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Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

O lobo mau (FSP)

04/11/2012 – 03h30

Carlos Heitor Cony

RIO DE JANEIRO – Um dos motivos do nosso orgulho nacional, que o próprio Lula invocou há tempos, é que não temos vulcões nem terremotos. Nossas relações com o planeta Terra são relativamente boas, temos enchentes que não chegam ao nível de furacões. Os nossos temporais produzem vítimas e estragos, mas a culpa não chega a ser da natureza, mas da legislação e da fiscalização nas áreas de risco. As tragédias que sofremos neste setor poderiam ser minimizadas.

Com os Estados Unidos a barra é mais pesada. Na Costa Oeste, os terremotos, e, na Costa Leste, os furacões. No meio, entre os dois litorais, os tornados. O país mais rico e poderoso em tecnologia ainda não encontrou um sistema que controlasse os desvarios da natureza. É tão indefeso diante das catástrofes como as ilhas Papuas, que, aliás, sofrem menos neste departamento.

Vimos as cenas provocadas pelo furacão Sandy, que praticamente reduziu Nova York, por algumas horas, a uma cidade que poderia integrar a Baixada Fluminense.

Felizmente, o povo americano sabe se virar em situações iguais. Em setembro de 1985, enfrentei o furacão Glória, estava em White Plains, as autoridades pediam que se enchessem as banheiras para impedir que elas voassem. É a síndrome do Lobo Mau que destrói a choupana dos Três Porquinhos com seu sopro formidável.

Passei horas grudando fitas gomadas nas janelas, reforçando os vidros que se estraçalhavam. Clima de fim de mundo. Os supermercados foram esvaziados, num deles cheguei a comprar latas de sardinhas feitas em Niterói. Tinha a volta marcada para o dia seguinte, a companhia aérea me localizou e me aconselhou a ir para o JFK enquanto houvesse trânsito regular. Dormi duas noites no aeroporto, em cima das minhas malas. “God bless America”.

De Sandy a Deus (FSP)

WALTER CENEVIVA

Algo me diz que a aproximação de Brasil, África do Sul e Austrália será boa para os três países

SE HOUVESSE um supremo tribunal interplanetário para julgar a culpa pelos efeitos dramáticos do furacão Sandy, gerados pelos habitantes da Terra contra a natureza, talvez a decisão fosse condenatória. As mortes e a destruição decorrentes do Sandy justificariam uma pergunta hoje de uso comum: como ficaria a dosimetria? Quem foi, e em que grau, responsável pelo mau uso da superfície, do ar e das entranhas do planeta no hemisfério norte?

O limite da pergunta se explica. Nós, do hemisfério sul, começamos a intervir na vida dos continentes há menos de 600 anos. Os do norte assinalaram sua presença há uns 12.000 anos -boa parte do hemisfério sul era desconhecida pelo menos até o século 16.

Esses 600 anos marcaram a ocupação de todo planeta. Mesmo assim, só no século 20 surgiram muitas das duas centenas de nações novas, com independência ao menos formal. Desapareceram colônias de países europeus e asiáticos nos cinco continentes.

O avanço dos conquistadores eurasiáticos nessa área marcou a história da Terra. O remanescente apenas alcançou o nível de vida civilizada, segundo os padrões ocidentais, quando conquistadores europeus se instalaram no México e nos Estados Unidos e igualmente com a verificação da terra que se sabia existir na latitude atingida por Pedro Álvares Cabral.

Percebo a pergunta do leitor: por qual a razão uma coluna jurídica precisa dar tantas referências geográficas? Simples: a Constituição brasileira enuncia princípios que, favorecendo relações internacionais, preservam, no art. 4º, a independência nacional; garantem regras de autodeterminação dos povos e de não intervenção. O mesmo resulta do art. 21, I (relações com outros Estados e organizações internacionais), colocando sob o presidente da República a condução do relacionamento externo.

O aprofundamento do exame impõe o conhecimento das áreas envolvidas. Existem três países de grande extensão territorial ao sul do Equador -Austrália, África do Sul e Brasil- com expressão bem marcada no cenário internacional. Os 50 milhões de sul-africanos ocupam 1,2 milhões de quilômetros quadrados, muito menos que os 7,7 milhões da amplitude australiana, mas de população rarefeita e modesta, na casa dos 21 milhões. Ambos menores que o Brasil nos dois quesitos, pois somos 192 milhões espalhados em 8,3 milhões de quilômetros quadrados, com milhares de cidades.

Dois outros pontos diferenciam os três países: hoje se pode dizer que o território brasileiro está inteiramente ocupado. Não a Austrália, nem tanto por ser o país mais plano do mundo, mas pelos seus quatro grandes desertos. A África do Sul ainda vive consequências da política da separação entre brancos a negros, até a segunda metade do século 20.

Dentre os três, se for o caso de composição uniforme dos interesses multinacionais, nosso país tem presença marcante, o que não obsta a associação dos três para percorrer caminho mais adequado para o futuro comum. A composição dos instrumentos legais para viabilizar a aproximação tem a vantagem de facilitar o acesso marítimo, pelo Oceano Atlântico e pelo Indico, só no hemisfério sul. Algo me diz que, de Sandy a Deus, a aproximação do sul será boa para os três na linha reta do trópico de Capricórnio.

Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais (Carta Capital)

01/11/2012 – 10h19 – por Redação da Deutsche Welle

Barulho, trânsito, lixo, pessoas apressadas e se empurrando por todos os lados – a vida nas grandes cidades é estressante. Mas as perspectivas de um emprego melhor, um salário mais alto e de um estilo de vida urbano atraem cada vez mais pessoas às cidades. Se há 60 anos menos de um terço da população mundial vivia em cidades, hoje mais da metade mora em centros urbanos. Até 2050, a estimativa é que essa cota atinja 70%.

“Com o aumento das populações urbanas, o número de distúrbios psíquicos também tem aumentado em todo o mundo”, alerta Andreas Meyer-Lindenberg, diretor do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim. “Somente a depressão custa aos cidadãos europeus 120 bilhões de euros por ano. O custo de todas as doenças psíquicas juntas, incluindo demência, ansiedade e psicose, ultrapassa o orçamento do fundo de resgate do euro. A frequência e a gravidade dessas doenças costumam ser subestimadas”, afirma.

sa4 Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais

Em 2003, psiquiatras britânicos publicaram um estudo sobre o estado psicológico dos moradores do bairro londrino de Camberwell, uma área que teve um grande crescimento desde meados da década de 1960. Entre 1965 e 1997, o número de pacientes com esquizofrenia quase dobrou – um aumento acima do crescimento da população.

Na Alemanha, o número de dias de licença médica no trabalho relacionada a distúrbios mentais dobrou entre 2000 e 2010. Na América do Norte, recentes estimativas apontam que 40% dos casos de licença estão ligados à depressão.

“Nas cidades pode acontecer de as pessoas não conhecerem seus vizinhos, não conseguirem construir uma rede de apoio social como nas vilas e pequenas cidades. Elas se sentem sozinhas e socialmente excluídas, sem uma espécie de rede social de segurança”, observa Andreas Heinz, diretor da Clínica de Psiquiatria e Psicoterapia no hospital Charité, em Berlim.

Quase não existem estudos consistentes sobre a influência do meio urbano no cérebro humano. Mas pesquisas com animais mostram que o isolamento social altera o sistema neurotransmissor do cérebro. “Acredita-se que a serotonina é um neurotransmissor importante para amortecer situações de risco. Quando animais são isolados socialmente desde cedo, o nível de serotonina diminui drasticamente. Isso significa que as regiões que respondem a estímulos ameaçadores são desinibidas e reagem de maneira mais forte, o que pode contribuir para que o indivíduo desenvolva mais facilmente distúrbios de ansiedade ou depressões”, diz Heinz.

Um dos primeiros estudos feitos com seres humanos parece confirmar essa suposição. Com ajuda de um aparelho de ressonância magnética, a equipe do psiquiatra Andreas Meyer-Lindenberg analisou o cérebro de pessoas que cresceram na cidade e de pessoas que se mudaram para a cidade já adultos.

Enquanto os voluntários resolviam pequenas tarefas de cálculo, os pesquisadores os colocavam sob pressão, por exemplo criticando que eles eram muito lentos, cometiam erros ou que eram piores que seus antecessores.

“Olhamos especificamente para as áreas do cérebro que são ativadas quando se está estressado – e que também têm um desenvolvimento distinto, dependendo da experiência urbana que a pessoa teve. Especialmente as amídalas cerebelosas reagiram ao estresse social, e de maneira mais intensa quando o voluntário vinha de um ambiente urbano. Essa região do cérebro está sempre ativa quando percebemos algo como sendo uma ameaça. Elas podem desencadear reações agressivas que podem gerar transtornos de ansiedade”, explica Meyer-Lindenberg.

Além disso, quem cresceu na cidade grande apresentava, sob estresse, em regiões específicas do cérebro, uma atividade semelhante à apresentada por pessoas com predisposição genética para a esquizofrenia.

Pesquisa melhora planejamento urbano

Em todo o mundo, as cidades estão crescendo muito e se transformando. “Mas não existem ainda dados significativos de como uma cidade ideal deve ser quando se leva em consideração a saúde mental de seus habitantes”, observa Meyer-Lindenberg.

Por isso, o especialista desenvolveu, em colaboração com geólogos da Universidade de Heidelberg e físicos do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, um dispositivo móvel que pode testar voluntários em diversos pontos de uma cidade. Assim, os pesquisadores podem testar o funcionamento do cérebro em lugares e situações diferentes, como num cruzamento ou num parque.

Juntamente com posteriores análises do cérebro dos voluntários, os pesquisadores esperam obter dados mais concretos de como o cérebro processa os diferentes aspectos da vida cotidiana nas cidades.

Os resultados dessa pesquisa poderão ser de grande valor para a arquitetura e o planejamento urbano, afirma Richard Burdett, professor de estudos urbanos da London School of Economics. Para ele, o neuro-urbanismo, uma nova área do conhecimento que estuda a relação entre o estresse e as doenças psíquicas, pode ajudar a evitar a propagação de doenças psíquicas nas cidades.

“Planejadores urbanos precisam ter em mente que devem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de organizar muitas pessoas em pouco espaço e a necessidade de se criar espaços abertos”, acrescenta.

“As pessoas precisam ter acesso a salas de cinema, encontrar-se com amigos e passear nas margens dos rios. Hoje esses aspectos são, muitas vezes, ignorados quando novas cidades são planejadas na China ou na Indonésia. Os arquitetos se preocupam com as proporções e as formas, e os urbanistas, com a eficiência do transporte público. Mas muitas vezes não temos ideia do que isso faz com as pessoas.”

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

We Can’t Put a Price on Nature (Huffington Post)

Wenonah Hauter, Executive Director, Food & Water Watch

Posted: 07/24/2012 6:37 pm

A group of international scientists says that the Earth is dangerously close to its tipping point of irreversible damage. Clearly, we need a way out of the mess we’ve made of the planet.

The so-called “green economy,” which governments, business leaders, and some environmental organizations touted at last month’s United Nations Earth Summit in Rio de Janeiro, is actually a greenwashed economy. Its proponents ask questions such as: how can we put a price on nature so as to better manage it? Or, how can we make it financially undesirable to pollute? Those are the wrong questions, and they don’t lead us to real solutions.

Putting a price on nature — as if it were a widget to be bought and sold on the market — devalues its life-giving properties. It partitions the environment off as a commodity, leaving it for sale to the highest bidder. And pollution trading is like paying a robber not to steal from your home. Neither gets to the root causes of our environmental problems: the failure to take meaningful regulatory actions and the undemocratic means by which our natural resources are managed worldwide.

As our access to the planet’s resources that once seemed endless has become limited, corporations, multinational institutions, industry-funded non-profits, and policymakers are eagerly offering market-based solutions. They typically position private interests to profit from our increased need for shared natural resources.

Calling this dangerous trend “the green economy” just isn’t appropriate. It’s more accurate to say that these special interests are promoting the same old dirty economy under a new banner. And this failure to prevent pollution threatens our ability to pursue sustainable development.

Through clever greenwashing campaigns, huge companies have somehow created the ability to buy and trade credits that they claim will curb pollution. These cap-and-trade programs do little but encourage larger companies with deeper pockets to continue with business as usual. That ultimately leads to the continued disposal of contaminants into our waterways and our atmosphere.

Likewise, thanks to relentless lobbying and a hefty advertising campaign, the oil and gas industry has managed to convince key lawmakers and consumers alike that fracking for natural gas is the key to energy independence. However, that process — formally called hydraulic fracturing or shale-gas drilling — requires large quantities of water and a cocktail of toxic chemicals. Fracking can poison drinking water supplies, air, and farmland, endangering public health.

Meanwhile, some of us are struggling to protect the marine environment from pollution and overfishing of endangered species, while large commercial interests try to privatize access to fishor acquire permits to establish aquaculture enterprises in federal waters. These factory fish farmsthreaten the health of ocean ecosystems. What’s “green” about that?

And while we struggle to maintain that water is a human right, multinational corporations are privatizing public water utilities in communities around the world and profiting in places where safe drinking water is scarce.

Our food system is also rigged to benefit a select few companies who monopolize markets and profit from farmers who have no choice but to sell their goods cheaply. Wal-Mart, for example, says it wants to offer healthier food options at affordable prices, but until it changes its business model — which squeezes farmers and workers and drives food production to become more consolidated and industrialized — highly processed foods will remain more accessible than healthier, better quality food.

We must promote real solutions that involve communities in the decision making, not just companies. We must protect the land and our water and decrease carbon emissions for the benefit of the public — not for the profits of private interests.

This post originally appeared at Otherwords.org.

It’s Global Warming, Stupid (Bloomberg)

By  on November 01, 2012

http://www.businessweek.com/articles/2012-11-01/its-global-warming-stupid

Yes, yes, it’s unsophisticated to blame any given storm on climate change. Men and women in white lab coats tell us—and they’re right—that many factors contribute to each severe weather episode. Climate deniers exploit scientific complexity to avoid any discussion at all.

Clarity, however, is not beyond reach. Hurricane Sandy demands it: At least 40 U.S. deaths. Economic losses expected to climb as high as $50 billion. Eight million homes without power. Hundreds of thousands of people evacuated. More than 15,000 flights grounded. Factories, stores, and hospitals shut. Lower Manhattan dark, silent, and underwater.

An unscientific survey of the social networking literature on Sandy reveals an illuminating tweet (you read that correctly) from Jonathan Foley, director of the Institute on the Environment at the University of Minnesota. On Oct. 29, Foley thumbed thusly: “Would this kind of storm happen without climate change? Yes. Fueled by many factors. Is storm stronger because of climate change? Yes.” Eric Pooley, senior vice president of the Environmental Defense Fund (and former deputy editor of Bloomberg Businessweek), offers a baseball analogy: “We can’t say that steroids caused any one home run by Barry Bonds, but steroids sure helped him hit more and hit them farther. Now we have weather on steroids.”

In an Oct. 30 blog post, Mark Fischetti of Scientific American took a spin through Ph.D.-land and found more and more credentialed experts willing to shrug off the climate caveats. The broadening consensus: “Climate change amps up other basic factors that contribute to big storms. For example, the oceans have warmed, providing more energy for storms. And the Earth’s atmosphere has warmed, so it retains more moisture, which is drawn into storms and is then dumped on us.” Even those of us who are science-phobic can get the gist of that.

Sandy featured a scary extra twist implicating climate change. An Atlantic hurricane moving up the East Coast crashed into cold air dipping south from Canada. The collision supercharged the storm’s energy level and extended its geographical reach. Pushing that cold air south was an atmospheric pattern, known as a blocking high, above the Arctic Ocean. Climate scientists Charles Greene and Bruce Monger of Cornell University, writing earlier this year in Oceanography, provided evidence that Arctic icemelts linked to global warming contribute to the very atmospheric pattern that sent the frigid burst down across Canada and the eastern U.S.

If all that doesn’t impress, forget the scientists ostensibly devoted to advancing knowledge and saving lives. Listen instead to corporate insurers committed to compiling statistics for profit.

On Oct. 17 the giant German reinsurance company Munich Re issued a prescient report titled Severe Weather in North America. Globally, the rate of extreme weather events is rising, and “nowhere in the world is the rising number of natural catastrophes more evident than in North America.” From 1980 through 2011, weather disasters caused losses totaling $1.06 trillion. Munich Re found “a nearly quintupled number of weather-related loss events in North America for the past three decades.” By contrast, there was “an increase factor of 4 in Asia, 2.5 in Africa, 2 in Europe, and 1.5 in South America.” Human-caused climate change “is believed to contribute to this trend,” the report said, “though it influences various perils in different ways.”

Global warming “particularly affects formation of heat waves, droughts, intense precipitation events, and in the long run most probably also tropical cyclone intensity,” Munich Re said. This July was the hottest month recorded in the U.S. since record-keeping began in 1895, according to the National Oceanic and Atmospheric Administration. The U.S. Drought Monitor reported that two-thirds of the continental U.S. suffered drought conditions this summer.

