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Antropólogo cria primeiro Centro de Medicina Indígena em Manaus (G1)

Pesquisador idealizou projeto após uma parente se curar de uma picada de cobra com tratamento que uniu saber científico e indígena. 


Indígena Manoel Lima assumir a função de “Grande Kumu”, no Amazonas (Foto: Ive Rylo/G1 AM)

Indígena Manoel Lima assumir a função de “Grande Kumu”, no Amazonas (Foto: Ive Rylo/G1 AM)

A sabedoria herdada de seus avós a longo de 85 anos fez o indígena Manoel Lima assumir a função de “Grande Kumu”, pajé do povo Tuyuka, no Amazonas. Ele é um dos indígenas que, junto com um dos membros do Colegiado Indígena, do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), criaram o Bahserikowi´i”, ou Centro de Medicina Indígena da Amazônia. O espaço abre as portas para o público em Manaus nesta terça-feira (6). O local não conta com apoio ou interferência das secretarias de saúde do governo e prefeitura.

“Não é para abandonar a indicação dos médicos [tradicionais] mas para agregar”, disse o antropólogo João Paulo Tukano que idealizou o projeto após uma parente se curar de uma picada de cobra com um tratamento que uniu saber científico e indígena.

De acordo com o idealizador do centro, o espaço busca aliar tratamento milenares utilizados nas aldeias para ajudar a pessoas doentes, indígenas ou não, sem esquecer da medicina tradicional.

“Aqui é mais uma opção de tratamento de saúde, baseado em técnica e tecnologias indígenas usadas de geração em geração”, disse Tukano.

Nesta terça-feira, o kumu Tuyuka começa a oferecer serviços. Além dele, pajés das etnias Tikuna, Satere Mawé, Baniwa, Apurinã estarão disponíveis. No local, os tratamentos são feitos de duas formas, iniciando pelo Bahsesé – uma espécie de benzimento – seguido da indicação dos medicamentos.

“O Bahsesé não é ficar rezando. O Kumu aciona princípios curativos contidos nos vegetais e nos animais. É nessa hora, quando ele fica falando, que ele invoca os princípios dentro de um elemento para ver o que pode passar para a pessoa para curar”, disse

Apoio

O prédio foi cedido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). A manutenção do local é feita pelos próprios indígenas e por amigos. A venda de artesanato e de medicamentos caseiros serão feitas no local para auxiliar na manutenção do Centro. Os atendimentos serão feitos de segunda a sexta-feira das 9h as 13h, na rua Bernardo Ramos, 97, Centro de Manaus. O valor de cada atendimento é R$ 10.

Kumu Manoel

Para ser um grande kumu da aldeia, Manoel Lima contou que foi treinado com os avós desde muito cedo, segundo conta.

“Aprendi com os meus avós, quando tinha seis anos de idade. Desde cedo fui treinado. Nós ficávamos 4 meses longe da aldeia, dentro do mato, onde não tem barulho para se dedicar só ao aprendizado da cura. Treinamos para ser grande Kumu”, disse.

Os Kumus vivem em São Gabriel da Cachoeira, nas comunidades de Taraque, Iauaritê e Paricachoeirinha. Por conta da dificuldade de acesso às aldeias e à falta de maiores investimentos na saúde, os indígenas reclamam que quase não têm acesso aos tratamentos da medicina “branca tradicional”. Por isso, as técnicas de cura herdada dos ancestrais ainda hoje são importantes e passadas de pai para filho dentro das aldeias.

Produtos feitos a base de ervas são vendidos no local, em Manaus (Foto: Iver Rylo/G1 AM)

Produtos feitos a base de ervas são vendidos no local, em Manaus (Foto: Iver Rylo/G1 AM) 

“Com essa novidade, eu estou muito feliz, é uma iniciativa inédita. Eu já oferecia os tratamentos em casa há muito tempo, não era divulgado e agora é uma coisa grande”, disse o kumu.

Ele garante que existem curas para todos os tipos de enfermidades, inclusive para o que os médicos estão chamando de “mal do século”: a ansiedade e depressão.

“Tratamos desde doenças da cabeça até problemas no útero e menstruação desregulada”, garantiu.

Motivação

A necessidade de agregar e respeitar variadas formas de tratamentos e saberes, dando visibilidade ao conhecimento indígena foi despertada em João Paulo há sete anos, quando a sobrinha dele quase teve a perna amputada.

“O médico decidiu amputar a perna dela. Meu pai disse que não precisava e poderíamos fazer [o tratamento] em conjunto, os médicos e nós indígenas. O médico não aceitou e disse ‘o senhor não estudou nenhum dia, eu estudei 8 anos’. Fiquei muito abatido, triste e nervoso. Pensei melhor e esta foi uma motivação para eu estudar e tratar ele de igual para igual. E caminhei mais para antropologia”, disse João Paulo.

O caso repercutiu, foi para a justiça, o governo entrou em cena e uma nova equipe de médicos foi formada no Hospital Universitário Getúlio Vargas. À época, No dia 15 de janeiro, Ministério Público Federal chegou a recomendar a um dos hospitais onde a menino foi levada que promovesse a articulação dos conhecimentos da medicina comum com o conhecimento e as práticas tradicionais de saúde dos índios tukano.

“Com a outra equipe pudemos dialogar. O médico quis ouvir meu pai e meu pai falou o que gostaria de fazer e eles respeitaram. Primeiro sugerimos tratamento com plantas, o médico disse que não aconselhava e listou os motivos, depois sugerimos com água mineral e foi acordado num diálogo”, disse.

O tratamento dos médicos em parceira com os pajés Tukano deu certo. A menina não teve a perna amputada e hoje, com 19 anos, tem muita história para contar. “Temos vários casos, meus parentes sofrem. Esse veio à tona porque eu briguei”, disse o antropólogo.

Além o desconhecimento da medicina tradicional aos tratamentos indígenas, a dificuldade dos povos indígenas em conseguir atendimento de saúde na capital também motivou a criação do centro.

“Um dos nossos objetivos é disponibilizar o acesso a tratamento para indígenas que estão em Manaus, porque muito reclamam da dificuldade de chegar as unidades de saúde. É muito comum acontecer do indígena não conseguir tratamento”, lamentou o antropólogo.

Centro fica em uma casa antiga no Centro de Manaus (Foto: Ive Rylo/G1 AM)

Centro fica em uma casa antiga no Centro de Manaus (Foto: Ive Rylo/G1 AM)

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Is herbalism another form of magic? (The Irish Times)

Patients less likely to be fobbed off these days with a vague promise they will get better

“Ireland has a rich ethno-medical knowledge and a history of traditional healing,” says Helen Sheridan, professor of pharmacology at Trinity College.

 GPs in Ireland used to give people a bottle of medicine. It was pink or it was blue, and if one didn’t work you tried the other one. Then, as now, most ailments got better with or without medication.

Many people in Ireland, until at least the mid 20th century, believed that their health and wellbeing, as well as that of their animals, were routinely threatened by envious and ill-intentioned neighbours, witches and fairies.

Biddy Early, the famous wise woman of Clare who is said to have died in 1874, reputedly had a magical power to cure illnesses and ailments.

Stories collected by Lady Gregory say Biddy Early had a magic bottle – in the same vein as a crystal ball – which she used to communicate with the fairies and to heal people. People came to her and told them her problems. She listened.

Along with another healer, Moll Anthony of Kildare – who was such an outcast the priest is said to refused her a Christian burial – both of these women gave out bottles containing some kind of unspecified liquid which people were told to drink. Exactly what was in these bottles, nobody is sure.

Today, the work of herbalists is subject to far more scrutiny, and their patients are less likely to be fobbed off with a vague promise they will get better. Now, they want to know what’s in the bottle.

“Ireland has a rich ethno-medical knowledge and a history of traditional healing, but it is not as culturally embedded as in other countries like France, Germany and Austria,” says Helen Sheridan, professor of pharmacology at Trinity College.

Dr Ronnie Moore, a lecturer in sociology and a lecturer in public health medicine and epidemiology at UCD, is a critic of the power of modern biomedicine and takes a different perspective.

“The herbs or minerals are all props: this is about magic and to belief systems,” he said.

“Magic?” I ask incredulously. “That’s a loaded word.”

“I like to use the word because that is exactly what is at play here,” he says. “Talk of placebo and nocebo if you want, but you’re buying into medical discourse. I introduce my students to placebo by calling it witchcraft, because it does the same thing and has the same functions.”

What’s so wrong about medical discourse? I ask. Hasn’t it greatly expanded the human lifespan, saved hundreds of millions of lives and led to massive improvements in our quality of life?

“Biomedicine tends to see the body as a machine, but to use that approach ignores psychosocial responses – of which there are many – to healing,” says Moore.

“Which has done more harm: herbs or biomedicine? [The disgraced obstetrician] Michael Neary needlessly removed 129 women’s wombs; the drug Thalidomide led to birth defects; and people have died on drug trials.”

When Moore started to write a book on the topic, he realised that his ideas would be controversial and decided that he needed to work with other academics.

But there’s increasing evidence that this “magic”, to use Moore’s term, might actually work, and it seems to be due to one of the most misunderstood concepts in modern healthcare: the placebo effect.

Helen Sheridan, associate professor at the School of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences in Trinity College Dublin and an advisor to the subcommitte on herbal medicines with the Health Products Regulatory Authority, says placebo applies to people when they may be some element of the immune system brought into play, that is controlled by the mind.

In her recent book Cure, the author Jo Marchant lays bare a catalogue of studies showing that the placebo effect is deeply complex and so much more than just a curious trick of the mind where we believe we are better.

Marchant tells of Ted Kaputchuk, who trained and worked as a traditional Chinese herbalist and acupuncturist for many years before becoming professor of medicine and professor of global health and social medicine at Harvard Medical School. While practicing as a herbalist, he watched people visibly improve before they had even left his office, but he became uncomfortable with the idea that it was the herbs at work.

Placebo effect

In a more recent experiment, Kaputchuk teamed up with his colleague, Dr Anthony Lembo, a gastroenterologist. In a trial of 80 patients with long-term irritable bowel syndrome, half were given a placebo and told it was a placebo but it might help with self-healing, and they still did better than those who got no treatment. A study of 20 women with depression showed up similar results, while a study on migraine patients found that those who knew they were taking a placebo still felt 30 per cent less pain than those receiving no treatment.

Evidence is mounting for the placebo effect. The mere belief we are being looked after, with medicine and care from nurses or loved ones, can help to ease symptoms, boost the immune system and even prevent us from getting sick in the first place.

Studies conducted by Jon Levine, a neuroscientist at the University of California in Los Angeles, have shown that our brains can release endorphins – “the happy drug” but also a natural painkiller – which is part of the opiate family of chemicals that includes heroin and morphine – when we take placebo. Our mind doesn’t just influence our health, it is inextricably linked with it.

But Marchant also shows that the placebo effect – or call it “a belief in the infinite healing power of the universe” over modern medicine, or whatever else you want to – won’t cure many illnesses, including diabetes, asthma and cancer. Nor will it lower your blood pressure. So it’s not the panacea either.

Herbalists have tended to emphasise the importance of good digestion and gut health, exposing themselves to the claim that they’re similar to reflexologists who say that different parts of the hands or feet correspond to different parts of the body and that ailments can be cured by stimulating them.

Unlike reflexologists, however, there’s at least some solid evidence to support them.

Earlier this year, researchers at University College Cork found that the microbes in our gut influence how our nerves work.

We already know that bowel disorders, the immune system and obesity are influenced by the microbiome (the 1kg+ of bacteria and other organisms living in our gut) and now there is evidence that it can influence stress, anxiety and depression.

Professor John Cryan, head of the Department of Anatomy and Neuroscience at UCC, told this newspaper’s science editor, Dick Ahlstrom, that our brains have developed with signals from the microbes all the time.

Irving Kirsch, a lecturer in medicine at Harvard University, has produced a body of research showing that the effect of pharmaceutical drugs used for depression had little more effect than placebo.

Kirsch put in a freedom of information request to the US Food and Drug Administration on clinical trials of antidepressants.

The response suggested what pharmaceutical firms had not been telling us: with the exception of severe cases, most antidepressants (such as Prozac) performed little or no better than an inert sugar pill placebo.

His research has been criticised on the basis of flaws in those trials and the difficulties in measuring improvements in depression.

But between the placebo effect and the influence of the microbiome on our body and mind, could the herbalists be onto something?

Research in the National Folklore Collection shows many herbal remedies were accompanied by some kind of ritual: usually a chant, prayer, incantation, or sometimes a symbolic rite such as passing a sick person three times around a bush or animal.

People get better, says anthropologist Dan Moerman of the University of Michigan, because of the meaning that is attached to the treatment, whether that’s from a medical doctor or a traditional herbalist.

A range of researchers suggest that how we take our pills is important and they work better if there’s a little ritual around them: take them with a prayer or meditation, before bath time or get someone else to give them to you which will help you feel more cared for.

Bethann Roche is one of the founders of the Irish Medical Anthropology Network, and her own background is in anthropology and medicine.

She has spent most of her working life as a public health doctor in Ireland and many years examining the phenomenon of faith healing. She says anthropology has a contribution to make to health – and she emphasises the word health as distinct from medicine.

Regarding magic she say: “it is helpful to look at this in total context rather than blaming health professionals for being too narrow-minded or patients for being too superstitious”.

Isn’t placebo just a polite way of saying “it’s all in your head” I ask Dr Dilis Clare, a GP and practicing herbalist based in Galway.

She laughs heartily. “And isn’t that a wonderful place to be? Your healing is all in your head. That is fantastic.”

I grimace and prevaricate. Well, I say, the implication is that you were imagining it all along.

The smile falls from her face.

