A challenge to the genetic interpretation of biology (University of Eastern Finland)

19-Feb-2014

Keith Baverstock

A proposal for reformulating the foundations of biology, based on the 2nd law of thermodynamics and which is in sharp contrast to the prevailing genetic view, is published today in the Journal of the Royal Society Interface under the title “Genes without prominence: a reappraisal of the foundations of biology”. The authors, Arto Annila, Professor of physics at Helsinki University and Keith Baverstock, Docent and former professor at the University of Eastern Finland, assert that the prominent emphasis currently given to the gene in biology is based on a flawed interpretation of experimental genetics and should be replaced by more fundamental considerations of how the cell utilises energy. There are far-reaching implications, both in research and for the current strategy in many countries to develop personalised medicine based on genome-wide sequencing.

This shows the inactive linear peptide molecule with a sequence of amino acids derived from the gene coding sequence folds to a protein.

Is it in your genes?

By “it” we mean intelligence, sexual orientation, increased risk of cancer, stroke or heart attack, criminal behaviour, political preference and religious beliefs, etcetera. Genes have been implicated in influencing, wholly or partly, all these aspects of our lives by researchers. Genes cannot cause any of these features, although geneticists have found associations between specific genes and all of these features, many of which are entirely spurious and a few are fortuitous.

How can we be so sure?

When a gene, a string of bases on the DNA molecule, is deployed, it is first transcribed and then translated into a peptide – a string of amino acids. To give rise to biological properties it needs to “fold” into a protein.

This process consumes energy and is therefore governed by the 2nd law, but also by the environment in which the folding takes place. These two factors mean that there is no causal relationship between the original gene coding sequence and the biological activity of the protein.

Is there any empirical evidence to support this?

Yes, a Nordic study of twins conducted in 2000 showed there was no evidence that cancer was a “genetic” disease – that is – that genes play no role in the causation of cancer. A wider international study involving 50,000 identical twin pairs published in 2012, showed that this conclusion applied to other common disease as well. Since the sequencing of the human genome was completed in 2001 it has not proved possible to relate abnormal gene sequences to common diseases giving rise to the problem of the “missing heritability”.

What is the essence of the reformulation?

At the most fundamental level organisms are energy-consuming systems and the appropriate foundation in physics is that of complex dissipative systems. As energy flows in and out and within, the complex molecular system called the cell, fundamental physical considerations, dictated by the 2nd law of thermodynamics, demand that these flows, called actions, are maximally efficient (follow the path of least resistance) in space and time. Energy exchanges can give rise to new emergent properties that modify the actions and give rise to more new emergent properties and so on. The result is evolution from simpler to more complex and diverse organisms in both form and function, without the need to invoke genes. This model is supported by earlier computer simulations to create a virtual ecosystem by Mauno Rönkkö of the University of Eastern Finland.

What implications does this have in practice?

There are many, but two are urgent.

1) to assume that genes are unavoidable influences on our health and behaviour will distract attention from the real causes of disease, many of which arise from our environment;

2) the current strategy towards basing healthcare on genome-wide sequencing, so called “personalised healthcare”, will prove costly and ineffective.

What is personalised health care?

This is the idea that it will be possible to predict at birth, by determining the total DNA sequence (genome-wide sequence), health outcomes in the future and take preventive measures. Most European countries have research programmes in this and in the UK a pilot study with 100,000 participants is underway.

Quem grita “Não vai ter copa”? (Agência Pública)

19/2/2014 – 12h07

por Ciro Barros, da Agência Pública

midia ninja Quem grita “Não vai ter copa”?

“Nossa luta é por direitos básicos, que estão na Constituição e não acontecem. Não tem vinculação a partidos, a ideologias”, explica um dos ativistas que integram o movimento. Foto: Mídia Ninja

A reportagem da Pública procurou os ativistas que articularam a primeira manifestação do ano contra a Copa; encontrou um grupo heterogêneo e determinado a deter o Mundial à base de protestos – sem “atos violentos”

O cenário é um centro acadêmico de uma universidade na zona oeste de São Paulo, num início de noite de um final de janeiro surpreendentemente seco. Sentadas em roda estão cerca de 20 pessoas. Enquanto a reunião não começa, as pessoas conversam em voz baixa, fazendo críticas à polícia, à Copa, ao governo federal, ao governo do Estado de São Paulo. O grupo é heterogêneo: homens mais velhos, adolescentes de ambos os sexos, mulheres, trabalhadores, estudantes. Em comum, eles têm o fato de pertencer a movimentos sociais – dos mais tradicionais, experientes em protestos de rua, aos mais recentes, que ganharam notoriedade a partir da onda de manifestações de junho do ano passado.

Eles estão ali para organizar o segundo ato do ano sob um lema polêmico: “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”. O primeiro ocorreu no dia 25 de janeiro.

Nas redes sociais, as quatro últimas palavras do lema do grupo causaram furor nesse início de ano, embora o “Não Vai Ter Copa” tenha surgido nas ruas, em junho, durante algumas manifestações. Também foi agora que o PT e o governo federal reagiram nas redes sociais, preocupados com a possibilidade de que as manifestações empanem o brilho da Copa no Brasil em ano de eleições – e tenham o mesmo efeito devastador de popularidade que a presidenta Dilma (como todos os governantes) enfrentou em junho do ano passado.

No domingo, dia 12 de janeiro, a 13 dias da primeira manifestação chamada pelo coletivo, a reação do PT veio em um post na página oficial do partido no Facebook: “Tá combinado. Uma boa semana para todos que torcem pelo Brasil”. Acompanhada da frase, havia uma foto com a hashtag #VaiterCopa. Na página oficial da presidenta Dilma, o mesmo tom: “LÍQUIDO E CERTO. Uma boa semana para todos que torcem pelo Brasil” e mais uma vez uma foto com a mesma hashtag. Hoje, a hashtag usada pelo governo e o PT é #CopadasCopas, o mote oficial.

Nos blogs e redes sociais, houve quem tratasse o movimento como “terrorista” e “caso de polícia”. Críticos mais moderadas afirmam que os protestos da Copa, se tivessem o mesmo efeito devastador na popularidade da presidenta Dilma, estariam abrindo caminho para os partidos de direita.

Mas afinal, o que é esse novo movimento? O que pretende? Como eles responderiam às críticas das quais têm sido alvo? Foram essas perguntas que me levaram àquela reunião.

Manifesto e o crescimento da articulação

No dia 10 de dezembro do ano passado, Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi lançado um manifesto do movimento com o título “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”. “(…) Junho de 2013 foi só o começo! As pessoas, os movimentos e os coletivos indignados que querem transformar a realidade afirmam através das diversas lutas que sem a consolidação dos direitos sociais (saúde, educação, moradia, transporte e tantos outros) não há possibilidade do povo brasileiro admitir megaeventos como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. Isso significa que as palavras de ordem no combate a esses governos que só servem às empresas e ao lucro devem ser: ‘Se não tiver direitos, não vai ter Copa!’”, dizia um trecho do manifesto. E seguia adiante: “Nossa proposta é barrar a Copa! Mostrar nacionalmente e internacionalmente que o poder popular não quer a Copa!”. Depois, o manifesto se referia às manifestações contra o aumento da tarifa de transportes que detonaram a onda de protestos em junho: “Os dirigentes políticos disseram que era impossível atender a pauta das manifestações pela revogação do aumento, entretanto o poder popular nas ruas nos mostrou que realidades impossíveis podem ser transformadas, reivindicadas e conquistadas pelo povo. E mesmo assim dirão: ‘mas isso é impossível!’ Então nós diremos: ‘o impossível acontece!’”.

Cinco movimentos assinam o manifesto. O mais conhecido deles talvez seja o Movimento Passe Livre (MPL), um dos principais catalisadores dos protestos políticos em junho com a pauta do modelo de transporte público. Os outros são o Fórum Popular de Saúde do Estado de São Paulo, articulação que reúne diversos coletivos em defesa das melhorias na saúde pública; o Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais, que reúne, principalmente, assistentes sociais que atuam em São Paulo; o Periferia Ativa, fundado por comunidades da zona sul e da região metropolitana da capital paulista; e o Comitê Contra o Genocídio da População Preta, Pobre e Periférica, que combate a violência da polícia e dos grupos de extermínio ligados a ela que atuam nas periferias.

“Não sou filiado a nada”

Os focos das organizações, como se vê, são diferentes, mas o que as une é a luta pelos direitos humanos da população excluída, que consideram ainda mais ameaçados pela realização da Copa. Sérgio Lima, do Fórum Popular de Saúde, descreve assim os integrantes do movimento: “É um pessoal que já participou de muita luta, pessoal de movimento social mesmo, que tá cansado de gabinete e tudo mais. Eu sou um caso que postulei muito tempo luta de gabinete. Mas hoje não sou filiado a nada”, afirma. E explica os objetivos do grupo: “Ao meu ver, é dizer que a gente não precisava da Copa nesse momento, diante de tantas mazelas em transporte, educação, saúde. Acredito que é nesse sentido”.

Quando lembro as críticas, expressas principalmente nas redes sociais, de que o “Não vai ter Copa” serve aos partidos de direita, ele dá risada. Conta que, inclusive, já foi filiado ao PT. “Eles sempre dizem isso”, desdenha.

Pergunto então se eles realmente pretendem barrar a Copa, e de que maneira. “É um objetivo sim. De enfrentamento mesmo, a gente sabe que é uma luta desleal e cruel, mas a gente tem isso como pauta, sim. Queremos ganhar a massa, ganhar corpo e fazer o enfrentamento com os protestos nas ruas. Não queremos nenhum ato violento, nem se cogita isso. Queremos barrar com os protestos mesmo”, afirma.

Anticapitalistas

Além das organizações citadas, o movimento também atraiu ativistas que militavam em partidos políticos à esquerda do PT, como o PSTU e o PSOL. O movimento Juntos!, por exemplo, que surgiu no início de 2011 a partir da juventude do PSOL, também forma a base de apoio.

“A gente entende a Copa do Mundo como parte de um aspecto crítico do crescimento capitalista. Com o crescimento, ao invés de termos investimentos nos setores públicos, em saúde, educação, transporte, moradia, o que temos é um processo de subserviência ao projeto tradicional de acumulação, que é esse megaevento comandado por uma entidade absolutamente corrupta como a Fifa. O único objetivo da Copa é enriquecer os parceiros comerciais da Fifa e as grandes empresas no Brasil. E isso tem sido feito com a produção de cidades de exceção”, afirma Maurício Costa Carvalho, do Juntos!.

Para Maurício, os protestos de agora fazem parte de uma sequência de manifestações que vem ocorrendo nos últimos anos no mundo todo – dos indignados na Espanha ao Occupy Wall Street nos Estados Unidos. Foram esses protestos, ele diz, que motivaram a criação do Juntos!: “Todos os governantes tiveram a sua popularidade bastante desgastada depois das jornadas de junho. Isso mostra que não é um problema de um partido ou de outro, só. É um problema da estrutura da velha política partidária no país. As manifestações mostraram que é necessário ter mudanças estruturais. E essas mudanças passam por ter uma política que é completamente distinta dessa política que vem sendo feita. É necessário que se ouça a voz das ruas e que a política não se resuma a passar um cheque em branco a um candidato a cada dois anos”.

Pergunto se a ligação do Juntos! com o PSOL, que vai lançar o senador amapaense Randolfe Rodrigues como candidato à presidência neste ano, compromete a independência partidária do grupo. “O Juntos! é um grupo que têm militantes do PSOL, mas que tem muitos militantes que não são do PSOL, tem seus fóruns próprios, seus próprios grupos de discussão. Existem militantes do PSOL que participam de vários grupos diferentes. Então não tem nada ligado à estrutura do PSOL”, diz.

Ciberativismo

Desde a redação do manifesto, a articulação se define como horizontal, sem que ninguém chame para si o papel de líder ou organizador do movimento. Todos participam da discussão das pautas e estratégias dos atos. E o coletivo continua a atrair novos atores, como integrantes do Sindicato de Metroviários de São Paulo, membros de movimentos de moradia como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), representantes do movimento estudantil, do GAPP (Grupo de Apoio ao Protesto Popular), um coletivo que presta primeiros socorros aos manifestantes atingidos, entre outros. Um caldo bem heterogêneo, basicamente formado por movimentos urbanos de esquerda com pautas clássicas (moradia, saúde, educação, transporte…) e outros de ciberativismo, como demonstram as páginas do Facebook “Contra a Copa 2014” e “Operation World Cup”, do grupo Anonymous.

“Houve uma junção [com os grupos de ciberativismo]. Tinha uma rapaziada que já tinha criado um evento no Facebook chamando protestos contra a Copa e a gente se articulou com eles e chegamos com uma pauta mais concreta”, conta Sérgio Lima do Fórum Popular.

Segundo os ativistas ouvidos pela reportagem, os grupos que atuam online têm duas funções básicas: ajudar a divulgar os protestos e veicular a versão dos manifestantes para episódios controversos. O ato do dia 25 de janeiro, por exemplo, era focado em São Paulo, já que tinha como gancho o aniversário da capital paulista. Mas a divulgação e articulação nas redes acabou multiplicando os protestos em outras cidades do país.

O grupo online também se articulou para rebater as informações de que adeptos do Black Bloc teriam incendiado o Fusca do serralheiro Itamar Santos, de 55 anos. As primeiras informações da imprensa davam conta de que o carro tinha sido incendiado pelos adeptos da tática, mas a página “Contra a Copa 2014” divulgou um vídeo, três dias depois, mostrando imagens de Itamar tentando passar com o Fusca por cima de um colchão em chamas, que ficou preso no carro e o incendiou.

Há muitos membros de movimentos sociais, porém, que associam o Anonymous e outros grupos ciberativistas a setores conservadores, até mesmo à própria polícia. Eles se declaram apartidários.

Bandeiras clássicas

“Se tem alguém de direita ali, está muito bem escondido”, afirma categoricamente Sérgio Lima. Maurício Carvalho, do Juntos!, concorda: “Nós estamos elaborando uma lista de reivindicações de direitos básicos de algumas bandeiras que estão envolvidas em seis eixos: saúde, educação, transporte, moradia, contra a ingerência da Fifa e contra a repressão. E todas essas bandeiras são históricas que a esquerda e os movimentos sociais construíram”.

Outro membro da articulação é o ativista Vitor Araújo, o “Vitinho”, que perdeu um olho em uma manifestação do último dia 7 de setembro, em São Paulo, enquanto cobria a manifestação pelo Basta TV, um canal independente. Vitor afirma que perdeu o olho depois de uma bomba da Polícia Militar estourar perto do seu rosto – episódio que o motivou a seguir nas ruas. “Nosso movimento é horizontal e não partidário, nem ideológico. Existe muita discussão, muita gente com ideologia diferente, mas temos um único cunho que é ‘Se não tiver direitos, não vai ter Copa’: direito à saúde, à educação, à moradia, à segurança pública. São por esses méritos que cada uma das pessoas luta por um objetivo final”, afirma.

A fala de Vitor parece ilustrar a crise de representação política tão citada pelos sociólogos no momento em que vivemos. Ele diz não acreditar nos métodos da política clássica, apesar de não se opor à participação de ativistas que militam nos partidos. “Nossa luta é por direitos básicos, que estão na Constituição e não acontecem. Não tem vinculação a partidos, a ideologias”, realça, acrescentando que também já fez manifestações contra o chamado “Propinoduto Tucano” (denúncia de corrupção nos contratos do metrô e trens de São Paulo) e que não há motivos partidários nas manifestações contra a Copa.

“É simples: havia um acordo, que era o do governo montar toda uma estrutura em volta da Copa, dos estádios. Isso não aconteceu e é por isso que a gente luta. São sete anos e eles não cumpriram esse acordo”, explica.

Vitor também nega a presença tanto de “pessoas assumidamente de direita” como de adeptos da tática Black Bloc na concepção e organização dos movimentos contra a Copa. “Os protestos são convocados na internet, nas redes sociais, são abertos. Eles veem e se organizam para ir lá”, diz. Também diz entender a atitude Black Bloc como uma reação à violência policial. “Posso te dizer, já fui em muita manifestação aqui em São Paulo e quem começa a reprimir é sempre a PM”, afirma.

Vários protestos sob o lema “Se não tiver direitos, não vai ter Copa” estão previstos para acontecer nesse semestre. Cada protesto levantará a bandeira de um direito que, na visão dos ativistas, é negado à população, ou então problemas concretos acarretados pela Copa. No dia 22 de fevereiro está marcado um ato na Praça da República, centro de São Paulo. O mote do protesto é a educação.

Com cautela

A ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa) apoia os atos realizados pelos coletivos, mas não participa de sua articulação. Cada Comitê Popular em cada cidade-sede tem independência para aderir ou não aos atos. “O lema ‘Não vai ter Copa’ veio das ruas, das manifestações, não foi imposto por nenhum grupo político. A gente claro que aceita. Não temos a pretensão de ser vanguarda ou monopolizar a resistência à Copa. Mas no entendimento que a gente tem discutido bastante, o ‘Não Vai Ter Copa’ é muito mais uma palavra de ordem do que um objetivo concreto. Dentre os nossos objetivos não está não acontecer a Copa. Temos objetivos concretos, como reparações às vítimas da Copa”, diz Marina Mattar, do Comitê Popular de São Paulo.

“Dá para perceber que são movimentos bem heterogêneos, tem de tudo nessa proposta. Ela vem com pouco debate político e alguns comitês não conseguem contato com quem tá propondo, organizando. Aqui em Porto Alegre a gente não conhece as pessoas que estão propondo isso”, diz Claudia Favaro, do Comitê Popular de Porto Alegre. “Quando chamaram o ato do dia 25, não foi conversado com o Bloco de Lutas pelo Transporte Público e nem com o Comitê, que são os espaços onde os coletivos estão organizados. Aqui a gente não tem essa posição de que mobilização só se chama pela internet. E existe uma preocupação por parte da esquerda em geral da apropriação da pauta por setores mais conservadores. A gente se soma ao grito de ‘Não vai ter Copa’ entendendo que é uma amarra na garganta de um povo que já está oprimido há um tempo, mas ainda vemos com cautela”, diz ela.

“Em todos os debates que a gente teve a gente acha até ruim que o debate fique polarizado entre ‘Vai ter Copa’ e ‘Não Vai Ter Copa’. Fica então uma discussão superficial, a gente não discute as violações. E o que a gente quer discutir são as violações”, opina Renato Cosentino, do Comitê Popular do Rio de Janeiro. “Tanto as violações diretas em decorrência da Copa como as de modelo de cidade que a Copa do Mundo faz parte. É isso que a gente vem tentando dar destaque. Mas é claro que a gente apoia o lema e as mobilizações contra a Copa”, completa.

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

Física dos Sistemas Complexos pode prever impactos das mudanças ambientais (Fapesp)

Avaliação é de Jan-Michael Rost, pesquisador do Instituto Max Planck (foto: Nina Wagner/DWIH-SP)

19/02/2014

Elton Alisson

Agência FAPESP – Além da aplicação em áreas como a Engenharia e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a Física dos Sistemas Complexos – nos quais cada elemento contribui individualmente para o surgimento de propriedades somente observadas em conjunto – pode ser útil para avaliar os impactos de mudanças ambientais no planeta, como o desmatamento.

