New Long-Lived Greenhouse Gas Discovered: Highest Global-Warming Impact of Any Compound to Date (Science Daily)

Dec. 9, 2013 — Scientists from U of T’s Department of Chemistry have discovered a novel chemical lurking in the atmosphere that appears to be a long-lived greenhouse gas (LLGHG). The chemical — perfluorotributylamine (PFTBA) — is the most radiatively efficient chemical found to date, breaking all other chemical records for its potential to impact climate.

Earth’s atmosphere. Scientists from U of T’s Department of Chemistry have discovered a novel chemical lurking in the atmosphere that appears to be a long-lived greenhouse gas (LLGHG). (Credit: © eugenesergeev / Fotolia)

Radiative efficiency describes how effectively a molecule can affect climate. This value is then multiplied by its atmospheric concentration to determine the total climate impact.

PFTBA has been in use since the mid-20th century for various applications in electrical equipment and is currently used in thermally and chemically stable liquids marketed for use in electronic testing and as heat transfer agents. It does not occur naturally, that is, it is produced by humans. There are no known processes that would destroy or remove PFTBA in the lower atmosphere so it has a very long lifetime, possibly hundreds of years, and is destroyed in the upper atmosphere.

“Global warming potential is a metric used to compare the cumulative effects of different greenhouse gases on climate over a specified time period,” said Cora Young who was part of the U of T team, along with Angela Hong and their supervisor, Scott Mabury. Time is incorporated in the global warming potential metric as different compounds stay in the atmosphere for different lengths of time, which determines how long-lasting the climate impacts are.

Carbon dioxide (CO2) is used as the baseline for comparison since it is the most important greenhouse gas responsible for human-induced climate change. “PFTBA is extremely long-lived in the atmosphere and it has a very high radiative efficiency; the result of this is a very high global warming potential. Calculated over a 100-year timeframe, a single molecule of PFTBA has the equivalent climate impact as 7100 molecules of CO2,” said Hong.

One Percent of Population Responsible for 63% of Violent Crime, Swedish Study Reveals (Science Daily)

Dec. 6, 2013 — The majority of all violent crime in Sweden is committed by a small number of people. They are almost all male (92%) who early in life develops violent criminality, substance abuse problems, often diagnosed with personality disorders and commit large number non-violent crimes. These are the findings of researchers at Sahlgrenska Academy who have examined 2.5 million people in Swedish criminal and population registers.

In this study, the Gothenburg researchers matched all convictions for violent crime in Sweden between 1973 and 2004 with nation-wide population register for those born between 1958 to 1980 (2.5 million).

Of the 2.5 million individuals included in the study, 4 percent were convicted of at least one violent crime, 93,642 individuals in total. Of these convicted at least once, 26 percent were re-convicted three or more times, thus resulting in 1 percent of the population (23,342 individuals) accounting for 63 percent of all violent crime convictions during the study period.

“Our results show that 4 percent of those who have three or more violent crime convictions have psychotic disorders, such as schizophrenia and bipolar disorder. Psychotic disorders are twice as common among repeat offenders as in the general population, but despite this fact they constitute a very small proportion of the repeat offenders,” says Örjan Falk, researcher at Sahlgrenska Academy.

One finding the Gothenburg researchers present is that “acts of insanity” that receive a great deal of mass media coverage, committed by someone with a severe psychiatric disorder, are not responsible for the majority of violent crimes.

According to the researchers, the study’s results are important to crime prevention efforts.

“This helps us identify which individuals and groups in need of special attention and extra resources for intervention. A discussion on the efficacy of punishment (prison sentences) for this group is needed as well, and we would like to initiate a debate on what kind of criminological and medical action that could be meaningful to invest in,” says Örjan Falk.

Studies like this one are often used as arguments for more stringent sentences and US principles like “three strikes and you’re out.” What are your views on this?

“Just locking those who commit three or more violent crimes away for life is of course a compelling idea from a societal protective point of view, but could result in some undesirable consequences such as an escalation of serious violence in connection with police intervention and stronger motives for perpetrators of repeat violence to threaten and attack witnesses to avoid life sentences. It is also a fact that a large number of violent crimes are committed inside the penal system.”

“And from a moral standpoint it would mean that we give up on these, in many ways, broken individuals who most likely would be helped by intensive psychiatric treatments or other kind of interventions. There are also other plausible alternatives to prison for those who persistently relapse into violent crime, such as highly intensive monitoring, electronic monitoring and of course the continuing development of specially targeted treatment programs. This would initially entail a higher cost to society, but over a longer period of time would reduce the total number of violent crimes and thereby reduce a large part of the suffering and costs that result from violent crimes,” says Örjan Falk.

“I first and foremost advocate a greater focus on children and adolescents who exhibit signs of developing violent behavior and who are at the risk of later becoming repeat offenders of violent crime.”

Journal Reference:

  1. Örjan Falk, Märta Wallinius, Sebastian Lundström, Thomas Frisell, Henrik Anckarsäter, Nóra Kerekes. The 1 % of the population accountable for 63 % of all violent crime convictionsSocial Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 2013; DOI: 10.1007/s00127-013-0783-y

Guaranis desmentem livros e revelam nova história (A Nova Democracia)

Ano VI, nº 40, fevereiro de 2008

Rosana Bond

Os guaranis, que por muito tempo observaram o passado de seu povo ser escrito e deturpado pela ideologia das classes dominantes, decidiram dar um basta e tomar nas mãos a tarefa de desmentir os livros e contar sua própria História.

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— Chegou a hora de a sociedade não-indígena do Brasil conhecer a verdade, ninguém pode continuar pensando que perdemos a memória — afirma Werá Tupã (Leonardo), da aldeia do Morro dos Cavalos, SC, tido como um dos mais destacados intelectuais indígenas do sul do país.Ele faz parte de um grupo de guaranis que vem pesquisando fatos históricos e episódios lendários com o objetivo de reapresentá-los ao povo brasileiro de um modo diferente daquele com que foi narrado pelo pensamento reacionário. Um dos temas, cujo estudo demorou anos e ainda não está totalmente concluído, é a verdadeira história de Sepé Tiarajú.

Sepé foi um dos maiores guerreiros indígenas do sul do país, líder da resistência dos Sete Povos das Missões (RS) contra tropas espanholas e portuguesas, na chamada Guerra Guaranítica, de 1753 a 1756. Essa guerra foi abordada (de maneira fantasiosa e truncada) no filme A Missão, com Robert de Niro e Jeremy Irons, em 1986. Tal rebelião foi consequência do Tratado de Madri, pelo qual Portugal e Espanha trocaram entre si os Sete Povos das Missões, sob domínio espanhol, pela Colônia do Sacramento, sob domínio lusitano. O acordo obrigava os 30 mil guaranis e os jesuítas das sete reduções a abandonarem o Rio Grande do Sul e passarem ao território castelhano, no outro lado do rio Uruguai.

A Companhia de Jesus, chefia jesuíta na Europa, ordenou a mudança, mas os guaranis não aceitaram. Sepé liderou a resistência e em carta à Coroa de Espanha deu o famoso aviso: “Esta terra tem dono!”.

ARMAS DE CANA BRAVA

Sepé articulou uma espécie de Confederação Guaranítica, criando inovadoras táticas militares para a época, nas quais priorizava a guerrilha e evitava grandes batalhas. Chegou a idealizar e construir quatro peças de artilharia, confeccionadas com cana brava. Foi assassinado numa emboscada, por soldados espanhóis e portugueses, nos campos de Caiboaté, às margens da Sanga da Bica, em 7 de fevereiro de 1756.

O bravo e exemplar Sepé Tiarajú transformou-se num símbolo para os gaúchos. Há um rio e um município com seu nome e, em Santo Ângelo, uma estátua no centro da cidade. Os guaranis não vêem problema nisso, mas há uma questão de fundo que parece lhes desgostar e incomodar há muito tempo. Que é a “desindianização” de Sepé.
A História escrita pela cartilha das classes exploradoras e da igreja católica apossou-se da figura heróica, metamorfoseando-a quase num branco que era índio por acaso.

Os livros falam que ele “abraçou a doutrina cristã” e foi “o mais ardoroso defensor da obra dos jesuítas”; que “seus mestres foram os padres”; que ele lutou “sugestionado pelos religiosos”; que “era índio missioneiro, provavelmente já cristão de terceira geração”; que alguns padres foram “os principais estrategistas da resistência”; que, órfão de pai e mãe, “foi criado pelos jesuítas”; Werá Tupã discorda de tudo isso. Os livros erram até numa informação básica, sobre sua origem. Numa revelação inédita e surpreendente, Werá diz que Sepé não era guarani. E sim pertencia a “um outro povo indígena que não conseguimos identificar. Ele foi adotado pelos guaranis e criado como um dos nossos”.

A pesquisa a respeito de Sepé baseou-se na história oral, preservada na memória de índios centenários que viveram no Rio Grande do Sul, entre eles a velha xamã Tatãty Yva Rete (Maria Candelária Garay), apontada por antropólogos da Universidade Federal de Santa Catarina (UF SC) e PUC de São Paulo como uma das lideranças femininas mais importantes e respeitadas da tribo. Nascida aproximadamente em 1874, Tatãty foi avó adotiva de Werá Tupã.

A verdadeira história de Sepé Tiarajú

[ele] não era um cristão mesmo, como dizem, porque na verdade ele respeitava mais a religião do avô, a religião do nosso povo. Karaí Djekupé foi e continua sendo um grande herói dos guaranis

O AND foi escolhido pelos guaranis para ser o primeiro órgão de comunicação dos djuruá (não-índios) a tomar conhecimento do conteúdo do estudo, que poderá se transformar em breve num livro. Eis um resumo, contado por Werá Tupã:

“Ao contrário do que se diz, Sepé não era guarani. Ele nasceu em outro povo indígena, que não conseguimos identificar. Quando ele tinha dois anos de idade, sua aldeia, que ficava no Rio Grande do Sul, foi atacada por portugueses ou espanhóis. Os guaranis correram para ajudar, mas o lugar já tinha sido invadido e quase todos tinham sido massacrados.

Os guaranis salvaram o menino e o levaram para uma aldeia nossa, perto da missão de São Miguel. Um casal adotou ele. O avô da família era um pajé muito poderoso e o menino adorava ele. Uma coisa que quase ninguém sabe é que o nome certo dele não era Sepé Tiarajú. Esse era o jeito que os padres das missões entenderam e escreveram.

Seu nome era Djekupé A Djú, que significava “Guardião de Cabelo Amarelo”. “Guardião” porque era um guerreiro e “cabelo amarelo” porque não tinha o cabelo bem preto como os guaranis, era meio castanho. Mas era índio mesmo, não mestiço.

Quando o menino começou a crescer, pensaram que ia ser um pajé, um religioso, e ele começou a ser preparado para isso. Mas seu outro lado, de guerreiro, foi mais forte e aí mudou o seu destino. Recebeu nome de guerreiro, Djekupé A Djú. E também era chamado pelos guaranis de Karaí Djekupé, “Senhor Guardião”.

O destino de guerreiro foi porque ele era revoltado com os brancos e tinha gratidão pelos guaranis. Queria lutar pelos guaranis. É que, na aldeia, nunca esconderam dele a sua história, tudo que tinha acontecido no ataque.

Os jesuítas não criaram ele, mas ia sempre nas missões porque os padres davam apoio na defesa e ele ficava uns tempos lá. Foi assim que aprendeu a língua espanhola.

Os padres não treinaram ele, foi preparado sim pelo grande exército guarani, os “kereymba” [pronuncia-se “krimbá”]. Era um ótimo guerreiro.

Além do mais, tinha facilidade para conversar com os homens brancos, uma coisa que os outros guerreiros não tinham aptidão para fazer. Djekupé A Djú lutava, fazia de tudo para que as aldeias guaranis não fossem perturbadas. Principalmente porque ele pensava no seu avô, não queria que nada atrapalhasse a preparação espiritual do seu avô [Werá não entrou em detalhes, mas é possível supor que, de acordo com a tradição, o velho pajé se preparava espiritualmente para “viajar” à Terra Sem Mal, a Yvy Mara Ey, uma espécie de paraíso, que segundo o mito pode ser alcançado em vida ou após a morte].

Por aí se vê que Djekupé A Djú podia se relacionar com os jesuítas, mas não era um cristão mesmo, como dizem, porque na verdade ele respeitava mais a religião do avô, a religião do nosso povo. Karaí Djekupé foi e continua sendo um grande herói dos guaranis e esta é a sua verdadeira história”.

Estudos históricos e antropológicos vêm indicando, cada vez mais, que a falada conversão dos guaranis ao cristianismo, nas reduções jesuíticas, foi talvez mais aparente que real. Esses indígenas não se recusavam ao batismo e às missas, muitas vezes por apreciarem a estética dos rituais e para não desgostarem os padres.

Um sinal disso pode ser a não permanência da religião. O número de guaranis católicos, hoje, é ínfimo. Tem havido “ataques” de seitas protestantes às aldeias e muitos frequentam os cultos. Mas ainda não se pode avaliar a verdadeira dimensão do prejuízo cultural, pois os guaranis parecem possuir uma auto-defesa eficiente, baseada no ato de “desviar-se”, com extrema diplomacia, que ilude inteligentemente os desavisados.

Geoengineering Approaches to Reduce Climate Change Unlikely to Succeed (Science Daily)

Dec. 5, 2013 — Reducing the amount of sunlight reaching the planet’s surface by geoengineering may not undo climate change after all. Two German researchers used a simple energy balance analysis to explain how Earth’s water cycle responds differently to heating by sunlight than it does to warming due to a stronger atmospheric greenhouse effect. Further, they show that this difference implies that reflecting sunlight to reduce temperatures may have unwanted effects on Earth’s rainfall patterns.

Heavy rainfall events can be more common in a warmer world. (Credit: Annett Junginger, distributed via imaggeo.egu.eu)

The results are now published in Earth System Dynamics, an open access journal of the European Geosciences Union (EGU).

Global warming alters Earth’s water cycle since more water evaporates to the air as temperatures increase. Increased evaporation can dry out some regions while, at the same time, result in more rain falling in other areas due to the excess moisture in the atmosphere. The more water evaporates per degree of warming, the stronger the influence of increasing temperature on the water cycle. But the new study shows the water cycle does not react the same way to different types of warming.

Axel Kleidon and Maik Renner of the Max Planck Institute for Biogeochemistry in Jena, Germany, used a simple energy balance model to determine how sensitive the water cycle is to an increase in surface temperature due to a stronger greenhouse effect and to an increase in solar radiation. They predicted the response of the water cycle for the two cases and found that, in the former, evaporation increases by 2% per degree of warming while in the latter this number reaches 3%. This prediction confirmed results of much more complex climate models.

“These different responses to surface heating are easy to explain,” says Kleidon, who uses a pot on the kitchen stove as an analogy. “The temperature in the pot is increased by putting on a lid or by turning up the heat — but these two cases differ by how much energy flows through the pot,” he says. A stronger greenhouse effect puts a thicker ‘lid’ over Earth’s surface but, if there is no additional sunlight (if we don’t turn up the heat on the stove), extra evaporation takes place solely due to the increase in temperature. Turning up the heat by increasing solar radiation, on the other hand, enhances the energy flow through Earth’s surface because of the need to balance the greater energy input with stronger cooling fluxes from the surface. As a result, there is more evaporation and a stronger effect on the water cycle.

In the new Earth System Dynamics study the authors also show how these findings can have profound consequences for geoengineering. Many geoengineering approaches aim to reduce global warming by reducing the amount of sunlight reaching Earth’s surface (or, in the pot analogy, reduce the heat from the stove). But when Kleidon and Renner applied their results to such a geoengineering scenario, they found out that simultaneous changes in the water cycle and the atmosphere cannot be compensated for at the same time. Therefore, reflecting sunlight by geoengineering is unlikely to restore the planet’s original climate.

“It’s like putting a lid on the pot and turning down the heat at the same time,” explains Kleidon. “While in the kitchen you can reduce your energy bill by doing so, in the Earth system this slows down the water cycle with wide-ranging potential consequences,” he says.

Kleidon and Renner’s insight comes from looking at the processes that heat and cool Earth’s surface and how they change when the surface warms. Evaporation from the surface plays a key role, but the researchers also took into account how the evaporated water is transported into the atmosphere. They combined simple energy balance considerations with a physical assumption for the way water vapour is transported, and separated the contributions of surface heating from solar radiation and from increased greenhouse gases in the atmosphere to obtain the two sensitivities. One of the referees for the paper commented: “it is a stunning result that such a simple analysis yields the same results as the climate models.”

