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>Risco de falta de água em 55% dos municípios (O Globo, JC)

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JC e-mail 4222, de 22 de Março de 2011.

Segundo estudo da Agência Nacional das Águas (ANA), País precisa investir R$ 22,2 bilhões em captação e coleta até 2015.

Um dos países com a maior quantidade de água do mundo – dono da maior bacia hidrográfica do planeta -, o Brasil pode enfrentar problemas de abastecimento, segundo diagnóstico inédito da Agência Nacional das Águas (ANA) no Atlas Brasil, documento divulgado hoje (22). Trata-se de mais um gargalo ao desenvolvimento econômico que vai se formando sem fazer estardalhaço.

Se o País não investir R$ 22,2 bilhões nos sistemas de captação e coleta de água até 2015, pode faltar água em 55% dos municípios, ou 3.059 do total. O Rio está entre os grandes centros metropolitanos mais afetados se nada for feito.

Especialistas da ANA garantem que a ameaça pode prejudicar os investimentos para a organização da Copa em 2014 e para os Jogos Olímpicos em 2016.

– A indústria aduz água diretamente do rio. Hotéis e serviços em geral precisam de água da torneira, assim como empresas de menor porte pelas companhias de saneamento – disse um integrante do governo.

Cidades em risco são 73% da demanda de água do País

A abundância de água no País – o Brasil detém, hoje, 12% da água doce do planeta – acaba por mascarar uma situação grave que vai se desenhando para o futuro próximo.

Segundo o estudo, os municípios que correm o risco de desabastecimento até 2015 representam nada menos que 73% da demanda de água do País inteiro. Desse universo, 84% das chamadas sedes urbanas precisam de investimentos para adequar seus sistemas produtores e 16% apresentam déficits decorrentes dos mananciais utilizados.

O estudo da ANA confirma as disparidades nacional e mostra que, embora o País tenha água, é preciso levá-la a todos. Segundo dados do IBGE, o abastecimento não chega a 21,5% das casas brasileiras ou 12,4 milhões de residências.

– O País tem água, os mananciais estão identificados. Só 16% não dão conta do recado. É preciso explorar as potencialidades do País e reduzir as deficiências – disse uma fonte da ANA.

O Norte e o Nordeste são as regiões com as maiores necessidades de recursos em sistemas produtores de água (mais de 59% das cidades). O relatório da ANA destaca a precariedade dos pequenos sistemas de abastecimento do Norte – onde há uma população menor, mas infraestrutura hídrica deficiente -, a escassez hídrica da porção semiárida e a baixa disponibilidade de água das bacias hidrográficas litorâneas do Nordeste.

Na região Sudeste, os maiores problemas estão relacionados à forte concentração urbana e à complexidade dos sistemas produtores de abastecimento. Isso acaba provocando disputas pelas mesmas fontes hídricas. A capacidade total dos sistemas produtores instalados e em operação no País é de cerca de 587m3/s. O valor está bem próximo das demandas máximas atuais (em torno de 543m3/s), o que significa que grande parte das unidades já está no limite da capacidade operacional.

Para 2025, a demanda está prevista em 630m3/s. O Atlas Brasil indica que o Sudeste
detém 51% da capacidade instalada de produção de água do País. Em seguida, vem Nordeste (21%), Sul (15%), Norte (7%) e Centro-Oeste (6%).

A maior parcela dos investimentos (R$ 16,5 bilhões ou 74% do montante) deve ser destinada a 2.076 municípios de Sudeste e Nordeste, em função do maior número de aglomerados urbanos e da existência da região semiárida. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, juntos, reúnem aproximadamente 51% dos investimentos previstos no Atlas em apenas 730 cidades.

Nos grandes centros urbanos, a necessidade de buscar mananciais cada vez mais distantes e os investimentos em obras de regularização evidenciam a pressão sobre os recursos hídricos locais, como é o caso de São Paulo, Curitiba, Goiânia, Distrito Federal e Fortaleza.

A diminuição gradativa do aproveitamento de águas subterrâneas também é responsável por grandes investimentos em novos mananciais, principalmente em capitais do Nordeste e do Norte.
(O Globo)

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>Comitê debate recursos para Sistema de Alerta de Desastres Naturais (JC, FSP, VE, MCT)

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JC e-mail 4220, de 18 de Março de 2011

Fundo do clima vai bancar nova rede contra catástrofe natural

Neste ano, sistema de alerta receberá R$ 10 milhões dessa fonte de financiamento.

O sistema nacional de alerta contra catástrofes naturais será bancado neste ano por R$ 10 milhões do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. A decisão foi anunciada ontem em Brasília.

Principal anúncio do início da gestão de Aloizio Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia, a criação de um sistema que possa evitar tragédias como a de janeiro na região serrana do Rio esbarrou nos cortes orçamentários do governo.

A saída foi pedir financiamento para o início da montagem do sistema ao fundo gerenciado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente). Afinal, raciocina o ministério, trata-se de uma ação de adaptação às mudanças climáticas, uma das linhas principais do fundo.

Neste ano, o Fundo Clima deverá investir R$ 229 milhões em ações como combate à desertificação e redução de emissões de carbono. Desse total, R$ 200 milhões serão disponibilizados pelo BNDES na forma de empréstimos com juros mais baixos que a inflação.

Na mira do secretário nacional de Mudança Climática, Eduardo Assad, estão linhas de crédito para substituição de ônibus a diesel por biodiesel e a expansão das placas solares para aquecimento de água, além do estímulo ao desenvolvimento de paineis fotovoltaicos. “A gente sempre ouve o argumento de que é muito caro, então vamos dar dinheiro para pesquisa, para ficar barato”, afirmou Assad.
(Folha de São Paulo)

Sistema antidesastres começa a operar este ano com verba de R$ 11 milhões

A operação integral do sistema, prevista para ocorrer em quatro anos, exigirá investimentos muito superiores ao inicial.

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) prevê um investimento de R$ 10,9 milhões este ano para dar início, em novembro, à operação do Sistema de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, lançado em janeiro pelo governo federal. A operação integral do sistema, prevista para ocorrer em quatro anos, exigirá investimentos muito superiores ao inicial, mas que ainda se encontram em fase de detalhamento, segundo informou o climatologista Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT.

A expectativa do governo, segundo Nobre, é que as melhorias, que serão implementadas na capacidade de observação e de monitoramento de fenômenos climáticos e meteorológicos extremos e, principalmente, na capacidade de dar alertas sobre riscos de deslizamentos e de inundações, contribuam para uma redução de 80% do número de vítimas dos desastres naturais para áreas cobertas pelo sistema e com levantamentos detalhados de vulnerabilidades. “Para o restante do Brasil, estima-se uma redução de 50% do número de vítimas e, em dez anos, para menos de 20% em relação aos números atuais”, explicou Nobre.

O aprimoramento da rede de observação existente hoje, de acordo com o secretário do MCT, contempla a expansão da rede de Plataformas de Coleta de Dados Ambientais (PCDs). Atualmente, existe um total de 854 PCDs espalhadas pelo território nacional, mas 271 estão sem transmissão e outras 22 foram desativadas. O sistema utilizará todas as redes de dados meteorológicos existentes, como as quase 500 estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As PCDs fazem a coleta diária de informações meteorológicas (temperatura, pressão, direção e velocidade do vento, umidades) em territórios de difícil acesso e no mar. Essas informações são utilizadas nos modelos computacionais de previsão do tempo e permitem o acompanhamento, em tempo quase real, das condições ambientais.

Também está prevista a instalação de cerca de 700 pluviômetros em áreas de risco, escolas, igrejas e órgãos públicos, para serem operados pelas comunidades e com informações enviadas para centros de controle, via telefonia celular.

A rede de radares meteorológicos existente hoje também será ampliada, segundo Nobre, com a aquisição de 15 equipamentos em parcerias com Estados, que estarão integrados com os atuais radares, permitindo um monitoramento mais adequado de chuvas, em tempo real, para áreas de risco.

O novo sistema de alerta propõe ainda a instalação de um radar meteorológico no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Cachoeira Paulista, onde já está operando o novo supercomputador Tupã.

“Além de complementar a rede nacional de radares, este equipamento permitirá o avanço de pesquisas sobre meteorologia por radares. Essa capacitação poderá ser usada nos cursos de pós-graduação do Inpe e no treinamento de pesquisadores e técnicos em meteorologia por radares”, disse.

O governo também pretende, no curto prazo, fazer um levantamento dos municípios com mapeamento geomorfológico detalhado de áreas de risco em encostas e de áreas sujeitas a inundações. O secretário do MCT ressalta que a confiabilidade dos alertas de risco e de ações de prevenção de desastres naturais dependem da existência de sistemas e de tecnologias de observação e monitoramento em tempo real.

“As previsões atuais de riscos de deslizamentos em encostas e de vazões em bacias hidrológicas ainda se encontram na infância, a não ser para poucos municípios como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo”, diz o meteorologista.

A sede do sistema que, provavelmente, será instalada no campus do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP), vai abrigar, até novembro deste ano, uma equipe de 30 profissionais, que vão trabalhar 24 horas por dia, todos os dias do ano. A vantagem de a sede ficar no Inpe, segundo já havia explicado o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, é que ali já existe toda uma infraestrutura logística, com supercomputadores de última geração, sistema de fibra óptica e técnicos altamente qualificados, o que reduziria grande parte dos custos de montagem do sistema.

Além de uma rede integrada de radares meteorológicos e pluviômetros, o MCT também coloca como prioridade para o novo sistema, o lançamento de uma constelação de satélites de monitoramento de precipitações, que está sendo feita com a Nasa e a Agência Espacial Japonesa.

A médio prazo, diz o secretário Carlos Nobre, o objetivo do governo é contar com um satélite geoestacionário próprio para monitoramento ambiental e meteorológico. Também está prevista a modernização dos componentes do sistema de coleta de dados das PCDs, que recebe informações do satélite SCD-1 e SCD-2, ambos com vida útil vencida há mais de dez anos e operando de forma degradada.

O MCT avalia ainda a possibilidade de desenvolvimento de um sistema de coleta de dados novo, pela indústria nacional, para ser embarcado no satélite científico Lattes. O satélite está sendo desenvolvido pelo Inpe e tem lançamento previsto entre os anos de 2014 e 2015.
(Valor Econômico)

Comitê debate recursos para Sistema de Alerta de Desastres Naturais

Estão previstos R$ 238 milhões de investimentos em projetos para a redução dos impactos consequentes das alterações da temperatura global, em linhas de crédito para projetos do setor público e privado.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (Seped/MCT), Carlos Nobre, participou nesta quinta-feira (17) da 2ª Reunião Ordinária do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima), na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília.

No encontro, foram discutidos o plano anual para aplicação de recursos e o regimento interno do fundo. Estão previstos R$ 238 milhões de investimentos em projetos para a redução dos impactos consequentes das alterações da temperatura global, em linhas de crédito para projetos do setor público e privado. Participaram da reunião o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Francisco Gaetani, que é o presidente do comitê gestor do Fundo, e o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Eduardo Assad.

Entre os recursos, está previsto um financiamento inicial de R$ 10 milhões para o Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais, programa do Governo Federal que tem coordenação do MCT. A previsão é de que o sistema funcionará plenamente em quatro anos. O sistema antecipará informações sobre possíveis desastres naturais relacionados à seca e outras catástrofes, como deslizamentos de terra e inundações. Os dados das áreas de risco mais críticas já devem estar disponíveis no próximo verão.

O Fundo Clima é um dos principais instrumentos de promoção e financiamento de atividades vinculadas à Política Nacional sobre Mudança do Clima. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai dispor R$ 204 milhões em linhas de crédito para projetos do setor público e privado. Também serão destinados R$ 34 milhões pelo MMA para iniciativas públicas, com recursos não-reembolsáveis.

A destinação dos recursos terá foco na educação, ciência, adaptação da sociedade aos impactos, redução de gases do efeito estufa, redução das emissões de carbono por desmatamento, difusão de tecnologias para diminuir os gases na atmosfera, formulação de políticas públicas e apoio a cadeias produtivas sustentáveis. O MMA é responsável pela formulação da proposta orçamentária anual e do plano anual de aplicação financeira.
(Assessoria de Comunicação do MCT)

>Palocci tentará melhorar o clima (JC, O Globo)

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Ministro assume comando da política de mudanças climáticas para pôr fim a divergências.

JC e-mail 4218, de 16 de Março de 2011.

O chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, assumiu o comando da pauta que vem ganhando mais destaque na área ambiental do governo: a política de mudanças climáticas, que, desde 2009, com a cúpula de Copenhague, rende ao Brasil prestígio internacional. A mudança de rumo no governo gerou inquietação nos dois principais ministérios que cuidam do tema: Meio Ambiente (MMA) e Ciência e Tecnologia (MCT). Ontem, foi efetivada a primeira baixa no Meio Ambiente, com a saída da secretária nacional de Mudanças Climáticas, Branca Americano, a ser substituída pelo pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que falou ontem a empresários e técnicos de governos estaduais, a ideia é acabar com as constantes divergências que a agenda climática causava entre os ministérios e obter sintonia. Visões conflitantes na Esplanada já causaram brigas e constrangimentos.

– Com a Rio+20, temos que tratar questões ambientais de forma diferente da que vínhamos tratando. Temos que ter uma estrutura de governança diferente. A mudança climática é o carro-chefe dessa discussão. Estamos trabalhando o melhor formato com o
MCT e a Casa Civil sob um novo modelo de governança da agenda de clima, a pedido da Casa Civil e do ministro Palocci. A Casa Civil, sendo o maestro, e o MCT e o MMA, os outros dois pés. Queremos acabar com as ilhas, para que haja convergência com a
agenda nacional – disse Izabella.

Departamento agregará temas

No MMA, a secretaria será transformada num super departamento, que deverá se chamar Secretaria do Clima, que agregará novos temas, como políticas de combate ao desmatamento, conservação de biodiversidade e gestão de florestas e recursos hídricos.

Na gestão do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, em 2009, o MMA teve problemas com o Itamaraty e o MCT. Minc pressionava para que o Brasil tivesse metas de redução de gases, e as outras duas pastas defendiam posição mais conservadora. Nas áreas que serão incorporadas pela nova secretaria, funcionários reclamam que Izabella não consultou os principais afetados sobre os novos rumos que seus trabalhos devem tomar.

Na Ciência e Tecnologia, técnicos que trabalham com mudança do clima resistem à proposta de reestruturação promovida com a nomeação do pesquisador Carlos Nobre para a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento. Para a conferência que acontecerá em Bangcoc, em abril, uma das preparatórias para o encontro anual da ONU, o MCT ainda não tem uma equipe formada para enviar. Uma das mudanças já anunciadas por Nobre atinge a menina dos olhos do ministério nesse setor: o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que credencia projetos que reduzem emissões a receber créditos que podem ser negociados no mercado de carbono.

A guinada responde a uma das principais críticas feitas por elaboradores de projetos que reduzem emissões: a de que o processo de aceitação dessas propostas é excessivamente
burocrático.

– Vamos ter um novo olhar sobre o MDL. Vamos flexibilizar regras e torná-lo mais ágil. O Brasil tem condições de liderar, junto com a Escandinávia e a Alemanha, a transição para uma economia de baixo carbono – apontou o secretário.

Para o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Adalberto Veríssimo, a decisão do governo de pôr a Casa Civil na coordenação da política climática do governo é uma boa notícia. Ele argumenta que o aquecimento global é um problema que atravessa diferentes áreas temáticas e, por isso, deve estar no topo da hierarquia do Executivo.

– A coordenação de Palocci sobre as mudanças climáticas está correta. Esse é um assunto transversal, que interessa a várias áreas, como Minas e Energia, Transporte e Agricultura. É uma tarefa que vai precisar de equilíbrio. O aquecimento global é um dos pilares da discussão desta década. Colocá-lo na Casa Civil é sinal de que o Brasil quer continuar avançando na área – disse.

Sobre as mudanças nos ministérios, Veríssimo disse que a entrada de Nobre “oxigena” o debate dentro do MCT, que, segundo ele, contava com quadros retrógrados.

– Senti o MCT e o MMA falando a mesma língua. Foi a primeira vez que vi isso acontecer – disse Veríssimo.

Marina faz críticas a licenciamentos

A ex-senadora Marina Silva (PV) criticou ontem a ideia do governo federal de flexibilizar a concessão de licenciamentos ambientais para acelerar obras de infraestrutura. Ela falou antes de saber que Palocci cuidará da agenda climática.

– Vejo com preocupação essa história de mudar o processo de licenciamento ambiental. Acho que qualquer mudança dessa natureza, no sentido de flexibilizar, só vai agravar os problemas que estamos vivendo. O licenciamento tem um papel importante para reduzir e minimizar o impacto ambiental de uma obra – disse a candidata derrotada a presidente, após participar de aula magna do curso de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos.

As propostas do governo serão implementadas por decretos que regularão o licenciamento de rodovias, portos, linhas de transmissão de energia elétrica, hidrovias e obras de exploração de petróleo do pré-sal.
(O Globo)

>Can a group of scientists in California end the war on climate change? (Guardian)

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The Berkeley Earth project say they are about to reveal the definitive truth about global warming

Ian Sample
guardian.co.uk
Sunday 27 February 2011 20.29 GMT

Richard Muller of the Berkeley Earth project is convinced his approach will lead to a better assessment of how much the world is warming. Photograph: Dan Tuffs for the Guardian

In 1964, Richard Muller, a 20-year-old graduate student with neat-cropped hair, walked into Sproul Hall at the University of California, Berkeley, and joined a mass protest of unprecedented scale. The activists, a few thousand strong, demanded that the university lift a ban on free speech and ease restrictions on academic freedom, while outside on the steps a young folk-singer called Joan Baez led supporters in a chorus of We Shall Overcome. The sit-in ended two days later when police stormed the building in the early hours and arrested hundreds of students. Muller was thrown into Oakland jail. The heavy-handedness sparked further unrest and, a month later, the university administration backed down. The protest was a pivotal moment for the civil liberties movement and marked Berkeley as a haven of free thinking and fierce independence.

Today, Muller is still on the Berkeley campus, probably the only member of the free speech movement arrested that night to end up with a faculty position there – as a professor of physics. His list of publications is testament to the free rein of tenure: he worked on the first light from the big bang, proposed a new theory of ice ages, and found evidence for an upturn in impact craters on the moon. His expertise is highly sought after. For more than 30 years, he was a member of the independent Jason group that advises the US government on defence; his college lecture series, Physics for Future Presidents was voted best class on campus, went stratospheric on YouTube and, in 2009, was turned into a bestseller.

For the past year, Muller has kept a low profile, working quietly on a new project with a team of academics hand-picked for their skills. They meet on campus regularly, to check progress, thrash out problems and hunt for oversights that might undermine their work. And for good reason. When Muller and his team go public with their findings in a few weeks, they will be muscling in on the ugliest and most hard-fought debate of modern times.

Muller calls his latest obsession the Berkeley Earth project. The aim is so simple that the complexity and magnitude of the undertaking is easy to miss. Starting from scratch, with new computer tools and more data than has ever been used, they will arrive at an independent assessment of global warming. The team will also make every piece of data it uses – 1.6bn data points – freely available on a website. It will post its workings alongside, including full information on how more than 100 years of data from thousands of instruments around the world are stitched together to give a historic record of the planet’s temperature.

Muller is fed up with the politicised row that all too often engulfs climate science. By laying all its data and workings out in the open, where they can be checked and challenged by anyone, the Berkeley team hopes to achieve something remarkable: a broader consensus on global warming. In no other field would Muller’s dream seem so ambitious, or perhaps, so naive.

“We are bringing the spirit of science back to a subject that has become too argumentative and too contentious,” Muller says, over a cup of tea. “We are an independent, non-political, non-partisan group. We will gather the data, do the analysis, present the results and make all of it available. There will be no spin, whatever we find.” Why does Muller feel compelled to shake up the world of climate change? “We are doing this because it is the most important project in the world today. Nothing else comes close,” he says.

Muller is moving into crowded territory with sharp elbows. There are already three heavyweight groups that could be considered the official keepers of the world’s climate data. Each publishes its own figures that feed into the UN’s Intergovernmental Panel on Climate Change. Nasa’s Goddard Institute for Space Studies in New York City produces a rolling estimate of the world’s warming. A separate assessment comes from another US agency, the National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa). The third group is based in the UK and led by the Met Office. They all take readings from instruments around the world to come up with a rolling record of the Earth’s mean surface temperature. The numbers differ because each group uses its own dataset and does its own analysis, but they show a similar trend. Since pre-industrial times, all point to a warming of around 0.75C.

You might think three groups was enough, but Muller rolls out a list of shortcomings, some real, some perceived, that he suspects might undermine public confidence in global warming records. For a start, he says, warming trends are not based on all the available temperature records. The data that is used is filtered and might not be as representative as it could be. He also cites a poor history of transparency in climate science, though others argue many climate records and the tools to analyse them have been public for years.

Then there is the fiasco of 2009 that saw roughly 1,000 emails from a server at the University of East Anglia’s Climatic Research Unit (CRU) find their way on to the internet. The fuss over the messages, inevitably dubbed Climategate, gave Muller’s nascent project added impetus. Climate sceptics had already attacked James Hansen, head of the Nasa group, for making political statements on climate change while maintaining his role as an objective scientist. The Climategate emails fuelled their protests. “With CRU’s credibility undergoing a severe test, it was all the more important to have a new team jump in, do the analysis fresh and address all of the legitimate issues raised by sceptics,” says Muller.

This latest point is where Muller faces his most delicate challenge. To concede that climate sceptics raise fair criticisms means acknowledging that scientists and government agencies have got things wrong, or at least could do better. But the debate around global warming is so highly charged that open discussion, which science requires, can be difficult to hold in public. At worst, criticising poor climate science can be taken as an attack on science itself, a knee-jerk reaction that has unhealthy consequences. “Scientists will jump to the defence of alarmists because they don’t recognise that the alarmists are exaggerating,” Muller says.

