Arquivo da tag: Torcidas

Paying for pain: What motivates tough mudders and other weekend warriors? (Science Daily)

Date:
March 22, 2017
Source:
Journal of Consumer Research
Summary:
Why do people pay for experiences deliberately marketed as painful? According to a new study, consumers will pay big money for extraordinary — even painful — experiences to offset the physical malaise resulting from today’s sedentary lifestyles.

Why do people pay for experiences deliberately marketed as painful? According to a new study in the Journal of Consumer Research, consumers will pay big money for extraordinary — even painful — experiences to offset the physical malaise resulting from today’s sedentary lifestyles.

“How do we explain that on the one hand consumers spend billions of dollars every year on analgesics and opioids, while exhausting and painful experiences such as obstacle races and ultra-marathons are gaining in popularity?” asked authors Rebecca Scott (Cardiff University), Julien Cayla (Nanyang Technological University), and Bernard Cova (KEDGE Business School).

Tough Mudder is a grueling adventure challenge involving about 25 military-style obstacles that participants — known as Mudders — must overcome in half a day. Among others, its events entail running through torrents of mud, plunging into freezing water, and crawling through 10,000 volts of electric wires. Injuries have included spinal damage, strokes, heart attacks, and even death.

Through extensive interviews with Mudders, the authors learned that pain helps individuals deal with the reduced physicality of office life. Through sensory intensification, pain brings the body into sharp focus, allowing participants who spend much of their time sitting in front of computers to rediscover their corporeality.

In addition, the authors write, pain facilitates escape and provides temporary relief from the burdens of self-awareness. Electric shocks and exposure to icy waters might be painful, but they also allow participants to escape the demands and anxieties of modern life.

“By leaving marks and wounds, painful experiences help us create the story of a fulfilled life spent exploring the limits of the body,” the authors conclude. “The proliferation of videos recording painful experiences such as Tough Mudder happens at least partly because a fulfilled life also means exploring the body in its various possibilities.”


Journal Reference:

  1. Rebecca Scott, Julien Cayla, Bernard Cova. Selling Pain to the Saturated SelfJournal of Consumer Research, 2017; DOI: 10.1093/jcr/ucw071

Torcida única nos clássicos do Rio divide opiniões entre entidades e especialistas (O Globo)

Comandante do Gepe admite que comportamento das organizadas passou do tolerável

POR BERNARDO MELLO / TATIANA FURTADO

16/02/2017 12:25 / atualizado 16/02/2017 17:22

Torcedores socorrem um ferido no confronto entre organizadas de Flamengo e Botafogo – Marcelo Theobald / Agência O Globo

A ação civil pública, do Minstério Público Estadual (MPE), que pede torcida única nos clássicos cariocas ainda será apreciada pelo Juizado do Torcedor e Grandes Eventos. Porém, as autoridades envolvidas diretamente nos casos de brigas entre facções organizadas tendem a concordar com a proibição, ou alguma solução mais efetiva. O argumento voltou à tona após os episódios de violência no confronto entre Botafogo e Flamengo, no último domingo, no Engenhão, que terminaram com a morte de um torcedor e deixaram oito feridos.

A decisão será do juiz Guilherme Schilling, que assumiu o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, este mês. O ex ocupante do cargo, o juiz Marcelo Rubioli, agora no Tribunal de Justiça do Rio, considera que esse pode ser o primeiro degrau para se chegar a um modelo mais seguro para os torcedores.

– Acho que é um caminho. O próximo, talvez, seja inserir os espetáculos esportivos no planjemanto das forças armadas, que estão em caráter excepcional no Rio até o fim do Carnaval. A possibilidade de jogo com portões fechados não é viável do ponto de vista dos clubes. Mas estamos tratando do Estatuto, que prevê a proteção dos torcedores – sugere Rubioli, acrescentando que o interior dos estádios não tem tido problemas graves de segurança, salvo o caso recente do jogo entre Flamengo e Corinthians, no Maracanã. – Hoje, o estádio é um local seguro. No caso de torcida única em clássicos, não haveria aglomeração daquela que não vai entrar nas proximidades. Não tem como garantir qual medida vai ser mais eficaz.

Comandante do Grupamento Especial de Policiamente em Estádios (Gepe), o Major Silvio Luís, informou que vai conversar com o MPE e o Juizado para saber detalhes do pedido, antes de emitir uma opinião sobre o assunto. Porém, o responsável pelo policiamento nos estádios e acompanhamento das organizadas em dias de jogo, ressalta que, diante do comportamento das torcidas, algo precisa ser feito.

– Preciso avaliar o que estão propondo, mas o que posso dizer é que o comportamento das torcidas já passou do tolerável – afirmou o Major, destacando que os clássicos do Rio só não são com torcida dividida igualmente quando a configuração do estádio não permite. – Já tivemos casos assim em São Januário e na Arena da Ilha, onde os visitantes só podem receber 10% dos ingressos.

QUESTÃO ALÉM DOS ESTÁDIOS

As evidências, contudo, apontam que o problema vai além dos estádios. Antes do caso no Engenhão, a última briga de grandes proporções entre torcedores de Flamengo e Botafogo havia acontecido em julho de 2016, terminando com um morto. O conflito ocorreu em Bento Ribeiro, bairro da Zona Norte localizado a mais de 20 km do Estádio Luso-Brasileiro, onde os times se enfrentavam naquele dia.

Para o antropólogo Renzo Taddei, professor da Unifesp e autor de pesquisas sobre torcidas organizadas no futebol, o problema principal não é sequer a falta de policiamento, seja dentro ou fora de estádios. Na avaliação do especialista, torcedores e polícia desenvolveram, ao longo de décadas, uma relação turbulenta que tem questões sociais como pano de fundo:

– Não é à toa que a maior parte da violência a que uma torcida é submetida ou se submete em sua existência são conflitos contra a polícia, e não contra alguma torcida inimiga. O Estado impõe a segmentos inteiros da população um código de comunicação onde não há palavras, apenas brutalidade – avalia.

Torcedores exibem bandeirão pedindo a paz nos estádios em clássico entre Botafogo x Flamengo, marcado por cenas de violência no Engenhão – Marcelo Theobald / Agência O Globo

Taddei argumenta que o distanciamento entre torcidas organizadas e o restante da sociedade tende, na verdade, a acentuar a presença de membros que infringem a lei. Na opinião do antropólogo, lidar com a questão da violência no futebol depende de mais diálogo.

– Se houvesse uma interlocução saudável entre as comunidades das torcidas e o poder público, a mídia e a sociedade em geral, essas situações seriam mais fáceis de serem evitadas. O que eu estou dizendo é que muito menos do que 1% dos integrantes das torcidas causam problemas. Veja só: os Gaviões da Fiel tem cerca de 25 mil associados; as torcidas do Flamengo são também imensas. E qual o saldo do problema com as torcidas? Em 2016 foram 9 mortos em estádios. É muito mais perigoso andar de bicicleta do que ir ao estádio.

PROCURADOR VAI CONTESTAR NA JUSTIÇA

Segundo o blog Gente Boa, a Procuradoria Geral do Estado vai contestar na Justiça o pedido do Ministério Público para que os clássicos do Rio tenham torcida única nos estádios.

– É uma medida inadequada – diz o procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola – O Fla-Flu, por exemplo, é um patrimônio nacional que não pode ser banido por conta da ação de vândalos.

O Botafogo, por meio de nota da assessoria de imprensa, elogiou o trabalho do Gepe, mas se mostrou aberto a experiências que possam tornar os estádios mais seguros.

“Apesar de considerar que no último domingo houve um ponto fora da curva, pois o Gepe sabe fazer escolta, chegada e saída de organizadas, o Botafogo é favorável a experiências no sentido de melhorar as condições de segurança do futebol. Esse tipo de experiência, de torcida única, já deu certo em outros estados. O que o Botafogo não considera simples é ter a responsabilidade de cadastramento de membros de organizadas. É uma premissa quase impossível, porque os clubes não têm poder de fichar torcedores nem tem como controlar acesso a um local. Para o poder público, pode ser mais viável. Se for a decisão dos órgãos competentes, o Botafogo estará pronto para colaborar”, diz a nota.

Já o Flamengo, através de seu presidente Eduardo Bandeira de Mello, disse ser “totalmente contra” a torcida única em clássicos. O Fluminense, por sua vez, mostrou preocupação de que a medida acabe adotada de forma definitiva.

Além do veto à divisão das arquibancadas em clássicos, o promotor Rodrigo Terra também pede aos clubes que “se abstenham de fornecer gratuitamente ingressos às suas torcidas organizadas”. O Botafogo garante que não distribui bilhetes para as organizadas.

Veja também

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/esportes/torcida-unica-nos-classicos-do-rio-divide-opinioes-entre-entidades-especialistas-20936250#ixzz4Z4rXMmZ1
© 1996 – 2017. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Argentine football club Tigre launches implantable microchip for die-hard fans (AFP)

Abril 26, 2016 6:59pm

Tigres players hugging after a goal

PHOTO: Tigres fans won’t need hard copy tickets or to enter their stadium with the implanted microchip. (Reuters: Enrique Marcarian)

For football lovers so passionate that joining a fan club just isn’t enough, Argentine side Tigre has launched the “Passion Ticket”: a microchip that die-hards can have implanted in their skin.

In football-mad Argentina, fans are known for belting out an almost amorous chant to their favourite clubs: “I carry you inside me!”

First-division side Tigre said it had decided to take that to the next level and is offering fans implantable microchips that will open the stadium turnstiles on match days, no ticket or ID required.

“Carrying the club inside you won’t just be a metaphor,” the club wrote on its Twitter account.

Tigre secretary general Ezequiel Rocino kicked things off by getting one of the microchips implanted in his arm, under an already existing tattoo in the blue and red of the club.

The chips are similar to the ones dog and cat owners can have implanted in their pets in case they get lost.

Rocino showed off the technology for journalists, placing his arm near a scanner to open the turnstile to the club’s stadium 30 kilometres north of the capital, Buenos Aires.

“The scanner will read the data on the implanted chip, and if the club member is up-to-date on his payments, will immediately open the security turnstile,” the club said.

Rocino said getting a chip would be completely voluntary.

“We’re not doing anything invasive, just accelerating access. There’s no GPS tracker, just the member’s data,” he said.

AFP

Nova técnica estima multidões analisando atividade de celulares (BBC Brasil)

3 junho 2015

Multidão em aeroporto | Foto: Getty

Pesquisadores buscam maneiras mais eficientes de medir tamanho de multidões sem depender de imagens

Um estudo de uma universidade britânica desenvolveu um novo meio de estimar multidões em protestos ou outros eventos de massa: através da análise de dados geográficos de celulares e Twitter.

Pesquisadores da Warwick University, na Inglaterra, analisaram a geolocalização de celulares e de mensagens no Twitter durante um período de dois meses em Milão, na Itália.

Em dois locais com números de visitantes conhecidos – um estádio de futebol e um aeroporto – a atividade nas redes sociais e nos celulares aumentou e diminuiu de maneira semelhante ao fluxo de pessoas.

A equipe disse que, utilizando esta técnica, pode fazer medições em eventos como protestos.

Outros pesquisadores enfatizaram o fato de que há limitações neste tipo de dados – por exemplo, somente uma parte da população usa smartphones e Twitter e nem todas as áreas em um espaço estão bem servidos de torres telefônicas.

Mas os autores do estudo dizem que os resultados foram “um excelente ponto de partida” para mais estimativas do tipo – com mais precisão – no futuro.

“Estes números são exemplos de calibração nos quais podemos nos basear”, disse o coautor do estudo, Tobias Preis.

“Obviamente seria melhor termos exemplos em outros países, outros ambientes, outros momentos. O comportamento humano não é uniforme em todo o mundo, mas está é uma base muito boa para conseguir estimativas iniciais.”

O estudo, divulgado na publicação científica Royal Society Open Science, é parte de um campo de pesquisa em expansão que explora o que a atividade online pode revelar sobre o comportamento humano e outros fenômenos reais.

Foto: F. Botta et al

Cientistas compararam dados oficiais de visitantes em aeroporto e estádio com atividade no Twitter e no celular

Federico Botta, estudante de PhD que liderou a análise, afirmou que a metodologia baseada em celulares tem vantagens importantes sobre outros métodos para estimar o tamanho de multidões – que costumam se basear em observações no local ou em imagens.

“Este método é muito rápido e não depende do julgamento humano. Ele só depende dos dados que vêm dos telefones celulares ou da atividade no Twitter”, disse à BBC.

Margem de erro

Com dois meses de dados de celulares fornecidos pela Telecom Italia, Botta e seus colegas se concentraram no aeroporto de Linate e no estádio de futebol San Siro, em Milão.

Eles compararam o número de pessoas que se sabia estarem naqueles locais a cada momento – baseado em horários de voos e na venda de ingressos para os jogos de futebol – com três tipos de atividade em telefones celulares: o número de chamadas feitas e de mensagens de texto enviadas, a quantidade de internet utilizada e o volume de tuítes feitos.

“O que vimos é que estas atividades realmente tinham um comportamento muito semelhante ao número de pessoas no local”, afirma Botta.

Isso pode não parecer tão surpreendente, mas, especialmente no estádio de futebol, os padrões observados pela equipe eram tão confiáveis que eles conseguiam até fazer previsões.

Houve dez jogos de futebol no período em que o experimento foi feito. Com base nos dados de nove jogos, foi possível estimar quantas pessoas estariam no décimo jogo usando apenas os dados dos celulares.

“Nossa porcentagem absoluta média de erro é cerca de 13%. Isso significa que nossas estimativas e o número real de pessoas têm uma diferença entre si, em valores absolutos, de cerca de 13%”, diz Botta.

De acordo com os pesquisadores, esta margem de erro é boa em comparação com as técnicas tradicionais baseadas em imagens e no julgamento humano.

Eles deram o exemplo do manifestação em Washington, capital americana, conhecida como “Million Man March” (Passeata do milhão, em tradução livre) em 1995, em que mesmo as análises mais criteriosas conseguiram produzir estimativas com 20% de erro – depois que medições iniciais variaram entre 400 mil e dois milhões de pessoas.

Multidão em estádio italiano | Foto: Getty

Precisão de dados coletados em estádio de futebol surpreendeu até mesmo a equipe de pesquisadores

Segundo Ed Manley, do Centro para Análise Espacial Avançada do University College London, a técnica tem potencial e as pessoas devem sentir-se “otimistas, mas cautelosas” em relação ao uso de dados de celulares nestas estimativas.

“Temos essas bases de dados enormes e há muito o que pode ser feito com elas… Mas precisamos ter cuidado com o quanto vamos exigir dos dados”, afirmou.

Ele também chama a atenção para o fato de que tais informações não refletem igualitariamente uma população.

“Há vieses importantes aqui. Quem exatamente estamos medindo com essas bases de dados?”, o Twitter, por exemplo, diz Manley, tem uma base de usuários relativamente jovem e de classe alta.

Além destas dificuldades, há o fato de que é preciso escolher com cuidado as atividades que serão medidas, porque as pessoas usam seus telefones de maneira diferente em diferentes lugares – mais chamadas no aeroporto e mais tuítes no futebol, por exemplo.