Journal Reference:

  1. A. Kleidon, M. Renner. A simple explanation for the sensitivity of the hydrologic cycle to global climate changeEarth System Dynamics Discussions, 2013; 4 (2): 853 DOI: 10.5194/esdd-4-853-2013

The Oracle of the T Cell (Science Daily)

Dec. 5, 2013 — A platform that simulates how the body defends itself: The T cells of the immune system decide whether to trigger an immune response against foreign substances.

The virtual T cell allows an online simulation of the response of this immune cell to external signals. (Credit: University of Freiburg)

Since December 2013, scientists from around the world can use the “virtual T cell” to test for themselves what happens in the blood cell when receptor proteins are activated on the surface. Prof. Dr. Wolfgang Schamel from the Institute of Biology III, Facutly of Biology, the Cluster of Excellence BIOSS Centre for Biological Signalling Studies and the Center of Chromic Immunodeficiency of the University of Freiburg is coordinating the European Union-funded project SYBILLA, “Systems Biology of T-Cell Activation in Health and Disease.” This consortium of 17 partners from science and industry has been working since 2008 to understand the T cell as a system. Now the findings of the project are available to the public on an interactive platform. Simulating the signaling pathways in the cell enables researchers to develop new therapeutic approaches for cancer, autoimmune diseases, and infectious diseases.

The T cell is activated by vaccines, allergens, bacteria, or viruses. The T cell receptor identifies these foreign substances and sets off intracellular signaling cascades. This response is then modified by many further receptors. In the end, the network of signaling proteins results in cell division, growth, or the release of messengers that guide other cells of the immune system. The network initiates the attack on the foreign substances. Sometimes, however, the process of activation goes awry: The T cells mistakenly attack the body’s own cells, as in autoimmune diseases, or they ignore harmful cells like cancer cells.

The online platform developed by Dr. Utz-Uwe Haus and Prof. Dr. Robert Weismantel from the Department of Mathematics of ETH Zurich in collaboration with Dr. Jonathan Lindquist and Prof. Dr. Burkhart Schraven from the Institute of Molecular and Clinical Immunology of the University of Magdeburg and the Helmholtz Center for Infection Research in Braunschweig allows researchers to click through the signaling network of the T cells: Users can switch on twelve receptors, including the T cell receptor, identify the signals on the surface of other cells, or bind messengers.

The mathematical model then calculates the behavior of the network out of the 403 elements in the system. The result is a combination of the activity of 52 proteins that predict what will happen with the cell: They change the way in which the DNA is read and thus also that which the cell produces. Now researchers can find weak points for active substances that could be used to treat immune diseases or cancer by switching on and off particular signals in the model. Every protein and every interaction between proteins is described in detail in the network, backed up with references to publications. In addition, users can even extend the model themselves to include further signaling proteins.

Patrick Lane: An open letter to all the wild creatures of the Earth (Times Colonist)

PATRICK LANE / TIMES COLONIST

DECEMBER 2, 2013 02:39 PM

Patrick Lane speaks at UVic's convocation ceremony.

Photograph by: University of Victoria

Victoria poet Patrick Lane received an honorary doctor of letters degree from the University of Victoria on Nov. 13. Lane, who has won the Governor General’s Literary Award and numerous other honours, has written 25 volumes of poetry, as well as fiction and non-fiction. He is known for what the university called the “gritty honesty” of his style. In keeping with his unique voice, his convocation speech was moving and powerful. Here is the text of his speech.

It is 65 years ago, you’re 10 years old and sitting on an old, half-blind, grey horse. All you have is a saddle blanket and a rope for reins as you watch a pack of dogs rage at the foot of a Ponderosa pine.

High up on a branch, a cougar lies supine, one paw lazily swatting at the air. He knows the dogs will tire. They will slink away and then the cougar will climb down and go on with its life in the Blue Bush country south of Kamloops. It is a hot summer day. There is the smell of pine needles and Oregon grape and dust. It seems to you that the sun carves the dust from the face of the broken rocks, carves and lifts it into the air where it mixes with the sun. Just beyond you are three men on horses.

The men have saddles and boots and rifles and their horses shy at the clamour of the dogs. The man with the Winchester rifle is the one who owns the dog pack and he is the one who has led you out of the valley, following the dogs through the hills to the big tree where the cougar is trapped. You watch as the man with the rifle climbs down from the saddle and sets his boots among the slippery pine needles. When the man is sure of his footing he lifts the rifle, takes aim, and then … and then you shrink inside a cowl of silence as the cougar falls.

As you watch, the men raise their rifles and shoot them at the sun. You will not understand their triumph, their exultance. Not then. You are too young. It will take years for you to understand. But one day you will step up to a podium in an auditorium at a University on an island far to the west and you will talk about what those men did. You know now they shot at the sun because they wanted to bring a darkness into the world. Knowing that has changed you forever.

Today I look back at their generation. Most of them are dead. They were born into the first Great War of the last century. Most of their fathers did not come home from the slaughter. Most of their mothers were left lost and lonely. Their youth was wasted through the years of the Great Depression when they wandered the country in search of work, a bed or blanket, a friendly hand, a woman’s touch, a child’s quick cry. And then came the Second World War and more were lost. Millions upon millions of men, women, and children died in that old world. But we sometimes forget that untold numbers of creatures died with them: the sparrow and the rabbit, the salmon and the whale, the beetle and the butterfly, the deer and the wolf. And trees died too, the fir and spruce, the cedar and hemlock. Whole forests were sacrificed to the wars.

Those men bequeathed to me a devastated world. When my generation came of age in the mid-century, we were ready for change. And we tried to make it happen, but the ones who wanted change were few. In the end, we did what the generations before us did. We began to eat the world. We devoured the oceans and we devoured the land. We drank the lakes and the seas and we ate the mountains and plains. We ate and ate until there was almost nothing left for you or for your children to come.

The cougar that died that day back in 1949 was a question spoken into my life, and I have tried to answer that question with my teaching, my poems and my stories. Ten years after they killed the cougar, I came of age. I had no education beyond high school, but I had a deep desire to become an artist, a poet. The death of the cougar stayed with me through the years of my young manhood. Then, one moonlit night in 1963, I stepped out of my little trailer perched on the side of a mountain above the North Thompson River. Below me was the sawmill where I worked as a first-aid man. Down a short path, a little creek purled through the trees just beyond my door. I went there under the moon and, kneeling in the moss, cupped water in my hands for a drink. As I looked up I saw a cougar leaning over his paws in the thin shadows. He was six feet away, drinking from the same pool. I stared at the cougar and found myself alive in the eyes of the great cat. The cougar those men had killed when I was a boy came back to me. It was then I swore I would spend my life bearing witness to the past and the years to come.

I stand here looking out over this assembly, and ask myself what I can offer you who are taking from my generation’s hands a troubled world. I am an elder now. There are times many of us old ones feel a deep regret, a profound sorrow, but our sorrow does not have to be yours. You are young and it is soon to be your time. A month ago, I sat on a river estuary in the Great Bear Rainforest north of here as a mother grizzly nursed her cubs. As the little ones suckled, the milk spilled down her chest and belly. As I watched her, I thought of this day and I thought of you who not so long ago nursed at your own mother’s breast. There, in the last intact rainforest on earth, the bear cubs became emblems of hope to me.

Out there are men and women only a few years older than you who are trying to remedy a broken world. I know and respect their passion. You, too, can change things. Just remember there are people who will try to stop you, and when they do you will have to fight for your lives and the lives of the children to come.

Today, you are graduating with the degrees you have worked so hard to attain. They will affect your lives forever. You are also one of the wild creatures of the Earth. I want you for one moment to imagine you are a ten-year-old on a half-blind, grey horse. You are watching a cougar fall from the high limb of a Ponderosa pine into a moil of raging dogs. The ones who have done this, the ones who have brought you here, are shooting at the sun. They are trying to bring a darkness into the world.

It’s your story now.

How do you want it to end?

© Copyright 2013

– See more at: http://www.timescolonist.com/patrick-lane-an-open-letter-to-all-the-wild-creatures-of-the-earth-1.717669#sthash.0lbjM8ax.dpuf

“Scientists are…” (Slate)

DEC. 4 2013 8:00 AM

By 

Phil Plait writes Slate’s Bad Astronomy blog and is an astronomer, public speaker, science evangelizer, and author of Death from the Skies!

A lot of tech is so ubiquitous you don’t even notice it anymore; it would be like a fish noticing the water in which it swims.

Google certainly fits that category; it’s not very often a company name becomes a verb. It’s second nature now to fire up a browser and type in a few words when I need some help pinning down a word or phrase, or to just get more info on a topic.

A while back, Google introducedautocomplete; if you start typing words into the search engine text field, it’ll make suggestions for words even before you’re done typing. I don’t find this feature particularly useful since I generally have a pretty good idea what I’m looking for when I’m searching. But I can certainly see its utility.

The suggestions are based on previous searches by users as well as page content, so the most common things people type in (weighted with with highly-ranked sites) are what Google offers up as helpful phrases. That makes sense; using the most common searches is statistically likely to match what you might need.

It’s not hard to imagine a downside to this, though. It can focus searching to a few popular sites, and can reinforce false information, since those pages may not be vetted for accuracy.

I was alerted to this when Lindacska126 on Twitter sent me the following tweet:

@BadAstronomer Have you seen what happens when you Google “Scientists are”?pic.twitter.com/xWf7hoKd4W

The link goes to a screengrab showing Google’s suggestions to her. I typed “Scientists are” into Google and got essentially the same results:

Scientists are...
Scientists are what now?

Ouch. That doesn’t seem to fare well for what people think of scientists.

I’ll admit, most scientists are liberal, or perhaps better described as progressive. In general that’s to be expected of someone who has an open mind, is ready for open inquiry, and willing to change their views based on evidence. But only in general; I know many conservative scientists who are quite brilliant. I’ve been labeled as liberal myself many times, which makes me chuckle; my views on most topics are a bit more subtle than can be assumed from such a blanket label.

But the “scientists are stupid” and “scientists are liars” suggestions are troubling. Can it be that most people really think this?

I decided to follow through, and see what pages are actually recommended by Google if you use these suggestions. What I found is that yes, many of the pages linked do make these accusations — and they come from the usual suspects, such as fundamentalist religion sites, or climate change deniers. No surprise there. And some are satirical pages, clearly meant as parody. But it’s not hard to find page after page, site after site, sincerely making these claims about scientists.

What do we make of this? Is all hope lost?

This is troubling, to be sure, but I don’t know just how bad it is. After all, we don’t know why people are using these terms. I search for things I know are wrong all the time, for instance, so I type weird things into Google every day. Of course, I tend to be looking for people making claims that are, um, not as reality-based as they could be, so maybe I’m not the best example.

I can think of a few other ways this may not be so bad, but I keep coming back to the fact that in the United States, roughly 45% of people outright deny evolution. Climate change denial is on the wane, but still, something like a third of people in the US deny that humans have played a role in it. And it’s not hard at all to find media pundits who froth and rail against science, as long as it doesn’t have the ideological stance they cleave unto.

Scientists need a better rep. Science is everywhere, all around you, all the time. You’re soaking in it. I can make all manners of arguments of why it’s important philosophically — and I have — but it’s also absolutely critical economically; our way of life in the United States, and the world, depends absolutely on scientific achievements. From better agriculture to medicine to communication to mitigating global disasters, science plays a fundamental role in each.

So what to do? In my opinion, there are two things that will help. One is to not let broad and ridiculous accusations about science and scientists go unchecked. I do that here quite often, of course.

The other, though, is if you love science, tell people. Write about it, talk about it, sing about it if you can (and Gawker? You’re not helping; we should be encouragingpeople to look up the definition of “science”, not making fun of them).

And if I may, let me suggest simply being a better person. I get this idea from my friend George Hrab, who has a segment on his podcast where he answers questions from listeners. Many times, he is asked by someone who is nonreligious how their reputation can be improved. George tells them to lead by example: be friendly, help out, do charity work. Then, later, if someone finds out you’re not a believer, it won’t color their opinion as much. In fact, it may change their mind about an entire group of people they otherwise would have written off.

I suspect the same can be done for science. If so many people truly think scientists are liars, scientists are stupid, then we need to show them otherwise. Don’t lecture; teach (or better yet, converse). Don’t insult or belittle; enlighten. Admit your mistakes, show where you learn from them. Talk about the joy and wonder and awe of truly understanding the Universe as it actually is!

Isn’t that why we love science in the first place?

My hope is that we can change Google’s algorithm, so that one day it will produce this:

scientists-are-good
Ah. That’s better.

 

Catastrophic Collapse of Sahara Desert’s Wildlife (Science Daily)

Dec. 3, 2013 — A new study led by the Wildlife Conservation Society and Zoological Society or London warns that the world’s largest tropical desert, the Sahara, has suffered a catastrophic collapse of its wildlife populations.

This shows some of the world’s 200 remaining wild addax in Termit and Tin Toumma National Nature Reserve in Niger. (Credit: Copyright Thomas Rabeil and Sahara Conservation Fund)

The study by more than 40 authors representing 28 scientific organizations assessed 14 desert species and found that a shocking half of those are regionally extinct or confined to one percent or less of their historical range. A chronic lack of studies across the region due to past and ongoing insecurity makes it difficult to be certain of the causes of these declines, although overhunting is likely to have played a role. The study was published in the early online version of the journalDiversity and Distributions.

The Bubal hartebeest is extinct; the scimitar horned oryx is extinct in the wild; and the African wild dog and African lion have vanished from the Sahara. Other species have only fared slightly better: the dama gazelle and addax are gone from 99 percent of their range; the leopard from 97 percent, and the Saharan cheetah from 90. Only the Nubian ibex still inhabits most of its historical range, but even this species is classified as vulnerable due to numerous threats including widespread hunting.

The authors say that more conservation support and scientific attention needs to be paid to deserts noting that 2014 is the halfway point in the United Nations Decade for Deserts and the Fight against Desertification and the fourth year of the United Nations Decade for Biodiversity.

“The Sahara serves as an example of a wider historical neglect of deserts and the human communities who depend on them,” said the study’s lead author Sarah Durant of WCS and ZSL. “The scientific community can make an important contribution to conservation in deserts by establishing baseline information on biodiversity and developing new approaches to sustainable management of desert species and ecosystems.”

The authors note that some governments have recently made large commitments to protecting the Sahara: Niger has just established the massive 97,000 square kilometer (37,451 square miles) Termit and Tin Toumma National Nature Reserve, which harbors most of the world’s 200 or so remaining wild addax and one of a handful of surviving populations of dama gazelle and Saharan cheetah. There is also hope that the scimitar horned oryx may be reintroduced in the wild in the Ouadi Rimé-Ouadi Achim Game Reserve, with the support of the Chadian government.

Journal Reference:

  1. S. M. Durant, T. Wacher, S. Bashir, R. Woodroffe, P. De Ornellas, C. Ransom, J. Newby, T. Abáigar, M. Abdelgadir, H. El Alqamy, J. Baillie, M. Beddiaf, F. Belbachir, A. Belbachir-Bazi, A. A. Berbash, N. E. Bemadjim, R. Beudels-Jamar, L. Boitani, C. Breitenmoser, M. Cano, P. Chardonnet, B. Collen, W. A. Cornforth, F. Cuzin, P. Gerngross, B. Haddane, M. Hadjeloum, A. Jacobson, A. Jebali, F. Lamarque, D. Mallon, K. Minkowski, S. Monfort, B. Ndoassal, B. Niagate, G. Purchase, S. Samaïla, A. K. Samna, C. Sillero-Zubiri, A. E. Soultan, M. R. Stanley Price, N. Pettorelli. Fiddling in biodiversity hotspots while deserts burn? Collapse of the Sahara’s megafaunaDiversity and Distributions, 2013; DOI: 10.1111/ddi.12157

Domestication of Dogs May Have Elaborated On a Pre-Existing Capacity of Wolves to Learn from Humans (Science Daily)

Dec. 3, 2013 — Wolves can learn from observing humans and pack members where food is hidden and recognize when humans only pretend to hide food, reports a study for the first time in the open-access journal Frontiers in Psychology. These findings imply that when our ancestors started to domesticate dogs, they could have built on a pre-existing ability of wolves to learn from others, not necessarily pack members.

The researchers conclude that the ability to learn from other species, including humans, is not unique to dogs but was already present in their wolf ancestors. Prehistoric humans and the ancestors of dogs could build on this ability to better coordinate their actions. (Credit: Wolf Science Center)

A paper published recently in the journalScience suggested that humans domesticated dogs about 18 thousand years ago, possibly from a European population of grey wolves that is now extinct. But it remains unknown how much the ability of dogs to communicate with people derives from pre-existing social skills of their wolf ancestors, rather than from novel traits that arose during domestication.