The Berkeley Earth project came together more than a year ago, when Muller rang David Brillinger, a statistics professor at Berkeley and the man Nasa called when it wanted someone to check its risk estimates of space debris smashing into the International Space Station. He wanted Brillinger to oversee every stage of the project. Brillinger accepted straight away. Since the first meeting he has advised the scientists on how best to analyse their data and what pitfalls to avoid. “You can think of statisticians as the keepers of the scientific method, ” Brillinger told me. “Can scientists and doctors reasonably draw the conclusions they are setting down? That’s what we’re here for.”

For the rest of the team, Muller says he picked scientists known for original thinking. One is Saul Perlmutter, the Berkeley physicist who found evidence that the universe is expanding at an ever faster rate, courtesy of mysterious “dark energy” that pushes against gravity. Another is Art Rosenfeld, the last student of the legendary Manhattan Project physicist Enrico Fermi, and something of a legend himself in energy research. Then there is Robert Jacobsen, a Berkeley physicist who is an expert on giant datasets; and Judith Curry, a climatologist at Georgia Institute of Technology, who has raised concerns over tribalism and hubris in climate science.

Robert Rohde, a young physicist who left Berkeley with a PhD last year, does most of the hard work. He has written software that trawls public databases, themselves the product of years of painstaking work, for global temperature records. These are compiled, de-duplicated and merged into one huge historical temperature record. The data, by all accounts, are a mess. There are 16 separate datasets in 14 different formats and they overlap, but not completely. Muller likens Rohde’s achievement to Hercules’s enormous task of cleaning the Augean stables.

The wealth of data Rohde has collected so far – and some dates back to the 1700s – makes for what Muller believes is the most complete historical record of land temperatures ever compiled. It will, of itself, Muller claims, be a priceless resource for anyone who wishes to study climate change. So far, Rohde has gathered records from 39,340 individual stations worldwide.

Publishing an extensive set of temperature records is the first goal of Muller’s project. The second is to turn this vast haul of data into an assessment on global warming. Here, the Berkeley team is going its own way again. The big three groups – Nasa, Noaa and the Met Office – work out global warming trends by placing an imaginary grid over the planet and averaging temperatures records in each square. So for a given month, all the records in England and Wales might be averaged out to give one number. Muller’s team will take temperature records from individual stations and weight them according to how reliable they are.

This is where the Berkeley group faces its toughest task by far and it will be judged on how well it deals with it. There are errors running through global warming data that arise from the simple fact that the global network of temperature stations was never designed or maintained to monitor climate change. The network grew in a piecemeal fashion, starting with temperature stations installed here and there, usually to record local weather.

Among the trickiest errors to deal with are so-called systematic biases, which skew temperature measurements in fiendishly complex ways. Stations get moved around, replaced with newer models, or swapped for instruments that record in celsius instead of fahrenheit. The times measurements are taken varies, from say 6am to 9pm. The accuracy of individual stations drift over time and even changes in the surroundings, such as growing trees, can shield a station more from wind and sun one year to the next. Each of these interferes with a station’s temperature measurements, perhaps making it read too cold, or too hot. And these errors combine and build up.

This is the real mess that will take a Herculean effort to clean up. The Berkeley Earth team is using algorithms that automatically correct for some of the errors, a strategy Muller favours because it doesn’t rely on human interference. When the team publishes its results, this is where the scrutiny will be most intense.

Despite the scale of the task, and the fact that world-class scientific organisations have been wrestling with it for decades, Muller is convinced his approach will lead to a better assessment of how much the world is warming. “I’ve told the team I don’t know if global warming is more or less than we hear, but I do believe we can get a more precise number, and we can do it in a way that will cool the arguments over climate change, if nothing else,” says Muller. “Science has its weaknesses and it doesn’t have a stranglehold on the truth, but it has a way of approaching technical issues that is a closer approximation of truth than any other method we have.”

He will find out soon enough if his hopes to forge a true consensus on climate change are misplaced. It might not be a good sign that one prominent climate sceptic contacted by the Guardian, Canadian economist Ross McKitrick, had never heard of the project. Another, Stephen McIntyre, whom Muller has defended on some issues, hasn’t followed the project either, but said “anything that [Muller] does will be well done”. Phil Jones at the University of East Anglia was unclear on the details of the Berkeley project and didn’t comment.

Elsewhere, Muller has qualified support from some of the biggest names in the business. At Nasa, Hansen welcomed the project, but warned against over-emphasising what he expects to be the minor differences between Berkeley’s global warming assessment and those from the other groups. “We have enough trouble communicating with the public already,” Hansen says. At the Met Office, Peter Stott, head of climate monitoring and attribution, was in favour of the project if it was open and peer-reviewed.

Peter Thorne, who left the Met Office’s Hadley Centre last year to join the Co-operative Institute for Climate and Satellites in North Carolina, is enthusiastic about the Berkeley project but raises an eyebrow at some of Muller’s claims. The Berkeley group will not be the first to put its data and tools online, he says. Teams at Nasa and Noaa have been doing this for many years. And while Muller may have more data, they add little real value, Thorne says. Most are records from stations installed from the 1950s onwards, and then only in a few regions, such as North America. “Do you really need 20 stations in one region to get a monthly temperature figure? The answer is no. Supersaturating your coverage doesn’t give you much more bang for your buck,” he says. They will, however, help researchers spot short-term regional variations in climate change, something that is likely to be valuable as climate change takes hold.

Despite his reservations, Thorne says climate science stands to benefit from Muller’s project. “We need groups like Berkeley stepping up to the plate and taking this challenge on, because it’s the only way we’re going to move forwards. I wish there were 10 other groups doing this,” he says.

For the time being, Muller’s project is organised under the auspices of Novim, a Santa Barbara-based non-profit organisation that uses science to find answers to the most pressing issues facing society and to publish them “without advocacy or agenda”. Funding has come from a variety of places, including the Fund for Innovative Climate and Energy Research (funded by Bill Gates), and the Department of Energy’s Lawrence Berkeley Lab. One donor has had some climate bloggers up in arms: the man behind the Charles G Koch Charitable Foundation owns, with his brother David, Koch Industries, a company Greenpeace called a “kingpin of climate science denial”. On this point, Muller says the project has taken money from right and left alike.

No one who spoke to the Guardian about the Berkeley Earth project believed it would shake the faith of the minority who have set their minds against global warming. “As new kids on the block, I think they will be given a favourable view by people, but I don’t think it will fundamentally change people’s minds,” says Thorne. Brillinger has reservations too. “There are people you are never going to change. They have their beliefs and they’re not going to back away from them.”

Waking across the Berkeley campus, Muller stops outside Sproul Hall, where he was arrested more than 40 years ago. Today, the adjoining plaza is a designated protest spot, where student activists gather to wave banners, set up tables and make speeches on any cause they choose. Does Muller think his latest project will make any difference? “Maybe we’ll find out that what the other groups do is absolutely right, but we’re doing this in a new way. If the only thing we do is allow a consensus to be reached as to what is going on with global warming, a true consensus, not one based on politics, then it will be an enormously valuable achievement.”

>What we have and haven’t learned from ‘Climategate’

>
DON’T KNOW MUCH AGNOTOLOGY

Grist.org
BY David Roberts
28 FEB 2011 1:29 PM

I wrote about the “Climategate” controversy (over emails stolen from the University of East Anglia’s Climatic Research Unit) once, which is about what it warranted.

My silent protest had no effect whatsoever, of course, and the story followed a depressingly familiar trajectory: hyped relentlessly by right-wing media, bullied into the mainstream press as he-said she-said, and later, long after the damage is done, revealed as utterly bereft of substance. It’s a familiar script for climate faux controversies, though this one played out on a slightly grander scale.

Investigations galore

Consider that there have now been five, count ‘em five, inquiries into the matter. Penn State established an independent inquiry into the accusations against scientist Michael Mann and found “no credible evidence” [PDF] of improper research conduct. A British government investigation run by the House of Commons’ Science and Technology Committee found that while the CRU scientists could have been more transparent and responsive to freedom-of-information requests, there was no evidence of scientific misconduct. The U.K.’s Royal Society (its equivalent of the National Academies) ran an investigation that found “no evidence of any deliberate scientific malpractice.” The University of East Anglia appointed respected civil servant Sir Muir Russell to run an exhaustive, six-month independent inquiry; he concluded that “the honesty and rigour of CRU as scientists are not in doubt … We have not found any evidence of behaviour that might undermine the conclusions of the IPCC assessments.”

All those results are suggestive, but let’s face it, they’re mostly … British. Sen. James Inhofe (R-Okla.) wanted an American investigation of all the American scientists involved in these purported dirty deeds. So he asked the Department of Commerce’s inspector general to get to the bottom of it. On Feb. 18, the results of that investigation were released. “In our review of the CRU emails,” the IG’s office said in its letter to Inhofe [PDF], “we did not find any evidence that NOAA inappropriately manipulated data … or failed to adhere to appropriate peer review procedures.” (Oddly, you’ll find no mention of this central result in Inhofe’s tortured public response.)

Whatever legitimate issues there may be about the responsiveness or transparency of this particular group of scientists, there was nothing in this controversy — nothing — that cast even the slightest doubt on the basic findings of climate science. Yet it became a kind of stain on the public image of climate scientists. How did that happen?

Smooth criminals

You don’t hear about it much in the news coverage, but recall, the story began with a crime. Hackers broke into the East Anglia email system and stole emails and documents, an illegal invasion of privacy. Yet according to The Wall Street Journal’s Kim Strassel, the emails “found their way to the internet.” In ABC science correspondent Ned Potter’s telling, the emails “became public.” The New York Times’ Andy Revkin says they were “extracted from computers.”

None of those phrasings are wrong, per se, but all pass rather lightly over the fact that some actual person or persons put them on the internet, made them public, extracted them from the computers. Someone hacked in, collected emails, sifted through and selected those that could be most damning, organized them, and timed the release for maximum impact, just before the Copenhagen climate talks. Said person or persons remain uncaught, uncharged, and unprosecuted. There have since been attempted break-ins at other climate research institutions.

If step one was crime, step two was character assassination. When the emails were released, they were combed over by skeptic blogs and right-wing media, who collected sentences, phrases, even individual terms that, when stripped of all context, create the worst possible impression. Altogether the whole thing was as carefully staged as any modern-day political attack ad.

Yet when the “scandal” broke, rather than being about criminal theft and character assassination, it was instantly “Climategate.” It was instantly about climate scientists, not the illegal and dishonest tactics of their attackers. The scientists, not the ideologues and ratf*ckers, had to defend themselves.

Burden of proof

It’s a numbingly familiar pattern in media coverage. The conservative movement that’s been attacking climate science for 20 years has a storied history of demonstrable fabrications, distortions, personal attacks, and nothingburger faux-scandals — not only on climate science, but going back to asbestos, ozone, leaded gasoline, tobacco, you name it. They don’t follow the rigorous standards of professional science; they follow no intellectual or ethical standards whatsoever. Yet no matter how long their record of viciousness and farce, every time the skeptic blogosphere coughs up a new “ZOMG!” it’s as though we start from zero again, like no one has a memory longer than five minutes.

Here’s the basic question: At this point, given their respective accomplishments and standards, wouldn’t it make sense to give scientists the strong benefit of the doubt when they are attacked by ideologues with a history of dishonesty and error? Shouldn’t the threshold for what counts as a “scandal” have been nudged a bit higher?

Agnotological inquiry

The lesson we’ve learned from climategate is simple. It’s the same lesson taught by death panels, socialist government takeover, Sharia law, and Obama’s birth certificate. To understand it we must turn to agnotology, the study of culturally induced ignorance or doubt. (Hat tip to an excellent recent post on this by John Quiggen.)

Beck, Palin, and the rest of Fox News and talk radio operate on the pretense that they are giving consumers access to a hidden “universe of reality,” to use Limbaugh’s term. It’s a reality being actively obscured the “lamestream media,” academics, scientists, and government officials. Affirming the tenets of that secret reality has become an act of tribal reinforcement, the equivalent of a secret handshake.

The modern right has created a closed epistemic loop containing millions of people. Within that loop, the implausibility or extremity of a claim itself counts as evidence. The more liberal elites reject it, the more it entrenches itself. Standards of evidence have nothing to do with it.

The notion that there is a global conspiracy by professional scientists to falsify results in order to get more research money is, to borrow Quiggen’s words about birtherism, “a shibboleth, that is, an affirmation that marks the speaker as a member of their community or tribe.” Once you have accepted that shibboleth, anything offered to you as evidence of its truth, no matter how ludicrous, will serve as affirmation. (Even a few context-free lines cherry-picked from thousands of private emails.)

Living with the loop

There’s one thing we haven’t learned from climategate (or death panels or birtherism). U.S. politics now contains a large, well-funded, tightly networked, and highly amplified tribe that defines itself through rejection of “lamestream” truth claims and standards of evidence. How should our political culture relate to that tribe?

We haven’t figured it out. Politicians and the political press have tried to accommodate the shibboleths of the right as legitimate positions for debate. The press in particular has practically sworn off plain judgments of accuracy or fact. But all that’s done is confuse and mislead the broader public, while the tribe pushes ever further into extremity. The tribe does not want to be accommodated. It is fueled by elite rejection.

At this point mainstream institutions like the press are in a bind: either accept the tribe’s assertions as legitimate or be deemed “biased.” Until there is a way out of that trap, there will be more and more Climategates.

Fact-Free Science (N.Y. Times)

THE WAY WE LIVE NOW

By JUDITH WARNER
Published: February 25, 2011

Photo: Camille Seaman.

President Obama has made scientific innovation the cornerstone of his plans for “winning the future,” requesting in his recent budget proposal large financing increases for scientific research and education and, in particular, sustained attention to developing alternative energy sources and technologies. “This is our generation’s Sputnik moment,” he declared in his State of the Union address last month.

It would be easier to believe in this great moment of scientific reawakening, of course, if more than half of the Republicans in the House and three-quarters of Republican senators did not now say that the threat of global warming, as a man-made and highly threatening phenomenon, is at best an exaggeration and at worst an utter “hoax,” as James Inhofe of Oklahoma, the ranking Republican on the Senate Environment and Public Works Committee, once put it. These grim numbers, compiled by the Center for American Progress, describe a troubling new reality: the rise of the Tea Party and its anti-intellectual, anti-establishment, anti-elite worldview has brought both a mainstreaming and a radicalization of antiscientific thought.

The politicization of science isn’t particularly new; the Bush administration was famous for pressuring government agencies to bring their vision of reality in line with White House imperatives. In response to this, and with a renewed culture war over the very nature of scientific reality clearly brewing, the Obama administration tried to initiate a pre-emptive strike earlier this winter, issuing a set of “scientific integrity” guidelines aimed at keeping the work of government scientists free from ideological pollution. But since taking over the House of Representatives, the Republicans have packed science-related committees with lawmakers who refute such basic findings as the reality of global warming and the threats of climate change. Fred Upton, the head of the House Energy and Commerce Committee, has said outright that he does not believe that global warming is man-made. John Shimkus of Illinois, who also sits on the committee — as well as on the Subcommittee on Energy and Environment — has said that the government doesn’t need to make a priority of regulating greenhouse-gas emissions, because as he put it late last year, “God said the earth would not be destroyed by a flood.”

Source: Gallup

Whoever emerges as the Republican presidential candidate in 2012 will very likely have to embrace climate-change denial. Mitt Romney, Tim Pawlenty and Mike Huckabee, all of whom once expressed some support for action on global warming, have notably distanced themselves from these views. Saying no to mainstream climate science, notes Daniel J. Weiss, a senior fellow and director of climate strategy for the Center for American Progress, is now a required practice for Republicans eager to play to an emboldened conservative base. “Opposing the belief that global warming is human-caused has become systematic, like opposition to abortion,” he says. “It’s seen as another way for government to control people’s lives. It’s become a cultural issue.”

That taking on the scientific establishment has become a favored activity of the right is quite a turnabout. After all, questioning accepted fact, revealing the myths and politics behind established certainties, is a tactic straight out of the left-wing playbook. In the 1960s and 1970s, the push back against scientific authority brought us the patients’ rights movement and was a key component of women’s rights activism. That questioning of authority veered in a more radical direction in the academy in the late 1980s and early 1990s, when left-wing scholars doing “science studies” increasingly began taking on the very idea of scientific truth.

This was the era of the culture wars, the years when the conservative University of Chicago philosopher Allan Bloom warned in his book “The Closing of the American Mind” of the dangers of liberal know-nothing relativism. But somehow, in the passage from Bush I to Bush II and beyond, the politics changed. By the mid-1990s, even some progressives said that the assault on truth, particularly scientific truth, had gone too far, a point made most famously in 1996 by the progressive New York University physicist Alan Sokal, who managed to trick the left-wing academic journal Social Text into printing a tongue-in-cheek article, written in an overblown parody of dense academic jargon, that argued that physical reality, as we know it, may not exist.


Illustration: Nomoco

Following the Sokal hoax, many on the academic left experienced some real embarrassment. But the genie was out of the bottle. And as the political zeitgeist shifted, attacking science became a sport of the radical right. “Some standard left arguments, combined with the left-populist distrust of ‘experts’ and ‘professionals’ and assorted high-and-mighty muckety-mucks who think they’re the boss of us, were fashioned by the right into a powerful device for delegitimating scientific research,” Michael Bérubé, a literature professor at Pennsylvania State University, said of this evolution recently in the journal Democracy. He quoted the disillusioned French theorist Bruno Latour, a pioneer of science studies who was horrified by the climate-change-denying machinations of the right: “Entire Ph.D. programs are still running to make sure that good American kids are learning the hard way that facts are made up, that there is no such thing as natural, unmediated, unbiased access to truth . . . while dangerous extremists are using the very same argument of social construction to destroy hard-won evidence that could save our lives.”

Some conservatives argue that the Republican war on science is bad politics and that catering to the “climate-denier sect” in the party is a dangerous strategy, as David Jenkins, a member of Republicans for Environmental Protection wrote recently on the FrumForum blog. Public opinion, after all, has not kept pace with Republican rhetoric on the topic of climate change. A USA Today/Gallup poll conducted in January found that 83 percent of Americans want Congress to pass legislation promoting alternative energy, and a recent poll by the Opinion Research Corporation found that almost two-thirds want the Environmental Protection Agency to be more aggressive.

For those who have staked out extreme positions, backtracking may not be easy: “It is very difficult to get a man to understand something when his tribal identity depends on his not understanding it,” Bérubé notes. Maybe it’s time for some new identity politics.

Judith Warner is the author, most recently, of “We’ve Got Issues: Children and Parents in the Age of Medication.”

>Bacia hidrográfica poderá determinar gestão de recursos hídricos (Agência Câmara)

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Jornal da Ciência da SBPC – 28/02/2011

PL 29/11, que promove alterações na Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/97, também conhecida como Lei das Águas), propõe descentralizar a gestão de acordo com a bacia hidrográfica.

O projeto do deputado Weliton Prado (PT-MG) é idêntico ao PL 3522/08, do ex-deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG), arquivado ao final da última legislatura. No Brasil, a duração da legislatura é de quatro anos.

O autor pretende tornar a gestão menos dependente das decisões e da atuação dos órgãos públicos e com maior participação da sociedade – usuários da água e/ou pessoas e instituições com interesse no setor.

Pelo projeto serão necessários planos estaduais de recursos hídricos para o acesso das unidades da Federação a recursos e avais da União destinados ao setor.

Prado explica que tal condição foi a solução encontrada para corrigir um problema: apesar de haver consenso geral sobre a necessidade desses planos estaduais, eles não são legalmente obrigatórios, tendo em vista que lei federal não pode impor tal obrigação a outros entes federados.

Aplicação dos recursos

De acordo com a proposta, a arrecadação pela cobrança do uso dos recursos hídricos será feita pelas agências de águas, atendendo a decisões e orientações dos correspondentes comitês de bacias hidrográficas.

Os valores arrecadados passam a ser aplicados exclusivamente na mesma bacia hidrográfica em que foram gerados, e não mais apenas prioritariamente, como estabelece a lei atual.

Segundo Prado, esta mudança visa reforçar a gestão participativa e também o sentido pedagógico da cobrança, ressaltando, para o usuário, “o valor da água utilizada e a necessidade de enfrentar o problema da sua escassez”.

Tramitação – O projeto terá análise conclusiva (Rito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo). O projeto perderá esse caráter em duas situações: – se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); – se, depois de aprovado ou rejeitado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara.

>Movimento da senzala (FAPESP)

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Especiais

2/3/2011
Por Fábio de Castro

Referência na historiografia brasileira, livro O Plano e o pânico: os movimentos sociais na década da Abolição, ganha edição revista (Imagem: J.B. Debret)


Agência FAPESP – Com base na historiografia tradicional, o abolicionismo e o fim da escravidão no Brasil foram interpretados por muito tempo como processos elitistas, nos quais o escravo aparecia como um personagem passivo. O livro O Plano e o pânico: os movimentos sociais na década da Abolição, que acaba de ganhar sua segunda edição, revista, vem contribuindo desde 1994 para mudar essa visão.

O fim da escravidão foi resultado de uma cultura política gestada no cotidiano do trabalho nas senzalas, de acordo com a obra, fundamentada em pesquisa realizada a partir de múltiplas fontes por Maria Helena Toledo de Machado, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Maria Helena, a tese central do livro – que teve origem em sua pesquisa de doutorado, concluída na USP em 1991 – é que os escravos não tiveram um papel passivo no processo que culminou com o fim da escravidão, que não teve nada de elitista, ao contrário do que deixava transparecer a historiografia abolicionista.