“So?” she asks. “If imagination is so powerful that it can stop coals burning feet, why would it not be strong enough to either give you IBS or be a part of it?”

If you have an abnormal microbiome it produces hormones which are like small protein molecules going straight to the brain, easily absorbed across the gut barrier and blood brain barrier.

“Which came first, the illness or the imagination, the chicken of the egg? Does it matter?”

Macaco com coração de porco? Teste abre espaço para transplante com humanos (UOL)

Do UOL, em São Paulo

12/04/201606h00 

Charles Platiau/ Reuters

Um babuíno sobreviveu por dois anos e meio após ter um coração de porco transplantado em seu abdômen. Em pesquisas anteriores, primatas sobreviviam no máximo 500 dias. O recorde foi divulgado na última terça-feira (5) na revista Nature Communications e abre espaço para transplantes entre suínos e humanos no futuro.

O método utilizou uma combinação de modificação genética e drogas imunossupressoras em cinco babuínos. Os corações dos porcos não substituíam os dos primatas — que continuaram com a função de bombear o sangue, mas estavam ligados ao sistema circulatório por meio de dois grandes vasos sanguíneos no abdômen.

Muitas vezes, o sistema imunológico do receptor rejeita o coração do doador por reconhecê-lo como estranho e, portanto, uma ameaça. Na pesquisa com babuínos, os corações dos porcos foram geneticamente modificados para ter alta tolerância à resposta imune. Os cientistas norte-americanos e alemães também adicionaram uma assinatura genética humana para ajudar a prevenir a coagulação do sangue.

Apenas um dos babuínos atingiu a marca de 945 dias vivo. A média entre os cinco foi de 298 dias. A equipe pensa em estender a pesquisa para a substituição dos órgãos.

Transplantes em humanos

Os cientistas têm feito experiências com transplante de rins, coração e fígados de primatas em seres humanos desde a década de 1960. Nenhum sobreviveu por mais de alguns meses.

Por conta da proximidade genética, os primatas eram os melhores candidatos a doadores. Mas não há uma grande quantidade de macacos criados em cativeiro.

Os corações dos porcos são anatomicamente semelhantes aos corações humanos. Os suínos também crescem rápido e são amplamente domesticados.

Médicos pesquisam influência do ‘passe’ espírita para tratar a ansiedade (G1)

14/03/2015 08h00 – Atualizado em 14/03/2015 08h00

Pesquisa da Unesp estuda união entre tratamento espiritual e médico. Trabalho é realizado por médicos da Associação Espírita de Botucatu (SP).

Do G1 Bauru e Marília

Passe simples sendo aplicado pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe simples sendo aplicado pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Um grupo de oito médicos da Associação Espírita de Médicos de Botucatu (SP) se reuniu para pesquisar a influência da terapêutica energética do “passe” espírita na redução da ansiedade. A técnica, originada das práticas de cura do cristianismo primitivo, consiste basicamente na imposição de mãos sobre uma pessoa, a fim de transferir boas energias e tratar o lado espiritual de quem recebe o “passe”.

A pesquisa teve início em 2014 e está em fase de desenvolvimento na Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB). De acordo com o médico infectologista Ricardo de Souza Cavalcante, a inspiração para a pesquisa surgiu de outro grupo de médicos, de São Paulo, que iniciou um estudo sobre a eficácia de uma técnica semelhante, o Reiki, de origem japonesa.

Passistas preparados para receber grupo de pessoas para o passe conjugado (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passistas preparados iniciar sessão do passe conjugado (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

O estudo sobre o “passe” é feito com voluntários, não necessariamente espíritas ou praticantes de alguma religião, que não estejam fazendo nenhum tipo de tratamento psicológico ou psiquiátrico. “Primeiramente, nós fazemos uma avaliação médica para verificar se o voluntário tem realmente o diagnóstico de ansiedade. Se confirmado, o paciente passa a frequentar a sala de estudos uma vez por semana, durante oito semanas, para receber o ‘passe’ ”, explica Ricardo.

Ainda de acordo com o médico, antes de iniciar o tratamento, os participantes passam por um tempo de meditação e concentração. Música ambiente é utilizada para relaxar e, por 5 minutos, um terapeuta impõe as mãos sobre a cabeça, tórax e barriga do voluntário. São levados em conta, na análise, níveis de depressão, qualidade de vida e grau de espiritualidade do paciente.

Os voluntários respondem a um questionário ao final de cada sessão e, alguns deles, passam por exames de eletroencefalograma, para medir as variações das ondas cerebrais antes, durante e depois do procedimento.

Passe conjugado, com dois ou mais passistas (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe conjugado, com dois ou mais passistas (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Ciência e espiritualidade
Nas últimas décadas, muitos estudos científicos têm sido feitos a fim de demonstrar os benefícios de aliar o trabalho com a espiritualidade ao tratamento médico convencional.

“Houve uma separação histórica, mas eu acredito que essas coisas precisam caminhar juntas. O ser humano deve ser visto como um todo. Nós não somos só um amontoado de células. Temos, comprovadamente, um lado emocional, espiritual”, pontua Ricardo.

A dona de casa Silvia Helena Vieira da Silva, de 47 anos, é uma das voluntárias que participarão da pesquisa. Católica, ela acredita que as práticas espíritas podem colaborar para o bem-estar. “Nós estamos tão ansiosos, nos medicando tanto, que eu gostaria de experimentar algo que não fosse medicamento, até porque remédios atacam meu organismo. Se eu puder fugir, eu fujo”, declara Silvia, que sofre as consequências físicas da ansiedade.

“Nós que temos filhos, estamos sempre na expectativa de algo. É um convívio constante com a ansiedade. Quando ela aparece, meu intestino solta, sinto dores no estômago e na cabeça. Quero muito que esta iniciativa dê certo”, conta.

“Muitos voluntários estão participando da pesquisa. Eles precisaram demonstrar ter ansiedade e não esteja em tratamento psicológico pode participar. Nosso objetivo não é converter ninguém”, explica o médico.

Os interessados em participar da pesquisa podem obter informações pelo telefone (14) 3811- 6547.

Leopoldo, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Leopoldo Zanardi, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Passe na Dourtina Espírita
De acordo com Leopoldo Zanardi, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru (SP), o “passe” trata-se de uma assistência espiritual, denominada de fluidoterapia, e que não anula a necessidade do tratamento médico. Este nome é dado por ser uma transferência de energias. “As mãos são colocadas de 10 a 15 centímetros acima da cabeça, não há toque físico. A Federação Espírita brasileira aconselha que as mãos sejam colocadas apenas sobre a cabeça”, conta Leopoldo.

Ele explica também que, na doutrina espírita, acredita-se que além das boas energias passadas pelo passista, existe também a atuação de espíritos que identificam e agem diretamente no problema de quem está recebendo o passe, seja ele físico, emocional ou espiritual. O procedimento pode ser individual (“passe simples”) ou em grupo (“passe conjugado” – 2 ou mais passistas realizam o procedimento). Mas quanto mais pessoas estiverem juntas, melhor, de acordo com Leopoldo.

Prece feita pelo grupo mediúnico antes de dar início ao procedimento (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Prece feita pelo grupo mediúnico antes de dar início ao procedimento (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

No Centro Espírita, o passe simples pode ser tomado por qualquer um que desejar, sem a necessidade de entrevista. Mas, para aqueles que querem tratar algo específico, é necessário passar pelo atendimento, onde será identificada a necessidade de cada pessoa.

Em seguida a pessoa recebe um papel que dá direito a oito passes, que devem ser tomados uma vez por semana. Em ambos os casos, os pacientes entram em uma sala, após um período de oração do grupo mediúnico (responsável por aplicar os passes), sentam-se nas cadeiras e estendem as duas mãos para frente, como quem está para receber algo.

Os passistas, como também são chamados os membros do grupo mediúnico, impõe as mãos sobre a cabeça das pessoas, uma nova prece é anunciada e, após poucos minutos de silêncio, tudo está feito. Depois de dispensar as pessoas, os passistas fazem outra oração de agradecimento e encerram o procedimento. “É importante ressaltar que não se deve abrir mão do tratamento médico. Nós oferecemos uma assistência espiritual. Também não basta apenas ‘tomar o passe’. É necessário assistir às palestras, mudar o pensamento, buscar ser melhor a cada dia. Dominar as más inclinações e fazer caridade. Precisamos estar em constante evolução”, completa Leopoldo.

Iole Angelo Cintra fala de sua experiência com o 'passe' (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Iole Angelo Cintra fala de sua experiência com o passe espírita (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Para a dona de casa Iole Angelo Cintra, de 46 anos, tomar os “passes” trouxe melhora para problemas de insônia e dor de cabeça que, segundo ela, tinham raiz espiritual.

“Eu não dormia direito à noite. Aqui no centro descobri que eu tinha ‘desdobramento’, que é uma espécie de mediunidade que me faz sair do meu corpo. Eu me via dormindo à noite e andava pela minha casa. Quando comecei a tomar os passes, as dores de cabeça sumiram e eu pude controlar mais esse desdobramento. O efeito do passe é ótimo, mas também depende da pessoa se esforçar para ser alguém melhor”, contou Iole.

Aplicação do passe simples pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Aplicação do passe simples pelo grupo mediúnico (Foto: Isabela Ribeiro/ G1)

Médicos que ‘ressuscitam mortos’ querem testar técnica em humanos (BBC)

Técnica para estender vidas por algumas horas nunca foi testada em humanos

“Quando seu corpo está com temperatura de 10 graus, sem atividade cerebral, batimento cardíaco e sangue – é um consenso que você está morto”, diz o professor Peter Rhee, da universidade do Arizona. “Mas ainda assim, nós conseguimos trazer você de volta.”

Rhee não está exagerando. Com Samuel Tisherman, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, ele comprovou que é possível manter o corpo em estado “suspenso” por horas.

O procedimento já foi testado com animais e é o mais radical possível. Envolve retirar todo o sangue do corpo e esfriá-lo até 20 graus abaixo da sua temperatura normal.

Quando o problema no corpo do paciente é resolvido, o sangue volta a ser bombeado, reaquecendo lentamente o sistema. Quando a temperatura do sangue chega a 30 graus, o coração volta a bater.

Os animais submetidos a esse teste tiveram poucos efeitos colaterais ao despertar. “Eles ficam um pouco grogue por um tempo, mas no dia seguinte já estão bem”, diz Tisherman.

Testes com humanos

Tisherman causou um frisson internacional este ano quando anunciou que está pronto para fazer testes com humanos. As primeiras cobaias seriam vítimas de armas de fogo em Pittsburgh, na Pensilvânia.

Nesse caso, são pacientes cujos corações já pararam de bater e que não teriam mais chances de sobreviver, pelas técnicas convencionais. O médico americano teme que, por conta de manchetes imprecisas na imprensa, tenha-se criado uma ideia equivocada da sua pesquisa

Peter Rhee ajudou a criar técnica inovadora que envolve retirar o sangue do paciente

“Quando as pessoas pensam no assunto, elas pensam em viajantes espaciais sendo congelados e acordados em Júpiter, ou no [personagem] Han Solo, de Guerra nas Estrelas”, diz Tisherman.

“Isso não ajuda, porque é importante que as pessoas saibam que não se trata de ficção científica.”

Os esforços para trazer as pessoas de volta do que se acredita ser a morte já existem há décadas. Tisherman começou seus estudos com Peter Safar, que nos anos 1960 criou a técnica pioneira de reanimação cardiorrespiratória. Com uma massagem cardíaca, é possível manter o coração artificialmente ativo por um tempo.

“Sempre fomos criados para acreditar que a morte é um momento absoluto, e que quando morremos não tem mais volta”, diz Sam Parnia, da Universidade Estadual de Nova York.

“Com a descoberta básica da reanimação cardiorrespiratória nós passamos a entender que as células do corpo demoram horas para atingir uma morte irreversível. Mesmo depois que você já virou um cadáver, ainda existe como resgatá-lo.”

Recentemente, um homem de 40 anos no Texas sobreviveu por três horas e meia com a reanimação cardiorrespiratória.

Segundo os médicos de plantão, “todo mundo com dois braços foi chamado para se revezar fazendo as compressões no peito do paciente”.

Durante a massagem, ele continuava consciente e conversando com os médicos, mas caso o procedimento fosse interrompido, ele morreria. Eventualmente ele se recuperou e acabou sobrevivendo.

Esse caso de rescucitação ao longo de um grande período só funcionou porque não havia uma grande lesão no corpo do paciente. Mas isso é raro.

‘Limbo’

A técnica desenvolvida agora por Tisherman é baseada na ideia de que baixas temperaturas mantêm o corpo vivo por mais tempo – cerca de uma ou duas horas.

O sangue é retirado e no seu lugar é colocada uma solução salina que ajuda a rebaixar a temperatura do corpo para algo como 10 a 15 graus Celsius.

Em experiência com porcos, cerca de 90% deles se recuperaram quando o sangue foi bombeado de volta. Cada animal passou mais de uma hora no “limbo”.

Técnica de massagem cardíaca já ajuda a estender a vida de pessoas com paradas

“É uma das coisas mais incríveis de se observar: quando o coração começa a bater de novo”, diz Rhee.

Após a operação, foram realizados vários testes para avaliar se houve dano cerebral. Aparentemente nenhum porco apresentou problemas.

O desafio de obter permissão para testar em humanos tem sido enorme até agora. Tisherman e Rhee finalmente receberam permissão para testar sua técnica com vítimas de tiros em Pittsburgh.

Um dos problemas a ser contornado é ver como os pacientes se adaptam com o sangue de outra pessoa. Os porcos receberam o próprio sangue congelado, mas no caso dos humanos será necessário usar o estoque do banco de sangues.

