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Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

>FOME: Cúpula sem agricultores, sem prazos e sem números

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Por Sabina Zaccaro, da IPS – Revista Envolverde
17/11/2009 – 11h11

Roma, 17/11/2009 – Os agricultores do mundo não são parte das delegações oficiais enviadas à Cúpula Mundial sobre a Segurança Alimentar, iniciada nesta segunda-feira (16) em Roma. Mas, se acertaram para chegar e expressar seus pontos de vista. Suas comunidades são as que mais sofrem o impacto da crise alimentar. Pequenos produtores da selva amazônica, da África, das ilhas do Pacífico e do Himalaia se reuniram na capital italiana por ocasião do Fórum pela Soberania alimentar dos Povos, que começou sexta-feira e termina hoje, paralelamente à cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

O objetivo do fórum foi debater sobre os sérios efeitos da crise nas comunidades agrícolas e camponesas. Os pequenos agricultores e outros pequenos produtores de alimentos representam mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo, estima o fórum da sociedade civil. “Produzem mais de 75% das necessidades alimentares do mundo mediante a agricultura camponesa e a pequena produção pecuária, além da pesca artesanal”, disseram os organizadores. Segundo a FAO, a quantidade de pessoas famintas no mundo aumentou este ano para 1,020 bilhão, devido à crise econômica mundial aos elevados preços dos alimentos e dos combustíveis, às secas e aos conflitos.

“A quantidade de famintos anunciada pela FAO inclui, em grande parte, os que produzem alimentos. E isto representa o aspecto mais incrível da fome”, disse à IPS Antonio Onorati, do Comitê Internacional de Planejamento da Sociedade Civil. Os conhecimentos e as práticas indígenas têm o potencial de melhorar a segurança alimentar local e mundial, mas ainda não são reconhecidos, de acordo com as organizações de produtores.

Por estes dias, as questões-chave sobre a mesa das entidades de agricultores e camponeses têm a ver com quem decide as políticas alimentares e agrícolas, onde são tomadas estas decisões, quem controla os recursos para produzir alimentos, como estes são obtidos e como ajudar as pessoas que não têm acesso diretamente a eles, isto é, os pobres das cidades. Os resultados de seu trabalho serão apresentados no fechamento da cúpula da FAO, amanhã.

Segundo Renée Vellvé, da organização não-governamental internacional Grain, o acesso e o direito à terra deveriam ser uma prioridade. “A atual tendência à compra e apropriação de terras se manifesta em países que têm dinheiro, mas dependem de compras no exterior para se alimentar, como Arábia Saudita, Coréia do Sul e outros. Vão à África e à Ásia para conseguir terras de cultivo a fim de produzir seus próprios alimentos no exterior”, disse Vellvé à IPS. “As companhias investidoras estão tentando fazer o mesmo apenas para ganhar dinheiro, por isso se vê governos e indústrias sacando os agricultores de suas terras, especialmente onde a posse não é segura. Isto afeta primeiro as mulheres, sobretudo na África”, acrescentou.

Nettie Wiebem, da rede internacional de movimentos e organizações rurais Via Camponesa, concorda que é fundamental devolver as terras aos pequenos agricultores. “É obvio, mas se esquece, que a produção de alimentos é absolutamente necessária para a segurança alimentar, ou seja, que os agricultores que produzem alimentos os coloquem no mercado”, disse à IPS. “Mas, agora estamos cada vez mais longe de nossos alimentos, particularmente nas nações em desenvolvimento, a ponto de a parte do produtor se esquecida, e, de fato, apagada por uma produção industrial corporativa”, acrescentou.

Segundo Wiebe, a agricultura e os mercados locais podem, inclusive, esfriar o planeta. “Uma reforma agrária real e genuína, adiada durante décadas, faria muito mais pelo clima do que qualquer acordo que possa resultar das próximas negociações em Copenhague”, afirmou. O especialista referia-se à 15ª Conferência sobre Mudança Climática que acontecerá de 7 a 18 de dezembro na capital dinamarquesa.

Vellvé afirmou que as organizações de agricultores já não acreditam nos códigos de conduta, pautas e princípios discutidos na FAO. “O problema é até onde pressionarão, e como se situam os governos”, disse. Assim, além dos recursos econômicos, o que os pequenos produtores pedem é uma mudança na tomada de decisões que afetam suas vidas. “Isto só pode acontecer se a comunidade local tem um papel nas decisões e se tem acesso e controle sobre os recursos produtivos locais”, afirmou Onorati.

O diretor-geal da FAO, Jacques Diouf – que no final de semana fez jejum de 24 horas em solidariedade aos que passam fome no mundo – pediu aos países ricos que aumentem a quantia que destinam anualmente à assistência agrícola de US$ 7,9 bilhões para US$ 44 bilhões. Mas o texto da declaração da cúpula já perdeu a cifra concreta de US$ 44 bilhões e a proposta da FAO de introduzir um compromisso com prazo preciso, no ano de 2025, para erradicar a fome no mundo.

“O texto é positivo quanto ao direito à alimentação, à promoção da agricultura sustentável e ao Comitê de Segurança Alimentar”, disse a ativista Sarah Gillam, da organização humanitária ActionAid, referindo-se ao corpo da FAO que está sendo reformado para ampliar a participação a novos atores e promover seu papel no combate à fome. Mas a declaração carece de “dentes’, dsse Gillam. Os Estados se comprometem a cumprir a meta do milênio de reduzir pela metade a população faminta até 2015 e prometem “agir de forma sustentada para erradicar a fome o mais rápido possível”.

A declaração inclui promessas de “elevar substancialmente a ajuda ao desenvolvimento destinada à agricultura e à segurança alimentar”. Mas, sem prazos e sem números, “este é um documento desprovido de instrumentos concretos para uma luta efetiva contra a fome”, disse Sergio Marelli, presidente do grupo assessor da sociedade civil na cúpula. (IPS/Envolverde)

* Com a contribuição de Paul Virgo (Roma).

>Natureza conflitante

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Especiais

AGÊNCIA FAPESP – 9/11/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – “Civilizar” o país e inseri-lo em um projeto de modernidade significava, em grande parte, abandonar a ideia do ambiente rural, da natureza selvagem e dos territórios inóspitos e atrasados. Paraíso terrestre, guerra contra a natureza, sentimento de nostalgia, ideia de progresso e transformação da natureza são alguns dos aspectos analisados no livro Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922), que acaba de ser lançado.

A obra investiga como grande parte da intelectualidade brasileira – do fim do século 19 até a Semana de Arte Moderna, em 1922 – percebia e concebia as múltiplas relações entre natureza e sociedade, aliado a um projeto de modernidade nacional.

O livro analisa um conjunto de escritos desse período tanto na ficção como em textos não literários (ensaios, relatos de viagem e memórias) de autores consagrados, como Euclides da Cunha, Graça Aranha e Visconde de Taunay, e outros menos conhecidos, como Alberto Rangel, Hugo de Carvalho Ramos e Domicílio da Gama.

De acordo com a autora Luciana Murari, o conjunto de textos é multifacetado, com muitas contradições, dividido de um lado pela tentativa de “racionalizar tudo”, de encaixar a realidade em modelos cognitivos que a explicassem e que possibilitassem que o homem adquirisse controle sobre a natureza e, de outro, pela percepção da natureza como um espaço sagrado e inatingível.

“Essas duas inclinações não se mostravam mutuamente excludentes no contexto das obras, nem mesmo no conjunto da obra de um mesmo autor. Na melhor das hipóteses, em momentos otimistas, grande parte dos intelectuais brasileiros acreditava que o progresso resolveria tudo, anularia as diferenças e criaria a própria nacionalidade”, disse Luciana, professora do Centro de Ciências Humanas e do Programa de Pós-graduação em Letras, Cultura e Regionalidade da Universidade de Caxias do Sul, à Agência FAPESP

O livro é resultado de sua tese de doutorado, defendida na Universidade de São Paulo (USP) sob a orientação de Elias Thomé Saliba, professor titular em Teoria da História da USP, e recebeu apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

“O livro mostra que essa geração de pensadores e ensaístas, mais do que presa às explicações deterministas, biológicas e racistas, viveu uma consciência dividida, característica da cultura do fim de século”, disse Saliba.

“A obra revela ainda como esses pensadores, cada um a sua maneira, denunciam a modernidade postiça, construída a partir da devastação brutal da natureza e da destruição dos laços que mantinham a coesão da sociedade tradicional. Alguns de seus argumentos e descrições, com difusa e surpreendente consciência ecológica, mostram-se ainda estranhamente atuais”, disse.

De acordo com Luciana, em relação ao recorte histórico pouco convencional, a ideia foi investigar o período anterior à Semana de Arte Moderna, “porque esse período precisa ser revisto como um todo e não apenas nos momentos que pareceriam, na melhor das hipóteses, antecipar a chamada revolução modernista”.

“A delimitação é uma referência para se pensar o início do processo de modernização produtiva no Brasil, que também viveu uma espécie de modernização intelectual nesse período, dedicado a transformar os padrões cognitivos em vigor no debate sobre a nacionalidade e a construir uma nova imagem e uma nova postura frente ao país, baseada na ciência”, disse.

Embora não analise os textos dos chamados modernistas de 1922, a pesquisadora conta ter percebido que não houve uma ruptura radical em relação ao debate modernista e algumas questões que circulavam há tempos entre os intelectuais brasileiros do período anterior.

“Os modernistas transformaram muitas coisas e estabeleceram novos padrões estéticos, mas talvez essa noção de ruptura associada ao movimento reproduza o próprio discurso deles, ou de alguns deles, e nos impeça de ver continuidades importantes”, disse.

Ao elencar os escritores interessados na questão da natureza brasileira, Luciana destaca três nomes: o cearense Rodolfo Teófilo, Alberto Rangel, um seguidor de Euclides da Cunha cuja linha ficcional apresenta características de não ficcionais, e Coelho Neto, um dos intelectuais mais prestigiados do seu tempo, mas muito pouco estudado.

Coelho Neto era uma referência para seus contemporâneos, sempre chamado para palpitar nos assuntos mais importantes da vida nacional. Mas acabou, segundo a pesquisadora, ganhando fama de intelectual alienado da realidade nacional.

“Essa acusação, a meu ver, não tem fundamento, mesmo porque ele foi uma referência para o nativismo de sua época, como pioneiro da literatura regionalista. A visão de Coelho Neto sobre a natureza resume muito do que seus contemporâneos discutiam, mas ao mesmo tempo é bastante original porque tem um aspecto místico muito forte e uma emotividade arrebatadora”, disse Luciana.

Sonho da modernidade

Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922) está dividido em quatro capítulos, mais um pós-escrito. Um paraíso terrestre mostra as concepções teóricas sobre a relação entre homem e natureza no país e como a relação da sociedade brasileira com sua base natural adquiriu um sentido negativo, “exprimindo um conflito inexorável entre os empreendimentos humanos e as condições do meio natural”.

Guerra contra a natureza, segundo capítulo, aprofunda o diagnóstico “negativo” de uma relação baseada na violência recíproca: tanto a ação destrutiva da natureza em relação aos desígnios humanos como a ação destruídora do homem em relação a ela.

Nos dois últimos capítulos, a autora aborda, respectivamente, o Sentimento do sertão na alma brasileira e o Progresso e transformação da natureza.

“Nesse quarto capítulo, discuto a modernidade propriamente dita, compreendida como uma relação de domínio do homem sobre a natureza. Os autores tentavam demonstrar a viabilidade de uma sociedade moderna no ambiente brasileiro, pacificando a luta do homem contra a natureza e superando a melancolia por meio da ação. É um capítulo sobre as utopias da modernidade brasileira”, explicou.

Segundo Luciana, a construção da natureza no imaginário nacional permite observar o dilema brasileiro a partir da perspectiva de homens conscientes e temerosos do peso da formação colonial e escravocrata do Brasil.

“Trata-se de um fardo que concorria com seus projetos de alinhamento à modernidade e que perturbava a formação de um sentimento coletivo em um país em que as divisões sociais eram muito profundas e irredutíveis”, apontou.

“A modernidade era um sonho que parecia fadado a nunca se realizar, porque aquele peso sempre se fazia sentir e se expressava de forma muito intensa na relação do país com seu meio físico”, disse a autora.

