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COP20 Lima na mídia – primeira semana

Ministros terão pouco a mudar sobre rascunho, diz presidente da COP 20 (G1)

PUBLICADO  08 DEZEMBRO 2014

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Participante da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, observa mapa em telão que mostra a temperatura dos oceanos na Terra. As cores mais alaranjadas representam temperaturas maiores (Foto: UNFCCC)

Proposta do Brasil para acalmar ‘rixa entre ricos e pobres’ foi aceita pela ONU. Conferência das Nações Unidas acontece até o dia 12, em Lima, no Peru.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal, presidente da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, sabe que é grande o desafio que tem nas mãos: coordenar mais de 190 países reunidos em Lima para obter o “rascunho zero” de um acordo para cortar emissões de gases e reduzir os impactos da mudança climática no planeta.

A primeira semana de discussões entre diplomatas e cientistas chegou ao fim no sábado (6) sem que uma prévia desse rascunho estivesse pronta, o que não significa a inexistência de avanços, segundo Vidal.

Em entrevista o ministro limita-se a dizer que “os documentos vão estar oportunamente finalizados e concluídos para serem apreciados pelo setor ministerial”, parte do encontro que reúne os ministros do Meio Ambiente e que terá início na terça (9).

pan style=”font-family: arial, helvetica, sans-serif;”>Segundo Vidal, “sobrarão poucas arestas a serem aparadas por ministros de Estado nos próximos dias”. “Estamos monitorando, esperamos que o rascunho feche de tal maneira que o segmento de Alto Nível tenha poucas resistências políticas finais”, disse.

Decisões na mesa

O novo tratado, que deverá ser obrigatório, mas não punitivo, tem que ser assinado em 2015, na COP 21, em Paris, e entrar em vigor em 2020.

Quanto cada país terá que cortar de emissões? Que governos precisarão receber ajuda por danos sofridos em desastres naturais ou para a prevenção deles? Quanto de dinheiro será doado? De onde virá o investimento? Como será o desenvolvimento ou a transferência de tecnologias voltadas à redução das emissões? Como as nações vão se adaptar a uma possível nova realidade climática?

As respostas para essas perguntas tentam ser definidas desde 2012, quando ficou determinada a criação de um novo protocolo do clima – chamada Plataforma de Durban.

O ministro do Meio Ambiente peruano diz que articula com representantes de outros governos e não cita que resistências políticas seriam essas.

Por se tratar de possíveis impactos econômicos que os cortes de gases provocariam, os governos ficam reticentes em tomar quaisquer decisões referentes ao tema. Por isso a dificuldade em se obter um acordo rapidamente — já são 20 anos negociando o tema.

Mas ele ressalta que “as consequências das mudanças climáticas já estão sendo sentidas e vamos continuar sofrendo o impacto por mais tempo (…) se não tomarmos uma decisão desde essa COP e, obviamente, não chegarmos ao acordo no ano que vem, as cosias vão ficar cada vez mais severas”.

Adaptação

Segundo o presidente da COP 20, ainda é preciso avançar em uma agenda que tenha a capacidade de ser atendida adequadamente pelos países.

Metas Nacionais

02O ministro do Meio Ambiente e presidente da COP 20, Manuel Pulgar Vidal (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Ainda é preciso definir quais serão as metodologias a serem seguidas pelos países quando apresentarem as Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). Nelas estarão englobadas quanto cada país vai cortar de emissões a partir de 2020.

“Os países concordam que as condições contidas nos INDCs são essenciais para que o processo continue sendo bem sucedido até o próximo ano. Se isso não for aprovado agora, não será possível apresentar as contribuições em 2015. Estamos avançando bem nessa questão”, disse. As INDCs têm que ser apresentadas até o fim de março de 2015.

Perdas e danos

Os desdobramentos sobre como vai funcionar esse instrumento ainda são lentos. “Estão conforme o programado”, diz o presidente da COP 20. Criado na COP 19, na Polônia, o mecanismo sobre perdas e danos tem o objetivo de compensar nações que não conseguem se adaptar à mudança climática e já sofrem atualmente com seus efeitos. Isso beneficiaria, principalmente, os Estados-ilha, países insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar.

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Segundo período do Protocolo de Kyoto

Um segundo período para Kyoto foi aprovado em 2012, mas sua negociação ficou enfraquecida depois que grandes nações poluidoras como Japão, Canadá, Austrália e Rússia saíram do bloco chamado Anexo 1.

O nome refere-se ao grupo de nações ricas obrigadas pelo protocolo a cortarem emissões entre 2008 e 2012, menos o principal rico e atual segundo maior poluidor, os Estados Unidos. A China, maior emissor de gases, é considerado ainda como país em desenvolvimento.

“Estamos trabalhando nessa COP para eliminar qualquer dificuldade e, finalmente, alcançar um Segundo Compromisso”, disse o ministro. Isso é essencial para que as emissões sejam controladas nos anos que antecedem a vigência do novo acordo.

Princípio da Convenção

Outro ponto discutido no encontro refere-se ao princípio das “Responsabilidades Comuns, porém diferenciadas”. Grandes potências, que historicamente responsáveis pela maior parte das emissões, querem mudá-lo, alegando nações em desenvolvimento (Brasil, China, Índia e África do Sul), grandes emissoras de gases-estufa também têm que seguir regras rígidas para diminuir o lançamento de poluentes à atmosfera.

O embate se dá porque o bloco “mais pobre” não quer frear seu desenvolvimento, o que poderia acontecer ao realizar cortes de gases (ação exigida pelo bloco “mais rico”).

Mas uma proposta apresentada pelo Brasil, que vai estar no “rascunho zero”, pode acalmar os ânimos. Chamada de diferenciação concêntrica, ela divide as nações em três níveis e cria conjuntos de critérios, um tipo de “menu”, que cada país poderá escolher para diminuir suas emissões. A proposta faz com que nações vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreendam grandes ações. Ainda não foram definidos quais são esses critérios.

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10/12/2014 – 03h36

COP-20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima (IHU On-Line)

por Redação do IHU On-Line

shutterstock 130863860 380x253 COP 20: tensão de interesses marca a Conferência do Clima

“As maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui”, avalia o coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo.

A principal tensão entre os 190 países que participam da COP-20 é chegar a um acordo acerca do ano em que as nações irão se comprometer com as metas de redução de CO², diz Ricardo Baitelo, que representa o Greenpeace na Conferência do Clima, em Lima, à IHU On-Line, por telefone.

“Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025”, pontua. Segundo ele, a tensão para se chegar a um consenso para o cumprimento de metas demonstra que será difícil estabelecer um acordo para o próximo ano, em Paris. “Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então este ponto deve ser negociado”.

Baitelo informa que, entre as notícias que podem ser comemoradas na COP-20, estão a de que a Alemanha já anunciou a data de quando deixará de utilizar usinas nucleares, a de que a União Europeia reduzirá suas emissões em 40% até 2030 e a de que a Índia, apesar de insistir no uso de carvão, vai instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década.

De acordo com ele, ao longo das negociações da primeira semana, o Itamaraty fez uma proposta metodológica de situar as responsabilidades de cada país a partir da ideia de círculos concêntricos, ou seja, cada nação poderá assumir metas mais ambiciosas ao longo do tempo. Contudo, adverte, “o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade”.

Ricardo Baitelo é coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil e doutor em Planejamento Integrado de Recursos pela Poli-USP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como estão as negociações na COP-20 até o momento? Pode nos dar um panorama geral da primeira semana de negociações?

Ricardo Baitelo – Na primeira semana, as negociações foram lentas, sendo que nos primeiros três dias foram basicamente plenárias de apresentação, com todas as delegações falando, discutindo o texto rascunho, que será trabalhado aqui e depois em Paris. Então, diria que ainda é muito cedo para traçar um diagnóstico. Entre alguns pontos que podem ser colocados, um deles é a discussão do Brasil com relação à contabilização de carbono; essa é uma discussão dentro do subgrupo de florestas.

Em um panorama mais geral, posso dizer que as maiores notícias da COP vieram antes e, nesse sentido, o acordo entre Estados Unidos e China foi a grande notícia, mas que dificilmente será debatida aqui. Esses dois países finalmente se comprometeram com metas para 2030. Da parte do Brasil, o Itamaraty fez uma proposta de metodologia de como outros países devem se situar em termos de responsabilidade no futuro, já que propuseram essa nova divisão de círculos concêntricos, onde, ao longo do tempo, cada país vai se comprometendo com metas mais ambiciosas — obviamente, de acordo com o número de riqueza e de possibilidades.

A única crítica que fazemos é ao fato de que o Brasil se liberou da responsabilidade, por enquanto, de dizer onde se situaria nesse círculo concêntrico. O nosso papel enquanto Greenpeace é realmente pressionar e dizer que o Brasil tem todas as condições e também a responsabilidade de estar no grupo do centro, já que somos um dos seis maiores emissores do mundo e estamos entre o sétimo e oitavo maior PIB do mundo. Então, devemos assumir essa responsabilidade.

IHU On-Line – Quais são as críticas em relação ao rascunho do acordo de Paris feitas pelas delegações?

Ricardo Baitelo – Ainda é cedo para traçarmos um comentário sobre esse assunto. Um ponto bastante relevante é a divisão de grupos de países que querem jogar o começo do compromisso para 2030 e grupos de países que já assumem o começo dessas novas metas para 2025. Com isso dá para dizer que será bem difícil chegar a um consenso, porque, por um lado, só o Brasil e os Estados Unidos querem 2025 como o prazo limite, enquanto a Europa quer o prazo para 2030 e a China e a Índia querem um prazo maior ainda. Então, este ponto deve ser negociado.

IHU On-Line – O acordo entre China e EUA foi bem visto na COP-20, apesar de os comprometimentos serem também para 2030?

Ricardo Baitelo – Eu ainda não tenho um panorama dos demais países. Posso dizer, informalmente, que, segundo o Brasil, as metas em Copenhague eram mais ambiciosas. A delegação brasileira diz que a meta que se tinha em 2009, de uma redução de 36 a 39%, é mais avançada do que as metas que os Estados Unidos estão propondo. É claro que se tem essa confusão, se cada um coloca uma porcentagem e coloca um ano de referência diferente, fica uma grande salada de frutas. O Brasil argumenta que a proposta dos Estados Unidos, se tomada pela base da brasileira, é menor, porque é só de 19% de redução, e a China, por sua vez, também não disse em que ano vai atingir o pico das emissões. Os chineses mencionam 2030, mas seria, obviamente, mais importante que isso acontecesse antes, considerando que eles são os maiores emissores do mundo.

Outro fator relevante é que a Alemanha anunciou uma data de quando deve deixar de usar energia nuclear internamente. Essa é outra notícia bastante importante. A Alemanha, como uma das maiores potências, deve não só deixar de utilizar usinas nucleares, mas, em relação ao carvão, esperamos que ela dê o exemplo para o resto da Europa também.

IHU On-Line – Além da Alemanha, algum outro país já se manifestou sobre quais propostas domésticas irá adotar para enfrentar as mudanças climáticas?

Ricardo Baitelo – A União Europeia quer reduzir em 40% o número de emissões até 2030. Esse é um número, sem dúvida, mais ousado do que o proposto pela China e pelos Estados Unidos, mas, considerando a responsabilidade histórica, o número poderia ser maior, ou se poderia chegar antes a essa redução de 40%.

De qualquer maneira, é alguma coisa. Dentro das grandes potências, o que é digno de nota é a Índia: parte da proposta deles é muito boa, e outra parte é muito ruim. Os indianos querem instalar 100 mil MW de energia solar até o fim da década — isso é basicamente o tamanho da matriz brasileira inteira. O problema é o outro lado da moeda, relacionado à emissão de carvão, porque eles não querem tocar as fontes de carvão. Nesse sentido, a pressão que estamos colocando para que os países digam quando vão atingir o pico de emissão não está chegando à Índia. A Índia diz que não se deve colocar esse limite imediatamente e que as metas devem ser a partir de 2040 ou 2045, o que é um absurdo.

IHU On-Line – Quais têm sido as atividades da Cúpula dos povos frente à COP-20?

Ricardo Baitelo – Posso responder pelo Greenpeace. Tivemos uma grande atividade antes do começo da COP, em Machu Picchu, pedindo para que as grandes economias ajam em função da energia solar.

O Greenpeace Brasil desenvolveu algumas atividades, entre os dias 6 e 9, com os Munduruku, os quais trouxemos para o evento, e indígenas locais do Peru. Devemos fazer essa ponte entre os indígenas daqui, especialmente com a etnia que conseguiu interromper a construção de uma hidrelétrica no Peru. Então os colocamos em contato com os indígenas que devem ser impactados pelo projeto de Belo Monte.

A nossa meta internacional é pedir que os países tenham 100% de energias renováveis no mundo até 2050. No dia 10 de dezembro deve ocorrer a Marcha dos Povos, porque, por mais que se tenha essa discussão importante dos textos do novo acordo, que é uma discussão muito fechada, difícil de acompanhar, temos essa característica positiva da COP no Peru, que é de ser uma COP muito mais atrelada aos movimentos sociais, uma COP dos indígenas. Considerando que ultimamente, no governo Dilma, os direitos indígenas foram totalmente negligenciados, essa é outra pauta que estamos trazendo para discutir aqui.

* Publicado originalmente no site IHU On-Line.

(IHU On-Line)

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08/12/2014 – 12h02

Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima (IPS)

por Diego Arguedas Ortiz, da IPS
CHICA 629x419 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – Encerrados em salões sufocados pelo sol da capital peruana, delegados de 195 países buscam o caminho que permita ao planeta chegar à neutralidade climática durante a segunda metade deste século, o único mecanismo para evitar mudanças irreversíveis na dinâmica planetária, segundo instituições científicas e especialistas.

A neutralidade climática implica a redução das emissões anuais de gases causadores do efeito estufa a um ponto em que se possa capturar ou fixar a totalidade desses gases liberados. Para isso é fundamental acelerar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para outra fundamentada em energias renováveis.

