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João Doria apela para o ‘sobrenatural’ em São Paulo (Encontro)

O prefeito anunciou um contrato com a fundação Cacique Cobra Coral, que, supostamente, consegue controlar o tempo

por Marcelo Fraga  08/02/2017 08:14

Instagram/jdoriajr/Reprodução

O prefeito de São Paulo, João Dória Júnior, já causou polêmica com seu projeto Cidade Linda e, agora, acaba de fechar uma parceria com uma entidade “sobrenatural” que diz controlar o tempo (foto: Instagram/jdoriajr/Reprodução)

Recém-empossado prefeito de São Paulo, o empresário João Doria Júnior começou sua trajetória à frente da capital paulista com medidas polêmicas. Logo nos primeiros dias no poder, ele já se vestiu de Gari, simulou ser cadeirante e mandou apagar grafites em pontos famosos de SP. Agora, a mais nova ação de Doria também promete causar controvérsia.

De acordo com a jornalista Cleo Guimarães, responsável pela coluna Gente Boa, do jornal O Globo, o prefeito fechou uma parceria com a fundação Cacique Cobra Coral (FCCC), conhecida por, supostamente, conseguir “intervir” no tempo de forma mediúnica – teria “poderes sobrenaturais”.

De acordo com Cleo Guimarães, a FCCC estaria de mudança para a China, mas, a entidade decidiu permanecer no Brasil porque pretende dar “atenção especial a São Paulo”. Ainda segundo a jornalista, a fundação negociou com os chineses um trabalho à distância. Não se sabe qual função terá a Cacique Cobra Coral no país mais populoso do mundo.

Em seu site oficial, a FCCC afirma que sua missão é “minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”. Isso, segundo a entidade, é feito por meio de sua presidente, Adelaide Scritori, filha do fundador, Ângelo Scritori. Ela, supostamente, incorpora o espírito do Cacique Cobra Coral e, assim, consegue intervir no clima.

Um dos casos famosos de atuação da fundação se deu em 2009, quando a médium Adelaide Scritori foi convocada pela prefeitura do Rio de Janeiro para usar seus supostos poderes para evitar a tempestade que prevista para a tradicional festa de Réveillon em Copacabana.

O falso dilema do “infanticídio indígena”: por que o PL 119/2015 não defende a vida de crianças, mulheres e idosos indígenas (Combate Racismo Ambiental)

Protesto “contra o infanticídio” organizado por grupos religiosos em frente ao prédio do governo do RJ. Foto: Gazeta do Povo, 2015.

29 de janeiro de 2017

O Projeto de Lei 119/2015, que trata do chamado “infanticídio indígena”, está agora tramitando no Senado. Não por acaso, no início da semana que se encerrou ontem, 28, voltaram a ser publicadas matérias tendenciosas sobre a questão. Considerando a atual conjuntura, na qual mais que nunca é fundamental estarmos alertas e atuantes, convidamos a antropóloga Marianna Holanda a escrever um artigo que dialogasse conosco e nos oferecesse os necessários argumentos para mais esta luta. O resultado é o excelente texto que socializamos abaixo. (Tania Pacheco).

Por Marianna A. F. Holanda*, especial para Combate Racismo Ambiental

Desde 2005, acompanhamos no Brasil uma campanha que se pauta na afirmação de que os povos indígenas teriam tradições culturais nocivas e arcaicas que precisam ser mudadas por meio de leis e da punição tanto dos indígenas responsáveis como de quaisquer funcionários do Estado, agentes de organizações indigenistas e/ou profissionais autônomos que trabalhem junto a estes povos.

Afirma-se que há dados alarmantes de infanticídio entre os povos indígenas de modo a fazer parte da sociedade pensar que, incapazes de refletir sobre as suas próprias dinâmicas culturais, os povos indígenas – sobretudo as mulheres – matariam sem pudor dezenas de crianças. As notícias de jornal, as pautas sensacionalistas da grande mídia, organizações de fins religiosos e políticos “em favor da vida” fazem crer que não estamos falando de pessoas humanas – no sentido mais tradicional dos termos –, mas de sujeitos que devido à sua ignorância cultural cometem sem ética, afeto e dúvidas crimes contra seus próprios filhos, contra seu próprio povo.

Me pergunto por que um argumento como esse transmite credibilidade entre aqueles que não conhecem as realidades indígenas – pois quem trabalha junto aos povos indígenas e em prol de seus direitos não dissemina este tipo de desinformação. A maior parte da sociedade brasileira não indígena é profundamente ignorante sobre os povos indígenas que aqui habitam e sobre seus modos de vida, mantendo imagens estereotipadas e caricaturadas sobre os índios carregadas de preconceito e discriminação.

Alguns dados importantes sobre infanticídio, abandono de crianças e adoção

Desde os tempos de Brasil império há registros de infanticídios entre os povos indígenas – como também havia inúmeros registros de infanticídio nas cidades da colônia: historiadores apontam a normalidade com que recém-nascidos eram abandonados nas ruas de cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Florianópolis. Realidade que também era comum na Europa e que a igreja católica passou a combater a partir do século VIII d.C por meio de bulas papais e pela criação de Casas de Expostos – lugares aonde podia-se abandonar legalmente crianças neonatas que mais tarde vieram a se tornar o que conhecemos como orfanatos. Não apenas os infanticídios não cessaram como os índices de mortalidade nesses locais foram estarrecedores, beirando a 70% no caso europeu e 95% no caso brasileiro. Recém-nascidos eram retirados da exposição pública para morrer entre quatro paredes, com aval das leis, dos registros estatais e da moralidade cristã da época. (Sobre este tema, ver: Marcílio e Venâncio 1990, Trindade 1999, Valdez 2004 e Faleiros 2004).

Ainda hoje, centenas de crianças no Brasil são abandonadas em instituições públicas e privadas de caráter semelhante, aguardando anos por uma adoção. A maioria – em geral as crianças pardas e negras, mais velhas e/ou com algum tipo de deficiência – esperam por toda a infância e adolescência, até tornarem-se legalmente adultas e serem novamente abandonadas, agora pelo Estado. Os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que das seis mil crianças nesta situação, 67% são pardas e negras.

Apesar da rejeição à adoção de crianças negras e pardas ter caído na última década, o quadro de discriminação permanece. Entre as crianças indígenas, acompanhamos um fenômeno crescente de pedidos de adoção por não indígenas, sobretudo casais heterossexuais, brancos, evangélicos e, em muitos casos, estrangeiros. Contudo, há mais de 100 processos no Ministério Público envolvendo denúncias a violações de direitos nestes casos. O Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê o direito à permanência da criança com a própria família e ao esforço conjunto e multidisciplinar de profissionais para que isto ocorra. Esgotada esta possibilidade, a criança tem o direito de ser encaminhada para família substituta na própria comunidade indígena de origem ou junto a família substituta de outra aldeia ou comunidade, mas ainda da mesma etnia.

Vale mencionar que estas estratégias de realocação e adoção de crianças ocorre tradicionalmente entre diversos povos indígenas, independente das leis e da intervenção estatal. É muito comum que avós, tias ou primas adotem crianças quando pais e mães passam por qualquer espécie de dificuldade, ou ainda, seguindo articulações próprias das relações de parentesco que vão muito além de pai e mãe biológicos.

Contudo, sob estas recentes acusações de “risco de infanticídio” famílias indígenas são colocadas sob suspeita e dezenas de crianças têm sido retiradas de sua comunidade, terra e povo e adotadas por famílias não indígenas sem ter direitos básicos respeitados. Juízes são levados por esta argumentação falha, que carece de base concreta na realidade, nas estatísticas, nas etnografias. Em alguns casos, pleiteia-se apenas a guarda provisória da criança e não a adoção definitiva, o que significa que a guarda é válida somente até os 18 anos, não garantindo vínculo de parentesco e direito à herança, por exemplo. Quantas violações uma criança indígena retirada de seu povo e de seus vínculos ancestrais enfrenta ao ser lançada ao mundo não indígena como adulta?

Infâncias indígenas no Brasil e crescimento demográfico

Nos últimos 50 anos, as etnografias junto a povos indígenas – importante método de pesquisa e registro de dados antropológicos – vem demonstrando que as crianças indígenas são sujeitos criativos e ativos em suas sociedades tendo diversos graus de autonomia. Aprendemos que as práticas de cuidado e a pedagogia das mulheres indígenas envolvem um forte vínculo com as crianças, que são amamentadas até os 3, 4, 5 anos. Envolvem uma relação de presença e afeto que deixa a desejar para muitas mães modernas. Aprendemos também que a rede de cuidados com as crianças envolve relações de parentesco e afinidade que extrapolam a consanguinidade.

Enquanto a maior parte das populações no mundo está passando pela chamada “transição demográfica”, ou seja, queda e manutenção de baixos níveis de fecundidade, os povos indígenas na América Latina, se encontram num processo elevado de crescimento populacional. De acordo com o último censo do IBGE (2010), a população indígena no Brasil cresceu 205% desde 1991, uma dinâmica demográfica com altos níveis de fecundidade, levando à duplicação da população em um período de 15 anos (Azevedo 2008).

A partir dos anos 2000, começaram a tomar corpo pesquisas etnográficas que apontam o número crescente de nascimentos gemelares entre os povos indígenas, de crianças indígenas albinas e de crianças com deficiência (Verene 2005, Bruno e Suttana 2012, Araújo 2014). Apesar de suas diferenças, estas crianças são estimuladas a participar do cotidiano da aldeia, e muitas delas, ao tornarem-se adultas, casam-se e constituem família.

Há 54 milhões de indígenas com deficiência ao redor do globo (ONU 2013). No Brasil, segundo o censo do IBGE de 2010, 165 mil pessoas – ou seja, 20% da população autodeclarada indígena – possuem ao menos uma forma de deficiência (auditiva, visual, motora, mental ou intelectual). Um número que relaciona-se também às políticas públicas e de transferência de renda para as famílias indígenas nessa situação (Araújo 2014). Tanto o crescimento demográfico acelerado quanto os dados de que 20% da população indígena brasileira tem alguma deficiência nos permitem demonstrar que a afirmação de que há uma prescrição social para que estas crianças sejam mortas por seus pais e familiares não se sustenta.

Como morrem as crianças e adultos indígenas?

A mortalidade infantil entre os povos indígenas é quatro vezes maior do que a média nacional. A quantidade de mortes de crianças indígenas por desassistência subiu 513% nos últimos três anos. Os dados parciais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) de 2015 revelaram a morte de 599 crianças menores de 5 anos. As principais causas são: desnutrição, diarreia, viroses e infecções respiratórias, falta de saneamento básico além de um quadro preocupante de desassistência à saúde. Ora, sabemos que pneumonia, diarreia e gastroenterite são doenças facilmente tratáveis desde que estas crianças tenham acesso às políticas de saúde. A região Norte do país concentra o maior número de óbitos.

Quando abordamos os números relativos ao suicídio a situação é igualmente alarmante. De acordo com dados da Sesai, 135 indígenas cometeram suicídio em 2014 – o maior número em 29 anos. Sabemos que os quadros de suicídio se agravam em contextos de luta pelos direitos territoriais quando populações inteiras vivem em condições de vulnerabilidade extrema.

Jovens e adultos do sexo masculino também são as principais vítimas dos conflitos territoriais que resultam do omissão e letargia do Estado brasileiro nos processos de demarcação das terras indígenas. Em 2014, 138 indígenas foram assassinados; em 2015, foram 137. No período de 2003 a 2016, 891 indígenas foram assassinados em solo brasileiro, em uma média anual de 68 casos (Cimi 2016). Esses assassinatos acontecem em contextos de lutas e retomadas de terras, tendo como alvo principal as lideranças indígenas à frente dos movimentos reivindicatórios de direitos.

Diante desse cenário de permanente e impune genocídio contra os povos indígenas no Brasil, é importante refletirmos sobre o histórico de atuação dos senadores responsáveis pela votação do PL 119/2015: quais deles atuam ou já atuaram na proteção e no resguardo dos direitos indígenas? Quais deles são financiados pelo agronegócio, pela mineração, pelos grandes empreendimentos em terras indígenas? Como um Projeto de Lei que criminaliza os próprios povos indígenas pela vulnerabilidade e violências causadas pelo Estado e por terceiros pode ajudar na proteção e promoção de seus direitos?

O falso dilema da noção de “infanticídio indígena”

O PL 119/2015 – outrora PL 1057/2007 – supõe que há um embate entre “tradições culturais” que prescrevem a morte de crianças e o princípio básico e universal do direito à vida. Ao afirmar que o infanticídio é uma tradição cultural indígena – como se ele não ocorresse, infelizmente, em toda a humanidade – o texto e o parlamento brasileiros agem com racismo e discriminação, difamando povos e suas organizações socioculturais. Todos nós temos direito à vida e não há nenhuma comunidade indígena no Brasil e no mundo que não respeite e pleiteie esse direito básico junto às instâncias nacionais e internacionais.

Ao invés de buscarem aprovar o novo texto do Estatuto dos Povos Indígenas que vem sendo discutido no âmbito da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) desde 2008, utilizando como base o Estatuto o Substitutivo ao Projeto de Lei 2057, de 1994, que teve ampla participação indígena em sua formulação, o parlamento está optando por remendar a obsoleta Lei 6.001 – conhecida como Estatuto do Índio – datada de 1973, carregada de vícios próprios da ditadura militar, como as noções de tutela e de integração dos povos indígenas à comunidade nacional, pressupondo que com o tempo, eles deixariam de “ser índios”.

O PL também equivoca-se ao afirmar que há uma obrigatoriedade de morte a qualquer criança gêmea, albina e/ou com algum tipo de deficiência física e mental, além de mães solteiras. Trata-se de situações que desafiam qualquer família, indígena ou não, mas que em comunidades com fortes vínculos sociais tendem a ser melhor sanadas pois há níveis de solidariedade maior do que os de individualismo.

O dilema do infanticídio também é falso quando afirma que trata-se de uma demanda por “relativismo cultural” diante do direito à vida e dos Direitos Humanos; mas afirmamos que violência, tortura e opressão não se relativizam. A demanda posta pelos povos indígenas é historicamente a de respeito à diversidade cultural – o que implica no reparo, por parte do Estado, da expropriação territorial garantindo a regularização de todas as terras indígenas no País e o acesso a direitos essenciais como saúde e educação diferenciadas. Também é direito das comunidades indígenas o acesso à informação e ao amparo do Estado para lidar com situações em que a medicina biomédica já encontrou cura ou tratamento adequado. A Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, ratificada em 2005 pela UNESCO, é enfática quando trata a diversidade cultural como patrimônio comum da humanidade, e isso inclui, portanto, o direito das crianças indígenas a permanecerem junto à sua família e de receberem suporte médico dentro de suas comunidades.

Há 10 anos acompanhamos a exposição midiática das mesmas crianças – algumas hoje já adolescentes – bem como os depoimentos de indígenas adultos que afirmam que sobreviveram, em condições diversas, ao infanticídio. São histórias que precisamos ouvir e que nos ensinam que os povos indígenas têm encontrado novas estratégias para lidar com seus dilemas éticos e morais. Sabemos que a transformação é uma característica cultural dos povos indígenas; ao mesmo tempo em que lutamos pelo respeito aos Direitos Humanos, lutamos para que as Dignidades Humanas dos povos indígenas sejam respeitadas a partir de seu tempo de transformação.

Nenhum caso de infanticídio e qualquer outra forma de violência, entre povos indígenas ou não, pode ser afirmado como uma “tradição cultural”; ou podemos dizer que a nossa própria cultura é infanticida generalizando tal grau de acusação e julgamento para todas as pessoas? Se a resposta é um sonoro “não”, porque o PL 119/2015 pretende fazer isso com os povos indígenas?

O mesmo exercício pode ser feito com as outras tipificações de violência e atentados à Dignidade Humana no texto do PL como: homicídio, abuso sexual, estupro individual e coletivo, escravidão, tortura em todas as suas formas, abandono de vulneráveis e violência doméstica. Estaríamos nós transferindo os nossos preconceitos e violências para os povos indígenas, transformando isso em parte da sua cultura? Ao fazer isso, afirmamos que violências tão características da colonialidade do poder são o que fazem dos índios, índios.

Por fim, é importante mencionar que o texto inicial do PL 1057/2007 que foi aprovado na Câmara sofreu alterações ao transformar-se no PL 119/2015 que tramita no Senado. O que antes era “combate a práticas tradicionais nocivas” mudou de retórica para “defesa da vida e da dignidade humana” mas não nos enganemos: seu conteúdo permanece afirmando a existência violências tratadas como práticas tradicionais exclusivas e características dos povos indígenas.

Igualdade, equidade e isonomia de direitos

Por uma questão de isonomia e igualdade de direitos, os povos indígenas estão submetidos à legislação brasileira, podendo ser julgados e punidos como qualquer cidadão deste país. Hoje, aproximadamente 750 indígenas estão cumprindo pena em sistema de regime fechado, dos quais cerca de 65% não falam ou não compreendem a língua portuguesa. Portanto, as leis que punem infanticídio, maus tratos de crianças e qualquer forma de violação de direitos, inclusive os Direitos Humanos, também incidem sobre os indígenas, ainda que suas prisões não sejam por estes motivos.

Qual a justificativa de um PL que verse especificamente sobre estas violações entre os povos indígenas e que promove interpretações equivocadas e sem embasamento científico e técnico, difamando as realidades dos povos indígenas? Ao tornar a pauta redundante, os indígenas seriam, duas vezes, julgados e condenados por um mesmo crime?

Não se trata apenas da defesa do direito individual. Um direito fundamental de toda pessoa é precisamente o de ser parte de um povo, isto é, o direito de pertencimento. E um povo criminalizado tem a sua dignidade ferida.

Durante o último Acampamento Terra Livre (ATL) que aconteceu em Brasília durante os dias 10 e 13 de maio de 2016 e reuniu cerca de 1.000 lideranças dos povos e organizações indígenas de todas as regiões do Brasil, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou o “Manifesto do 13º Acampamento Terra Livre” denunciando “os ataques, ameaças e retrocessos” orquestrados contra seus direitos fundamentais “sob comando de representantes do poder econômico nos distintos âmbitos do Estado e nos meios de comunicação”. A nota manifesta ainda “repúdio às distintas ações marcadamente racistas, preconceituosas e discriminatórias protagonizadas principalmente por membros da bancada ruralista no Congresso Nacional contra os nossos povos, ao mesmo tempo em que apresentam e articulam-se para aprovar inúmeras iniciativas legislativas, propostas de emenda constitucional e projetos de lei para retroceder ou suprimir os nossos direitos”.