Título: Natureza e Cultura no Brasil (1870-1922)
Autora: Luciana Murari
Ano: 2009
Páginas: 474
Preço: R$ 50
Mais informações: http://www.alamedaeditorial.com.br

>Aspectos psicológicos na comunicação social das mudanças climáticas

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The Psychology of Climate Change Communication: A Guide for Scientists, Journalists, Educators, Political Aides, and the Interested Public
Download the guide and learn more at: cred.columbia.edu/guide/home.html
Press release:
HOW DOES THE MIND GRASP CLIMATE CHANGE? A research-based guide tries to narrow the gap between information and action
NEW YORK, Nov. 4, 2009 — A recent poll shows that the number of Americans who accept that human activity is changing Earth’s climate is declining—down from 47 percent to 36 percent—even though the scientific data is overwhelming, and continues to build rapidly. A concise new publication delves into what goes on in the human mind that causes this disconnect, and what communicators of climate science can do about it.
The new 43-page guide, The Psychology of Climate Change Communication, released today by Columbia University’s Center for Research on Environmental Decisions, looks at how people process information and decide to take action, or not. Using research into the reactions of groups as disparate as African farmers and conservative U.S. voters, it offers insights on how scientists, educators, journalists and others can effectively connect with the wider world.
For the nonscientist, climate can seem alternately confusing, overwhelming and politically loaded, say lead authors Debika Shome and Sabine Marx. The guide shows how evolving scientific knowledge can be conveyed without running into predictable roadblocks. Using eight basic principles, it identifies tactics that scientists and other can use to increase the chances that people will understand what they are saying and, when appropriate, take action. These include framing complex issues in ways that people can relate to personally. (New Yorkers may respond more to the idea that sea-level rise threatens to flood their subways, than to the idea that it also threatens much of Bangladesh.) They say scientists and journalists also need to do a better job of sorting the larger picture from smaller uncertainties—for instance, concentrating on the strong consensus that sea levels will rise in the 21st century, versus confusing readers with disagreements over exactly how much levels will rise.
Scientists generally acknowledge that nothing can be known with absolute certainty; their trade involves reducing the amount of uncertainty. But, as with the numbers they give out, the words they habitually use can be misinterpreted by the public to mean they do not really know what they are talking about. For instance, a recent report from the Intergovernmental Panel on Climate Change states that global temperature increases that have taken place in the last 50 years have been “very likely due to the observed increase in anthropogenic GHG concentrations.” Panel scientists have agreed that “very likely” means 90 percent certain or more–but when researchers asked ordinary people to assign a percentage to that specific phrase, most came up with a much lower number. The guide also attacks fancy words like anthropogenic (translation: manmade) and acronyms such as GHG, (shorthand for greenhouse gases). These may alienate even educated people, say the authors. Even many graphs that in the minds of scientists show alarming trends elicit only yawns or incomprehension from almost everyone else.
One chart in the guide lists words with columns showing their meaning as perceived by scientists, and by nonscientists. To scientists, a “theory” is the “physical understanding of how [something] works.” Hence, the theory of evolution, the theory that the earth formed over billions of years—and now, the theory of manmade climate change. But to the public, a theory may be just “a hunch, conjecture or speculation.” (Politicians long ago learned the lesson that language is important: one recent study by the authors and their colleagues finds that conservative Americans find “carbon offsets” more acceptable than a “carbon tax”—even though it might be argued the two are essentially the same. Climate legislation now before Congress has excluded anything labeled a “tax.”)
The public has its own chronic problems. For one thing, there is a phenomenon that social scientists call the “finite pool of worry”; people can deal with only so much bad news at a time before they tune out. For another, when individuals respond to threats like climate change, they are likely to alleviate their worries by taking only one action, even if it is in their interest to take more than one—an effect called the “single actions bias.” For Americans, recycling often serves as a catchall “green” measure, and people will neglect to take others, such as switching to more efficient light sources. One study showed that farmers in Argentina who had capacity to store grain were less likely to use irrigation or crop insurance, even though the added measures would have made their operations more resilient to changing weather.
“Gaining public support for climate change policies and encouraging environmentally responsible behavior depends on a clear understanding of how people process information and make decisions,” say Shome and Marx. “Social science provides an essential part of the puzzle.”
Free printed copies and an interactive online version of the guide are available on CRED’s website . The  project received funding from the Charles Evans Hughes Memorial Foundation and the U.S. National Science Foundation.

>Biocomunicação

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Da apresentação do livro Biocommunication and Natural Genome Editing, de Günther Witzany (Springer, 2010):

Biocommunication occurs on three levels (A) intraorganismic, i.e. intra- and intercellular, (B) interorganismic, between the same or related species and (C) transorganismic, between organisms which are not related. The biocommunicative approach demonstrates both that cells, tissues, organs and organisms coordinate and organize by communication processes and genetic nucleotide sequence order in cellular and non-cellular genomes is structured language-like, i.e. follow combinatorial (syntactic), context-sensitive (pragmatic) and content-specific (semantic) rules. Without sign-mediated interactions no vital functions within and between organisms can be coordinated. Exactly this feature is absent in non-living matter.

Additionally the biocommunicative approach investigates natural genome editing competences of viruses. Natural genome editing from a biocommunicative perspective is competent agent-driven generation and integration of meaningful nucleotide sequences into pre-existing genomic content arrangements and the ability to (re)combine and (re)regulate them according to context-dependent (i.e. adaptational) purposes of the host organism.

>Para além da escrita – Fabiana Bruno e Etienne Samain em pesquisa inédita no campo da antropologia da imagem

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ÁLVARO KASSAB
Jornal da UNICAMP – Campinas, 2 a 8 de novembro 2009 – ANO XXIV – Nº 446

Uma caixa de 32 cm de altura por 18 cm de largura abriga mais que os seis volumes resultantes da tese Fotobiografia – Por uma Metodologia da Estética em Antropologia, de autoria da jornalista e pesquisadora Fabiana Bruno. Seu conteúdo, composto de seis quilos de matéria bruta, guarda tesouros imagéticos amealhados por cinco idosos ao longo de suas vidas. Para além do impressionante relicário de afinidades eletivas reunido em um não menos impressionante esforço de manufatura, a pesquisa ganha contornos inéditos no campo da antropologia da imagem ao apostar em uma metodologia que subverte a velha ordem: prioriza o visual – embora a escrita ganhe considerável espaço, tanto ancorada na fundamentação teórica como na transcrição de depoimentos dos cinco personagens. “Trata-se de um trabalho muito novo. Fabiana soube dar confiança às imagens”, atesta o professor e antropólogo Etienne Samain, orientador da tese, recém-defendida no Instituto de Artes (IA) e que contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Em parecer emitido recentemente, a agência de fomento sugere a publicação da tese, ressaltando a originalidade da pesquisa.

Fabiana vem se dedicando ao tema há oito anos, quando iniciou o mestrado, sempre com os mesmos informantes, à época todos octogenários e de alguma maneira vinculados à fotografia, fosse profissional ou afetivamente. Depois de abertos os baús de lembranças de Olga Rebellato Bruno, Manoel Rodrigues Seixas, Moacir Malachias, Celeste Pires da Costa Ferrari e Maria Teresa de Arruda, estas últimas já falecidas, a pesquisa não teve mais volta. Na dissertação, a jornalista dedicou-se ao trabalho de campo, experiência que pavimentaria posteriormente o recorte mais analítico da tese de mestrado.

No campo antropológico, emergiram reflexões acerca da velhice, da memória e da família. Na esfera da imagem – e seus aportes verbais –, as investigações resultaram no que Fabiana chama de “pequenos filmes de vida” que podem ser “montados, desmontados e remontados”. Das milhares de imagens revolvidas, Fabiana buscou a síntese trabalhando com conjuntos de 20, 10 e 3 fotografias, em escolha que passou pelo crivo dos informantes. Ali, naquelas pranchas, o roteiro foi escrito pela vida de seus protagonistas e reproduzido nas páginas da tese.

Os guardados

Para chegar à metodologia e à confecção de cinco fotobiografias, relembra Fabiana, o percurso foi longo e todo construído no trabalho de campo. A pesquisadora revela que a motivação inicial de sua proposta, entre outras, era tentar dimensionar o que significava, do ponto de vista afetivo, as fotos mantidas pelos idosos em seus baús, partindo do pressuposto de que, em razão da idade avançada, eram muitos os guardados. “Queria saber como essas pessoas interagiam com suas memórias no momento de escolherem as fotografias, já que eu tinha intenção de trabalhar com conjuntos de imagens. Obviamente, estaríamos falando de histórias de vida”, afirma a pesquisadora, ressaltando que optou, para poder seguir uma trilha original, por não predeterminar uma temática ou uma cronologia de vida.

Essa busca pelo novo a partir das fotografias, reforça a pesquisadora, priorizava o estudo visual, sem o descarte da fala – todas as entrevistas, por exemplo, foram gravadas, transcritas e utilizadas no transcorrer do trabalho de campo. Um ponto, entretanto, sempre a incomodou: o fato de a maioria dos trabalhos que se debruçam sobre histórias de vida, invariavelmente, usarem num primeiro momento a fotografia como algo que desperta a lembrança, para, depois de concluída essa tarefa, excluí-la do conjunto da investigação. A partir da constatação, surgiram as indagações. “Queríamos descobrir como dialogar e lidar com a fotografia numa pesquisa acadêmica, dando a ela o devido valor”.

A opinião de Fabiana é corroborada pelo professor Etienne, que coordena, no Departamento de Cinema do IA, o Grupo de Reflexão Imagem e Pensamento (Grip). Para o orientador da pesquisa, teria sido mais cômodo render-se ao modus operandi corriqueiro, por meio do qual, a partir de um leque de fotografias, procede-se o recolhe de memórias. Segundo o docente, trata-se do típico registro de história de vida. “A gente vai transcrevendo e depois deixa as fotos de lado. Elas acabam voltando para a gaveta”, critica o professor, para quem o trabalho de sua orientanda é totalmente novo por seguir na contramão dessa tendência.

“Ela tomou a sério as imagens para fazer não apenas uma história de vida verbal, mas também uma fotobiografia visual”, afirma Etienne, ressaltando que, embora não houvesse um método preconcebido, ele e Fabiana ficaram muito atentos aos passos que tanto os entrevistados como o próprio trabalho proporcionavam. “Se a gente perguntar hoje qual o método adotado, podemos oferecer uma cortina de elementos que nos parecem realmente novos. Outros poderão até ser eliminados. Mas a novidade é ter cinco álbuns, nos quais você diz tudo da vida das fontes – e o que elas escolheram”.

Dar valor ao que se vê não é caminho dos mais fáceis, reconhece Etienne. Na opinião do docente, as pessoas não são alfabetizadas para ver – e entender – o mundo por meio da imagem. O antropólogo ressalta que não se trata de desprezar a escrita, mas argumenta que o verbal também é uma dupla imagem. “Vamos imaginar uma folha de papel branca sobre a qual escrevo ou faço um retrato. Esse retrato, ou esse texto escrito, só vem à tona se contar com o suporte dessa página branca. Se isto é uma figura, o texto escrito é uma dupla figura, já que ele não pode emergir sem o suporte, essa tela de fundo – outra imagem. Ignoramos isso e reduzimos a escrita apenas à transcrição codificada de um alfabeto. É preciso repensá-la. Não descartamos a escrita, mas sempre damos o devido relevo, em cada etapa, às imagens”.

Embora esse tipo de reflexão seja recorrente no Grip, no qual ele conta atualmente com 9 orientandos, Etienne afirma que a pesquisa de Fabiana é um exemplo emblemático de como a imagem “pode ser portadora de pensamento” e de como as pessoas podem se sensibilizar com elas. “Entre elas, ou ao se associarem, essas imagens têm vida própria, independentemente de nós”, afirma o docente, que no momento organiza um livro, de cerca de 350 páginas, cujo título é O que (como) pensam as imagens?

O orientador da pesquisa enfileira as razões para inserir a investigação de Fabiana na categoria de seminal. Segundo ele, trata-se, antes de mais nada, de um trabalho generoso. Ademais, lembra o docente, a metodologia cresceu no transcorrer do trabalho. “Não partimos de uma teoria e muito menos tivemos a pretensão de fazer semiologia, semiótica etc. Tivemos, sim, a audácia de apostar no escuro, sem saber aonde o trabalho iria desembocar. Fomos redescobrindo a teoria a partir da prática, daquilo que se fazia”.

Etienne revela que, apesar de já ter orientado cerca de 35 trabalhos, este foi o primeiro que o envolveu desde o começo, além de ter sido o que despertou um número relevante de questões as quais nunca teria pensado, chegando ao ponto de rever seus conceitos acerca da antropologia, em razão de sua diversidade. “A pesquisa suscitou, em razão de seus aportes comuns, uma espécie de dubiedade que carecia de aprofundamento”, admite, elencando alguns desses pontos, entre os quais as questões da forma, do tempo e da memória da imagem. O esforço foi compensador. “Estamos notadamente fornecendo uma bibliografia enorme para quem vai se arriscar”.

Um desses conceitos aos quais Etienne se refere lhe é particularmente caro, e com frequência norteia suas incursões no campo da reflexão antropológica. Trata-se da definição feita pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, belga como o docente do IA, acerca da diferenciação do pensamento do chamado homem selvagem e do nosso, escrito antes da tetralogia Mitológicas. Na obra, Lévi-Strauss opõe o modo como ambos fazem ciência. Enquanto, segundo ele, o selvagem é sensível, concreto e ligado à natureza, o outro é mais racional e abstrato. Há, entretanto, um liame na intersecção dos dois pensamentos e ao qual Etienne se apega e reverencia a sua maneira: a arte.

O trabalho de Fabiana, na opinião de seu orientador, é um bom exemplo dessa interação. “É, ao mesmo tempo, ponto de partida e, talvez, o final de minha longa caminhada pessoal. O homem não é apenas um cego, um louco. Se quisermos reencontrar o ser humano, temos que pensar que a fusão das duas vertentes da realidade humana terá que ser muito melhor inserida no discurso antropológico. Os antropólogos que ainda não entenderam isto estão condenados ao formol”, opina o docente, para complementar. “Só faremos uma boa antropologia quando nela introduzirmos a arte”.

Essa dimensão artística, no caso da tese de Fabiana Bruno, dá-se em vários níveis e suportes, transcendendo a parte teórica, também densa – de Bateson a Godard. Uma revisão crítica ocupa os primeiros capítulos do trabalho. A própria confecção artesanal das fotobiografias é um exemplo da fusão entre os campos poético e estético, espécie de antídoto ao “analfabetismo visual”. Sobreposições e transparências permeiam todo o trabalho, criando um diálogo inusitado entre a imagem e a narrativa. A opção não foi aleatória. “Há sempre um recorte inicial e, em algumas fotografias, há uma transparência. Minha ideia é associá-la às camadas das memórias das pessoas, já que essas fotos foram escolhidas diversas vezes. Trata-se, em última instância, de uma metáfora”, revela Fabiana. As transcrições das narrativas, por sua vez, inovam na forma – de espiral à labiríntica – e não ignoram o som, o silêncio e as pausas.

