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Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidades (CarbonoBrasil)

11/7/2014 – 11h48

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil

bhcdp Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidades

Novo relatório mostra que 76% dos 207 municípios analisados creem que as alterações ambientais trazem riscos físicos a seus habitantes e empresas; documento identificou 757 atividades de adaptação e mitigação nas cidades avaliadas

Uma nova pesquisa do Carbon Diclosure Project (CDP), organização sem fins lucrativos que ajuda cidades e empresas e medirem, divulgarem, gerirem e compartilharem informações ambientais, revelou que os governos locais das principais cidades do mundo estão avançando com as ações para combater as mudanças climáticas, já que acreditam que o fenômeno coloca em perigo a estabilidade de suas economias.

O relatório, intitulado Protecting our Capital (Protegendo nosso Capital ou Protegendo nossa Capital),aponta que 76% dos 207 municípios analisados acreditam que os efeitos das mudanças climáticas possam trazer algum tipo de risco físico a seus habitantes e companhias.

Entre as cidades avaliadas pelo estudo estão Caracas (Venezuela), Hong Kong, Johanesburgo (África do Sul), Londres (Inglaterra), Nova Iorque (Estados Unidos), São Paulo, Tóquio (Japão), Wellington (Nova Zelândia) e Sidney (Austrália).

Alguns dos principais riscos identificados pelas cidades são: danos materiais e a bens de capital; destruição de meios de transporte e infraestrutura; e problemas relacionados ao bem-estar dos cidadãos.

“Os governos locais estão agindo à frente para protegerem seus cidadãos e empresas dos impactos das mudanças climáticas, porém é preciso mais colaboração com as empresas para aumentar a resiliência urbana. Através do fornecimento de informação, políticas e incentivos, as cidades podem ajudar a equipar as empresas para gerirem esses riscos e abraçarem as oportunidades”, observou Larissa Bulla, diretora do programa de cidades do CDP.

Na verdade, segundo o documento, os municípios estão muito alinhados com as companhias quando o assunto é identificação de riscos. Eles reconhecem 69% dos riscos físicos das mudanças climáticas que as empresas identificam nessas cidades, e estão procurando resolver cerca de 66% dos identificados pelas corporações.

Por exemplo, a cidade de Caracas relata: “a água potável e a geração de eletricidade podem ser interrompidas por causa das mudanças climáticas. Esses fatores podem afetar o setor privado. As enchentes podem interromper as operações e as companhias de seguros podem enfrentar reivindicações mais elevadas”.

Tal situação também ocorre no município de Pittsburgh, nos EUA, em que alguns proprietários de empresas estão abandonando seus investimentos porque não são mais capazes de buscar compensação pelas perdas ocorridas como resultado das mudanças climáticas. Tanto é que a indústria local de seguros recentemente apresentou ações contra as cidades devido ao fato de que elas não estavam buscando se adaptar às consequências das mudanças climáticas.

Felizmente, a situação crítica parece estar levando a mais ação por parte dos municípios e também das empresas. No total, o CDP identificou 757 atividades de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas nas cidades avaliadas, como o reporte e redução de emissões de gases do efeito estufa (GEEs). O documento também aponta que 102 dos 207 municípios já têm planos de adaptação em vigor.

É o caso de Hong Kong, cuja fornecedora de energia CLP Holdings sofreu danos locais e interrupção das atividades como resultado do aumento do nível do mar. A empresa gastou US$ 193 mil elevando os níveis dos pisos de suas edificações, e investiu mais US$ 516 mil para aumentar a capacidade de drenagem.

Enquanto isso, o Departamento de Serviços de Drenagem de Hong Kong direcionou US$ 2,7 bilhões para infraestrutura contra enchentes, incluindo o alargamento de rios e o armazenamento subterrâneo de água.

Em Londres, para combater o aumento das temperaturas, a assessoria financeira Morgan Stanley gastou US$ 4,4 milhões aprimorando o sistema de condicionadores de ar em seu centro de dados. Além disso, a cidade está usando seu sistema de planejamento para uma maior eficiência nos sistemas energético e de resfriamento, garantindo mais contribuição para uma cidade mais resiliente.

spriscos 1 Mudança climática ameaça estabilidade econômica de cidadesDe acordo com o relatório, no Brasil também há bons exemplos de ações climáticas. Em Campinas, no estado de São Paulo, a indústria alimentícia e de bebidas exportou bens no valor de US$ 11 bilhões em 2013, mas a cidade informa que “as indústrias que exigem uso intenso de água, como as companhias de refrigerante, podem escolher outra região devido à escassez de água no estado de São Paulo”.

Por isso, algumas cidades do estado, como a capital e o município de Caieiras, estão desenvolvendo planos de adaptação climática. Caieiras criou uma parceria com o governo nacional em um projeto de US$ 5,3 milhões para aumentar a capacidade de fluxo do rio Juquery, que é responsável pelas enchentes locais, diminuindo o risco e intensidade das inundações.

