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Brazil plans to stop the killing of pink dolphins (Washington Post)

FILE – In this Nov. 2005 FILE photo released by Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia (INPA), an Amazon river dolphin swims in the Airao River in Amazonas state, Brazil. Brazil will temporarily ban the catch of a type of catfish in an effort to halt the killing of the Amazon pink dolphin, whose flesh is used as bait, the Fishing and Aquaculture Ministry said Tuesday, June, 3, 2014. (Sefora Antela Violante, INPA, File/Associated Press)

 June 3

SAO PAULO — Brazil will temporarily ban the catch of a type of catfish in an effort to halt the killing of the Amazon pink dolphin, whose flesh is used as bait, the Fishing and Aquaculture Ministry said Tuesday.

Ministry spokesman Ultimo Valadares said the government is working out the details of a five-year moratorium on fishing of the species called piracatinga that is expected to go into effect early next year.

“That should give us enough time to find an alternative bait for the piracatinga,” Valadares said by phone.

Nivia do Campo, president of an environmental activist group in the northern jungle state of Amazonas, welcomed the news because more than 1,500 freshwater dolphins are killed annually in the Mamiraua Reserve where she studies the mammals.

She said that since 2000, when fishermen started slaughtering them for bait, the number of dolphins living on the reserve has been dropping by about 10 percent a year. The reserve currently has a population of about 13,000 dolphins.

Poor fishermen are encouraged to use dolphin flesh as bait by merchants from neighboring Colombia, a big market for that species, de Campo said.

Known as the “water vulture” because it thrives on decomposing matter in rivers, the piracatinga is not consumed by people living along the rivers of the Amazon region.

The pink dolphin is under threat, “and if nothing is done to stop the killing it will become extinct,” de Campo added. “That is why the moratorium is excellent news. It will allow us to discover other baits fishermen can and continue earning money selling piracatinga she said.

The moratorium will also help stop the killing of the Amazon caiman, whose flesh is also used as bait to catch piracatinga.

For centuries, the pink dolphins have been revered by locals and protected by myth. According to one tale, the dolphins transform into handsome men and leave the water at night, seducing local women before returning to the river. Many consider it bad luck to kill them.

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Uso de botos do Amazonas como isca para pesca pode causar extinção da espécie (Agência Brasil)

JC e-mail 4895, de 14 de fevereiro de 2014

Segundo as alegações, não há pessoal suficiente para exercer uma fiscalização contínua na região

Levantamento feito pela pesquisadora Sannie Muniz Brum com 35 comunidades de pescadores em área de reserva de desenvolvimento sustentável, na região do Baixo Rio Purus, no Amazonas, constatou que botos-vermelhos, conhecidos também como botos-cor-de-rosa, estão sendo mortos e usados como isca para a pesca do peixe piracatinga (Callophysusmacropterus).

Sannie é pesquisadora do Instituto Piagaçu (IPI) e colaboradora da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa). O projeto teve apoio da Fundação Boticário de Proteção à Natureza. Sannie alerta que, no longo prazo, essa prática pode acabar levando à extinção do “golfinho da Amazônia”. “As medidas têm que ser tomadas agora. Se não, é extinção”, disse Sannie hoje (13) à Agência Brasil.

A coordenadora adjunta do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Carla Marques, disse que, em comitês internacionais, o governo brasileiro tem sido cobrado sobre a preservação dos botos da Amazônia.

O problema, disse, é que não há pessoal suficiente para exercer uma fiscalização contínua na região. O ICMBio fiscaliza as áreas dentro das unidades de conservação e o Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se encarrega de fiscalizar fora dessas unidades. “Dentro do instituto tem uma política de tentar evitar que ocorram essas práticas, mas o ICMBio não tem o poder de polícia”.

Carla Marques informou que têm sido feitas campanhas pelo governo em conjunto com o Centro de Estudo e Pesquisa da Amazônia (Cepam). O órgão do Ministério do Meio Ambiente tem conhecimento da utilização do golfinho como isca para pesca, o que é ilegal, e está articulando ações para coibir a prática em parceria com o Ibama e o próprio ministério. “A gente tem feito algumas ações de fiscalização em conjunto com o Ibama, mas as ações são pontuais. A Amazônia é um mundo inteiro. A gente não consegue coibir tudo”.

Carla admitiu que esse é um problema de difícil solução e que ocorre em outros países. Ela acredita que para resolver o problema, só com fiscalização. “Está todo mundo pensando em tentar mitigar esse problema, mas é de difícil solução pela falta de pessoal que se tem. Os dois órgãos têm pouco contingente para atender a uma região como a Amazônia”. Ela relatou, inclusive, que algumas ações ocorrem em parceria com a Polícia Federal e as polícias locais. “Mas são pontuais. A gente não consegue estar presente o tempo todo. E a pesca continua”.

Além de uma fiscalização mais rigorosa e permanente, a pesquisadora Sannie Brum defendeu a necessidade de se levar às comunidades que habitam em áreas protegidas informações para que saibam que é crime e ilegal usar botos-vermelhos como isca para a pesca. “É preciso que haja uma conscientização. Eles [pescadores] sabem que é proibido, que não podem fazer”. É preciso que haja uma coibição efetiva para que decidam parar essa prática. “Educar e trazer informações são medidas para a conscientização dos pescadores”.

Segundo a pesquisadora, a mortalidade do golfinhos é elevada na região do Baixo Purus devido à atividade de pesca da piracatinga. Considerando 15 toneladas pescadas somente na região, de acordo com relato dos próprios pescadores, a estimativa é que até 144 botos-cor-de-rosa sejam mortos por ano para virar isca. “É um absurdo”.

A situação se agrava considerando que os golfinhos têm uma reprodução lenta. As fêmeas têm uma gestação de cerca de dez meses e, após o nascimento, podem cuidar dos filhotes por até quatro anos. Com isso, a inserção de novos botos na natureza é demorada. Sannie diz que a morte de um grande número desses animais pode inviabilizar a manutenção da espécie.

Para a pesquisadora, a fiscalização é importante, mas constitui o primeiro passo. “Ela tem que ser mais efetiva e aberta à discussão”. Ela reiterou a necessidade de uma grande campanha de educação ambiental nas comunidades, para que os moradores entendam a importância que o boto tem para o meio ambiente e para ele mesmo. Hoje, disse, o pescador vê o boto como um concorrente para suas atividades de pesca. “A gente precisa mudar isso. E só muda com educação”.

Sannie Brum pretende começar uma nova pesquisa para descobrir o que pode ser usado como alternativa de isca para a pesca da piracatinga. A coordenadora adjunta do CMA, Carla Marques, informou que esse é um tipo de peixe que se alimenta de carne morta ou em putrefação. Por isso, é rejeitado como alimento pelos próprios pescadores.

Sannie Brum explicou que apesar disso, eles vendem o produto para mercados de São Paulo, do Paraná e do Nordeste e, inclusive, para outros países, como a Colômbia. Para isso, usam o nome fantasia de “douradinha”. Como é vendido sob a forma de filé, a piracatinga acaba sendo comprada pelos consumidores que o confundem com um peixe nobre, a dourada (Brachyplathystomaflavicans).

(Alana Gandra /Agência Brasil)