Outra ressalva importante é o fato de que toda a metodologia de análise defendida por Botta depende do sinal de telefone e internet – que varia muito de lugar para lugar, quando está disponível.

“Se estamos nos baseando nesses dados para saber onde as pessoas estão, o que acontece quando temos um problema com a maneira como os dados são coletados?”, indaga Manley.

Nueva Chicago acusa al Ministerio de Seguridad por discriminación (Clarín)

Violencia en el fútbol

Los dirigentes no concurrirán a la cancha esta tarde, cuando el equipo de Mataderos se enfrente a Defensores de Villa Ramallo por la Copa Argentina.

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La hinchada de Nueva Chicago no podrá estar el jueves en Parque de los Patricios. (Foto: archivo)

La dirigencia de Nueva Chicago denunció al Ministerio de Seguridad por discriminación tras obligarlo a jugar sin motivos a puertas cerradas. Además, y en señal de protesta, los dirigentes y los periodistas partidarios del club de Mataderos no concurrirán esta tarde, a las 17, al duelo ante Defensores de Belgrano de Ramallo en cancha de Huracán por los 32avos de la Copa Argentina.

Ayer, el vicepresidente Daniel Ferreiro manifestó: “No sabemos por qué nuestro público no puede estar. Es simple: nos discriminan”, y en esa sintonía hubo acuerdo para no ir al estadio. “Vamos todos o ninguno”, fue el comunicado que enviaron los medios partidarios. “Los dirigentes nos solidarizamos con nuestra gente”, aseguró Ferreiro.

Por tal razón, el club emitió un comunicado en el que sostiene que “ser hincha de Nueva Chicago no es delito”. “Nuestra institución se ajusta a lo solicitado por cuanto organismo de seguridad nos pide, nunca nos tembló el pulso para firmar derechos de admisión a quienes tuvieran comportamientos violentos”, señala en parte el documento firmado por el presidente, Sergio Ramos, y Martin Lamarca, Secretario General del club.

“La Comisión Directiva de Nueva Chicago lamenta profundamente que se le niegue la posibilidad de asistir a nuestra gente al estadio. Consideramos injusta esta medida que nos enteramos por los medios de comunicación y por la empresa Ticketek, dado que nunca nos llegó la notificación oficial”, comienza el comunicado. “A partir de este momento o vamos todos o no va ninguno”, concluye.

*   *   *

25/03/2015 18:57

La violencia gana: seis partidos a puertas cerradas (Mundo D)

Habrá sanciones para varios clubes de Primera, y uno en la Copa Argentina, y por eso se disputarán sin hinchadas. Un repaso del sinsentido.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

El Nuevo Gasómetro estará vacío para el partido ante Lanús.

Por Mundo D

Cada vez es más complicado vivir el fútbol argentino en paz. La violencia está acorralando al espectáculo y ya no sirve siquiera jugar sólo con público local. En la próxima fecha, por diferentes razones, habrá cinco encuentros de la Primera División a puertas cerradas. Sí, sin nadie en las gradas. Y además, habrá uno de la Copa Argentina. Insólito.

¿Qué partidos serán?

  • San Lorenzo-Lanus
  • Godoy Cruz-Independiente
  • Tigre-Defensa y Justicia
  • Quilmes-Sarmiento
  • Gimnasia de La Plata-River
  • Chicago-Defensores de Villa Ramallo

En el caso de San Lorenzo ante Lanús, no habrá gente en las tribunas por la sanción que el Comité de Seguridad le aplicó al “Cuervo” por los incidentes contra el juez de línea Juan Pablo Belatti en la vuelta de la Recopa ante River.

Sí, San Lorenzo ya jugó ante Colón, San Martín de San Juan y Huracán con público. Recién ahora, llega la suspensión. Cosas de Argentina.

Por su parte, Godoy Cruz recibirá a Independiente a puertas cerradas por la agresión que sufrió el masajista de Lanús en la cuarta fecha, la última vez que “el Tomba” se presentó en el Malvinas Argentinas.

Tanto en Tigre como en Quilmes, habrá situaciones similares. Los dos estadios fueron suspendidos por los incidentes en sus propias tribunas, con distintas porciones de sus propias hinchadas.

La lista sigue con Nueva Chicago, que también pagará una sanción. En el caso del “Torito” no tendrá público en el choque del jueves por Copa Argentina (ante Defensores de Villa Ramallo). Este partido se disputará en la cancha de Huracán y la policía no prestará servicio para trasladar a los hinchas del “Torito”.

River, también
Por último, Gimnasia recibirá el próximo domingo a River en El Bosque pero a puertas cerradas. Es que la Justicia falló a favor de la Aprevide (Agencia de Prevención en el Deporte).

¿Qué había pasado? “El Lobo” había recibido la sanción de la Aprevide (por los incidentes que protagonizaron sus hinchas en el clásico platense) y debía jugar ante Nueva Chicago a puertas cerradas. Pero el club fue a la justicia, que le dio curso a un recurso de amparo y pudo recibir al “Torito” (por la quinta fecha) con hinchas.

Ahora, Aprevide apeló y la justicia le dio la razón.

Futebol na Europa sofre com onda de violência (Folha de S.Paulo)

Briga de torcidas em Roma

Vincenzo Tersigni/Efe

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

26/02/2015 02h00

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

“Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso”, disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

“A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes.”

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

“Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios”, disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

‘MEDO PESADO’

“A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado.”

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco. desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais.

Paz nos estádios é difícil, diz autor de relatório sobre violência no futebol (Folha de S.Paulo)

19/02/2015  02h00

Uma das metáforas mais usadas a respeito do futebol é compará-lo a uma guerra. Marco Aurelio Klein, 64, não vê o assunto desta forma. Primeiro porque é especialista em violência no esporte. Mas também por ser um estudioso da 2ª Guerra Mundial.

Autor de documento inspirado no Relatório Taylor, que praticamente erradicou o fenômeno dos hooligans nos estádios ingleses a partir da década de 1990, ele trabalha atualmente na atualização do texto a pedido do ministro George Hilton (Esporte).

“O meu relatório é de 2006. O ministro ficou impressionado. Estou animado que seja posto em prática”, disse.

Em entrevista à Folha, ele chegou a uma conclusão de que a violência no futebol nacional não será resolvida de um dia para o outro. “Não tem mágica”, constata.

PÓS-COPA DO MUNDO
O Mundial no Brasil trouxe legado importante: os estádios sem alambrados. Mesmo no clássico entre Corinthians e Palmeiras em que aconteceu aquela confusão toda [tumulto entre palmeirenses e a PM] e com a derrota do time da casa, ninguém invadiu o campo. Alambrado não segura ninguém que quer invadir. Eu já vi torcedor pular alambrado que tinha arame farpado. Outra herança importante é o sistema de monitoramento dos estádios. E este deve ser ostensivo. A sala do monitoramento deve ser visível a todos. As pessoas precisam saber que o Big Brother está ali, presente.

SOLUÇÕES E ERROS
Parece que no Brasil, nessa questão da violência no futebol, há muita tentativa e erro. Cada hora existe uma ideia mágica que vai resolver o problema… Isso não existe. Todas as ideias são com boas intenções, mas não vão resolver. Não existe uma solução da noite para o dia. A solução é longa, difícil e custosa.

  Eduardo Knapp/Folhapress  
Marco Aurelio Klein, presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, durante palestra
Marco Aurelio Klein, autor de relatório federal sobre violência de torcidas, durante palestra

ESPÍRITO DE GUERRA
Antes do último clássico entre Corinthians e Palmeiras, eu li que a polícia estava preparando uma operação de guerra. Quando vi aquilo, pensei: “acabou”. Como operação de guerra? Uma família não vai para um estádio que tem operação de guerra. O vândalo adora. Quando a polícia diz que é operação de guerra, esses vândalos ganham condição de combatentes do Estado Islâmico.

LIÇÕES DO RELATÓRIO TAYLOR
O que inspirou o Relatório Taylor foi [a tragédia de] Hillsborough, em que morreram 96 pessoas na cidade de Sheffield [em 1989]. Não houve briga. Nem tinha torcida organizada. Houve desorganização, despreparo, superlotação. Não existiam protocolos de emergência.
Não esqueço quando tive reunião com os ingleses. Eles disseram que levaram anos para aprender que a questão não era repressão. Era organização. É o grande clássico na final? Depende do histórico. Ponte Preta e Paulista de Jundiaí, por exemplo, é jogo para 4 mil pessoas, mas são torcedores dos mais perigosos da América porque há um histórico de conflito.

PROPOSTAS
É preciso criar protocolos de segurança. Eu sugiro classificar as partidas em três níveis, sendo “A” a de maior risco, “B” a de risco médico e “C” as de pequeno risco. Os ingleses se organizaram criando unidades de polícia para o futebol. A Scotland Yard, que nem arma usa, tem uma unidade de futebol. Não vejo trabalhando na partida o policial que passou a noite anterior atendendo ocorrências, perseguindo ladrões e depois vai para o enfrentamento com um moleque que está disposto a provocá-lo…

CAMPANHA DE PAZ
Não tem o menor fundamento. Não resolve. Só ajuda se vier como parte de um conjunto de ações. No primeiro momento, a resolução dos ingleses foi: nós não precisamos prender o vândalo. Nós precisamos tirá-lo do estádio.
Ele destrói o espetáculo. E eles nunca tiveram torcida organizada, apenas pequenos grupos que envolviam criminalidade, pequenos furtos ou a destruição pelo prazer da destruição. Conseguiram criar uma coisa na legislação que era preciso tirar o cara do estádio. O articulador nem sempre é o sujeito que dá a porrada, que quebra a cadeira. Pode não ser o pensador.

DIÁLOGO
Minha recomendação, como estudioso, é ouvir as pessoas, mesmo que isso implique algum investimento do governo. Não dá é para transformar isso em competição de quem bate mais, se a torcida ou a polícia. O cidadão é que está no meio É preciso combater a pequena violência. O xingamento é origem do conflito. Uma briga sempre começa pela agressão verbal. Os ingleses perceberam que era preciso mudar o comportamento do torcedor. O torcedor comum entra na balada do xingamento. Quando um cara xinga o outro, depois tem quatro, oito, dez fazendo o mesmo. O perdedor do jogo tem uma frustração imensa para descontar em alguém.

PERCEPÇÃO
A luta maior não é física, de repressão. É de percepção. As pessoas precisam voltar a ir ao futebol como um momento de lazer. Um momento de muita emoção, mas de lazer. Se o seu time ganhar, seu momento de lazer foi premiado com muita alegria, mas pode ser que não. Quando você vai ao cinema ver uma comédia, sai muito alegre. Vê uma tragédia, sai impressionado. No Brasil, o futebol é o único evento de lazer em que a pessoa sai de casa com sua pior roupa.
Ninguém se arruma para o futebol, vai o mais desleixado possível porque a percepção que temos é que se trata de uma coisa desleixada. Não tem o menor sentido porque é o espetáculo mais glorioso que temos. Olhe os números da Liga dos Campeões da Europa, da Copa do Mundo, do Campeonato Inglês…

REPRESSÃO
É preciso tomar mais cuidado na organização do caminho do metrô para o estádio. Aquela cena da torcida do Corinthians agredindo dois torcedores do São Paulo porque estavam com a camisa do clube é absurda. Não pode acontecer. Aí é punição.
Os ingleses tomaram cuidado, entenderam qual era o trânsito, proibiram bebida dentro do metrô. O cara não podia chegar, quebrar o trem e achar que ia para casa sem problema algum. Vamos pegar o Pacaembu de exemplo. É um estádio bacana. As ruas laterais são escuras. Aquela imagem de escuridão passa a imagem de abandono e da terra de ninguém. É preciso pensar no processo todo.

CUSTO DA POLÍCIA
A Inglaterra vai no caminho inverso ao do Brasil. Eles têm cada vez menos polícia. Sabe por quê? Porque a polícia custa caro lá. Aqui no Brasil é de graça em vários estádios. Ou é muito barato e o organizador do jogo, se acha que tem problema, quer muito mais polícia e cria muito mais polícia. Isso não é jeito de fazer um evento.

*

RAIO-X
MARCO AURÉLIO KLEIN

IDADE 64

CARGO Autor do relatório final da Comissão Paz no Esporte e secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem

CARREIRA Professor da FGV (2001 a 2009), responsável por futebol no Ministério do Esporte (2004 a 2007), diretor da Federação Paulista de Futebol (1993 a 1994 e 2008 a 2009), diretor de Alto Rendimento do Ministério do Esporte (2009 a 2012) e autor de três livros sobre o futebol brasileiro

*

RELATÓRIO TAYLOR TRANSFORMOU FUTEBOL INGLÊS

Apontado por Marco Aurelio Klein como modelo de inspiração no combate à violência nos estádios, o Relatório Taylor revolucionou o futebol da Inglaterra e abriu espaço para que sua liga nacional se tornasse a número um do planeta.

O estudo foi realizado e adotado no país a partir do começo dos anos 1990, como resposta à tragédia de Hillsborough, ocorrida em 1989, quando 96 torcedores morreram pisoteados e esmagados contra grades de proteção devido ao excesso de público na partida entre Liverpool e Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra.

Entre as medidas adotadas. que ajudaram conter os hooligans, protagonistas de algumas das maiores confusões no futebol europeu durante a década de 1980, estavam o treinamento de uma polícia especializada, a obrigatoriedade de assentos para todos os pagantes (o que pôs fim à tradição de se torcer em pé) e o fim das grades de proteção para os gramados de futebol.

O relatório também sugeriu a criação de leis específicas para crimes e contravenções praticadas por grupos de torcedores.

Para se adequar a esse novo cenário, os 27 principais estádios da Inglaterra precisaram ser reconstruídos ou passaram por reformas.

Brazil announces hotline to help fight fan violence (AP)

Brazil announces hotline to help fight fan violence

By TALES AZZONI

February 13, 2015 1:07 PM

Brazil Fan Violence

In this March 22, 2009, file photo, police approach Santos soccer fans to break up a fight with fans from the opposing team, the Corinthians, at a Sao Paulo state championship soccer game in Sao Paulo, Brazil. Brazil is dealing with another wave of fan violence just weeks into the new 2015 football season, exposing the continued failure of club officials and local authorities to eradicate the decades-long problem. This year it didn’t take long for Brazilian football to start making headlines for the wrong reasons _ a 16-year-old boy was shot to death after a match. A goalkeeper was injured by fans of Brazil’s most popular club. Supporters of one of the nation’s most successful teams were ambushed inside a subway station. A confrontation between fan groups and police turned supporters away from a game in one of the nation’s most modern venues. (AP Photo/Andre Penner, File)

SAO PAULO (AP) — The Brazilian government is creating a hotline to help fight a wave of fan violence that has brought unwanted attention to local football just weeks into the new season.

The government will also create a nationwide registry of the fan groups who are considered to be at the root of fan violence in the land of football.

The announcement by Brazil’s new sports minister came after a meeting with representatives of the National Association of Fan Groups, which was recently created to improve the dialogue with local authorities and the government.

The hotline will allow the population to denounce fans committing crimes or engaging in violence.

“Fan groups are part of a cultural manifestation and it’s important that they are preserved,” said Sports Minister George Hilton, who took office this year. “But they can’t have members engaging in criminal acts. Fans are important in sports and they need to be protected from bad elements.”