Esse trabalho de “desconstrução” de álbuns de família tem o condão de permitir, observa Fabiana, uma nova leitura de suportes quase centenários, embora até se chegar a ela a autora da pesquisa enfrentasse dilemas inerentes a sua concepção. “Poderíamos ter feito tudo em formato multimídia. Isso resolveria todos os problemas, menos um, que era justamente relacionar imagem e escrita. A intenção era trabalhar com a dimensão do papel. Isso fazia parte do conceito”

Desnecessário dizer que a empreitada foi bem-sucedida. Os “filmes de vida” de cinco pessoas nascidas há quase um século podem ser vistos, “com autonomia”, segundo Fabiana, por qualquer interessado, inclusive por aqueles nascidos neste século. Resta saber como os álbuns de família serão configurados daqui para a frente, diante da avalanche multimídia. Isto para não falar da própria família. Bons temas para novas descobertas foram colocados na berlinda. Fabiana e Etienne estão atentos.

A síntese, por Fabiana Bruno

“A tese se configurou como um estudo verbo-visual, a partir das imagens (numa primeira instância, a fotográfica) e da memória representada pelas narrativas de histórias de vida de pessoas idosas. A conjugação do que chamamos verbo-visual se deu pela intersecção das operações de escolha, montagem e remontagem de fotografias guardadas por cinco pessoas idosas ao longo de suas vidas e dos relatos orais elaborados espontaneamente durante o percurso da pesquisa (entenda-se: três momentos de trabalho de campo e entrevistas, separados por um intervalo de tempo, que originaram a escolha e a montagem de conjuntos de 20, 10 e 3 fotografias). Desta maneira, a metodologia se deu essencialmente pela dinâmica do próprio trabalho de campo.

O propósito metodológico buscou desenvolver um modelo de pesquisa para utilização efetiva e de maneira sistematizada da imagem na composição de histórias de vida de pessoas idosas. Valorizando também as palavras/a verbalidade dos informantes, a tese priorizou as imagens e a montagem dessas imagens (reunião de fotografias distintas numa composição alusiva a um filme de vida), oferecidas pelas pessoas durante a pesquisa, como modo de conhecimento da própria história de vida e da configuração da memória. Este modo de conhecimento foi se dando a partir do estudo de como um conjunto de fotografias ordenadas por idosos poderia, quando associadas, serem capazes de dialogar, produzir pensamento e serem também ‘formas que pensam’ (Godard). Desta forma, considerando as histórias de vida pertencentes à Antropologia nos arriscamos a pensar este modelo, no campo antropológico, incorporando a dimensão visual-estética”.

Esta caixa contém:

Dimensões: 32 cm (altura)
x18 cm (largura) x 23,5 cm (profundidade)
Peso: 6 kg
1 volume – livro tese
5 volumes – Fotobiografias
5 cadernos de arranjos visuais
1 DVD com audiovisual dos informantes
150 fotografias relacionadas a histórias de vida
40 horas de entrevistas
738 páginas

>Como transformar informação em ação? Info-ativismo.

>
10 tactics for turning information into action shows how rights advocates around the world have used the internet and digital technologies to create positive change.

http://www.informationactivism.org/

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7079347&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=1&show_portrait=0&color=&fullscreen=1
Info Activism from Tactical Technology Collective on Vimeo.

>Rumo a uma Internet mais (linguisticamente) democrática

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Internet
Órgão regulador aprova ‘maior mudança na internet’ em 40 anos

BBC Brasil – 30 de outubro, 2009 – 02:38 (Brasília)

A Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), o órgão americano que administra a internet e os nomes dos sites, aprovou nesta sexta-feira, em Seul, na Coreia do Sul, o uso de caracteres não- romanos nos endereços da rede.

A medida está sendo considerada pela Icann como “a maior mudança na internet desde que foi inventada, há 40 anos” e reconhece o caráter global da rede.

A proposta foi aprovada em primeira instância em 2008 e permitirá que endereços sejam escritos em árabe, chinês ou japonês, por exemplo.

A agência passará a aceitar inscrições já em 16 de novembro e os primeiros domínios escritos em outros alfabetos já começarão a aparecer no início de 2010.

‘Identidade’

Segundo o porta-voz da Icann Rod Beckstrom, “mais da metade dos 1,6 bilhões de usuários de internet em todo o mundo usam outros alfabetos que não o latino”.

De acordo com o órgão, a nova medida ajudará esses usuários a manter sua identidade cultural no futuro.

“Esta mudança é muito necessária para os futuros usuários, na medida em que a internet continua a se expandir”, completou.

“O que criamos é um diferente sistema de tradução. Temos confiança de que ele funciona porque o temos testado por alguns anos”, disse Peter Dengate Thrush, da comissão encarregada de supervisionar o processo.

O sistema transforma endereços comuns, como “bbc.co.uk” em uma série de números que são posteriormente traduzidos para outros alfabetos.

Alguns países como China e Tailândia já introduziram sistemas que permitem que usuários escrevam endereços da rede em seus próprios idiomas, mas estas iniciativas não foram aprovadas internacionalmente ou funcionam em qualquer computador.

>Biophysical economics

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New School of Thought Brings Energy to ‘the Dismal Science’

October 23, 2009
By NATHANIAL GRONEWOLD of Greenwire

SYRACUSE, N.Y. — The financial crisis and subsequent global recession have led to much soul-searching among economists, the vast majority of whom never saw it coming. But were their assumptions and models wrong only because of minor errors or because today’s dominant economic thinking violates the laws of physics?

A small but growing group of academics believe the latter is true, and they are out to prove it. These thinkers say that the neoclassical mantra of constant economic growth is ignoring the world’s diminishing supply of energy at humanity’s peril, failing to take account of the principle of net energy return on investment. They hope that a set of theories they call “biophysical economics” will improve upon neoclassical theory, or even replace it altogether.

But even this nascent field finds itself divided, as evidenced by the vigorous and candid back-and-forth debate last week over where to go next. One camp says its models prove the world is headed toward a dramatic economic collapse as energy scarcity takes hold, while another camp believes there is still time to turn the ship around. Still, all biophysical economists see only very bleak prospects for the future of modern civilization, putting a whole new spin on the phrase “the dismal science.”

Last week, about 50 scholars in economics, ecology, engineering and other fields met at the State University of New York’s College of Environmental Science and Forestry for their second annual conference on biophysical economics. The new field shares features with ecological economics, a much more established discipline with conferences boasting hundreds of attendees, but the relatively smaller number of practitioners of biophysical economics believe theirs is a much more fundamental and truer form of economic reasoning.

“Real economics is the study of how people transform nature to meet their needs,” said Charles Hall, professor of systems ecology at SUNY-ESF and organizer of both gatherings in Syracuse. “Neoclassical economics is inconsistent with the laws of thermodynamics.”

Like Hall, many biophysical economic thinkers are trained in ecology and evolutionary biology, fields that do well at breaking down the natural world into a few fundamental laws and rules, just like physicists do. Though not all proponents of the new energy-centric academic study have been formally trained in economics, scholars coming in from other fields, especially ecology, say their skills allow them to see the global economy in a way that mainstream economists ignore.

Central to their argument is an understanding that the survival of all living creatures is limited by the concept of energy return on investment (EROI): that any living thing or living societies can survive only so long as they are capable of getting more net energy from any activity than they expend during the performance of that activity.

For instance, if a squirrel burns energy eating nuts, those nuts had better give the squirrel more energy back then it expended, or the squirrel will inevitably die. It is a rule that lies at the core of studying animal and plant behavior, and human society should be looked at no differently, as even technologically complex societies are still governed by EROI.

“The basic issue is very fundamental: Why should economics be a social science, because it’s about stuff?” Hall said.

‘Peak oil’ embraced

The modern biophysical economics movement may be relatively young, but the ideas at its roots are not.

In 1926, Frederick Soddy, a chemist who was awarded the Nobel Prize just a few weeks before, published “Wealth, Virtual Wealth and Debt,” one of the first books to argue that energy should lie at the heart of economics and not supply-demand curves.

Soddy also criticized traditional monetary policy theories for seemingly ignoring the fact that “real wealth” is derived from using energy to transform physical objects, and that these physical objects are inescapably subject to the laws of entropy, or inevitable decline and disintegration.

The sharpest difference between biophysical economics and the more widely held “Chicago School” approach is that biophysical economists readily accept the peak oil hypothesis: that society is fast approaching the point where global oil production will peak and then steadily decline.

The United States is held as the prime example. Though the United States is still the world’s third-largest producer of oil, its oil production stopped growing more than a decade ago and has flatlined or steadily fallen ever since. Other once-robust oil-producing countries have experienced similar production curves.

But the more important indicator, biophysical economists say, is the fact that the U.S. oil industry’s energy return on investment has been steadily sliding since the beginning of the century.

Through analyzing historical production data, experts say the petroleum sector’s EROI in this country was about 100-to-1 in 1930, meaning one had to burn approximately 1 barrel of oil’s worth of energy to get 100 barrels out of the ground. By the 1990s, it is thought, that number slid to less than 36-to-1, and further down to 19-to-1 by 2006.

“If you go from using a 20-to-1 energy return fuel down to a 3-to-1 fuel, economic collapse is guaranteed,” as nothing is left for other economic activity, said Nate Hagens, editor of the popular peak oil blog “The Oil Drum.”

“The main problem with neoclassical economics is that it treats energy as the same as any other commodity input into the production function,” Hagens said. “They parse it into dollar terms and treat it the same as they would mittens or earmuffs or eggs … but without energy, you can’t have any of that other stuff.”

Nor is conservation or energy efficiency the answer. In his presentation, Henshaw noted that the International Energy Agency’s own data show that energy use is doubling every 37 years or so, while energy productivity takes about 56 years to double.

In fact, the small world of biophysical economists seems to agree that energy and resource conservation is pointless in the economic system as it is now construed, contrary to what one might expect. Such efforts are noteworthy as it buys the world a bit more time, but the destination is inevitably the same — a gallon of gasoline not burned by an American will be burned by someone else anyway.

Other peaks?

Though not as closely studied, biophysical economists theorize that the peak oil phenomenon holds true for all non-renewable resources, especially energy commodities. Proponents of the field say they are moving closer to understanding “peak gas” and “peak coal.” Consumption of many of the world’s most valuable minerals could likewise see those resources nearing exhaustion, as well, they say.

And no amount of technology can fix the problem. Hagens points out that oil extraction has evolved by leaps and bounds since the early 1900s, and yet companies must expend much more energy to get less and less oil than they did back then.

“It isn’t that there’s no technology,” Hall said. “The question is, technology is in a race with depletion, and that’s a whole different concept. And we think that we can show empirically that depletion is winning, because the energy return on investment keeps dropping for gas and oil.”

The most pessimistic of the biophysical economics camp sees the oil-fueled world economy grinding to a halt soon, possibly within 10 years. They are all working to get the message out, but not all of them believe their peers in other professions will listen.

“Of course I’m trying to send a message,” said Joseph Tainter, chairman of Utah State University’s Department of Environment and Society. “I just don’t expect there’s anyone out there to receive it.”

Copyright 2009 E&E Publishing. All Rights Reserved.

>Do folclore à cidadania ambiental

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Ensaio

Do folclore à cidadania

Em tempos de discussão acirrada sobre os efeitos do aquecimento global, o pesquisador Renzo Taddei avalia que as populações tradicionalmente vitimadas pelas secas têm contribuição decisiva para consolidação do que chama de cidadania ambiental

Renzo Taddei
especial para O POVO
Fortaleza – 24 Out 2009 – 12h48min
Foto: TALITA ROCHA

A ideia de que as variações do clima vão afetar de forma decisiva o futuro das pessoas é uma novidade com a qual habitantes de muitos centros urbanos do planeta – e do Brasil – agora têm que se acostumar. Para a população do nordeste semiárido, não há nenhuma novidade aí. Foi assim desde sempre. Por isso, poderíamos dizer que, pelo menos nesse sentido, há uma certa cearencização da população urbana mundial.

Brincadeiras a parte, o fato é que há lições a serem aprendidas com as sociedades que convivem com ameaças climáticas há muito tempo. Se ficarem confirmadas previsões a respeito da expansão do semiárido brasileiro e da desertificação de partes do cerrado, como resultado do aquecimento global, o Ceará e estados vizinhos irão, certamente, exportar conhecimento a respeito da convivência com o semiárido.

Os esforços de convivência com o semiárido deram-se, no Ceará, por exemplo, em duas frentes. Uma, mais antiga, está pautada nos conhecimentos da cultura popular, que desde muito cedo na história da região – antes mesmo da chegada dos europeus – já buscava decifrar os enigmas colocados pelo clima, fator fundamental para a garantia da sobrevivência. A outra, mas recente, é o uso da técnica e da ciência na criação de condições materiais para que a vulnerabilidade das populações à seca seja reduzida.