Já o município de São Paulo está investindo US$ 22 bilhões para melhorar sua infraestrutura de transporte. Tal investimento tem o potencial de criar melhores condições para as empresas operarem, tais como aumentar a mobilidade dos funcionários e clientes, e gerar um movimento mais eficiente de insumos e produtos.

A cidade também está colaborando com grandes companhias para melhorar sua infraestrutura hídrica.A Sabesp, maior companhia de água do país, fez uma parceria com a capital paulista para criar o Programa Vida Nova, que investiu US$ 600 milhões em coordenação com o programa de urbanização de favelas da cidade para fornecer redes de esgoto para 43 favelas e regiões de pouco desenvolvimento na cidade.

“A colaboração entre as cidades e as empresas é essencial para reduzir os impactos às populações mais vulneráveis”, afirma o relatório.

“Três quartos das cidades que fizeram parte do programa de cidades do CDP neste ano identificaram benefícios substanciais que fluem para economias públicas e privadas a partir de iniciativas de adaptação climáticas. Esses benefícios podem ser ampliados através de colaborações mais estreitas e do compartilhamento de conhecimento e recursos técnicos” concluiu Gary Lawrence, diretor de sustentabilidade da firma de serviços de suporte e infraestrutura AECOM.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

(CarbonoBrasil)

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OMS: Poluição do ar mata cerca de 7 milhões de pessoas por ano (Rádio ONU)

Saúde
27/3/2014 – 11h25

por Leda Letra, da Rádio ONU

traffic cars pollution 300x257 OMS: Poluição do ar mata cerca de 7 milhões de pessoas por ano

Dados apresentados esta terça-feira, 25, confirmam que má qualidade do ar é líder ambiental em riscos para a saúde; doenças do coração, derrames e obstrução crônica do pulmão são as principais consequências da poluição.

A Organização Mundial da Saúde calcula que uma a cada oito mortes no mundo é causada pela exposição ao ar poluído. A nova estatística da agência da ONU foi apresentada esta terça-feira em Genebra.

Em 2012, cerca de 7 milhões de pessoas morreram devido à poluição do ar, duas vezes mais do que as estimativas anteriores. Segundo a OMS, esta é a principal causa ambiental de riscos à saúde.

Detalhes

A pesquisa revela uma forte ligação entre a poluição do ar e doenças respiratórias, do coração, derrames e câncer. A nova estimativa é baseada em um melhor conhecimento sobre a exposição humana ao ar e tecnologias mais avançadas para medir esses dados, incluindo o uso de satélites.

De acordo com a OMS, os cientistas conseguiram fazer uma análise detalhada dos riscos à saúde a partir de uma distribuição demográfica mais ampla, incluindo áreas rurais e urbanas.

Carvão

A agência calcula que a poluição do ar em ambientes fechados foi relacionada a mais de 4,3 milhões de mortes. Os casos estavam ligados ao uso de fogões de biomassa, carvão e madeira para cozinhar.

No caso da poluição em áreas abertas, o levantamento da OMS fala em 3,7 milhões de mortes em áreas rurais e urbanas.

Como a maioria das pessoas está exposta ao ar poluído em locais internos e abertos, as taxas de mortalidade não podem ser somadas e por isso, a OMS chegou à média de 7 milhões de mortes em 2012.

Coração e Pulmão

Os países do sudeste asiático e do Pacífico tiveram os maiores números de mortes relacionadas à poluição do ar, com quase 6 milhões de casos.

Em todo o mundo, 40% das pessoas que morreram pela poluição do ar em ambientes abertos sofreram doenças do coração; outros 40% tiveram derrame. Entre as outras causas de mortes, estão doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e infecção respiratória aguda em crianças.

Transportes

Já os pacientes que morreram como consequência da poluição do ar em ambientes fechados tiveram principalmente derrame (34%), doenças do coração (26%), e do pulmão (22%).

Segundo a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira, os riscos do ar poluído são bem maiores do que o previsto, em especial nos casos de doenças do coração e derrames. Para Neira, a evidência mostra a necessidade de ação combinada para a limpeza do ar que respiramos.

A OMS lembra que a poluição excessiva do ar geralmente está ligada a políticas insustentáveis nos setores de transportes, energia, gestão de resíduos e indústrias.

* Publicado originalmente no site Rádio ONU e retirado do site CarbonoBrasil.

Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais (Carta Capital)

01/11/2012 – 10h19 – por Redação da Deutsche Welle

Barulho, trânsito, lixo, pessoas apressadas e se empurrando por todos os lados – a vida nas grandes cidades é estressante. Mas as perspectivas de um emprego melhor, um salário mais alto e de um estilo de vida urbano atraem cada vez mais pessoas às cidades. Se há 60 anos menos de um terço da população mundial vivia em cidades, hoje mais da metade mora em centros urbanos. Até 2050, a estimativa é que essa cota atinja 70%.