Fan violence is endemic in Brazil, with authorities and club officials historically failing to find solutions to eradicate the problem.

Less than a month into this football season, there have been several cases of violence already — a 16-year-old boy was shot to death during a scuffle between rival fan groups and police after a match; a goalkeeper was injured in his changing room by invading rival fans; supporters were ambushed by a rival group inside a subway station; fans were turned away from a match after a confrontation between fan groups and authorities outside a stadium.

The sports ministry said Brazil has about 1.5 million people linked to fan groups, so it’s important to keep track of them with a nationwide registry. All of the country’s most popular clubs have two or three organized fan groups. Many are partly financed by the clubs themselves, receiving free tickets and free trips to away games.

Authorities in the past tried to ban the most violent groups, but they kept coming back through legal loopholes.

In addition to preventing violence, the government also wants to use the registry to offer social services and educational projects focused on the fans.

A similar registry has been in place in states such as Sao Paulo, but fan violence continued to be a problem.

Hilton is expected to meet with club representatives next week to continue discussing the subject of fan violence.

“Si el aguante en el fútbol es ganar o morir estamos jodidos” (La Capiital)

Miércoles, 29 de octubre de 201401:00

El sociólogo Pablo Alabarces analiza al fútbol, el aguante,  y su relación con las  identidades populares y la violencia en su último libro  “Héroes, machos y patriotas”.

“Las narrativas patrióticas son siempre masculinas. Las Leonas ganan todo, pero Los Pumas son protagonistas de la publicidad”, analiza Alabarces.

Por Laura Vilche / Ovación

Pablo Alabarces no vive de jugar al fútbol. Tampoco es técnico: es doctor en sociología por la Universidad de Brighton (Inglaterra), docente de cultura popular y masiva en la Universidad de Buenos Aires e hincha de Vélez. Esa combinación de rigor intelectual y pasión futbolera le bastó para escribir “Héroes, machos y patriotas. El fútbol entre la violencia y los medios”, su último libro. Un texto donde demuestra que se puede hablar con conocimiento de causa sobre fútbol aunque no se viva con la pelota en los pies. Alabarces, colaborador de varios medios gráficos y fundador de la sociología del deporte en América latina, es un crítico implacable.

A los hinchas los analiza desde la categoría del “aguante” para concluir que son “xenófobos y machistas” y que el fanatismo futbolístico hace “peores a las personas”. No se queda atrás con los dirigentes y políticos: argumenta y documenta cuando los responsabiliza de haber hecho del fútbol una institución en crisis, violenta y corrupta.

Le dedica varias páginas al Mundial del 78 (ver aparte), para él toda una deuda de los académicos de las ciencias sociales. También es duro con la televisión, las propagandas, y con muchos periodistas deportivos: toma prestado de un colega el término “fierita” y así se refiere a los trabajadores de prensa que se hacen “amigos de su agenda de jugadores y directores técnicos” para hacer una nota. Habla de la literatura futbolera y rescata especialmente a Fontanarrosa, al punto de que asegura que el escritor Eduardo Sacheri le copia su genialidad.

También problematiza el concepto de identidad. Lo desnaturaliza y pone a Maradona, a Messi y a Tevez bajo la lupa: explica por qué sólo uno de los tres encarna la narrativa patriótica, de la que según dice, “nunca” las mujeres serán parte por más medallas que ganen.

La violencia futbolística es otra de sus preocupaciones: la analiza y plantea alternativas y al entrar en tema  habla de Ñuls y Central. Alabarces es lúcido, provocador, desafiante y riguroso en cada página y cuando dialoga. También es pesimista. Lo demuestra así: “Si tener aguante es ganar o morir por el fútbol estamos jodidos”.

—¿Qué es para usted “la cultura del aguante”?
—Es una dimensión moral de la acción que analizo desde el fútbol, desde el hincha, donde se da con más fuerza pero también se ve en el plano político o del rock. En cada caso los actores se jactan de tener aguante, defienden el territorio, los colores y usan la metáfora y retórica de la genitalidad: dicen que tienen huevos. Pelearse está bien y hasta es obligatorio, es de machos. Un ejemplo claro se dio en el clásico entre Ñuls y Central. Un equipo pierde, se siente humillado, que perdió el honor deportivo, entonces la única forma de recuperarlo es demostrando que se tiene aguante. A veces eso llega a casos extremos como los crímenes a dos hinchas de Central tras el clásico. Enseguida y sin pruebas suficientes los medios dicen que se trata de barras, pero la idea del aguante no se limita a ellos: es un fenómeno estructural de toda la cultura futbolística. La diferencia es que el barra vende aguante a cambio de algo, siempre dinero clandestino, y si se pregunta de dónde viene el dinero aparecen las redes de complicidades que involucra a dirigentes deportivos, políticos, empresarios, policías, jugadores y medios.

—En el libro es descarnado con quienes no son rigurosos, por sus flaquezas teóricas, falta de análisis, investigación, crítica o uso agresivo del lenguaje.
—Apelar a la rigurosidad es la idea, en todos los ámbitos. No se puede generalizar en balde, tengo que ser crítico porque me educaron y me pagan para eso, pero además hay que afirmarse en un lugar para lograrlo. Si digo que Sacheri es flojo es porque repite a Fontanarrosa sin su creatividad y su crítica. Entonces me quedo con Fontanarrosa. Pero además Sacheri abusa de masculinidad, de nostalgia y lugares comunes, al igual que (Juan José) Campanella. Y la nostalgia es empobrecedora al momento de analizar: no explica nada. También hay trabajos poco rigurosos desde los científico. Se suele repetir como un mantra que hay que hacer con los barras como los ingleses con los hooligans. Pero cuando uno estudia de cerca qué se hizo comprueba que se cometieron muchos errores. Que al igual que en Argentina las fuerzas policiales actúan por portación de cara. Y no hay acción sin causa ni sentido. Cuando el periodismo y los políticos creen que solucionan los temas de la violencia en el fútbol hablando de los intrínsecamente violentos —los inadaptados que hay que desterrar, expulsar o exterminar— se cometen equivocaciones aberrantes desde la psicología, la sociología y antropología, también. Además, hay estudios serios que demostraron que las dirigencias suelen ser más violentas que los hinchas.

—También tiene una mirada implacable con cierto periodismo deportivo.
—Sí, pero no es una crítica en bloque, digo con nombre y apellido quienes hacen denuncias sobre la violencia y actividades de las barras bravas en el periodismo, como Gustavo Grabia pero nunca, ni él ni el medio para el que trabaja, reconocen que también son cómplices con su lenguaje del aguante. El caso del locutor de Fútbol para Todos, la voz estatal, es igual. Si hablás en un partido de que “hay que ganar o morir” estamos jodidos porque se produce aquello que se condena.

—Usted marca ocho puntos en el cuadro de la violencia y aporta diez posibles soluciones entre ellas la intervención de AFA y de todos los clubes que se sepa que tienen complicidad con los barras.
—Ese fue un documento colectivo, para nada porteñocéntrico, elaborado en 2012 con colegas de distintas universidades. Desde Rosario participó Juan Manuel Sodo, pero también hubo investigadores de Córdoba y Jujuy. Un trabajo monumental al que nadie le dio pelota y que ahora se pone en escena cuando muchos dirigentes pelean en AFA la herencia del difunto. Ahora hay dos bandos: los supuestamente renovadores y los grondonistas ortodoxos. Si entre los renovadores está (Daniel) Angelici, el presidente de Boca, que se pasó tres años diciendo que en su club no había barras bravas, mal futuro tenemos. Planteamos medidas democráticas, fundamentadas, para obtener resultados a largo plazo e involucran a los hinchas. Pero no a los que por ganar a cualquier costo elijen a dirigentes o medidas corporativas, sexistas y sectarias, como pasó en Independiente y Hugo Moyano. Los mismos hinchas que denunciaron a los barras y a la corrupción de los dirigentes ahora, por amor a la camiseta y con tal de que a Racing le vaya mal o no irse más al descenso votan por el poder sindical. Pasó en Rosario: los hinchas recuperaron Ñuls después de años de despotismo de Eduardo López y ahora muchos de esos hinchas pueden llegar a matar tras el resultado de un partido. Si esto es así sólo queda refugiarnos en el pesimismo.

—¿Por qué las mujeres deportistas no encarnan la narrativa patriótica?
—La diferencia sólo la hace el género. Beatriz Sarlo me discutió esto. Dijo que no hay país en el mundo donde las mujeres ocupen ese lugar destacado. Las narrativas patrióticas siempre son masculinas. Y en Argentina esta muy claro con Las Leonas; no fueron parte de las metáforas patrióticas, sí en cambio Los Pumas, condenados a la “derrota digna” y protagonistas de propagandas de marcas deportivas y de cervezas patrocinantes.

—¿Por qué dice usted que Messi nunca será Maradona?
—Son incomparables y por suerte. Porque Maradona, más nacional y popular a la manera del peronismo, y plebeyo, tuvo que hacerse cargo de cientos de significados en determinados contextos. El pobre Messi puede llegar a hacerle dieciséis goles a Inglaterra en una final del próximo Mundial de Moscú, pero eso no sucederá cuatro años después de la Guerra de Malvinas. Por eso digo por suerte, porque son contextos irrepetibles. Tevez podría ser más maradoniano pero tampoco con él puede repetirse la historia.

Brasil x Argentina: a promoção disfarçada do ódio (Carta Capital)

Não dá para aceitar que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência

por Coletivo Intervozes — publicado 01/07/2014 11:15, última modificação 01/07/2014 12:45

Juan Mabromata / AFP

Torcida da Argentina na Copa do Mundo

Torcedores argentinos aguardam a chegada de sua seleção na porta do Beira-Rio, estádio da Copa do Mundo em Porto Alegre

*Por Bruno Marinoni

Todos eles foram levados para dentro de uma pequena casa à beira-mar, trancafiados e eliminados. Mais um filme sobre o genocídio nazista? Não. Trata-se de uma “humorada” publicidade de cerveja sobre a “rivalidade” entre brasileiros e argentinos, que vem sendo veiculada desde a partida Argentina e Nigéria, no dia 25 de junho. Qual o problema de os nossos veículos de comunicação alimentarem a xenofobia? De fazerem graça com a proposta de que os hermanos devem ser lançados ao mar, ou ao espaço por nós?

O portal Diário na Copa, do grupo Diário do Nordeste (CE), no mesmo dia 25, publicou uma matéria com a manchete “Argentinos assaltam torcedores e roubam ingressos antes de partida em Porto Alegre”. O conteúdo da notícia aponta que os suspeitos são argentinos, pois vestiam camisas da seleção argentina. E, assim, nossa imprensa acredita possuir elementos suficientes para associar as imagens do crime à de uma nacionalidade específica. Essa é uma equação bem conhecida pelas vítimas de campanhas racistas e xenófobas. Qual o problema de chamar de “assaltantes argentinos” pessoas que vestem camisa da argentina e roubam ingressos?

Uma matéria do site do Globo Esporte do dia 21 anunciava que “a Copa do Mundo registrou na madrugada deste sábado a primeira grande briga entre brasileiros e argentinos”. Qual o problema de se naturalizar a briga entre representantes das duas nacionalidades, já insinuando que ela é a primeira de uma série?

Temos assim exemplos nos quais o espetáculo da Copa do Mundo, a grande competição entre as nações, mostra-se um prato cheio para que a nossa indústria cultural alimente e se alimente da violência (simbólica?). Promover a criminalização de um determinado grupo, a naturalização da violência e a necessidade de eliminação do outro: eis um mecanismo comum que se volta de diferentes maneiras para diversos atores no nosso cotidiano e para o qual é preciso estarmos atentos.

Enquanto na publicidade temos um exemplo que se vale do humor para tentar neutralizar qualquer possibilidade de crítica, tem-se por outro lado a imprensa utilizando a estratégia do “realismo”, na qual o “relato objetivo do fato” esconde o papel ativo do jornalismo na construção do discurso sobre a realidade. Dessa forma, o discurso que demoniza um determinado grupo tenta nos seduzir tanto de forma indireta (foi só uma piada!) como de forma direta (essa é a verdade).

Alguém pode minorar o fato de que o futebol é um fenômeno midiático e argumentar que essa rivalidade entre brasileiros e argentinos não foi criada pela mídia. Tá legal, eu aceito o argumento. O que não dá para aceitar é que nossa mídia promova tendências à xenofobia e ao preconceito na sua busca por vender cervejas e aumentar sua audiência. Seu papel deveria ser problematizar e combater, ao invés de estimular, o espetáculo do ódio travestido de rivalidade.

Abaixo, o vídeo em que os argentinos são mandados para o espaço:

* Bruno Marinoni é repórter do Observatório do Direito à Comunicação, doutor em Sociologia pela UFPE e integrante do Conselho Diretor do Intervozes.

‘¡Eeeeh p…!’, el grito homofóbico que ‘divierte’ a los fans del futbol (CNN)

De repente alguien se lo gritó al portero, después ya fueron muchos y ahora ha suplido a la tradicional ‘ola’ en los estadios

Por Esmeralda A. Vázquez

Jueves, 27 de febrero de 2014 a las 06:26

La expresión 'puto' es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

La expresión ‘puto’ es empleada como ofensa en los juegos del futbol mexicano y también en partidos de la selección nacional (Especial).

 Lo más importante
  • El futbol es un modelo de masculinidad para la cultura mexicana
  • Para los especialistas, la palabra ‘puto’ reafirma el lenguaje ‘peladito’ y ‘cantinflesco’ del mexicano
  • Los futbolistas son productos de la cultura mexicana, donde deben sustentar su masculinidad
¿Por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la palabra ‘puto’
Genaro Lozano, politólogo

(CNNMéxico) — En los partidos de futbol de la LigaMX hay elementos que nunca faltan: dos equipos, cuatro árbitros, varios balones, elementos de seguridad, aficionados… y el grito de “¡eeeh puto!” cuando despeja el portero del equipo rival.

El ‘ritual’ es el siguiente: cuando el balón sale por la línea final del campo y lo toma el portero, los aficionados levantan los brazos, agitan las manos y preparan la garganta para gritar en cuanto el jugador del equipo rival despeje el balón. En ese momento se consuma el grito que enseguida provoca risas.

Leer FIFA indaga gritos homófobos de mexicanos en Brasil

“No lo utilizamos de una manera homofóbica. Alguien que es ‘puto’ es una persona que no defiende. Y también tiene la otra referencia hacia los gays, pero en el contexto del estadio es así, alguien sin valor, que no tiene los ‘huevos’ para pelear o para defender”, dijo en entrevista el Punker, integrante de la barra Sangre Azul que apoya al equipo Cruz Azul.

Según el diccionario de la Real Academia Española, esa palabra puede tener dos significados, el primero, “hombre que tiene concúbito con persona de su sexo”, y el segundo, refiere a una expresión que “denota el esfuerzo que se hace para no ser el último o postrero en algo”.

La expresión tiene más que ver con una cuestión del lenguaje que utiliza el mexicano y no con una connotación sexual, considera Carlos Albert, exfutbolista y conductor de televisión. El “pinche” o “chingar”, que supuestamente son malas palabras, añadió, también las conjugamos para bien o para mal, “no lo justifico, pero tampoco diría que es una ofensa para los que tienen una preferencia distinta”.