Granted, Munich Re wants to sell more reinsurance (backup policies purchased by other insurance companies), so maybe it has a selfish reason to stir anxiety. But it has no obvious motive for fingering global warming vs. other causes. “If the first effects of climate change are already perceptible,” said Peter Hoppe, the company’s chief of geo-risks research, “all alerts and measures against it have become even more pressing.”

Which raises the question of what alerts and measures to undertake. In his book The Conundrum, David Owen, a staff writer at theNew Yorker, contends that as long as the West places high and unquestioning value on economic growth and consumer gratification—with China and the rest of the developing world right behind—we will continue to burn the fossil fuels whose emissions trap heat in the atmosphere. Fast trains, hybrid cars, compact fluorescent light bulbs, carbon offsets—they’re just not enough, Owen writes.

Yet even he would surely agree that the only responsible first step is to put climate change back on the table for discussion. The issue was MIA during the presidential debates and, regardless of who wins on Nov. 6, is unlikely to appear on the near-term congressional calendar. After Sandy, that seems insane.

Mitt Romney has gone from being a supporter years ago of clean energy and emission caps to, more recently, a climate agnostic. On Aug. 30, he belittled his opponent’s vow to arrest climate change, made during the 2008 presidential campaign. “President Obama promised to begin to slow the rise of the oceans and heal the planet,” Romney told the Republican National Convention in storm-tossed Tampa. “My promise is to help you and your family.” Two months later, in the wake of Sandy, submerged families in New Jersey and New York urgently needed some help dealing with that rising-ocean stuff.

Obama and his strategists clearly decided that in a tight race during fragile economic times, he should compete with Romney by promising to mine more coal and drill more oil. On the campaign trail, when Obama refers to the environment, he does so only in the context of spurring “green jobs.” During his time in office, Obama has made modest progress on climate issues. His administration’s fuel-efficiency standards will reduce by half the amount of greenhouse gas emissions from new cars and trucks by 2025. His regulations and proposed rules to curb mercury, carbon, and other emissions from coal-fired power plants are forcing utilities to retire some of the dirtiest old facilities. And the country has doubled the generation of energy from renewable sources such as solar and wind.

Still, renewable energy accounts for less than 15 percent of the country’s electricity. The U.S. cannot shake its fossil fuel addiction by going cold turkey. Offices and factories can’t function in the dark. Shippers and drivers and air travelers will not abandon petroleum overnight. While scientists and entrepreneurs search for breakthrough technologies, the next president should push an energy plan that exploits plentiful domestic natural gas supplies. Burned for power, gas emits about half as much carbon as coal. That’s a trade-off already under way, and it’s worth expanding. Environmentalists taking a hard no-gas line are making a mistake.

Conservatives champion market forces—as do smart liberals—and financial incentives should be part of the climate agenda. In 2009 the House of Representatives passed cap-and-trade legislation that would have rewarded more nimble industrial players that figure out how to use cleaner energy. The bill died in the Senate in 2010, a victim of Tea Party-inspired Republican obstructionism and Obama’s decision to spend his political capital to push health-care reform.

Despite Republican fanaticism about all forms of government intervention in the economy, the idea of pricing carbon must remain a part of the national debate. One politically plausible way to tax carbon emissions is to transfer the revenue to individuals. Alaska, which pays dividends to its citizens from royalties imposed on oil companies, could provide inspiration (just as Romneycare in Massachusetts pointed the way to Obamacare).

Ultimately, the global warming crisis will require global solutions. Washington can become a credible advocate for moving the Chinese and Indian economies away from coal and toward alternatives only if the U.S. takes concerted political action. At the last United Nations conference on climate change in Durban, South Africa, the world’s governments agreed to seek a new legal agreement that binds signatories to reduce their carbon emissions. Negotiators agreed to come up with a new treaty by 2015, to be put in place by 2020. To work, the treaty will need to include a way to penalize countries that don’t meet emission-reduction targets—something the U.S. has until now refused to support.

If Hurricane Sandy does nothing else, it should suggest that we need to commit more to disaster preparation and response. As with climate change, Romney has displayed an alarmingly cavalier attitude on weather emergencies. During one Republican primary debate last year, he was asked point-blank whether the functions of the Federal Emergency Management Agency ought to be turned back to the states. “Absolutely,” he replied. Let the states fend for themselves or, better yet, put the private sector in charge. Pay-as-you-go rooftop rescue service may appeal to plutocrats; when the flood waters are rising, ordinary folks welcome the National Guard.

It’s possible Romney’s kill-FEMA remark was merely a pander to the Right, rather than a serious policy proposal. Still, the reconfirmed need for strong federal disaster capability—FEMA and Obama got glowing reviews from New Jersey Governor Chris Christie, a Romney supporter—makes the Republican presidential candidate’s campaign-trail statement all the more reprehensible.

The U.S. has allowed transportation and other infrastructure to grow obsolete and deteriorate, which poses a threat not just to public safety but also to the nation’s economic health. With once-in-a-century floods now occurring every few years, New York Governor Andrew Cuomo and New York City Mayor Michael Bloomberg said the country’s biggest city will need to consider building surge protectors and somehow waterproofing its enormous subway system. “It’s not prudent to sit here and say it’s not going to happen again,” Cuomo said. “I believe it is going to happen again.”

David Rothkopf, the chief executive and editor-at-large of Foreign Policy, noted in an Oct. 29 blog post that Sandy also brought his hometown, Washington, to a standstill, impeding affairs of state. To lessen future impact, he suggested burying urban and suburban power lines, an expensive but sensible improvement.

Where to get the money? Rothkopf proposed shifting funds from post-Sept. 11 bureaucratic leviathans such as the Department of Homeland Security, which he alleges is shot through with waste. In truth, what’s lacking in America’s approach to climate change is not the resources to act but the political will to do so. A Pew Research Center poll conducted in October found that two-thirds of Americans say there is “solid evidence” the earth is getting warmer. That’s down 10 points since 2006. Among Republicans, more than half say it’s either not a serious problem or not a problem at all.

Such numbers reflect the success of climate deniers in framing action on global warming as inimical to economic growth. This is both shortsighted and dangerous. The U.S. can’t afford regular Sandy-size disruptions in economic activity. To limit the costs of climate-related disasters, both politicians and the public need to accept how much they’re helping to cause them.

Mudança climática é tabu na campanha eleitoral dos Estados Unidos (Envolverde/IPS)

Por Becky Bergdahl, da IPS – 25/10/2012

sa12 300x198 Mudança climática é tabu na campanha eleitoral dos Estados Unidos

Nova York, Estados Unidos, 25/10/2012 – Os Estados Unidos sofreram este ano o verão mais quente de sua história, com secas e incêndios em diversas partes de seu território. E, segundo um informe da firma de resseguros Munich Re, as perdas com pagamentos de seguros devido a eventos climáticos extremos quase quadruplicaram desde 1980. Diante disto, alguns poderiam esperar que o aquecimento global fosse um dos temas mais importantes da campanha no país para as eleições presidenciais de 6 de novembro.

Entretanto, nos três debates eleitorais, transmitidos pela televisão para todo o país e boa parte do mundo, nem o presidente e candidato à reeleição, Barack Obama, do Partido Democrata, nem seu adversário, Mitt Romney, do Partido Republicano, sequer mencionaram o tema. Houve outro debate, entre os candidatos a vice-presidentes, no qual a mudança climática também foi omitida.

“Está se perdendo a oportunidade de se falar sobre um dos principais desafios que enfrentamos”, disse à IPS Bob Deans, assessor do ecologista e não governamental Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais. “Segundo um novo estudo da Universidade do Texas, 73% da população norte-americana acredita que a mudança climática está efetivamente ocorrendo. Já em recente pesquisa da Universidade de Yale, 70% dos entrevistados deram a mesma resposta. As consultas foram feitas em setembro.

Assim, o que vemos é que sete em cada dez norte-americanos têm conhecimento do problema”, pontuou Deans, que também citou um informe da Munich Re, segundo o qual os desastres naturais aumentaram mais na América do Norte do que em qualquer outra parte do mundo desde 1980. As perdas asseguradas por catástrofes climáticas na região totalizaram US$ 510 bilhões entre 1980 e 2011, segundo a firma alemã, a maior multinacional de resseguros do mundo.

Isto mostra que a mudança climática não é apenas uma questão ambiental, mas também é financeira, segundo Deans, integrante de uma das organizações ecologistas mais poderosas dos Estados Unidos. “Conforme o clima vai ficando extremo, as pessoas vão entendendo que também se trata de um assunto econômico sério, não apenas uma questão de abraçar árvores”, afirmou o ativista.

“O aumento do nível do mar pode colocar em risco as casas, e se uma casa está ameaçada não se consegue obter uma hipoteca. Os produtores de milho não conseguem uma boa colheita em anos. Vemos famílias que tiveram fazendas durante anos e agora não podem mais sustentá-las”, destacou Deans. Durante os debates públicos, incluindo um centrado em política externa, no dia 22, tanto Obama quanto Romney mencionaram a necessidade de se reduzir os preços dos combustíveis. Porém, nenhum se manisfestou sobre a questão de se reduzir as emissões de gases-estufa responsáveis pela mudança climática.

“Fica cada vez mais óbvio que Obama e Romney não são diferentes. Ambos se equivocam em pensar que qualquer menção ao clima é uma desvantagem política”, disse à IPS a ativista Kyle Ash, do Greenpeace Estados Unidos. “Apesar de a última pesquisa ter demonstrando que a vasta maioria do público está muito preocupada pela mudança climática, os dois candidatos preferem atender os interesses dos combustíveis fósseis em lugar de investir em soluções para o problema do clima”, apontou.

“A maior diferença entre ambos está na plataforma da campanha republicana, que diretamente nega a mudança climática. Mas, os dois candidatos estão em cargos administrativos que adotaram políticas contra a contaminação”, disse Ash, para quem tanto Obama quanto Romney se arriscam a perder votos se continuarem ignorando este assunto tão importante. “Centenas de milhares de norte-americanos solicitaram a Obama e a Romney que expressem suas opiniões sobre política climática, já que é um tema grave e premente para a economia, e inclusive para nosso estilo de vida básico”, afirmou Ash.

Em uma tentativa de mobilizar a população e pressionar os líderes políticos, a seção norte-americana do grupo internacional de ação climática 350.org lançou uma nova campanha, denominada Do The Math Tour (Gire Faça os Cálculos), que começará em 7 de novembro, dia seguinte às eleições, e incluirá atividades em 20 cidades. Conta com apoio de celebridades, como a jornalista e ativista canadense Naomi Klein e o arcebispo anglicano sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz.

“Se vamos enfrentar as campanhas pelos combustíveis fósseis, precisamos de um movimento. Elas têm todo o dinheiro, por isso precisamos testar algo diferente. Este giro está criado para gerar um movimento suficientemente forte para vencer”, disse à IPS o ativista Daniel Kessler, da 350. Org. “É um cálculo simples. Podemos queimar até mais 565 gigatoneladas de carbono e manter o aquecimento global abaixo dos dois graus. Qualquer coisa além disso colocará em risco a vida na Terra”, disse Kessler. “As corporações agora têm 2.795 gigatoneladas em suas reservas, cinco vezes mais do que a quantidade segura. E planejam queimar tudo isso, a menos que atuemos rapidamente para detê-las”, acrescentou.

Kessler também disse que, embora nenhum candidato fale abertamente sobre a mudança climática, há claras diferenças entre Obama e Romney. “Parece que Romney como presidente seria um desastre tanto para o meio ambiente quanto para o clima”, afirmou. “Disse que quer tirar da EPA (Agência de Proteção Ambiental) a autoridade para regular as emissões de carbono, acabar com os créditos fiscais para energia renovável e manter os enormes subsídios às firmas de petróleo e carvão, que já estão entre as mais lucrativas do mundo”, recordou Kessler.

“As políticas de Obama não são suficientemente fortes para enfrentar o problema da mudança climática, mas ele tem que lutar para proteger a EPA e fazer o maior investimento em energias limpas na história mundial”, enfatizou. Os comandos das campanhas dos candidatos não responderam aos pedidos da IPS para que comentassem este assunto. O aquecimento global “é completamente ignorado pelo presidente Obama e por Romney nos debates públicos”, disse Scott McLarty, coordenador de mídia para o Partido Verde. “Mas, nos debates alternativos, a candidata do Partido Verde, Jill Stein, falou sobre a mudança climática várias vezes. E continuará falando”, disse McLarty à IPS.

What’s wrong with putting a price on nature? (The Guardian)

Pricing the financial value of services nature provides for free – such as clean water – may be the best way to save species

Richard Conniff for Yale Environment 360, part of the Guardian Environment Network

guardian.co.uk, Thursday 18 October 2012 16.44 BST

Give a Price on Nature : A bird of prey glides through the sky

A bird of prey glides through the sky at sunrise in Bilbao, northern Spain, 14 October 2012, while the rain threatens from the distance. Photograph: Alfredo Aldai/EPA

Ecosystem services is not exactly a phrase to stir the human imagination. But over the past few years, it has managed to dazzle both diehard conservationists and bottom-line business types as the best answer to global environmental decline.

For proponents, the logic is straightforward: Old-style protection of nature for its own sake has badly failed to stop the destruction of habitats and the dwindling of species. It has failed largely because philosophical and scientific arguments rarely trump profits and the promise of jobs. And conservationists can’t usually put enough money on the table to meet commercial interests on their own terms. Pointing out the marketplace value of ecosystem services was initially just a way to remind people what was being lost in the process — benefits like flood control, water filtration, carbon sequestration, and species habitat. Then it dawned on someone that, by making it possible for people to buy and sell these services, we could save the world and turn a profit at the same time.

But the rising tide of enthusiasm for PES (or payment for ecosystem services) is now also eliciting alarm and criticism. The rhetoric is at times heated, particularly in Britain, where a government plan to sell off national forests had to be abandoned in the face of fierce public opposition. (The government’s own expert panel also found that it had “greatly undervalued” what it was proposing to sell.) Writing recently inThe Guardian, columnist and land rights activist George Monbiot denounced PES schemes as “another transfer of power to corporations and the very rich.” Also writing in The Guardian, Tony Juniper, a conservationist and corporate consultant, replied in effect that Monbiot and other critics should shut up, on the grounds that campaigning against payment for ecosystem services “could inadvertently strengthen the hand of those who believe nature has little or no value, moral, economic or otherwise.”

Not all critics reject the PES idea outright. Some say they’re merely making constructive criticisms of what they see as blind faith in new financial markets, and in global initiatives like the United Nations’ REDD mechanism (for Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation in Developing Countries).

The first mistake, says Kent H. Redford, an environmental consultant, is to assume that old-style conservation methods have failed. “They’ve worked in certain circumstances, in certain ways, for certain things.” They’re the reason, for instance, that state-sponsored protected areas now cover 25 percent of the land in Costa Rica, 27 percent in the United States (at the federal level alone), 30 percent in Tanzania and Guatemala, and 50 percent in Belize.

Writing in Conservation Biology, Redford and co-author William M. Adams catalogued some of the ways PES transactions can go wrong, beginning with the whole question of price. Traditional conservationists sought to protect forests and other landscapes primarily for their intrinsic value, says Redford. But those values are likely to carry less weight when even conservationists think first in economic terms. Many ecosystem services are also likely to be hard to price — for instance, the arguably beneficial effects on climate and agriculture (minus the deleterious impacts on health) when atmospheric dust from the African Sahel drifts across the Atlantic. And even if you can put a price on an ecosystem service, Redford and Adams argue, figuring out who has a legitimate right to sell it means picking winners and losers. In developing countries, indigenous communities may lack the documentation or the political clout to assert their ownership.

Payment schemes also risk creating perverse incentives, Redford and Adams warn. If the system pays landowners to bank carbon, they may plant non-native species, or genetically “improved” trees, to bank carbon faster. Or they may discourage natural phenomena that happen to be good for biodiversity, but bad for people, including such ecosystemdisservices as fire, drought, disease, or flood. Finally, Redford and Adams point out, the effects of climate change, “always the joker in the pack,” could toss carefully constructed economic schemes — and natural habitats — into disarray.

Stuart H. M. Butchart, a researcher at BirdLife International, replies that embracing the ecosystem services idea doesn’t necessarily mean abandoning the argument that species and habitats have intrinsic value. But making the economic case often “has more resonance” for decision-makers.

A study published last week in Science, co-authored by Butchart, also suggests why the PES idea now seems so urgent. To determine what it would cost to meet current targets set for the year 2020 under the international Convention on Biological Diversity, the study looked at the cost of protecting and down-listing threatened bird species. Then it extrapolated that preventing further loss of species across all plant and animal groups would cost $78 billion a year. That’s an order of magnitude above current conservation spending — but the study noted that it was only between 1 and 4 percent of the value of the ecosystem services being lost through habitat destruction every year.