“Os escravos tiveram ampla participação no processo, em um movimento que também envolveu trabalhadores livres pobres e imigrantes. A atuação dos líderes abolicionistas só é compreensível como parte de um contexto de uma cultura política que teve origem nas senzalas, com a tensão social causada por sucessivas fugas em massa ao longo da década de 1880”, disse à Agência FAPESP.

Segundo a historiadora, o objetivo do livro era analisar a atuação dos escravos no processo de abolição, no período entre 1880 e 1888, no contexto paulista. Para isso, além de consultar uma bibliografia internacional, ela realizou uma pesquisa inédita considerando acervos judiciários e a documentação da polícia em cidades paulistas.

“Tratava-se de uma documentação massiva, com milhares de documentos que mapeei para selecionar apenas o que se referia aos escravos. A partir dessa seleção, valorizei os casos que relatavam revoltas, fugas em massa, homicídios, invasões de cidades e outros movimentos de maior impacto”, afirmou.

A pesquisadora, então, visitou diversas cidades paulistas, consultou cartórios locais e levantou processos criminais relacionados aos eventos que estavam listados na documentação oficial da polícia.

“Além disso, encontrei no Arquivo do Estado, pela primeira vez, o livro de reservados da polícia – onde eram registrados os fatos que não podiam ser divulgados para o público. Colhi os relatórios mais gerais dos chefes da polícia, dos presidentes das províncias e dos jornais da época”, disse Maria Helena.

No ano de 1885, por exemplo, os relatórios do chefe de polícia de Campinas relatavam que havia sido um ano tranquilo, sem maiores problemas a não ser pequenas ocorrências pontuais com escravos. Enquanto isso, o livro de reservados registrava um cenário certamente mais próximo da realidade: a cidade estava em perigo iminente com as fugas em massa de escravos.

“Percebi que os jornais eram censurados e retratavam uma versão rósea da realidade que a polícia de fato estava enfrentando. Acompanhei diversos estágios da produção dos eventos. Desde os primeiros telegramas, nos quais os fazendeiros pediam socorro ao subdelegado depois da invasão da sede de uma fazenda por escravos armados, passando pela notificação de cada autoridade, até chegar ao desenrolar do conflito e à divulgação nos jornais”, disse.

Onda de pânico

A historiadora descobriu revoltas de escravos que não haviam sido documentadas anteriormente. Uma delas, abortada, estava planejada para ser realizada em Resende (RJ), em 1881. Os registros diziam que um homem branco conhecido como Mesquita tinha chegado dos Estados Unidos e estava organizando uma revolta de escravos sem precedentes.

“Ele orientava os escravos a roubar armas dos senhores, a cortar os fios dos telégrafos e a roubar cavalos. Planejava articular uma ação orquestrada e formar uma excursão para a corte, no Rio de Janeiro, a fim de exigir a abolição da escravidão. Vários episódios mostravam grande movimentação social naquela década – entre São Paulo e Rio de Janeiro – com participação ativa dos escravos”, disse Maria Helena.

Outra revolta estudada foi organizada em 1882, em Campinas (SP), e chegou a ser realizada, embora em dimensão menor que a planejada. Liderada por um escravo liberto chamado Felipe Santiago, essa revolta foi associada à organização de uma seita religiosa denominada Arásia.

“Os adeptos tinham iniciações, recebiam novos nomes e eram marcados no corpo em ritos iniciáticos. Esses escravos haviam comprado armas e invadiram a cidade de Campinas em uma ação muito violenta. Esse tipo de episódio dissipa a ideia de que a abolição foi uma libertação passiva, ou um protesto irracional e apolítico dos escravos”, contou.

O título do livro – O Plano e o pânico –, segundo Maria Helena, remete à organização deliberada das revoltas arquitetadas por escravos e à onda de pânico por elas espalhada entre os escravistas.

“Depois da revolta de Resende em 1881, houve vários outros episódios e o pânico se espalhou pelo território paulista. O medo era tamanho que, em Bananal, por exemplo, as pessoas chegaram a abandonar as fazendas e fugir para a cidade. As polícias paulista e fluminense, despreparadas, sem armamentos, sem treinamento, viram-se sob o risco palpável de eventos violentos durante toda a década”, disse Maria Helena.

O Plano e o pânico: os movimentos sociais na década da Abolição
Autor: Maria Helena Toledo de Machado
Lançamento: 2011
Preço: R$ 37
Páginas: 248
Mais informações: http://www.boitempoeditorial.com.br

>O povo ribeirinho do São Francisco traduz as lutas populares do Brasil (IHU Online)

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 Instituto Humanitas Unisinos – IHU Online – 2/2/2011
“Existe um sertão com bastante água. A questão é que esta água é colocada majoritariamente a serviço dos interesses do capital e suas oligarquias, a água é apropriada privadamente”, aponta o fotógrafo.

Confira a entrevista.

 
 

Um fotógrafo operário. Assim se define João Zinclar que já foi metalúrgico e hoje vive da fotografia. O gaúcho, que hoje vive em Campinas-SP, durante seis anos percorreu as margens do rio São Francisco e registrou a vida deste e de quem depende dele para viver. Assim nasceu o livro O Rio São Francisco e as Águas no Sertão (Campinas: sem editora, 2010). Em entrevista à IHU On-Line, realizada por email, Zinclar conta como foi esse processo de captação das imagens e convivência com o povo da região. “Percorremos a extensão do rio, que é de 2.700 quilômetros várias vezes, perfazendo mais de 15 mil quilômetros nesses seis anos”, descreve.

Nesse tempo, Zinclar acompanhou todo o processo de transposição do rio São Francisco, desde as discussões sobre o projeto até o início das obras. “A natureza vem sendo constantemente privatizada, transformada em mercadoria. Esse processo não é novo, faz parte da natureza do capitalismo em todos os tempos. Hoje, o controle sobre a água indica um novo patamar dessa disputa. A transposição é parte dessa apropriação privada das riquezas comuns. A água é um bem comum, não há vida sem água e hoje uma parte considerável da humanidade não tem acesso a este recurso”, afirmou. Ao longo da entrevista é possível ver algumas das imagens que Zinclar publicou em seu livro.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como foi a viagem e a produção das imagens para conhecer as águas do sertão brasileiro?

João Zinclar – O trabalho que resultou no livro O Rio São Francisco e as Águas no Sertão lançado em novembro de 2010 em Campinas-SP tem durado seis (6) anos, desde janeiro de 2005 até os dias de hoje. É motivado pela questão política envolvendo a grande polêmica e os conflitos acerca da equivocada proposta do governo federal de efetivar as obras da transposição das águas rio São Francisco para o chamado nordeste setentrional.

Por entender a questão da água como valor de luta estratégica para os trabalhadores e o povo, (a guerra pela água em Cochabamba na Bolívia no início do século é um exemplo disso), considerei que a fotografia poderia contribuir nessa polêmica sobre o futuro das águas do velho Chico. Ajudar na divulgação e documentação das lutas populares de resistência ao projeto de transposição, mostrar a grave situação de degradação na vida do rio, para uma compreensão melhor no principal caso real e de relevância nacional sobre conflitos em torno da defesa, do uso e controle de águas no Brasil.

Percorremos a extensão do rio, que é de 2.700 quilômetros várias vezes, perfazendo mais de 15 mil quilômetros nesses seis anos. Nesse tempo, contarei e convivi com comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, sem terra, pescadores, trabalhadores rurais. Assim, fotografei e documentei suas lutas para defender o rio do veneno capitalista que contamina e usurpa suas águas, com suas mineradoras, barragens e monoculturas agroexportadoras que devastam criminosamente biomas importantes para a formação do São Francisco como o cerrado e a caatinga.

Além das margens do rio, também percorremos várias regiões por onde estão sendo construídos e passando os canais da transposição. Estivemos no Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde procuramos mostrar e abordar o sertão de outra forma, um sertão em tom azul, azul de água, com uma quantidade enorme estocadas em grandes, médios e pequenos açudes espalhados pelo sertão, construídos ao longo do último século em nome do “combate à seca”. Aí foi possível revelar uma das principais críticas ao projeto de transposição: a de que a obra vai chover no molhado, vai levar água para onde já tem água, água essa que, se distribuída para o povo, seria suficiente para abastecer todos os usos, desfazendo o mito da falta dela no sertão.

Quero destacar que esse processo todo só foi possível com o importante apoio nas mais variadas formas de pessoas amigas, dos movimentos sociais, sindicatos, pastorais sociais, de profissionais jornalistas, tanto de Campinas-SP, como do povo da beira do rio e no sertão. Foi a solidariedade desse povo que me ajudou a compreender realidades distantes de nosso dia a dia e também entender melhor a luta de classes no Brasil. Antes de virar livro, essas fotos percorreram várias cidades da beira do rio, de outros estados e países e serviram para ilustrar reportagens e debates sobre o rio São Francisco.

IHU On-Line – Você é um operário fotógrafo. Que diferenças o seu olhar de “operário” ressalta sobre o povo e a vida do rio São Francisco?

João Zinclar – A fotografia é paixão antiga. Hoje consigo sobreviver dela, como free-lancer, a serviço da luta operária e popular, mas minha profissão primeira é operário metalúrgico. Trabalhei no chão de fábrica durante muitos anos, fui dirigente sindical da categoria, onde forjei minha consciência de classe e visão socialista de mundo.

Não existe neutralidade jornalística nessa história. Portanto, a visão que conduz o livro é a de uma postura classista e anticapitalista e que a luta do povo ribeirinho em defesa de sua sobrevivência, de seu trabalho e da qualidade da água de seu rio contribui, à sua maneira, no conflito mais geral contra o capital, no campo e na cidade, resistindo à nova fase do avanço predatório do capitalismo no campo brasileiro.

A diversidade das lutas dos povos que habitam o velho Chico, com indígenas e quilombolas enfrentando o poder econômico em disputas para retomar terras, pescadores na defesa da pesca artesanal, sem terra em luta pela reforma agrária e outras manifestações, deveria ter a devida atenção dos trabalhadores urbanos e suas organizações políticas.

IHU On-Line – O Rio São Francisco passa por um momento de conflito em função das obras da transposição. O que você viu sobre as obras? O que você ouviu do povo sobre isso?

João Zinclar – Entre 2005 e 2008, vários movimentos sociais e pessoas se colocaram contrários ao projeto. Pessoas se mobilizaram com as greves de fome de Dom Luiz Cappio, com as ocupações de barragens e dos canteiros das obras da transposição. Vários protestos foram realizados, bem como denúncias de arbitrariedades aos direitos humanos e alertas sobre os impactos ambientais para iniciar a obra. O governo triturou tudo isso e as obras iniciaram e, hoje, estão em andamento.

Algumas lutas recentes (como greves de trabalhadores das empreiteiras por melhorias salariais e reclamações contra as péssimas condições de trabalho) produziram uma redução nos ritmos das obras. Agora, as questões se colocam de outra maneira e nem por isso são menos importantes. A desinformação sobre o projeto e os impactos negativos sobre a vida das comunidades atingidas pela transposição na região receptora das águas do velho Chico é a regra. A máquina propagandística do governo é poderosa e isso tem enorme potencial desmobilizador. Os atingidos pelas obras da transposição têm tido grandes dificuldades em se articular. Reclamam dos valores recebidos e das compensações materiais pagas pelo governo, pois anos de trabalho não se contabilizam facilmente. Muitos deixam sua história de vida e seu trabalho em troca de valores irrisórios em sua tentativa de recomeçar tudo de novo em outras localidades, atingidas pela crescente valorização das terras em torno dos canais da transposição.

Há uma insatisfação grande com o enfraquecimento das economias locais e a destruição das bases de vida de pequenos agricultores. A oferta de emprego não cumpre o prometido: são temporários e poucos. As obras afetam os povos originários, que têm na terra um referencial cultural, de vida com outros valores, que não apenas econômicos, pois a construção do eixo norte devasta terras Trukás em Cabrobró-PE, e território Anacé no Ceará, o eixo leste ameaça território sagrado dos pipipã em Pernambuco.

Além disso, o debate em torno da revitalização do rio continua atual, uma vez que as iniciativas do governo pouco realizaram nesse aspecto, mantendo o mesmo padrão de degradação do rio que afeta duramente da qualidade de vida dos ribeirinhos. A controvérsia e a oposição ao projeto de transposição continuam, essa é uma questão mal resolvida, que terá desdobramentos futuros, sustentada na insatisfação popular, quando perceberem a contradição, além de ser a água mais cara do Brasil, ás águas da transposição não são para servir ao povo do sertão, como diz o discurso do governo.

IHU On-Line – Qual a importância de registrar o São Francisco e as águas do sertão nesse momento atual em que vivemos?

João Zinclar – Sempre que pensamos no sertão nordestino vem em nossa cabeça a imagem dramática de seca, da caatinga retorcida, de vida difícil, quase inviável. A imagem cunhada por Euclides da Cunha de que “O sertanejo é antes de tudo um forte” ilustra essa ideia. Só um forte é capaz de conviver com isso. No entanto, olhando com outra abordagem também real, existe um sertão com bastante água. A questão é que esta água é colocada majoritariamente a serviço dos interesses do capital e suas oligarquias, a água é apropriada privadamente. O atual modelo de desenvolvimento na região, com o agronegócio à frente, se apropria das riquezas naturais, de forma radical, na medida em que novas frentes de negócios vão se abrindo. Essa é a questão central, em minha opinião.

A natureza vem sendo constantemente privatizada, transformada em mercadoria. Esse processo não é novo, faz parte da natureza do capitalismo em todos os tempos. Hoje o controle sobre a água indica um novo patamar dessa disputa. A transposição é parte dessa apropriação privada das riquezas comuns. A água é um bem comum, não há vida sem água e hoje uma parte considerável da humanidade não tem acesso a este recurso. Eu posso escolher se compro um jeans novo ou não, um livro ou um celular, mas não posso optar por não consumir água. A transposição do São Francisco, a nova polêmica em torno da construção da Usina de Belo Monte, assim como a ocupação das margens dos rios e encostas, a proteção das nascentes são temas políticos, não apenas técnico e ambiental. A luta social dos povos atingidos por esse “desenvolvimento” precisa se articular num horizonte político mais amplo, capaz de resgatar o caráter de classe desse debate. Porque são as populações pobres e os trabalhadores que mais sofrem com os efeitos desse processo.

IHU On-Line – O que suas imagens revelam sobre a Alma do Velho Chico?

João Zinclar – As imagens captadas revelam a diversidade de um povo. Expressão de um Brasil contraditório e de luta. O povo ribeirinho traduz as lutas populares no Brasil. Muitas vezes desarticuladas, essas ações estão repletas de vida e inovação. Lutas que incorporam tradições seculares, povos indígenas, a religiosidade, a luta contra a opressão num momento em que elas assumem a vanguarda numa luta pela preservação dos bens comuns, não em oposição ao desenvolvimento, mas propondo pensar as questões: Qual desenvolvimento? E pra quem? Busquei captar essa relação entre um projeto “moderno” que se apropria dos bens coletivos em nome de um único desenvolvimento possível e um mundo que se constrói, pensando na preservação dos valores coletivos sem abrir mão de avançar por melhores condições de vida.

IHU On-Line – O que o São Francisco representa para o povo que vive em seu entorno?

João Zinclar – Representa a vida em todos os sentidos, sem chavão, o São Francisco é a sobrevivência de homens e mulheres que dependem de suas águas, contam com a potencialidade de sua biodiversidade para desenvolverem sua forma de economia independente, sua cultura de vida, amparados na pesca e na agricultura de vazante e familiar.

>Baixo retorno político (Fapesp)

>Especiais

2/2/2011

Por Fábio de Castro

Mais educação não se traduz automaticamente em mais democracia, segundo estudo realizado na USP. Entre 1989 e 2006, diminuiu a diferença entre a participação política dos mais e menos escolarizados (ABr)

Agência FAPESP – Na avaliação do senso comum, educação e politização andam de mãos dadas. Para a elite brasileira – de acordo com pesquisas de opinião –, o aumento da escolaridade da população tem o poder de gerar cidadãos que participam mais da vida política do país e que valorizam mais a democracia. Mas um novo estudo mostra que essa visão não corresponde à realidade.

A pesquisa de doutorado de Rogério Schlegel, defendida no Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), utilizou análises estatísticas para interpretar os dados de pesquisas de opinião realizadas entre 1989 e 2006. O trabalho concluiu que a educação brasileira está trazendo ganhos decrescentes em termos políticos.

“O estudo mostrou que os cidadãos mais escolarizados já não se tornam tão participativos e democráticos como ocorria há duas décadas. O maior nível de escolaridade ainda diferencia os cidadãos, mas essa diferença encolheu muito em 20 anos – isto é, os retornos políticos da educação têm sido decrescentes no Brasil. Em alguns quesitos de participação e apoio à democracia, a diferença entre os mais e os menos escolarizados chega a ser inexistente”, disse Schlegel à Agência FAPESP.

A pesquisa de Schlegel foi orientada pelo professor José Álvaro Moisés, da FFLCH-USP, e integra o Projeto Temático “A Desconfiança do Cidadão nas Instituições Democráticas”, coordenado por Moisés e financiado pela FAPESP.

Segundo Schlegel, uma pesquisa de opinião coordenada em 2000 pela professora Elisa Reis, do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já mostrava que, na avaliação da elite brasileira, a baixa escolaridade é o maior entrave para a democracia no país.

“Por trás dessa ideia há um pressuposto de que a educação só tem impacto no comportamento político por meio da capacitação cognitiva – isto é, basta fornecer mais educação e as pessoas terão mais recursos para acompanhar a política, discutindo, lendo jornais e fazendo exigências. Mas na realidade há caminhos alternativos para a entrada nessa vida política. Os resultados do estudo indicam que não há uma relação linear entre obter mais acesso à educação e obter mais instrumentos para participar da democracia”, afirmou.

Foram analisados vários mecanismos capazes de explicar os retornos políticos decrescentes da escolarização. A hipótese mais plausível é que o fenômeno tenha sido causado pela queda na qualidade da educação brasileira.

“Ao falhar na capacitação cognitiva do indivíduo e na transmissão de conhecimentos, o sistema educacional brasileiro estaria deixando de dar as ferramentas que ajudam o cidadão a atuar na esfera política. O resultado é que o aumento do acesso ao ensino ou do volume de escolarização – em tempo passado na escola ou anos de estudo completados – não é acompanhado pelos ganhos esperados em matéria de comportamento político”, disse.

O estudo teve fundamento em quatro pesquisas de opinião realizadas pelo grupo ligado ao Projeto Temático, a primeira realizada logo após a redemocratização, em 1989, e a mais recente – financiada pela FAPESP –, em 2006.

A partir desses dados, Schlegel utilizou análises estatísticas para controlar as diversas variáveis sociodemográficas disponíveis e observar, de forma isolada, o efeito da escolaridade no comportamento do cidadão ao longo do tempo.

“Na sociologia econômica é comum o uso, por exemplo, do conceito de ‘retorno econômico da educação’ para avaliar até que ponto uma maior escolaridade pode se refletir em maior renda, ou em maior arrecadação de impostos. A partir desse conceito, o estudo trabalha com a ideia de ‘retorno político da educação’”, explicou.

Indiferença política

O retorno político foi avaliado por meio de diferentes quesitos, como participação, apoio aos princípios democráticos e confiança nas instituições. Os resultados mostraram que a distância entre mais e menos escolarizados caiu marcadamente em relação à demonstração de interesse por política, consumo de notícias sobre o tema e hábito de conversar sobre ele.

“Em alguns quesitos, o nível de escolaridade é praticamente indiferente. No caso da participação em partidos, sindicatos e associações de bairro, por exemplo, o envolvimento é igualmente baixo entre os menos e mais escolarizados”, disse Schlegel.

A maior perda de retorno político, durante os 17 anos do período analisado, deu-se na faixa do ensino médio – faixa de escolarização que teve a maior expansão de alunos nas últimas duas décadas.

“Na média, hoje não se diferencia alguém que se formou no ensino médio de um cidadão com fundamental incompleto, em termos de preferir a democracia como forma de governo ou rejeitar a concentração de poder nas mãos de um líder centralizador”, afirmou.

Em 1993, de acordo com o estudo, a chance de um universitário ser muito interessado em política era 3,6 vezes maior que a de alguém com o ensino fundamental incompleto. Em 2006, as chances se reduziram para 1,6. “A diferença entre o universitário e alguém sem nenhum diploma escolar era enorme, em termos de interesse na política. Agora, a diferença ainda existe, mas é muito menor”, ressaltou Schegel.

Em 1989, uma pessoa com o segundo grau completo tinha 66% mais chance de preferir a democracia a qualquer outro regime, em comparação com alguém sem diploma do ensino fundamental. “Em 2006, já não havia mais diferença estatística entre os dois públicos. Nesse quesito, havia no passado uma distância que desapareceu entre os diferentes níveis de escolaridade em termos de comportamento político”, disse.

A confiança nas instituições tem uma relação especial com a escolaridade. Em 1993, quem tinha mais escolaridade confiava mais nos partidos que em 2006. Mas os dados não permitem concluir se houve de fato um aumento ou diminuição da confiança.

“Tratava-se de um momento em que os partidos estavam em reconstrução e havia uma noção generalizada de que eles eram o caminho para construir a democracia. Em 2006, essa noção já havia sido desfeita pelos partidos de aluguel e isso pode ter desencadeado a maior desconfiança dos mais escolarizados”, explicou.

Para Schlegel, os resultados do estudo, ao identificar que a escolarização vem trazendo ganhos decrescentes em termos políticos, desaconselham apostas na educação como panaceia capaz de promover uma cidadania superior e fazer superar os déficits democráticos no Brasil.

“A educação importa, mas sozinha não resolve. Os efeitos benéficos da escolarização para a convivência democrática precisam de ensino de qualidade para todos para se concretizarem plenamente”, disse.