“Com o aumento das populações urbanas, o número de distúrbios psíquicos também tem aumentado em todo o mundo”, alerta Andreas Meyer-Lindenberg, diretor do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim. “Somente a depressão custa aos cidadãos europeus 120 bilhões de euros por ano. O custo de todas as doenças psíquicas juntas, incluindo demência, ansiedade e psicose, ultrapassa o orçamento do fundo de resgate do euro. A frequência e a gravidade dessas doenças costumam ser subestimadas”, afirma.

sa4 Médicos veem relação entre vida urbana e distúrbios mentais

Em 2003, psiquiatras britânicos publicaram um estudo sobre o estado psicológico dos moradores do bairro londrino de Camberwell, uma área que teve um grande crescimento desde meados da década de 1960. Entre 1965 e 1997, o número de pacientes com esquizofrenia quase dobrou – um aumento acima do crescimento da população.

Na Alemanha, o número de dias de licença médica no trabalho relacionada a distúrbios mentais dobrou entre 2000 e 2010. Na América do Norte, recentes estimativas apontam que 40% dos casos de licença estão ligados à depressão.

“Nas cidades pode acontecer de as pessoas não conhecerem seus vizinhos, não conseguirem construir uma rede de apoio social como nas vilas e pequenas cidades. Elas se sentem sozinhas e socialmente excluídas, sem uma espécie de rede social de segurança”, observa Andreas Heinz, diretor da Clínica de Psiquiatria e Psicoterapia no hospital Charité, em Berlim.

Quase não existem estudos consistentes sobre a influência do meio urbano no cérebro humano. Mas pesquisas com animais mostram que o isolamento social altera o sistema neurotransmissor do cérebro. “Acredita-se que a serotonina é um neurotransmissor importante para amortecer situações de risco. Quando animais são isolados socialmente desde cedo, o nível de serotonina diminui drasticamente. Isso significa que as regiões que respondem a estímulos ameaçadores são desinibidas e reagem de maneira mais forte, o que pode contribuir para que o indivíduo desenvolva mais facilmente distúrbios de ansiedade ou depressões”, diz Heinz.

Um dos primeiros estudos feitos com seres humanos parece confirmar essa suposição. Com ajuda de um aparelho de ressonância magnética, a equipe do psiquiatra Andreas Meyer-Lindenberg analisou o cérebro de pessoas que cresceram na cidade e de pessoas que se mudaram para a cidade já adultos.

Enquanto os voluntários resolviam pequenas tarefas de cálculo, os pesquisadores os colocavam sob pressão, por exemplo criticando que eles eram muito lentos, cometiam erros ou que eram piores que seus antecessores.

“Olhamos especificamente para as áreas do cérebro que são ativadas quando se está estressado – e que também têm um desenvolvimento distinto, dependendo da experiência urbana que a pessoa teve. Especialmente as amídalas cerebelosas reagiram ao estresse social, e de maneira mais intensa quando o voluntário vinha de um ambiente urbano. Essa região do cérebro está sempre ativa quando percebemos algo como sendo uma ameaça. Elas podem desencadear reações agressivas que podem gerar transtornos de ansiedade”, explica Meyer-Lindenberg.

Além disso, quem cresceu na cidade grande apresentava, sob estresse, em regiões específicas do cérebro, uma atividade semelhante à apresentada por pessoas com predisposição genética para a esquizofrenia.

Pesquisa melhora planejamento urbano

Em todo o mundo, as cidades estão crescendo muito e se transformando. “Mas não existem ainda dados significativos de como uma cidade ideal deve ser quando se leva em consideração a saúde mental de seus habitantes”, observa Meyer-Lindenberg.

Por isso, o especialista desenvolveu, em colaboração com geólogos da Universidade de Heidelberg e físicos do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, um dispositivo móvel que pode testar voluntários em diversos pontos de uma cidade. Assim, os pesquisadores podem testar o funcionamento do cérebro em lugares e situações diferentes, como num cruzamento ou num parque.

Juntamente com posteriores análises do cérebro dos voluntários, os pesquisadores esperam obter dados mais concretos de como o cérebro processa os diferentes aspectos da vida cotidiana nas cidades.

Os resultados dessa pesquisa poderão ser de grande valor para a arquitetura e o planejamento urbano, afirma Richard Burdett, professor de estudos urbanos da London School of Economics. Para ele, o neuro-urbanismo, uma nova área do conhecimento que estuda a relação entre o estresse e as doenças psíquicas, pode ajudar a evitar a propagação de doenças psíquicas nas cidades.

“Planejadores urbanos precisam ter em mente que devem encontrar o equilíbrio entre a necessidade de organizar muitas pessoas em pouco espaço e a necessidade de se criar espaços abertos”, acrescenta.

“As pessoas precisam ter acesso a salas de cinema, encontrar-se com amigos e passear nas margens dos rios. Hoje esses aspectos são, muitas vezes, ignorados quando novas cidades são planejadas na China ou na Indonésia. Os arquitetos se preocupam com as proporções e as formas, e os urbanistas, com a eficiência do transporte público. Mas muitas vezes não temos ideia do que isso faz com as pessoas.”

* Publicado originalmente no site Carta Capital.