Pero el politólogo e internacionalista Genaro Lozano piensa lo contrario.

“Esta palabra se ha utilizado para tratar de amedrentar y hacer menos al equipo contrario en el estadio de futbol. Y la justificación que dan quienes la están utilizando es exactamente decir eso: ‘es que no nos estamos refiriendo para nada a la homosexualidad'”, señaló el también analista, quien ha abordado el tema en varios textos de su autoría.

“Si así fuera —que el grito no tiene connotaciones homofóbicas—, ¿por qué no se cambia el uso de la palabra y por qué no se grita ‘¡cobarde!’ o ‘¡heterosexual!’ en el estadio?, porque esas palabras no tienen toda la carga peyorativa que tiene la otra”, añadió.

Para el sociólogo Miguel Ángel Lara, dicha expresión, en el ambiente futbolístico, es resultado del lenguaje “peladito (vulgar) y cantinflesco” que caracteriza a la cultura del mexicano, que también ha hecho de este deporte un producto de la masculinidad.

“Es un ámbito masculino, donde toda la testosterona sale a flote, pero es una testosterona que no piensa, que no es inteligente, en cambio sí es manipulada, asustada, reprendida y tiene una limitante”, explica el también profesor de la Universidad Iberoamericana.

De acuerdo con la Encuesta Nacional sobre Discriminación en México(Enadis) 2010, 4 de cada 10 personas en México, sin importar el rango de edad (de 12 a 49 años), opinan que la preferencia sexual provoca mucha división entre la gente, además de permanecer como uno de los mayores problemas de intolerancia en el país.

Albert señaló que “alguien, algún día le gritó ‘puto’ al portero y le pareció gracioso, luego ya fueron cinco y después ya fueron muchos y ahora se convirtió así como en la ola en los estadios y de repente en una especie casi de costumbre”.

“La gran dificultad (para controlarlo) es por el arraigo cultural de ciertos estereotipos sobre los cuales se ha construido este deporte, por ejemplo, una visión de un espacio donde no solamente se juega lo deportivo, sino lo masculino”, dijo Ricardo Bucio, presidente del Conapred, en una entrevista para CNNMéxico en 2013.

Armando Navarrete, portero del Puebla de la LigaMX y exguardameta de equipos como América, Necaxa y Atlante, explica que un futbolista está expuesto a todo y que la cancha y en general el estadio, es un espacio de libre expresión y que para eso los aficionados pagan su boleto.

“A mí nunca me ha parecido bien, pero uno como jugador tiene que aguantar. Como portero, si se dan cuenta que fallo me dicen de cosas, pero no me queda más que aguantar y enfocarme en el partido”, dijo en entrevista telefónica.

La idiosincrasia y la figura del machismo, señalaron las fuentes consultadas por CNNMéxico, influyen en el comportamiento de quienes asisten a los estadios y se expresan de esta manera en las tribunas.

“La cultura popular tiene en nuestro país desde hace muchísimos años ese tipo de cuestiones que pueden parecer pintorescas, chistosas. México es el país del albur y del doble sentido. Los mexicanos usamos un idioma y una jerga que a muchos se les hace simpático y eso, que es parte de nuestra idiosincrasia, se refleja también en el futbol”, añade Albert.

Pero Ricardo Bucio, titular del Conapred, piensa distinto. “El grito de ‘puto’ —al igual que los de ‘maricón’, ‘joto’, ‘puñal’, etc.— es expresión de desprecio, de rechazo. (…) Homologa la condición homosexual con cobardía con equívoco. Pero es también una forma de equiparar a los rivales con las mujeres, haciendo de esta equivalencia una forma de ridiculizarlas en un espacio casi exclusivamente masculino”, escribió en un artículo publicado en el portal de dicho Consejo, luego de que México ganara la medalla de oro en los Juegos Olímpicos de Londres 2012.

Los futbolistas “son productos culturales que forman parte de la familia mexicana y de esa educación de: ‘tú eres el hombrecito, los hombres no lloran’. Es un deporte viril, también en los discursos de la televisión es una entrada viril, de ‘¡hombre!’, sobre todo cuando se barren o cabecean”, complementa Miguel Ángel Lara.

En marzo del 2013, la Suprema Corte de Justicia de la Nación (SCJN)determinó que las expresiones “maricones” o “puñal” son ofensas discriminatorias que no pueden ser resguardadas por la libertad de expresión que consagra la Constitución en su artículo sexto, sin embargo, la palabra “puto” no fue incluida.

“Nosotros somos así, nos gusta decir esa palabra y muchas más. Creo que esa palabra no es tan ofensiva”, comenta El Punker, miembro de la barra Sangre Azul.

Robbie Rogers, jugador estadounidense del equipo Los Ángeles Galaxy de la liga de EU; Anton Hysen, futbolista sueco del Utsiktens BK de la tercera división de ese país; Marcus Urban, un alemán que prefirió retirarse tras dar a conocer su homosexualidad, son algunos de los jugadores de soccer que han hecho públicas sus preferencias, además del también alemán Thomas Hitzlsperger, quien reconoció ser homosexual en enero, tras anunciar que se retiraba como profesional.

“El futbolista mexicano que decida ‘salir del clóset’ debe ser consciente de que tendrá que aceptar algún insulto, aunque igual con el tiempo todo se va a calmar”, afirma el portero del Puebla.

Por su parte, El Punker asegura que si esto ocurriera, sería una presión más para el jugador. “Si es del equipo contrario, nos lo acabaríamos, haríamos mucho, mucho folclor de eso. Pero si se trata de un jugador de nuestro equipo, no dejaríamos de decir ‘puto’ (a los rivales), pero al nuestro sí lo defenderíamos”.

“¿Por qué no nos hacemos la pregunta de si algún director técnico estaría dispuesto a que sus jugadores se sumen a una campaña contra la homofobia?, yo creo que ninguno lo haría, porque muchos de ellos utilizan este lenguaje justamente cuando quieren criticar al oponente, les gritan ‘mujercita’, ‘pégale como hombre’. Sus comentarios son homofóbicos, misóginos y sexistas”, afirmó Genaro Lozano.

Apenas el lunes, la Federación Mexicana de Futbol (Femexfut) anunció que en los partidos oficiales de liga, copa y ascenso será implementado el protocolo contra racismo que dicta la FIFA.

Para Lozano, el Conapred debería asumir un papel más protagónico para hacer frente a este tipo de problemáticas. “(Porque) no ha hecho ningún tipo de campañas justamente para combatir la homofobia. Hace falta el respaldo institucional”, concluyó.

Temas relacionados

Mexico chief defends use of gay slurs at the World Cup (Goal.com)

By Vaishali Bhardwaj

23 Jun 2014 9:11:00 AM

The chief operating officer of El Tri says that Fifa can do nothing about the slurs that fans have used at the World Cup in Brazil

Mexico chief defends use of gay slurs at the World CupThe chief operating officer of the Mexico national team has defended the use of gay slurs by the country’s fans, saying that nothing can be done about it.

Mexican supporters who have travelled to watch their side compete in the World Cup in Brazil have been heard shouting a derogatory term each time an opposing goalkeeper takes a kick – a common practice in Mexico.

Four days ago, football’s world governing body, Fifa, announced they had begun disciplinary proceedings in response to the chants.

However, the COO of the Mexico team, Héctor González Iñárritu, defended the fans and explained that it was part of the country’s culture.

“The [Mexican] Federation is unable to restrict this expression. We cannot do anything legally or administratively,” he stated.

“It is not aggression – it is something that we’ve had for a long time in the Mexican League and in international matches.

“The people of Brazil were also yelling ‘wh**e’ at Guillermo [Ochoa] and it’s the same. Fifa would have to punish all federations.”

Mexico coach Miguel Herrera backed the use of the slur recently when he said: “We’re with our fans. It’s something they do to pressure the opposing goalkeeper.”

But, Piara Powar – a member of FARE (Football Against Racism in Europe) and the Committee Against Racism – condemned the behaviour.

“The homophobic chants are totally unacceptable. There must be action quickly before it starts to run out of control,” he said.

“Fifa have strong regulations in this regard. Zero tolerance is what is required here.”

Under Fifa’s regulations, supporters could face punishments such as suspensions or expulsions from grounds if they are found guilty of breaching the rules.

“The sporting sanctions are the only effective punishment,” Fifa president Joseph Blatter said.

Mexico World Cup Chants: Diego Luna Condemns Homophobic ‘Puto’ in Soccer (Latino Post)

By Robert Abel

First Posted: Jun 22, 2014 02:24 PM EDT

Diego Luna

Cada Vez nos Despedimos Mejor Press Conference (Photo : Clasos/CON LatinContent Editorial)

Mexican actor Diego Luna is speaking out against homophobic chants during World Cup matches. Fox News Latino reported that the award-winning actor and producer said it is regrettable that homophobic terms like “puto,” a common cry heard at Mexico’s soccer stadiums, are used to insult players during games.

Some say the word means weak or coward and isn’t directed at gays, but it is clearly meant to mock an opponent as weak and unmanly.

“I went to the [2006] World Cup in Germany, and I did hear [that cry],” the actor said in an interview with MVS radio. He said he never joined in because he couldn’t be proud of doing so.

“Soccer is a reflection of what we are in many ways,” he said. “We live in a classist, racist, homophobic society into which we are very assimilated, that’s all. I’m not really proud of that.”

On Thursday, the International Federation of Association Football, or FIFA, opened a disciplinary inquiry into the chants Mexican fans yelled during World Cup games against Cameroon and Brazil.

ESPN told Outsports it will try to prevent the chants from being heard on-air Monday when Mexico plays Croatia. The network says it is sensitive to the chant.

Andres Aradillas-Lopez, an economics professor at Penn State University, was born in Mexico and said he told Outsports the slur disgusts him.

“I heard them during the Cameroon game and also today against Brazil. Every single time the opposing goalie had a goal kick, they chanted [‘puto’],” Lopez said. “The media should make a bigger deal out of this and publicly shame that country and its fans. No other country in the world does this, and it would be unacceptable in any U.S. stadium.”

Mexico national team coach Miguel Herrera didn’t take the chants seriously, saying, “We have nothing to say; we’re with the fans. They do it to put pressure on the other team’s goalkeeper — I don’t think it’s that serious.”

FIFA statutes state that discrimination — by players, coaches or fans — against any country, individual or group for their race, skin color, ethnic origin, nationality, sex, language, religion or other factor is prohibited.

Luna has played LGBT characters in his films, including “Y Tu Mama Tambien” and “Milk.”

LGBT activists have been using the World Cup to draw attention to anti-gay killings that have plagued Brazil. Last year there were 313 anti-gay killings in the country, according to watchdog Grupo Gay de Bahia.

Um estádio sem cantos (Globo Esporte)

Quarta-feira, 18/06/2014 às 11:57 por David Butter

Quem diria: o pior da Copa é a torcida da seleção brasileira. Não falo da torcida dos bares, das casas e das ruas, de fora dos estádios por falta de condição, gosto ou oportunidade, mas da torcida das arquibancadas. – digo “torcida” por falta de outro termo.

Não, não andamos vendo a vergonha e o banzo circulando de cabeça baixa por aeroportos ou estradas, como imaginavam antes da competição os profetas da catástrofe, e sim pelas cadeiras das arenas “padrão Fifa”. Há algo de triste em quem passa por essas cadeiras: uma modorra atravessada de impaciência e melancolia.

Pois a torcida brasileira desta Copa é, até agora, uma torcida reativa. Até no seu canto mais efusivo (“Sou brasileiro/Com muito orgulho/Com muito amor”), a torcida de estádio parece estar respondendo a alguma ofensa não-enunciada.  É como se o brasileiro entrasse xingado e cuspido nas arenas, e não extraísse disso mais do que a força para dizer: “Eu gosto do que eu sou”.

A torcida brasileira desta Copa não tem canções: tem musiquinhas que caberiam melhor numa festa de firma: expressões vagas de solidariedade e espírito coletivo – praticamente um convite às vaias e aos muxoxos. “Está ruim o salgado”, “que banda horrível é esta”, “aqueles pães-duros economizaram no uísque”: enxergo no torcedor desta Copa o “Mauro da Contabilidade”, um Jekyll chatíssimo que, nas confraternizações de fim de ano, converte-se num Hyde mais chato ainda.

E os Mauros todos converteram nisto a atual “experiência”  de ser ver um jogo da seleção: um investimento individual de tempo (e dinheiro) em troca de algum retorno. A seleção “presta serviços” aos torcedores-consumidores; é uma seleção-bufê, um atração para eventeiros. Cantar qualquer coisa além do cânone santificado pela imprensa e pela publicidade não está no “briefing”.

(Ao fato: a torcida do México berrou por cima da torcida brasileira em Fortaleza. A ponto de me parecer que, para um jogo em Guadalajara, a seleção mexicana deveria encarar o empate como um tropeço.)

O hino se esgota antes da bola rolar. Não há tempo para concursos, nem festivais. Não existe, tampouco, era de ouro de cantoria para se espelhar. O que pode entoar de novo e de firme a torcida brasileira? Funk, sertanejo, paródia obscena, qualquer coisa mais viva, e menos encaixável num anúncio de banco ou sobe-som de telejornal – jogo as opções ao alto, por desespero de causa.

Surpreenda o Brasil, Mauro. Rasgue o abadá. Seja menos convencional uma vez na vida. Tenha algo a contar para seus filhos, algo diferente de “Os mexicanos/chilenos/argentinos me calaram”.

Apesar do cerco das autoridades e do controle das fronteiras, barras bravas argentinas estão no Rio (Extra)

15/06/14 05:00 

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor

Barra brava do Clube Atlético Chaco For Ever no Cristo Redentor Foto: Reprodução/Twitter

Leandro Saudino e Rafael Soares

O governo argentino entregou às forças de segurança brasileiras uma lista com 2,1 mil nomes de integrantes de torcidas organizadas argentinas — as populares e violentas barras bravas. Para evitar brigas em jogos do Mundial, esses “hinchas” — que já foram condenados pela Justiça ou barrados dos estádios pelos clubes — estão proibidos de entrar em território brasileiro. Quando identificados pelas autoridades nas fronteiras, são deportados. Porém, a Interpol vê brechas no sistema.

— Pelo ar, não há como passar pelo controle migratório. Mas, por vias terrestres, em postos sem pontes, como em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, não há como controlar. Não vamos fechar 100% as fronteiras — admitiu, ao Jogo Extra, o chefe da Interpol no Brasil Luiz Eduardo Navajas. — Sem contar que torcedores fora da lista também podem fazer parte de torcidas e não temos motivos para barrá-los.

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana

Barras do Club Atlético Talleres na praia de Copacabana Foto: Reprodução/Twitter

Apesar do cerco, alguns “hinchas” já estão no Rio: no Twitter, o perfil “barrabravphotos” postou, durante a semana, imagens que mostram os “hinchas” desfilando, com naturalidade, com suas faixas e surdos por pontos turísticos como o Cristo Redentor e a Praia de Copacabana. Nas fotos, aparecem torcedores de equipes de menor expressão no cenário argentino, como Club Deportivo Laferrere, Club Atlético Talleres e Clube Atlético Chaco For Ever.