Se der certo, os médicos acreditam que a técnica poderia ser aplicada não só vítimas de lesões, como tiros e facadas, mas em pessoas com ataque cardíaco.

A pesquisa também está levando a outros estudos sobre qual seria a melhor solução química para reduzir o metabolismo do corpo humano.

Leia a versão desta reportagem original em inglês no site BBC Future.

Can Big Data Tell Us What Clinical Trials Don’t? (New York Times)

CreditIllustration by Christopher Brand

When a helicopter rushed a 13-year-old girl showing symptoms suggestive of kidney failure to Stanford’s Packard Children’s Hospital, Jennifer Frankovich was the rheumatologist on call. She and a team of other doctors quickly diagnosed lupus, an autoimmune disease. But as they hurried to treat the girl, Frankovich thought that something about the patient’s particular combination of lupus symptoms — kidney problems, inflamed pancreas and blood vessels — rang a bell. In the past, she’d seen lupus patients with these symptoms develop life-threatening blood clots. Her colleagues in other specialties didn’t think there was cause to give the girl anti-clotting drugs, so Frankovich deferred to them. But she retained her suspicions. “I could not forget these cases,” she says.

Back in her office, she found that the scientific literature had no studies on patients like this to guide her. So she did something unusual: She searched a database of all the lupus patients the hospital had seen over the previous five years, singling out those whose symptoms matched her patient’s, and ran an analysis to see whether they had developed blood clots. “I did some very simple statistics and brought the data to everybody that I had met with that morning,” she says. The change in attitude was striking. “It was very clear, based on the database, that she could be at an increased risk for a clot.”

The girl was given the drug, and she did not develop a clot. “At the end of the day, we don’t know whether it was the right decision,” says Chris Longhurst, a pediatrician and the chief medical information officer at Stanford Children’s Health, who is a colleague of Frankovich’s. But they felt that it was the best they could do with the limited information they had.

A large, costly and time-consuming clinical trial with proper controls might someday prove Frankovich’s hypothesis correct. But large, costly and time-consuming clinical trials are rarely carried out for uncommon complications of this sort. In the absence of such focused research, doctors and scientists are increasingly dipping into enormous troves of data that already exist — namely the aggregated medical records of thousands or even millions of patients to uncover patterns that might help steer care.

The Tatonetti Laboratory at Columbia University is a nexus in this search for signal in the noise. There, Nicholas Tatonetti, an assistant professor of biomedical informatics — an interdisciplinary field that combines computer science and medicine — develops algorithms to trawl medical databases and turn up correlations. For his doctoral thesis, he mined the F.D.A.’s records of adverse drug reactions to identify pairs of medications that seemed to cause problems when taken together. He found an interaction between two very commonly prescribed drugs: The antidepressant paroxetine (marketed as Paxil) and the cholesterol-lowering medication pravastatin were connected to higher blood-sugar levels. Taken individually, the drugs didn’t affect glucose levels. But taken together, the side-effect was impossible to ignore. “Nobody had ever thought to look for it,” Tatonetti says, “and so nobody had ever found it.”

The potential for this practice extends far beyond drug interactions. In the past, researchers noticed that being born in certain months or seasons appears to be linked to a higher risk of some diseases. In the Northern Hemisphere, people with multiple sclerosis tend to be born in the spring, while in the Southern Hemisphere they tend to be born in November; people with schizophrenia tend to have been born during the winter. There are numerous correlations like this, and the reasons for them are still foggy — a problem Tatonetti and a graduate assistant, Mary Boland, hope to solve by parsing the data on a vast array of outside factors. Tatonetti describes it as a quest to figure out “how these diseases could be dependent on birth month in a way that’s not just astrology.” Other researchers think data-mining might also be particularly beneficial for cancer patients, because so few types of cancer are represented in clinical trials.

As with so much network-enabled data-tinkering, this research is freighted with serious privacy concerns. If these analyses are considered part of treatment, hospitals may allow them on the grounds of doing what is best for a patient. But if they are considered medical research, then everyone whose records are being used must give permission. In practice, the distinction can be fuzzy and often depends on the culture of the institution. After Frankovich wrote about her experience in The New England Journal of Medicine in 2011, her hospital warned her not to conduct such analyses again until a proper framework for using patient information was in place.

In the lab, ensuring that the data-mining conclusions hold water can also be tricky. By definition, a medical-records database contains information only on sick people who sought help, so it is inherently incomplete. Also, they lack the controls of a clinical study and are full of other confounding factors that might trip up unwary researchers. Daniel Rubin, a professor of bioinformatics at Stanford, also warns that there have been no studies of data-driven medicine to determine whether it leads to positive outcomes more often than not. Because historical evidence is of “inferior quality,” he says, it has the potential to lead care astray.

Yet despite the pitfalls, developing a “learning health system” — one that can incorporate lessons from its own activities in real time — remains tantalizing to researchers. Stefan Thurner, a professor of complexity studies at the Medical University of Vienna, and his researcher, Peter Klimek, are working with a database of millions of people’s health-insurance claims, building networks of relationships among diseases. As they fill in the network with known connections and new ones mined from the data, Thurner and Klimek hope to be able to predict the health of individuals or of a population over time. On the clinical side, Longhurst has been advocating for a button in electronic medical-record software that would allow doctors to run automated searches for patients like theirs when no other sources of information are available.

With time, and with some crucial refinements, this kind of medicine may eventually become mainstream. Frankovich recalls a conversation with an older colleague. “She told me, ‘Research this decade benefits the next decade,’ ” Frankovich says. “That was how it was. But I feel like it doesn’t have to be that way anymore.”

Nova partícula injetável de oxigênio acende a possibilidade de viver sem respirar (O Globo)

JC e-mail 4929, de 08 de abril de 2014

Após a injeção na corrente sanguínea, cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue e fornecem o oxigênio

Um grupo de cientistas desenvolveu uma série de micropartículas cheias de oxigênio que podem ser injetadas na corrente sanguínea e manter as pessoas vivas, mesmo quando as entradas dos pulmões estão obstruídas. Tratam-se de minúsculas cápsulas (de 2 a 4 micrômetros) feitos com uma única camada de lipídio em torno de uma pequena bolha de gás oxigênio. A cápsula é suspensa em um líquido para que as bolhas não fiquem maiores (o que as tornaria mortais). A novidade foi divulgada pelo blog científico “from quarks to quasars” e publicada na revista científica “Pubmed”.

Após a injeção na corrente sanguínea, as cápsulas colidem com as células vermelhas do sangue, que fornecerão o oxigênio para as células. Em testes anteriores, cerca de 70% do gás injetado fez com sucesso seu caminho para a corrente sanguínea. Este método de injeção foi tão bem sucedido que os cientistas conseguiram manter vivos coelhos com a traqueia bloqueada por quinze minutos.

A novidade levanta a seguinte dúvida a ser respondida após testes seguintes: será que podemos manter um fluxo constante de respiração mesmo debaixo da água, podendo viver lá para sempre?

http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/nova-particula-injetavel-de-oxigenio-acende-possibilidade-de-viver-sem-respirar-12115505#ixzz2yJ62v0VK

Cientistas criticam esqueleto-robô a ser exibido na Copa (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4896, de 17 de fevereiro de 2014

Interface não teria informação cerebral suficiente para fazer deficiente controlar estrutura que o permita andar

Pesquisadores que estudam a transmissão de informação do cérebro para os músculos estão questionando a promessa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que anunciou que fará um jovem com lesão de medula espinhal dar o pontapé inicial da Copa do Mundo.

Em uma ilustração promocional do programa “Andar de Novo”, liderado por Nicolelis, uma mulher vestindo uma armadura robótica aparece levantando-se de uma cadeira de rodas, caminhando até a bola e chutando-a.

home_noticias_2013_05Um cientista que chegou a trabalhar com Nicolelis no IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal), porém, diz que essa cena, caso se concretize, é mais bem descrita como um robô controlando os movimentos de uma pessoa do que o inverso.

“Essa demonstração é prematura e, na melhor das hipóteses, será só uma propaganda daquilo que ele espera que aconteça um dia”, diz Edward Tehovnik, americano que deixou o IINN após uma cisão interna em 2011.

Hoje professor na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), ele diz que Nicolelis ainda não publicou estudos suficientes para mostrar que sua técnica está pronta para reabilitar pessoas com problemas neuromotores. “Eu não digo que isso jamais acontecerá, mas a esta altura é prematuro”, diz.

BITS POR SEGUNDO
Segundo artigos publicados recentemente por Tehovnik, nenhum grupo de pesquisa consegue ainda extrair uma quantidade de informação no cérebro com velocidade suficiente para controlar movimentos complexos.

Segundo o pesquisador, com uma taxa menor de “bits” de informação por segundo, uma interface que conecte um cérebro a uma máquina já é capaz de tarefas simples, como ligar/desligar um aparelho, mas não conseguiria controlar uma perna eletromecânica com precisão.

“Não dá para obter nada que se pareça com um ser humano andando na rua”, diz Tehovnik. Segundo o cientista, o campo de pesquisa das interfaces cérebro-máquina foi “corrompido” pela oferta de dinheiro para os grupos de pesquisa, que hoje estariam mais preocupados em levantar verbas do que em solucionar problemas científicos que ainda se apresentam como barreiras à sua evolução.

Para ele, demonstrações públicas de uma tecnologia tão incipiente alimentam falsas expectativas em pessoas paralíticas. “Acho que isso deveria estar restrito ao laboratório nesse ponto”, diz. Tehovnik explica pormenores técnicos de sua argumentação em um artigo de opinião na revista “Mente&Cérebro”.

Outros cientistas que trabalham na linha de pesquisa de Tehovnik são menos contundentes na crítica a Nicolelis, mas também veem um excesso de entusiasmo.

Michael Graziano, da Universidade de Princeton, diz ver excesso de ênfase na engenharia dos projetos, em detrimento das questões de ciência básica. “Dizer que dentro de dez anos resolveremos esses problemas soa muito implausível para mim.”

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/152230-cientistas-criticam-esqueleto-robo-a-ser-exibido-na-copa.shtml

Nos últimos 150 anos, já tentaram de tudo para a ‘cura gay’, diz livro (Folha de S.Paulo)

14/05/2013 – 16h32

da Livraria da Folha

A tentativa de transformar homossexuais em héteros usando métodos “científicos” já tem mais de 150 anos. A medicina, segundo os pesquisadores James Naylor Green e Ronaldo Polito, já tentou de tudo para “curá-los”.

“Confinamento, choques elétricos, medicação pesada, tratamento psicológico ou psiquiátrico, psicanálise individual, de grupo e familiar, camisa de força, transplante de testículos, eis aí algumas das “técnicas” de intervenção no corpo e na mente dos homens que preferem se relacionar afetiva e sexualmente com outros homens”, contam em “Frescos Trópicos”.

O título faz parte da coleção “Baú de Histórias”, coordenada pela historiadora Mary Del Priore, autora “Histórias Íntimas”“Ancestrais: Uma Introdução à História da África Atlântica”“A Família no Brasil Colonial”“500 Anos Brasil: Histórias e Reflexões“Festas e Utopias no Brasil Colonial” e“Matar para Não Morrer” e do recém-lançado “O Castelo de Papel”.

No livro, os autores examinam o período entre as décadas de 1870 e 1980, fundamentados em informações publicadas nessa época. Abaixo, leia trecho de “Frescos Trópicos”.

 

Acompanha o surgimento lento de uma consciência sobre a homossexualidade “Pode-se dizer que a medicina, nos últimos 150 anos, já tentou ou propôs de tudo para a “cura” dos homossexuais. Confinamento, choques elétricos, medicação pesada, tratamento psicológico ou psiquiátrico, psicanálise individual, de grupo e familiar, camisa de força, transplante de testículos, eis aí algumas das “técnicas” de intervenção no corpo e na mente dos homens que preferem se relacionar afetiva e sexualmente com outros homens.

Entre inúmeros exemplos do passado, citemos Pires de Almeira, em “Homossexualismo”, de 1906, que propõe um tratamento específico para os invertidos. Mas, primeiro, vamos entender o que ele chama de “invertido”: “é aquele que, de nascença, é já invertivo, e que, em toda a associação sexual, representa o papel de macho: é, pois, um macho mais macho, se se trata de um homem”. “Invertidos”, portanto, nascem homossexuais, diferentemente dos “pervertidos” que, segundo o autor, “depois de terem sido já sexuais normais, se tornaram invertidos por qualquer motivo”.

Para Pires de Almeida, o tratamento dos “pervertidos” é somente um pouco mais simples do que dos “invertidos”. Para estes ele recomenda, entre outros procedimentos:

“O invertido deveria ser acompanhado desde a infância, vigiado por uma espécie de tutor que, à feição de um aparelho ortopédico moral, fosse-lhe obstáculo ao desvio, trabalhando pertinentemente para que a consolidação se efetue em absoluto. (…)

Antes de tudo, devemos lembrar que tais desregramentos são puramente moléstias mentais; e, por isso, aconselharei, quando não tenhamos acompanhando o indivíduo desde a infância, e hajamos iniciado o tratamento em idade tardia, medicá-lo pela estética sugestiva; isto é, por meio do magnetismo e da sugestão combinados: bem orientar-lhe o espírito, dirigindo sua atenção para a beleza das formas femininas, cercá-lo de modelos célebres em pintura, na estatuária principalmente, e obrigá-lo à leitura de obras românticas em que tais belezas despertem as paixões tumultuosas. Facilitar-se-lhe-á o encontro com mulheres plasticamente sensuais, fáceis às carícias, graciosas, faceiras; não se hesitará até diante de certos subterfúrgios a princípio, tal como, por exemplo, o de provocar o coito do invertido com mulheres vestidas de homem; ou mesmo obrigá-lo a pernoitar com mulheres completamente nuas, ainda que não as goze.