>Água do rio São Francisco será a mais cara do país (FSP)

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SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA
22/11/2010  08h14

Da torneira do nordestino atendido pela transposição do rio São Francisco vai pingar a água mais cara do país.

O Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco avalia cobrar dos Estados atendidos pela obra R$ 0,13 por mil litros de água.

O dinheiro será recolhido pela Agnes, estatal em gestação na Casa Civil. A empresa vai gerenciar as operações da transposição do rio e a distribuição da água para as previstas 12 milhões de pessoas beneficiadas.

O preço médio cobrado em outras bacias hidrográficas pelo uso da água é de R$ 0,01 a R$ 0,02 por mil litros. A Sabesp, por exemplo, paga R$ 0,015 ao comitê gestor da bacia do rio Piracicaba, fonte de metade da água consumida na cidade de São Paulo.

COMPLEXIDADE

O valor mais elevado, afirma o governo, se deve à complexidade do projeto de transposição e ainda porque a Agnes será a responsável pela captação e pelo bombeamento da água.

No entanto, os quatro Estados envolvidos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) terão de investir em obras internas para dar capilaridade à rede de água e ainda precisarão pagar uma taxa fixa à Agnes, provavelmente mensal.

Em construção, os canais para a transposição do rio São Francisco têm 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e 622 quilômetros de extensão, somando os dois eixos.

O porte das obras e os obstáculos naturais, como a Serra da Borborema, que vai de Alagoas ao Rio Grande do Norte, explicaria o alto custo de transportar a água no semiárido nordestino. Para isso, serão necessários potentes mecanismos de bombeamento.

Editoria de Arte/Folhapress

O governo não diz se haverá mecanismo para amortizar o custo do consumidor final nos quatros Estados.

Em teoria, as obras do São Francisco têm um foco prioritário, que são os pequenos agricultores das terras secas do sertão e do agreste nordestinos.

O Ministério da Integração, responsável pelo empreendimento, afirma que o assunto está em fase de análise e de debates com os Estados receptores.

Para que o projeto seja viável, é possível que os Estados promovam subsídios cruzados, aumentando as tarifas de grandes centros urbanos que não receberão as águas da transposição do Velho Chico, como Recife.

A Agnes terá de apresentar um relatório de custos, explicando os motivos para o elevado preço da água.

Essa tarifa deverá cobrir os gastos do sistema de transposição em funcionamento, nem mais nem menos.

“Temos de avaliar a planilha de custos da agência para saber se o preço está certo. A tarifa deve cobrir os custos de manutenção e operação do sistema”, diz Patrick Thomás, gerente de cobrança pelo uso da água da Ana (Agência Nacional de Águas).

Um dos maiores críticos do projeto, o pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, acha difícil que o agricultor das áreas atendidas pela transposição consiga pagar essa conta.

“Os colonos do Vale do São Francisco hoje já estão com dificuldades para pagar por uma água a R$ 0,02. Imagine com esse preço”, afirma o Suassuna.

Mas o pesquisador vê outro problema. O porte das obras e o volume de água deixam patente que o propósito da transposição não é matar a sede e a fome de quem vive na seca.

A mira, afirma, está no agronegócio para exportação, a criação de camarão e o abastecimento de indústrias.

Estados fazem lobby por sede da nova estatal

DE BRASÍLIA

A transposição do rio São Francisco, uma das vedetes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), suscitou a criação de uma nova estatal, a Agnes (Águas Integradas do Nordeste Setentrional).

O governo estuda a criação da empresa há um ano, o que deve ocorrer por meio de projeto de lei ou medida provisória. Ainda não há data para o envio do texto ao Congresso.

No entanto, a corrida para sediar a estatal já esquenta entre os Estados.

A Paraíba faz lobby forte para que Campina Grande receba a empresa, que terá sua receita abastecida com o dinheiro pago pelo uso da água, com as tarifas fixas pagas pelos Estados e provavelmente com recursos da União.

O secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Ciência e Tecnologia do Estado, Francisco Sarmento, diz que a cidade fica exatamente no centro das obras, simbolismo que a credencia a ser sede.

Outro motivo: a Paraíba não é sede de nenhuma grande empresa do governo. Pernambuco já tem a Sudene, em Recife, e o Ceará já conta com o Banco do Nordeste, com sede em Fortaleza.

“É um argumento suplementar”, diz Sarmento.

>Pânico pode alimentar ceticismo da população a respeito do aquecimento global (FSP, JC)

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Clima de alarmismo, artigo de Marcelo Leite

JC e-mail 4180, de 18 de Janeiro de 2011

Marcelo Leite é jornalista. Artigo publicado na “Folha de SP Online”:

A nova hecatombe na região serrana do Rio sugere que as previsões sobre desastres inomináveis no futuro, em decorrência da mudança do clima, podem não ser tão exagerados quanto afirmam os céticos do aquecimento global. Tudo depende de conectar causalmente esse tipo de desastre, e sua frequência, com as predições dos modelos climáticos de que uma atmosfera mais quente trará mais eventos meteorológicos extremos como esses – o que não é coisa trivial de fazer.

Pressupor tal conexão, no entanto, já foi muito criticado por pesquisadores do clima. Não haveria uma tragédia planetária por acontecer de imediato, como fantasiou o filme “O Dia Depois de Amanhã”. Agora, uma pesquisa de psicologia aplicada vem corroborar essa percepção, dizendo que mensagens alarmistas sobre a mudança climática podem ser contraproducentes e alimentar o ceticismo na população a respeito do aquecimento global.

O estudo foi publicado por Matthew Feinberg e Robb Willer em dezembro no periódico Psychological Science. Usaram dois experimentos para “provar” que mensagens alarmistas de fato aumentam o ceticismo por contradizerem a tendência das pessoas a acreditar que o mundo é justo.

Se a mudança do clima vai matar, empobrecer ou prejudicar também pessoas inocentes, como as crianças afogadas em lama no Rio, uma reação natural das pessoas seria duvidar de que o aquecimento global seja uma realidade. Li rapidamente o artigo e os dois experimentos não me convenceram muito, mas fica o convite para o leitor formar sua própria opinião.

A tese, porém, é boa. Com efeito, é de pasmar a capacidade de muita gente de não enxergar – ou não querer ver – como são abundantes os indicativos da ciência de que há, sim, uma mudança climática em curso.

Uma explicação, obviamente, é político-ideológica. Muitos optam por não acreditar em aquecimento global porque acham que é uma conspiração dos socialistas para extinguir a liberdade empresarial (por meio de regulamentação) ou a liberdade individual de dirigir jipões movidos a diesel, mas também há socialistas e comunistas – como no Brasil – convencidos de que a conspiração é de imperialistas americanos para impedir o desenvolvimento de países emergentes como o Brasil.

Quem reage irracional e psicologicamente ao alarmismo ou ideológica e canhestramente a fantasmas conspiradores vai ter razão de sobra para se tornar ainda mais cético diante do sítio de internet Global Warning (um trocadilho intraduzível entre Global Warming – aquecimento global – e Global Warning – alerta global).

Trata-se de um esforço para vincular aquecimento global com ameaças à segurança doméstica dos EUA – de bases militares ameaçadas de inundação à dependência de combustíveis fósseis importados. Ou seja, para sensibilizar o americano médio, conservador e republicano e diminuir seu ceticismo diante do fenômeno.

Se Feinberg e Willer estiverem certos, o tiro vai sair pela culatra. E os socialistas céticos tupiniquins vão babar um pouco mais de raiva dos imperialistas.
(Folha de SP Online, 17/1)

>Governo do Ceará quer tirar licenciamentos da Superintendência de Ambiente (FSP)

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17/01/2011 – 21h04

PAOLA VASCONCELOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE FORTALEZA

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), enviou à Assembleia do Estado um projeto que permite a dispensa de licenciamento ambiental de obras públicas ou privadas de “interesse social”.

Sob a justificativa de possibilitar “o desenvolvimento de obras e atividades de relevância com celeridade”, o texto, que deve ser votado nos próximos dias, vem causando polêmica.

A própria titular da Superintendência Estadual do Meio Ambiente, Lúcia Teixeira, já se manifestou publicamente contra o projeto. O órgão hoje tem competência exclusiva para licenciamentos ambientais no Ceará.

Com o projeto, a responsabilidade nos casos de “interesse social” é transferida para o Conpam (Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente), órgão ligado diretamente ao governador.

Apesar de ter assinado a proposta, Cid Gomes recuou e disse não estar convencido sobre o assunto. No entanto, ainda não retirou o texto da tramitação. Existe a possibilidade de a Procuradoria-Geral do Estado fazer alterações.

O deputado estadual Heitor Férrer (PDT) considerou um “estupro à natureza”.

“A obra é de caráter social e o meio ambiente que se lixe? O licenciamento ambiental tem que existir, não existe dispensa para isso. É inconstitucional”, disse Férrer.

O PV do Ceará também divulgou nota posicionando-se “radicalmente contra”.

O deputado Wellington Landim (PSB), à frente do bloco governista na Assembleia, disse que muitos projetos estão emperrados por “excesso de burocracia” na concessão das licenças.

“Não se trata de querer aprovar tudo, mas apenas de receber sim ou não como resposta. Há problemas de ordem exagerada na burocracia”, disse.
A superintendência informou, por meio de nota, que a demora no processo de licenciamento é necessária para que os critérios técnicos sejam verificados com eficácia.

Disse também que os procedimentos adotados são respaldados pela legislação

>Blame game begins in wake of deadly Brazil floods (CSM)

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As the Brazil floods continue, some blame municipalities for allowing residents to build in insecure areas, while others blame the federal government for misallocating funds

By Andrew Downie, Correspondent / January 14, 2011
São Paulo, Brazil

A resident looks at a destroyed house after a landslide in Teresopolis, Brazil, on Jan. 13. Rescue workers struggled on Thursday to reach areas cut off by floods and landslides that have killed at least 511 people in one of Brazil’s worst natural disasters in decades. Bruno Domingos/Reuters.

With rain still falling in parts of Rio de Janeiro and the death toll from massive flooding topping 500, authorities and experts turned their attention to apportioning blame and deciding how to avoid repeats of what has become a familiar tale in Brazil.

Local officials estimate the death toll at 511 so far, concentrated in four hillside cities north of Rio de Janeiro, after torrential rains caused rivers to jump their banks and hillsides to give way. While national and state authorities are pinning the blame on municipalities for allowing citizens to build in insecure areas, the federal government itself is coming under scrutiny for recently slashing its budget for handling natural disasters.

“There is carelessness at every level of government,” says Gil Castello Branco, the secretary general of Contas Abertas, a non-profit that monitors government spending. “We turn that old saying on its head: We aren’t safe, we are sorry.”

Federal government cut budget for disaster prevention

Even though annual flooding is common around Rio, a proposed national center for disaster management never got off the drawing board and the federal budget for disaster prevention and preparation measures is down 18 percent in 2010, says Mr. Castello Branco.

Last year the government spent just 40 percent of the cash allocated for disaster prevention and preparation, and more than half of that went to Bahia, a state that had no major disasters, because the minister in charge of disbursing funds was running for governor there, Castello Branco says in a telephone interview.

“We are not saying it was illegal, but Bahia should never have got half the money,” he says. “It was in [the minister’s] political interest but not in society’s.”

Triumphant rescues

The flooding that began in the past week is being described as the worst natural disaster in Brazilian history. Footage of the worst-hit areas looked like it came from a Hollywood disaster movie.

One cameraman caught the remarkable scene of a housewife being hauled to safety through roaring river with just a rope around her waist. Another caught the joy of rescue workers discovering a baby alive after being buried in mud for 12 hours.

However, those were rare positive moments.

“It was like something out of Noah’s Ark,” says Marcos Maia, a 31-year old who lost five members of his family and spent most of Wednesday helping out at the local morgue. “An avalanche of rocks just washed their house away.”

When asked to describe the road where he lived, Mr. Maia told the Monitor by telephone: “Now there is no road. It’s just a muddy river.”

It was a rude awakening for Brazilian President Dilma Rousseff, who took office less than two weeks ago and stopped off in one of the cities, Nova Friburgo, for 45 minutes on Thursday. Ms. Rousseff promised the state of Rio de Janeiro more than $1 billion in aid by 2014 but played down the fact this was the third major disaster caused by flooding in the last three years in Brazil, and the second consecutive tragedy in Rio.

Rousseff blames municipalities

Rousseff and Rio state governor Sergio Cabral put the problem down to decades of lax oversight by municipal authorities who allowed people – mostly poor people – to build houses on hillsides vulnerable to landslides. Mr. Cabral said 18,000 people lived in high risk areas in the city of Rio de Janeiro alone and said the city’s mayor would need to make the unpopular decision of removing them.

“Building houses on high risk areas is the rule in Brazil, not the exception,” Rousseff added. “You have to get people away and into secure areas. The two fundamental issues are housing and land use” and that involves putting proper drainage and sewage systems in place.

Experts, however, cautioned that such plans can take decades to carry out and said that politicians have failed to take such sensible steps to avoid repeated tragedy. Floods killed 133 people in the southern state of Santa Catarina in 2008 and left more than 200,000 people homeless in the impoverished Northeast in 2009. In 2010, floods killed 53 people when an entire neighborhood built on a hillside garbage dump gave way in Rio.

>Clima não pode justificar falta de ação contra enchentes, diz especialista (JC)

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JC e-mail 4177, de 13 de Janeiro de 2011

Para diretora de centro de pesquisas sobre desastres, governos não podem evitar chuvas, mas devem agir para prevenir consequências

O aumento da incidência de chuvas em consequência das mudanças climáticas globais não pode servir de desculpa para os governos não agirem para evitar enchentes, na avaliação de Debarati Guha-Sapir, diretora do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres (Cred), de Bruxelas, na Bélgica.

“Não é possível fazer nada agora para que não chova mais. Mas temos que buscar os fatores não ligados à chuva para entender e prevenir desastres como esses [das enchentes no Brasil e na Austrália]”, disse ela à BBC Brasil.

“Dizer que o problema é consequência das mudanças climáticas é fugir da responsabilidade, é desculpa dos governos para não fazer nada para resolver o problema”, critica Guha-Sapir, que é também professora de Saúde Pública da Universidade de Louvain.

O Cred vem coletando dados sobre desastres no mundo todo há mais de 30 anos. Guha-Sapir diz que os dados indicam um aumento considerável no número de enchentes na última década, tanto em termos de quantidade de eventos quanto em número de vítimas.

Segundo ela, as consequências das inundações são agravadas pela urbanização caótica, pelas altas concentrações demográficas e pela falta de atuação do poder público.

“Há muitas ações de prevenção, de baixo custo, que podem ser adotadas, sem a necessidade de grandes operações de remoção de moradores de áreas de risco”, diz, citando como exemplo proteções em margens de rios e a criação de áreas para alagamento (piscinões).

Para a especialista, questões como infraestrutura, ocupação urbana, desenvolvimento das instituições públicas e nível de pobreza e de educação ajudam a explicar a disparidade no número de vítimas entre as enchentes na Austrália e no Brasil.

“A Austrália é um país com uma infraestrutura melhor, com maior capacidade de alocar recursos e equipamentos para a prevenção e o resgate, com instituições e mecanismos mais democráticos, que conseguem atender a toda a sociedade, incluindo os mais pobres, que estão em áreas de mais risco”, afirma.

Para ela, outro fator que tem impacto sobre o número de mortes é o nível de educação da população. “Pessoas mais educadas estão mais conscientes dos riscos e têm mais possibilidades de adotar ações apropriadas”, diz.

Apesar disso, ela observa que a responsabilidade sobre as enchentes não deve recair sobre a população. “Isso é um dever das autoridades. Elas não podem fugir à responsabilidade”, afirma.
(BBC Brasil, 13/1)

>Hidropirataria na Amazônia

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Jerson Kelman[1]

Será que a enorme quantidade de água existente na Amazônia está mesmo despertando a cobiça dos países sob stress hídrico, como uma vez ou outra se lê em alguns jornais? Se a hipótese for verossímil, temos que agir para evitar que nossa riqueza seja surrupiada. Se for inverossímil, temos que parar de nos preocupar e direcionar nossa atenção para temas mais urgentes. Vamos por partes…

Se, por hipótese, todos os seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta fossem convencidos a beber apenas água engarrafada do rio Amazonas, seria necessário utilizar o volume médio por ele despejado no mar durante apenas 1,5 minuto para atender toda a demanda diária mundial. Entretanto, como a maior parte da humanidade não consome água engarrafada, o volume despejado em menos de dois segundos seria suficiente para abastecer todas as garrafas de água de mesa consumidas no mundo, ao longo de um dia, cerca de 360 milhões de litros. Portanto, “tamanho não é documento”, pelo menos no que diz respeito à vantagem comparativa entre diversas fontes de água de mesa. O que, sim, constitui “documento” é a existência de certos elementos químicos nas águas minerais. E neste quesito a água do Amazonas não é excepcional, se comparada às fontes existentes em todo o mundo.

Água é insumo de processo produtivo, tanto na agricultura como na indústria. Cerca de 70% da água que é retirada dos rios é utilizada na irrigação porque, como regra geral, é necessária uma grande quantidade de água para produzir uma pequena quantidade do produto final. Por exemplo, são necessários cerca de mil quilos de água para produzir um quilo de grãos. Ou, para cada quilo de frango, dois mil quilos de água. Como o custo do transporte rodoviário, ferroviário ou aquaviário de dois mil quilos de água é, em geral, superior ao preço de venda de um quilo de frango, não há viabilidade econômica da exportação de água para esta finalidade, e para outras assemelhadas.

Apesar disto, já ocorre comércio de água entre países. É o caso, por exemplo, do acordo para exportação de 50 bilhões de litros por ano da Turquia para Israel, por meio de navios supertanques, cada um com capacidade de transporte de, pelo menos, 200 milhões de litros, ao preço de aproximadamente R$ 0,002 por litro. Será que poderíamos entrar na competição e vencer os turcos na venda? Afinal, levaria menos de 5 minutos de descarga do rio Amazonas para encher os 250 navios que transportariam toda a água transacionada ao longo de um ano, no valor de R$ 100 milhões. Será que poderíamos tomar partido da abundância hídrica da Amazônia para ofertar um significativo desconto já que, no caso específico, o custo de oportunidade da água é nulo?

Lamentavelmente a resposta é não. O Brasil não seria páreo para a Turquia porque o custo de transporte do Brasil para Israel supera o da Turquia em mais de R$ 0,002 por litro (ou R$ 2,00 por tonelada). Em outras palavras, mesmo que o Brasil decidisse doar a água, ainda assim seria mais vantajoso para Israel comprar da Turquia.

Não se pode dizer que Israel esteja pagando barato. Afinal, ao custo de R$ 0,002 por litro é possível transformar água do mar em água potável, por meio do processo de dessalinização. É de se supor que a opção de Israel pela importação de água, em vez da dessalinização, decorra do desejo de manter boas relações com um país de grande importância estratégica na região.

Como não temos países vizinhos carentes de água e localizados a curta distância do rio Amazonas, não é economicamente verossímil que a abundância hídrica da região venha a contribuir diretamente para reforço de nossa balança comercial, pelo menos, digamos, nos próximos vinte anos. Entretanto, não se deve descartar a hipótese da questão hídrica vir a ser utilizada como disfarce para outras cobiças sobre a região, particularmente, com relação ao uso comercial da
biodiversidade.

Existem sim navios que usam água do rio Amazonas como lastro. Neste caso temos que nos preocupar com a operação de lavagem de tanques, que pode poluir o rio, e com a eventual introdução de espécies exóticas, como o mexilhão dourado.

KELMAN, J. Hidropirataria na Amazônia. Folha do Meio Ambiente, Ponto de Vista, ano 15, n 152, Brasília, outubro de 2004.

[1] Diretor-Presidente da Agência Nacional de Águas – ANA

>COP-16: Só mesmo com ajuda do céu (JC)

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JC e-mail 4147, de 30 de Novembro de 2010.

Clima mata 21 mil em 2010 e ministra pede ajuda aos deuses na Cúpula de Cancun

Desastres climáticos registrados nos primeiros nove meses deste ano foram responsáveis por 21 mil mortes – o dobro do número confirmado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela organização humanitária Oxfam.

O relatório cita as enchentes no Paquistão, as ondas de calor na Rússia e a elevação do nível do mar em Tuvalu, como exemplos das letais conseqüências das mudanças climáticas. E o futuro não é nada promissor: um outro estudo revela que em 50 anos, o mundo estará 4 graus Celsius mais quente, o que vai impor severas alterações climáticas.

Os dados foram divulgados na segunda-feira (29/11), dia de abertura da 16ª Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-16), em Cancún, no México. A cerimônia de abertura foi marcada por discursos para forçar um novo engajamento dos países em torno de um acordo para conter o aquecimento global.

A secretária-executiva da convenção, Christiana Figueres, chegou a apelar para os deuses, pedindo que a deusa maia da Lua, Ixchel, inspire os negociadores dos 194 países que participam do evento.

– Bem-vindos à terra da deusa maia da Lua, Ixchel, que também era deusa da razão, da criatividade e da liderança – afirmou ela. – Que ela inspire a todos vocês, porque hoje (segunda-feira) vocês estão reunidos aqui em Cancún para chegar a uma sólida resposta às mudanças climáticas, usando razão e criatividade. Estou convencida de que daqui a 20 anos vamos admirar a tapeçaria que nos tecemos juntos e lembrar com carinho de Cancún e da inspiração da deusa Ixchel.