No primeiro grupo, encontramos um sem-número de métodos tradicionais de previsão do tempo e do clima, componentes da base de conhecimentos comuns e compartilhados da população sertaneja, ainda que feitos mais visíveis nas figuras dos profetas da chuva do sertão. Além da atividade de prever as chuvas, as estratégias populares combinam ainda formas específicas de organizar sua produção local, como a escolha de sementes e a criação de animais resistentes à pouca chuva. E tudo isso emoldurado dentro de um marco de referência religioso, em que todas as coisas, inclusive o clima, são parte de uma ordem cósmica regida pelo criador, a quem cabe aos sertanejos pedir proteção e amparo.

No segundo, têm papel de destaque o envio de engenheiros ao estado, por Pedro II, ainda no período imperial, de modo a iniciar um longo processo de institucionalização dos esforços de combate aos efeitos das secas. O momento mais decisivo deste processo foi, certamente, a criação do que viria mais tarde a ser conhecido pela sigla Dnocs.

O Dnocs faz um século de vida. É interessante, e inspirador, ver como, depois de tanto tempo trilhando caminhos separados, paralelos, atuando com os mesmos objetivos, a técnica e a cultura popular têm finalmente a oportunidade de se encontrar. Há dois eventos que ocorrem regularmente no Ceará que sinalizam nessa direção. O primeiro é a reunião anual de profetas da chuva do município de Quixadá. Nessa reunião, que acontece no segundo sábado do mês de janeiro, profetas da região anunciam publicamente os seus prognósticos para a estação de chuvas.

O que têm chamado a minha atenção, desde que comecei a observar estes encontros, é o fato de que muitos dos profetas apresentam-se como “pesquisadores“, uma vez que, dizem eles, suas previsões são baseadas em observação sistemática da natureza, e não em inspirações metafísicas. Por essa razão, muitos destes indivíduos não se sentem confortáveis com o rótulo de profetas. Além disso, é comum que suas previsões incluam algum grau de incerteza associada ao clima, da mesma forma como ocorre em previsões meteorológicas.

A diferença, obviamente, está na linguagem: entre os profetas, a incerteza frequentemente é comunicada através da mensagem “só Deus sabe tudo“. Ou seja, fica claro, nas palavras e previsões dos profetas da chuva, que já não há uma rejeição do conhecimento técnico e das formas “urbanas“ de pensamento, como encontramos, por exemplo, nos poemas Cante lá que eu canto cá ou Ao dotô do avião, de Patativa do Assaré.

O segundo evento, que ocorre com mais frequência, são as reuniões dos comitês de bacias hidrográficas, que ocorrem em todo o Ceará, e, graças à atuação do Dnocs, em várias outras regiões do Nordeste. Nos comitês, técnicos e membros das lideranças populares locais discutem as formas de uso e administração das águas dos açudes do Estado. Como não há água sem chuva, não há conhecimento hídrico sem conhecimento meteorológico. É nos comitês, desta forma, que o conhecimento popular e o conhecimento técnico interagem, criando a possibilidade da criação da verdadeira participação democrática.

Esse panorama está inserido dentro de um contexto mundial em que a expressão cidadania ambiental ganha significados novos e importantes. Todos os habitantes desse planeta se entendem, agora, de alguma forma vinculados à questão ambiental global, seja como consumidores, seja como afetados. E exigem informação a respeito do meio ambiente, e voz no que tange a como sociedade e meio ambiente interagem.

Está aí colocado um desafio real, para o mundo e para o Ceará. Infelizmente, é preciso que se diga, no Ceará e nos demais estados do Nordeste, ainda que a participação popular seja fundamental nos comitês de bacias, há certa resistência com relação ao conhecimento popular. A visão técnica a respeito da natureza é preponderante, e muitas vezes outras formas de conhecimento não tem vez nem voz. Na democratização das águas no Brasil, há um passo faltando, o passo da inclusão da diversidade cultural. Para que se crie uma verdadeira democracia ambiental, aqui e em outros países, todas as vozes têm que ter sua vez.

RENZO TADDEI é antropólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

>University adds Twitter to the curriculum in Australia

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Uni adds Twitter to the curriculum

October 16, 2009
The Sydney Morning Herald – smh.com.au

Social networking upstart Twitter has made the jump to academia’s hallowed halls, with ‘tweets’ made compulsory writing for would-be journalists at Griffith University.

“Some students’ tweets are not as in depth as you might like. But I don’t know if getting them to write an essay is any more beneficial,” said Jacqui Ewart, senior lecturer at the university.

Twitter microblogs have become an online phenomenon with users sending ‘tweets’ of up to 140 characters, or just a few words, to increasing numbers of ‘followers’.

The service rose to global prominence during unrest in the wake of Iran’s recent presidential elections with tweets used to broadcast otherwise restricted information.

The service is being used more frequently by politicians, including Australia’s bookish Prime Minister Kevin Rudd, who has asked followers to recommend movie choices and this week ‘tweeted’ about his visit to a rural bakery.

Students were using twitter as “an exercise in self-reflection,” Ewart said, citing increasing demand from employers for people to use social networking tools.

But reaction from students has been mixed, she said, raising questions over the utility of using sites like Twitter and Facebook in a formal education curriculum.

“Quite surprisingly, a lot of students didn’t know what Twitter was. There were a couple of really vocal students who were saying they couldn’t believe we were using it and thought it was a waste of time,” Ewart said.

Reuters

>Testemunhas do Clima

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Por Redação do WWF-Brasil

O projeto Testemunhas do Clima da Rede WWF visa registrar a forma como as mudanças climáticas vêm modificando a vida de algumas populações ao redor do planeta. No Brasil, oficina realizada na comunidade Igarapé do Costa, no Pará, nos dias 12 e 13 de março de 2008 marcou o início dos trabalhos.

A oficina, coordenada pelo WWF-Brasil em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), buscou mapear e discutir a realidade socioeconômica e ambiental do lugar e perceber como é feita esta adaptação às regras da natureza, através da troca de experiências, para que as lições e os modelos possam ser seguidos em outras partes do mundo.

Igarapé do Costa, onde vivem 80 famílias, também foi o cenário do documentário Testemunhas do Clima. O filme conta a história de Marlene Rêgo Rocha, moradora do Igarapé do Costa, Pará, comunidade localizada na várzea amazônica que já tem sentido alterações climáticas causadas pelo aquecimento global.

Marlene conta quais as mudanças que já ocorreram no local, como tem feito para se adaptar às transformações da natureza e especialistas sobre o assunto explicam o porquê das mudanças e o que pode ser feito.

Testemunhas do Clima – parte 1 – http://www.youtube.com/watch?v=9bBQZ2OzUik

Testemunhas do Clima – parte 2 – http://www.youtube.com/watch?v=v2U5HCvn-40

Conheça o projeto: http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_ambiente_brasil/clima/mudancas_especiais/testemunhasdoclima/

(Envolverde/WWF-Brasil)


>Feijoada: vitória da identidade nacional

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Débora Motta
Reprodução/Debret
 Transferência da família real marcou a adoção da etiqueta à mesa pelos senhores, que se distanciavam dos escravos

A feijoada é considerada o prato que melhor simboliza a culinária nacional. Além de ser preferência na mesa das famílias brasileiras de todas as classes sociais, a saborosa mistura de feijão e carnes, como toicinho, linguiça e charque, revela aspectos curiosos da história social do país. De acordo com o historiador Almir Chaiban El-Kareh, que foi professor visitante especial junto ao Núcleo de Estudos da Modernidade do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense (Nemo/UFF), com bolsa da FAPERJ, entre 2006 e 2008, e hoje é pesquisador visitante do Departamento de Geografia da mesma universidade, também com bolsa da Fundação, nem sempre o feijão, hoje tão democrático, foi visto com bons olhos pelas elites.

Pouco depois da transferência da família real e de sua Corte para o Brasil, em 1808, os feijões eram classificados como “comida de pobre”. O pintor francês Jean-Baptiste Debret, integrante da Missão Artística Francesa (1816-1831) e fundador da pintura acadêmica no Brasil, descreveu em seus relatos de viagem sobre o país os hábitos de uma família rica. Ela costumava comer cozido português, acompanhado de galinha, arroz e farinha de mandioca. “O feijão ainda não aparecia na mesa das elites naquele momento”, diz Almir, que cursou doutorado (1982) e pós-doutorado (1995) em História pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), na França.
O consumo de feijão pelas elites, inicialmente, era velado. “Debret escreveu que, na época, um pequeno comerciante comia feijão com um pedaço de carne-seca e farinha, regado com muita pimenta, mas escondido de todos, no fundo da loja”, completa o pesquisador. No entanto, já por volta de 1830, todos os viajantes que escreveram relatos sobre o Brasil, atestaram, em tom de crítica, que ricos e pobres comiam feijão, carne seca e toicinho todos os dias. Essa aceitação gradual do consumo de feijão pelas elites deve-se à força da gastronomia regional popular, que acabou por sobressair à incorporação dos hábitos europeus.
Influência da Corte marca mudanças na etiqueta à mesa
Divulgação 
         
Feijoada é símbolo da resistência da culinária regional frente aos novos 
hábitos europeus

A transferência da família real foi um fato inédito. Nunca um rei europeu havia colocado os pés em uma colônia para visitá-la, quanto mais decidir morar em uma. O súdito colonial da véspera havia se tornado cidadão da capital do vasto império português. Essa reviravolta política teve desdobramentos sociais, que resultaram na aquisição de novos hábitos pelos habitantes da colônia.

A etiqueta à mesa foi um dos alvos dessa mudança de costumes. Almir assinala que houve uma transformação gradual no uso do espaço na sala de refeições pelos integrantes da família do senhor e pelos escravos. “No início do século XIX, toda a família do senhor comia com as mãos, sem uso de talheres, no chão, em cima de esteiras. Os escravos também comiam com as mãos, no chão, em cima de esteiras, no mesmo local do senhor. Mais tarde, a senhora já ficava sentada num canapé, enquanto os escravos continuavam nas esteiras no chão. Anos mais tarde, aparecem gravuras de famílias brasileiras seguindo a etiqueta européia, sentadas à mesa, utilizando talheres e sem escravos no local das refeições”, conta Almir.
Ele ressalta que a disposição espacial entre senhores e escravos, durante as refeições, passou aos poucos de uma separação simbólica, de uma parede invisível, no nível horizontal – pois só os escravos favoritos podiam se aproximar da esteira da senhora –, a uma separação vertical, quando a senhora muda de nível, até ocorrer uma segregação espacial total. Segundo Almir, a elite carioca foi capaz de assimilar a etiqueta e as boas maneiras europeias, bem como os artigos finos importados da Europa, mas manteve-se fiel aos seus costumes alimentares.
“A alimentação é o ponto de maiores resistências à mudança porque são hábitos adquiridos na infância. A elite mudou de roupa, copiando especialmente a moda francesa, mas não mudou de gosto alimentar”, explica. “Essa foi a vitória da feijoada. Na verdade, a feijoada, que era o ‘prato nacional’, acabou sendo identificado como o ‘prato carioca’ por excelência. Esse rapto ideológico serviu para reafirmar a identidade carioca e fortalecer a supremacia da Corte imperial sobre o conjunto da nação. Era a culinária servindo aos propósitos políticos de concentração do poder monárquico.”
Para Almir, a hipótese de que a feijoada surgiu nas senzalas, a partir dos restos de carnes aproveitados pelos escravos, não tem fundamento em fontes históricas. “Minha teoria é que a feijoada, como a conhecemos, surgiu nas famílias ricas, porque os miúdos eram valorizados pelas elites. Os ricos deviam comer uma feijoada mais incrementada, com diversas carnes e miúdos. Os pobres comiam feijão ralo, com pequenos pedaços de carne-seca ou toicinho, ou sem”, afirma Almir, acrescentando que os cariocas ainda não comiam diariamente feijão com arroz, como atualmente, só feijão com farinha de mandioca.  
Outro prato popular muito consumido por pobre e ricos era o angu. Debret relatou que as famílias abastadas comiam angu, mas, por se tratar de um prato menos nobre, sempre se esquivavam com piadas para salvar as aparências e o amor-próprio. Sua receita, mais elaborada, apresentava elementos da cozinha baiana, como o azeite de dendê e o quiabo, diversos pedaços de carne, coração, fígado, bofe, língua, amídalas e outras partes da cabeça do boi, com exceção do miolo. “Parti, pois, da hipótese de que, se uma cozinheira de família rica preparava um angu incrementado, por que não incrementaria a feijoada da mesma forma?”, indaga o historiador. “Se havia um angu de rico, era natural que houvesse uma feijoada de rico”, conclui.

 
© FAPERJ

>Municípios terão acesso livre a software para organizar contas e melhorar gestão

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A ferramenta, chamada de e-cidade, estará disponível no Portal do Software Público Brasileiro no fim de outubro e poderá ser acessada gratuitamente pelos municípios

O Povo – 15 Out 2009 – 07h37min

Prefeituras de todo o país terão acesso a um software livre de gestão que vai possibilitar a organização de gastos, do orçamento, da receita tributária, do controle de medicamentos, de recursos humanos e outros serviços no mesmo aplicativo. A ferramenta, chamada de e-cidade, estará disponível no Portal do Software Público Brasileiro no fim de outubro e poderá ser acessada gratuitamente pelos municípios.

O acesso livre ao software foi acertado entre o Ministério do Planejamento e a empresa que criou o programa. De acordo com o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do ministério, Rogério Santana, com o uso livre, as prefeituras poderão adaptar as funções do aplicativo à realidade local e trocar experiências com outros gestores.

“Isso vai melhorar a gestão dos recursos e a prestação de serviços à sociedade. Também facilita a auditoria e a apresentação de contas”, avalia. A ferramenta é utilizada atualmente por 15 municípios e será apresentada oficialmente durante o Encontro Nacional de Tecnologia da Informação para os Municípios Brasileiros, nos dias 27 e 28 de outubro em Brasília.