A avaliação foi feita por Jan-Michael Rost, pesquisador do Instituto Max-Planck para Física dos Sistemas Complexos, durante uma mesa-redonda sobre sistemas complexos e sustentabilidade, realizada no dia 14 de fevereiro no Hotel Pergamon, em São Paulo.

O encontro foi organizado pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH-SP) e pela Sociedade Max Planck, em parceria com a FAPESP e o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), e fez parte de uma programação complementar de atividades da exposição científica Túnel da Ciência Max Planck.

“Os sistemas complexos, como a vida na Terra, estão no limiar entre a ordem e a desordem e levam um determinado tempo para se adaptar a mudanças”, disse Rost.

“Se houver grandes alterações nesses sistemas, como o desmatamento desenfreado de florestas, em um período curto de tempo, e for atravessado o limiar entre a ordem e a desordem, essas mudanças podem ser irreversíveis e colocar em risco a preservação da complexidade e a possibilidade de evolução das espécies”, afirmou o pesquisador.

De acordo com Rost, os sistemas complexos começaram a chamar a atenção dos cientistas nos anos 1950. A fim de estudá-los, porém, não era possível utilizar as duas grandes teorias que revolucionaram a Física no século 20: a da Relatividade, estabelecida por Albert Einstein (1879-1955), e da mecânica quântica, desenvolvida pelo físico alemão Werner Heisenberg (1901-1976) e outros cientistas.

Isso porque essas teorias podem ser aplicadas apenas a sistemas fechados, como os motores, que não sofrem interferência do meio externo e nos quais as reações de equilíbrio, ocorridas em seu interior, são reversíveis, afirmou Rost.

Por essa razão, segundo ele, essas teorias não são suficientes para estudar sistemas abertos, como máquinas dotadas de inteligência artificial e as espécies de vida na Terra, que interagem com o meio ambiente, são adaptativas e cujas reações podem ser irreversíveis. Por isso, elas deram lugar a teorias relacionadas à Física dos sistemas complexos, como a do caos e a da dinâmica não linear, mais apropriadas para essa finalidade.

“Essas últimas teorias tiveram um desenvolvimento espetacular nas últimas décadas, paralelamente às da mecânica clássica”, afirmou Rost.

“Hoje já se reconhece que os sistemas não são fechados, mas se relacionam com o exterior e podem apresentar reações desproporcionais à ação que sofreram. É nisso que a Engenharia se baseia atualmente para desenvolver produtos e equipamentos”, afirmou.

Categorias de sistemas complexos

De acordo com Rost, os sistemas complexos podem ser divididos em quatro categorias que se diferenciam pelo tempo de reação a uma determinada ação sofrida. A primeira delas é a dos sistemas complexos estáticos, que reagem instantaneamente a uma ação.

A segunda é a de sistemas adaptativos, como a capacidade de farejamento dos cães. Ao ser colocado na direção de uma trilha de rastros deixados por uma pessoa perdida em uma mata, por exemplo, os cães farejadores fazem movimentos de ziguezague.

Isso porque, segundo Rost, esses animais possuem um sistema de farejamento adaptativo. Isto é, ao sentir um determinado cheiro em um local, a sensibilidade olfativa do animal àquele odor diminui drasticamente e ele perde a capacidade de identificá-lo.

Ao sair do rastro em que estava, o animal recupera rapidamente a sensibilidade olfativa ao odor e é capaz de identificá-lo em uma próxima pegada. “O limiar da percepção olfativa desses animais é adaptado constantemente”, afirmou Rost.

A terceira categoria de sistemas complexos é a de sistemas autônomos, que utilizam a evolução como um sistema de adaptação e é impossível prever como será a reação a uma determinada mudança.

Já a última categoria é a de sistemas evolucionários ou transgeracionais, em que se inserem os seres humanos e outras espécies de vida na Terra, e na qual a reação a uma determinada alteração em seus sistemas de vida demora muito tempo para acontecer, afirmou Rost.

“Os sistemas transgeracionais recebem estímulos durante a vida toda e a reação de uma determinada geração não é comparável com a anterior”, disse o pesquisador.

“Tentar prever o tempo que um determinado sistema transgeracional, como a humanidade, leva para reagir a uma ação, como as mudanças ambientais, pode ser útil para assegurar a sustentabilidade do planeta”, avaliou Rost.

Theory on origin of animals challenged: Some animals need extremely little oxygen (Science Daily)

Date: February 17, 2014

Source: University of Southern Denmark

Summary: One of science’s strongest dogmas is that complex life on Earth could only evolve when oxygen levels in the atmosphere rose to close to modern levels. But now studies of a small sea sponge fished out of a Danish fjord shows that complex life does not need high levels of oxygen in order to live and grow.

Sea sponge Halichondria panicea was used in the experiment at the University of Southern Denmark. Credit: Daniel Mills/SDU

One of science’s strongest dogmas is that complex life on Earth could only evolve when oxygen levels in the atmosphere rose to close to modern levels. But now studies of a small sea sponge fished out of a Danish fjord shows that complex life does not need high levels of oxygen in order to live and grow.

The origin of complex life is one of science’s greatest mysteries. How could the first small primitive cells evolve into the diversity of advanced life forms that exists on Earth today? The explanation in all textbooks is: Oxygen. Complex life evolved because the atmospheric levels of oxygen began to rise app. 630 — 635 million years ago.

However new studies of a common sea sponge from Kerteminde Fjord in Denmark shows that this explanation needs to be reconsidered. The sponge studies show that animals can live and grow even with very limited oxygen supplies.

In fact animals can live and grow when the atmosphere contains only 0.5 per cent of the oxygen levels in today’s atmosphere.

“Our studies suggest that the origin of animals was not prevented by low oxygen levels,” says Daniel Mills, PhD at the Nordic Center for Earth Evolution at the University of Southern Denmark.

Together with Lewis M. Ward from the California Institute of Technology he is the lead author of a research paper about the work in the journal PNAS.

A little over half a billion years ago, the first forms of complex life — animals — evolved on Earth. Billions of years before that life had only consisted of simple single-celled life forms. The emergence of animals coincided with a significant rise in atmospheric oxygen, and therefore it seemed obvious to link the two events and conclude that the increased oxygen levels had led to the evolution of animals.

“But nobody has ever tested how much oxygen animals need — at least not to my knowledge. Therefore we decided to find out,” says Daniel Mills.

The living animals that most closely resemble the first animals on Earth are sea sponges. The species Halichondria panicea lives only a few meters from the University of Southern Denmark’s Marine Biological Research Centre in Kerteminde, and it was here that Daniel Mills fished out individuals for his research.

“When we placed the sponges in our lab, they continued to breathe and grow even when the oxygen levels reached 0.5 per cent of present day atmospheric levels,” says Daniel Mills.

This is lower than the oxygen levels we thought were necessary for animal life.

The big question now is: If low oxygen levels did not prevent animals from evolving — then what did? Why did life consist of only primitive single-celled bacteria and amoebae for billions of years before everything suddenly exploded and complex life arose?

“There must have been other ecological and evolutionary mechanisms at play. Maybe life remained microbial for so long because it took a while to develop the biological machinery required to construct an animal. Perhaps the ancient Earth lacked animals because complex, many-celled bodies are simply hard to evolve,” says Daniel Mills.

His colleagues from the Nordic Center for Earth Evolution have previously shown that oxygen levels have actually risen dramatically at least one time before complex life evolved. Although plenty of oxygen thus became available it did not lead to the development of complex life.

Journal Reference:

  1. Daniel B. Mills, Lewis M. Ward, CarriAyne Jones, Brittany Sweeten, Michael Forth, Alexander H. Treusch and Donald E. Canfield. The oxygen requirements of the earliest animalsPNAS, February 17, 2014

Domadores de catástrofes (Fapesp)

Brasileiros ajudam a testar teoria sobre a previsão e o controle de crises financeiras globais

IGOR ZOLNERKEVIC | Edição 216 – Fevereiro de 2014

© NELSON PROVAZILE

As piores crises, os piores acidentes, as piores catástrofes naturais e humanas são as que mais causam surpresa. Parece que quanto mais intenso o evento – de um tsunâmi devastador a uma guerra mundial – mais imprevisível e incontrolável ele é. No entanto, o físico e economista francês Didier Sornette, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique (ETH), acredita no contrário. Depois de duas décadas comparando a frequência e a intensidade de situações extremas observadas em áreas tão distintas quanto a economia e a geologia, Sornette está convencido de que, embora a sociedade e a natureza sejam complexas demais para permitir prever muitos dos eventos extremos, justamente os piores desses eventos, chamados por ele de dragon kings (dragões reis), teriam características únicas que permitiriam antecipá-los e evitá-los. Em uma palestra na conferência TED Global, realizada em junho do ano passado em Edimburgo, Escócia, Sornette afirmou que aplicar a teoria dos dragon kings na regulação do mercado financeiro poderia evitar crises econômicas como a que se iniciou em 2007 e causou prejuízos de centenas de bilhões de dólares nas bolsas de valores norte-americanas – até 2008 a perda no produto interno bruto global havia alcançado US$ 5 trilhões.

Embora sua teoria seja pouco aceita pelos economistas, as ideias de Sornette têm sido adotadas por pesquisadores de outras áreas, que já encontraram evidências de eventos do tipo dragon kings, e de sinais que os precedem nas ciências naturais, na medicina e na engenharia. A prova mais conclusiva já observada foi divulgada no final do ano passado. Uma equipe internacional de físicos, liderada por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e integrada por Sornette, conseguiu pela primeira vez gerar, observar, prever e eliminar dragon kings em experimentos totalmente controlados em laboratório.

Na Paraíba, os pesquisadores brasileiros construíram um aparelho capaz de gerar oscilações elétricas caóticas e desenvolveram técnicas que permitiram manipular essas oscilações. Eles esperam que estratégias semelhantes às usadas no experimento sejam úteis no controle de eventos extremos em geral. “Desenvolvemos um sistema eletrônico, relativamente fácil de construir, com o qual testamos experimentalmente as hipóteses do Sornette”, explica o físico Hugo Cavalcante, da UFPB, primeiro autor do estudo, publicado em novembro de 2013 na Physical Review Letters. O segundo autor do artigo, o físico Marcos Oriá, da mesma universidade, acrescenta que o resultado “abre uma perspectiva de que se torne possível identificar e antecipar situações extremas em sistemas complexos, como o mercado financeiro ou o clima do planeta”.

Especialista em óptica e em física atômica, Oriá se interessava havia tempos por situações em que equipamentos de laser relativamente simples geravam comportamentos caóticos, semelhantes aos de sistemas mais complexos como o mercado financeiro. Mas Oriá somente se aprofundou no assunto após a chegada de Cavalcante à UFPB em 2011. Cavalcante passara três anos e meio na Universidade Duke, nos Estados Unidos, trabalhando no laboratório do físico Daniel Gauthier, que ganhou notoriedade nos anos 1990 pesquisando a sincronização de sistemas caóticos.

Para estudar os fenômenos da teoria do caos, Gauthier projetou circuitos eletrônicos simples, do tamanho de cartões de crédito, nos quais era possível fazer oscilar tanto a corrente elétrica quanto a voltagem de maneira aleatória e imprevisível. O comportamento desses osciladores eletrônicos é descrito por equações matemáticas simples e bem definidas, mas as oscilações são extremamente sensíveis a pequenas mudanças. Por essa razão, uma pequena interferência eletrônica no início da operação do oscilador pode alterar completamente o seu comportamento posterior. Na prática, essa característica impede que se obtenham previsões precisas dos valores que a corrente e a voltagem podem alcançar depois do início do experimento. Mesmo assim, Gauthier descobriu como conectar dois desses osciladores, de modo que um deles, o mestre, oscilasse de maneira livre e caótica, enquanto o outro, o escravo, seguia o mestre de modo sincronizado.

Sincronia caótica
Dependendo de como os osciladores mestre e escravo eram acionados, porém, a sincronia entre eles podia desaparecer momentaneamente, para ser retomada em seguida, em uma série de eventos aleatórios breves que Gauthier chamou de borbulhamento. Gauthier, Cavalcante e Oriá notaram que, na maioria desses eventos de dessincronização, a diferença entre as correntes e as voltagens dos dois osciladores era pequena. Mas perceberam também que, em alguns poucos eventos, essa diferença aumentava muito.

Eles, então, buscaram uma relação entre o número de borbulhamentos (frequência) e a magnitude que alcançavam. Concluíram que, na maioria das vezes, a frequência era proporcional à magnitude elevada a um expoente cujo valor era comum a todos os eventos. Essa relação matemática é conhecida como lei de potência. Em um gráfico especialmente desenhado para acomodar números de várias ordens de grandeza, uma lei de potência assume a forma de uma simples linha reta.

Por onde quer que olhem, seja na natureza, seja na sociedade, os físicos costumam encontrar fenômenos oscilatórios com frequência e magnitude que obedecem leis de potência. São situações que vão da flutuação de ações de uma bolsa de valores à ocorrência de terremotos ou à propagação de sinais elétricos no cérebro humano. As similaridades entre fenômenos que acontecem em situações tão distintas levaram os pesquisadores a batizar os sistemas em que eles ocorrem como sistemas complexos. Cada um desses fenômenos tem um grande número de componentes – pense, por exemplo, nos agentes de um mercado comprando e vendendo ações ou nos neurônios do cérebro realizando sinapses – e funciona de um modo muito característico: as partes interagem de maneira quase aleatória, mas a soma dessas interações pode gerar regularidades espantosas como as leis de potência.

E, para os físicos, o fato de um fenômeno se comportar segundo uma lei de potência pode significar muita coisa. É que, de acordo com essa lei, todas as manifestações de um fenômeno – no caso do experimento da Paraíba, as oscilações de voltagem e corrente – são provocadas por uma mesma causa. Isso significa, por exemplo, que as origens de um grande terremoto são qualitativamente as mesmas que as de um pequeno abalo sísmico. A única distinção entre os eventos é sua magnitude ou tamanho. “Como não se sabe de antemão se a magnitude de um evento será grande ou pequena”, explica Oriá, “disseminou-se a ideia de que todos os sistemas complexos são intrinsecamente imprevisíveis”.

Físicos que aplicaram essa ideia ao estudo do mercado financeiro – fundando uma disciplina conhecida como econofísica – chegaram à conclusão de que grandes flutuações nos preços não precisam ser causadas necessariamente por uma grande mudança político-econômica. Muitas vezes, uma crise financeira pode se originar como uma flutuação de preço normal que, por acaso, toma grandes proporções. Crises financeiras, portanto, seriam inevitáveis. “Essa é uma visão particularmente pessimista e até perigosa, já que promove uma atitude de irresponsabilidade”, defende Sornette, que vem alertando seus colegas físicos desde os anos 1990 para o fato de que nem todas oscilações financeiras seguem leis de potência, especialmente as maiores.

O que Sornette falou do mercado financeiro Gauthier e os dois colegas brasileiros observaram com os osciladores caóticos. De modo geral, os eventos de dessincronização até seguiam uma lei de potência. Mas os eventos mais extremos transgrediam a lei, acontecendo numa frequência muito maior. Esses eventos desenhavam um pico proeminente em uma das extremidades dos gráficos, para o qual os pesquisadores não tinham explicação.

Foras da lei
Gauthier, Cavalcante e Oriá, no entanto, logo se deram conta de que os eventos de dessincronização extremos se encaixavam perfeitamente na definição do que Sornette chama de dragon kings: são os eventos mais extremos que podem acontecer em um sistema complexo e que ocorrem em uma frequência muito maior que a esperada pela lei de potência, que rege os demais eventos do sistema.

A ideia de que o surgimento de dragon kings seria mais previsível e controlável do que outros eventos extremos nasceu com a primeira aplicação bem-sucedida da teoria de Sornette: a prevenção da ruptura da fuselagem dos foguetes Ariane, usados pela Agência Espacial Europeia. Durante os lançamentos, engenheiros registravam com sensores acústicos variações de ruído causadas por estresse na estrutura do foguete. Ao analisar esses dados, Sornette observou que o barulho dos eventos de ruptura aparecia em seus gráficos como dragon kings. A partir daí ele e seus colaboradores descobriram como detectar na série de emissões acústicas do foguete os sinais iniciais do desenvolvimento dessas rupturas e como usá-los para prevenir os acidentes.

Em seguida, Sornette adaptou seu método, usado até hoje nos lançamentos do foguete, ao monitoramento da economia, em busca de sinais precursores do estouro de bolhas financeiras. Há cinco anos ele coordena o Observatório de Crises Financeiras da ETH, um projeto que monitora os preços de milhares de ações negociadas em diversas bolsas de valores, inclusive na brasileira Bovespa. Uma bolha sempre começa em uma atmosfera de otimismo, em que ocorre uma supervalorização dos bens negociados. Sornette acredita que a melhor maneira de prever a chegada de uma bolha é procurar sinais de que os preços e demais índices financeiros do mercado estão passando por aquilo que ele chama de crescimento superexponencial. É quando, por exemplo, um investimento que em um mês rende 10% passa a oferecer o dobro no mês seguinte (20%) e o dobro do dobro (40%) dois meses mais tarde. Embora pareça óbvio que esse crescimento não pode durar para sempre, no calor dos negócios os investidores tendem a apresentar um comportamento de rebanho: ansiosos por lucrar com as oportunidades que todos a sua volta parecem estar aproveitando, eles – às vezes, até os mais cautelosos – se deixam levar pela euforia. Em algum momento, porém, quando a artificialidade da situação se torna insustentável, os preços despencam, levando a uma desvalorização em cascata em toda a economia.

Em seu observatório, Sornette e sua equipe detectam crescimentos superexponenciais nos índices monitorados e analisam sua evolução. O objetivo é obter informações que permitam prever o instante crítico em que o crescimento é substituído por um novo regime – de queda ou estagnação. Sornette afirma detectar o surgimento de bolhas de tamanhos variados e ser capaz de estimar quando elas têm mais chance de estourar. Um exemplo é a bolha do milagre econômico chinês, em que as ações do país cresceram 300% em poucos anos. Em setembro de 2007, durante uma conferência para investidores, Sornette os alertou de que uma mudança de regime estava prestes a ocorrer. A maioria não deu ouvidos, confiando que o governo chinês faria de tudo para manter o crescimento, com os preparativos para os Jogos Olímpicos de Pequim, que aconteceriam no ano seguinte. Três semanas depois da conferência o mercado chinês começou a despencar, até perder 70% de seu valor no fim de 2007.

