Cientistas identificam gene que relaciona estrutura cerebral à inteligência (O Globo)

JC e-mail 4892, de 11 de fevereiro de 2014

Descoberta pode ter implicações importantes para a compreensão de transtornos psiquiátricos como esquizofrenia e autismo

Cientistas do King’s College London identificaram, pela primeira vez, um gene que relaciona a espessura da massa cinzenta do cérebro à inteligência. O estudo foi publicado nesta terça-feira na revista “Molecular Psychiatry” e pode ajudar a entender os mecanismos biológicos por trás de determinados danos intelectuais.

Até agora já se sabia que a massa cinzenta tinha um papel importante para a memória, atenção, pensamento, linguagem e consciência. Estudos anteriores também já mostravam que a espessura do córtex cerebral tinha a ver com a habilidade intelectual, mas nenhum gene tinha sido identificado.

Um time internacional de cientistas, liderado pelo King´s College, analisou amostras de DNA e exames de ressonância magnética por imagem de 1.583 adolescentes saudáveis de 14 anos, que também se submeteram a uma série de testes para determinar inteligência verbal e não verbal.

– Queríamos descobrir como diferenças estruturais no cérebro tinham a ver com diferenças na habilidade intelectual. Identificamos uma variação genética relacionada à plasticidade sináptica, de como os neurônios se comunicam – explica Sylvane Desrivières, principal autora do estudo, pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London. – Isto pode nos ajudar a entender o que acontece em nível neuronal com certas formas de comprometimento intelectual, onde a habilidade de comunicação dos neurônios é, de alguma forma, comprometida.

Ela acrescenta que é importante apontar que a inteligência é influenciada por muitos fatores genéticos e ambientais. O gene que identificamos só explica uma pequena proporção das diferenças nas habilidades intelectuais e não é, de forma alguma, “o gene da inteligência”.

Os pesquisadores observaram 54 mil possíveis variações envolvidas no desenvolvimento cerebral. Em média, adolescentes com uma variante genética particular tinham um córtex mais fino no hemisfério cerebral esquerdo, particularmente nos lobos frontal e temporal, e executavam bem testes de capacidade intelectual. A variação genética afeta a expressão do gene NPTN, que codifica uma proteína que atua nas sinapses neuronais e, portanto, afeta a forma como as células do cérebro se comunicam.

Para confirmar as suas conclusões, os pesquisadores estudaram o gene NPTN em células de camundongo e do cérebro humano. Os pesquisadores verificaram que o gene NPTN tinha uma atividade diferente nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro, o que pode fazer com que o hemisfério esquerdo seja mais sensível aos efeitos das mutações NPTN. Os resultados sugerem que algumas diferenças na capacidade intelectual podem resultar da diminuição da função do gene NPTN em determinadas regiões do hemisfério esquerdo do cérebro.

A variação genética identificada neste estudo representa apenas uma estimativa de 0,5% da variação total em inteligência. No entanto, as descobertas podem ter implicações importantes para a compreensão dos mecanismos biológicos subjacentes de vários transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e autismo, nas quais a capacidade cognitiva é uma característica fundamental da doença.

http://oglobo.globo.com/ciencia/cientistas-identificam-gene-que-relaciona-estrutura-cerebral-inteligencia-11563313#ixzz2t1amCUSy

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