório identifica as populações, indústrias e ecossistemas vulneráveis ao redor do mundo.

Segundo o documento, o risco da mudança climática provém de vulnerabilidade (falta de preparo), exposição (pessoas ou bens em perigo) e sobreposição com os riscos (tendências ou eventos climáticos desencadeantes). Cada um desses três componentes pode ser alvo de ações inteligentes para diminuir o risco.

“Vivemos numa era de mudanças climáticas provocadas pelo homem”, afirma o copresidente do GT 2 Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires, Argentina. “Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos relacionados com o clima que já enfrentamos. Investimentos num melhor preparo podem melhorar os resultados, tanto para o presente e para o futuro.”

Reação
A adaptação para reduzir os riscos das mudanças climáticas começa a ocorrer, mas com um foco mais forte na reação aos acontecimentos passados do que na preparação para um futuro diferente, de acordo com outro copresidente do GT, Chris Field, da Carnegie Institution for Science, dos Estados Unidos.

“A adaptação às mudanças climáticas não é uma agenda exótica nunca tentada. Governos, empresas e comunidades ao redor do mundo estão construindo experiência com a adaptação”, explica Field. “Esta experiência constitui um ponto de partida para adaptações mais ousadas e ambiciosas, que serão importantes à medida que o clima e a sociedade continuam a mudar”.

Riscos futuros decorrentes das mudanças no clima dependem fortemente da quantidade de futuras alterações climáticas. Magnitudes crescentes de aquecimento aumentam a probabilidade de impactos graves e generalizados que podem ser surpreendentes ou irreversíveis.

“Com níveis elevados de aquecimento, que resultam de um crescimento contínuo das emissões de gases de efeito estufa, será um desafio gerenciar os riscos e mesmo investimentos sérios e contínuos em adaptação enfrentarão limites”, afirma Field.

Problemas
Impactos observados da mudança climática já afetaram a agricultura, a saúde humana, os ecossistemas terrestres e marítimos, abastecimento de água e a vida de algumas pessoas. A característica marcante dos impactos observados é que eles estão ocorrendo a partir dos trópicos para os polos, a partir de pequenas ilhas para grandes continentes e dos países mais ricos para os mais pobres.

“O relatório conclui que as pessoas, sociedades e ecossistemas são vulneráveis em todo o mundo, mas com vulnerabilidade diferentes em lugares diferentes. As mudanças climáticas muitas vezes interagem com outras tensões para aumentar o risco”, diz Chris Field.

A adaptação pode desempenhar um papel-chave na redução destes riscos, observa Vicente Barros. “Parte da razão pela qual a adaptação é tão importante é que, devido à mudança climática, o mundo enfrenta uma série de riscos já inseridos no sistema climático, acentuados pelas emissões passadas e infraestrutura existente”.

Field acrescenta: “A compreensão de que a mudança climática é um desafio na gestão de risco abre um leque de oportunidades para integrar a adaptação com o desenvolvimento econômico e social e com as iniciativas para limitar o aquecimento futuro. Nós definitivamente enfrentamos desafios, mas compreender esses desafios e ultrapassá-los de forma criativa pode fazer da adaptação à mudança climática uma forma importante de ajudar a construir um mundo mais vibrante em curto prazo e além”.

Conteúdo
O relatório do GT 2 é composto por dois volumes. O primeiro contém Resumo para Formuladores de Políticas, Resumo Técnico e 20 capítulos que avaliam riscos por setor e oportunidades para resposta. Os setores incluem recursos de água doce, os ecossistemas terrestres e oceânicos, costas, alimentos, áreas urbanas e rurais, energia e indústria, a saúde humana e a segurança, além dos meios de vida e pobreza.

Em seus dez capítulos, o segundo volume avalia os riscos e oportunidades para a resposta por região. Essas regiões incluem África, Europa, Ásia, Australásia (Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia), América do Norte, América Central e América do Sul, regiões polares, pequenas ilhas e oceanos.

Acesse a contribuição do grupo de trabalho (em inglês) aqui ou no site da instituição.

A Unidade de Apoio Técnico do GT 2 é hospedada pela Carnegie Institution for Science e financiada pelo governo dos Estados Unidos.

Mapa
“O relatório do Grupo de Trabalho 2 é outro importante passo para a nossa compreensão sobre como reduzir e gerenciar os riscos das mudanças climáticas”, destaca o presidente do IPCC, RajendraPachauri. “Juntamente com os relatórios dos grupos 1 e 3, fornece um mapa conceitual não só dos aspectos essenciais do desafio climático, mas as soluções possíveis.”

O relatório do GT 1 foi lançado em setembro de 2013, e o do GT 3 será divulgado neste mês. O quinto relatório de avaliação (AR5) será concluído com a publicação de uma síntese em outubro.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima é o organismo internacional para avaliar a ciência relacionada à mudança climática. Foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma), para fornecer aos formuladores de políticas avaliações regulares da base científica das mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e opções para adaptação e mitigação.

Foi na 28ª Sessão do IPCC, realizada em abril de 2008, que os membros do painel decidiram preparar o AR5. O documento envolveu 837 autores e editores de revisão.

(Ascom do MCTI, com informações do IPCC)
http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/353700/Relatorio_do_IPCC_aponta_riscos_e_oportunidades_para_respostas.html

Discurso de Sheherazade prospera: crescem os linchamentos (Pragmatismo Político)

20/FEB/2014 ÀS 14:16

Discurso de Rachel Sheherazade surte efeito. Linchamentos com as próprias mãos se espalham pelo Brasil. Para sociólogo, sociedade está sem controle

rachel sheherazade barbárie linchamentos

Jornalista Rachel Sheherazade defendeu em horário nobre a justiça feita pelas próprias mãos (Foto: Revista Quem)

Desde que justiceiros agrediram a paulada um jovem negro acusado de assalto, amarrando-o nu a um poste, no Rio, há 20 dias, aumentaram no país o número de chacinas de pessoas suspeitas de terem cometido crime. Antes, havia quatro linchamentos por semana e, agora, a média é de um por dia.

A jornalista Raquel Sheherazade deve estar se sentindo realizada, porque, ao noticiar no telejornal SBT Brasil o ataque ao adolescente no Rio, ela comentou que atitude dos vingadores é “compreensível”.

“O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva. Aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso no poste, lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”, disse na época.

O comentário de Sheherazade repercutiu nas redes sociais e imprensa, com apoios e críticas.

Em entrevistas, Sheherazade confirmou o que dissera em rede nacional, afirmando que, diante da falência das instituições oficiais de segurança, é legítima a reação das pessoas.

Folha de S.Paulo informou que os linchamentos se espalharam em todo o país. Violência que tem sido documentada por vídeos que circulam nas redes sociais.

De acordo com o jornal, só na segunda e terça-feira, houve agressões a criminosos em Goiânia, Piauí e em Santa Catarina.

Um vídeo gravado no Piaui registrou um homem cujos pés foram amarrados e colocados sobre um formigueiro.

“Meu Deus, aí, tá queimando”, disse o homem suspeito de tentar um assalto.

Um dos agressores respondeu: “Agora lembra de Deus, né? Na hora de tu roubar tu não lembra”.

O sociólogo José de Souza Martins, que documenta linchamentos há 20 anos, disse estar preocupado, porque “a sociedade civil está ficando progressivamente descontrolada”.

O presidente da OAB de Goiás, Henrique Tibúrcio, admitiu que a população se sente insegura, “mas ela não pode fazer Justiça com as próprias mãos”.

“Sabemos que a população se sente insegura, mas ela não pode fazer Justiça com as próprias mãos e engrossar as estatísticas de violência”, disse o presidente da OAB de Goiás, Henrique Tibúrcio.

Na semana passada, o Psol comunicou que entraria com uma representação no Ministério Público Federal contra Sheharazade e SBT por ter sido feito em horário nobre incitação ao crime.

Ivan Valente, líder do partido na Câmara dos Deputados, disse que a jornalista “simplesmente deu razão aos vingadores que fizeram justiça com as próprias mãos, em torturar, porque a polícia para ela está desmoralizada, a Justiça não opera e é necessário voltar ao velho Oeste”.

Paulopes, com Folha de S.Paulo

Extremos climáticos mostram que futuro já chegou (O Globo)

JC e-mail 4890, de 07 de fevereiro de 2014

Editorial publicado em O Globo. Temperaturas máximas recordistas no Brasil, secas e nevascas intensas no Hemisfério Norte atestam que mundo perde tempo precioso para mitigar efeitos do aquecimento

No dia 31 de janeiro, das 10 estações meteorológicas que indicavam as maiores temperaturas do mundo, seis estavam no Rio e outras três no Brasil. A campeã mundial foi Joinville, em Santa Catarina, onde a sensação térmica chegou a 52 graus. O Rio ficou em segundo, com 51. A única fora do Brasil foi El Vigia, na Venezuela. O ranking é do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), com base em informações de 4.232 estações acessadas pelo Inpe. Os que moram no Rio sentem isto na pele, agravado pela longa estiagem – as precipitações em janeiro foram de apenas 58mm, quando a média para o mês na cidade é de 202mm. Na terça-feira, a temperatura bateu novo recorde: 40,8 graus em Santa Cruz, com a sensação térmica de incríveis 57 graus.

Enquanto isso, nos EUA (Hemisfério Norte), nevascas das mais intensas já registradas criam problemas de todo o tipo. Nos últimos dias de janeiro, tempestades de neve atipicamente atingiram o Sul dos EUA, do Texas e Geórgia até as Carolinas, uma área de 60 milhões de habitantes. Sete pessoas morreram e o fechamento de rodovias e avenidas transformou Atlanta num caos. Na terça, 905 voos foram cancelados e 3.100 sofreram atrasos. Já no Alasca, a paisagem da costa muda rapidamente porque os lagos degelam mais cedo. Entre 1991 e 2011, a região perdeu 22% de sua camada de gelo, revelou estudo na revista “Cryosphere”, segundo o qual a causa são as mudanças climáticas.

Estudos americanos indicaram que a temperatura do planeta se manteve em alta em 2013. Segundo a Nasa, a média global foi de 14,6 graus centígrados, empatando com 2006 e 2009 como o sétimo ano mais quente desde 1880, quando as medições começaram. As temperaturas globais começaram a subir no final dos anos 1960, fenômeno associado ao acúmulo de gases estufa na atmosfera. A quantidade de dióxido de carbono é mais alta hoje do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos, adverte a Nasa.

Hoje, a maioria dos cientistas concorda que a ação humana contribui para as mudanças climáticas. Mas os principais líderes mundiais estão devendo muito em chegar a consensos que possibilitem ações essenciais para o futuro da Humanidade. Um grande avanço foi o governo dos EUA anunciar a criação de sete centros climáticos regionais para auxiliar fazendeiros e comunidades a enfrentar secas, inundações, incêndios e pestes. E a Agência de Proteção Ambiental (EPA) baixará normas severas para reduzir as emissões de termelétricas a carvão. Estão no caminho certo. No final de março, haverá nova avaliação do problema, com a divulgação, em Yokohama, no Japão, de novo relatório sobre o impacto das mudanças climáticas, elaborado por especialistas de mais de cem países reunidos no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Pode-se discutir em que proporção a Humanidade contribui para o aquecimento global. Porém, não se deveria mais colocar em dúvida a necessidade da redução das emissões de gases nocivos ao planeta.

(O Globo)
http://oglobo.globo.com/opiniao/extremos-climaticos-mostram-que-futuro-ja-chegou-11527392#ixzz2se99M9Es

“Scientists are…” (Slate)

DEC. 4 2013 8:00 AM

By 

Phil Plait writes Slate’s Bad Astronomy blog and is an astronomer, public speaker, science evangelizer, and author of Death from the Skies!

A lot of tech is so ubiquitous you don’t even notice it anymore; it would be like a fish noticing the water in which it swims.

Google certainly fits that category; it’s not very often a company name becomes a verb. It’s second nature now to fire up a browser and type in a few words when I need some help pinning down a word or phrase, or to just get more info on a topic.

A while back, Google introducedautocomplete; if you start typing words into the search engine text field, it’ll make suggestions for words even before you’re done typing. I don’t find this feature particularly useful since I generally have a pretty good idea what I’m looking for when I’m searching. But I can certainly see its utility.

The suggestions are based on previous searches by users as well as page content, so the most common things people type in (weighted with with highly-ranked sites) are what Google offers up as helpful phrases. That makes sense; using the most common searches is statistically likely to match what you might need.

It’s not hard to imagine a downside to this, though. It can focus searching to a few popular sites, and can reinforce false information, since those pages may not be vetted for accuracy.

I was alerted to this when Lindacska126 on Twitter sent me the following tweet:

@BadAstronomer Have you seen what happens when you Google “Scientists are”?pic.twitter.com/xWf7hoKd4W

The link goes to a screengrab showing Google’s suggestions to her. I typed “Scientists are” into Google and got essentially the same results:

Scientists are...
Scientists are what now?

Ouch. That doesn’t seem to fare well for what people think of scientists.