A Polícia Federal e a Interpol monitoram os grupos de torcedores que entram no país. Os órgãos de inteligência da PF já identificaram que os torcedores mudaram a rota de entrada no país após cinco torcedores serem deportados — dois pela via aérea e três pelo município de Uruguaiana. Agora, eles estão tentando entrar pelo Uruguai, onde o controle é mais difícil.

— A lista com os barras bravas pode ser acessada em todo posto de imigração. Os barras bravas que estão na lista e conseguirem entrar vão fazer isso de forma ilegal. Vamos intensificar os bloqueios da Polícia Rodoviária nessas regiões — afirma Navajas.

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio

Barras do Club Sportivo Dock Sud a caminho do Rio Foto: Reprodução/Twitter 

Alto escalão abre portas para torcedores

Organizadas, influentes e poderosas. As “hinchadas”, ao mesmo tempo em que protagonizam alguns dos episódios mais tristes do futebol argentino, frequentam os gabinetes do alto escalão da política nacional. Criado para a Copa da África do Sul, com apoio e financiamento do governo kirchnerista, o grupo Hinchadas Unidas Argentinas (HUA) — que conta com integrantes de torcidas de mais de 40 clubes do país — teve sua dissolução anunciada no início de junho.

Durante a coletiva de imprensa, a advogada da entidade Débora Hambo acusou a Associação do Futebol Argentino (AFA) de repassar entradas da Copa do Mundo do Brasil para outros grupos de barras bravas, ligados aos grandes clubes de futebol do país vizinho, como Boca Juniors e River Plate.

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata

Barras do Club de Gimnasia y Esgrima La Plata Foto: Reprodução/Twitter

Nesse mesmo evento, a HUA divulgou que 150 integrantes da entidade viriam ao Brasil, mesmo sem ingressos, para torcer para a Argentina. Esses torcedores viriam ao Rio para tentar se encontrar com o presidente da AFA, Julio Grondona. Antes da dissolução, a HUA havia pedido à AFA 1.500 ingressos.

Em abril, o jornal argentino “Olé” publicou uma entrevista com o líder de uma torcida organizada do Internacional (Gilberto Bitancourt Viegas), conhecido como Giba, em que ele afirmava que conseguiria ingressos para 200 argentinos verem jogos da Copa.

Mesmo que os barras bravas consigam os ingressos, eles não poderão entrar nos estádios com suas faixas e instrumentos: a Fifa proíbe a entrada de cartazes com manifestações ou nomes de organizações nos estádios.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/apesar-do-cerco-das-autoridades-do-controle-das-fronteiras-barras-bravas-argentinas-estao-no-rio-12864333.html#ixzz34jWTYw3z

Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional (Diario Popular)

17 | 05 | 2014

Con un espectacular tiro libre de “Gomito” Gómez, de 39 años y máximo ídolo del club, el cuadro de Mataderos venció por 1-0 a Colegiales como visitante y se adjudicó el título.

 Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional

Chicago logró el ansiado ascenso a la B Nacional

Nueva Chicago logró el ascenso a la B Nacional al vencer por 1-0 como visitante aColegiales y obtener así el campeonato de la Primera B Metropolitana.

El “Torito” de Mataderos se impuso con un golazo de Christian “Gomito” Gómez, de tiro libre a los 15 minutos del primer tiempo, en la cancha de Colegiales, y allí, en Munro y ante una multitud de hinchas “neutrales” (no está permitido el ingreso del público visitante), festejó el ansiado retorno a la antesala del fútbol grande.

De la mano de su técnico Pablo Guede, Chicago alcanzó 73 puntos y les sacó una diferencia irremontable a sus seguidores Temperley (65 con dos partidos por jugar) y Atlanta (64).

“Gomito” Gómez, enganche de 39 años y máximo ídolo de la institución, volvió a ser la figura del equipo de Mataderos como en toda la temporada y goleador, ahora con 10 tantos.

La gran campaña de Chicago para resultar campeón y ascendido a una fecha del final incluyó 20 victorias, 13 empates y seis derrotas, con 42 goles a favor y 22 en contra.

Barrio de guapos, historia pura

Chicago es patrimonio de un barrio del oeste de la Ciudad de Buenos Aires, donde desde el 1899 se instaló el Matadero Municipal, que también tiene una antigua prosapia tanguera y donde nacieron el cantor Horacio Deval y el bailarín Juan Carlos Copes.

Uno de los signos distintivos del club Nueva Chicago es su seguidora hinchada, que si bien en los últimos tiempos le ha dado dolores de cabeza a sus dirigentes por las sanciones que acarrearon sus comportamientos, se caracterizó siempre por ser una de las más conocidas del Ascenso.

Esa hinchada fue, por su fuerte identificación peronista, un baluarte de resistencia durante la dictadura militar y sufrió, por ejemplo, el 25 de octubre de 1981, el arresto de 49 de sus miembros, que fueron llevados al trote a la comisaría 48va. de la Federal, por cantar la  marcha partidaria durante un partido contra Defensores de Belgrano.

Nueva Chicago, apodado “El Torito de Mataderos”, igual que aquel prestigioso boxeador de peso liviano llamado Justo Suárez, también nacido a principios del siglo XX en el corazón del barrio de los corrales y los frigoríficos, fue fundado el 1 de julio de 1911 por iniciativa de un grupo de jóvenes en las calles Tellier (hoy Lisandro de la Torre) y Francisco Bilbao.

El nombre elegido para el nuevo club fue “Los Unidos de Nueva Chicago”, en coincidencia a la ciudad estadounidense que al igual que el barrio porteño nucleaba en el país del norte a los frigoríficos.

Los colores de la camiseta, tras largas discusiones, fueron elegidos de manera singular ya que, estando reunidos los fundadores, pasó por la avenida Crovara una ‘chata’ hacia los corrales cargada con fardos de pasto que tenía los colores verde y negro y José Varela al verla exclamó:

“Muchachos, ya tenemos los colores, serán el verde y negro”, que fue aceptado por la mayoría. La primera y modesta cancha estuvo ubicada en un predio delimitado por las calles San Fernando (hoy Lisandro de la Torre), Tandil, Chascomús y Jachal (hoy Timoteo Gordillo) y, a partir de  1940, se mudó al terreno donde se encuentra su actual estadio República de Mataderos, en las calles Justo Suárez, Cárdenas y Francisco Bilbao.

El estadio fue famoso porque también allí se desarrollaron a partir de la década del ’70, alrededor del campo de juego, las carreras de autos categoría ‘midget’ (sin caja de velocidades y sin frenos).

Chicago militó mucho tiempo en el ascenso, pero tuvo también la oportunidad de jugar en Primera División en 1930 (bajó de categoría en 1934), 1981 (luego descendió en 1983), 2001 (en el 2004 se fue a la B Nacional) y 2006 (bajó en 2007).

De todas esas épocas, el resultado más resonante fue la victoria contra Boca Juniors, por 5-0, en el Torneo Metropolitano de 1983, partido jugado en Vélez. En ese histórico encuentro anotaron Claudio Otermín (2), Carlos Acuña (2) e Ignacio Vera Benítez.

Brazil soccer fans save lives, one organ at a time (Arab News)

Fans in Spain Reveal Their Prejudices, and Social Media Fuels the Hostilities (New York Times)

Someone threw a banana at Dani Alves, who plays soccer for Barcelona, during a recent game.C reditAlejandro Garcia/European Pressphoto Agency

MADRID — Spain’s sports fans have given Europe a version of the Donald Sterling racism scandal roiling America.

While prejudice in sports is nothing new in Spain, a spate of racist and anti-Semitic abuses has set off a round of chagrin and soul-searching — and even a government clampdown — that has raised broad questions about why such behavior seems so hard to combat.

The latest example occurred this week when almost 18,000 people posted comments on Twitter with a profane and anti-Semitic hashtag after Real Madrid’s loss to Maccabi Tel Aviv in the final of Europe’s main basketball tournament on Sunday.

The tide of comments prompted Jewish organizations to file a lawsuit in a Barcelona court on Tuesday that is expected to be handed to the office of Spain’s attorney general. On Wednesday, Maccabi Tel Aviv said that while it had dealt with a handful of disrespectful pro-Palestinian activists while playing in Spain in the past, “nothing like this has ever been experienced.”

The postings were condemned by the Anti-Defamation League, the New York-based advocacy group that last week released its first global survey on anti-Semitism, which showed that 29 percent of Spanish adults harbor prejudicial stereotypes about Jews. “The sheer number and intensity of anti-Semitic hatred unleashed via Twitter in Spain is alarming and outrageous,” Abraham H. Foxman, the organization’s national director, said Thursday.

The anti-Semitic outbursts came the same week the Barcelona soccer club dismissed an employee of its museum after she was caught on video making monkey gestures toward an African player during a game between Llagostera and Racing Santander on Sunday. Llagostera said the police would investigate the matter and banned the woman from its stadium. That episode followed one last month in which someone threw a banana at Dani Alves, a Brazilian member of the Barcelona soccer team, during a match against Villarreal.

Taken together, the outbursts lay bare an undercurrent of prejudice in Europe that has persisted through generations. Social media appears to have fueled the hostilities, while also serving to counter them.

Esteban Ibarra, the president of the Movement Against Intolerance, a Spanish advocacy group, said it had identified 1,500 websites, pages or blogs in Spain that promote racism or anti-Semitism, compared with 300 to 400 five years ago. He attributed the rise, in part, to the growing political success of extremists in countries like Hungary and Greece.

“The fact that Spain doesn’t have an extreme-right party with an institutional presence doesn’t mean that we don’t have extremists who have been encouraged and coordinate with others in Europe and make their presence most felt in sports,” Mr. Ibarra said. “What we’re seeing in cases like Maccabi and Dani Alves is that the groups of ultra sports fans are themselves infiltrated by neo-Nazis.”

After Mr. Alves responded to the taunt by eating the banana in front of Villareal fans, he inspired a wave of videos and messages from athletes and politicians who posed with peeled bananas or ate them in solidarity.

The anti-racism response inspired by Mr. Alves was widely repeated outside Spain, even in countries like Italy that have also witnessed significant racism in sports. Matteo Renzi, the Italian prime minister, shared a banana in front of the cameras with Cesare Prandelli, the coach of Italy’s national soccer team.

Despite Mr. Renzi’s banana episode, however, the Italian police intervened on Wednesday at the training camp in Florence of the national team to stop racist chants against the striker Mario Balotelli. Mr. Balotelli was born to Ghanaian immigrants and was raised by an Italian foster family.

He has faced racist abuse in Italy, in England and during a 2012 match in the Portuguese city of Porto, for which the club there was fined 20,000 euros, more than $27,000.

In January this year, A. C. Milan abandoned a soccer match after one of its black players, Kevin-Prince Boateng, led a walkout because of racist abuses by opposing fans.

Xavier Torrens, a sociologist and professor of political science at the University of Barcelona, said anti-Semitism in Spain had been underestimated by sports officials, who see it as a collection of isolated, anecdotal episodes. By contrast, the National Basketball Association in the United States reacted firmly last month by imposing a lifetime ban on Mr. Sterling, the owner of the Los Angeles Clippers, for making racist comments.

“In Spain, club directors — whether in soccer or any other sport — are not black, Gypsy, Jewish or Arab,” Mr. Torrens said, “so they don’t belong to any group that could feel some empathy for minorities.” Racism or anti-Semitism, he added, is “never a problem in their daily life, so that explains why such officials don’t take adequate measures and are so far from what was done in the N.B.A.”

The old-boy network that dominates English sports also drew criticism this week when the chief executive of the Premier League, Richard Scudamore, escaped dismissal Monday despite having sent emails with sexual innuendos about women.

Pledges by governments and sports authorities to combat the problem appear to have done little, despite specific episodes resulting in fines or bans. FIFA, the world governing body of soccer, has promised zero tolerance toward racism at the 2014 World Cup in Brazil, which begins June 12, without detailing how it would penalize unacceptable behavior.

Steps against anti-Semitism have been even more tepid in Spain. “Anti-Semitism exists here,” Mr. Torrens, the sociologist, said, “but the problem is that Spanish society is much less aware of its anti-Semitism than in almost any other Western country.”

Even if such problems have become more prevalent in Spanish sports, he continued, it would be wrong to accuse Spanish society as a whole of racism and anti-Semitism. In the decade before 2008 and the bursting of Spain’s construction bubble, the country successfully integrated about five million migrants — more than 10 percent of its population. Even the subsequent economic crisis and the sharp increase in joblessness did not set off a wave of xenophobia.

But most surveys in Spain show that “21st-century prejudices are the same as those in medieval times,” said Mr. Torrens, adding that the prejudices were most often directed at Gypsies, Arabs and Jews. “That must say something about how little the authorities have done to respond to the problem,” he added.

After the recent basketball game that drew anti-Semitic comments on Twitter, the Spanish interior minister, Jorge Fernández Díaz, warned that those who posted offensive messages could face arrest. The police must help “eradicate from the web all the comments that incite hatred and xenophobia,” he said.

Maria Royo, a spokeswoman for the Federation of Jewish Communities of Spain, said she could not recall an outburst of anti-Semitism like the one that came after Maccabi’s victory, but that the episode showed “the venom is here and comes out when you least expect it.”

The Israeli club’s general manager, Danny Federman, said in a statement, “It is very disappointing to see the rush of anti-Semitism following a well-fought competition.”

Several of the online comments included profanities about Jews, while others related to the Holocaust. One message, sent from the account of Guillermo de Alcázar, said, “Now I understand Hitler and his hatred for the Jews.”

In their court filing, the Jewish associations supplied a picture of Mr. de Alcázar and identified him among those who are suspected of violating a Spanish law that forbids the incitement of hatred. The associations said they had centered their inquiry on a profane hashtag that became a trending topic on Twitter after the basketball final and that was used by almost 18,000 people — most of them anonymous.

Brazil hooligan clubs face record fines (Sydney Morning Herald)

December 11, 2013 – 11:24AM

Vasco da Gama soccer fans beat up an Atletico Paranaense fan. Photo: Reuters

RIO DE JANEIRO: Brazilian sides Atletico PR and relegated Vasco da Gama face record fines and stadium closures after their fans were caught up in violence on Sunday.

The shocking scenes of fans kicking and punching each other on the terraces in the southern city of Joinville has provoked a storm — not least as it harms Brazil’s image six months before it hosts the World Cup.

Brazil’s Supreme Tribunal for Sporting Justice (STJD), part of the Brazilian Football Confederation (CBF), on Tuesday confirmed it was assessing what punishment should be dished out after violence which Brazilian President Dilma Rousseff said the country would not tolerate.

“Given the seriousness of this case we must make a judgement now as everyone wants a response — we shall not leave it til 2014,” said STJD chairman Flavio Zveiter, adding the Tribunal would likely hold an extraordinary session on the case.

Additional controversy erupted after it emerged police were only on duty outside with private security drafted inside, a decision which had police and state government firing accusations and counter-accusations at each other Tuesday.

The STJD could hand both clubs as much as a 20-game stadium ban and a fine in the region of $US50,000 ($A55,000).