O manifesto encerra-se afirmando: “PELO NOSSO DIREITO DE VIVER!”, pois é de vida e não de morte que se trata a defesa dos direitos indígenas. Se os nobres parlamentares estão preocupados com a defesa da vida e da dignidade indígenas, que retrocedam neste PL e em tantos outros que os violentam diretamente e que foram elaborados sem sua participação, consentimento e consulta.

*

Referências

AZEVEDO, Marta Maria. Diagnóstico da População Indígena no Brasil. Em: Ciência e Cultura, vol.60 nº4 São Paulo. Out. 2008

ARAÚJO, Íris Morais. Osikirip: os “especiais” Karitiana e a noção de pessoa ameríndia. Tese de doutorado aprovada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 2014.

BRUNO, Marilda Moraes Garcia; SUTTANA, Renato (Org.). Educação, diversidade e fronteiras da in/exclusão. Dourados: Ed. UFGD, 2012. 224 p.

BURATTO, Lúcia Gouvêa. A educação escolar indígena na legislação e os indígenas com necessidades educacionais especiais. s.d. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/565-4.pdf. Acesso em: 25 jan. 2017.

FALEIROS, Vicente de P. 2004. “Infância e adolescência: trabalhar, punir, educar, assistir, proteger”. In: Revista Ágora: Políticas Públicas e Serviço Social, ano 1, nº 1. Disponível em: http://www.assistenciasocial.com.br

MANIFESTO DO 13º ACAMPAMENTO TERRA LIVRE. Disponível em: https://mobilizacaonacionalindigena.wordpress.com/2016/05/12/manifesto-do-13o-acampamento-terra-livre/

MARCÍLIO, Maria L. e VENÂNCIO, Renato P. 1990. “Crianças Abandonadas e primitivas formas de sua proteção” In: Anais do VII Encontro de Estudos Populacionais ou http://www.abep.org.br

QUERMES, Paulo Afonso de Araújo & ALVES DE CARVALHO, Jucelina. Os impactos dos benefícios assistenciais para os povos indígenas: estudo de caso em aldeias Guaranis. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo (SP), n.116, p. 769-791, 2013.

SEGATO, Rita Laura. Que cada povo teça os fios da sua história: o pluralismo jurídico em diálogo didático com legisladores. Revista Direito. UnB, janeiro–junho de 2014, v. 01, n.01 66.

TRINDADE. 1999. Trindade, Judite M. B. 1999. “O abandono de crianças ou a negação do óbvio” In: Revista Brasileira de História, Vol. 19, nº 37. São Paulo. p. 1-18.

VENERE, Mario Roberto. 2005. Políticas públicas para populações indígenas com necessidades especiais em Rondônia: o duplo desafio da diferença. 2005. 139 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) ‒ NCT, UNIR, RO, [2005].

* Marianna Holanda é antropóloga, doutora em Bioética e pesquisadora associada da Cátedra Unesco de Bioética – UnB.

Pope Francis’s edict on climate change has fallen on closed ears, study finds (The Guardian)

Hailed as a significant call for action, the pope’s encyclical has not had the anticipated rallying effect on public opinion, researchers have found

Pope Francis environmental activists

Knowledge of the pope’s encyclical, called Laudato Si’, did not appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change, the study found. Photograph: Bullit Marquez/AP

 

The pope’s call for action on climate change has fallen on closed ears, research suggests.

A study by researchers in the US has found that right-leaning Catholics who had heard of the pope’s message were less concerned about climate change and its effects on the poor than those who had not, and had a dimmer view of the pope’s credibility.

“The pope and his papal letter failed to rally any broad support on climate change among the US Catholics and non-Catholics,” said Nan Li, first author of the research from Texas Tech University.

“The conservative Catholics who are cross-pressured by the inconsistency between the viewpoints of their political allies and their religious authority would tend to devalue the pope’s credibility on this issue in order to resolve the cognitive dissonance that they experience,” she added.

Issued in June 2015, Pope Francis’s encyclical, called Laudato Si’, warned of an “unprecedented destruction of ecosystems” if climate change continues unchecked and cited the scientific consensus that human activity is behind global warming.

Research conducted on the eve of the announcement found that 68% of Americans and 71% of US Catholics believe in climate change, with Democrats more likely than Republicans to believe in the issue, put it down to human causes and rate it as a serious problem.

The pontiff’s comments were seen by many as a significant call for action in the battle against climate change, focusing on the moral need to address the impact of humans on the planet. “Pope Francis is personally committed to this [climate] issue like no other pope before him. The encyclical will have a major impact,” said Christiana Figueres, the UN’s climate chief, at the time.

But new research published in the journal Climatic Change suggests that the encyclical might not have had the anticipated rallying effect on public opinion.

In a nationally representative survey of 2,755 individuals across the US, including more than 700 Catholics, researchers quizzed individuals on their attitudes towards climate change, its effects on the poor and papal credibility on the issue, together with questions on their political views and demographics such as age, sex and ethnicity. The team found that 22.5% of respondents said they had either heard of the pope’s message or his plans for the letter.

Overall, the team found that members of the public who identified as politically liberal, whether Catholic or not, were more likely to be concerned about climate change and perceive climate change as disproportionately affecting the poor than those who identified as conservative.

But knowledge of the papal letter did not overall appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change.

Instead, the researchers found that the effects of awareness of the letter were small, although awareness was linked to more polarised views. For both Catholics and non-Catholics, conservatives who were aware of the letter were less likely to be concerned about climate change and its risk to the poor, compared to those who had not. The opposite trend was seen among liberals.

But, the authors say, among both conservative Catholics and non-Catholics who had heard of the encyclical, the pontiff’s perceived credibility decreased as political leaning veered to the right.

“For people who are most conservative, the Catholics who are aware of the encyclical give the pope 0.5 less than Catholics who aren’t aware of the encyclical on a one to five scale,” said Li.

The researchers say it is not clear if the increased polarisation is caused by hearing about the encyclical or, for example, if more politically engaged individuals were simply more likely to be aware of the papal letter.

“In sum, while [the] pope’s environmental call may have increased some individuals’ concerns about climate change, it backfired with conservative Catholics and non-Catholics, who not only resisted the message but defended their pre-existing beliefs by devaluing the pope’s credibility on climate change,” the authors write.

The results chime with the reaction to the papal stance by conservative media and a number of prominent individuals, including former presidential candidate Jeb Bush who rebuffed the pope’s message, saying: “I don’t get economic policy from my bishops or my cardinal or my pope.”

Neil Thorns, director of advocacy at the Catholic aid agency Cafod, said: “Laudato Si’ was a wake-up call on how we’re treating our planet and its people which unsurprisingly – although disappointingly – some climate deniers and those with vested interests were not willing to hear.”

Cobrada pelo mau tempo, Fundação Cacique Cobra Coral diz que não falhou (O Globo)

Representantes da organização garantem que não houve falhas em sua operação

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas Foto: Jorge William / Agência O Globo

Apesar da operação da Fundação Cacique Cobra Coral os jogos do Rio tem registrado mau tempo, com provas tendo que ser adiadas – Jorge William / Agência O Globo

POR LUIZ ERNESTO MAGALHAES

10/08/2016 15:53 / atualizado 10/08/2016 16:17

RIO – Regatas na Lagoa adiadas, sessões de tênis remarcadas, transtornos provocados por ressacas que invadem instalações na Praia de Copacabana… Credenciados pelo Comitê Organizador Rio-2016 para acompanhar as condições climáticas durante a Olimpíada, os integrantes da Fundação Cacique Cobra Coral, que garantem ter poder sobrenatural para controlar o tempo, afirmam que não houve falhas na operação espiritual para garantir o sucesso da Olimpíada.

A médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, já circulou várias vezes pelo Parque Olímpico. O porta-voz da fundação, Osmar Santos, garante que o desempenho até agora da entidade é digno de medalha de ouro. Segundo ele, as prioridades foram direcionar o tempo para garantir a cerimônia de abertura sem chuvas e que os ventos soprassem de forma a a garantir que as regatas da Baía de Guanabara ocorressem em raias sem lixo:

Segundo Osmar, no domingo, quando uma forte ventania atingiu a cidade causando estragos e adiando provas do remo, Adelaide sequer estava no Rio. A médium, segundo ele, estaria na Região Serrana, encerrando a operação da Cerimônia de Abertura. O porta voz da médium argumenta que as demandas espirtuais da entidade são inúmeras e não se limitam a Olimpíada

– O grande legado nosso da cerimônia de abertura foi o desvio da Frente Fria que estava no Rio e foi desviada para Minas erais onde despejou 30 milímetros de chuva em pleno agosto no Vale do Jequitinonha. Isso para o cacique é muito mais importante. Agora vamos abrir um corredor para as frentes entrarem pelo continente e apagarem as queimadas no Pantanal – disse Osmar.

De acordo com Osmar, o mau tempo de hoje está relacionado com o atraso na entrada da frente fria na cidade para garantir a limpeza da Baía

Essa não é a primeira vez que a Fundação atua numa Olimpíada. Repórteres do GLOBO encontraram integrantes da Fundação em Londres, em 2012, credenciados inclusive para uma visita da presidente afastada Dilma Roousseff durante um evento oficial do Comitê Olímpico do Brasil. Adelaide também estava em Copenhague (Dinamarca) em 2009 quando o Rio foi eleito cidade sede da Olimpíada de 2016.

A Fundação também, é chamada para outros eventos como o Réveillon e o Rock in Rio. Nas últimas edições das Olimpíadas, no entanto, chegou a chover forte alguns dias. A Fundação Cacique Cobra Coral nas duas ocasiões alegou que ficou retida antes de chegar à Cidade do Rock por problemas no credenciamento do carro que transportava os integrantes.

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/rio/cobrada-pelo-mau-tempo-fundacao-cacique-cobra-coral-diz-que-nao-falhou-19894579#ixzz4H3PcWa6C
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O bichinho que desafia Deus (El País)

Organismo marinho mostra por que o ser humano não está no topo da evolução

MANUEL ANSEDE

Barcelona 13 JUN 2016 – 21:07 CEST

Os biólogos Ricard Albalat e Cristian Cañestro, com exemplares do 'Oikopleura'.

Os biólogos Ricard Albalat e Cristian Cañestro, com exemplares do ‘Oikopleura’. JUAN BARBOSA 

“Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz”, escreveu Milan Kundera em A Insustentável Leveza do Ser. E tem algo que fala, ou melhor, grita, numa praia de Badalona, perto de Barcelona: a que é dominada pela Ponte do Petróleo. Por esse dique de 250 metros, que penetra no mar Mediterrâneo, eram descarregados produtos petrolíferos até o final do século XX. E a seus pés se levanta desde 1870 a fábrica do Anís del Mono, o licor em cujo rótulo aparece um símio com cara de Charles Darwin em referência à teoria da evolução, que gerava polêmica na época.

Hoje, a Ponte do Petróleo é um belo mirante com uma estátua de bronze dedicada ao macaco com rosto darwinista. E, por um acaso que fala, entre seus frequentadores se encontra uma equipe de biólogos evolutivos do departamento de Genética da Universidade de Barcelona. Os cientistas caminham pela passarela sobre o oceano e lançam um cubo para fisgar um animal marinho, o Oikopleura dioica, de apenas três centímetros, mas que possui boca, ânus, cérebro e coração. Parece insignificante, mas, como Darwin, faz estremecer o discurso das religiões. Coloca o ser humano no lugar que lhe corresponde: com o resto dos animais.

“Temos sido mal influenciados pela religião, pensando que estávamos no topo da evolução. Na verdade, estamos no mesmo nível que o dos outros animais”, diz o biólogo Cristian Cañestro. Ele e o colega Ricard Albalat dirigem um dos únicos três centros científicos do mundo dedicados ao estudo do Oikopleura dioica. Os outros dois estão na Noruega e no Japão. O centro espanhol é uma salinha fria, com centenas de exemplares praticamente invisíveis colocados em recipientes de água, num canto da Faculdade de Biologia da Universidade de Barcelona.

O organismo marinho ‘Oikopleura dioica’ indica que a perda de genes ancestrais, compartilhados com os humanos, seria o motor da evolução

“A visão até agora era que, ao evoluir, ganhávamos em complexidade, adquirindo genes. Era o que se pensava quando os primeiros genomas foram sequenciados: de mosca, de minhoca e do ser humano. Mas vimos que não é assim. A maioria de nossos genes está também nas medusas. Nosso ancestral comum os possuía. Não que tenhamos ganhado genes; eles é que perderam. A complexidade genética é ancestral”, diz Cañestro.

Em 2006, o biólogo pesquisava o papel de um derivado da vitamina A, o ácido retinoico, no desenvolvimento embrionário. Essa substância indica às células de um embrião o que têm que fazer para se transformar num corpo adulto. O ácido retinoico ativa os genes necessários, por exemplo, para formar as extremidades, o coração, os olhos e as orelhas dos animais. Cañestro estudava esse processo no Oikopleura. E ficou de boca aberta.

Uma fêmea de 'Oikopleura dioica' cheia de ovos.

Uma fêmea de ‘Oikopleura dioica’ cheia de ovos. CAÑESTRO & ALBALAT LAB

“Os animais utilizam uma grande quantidade de genes para sintetizar o ácido retinoico. Percebi que no Oikopleura dioica faltava um desses genes. Depois vi que faltavam outros. Não encontramos nenhum”, recorda. Esse animal de três milímetros fabrica seu coração, de maneira inexplicável, sem ácido retinoico. “Se você vê um carro se mover sem rodas, nesse dia sua percepção sobre as rodas muda”, diz Cañestro.

O último ancestral comum entre nós e esse minúsculo habitante do oceano viveu há cerca de 500 milhões de anos. Desde então, o Oikopleura perdeu 30% dos genes que nos uniam. E fez isso com sucesso. Se você entrar em qualquer praia do mundo, ali estará ele rodeando o seu corpo. Na batalha da seleção natural, os Oikopleura ganharam. Sua densidade atinge 20.000 indivíduos por metro cúbico de água em alguns ecossistemas marinhos. São perdedores, mas só de genes.

Nosso último ancestral comum viveu há 500 milhões de anos. Desde então, o ‘Oikopleura’ perdeu 30% dos genes que nos uniam

Albalat e Cañestro acabam de publicar na revista especializada Nature Reviews Genetics um artigo que analisa a perda de genes como motor da evolução. Seu texto despertou interesse mundial. Foi recomendado pela F1000Prime, uma publicação internacional que aponta os melhores artigos sobre biologia e medicina. O trabalho começa com uma frase do imperador romano Marco Aurelio, filósofo estoico: “A perda nada mais é do que mudança, e a mudança é um prazer da natureza”.

Os dois biólogos afirmam que a perda de genes pode inclusive ter sido essencial para a origem da espécie humana. “O chimpanzé e o ser humano compartilham mais de 98% do seu genoma. Talvez tenhamos que procurar as diferenças nos genes que foram perdidos de maneira diferente durante a evolução dos humanos e dos demais primatas. Alguns estudos sugerem que a perda de um gene fez com que a musculatura de nossa mandíbula ficasse menor, o que permitiu aumentar o volume do nosso crânio”, diz Albalat. Talvez, perder genes nos tornou mais inteligentes que o resto dos mortais.

Pesquisadores do laboratório de Cristian Cañestro e Ricard Albalat.Pesquisadores do laboratório de Cristian Cañestro e Ricard Albalat. UB

 Em 2012, um estudo do geneticista norte-americano Daniel MacArthur mostrou que, em média, qualquer pessoa saudável tem 20 genes desativados. E isso aparentemente não importa. Albalat e Cañestro, do Instituto de Pesquisa da Biodiversidade (IRBio) da Universidade de Barcelona, citam dois exemplos muito estudados. Em algumas pessoas, os genes que codificam as proteínas CCR5 e DUFFY foram anulados por mutações. São as proteínas usadas, respectivamente, pelo vírus HIV e o parasita causador da malária para entrar nas células. A perda desses genes torna os humanos resistentes a essas doenças.

No laboratório de Cañestro e Albalat, há um cartaz que imita o do filme Cães de Aluguel (“Reservoir Dogs”, em inglês), de Quentin Tarantino: os cientistas e outros membros de sua equipe aparecem vestidos com camisa branca e gravata preta. A montagem se chama Reservoir Oiks, em alusão ao Oikopleura. Os dois biólogos acreditam que o organismo marinho permitirá formular e responder perguntas novas sobre nosso manual de instruções comum: o genoma.

O ‘Oikopleura’ permite estudar quais genes são essenciais: por que algumas mutações são irrelevantes e outras provocam efeitos devastadores em nossa saúde

O cérebro do Oikopleura tem cerca de 100 neurônios e o dos humanos, 86 bilhões. Mas somos muito mais semelhantes do que à primeira vista. Entre 60% e 80% das famílias de genes humanos têm um claro representante no genoma do Oikopleura. “Esse animal nos permite estudar quais genes humanos são essenciais”, diz Albalat. Em outras palavras: por que algumas mutações são irrelevantes e outras provocam efeitos terríveis em nossa saúde.

Os seres vivos possuem um sistema celular que repara as mutações surgidas no DNA. O Oikopleura doica perdeu 16 dos 83 genes ancestrais que regulam esse processo. Essa incapacidade para a autorreparação poderia explicar sua perda extrema de genes, segundo o artigo da Nature Reviews Genetics.

O olhar de Cañestro se ilumina quando ele fala dessas ausências. Os genes costumam atuar em grupo para levar a cabo uma função. Se de um grupo conhecido de oito genes faltam sete no Oikopleura, pois a função foi perdida, a permanência do oitavo gene pode revelar uma segunda função essencial que teria passado despercebida. Esse gene seria como um cruzamento de estradas. Desmantelada uma rodovia, ele sobrevive porque é fundamental em outra. “Essa segunda função já estava no ancestral comum e pode ser importante nos humanos”, diz Cañestro.

“Não existem animais superiores ou inferiores. Nossas peças de Lego são basicamente as mesmas, embora com elas possamos construir coisas diferentes”, afirma. Pense no seu lugar no mundo da próxima vez que mergulhar no mar. Essa neve branca que flutua na água e pode ser vista contra a luz são os excrementos do Oikopleura.

‘No doubt’ Iceland’s elves exist: anthropologist certain the creatures live alongside regular folks (South China Morning Post)

Construction sites have been moved so as not to disturb the elves, and fishermen have refused to put out to sea because of their warnings: here in Iceland, these creatures are a part of everyday life

PUBLISHED : Saturday, 14 May, 2016, 8:01am

UPDATED : Sunday, 15 May, 2016, 6:40pm

Since the beginning of time, elves have been the stuff of legend in Iceland, but locals here will earnestly tell you that elves appear regularly to those who know how to see them.

