Arquivo mensal: maio 2010

>Política incerta, economia incerta, clima incerto

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A sucessão de catástrofes é casual ou causal?

Por Mario Soares*
IPS/Envolverde – 21/05/2010 – 10h05

Lisboa, maio/2010 – Até o próprio Pangloss, famoso personagem de Candide de Voltaire, apesar de seu imperturbável otimismo, se veria em dificuldades para enfrentar o mundo contemporâneo. A natureza e a humanidade deram rédeas aos seus respectivos demônios e ninguém pode detê-los. Em diferentes lugares, a Terra reage e nos assesta, sucessivamente: ciclones, maremotos, terremotos, inundações e, ultimamente, a erupção vulcânica na insular Islândia, que paralisou os aeroportos do norte e centro da Europa. Um espetáculo triste e jamais visto.

Trata-se de fenômenos naturais normais, dirão alguns, os menos avisados. Contudo, para aqueles que têm mais de oito décadas vividas, como é meu caso, e nunca viram nem tiveram conhecimento de nada semelhante a esta conjugação sucessiva de catástrofes, é prudente expor a dúvida: será que a mão inconsciente e imprevista do homem, que agride e maltrata o planeta e compromete seu equilíbrio natural, não tem uma boa dose de responsabilidade nestes fatos?

A recente Conferência de Cúpula sobre Mudança Climática em Copenhague, em dezembro passado, que deveria condenar e enfrentar o aquecimento global, resultou em fracasso devido ao suspeito acordo traçado na última hora por China e Estados Unidos. Por uma coincidência – ou talvez não –, estas duas grandes potências são os maiores contaminadores da Terra. A verdade é que conseguiram paralisar o grupo europeu – ao qual não deram a menor importância – e várias delegações procedentes de outros continentes, que esperavam resultados positivos da Conferência Mundial.

Talvez seja mais preocupante a aparição de alguns cientistas que adotam posturas abertamente contrárias ao pensamento e às advertências da esmagadora maioria dos ecologistas, já que afirmam que o aquecimento global não é causado pelas atividades humanas nem pelo abusivo emprego de combustíveis derivados dos hidrocarbonos. Afirmam e reiteram que se trata de um fato natural. Isto me faz pensar que há pessoas capazes de perseguir a todo custo a ganância e sobrepor a qualquer outra consideração a defesa de seus interesses imediatos sem que isso afete suas boas consciências… Se é que as têm.

Estou convencido de que na próxima Conferência Mundial sobre Mudança Climática a verdade científica prevalecerá e que as grandes potências serão obrigadas a respeitar as regras que objetivam conter radicalmente o aquecimento global.

Os riscos que pairam sobre o planeta não são apenas as catástrofes consideradas naturais que se sucedem com inquestionável e preocupante frequência. O terrorismo global continua causando estragos desde 2001, e atualmente são numerosas (excessivas, segundo meu ponto de vista) as nações que dispõem de armamento nuclear. É indispensável colocar um limite a isto. Neste sentido, o acordo que o presidente norte-americano, Barack Obama, conseguiu estabelecer com Rússia e China para reduzir os respectivos arsenais atômicos e obstruir a proliferação por parte de nações que ainda não os possuem – como é o caso do Irã – é um acontecimento notável e de projeções políticas e geoestratégicas extremamente positivas.

Em um mundo tão perigoso como o que nos cabe viver – basta pensar em todos os conflitos armados não resolvidos em todos os continentes –, é preciso reduzir drasticamente a venda livre de armas e propagar a Cultura de Paz, da qual é incansável promotor o ex-diretor-geral da Unesco, Federico Mayor Zaragoza. Ao mesmo tempo, deve-se evitar e controlar até onde for possível todas as formas de incitação à violência que os meios de comunicação, as televisões em particular, propagam constantemente (inconscientemente, ou não), no que não é exagerado qualificar como uma escalada inaceitável.

Todos os governos do mundo que se consideram Estados de Direito e que, portanto, devem respeitar e proteger os direitos humanos têm a consequente obrigação de adotar políticas e medidas para difundir a Cultura de Paz e repudiar, pedagógica e sistematicamente, todas as formas de violência que entram todos os dias em nossas casas para o bem de nossos descendentes e do futuro da humanidade.

Realmente, as ameaças que enfrentamos em nossa época provêm de diversas fontes: de uma política incerta e sem rumo claro, de uma economia sem regras e à espera de melhores dias – não sabemos quantos – para superar a crise, de uma sucessão de calamidades. Já é hora de a cidadania global abrir os olhos, reagir e exigir soluções. IPS/Envolverde

* Mário Soares é ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal.

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>Craig Venter e a célula artifical

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O único DNA presente é sintético – entrevista com Craig Venter

Steve Connor, do Independent
O Globo, 21/5/2010 – reproduzido no Jornal da Ciência (JC e-mail 4015)

Para cientista, mau uso da tecnologia pode ser enfrentado com uma nova legislação

A criação, pela primeira vez na História, de uma forma de vida artificial, pelo grupo do geneticista Craig Venter – o mesmo responsável pela apresentação do genoma humano em 2001 – abre caminho para a compreensão das origens da vida, e inaugura uma nova era da biologia sintética. O grupo criou uma célula sintética, a partir de um DNA produzido de forma artificial e transplantado para uma bactéria.

Nesta entrevista concedida ao jornal britânico “Independent”, Venter deixa claro que o seu feito foi, de fato, criar a primeira forma de vida artificial. “O único DNA presente (na célula criada) é o sintético”, afirma.

O próximo passo dessa linha de pesquisa, de acordo com ele, “é entender a natureza básica da vida, quais são os conjuntos de genes mínimos necessários para ela. Ainda não sabemos todas as funções de genes presentes em uma célula. Trata-se, portanto, de um enigma fundamental.”

– Qual é novidade de seu estudo?

Esta foi a primeira vez que alguém construiu um cromossomo inteiro, de 1,08 milhão de pares de bases, transplantou-o para uma célula receptora e o fez assumir o controle desta célula, convertendo-a em uma nova espécie de bactéria.

Estabelecemos, portanto, um novo paradigma – temos uma célula totalmente controlada por um cromossomo artificial.

– É, então, uma vida artificial?

Nós a definimos assim por ela ser totalmente determinada por um cromossomo artificial. Começamos com uma célula viva, mas o cromossomo que construímos a transformou completamente. Não há qualquer elemento da célula receptora. Nossa célula ar tificial passou por um bilhão de réplicas. O único DNA presente ali é o artificial. Todas as proteínas foram codificadas por ele. Isso é importante ressaltar: não produzimos as proteínas nem as células artificialmente. Tudo foi ditado pelo cromossomo.

– Podemos dizer que uma vida foi criada do zero?

Não considero que tenha acontecido isso. Criamos uma nova vida a partir de outra já existente, usando um DNA artificial que reprogramou as células.

– Por que a bactéria Mycoplasma mycoides foi escolhida para a pesquisa?

Este é o primeiro passo, a forma escolhida para estabelecer um novo paradigma. Faz sentido começar com algo que, sabemos, é biologicamente ativo. Provamos, assim, que nosso estudo poderia ser feito, o que não é pouca coisa. Mudamos para real o estágio de algo que, dois meses atrás, era considerado hipotético.

– Essa nova forma de vida é um organismo de vida livre e capaz de replicar?

Sim, se considerarmos que o conceito de “vida livre” também pode ser atribuído ao que cresce em um laboratório. Fora dele, o experimento não sobreviveria. No laboratório, se dermos os nutrientes corretos, este organismo pode se replicar sem qualquer intervenção.

– Qual foi a maior dificuldade enfrentada por sua equipe?

Em um determinado momento, havia apenas um erro em um milhão de pares de bases do cromossomo (e não conseguíamos prosseguir). Chegamos a interpretar este episódio como um sinal de que seria impossível conseguir dali uma vida. Foi um momento difícil, porque contrariava algo que eu havia previsto três anos atrás. Enormes obstáculos precisavam ser superados. Tivemos de aprender e inventar novos sistemas para tornar tudo isso possível, o que nunca é algo trivial.

– E agora, o que o senhor espera atingir?

Queremos entender a natureza básica da vida, quais são os conjuntos de genes mínimos necessários para ela. Ainda não sabemos todas as funções de genes presentes em uma célula. Não sabemos o que fazem e como trabalham. Há 15 anos tentamos achar estas respostas, mesmo em células simples. Trata-se, portanto, de um enigma fundamental para chegarmos à próxima etapa. Com o passar dos anos, o uso de novas tecnologias torna tudo mais evidente para nós. É só lembrar dos anos 40 e 50, quando a revolução dos eletrônicos ainda não havia decolado.

Os cientistas que se dedicavam à construção de circuitos àquela época tinham muito pouca noção sobre o que viriam a ser os celulares e os computadores. É muito difícil imaginar todas as aplicações de uma tecnologia.

Considera-se que a população mundial, hoje de 6,8 bilhões de pessoas, passará para 9 bilhões em três ou quatro décadas. E atualmente nós sequer conseguimos prover comida, energia, água potável e remédios para todos. Então, precisamos urgentemente de novas técnicas para atingir esse objetivo, e isso deve ser feito sem destruir o planeta.

– O senhor está brincando de Deus?

Esta pergunta tornou-se quase um clichê. É lembrada toda vez que há uma grande descoberta científica, particularmente na biologia. Ciência é a compreensão da vida em seus níveis mais básicos, e a tentativa de usar esse conhecimento para a melhoria da Humanidade.

Acredito, portanto, que somos parte do progresso do conhecimento científico, e que contribuímos para o entendimento do mundo ao nosso redor.

– O senhor está preocupado com o mau uso das técnicas aplicadas em sua pesquisa?

Tenho que estar. É uma tecnologia poderosa. Propus novas regulações para esta área, porque sinto que as atuais não vão longe como seria necessário. Por sermos os inventores, queremos que seja feito tudo o possível para proteger nossa técnica contra o mau uso. Sugeri, por exemplo, uma legislação para as empresas que sintetizam DNA, para que não façam o genoma de DNAs que sejam potencialmente perigosos.

Queremos que essa descoberta seja posta em um contexto que as pessoas saibam o que ela significa. Creio que esta tenha sido a primeira vez, na ciência, em que uma extensa análise bioética foi realizada antes de os experimentos estarem concluídos.

Esta é parte de um processo em andamento que estamos conduzindo, a nossa tentativa de ter certeza do que esses procedimentos significarão no futuro.

>Justiça e jurisprudencia no Brasil imperial

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Especiais
Da resistência aos crimes miúdos

20/5/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Quando se discutem os crimes cometidos por escravos, geralmente se discutem os chamados “crimes de resistência”, como as insurreições e rebeliões contra a situação de cativeiro. Mas um estudo publicado na revista História (São Paulo) indica que, no Brasil Imperial (1822-1889), diversos crimes cotidianos eram cometidos tanto pela população livre como por escravos.

O trabalho foca em delitos como briga de vizinhos, conflitos em tabernas, conflitos conjugais e crimes contra a pessoa e aponta que muitas foram as situações jurídicas em que não era feita distinção entre réus livres e escravos.

De acordo com Ricardo Alexandre Ferreira, professor do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), e recém-aprovado no concurso para docente no Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus de Franca, o estudo busca entender o conceito de criminalidade escrava, com base na análise dos códigos penais e nos relatórios emitidos anualmente pelos ministros de justiça no período em questão.