Quando a 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática chega ao seu equador, aumentam os países do Sul em desenvolvimento que assumem a proposta de fixar a meta até 2050 de neutralidade climática, também conhecida como carbono zero.

“Os dados científicos são cada vez mais alarmantes”, disse à IPS a costarriquenha Giovanna Valverde, presidente pró tempore da Associação Independente da América Latina e do Caribe (Ailac), um grupo de governos regionais de renda média que negociam como bloco na conferência, que começou no dia 1º e  termina no dia 12.

“O coordenador do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) nos mostrou, na sessão plenária, os dados que demonstram a urgência em que nos encontramos. Se colocamos o prazo de 2050 é para que todos possam aderir, mas os números são alarmantes e é bom se antecipar”, ressaltou Valverde.

Informes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Agência Internacional da Energia e do IPCC coincidem sobre como alcançar a neutralidade: investir mais em energias limpas, reduzir o consumo de combustíveis fósseis, melhorar as práticas agrícolas, reflorestar e potencializar a eficiência energética.

A iniciativa de avançar nesse caminho mediante a neutralidade climática se converteu em um debate-estrela da primeira semana da conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), mas falta muito para que se cristalize em um compromisso dos países para garantir a transição para uma economia limpa.

Um informe do britânico Overseas Development Institute conclui que as potências industrializadas e emergentes do Grupo dos 20 continuam investindo cerca de US$ 88 bilhões anuais em subsídios aos combustíveis fósseis, em lugar de usar esse capital para impulsionar energias renováveis. Além disso, nos espaços da COP 20, o poder e o lobby da indústria dos hidrocarbonos é palpável e não faltam na agenda encontros organizados por corporações transnacionais do setor, como o da anglo-holandesa Shell, pautada para hoje.

COP20 Neutralidade climática, a balsa de sobrevivência lançada em Lima

 

Valverde assegurou que a chave é “os países se comprometerem seriamente com a informação nas contribuições para redução de emissões, permitindo aos cientistas terem tempo entre 2015 e 2020 para comparar metodologias de países, fazer a somatória matemática e definir quanto falta reduzir”.

A Associação de Pequenos Estados Insulares (Aosis) divulgou um comunicado exortando os países industrializados a tornarem “mais ambiciosas” essas contribuições, reduzindo a dependência das energias sujas. Também pediu que o planeta alcance o nível de zero emissões em 2100, o que implica uma total eliminação do uso de combustíveis fósseis, tal como recomendou o IPCC em seu último informe, apresentado no dia 2 deste mês.

Países como a Polônia, uma potência na produção de carvão, anunciaram sua rejeição à medida. A oposição polonesa e de outros países dependentes de combustíveis fósseis entorpecem o avanço das energias limpas. A União Europeia (UE), por exemplo, não concorda com uma meta de longo prazo dentro do bloco e tampouco está segura se apoiará a neutralidade climática apresentada pela CMNUCC e impulsionada pelos países em desenvolvimento.

“A meta é parte das mitigações, é parte da discussão”, pontuou à IPS uma das condutoras das negociações pela UE, Elina Bardram, acrescentando que “é importante chegarmos a Paris com uma visão compartilhada”, referindo-se à COP 21, que acontecerá na capital francesa em novembro de 2015. “Isso nos dirá qual será a ambição para um futuro baixo em carbono. Não temos clara ainda a meta de longo prazo, mas naturalmente que levaremos em conta a visão do IPCC e de outros organismos científicos”, assegurou.

Em Paris deverá ser estabelecido um novo tratado climático, global e vinculante, que a partir de 2020 substitua o Protocolo de Kyoto. Mas antes, em Lima, deve ser definida a forma que terá o que muitos consideram o coração do novo acordo: as contribuições nacionais. Nessas contribuições está incluída a quantidade de redução com que cada nação se compromete, e em quanto tempo. A somatória dessas contribuições deve ser suficiente para evitar os efeitos irreversíveis na dinâmica planetária da Terra.

Para conseguir isso, os países em desenvolvimento e a sociedade tanto do Sul quanto do Norte propõem uma mescla de redução dos incentivos às energias fósseis, reflorestamento, melhorias agrícolas e investimento em energias renováveis. Embora essas contribuições devam ser informadas oficialmente entre março e junho de 2015, alguns países já fizeram anúncios a respeito.

No dia 12 de novembro, em um anúncio conjunto em Pequim, os Estados Unidos prometeram reduzir, até 2025, entre 26% e 28% de suas emissões em relação aos níveis de 2005, enquanto a China se comprometeu a colocar um teto às suas emissões em 2030 e depois reduzi-las. Porém, os estudos científicos alertam que são necessários passos mais ambiciosos e mais rápidos.

As ações devem ser tomadas antes de 2020, segundo o Informe Sobre a Disparidade nas Emissões 2014, publicado em 19 de novembro pelo Pnuma, que analisa anualmente a diferença entre as ações atuais dos países e as necessárias para não haver graves consequências nas dinâmicas planetárias. “Esse documento deixa claro que, em certo ponto da segunda metade do século 21, teremos que ter alcançado a neutralidade climática, ou, como alguns chamam, zero total, em termos de emissões globais”, explicou a secretária-executiva da CMNUCC, Christiana Figueres.

Segundo esse estudo, o pico das emissões mundiais deverá ocorrer nos próximos dez anos, seguido por ações para implementar mais energias limpas e reduzir o uso de combustíveis fósseis. Isso é conhecido como a “agenda de redução prévia a 2020” e a entrada em vigor do novo tratado. Até agora, em Lima, os delegados adiam a revisão dessas reduções pré-2020, envolvidos em lutas de procedimentos.

Agora, os países correm o risco de não acordarem as ações necessárias para reduzir as emissões de forma que a elevação da temperatura não ultrapasse os dois graus centígrados, e inclusive há vozes alertando que o aumento máximo deve ser menor, antes que ocorram efeitos irreversíveis no planeta.

“Nossa posição é que o aumento da temperatura não pode ser maior do que 1,5 grau centígrado, porque mais do que isso será extremamente nocivo”, destacou à IPS o nepalês Ram Prasad, coordenador do grupo de Países Mais Vulneráveis (LCD). A ação climática é urgente, pois cada ano que passa complica mais a situação para os países mais vulneráveis, que usualmente são as nações mais pobres do planeta, tornando a mudança climática um problema profundo de desigualdade, enfatizou.

O informe do Pnuma conclui que para adaptar-se ao clima variável o mundo necessitará de aproximadamente três vezes mais do que os entre US$ 70 milhões e US$ 100 bilhões anuais estimados até agora. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 03h03

A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora! (Greenpeace)

por Kumi Naidoo*
tufao A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

 

Enquanto o tufão Hagupit atinge as Filipinas, uma das maiores operações de evacuação em tempos de paz da história foi lançada para prevenir uma repetição das enormes perdas de vidas ocorridas quando o super tufão Haiyan atingiu a mesma área há apenas um ano.

“Uma das maiores evacuações em tempos de paz” é o que tem sido dito sobre esse fato. Mas pergunto: é tempo de paz ou estamos em guerra com a natureza?

Eu estava prestes a ir para Lima, no Peru, quando recebi um telefonema para vir para as Filipinas para apoiar o nosso escritório e seu trabalho em torno do tufão Hagupit (cujo nome significa chicote). Em Lima está em andamento a COP 20, mais uma rodada de reuniões da ONU sobre o clima, com o objetivo de negociar um tratado global para evitar uma mudança climática catastrófica.

Mas essas negociações já acontecem há muito tempo, com urgência insuficiente e nos bastidores. E, não tanto nos bastidores, também ocorre a influência do lobby dos combustíveis fósseis.

Este ano, como no ano passado e no ano anterior, essas negociações ocorrem em um cenário devastador de um chamado “evento climático extremo”, sobre o qual os cientistas do clima há tempos vêm alertando.

Tragicamente, não estamos tomando medidas urgentes. Mas a natureza não negocia, ela responde à nossa intransigência. Para o povo das Filipinas, e em muitas outras partes do mundo, a mudança climática já é uma catástrofe.

Hagupit tmo 2014338 lrg 784x1024 A natureza não negocia: a catástrofe climática está acontecendo agora!

Há apenas um ano, o super tufão Haiyan matou milhares de pessoas nas Filipinas, deixou as comunidades destruídas e causou bilhões de dólares em danos. Agora, muitos sobreviventes que ainda estão deslocados tiveram que novamente evacuar as tendas onde vivem enquanto o tufão Hagupit esculpe um caminho por todo o país.

É muito cedo para avaliar o impacto até agora – estamos todos esperando que ele poupará as Filipinas da mesma dor que foi vivida após Haiyan.

Aqui em Manila, nos preparamos para viajar para as áreas impactadas, na esteira do tufão Hagupit, ou Ruby, como tem sido chamado. Vamos oferecer a assistência que pudermos e vamos prestar solidariedade ao povo filipino. Queremos chamar a atenção daqueles que são responsáveis pelas mudanças climáticas, aqueles que são responsáveis pela devastação e que deveriam estar ajudando a pagar pela limpeza e pela a adaptação a um mundo em que o nosso clima está se tornando uma fonte crescente de destruição em massa.

É com o coração pesado que nos preparamos para esse testemunho. Nós desafiamos aqueles em Lima a voltar sua atenção da letargia do processo das negociações e prestar atenção ao que está acontecendo no mundo real.

Os chamamos para entender que a mudança climática não é uma ameaça futura a ser negociada, mas um perigo claro e presente que requer ação urgente agora!

Todos os anos, o povo das Filipinas aprende da maneira mais difícil o que a inação sobre as emissões quer dizer. Eles podem estar um pouco mais bem preparados e mais resistentes, mas eles também estão mais horrorizados com o fato de que, a cada ano – ao mesmo tempo -, as reuniões sobre o clima parecem continuar no vácuo. Não estão preparados para tomar medidas significativas, não são capazes de responder à urgência do nosso tempo e não responsabilizam os grandes poluidores que estão causando a mudança do clima com ritmo feroz.

Antes de sair para Manila também recebi uma mensagem do Yeb Sano, comissário do clima para as Filipinas: “Eu espero que você possa se juntar a nós quando dermos o testemunho sobre o impacto deste novo super-tufão. Sua ajuda seria muito valiosa para entregar uma mensagem clara e em bom som para Lima.”

Yeb foi o negociador-chefe Filipino por três anos nas negociações climáticas da ONU e recentemente visitou o Ártico em um navio do Greenpeace para testemunhar o degelo do mar. Dois anos atrás, em Doha, quando o tufão Pablo tirou a vida de muitos, ele rompeu o protocolo normalmente reservado e desapaixonado da diplomacia que domina as negociações do tratado do clima da ONU falando:

“Por favor, deixem que 2012 seja lembrado como o ano em que o mundo encontrou a coragem de assumir a responsabilidade para o futuro que queremos. Eu peço a todos nós aqui, se não formos nós, quem? Se não for agora, então quando? Se não aqui, então onde? ”

Estou reunindo o Greenpeace Filipinas e Yeb para visitar as áreas mais atingidas, documentar a devastação e enviar uma mensagem clara de mudança climática para Lima e o resto do mundo. Os que são responsáveis pela maioria das emissões serão responsabilizados pelas comunidades que estão sofrendo os impactos de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.

Vamos chamar os chefes das companhias de combustíveis fósseis que são culpados pela tragédia que se desenrola para que realizem um exame de consciência e aceitem a sua responsabilidade histórica. Diz-se que a verdade é a primeira vítima da guerra e, nesta guerra contra a natureza, a verdade da ciência do clima é inquestionável.

* Kumi Naidoo é diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

** Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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Manifesto “No REDD” na COP-20 (Portal do Meio Ambiente)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

9842No Brasil, é num ambiente de vitória eleitoral duramente conquistada e a formação de um tipo de ‘coabitação governamental’ inédita em que o governo de esquerda, com vontade reformista e transformadora expressada, nomeia ministros dentre as pessoas mais conservadoras e à direita do país, que vai se abrir a 20ª Conferência das Partes, a COP-20, em Lima-Peru, de 1º a 12 de dezembro. Para muitos especuladores, esta conferência prepara as bases de um novo acordo que deveria ser assinado o próximo ano em Paris.

Por Lucas Matheron, AgoraVox (Bruxelas)

Assim como já comentei em artigos anteriores [1] [2] [3], um dos pontos mais polêmicos dentre as soluções de luta contra o aquecimento global são os mecanismos de compensação das emissões, entre os quais, notadamente, os chamados REDD e REDD+. E nesta questão, o Brasil está especialmente interessado. Com efeito, longe de resolver os problemas, esses mecanismos os reforçam e os amplificam, pois ao lado das questões puramente ambientais, explodem problemas sociais, como do direito à terra e das comunidades indígenas. E isso, legalmente. Em resumo, é mais uma estratégia para sustentar um capitalismo agonizante (?), como o pensa David Harvey, que, desta vez, se ataca “ao que resta” a explorar, a natureza, antes de colocar, provavelmente daqui a pouco, um relógio no sol!

No entanto, observa-se um forte lobby favorável à introdução desses programas no nível dos Estados; seria, de fato, um sinal forte a favor da legitimação desse capitalismo desenfreado, e da espoliação dos bens vitais à humanidade no seu conjunto. Já o vemos com a indústria das sementes que, aos poucos, consegue impor seus OGMs em toda parte do mundo, nos deixando reféns do seu bem-querer.

Dá para se perguntar o que leva organizações internacionais famosas, tal como a UICN [4] ou o WWF [5], a defender a implantação de tais mecanismos, haja vista que seus efeitos perversos já foram demonstrados pelas muitas experiências negativas em diversas regiões do planeta. Certamente, essas organizações se satisfazem da entrega de algumas zonas para proteger, criar parques e preservá-los, no intuito de conservá-los para mostrar às futuras gerações o que de fato existiu… Um novo tipo de museus! Talvez seja também uma forma de se financiar, junto ao capital privado, já que o público está cada vez mais escasso.