De fato, a frequência e a magnitude das variações dos mercados globais dos últimos 30 anos se comportam segundo uma lei de potência, com alguns pontos extremos fora da curva, representando as piores crises financeiras do período, como a “segunda-feira negra” de 1987, quando o índice Dow Jones desvalorizou US$ 500 bilhões em um único dia, e a recessão global de 2007 e 2008, desencadeada por uma crise no mercado imobiliário norte-americano. Para Sornette, essas crises seriam dragon kings, causados por uma série de políticas de facilitação excessiva da expansão de crédito pelos bancos centrais de todo o mundo, que reforçaria crescimentos superexponenciais e outros mecanismos pelos quais dragon kings podem surgir.

Em pânico: observadores acompanham queda de ações da bolsa de Hong Kong na crise de 1997

Em pânico: observadores acompanham queda de ações da bolsa de Hong Kong na crise de 1997. © JONATHAN UTZ / AFP

Atratores estranhos
Além do crescimento superexponencial, Sornette explica que já identificou três outros mecanismos dinâmicos de formação de dragon kings. Um deles é o fenômeno do borbulhamento, observado em detalhe pela primeira vez no par de osciladores construído por Cavalcante e Oriá.

Os pesquisadores contaram com um modelo teórico desenvolvido pelo físico Edward Ott, da Universidade de Maryland, Estados Unidos, outro especialista no comportamento caótico de sistemas eletrônicos, para entender como os dragon kings se formavam nos osciladores e o que exatamente fazia com que esses eventos de dessincronização extrema crescessem muito mais que os demais eventos.

De trabalhos anteriores de Gauthier e Ott, os pesquisadores já sabiam que as oscilações caóticas desses circuitos eletrônicos desenham em um espaço abstrato, onde a largura, a altura e o comprimento representam propriedades que caracterizam o par de osciladores em certo instante, uma figura de linhas infinitas conhecida como atrator estranho.

Quando em sincronia, as oscilações caóticas dos dois circuitos, apesar de erráticas, permanecem restritas às linhas que compõem o atrator estranho, cuja forma lembra um par de asas de borboleta. “Descobrimos, no entanto, que existe um ponto específico do atrator com uma instabilidade tão forte que domina a dinâmica do sistema”, explica Cavalcante.

Esse ponto de forte instabilidade, localizado na junção das asas de borboleta, é o responsável por todos os eventos de dessincronização. Quanto mais os valores de oscilação dos circuitos se aproximam desse ponto, maior a chance de a trajetória que descreve o sistema saltar momentaneamente para fora do plano do atrator. Quanto maior o salto, maior a dessincronização entre os osciladores. A maioria das aproximações do ponto de instabilidade provoca as dessincronizações descritas por uma lei de potência. Mas, em circunstâncias especiais, quando a trajetória se aproxima demais do ponto instável, ruídos eletrônicos e pequenas diferenças entre os componentes dos circuitos podem ser amplificados até gerarem os dragon kings.

“A diferença entre os eventos da lei de potência e os dragon kings é complicada e ainda estamos tentando entender os detalhes”, diz Cavalcante. Mesmo assim a compreensão qualitativa da diferença entre os dois tipos de dessincronização já permitiu aos pesquisadores identificar certa combinação de voltagens e correntes dos osciladores cujo valor serve como um alarme contra dragon kings. Nos testes feitos na UFPB, quando essa variável alcançava um valor limite, sinalizando que um dragon kings estava prestes a se formar, os pesquisadores realizavam uma pequena intervenção na eletrônica dos osciladores. Como resultado, conseguiam manter a trajetória do sistema no plano do atrator, impedindo a dessincronização extrema. Assim, os dragon kingsdesapareciam completamente (ver gráficos na página 53) “Essa intervenção pequena era aplicada em apenas 1,5% do tempo de operação dos osciladores e era 100% eficaz”, diz Cavalcante.

Ovos de Dragão
Embora o sucesso do experimento empolgue, os pesquisadores têm noção da distância gigantesca que existe entre a complexidade de um par de osciladores eletrônicos e um mercado financeiro. “Aplicar esse procedimento a sistemas reais não é trivial”, comenta o economista Daniel Cajueiro, da Universidade de Brasília. Ele, que tem experiência na aplicação de modelos da física em economia e já colaborou com o Banco Central, diz que, por ora, “esse trabalho pode ser tomado como ponto de partida para uma nova linha de pesquisa”.

A esperança dos pesquisadores é que os mercados financeiros possam, ao menos em certas circunstâncias, se comportar como um sistema de osciladores caóticos interligados. Os osciladores, no caso, seriam os agentes do mercado, comprando e vendendo. Suas decisões estariam ligadas por meio do comportamento de rebanho. Nesse cenário, uma crise poderia ser evitada identificando os pontos de instabilidade do atrator estranho do sistema e criando regras no mercado que impeçam que sua evolução passe muito perto deles.

“Trabalho com previsões e sei como é difícil fazê-las”, afirma o economista Pedro Valls, diretor do Centro de Estudos Quantitativos em Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. “Acreditar em regularidades é acreditar no determinístico, o que não faz sentido em economia, estatística e finanças.”

Valls acha pouco provável que a economia siga leis deterministas. Para ele, aliás, ocorre o contrário: a maioria dos modelos econométricos usados por pesquisadores, governos e investidores são estocásticos, isto é, baseados em probabilidades determinadas por processos aleatórios. Sornette rebate afirmando que modelos estocásticos também podem exibir dragon kings e que o melhor método de previsão de bolhas financeiras seria um modelo híbrido, com componentes determinísticos e estocásticos. O problema, segundo Sornette, é que muitos economistas insistem em acreditar que as soluções matemáticas dos modelos criados por eles deveriam valer o tempo todo. Já os modelos de Sornette, argumenta o próprio físico, valem apenas em alguns momentos críticos, quando o sistema se torna momentaneamente determinístico e previsível. Valls nota, entretanto, que os modelos de Sornette não são os únicos capazes de fazer isso. Existe uma vasta literatura em econometria, segundo ele, discutindo modelos estocásticos capazes de incorporar mudanças determinísticas ou estocásticas. Esses modelos, chamados modelos de mudança markoviana, podem ter diferentes regimes, sendo que um deles pode descrever uma crise. Esses modelos permitem quantificar as probabilidades de o mercado entrar e sair do regime de crise, ajudando, assim, a prever bolhas.

Embora considere que a teoria de Sornette tem muitos méritos, Cajueiro aponta pelo menos duas dificuldades para tornar viável o controle desses sistemas complexos. A primeira é que, diferentemente do experimento de Calvancante e Oriá, em que a estatística dos eventos extremos foi identificada pela tomada de milhões de dados, as crises financeiras não são tão frequentes assim. “Nesse caso, seria necessário construir um modelo para o sistema fora da normalidade a partir de uma amostra pequena de eventos”, explica Cajueiro.

E ainda que um modelo inspire confiança suficiente para ser adotado, por exemplo, na regulação do mercado pelo Banco Central, pode ser que as intervenções sugeridas pela teoria sejam simplesmente impossíveis de ser implementadas, por questões práticas e até éticas. “Pouco se sabe qual seria a resposta dos agentes econômicos a uma intervenção e o que ocorreria se esses agentes antecipassem a resposta do Banco Central”, diz Cajueiro. Como o mercado financeiro não é um sistema isolado, uma mudança feita para impedir a formação de uma bolha poderia ter consequências inesperadas em variáveis como inflação, taxas de câmbio e desemprego.

Além disso, o próprio Sornette reconhece que as bolhas financeiras têm seu lado positivo. Quando movidas por aumentos reais na produtividade, consequência da descoberta de novas fontes de recursos ou de inovações tecnológicas promissoras, elas fomentam um clima de otimismo que toma conta das atividades econômicas, levando a sociedade a assumir riscos e a alcançar sucessos que seriam impossíveis de outra forma.

O modelo da UFPB pode ajudar a testar métodos de intervenções mais realistas, que levem em conta a fascinação pelas bolhas e a resistência da sociedade de interromper o crescimento delas antes de um colapso. “O que fizemos até agora nos osciladores foi usar um método de controle ótimo, que mata os dragon kings  ainda nos ovos, antes de nascerem e crescerem”, explica Sornette. “Podemos usar esse sistema para estudar outras intervenções, mais atrasadas e limitadas, de maneira a quantificar os custos e as consequências de nossas ações.”

Artigo científico
CAVALCANTE, H.L.D.S. et alPredictability and suppression of extreme events in a chaotic systemPhysical Review Letters. v. 111, n. 19. 4 nov. 2013.

Cientistas criticam esqueleto-robô a ser exibido na Copa (Folha de S.Paulo)

JC e-mail 4896, de 17 de fevereiro de 2014

Interface não teria informação cerebral suficiente para fazer deficiente controlar estrutura que o permita andar

Pesquisadores que estudam a transmissão de informação do cérebro para os músculos estão questionando a promessa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que anunciou que fará um jovem com lesão de medula espinhal dar o pontapé inicial da Copa do Mundo.

Em uma ilustração promocional do programa “Andar de Novo”, liderado por Nicolelis, uma mulher vestindo uma armadura robótica aparece levantando-se de uma cadeira de rodas, caminhando até a bola e chutando-a.

home_noticias_2013_05Um cientista que chegou a trabalhar com Nicolelis no IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal), porém, diz que essa cena, caso se concretize, é mais bem descrita como um robô controlando os movimentos de uma pessoa do que o inverso.

“Essa demonstração é prematura e, na melhor das hipóteses, será só uma propaganda daquilo que ele espera que aconteça um dia”, diz Edward Tehovnik, americano que deixou o IINN após uma cisão interna em 2011.

Hoje professor na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), ele diz que Nicolelis ainda não publicou estudos suficientes para mostrar que sua técnica está pronta para reabilitar pessoas com problemas neuromotores. “Eu não digo que isso jamais acontecerá, mas a esta altura é prematuro”, diz.

BITS POR SEGUNDO
Segundo artigos publicados recentemente por Tehovnik, nenhum grupo de pesquisa consegue ainda extrair uma quantidade de informação no cérebro com velocidade suficiente para controlar movimentos complexos.

Segundo o pesquisador, com uma taxa menor de “bits” de informação por segundo, uma interface que conecte um cérebro a uma máquina já é capaz de tarefas simples, como ligar/desligar um aparelho, mas não conseguiria controlar uma perna eletromecânica com precisão.

“Não dá para obter nada que se pareça com um ser humano andando na rua”, diz Tehovnik. Segundo o cientista, o campo de pesquisa das interfaces cérebro-máquina foi “corrompido” pela oferta de dinheiro para os grupos de pesquisa, que hoje estariam mais preocupados em levantar verbas do que em solucionar problemas científicos que ainda se apresentam como barreiras à sua evolução.

Para ele, demonstrações públicas de uma tecnologia tão incipiente alimentam falsas expectativas em pessoas paralíticas. “Acho que isso deveria estar restrito ao laboratório nesse ponto”, diz. Tehovnik explica pormenores técnicos de sua argumentação em um artigo de opinião na revista “Mente&Cérebro”.

Outros cientistas que trabalham na linha de pesquisa de Tehovnik são menos contundentes na crítica a Nicolelis, mas também veem um excesso de entusiasmo.

Michael Graziano, da Universidade de Princeton, diz ver excesso de ênfase na engenharia dos projetos, em detrimento das questões de ciência básica. “Dizer que dentro de dez anos resolveremos esses problemas soa muito implausível para mim.”

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/152230-cientistas-criticam-esqueleto-robo-a-ser-exibido-na-copa.shtml

Brasil já vive a crise climática global (Estadão)

JC e-mail 4896, de 17 de fevereiro de 2014

Perturbações na Austrália e no Pacífico mudam padrões e causam calor no País e no Alasca, neve no leste dos EUA e cheia na Inglaterra

Calor extremo e seca no Sudeste brasileiro. Nevascas e frio intenso na costa leste dos Estados Unidos. Ondas de calor no Alasca e na China em pleno inverno. Enchentes na Inglaterra. Temperaturas escaldantes e incêndios florestais por toda a Austrália. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo; e não é por acaso, segundo os meteorologistas.

“Todos esses eventos estão conectados dentro de um sistema climático global”, disse ao Estado a pesquisadora Maria Assunção da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. Um sistema que, segundo ela – e a esmagadora maioria dos cientistas – está sendo alterado pelo acúmulo de gases do efeito estufa lançados na atmosfera pelo homem nos últimos 150 anos.

Treze dos 14 anos mais quentes já registrados pelo homem ocorreram nos últimos 14 anos, com a exceção de 1998. O ano passado foi o sexto mais quente. E o clima de 2014 parece ter começado fora dos trilhos também, com eventos extremos de temperatura e precipitação – para mais ou para menos – espalhados por todos os continentes.

O foco dessas perturbações atuais, segundo Assunção, está do outro lado do mundo. Mais especificamente no norte da Austrália e no sul da Indonésia, onde está chovendo muito, e na região central do Oceano Pacífico, onde está chovendo pouco.

Isso altera os padrões das correntes de jato (ventos fortes de altitude) nos dois hemisférios; o que altera os padrões de chuva típicos desta época, tornando o tempo extremamente estável e persistente em regiões de latitudes mais altas. O clima parece que “estacionou” nessas regiões, intensificando todos os efeitos. Um cenário que demonstra claramente como as mudanças climáticas são um problema global, que afetará todos os países, independentemente de sua posição geográfica ou situação econômica, dizem os especialistas.

Os modelos globais de previsão climática variam bastante entre si, mas todos preveem um aumento na ocorrência de eventos climáticos extremos nas próximas décadas, por causa do aquecimento global. “Os extremos vão ficar mais intensos e ocorrer com mais frequência”, resume Assunção.

Ligação. O que está acontecendo agora, portanto, é exatamente o que os cientistas do clima preveem que começará a ocorrer com mais frequência daqui para a frente. Estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aquecimento global e um evento climático qualquer, porém, é extremamente difícil.

“Sempre que há algum fenômeno extremo em curso as pessoas perguntam se isso tem a ver com o aquecimento global, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder”, explica o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A resposta, segundo ele, depende de um análise estatística do comportamento do clima ao longo de várias décadas, para ter certeza de que se trata de uma mudança sistemática e não apenas de flutuação pontual. “Mesmo dez anos é pouco tempo”, avalia Seluchi, com a ressalva de que não é possível esperar por essa certeza para começar a agir, pois já será tarde demais para reverter o processo. O economista Nicholas Stern coloca os fatos de forma contundente. “A mudança climática está aqui, agora”, diz o título de um artigo escrito por ele, manchete do jornal britânico The Guardian, anteontem, com uma foto do Rio Tâmisa transbordando sobre Londres.

(Herton Escobar/Estadão)
http://www.estadao.com.br/noticias/vida,brasil-ja-vive-a-crise-climatica-global,1130765,0.htm

Unprecedented Attack On Evolution ‘Indoctrination’ Mounted In Missouri (TPM)

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DYLAN SCOTT – FEBRUARY 14, 2014, 6:00 AM EST13937

A Missouri lawmaker has proposed what ranks among the most anti-evolution legislation in recent years, which would require schools to notify parents if “the theory of evolution by natural selection” was being taught at their child’s school and give them the opportunity to opt out of the class.

The bill had its first public hearing Thursday after being introduced in late January.

State Rep. Rick Brattin (R), who sponsored the bill, told a local TV station last week that teaching only evolution in school was “indoctrination.”

“Our schools basically mandate that we teach one side,” he told KCTV. “It is an indoctrination because it is not objective approach.”

The bill is one of several anti-evolution proposals that have already appeared in statehouses across the country; the Daily Beast counted four states (Missouri, Oklahoma, South Dakota and Virginia) where legislation had been introduced. The proposals would allow for a range of approaches to evolution, from presenting a “debate” over evolution versus creationism to requiring that local school boards allow intelligent design to be included in biology courses

But Brattin’s bill appears to be the only one, and perhaps the first, that would mandate parental notification that their children were being taught evolution in school, the curriculum that most mainstream science teacher groups endorse.

Glenn Branch, deputy director of the National Center for Science Education, told TPM that he was not aware of any state legislation that had included a provision that parents be notified if evolution was being taught at their local schools.

“It’s an absolute infringement on people’s beliefs,” Brattin told the Kansas City Star of requiring schools to teach evolution. “What’s being taught is just as much faith and, you know, just as much pulled out of the air as, say, any religion.”

Unsurprisingly, the proposal has drawn criticism from those science teacher organizations.

The bill “would eviscerate the teaching of biology in Missouri,” Branch said in a statement. “Evolution inextricably pervades the biological sciences; it therefore pervades, or at any rate ought to pervade, biology education at the K–12 level. There simply is no alternative to learning about it; there is no substitute activity.”

“The value of a high school education in Missouri would be degraded,” Branch said.

Brattin’s bill provides:

The policy shall require the school district or charter school to notify the parent or legal guardian of each student enrolled in the district of:

(1) The basic content of the district’s or school’s evolution instruction to be provided to the student; and

(2) The parent’s right to remove the student from any part of the district’s or school’s evolution instruction.

The bill would also require schools to “make all curriculum materials used in the district’s or school’s evolution instruction available for public inspection … prior to the use of such materials in actual instruction.”

(Image via Shutterstock)

A intensa vida sexual das plantas (Ciência Hoje)

Vegetais competem por oportunidades de acasalamento e ‘escolhem’ seus parceiros sexuais. Artigo de capa da Ciência Hoje mostra como essas estratégias reprodutivas evoluíram ao longo do tempo, gerando flores de cores, formas e cheiros variados.

Por: Carlos Roberto Fonseca

Publicado em 13/02/2014 | Atualizado em 13/02/2014

A intensa vida sexual das plantas

As plantas exibem imensa diversidade sexual: em algumas, é possível reconhecer claramente machos ou fêmeas, mas na maioria delas os indivíduos exercem tanto o papel feminino quanto o masculino. (foto: Sxc. hu)

Em se tratando de sexo, as plantas são escandalosamente liberais. Muitas só fazem sexo consigo mesmas. Outras fazem sexo simultaneamente com vários vizinhos ou com parceiros casuais que vivem a centenas de quilômetros de distância. Em algumas plantas, é possível reconhecer claramente machos ou fêmeas, mas na maioria dos vegetais os indivíduos exercem tanto o papel feminino quanto o masculino.

Muitas espécies ostentam órgãos sexuais exageradamente avantajados e coloridos, e fazem questão de exibi-los

Algumas plantas, sem nenhum pudor, trocam de sexo durante a vida. Outras são ‘conservadoras’ e se recusam a fazer sexo com indivíduos aparentados, e há ainda as que nunca fazem sexo. Muitas espécies ostentam órgãos sexuais exageradamente avantajados e coloridos, e fazem questão de exibi-los. Mas também é verdade que algumas plantas têm aparelhos sexuais minúsculos ou ocultos.

A evolução dessa grande diversidade reprodutiva deve-se a intensas disputas sexuais entre os indivíduos. Esses embates vêm sendo confirmados, mas por muito tempo foram desconhecidos – até pelo maior evolucionista de todos, Charles Darwin (1809-1882) – ou contestados. Pesquisas mais recentes constataram não apenas que a seleção sexual é uma força importante na evolução e diversificação das plantas superiores, mas também que a variedade é essencial para o funcionamento de comunidades vegetais na natureza e para atividades humanas, como a agricultura, a jardinagem e as indústrias de madeira, alimentos e medicamentos.