Segundo Santana, o e-cidade vai permitir que prefeitos registrem as receitas arrecadadas com impostos, conheçam melhor os gastos dos municípios em saúde, educação e pessoal, acompanhem o andamento de obras e o controle de imóveis, por exemplo.

A ferramenta também registra a autorização, emissão e liquidação de empenhos orçamentários integradas ao processo de aquisições e emissões de notas fiscais.

“Os municípios brasileiros são muito carentes de soluções tecnológicas. Temos inúmeros municípios que têm gestão ineficiente e que precisam de ajuda. Essa solução tecnológica pode ser uma alternativa.”

A redução da burocracia também é uma das vantagens do aplicativo, segundo Santana. “Vai reduzir a papelada. Muitas árvores serão economizadas na medida em que a gente automatize e use processos eletrônicos no lugar de processos em papel”, completou.

O e-cidade vai estar disponível para download na página na internet do Portal do Software Público Brasileiro a partir do dia 28 de outubro, no endereço eletrônico http://www.softwarepublico.gov.br .

Agência Brasil

>Twitter fica rubro-negro por ativista preso nos EUA

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Domingo, 11 de outubro de 2009 17:51
Por Tatiana de Mello Dias – Estadão.com.br

Aos poucos, avatares estão se tornando rubro-negros no Twitter. É o “Twitter Revolution”, movimento em solidariedade ao ativista americano Elliot Madison, 41 anos, que foi preso dia 24 por usar o Twitter para ajudar manifestantes a fugirem da polícia durante o encontro do G20 em Pittsburgh, nos EUA.

O ativista anarquista avisava pelos tweets os passos da polícia. A queixa criminal diz que Madison quebrou a lei ao usar o serviço para direcionar protestos ilegais. Ele é acusado de “uso criminal de uma facilidade de comunicação” e “posse de instrumentos do crime” – no caso, o aparelho em que twittava.

“A mesma conduta (das autoridades) no Irã e na China poderia ser chamada de violação dos direitos humanos, mas aqui é chamada de controle necessário do crime”, disse à Reuters Vic Walczak, diretor legal da União das Liberdades Civis Americanas da Pensilvânia.

O Twitter foi usado em protestos contra as eleições no Irã em junho (em solidariedade, pessoas de todo o mundo adotaram avatares verdes) e também na China, onde foi bloqueado após as manifestações durante o 20º aniversário do Massacre da Praça da Paz Celestial.

Madison foi preso em um motel em Pittsburgh e solto sob fiança. As autoridades invadiram sua casa em Nova York e apreenderam computadores, livros, jornais, máscaras de gás e uma imagem de Lênin. O advogado dele, Martin Stolar, foi a um tribunal pedir a devolução da propriedade. “É um uso ultrajante da lei criminal para punir discurso; é a aplicação mais pitoresca que eu já vi do direito penal para o uso do Twitter.”

>A proibição da língua brasileira

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JOSÉ DE SOUZA MARTINS

TENDÊNCIAS/DEBATES – Opinião – Folha de S.Paulo
São Paulo, domingo, 20 de julho de 2003

Matéria publicada na Ilustrada de 18 de junho dava conta de que uma nota da Anatel, de agosto de 2002, sobre um programa radiofônico da FM Educativa, de Campo Grande (MS), transmitido na língua nheengatu, levantava a questão da sua legalidade em face de uma lei de 1963 que proíbe veiculações radiofônicas em língua estrangeira. A dúvida da Anatel põe em questão a legalidade da língua ainda falada por brasileiros de várias regiões do país e em suas variantes residuais ainda falada por milhões de brasileiros, especialmente crianças e iletrados, que só aparentemente falam o português oficial dos decretos.

O nheengatu, também conhecido como “língua geral”, a língua que se quer proibir, é a verdadeira língua nacional brasileira. O nheengatu foi desenvolvido pelos jesuítas nos séculos 16 e 17, com base no vocabulário e na pronúncia tupi, que era a língua das tribos da costa, tendo como referência a gramática da língua portuguesa, enriquecida com palavras portuguesas e espanholas. A língua geral foi usada correntemente pelos brasileiros de origem ibérica, como língua de conversação cotidiana, até o século 18, quando foi proibida pelo rei de Portugal. Mesmo assim continuou sendo falada.

Da língua geral ficou como remanescente o dialeto caipira, tema de dicionário e objeto de estudos linguísticos até recentes. Sobraram pronúncias da língua tupi, reduções e adaptações da língua portuguesa. Um jesuíta, no século 16, já observara que os índios da costa tinham grande dificuldade para pronunciar letras como o “l” e o “r”. Especialmente na finalização de palavras como “quintal” e “animal”; ou verbos como “falar”, “dizer” e “fugir”. Essas letras foram simplesmente suprimidas e as palavras transformadas em “quintá”, “animá”, “falá”, “dizê”, “fugi”.

Dificuldades também havia para pronunciar as consoantes dobradas. Daí que, no dialeto caipira, “orelha” tenha se tornado “orêia” (uma consoante em vez de três; quatro vogais em vez de três), “coalho” seja “coaio”, “colher” tenha virado “cuié”, “os olhos” sejam “o zóio”… E no Nordeste ainda se ouve a suave “fulô” no lugar da menos suave “flor”. Uma abundância de vogais em detrimento das consoantes, até mesmo com a introdução de vogais onde não existiam. Exatamente o contrário da evolução da sonoridade da língua em Portugal, em que predominam os ásperos sons das consoantes. No Brasil, a língua portuguesa ficou mais doce e mais lenta, mais descansada, justamente pela enorme influência das sonoridades da língua geral, o nheengatu.

Somos um povo bilíngue, e o reconhecimento desse bilinguismo seria fundamental no trabalho dos educadores

Nossa língua cotidiana está algo distanciada da língua portuguesa, que é a oficial e, num certo sentido, é uma língua importada. Não raro viajamos entre toponímicos tupi. Na cidade de São Paulo, transito regularmente entre o Butantã e Carapicuíba e o Embu, aonde levo meus alunos, periodicamente, para uma aula de rua. Ou os levo ao Museu Paulista, no Ipiranga, para outra aula, ou à Moóca, para observações etnográficas sobre uma festa italiana. Faço tudo isso dentro da língua tupi. Como posso ir do rio Guaíba à Paraíba ou ao Pará ou ao Piauí sem achar que estou falando uma língua estrangeira, que ela não é.

Em escolas rurais de povoados do Mato Grosso, do Pará e do Maranhão, observei um fato curioso. Uma vez que as crianças escrevem como falam, não é raro que acrescentem de preferência um “r” às palavras oxítonas, a letra usada como acento agudo: “ater”, em vez de “até”; “Joser”, em vez de “José”. Algo que tem sua curiosa legitimidade no modo como se escrevia oficialmente o português até meados do século 19, letras fazendo as vezes de acentos e sinais. A própria língua falada, no confronto com a escrita, oferece às crianças inteligentes a chave de adaptação de uma à outra: se elas dizem “falá” e vêm que a palavra escrita é “falar”, logo entendem que o “r” é aí acento, e não letra para ser pronunciada.

É comovente a reação dos jovens quando descobrem que são falantes do que resta de uma língua que já foi a língua do povo brasileiro e que conhecem um grande número de sons e palavras tupi. O que lhes dizem ser erro e ignorância é, na verdade, história social, valorosa sobrevivência da nossa verdadeira língua brasileira. Se não fosse assim, seria impossível rir daquela história de dois mineiros que resolveram temperar a prosa com café. E foram para a cozinha. Água fervida, coador pronto, um pergunta para o outro: “Pó pô o pó?”. E o outro responde, firme: “Pó pô!”.

De fato, somos um povo bilíngue, e o reconhecimento desse bilinguismo seria fundamental no trabalho dos educadores, em particular para enriquecer a compreensão da língua portuguesa, última flor do Lácio, inculta e bela, mais bela ainda porque invadida por esse outro lado da nossa identidade social, que teimamos em desconhecer.

José de Souza Martins, 64, é professor titular do Departamento de Sociologia da USP.

>I know I know nothing; but at least I know that

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Willem Buiter – FT’s Maverecon Blog

September 10, 2009 3:00pm

Science with very few (if any) data

Doing statistical analysis on a sample of size 1 is either a very frustrating or a very liberating exercise. The academic discipline known as history falls into that category. Most applied social science, including applied economics, does too. Applied economists use means fair and foul to try to escape from the reality that economics is not a discipline where controlled experiments are possible. The situation that an economically relevant problem can be studied by means of a control group and a treatment group that are identical as regards all but one external or exogenous driver, whose influence can as a result be isolated, identified and measured, does not arise in practice.

Time series analysis (which establishes associations or correlations between measurable variables over time), cross section analysis (which studies associations or correlations between between variables observed during a common time period but differing by some other criterion (say location, individual or family identity or whatnot)), and panel data analysis, which combines time-series and cross-section data and methodology, all struggle (mostly in vain) with the problem that the economic analyst cannot control for all relevant influences on the behaviour of the phenomenon he is investigating, GDP growth or unemployment, say. The reason for this is first and foremost that the investigating economist doesn’t have a clue as to what should be on an exhaustive list of possible relevant drivers of GDP growth or unemployment. Second, many of the key variables he is aware of may not be measurable or only be measurable with serious errors. Expectations are an example. Finally, the long list of possible explanatory variables that are omitted from consideration are extremely unlikely to be statistically independent of the errors or residuals from a statistical or econometric analysis/estimation that uses just a truncated set of explanatory variables. The result: biased and inconsistent estimates of parameters and other features of the relationship between the explanandum and the explanans.

Economists have made a growth industry of seeking out or concocting quasi-natural experiments that might look like controlled experiments in the natural sciences. Freakonomics: A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything by Steven Levitt and Stephen J. Dubner contains a sampling of this kind of work.

I have not read a single one of these quasi-natural experiment studies where one could not easily come up with a long list of potentially relevant omitted explanatory variables. Such ‘unobserved heterogeneity’ means that other things were definitely not equal, and the attribution of cause and effect is bound to be flawed. In addition, the determined chase for yet another quasi-controlled or natural experiment has led many economists to look under the lamppost for their missing knowledge, not because that is where they lost it, but because that’s where the light is. A flood of cute but irrelevant studies of issues of no conceivable economic significance has been undertaken simply because a cute but irrelevant natural experiment had been conducted.

Experimental economics was the last refuge of the empirically desperate. It mostly involves paying a bunch of undergraduates (or, if you have a very small budget, graduates) to play a variety of simple games with monetary and occasionally non-monetary pay-offs for the participants. The actions of the players in these highly artificial settings – artificial if only because the players are aware they are the guineau pigs in some academic experiment – are meant to cast light on the behaviour of people in real-word situations subject to similar constraints and facing similar incentives. Halfway between proper experimental or laboratory economics and natural experiments are ‘constructed experiments’ (aka randomised experiments) in which a (team of) economists conducts an experiment in a real-world setting and uses randomised evaluation methods to make inferences and test hypotheses. Typically, the guinea pigs in such randomised experiments are a selection of Indian villagers or other poor population groups – a little research grant goes a long way in a very poor environment. Again, the intentions are good, but the ceteris paribus assumption – that all other material influences on behaviour have either been controlled for or don’t distort the results of the study because they are independent of the unexplained component of behaviour in the constructed experiment – is (a) untestable and (b) generally implausible.

Of course, economics and the other social sciences are not alone in being bereft of meaningful controlled experiments. Two of the jewels in the ‘hard’ or natural science crown, cosmology and the theory of evolution, provide generous companionship for the social science waifs. Scientists at CERN may be able (wittingly or unwittingly) to create little bangs and mini black holes a few miles below ground in Switzerland and France, but this does not amount to a test of the big bang theory. They have no more than one dodgy observation on that. Evolutionary biologists may be able to observe evolution at work in real time ‘in the small’, that is, in microorganisms, butterflies etc. but they don’t have replications of the 4.5 billion year history of the earth, through a collection of parallel universes each of which differs from the others in one observable and measurable aspect only. This does not mean that anything goes. Finding fossils that can confidently be dated to be around 150 million years old makes rather a hash of strict young earth creationist accounts that date the creation of the universe to somewhere between 5,700 and 10,000 years ago. Other propositions, like intelligent design, cannot be proven or disproved and are therefore not scientific in nature.

So what is the poor economist to do when confronted with the need to make predictions or counterfactual analyses? Fundamentally, you pray and you punt.

How do we evaluate the reliability or quality of such forecasts and analyses? Ex-post, by matching them up against outcomes, in the case of forecasts. This is not straighforward – very few economists make completely unconditional forecasts, but it is in principle feasible. In the case of a counterfactual analysis where the counterfactual policy action or event did not take place – who knows? A necessary test of the acceptability of a counterfactual argument is its logical coherence – its internal consistency. That probably gets rid of about 90 percent of what is released into the public domain, but still leaves us with a lot of counterfactual propositions (and forecasts that can not yet be tested against outcomes).

For the counterfactual proposition and the forecasts beyond today that survive the test of logical coherence, all we have is the one data point of history to lend some plausiblity.

What will be the likely shape of the recovery in the overdeveloped world?

What does history teach us about the likely shape of the recovery in the overdeveloped world following the bottoming out of global GDP? Is the financial collapse phase of the Great Depression a good guide? Probably not, because the banking sector and the financial system of the late 1920s and early 1930s were so different from those that went down the chute starting August 2007. A financial sector that is one layer deep, with banks funding themselves mainly from household deposits and investing mainly in loans to the non-financial business sector, is a very different animal from the multi-layered financial sector in the second half of the first decade of the 21st century.