Se, porém, existe, da parte do doente, repulsão invencível para as sociedades ambíguas, recorrer-se-á à convivência em outro meio: mulheres atraentes, sim, porém puras, puríssimas, virtuosas: o seio perfumado das famílias.”

“Frescos Trópicos”
Autores: Ronald Polito, James Naylor Green
Editora: José Olympio
Páginas: 196
Quanto: R$ 23,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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Mathematical Models Out-Perform Doctors in Predicting Cancer Patients’ Responses to Treatment (Science Daily)

Apr. 19, 2013 — Mathematical prediction models are better than doctors at predicting the outcomes and responses of lung cancer patients to treatment, according to new research presented today (Saturday) at the 2nd Forum of the European Society for Radiotherapy and Oncology (ESTRO).

These differences apply even after the doctor has seen the patient, which can provide extra information, and knows what the treatment plan and radiation dose will be.

“The number of treatment options available for lung cancer patients are increasing, as well as the amount of information available to the individual patient. It is evident that this will complicate the task of the doctor in the future,” said the presenter, Dr Cary Oberije, a postdoctoral researcher at the MAASTRO Clinic, Maastricht University Medical Center, Maastricht, The Netherlands. “If models based on patient, tumour and treatment characteristics already out-perform the doctors, then it is unethical to make treatment decisions based solely on the doctors’ opinions. We believe models should be implemented in clinical practice to guide decisions.”

Dr Oberije and her colleagues in The Netherlands used mathematical prediction models that had already been tested and published. The models use information from previous patients to create a statistical formula that can be used to predict the probability of outcome and responses to treatment using radiotherapy with or without chemotherapy for future patients.

Having obtained predictions from the mathematical models, the researchers asked experienced radiation oncologists to predict the likelihood of lung cancer patients surviving for two years, or suffering from shortness of breath (dyspnea) and difficulty swallowing (dysphagia) at two points in time:

1) after they had seen the patient for the first time, and

2) after the treatment plan was made. At the first time point, the doctors predicted two-year survival for 121 patients, dyspnea for 139 and dysphagia for 146 patients.

At the second time point, predictions were only available for 35, 39 and 41 patients respectively.

For all three predictions and at both time points, the mathematical models substantially outperformed the doctors’ predictions, with the doctors’ predictions being little better than those expected by chance.

The researchers plotted the results on a special graph [1] on which the area below the plotted line is used for measuring the accuracy of predictions; 1 represents a perfect prediction, while 0.5 represents predictions that were right in 50% of cases, i.e. the same as chance. They found that the model predictions at the first time point were 0.71 for two-year survival, 0.76 for dyspnea and 0.72 for dysphagia. In contrast, the doctors’ predictions were 0.56, 0.59 and 0.52 respectively.

The models had a better positive predictive value (PPV) — a measure of the proportion of patients who were correctly assessed as being at risk of dying within two years or suffering from dyspnea and dysphagia — than the doctors. The negative predictive value (NPV) — a measure of the proportion of patients that would not die within two years or suffer from dyspnea and dysphagia — was comparable between the models and the doctors.

“This indicates that the models were better at identifying high risk patients that have a very low chance of surviving or a very high chance of developing severe dyspnea or dysphagia,” said Dr Oberije.

The researchers say that it is important that further research is carried out into how prediction models can be integrated into standard clinical care. In addition, further improvement of the models by incorporating all the latest advances in areas such as genetics, imaging and other factors, is important. This will make it possible to tailor treatment to the individual patient’s biological make-up and tumour type

“In our opinion, individualised treatment can only succeed if prediction models are used in clinical practice. We have shown that current models already outperform doctors. Therefore, this study can be used as a strong argument in favour of using prediction models and changing current clinical practice,” said Dr Oberije.

“Correct prediction of outcomes is important for several reasons,” she continued. “First, it offers the possibility to discuss treatment options with patients. If survival chances are very low, some patients might opt for a less aggressive treatment with fewer side-effects and better quality of life. Second, it could be used to assess which patients are eligible for a specific clinical trial. Third, correct predictions make it possible to improve and optimise the treatment. Currently, treatment guidelines are applied to the whole lung cancer population, but we know that some patients are cured while others are not and some patients suffer from severe side-effects while others don’t. We know that there are many factors that play a role in the prognosis of patients and prediction models can combine them all.”

At present, prediction models are not used as widely as they could be by doctors. Dr Oberije says there are a number of reasons: some models lack clinical credibility; others have not yet been tested; the models need to be available and easy to use by doctors; and many doctors still think that seeing a patient gives them information that cannot be captured in a model. “Our study shows that it is very unlikely that a doctor can outperform a model,” she concluded.

President of ESTRO, Professor Vincenzo Valentini, a radiation oncologist at the Policlinico Universitario A. Gemelli, Rome, Italy, commented: “The booming growth of biological, imaging and clinical information will challenge the decision capacity of every oncologist. The understanding of the knowledge management sciences is becoming a priority for radiation oncologists in order for them to tailor their choices to cure and care for individual patients.”

[1] For the mathematicians among you, the graph is known as an Area Under the Curve (AUC) of the Receiver Operating Characteristic (ROC).

[2] This work was partially funded by grants from the Dutch Cancer Society (KWF), the European Fund for Regional Development (INTERREG/EFRO), and the Center for Translational Molecular Medicine (CTMM).

Treating Disease by the Numbers (Science Daily)

Sep. 20, 2012 — Mathematical modeling being tested by researchers at the School of Science at Indiana University-Purdue University Indianapolis (IUPUI) and the IU School of Medicine has the potential to impact the knowledge and treatment of several diseases that continue to challenge scientists across the world.

Mathematical modeling allows researchers to closely mirror patient data, which is helpful in determining the cause and effect of certain risk factors. (Credit: Image courtesy of Indiana University-Purdue University Indianapolis School of Science)

The National Science Foundation recently recognized the work led by Drs. Giovanna Guidoboni, associate professor of mathematics in the School of Science, and Alon Harris, professor of ophthalmology and director of clinical research at the Eugene and Marilyn Glick Eye Institute, for its new approach to understanding what actually causes debilitating diseases like glaucoma. Their research could translate to more efficient treatments for diseases like diabetes and hypertension as well.

Glaucoma is the second-leading cause of blindness in the world, yet the only primary form of treatment is to reduce pressure in the patient’s eye. However, as many as one-third of the glaucoma patients have no elevated eye pressure, and the current inability to better understand what risk factors led to the disease can hinder treatment options.

Mathematical modeling, which creates an abstract model using mathematical language to describe the behavior of a system, allows doctors to better measure things like blood flow and oxygen levels in fine detail in the eye, the easiest human organ to study without invasive procedures. Models also can be used to estimate what cannot be measured directly, such as the pressure in the ocular vessels.

Through simulations, the mathematical model can help doctors determine the cause and effect of reduced blood flow, cell death and ocular pressure and how those risk factors affect one another in the presence of glaucoma. A better understanding of these factors — and the ability to accurately measure their interaction — could greatly improve doctors’ ability to treat the root causes of disease, Harris said.

“This is a unique, fresh approach to research and treatment,” Harris said. “We’re talking about the ability to identify tailor-made treatments for individual patients for diseases that are multi-factorial and where it’s difficult to isolate the path and physicality of the disease.”

Harris and Guidoboni have worked together for the past 18 months on the project. Dr. Julia Arciero, assistant professor of mathematical sciences at IUPUI, is a principle investigator on the project as well with expertise in mathematical modeling of blood flow.

The preliminary findings have been published in the British Journal of Ophthalmology and the research currently is under review in the Journal of Mathematical Biosciences and Engineering and the European Journal of Ophthalmology. The NSF recognized their work on Aug. 30 with a three-year grant to continue their research.

The pair also presented their findings at the 2012 annual meeting of the Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO). Harris suggested that, out of the 12,000 ARVO participants, their group might have been the only research group to include mathematicians, which speaks highly of the cross-disciplinary collaboration occurring regularly at IUPUI.

“We approached this as a pure math question, where you try to solve a certain problem with the data you have,” said Guidoboni, co-director of the School of Science Institute for Mathematical Modeling and Computational Science (iM2CS) at IUPUI, a research center dedicated to using modeling methods to solve problems in medicine, the environment and computer science.

Guidoboni has expertise in applied mathematics. She also has a background in engineering, which she said helps her to approach medical research from a tactical standpoint where the data and feedback determine the model. She previously used modeling to better understand blood flow from the heart.

Harris said the potential impact has created quite a stir in the ocular research community.

“The response among our peers has been unheard of. The scientific community has been accepting of this new method and they are embracing it,” Harris added.

The group will seek additional research funding through the National Institute of Health, The Glaucoma Foundation and other medical entities that might benefit from the research. The initial success of their collaboration should lead to more cross-disciplinary projects in the future, Guidoboni said.

Also contributing are graduate students in mathematics, Lucia Carichino and Simone Cassani, and researchers in the department of ophthalmology, including Drs. Brent Siesky, Annahita Amireskandari and Leslie Tobe.

Should Physicians Prescribe Cognitive Enhancers to Healthy Individuals? (Science Daily)

Dec. 17, 2012 — Physicians should not prescribe cognitive enhancers to healthy individuals, states a report being published today in the Canadian Medical Association Journal (CMAJ)Dr. Eric Racine and his research team at the IRCM, the study’s authors, provide their recommendation based on the professional integrity of physicians, the drugs’ uncertain benefits and harms, and limited health care resources.

Prescription stimulants and other neuropharmaceuticals, generally prescribed to treat attention deficit disorder (ADD), are often used by healthy people to enhance concentration, memory, alertness and mood, a phenomenon described as cognitive enhancement.

“Individuals take prescription stimulants to perform better in school or at work,” says Dr. Racine, a Montréal neuroethics specialist and Director of the Neuroethics research unit at the IRCM. “However, because these drugs are available in Canada by prescription only, people must request them from their doctors. Physicians are thus important stakeholders in this debate, given the risks and regulations of prescription drugs and the potential for requests from patients for such cognitive enhancers.”

The prevalence of cognitive enhancers used by students on university campuses ranges from 1 per cent to 11 per cent. Taking such stimulants is associated with risks of dependence, cardiovascular problems, and psychosis.

“Current evidence has not shown that the desired benefits of enhanced mental performance are achieved with these substances,” explainsCynthia Forlini, first author of the study and doctoral student in Dr. Racine’s research unit. “With uncertain benefits and clear harms, it is difficult to support the notion that physicians should prescribe a medication to a healthy individual for enhancement purposes.”

“Physicians in Canada provide prescriptions through a publicly-funded health care system with expanding demands for care,” adds Ms. Forlini. “Prescribing cognitive enhancers may therefore not be an appropriate use of resources. The concern is that those who need the medication for health reasons but cannot afford it will be at a disadvantage.”

“An international bioethics discussion has surfaced on the ethics of cognitive enhancement and the role of physicians in prescribing stimulants to healthy people,” concludes Dr. Racine. “We hope that our analysis prompts reflection in the Canadian medical community about these cognitive enhancers.”

Éric Racine’s research is funded through a New Investigator Award from the Canadian Institutes for Health Research (CIHR). The report’s co-author is Dr. Serge Gauthier from the McGill Centre for Studies in Aging.

Journal Reference:

  1. Cynthia Forlini, Serge Gauthier, and Eric Racine. Should physicians prescribe cognitive enhancers to healthy individuals? Canadian Medical Association Journal, 2012; DOI: 10.1503/cmaj.121508

Dogs Can Accurately Sniff out ‘Superbug’ Infections (Science Daily)

A new study finds that dogs can sniff out Clostridium difficile (the infective agent that is responsible for many of the dreaded “hospital acquired infections”) in stool samples and even in the air surrounding patients in hospital with a very high degree of accuracy. (Credit: © CallallooAlexis / Fotolia)

Dec. 13, 2012 — Dogs can sniff out Clostridium difficile (the infective agent that is responsible for many of the dreaded “hospital acquired infections”) in stool samples and even in the air surrounding patients in hospital with a very high degree of accuracy, finds a study in the Christmas issue published on bmj.com today.

The findings support previous studies of dogs detecting various types of cancer and could have great potential for screening hospital wards to help prevent C. difficile outbreaks, say the researchers.

C. difficile infection most commonly occurs in older people who have recently had a course of antibiotics in hospital, but it can also start in the community, especially in care homes. Symptoms can range from mild diarrhoea to a life-threatening inflammation of the bowel.

Early detection is vital to prevent transmission, but diagnostic tests can be expensive and slow, which can delay treatment for up to a week.

Diarrhoea due to C. difficile has a specific smell, and dogs have a superior sense of smell compared with humans. This prompted researchers in the Netherlands to investigate whether a dog could be trained to detect C. difficile.

A two-year old male beagle (called Cliff) was trained by a professional instructor to identify C. difficile in stool samples and in patients with C. difficile infection. He was taught to indicate the presence of the specific scent by sitting or lying down.

The dog had not been trained for detection purposes before.

After two months of training, the dog’s detection abilities were formally tested on 50 C. difficile positive and 50 C. difficilenegative stool samples. He correctly identified all 50 positive samples and 47 out of 50 negative samples.

This equates to 100% sensitivity and 94% specificity (sensitivity measures the proportion of positives correctly identified, while specificity measures the proportion of negatives correctly identified).

The dog was then taken onto two hospital wards to test his detection abilities in patients. He correctly identified 25 out of 30 cases (sensitivity 83%) and 265 out of 270 negative controls (specificity 98%).

The researchers add that the dog was quick and efficient, screening a complete hospital ward for the presence of patients with C. difficile infection in less than 10 minutes.