Enfim! Embora essas manobras se deem na mais completa indiferença da imprensa “oficial”, alguns grupos se mobilizam para denunciar esse lobby pró-destruição do homem e da natureza. É o caso do World Rainforest Movement que alavancou uma petição mundial [6] para levar a voz “dos 99%” na assembleia da COP-20 e, logo mais, na Conferência de Paris. Aqui se encontra o documento de base [7] dessas reivindicações. Aliás, é importante que os Franceses também se mobilizem sobre essas questões, pois através da Guiana, a França é “um país amazônico”, é bom lembrar.

Aqui está o link para assinar a petição “No REDD” por e-mail:

“Para apoiar o chamado à ação, pedimos que você envie um e-mail para [NoREDDCop20@wrm.org.uy] com o nome de seu grupo, país ou região de trabalho e contato antes de 05 de dezembro.”

E então, é para fazer alguma coisa? Sim, claro. Mas provavelmente uma solução (se não é A solução) é de seguir um caminho mais radical e afastar-se do modelo “político-ecologicamente correto” que visa sempre a favorecer os mesmos, ou seja, aqueles que têm dinheiro, ou seja, o poder. É preciso parar, sim, de apostar no lucro, sempre o lucro, e pensar no ser humano que já não come mais alimentos sadios, não respira mais um ar limpo, possui um ritmo de vida deplorável, e em breve nem terá mais água para satisfazer suas necessidades essenciais. E falo apenas dos “privilegiados”!

Por gentileza, faça com que esta mensagem circule, pois se nem sempre é possível “fazer alguma coisa”, é importante saber o que está acontecendo.

[1] O Brasil da cobiça: Financeirização da natureza [http://port.pravda.ru/busines/31-12-2013/35940-natureza-0/]

[2] Amazônia brasileira: Dossiê Acre [http://port.pravda.ru/news/cplp/14-12-2013/35832-dossie_acre-0/]

[3] Os pontos nos “i” na Amazônia [http://lindomarpadilha.blogspot.com.br/2014/10/lucas-matheron-os-pontos-nos-i-na.html]

[4] http://cmsdata.iucn.org/downloads/uicn_document_de_position_unfccc_cop_20_lima.pdf

[5] http://www.portaldomeioambiente.org.br/comunicacao-ambiental/9671-wwf-brasil-leva-para-australia-experiencia-brasileira-com-os-parques-nacionais

[6] http://wrm.org.uy/actions-and-campaigns/to-reject-redd-and-extractive-industries-to-confront-capitalism-and-defend-life-and-territories/

[7] http://wrm.org.uy/pt/files/2014/11/Chamado-COP-Lima_NoREDD.pdf

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Fonte: PRAVDA.ru

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‘Temos que agir já’, diz Ban Ki-moon na abertura ministerial da COP 20 (G1)

PUBLICADO  09 DEZEMBRO 2014.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursa na COP 20, em Lima (Foto: Reprodução/UNFCCC)

Secretário-geral da ONU discursou na Cúpula sobre mudanças climáticas. Objetivo é obter prévia de acordo global para conter temperatura maior.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu que os países desenvolvidos e outros mais ricos se apressem para apresentar metas de redução de gases-estufa e outros planos voltados à adaptação à mudança climática no primeiro trimestre de 2015.

O pedido foi feito na abertura do Segmento de Alto Nível da Conferência do Clima da ONU, a COP 20, que segue até a próxima sexta (12) em Lima, no Peru.

Segundo ele, a “janela de oportunidade está se fechando rapidamente e todos os países têm que fazer parte dessa questão”. “Temos que agir já. Não é um momento de dúvidas, mas de transformação”, complementou.

O fim de março já era previsto como data final para a entrega das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês), mas a própria comissária da ONU para o clima, Christiana Figueres, já trabalha em um possível adiamento.

O governo brasileiro deve entregar suas metas nacionais após o prazo previsto. Segundo negociadores do país, ainda estão em andamento consultas à sociedade civil e aos setores da economia sobre os cortes de emissões a serem realizados pós-2020. O ano é quando o novo acordo climático entrará em vigor, obrigando a todos os governos a reduzir suas emissões. O não cumprimento da exigência das Nações Unidas pelo Brasil é criticado por organizações não governamentais.

Ainda na abertura, a secretária-executiva da ONU para o Clima, Christiana Figueres, alertou sobre qual é o legado que a população atual quer deixar. “A história não nos julgará apenas pelas toneladas de gases que lançamos na atmosfera, mas vão nos julgar também se fomos capazes de nos adaptar e criar um futuro melhor para todos. Vocês [delegados] devem criar esse futuro”, disse.

Novo encontro em junho de 2015

Durante a cerimônia foi anunciado que no fim de junho do ano que vem haverá um novo encontro de alto nível em Nova York, sede da ONU, para finalizar os últimos detalhes antes da conferência de Paris, quando será assinado o documento que criará o acordo do clima.

Em Lima, entre os principais temas que serão discutidos pelos ministros de Estado estão a questão da responsabilidade histórica das emissões (quem tem mais culpa por ter lançado os gases-estufa), a formulação de parâmetros para que os países apresentem suas metas de redução de emissões (as chamadas INDCs) e o que será feito entre 2015 e 2020 para frear lançamento de poluentes atmosféricos (Segundo Protocolo de Kyoto).

Os primeiros rascunhos dos elementos que farão parte do acordo do clima foram publicados na manhã desta segunda-feira (8).

A primeira versão não agradou muito, principalmente a parte que trata das Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). União Europeia e Estados Unidos querem que para o acordo esteja vinculada apenas a quantificação de gases a ser cortada a partir de 2020 e os planos referentes ao tema a longo prazo. A intenção vai na contramão do pedido de nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Por que tudo isso?

Segundo um painel internacional de cientistas ligado à ONU, o IPCC, é preciso diminuir entre 40% e 70% do total de gases lançados até 2050 e zerar essa taxa até 2100. Somente assim é que será possível conter o aumento da temperatura global em 2ºC até o final deste século.

Gases-estufa como o dióxido de carbono (CO2) são liberados principalmente na queima de combustíveis fósseis, mas também com o desmatamento e outras atividades humanas.

Caso isso não seja reduzido, segundo o IPCC, fenômenos extremos como secas, enchentes, degelo dos polos e aumento do nível dos mares serão mais frequentes. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC com relação à era pré-industrial.

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08/12/2014 – 10h37

Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20 (Observatório do Clima)

por Bruno Toledo, do Observatório do Clima

COP20 0010 1024x682 Observatório do Clima apresenta dados sobre emissões brasileiras na COP 20

Side event oficial da Conferência de Lima reúne organizações do OC para apontar trajetória histórica das emissões brasileiras, a partir das informações do Sistema de Estimativas de Emissões (SEEG). Evento também apresentou projeto para aplicar metodologia do SEEG no Peru.

Uma das principais preocupações dos negociadores presentes na Conferência do Clima de Lima, a COP 20, é garantir as condições para construir um novo regime climático que efetivamente diminua as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em todo o mundo nas próximas décadas. O desafio não é banal: mesmo com os esforços de redução nos últimos anos, continuamos firmes numa trajetória que pode elevar a temperatura média global muito acima dos 2ºC considerados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) como limite para que as alterações climáticas não sejam tão profundas.

Por isso, mais importante do que ter políticas públicas em si é ter informações confiáveis e atualizadas que permitam a esses instrumentos ter a efetividade necessária na redução das emissões. Esse é o propósito do Sistema de Estimativa de Emissões de GEE (SEEG), desenvolvido pelo Observatório do Clima em 2013 para produzir estimativas anuais das emissões brasileiras em cinco setores econômicos estratégicos – mudança de uso do solo, agropecuária, energia, processos industriais, e resíduos – a partir de dados e informações confiáveis. Neste ano, além das estimativas referentes a 2013, o OC também se debruçou em mensurar as emissões desses cinco setores a partir de 1970. (Saiba mais sobre os dados apresentados pelo SEEG neste ano)

Tasso Azevedo apresenta principais dados do SEEG 2014 em side event na COP 20 Da esq. para dir.: André Ferretti, Tasso Azevedo, Loyola Escamilo, Carlos Rittl, Marina Piatto e Amintas Brandão
Para apresentar a experiência do SEEG e apresentar os dados referentes a 2013 e aos anos anteriores, o OC promoveu um side event na programação oficial da COP 20 no dia 06 de dezembro, com a participação de André Ferretti (Fundação Grupo Boticário), coordenador do OC; Carlos Rittl, secretário executivo do OC; Marina Piatto, do Imaflora; Amintas Brandão, do Imazon; Loyola Escamilo, da ONG Pronaturaleza; e Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

Além de apontar os resultados de 2013 e apontar a trajetória das emissões brasileiras desde 1970, o evento também serviu para lançar uma parceria importante com a Pronaturaleza, que está adaptando a metodologia do SEEG para monitorar as emissões peruanas de GEE a partir desse ano. “Nossa proposta é que outros países também encontrem no SEEG uma ferramenta para acompanhar suas próprias emissões, o que apoiará seus governos no esforço global para redução das emissões de GEE”, explica Tasso.

Os dados do SEEG peruano deverão ser publicado ainda em 2014 no portal http://www.seeg.eco/.

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

(Observatório do Clima)

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08/12/2014 – 12h00

Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra” (IPS)

por Milagros Salazar, da IPS

chica dos 629x353 Clamor na COP 20: “Os povos indígenas somos a terra”

 

Lima, Peru, 8/12/2014 – O clamor dos povos indígenas pelo reconhecimento de suas terras ancestrais ecoou entre as reuniões dos delegados de 195 países na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. “Quero meu território ali vivo, ali como, ali estão meus santos avós”, gritou cheia de raiva a asháninka Diana Ríos.

A jovem de 21 anos é filha de Jorge Ríos, um líder indígena que foi assassinado em setembro por defender as florestas de sua comunidade Alto Tamaya-Saweto, na região Ucayali da selva peruana. Sua morte e a de outros três dirigentes da região são atribuídas por seus familiares aos cortadores ilegais de árvores. Por isso exigiram, no dia 5, nas instalações da COP 20, a titulação de suas terras.

Como os asháninkas, a demanda indígena global na conferência anual da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC) se centra no reconhecimento de seus territórios, e com isso na proteção das florestas e no respeito aos conhecimentos ancestrais e direitos coletivos dos povos indígenas.

Falta entregar títulos de posse de cerca de cem milhões de hectares nos oito países da Amazônia sul-americana, segundo dados da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica). No Peru, de onde clamam sua dor as viúvas da comunidade Alto Tamaya-Saweto, ainda há 663 comunidades nativas sem títulos de propriedade, de acordo com o não governamental Instituto do Bem Comum.

A demanda pela titulação de terras está relacionada com a implantação dos projetos e programas do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação das Florestas (REDD) para países do Sul em desenvolvimento. Nos acordos adotados na COP 16, realizada no balneário mexicano de Cancún, em 2010, precisamente foram incluídas salvaguardas para evitar danos sociais ou ambientais nos territórios indígenas onde se desenvolve a REDD.

Na COP 20, que acontece em Lima, no Peru, as organizações indígenas exigem que os Estados parte incluam nos informes sobre as salvaguardas, que devem apresentar perante a CMNUCC, indicadores sobre biodiversidade, saúde dos povos, titulação de terras e conhecimentos ancestrais, entre outros aspectos, destacou Grace Balawag, do povo kankanaey, das Filipinas.

Esses e outros indicadores permitirão medir a participação plena dos povos originários na mitigação do aquecimento global, disse à IPS a Balawag, vice-presidente da Aliança Global dos Povos Indígenas sobre a Mudança Climática e o Desenvolvimento Sustentável. Ela pediu, junto a outros companheiros nativos, que os povos indígenas sejam incorporados nos sistemas nacionais de monitoramento florestal, já que demonstraram ser capazes de conservar suas terras graças aos seus conhecimentos ancestrais.

A Aliança participa desde 2009 das conferências internacionais sobre o tema e inclui 17 organizações indígenas de 13 países da África, América Latina e Ásia, que enfrentam diversas ameaças a seus territórios.

Em alguns casos, as comunidades indígenas sofrem o impacto das atividades extrativistas, como mineração ou petróleo, apontou à IPS Tarcila Rivera porta-voz do Enlace Continental de Mulheres Indígenas das Américas e também presidente do Centro de Culturas Indígenas do Peru (Chirapaq). Os povos originários devem enfrentar atividades ilícitas que colocam em risco a vida de suas populações, ressaltou à IPS.

Mais de 93% das atividades de mineração, petróleo, gás, exploração florestal e agricultura estão em territórios habitados por povos indígenas e comunidades locais em oito países com florestas tropicais, de acordo com a pesquisa da consultoria Projeto Muden para a Iniciativa Direitos e Recursos. Os países estudados foram Brasil, Camboja, Colômbia, Filipinas, Indonésia, Libéria, Moçambique e Peru, segundo o estudo publicado em outubro.

Tais ameaças estão relacionadas com o número de assassinatos no mundo de líderes indígenas, que lutaram pela proteção do ambiente e da terra. Entre 2002 e 2013, houve 908 assassinatos de ativistas no mundo, segundo o informe Deadly Environment (Ambiente Mortal). O Brasil é o lugar mais perigoso, com 448 do total, seguido de Honduras com 109 e Filipinas com 67.

Embora o reconhecimento dos territórios indígenas seja uma demanda global, existem diversas modalidades e estratégias cobradas por esses povos, pontuou Balawag. Em alguns países se pede a titulação de terras, como no caso peruano, em outros a delimitação das áreas ancestralmente reconhecidas, como nas Filipinas, e também há casos nos quais se exige o cumprimento de acordos assinados com os Estados por disputas territoriais, como acontece em Bangladesh.