Construction sites have been moved so as not to disturb the elves, and fishermen have refused to put out to sea because of their warnings: here in Iceland, these creatures are a part of everyday life.

Watch: Iceland’s elves, a force to be reckoned with

But honestly, do they really exist?

Anthropologist Magnus Skarphedinsson has spent decades collecting witness accounts, and he’s convinced the answer is yes.

He now passes on his knowledge to curious crowds as the headmaster of Reykjavik’s Elf School.

“There is no doubt that they exist!” exclaims the stout 60-year-old as he addresses his “students”, for the most part tourists fascinated by Icelanders’ belief in elves.

What exactly is an elf? A well-intentioned being, smaller than a person, who lives outdoors and normally does not talk. They are not to be confused with Iceland’s “hidden people”, who resemble humans and almost all of whom speak Icelandic.

To convince sceptics that this is not just a myth, Skarphedinsson relays two “witness accounts”, spinning the tales as an accomplished storyteller.

The first tells of a woman who knew a fisherman who was able to see elves who would also go out to sea to fish.

One morning in February 1921, he noticed they were not heading out to sea and he tried to convince the other fishermen not to go out either. But the boss would not let them stay on shore.

That day, there was an unusually violent storm in the North Atlantic but the fishermen, who had heeded his warning and stayed closed to shore, all returned home safe and sound.

Seven years later, in June 1928, the elves again did not put out to sea which was confusing because there had never been a fierce storm at sea at that time of year. Forced to head out, they sailed waters that were calm but caught very few fish.

“The elves knew it,” the anthropologist claims.

The other “witness” is a woman in her eighties, who in 2002 ran into a young teen who claimed to know her. Asking him where they had met, he gave her an address where she had lived 53 years ago where her daughter claimed she had played with an invisible boy.

Most people tread lightly when entering into known elf territory
ICELAND MAGAZINE

“But Mum, it’s Maggi!” exclaimed the daughter when her mother described the teen.

“He had aged fives times slower than a human being,” said Skarphedinsson.

Surveys suggest about half of Icelanders believe in elves.

“Most people say they heard [about them] from their grandparents when they were children,” said Michael Herdon, a 29-year-old American tourist attending Elf School.

Iceland Magazine says ethnologists have noted it is rare for an Icelander to really truly believe in elves. But getting them to admit it is tricky.

“Most people tread lightly when entering into known elf territory,” the English-language publication wrote in September.

That’s also the case with construction projects.

It may prompt sniggers, but respect for the elves’ habitat is a consideration every time a construction project is started in Iceland’s magnificent countryside, which is covered with lava fields and barren, windswept lowlands.

Back in 1971, Skarphedinsson recalls how elves disrupted construction of a national highway from Reykjavik to the northeast. The project, he says, suffered repeated unusual technical difficulties because they didn’t want a big boulder that served as their home to be moved to make way for the new road.

“They made an agreement in the end that the elves would leave the stone for a week, and they would move the stone 15 metres. This is probably the only country in the world whose government officially talked with elves,” Skarphedinsson says.

But Iceland is not the only country that is home to elves, he says. It’s just that Icelanders are more receptive to accounts of their existence.

“The real reason is that the Enlightenment came very late to Iceland.

“In other countries, with western scientific arrogance [and] the denial of everything that they have not discovered themselves, they say that witnesses are subject to hallucinations.”

A importância da laicidade no século 21 (OESP)

15 Maio 2016 | 03h 00

Neste século, cujo primeiro evento de repercussão mundial foram os ataques às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, assistimos ao ressurgimento do papel da religião na vida política. No cenário internacional, são notórios e dramáticos os fatos que complicam a geopolítica mundial, ocasionados por interpretações de caráter fundamentalista de religiões estabelecidas.

No Brasil, a presença da atividade política baseada e dirigida por princípios de fé nunca foi tão marcante. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o pleito de 2014 elegeu uma bancada evangélica de 75 deputados federais; no seu apogeu, em 1962, o Partido Democrata Cristão, de inspiração católica, tinha 20 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Nesse contexto, é oportuno retomar a questão da laicidade, seu papel na vida da democracia e dos direitos humanos, seus nexos com a secularização e a tolerância.

A secularização, termo que vem do latim saeculum, do mundo da vida terrena (não da vida religiosa), e a laicidade, do grego laos, povo, como leigo e laico, em contraposição ao clero no quadro de hierarquização da Igreja, foram consequências da dessacralização da sociedade, como aponta Weber.

O processo de diferenciação estrutural e funcional das instituições é a acepção que mais aproxima a laicização à secularização. Os atores sociais não só começaram a se distanciar da força avassaladora das tradições religiosas, mas as relações das religiões com o Estado se alteraram fundamentalmente no correr desse processo que remonta aos ideais do Iluminismo e da Revolução Francesa. Nesse contexto, surge o tema da laicidade do Estado.

Um Estado laico diferencia-se do teocrático, em que o poder religioso e o poder político se fundem, e também do confessional, em que há vínculos entre o poder político e uma religião.

No Brasil Império, a religião oficial era a católica, ainda que outras fossem permitidas e a liberdade de opinião, assegurada. Com a República, deu-se a separação da Igreja do Estado, que se tornou laico, ensejando a igualdade da liberdade dos cultos, a secularização dos cemitérios, o casamento civil e o registro civil para o nascimento e o falecimento de pessoas.

Rui Barbosa, autor da legislação que implantou a laicização do Estado brasileiro, consagrada na Constituição de 1891, explica que sua matriz inspiradora foi norte-americana. O Estado se dessolidarizou de toda a atividade religiosa em função, como diria Jefferson, da prevalência de um muro de separação entre a atividade religiosa e a ação estatal como preconizado pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O Estado laico não implica que a sociedade civil seja laica. Com efeito, esta passou a se constituir como uma esfera autônoma e própria para o exercício da liberdade religiosa e de consciência, na qual o Estado não interfere. Abria-se desse modo espaço para o que Benjamin Constant denominou liberdade negativa, não submetida a regras externas provenientes do poder público.

A laicidade, aponta Abbagnano, é expressão do princípio da autonomia das/nas atividades humanas: elas podem se desenvolver segundo regras próprias, não impostas externamente por fins e interesses diversos daqueles que as inspiram e norteiam. É o caso da liberdade de pesquisa, que pressupõe o antidogmatismo e o exame crítico de temas e problemas.

Quando a polarização e as tensões se tornam mais agudas, é importante lembrar que a laicidade é uma das formas de tolerância, ou, mais exatamente, uma das maneiras de responder ao problema da intolerância.

Como ressalta Bobbio, o tema da tolerância surgiu com a desconcentração do poder ideológico (consequência da secularização), pois a tolerância em relação a distintas crenças e opiniões coloca o problema de como lidar com a compatibilidade/convivência de verdades contrapostas (laicidade metodológica, pluralismo, antidogmatismo) e, subsequentemente, com o “diferente” (estrangeiros, pessoas de diversas opções sexuais, etc…). Daí o nexo entre democracia e direitos humanos, pois a tutela da liberdade de crença, de opinião e de posições políticas integra as regras do jogo democrático, para as quais o Outro não é um inimigo a ser eliminado, mas integrante da mesma comunidade política.

Em relação ao “diferente”, lembro que a Constituição (artigo 3.º, IV) estabelece que um dos objetivos da República é “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação”.

Entre os componentes da dicotomia tolerância/intolerância está, no plano interno, a convivência/coexistência de verdades contrapostas (religiosas, políticas), no âmbito das regras do jogo democrático e da tutela dos direitos humanos; no plano externo, a aceitação da pluralidade dos Estados na sua heterogeneidade.

Por essa razão um Estado aconfessional como o brasileiro (artigo 19, I, da Constituição) não pode, por obra de dependência ou aliança com qualquer religião, sancionar juridicamente normas ético-religiosas próprias à fé de uma confissão. Por exemplo: no campo da família, o direito ao divórcio; no critério do início da vida, a descriminalização do aborto e a pesquisa científica com células-tronco.

Num Estado laico, as normas religiosas das diversas confissões são conselhos dirigidos aos fiéis, e não comandos para toda a sociedade. A finalidade da liberdade de religião e de pensamento é garantir ao cidadão uti singuli a máxima diferenciação no campo das ideologias, das religiões e da cultura – ou seja, a liberdade individual.

A finalidade pública da laicidade é criar, nesse contexto, para todos os cidadãos uma plataforma comum na qual possam encontrar-se enquanto membros de uma comunidade política. É essa finalidade que cabe resguardar, para conter o indevido transbordar da religião para o espaço público, que se tornou um dos desafios da agenda política contemporânea.

Neste século, cujo primeiro evento de repercussão mundial foram os ataques às torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, assistimos ao ressurgimento do papel da religião na vida política. No cenário internacional, são notórios e dramáticos os fatos que complicam a geopolítica mundial, ocasionados por interpretações de caráter fundamentalista de religiões estabelecidas.

No Brasil, a presença da atividade política baseada e dirigida por princípios de fé nunca foi tão marcante. De acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o pleito de 2014 elegeu uma bancada evangélica de 75 deputados federais; no seu apogeu, em 1962, o Partido Democrata Cristão, de inspiração católica, tinha 20 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Nesse contexto, é oportuno retomar a questão da laicidade, seu papel na vida da democracia e dos direitos humanos, seus nexos com a secularização e a tolerância.

A secularização, termo que vem do latim saeculum, do mundo da vida terrena (não da vida religiosa), e a laicidade, do grego laos, povo, como leigo e laico, em contraposição ao clero no quadro de hierarquização da Igreja, foram consequências da dessacralização da sociedade, como aponta Weber.

O processo de diferenciação estrutural e funcional das instituições é a acepção que mais aproxima a laicização à secularização. Os atores sociais não só começaram a se distanciar da força avassaladora das tradições religiosas, mas as relações das religiões com o Estado se alteraram fundamentalmente no correr desse processo que remonta aos ideais do Iluminismo e da Revolução Francesa. Nesse contexto, surge o tema da laicidade do Estado.

Um Estado laico diferencia-se do teocrático, em que o poder religioso e o poder político se fundem, e também do confessional, em que há vínculos entre o poder político e uma religião.

No Brasil Império, a religião oficial era a católica, ainda que outras fossem permitidas e a liberdade de opinião, assegurada. Com a República, deu-se a separação da Igreja do Estado, que se tornou laico, ensejando a igualdade da liberdade dos cultos, a secularização dos cemitérios, o casamento civil e o registro civil para o nascimento e o falecimento de pessoas.

Rui Barbosa, autor da legislação que implantou a laicização do Estado brasileiro, consagrada na Constituição de 1891, explica que sua matriz inspiradora foi norte-americana. O Estado se dessolidarizou de toda a atividade religiosa em função, como diria Jefferson, da prevalência de um muro de separação entre a atividade religiosa e a ação estatal como preconizado pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. O Estado laico não implica que a sociedade civil seja laica. Com efeito, esta passou a se constituir como uma esfera autônoma e própria para o exercício da liberdade religiosa e de consciência, na qual o Estado não interfere. Abria-se desse modo espaço para o que Benjamin Constant denominou liberdade negativa, não submetida a regras externas provenientes do poder público.

A laicidade, aponta Abbagnano, é expressão do princípio da autonomia das/nas atividades humanas: elas podem se desenvolver segundo regras próprias, não impostas externamente por fins e interesses diversos daqueles que as inspiram e norteiam. É o caso da liberdade de pesquisa, que pressupõe o antidogmatismo e o exame crítico de temas e problemas.

Quando a polarização e as tensões se tornam mais agudas, é importante lembrar que a laicidade é uma das formas de tolerância, ou, mais exatamente, uma das maneiras de responder ao problema da intolerância.

Como ressalta Bobbio, o tema da tolerância surgiu com a desconcentração do poder ideológico (consequência da secularização), pois a tolerância em relação a distintas crenças e opiniões coloca o problema de como lidar com a compatibilidade/convivência de verdades contrapostas (laicidade metodológica, pluralismo, antidogmatismo) e, subsequentemente, com o “diferente” (estrangeiros, pessoas de diversas opções sexuais, etc…). Daí o nexo entre democracia e direitos humanos, pois a tutela da liberdade de crença, de opinião e de posições políticas integra as regras do jogo democrático, para as quais o Outro não é um inimigo a ser eliminado, mas integrante da mesma comunidade política.

Em relação ao “diferente”, lembro que a Constituição (artigo 3.º, IV) estabelece que um dos objetivos da República é “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor e quaisquer outras formas de discriminação”.

Entre os componentes da dicotomia tolerância/intolerância está, no plano interno, a convivência/coexistência de verdades contrapostas (religiosas, políticas), no âmbito das regras do jogo democrático e da tutela dos direitos humanos; no plano externo, a aceitação da pluralidade dos Estados na sua heterogeneidade.

Por essa razão um Estado aconfessional como o brasileiro (artigo 19, I, da Constituição) não pode, por obra de dependência ou aliança com qualquer religião, sancionar juridicamente normas ético-religiosas próprias à fé de uma confissão. Por exemplo: no campo da família, o direito ao divórcio; no critério do início da vida, a descriminalização do aborto e a pesquisa científica com células-tronco.

Num Estado laico, as normas religiosas das diversas confissões são conselhos dirigidos aos fiéis, e não comandos para toda a sociedade. A finalidade da liberdade de religião e de pensamento é garantir ao cidadão uti singuli a máxima diferenciação no campo das ideologias, das religiões e da cultura – ou seja, a liberdade individual.

A finalidade pública da laicidade é criar, nesse contexto, para todos os cidadãos uma plataforma comum na qual possam encontrar-se enquanto membros de uma comunidade política. É essa finalidade que cabe resguardar, para conter o indevido transbordar da religião para o espaço público, que se tornou um dos desafios da agenda política contemporânea.

*Celso Lafer é professor emérito da Universidade de São Paulo

Paranormal beliefs can increase number of dé jà vu experiences (Science Daily)

Date:
April 27, 2016
Source:
British Psychological Society (BPS)
Summary:
A belief in the paranormal can mean an individual experiences more déjà vu moments in their life.

A belief in the paranormal can mean an individual experiences more déjà vu moments in their life.

This is one of the findings of a study by 3rd year undergraduate student Chloe Pickles and Dr Mark Moss, of Northumbria University, who will present their poster today, Thursday 28 April 2016, at the British Psychological Society’s annual conference in Nottingham. Over 100 participants completed surveys relating to perceived stress, belief in paranormal experiences and beliefs about déjà vu. Analysis of the results showed a strong link between belief in paranormal experiences and the frequency, pleasantness and intensity of déjà vu experiences. Stress was linked significantly to intensity and duration only.

Chloe Pickles said: “Our study calls in to question whether stress increases the number of déjà vu moments for an individual. Previous research had not considered the impact of belief when experiencing the feeling that this moment has happened before. Déjà vu might be a normal experience for those more open to it as well as (or instead of) a consequence of a negative life events.”

Antigas listas de compras viram evidência sobre quando a Bíblia foi escrita (UOL/NYT)

Isabel Kershner
Em Tel Aviv (Israel)

13/04/201606h00 

Anotações feitas em tinta em cerâmica

Anotações feitas em tinta em cerâmica. Michael Cordonsky/Israel Antiquities Authority via The New York Times

Eliashib, o intendente da remota fortaleza no deserto, recebia suas instruções por escrito, anotações feitas em tinta em cerâmica pedindo que provisões fossem enviadas para as forças no antigo reino de Judá.

Os pedidos por vinho, farinha e óleo parecem listas de compras mundanas, apesar de antigas. Mas uma nova análise da caligrafia sugere que a capacidade de ler e escrever era bem mais disseminada do que antes se sabia na Terra Santa por volta de 600 a.C., perto do final do período do Primeiro Templo. As conclusões, segundo pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, pode ter alguma relevância para o debate de um século sobre quando o corpo principal dos textos bíblicos foi composto.

“Para Eliashib: agora, dê a Kittiyim 3 batos de vinho, e escreva o nome do dia”, diz um dos textos, compostos em hebraico antigo usando o alfabeto aramaico, e aparentemente referindo-se a uma unidade mercenária grega na área.

Outra dizia: “E um coro pleno de vinho, traga amanhã. Não atrase. E se tiver vinagre, dê a eles”.

O novo estudo, publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”, combinou arqueologia, história judaica e matemática aplicada, assim como envolveu processamento de imagens por computador e o desenvolvimento de um algoritmo para distinguir entre os vários autores emitindo as ordens.

Com base na análise estatística dos resultados, e levando em consideração o conteúdo dos textos escolhidos como amostra, os pesquisadores concluíram que pelo menos seis mãos escreveram as 18 mensagens mais ou menos na mesma época. Até mesmo soldados das fileiras mais baixas do exército de Judá, ao que parece, sabiam ler e escrever.

“Há algo psicológico além das estatísticas”, disse o professor Israel Finkelstein, do Departamento de Arqueologia e Civilizações Antigas do Oriente Próximo da Universidade de Tel Aviv, um dos líderes do projeto. “Há um entendimento do poder da alfabetização. E eles escreviam bem, praticamente sem erros.”

O estudo se baseou em um conjunto de cerca de 100 cartas escritas com tinta em pedaços de cerâmica, conhecidos como óstracos, que foram descobertos perto do Mar Morto em escavações do forte Arad, décadas atrás, e datados de cerca de 600 a.C. Isso foi pouco antes da destruição de Jerusalém e do reino de Judá por Nabucodonosor, e o exílio de sua elite para a Babilônia, e antes de quando muitos acadêmicos acreditam que grande parte dos textos bíblicos, incluindo os cinco livros de Moisés também conhecidos como Pentateuco, foram escritos de forma coesa.

A cidadela de Arad era uma frente pequena, distante e ativa, próxima da fronteira com o reino rival de Edom. O forte em si tinha apenas cerca de 2.000 metros quadrados e provavelmente só acomodava cerca de 30 soldados. A riqueza dos textos encontrados ali, registrando movimentos de tropas, provisões e outras atividades diárias, foi criada em um período curto, o que os torna uma amostra valiosa para estudo de quantas mãos diferentes os escreveram.

“Para Eliashib: agora, forneça 3 batos de vinho”, ordenava outro óstraco, adicionando: “E Hananyahu ordena que envie a Beersheba 2 mulas carregadas e envie a massa de pão com elas”.

Um dos argumentos mais antigos para o corpo principal da literatura bíblica não ter sido escrito em nada parecido com sua presente forma até depois da destruição e exílio, em 586 a.C., é que antes não havia alfabetização suficiente e nem escribas suficientes para a realização de uma empreitada tão grande.