A chave do enigma

Ao elaborar sua teoria da evolução por meio da seleção natural, Darwin enfrentou uma grande dificuldade teórica: como explicar que, além de apresentar diferenças em seus aparelhos reprodutivos (características sexuais primárias), machos e fêmeas exibem óbvias diferenças em outros aspectos de seu corpo e em seu comportamento, chamadas de características sexuais secundárias?

Por que os leões são maiores que as leoas? Por que pavões machos exibem plumas longas e ornamentadas, enquanto as fêmeas dessas aves são basicamente cinzentas? Por que os alces irlandeses machos, extintos na última era glacial, exibiam galhadas de até 3,5 m, inexistentes em fêmeas? Por que os sapos machos cantam e as fêmeas se calam? Para Darwin, a seleção natural, por agir de modo semelhante nos dois sexos, não podia explicar a evolução das características sexuais secundárias. Afinal, machos e fêmeas em geral vivem no mesmo lugar e sob o mesmo clima, comem a mesma comida e são atacados pelos mesmos predadores e parasitas.

Darwin reconheceu dois principais mecanismos de seleção sexual: ‘competição entre machos’ e ‘escolha pelas fêmeas’

O conceito de ‘seleção sexual’ foi a chave encontrada por Darwin para resolver o enigma. Segundo ele, a seleção sexual seria a “vantagem que certos indivíduos têm sobre outros indivíduos do mesmo sexo e espécie exclusivamente em relação à reprodução”. Esse conceito, embora proposto por Darwin em 1859, no livro A origem das espécies por meio da seleção natural, só seria discutido a fundo por ele em 1871, no livro A origem do homem e a seleção sexual.

Darwin reconheceu dois principais mecanismos de seleção sexual: ‘competição entre machos’ e ‘escolha pelas fêmeas’. Na competição entre machos, estes lutam entre si, em combates diretos (às vezes mortais) ou por meio de ritualizações (exibições físicas, rituais de cortejo e outras), para ter acesso a mais e melhores oportunidades de acasalar. Na escolha pelas fêmeas, estas comparam a qualidade dos machos disponíveis, com base no aspecto físico ou no comportamento, e escolhem os aparentemente mais fortes ou mais saudáveis como parceiros reprodutivos.

Esses mecanismos foram descritos a partir de comportamentos de disputas, brigas, cantos, danças, discriminação, gostos e escolhas que pareciam, a princípio, exigir um mínimo de movimentação, capacidade mental e percepção. Assim, embora o conceito de seleção sexual tenha sido um avanço extraordinário para a teoria da evolução, ele ficou restrito ao reino animal. Um século se passou até que a biologia conseguisse aplicar o conceito de seleção sexual às plantas.

Guerra do sexo

Em 1979, um artigo pioneiro – ‘Seleção sexual em plantas’ – foi publicado pela ecóloga norte-americana Mary F. Willson, apontando evidências científicas de que tanto a competição entre machos quanto a escolha pelas fêmeas são importantes forças evolutivas também para as plantas, e que a imensa diversidade de flores decorre desses processos.

pólen

Os grãos de pólen levados pelo vento, por insetos ou por outros meios, precisam enfrentar disputas para fertilizar os óvulos. (foto: Sxc. hu)

O trabalho quebrou a visão ingênua de que plantas da mesma espécie colaboram entre si para reproduzir e competem apenas com as de outras espécies pelos polinizadores.

A competição evolutivamente importante ocorre entre indivíduos geneticamente diferentes da mesma espécie e, em particular, entre os do mesmo sexo. As outras espécies apenas modificam a arena ecológica onde ocorre o embate evolutivo.

Quando chega a estação reprodutiva de determinada espécie de árvore, há um conflito aberto por sucesso reprodutivo. Alguns indivíduos, porque são maiores, mais vigorosos e com adaptações que favorecem seu sucesso reprodutivo, conseguirão aumentar a frequência de seus genes na próxima geração. Os menos favorecidos tenderão a ser eliminados pela seleção sexual. Ou seja, a ‘guerra do sexo’ é intensa mesmo entre espécies que não se movem e não têm um comportamento evidente, como as plantas.

Você leu apenas o início do artigo publicado na CH 311. Clique no ícone a seguir para baixar a versão integral. PDF aberto (gif)

Carlos Roberto Fonseca
Departamento de Ecologia
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Uso de botos do Amazonas como isca para pesca pode causar extinção da espécie (Agência Brasil)

JC e-mail 4895, de 14 de fevereiro de 2014

Segundo as alegações, não há pessoal suficiente para exercer uma fiscalização contínua na região

Levantamento feito pela pesquisadora Sannie Muniz Brum com 35 comunidades de pescadores em área de reserva de desenvolvimento sustentável, na região do Baixo Rio Purus, no Amazonas, constatou que botos-vermelhos, conhecidos também como botos-cor-de-rosa, estão sendo mortos e usados como isca para a pesca do peixe piracatinga (Callophysusmacropterus).

Sannie é pesquisadora do Instituto Piagaçu (IPI) e colaboradora da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa). O projeto teve apoio da Fundação Boticário de Proteção à Natureza. Sannie alerta que, no longo prazo, essa prática pode acabar levando à extinção do “golfinho da Amazônia”. “As medidas têm que ser tomadas agora. Se não, é extinção”, disse Sannie hoje (13) à Agência Brasil.

A coordenadora adjunta do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Carla Marques, disse que, em comitês internacionais, o governo brasileiro tem sido cobrado sobre a preservação dos botos da Amazônia.

O problema, disse, é que não há pessoal suficiente para exercer uma fiscalização contínua na região. O ICMBio fiscaliza as áreas dentro das unidades de conservação e o Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se encarrega de fiscalizar fora dessas unidades. “Dentro do instituto tem uma política de tentar evitar que ocorram essas práticas, mas o ICMBio não tem o poder de polícia”.

Carla Marques informou que têm sido feitas campanhas pelo governo em conjunto com o Centro de Estudo e Pesquisa da Amazônia (Cepam). O órgão do Ministério do Meio Ambiente tem conhecimento da utilização do golfinho como isca para pesca, o que é ilegal, e está articulando ações para coibir a prática em parceria com o Ibama e o próprio ministério. “A gente tem feito algumas ações de fiscalização em conjunto com o Ibama, mas as ações são pontuais. A Amazônia é um mundo inteiro. A gente não consegue coibir tudo”.

Carla admitiu que esse é um problema de difícil solução e que ocorre em outros países. Ela acredita que para resolver o problema, só com fiscalização. “Está todo mundo pensando em tentar mitigar esse problema, mas é de difícil solução pela falta de pessoal que se tem. Os dois órgãos têm pouco contingente para atender a uma região como a Amazônia”. Ela relatou, inclusive, que algumas ações ocorrem em parceria com a Polícia Federal e as polícias locais. “Mas são pontuais. A gente não consegue estar presente o tempo todo. E a pesca continua”.

Além de uma fiscalização mais rigorosa e permanente, a pesquisadora Sannie Brum defendeu a necessidade de se levar às comunidades que habitam em áreas protegidas informações para que saibam que é crime e ilegal usar botos-vermelhos como isca para a pesca. “É preciso que haja uma conscientização. Eles [pescadores] sabem que é proibido, que não podem fazer”. É preciso que haja uma coibição efetiva para que decidam parar essa prática. “Educar e trazer informações são medidas para a conscientização dos pescadores”.

Segundo a pesquisadora, a mortalidade do golfinhos é elevada na região do Baixo Purus devido à atividade de pesca da piracatinga. Considerando 15 toneladas pescadas somente na região, de acordo com relato dos próprios pescadores, a estimativa é que até 144 botos-cor-de-rosa sejam mortos por ano para virar isca. “É um absurdo”.

A situação se agrava considerando que os golfinhos têm uma reprodução lenta. As fêmeas têm uma gestação de cerca de dez meses e, após o nascimento, podem cuidar dos filhotes por até quatro anos. Com isso, a inserção de novos botos na natureza é demorada. Sannie diz que a morte de um grande número desses animais pode inviabilizar a manutenção da espécie.

Para a pesquisadora, a fiscalização é importante, mas constitui o primeiro passo. “Ela tem que ser mais efetiva e aberta à discussão”. Ela reiterou a necessidade de uma grande campanha de educação ambiental nas comunidades, para que os moradores entendam a importância que o boto tem para o meio ambiente e para ele mesmo. Hoje, disse, o pescador vê o boto como um concorrente para suas atividades de pesca. “A gente precisa mudar isso. E só muda com educação”.

Sannie Brum pretende começar uma nova pesquisa para descobrir o que pode ser usado como alternativa de isca para a pesca da piracatinga. A coordenadora adjunta do CMA, Carla Marques, informou que esse é um tipo de peixe que se alimenta de carne morta ou em putrefação. Por isso, é rejeitado como alimento pelos próprios pescadores.

Sannie Brum explicou que apesar disso, eles vendem o produto para mercados de São Paulo, do Paraná e do Nordeste e, inclusive, para outros países, como a Colômbia. Para isso, usam o nome fantasia de “douradinha”. Como é vendido sob a forma de filé, a piracatinga acaba sendo comprada pelos consumidores que o confundem com um peixe nobre, a dourada (Brachyplathystomaflavicans).

(Alana Gandra /Agência Brasil)

Projeto susta prerrogativas da Funai no licenciamento de obras que afetam índios (Agência Câmara)

JC e-mail 4895, de 14 de fevereiro de 2014

Trata-se do Projeto de Decreto Legislativo 1300/13, do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), que susta a Instrução Normativa 1/12 da Funai

A Câmara analisa proposta que susta as prerrogativas da Fundação Nacional do Índio (Funai) nos processos de licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades que afetem terras indígenas e seu entorno. Trata-se do Projeto de Decreto Legislativo 1300/13, do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), que susta a Instrução Normativa 1/12 da Funai.

A instrução define os princípios para a análise dos processos de licenciamento. Entre eles estão a precaução pela sociobiodiversidade; a autonomia dos povos indígenas; o respeito a sua organização social, usos, costumes, línguas, crenças e tradições; e os direitos originários sobre as terras. Segundo a instrução normativa, a análise deve ser feita com a participação e cooperação dos povos indígenas interessados, respeitando suas tradições e instituições representativas.

Para o autor da proposta, com o avanço das obras de transporte e de energia nas regiões Norte e Centro-Oeste, “o componente indígena se transformou na peça-chave para o processo de licenciamento ambiental, e isso tem determinado a inviabilidade, o alto custo e o atraso de grandes projetos de logística do País”.

Decisão final
De acordo com Nilson Leitão, na prática, a instrução determina que a última palavra em todo empreendimento seja de comunidades e entidades indígenas, por intermédio de suas organizações, movimentos sociais e organizações não governamentais (ONGs) nacionais e internacionais. “Esse componente é o instrumento utilizado pela Funai para exigir do Dnit ou de empreiteiras o repasse de vultuosas quantias para as lideranças indígenas e ONGs ligadas à causa”, afirma o parlamentar.

A Instrução Normativa 1/12 permite o licenciamento somente após a manifestação das comunidades potencialmente afetadas, por meio da análise técnica de relatórios. A norma impõe ainda a obrigação de o empreendedor custear todas as atividades relacionadas ao componente indígena do processo, incluindo realização de reuniões, deslocamento de lideranças, alimentação e demais gastos.

Tramitação
O projeto será analisado pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:

PDC-1300/2013

(Luiz Gustavo Xavier/Agência Câmara)

O mundo é para poucos (Carta Capital)

11/2/2014 – 12h57

por Luiz Antonio Cintra, da Carta Capital

criancas1 O mundo é para poucos

Foto: Reprodução/Internet

Em alta desde os anos 70, a concentração da riqueza bate recordes, para a alegria de 1% da população global

Divulgada na abertura do encontro anual da elite econômica global em Davos, na Suíça, a pesquisa “Trabalhando para Poucos”, da ONG inglesa Oxfam, bem poderia se chamar “Vejam o Que os Senhores Conseguiram”. Ganhou manchetes mundo afora ao apontar para a hiperconcentração de riqueza em andamento na quase totalidade dos países ocidentais. Sete em cada dez indivíduos vivem em países onde a desigualdade avançou nas últimas três décadas, informa a Oxfam.

Segundo o estudo, a crise financeira detonada em setembro de 2008 veio a calhar para os mais ricos. O 1% do topo da pirâmide, anota a pesquisa, detém hoje metade da riqueza gerada no planeta. O financista norte-americano Warren Buffett é um exemplo da turma ganhadora: acumulava patrimônio de 40 bilhões de dólares antes da quebra do Lehman Brothers, e nada atualmente em uma piscina recheada de 59 bilhões de moedas. O quarto mais rico do planeta, segundo a lista da Forbes, Buffett é um dos 85 afortunados que, aponta a Oxfam, possuem patrimônio equivalente ao da metade mais pobre da população mundial, ou 3,5 bilhões de cidadãos. “Alguma desigualdade econômica é essencial para conduzir o crescimento e o progresso”, escrevem os responsáveis pela pesquisa. “Os níveis extremos de concentração da riqueza atuais, entretanto, ameaçam excluir centenas de milhões de obter os ganhos de seus talentos e trabalho duro.”

Não é outra coisa o que tem acontecido desde o crash, com maior intensidade nos dois polos mais afetados pela crise, os EUA e a Zona do Euro (exceto a Alemanha). O quadro retratado espelha as opções feitas para enfrentar a crise, desenhadas de acordo com os interesses dos bilionários, constata a ONG. A saída escolhida foi salvar bancos e companhias consideradas “grandes demais para quebrar”, ao mesmo tempo que os gastos públicos eram cortados indiscriminadamente.

O resultado foi uma onda avassaladora de desemprego e a falência de empresas cuja quebra, para as autoridades, teria o efeito positivo de ampliar a eficiência da economia como um todo. Nesse sentido, as políticas adotadas deram certo. O levantamento mais recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) contabiliza 202 milhões de desempregados no mundo, 5 milhões a mais do que no fim de 2012. Mantida a tendência, algo bastante provável, serão 215 milhões sem empregos no fim de 2017, estima Guy Rider, diretor da OIT.

O estudo da Oxfam enumera algumas das causas da concentração crescente. Há décadas a falta de limites minou a representação popular nos Parlamentos. E o lobby das maiores corporações aos poucos tirou do caminho regras e leis forjadas para garantir (ou ampliar, conforme o caso) a concorrência nas economias. Estima-se que os bancos norte-americanos gastaram 1 bilhão de dólares em lobby nos últimos anos para enfraquecer e adiar a legislação em discussão para tornar o sistema financeiro menos arriscado.

A corrupção, a perversidade de sistemas tributários como o brasileiro, que taxa proporcionalmente mais quem tem menos, os subsídios, a redução dos gastos em saúde e educação públicas, a perda de espaço dos sindicatos de trabalhadores e uma rede internacional de paraísos fiscais (em que, estima a ONG, cerca de 18 trilhões de dólares são escondidos para não pagar impostos) também explicam o processo em andamento.

O marco zero dessa tendência, contudo, não tem nada de novo. Especialistas o situam no período que vai do fim da década de 1970 ao início dos anos 80, sob os auspícios da onda neoliberal e da desregulação dos mercados, particularmente o financeiro, sob a batuta ideológica da dupla Ronald Reagan e Margaret Thatcher.

A resultante constatada agora não é um efeito colateral inesperado. Ao contrário. A cartilha Reagan-Thatcher recomendava deliberadamente o corte dos impostos dos mais ricos, em paralelo à redução dos direitos sociais e salários dos mais pobres, com o argumento de que o primeiro movimento garantiria fôlego para o consumo, enquanto o segundo ampliaria a competividade da economia ao reduzir o custo do trabalho. Uma parcela considerável das palavras de ordem pró-desregulação foi tecida, por sinal, justamente no Fórum Econômico de Davos, que nesta edição, diante da escala da tragédia social nos países ricos, procura convencer a opinião pública de que, no fundo, estão preocupados com a distância crescente entre ricos e pobres. Ao custo de 40 mil dólares por participante, vale notar.

Na ponta do lápis, o quadro evoluiu nos EUA conforme o esperado pelos formuladores de tais políticas: a renda dos 10% mais pobres avançou, desde meados dos anos 1980, apenas 0,1% ao ano. Já aquela dos mais ricos cresceu, pela mesma métrica, 1,5%. No Reino Unido, o mesmo movimento: a renda avançou, em média, 0,9% na base da pirâmide e 2,5% entre os 10% do topo. Estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, realizado em 2011, apontou os EUA, o Reino Unido e Israel como “pioneiros” da regressão social entre os mais ricos. A partir dos anos 2000, anota a pesquisa, a tendência incluiu as nações tradicionalmente menos desiguais, caso da Alemanha, Dinamarca, Suécia e outros países nórdicos.

A partir do crash de 2008, a concentração da riqueza ganhou força, resultado da opção de salvar os grandes bancos e corporações. No estudo da Oxfam, o caso norte-americano é mais uma vez destaque: 95% do ganho de renda registrado a partir de 2009 no país foi para o 1% mais rico. E, quanto mais no topo, maiores os ganhos proporcionalmente. Em 2012, por exemplo, enquanto o 1% mais rico ficou com 22% da renda do país, o 0,1% mais afortunado abocanhou 11% do bolo. Um norte-americano do sexo masculino e graduado recebe atualmente, em média, 40% do que recebia quatro décadas atrás.

No artigo “A desigualdade é uma opção”, publicado em outubro de 2013, o Nobel de Economia Joseph Stiglitz, professor da Universidade Columbia, comenta a hiperconcentração em curso. De 1988 a 2008, anota o economista, a renda do 1% mais rico do planeta cresceu cerca de 60%. No mesmo período, a dos 5% mais pobres manteve-se estagnada. “Os ganhos de renda têm sido maiores entre aqueles da elite mundial – executivos financeiros e corporativos dos países ricos – e as amplas ‘classes médias emergentes’ de China, Índia, Indonésia e Brasil. Quem perdeu? Africanos, alguns latino-americanos e cidadãos do Leste Europeu pós-comunista e da antiga União Soviética.”

Apesar de bem-vinda, a discussão em torno da desigualdade em Davos está longe de ser sinal de uma nova postura – e seria loucura supor que haverá ali uma guinada ideológica. Em 2005, o tema ocupou o topo das preocupações dos milionários reunidos na Suíça, àquela altura em companhia dos debates sobre o terrorismo. Em 1994, o tema também foi abordado, quando Klaus Schwab, presidente do fórum, definiu o encontro como uma oportunidade para “um gigantesco brainstorm para líderes empresariais, políticos, científicos e culturais, para analisar todos os pressupostos básicos da humanidade”.

Então, os ouvintes saíram de Davos, embarcaram em seus jatos particulares e foram cultivar suas fortunas.

* Publicado originalmente no site Carta Capital.