“Se a terra não é titulada e se chega a implantar um programa de REDD, como podemos receber os benefícios? Isso está relacionado com os benefícios, mas também com nossa sobrevivência. Inclusive podemos ser desalojados pelos governos e pelas corporações privadas”, afirmou Mrinal Tripura, da organização Maleya Foundation, de Bangladesh. Ele disse à IPS que o governo de seu país não reconhece o sistema tradicional dos indígenas, e que não se sentem representados nas negociações da COP 20.

As reclamações também chegam da África. “Os povos indígenas são a terra, mas o Estado não respeita a forma tradicional como a manejamos. Por isso a titulação é a única estratégia que nos resta para que nossos territórios sejam respeitados”, afirmou à IPS o maasai Stanley Kimaren Riamit, diretor-executivo da organização Indegenous Livelihoods Enhancement Partners, do Quênia.

“Os investidores do carbono estão interessados em que, antes de investirem na REDD, haja clareza sobre a propriedade dos territórios, porque as árvores crescem na terra e a terra pertence a alguém, acrescentou Riamit. É um argumento que parece simples, mas que resulta ser uma verdade incômoda para vários Estados nas negociações da COP 20, que acontece em instalações removíveis levantadas em uma área militar do sul da capital peruana. Envolverde/IPS

(IPS)

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09/12/2014 – 04h23

Incertezas nas discussões climáticas (Greenpeace)

por Redação do Greenpeace

COP20Greenpeace Incertezas nas discussões climáticas

 

Ao final da primeira semana da COP20 é hora de fazer um balanço das negociações e avaliar o que se pode esperar dos próximos dias em que negociadores estarão reunidos.

A primeira semana da COP20 – a 20a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas – que acontece em Lima, no Peru, chegou ao fim. É hora de fazer um balanço das negociações e analisar o que ainda pode vir nos próximos quatro dias que reúnem líderes de mais de 190 países. Os textos publicados que trazem um rascunho sobre os elementos para o acordo final que deve ser assinado em Paris, em 2015, contem incertezas alarmantes em temas fundamentais como a data final para que cada país apresente suas contribuições nacionais.

Além disso, o formato destas contribuições ainda não foi definido, o que significa que não está claro como estas promessas serão feitas, de quanto em quanto tempo serão revisadas e como serão cumpridas. Ou seja, ainda haverá muitas discussões para que seja possível encontrar consenso em um acordo que de fato fará com que o mundo combata as mudanças climáticas e seus impactos.

Um exemplo é a discussão sobre florestas, onde não houve acordo sobre quais garantias países como o Brasil devem apresentar para poder ter acesso a possíveis recursos que poderiam ser usados para combater o desmatamento. A conclusão foi simples: sem acordo não há recurso disponível e, pior, o assunto pode ficar para ser discutido apenas em 2016.

“Debate-se qual o melhor termo ou palavra para entrar nos textos, ou quem tem mais razão e menos culpa, enquanto as florestas vão sendo derrubadas, aumentando a concentração de gases de efeito estufa e levando devastação e morte à biodiversidade e às pessoas que delas dependem para viver”, disse Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

As negociações se arrastam e eventos climáticos como o tufão Hagupit, que atinge as Filipinas e já levou à evacuação de mais de 1 milhão de pessoas, mostram que a natureza não negocia. “Os cientistas são bem claros: temos que agir com urgência, ou pagaremos um preço alto”, continuou Astrini. Os impactos das mudanças climáticas já são uma realidade, trazendo dificuldades para a produção de alimentos, acesso à água e agravamento de doenças, o que afetará principalmente populações mais pobres.

Nesta semana final, são esperados ministros e líderes de Estado para que as negociações avancem em ritmo mais acelerado. “Precisamos que os pontos nos quais ainda existem incertezas sejam clarificados. Uma das prioridades é sobre a meta de redução de emissões de carbono a zero até 2050”, disse Astrini, “é necessário acabar com o desmatamento e ter uma transição justa de energias renováveis, com o fim do uso de combustíveis fósseis. Já temos as informações do que precisamos fazer e as ferramentas necessárias, mas falta a vontade política. Vamos pressionar os países para que eles deem a resposta que o mundo precisa.”

* Publicado originalmente no site Greenpeace.

(Greenpeace)

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09/12/2014 – 05h04

Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima (WWF Brasil)

por Redação do WWF Brasil

abertura cop20 lima Poucos avanços na primeira semana de negociações em Lima

 

Durante a primeira semana da 20ª edição da Conferência das Partes (COP20) das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, pouco se avançou nas discussões para a elaboração do Acordo Climático Global. O evento, que teve início no dia 1º de dezembro, em Lima, reúne os representantes dos mais de 190 governos que integram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) para discutir o papel dos países na redução das emissões dos gases de efeito estufa.

De acordo com André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, “o começo desta conferência teve sinais políticos positivos, como as metas anunciadas pelos Estados Unidos, China e União Europeia, que podem ser o primeiro passo de que é possível chegar ao final de 2015 com alvos globais estabelecidos rumo a um futuro de baixo carbono. Apesar deste sinal, a discussão sobre o caminho das ações dos países antes de 2020 ainda possui extrema relevância, pois há uma lacuna de emissões que deve ser eliminada urgentemente”.

O Brasil foi destaque nesta semana por quase ganhar o prêmio “Fóssil do Dia” na última quarta-feira (03). A premiação é realizada diariamente pelas organizações não governamentais aos países com posicionamentos não favoráveis às negociações climáticas. O país foi o segundo colocado devido a uma declaração sobre Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), pela qual ele negou que haja dupla contagem da redução de emissões. O MDL foi criado pelo Protocolo de Kyoto para ajudar financeiramente países em desenvolvimento a cumprir seus compromissos de redução de gases do efeito estufa (GEE), por meio da implementação de projetos sustentáveis, com os quais as emissões evitadas geram créditos.

Apesar disso, Nahur afirma que o Brasil tem avançado na proposta de uma nova metodologia para o próximo acordo climático global, que pretende esfriar os ânimos na discussão que ocorre desde a assinatura do Protocolo. Chamada de Diferenciação Concêntrica, a proposta brasileira foi apresentada na quinta-feira (04) e teve boa aceitação entre as delegações, servindo como um pontapé inicial para um processo mais focado para a negociação do texto. De acordo com o documento, os países seriam divididos em três níveis, com critérios diferentes de redução de emissões. A principal dúvida gira em torno dos indicadores para a escolha da categoria de cada país.

Com a chegada dos ministros para o Segmento de Alto Nível, que ocorrerá a partir de hoje (9), a expectativa é que o ritmo das discussões acelere. Até o final desta semana, deve-se chegar ao desenho inicial de um acordo climático global – a ser finalizado em 2015 e assinado na COP21, em Paris – que obrigue as nações a cortar as emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020. Para Nahur, “é necessário que os países avancem nesta discussão aqui em Lima, para que tenhamos claros avanços na discussão de ações efetivas antes de 2020 e de financiamento de ações de mitigação e adaptação”.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

(WWF Brasil)

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09/12/2014 – 03h52

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima (IPS)

por Wambi Michael, da IPS

COP20 4 Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está em uma encruzilhada em Lima

 

Lima, Peru, 9/12/2014 – O instrumento da Organização das Nações Unidas (ONU) para apoiar projetos de emissões de carbono nos países em desenvolvimento, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), está em crise devido à queda dos preços que se paga por créditos de carbono.

O MDL, encarregado das reduções certificadas de emissões (RCE), poderia colapsar porque nos últimos anos caiu a demanda dos principais compradores, países obrigados a reduzir suas emissões contaminantes no contexto do Protocolo de Kyoto, já que os objetivos de redução não aumentaram significativamente e porque houve um crescimento econômico mais lento.

Na 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática  (CMNUCC), que acontece até o dia 12 em Lima, a junta executiva do MDL tenta convencer os negociadores a renovarem seus compromissos com o mecanismo, que já tem dez anos. Em entrevista à IPS, Hugh Sealy, presidente do MDL, explica porque o instrumento se complicou e quais desafios há pela frente.

IPS: Pode nos dar um panorama geral da situação do MDL?

HUGH SEALY: A perspectiva geral é que o MDL se encontra em uma encruzilhada. Os mercados colapsaram. O preço das RCE caiu para US$ 0,30, comparado com os mais de US$ 30 há cinco anos.

IPS: O que se conseguiu até o momento?

HG: O mecanismo permitiu o registro de 7.800 projetos e programas em 107 países em desenvolvimento com centenas de milhares de milhões de dólares em investimentos, que significaram 1,5 bilhão de toneladas de gases-estufa a menos liberados na atmosfera.

IPS: Qual foi o problema do MDL?

HG: A origem do problema, e é minha opinião pessoal, foi a decisão da União Europeia (UE) de 2009 (de restringir a possibilidade dos créditos internacionais e de proibi-los totalmente a partir de 2020), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2013. O Japão decidiu criar seu próprio sistema, a Austrália seguiu seu próprio caminho, como o Canadá, e os Estados Unidos nunca se interessaram. Se existe um sistema em que a União Europeia, como nosso maior comprador, vai excluir todas as outras unidades, então o mercado não tomará muitas delas. Foi aí que os preços começaram a cair.

IPS: Acredita que deveria ter existido um mercado regulado para as RCE?

HG: Um mercado como esse, que não é de qualquer mercadoria, teria que ter um piso, como têm outros. Mas agora o Banco Mundial diz que deveríamos criar um fundo de reserva do mercado que possa absorver o excesso de créditos. Dizem que precisariam de “US$ 3 bilhões para absorver todo o excesso, não vejo que o excesso seja um problema, mas falta de demanda. Veja todas as RCE que geramos. Temos 1,5 gigatonelada de emissões reduzidas. A diferença de emissões é de dez gigatoneladas por ano. Para mim continua havendo uma demanda radical e essencial de um sistema de mercado.

IPS: A junta executiva do MDL enfrenta o cancelamento voluntário como opção para criar demanda da RCE. Qual é a ideia por trás disso?

HG: A ideia é que qualquer um, você como meio de comunicação, eu como pessoa, uma companhia ou um governo possam comprar e cancelar RCE de imediato. Mas não sabemos que demanda teremos para o cancelamento voluntário. Mas, como junta diretora, acreditamos que é o correto. Colocar RCE à disposição para quem quiser reduzir sua pegada de carbono.

IPS: Qual seria a solução duradoura?

HG: Necessitamos uma decisão clara em Lima, e em particular em Paris (na COP 21, de 2015) sobre qual papel cabe a um mecanismo internacional sob um novo regime climático. Precisamos que as partes, em especial os países ricos, elevem sua ambição e criem mais demanda de RCE.

IPS: Quais são as consequências desse desenvolvimento para os países menos adiantados e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento?

HG: Se fosse responsável pelo desenvolvimento de um desses países, reservaria minhas RCE. Não buscaria concretizar um acordo para comprar nesse momento. Não a US$ 0,30. Sou otimista e creio que o preço das RCE subirá. Trabalho em uma aritmética fundamental, na qual a diferença de emissões é de aproximadamente dez gigatoneladas ao ano e aumenta cada vez mais. Se os países decidirem que os mercados serão um componente vital do acordo de Paris, não vejo como o preço das RCE poderá continuar a US$ 0,30. É muito frustrante para países, como a Jamaica, que já se registraram em projetos RCE, ou da África.

IPS: Se o MDL acabasse hoje, o que perderíamos?

HG: Perderíamos dez anos de experiência e de aprender fazendo. Levou muito tempo para criar o MDL e levá-lo à etapa em que estamos agora. Não posso lhe dar um número ou um valor em dólares, mas há mais de 4.500 organizações envolvidas com ele.

IPS: O que os países podem fazer a respeito nessas negociações de Lima?

HG: Podem aumentar sua demanda de RCE antes de 2020, reconhecer o valor que o MDL agrega aos sistemas de comércio de emissões emergentes e reconhecer o valor óbvio do mecanismo para a resposta internacional à mudança climática, depois da entrada em vigor do novo acordo em 2020. É um dos instrumentos mais efetivos já criados pelos governos no contexto da CMNUCC. Impulsiona e fomenta a redução de emissões, os fundos climáticos, a transferência de tecnologia, a construção de capacidades, o desenvolvimento sustentável e a adaptação, tudo o que os próprios países pedem do novo acordo de Paris. Envolverde/IPS

(IPS)

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08/12/2014 – 02h54

A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty (Engajamundo)

por Dari Santos, do Engajamundo

 

LimaEngajamuno A maior delegação de jovens brasileiros em COPs questiona negociadora do Itamaraty

Começou na segunda-feira, dia 01/12/2014, em Lima – Peru a 20ª Conferência das Partes (COP20), conferência que reúne todos os países e territórios do mundo membros da ONU para discutir qual será o papel de cada um deles frente aos desafios globais para combater às Mudanças Climáticas.

Esse ano a delegação do Brasil, que é uma das maiores da conferência com mais de 300 delegados, conta com um número expressivo de jovens brasileiros. O Engajamundo possui 12 jovens acreditados para conferência e marca a história da participação da juventude em conferências internacionais de mudanças climáticas. Vale frisar que o governo brasileiro é um pioneiro no quesito inclusão da sociedade civil, já que oferece credenciamento da sociedade como parte da delegação do governo (o que garante acesso completo as salas de negociação).

A maior delegação de jovens brasileiros na história das COPs (United Nations Climate Change Conference) tem uma missão: contar as entrelinhas das negociações que decidem o futuro de todos nós, já que as mudanças climáticas é uma realidade sentida por todos, seja ela em maior ou em menor escala.

Após a primeira reunião convocada pelo Itamaraty com a delegação brasileira na COP20, os engajamunders de “primeira viagem”, ou seja, que participam da sua primeira COP vivenciaram a importância das entrelinhas. Em uma conversa informal com a negociadora brasileira Thelma Krug (a única mulher entre todos os negociadores brasileiros), pudemos perceber qual é a percepção da negociadora em assuntos essenciais no combate a mudanças climáticas.