“Bem-vindos à terra da deusa maia da Lua, Ixchel, que também era deusa da razão, da criatividade e da liderança. Que ela inspire a todos vocês, porque hoje vocês estão reunidos aqui em Cancún para chegar a uma sólida resposta às mudanças climáticas, usando razão e criatividade. Estou convencida de que daqui a 20 anos vamos admirar a tapeçaria que nos tecemos juntos e lembrar com carinho de Cancún e da inspiração da deusa Ixchel”

Segundo o documento da Oxfam, as enchentes no Paquistão inundaram um quinto do país, matando 2 mil pessoas e afetando 20 milhões em razão da destruição de casas, escolas, rodovias e cultivos e da disseminação de doenças. Um prejuízo estimado em US$ 9,7 bilhões.

Na Rússia, as temperaturas excederam a média de julho e agosto em 7,8 graus Celsius, o que fez a taxa diária de óbitos em Moscou dobrar, alcançando 700. Pelo menos 26 mil focos de incêndio destruíram um quarto das plantações de trigo, gerando um problema nas exportações.

Os moradores da nação insular Tuvalu, no Pacífico, onde a elevação do nível do mar é de 5 a 6 milímetros ao ano, enfrentam cada vez mais dificuldades para manter cultivos, uma vez que a água salobra está invadindo as plantações.

E o futuro será muito pior, como apontam dados climáticos. As crianças de hoje vão alcançar a velhice num mundo 4 graus Celsius mais quente, onde certezas climáticas que valeram para os últimos dez mil anos não serão mais referência. Secas, enchentes e migrações em massa serão parte da vida diária já a partir de 2060.

Será provavelmente a década a partir da qual, pela primeira vez desde o fim da Idade do Gelo, a Humanidade terá que lidar com um clima global bastante instável e imprevisível. As previsões fazem parte de uma série de estudos científicos publicados na segunda-feira (29/11) sobre o mundo 4 graus Celsius mais quente.

As negociações em Cancún ainda giram em torno de tentar manter a elevação das temperaturas em, no máximo, 2 graus Celsius. Segundo muitos cientistas, no entanto, as atuais tendências revelam que um aumento de 3 a 4 graus é “muito mais provável”.

A maior preocupação é que uma elevação de 4 graus Celsius na temperatura média global – uma diferença tão grande quanto a que separa o clima atual daquele registrado na última Idade do Gelo – geraria transformações dramáticas no mundo, levando a secas, colapso da agricultura em regiões semiáridas e a um catastrófico aumento do nível do mar em áreas costeiras.

O anfitrião da COP-16, o presidente mexicano Felipe Calderon, fez um apelo para que os negociadores cheguem a um acordo para mudar os rumos da crise climática.

Ele disse que as futuras gerações irão cobrar, caso eles falhem em alcançar um resultado.

– Será uma tragédia que nossa incapacidade nos leve a falhar – afirmou, citando que em seu país só este ano 60 pessoas morreram por desastres causados pelo aquecimento da Terra.

(Catarina Alencastro, O Globo, 30/11/2010)

>Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pts. 1 & 2 – Yale Forum on Climate Change & The Media)

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Scientists’ ‘Lessons Learned’

Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pt. 1)

November 18, 2010

By any account, it’s been a challenging 12 months for climate science, for climate scientists, and for the ever-changing face of journalism as its practitioners struggle, or not, to keep their audiences adequately informed and knowledgeable.

From the November 19, 2009, New York Times and Washington Post front-page initial news reports of hacked e-mails from the University of East Anglia (a place up until then unlikely to find itself on American newspaper’s front pages) … to subsequent findings of a silly factual mistake in the IPCC’s Fourth Assessment forecasting disappearing Himalayan glaciers just 25 years from now … to the disappointments of last December’s international negotiations in Copenhagen … to data pointing to growing uncertainty and confusion on the climate change issue in the minds of many Americans and their public officials ….

The list could go on, but why bother? It’s been a tough period, notwithstanding repeated subsequent independent investigations finding, by and large, no damage to the underlying science itself.

A tough year. And, no doubt, not the last one. An increasingly challenging political environment promises more interesting times ahead, both for the science and for the scientists who devote their lives to the subject. What’s more, who’s to say the hacked e-mails brouhaha (the term “climategate” only lends it a status and importance it really does not deserve) is the last controversy, or perhaps even the most serious one, to arise in the field?

So what have “they” learned from it all, those scientists who best know the climate change science disciplines and the reporters whose responsibility it is to share and help evaluate their findings? Will they, scientists and media alike, be better off next time for having had the learning experiences the past year has given them? Are they actually learning the lessons each field could and should learn from those experiences, and putting them to practice?

Those are questions Yale Forum Editor Bud Ward and regular contributor John Wihbey put to leading climate scientists and journalists covering the issue. Their responses are posted separately in a two-part series, dated November 18 and 23, 2010 (see Part 2).

What lessons has the climate science community learned from the experiences of the past year or so?

Anthony J. Broccoli – Professor, Department of Environmental Sciences. Director, Center for Environmental Prediction and Climate and Environmental Change Initiative, Rutgers University

The climate science community was reminded that the policy implications of climate science make it more than just an academic pursuit. As a consequence, higher profile climate scientists may find themselves subjected to a similar level of personal scrutiny as public figures receive. I worry that this will make some scientists more reluctant to interact with policymakers or publicly communicate their science.

Peter H. Gleick – President, Pacific Institute

… there is an improved realization of how impossible it is to keep the climate science questions and debates separate from the political and ideological debates. And I hope we’ve learned the importance of communicating accurately and constantly. Being passive in the face of political repression, ideological misuse of science, and policy ignorance moves us in the wrong direction. I would like to think the community has learned that depending on the “honesty” and “impartiality” of journalism is not enough … that without strong input from climate scientists, the wrong stories get reported, with bad information, and ideological bias.

Michael Oppenheimer – Albert G. Milbank Professor of Geosciences and International Affairs, Princeton University

I imagine that my colleagues’ views on this are rather diverse, and those I hear from are not necessarily representative. But one conclusion that seems common is the realization that climate science and scientists operate in a fishbowl, whether they stick to basic research or venture into policy applications. Like it or not, we are always “on the record.”

A second conclusion, bizarre as it may seem, is that mistakes like the Himalayan glacier episode have the potential to resemble airplane crashes: in some circumstances, almost perfect is not good enough.

Both of these realizations could have the unfortunate consequence of causing scientists, particularly younger ones, to avoid areas of research, like climate change, which are associated with public controversy due to the political process which parallels the science; or to avoid interacting with government, media, or the general public at all, even to explain the significance of their own research. I have not seen compelling evidence of such a trend but the possibility worries me.

Kerry A. Emanuel – Professor of Atmospheric Science, MIT

I do not feel I have my “ear to the wall” enough to provide a meaningful answer to this question. I would guess that at the very least everyone will be much more cautious about what they say in e-mail correspondence with other scientists, and that they will be more reluctant to interact with journalists who have behaved on the whole rather badly.

Malcolm K Hughes – Regents’ Professor, The University of Arizona

A number of climate scientists have learned that simply trying to do a good, responsible, and honest job of climate research according to established standards of professional conduct can lead to their becoming objects of suspicion, derision, disdain, and even hate. Some have already been subject to this for several years.

Many climate scientists are also learning that this surging assault on their integrity and that of their field is not a coincidence, but is the consequence of organized campaigns of disinformation. These have been originated by ideological, political and economic interests, and amplified by the technique of inciting what can only be described as mob behavior on the Internet and over the airwaves.

As a clearly intended consequence of the organized campaigns of disinformation, this “climate science is a hoax” propaganda has spread widely in the political arena. So, more of us than before fall 2009 have learned that we must work in a very different environment than existed when nobody outside the field cared much about climate science.

Benjamin D. Santer – Program for Climate Model Diagnosis and Intercomparison, Lawrence Livermore, National Laboratory

In the past year, we have seen ample evidence of the activities of powerful “forces of unreason.”

These forces of unreason seek to establish the scientific equivalent of what were once called “no-go” areas in Northern Ireland. Their actions send a clear warning to the scientific community:

This is the new reality of climate science in the 21st century.

Donald J. Wuebbles – The Harry E. Preble Professor of Atmospheric Sciences, University of Illinois

1. Be careful with what you write in emails or say over the phone. We all have a tendency to say things that can be misconstrued.

2. We have learned that data access and archival of climate observation and modeling results needs to be better communicated and more transparent. This does not mean the scientists should have to provide every single piece of interim analysis products like the deniers are currently hassling the community for — that is aimed at harassment not science transparency.

3. We acknowledge that occasional mistakes will happen (we are human), but we should aim at eliminating errors from the assessments (not a big issue when one can only find one error of any real significance in almost 3,000 pages of an assessment).

4. We need to strengthen the communication of the science.

5. We should make the expression of uncertainties more transparent.

Richard C. J. Somerville – Distinguished Professor Emeritus and Research Professor, Scripps Institution of Oceanography, University of California, San Diego

The climate science community has learned that it is in the cross-hairs of a ruthless disinformation campaign. The campaign is run by economic, political, and ideological interests opposed to many proposed policies that might deal meaningfully with the threat of climate disruption. This disinformation campaign is professional, well-funded, and highly effective. Its purpose is to destroy the credibility of mainstream climate science.

Polling data show that this campaign has already been successful in many ways. The public is confused and distrustful of reputable climate scientists. The public thinks that the science is controversial and does not understand the degree to which the expert community is in agreement on the reality and seriousness of man-made climate change.

John M. Wallace – Professor, Atmospheric Sciences, University of Washington

We’ve witnessed the lengths to which political activists will go in an effort to manipulate public opinion. Yet it seems to me that for all its notoriety, “climategate” has had only a very limited impact on public opinion. It may have served to widen the divide between climate change believers and naysayers, but it doesn’t seem to me that it has caused many believers to switch sides.

What lessons should it learn?

Kerry Emanuel

In my somewhat pessimistic view, there is very little a small community of scientists can do when up against a much larger and far better funded disinformation campaign involving a curious, symbiotic relationship between agenda-driven interests and journalists. It is clear that any mis-step, however innocent, or any less-than-tightly-worded statement can and will be used against the climate science community or to further someone’s political agenda.

There are a few concrete steps that I think scientists can and should take:

1. Campaign vigorously and unceasingly to get governments around the world to treat government-funded environmental data as a public good. This used to be the case and is still the case in some civilized countries like the United States, but other countries with a less well developed sense of public interest, such as England and France, hold environmental data as proprietary. This has caused much grief and has tangibly slowed the progress of science. It also played a role in “climategate” by forcing East Anglia scientists to withhold certain data sets that they had acquired under Europe’s unjustified and labyrinth data distribution policies.

2. Recognize that just as certain European governments view themselves more as money-making enterprises than as entities that serve the public interest, journalists are in business to make money, not to serve the public interest. If scientists would learn to speak with journalists with this in mind, rather than treating them as fellow scientists interested primarily in advancing knowledge, then many evils could be avoided. Remember that controversy sells while consensus makes extremely dull copy. Always treat maverick scientists with respect while making it clear that they are indeed mavericks.

3. Recognize that the IPCC process may be reaching the end of its useful life and may even start being counterproductive. It is not likely that the uncertainty in climate projections will be much reduced by adhering to the current paradigm of running ever more complex global climate models, and the desire to have a consensus may be discouraging new approaches.

Anthony J. Broccoli

The community should recognize that having a public face carries additional responsibilities, including the need to not only act properly, but also avoid the appearance of improper behavior. Good scientists have been defamed by having off-the-cuff remarks publicly disclosed.

To avoid future problems of this kind, perhaps scientists who are involved in international assessments should be provided with staffing to help them perform this civic duty efficiently and judiciously without compromising their effectiveness as scientists.

Peter Gleick

Climate scientists must learn that there is a committed band (both organized and unorganized) of climate deniers, with diverse often unclear motivations, determined to do and say anything to confuse the public and policymakers about science in order to avoid the policy debates. Climate scientists must learn that sticking with science and ignoring policy, when the science says something bad is going to happen, does nothing to move policymakers — there MUST be coordinated, consistent, and ongoing communication from climate scientists to the public and policymakers.

I HOPE that the climate science community has learned that we must ensure that our science is good, transparent, adequately reviewed, open source, and not based on ideology. And, of course, I hope that every climate scientist (we’re supposed to be smart, eh?) has learned that e-mails must always be assumed to be completely public!

Michael Oppenheimer

For me, the key lessons of the episodes of the past year are: Healthy skepticism in the media and the general public toward experts is easily manipulated and blown out of proportion by narrow political interests and died-in-the-wool contrarians. That’s the sea we all swim in, so scientists working on important problems that bear implications for policy can’t avoid it.

The only effective weapon against this is for scientists to increase trust by increasing transparency, not only toward their colleagues but toward the general public. Institutions like IPCC need to continually learn from past experience and remake themselves to improve their degree of openness and their overall performance, even when the latter is already exceptional.

Malcolm K. Hughes

It is always vital to improve how we work and how we communicate data, methods, and results. The artificial scandal based on the theft of material from the University of East Anglia has no bearing on this. It is essential that we not be intimidated, seduced, or diverted from doing good science in a careful and deliberative manner.

To this end we need to learn to do a better job of communicating to the public how we actually work and the “rules of the game” under which we operate. Much has been written about data availability, but misapprehensions abound among academic colleagues as well as media professionals. I have been asked the question “why will you people not release your data?” when the data have been available in the public domain for years.

Finally, true friends of science are needed to develop ways of providing support, including legal and media advice, to colleagues under attack from ideological, political, or economic forces. Just as happened with other science unwelcome to powerful interests, the attacks will continue as long as the issues of society’s response to climate change remain unresolved, and we need to learn how to better the practice of science.

Ben Santer

As climate scientists, we have to decide how to deal with this new reality. We can ignore it, and hope that it eventually goes away. We can try to find some “place of refuge,” where (if we are lucky) we may be able to isolate and insulate ourselves from these forces of unreason, and concentrate on our own research. We can remain silent, and hope that our professional societies and funding agencies will defend us, and will defend our ability to conduct research in the public and national interest. We can hope that the media will recognize the crucial importance of “getting the science right,” and will show the same assiduousness in pursuing true understanding of complex climate science issues as they did in reporting on non-existent conspiracies to fool the global population.

Or we can recognize that we have to adapt to this new reality; we can recognize that:

Our responsibility to funding agencies and society does not end with the publication of X papers in the peer-reviewed literature;

We have a larger, open-ended responsibility to speak truth to power, and to tell the public and policymakers, in plain English, why they should care about the science of climate change, and what this science tells us;

We have a responsibility to debunk myths and misconceptions about climate science. We cannot ignore ignorance;

We have a responsibility to defend friends and colleagues who are unjustly accused of serious professional misbehaviour;

Our ability to do research in the public interest is a precious privilege, not an inalienable right. If we do not fight to retain and protect this privilege, it may be in jeopardy;

We do not have the luxury of remaining silent.

Richard Somerville

The climate science community should learn that it is poorly equipped to confront this disinformation campaign. It should recognize that excellent scientific researchers are often poor science communicators. Scientists should realize that IPCC assessments, National Academy of Science reports, and statements by scientific societies often are difficult for non-scientists to read and understand. Scientists should acknowledge that the research community taken as a whole generally lacks communications skills in dealing with media, with the political world, and with the public at large.

Improving this situation will not be easy or quick. The climate science community must understand that it needs to work closely with professionals in communications, media, public relations, and many other fields. It should understand that this close collaboration must be sustained and will be expensive. It should seek financial and political support for this effort.

John M. Wallace

Surviving “climategate” is not enough. Those of us in the scientific community need to learn how to reach across that wide divide to engage our friends and neighbors who are not now and perhaps never will become deeply concerned about climate change for its own sake and convince them to support progressive policies on energy, resources, fresh water, food security, and environmental protection.

And is it moving effectively to put those lessons-learned into practice?

Anthony J. Broccoli

That remains to be seen. Most of us became scientists out of a desire to understand how the world works — and that’s what we’re good at. We’re not always as good at engaging in public discourse.

John M. Wallace

I fear that as long as we continue to use climate change as the sole (or even the main) justification for policy decisions, we never will be able to reach out across that divide to bring many of our friends and neighbors on board. To move forward effectively, I think we need to have a broader discussion of the scientific issues that will have a bearing on national and international policy over the next few decades.

Don Wuebbles

Data access and archival is the subject of a lot of discussion. I have been working with the American Geological Union to see if there should be a special committee, perhaps jointly with other science societies, on this issue. Various government agencies in the U.S. (e.g., NOAA, Department of Energy) and Europe have also been discussing this.

[In addition,] IPCC is putting even stronger attempts into the AR5 assessment [Fifth Assessment Report] to try to prevent errors.

Communication has not only received a lot of discussion, but there is an ever increasing set of analyses on how to do this (e.g., two recent papers / reports on the psychology of climate science). Also, many new efforts and several new organizations are aimed at better communication, including faster better organized, responses to the “scandals”. Several professional organizations, e.g., the American Meteorological Society, AGU, and the American Association for the Advancement of Science, are also taking this on as a special activity.

[Finally, there are] several recent papers/reports on representing confidence levels and uncertainties. I am in charge of the chapter for IPCC AR5 that will be considering how to respond for the next assessment.

Peter Gleick

I would love to see some serious effort to improve science reporting in the climate area. Even the best aren’t very good, or consistently good. But there is also growing confusion about what “reporting” actually is, and what venues for climate news still exist.

Michael Oppenheimer

Due to the relative ease of creating access to electronic data bases, a long term trend has been under way toward making data more available to colleagues since long before these episodes; and in several respects, IPCC has progressively “opened up” over time. In other ways, the jury is still out.

Malcolm K. Hughes

I’m aware of scattered efforts but I believe we need urgently to do a better job of preparing young scientists for the new conditions we face. This is a situation where powerful interests seek to discredit climate science and scientists, and where there is an internet mob ready to respond to every incitement.

We need more widespread and systematic training of young scientists on legal and ethical aspects of scientific work — intellectual property, privacy, ethics of authorship and of data exchange, and so on. There should also be widely available training in dealing with the media. Climate scientists in general do a very good job of sharing methods and data but get little credit for this. Somebody’s purported difficulties in getting data may be more newsworthy than the fact that huge volumes of data are freely available, including the great majority of those featured in the anti-climate science propaganda. A much better job needs to be done of making this known.

At the institutional level, IPCC continues to evolve to meet these challenges. One important aspect of the changes IPCC is making concerns the need to respond more flexibly and rapidly when issues of public controversy arise.

Kerry Emanuel

I have no idea.

Richard Somerville

While some individual scientists have clearly taken these lessons to heart, I see very little sign that attitudes in the broad climate science community have changed.

*   *   *

A Yale Forum Two-Part Special Feature:

Scientists and Journalists on ‘Lessons Learned’ (Pt. 2)

November 23, 2010

Climate science and climate scientists aren’t the only ones who have come under some withering scrutiny over the past 12 months. The controversies — or were they “pseudo-controversies”? — stemming from the hacked e-mails at a British university put the media also under the microscope for their handling of the breaking news and its aftermath. Why, some scientists wondered, were the media focusing on the “what” message of carefully cherry-picked “private” e-mail messages, and seemingly under-playing the “who” and “why” … as in who released the e-mails in the first place and why, if not to purposefully disrupt and derail last December’s Copenhagen climate negotiations?

For reporters, the slow and incremental ooze of the climate science news story overnight had become, with the first headlines of the e-mails release, a breaking news story. Widely criticized for injecting a “faux balance” standard in much of its earlier coverage of climate science, many news reports on climate science in recent years had moved away from that traditional news approach — too far away in the opinion of some. Climate science “skeptics,” by whatever name, had been garnering less and less of the science reporting news hole, as a critical mass of journalists increasingly came to accept basic aspects of climate science — Earth is indeed warming, and human activities play a significant part in that warming — as something approaching “settled” science. Pretty much along the lines that the sun rises in the east, tobacco smoking causes cancer, those sort of things.

For this second part of a Yale Forum special report on “lessons learned,” freelance writer John Wihbey asked respected science writers and journalism experts questions along the lines of those posed in Part I to leading climate science researchers: For the journalism community, what are the key “lessons learned” from the experiences and controversies of the past 12 months? What lessons should the media learn from those experiences? And are there any signs that those lessons learned are actually being put into practice in the newsroom?

What lessons has the climate journalism community learned from the experiences of the past year or so?

Richard Harris, NPR

We’re not really a community, but individually we strive to get to the bottom of the story — to get at the facts and present them to the public. We’ve learned that we have less and less influence on public discourse relating to climate change. The “climategate” story was not a product of journalism, but activism. The storyline was crafted by people with a desired objective; it was not an effort to weigh facts and reach a dispassionate conclusion. Many journalists made a serious effort to examine the facts and report what we found, but our voices were joined by many others who were not attempting to be dispassionate.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

That’s a very difficult question to answer. I’d say that most journalists didn’t learn anything from the “climategate” and IPCC-errors pseudo-scandals. In fact, it was quite the opposite. Rather than providing a teaching moment for the climate journalism community, those events only served to confuse editors and reporters.

In the U.S., journalists didn’t seem to know what to make of the revelations, so they basically took a pass on trying to explain what was going on. When outlets such as The New York Times finally weighed in, their stories tended to confuse climate politics (the debate over what to do about GW) and climate science (that debate over what we know about the Earth and our influence upon it). That trend continued into the winter. When skeptics seized upon heavy snows in the eastern U.S. as a refutation of global warming, the Times attempted to rebut their arguments in a front-page article. Rather than quoting scientists to set the record straight, however, the story devolved into an unresolved argument between non-scientist political partisans. To its credit, the Times covered a string of reviews released in mid-summer that reaffirmed the integrity of the work of the IPCC and the scientists involved in the “climategate” affair, but most reporters ignored them, as they did the InterAcademy Council’s review of the IPCC, which was released a month or so later. The only real high point in climate journalism in the last year was the coverage of the summer’s extreme weather, including heat waves in the U.S., wildfires in Russia, and floods in Pakistan. The press actually produced quite a bit of nuanced coverage, which explained that while it’s impossible to peg any single weather event to climate change, many scientists felt that summer’s extremes would not have been possible without humanity’s influence on the climate system.