The 1% Should Be Afraid: The New Norm in the Workplace Is Unstable (Truthout)

Tuesday, 11 February 2014 10:16

By Laura FlandersTruthout | Interview and Video

(Photo<a href="http://www.shutterstock.com/pic-141695929/stock-photo-businessman-pulling-empty-pocket-out-of-pants.html?src=CpjJzVJBmUOWc1T_GhEcmg-1-7" target="_blank"> via Shutterstock</a>)(Photo via Shutterstock)

A new study from Oxfam published just ahead of this year’s World Economic Forum meeting in Davos, reported that just one percent of the world’s population controls nearly half of the planet’s wealth and 70 percent of the world’s people live in countries where income inequality has been growing in the last 30 years. In the US, the gap between rich and poor has grown faster than in any other developed country. The top one percent has captured 95 percent of all growth since the putative “recovery” of 2009. This is the “new normal.” Is it sustainable?

Barbara Garson is the author of a series of books describing American working lives at historically important turning points. If this is one of those turning points, it’s one in which the one percent have won:

“That the so-called recovery that everyone is bragging about is this,” Garson told GRITtv in a recent interview. “We’ve recovered, we’ve taken your full-time job away and given you a part-time job, and we’ve given the difference to our stockholders.”

The trouble is, this cockeyed situation is not stable, and even the capitalists, maybe especially the capitalists, should be worried.

“There are capitalist solutions, like redistribution, but they’re not doing it. That may be why we have a socialist solution this time,” she concludes. “If seventeen percent of the houses are vacant, we’ll just move into them.”

Garson’s new book is Down the Up Escalator: How the 99% LiveYou can watch our conversation at GRITtv.org.

Laura Flanders: So, Barbara, would you call this one of those historically important turning points?

Barbara Garson: Yes, well, we’ve been moving down. Well, that is to say, the wealth gap has been growing since about the seventies in this country, and in the world, too. We’re kind of the leaders in that and brought that model around the world. But the ruling class doesn’t seem to care anymore. They used to be Keynesian; they used to say, uh-oh! wait a minute. If we have fifty percent of the wealth, they can’t buy back what’s produced, we’d better rebalance it and keep going for a while. They seem to have forgotten that.

In a way we’re in a dangerous situation. [The elite] seem to be taking the same attitude on the economy that they’re taking on the environment.

But look at the statistics that they’re looking at. At Davos, people would have heard about growth and GDP going up, about productivity going up, about the stock market having the best record in years. So by their indices, nothing is wrong.

Even they know that a lot of that is in [loaned] money. A lot of their growth is in the same type of derivatives that they were investing in before. They are lending money to people who cannot pay back. They know (I think some of them know), that when you come out of he recession with even greater inequality than when you went into it, they know that they have to keep making the same kind of loans that they made before. Namely, lending money to people to buy houses they cannot afford. Lending money to students to go to college, and the students will never earn enough to pay the money back. That’s dangerous in the long run.

And you think they know this at some level?

I don’t know what each individual knows, but they all used to be the Keynesians. I used to be the socialist, and say, but it isn’t nice. I know you can keep going that way with reoccurring crises, but it isn’t nice. Now I’m the one that’s reminding them that it’s also impossible unless they do the usual Keynesian redistribution, which they used to do every few decades. Now they are just taking more, and more and more.

Let’s talk about the people you followed in your book, Down the Up Escalator, and why you decided to follow these folks in the first place. In your last book, you were following a dollar bill around the world. This time you decided to follow a group of people. Let’s start with the “Pink Slip Club.”

Well, when the recession hit, the publisher wanted a quickie on the recession. So I started interviewing people who lost their jobs, but I gave him a little more than he wanted, which is to say what I discovered is that these people have been going down economically for a long time. They had nothing to fall back on.

[The Pink Slip Club] was a group of friends who met in their church. They were people who earned about fifty thousand dollars a year as a graphics artist, as an insurnace adjuster, those kind of jobs. They lived in Manhattan and they could just make it on their fifty thousand dollars. They thought it would be over very quickly.

They thought the recession would be over quickly.

Yes, they thought the recession would be over quickly and they would find new jobs. They had all found jobs when they first started working – they found jobs quickly [but this time] it just dragged on and on and on.

What finally happened is that two are now working, two aren’t. But this is characteristic of what’s going on since the seventies: The person who had a full-time job as a graphics person in a textbook company now works catch-as-catch-can for those same kinds of companies. In fact, he works through a contractor, so he has no benefits; he’s making a little less an hour; he has no benefits; he has no guarantee of any work; he works when he can. I said to him, did you ever get a job from your old company … And he said no, somebody who still works there in the management told him that they’re sending the work abroad now. They’re not doing it through contractors in New York City. He will never have that kind of job again, nor will new people coming into that industry.

So you’ve got long-term unemployed, then you have people whose jobs have completely transformed.

Some people thought that the downturn that they personally suffered was temporary. I met a woman who had been the top salesperson for a very fancy Fifth Avenue clothing store – the kind that when you go in, you spend thousands of dollars at a time, and she would dress certain women every year. She was their highest grossing saleswoman. Very often, she had a commission. During the recession, they started laying people off. They started giving them shorter hours and then their commission disappeared. She thought it would come back afterwards and then she noticed that they were actually hiring new people during this recession and the new people were coming on with no commissions, and they were young people making $11 an hour. Her position was reduced to that, too. The store did have somewhat of a downturn, but all the time it was planning on what it was going to do afterwards.

I talked to a stockbroker who said, “Oh, I am very glad to hear about that company, because a lot of good developments like that come on during a recession.” That company did lose business, but I mentioned to you the person before who worked for a textbook company? Their business went up continuously, and they also used the recession as an opportunity to make all their permanent people temporary – and that is the new norm.

Let’s talk about the numbers. The numbers I just read from the Oxfam report, do you think this is the new normal in terms of gap between rich and poor?

Unless we do something about it, yes, that’s the direction it’s moving in.

As people talk about “recovery” – we hear a lot about returning to normal. Based on your research, what does the “new normal” in the workplace look like?

We’re coming back, in that there are some more jobs, [but for corporations] a victory has been had during that recession. Those jobs are the jobs I just mentioned: the saleslady who now gets no more commissions. In fact, the company has hired more people, only giving them fewer hours. Those jobs are like the graphic designer that I just mentioned, only now he’s working through contractors and getting a part-time job, and much less pay.

[It all adds up to] more and more money [for the employer]. Those companies are making the same profit; they may be doing a little less business, but they’re making the same profit or a little more. Profit went up about twenty-five percent for American corporations from the beginning of the recession, to its official end in 2009. It’s very unusual during a recession. When we talk about profit, we talk about money that went to the investor.

We heard that ninety percent of all the gains since 2009 have gone directly to that top one percent.

The top one percent not of salary earners, but of investors. That’s money that they have to reinvest.

So [tell me again] why should they be concerned?

If productivity is up, and by the way, it went up ninety-nine percent between 1971 and the beginning of the recession in 2007 and salaries went up just four percent – that means people can’t buy back what they produce. These companies say, okay I have a good idea: Instead of paying you to buy back what you produce, I’ll lend you the money. And they lent us money to buy cars; they lent us money to buy houses that we couldn’t afford.

The other point you raise in this book as in 2009, in the years running up to 2009, so too, today, there’s still an enormous pile of money that that elite one percent doesn’t know what to do with.

Right, when we’re talking about profits increasing by twenty-five percent by the end of the recession, that means that you and I are not worried about money being such a big problem, but if profits that great are going to investors, they put it in brokerage accounts or banks and a bank cannot keep its money in the bank; a bank has to do something with it. If people can’t buy products, then they have to start investing – not in companies that are making more [stuff] – they have to start investing in the derivatives of derivatives.

They are putting money back into the stock market, but the companies aren’t actually producing more. You put money in the stock market, the stock goes up …

You ask the question, why are they doing the same thing again? They have to do something with the profits. If inequality meant, I make thirty thousand dollars a year, you make a million dollars a year, that’s not very nice. You spend a million on a yacht; I take care of your yacht. I sweep it up and I’m still worrying about my children getting into college; that’s not nice, but unfortunately, it’s stable. Capitalism could run this way, but that’s not the million dollars we’re talking about, spending millions of dollars because you earn more than me. When we say, they got more, unequally, their share went up. Their share is of money they made in interest, money they made in investments and they just put that back into brokerage funds, back into banks, and those banks and brokerage funds have to do something with it. They’re doing the same [with] derivatives that they did before.

A man who kind of invented the math for derivatives, Ed Thorp, [someone] asked him after the crash, do you think that the stock market is still safe? He said, well, if we could move the money to Mars that would be better, but we can’t move it to Mars, so we have to put it back into the stock market even though it’s a Ponzi scheme.

So let’s talk about us. You, like Studs Terkel forty years ago, went and interviewed people and came away with a portrait that wasn’t just about numbers, but was really about a reality of life that many of us in the media are kind of numb to, or maybe we’re just not aware of … There’s actually less joy in your book than there was in Studs’ and Studs’ time was hard then. What is it doing to people to be in the situation they’re in?

What’s increasing is their insecurity, and the sense that they should be doing better. People who graduate from college and think that [the problem is] them. “Why am I – graduating from college – only earning $35,000? I was an intern last year. I have all of these bills from college, and my mother thinks I’m stupid; why did I do it this way?” And maybe I’m living back at home. It’s going to take awhile before the parents realize that oh my goodness, the child made the best decision she could. She invested in herself, or she bought a house that was a fixer-upper and it’s just the dollars and cents don’t add up. You’re not being paid enough, and you’re indebted. …We’re doing a bad job of helping them realize that it’s not just them, that this is thenew norm. That the so-called recovery that everyone is bragging about is this: We’ve recovered; we’ve taken your full-time job away and given you a part-time job – and we’ve given the difference to our stockholders. We’ve recovered; let’s breathe a sigh of relief.

What about the people?

What do you think it feels like? It will feel better, I hope, I think. I hope it will feel a little better when you say hey, they did it to us; this is universal; this is not just me, I didn’t choose a stupid school to go to, and a stupid major. I didn’t choose a stupid job. I didn’t fall behind on technology and that’s why I’m a part-timer …

It’s not like we’re too poor to have houses. As a matter of fact, there is a huge vacancy crisis. We don’t have to chop down trees to house everybody. Seventeen percent of housing is vacant right now. There is a place for all of us to move into if we just redistribute our ability to pay for it.

I’m a socialist. I’m frightened because I don’t see our capitalists saying, oops you better have a temporary redistribution. They learned to do that in the ’30s. In fact, they even learned to do that in the 1870s. I don’t see them doing it. We should all be frightened just as we are all frightened about the environment. There are capitalist solutions – redistribution – but they’re not doing it. That may be why we have a socialist solution this time. If 17% of the houses are vacant, we’ll just move into them.

Down the Up Escalator: How the 99% Live: I recommend it. Great stories, great read. Barbara Garson, thank you.

In conjunction with this conversation, GRITtv interviewed six New Yorkers about their work lives: “Juggling Jobs, Fighting Fear.” With work or looking for work, they all had one thing in common, they’re working too damn hard. If you’re working too damn hard – GRITtv wants to hear about it! Post your video, audio, or text at our Facebook page. We’re not ok with the “new normal.”

Copyright, Truthout. May not be reprinted without permission.

California drought similar to historic drought in Texas (Science Daily)

Date: February 10, 2014

Source: Texas A&M University

Summary: The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas, says a Texas A&M University professor.

Mojave Desert, California. The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas. Credit: © Tomasz Zajda / Fotolia

The worst drought ever to hit California could rival the historic 2011 drought that devastated Texas, says a Texas A&M University professor.

John Nielsen-Gammon, professor of atmospheric sciences who also serves as Texas’ State Climatologist, says the current drought in California is so far comparable in many ways to the 2011 Texas drought, the worst one-year drought in the state’s history that caused more than $10 billion in damages and led to numerous wildfires and lake closings.

“This is the third year of California’s drought and it is on pace to be as dry as Texas was in 2011,” Nielsen-Gammon, a California native who grew up in the San Francisco area, explains.

“However, because our severe drought year came at the beginning of the drought, reservoirs across much of the state were full. In California, reservoir levels were low to begin with.

“In addition, they are dealing with environmental flows through the Sacramento Delta that weren’t explicitly laid out until a few years ago.”

Weather patterns for both states appear similar, he adds.

“The same ridge that has kept California dry has also been keeping Texas dry,” he notes. “As the pattern changes, California is finally getting some rain and snow and the chances for precipitation in Texas are increasing as well.”

California’s drought is especially worrisome because the state produces about one-half of the country’s fruits, vegetables and nuts. It is the No.1 agricultural state in the U.S.

The 2011 drought devastated Texas farmers and ranchers, and lake levels were down as much as 50 feet in some lakes while several West Texas lakes completely dried up.

Numerous Texas cities set heat records in 2011, such as Wichita Falls, which recorded 100 days of 100-degree heat, the most ever for that city. Dallas also set a record with 70 days of 100-degree heat.

Texas’ drought is now in its fourth year, Nielsen-Gammon says, and about 52 percent of Texas is still in some form of drought status, ranging from moderate to exceptionally dry.

“January was unusually dry with an average of only about one-half an inch of precipitation statewide,” he adds.

“Reservoir levels have actually declined at a time when they should be rising. So the drought is still here. In fact, the prevalence of drought in Texas has not dropped below 40 percent since 2010 when this drought first started.”

The Texas Panhandle area has been especially hard hit.

“The past three calendar years have been among the driest three on record for the Panhandle,” he notes. “Dalhart shattered its record with just 20.54 inches total in 2011-2013.

“This current drought started with more intensity than the drought of 1950-56, the driest on record. We again have a generally warm Atlantic Ocean, and that tends to mean dry conditions. An El Nino (warmer water in the tropical Pacific Ocean) might develop later this year, but it’s still a little too early to say.”

New Study Shows Yoga Has Healing Powers (National Geographic)

Student Nicola Protetch ( 17) does the bow posture with a smile as she takes part in a yoga class.

Yoga practitioners, like these students in the bow posture, could experience reduced stress and better sleep.

PHOTOGRAPH BY RENE JOHNSTON, GETTY IMAGES

Susan Brink

for National Geographic

PUBLISHED FEBRUARY 7, 2014

The more we learn about yoga, the more we realize the benefits aren’t all in the minds of the 20 million or so devotees in the U.S. Yoga helps people to relax, making the heart rate go down, which is great for those with high blood pressure. The poses help increase flexibility and strength, bringing relief to back pain sufferers.

Now, in the largest study of yoga that used biological measures to assess results, it seems that those meditative sun salutations and downward dog poses can reduce inflammation, the body’s way of reacting to injury or irritation.

That’s important because inflammation is associated with chronic diseases including heart disease, diabetes, and arthritis. It’s also one of the reasons that cancer survivors commonly feel fatigue for months, even years, following treatment.

Researchers looked at 200 breast cancer survivors who had not practiced yoga before. Half the group continued to ignore yoga, while the other half received twice-weekly, 90-minute classes for 12 weeks, with take-home DVDs and encouragement to practice at home.

According to the study, which was led by Janice Kiecolt-Glaser, professor of psychiatry and psychology at Ohio State University, and published in the Journal of Clinical Oncology, the group that had practiced yoga reported less fatigue and higher levels of vitality three months after treatment had ended.

Laboratory Proof

But the study didn’t rely only on self-reports. Kiecolt-Glaser’s husband and research partner, Ronald Glaser of the university’s department of molecular virology, immunology, and medical genetics, went for stronger, laboratory proof. He examined three cytokines, proteins in the blood that are markers for inflammation.

Blood tests before and after the trial showed that, after three months of yoga practice, all three markers for inflammation were lower by 10 to 15 percent. That part of the study offered some rare biological evidence of the benefits of yoga in a large trial that went beyond people’s own reports of how they feel.

No one knows exactly how yoga might reduce inflammation in breast cancer survivors, but Kiecolt-Glaser lays out some research-based suggestions. Cancer treatment often leaves patients with high levels of stress and fatigue, and an inability to sleep well. “Poor sleep fuels fatigue, and fatigue fuels inflammation,” she says. Yoga has been shown to reduce stress and help people sleep better.

Other smaller studies have shown, by measuring biological markers, that expert yoga practitioners had lower inflammatory responses to stress than novice yoga practitioners did; that yoga reduces inflammation in heart failure patients; and that yoga can improve crucial levels of glucose and insulin in patients with diabetes.

Yoga for Other Stresses

Cancer is an obvious cause of stress, but recent research has pointed to another contributing factor: living in poverty. Maryanna Klatt, an associate professor of clinical family medicine at Ohio State University, has taken yoga into the classrooms of disadvantaged children. In research that has not yet been published, she found that 160 third graders in low-income areas who practiced yoga with their teacher had self-reported improvements in attention.

“Their teachers liked doing it right before math, because then the kids focused better on the math work,” she says. “Telling a kid to sit down and be quiet doesn’t make sense. Have them get up and move.”

While it would be too complicated and intrusive to measure biological responses to yoga in schoolchildren, Klatt has done similar research on surgical nurses, who are under the daily stress of watching suffering and death. She said she found a 40 percent reduction in their salivary alpha amylase, a measure of the fight-or-flight response to stress.

And she’s about to begin teaching yoga to garbage collectors in the city of Columbus before they head out on their morning shift. At the moment, her arrangement with the city is not part of a study. She just hopes to make their lives less stressful. And she does not plan to check their inflammatory response, though she admits she’d love to.

U.S. Plan to Lift Wolf Protections in Doubt After Experts Question Science (Science)

8 February 2014 10:45 am

Canis lupus

Wikimedia/USFWS. Canis lupus

The ongoing battle over a proposal to lift U.S. government protections for the gray wolf (Canis lupus) across the lower 48 states isn’t likely to end quickly. An independent, peer-review panel yesterday gave a thumbs-down to the U.S. Fish and Wildlife Service’s (USFWS’s) plan to delist the wolf. Although not required to reach a consensus, the four researchers on the panel were unanimous in their opinion that the proposal “does not currently represent the ‘best available science.’ ”

“It’s stunning to see a pronouncement like this—that the proposal is not scientifically sound,” says Michael Nelson, an ecologist at Oregon State University, Corvallis, who was not one of the reviewers. Many commentators regard it as a major setback for USFWS, which stumbled last year in a previous attempt to get the science behind its proposal reviewed.

USFWS first released its plan for removing the gray wolf from the endangered species list in June 2013. The plan also called for adding the Mexican gray wolf, a subspecies that inhabits the southwest, to the protected list. At the time, there were approximately 6000 wolves in some Western and upper midwestern states; federal protections were removed from the gray wolf in six of those states in 2011. More than 1 million people have commented on the plan. But regulations also require that the agency invite researchers outside of the agency to assess the proposal’s scientific merit.

At its core, the USFWS proposal relies on a monograph written by its own scientists. They asserted that a different (and controversial) species, the eastern wolf (Canis lupus lycaon) and not the gray wolf, had inhabited the Midwest and Northeast. If correct, then the agency would not need to restore the gray wolf population in 22 eastern states, where gray wolves are no longer found.