Mas se a taxa de alfabetização no forte Arad se repetir por todo o reino de Judá, que contava com cerca de 100 mil habitantes, haveria centenas de pessoas alfabetizadas, sugere a equipe de pesquisa de Tel Aviv.

Isso forneceria a infraestrutura para a composição das obras bíblicas que constituem a base da história e teologia de Judá, incluindo as primeiras versões dos livros do Deuteronômio ao Segundo Livro de Reis, segundo os pesquisadores.

Desde o século 19, os acadêmicos debatem “quando foi escrito?”, disse Finkelstein. “Na própria época ou depois”, ele acrescentou, referindo-se à destruição e exílio.

Nos séculos após a destruição e exílio, até 200 a.C., disse Finkelstein, praticamente não há evidência arqueológica de inscrições em hebraico. Ele disse que esperava que escavações revelassem selos gravados e escritos cotidianos em cerâmica, mesmo que textos mais importantes, como os bíblicos, fossem feitos em materiais perecíveis, como pergaminho e papiro.

Os textos bíblicos escritos nos séculos após 586 a.C., ele sugeriu, provavelmente foram compostos na Babilônia.

Outros acadêmicos alertaram contra extrair conclusões demais a respeito de quando a primeira grande parte da Bíblia foi escrita, com base em extrapolações a partir das taxas de alfabetização antigas.

“Não há um consenso atualmente nos estudos bíblicos”, disse o professor Edward Greenstein, da Universidade Bar-Ilan, perto de Tel Aviv. “O processo de transmissão era muito mais complicado do que os acadêmicos costumam pensar.”

O processo de composição da Torá, segundo Greenstein, parece ter envolvido camadas de reescrições, suplementos e revisões. Apontando para o saber recente da literatura bíblica, ele disse que os escribas podiam registrar os textos principalmente como auxílio à memória, em um mundo onde ainda eram transmitidos oralmente.

“Os textos bíblicos não precisavam ser escritos por muitas pessoas, ou lidos por muitas pessoas, para serem redigidos”, ele disse, acrescentando que os textos não circulavam amplamente.

Para deduzir as taxas de alfabetização, a equipe de pesquisa usou um método que Barak Sober, do Departamento de Matemática Aplicada da Universidade de Tel Aviv, comparou à análise forense de caligrafia adaptada aos tempos antigos.

Os matemáticos pegaram 16 cacos de cerâmica de Arad que eram mais ricos em conteúdo (dois apresentavam inscrições em ambos os lados). Dois dos textos lembravam uma chamada, apenas listando as pessoas presentes, e foram claramente escritos no posto avançado no deserto; outros foram compostos em outro lugar.

Muitas das cartas em aramaico não eram claras, de modo que não era possível dar simplesmente entrada dos dados em um computador. Em vez disso, os pesquisadores conceberam uma forma de reconstruí-las. Então as letras de pares de textos foram misturadas e o algoritmo as separou com base na caligrafia.

Se o algoritmo dividisse as letras em dois grupos claros, os textos eram contados como tendo sido escritos por dois autores. Quando o algoritmo não distinguia entre as letras e as deixava juntas em um grupo, nenhuma posição era tomada; elas podiam ter sido escritas pela mesma mão ou, possivelmente, por duas pessoas com estilo semelhante.

Um cálculo conservador revelou pelo menos quatro autores, e seis quando o conteúdo foi levado em consideração, como quem estava escrevendo para quem.

Outro óstraco foi endereçado a um homem chamado Nahum. Ele foi instruído a ir “até a casa de Eliashib, filho de Eshiyahu” para pegar um jarro de óleo, para enviá-lo a Ziph “rapidamente, o lacrando com seu selo”.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Fantasmas que pegaram táxi em Ishinomaki, depois do tsunami, são tema de monografia (IPC Digital)

Por Anna Shudo – 22/03/2016

Ishinomaki

Crédito: Divulgação

SENDAI (IPC Digital) – Yuka Kudo, 22 anos, natural da província de Akita, é uma jovem formanda do curso de Sociologia da Universidade Tohoku Gakuin, de Sendai (Miyagi). Seu grupo de 7 pessoas escolheu como tema da monografia para colação de grau, como as pessoas lidam com a morte após o Grande Terremoto ao Leste do Japão, em 11 de março de 2011. Até iniciar o trabalho de pesquisa, ela via as mortes provocadas pelo tsunami como “milhares de pessoas que perderam a vida”. Depois de iniciar as entrevistas, descobriu que muitos dos taxistas de Ishinomaki (Miyagi) tiveram a experiência de terem como clientes os fantasmas de pessoas que provavelmente perderam a vida na tragédia.

Ela conta as histórias que ouviu durante suas entrevistas. Um taxista, na faixa dos 50 anos, relatou que no começo do primeiro verão após o tsunami, uma senhora vestida de casaco, o que lhe chamou à atenção, pediu para ser conduzida até Minamihama. Ele teria feito uma pergunta para confirmar: “lá, praticamente, só tem terras vazias, pode ser?”.  Com a voz trêmula, a mulher lhe pergunta “eu morri?”. Assustado, quando olha para o assento traseiro a passageira que transportava não estava mais lá.

Outros taxistas contam histórias semelhantes, afirma a estudante. Um deles relata que um rapaz, também vestido de casaco, aponta sentido Hiyoriyama e pede para ir até lá. No destino final, não havia cliente dentro do carro. Segundo seu levantamento junto aos motoristas de táxi, a maioria desses passageiros fantasmas eram jovens, homens e mulheres, quase todos vestidos de casaco. “Os jovens costumam ter um forte sentimento de desgosto de ter deixado pessoas que amam. Devem ter escolhido um espaço reservado como o táxi para transmitir esse sentimento insustentável”, pensa a jovem formanda.

Com a voz trêmula, a mulher lhe pergunta “eu morri?”

Para ela e para os entrevistados, essas histórias não são uma viagem da mente, há realidade. Os motoristas lhe mostraram diários, com registros de perda de corrida e que tiveram que pagar do próprio bolso ou do taxímetro que foi ligado até o destino.

Ela conta que sentiu na pele a dor da perda das pessoas de Ishinomaki. Um outro motorista lhe contou que perdeu familiares no tsunami e declarou “não é nada surpreendente que aconteça esse tipo de coisa. Se aparecer mais alguém vou transportar sim”. Todos os entrevistados não contaram suas experiências com medo. Ficou impressionada com o sentimento de reverência, como uma experiência importante que guardavam dentro do peito.

Com essas entrevistas quase que diárias, revela que aprendeu o que é a dor da perda e do luto. “Quero transmitir o peso da morte de cada uma das pessoas que partiu, com respeito”, declarou.

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Yuka Kudo, a formanda que pesquisou sobre os fantasmas que pegaram táxi em Ishinomaki

Fonte e foto: Asahi Shimbun | Foto de Ishinomaki: http://blog.goo.ne.jp/

What a Shaman Sees in A Mental Hospital (Waking Times)

By  August 22, 2014

Meteorologista da Funceme. “A gente fica feliz com essas chuvas” (O Povo)

AGUANAMBI 282

DOM 24/01/2016

De acordo com o meteorologista da Funceme Raul Fritz, vórtice ciclônico, característico da pré-estação chuvosa, pode render chuvas intensas em janeiro, como ocorreu no ano de 2004

Luana Severo, luanasevero@opovo.com.br

FOTOS IANA SOARES

Segundo Fritz, a ciência climática não chegou a um nível tão preciso para ter uma previsão confiável 

Cotidiano

“Nós não queremos ser Deus, apenas tentamos antecipar o que pode acontecer”. Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Raul Fritz, de 53 anos, é supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ele, que afirmou não querer tomar o lugar de Deus nas decisões sobre o clima, começou a trabalhar para a Funceme em 1988, ainda como estagiário, pouco após uma estiagem que se prolongou por cinco anos no Estado, entre 1979 e 1983.

Os anos de prática e a especialização em meteorologia por satélite conferem a Fritz a credibilidade necessária para, por meio de mapas, equações numéricas e o comportamento da natureza, estimar se chove ou não no semiárido cearense. Ele compôs, portanto, a equipe de meteorologistas da Fundação que, na última quarta-feira, 20, previu 65% de chances de chuvas abaixo da média entre os meses de fevereiro e abril deste ano prognóstico que, se concretizado, fará o Ceará completar cinco anos de seca.

Em entrevista ao O POVO, ele detalha o parecer, define o sistema climático cearense e comenta sobre a conflituosa relação entre a Funceme e a população, que sustenta o hábito de desconfiar de todas as previsões do órgão, principalmente porque, um dia após a divulgação do prognóstico, o Estado foi tomado de susto por uma intensa chuvarada.

O POVO – Mesmo com o prognóstico desanimador de 65% de chances de chuvas abaixo da média entre os meses de fevereiro e abril, o cearense tem renovado a fé num “bom inverno” devido às recentes precipitações influenciadas pelo Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). Há a possibilidade de esse fenômeno perdurar?

Raul Fritz – Sim. Esse sistema que está atuando agora apresenta maior intensidade em janeiro. Ele pode perdurar até meados de fevereiro, principalmente pelas circunstâncias meteorológicas atmosféricas que a gente vê no momento.

OP – Por que o VCAN não tem relação com a quadra chuvosa?

Raul – A quadra chuvosa é caracterizada pela atuação de um sistema muito importante para o Norte e o Nordeste, que é a Zona de Convergência Intertropical (ZCI). É o sistema que traz chuvas de forma mais regular para o Estado. O vórtice é muito irregular. Tem anos em que ele traz boas chuvas, tem anos em que praticamente não traz.

OP – O senhor consegue lembrar outra época em que o VCAN teve uma atuação importante em relação às chuvas?

Raul – Em 2004, houve muita chuva no período de janeiro. Em fevereiro também tivemos boas chuvas, mas, principalmente, em janeiro, ao ponto de encher o reservatório do Castanhão, que tinha sido recém-construído. Mas, os meses seguintes a esses dois não foram bons meses de chuva, então é possível a gente ter esse período de agora bastante chuvoso, seguido de chuvas mais escassas.

OP – O que impulsiona o quadro de estiagem
no Ceará?

Raul – Geograficamente, existem fatores naturais que originam um estado climático de semiaridez. É uma região que tem uma irregularidade muito grande na distribuição das chuvas, tanto ao longo do território como no tempo. Chuvas, às vezes, acontecem bem num período do ano e ruim no seguinte, e se concentram no primeiro semestre, principalmente entre fevereiro e maio, que a gente chama de ‘quadra chuvosa’. Aí tem a pré-estação que, em alguns anos, se mostra boa. Aparenta ser o caso deste ano.

OP – A última seca prolongada no Ceará, que durou cinco anos, ocorreu de 1979 a 1983. Estamos, atualmente, seguindo para o mesmo quadro. O que é capaz de interromper esse ciclo?

Raul – O ciclo geralmente não ultrapassa ou tende a não ultrapassar esse período. A própria variabilidade climática natural interrompe. Poucos casos chegam a ser tão extensos. É mais frequente de dois a três anos. Mas, às vezes, podem se estender a esses dois exemplos, de cinco anos seguidos de chuvas abaixo da média. Podemos ter, também, alguma influência do aquecimento global, que, possivelmente, perturba as condições naturais. Fenômenos como El Niños intensos contribuem. Quando eles chegam e se instalam no Oceano Pacífico, tendem a ampliar esse quadro grave de seca, como é o caso de agora. Esse El Niño que está atuando no momento é equivalente ao de 1997 e 1998, que provocou uma grande seca.

OP – É uma tendência esse panorama de grandes secas intercaladas?

Raul – Sim, e é mais frequente a gente ter anos com chuvas entre normal e abaixo da média, do que anos acima da média.

OP – A sabedoria popular, na voz dos profetas da chuva, aposta em precipitações regulares este ano. Em que ponto ela converge com o conhecimento científico?

Raul – O profeta da chuva percebe, pela análise da natureza, que os seres vivos estão reagindo às condições de tempo e, a partir disso, elabora uma previsão de longo prazo, que é climática. Mas, essa previsão climática pode não corresponder exatamente a um prolongamento daquela variação que ocorreu naquele momento em que ele fez a avaliação. Se acontecer, ele acha que acertou a previsão de clima. Se não, ele considera que errou. Mas, pode coincidir que essa variação a curto prazo se repita e se transforme em longo prazo. Aí é o ponto em que converge. A Funceme tenta antecipar o que pode acontecer num prazo maior, envolvendo três meses a frente. É um exercício muito difícil.

OP – Geralmente, há uma descrença da população em torno das previsões da Funceme. Como desmistificar isso?

Raul – A previsão oferece probabilidades e qualquer uma delas pode acontecer, mas, a gente indica a mais provável. São três que nós lançamos. Acontece que a população não consegue entender essa informação, que é padrão internacional de divulgação. Acha que é uma coisa determinística. Que, se a Funceme previu como maior probabilidade termos chuvas abaixo da média em certo período, acha que já previu seca. Mas, a mais provável é essa mesmo, até para alertar às pessoas com atividades que dependem das chuvas e ao próprio Governo a tomarem precauções, se prevenirem e não só reagirem a uma seca já instalada.

OP – A Funceme, então, também se surpreende com as ocorrências de menor probabilidade, como o VCAN?

Raul – Sim, porque esses vórtices são de difícil previsibilidade. A ciência não conseguiu chegar num nível de precisão grande para ter uma previsão confiável para esse período (de pré-estação chuvosa). De qualquer forma, nos é exigido dar alguma ideia do que possa acontecer. É um risco muito grande que a Funceme assume. A gente sofre críticas por isso. Por exemplo, a gente lançou a previsão de chuvas abaixo da média, aí no outro dia vem uma chuva muito intensa. As pessoas não compreendem, acham que essas chuvas do momento vão se prolongar até o restante da temporada. Apesar da crítica da população, que chega até a pedir para fechar o órgão, a gente fica feliz com a chegada
dessas chuvas.

Frase

“A gente lançou a previsão de chuvas abaixo da média, aí no outro dia vem uma chuva muito intensa. As pessoas não compreendem, acham que essas chuvas do momento vão se prolongar até o restante da temporada”

Raul Fritz, meteorologista da Funceme

VIDEO

Raul Fritz, o cientista da chuva

IANA SOARES/O POVO

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Raul Fritz, de 53 anos, é supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ele começou a trabalhar para a Funceme em 1988, ainda como estagiário, pouco após uma estiagem que se prolongou por cinco anos no Estado, entre 1979 e 1983.

Ouvir o cacique (O Globo)

POR JORGE BASTOS MORENO

12/03/2010 10:14

LUIZ GARCIA

É muito simples entender o que é a Fundação Cacique Cobra Coral. Trata-se de organização que se declara beneficente — e não há qualquer prova em contrário — que se atribuiu a missão de “minimizar catástrofes” avisando as autoridades com antecedência. Claro, entender é uma coisa, acreditar é outra. Mas também não falta quem acredite, e, parece, com boas razões.

A fundação foi criada por um certo Angelo Scritori, que morreu em 2002, com alegados 104 anos. Ele recebia os avisos da iminência de desastres naturais do Padre Cícero. Pouco antes de morrer, avisou à praça que seria sucedido pela filha, Adelaide, cujo contato com o outro lado passaria a ser o Cacique Cobra Coral.

Este se comunica com ela falando com sotaque de caboclo brasileiro, embora seja um índio americano Ao avisar sobre a substituição, Padre Cícero informou que o cacique também teria sido, em outras encarnações (se essa é a palavra certa, tratando-se de um espírito), Abraham Lincoln e Galileu Galilei. O leitor não deve ver esse dado com estranheza — até mesmo porque, se é cidadão de pouca fé, francamente, não tem qualquer razão para continuar lendo este artigo.

Mas parece que gente de muita fé não falta. O governo de São Paulo, por exemplo, tem contrato — sem valor financeiro — com a fundação desde 2005. Recebe aviso sobre catástrofes naturais a caminho, com tempo de tomar providências. Se as toma, não se sabe, mas isso não é problema para d. Adelaide.

Ela é bem-sucedida corretora de imóveis, moradora na região próspera dos Jardins de São Paulo. Há algum tempo, definiu com clareza o seu próprio papel como anunciadora de catástrofes: “Funcionamos como uma espécie de air bag. Reduzimos os danos, mas as autoridades têm de fazer a parte delas. O cacique não pode servir de muleta para os homens.”

Talvez como prova disso, a fundação já teve convênio com a Prefeitura de São Paulo, mas o rompeu na gestão do prefeito Gilberto Kassab, porque ele acabara com uma verba destinada a combater causas de desastres climáticos.

Seja como for, o prestígio da Cobra Coral vai além de São Paulo. Em novembro de 2008, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou um convite a Adelaide para ir até lá discutir o apagão em 18 estados. Não sei se chegou a ir, não me lembro de notícia disso, mas o convite existiu.

Aqui no Rio, a fundação está discutindo com a Prefeitura a renovação de um convênio — que não envolve qualquer pagamento — pelo qual a fundação profetiza tempestades e assim ajuda a diminuir os seus efeitos. Sendo de graça, por que não ouvir o cacique?

Texto publicado no Globo de hoje.

The Shaman (Radio Ambulante)

PRODUCED BY Radio Ambulante

 

Unknown

Bogota, Colombia — The intense winter rains of 2011 left thousands of Colombians flooded out of their homes and claimed hundreds of lives. That same year, a man named Jorge Elías González became infamous for taking public money to keep the skies clear over Bogotá. Here’s his story, as reported by Melba Escobar.

 

Fundação Cacique Cobra Coral dá data para o fim da crise hídrica (Glamurama/UOL)

Osmar Santos, da Fundação Cacique Cobra Coral

Nem só de más notícias vive a presidente Dilma Rousseff. Por intermédio do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, ela tem recebido diariamente informes da Fundação Cacique Cobra Coral, entidade esotérica especializada em fenômenos climáticos, no monitoramento meteorológico e conveniada com o Ministério de Minas e Energia, o governo do Estado do RJ e a Prefeitura do Rio.

Os relatórios apontam uma tendência de elevação nos níveis dos reservatórios do Sudeste antes do verão chegar. Com isso, o governo poderá anunciar em breve a redução nos preços da energia. O informe mais recente diz que, após a antecipação do período chuvoso ainda na primavera, prometido pela entidade em 27 de setembro, mais três poderosos fenômenos voltarão a atuar no Sudeste para ajudar a elevar o nível dos mananciais: Alta da Bolívia, Baixa do Chaco e ZACS (Zona de Convergência do Atlântico Sul).

A região Sudeste vai continuar recebendo um verdadeiro bombardeio de chuva nos próximos dias.

First worldwide survey of religion and science: No, not all scientists are atheists (Science Daily)

Date: December 3, 2015

Source: Rice University

Summary: Are all scientists atheists? Do they believe religion and science can co-exist? These questions and others were addressed in the first worldwide survey of how scientists view religion.


