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A corrente de humanização que se tece em tempos da pandemia da Covid -19 (Blog Cidadãos do Mundo)

25/05/2020 14:32

Por Sucena Shkrada Resk*

Campanhas pelo país impulsionam o exercício de empatia e desprendimento

Uma das características singulares que emerge em tempos de crise é a humanização, que vem carregada daquela palavra ‘aconchegante’ chamada empatia. Problemas da sociedade moderna já existentes se multiplicaram exponencialmente, em tempos de quarentena devido à pandemia da Covid-19, e potencializam hoje o que cada cidadão-solo ou em esforços coletivos pode contribuir aos mais vulneráveis. Assim, as campanhas se ampliam em diferentes regiões do Brasil, com doações de tempo em trabalho, de alimentos, produtos de limpeza, medicamentos para famílias e comunidades mais necessitadas. Como também, doações em itens ou dinheiro para asilos, hospitais públicos e instituições de pesquisa e a causas de PET abandonados.

Este é o mosaico formado por uma rede-cidadã que se forja dia a dia na resiliência às adversidades aqui e em outros lugares no mundo. Caso você se sinta sensibilizado por iniciativas realizadas por organizações idôneas, não se acanhe, parta para as ações dentro de suas possibilidades! É a filosofia do ganha-ganha!

Caso não tenha ideia do ponto de partida, faça um levantamento de entidades em seu bairro ou município, que mantêm trabalhos permanentes assistenciais credenciados ou sobre causas que tenha mais afinidade em suas congregações religiosas ou não. Verifique suas necessidades. Ou quem sabe, se bem mais perto de você, o seu próprio vizinho não está precisando de ajuda? Uma palavra amiga, uma divisão de mantimento, que não faz falta em sua casa, ou se oferecer a fazer uma compra de alimentos, fazem parte deste exercício.

Aqui, em São Caetano do Sul, SP, pesquisei algumas campanhas locais e doei pequenas quantias ao Abrigo Irmã Tereza e ao Lar Bom Repouso. Também a catadores de materiais recicláveis de São Paulo, a indígenas de São Paulo (pelo Instituto Akhanda) e à Campanha Existe Amor, de Milton Nascimento e Criolo e aos franciscanos.  E continuo, neste propósito, também no papel de comunicadora. Cada um vai encontrar ferramentas próprias que dão sentido nesta engrenagem.

Para facilitar a interação entre os elos de quem quer contribuir e quem precisa receber, alguns sites têm feito pontes nestas relações.  Confira alguns:
– Ação da Cidadania: https://www.acaodacidadania.com.br/formas-de-doar
– Agência da ONU para Refugiados: https://doar.acnur.org/acnur/coronavirus.html
– Amigos do Bem (atuação no sertão de Alagoas, Ceará e Pernambuco):  amigosdobem.org/acaoemergencial/
– Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB): https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoie-os-povos-indigenas
– Central Única das Favelas: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-cufa-a-ampliar-seu-combate-ao-coronavirus
– Caritas Brasileira: https://caritas.org.br/
– Cruz Vermelha Brasileira: https://www.cruzvermelha.org.br/pb/category/noticias/covid-19/
– Projeto Mãe das Favelas: https://www.maesdafavela.com.br/
– Campanha p/Comunidade de Paraisópolis (SP): https://www.esolidar.com/en/crowdfunding/detail/3-g10-apoie-paraisopolis-a-combater-o-corona-virus?lang=br/
– Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus: https://www.bsocial.com.br/causa/fundo-emergencial-para-a-saude-coronavirus-brasil
– Meu Rio (Covid nas Favelas): https://www.covid19nasfavelas.meurio.org.br/
– Defesas civis do seu município e/ou Estado
– Fundos Sociais de Solidariedade dos municípios e estados
– Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef): https://secure.unicef.org.br/Default.aspx?origem=covid19
– Hospital das Clínicas de São Paulo: https://viralcure.org/hc
– Médicos Sem Fronteiras: https://coronavirus.msf.org.br/
– Movimento Família apoia Família: https://benfeitoria.com/canal/familias
– Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR: https://solidariedadeaoscatadores.com.br/

É preciso sempre estar atento quanto à transparência das informações sobre as quantias e destinações desses recursos. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) criou a página https://www.monitordasdoacoes.org.br/, que tem apurado o levantamento de doações à causa da Covid-19, com dados de doadores como também de mais de 350 campanhas em andamento no país. Nos informes, há dados de quanto estão recebendo (com no mínimo R$ 10 mil angariados à causa). É mais uma maneira interessante de possibilitar uma certa transparência deste universo, que tem de existir de forma autônoma nos canais de comunicação das instituições envolvidas.