PES proponents can also point to early success stories: Vittel-Nestlé Waters recognized a few years ago that its aquifer in northern France was being polluted by nitrate fertilizers and pesticides from nearby farms. It devised a scheme to pay farmers to change their methods and deliver the ecosystem service of unpolluted water. Beijing undertook a similar scheme in the catchment around one of its reservoirs, ahead of the 2008 Olympics. (It had previously tried anti-growth regulations and resettlements.)

But there isn’t always a wealthy corporation or a big city nearby willing to pick up the tab (for Vittel, $31.4 million over the first seven years), and other transactions are more complex. Norway, for instance, pledged $1 billion each to Brazil and Indonesia for forest preservation efforts under the REDD mechanism, partly to compensate for failing to meet its own greenhouse gas emissions targets. But the Norwegian government recently felt compelled to issue a public warning to both countries against backsliding on their forest preservation commitments.

Monbiot adds that making nature fungible, so one asset can be substituted for another, guarantees that they will be: “If a quarry company wants to destroy a rare meadow, for example, it can buy absolution by paying someone to create another somewhere else.” When governments and PES proponents talk about employing marketplace solutions instead of traditional regulatory approaches, he says, “what they are really talking about is shrinking democracy, shrinking public involvement in decision making, shrinking transparency and accountability. By handing it over to the market you are in effect handing it over to corporations and the very rich,” and to “a very plutocratic” decision-making process.

Pavan Sukhdev, a former international banker who has pioneered efforts to highlight the economic importance of biodiversity, says none of these criticisms is especially new. He has raised many of them himself and says the marketplace is working to address them. “It’s useful to hear criticisms, but the critics must remember one basic fact. It wasn’t Christopher Columbus who discovered America, it was the Native Indians who lived there. So critics should not think that they have invented knowledge. They should be a little more humble in their attitude. And understand that the people on the ground are professionals who have been working on this and thinking about this for quite some time.”

But no amount of financial tweaking or social engineering is likely to allay the deeper discomfort voiced by many PES critics with the whole idea of nature, in the words of one recent paper, “as a service provider fit to be incorporated into the global capital markets.” Or the notion, expressed by Jean-Christophe Vié, of the International Union for Conservation of Nature, that nature is “the largest company on Earth.” When you view nature in economic terms, as a provider in a sort of “master-servant” relationship, they suggest, you make a fundamental change not just in the world around us, but in ourselves.

Sian Sullivan, a University of London anthropologist, warns that past revolutions in capital investment, like the enclosure of common lands in eighteenth-century Britain, and the industrial revolution of the nineteenth century, resulted in “the shattering of peoples’ relationships with landscapes” and the conversion of rural folk into factory workers and service-providers for capital. In the ecosystem services movement, Sullivan warns, we are seeing “a major new wave of capture and enclosure of Nature by capital.” And it will come, she says, at the cost of profound cultural and psychological upheaval.

It may be, as some argue, that we have no better way to save the world. But the danger in the process is that we may lose our souls.

Far from random, evolution follows a predictable genetic pattern, Princeton researchers find (Princeton)

Posted October 25, 2012; 12:00 p.m.

by Morgan Kelly, Office of Communications

Evolution, often perceived as a series of random changes, might in fact be driven by a simple and repeated genetic solution to an environmental pressure that a broad range of species happen to share, according to new research.

Princeton University research published in the journal Science suggests that knowledge of a species’ genes — and how certain external conditions affect the proteins encoded by those genes — could be used to determine a predictable evolutionary pattern driven by outside factors. Scientists could then pinpoint how the diversity of adaptations seen in the natural world developed even in distantly related animals.

Andolfatto bug

The Princeton researchers sequenced the expression of a poison-resistant protein in insect species that feed on plants such as milkweed and dogbane that produce a class of steroid-like cardiotoxins called cardenolides as a natural defense. The insects surveyed spanned three orders: butterflies and moths (Lepidoptera); beetles and weevils (Coleoptera); and aphids, bed bugs, milkweed bugs and other sucking insects (Hemiptera). Above: Dogbane beetle(Photo courtesy of Peter Andolfatto)

“Is evolution predictable? To a surprising extent the answer is yes,” said senior researcher Peter Andolfatto, an assistant professor in Princeton’s Department of Ecology and Evolutionary Biology and the Lewis-Sigler Institute for Integrative Genomics. He worked with lead author and postdoctoral research associate Ying Zhen, and graduate students Matthew Aardema and Molly Schumer, all from Princeton’s ecology and evolutionary biology department, as well as Edgar Medina, a biological sciences graduate student at the University of the Andes in Colombia.

The researchers carried out a survey of DNA sequences from 29 distantly related insect species, the largest sample of organisms yet examined for a single evolutionary trait. Fourteen of these species have evolved a nearly identical characteristic due to one external influence — they feed on plants that produce cardenolides, a class of steroid-like cardiotoxins that are a natural defense for plants such as milkweed and dogbane.

Though separated by 300 million years of evolution, these diverse insects — which include beetles, butterflies and aphids — experienced changes to a key protein called sodium-potassium adenosine triphosphatase, or the sodium-potassium pump, which regulates a cell’s crucial sodium-to-potassium ratio. The protein in these insects eventually evolved a resistance to cardenolides, which usually cripple the protein’s ability to “pump” potassium into cells and excess sodium out.

Andolfatto lab

Lead author Ying Zhen (foreground), Andolfatto (far left), fourth author and graduate student Molly Schumer (near left), and their co-authors sequenced and assembled all the expressed genes in 29 distantly related insect species, the largest sample of organisms yet examined for a single evolutionary trait. They used these sequences to predict how a certain protein would be encoded in the genes of 14 distantly related species that evolved a similar resistance to toxic plants. Similar techniques could be used to trace protein changes in a species’ DNA to understand how many diverse organisms evolved as a result of environmental factors. At right is research assistant Ilona Ruhl, who was not involved in the research. (Photo by Denise Applewhite)

Andolfatto and his co-authors first sequenced and assembled all the expressed genes in the studied species. They used these sequences to predict how the sodium-potassium pump would be encoded in each of the species’ genes based on cardenolide exposure.

Scientists using similar techniques could trace protein changes in a species’ DNA to understand how many diverse organisms evolved as a result of environmental factors, Andolfatto said. “To apply this approach more generally a scientist would have to know something about the genetic underpinnings of a trait and investigate how that trait evolves in large groups of species facing a common evolutionary problem,” Andolfatto said.

“For instance, the sodium-potassium pump also is a candidate gene location related to salinity tolerance,” he said. “Looking at changes to this protein in the right organisms could reveal how organisms have or may respond to the increasing salinization of oceans and freshwater habitats.”

Andolfatto bug

Milkweed tussock moth (Photo courtesy of Peter Andolfatto)

Jianzhi Zhang, a University of Michigan professor of ecology and evolutionary biology, said that the Princeton-based study shows that certain traits have a limited number of molecular mechanisms, and that numerous, distinct species can share the few mechanisms there are. As a result, it is likely that a cross-section of certain organisms can provide insight into the development of other creatures, he said.

“The finding of parallel evolution in not two, but numerous herbivorous insects increases the significance of the study because such frequent parallelism is extremely unlikely to have happened simply by chance,” said Zhang, who is familiar with the study but had no role in it.

“It shows that a common molecular mechanism is used by many different insects to defend themselves against the toxins in their food, suggesting that perhaps the number of potential mechanisms for achieving this goal is very limited,” he said. “That many different insects independently evolved the same molecular tricks to defend themselves against the same toxin suggests that studying a small number of well-chosen model organisms can teach us a lot about other species. Yes, evolution is predictable to a certain degree.”

Andolfatto and his co-authors examined the sodium-potassium pump protein because of its well-known sensitivity to cardenolides. In order to function properly in a wide variety of physiological contexts, cells must be able to control levels of potassium and sodium. Situated on the cell membrane, the protein generates a desired potassium to sodium ratio by “pumping” three sodium atoms out of the cell for every two potassium atoms it brings in.

Cardenolides disrupt the exchange of potassium and sodium, essentially shutting down the protein, Andolfatto said. The human genome contains four copies of the pump protein, and it is a candidate gene for a number of human genetic disorders, including salt-sensitive hypertension and migraines. In addition, humans have long used low doses of cardenolides medicinally for purposes such as controlling heart arrhythmia and congestive heart failure.

Andolfatto bug

Large milkweed bugs (Photo courtesy of Peter Andolfatto)

The Princeton researchers used the DNA microarray facility in the University’s Lewis-Sigler Institute for Integrative Genomics to sequence the expression of the sodium-potassium pump protein in insect species spanning three orders: butterflies and moths (Lepidoptera); beetles and weevils (Coleoptera); and aphids, bed bugs, milkweed bugs and other sucking insects (Hemiptera).

The researchers found that the genes of cardenolide-resistant insects incorporated various mutations that allowed it to resist the toxin. During the evolutionary timeframe examined, the sodium-potassium pump of insects feeding on dogbane and milkweed underwent 33 mutations at sites known to affect sensitivity to cardenolides. These mutations often involved similar or identical amino-acid changes that reduced susceptibility to the toxin. On the other hand, the sodium-potassium pump mutated just once in insects that do not feed on these plants.

Significantly, the researchers found that multiple gene duplications occurred in the ancestors of several of the resistant species. These insects essentially wound up with one conventional sodium-potassium pump protein and one “experimental” version, Andolfatto said. In these insects, the newer, hardier versions of the sodium-potassium pump are mostly expressed in gut tissue where they are likely needed most.

“These gene duplications are an elegant solution to the problem of adapting to environmental changes,” Andolfatto said. “In species with these duplicates, the organism is free to experiment with one copy while keeping the other constant, avoiding the risk that the new version of the protein will not perform its primary job as well.”

The researchers’ findings unify the generally separate ideas of what predominately drives genetic evolution: protein evolution, the evolution of the elements that control protein expression or gene duplication. This study shows that all three mechanisms can be used to solve the same evolutionary problem, Andolfatto said.

Central to the work is the breadth of species the researchers were able to examine using modern gene sequencing equipment, Andolfatto said.

“Historically, studying genetic evolution at this level has been conducted on just a handful of ‘model’ organisms such as fruit flies,” Andolfatto said. “Modern sequencing methods allowed us to approach evolutionary questions in a different way and come up with more comprehensive answers than had we examined one trait in any one organism.

“The power of what we’ve done is to survey diverse organisms facing a similar problem and find striking evidence for a limited number of possible solutions,” he said. “The fact that many of these solutions are used over and over again by completely unrelated species suggests that the evolutionary path is repeatable and predictable.”

The paper, “Parallel Molecular Evolution in an Herbivore Community,” was published Sept. 28 by Science. The research was supported by grants from the Centre for Genetic Engineering and Biotechnology, the National Science Foundation and the National Institutes of Health.

Scientific Illiteracy: Why The Italian Earthquake Verdict is Even Worse Than it Seems (Time)

By Jeffrey Kluger – Oct. 24, 2012

image: An aerial view of the destruction in the city of L'Aquila, central Italy, April 6, 2009. GUARDIA FORESTALE HANDOUT / AP. An aerial view of the destruction in the city of L’Aquila, central Italy, April 6, 2009.

Yesterday was a very good day for stupid — better than any it’s had in a while. Stupid gets fewer good days in the 21st century than it used to get, but it enjoyed a great ride for a long time — back in the day when there were witches to burn and demons to exorcise and astronomers to put on trial for saying that the Earth orbits around the sun.

But yesterday was a reminder of stupid’s golden era, when an Italian court sentenced six scientists and a government official to six years in prison on manslaughter charges, for failing to predict a 2009 earthquake that killed 300 people in the town of l’Aquila. The defendants are also required to pay €7.8 million ($10 million) in damages. “I’m dejected, despairing,” said one of the scientists, Enzo Boschi, in a statement to Italian media. “I still don’t understand what I’m accused of.”

As well he shouldn’t. The official charge brought against the researchers, who were members of the National Institute of Geophysics and Volcanology (INGV), was based on a meeting they had in the week leading up to the quake, at which they discussed the possible significance of recent seismic rumblings that had been detected  in the vicinity of l’Aquila. They concluded that it was “unlikely,” though not impossible, that a serious quake would occur there and thus did not order the evacuation of the town. This was both sound science and smart policy.

The earthquake division of the U.S. Geological Survey (USGS) estimates that the world is shaken by several million earthquakes each year, most of which escape notice either because they are too small or are in remote areas that are poorly monitored. An average of 50 earthquakes do manage to register on global seismographs every day, or about 18,000 annually. The overwhelming majority do not lead to major quakes and the technology does not exist to determine which ones will. The best earthquake forecasters can do is apply their knowledge and experience to each case, knowing that you can’t evacuate 50 towns or cities every day — and knowing too that sometimes you will unavoidably, even tragically, be wrong.

“If scientists can be held personally and legally responsible for situations where predictions don’t pan out, then it will be very hard to find scientists to stick their necks out in the future,” said David Oglesby, an associate professor on the earth sciences faculty of the University of California, Riverside, according to CNN.com.

The Italian seismologists are appealing their sentences and the global outcry over the wrong-headedness of the ruling will likely weigh in their favor. But whatever the outcome of their case, they’re really just the most recent victims of  the larger, ongoing problem of scientific illiteracy.

Just the day after the ruling came down, University of Michigan researchers released the latest results from the Generation X Report, a longitudinal study funded by the National Science Foundation that has been tracking the Gen X cohort since 1986. One of the smaller but more troubling data points in the new release was the finding that only 43% of Gen Xers (53% of males and 32% of females) can correctly identify a picture of a spiral galaxy — or know that we live in one.

Certainly, it’s possible to move successfully through life without that kind of knowledge. “Knowing your cosmic address is not a necessary job skill,” concedes study author Jon D. Miller of the University of Michigan, in a release accompanying the report. But not knowing it does suggest a certain lack of familiarity with the larger themes of the physical universe — and that has implications. It’s of a piece with the people who believe humans and dinosaurs co-existed, or the 50% of Americans who do not believe that human beings evolved from apes, or the 1 on 5 who, like Galileo’s inquisitors, don’t believe the Earth revolves around the sun.

More troubling than these types of individual illiteracy are the larger, population-wide ones that have a direct impact on public policy. As my colleague Bryan Walsh observed, the issue of climate change received not a single mention in all three of this year’s presidential debates, and has barely been flicked at on the campaign trail. Part of that might simply be combat fatigue; we’ve been having the climate argument for 25 years. But the fact is there shouldn’t be any argument at all. Serious scientists who doubt that climate change is a real threat are down to just a handful of wild breeding pairs. But sowing doubt about the matter has been a thriving industry of conservatives for decades — most recently in the form of a faux scientific study published by the Cato Institute, that purports to debunk climate science as fatally flawed at best or a hoax at worst. Speaking of a federally funded and Congressionally mandated report by the U.S. Global Change Research Program that responsibly reviewed the state of climate science, the Cato publication argues:

It is immediately obvious that the intent of the report is not to provide a accurate [sic] scientific assessment of the current and future impacts of climate change in the United States, but to confuse the reader with a loose handling of normal climate[italics theirs]…presented as climate change events.

Well, no, but never mind. Our willingness to believe in junk science like this exacts a very real price — in an electorate that won’t demand action from its leaders on a matter of global significance; in parents who leave their babies unvaccinated because someone sent them a blog post fraudulently linking vaccines to autism; in young gays and lesbians forced to submit to “conversion therapy” to change the unchangeable; in a team of good Italian scientists who may spend six years in jail for failing to predict the unpredictable. No one can make us get smart about things we don’t want to get smart about. But every day we fail to do so is another good day for stupid — and another very bad one for all of us.

Nate Silver’s ‘Signal and the Noise’ Examines Predictions (N.Y.Times)

Mining Truth From Data Babel

By LEONARD MLODINOW

Published: October 23, 2012

A friend who was a pioneer in the computer games business used to marvel at how her company handled its projections of costs and revenue. “We performed exhaustive calculations, analyses and revisions,” she would tell me. “And we somehow always ended with numbers that justified our hiring the people and producing the games we had wanted to all along.” Those forecasts rarely proved accurate, but as long as the games were reasonably profitable, she said, you’d keep your job and get to create more unfounded projections for the next endeavor.

Alessandra Montalto/The New York Times

THE SIGNAL AND THE NOISE

Why So Many Predictions Fail — but Some Don’t

By Nate Silver

Illustrated. 534 pages. The Penguin Press. $27.95.

This doesn’t seem like any way to run a business — or a country. Yet, as Nate Silver, a blogger for The New York Times, points out in his book, “The Signal and the Noise,” studies show that from the stock pickers on Wall Street to the political pundits on our news channels, predictions offered with great certainty and voluminous justification prove, when evaluated later, to have had no predictive power at all. They are the equivalent of monkeys tossing darts.

As one who has both taught and written about such phenomena, I have long felt like leaning out my window to shout, “Network”-style, “I’m as mad as hell and I’m not going to take this anymore!” Judging by Mr. Silver’s lively prose — from energetic to outraged — I think he feels the same way.