I’ll admit, most scientists are liberal, or perhaps better described as progressive. In general that’s to be expected of someone who has an open mind, is ready for open inquiry, and willing to change their views based on evidence. But only in general; I know many conservative scientists who are quite brilliant. I’ve been labeled as liberal myself many times, which makes me chuckle; my views on most topics are a bit more subtle than can be assumed from such a blanket label.

But the “scientists are stupid” and “scientists are liars” suggestions are troubling. Can it be that most people really think this?

I decided to follow through, and see what pages are actually recommended by Google if you use these suggestions. What I found is that yes, many of the pages linked do make these accusations — and they come from the usual suspects, such as fundamentalist religion sites, or climate change deniers. No surprise there. And some are satirical pages, clearly meant as parody. But it’s not hard to find page after page, site after site, sincerely making these claims about scientists.

What do we make of this? Is all hope lost?

This is troubling, to be sure, but I don’t know just how bad it is. After all, we don’t know why people are using these terms. I search for things I know are wrong all the time, for instance, so I type weird things into Google every day. Of course, I tend to be looking for people making claims that are, um, not as reality-based as they could be, so maybe I’m not the best example.

I can think of a few other ways this may not be so bad, but I keep coming back to the fact that in the United States, roughly 45% of people outright deny evolution. Climate change denial is on the wane, but still, something like a third of people in the US deny that humans have played a role in it. And it’s not hard at all to find media pundits who froth and rail against science, as long as it doesn’t have the ideological stance they cleave unto.

Scientists need a better rep. Science is everywhere, all around you, all the time. You’re soaking in it. I can make all manners of arguments of why it’s important philosophically — and I have — but it’s also absolutely critical economically; our way of life in the United States, and the world, depends absolutely on scientific achievements. From better agriculture to medicine to communication to mitigating global disasters, science plays a fundamental role in each.

So what to do? In my opinion, there are two things that will help. One is to not let broad and ridiculous accusations about science and scientists go unchecked. I do that here quite often, of course.

The other, though, is if you love science, tell people. Write about it, talk about it, sing about it if you can (and Gawker? You’re not helping; we should be encouragingpeople to look up the definition of “science”, not making fun of them).

And if I may, let me suggest simply being a better person. I get this idea from my friend George Hrab, who has a segment on his podcast where he answers questions from listeners. Many times, he is asked by someone who is nonreligious how their reputation can be improved. George tells them to lead by example: be friendly, help out, do charity work. Then, later, if someone finds out you’re not a believer, it won’t color their opinion as much. In fact, it may change their mind about an entire group of people they otherwise would have written off.

I suspect the same can be done for science. If so many people truly think scientists are liars, scientists are stupid, then we need to show them otherwise. Don’t lecture; teach (or better yet, converse). Don’t insult or belittle; enlighten. Admit your mistakes, show where you learn from them. Talk about the joy and wonder and awe of truly understanding the Universe as it actually is!

Isn’t that why we love science in the first place?

My hope is that we can change Google’s algorithm, so that one day it will produce this:

scientists-are-good
Ah. That’s better.

 

Something Is Rotten at the New York Times (Huff Post)

By Michael E. Mann

Director of Penn State Earth System Science Center; Author of ‘Dire Predictions’ and ‘The Hockey Stick and the Climate Wars’

Posted: 11/21/2013 7:20 pm

Something is rotten at the New York Times.

When it comes to the matter of human-caused climate change, the Grey Lady’s editorial page has skewed rather contrarian of late.

A couple months ago, the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) publishedits 5th scientific assessment, providing the strongest evidence to date that climate change is real, caused by us, and a problem.

Among other areas of the science where the evidence has become ever more compelling, is the so-called “Hockey Stick” curve — a graph my co-authors and I published a decade and a half ago showing modern warming in the Northern Hemisphere to be unprecedented for at least the past 1000 years. The IPCC further strengthened that original conclusion, finding that recent warmth is likely unprecedented over an even longer timeframe.

Here was USA Today on the development:

The latest report from the Intergovernmental Panel on Climate Change, the internationally accepted authority on the subject, concludes that the climate system has warmed dramatically since the 1950s, and that scientists are 95% to 100% sure human influence has been the dominant cause. In the Northern Hemisphere, 1983 to 2012 was likely the warmest 30-year period of the past 1,400 years, the IPCC found.

And here was the Washington Post:

The infamous “hockey stick” graph showing global temperatures rising over time, first slowly and then sharply, remains valid.

And the New York Times? Well we instead got this:

The [Hockey Stick] graph shows a long, relatively unwavering line of temperatures across the last millennium (the stick), followed by a sharp, upward turn of warming over the last century (the blade). The upward turn implied that greenhouse gases had become so dominant that future temperatures would rise well above their variability and closely track carbon dioxide levels in the atmosphere….I knew that wasn’t the case.

Huh?

Rather than objectively communicating the findings of the IPCC to their readers, the New York Times instead foisted upon them the ill-informed views of Koch Brothers-fundedclimate change contrarian Richard Muller, who used the opportunity to deny the report’s findings.

In fact, in the space of just a couple months now, the Times has chosen to grant Muller not just one, but two opportunities to mislead its readers about climate change and the threat it poses.

The Times has now published another op-ed by Muller wherein he misrepresented the potential linkages between climate change and extreme weather–tornadoes to be specific, which he asserted would be less of a threat in a warmer world. The truth is that the impact of global warming on tornadoes remains uncertain, because the underlying science is nuanced and there are competing factors that come into play.

The Huffington Post published an objective piece about the current state of the science earlier this year in the wake of the devastating and unprecedented Oklahoma tornadoes.

That piece accurately quoted a number of scientists including myself on the potential linkages. I pointed out to the journalist that there are two key factors: warm, moist air is favorable for tornadoes, and global warming will provide more of it. But important too is the amount of “shear” (that is, twisting) in the wind. And whether there will, in a warmer world, be more or less of that in tornado-prone regions, during the tornado season, depends on the precise shifts that will take place in the jet stream–something that is extremely difficult to predict even with state-of-the-art theoretical climate models. That factor is a “wild card” in the equation.

So we’ve got one factor that is a toss-up, and another one that appears favorable for tornado activity. The combination of them is therefore slightly on the “favorable” side, and if you’re a betting person, that’s probably what you would go with. And this is the point that I made in the Huffington Post piece:

Michael Mann, a climatologist who directs the Earth System Science Center at Pennsylvania State University, agreed that it’s too early to tell.

“If one factor is likely to be favorable and the other is a wild card, it’s still more likely that the product of the two factors will be favorable,” said Mann. “Thus, if you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Now watch the sleight of hand that Muller uses when he quotes me in his latest Times op-ed:

Michael E. Mann, a prominent climatologist, was only slightly more cautious. He said, “If you’re a betting person — or the insurance or reinsurance industry, for that matter — you’d probably go with a prediction of greater frequency and intensity of tornadoes as a result of human-caused climate change.”

Completely lost in Muller’s selective quotation is any nuance or context in what I had said, let alone the bottom line in what I stated: that it is in fact too early to tell whether global warming is influencing tornado activity, but we can discuss the processes through which climate change might influence future trends.

Muller, who lacks any training or expertise in atmospheric science, is more than happy to promote with great confidence the unsupportable claim that global warming will actuallydecrease tornado activity. His evidence for this? The false claim that the historical data demonstrate a decreasing trend in past decades.

Actual atmospheric scientists know that the historical observations are too sketchy and unreliable to decide one way or another as to whether tornadoes are increasing or not (see this excellent discussion by weather expert Jeff Masters of The Weather Underground).

So one is essentially left with the physical reasoning I outlined above. You would think that a physicist would know how to do some physical reasoning. And sadly, in Muller’s case, you would apparently be wrong…

To allow Muller to so thoroughly mislead their readers, not once, but twice in the space of as many months, is deeply irresponsible of the Times. So why might it be that the New York Times is so enamored with Muller, a retired physicist with no training in atmospheric or climate science, when it comes to the matter of climate change?

I discuss Muller’s history as a climate change critic and his new-found role as a media favorite in my book “The Hockey Stick and the Climate Wars” (the paperback was just released a couple weeks ago, with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”).

Muller is known for his bold and eccentric, but flawed and largely discredited astronomical theories. But he rose to public prominence only two years ago when he cast himself in theirresistible role of the “converted climate change skeptic”.

Muller had been funded by the notorious Koch Brothers, the largest current funders of climate change denial and disinformation, to independently “audit” the ostensibly dubious science of climate change. This audit took the form of an independent team of scientists that Muller picked and assembled under the umbrella of the “Berkeley Earth Surface Temperature” (unashamedly termed “BEST” by Muller) project.

Soon enough, Muller began to unveil the project’s findings: First, in late 2011, he admitted that the Earth was indeed warming. Then, a year later he concluded that the warming was not only real, but could only be explained by human influence.

Muller, in short, had rediscovered what the climate science community already knew long ago.

summarized the development at the time on my Facebook page:

Muller’s announcement last year that the Earth is indeed warming brought him up to date w/ where the scientific community was in the the 1980s. His announcement this week that the warming can only be explained by human influences, brings him up to date with where the science was in the mid 1990s. At this rate, Muller should be caught up to the current state of climate science within a matter of a few years!

The narrative of a repentant Koch Brothers-funded skeptic who had “seen the light” andappeared to now endorse the mainstream view of human-caused climate change, was simply too difficult for the mainstream media to resist. Muller predictably was able to position himself as a putative “honest broker” in the climate change debate. And he was granted a slew of op-eds in the New York Times and Wall Street Journal, headline articles in leading newspapers, and interviews on many of the leading television and radio news shows.

Yet Muller was in reality seeking to simply take credit for findings established by otherscientists (ironically using far more rigorous and defensible methods!) literally decades ago. In 1995 the IPCC had already concluded, based on work by Ben Santer and other leading climate scientists working on the problem of climate change “detection and attribution”, that there was already now a “discernible human influence” on the warming of the planet.

And while Muller has now admitted that the Earth had warmed and that human-activity is largely to blame, he has used his new-found limelight and access to the media to:

1. Smear and misrepresent other scientists, including not just me and various other climate scientists like Phil Jones of the UK’s University of East Anglia, but even the President of the U.S. National Academy of Sciences himself, Ralph Cicerone.

2. Misrepresent key details of climate science, inevitably to downplay the seriousness of climate change, whether it is the impacts on extreme weather and heat, drought, Arctic melting, or the threat to Polar Bears. See my own debunking of various falsehoods that Muller has promoted in his numerous news interviews e.g. here or here.

3. Shill for fossil fuel energy, arguing that the true solution to global warming isn’t renewable or clean energy. No, not at all! Muller is bullish on fracking and natural gas as the true solution.

To (a) pretend to accept the science, but attack the scientists and misrepresent so many important aspect of the science, downplaying the impacts and threat of climate change, while (b) acting as a spokesman for natural gas, one imagines that the petrochemical tycoon Koch Brothers indeed were probably quite pleased with their investment. Job well done. As I put it in an interview last year:

It would seem that Richard Muller has served as a useful foil for the Koch Brothers, allowing them to claim they have funded a real scientist looking into the basic science, while that scientist– Muller—props himself up by using the “Berkeley” imprimatur (UC Berkeley has not in any way sanctioned this effort) and appearing to accept the basic science, and goes out on the talk circuit, writing op-eds, etc. systematically downplaying the actual state of the science, dismissing key climate change impacts and denying the degree of risk that climate change actually represents. I would suspect that the Koch Brothers are quite happy with Muller right now, and I would have been very surprised had he stepped even lightly on their toes during his various interviews, which he of course has not. He has instead heaped great praise on them, as in this latest interview.

The New York Times does a disservice to its readers when it buys into the contrived narrative of the “honest broker”–Muller as the self-styled white knight who must ride in to rescue scientific truth from a corrupt and misguided community of scientists. Especially when that white knight is in fact sitting atop a Trojan Horse–a vehicle for the delivery of disinformation, denial, and systematic downplaying of what might very well be the greatest threat we have yet faced as a civilization, the threat of human-caused climate change.

Shame on you New York Times. You owe us better than this.

Michael Mann is Distinguished Professor of Meteorology at Pennsylvania State University and author of The Hockey Stick and the Climate Wars: Dispatches from the Front Lines (now available in paperback with a new guest foreword by Bill Nye “The Science Guy”)

Oldest Clam Consternation Overblown (National Geographic)

A photo of ming the clam.

Shell valves from a specimen of Arctica islandica that was found to have lived for approximately 507 years are pictured here. The creature’s death has generated some consternation about marine researchers that looks a bit overblown.

PHOTOGRAPH COURTESY BANGOR UNIVERSITY

Samantha Larson

for National Geographic

PUBLISHED NOVEMBER 16, 2013

Consternation over the death of the world’s oldest-recorded animal, a 507-year-old clam nicknamed Ming, has earned marine researchers unhappy headlinesworldwide.

But a closer look at the story—”Clam-gate,” as the BBC called it—finds the tempest over Ming a bit overblown. (Also see “Clams: Not Just for Chowder.”)

News of the clam’s death, first noted in 2007, took on a life of its own this week after researchers led by James Scourse, from the United Kingdom’s Bangor University, reanalyzed its age and announced the 507-year estimate.

Contrary to news reports, the researchers say they did not kill the elderly clam for the ironic-seeming purpose of finding out its age.