In a recent study, Friederike Range and Zsófia Virányi from the Messerli Research Institute at the University of Veterinary Medicine Vienna investigated if wolves and dogs can observe a familiar “demonstrator” — a human or a specially trained dog — to learn where to look for food within a meadow. The subjects were 11 North American grey wolves and 14 mutts, all between 5 and 7 months old, born in captivity, bottle-fed, and hand-raised in packs at the Wolf Science Center of Game Park Ernstbrunn, Austria.

The wolves and dogs were two to four times more likely to find the snack after watching a human or dog demonstrator hide it, and this implies that they had learnt from the demonstration instead of only relying on their sense of smell. Moreover, they rarely looked for the food when the human demonstrator had only pretended to hide it, and this proves that they had watched very carefully.

The wolves were less likely to follow dog demonstrators to hidden food. This does not necessarily mean that they were not paying attention to dog demonstrators: on the contrary, the wolves may have been perceptive enough to notice that the demonstrator dogs did not find the food reward particularly tasty themselves, and so simply did not bother to look for it.

The researchers conclude that the ability to learn from other species, including humans, is not unique to dogs but was already present in their wolf ancestors. Prehistoric humans and the ancestors of dogs could build on this ability to better coordinate their actions.

Journal Reference:

  1. Friederike Range and Zsófia Virányi. Social learning from humans or conspecifics: differences and similarities between wolves and dogsFrontiers In Science, 2013 DOI:10.3389/fpsyg.2013.00868

Ativistas exigem direitos legais para chimpanzés (O Globo)

JC e-mail 4868, de 04 de dezembro de 2013

Ano foi marcado por conquistas de símios em tribunais. Agência federal anunciou que pretende aposentar os macacos que pertencem ao governo

Chimpanzés não são pessoas, mas seriam parecidos o suficiente para merecerem alguns direitos humanos. Esta é a reivindicação de um grupo de proteção dos animais que entrou com um pedido de habeas corpus para assegurar os direitos de Tommy, um símio da cidade americana de Gloversville, no estado de Nova York. Seu caso será analisado pelo Tribunal do Condado de Fulton.

Tommy não é o primeiro chimpanzé defendido em tribunais. O Projeto dos Direitos de Animais não Humanos trabalha há anos em estratégias que assegurem um tratamento justo aos animais nos 50 estados americanos, cada qual com sua legislação. A partir delas, o programa quer esboçar o que seria uma lei comum, suficientemente forte para reconhecer aos animais direitos legais, que permitam até que sejam beneficiários de herança.

O líder do projeto, Steven Wise, lembra da história da luta contra a escravidão humana ao explicar sua cruzada pelo direito dos animais. Para ele, os macacos, como os humanos, não podem ser propriedade de ninguém.

A ação judicial em Gloversville é o novo marco de um ano já marcado por polêmicas protagonizadas por chimpanzés.

Uma agência federal já anunciou novas medidas para aposentar alguns símios que são propriedade do governo; outro órgão público propôs classificar todos os chimpanzés como animais ameaçados de extinção. Esta medida prejudicaria experimentos com estes animais, mesmo aqueles realizados em laboratórios particulares.

Ativistas exaltaram suas recentes conquistas, enquanto alguns cientistas condenaram as restrições ao uso dos símios, que exerceram um papel crucial em algumas pesquisas médicas, como no trabalho para o desenvolvimento de uma vacina para a hepatite C.

Até agora, as ações judiciais reivindicavam o bem-estar dos animais, não os seus direitos. Esta semana, no entanto, Wise anunciou sua intenção de que Tommy fosse reconhecido como uma pessoa jurídica, com direito à liberdade. O chimpanzé, segundo Wise, está “mantido em cativeiro dentro de uma jaula no galpão de um estacionamento”.

O documento enviado para o Tribunal de Fulton não pede para que o animal tenha liberdade para circular em Gloversville, tampouco seu envio à África, após uma vida em cativeiro. O condado analisará apenas a remoção do símio de seus donos e a transferência do chimpanzé para um santuário.

O O Projeto dos Direitos de Animais revelou sua intenção de mover ações semelhantes a favor de três outros chimpanzés de Nova York. Dois deles seriam de um centro de pesquisas universitário, usados em um estudo sobre locomoção. O outro pertence a uma ONG.

(O Globo com informações do New York Times)
http://oglobo.globo.com/ciencia/ativistas-exigem-direitos-legais-para-chimpanzes-10959633#ixzz2mVuPNlsF

Lawsuits Could Turn Chimpanzees Into Legal Persons (Science)

2 December 2013 1:00 pm

Property or person? A series of lawsuits could free U.S. chimpanzees from captivity.

© Martin Harvey/Corbis. Property or person? A series of lawsuits could free U.S. chimpanzees from captivity.

This morning, an animal rights group known as the Nonhuman Rights Project (NhRP) filed a lawsuit in a New York Supreme Court in an attempt to get a judge to declare that chimpanzees are legal persons and should be freed from captivity. The suit is the first of three to be filed in three New York counties this week. They target two research chimps at Stony Brook University and two chimps on private property, and are the opening salvo in a coordinated effort to grant “legal personhood” to a variety of animals across the United States.

If NhRP is successful in New York, it could be a significant step toward upending millennia of law defining animals as property and could set off a “chain reaction” that could bleed over to other jurisdictions, says Richard Cupp, a law professor at Pepperdine University in Malibu, California, and a proponent of focusing on animal welfare rather than animal rights. “But if they lose it could be a significant step backward for the movement. They’re playing with fire.”

The litigation has been in the works since 2007, when animal rights attorney Steven Wise founded NhRP, an association of about 60 lawyers, scientists, and policy experts. The group argues that cognitively advanced animals like chimpanzees and dolphins are so self-aware that keeping them in captivity—whether a zoo or research laboratory—is tantamount to slavery. “It’s a terrible torture we inflict on them, and it has to stop,” Wise says. “And all of human law says the way things stop is when courts and legislatures recognize that the being imprisoned is a legal person.”

NhRP spent 5 years researching the best legal strategy—and best jurisdiction—for its first cases. The upshot: a total of three lawsuits to be filed in three New York trial courts this week on behalf of four resident chimpanzees. One, named Tommy, lives in Gloversville in a “used trailer lot … isolated in a cage in a dark shed,” according to an NhRP press release. Another, Kiko, resides in a cage on private property in Niagara Falls, the group says. The final two, Hercules and Leo, are research chimps at Stony Brook University. Wise says that 11 scientists have filed affidavits in support of the group’s claims; most of them, including Jane Goodall, have worked with nonhuman primates.

In each case, NhRP is petitioning judges with a writ of habeas corpus, which allows a person being held captive to have a say in court. In a famous 1772 case, an English judge allowed such a writ for a black slave named James Somerset, tacitly acknowledging that he was a person—not a piece of property—and subsequently freed him. The case helped spark the eventual abolition of slavery in England and the United States. Wise is hoping for something similar for the captive chimps. If his group wins any of the current cases, it will ask that the animals be transferred to a chimpanzee sanctuary in Florida. Any loss, he says, will immediately be appealed.

Regardless of what happens, NhRP is already preparing litigation for other states, and not all of it involves chimpanzees. “Gorillas, orangutans, elephants, whales, dolphins—any animal that has these sorts of cognitive capabilities, we would be comfortable bringing suit on behalf of,” Wise says. Some would be research animals; others would be creatures that simply live in confined spaces, such as zoos and aquariums. “No matter how these first cases turn out, we’re going to move onto other cases, other states, other species of animals,” he says. “We’re going to file as many lawsuits as we can over the next 10 or 20 years.”

Frankie Trull, the president of the National Association for Biomedical Research in Washington, D.C., says her organization will fight any attempts at personhood in the courts. Chimpanzees, she notes, are important models for behavioral research, as well as for developing vaccines against viruses like hepatitis C. “Assigning rights to animals akin to what humans have would be chaotic for the research community.”

Anatomist Susan Larson, who studies the Stony Brook chimpanzees to shed light on the origin of bipedalism in humans, says she is “very shocked and upset” by the lawsuit. She says the chimps live in an indoor enclosure comprised of three rooms—“about the size of an average bedroom”—plus another room where they can climb, hang, and jump from ladders and tree trunks. “Everything I do with these animals I’ve done on myself,” she says. “I understand that animal rights activists don’t want these animals mistreated, but they’re hampering our ability to study them before they become extinct.”

The more immediate threat to Larson’s research isn’t NhRP, however—it is the National Institutes of Health (NIH). In June, NIH announced plans to retire all but 50 of its 360 research chimpanzees and phase out much of the chimp research it supports. The U.S. Fish and Wildlife Service, meanwhile, has recommended that captive chimps be listed as endangered, which would limit any research that isn’t in their best interest. “Soon, the type of work I do will no longer be possible,” Larson says. “They have effectively ended my research program.”

Stephen Ross, the director of the Lester E. Fisher Center for the Study and Conservation of Apes at the Lincoln Park Zoo in Chicago, Illinois, wonders if there’s a compromise. Ross, who has studied chimpanzees for more than 20 years and played a role in crafting NIH’s new policy, advocates ending private ownership of chimps and invasive research. All other chimpanzees, he says, whether located at zoos or universities, should live in large enclosures, with access to the outside, and in group sizes of at least seven individuals. “You don’t need personhood to do that,” he says. “I think we share a common philosophy,” he says of NhRP. “We want to make things better for chimps. We just disagree on how to get there.”

 

A more detailed version of this story will appear in the 6 December issue of Science.

*Clarification, 2 December, 4 p.m.: This item has been updated to reflect Richard Cupp’s position on animal rights.

Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro (Envolverde)

03/12/2013 – 12h14

por George Monbiot*

consumo Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro

Grafite anti-consumista. Foto: Edgar Fabiano

Publicidade ensina crianças a acariciar… o plástico. Jornais anunciam skates de mogno. E se “Admirável Mundo Novo” já não for ficção?

A culpa cumpre um papel. É o que distingue o resto da população dos psicopatas. Trata-se do sentimento que você tem quando é capaz de sentir empatia. Mas a culpa inibe o consumo. Para sufocá-la, surgiu uma indústria global que usa celebridades, personagens de desenhos animados e música de elevador. Ela procura nos convencer a não ver e a não sentir. Parece funcionar.

Os resultados da pesquisa Greendex 2012 (“Consumers Choice and the Environment”, ou “As Opções dos Consumidores e o Meio-ambinte”) mostram que nos países mais pobres as pessoas sentem-se, em geral, mais culpadas com relação aos impactos causados na natureza do que as populações dos países ricos. Os países onde as pessoas sentem menos culpa são Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, nessa ordem – enquanto Índia, China, México e Brasil são os países onde as pessoas estão mais preocupadas. Nossa culpa, revela o estudo, acontece na proporção inversa ao tamanho dos danos causados pelo consumo. Isso é o contrário do que nos dizem milhares de editoriais da imprensa corporativa: que as pessoas não podem dar-se ao luxo de cuidar da natureza até que se tornem ricas. As evidências sugerem que deixamos de cuidar justamente quando nos tornamos ricos.

“Consumidores em países como México, Brasil, China e Índia”, diz o estudo, “tendem a ser mais preocupados com as questões das mudanças climáticas, poluição do ar e da água, desaparecimento de espécies e escassez de água doce … Por outro lado, a economia e os custos de energia e combustível suscitam a maior preocupação entre os consumidores norte-americanos, franceses e britânicos.” Quanto mais dinheiro se tem, mais importante ele se torna. Meu palpite é que nos países mais pobres a empatia não foi tão entorpecida por décadas de consumo irracional.

Assista ao mais recente anúncio da Toys R Us nos EUA. Um homem vestido como guarda florestal arrebanha crianças em um ônibus verde em que se lê “Encontre a Fundação Árvores”. “Hoje nós estamos levando as crianças à viagem de campo que mais poderiam desejar”, diz o guarda dirigindo-se a nós. “E eles nem sabem disso.”

No ônibus ele começa a ensiná-las, mal, sobre as folhas. As crianças bocejam e se mexem nos bancos. De repente, ele anuncia: “Mas nós não estamos indo à floresta hoje …” Ele tira a camisa de guarda florestal. “Estamos indo para a Toys R Us, pessoal!” As crianças ficam alucinadas. “Vamos brincar com todos os brinquedos, e vocês podem escolher o brinquedo que quiserem!” As crianças correm, em câmera lenta, pelos corredores da loja, e quase desmaiam enquanto acariciam os brinquedos.

A natureza é um tédio, já o plástico é emocionante. Crianças que vivem no centro da cidade e que levei a um bosque, semanas atrás, contariam uma história diferente; mas a mensagem, martelada com suficiente frequência, acaba por tornar-se verdadeira.

O Natal permite que a indústria global de besteiras recrute os valores com os quais muitos de nós gostaríamos que a data estivesse associada – o amor, a vivacidade, uma comunidade espiritual –, com o único objetivo de vender coisas de que ninguém necessita ou mesmo deseja. Infelizmente, como todos os jornais, The Guardian participa dessa orgia. A revista de sábado trazia o que parecia ser uma lista de compras para os últimos dias do Império Romano. Há um relógio cuco inteligente para os que têm familiares estúpidos o suficiente, uma chaleira operada remotamente, um distribuidor de sabão líquido por 55 libras [R$ 210]; um skate de mogno (vergonhosamente, a origem da madeira não é mencionada nem pelo Guardian, nem pelo varejista), um “pino pappardelle de rolamento”, seja lá que diabo for isso, bugigangas de chocolate a 25 libras [R$ 96], uma caixa de… barbante de jardim (!) por 16 libras [R$ 61].

Estaremos tão entediados, tão carentes de afeto, que precisamos ganhar essas porcarias para acender uma última centelha de satisfação hedonista? Terão as pessoas se tornado tão imunes ao sentimento de irmandade a ponto de se prontificarem a gastar 46 libras [R$ 177] num pacote de petiscos para cães ou 6,50 libras [R$ 20] em incríveis biscoitos personalizados, em vez de dar o dinheiro a uma causa melhor? Ou isso é o potlatch do mundo ocidental, no qual gastam-se quantias ridículas em presentes ostensivamente inúteis, para melhorar nosso status social? Se assim for, devemos ter esquecido que aqueles que se deixam impressionar por dinheiro não merecem ser impressionados.

Para atender a essa forma peculiar de doença mental, devemos retalhar a Terra, abrir grandes buracos na superfície do planeta, ocupar-se fugazmente com os produtos da destruição e então despejar os materiais em outros buracos.Relatório da Fundação Gaia revela um crescimento explosivo no ritmo da mineração: a produção de cobalto aumentou 165% em 10 anos, a doo minério de ferro em 180% e, entre 2010 e 2011, houve um aumento de 50% na exploração de metais não-ferrosos.

Os produtos dessa destruição estão em tudo: eletroeletrônicos, plásticos, cerâmicas, tintas, corantes, a embalagem em que nossas besteiras vão chegar. À medida que os depósitos mais ricos se esgotam, cada vez mais terra deve ser rasgada para manter a produção. Mesmo os materiais mais preciosos e destrutivos são sucateados quando um novo nível de dopamina torna-se necessário: o governo do Reino Unido informa que uma tonelada de ouro, embutido em equipamentos eletrônicos, é depositada nos aterros a cada ano, neste país.

Em agosto, uma briga das mais instrutivas inflamou o Partido Conservador. O ministro do Meio Ambiente, Lord de Mauley, pediu às pessoas para consertar suas engenhocas em vez de atirá-las no lixo. Isso era necessário, argumentou, para reduzir a quantidade de aterros, seguindo as diretrizes da política europeia de resíduos. Para o The Telegraph, “as propostas poderiam alarmar as empresas que lutam para aumentar a demanda por seus produtos.” O parlamentar do Partido Conservador Douglas Carswell bradou: “desde quando precisamos do governo para nos dizer o que fazer com torradeiras quebradas?”…

Para ele, o programa de recuperação econômica do governo depende de consumo incessante: se as pessoas começarem a consertar as coisas, o esquema entra em colapso; skates de mogno e chaleiras wifi são respostas necessárias a um mercado saturado; o deus de ferro do crescimento, ao qual nos devemos curvar, demanda que gastemos o mundo dos vivos até o esquecimento fim dos tempos.

“‘Mas roupas velhas são estupidez’, continuou o sussurro incansável. ‘Nós sempre jogamos fora as roupas velhas. Descartar é melhor que consertar, descartar é melhor que consertar.’” O Admirável Mundo Novo parece menos fantástico, a cada ano.