They point to some study limitations, such as the unpredictability of using an animal as a diagnostic tool and the potential for spreading infections via the dog, and say some unanswered questions remain.

However, they say their study demonstrates that a detection dog can be trained to identify C. difficile infection with a high degree of accuracy, both in stool samples and in hospitalised patients. “This could have great potential for C. difficileinfection screening in healthcare facilities and thus contribute to C. difficile infection outbreak control and prevention,” they conclude.

Journal Reference:

  1. M. K. Bomers, M. A. van Agtmael, H. Luik, M. C. van Veen, C. M. J. E. Vandenbroucke-Grauls, Y. M. Smulders. Using a dog’s superior olfactory sensitivity to identify Clostridium difficile in stools and patients: proof of principle studyBMJ, 2012; 345 (dec13 8): e7396 DOI:10.1136/bmj.e7396

Legislated to Health? If People Don’t Take Their Health Into Their Own Hands, Governments May Use Policies to Do It for Them (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 31, 2012) — Obesity rates in North America are a growing concern for legislators. Expanded waistlines mean rising health-care costs for maladies such as diabetes, heart disease and some cancers. One University of Alberta researcher says that if people do not take measures to get healthy, they may find that governments will throw their weight into administrative measures designed to help us trim the fat.

Nola Ries of the Faculty of Law’s Health Law and Science Policy Group has recently published several articles exploring potential policy measures that could be used to promote healthier behaviour. From the possibility of zoning restrictions on new fast-food outlet locations, mandatory menu labels, placing levies on items such as chips and pop or offering cash incentives for leading a more healthy and active lifestyle, she says governments at all levels are looking to adopt measures that will help combat both rising health-care costs and declining fitness levels. But she cautions that finding a solution to such a widespread, complex problem will require a multi-layered approach.

“Since eating and physical activity behaviour are complex and influenced by many factors, a single policy measure on its own is not going to be the magic bullet,” said Ries. “Measures at multiple levels — directed at the food and beverage industry, at individuals, at those who educate and those who restrict — must work together to be effective.”

Junk-food tax: A lighter wallet equals a lighter you?

Ries notes that several countries have already adopted tax measures against snack foods and beverages, similar to “sin taxes” placed on alcohol and tobacco. Although Canada has imposed its GST on various sugary and starchy snacks (no tax is charged on basic groceries such as meats, vegetables and fruits), Ries points to other countries such as France and Romania, where the tax rate is much higher. She says taxing products such as sugar-sweetened beverages would likely not only reduce consumption (and curb some weight gain) if the tax is high enough, but also provide a revenue stream to combat the problem on other levels.

“Price increases through taxation do help discourage consumption of ‘sin’ products, especially for younger and lower-income consumers,” said Ries. “Such taxes would provide a source of government revenue that could be directed to other programs to promote healthier lifestyles.”

Warning: This menu label may make you eat healthier

Ries notes that prevailing thought says putting nutrition-value information where consumers can see it will enable them to make better food choices. She says many locales in the United States have already implemented mandatory menu labelling. Even though some studies say menu labels do not have a significant impact on consumer behaviour, nutrition details might help some people make more informed eating choices.

“Providing information is less coercive than taxation and outright bans, so governments should provide information along with any other more restrictive measure,” said Ries. “If a more coercive policy is being implemented, it’s important for citizens to understand the rationale for it.”

Coaxing our way to good health?

Ries notes that some programs designed to create more active citizens, such as the child fitness tax credit, do not seem to have the desired effect. Yet, she says that offering incentives for living healthier and exercising more may have a greater impact on getting people active. She points to similar programs used for weight loss and smoking cessation, which had a positive effect on behaviour change, at least in the short term. More work needs to be done to establish an enticement plan with longer-term effects, one that may incorporate points accumulated for healthy types of behaviour that could be redeemed for health- and fitness-related products and services. She says investing money into more direct incentive programs may be more effective than messages that simply give general advice about healthy lifestyles.

“Instead of spending more money on educational initiatives to tell people what they already know — like eat your greens and get some exercise — I suggest it’s better to focus on targeted programs that help people make and sustain behaviour change,” said Ries. “Financial incentive programs are one option; the question there is how best to target such programs and to design them to support long-term healthy behaviour.”

Doctors Often Don’t Disclose All Possible Risks to Patients Before Treatment (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 7, 2012) — Most informed consent disputes involve disagreements about who said what and when, not stand-offs over whether a particular risk ought to have been disclosed. But doctors may “routinely underestimate the importance of a small set of risks that vex patients” according to international experts writing in this week’s PLoS Medicine.

Increasingly, doctors are expected to advise and empower patients to make rational choices by sharing information that may affect treatment decisions, including risks of adverse outcomes. However, authors from Australia and the US led by David Studdert from the University of Melbourne argue that doctors, especially surgeons, are often unsure which clinical risks they should disclose and discuss with patients before treatment.

To understand more about the clinical circumstances in which disputes arise between doctors and patients in this area, the authors analyzed 481 malpractice claims and patient complaints from Australia involving allegations of deficiencies in the process of obtaining informed consent.

The authors found that 45 (9%) of the cases studied were disputed duty cases — that is, they involved head-to-head disagreements over whether a particular risk ought to have been disclosed before treatment. Two-thirds of these disputed duty cases involved surgical procedures, and the majority (38/45) of them related to five specific outcomes that had quality of life implications for patients, including chronic pain and the need for re-operation.

The authors found that the most common justifications doctors gave for not telling patients about particular risks before treatment were that they considered such risks too rare to warrant discussion or the specific risk was covered by a more general risk that was discussed.

However, nine in ten of the disputes studied centered on factual disagreements — arguments over who said what, and when. The authors say: “Documenting consent discussions in the lead-up to surgical procedures is particularly important, as most informed consent claims and complaints involved factual disagreements over the disclosure of operative risks.”

The authors say: “Our findings suggest that doctors may systematically underestimate the premium patients place on understanding certain risks in advance of treatment.”

They conclude: “Improved understanding of these situations helps to spotlight gaps between what patients want to hear and what doctors perceive patients want — or should want — to hear. It may also be useful information for doctors eager to avoid medico-legal disputes.”

Should Doctors Treat Lack of Exercise as a Medical Condition? Expert Says ‘Yes’ (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 13, 2012) — A sedentary lifestyle is a common cause of obesity, and excessive body weight and fat in turn are considered catalysts for diabetes, high blood pressure, joint damage and other serious health problems. But what if lack of exercise itself were treated as a medical condition? Mayo Clinic physiologist Michael Joyner, M.D., argues that it should be. His commentary is published this month in The Journal of Physiology.

Physical inactivity affects the health not only of many obese patients, but also people of normal weight, such as workers with desk jobs, patients immobilized for long periods after injuries or surgery, and women on extended bed rest during pregnancies, among others, Dr. Joyner says. Prolonged lack of exercise can cause the body to become deconditioned, with wide-ranging structural and metabolic changes: the heart rate may rise excessively during physical activity, bones and muscles atrophy, physical endurance wane, and blood volume decline.

When deconditioned people try to exercise, they may tire quickly and experience dizziness or other discomfort, then give up trying to exercise and find the problem gets worse rather than better.

“I would argue that physical inactivity is the root cause of many of the common problems that we have,” Dr. Joyner says. “If we were to medicalize it, we could then develop a way, just like we’ve done for addiction, cigarettes and other things, to give people treatments, and lifelong treatments, that focus on behavioral modifications and physical activity. And then we can take public health measures, like we did for smoking, drunken driving and other things, to limit physical inactivity and promote physical activity.”

Several chronic medical conditions are associated with poor capacity to exercise, including fibromyalgia, chronic fatigue syndrome and postural orthostatic tachycardia syndrome, better known as POTS, a syndrome marked by an excessive heart rate and flu-like symptoms when standing or a given level of exercise. Too often, medication rather than progressive exercise is prescribed, Dr. Joyner says.

Texas Health Presbyterian Hospital Dallas and University of Texas Southwestern Medical Center researchers found that three months of exercise training can reverse or improve many POTS symptoms, Dr. Joyner notes. That study offers hope for such patients and shows that physicians should consider prescribing carefully monitored exercise before medication, he says.

If physical inactivity were treated as a medical condition itself rather than simply a cause or byproduct of other medical conditions, physicians may become more aware of the value of prescribing supported exercise, and more formal rehabilitation programs that include cognitive and behavioral therapy would develop, Dr. Joyner says.

For those who have been sedentary and are trying to get into exercise, Dr. Joyner advises doing it slowly and progressively.

“You just don’t jump right back into it and try to train for a marathon,” he says. “Start off with achievable goals and do it in small bites.”

There’s no need to join a gym or get a personal trainer: build as much activity as possible into daily life. Even walking just 10 minutes three times a day can go a long way toward working up to the 150 minutes a week of moderate physical activity the typical adult needs, Dr. Joyner says.

Deeply Held Religious Beliefs Prompting Sick Kids to Be Given ‘Futile’ Treatment (Science Daily)

ScienceDaily (Aug. 13, 2012) — Parental hopes of a “miraculous intervention,” prompted by deeply held religious beliefs, are leading to very sick children being subjected to futile care and needless suffering, suggests a small study in the Journal of Medical Ethics.

The authors, who comprise children’s intensive care doctors and a hospital chaplain, emphasise that religious beliefs provide vital support to many parents whose children are seriously ill, as well as to the staff who care for them.

But they have become concerned that deeply held beliefs are increasingly leading parents to insist on the continuation of aggressive treatment that ultimately is not in the best interests of the sick child.

It is time to review the current ethics and legality of these cases, they say.

They base their conclusions on a review of 203 cases which involved end of life decisions over a three year period.

In 186 of these cases, agreement was reached between the parents and healthcare professionals about withdrawing aggressive, but ultimately futile, treatment.

But in the remaining 17 cases, extended discussions with the medical team and local support had failed to resolve differences of opinion with the parents over the best way to continue to care for the very sick child in question.

The parents had insisted on continuing full active medical treatment, while doctors had advocated withdrawing or withholding further intensive care on the basis of the overwhelming medical evidence.

The cases in which withdrawal or withholding of intensive care was considered to be in the child’s best interests were consistent with the Royal College of Paediatrics and Child Health guidance.

Eleven of these cases (65%) involved directly expressed religious claims that intensive care should not be stopped because of the expectation of divine intervention and a complete cure, together with the conviction that the opinion of the medical team was overly pessimistic and wrong.

Various different faiths were represented among the parents, including Christian fundamentalism, Islam, Judaism, and Roman Catholicism.

Five of the 11 cases were resolved after meeting with the relevant religious leaders outside the hospital, and intensive care was withdrawn in a further case after a High Court order.

But five cases were not resolved, so intensive care was continued. Four of these children eventually died; one survived with profound neurological disability.

Six of the 17 cases in which religious belief was not a cited factor, were all resolved without further recourse to legal, ethical, or socio-religious support. Intensive care was withdrawn in all these children, five of whom died and one of whom survived, but with profound neurological disability.

The authors emphasise that parental reluctance to allow treatment to be withdrawn is “completely understandable as [they] are defenders of their children’s rights, and indeed life.”

But they argue that when children are too young to be able to actively subscribe to their parents’ religious beliefs, a default position in which parental religion is not the determining factor might be more appropriate.

They cite Article 3 of the Human Rights Act, which aims to ensure that no one is subjected to torture or inhumane or degrading treatment or punishment.

“Spending a lifetime attached to a mechanical ventilator, having every bodily function supervised and sanitised by a carer or relative, leaving no dignity or privacy to the child and then adult, has been argued as inhumane,” they argue.

And they conclude: “We suggest it is time to reconsider current ethical and legal structures and facilitate rapid default access to courts in such situations when the best interests of the child are compromised in expectation of the miraculous.”

In an accompanying commentary, the journal’s editor, Professor Julian Savulescu, advocates: “Treatment limitation decisions are best made, not in the alleged interests of patients, but on distributive justice grounds.”

In a publicly funded system with limited resources, these should be given to those whose lives could be saved rather than to those who are very unlikely to survive, he argues.

“Faced with the choice between providing an intensive care bed to a [severely brain damaged] child and one who has been at school and was hit by a cricket ball and will return to normal life, we should provide the bed to the child hit by the cricket ball,” he writes.

In further commentaries, Dr Steve Clarke of the Institute for Science and Ethics maintains that doctors should engage with devout parents on their own terms.

“Devout parents, who are hoping for a miracle, may be able to be persuaded, by the lights of their own personal…religious beliefs, that waiting indefinite periods of time for a miracle to occur while a child is suffering, and while scarce medical equipment is being denied to other children, is not the right thing to do,” he writes.

Leading ethicist, Dr Mark Sheehan, argues that these ethical dilemmas are not confined to fervent religious belief, and to polarise the issue as medicine versus religion is unproductive, and something of a “red herring.”

Referring to the title of the paper, Charles Foster, of the University of Oxford, suggests that the authors have asked the wrong question. “The legal and ethical orthodoxy is that no beliefs, religious or secular, should be allowed to stonewall the best interests of the child,” he writes.

Canibais? Nós? Imagine! (Revista Geo)

Canibais viveram na América do Sul ou na Nova Guiné – mas com certeza não na Europa! Que engano! Ainda no século 19, a antropofagia era praticada em Berlim ou Paris; embora não de forma tão grotesca como na gravura (à esquerda). Na Europa, partes do corpo humano eram consumidas por razões médicas…

Por Andreas Weiser

Edição 31 – 2011

No dia em que fui preso ainda navegávamos a cerca de sete milhas de distância de Bertioga, quando os selvagens tomaram o rumo de uma ilha. Eles puxaram as canoas para a terra e depois me arrastaram para fora. Eu não conseguia ver nada de tão machucado que estava meu rosto. Também não conseguia andar por causa da lesão na minha perna; portanto, fiquei caído na areia. Os selvagens me cercaram e indicaram com gestos ameaçadores que pretendiam me devorar.”