A new survey challenges longstanding assumptions about the science-faith interface. While it is commonly assumed that most scientists are atheists, the global perspective resulting from the study shows that this is simply not the case. Credit: © BillionPhotos.com / Fotolia

Are all scientists atheists? Do they believe religion and science can co-exist? These questions and others were addressed in the first worldwide survey of how scientists view religion, released today by researchers at Rice University.

“No one today can deny that there is a popular ‘warfare’ framing between science and religion,” said the study’s principal investigator, Elaine Howard Ecklund, founding director of Rice University’s Religion and Public Life Program and the Herbert S. Autrey Chair in Social Sciences. “This is a war of words fueled by scientists, religious people and those in between.”

The study’s results challenge longstanding assumptions about the science-faith interface. While it is commonly assumed that most scientists are atheists, the global perspective resulting from the study shows that this is simply not the case.

“More than half of scientists in India, Italy, Taiwan and Turkey self-identify as religious,” Ecklund said. “And it’s striking that approximately twice as many ‘convinced atheists’ exist in the general population of Hong Kong, for example, (55 percent) compared with the scientific community in this region (26 percent).”

The researchers did find that scientists are generally less religious than a given general population. However, there were exceptions to this: 39 percent of scientists in Hong Kong identify as religious compared with 20 percent of the general population of Hong Kong, and 54 percent of scientists in Taiwan identify as religious compared with 44 percent of the general population of Taiwan. Ecklund noted that such patterns challenge longstanding assumptions about the irreligious character of scientists around the world.

When asked about terms of conflict between religion and science, Ecklund noted that only a minority of scientists in each regional context believe that science and religion are in conflict. In the U.K. — one of the most secular countries studied — only 32 percent of scientists characterized the science-faith interface as one of conflict. In the U.S., this number was only 29 percent. And 25 percent of Hong Kong scientists, 27 percent of Indian scientists and 23 percent of Taiwanese scientists believed science and religion can coexist and be used to help each other.

In addition to the survey’s quantitative findings, the researchers found nuanced views in scientists’ responses during interviews. For example, numerous scientists expressed how religion can provide a “check” in ethically gray areas.

“(Religion provides a) check on those occasions where you might be tempted to shortcut because you want to get something published and you think, ‘Oh, that experiment wasn’t really good enough, but if I portray it in this way, that will do,'” said a biology professor from the U.K.

Another scientist said that there are “multiple atheisms,” some of which include religious traditions. “I have no problem going to church services because quite often, again that’s a cultural thing,” said a physics reader in the U.K. who said he sometimes attended services because his daughter sang in the church choir. “It’s like looking at another part of your culture, but I have no faith religiously. It doesn’t worry me that religion is still out there.”

Finally, many scientists mentioned ways that they would accommodate the religious views or practices of the public, whether those of students or colleagues.

“Religious issues (are) quite common here because everyone talks about which temple they go to, which church they go to. So it’s not really an issue we hide; we just talk about it. Because, in Taiwan, we have people [of] different religions,” said a Taiwanese professor of biology.

Ecklund and fellow Rice researchers Kirstin Matthews and Steven Lewis collected information from 9,422 respondents in eight regions around the world: France, Hong Kong, India, Italy, Taiwan, Turkey, the U.K. and the U.S. They also traveled to these regions to conduct in-depth interviews with 609 scientists, the largest worldwide survey and interview study ever conducted of the intersection between faith and science.

By surveying and interviewing scientists at various career stages, in elite and nonelite institutions and in biology and physics, the researchers hoped to gain a representative look at scientists’ views on religion, ethics and how both intersect with their scientific work.

Ecklund said that the study has many important implications that can be applied to university hiring processes, how classrooms and labs are structured and general public policy.

“Science is a global endeavor,” Ecklund said. “And as long as science is global, then we need to recognize that the borders between science and religion are more permeable than most people think.”

The Templeton World Charity Foundation funded the study. The study also received support from Rice University and the Faraday Institute, housed at St. Edmund’s College, Cambridge.

A ‘New Deal’ of sorts for religion (The Daily Climate)

November 19, 2015

Science alone can’t force behavior change. Religion needs to step up.

By Douglas Fischer
The Daily Climate

RIETI, Italy – Religion needs a revolutionary shift, taking responsibility for our “common home” and rejecting fundamentalism, to point humanity to better, wiser solutions for problems like climate change.

Reason alone can’t handle the job.

The message came from a panel convened here in Italy, where the papal encyclical issued this summer and the Paris attacks over the weekend were both very much present.

“Any fundamentalism breaks our common home,” said Monsignor Vincenzo Paglia, president of the Pontifical Council of Family. “This is the most important message stemming from Pope Francis and his encyclical.”

Italy Panel

Paglia spoke via a translator at the 12th International Media Forum on the Protection of Nature, an annual gathering of scientists and journalists in Italy. Environmental Health Sciences, publisher of The Daily Climate and Environmental Health News, is being honored at the conference with the International Greenaccord Media Award.

At a discussion on religion and science, several theological experts called for more than a simple rethinking in the longstanding, antagonistic relationship between the two.

“What are our values that shape our individual behavior? From where do we receive our onus on responsibility?” asked former Italian Prime Minister Giuliano Amato, a member of the Constitutional Court, one of two supreme courts in Italy. “Religions are an irrenouncable moral guide for a free society.”

But for too long, Amato added via a translator, religion has stood as the antithesis to free society – a force that “darkens the mind,” the enemy of science.

What’s needed, said Paglia and others, is an ecological revolution “in the broadest possible sense.”

“We have to rethink our relationship with this common home,” Paglia said. “Humans are not the masters.”

That message was explicit in Pope Francis’ encyclical on the environment, the Laudato Si, issued earlier this year. Almost 200 pages long, the landmark document mapped a more holistic ecology—one wrapping environmentalism, economics, science and faith together in an integral effort.

It calls, said Giancarlo Bosetti, director of Reset Dialogues on Civilization, an Italian nonprofit focused on intercultural understanding, not simply for a shift in “tone or style,” but in “theological substance.”

“This is a post-secular philosophy, open to dialogue, that allows us to produce many syntheses between faith and reason.”-Giancarlo Bosetti, Reset Dialogues on Civilization

“It explicitly abandons dogmatic expression of faith,” Bosetti said. “This is a post-secular philosophy, open to dialogue, that allows us to produce many syntheses between faith and reason.”

And that pairing, Amato added, is crucial to breaking the “gigantic oxymoron” between unfettered economic growth and expression on one hand, and ecological preservation on the other.

“There is nothing more beautiful, more momentous, than the fact that we are able to choose, to design and build, our life project,” Amato said. “But we are so often focused on desires centered around ourselves…. We have endangered our relationship with our collective interest.”

Science has pointed out the folly of such choices. But it has little power to shift the underlying ethics and morals, panelists agreed.

“Science is telling us we are living as if we were ill,” Amato said. “And science is helpless … in telling us what we should do. “We need a form of ethics that can reset our relationship with ourselves and with our world.”

What if Dean Radin is right? (The Sceptic’s Dictionary)

by Robert Todd Carroll

Dean Radin, author of The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena (HarperSanFrancisco 1997), says that “psi researchers have resolved a century of skeptical doubts through thousands of replicated laboratory studies” (289) regarding the reality of psychic phenomena such as ESP(extrasensory perception) and PK (psychokinesis). Of course, Radin also considers meta-analysis as the most widely accepted method of measuring replication in science (51). Few scientists would agree with either of these claims. In any case, most American adults—about 75%, according to a 2005 Gallup poll—believe in at least one paranormal phenomenon. Forty-one percent believe in ESP. Fifty-five percent believe in the power of the mind to heal the body. One doesn’t need to be psychic to know that the majority of believers in psi have come to their beliefs through experience or anecdotes, rather than through studying the scientific evidence Radin puts forth in his book.

Radin doesn’t claim that the scientific evidence is going to make more believers. He realizes that the kind of evidence psi researchers have put forth hasn’t persuaded most scientists that there is anything of value in parapsychology. He thinks  there is “a general uneasiness about parapsychology” and that because of the “insular nature of scientific disciplines, the vast majority of psi experiments are unknown to most scientists.” He also dismisses critics as skeptics who’ve conducted “superficial reviews.” Anyone familiar with the entire body of research, he says, would recognize he is correct and would see that there are “fantastic theoretical implications” (129) to psi research. Nevertheless, in 2005 the Nobel Committee once again  passed over the psi scientists when handing out awards to those who have made significant contributions to our scientific knowledge.

The evidence Radin presents, however, is little more than a hodgepodge of occult statistics. Unable to find a single person who can correctly guess a three-letter word or move a pencil an inch without trickery, the psi researchers have resorted to doing complex statistical analyses of data. In well-designed studies they assume that whenever they have data that, by some statistical formula, is not likely due to chance, they attribute the outcome to psi. A well-designed study is one that carefully controls for such things as cheating, sensory leakage (unintentional transfer of information by non-psychic means), inadequate randomization, and other factors that might lead to an artifact (something that looks like it’s due to psi when it’s actually due to something else).

The result of this enormous data that Radin cites is that there is statistical evidence (for what it’s worth) that indicates (however tentatively) that some very weak psi effects are present (so weak that not a single individual who participates in a successful study has any inkling of possessing psychic power). Nevertheless, Radin thinks it is appropriate to speculate about the enormous implications of psi for biology, psychology, sociology, philosophy, religion, medicine, technology, warfare, police work, business, and politics. Never mind that nobody has any idea as to how psi might work. That is a minor detail to someone who can write with a straight face (apparently) that:

lots of independent, simple glimpses of the future may one day innocently crash the future. It’s not clear what it means to “crash the future,” but it doesn’t sound good. (297)

No, it certainly doesn’t sound good. But, as somebody once said, “the future will be better tomorrow.”

According to Radin, we may look forward to a future with “psychic garage-door openers” and the ability to “push atoms around” with our minds (292). Radin is not the least bit put off by the criticism that all the other sciences have led us away from superstition andmagical thinking, while parapsychology tries to lead us into those pre-scientific modes. Radin notes that “the concept that mind is primary over matter is deeply rooted in Eastern philosophy and ancient beliefs about magic.” However, instead of saying that it is now time to move forward, he rebuffs “Western science” for rejecting such beliefs as “mere superstition.” Magical thinking, he says, “lies close beneath the veneer of the sophisticated modern mind” (293). He even claims that “the fundamental issues [of consciousness] remain as mysterious today as they did five thousand years ago.” We may not have arrived at a final theory of the mind, but a lot of the mystery has evaporated with the progress made in the neurosciences over the past century. None of our advancing knowledge of the mind, however, has been due to contributions from parapsychologists. (Cf. Blackmore 2001).

Radin doesn’t grasp the fact that the concept of mind can be an illusion without being a “meaningless illusion” (294). He seems to have read David Chalmers, but I suggest he and his followers read Daniel Dennett. I’d begin with Sweet Dreams (2005)Consciousness is not “a complete mystery,” as Radin claims (294). The best that Radin can come up with as evidence that psi research has something to offer consciousness studies is the claim that “information can be obtained in ways that bypass the ordinary sensory system altogether” (295). Let’s ignore the fact that this claim begs the question. What neuroscience has uncovered is just how interesting and complex this “ordinary sensory system” turns out to be.

Radin would have us believe that magical thinking is essential to our psychological well being (293). If he’s right, we’ll one day be able to solve all social problems by “mass-mind healings.” And religious claims will get new meaning as people come to understand the psychic forces behind miracles and talking to the dead. According to Radin, when a medium today talks to a spirit “perhaps he is in contact with someone who is alive in the past.From the ‘departed’ person’s perspective, she may find herself communicating with someone from the future, although it is not clear that she would know that” (295). Yes, I don’t think that would be clear, either.

In medicine, Radin expects distant mental healing (which he argues has been scientifically established) to expand to something that “might be called techno-shamanism” (296). He describes this new development as “an exotic, yet rigorously schooled combination of ancient magical principles and future technologies” (296). He expects psi to join magnetic resonance imaging and blood tests as common stock in the world of medicine. “This would translate into huge savings and improved quality of life for millions of people” (192) as “untold billions of dollars in medical costs could be saved” (193). 

Then, of course, there will be the very useful developments that include the ability to telepathically “call a friend in a distant spacecraft, or someone in a deeply submerged submarine” (296). On the other hand, the use of psychic power by the military and by police investigators will depend, Radin says, on “the mood of the times.” If what is popular on television is an indicator of the mood of the times, I predict that there will be full employment for psychic detectives and remote viewers in the future.

Radin looks forward to the day when psi technology “might allow thought control of prosthetics for paraplegics” and “mind-melding techniques to provide people with vast, computer-enhanced memories, lightning-fast mathematical capabilities, and supersensitive perceptions” (197). He even suggests we employ remote viewer Joe McMoneagle  to reveal future technological devices he “has sensed in his remote-viewing sessions” (100).

Radin considers a few other benefits that will come from our increased ability to use psi powers: “to guide archeological digs and treasure-hunting expeditions, enhance gambling profits, and provide insight into historical events” (202). However, he does not consider some of the obvious problems and benefits that would occur should psychic ability become common. Imagine the difficulties for the junior high teacher in a room full of adolescents trained in PK. Teachers and parents would be spending most of their psychic energy controlling the hormones of their charges. The female garment and beauty industries would be destroyed as many attractive females would be driven to try to make themselves look ugly to avoid having their clothes being constantly removed by psychic perverts and pranksters. 

Ben Radford has noted the potential for “gross and unethical violations of privacy,” as people would be peeping into each other’s minds. On the other hand, infidelity and all forms of deception might die out, since nobody could deceive anyone about anything if we were all psychic. Magic would become pointless and “professions that involve deception would be worthless” (Radford 2000). There wouldn’t be any need for undercover work or spies. Every child molester would be identified immediately. No double agent could ever get away with it. There wouldn’t be any more lotteries, since everybody could predict the winning numbers. We wouldn’t need trials of accused persons and the polygraph would be a thing of the past.

Hurricanes, tsunamis, earthquakes, floods, and other signs of intelligent design will become things of the past as billions of humans unite to focus their thoughts on predicting and controlling the forces of nature. We won’t need to build elaborate systems to turn away errant asteroids or comets heading for our planet: billons of us will unite to will the objects on their merry way toward some other oblivion. It is unlikely that human nature will change as we become more psychically able, so warfare will continue but will be significantly changed. Weapons won’t be needed because we’ll be able to rearrange our enemies’ atoms and turn them into mush from the comfort of our living rooms. (Who knows? It might only take a few folks with super psi powers to find Osama bin Laden and turn him into a puddle of irradiated meat.) Disease and old age will become things of the past as we learn to use our thoughts to kill cancer cells and control our DNA.

Space travel will become trivial and heavy lifting will be eliminated as we will be able to teleport anything to anywhere at anytime through global consciousness. We’ll be able to transport all the benefits of earthly consciousness to every planet in the universe. There are many other likely effects of global psychic ability that Radin has overlooked but this is understandable given his heavy workload as Senior Scientist at IONS (The Institute of Noetic Sciences) and as a blogger.

Radin notes only one problem should psi ability become common: we’ll all be dipping into the future and we might “crash the future,” whatever that means. The bright side of crashing the future will be the realization of “true freedom” as we will no longer be doomed to our predestined fate. We will all have the power “to create the future as we wish, rather than blindly follow a predetermined course through our ignorance” (297). That should make even the most cynical Islamic fundamentalist or doomsday Christian take heed. This psi stuff could be dangerous to one’s delusions even as it tickles one’s funny bone and stimulates one’s imagination to aspire to the power of gods and demons.

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update: Radin has a follow-up book out called Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Like The Conscious Universe, this one lays out the scientific evidence for psi as seen from the eyes of a true believer. As noted above, in The Conscious Universe, Radin uses statistics and meta-analysisto prove that psychic phenomena really do exist even if those who have the experiences in the labs are unaware of them. Statistical data show that the world has gone psychic, according to the latest generation of parapsychologists. You may be unconscious of it, but your mind is affecting random number generators all over the world as you read this. The old psychic stuff—thinking about aunt Hildie moments before she calls to tell you to bugger off—is now demonstrated to be true by statistical methods that were validated in 1937 by Burton Camp and meta-validated by Radin 60 years later when he asserted that meta-analysis was the replication parapsychologists had been looking for. The only difference is that now when you think of aunt Hildie it might be moments before she calls her car mechanic and that, too, may be linked to activity in your mind that you are unaware of.

Radin’s second book sees entanglement as a key to understanding extrasensory phenomena. Entanglement is a concept from quantum physics that refers to connections between subatomic particles that persist regardless of being separated by various distances. He notes that some physicists have speculated that the entire universe might be entangled and that the Eastern mystics of old might have been on to something cosmic. His speculations are rather wild but his assertions are rather modest. For example: “I believe that entanglement suggests a scenario that may ultimately lead to a vastly improved understanding of psi” (p. 14) and “I propose that the fabric of reality is comprised [sic] of ‘entangled threads’ that are consistent with the core of psi experience” (p. 19). Skeptics might suggest that studying self-deception and wishful thinking would lead to a vastly improved understanding of psi research and that being consistent with a model is a minimal, necessary condition for taking any model seriously, but hardly sufficient to warrant much faith.

Readers of The Conscious Universe will be pleased to know that Radin has outdone himself on the meta-analysis front. In his second book, he provides a meta-meta-analysis of over 1,000 studies on dream psi, ganzfeld psi, staring, distant intention, dice PK, and RNG PK. He concludes that the odds against chance of getting these results are 10104 against 1 (p. 276). As Radin says, “there can be little doubt that something interesting is going on” (p. 275). Yes, but I’m afraid it may be going on only in some entangled minds.

On the bright side, Radin continues to ignore Gary Schwartz and self-proclaimed psychics like Jon Edward, Sylvia BrowneUri Geller, and Ted Owens. He still has a fondness for remote viewers like Joe McMoneagle, however, who seems impressive if you don’t understand subjective validation, are willing to ignore the vast majority of his visions, and aren’t bothered by vagueness in the criteria as to what counts as a “hit” in remote viewing. Even a broken clock is right twice a day.

Radin predicts that some day “psi research will be taught in universities with the same aplomb as today’s elementary economics and biology” (p. 295). Perhaps psi research will be taught in the same classroom as intelligent design, though this seems unlikely as parapsychology attempts to reduce all supernatural and paranormal phenomena to physics. Maybe they could both be taught in the same curriculum: things that explain everything but illuminate nothing.

note: If the reader wants to see a more complete review of Radin’s work, please read my reviews of his books. Links are given below.

further reading

book reviews by Robert T. Carroll

The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena
by Dean Radin (HarperOne 1997)

Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality
by Dean Radin (Paraview Pocket Books 2006)

The End of Materialism: How Evidence of the Paranormal is Bringing Science and Spirit Together by Charles T. Tart, Ph.D. (New Harbinger 2009)

Spook: Science Tackles the Afterlife 
by Mary Roach (W. W. Norton 2005).