“Com base nessa documentação, procurei entender a criminalidade escrava, que é um tema vinculado às insurreições, mas verifiquei que também havia um conjunto muito grande de crimes cometidos por escravos que não eram ligados a esse conceito porque foram somados aos problemas mais amplos da criminalidade no Império”, disse à Agência FAPESP.

O artigo é um apanhado das pesquisas que desenvolveu na iniciação científica, mestrado e doutorado, com Bolsa FAPESP nas três modalidades. Sua pesquisa de mestrado “Escravidão, criminalidade e cotidioano: Franca 1830-1888”, foi selecionada com uma das melhores dissertações no ano na Unesp e publicada no livro Senhores de Poucos Escravos – o cativeiro e criminalidade num ambiente rural (1830-1888), pela editora da universidade em 2005.

De acordo com o pesquisador, ao analisar a documentação se percebe que o maior volume de crimes cometidos, principalmente nas regiões de pequenas e médias propriedades no interior do Brasil, estava muito mais vinculado ao cotidiano de uma população livre e pobre.

“Havia uma prática enraizada entre as autoridades de reunir, em seus relatórios, os criminosos escravos, libertos e livres com expressões genéricas como ‘classes menos favorecidas’, ‘classes inferiores’ ou ‘classes ínfimas da sociedade’. Além de reforçar o estereótipo de vadiagem, o que se percebe é uma incapacidade do Estado de coletar, organizar e analisar os registros de criminalidade produzidos em todo o país”, afirmou Ferreira.

Não havia no Império um código criminal exclusivo para julgar e punir os escravos. Segundo o autor, há uma omissão sobre o termo “escravo” na Constituição de 1824. “A ideia era a de que os escravos não faziam parte do contrato social e que, portanto, não existiam”, disse.

Havia no código apenas um artigo – de número 60 – que tratava das punições dos cativos condenados a penas que não fossem de morte ou galés e, pelo menos em teoria, o escravo era julgado e tinha os mesmos direitos a recursos que uma pessoa livre.

“O escravo tinha direito a advogado pago, em muitos casos pelo próprio proprietário. A diferença estava na hora de se aplicar a lei. Ao confirmar a culpa e impor a sentença, o juiz estabelecia uma diferença para o escravo, cuja punição poderia ser açoites ou mesmo carregar ferro no pé ou no pescoço pelo período determinado pelo juiz”, disse.

A única exceção era se o escravo cometesse homicídio a superiores, insurreição e roubo com morte; nesses casos, era condenado à pena de morte. No restante, segundo Ferreira, todos os casos de infração que valiam para o livre eram válidos também para o escravo.

“Analiso o artigo 60 como uma espécie de exceção. Isso se dava porque o Brasil herdou de Portugal uma tradição de não ter códigos específicos para os escravos. Nas colônias francesas, havia o chamado Código Negro (Code Noir)”, destacou Ferreira.

Outro artigo – de número 115 – também punia todos aqueles que participassem da insurreição, incitando ou ajudando os escravos a se rebelar e “fornecendo-lhes armas, munições ou outros meios para o mesmo fim”.

Mesmo julgados culpados por crimes punidos com a morte, cidadãos livres e escravos condenados em primeira instância só subiriam ao patíbulo após terem sido negados todos os recursos jurídicos previstos, como apelação, protesto por novo julgamento e revista.

“Ainda assim, antes da forca era facultado ao condenado o direito de recorrer à Imperial Clemência que, por meio de uma das atribuições do Poder Moderador, podia perdoá-lo, mudar a pena (comutação) ou mandar executar a sentença”, ressaltou Ferreira.

Segundo ele, o Código Criminal do Império, criado em 1830, contemplou também o “mundo da segurança individual”, como disputas por divisas que acabavam em brigas e tiros, conflitos matrimoniais, brigas de rua, entre outros conflitos, como assunto de Estado.

Substituição da pena de morte

A partir da criação do Código, houve um primeiro esforço na produção de um “perfil dos delitos praticados” no país. No relatório de 1837, o então ministro da justiça Bernardo Pereira Vasconcelos argumentou que, diante da recorrente reclamação contra a impunidade que se espalhava por todo o território, ela só poderia ser adequadamente avaliada quando os mapas com os perfis de crimes e criminosos fossem produzidos a partir das informações enviadas pelas províncias.

“No perfil apresentado pelo ministro destaca-se um aumento maior do número de crimes contra a pessoa em relação aos cometidos contra a propriedade e, consequentemente, a impunidade”, disse.

Uma das dificuldades alegadas pelos ministros para obter informações a respeito de homicídios e ferimentos se referia à deficiência das comunicações entre vilas e a capital do Império, o que impedia o estudo dos padrões de criminalidade individual.

A recorrente queixa a respeito da ineficiente integração das autoridades da Corte com as das diferentes províncias figurou, segundo Ferreira, na base dos principais argumentos que conduziram às reformas sofridas pela justiça criminal do Império.

“A reforma do Judiciário de 1840 promoveu uma série de iniciativas para impedir em parte a atuação localizada dos juízes de paz e também dos jurados. Como desdobramento, em 1842 foi criada a figura do delegado de polícia. Na prática, a ideia era acabar com a impunidade nas pequenas vilas e promover uma centralização do judiciário”, disse.

Com as sucessivas modificações de 1840 a 1850, a pena de morte na prática foi abolida e a lei passou a conceder aos escravos a possibilidade dos mesmos recursos que os livres.

“Embora o Código ainda não esteja modificado, na prática o Imperador D. Pedro II, a partir das décadas finais do Império, começou a substituir penas de morte por penas de prisão perpétua”, apontou Ferreira.

Segundo ele, havia um conceito de criminalidade no Brasil Colônia (1500-1822) típico do antigo regime no qual o crime estava vinculado a posições sociais e à relação que as pessoas mantinham com o rei.

“Já no Império vigorou a ideia de liberdade e igualdade entre os homens, apesar da manutenção da escravidão. A grande questão era como criar um conceito moderno de criminalidade em um país que mantinha a escravidão. Os códigos criminais modernos operaram a concepção de que os crimes são os mesmos e as penas deveriam ser as mesmas para todos. Essa é uma forma de conceber crime e punição que, em muitos aspectos, continuou vigente pelo Período Republicano até os nossos dias”, disse.

Para ler o artigo Livres, escravos e a construção de um conceito moderno de criminalidade no Brasil Imperial, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

>Bringing Clouds into Focus: A New Global Climate Model May Reduce the Uncertainty of Climate Forecasting

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John Hules, Berkeley Lab Computing Sciences
May 11, 2010

Clouds exert two competing effects on the Earth’s temperature: they cool the planet by reflecting solar radiation back to space, but they also warm the planet by trapping heat near the surface. These two effects coexist in a delicate balance.

In our current climate, clouds have an overall cooling effect on the Earth. But as global warming progresses, the cooling effect of clouds might be enhanced or weakened—global climate models are evenly divided on this issue. In fact, inter-model differences in cloud feedbacks are considered the principal reason why various models disagree on how much the average global temperature will increase in response to greenhouse gas emissions, when it will happen, and how it will affect specific regions.

The large data sets generated by the GCRM require new analysis and visualization capabilities. This 3D plot of vorticity isosurfaces was developed using VisIt, a 3D visualization tool with a parallel distributed architecture, which is being extended to support the geodesic grid used by the GCRM.
(Image Courtesy of the NERSC Analytics Team)

Clouds also affect climate in other ways, such as transporting heat and moisture from lower to higher altitudes, producing precipitation, and many other interrelated mechanisms. Current global climate models are unable to directly simulate individual cloud systems from physical principles, because the size and speed of supercomputers place a limit on the number of grid cells that can practically be included in the model. As a result, global models do not have fine enough horizontal resolution to represent large clouds.

Instead, global climate models must rely on parameterizations, which are statistical representations of phenomena, such as cloud cover or precipitation rates, that cannot be directly modeled. Different models use different parameterizations, which is an important reason why their results differ. Cloud parameterizations are the greatest source of uncertainty in today’s climate models.

David Randall, a Professor Atmospheric Science at Colorado State University, is working to clear up that uncertainty by developing and testing a new kind of global climate model, called a global cloud resolving model (GCRM)—a model that’s designed to take advantage of the extreme-scale computers expected in the near future.

Randall is the principal investigator of the “Global Cloud Modeling” project that computes at NERSC, and was one of two coordinating lead authors of Chapter 8, “Climate Models and Their Evaluation,” in the Intergovernmental Panel on Climate Change’s (IPCC’s) Fourth Assessment Report, which was honored with the 2007 Nobel Peace Prize. He also directs the Center for Multiscale Modeling of Atmospheric Processes, sponsored by the National Science Foundation.


From a single thunderstorm to the whole earth

“The GCRM is a computer model that simulates the motions of the atmosphere on scales from a single thunderstorm all the way up to the size of the entire earth,” Randall explains. “It has about a billion little grid cells to represent the three-dimensional structure of the air. Each grid cell has a wind, a temperature, a humidity, and some other things that are needed. So the number of numbers involved is in the tens of billions, just as a snapshot of what’s going on at a given second.”

Small grids made up of equilateral triangles, squares, and hexagons. The hexagonal grid has the highest symmetry because all neighboring cells of a given hexagonal cell are located across cell walls. In contrast, with either triangles or squares, some neighbors are across walls, while others are across corners.

Large thunderstorms play an important role in global atmospheric circulation. They pack a lot of energy in the form of updrafts that move, in extreme cases, 30 to 40 meters a second—”scary fast,” Randall says. They “lift air from near Earth’s surface to way up near the stratosphere in just a few minutes.” In this way, thunderstorms carry moisture, momentum, carbon dioxide, and other chemical species through great depths of the atmosphere very quickly.

Cumulus clouds, Randall says, make the upper troposphere wet by transporting water from its source, the oceans. “A lot of it will rain out along the way, but some of it is still left, and it gets spread out up there and makes cirrus clouds, comprised largely of ice, which are very important for climate. We’re especially interested to see how storms that create cirrus affect the climate.” Cirrus clouds block Earth’s infrared radiation from flowing out to space, and that tends to warm the climate. “If we have more cirrus in the future, that will enhance warming. If we have less, it will reduce the warming.”

The GCRM also will give scientists new insights into tropical cyclones, which, Randall says, “are much bigger than thunderstorms, and in fact they contain many thunderstorms simultaneously. They affect the climate in part by cooling the sea surface as they move over the ocean.”

A spherical geodesic grid (a) can be cut into logically rectangular panels (b), which offers a convenient way to organize the data in a computer’s memory. For visual clarity, this depiction shows a very low resolution grid.

The GCRM, supported by the Department of Energy’s Scientific Discovery through Advanced Computing (SciDAC) program, is built on a geodesic grid that consists of about 100 million mostly hexagonal columns, each with 128 levels, representing layers of atmosphere that reach 50 kilometers above the Earth. For each of these grid cells, the model predicts the wind, temperature, and humidity at points just 4 kilometers apart (with a goal of 2 kilometers on the next generation of supercomputers). That’s an unprecedented resolution—most global atmospheric models provide detail at a 100-kilometer scale.

“No one has done this before in quite this manner, and it’s our hope that our project will point the way to future generations of models,” says Randall.