Hans Staden é o nome do infeliz tão gravemente ferido, caído em uma praia no litoral brasileiro naquela ensolarada tarde de dezembro de 1553. Ele é um “lansquenê” (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão). Staden era procedente da região do atual estado de Hesse, na Alemanha, mas estava a serviço dos colonialistas portugueses comandando uma pequena fortificação não muito distante da atual cidade de São Paulo.

Levianamente, ele havia se afastado demais da área protegida pelo forte, caindo nas mãos dos índios tupinambá, que estavam em pé de guerra com os portugueses. Prisioneiros inimigos costumavam ser escravizados pelos índios litorâneos – ou eram devorados. “Quando nos aproximamos da aldeia chamada Ubatuba, vi sete cabanas. Perto da praia na qual eles tinham largado suas canoas havia mulheres trabalhando na roça… Fui forçado a lhes gritar de longe em sua língua Aju ne xe remiurama, que quer dizer: ‘Eu, vossa comida, estou chegando’.”

O lansquenê não estava destinado ao consumo imediato. Os tupinambá o reservariam para ser devorado durante uma festividade. Staden permaneceu em cativeiro durante nove meses.

Durante esse tempo ele foi obrigado a assistir como os índios matavam e comiam outros prisioneiros. Em seus diários, o alemão descreve o ritual nos mínimos detalhes – e de uma forma tão distante que é como se o medo de logo chegar a sua vez o tivesse feito sair de si mesmo e se transformado em um observador imparcial.

Uma crônica do século 16 ilustra como o lansquenê (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão que, nos séculos 15 e 16 servia sob o comando de oficiais de sua nacionalidade) Hans Staden cai nas mãos dos “nus comedores de gente”

“Eles fazem borlas de plumas para a clava com o qual matam o prisioneiro”, escreveu o lansquenê. “Quando tudo está preparado, eles determinam o dia em que o infeliz morrerá e convidam índios de outras aldeias para essa celebração.”

Depois disso, o drama na mata Atlântica se aproxima de seu clímax: “Por fim, um dos homens pega a clava, se posiciona diante do prisioneiro e lhe mostra a arma de tal modo que a vítima é obrigada a olhar para ela. Enquanto isso, o índio que matará o prisioneiro sai em companhia de outros 13 ou 14. Eles pintam os corpos com cinzas antes de retornarem à praça onde está o cativo.”

Segue-se uma troca de palavras entre o prisioneiro e o índio que irá matá-lo. Depois disso, o guerreiro “o atinge com a clava por trás na cabeça”.

Imediatamente, as mulheres esfolam o cadáver sobre uma fogueira. Em seguida, Hans Staden descreve como o morto é esquartejado. Um homem “corta suas pernas acima do joelho e separa os braços do torso; então quatro mulheres pegam essas quatro partes e, com grande gritaria de alegria, correm com elas ao redor da cabana. Depois disso, eles separam as costas com o traseiro da parte dianteira do corpo. Eles comem as tripas e também a carne da cabeça. O cérebro, a língua e todo o resto comestível da cabeça são reservados para as crianças. Depois que tudo isso aconteceu, cada um volta para sua oca levando a sua parte”.

ISSO REALMENTE PODE ser verdade? Os relatos de Staden não lembram demais aquelas histórias em quadrinhos de canibais em que o homem branco cozinha no caldeirão de um cacique da selva todo enfeitado com plumas e ossos?

Atualmente, muitos cientistas acreditam que está provado que os tupinambá, bem como outras tribos indígenas, de fato eram canibais. Ao que tudo indica, aquela fração de antropólogos que queria categoricamente absolver “o bom selvagem” da acusação de antropofagia foi refutada: um patologista e bioquímico comprovou a existência de traços de proteínas humanas em restos de excrementos e em panelas centenárias dos índios anasazi norte-americanos – provas irrefutáveis de canibalismo. Na Amazônia, pesquisadores documentaram casos de antropofagia ritualística até o século 20. Os índios wari, por exemplo, não consumiam apenas seus inimigos mortos mas também parentes falecidos. A ideia de enterrar um ente querido na terra úmida e mofada da floresta lhes era repugnante.

Nos anos 90, o indianista Werner Hammer ainda presenciou como os índios yanomami misturavam as cinzas de seus mortos em uma papa de banana e depois a consumiam. Desse modo a comunidade internalizava seus falecidos.

Pergunta-se também o quanto Hans Staden foi verossímil como cronista. Sua obra Viagens e aventuras no Brasil (o título original é: História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América, Desconhecida antes e depois de Jesus Cristo nas Terras de Hessen até os Dois Últimos Anos, Visto que Hans Staden, de Homberg, em Hessen, a Conheceu por Experiência Própria e agora a Traz a Público com Essa Impressão”) foi publicada pela primeira vez em 1557, em Marburgo, Alemanha. Ela é um dos primeiros documentos detalhados de um mundo que já não existe mais. Muitos consideram o relato de Staden autêntico – e pesquisadores brasileiros também o utilizam como uma fonte valiosa de informação.

A antropofagia: (não) era um tabu na Europa
O canibalismo como expressão extrema de miséria também existiu na Europa: soldados espanhóis comem condenados à morte

Hans Staden descreve sem refletir sobre o que ocorre à sua volta. Ele não compreende que os tupinambá não matam e comem seus prisioneiros pelo puro prazer de matar. Ele é intelectualmente incapaz de conceber que o canibalismo praticado por eles brota de sua crença mágica de se apropriarem da força física e espiritual do inimigo por meio do ritual antropofágico.

De certa forma, a cerimônia era até uma homenagem à força do oponente: na Amazônia daquela época, ter um fim desses era considerado sofrer uma morte honrosa, explica Richard Sugg, da Universidade de Durham, na Inglaterra. Uma de suas áreas de pesquisa é o chamado “canibalismo medicinal”. Mas, para Staden, os indígenas não passavam de selvagens que comiam suas vítimas movidos apenas por um “grande ódio e inveja”.

ESTA ERA UMA OPINIÃO que certamente estava de acordo com o espírito de época vigente na Europa. Na Espanha do século 16, os habitantes nativos do Novo Mundo eram coletivamente demonizados – inclusive como justificativa para sua submissão e escravização. Para os europeus, o canibalismo era um fenômeno fora de seus próprios limites morais e geográficos. Um tabu, um ato de anomalia proibido por uma questão moral. Eram selvagens os que comiam a carne de sua própria espécie – algo impensável em uma sociedade civilizada. Ou pelo menos era nisso que os europeus queriam acreditar. Porém, eles estavam completamente equivocados.

Antropólogos distinguem três tipos básicos de comportamento antropofágico: o canibalismo por fome, o ritualístico e o medicinal. O primeiro é uma estratégia de sobrevivência na luta pela existência nua e crua, que ocorre em todas as sociedades a qualquer momento.

Cenas da vida cotidiana dos índios tupinambá, do ponto de vista de Hans Staden. O guerreiro à esquerda carrega a clava com a qual os presos eram abatidos antes de serem esquartejados

Na época em que Hans Staden aguardava seu próprio sacrifício na América do Sul, a Europa sofria com epidemias, atrocidades da guerra e fome. As cidades foram vitimadas pela peste; mais tarde a guerra dos Trinta Anos (1618-1648) devastou grandes áreas do continente e uma catastrófica mudança climática destruiu uma colheita atrás da outra. A Europa mergulhou em uma terrível fome.

Testemunhas da Alsácia de 1636 relataram, por exemplo, que as pessoas iam aos cemitérios e desenterravam cadáveres para comê-los, ou cortavam os enforcados do cadafalso para consumi-los. No mesmo ano, uma pastora de gado de Ruppertshofen, no sul da Alemanha, teria “arrancado a carne dos ossos de seu marido morto; cortando-a em pedaços, cozinhando e consumindo-a com seus filhos”.

NOS TEMPOS MODERNOS, a mais absoluta necessidade também pode transformar pessoas perfeitamente normais em canibais. Foi o que ocorreu com os membros de uma equipe de rúgbi do Uruguai, cujo avião caiu nos Andes, em 1972. Isolados durante 72 dias na gélida cordilheira, os sobreviventes se alimentaram da carne de seus colegas mortos. Sob o título Sobreviventes dos Andes, o trágico e sinistro episódio foi recriado em um filme de Hollywood.

O mesmo aconteceu no cerco a Leningrado, na União Soviética, entre 1941 e 1944, quando o exército alemão cortou todo e qualquer fornecimento de víveres à cidade. Desesperadas, as pessoas viram-se diante de duas alternativas: morrer de fome (o que aconteceu com centenas de milhares) ou fazer o impensável – o que centenas de fato fizeram.

Já o canibalismo ritualístico, como o praticado pelos índios tupinambá, não é um ato de necessidade ou desespero. Nem o canibalismo medicinal – a variante europeia de práticas antropofágicas.

Carne fresca da forca: particularmente cobiçada
Saque de cadáveres na guerra dos Trinta Anos: os famintos desenterravam até caixões. O canibalismo medicinal era a variante socialmente aceitável dessas ações repugnantes

Essas duas formas de antropofagia tinham suas raízes na idéia de que o corpo humano, mesmo depois de morto, ainda continha forças que podiam ser transferidas aos vivos – um conceito que sobreviveu até os primórdios da modernidade na cultura dos tupinambá, wari ou yanomami; bem como entre os povos das florestas tropicais da Nova Guiné, que ainda viviam na Idade da Pedra, e entre muitos cidadãos de Londres, Paris ou Berlim.

Os canibais europeus também consumiam partes do corpo humano para se beneficiar das forças obscuras do morto; contudo, eles não capturavam pessoas para consumi-las. Na Europa, aproveitavam-se os corpos de vítimas de execuções.

NO SÉCULO 16, quando Hans Staden ainda aguardava a sua morte na América do Sul –, médicos e farmacêuticos europeus acreditavam plenamente na energia mágica que, segundo eles, emanava dos corpos de recém-executados. A ingestão de carne humana não era, de forma alguma, um ritual secreto, realizado à luz bruxuleante de velas. Na Europa, os membros dos mortos ou as substâncias derivadas deles farão parte durante séculos do repertório do tratamento médico. O comércio de múmias e partes de cadáveres se transformou em um ramo altamente lucrativo da economia.

O famoso médico, alquimista, físico e astrólogo suíço Paracelso é considerado o representante mais conhecido do canibalismo medicinal – e ele deixou instruções precisas. No século 17, seu seguidor Johann Schroeder escreveu: “O ideal é você pegar o corpo de um homem ruivo, de cerca de 24 anos, que morreu de morte violenta”.

Cabelos ruivos eram sinal de “sangue mais leve” e de “uma carne melhor”. Era considerado particularmente importante que o cadáver não tivesse “dessangrado” – sangrado até a morte; pois, de acordo com a escola de pensamento dominante, um corpo sem sangue era um corpo sem alma.

Os tupinambá trazem o prisioneiro (a partir da esquerda); duas mulheres dançam ao redor da fogueira. A vítima é desmembrada. Sua cabeça é fervida; Staden está presente e reza

Todavia, o poder inerente ao cadáver era um produto altamente perecível. Era preciso captá-lo sem demora, para que não se esvaísse. De acordo com a imaginação da época, quando alguém morria, o vínculo entre a alma e o corpo se dissolvia em um prazo de 3 ou 4 dias. Portanto, somente quem se alimentasse de um cadáver fresco (ou de produtos derivados dele) podia ingerir também a sua alma e beneficiar- se de seus poderes.

Acreditava-se que era principalmente o sangue que continha aqueles “espíritos vitais” (Lebensgeister, em alemão) que uniriam a alma e o corpo. Dizem que quando o papa Inocêncio VIII estava à beira da morte, em 1492, os médicos teriam sangrado três meninos para ministrar ao seu proeminente paciente o sangue deles. Depois do procedimento, os meninos teriam morrido – e a intervenção aparentemente também não teria ajudado o Santo Padre.

NAQUELA ÉPOCA, os médicos papais também desconheciam o princípio que Paracelso postularia pouco mais tarde: “especialmente eficazes”, escreveu ele em sua Arte Necromantia, “são a carne e o sangue de criminosos executados”.

“Por que justamente os cadáveres de criminosos executados são considerados a melhor substância possível?”, pergunta a pesquisadora sociocultural Anna Bergman em seu livro Der entseelte Patient (“O paciente desalmado” – até onde pude verificar, sem tradução para o português), que descreve em detalhes as práticas do canibalismo medicinal. Uma parte da resposta parece ser puro pragmatismo: “Como, de que forma obter cadáveres jovens e frescos sem se tornar um assassino?” Para Bergman, a recomendação de Paracelso tem motivos mais profundos, que se enraízam nos mundos imaginários mágicos e nos rituais de execução cristãos – que hoje nos parecem tão bizarros quanto a crença tupinambá em espíritos.

De acordo com a convicção reinante na época, a alma do “pobre pecador” era purgada de todos os seus males (pecados) nos porões das câmaras de tortura da Justiça (significando que o pecador confessava sua culpa) – uma analogia à crucificação de Jesus Cristo. Estes corpos que, arrependidos e purificados pela Graça Divina, despedem-se deste mundo no cadafalso, são particularmente cobiçados pelos canibais da Europa.

Sangue dos decapitados: remédio para as massas

QUANDO O SANGUE esguicha e jorra das artérias e veias do delinquente decapitado, os espectadores se amontoam na cerca ao redor do cadafalso com recipientes coletores em punho. Os assistentes do carrasco coletam o sangue e devolvem os recipientes aos seus respectivos donos – que bebem avidamente o líquido. São epilépticos convencidos de que seu sofrimento pode ser curado com o sangue fresco de um executado. Eles querem incorporar sua alma – afinal, Hildegard von Bingen já havia explicado a epilepsia como uma “evasão da alma que sai do corpo”.