Logo no começo da conversa questionamos sobre os acordos sobre reflorestamento que estão sendo discutidos dentro do seu âmbito de negociação, e a negociadora deixou claro que considera plantações de eucalipto transgênico como “reflorestamento”. Segunda ela, há uma dificuldade em plantar mata nativa, já que essas não resistem como os “eucaliptos clonados” as mudanças climáticas.

Não precisa ser um cientista para saber que somente plantações de eucalipto nunca assegurariam a biodiversidade que as florestas de mata nativa possuem, e quando questionada sobre isso Thelma se limitou a responder que a biodiversidade possui uma conferência específica e deve ser tratada nela. O questionamento que ficou para todos nós é: realmente temos negociado acordos que visem combater o aquecimento global de forma total e transversal ou somente estamos cumprindo o protocolo diplomático tentando maquiar ações que nada resolvem o problema como se fossem ações positivas?

Esperamos que o lado social seja colocado na mesa, que cada país lembre que muito mais do que uma negociação entre países, trata-se de um acordo que garante um futuro sustentável para todos nós, cidadãos. Que se lembrem que existe sim uma forma de conservar e garantir a existência das matas nativas, garantindo que os povos tradicionais dessa área conservem o que nós por tantos anos destruímos.

Esperamos ansiosamente por uma negociação menos técnica e mais humana.

* Publicado originalmente no site Engajamundo.

(Engajamundo)

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Lima climate change talks best chance for a generation, say upbeat diplomats (The Guardian)

Hopes rise for global warming deal after US-China carbon commitments inject much-needed momentum into Peru talks
Oxfam banner in Lima, Peru
 An Oxfam banner in Lima on Saturday before the climate change talks. Photograph: Sebastian Casta Eda/AFP/Getty Images

UN climate negotiations opening in Lima on Monday have the best chance in a generation of striking a deal on global warming, diplomats say.

After a 20-year standoff, diplomats and longtime observers of the talks say there is rising optimism that negotiators will be able to secure a deal that will commit all countries to take action against climate change.

The two weeks of talks in Peru are intended to deliver a draft text to be adopted in Paris next year that will commit countries to reduce their greenhouse gas emissions without compromising the economic development of poor countries.

Diplomats and observers of the UN climate negotiations said recent actions by the US and China had injected much-needed momentum.

“I have never felt as optimistic as I have now,” said Tony de Brum, the foreign minister of the Marshall Islands, which are sinking as sea levels rise in the Pacific. “There is an upbeat feeling on the part of everyone that first of all there is an opportunity here and that secondly, we cannot miss it.”

Beyond Lima, there is growing evidence of the dangers of climate change, and of countries’ failure to act.

The UN environment programme warned earlier this month that industrialised countries were falling short of the emissions reductions needed to prevent warming of 2C above pre-industrial levels, the goal set by world leaders. Carbon dioxide emissions are expected to reach a record high of 40bn tonnes in 2014. Meanwhile, 2014 is shaping up to be the hottest on record.

Observers, however, said there was fresh optimism surrounding the Lima talks after the US and China declared on 12 November that they would work together to cut carbon pollution.

Under the deal, China committed to cap its output of carbon pollution by 2030 or earlier and to increase its use of zero emission energy to 20% by 2030. The US agreed to reduce its emissions by between 26% and 28% from their 2005 levels by 2025.

The EU, the next biggest polluter after the US and China, earlier pledged to cut emissions by 40% from their 1990 levels by 2030.

Christiana Figueres, the UN’s top climate official, said the commitments, which have been made well in advance of a March 2015 deadline, had given the talks a boost.

“It is hugely encouraging that well ahead of next year’s first-quarter deadline, countries have already been outlining what they intend to contribute to the Paris agreement. This is also a clear sign that countries are determined to find common ground,” she said in a statement.

Todd Stern, the US state department’s climate change envoy, said the US-China deal could push other big polluters such as India, Japan, Brazil and Russia to come forward with their own post-2020 targets. That in turn boosted prospects for a good outcome in Paris.

“I think it will spur countries to come forward with their own targets,” he said. “Generally if you are holding stock in the Paris negotiations your stock went up.”

Andrew Steer, the president of the World Resources Institute, an environmental thinktank in Washington, said the US-China deal had changed the atmosphere surrounding the talks.

“There is in the air a sense of momentum,” he said. “You’ve already got commitments of about half of all the greenhouse gas emissions that need to be reduced.”

The deal likely to be done in Paris will likely be a hotchpotch of targets such as those announced by the three top carbon polluters, according to an analysis by Bloomberg New Energy Finance.

The test for Lima will be the degree to which negotiators can corral those separate action plans from up to 190 countries into a single agreement.

If the talks are to succeed, they will have to come up with a draft text that outlines the structure of that agreement – how to ensure countries commit to deep enough cuts to limit warming to the 2C goal, and how to verify their actions.

The US is pushing for a deal that would avoid setting emissions reduction targets that are legally binding under international law, because that would set up a clash with congress.

Many developing countries, however, insist on legally binding targets. They also argue that only the industrialised countries should have to cut emissions.

The negotiators will also try to ramp up pledges for the Green Climate Fund, which was set up to help developing countries deal with climate change. So far, the fund has raised $9.7bn (£6.2bn) from 22 countries, just short of its initial $10bn target.

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Dever de casa para o acordo do clima (Valor Econômico)

Artigo de Sergio Margulis e Natalie Unterstell publicado no Valor Econômico

Das trajetórias projetadas até o fim deste século, o mundo já caminha naquelas mais extremas quanto ao aumento de temperatura, o que coloca pessoas, ecossistemas e economias sob séria ameaça.

A Conferência das Partes (CoP) que está sendo realizada em Lima, no Peru, vai oferecer as bases para um novo acordo climático global, a ser adotado em Paris, em 2015. O que os cidadãos comuns querem saber é: como é que esse acordo os protegerá dos impactos da mudança climática?

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/opiniao/3805596/dever-de-casa-para-o-acordo-do-clima#ixzz3L23yI0GP

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JC 5079, 5 de dezembro de 2014

Acordo do clima poderá encampar proposta do Brasil (Folha de S.Paulo)

Na divisão de obrigações sugerida pelo país, grandes nações emergentes assumem maior redução de emissões

O esboço de um acordo global de reduções de emissões de gases-estufa que está em negociação na 20ª Conferência do Clima da ONU, a COP 20, no Peru, incluiu um conceito criado por diplomatas brasileiros: dividir os países em desenvolvimento em diferentes graus de responsabilidade pelo aquecimento.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/198652-acordo-do-clima-podera-encampar-proposta-do-brasil.shtml

(Rafael Garcia/ Folha de S.Paulo)

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JC 5080, 8 de dezembro de 2014

COP-20 coloca foco em adaptação à mudança climática e nas verbas (Valor Econômico)

A segunda semana da conferência do clima da ONU começa com muitas pontas abertas e ainda vaga sobre o resultado final

O céu amanhece cinza todos os dias em Lima, mas quase nunca chove. Os bairros ricos da capital peruana, como San Isidro e San Borja, são muito verdes, com jardins e parques bem cuidados que se beneficiam da umidade do inverno e da irrigação automática no fim da tarde. Mas algumas estimativas dizem que a cidade pode ficar sem água em 30 anos, por conta da retração dos glaciares andinos. Como todas as partes, o Peru sofre os impactos da mudança do clima e terá que se adaptar – só que a conta está ficando cada vez mais cara.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3807634/cop-20-coloca-foco-em-adaptacao-mudanca-climatica-e-nas-verbas

(Daniela Chiaretti/Valor Econômico)

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JC 5081, 9 de dezembro de 2014

Transformação na política do clima (Valor Econômico)

Artigo de Adilson de Oliveira publicado no Valor Econômico

Após meses de negociações sigilosas, a China e os Estados Unidos anunciaram em Pequim que adotarão metas para a redução das emissões de gases para evitar os riscos de mudanças climáticas. A China comprometeu-se em elevar para 20% a parcela não poluente de sua matriz energética até 2030. Os EUA prometeram reduzir suas emissões entre 26% e 28% até 2025, substituindo fontes fósseis por fontes renováveis e acelerando a substituição do carvão por gás natural na geração de eletricidade.

Leia mais em: http://www.valor.com.br/opiniao/3809014/transformacao-na-politica-do-clima#ixzz3LPS7h6HR

(Valor Econômico)

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5081, 9 de dezembro de 2014

Economista pede acordo do clima sem sanções (Folha de S.Paulo)

Punição em caso de descumprimento inibe metas ambiciosas, afirma Nicholas Stern

Para o autor do mais importante trabalho já realizado sobre os impactos econômicos do aquecimento global, o próximo acordo para reduzir emissões de gases -estufa não precisa ter força de lei.

Veja o texto na íntegra em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/199228-economista-pede-acordo-do-clima-sem-sancoes.shtml

(Rafael Garcia/Folha de S.Paulo)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Avaliação de risco em obras tem de incluir clima, alerta a ONU (Valor Econômico)

Para Christiana Figueres, condições ambientais têm que determinar os investimentos em infraestrutura

A costarriquenha Christiana Figueres, a mais alta autoridade das Nações Unidas nas negociações sobre mudança do clima, acredita que a China é o país que mais está fazendo esforços no combate ao aquecimento global em comparação com EUA e União Europeia.

Veja o texto na íntegra em: http://www.valor.com.br/internacional/3810448/avaliacao-de-risco-em-obras-tem-de-incluir-clima-alerta-onu

(Daniela Chiaretti / Valor Econômico)

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JC 5082, 10 de dezembro de 2014

Brasil está ‘no fundo do poço’ em políticas para o clima (O Globo)

Entre os 58 países avaliados em relatório, país ficou na 49ª posição

Enquanto as discussões da Conferência do Clima em Lima (COP 20) começam a se acalorar, uma ducha de água fria atingiu os delegados reunidos na capital peruana. O banho veio na forma de um novo relatório, divulgado pelas ONGs Germanwatch e Climate Action Network Europe e realizado por 300 especialistas, que concluiu: nenhum país elaborou políticas públicas satisfatórias contra as mudanças climáticas. O Brasil teve um desempenho particularmente vergonhoso. Caiu 14 posições, entre as 58 nações avaliadas, atingindo o “fundo do poço”, segundo o relatório. Em 2007, chegou a figurar entre os dez melhores.

Leia mais sobre esse assunto em: http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/brasil-esta-no-fundo-do-poco-em-politicas-para-clima-14786238#ixzz3LUsFq36v

(Renato Grandelle / O Globo)

The fund is woefully behind its goal of mobilising $100bn a year in public and private finance by 2020.

January-October 2014 temperatures highest on record (Science Daily)

Date: November 29, 2014

Source: World Meteorological Organization

Summary: The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration. It said October was the hottest since records began in 1880.

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to NOAA. October was the hottest since records began in 1880. Credit: NOAA

The global average temperature over land and ocean surfaces for January to October 2014 was the highest on record, according to the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). It said October was the hottest since records began in 1880.

NOAA said the combined global land and ocean average surface temperature for the January-October period was 0.68°C (1.22°F) above the 20th century average of 14.1°C (57.4°F). For October, it was 0.74°C (1.33°F) above the 20th century average of 14.0°C (57.1°F).

The high October temperature was driven by warmth across the globe over both the land and ocean surfaces and was fairly evenly distributed between the Northern and Southern Hemispheres. The Southern Hemisphere had its hottest October on record and the Northern Hemisphere its third warmest.

October marked the third consecutive month and fifth of the past six with a record high global temperature for its respective month (July was fourth highest).

The Tokyo Climate Center, which is a WMO Regional Climate Centre, also reported that October was the hottest on record. The record was also confirmed by data from NASA’s Goddard Institute for Space Studies.

WMO uses a combination of datasets to compile its annual Statement on the Status of the Global Climate. Additional information is drawn from the ERA-Interim reanalysis-based data set maintained by the European Centre for Medium-Range Weather Forecasts.

Further information: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2014/10

Concluído primeiro recenseamento de nuvens do Brasil (Fapesp)

01 de dezembro de 2014

Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Para conseguir prever com precisão eventos extremos, como tempestades, ou simular cenários de impactos das mudanças climáticas, é preciso avançar no conhecimento dos processos físicos que ocorrem no interior das nuvens e descobrir a variação de fatores como o tamanho das gotas de chuva, a proporção das camadas de água e de gelo e o funcionamento das descargas elétricas.

Com esse objetivo, uma série de campanhas para coleta de dados foi realizada entre 2010 e 2014 em seis cidades brasileiras – Alcântara (MA), Fortaleza (CE), Belém (PA), São José dos Campos (SP), Santa Maria (RS) e Manaus (AM) – no âmbito de um Projeto Temático FAPESP coordenado por Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essas campanhas contaram com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e de diversas faculdades de Meteorologia no Brasil, que sediaram os experimentos.

Os principais resultados da iniciativa, conhecida como “Projeto Chuva”, foram descritos em um artigo de capa do Bulletin of the American Meteorological Society, revista de grande impacto na área de meteorologia.

Segundo Machado, as regiões escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipitação existentes no Brasil. “É importante fazer essa caracterização regional para que os modelos matemáticos possam fazer previsões em alta resolução, ou seja, em escala de poucos quilômetros”, disse o pesquisador.

Um conjunto comum de instrumentos – que inclui radares de nuvens de dupla polarização – foi usado nos diferentes sítios de forma que as medidas pudessem ser comparadas e parametrizadas para modelagem.

O radar de dupla polarização, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflexão, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, ajudando a elucidar a composição das nuvens e os mecanismos de formação e intensificação das descargas elétricas durante as tempestades. Também foram coletados dados como temperatura, umidade e composição de aerossóis.