The Afterlife Experiments: Breakthrough Scientific Evidence of Life After Death
by Gary Schwartz (Atria 2003)

Ghost Hunters – William James and the Hunt for Scientific Proof of Life After Death
by Deborah Blum (Penguin Press 2006).

books and articles

Blackmore, Susan. (2001) “What Can the Paranormal Teach Us About Consciousness?” Skeptical Inquirer, March/April.

Blackmore, Susan (2003). Consciousness: An Introduction. Oxford University Press.

Good, I. J. (1997). Review of The Conscious UniverseNatureOctober 23, with links to responses by Radin, Brian Josephson, and Nick Herbert.

Larsen, Claus. (2002). An evening with Dean Radin.

Pedersen, Morten Monrad. (2003). Book Review of Dean Radin’s The Conscious Universe

Radin, Dean. (1997). The Conscious Universe – The Scientific Truth of Psychic Phenomena. HarperCollins.

Radin, Dean. (2006). Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Paraview Pocket Books.

Radford, Benjamin. (2000). “Worlds in Collision – Applying Reality to the Paranormal,” Skeptical Inquirer, November/December.

Last updated 01-Aug-2015

Climate Debate Needs More Social Science, New Book Argues (Inside Science)

Image credit: Matt Jiggins via Flickr | http://bit.ly/1M6iSlZ

Physical scientists aren’t trained for all the political and moral issues.
Oct 2 2015 – 10:00am

By: Joel N. Shurkin, Contributor

(Inside Science) — The notion that Earth’s climate is changing—and that the threat to the world is serious—goes back to the 1980s, when a consensus began to form among climate scientists as temperatures began to rise noticeably. Thirty years later, that consensus is solid, yet climate change and the disruption it may cause remain divisive political issues, and millions of people remain unconvinced.

A new book argues that social scientists should play a greater role in helping natural scientists convince people of the reality of climate change and drive policy.

Climate Change and Society consists of 13 essays on why the debate needs the voices of social scientists, including political scientists, psychologists, anthropologists, and sociologists. It is edited by Riley E. Dunlap, professor of sociology at Oklahoma State University in Stillwater, and Robert J. Brulle, of Drexel University, professor of sociology and environmental science in Philadelphia.

Brulle said the physical scientists tend to frame climate change “as a technocratic and managerial problem.”

“Contrast that to the Pope,” he said.

Pope Francis sees it as a “political, moral issue that won’t be settled by a group of experts sitting in a room,” said Brulle, who emphasized that it will be settled by political process. Sociologists agree.

Sheila Jasanoff also agrees. She is the Pforzheimer professor of science and technology studies at the Harvard Kennedy School in Cambridge, Massachusetts, and did not participate in the book.

She said that understanding how people behave differently depending on their belief system is important.

“Denial is a somewhat mystical thing in people’s heads,” Jasanoff said. “One can bring tools of sociology of knowledge and belief—or social studies—to understand how commitments to particular statements of nature are linked with understanding how you would feel compelled to behave if nature were that way.”

Parts of the world where climate change is considered a result of the colonial past may resist taking drastic action at the behest of the former colonial rulers. Jasanoff said that governments will have to convince these groups that climate change is a present danger and attention must be paid.

Some who agree there is a threat are reluctant to advocate for drastic economic changes because they believe the world will be rescued by innovation and technology, Jasanoff said. Even among industrialized countries, views about the potential of technology differ.

Understanding these attitudes is what social scientists do, the book’s authors maintain.

“One of the most pressing contributions our field can make is to legitimate big questions, especially the ability of the current global economic system to take the steps needed to avoid catastrophic climate change,” editors of the book wrote.

The issue also is deeply embedded in the social science of economics and in the problem of “have” and “have-not” societies in consumerism and the economy.

For example, Bangladesh sits at sea level, and if the seas rise enough, nearly the entire country could disappear in the waters. Hurricane Katrina brought hints of the consequences of that reality to New Orleans, a city that now sits below sea level. The heaviest burden of the storm’s effects fell on the poor neighborhoods, Brulle said.

“The people of Bangladesh will suffer more than the people on the Upper East Side of Manhattan,” Brulle said. He said they have to be treated differently, which is not something many physical scientists studying the processes behind sea level rise have to factor into their research.

“Those of us engaged in the climate fight need valuable insight from political scientists and sociologists and psychologists and economists just as surely as from physicists,” agreed Bill McKibben, an environmentalist and author who is a scholar in residence at Middlebury College in Vermont. “It’s very clear carbon is warming the planet; it’s very unclear what mix of prods and preferences might nudge us to use much less.”


Joel Shurkin is a freelance writer in Baltimore. He was former science writer at the Philadelphia Inquirer and was part of the team that won a Pulitzer Prize for covering Three Mile Island. He has nine published books and is working on a tenth. He has taught journalism at Stanford University, the University of California at Santa Cruz and the University of Alaska Fairbanks. He tweets at @shurkin.

Fundação Cacique Cobra Coral culpa motorista por chuva no Rock in Rio (Extra) + artigos relacionados

28/09/15 16:48 Atualizado em 28/09/15 18:13

Chuva caiu durante último dia do Rock in Rio 27/09/2015

Chuva caiu durante último dia do Rock in Rio 27/09/2015 Foto: Rafael Moraes / Extra

Igor Ricardo

Contratada pela organização do Rock in Rio para evitar chuvas durante o festival, a Fundação Cacique Cobra Coral falhou e emitiu um comunicado eximindo-se de culpa pelo temporal que caiu neste domingo, último dia do evento. Segundo a nota, o responsável foi o motorista encarregado de levar a médium Adelaide Scritori e sua equipe para a Cidade do Rock, na Zona Oeste do Rio, já que o profissional teria esquecido o adesivo de passe livre do carro.

“Quando já estávamos próximos da City do Rock (Cidade do Rock) o chofer (motorista) percebeu que havia esquecido de adesivar o auto (veículo), que com as barreiras não iria conseguir entrar e voltou para buscar o adesivo, atrasando nossa ida. Quando lá chegamos, a chuva já havia entrado”, afirmava o comunicado.

Durante o show do A-ha, chuva castigou público do festival 27/09/2015

Durante o show do A-ha, chuva castigou público do festival 27/09/2015 Foto: Marcelo Theobald / Extra

De acordo com Osmar Santos, porta-voz oficial da entidade, o atraso foi de cerca de 30 minutos, prejudicando a ação da fundação, conforme conversou com o EXTRA.

– Um atraso de 30 minutos, tempo que levou para voltarmos para pegar o adesivo do carro (no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca), antecipou em quatro horas o que já estávamos prevendo. A chuva só iria cair por volta das 2h, ou seja, depois dos shows – explicou Osmar.

Entretanto, não é a primeira vez que a “burocracia terrena” atrapalha os alegados dons sobrenaturais da Fundação Cobra Coral. Em 2011, quando também foi contratada pelo Rock in Rio e choveu no segundo dia do evento, a desculpa foi exatamente a mesma: a falta do adesivo de livre acesso.

“Desde os boletins do dia 14 (setembro de 2011), já sabíamos que a previsão era de chuva para esses dias de shows. Mas, se conseguíssemos entrar (na Cidade do Rock), faríamos o isolamento do local e poderia ser fácil canalizar essa chuva para Minas, por exemplo, que está seco. Mas, infelizmente, não tínhamos o adesivo”, disse Osmar, em entrevista na época.

Poça d’água gigante se formou após chuva na Cidade do Rock 27/09/2015

Poça d’água gigante se formou após chuva na Cidade do Rock 27/09/2015 Foto: Marcelo Theobald / Extra

Área de instabilidade

Além do adesivo, o porta-voz da entidade justificou que a chuva deste domingo foi ocasionada por uma área de instabilidade que estava sobre a cidade, e não por uma frente fria. Osmar contou que a fundação impediu a ação dessa frente fria no Rio após uma viagem que fez para São Paulo e Minas Gerais na última sexta-feira. Segundo ele, a ação meteorológica foi minimizada.

– A frente fria não veio. O que causou a chuva durante o festival foi a combinação do calor com a umidade, provocando essa área de instabilidade. Considero que nosso trabalho foi 100%, mas, pela opinião pública, nós só seremos julgados pelas três horas de ontem (domingo) – disse.

Para a meteorologista do Climatempo Bianca Lobo, a chuva que caiu sobre todo o Rio de Janeiro no domingo foi reflexo da passagem de uma frente que veio de São Paulo na sexta-feira. O fenômeno meteorológico passou rapidamente pela cidade no sábado, mas deixou diversas áreas de instabilidade. O calor e a umidade também ajudam a explicar a precipitação do domingo, afirmou a especialista.

– Essa frente fria passou e deixou áreas de instabilidade pela cidade. O calor e a umidade, claro, que ajudaram também para as fortes pancadas – contou Bianca.

Até quarta-feira, a previsão continua sendo de chuva para o Rio de Janeiro, com temperaturas chegando aos 30 graus, segundo o Climatempo.

A assessoria de imprensa do Rock in Rio foi procurada para falar sobre a explicação dada pela Fundação Cobra Coral, mas, até o momento, não se pronunciou oficialmente. A ONG presta serviços para o festival desde o evento de 2001. Além das apresentações no Rio, a entidade colabora para evitar maiores incidentes naturais no festival que é realizado fora do Brasil, como Estados Unidos e Portugal.

Leia na íntegra o comunicado da Fundação Cobra Coral:

“Caros, boa noite. Devido alerta que recebemos da formação de áreas de instabilidade devido o calor, já que a frente já havia sido barrada sexta em SP, pedimos às 18h30 a logística que antecipassem nossa ida até a City do Rock, como temos feito todos esses dias, para isolar a área da City. O auto chegou para nos buscar pontualmente. Só que quando já estávamos próximos da City do Rock o chofer percebeu que havia esquecido de adesivar o auto (pois estava usando o auto com outros adesivos) que, com as barreiras, não iria conseguir entrar e voltou para buscar o adesivo, atrasando nossa ida. Quando lá chegamos, a chuva já havia entrado sem adesivo e o bloqueio foi rompido. Tudo isso atrasou nossa chegada em 30 minutos, mas o suficiente para o ocorrido. Quando só era para ocorrer a partir das 03h00 da manhã do dia 28 para a antecipação do período chuvoso na Primavera, que estamos atuando para o estado do RJ. Mesmo assim, ficamos por lá para ir reduzindo lentamente à intempérie. Lamentável que se repita tal situação. Mas não foi culpa da org (organização) que sempre foi impecável. Falhas humanas ocorrem”.


Carro sem adesivo explica chuva no Rock in Rio, segundo Cobra Coral (Época)

Porta-voz da fundação esotérica contratada para desviar chuva afirma que o “erro foi humano”

NONATO VIEGAS

28/09/2015 – 20h18 – Atualizado 28/09/2015 20h18

Ainda na tarde de domingo, uma mensagem do Alerta Rio, sistema de monitoramento da prefeitura que atua em parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral, avisava: “Mudança para estágio de atenção em todo o município às 20h33 do dia 27/9/2015.” Precavido, Osmar Santos, do Cacique Cobra Coral, ligou para a organização do evento, pedindo-lhes que enviasse um carro para buscá-lo imediatamente. Ele faria uma “operação de isolamento” da Cidade do Rock. A entidade esotérica fora contratada pela organização do evento para desviar chuvas da região.

Eram 18 horas. Ato contínuo a organização enviou carro e motorista. No caminho de volta, quase chegando, o funcionário, contratado pelo Rock in Rio, lembrou que esquecera do adesivo de livre acesso do evento para o carro. “Não deu tempo. A chuva não precisa de adesivo para chegar”, explicou Osmar. “Quando voltamos, era tarde demais. Ocorreu um erro humano.”

A operação de isolamento consiste na ida do próprio Osmar Santos até o local – com ou sem a médium Adelaide Scritori – para colher informações de pressão e umidade. Tudo é repassado para a médium, que, segundo Osmar, se comunica com o espírito de Cacique Cobra Coral, alterando as mudanças necessárias no tempo. Pode-se enviar a precipitação para outra região ou apenas “isolar” uma determinada área. Deu certo até sábado. Até helicóptero a organização do evento disponibilizou.

A fundação Cobra Coral existe há 17 anos, para, segundo afirma Osmar Santos, ajudar a equilibrar a natureza da interferência humana na natureza. A entidade Cobra Coral, segundo seus seguidores, teria sido noutras vidas o cientista Galileu Galilei e o ex-presidente americano Abraham Lincoln.

Água nos reservatórios

A pedido do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o Cacique Cobra Coral volta a se dedicar, agora, à “operação” para que não falte água no estado. Sua médium, Scritori, tem trabalhado no Paraíba do Sul, desde São Paulo, para que chova nos reservatórios. E afirma ter tido sucesso: “Na primeira quinzena de setembro, choveu nos reservatórios o dobro da média do mês”, garante Santos.


Chove forte na última noite de Rock in Rio e tirolesa para de funcionar (Veja Rio)

Organização do festival tem acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade conhecida por evitar fenômenos do tipo

Por: Saulo Guimarães

27/09/2015 às 20:56

capa de chuva rock in rio

Capas de chuva em ação: chuva com trovoada cai no último dia de Rock in Rio, domingo (27) (Foto: Saulo Guimarães)

O que todos temiam aconteceu. Na última noite de Rock in Rio, domingo (27), por volta de 20h20, relâmpagos e gotas de chuva começaram a cair na Cidade do Rock. A chuva persistente forçou o público a abrir a sombrinha, vestir a capa e se abrigar como pode. É bom lembrar que a organização do festival firmou um acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade espírito-meteorológica conhecida por (prometer) deter fenômenos do tipo. Mas, pelo visto, o trato não deu certo. Procurada, a organização optou por não divulgar os valores envolvidos na transação.

O município do Rio entrou em estágio de atenção às 20h33. Há previsão de pancadas de chuva com rajadas de vento e raios, segundo o Centro de Operações da Prefeitura.

Tirolesa fechada por tempo indeterminado

tirolesa fechada

(Foto: Saulo Guimarães)

O vento forte na Cidade do Rock levou à interrupção do funcionamento da tirolesa, um dos principais brinquedos do evento. De acordo com organizadores, ela só será reaberta se o tempo melhorar.


Temporal que caiu no Rock in Rio trouxe lembranças de 1985 (O Globo)

De dia, fãs de A-ha e Katy Perry curtiram o sol; chuva expulsou parte do público depois

POR BERNARDO ARAUJO

Público assiste ao show de Aluna George embaixo de muita chuva – Guito Moreto / Agência O Globo

RIO – “Que tarde linda!”, exclamou o sempre animado Rodrigo Suricato ao abrir ontem o Palco Sunset, junto à banda que carrega no nome. Com ou sem a ajuda da entidade Cacique Cobra Coral, o domingo foi de sol para as famílias que, em muitos casos, misturavam fãs dos veteranos A-ha e Al Jarreau a jovens admiradores de Katy Perry, a atração de encerramento da festa, já na madrugada de hoje. Um dia colorido, sem o conteúdo picante da noite de sábado, quando imperou o clima de amor livre, inspirado pela libertária Rihanna. À noite, porém, tudo mudou, e o contrato da entidade que promete agir sobre o tempo pareceu ter vencido: uma forte chuva desabou sobre a Cidade do Rock, fazendo um considerável número de pessoas ir embora mais cedo. Na Rock Street, grandes poças d’água se formavam. E, sem poder levar guarda-chuvas, parte do público tentava conseguir sacos de lixo com funcionários da limpeza para improvisar capas. Até o chafariz foi desligado. Mas muita gente não se importou e seguiu dançando na chuva até tarde.

O domingão não prometia uma montanha-russa de emoções, mas o começo da jornada na Cidade do Rock foi agitado: animado, o povo chegou cedo e correu para agendar as visitas aos brinquedos, mas a montanha-russa, logo ela, teve um “problema de lubrificação”, como depois explicou a assessoria de imprensa do festival, e precisou ser parada por aproximadamente meia hora. Foi o suficiente para se formar uma fila gigantesca, com princípios de confusão e funcionários despreparados para conter a massa sob o calor. Sorte que o problema foi resolvido com razoável presteza pelos técnicos.

Em meio às famílias, chamavam a atenção fãs e clones da colorida Katy. Não eram raras as meninas com perucas azuis, parte tradicional do visual da cantora. A professora pernambucana Viviane Silva, de 23 anos, chegou à Cidade do Rock com um dos figurinos usados pela cantora na atual turnê, “The prismatic”. Sua mãe levou um dia inteiro para costurar o tecido metalizado de capa de sofá, e o namorado, o mesmo tempo para instalar luzes de LED no conjunto de top e saia.

— A Katy costuma convocar pessoas com roupas chamativas para o palco. Eu quero abraçá-la e tirar foto. Gosto muito da música dela, como os hits “Teenage dream” e “Roar” — disse a recifense.

Enquanto as Katies desfilavam pela Cidade do Rock, que parecia menos cheia do que na tarde-noite de sábado, e definitivamente recebia um público mais tranquilo, o fã-clube do A-ha, sempre numeroso e proativo no Brasil, também deixava sua marca. Apesar dos seis shows do trio norueguês agendados para diferentes cidades brasileiras, os fãs de todo país fizeram questão de ir ao festival e brigar pelo lugar de protagonistas, assumindo uma rivalidade com o papel de headliner de Katy Perry. Eles gravaram inclusive um tributo à banda com vozes captadas pelo aplicativo WhatsApp.

— Quando o A-ha anunciou o retorno para comemorar os 30 anos da banda no Rock in Rio, houve uma comoção. No WhatsApp, começou uma dinâmica de envios de trechos de canções, e com o passar do tempo veio a ideia de fazer um CD para entregar à banda — contou a fã Norma Meireles, de 45 anos, que saiu de João Pessoa, na Paraíba, para ver o grupo norueguês pela terceira vez.

Enquanto os fãs de A-ha e Katy promoviam uma espécie de Marlene x Emilinha pacífico, os portugueses Aurea e Boss AC mostravam o balanço lusitano no Palco Sunset, sempre com um público simpático, mas sem dar grande atenção ao que acontecia no palco. O veterano Al Jarreau, com seu show de piano-bar, conduzido por uma competente banda de free jazz, foi outro que atraiu alguns pais, mas pouquíssimos filhos, com canções como “Your song”, clássico de Elton John, e o convidado Marcos Valle, que cantou o obrigatório “Samba de verão” e “Os grilos”.