Nate Silver. Robert Gauldin

The book’s title comes from electrical engineering, where a signal is something that conveys information, while noise is an unwanted, unmeaningful or random addition to the signal. Problems arise when the noise is as strong as, or stronger than, the signal. How do you recognize which is which?

Today the data we have available to make predictions has grown almost unimaginably large: it represents 2.5 quintillion bytes of data each day, Mr. Silver tells us, enough zeros and ones to fill a billion books of 10 million pages each. Our ability to tease the signal from the noise has not grown nearly as fast. As a result, we have plenty of data but lack the ability to extract truth from it and to build models that accurately predict the future that data portends.

Mr. Silver, just 34, is an expert at finding signal in noise. He is modest about his accomplishments, but he achieved a high profile when he created a brilliant and innovative computer program for forecasting the performance of baseball players, and later a system for predicting the outcome of political races. His political work had such success in the 2008 presidential election that it brought him extensive media coverage as well as a home at The Times for his blog, FiveThiryEight.com, though some conservatives have been critical of his methods during this election cycle.

His knack wasn’t lost on book publishers, who, as he puts it, approached him “to capitalize on the success of books such as ‘Moneyball’ and ‘Freakonomics.’ ” Publishers are notorious for pronouncing that Book A will sell just a thousand copies, while Book B will sell a million, and then proving to have gotten everything right except for which was A and which was B. In this case, to judge by early sales, they forecast Mr. Silver’s potential correctly, and to judge by the friendly tone of the book, it couldn’t have happened to a nicer guy.

Healthily peppered throughout the book are answers to its subtitle, “Why So Many Predictions Fail — but Some Don’t”: we are fooled into thinking that random patterns are meaningful; we build models that are far more sensitive to our initial assumptions than we realize; we make approximations that are cruder than we realize; we focus on what is easiest to measure rather than on what is important; we are overconfident; we build models that rely too heavily on statistics, without enough theoretical understanding; and we unconsciously let biases based on expectation or self-interest affect our analysis.

Regarding why models do succeed, Mr. Silver provides just bits of advice (other than to avoid the failings listed above). Mostly he stresses an approach to statistics named after the British mathematician Thomas Bayes, who created a theory of how to adjust a subjective degree of belief rationally when new evidence presents itself.

Suppose that after reading a review, you initially believe that there is a 75 percent chance that you will like a certain book. Then, in a bookstore, you read the book’s first 10 pages. What, then, are the chances that you will like the book, given the additional information that you liked (or did not like) what you read? Bayes’s theory tells you how to update your initial guess in light of that new data. This may sound like an exercise that only a character in “The Big Bang Theory” would engage in, but neuroscientists have found that, on an unconscious level, our brains do naturally use Bayesian prediction.

Mr. Silver illustrates his dos and don’ts through a series of interesting essays that examine how predictions are made in fields including chess, baseball, weather forecasting, earthquake analysis and politics. A chapter on poker reveals a strange world in which a small number of inept but big-spending “fish” feed a much larger community of highly skilled sharks competing to make their living off the fish; a chapter on global warming is one of the most objective and honest analyses I’ve seen. (Mr. Silver concludes that the greenhouse effect almost certainly exists and will be exacerbated by man-made CO2 emissions.)

So with all this going for the book, as my mother would say, what’s not to like?

The main problem emerges immediately, in the introduction, where I found my innately Bayesian brain wondering: Where is this going? The same question came to mind in later essays: I wondered how what I was reading related to the larger thesis. At times Mr. Silver reports in depth on a topic of lesser importance, or he skates over an important topic only to return to it in a later chapter, where it is again discussed only briefly.

As a result, I found myself losing the signal for the noise. Fortunately, you will not be tested on whether you have properly grasped the signal, and even the noise makes for a good read.

Leonard Mlodinow is the author of “Subliminal: How Your Unconscious Mind Rules Your Behavior” and “The Drunkard’s Walk: How Randomness Rules Our Lives.”

Itália condena sete cientistas por não prever terremoto (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4609, de 23 de Outubro de 2012.

Em 2009, o abalo sísmico em L’Aquila matou mais de 300 pessoas e deixou cerca de 65 mil desabrigadas. Justiça alega que os especialistas foram negligentes.

Um tribunal da Itália condenou ontem (22) sete cientistas a cumprir seis anos de prisão por não terem previsto o terremoto que atingiu o país em 2009, na cidade de L’Aquila, região de Abruzzo. Mais de 300 pessoas morreram.

Todos os cientistas, que vão recorrer em liberdade, eram membros da Comissão Nacional para Previsão e Prevenção de Riscos. Foram acusados de negligência, por não terem analisado corretamente as possibilidades do terremoto acontecer e, assim, alertar as autoridades.

Entre os sete condenados estão grandes nomes da ciência italiana, como o professor Enzo Boschi, que presidiu o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia, e o vice-diretor da Defesa Civil, Bernardo de Bernardinis.

Cientistas de diversas partes do mundo protestaram contra a decisão do tribunal em condená-los por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Em protesto, uma carta com mais de 5.000 assinaturas de cientistas foi entregue ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, alegando que a ciência não possui meios para prever terremotos, e que o processo pode impedir que futuramente especialistas aconselhem governos a respeito de riscos sísmicos.

Imprevisível – Segundo a técnica de sismologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP) Célia Fernandes, é muito difícil identificar o momento exato em que irá acontecer um abalo sísmico. “Todos os profissionais de sismologia trabalham com o objetivo de prever terremotos, mas não existe regra na natureza. Mesmo a recorrência de sismos não é garantia de que um terremoto de grande magnitude está prestes a acontecer”, afirma.

Os cientistas se reuniram na cidade de L’Aquila em 31 de março de 2009, seis dias antes do terremoto, e não comunicaram sobre a chance de um abalo sísmico. Para o tribunal, eles falharam por terem subestimado os riscos, limitando a ação das autoridades públicas, que não tiveram tempo suficiente para tomar medidas necessárias para proteger a população.

Segundo os promotores, uma série de tremores de baixo nível atingiu a região nos meses que antecederam o terremoto e isso deveria ter sido interpretado pelos especialistas como um sinal do que estava para acontecer.

O terremoto de magnitude 6,3 graus atingiu L’Aquila em abril de 2009. Além das mortes, também feriu outras 1.500 pessoas. Estima-se que 65 mil tenham ficado desabrigadas. A condenação dos cientistas ainda não é definitiva. Eles devem entrar com um recurso.

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Artigos:

David Alexander. An evaluation of medium-term recovery processes after the 6 April 2009 earthquake in L’Aquila, Central Italy. Environmental Hazards, iFirst.

Abstract

This article uses the earthquake of 6 April 2009 at L’Aquila, central Italy (magnitude 6.3) as a case history of processes of recovery from disaster. These are evaluated according to criteria linked to both vulnerability analysis and disaster risk-reduction processes. The short- and medium-term responses to the disaster are evaluated, and 11 criticisms are made of the Italian Government’s policy on transitional shelter, which has led to isolation, social fragmentation and deprivation of services. Government policy on disaster risk is further evaluated in the light of the UNISDR Hyogo Framework for Action. Lack of governance and democratic participation is evident in the response to disasters. It is concluded that without an adequately planned strategy for managing the long-term recovery process, events such as the L’Aquila earthquake open up Pandora’s box of unwelcome consequences, including economic stagnation, stalled reconstruction, alienation of the local population, fiscal deprivation and corruption. Such phenomena tend to perpetuate rather than reduce vulnerability to disasters.

“[…] science and scientists were not on trial. The hypothesis of culpability being tested in the courts referred to the failure to adopt a precautionary approach in the face of clear indications of impending seismic impact, not failure to predict an earthquake, and this is amply documented in official records”.

David E. Alexander. The L’Aquila Earthquake of 6 April 2009 and Italian Government Policy on Disaster Response. Journal of Natural Resources Policy Research, Vol. 2, Iss. 4, 2010

Abstract

This paper describes the impact of the earthquake that struck the central Italian city of L’Aquila on 6 April 2009, killing 308 people and leaving 67 500 homeless. The pre-impact, emergency, and early recovery phases are discussed in terms of the nature and effectiveness of government policy. Disaster risk reduction (DRR) in Italy is evaluated in relation to the structure of civil protection and changes wrought by both the L’Aquila disaster and public scandals connected with the misappropriation of funds. Six of the most important lessons are derived from this analysis and related to DRR needs both in Italy and elsewhere in the world.

“As articulated at the meeting of the Commission on Major Risks on 31 March 2009, the Italian Government’s position was unequivocal: there was no cause for alarm. This attitude permeated its way down the ranks of the civil protection system. Then, at 00:30 hrs on Monday 6 April 2010, a tremor that was larger than usual shook L’Aquila. Residents rushed out of their houses in alarm. The strategy adopted by civil protection authorities was to tour the streets with loudspeakers advising people to calm down and return home. In the town of Pagánica, less than 10 km northeast of L’Aquila, residents did exactly that: in the ensuing main shock three hours later, eight of them died and 40 were seriously injured. In L’Aquila city I investigated one case in which a young lady had decided to remain out of doors after the foreshock, while her parents returned home. Their bodies were recovered by firemen from a space barely 15 cm wide into which the building had compressed as it collapsed”.

EUA reavaliam fator racial como critério a vaga em universidades (Folha de São Paulo)

JC e-mail 4608, de 22 de Outubro de 2012
Folha de São Paulo – 20/10/2012

Suprema Corte deve se pronunciar sobre caso de aluna que se considerou preterida no Texas. Enquanto isso, no Brasil, reitor da UFF afirma que lei de cotas é um retrocesso.

As sardas de Abigail Fisher, 22, podem fazer história. Desde o último dia 10, a Suprema Corte dos EUA examina sua queixa contra a Universidade do Texas por tê-la preterido supostamente por causa de sua cor de pele, e o veredicto pode acabar com as ações afirmativas nas universidades públicas americanas após cinco décadas em vigor.

A decisão sairá só em 2013, mas o caso acirra o debate entre defensores e detratores de critérios como raça, classe social e renda para a admissão em universidades públicas. A última vez em que o Supremo julgou o tema foi em 2003, quando, em uma queixa envolvendo a Universidade do Michigan, invalidou o uso de cotas, mas considerou constitucional o uso de raça entre os critérios de seleção.

Nos últimos 15 anos, cinco Estados americanos proibiram a ação afirmativa na admissão de universitários. No próximo dia 6, quando os EUA podem reeleger seu primeiro presidente negro (e escolhem entre dois ex-alunos da prestigiosa Escola de Direito de Harvard), Oklahoma decide se entrará para a lista.

Dois Estados trocaram a ação afirmativa por um programa de cunho socioeconômico: um percentual dos melhores estudantes de cada escola de ensino médio é automaticamente admitido. Na Flórida, 20%; no Texas, onde Fisher queria estudar, 10%. A Universidade do Texas, que Fisher almejava em 2008, adota esse critério para 81% de seus alunos.

Os demais 19% passam por um sistema de admissão que leva em conta, além do desempenho nas provas, aptidões como música, esportes e capacidade de liderança, trabalho voluntário, renda, situação familiar e raça.

A estudante, que estava entre os 15% melhores de sua escola e acabaria depois se formando pela Universidade Estadual da Louisiana, foi reprovada e sentiu-se alvo de preconceito por ser branca (a universidade alega que ela não tinha as qualificações). Em 2009, abriu o processo que, após veredictos negativos em duas instâncias, chega à Suprema Corte. Juristas preveem decisão apertada.

Especialistas – Para a professora de direito de Harvard Lani Guinier, uma das maiores especialistas em ação afirmativa e acesso ao ensino superior dos EUA, o debate corrente foca uma questão secundária. “Estamos preocupados com algo periférico no processo de admissão universitário. Deveríamos pensar é na missão dessas instituições e em como cumpri-la, não no mérito relativo dos inscritos.”

O que Guinier defende é que, se uma universidade tem como objetivo formar líderes -como diz a Universidade do Texas, pivô do caso na Suprema Corte dos EUA que pode reverter a ação afirmativa-, ela deveria procurar não só notas altas, mas vivências complementares, que ampliem a capacidade de resolver problemas em equipe.

Na visão da jurista, os exames de admissão nos EUA (que incluem testes de inglês e matemática, além de critérios mais subjetivos) servem diretamente uma elite bem educada, perpetuando o abismo educacional.

Mas a discussão, diz ela, não deveria se limitar a raça. “Se é hora de avançarmos [como alguns defendem], é hora também de repensarmos como admitimos todo mundo nas faculdades”, rebate. “A experiência dos negros aqui é como a dos canários que os mineiros levavam para o subsolo: se o ar se tornasse tóxico, eles morriam antes, mas quem continuasse ali morreria do mesmo jeito.”

Guinier sugere fixar um patamar necessário de conhecimento para entrar na universidade e depois disso o sorteio das vagas entre os aptos. “A questão é qual o papel das universidades no século 21 nas democracias. Elas querem escolher quem já é brilhante ou ser como o corpo de fuzileiros navais, que pega quem passa nos critérios básicos porque aceita a responsabilidade de formar?”

David Neumark, um professor de economia da Universidade da Califórnia que estuda o aspecto econômico da ação afirmativa, diz que em meio à cacofonia há pouca evidência ainda de que a política tenha consequências econômicas positivas ou, como alguns dizem, negativas.

Mas ressalta que, além de ver um imperativo de justiça, muitas escolas alegam que a diversidade agrega valor. Neumark acha mais factível a adoção de critérios socioeconômicos, que acabariam beneficiando largamente negros e hispânicos.

Mas rejeita a tese de alguns críticos de que a ação afirmativa prejudica, no longo prazo, aqueles que deveria beneficiar. “Tampouco há provas”, afirma. Na Califórnia, após o veto à ação afirmativa, em 1997, o número de calouros negros caiu. Na Universidade de Berkeley, por exemplo, foi de 7% em 1996 para 4% em 2010.

No Brasil – O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto Salles, afirmou ontem que a lei de cotas sancionada pela presidente Dilma Rousseff representará um retrocesso para a universidade. Ele disse temer que a medida traga problemas à instituição e cobrou o aumento de recursos para as universidades.

Segundo Salles, a UFF irá reservar 12,5% das vagas na próxima seleção “por imposição legal”. Em setembro, o reitor tinha dito que não iria acatar as cotas. Ontem, ele afirmou que mudou de ideia porque o procurador da universidade considerou que não há como recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou as cotas constitucionais.

O percentual de 12,5% é o mínimo exigido pela lei em 2013 -com o passar dos anos, será elevado para 50%. Para o reitor, porém, o novo sistema é pior do que o que vinha sendo adotado pela UFF, que desde 2007 tinha políticas afirmativas próprias.

Para 2013, a universidade tinha decidido reservar 25% das vagas para candidatos oriundos do ensino médio de escolas públicas da rede estadual e municipal e com renda familiar per capita inferior a 1,5 salário mínimo.

Ele disse que os critérios da universidade são mais adequados do que os impostos pela nova lei, que beneficiará egressos de todas as escolas públicas, inclusive técnicas e federais, de melhor desempenho. “Esses alunos já competem em igualdade com os das escolas privadas. Os prejudicados serão os alunos das redes municipais e estaduais.” A lei prevê que metade das vagas reservadas seja para pretos, pardos e indígenas.

Salles disse que, para não prejudicar os alunos de baixa renda das redes municipais e estaduais, a universidade reservará mais 10% das vagas de cada curso para esse público. Com isso, as cotas somarão 22,5% das cercas de dez mil vagas em 2013. “Os congressistas criam essa lei, mas não preveem mais recursos para as universidades”, criticou ele, que tachou ainda de “ridícula” a discussão para duplicar o percentual destinado à educação em dez anos, para 10% do PIB. “A gente precisa dos recursos já.”

Os últimos 300 Muriquis: o macaco é um dos animais com maior risco de extinção no mundo (O Globo)

JC e-mail 4609, de 23 de Outubro de 2012.

Pesquisadores vão mapear os locais no Rio onde o maior primata das Américas e candidato a mascote das Olimpíadas de 2016 resiste.

Restam apenas 300 muriquis no estado do Rio de Janeiro. Eles são ameaçados pela diminuição das áreas de floresta, pela caça e por doenças transmitidas por outros bichos. Correndo risco de extinção, o maior primata das Américas e candidato a mascote dos Jogos Olímpicos de 2016 ainda padece com a falta generalizada de informações. Pesquisadores vão a campo a partir de janeiro e, num prazo de dois anos, pretendem concluir o primeiro censo populacional e o georreferenciamento do mono-carvoeiro, como também é conhecido esse macaco exclusivamente brasileiro.

Uma força-tarefa com 20 pesquisadores vai percorrer 350 mil hectares de florestas no estado. Além do censo e do georreferenciamento, eles pretendem coletar material genético, observar hábitos, costumes, analisar a dieta, identificar os vegetais que servem de alimento. Tudo isso para entender como se dá a interação dos muriquis com o meio ambiente. O trabalho, que custará em torno de R$ 5,5 milhões, vai servir de base científica para a criação de um plano estadual de proteção do macaco. Este documento deverá orientar desde a localização de novas áreas de preservação até a escolha das espécies de plantas usadas em programas de reflorestamento, sempre levando em consideração as preferências do animal.