The geodesic grid used in the GCRM, also developed with SciDAC support, is itself quite innovative. If you want to tile a plane with regular polygons, you have only three choices: triangles, squares, or hexagons. Most climate models use some form of square (or rectangular) grid; but the geometry of the grid complicates the calculations, because each square has two different kinds of neighbors—four wall neighbors and four corner neighbors—which require different treatment in the equations. In addition, a square grid poses complications in modeling the Earth’s polar regions, where grid cells lose symmetry because of longitudinal convergence. There are solutions to these problems, but they are computationally expensive.

The GCRM, in contrast, uses a geodesic, hexagonal grid. In a hexagonal grid, all neighbors of a given cell lie across cell walls; there are no corner neighbors. A geodesic grid on a sphere has twelve pentagonal cells in addition to the many hexagonal cells; but each cell still has only wall neighbors, and all cells are roughly the same size. This type of grid also eliminates the pole problem.

As a result, equations constructed on hexagonal grids treat all neighboring cells in the same way, reducing the complexity and increasing the speed, productivity, and accuracy of the code. The number of cells (both grid columns and levels) can easily be changed for a particular computer run, depending on what the researchers want to simulate. Models based on geodesic grids are now being used by several major weather and climate modeling groups around the world.

Vorticity: Where the action is

Climate models are systems of partial differential equations that simulate how the atmosphere and oceans move and change over time, based on the laws of physics, fluid motion, and chemistry. Since the equations are all interrelated, the dynamical core of the model has to solve these equations simultaneously for every grid cell at each time step—which is why climate models require massive computing power.

Because the GCRM has such high resolution, Randall’s research team knew they needed to use equations that reproduce accurate motions at a wide range of scales to get the most realistic results; so team members Akio Arakawa of the University of California, Los Angeles (UCLA), and Celal Konor of Colorado State University (CSU) developed the Unified System of governing equations (so called because it unifies the quasi-hydrostatic compressible system with the nonhydrostatic anelastic system). The Unified System can cover a wide range of horizontal scales, from turbulence to planetary waves. It also filters out vertically propagating sound waves of all scales, without excluding relevant waves such as inertia-gravity waves, Lamb waves, and Rossby waves.

“This project could not have happened without a lot of support from the federal government… We’ve been computing at NERSC for more than a decade, and it’s been an excellent experience. We have a lot of respect for and gratitude to everyone at NERSC for all the excellent support they have given us over the years,”

—David Randall, Professor Atmospheric Science at Colorado State University

“The atmosphere can make lots of different kinds of waves” Randall says, “but in choosing equations we knew we wanted to avoid those that include sound waves, because sound waves are completely irrelevant to weather and climate. Because sound moves too fast, if you include sound waves in your model, you have to take very small time steps. If you eliminate sound waves completely, then you can take much longer time steps. There have been other ways to get rid of them in the past, but they’ve been considerably less accurate. The new method that we’ve developed does involve approximations, because you’re leaving something out, but it has much smaller errors that are, we believe, quite acceptable.”

Another key feature of the Unified System is that it solves the three-dimensional vector vorticity equation rather than the vector momentum equation. Vorticity, or spinning motion, “is really at the core of much of the important fluid dynamics in the atmosphere,” Randall says. “Vortices move around and maintain their identities and live a life, like little animals. Sometimes two vortices will merge and make a bigger one. Almost everything that is interesting and important in the motion of the atmosphere predominantly involves the spinning part.”

Most climate models use the momentum equation because it is easier to solve than the vorticity equation, and vorticity can be derived from momentum. But Akio Arakawa of UCLA and Joon-Hee Jung of CSU found a more efficient way of solving the vorticity equation that represents the important spinning motions much more directly and explicitly than the momentum equation does. “You really have to get that spinning part right, because that’s where most of the action is,” Randall explains. “Working with the vorticity equation directly means focusing in on the part of the physics that is most important to what we care about.

The component algorithms in the GCRM were selected for their good scaling properties, so the model scales linearly with the number of grid cells used. “Depending on the details of the configuration, we can do a few simulated days per wall clock day on 40,000 processors of Franklin,” Randall says. “Which means that doing a whole year is a very big calculation—it might be like a hundred days continuously around the clock on 40,000 processors or more—a big chunk of a very expensive machine. So what we’re doing is just barely doable now.”

“But in ten more years,” he adds, “we expect computers to be a hundred times faster, whether it’s Green Flash or some other system. Then we’ll be getting, say, a simulated year for a wall-clock day. That’s a big improvement. You can start thinking about doing simulated decades or even longer. You’re almost getting into the climate regime of about a century. So that’s exciting.”

“This project could not have happened without a lot of support from the federal government, especially the Department of Energy. We have to use the very fastest, most powerful machines in the world, and DOE, of course, is where you go for that. They’re ‘Supercomputing Central.’ We’ve been computing at NERSC for more than a decade, and it’s been an excellent experience. We have a lot of respect for and gratitude to everyone at NERSC for all the excellent support they have given us over the years.”

Further computational challenges

The development of a geodesic dynamical core with a unique system of equations was the major, but not the only computational challenge. Other challenges include parallel input/output (I/O), including storage, management, and distribution of the voluminous output, and visualization of the results. The SciDAC Scientific Application Partnership titled “Community Access to Global Cloud Resolving Model and Data,” led by Karen Schuchardt of Pacific Northwest National Laboratory, has been working to address those issues (see sidebar).

As for Randall’s group, they are now adding parameterizations of various physical processes, such as cloud microphysics, to the dynamical core of the GCRM, and they are also working on a method to include topography in the model, which will add vertically propagating waves produced by air flow over mountains. While continuing to run various tests on Franklin at NERSC, including numerical accuracy, stability, and parallel scaling performance, they are also running larger tests on up to 80,000 cores of Jaguar, a Cray XT system at the Oak Ridge Leadership Computing Facility (OLCF).

Early tests of the model will span just a few simulated days and will focus on short-range global weather prediction, starting from high-resolution analyses produced by working weather prediction centers. Tropical cyclones and other extreme weather events will be particular areas of focus. By 2011, the researchers plan to use the GCRM to perform two or more annual-cycle simulations, at least one of which will be coupled to the geodesic ocean general circulation model that they developed under SciDAC Phase 1.

Within the next ten years or so, models similar to the GCRM will be used for operational weather prediction, and eventually GCRMs will be used for multi-century climate simulations. The Green Flash project may make this possible sooner rather than later. The long-term target resolution for a Green Flash system is a horizontal grid spacing of about 1 km, which will require approximately 671 million grid columns, each with about 100 layers.

About NERSC and Berkeley Lab

The National Energy Research Scientific Computing Center (NERSC) is the primary high-performance computing facility for scientific research sponsored by the U.S. Department of Energy’s Office of Science. Berkeley Lab is a U.S. Department of Energy national laboratory located in Berkeley, California. It conducts unclassified scientific research and is managed by the University of California for the DOE Office of Science.

For more information about computing sciences at Berkeley Lab, please visit: http://www.lbl.gov/cs

>The root of the climate email fiasco (The Guardian)

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Learning forced into silos of humanities and science has created closed worlds of specialists who just don’t understand each other

George Monbiot
The Guardian, Tuesday 6 April 2010

The MPs were kind to Professor Phil Jones. During its hearings, the Commons science and technology committee didn’t even ask the man at the centre of the hacked climate emails crisis about the central charge he faces: that he urged other scientists to delete material subject to a freedom of information request. Last week the committee published its report, and blamed his university for the “culture of non-disclosure” over which Jones presided.

Perhaps the MPs were swayed by the disastrous performance of his boss at the hearings. Edward Acton, the vice-chancellor of the University of East Anglia, came across as flamboyant, slippery and insincere. Jones, on the other hand, seemed both deathly dull and painfully honest. How could this decent, nerdy man have messed up so badly?

None of it made sense: the intolerant dismissal of requests for information, the utter failure to engage when the hacked emails were made public, the refusal by other scientists to accept that anything was wrong. Then I read an article by the computer scientist Steve Easterbrook, and for the first time the light began to dawn.

Easterbrook, seeking to defend Jones and his colleagues, describes a closed culture in which the rest of the world is a tedious and incomprehensible distraction. “Scientists normally only interact with other scientists. We live rather sheltered lives … to a scientist, anyone stupid enough to try to get scientific data through repeated FoI requests quite clearly deserves our utter contempt. Jones was merely expressing (in private) a sentiment that most scientists would share – and extreme frustration with people who clearly don’t get it.”

When I read that, I was struck by the gulf between our worlds. To those of us who clamoured for freedom of information laws in Britain, FoI requests are almost sacred. The passing of these laws was a rare democratic victory; they’re among the few means we possess of ensuring that politicians and public servants are answerable to the public. What scientists might regard as trivial and annoying, journalists and democracy campaigners see as central and irreducible. We speak in different tongues and inhabit different worlds.

I know how it happens. Like most people with a science degree, I left university with a store of recondite knowledge that I could share with almost no one. Ill-equipped to understand any subject but my own, I felt cut off from the rest of the planet. The temptation to retreat into a safe place was almost irresistible. Only the extreme specialisation demanded by a PhD, which would have walled me in like an anchorite, dissuaded me.

I hated this isolation. I had a passionate interest in literature, history, foreign languages and the arts, but at the age of 15 I’d been forced, like all students, to decide whether to study science or humanities. From that point we divided into two cultures, and the process made idiots of us all. Perhaps eventually we’ll split into two species. Reproducing only with each other, scientists will soon become so genetically isolated that they’ll no longer be able to breed with other humans.

We all detest closed worlds: the Vatican and its dismissal of the paedophilia scandals as “idle chatter”; the Palace of Westminster, whose members couldn’t understand the public outrage about their expenses; the police forces that refuse to discipline errant officers. Most of us would endorse George Bernard Shaw’s opinion that all professions are conspiracies against the laity. Much of the public hostility to science arises from the perception that it’s owned by a race to which we don’t belong.

But science happens to be the closed world with one of the most effective forms of self-regulation: the peer review process. It is also intensely competitive, and the competition consists of seeking to knock each other down. The greatest scientific triumph is to falsify a dominant theory. It happens very rarely, as only those theories which have withstood constant battery still stand. If anyone succeeded in overturning the canon of climate science, they would soon become as celebrated as Newton or Einstein. There are no rewards for agreeing with your colleagues, tremendous incentives to prove them wrong. These are the last circumstances in which a genuine conspiracy could be hatched.

But it is no longer sufficient for scientists to speak only to each other. Painful and disorienting as it is, they must engage with that irritating distraction called the rest of the world. Everyone owes something to the laity, and science would die if it were not for the billions we spend on it. Scientists need make no intellectual concessions, but they have a duty to understand the context in which they operate. It is no longer acceptable for climate researchers to wall themselves off and leave the defence of their profession to other people.

There are signs that this is changing. The prominent climate change scientist Simon Lewis has just sent a long submission to the Press Complaints Commission about misrepresentation in the Sunday Times. The paper claimed that the Intergovernmental Panel on Climate Change’s contention that global warming could destroy up to 40% of the Amazon rainforest “was based on an unsubstantiated claim by green campaigners who had little scientific expertise”. It quoted Lewis to suggest he supported the story. The article and its claims were reproduced all over the world.

But the claims were wrong: there is solid scientific research showing damage on this scale is plausible in the Amazon. Lewis claims that the Sunday Times falsely represented his views. He left a comment on the website but it was deleted. He sent a letter to the paper but it wasn’t published. Only after he submitted his complaint to the PCC did the Sunday Times respond to him. The paper left a message on his answerphone, which he has made public: “It’s been recognised that the story was flawed.” After seven weeks of stonewalling him, the Sunday Times offered to run his letter. But it has neither taken down the flawed article nor published a correction.