The modern banking system is part of a multi-layered financial sector. It funds itself to a large degree in financial wholesale markets and has on the asset side of its balance sheet many financial instruments issued by other banks and by non-bank financial institutions, including off-balance sheets vehicles of the banks. Rapid deleveraging of a 1930s-style single-layer financial system is bound to be massively disruptive for the real economy. Rapid deleveraging of a modern multi-layered financial system needs not be massively disruptive for the real economy, although it will be if it is done in an uncoordinated, voluntary manner. Since most liabilities (assets) of banks are assets (liabilities) of other banks and non-bank financial institutions, an intelligent, coordinated netting or write-down of intra-financial sector assets and liabilities is technically possible without significant impact on the exposure (on both sides of the balance sheet) of the financial system as a whole to the non-financial sectors.

There are many legal and political obstacles to such a de-layering of financial intermediation – it amounts to the temporary imposition of a form of central planning on the key banks and their financial sector counterparties, but it could be done if the political will were there.

This important difference between the situation of the 1930s and that facing us today makes one more optimistic about the pace of the recovery to come. Against that, much of the tentative insight I have gained about the financial crisis has not come from the lessons of the 1930s but from emerging markets crises since the 1970s. Except for the important qualifier that the US dollar is a global reserve currency, and that the US government (and private sector) has most of its domestic and external liabilities denominated in US dollars, the pathologies of financial boom, bubble and bust in the US, the UK, Iceland, Ireland and Spain (and many of the Central and East European emerging market economies) track those of classical emerging market crises in South America, Asia and CEE in the 1990s, rather well.

The emerging market analogy makes one less optimistic about a robust recovery, as typically, emerging markets whose financial sector was destroyed by a serious financial crisis took many years to recover their pre-crisis growth rates and often never recovered their pre-crisis GDP paths.

But cleary, there are many differences in economic structure, policy regimes and external environment between the overdeveloped world of today and either the industrialised world of the 1930s or the emerging markets of the 1980s and 1990s. For starters, we are now aware of what happened in the 1930s and in the emerging markets (the arrow of history flies only in one direction). Another key difference is that today’s emerging markets and developing countries, whose domestic financial sectors have not been destroyed by the financial crisis, add up to 50 percent of global GDP. Even if China itself cannot be a global locomotive (not even the little engine that could), a sufficient number of emerging markets jointly could lead the global economy out of recession. Controlling for all the things that make ceteris non paribus is a hopeless task. But just because it is hopeless does not mean that we can avoid it. Decisions have to be taken and choices have to be made on the basis of the best available information and analysis, even if the best is pretty crummy. It is, however, key that if it is indeed the case that the best is no good, we admit to this and don’t pretend otherwise. False certainty can be deadly.

Earlier this week, Joseph Stiglitz, told Bloomberg that the U.S. economy faces a significant chance of contracting again after emerging from the worst recession since the Great Depression of the 1930s.

“There’s a significant chance of a W, but I don’t think it’s inevitable,” … . The economy “could just bounce along the bottom.” Sure, but how does he know it whether it will be a V, a W, a rotated and reflected L, a W or double dip, a triple jump or a quadruple bypass? With a sample of at most size one to underpin one’s forecast, the quality of the argument/analysis that produces and supports the forecast is essential. The forecast itself is indeed likely to be much less important than the reasoning behind it. If the conclusion is open-ended, the story better be good.

>Forecasting: Relationship of trust is permanently damaged

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By Chris Giles – Financial Times – October 5 2009

No one, not even the most gloomy economic forecaster, predicted the global economy’s sudden collapse a year ago. Those that said the crisis would get nasty can feel vindicated, but even they did not foresee the global crisis of confidence that followed the collapse of Lehman Brothers.

Arguably, they could not, says Bart van Ark, chief economist of the Conference Board, the global business organisation. “What you cannot forecast is a shock,” he says.

But in a less precise sense, the crisis of the past year has been the most predicted shock in history. For years, economists and officials have warned that many aspects of the world’s economic system were unsustainable.

“Even if nobody could be sure exactly when the timebomb was going to explode, it was at least useful to know we were sitting on one,” says Andrew Smith, chief economist of accountancy firm KPMG.

Most thought a crisis would arise from a loss of confidence in the dollar, resulting from the huge and prolonged US trade deficit. Instead, something similar arose after it was found that the capital flows to the US had been frittered away by banks lending money to unsuitable sub-prime borrowers and keeping those debts in their off-balance-sheet vehicles.

But though the risk of an economic crisis was regularly highlighted, it was impossible to incorporate into economic models and was therefore put to one side – filed in the “interesting and scary, but not very likely” box. That meant economic forecasts have had a terrible recent record.

Just over a year ago, in summer 2008, the International Monetary Fund thought the prospects for both 2008 and 2009 had improved and were forecasting world economic growth of 3.9 per cent in 2009 – far from a recession. The forecast was a reflection of the prevailing consensus and fears of global inflation.

Then Lehman filed for bankruptcy and economists began a painful process of recognising the likelihood of recession in the advanced world, the spread of the pain to the entire global economy and that the economic crisis was even deeper than had been thought.

By November, the IMF had almost halved its 2009 forecast to 2.2 per cent. And by April this year the Fund was talking about a “slump”, with world output sliding in 2009 by 1.4 per cent, the first drop since the second world war.

By spring 2009, the consensus of private forecasters expected the worst economic performance in the world economy since the Great Depression and little recovery in 2010.

The ever-changing outlook has raised many questions for those making policy. And yet economists have never been so uncertain about the future. It depends crucially on the financial system and its interaction with confidence and trust among people around the world.

Willem Buiter, professor of European political economy at the London School of Economics, argues that it is a fallacy to think economic models, particularly those based on history, can hope to understand the fundamental relationships in a large and complex economy. “So what is the poor economist to do when confronted with the need to make predictions or counterfactual analyses? Fundamentally, you pray and you punt,” he says.

Economists and policymakers are doing just that, alongside telling everyone that their forecasts are dependent on specific events and highly uncertain. Users of forecasts now know they cannot simply take them on trust.

In future there is also likely to be a greater tendency for economists to use their own judgment rather than the outcome of many equations run through a large computer, says Mr van Ark. “Don’t just rely on your model,” he says, “and you want to combine the short-term outlook with a longer term perspective”.

Modesty among economists is also something that will be needed in future, a soft skill that comes with difficulty to many.

But with signs that the global economy is recovering and will grow next year, the world is already hanging on forecasters’ words, however unwise that might be.

Economists will still be stuck with the problem that the unpredictable will happen. And when it does, the vast majority will have much egg on their faces.

* * *

Há paralelos muito interessantes entre o que a economia está vivendo agora, e o cotidiano da meteorologia. Ambos vivem de prognósticos sobre o futuro.

Economistas, que nos Estados Unidos gostam de atuar na área de psicologia (e vice-versa – mas psicólogos, até onde eu sei, não fazem prognósticos públicos), agora sentem na pele os dilemas e pressões só sentidas por meteorologistas.

E, com relação ao uso da experiência e do bom senso como complemento (ou no lugar de) modelos matemáticos – vide parágrafos finais do texto acima -, quando um meteorologista faz isso, é criticado por todos os lados (vide livro de Gary Alan Fine, Authors of the Storm).

>Índios recrutam líderes para tentar vitória inédita nas urnas em 2010

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Vannildo Mendes, BRASÍLIA
O Estado de São Paulo – Segunda-Feira, 05 de Outubro de 2009

Divididos em 220 etnias, falando 180 línguas, os índios brasileiros estão se organizando para aumentar a representação política nas eleições de 2010. Eles somam mais de 700 mil, dos quais 150 mil eleitores, e querem mais protagonismo nas decisões do País para defender as suas bandeiras sem depender unicamente da tutela da Fundação Nacional do Índio (Funai) ou das bênçãos de igrejas. A ideia é eleger ao menos cinco deputados federais no País e uma bancada forte nas Assembleias Legislativas de 19 Estados onde estão mais organizados.

As tribos e seus caciques estão recrutando em suas regiões os principais puxadores de votos, reconhecidos pela articulação e eloquência, que serão lançados para a Câmara. Já estão definidos os nomes de Almir Suruí, em Rondônia, Sandro Tuxa, na Bahia, e Júlio Macuxi, em Roraima. Este último teve atuação destacada na pressão pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) este ano.

Os três devem sair pelo PV, partido preferencial dos indígenas. Podem, no entanto, optar por outro partido que ofereça melhores possibilidades de vitória, o que será avaliado com lupa pelos conselhos indígenas e pelas assembleias que serão realizadas nas diversas aldeias, entre este mês e março.

“Vou aguardar a decisão coletiva, antes de definir a melhor legenda, com chances reais de eleição”, disse Macuxi. Pragmático, o líder pediu a desfiliação do PT porque o partido já tem uma prioridade para a Câmara, a deputada Angela Portela, que disputará a reeleição em 2010.

Filiado ao PT do Distrito Federal, onde vive há oito anos como servidor da Funai, Álvaro Tukano, líder de uma etnia que habita as margens do alto Rio Negro, no Amazonas, deve buscar a confirmação do seu nome entre os candidatos da legenda. “Queremos eleger a maior bancada parlamentar de todos os tempos”, declarou.

O quinto puxador de voto deve sair das hostes do PDT, partido da preferência dos xavantes desde os tempos em que o deputado e cacique Mário Juruna, já falecido, cumpriu mandato parlamentar (1983-1987) como primeiro e único indígena eleito para o Congresso. Ele foi cooptado na época pelo líder trabalhista Leonel Brizola, também falecido. Desde esse fato, o PDT tem por praxe oferecer vagas para índios na legenda.

VEREADORES

Na última eleição municipal, os índios já deram uma primeira mostra do seu potencial nas urnas, elegendo seis prefeitos e mais de 90 vereadores em várias partes do País. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), o prefeito, o vice e todos os vereadores são índios. Localizada em região conhecida como Cabeça do Cachorro, a cidade tem 95% da população de origem indígena.

Em Roraima, foram eleitos prefeitos indígenas em Uiramutã e Normandia, ambos da etnia macuxi. São João das Missões (MG), Marcação (PB) e Barreirinha (AM) também têm prefeitos índios. “É muito positiva essa presença no processo político para legitimar a democracia brasileira”, afirmou o presidente da Funai, Márcio Meira.

Em quatro Estados onde têm maior nível de organização, os índios já decidiram que vão lançar candidatos a deputado federal, além de nomes competitivos para a Assembleia Legislativa. São eles Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia.

Em outros 18 Estados serão lançados candidatos a deputado estadual e, eventualmente, algum para federal. São eles: Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Amapá, Paraíba, Goiás, Minas, Tocantins, Rio, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

SELEÇÃO

A escolha dos candidatos, de acordo com Macuxi, é feita democraticamente, em assembleias regionais. Em Roraima, haverá uma na segunda quinzena deste mês, para a apresentação dos candidatos e debate em torno das propostas. A segunda ocorrerá em março, para a confirmação dos escolhidos.

Para o líder, esse é um modo de escolha mais legítimo que as convenções partidárias. “São levadas em conta a liderança, a eloquência e a vida limpa do candidato”, explicou. “Aqui ninguém cai de paraquedas, não se compra legenda, nem se é escolhido pelo dono do partido.”

Após a peneira, os índios são pragmáticos na escolha do partido. O preferencial é o PV, principalmente após a adesão da senadora Marina Silva (AC), que disputará a Presidência. Dizem que a ex-ministra do Meio Ambiente dará visibilidade às questões ambientais e indígenas.

NÚMEROS

700 mil é a população atual de indígenas em todo o País

150 mil deles são eleitores

220 etnias existem hoje no Brasil, com um total de 180 línguas

5 prefeitos descendentes de índios foram eleitos em 2008

90 vereadores também indígenas foram aprovados nas urnas ano passado

>A arte e sua magia

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Coisas e loisas

Folha Mais! – São Paulo, domingo, 04 de outubro de 2009

JORGE COLI

Alguns leitores escreveram para esta coluna sobre a relação entre arte e mercado, que foi lembrada, aqui mesmo, no domingo passado. Um deles interessou-se pela ideia de que a arte não produz objetos, mas produz sujeitos que pensam sem palavras. Diz assim: “Ao mesmo tempo que concordo, discordo. Acho que as “coisas físicas” produzidas, que costumamos chamar de arte, têm sua mágica, seu fetiche enquanto coisas”.

O leitor tem razão em sua reticência, porque faltou dizer que objeto, naquele caso, não é um sinônimo de coisa. Significa algo posto para, e pelo, sujeito. Seria, por assim dizer, uma “coisa” submissa.

Ora, a obra de arte, como ele diz, tem sua mágica. Por isso, age como sujeito ao operar seus milagres. O despacho numa encruzilhada é um agente.

Ele atua. Não é um ser passivo. É um sujeito.

A proximidade com as crenças mágicas ou religiosas permite compreender bastante “aquilo que costumamos chamar de arte”. Arte, tal como a concebemos hoje, é, exatamente, aquilo que costumamos chamar de arte. Qualquer outro critério, além da própria denominação, é insuficiente. Beleza, sensibilidade, expressão e mais o que se quiser, nada disso oferece um campo vasto o suficiente para recobrir tudo o que nossa cultura entende por arte.