A iniciativa faz parte de um conjunto de outras medidas, que incluem a campanha para a escolha da mascote dos Jogos Olímpicos, programas de educação ambiental e propagandas, que pretendem fazer do muriqui um animal conhecido e protegido. A meta é criar as condições que permitam aumento da população e, principalmente, a retirada da espécie da lista de extinção.

“O muriqui servirá de modelo para outros estudos científicos, com certeza. O boto-cinza, por exemplo, também receberá investimentos do estado para pesquisas científicas”, antecipa o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

O projeto, chamado oficialmente de “Conservação do Muriqui no Rio de Janeiro: levantamento da situação da espécie para a elaboração de um plano de ação estadual”, mobilizará especialistas da ONG Ecoatlântica, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Jardim Botânico, dos centros de primatologias do Brasil e do Rio de Janeiro, da Fiocruz, UFF e UFRJ, entre outras instituições.

Não vai ser fácil mapear os hábitos do muriqui. Ao menor barulho, ele foge, com uma agilidade tão grande que é praticamente impossível persegui-lo. A desenvoltura do animal na mata, que faz lembrar a agilidade de um atleta olímpico, é um dos argumentos para fazer do muriqui a mascote dos Jogos Olímpicos do Rio. Para observar de perto esse bicho arredio, os pesquisadores terão que escalar montanhas e se embrenharem em locais de difícil acesso.

A estratégia será dividir os especialistas em dez grupos. Nas primeiras incursões, eles se espalharão pelo estado em busca de relatos e de vestígios dos muriquis. Nos locais nos quais haja alguma probabilidade de encontrar o macaco, todos eles se reunirão para fazer a varredura para a contagem e coleta de material. Quando for possível, será realizada a captura, com o auxílio de armas que lançam tranquilizantes. Nestes casos, será feita a coleta de sangue e marcação do animal.

“O muriqui é um banco genético. A gente não tem ideia hoje de como está realmente a área verde. Por exemplo, quando fizermos o estudo das fezes e analisarmos as sementes encontradas, tenho quase certeza de que identificaremos espécies novas da flora da Mata Atlântica”, explica Paula Breves, veterinária e presidente da ONG Ecoatlântica. “O Jardim Botânico ficará responsável pela análise da flora. A UFF fará o georreferenciamento das informações, mapa de ameaças, do estudo botânico. Serão muitos mapas. O pessoal da Fiocruz vai desenvolver ações de educação ambiental. Por exemplo, como trabalhar com agricultores a prevenção das queimadas.”

Os especialistas pretendem comprovar, ainda, que o Rio é o único estado da federação no qual é possível encontrar não apenas o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), que também ocorre nas matas de São Paulo e extremo Norte do Paraná, como também o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus).

“Nenhum outro estado tem a ocorrência das duas outras espécies do animal. Vamos tentar identificar o muriqui-do-norte em Itatiaia”, antecipa Daniela Pires e Albuquerque, técnica do Inea.

Há diferenças físicas entre os muriquis-do-norte, mais despigmentado, e do sul, aparentemente mais escuro. O estudo vai permitir uma comparação entre ambas as espécies, já que hoje é grande a desinformação em relação ao muriqui-do-sul. Tanto que uma das hipóteses a ser verificada é a de que não se tratam de duas espécies distintas, mas de uma subespécie.

“Temos grandes dúvidas se realmente são duas espécies distintas. Ou se um deles é uma subespécie. Vamos tentar entender isso, porque até então não há um estudo genético do muriqui-do-sul”, salienta Paula. “A pesquisa não vai gerar informações apenas sobre o muriqui. Qualquer animal que aparecer será identificado. Vamos usar câmeras para tirar fotos de qualquer bicho que se mover em uma determinada área. Até pássaros, o que for observado, anotaremos. Será um resultado secundário, que vai gerar informação importante para os parques.”

Os pesquisadores terão atenção especial em áreas nas quais haja indícios da presença do muriqui, sobretudo os parques estaduais do Desengano (que se espalha por Santa Maria Madalena, São Fidélis e Campos), dos Três Picos (Cachoeiras de Macacu, Friburgo, Teresópolis, Guapimirim e Silva Jardim), Cunhambebe (Mangaratiba, Rio Claro, Angra e Itaguaí); parques nacionais da Serra dos Órgãos (Teresópolis, Guapimirim, Magé e Petrópolis), de Itatiaia; Área de Proteção Ambiental do Cairuçu; e Reserva Ecológica da Juatinga (ambas em Paraty).

“Este estudo de campo é fundamental para a preservação do muriqui”, resume Paula. “Ainda temos relatos de caça, em Cunhambebe, há um mês. O legal é que já estamos recebendo telefones de proprietários de áreas com mata perguntando o que eles podem fazer para ajudar o muriqui, o que eles podem plantar. Isso é fantástico.”

Outro importante local para especialistas é o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), em Guapimirim. Mantido pelo Inea, há 22 espécies de primatas e 230 animais. Porém, faltam pesquisadores. Apenas o chefe da unidade, Alcides Pissinatti, desenvolve trabalhos científicos, dividindo seu tempo com a administração local. O CPRJ recebe estudiosos visitantes, mas sem vínculo com o local. Está prevista a contratação de um veterinário no próximo concurso público, diz o Inea.

“Com os muriquis em cativeiro, é possível conhecer a biologia e o comportamento da espécie. Temos seis animais, sendo que o último nasceu no dia 5 de fevereiro de 2012”, relata Pissinatti. “O ideal seria contar com cerca de 30 animais, que não podem ser da mesma família.”

Falta de espaço – Diferentemente do muriqui do Estado do Rio, que sofre com a falta de informações científicas, há cerca de 30 anos o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), sobretudo os que vivem na reserva Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, Leste de Minas Gerais, vêm sendo estudado pelo grupo de pesquisadores liderados pela primatóloga americana Karen Strier, pesquisadora e professora da Universidade de Wisconsin-Madison. Neste período, a população do macaco pulou de 60 para cerca de 200. Se, por um lado, o crescimento revela o sucesso das medidas de preservação; por outro, mostra os problemas de manter o muriqui confinado em pequenas unidades de conservação. Já falta espaço.

Esta situação está provocando mudanças de comportamento do muriqui. Os macacos ficam mais no chão, para terem outros locais além da copa das árvores. E procuram matas vizinhas, nem sempre seguras. Por este motivo, os ambientalistas querem criar um corredor ligando as unidades de conservação, com o objetivo de dar mais espaço para o maior primata das Américas se expandir.

“A mata tem seus limites. Crescendo a população, para onde vão os muriquis? É a mesma situação de uma família, quando ela cresce, precisa ir para uma casa maior ou encontrar outro espaço”, explica Karen.

Pesquisadores também constataram o aumento do número de machos. Para a especialista, esta pode ser uma forma de controle do número de macacos. Se a população crescesse muito, haveria disputa entre os animais. Neste momento, a tendência é que o índice de crescimento da população diminua.

“Ninguém entende como esse mecanismo funciona, mas, quando há excesso de população, nascem mais machos. A população cresce mais quando há mais fêmeas”, revela Karen. “Os muriquis são as espécies mais pacíficas do mundo. Eles têm um comportamento sem agressividade, não brigam. Os dentes caninos são muito pequenos. Entre eles, em vários aspectos, não tem hierarquia. Vivem numa sociedade igualitária.”

Em vez de brigar, os muriquis têm o hábito de abraçar uns aos outros. De acordo com a pesquisadora, esta é uma forma de cumprimentar o companheiro. E, se algo os assusta, eles se abraçam para se sentirem mais confiantes. Os machos não têm dominância sobre as fêmeas. Quando copulam, os machos da maioria das outras espécies ficam muito agressivos, há forte competição. No caso do muriqui, não há disputa entre machos, que compartilham as fêmeas. Pesquisadores relatam casos em que os machos esperam em fila a sua vez de ficar com a fêmea.

“Já vi cinco machos copulando no prazo de 11 minutos, sem briga alguma. Por isso os muriquis já foram comparados com os hippies: paz e amor”, conta Karen. “Eles nos mostram que é possível viver numa sociedade, até mesmo em densidade demográfica alta, sem brigas, sem disputas. E com muita tolerância, paciência e pacifismo. Hoje em dia me inspiro no comportamento do muriqui. Quando eu percebo após 30 anos de trabalho, que a espécie está crescendo e que o problema agora é procura novas áreas protegidas para esta população, fico mais esperançosa. Existe solução, é fácil. Os próprios macacos estão nos mostrando de que eles precisam: mais florestas preservadas e protegidas.”

“Decretem nossa extinção e nos enterrem aqui” (Época)

ELIANE BRUM – 22/10/2012 10h22 – Atualizado em 23/10/2012 17h06

A declaração de morte coletiva feita por um grupo de Guaranis Caiovás demonstra a incompetência do Estado brasileiro para cumprir a Constituição de 1988 e mostra que somos todos cúmplices de genocídio – uma parte de nós por ação, outra por omissão

– Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais.

O trecho pertence à carta de um grupo de 170 indígenas que vivem à beira de um rio no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, cercados por pistoleiros. As palavras foram ditadas em 8 de outubro ao conselho Aty Guasu (assembleia dos Guaranis Caiovás), após receberem a notícia de que a Justiça Federal decretou sua expulsão da terra. São 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças. Decidiram ficar. E morrer como ato de resistência – morrer com tudo o que são, na terra que lhes pertence.

Há cartas, como a de Pero Vaz de Caminha, de 1º de maio de 1500, que são documentos de fundação do Brasil: fundam uma nação, ainda sequer imaginada, a partir do olhar estrangeiro do colonizador sobre a terra e sobre os habitantes que nela vivem. E há cartas, como a dos Guaranis Caiovás, escritas mais de 500 anos depois, que são documentos de falência. Não só no sentido da incapacidade do Estado-nação constituído nos últimos séculos de cumprir a lei estabelecida na Constituição hoje em vigor, mas também dos princípios mais elementares que forjaram nosso ideal de humanidade na formação do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. A partir da carta dos Guaranis Caiovás, tornamo-nos cúmplices de genocídio. Sempre fomos, mas tornar-se é saber que se é.

Os Guaranis Caiovás avisam-nos por carta que, depois de tantas décadas de luta para viver, descobriram que agora só lhes resta morrer. Avisam a todos nós que morrerão como viveram: coletivamente, conjugados no plural.

Nos trechos mais pungentes de sua carta de morte, os indígenas afirmam:

– Queremos deixar evidente ao Governo e à Justiça Federal que, por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo. Não acreditamos mais na Justiça Brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo. Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram 4 mortes, sendo que 2 morreram por meio de suicídio, 2 em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano. Estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários de nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali está o cemitérios de todos os nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. (…) Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Como podemos alcançar o desespero de uma decisão de morte coletiva? Não podemos. Não sabemos o que é isso. Mas podemos conhecer quem morreu, morre e vai morrer por nossa ação – ou inação. E, assim, pelo menos aproximar nossos mundos, que até hoje têm na violência sua principal intersecção.

Desde o ínicio do século XX, com mais afinco a partir do Estado Novo (1937-45) de Getúlio Vargas, iniciou-se a ocupação pelos brancos da terra dos Guaranis Caiovás. Os indígenas, que sempre viveram lá, começaram a ser confinados em reservas pelo governo federal, para liberar suas terras para os colonos que chegavam, no que se chamou de “A Grande Marcha para o Oeste”. A visão era a mesma que até hoje persiste no senso comum: “terra desocupada” ou “não há ninguém lá, só índio”.

Era de gente que se tratava, mas o que se fez na época foi confiná-los como gado, num espaço de terra pequeno demais para que pudessem viver ao seu modo – ou, na palavra que é deles, Teko Porã (“o Bem Viver”). Com a chegada dos colonos, os indígenas passaram a ter três destinos: ou as reservas ou trabalhar nas fazendas como mão de obra semiescrava ou se aprofundar na mata. Quem se rebelou foi massacrado. Para os Guaranis Caiovás, a terra a qual pertencem é a terra onde estão sepultados seus antepassados. Para eles, a terra não é uma mercadoria – a terra é.

Na ditadura militar, nos anos 60 e 70, a colonização do Mato Grosso do Sul se intensificou. Um grande número de sulistas, gaúchos mais do que todos, migrou para o território para ocupar a terra dos índios. Outros despacharam peões e pistoleiros, administrando a matança de longe, bem acomodados em suas cidades de origem, onde viviam – e vivem até hoje – como “cidadãos de bem”, fingindo que não têm sangue nas mãos.

Com a redemocratização do país, a Constituição de 1988 representou uma mudança de olhar e uma esperança de justiça. Os territórios indígenas deveriam ser demarcados pelo Estado no prazo de cinco anos. Como sabemos, não foi. O processo de identificação, declaração, demarcação e homologação das terras indígenas tem sido lento, sensível a pressões dos grandes proprietários de terras e da parcela retrógrada do agronegócio. E, mesmo naquelas terras que já estão homologadas, em muitas o governo federal não completou a desintrusão – a retirada daqueles que ocupam a terra, como posseiros e fazendeiros –, aprofundando os conflitos.

Nestas últimas décadas testemunhamos o genocídio dos Guaranis Caiovás. Em geral, a situação dos indígenas brasileiros é vergonhosa. A dos 43 mil Guaranis Caiovás, o segundo grupo mais numeroso do país, é considerada a pior de todas. Confinados em reservas como a de Dourados, onde cerca de 14 mil, divididos em 43 grupos familiares, ocupam 3,5 mil hectares, eles encontram-se numa situação de colapso. Sem poder viver segundo a sua cultura, totalmente encurralados, imersos numa natureza degradada, corroídos pelo alcoolismo dos adultos e pela subnutrição das crianças, os índices de homicídio da reserva são maiores do que em zonas em estado de guerra.

A situação em Dourados é tão aterradora que provocou a seguinte afirmação da vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat: “A reserva de Dourados é talvez a maior tragédia conhecida da questão indígena em todo o mundo”. Segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que analisou os dados de 2003 a 2010, o índice de assassinatos na Reserva de Dourados é de 145 para cada 100 mil habitantes – no Iraque, o índice é de 93 assassinatos para cada 100 mil. Comparado à média brasileira, o índice de homicídios da Reserva de Dourados é 495% maior.

A cada seis dias, um jovem Guarani Caiová se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a própria vida. A maioria deles enforcou-se num pé de árvore. Entre as várias causas elencadas pelos pesquisadores está o fato de que, neste período da vida, os jovens precisam formar sua família e as perspectivas de futuro são ou trabalhar na cana de açúcar ou virar mendigos. O futuro, portanto, é um não ser aquilo que se é. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte.

Um relatório do Ministério da Saúde mostrou, neste ano, o que chamou de “dados alarmantes, se destacando tanto no cenário nacional quanto internacional”. Desde 2000, foram 555 suicídios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos. No Brasil, o índice de suicídios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os indígenas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o índice de suicídios entre os Guaranis Caiovás chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. Os pesquisadores acreditam que os números devem ser ainda maiores, já que parte dos suicídios é escondida pelos grupos familiares por questões culturais.

As lideranças Guaranis Caiovás não permaneceram impassíveis diante deste presente sem futuro. Começaram a se organizar para denunciar o genocídio do seu povo e reivindicar o cumprimento da Constituição. Até hoje, mais de 20 delas morreram assassinadas por ferirem os interesses privados de fazendeiros da região, a começar por Marçal de Souza, em 1983, cujo assassinato ganhou repercussão internacional. Ao mesmo tempo, grupos de Guaranis Caiovás abandonaram o confinamento das reservas e passaram a buscar suas tekohá, terras originais, na luta pela retomada do território e do direito à vida. Alguns grupos ocuparam fundos de fazendas, outros montaram 30 acampamentos à beira da estrada, numa situação de absoluta indignidade. Tanto nas reservas quanto fora delas, a desnutrição infantil é avassaladora.

A trajetória dos Guaranis Caiovás que anunciaram sua morte coletiva ilustra bem o destino ao qual o Estado brasileiro os condenou. Homens, mulheres e crianças empreenderam um caminho em busca da terra tradicional, localizada às margens do Rio Hovy, no município de Iguatemi (MS). Acamparam em sua terra no dia 8 de agosto de 2011, nos fundos de fazendas. Em 23 de agosto foram atacados e cercados por pistoleiros, a mando dos fazendeiros. Em um ano, os pistoleiros já derrubaram dez vezes a ponte móvel feitas por eles para atravessar um rio com 30 metros de largura e três de fundura. Em um ano, dois indígenas foram torturados e mortos pelos pistoleiros, outros dois se suicidaram.