George Monbiot é jornalista é escritor, acadêmico e ambientalista do Reino Unido. Escreve uma coluna semanal no jornal The Guardian./ Tradução: Inês Castilho.

** Publicado originalmente no site Outras Palavras.

The India Problem (Slate)

Why is it thwarting every international climate agreement?

NOV. 27 2013 12:44 PM

By 

Haze in Mumbai, 2009

India has stalled international greenhouse gas accords because climate change isn’t a winning election issue in the developing country. 

Photo by Arko Datta/Reuters

Apowerful but unpredictable force is rising in the battle over the future of the climate. It’s the type of powerful force that’s felt when 1.2 billion people clamor for more electricity—many of them trying to light, heat, and refrigerate their ways out of poverty; others throwing rupees at excessive air conditioning and other newfound luxuries. And it’s the type of unpredictable force that’s felt when the government of those 1.2 billion is in election mode, clamoring for votes by brazenly blocking progress at international climate talks.

Hundreds of millions of Indians live in poverty, wielding a tiny per-person carbon footprint when compared with residents of the West and coming out on top of environmental sustainability surveys. But the country is home to so many people that steady economic growth is turning it into a climate-changing powerhouse. It has developed a gluttonous appetite for coal, one of the most climate-changing fuels and the source of nearly two-thirds of the country’s power. India recently overtook Russia to become the world’s third-biggest greenhouse gas polluter, behind China and the United States. (If you count the European Union as a single carbon-belching bloc, then India comes in fourth).

India has been obstructing progress on international climate talks, culminating during the two weeks of U.N. Framework Convention on Climate Change negotiations that ended Saturday in Warsaw. The Warsaw talks were the latest annual get-together for nearly 200 countries trying to thrash out a new climate treaty to replace the Kyoto Protocol.

India’s erraticism at international climate talks is frustrating the West. But it is also starting to anger some developing nations struggling to cope with violent weather, droughts, and floods blamed on climate change.

India’s stance during climate talks is that developed countries should be legally committed to addressing global warming by reducing their greenhouse gas emissions, and that developing countries should do what they say they can do to help out.

But once-clear distinctions between developed and developing countries are blurring. A growing number of developing countries—including low-lying island states in the Pacific and some countries in Africa and Latin America with which India has long been allied—are eyeing the vast, growing, climate-changing pollution being pumped out by China and India. They are wondering why those two countries, and others in the “developing” camp, shouldn’t also be committed to reducing their emissions.

The Warsaw meetings ended with India and China thwarting efforts by the United States, Europe, and others to commit all countries to measures to address greenhouse gas pollution. Instead, countries agreed in Warsaw to announce their “intended contributions” to slow down global warming in 2015, in advance of final meetings planned in Paris to agree on the new climate treaty.

“Developing countries are a varied group at this stage, and there is a growing frustration about the inability to move forward from some of these countries,” said Jake Schmidt, international climate policy director for the Natural Resources Defense Council, who attended the Warsaw meetings. “Some of their anger is directed at the U.S. and Europe, but more and more of their anger is quietly being directed at friends in the developing world that they see as stalling progress.”

And no country has done more than India to stall progress on international climate negotiations during the past two months.

It began last month in Bangkok, when negotiators met to update the Montreal Protocol. Signed in the late 1980s, the protocol saved the ozone layer by ending the use of chlorofluorocarbons in refrigerants, household goods, and industrial products. The problem was, manufacturers often swapped out CFCs for a closely related group of chemicals called hydrofluorocarbons. HFCs don’t hurt the ozone layer, but it turns out that they are potent greenhouse gases. With climate change now the most important global environmental challenge, the United States and a long list of other countries have proposed amending the Montreal Protocol to phase out the use of HFCs.

All seemed to be going well with the plans for those amendments. India and the other members of the Group of 20 endorsed the proposal during September meetings in Russia. A couple of weeks later, Indian Prime Minister Manmohan Singh reiterated the country’s support for the amendments during meetings with President Obama.

But when international representatives gathered for meetings in Bangkok to actually make the amendments, they were surprised and angered to find the negotiations blocked by India. The country’s environment officials told Indian media that they were worried about the costs associated with switching over to new coolants. What may have worried them even more was the fear of being accused of opening the door for foreign air conditioning and fridge companies to take over domestic markets.

If there’s one thing that no Indian government up for re-election in the current political climate would want, it’s to be seen giving an inch to America on trade.

Then came Warsaw. Extensive negotiations around agriculture had been scheduled for the first of the two weeks of meetings. Farming causes about a fifth of greenhouse gas emissions, due in part to land clearing, energy use, and the methane that bubbles up from rice paddies and is belched out by cattle.

But that’s not what drew farming representatives to Warsaw. Farmers are the hardest hit by changes in the weather—which should help them secure a chunk of the hundreds of billions of dollars in climate aid that a new climate treaty is expected to deliver for poor countries. But India, which is home to farms that are struggling to cope with changing rainfall patterns, spearheaded a maneuver that blocked agricultural negotiations from moving forward. Its negotiators feared that negotiations over farmer adaptation efforts would lead to requests that those farmers also reduce their carbon footprints.

“India has been very clear that agriculture is the mainstay of our population, and we don’t want any mitigation targets there,” said Indrajit Bose, a climate change program manager at the influential Delhi-based Centre for Science and Environment, who attended the Warsaw meetings. “It’s a red line for India, and I think we agree with that.”

During the second week of Warsaw talks, India again blocked progress on HFC reductions, and it worked with China to water down the meeting’s most important agreement on the final day of talks.

Despite instances of Chinese obstructionism at Warsaw, China and the United States have been making headlines during the past week for their blossoming mutual commitment to tackling climate change. Now India appears to be supplanting China as the developing world’s chief climate agitator, even as it takes real steps to boost renewable energy production at home and meet voluntary goals to reduce the “emission intensity” of its economy. (Meanwhile, Japan, Australia, and Canada are taking America’s mantle as the developed world’s chief climate antagonists.)

The India problem isn’t limited to climate talks. Early this year India helped dilute an international agreement that had been crafted to reduce mercury pollution—a major problem with coal-fired power plants.

Before the country’s environment minister was replaced during a mid-2011 Cabinet reshuffle, India had been hailed as a constructive leader during international climate talks. Now it’s being accused of foot-dragging, obstructionism, and flip-flopping.

Recent Indian shenanigans on the global climate stage are partly a reflection of the fact that a federal election will be held in the spring. Such elections are held every five years, and frantic campaigning by long lists of parties occupies many of the months that precede them. In India, despite the country’s acute vulnerability to climate change, the climate is simply not an election issue. BBC polling suggests that 39 percent of Indians have never heard about “climate change.” Indian voters are calling for more affordable energy—not for a reduction in greenhouse gas emissions.

And India, like other developing countries, has been angered by what appears to be reluctance by developed countries to lend a meaningful financial hand as the climate goes awry. A cruel irony of climate change is that the poor countries that did the least to warm the planet are often the hardest hit, vulnerable to rising tides, crop-wilting droughts, and powerful storms. During the talks in Warsaw, Western countries were suddenly balking at previously promised climate aid that would have been worth $100 billion a year by 2020. And developed countries have fobbed off developing countries’ appeals for additional compensation, so-called loss-and-damage payments, when climate change has harmed their people and economies.

It’s not just the electioneering in India that’s causing problems for global climate talks. Another problem seems to be how little press attention the country receives on foreign shores. “There’s not a lot of focus on India anywhere,” said Manish Ram, a renewable-energy analyst for Greenpeace India who attended the Warsaw meetings. “That’s one of the reasons India gets away with doing what it’s been doing.”

Pan-Amazônia à brasileira (Agência Pública)

Ambiente
02/12/2013 – 11h07

por Bruno Fonseca e Jessica Mota, para a Agência Pública

gasoduto Pan Amazônia à brasileira

Gasoduto de Camisea no Peru. Foto: Divulgação Skanska

Obras negociadas pelo BNDES na Amazônia sul-americana incluem hidrelétrica com rachaduras, gasoduto com vazamentos e rodovia que estremeceu a presidência da Bolívia.

Na vertente leste da Cordilheira dos Andes, início da Amazônia Peruana, o dinheiro brasileiro começa a erguer uma barragem de 200 metros de altura – e trata-se de muito dinheiro. São mais de US$ 320 milhões em empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quantia que representa mais de um quarto do custo total da bilionária hidrelétrica de La Chaglla, que será uma das três maiores usinas do Peru em 2015, quando deve ser concluída.

Quem toca as obras, no Rio Huallaga, a mais de 400 km da capital, Lima, é a gigante brasileira Odebrecht. A usina é uma peça importante para a Odebrecht, que tem olhos especiais para o território peruano, onde atua há 33 anos e possui ao menos outros nove empreendimentos (AQUI AQUI) em execução, desde rodovias a gasodutos e portos.

Há razões de sobra para justificar o interesse da Odebrecht no Peru. As licitações para megaempreendimentos são menos concorridas no país vizinho que em terras brasileiras, onde há mais empreiteiras a disputar o filão. Tomemos como exemplo a própria usina de La Chaglla. Simplesmente não houve concorrência na licitação. Segundo reportagem da revista Carta Capital, o único adversário possível, a empresa peruana Chancadora Centauro, desistiu ainda na fase de estudos, alegando não ter condições de cumprir o prazo.

A conexão com a costa oeste do Peru é também um caminho precioso para os produtos brasileiros atingirem o Oceano Pacífico. Assim, uma empreiteira como a Odebrecht passa a contar com o apoio de outras empresas brasileiras que, por sua vez, ainda podem trazer consigo o suporte de financiadores públicos para grandes empreendimentos. É este o caso dos investimentos no porto de Bayovar, construído pela Odebrecht a partir de dinheiro da mineradora Vale para escoar sua produção de fosfato a partir de uma mina cujos investimentos chegaram a mais de US$ 560 milhões de dólares. (AQUI) A Vale, por sua vez, trouxe a Andrade Gutierrez, que conseguiu dinheiro do BNDES para construção de uma usina de dessalinização da água fornecida à mina. O BNDES, como de costume, não revela quanto repassou à Andrade Gutierrez através do fomento à contratação pós-embarque (leia mais sobre a falta de transparência do BNDES aqui).

Já na costa leste, a Amazônia Peruana é uma área estratégica para a produção de energia. Estratégica porque a alta declividade em algumas regiões permite represas com menor área de inundação e maior potencial energético. Mas também porque possibilita a venda de energia para o Brasil e, com isso, conquista o coração de financiadores públicos do porte do BNDES. Tanto é que, em 2010, Brasil e Peru firmaram um acordo energético para construção de hidrelétricas em território peruano para exportar energia para o Brasil (AQUI), consolidação de um namoro que começou em 1997 a partir de um memorando de entendimento sobre cooperação em energia (AQUI).

Em contato com a Pública, o BNDES, entretanto, se recusou a comentar quais projetos de hidrelétricas peruanas estariam sendo avaliados pelo banco. “O BNDES não faz comentários sobre se um projeto está ou não sendo analisado pela instituição. Podemos dizer apenas que nenhum daqueles projetos foi até o momento aprovado ou contratado pelo BNDES”, informou a assessoria, depois de uma evasiva troca de 27 e-mails com a Pública.

Fato é que, em 2011, a pressão de comunidades indígenas levou a Odebrecht a desistir da construção da usina de Tambo 40, na região Central do país, que seria financiada pelo BNDES. Os grupos populares contestavam a previsão de alagamento de 73 mil hectares de florestas amazônicas e o deslocamento de 14 mil pessoas (AQUI). A hidrelétrica seria construída pela brasileira OAS.

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Perfuração de túnel nas obras da Hidrelétrica-de Chaglla, no Peru. Foto: Divulgação Odebrecht

BNDES financia exploração de gás e tragédia ambiental no Peru

O projeto de gás Camisea, no departamento de Cuzco, na Amazônia peruana, próxima ao estado do Acre, foi iniciado em 2003 por uma parceria público-privada, com grande aporte de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Localizado em uma região próxima a comunidades indígenas – como a Reserva Territorial Kugapakori, Nahua, Nanti (RTKN), onde vivem os índios Nahua, Nanti, Matsigenka e Mashco-Piro – o projeto foi visto com preocupação por ambientalistas. O objetivo era transportar gás natural e líquidos de gás natural até a área costeira do Peru, no Oceano Pacífico.

O Consórcio Camisea é liderado pela argentina Pluspetrol, junto à Repsol-YPF, Sonatrach, Hunt Oil, Techpetrol e SK Energy. Durante os primeiros anos de desenvolvimento do projeto, ocorrerm seis vazamentos de gás. Glenn Shepard, antropólogo e etno-botânico convidado pelo Import-Export Bank, dos Estados Unidos a integrar um painel de estudo – o South Peru Panel – sobre o projeto, como condição de empréstimo do banco à Hunt Oil, esteve na região durante duas semanas no final de 2011. Em seu blog, o especialista comentou o descaso com infraestrutura na região, que não tem nem saneamento básico, e ressaltou o que lhe disse um morador local: “não há vida para viver. Sem peixe, não há nada. A água está contaminada. Há muitas doenças”. (Leia o informe do antropólogo AQUIe o último relatório lançado pelo painel AQUI, ambos em inglês)

O BID chegou a realizar duas auditorias, e fez um empréstimo de US$5 milhões para o governo, destinado a fortalecer seu sistema de proteção ambiental e social associado ao projeto, de acordo com o próprio banco. A segunda parte do projeto recebeu aprovação de financiamento do Banco Interamericano em 2007 – não sem protestos de organizações ambientais, que alegaram omissão a certos critérios nas auditorias realizadas pelo BID, referentes a danos à biodiversidade e comunidades indígenas.

Em 2009, o BNDES aprovou um empréstimo para exportação da Confab Industrial S/A com destino à Transportadora de Gás do Peru, na modalidade de buyer’s credit, na qual o banco estabelece o contrato diretamente com a empresa importadora, por meio do exportador. Como sempre, o valor não é divulgado pelo banco. Este ano, o caso culminou em uma crise no governo peruano, com pedido de demissão do então vice-ministro de Interculturalidade do Peru, Paulo Vilca (leia mais AQUI).

BNDES na Bolívia: ex-ministro aponta má fama de empresas brasileiras

Os problemas envolvendo obras de empreiteiras brasileiras financiadas pelo BNDES se estendem pela região amazônica de outros países da América do Sul. Talvez um dos mais notórios exemplos é a construção da estrada San Ignacio de Moxos / Villa Tunari, na Bolívia – obra que se tornou um fiasco político e diplomático.

A estrada, também conhecida como rodovia Cochabamba-Beni, é um antigo antigo projeto do governo boliviano que cobria mais de 300 km, mas tomou corpo depois do BNDES firmar um contrato de US$ 332 milhões, através da aliança do então presidente Lula e o mandatário boliviano Evo Morales (AQUI). Faltaria à Bolívia apenas completar US$ 80 milhões para bancar a obra.

A construção da estrada foi entregue à empreiteira brasileira OAS em meio a uma delicada situação: pouco antes, a construtora brasileira Queiroz Galvão havia sido expulsa por não cumprir especificações do projeto de construção de duas rodovias no sul da Bolívia. As estradas apresentavam rachaduras nas obras e utilização de asfalto no lugar de cimento, segundo apontou o governo boliviano em 2007. A Bolívia chegou a decretar a prisão de um dos diretores da companhia, que escapou do país.

A situação foi revertida após negociações entre Brasil e Bolívia, mas novamente a Queiroz Galvão foi expulsa após divergências no custo de conserto das duas rodovias. A empresa afirmou por nota, na época, que iria buscar ressarcimento pelos danos pela “rescisão unilateral e injustificada do contrato pela Administradora Boliviana de Estradas”.

Após a desastrosa operação, a OAS assumiu o contrato de reparo das estradas e, coincidentemente, venceu a licitação para a construção da rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari na mesma época.

Apenas dois anos depois, em 2009, a OAS passou a ser investigada pela Controladoria-Geral da Bolívia após avaliações oficiais apontarem superfaturamento na estrada de Villa Tunari. Um estudo da Sociedade dos Engenheiros da Bolívia (SIB, em espanhol) afirmou que o preço de cada quilômetro era o dobro de outras obras na Bolívia, em locais de topografia similar. Além disso, a OAS foi a única empresa a participar da licitação.