Good luck to Lewis, but as the PCC’s treatment of the News of the World phone-hacking scandal suggests, he’s likely to find himself shut out of another closed world – journalism – in which self-regulation manifestly doesn’t work. Here’s a profession that looks like a conspiracy against the laity even from the inside.

The incomprehension with which science and humanities students regard each other is a tragedy of lost opportunities. Early specialisation might allow us to compete in the ever more specialised labour market, but it equips us for nothing else. As Professor Don Nutbeam, the vice-chancellor of Southampton University, complains: “Young people learn more and more about less and less.”

We are deprived by our stupid schooling system of most of the wonders of the world, of the skills and knowledge required to navigate it, above all of the ability to understand each other. Our narrow, antiquated education is forcing us apart like the characters in a Francis Bacon painting, each locked in our boxes, unable to communicate.

>Should geoengineering tests be governed by the principles of medical ethics?

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Rules for Planet Hackers

By Eli Kintisch
Thu Apr. 22, 2010 1:00 AM PDT

[Image: Flickr/indigoprime (Creative Commons)]

Nearly 200 scientists from 14 countries met last month at the famed Asilomar retreat center outside Monterey, California, in a very deliberate bid to make history. Their five-day meeting focused on setting up voluntary ground rules for research into giant algae blooms, cloud-brightening, and other massive-scale interventions to cool the planet. It’s unclear how significant the meeting will turn out to be, but the intent of its organizers was unmistakable: By choosing Asilomar, they hoped to summon the spirit of a groundbreaking meeting of biologists that took place on the same site in 1975. Back then, scientists with bushy sideburns and split collars—the forefathers of the molecular revolution, it turned out—established principles for the safe and ethical study of deadly pathogens.

The planners of Asilomar II, as they called it, hoped to accomplish much the same for potentially dangerous experiments in geoengineering. Instead of devising new medical treatments for people, the scientists involved in planet-hacking research are after novel ways to treat the Earth. The analogy of global warming to a curable disease was central to the discussions at the meeting. Climate scientist Steve Schneider of Stanford talked about administering “planetary methadone to get over our carbon addiction.” Others debated what “doses” of geoengineering would be necessary. Most crucially, the thinkers at Asilomar focused on the idea that medical ethics might provide a framework for balancing the risks and benefits of all this new research.

What would it mean to apply the established principles of biomedical research to the nascent field of geoengineering? The ethicists at Asilomar—particularly David Winickoff from Berkeley and David Morrow from the University of Chicago—began with three pillars laid out in the landmark 1979 Belmont Report. The first, respect for persons, says that biomedical scientists should obtain “informed consent” from their test subjects. The second, beneficence, requires that scientists assess the risks and benefits of a given test before they start. The third, justice, invokes the rights of research subjects to whatever medical advances result from the testing. (The people who are placed at risk should be the same ones who might benefit from a successful result.)

Then Winickoff and Morrow proposed applying the Belmont principles to the study of the most aggressive forms of geoengineering—the ones that would block the sun, like a volcanic eruption does, with a spray of sulfur or other particles into the stratosphere. Before we could embark on a radical intervention like that, we’d need to run smaller-scale tests that might themselves pose a risk to the environment. In much the way that a clinical drug trial might produce adverse reactions, so might a real-world trial of, say, the Pinatubo Option. Instead of causing organ failure or death in its subjects, a botched course of geoengineering might damage the ozone layer or reduce rainfall.

The problem, admitted the ethicists, is how to go about applying the Belmont rules outside of medicine. In clinical drug trials, researchers obtain consent from individuals, and they can precisely define the worse-case outcome (like death). But a trial run of hazing up the stratosphere wouldn’t affect specific, identifiable people in any one town, city, or state. The climate is interconnected in many ways, some still mysterious to scientists, and so the risks of even a small-scale test in a particular location might apply across the globe. If everyone on Earth could be affected, how do you figure out whom to ask for informed consent?

One possibility would be to require that all nations of the world agree ahead of time on any tests of consequence. To many gathered at Asilomar, however, this seemed naive; speakers repeatedly invoked the failure of all-inclusive talks to cut global carbon emissions, and it would presumably be much tougher to secure an agreement on work that might damage crop yields or open a hole in the ozone. A more pragmatic approach would be to set up something like a United Nations Planet Hacking Security Council, comprising 15 or so powerful nations whose oversight of research tests would take into account the concerns of a broad swath of countries. But that undemocratic approach would surely face howls of protest.

The principle of beneficence may be just as difficult to follow. Under the Belmont guidelines, doctors must balance the particular risks of a clinical trial with the potential benefit to any individual who might participate. Since it would be impossible to make such a calculation for every person on Earth, planet hackers could at best choose the experiments that minimize harm to the most vulnerable communities—like people living on the coasts of Southeast Asia. But we may not know enough about the risks of geoengineering to make any such credible calculation when the time comes. Consider the Pinatubo Option, by which scientists would mimic the cooling effect of volcanoes. Putting particles in the stratosphere could reduce the total amount of energy that strikes the Earth. Some climate modelers say this would disrupt rainfall by reducing moisture in the atmosphere obtained by evaporation. Others say that geoengineering’s droughts and famines would be less harmful than those caused by unchecked warming. Right now, no one can agree on the nature of the risks, let alone the degree to which they would apply to particular communities.

And what about justice? Among the disruptions that could result from testing the Pinatubo Option is a weakening of the Asian monsoon, a source of water for hundreds of millions of people in India. Those in developing countries will “eat the risk” of geoengineering trials, shouted one of the Asilomar speakers. If representatives from just a small set of countries were appointed as doctors to the planet, then the less powerful nations might end up as the world’s guinea pigs. Of course, the citizens of those nations also would seem to have the most to lose from uninterrupted global warming. These two dangers would have to be measured one against the other—and compensation as part of the experimental program could be one way of making tests more fair.

If medical ethics aren’t quite up to the task of guiding our forays into geoengineering, what other sort of principles should we keep in mind? One important danger to be aware of is the moral hazard that might come with successful trials. That’s the idea that protective circumstances or actions can encourage people to take undue risks—government insurance of banks led to risky investments that caused the savings-and-loan crisis in the 1980s, for example. Moral hazard looms particularly large for geoengineering studies since medium-scale field tests could prematurely give us the sense that we have a low-cost technical fix for global warming, no emissions cuts needed. (Moral hazard isn’t quite as potent in medical research. The availability of cholesterol-lowering drugs may well discourage people from maintaining healthy diets, but it’s unlikely that mere clinical trials would have the same effect.)

Another ethical principle that might apply to geoengineering is minimization—the idea that, a priori, it’s better to tinker at the smallest possible scale necessary to answer vital scientific questions. This notion comes from the ethics of animal experimentation; now we might apply it to planetary systems and the environment more broadly. Up until now, the medical ethics frame for geoengineering has guided discussions of how geoengineering might affect people in various countries. Perhaps we should be talking about how it affects the planet itself.

By that token, we might gain something by thinking of the Earth as a patient on its own terms. The rules and regulations we come up with for tests of geoengineering should take into account the way those experiments might affect ecosystems and nonhuman animals, both under threat from warming. And so maybe the most famous piece of medical ethics ought to apply: the Hippocratic Oath. “First, do no harm” is the crux of the original, but an updated version exhorts doctors to avoid “the twin traps of overtreatment and therapeutic nihilism.” The climate crisis may force us to act despite myriad ethical challenges, for our benefit and for the planet’s.

This piece was produced by Slate as part of the Climate Desk collaboration.

Eli Kintisch is a reporter at Science and author of a new book on geoengineering, Hack the Planet.

>Brasileiro se preocupa com aquecimento global, mas muda pouco

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Mudança latente

Por Ricardo Voltolini*, da Revista Ideia Socioambienltal
28/04/2010 – 11h04

Pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 21 de abril revela que pouco mais de nove entre 10 brasileiros acreditam no fenômeno do aquecimento global. Três quartos dos entrevistados acham que a ação humana é a grande responsável pelas mudanças climáticas.

Os números diferem muito dos registrados em estudos com americanos e ingleses. Nos EUA, metade dos cidadãos não crê na responsabilidade do homem pelo aquecimento global. Na Inglaterra, são 25%. Nesses países, mais do que aqui, o recente ataque dos negacionistas climáticos –que tem confrontado duramente as pesquisas do painel de cientistas do clima das Nações Unidas – fez crescer o número de céticos.

Especialmente no caso dos Estados Unidos, ideias que contestam ou atenuam o impacto humano nas mudanças climáticas costumam ter boa aceitação seja porque oferecem salvo-conduto para não deixar de lançar gases de efeito estufa seja porque reduzem a culpa por um estilo de vida considerado perdulário para o planeta muito conveniente. O país é, como se sabe, o maior emissor de CO2. E, em dezembro último, seu presidente, Barack Obama, ajudou a desandar o acordo do clima justamente por não aceitar metas de redução de emissões mais ambiciosas. Para os EUA e –também para a China, sua grande concorrente no mercado global– diminuir emissões significa abrir mão de crescimento, coisa que causa arrepios no norte-americano médio e seus representantes políticos no senado.

Outros números do estudo do Datafolha merecem atenção. Segundo os dados, o número de brasileiros que se consideram bem informados sobre o tema saltou de 20% (em 2009) para 34%. Isso é bom, claro. Talvez signifique um primeiro passo. Mas sentir-se bem informado não quer dizer estar preparado para fazer as mudanças individuais necessárias visando a reduzir o impacto ao planeta.

Nesse sentido, apenas para estimular uma reflexão, lembro de uma pesquisa feita pela Market Analysis, em 2007, em 18 países. Aquele estudo, o primeiro do gênero no País, revelou que os brasileiros estavam entre os mais preocupados do mundo com as mudanças climáticas. No entanto, 46% achavam que um indivíduo pode fazer muito pouco diante de um problema tão grave.

Considerando as variáveis competência e capacidade para mudar o quadro, o estudo identificou quatro grupos. O mais numeroso (40%) seria formado por pessoas com bom nível de informação sobre o aquecimento global, alinhadas com a atuação das ONG´s, críticas em relação às empresas, mas que não necessariamente fazem algo para mudar seu dia a dia. Apenas um em cada seis integrantes desse grupo, no entanto, mostrava-se consciente e mobilizado.

O segundo grupo reunia 38% de brasileiros bem informados sobre o problema, dispostos a adotar mudanças em seu estilo de vida e sensíveis à idéia de que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Eles acreditavam que, individualmente, podiam dar uma resposta mais clara do que a sociedade como um todo. O terceiro grupo (12%) confiava mais na sociedade do que em sua própria capacidade de mudar a situação. E o quarto (10%) não acreditava nem no potencial do indivíduo nem no da sociedade. Ambos se caracterizavam por uma postura desinformada e acrítica.

A considerar que esses dados seguem atuais –e penso honestamente que sim- são grandes os desafios brasileiros. O mais importante é mobilizar os indivíduos, fazendo com que percebam que pequenas ações de redução de pegada ecológica somadas a outras ações de consumo consciente no dia a dia podem fazer diferença na luta para esfriar o planeta. Como já foi dito logo após o fracasso de Copenhague, o aquecimento global é um tema importante demais para esperar que as soluções venham apenas de líderes de estado comprometidos mais com a sua política doméstica do que com o futuro saudável da grande casa que habitamos.

*Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade.

http://www.topblog.com.br/sustentabilidade

(Envolverde/Idéia Socioambiental)

>Mudanças climáticas: "caça às bruxas" direcionada a cientistas na Virginia (EUA)

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An unwelcome ‘climate’ for scientists?

By Paul Guinnessy, Physics Today on May 11, 2010 6:34 PM

Virginia Attorney General Ken Cuccinelli, in a blatantly political move to help strengthen his support among the right wing for his bid to become the next governor, is causing uproar in the science community by investigating climate scientist and former University of Virginia professor Michael Mann.

Cuccinelli is accusing Mann of defrauding Virginia taxpayers by receiving research grants to study global temperatures. Mann, who is now based at the Pennsylvania State University, hasn’t worked in Virginia since 2005.

The subpoena, which currently isn’t attached to any lawsuit, requires the University of Virginia to provide Cuccinelli with thousands of documents and e-mails dating from 1999 to 2005 regarding Mann’s research. The accusation is tied to Mann and coworkers’ “hockey stick” graph that was included in a 2001 United Nations Intergovernmental Panel on Climate Change report. The graph displays annual global average temperatures by merging a wide variety of data sources that were used in some private e-mails made public when the University of East Anglia’s Climate Research Unit e-mail server got hacked.

Not answering the question

When Cuccinelli appeared on the Kojo Nnamdi Show on WAMU radio on Friday, he claimed the investigation was not into Mann’s academic work, but instead was “directed at the expenditure of dollars. Whether he does a good job, bad job or I don’t like the outcome—and I think everybody already knows his position on some of this is one that I question. But that is not what that’s about.”

However, the letter demanding materials gives a different impression. It asks, along with Mann’s correspondence with 39 other climate scientists, for “any and all computer algorithms, programs, source code, or the like created or edited by … Mann.”

This was emphasized when Cuccinelli spoke to the Washington Post, stating “in light of the Climategate e-mails, there does seem to at least be an argument to be made that a course was undertaken by some of the individuals involved, including potentially Michael Mann, where they were steering a course to reach a conclusion. Our act, frankly, just requires honesty.”

There hasn’t been an investigation by Virginia’s attorney general’s office into the funding of research grants of this nature before. Moreover, only one of the five grants under suspicion was funded by Virginia taxpayers through the university; the others were federal grants from the National Oceanic and Atmospheric Administration and the National Science Foundation.

No backbone?

The University of Virginia was originally going to succumb to Cuccinelli’s request. In a statement released to the press last Thursday the university said it was “required by law to comply.”

Shortly afterward, the University of Virginia Faculty Senate Executive Council issued its own statement, which ends:

We maintain that peer review by the scientific community is the appropriate means by which to identify error in the generation, presentation and interpretation of scientific data. The Attorney General’s use of his power to issue a CID under the provisions of Virginia’s FATA is an inappropriate way to engage with the process of scientific inquiry. His action and the potential threat of legal prosecution of scientific endeavor that has satisfied peer-review standards send a chilling message to scientists engaged in basic research involving Earth’s climate and indeed to scholars in any discipline. Such actions directly threaten academic freedom and, thus, our ability to generate the knowledge upon which informed public policy relies.

This was shortly followed by a joint letter to the university from the American Civil Liberties Union and the American Association of University Professors asking the University of Virginia to follow procedures to appeal the subpoena.

The letters seem to have had some effect: The Washington Post reported that the university is now “considering” its options before the Friday deadline to appeal is up.

State Senator Donald McEachin issued a statement, in which he stated he will submit a bill so that in the future the attorney general cannot issue a subpoena without also issuing a lawsuit.

“This is not only ludicrous and frivolous, wasting more taxpayer dollars and trampling on academic freedom, but the Attorney General has deprived Mr. Mann of his constitutional rights,” said McEachin.

Part of a bigger trend

On Friday, although it was put together before Cuccinelli issued his subpoena, Science published a letter by 255 members of the National Academy of Sciences, decrying “political assaults” against climate scientists and “McCarthy-like threats of criminal prosecution” and spelling out again the basic facts of what we know about the changing climate.

The letter was triggered by veiled threats from Senator James Inhofe, a well-known climate-change denier, to criminally investigate scientists over their research, and the political response to the CRU e-mails.

According to Peter Gleick, president of the Pacific Institute, a research center in Oakland, California—who spoke with New York Times reporter Sindya N. Bhanoo—before the NAS members gave the letter to Science, the group had first submitted it to the Wall Street Journal, the New York Times, and the Washington Post, all of whom declined to run it.

>Marcelo Leite: Águas turvas (FSP)

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“Preconceitos, estridência, falácias, invenções e estatísticas, aliás, transformam todo o debate público numa bacia amazônica de turbidez. Não é privilégio da questão indígena. Tome a usina hidrelétrica de Belo Monte. Ou o tema explosivo da disponibilidade de terras para o agronegócio”

Marcelo Leite
Folha de S.Paulo, 09/05/2010 – reproduzido no Jornal de Ciência (JC e-mail 4006)

Por uma dessas coincidências sintomáticas que a época produz, duas frases que abrem a reportagem de capa da presente edição do caderno Mais! – “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é” e “Só é índio quem se garante” – estão no centro de um bate-boca entre seu autor, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, e a revista “Veja”.

A abertura foi escrita antes do quiproquó, mas pouco importa. Se ela e todo o texto sobre educação indígena forem recebidos como tomada de posição, tanto melhor.

De qualquer maneira, é instrutivo ler a reportagem da revista que deu origem a tudo, assim como as réplicas e tréplicas que se seguiram. Permite vislumbrar a profundidade dos preconceitos anti-indígenas e da estridência jornalística que turvam essa vertente de discussão no país.

Preconceitos, estridência, falácias, invenções e estatísticas, aliás, transformam todo o debate público numa bacia amazônica de turbidez. Não é privilégio da questão indígena. Tome a usina hidrelétrica de Belo Monte. Ou o tema explosivo da disponibilidade de terras para o agronegócio, epicentro da indigitada reportagem da revista “Veja”.

“Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil”, afirmam seus autores, sem citar a fonte. “Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional.”

É provável que a origem omitida seja o estudo “Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista”, encomendado à Embrapa Monitoramento por Satélite pela Presidência da República e encampado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, leia-se senadora Kátia Abreu, DEM-TO). Seu coordenador foi o então chefe da unidade da Embrapa, Evaristo Eduardo de Miranda. A estimativa terminou bombardeada por vários especialistas, inclusive do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nesta semana veio à luz, graças às repórteres Afra Balazina e Andrea Vialli, mais um levantamento que contradiz a projeção alarmante. O novo estudo foi realizado por Gerd Sparovek, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em colaboração com a Universidade de Chalmers (Suécia).

Para Miranda, se toda a legislação ambiental, fundiária e indigenista fosse cumprida à risca, faltariam 334 mil km2 – 4% do território do Brasil – para satisfazer todas as suas exigências. O valor dá quase um Mato Grosso do Sul de deficit.

Para Sparovek, mesmo que houvesse completa obediência ao Código Florestal ora sob bombardeio de ruralistas, sobraria ainda 1 milhão de km2, além de 600 mil km2 de pastagens poucos produtivas usadas para pecuária extensiva (um boi por hectare). Dá 4,5 Mato Grosso do Sul de superavit.

A disparidade abissal entre as cifras deveria bastar para ensopar as barbas de quem acredita em neutralidade científica, ou a reivindica. Premissas, interpretações da lei e fontes de dados diversas decerto explicam o hiato.

Mas quem as examina a fundo, entrando no mérito e extraindo conclusões úteis para o esclarecimento do público e a tomada de decisão? Faltam pessoas e instituições, no Brasil, com autoridade para decantar espuma e detritos, clarificando as águas para que se possa enxergar o fundo. De blogueiros e bucaneiros já estamos cheios.

>SBPC: o jornalismo irresponsável da revista Veja

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Em nota, SBPC repudia reportagem de ‘Veja’

Jornal da Ciência – JC e-mail 4007, de 11 de Maio de 2010

Reportagem trata da demarcação de terras indígenas e é acusada de distorcer informações

Intitulada “A farra da antropologia oportunista”, a reportagem foi publicada na edição de 5 de maio da revista semanal. O texto já havia sido objeto de nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Leia a nota da ABA em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70689.

No domingo, a coluna do jornalista Marcelo Leite, no caderno “Mais!”, da “Folha de SP”, também tratou da polêmica reportagem e da reação de membros da comunidade científica da antropologia. Leia a coluna em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=70771

A reportagem da “Veja” pode ser lida no acervo digital da revista, em http://www.veja.com.br/acervodigital/home.aspx

Leia abaixo a íntegra da nota da SBPC:

“A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vem a público hipotecar inteira solidariedade a sua filiada, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), que em notas de sua diretoria e da Comissão de Assuntos Indígenas repudiou cabalmente matéria publicada pela revista ‘Veja’ em sua edição de 5 de maio do corrente, intitulada “Farra da Antropologia Oportunista”.

Registra, também, que a referida matéria vem sendo objeto de repulsa por parte de cientistas e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, os quais inclusive registram precedentes de jornalismo irresponsável por parte da referida revista, caracterizando assim um movimento de indignação que alcança o conjunto da comunidade científica nacional.

Por outro lado, a maneira pela qual foram inventadas declarações, o tratamento irônico e preconceituoso no que diz respeito às populações indígenas e quilombolas e a utilização de dados inverídicos evidenciam o exercício de um jornalismo irresponsável, incitam atitudes preconceituosas, revelam uma falta total de consideração pelos profissionais antropólogos – cuja atuação muito honra o conjunto da comunidade científica brasileira – e mostram profundo e inconcebível desrespeito pelas coletividades subalternizadas e o direito de buscarem os seus próprios caminhos.

Tudo isso indo em direção contrária ao fortalecimento da democracia e da justiça social entre nós e à constituição de uma sociedade que verdadeiramente se nutra e se orgulhe da sua diversidade cultural.

Adicionalmente, a SBPC declara-se pronta a acompanhar a ABA nas medidas que julgar apropriadas no campo jurídico e a levar o seu repúdio ao âmbito da 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que se realizará no final deste mês de maio em Brasília.”

>Quase ganhador

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Agência FAPESP – 17/5/2010

Quase. Passou muito perto. Na próxima vez está no papo. Segundo uma pesquisa feita na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, o cérebro do apostador contumaz reage diferentemente na hora de encarar uma derrota.

Para quem não costuma jogar, perder é algo normal e sinaliza a hora de parar. Mas para quem tem no jogo de apostas o seu vício, não é bem assim. De acordo com o estudo, o cérebro desses apostadores reage de modo muito mais intenso a ocasiões em que a vitória esteve muito próxima do que ocorre nos demais.

Essa particularidade poderia explicar por que os jogadores obstinados continuam a apostar mesmo quando estão perdendo sem parar. No estudo, os pesquisadores analisaram os cérebros de 20 apostadores por meio de ressonância magnética funcional enquanto eles jogavam em uma máquina caça-níqueis.

Os pesquisadores observaram que as partes do cérebro envolvidos no processamento de recompensas – chamadas de centros de dopamina – eram mais ativos em pessoas com problemas de apostas do que em pessoas que apostavam socialmente (dois grupos nos quais os voluntários foram divididos).