Em tentativas anteriores de recuperação desta mesma terra, os Guaranis Caiovás já tinham sido espancados e ameaçados com armas de fogo. Alguns deles tiveram seus olhos vendados e foram jogados na beira da estrada. Em outra ocasião, mulheres, velhos e crianças tiveram seus braços e pernas fraturados. O que a Justiça Federal fez? Deferiu uma ordem de despejo. Em nota, a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) afirmou que “está trabalhando para reverter a decisão”.

Os Guaranis Caiovás estão sendo assassinados há muito tempo, de todas as formas disponíveis, as concretas e as simbólicas. “A impunidade é a maior agressão cometida contra eles”, afirma Flávio Machado, coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul. Nas últimas décadas, há pelo menos duas formas interligadas de violência no processo de recuperação da terra tradicional dos indígenas: uma privada, das milícias de pistoleiros organizadas pelos fazendeiros; outra do Estado, perpetrada pela Justiça Federal, na qual parte dos juízes, sem qualquer conhecimento da realidade vivida na região, toma decisões que não só compactuam com a violência , como a acirram.

“Quando os pistoleiros não conseguem consumar os despejos e massacres truculentos dos indígenas, os fazendeiros contratam advogados para conseguir a ordem de despejo na Justiça”, afirma Egon Heck, indigenista e cientista político, num artigo publicado em relatório do CIMI. “No momento em que ocorre a ordem de despejo, os agentes policiais agem de modo similar ao dos pistoleiros, visto que utilizam armas pesadas, queimam as ocas, ameaçam e assustam as crianças, mulheres e idosos.”

Ao fundo, o quadro maior: os sucessivos governos que se alternaram no poder após a Constituição de 1988 foram incompetentes para cumpri-la. Ao final de seus dois mandatos, Lula reconheceu que deixava o governo com essa dívida junto ao povo Guarani Caiová. Legava a tarefa à sua sucessora, Dilma Rousseff. Os indígenas escreveram, então, uma carta: “Presidente Dilma, a questão das nossas terras já era para ter sido resolvida há décadas. Mas todos os governos lavaram as mãos e foram deixando a situação se agravar. Por ultimo, o ex-presidente Lula prometeu, se comprometeu, mas não resolveu. Reconheceu que ficou com essa dívida para com nosso povo Guarani Caiová e passou a solução para suas mãos. E nós não podemos mais esperar. Não nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. Não deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperança de futuro (…) Devolvam nossas condições de vida que são nossos tekohá, nossas terras tradicionais. Não estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que estão nas leis do Brasil e internacionais”.

A declaração de morte dos Guaranis Caiovás ecoou nas redes sociais na semana passada. Gerou uma comoção. Não é a primeira vez que indígenas anunciam seu desespero e seu genocídio. Em geral, quase ninguém escuta, para além dos mesmos de sempre, e o que era morte anunciada vira morte consumada. Talvez a diferença desta carta é o fato de ela ecoar algo que é repetido nas mais variadas esferas da sociedade brasileira, em ambientes os mais diversos, considerado até um comentário espirituoso em certos espaços intelectualizados: a ideia de que a sociedade brasileira estaria melhor sem os índios.

Desqualificar os índios, sua cultura e a situação de indignidade na qual vive boa parte das etnias é uma piada clássica em alguns meios, tão recorrente que se tornou quase um clichê. Para parte da elite escolarizada, apesar do esforço empreendido pelos antropólogos, entre eles Lévi-Strauss, as culturas indígenas ainda são vistas como “atrasadas”, numa cadeia evolutiva única e inescapável entre a pedra lascada e o Ipad – e não como uma escolha diversa e um caminho possível. Assim, essa parcela da elite descarta, em nome da ignorância, a imensa riqueza contida na linguagem, no conhecimento e nas visões de mundo das 230 etnias indígenas que ainda sobrevivem por aqui.

Toda a História do Brasil, a partir da “descoberta” e da colonização, é marcada pelo olhar de que o índio é um entrave no caminho do “progresso” ou do “desenvolvimento”. Entrave desde os primórdios – primeiro, porque teve a deselegância de estar aqui antes dos portugueses; em seguida, porque se rebelava ao ser escravizado pelos invasores europeus. A sociedade brasileira se constituiu com essa ideia e ainda que a própria sociedade tenha mudado em muitos aspectos, a concepção do índio como um entrave persiste. E persiste de forma impressionante, não só para uma parte significativa da população, mas para setores do Estado, tanto no governo atual quanto nas gestões passadas.

“Entraves” precisam ser removidos. E têm sido, de várias maneiras, como a História, a passada e a presente, nos mostra. Talvez essa seja uma das explicações possíveis para o impacto da carta de morte ter alcançado um universo maior de pessoas. Desta vez, são os índios que nos dizem algo que pode ser compreendido da seguinte forma: “É isso o que vocês querem? Nos matar a todos? Então nós decidimos: vamos morrer”. Ao devolver o desejo a quem o deseja, o impacto é grande.

É importante lembrar que carta é palavra. A declaração de morte coletiva surge como palavra dita. Por isso precisamos compreender, pelo menos um pouco, o que é a palavra para os Guaranis Caiovás. Em um texto muito bonito, intitulado Ñe’ẽ – a palavra alma, a antropóloga Graciela Chamorro, da Universidade Federal da Grande Dourados, nos dá algumas pistas:

“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (…) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (…) Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (…) As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(…) Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (…) Ñe’ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (…) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo.”

A fala, diz o antropólogo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, é a parte mais sublime do ser humano para os Guaranis Caiovás. “A palavra é o cerne da resistência. Tem uma ação no mundo – é uma palavra que age. Faz as coisas acontecerem, faz o futuro. O limite entre o discurso e a profecia é tênue.”

Se a carta de Pero Vaz de Caminha marca o nascimento do Brasil pela palavra escrita, é interessante pensar o que marca a carta dos Guaranis Caiovás mais de 500 anos depois. Na carta-fundadora, é o invasor/colonizador/conquistador/estrangeiro quem estranha e olha para os índios, para sua cultura e para sua terra. Na dos Guaranis Caiovás, são os índios que olham para nós. O que nos dizem aqueles que nos veem? (Ou o que veem aqueles que nos dizem?)

A declaração de morte dos Guaranis Caiovás é “palavra que age”. Antes que o espasmo de nossa comoção de sofá migre para outra tragédia, talvez valha a pena uma última pergunta: para nós, o que é a palavra?

Eliane Brum escreve às segundas-feiras.

Suspensão opõe agronegócio e índios (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4609, de 23 de Outubro de 2012.

AGU diz que a salvaguarda será adiada até que o STF julgue embargos movidos contra a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol.

A decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) de suspender a vigência da Portaria 303, que regulamenta as salvaguardas das terras indígenas do País com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal, criou insegurança jurídica e reacendeu o conflito institucional entre setores do agronegócio, organizações indigenistas e órgãos do próprio governo, que não se entendem sobre o tema.

Em nota enviada ontem, a AGU disse que a medida foi adiada até que o STF julgue os embargos movidos contra a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, que estabeleceu os marcos do setor. A AGU informou que não dá a luta por perdida e espera retomar a vigência da portaria, de preferência sem alteração, ao longo de 2013, quando o STF terá decidido seis recursos contestando as condicionantes da Raposa Serra do Sol.

O objetivo da medida, segundo o ministro Luis Inácio Adams, é uniformizar os procedimentos jurídicos na atuação dos advogados da União em causas semelhantes. Hoje, há diferentes interpretações nos vários órgãos públicos que lidam com assuntos indígenas. O mais radical é a Funai.

A Portaria 303 prevê que o usufruto dos índios sobre suas terras não se sobrepõe ao interesse da política de defesa nacional, nem abrange o aproveitamento de recursos energéticos, como a Usina de Belo Monte, por exemplo, ou o garimpo, pesquisa ou lavra de recursos minerais, considerados patrimônio da União. Também proíbe ações como a cobrança de pedágio imposta por diversas aldeias em estradas e até rodovias federais que cortam territórios indígenas.

Mas por pressão de movimentos sociais, do Ministério Público e de órgãos do próprio governo, como a Funai – que não se entendem a respeito do tema -, o Palácio do Planalto forçou a AGU a recuar. Mas o ministro Adams informou, pela assessoria, que mantém integralmente seu entendimento sobre o assunto e o adiamento durará por pouco tempo, possivelmente até o primeiro semestre de 2013, quando se espera que os embargos estejam julgados.

Não será uma luta fácil, pois a divergência continua forte dentro do governo. A Funai reafirmou que mantém sua posição absolutamente contrária ao espírito da portaria, que considera uma afronta ao direito dos povos indígenas e apoiará as ações de organizações sociais para revogar a medida, que estende para todos os processos demarcatórios, até mesmo os já finalizados, a obrigação de que sejam observadas as mesmas condicionantes impostas no caso da Raposa Serra do Sol.

Essas condicionantes, adotadas em 2009, proíbem a ampliação das áreas indígenas e colocam em xeque a consulta prévia aos povos originários sobre empreendimentos que os afetem. O artigo mais polêmico da portaria transpõe para todo o País de forma clara o entendimento quando diz que “é vedada a ampliação de terra indígena já demarcada”.

Novo Maracanã ameaça índios que vivem ao lado da obra (UOL)

17/06/2012

VídeoNovo Maracanã ameaça índios que vivem ao lado da obra

O Maracanã completou 62 anos no último sábado em meio a um processo de transformação. Em obras para a Copa de 2014, o estádio está ganhando uma nova arquibancada, cobertura e seu entorno será revitalizado. Essa modernização, porém, é um problema para um grupo de moradores que há seis anos habita um terreno colado ao estádio.

Os prejudicados são cerca de 20 índios da Aldeia Maracanã, que terão de deixar suas casas por causa da reforma do estádio. Eles vivem na área onde, anos atrás, funcionou o Museu do Índio, que também deve ser demolido por causa das obras

Atualizado em 18/06/2012 às 16h21

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Reforma do Maracanã para Copa deve demolir prédio de museu e remover aldeia indígena

Vinicius Konchinski – 17/06/2012

Do UOL, no Rio de Janeiro

Governo do Rio de Janeiro quer transformar área ocupada em área de evacuação do MaracanãSergio Moraes/Reuters

Governo do Rio de Janeiro quer transformar área ocupada em área de evacuação do Maracanã

O Maracanã completou 62 anos no último sábado em meio a um processo de transformação. Em obras para a Copa de 2014, o estádio está ganhando uma nova arquibancada, cobertura e seu entorno será revitalizado. Essa modernização, porém, é um problema para um grupo de moradores que há seis anos habita um terreno colado ao estádio.

Os prejudicados são cerca de 20 índios da Aldeia Maracanã, que terão de deixar suas casas por causa da reforma do estádio. Eles vivem na área onde, anos atrás, funcionou o Museu do Índio, que também deve ser demolido por causa das obras.

O prédio do museu foi inaugurado no século XIX e pertence à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do governo federal. Ele estava abandonado quando os índios chegaram ao local.

Hoje, no terreno espremido entre a avenida Presidente Castelo Branco e o canteiro de obras do Maracanã, há hoje seis casas construídas pelos próprios indígenas. Foram erguidas também duas grandes ocas onde eles se reúnem e comem juntos.

Na base do improviso, os índios plantam no terreno alguns alimentos para subsistência e ganham algum dinheiro vendendo artesanato. Eles também usam o antigo prédio do Museu do Índio como centro cultural e sonham conseguir sua propriedade definitiva para revitalizarem o local, que serviria de ponto de encontro para índios de todo o país.

“Esse imóvel já faz parte da história do movimento indígena”, afirma Xamakari Apurinã, uma das lideranças da aldeia. “Queremos que esse prédio seja transformado em centro de referência indígena, onde os 240 povos do Brasil possam expor sua cultura.”

Xamakari e os outros índios sabem, entretanto, que esse projeto esbarra no grande plano que o governo estadual tem para o Maracanã. Com tudo o que está sendo projetado para o estádio, o governo não quer que a aldeia continue ali.

Segundo o governador Sérgio Cabral, a área da aldeia e o antigo prédio do Museu do Índio devem dar lugar aos novos acessos para o Maracanã. Por isso, o estado já está negociando a compra do imóvel junto à Conab. “Ali vai ser uma área de mobilidade. Uma área que é exigida pela Fifa e que está correta”, afirmou Cabral, na última sexta-feira.

O próprio vídeo do projeto de reforma do Maracanã para a Copa do Mundo (assista à esquerda) já mostra a área do estádio sem a aldeia. Sobre os índios que vivem ali, o governador disse que eles serão “muito bem cuidados pela Funai”.

Esses índios, porém, não querem sair do entorno do Maracanã e prometem lutar até o fim pela posse do terreno. Segundo eles, aquela área tem uma importância histórica. Já foi habitada por uma tribo chamada Maracanã, mesmo nome de um um rio que passa no local e, claro, do maior estádio do Rio de Janeiro. Por tudo isso, ficar ali é questão de honra.

“A ocupação do terreno é uma forma de mostrar a resistência dos índios contra tudo o que foi feito contra a gente desde o descobrimento do Brasil”, disse Dauá Puri, que também vive na Aldeia Maracanã. “Esse local precisa ser usado para preservação da cultura do índios.”

Um país estranho (FSP)

VLADIMIR SAFATLE

São Paulo, terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Islândia é uma ilha com pouco mais de 300 mil habitantes que parece decidida a inventar a democracia do futuro.

Por uma razão não totalmente clara, esse país que fora um dos primeiros a quebrar com a crise financeira de 2008 sumiu em larga medida das páginas da imprensa mundial. Coisas estranhas, no entanto, aconteceram por lá.

Primeiro, o presidente da República submeteu a plebiscito propostas de ajuda estatal a bancos falidos. O ex-primeiro-ministro grego George Papandreou foi posto para fora do governo quando aventou uma ideia semelhante. O povo islandês, todavia, não se fez de rogado e disse claramente que não pagaria nenhuma dívida de bancos.

Mais do que isso, os executivos dos bancos foram presos e o primeiro-ministro que governava o país à época da crise foi julgado e condenado.

Algo muito diferente do resto da Europa, onde os executivos que quebraram a economia mundial foram para casa levando no bolso “stock options” vindos diretamente das ajudas estatais.

Como se não bastasse, a Islândia resolveu escrever uma nova Constituição. Submetida a sufrágio universal, ela foi aprovada no último fim de semana. A Constituição não foi redigida por membros do Parlamento ou por juristas, mas por 25 “pessoas comuns” escolhidas de maneira direta.

Durante sua redação, qualquer um podia utilizar as redes sociais para enviar sugestões de leis e questionar o projeto. Todas as discussões entre os membros do Conselho Constitucional podiam ser acompanhadas do computador de qualquer cidadão.

O resultado é uma Constituição que estatiza todos os recursos naturais, impede o Estado de ter documentos secretos sobre seus cidadãos e cria as bases de uma democracia direta, onde basta o pedido de 10% da população para que uma lei aprovada pelo Parlamento seja objeto de plebiscito.

Seu preâmbulo não poderia ser mais claro a respeito do espírito de todo o documento: “Nós, o povo da Islândia, queremos criar uma sociedade justa que ofereça as mesmas oportunidades a todos. Nossas diferentes origens são uma riqueza comum e, juntos, somos responsáveis pela herança de gerações”.

Em uma época na qual a Europa afunda na xenofobia e esquece o igualitarismo como valor republicano fundamental, a Constituição islandesa soa estranha. Esse estranho país, contudo, já não está mais em crise econômica.

Cresceu 2,1% no ano passado e deve crescer 2,7% neste ano. Eles fizeram tudo o que Portugal, Espanha, Grécia, Itália e outros não fizeram. Ou seja, eles confiaram na força da soberania popular e resolveram guiar seu destino com as próprias mãos. Algo atualmente muito estranho.

VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

As ‘coisas indescritíveis’ do mundo do consumo (OESP)

Por Washington Novaes – 19 de outubro de 2012

O historiador Eric J. Hobsbawn, que morreu no começo da semana passada, deixou livros em que caracterizou de forma contundente os tempos que estamos vivendo. “Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis”, escreveu ele no ensaio Barbárie: Manual do Usuário. Ou, então, “aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado”. Por isso, certamente Hobsbawn não se espantaria com a notícia estampada no jornal O Estado de S. Paulo poucos dias antes de sua morte: Na Espanha, cadeados nas latas de lixo (27/9). “Com cada vez mais pessoas vivendo de restos, prefeitura (de Madri) tranca as latas como medida de saúde pública.” Nada haveria a estranhar num país onde a taxa de desemprego está por volta de 25%, 22% das famílias vivem na pobreza e 600 mil não têm nenhuma renda.

E que pensaria o historiador com a notícia (Estado, 26/9) de que as autoridades de Bulawato, no Zimbábue (África), “pediram aos cidadãos que sincronizem as descargas de seus vasos sanitários para poupar água. (…) Os moradores devem esvaziar os vasos apenas a cada três dias e em horários determinados”? Provavelmente Hobsbawn não se espantaria, informado das estatísticas da ONU segundo as quais 23% da população mundial (mais de 1,5 bilhão de pessoas) defeca ao ar livre por não ter instalações sanitárias em sua casa. As do Zimbábue ainda estão à frente.