“This particular animal was one of about 200 that were collected live from the Icelandic shelf in 2006,” explains climate scientist Paul Butlerfrom the same U.K. university, who, along with Scourse, dredged up the clam as part of a research project to investigate climate change over the past thousand years.

All 200 clams were killed when they were frozen on board to take them home. They didn’t find out how old Ming was until they were back in the lab and looked at its shell under a microscope.

Ming Dynasty Survivor

When Ming first made headlines in 2007, the researchers said they thought it was about 405 years old, earning it even then the title of the oldest-known animal.

After the more recent reanalysis, they realized that the bivalve was even more impressive than they had thought.

In the year Ming was born, Leonardo da Vinci was at work on the “Mona Lisa,” the first recorded epidemic of smallpox hit the New World, and the Ming dynasty ruled China (hence the name). Ming was 52 years old when Queen Elizabeth I took the throne.

Clam Age Counting

The researchers determined Ming’s age by counting the number of bands in its shell. This type of clam, the ocean quahog, grows a new band every year. (Also see “Giant Clam.”)

The 100-year age discrepancy resulted from the 2007 analysis examining a part of Ming’s shell where some of the bands were so narrow they couldn’t be separated from each other.

Scourse, a marine geologist, says that the new age has been verified against radiocarbon dating and is “pretty much without error.”

Clams Don’t Carry Birth Certificates

When Scourse and Butler dredged up the live clam, they had what appeared to be an everyday quahog, an animal that could fit into the palm of their hand.

As Madelyn Mette, a Ph.D. student at Iowa State University in Ames who also studies these clams, explains, “Once they reach a certain age, they don’t get a lot bigger per year … If you have a large clam, you can’t always tell if it’s 100 years old or 300 years old, because there’s very little difference in size.”

Scourse points out that the 200 clams they sampled represented a very small fraction of the world’s entire clam population. For that reason, even if Ming was the oldest animal that we knew, the chances that it was actually the oldest quahog out there in the ocean depths are “infinitesimally small.”

How About Some Chowdah?

In fact, it isn’t unthinkable that someone might eat a clam of Ming’s age for lunch—ocean quahogs from the North Atlantic are one of the main species used in clam chowder.

If nothing else, Ming’s sacrifice should help out Scourse and Butler’s research, looking at long-term climate impacts on sea life over the past few centuries.

“The 507-year-old is at the top end of the series,” Scourse says. “From this we can get annual records of marine climate change, which so far we’ve never been able to get from the North Atlantic.”

Quando os jornalistas falam sobre ciência (Fapesp)

Martin Bauer foi um dos palestrantes do painel da FAPESP Week London sobre cultura científica (foto: LSE)

02/10/2013

Por Fernando Cunha, de Londres

Agência FAPESP – O retrato que os jornalistas fazem da ciência, a tensão quando repórteres tentam relatar ao público o que faz a ciência e a maneira como a ciência aparece na ficção – algumas vezes de forma estereotipada – foram algumas das questões discutidas no painel sobre cultura científica, apresentado na sexta-feira (27/09), último dia de atividades da FAPESP Week London 2013.

Martin Bauer, da London School of Economics, falou sobre um projeto de pesquisa coordenado por ele que criará indicadores para verificar o nível de mobilização do mundo científico para divulgar ciência. Temas controversos como transgenia e mudanças climáticas, que provocam mobilização política, sempre vêm acompanhados de um momento educativo, segundo o pesquisador.

O projeto propõe a construção, até o fim de 2015, de um sistema de indicadores a partir de parâmetros como: a atenção do público à informação científica, as aspirações de leitores em termos de bem-estar, a percepção da contribuição da ciência para a cultura do público e a distância relativa entre o sujeito que recebe a informação científica e a própria ciência.

“Estamos interessados na análise dos conteúdos para entender a eficácia da linguagem utilizada e, particularmente, no conceito de autoridade da ciência para transmitir conteúdos de pesquisa para o público”, disse Bauer.

Os indicadores previstos estão agrupados em três tipos: percepção pública da ciência; presença, em termos quantitativos, da ciência na imprensa e na produção cultural da mídia – incluindo as diferentes editorias em jornais e a programação de rádio e TV, incluindo telenovelas; e assuntos científicos tratados.

A pesquisa e coleta de dados serão feitas principalmente em países da Europa e na Índia, e incluirá também o Brasil, em uma colaboração com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor/Unicamp) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Interesse público

Marcelo Leite, repórter do jornal Folha de S. Paulo, tratou do jornalismo de ciência e da percepção pública da ciência no Brasil a partir de uma análise de matérias publicadas sobre as mudanças climáticas globais.

“Estou convencido de que o jornalismo de ciência pode funcionar como um modelo que todas as formas de jornalismo poderiam e deveriam seguir, porque vai além de opiniões, crenças e ideologias para chegar ao mais perto que podemos esperar da verdade”, disse Leite. “O jornalismo de ciência instrui leitores sobre o processo de pesquisa científica, tentando desfazer a percepção equivocada de que os cientistas são detentores da verdade eterna”, disse.

Para o jornalista, a presença do tema das mudanças climáticas nos veículos de comunicação e, em especial, a divulgação na imprensa do conteúdo do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), no fim de setembro, oferecem interessante oportunidade de análise da cobertura e da percepção dos conteúdos.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, concluída em 2010, mostrou que o índice de atenção do público brasileiro em ciência tem aumentado, atingindo 65% dos cidadãos consultados.

“Sobre o tema ambiente, o interesse subiu de 58%, em 2006, para 82% em 2010, provavelmente por questões relacionadas com a Amazônia e mudanças climáticas, que parecem atrair a maioria das pessoas”, disse.

Em relação à cobertura jornalística de temas relacionados ao clima, a pesquisa concluiu que há uma concentração de textos na área política – com foco em negociações e na mitigação das consequências das emissões de gases de efeito estufa (50% das matérias) – e no desmatamento da floresta (23%).

O painel teve também a participação de Philip Macnaghten, da Universidade de Durham e professor visitante na Unicamp, que tratou dos cenários da pesquisa e inovação responsável no Brasil, e de Maria Immacolata Vassalo de Lopes, professora na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), que falou sobre a experiência de criação de uma rede ibero-americana para o estudo da ficção na televisão, o Obitel, formada em 2005 na Colômbia, com a participação de pesquisadores de 12 países, incluindo do Brasil.

O projeto teve apoio da FAPESP, da USP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Globo Universidade (TV Globo) e do Ibope.

Realizada pela FAPESP na capital britânica entre 25 e 27 de setembro, com apoio da Royal Society e do British Council, a FAPESP Week London promoveu a discussão de temas avançados de pesquisa para ampliar oportunidades de colaboração entre cientistas brasileiros e europeus nos campos da Biodiversidade, Mudanças Climáticas, Ciências da Saúde, Bioenergia, Nanotecnologia e Comunicação.

Quinto relatório do IPCC: repercussão

Documento divulgado nesta sexta (27/09) afirma que a temperatura do planeta pode subir quase 5 °C durante este século, o que poderá elevar o nível dos oceanos em até 82 centímetros (foto do Oceano Ártico: Nasa)

Especiais

Quinto relatório do IPCC mostra intensificação das mudanças climáticas

27/09/2013

Por Karina Toledo, de Londres

Agência FAPESP – Caso as emissões de gases do efeito estufa continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século – o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Suécia, a primeira parte de seu quinto relatório de avaliação (AR5). Com base na revisão de milhares de pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o documento apresenta as bases científicas da mudança climática global.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos seis brasileiros que participaram da elaboração desse relatório, foram simulados quatro diferentes cenários de concentrações de gases de efeito estufa, possíveis de acontecer até o ano de 2100 – os chamados “Representative Concentration Pathways (RCPs)”.

“Para fazer a previsão do aumento da temperatura são necessários dois ingredientes básicos: um modelo climático e um cenário de emissões. No quarto relatório (divulgado em 2007) também foram simulados quatro cenários, mas se levou em conta apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitida. Neste quinto relatório, nós usamos um sistema mais completo, que leva em conta os impactos dessas emissões, ou seja, o quanto haverá de alteração no balanço de radiação do sistema terrestre”, explicou Artaxo, que está em Londres para a FAPESP Week London, onde participou de um painel sobre mudança climática.

O balanço de radiação corresponde à razão entre a quantidade de energia solar que entra e que sai de nosso planeta, indicando o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentrações de gases de efeito estufa, partículas de aerossóis emitidas e outros agentes climáticos.

O cenário mais otimista prevê que o sistema terrestre armazenará 2,6 watts por metro quadrado (W/m2) adicionais. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre poderia variar entre 0,3 °C e 1,7 °C de 2010 até 2100 e o nível do mar poderia subir entre 26 e 55 centímetros ao longo deste século.

“Para que esse cenário acontecesse, seria preciso estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa nos próximos 10 anos e atuar para sua remoção da atmosfera. Ainda assim, os modelos indicam um aumento adicional de quase 2 °C na temperatura – além do 0,9 °C que nosso planeta já aqueceu desde o ano 1750”, avaliou Artaxo.

O segundo cenário (RCP4.5) prevê um armazenamento de 4,5 W/m2. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre seria entre 1,1 °C e 2,6 °C e o nível do mar subiria entre 32 e 63 centímetros. No terceiro cenário, de 6,0 W/m2, o aumento da temperatura varia de 1,4 °C até 3,1 °C e o nível do mar subiria entre 33 e 63 centímetros.

Já o pior cenário, no qual as emissões continuam a crescer em ritmo acelerado, prevê um armazenamento adicional de 8,5 W/m2. Em tal situação, segundo o IPCC, a superfície da Terra poderia aquecer entre 2,6 °C e 4,8 °C ao longo deste século, fazendo com que o nível dos oceanos aumente entre 45 e 82 centímetros.

“O nível dos oceanos já subiu em média 20 centímetros entre 1900 e 2012. Se subir outros 60 centímetros, com as marés, o resultado será uma forte erosão nas áreas costeiras de todo o mundo. Rios como o Amazonas, por exemplo, sofrerão forte refluxo de água salgada, o que afeta todo o ecossistema local”, disse Artaxo.

Segundo o relatório AR5 do IPCC, em todos os cenários, é muito provável (90% de probabilidade) que a taxa de elevação dos oceanos durante o século 21 exceda a observada entre 1971 e 2010. A expansão térmica resultante do aumento da temperatura e o derretimento das geleiras seriam as principais causas.

O aquecimento dos oceanos, diz o relatório, continuará ocorrendo durante séculos, mesmo se as emissões de gases-estufa diminuírem ou permanecerem constantes. A região do Ártico é a que vai aquecer mais fortemente, de acordo com o IPCC.

Segundo Artaxo, o aquecimento das águas marinhas tem ainda outras consequências relevantes, que não eram propriamente consideradas nos modelos climáticos anteriores. Conforme o oceano esquenta, ele perde a capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Se a emissão atual for mantida, portanto, poderá haver uma aceleração nas concentrações desse gás na atmosfera.

“No relatório anterior, os capítulos dedicados ao papel dos oceanos nas mudanças climáticas careciam de dados experimentais. Mas nos últimos anos houve um enorme avanço na ciência do clima. Neste quinto relatório, por causa de medições feitas por satélites e de observações feitas com redes de boias – como as do Projeto Pirata que a FAPESP financia no Atlântico Sul –, a confiança sobre o impacto dos oceanos no clima melhorou muito”, afirmou Artaxo.

Acidificação dos oceanos

Em todos os cenários previstos no quinto relatório do IPCC, as concentrações de CO2 serão maiores em 2100 em comparação aos níveis atuais, como resultado do aumento cumulativo das emissões ocorrido durante os séculos 20 e 21. Parte do CO2 emitido pela atividade humana continuará a ser absorvida pelos oceanos e, portanto, é “virtualmente certo” (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar. No melhor dos cenários – o RCP2,6 –, a queda no pH será entre 0,06 e 0,07. Na pior das hipóteses – o RCP8,5 –, entre 0,30 e 0,32.

“A água do mar é alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a formação de compostos ácidos. Esses ácidos dissolvem a carcaça de parte dos microrganismos marinhos, que é feita geralmente de carbonato de cálcio. A maioria da biota marinha sofrerá alterações profundas, o que afeta também toda a cadeia alimentar”, afirmou Artaxo.

Ao analisar as mudanças já ocorridas até o momento, os cientistas do IPCC afirmam que as três últimas décadas foram as mais quentes em comparação com todas as anteriores desde 1850. A primeira década do século 21 foi a mais quente de todas. O período entre 1983 e 2012 foi “muito provavelmente” (90% de probabilidade) o mais quente dos últimos 800 anos. Há ainda cerca de 60% de probabilidade de que tenha sido o mais quente dos últimos 1.400 anos.

No entanto, o IPCC reconhece ter havido uma queda na taxa de aquecimento do planeta nos últimos 15 anos – passando de 0,12 °C por década (quando considerado o período entre 1951 e 2012) para 0,05°C (quando considerado apenas o período entre 1998 e 2012).

De acordo com Artaxo, o fenômeno se deve a dois fatores principais: a maior absorção de calor em águas profundas (mais de 700 metros) e a maior frequência de fenômenos La Niña, que alteram a taxa de transferência de calor da atmosfera aos oceanos. “O processo é bem claro e documentado em revistas científicas de prestígio. Ainda assim, o planeta continua aquecendo de forma significativa”, disse.