– Plataforma Para Quem Doar: https://redeglobo.globo.com/Responsabilidade-Social/pra-quem-doar/
– Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: https://www.santacasasp.org.br/portal/site/pub/16267/lista-de-doacoes—campanha-de-combate-a-covid-19
– Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras): https://www.sefras.org.br/novo/acao-e-solidariedade-franciscana-covid-19/
– Universidade de São Paulo – USP (plataforma para colaborações a ações de pesquisa): www.usp.br/uspvida

O que importa, no final das contas, é encontrar nestes pequenos gestos, o sentido de pertencimento, pelo qual conseguimos dividir e compartilhar, se possível, de palavras a elementos de necessidade básica. E ter a percepção de que todos estamos juntos em um mesmo barco, mas alguns precisam de mais apoio do que outros, em momentos de crise.

*Sucena Shkrada Resk – jornalista, formada há 28 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (https://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.

Leia mais: https://cidadaosdomundo.webnode.com/news/parte-7-a-corrente-de-humanizacao-que-se-tece-em-tempos-da-pandemia-da-covid-19/

Promotoria pede a Covas 8 mil vagas para acolhimento de pessoas em situação de rua (Estadão)

politica.estadao.com.br

Paulo Roberto Netto e Pedro Venceslau

20 de maio de 2020 | 11h20

O Ministério Público de São Paulo emitiu recomendação ao prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), pela criação de 8 mil vagas para acolhimento de pessoas em situação de rua durante a pandemia do novo coronavírus. A proposta inclui o uso da rede hoteleira da cidade e dos prédios públicos municipais ociosos.

Edital da Prefeitura Municipal previa a disponibilização de 500 vagas em hotéis para idosos em situação de rua que estejam acolhidos nos serviços da rede assistencial do município. De acordo com o MP, a oferta é ‘tímida e claramente insuficiente’, visto que haveria cerca de 25 mil pessoas em situação de rua em toda a capital, segundo censo realizado em 2019.

“Destas, estão acolhidas aproximadamente 17.000, que são as vagas disponíveis de acordo com o mesmo censo” afirmou a Promotoria. “Tendo em conta o avanço do vírus e o alto risco de contágio entre a população em situação de rua, é preciso que a Prefeitura Municipal adote providências emergenciais, ainda que provisórias, destinadas à oferta de vagas a todas as pessoas em situação de rua. É preciso, pois, providenciar com urgência a criação de no mínimo 8 mil vagas”.

A recomendação foi determinada após representação do ex-presidenciável Guilherme Boulos, da deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP) e do Padre Júlio Lancellotti.

A Promotoria pede a utilização de mais vagas na rede hoteleira, que se encontra ociosa devido à retratação econômica, ‘inclusive como garantia de manutenção dos estabelecimentos comerciais e de emprego aos trabalhadores’.

Moradores em situação de rua na região da Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Foto: Felipe Rau/Estadão

Outra opção é o uso de prédios públicos municipais ociosos, como escolas e centros esportivos.

“É preciso lembrar que a hipótese de confinamento compulsório (dito lockdown), que vem sendo cogitado pelo Governo Estadual e pelo Governo Municipal, tornará a providência aqui discutida indiscutivelmente necessária”, apontou o Ministério Público.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE SÃO PAULO

A Prefeitura de São Paulo vem promovendo diversas ações de combate ao Coronavírus voltadas para a população em situação de vulnerabilidade, sempre seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde (MS) e das secretarias Estadual e Municipal da Saúde. O foco do Município é ampliar a rede de apoio para que todas as comunidades sejam atendidas. Com esse objetivo, a Administração já distribuiu cerca de 170 mil refeições à população em situação de rua, e mais de 280 mil cestas básicas foram entregues a famílias em extrema situa de vulnerabilidade. Na região central, diversas famílias recebem mantimentos, como itens de alimentação, limpeza e higiene. Em toda cidade, foram distribuídos, apenas no último mês,  mais de 50 mil kits de higiene e alimentação. Outra ação em andamento é o cartão alimentação, já entregue a mais 350 mil crianças matriculadas na rede municipal.

ACOLHIMENTOS

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), informa que criou oito novos equipamentos emergenciais, com funcionamento 24h, para acolhimento de pessoas em situação de rua, totalizando 680 novas vagas. Outras 400 vagas serão criadas nos Centros de Educação Unificado (CEUs).

Os Centros de Acolhida têm suas estruturas higienizadas constantemente e são mantidos com as janelas abertas. Nos quartos as camas foram colocadas em distância segura. Todos os eventos agendados nos serviços foram cancelados e as visitas suspensas. Todas essas medidas contribuem para diminuir o risco de contágio.

Neste período de pandemia, a SMADS ampliou a oferta de serviços nos quais as pessoas em situação de rua têm acesso a refeições, banheiros, kits de higiene e orientações. Na região da Luz, por exemplo, desde 26/03 foi instalado um Núcleo de Convivência de caráter emergencial, para servir 200 refeições à população local (almoço e café da tarde). No dia 03/04, outro núcleo começou a funcionar, na região do Cambuci, com capacidade de oferecer café da manhã, almoço e café da tarde para 200 pessoas. A rede municipal conta com 10 Núcleos de Convivência, com 3.172 vagas. Para os Núcleos de Convivência da Sé, Prates, Porto Seguro, Complexo Boracea, Helvetia foram aditados em caráter emergencial mais 1.260 vagas.