E da China que pensaria ele ao ler nos jornais (22/9) que a prefeitura de Xinjian, no leste do país, “está sob intensa crítica da opinião pública após enjaular dezenas de mendigos no mesmo lugar durante um festival religioso”? Ao lado da foto das jaulas nas ruas com mendigos encarcerados, a explicação de autoridades de que assim fizeram porque os pedintes assediavam peregrinos e corriam risco de ser atropelados ou pisoteados. Mas “entraram nas jaulas voluntariamente”. Será para não correr riscos desse tipo que “quatro estrangeiros de origem ignorada” vivem há três meses no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, recusando-se a dizer sua nacionalidade e procedência (Folha de S.Paulo, 29/9)? “Em tempos de transformação”, disse o psicanalista Leopold Nosek a Sonia Racy (Estado, 7/10), “quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros”.

Para onde se caminhará? Na Europa, diz a Organização Internacional do Trabalho que, com todo o sul do continente em crise, o desemprego na faixa dos 15 aos 24 anos crescerá 22% em 2013, pouco menos no ano seguinte. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego entre jovens está em 17,4%, talvez caia para 13,35% até 2017 (Agência Estado, 5/9). O desemprego médio nos 17 países da zona do euro subiu para 11,4%.

Pulemos para o lado de cá. Um em cada cinco brasileiros entre 18 e 25 anos não trabalha nem estuda (Estado, 26/9). São 5,3 milhões de jovens. Computados também os que buscam trabalho, chega-se a 7,2 milhões. As mulheres são maioria. E o déficit ocorre embora o País tenha gerado 2,2 milhões de empregos formais em 2011.

As estatísticas são alarmantes. A revista New Scientist (28/7) diz que 1% da população norte-americana controla 40% da riqueza. Já existem 1.226 bilionários no mundo. “Nós somos os 99%”, diz o movimento de protesto Occupy. Entre suas estatísticas estão as que os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vêm publicando desde a década de 1990: pouco mais de 250 pessoas, com ativos superiores a US$ 1 bilhão cada, têm, juntas, mais do que o produto bruto conjunto dos 40 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Já a metade mais pobre da população mundial fica com 1% da renda global total. Menos de 20% da população mundial, concentrada nos países industrializados, consome 80% dos recursos totais. E 92 mil pessoas já acumulam em paraísos fiscais cerca de US$ 21 trilhões, afirma a Tax Justice Network.

E que se fará, com a população mundial aumentando e os recursos naturais – inclusive terra para plantar alimentos – escasseando? É cada vez maior o número de economistas que já mencionam com frequência a “crise da finitude de recursos”. Os preços médios de alimentos “devem dobrar até 2030, incluídos milho (mais 177%), trigo (mais 120% e arroz (107%)”, alerta a ONG Oxfam (Instituto Carbono Brasil, 6/9). 775 milhões de jovens e adultos são analfabetos e não têm como aumentar a renda (Rádio ONU, 10/9).

De volta outra vez ao nosso terreiro, vemos que “mais de 90% das cidades estão sem plano para o lixo” (Estado, 2/8). Na cidade de São Paulo, 90% do lixo reciclável vai para aterros sanitários (CicloVivo, 10/8). Diariamente 5,4 bilhões de litros de esgotos não tratados são descartados. Perto de metade dos domicílios não é ligada a redes de esgotos. A perda de água nas redes de distribuição (por furos, vazamentos, etc.) está por volta de 40% do total. Mas 23% das cidades racionam água, segundo o IBGE (Estado, 20/10/2011). E grande parte da água do Rio São Francisco que será transposta irá para localidades com essas perdas – antes de corrigi-las. E com o líquido custando muito mais caro, já que muita energia será necessária para elevá-lo aos pontos de destino.

Enquanto isso, a campanha eleitoral correu morna em praticamente todo o País, com candidatos fazendo de conta que vivemos na terra da promissão, não precisamos de planos diretores rigorosos nas cidades, não precisamos responsabilizar quem mais consome – e mais gera resíduos -, não precisamos impedir a impermeabilização do solo das cidades nem impedir a ocupação de áreas de risco.

“A sociedade de consumo”, escreveu Hobsbawn, “interessa-se apenas pelo que pode comprar agora e no futuro”. Mas terá de resolver o problema de 1 bilhão de idosos em dez anos (Fundo de População das Nações Unidas, 1.º/10).

Washington Novaes é jornalista.

(O Estado de S. Paulo)

L’Aquila quake: Italy scientists guilty of manslaughter (BBC)

22 October 2012

The BBC’s Alan Johnston in Rome says the prosecution argued that the scientists were “just too reassuring”

Six Italian scientists and an ex-government official have been sentenced to six years in prison over the 2009 deadly earthquake in L’Aquila.

A regional court found them guilty of multiple manslaughter.

Prosecutors said the defendants gave a falsely reassuring statement before the quake, while the defence maintained there was no way to predict major quakes.

The 6.3 magnitude quake devastated the city and killed 309 people.

Many smaller tremors had rattled the area in the months before the quake that destroyed much of the historic centre.

It took Judge Marco Billi slightly more than four hours to reach the verdict in the trial, which had begun in September 2011.

Lawyers have said that they will appeal against the sentence. As convictions are not definitive until after at least one level of appeal in Italy, it is unlikely any of the defendants will immediately face prison.

‘Alarming’ case

The seven – all members of the National Commission for the Forecast and Prevention of Major Risks – were accused of having provided “inaccurate, incomplete and contradictory” information about the danger of the tremors felt ahead of 6 April 2009 quake, Italian media report.

In addition to their sentences, all have been barred from ever holding public office again, La Repubblica reports.

In the closing statement, the prosecution quoted one of its witnesses, whose father died in the earthquake.

It described how Guido Fioravanti had called his mother at about 11:00 on the night of the earthquake – straight after the first tremor.

“I remember the fear in her voice. On other occasions they would have fled but that night, with my father, they repeated to themselves what the risk commission had said. And they stayed.”

‘Hasty sentence’

The judge also ordered the defendants to pay court costs and damages.

Reacting to the verdict against him, Bernardo De Bernardinis said: “I believe myself to be innocent before God and men.”

“My life from tomorrow will change,” the former vice-president of the Civil Protection Agency’s technical department said, according to La Repubblica.

“But, if I am judged by all stages of the judicial process to be guilty, I will accept my responsibility.”

Another, Enzo Boschi, described himself as “dejected” and “desperate” after the verdict was read.

“I thought I would have been acquitted. I still don’t understand what I was convicted of.”

One of the lawyers for the defence, Marcello Petrelli, described the sentences as “hasty” and “incomprehensible”.

‘Inherently unpredictable’

The case has alarmed many in the scientific community, who feel science itself has been put on trial.

Some scientists have warned that the case might set a damaging precedent, deterring experts from sharing their knowledge with the public for fear of being targeted in lawsuits, the BBC’s Alan Johnston in Rome reports.

Among those convicted were some of Italy’s most prominent and internationally respected seismologists and geological experts.

Earlier, more than 5,000 scientists signed an open letter to Italian President Giorgio Napolitano in support of the group in the dock.

After the verdict was announced, David Rothery, of the UK’s Open University, said earthquakes were “inherently unpredictable”.

“The best estimate at the time was that the low-level seismicity was not likely to herald a bigger quake, but there are no certainties in this game,” he said.

Malcolm Sperrin, director of medical physics at the UK’s Royal Berkshire Hospital said that the sentence was surprising and could set a worrying precedent.

“If the scientific community is to be penalised for making predictions that turn out to be incorrect, or for not accurately predicting an event that subsequently occurs, then scientific endeavour will be restricted to certainties only and the benefits that are associated with findings from medicine to physics will be stalled.”

Analysis

by Jonathan Amos – Science correspondent

The Apennines, the belt of mountains that runs down through the centre of Italy, is riddled with faults, and the “Eagle” city of L’Aquila has been hammered time and time again by earthquakes. Its glorious old buildings have had to be patched up and re-built on numerous occasions.

Sadly, the issue is not “if” but “when” the next tremor will occur in L’Aquila. But it is simply not possible to be precise about the timing of future events. Science does not possess that power. The best it can do is talk in terms of risk and of probabilities, the likelihood that an event of a certain magnitude might occur at some point in the future.

The decision to prosecute some of Italy’s leading geophysicists drew condemnation from around the world. The scholarly bodies said it had been beyond anyone to predict exactly what would happen in L’Aquila on 6 April 2009.

But the authorities who pursued the seven defendants stressed that the case was never about the power of prediction – it was about what was interpreted to be an inadequate characterisation of the risks; of being misleadingly reassuring about the dangers that faced their city.

Nonetheless, the verdicts will come as a shock to all researchers in Italy whose expertise lies in the field of assessing natural hazards. Their pronouncements will be scrutinised as never before, and their fear will be that they too could find themselves embroiled in legal action over statements that are inherently uncertain.

THOSE CONVICTED

Bernardo De Bernardinis, former deputy chief of Italy's civil protection department

Franco Barberi, head of Serious Risks Commission

Enzo Boschi, former president of the National Institute of Geophysics

Giulio Selvaggi, director of National Earthquake Centre

Gian Michele Calvi, director of European Centre for Earthquake Engineering

Claudio Eva, physicist

Mauro Dolce, director of the the Civil Protection Agency’s earthquake risk office

Bernardo De Bernardinis, former vice-president of Civil Protection Agency’s technical department

 

*   *   *

Scientists in the dock over L’Aquila earthquake

By Susan Watts 

BBC Newsnight Science editor

20 September 2011

Next week six scientists and an official go on trial in Italy for manslaughter over the earthquake in L’Aquila that killed 309 people two years ago.

This extraordinary case has attracted international attention because science itself seemed to be on trial, with the seven defendants apparently charged for failing to predict the magnitude 6.3 earthquake that struck on the night of 6 April 2009.

Scientists cannot yet say when an earthquake is going to happen with any precision, even in a seismically active zone. And over 5,000 scientists from around the world have signed a letter supporting those on trial.

Quake damaged buildings in OnnaThe earthquake was felt throughout central Italy

“I’m afraid that like an earthquake, nothing in this case is predictable. Let’s not forget, this trial is happening in L’Aquila, where the entire population has been personally affected, and awaiting a sentence that should not happen, but could happen,” Marcello Milandri said.Yet the lawyer for one of the scientists, in an interview with Newsnight, said it is possible his client will be convicted:

Seismologists can assess only the probability that a quake may happen, and then with a large degree of uncertainty about its properties.

In some circumstances, they may be able to say that the likelihood of an event has gone up, to help authorities prepare for an emergency, perhaps by concentrating on particularly vulnerable buildings or sectors of the population, such as school-children.

Weighing the risks

The signatories to the letter say the authorities should focus on earthquake protection, instead of pursuing scientists in what some feel is a Galileo-style inquisition.

The Commission calmed the local population down following a number of earth tremors. After the quake, we heard people’s accounts and they told us they changed their behaviour following the advice of the commission 

Inspector Lorenzo Cavallo

Newsnight went to L’Aquila to find out why this case has come about.

The prosecution team said they never intended to put science on trial, that they know it is not possible to predict an earthquake.

What they are questioning is whether the six scientists and the official on trial, who together constitute Italy’s Commission of Grand Risks, did their jobs properly.

That is, did they weigh up all the risks, and communicate these clearly to the authorities seeking their advice?

The local investigator, Inspector Lorenzo Cavallo, said: “The Commission calmed the local population down following a number of earth tremors. After the quake, we heard people’s accounts and they told us they changed their behaviour following the advice of the commission.

“It is our duty to investigate what has been said in each case and pass it on to the legal authority.”

Radon gas claims

A local journalist, Giustino Parisse, who lived in Onna, a small hamlet outside L’Aquila at the time, is one of those bringing the case.

In the weeks leading up to the major quake there had been a series of tremors. On the night of 5 April, several large shocks kept his children awake.

They were anxious, but he told them to go back to bed, that there was no need to worry, the scientists had said so.

Rescuers carrying bodyThe quake was the deadliest to hit Italy since 1980

His 16-year-old daughter and 17-year-old son both died in the earthquake that night, along with his father, when the family home collapsed.

He told Newsnight that people had been becoming increasingly anxious, in part because of warnings from a local nuclear scientist, Giampaolo Giuliani, that raised levels of radon gas in the area suggested to him an earthquake might be imminent.

How valuable this is as an indicator is widely disputed, and most experts in this field believe it is unreliable.

At the time the head of Italy’s civil protection agency, Guido Bertolaso,took the unusual step of asking his Commission of Grand Risks to fly to L’Aquila to discuss the situation.

They held a meeting that lasted only an hour or so, then the official now on trial, Bernardo de Bernadinis, who was then deputy director of the civil protection department, held a hurried press briefing, in reassuring tones.

Two of those on trial are linked to Italy’s National institute of Geophysics and Volcanology (INGV).

The institute’s head of public affairs, Pasquale de Santis, told Newsnight that the trial is a distraction, that seismologists have been saying since 1998 that this is a high risk area, and that people should instead be focussing on those who failed properly to enforce building codes in L’Aquila.

Funding needed

We put this to the mayor of L’Aquila, Massimo Cialente. He hopes the trial will prompt a national debate, and make it easier for him to raise the funds and support he needs to protect people against future earthquakes.

He said six days before the major quake he moved local children from a school damaged in an earlier tremor. He said he had no official budget to do that, because prevention is not a national priority.

“We closed the school and we had to transfer 500 pupils. I needed money, but I started the work without the money. If the quake did not happen I would be charged for that.”

Those bringing the case say the people of L’Aquila have a right to know what happened. Many hope the trial will bring some peace of mind.

But some of those who signed the letter of support told Newsnight they fear the case will dissuade scientists from leaving their labs to engage with politicians and the public.

John McCloskey, professor of geophysics at Ulster University, said these scientists have spent their lives producing some of the most sophisticated seismic maps in the world.

He said it is an “outrage” that they are now on trial for manslaughter, adding that he signed the letter because “their peril is our peril”.

*   *   *

Can we predict when and where quakes will strike?

By Leila Battison – Science reporter

20 September 2011

l'Aquila earthquakeSeismologists try to manage the risk of building damage and loss of life

This week, six seismologists go on trial for the manslaughter of 309 people, who died as a result of the 2009 earthquake in l’Aquila, Italy.

The prosecution holds that the scientists should have advised the population of l’Aquila of the impending earthquake risk.

But is it possible to pinpoint the time and location of an earthquake with enough accuracy to guide an effective evacuation?

There are continuing calls for seismologists to predict where and when a large earthquake will occur, to allow complete evacuation of threatened areas.

Predicting an earthquake with this level of precision is extremely difficult, because of the variation in geology and other factors that are unique to each location.

Attempts have been made, however, to look for signals that indicate a large earthquake is about to happen, with variable success.

Historically, animals have been thought to be able to sense impending earthquakes.

Noticeably erratic behaviour of pets, and mass movement of wild animals like rats, snakes and toads have been observed prior to several large earthquakes in the past.

Following the l’Aquila quake, researchers published a study in the Journal of Zoology documenting the unusual movement of toads away from their breeding colony.

But scientists have been unable to use this anecdotal evidence to predict events.

The behaviour of animals is affected by too many factors, including hunger, territory and weather, and so their erratic movements can only be attributed to earthquakes in hindsight.

Precursor events

When a large amount of stress is built up in the Earth’s crust, it will mostly be released in a single large earthquake, but some smaller-scale cracking in the build-up to the break will result in precursor earthquakes.

“There is no scientific basis for making a prediction” – Richard Walker, University of Oxford

These small quakes precede around half of all large earthquakes, and can continue for days to months before the big break.

Some scientists have even gone so far as to try to predict the location of the large earthquake by mapping the small tremors.

The “Mogi Doughnut Hypothesis” suggests that a circular pattern of small precursor quakes will precede a large earthquake emanating from the centre of that circle.

While half of the large earthquakes have precursor tremors, only around 5% of small earthquakes are associated with a large quake.

So even if small tremors are felt, this cannot be a reliable prediction that a large, devastating earthquake will follow.

“There is no scientific basis for making a prediction”, said Dr Richard Walker of the University of Oxford.

In several cases, increased levels of radon gas have been observed in association with rock cracking that causes earthquakes.

Leaning buildingSmall ground movements sometimes precede a large quake

Radon is a natural and relatively harmless gas in the Earth’s crust that is released to dissolve into groundwater when the rock breaks.

Similarly, when rock cracks, it can create new spaces in the crust, into which groundwater can flow.

Measurements of groundwater levels around earthquake-prone areas see sudden changes in the level of the water table as a result of this invisible cracking.

Unfortunately for earthquake prediction, both the radon emissions and water level changes can occur before, during, or after an earthquake, or not at all, depending on the particular stresses a rock is put under.

Advance warning systems

The minute changes in the movement, tilt, and the water, gas and chemical content of the ground associated with earthquake activity can be monitored on a long term scale.