Essa cena no cadafalso não se passa na Idade Média, mas em Göttingen, na Alemanha, em 1858. Naquele ano, o primeiro cabo submarino entre Europa e América entrou em operação; Karl Marx escreveu sua Contribuição à crítica da Economia Política e Rudolf Virchow apresentou sua teoria, segundo a qual as doenças surgem em consequência de perturbações nas células do corpo – que substituiu o antigo conceito sobre o funcionamento dos fluidos corporais.

Para os adeptos do canibalismo medicinal, a coleta do sangue no cadafalso é apenas o começo do aproveitamento dos mortos. Médicos e anatomistas assediam os carrascos para obterem partes do corpo particularmente cobiçadas. O povo mais simples, por sua vez, tenta se apossar por conta própria das preciosas partes (sem passar pelo caminho da medicina, cara demais para eles) e começa a praticar saques tanto ao cadafalso como nos cemitérios. Frequentemente, os restos mortais dos executados são completamente dilacerados após poucos dias.

Hans Staden escapou com vida; os tupinambá o deixaram viver – talvez por que ele lhes parecesse covarde demais? Seus relatos tornaram-se uma fonte etnográfica

O QUE OCORREU NA EUROPA foi uma diversificação daquela prática que teve seu apogeu no século 17. Muitas receitas circulavam entre a população; transmitidas oralmente na medicina popular ou artisticamente impressas em tratados eruditos. O médico Johann Schröder, por exemplo, autor do manual de medicina mais importante do século 17, recomenda “cortar a carne humana em fatias, ou pedaços pequenos”, temperá-la, curti-la em aguardente de vinho e, por fim, secá-la.

A gordura corporal também é um produto muito desejado. Em 1675, o professor de medicina Tobias Andreae desmembra uma infanticida morta por afogamento, derrete sua carne e obtém 20 quilos da chamada “gordura do pecador pobre” (expressão que definia os criminosos condenados à morte). E, na Grande Enciclopédia Universal de Zedler, de 1739, pode-se ler como transformar essa gordura em um medicamento antropofágico para uso doméstico. Não seriam, portanto, os europeus que deveriam ser chamados de “selvagens ferozes comedores de gente”? Foi precisamente isso o que aconteceu entre os habitantes da África ao sul do Saara até o século 20: mesmo sem conhecimentos detalhados sobre o canibalismo praticado no hemisfério norte, os negros acreditavam que os brancos eram antropofágicos.

OS EUROPEUS JÁ HAVIAM levantado demasiado suspeitas perpetrando crimes colonialistas. Por volta de 1800, o explorador escocês Mungo Park, especializado no continente africano, relata que os escravos acorrentados tinham certeza de que os homens brancos os estavam levando ao abatedouro e não para realizar trabalhos forçados. No Peru, a primeira insurgência contra os espanhóis foi desencadeada pelo boato de que os senhores coloniais estavam matando os povos indígenas para obter gordura corporal.

O comércio de matérias-primas canibalescas na Europa assumiu proporções transcontinentais, envolvendo múmias. Entre 1500 e 1900, os médicos, os farmacêuticos e até os charlatães prescrevem a seus pacientes partes de cadáveres embalsamados, em pó ou forma esférica (comprimido), como remédio contra quase todos os males.

O negócio com a chamada mumia vera aegyptica (a “verdadeira múmia egípcia”) assume tais dimensões que em pouco tempo a demanda por exemplares autênticos do reino dos faraós não pode mais ser atendida. Comerciantes e farmacêuticos apelam para falsificações e corpos embalsamados de mendigos, leprosos e vítimas da peste. Fetos abortados também são secados e vendidos como múmias infantis.

As verdadeiras múmias egípcias são um artigo de luxo. O rei francês Francisco I (1494-1547) sempre carregava consigo uma pequena quantidade da preciosa substância para, no caso de uma queda do cavalo ou outro ferimento se medicar imediatamente. O filósofo inglês Francis Bacon (1561- 1626) apostava tanto no poder de cura das múmias quanto o poeta Léon Tolstoi, no final do século 19. Ainda em 1912, a empresa farmacêutica alemã Merck oferecia em seu catálogo a mumia vera aegyptica – “enquanto os estoques durassem”. O preço era citado por quilo: na época, o equivalente a 17,50 marcos alemães.

As vozes céticas eram escassas. Um dos críticos mais proeminentes foi o humanista francês Michel de Montaigne que em pleno século 16 rotulou a mania das múmias como comportamento canibal e chamaou a atenção para a “crítica hipócrita” dos europeus em relação à antropofagia indígena.

Com toda razão, julga o historiador de medicina britânico Richard Sugg. Segundo ele, o canibalismo do Velho Mundo possuiu uma dimensão muito mais abrangente do que o dos índios. O consumo de múmias não era uma cerimônia mágica, mas uma parte da cultura cotidiana e da vida econômica. Na Europa, médicos e farmacêuticos faziam bons negócios com o canibalismo. No topo dessa rentável cadeia comercial estavam os carrascos e os ladrões de túmulos. “A antropofagia europeia influiu nas mais diversas esferas e países”, resume Sugg. “Não se pode compará-la ao canibalismo limitado praticado, por exemplo, por uma tribo no Brasil.” Segundo o historiador, os verdadeiros canibais viviam na Europa.

DURANTE O SEU CATIVEIRO, Hans Staden observou, incrédulo, como os índios tupinambá tratavam bem aqueles que eles haviam reservado para suas festividades: “Eles lhe dão uma mulher que cuida dele, lhe dá de comer e também se deita com ele. Se ela engravidar, eles criam a criança… Alimentam muito bem o prisioneiro e o mantêm vivo por algum tempo, enquanto fazem todos os preparativos para a celebração. Eles fabricam muitos recipientes para as bebidas e outros mais especiais para as substâncias com as quais o pintam e decoram”.

Antes de ser abatida, a vítima desfruta do maior respeito; os tupinambá até permitem que ela gere descendentes – embora o venerado inimigo seja obrigado a provar que é digno de seu papel. Como?

Os sobreviventes da queda de um avião nos Andes, em 1972, alimentaram-se durante semanas da carne de seus companheiros de viagem mortos. Seu drama de sobrevivência se transformou em um filme de Hollywood

OS ASTECAS, por exemplo, torturavam seus prisioneiros para pôr à prova a sua coragem e assim determinar se eles eram ou não adequados para uma cerimônia antropofágica, explica Richard Sugg. Segundo ele, as vítimas cooperavam com seus torturadores – na certeza de estarem sendo criticamente observadas pelo deus sol.

Hans Staden relatou que os tupinambá também davam grande valor à força física e mental do inimigo. Afinal de contas, estas eram as características mais importantes que pretendiam incorporar ao devorá-lo. O lansquenê de Hesse, no entanto, foi um completo fracasso nesse sentido.

As regras desse jogo sinistro permaneceram incompreensíveis para ele. Em sua terra natal, a Europa do século 16, as pessoas que comerão e a que será comida não estabelecem nenhum tipo de relacionamento antes da morte da vítima. Staden havia perdido toda a sua coragem. Ele implorou, suplicou, chorou e rezou aos brados ao seu deus. E depois descreveu a reação dos tupinambá com as seguintes palavras: “Então eles disseram: ‘Ele é um verdadeiro português. Agora ele grita desse jeito porque está com horror da morte’… Eles zombaram cruelmente de mim; tanto os jovens como os velhos”.

A cientista cultural brasileira Vanete Santana Dezmann presume que o pânico de Hans Staden o tenha tornado indigno aos olhos dos índios. O que fazer com um pedaço de carne impregnado de covardia? Talvez tenha sido por essa razão que os tupinambá o libertaram novamente após nove meses de cativeiro.

O medo devora a alma: Staden teve a sorte do medroso. Ele voltou para Hesse e, juntamente com um médico, escreveu o seu livro sobre os comedores de gente.

Em Marburgo, o lansquenê abandonou o mercenarismo e foi trabalhar em uma jazida de salitre. Ele morreu em 1576.

A história não nos transmitiu o que aconteceu com o seu corpo.

Doctors Can Learn Empathy Through a Computer-Based Tutorial (Science Daily)

ScienceDaily (Oct. 31, 2011) — Cancer doctors want to offer a sympathetic ear, but sometimes miss the cues from patients. To help physicians better address their patients’ fears and worries, a Duke University researcher has developed a new interactive training tool.

The computer tutorial includes feedback on the doctors’ own audio recorded visits with patients, and provides an alternative to more expensive courses.

In a study appearing Nov. 1, 2011, in the Annals of Internal Medicine, the research team found that the course resulted in more empathic responses from oncologists, and patients reported greater trust in their doctors — a key component of care that enhances quality of life.

“Earlier studies have shown that oncologists respond to patient distress with empathy only about a quarter of the time,” said James A. Tulsky, MD, director of the Duke Center for Palliative Care and lead author of the study.

“Often, when patients bring up their worries, doctors change the subject or focus on the medical treatment, rather than the emotional concern. Unfortunately, this behavior sends the message, ‘This is not what we’re here to talk about.'”

Tulsky said cancer doctors have many reasons for avoiding emotionally fraught conversations. Some worry that the exchanges will cause rather than ease stress, or that they don’t have time to address non-medical concerns.

Neither is true, Tulsky said, noting his research shows that asking the right questions during patient visits can actually save time and enhance patient satisfaction.

“Oncologists are among the most devoted physicians — passionately committed to their patients. Unfortunately, their patients don’t always know this unless the doctors articulate their empathy explicitly,” Tulsky said. “It’s a skill set. It’s not that the doctors are uncaring, it’s just that communication needs to be taught and learned.”

The current gold standard for teaching empathy skills is a multiday course that involves short lectures and role-playing with actors hired to simulate clinical situations. Such courses are time-consuming and expensive, costing upwards of $3,000 per physician.

Tulsky’s team at Duke developed a computer program that models what happens in these courses. The doctors receive feedback on pre-recorded encounters, and are able to complete the intervention in their offices or homes in a little more than an hour, at a cost of about $100.

To test its effectiveness, Tulsky and colleagues enrolled 48 doctors at Duke, the Veterans Affairs Medical Center in Durham, NC, and the University of Pittsburgh Medical Center. The research team audio-recorded four to eight visits between the doctors and their patients with advanced cancer.

All the doctors then attended an hour-long lecture on communication skills. Half were randomly assigned to receive a CD-ROM tutorial, the other half received no other intervention.

The CD taught the doctors basic communication skills, including how to recognize and respond to opportunities in conversations when patients share a negative emotion, and how to share information about prognosis. Doctors also heard examples from their own clinic encounters, with feedback on how they could improve. They were asked to commit to making changes in their practice and then reminded of these prior to their next clinic visits.

Afterward, all the doctors were again recorded during patient visits, and the encounters were assessed by both patients and trained listeners who evaluated the conversations for how well the doctors responded to empathic statements.

Oncologists who had not taken the CD course made no improvement in the way they responded to patients when confronted with concerns or fears. Doctors in the trained group, however, responded empathically twice as often as those who received no training. In addition, they were better at eliciting patient concerns, using tactics to promote conversations rather than shut them down.

“Patient trust in physicians increased significantly,” Tulsky said, adding that patients report feeling better when they believe their doctors are on their side. “This is exciting, because it’s an easy, relatively inexpensive way to train physicians to respond to patients’ most basic needs.”

Although the CD course is not yet widely available, efforts are underway to develop it for broader distribution.

In addition to Tulsky, study authors include: Robert M. Arnold; Stewart C. Alexander; Maren K. Olsen; Amy S. Jeffreys; Keri L. Rodriguez; Celette Sugg Skinner; David Farrell; Amy P. Abernethy; and Kathryn I. Pollak.

Funding for the study came from the National Cancer Institute. Study authors reported no conflicts.

Questioning Privacy Protections in Research (New York Times)

Dr. John Cutler, center, during the Tuskegee syphilis experiment. Abuses in that study led to ethics rules for researchers. Coto Report

By PATRICIA COHEN
Published: October 23, 2011

Hoping to protect privacy in an age when a fingernail clipping can reveal a person’s identity, federal officials are planning to overhaul the rules that regulate research involving human subjects. But critics outside the biomedical arena warn that the proposed revisions may unintentionally create a more serious problem: sealing off vast collections of publicly available information from inspection, including census data, market research, oral histories and labor statistics.

Organizations that represent tens of thousands of scholars in the humanities and social sciences are scrambling to register their concerns before the Wednesday deadline for public comment on the proposals.

The rules were initially created in the 1970s after shocking revelations that poor African-American men infected with syphilis in Tuskegee, Ala., were left untreated by the United States Public Health Service so that doctors could study the course of the disease. Now every institution that receives money from any one of 18 federal agencies must create an ethics panel, called an institutional review board, or I.R.B.

More than 5,875 boards have to sign off on research involving human participants to ensure that subjects are fully informed, that their physical and emotional health is protected, and that their privacy is respected. Although only projects with federal financing are covered by what is known as the Common Rule, many institutions routinely subject all research with a human factor to review.

The changes in the ethical guidelines — the first comprehensive revisions in more than 30 years — were prompted by a surge of health-related research and technological advances.

Researchers in the humanities and social sciences are pleased that the reforms would address repeated complaints that medically oriented regulations have choked off research in their fields with irrelevant and cumbersome requirements. But they were dismayed to discover that the desire to protect individuals’ privacy in the genomics age resulted in rules that they say could also restrict access to basic data, like public-opinion polls.