Match referee Ricardo Ribeiro faces a four-month suspension if he is found to have officiated a match “without adequate security,” Zveiter told Lance sports daily.

AFP

Read more: http://www.smh.com.au/sport/soccer/brazil-hooligan-clubs-face-record-fines-20131211-2z4v9.html#ixzz2nC8ZlKYC

Até quando? (Universidade do Futebol)

09/12/2013 16:20:20

Já se vão 13 anos de São Januário e, ao que tudo indica, o futebol no Brasil continua parado no tempo

Erich Beting*

Hoje seria dia para falar sobre os erros e acertos de quem ganhou e perdeu no Brasileirão. Ou, então, de enfatizar o estágio ainda de semiprofissionalismo em que alguns times do futebol no país se encontram e que explicam, em parte, como o campeão de 2012 é rebaixado em 2013 no campeonato. Ou como um clube recém-promovido da Série B consegue chegar em terceiro lugar no ano seguinte apenas por fazer o dever de casa, enquanto os clubes, na sua maioria, enchem os cofres de dinheiro, mas os esvaziam com a rapidez e a irresponsabilidade de um estagiário em seu primeiro salário.

Mas, para variar, uma briga generalizada na arquibancada de uma partida tirou o brilho de um campeonato que teve a constelação cruzeirense campeã, mas que pouco, ou quase nada, brilhou.

Campeonato que ficou marcado pelos jogadores sentados nos chãos, de braços cruzados, trocando bola por quase um minuto, dando um recado mais do que sabido a quem (des)gerencia o futebol brasileiro.

Campeonato que teve como eclipse um jogo paralisado por mais de meia hora por conta de uma briga que terminou em feridos hospitalizados e cenas que chocaram quem ainda acha que futebol é algo para se divertir.

O problema não é essas imagens rodarem o mundo e colocarem mais uma vez em questão o que acontece com o país que abrigará a Copa do Mundo daqui a quase sete meses.

O problema é que essas imagens não são novidade há pelo menos 20 anos no país que se orgulha de ser “do futebol” e único pentacampeão do mundo.

Para quem é fanático pelo esporte, como sempre fui desde pequeno, não serve o rótulo de que “é só futebol”. Mas para quem é fanático em trabalhar com esporte, como me tornei ao longo dos últimos 13 anos, não serve também o rótulo de que “isso é o futebol”.

Em 2000, quando as arquibancadas de São Januário cederam na final da Copa João Havelange, parecia que aquele seria o início do fim.

Fim das gestões amadorísticas e popularescas personificadas na figura de Eurico Miranda.

Fim do descaso com o conforto e a segurança daquele que é o financiador do futebol, que é o torcedor.

Fim do “diz-que-diz” da mídia que posa de boa moça e paladinos da justiça quando essas brigas rolam pela arquibancada, mas que é a primeira a querer criar polêmicas vazias às vésperas de jogos só para “dar audiência”, sem se preocupar com o peso das palavras, escritas ou faladas, que arrotam antes das decisões e criam o clima beligerante para quem vai ao jogo.

Fim do despreparo de quem vai trabalhar com a segurança de uma partida de futebol, seja ela pública ou privada, sempre tratando o torcedor como transgressor antes mesmo de uma pretensa infração à lei.

Fim dos torcedores que atuam em bando, transformando-se de garotos responsáveis em bárbaros sanguinários, no melhor estilo “O Senhor das Moscas”, escrito em 1955 (!) por William Golding.

Mas já se vão 13 anos de São Januário e, ao que tudo indica, o futebol no Brasil continua parado no tempo. Sim, evoluímos consideravelmente em diversos aspectos, mas alguns princípios básicos de gestão continuam num Período Pré-Cambriano.

As receitas dos clubes infladas por novos acordos de televisão e material esportivo mascaram o que há de mais arcaico na gestão do futebol, que é o relacionamento com o torcedor. Ir a um estádio de futebol é, antes de um programa, uma aventura. Não há conforto, não há segurança, não há tratamento do torcedor como consumidor, mas como um operário dentro de uma fábrica inglesa do século XVIII, sem quaisquer condições humanas de tratamento.

Em 15 de abril de 1989 (!), a Inglaterra teve de assistir à morte de 96 torcedores por negligência policial e despreparo de relacionamento com o público para começar a mudar a realidade do tratamento com a torcida de futebol no país.

Reportagem de hoje do diário Lance! mostra que já são, desde 1988, 234 mortos em confrontos de torcedores no pretenso “país do futebol” (leia aqui). Já temos quase três tragédias de Hillsborough nos últimos 25 anos e nada, absolutamente nada, foi feito para melhorar e conter esses números.

Está claro que o problema não é só da torcida organizada. Hoje, a epopeia de um torcedor para conseguir chegar a um estádio de futebol para acompanhar seu time já dá motivos suficientes para ele adentrar a arquibancada com a cabeça cheia, querendo extravasar todo o mau trato sofrido pelo caminho. Dentro do estádio, nada é feito para melhorar o humor desse torcedor, que só tem a partida em si e o torcedor rival para descarregar a angústia, a frustração e o stress ao qual ele foi submetido nas horas anteriores.

O torcedor briguento não é vítima, mas também não é o único vilão nessa história.

Até quando teremos mortes e violência povoando um ambiente que pretensamente deveria ser de confraternização?

A história da evolução humana mostra que o esporte é um meio de representar, de forma civilizada, o que antes era manifestado em guerras e conquista de povos. Hoje parece que o meio não consegue mais absorver esse conceito.

A história da involução do futebol no Brasil mostra que o esporte é, cada vez mais, um reflexo do processo de desconstrução da vida em sociedade que boa parte do país vive. A intolerância ao outro que encontramos nas grandes cidades é refletida na arquibancada de um estádio.

O problema é que ela é transmitida ao vivo para milhões de pessoas, enquanto que nos faróis, no trânsito, no pedido de esmola, não há narração, comentários e mesas-redondas para debater os principais lances da barbárie.

A violência no futebol tem de acabar, mas é preciso, antes de mais nada, que o país passe a ser mais consciente de que a sociedade tem de dar um basta na violência.

No futebol, há 25 anos que mortes e confusões são parte de uma dura realidade. Para quem trabalha com isso, parece que é hora de dar um basta. Se não for pelo princípio básico de vida em sociedade, que seja pelo bem de quem quer continuar a trabalhar nessa indústria.

*Erich Beting passou pela Folha de S.Paulo, foi repórter especial do diário Lance!, criou em 2005 a Máquina do Esporte, veículo pioneiro na cobertura dos negócios do esporte no Brasil e atua como comentarista do canal BandSports. Além disso,  é consultor editorial da Universidade do Futebol. A coluna foi originalmente publicada no blog do autor, no portal UOL.

Violência no futebol: sobre a briga entre torcedores do Vasco e do Atlético Paranaense na Arena Joinville

10/12/13 04:00 Atualizado em 10/12/13 10:50 

Leone Mendes, o brutamonte da barra de ferro, era da banda da igreja e é dono de barbearia (Extra)

Wilson Mendes

Leone preso na Delegacia de Joinville Foto: Terceiro / Divulgação Polícia Civil de SC

Para os moradores de Austin, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, as cenas de selvageria protagonizadas pelo vascaíno Leone Mendes da Silva, de 23 anos, não combinam com o descontraído e pacato barbeiro do bairro, ex-saxofonista da banda da igreja evangélica local.

— Ele sempre torceu pelo Vasco, mas esse fanatismo aumentou com o tempo. Eu sempre falando: “Meu filho, larga isso de jogo, de torcida”. Mas nunca pensei que ele faria uma coisa dessas. Eu preciso que ele me explique o que aconteceu lá. Ele é um rapaz bom — avaliou, entre lágrimas, Cleuza Mendes da Silva, de 48 anos, mãe de Leone. Eles ainda não se falaram depois da prisão.

Solteiro e filho único, é o barbeiro quem sustenta a casa, construída no mesmo terreno utilizado por outros parentes. A braçadeira de capitão do lar foi transferida em definitivo há cerca de três anos, depois que ele terminou o Ensino Médio e Cleuza sofreu um derrame.

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

— Ele ajudou muito a mãe nessa época. Tantos remédios que comprou! — defende a tia, que não se identificou. Os vizinhos jogam no mesmo time da tia, numa tática de defesa calçada em rápidos elogios anônimos.

— Eu estou realmente surpresa. Ele foi aluno do meu marido, frequentou a minha casa e sempre foi uma ótima pessoa. Não sei o que aconteceu — diz a moradora da esquina.

O grupo de vizinhos da frente, incluindo um jovem devidamente uniformizado com a camisa da torcida organizada, garante que Leone nunca criou problemas nas partidas que acompanhou.

— Ele ia mais a jogos no Rio e São Paulo. Acho que longe assim esse foi o primeiro. Nunca ouvi dizer dele envolvido em briga. Nem machucado ele voltava — relatou um homem.

A mãe reclama de jogo sujo, e diz que fará de tudo para que as partidas com a Justiça seja disputadas em casa, no Rio de Janeiro.

— Eu não tenho dinheiro agora, mas se for preciso vendo até a casa. Eu quero que saibam que tenho ciência que o que ele fez foi errado. Não estou passando a mão na cabeça dele, mas ele tem 23 anos, emprego, carro e um salão. É trabalhador — desabafou Cleuza.

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho

Cleusa, mãe de Leone, sofre com a prisão do filho Foto: Paulo Nicolella / Extra

De acordo com ela, os organizadores é que erraram ao deixar uma partida de futebol decisiva e com tantos torcedores acontecer sem apoio policial.

— Mostram ele, mas como pode milhares de pessoas juntas sem policiamento, sem segurança? O organizador desse jogo queria mesmo uma tragédia.

Enquanto o filho está detido na Penitenciária Regional de Joinville, aguardando os trâmites do processo que responde por tentativa de homicídio, a mãe reza.

— Eu oro que isso sirva para ele voltar para os pés do Senhor e para mim. Também peço que o jovem ferido fique bem, para dar paz à mãe dele, que está sofrendo tanto quanto eu. Porque houve má organização, mas nós que sofremos — arrematou.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/leone-mendes-brutamonte-da-barra-de-ferro-era-da-banda-da-igreja-e-dono-de-barbearia-11021154.html#ixzz2n6D55JxF

*   *   *

10/12/13 04:00 

Diretoria do Vasco pagou aluguel de ônibus e deu desconto de 75% nos ingressos para a torcida (Extra)

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção

Torcedor da organizada do Vasco segura um rival pelo calção Foto: Pedro Kirilos

Por Bruno Marinho

A campanha que culminou com a queda do Vasco para a Série B este ano entrará negativamente para a história, assim como os episódios de violência protagonizados por sua principal torcida organizada. Tudo com a conivência da diretoria. O clube financia torcedores uniformizados subsidiando 75% do valor dos ingressos e ajudando também no transporte para as partidas como visitante. Foram justamente em duas partidas longe do Rio que as brigas ocorreram.

Domingo, cerca de 100 torcedores da principal facção vascaína partiram do Rio para Joinville, em dois ônibus. O ingresso, que estava sendo vendido por R$ 100, custou R$ 25 para os membros da organizada. O gasto com o aluguel do ônibus também é dividido. Neste fim de semana, um foi bancado pelos torcedores, o outro pelo Vasco.

Antes do conflito em Santa Catarina, o clube já tinha sofrido com o confronto entre torcedores rivais na partida contra o Corinthians, dia 25 de agosto. Na ocasião, o time perdeu quatro mandos de campo. Punição semelhante deverá se repetir por causa da briga generalizada de domingo, com a pena a ser cumprida nas primeiras rodadas da Segunda Divisão.

Procurada, a diretoria da Força Jovem Vasco, cujos integrantes foram flagrados pelas câmeras de TV na briga na Arena Joinville, se defendeu, mas admitiu que houve excessos.

— As imagens mostram que estávamos nos defendendo, com os torcedores do Atlético na área destinada aos vascaínos. Mas eu entendo que houve excessos, sim — disse Jean Santana, diretor financeiro da organizada.

Já a diretoria do Vasco não foi encontrada para comentar o financiamento à torcida. Manoel Barbosa, vice de patrimônio e responsável pela venda de ingressos, não atendeu as ligações. A assessoria de imprensa do clube também foi procurada. Ela informou que o Vasco repudia qualquer tipo de violência e que o clube ajudará no que for possível para que os culpados sejam punidos.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/diretoria-do-vasco-pagou-aluguel-de-onibus-deu-desconto-de-75-nos-ingressos-para-torcida-11020955.html#ixzz2n6ExOYcX

*   *   *

10/12/13 05:00 

Primo de brigão da barra de ferro diz que advogado da Força Jovem alegará legítima defesa (Extra)

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado

Leone com a barra de ferro com a qual foi flagrado agredindo torcedores do Atlético-PR, um deles desacordado Foto: Giuliano Gomes / Folhapress

Wilson Mendes

A defesa de Leone Mendes da Silva, de 23 anos, o vascaíno flagrado agredindo um torcedor do Atlético com uma barra de ferro, deve alegar que a ação foi por legítima defesa. A informação foi dada por um primo de Leone, que está acompanhando o caso. Leone está preso sob a acusação de tentativa de homicídio e será defendido pelo advogado da organizada Força Jovem.

— A torcida entrou em contato conosco oferecendo o serviço. Nós já tínhamos procurado um advogado, mas ele cobrou R$ 4 mil somente para ir até Santa Catarina fazer contato e buscar informações. Vamos esperar a definição da torcida para não termos que gastar tanto — disse.

A família espera que a defesa consiga libertá-lo com a justificativa de legítima defesa. Para eles, Leone entrou na briga para se defender de agressões e, como os vascaínos eram minoria, “utilizaram o que tinham em mãos”.

Até a tarde de ontem, nenhum parente de Leone havia recebido qualquer contato do Vasco com oferta de ajuda. Sem muitos recursos, eles depositam as esperanças no defensor da torcida organizada.

— Eles me explicaram que o que está pesando muito é a imagem dele batendo em um homem já caído. Mas, no meio da confusão, as pessoas não pensam direito — opinou o primo.

Leone, que tem uma barbearia em Austin, na Baixada Fluminense, deixou a casa da mãe com destino ao Sul às 19h de sábado, num ônibus fretado pela Força Jovem. O último contato com a família foi feito uma hora antes do jogo.

— Precisamos ir até lá. Ele não ligou para casa, está sem roupas e sem os documentos, que ficaram aqui na casa — diz o primo, revelando que outros parentes de Leone estão recebendo ameaças pelo Facebook: — Dizem que se ele voltar vão espancá-lo e atear fogo no salão dele.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/primo-de-brigao-da-barra-de-ferro-diz-que-advogado-da-forca-jovem-alegara-legitima-defesa-11021252.html#ixzz2n6FNONV2

*   *   *

10/12/13 05:00 

Ministério Público do Rio pedirá suspensão da Força Jovem por três anos (Extra)

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca

MP pedira a suspensão da torcida do clube carioca Foto: Pedro_Kirilos

Paolla Serra

A Força Jovem está com os dias contados nos estádios. Horas depois da briga generalizada que deixou quatro torcedores internados após ficarem feridos durante a partida entre Atlético Paranaense e Vasco, na Arena Joinville, o Ministério Público promete uma medida drástica em relação a torcida organizada carioca. Nos próximos dias, o promotor de Justiça Paulo Sally irá pedir que a Força Jovem do Vasco (FJV) fique impedida de ir aos estádios por três anos.