The trend seems to have been somewhat different in the U.K. press. It was British reporters that really led the charge vis-à-vis “climategate” and the IPCC-errors controversies. Clearly, reporters on the other side of the Atlantic learned not to put so much trust in scientists, which might be a somewhat valid lesson, if not for the fact that they got carried away with it. While they brought a few legitimate errors in the IPCC’s fourth assessment report to light — such as the overestimate of the melt rate of Himalayan glaciers — they often overplayed the significance of these errors and trumpeted other errors that weren’t errors at all. In July, for example, The Sunday Times was forced to retract an article that accused the IPCC of flubbing a statement about the Amazon rainforest’s sensitivity to climate change.

So, what has the climate journalism community learned from the events of the past year? Not much, unfortunately. I haven’t seen a marked improvement in the coverage. In fact, the amount of climate coverage has been in precipitous decline for the last year or so. One might be tempted to say that the events of the last year spooked editors and reporters, who are not unsure where to go with the climate story or what to make of the latest research. I’m sure that’s true to some extent, but other factors may have played a more important role. The global recession has, more than anything else, called attention away from global warming. In addition, political shortcomings such as the failure to produce an emissions-reduction treaty at COP15 in Copenhagen and the death of climate legislation in the U.S. Congress have both served to take the wind out of climate story’s sails.

Seth Borenstein, Associated Press

For science journalists — and that’s different from political and other journalists — the answer goes back to the old Russian proverb that Ronald Reagan made famous: Trust but verify. Starting with the hacked e-mails. Much of the initial coverage of the purloined e-mails was based on pre-digested e-mails leaked to the media and they looked sensational in and of themselves.

But context is key here. At the AP, we spent a week and five reporters pouring over one-million words to read them in context and found no grand conspiracy, but lots of cranky scientists (and ones who really could use a good editor themselves). On the flip side, we in the media have a tendency to read summaries and skim in a speedy manner through the main text. Some of the handful of errors in the IPCC reports, especially the Himalayan ones, on the face of them should have been noticed by reviewers and eagle-eyed science writers. In addition, reporters should have delved into the millions of details more and asked more questions. I fear the non-science journalists don’t look as much in the science details, don’t have the time or leadership that we have at AP, and thus didn’t learn the lessons that science journalists have.

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

Climate journalists have spent too much time preaching to the choir while there’s a riot going on outside the church. It’s important to report on, and debate, policies for mitigation, adaptation, and clean-energy acceleration, but these conversations occupy a parallel universe to the one in which the 2010 elections [were] unfolding, the elections where 19 of the top 20 Republican candidates for U.S. Senate are either climate skeptics or proud, aggressive deniers. Rep. Bob Inglis of South Carolina blames his loss in the Republican primary on his public assertions that climate change is real. Joe Manchin, a Senate candidate in West Virginia, has a TV spot in which he shoots a rifle bullet through a cap-and-trade bill — and he’s a Democrat. Can climate journalists do anything to counter this profoundly skeptical atmosphere?

We can try — and of course many of us have been trying. I saw some of my colleagues get a wake-up call last December in the big COP 15 media center in Copenhagen. I was talking with some climate journalists after Senator James Inhofe, the famously skeptical Oklahoman, came through the room. Some journalists began joking about Inhofe, so-called “climategate,” and the absurdity of those who claimed that the hacked e-mails were proof that climate scientists had cooked their data. The journalists were right — those claims were absurd — but they were also missing the point. Inhofe had just predicted that a U.S. climate bill was “not going to happen,” and he was right. While climate journalists in Copenhagen were studying the fine points of the latest REDD proposal, “climategate” was going viral on the internet and in the mainstream media. Soon CNN was hosting a debate on the validity of climate science, and I was pulling out my calendar to remind myself what year it was. Surely we couldn’t still be arguing the basic science in 2009 and 2010.

Andrew Revkin, “DotEarth“

I guess my first response is, what climate journalism community? There’s a variegated array of journalists and commentators who approached the developments of the past year or two with completely different responses and output. A batch of (mainly British) reporters and outlets did epic reportage on “climategate” that appeared to be stimulated in part out of a sense of betrayal, perhaps. Some of the overheated coverage got rolled back with corrections and apologies. American media covered the incident with far less intensity, perhaps better reflecting its marginal significance. Science blogs of all stripes dove deepest, but the incident, in the end, was notable mainly for reminding the public that science is — shocking news to some — an ugly process at times, particularly when its findings relate to very consequential issues facing society.

Media coverage of problems revealed in the workings of the Intergovernmental Panel on Climate Change was similarly variegated, with some overheated accusations not holding up but a decent learning experience for everyone on the fallibility of such vast group exercises. My guess is there’ve been few lessons learned out of coverage of the international climate treaty negotiations and the domestic battle over climate legislation.

David Biello, Scientific American

I’m not sure the climate journalism community has learned any lessons. In my view, we all continually repeat the mistakes of the past, either because of turnover that is bringing many “new” to the beat into the coverage scheme who are trained in the classic he said/she said style. Or because us old-timers are set in our ways and continue to make the same mistakes over and over again. One example, from my own magazine, is a recent profile of Judith Curry.

Elizabeth Kolbert, The New Yorker

I’m not sure there is a climate journalism community, so it’s hard for me to answer this question. There are a bunch of people who write fairly regularly about climate science and climate policy in the mainstream media, but as you point out there are many more writing about it in the blogosphere. I expect that ratio is only going to grow more lopsided as time goes on.

What lessons should it learn?

Andrew Revkin, “DotEarth”

If science media tried to sustain coverage of science (including climate science) as a process, including the ugly parts, the public might be less apt to be surprised by occasional revelations of conflict like those illuminated through the batch of hacked/liberated (pick your adjective depending on your worldview) e-mails and files.

Beware the lure of the front-page thought in gauging developments in complicated science pointing to a rising human influence on climate, lest you end up giving readers whiplash. Try rigorously to include context on the overall state of knowledge when framing stories on science around conflict, given that conflict is a constant in science.

Develop patience. The story of humanity’s entwined climate and energy challenges will outlive you. No single treaty, meeting, e-mail hack, IPCC report, or climate bill is a keystone.

Elizabeth Kolbert, The New Yorker

The obvious lesson of faux scandals like “climategate” is that they tend to be created by groups or individuals with their own agendas, and journalists ought to be very wary about covering them. The notion that there is some huge scientific conspiracy going on, involving dozens of researchers at different institutions, is pretty implausible on its face. This goes for climate science as for all other scientific disciplines. I’m not saying it can’t happen; it’s just hard to imagine how it would work. Conversely, it’s very easy to imagine why an individual or a group with an economic or political interest would want to claim that such a conspiracy existed. The burden of proof ought to be very high. Instead, it seems the bar was placed ridiculously low.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

First and foremost, reporters should have learned that they need to do a better job of delineating the various questions that climate science seeks to answer. There is a tendency to treat climate science as one monolithic question — are humans heating up the world or not — rather than as a series of questions, each with its own level certainty/uncertainty. When that happens, uncertainty related to the timing, scale, and geographic distribution of impacts (advanced science) tends to be reflected as uncertainty about whether or not the world is warming and whether or not human industry is driving that warming (basic science). Or, as we saw with “climategate” and the IPCC errors, minor flaws in the research and/or minor behavioral flaws in individual scientists cast aspersions on every other area of climate science. So, following these events, reporters should have learned that they must be very careful, in each and every story, to specify what which parts of the science they are addressing and which parts they aren’t addressing.

Along these lines, the other lesson is that reporters do, in fact, need to be more aggressive and skeptical. As the various reviews and investigations of “climategate” and the IPCC have shown, the fundamental conclusions of climate science remain untarnished. However, the IPCC did make a couple legitimate errors, and these reports also found that the IPCC and some individual climate scientists need to be more transparent and open to alternative viewpoints. Reporters need to actively ferret out these problems on a weekly basis rather than waiting until climate skeptics and blogs discover them and blow their significance out of proportion. If journalists wrote more stories about where uncertainty exists in the science, and if they were more aggressive about challenging scientists on transparency issues, we wouldn’t have these pseudo-scandals erupt every time a climate scientist missteps.

The corollary to this is that, at the same time, reporters must defend those scientists that need defending because many, such as Ben Santer, have had to endure unreasonable challenges to their credibility in addition to overt threats of violence.

Delineating the various questions of climate science and being more aggressive and skeptical will help with the third lesson: the need to separate climate science from climate politics. The narrative of climate change tends to get boiled down into one of two false generalizations: it is totally certain (we have five years to save the planet!) or totally uncertain (it’s all a hoax!). When that happens, it becomes very easy for political partisans to invoke scientific disagreements in support of their own policy objectives, just as they did in media coverage following the “climategate” and the IPCC-errors controversies. In reality, however, those events had no bearing whatsoever on political debate, and therein lies the lesson for journalists. Science cannot settle all arguments about how the world should respond to global warming, because the answer to that question involves values, varying perceptions of risk, and political ideology, in addition to what we know (and don’t know) about the climate system. So, if a reporter is simply trying to cover what scientists know, or don’t know, about the climate system, politicians should be excluded. Conversely, if a reporter is trying to cover climate politics, he or she must not let sources stake their claims on oversimplified reductions of climate science.

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

Now climate journalists are getting back to basics — connecting climate change to people’s lives and showing how it is already affecting our weather and our economy. Instead of getting hung up on whether a particular extreme weather event was ’caused’ by climate change — an unanswerable question — we’re explaining that extreme weather events are already happening more frequently, and that the scientists say we’ll be suffering through more of these events in a warmer world. We’re connecting the dots in a careful, responsible way. Some local coverage of the Nashville flood did this, for example. The magazine and website where I work, Bloomberg Businessweek, is doing this as well, through regular reporting on how business copes with climate risk (here’s one example). A website sponsored by Environment Canada connects the dots in a different but also effective way. There are many other angles on this story, and I hope news organizations will explore all of them.

Richard Harris, NPR

I think we still need to do our best to dig into the science — as well as into allegations of misconduct. It’s still important for us to present what we find to our audiences, even knowing that there are many competing voices. The “climategate” e-mails, for example, did not undercut the science of climate change, but it did lay bare some less than noble behavior on the part of certain scientists. It’s important to air that out. Likewise it’s important to set the record straight on broadly repeated misconceptions, such as the rate of demise of the Himalayan glaciers.

David Biello, Scientific American

The lesson that should be learned is two-fold: one, we must always retain our skepticism. Don’t trust anyone. Verify everything. In cases where you can’t verify, triangulate (i.e., use multiple sources to get closer to the truth). Two, sometimes smoke doesn’t mean fire. There is a lot of politicking going on in this area, both in the academic sense and in the broader social sense. That makes for a lot of smoke, which would seem to suggest a major conflagration. Such a fire does not exist, unless it’s the one embedded in the hundreds of coal plants around the world.

And is it moving effectively to put those lessons-learned into practice?

Eric Pooley, Bloomberg Businessweek

When the next climate scandalette comes along, some news organizations will surely play to hype and get carried away with their coverage — in effect, becoming a handy transmission belt for the professional deniers. That’s why serious climate journalists need to investigate charges rapidly and communicate their findings widely — explaining what’s real and what’s not, clarifying what the scandal does and doesn’t say about climate science, and fact-checking any false claims that may be in the air. Inevitably, the multiple investigations exonerating the climategate scientists got far less attention than the wild initial allegations against them. If more experienced climate journalists jump into the fray early, they could help tip the balance toward honest reporting and away from hype.

Richard Harris, NPR

Journalism still takes its role very seriously, but of course there are fewer of us out there every day. Those of us with big platforms and credibility with our audience are putting the lessons leaned into practice — that is, we are still reporting the stories carefully and thoroughly as they emerge. But it is naïve to think that crisis management, through even the best journalism, will overwhelm deliberate efforts to color the facts in order to achieve philosophical or economic objectives.

David Biello, Scientific American

… Old-timers seem to make the same mistakes over and over (including me, darnit). Newcomers fall into the same trap of “he said, she said” that they then must laboriously climb out of over years of on-the-job training.

Curtis Brainard, Columbia Journalism Review

No, I don’t see journalists putting the lessons learned into practice because I’m not sure if they really learned them in the first place. There are a few reassuring signs, however.

The Sunday Times retracted its fallacious “Amazongate” article. Another positive development was the American Geophysical Union’s decision to award its Excellence in Science Journalism award to Pallava Bagla, an Indian journalist who broke and unraveled the story about how the IPCC overestimated the melt-rate of Himalayan glaciers. So, to some extent, the bad journalism is being condemned and the good journalism is being recognized.

There have also been a couple other good articles recently. Shortly before the midterm election, The New York Times had a great front-page story about climate denial being an “article of faith” for the Tea Party, which made it clear that the group’s climate politics are not synonymous with climate science.

There was also a long feature in Scientific American about Judith Curry, who studies hurricanes at Georgia Tech and has ruffled the feathers of her fellow climate scientists by engaging with skeptics. A lot of climate scientists were really unhappy with the piece, arguing that Curry is wrong and that the media attention should have gone to somebody who is making real progress with their research. Personally, though, I thought it was an excellent attempt to be more aggressive and skeptical with scientists and show that climate science is (as Andrew Revkin once put it) a very “herky-jerky” process. I get the feeling that if more people were exposed to that type of journalism they would begin to understand the scientists and science are not infallible.

For the most part, though, I don’t think climate coverage, on the whole, has gotten any better or any worse in the last year. In fact, I think the “climategate” and IPCC-errors controversies has had far less of an impact on public opinion and on journalism than a lot of people have assumed. What’s really plaguing coverage are the same things that have been plaguing it for years: a declining number of specialized reporters in newsrooms, less time and fewer resources for reporting, and all the “noise” created by blogs and the 24/7 cable news.

Andrew Revkin, “DotEarth”

Too soon to tell.

Seth Borenstein, Associated Press

Any signs that they are moving to put those lessons-learned into practice? This is much like natural disasters. People who have lived through a major hurricane tend to prepare better for the next one and take it more seriously. Those who haven’t, don’t. Science journalists and others who well reported the issue this past year will do a better job, those who didn’t or just skimmed the surface or parroted ideologues won’t. The trouble is — much like in disasters — the people who really need to learn are usually the ones who don’t. And those who work hard to be even better prepared next time were not the problem cases to begin with.

>Pessimismo global atinge a Conferência do Clima (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

COP-16 começa no próximo dia 29, em Cancún, México

Um ano após a grande frustração que foi a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague (COP-15), a nova edição da convenção, em Cancún (COP-16), começa no próximo dia 29 sem expectativas de grandes resultados

Prova disso é que são esperados apenas entre 20 e 30 chefes de estado no México, contra 118 que estiveram presentes em Copenhague. O presidente Lula, uma das grandes estrelas do último encontro, já confirmou sua ida, mas a delegação brasileira encolheu de 900 pessoas, no ano passado, para 250 este ano.

Não se espera o fechamento de um grande acordo vinculante com metas significativas de redução de emissão de CO2 para o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, e é uma obrigação dos países desenvolvidos que assinaram o documento. Tampouco deverá haver resultados importantes na área de financiamento, outro ponto-chave da negociação.

Este é mais um compromisso firmado pelos países desenvolvidos: prover recursos financeiros para que países em desenvolvimento possam prevenir os efeitos das mudanças climáticas (mitigação) e se adaptar àqueles que já podem ser sentidos nos países mais vulneráveis, como pequenas ilhas do pacífico e nações africanas.

– Você chega a Cancún sem aquela comoção com que se chegou em Copenhague e com as mesmas dificuldades. As expectativas agora são mais modestas – avalia o embaixador Luiz Figueiredo, negociador-chefe do Brasil na Convenção do Clima da ONU.

O Brasil tem ganhado um papel protagonista na convenção e vai levar para Cancún dois trunfos na bagagem: a apresentação do último balanço sobre o desmatamento da Amazônia e a explicação dos planos setoriais que vêm sendo elaborados para que o país cumpra as metas voluntárias de redução de emissões.

Sobre a Amazônia, deve ser anunciado um novo recorde histórico, no qual “somente” cerca de 5 mil km2 teriam sido destruídos entre 2009 e 2010. Já sobre as emissões, o governo brasileiro vai mostrar como pretende reduzir de 36% a 39% de suas emissões, com relação ao que o país calculou que vai emitir em 2020. Na prática, significaria emitir 1,7 giga toneladas de CO2 daqui a dez anos, quando o esperado era a emissão de 2,7 giga toneladas de CO2.

– Lula terá um papel muito destacado em Cancún. Com a proposta ambiciosa que apresentou em Copenhague, ele foi o chefe de Estado que mais chamou a atenção – diz o secretário-executivo do Fórum Brasilieiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa.

O principal plano brasileiro é reduzir a derrubada da Amazônia em 80% até 2020 e do Cerrado em 40%. As duas medidas, se alcançadas, evitarão a emissão de 668 milhões de toneladas de CO2. O desmatamento responde por 61% das emissões brasileiras.

A agricultura, dona de 22% das emissões, também sofrerá alterações. Uma das ações previstas é a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, de um total de 60 milhões que o país possui, e a implementação de um programa de agricultura de baixo carbono. Com isso seriam cortadas pelo menos 183 milhões de toneladas de CO2.

No setor energético, que gera 15% de nossas emissões, o governo prepara um pacote para aumentar o uso de biocombustíveis, reduzindo entre 48 e 60 milhões de toneladas de CO2. E na siderurgia, setor ainda bastante dependente de carvão produzido com madeira de desmatamento, a ideia é justamente substituí-lo por carvão vegetal de florestas plantadas. A ação pode gerar o corte de entre 8 e 10 toneladas de CO2. As carvoarias emitem 31% do total registrado no setor energético.

Além desses cinco setores, o governo vai incluir outras sete áreas para as quais também serão criados planos setoriais. A principal delas é o transporte. Listado dentro da seção “energia”, o transporte rodoviário responde por 38% dessas emissões.

– O transporte será uma área decisiva para o Brasil no futuro, pois passará a contribuir cada vez mais para o nível de emissões, principalmente por conta da ineficiência do transporte de carga. O Brasil tem, há 15 anos, o pior desempenho do mundo em transporte de cargas – aponta Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da UnB.

Ele critica também o transporte público brasileiro que receberia incentivos para o aumento no número de carros nas ruas, quando deveria ocorrer justamente o contrário. Ele sugere que o país monte um programa para penalizar o uso de carros (como taxas para quem roda nos centros das grandes cidades), o que geraria pressão para estimular investimentos em transporte público de alta capacidade para passageiros, como trens e metrôs. No caso do transporte de suprimentos, a saída, segundo o professor, é ampliar a rede ferroviária e hidroviária.

O pacote que o Brasil apresentará vai esbarrar com a dura realidade que vigora nas negociações climáticas. Com relação às metas de redução dos países desenvolvidos, até agora apenas 15 nações manifestaram suas intenções, a maioria condicionando números mais ambiciosos a um acordo global, o que ainda não aconteceu.

Por enquanto, o que se tem é uma redução que varia de 16% a 18% com relação às emissões de 1990. Isso seria insuficiente para evitar um aumento da temperatura da Terra de mais de 2 graus Celsius, conforme concordaram os 140 países que assinaram o Acordo de Copenhague – documento fechado na COP-15, mas que não tem validade jurídica. Ou seja: é um texto de intenções.

A questão do financiamento também está em aberto. Na última reunião, os países concordaram com a criação de um Fundo de Início Rápido (Fast Track Fund), que proveria US$ 30 bilhões em três anos para que os países mais necessitados pudessem começar a agir contra o aquecimento global.

A fonte de recursos já foi identificada, mas esbarra em um problema: alguns dizem que o dinheiro de que se fala não é novo e configuraria um desvio de finalidade de recursos já comprometidos em outras áreas da cooperação internacional, como saúde e educação. O resultado é que, até agora, nenhum projeto foi contemplado com tal verba.

Um outro mecanismo acordado, mas que também não saiu do papel é o Fundo Verde Climático, para o qual seriam doados US$ 100 bilhões anuais até 2020. Esse dinheiro poderia ajudar países a criar mecanismos de eficiência energética, instalar aterros sanitários e manter florestas preservadas.

As regras são as mesmas: países ricos pagariam e países em desenvolvimento, como Brasil e África do Sul, implantariam localmente tais iniciativas. Como o aporte de dinheiro é alto, há divergências sobre de onde sairia. Dificilmente essa questão será solucionada em Cancún. Mas a ONG ambientalista WWF acredita que será possível avançar na estruturação do fundo, como o conselho que definirá prioridades a serem seguidas e os fiadores do sistema.

– Seria uma grande forma de reconstruir a confiança e demonstrar que os países industrializados estão tratando a mudança do clima com seriedade – pondera Mark Lutes, coordenador de políticas financeiras da Iniciativa Climática Global da WWF.

Para tentar solucionar o impasse sobre a fonte de recursos que abastecerá o Fundo Verde, o Grupo de Alto Nível em Financiamento de Mudanças Climáticas da ONU (AGF) elaborou um estudo apontando algumas alternativas, como a taxação de viagens internacionais no setor aéreo e de navegação, o que geraria potencialmente US$ 10 bilhões anuais. O setor, embora represente apenas 2% das emissões globais, é o que vem aumentando mais rapidamente sua fatia.

Apesar do clima de pessimismo que cerca o início da COP-16, em algumas áreas há chances reais de se chegar a algum acordo positivo. O anfitrião da convenção, o presidente mexicano Felipe Calderón, deposita todas as suas fichas na criação do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Iniciativas nessa área são consideradas ações de mitigação e, portanto, podem ser contempladas com recursos do Fundo Verde e do Fast Track Fund.