Às 19h, o trio de reggae Cidade Negra inaugurou o Palco Mundo, em sua primeira apresentação no espaço em quase 30 anos de banda. Com o galã Toni Garrido à frente, o Cidade enfileirou sucessos e obteve uma boa reação do público, com músicas como “A sombra da maldade”, “Aonde você mora?” e “Pensamento”.

Tudo parecia bem, o público aquecido, quando veio a chuva, atrapalhando o show em tributo aos 450 anos do Rio, com artistas como Alcione e Simoninha. Ao fim da noite, ninguém mais precisaria pagar por lama.


Rock in Rio: festival que vai (muito) além da música (Cult 22)

Chuva de fogos

Por Marcos Pinheiro
Fotos: Rock in Rio (oficial) e divulgação

29 de setembro de 2015

Roberta MedinaRock in Rio 2015 terminou com a garantia de mais duas edições no Brasil, em 2017 e 2019. Esse passaporte já estava “carimbado” antes mesmo de começar o festival por conta da renovação de contrato com a Prefeitura do Rio de Janeiro. No último dia do evento, domingo (27/9), a organização reforçou a informação ao anunciar que a próxima versão já conta com os patrocínios de empresas como Itaú, Ipiranga, Rede Globo e Multishow. Nenhuma atração, porém, foi confirmada. “Ao longo desses 30 anos de história, o Rock in Rio ganhou o mundo e conquistou as pessoas. Crescemos, nos internacionalizamos e somos reconhecidos como o maior evento de música e entretenimento do mundo. Nos consolidamos como um espaço de alegria e como uma mega plataforma de relacionamento com o consumidor gerando oportunidades de negócios e exposição de marcas. Os patrocinadores são essenciais para viabilizar o evento na qualidade de entrega de infraestrutura e de serviços, da grande variedade de atrações e do line up com tantas estrelas de peso nacional e internacional“, comemorou a empresária Roberto Medina (foto), vice-presidente do Rock in Rio, em entrevista coletiva à imprensa.

Palco Rock in RioNas 16 edições já realizadas – Rio de Janeiro (6), Lisboa (6), Madri (3) e Las Vegas (1) -, o festival contabiliza um público de mais de 8,2 milhões de pessoas – só nessa recente versão brasileira foram 595 mil durante os sete dias. Críticas (bastante válidas) a parte, os números realmente confirmam o quanto a marca Rock in Rio é superlativa e se consolidou como o maior evento musical do planeta. Muitas bandas internacionais – algumas tocando pela primeira vez no país – falaram, inclusive, da alegria em estar tocando e na importância do evento. Seria até motivo de orgulho se o povo brasileiro não tivesse tanto “complexo de vira-lata”. Sobre as escolhas das atrações – muitas vezes equivocadas, concordo – deixo para analisar depois.

MARKETING AGRESSIVO
A estratégia de marketing é um grande case para estudo. De cara, o Rock in Rio conta com total apoio da Prefeitura e também do Governo do Estado. Isso possibilita uma mobilização de todo o Rio de Janeiro em torno do evento em termos de logística, trânsito, divulgação oficial, etc. Basta pisar na cidade para “respirar” os ares do festival – isso desde meses antes. Em 2015, ainda teve o patrocínio privado de grandes empresas de vários segmentos – banco (Itaú), telefonia (Oi), operadora de TV (Sky), redes de lanchonete (Bob´s) e posto de gasolina (Ipiranga), montadora de automóveis (Volkswagen), fábricas de refrigerante (Pepsi), cerveja (Heineken), bebida (Bacardi) e preservativos (Olla) -, além da maior emissora de TV do país (Globo) e de um canal de entretenimento correlacionado (Multishow), entre outras parcerias.

Rock in Rio exposiçãoMais que o dinheiro garantido, o Rock in Rio capilariza sua divulgação pelas várias ações de marketing desenvolvidas pelas empresas, com anúncios próprios e uma infinidade de promoções, concursos, etc. Não a toa os ingressos para todos os sete dias se esgotaram em poucas horas, tanto na pré-venda – em novembro de 2014 – quanto na venda oficial, em abril passado. Uma última carga ainda foi disponibilizada em agosto e toda comercializada em menos de três dias. Para reforçar a divulgação pelo Brasil, o festival promoveu a Expo Rock in Rio 30 Anos (foto), mostra itinerante com fotos, vídeos e maquetes que passou por Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília (em julho, no Conjunto Nacional), Porto Alegre e São Paulo.

Angra no estúdio BacardiDentro da Cidade do Rock as diversas marcas fizeram de tudo para se expor. O Bob´s deteve a exclusividade na venda de hambúrgueres e espalhou quatro lanchonetes pela arena. A Volkswagen montou palco próprio para a apresentação de um pequeno musical – com 15 minutos de duração e quatro sessões diárias – contando a história do festival com 10 dançarinos e quatro atores encarnando nomes como Ney Matogrosso, Cazuza, Rita Lee, Cássia Eller, Queen, Iron Maiden e outros. A Pepsi, em seu stand, promoveu karaokê diário com banda de apoio tocando ao vivo enquanto os aspirantes escolhiam a música predileta para cantar. A Bacardi montou um estúdio profissional para que bandas (como o Angrafoto) e cantores pudessem gravar uma demo de verdade – e que contou com a participação de várias “celebridades”, incluindo atores, atrizes e modelos. As chamadas “presenças” também foram o ponto alto no espaço da Sky, que a cada dia trouxe de três a quatro atrações – incluindo a modelo inglesa Cara Delevingne (atriz de “Cidades de papel”). A Heineken promoveu enquete para que o público votasse nas músicas preferidas dos headliners de cada noite – e as três mais votadas eram expostas no telão rotativo de LED da gigantesca torre da tirolesa. O Itaú, com caixas eletrônicos instalados na arena, distribuiu pulseiras que piscam. Já a Oi criou cases luminosos de guitarra que serviam para recarregar celulares. E por aí vai…

Star WarsAlém das ações diárias, ocorreram algumas isoladas. Para promover Star Wars – O Despertar da Força, o sétimo da franquia – que estreia somente em 17 de dezembro -, a Lucas Film promoveu em 19 de setembro (“noite do Metallica”) uma invasão dos Stormtroopers, os guardas de armadura branca do Império. Os atores fantasiados formaram um batalhão no meio da arena, enquanto era exibido no telão do Palco Mundo um trailer do filme.

SHOPPING + PARQUE DE DIVERSÕES
Lama de 1985Somado aos espaços parceiros existia, claro, três lojas vendendo produtos oficiais do Rock in Rio a preços acima do mercado. Eram mais de 600 tipos de mercadorias, de acordo com os números divulgados. As famosas camisetas – com estampas diversas – foram comercializadas por R$ 80, no mínimo. Tinham também bonés, chaveiros, copos, CDs, DVDs, cadernos, agendas, fitas (ao estilo Senhor do Bonfim), bottons, colares, pingentes (e outras bijuterias), cangas e muito mais. O mais exótico de todos era a chamada “Lama de 1985″, azulejo de acrílico vendido a R$ 185 que contém um pedaço do terreno original da lendária (e chuvosa) primeira edição do festival – pelo menos é o que garante a organização. Outro item lançado durante o festival, o livro “Rock in Rio 30 Anos” (Editora 5W) conta a história do evento por meio de fotos, relatos de artistas brasileiros e estrangeiros e esboços de palcos em papel vegetal. A capa, sintomaticamente, mostra justamente a forte chuva e a lama… de 1985!

LockersCaros também eram os preços praticados nos bares, lanchonetes e por vendedores ambulantes: um copo de água 300ml estava a R$ 5refrigerante (garrafa 300ml) a R$ 6chope (500ml) a R$ 10; e sanduíches entre R$ 15 e 20. Outro serviço oferecido foi o de guarda-volumes: por R$ 55 (na hora) ou R$ 45 (antecipado) era possível alugar um armário (locker) para malas, documentos e equipamentos eletrônicos num posto monitorado com câmeras e que funcionou durante todo o evento.

Com tantas marcas expostas – segundo a organização, foram quase 300 empresas parceiras -, onde também se incluem lojas de departamentos e outras opções de fast food (pizzas, cachorro quente, comida japonesa), a arena com 150 mil metros quadrados se transformou num enorme shopping center ao ar livre. Dependendo do perfil das atrações do dia (e respectivo público), a música ficou mesmo em segundo plano. Isso explica muita coisa – e se tornou mais óbvio nos chamados “dias pop”, 26 e 27 de setembro.

TirolesaPara reforçar o lado entretenimento – e ampliar o conceito para “parque de diversões” -, a Cidade do Rock ofereceu, gratuitamente, quatro opções de brinquedos: Roda-Gigante, com capacidade para 140 pessoas por viagem (de 10 minutos cada), que recebeu média de 3,3 mil pessoas por dia; Tirolesa, com até três pessoas e percurso de 40 segundos de uma torre a outra descendo bem em frente ao Palco Mundo (705 por dia); Montanha-Russa, com 1´30″ de “aventura” e capacidade para 28 pessoas (6,2 mil por dia); e o XTreme, pêndulo que gira rapidamente em todas as direções, também com 1´30″ de duração, até 24 pessoas e 3,4 mil por dia. Quem quisesse se “arriscar” em qualquer um podia fazer agendamento prévio por meio de uma plataforma digital. A iniciativa parece ter sido bem-sucedida: no início da noite, por volta das 18h30, 19h, já não havia mais vagas para inscrições. Houve até casamentos dentro da arena em capela montada no espaço Rock Street num total de oito cerimônias, incluindo uma união homoafetiva. Os casais felizardos foram escolhidos por concurso na Internet.

APOIO ESPIRITUAL?
Rio 450Além dos fortes patrocínios público e privado, o Rock in Rio ainda tem uma parceria “espiritual” – pelo menos é o que reza a lenda. Trata-se da Fundação Cacique Cobra Coral, conhecida por conseguir intervir misticamente no tempo de forma a não atrapalhar a realização de eventos. Para se ter ideia, o organismo tem contrato com a Prefeitura do Rio! Nesse festival o “pacto” vinha funcionando bem – no máximo uma garoa fina em dois ou três momentos – até a última noite, quando choveu forte a partir das 20h30 – curiosamente durante o show, no Palco Sunset, que celebrou os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro (foto) e onde predominaram artistas da MPB e do samba. Depois foi diminuindo sensivelmente até passar com o A-HaTeria sido uma vingança dos “deuses do rock”?

Na questão ambiental, o festival também deu exemplo. Engajado na causa desde a edição de 2001, o Rock in Rio fechou parceria em 2015 com o Instituto E, voltado para o desenvolvimento sustentável. O objetivo (ambicioso) era reflorestar a Bacia do Rio Guandu, principal fonte de água da região metropolitana do Rio de Janeiro, com o replantio de milhões de árvores. Além de ações pontuais junto ao público presente, houve uma captação de recursos por meio de leilão de guitarras assinados por artistas como Queen, Metallica, Faith no More, A-Ha, System of a Down, Slipknot, Katy Perry, Lulu Santos e Lenine, entre outros. Até a noite de domingo (27) o número de replantio tinha chegado a quase 110 mil entre o público. Resta saber o que será conseguido com o leilão.

TRANSPORTE
BRTDiante de tantos números superlativos e mega ações de marketing, o Rock in Rio ainda tem um calo que aperta o calcanhar: o acesso do público. Nesta edição houve um esquema inédito de transportes com o uso do BRT, linha de ônibus rápida e com pista exclusiva. A intenção (louvável) foi eliminar o máximo possível de veículos ao redor da Cidade do Rock. Por R$ 6,80, o passageiro podia fazer a viagem ida e volta a partir do Terminal Alvorada, rodoviária localizada próxima à praia da Barra da Tijuca. O trajeto durava de 15 a 20 minutos. O problema era o caminho estação-arena-estação, distante quase 500 metros. Na ida, mesmo debaixo de sol, o povo ainda estava empolgado. Mas a volta parecia uma procissão de “walking deads”. Fora o fato de que era muita gente saindo junto e dificultando a locomoção. Outra opção, mais cara, eram os chamados ônibus “Primeira Classe”, linhas especiais que saíam de vários pontos da cidade direto para o festival, em horários previamente definidos, ao valor de R$ 70, ida e volta. De qualquer forma, a caminhada era inevitável e altamente desconfortável. Claro que na base do “jeitinho brasileiro” – ainda mais em se tratando da “livre iniciativa” carioca -, havia várias vans piratas fazendo o trajeto em preços “a combinar”. Os táxis chegavam a cobrar R$ 45 (por pessoa!) para trajetos curtos.

Como o entorno da Cidade do Rock está em obras por causa das Olimpíadas 2016, talvez para a próxima edição, o Rock in Rio possa ter condições de poupar os pés cansados da turma com uma estação mais próxima e que reduza bem a insalubre “peregrinação”. Fica a torcida. E estão lançadas as apostas para o line up de 2017!

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Seis perguntas para: Roberta Medina (IG/Lu Lacerda)

27/09/2015 – 12:00

roberta medina

Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, extraoficialmente chamada de “Prefeita da Cidade do Rock”, chega, neste domingo, a um final mais que bem-sucedido à frente do desafio de fazer uma edição especial de 30 anos do maior festival de música do país. Presidente da Dream Factory, ela repete, na família, a dobradinha que seu pai, Roberto Medina, tinha com o avô, Abraham Medina – ele criou, nos anos 50, o programa Noite de Gala, na TV Rio. Trazia artistas internacionais e ainda enfeitava o Rio para o Natal, tirando dinheiro do próprio bolso.
Seu pai sonha e Roberta executa, no melhor estilo pé-de-boi. Morando entre Rio e Lisboa, casada com o empresário Ricardo Acto, a executiva comanda 400 pessoas diretamente e ainda é a porta-voz do evento, que ela também ajudou a concretizar em Lisboa, Madri e Las Vegas. É uma empresária que consegue ser doce e dura ao mesmo tempo. Roberta que ver o RIR espalhado por outros lugares do mundo.

1. Seu avô, Abraham Medina, foi um empresário e produtor cultural excepcional – entre outras coisas, criou, na década de 50, o programa de TV Noite de Gala para estimular a compra de aparelhos de TV na sua rede de lojas, a Rei da Voz. Que lembranças você tem dele e que traços  acha que herdou?

“Ele emanava uma força, uma luz muito forte, de líder e visionário, mesmo quando já não estava no topo da sua carreira. Tenho pena de não ter vivido os tempos áureos para ver ao vivo as festas lindas que todos relatam que ele fazia na Cidade. Sempre que entrava num táxi e pedia que fosse para o prédio da Artplan, na Lagoa, os taxistas começavam a contar histórias do meu avô. Acho que o que vem passando no DNA da família é o empreendedorismo, a coragem de buscar o novo, a crença na mudança e uma eterna visão sonhadora de mundo.”

2. Você se envolve diretamente na negociação dos artistas que se apresentam no Rock in Rio? Já tentou contratar algum artista de quem é muito fã? Como foi? Qual artista você ainda gostaria de ver nos palcos do RIR?

“Quem gere toda a contratação artística com um supertime é o próprio Roberto. Eu gosto da execução, de tirar as ideias do papel. Por muito tempo, o artista que eu realmente fazia questão que um dia tocasse no Rock in Rio era o Robbie Williams, e aconteceu na última edição de Lisboa. Vontades renovadas e agora adoraria ver o Bruno Mars no Palco do Rock in Rio Brasil (ele esteve com a gente na edição do Rock in Rio USA este ano, em Las Vegas). Também sinto uma alegria imensa vendo as consagradas bandas brasileiras colocando a Cidade do Rock do Rio para cantar e pular da primeira música à última. Mas o meu grande desejo é ver o Sunset lançando cada vez mais encontros históricos da música para o mundo.”

3. Como é sua rotina nos dias do festival? Quais são os detalhes que você checa pessoalmente? Você é uma pessoa que tem facilidade de delegar funções?

“Aprendi a delegar desde o meu primeiro Rock in Rio. Não tinha conhecimento para querer nem poder concentrar nada em mim; aprendi cedo o valor da equipe e a confiar neles. Em dia de evento, se tudo estiver controlado, a equipe não precisa da nossa intervenção constante – ficamos disponíveis para apoiar e compartilhar tomadas de decisão. Andamos pelo recinto para ver como as coisas estão correndo e ver se é preciso algum ajuste. Além disso, e especificamente no meu caso, estou constantemente em contato com a assessoria para definição e aprovação de conteúdos a serem divulgados para a imprensa.”

4. Por que a escolha de Portugal para morar? Lá você é reconhecida nas ruas (Roberta fez parte do júri do programa Ídolos)?

“Na verdade, moro um ano de cada lado (Rio e Lisboa). No caso de Portugal, me identifiquei com o ritmo de Lisboa. Existe um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal na Europa em geral. Lisboa é uma cidade pequena que oferece tudo que uma cidade grande oferece, mas sem os desafios que o excesso de população traz para um centro urbano. Fiz grandes amigos por lá e casei com o Ricardo, português, o que fez a família crescer para aquele lado do oceano.”

5. O que acha que ainda falta para o Rock in Rio melhorar?

“O Rock in Rio já superou em muito todos os limites de qualidade de entrega, se visto como um festival. Mas como nossa aposta é cada vez maior no conceito de parque temático da música, ainda há muito espaço para criar novos conteúdos, musicais e outros, e também para evoluir enquanto espaço físico.”

6. Como é seu relacionamento atual com a Fundação Cacique Cobra Coral? Parece que vc não acredita muito em coisas do astral…

“Muito pelo contrário, o relacionamento é ótimo. Acredito acima de tudo em energia e numa energia maior. Sou simpatizante do Budismo, acredito no Espiritismo, cresci em contato com Siddha Yoga. Se não fosse acreditar no que não se vê, ficaria difícil lidar com o que vemos. Com o Rock in Rio, a Fundação nunca falhou – depositamos nossas energias na mesma direção.”

Enviado por: Lu Lacerda

Governo e eventos como RiR contratando uma fundação para “deter” chuvas no Rio de Janeiro. (reddit.com)

[–]protestorNatal, RN [score hidden] 15 hours ago

Foi contratada pelo RJ.. você diz pelo governo do estado, com dinheiro público?

[–]vintagedanRio de Janeiro, RJ [score hidden] 12 hours ago

Não lembro se é o estado ou a cidade, mas a resposta é sim. Revoltante de fato.

Diga-se de passagem, eles ganham esse dinheiro há muitos anos.