Marcel Duchamp, nas primeiras décadas do século 20, determinou isso por meio de seus “ready-mades”: se ficarmos convencidos de que uma roda de bicicleta, exposta numa galeria ou num museu, é arte, ela passa a ser arte.

Condão

Não se trata de impostura. A palavra “arte” adquiriu poderes reais. É um abracadabra que funciona. Metamorfoseia a caixa de sabão Brillo, ou a roda de bicicleta. Elas passam a emitir sinais, significações, intuições, que antes não tinham. No mundo dos objetos comuns, eram mudos. Depois que viraram arte, falam uma linguagem, silente e intensa.

A razão é que se sacralizaram pela nossa crença: como acreditamos neles, eles nos respondem. São entes cheios de poderes invisíveis, mas laicos, desvinculados de qualquer religião ou sobrenatural.

A mais prodigiosa das pinturas é apenas um pouco de tinta sobre uma tela; Van Gogh escreveu alguma coisa assim.

Pouco depois de sua morte, um quadro seu foi descoberto numa casa de Saint-Rémy [França], tapando o buraco de um galinheiro. As galinhas não sentiam frio e aquilo, ali, não era arte, de modo algum.

Mandrake

Quem decide que uma pintura, uma escultura, um copo d’água é arte? O artista, se tem algum reconhecimento, ou seja, se alguém acreditar que ele possui esse poder transformador.

O crítico, que celebra e convence, ou que despreza e condena (a fórmula negativa mais forte, a única que de fato anula o feitiço, se alguém acreditar nela, está claro, é: “Isso não é arte”. Muito usada, em escritos e em conversas, de preferência num tom de superioridade, por críticos seguros de si, contentes de vestirem a casaca e a cartola do mágico).

As galerias, os museus, que aceitam tal ou qual obra e recusam outras.

O mercado, que gradua seus valores segundo a intensidade das crenças.

Cerne

Seria leviano duvidar dos poderes da arte. Comovem, fascinam, despertam desejo de posse: muitos colecionadores arruinaram-se por não resistirem ao canto da sereia. O roubo de grandes obras conhecidas, que não podem ser vendidas, mostra que a arte pode causar desatinos. Mas, por felicidade, ela também conduz a grandes, elevados prazeres, a formas sutis e profundas de inteligência.

>Dead Ahead: Similar Early Warning Signals of Change in Climate, Ecosystems, Financial Markets, Human Health

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Scientists identify ‘tipping points’ at which sudden shifts to new conditions occur

National Science Foundation (Press Release 09-161), September 2, 2009

What do abrupt changes in ocean circulation and Earth’s climate, shifts in wildlife populations and ecosystems, the global finance market and its system-wide crashes, and asthma attacks and epileptic seizures have in common?

According to a paper published this week in the journal Nature, all share generic early-warning signals that indicate a critical threshold of change dead ahead.

In the paper, Martin Scheffer of Wageningen University in The Netherlands and co-authors, including William Brock and Stephen Carpenter of the University of Wisconsin at Madison and George Sugihara of the Scripps Institution of Oceanography in La Jolla, Calif., found that similar symptoms occur in many systems as they approach a critical state of transition.

“It’s increasingly clear that many complex systems have critical thresholds–‘tipping points’–at which these systems shift abruptly from one state to another,” write the scientists in their paper.

Especially relevant, they discovered, is that “catastrophic bifurcations,” a diverging of the ways, propel a system toward a new state once a certain threshold is exceeded.

Like Robert Frost’s well-known poem about two paths diverging in a wood, a system follows a trail for so long, then often comes to a switchpoint at which it will strike out in a completely new direction.

That system may be as tiny as the alveoli in human lungs or as large as global climate.

“These are compelling insights into the transitions in human and natural systems,” says Henry Gholz, program director in the National Science Foundation (NSF)’s Division of Environmental Biology, which supported the research along with NSF’s Division of Ocean Sciences.

“The information comes at a critical time–a time when Earth’s and, our fragility, have been highlighted by global financial collapses, debates over health care reform, and concern about rapid change in climate and ecological systems.”

It all comes down to what scientists call “squealing,” or “variance amplification near critical points,” when a system moves back and forth between two states.

“A system may shift permanently to an altered state if an underlying slow change in conditions persists, moving it to a new situation,” says Carpenter.

Eutrophication in lakes, shifts in climate, and epileptic seizures all are preceded by squealing.

Squealing, for example, announced the impending abrupt end of Earth’s Younger Dryas cold period some 12,000 years ago, the scientists believe. The later part of this episode alternated between a cold mode and a warm mode. The Younger Dryas eventually ended in a sharp shift to the relatively warm and stable conditions of the Holocene epoch.

The increasing climate variability of recent times, state the paper’s authors, may be interpreted as a signal that the near-term future could bring a transition from glacial and interglacial oscillations to a new state–one with permanent Northern Hemisphere glaciation in Earth’s mid-latitudes.

In ecology, stable states separated by critical thresholds of change occur in ecosystems from rangelands to oceans, says Carpenter.

The way in which plants stop growing during a drought is an example. At a certain point, fields become deserts, and no amount of rain will bring vegetation back to life. Before this transition, plant life peters out, disappearing in patches until nothing but dry-as-bones land is left.

Early-warning signals are also found in exploited fish stocks. Harvesting leads to increased fluctuations in fish populations. Fish are eventually driven toward a transition to a cyclic or chaotic state.

Humans aren’t exempt from abrupt transitions. Epileptic seizures and asthma attacks are cases in point. Our lungs can show a pattern of bronchoconstriction that may be the prelude to dangerous respiratory failure, and which resembles the pattern of collapsing land vegetation during a drought.

Epileptic seizures happen when neighboring neural cells all start firing in synchrony. Minutes before a seizure, a certain variance occurs in the electrical signals recorded in an EEG.

Shifts in financial markets also have early warnings. Stock market events are heralded by increased trading volatility. Correlation among returns to stocks in a falling market and patterns in options prices may serve as early-warning indicators.

“In systems in which we can observe transitions repeatedly,” write the scientists, “such as lakes, ranges or fields, and such as human physiology, we may discover where the thresholds are.

“If we have reason to suspect the possibility of a critical transition, early-warning signals may be a significant step forward in judging whether the probability of an event is increasing.”

Other co-authors of the paper are Jordi Bascompte and Egbert van Nes of the Consejo Superior de Investigaciones Scientificas, Sevilla, Spain; Victor Brovkin of the Max Planck Institute for Meteorology in Hamburg, Germany; Vasilis Dakos of the Potsdam Institute for Climate Research in Potsdam, Germany; and Max Rietkerk of Utrecht University in The Netherlands.

The research also was funded by the Institute Para Limes and the South American Institute for Resilience and Sustainability Studies, as well as the Netherlands Organization of Scientific Research and the European Science Foundation, among others.

>Clima: Sociedade civil questiona o Banco Mundial

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16/09/2009 – 10h09 – Envolverde/IPS
Por Mary Tharin, da IPS

Washington, 16/09/2009 – O Banco Mundial exortou ontem os paises ricos a liderarem os esforços para reduzir as emissões de carbono, mas organizações da sociedade civil questionam o papel da instituição na luta contra a mudança climática. O “Informe sobre o desenvolvimento mundial 2010: Desenvolvimento e mudança climática”, apresentado nesta terça-feira pelo Banco, tem potencial para afetar as negociações da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá em dezembro em Copenhague.

“Os paises em desenvolvimento se veem afetados pela mudança climática de forma desproporcional; trata-se de uma crise pela qual não são responsáveis e para a qual são os menos preparados. Nesse sentido, é de vital importância conseguir um acordo eqüitativo em Copenhague”, disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, no comunicado de imprensa que acompanha o informe. Por sua vez, o conselheiro sobre mudança climática da Oxfam Internacional, Antonio Hill, reiterou a necessidade de vincular o desenvolvimento a uma política efetiva sobre a mudança climática. Hill elogiou o documento do Banco por abordar “como a resposta mundial à mudança climática pode fortalecer, em lugar de enfraquecer, o desenvolvimento nos paises mais pobres”.

Karen Orenstein, coordenadora de campanhas financeiras internacionais na organização Amigos da Terra, concordou que os países industrializados devem se comprometer mais com a redução das emissões contaminantes. “O que as nações industrializadas colocam atualmente sobre a mesa é completamente inadequado para fazer frente à mudança climática”, disse à IPS. As negociações prévias à reunião de Copenhague estão caracterizadas pelo conflito entre paises ricos e pobres, cada parte reclamando que a outra assuma maiores objetivos de redução das emissões.

As nações em desenvolvimento afirmam que as industrializadas têm a obrigação histórica de assumir a responsabilidade, por serem as que mais contribuíram com o aquecimento do planeta. Por sua vez, os paises ricos dizem que a mitigação é mais rentável nas nações menos adiantadas, e que, portanto, os esforços para reverter a tendência deveriam começar por ali.

Em seu informe o Banco Mundial recomenda um pacto que permita aos paises do Sul realizar mudanças na política nacional em lugar de se comprometerem com objetivos rígidos de redução de emissões. Segundo Elliot Diringer, vice-presidente de estratégias internacionais no Centro Pew sobre Mudança Climática Global, este enfoque mais flexível permitiria aos paises do Sul “apresentar compromissos que se ajustem melhor às suas agendas de desenvolvimento”. Tais opções podem incluir objetivos em matéria de energias renováveis ou redução de desmatamento.

Atualmente, o Banco opera como agente de boa par te das finanças climáticas do mundo, e continua expandindo esta capacidade. Porem, organizações ambientalistas criticam o papel que desempenha na mitigação dos efeitos do aquecimento global. “O Banco Mundial é a instituição equivocada para manejar as finanças climáticas”, afirmou Orenstein. Muitos líderes do mundo em desenvolvimento exigem a criação de uma nova instituição. Administrada pela Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, para financiar iniciativas neste campo.

“Os paises em desenvolvimento têm boas razoes para desconfiar de instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial, e não querem que sejam intermediárias deste acordo climático”, acrescentou Orenstein. O informe do Banco promove o fortalecimento dos mecanismos financeiros existentes em relação ao clima que atualmente são manejados pela instituição, entre eles o muito controverso Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL é um instrumento pelo qual as nações ricas podem superar suas cotas de emissões de gás estufa se financiarem projetos para reduzi-las nos paises em desenvolvimento. Mas, cerca de dois terços dos projetos que recebem financiamento no contexto do MDL não contribuem realmente para a redução das emissões mundiais desses gases, segundo a cientista climática Payal Parekh, da organização não-governamental International Rivers.

Estes projetos carecem de “adicionalidade”, ou provas de que o investimento pelo MDL é um requisito para a redução de emissões. As evidências mostram que muitos projetos financiados por esse instrumento, como as grandes hidrelétricas na china, teriam sido construídos do mesmo jeito, inclusive sem o aporte do Mecanismo. O Banco Mundial pressiona para que o MDL seja reformado e ampliado, mas Parekh discorda. “Se o conceito fundamental de um programa é defeituoso, a reforma é impossível”, disse à IPS. Segundo Parekh, o MDL não conseguir reduzir as emissões mundiais, proporcionando em troca “subsídios extras para projetos que de qualquer maneira seriam realizados”.

O informe do Banco também destaca a importância de um adequado manejo de recursos, já que a mudança climática torna mais escassas a água, a terra e a energia. O estudo recomenda implementar métodos de agricultura sustentável, incluída a “eco-agricultura”, ou reservar terras para promover a biodiversidade. Alem disso, propõe três estratégias políticas principais para promover a conservação energética: aumentos no preço da energia, incentivos para que as empresas públicas aumentem sua eficiência e transferência de tecnologias limpas para o mundo em desenvolvimento.

Talvez, o aspecto mais controverso do debate sobre os recursos seja a posição do Banco sobre a conservação da água. O informe defende dois projetos de represas como maneira de fornecer energia hidrelétrica e proteger contra secas e inundações. Porém, os impactos sociais e ambientais negativos dos projetos hidrelétricos em grande escala ficam expostos caso após caso, segundo Orenstein. Alem disso, as grandes represas em zonas tropicais produzem quantidades significativas de metano, um dos gases causadores do efeito estufa.

Um estudo feito no Brasil concluiu que 52 mil grandes represas do mundo contribuem com cerca de 4% do aquecimento da Terra induzido pelo ser humano. Isto converte as represas em “uma fonte importante de contaminação (que contribui) para a mudança climática”, disse o diretor-executivo da International Rivers, Patrick McCully. O informe tem um importante papel na busca de uma solução global para a mudança climática, afirmou Diringer. “O documento é um reflexo do que agora se compreende amplamente: que o clima e o desenvolvimento estão intrinsecamente ligados e que devemos abordar os dois temas juntos, em lugar de optar entre ambos”, disse Diringer as IPS.

Entretanto, persiste a dúvida quanto ao Banco Mundial ser a instituição adequada para tratar destes temas vitais. É necessário que a instituição financeira analise como ela própria “está contribuindo com a mudança climática, antes de poder ser parte da solução”, disse Orenstein. IPS/Envolverde

>Conferência Nacional de Comunicação: Como democratizar as comunicações

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15/09/2009 – 01h09 – Envolverde/Observatório da Imprensa
Por Venício A. de Lima, para o Observatório da Imprensa

Nesses tempos de preparação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, uma das questões recorrentes é: o que deve ser feito para “democratizar as comunicações”? Boa pergunta, sem dúvida. Na verdade, essa é a questão síntese de todos os muitos e difíceis aspectos envolvidos na problemática geral do setor.