Durante o experimento, os participantes jogaram uma máquina com duas rodas e ganhavam 50 pences a cada vez que o resultado eram dois ícones iguais. Duas figuras diferentes era considerado uma derrota, mas quando o resultado ficava a um ícone de um par (antes ou depois, na sequência do movimento), o resultado era considerado um “perdeu por pouco”.

Os pesquisadores observaram que esses últimos casos ativaram os mesmos caminhos cerebrais do que as vitórias, mesmo que não houvesse recompensa monetária. Verificaram também que a reação ao resultado era muito mais forte entre os apostadores contumazes.

“Os resultados são interessantes por que sugerem que as ‘derrotas por pouco’ podem estimular uma resposta dopamínica nos jogadores mais frequentes, mesmo quando isso não resulta em um prêmio. Se esses fluxos de dopamina estão direcionando o comportamento aditivo, isso poderá ajudar a explicar por que aqueles que têm nas apostas o seu problema acham tão difícil parar de jogar”, disse Luke Clark, um dos autores do estudo, que foi publicado no Journal of Neuroscience.

O artigo Gambling severity predicts midbrain response to near-miss outcomes (DOI:10.1523/jneurosci.5758-09.2010), de Luke Clark e Henry Chase, pode ser lido por assinantes do Journal of Neuroscience em http://www.jneurosci.org/cgi/content/abstract/30/18/6180.

>Acelerador de gente (FSP)

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Entrevista com Karin Knorr Cetina

José Galisi-Filho
Folha de SP, 2/5/2010 – reproduzido no Jornal da Ciência (JC e-mail 4001)

Socióloga que estudou os pesquisadores do LHC diz que experimento elimina noções tradicionais de autoria e prestígio

Ao visitar o LHC (Grande Colisor de Hádrons) em abril de 2008, o físico escocês Peter Higgs pôde contrastar sua dimensão humana com a escala gigantesca da maior máquina já construída pela humanidade.

Se a hipótese de Higgs estiver correta, os dados que começaram a jorrar nas últimas semanas do LHC fornecerão a última peça no quebra-cabeças do modelo padrão, a teoria da física que explica a matéria. Mas a saga do LHC é resultado do trabalho de gerações de pesquisadores, cujos nomes finalmente se diluirão na “simbiose homem-máquina” de um novo paradigma, pela primeira vez realmente global, de cooperação cientifica.

Para Karin Knorr Cetina, professora de sociologia do conhecimento da Universidade de Konstanz, Alemanha, o experimento é, antes de tudo, um “laboratório humano” numa escala sem precedentes na história da ciência moderna.

Cetina passou 30 anos observando os pesquisadores do Cern (Centro Europeu de Física Nuclear), laboratório na Suíça que abriga o LHC, numa espécie de estudo “etnológico” da tribo dos físicos, seus usos e costumes. Segundo ela, noções tradicionais na ciência, como carreira, prestigio e autoria, deixam de ter qualquer significado no modelo de produção de conhecimento do Cern.

Da Universidade de Chicago, EUA, onde é pesquisadora visitante, Cetina falou à Folha:

– O que há de novo na forma de produzir conhecimento no Cern, e como isso se compara com as humanidades?

O novo é a dimensão, a duração e o caráter global do experimento. A estrutura dos experimentos é um experimento em si mesmo, com um caráter antecipatório de um tempo global e de uma sociedade do conhecimento. Poderíamos, talvez, fazer uma comparação com aquele espírito arrojado e inovador no desenvolvimento do supersônico Concorde nos anos 1960, que sinalizou uma ruptura de época. Mas não se pode responder com uma simples frase ao “como” esse experimento é coordenado.

Há muitos mecanismos particulares que sustentam o projeto e o transformam numa espécie de “superorganismo”, na íntima colaboração de mais de 2.000 físicos com o gigantesco LHC, que eles mesmo projetaram e no qual, finalmente, trabalham juntos. Um mecanismo muito importante são as publicações coletivas em ordem alfabética. Quem é privilegiado não é o “gênio”, o autor, ou pesquisadores destacados em suas áreas. Um outro mecanismo é que o experimento mesmo, e não os autores, é “convidado” para as conferências internacionais.

Os atores individuais são apenas os representantes daquilo que produziram em conjunto. Um outro mecanismo é que os participantes se encontram, por exemplo, durante toda uma semana no Cern, e esses encontros são organizados de tal maneira que todos possam e devam ser informados sobre tudo que ocorre. Estabelece-se, assim, uma espécie de consciência coletiva do “conhecimento compartilhado”.

Como poderíamos comparar isso com as ciências humanas? Alguns diagnósticos de época importantes, de historiadores e filósofos, por exemplo, ainda encontram ressonância na opinião pública, mas, infelizmente, a estrutura e a segmentação da pesquisa nesse campo do conhecimento não tem mais nada de interessante a oferecer. A sociologia tradicional não sinaliza mais para a frente.

– Depois de muitos anos de pesquisa de campo em laboratórios como uma etnógrafa da ciência, como se diferenciam as culturas científicas diante do papel do indivíduo?

A biologia molecular, que acompanhei por muitos anos, é uma ciência “de bancada”, na qual, por regra, poucos pesquisadores trabalham juntos, na qual também se produz e publica em coletivo, mas não em ordem alfabética. O papel do pesquisador individual ainda permanece importante. Isso leva, como sabemos, a conflitos em torno de autoria e quem está em que posição na publicação. A física de altas energias procura, em contrapartida, liberar a cooperação, na qual é o conjunto que está no ponto central. O fio condutor não é mais a carreira, mas o resultado cientifico. O acelerador é o elemento dominante, pois ele somente pode ser construído e avaliado por muitos.

– Seria a natureza mesma do projeto incompatível com um novo “insight” individual que poderia mudar tudo de forma imprevisível?

É bem mais provável, no caso do Cern, que a pesquisa em equipe deva produzir excelentes resultados empíricos. Muitos pesquisadores em sociologia e nas humanidades, de maneira geral, produzem resultados parciais, fragmentados, que não se agregam dentro de um sistema numa perspectiva cumulativa -não porque a natureza do social seja fragmentada, mas porque nossa maneira de conduzir pesquisas, nossas convenções de pesquisa, não se agregam. Em muitas ciências empíricas devemos investigar no processo cooperativo -já que na natureza todas as partes de uma sistema se interrelacionam- ou todo o sistema ou saber qual é, realmente, a parte central desse sistema que deve ser isolada e destacada. Esse reducionismo experimental não pode ser levado a cabo na ciência social por motivos éticos, por se tratar de pessoas em sua integridade, que não podemos reduzir a células de cultura. Para tanto, seria necessário muito mais cooperação e pesquisa.

>Testes genéticos e a compreensão popular dos fenômenos probabilísticos

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Teste genético chega à farmácia

Fernando Eichenberg
O Globo, 13/5/2010 – reproduzido no Jornal da Ciência (JC e-mail 4009)

EUA começam a vender polêmicos exames para detectar risco de doenças

A partir de na sexta-feira (14/5), além de aspirina, vitamina C ou pasta de dente, os americanos poderão comprar na farmácia da esquina testes genéticos personalizados, que prometem indicar o risco de contrair 23 doenças, como os males de Alzheimer e Parkinson, câncer de mama, leucemia ou diabetes.

Isso será possível em cerca de 6 mil das 7,5 mil lojas da rede Walgreens, uma das duas maiores dos EUA. É a primeira vez que testes de análise de DNA estarão disponíveis para consumo de massa.

A iniciativa é da Pathway Genomics, uma empresa de San Diego. Os kits, chamados de Insight Saliva Collection, ao preço unitário entre US$ 20 e US$ 30, têm um recipiente de plástico e um envelope padrão, pelo qual a saliva coletada é enviada a um dos laboratórios para análise. Após a remessa, é necessário pagar um valor adicional, no site da empresa, pelos tipos de testes de DNA desejados.

Por US$ 79, são avaliadas as reações do organismo a substâncias como cafeína, drogas de redução do colesterol ou tamoxifeno, usado no tratamento do câncer de mama. Por US$ 179, futuros pais poderão conhecer a probabilidade de serem portadores de 23 problemas genéticos, como diabetes ou talassemia beta (um tipo de anemia), passíveis de transmissão aos seus filhos. Pelo mesmo preço, são testados riscos pessoais referentes a ataques cardíacos, câncer do pulmão, leucemia ou esclerose múltipla. Para aqueles dispostos a desembolsar ainda mais, por US$ 249 é possível fazer todos os testes disponíveis.

Especialista diz que testes são nocivos

A chegada dos testes genéticos às farmácias causou polêmica. A Pathway Genomics alega que, embora não sejam definitivos, os resultados fornecidos pelas análises poderão estimular as pessoas a mudar de hábitos e a adotar atitudes mais saudáveis em suas vidas. Nem todos concordam. Para Hank Greely, diretor do Centro de Direito e de Biociências da Universidade de Stanford, trata-se de uma péssima ideia. Segundo ele, para a grande maioria das pessoas, as informações genéticas não serão de grande valia e poderão, inclusive, ser mal interpretadas, provocando sérios riscos. Ele dá o exemplo de uma mulher que descobre, pelos testes, não ter a mutação nos genes relacionada ao câncer de mama.

– Ela pode concluir que está salva. Mas o que isso significa? Que você não tem 70% de chances de ter câncer de mama, mas ainda está acima da média de risco de 12%. Ela poderá decidir parar de fazer exames, o que será um enorme erro – explica.

Greely cita também o caso de alguém que é informado possuir o dobro de propensão para sofrer da doença de Alzheimer.

– Talvez essa pessoa não vá cometer suicídio, mas poderá ter sua vida alterada com esse dado. Ela não irá perceber o fato de que ter 20% em vez de 10% de possibilidade de sofrer de Alzheimer significa que em 80% do tempo ela viverá como alguém que não terá a doença – pondera.

Para o especialista, um dos maiores perigos dessa nova iniciativa é a falta de aconselhamento médico na hora de fornecer os resultados.

– Por US$ 99 a hora, você pode telefonar para um número que está no site da empresa para fazer consultas sobre o seu teste, mas é claro que a maioria das pessoas não vai pagar por isso – ressalta.

Por essa razão, embutida em sua legislação, o Estado de Nova York não permitirá que os kits sejam vendidos nas farmácias locais. O FDA, órgão do governo americano que regulamenta o mercado de remédios e alimentos, anunciou que está avaliando o caso e dará um parecer em breve. Mas a ideia já inspirou a CVS, cadeia de farmácias concorrente da Walgreens, que promete também vender seus kits genéticos a partir de agosto.

>"A ciência não é um deus que sabe tudo", diz líder ianomâmi (FSP)

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Folha de S.Paulo, da Redação
12/05/2010 – 09h24

O líder ianomâmi Davi Kopenawa disse estar “muito contente” com a notícia de que as mais de 2.000 amostras de sangue de seu povo, que desde 1967 repousam em centros de pesquisa dos Estados Unidos, serão devolvidas à tribo. Conforme a Folha adiantou no último domingo, há um acordo sendo finalizado entre cinco universidades e o governo brasileiro para a devolução, que ainda não tem data.

Da Alemanha, onde está para assistir a uma ópera que tem seu povo como protagonista, o líder indígena respondeu por e-mail, por intermédio do antropólogo Bruce Albert, a perguntas feitas pela reportagem. (CA)

Folha – Como o sr. recebeu a notícia de que as universidades aceitaram devolver o sangue?