[–]ROLeite [score hidden] 11 hours ago

Pelo o que eu sei, eles não recebem dinheiro público. Eles fazem parcerias nas quais eles podem utilizar espaços públicos que não são utilizados pela prefeitura.

[–]vintagedanRio de Janeiro, RJ [score hidden] 8 hours ago

Honestamente não me lembro agora, pois fazia anos que não ouvia falar da FCCC. De qualquer forma, posso estar enganado mesmo, e, no caso, eles não recebem dinheiro diretamente. Ainda assim, qualquer vantagem ou benefício em troca desse serviço deles é uma abominação.

[–]kinabr91Rio de Janeiro, RJ [score hidden] 4 hours ago

Município.

[–]carcapau [score hidden] 12 hours ago

http://vejasp.abril.com.br/materia/medium-da-fundacao-cacique-cobra-coral-tem-convenio-com-prefeitura/

Não conseguia encontrar os valores passados pelos governos à eles (mesmo tendo varias citações em diários oficiais), até que encontrei essa matéria da Veja:

No início do ano, o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, revalidou a parceria. “O convênio é inodoro, incolor e sem valor financeiro, apenas continuou”, afirma Matarazzo. Adelaide diz que não cobra nada das cidades para desviar os temporais. Mas pede, em troca, algumas obras para evitar enchentes.

Na minha opinião eles devem oferecer os serviços de graça aos governos, em troca as parcerias são oficializadas em diários oficiais, e eles ganham prestigio e uma certa aura de autenticidade.

[–]SamucaDucaVitória Brasil, SP [score hidden] 10 hours ago

dar “prestígio” para uma fundação mediúnica? emprestar o selo do governo a um culto/seita/religião?

not sure if gusta.jpg

[–]drimpeAracaju, SE [score hidden] 9 hours ago*

Como se a prefeitura/estado do Rio não dessem apoio pra JMJ, como se um ex-prefeito carioca não tivesse CONSTRUÍDO UMA IGREJA CATÓLICA com dinheiro público, e como se inúmeras lideranças políticas (incluindo a presidente deste país) não se sentassem, apoiassem e agradassem de inúmeras maneiras (incluindo aqui isenção fiscal) inúmeros líderes religiosos. Não é só o que você considera “normal” que pode sentar na janela.

É uma cagada a prefeitura carioca ter um convênio ou seja lá o que for com essa coisa aí? Certamente é. Mas não é nada de novo se tratando do nosso país.

edit: em adendo, o mesmo prefeito que construiu uma igreja católica com dinheiro público (César Maia) foi o que deu início ao convênio com a FCCC, em 2001. Pelo menos com essa última eles não gastam nada.

[–]SamucaDucaVitória Brasil, SP [score hidden] 9 hours ago

não é nada de novo

não faz diferença se é novidade ou não, se já havia sido feito antes ou não. o que é errado é errado.

[–]protestorNatal, RN [score hidden] 8 hours ago

CONSTRUÍDO UMA IGREJA CATÓLICA

Isso é um escândalo de inconstitucional, que igreja foi essa?

[–]drimpeAracaju, SE [score hidden] 7 hours ago

Igreja de São Jorge em Santa Cruz.

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/06/06/cesar-maia-ex-prefeito-do-rio-tem-direitos-politicos-suspensos-por-cinco-anos.htm

Mesmo assim o STJ suspendeu a decisão e o Cesar Maia se candidatou tranquilamente ao senado no ano passado. E recebeu 1,5 milhão de votos.

[–]aookami [score hidden] 6 hours ago

Esse tipo de controle sobre a chuva existe e faz tempo já. Usaram na abertura das olimpiadas de Pequim também.

Fundação esotérica promete desviar chuva do Rock in Rio para o Espírito Santo (Gazeta – ES)

16/09/2015 – 11h35 – Atualizado em 16/09/2015 – 12h07
Autor: Wing Costa | wbertulani@redegazeta.com.br

O espírito do Cacique Cobra Coral desviaria as chuvas que poderiam afetar o evento para minorar os efeitos da seca no Rio Doce

Fundação Cacique Cobra Coral afirma que pode controlar fenômenos naturais. Foto: Reprodução

Qual a ligação entre o Rio Doce, que corta o Espírito Santo, o Rio Paraíba do Sul e o evento de música Rock in Rio 2015? Além da óbvia presença da palavra “rio” no nome, todos eles sofrem influência de um espírito – incorporado pela médium Adelaide Scritori – que teria o poder de alterar fenômenos naturais.

A Fundação Cacique Cobra Coral, operada por Adelaide, é contratada pelos organizadores do Rock in Rio desde o segundo festival (após lamaçal histórico na edição de 1985) para desviar as chuvas do local do evento.

Como a fundação trabalha somente para um bem comum, como explica o porta-voz da entidade esotérica, Osmar Santos, desta vez as chuvas serão deslocadas para o Espírito Santo, para “minorar os efeitos da seca no Rio Doce”.

“Estamos fazendo um trabalho também para o Governo do Rio de Janeiro, para elevar o nível do Rio Paraíba do Sul. Como tudo é um ciclo, desabar água sobre o Estado não seria uma solução, então tem que chover em São Paulo, por exemplo. Isso afeta diretamente o Espírito Santo, que passa por um período seco”, explica o representante da entidade.

“Aí choveu essa semana, não foi?”, perguntou para a reportagem. Estamos trabalhando para fazer desse inverno um inverno úmido. Conhecemos a situação do Espírito Santo porque já fizemos muitos trabalhos aí a pedido do senador Gerson Camata”, conta.

O Cacique Cobra Coral, por meio da médium, também teria evitado chuvas em Olimpíadas e outros eventos por todo o globo. “As nuvens estavam feias em Londres e a previsão dizia que choveria às 20h. Nesse horário seria a abertura das Olimpíadas. A médium estava em Dublin – de onde vinham as nuvens – e conseguiu remanejar”, disse o representante.

Mas nada disso teria acontecido para um bem particular, como ele explica, já que, na época, estariam acontecendo muitas queimadas em Portugal e Espanha, e a força do espírito indígena teria feito com que as chuvas, além de não atrapalharem o evento esportivo, também apagassem os incêndios na Europa.

O espírito no Espírito Santo

Foto: Vitor Jubini – GZ. Gerson Camata atestou os poderes do Cacique Cobra Coral

A entidade atuou no Espírito Santo a pedido do ex-senador Gerson Camata, que lembra com bom humor a passagem. Ao ser perguntado, soltou um “ah, o cacique”, acompanhado de risadas. Aconteceu nos idos de 87 ou 88, se a memória do senador permite a margem de erro.

Como você chegou até o cacique?

Isso foi numa época de seca muito forte no Norte do Estado. Um senador colega me indicou e eu liguei.

O contato foi fácil?

Sim, é uma mulher que faz essas operações.

A fundação pediu algo para atuar no Estado?

Não, eles não me cobraram nada. Só me mandaram um mapa meteorológico e perguntaram: “Onde você quer que chova?”, logo apontei Marilândia e eles prometeram que antes da meia-noite a água passaria por cima da ponte.

E choveu?

Olha, conversei com o prefeito da época. Ele me ligou no dia da promessa, às 22h, e disse que o céu começara a nublar. Quando deu 1h da manhã ele me ligou pedindo para fazer o povo parar se não morreriam todos afogados, tanta água que era.

Então você atesta o poder do Cacique?

Poder eu não sei, mas que choveu, choveu.

Fonte: Gazeta Online

Rock in Rio recorre a cacique cobra coral para evitar chuva (O Globo)

Publicado em 15/09/2015, às 12h01 | Atualizado em 15/09/2015, às 12h03

Da Agência O Globo

A unidade exotérica foi contratada pela organização do festival / Foto: Alexandre Macieira / RioTur

A unidade exotérica foi contratada pela organização do festivalFoto: Alexandre Macieira / RioTur

A previsão é de tempo aberto para os primeiros dias do Rock in Rio, mas mesmo assim a organização do festival resolveu recorrer à Fundação Cacique Cobra Coral. A entidade exotérica que controlaria chuvas por meio de uma médium foi contratada a partir desta terça-feira. A fundação já foi parceira da prefeitura no sistema de alerta e prevenção a enchentes, mas em 2013 rompeu o convênio.O motivo é que a prefeitura deixou de entregar, nos prazos previstos, relatórios com um balanço dos investimentos em prevenção realizados ano passado na cidade. A ONG é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma ter o poder de controlar o tempo. Desde a administração do ex-prefeito Cesar Maia, Adelaide esteve à disposição para prestar assistência espiritual a fim de tentar reduzir os estragos causados por temporais. Em janeiro de 2009, a prefeitura chegou a anunciar o fim da parceria, mas voltou atrás após uma forte chuva.

Para o Rock in Rio, a previsão é de tempo aberto e muito calor. Segundo o meteorologista Luiz Felipe Gozzo, uma massa de ar seco ganha força a partir desta quarta-feira. No final de semana, haverá o predomínio de sol e temperaturas altas, de aproximadamente 33 graus.

No ano passado, em plena crise hídrica em São Paulo, a Fundação Cobra Coral disse que alertou, em agosto, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Fernando Haddad e a presidente Dilma sobre a crise da falta d’água. Segundo Osmar Santos, a fundação comandada pela médium Adelaide Scritori, que diz incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, eles propuseram obra para interligar os reservatórios de água de São Paulo, mas receberam resposta negativa.

The Widening World of Hand-Picked Truths (New York Times)

Nearly half a century ago, in what passed as outrage in pre-Internet times, people across the country became incensed by the latest edition of Time magazine. In place of the familiar portrait of a world leader — Indira Gandhi, Lyndon B. Johnson, Ho Chi Minh — the cover of the April 8, 1966, issue was emblazoned with three red words against a stark black background: “Is God Dead?”

Thousands of people sent letters of protest to Time and to their local newspapers. Ministers denounced the magazine in their sermons.

The subject of the fury — a sprawling, 6,000-word essay of the kind Time was known for — was not, as many assumed, a denunciation of religion. Drawing on a panoply of philosophers and theologians, Time’s religion editor calmly considered how society was adapting to the diminishing role of religion in an age of secularization, urbanism and, especially, stunning advances in science.

With astronauts walking in space, and polio and other infectious diseasesseemingly on the way to oblivion, it was natural to assume that people would increasingly stop believing things just because they had always believed them. Faith would steadily give way to the scientific method as humanity converged on an ever better understanding of what was real.

Almost 50 years later, that dream seems to be coming apart. Some of the opposition is on familiar grounds: The creationist battle against evolution remains fierce, and more sophisticated than ever. But it’s not just organized religions that are insisting on their own alternate truths. On one front after another, the hard-won consensus of science is also expected to accommodate personal beliefs, religious or otherwise, about the safety of vaccines, G.M.O. crops, fluoridation or cellphone radio waves, along with the validity of global climate change.

Like creationists with their “intelligent design,” the followers of these causes come armed with their own personal science, assembled through Internet searches that inevitably turn up the contortions of special interest groups. In an attempt to dilute the wisdom of the crowd, Google recently tweaked its algorithm so that searching for “vaccination” or “fluoridation,” for example, brings vetted medical information to the top of the results.

But presenting people with the best available science doesn’t seem to change many minds. In a kind of psychological immune response, they reject ideas they consider harmful. A study published this month in the Proceedings of the National Academy of Sciences suggested that it is more effective to appeal to anti-vaxxers through their emotions, with stories and pictures of children sick with measles, the mumps or rubella — a reminder that subjective feelings are still trusted over scientific expertise.

On a deeper level, characteristics that once seemed biologically determined are increasingly challenged as malleable social constructs. As she resigned from her post this summer, an N.A.A.C.P. local leader continued to insistshe was black although she was born white. Facebook now offers users a list of 56 genders to choose from. Transgender sits on the list, along with its opposite, cisgender — meaning that, like most people, you identify yourself as male or female according to the way the cells of your embryo unfolded in the womb.

Even conditions once certified as pathologies are redefined. While some parents cling to discredited research blaming vaccines for giving children autism, others embrace the condition as one more way of being and speak of a new civil rights movement promoting “neurodiversity,” the subject of a book by Steve Silberman, published this month.

While this has been a welcome and humane development for those diagnosed as “higher functioning” on the autism scale, parents of severely impaired children have expressed dismay.

Viewed from afar, the world seems almost on the brink of conceding that there are no truths, only competing ideologies — narratives fighting narratives. In this epistemological warfare, those with the most power are accused of imposing their version of reality — the “dominant paradigm” — on the rest, leaving the weaker to fight back with formulations of their own. Everything becomes a version.

Ideas like these have been playing out in the background as native Hawaiian protesters continue to delay the construction of a new telescope on Mauna Kea that they say would desecrate a mountaintop where the Sky Father and Earth Mother gave birth to humankind. Last month, they staged a demonstration at the annual meeting of the International Astronomical Union in Honolulu.

There are already 13 telescopes on the mountain, all part of the Mauna Kea Science Reserve, which was established by the state in 1968 on what is widely considered the premier astronomical vantage point in the Northern Hemisphere. After I wrote about the controversy last fall, I heard from young anthropologists, speaking the language of postmodernism, who consider science to be just another tool with which Western colonialism further extends its “cultural hegemony” by marginalizing the dispossessed and privileging its own worldview.

Science, through this lens, doesn’t discover knowledge, it “manufactures” it, along with other marketable goods.

Altruism and compassion toward the feelings of others represent the best of human impulses. And it is good to continually challenge rigid categories and entrenched beliefs. But that comes at a sacrifice when the subjective is elevated over the assumption that lurking out there is some kind of real world.

The widening gyre of beliefs is accelerated by the otherwise liberating Internet. At the same time it expands the reach of every mind, it channels debate into clashing memes, often no longer than 140 characters, that force people to extremes and trap them in self-reinforcing bubbles of thought.

In the end, you’re left to wonder whether you are trapped in a bubble, too, a pawn and a promoter of a “hegemonic paradigm” called science, seduced by your own delusions.

Brazil’s Mediums Channel Dead Artists. Is It Worship Or Just Delusion? (NPR)

AUGUST 12, 2015 4:39 AM ET

Valdelice Da Silva Dias Salum, 77, says she channels the spirits of famous painters to create her artwork.

Valdelice Da Silva Dias Salum, 77, says she channels the spirits of famous painters to create her artwork. Lourdes Garcia-Navarro/NPR

Unlike most art exhibitions, this one starts with a prayer.

A heavyset 77-year-old woman with girlishly pinned blond hair stands behind a table. An array of colored chalk and oil paints fan out in front of her. She puts her head in her hands and concentrates.

Her demeanor changes.

Then, to the sound of eerie music, she begins to draw. Her hands are nimble and decisive, and very quickly, something begins to take shape: a face with a bright green 19th century hat.

After 18 minutes and change — they timed it — she is finished. She signs the work, “Renoir.”

The woman who is painting is actually called Valdelice Da Silva Dias Salum.

She tells me spirits began manifesting themselves around her when she was a child. But it wasn’t until years later that it really began to get frightening, kind of like the movie Poltergeist. The TV would suddenly switch on; the radio would blare at full volume.

Salum drew this picture in 18 minutes and signed it "Renoir."i

Salum drew this picture in 18 minutes and signed it “Renoir.” Lourdes Garcia-Navarro/NPR

She says the spirits of long-dead painters were trying to make contact: Henri de Toulouse-Lautrec, Henri Matisse, Claude Monet, Renoir, Cezanne, Van Gogh, Gauguin, Degas.

Salum says she grew up poor and illiterate. She didn’t even know who these painters were. She says she had no artistic talent. But the spirits selected her.

All this might sound odd outside Brazil, but here it is fairly common and widely accepted.

Salum follows Spiritism, which is basically a religious offshoot of the 19th century practice of communicating with the dead via table-rapping and seances. Spiritism is hugely popular in Brazil, with more than 4 million followers.

Spiritists believe in Jesus’ Gospel, and in reincarnation. They believe that the dead can communicate with the living through mediums — and not only communicate, but create through the living, too.

“I don’t know what they are going to do and what they are going to paint,” Salum says. “I’m totally enveloped by them. I don’t have a sense of time passing.”

Unique Challenges

It’s not only paintings that get channeled.

At a Spiritist bookstore in downtown Sao Paulo, I’m shown five books — including one by famed Brazilian spiritist Divaldo Franco — that carry Victor Hugo’s name.

It’s a Saturday and the place is packed with readers and books. There are more than 220 Spiritist publishing houses in Brazil.

One of the star authors is Sandra Guedes Marques Carneiro. Her books have sold more than 250,000 copies. She writes romances — of a kind. Her latest is called Salome, and she tells me she thinks it’s a “sign” that I am interviewing her. The book is about a female journalist who travels to the war-torn Middle East and then comes to Brazil — kind of like me.

Carneiro emphasizes that the books are basically religious texts. The spirits are writing to try to bring about enlightenment and understanding to the earth. It makes the message more entertaining if it’s wrapped in a good love story.

Her spirit author, for the record, is called Lucius, and he has a huge following — so much so that other author mediums channel him as well.

Alexandre Marques edits and publishes the work of his wife, Sandra. He says this part of the publishing industry presents some unique challenges.

“We don’t have a way of commissioning books,” Marques says. “They come from the other side to us.”

Another difference from traditional publishing? Editing.

Surprisingly, Marques says it’s actually easier to edit a dead author than a living one. Apparently, the dead are less defensive about the integrity of their work.

“The spirits are easier going, actually,” he says.

Still, it’s a labor-intensive process. It is pretty difficult to get approval for your edits from a spirit.

“We send the suggested alterations to the medium,” Marques explains. “The medium consults the spiritual author. They answer if they agree or not.”

Spiritual Copyright

This all gets into some strange legal ground. There was a case in which the widow of a famous dead author sued a medium for royalties because he was supposedly channeling her dead husband’s spirit and writing new blockbusters.

We consulted a lawyer who’s an expert in spiritual copyright. Renata Soltanovich says that as long as the consumer who buys the work understands that it’s been channeled through a medium, it’s not fraud.

Salum says she created these paintings under the influence of the spirits of (from left) Vincent Van Gogh, Pablo Picasso and Claude Monet.

Salum says she created these paintings under the influence of the spirits of (from left) Vincent Van Gogh, Pablo Picasso and Claude Monet. Lourdes Garcia-Navarro/NPR

Back at the painting exhibition, Salum is channeling another dead painter. I’m not an art critic, but the paintings, in my opinion, are not ready to be hung in the Louvre.

I ask her why her works don’t quite match the standard of some of the originals.

She explains it’s hard for the spirits to cross into the corporeal world.

“It’s because of my lack of knowledge,” she says. “They are using me as an instrument, but I am weak.”

In the end, she says, it’s all about faith.