Há 90% de certeza de que o número de dias e noites frios diminuíram, enquanto os dias e noites quentes aumentaram na escala global. E cerca de 60% de certeza de que as ondas de calor também aumentaram. O relatório diz haver fortes evidências de degelo, principalmente na região do Ártico. Há 90% de certeza de que a taxa de redução da camada de gelo tenha sido entre 3,5% e 4,1% por década entre 1979 e 2012.

As concentrações de CO2 na atmosfera já aumentaram mais de 20% desde 1958, quando medições sistemáticas começaram a ser feitas, e cerca de 40% desde 1750. De acordo com o IPCC, o aumento é resultado da atividade humana, principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, havendo uma pequena participação da indústria cimenteira.

Para os cientistas há uma “confiança muito alta” (nove chances em dez) de que as taxas médias de CO2, metano e óxido nitroso do último século sejam as mais altas dos últimos 22 mil anos. Já mudanças na irradiação solar e a atividade vulcânica contribuíram com uma pequena fração da alteração climática. É “extremamente provável” (95% de certeza) de que a influência humana sobre o clima causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010.

“Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos, não é algo para o futuro. O aumento de ondas de calor, da frequência de furacões, das inundações e tempestades severas, das variações bruscas entre dias quentes e frios provavelmente está relacionado ao fato de que o sistema climático está sendo alterado”, disse Artaxo.

Impacto persistente

Na avaliação do IPCC, muitos aspectos da mudança climática vão persistir durante muitos séculos mesmo se as emissões de gases-estufa cessarem. É “muito provável” (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido permanecerá na atmosfera por mais de mil anos após as emissões cessarem, afirma o relatório.

“O que estamos alterando não é o clima da próxima década ou até o fim deste século. Existem várias publicações com simulações que mostram concentrações altas de CO2 até o ano 3000, pois os processos de remoção do CO2 atmosférico são muito lentos”, contou Artaxo.

Para o professor da USP, os impactos são significativos e fortes, mas não são catastróficos. “É certo que muitas regiões costeiras vão sofrer forte erosão e milhões de pessoas terão de ser removidas de onde vivem hoje. Mas claro que não é o fim do mundo. A questão é: como vamos nos adaptar, quem vai controlar a governabilidade desse sistema global e de onde sairão recursos para que países em desenvolvimento possam construir barreiras de contenção contra as águas do mar, como as que já estão sendo ampliadas na Holanda. Quanto mais cedo isso for planejado, menores serão os impactos socioeconômicos”, avaliou.

Os impactos e as formas de adaptação à nova realidade climática serão o tema da segunda parte do quinto relatório do IPCC, previsto para ser divulgado em janeiro de 2014. O documento contou com a colaboração de sete cientistas brasileiros. Outros 13 brasileiros participaram da elaboração da terceira parte do AR5, que discute formas de mitigar a mudança climática e deve sair em março.

De maneira geral, cresceu o número de cientistas vindos de países em desenvolvimento, particularmente do Brasil, dentro do IPCC. “O Brasil é um dos países líderes em pesquisas sobre mudança climática atualmente. Além disso, o IPCC percebeu que, se o foco ficasse apenas nos países desenvolvidos, informações importantes sobre o que está acontecendo nos trópicos poderiam deixar de ser incluídas. E é onde fica a Amazônia, um ecossistema-chave para o planeta”, disse Artaxo.

No dia 9 de setembro, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou o sumário executivo de seu primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1). O documento, feito nos mesmos moldes do relatório do IPCC, indica que no Brasil o aumento de temperatura até 2100 será entre 1 °C e 6 °C, em comparação à registrada no fim do século 20. Como consequência, deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

“A humanidade nunca enfrentou um problema cuja relevância chegasse perto das mudanças climáticas, que vai afetar absolutamente todos os seres vivos do planeta. Não temos um sistema de governança global para implementar medidas de redução de emissões e verificação. Por isso, vai demorar ainda pelo menos algumas décadas para que o problema comece a ser resolvido”, opinou Artaxo.

Para o pesquisador, a medida mais urgente é a redução das emissões de gases de efeito estufa – compromisso que tem de ser assumido por todas as nações. “A consciência de que todos habitamos o mesmo barco é muito forte hoje, mas ainda não há mecanismos de governabilidade global para fazer esse barco andar na direção certa. Isso terá que ser construído pela nossa geração”, concluiu.

*   *   *

JC e-mail 4822, de 27 de Setembro de 2013.

IPCC lança na Suécia novo relatório sobre as mudanças climáticas (O Globo)

O documento reúne previsões do aquecimento global até 2100 apontando aumento de temperatura superior a 2 graus. ‘A influência humana no clima é clara’, diz trabalho

A previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) é que o aquecimento global até o final do século 21 seja “provavelmente superior” a 2 graus (com pelo menos 66% de chances disto acontecer), superando o limite considerado seguro pelos especialistas. Até 2100, o nível do mar deve aumentar perigosamente de 45 a 82 centímetros, considerando o pior cenário (ou de 26 a 55 centímetros, no melhor), e o gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão local.

Além disso, o relatório do IPCC — publicado na manhã desta sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, com as bases científicas mais atualizadas sobre as mudanças climáticas — considera que há mais de 95% de certeza para afirmar que o homem causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

O documento, com o trabalho de 259 cientistas e representantes dos governos de 195 países, inclusive o Brasil, ressalta que parte das emissões de CO2 provocadas pelo homem continuará a ser absorvida pelos oceanos. Por isso, é praticamente certo (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar, afetando profundamente a vida marinha.

– A mudança de temperatura da superfície do planeta deve exceder 1,5 grau, e, provavelmente, será superior a 2 graus – disse o copresidente do trabalho Thomas Stocker. – É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções.

Os especialistas fizeram quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Em todas, há aumento de temperatura. As mais brandas ficam entre 0,3 ºC e 1,7 ºC. Nestes casos, seria necessário diminuir muito as emissões. Já no cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria entre 2,6 ºC e 4,8 ºC.

– Na minha opinião, o relatório é muito bom, repleto de informações e todas muito bem fundamentadas – comentou a especialista brasileira Suzana Kahn, que faz parte do grupo de pesquisadores do IPCC em Estocolmo. – No fundo, o grande ganho é a comprovação do que tem sido dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e aerossóis. Isto é muito importante para o mundo científico, pois aponta para áreas que precisam ser mais investigadas.

Suzana conta que a dificuldade de fazer projeções e análises para o Hemisfério Sul causou muita polêmica. O grande problema é a falta de dados:

– Acho que isto foi interessante para comprovar que estávamos certos ao criar o Painel Brasileiro de Mudança Climática para suprir esta lacuna.

De acordo com Carlos Rittl, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energias do WWF-Brasil, o relatório do IPCC deixa uma mensagem clara: o aquecimento global é incontestável. E é preciso começar agora contra os piores efeitos.

– O relatório do IPCC reafirma algumas certezas e vai além. Aponta a perda de massa de gelo, o aumento do nível dos oceanos, o incremento de chuvas onde já se chove muito, além da diminuição da umidade nas regiões mais áridas. No Brasil, o semiárido pode se tornar mais árido. Por outro lado, o Sul e Sudeste podem ter mais chuvas do que hoje – enumerou Rittl. – É importante ressaltar que o relatório fala de médias. Ou seja, em algumas regiões do país pode haver aumento de seis graus, com picos de mais de oito graus. A gente não está preparado para isso. E nossas emissões nos colocam numa trajetória de altíssimo risco, mais próxima dos piores cenários.

Para Rittl, a ciência está dando uma mensagem clara: é preciso diminuir as emissões. Isso significa levar os temas relacionados às mudanças climáticas para as decisões políticas:

– Hoje o aquecimento global ainda é um tema marginal. Os investimentos em infraestrutura, energia, o plano Safra, todos os grandes investimentos da escala de trilhões de reais não têm praticamente nenhuma vinculação com a lógica de baixo carbono. Estamos sendo pouco responsáveis.

Diplomacia e ciência
John Kerry, secretário de Estado dos EUA, ressalta que o relatório do IPCC não deve ser esquecido num armário, nem interpretado como uma peça política feita por políticos: “é ciência”, resume. De acordo com ele, os Estados Unidos estão “profundamente comprometidos em combater as mudanças climáticas”, reduzindo emissões de gases-estufa e investindo em formas eficientes de energia.

Este é mais um chamado de atenção: aqueles que negam a ciência ou procuram desculpas para evitar a ação estão brincando com fogo – afirmou Kerry. – O resumo do relatório do IPCC é este: a mudança climática é real, está acontecendo agora, os seres humanos são a causa dessa transformação, e somente a ação dos seres humanos pode salvar o mundo de seus piores impactos.

Lançado a cada seis anos, os relatórios do IPCC estão sob críticas de especialistas. O processo de análise dos documentos por representantes do governo acaba chegando a uma situação intermediária entre diplomacia e ciência, explica Emilio La Rovere, pesquisador da Coppe/UFRJ.

– O resultado é um meio termo entre diplomacia e ciência – afirmou Rovere.
Um dos pontos mais polêmicos são os chamados hiatos, períodos de cerca de 15 anos em que a temperatura média do planeta não aumenta. Por exemplo, a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha anunciou, nesta semana, que o último trimestre na Península Ibérica foi o menos quente desde 2008. Entretanto, o relatório de 2007 do IPCC não citou estas pausas do aquecimento, dando argumento aos céticos.

Limite do aquecimento global
As informações do IPCC são importantes para a criação de estratégias de combate às mudanças climáticas. Na Convenção do Clima da Dinamarca (COP-15, realizada em 2009), foi criada a meta de limitar o aquecimento global em 2 graus. Para isso acontecer em 2050, explica Emilio La Rovere, da Coppe/UFRJ, seria necessário cortar 80% das emissões em comparação com 1990:

– Os modelos matemáticos simulando evolução demográfica, economia mundial, demanda e oferta de energia mostram que fica realmente quase impossível atingir este objetivo.

Este é o Quinto Relatório do IPCC, que será lançado em quatro partes, entre setembro de 2013 e novembro de 2014. Nesta sexta-feira, foi publicado o documento do Grupo de Trabalho I (sobre os aspectos científicos das mudanças climáticas). Entre os dias 25 e 29 de março de 2014, será a vez do Grupo de Trabalho II (analisando os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade), que se reunirá em Yokohama, no Japão. O Grupo de Trabalho III (especializado na mitigação dos impactos das mudanças climáticas) está previsto para os dias 7 e 11 de abril em Berlim, na Alemanha. Por fim, será criado um relatório síntese, cujos trabalhos ocorrerão entre os dias 27 e 31 de outubro, em Copenhague, na Dinamarca.

(Cláudio Motta/O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/ipcc-lanca-na-suecia-novo-relatorio-sobre-as-mudancas-climaticas-10173671#ixzz2g6D6tmU6

Matéria complementar de O Globo:

Relatório destaca como a ação humana agrava o aquecimento
http://oglobo.globo.com/ciencia/relatorio-destaca-como-acao-humana-agrava-aquecimento-1-10171896#ixzz2g6MfZIsl

Veja mais em:

Folha de S.Paulo
Relatório sobe tom de alerta sobre aquecimento
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/131005-relatorio-sobe-tom-de-alerta-sobre-aquecimento.shtml

Agência Estado
ONU culpa atividades humanas por aquecimento global
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/noticias/not297255.shtm

Zero Hora
Temperatura da Terra subirá entre 0,3°C e 4,8°C neste século, aponta IPCC
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/planeta-ciencia/noticia/2013/09/temperatura-da-terra-subira-entre-0-3c-e-4-8c-neste-seculo-aponta-ipcc-4283083.html

Correio Braziliense
Temperatura do planeta subirá entre 0,3 e 4,8ºC no século 21, diz IPCC
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2013/09/27/interna_ciencia_saude,390388/temperatura-do-planeta-subira-entre-0-3-e-4-8-c-no-seculo-21-diz-ipcc.shtml

 

Painel do clima da ONU sobe alerta para aquecimento global (Folha de S.Paulo)

27/09/2013 – 05h07

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Atualizado às 09h47.

Quem esperava ver o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) emitir um relatório mais enfraquecido em razão da recente desaceleração no aquecimento global, testemunhou os cientistas da entidade subirem o tom de alerta, destacando uma subida acelerada no nível do mar e no derretimento do Ártico.

Além de manter que a mudança climática é “inequívoca”, o documento mostra projeções para o futuro com um grau de certeza melhorado. “A atmosfera e o oceano se aqueceram, a quantidade de neve e gelo diminuiu, o nível do mar subiu, e as concentrações de gases-estufa aumentaram”, diz o Sumário para Formuladores de Política, a seção do documento divulgada nesta manhã.

Mensageiro Sideral: Que diabos acontece com nosso planeta?

No final deste século, a temperatura média da superfície terrestre provavelmente vai exceder um aumento médio de 1,5°C até 2100, em relação à média de 1850 a 1900. Isso vale para todos os cenários considerados exceto o mais otimista, no qual emissões de gases estufa sofrem cortes drásticos, atingindo um pico daqui a dez anos e caindo para zero 50 anos depois.