De acordo com Sally, o MP do Rio e o de Santa Catarina estão fazendo uma ação conjunta para evitar que cenas como a de anteontem, consideradas por ele como “terríveis”, se repitam. O promotor informou que aguarda apenas as documentações referentes às prisões para dar entrada no pedido para afastar a Força Jovem dos jogos. Ele informou ainda que os promotores catarinenses também irão tomar medidas em relação a Fanáticos, uniformizada do Atlético-PR.

Paulo Sally, da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, afirmou ainda que as duas torcidas já eram alvos de investigações do órgão. A FJV deixou de cumprir obrigações, inclusive, como entregar os nomes de seus componentes do grupo antes do jogo.

O promotor tomará como base o artigo 39 do Estatuto do Torcedor, que prevê que a torcida organizada “que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos”.

— O relatório das prisões e outros documentos serão importantes e vão dar alicerce a punição que será dada a Força Jovem — disse Sally.

Contra a Justiça não há Força.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/vasco/ministerio-publico-do-rio-pedira-suspensao-da-forca-jovem-por-tres-anos-11021128.html#ixzz2n6FrGApL

Torcida organizada não é sinônimo de violência (Esporte Essencial)

TORCIDA ORGANIZADA NÃO É SINÔNIMO DE VIOLÊNCIA

Por Katryn Dias – Esporte Essencial – 4 de dezembro de 2012

renzo2_426Em meados de 2001, cursando a pós-graduação em antropologia na Universidade de Columbia, em Nova York, Renzo Taddei iniciou sua pesquisa de campo, de caráter etnográfico. Como seu plano era estudar a violência, optou por um tema muito recorrente no cotidiano de diversos países: as torcidas organizadas. Comumente associadas a atos criminosos, de vandalismo ou brigas, as torcidas da Argentina foram o foco principal.

Nesta entrevista exclusiva, Taddei, que atualmente é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica um pouco do que pode observar enquanto esteve em contato com torcedores e líderes de torcidas, vivenciando o cotidiano daquele grupo. Na medida do possível, também traça alguns paralelos entre o que viu na Argentina e o que encontra hoje no Brasil.

Esporte Essencial: Durante a sua pesquisa de campo, você teve oportunidade de conhecer de perto uma torcida organizada em Buenos Aires. O que você observou lá também se adequa ao cenário brasileiro? Em que sentido?

Renzo Taddei: Há diferenças marcantes entre a forma como as torcidas existem e se organizam na Argentina e no Brasil. Uma delas é a associação com partidos políticos. Isso é muito forte na Argentina, mas, até onde eu sei, não ocorre no Brasil. Em parte isso se dá porque o Partido Peronista tem uma imensa base popular naquele país, do tamanho que nenhum partido tem no Brasil. Muitos políticos estabelecem relações com grupos de torcedores, muitas vezes inclusive usando-os para causar confusão em eventos políticos de rivais. Mas raramente se pode dizer que uma torcida organizada participa disso; em geral são grupos pequenos.

Outra diferença deve-se à distribuição espacial dos clubes. No ano em que fiz minha pesquisa de campo mais longa, em 2001, 13 dos 20 clubes da primeira divisão Argentina estavam sediados em Buenos Aires. No Brasil, não há mais de dois ou três clubes por cidade, o que reduz a relevância espacial do lugar onde o clube está sediado. Não há muita relação entre torcer pelo Botafogo e viver em Botafogo, ou torcer pelo Palmeiras e viver próximo ao Parque Antártica, em São Paulo. Na Argentina, com exceção de times como o Boca Júniors e o River Plate, que conjugam uma participação de bairro forte com uma existência que transcende o bairro onde estão, os demais times são muito fortemente ligados às localidades e bairros em que ficam. Isso significa que outras formas de conflito, como tensões entre bairros, tendem a contaminar a relação entre as torcidas.

“HÁ MUITO MAIS NA VIDA SOCIAL DAS TORCIDAS DO QUE A VIOLÊNCIA. ESSA É UMA PARTE ÍNFIMA DA ATIVIDADE DAS TORCIDAS, E DA QUAL PARTICIPAM POUCAS PESSOAS. MAS, INFELIZMENTE, É O QUE CHAMA A ATENÇÃO E VIRA NOTÍCIA”

Eu converso bastante com torcedores no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e acompanho pela imprensa as notícias sobre as torcidas organizadas. Leio também os trabalhos acadêmicos produzidos no Brasil sobre o tema. Creio que há muitas semelhanças entre os dois países – ou pelo menos entre as três cidades: Buenos Aires, Rio e São Paulo. Mas minhas opiniões sobre as torcidas no Brasil não são fundamentadas em trabalho de campo sistemático, como é minha visão sobre as torcidas argentinas, e em razão disso os paralelos têm que ser traçados com muito cuidado.

EE: O que você pode concluir com a pesquisa sobre a violência nas torcidas organizadas?

RT: Inicialmente, a primeira coisa que eu concluí é que a percepção da violência varia muito em função do lugar de quem observa. Se nos basearmos em estatísticas policiais, como faz boa parte dos estudiosos sobre o assunto, o que veremos é apenas violência, que pode crescer ou diminuir, mas é sempre violência. A abordagem da antropologia parte de uma tentativa mais ampla de compreensão do mundo das torcidas, para só então analisar o papel que a violência desempenha aí. Há muito mais na vida social das torcidas do que a violência. Essa é uma parte ínfima da atividade das torcidas, e da qual participam poucas pessoas. Mas, infelizmente, é o que chama a atenção e vira notícia. Ninguém tem interesse nas demais atividades, com a exceção do carnaval, em São Paulo, onde as três maiores torcidas participam com suas escolas de samba. É óbvio que se torcida organizada fosse sinônimo de violência, como a imprensa faz parecer recorrentemente, seria impossível que essas mesmas torcidas organizassem algo grande e complexo, que demanda cooperação e organização, como um desfile de carnaval.

Minha pesquisa ocorreu em um bairro da periferia de Buenos Aires, Mataderos, numa região onde há áreas habitadas pela classe média, por famílias de classe média baixa, e onde está também uma das maiores favelas da Argentina, chamadaCiudad Oculta. E o que eu encontrei foram pessoas vivendo suas vidas e tentando resolver seus problemas, em geral sem muita ajuda do poder público. A imensa maioria dos torcedores-habitantes da região se esforçava para tentar prevenir as situações em que a violência das torcidas ocorre, incluindo aí todos os líderes de torcidas com os quais tive a oportunidade de conviver. Em geral, estavam preocupados com o crescimento do consumo de drogas (pasta base e cola de sapateiro, naquele momento) por crianças, e com o aumento da disponibilidade de armas de fogo no bairro; mas o que realmente os preocupava era o empobrecimento da população da periferia. Vi os líderes recorrentemente organizando churrascos na sede de clube, nas manhãs dos dias de jogos, onde grande quantidade de comida era distribuída entre os torcedores mais pobres. Muitas vezes os líderes dedicavam parte da semana coletando doações de comida entre diretores do clube, jogadores e alguns torcedores mais abastados do bairro. Uma vez um líder me disse que se os torcedores mais pobres entrassem no estádio com fome, coisa que não era incomum, a chance de confusão era muito maior.

onibusbastao-renzo_650

Torcedor comemorando vitória do time Nueva Chicago, na Argentina, em ônibus da torcida.

Havia pessoas da comunidade que se envolviam em atividades ilícitas – como há em qualquer lugar, independente de classe social. Na torcida do Nueva Chicago, clube com o qual trabalhei, nenhum dos líderes era “bandido”, mas eram pessoas com perfil de líderes comunitários. Havia líderes do passado que tinham se envolvido com crimes, mas na época da minha pesquisa, eram todos trabalhadores. Quando voltei ao bairro, dez anos depois da pesquisa, todos os líderes de torcida com os quais eu havia trabalhado eram líderes comunitários; alguns eram líderes sindicais. Nenhum havia sido preso ou morrido.

O fato de que boa parte deles é grande, forte, barbudo, tatuado e tem “cara de mau” não faz qualquer diferença aqui. Grande parte do problema das torcidas é reflexo da discriminação social e racismo presentes em nossas sociedades – não apenas o racismo manifestado nas arquibancadas, pelas próprias torcidas, mas principalmente o racismo que não ganha espaço na mídia, o racismo das classes médias urbanas para com os jovens pobres de periferia. Esse racismo se manifesta, sobretudo, na relação tumultuada que a polícia tem com esses jovens.

Aliás, uma das “conveniências” da expressão “violência das torcidas” é o fato de que ela faz referência à violência associada à população jovem, pobre e negra, sem precisar ser explícito a respeito. Ninguém pensa em alguém rico e branco quando se evoca o problema das torcidas – como se essas pessoas não fizessem parte das torcidas. Tenho a impressão de que, muitas vezes, o uso dessa expressão permite que algumas pessoas e instituições sejam racistas sem parecer estarem sendo racistas.

“GRANDE PARTE DO PROBLEMA DAS TORCIDAS É REFLEXO DA DISCRIMINAÇÃO SOCIAL E RACISMO PRESENTES EM NOSSAS SOCIEDADES. PRINCIPALMENTE O RACISMO DAS CLASSES MÉDIAS URBANAS PARA COM OS JOVENS POBRES DE PERIFERIA”

EE: Quais as principais causas geradoras da violência dentro das torcidas organizadas? E como evitá-las?

RT: Não há sociedade sem violência. Nunca houve, na história da humanidade. O que temos são sociedades que sabem lidar melhor com certos tipos de violência; em geral, essas são as que tem uma visão mais aberta e realista sobre a violência, e não uma visão moralista, como a nossa. Fingimos o tempo todo que a violência não existe, apenas para nos chocarmos quando ela se manifesta.

Tratar a questão da violência das torcidas como problema de polícia faz parte desse panorama. É uma forma de evitar termos que pensar a sociedade em que vivemos, encarar nossos problemas a fundo. De qualquer forma, não acho que os atos de violência que ocorrem na relação entre torcidas tenham causas diferentes de outras formas de violência da sociedade. Posso elencar alguns fatores, correndo o risco de deixar muita coisa de fora. Há o fato de tentamos suprimir artificialmente as muitas formas de discriminação que existem em nossa sociedade, fingindo que elas não existem, o que apenas faz com que elas ressurjam de formas abruptas e violentas. Eu poderia também mencionar a impunidade, mas acho que essa é apenas a ponta de um iceberg. Pelo menos no que diz respeito às torcidas, por baixo disso – de atos violentos condenáveis – há o ressentimento por parte da população para com o poder público, e em especial para com a polícia, em razão da violência desmesurada e frequentemente aleatória por parte desta sobre a população jovem, pobre e negra. Tenho a impressão que, em situações de alteração emocional coletiva, esse ressentimento se transforma em ataque ao patrimônio público. No ano de 2001, durante a crise política argentina, a multidão incendiou o Congresso Nacional daquele país. Para grande parte daquelas pessoas, o Estado está ausente de suas vidas diárias, exceto pela presença da polícia. Ou seja, a polícia é a cara do Estado. E muita gente em Buenos Aires tem a experiência de ter apanhado da polícia ou de ter sido presa sem fazer a menor ideia do motivo para tanto. No Brasil não acho que isso é diferente.

policia-renzo_650

Portanto, a questão passa pela legitimidade do Estado frente às populações, muito mais do que pelo tema da impunidade. O Estado não faz qualquer esforço no sentido de construir sua legitimidade política junto às populações mais pobres, com muito raras exceções. A percepção de que o Estado é ilegítimo, somada ao tratamento aviltante dado pela polícia à população em geral, e aos torcedores em particular, resulta em ações contra a ordem instituída – depredação do patrimônio e agressão contra a própria polícia. Mas essa reação não é planejada, não é articulada objetivamente, e por isso ela pode também ser parte de outras formas de violência, como a que ocorre entre torcidas. Ou seja, é um contexto que produz a violência como forma de expressão, e que produz pessoas que usam a violência como forma de expressão. O contexto violento impõe as regras violentas do jogo; as pessoas não são violentas por alguma “essência” interior. E isso é uma questão que se faz presente em diversos contextos sociais, não apenas no futebol.

Assassinos devem ser julgados e punidos; a não punição de assassinos não vai melhorar a situação no curto prazo, só piorar. Mas reduzir a questão mais ampla dos atos de violência associados às torcidas a um problema de polícia não vai resolver nada de forma definitiva. Na minha percepção, a maneira como o poder público trata o problema se reduz a um imenso teatro. E a população em geral não consegue pensar de outro modo que não seja “isso é problema do poder público”; por isso estamos atolados, sem sair do lugar. Ou seja, é preciso, no mínimo, transformar as forma de relação entre o Estado e a população, o que passa por transformar a polícia.

EE: No seu trabalho, você afirma que “a maioria dos torcedores torcia pelas torcidas”. Como você explica esse fato? E por que motivo o que acontece dentro do campo deixa de ser tão importante?

RT: O futebol, como esporte, passou por muitas transformações ao longo dos últimos 150 anos. Inicialmente, na Inglaterra, houve o esforço de “civilizar” a sua prática, que era notória por sua capacidade de gerar tumulto e confusão. Segundo Eric Dunning, um importante estudioso da violência no futebol, as autoridades inglesas iniciaram um combate ao futebol, através de leis que o proibiam em certos locais, por volta do ano 1314. No século 19, as regras que conhecemos foram desenvolvidas, com o objetivo de transformar uma prática de lazer popular em exercício de disciplinamento do corpo e da mente. Esse já foi um primeiro passo no processo de distanciamento entre a vida das classes populares e o esporte. Ao longo do século 20, duas outras coisas importantes ocorrem nesse sentido: o futebol se transforma em espetáculo, o que faz com que participantes sejam transformados em espectadores – a própria ideia de torcedor, que implica em alguém que não participa diretamente do jogo, aparece apenas no início do século passado. Em segundo lugar, e em especial na segunda metade do século, há um processo de profissionalização e de aburguesamento do esporte, o que distancia ainda mais o que ocorre dentro de campo e a comunidade de torcedores. Jogadores que antes eram membros da comunidade, como ainda ocorre em times pequenos, de segundas e terceiras divisões, passam a ser profissionais-celebridades com quem a torcida não interage de forma significativa; inclusive porque tais jogadores tendem a permanecer pouco tempo em cada clube. Qualquer resquício de experiência de comunidade ficou então restrito às torcidas, ao que ocorre nas arquibancadas. Foi o que eu vivenciei na Argentina: os jogadores eram festejados como celebridades, mas a relação com eles era superficial; a relação com a vida da comunidade de torcedores, com seus símbolos e rituais, no entanto, era muito mais forte e perene. Por isso eu disse que os torcedores em geral torcem muito mais por suas próprias torcidas do que pela equipe.