Além disso, experimentos adicionais distintos foram realizados em cada uma das seis cidades. No caso de Alcântara, onde a coleta de dados ocorreu em março de 2010, o experimento teve como foco o desenvolvimento de algoritmos de estimativa de precipitação para o satélite internacional Global Precipitation Measurement (GPM) – lançado em fevereiro de 2014 pela Nasa (a agência espacial americana) e pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa).

“Naquela região, o grande desafio é conseguir estimar a precipitação das chamadas nuvens quentes, que não têm cristais de gelo em seu interior. Elas são comuns na região do semiárido nordestino”, explicou Machado.

Por não abrigarem gelo, a chuva dessas nuvens passa despercebida pelos sensores de micro-ondas que equipam os satélites usados normalmente para medir a precipitação, resultando em dados imprecisos.

As medições de nuvens quentes feitas por radar em Alcântara, comparadas com as medições feitas por satélite, indicaram que os valores de volume de água estavam subestimados em mais de 50%.

Em Fortaleza, onde a coleta foi feita em abril de 2011, foi testado em parceria com a Defesa Civil um sistema de previsão de tempestades em tempo real e de acesso aberto chamado Sistema de Observação de Tempo Severo (SOS Chuva).

“Usamos os dados que estavam sendo coletados pelos radares e os colocamos em tempo real dentro de um sistema de informações geográficas. Dessa forma, é possível fazer previsões para as próximas duas horas. E saber onde chove forte no momento, onde tem relâmpago e como a situação vai se modificar em 20 ou 30 minutos. Também acrescentamos um mapa de alagamento, que permite prever as regiões que podem ficar alagadas caso a água suba um metro, por exemplo”, contou Machado.

A experiência foi tão bem-sucedida, contou o pesquisador, que a equipe decidiu repeti-la nas campanhas realizadas posteriormente. “O SOS Chuva contribui para diminuir a vulnerabilidade da população a eventos extremos do clima, pois oferece informações não apenas para os agentes da Defesa Civil como também para os cidadãos”, disse.

Em junho de 2011 foi realizada a campanha de coleta de dados em Belém, onde os pesquisadores usaram uma rede de instrumentos de GPS para estimar a quantidade de água na atmosfera. Os resultados devem ser publicados em breve. Também foram lançados balões meteorológicos capazes de voar durante 10 horas e coletar dados da atmosfera. “O objetivo era entender o fluxo de vapor d’água que vem do Oceano Atlântico que forma a chuva na Amazônia”, contou Machado.

Entre novembro de 2011 e março de 2012, foi realizada a campanha de São José dos Campos, cujo foco era estudar os relâmpagos e a eletricidade atmosférica. Para isso, foi utilizado um conjunto de redes de detecção de descargas elétricas em parceria com a Agência de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas (NOAA), dos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Satélites Meteorológicos (Eumetsat).

“Foram coletados dados para desenvolver os algoritmos dos sensores de descarga elétrica dos satélites geoestacionários de terceira geração, que ainda serão lançados pela NOAA e pela Eumetsat nesta década. Outro objetivo era entender como a nuvem vai se modificando antes que ocorra a primeira descarga elétrica, de forma a prever a ocorrência de raios”, contou Machado.

Em Santa Maria, entre novembro e dezembro de 2012, foram testados, em parceria com pesquisadores argentinos, modelos matemáticos de previsão de eventos extremos. Segundo Machado, a região que abrange o sul do Brasil e o norte da Argentina que ocorrem as tempestades mais severas do mundo.

“Os resultados mostraram que os modelos ainda não são precisos o suficiente para prever com eficácia a ocorrência desses eventos extremos. Em 2017, faremos um novo experimento semelhante, chamado Relâmpago, no norte da Argentina”, contou Machado.

GOAmazon

As duas operações intensivas de coleta de dados realizadas em Manaus – a primeira entre fevereiro e março de 2014 e a segunda entre setembro e outubro do mesmo ano – ainda não haviam ocorrido quando o artigo foi submetido à publicação.

A campanha foi feita no âmbito do projeto Green Ocean Amazon e contou com dois aviões voando em diferentes alturas para acompanhar a pluma de poluição emitida pela região metropolitana de Manaus. O objetivo era avaliar a interação entre os poluentes e os compostos emitidos pela floresta, bem como seu impacto nas propriedades de nuvens (leia mais em http://agencia.fapesp.br/avioes_sobrevoam_a_amazonia_por_quase_200_horas_para_medir_impacto_da_poluicao/20150/). Os dados ainda estão em fase de análise.

Ao comentar as principais diferenças encontradas nas diversas regiões brasileiras, Machado destaca que as regiões Sul e Sudeste são as que apresentam gotas de chuva de tamanhos maiores e uma camada mista, na qual há água no estado líquido e sólido, mais desenvolvida. Essa é, segundo o pesquisador, a principal razão da maior incidência de descargas elétricas nesses locais.

Já as nuvens da Amazônia apresentam a camada de gelo no topo – acima de 20 quilômetros de altura – mais bem desenvolvida que a de outras regiões. As regiões litorâneas, como Alcântara e Fortaleza, apresentam em maior quantidade as chamadas nuvens quentes, nas quais quase não há descargas elétricas.

“Foi o primeiro recenseamento de nuvens feito no Brasil. Essas informações servirão de base para testar e desenvolver modelos capazes de descrever em detalhes a formação de nuvens, com alta resolução espacial e temporal”, concluiu o pesquisador.

Modeling the past to understand the future of a stronger El Niño (Science Daily)

Date:

November 26, 2014

Source:

University of Wisconsin-Madison

Summary:

El Nino is not a contemporary phenomenon; it’s long been the Earth’s dominant source of year-to-year climate fluctuation. But as the climate warms and the feedbacks that drive the cycle change, researchers want to know how El Nino will respond.

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Using state-of-the-art computer models maintained at the National Center for Atmospheric Research, researchers determined that El Niño has intensified over the last 6,000 years. This pier and cafe are in Ocean Beach, California. Credit: Jon Sullivan

It was fishermen off the coast of Peru who first recognized the anomaly, hundreds of years ago. Every so often, their usually cold, nutrient-rich water would turn warm and the fish they depended on would disappear. Then there was the ceaseless rain.

They called it “El Nino,” The Boy — or Christmas Boy — because of its timing near the holiday each time it returned, every three to seven years.

El Nino is not a contemporary phenomenon; it’s long been Earth’s dominant source of year-to-year climate fluctuation. But as the climate warms and the feedbacks that drive the cycle change, researchers want to know how El Nino will respond. A team of researchers led by the University of Wisconsin’s Zhengyu Liu published the latest findings in this quest Nov. 27, 2014 in Nature.

“We can’t see the future; the only thing we can do is examine the past,” says Liu, a professor in the Department of Atmospheric and Oceanic Sciences. “The question people are interested in now is whether it’s going to be stronger or weaker, and this requires us to first check if our model can simulate its past history.”

The study examines what has influenced El Nino over the last 21,000 years in order to understand its future and to prepare for the consequences. It is valuable knowledge for scientists, land managers, policymakers and many others, as people across the globe focus on adapting to a changing climate.

Using state-of-the-art computer models maintained at the National Center for Atmospheric Research in Colorado, the researchers — also from Peking University in China, the University of Hawaii at Manoa, and Georgia Institute of Technology — determined that El Nino has intensified over the last 6,000 years.

The findings corroborate data from previous studies, which relied on observations like historical sediments off the Central American coast and changes in fossilized coral. During warm, rainy El Nino years, the coastal sediments consist of larger mixed deposits of lighter color, and the coral provides a unique signature, akin to rings on a tree.

“There have been some observations that El Nino has been changing,” says Liu, also a professor in the Nelson Institute for Environmental Studies Center for Climatic Research. “Previous studies seem to indicate El Nino has increased over the last 5,000 to 7,000 years.”

But unlike previous studies, the new model provides a continuous look at the long history of El Nino, rather than a snapshot in time.

It examines the large-scale influences that have impacted the strength of El Nino over the last 21,000 years, such as atmospheric carbon dioxide, ice sheet melting and changes to Earth’s orbit.

El Nino is driven by an intricate tango between the ocean and Earth’s atmosphere. In non-El Nino years, trade winds over the tropical Pacific Ocean drive the seas westward, from the coast of Central America toward Indonesia, adding a thick, warm layer to the surface of the western part of the ocean while cooler water rises to the surface in the east. This brings rain to the west and dry conditions to the east.

During El Nino, the trade winds relax and the sea surface temperature differences between the Western and Eastern Pacific Ocean are diminished. This alters the heat distribution in both the water and the air in each region, forcing a cascade of global climate-related changes.

“It has an impact on Madison winter temperatures — when Peru is warm, it’s warm here,” says Liu. “It has global impact. If there are changes in the future, will it change the pattern?”

Before the start of the Holocene — which began roughly 12,000 years ago — pulses of melting water during deglaciation most strongly influenced El Nino, the study found. But since that time, changes in Earth’s orbit have played the greatest role in intensifying it.

Like an uptick in tempo, the feedbacks between ocean and atmosphere — such as how wind and seas interact — have grown stronger.

However, even with the best data available, some features of the simulated El Nino — especially prior to 6,000 years ago — can’t be tested unambiguously, Liu says. The current observational data feeding the model is sparse and the resolution too low to pick up subtle shifts in El Nino over the millennia.

The study findings indicate better observational data is needed to refine the science, like more coral samples and sediment measurements from different locations in the Central Pacific. Like all science, better understanding what drives El Nino and how it might change is a process, and one that will continue to evolve over time.

“It’s really an open door; we need more data to get a more significant model,” he says. “With this study, we are providing the first benchmark for the next five, 10, 20 years into the future.”

Story Source:

The above story is based on materials provided by University of Wisconsin-Madison. The original article was written by Kelly April Tyrrell. Note: Materials may be edited for content and length.

Journal Reference:

  1. Zhengyu Liu, Zhengyao Lu, Xinyu Wen, B. L. Otto-Bliesner, A. Timmermann, K. M. Cobb. Evolution and forcing mechanisms of El Niño over the past 21,000 years. Nature, 2014; 515 (7528): 550 DOI: 10.1038/nature13963

Vale investe em sistema para monitorar clima (O Estado de S.Paulo)

Empresa vai aplicar R$ 4,7 milhões para ampliar sua capacidade de prever intempéries; objetivo é reduzir riscos a trabalhadores e prejuízos à operação

A seca atípica, que derrubou o nível dos reservatórios das hidrelétricas, levou ao acionamento excessivo de térmicas e ameaça o abastecimento de água no País, deixou evidente o peso da variável clima no planejamento das grandes empresas. O cenário de extremos climáticos levou a Vale, maior mineradora do mundo, a desenvolver um sistema para monitorar o clima em suas operações no norte do País. Batizado de Forecast Network (ou “rede de previsões”), o projeto receberá investimento de R$ 4,7 milhões em pesquisa e infraestrutura entre 2011 e 2018.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,vale-investe-em-sistema-para-monitorar-clima-imp-,1598149

(Mariana Durão/O Estado de S.Paulo)

Temperaturas do verão vão superar as de 2014, diz instituto (O Globo)

JC, 5070, 24 de novembro de 2014

Aumento seria de até 2 graus Celsius; fenômeno El Niño pode provocar mais chuvas

Daqui a um mês começa a estação mais popular do Rio. E o verão de 2015 não deve dar trégua para quem detesta calor. De acordo com o Instituto Climatempo, o primeiro bimestre do ano que vem terá temperaturas ainda mais elevadas do que as registradas no ano passado. Em janeiro, a média será de 32ºC. Em fevereiro, 36ºC. Em 2014, a média não superou os 34ºC.

Leia mais sobre esse assunto em: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/temperaturas-do-verao-vao-superar-as-de-2014-diz-instituto-14635118#ixzz3K03TB9r8

(Renato Grandelle, com Agências Internacionais / O Globo)

U.N. Panel Issues Its Starkest Warning Yet on Global Warming (New York Times)

Machines digging for brown coal in front of a power plant near Grevenbroich, Germany, in April.CreditMartin Meissner/Associated Press

COPENHAGEN — The gathering risks of climate change are so profound that they could stall or even reverse generations of progress against poverty and hunger if greenhouse emissions continue at a runaway pace, according to a major new United Nations report.

Despite growing efforts in many countries to tackle the problem, the global situation is becoming more acute as developing countries join the West in burning huge amounts of fossil fuels, the Intergovernmental Panel on Climate Change said here on Sunday.

Failure to reduce emissions, the group of scientists and other experts found, could threaten society with food shortages, refugee crises, the flooding of major cities and entire island nations, mass extinction of plants and animals, and a climate so drastically altered it might become dangerous for people to work or play outside during the hottest times of the year.

“Continued emission of greenhouse gases will cause further warming and long-lasting changes in all components of the climate system, increasing the likelihood of severe, pervasive and irreversible impacts for people and ecosystems,” the report found.

In the starkest language it has ever used, the expert panel made clear how far society remains from having any serious policy to limit global warming.

Doing so would require leaving the vast majority of the world’s reserves of fossil fuels in the ground or, alternatively, developing methods to capture and bury the emissions resulting from their use, the group said.

If governments are to meet their own stated goal of limiting the warming of the planet to no more than 3.6 degrees Fahrenheit, or 2 degrees Celsius, above the preindustrial level, they must restrict emissions from additional fossil-fuel burning to about 1 trillion tons of carbon dioxide, the panel said. At current growth rates, that budget is likely to be exhausted in something like 30 years, possibly less.

Yet energy companies have booked coal and petroleum reserves equal to several times that amount, and they are spending some $600 billion a year to find more. Utilities and oil companies continue to build coal-fired power plants and refineries, and governments are spending another $600 billion or so directly subsidizing the consumption of fossil fuels.

By contrast, the report found, less than $400 billion a year is being spent around the world to reduce emissions or otherwise cope with climate change. That is a small fraction of the revenue spent on fossil fuels — it is less, for example, than the revenue of a single American oil company, ExxonMobil.