“Democratizar as comunicações” tem sido o principal paradigma conceitual, uma espécie de bandeira a orientar boa parte dos segmentos organizados da sociedade civil comprometidos com o avanço na área de comunicação. E não só no Brasil. Todavia, uma das falácias desta bandeira é que ela pressupõe a possibilidade de que a grande mídia dominante, privada e comercial, seria passível de ser democratizada. Vale dizer, em termos da teoria liberal da liberdade de imprensa, trazer para dentro de si mesma, “o mercado livre de idéias” (the market place of ideas) – representativo do conjunto da sociedade, isto é, plural e diverso.

Seria este pressuposto realizável?

Retrabalhando a teoria liberal

Há mais de 50 anos, isto é, pelo menos desde a Hutchins Commission (EUA, 1942-1947), a teoria liberal foi “retrabalhada” e passou a se apoiar em três idéias centrais: pluralismo interno, responsabilidade social e profissionalismo. Esse “retrabalhar” decorreu da impossibilidade de se prosseguir sustentando o discurso do “market place of ideas” – semelhante ao mercado “autocontrolado” de Adam Smith – em face do avanço real da concentração (oligopolização) da mídia e da formação de redes regionais e nacionais de rádio e televisão.

A solução encontrada, porém, esbarra em dificuldades incontornáveis identificadas pelo desenvolvimento da pesquisa na área – sobretudo em relação aos mitos da imparcialidade e da objetividade jornalística e da independência dos conglomerados de mídia – e também se torna inviável em sociedades, como a Inglaterra, onde existe uma tradição historicamente consolidada de imprensa partidária.

Tudo isso trouxe de volta o ideário do “market place of ideas”, agora complementarmente ao pluralismo interno, à responsabilidade social e ao profissionalismo, e pela intervenção do Estado por intermédio de políticas públicas para garantir a concorrência das empresas de mídia (a não oligopolização) no mercado de idéias.

Além das dificuldades discursivas que a necessidade de intervenção do Estado cria para a teoria liberal, os próprios fatos têm revelado, sem margem a dúvidas, que nem um nem outro caminho tem garantido o “market place of ideas”.

Complementaridade dos sistemas

Uma variante dessas possibilidades foi contemplada na Constituição de 1988: trata-se da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão (Artigo 223).

Em função de opções feitas ainda na década de 1930, temos no Brasil um sistema de radiodifusão predominantemente privado. A Constituição, no entanto, determina a busca do equilíbrio entre os sistemas como forma de democratizar as comunicações: a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007, caminha nesta direção.

Outra alternativa seria o apoio à criação e consolidação de sistemas privados não comerciais, isto é, associações sem fins lucrativos, cooperativas ou fundações. Aqui as rádios e TVs comunitárias são exemplos em curso.

Re-enquadrando a “democratização” das comunicações

Há, no entanto, uma inflexão conceitual que precisa ser feita. Devemos re-enquadrar toda a discussão da democratização das comunicações em torno do conceito de “direito à comunicação”. É preciso que a mídia seja entendida como um poder e a comunicação como um direito que compreenda não só a liberdade de expressão como os direitos à informação e ao conhecimento. Um direito tão fundamental como a educação e/ou a saúde, por exemplo.

A construção desse direito não é nova. Sua primeira formulação já tem quase 40 anos. Também não é novo que entidades e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação no Brasil inscrevam esse direito – direta ou indiretamente – entre os eixos principais de seus programas de ação.

São muitos, no entanto, os obstáculos à sua consolidação, exatamente porque o direito à comunicação abre perspectivas imensas do ponto de vista de garantias ao cidadão, inclusive já praticadas em outras democracias liberais, das quais ainda estamos muito distantes: o direito de resposta como interesse difuso e o direito de antena são apenas dois exemplos.

O direito à comunicação não logrou ainda o status de direito positivado nem mesmo em nível dos organismos multilaterais que têm a capacidade de provocar o reconhecimento internacional do conceito – como, por exemplo, a Unesco. Esse fato faz com que, simultaneamente à articulação política de ações específicas, desenvolva-se também a luta pelo reconhecimento formal do direito.

Existem ainda históricas e poderosas resistências ao conceito, exatamente pelo poder que ele tem de abarcar um imenso leque de reivindicações e bandeiras em relação à democratização da comunicação. Mas, não há dúvida, esse é o caminho.

O que fazer?

Enquanto se segue na construção do direito à comunicação, há de se tentar que o “market place of ideas” funcione no Brasil – sem ilusões.

Democratizar a comunicação passa a ser, portanto, garantir a circulação da diversidade e da pluralidade de idéias existentes na sociedade, isto é, a universalidade da liberdade de expressão individual. Essa garantia tem que ser buscada tanto “externamente” – por meio da regulação do mercado (sem propriedade cruzada e sem oligopólios; priorizando a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal) – quanto “internamente” à mídia – cobrando o cumprimento dos manuais de Redação que prometem (mas não praticam) a imparcialidade e a objetividade jornalística.

>Irracional e sintomático

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“NÃO HÁ COMO FAZER DIFERENTE”, DIZ A IDEOLOGIA QUE SOBREVIVE À CRISE FINANCEIRA E FUNCIONA COMO UMA NEUROSE, “UMA VERDADEIRA COMPULSÃO À REPETIÇÃO”, AFIRMA TALES AB’SÁBER”

Na semana em que o Lehman Brothers ruiu, recebi uma pessoa em meu consultório que sofria de um modo especialmente ligado ao espírito do mundo

TALES AB’SÁBER
ESPECIAL PARA A FOLHA

Caderno Mais! – 13/09/2009

Lembrar é poder. Lembrar é poder se livrar do impensado da repetição. Mas, de fato, elaborar e transformar o mal é um ato de coragem pessoal e, por que não dizer, social.

No encerramento do fórum econômico mundial em Davos [Suíça], em janeiro de 2008, a então secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, declarou satisfeita que os Estados Unidos continuariam nos próximos tempos a puxar a economia mundial.

Aquela arrogância feliz, quase inconsequente, se ligava nitidamente ao movimento, ao longo do ano-catástrofe de 2008, de denegação sistemática próprio às autoridades financeiras americanas, do secretário do Tesouro, Henry Paulson, e do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, em relação à gravidade da crise em que o país, e nosso mundo, já estavam bem instalados.

Tudo se passou como se a realidade dos números, dos erros e dos resultados da alucinose financeira de décadas simplesmente não pudesse ser nomeada ou pensada, mas, ao contrário, pudesse ser transformada magicamente, por meio de um mantra obsessivo diário que já perdera toda serventia erótica, ato de fé vazio, próprio do fanático religioso, que tenta pular sobre o real com um gesto simples de “wishful thinking”, como dizem os próprios americanos.

A responsabilidade, dos responsáveis, de não agravar a crise econômica tornou-se, a partir de um certo ponto irreversível da história, a irresponsabilidade de negá-la obsessivamente. Vimos então um interessante espetáculo político e estético, o real confrontando a ideologia do Homo mercatus de modo irônico até o mais nítido patético.

Não deixou de ser divertido observarmos a realidade negando a cada semana, e a partir de um momento histórico, a cada dia, os senhores e responsáveis pela maior economia do mundo, de modo a abrir um fosso cada vez maior sob os seus pés, e sobre nossas cabeças, até a queda geral dos grandes bancos e de setores inteiros da economia no abismo.

O abismo era o da distância entre um real das contas privadas malfeitas, que atingiam ironicamente o sistema econômico total, e um sistema ideológico, simplesmente irracional e sintomático, o da liberdade total ao mercado, que havia muito não se mantinha de pé.

Fim de uma era

Como todos sabemos, a partir do segundo semestre de 2008, a economia americana, aquela mesma que continuaria a alavancar o mundo indefinidamente, viu seu PIB cair sucessivamente durante quatro trimestres consecutivos, acumulando inimagináveis perdas de quase 15% até hoje, em um resultado nunca visto desde que o índice passou a ser medido, em 1947.

Do ponto de vista humano, no mundo da vida -o que verdadeiramente importa-, esses números abstratos significaram nos EUA a perda de centenas de milhares de postos de trabalho, a quebra de empresas que vão de bancos tradicionais a arquitradicionais montadoras de veículos, o virtual fim de vida econômica para toda uma parte da população ou mesmo uma geração, a mudança total na estrutura do consumo, que passou dos excessos do consumo conspícuo e de luxo a um novo estado de sobrevivência.

Uma era histórica cíclica, que podemos remeter ao grito de guerra de Reagan e Thatcher nos longínquos anos 80, de todo poder ao mercado, se encerrava bruscamente, de modo melancólico e terrível, confirmando as visões dos críticos à cultura turbinada do dinheiro financeirizado e revelando, ao fim das contas e dos imensos processos de manipulação do poder, a vida sob o capitalismo hiperdesenvolvido como um risco iminente a todos, até mesmo ao próprio sistema.

O mais curioso, e que evoca problemas de valor psicanalítico, é que, no encontro econômico de Davos em janeiro de 2009, quando o mundo já estava totalmente instalado na crise -em grande parte gestada por décadas na ideologia daquele próprio espaço-, empresários, banqueiros e políticos, que não estavam naquele momento na bancarrota ou às voltas com a Justiça, tentaram um esforço hermenêutico retrospectivo diante da grande angústia e do mal-estar real, de pensar como poderiam ter pensado, e agido, diferentemente nos últimos tempos que levaram à nova grande recessão.

O resultado foi interessantemente melancólico: em um raro momento de honestidade, mas reconfirmando o prazer da repetição do seu sistema alucinatório de gozo, concluiu-se que não haveria como fazer diferente, e, em caso semelhante, todos agiriam do mesmo modo, tomariam as mesmas decisões.

Catástrofe da razão

Por um segundo a falsa consciência da racionalidade ideologicamente infinita do homem de mercado se deparou com o seu próprio limite, interior.

Tal racionalidade levaria, mais uma vez e ainda mais outra, e mais outra, a uma nova ordem catastrófica, contra os próprios interesses conscientes de todos. Pela primeira vez o capitalismo apareceu para si mesmo como o que ele é: um sistema tão produtivo quanto destrutivo, virtualmente autodestrutivo.

Não há definição melhor, não faltando nem mesmo o índice de angústia e de sofrimento de um sintoma psicanalítico, o que implica a análise de um elemento não reconhecido na ordem da consciência: toda minha prática resulta no contrário do que desejo, e meu mundo consciente, e sua equação de defesas ideológicas, se tornam o avesso do que deveriam ser.

Podemos dizer que um elemento inconsciente passou a habitar definitivamente a história do mercado, que, como certa vez [Theodor] Adorno falou a respeito do nazismo, também necessita da psicanálise para ser pensado.

Esta é a grandiosa máquina do mundo, que, mais ou menos como pensava Marx, no mesmo movimento em que se reproduz, também descarrila. Talvez seja interessante observarmos como ela funciona, na dinâmica do mero e mínimo ponteiro dos segundos, na vida de um consultório psicanalítico de hoje.

Na semana em que a sólida ideologia neoliberal de um quarto de século ruiu junto com os sólidos bancos Merrill Lynch e Lehman Brothers e com a megasseguradora AIG, eu pude receber uma pessoa em meu consultório que sofria de um modo especialmente ligado ao espírito do mundo.

Pequena inconveniência

Posso garantir que aquele ser humano tinha contato profissional o suficiente com o mercado financeiro e particularmente com o setor diretamente envolvido na espetacular crise que virou a excitação mundial daquele período, o dos fundos de hedge, o mercado de derivativos. Foi muito interessante e curioso vê-lo falar muito tranquilamente, ao longo de sua hora analítica, de seus planos futuros de férias, o que já vinha pensando havia semanas, enquanto o seu próprio mundo estava simplesmente acabando, diante do olhar de todos.

Quanto a essa pequena inconveniência da realidade, nem uma palavra, nem mesmo um sinal de angústia. Exatamente como os senhores do grande mundo do dinheiro, o pequeno operador, que recebia a sua cota local de grandes lucros hiperinflados, não podia pensar, de nenhum modo, da angústia à reflexão, na própria ordem de catástrofe de seu mundo, sobre a sua realidade.

Era como se a realidade não existisse. Além da radical instabilidade com a vida real, o capitalismo contemporâneo exige adesão ideológica sem reflexão ou ambivalência a sua forma mentirosa.

Aquela pessoa radicalmente aplainada na ideologia fixa de seu tempo simplesmente se humanizou quando pôde perceber, em um único movimento, que o mundo que se autodestruía bem a sua frente era o mesmo que funcionava para ela de modo impensável, o mesmo que a impedia de pensar o seu próprio mundo, e que esses dois efeitos -como Condoleezza Rice, Ben Bernanke e Henry Paulson já haviam ensinado- eram de fato um só.

Nos meses que se seguiram ao crash das contas malfeitas da razão autorregulada do mercado, vimos o novo lance fantástico do sistema: o Estado chamado a despejar bilhões e bilhões na economia, para meramente repor o sistema da acumulação privada de dinheiro e poder.

Não há dúvidas de que algo não está podendo ser pensado nessa verdadeira compulsão à repetição, como dizia o velho Freud, das coisas capitalistas.

O capitalismo vai se tornando, bem diante de nossos olhos, o nosso inconsciente social e economicamente constituído.

Afinal, e o terremoto histórico deixa isso bem claro, “eles não sabem o que fazem, mas o fazem assim mesmo”.


TALES A.M. AB’SÁBER é psicanalista e autor de “O Sonhar Restaurado – Formas do Sonhar em Bion, Winnicott e Freud” (Ed. 34), entre outros livros.