Davi Kopenawa Yanomami – Foi uma luta de dez anos. Agora, fiquei muito contente que os brancos acabaram entendendo a importância desse retorno.

Folha – O sangue foi coletado nos anos 1960, mas só nesta última década os ianomâmis começaram a se esforçar para tê-lo de volta. Por quê?

Kopenawa – O sangue foi tirado do nosso povo quando eu era menino. Os cientistas não explicaram nada direito. Só deram presentes, panelas, facas, anzóis e falaram que era para coisa de saúde. Depois todo mundo esqueceu. Ninguém pensou que o sangue seria guardado nas geladeiras deles, como se fosse comida! Só em 2000 que eu soube que esse sangue estava ainda guardado e sendo usado para pesquisa. Aí me lembrei da minha infância, e os velhos também se lembraram de que nosso sangue foi tirado. Todo mundo ficou muito triste de saber que esse sangue nosso e de nossos parentes mortos ainda estava guardado.

Folha – Napoleon Chagnon e James Neel agiram errado com vocês?

Kopenawa – Eu acho que estavam muito errados, porque eles pensaram que os ianomâmis podem ser tratados como crianças e não têm pensamento próprio. Não dá para fazer pesquisa com povos indígenas sem explicação. Pesquisa que interessa à gente é para melhorar nossa saúde. Não dá para pesquisar e deixar a gente depois morrer de doenças. Um tempo depois que esses cientistas foram embora, em 1967, morreu quase todo o meu povo do Toototobi de sarampo.

Folha – Por que o sangue será jogado no rio quando ele voltar?

Kopenawa – Vamos entregar esse sangue do povo ianomâmi ao rio porque o nosso criador, Omama, pescou sua mulher, nossa mãe, no rio no primeiro tempo. Mas não gosto da palavra “jogar”, não vamos jogar o sangue dos nossos antigos; vamos devolver para as águas.

Folha – Os cientistas dizem que, sem poderem estudar o sangue e o DNA de vocês, informações que podem ser preciosas para toda a humanidade se perderão para sempre. Como o sr. reage a essa crítica?

Kopenawa – A ciência não é um deus que sabe tudo para todos os povos. Se querem pesquisar o sangue do povo deles, eles podem. Quem decide se pesquisas são boas para nosso povo somos nós, ianomâmis.

>The delicate wine grape has become our best early-warning system for the effects of global warming (Slate)

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climate desk – In Vino Veritas

The delicate wine grape has become our best early-warning system for the effects of global warming.

By Mark Hertsgaard
Posted Monday, April 26, 2010, at 11:01 AM ET

John Williams has been making wine in California’s Napa Valley for nearly 30 years, and he farms so ecologically that his peers call him Mr. Green. But if you ask him how climate change will affect Napa’s world-famous wines, he gets irritated, almost insulted. “You know, I’ve been getting that question a lot recently, and I feel we need to keep this issue in perspective,” he told me. “When I hear about global warming in the news, I hear that it’s going to melt the Arctic, inundate coastal cities, displace millions and millions of people, spread tropical diseases and bring lots of other horrible effects. Then I get calls from wine writers and all they want to know is, ‘How is the character of cabernet sauvignon going to change under global warming?’ I worry about global warming, but I worry about it at the humanity scale, not the vineyard scale.”

Williams is the founder of Frog’s Leap, one of the most ecologically minded wineries in Napa and, for that matter, the world. Electricity for the operation comes from 1,000 solar panels erected along the merlot vines; the heating and cooling are supplied by a geothermal system that taps into the Earth’s heat. The vineyards are 100 percent organic and—most radical of all, considering Napa’s dry summers—there is no irrigation.

Yet despite his environmental fervor, Williams dismisses questions about preparing Frog’s Leap for the impacts of climate change. “We have no idea what effects global warming will have on the conditions that affect Napa Valley wines, so to prepare for those changes seems to me to be whistling past the cemetery,” he says, a note of irritation in his voice. “All I know is, there are things I can do to stop, or at least slow down, global warming, and those are things I should do.”

Williams has a point about keeping things in perspective. At a time when climate change is already making it harder for people in Bangladesh to find enough drinking water, it seems callous to fret about what might happen to premium wines. But there is much more to the question of wine and climate change than the character of pinot noir. Because wine grapes are extraordinarily sensitive to temperature, the industry amounts to an early-warning system for problems that all food crops—and all industries—will confront as global warming intensifies. In vino veritas, the Romans said: In wine there is truth. The truth now is that the Earth’s climate is changing much faster than the wine business, and virtually every other business on Earth, is preparing for.

All crops need favorable climates, but few are as vulnerable to temperature and other extremes as wine grapes. “There is a fifteenfold difference in the price of cabernet sauvignon grapes that are grown in Napa Valley and cabernet sauvignon grapes grown in Fresno,” in California’s hot Central Valley, says Kim Cahill, a consultant to the Napa Valley Vintners’ Association. “Cab grapes grown in Napa sold [in 2006] for $4,100 a ton. In Fresno the price was $260 a ton. The difference in average temperature between Napa and Fresno was 5 degrees Fahrenheit.”

Numbers like that help explain why climate change is poised to clobber the global wine industry, a multibillion-dollar business whose decline would also damage the much larger industries of food, restaurants, and tourism. Every business on Earth will feel the effects of global warming, but only the ski industry—which appears doomed in its current form—is more visibly targeted by the hot, erratic weather that lies in store over the next 50 years. In France, the rise in temperatures may render the Champagne region too hot to produce fine champagne. The same is true for the legendary reds of Châteauneuf du Pape, where the stony white soil’s ability to retain heat, once considered a virtue, may now become a curse. The world’s other major wine-producing regions—California, Italy, Spain, Australia—are also at risk.

If current trends continue, the “premium wine grape production area [in the United States] … could decline by up to 81 percent by the late 21st century,” a team of scientists wrote in a study published in the Proceedings of the National Academy of Sciences in 2006. The culprit was not so much the rise in average temperatures but an increased frequency of extremely hot days, defined as above 35 degrees Celsius (95 degrees Fahrenheit). If no adaptation measures were taken, these increased heat spikes would “eliminate wine grape production in many areas of the United States,” the scientists wrote.

In theory, winemakers can defuse the threat by simply shifting production to more congenial locations. Indeed, Champagne grapes have already been planted in England and some respectable vintages harvested. But there are limits to this strategy. After all, temperature is not the sole determinant of a wine’s taste. What the French call terroir—a term that refers to the soil of a given region but also includes the cultural knowledge of the people who grow and process grapes—is crucial. “Wine is tied to place more than any other form of agriculture, in the sense that the names of the place are on the bottle,” says David Graves, the co-founder of the Saintsbury wine company in the Napa Valley. “If traditional sugar-beet growing regions in eastern Colorado had to move north, nobody would care. But if wine grapes can’t grow in the Napa Valley anymore—which is an extreme statement, but let’s say so for the sake of argument—suddenly you have a global warming poster child right up there with the polar bears.”

A handful of climate-savvy winemakers such as Graves are trying to rouse their colleagues to action before it is too late, but to little avail. Indeed, some winemakers are actually rejoicing in the higher temperatures of recent years. “Some of the most expensive wines in Spain come from the Rioja Alta and Rioja Alavesa regions,” Pancho Campo, the founder and president of the Wine Academy of Spain, says. “They are getting almost perfect ripeness every year now for Tempranillo. This makes the winemakers say, ‘Who cares about climate change? We are getting perfect vintages.’ The same thing has happened in Bordeaux. It is very difficult to tell someone, ‘This is only going to be the case for another few years.’ “

The irony is, the wine business is better situated than most to adapt to global warming. Many of the people in the industry followed in their parents’ footsteps and hope to pass the business on to their kids and grandkids someday. This should lead them to think further ahead than the average corporation, with its obsessive focus on this quarter’s financial results. But I found little evidence this is happening.

The exception: Alois Lageder’s family has made wine in Alto Adige, the northernmost province in Italy, since 1855. The setting, at the foot of the Alps, is majestic. Looming over the vines are massive outcroppings of black and gray granite interspersed with flower-strewn meadows and wooded hills that inevitably call to mind The Sound of Music. Locals admire Lageder for having led Alto Adige’s evolution from producing jug wine to boasting some of the best whites in Italy. In October 2005, Lageder hosted the world’s first conference on the future of wine under climate change. “We must recognize that climate change is not a problem of the future,” Lageder told his colleagues. “It is here today and we must adapt now.”

As it happens, Alto Adige is the location of one of the most dramatic expressions of modern global warming: the discovery of the so-called Iceman—the frozen remains of a herder who lived in the region 5,300 years ago. The corpse was found in 1991 in a mountain gully, almost perfectly preserved—even the skin was intact—because it had lain beneath mounds of snow and ice since shortly after his death (a murder, forensic investigators later concluded from studying the trajectory of an arrowhead lodged in his left shoulder). He would not have been found were it not for global warming, says Hans Glauber, the director of the Alto Adige Ecological Institute: “Temperatures have been rising in the Alps about twice as fast as in the rest of the world,” he notes.

Lageder heard about global warming in the early 1990s and felt compelled to take action. It wasn’t easy—”I had incredible fights with my architect about wanting good insulation,” he says—but by 1996 he had installed the first completely privately financed solar-energy system in Italy. He added a geothermal energy system as well. Care was taken to integrate these cutting-edge technologies into the existing site; during a tour, I emerged from a dark fermentation cellar with its own wind turbine into the bright sunlight of a gorgeous courtyard dating to the 15th century. Going green did make the renovation cost 30 percent more, Lageder says, “but that just means there is a slightly longer amortization period. In fact, we made up the cost difference through increased revenue, because when people heard about what we were doing, they came to see it and they ended up buying our wines.”

The record summer heat that struck Italy and the rest of Europe in 2003, killing tens of thousands, made Lageder even more alarmed. “When I was a kid, the harvest was always after Nov. 1, which was a cardinal date,” he told me. “Nowadays, we start between the 5th and 10th of September and finish in October.” Excess heat raises the sugar level of grapes to potentially ruinous levels. Too much sugar can result in wine that is unbalanced and too alcoholic—wine known as “cooked” or “jammy.” Higher temperatures may also increase the risk of pests and parasites, because fewer will die off during the winter. White wines, whose skins are less tolerant of heat, face particular difficulties as global warming intensifies. “In 2003, we ended up with wines that had between 14 and 16 percent alcohol,” Lageder recalled, “whereas normally they are between 12 and 14 percent. The character of our wine was changing.”

A 2 percent increase in alcohol may sound like a tiny difference, but the effect on a wine’s character and potency is considerable. “In California, your style of wine is bigger, with alcohol levels of 14 and 15, even 16 percent,” Lageder continued. “I like some of those wines a lot. But the alcohol level is so high that you have one glass and then”—he slashed his hand across his throat—”you’re done; any more and you will be drunk. In Europe, we prefer to drink wine throughout the evening, so we favor wines with less alcohol. Very hot weather makes that harder to achieve.”

There are tricks grape growers and winemakers can use to lower alcohol levels. The leaves surrounding the grapes can be allowed to grow bushier, providing more shade. Vines can be replaced with different clones or rootstocks. Growing grapes at higher altitudes, where the air is cooler, is another option. So is changing the type of grapes being grown.