The new report comes just a month before international delegates convene in Lima, Peru, to devise a new global agreement to limit emissions, and it makes clear the urgency of their task.

Appearing Sunday morning at a news conference in Copenhagen to unveil the report, the United Nations secretary general, Ban Ki-moon, appealed for strong action in Lima.

“Science has spoken. There is no ambiguity in their message,” Mr. Ban said. “Leaders must act. Time is not on our side.”

Yet there has been no sign that national leaders are willing to discuss allocating the trillion-ton emissions budget among countries, an approach that would confront the problem head-on, but also raise deep questions of fairness. To the contrary, they are moving toward a relatively weak agreement that would essentially let each country decide for itself how much effort to put into limiting global warming, and even that document would not take effect until 2020.

“If they choose not to talk about the carbon budget, they’re choosing not to address the problem of climate change,” said Myles R. Allen, a climate scientist at Oxford University in Britain who helped write the new report. “They might as well not bother to turn up for these meetings.”

The Intergovernmental Panel on Climate Change is a scientific body appointed by the world’s governments to advise them on the causes and effects of global warming, and potential solutions. The group, along with Al Gore, was awarded the Nobel Peace Prize in 2007 for its efforts to call attention to the climate crisis.

The new report is a 175-page synopsis of a much longer series of reports that the panel has issued over the past year. It is the final step in a five-year effort by the body to analyze a vast archive of published climate research.

It is the fifth such report from the group since 1990, each finding greater certainty that the climate is warming and that human activities are the primary cause.

“Human influence has been detected in warming of the atmosphere and the ocean, in changes in the global water cycle, in reductions in snow and ice, and in global mean sea-level rise; and it is extremely likely to have been the dominant cause of the observed warming since the mid-20th century,” the report said.

A core finding of the new report is that climate change is no longer a distant threat, but is being felt all over the world. “It’s here and now,” Rajendra K. Pachauri, the chairman of the panel, said in an interview. “It’s not something in the future.”

The group cited mass die-offs of forests, such as those killed by heat-loving beetles in the American West; the melting of land ice virtually everywhere in the world; an accelerating rise of the seas that is leading to increased coastal flooding; and heat waves that have devastated crops and killed tens of thousands of people.

The report contained the group’s most explicit warning yet about the food supply, saying that climate change had already become a small drag on overall global production, and could become a far larger one if emissions continued unchecked.

A related finding is that climate change poses serious risks to basic human progress, in areas such as alleviating poverty. Under the worst-case scenarios, factors like high food prices and intensified weather disasters would most likely leave poor people worse off. In fact, the report said, that has already happened to a degree.

In Washington, the Obama administration welcomed the report, with the president’s science adviser, John P. Holdren, calling it “yet another wake-up call to the global community that we must act together swiftly and aggressively in order to stem climate change and avoid its worst impacts.”

The administration is pushing for new limits on emissions from American power plants, but faces stiff resistance in Congress and some states.

Michael Oppenheimer, a climate scientist at Princeton University and a principal author of the new report, said that a continuation of the political paralysis on emissions would leave society depending largely on luck.

If the level of greenhouse gases were to continue rising at a rapid pace over the coming decades, severe effects would be avoided only if the climate turned out to be far less sensitive to those gases than most scientists think likely, he said.

“We’ve seen many governments delay and delay and delay on implementing comprehensive emissions cuts,” Dr. Oppenheimer said. “So the need for a lot of luck looms larger and larger. Personally, I think it’s a slim reed to lean on for the fate of the planet.”

Estudo investiga atraso da estação chuvosa na Amazônia (Agência Fapesp)

30/10/2014 – 12h26

por Redação da Agência Fapesp

Amazonia2 Estudo investiga atraso da estação chuvosa na Amazônia

Agência FAPESP – A transição da estação seca para a estação chuvosa no sul da Amazônia costuma ocorrer entre os meses de setembro e outubro. Atrasos nesse processo causam fortes impactos na agricultura local, na geração de energia e no funcionamento dos grandes rios da região, dos quais a população depende até mesmo para se locomover.

As fortes secas que afetaram a Amazônia nos anos de 2005 e 2010, bem como as enchentes de 2009 e 2014, indicam uma crescente variabilidade no início do período das chuvas que os modelos de previsão do clima ainda não são capazes de detectar com sensibilidade.

Compreender melhor os fatores que influenciam essa transição e, dessa forma, aperfeiçoar os modelos matemáticos existentes é o objetivo de um projeto apoiado pela FAPESP e coordenado pelo pesquisador José Antônio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com a cientista Rong Fu, da University of Texas, nos Estados Unidos.

“Observamos um aumento de quase um mês na duração do período de seca, quando comparado aos dados dos anos 1970. Os modelos matemáticos existentes indicam que esse atraso no início das chuvas tende a aumentar. Queremos investigar se há influência da pluma de poluição da região metropolitana de Manaus nesse processo”, contou Marengo.

A pesquisa está sendo realizada no âmbito da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon), que reúne pesquisadores de diversas universidades e institutos brasileiros e norte-americanos e conta com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), da FAPESP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros.

Resultados preliminares foram apresentados na terça-feira (28/10), em Washington (Estados Unidos), durante o simpósio FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon.

“Evidências da literatura sugerem que a transição do período de seca para o de chuvas é influenciada por fatores externos, como anomalias na temperatura da superfície do oceano, transporte de umidade, entre outros. Mas o gatilho para essa transição está sem dúvida dentro da floresta”, disse Fu.

Os pesquisadores estão trabalhando com dois diferentes modelos, um americano, chamado Community Earth System Model (Cesm), e o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (Besm, na sigla em inglês). Mas, segundo Marengo, eles ainda não são capazes de representar com precisão os impactos da extensão da seca no sul da Amazônia.

Existem parâmetros que precisam ser melhorados, como a inclusão de aerossóis e a representação das nuvens baixas. A ideia é usar toda a gama de dados gerada pelos diversos experimentos do GOAmazon para alimentar esses modelos e aperfeiçoá-los”, contou Marengo.

De acordo com o pesquisador, a região sul da Amazônia é a que sofre mais com o atraso do início das chuvas, pois no norte não há um período de seca definido. Além do impacto sobre as populações, os cientistas temem que o prolongamento do período de seca possa causar danos permanentes à floresta.

“O ser humano se adapta, mas a floresta pode começar a secar e ficar mais vulnerável a queimadas. Quando começar a chover pode ser tarde demais. Somente com o aperfeiçoamento dos modelos poderemos ter mais certeza sobre os possíveis impactos”, disse Marengo.

Modelando nuvens

Outro projeto realizado no âmbito do GOAmazon que tem como objetivo o aperfeiçoamento de modelos de previsão climática foi apresentado no simpósio em Washington por Tercio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e por seu colega Carlos Roberto Mechoso, da University of California em Los Angeles (Ucla).

“Nosso objetivo é investigar como os aerossóis produzidos pela região de Manaus influenciam o processo de formação de nuvens na Amazônia. Nós comparamos as simulações que os diversos modelos são capazes de fazer com dados reais que estão sendo produzidos nos diversos sítios de pesquisa do GOAmazon”, disse Ambrizzi.

Depois de aperfeiçoados, esses modelos poderão ser incorporados em programas que desenham cenários de mudança climática, aumentando o grau de confiabilidade das projeções, afirmou o pesquisador.

Ao todo, o grupo trabalha com cinco diferentes modelos matemáticos, entre eles um de previsão do clima global, um de previsão regional e um voltado especificamente à formação de nuvens. Há ainda um programa capaz de mapear a trajetória das nuvens, desde o desenvolvimento inicial, a maturação e o decaimento, na forma de chuva, com auxílio de imagens de satélite.

Por meio do chamado modelo lagrangiano de difusão de partículas, o grupo de Ambrizzi investiga detalhadamente de onde vem a umidade existente na região da Amazônia e para onde ela se dirige. Os primeiros resultados foram divulgados em artigo publicado na revista Hydrology and Earth System Sciences.

“É possível ver claramente pela trajetória das partículas que as regiões do Atlântico tropical norte e sul são fontes de umidade para a Amazônia. Essas partículas caminham até a região Sudeste, onde se transformam em chuva”, disse Ambrizzi.

Sítios de pesquisa

Desde o início de 2014, uma gama enorme de dados sobre composição química de aerossóis e gases atmosféricos, microfísica de nuvens e parâmetros meteorológicos está sendo coletada nos diversos sítios de pesquisa instalados na região amazônica para o projeto GOAmazon.

O chamado sítio T3, localizado em Manacapuru, a 100 km de Manaus, é onde está instalada a estrutura do Atmospheric Radiation Measurement (ARM) Facility – um conjunto móvel de equipamentos terrestres e aéreos desenvolvido para estudos climáticos e pertencente ao DoE. O local recebe a pluma de Manaus após percorrer um longo caminho e sofrer interações com partículas emitidas pela floresta e com a radiação solar.

O T2 está situado no município de Iranduba, situado na margem do Rio Negro oposta à cidade de Manaus, e recebe a pluma de poluição assim que ela é emitida. Lá foi instalado com apoio da FAPESP um contêiner com equipamentos semelhantes aos existentes em Manacapuru.

A infraestrutura para coleta de dados do GOAmazon conta ainda com duas torres instaladas dentro da cidade de Manaus, na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), batizada de sítio T1, e um conjunto de torres ao norte de Manaus – conhecido como T0 –, que inclui a Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto), com 320 metros de altura. O T0 está situado no lado oposto ao percorrido pela pluma e representa, portanto, as condições da atmosfera amazônica sem a influência da poluição.

“Estamos analisando os dados das estações antes da pluma de Manaus e depois da pluma de Manaus. A primeira constatação é que, sem conhecer a situação da química atmosférica antes da pluma, no T0, fica quase impossível interpretar os dados coletados no T3, onde está a infraestrutura do ARM”, ressaltou Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física (IF) da USP e idealizador do projeto GOAmazon ao lado de Scot Martin, da Harvard University, nos Estados Unidos.

A comparação entre os dados coletados nos diversos sítios, afirmou Artaxo, revela haver forte influência da pluma de Manaus na composição química dos aerossóis e dos gases traço observados em Manacapuru.

“Qual é o impacto e suas consequências ainda vamos analisar. Já vimos, em relação ao ozônio, que há um aumento de até quatro vezes na concentração quando se comparam o T0 e o T3. Passa de 10 partes por milhão (ppm) para 40 ppm após a pluma, chegando a níveis que podem ser danosos às plantas. Vimos também forte efeito no balanço de radiação atmosférica, alterando a quantidade de radiação disponível para as plantas realizarem fotossíntese”, disse.

* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.

(Agência Fapesp)

Para IPCC, evitar aquecimento de 2°C ainda é possível (Folha de S.Paulo)

Desde segunda-feira, representantes de países debatem em Copenhague a redação final do 4º Relatório Síntese do IPCC

O último documento a ser produzido pelo painel do clima da ONU no ano deve adotar um tom menos pessimista com relação à possibilidade de o planeta evitar um acréscimo de temperatura superior a 2°C neste século, limite considerado perigoso.

Veja a matéria completa: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/193066-para-ipcc-evitar-aquecimento-de-2c-ainda-e-possivel.shtml

(Folha de S.Paulo)

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Ano de 2014 pode ser o mais quente da história do planeta

Meses de 2014, à exceção de fevereiro, tiveram as mais altas temperaturas desde 1880, quando começaram os relatórios da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica

Quem enfrentou o calor senegalês de janeiro, o inverno de araque em julho e um outubro com cara de verão sentiu na pele os sintomas de um planeta mais aquecido. Não foi uma simples sensação: de fato, é grande a possibilidade de 2014 desbancar 2010 e se tornar o ano mais quente da história, tanto em terra como nas superfícies dos oceanos.

A estimativa é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência americana de estudos meteorológicos que computa dados climáticos desde 1880. À exceção de fevereiro, todos os meses do ano até agora bateram recordes como os mais quentes de que se tem notícia.

O conteúdo na íntegra está disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/10/ano-de-2014-pode-ser-o-mais-quente-da-historia-do-planeta-4631023.html

(Zero Hora)

Citizen science network produces accurate maps of atmospheric dust (Science Daily)

Date: October 27, 2014

Source: Leiden University

Summary: Measurements by thousands of citizen scientists in the Netherlands using their smartphones and the iSPEX add-on are delivering accurate data on dust particles in the atmosphere that add valuable information to professional measurements. The research team analyzed all measurements from three days in 2013 and combined them into unique maps of dust particles above the Netherlands. The results match and sometimes even exceed those of ground-based measurement networks and satellite instruments.

iSPEX map compiled from all iSPEX measurements performed in the Netherlands on July 8, 2013, between 14:00 and 21:00. Each blue dot represents one of the 6007 measurements that were submitted on that day. At each location on the map, the 50 nearest iSPEX measurements were averaged and converted to Aerosol Optical Thickness, a measure for the total amount of atmospheric particles. This map can be compared to the AOT data from the MODIS Aqua satellite, which flew over the Netherlands at 16:12 local time. The relatively high AOT values were caused by smoke clouds from forest fires in North America, which were blown over the Netherlands at an altitude of 2-4 km. In the course of the day, winds from the North brought clearer air to the northern provinces. Credit: Image courtesy of Leiden, Universiteit

Measurements by thousands of citizen scientists in the Netherlands using their smartphones and the iSPEX add-on are delivering accurate data on dust particles in the atmosphere that add valuable information to professional measurements. The iSPEX team, led by Frans Snik of Leiden University, analyzed all measurements from three days in 2013 and combined them into unique maps of dust particles above the Netherlands. The results match and sometimes even exceed those of ground-based measurement networks and satellite instruments.

The iSPEX maps achieve a spatial resolution as small as 2 kilometers whereas satellite data are much courser. They also fill in blind spots of established ground-based atmospheric measurement networks. The scientific article that presents these first results of the iSPEX project is being published in Geophysical Research Letters.

