Futebol na Europa sofre com onda de violência (Folha de S.Paulo)

Briga de torcidas em Roma

Vincenzo Tersigni/Efe

RAFAEL REIS
DE SÃO PAULO

26/02/2015 02h00

Para quem pensa que a violência dos torcedores é exclusividade brasileira e que a Europa estava livre desse flagelo, os últimos dez dias foram bastante reveladores.

O continente, marcado por episódios trágicos especialmente nos anos 1980, conseguiu amenizar a violência nos estádios com leis rígidas e rigor no cumprimento delas.

Mas acontecimentos recentes fizeram os sinais de alerta voltarem a se acender.

O episódio mais emblemático é o da Grécia. O governo do país suspendeu por tempo indeterminado o campeonato local devido à violência de torcedores do Panathinaikos no jogo contra o Olympiakos no domingo (22).

Enquanto isso, na França, apoiadores do inglês Chelsea impediram um homem negro de entrar no metrô de Paris em meio a cânticos racistas. Na Inglaterra, torcedores do West Ham entoaram cantos antissemitas ao Tottenham, clube de origem judaica.

A Itália não escapou. Roma viu fãs do Feyenoord (HOL) depredarem uma de suas praças mais importantes antes de jogo da Liga Europa.

“Há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na Europa, e o futebol é reflexo de tudo isso”, disse à Folha Piara Powar, diretor-executivo da rede de ONGs Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa, em tradução livre).

“A Grécia tem a crise econômica. Notamos ainda um aumento da intolerância com a tensão entre Rússia e Ucrânia e o crescimento da xenofobia contra os imigrantes.”

A Fare trabalha em parceria com a Fifa em iniciativas de prevenção contra qualquer preconceito no futebol.

Os ultras, responsáveis por boa parte dos tumultos no Velho Continente, normalmente estão ligados a pensamentos da extrema direita, como o neonazismo. Ou seja, na Europa, preconceito e violência no futebol são partes de um só problema.

“Os jogos têm menos violência do que no passado. Mas esse comportamento ultrapassado de alguns europeus resiste e é uma ameaça ao ambiente familiar nos estádios”, disse Powar.

Editoria de arte/Folhapress

‘MEDO PESADO’

“A gente já vai para o clássico sabendo que o clima será de guerra. Mas, desta vez, foi demais. Quando pisamos no campo para o aquecimento, fomos recebidos com uma chuva de isqueiros e sinalizadores. Eles invadiram o gramado e, então, começou a briga. Tivemos que sair correndo. Deu um medo pesado.”

O relato é do lateral direito brasileiro Leandro Salino, 29, que esteve em campo na derrota por 2 a 1 do seu Olympiakos para o Panathinaikos.

O episódio levou à terceira paralisação do campeonato local por conta de episódios de violência só nesta temporada -as outras pausas ocorreram devido a morte de um torcedor e a atentado contra um dos chefes da arbitragem.

Até a reunião da liga para discutir medidas para conter a violência terminou em briga. Um dirigente do Panathinaikos acusou o segurança do presidente do Olympiakos de agredi-lo com soco. desejo de vingança

Na Holanda, a polícia de Roterdã, casa do Feyenoord, teme que torcedores da Roma aproveitem o jogo de volta do mata-mata da Liga Europa, nesta quinta (26), para se vingarem dos fãs holandeses.

Nos últimos dias, nas redes sociais, ultras do clube italiano têm falado em dar o troco aos torcedores rivais.

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