Measuring devices have been integrated into early warning systems that can trigger an alarm when a certain amount of activity is recorded.

Prediction will only become possible with a detailed knowledge of the earthquake process. Even then, it may still be impossible” – Dr Dan Faulkner, University of Liverpool

Such early warning systems have been installed in Japan, Mexico and Taiwan, where the population density and high earthquake risk pose a huge threat to people’s lives.

But because of the nature of all of these precursor reactions, the systems may only be able to provide up to 30 seconds’ advance warning.

“In the history of earthquake study, only one prediction has been successful”, explains Dr Walker.

The magnitude 7.3 earthquake in 1975 in Haicheng, North China was predicted one day before it struck, allowing authorities to order evacuation of the city, saving many lives.

But the pattern of seismic activity that this prediction was based on has not resulted in a large earthquake since, and just a year later in 1976 a completely unanticipated magnitude 7.8 earthquake struck nearby Tangshan causing the death of over a quarter of a million people.

The “prediction” of the Haicheng quake was therefore just a lucky unrepeatable coincidence.

A major problem in the prediction of earthquake events that will require evacuation is the threat of issuing false alarms.

Scientists could warn of a large earthquake every time a potential precursor event is observed, however this would result in huge numbers of false alarms which put a strain on public resources and might ultimately reduce the public’s trust in scientists.

“Earthquakes are complex natural processes with thousands of interacting factors, which makes accurate prediction of them virtually impossible,” said Dr Walker.

Seismologists agree that the best way to limit the damage and loss of life resulting from a large earthquake is to predict and manage the longer-term risks in an earthquake-prone area. These include the likelihood of building collapsing and implementing emergency plans.

“Detailed scientific research has told us that each earthquake displays almost unique characteristics, preceded by foreshocks or small tremors, whereas others occur without warning. There simply are no rules to utilise in order to predict earthquakes,” said Dr Dan Faulkner, senior lecturer in rock mechanics at the University of Liverpool.

“Earthquake prediction will only become possible with a detailed knowledge of the earthquake process. Even then, it may still be impossible.”

What causes an earthquake?

An earthquake is caused when rocks in the Earth’s crust fracture suddenly, releasing energy in the form of shaking and rolling, radiating out from the epicentre.

The rocks are put under stress mostly by friction during the slow, 1-10 cm per year shuffling of tectonic plates.

The release of this friction can happen at any time, either through small frequent fractures, or rarer breaks that release a lot more energy, causing larger earthquakes.

It is these large earthquakes that have devastating consequences when they strike in heavily populated areas.

Attempts to limit the destruction of buildings and the loss of life mostly focus on preventative measures and well-communicated emergency plans.

*   *   *

Long-range earthquake prediction – really?

By Megan Lane – BBC News

11 May 201

Model figures on shaky jigsaw

In Italy, Asia and New Zealand, long-range earthquake predictions from self-taught forecasters have recently had people on edge. But is it possible to pinpoint when a quake will strike?

It’s a quake prediction based on the movements of the moon, the sun and the planets, and made by a self-taught scientist who died in 1979.

But on 11 May 2011, many people planned to stay away from Rome, fearing a quake forecast by the late Raffaele Bendandi – even though his writings contained no geographical location, nor a day or month.

In New Zealand too, the quake predictions of a former magician who specialises in fishing weather forecasts have caused unease.

“The date is not there, nor is the place” – Paola Lagorio, of the foundation that honours Bendandi

After a 6.3 quake scored a direct hit on Christchurch in February, Ken Ring forecast another on 20 March, caused by a “moon-shot straight through the centre of the earth”. Rattled residents fled the city.

Predicting quakes is highly controversial, says Brian Baptie, head of seismology at the British Geological Survey. Many scientists believe it is impossible because of the quasi-random nature of earthquakes.

“Despite huge efforts and great advances in our understanding of earthquakes, there are no good examples of an earthquake being successfully predicted in terms of where, when and how big,” he says.

Many of the methods previously applied to earthquake prediction have been discredited, he says, adding that predictions such as that in Rome “have little basis and merely cause public alarm”.

Woman holding pet cat in a tsunami devastated street in JapanCan animals pick up quake signals?

Seismologists do monitor rock movements around fault lines to gauge where pressure is building up, and this can provide a last-minute warning in the literal sense, says BBC science correspondent Jonathan Amos.

“In Japan and California, there are scientists looking for pre-cursor signals in rocks. It is possible to get a warning up to 30 seconds before an earthquake strikes your location. That’s enough time to get the doors open on a fire station, so the engines can get out as soon as it is over.”

But any longer-range prediction is much harder.

“It’s like pouring sand on to a pile, and trying to predict which grain of sand on which side of the pile will cause it to collapse. It is a classic non-linear system, and people have been trying to model it for centuries,” says Amos.

In Japan, all eyes are on the faults that lace its shaky islands.

On Monday, Trade and Industry Minister Banri Kaieda urged that the Hamaoka nuclear plant near a fault line south-west of Tokyo be shut down, pending the construction of new tsunami defences.

Seismologists have long warned that a major earthquake is overdue in this region.

But overdue earthquakes can be decades, if not centuries, in coming. And this makes it hard to prepare, beyond precautions such as construction standards and urging the populace to lay in emergency supplies that may never be needed.

Later this year, a satellite is due to launch to test the as-yet unproven theory that there is a link between electrical disturbances on the edge of our atmosphere and impending quakes on the ground below.

Toad warning

Then there are the hypotheses that animals may be able to sense impending earthquakes.

Last year, the Journal of Zoology published a study into a population of toads that left their breeding colony three days before a 6.3 quake struck L’Aquila, Italy, in 2009. This was highly unusual behaviour.

But it is hard to objectively and quantifiably study how animals respond to seismic activity, in part because earthquakes are rare and strike without warning.

A man in Christchurch carrying a young girl through stricken streetsCountries in the Pacific’s “Ring of Fire”, like New Zealand, are regularly shaken by quakes

“At the moment, we know the parts of the world where earthquakes happen and how often they happen on average in these areas,” says Dr Baptie.

This allows seismologists to make statistical estimates of probable ground movements that can be use to plan for earthquakes and mitigate their effects. “However, this is still a long way from earthquake prediction,” he says.

And what of the “prophets” who claim to predict these natural disasters?

“Many regions, such as Indonesia and Japan, experience large earthquakes on a regular basis, so vague predictions of earthquakes in these places requires no great skill.”

 

Who was Raffaele Bendandi?

  • Born in 1893 in central Italy
  • In November 1923, he predicted a quake would strike on January 2, 1924
  • Two days after this date, it did, in Italian province of Le Marche
  • Mussolini made him a Knight of the Order of the Crown of Italy
  • But he also banned Bendandi from making public predictions, on pain of exile

Vídeo: Gente do Terra Madre

 

Neste vídeo você pode ver um panorama das pessoas e idéias que se entrecruzam no “Terra Madre – encontro mundial das comunidades do alimento” (terramadre.org). Evento que, a cada dois anos, reúne na Itália cerca de 7mil pessoas vindas de 150 países, entre pequenos produtores, agricultores, pescadores artesanais, cozinheiros, pesquisadores e ativistas do Slow Food (slowfood.com). Pessoas comprometidas em defender e promover modos de produção que respeitam o meio-ambiente, atentos aos recursos naturais do planeta, à conservação da biodiversidade e justiça social.

Saiba mais:
http://terramadre.slowfoodbrasil.com

Books Change How a Child’s Brain Grows (Wired)

By Moheb Costandi, ScienceNOW – October 18, 2012

Image: Peter Dedina/Flickr

NEW ORLEANS, LOUISIANA — Books and educational toys can make a child smarter, but they also influence how the brain grows, according to new research presented here on Sunday at the annual meeting of the Society for Neuroscience. The findings point to a “sensitive period” early in life during which the developing brain is strongly influenced by environmental factors.

Studies comparing identical and nonidentical twins show that genes play an important role in the development of the cerebral cortex, the thin, folded structure that supports higher mental functions. But less is known about how early life experiences influence how the cortex grows.

To investigate, neuroscientist Martha Farah of the University of Pennsylvania and her colleagues recruited 64 children from a low-income background and followed them from birth through to late adolescence. They visited the children’s homes at 4 and 8 years of age to evaluate their environment, noting factors such as the number of books and educational toys in their houses, and how much warmth and support they received from their parents.

More than 10 years after the second home visit, the researchers used MRI to obtain detailed images of the participants’ brains. They found that the level of mental stimulation a child receives in the home at age 4 predicted the thickness of two regions of the cortex in late adolescence, such that more stimulation was associated with a thinner cortex. One region, the lateral inferior temporal gyrus, is involved in complex visual skills such as word recognition.

Home environment at age 8 had a smaller impact on development of these brain regions, whereas other factors, such as the mother’s intelligence and the degree and quality of her care, had no such effect.

Previous work has shown that adverse experiences, such as childhood neglect, abuse, and poverty, can stunt the growth of the brain. The new findings highlight the sensitivity of the growing brain to environmental factors, Farah says, and provide strong evidence that subtle variations in early life experience can affect the brain throughout life.

As the brain develops, it produces more synapses, or neuronal connections, than are needed, she explains. Underused connections are later eliminated, and this elimination process, called synaptic pruning, is highly dependent upon experience. The findings suggest that mental stimulation in early life increases the extent to which synaptic pruning occurs in the lateral temporal lobe. Synaptic pruning reduces the volume of tissue in the cortex. This makes the cortex thinner, but it also makes information processing more efficient.

“This is a first look at how nurture influences brain structure later in life,” Farah reported at the meeting. “As with all observational studies, we can’t really speak about causality, but it seems likely that cognitive stimulation experienced early in life led to changes in cortical thickness.”

She adds, however, that the research is still in its infancy, and that more work is needed to gain a better understanding of exactly how early life experiences impact brain structure and function.

The findings add to the growing body of evidence that early life is a period of “extreme vulnerability,” says psychiatrist Jay Giedd, head of the brain imaging unit in the Child Psychiatry Branch at the National Institute of Mental Health in Bethesda, Maryland. But early life, he says, also offers a window of opportunity during which the effects of adversity can be offset. Parents can help young children develop their cognitive skills by providing a stimulating environment.

País ‘concorre’ a troféu por travar negociações na COP 11 (O Estado de São Paulo)

JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012

Brasil é indicado pela segunda vez, durante a Convenção da Diversidade Biológica, a prêmio organizado por rede internacional de ONGs.

Pela segunda edição seguida da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), o Brasil figura hoje entre os indicados para o Troféu Dodô, que “premia” os países que menos têm evoluído nas negociações durante o encontro para evitar perdas de biodiversidade. Canadá, China, Paraguai e a Grã-Bretanha são os outros indicados pela CBD Alliance, uma rede internacional de ONGs que participa da convenção.

O pássaro dodô é o escolhido para dar nome ao prêmio por estar extinto há cerca de quatro séculos – a espécie vivia na costa leste da África, na Ilha Maurício. Nas convenções do clima, o equivalente é o Troféu Fóssil do Dia – o País foi “agraciado” em Durban, há quase um ano.

Entre as razões para a presença do País na lista está a falta de preocupação do governo com a biodiversidade na negociação de mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd+) – sistema de compensação financeira para atividades que diminuam a emissão de carbono.

Na 11ª conferência das partes (COP-11) da CBD em Hyderabad, na Índia, o Brasil quer evitar a definição de salvaguardas de biodiversidade nos textos, fazendo pressão para que haja diferenças claras entre os acordos da CBD e os estabelecidos nas Convenções sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

O governo brasileiro se alinhou a outros países descontentes, como Colômbia e Argentina, para criticar o texto que está sendo trabalhado na conferência da Índia. Em nota, o bloco afirmou que o documento está atrasado e não leva em conta as resoluções alcançadas nas Conferências do Clima de Cancún e de Durban.

“Muitas das recomendações que estamos vendo na COP-11 ou são redundantes ou colocam barreiras para a implementação dessa importante ferramenta (de Redd+)”, dizem os países. Além disso, o Brasil foi indicado ao troféu pelo fato de o governo não ter, segundo a rede de ONGs, uma boa relação com comunidades locais e tribos indígenas que vivem em áreas de relevância ecológica e biológica.

Nova indicação – Há dois anos, o País havia sido indicado por outro motivo: durante o encontro na cidade japonesa de Nagoya, os representantes brasileiros promoveram de forma escancarada os biocombustíveis e foram criticados por tentar abafar os possíveis impactos sobre a biodiversidade e as populações.

Os vencedores de 2010, porém, foram o Canadá e a União Europeia. O Canadá voltou a ser indicado neste ano, também acusado de tentar evitar a discussão sobre os biocombustíveis.

De acordo com as ONGs, a China tem desencorajado o desenvolvimento de áreas marinhas em países vizinhos, enquanto o Paraguai tem bloqueado qualquer progresso em assuntos socioeconômicos nas questões de biossegurança. Já a Grã-Bretanha estaria trabalhando para evitar discussões sobre biologia sintética e geoengenharia.

 

Brasil maior exportador de riquezas naturais (CarbonoBrasil)

Brasil
15/10/2012 – 10h41

por Edélcio Vigna, do INESC

a52 Brasil maior exportador de riquezas naturaisO Brasil não se reconhece como um país minerador, apesar de exportar um volume de minérios maior que a Bolívia e o Peru.

A maioria da população brasileira não tem a menor noção da quantidade de minérios ou de grãos que são exportados a preços irrisórios. Não estamos exportando apenas produtos, mas recursos naturais e, principalmente, água. Ao associar a República da Banana com a República do Minério o Brasil aprofunda a “vocação” como o maior país exportador de produtos primários. Melhor, como o país mais explorado em suas e riquezas naturais.

O Brasil não se reconhece como um país minerador, apesar de exportar um volume de minérios maior que a Bolívia e o Peru. O Plano Nacional de Mineração identifica que o “segmento da mineração é o mais dinâmico nessa nova etapa, com crescimento médio anual de 10%, devido à intensidade das exportações”. A sociedade só reserva da mineração uma lembrança histórica dos séculos XVII e XVIII.

O senso comum comprou a ideia que o Brasil é o “celeiro do mundo”. Que a vocação nacional é a agricultura. A monocultura do café, da República Velha, imprimiu uma visão de mundo dos coronéis que ainda está em vigor na vida social e política da Nação. Os modernos ciclos agrários, com o retorno da cultura do açúcar/etanol e o da soja, a velha ideologia se travestiu e se apresenta no discurso dos ruralistas com o nome de agronegócio ou agribusiness.

A pauta de exportação brasileira, mesmo diversificada, ainda se concentra em grãos e minérios. O ferro, por exemplo, representa cerca de 90% dos bens minerais exportados. Assim, a “vocação” de país exportador de bens primários vai sendo degradando as terras férteis e impactando sobre todas as dimensões da vida das comunidades locais e regionais.

Lúcio Flávio Pinto afirma que a Serra de Carajás poderá ser consumida em 80 anos. O trem de Carajás faz 24 viagens de ida e volta entre a mina de Carajás e o porto da Ponta da Madeira, no litoral do Maranhão, com 300 vagões, que transporta por dia “576 mil toneladas do melhor minério de ferro do mundo, com pureza de mais de 65% de hematita, sem igual na crosta terrestre” (http://www.justicanostrilhos.org/nota/1084).

Favorecidas pela invisibilidade as grandes empresas multinacionais e multilatinas, como a Vale, prosseguem exportando montanhas de minérios, em especial para a China, e afetando a vida das comunidades. Para facilitar esse saque legalizado a e a Advocacia Geral da União (AGU) publica uma portaria (303), que retira os direitos dos povos indígenas em dispor livremente do uso e dos benefícios de suas terras e o Congresso Nacional aprova um Código Florestal que estimula o desmatamento.

Essas medidas são uma série de procedimentos jurídicos e legislativos que compõem um mosaico de leis que flexibilizam a exploração predatória do solo e do subsolo nacional. Nã
o importa que no inciso XI, do art. 20, da Constituição Federal, esteja escrito que nas terras ocupadas pelos índios são asseguradas a “participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território (…)”. Ou que o § 2º, do art. 231, garanta que as “terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”. Como disse Getúlio Vargas, “Lei! Ora a Lei!”.

Os povos indígenas estão sobre o solo e o pragmatismo capitalista exige que a área seja desobstruída. É, por isso, que o povo Guajajara interditou o quilômetro 289 da Estrada de Ferro Carajás a 340 quilômetros de São Luís/MA. Esse povo, que é parte original da identidade brasileira, não está somente protestando contra a Portaria 303, da AGU, mas porque também sofrem os impactos negativos da Estrada de Ferro Carajás e da exportação de minérios.

Apesar dessas resistências sociais e políticas grande parte da população continua repetindo que o Brasil é um país agrícola. Com vocação agrícola. Que somos o celeiro do mundo.

Enquanto se olham para as monoculturas de grãos não veem as montanhas de minérios desaparecendo sobre os trilhos de Carajás.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.