Em um cenário intermediário, no qual as emissões dobram até 2060 e recuam a um nível maior que o atual antes de 2100, a temperatura provavelmente excederá um aumento de 2°C, limite considerado perigoso por cientistas.

Manifestantes gritam em protesto em Estocolmo, onde foi divulgado o novo relatório do painel do clima da ONU

No pior cenário, um no qual a humanidade triplica a emissão de gases do efeito estufa até 2100, a temperatura média provavelmente subiria até 4,8°C.

A palavra “provavelmente”, na linguagem do painel, significa uma propensão acima de 66%, a melhor confiabilidade possível para projeções futuras, baseadas em modelos matemáticos de simulação do clima.

Ao avaliar o efeito das emissões de gases estufa no clima passado, o relatório é bem mais contundente. O texto afirma ser “extremamente provável” (95% de certeza) que o aquecimento observado desde o meio do século 20 seja resultado da influência humana no clima. O último relatório, de 2007, dizia que o mesmo era “muito provável” (90%).

OCEANOS

O relatório também afirma com “alta confiabilidade” que o aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático. Mais de 90% da energia acumulada pela Terra desde 1971 foi armazenada nos mares, diz o relatório.

“À medida que os oceanos se aquecem e as geleiras e plataformas de gelo se reduzem, o nível do mar continuará a aumentar, mas a uma taxa mais rápida do que aquela que experimentamos ao longo dos últimos 40 anos”, afirmou Qin-Dahe, co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

O aumento do nível do mar entre 1900 e 2012 foi de 19 cm. Mesmo dentro do melhor cenário, com uma queda brusca de emissões, esse número pode quase triplicar, em razão de os oceanos já terem absorvindo muita temperatura. A hipótese mais pessimista dentro do pior cenário vê um aumento de 82 cm, que impactaria uma população de um tamanho da ordem de dezenas de milhões.

Uma das razões para a revisão dos números é que os modelos lidam melhor agora com o derretimento da Groenlândia e do oeste da Antártida. Antes, os números eram basicamente uma projeção da expansão térmica da água oceânica, que continua sendo a maior causa do aumento do nível do mar.

HIATO

A questão da desaceleração do aquecimento global nos últimos 15, o “hiato” da mudança climática, tomou grande parte do tempo de discussão dos delegados do IPCC que se reuniram nesta semana. O texto final do relatório lidou com o fenômeno afirmando que a tempereatura média global de superfície “exibe substancial variabilidade interanual e decadal” apesar de um “robusto aquecimento multi-decadal” verificado.

“Como exemplo, a taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012); 0,05°C por década), que começa com um forte El Niño, é menor do que a taxa calculada desde de 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”, afirma o relatório.

Apesar de haverem estudos recentes indicando que o calor da atmosfera está sendo roubado por águas oceânicas profundas, o relatório não menciona esse fenômeno. “É preciso colher mais evidências disso”, diz Thomas Stocker, o outro co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

Editoria de Arte/Folhapress

 

 

Manifestantes do grupo Avaaz usam gangorra gigante para demonstrar os 95% de certeza sobre a culpa do homem nas mudanças climáticas; de um lado fica a maioria dos cientitas e, de outro, um homem com uma maleta de dinheiro

Faixa em protesto em Estocolmo diz: “o debate acabou”, em referência ao novo relatório do painel do clima, que aumenta o grau de certeza sobre a responsabilidade do homem na mudança climática

Protesto em Estocolmo, na Suécia, pede ação imediata para conter efeitos da mudança climática

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24/09/2013 – 02h53

Previsão de aumento do nível do mar piora

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

A julgar pela versão preliminar do quinto relatório do IPCC (painel do clima da ONU), a ser divulgado na próxima sexta-feira, a principal atualização nas projeções da mudança climática não serão relacionadas ao aumento de temperatura, mas sim do nível do mar.

Quando o quarto relatório, que projetava um aumento de 18 cm a 59 cm, saiu em 2007, muitos cientistas o consideraram conservador. O esboço do novo texto fala agora de uma margem entre 28 cm e 89 cm de aumento até 2100.

Uma mudança da escala de dezenas de centímetros na projeção não é pequena. A margem de erro para o cenário mais pessimista chega a quase um metro de altura, o que afetaria áreas habitadas por algumas dezenas de milhares de pessoas.

Editoria de Arte/Folhapress

O principal fenômeno por trás do aumento do nível do mar é o fato de que a água aumenta de volume quando está mais quente –e os oceanos absorvem boa parte do calor aprisionado na atmosfera.

“A expansão termal é a maior contribuição para o aumento futuro do nível do mar, sendo responsável por 30% a 55% do total, com a segunda maior contribuição vindo das geleiras”, afirma a versão preliminar do sumário político do documento.

“Há alta confiabilidade em que o aumento do derretimento da superfície da Groenlândia vai exceder a elevação da queda de neve, levando à contribuição positiva [aumentando o nível do mar].”

INCERTEZAS
Se o novo relatório do IPCC será mais contundente ao dizer que o impacto do aquecimento sobre o nível do mar será maior, ele ainda tem limitações quando tenta especificar quão maior.
Um dos problemas por trás das projeções do painel do clima é que o balanço do derretimento e da formação de gelo na Antártida ainda é difícil de prever.

Apesar de a maioria das observações e dos modelos de computador alertar para o derretimento da parte ocidental do continente gelado, o aumento de precipitação na Antártida oriental deixa o cenário incerto.

Divulgação/Nasa/France Presse
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira

“Há uma cofiabilidade média de que nevascas na Antártida vão aumentar, enquanto o derretimento de superfície continuará pequeno, resultando numa contribuição negativa [de redução do nível do mar]”, diz o texto.

Um avanço do novo relatório é a tentativa de lidar melhor com as incertezas regionais. Por exemplo, apesar de a Groenlândia ter a massa de gelo terrestre que mais vai contribuir para a elevação do mar, lá ele não deve subir.

Como a massa de gelo da região vai diminuir, ela perde força de gravidade que puxa água na direção da costa. E o mesmo deve ocorrer com a Península Antártica.

“O efeito gravitacional do derretimento da Antártida, combinado com o efeito da dinâmica de correntes e a temperatura abaixo da média, deve deixar o nível do mar abaixo da média na ponta da América do Sul”, diz Aimée Slangen, da Universidade de Utrecht, na Holanda.

“Indo para o Equador, o efeito gravitacional se reverte, deixando o nível do mar acima da média.”

Slangen publicou no ano passado um estudo sobre diferenças regionais na subida da linha d’água, mas diz que ainda é difícil fazer um mapa preciso. “Precisamos entender o papel das plataformas de gelo, das geleiras, o efeito térmico e saber como a crosta vai se mover”, diz.

O último esboço do relatório afirma que, em 95% das áreas oceânicas do mundo, o nível do mar vai subir, e que 70% das áreas costeiras terão um aumento com desvio de menos de 20% da média.

Para os cientistas, porém, é preciso aprimorar o mapeamento. “Para uma cidade ou um país, a média mundial não importa, é preciso saber o que está acontecendo logo à porta de casa”, diz Slangen.

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26/09/2013 – 20h04

Relatório eleva o tom de alerta sobre o aquecimento global

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O IPCC (painel do clima da ONU) divulgará na manhã desta sexta-feira (27) um relatório que eleva o nível de alerta para o aquecimento global. Apesar de a desaceleração na subida de temperaturas nos últimos 15 anos ter tomado bom tempo da discussão, a nova versão do “Sumário para Formuladores de Política” do documento deve indicar que as alterações climáticas têm sido mais acentuadas e mais rápidas do que se esperava, não o inverso.

As discussões finais sobre o conteúdo do documento ainda ocorrem a portas fechadas nesta madrugada em Estocolmo, mas algumas questões cruciais já foram resolvidas. A versão final do texto do Grupo 1 do IPCC –responsável pela física do clima– deve ganhar então um tom acima do que a daquela enviada aos governos para comentários em junho.

Algumas nações, incluindo o Brasil, haviam pedido que o documento excluísse a menção ao “hiato” de 15 anos, mas ela será mantida, acompanhada de explicação.

“Está escrito que esta descontinuidade decorre de um fenômeno atípico em águas no Pacífico e que um período tão curto não pode ser usado para projeções de longo prazo”, disse à Folha um dos cientistas brasileiros presentes na discussão.

Christian Åslund/Greenpeace
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo

O debate sobre esse problema tomou tanto tempo que, no início do terceiro dos quatro dias de trabalho, o painel só tinha avançado 30% da pauta. “Entendo a frustração dos cientistas em gastar tanto tempo nisso, mas eles não tinham a opção evitar essa discussão, que se tornou pública”, afirmou a observadora de uma ONG presente à reunião.

“O que vemos é que níveis não tão altos de aquecimento estão causando impactos maiores do que aqueles que esperávamos, como no derretimento do gelo do Ártico e da Groenlândia ou no aumento do nível do mar.”

Em relação ao relatório anterior do IPCC, publicado em 2007, muitas das novidades têm a ver com o grau de confiabilidade de fenômenos conhecidos. A certeza de que o aquecimento global é causado pelos humanos, por exemplo, aumentou de 90% para 95%. Houve até uma proposta derrubada de aumentar o número para 99%, relata um delagado holandês.

Algumas tentativas de aguar o esboço inicial também falharam. Ao descrever as principais fontes de gases do efeito estufa, delegados sauditas queriam que o texto equiparasse em gravidade o desmatamento e a agricultura à queima de combustíveis fósseis, mas foram derrotados. Apesar de não ter grandes mudanças de conteúdo, a versão final do texto sairá com “palavras mais fortes”, disse outro observador.

A divulgação da versão definitiva do “Sumário para Formuladores de Políticas” do Grupo 1 do IPCC está marcada para as 5h00 desta sexta-feira. A versão completa do relatório, incluindo o “Sumário Técnico” destinado a cientistas, ocorre na segunda-feira.

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26/09/2013 – 13h20

Veja dez perguntas para entender as discussões sobre clima na ONU

DA BBC BRASIL

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulga na sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, um novo relatório no qual pretende estabelecer, com o maior grau de certeza já obtido, o papel das atividades humanas nas mudanças climáticas.

Para ajudar a entender melhor o tema, a BBC preparou uma lista com dez perguntas e respostas sobre a questão:

O que é mudança climática?

O clima do planeta está mudando constantemente ao longo do tempo geológico. A temperatura média global hoje é de cerca de 15ºC, mas as evidências geológicas sugerem que ela já foi muito maior ou muito menor em outras épocas no passado.

Entretanto, o atual período de aquecimento está ocorrendo de maneira mais rápida do que em muitas ocasiões no passado. Os cientistas estão preocupados de que a flutuação natural, ou variabilidade, está dando lugar a um aquecimento rápido induzido pela ação humana, com sérias consequências para a estabilidade do clima no planeta.

O que é ‘efeito estufa’?

O efeito estufa se refere à maneira como a atmosfera da Terra “prende” parte da energia do Sol. A energia solar irradiada de volta da superfície da Terra para o espaço é absorvida por gases atmosféricos e reemitida em todas as direções.

A energia que irradia de volta para o planeta aquece tanto a baixa atmosfera quanto a superfície da Terra. Sem esse efeito, a Terra seria 30ºC mais fria, deixando as condições no planeta hostis para a vida.

Os cientistas acreditam que estamos contribuindo para o efeito natural de estufa com gases emitidos pela indústria e pela agricultura, absorvendo mais energia e aumentando a temperatura.

O mais importante desses gases no efeito estufa natural é o vapor de água, mas suas concentrações mostram pouca mudança. Outros gases do efeito estufa incluem dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que são liberados pela queima de combustíveis fósseis. O desmatamento contribui para seu aumento ao eliminar florestas que absorvem carbono.

Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração de CO2 na atmosfera é agora maior do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos.

Qual é a evidência sobre o aquecimento?

Os registros de temperatura, a partir do fim do século 19, mostram que a temperatura média da superfície da Terra aumentou cerca de 0,8ºC nos últimos cem anos. Cerca de 0,6ºC desse aquecimento ocorreu nas últimas três décadas.

Dados de satélites mostram um aumento médio nos níveis do mar de cerca de 3 milímetros por ano nas últimas décadas. Uma grande proporção da mudança nos níveis do mar se deve à expansão dos oceanos pelo aquecimento. Mas o derretimento das geleiras de montanhas e das camadas de gelo polar também contribuem para isso.

A maioria das geleiras nas regiões temperadas do mundo e na Península Antártica estão encolhendo. Desde 1979, registros de satélites mostram um declínio dramático na extensão do gelo no Ártico, a uma taxa anual de 4% por década. Em 2012, a extensão de gelo alcançou o menor nível já registrado, cerca de 50% menor do que a média do período entre 1979 e 2000.

O manto de gelo da Groenlândia verificou um derretimento recorde nos últimos anos. Se a camada inteira, de 2,8 milhões de quilômetros cúbicos, derretesse, haveria um aumento de 6 metros nos níveis dos mares.