A Secretaria informa também que já planeja a utilização de hotéis para abrigar pessoas em situação de rua. Tanto que foi publicada hoje (20) a prorrogação do Edital de Credenciamento nº 002/2020/SMADS, para 500 vagas, até o dia 29/5 para convocar os estabelecimentos hoteleiros, localizados no município, para prestarem serviços de hospedagem às pessoas em situação de rua. A data da sessão pública também foi alterada para o dia 01/06. O objetivo é disponibilizar vagas para idosos que estão nos Centros de Acolhida para Adultos e promover o distanciamento social e aumentar os espaços nos centros de acolhidas para pessoas mais vulneráveis.

Somadas as mais de 1.500 vagas de centros emergenciais e do edital de credenciamento de hotéis às 17,2 mil vagas regulares de acolhimento à população em situação de rua dos 89 serviços de SMADS, a cidade chega próximo das 20 mil vagas de para atendimento a esse público.

O edital e o comunicado estão disponíveis no link abaixo:

Coronavírus e as quebradas: 16 perguntas ainda sem resposta sobre impacto da pandemia nas periferias (Periferia em Movimento)

Publicado porThiago Borges –

Precisamos falar sobre o novo coronavírus, mas sem pânico.

Nesta quinta-feira (12/03), o Brasil acordou com 52 pessoas infectadas pelo coronavírus e foi dormir com 69 casos confirmados. Em todo o mundo, são 122 mil casos confirmados e mais de 4.500 mortes registradas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia, isto é, o vírus deixou de ser restrito determinadas regiões e passa a ser uma questão de saúde pública global.

A taxa de mortalidade do novo vírus, ainda sem vacina, é considerada baixa – em torno de 3% dos casos – e atinge principalmente pessoas com maior vulnerabilidade, como idosos ou com doenças pré-existentes (como diabetes, câncer, etc.).

Com mais de 50 casos no País, o Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro alerta que a transmissão deve se dar de forma geométrica – isto é, deixa de ser restrita a pessoas que se infectaram em outras regiões do mundo e passa a acontecer no próprio território.

Segundo o Instituto Pensi do Hospital Infantil Sabará, após atingir 50 casos confirmados o total de infectados no Brasil pode aumentar para 4.000 casos em 15 dias e cerca de 30.000 depois de 21 dias.

Com isso, o vírus deve se expandir rapidamente nas próximas semanas e o Sistema Único de Saúde (SUS) precisaria de 3.200 novos leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para dar conta da demanda – 95% dos 16.000 leitos de hoje já estão ocupados.

Dito isso, nós moradoras e moradores de periferias urbanas, povos da floresta e marginalizados em geral, precisamos nos atentar com as medidas de prevenção (confira no gráfico abaixo) mas também com efeitos colaterais dessa pandemia no nosso dia a dia.

Muito se fala no impacto da pandemia sobre a economia global. Mas em um País marcado por desigualdade social, machismo, racismo e LGBTfobia, com cortes em políticas públicas e desemprego recorde, o coronavírus tem potencial de impactar não apenas nossa saúde como também nossa frágil convivência em sociedade. Precisamos de solidariedade e vigilância nesse momento.

Por isso, a Periferia em Movimento faz 16 perguntas ainda sem resposta (a lista continua em atualização) sobre esse novo cenário:

1. As periferias vão receber recursos da saúde de forma proporcional às nossas necessidades?

2. O governo vai adotar medidas de confinamento ou restrição de circulação de pessoas?

3. Como fazer quarentena em área de aglomeração, como periferias e favelas?

4. Os governantes vão acionar a Polícia Militar pra controlar a população nas periferias?

5. Se rolar quarentena, quem vai dirigir os ônibus, fazer o pão de cada dia e entregar a comida do ifood no apartamento da classe média?

6. Com o desemprego recorde e o mercado informal em alta, pessoas que vivem de bico vão conseguir fazer dinheiro como?

7. Se as aulas forem suspensas, com quem ficarão as crianças que frequentam creches em período integral?

8. Sem aulas, sem merenda: estudantes em situação de insegurança alimentar vão passar fome se não forem pra escola?

9. Ainda sobre a suspensão das aulas, qual é o risco da explosão de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes – que passarão mais tempo em casa?

10. O maior tempo em casa também aumenta o risco de mulheres sofrerem violência de seus companheiros?

11. E com mais pessoas com circulação restrita, o risco de conflitos em comunidades também aumenta?

12. Como os governantes avaliam as possibilidades de aumento em todos os tipos de violência com essa pandemia?

13. Como idosos em situação de vulnerabilidade serão assistidos pelo governo?

14. De que forma, a pandemia deve impactar a população em situação de rua?

15. Como ficam os presidiários, que já vivem em situações de aglomeração, tortura e com doenças que estão controladas no mundo externo?

16. E como serão atendidos os indígenas, que necessitam de estratégias específicas de saúde devido à menor imunidade a doenças transmitidas desde a invasão europeia ao continente americano?

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