But laws and cultural traditions currently stand in the way of such adaptations. So-called AOC laws (Appellation d’Origine Côntrollée) govern wine-grape production throughout France, and in parts of Italy and Spain, as well. As temperatures rise further, these AOC laws and kindred regulations are certain to face increased challenge. “I was just in Burgundy,” Pancho Campo told me in March 2008, “and producers there are very concerned, because they know that chardonnay and pinot noir are cool-weather wines, and climate change is bringing totally the contrary. Some of the producers were even considering starting to study Syrah and other varieties. At the moment, they are not allowed to plant other grapes, but these are questions people are asking.”

The greatest resistance, however, may come from the industry itself. “Some of my colleagues may admire my views on this subject, but few have done much,” says Lageder. “People are trying to push the problem away, saying, ‘Let’s do our job today and wait and see in the future if climate change becomes a real problem.’ But by then it will be too late to save ourselves.”

If the wine industry does not adapt to climate change, life will go on—with less conviviality and pleasure, perhaps, but it will go on. Fine wine will still be produced, most likely by early adapters such as Lageder, but there will be less of it. By the law of supply and demand, that suggests the best wines of tomorrow will cost even more than the ridiculous amounts they fetch today. White wine may well disappear from some regions. Climate-sensitive reds such as pinot noir are also in trouble. It’s not too late for winemakers to save themselves through adaptation. But it’s disconcerting to see so much dawdling in an industry with so much incentive to act. If winemakers aren’t motivated to adapt to climate change, what businesses will be?

The answer seems to be very few. Even in Britain, where the government is vigorously championing adaptation, the private sector lags in understanding the adaptation imperative, much less implementing it. “I bet if I rang up 100 small businesses in the U.K. and mentioned adaptation, 90 of them wouldn’t know what I was talking about,” says Gareth Williams, who works with the organization Business in the Community, helping firms in northeast England prepare for the storms and other extreme weather events that scientists project for the region. “When I started this job, I gave a presentation to heads of businesses,” said Williams, who spent most of his career in the private sector. “I presented the case for adaptation, and in the question-and-answer period, one executive said, ‘We’re doing quite a lot on adaptation already.’ I said, ‘Oh, what’s that?’ He said, ‘We’re recycling, and we’re looking at improving our energy efficiency.’ I thought to myself, ‘Oh, my, he really didn’t get it at all. This is going to be a struggle.’ “

“Most of us are not very good at recognizing our risks until we are hit by them,” explains Chris West, the director of the U.K. government’s Climate Impact Program. “People who run companies are no different.” Before joining UKCIP in 1999, West had spent most of his career working to protect endangered species. Now, the species he is trying to save is his own, and the insights of a zoologist turn out to be quite useful. Adapting to changing circumstances is, after all, the essence of evolution—and of success in the modern economic marketplace. West is fond of quoting Darwin: “It is not the strongest of the species that survives … nor the most intelligent that survives. It is the one that is the most adaptable to change.”

This story comes from the Climate Desk collaboration.

Article URL: http://www.slate.com/id/2251870/

>Quando é melhor ter sotaque estrangeiro

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Accented teachers may be better for English language learners: study

By Valerie Strauss – The Answer Sheet
The Washington Post, May 5, 2010

A new study on how well students learn second languages from teachers with accents suggests that Arizona may be making a mistake by trying to remove heavily accented Hispanic teachers from classrooms filled with Hispanics trying to learn English.

School districts in Arizona are under orders from the state Department of Education to remove teachers who speak English with a very heavy accent (and/or whose speech is ungrammatical) from classrooms with students who are learning to speak English. Officials say they want students who don’t know much English to have teachers who can best model how to speak the language.

I wrote the other day about the difficulties in determining just how deep an accent has to be to be considered a problem, but here’s another side of the issue.

According to a new research study conducted in Israel, students learn a second language better from a teacher who speaks in the same accent as they do.

The study, published in the Journal of Psycholinguistic Research, said that students learning from a teacher with the same accent have an easier time understanding the material. They don’t have to spend time trying to understand the English in a different accent.

According to one of the report’s co-authors, Psychology Professor Zohar Eviatar, the concentration a student would have to summon to understand English in a different accent is considerably greater than if the student were a native English speaker.

In Arizona, that would mean that Hispanic kids studying English would learn better from teachers with Spanish accents.

The research, conducted at the University of Haifa, has implications not just for second language acquisition, but for how well students learn new subjects, Eviatar said.

The study was performed by researchers from different backgrounds. Dr. Raphiq Ibrahim is an Israeli Arab with an Arabic accent; Dr. Mark Leikin hails from the former Soviet Union and speaks with a Russian accent; Eviatar is a fluently bilingual Hebrew-English speaker. The team was both personally and professionally curious to know more about the accent effect.

Here’s how the study was done:

Sixty participants from ages 18 to 26 were chosen: Twenty were native Hebrew speakers, 20 were from the former Soviet Union, and 20 were Israeli Arabs who had started learning Hebrew at about seven years of age.

Researchers made recordings of Hebrew phrases where the last word was recorded with one of four different accents: Hebrew, Arabic, Russian or English. The students were then tested to see how long it took for them to recognize the Hebrew word in one of the four accents.

They found, according to the Innovation News Service, that the Hebrew speakers could decipher Hebrew words adequately regardless of the accent in which they were spoken, while the Russian and Arabic speakers needed more time to understand the Hebrew words presented in an accent foreign to their own.

The researchers feel that additional research is needed to determine just how much extra effort is involved in the attempt to process both an unfamiliar accent as well as new material.

The study suggests that English taught to Mexican students as a second language, for example, can be taught just as well by a Mexican teacher speaking English, as by a native American who’s been speaking English since birth.

“If you are an Arab, you would understand English better if taught by a native Arab English teacher,” Eviatar believes, adding, “This research isn’t even just about learning language but can be expanded to any topic like math or geography.

“If you have a Spanish accent and your teacher has a Chinese accent it will be much harder for you to concentrate on your studies,” Eviatar continues. “It’s best to learn from a teacher who teaches with a majority accent – the accent of the language being spoken, or an accent like your own. If not, it’s an added burden for the student.”

Someone should give this study to Arizona education officials.

>História e arqueologia do mundo digital

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Site arqueológico

25 de abril de 2010 – 17h40
Por Heloisa Lupinacci
Estadão.com.br

Em 2001, o cientista Joseph Miller pediu à Nasa dados coletados pela sonda Viking em Marte nos anos 70. A Nasa achou as fitas, mas os dados gravados ali não puderam ser abertos. O software que os lia não existia mais, e, como disse Miller à época à agência de notícias Reuters, os técnicos que conheciam o formato estavam todos mortos.

Essa é uma história. Há muitas outras. Parte do conhecimento produzido de maneira digital já era. De dados científicos a modinhas da internet. “Temos poucos serviços de preservação da história da cultura digital e muito conteúdo já se perdeu ao longo dos últimos anos”, diz Roberto Taddei, coordenador do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, que discutirá o tema em São Paulo de hoje até quinta.

Decifra-me ou… Se um pergaminho pode ser desenrolado por qualquer pessoa, um cartão perfurado, bisavô do disquete, não se deixa abrir facilmente. Carlos Augusto Ditadi, da Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do Conselho Nacional de Arquivo (CONARQ, que já cuida de parte patrimônio digital do País), dá a medida da encrenca: “o disco depende do driver, que depende do computador, que depende do software, que depende do sistema operacional: isso se chama interdependência”. Some a essa equação o fato de computadores ficarem obsoletos, programas saírem de linha e linguagens caírem em desuso: o cartão perfurável fica tão indecifrável quanto hieróglifos egípcios.

A preocupação com o patrimônio digital é recente. Em 2002, foi apresentada pela Unesco a Carta pela Preservação do Patrimônio Digital. Diz o documento: “Muitas dessas fontes têm valor e relevância duradouros e, assim, constituem um patrimônio a ser preservado”. A organização criou o órgão E-Heritage, dedicado, sobretudo, à conscientização de governos e à capacitação de arquivistas. É um bom começo, mas o patrimônio digital tem lá seus obstáculos específicos.

A interdependência é um deles. E, nesse caso, uma das melhores soluções veio de um jeito que é a cara da web: dos usuários. “A primeira geração de gamers percebeu, nos anos 90, que não tinha mais acesso a jogos da infância. Eles foram os primeiros a usar emuladores, que sempre existiram, como ferramentas de preservação. Graças a eles há emuladores para quase qualquer plataforma computacional”, diz Andreas Lange, diretor do Museu de Jogos de Computador, em Berlim, que tenta evitar o desaparecimento de games. O emulador é um programa que recria qualquer ambiente de computador: softwares extintos, consoles não mais fabricados, etc.

…devoro-te. Outro desafio evidente é o volume. Em 2009, de acordo com o Instituto de Pesquisas IDC, a humanidade produziu 750 bilhões de GB de informação. Como escolher o que preservar? “Não fazemos nenhuma seleção. Tentamos fazer o registro mais exaustivo. Arquivamos tudo o que encontramos sob o domínio .pt”, diz Daniel Gomes, coordenador do projeto Arquivo da Web Portuguesa. A declaração da Unesco sugere: “Os principais critérios devem ser significância e durabilidade (cultural, científica). Materiais ‘nativos digitais’ devem ter prioridade”.

Decidido o que guardar, falta definir como guardar e arrumar dinheiro para isso. Duas questões nada simples. Segundo Ditadi, o site é das coisas mais difíceis de preservar. “Ele deve permanecer navegável, mas como garantir os links? E eles levam a coisas protegidas por direitos autorais. É um registro muito dinâmico.” E o armazenamento custa caro. É preciso fazer uma cópia no formato nativo, chamada cópia de testemunho, que é a garantia de que aquele documento é real. Então, é feita a versão de preservação, em uma extensão mais duradoura – quase sempre um formato aberto, baseado em software livre. Daí, grava-se a cópia de acesso, aquela que fica disponível para consulta. Multiplique, portanto, tudo por três.

Por essas e outras, muitas vezes a memória da web é preservada justo por quem a alimenta. De novo, o usuário. Mas daí não há novidade. “Muitas bibliotecas foram montadas por usuários e depois doadas a instituições ou bibliotecas”, lembra Taddei.

* Visite os marcos: Parceria firmada entre Google e Unesco colocará todos os 890 sítios tombados pelo órgão no Google Earth e no Maps. O Street View permite a ‘visita’ em 19 patrimônios da humanidade.

* Histórico e natural: A Unesco divide o patrimônio da humanidade em duas categorias, o patrimônio histórico e o patrimônio natural. Há sítios mistos, tombados em ambas, como Ibiza, na Espanha.

* Patrimônio no Brasil: Há três esferas de tombamento histórico no Brasil, a municipal (na cidade de São Paulo é o Conpresp), a estadual (no Estado de São Paulo é o Condephaat) e a federal, o Iphan.

* Biblioteca de tweets: A coordenadora de mídias digitais da Biblioteca do Congresso dos EUA, que arquivará tweets, fala sobre a preservação de informações digitais na insituição.

* Biblioteca de tudo: A Wayback Machine, parte do Internet Archive que guarda sites, foi incorporada à Biblioteca de Alexandria após parceria com o E-Heritage. Para navegar pelo acervo, vá a Archive.org.

* Todos juntos: Comparando o fim do Geocities à destruição, pelo Taleban, dos budas de Bamyan, no Afeganistão, o holandês Jacques Matthei conclama todos a resgatá-lo em seu Reocities.com