Dados de satélites mostram que a capa de gelo do oeste da Antártica também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o leste da Antártica, que não havia mostrado tendências claras de aquecimento ou resfriamento, também pode ter começado a perder massa nos últimos anos. Mas os cientistas não esperam mudanças dramáticas. Em alguns lugares, a massa de gelo pode aumentar, na verdade, com as temperaturas em alta provocando mais tempestades de neve.

Os efeitos de uma mudança climática também podem ser vistos na vegetação e nos animais terrestres. Isso inclui também o florescimento e frutificação precoces em plantas e mudanças nas áreas ocupadas pelos animais terrestres.

Há uma pausa no aquecimento?

Alguns especialistas argumentam que desde 1998 não houve um aquecimento global significativo, apesar do aumento contínuo nos níveis de emissão de CO2. Os cientistas tentam explicar isso de várias formas.

Isso inclui: variações na emissão de energia pelo Sol, um declínio no vapor de água atmosférico e uma maior absorção de calor pelos oceanos. Mas até agora, não há um consenso geral sobre o mecanismo preciso por trás dessa pausa.

Céticos destacam essa pausa como um exemplo da falibilidade das previsões baseadas em modelos climáticos computadorizados. Por outro lado, os cientistas do clima observam que o hiato no aquecimento ocorre em apenas um dos componentes do sistema climático – a média global da temperatura da superfície -, e que outros indicadores, como o derretimento do gelo e as mudanças na fauna e na flora demonstram que a Terra continua a se aquecer.

Quanto as temperaturas vão aumentar no futuro?

Em seu relatório de 2007, o IPCC previu um aumento da temperatura global entre 1,8ºC e 4ºC até 2100.

Mesmo que as emissões de gases do efeito estufa caiam dramaticamente, os cientistas dizem que os efeitos continuarão, porque partes do sistema climático, particularmente os grandes corpos de água e gelo, podem levar centenas de anos para responder a mudanças na temperatura. Também leva décadas para que os gases do efeito estufa sejam removidos da atmosfera.

Quais serão os impactos disso?

A escala do impacto potencial é incerto. As mudanças podem levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por inundações, tempestades, ondas de calor e secas.

Os cientistas preveem mais chuvas em geral, mas dizem que o risco de seca em áreas não costeiras deverá aumentar durante os verões mais quentes. Mais inundações são esperadas por causa de tempestades e do aumento do nível do mar. Deverá haver, porém, muitas variações regionais nesse padrão.

Os países mais pobres, que estão menos capacitados para lidar com a mudança rápida, deverão sofrer mais.

A extinção de plantas e animais está prevista, por conta de mudanças nos habitats mais rápidas do que a capacidade de adaptação das espécies à estas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a saúde de milhões de pessoas pode ser ameaçada por aumentos nos casos de malária, doenças transmitidas pela água e malnutrição.

O aumento na absorção de CO2 pelos oceanos pode levá-los a se tornar mais ácidos. Esse processo de acidificação em andamento poderia provocar grandes problemas para os recifes de corais, já que as mudanças químicas impedem os corais de formar um esqueleto calcificado, que é essencial para sua sobrevivência.

O que não sabemos?

Os modelos computadorizados são usados para estudar a dinâmica do clima na Terra e fazer projeções sobre futuras mudanças de temperatura. Mas esses modelos climáticos diferem sobre a “sensibilidade climática” – a quantidade de aquecimento ou esfriamento que ocorre por conta de um fator específico, como a elevação ou a queda na concentração de CO2.

Os modelos também diferem na forma como expressam “feedback climático”.

O aquecimento global deverá provocar algumas mudanças com probabilidade de criar mais aquecimento, como a emissão de grandes quantidades de gases do efeito estufa com o derretimento do permafrost (gelo eterno da superfície da Terra). Isso é conhecido como feedback climático positivo (no sentido de adicionar calor).

Mas também existem os feedbacks negativos, que compensam o aquecimento. Por exemplo, os oceanos e a terra absorvem CO2 como parte do ciclo do carbono.

A questão é saber qual o resultado final da soma dessas variáveis.

As inundações vão me atingir?

Detalhes vazados do relatório a ser apresentado nesta semana indicam que no pior cenário traçado pelo IPCC, com o maior nível de emissões de dióxido de carbono, os níveis dos mares no ano 2100 poderiam subir até 97 centímetros.

Alguns cientistas criticam os modelos usados pelo IPCC para calcular esse aumento. Usando o que é chamado de modelo semiempírico, as projeções para o aumento do nível do mar podem chegar a 2 metros. Nessas condições, 187 milhões de pessoas a mais no mundo sofreriam com inundações.

Mas o IPCC deve dizer que não há consenso sobre o enfoque semiempírico e manterá o dado pouco inferior a 1 metro.

O que vai acontecer com os ursos polares?

O estado dos polos Norte e Sul tem sido uma preocupação crescente para a ciência, conforme os efeitos do aquecimento global se tornam mais intensos nessas regiões.

Em 2007, o IPCC disse que as temperaturas no Ártico aumentaram quase duas vezes mais que a média global nos últimos cem anos. O relatório destacou que a região pode ter uma grande variação, com um período quente observado entre 1925 e 1945.

Nos rascunhos do relatório desta semana, os cientistas dizem que há uma evidência maior de que as camadas de gelo e as geleiras estão perdendo massa e que a camada de gelo está diminuindo no Ártico.

Em relação à Groenlândia, que por si só tem a capacidade de aumentar os níveis globais dos mares em 6 metros, o painel diz estar 90% certo de que a velocidade da perda de gelo entre 1992 e 2001 aumentou seis vezes no período entre 2002 e 2011.

Enquanto a extensão média do gelo no Ártico caiu cerca de 4% por década desde 1979, o gelo na Antártica aumentou até 1,8% por década no mesmo período.

Para o futuro, as previsões são bastante dramáticas. No pior cenário traçado pelo IPCC, um Ártico sem gelo no verão é provável até o meio deste século.

E a perspectiva para os ursos polares e para outras espécies que vivem nesse ambiente não é bom, segundo disse à BBC o professor Shang-Ping Xie, do Instituto de Oceanografia da Universidade da Califórnia em San Diego.

“Haverá bolsões de gelo marítimo em alguns mares marginais. Esperamos que os ursos polares sejam capazes de sobreviver no verão nesses bolsões de gelo remanescentes”, disse.

Qual a credibilidade do IPCC?

A escala global do envolvimento científico com o IPCC dá uma ideia do peso dado ao painel.

Dividido em três grupos de trabalho que analisam a ciência física, os impactos e as opções para limitar as mudanças climáticas, o painel envolve milhares de cientistas de todo o mundo.

O relatório a ser apresentado em Estocolmo tem 209 autores coordenadores e 50 revisões de editores de 39 países diferentes.

O documento é baseado em cerca de 9.000 estudos científicos e 50 mil comentários de especialistas.

Mas em meio a esse conjunto enorme de dados, as coisas podem não sair como o esperado.

No último relatório, publicado em 2007, houve um punhado de erros que ganharam grande projeção, entre eles a afirmação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035. Também houve erro na projeção da porcentagem do território da Holanda que ficaria sob o nível do mar.

O IPCC admitiu os erros e explicou que em um relatório de 3 mil páginas é sempre possível que haja alguns pequenos erros. A afirmação sobre o Himalaia veio da inclusão de uma entrevista que havia sido publicada pela revista New Scientist.

Em 2009, uma revisão da forma como o IPCC analisa as informações sugeriu que o painel seja mais claro no futuro sobre as fontes de informação usadas.

O painel também teve a reputação manchada pela associação com o escândalo provocado pelo vazamento de e-mails trocados entre cientistas que trabalhavam para o IPCC, em 2009.

As mensagens pareciam mostrar algum grau de conluio entre os pesquisadores para fazer com que os dados climáticos se encaixassem mais claramente na teoria das mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Porém ao menos três pesquisas não encontraram evidências para apoiar essa conclusão.

Mas o efeito final desses eventos sobre o painel foi o de torná-lo mais cauteloso.

Apesar de o novo relatório possivelmente enfatizar uma certeza maior entre os cientistas de que as atividades humanas estão provocando o aquecimento climático, em termos de escala, níveis e impactos a palavra “incerteza” deverá aparecer com bastante frequência.

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23/09/2013 – 03h00

Análise: Com IPCC na defensiva, novo relatório ainda tem combustível para polêmica

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

Seis anos e sete meses atrás, quando lançou o documento “Mudança Climática 2007: A Base da Ciência Física”, a reputação do IPCC estava no auge. Naquele mesmo ano viria o Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento pela façanha de impor o tema da mudança do clima à agenda política mundial.

A autoridade do grupo formado pela ONU 18 anos antes era tamanha que a climatologista americana Susan Solomon, coordenadora do texto de 21 páginas, deu o passo arriscado: na entrevista coletiva em Paris, repetiu com ênfase a avaliação de que o aquecimento global era “inequívoco”.

Brasil ataca hiato do aquecimento global

Foi a resposta retórica e política daqueles cientistas à repercussão então alcançada pelo grupo dos chamados “céticos” (ou negacionistas). Depois disso, o IPCC nunca mais seria o mesmo.

Em novembro de 2009, um mês antes da Conferência do Clima de Copenhague, hackers invadiram computadores de uma universidade britânica e surrupiaram mensagens eletrônicas entre climatologistas do IPCC que permitia a impressão de que houvera manipulação de dados.

Os autores foram inocentados, mas uma brecha se abrira no prestígio do painel. Ela se agravou dois meses depois, quando veio à tona que o relatório continha erro grosseiro sobre derretimento de geleiras no Himalaia.

Desde então, o IPCC se manteve na defensiva. Criou critérios mais rígidos sobre o tipo de dados científicos que poderiam fundamentar suas previsões. O resultado desse retraimento transparecerá no “Quinto Relatório de Avaliação” (AR5), cujo “Sumário para Formuladores de Políticas” entra agora em sua fase final de redação.

POLÊMICAS
Parece pouco provável que o sumário repita juízos de valor como o contido no adjetivo “inequívoco”. Ainda assim, o documento contém combustível para polêmica.

A primeira coisa a prestar atenção no relatório, além da aparente redução na taxa de aquecimento, é a maneira pela qual lidará com a situação da calota de gelo sobre o oceano Ártico. O IPCC deve reafirmar como muito alta a probabilidade de que ela continue a encolher a cada verão do hemisfério Norte.

O problema é que, neste final do verão setentrional, o gelo no polo Norte se estende por uma área 50% maior (5,1 milhões de km2) do que há um ano. Em 2012, ela caíra para 3,4 milhões de km².

Editoria de Arte/Folhapress

Como se pode ver no gráfico, porém, todos os cinco últimos anos viram a área ficar muito abaixo da média de 1981 a 2010. É dessa escala temporal de transformações (décadas) que se ocupam as projeções do IPCC, não da variação de ano para ano.

O segundo ponto a atentar é a elevação do nível do mar. vAssim como ocorre com a atmosfera, o efeito estufa também esquenta o oceano. Isso expande seu volume, que também aumenta com o derretimento de geleiras sobre terra firme (como as da Groenlândia).

No caso do “Quarto Relatório de Avaliação”, de 2007, o IPCC terminou acusado de ser conservador demais na projeção de que o mar se elevaria entre 18 cm e 59 cm até o ano 2100, pois alguns estudos já indicavam mudanças de até mais de 1 m.

Tudo indica que o limite superior da nova previsão do painel deve chegar perto disso (versões preliminares apontam até 97 cm). Seria o suficiente para inundar as moradias de dezenas de milhões de pessoas no mundo.

O número, sozinho, parecerá alarmante para muitas pessoas. Pode ou não vir acompanhado, na sua divulgação, de ponderações sóbrias– como assinalar o prazo de 86 anos (de 2014 a 2100) disponível para adaptação.

Se não contornarem com muita habilidade essas armadilhas, os cientistas e porta-vozes do IPCC se arriscam a desperdiçar a oportunidade de recompor sua credibilidade como corpo científico e vê-lo, mais uma vez, desqualificado como militante da causa alarmista.

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23/09/2013 – 19h19

IPCC promete relatório sem viés e com revisão mais rigorosa

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O chefe do conjunto de climatologistas que escreveu a mais nova atualização do IPCC sobre a física do clima, o Grupo de Trabalho 1, prometeu ontem entregar um relatório com uma visão “sem precedentes e não enviesada sobre o estado do sistema climático”.

Abrindo a primeira sessão de trabalhos que vai finalizar a primeira das três partes do AR5, o quinto relatório de avaliação do painel do clima da ONU, Thomas Stocker diz ter levado em consideração os mais de 50 mil comentários que o documento recebeu das delegações de governos, que já tiveram acesso ao “sumário para formuladores de políticas” do relatório. “Não conheço nenhum outro documento que tenha passado por um escrutínio assim”.

Após uma última rodada de discussões, a versão final do relatório sai nesta sexta-feira, e a versão provisória do documento indica que a certeza probabilística sobre a culpa das atividades humanas pelo aquecimento global deve subir de 90% para 95%, em relação ao que o IPCC concluíra em 2007.