– Provavelmente o avanço mais importante que se fará em Cancún será em REDD, sobre as emissões florestais reguladas. Por isso me sinto otimista sobre este lado da equação – disse Calderón durante sua participação na última reunião do G-20, na Coreia do Sul.

O mecanismo, que inicialmente previa somente ações de combate ao desmatamento, ganhou um sobrenome: plus. Isso significou a inclusão de ações de conservação (como a criação de parques e reservas naturais) e técnicas de manejo florestal (nas quais madeira pode ser explorada de forma seletiva e ao longo de várias décadas para permitir a reposição das árvores cortadas). Segundo a pesquisadora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ, Thelma Krug, as duas primeiras fases do REDD deverão ser implementadas ainda em Cancún.

A primeira fase diz respeito à preparação dos países ricos em floresta – como Brasil, Indonésia, Congo e Papua Nova Guiné – para monitorar o desmatamento. Nesta etapa, serão elaborados planos nacionais para reduzir o desflorestamento e montada uma rede para acompanhar os resultados. A capacitação de pessoal para trabalhar nessas atividades também é fundamental

A segunda fase prevê a implementação de projetos pilotos e o pagamento de serviços florestais. Em ambos os casos o Brasil dificilmente receberia recursos estrangeiros. Isso porque o país já possui um Plano Nacional para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia e monitora por satélite a destruição do bioma há duas décadas.

– Acho que o Brasil não vai ver a cor desse dinheiro. Vai ser difícil convencer doadores a colocar recursos num país que já está conseguindo reduzir significativamente o desmatamento sozinho – pondera Thelma, uma das negociadoras brasileiras na convenção.

Por outro lado, os brasileiros têm muito a contribuir com os países mais atrasados. O governo assinou um acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para transmitir tecnologia. Doadores pagarão para que técnicos de outros países venham aprender com os profissionais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) as ferramentas de monitoramento em tempo real. A primeira turma, de africanos, virá no início do próximo ano.

Além disso, há chances de ser criado um comitê para coordenar as ações de adaptação, aquelas voltadas para minimizar as consequências da mudança do clima. Um Fundo de Adaptação já está em vigor, com recursos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) – pelo qual os países desenvolvidos podem cumprir suas metas de redução de emissões bancando, em nações pobres, projetos que resultem em menos emissões.

Dois temas, entretanto, deverão aquecer os debates da COP-16: o primeiro é o fortalecimento do Protocolo de Kyoto, documento assinado em 1997, e que prevê a fixação, por parte dos países ricos, de cortes mensuráveis de emissões. Caso não sejam definidas metas para um segundo período do protocolo, a partir de 2013, ele pode se tornar ineficaz. Isso vai ser um problema porque a União Europeia, por exemplo, fez leis com base no protocolo.

Assim como em Copenhague, o X da questão continua sendo os Estados Unidos, que são os maiores poluidores do planeta, mas não assinaram Kyoto. Uma lei estipulando o corte de 17% das emissões americanas até 2020 com relação às de 2005 está empacada no Congresso com poucas chances de ser aprovada. A Europa também começou a recuar quanto à adoção de metas significativas de corte de emissões. Segundo negociadores brasileiros, os europeus vêm fazendo o jogo dos americanos para esticar até 2012 o impasse sobre metas.

O segundo problema são as ações de mitigação a serem adotadas pelos países em desenvolvimento, as chamadas Namas (Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas). Embora os emergentes não sejam obrigados a se comprometer com metas, foi estabelecido na convenção que adotarão medidas voluntárias.

O embaraço, nesse caso, se dá no acompanhamento dessas ações. A maioria dos países só aceita o monitoramento internacional das ações financiadas por dinheiro estrangeiro. A China é a principal opositora à possibilidade de outros países interferirem em medidas que estão sendo adotadas em seu território.

(Catarina Alencastro, O Globo, 23/11/2010)

>Planeta passa longe de meta do clima (JC)

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JC e-mail 4142, de 23 de Novembro de 2010

Mesmo que todos os países cortem muito suas emissões de CO2, a Terra ainda aquecerá mais que 2ºC, diz ONU

Se tudo der certo e todos os países fizerem o máximo para conter emissões de carbono nos próximos anos, o mundo ainda estará longe de cumprir a meta de limitar o aquecimento global a 2ºC.

O quão longe acaba de ser calculado por um grupo internacional de cientistas: 5 bilhões de toneladas de gás carbônico estarão “sobrando” na atmosfera em 2020.

Ou seja, para cumprir o que se comprometeram a fazer na conferência do clima de Copenhague e evitar um possível aquecimento descontrolado da Terra, os países não apenas teriam de endurecer suas metas de corte de emissão como ainda precisariam desligar todo o sistema de transporte do globo.

O recado foi dado hoje pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), num relatório intitulado “The Emissions Gap” (“A Lacuna das Emissões”).

O documento será entregue em Helsinque à chefe da Convenção do Clima da ONU, Cristiana Figueres.

Seus autores passaram seis meses avaliando 223 cenários de emissões de CO2 construídos a partir das metas voluntárias de corte de carbono propostas por vários países no Acordo de Copenhague, o pífio documento que resultou da conferência.

O resumo da ópera é que, se a humanidade quiser ter 66% de chance de manter o aquecimento global abaixo de 2ºC no fim deste século, o nível global de emissões em 2020 terá de ser de 44 bilhões de toneladas de CO2 equivalente- ou seja, a soma de todos os gases-estufa “convertidos” no potencial de aquecimento do CO2.

Se nada for feito, as emissões podem chegar a 56 bilhões de toneladas em 2020. “Isso elimina a chance dos 2ºC, e pode nos colocar no caminho de 5ºC de aquecimento em 2100”, disse à Folha Suzana Kahn Ribeiro, pesquisadora da Coppe-UFRJ, uma das autoras do relatório.

A implementação estrita do acordo também não resolve: as emissões globais cairiam para 52 bilhões de toneladas, ainda uma China de distância da meta de 2ºC.

Por “implementação estrita” os pesquisadores querem dizer duas coisas. Primeiro, as nações estão contando duas vezes emissões cortadas na área florestal. Se um país pobre planta florestas para vender créditos de carbono a um país rico, a dedução deveria estar apenas na conta do país rico. Mas costuma estar na de ambos.

“Na própria lei brasileira do clima está escrito que as reduções de emissão podem ser obtidas por MDL [venda de créditos de carbono para nações ricas]”, diz Ribeiro.
Outro ponto espinhoso é a venda de créditos em excesso por países como a Rússia, cujas emissões já são menores que as metas de Kyoto. O país ficou com créditos sobrando.

Conta só fecha com sequestro de carbono

Para chegar mais perto do almejado teto de 2ºC no aquecimento global, os países terão de adotar o que o relatório chama de “cumprimento estrito de metas condicionais”.

Ou seja, das reduções que alguns países dizem que farão se outros fizerem- a UE, por exemplo, se compromete a passar de 20% para 30% de corte em relação a 1990 se os EUA também avançarem nas suas metas.

O “gap”, neste caso, seria de “apenas” 5 bilhões de toneladas.

Segundo Suzana Kahn Ribeiro, a única forma de fechar o buraco é aumentar não só a ambição, como também as chamadas “emissões negativas”, ou seja, o sequestro maciço de carbono para compensar emissões industriais e também de energia.

Ela vê nisso uma oportunidade para o Brasil, no setor de plásticos verdes (produzidos a partir de biomassa), por exemplo.

Apesar da mensagem desalentadora, a ONU deverá usar o documento para enxergar a metade cheia do copo: afinal, o cumprimento estrito dos compromissos deixaria o planeta com 60% do caminho andado para evitar o aquecimento exagerado.

(Claudio Ângelo, Folha de SP, 23/11/2010)

>Scientists Scramble to Bridge the Uncertainty Gap in Climate Science (N.Y. Times)

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By AMANDA PETERKA of Greenwire
November 9, 2010

Skeptics of climate change — a good number of them about to take seats in Congress — often point to uncertainties or holes in the science as reasons for delaying or not taking action.

But uncertainty is the modus operandi of science, as Vaughan Turekian, chief international officer at the American Association for the Advancement of Science, describes it. Scientists report not only what is known but to what degree it is known.

“Science is never an open and closed case,” Turekian said.

Still, there is a fundamental difference between the way the public and policymakers see uncertainty and the way scientists do, which creates a gap that needs constant bridging, scientists say.

“When scientists talk about results they rarely focus on the things they know with great certainty. It seems counterintuitive to people who are not scientists, talking so much about what we don’t know,” said James McCarthy, a professor of oceanography at Harvard University.

“If you were to hear someone say, ‘I know with 100 percent certainty that the Earth’s climate will change or not,’ that would be a statement to walk away from because you would know right away that a scientist hasn’t made that statement.”

There are several coordinated efforts under way to bridge the gap. John Abraham, an associate engineering professor at Minnesota’s St. Thomas University, is creating a “climate rapid response team” of scientists who are open to addressing the politics of global warming. The American Geophysical Union, separately, is establishing a bank of climate scientists to serve as experts on global warming.

It is probably no coincidence that policy debates involving environmental issues have often been long and contentious. A number of environmental debates, including those over acid rain and the depletion of the ozone layer, have centered on scientific uncertainties.

Judith Curry, chairwoman of the School of Earth and Atmospheric Sciences at the Georgia Institute of Technology, blames climate scientists. She said the reason uncertainty has been especially played up in climate science is because “climate scientists were so vehement in their overconfidence, which just didn’t stand up given the complexity of the problem. … Trying to hide uncertainties just ends up compromising the scientists and confusing the policymaking process.”

Uncertainty, she said, should be used as information in the decisionmaking process. But for lawmakers, it is not easy to incorporate uncertainty into policy or to prove to constituents that an action is necessary. Moreover, the public is not well aware of how uncertainty is handled in science, according to Robert Costanza, director of the Institute for Sustainable Solutions at Portland State University In Oregon.

“That’s part of the problem, and that’s why the public opinion can be so easily manipulated because of that lack of basic understanding,” he said.

Government mechanisms

In the 1970s and 1980s, the United States had an Office of Technology Assessment, which analyzed complex scientific concepts, producing studies for Congress on subjects like the nation’s energy future and ecosystem management and giving advice on how to address issues. The office was defunded during the anti-big government wave that followed the release of the 1994 Republican document called “Contract with America” and the Republican takeover of the Senate during the first term of the Clinton administration.

Many other countries in Europe still have similar mechanisms, though, to assess the quality of scientific information. It is something the United States should consider again, said Thomas Dietz, vice chairman of the science panel in America’s Climate Choices, a study done by the National Academy of Sciences.

“We need to have a mechanism to take scientific understanding and make it available both to policymakers and to the public,” said Dietz, assistant vice president for environmental research at Michigan State University. “A lot of issues we don’t seem to have much space for a public discussion that doesn’t become heated and a matter of talking points and pundits.”

Scientists are waiting for integrity standards to come out of the Office of Science and Technology Policy, required by President Obama in a March 2009 executive order and a year-and-a-half overdue. Public Employees for Environmental Responsibility recently filed a lawsuit to obtain documents relating to the overdue standards. Without them, it has been difficult for government agencies to agree on policies for transparency, collaboration and public participation in data gathering and decisionmaking based on that data.

With the lack of government mechanisms, boosting science education in the United States might help the public understand the state of science and how to make decisions in the face of uncertainty, Dietz said. The most recent World Economic Forum report ranked the United States 48th in math and science education.

Strengthening science education, agreed Turekian, would strength critical thinking. And that, he said, is necessary to understand the complexity around climate change because the better you understand how scientific information is gathered, the better you understand the information itself.

“When you think about critical thinking, you don’t take as given either facts or counterfacts that are just imposed on you,” he said. “Rather, you take the time to sort of critically assess which uncertainties are more important and which uncertainties have nothing to do with the broader trends.”

The broader trends, he said, are understood: If atmospheric carbon dioxide is increased, there will be certain increases in temperature. The uncertainties that need more understanding are the feedback effects from increasing temperature, such as what warming would do to the makeup of clouds, and if clouds would lead to even more warming if they change.

That level of detail does not need to be known to put in place measures akin to insurance policies to guard against the range of effects, scientists tend to agree, though they also tend to stay out of the policy debate.

Costanza has tried to combine a precautionary principle with a polluter-pays principle in incorporating uncertainty into policy. The concept can also apply to environmental disasters like oil spills.

In his idea, companies that pollute or emit carbon dioxide must take out bonds that cover worst-case scenarios that would be held until uncertainty is removed. This would create an incentive for emitters to reduce uncertainty by funding independent research or adopting cleaner practices.

“If they don’t see it in financial terms, they’re going to try to avoid it or manage or manipulate the uncertainty rather than reducing it,” he said. “All it takes is a little muddying of the water so there’s not a clear answer to delay action for years and years. It takes a lot less money and effort to muddy the water than it does to clear the water.”

Copyright 2010 E&E Publishing. All Rights Reserved.

>A New Kind of Crime Against Humanity?: The Fossil Fuel Industry’s Disinformation Campaign On Climate Change

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By DONALD A BROWN on October 24, 2010 11:43 PM
Climate Ethics

I Introduction.

This post examines the question of whether some US companies are guilty of a new kind of vicious crime against humanity that the world has yet to classify. This post is not meant to be a polemic but a call for serious engaged reflection about deeply irresponsible corporate-sponsored programs that have potentially profound harsh effects upon tens of millions of people living around the world, countless millions of future generations, and the ecological systems on which life depends.

II. Corporate Disinformation Campaign

Although there is an important role for skepticism in science, for almost thirty years some corporations have supported a disinformation campaign about climate change science that has been spreading untruths and distortions about climate science. Several recent books document how this disinformation campaign began in the1980s including a book by Orkeses and Conway, Merchants of Doubt.(Orkeskes and Conway, 2010)

Although it may be reasonable to be somewhat skeptical about climate change models, some corporate sponsored participants in the climate change disinformation campaign have been spreading deeply misleading distortions about the science of climate change. These untruths are not based upon reasonable skepticism but outright falsification and distortions of climate change science. These claims have included assertions that that the science of climate change that is the foundation for calls to action to reduce greenhouse gas emissions have been completely “debunked” and that there is no evidence of human causation of recent observed warming. Reasonable skepticism cannot make these claims or others frequently being made by the well-financed climate change disinformation campaign.

Given that there are thousands of peer-reviewed scientific studies that support the consensus view on the dangers of continuing to emit increasing levels of greenhouse gases, that Academy of Sciences around the world have issued statements in support of the consensus view articulated by the Intergovernmental Panel on Climate Change , there are virtually no peer-reviewed scientific articles that prove beyond reasonable doubt that observed warming is naturally caused, that there are a huge number of attribution, fingerprinting, and analyses of isotopes of greenhouse gases that are appearing in the atmosphere that point to human causation, that the basic physics of exactly what happens when greenhouse gases are added to the atmosphere in terms of absorbing and reradiating heat has been understood for over 150 years, claims that the science of climate change have been completely “debunked” and that there is no evidence of human causation are patently false. These claims do not represent reasonable skepticism but utter distortion about a body of evidence that the world needs to understand to protect itself from huge potential harms.

On October 21, 2010, the John Broder of the New York Times, http://community.nytimes.com/comments/www.nytimes.com/2010/10/21/us/politics/21climate.html?sort=newest&offset=2, reported, that “the fossil fuel industries have for decades waged a concerted campaign to raise doubts about the science of global warming and to undermine policies devised to address it. According the New York Times article, the fossil fuel industry has ” created and lavishly financed institutes to produce anti-global-warming studies, paid for rallies and Web sites to question the science, and generated scores of economic analyses that purport to show that policies to reduce emissions of climate-altering gases will have a devastating effect on jobs and the overall economy.”

Without doubt those telling others that there is no danger heading their way have a special moral responsibility to be extraordinarily careful about such claims. For instance, if someone tells a child laying on a railroad tracks that they can lie there all day because there is no train coming and has never checked to see if a train is actually coming would be obviously guilty of reprehensible behavior.

Disinformation about the state of climate change science is extraordinarily if not criminally irresponsible because the consensus scientific view of climate change is based upon strong evidence that climate change harms:

(1) are already being experienced by tens of thousands in the world;

(2) will be experienced in the future by millions of people from greenhouse gas emissions that have already been emitted but not yet felt due to lags in the climate system; and,

(3) will increase dramatically in the future unless GHG emissions are dramatically reduced from existing global emissions levels.

These harms include deaths and harms from droughts, floods, heat, storm related damages, rising oceans, heat impacts on agriculture, loss of animals that are dependent upon for substance purposes, social disputes caused by diminishing resources, sickness from a variety of diseases, the inability to rely upon traditional sources of food, the inability to use property that people depend upon to conduct their life including houses or sleds in cold places, the destruction of water supplies, and the inability to live where has lived to sustain life. In fact, the very existence of some small island nations is threatened by climate change

As long as there is any chance that climate change could create this type of destruction, even assuming, for the sake of argument, that these harms are not yet fully proven, disinformation about the state of climate change science is extraordinarily morally reprehensible if it leads to non-action in reducing climate change’s threat when action is indispensable to preventing harm. In fact how to deal with uncertainty in climate change science is an ethical issue, not only a scientific matter, because in the case of climate change:

• If you wait until all the uncertainties are resolved it is likely to be too late to prevent catastrophic climate change.
• The longer one waits to take action, the more difficult it is to stabilize atmospheric concentrations of climate change at safe levels.
• Those most vulnerable to climate change include some of the poorest people in the world and they have not consented to be put at risk in the face of uncertainty.

The October 21 New York Times article mentioned above concludes that some US corporate sponsored activities are helping elect politicians that have been influenced by the most irresponsible climate change scientific skeptical arguments. These corporations are clearly doing this because they see climate change greenhouse gas emissions reduction strategies as adversely affecting their financial interests. This fact leads to even greater moral culpability for American corporations because their behavior is as offensive as if the person who tells the child train that no train is coming when they don’t actually know whether a train is on its way makes money by misinforming the child.

The October 21rst New York Times article concludes that the oil, coal and utility industries have collectively spent $500 million just since the beginning of 2009 to lobby against legislation to address climate change and to defeat candidates who support actions to reduce the threat of climate change. It would be one thing for an American corporation to act irresponsibly in a way that leads to harm to Americans, but because of climate change’s global scope, American corporation’s have been involved in behavior that likely will harm tens of millions of people around the world. Clearly this is a new type of crime against humanity. Skepticism in science is not bad, but skeptics must play by the rules of science including publishing their conclusions in peer-reviewed scientific journals and not make claims that are not substantiated by the peer-reviewed literature. The need for responsible skepticism is particularly urgent if misinformation from skeptics could lead to great harm. For this reason, this disinformation campaign being funded by some American corporations is some kind of new crime against humanity.

III. Conclusion

The international community does not have a word for this type of crime yet, but the international community should find a way of classifying extraordinarily irresponsible scientific claims that could lead to mass suffering as some type of crime against humanity.

By :

Donald A. Brown,
Associate Professor,
Environmental Ethics, Science, and Law
Penn State University
dab57@psu.edu

References:

Broder, John, (2010) “Climate Change Doubt Is Tea Party Article of Faith” New York Times, October 21, 2009, http://community.nytimes.com/comments/www.nytimes.com/2010/10/21/us/politics/21climate.html?sort=newest&offset=2,
Oreskes, Naiomi, and Erik. Conway, 2010, Merchants of Doubt, How a Handful of Scientists Obscured the Truth On Issues From Tobacco Smoke to Global Warming Bloosmbury Press, New York

>Dilema entre preservação e desenvolvimento é constante na história brasileira (FAPESP)

>Humanidades | Ecologia
Entre o homem e a natureza

Carlos Haag
Edição Impressa 176 – Outobro 2010

Queimada: problemas desde a colônia. © ALBERTO CÉSAR ARAÚJO/Agência Estado.

O projeto do novo Código Florestal, aprovado em agosto pela comissão especial da Câmara dos Deputados, deverá ser votado no Congresso após as eleições, sob críticas de cientistas e ambientalistas, para os quais a sua homologação causará impactos graves na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos em razão das reduções significativas nas áreas de preservação permanentes (APP) e da anistia a desmatamentos feitos até 2008. A polêmica ambiental mais recente tem raízes antigas: o dilema entre preservação da natureza e desenvolvimento econômico é tema de discussões no país desde os tempos da colônia. Um pouco posterior é a dificuldade de se fazer uma parceria entre Estado e sociedade para uma solução equilibrada. “No Brasil há um padrão histórico: as preocupações com o meio ambiente, em geral, resultaram da atuação de grupos de cientistas, intelectuais e funcionários públicos que, por meio de suas inserções no Executivo, procuraram influenciar as decisões dos governantes em favor da valorização da natureza”, explica o historiador José Luiz de Andrade Franco, da Universidade de Brasília, autor de Proteção à natureza e identidade nacional no Brasil (Fiocruz). “Por isso, o andamento das políticas de proteção à natureza sempre dependeu mais de ligações com governos e apenas secundariamente do eco que as pessoas preocupadas com as questões ambientais alcançam na sociedade”, avalia.