Como se não bastasse, um trecho da rodovia passava dentro das terras do Parque Nacional y Territorio Indígena Isiboro-Secure (TIPNIS). O resultado: em agosto de 2011, a Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB) e outras organizações iniciaram uma marcha em oposição ao projeto, que durou meses e enfrentou prisões e espancamentos de manifestantes. A pressão popular foi tão intensa que balançou o primeiro governo de um indígena no país vizinho e, em outubro do mesmo ano, Evo Morales acabou promulgando uma Lei que impedia a rodovia de passar por TIPNIS e o declarava como território intangível.

O imbróglio acabou com o cancelamento do contrato com a OAS e o desgaste foi tamanho que, através da sua assessoria de imprensa, a empresa afirmou que atualmente não possui nenhum outro empreendimento na Bolívia.

O BNDES também foi afetado pela polêmica, e teve de publicar nota oficial afirmando que o banco havia determinado o cumprimento de todas as exigências ambientais cabíveis para que fosse firmado o contrato de financiamento à exportação de bens e serviços utilizados na estrada boliviana. “A assinatura do contrato foi condicionada às exigências usuais do BNDES, além de requisitos adicionais, elaborados em coordenação com o governo boliviano e fiscalizados por auditoria independente. Nos trechos da estrada que não passam por reserva indígena, o licenciamento ambiental já foi concluído, o que permitiu o início das obras”. Nenhum desembolso foi realizado pelo banco, visto que o contrato foi cancelado.

Mas, para Alejandro Almaraz, que foi vice-ministro de Terras do governo de Evo Morales até 2010 – e hoje é um dos maiores opositores da obra – todo o caso envolvendo a estrada do TIPNIS demonstra uma postura prejudicial das empresas brasileiras para com o povo boliviano, com conivência do governo local. “A imagem da empresa brasileira ficou muito desgastada, entretanto não é algo tão chamativo por não se tratar de nenhuma novidade. Está é a tradicional imagem das empresas construtoras brasileiras na Bolívia. Há várias décadas as empresas brasileiras têm uma espécie de monopólio na construção de estradas bolivianas, ao menos das grandes. Sempre houve esse tipo de denúncias, com bastante fundamento, mostrando superfaturamentos que beneficiam as empresas brasileiras. Isto é uma história eterna”, critica.

Para Almaraz, há pouca transparência sobre o tema na Bolívia. “Se abriu um processo judicial que, como tantos outros que envolvem agentes do governo, está congelado. Recentemente, pouco se fala [sobre o caso] na Bolívia e na imprensa. Tampouco há transparência sobre os ressarcimentos [entre a empresa brasileira e o governo boliviano] e na resolução do contrato” avalia.

Atualmente, a rodovia San Ignacio de Moxos / Villa Tunari segue em construção – exceto pelo trecho que passaria por TIPNIS – por empresas bolivianas. Entretanto, o governo boliviano vem realizando consultas com as populações afetadas para tentar retomar a construção do trecho (leia mais AQUI).

Imbróglios diplomáticos

Em 2004, o BNDES aprovou financiamento referente à exportação de bens e serviços da Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco, na província amazônica de Pastaza, no Equador. O consórcio construtor contou também com as internacionais Alstom e Vatech.

A usina começou a operar em 2007, e no ano seguinte apresentou as primeiras falhas, que incluíam rachaduras em um dos túneis e defeitos em uma turbina. De seu lado, a Odebrecht afirmou que “durante seu primeiro ano de operação, a Central (hidrelétrica) trabalhou continuamente, sob a responsabilidade de empresa do governo equatoriano, e acima da capacidade projetada”, segundo comunicado. A empresa ainda alegou que as falhas se deviam a um aumento significativo de sedimentos” nas águas do rio Pastaza devido à erupção do vulcão Tungurahua, a 20 quilômetros da usina. Por outro lado, o governo equatoriano de Rafael Correa afirmou que a usina hidrelétrica apresentava “falhas estruturais” e exigiu uma indenização de US$ 43 milhões pelas perdas, além da reparação da obra.

A crise culminou com a emissão de dois decretos de Correa que pediam a tomada dos bens da construtora, o término de todos os contratos da empresa no país e expulsão de seus funcionários do território equatoriano. Foi o início de uma crise bilateral entre o Equador e o Brasil, com a declaração de que o governo de Correa não pagaria o crédito fornecido pelo BNDES para a importação dos serviços da Odebrecht para a concessionária equatoriana. Ao fim, o Equador voltou atrás, pagou o financiamento e, em 2010, entrou em acordo com a Odebrecht, que retomou suas operações no país.

mapa Pan Amazônia à brasileira

Mapa Investimentos negociados pelo BNDES na Pan-Amazônia

Como saber o que o BNDES faz na Pan-Amazônia?

Os diversos casos de conflitos socioambientais envolvendo os megaempreendimentos tocados por empresas brasileiras vêm se acumulando, e lançando dúvidas sobre a atuação das corporações brasileiras na Amazônia sulamericana – problema que se estende aos financiadores, sobretudo às instituições públicas como o BNDES, que, supostamente, deveria primar pelo desenvolvimento regional antes de abraçar tais projetos.

A situação se torna ainda mais dramática devido à dimensão dos investimentos do BNDES na região. Desde o início do governo Lula, o banco investiu mais de US$ 2 bilhões em apoios à exportação de empresas brasileiras somente para países que abarcam a Amazônia internacional (Bolívia, Colômbia, Equador, Bolívia e Venezuela). O principal país beneficiado é a Venezuela, que recebeu mais de dois terços desse valor (cerca de US$ 1,4 bi).

Toda essa quantia pode ser ainda maior, visto que o BNDES divulga apenas os números das exportações da modalidade de pós-embarque (quando o banco apoia a comercialização de bens e serviços nacionais no exterior), deixando de divulgar as cifras da modalidade de pré-embarque (quando o banco apoia a produção no Brasil das mercadorias que serão exportadas).

Além disso, o BNDES não disponibiliza uma lista clara de quais projetos no exterior foram ou estão sendo apoiados ou negociados pela instituição. A Pública enviou uma lista ao banco com quase 30 projetos, apenas da Pan-Amazônia (veja abaixo), que em algum momento haviam sido assinalados pela imprensa como destinos de financiamento do BNDES. Apenas o projeto da hidrelétrica de Chaglla foi confirmado pelo banco – a todos os demais, o BNDES se recusou a comentar, ainda que alguns deles tivessem documentos do Itamaraty que comprovavam o interesse do Governo Brasileiro em financiar obras bilaterais através do banco. O BNDES também se recusou a comentar quais motivos poderiam ter levado ao cancelamento do financiamento desses projetos e até mesmo se o banco ainda estaria em processo de avaliação dos contratos. Ou seja, o BNDES e o Governo Federal argumentam sigilo bancário para negar uma gama gigantesca de informações – desde negociações em curso até valores e projetos beneficiadas – e defender que o sigilo tem supremacia sobre o direito à informação da sociedade brasileira.

Veja a lista de projetos enviada à assessoria de imprensa do BNDES no link original da matéria.

A série BNDES na Amazônia é uma parceria da Agência Pública com O Eco.

** Publicado originalmente no site Agência Pública.

Sobre a COP 19 de Varsóvia

JC e-mail 4864, de 28 de novembro de 2013

Resultados de conferência da ONU sobre o clima ficaram abaixo da expectativa, diz Capiberibe

Ele observou que as dificuldades encontradas durante a conferência terminaram por adiar por um dia o encerramento das negociações

O senador João Capiberibe (PSB-AP) comentou nesta quarta-feira (27) a realização da 19ª Conferência Mundial do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), encerrada no último sábado, em Varsóvia. Na avaliação de Capiberibe, os resultados da conferência ficaram abaixo da expectativa, principalmente porque foi mal recebida pelos países desenvolvidos a tese de responsabilidade histórica pelos danos ambientais.

Ele observou que as dificuldades encontradas durante a conferência terminaram por adiar por um dia o encerramento das negociações.

– A conferência, na verdade, deveria ter sido concluída na sexta-feira, e nós aguardamos até as 19h para o encerramento a apresentação do relatório final, que não foi possível em função das enormes contradições que envolvem esse tema. Os negociadores vararam a noite e só foi possível apresentar relatório final no sábado quando já estávamos de volta a nosso país – relatou Capiberibe.

O senador ainda afirmou que as mudanças no clima representam uma crise global que veio para ficar e exige decisões rápidas. Capiberibe destacou o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável e classificou o novo Código Florestal como um retrocesso que põe em risco o meio ambiente:

– E do ano passado para cá nós tivemos um aumento de 28% no processo de desmatamento, e isso pode estar ligado – nós não podemos afirmar – ao novo Código Ambiental, que terminou permitindo, anistiando desmatadores, anistiando aqueles que agridem a legislação, anistiando os que cometem crimes ambientais, e isso, evidentemente, estimula o desmatamento – afirmou.

(Agência Senado)

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JC e-mail 4864, de 28 de novembro de 2013

Vanessa Grazziotin: conferência do clima surpreende e obtém avanço na proteção a florestas

O maior avanço alcançado foi o estabelecimento de regras para o pagamento aos países que protegerem suas áreas de florestas, o chamado REDD+

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) registrou a participação dela e de outros senadores na 19ª Conferência do Clima da ONU, a COP 19, ocorrida em Varsóvia, na Polônia, na semana passada. Ela se disse surpresa com os resultados de uma reunião em torno da qual “não pairava qualquer expectativa”.

Segundo a parlamentar, o maior avanço alcançado foi o estabelecimento de regras para o pagamento aos países que protegerem suas áreas de florestas, o chamado REDD+. Para ter acesso aos recursos, os países devem reduzir emissões de carbono por desmatamento e degradação florestal.

– É uma mudança de lógica, de paradigma, dentro da própria política internacional sobre mudanças climáticas, já que até então o que tínhamos eram recursos para nações que recuperassem florestas degradadas. Isso é importante para o mundo inteiro, mas em particular para o nosso país, por que temos a maior floresta tropical do mundo e estamos em processo de desenvolvimento – explicou a parlamentar.

Vanessa Grazziotin observou, ainda, que o tema do pagamento pela proteção de florestas ganhou mais importância nas discussões da COP 19 que o do comércio de carbono, por meio do qual países podem pagar a outros pelo excesso de emissão de gases causadores do efeito estufa.

– Isso não ajuda o clima. Então esse debate ficou em plano secundário – assinalou Vanessa Grazziotin. Ela esclareceu que as regras aprovadas em Varsóvia preveem a utilização de dinheiro do Fundo Verde, aprovado em 2010 e que já tem recursos disponíveis a partir deste ano, embora a maior parte das verbas vá ser aportada em 2014.

Vanguarda
A parlamentar pelo Amazonas chamou a atenção para o papel relevante do Brasil no avanço da agenda ambiental. Sétimo no ranking da economia mundial, o país é “uma nação líder” no que se refere a proteção ao meio ambiente. Não só por causa da maior floresta tropical do mundo, mas também das posições importantes que assume nos fóruns internacionais, entre as quais as de fortalecimento do grupo dos 77 países em desenvolvimento e do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China).

O Brasil, observou ainda Vanessa Grazziotin, tem uma meta interna voluntária, em lei, “das maiores do mundo”: de 36% a quase 39% de redução das emissões brasileiras até o ano de 2020, levando-se em conta índices de 1995.

Tanto a Conferência das Partes, realizada na Polônia, como a próxima, que será realizada em Lima, no Peru, serão preparatórias para a 21ª Conferência das Partes, marcada para ocorrer em Paris. Na 21ª Conferência, será elaborada uma nova convenção, pela qual todos países terão regras estabelecidas internacionalmente para a redução de emissão de gases de efeito estufa.

Estiveram em Varsóvia, além de Vanessa Grazziotin, os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Sérgio Souza (PMDB-PR) e Anibal Diniz (PT-AC). O grupo participou igualmente de uma reunião da Globe Internacional, entidade ambiental que reúne parlamentares de vários países.

(Agência Senado)

Mushrooms can change the weather, scientists reveal (Telegraph UK)

The fungi can whip up winds that blow away their spores and help them disperse

Mushrooms can change the weather, scientists reveal

Magic Mushrooms? According to scientists, mushrooms can alter the moisture of the air around them, whipping up winds that blow away their spores and help them disperse Photo: ALAMY

By News agencies

1:49PM GMT 25 Nov 2013

Mushrooms have an extraordinary ability to control the weather, scientists have learned.

By altering the moisture of the air around them, they whip up winds that blow away their spores and help them disperse.

Plants use a variety of methods to spread seeds, including gravity, forceful ejection, wind, water and animals. Mushrooms have long been thought of as passive seed spreaders, releasing their spores and then relying on air currents to carry them.

But new research has shown that mushrooms are able to disperse their spores over a wide area even when there is not a breath of wind – by creating their own weather.

Scientists in the US used high-speed filming techniques and mathematical modelling to show how oyster and Shitake mushrooms release water vapour that cools the air around them, creating convection currents. This in turn generates miniature winds that lift their spores into the air.

The findings, presented at the annual meeting of the American Physical Society’s Division of Fluid Dynamics in Pittsburgh, suggest that mushrooms are far more than mechanical spore manufacturers.

”Our research shows that these ‘machines’ are much more complex than that: they control their local environments, and create winds where there were none in nature,” said lead scientist Professor Emilie Dressaire, from Trinity College in Hartford, Connecticut. ”That’s pretty amazing, but fungi are ingenious engineers.”

The scientists believe the same process may be used by all mushroom fungi, including those that cause diseases in plants, animals and humans.

A mushroom – or toadstool – is technically the fleshy, spore-bearing, fruiting body of a fungus.

Millions of spores, microscopic single-celled ”seeds”, may be produced by a single mushroom, at least a few of which are likely to land somewhere suitable for fungal growth.

More than 80 different types of wild edible mushroom grow in the UK, as well as many poisonous species.

One of the world’s deadliest mushrooms, the death cap, is a common sight in British woodland. Although pleasant tasting, just one ounce of the fungus is enough to kill.

Sua flecha é a palavra (Boletim da UFMG)

Nº 1845 – Ano 40
18.11.2013

Bárbara Pansardi

“Pra quem não me conhece, sou Davi Kopenawa, filho da Amazônia, que vive no meio da floresta.” As palavras simples e fortes do líder indígena são certeiras como uma flecha que acerta direto no coração – é o que ele mesmo diz. O xamã yanomami acredita que sua arma é a palavra, com a qual protege a floresta amazônica e os povos autóctones.

“Nós, Yanomami, somos guerreiros para defender nossos direitos, nosso povo, nossas crianças, nossa terra própria. Nossos antepassados não sabiam se defender, não sabiam brigar por não compreender a língua portuguesa”, explica o xamã e intérprete da Funai, que utiliza o idioma como instrumento político. “Eu não posso viver isolado. Meu povo yanomami já foi isolado. Hoje não, nós conversamos com políticos sobre o problema da nossa terra, da saúde”, afirma.

Sua mensagem é firme, mesmo quando sua expressão parece hesitar, revelando a cadência de quem não tem o português como língua materna. “Minha fala é diferente; não é fala de cidade, não. Eu falo sobre natureza, sobre meio ambiente, terra, sobre o que é bom pra nós todos”, justifica Kopenawa.

A convite do Programa Cátedras do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (Ieat), Davi veio à UFMG ensinar o que os napë [homem branco, não índio] parecem não saber. “Será que o homem não tem pensamento, não pensa em seu futuro, nas gerações que vão sofrer? Consciência dos napë é diferente da consciência indígena. Terra é nossa vida, sustenta a barriga, é nossa alegria”, alega, tecendo dura crítica às atividades econômicas que se valem da exploração das riquezas naturais.

Para Kopenawa, o problema gerado pelo homem branco com a extração dos recursos é incontornável, não há reflorestamento que o resolva. “Reflorestar não vai trazer ar limpo, não vai chamar a chuva; só miséria, fome, sofrimento”, afirma, fazendo uma analogia com as cicatrizes que se formam quando ferimos a pele, sobre as quais não voltam a nascer pelos. “Na terra, depois que corta, não cresce de novo, não nasce urihi [cobertura florestal], porque não tem força, não tem água lá embaixo. Derrama sangue da terra e ela fica seca, a água vai embora.”

Davi explica o que em sua filosofia indígena designa por “coração da terra”. De acordo com ele, trata-se de um processo cíclico segundo o qual a água é conduzida por caminhos subterrâneos que a elevam para que em seguida se precipite novamente, em movimento continuamente circular, como na corrente sanguínea. “Nós estamos circulando juntos”, acrescenta, esclarecendo que o coração humano pulsa sob mesmo ritmo. Homem e natureza, portanto, estão ligados. Então, “destruímos a nós mesmos ao devastar a terra; nosso coração bate junto com a hutukara, terra-mãe”.