Qin Dahe, co-chefe do Grupo 1 do IPCC, ressaltou, porém, que apesar de incertezas permanecerem em alguns aspectos do relatório, o papel humano no clima não está sendo revisado. “A evidência científica da mudança climática antropogênica se fortaleceu ano a ano, deixando poucas incertezas sobre as consequências da inação.”

Uma versão vazada do relatório técnico do Grupo 1 do IPCC, documento mais completo que o sumário para políticos, indica que há espaço para os cientistas explicarem a recente pausa no aquecimento global: o período dos últimos 15 anos em que a subida de temperaturas se desacelerou. Uma versão do documento obtida pela agência de notícias Reuters indica que “períodos de hiato de 15 anos são comuns” no registro climático. A menção ao hiato é um dos pontos criticados pelo governo brasileiro no relatório.

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25/09/2013 – 02h57

Para painel do clima, nuvens devem elevar aquecimento

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O papel das nuvens na mudança climática ainda é um assunto cheio de incertezas, mas o próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) dá um passo na direção de um veredito.

Segundo uma versão preliminar do documento, o que a ciência mostra até agora é que a alteração que o aquecimento global provoca na dinâmica de formação de nuvens contribui para que o calor se amplifique.

A versão provisória do AR5, o quinto relatório do IPCC, a ser divulgado na sexta, reconhece que as nuvens têm efeitos paradoxais sobre o clima, algumas delas fazendo a Terra reter mais calor, outras fazendo o planeta refletir radiação solar.

O texto porém, afirma que “o sinal do balanço de feedback radiativo é provavelmente positivo”. Em outras palavras, os cientistas têm 66% de certeza de que a mudança climática cria um ciclo vicioso, no qual nuvens aquecem um planeta que cria mais nuvens causadoras de aquecimento.

Ainda não é um veredito com grau de certeza acachapante como o atribuído aos gases-estufa –a culpa do aquecimento global é da queima de combustíveis fósseis por ação humana com 95% de certeza, diz o relatório. Mas é uma grande evolução desde o último relatório, o AR4, em 2007, que se declarou incapaz de chegar a um consenso sobre a questão.

Editoria de Arte/Folhapress

“O fato de o AR4 ter botado o dedo na ferida e dito que a parte de aerossóis e nuvens era a mais crítica fez com que milhares de cientistas voltassem pesquisas para essa área”, diz Paulo Artaxo, climatologista da USP e coautor do capítulo dedicado ao tema no novo relatório.

O maior problema era –e ainda é– saber se as nuvens baixas têm efeito positivo ou negativo sobre o aquecimento. Por estarem sob mais pressão, elas ficam mais compactas e ajudam a refletir luz solar. Já o vapor comum ou as nuvens mais altas (rarefeitas) retêm calor.

O efeito das nuvens baixas era um dos aspectos mais explorados por grupos que negam o aquecimento global causado pelo homem.

Ainda que o grau de certeza da nova resposta esteja abaixo do máximo, a alegação de que as nuvens vão salvar o planeta não tem obtido sustentação.

O problema agora é projetar o futuro. Para isso, é preciso usar modelos matemáticos de previsão, que ainda não estão prontos para tal.

Uma das principais razões para essa limitação, segundo Artaxo, é que a resolução dos modelos ainda é grosseira demais para tratar de nuvens.

Uma célula do planeta em um modelo é como um pixel de 50 km de largura, mas nuvens são menores que isso, podendo ter 100 m ou menos. Os cientistas precisam então simplificar a representação das nuvens em seus modelos matemáticos do clima.

RAIOS CÓSMICOS
O novo relatório também descarta uma teoria que ganhou espaço entre críticos do IPCC: a de que a formação de nuvens pudesse estar sendo afetada por uma alteração sazonal na taxa de raios cósmicos. Defendida pelo físico dinamarquês Henrik Svensmark, a hipótese seria uma explicação alternativa para o aquecimento não relacionada aos combustíveis fósseis.

Segundo Artaxo, o texto fez o maior esforço possível para não deixar nenhum aspecto de fora. “Você pode até achar que uma ou outra coisa é bobagem, mas não importa. É preciso analisar as evidências experimentais para verificar se uma coisa que parece a maior loucura do mundo é verdadeira ou não.”

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23/09/2013 – 02h59

Brasil ataca ‘hiato’ do aquecimento global

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Nos últimos 15 anos, a temperatura média da Terra parou de subir tão rápido quanto antes, mas isso não significa que a mudança climática esteja freando. Essa é a posição do governo brasileiro, que defenderá retirar do mais importante documento internacional sobre clima a menção ao chamado “hiato” do aquecimento global.

O encontro que define o conteúdo final do quinto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) começa hoje em Estocolmo, na Suécia, quando se reúne o Grupo de Trabalho 1 da instituição –aquele encarregado de avaliar a ciência física do clima.

O relatório técnico do painel já está pronto, mas só será publicado após a edição final do “Sumário para Formuladores de Políticas”, único anexo do relatório sobre o qual governos podem opinar antes da divulgação, marcada para a próxima sexta (27).

Editoria de Arte/Folhapress

Em junho, um esboço final dessa parte do relatório foi enviado a delegações para comentários. O texto, que vazou para a imprensa, incluía uma frase com referência ao hiato: “A taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012; 0,05°C por década) é menor do que a tendência desde 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”.

Editoria de Arte/Folhapress

Explorada por negacionistas da mudança climática, essa flexão no gráfico de temperatura é descrita por alguns como mero ruído estatístico numa tendência clara de aquecimento no longo prazo.

Autores do sumário não deveriam ter incluído um recorte arbitrário de 15 anos num documento que avalia um trajeto só visível em escala maior, defende um dos representantes do governo brasileiro perante o IPCC.

“Alguém escolheu para isso um determinado ano [1998] que foi um ano de El Niño e era mais quente que o padrão”, diz Gustavo Luedemann, coordenador de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência. “Isso é obviamente um erro metodológico e deixa o documento um menos contundente.”

Luedeman, porém, considera a menção ao hiato apenas um equívoco pontual e diz crer que o relatório é incisivo ao culpar a humanidade pela mudança climática.

Ainda assim, cientistas tentam entender por que o gráfico de temperaturas se achatou. Segundo Ed Hawkins, climatólogo da Universidade de Reading (Inglaterra) que tem estudado o fenômeno, há vários motivos, incluindo queda de atividade solar e erupções vulcânicas recentes, que tem efeito resfriador sobre a Terra.

“O terceiro fator é a variabilidade natural do clima, com mudanças importantes no Pacífico tropical”, diz. “A energia extra entrando no sistema climático provavelmente está sendo armazenada no oceano profundo.”

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26/09/2013 – 02h54

Oceano Ártico terá verão sem gelo em 2050, diz relatório da ONU

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Quando o biólogo sueco Tom Arnbom desembarcou neste verão na costa do mar de Laptev, na Rússia, para coletar DNA de morsas, notou que os enormes mamíferos tinham um medo incomum de ursos-polares, animal que normalmente não os ataca.

Após alguns dias no local, o cientista percebeu que, sem terem gelo marinho como base de caça, os ursos não alcançavam focas e outras presas prediletas. A alternativa era tentar abocanhar filhotes de morsa, com alto risco de serem pegos pelos adultos.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Esse é um dos impactos que o declínio do gelo marinho no Ártico provocou nos últimos anos. O aumento do ritmo de degelo na região é um dos principais pontos a serem revistos no próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU, formado por milhares de cientistas).

Amanhã, a primeira parte do texto, dedicada à física do clima, será divulgada.

“É muito provável que a cobertura de gelo marinho no Ártico continue a encolher e afinar”, afirma o texto preliminar do documento. “Sob o cenário RCP8.5 [hipótese mais pessimista do relatório], um oceano Ártico quase sem gelo provavelmente será visto antes do meio do século.”

O painel informa que é possível dizer com “alta confiabilidade” que o Ártico vai se aquecer mais rápido que outras regiões e revê para pior o seu prognóstico. Há menos de uma década, porém, o maior relatório sobre o tema, o “Arctic Climate Impact Assessment”, estimava que o temido “setembro sem gelo” só viria no fim do século.

O gelo marinho ajuda a refletir radiação solar. Com o degelo e mais área de águas escuras para absorver calor, a escassez de superfície branca vai retroalimentar a mudança climática, diz o IPCC.

A MARCHA DAS MORSAS
Arnbom, hoje um pesquisador a serviço da ONG ambientalista WWF, trabalhou por muitos anos na região para o governo da Suécia, país que tem 15% de seu território no círculo ártico.
“O que eu vi no Ártico 40 anos atrás não existe mais. É impressionante ver quão rápido se foi. Estava lá todos os anos. Alguns eram mais frios que outros, e a população de animais variava, mas em 2007 me dei conta de que os impactos eram bem visíveis.”

Naquele ano, todo o gelo em alto mar derreteu na região de Laptev, e morsas que costumavam se espalhar em pedaços de gelo marinho migraram para uma única praia, formando uma concentração de mais de 50 mil indivíduos.

Norbert Rosing/National Geographic Stock/WWF Canadá

Morsas amontoadas no Ártico; derretimento do gelo reduz área disponível para os bichos, o que pode causar a morte dos filhotes prensados pelos adultos em espaços pequenos

O local, afastado das áreas de alimentação ricas em moluscos, era pequeno demais para abrigar tantos animais, e muitos morriam esmagados. O fenômeno se repetiu depois, em 2011, com uma concentração estimada em 100 mil morsas.

RÚSSIA x AMBIENTE
Ursos e morsas, porém, não são os únicos animais da região a terem mudado de comportamento. Segundo a WWF, a região é habitada por 40 comunidades tradicionais, que enfrentam escassez na caça e pesca artesanal.

E outro grupo de humanos, vendo novas rotas de navegação se abrirem, enxerga agora o potencial econômico da região como rota de transporte marítimo, pesca industrial e fonte de petróleo –o benefício vem justamente para a indústria cujo produto é apontado como causa da mudança climática.

A gigante russa Gazprom, que estabeleceu a primeira plataforma de petróleo “offshore” da região, teve suas instalações no mar de Pechora invadidas por ativistas do Greenpeace na semana passada. Trinta ambientalistas, incluindo uma brasileira, estão presos.

A ONG WWF também intensificou sua atividade na região. O DNA de morsas coletado por Arnbom será usado para pesquisas em universidades dinamarquesas, mas ainda está parado na alfândega russa.

And now it’s global COOLING! Record return of Arctic ice cap as it grows by 60% in a year (Daily Mail)

  • Almost a million more square miles of ocean covered with ice than in 2012
  • BBC reported in 2007 global warming would leave Arctic ice-free in summer by 2013
  • Publication of UN climate change report suggesting global warming caused by humans pushed back to later this month

By DAVID ROSE

PUBLISHED: 23:37 GMT, 7 September 2013 | UPDATED: 12:01 GMT, 8 September 2013

A chilly Arctic summer has left nearly a million more square miles of ocean covered with ice than at the same time last year – an increase of 60 per cent.

The rebound from 2012’s record low comes six years after the BBC reported that global warming would leave the Arctic ice-free in summer by 2013.

Instead, days before the annual autumn re-freeze is due to begin, an unbroken ice sheet more than half the size of Europe already stretches from the Canadian islands to Russia’s northern shores.

global cooling

The Northwest Passage from the Atlantic to the Pacific has remained blocked by pack-ice all year. More than 20 yachts that had planned to sail it have been left ice-bound and a cruise ship attempting the route was forced to turn back.

Some eminent scientists now believe the world is heading for a period of cooling that will not end until the middle of this century – a process that would expose computer forecasts of imminent catastrophic warming as dangerously misleading.

The disclosure comes 11 months after The Mail on Sunday triggered intense political and scientific debate by revealing that global warming has ‘paused’ since the beginning of 1997 – an event that the computer models used by climate experts failed to predict.

In March, this newspaper further revealed that temperatures are about to drop below the level that the models forecast with ‘90 per cent certainty’.

The pause – which has now been accepted as real by every major climate research centre – is important, because the models’ predictions of ever-increasing global temperatures have made many of the world’s economies divert billions of pounds into ‘green’ measures to counter  climate change.

Those predictions now appear gravely flawed.

THERE WON’T BE ANY ICE AT ALL! HOW THE BBC PREDICTED CHAOS IN 2007

Only six years ago, the BBC reported that the Arctic would be ice-free in summer by 2013, citing a scientist in the US who claimed this was a ‘conservative’ forecast. Perhaps it was their confidence that led more than 20 yachts to try to sail the Northwest Passage from the Atlantic to  the Pacific this summer. As of last week, all these vessels were stuck in the ice, some at the eastern end of the passage in Prince Regent Inlet, others further west at Cape Bathurst.

Shipping experts said the only way these vessels were likely to be freed was by the icebreakers of the Canadian coastguard. According to the official Canadian government website, the Northwest Passage has remained ice-bound and impassable  all summer.

The BBC’s 2007 report quoted scientist  Professor Wieslaw Maslowski, who based his views on super-computer models and the fact that ‘we use a high-resolution regional model for the Arctic Ocean and sea ice’.

He was confident his results were ‘much more realistic’ than other projections, which ‘underestimate the amount of heat delivered to the sea ice’. Also quoted was Cambridge University expert

Professor Peter Wadhams. He backed Professor Maslowski, saying his model was ‘more efficient’ than others because it ‘takes account of processes that happen internally in the ice’.