But the four reviewers, which included specialists on wolf genetics, disagreed with USFWS’s idea of a separate eastern wolf, stating that the notion “was not universally accepted and that the issue was ‘not settled’ ”—an opinion shared by other researchers. “The designation of an ‘eastern wolf’ is not well-supported,” says Carlos Carroll, a conservation biologist at the Klamath Center for Conservation Research in Orleans, California, who was not a member of the review panel.

Overall, the agency’s “driving goal seemed to be to identify the eastern wolf as a separate species, and to use that taxonomic revision to delist the gray wolf,” says Robert Wayne, a conservationist geneticist at the University of California (UC), Los Angeles, and one of the reviewers. If that were to happen, he says, it would be the first time that a species was removed from the federal endangered species list via taxonomy. “It should happen when a species is fully recovered,” Wayne says, “and the gray wolf is not. It’s not in any of those 22 eastern states—that’s why it’s endangered there.”

The panel’s statements will make it difficult, outside observers say, for USFWS to move forward with its proposal. The Endangered Species Act requires that decisions to remove a species from federal protection be based on the “best available science.”  And because the reviewers have concluded this is not the case, “you’ve got to think that the [service] must go back to the drawing board,” says Andrew Wetzler, director of land and wildlife programs for the Natural Resources Defense Council in Chicago, Illinois, an organization that advocates for continued federal protections for the wolf.

Gray wolves were exterminated across most of the lower 48 states in the last century. They were placed on the endangered species list in 1975, and successfully reintroduced into Yellowstone National Park and Idaho in 1995. Gray wolves also made a comeback in the Great Lakes region, where they now can be legally hunted. Idaho, Wyoming, and Montana also have wolf hunting and trapping seasons. Smaller gray wolf populations that aren’t legally hunted are found in Washington and Oregon.

The agency’s reaction to the peer-review comments has been somewhat muted. In a press statement, it thanked the National Center for Ecological Analysis and Synthesis at UC Santa Barbara for conducting the review. USFWS Director Dan Ashe noted that “[p]eer review is an important step in our efforts to assure that the final decision on our proposal to delist the wolf is based on the best available scientific and technical information,” and that the panel’s comments will be incorporated in the ongoing process of reaching a decision on the fate of the gray wolves.

The peer-review report is now available online. USFWS will reopen the public comment period on its delisting proporal on 10 February, and will accept comments through 27 March.

Cientistas identificam gene que relaciona estrutura cerebral à inteligência (O Globo)

JC e-mail 4892, de 11 de fevereiro de 2014

Descoberta pode ter implicações importantes para a compreensão de transtornos psiquiátricos como esquizofrenia e autismo

Cientistas do King’s College London identificaram, pela primeira vez, um gene que relaciona a espessura da massa cinzenta do cérebro à inteligência. O estudo foi publicado nesta terça-feira na revista “Molecular Psychiatry” e pode ajudar a entender os mecanismos biológicos por trás de determinados danos intelectuais.

Até agora já se sabia que a massa cinzenta tinha um papel importante para a memória, atenção, pensamento, linguagem e consciência. Estudos anteriores também já mostravam que a espessura do córtex cerebral tinha a ver com a habilidade intelectual, mas nenhum gene tinha sido identificado.

Um time internacional de cientistas, liderado pelo King´s College, analisou amostras de DNA e exames de ressonância magnética por imagem de 1.583 adolescentes saudáveis de 14 anos, que também se submeteram a uma série de testes para determinar inteligência verbal e não verbal.

– Queríamos descobrir como diferenças estruturais no cérebro tinham a ver com diferenças na habilidade intelectual. Identificamos uma variação genética relacionada à plasticidade sináptica, de como os neurônios se comunicam – explica Sylvane Desrivières, principal autora do estudo, pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London. – Isto pode nos ajudar a entender o que acontece em nível neuronal com certas formas de comprometimento intelectual, onde a habilidade de comunicação dos neurônios é, de alguma forma, comprometida.

Ela acrescenta que é importante apontar que a inteligência é influenciada por muitos fatores genéticos e ambientais. O gene que identificamos só explica uma pequena proporção das diferenças nas habilidades intelectuais e não é, de forma alguma, “o gene da inteligência”.

Os pesquisadores observaram 54 mil possíveis variações envolvidas no desenvolvimento cerebral. Em média, adolescentes com uma variante genética particular tinham um córtex mais fino no hemisfério cerebral esquerdo, particularmente nos lobos frontal e temporal, e executavam bem testes de capacidade intelectual. A variação genética afeta a expressão do gene NPTN, que codifica uma proteína que atua nas sinapses neuronais e, portanto, afeta a forma como as células do cérebro se comunicam.

Para confirmar as suas conclusões, os pesquisadores estudaram o gene NPTN em células de camundongo e do cérebro humano. Os pesquisadores verificaram que o gene NPTN tinha uma atividade diferente nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro, o que pode fazer com que o hemisfério esquerdo seja mais sensível aos efeitos das mutações NPTN. Os resultados sugerem que algumas diferenças na capacidade intelectual podem resultar da diminuição da função do gene NPTN em determinadas regiões do hemisfério esquerdo do cérebro.

A variação genética identificada neste estudo representa apenas uma estimativa de 0,5% da variação total em inteligência. No entanto, as descobertas podem ter implicações importantes para a compreensão dos mecanismos biológicos subjacentes de vários transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e autismo, nas quais a capacidade cognitiva é uma característica fundamental da doença.

http://oglobo.globo.com/ciencia/cientistas-identificam-gene-que-relaciona-estrutura-cerebral-inteligencia-11563313#ixzz2t1amCUSy

Modelo pode ajudar a prever como espécies da Mata Atlântica responderão às mudanças climáticas (Fapesp)

Pesquisadores do Brasil e dos EUA buscam compreensão dos processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás do padrão atual da biodiversidade (foto:Samuel Iavelberg)

11/02/2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Compreender os processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás da enorme biodiversidade e do padrão de distribuição de espécies da Mata Atlântica e, com base nesse conhecimento, criar modelos que permitam prever, por exemplo, como essas espécies vão reagir às mudanças no clima e no uso do solo.

Esse é o objetivo central de um projeto que reúne pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).

“Além de ajudar a prever o que poderá ocorrer no futuro com as espécies, os modelos ajudam a entender como está hoje distribuída a biodiversidade em áreas onde os cientistas não têm acesso. Como fazemos coletas por amostragem, seria impossível mapear todos os microambientes. Os modelos permitem extrapolar essas informações para áreas não amostradas e podem ser aplicados em qualquer tempo”, explicou Ana Carolina Carnaval, professora da The City University of New York, nos Estados Unidos, e coordenadora do projeto de pesquisa ao lado de Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

A proposta, segundo Carnaval, é promover a integração de pesquisadores de diversas áreas – como ecologia, geologia, biogeografia, genética, fisiologia, climatologia, taxonomia, paleologia, geomorfologia – e unir ciência básica e aplicada em benefício da conservação da Mata Atlântica.

O bioma é considerado um dos 34 hotspots mundiais, ou seja, uma das áreas prioritárias para a conservação por causa de sua enorme biodiversidade, do alto grau de endemismo de suas espécies (ocorrência apenas naquele local) e da grande ameaça de extinção resultante da intensa atividade antrópica na região.

A empreitada coordenada por Carnaval e por Miyaki teve início no segundo semestre de 2013. A rede de pesquisadores esteve reunida pela primeira vez para apresentar suas linhas de pesquisa e seus resultados preliminares na segunda-feira (10/02), durante o “Workshop Dimensions US-BIOTA São Paulo – A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”.

“Convidamos alguns colaboradores além de pesquisadores envolvidos no projeto, pois queremos críticas e sugestões que permitam aperfeiçoar os trabalhos”, contou Miyaki. “Essa reunião é um marco para conseguirmos efetivar a integração entre as diversas áreas do projeto e criarmos uma linguagem única focada em compreender a Mata Atlântica e os processos que fazem esse bioma ser tão especial”, acrescentou.

Entre os mistérios que os cientistas tentarão desvendar estão a origem da incrível diversidade existente na Mata Atlântica, possivelmente fruto de conexões existentes há milhões de anos com outros biomas, entre eles a Floresta Amazônica. Outra questão fundamental é entender a importância do sistema de transporte de umidade na região hoje e no passado e como ele permite que a Mata Atlântica se comunique com outros sistemas florestais. Também está entre as metas do grupo investigar como a atividade tectônica influenciou o curso de rios e afetou o padrão de distribuição das espécies aquáticas.

Desafios do BIOTA

Durante a abertura do workshop, o presidente da FAPESP, Celso Lafer, realçou a importância de abordagens inovadoras e multidisciplinares voltadas para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. Ressaltou ainda que a iniciativa está em consonância com os esforços de internacionalização realizados pela FAPESP nos últimos anos.

“Uma das grandes preocupações da FAPESP tem sido o processo de internacionalização, que basicamente está relacionado ao esforço de juntar pesquisadores de diversas áreas para avançar no conhecimento. Este programa de hoje está relacionado a aspirações dessa natureza e tenho certeza de que os resultados serão altamente relevantes”, afirmou Lafer.

Também durante a mesa de abertura, o diretor do IB-USP, Carlos Eduardo Falavigna da Rocha, afirmou que o programa BIOTA-FAPESP tem sido um exemplo para outros estados e outras fundações de apoio à pesquisa em âmbito federal e estadual.

Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do BIOTA-FAPESP, apresentou um histórico das atividades realizadas pelo programa desde 1999, entre elas a elaboração de um mapa de áreas prioritárias para conservação que serviu de base para mais de 20 documentos legais estaduais – entre leis, decretos e resoluções.

Joly também falou sobre os desafios a serem vencidos até 2020, como empreender esforços de restauração e de reintrodução de espécies, ampliar o entendimento sobre ecossistemas terrestres e sobre os mecanismos que mantêm a biodiversidade no Estado e intensificar as atividades voltadas à educação ambiental.

Para 2014, Joly ressaltou dois desafios na área de conservação. “Estamos iniciando uma campanha para o tombamento da Serra da Mantiqueira. Já fizemos alguns artigos de jornais, estamos lançando um website específico e vamos trabalhar para conseguir tombar regiões acima de 800 metros, áreas apontadas como de extrema prioridade para conservação no atlas do BIOTA”, disse.

Outra meta para 2014, segundo Joly, é trabalhar para que o Brasil ratifique o protocolo de Nagoya – tratado internacional que dispõe sobre a repartição de benefícios do uso da biodiversidade – até outubro, quando ocorrerá a 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica.

“É fundamental que um país megadiverso, que tem todo o interesse de ter sua biodiversidade protegida por esse protocolo internacional, se torne signatário do protocolo antes dessa reunião”, afirmou Joly.

Projeto de lei veda uso de animal vivo para aula de medicina em SP (Folha de SP)

JC e-mail 4891, de 10 de fevereiro de 2014

Proibição afetaria formação de novos cirurgiões e prejudicaria pacientes, afirmam faculdades

Um projeto de lei pode afetar o ensino de medicina no Estado de São Paulo. Se a nova regra for aprovada, faculdades ficariam impedidas de usar animais vivos para treinamento de cirurgiões.

A proposta é do mesmo deputado autor da lei estadual que veda o uso de animais em testes de cosméticos, sancionada no mês passado. O projeto que afeta o ensino de medicina tramita desde 2012, mas só atraiu atenção no fim do ano passado, com a invasão do Instituto Royal –centro de pesquisa que usava cães em testes de drogas.

O autor do projeto, Feliciano Filho (PEN), diz que pretende aproveitar o súbito aumento do interesse político por questões de direitos dos animais para reavivá-lo.

A ideia de banir o uso de animais vivos no ensino médico encontra resistência.

“Se essa proibição for adotada, o prejudicado não vai ser o cirurgião, e sim o doente”, afirma Paulo Roberto Corsi, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Para ele, não é possível ainda substituir o uso de animais por manequins e simulações de computador, conforme propõe autor do projeto.

“Estão começando a surgir alguns simuladores, a maioria para cirurgia videolaparoscópica [com incisões pequenas]”, diz Corsi que também é vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. “Para cirurgia convencional, porém, que requer o corte aberto, não existe modelo adequado que substitua o animal de experimentação.”

A espécie mais usada para aulas dessa disciplina em faculdades de medicina é o porco, com abdome de tamanho similar ao humano. Faculdades de medicina afirmam que evitam causar sofrimento nos suínos, pois todos eles são anestesiados durante os procedimentos cirúrgicos e abatidos antes de recobrar os sentidos para que não sintam nenhuma dor.

“O procedimento é feito com ética, com respeito ao animal, na presença de um professor e com acompanhamento de um veterinário”, afirma Antônio Carlos Lopes, diretor da Escola Paulista de Medicina (Unifesp). “Mas o aluno precisa entrar em contato com sangue, com pinçamento de vasos e com suturas em tecido vivo, que é diferente de tecido morto e de qualquer outro material.”

Segundo o médico, as boas faculdades de São Paulo já aboliram o uso de animais em aulas de anatomia e fisiologia nas quais não eram estritamente necessários.

INVASÃO
No curso de medicina da PUC-Campinas usa-se manequins de anatomia em aulas mais elementares, software para simular efeito de drogas e preparados em tubo de ensaio para demonstrar algumas reações metabólicas.

Mesmo buscando reduzir o uso de animais, a universidade teve uma aula invadida no ano passado por ativistas que filmaram porcos em cirurgia. Gustavo Henrique da Silva, coordenador de cursos na PUC-Campinas, se disse surpreso por a universidade ter virado alvo do ativismo.

“O procedimento feito ali tinha sido aprovado pelo comitê de ética da universidade, que é bem atuante, e estava sendo realizado com todo o rigor possível”, diz.

O projeto de lei, porém, alega que mesmo esse tipo de aula já caiu em desuso nos EUA. A ONG Humane Society lista apenas quatro escolas médicas que ainda usam animais vivos no país. Universidades americanas têm cursos mais longos, nos quais alunos acompanham cirurgiões experientes e só mexem em tecido vivo aos poucos.

Para Lopes, da Unifesp, porém, adotar o modelo dos EUA é inviável no Brasil. “Aqui não podemos nos dar ao luxo de fazer tudo isso, quando temos que colocar o médico rapidamente na linha de frente para trabalhar”, diz.

(Rafael Garcia/Folha de SP)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/151359-projeto-de-lei-veda-uso-de-animal-vivo-para-aula-de-medicina-em-sp.shtml

Sobre o caso Mr. Rodoviária

 Aeroporto ou rodoviária? (O Estado de S.Paulo)

10 de fevereiro de 2014 | 2h 05

José Roberto de Toledo

Uma professora-doutora da universidade da elite do Rio de Janeiro fotografa homem de bermuda e camiseta regata que vislumbrou no Santos-Dumont, e estampa-o no Facebook, sob a indagação: “Aeroporto ou rodoviária?”. Nos comentários, compara seus trajes ao de um estivador e arremata: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado. Ufa!”.

Outros integrantes da primeira classe acadêmica carioca se solidarizam nos comentários. “Esse tipo de passageiro fica roçando o braço peludo no seu porque não respeita os limites do assento.” “O glamour de voar definitivamente se foi.” “Isso é só uma amostra do que tenho visto pelo Brasil.” Sem perceber a autoironia, outra escreve: “O bom senso ficou em casa”.

João Santana não poderia sonhar com melhor roteiro de propaganda eleitoral gratuita e espontânea nas redes sociais. A máquina petista sacou a oportunidade e bombou a história através do perfil “Dilma Bolada”, no Twitter. Epidemia instantânea na rede.

Em 24 horas, a longeva carreira acadêmica da professora-doutora especializada em “português como segunda língua” estava relegada à décima página de resultados da busca pelo seu nome no Google. A primeira centena de links leva à história do Mr. Rodoviária – que se identificou e fala em processo. Mínima parte cita o envergonhado pedido de desculpas da professora-doutora.

O episódio é fascinante sob qualquer ângulo que se queira olhar. O mais óbvio é o efeito Big Brother. A sensação que o internauta tem de penetrar um círculo fechado e descobrir o que as pessoas realmente pensam e são capazes de dizer quando se acham dispensadas do politicamente correto e da mínima cortesia.

Soa exagerado de tão cru. Se fosse cena de novela, seria forçada demais e perderia credibilidade. Mas, como os personagens têm nome, cargo e página no Facebook, o exagero vira revelação: “Ah, é isso que eles acham”. Cai-se no estereótipo oposto. Se o emergente parece estivador, é peludo e ultrapassa os limites, a elite é demofóbica, cruel e segregacionista – sem exceções.

Talvez alguns dos personagens tenham escrito o que escreveram por pressão social, por vontade de ser aceito no grupo, de pertencer. Afinal, se o reitor e a doutora estão dizendo, essa só pode ser a norma, “a coisa certa” a fazer. É outro aspecto surreal da história: supostos guardiões da alta cultura disseminam e endossam preconceitos que deveriam combater.

Destila ainda do episódio uma ingênua nostalgia. A crença numa fantasia comercial. “Glamour de voar?”. Um voo de carreira é das experiências mais desagradáveis que há: fila de check-in, fila para despachar bagagem, fila para passar no raio X, fila para embarcar, para pegar a mala. Horas confinado em espaço apertado, respirando ar seco e, quando há, comendo comida requentada.

O tal glamour só existiu nas propagandas e nos filmes destinados a convencer o público de que pagar caro por horas de tormento é um privilégio. Poderia a elite intelectual sentir falta de algo que jamais existiu? Ou a nostalgia é uma metáfora? Será saudade de quando as divisões sociais eram claras, os espaços públicos eram exclusivos e as distâncias entre classes, intransponíveis?

Uma parte importante da sociedade brasileira incomoda-se com a novidade de um mercado de massa que nivelou o jogo via acesso quase universal ao consumo. Os incomodados não são os super-ricos, que continuam inalcançáveis. A aproximação dos que vêm de trás perturba quem já estava no meio e se sente igualado ou até superado por quem chegou agora e já quer sentar na janelinha.

Raras vezes esse conflito apareceu tão explícito quanto no caso da professora-doutora e seu Mr. Rodoviária. Mas a raridade tende a desaparecer mais rápido do que o glamour de voar. Como o mesmo episódio demonstrou, expor contradições e explorar divisões dá voto. Rodoviária e aeroporto viraram cabos eleitorais.

*   *   *

‘O empregado tem carro e anda de avião. Estudei pra quê?’ (Carta Capital)

Se você, a exemplo dos professores que debocharam de passageiro “mal-vestido” no aeroporto, já se fez esta pergunta, parabéns: você não aprendeu nada

por Matheus Pichonelli — publicado 07/02/2014 13:20, última modificação 10/02/2014 11:01

Preconceito

Professora universitária faz galhofa diante do rapaz que foi ao aeroporto sem roupa de gala. É o símbolo do país que vê a educação como fator de distinção, e não de transformação. Reprodução

O condômino é, antes de tudo, um especialista no tempo. Quando se encontra com seus pares, desanda a falar do calor, da seca, da chuva, do ano que passou voando e da semana que parece não ter fim. À primeira vista, é um sujeito civilizado e cordato em sua batalha contra os segundos insuportáveis de uma viagem sem assunto no elevador. Mas tente levantar qualquer questão que não seja a temperatura e você entende o que moveu todas as guerras de todas as sociedades em todos os períodos históricos. Experimente. Reúna dois ou mais condôminos diante de uma mesma questão e faça o teste. Pode ser sobre um vazamento. Uma goteira. Uma reforma inesperada. Uma festa. E sua reunião de condomínio será a prova de que a humanidade não deu certo.