Jerry Menikoff, director of the federal Office for Human Research Protections, which oversees the Common Rule, cautions that any alarm is premature, saying that federal officials do not intend to pose tougher restrictions on information that is already public. “If the technical rules end up doing that, we’ll try to come up with a result that’s appropriate,” he said.

Critics welcomed the assurance but remained skeptical. Zachary Schrag, a historian at George Mason University who wrote a book about the review process, said, “For decades, scholars in the social sciences and humanities have suffered because of rules that were well intended but poorly considered and drafted and whose unintended consequences restricted research.”

The American Historical Association, with 15,000 members, and the Oral History Association, with 900 members, warn that under the proposed revisions, for example, new revelations that Public Health Service doctors deliberately infected Guatemalan prisoners, soldiers and mental patients with syphilis in the 1940s might never have come to light. The abuses were uncovered by a historian who by chance came across notes in the archives of the University of Pittsburgh. That kind of undirected research could be forbidden under guidelines designed to prevent “data collected for one purpose” from being “used for a new purpose to which the subjects never consented,” said Linda Shopes, who helped draft the historians’ statement.

The suggested changes, she said, “really threaten access to information in a democratic society.”

Numerous organizations including the Consortium of Social Science Associations, which represents dozens of colleges, universities and research centers, expressed particular concern that the new standards might be modeled on federal privacy rules relating to health insurance and restrict use of the broadest of identifying information, like a person’s ZIP code, county or city.

The 11,000-member American Anthropological Association declared in a statement that any process that is based on the health insurance act’s privacy protections “would be disastrous for social and humanities research.” The 45,000-member American Association of University Professors warned that such restrictions “threaten mayhem” and “render impossible a great deal of social-science research, ranging from ethnographic community studies to demographic analysis that relies on census tracts to traffic models based on ZIP code to political polls that report by precinct.”

Dr. Menikoff said references to the statutes governing health insurance information were meant to serve as a starting point, not a blueprint. “Nothing is ruled out,” he said, though he wondered how the review system could be severed from the issue of privacy protection, as the consortium has discussed, “if the major risk for most of these studies is that you’re going to disclose information inadvertently.” If there is confidential information on a laptop, he said, requiring a password may be a reasonable requirement.

Ms. Shopes, Mr. Schrag and other critics emphasized that despite their worries they were happy with the broader effort to fix some longstanding problems with institutional review boards that held, say, an undergraduate interviewing Grandma for an oral history project to the same guidelines as a doctor doing experimental research on cancer patients.

“The system has been sliding into chaos in recent years,” said Alice Kessler-Harris, president of the 9,000-member Organization of American Historians. “No one can even agree on what is supposed to be covered in the humanities and social sciences.”

Vague rules designed to give the thousands of review boards flexibility when dealing with nonmedical subjects have instead resulted in higgledy-piggledy enforcement and layers of red tape even when no one is at risk, she said.

For example Columbia University, where Ms. Kessler-Harris teaches, exempts oral history projects from review, while boards at the University of Illinois in Urbana-Champaign and the University of California, San Diego, have raised lengthy objections to similar interview projects proposed by undergraduate and master’s students, according to professors there.

Brown University has been sued by an associate professor of education who said the institutional review board overstepped its powers by barring her from using three years’ worth of research on how the parents of Chinese-American children made use of educational testing.

Ms. Shopes said board members at one university had suggested at one point that even using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.

Many nonmedical researchers praised the idea that scholars in fields like history, literature, journalism, languages and classics who use traditional methods of research should not have to submit to board review. They would like the office of human protections to go further and lift restrictions on research that may cause participants embarrassment or emotional distress. “Our job is to hold people accountable,” Ms. Kessler-Harris said.

Dr. Menikoff said, “We want to hear all these comments.” But he maintained that when the final language is published, critics may find themselves saying, “Wow, this is reasonable stuff.”

 

This article has been revised to reflect the following correction:

Correction: October 26, 2011

An article on Monday about federal officials’ plans to overhaul privacy rules that regulate research involving human subjects, and concerns raised by scholars, paraphrased incorrectly from comments by Linda Shopes, who helped draft a statement by historians about possible changes. She said that board members at a university (which she did not name) — not board members at the University of Chicago — suggested at one point that using recorded interviews deposited at the Ronald Reagan Presidential Foundation and Library would have needed Reagan’s specific approval when he was alive.

Philippines: Geckos Are A No-Go For AIDS (NPR)

by SCOTT HENSLEY
12:09 pm
July 18, 2011

The trade in dried geckos, such as these from Indonesia, is on the rise amid growing demand for their use as an ingredient in medicinal and skin care products in Asia.

Traditional forms of medicine used in China and elsewhere in Asia make use of some wild ingredients — literally — from rhino horn to pangolin scales.

But geckos? Yep, in some places even those lizards, thrust into many Americans’ consciousness by omnipresent insurance ads, are used as remedies.

The description of a scientific paper published back in 1998 by the journal Zhong Yao Cai, or the Journal of Chinese Medicinal Materials, says the heads and feet of geckos “have obvious pharmacological action without any toxic or side effects….” The article is in Chinese, though, which is beyond Shots.

But health officials in the Philippines are now warning people not to rely on geckos as medical treatments for some serious conditions, including infection with HIV. “The folkloric practice of using geckos (or “tuko”) as cure for AIDS and asthma persists to this day and is of serious concern….” the Philippines Department of Health said in a statement. “There is no basis that this practice cures ailments like AIDS or brings relief from symptoms of asthma. Thus, we do not recommend it as cure for any ailment.”

Folk healers in the country sometimes recommend “pulverized, fried geckos” sprinkled over water as a remedy for asthma sufferers, according to Agence France-Presse.

The Tokay Gecko, also called “tuko” in the Philippines, is the principal target of hunters. Besides telling people not to use the lizards for medicine, the Philippines government is reminding its citizens not to trap and sell them, because it’s against the law.

The demand for geckos as traditional medicine ingredients has reportedly led to “rampant collection and trade,” the government has said. And that’s putting the gecko population under pressure. In recent years, Chinese demand for sea cucumbers harvested in the Philippines has pushed some species toward extinction.

Geckos can be pretty nasty and give quite a bite. A gecko hunter in Indonesia describes his own battles with the geckos in the Al Jazeera video below.

Índios serão atendidos por pajés em hospital do RS (OESP)

Por Elder Ogliari

Agência Estado – sex, 13 de mai de 2011

Os índios mbyá-guarani de São Miguel das Missões serão atendidos pelos médicos e também pelos pajés da tribo no Hospital São Miguel Arcanjo, principal casa de saúde do município do noroeste do Rio Grande do Sul.

O acordo entre a comunidade, representada pelo cacique Ariel Ortega, e o diretor da Associação Hospitalar São Miguel Arcanjo, Inácio Müller, foi assinado no fim de abril, a pedido do Ministério Público Federal.

Segundo a crença guarani, a medicina tradicional do homem branco não é suficiente para tratar todos os males, porque é mais voltada para o corpo do que para o espírito. O hospital destinou uma sala com banheiro privativo e espaço para três leitos, na qual é permitido o uso de cachimbo e eventuais manifestações sonoras do ritual, ao contrário do restante das dependências, onde se proíbe o fumo e se recomenda silêncio.

Dr. Google e seus bilhões de pacientes (Ciência Hoje)

Uma análise mais cuidadosa da relação de doentes com a internet leva a crer que médicos e cientistas precisam aprender a lidar com a nova geração de enfermos.

Por: Thiago Camelo

Publicado em 02/02/2011 | Atualizado em 03/02/2011

Dr. Google e seus bilhões de pacientes
Pintura do século 19 retrata visita de médico a casa do paciente. A profissão está longe, bem longe, de ser questionada. Mas muitas pessoas valem-se, atualmente, da pesquisa na internet para entender melhor algumas doenças. (Wikimedia Commons)

Regina Elizabeth Bisaglia, em mais uma consulta de rotina, indicava ao paciente a melhor maneira de cuidar da pressão. Ao mesmo tempo, observava a expressão introspectiva do homem a sua frente. A cardiologista não entendia ao certo a desconfiança em seu olhar, mas começava a presumir o motivo. Logo, entenderia o porquê.

Depois de uma explicação um pouco mais técnica, o senhor abriu um sorriso e o olhar tornou-se mais afável. A médica acabara de falar o que o paciente queria ouvir e, por isso, passava a ser merecedora de sua confiança.

“Entendi. O senhor andou consultando o doutor Google, certo?”, disse, de modo espirituoso, Bisaglia.

A médica atesta: muitas vezes os pacientes chegam ao consultório com o diagnóstico já pronto e buscam apenas uma confirmação. Ou mais: vão ao médico dispostos a testar e aprovar (ou não) o especialista.

“Não adianta os médicos reclamarem. Os pacientes vão à internet pesquisar e isso é um caminho sem volta. Informação errada existe em todos os meios, mas eu diria que muitas vezes é interessante que a pessoa procure se informar melhor”, diz a cardiologista, com mais de 30 anos de profissão.

“Há momentos em que o paciente não confia no que o médico diz ou se faz de desentendido. Nessas horas, é muito importante que ele perceba que existem mais pessoas falando a mesma coisa e passando pelo mesmo problema e que, portanto, é fundamental se cuidar. Nada melhor do que a conversa na rede para isso”, completa a médica.

Discussão antiga

Não é de hoje que a questão do ‘doutor Google’ e do ‘paciente expert‘ é debatida. Mas se antes a maioria dos argumentos pendia a favor dos médicos e contra a pesquisa dos leigos na área – sob o medo compreensível da automedicação ou dá má informação –, agora o viés da conversa caminha para um olhar mais relativista. Estudos sobre o assunto já propõem, inclusive, que os médicos tenham na sua formação uma espécie de aula especial para lidar com os pacientes internautas.

“Médicos e pesquisadores precisam estar cientes de que a informação está lá fora e que os pacientes estão tentando se educar da melhor forma possível”, diz, em conversa por e-mail, a neurocientista norte-americana Katie Moisse.

A cientista também é repórter da Scientific American e escreveu, na edição de fevereiro da revista, um artigo que fala justamente sobre a tríade médico-paciente-internet. No texto, Moisse conta a história do cirurgião vascular Paulo Zamboni, que no final de 2009 relatou um experimento que prometia ajudar os portadores de esclerose múltipla. A questão: Zamboni estava no início da pesquisa e não tinha, até o momento, feito testes rigorosos o suficiente para colocar sua técnica em prática.

Em outros tempos, diz Moisse, poucas pessoas teriam acesso ao estudo. Não foi, naturalmente, o que aconteceu com o cirurgião, que se viu pressionado por grupos de pacientes e seus familiares para disponibilizar, o quanto antes, o procedimento desenvolvido por ele.

Esse fenômeno também não é recente. O primeiro ‘motim’ de um grupo de doentes para que resultados de pesquisas fossem liberados e aplicados rapidamente é amplamente conhecido na literatura médica: na década de 1980, os infectados pelo vírus da Aids não se conformavam com a ideia de que, enquanto pacientes morriam aos milhares, poucos tinham acesso aos primeiros medicamentos (à altura, ainda em fase de teste).

Um verdadeiro grupo de ativistas, alguns com e outros sem a doença, formou-se e, se a relação entre médico e paciente mudou desde então, muito se deve a esses manifestantes.

Novo fenômeno

Hoje, a internet propicia a formação de grupos sobre não apenas uma, mas várias doenças: salas de discussão, fóruns e páginas sobre as mais diversas patologias. Um dos sites mais conhecidos é o Patients like me (Pacientes como eu, em português), uma rede social com quase 50 mil pessoas que reúne pacientes com os mais diversos problemas. O objetivo, como a maioria dos grupos, é o de trocar informação sobre doenças e, também, encontrar alento e apoio naqueles que partilham o mesmo sofrimento.

“A internet certamente faz do mundo um lugar menor. É uma oportunidade maravilhosa para as pessoas compartilharem ideias. Algumas redes de pacientes usam a internet para coletar dados e, até mesmo, publicá-los em periódicos revisados por pares”, conta Moisse.

Em alguns casos, os portais sobre doenças – sejam elas nada letais como a psoríase ou extremamente perigosas como a hepatite C – podem ajudar o paciente a se inteirar mais sobre a doença que, anteriormente, desconhecia.

“A informação disponível na internet pode trabalhar a favor da saúde, como o caso de uma pessoa que descobre que a sua timidez excessiva pode ser na verdade um quadro de transtorno de ansiedade, um transtorno psiquiátrico que tem tratamentos de eficácia comprovada”, diz o psiquiatra Rafael Freire.

É a mesma linha defendida pelo biólogo e neurocientista Daniel Cadilhe, responsável pela mediação entre o leitor-paciente e o portal do Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias.

“No Orkut há uma comunidade com quase 26 mil membros sobre o assunto [células-tronco]. Chegam perguntas diariamente sobre possibilidades de tratamentos utilizando o que estudamos.

Tentamos responder da forma mais clara, realista e responsável possível, sempre passando a informação verdadeira ou indicando quem poderá ajudar a tirar a dúvida”, explica Cadilhe, absolutamente ciente do reboliço que causam as palavras ‘células-tronco embrionárias’.

A grande maioria dos especialistas, como era de se esperar, dá o mesmo conselho para o paciente na hora de pesquisar e se juntar a grupos na internet: seja responsável, busque as melhores referências e procure saber quem está dando a informação. E ainda: lembre-se de que nem sempre o que se deseja ler/ouvir é o diagnóstico correto.

Como diz, com certo humor, a cardiologista Regina Elizabeth Bisaglia, a primeira busca na internet pode ser a mais simplória: “A pesquisa mais importante na rede é o nome de um bom médico para se consultar”.

Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line