He added: ‘This is not a cycle; not just a fluctuation. In the end, it will all just melt away quite suddenly.’

BBC

The continuing furore caused by The Mail on Sunday’s revelations – which will now be amplified by the return of the Arctic ice sheet – has forced the UN’s climate change body to hold a crisis meeting.

The UN Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) was due in October to start publishing its Fifth Assessment Report – a huge three-volume study issued every six or seven years. It will now hold a pre-summit in Stockholm later this month.

Leaked documents show that governments which support and finance the IPCC are demanding more than 1,500 changes to the report’s ‘summary for policymakers’. They say its current draft does not properly explain the pause.

At the heart of the row lie two questions: the extent to which temperatures will rise with carbon dioxide levels, as well as how much of the warming over the past 150 years – so far, just 0.8C – is down to human greenhouse gas emissions and how much is due to natural variability.

In its draft report, the IPCC says it is ‘95 per cent confident’ that global warming has been caused by humans – up from 90 per cent in 2007.

This claim is already hotly disputed. US climate expert Professor Judith Curry said last night: ‘In fact, the uncertainty is getting bigger. It’s now clear the models are way too sensitive to carbon dioxide. I cannot see any basis for the IPCC increasing its confidence level.’

She pointed to long-term cycles  in ocean temperature, which have a huge influence on climate and  suggest the world may be approaching a period similar to that from 1965 to 1975, when there was a clear cooling trend. This led some scientists at the time to forecast an imminent ice age.

Professor Anastasios Tsonis, of the University of Wisconsin, was one of the first to investigate the ocean cycles. He said: ‘We are already in a cooling trend, which I think will continue for the next 15 years at least. There is no doubt the warming of the 1980s and 1990s has stopped.

Then... NASA satelite images showing the spread of Artic sea ice 27th August 2012Then… NASA satelite images showing the spread of Artic sea ice 27th August 2012

...And now, much bigger: The spread of Artic sea ice on August 15 2013…And now, much bigger: The same Nasa image taken in 2013

‘The IPCC claims its models show a pause of 15 years can be expected. But that means that after only a very few years more, they will have to admit they are wrong.’

Others are more cautious. Dr Ed Hawkins, of Reading University, drew the graph published by The Mail on Sunday in March showing how far world temperatures have diverged from computer predictions. He admitted the cycles may have caused some of the recorded warming, but insisted that natural variability alone could not explain all of the temperature rise over the past 150 years.

Nonetheless, the belief that summer Arctic ice is about to disappear remains an IPCC tenet, frequently flung in the face of critics who point to the pause.

Yet there is mounting evidence that Arctic ice levels are cyclical. Data uncovered by climate historians show that there was a massive melt in the 1920s and 1930s, followed by intense re-freezes that ended only in 1979 – the year the IPCC says that shrinking began.

Professor Curry said the ice’s behaviour over the next five years would be crucial, both for understanding the climate and for future policy. ‘Arctic sea ice is the indicator to watch,’ she said.

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2415191/Global-cooling-Arctic-ice-caps-grows-60-global-warming-predictions.html#ixzz2foMLmebr 
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Arctic sea ice delusions strike the Mail on Sunday and Telegraph (Guardian)

Monday 9 September 2013 04.26 BST

Both UK periodicals focus on short-term noise and ignore the rapid long-term Arctic sea ice death spiral

Arctic iceberg

It’s only a matter of time before we experience an Arctic sea ice-free summer. Photograph: Jenny E Ross/Corbis

When it comes to climate science reporting, the Mail on Sunday and Telegraph are only reliable in the sense that you can rely on them to usually get the science wrong. This weekend’s Arctic sea ice articles fromDavid Rose of the Mail and Hayley Dixon at the Telegraph unfortunately fit that pattern.

Both articles claimed that Arctic sea ice extent grew 60 percent in August 2013 as compared to August 2012. While this factoid may be technically true (though the 60 percent figure appears to be an exaggeration), it’s also largely irrelevant. For one thing, the annual Arctic sea ice minimum occurs in September – we’re not there yet. And while this year’s minimum extent will certainly be higher than last year’s, that’s not the least bit surprising. As University of Reading climate scientist Ed Hawkins noted last year,

“Around 80% of the ~100 scientists at the Bjerknes [Arctic climate science] conference thought that there would be MORE Arctic sea-ice in 2013, compared to 2012.”

Regression toward the Mean

The reason so many climate scientists predicted more ice this year than last is quite simple. There’s a principle in statistics known as “regression toward the mean,” which is the phenomenon that if an extreme value of a variable is observed, the next measurement will generally be less extreme. In other words, we should not often expect to observe records in consecutive years. 2012 shattered the previous record low sea ice extent; hence ‘regression towards the mean’ told us that 2013 would likely have a higher minimum extent.

The amount of Arctic sea ice left at the end of the annual melt season is mainly determined by two factors – natural variability (weather patterns and ocean cycles), and human-caused global warming. The Arctic has lost 75 percent of its summer sea ice volume over the past three decades primarily due to human-caused global warming, but in any given year the weather can act to either preserve more or melt more sea ice. Last year the weather helped melt more ice, while this year the weather helped preserve more ice.

Last year I created an animated graphic called the ‘Arctic Escalator’ that predicted the behavior we’re now seeing from the Mail on Sunday and Telegraph. Every year when the weather acts to preserve more ice than the previous year, we can rely on climate contrarians to claim that Arctic sea ice is “rebounding” or “recovering” and there’s nothing to worry about. Given the likelihood that 2013 would not break the 2012 record, I anticipated that climate contrarians would claim this year as yet another “recovery” year, exactly as the Mail on Sunday and Telegraph have done.

Arctic sea ice extent data

Arctic sea ice extent data, 1980–2012. Data from NSIDC.In short, this year’s higher sea ice extent is merely due to the fact that last year’s minimum extent was record-shattering, and the weather was not as optimal for sea ice loss this summer. However, the long-term trend is one of rapid Arctic sea ice decline, and research has shown this is mostly due to human-caused global warming.

When Will the Arctic be Ice-Free?

Both Rose and Dixon referenced a 2007 BBC article quoting Professor Wieslaw Maslowski saying that the Arctic could be ice free in the summer of 2013. In a 2011 BBC article, he predicted ice-free Arctic seas by 2016 “plus or minus three years.” Other climate scientists believe this prediction is too pessimistic, and expect the first ice-free Arctic summersby 2040.

It’s certainly difficult to predict exactly when an ice-free Arctic summer will occur. While climate research has shown that the Arctic sea ice decline is mostly human-caused, there may also be a natural component involved. The remaining sea ice may abruptly vanish, or it may hold on for a few decades longer. What we do know is that given its rapid decline, an ice-free Arctic appears to be not a question of if, but when.

Continuing Global Warming

Both articles also claimed that “some scientists” are predicting that we’re headed into a period of global cooling. Both named just one scientist making this claim – Professor Tsonis of the University of Wisconsin,whose research shows that slowed global surface warming is only temporary. In fact, Tsonis’ co-author Kyle Swanson wrote,

“What do our results have to do with Global Warming, i.e., the century-scale response to greenhouse gas emissions? VERY LITTLE, contrary to claims that others have made on our behalf.”

Both articles also wrongly claimed that global warming has “paused” since 1997. In reality, global surface temperatures have warmed over the past 15 years, albeit more slowly than during the previous 15 years. It is possible to cherry pick a shorter time frame over which global surface temperatures haven’t warmed, as I illustrated in my other animated ‘Escalator’ graphic.

Average of NASA GISS, NOAA NCDC, and HadCRUT4 monthly global surface temperature anomalies from January 1970 through November 2012 (green) with linear trends applied to the timeframes Jan '70 - Oct '77, Apr '77 - Dec '86, Sep '87 - Nov '96, Jun '97 - Dec '02, and Nov '02 - Nov '12.

Average of NASA GISS, NOAA NCDC, and HadCRUT4 monthly global surface temperature anomalies from January 1970 through November 2012 (green) with linear trends applied to the timeframes Jan ’70 – Oct ’77, Apr ’77 – Dec ’86, Sep ’87 – Nov ’96, Jun ’97 – Dec ’02, and Nov ’02 – Nov ’12.However, the opposite is true of the overall warming of the planet – Earth has accumulated more heat over the past 15 years than during the prior 15 years.

Global heat content data from Nuccitelli et al. 2013

Global heat accumulation data (ocean heating in blue; land, atmosphere, and ice heating in red) from Nuccitelli et al. (2012). Recent research strongly suggests that the main difference between these two periods comes down to ocean heat absorption. Over the past decade, heat has been transferred more efficiently to the deep oceans, offsetting much of the human-caused warming at the surface. During the previous few decades, the opposite was true, with heat being transferred less efficiently into the oceans, causing more rapid warming at the surface. This is due to ocean cycles, but cycles are cyclical – meaning it’s only a matter of time before another warm cycle occurs, causing accelerating surface warming (as Tsonis’ research shows).

It would be foolhardy for anyone to predict future global cooling, and those few who are so foolish are unwilling to put their money where their mouth is, as my colleague John Abraham found out when challenging one to a bet, only to find the other party unwilling to stand behind it.

Rose and Dixon Invent an IPCC ‘Crisis Meeting’

Both articles also claimed the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), whose Fifth Assessment Report is due out in a few weeks, has been forced “to hold a crisis meeting.” This claim made both articles even though Ed Hawkins noted,

“I told David Rose on the phone and by email on Thursday about the IPCC process and lack of ‘crisis’ meeting.”

Unfortunately that didn’t stop Rose from inventing this meeting, or Dixon from repeating Rose’s fictional reporting in the Telegraph.

Yes, Humans are Driving Global Warming

Finally, both articles quoted climate scientist Judith Curry claiming that the anticipated IPCC statement of 95 percent confidence that humans are the main cause of the current global warming is unjustified. However, Curry has no expertise in global warming attribution, and has a reputation for exaggerating climate uncertainties. In reality, the confident IPCC statement is based on recent global warming attribution research. More on this once the IPCC report is actually published – any current commentaries on the draft report are premature.

Shoddy Climate Reporting

These two articles at the Mail on Sunday and Telegraph continue the unfortunate trend of shoddy climate reporting in the two periodicals,particularly from David Rose. They suffer from cherry picking short-term data while ignoring the long-term human-caused trends, misrepresenting climate research, repeating long-debunked myths, and inventing IPCC meetings despite being told by climate scientists that these claims are pure fiction.

Based on their history of shoddy reporting, the safest course of action when reading a climate article in the Mail on Sunday or Telegraph is to assume they’re misrepresentations or falsehoods until you can verify the facts therein for yourself.

*   *   *

Global warming? No, actually we’re cooling, claim scientists (Telegraph)

A cold Arctic summer has led to a record increase in the ice cap, leading experts to predict a period of global cooling.

Global warming? No, actually we're cooling, claim scientists

Major climate research centres now accept that there has been a “pause” in global warming since 1997.  Photo: ALAMY

9:55AM BST 08 Sep 2013

There has been a 60 per cent increase in the amount of ocean covered with ice compared to this time last year, the equivalent of almost a million square miles.

In a rebound from 2012’s record low, an unbroken ice sheet more than half the size of Europe already stretches from the Canadian islands to Russia’s northern shores, days before the annual re-freeze is even set to begin.

The Northwest Passage from the Atlantic to the Pacific has remained blocked by pack-ice all year, forcing some ships to change their routes.

A leaked report to the UN Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) seen by the Mail on Sunday, has led some scientists to claim that the world is heading for a period of cooling that will not end until the middle of this century.

If correct, it would contradict computer forecasts of imminent catastrophic warming. The news comes several years after the BBC predicted that the arctic would be ice-free by 2013.

The original predictions led to billions being invested in green measures to combat the effects of climate change.

The changing predictions have led to the UN’s climate change’s body holding a crisis meeting, and the IPCC is due to report on the situation in October. A pre-summit meeting will be held later this month.

But the leaked documents are said to show that the governments who fund the IPCC are demanding 1,500 changes to the Fifth Assessment Report – a three-volume study issued every six or seven years – as they claim its current draft does not properly explain the pause.

The extent to which temperatures will rise with carbon dioxide levels and how much of the warming over the past 150 years, a total of 0.8C, is down to human greenhouse gas emissions are key issues in the debate.

The IPCC says it is “95 per cent confident” that global warming has been caused by humans – up from 90 per cent in 2007 – according to the draft report.

However, US climate expert Professor Judith Curry has questioned how this can be true as that rather than increasing in confidence, “uncertainty is getting bigger” within the academic community.

Long-term cycles in ocean temperature, she said, suggest the world may be approaching a period similar to that from 1965 to 1975, when there was a clear cooling trend.

At the time some scientists forecast an imminent ice age.

Professor Anastasios Tsonis, of the University of Wisconsin, said: “We are already in a cooling trend, which I think will continue for the next 15 years at least. There is no doubt the warming of the 1980s and 1990s has stopped.”

The IPCC is said to maintain that their climate change models suggest a pause of 15 years can be expected. Other experts agree that natural cycles cannot explain all of the recorded warming.

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