Dia desses, um amigo voltou desolado de uma reunião do gênero e resolveu desabafar no Facebook: “Ontem, na assembleia de condomínio, tinha gente ‘revoltada’ porque a lavadeira comprou um carro. ‘Ganha muito’ e ‘pra quê eu fiz faculdade’ foram alguns dos comentários. Um dos condôminos queria proibir que ela estacionasse o carro dentro do prédio, mesmo informado que a funcionária paga aluguel da vaga a um dos proprietários”.

Mais à frente, ele contava como a moça havia se transformado na peça central de um esforço fiscal. Seu carro-ostentação era a prova de que havia margem para cortar custos pela folha de pagamento, a começar por seu emprego. A ideia era baratear a taxa de condomínio em 20 reais por apartamento.

Sem que se perceba, reuniões como esta dizem mais sobre nossa tragédia humana do que se imagina. A do Brasil é enraizada, incolor e ofuscada por um senso comum segundo o qual tudo o que acontece de ruim no mundo está em Brasília, em seus políticos, em seus acordos e seus arranjos. Sentados neste discurso, de que a fonte do mal é sempre a figura distante, quase desmaterializada, reproduzimos uma indigência humana e moral da qual fazemos parte e nem nos damos conta.

Dias atrás, outro amigo, nascido na Colômbia, me contava um fato que lhe chamava a atenção ao chegar ao Brasil. Aqui, dizia ele, as pessoas fazem festa pelo fato de entrarem em uma faculdade. O que seria o começo da caminhada, em condições normais de pressão e temperatura, é tratado muitas vezes como fim da linha pela cultura local da distinção. O ritual de passagem, da festa dos bixos aos carros presenteados como prêmios aos filhos campeões, há uma mensagem quase cifrada: “você conseguiu: venceu a corrida principal, o funil social chamado vestibular, e não tem mais nada a provar para ninguém. Pode morrer em paz”.

Não importa se, muitas e tantas vezes, o curso é ruim. Se o professor é picareta. Se não há critério pedagógico. Se não é preciso ler duas linhas de texto para passar na prova. Ou se a prova é mera formalidade.

O sujeito tem motivos para comemorar quando entra em uma faculdade no Brasil porque, com um diploma debaixo do braço, passará automaticamente a pertencer a uma casta superior. Uma casta com privilégios inclusive se for preso. Por isso comemora, mesmo que saia do curso com a mesma bagagem que entrou e com a mesma condição que nasceu, a de indigente intelectual, insensível socialmente, sem uma visão minimamente crítica ou sofisticada sobre a sua realidade e seus conflitos. É por isso que existe tanto babeta com ensino superior e especialização. Tanto médico que não sabe operar. Tanto advogado que não sabe escrever. Tanto psicólogo que não conhece Freud. Tanto jornalista que não lê jornal.

Função social? Vocação? Autoconhecimento? Extensão? Responsabilidade sobre o meio? Conta outra. Com raras e honrosas exceções, o ensino superior no Brasil cumpre uma função social invisível: garantir um selo de distinção.

Por isso comemora-se também à saída da faculdade. Já vi, por exemplo, coordenador de curso gritar, em dia de formatura, como líder de torcida em dia de jogo: “vocês, formandos, são privilegiados. Venceram na vida. Fazem parte de uma parcela minoritária e privilegiada da população”; em tempo: a formatura de um curso de odontologia, e ninguém ali sequer levantou a possibilidade de que a batalha só seria vencida quando deixássemos de ser um país em que ter dente é, por si, um privilégio.

Por trás desse discurso está uma lógica perversa de dominação. Uma lógica que permite colocar os trabalhadores braçais em seu devido lugar. Por aqui, não nos satisfazemos em contratar serviços que não queremos fazer, como lavar, passar, enxugar o chão, lavar a privada, pintar as unhas ou trocar a fralda e dar banho em nossos filhos: aproveitamos até a última ponta o gosto de dizer “estou te pagando e enquanto estou pagando eu mando e você obedece”. Para que chamar a atenção do garçom com discrição se eu posso fazer um escarcéu se pedi batata-fria e ele me entregou mandioca? Ao lembrá-lo de que é ele quem serve, me lembro, e lembro a todos, que estudei e trabalhei para sentar em uma mesa de restaurante e, portanto, MEREÇO ser servido. Não é só uma prestação de serviço: é um teatro sobre posições de domínio. Pobre o país cujo diploma serve, na maioria dos casos, para corroborar estas posições.

Por isso o discurso ouvido por meu amigo em seu condomínio é ainda uma praga: a praga da ignorância instruída. Por isso as pessoas se incomodam quando a lavadeira, ou o porteiro, ou o garçom, “invade” espaços antes cativos. Como uma vaga na garagem de prédio. Ou a universidade. Ou os aeroportos.

Neste caldo cultural, nada pode ser mais sintomático da nossa falência do que o episódio da professora que postou fotos de um “popular” no saguão do aeroporto e lançou no Facebook: “Viramos uma rodoviária? Cadê o glamour?”. (Sim, porque voar, no Brasil, também é, ou era, mais do que se deslocar ao ar de um local a outro: é lembrar os que rastejam por rodovias quem pode e quem não pode pagar para andar de avião).

Esses exemplos mostram que, por aqui, pobre pode até ocupar espaços cativos da elite (não sem nossos protestos), mas nosso diploma e nosso senso de distinção nos autorizam a galhofa: “lembre-se, você não é um de nós”. Triste que este discurso tenha sido absorvido por quem deveria ter como missão a detonação, pela base e pela educação, dos resquícios de uma tragédia histórica construída com o caldo da ignorância, do privilégio e da exclusão.
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Professora é afastada da PUC-Rio por ironizar passageiro (Estadão)

Por AE | Estadão Conteúdo – 23 horas atrás

A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio afastou “temporariamente” da Coordenação Central de Cooperação Internacional (CCCI) da instituição nesta segunda-feira, 17, a professora Rosa Marina de Brito Meyer, do Departamento de Letras. O motivo do afastamento foi um comentário feito pela professora em seu perfil no Facebook sobre a aparência de um passageiro no Aeroporto Santos Dumont. Considerada preconceituosa, a postagem gerou milhares de críticas e compartilhamentos.

No dia 5, Rosa publicou na rede social uma foto tirada com seu Iphone de um passageiro na sala de embarque do Santos Dumont, no centro do Rio, acompanhada de um comentário: “Aeroporto ou rodoviária?” Na foto, aparece em destaque um homem sentado de bermuda, tênis e camiseta regata. Amigo de Rosa, o reitor da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio), Luiz Pedro Jutuca, comenta: “O `glamour’ foi pro espaço.” Rosa responde: “Puxa, mas para glamour falta muuuitooo!!! Isso está mais para estiva.” Em seguida, ela comenta de novo: “O pior é que Mr. Rodoviária está no meu voo. Ao menos, não do meu lado!” A também professora Daniela Vargas complementa: “hehe. E sabe o pior? Quando esse tipo de passageiro senta exatamente a seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque – claro – não respeita (ou não cabe) nos limites do seu assento.”

MEDIDAS LEGAIS – Com a repercussão do caso – no dia 6, o perfil Dilma Bolada divulgou uma reprodução das postagens -, o homem da foto foi identificado: é o advogado Marcelo Santos, de 33 anos, morador de Nova Serrana (MG), que estava de passagem pelo Rio, após ter participado de um cruzeiro. “A primeira reação foi de espanto, por achar inacreditável aquele tratamento ter vindo de pessoas ligadas à educação. Me senti vilipendiado e agredido. A conotação que quiseram dar foi esta. Vou tomar medidas legais contra todos os envolvidos”, afirmou ontem ao Estado o advogado.

No mesmo dia 6, Rosa publicou um pedido de desculpas: “Sabedora do desconforto que posso ter criado com um post meu publicado ontem à noite, peço desculpas à pessoa retratada e a todos os que porventura tenham se sentido atingidos ou ofendidos pelo meu comentário. Absolutamente não foi essa a minha intenção.” Ontem, ela não foi localizada. Daniela pediu desculpas pelo “comentário infeliz” em entrevista ao jornal O Globo, acrescentando que não tinha a intenção de ofender ninguém. O reitor da Unirio alegou que se referia ao estado dos aeroportos de maneira geral, mas também pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.

Santos também disse ter ficado satisfeito com a repercussão positiva do caso e com as mensagens de apoio que recebeu. “Avião é simplesmente um meio de transporte. Aliás, muitas vezes é mais barato do que andar de ônibus.” O reitor da PUC-Rio, Josafá Carlos de Siqueira, que assina a portaria enviada ontem aos funcionários, informou que não daria entrevista por se tratar de uma “atitude pessoal” da professora. A PUC negou que Rosa Marina tenha pedido demissão. O professor Carlos Frederico Borges Palmeira, do departamento de Matemática, foi nomeado coordenador interino da CCCI. A coordenação é responsável pelos convênios que possibilitam, além do intercâmbio de estudantes, permuta de publicações científicas, realização de pesquisas conjuntas e intercâmbio de professores e pesquisadores.

Procurado, o Departamento de Letras não se pronunciou. No site da universidade, Rosa aparece como professora de quatro cursos, entre eles o de Aspectos Culturais do Português como Segunda Língua. Ela já orientou mais de 50 pesquisas, teses de doutorado e dissertações de mestrado. Rosa tem mestrado e doutorado em Letras pela PUC-Rio. Uma página criada no Facebook com o nome da professora para criticá-la tinha até ontem 27 mil “curtidas”.

Earliest footprints outside Africa discovered in Norfolk (BBC)

7 February 2014 Last updated at 10:30 GMT

By Pallab Ghosh, Science correspondent, BBC News

Dr Nick Ashton shows Pallab Ghosh where the footprints were found

Scientists have discovered the earliest evidence of human footprints outside of Africa, on the Norfolk Coast in the East of England.

The footprints are more than 800,000 years old and were found on the shores of Happisburgh.

They are direct evidence of the earliest known humans in northern Europe.

Details of the extraordinary markings have been published in the science journal Plos One.

Infographic

The footprints have been described as “one of the most important discoveries, if not the most important discovery that has been made on [Britain’s] shores,” by Dr Nick Ashton of the British Museum.

“It will rewrite our understanding of the early human occupation of Britain and indeed of Europe,” he told BBC News.

The markings were first indentified in May last year during a low tide. Rough seas had eroded the sandy beach to reveal a series of elongated hollows.

Footprints

The footprints on Happisburgh beach are possibly those of a family in search of food

I walked with Dr Ashton along the shore where the discovery was made. He recalled how he and a colleague stumbled across the hollows: “At the time, I wondered ‘could these really be the case? If it was the case, these could be the earliest footprints outside Africa and that would be absolutely incredible.”

The footprints are one of the most important discoveries, if not the most important discovery, that has been made on these shores” – Dr Nick AstonBritish Museum

Such discoveries are very rare. The Happisburgh footprints are the only ones of this age in Europe and there are only three other sets that are older, all of which are in Africa.

“At first, we weren’t sure what we were seeing,” Dr Ashton told me, “but it was soon clear that the hollows resembled human footprints.”

The hollows were washed away not long after they were identified. The team were, however, able to capture the footprints on video that will be shown at an exhibition at London’s Natural History Museum later this month.

The video shows the researchers on their hands and knees in cold, driving rain, engaged in a race against time to record the hollows. Dr Ashton recalls how they scooped out rainwater from the footprints so that they could be photographed. “But the rain was filling the hollows as quickly as we could empty them,” he told me.

When I was told about the footprints, I was absolutely stunned” – Dr Isabelle De GrooteLiverpool John Moores University

The team took a 3D scan of the footprints over the following two weeks. A detailed analysis of these images by Dr Isabelle De Groote of Liverpool John Moores University confirmed that the hollows were indeed human footprints, possibly of five people, one adult male and some children.

Dr De Groote said she could make out the heel, arch and even toes in some of the prints, the largest of which would have filled a UK shoe size 8 (European size 42; American size 9) .

“When I was told about the footprints, I was absolutely stunned,” Dr De Groote told BBC News.

“They appear to have been made by one adult male who was about 5ft 9in (175cm) tall and the shortest was about 3ft. The other larger footprints could come from young adult males or have been left by females. The glimpse of the past that we are seeing is that we have a family group moving together across the landscape.”

Diagram of footprint scene

It is unclear who these humans were. One suggestion is that they were a species called Homo antecessor, which was known to have lived in southern Europe. It is thought that these people could have made their way to what is now Norfolk across a strip of land that connected the UK to the rest of Europe a million years ago. They would have disappeared around 800,000 years ago because of a much colder climate setting in not long after the footprints were made.

It was not until 500,000 years ago that a species called Homo heidelbergensis lived in the UK. It is thought that these people evolved into early Neanderthals some 400,000 years ago. The Neanderthals then lived in Britain intermittently until about 40,000 years ago – a time that coincided with the arrival of our species, Homo sapiens.

There are no fossils of antecessor in Happisburgh, but the circumstantial evidence of their presence is getting stronger by the day.

In 2010, the same research team discovered the stone tools used by such people. And the discovery of the footprints now all but confirms that humans were in Britain nearly a million years ago, according to Prof Chris Stringer of the Natural History Museum, who is also involved in the research at Happisburgh.

“This discovery gives us even more concrete evidence that there were people there,” he told BBC News. “We can now start to look at a group of people and their everyday activities. And if we keep looking, we will find even more evidence of them, hopefully even human fossils. That would be my dream”.

Happisburgh

The prints were first noticed when a low tide uncovered them

Footprints

The sea has now washed away the prints – but not before they were recorded

Huge chimpanzee population thriving in remote Congo forest (The Guardian)

Scientists believe the group is one of the last chimp ‘mega-cultures’, sharing a unique set of customs and behaviour

theguardian.com, Friday 7 February 2014 11.53 GMT

A mother chimp passing her tool-use expertise to her young

In one of the most dangerous regions of the planet, against all odds, a huge yet mysterious population of chimpanzees appears to be thriving – for now. Harboured by the remote and pristine forests in the north of the Democratic Republic of Congo (DRC) and on the border of the Central African Republic, the chimps were completely unknown until recently – apart from the local legends of giant apes that ate lions and howled at the moon.

But researchers who trekked thousands of kilometres through uncharted territory and dodged armed poachers and rogue militia, now believe the group are one of the last thriving chimp “mega-cultures”.

“This is one of the few places left on Earth with a huge continuous population of chimps,” says Cleve Hicks, a primatologist based at the Max Planck Institute in Leipzig, Germany, who says the group is probably the largest in Africa. “We estimate many thousands of individuals, perhaps tens of thousands.” A unique set of customs and behaviour is shared by the apes across a vast area of 50,000 sq km, revealing how they live naturally.

The unusually large chimps of the Bili-Uele forest have been seen feasting on leopard and build ground nests far more often than other chimps, as well as having a unique taste for giant African snails, whose shells they appear to pound open on rocks or logs. Motion-activated video cameras left in the forest for eight months also recorded gangs of males patrolling their territory and mothers showing their young how to use tools to eat swarming insects – although the footage did not confirm the lunar howls.

Gangs of males patrolling their territory

The camera traps also revealed an extraordinary range of other forest dwellers, including forest elephantsolive baboonsspotted hyena as well as red river and giant forest hogscrested guinea fowl and aardvark. “We saw incredible amounts of wildlife on our camera traps, but we did not catch a single film of a human,” says Hicks. “It remains one of the last untouched wildernesses in Africa.”

One camera even recorded its own destruction as it came under attack from a leopard, but all two dozen cameras were nearly lost when poachers invaded the area and burned the researchers’ camp. Only a swift two-day rescue mission retrieved the footage.

Forest elephants

Hick’s team first identified the existence of the Bili chimps in 2007 but their new survey, published this week in the journal Biological Conservation, reveals a vast, thriving mega-culture. Elsewhere in Africa, human damage has fragmented the continent’s chimp population from many millions to just a few hundred thousand over the last century.

However, while the chimp numbers have apparently remained stable, the numbers of forest elephants have crashed by half due to poaching. The slaughter, to feed the highly lucrative illegal ivory trade, mirrors the bloody picture across central Africa, where two-thirds of all forest elephants have been killed in the last decade. “We found the burned skulls of a mother and baby skull at a poachers camp,” says Hicks.

Footage of elephant skulls, a sign poachers are venturing deeper into forests to hunt elephants

“The area is at great risk of being opened up,” says John Hart, one of the team and who has spent decades in DRC at the Lukuru Wildlife Research Foundation. The team’s work was interrupted previously by gunmen protecting illegal gold mining operations in nearby areas but the security situation is getting worse, Hart told the Guardian. Speaking from the town of Kisangani, on the eve of returning to the forest, he said: “The Lord’s Resistance Army are moving through the area as we speak. Also refugees from the Central African Republic (CAR) war and armed brigands from the CAR’s Seleka and opposition groups are establishing bases in the region.”

The researchers fear that these increasing incursions into the virgin forest will draw in more hunters seeking to feed the enormous bushmeat trade in the Congo basin, that targets chimps and other animals. “Theincredible bushmeat trade we discovered [in the southern part of the forest in 2010] was totally without precedent.” Hart says, with an estimated 440 chimps being killed a year. “But with the availability of bushmeat declining elsewhere, commercial bushmeat hunters are going further and further into the forest.”

The chimps are an endangered species and fully protected in DRC law. “But it is only a law on paper,” says Hicks, who identifies both official security forces and militia as the source of much of the danger, as well as endemic corruption. “I think the military are giving guns to the poachers.” He says the forest and the chimp mega-culture it contains are currently completely unprotected.

Congo_WEB

The prime minister, David Cameron, and Prince William are due to host the highest level global summit to date on combating the $19bn-a-year illegal wildlife trade in London next Thursday. Delegates from more than 50 nations, including all African countries, will focus on the poaching crisis facing elephants and other species, which is not only driving many towards extinction but is strongly linked to international organised crimeand the poverty of many vulnerable communities. The aim is to deliver an unprecedented political commitment, along with an action plan and funding pledges, and Hicks says the Bili-Uele forest is in need of urgent help.

“It is one of the last great expanses of pristine African wilderness,” he says. “Elephants have already taken a major hit and unless we can muster the resolve to protect this precious area, we are at risk of losing it forever. At the very minimum need 20 wildlife guards who are able to sweep through the forest and set up roadblocks to stop the poachers and other hunters.”

Hart agrees: “It is a very significant opportunity to preserve a whole ecosystem of chimpanzees: elsewhere on this continent this opportunity just does not exist.”