Diferentes, porém complementares

O xamã acredita na capacidade de mobilizar os outros como multiplicadores de uma consciência ambiental renovada, e se alegra porque vê seu conhecimento reconhecido na esfera acadêmica. “Sou analfabeto, mas tenho saber tradicional. Eles estão me escutando e achando bom. Estão interessados, gostando muito. Eu também estou gostando. Venho para me aproximar do homem branco que nunca conheceu de mim e para conhecê-lo como amigo. Não índio também está reconhecendo minha imagem, minha fala, a experiência que eu tenho e aprendi desde pequeno.”

Entre os xamãs yanomami, boa parte dos saberes advêm do campo onírico. Os sonhos – muitas vezes associados ao transe induzido pelo sopro do pó de yãkoana [alucinógeno] – funcionam como revelações esclarecedoras. Os xapiri [espíritos] são os responsáveis por alumbrar as ideias e desvelar a sapiência do líder. Davi conta que ele próprio “sonha terra, floresta, chuva, trovão, tudo o que tem no universo”. Por isso, irrita-se com os antropólogos que, “como formigas, andam procurando sabedoria” e valem-se do conhecimento alheio. “Eu não quero antropólogo falso, que só quer trair o meu povo, que só quer aprender, tirar e copiar conhecimento yanomami”, revolta-se, em alusão à experiência com o americano Napoleon Chagnon, que trata os yanomami como ferozes e violentos.

No livro La chute du ciel, escrito em conjunto com o antropólogo francês Bruce Albert, Kopenawa conta que pediu ao xori [amigo] que o ajudasse. Como discordava dos pesquisadores que frequentavam sua aldeia e imputavam juízos sobre o modo de vida indígena, resolveu manifestar-se. “Quem vai falar sobre meu povo yanomami sou eu. Eu não sou antropólogo, mas Bruce me ajudou a escrever como no meu sonho, um sonho conhecimento. Eu queria escrever para os antropólogos da cidade, para mostrar como o Yanomami pensou. Esse livro é um mensageiro para entrar na capital. Antropólogo que não conhece índio, não conhece aldeia, não conhece mato vai ler. Esse livro foi escrito para fazer antropólogo respeitar. Foi muito bom pra mostrar minha capacitação, a capacidade que eu tenho de quem conhece rio, terra, mato”, relata.

Quanto à sua participação nas palestras ao longo da semana, o xamã mostrou-se alegre e satisfeito por cumprir a tarefa que lhe foi confiada pelos anciões. “Estou com orgulho de mim. Sou um yanomami em paz. Estou dizendo boas coisas pra eles [homens brancos] entenderem, pensarem e depois fazer respeitar. Nós somos povo indígena, guardião da terra; estamos aqui para proteger”, assevera.

É um erro escolarizar o conhecimento tradicional, avalia pesquisadora da USP (Notícias da UFMG)

Foca Lisboa/UFMG
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Manuela Carneiro propôs projeto de valorização do conhecimento tradicional

Quinta-feira, 21 de novembro de 2013, às 5h50

As possibilidades de cooperação entre os cientistas acadêmicos e os chamados “conhecedores tradicionais” – em especial os indígenas – foram abordadas em conferência na UFMG da professora Maria Manuela Carneiro da Cunha, da Universidade de São Paulo (USP), no início deste mês. O evento integrou a programação doColóquio Davi Kopenawa e a Hutukara: um encontro com a cosmopolítica Yanomami.

Para a professora, é um contrassenso tentar escolarizar o conhecimento tradicional. “Ele não é só conteúdo; são também formas de existência e de transmissão desse conteúdo. Assim, em vez de se pensar em escolarização, devemos propor programas de pesquisa de conhecimentos tradicionais estabelecendo pontes entre o conhecimento prático e o que se aprende na escola”, defendeu.

Na ocasião, Maria Manuela detalhou a proposta que submeteu ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a criação de programa focado na valorização do conhecimento tradicional e na criação de uma economia na Amazônia que seja compatível com o conceito de “floresta em pé”

“Fizemos a proposta ao Ministério, que parece ter gostado do projeto, e o incluiu no seu programa para o período de 2010-2014. A ideia é que o projeto resulte em editais anuais, e que fomente a distribuição equitativa de poder e de recursos”, explicou.

O Portal UFMG resumiu aspectos da conferência de Maria Manuela Carneiro da Cunha. Confira a seguir.

O contexto político
Formamos um conselho consultivo e propusemos ao MCTI um programa focado na importância da valorização dos conhecimentos tradicionais para o Brasil. O Ministério demonstrou interesse e pôs o programa na sua agenda para o período 2010-2014. Mas quiseram começar de uma forma mais prudente do que se poderia esperar. Encomendaram um estudo de três anos para avaliar a viabilidade e o formato de um programa permanente. É o que estamos fazendo atualmente. Mas sabemos que, quando mudam governo e secretário, mudam as políticas. E em 2014 teremos novas eleições. Portanto, não temos nenhuma segurança de que o programa vai se reverter em algo permanente. Mas estamos trabalhando para isso. Já foi um importante avanço tratar a questão no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em vez do Ministério da Educação (MEC).

Floresta em pé
O programa se chama Bases para um programa de pesquisas interculturais e fortalecimento do conhecimento tradicional e tem dois pilares principais. Um trata de fomentar a criação de um tipo de economia na Amazônia que seja compatível com a ideia de “floresta em pé”. Essa parte foi mais facilmente aceita. O segundo diz respeito à valorização dos conhecimentos tradicionais. Ou seja, de se reconhecê-lo e buscar o auxílio das populações tradicionais, que têm o know-how nesse tipo de manejo da floresta, para fomentar seu uso sustentável. Essa é uma ação que enfrenta mais resistência. Temos implantado projetos pilotos. São tentativas de demonstrar que é possível criar uma agricultura da “floresta em pé”, de que essa mudança de paradigma é interessante para todas as partes – populações tradicionais, cientistas das universidades e para a sociedade como um todo.

Contribuição do saber tradicional
Tenho trabalhado junto a especialistas solicitando levantamentos sobre as contribuições econômicas que os conhecimentos tradicionais podem oferecer. Mas temos de ter em mente que o mais importante não é mensurável. Não se pode medir o conhecimento tradicional pelo seu valor econômico; existem questões mais importantes. Um grande problema hoje é que, se o aspecto econômico não é mensurado, a contribuição oferecida pelo conhecimento tradicional não é apreciada, não é levada em conta, apesar de ser imprescindível para o trabalho. Pesquisadores fazem “descobertas” e não reconhecem o conhecimento tradicional embutido em seus trabalhos. Dizem: “não devo nada aos conhecimentos tradicionais”, quando, na verdade, devem muito.

Repartição equitativa
Até hoje não temos uma medida precisa para fazer essa avaliação. Mas estamos chegando a algum tipo de consenso de como deve ser feita a regulamentação desse reconhecimento. O Congresso Nacional está recebendo um projeto de lei que vai substituir medida provisória sobre o assunto. A ideia é estipular o pagamento equitativo, a recompensa, a “repartição equitativa de benefícios”; esse é o termo, porque essa recompensa pode até mesmo ser não monetária. Uma frente de trabalho tem sido a de colaborar para o estabelecimento de qual deve ser, do ponto de vista econômico, o aporte a ser feito em remuneração ao conhecimento tradicional embutido nos processos científicos. No entanto, cabe repetir: não se pode exigir uma justificativa estritamente econômica para preservar a diversidade de línguas, práticas e cantos. Reduzir tudo isso à questão do capital seria um absurdo.

Conhecimento em construção
Quando os cientistas apreciam o conhecimento tradicional, eles pensam o seguinte: “vamos fazer um levantamento e então guardar o recurso para futuras pesquisas”. O problema é que essa postura desconsidera que o conhecimento tradicional é fruto de um processo vivo, que está sempre em transformação. Ele depende da população que o gerou, depende dela para continuar se transformando, se aprimorando. Se você armazena cientificamente uma informação, ela não terá a mesma validade quando for retomada. Venho insistindo com o MCTI que não se deve pensar o conhecimento tradicional como algo pronto e consolidado, mas sim como conhecimento em constante construção, tal qual o conhecimento científico. Por incrível que pareça, isso é muito difícil de entrar na cabeça de biólogos, de cientistas acadêmicos.

O valor dos mateiros
Quando os cientistas vão adentrar a floresta, eles sempre precisam da orientação dos mateiros, oriundos da população local: são eles que conhecem a mata, os territórios, e que estão sempre descobrindo coisas novas, novos caminhos. Ainda assim eles são sempre depreciados nos institutos de pesquisa. Sempre são colocados como assistentes, sendo muito pouco valorizados no contexto da construção do conhecimento – e muito mal pagos. E a verdade é que os mateiros são os primeiros pesquisadores. Eles aprenderam no local e estão transmitindo esses conhecimentos para os pesquisadores científicos.

Desvalorização histórica
A história tradicional faz tudo para solapar o conhecimento tradicional. Por exemplo: a nossa escola, ao ser levada para essas comunidades, considera que o que a criança aprende em casa é algo sem valor. Faz com que esse conhecimento seja visto como de uma instância inferior. A escola atrapalha de várias maneiras: sua forma de elaborar seu calendário, seus horários… Por isso, as pessoas mais velhas dessas sociedades acabam se sentindo desvalorizadas quando em contato com a nossa. Em muitas dessas comunidades, eles são os responsáveis por passar certos conhecimentos de pai para filho. E a nossa escola canônica não entende ou aceita isso muito bem. A reação são as “escolas diferenciadas”, criadas pelas próprias comunidades indígenas – e que naturalmente vêm sofrendo muita resistência. São escolas que pensam seu calendário para que ele seja compatível com as atividades tradicionais da comunidade, que pensam a importância da língua, do conhecimento local, das tradições, das festas, da participação social. Aí está um aspecto muito importante a ser solucionado. É preciso que a escola se adapte à realidade dessas comunidades, no sentido de uma política de fortalecimento do conhecimento tradicional. Saber como fazer uma canoa, por exemplo, importa muito mais do que certos “conhecimentos” que as escolas acham importante disseminar.

Os riscos da ‘revolução verde’
Uma retomada histórica explica o desafio que se vive hoje na agricultura. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, houve uma “revolução verde”: uma ambiciosa tentativa de aumentar a produção agrícola no mundo inteiro e resolver o problema da fome. Foi algo muito importante. Entre as mais de sete mil espécies de plantas alimentícias existentes no mundo, as trinta mais produtivas foram selecionadas para formarem a base da alimentação da maioria. Mas as demais espécies dessa enorme variedade foram de certa forma esquecidas. Apesar de sua importância na época, foi uma medida política muito arriscada. Quando a base de alimentação mundial é tão pequena, crescem os riscos de escassez caso algo aconteça com alguma dessas espécies. É uma medida em que não se considera que as variedades são adaptadas a cada lugar, ao tipo de solo, à quantidade de sol e chuva, às pragas. Então resolveram o problema da não adaptação das espécies às pragas e às demais dificuldades dos novos ambientes com o uso maciço de fertilizantes e de defensivos agrícolas. E hoje o Brasil é um “campeão” no uso dos dois. Resolveu-se o problema. Mas a que custo? Tornamo-nos reféns dos fertilizantes e dos defensivos agrícolas. Ao custo do sacrifício das variedades locais. E o risco disso é enorme.

Cultivo on farm
Em algum momento, percebemos que o que se estava fazendo era uma política agrícola extremamente perigosa. Na Irlanda, por exemplo, aconteceu um desastre em função disso. Assim como na Bélgica, França, Alemanha, a base da alimentação no país era a batata, que havia sido domesticada pelos índios da América e levada para a Europa pelos espanhóis após a colonização. Os espanhóis levaram poucas espécies, as mais produtivas. Os irlandeses, em dado momento, estavam se alimentando só de duas espécies. Foi quando aconteceu uma praga que durou quatro anos e acabou com tudo. Um milhão de pessoas morreu de fome. Outro milhão migrou. É um exemplo de como é necessário guardar as variedades. Mas não basta fazer bancos de sementes como os da Embrapa, em que as sementes ficam em uma geladeira, mas não continuam se adaptando às mudanças do meio ambiente. O clima muda, o solo muda. Então, é preciso que as espécies continuem sendo cultivadas na roça, sendo cultivadas on farm, pois só se adaptam aquelas que continuam sendo cultivadas em campo. Isso é fundamental para a nossa segurança alimentar. E aí entra a questão dos conhecimentos tradicionais, dos índios, que tem o hábito de cultivar variedades.

Experiência no Rio Negro
Um desses projetos-pilotos de que falei está sendo desenvolvido às margens do Rio Negro, na Amazônia. Lá, a despeito das políticas governamentais que buscam consolidar a plantação apenas das poucas espécies mais produtivas, os índios estão plantando em seus roçados mais de cem variedades de mandioca, colaborando com a diversidade tão importante para a segurança de nosso sistema agrário. Hoje, 500 milhões de pessoas comem mandioca no mundo. É um alimento que tem enorme consumo na África, por exemplo. Se houvesse uma praga como a das batatas, teríamos hoje um problema enorme, a exemplo do que aconteceu na Irlanda. Esse caso da mandioca é um exemplo de como o conhecimento tradicional tem uma importância fundamental. Porque é o conhecimento tradicional dos índios que possibilita que lá, no Rio Negro, haja tanta variedade da espécie. Normalmente, a mandioca é plantada como “clone”; come-se a raiz e planta-se o caule. Mas a mandioca sabe dar flor, que tem semente. E, quando dá flor, é porque houve reprodução sexuada, de forma que essa semente não é um clone. A formiga gosta dessa semente, que é docinha. Então ela leva a semente para debaixo da terra. Essa é uma semente que só brota se houver fogo; só nasce na capoeira. Nesse sentido, ela tem brotado no Rio Negro em função do trabalho dos índios mais antigos, que gostam de cultivar as variedades e trabalham para que haja essa capoeira. As variedades também são fruto do trabalho das mulheres indígenas, que cultivam experimentalmente as sementes. Elas plantam em uma margem da roça algo que só vai dar a partir do segundo ou do terceiro ano. É um trabalho de colecionador. Essas mulheres de fato pesquisam para avaliar cada nova variedade e depois para cultivá-la. Há ainda a cultura de troca de sementes entre famílias e tribos, nas festas. Há um gosto pela coleção.

Virada política
Mesmo assim, ainda há hoje uma política do governo querendo disseminar o cultivo das espécies de mandioca entre as comunidades tradicionais, algo como “ensinar padre a rezar missa”. Insistem em focar nas espécies mais produtivas, ainda na lógica da revolução verde. E isso em um contexto em que o Brasil é signatário de um tratado que obriga o país a fomentar o cultivo de variedades na roça, de fomentar esse cultivo on farm, e não em bancos de sementes. O Brasil não está cumprindo esse tratado. Nesse sentido, nosso projeto-piloto visa transformar essas práticas tradicionais do Rio Negro em um sistema reconhecido como forma de conservação on farm valiosa e estratégica para o Brasil e para o mundo. É isso que a gente está construindo.

Leia também o perfil do líder yanomami David Kopenawa, publicado na edição 1845 do Boletim UFMG.

(Ewerton Martins Ribeiro)

No Qualms About Quantum Theory (Science Daily)

Nov. 26, 2013 — A colloquium paper published inThe European Physical Journal D looks into the alleged issues associated with quantum theory. Berthold-Georg Englert from the National University of Singapore reviews a selection of the potential problems of the theory. In particular, he discusses cases when mathematical tools are confused with the actual observed sub-atomic scale phenomena they are describing. Such tools are essential to provide an interpretation of the observations, but cannot be confused with the actual object of studies.

The author sets out to demystify a selected set of objections targeted against quantum theory in the literature. He takes the example of Schrödinger’s infamous cat, whose vital state serves as the indicator of the occurrence of radioactive decay, whereby the decay triggers a hammer mechanism designed to release a lethal substance. The term ‘Schrödinger’s cat state’ is routinely applied to superposition of so-called quantum states of a particle. However, this imagined superposition of a dead and live cat has no reality. Indeed, it confuses a physical object with its description. Something as abstract as the wave function − which is a mathematical tool describing the quantum state − cannot be considered a material entity embodied by a cat, regardless of whether it is dead or alive.

Other myths debunked in this paper include the provision of proof that quantum theory is well defined, has a clear interpretation, is a local theory, is not reversible, and does not feature any instant action at a distance. It also demonstrates that there is no measurement problem, despite the fact that the measure is commonly known to disturb the system under measurement. Hence, since the establishment of quantum theory in the 1920s, its concepts are now clearer, but its foundations remain unchanged.