Foi assim com o Código Florestal original, criado em 1934 por Getúlio Vargas, fruto de articulações de um grupo de pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), que, usando a sua influência junto a círculos do poder, defendeu a intervenção de um Estado forte para garantir, por meio de leis, o equilíbrio entre progresso e patrimônio natural. A legislação, que colocava limites ao direito de propriedade em nome da conservação, protegendo áreas florestais, foi revista em 1965 durante a ditadura militar. Pela primeira vez o código será revisto em uma sociedade democrática e aberta ao debate com a opinião pública. Colheremos melhores frutos do que no passado? “Os protetores da natureza dos anos 1920-1940, que geraram a legislação, eram a favor de um Estado forte, mas tinham propostas de transformação social e ambiental bastante renovadoras. Os conservacionistas dos anos 1960-1980 não estavam na vanguarda do questionamento político do regime militar, mas tinham preocupações com a natureza ainda muito distantes do itinerário político das esquerdas”, lembra Franco. “Hoje os ambientalistas mais preocupados com as questões sociais têm uma postura bastante antropocêntrica, deixando, muitas vezes, as questões urgentíssimas da biodiversidade na sombra.” Segundo o pesquisador, sociedade e Estado, no Brasil, ainda são hegemonicamente desenvolvimentistas. “O sucesso a médio e longo prazo do ambientalismo está na sua capacidade de reverter essa disposição de promover o crescimento econômico a qualquer custo.” Para o pesquisador, não é de estranhar que esses protetores da natureza do passado tenham sido quase esquecidos na corrente forte do desenvolvimentismo que prevaleceu no país da década de 1940 em diante. “Surpreende, sim, que eles tenham sido esquecidos pelos ambientalistas brasileiros, ‘científicos’ e ‘sociais’, que, a partir dos anos 1980, emergiram como atores relevantes na ciência, no ativismo, na mídia e nos movimentos sociais.”

Franco chama esses protetores de “a segunda geração de conservacionistas” brasileiros, intelectuais que, entre os anos 1920 e 1940, cobraram do Executivo a manutenção de um vínculo orgânico entre natureza e sociedade, porque, afirmavam, defender a natureza era uma forma de construir a nossa nacionalidade. Eram, na sua maioria, cientistas do MNRJ: Alberto José Sampaio (1881-1946), Armando Magalhães Correa (1889-1944), Cândido de Mello Leitão (1886-1948) e Carlos Frederico Hoehne (1882-1959). A tendência desses círculos intelectuais, como característico na história ambiental nacional, foi integrar-se ao Estado para reclamar das autoridades um comportamento mais racional dos agentes econômicos privados. “Havia entre eles a convicção de sua responsabilidade na construção da identidade nacional e na organização das instituições do Estado”, observa Franco. A série de códigos ambientais decretados pelo governo Vargas, somada à criação dos primeiros parques nacionais, indica o relativo sucesso alcançado por eles. “Eles acreditavam que a intervenção autoritária de Vargas iria resolver os conflitos e a competição injusta. A partir disso, pensavam, um novo homem se ligaria à natureza e aos outros homens”, analisa a historiadora Regina Horta Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais, autora do artigo “Pássaros e cientistas no Brasil”. Para colocar em prática suas teorias eles criaram sociedades públicas para proteção da natureza: Sociedade dos Amigos das Árvores, Sociedade dos Amigos do Museu Nacional, Sociedade dos Amigos da Flora Brasílica, entre outras.

A iniciativa mais ambiciosa dessas organizações foi a Primeira Conferência Brasileira de Proteção à Natureza, realizada em 1934, com o apoio do regime varguista, que acabara de criar o Código Florestal, o Código de Caça e Pesca e a Lei sobre Expedições Científicas. A Constituição de 1934 também incluía um artigo sobre o papel dos governos federal e estaduais na proteção das “belezas naturais”. O ciclo de palestras foi aberto com a leitura de “Natureza”, do poeta alemão Goethe. “Uma evidência da importância dada pelos participantes à percepção estética do mundo natural. Por essa visão, a natureza deveria ser admirada, cuidada e transformada num jardim”, conta Franco. “Essa influência romântica, porém, nunca descartou a possibilidade do uso econômico da natureza e a necessidade de renovar fontes esgotadas sempre era lembrada. Além de ser um ‘jardim’, o mundo natural era percebido como indústria. Daí as várias propostas da criação de ‘berçários de árvores’, que eram, ao mesmo tempo, jardins e áreas de produção de madeira em larga escala.” Os organizadores da conferência estavam atualizados sobre a ação dos protetores da natureza de outros países. Conheciam a fundo a experiência americana e o debate entre os preservacionistas de John Muir, que defendiam a contemplação estética da natureza, e os conservacionistas liderados por Guif­ford Pinchot, que acreditavam na exploração racional de recursos naturais. As duas correntes ganharam seu espaço na Presidência de Theodore Roosevelt (1901-1909), o que resultou no crescimento do Parque Yosemite e na criação de várias reservas e mais cinco novos parques nacionais.

Mas o que dividia os americanos era consenso no Brasil e não havia ingenuidade no grupo, apesar da combinação que faziam de romantismo, ciência e nacionalismo. “Naquele momento, os conceitos de proteção, conservação e preservação eram intercambiáveis. Para os cientistas, a natureza deveria ser protegida, tanto como conjunto de recursos produtivos a ser explorado racionalmente pelas gerações futuras, quanto como diversidade biológica, objeto de ciência e contemplação estética.” Argumentos utilitários coexistiam em harmonia com estéticos, e tudo era parte de um projeto maior da união entre natureza e nacionalidade. “As metáforas que eles usaram para representar a sociedade brasileira convergiam com as imagens do ideário político varguista”, nota Franco. “Essa forma de proteger a natureza estava em sintonia com o projeto de Estado corporativista de Vargas e essa convergência ajudou a elevar o status institucional adquirido por um número de propostas relacionadas à proteção ambiental e ao controle público e privado dos recursos naturais”, analisa o pesquisador. “Antes da revolução de 1930, a descentralização política fortaleceu o controle das elites regionais, incentivando a exploração extrema de recursos naturais. A destruição das florestas era agravada pelas ferrovias que, na definição de Euclides da Cunha, eram ‘fazedoras de desertos’”, observa o historiador José Augusto Pádua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor de Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (Zahar).

Em 1915, o jurista e filósofo Alberto Torres (1865-1917) alertou para a situação: “Os brasileiros são, todos, estrangeiros em sua terra, a qual não aprendem a explorar sem destruir”. “Ele foi o primeiro brasileiro a usar o termo conservação como se empregava nos EUA, incluindo-o na sua proposta de uma nova Constituição. Suas ideias iram influenciar os cientistas do MNRJ”, observa Franco. Apesar do prestígio de intelectuais como Torres, as ações políticas concretas foram nulas. “Mesmo com o apoio do presidente Epitácio Pessoa, que confessava o seu incômodo pelo fato de o Brasil ser o único país de grandes florestas sem um Código Florestal, a legislação continuou omissa”, lembra Pádua. É possível, então, imaginar o impacto da ação dos protetores da natureza quando, poucos anos depois do código e poucos meses antes da nova Constituição de 1937, que elevou os bens naturais à categoria de patrimônio público, foi decretada a criação do Parque Nacional de Itatiaia. A ditadura estado-novista iria criar, até 1939, mais outros dois parques: o da Serra dos Órgãos, no Rio, e o do Iguaçu, no Paraná.

“Mas nos anos seguintes a ação governamental para a preservação mostraria seus limites claros, com orçamentos ínfimos para órgãos florestais, precariedade da fiscalização e ausência de uma participação efetiva da sociedade civil. A fundação de parques nacionais não privilegiou ecossistemas de grande biodiversidade, mas áreas próximas a centros urbanos, como Itatiaia ou serra dos Órgãos, ou estratégicas, como Iguaçu”, nota Regina Horta. “A preservação patrimonial era realmente importante nos projetos do governo Vargas. Mas, além de seu simbolismo cultural e político, a natureza, para além dos parques, era principalmente vista como fonte de riquezas exploráveis para o desenvolvimento econômico, e os projetos industrializantes ganharam o comprometimento do Estado Novo.”

“A ideologia do crescimento a qualquer custo sempre retirou a importância dos temas ambientais. Só hoje temos uma situação potencialmente nova, em que a união entre um Estado poderoso e uma esfera pública mais dinâmica pode criar uma verdadeira política de gestão sustentável da natureza”, nota Pádua. Segundo o pesquisador, há uma continuidade dos problemas ambientais desde a colônia, como queimadas, desflorestamento e degradação dos solos e das águas, mas, ao mesmo tempo, houve muita reflexão sobre essas questões, desde o século XVIII. Basta lembrar que em 1876 o engenheiro e líder abolicionista André Rebouças já pedia a criação de parques nacionais, pois “a geração atual não pode fazer melhor doação às gerações vindouras do que reservar intactas, livres do ferro e do fogo, as belas ilhas do Araguaia e do Paraná”. Para Rebouças, a razão do descaso com a natureza era a escravidão, hipótese também defendida pelo abolicionista Joaquim Nabuco, para quem era preciso o uso econômico racional da natureza brasileira. “Eles procuraram estabelecer uma relação causal entre escravismo e práticas predatórias. A combinação entre a abundância de trabalho cativo, barato, e uma fronteira aberta para a ocupação de novas terras teria estimulado uma ação extensiva e descuidada na produção rural, baseada no avanço das queimadas, deixando terras degradadas e abandonadas”, explica Pádua. Para esses intelectuais, a devastação ambiental não era o “preço do progresso”, mas o “preço do atraso”, resultado da permanência de práticas rudimentares de exploração da terra.

Devastação: preço do atraso, e não do progresso. © Agência Estado.

Nisso ambos eram herdeiros da preocupação ambiental iluminista de José Bonifácio, um fisiocrata egresso da Universidade de Coimbra, a primeira instituição, já no século XVIII, a formar intelectuais que refutavam a exploração descuidada dos recursos naturais da colônia. “Destruir matos virgens, nos quais a natureza ofertou com mão pródiga as mais preciosas madeiras do mundo, e sem causa, como se tem praticado no Brasil, é extravagância insofrível, crime horrendo e grande insulto. Que defesa produziremos no tribunal da Razão quando os nossos netos nos acusarem de fatos tão culposos?”, escreveu o futuro Patriarca da Independência em 1819. “É preciso lembrar a riqueza do debate intelectual sobre temas ecológicos no país; e em alguns momentos, como no século XIX, ele foi um dos mais intensos do mundo, apesar da pobreza dos resultados. O que ‘relativiza’ o papel dos EUA e da Europa na gênese da preocupação ambiental moderna”, explica Pádua. A análise da história ambiental transforma a contribuição dos intelectuais dos séculos XIX e meados do XX em algo surpreendentemente atual. “Eles não eram ambientalistas no sentido moderno, mas in­cluíam os temas da destruição do mundo natural no debate sobre o futuro do país como um todo, relacionando-os com traços estruturais da sociedade, como, por exemplo, o escravismo. Guardadas as diferenças de contexto, é disso que precisamos hoje: incluir a dimensão ambiental no centro do debate sobre o futuro do Brasil e da humanidade.” O Código Florestal do século XXI agradece as lições do passado.

>’Science as the Enemy’: The Traveling Salesmen of Climate Skepticism (Spiegel)

>
By Cordula Meyer
10/08/2010

A handful of US scientists have made names for themselves by casting doubt on global warming research. In the past, the same people have also downplayed the dangers of passive smoking, acid rain and the ozone hole. In all cases, the tactics are the same: Spread doubt and claim it’s too soon to take action.

Photo: Manhattan by night: The skeptics are accused of having links to energy companies.

With his sonorous voice, Fred Singer, 86, sounded like a grandfather explaining the obvious to a dim-witted child. “Nature, not human activity, rules the climate,” the American physicist told a discussion attended by members of the German parliament for the business-friendly Free Democratic Party (FDP) three weeks ago.

Marie-Luise Dött, the environmental policy spokeswoman for the parliamentary group of Angela Merkel’s center-right Christian Democratic Union (CDU), also attended Singer’s presentation. She said afterwards that it was “extremely illuminating.” She later backpedaled, saying that her comments had been quoted out of context, and that of course she supports an ambitious climate protection policy — just like Chancellor Merkel.

Merkel, as it happens, was precisely the person Singer was trying to reach. “Our problem is not the climate. Our problem is politicians, who want to save the climate. They are the real problem,” he says. “My hope is that Merkel, who is not stupid, will see the light,” says Singer, who has since left for Paris. Noting that he liked the results of his talks, he adds: “I think I achieved something.”

Salesman of Skepticism

Singer is a traveling salesman of sorts for those who question climate change. On this year’s summer tour, he gave speeches to politicians in Rome, Paris and the Israeli port city of Haifa. Paul Friedhoff, the economic policy spokesman of the FDP’s parliamentary group, had invited him to Berlin. Singer and the FDP get along famously. The American scientist had already presented his contrary theories on the climate to FDP politicians at the Institute for Free Enterprise, a Berlin-based free-market think tank, last December.

Singer is one of the most influential deniers of climate change worldwide. In his world, respected climatologists are vilified as liars, people who are masquerading as environmentalists while, in reality, having only one goal in mind: to introduce socialism. Singer wants to save the world from this horror. For some, the fact that he made a name for himself as a brilliant atmospheric physicist after World War II lends weight to his words.

Born in Vienna, Singer fled to the United States in 1940 and soon became part of an elite group fighting the Cold War on the science front. After the collapse of the Soviet Union, Singer continued his struggle — mostly against environmentalists, and always against any form of regulation.

Whether it was the hole in the ozone layer, acid rain or climate change, Singer always had something critical to say, and he always knew better than the experts in their respective fields. But in doing so he strayed far away from the disciplines in which he himself was trained. For example, his testimony aided the tobacco lobby in its battle with health policy experts.

‘Science as the Enemy’

The Arlington, Virginia-based Marshall Institute took an approach very similar to Singer’s. Founded in 1984, its initial mission was to champion then US President Ronald Reagan’s Strategic Defense Initiative (SDI), better known as “Star Wars.” After the fall of the Iron Curtain, the founders abruptly transformed their institute into a stronghold for deniers of environmental problems.

“The skeptics thought, if you give up economic freedom, it will lead to losing political freedom. That was the underlying ideological current,” says Naomi Oreskes, a historian of science at the University of California, San Diego, who has studied Singer’s methods. As scientists uncovered more and more environmental problems, the skeptics “began to see science as the enemy.”

Oreskes is referring to only a handful of scientists and lobbyists, and yet they have managed to convince many ordinary people — and even some US presidents — that science is deeply divided over the causes of climate change. Former President George H.W. Bush even referred to the physicists at the Marshall Institute as “my scientists.”

Whatever the issue, Singer and his cohorts have always used the same basic argument: that the scientific community is still in disagreement and that scientists don’t have enough information. For instance, they say that genetics could be responsible for the cancers of people exposed to secondhand smoke, volcanoes for the hole in the ozone layer and the sun for climate change.

Cruel Nature

It almost seems as if Singer were trying to disguise himself as one of the people he is fighting. With his corduroy trousers, long white hair and a fish fossil hanging from a leather band around his neck, he comes across as an amiable old environmentalist. But the image he paints of nature is not at all friendly. “Nature is much to be feared, very cruel and very dangerous,” he says.

At conferences, Singer likes to introduce himself as a representative of the Nongovernmental International Panel on Climate Change (NIPCC). As impressive as this title sounds, the NIPCC is nothing but a collection of like-minded scientists Singer has gathered around himself. A German meteorologist in the group, Gerd Weber, has worked for the German Coal Association on and off for the last 25 years.

According to a US study, 97 percent of all climatologists worldwide assume that greenhouse gases produced by humans are warming the Earth. Nevertheless, one third of Germans and 40 percent of Americans doubt that the Earth is getting warmer. And many people are convinced that climatologists are divided into two opposing camps on the issue — which is untrue.

So how is it that people like Singer have been so effective in shaping public opinion?

Part 2: Experience Gained Defending Big Tobacco

Many scientists do not sufficiently explain the results of their research. Some climatologists have also been arrogant or have refused to turn over their data to critics. Some overlook inconsistencies or conjure up exaggerated horror scenarios that are not always backed by science. For example, sloppy work was responsible for a prediction in an Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) report that all Himalayan glaciers would have melted by 2035. It was a grotesque mistake that plunged the IPCC into a credibility crisis.

Singer and his fellow combatants take advantage of such mistakes and utilize their experiences defending the tobacco industry. For decades, Big Tobacco managed to cast doubt on the idea that smoking kills. An internal document produced by tobacco maker Brown & Williamson states: “Doubt is our product since it is the best means of competing with the ‘body of fact’ that exists in the minds of the general public.”

In 1993, tobacco executives handed around a document titled “Bad Science — A Resource Book.” In the manual, PR professionals explain how to discredit inconvenient scientific results by labeling them “junk.” For example, the manual suggested pointing out that “too often science is manipulated to fulfill a political agenda.” According to the document: “Proposals that seek to improve indoor air quality by singling out tobacco smoke only enable bad science to become a poor excuse for enacting new laws and jeopardizing individual liberties.”

‘Junk Science’

In 1993, the US Environmental Protection Agency (EPA) published what was then the most comprehensive study on the effects of tobacco smoke on health, which stated that exposure to secondhand smoke was responsible for about 3,000 deaths a year in the United States. Singer promptly called it “junk science.” He warned that the EPA scientists were secretly pursuing a communist agenda. “If we do not carefully delineate the government’s role in regulating … dangers, there is essentially no limit to how much government can ultimately control our lives,” Singer wrote.

Reacting to the EPA study, the Philip Morris tobacco company spearheaded the establishment of “The Advancement of Sound Science Coalition” (TASSC). Its goal was to raise doubts about the risks of passive smoking and climate change, and its message was to be targeted at journalists — but only those with regional newspapers. Its express goal was “to avoid cynical reporters from major media.”

Singer, Marshall Institute founder Fred Seitz and Patrick Michaels, who is now one of the best known climate change skeptics, were all advisers to TASSC.

Not Proven

The Reagan administration also appointed Singer to a task force on acid rain. In that group, Singer insisted that it was too early to take action and that it hadn’t even been proven yet that sulfur emissions were in fact the cause. He also said that some plants even benefited from acid rain.

After acid rain, Singer turned his attention to a new topic: the “ozone scare.” Once again, he applied the same argumentative pattern, noting that although it was correct that the ozone concentration in the stratosphere was declining, the effect was only local. Besides, he added, it wasn’t clear yet whether chlorofluorocarbons (CFCs) from aerosol cans were even responsible for ozone depletion.

As recently as 1994, Singer claimed that evidence “suggested that stratospheric chlorine comes mostly from natural sources.” Testifying before the US Congress in 1996, he said there was “no scientific consensus on ozone depletion or its consequences” — even though in 1995 the Nobel Prize had been awarded to three chemists who had demonstrated the influence of CFCs on the ozone layer.

The Usual Suspects

Multinational oil companies also soon adopted the tried-and-true strategies of disinformation. Once again, lobbying groups were formed that were designed to look as scientific as possible. First there was the Global Climate Coalition, and then ExxonMobil established the Global Climate Science Team. One of its members was lobbyist Myron Ebell. Another one was a veteran of the TASCC tobacco lobby who already knew the ropes. According to a 1998 Global Climate Science Team memo: “Victory will be achieved when average citizens ‘understand’ (recognize) uncertainties in climate science.”

It soon looked as though there were a broad coalition opposing the science of climate change, supported by organizations like the National Center for Policy Analysis, the Heartland Institute and the Center for Science and Public Policy. In reality, these names were often little more than a front for the same handful of questionable scientists — and Exxon funded the whole illusion to the tune of millions of dollars.

It was an excellent investment.

In 2001, the administration of then-President George W. Bush reneged on previous climate commitments. After that, the head of the US delegation to the Kyoto negotiations met with the oil lobbyists from the Global Climate Coalition to thank them for their expertise, saying that President Bush had “rejected Kyoto in part based on input from you.”

Singer’s comrade-in-arms Patrick Michaels waged a particularly sharp-tongued campaign against the phalanx of climatologists. One of his books is called: “The Satanic Gases: Clearing the Air about Global Warming.” Michaels has managed to turn doubt into a lucrative business. The German Coal Association paid him a hefty fee for a study in the 1990s, and a US electric utility once donated $100,000 to his PR firm.

Inconsistent Arguments

Both Michaels and Ebell are members of the Cooler Heads Coalition. Unlike Singer and Seitz, they are not anti-communist crusaders from the Cold War era, but smooth communicators. Ebell, a historian, argues that life was not as comfortable for human beings in the Earth’s cold phases than in the warm ones. Besides, he adds, there are many indications that we are at the beginning of a cooling period.

The professional skeptics tend to use inconsistent arguments. Sometimes they say that there is no global warming. At other times, they point out that while global warming does exist, it is not the result of human activity. Some climate change deniers even concede that man could do something about the problem, but that it isn’t really much of a problem. There is only one common theme to all of their prognoses: Do nothing. Wait. We need more research.

People like Ebell cannot simply be dismissed as cranks. He has been called to testify before Congress eight times, and he unabashedly crows about his contacts at the White House, saying: “We knew whom to call.”

Ebell faces more of an uphill battle in Europe. In his experience, he says, Europe is controlled by elites who — unlike ordinary people — happen to believe in climate change.

Einstein on a Talk Show

But Fred Singer is doing his best to change that. He has joined forces with the European Institute for Climate and Energy (EIKE). The impressive-sounding name, however, is little more than a P.O. box address in the eastern German city of Jena. The group’s president, Holger Thuss, is a local politician with the conservative Christian Democratic Union (CDU).

Hans Joachim Schellnhuber, director of the respected Potsdam Institute for Climate Impact Research and an adviser to Chancellor Merkel on climate-related issues, says he has no objection to sharing ideas with the EIKE, as long as its representatives can stick to the rules of scientific practice. But he refuses to join EIKE representatives in a political panel discussion, noting that this is precisely what the group hopes to achieve, namely to create the impression among laypeople that experts are discussing the issues on a level playing field.

Ultimately, says Schellnhuber, science has become so complicated that large segments of the population can no longer keep up. The climate skeptics, on the other hand, are satisfied with “a desire for simple truths,” Schellnhuber says.

This is precisely the secret of their success, according to Schellnhuber, and unfortunately no amount of public debate can change that. “Imagine Einstein having to defend the theory of relativity on a German TV talk show,” he says. “He wouldn’t have a snowball’s chance in hell.”

Translated from the German by Christopher Sultan.