• You can view more camera trap videos from the Bili forest here.

Transposição do Rio São Francisco: via de mão única (Agência Pública)

07/2/2014 – 12h13

por Marcia Dementshuk, para a Agência Pública

sertanejos Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Sertanejos convivem com a obra há quase sete anos sem soluções para as consequências da seca. Foto: Mano Carvalho

Na primeira matéria do projeto Reportagem Pública, a repórter viaja ao Eixo Leste – e mostra como a população está sendo afetada pelas obras

“Sem dúvida, com a transposição do rio São Francisco será oferecida segurança hídrica para o Nordeste”, garantiu o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, durante nossa entrevista. A aposta do governo federal é alta: o orçamento atual da transposição é de R$ 8.158.024.630,97 (o dobro do previsto inicialmente), financiados pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC I e II). Trata-se do maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil, que mudará para sempre a cara da região.

Menos de 5% das reservas hídricas do país estão no Nordeste do país, que detém entre 12% e 16% das reservas de água doce no planeta. O clima semiárido, seco, quente e com poucas chuvas domina o sertão, território com mais de 22,5 milhões de habitantes (Censo IBGE/2010).

Neste cenário, a notícia de que seria possível transportar a água do Rio São Francisco para regiões mais secas transformou-se em esperança para os nordestinos de todas as épocas. Fala-se nessa obra desde os tempos do Império, quando, em 1877, o intendente do Crato, no Ceará, apresentou para dom Pedro II um projeto que levaria águas do Rio São Francisco até o rio Jaguaribe, no seu estado.

A obra foi iniciada 130 anos depois, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com base no projeto elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois do investimento inicial, de cerca de R$ 4 bilhões, o rendimento dos trabalhos diminuiu em 2010 por problemas de adequação do Projeto-Base à realidade da execução , e novas licitações precisaram ser feitas. Somente no final de 2013, conforme o Ministério da Integração Nacional, responsável pelo projeto, as obras foram 100% retomadas.

Hoje, o empreendimento aponta 51% de avanço, e o orçamento dobrou. A nova previsão para a conclusão é em dezembro de 2015, quando as águas deverão alcançar afinal o leito do rio Paraíba, no Eixo Leste, e o reservatório Engenheiro Ávidos, pelo Eixo Norte, ambos na Paraíba.

Ali do lado, falta água

O projeto prevê que as águas captadas do Rio São Francisco em dois canais de aproximação (no Eixo Norte, em Cabrobó e no Eixo Leste, no reservatório de Itaparica, em Floresta,ambos em Pernambuco) serão conduzidas pelos canais até os reservatórios, de onde abastecerão dezenas de municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, aproveitando a rede de saneamento existente. Projetos referentes a tomadas para uso difuso (pontos de tomada de água captadas ao longo dos canais para abastecer as comunidades instaladas nas proximidades) ainda estão em fase de elaboração. O Ministério da Integração ainda não definiu que pontos serão esses, nem os locais exatos de captação. Da mesma forma, os valores finais do custo desta água para a população ainda estão em estudo por parte do governo federal.

A realidade, porém, é que há mais de dois anos, muitos moradores dos municípios do semiárido nem sequer têm água nas torneiras; usam a água distribuída por caminhões-pipa, de poços particulares ou públicos (a maioria com água salobra) ou da chuva (quando chove).

Manoel Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Em Caiçara, distrito de Custódia, Maria Célia Rodrigues da Silva disse que falta água nas torneiras desde o início das obras do PISF. Foto: Mano Carvalho

Em Caiçara, distrito de Custódia, Pernambuco, próximo ao Lote 10, que corresponde a atual Meta 2L, da construção (veja o mapa), a população toma a água enviada pelo Exército, em caminhões-pipa, uma vez por semana. Toda semana é a mesma cena: a água é despejada em uma cisterna central, e cada morador tem que ir buscar – há carroceiros que cobram em torno de R$ 5,00 ou R$ 7,00 por viagem.

O riacho Custódia passa próximo da casa de Manoel Rodrigues de Melo, agricultor de 52 anos, mas o fio de água que resta é salobra, e só serve para lavar a casa ou os estábulos. “A água boa vem de Fátima, a uns 40 quilômetros daqui. O que a gente mais precisa aqui é água, que não tem”, suplica o agricultor. Nessas condições, ele e a esposas criaram oito filhos. Todos partiram em busca de melhores condições de vida. “É muito filho, até parece mentira! Mas antigamente os invernos eram melhores, chovia mais”.

Manoel Rodrigues de Melo, que nunca saiu da região onde nasceu, viu seu terreno ser dividido pelo canal do Eixo Leste: ficou com seis quilômetros de um lado do canal e com a mesma medida do outro. Dono de um sotaque sertanejo carregado, com poucos dentes na boca, as mãos calejadas e a pele castigada pelo sol, Manoel conta que agora os bichos têm de usar a ponte sobre o canal para passar. “Senão, eles ficam ou do lado de cá, ou do lado de lá, ou tem que fazer um volta tremenda lá por baixo, onde tem um lugar pra passar. Mas o que mais a gente espera é essa água que ‘tá’ pra vir. Isso vai mudar a nossa vida aqui. Vai ser muito bom”, diz o agricultor, ansioso.

“A gente tinha água pela torneira, era ruim, mas dava pra limpeza. Mas desde que começou essa construção (referindo-se à transposição) ela foi cortada”, lembra-se a vizinha de Manoel, a dona de casa Maria Célia Rodrigues da Silva, que cuida da mãe doente, com 82 anos. “Nem as cisternas não enchem. Estamos com dois anos de seca”, completou. A água encanada provinha de um poço escavado em outro vilarejo próximo de Caiçara, Fiúza, mas ela não sabe dizer se foi cortada em função das obras da transposição, ou se o poço secou. Mesmo com o encanamento de sua casa enferrujado e sem saber se terá água para beber no dia seguinte, a vida de Maria Célia continua. Ela não teve filhos. Cria alguns bodes, cabras e galinhas no quintal da casa e conta com o dinheiro da aposentadoria de sua mãe para o sustento das duas. Trabalhava na roça, mas nada mais resistiu à seca de dois anos.

Tradicional como a seca, o pífano de Zabé

Zabe Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Zabé da Loca. Foto: Mano de Carvalho

A tocadora de pífano Zabé da Loca nos recebeu às vésperas de completar 90 anos. Quando tinha 79 anos, 25 dos quais passados em uma gruta, na Serra do Tungão, próximo a Monteiro (PB), Zabé se tornou conhecida no mercado de música regional. Chegou a dividir o palco com músicos como Hermeto Pascoal e Gabriel Pensador em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Paraíba e Brasília.

Típica sertaneja, que jamais conheceu o conforto de abrir uma torneira de onde corresse água em abundância, Zabé teve 14 irmãos, oito dos quais morreram por doenças originadas pela falta de água e desnutrição. Fumante inveterada, persistiu no hábito mesmo depois do tratamento de combate a um enfisema pulmonar e à pneumonia e não deixou de enrolar um cigarrinho durante a visita, enquanto lembrava: “Nessa serra sempre teve água da chuva que empoçava nas pedras. Mas tinha anos que não encontrávamos água em canto nenhum. A gente tinha que ir até o rio (afluente do rio Paraíba, próximo da nascente) pegar”.

Quando comentamos sobre a transposição do rio São Francisco ela reagiu: “esse negócio existe mesmo?”

Para o ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Luiz Gabriel Azevedo, o custo de operação da água da transposição é elevado e requer investimentos vultosos, quando comparado a outras alternativas. “Parte do pacto, quando se pensou esse projeto, é de que os estados fariam um trabalho forte de racionalizar o uso dentro de seus territórios, de melhorar o sistema de gestão; e os estados estão aquém dessa expectativa”, analisa. Ele alega que os estados deveriam investir mais em obras que garantissem os recursos hídricos, como manutenção e construção de açudes, estudos para perfurações de poços e principalmente em obras de saneamento e rede de distribuição de água.

“Não valerá à pena trazer uma água cara para se desperdiçar do outro lado. Não dá para executar um projeto complexo se os recursos dos açudes não forem bem usados, se não houver um sistema de distribuição, se não se tem um sistema de gestão eficiente nos estados que vão receber para gerir a água”, complementou Luiz Gabriel Azevedo.

Por Lei, o órgão competente que determinará como a água será distribuída é o Conselho Gestor do Projeto de Integração do Rio São Francisco, instituído pelo Decreto 5.995/2006. Esse Conselho é formado por representantes dos estados beneficiados com o empreendimento – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará – e tem por objetivo, entre outros, tratar da alocação das águas e dos rateios dos custos correspondentes.

moradores Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Desalentados pela seca, moradores de cidades do Sertão nordestino aguardam a chegada das águas da transposição. Foto: Mano Carvalho

Para o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA) destaca que o Nordeste ainda carece de um conjunto de soluções hídricas, como aproveitamento máximo da escassa água da chuva, o controle do uso das águas dos reservatórios ou a transposição de águas de outras bacias hidrográficas, já que a escavação de poços do semiárido é considerada inviável. De acordo com o relatório de impacto Ambiental do PISF, (RIMA), “a maioria do território semiárido (70% da região) dispõe de pouca água subterrânea e possui solo impermeável, ou seja, absorve pouca água, limitando sua capacidade de disponibilidade. Além desse aspecto, a água, em geral, é de baixa qualidade”.

Realocação de moradores e uma vila partida ao meio

Cerca de 800 famílias foram deslocadas e receberam indenizações entre cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil para dar passagem às obras da transposição – de acordo com a gerência de Comunicação da CMT Engenharia, empresa responsável pelo acompanhamento das ações de compensação socioambiental do PISF – ao longo dos eixos Norte e Leste, em Pernambuco e no Ceará. De acordo com o supervisor de obras da empresa Ecoplan, Adilson Leal, porém, as terras não entraram na avaliação das propriedades a serem indenizadas por possuírem baixo valor de mercado, segundo a empresa, em função da pouca qualidade da terra para o plantio ou para o pasto, em uma região onde a chuva é escassa. Só as benfeitorias foram ressarcidas.

abastecimento Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Abastecimento de água potável para a população em Rio da Barra (PE), por onde passam os canais da transposição, ocorre duas vezes por semana. Foto: Mano de Carvalho

Em Rio da Barra, distrito de Sertânia, em Pernambuco, comunidade que beira o canal na altura do Lote 11, que corresponde à Meta 2L, (veja o mapa), a população se encontra duas vezes por semana na cisterna pública para se abastecer de água potável proveniente de um poço artesiano cavado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Um funcionário da prefeitura de Sertânia controla o abastecimento gratuito dos galões trazidos pela população na noite anterior. O local acaba se tornando o ponto de encontro do povoado. Mães carregando baldões chegam com as crianças arrastando baldes menores, carroças carregadas de galões estacionam ao lado e todos aguardam com paciência pelo precioso líquido. Maria José Araújo Pinheiro, uma dona de casa tímida, mas de olhos atentos, aguardava sua vez quando comentou que sua mãe, Creusa Davi da Silva, aceitou a oferta do governo para desocupar suas terras no sítio Chique-Chique. “Eles ofereceram pra ela R$ 14.400, ela pegou e foi morar em Sertânia. Como ela ganha aposentadoria, está bem. Mas pagaram só pela casa”, disse Maria José.

Marcia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O marido de Márcia Freire, Adilson Salvador, de Rio da Barra (PE,) é técnico ambiental nas obras da transposição. Foto: Mano de Carvalho

Márcia Maria Freire Araújo vem do outro lado do canal do Eixo Leste da transposição pegar água na cisterna pública de Rio da Barra. Ela chega sempre antes das seis da manhã, na companhia do cunhado que conduz uma carroça puxada a burro onde transportam os galões de água. Andam cerca de dois quilômetros, atravessam o canal por uma ponte provisória e os depositam em uma fila de recipientes que começou a ser formar no dia anterior. Sua família mora em outra propriedade pequena, que teve uma parte indenizada pelo Ministério da Integração Nacional. “Eu não acho que é justo perder um pedaço de terra, mas se é para fazer o bem pra tanta gente, então aceitamos”, conforma-se. Ela vê o lado bom: seu marido, Adilson Salvador, é empregado na construtora SA Paulista como técnico ambiental na transposição. “Ele conseguiu emprego desde o início da obra, primeiro por outra empresa, e agora pela Paulista”, orgulha-se Márcia Maria.

Em outra localidade, na zona rural de Sertânia, os moradores do Sítio Brabo Novo ficaram divididos pelo canal. Pelo menos treze famílias preferiram a remoção para terras acima do reservatório Barro Branco, ainda em fase de retirada da vegetação. Um número bem maior de famílias permaneceu do outro lado do reservatório.

Maria da Conceição Siqueira, viúva, de 51 anos, e seu filho, de 18 anos, deixarão a antiga moradia para trás e irão para Sertânia. “Já recebi R$ 7.500,00 por aquela casinha ali”, diz, apontando para uma casa que ficará submersa pelo reservatório, “e ganhei essa casa aqui. Mas vamos fechá-la e ir embora”. “Fiquei com um pedaço de terra muito pequeno, (cerca de 50m²) não dá pra nada. Meu filho está em tratamento, ele teve um derrame no cérebro e é melhor a gente ficar lá”, diz.

Lucineia Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

Lucinéia ferreira Florêncio não acredita em distribuição justa das águas da transposição. Foto: Mano de Carvalho

A família das irmãs Lucicléia e Lucinéia Ferreira Florêncio, vizinhas de Maria da Conceição, tomou uma decisão diferente. “Nossa primeira casa era onde agora vai ser o reservatório, e já foi indenizada em 2007. Mas esse reservatório ocupou quase a metade do nosso terreno. Como ainda sobraram terras desse outro lado e esta é uma área liberada, decidimos construir aqui, com o dinheiro da indenização”, contou Lucinéia. Ela não soube informar o tamanho do sítio, mas a nova casa é grande. No terreno persiste uma plantação de palmas (um tipo de cactos que serve para alimentar os animais) e algumas árvores frutíferas. O resto foi perdido: abacaxi, macaxeira, milho, feijão… A irmã, Luciclélia, casou-se e construiu uma casa menor ao lado, onde vive com o marido e uma bebê de nove meses.

Lucinéia, professora, duvida que no futuro haja uma distribuição justa das águas da transposição. “Tem os pontos positivos, mas acho que vão ter os negativos também. Eu penso que com essa água toda vão começar a fazer mais obras por aqui e eu não sei se toda a comunidade vai ter acesso a essa água quando quiser. O pequeno produtor nunca é beneficiado como os grandes proprietários, nunca tem igualdade. E acho que o crescimento vai ser desordenado. A comunidade já tem uma associação de moradores, mas ainda não sabe como abordar esse assunto”, lamentou Lucinéia, dizendo que não há orientação nenhuma dos governos sobre isso.

sitio Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

O Sítio Passagem da Pedra, em Sertânia, dividido para a construção do túnel; zeladores recuam cerca que delimita área da propriedade. Foto: Mano de Carvalho

Na área onde será construído o túnel entre Sertânia e Monteiro, no Lote 12, atual Meta 3L (veja mapa), a retomada das obras em dezembro significou a perda de mais 100 metros de terreno pelos agricultores, além dos 100 metros que já tinham recuado. “Fazer o quê? Os donos já receberam a indenização e agora que vieram construir pediram mais esse pedaço de terra”, explicam Lenilton Cordeiro dos Santos e Quitéria Araújo da Silva, zeladores do sítio Passagem da Pedra, cortado tanto pelo canal da transposição quanto pelo túnel.

Ailton Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

“Ninguém sabe”, afirmou o capataz Aílton Ferreira falando sobre a data que deverá chegar as águas da transposição no túnel na divisa entre Pernambuco e Paraíba. Foto: Mano de Carvalho

No sítio ao lado, Aílton Ferreira de Oliveira cuida do terreno da sogra, que também foi reduzido. “Agora, o gado que sobrou, cinco cabeças, está no curral e come mandacaru, pois não tem mais o que comer por causa da seca, e o terreno ficou pequeno pro pasto”.

“E essa água, quando chega?”, interrompe o capataz do sítio, que prossegue, num monólogo: “Ninguém sabe…”.

Leia também as outras quatro reportagens da série e ainda um relato da repórter Márcia Dementshuk, onde ela conta os bastidores da reportagem.

Uma viagem ao canteiro de obras

Na Contramão da Transposição

O povo contra os areeiros

Leia os bastidores da reportagem

A Transposição, um projeto dos tempos do Império

* Publicado originalmente no site Agência Pública.

New kinds of maths skills needed in the future – and new educational practices (Science Daily)

Date: February 5, 2014

Source: Suomen Akatemia (Academy of Finland)

Summary: The nature of the mathematical skills required from competent citizens is changing. Gone are the days of inertly applying and performing standard calculations. The mathematical minds of the future will need to understand how different economic, social, technological and work-related processes can be mathematically represented or modeled. A project is exploring new pedagogical practices and technological environments to prepare students for the flexible use of their math skills in future environments.

The nature of the mathematical skills required from competent citizens is changing. Gone are the days of inertly applying and performing standard calculations. The mathematical minds of the future will need to understand how different economic, social, technological and work-related processes can be mathematically represented or modeled. A project included in the Academy of Finland’s research program The Future of Learning, Knowledge and Skills (TULOS) is exploring new pedagogical practices and technological environments that can prepare students for the flexible and adaptive use of their mathematical skills in future activity environments.

“Our goal is to have students be able to use their mathematical skills in a highly adaptive and flexible way. We want to promote mathematical thinking so that future minds can recognize the mathematical aspects in their environments,” says Academy Professor Erno Lehtinen from the University of Turku, the project’s principal investigator. The new pedagogical methods, digital games and other applications promoting an active awareness and mathematical reading of the surrounding environment are aimed at sparking an interest in mathematical mind games.

The educational games developed in the research project are designed to support a creative application of flexible mathematical strategies for novel situations. The idea is also to help students view natural numbers as an interlinked system and understand mathematical contents, such as equations.

Inspired by everyday phenomena

The research project will also investigate how students understand fractions and decimals and how they flexibly apply their skills in interpreting various practical phenomena. “In our previous breakthrough studies, we’ve established the role of spontaneous quantitative focusing tendencies in the development of mathematical thinking. Now, we’re trying to develop new pedagogical practices and technological environments that will inspire students to observe quantitative relationships in their everyday surroundings,” Academy Professor Lehtinen explains.

The idea is to get students to use fraction-based thinking even before they actually are taught fractions at school. According to Lehtinen, the premise is that the ability to perceive quantitative and later fraction-based relationships in varying practical situations can help students manage the difficult conceptual transition from natural numbers to fractions and bridge school learning with students’ everyday activities.

The project will make use of both basic research and applied school research. The mathematical phenomena under study will be investigated in laboratory settings using precise experiments, observations and even brain-imaging methods. On the other hand, the research methods will also involve longitudinal studies in normal school environments. The plan is to test the new pedagogical methods and games in comprehensive teaching pilots using wide-ranging national-level data.