Journal Reference:

  1. Berthold-Georg Englert. On quantum theoryThe European Physical Journal D, 2013; 67 (11) DOI: 10.1140/epjd/e2013-40486-5

Engineering Education May Diminish Concern for Public Welfare Issues (Science Daily)

Nov. 20, 2013 — Collegiate engineering education may foster a “culture of disengagement” regarding issues of public welfare, according to new research by a sociologist at Rice University.

imagesFor the first-of-its-kind study, the researcher used survey data from four U.S. colleges to examine how students’ public-welfare beliefs change during their college engineering education and whether the curricular emphases of their engineering programs are related to students’ beliefs about public welfare. The study found that engineering students leave college less concerned about public welfare than when they entered.

Study author Erin Cech, an assistant professor of sociology who has B.S. degrees in both electrical engineering and sociology, said that many people inside and outside engineering have emphasized the importance of training ethical, socially conscious engineers, but she wonders if engineering education in the U.S. actually encourages young engineers to take seriously their professional responsibility to public welfare.

“There’s an overarching assumption that professional engineering education results in individuals who have a deeper understanding of the public welfare concerns of their profession,” Cech said. “My study found that this is not necessarily the case for the engineering students in my sample.”

Cech said that as part of their education, engineering students learn the profession’s code of ethics, which includes taking seriously the safety, health and welfare of the public. However, she said, it appears that there is something about engineering education that results in students becoming more cynical and less concerned with public policy and social engagement issues.

“The way many people think about the engineering profession as separate from social, political and emotional realms is not an accurate assessment,” Cech said. “People have emotional and social reactions to engineered products all the time, and those products shape people’s lives in deep ways; so it stands to reason that it is important for engineers to be conscious of broader ethical and social issues related to technology.”

Cech said that this “culture of disengagement” is rooted in how engineering education frames engineering problem-solving.

“Issues that are nontechnical in nature are often perceived as irrelevant to the problem-solving process,” Cech said. “There seems to be very little time or space in engineering curricula for nontechnical conversations about how particular designs may reproduce inequality — for example, debating whether to make a computer faster, more technologically savvy and expensive versus making it less sophisticated and more accessible for customers.”

Cech said ignoring these issues does a disservice to students because practicing engineers are required to address social welfare concerns on a regular basis, even if it involves a conflict of interest or whistleblowing.

“If students are not prepared to think through these issues of public welfare, then we might say they are not fully prepared to enter the engineering practice,” Cech said.

Cech became interested in this research topic as an undergraduate electrical engineering student.

“Because I went through engineering education myself, I care deeply about this topic,” she said. “I want to advance the conversation about how engineering education can be the best it can possibly be.”

The study included more than 300 students who entered engineering programs as freshmen in 2003 at four U.S. universities in the Northeast. Rice students were not included in the study. Participants were surveyed in the spring of each year and at 18 months after graduation. In the surveys, students were asked to rate the importance of professional and ethical responsibilities and their individual views on the importance of improving society, being active in their community, promoting racial understanding and helping others in need. In addition, the students were asked how important the following factors are to their engineering programs: ethical and/or social issues, policy implications of engineering, and broad education in humanities and social sciences.

“Culture of Disengagement in Engineering Education?” will appear in an upcoming issue of the journal Science, Technology and Human Values. The research was funded by the National Science Foundation.

Transforming San Francisco Into a Model of Disaster Preparedness (Quest)

Post by  for  on Nov 20, 2013

A mashup of San Francisco's Pacific Heights neighborhood right after the 1906 earthquake and what the area looks like today. Credit: Shawn Clover

A mashup of San Francisco’s Pacific Heights neighborhood right after the 1906 earthquake and what the area looks like today. Credit: Shawn Clover

Mention sleeping in Golden Gate Park, and most people think of homelessness. But the idea that San Francisco’s most famous park could be used as an emergency shelter for thousands of victims after a major earthquake – as it was after the 1906 earthquake – is again resurfacing.

Public Architecture, a San Francisco non-profit organization, recently asked three architecture and design firms to devise resiliency plans for the city that could be put in place as soon as next year and explore creative ways San Francisco could respond to natural disasters.

With everything from urine recycling to art installations that indicate areas at risk for earthquake liquefaction, tsunamis and floods, the firms drew up a variety of innovative strategies.

One of the plans, from San Francisco-based CMG Landscape Architecture, looks to the 1906 San Francisco earthquake. That catastrophe killed at least 3,000 people, destroyed more than 28,000 buildings and left 225,000 people homeless.

“We’re in earthquake country and it can be the elephant in the room—we know it could happen but we want to ignore it”

After the 7.6 magnitude earthquake hit, many victims flocked to the Presidio—then a military outpost—and to Golden Gate Park for refuge.

At first, tents were constructed, but as winter approached, soldiers from the Army built small houses that provided shelter for more than 16,000 survivors. CMG believes the Park can once again support many thousands of people, if necessary.

“We’re in earthquake country and it can be the elephant in the room—we know it could happen but we want to ignore it,” said CMG design leader Scott Cataffa.

CMG proposes new waste treatment facilities, emergency-response infrastructure and energy supplies by lining the Park’s polo fields with dry-composting restrooms and first aid stations. The restrooms would divert treated wastewater onto nearby turf for use as a natural fertilizer.

An on-site, sand-filter water treatment system also would serve as a 100-foot tall water tower and viewing deck. The observation deck, covered with solar panels and a modern-day windmill, would allow people to survey the surrounding area. Dutch and Murphy Windmills that already exist at the Park would serve as a back-up power source.

By integrating large-scale sanitation-systems, water treatment infrastructure and a water tower, the park could support up to 12,000 people, Cataffa estimated.

There is already a precedent for Golden Gate Park supporting a large influx of people in the 21st century.

Annual events, like the Outside Lands music festival, draw hundreds of thousands of fans into the park during the summer.

In fact, CMG officials believe that public events are ideal opportunities to teach disaster preparedness and encourage a sense of community among attendees. “During Super Storm Sandy, some communities had fewer economic resources but knew each other better and they looked out for each other,” Caffata said.

“We wanted to tap into the sharing economy of Burning Man and back-country camping,” he said, “and see if we could come together and get to know our neighbors.”

Next April 18, on the 108th anniversary of the 1906 earthquake, CMG proposes a “Camp the Park” event. Interested San Franciscans would spend the night in Golden Gate Park to test the city’s ability to mobilize and prepare for disaster response while meeting neighbors and learning about survival techniques.

Corporate sponsors would provide the funding while the San Francisco Recreation and Park Department would need to approve the event and any structural upgrades.

However, not everyone thinks it’s a good idea to herd thousands of people into Golden Gate Park after the next major earthquake.

“Our first choice is to keep people in their homes, not in a city that gets built in Golden Gate Park,” said Lt. Erica Arteseros, program coordinator for the San Francisco Fire Department’s Neighborhood Emergency Response Team.

Arteseros’ program, formed after the 1989 Loma Prieta Earthquake, allows roughly 2,000 people a year to receive 18 hours of disaster preparedness training from San Francisco firefighters and emergency responders.

“There’s not enough space and housing to accommodate everyone leaving their home,” she said. “If your home is safe enough to stay in, that’s the best.”

The San Francisco Planning and Urban Research Association, a non-profit planning group, has published a “Safe Enough to Stay” report that details what it would take to make people’s homes suitable as shelters after an earthquake.

If residents can stay in their homes, the process of rebuilding the city can begin much sooner, according to the report.

Even so, after a magnitude 7.0 earthquake or greater, many people would be left homeless.

In that scenario, the San Francisco Department of Emergency Management would work with the Red Cross to set up temporary shelters and use large spaces like the Bill Graham Civic Auditorium to provide longer term housing.

For all San Francisco’s current planning, CMG and Public Architecture say they are not evaluating optimal conditions. They anticipate a future that is hard to imagine and even harder to predict.

“We’re not planning for a best-case scenario,” said Public Architecture CEO John Peterson. “Unfortunately the best case is not realistic.”

ONGs abandonam conferência do clima (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4860, de 22 de novembro de 2013

É a primeira vez que as principais organizações ambientalistas deixam a reunião da ONU, realizada há 19 anos

Pela primeira vez nos 19 anos de realização das conferências mundiais do clima da ONU, as principais ONGs ambientalistas abandonaram o encontro, que deve acabar na noite de hoje em Varsóvia.

O maior objetivo da conferência é delinear um esboço para um acordo sobre redução de emissões de gases-estufa a ser fechado em 2015.

As ONGs, como Greenpeace, Oxfam e WWF, se dizem insatisfeitas com o ritmo das negociações e com países que voltaram atrás em compromissos ambientais.

Os articuladores estimam que 800 pessoas tenham abandonado a cúpula.

A ausência dos ambientalistas foi rapidamente percebida no Estádio Nacional de Varsóvia, onde acontecem as negociações. Além dos stands vazios, os corredores estavam em silêncio.

“Os governos deram um tapa na cara dos que sofrem com os perigosos impactos das mudanças climáticas”, disse KumiNaidoo, diretor-executivo do Greenpeace.

“Chegamos a um ponto tão difícil, com as coisas tão empacadas, que não havia outra solução. Não estamos abandonando o movimento, apenas essa conferência, que chegou a uma situação insustentável”, disse André Nahur, da WWF-Brasil.

A saída acontece após uma semana considerada de reveses pelos ambientalistas. O Japão anunciou que não vai cumprir suas metas de redução de emissões de gases-estufa e outros países ricos estão relutantes em destinar mais dinheiro à redução dos danos causados pela mudança climática. Na quarta-feira, o presidente da COP-19, MarcinKorolec, perdeu seu emprego como ministro do Meio Ambiente da Polônia.

Ele divulgou uma nota na qual lamenta a saída das ONGs. “Observadores não governamentais sempre mobilizaram os negociadores para maiores ambições.”

A decisão de abandonar as negociações não foi unanimidade. Após a saída do estádio, alguns manifestantes discretamente evitaram entregar seus crachás. “Quero voltar, o ato foi mais uma coisa simbólica”, disse uma ambientalista brasileira.

Enquanto ONGs e diplomatas mantiveram o tom pessimista ontem, o presidente da COP-19 enviou uma declaração à imprensa dizendo que as negociações avançaram.

“Após negociações que duraram a noite toda, atingimos um progresso considerável em financiamento climático. As conversas sobre a forma de um novo acordo global também entraram noite adentro. Estamos chegando perto do sucesso final.”

(Giuliana Miranda/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/140054-ongs-abandonam-conferencia-do-clima.shtml

SBPC quer aval da Câmara para teste com bicho (Estado de S.Paulo)

JC e-mail 4860, de 22 de novembro de 2013

Presidente do órgão diz que cientistas foram ameaçados por ativistas dos direitos dos animais

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, pretende apelar ao Congresso para garantir os testes em animais no País. Depois das duas invasões ao Instituto Royal, em São Roque, no mês passado, para a libertação de cães e roedores usados em pesquisas, cientistas foram ameaçados por ativistas dos direitos dos animais, segundo Helena.

“Estou muito preocupada, pois o Congresso está colocando para votação em regime de urgência uma lei que vai contra todos os avanços que conseguimos. Uma lei que é modelo mundial está sendo rasgada. É um grave momento pelo qual a pesquisa brasileira na área de saúde e biologia está passando”, disse ontem, durante o Seminário Brasil Ciência, Desenvolvimento e Sustentabilidade.

A professora da Universidade Federal de São Paulo, que é biomédica, se referia à legislação pioneira que instituiu o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal e regulamentou o uso científico de animais no Brasil. No Congresso, tramita o Projeto de Lei 2833/11, que criminaliza condutas contra cães e gatos, prevendo penas de até 5 anos para quem matar esses animais.

Helena, que vai propor uma audiência pública no Congresso sobre o tema, lembrou que “nenhum país do mundo” proíbe a pesquisa com animais e diz que a produção de vacinas, que atende não só o País, mas também a África, ficaria prejudicada sem os testes. “Eu trabalho com pesquisa de drogas anticancerígenas e para o combate de trombose. Não tenho como experimentar em humanos. Como isso vai ser feito?”

O seminário antecede o Fórum Mundial de Ciência, mais importante reunião de cientistas do mundo, que será no Rio, na semana que vem. São esperados mais de 600 participantes de 120 países. O tema do encontro é “Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global”.

Ontem, o diretor da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, anunciou os termos da Declaração da América Latina e Caribe. Os cientistas ressaltam os progressos das últimas décadas, como a melhora econômica e a redução da pobreza, e apontam a necessidade de planejar estratégias para o desenvolvimento sustentável.

(Roberta Pennafort/Estado de S.Paulo)
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sbpc-quer-aval-da-camara-para-teste-com-bicho–,1099362,0.htm

A magia do crachá (Combate Racismo Ambiental)

25/11/2013 11:34

Sitio Pimental visto do km 52 da Rodovia Transamazônica. Os buracos gigantes nas rochas vão abrigar as turbinas da casa de força principal de Belo Monte. Foto: Leticia Leite (ISA)

Belo Monte. Foto: Leticia Leite (ISA)

Por Antônio Claret Fernandes, para Combate Racismo Ambiental

O Camponês se tornara operário da noite para o dia. Essa metamorfose aparentemente repentina se deu num processo mais longo, pela conjunção de dois elementos. O primeiro é o abandono histórico dos colonos na transamazônica e, o segundo, a propaganda das benesses nos canteiros de obra de Belo Monte.

O camponês, agora operário, trabalhara em toda a sua vida no cacau. Sua família viera do Paraná e se fixara na Transamazônica. Conquistara um lote de 100 hectares, o que daria para tocar a sua sobrevivência, mas fora pego de surpresa pela doença da mãe, e venderam a terra, o gadinho, tudo.

Nos tempos áureos do cacau, a meia foi um bom negócio. O colono tirava até 15 mil reais por ano. É claro que um proprietário de cacau, que tinha 400 mil pés e várias famílias de colonos, em situação quase análoga à escravidão, tirava muito mais.

O trabalho de meia tem um fator psicológico que interfere diretamente na produtividade. O meeiro se sente, via de regra, dono dos serviço; ele suga o próprio sangue, trabalha desde madrugada até a noite, envolvendo toda a família. A produtividade maior se dá à custa de uma jornada excessiva de trabalho, em condições precárias. A meia camufla a relação empregado/patrão.

O Cacau se espalhou em grande parte do Oeste do Pará, na transamazônica. Na região de Medicilândia, ele entrou como uma opção ao gado e ao canavial que crescia, a partir da falida usina de Pacal, graças à força da mobilização popular. Ele era uma opção de resistência ao agronegócio. Hoje, nem tanto! Além do próprio cacau estar na pauta do agronegócio, ele só se viabiliza com um alto grau de exploração da mão de obra. Isso explica a pendenga atual entre proprietário de cacau e Ministério do Trabalho, que veio impondo multas pesadas na região, exigindo carteira assinada, e levou a uma mobilização que parou a Transamazônica. Os proprietários, juntamente com alguns meeiros manipulados, preferem o contrato, que não assegura nenhum direito ao colono e o coloca 24 horas no cuidado da lavoura.

Esse é contexto histórico, de sofrimento e falta de perspectiva, que levou o camponês a tornar-se um operário em belo Monte. Ele entrou nessa onda, seguindo os passos de centenas senão milhares de outros, na sua maioria jovem, que migram do campo para a cidade à busca de dias melhore. O êxodo rural é intenso em toda a região da Transamazônica e do Xingu. Há lugares onde o campo se esvazia por completo, muitas comunidades já fecharam as portas, não há gente para tocar a já fragilizada agricultura familiar. Os jovens, com toda a sua energia para o trabalho e animação do ambiente, são empurrados para a cidade, restando, na roça, os velhinhos aposentados. Na primeira oportunidade, arranjam uma casinha na cidade e se mudam para lá, também, a busca de políticas públicas básicas, em especial atendimento à saúde, abrindo caminho para o fortalecimento do agronegócio.

Essa canga histórica sobre o pescoço do camponês, obrigando-o a passar quase uma vida inteira na meia de cacau, ou como diarista em terra alheia, hoje, no Xingu, badalam as propagandas das glórias de Belo Monte. Assemelha-se aos Lusíadas, de Camões, cantando as glórias de Portugal. Esse contraste entre falta de perspectiva no campo e portas que se abrem com o ‘caráter redentor’ de Belo Monte acaba atraindo muita gente. Lá no canteiro de obra, se diz, há gente como em formigueiro. O número chega hoje perto de 30 mil pessoas. Isso a princípio agrada a quem está cansado do isolamento lá no fundo do Travessão, até hoje sem estrada, sem escola, sem assistência à saúde, sem luz. Aquele lufa-lufa é tudo que o jovem quer experimentar, induzido pela curiosidade. Para ele, aquilo tudo, coisa tão nova na região, é um sonho, e soa mesmo como um progresso. De quebra, além da oportunidade de convivência com tantas pessoas de vários lugares, e de trabalhar numa das maiores obras do mundo, badalada em cada canto, ele terá a ocasião de divertir-se, na quadra de esportes, no bilhar e poderá, ainda, frequenta os bordéis, que são muitos aos redores dos canteiros.