“REDUZIR A QUESTÃO MAIS AMPLA DOS ATOS DE VIOLÊNCIA ASSOCIADOS ÀS TORCIDAS A UM PROBLEMA DE POLÍCIA NÃO VAI RESOLVER NADA DE FORMA DEFINITIVA”

Mas isso marca mais os torcedores que frequentam os estádios e outros lugares das torcidas. Há vários tipos de torcedores. O torcedor de sofá, em geral, não tem essa experiência. O torcedor de boteco tem um pouco dela. Na relação com a torcida nos estádios, há muitos torcedores que são espectadores de terceiro grau: são espectadores do jogo e do espetáculo que as torcidas promovem nas arquibancadas, que eles só veem pela televisão. Aliás, parte do cinismo presente nos discursos midiáticos sobre a violência das torcidas é o fato de que estes jamais mencionam que muitos espectadores veem nas torcidas um espetáculo tão notável quanto o que ocorre em campo. Tenho amigos corintianos que falam com muito orgulho da Gaviões da Fiel, sem nunca terem se aproximado fisicamente da torcida. Vi a mesma coisa com a La 12, maior torcida do Boca Juniors, na Argentina.

EE: Em Buenos Aires, você descobriu que os torcedores mais jovens são geralmente os mais agressivos. No Brasil, um levantamento do jornal Lance! mostrou que, nos últimos 24 anos, mais de 150 pessoas foram mortas em decorrência de brigas entre torcidas, sendo 47% delas na faixa etária entre 11 e 20 anos. Esse número pode ser explicado pelo mesmo motivo?

arquibancada-renzo_450RT: Ninguém deveria morrer indo ao estádio. Mas esses são números que revelam que o pânico moral em torno das torcidas é ridículo. Muito mais gente morre andando de bicicleta do que indo ao estádio. Pensemos através dos números: as grandes torcidas organizadas têm dezenas de milhares de associados; só no brasileirão de 2011, o público total foi de cinco milhões e meio de pessoas. Adicione aí os estaduais, e as outras divisões, e seguramente temos mais de 10 milhões de torcedores nos estádios anualmente. E temos uma média de 10 a 12 mortes por ano. Se esses números estiverem corretos, é como dizer que a taxa é de 0,1 mortes por 100.000 habitantes, e apenas levando em consideração as pessoas que efetivamente vão aos estádios. Estatisticamente, é obvio que ir ao estádio, e mesmo participar das torcidas, não está entre as coisas mais perigosas da vida urbana; pelo contrário. Para uma grande quantidade de gente – em especial os mais pobres nos grandes centros urbanos -, participar de uma torcida dá uma sensação de pertencimento e segurança não encontrada em outras áreas da vida. Foi isso que eu vi na Argentina: boa parte dos imigrantes de outras partes do país, ou de outros países, ia morar nas favelas da capital argentina, onde não tinham rede de apoio social, parentes, amigos. Encontravam isso nas torcidas.

“SE HOUVESSE UMA MELHOR INTERLOCUÇÃO ENTRE OS DIVERSOS SETORES DA SOCIEDADE ENVOLVIDOS NA QUESTÃO, E EM ESPECIAL ENTRE AS TORCIDAS E AS AUTORIDADES, TENHO CERTEZA DE QUE AS PRÓPRIAS TORCIDAS AJUDARIAM NO CONTROLE DO PROBLEMA. MAS AS TORCIDAS E SEUS LÍDERES SÃO PREVIAMENTE TAXADOS DE BANDIDOS”

Com relação à idade dos participantes, isso remete a outras questões que eu ainda não mencionei. As culturas e sociedades humanas, quaisquer que sejam, têm que lidar com essa questão, a necessidade de controlar, de alguma forma, a abundância de energia e os comportamentos agonísticos, agressivos, dos garotos adolescentes e jovens adultos. O próprio surgimento dos esportes pode estar ligado a isso, de alguma forma. Entre os jovens ligados às torcidas organizadas, não é incomum a visão de que, para se transformar em um líder com fama e prestígio, é preciso demonstrar altos níveis de coragem e agressividade. Com o tempo, os membros das torcidas, e especialmente os líderes, que tendem a ser mais velhos, entendem que para ter a liderança é preciso muito mais do que coragem e valentia; é preciso, fundamentalmente, inteligência e carisma. E isso não se ganha no grito.

Por isso eu digo que, sem as torcidas e os controles que elas exercem sobre seus membros, os índices de violência e criminalidade em áreas periféricas, como a que eu pesquisei na Argentina, seriam provavelmente maiores. Qualquer grupo social exerce alguma forma de controle sobre seus membros; as torcidas não são diferentes. Como eu ouvi recorrentemente na Argentina, situações de violência e confusão não são convenientes aos líderes de torcida, porque estes têm muito a perder com isso. Também não são convenientes, para usar um exemplo mais chocante ao nosso senso comum, a quem trafica drogas dentro das torcidas: em situações violentas, eles correm o risco de perder a droga e serem presos. Eu vi traficantes atuando de forma a conter o ímpeto de violência de alguns torcedores, o que poderia desencadear eventos violentos coletivos. Não se trata de apresentar traficantes como “bons moços”; muitas vidas são efetivamente perdidas com o consumo de droga na torcida, e não descarto que eventos violentos podem ser desencadeados por ações tolas e desmesuradas cometidas por alguém sob efeito de drogas. O que eu estou tentando dizer é que a realidade é mais complexa do que o que faz crer essa tendência que temos de dividir o mundo entre “bons” e “maus”.

invasao-renzo_650

De qualquer forma, minha experiência com as torcidas me diz que, em geral, quando uma torcida é a causadora de atos de violência contra a polícia ou outra torcida, isso frequentemente se dá em decorrência de atos impensados e impulsivos dos torcedores mais jovens. Os torcedores mais velhos e os líderes precisam saber administrar o ímpeto dos mais jovens. Mas nem sempre são capazes de fazê-lo, e quando a situação sai de controle e o combate se estabelece, os líderes acabam tendo que entrar na briga ao lado dos jovens que a causaram.

Eu presenciei negociações entre líderes de torcida e delegados de polícia de bairros de periferia, em que os últimos autorizavam a entrada de bandeiras ou tambores nos estádios, coisa proibida em Buenos Aires quando fiz minha pesquisa, em troca da garantia dos líderes que estes iriam controlar los pibes, a “molecada”, e que não haveria confusão ao redor do estádio. Ou seja, essa relação entre as ações dos mais jovens e as brigas era entendida de forma semelhante tanto por líderes como por policiais de bairro.

“PARA UMA GRANDE QUANTIDADE DE GENTE, EM ESPECIAL OS MAIS POBRES NOS GRANDES CENTROS URBANOS, PARTICIPAR DE UMA TORCIDA DÁ UMA SENSAÇÃO DE PERTENCIMENTO E SEGURANÇA NÃO ENCONTRADA EM OUTRAS ÁREAS DA VIDA”

Na Europa, uma das iniciativas mais ousadas de que tenho notícia é a contratação de assistentes sociais, na Bélgica, Holanda e Alemanha, com o intuito de conviver com as torcidas, e agir estrategicamente nos momentos em que ações de poucos indivíduos poderiam desencadear reações em cadeia, se alastrando para toda uma multidão e resultando em violência e depredação. Ou seja, a ideia era, ao invés de criminalizar todo um contingente de pessoas, evitar que a fagulha que produz a explosão coletiva ocorresse. Acho isso uma ideia genial; liberal demais, talvez, para o pensamento de nossas elites políticas, porque desarticula as formas de discriminação que existem na base de nossa existência social.

EE: Depois da obra, o Maracanã vai contar com um conjunto de ações anti-vandalismo, que inclui a utilização de materiais anticorrosivos e resistentes a pancadas. Você acredita que essa é a maneira correta de prevenir esse tipo de ação? Como evitar confusões entre torcedores em eventos de grandes proporções, como a Copa do Mundo?

RT: O Maracanã está saindo muito caro para a sociedade. Acho bom que ele seja, pelo menos, durável. Mas não há qualquer prevenção nisso.

arquibancadanoturno-renzo_450Pensando em escala de curtíssimo prazo, para os grandes eventos que se aproximam, as autoridades devem ser capazes de identificar agressores e submetê-los à justiça, mas de forma precisa, objetiva, isenta. Se houvesse uma melhor interlocução entre os diversos setores da sociedade envolvidos na questão, e em especial entre as torcidas e as autoridades, tenho certeza de que as próprias torcidas ajudariam no controle do problema. Mas as torcidas e seus líderes são previamente taxados de bandidos, e o que se vê pautando a percepção coletiva, via mídia, é então apenas o discurso da polícia, repetido no jornalismo de forma quase sempre acrítica. Muitos jornalistas, infelizmente, pensam: “não vou dar espaço a esses bandidos” – sem perceber que, ao fazê-lo, estão pré-julgando e condenando muita gente que nunca se envolveu em violência. Essa é uma das razões pelas quais nunca se ouve a voz de quem participa das torcidas. Ou seja, em geral, a cobertura jornalística sobre a questão das torcidas tende a refletir apenas um ponto de vista, dentre muitos outros possíveis: o que manifesta certo moralismo das classes médias urbanas. Como conclusão, eu diria então que um pré-requisito para qualquer avanço nessa área é a melhoria na interlocução entre torcidas, jornalistas, autoridades e demais envolvidos.

Num prazo mais longo, é preciso mudar a relação entre o Estado e os segmentos da população diretamente envolvidos. Uma das coisas que as lideranças da polícia do Rio de Janeiro aprenderam, a duras penas, com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora, é que o treinamento dado aos policiais para o policiamento das ruas não era adequado para a situação de convivência com as comunidades. É justamente essa a questão, o mesmo ocorre nos estádios: os policiais precisam, antes de tudo, ser treinados para a convivência com os torcedores, entendendo as lógicas específicas dos contextos das torcidas, e só então o combate ao crime entra em cena. Não se pode pensar que a convivência é uma coisa óbvia, e o combate ao crime é que é complexo: a convivência entre torcedores e policiais deve ser tomada como um elemento fundamental, tão importante e complexo, do ponto de vista dos policiais, quanto ser capaz de identificar um crime. Por essa razão, eu sinceramente espero que o Coronel Robson, uma das autoridades policiais mais esclarecidas a esse respeito no Rio de Janeiro, seja envolvido na preparação das polícias de todo o Brasil para a Copa do Mundo de 2014.

Fotos: Renzo Taddei

Homophobia in Sport: Sporting Identity, Authoritarian Aggression, and Social Dominance (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 16, 2012) — Homophobia exists in many areas of life. It also seems to be particularly entrenched in sport, exercise and physical education (PE) settings of all kinds. But why is this the case?

To find out, an international trio of psychologists have become the first to examine the relationship between investment in physical/sporting identity, certain psychological attributes, and homophobia in PE/sport participants.

The authors, Kerry S. O’Brien, Heather Shovelton and Janet D. Latner, whose pioneering work appears in the International Journal of Psychology, had two goals in mind. First, they wanted to address the lack of quantitative work on homophobia in PE and sport settings. Second, they wanted to examine the role played by established sociological constructs in homophobia. Since other forms of bias such as racism are associated with conservative ideologies and personality traits such as authoritarianism and social dominance orientation (SDO — a preference for social hierarchies), the authors wanted to see whether such traits were also associated with homophobia.

Because heterosexual masculinity and physical identity are defined by physical attributes for both men and women (which gay men and lesbians are often seen as threatening), the authors also explored the relationship between ‘sporting identity and athletic self-concept related constructs’ and homophobic attitudes. The authors posited that individuals who identify strongly as members of a physically oriented group (such as PE/sport science students), place a high value on physical attributes, abilities and appearance (such as strength or skill), or have more conservative ideologies, or may hold more negative attitudes towards those whose beliefs and attitudes differ from their own.

The conclusions bore out the researchers’ hypothesis: anti-gay and anti-lesbian prejudice was greater in PE students than non-PE students, and males had greater anti-gay, but not anti-lesbian, prejudice than females. The differences between the two groups appear to be explained by differences in the conservative psychological traits; higher scores for authoritarianism and SDO were significant predictors. In addition, physical identity and athletic attributes based around masculine ideals also appear related to prejudice in males.

The authors conclude that sport settings may benefit from ‘prejudice reduction initiatives that address the overinvestment in physical attributes and masculine ideas’ and which reinforce social equality and diversity. Such initiatives also need to address the contextual and psychosocial factors that underpin homophobia. While there is of course no suggestion that sportiness itself encourages prejudice, the authors warn that the high levels of anti-gay and anti-lesbian sentiment they found ‘may be due to the contextual influences that enhance or support the expression of homophobia’. In other words, prejudice can become entrenched in a group over time, in accordance with social identity theory (SIT).

The findings presented in this ground-breaking study provide vital new quantitative evidence to support qualitative and anecdotal reports that homophobia is higher in sport and PE than in other settings, making it essential reading for the educators, coaches and sporting professionals who must work together to root it out.

Journal Reference:

  1. Kerry S. O’Brien, Heather Shovelton, Janet D. Latner.Homophobia in physical education and sport: The role of physical/sporting identity and attributes, authoritarian aggression, and social dominance orientationInternational Journal of Psychology, 2012; : 1 DOI: 10.1080/00207594.2012.713107

Promotores e procuradores discutiram medidas preventivas contra a violência nos estádios (Esporte Essencial)

[Interessante como texto e fotos passam mensagens contraditórias no que diz respeito à atribuição de responsabilidade pela violência nos estádios. RT]

18/10/2012

Por Katryn Dias

violencia_nos_estadios_divulgacao_texto_400A violência dentro e fora dos estádios de futebol é uma triste realidade brasileira. Nos últimos 24 anos, mais de 150 pessoas foram mortas no país em decorrência de brigas entre torcidas organizadas e, segundo um levantamento realizado pelo jornal Lance! em abril deste ano.

Para discutir medidas de combate à violência, foi convocada nesta quarta-feira (17) uma reunião extraordinária da Comissão Permanente de Prevenção e Combate à Violência nos Estádios de Futebol. Promotores e procuradores discutiram medidas preventivas que serão apresentadas hoje (18) à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

“É muito importante que essa regulamentação amplie e aprofunde o espírito do Estatuto do Torcedor para que nós possamos ter nos estádios as famílias, as pessoas que querem torcer, as torcidas ordeiras. E não, eventualmente, pessoas que queiram cometer crimes ou praticar a violência”, afirmou o promotor de Justiça Sávio Bittencourt.

vne_280Durante a reunião, o Ministério Público defendeu a uniformização em todo o país de medidas para punir os criminosos. A meta é aplicar punições severas às torcidas responsáveis pela promoção da violência e do vandalismo, inclusive com prisões de alguns de seus membros. “A primeira questão é a impunidade. Precisamos discutir e verificar onde está a falha, porque muitas vezes a polícia militar atua, mas essa atuação não se reflete em prisões”, destacou José Antônio Baêta, presidente da Comissão de Prevenção e Combate à Violência.

Outra medida em discussão está levantando uma grande polêmica. A proposta da Comissão é estender a proibição da venda de bebidas alcoólicas a uma área de até 500 metros no entorno dos estádios em dias de jogos. Segundo Baêta, desde que foi implementada, a proibição da venda de bebidas dentro dos estádios já mostrou resultados, refletindo, inclusive, no aumento expressivo de mulheres e crianças nas torcidas.

Fotos: Divulgação