O que mais contagia o camponês metamorfoseado em operário é o crachá. Já tinha visto nele algo de muito especial quando ficara no hospital do Câncer em Muriaé – MG, como acompanhante de sua irmã, acometida da doença. Com aquele papel plastificado, ele tinha acesso ao prédio, ao apartamento, ao refeitório. No ambiente de trabalho, porém, é a primeira vez que experimentava a magia do crachá. Muito cedo o percebeu, e passou a tratar o crachá como uma relíquia.

Antes, enquanto camponês, costumava persignar-se na hora de colocar a cabeça no travesseiro par dormir. Quando acordava, antes mesmo de descer os pés e firmá-los no chão, pensava no novo dia pela frente e, e, com o corpo ainda doído, respirava a esperança de um novo tempo, e orava. Agora, não! A primeira e a última coisa que tomava conta do seu pensamento, desde o levantar-se ao deitar-se, e nos momentos mais íntimos, era o crachá. Nalgumas vezes era pego batendo no peito, como a penitenciar-se, para certificar-se de que o crachá estava ali, dependurado ao pescoço. Para não esquecê-lo, por nada dessa vida, dormia com ele pregado ao uniforme cinza, com um broche resistente, comprado especialmente para esse fim.

O operário morava a 70 km de Pimental, um dos canteiros de Belo Monte. Por isso era obrigado a sair de casa às quatro horas da madrugada e retornava às 8 da noite. O cansaço era grande. Mas nem parava para pensar nisso. Estava, de fato, maravilhado. Mostrava o crachá, e o ônibus parava, abrindo-lhe a porta. Tinha ainda, por cima, as horas entinas, coisa que nunca tinha visto antes.

Em pouco tempo de operário, com a força do crachá, pode comprar uma moto nova, a prestação. Que bacana!, pensava. Na meia do cacau, qualquer coisa que quisesse comprar era com dinheiro vivo. Agora ele chegava a uma loja, com o uniforme cinzento escrito CCBM, e o crachá dependurado, e levava um par de coisas! Sentia-se uma pessoa integrada ao sistema, um consumidor.

O operário notava, por diversas vezes, que muitos de seus colegas, inebriados com a magia do crachá, se incorporavam um ar arrogante. Eram empregados, comumente peões de obra – pensava o operário -, mas tinham assimilado a arrogância dos capitalistas, e sua ideologia. Como a história do menino empobrecido que sentia uma imensa alegria por lavar o carro de seu primo enricado. Gastavam o dinheiro do Mês todo em uma festa apenas, ou nos bares e bordéis,aos finais de semana, meio abobados naquela ritmo novo de vida, e mangavam de seus antigos conhecidos, fora da obra. Por vezes passavam na rua, de crachá á vista, com o nariz empinado. Quando desciam do ônibus, com o uniforme marcado do sal, do suor de um dia árduo, esbarravam nos transeuntes, como se fossem eles, os operários, os donos das ruas de Altamira.

O operário, porém, não tinha esse comportamento. É verdade que andava, agora, de cabeça erguida, o seu semblante não revelava mais aquelas marcas sóbrias da humilhação, pois o camponês é um corpo estranho na cidade; sua cabeça erguida era de altivez, não de arrogância.

Em cinco meses de trabalho, a Norte Energia corta as horas entinas e obriga o confinamento dos trabalhadores. Os de Brasil Novo, mais distantes, foram os primeiros a perder esse direito. No início, o operário estranhou. Mas não tinha outra opção. Era voltar à meia de cacau, coisa para a qual já não tinha disposição, ou aceitar aquela nova condição. No caso dele, como era jovem e solteiro, não era um absurdo ficar confinado no canteiro, pensava.

Ninguém escaparia ao confinamento. Decisão da empresa é decisão, pois ela tem a força, ao menos por enquanto, para impor o que lhe interessa. Além do corte dos ônibus que buscavam trabalhadores em Brasil Novo e Vitória do Xingu, a empresa está promovendo a mudança de dez famílias por dia dos hotéis de Altamira para a chamada Vila dos Operários. E ela só admite um novo trabalhador com a condição de alojar-se no canteiro de obra. Até o final de dezembro de 2013, estarão todos confinados, ou na vila dos operários ou nos alojamentos.

O sentimento inicial de insegurança por morar num canteiro de obra e a saudade da família caíram por terra em pouco tempo. O ritmo louco de vida ali quebra tudo: os princípios, os costumes. O camponês metamorfoseado em operário chegou mesmo a pensar que as benesses prometidas por Belo Monte, e intensamente alardeadas, fossem mesmo tudo verdade. Lá, no canteiro, era como uma cidade: alojamento com ar condicionado, quatro operários em cada quarto, quadra de esportes, academia, uma pequena biblioteca – esta montada com doações dos próprios trabalhadores, o que achou um pouco estranho -, um salão ecumênico, bordéis à vontade e para todos os gostos.

O operário, mais que antes, sentia a magia do crachá. A uma simples apresentação, em qualquer repartição, a porta se abre, com exceção de espaços terceirizados, como a academia e os bordéis. Aí é só dinheiro vivo! Na hora marcada, e no refeitório indicado, os operários chegam correndo quanto suportam por causa do cansaço, tiram o crachá do pescoço, passam o código de barra numa máquina, e podem almoçar à vontade, como uma ração balanceada que lhe restaura a força física para mai s meio período de trabalho intenso, quase forçado.

Aquele entusiasmo inicial, porém, veio tão rápido como tão rapidamente foi cedendo lugar a um sentimento de monotonia e desumanização. Mais do que cansaço, pois isso ele sentia na meia de cacau e quando ia todos os dias á casa, chegando às 8 da noite e saindo às quatro da madrugada. Era algo diferente. Era uma desumanização, um embrutecer-se, um sentir-se peça de uma imensa engrenagem, doida e maluca, que gira dia e noite engolindo tudo que encontre pela frente. Uma coisa totalmente sem sentido. Na hora que ia para o alojamento, apesar do corpo moído e tonto de tanto trabalho, o sono já não vinha tão rápido. Nos primeiros dias ele caía na cama como um morto. Passava um tempo, dez minutos que fossem, pensando. Como é bom pensar! Mais do que nunca, tão sem tempo andava, sentia o gosto de ser gente, refletindo. Imaginava aquelas máquinas imensas, centenas, milhares, roncando dia e noite canteiro de obras afora. A pá-carregadeira, trator de esteira, aqueles caminhões cujos pneus são agigantados, os guindastes lá nas alturas, toda aquela força bruta tinha o dedo, o suor, o sangue dos operários. A desolação, a raiva, e muita indignação iam tomando conta de sua consciência. Dentro de si, notava que o operário crescia e o camponês ia diminuindo, até, provavelmente, desaparecer por completo.

Na meia de cacau, ainda se lembrava, ele persignara-se tantas vezes pedindo a Deus que o livrasse dos bichos maus peçonhentos, e o abençoasse buscando forças, sei lá onde, para que ele mesmo sugasse a sua última gota de sangue, até esgotar-se. Depois descobrira a magia do crachá, que ocupara o lugar da reza, e lhe garantia, por milagre, o transporte, a comida, o crédito. Com o crachá começara a sentir-se gente. Agora era invadido por uma contradição terrível. Buscara a liberdade, experimentara-a, inicialmente, mas agora via sua vida, e de tantos, afundar-se numa escravidão terrível, mais sofisticada que na meia de casal, e, por isso, mais cruel. E nem tinha ânimo nem coragem de rezar a Deus e de livrá-lo da realidade terrível do ‘risco quatro’ que assinara no seu processo de admissão ao trabalho em Belo Monte. Risco quatro significa risco de morte! O grande deus era o império econômico bem à sua frente, ditando as regras do mundo.

Para além da magia do crachá, esse novo sentimento o ocupava por inteiro.  Na imaginação, no momento de insônia, ele olhava a máquina, lhe apertava o botão, movia-a, na leveza da tecnologia, da fina flor do capitalismo, empurrando de uma só vez dezenas de toneladas de pedra como se tivessem o peso de uma folha de papel, e sentia sua força agigantar-se no poder da máquina criada pela inteligência da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, sentia-se uma peça provisória, descartável, daquela máquina poderosa. A peça mais importante e, ao mesmo tempo, a mais depreciada, desgastada, lançada fora, com tanta oferta no mercado de Altamira, vinda maltrapilha de todas as regiões do Brasil.

O crachá continuava extremamente importante, pois lhe garantia o acesso ao ambiente de trabalho, ao alojamento, ao refeitório. Num acordo com a gerência, dentro de um Plus conquistado a partir das hidrelétricas do Madeira, o pagamento no bordel podia ser mensal, e sem crachá, para se evitarem problemas.

No dia 7 de setembro, quando soube que um colega seu ia celebrar no espaço ecumênico do Pimental, ascendeu-se uma luzinha no fundo de sua contradição. Conhecia-a o bem e não era possível que ele fosse ali para abençoar aquela máquina de moer gente. Que decepção! Quanta descoberta! Uma segurança, de uniforme azul e tarja amarela, rodou o tempo todo, com arma na cintura, em torno do espaço da celebração. Às vezes olhava da janela aberta. No bando da frente, num canto, um funcionário da Norte Energia ficou um tempo todo com um aparelho de comunicação á mão. Às vezes o levava ao ouvido e conversava com alguém. Um outro, com uma filmadora, não perdia nenhum detalhe. Quando o padre pediu aos participantes que orassem pelos mortos e acidentados no canteiro de obra, ninguém, absolutamente ninguém abriu o bico. Ao final, na ação de graças, equipe de Pastoral Operária recém-iniciada proclamou os Direitos Universais dos Atingidos por Barragens, um texto do militante Leandro escrito no Encontro Nacional do MAB, nos dias 5 a 7 de setembro, em São Paulo. Isso foi a gota de água! Cândido, funcionário da Norte Energia que contratara a missa, foi para o olho na rua. E o camponês, agora totalmente metamorfoseado em operário, passa a frequentar as reuniões do grupo que liderava as greves na luta pelos direitos.

Descobrira, entre outras coisas, que a magia do crachá estava diretamente associada à força do operário explorado, a serviço do capital. O que parecia uma benesse era como a senha da exploração. As portas se lhe abriam porque ele, o operário, era a peça mais importante e, ao mesmo tempo, a mais perigosa. Inicialmente teve raiva do crachá. Depois percebera que a questão ia para muito além de um pedaço de papel dependurado ao pescoço.

Seus conceitos iam mudando de forma galopante, quase no ritmo acelerado da construção de Belo Monte. Aprendera desde criança que o trabalho dignifica o homem. Agora, em Belo Monte, descobre que cruzar os braços dignifica mais do que o trabalho. Cruzar os braços pode libertar uma classe e um povo inteiro. Então, com a mesma disposição empenhada na meia de cacau, sugando o próprio sangue, garantindo seu ganha-pão e um grande lucro ao patrão, agora, como operário, divide seu tempo em jornada dupla: no movimento da máquina e nos bastidores da greve.

Belo Monte teria parado pelo poder da Justiça no dia tal. Montaram-se artimanhas par driblar a Justiça, esconderam o diretor da Norte Energia, que não foi encontrado para assinar a notificação, até que  a Liminar foi derrubada pela AGU – Advocacia Geral da União.  O operário sentia que o poder organizado da classe operária é mais forte que a Justiça e que o império econômico. Os operários, justamente os operários, intensamente explorados, são, ao mesmo tempo, um dos principais sujeitos da mudança. Ele sentiu isso na pele quando os trabalhadores, pela primeira vez com a sua participação, pararam o sítio do Pimental, entre os dias 9 a 14 de novembro.

O operário aprendeu outras coisas além da força da classe trabalhadora organizada. Ele sentiu, e se enraivou, com o papel do Sintrapav, o sindicato que representa a categoria. Há muito já desconfiava disso. Olhava aqueles sindicalistas, bem vestidos, de camisa de manga complica, de malas pretas na mão, e via neles muita semelhança com os chefes da empresa. A única diferença, pensava, é que o poder dos donos da barragem é maior que o deles. Mas a cabeça, a lógica capitalista, é a mesma: ambos vivem como sanguessuga, da exploração do trabalho do trabalhador.

Pois é! A Justiça quis para Belo Monte, e não conseguiu. A força da Justiça se torne e vira cinza frente ao império econômico. Pois os operários organizados podem parar e mudar os rumos de Belo Monte. O antigo camponês, agora operário, via isso e sentia orgulho da sua classe.

Num dia de manhã, na saída do refeitório, após o café, o Encarregado de Turma pedira o Crachá ao operário para fazer sei lá o quê. Como era seu dia de folga, o operário lhe entregou o crachá, e seguiu para uma reunião dos companheiros de luta. No almoço, não conseguiu entrar no refeitório, pois estava sem o crachá. À tarde procurou pelo encarregado por todos os cantos, mas não o encontrou. À noite, com a barriga roncando de fome, quis sair para comprar qualquer coisa numa vendinha no antigo povoado do Pimental – totalmente destruído por Belo Monte -, mas foi barrado pela Guarda Patrimonial, na guarita. ‘Se você sair sem o crachá, não pode voltar’, disse-lhe. Não havia nenhum autoritarismo em sua fala, apenas cumpria normas. E o orientou a pedir a um colega que lhe trouxesse um marmitex. Assim fez. E passou a noite, mas já meio desconfiado com tudo aquilo.

No outro dia, bem de madrugada, levantou-se, cuidou rapidamente os papéis da organização dos operários, guardados a sete chaves, e se dirigiu ao refeitório para o café da manhã. Foi novamente barrado. Um colega seu do lado de dentro, vendo-o naquela situação – com fome e sem poder entrar -, tentou trazer-lhe uma fruta no bolso, mas na saída a máquina apitou e o segurança veio logo. Mesmo sem nada no estômago, ele tentou tomar o ônibus para dirigir-se ao local do trabalho, a uma distância de três quilômetros. Foi para o ponto. O motorista, porém, não permitiu seu embarque por fala do crachá. ‘estou perdido e não encontro, por nada, o encarregado’, pensou.

Voltou então ao Alojamento, e lá dentro a fofoca já andava solta: vinte companheiros contaram que trabalharam o dia todo e tiveram que voltar a pé do trabalho ao alojamento por falta dos crachás, que foram recolhidos pelo encarregado. Não tinham mais dúvida! Tinha caído na armadilha do crachá.

Articularam-se, com toda discrição, em conversa miúda. A essas alturas os telefones, todos de uma única operadora permitida no canteiro, já poderiam estar grampeados. Dito e feito: pelos menos uma centena dos operários estava sem o crachá. Isso significa sem trabalho, sem comida, sem condições de permanecer ali dentro. Demitidos sem ao menos ser mandados embora.

Num último esforço, ainda tentaram procurar os superiores: os capacetes verdes, os camisas azuis, os sem identificação – chefes supremos, mas ninguém, absolutamente ninguém fora encontrado. A armadilha fora friamente montada.

No terceiro dia, próximo de 150 pessoas saíam a pé, com suas bolsas, e desciam o canteiro, passando pela guarita, até chegar à Transamazônica. Iam tentar a vida em outro lugar. A consciência lhes custara a cabeça.

Nessas bandas do Brasil e da Amazônia, onde cangaceiros e capatazes se juntam à fina flor do capitalismo, os mecanismos de desova de ‘persona non grata’, de pessoa perigosa ao sistema de exploração, não tem limite. Pode ser numa eliminação por encomenda, num sumiço no canteiro de obra, enterrado no concreto e sepultado como indigente. Pode ser colocado no carro da polícia à força e solta em Rurópolis, a 300 km de distância, com a recomendação de não voltar. Podem vários ônibus ser lotados de grevistas e soltos em Marabá, a 500 km de distância, longe de suas terras, e lá ficam rodados. Ou pode ser, simplesmente, tomar-lhe o crachá.

Assim se foram: sem crachá, sem emprego, mas com a semente da liberdade plantada no canteiro de obra. Novas greves, mais organizadas, mais fortes, virão a qualquer momento.