The iSPEX team developed a new atmospheric measurement method in the form of a low-cost add-on for smartphone cameras. The iSPEX app instructs participants to scan the blue sky while the phone’s built-in camera takes pictures through the add-on. The photos record both the spectrum and the linear polarization of the sunlight that is scattered by suspended dust particles, and thus contain information about the properties of these particles. While such properties are difficult to measure, much better knowledge on atmospheric particles is needed to understand their effects on health, climate and air traffic.

Thousands of participants performed iSPEX measurements throughout the Netherlands on three cloud-free days in 2013. This large-scale citizen science experiment allowed the iSPEX team to verify the reliability of this new measurement method.

After a rigorous quality assessment of each submitted data point, measurements recorded in specific areas within a limited amount of time are averaged to obtain sufficient accuracy. Subsequently the data are converted to Aerosol Optical Thickness (AOT), which is a standardized quantity related to the total amount of atmospheric particles. The iSPEX AOT data match comparable data from satellites and the AERONET ground station at Cabauw, the Netherlands. In areas with sufficiently high measurement densities, the iSPEX maps can even discern smaller details than satellite data.

Team leader Snik: “This proves that our new measurement method works. But the great strength of iSPEX is the measurement philosophy: the establishment of a citizen science network of thousands of enthusiastic volunteers who actively carry out outdoor measurements. In this way, we can collect valuable information about atmospheric particles on locations and/or at times that are not covered by professional equipment. These results are even more accurate than we had hoped, and give rise to further research and development. We are currently investigating to what extent we can extract more information about atmospheric particles from the iSPEX data, like their sizes and compositions. And of course, we want to organize many more measurement days.”

With the help of a grant that supports public activities in Europe during the International Year of Light 2015, the iSPEX team is now preparing for the international expansion of the project. This expansion provides opportunities for national and international parties to join the project. Snik: “Our final goal is to establish a global network of citizen scientists who all contribute measurements to study the sources and societal effects of polluting atmospheric particles.”


Journal Reference:

  1. Frans Snik, Jeroen H. H. Rietjens, Arnoud Apituley, Hester Volten, Bas Mijling, Antonio Di Noia, Stephanie Heikamp, Ritse C. Heinsbroek, Otto P. Hasekamp, J. Martijn Smit, Jan Vonk, Daphne M. Stam, Gerard van Harten, Jozua de Boer, Christoph U. Keller. Mapping atmospheric aerosols with a citizen science network of smartphone spectropolarimeters. Geophysical Research Letters, 2014; DOI: 10.1002/2014GL061462

Climate change in the media (DISCCRS)

DISCCRS News – October 28, 2014

NEWS

Researchers resolve the Karakoram glacier anomaly, a cold case of climate science – Princeton University Press Release – October 22, 2014 – http://www.princeton.edu/main/news/archive/S41/39/84Q12/

    Related: Snowfall less sensitive to warming in Karakoram than in Himalayas due to a unique seasonal cycle – Nature Geoscience – October 12, 2014 – http://www.nature.com/ngeo/journal/vaop/ncurrent/full/ngeo2269.html

    Collaboration on this paper with two of the authors is the result of discussions begun at the DISCCRS VII symposium. Lead author Sarah Kapnick, a DISCCRS VII Symposium alum, is a postdoctoral research fellow at Princeton University. Moet Ashfaq is also a DISCCRS VII symposium alum, and is currently a computational climate scientist at the Oak Ridge National Laboratory.

Events that mark Arctic warming – Guardian – October 26, 2014 – http://www.theguardian.com/news/2014/oct/26/weatherwatch-arctic-warming-northwest-passage-siberia

Arctic melt means more severe winters likely – for now – New Scientist – October 27, 2014 – http://www.newscientist.com/article/dn26457-arctic-melt-means-more-severe-winters-likely–for-now.html#.VE7PACiv1sQ

    Related: Cold Winters in Europe, Asia Linked to Sea Ice Decline – Climate Central – October 26, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/cold-winters-in-europe-asia-linked-to-arctic-sea-ice-decline-18239

    Related: Global warming has doubled risk of harsh winters in Eurasia, research finds – Guardian – October 26, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/oct/26/global-warming-has-doubled-risk-harsh-winters-eurasia-research-finds

UN expert: Keep up hope amid climate change battle – Associated Press – October 27, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/ea6b7bb91beb401a85fd8defbcb18826/un-envoy-keep-hope-amid-climate-change-battle

UN climate change draft sees risks of irreversible damage – Reuters – October 26, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/10/26/climatechange-report-idUSL6N0SK0LQ20141026

EU leaders agree to cut greenhouse gas emissions by 40% by 2030 – Guardian – October 24, 2014 – http://www.theguardian.com/world/2014/oct/24/eu-leaders-agree-to-cut-greenhouse-gas-emissions-by-40-by-2030

    Related: EU strikes compromise to set new climate target – Reuters – October 24, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/10/24/us-eu-summit-climatechange-idUSKCN0IB1PB20141024

    Related: EU emissions target isn’t as ambitious as it seems – New Scientist – October 24, 2014 – http://www.newscientist.com/article/dn26446-eu-emissions-target-isnt-as-ambitious-as-it-seems.html#.VE7PCCiv1sQ

    Related: Europe Reaches Climate Deal, Sends Message – Climate Central – October 24, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/eu-climate-deal-2030-18228

    Related: EU climate change goal pits green business against industry – Reuters – October 24, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/10/24/eu-summit-climatechange-reaction-pix-tvu-idUSL6N0SJ3CE20141024

Innovations in Energy Storage Provide Boost for Renewables – Yale Environment 360 – October 27, 2014 – http://e360.yale.edu/feature/innovations_in_energy_storage_provide_boost_for_renewables/2820/

Great Barrier Reef protection plan ‘ignores the threat of climate change’ – Guardian – October 27, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/oct/27/great-barrier-reef-protection-plan-ignores-threat-climate-change

Recently discovered microbe is key player in climate change – University of Arizona Press Release (via AAAS EurekAlert) – October 22, 2014 – http://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-10/uoa-rdm102014.php

FORUM

Rick Piltz Dies at 71; Quit Bush White House Over Climate Policy – New York Times – October 23, 2014 – By Douglas Martin – http://www.nytimes.com/2014/10/24/us/politics/rick-s-piltz-firebrand-on-climate-dies-at-71-.html?_r=0

    Related: Whistleblower Who Exposed White House Tampering with Climate Science Dies – Scientific American Blog – October 22, 2014 – By Paul Thacker – http://blogs.scientificamerican.com/guest-blog/2014/10/22/whistleblower-who-exposed-white-house-tampering-with-climate-science-dies/

U.S. needs to invest in Arctic ships, technology to prepare for climate change: envoy – Reuters – October 21, 2014 – By Andrea Shalal and Ayesha Rascoe – http://www.reuters.com/article/2014/10/21/us-usa-arctic-navy-climatechange-idUSKCN0IA2S520141021

Solving Energy Poverty Need Not Trash the Atmosphere – ClimateWire (via Scientific American) – October 24, 2014 – By Lisa Friedman – http://www.scientificamerican.com/article/solving-energy-poverty-need-not-trash-the-atmosphere/

2014 Arctic sea ice extent – 6th lowest in millennia – Climate Consensus – the 97% blog (Guardian) – October 21, 2014 – By Dana Nuccitelli – http://www.theguardian.com/environment/climate-consensus-97-per-cent/2014/oct/20/2014-arctic-sea-ice-extent-6th-lowest-in-millennia

Climate change in the news (DISCCRS)

DISCCRS News – October 21, 2014 (Nancy Rose)

NEWS

2014 Stephen H. Schneider Award for Outstanding Climate Science Communication Bestowed Upon Dr. Jane Lubchenco – Climate One – October 16, 2014 – https://climate-one.org/content/2014-stephen-schneider-award-jane-lubchenco

1934 drought was worst of the last millennium, study finds – American Geophysical Union Press Release – October 14, 2014 – http://news.agu.org/press-release/1934-drought-was-worst-of-the-last-millennium-study-finds/

7 Underwater Surprises Exposed in Dried Out California Lakes – Mashable – October 16, 2014 – http://mashable.com/2014/10/16/7-underwater-secrets-found-in-dried-out-california-lakes/

Warming Earth heading for hottest year on record – Associated Press – October 20, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/079ed0ae0f5049019ea25d8e1897c81e/another-month-another-global-heat-record-broken

IPCC corrects claim suggesting climate change would be good for the economy – Guardian – October 17, 2014 – http://www.theguardian.com/environment/2014/oct/17/ipcc-corrects-claim-suggesting-climate-change-would-be-good-for-the-economy

Ocean Acidification: Federal Response Under Way, but Actions Needed to Understand and Address Potential Impacts – U.S. Government Accountability Office Press Release – October 14, 2014 – http://www.gao.gov/products/GAO-14-736

Will we still be swimming in the sea in 2100? – New Scientist – October 15, 2014 – http://www.newscientist.com/article/mg22429914.100-will-we-still-be-swimming-in-the-sea-in-2100.html#.VEWUOCiv1sQ

Ice loss sends Alaskan temperatures soaring – Climate News Network – October 17, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/2014/10/ice-loss-sends-alaskan-temperatures-soaring/

U.S. Takes Charge of Efforts to Cope with a Fast-Changing Arctic – ClimateWire (via Scientific American) – October 20, 2014 – http://www.scientificamerican.com/article/u-s-takes-charge-of-efforts-to-cope-with-a-fast-changing-arctic/

Cutting Global Warming Pollution Just Business as Usual at Some Major Companies – ClimateWire (via Scientific American) – October 17, 2014 – http://www.scientificamerican.com/article/cutting-global-warming-pollution-just-business-as-usual-at-some-major-companies/

Veteran green says emissions aren?t the only danger – Climate News Network – October 16, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/2014/10/veteran-green-says-emissions-arent-the-only-danger/

Climate Change Takes Center Stage on Instagram – Climate Central – October 17, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/climate-change-instagram-photography-18190

FORUM

Teaching argumentation in introductory climate, energy, and water courses – Science Education Solutions, Inc. – October 12, 2014 – http://disccrs.org/newsletter/ScienceEdSolutionsInc.pdf

Explanation of the Predicted Geoscience Workforce Shortage – American Geoscience Institute – Geoscience Currents #93 – October 16, 2014 – http://www.americangeosciences.org/workforce/currents/explanation-predicted-geoscience-workforce-shortage

REUTERS SUMMIT-G20 host Australia stumbling block to global climate change action – Reuters – October 17, 2014 – By Jane Wardell – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-australia-g20-reute-idUSL3N0S42QV20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Can an oil and gas superpower lead on climate change? – Reuters – October 17, 2014 – By Valerie Volcovici and Ayesha Rascoe – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-oil-policy-idUSL2N0S933V20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Pollution and scarce resources key green issues for firms – Reuters – October 17, 2014 – By Nina Chestney – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-ambienta-reuters-su-idUSL6N0SB11S20141017

    Related: REUTERS SUMMIT-Lax emissions reporting makes green firms hard to find in emerging markets – Reuters – October 17, 2014 – By Himank Sharma and Sumeet Chatterjee – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/climatechange-summit-emerging-idUSL3N0SB2UU20141017

Are we there yet? Scientists prepare for change of epoch – Reuters – October 17, 2014 – By Emma Anderson – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/uk-science-world-epoch-idUSKCN0I61YS20141017

No silver bullet to tackle building emissions: CBRE – Reuters – October 17, 2014 – By Valerie Volcovici – http://www.reuters.com/article/2014/10/17/us-climatechange-summit-realestate-idUSKCN0I531120141017

Rising sea levels aren’t a scientific threat ? it’s happening outside my window – Guardian – October 16, 2014 – By James Woodford – http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/oct/16/rising-sea-levels-isnt-a-scientific-threat-its-happening-outside-my-window

What Universities Can Do About Climate Change – Huffington Post – September 24, 2014 – By Drew Gilpin Faust and John L. Hennessy – http://www.huffingtonpost.com/drew-gilpin-faust/post_8366_b_5871214.html

Weather history ‘time machine’ created (Science Daily)

Date: October 15, 2014

Source: San Diego State University

Summary: A software program that allows climate researchers to access historical climate data for the entire global surface (excluding the poles) has been developed. This software include the oceans, and is based statistical research into historical climates.

During the 1930s, North America endured the Dust Bowl, a prolonged era of dryness that withered crops and dramatically altered where the population settled. Land-based precipitation records from the years leading up to the Dust Bowl are consistent with the telltale drying-out period associated with a persistent dry weather pattern, but they can’t explain why the drought was so pronounced and long-lasting.

The mystery lies in the fact that land-based precipitation tells only part of the climate story.Building accurate computer reconstructions of historical global precipitation is tricky business. The statistical models are very complicated, the historical data is often full of holes, and researchers invariably have to make educated guesses at correcting for sampling errors.

Hard science

The high degree of difficulty and expertise required means that relatively few climate scientists have been able to base their research on accurate models of historical precipitation. Now, a new software program developed by a research team including San Diego State University Distinguished Professor of Mathematics and Statistics Samuel Shen will democratize this ability, allowing far more researchers access to these models.

“In the past, only a couple dozen scientists could do these reconstructions,” Shen said. “Now, anybody can play with this user-friendly software, use it to inform their research, and develop new models and hypotheses. This new tool brings historical precipitation reconstruction from a ‘rocket science’ to a ‘toy science.'”

The National Science Foundation-funded project is a collaboration between Shen, University of Maryland atmospheric scientist Phillip A. Arkin and National Oceanic and Atmospheric Administration climatologist Thomas M. Smith.

Predicting past patterns

Prescribed oceanic patterns are useful for predicting large weather anomalies. Prolonged dry or wet spells over certain regions can reliably tell you whether, for instance, North America will undergo an oceanic weather pattern such as the El Nino or La Nina patterns. The problem for historical models is that reliable data exists from only a small percentage of Earth’s surface. About eighty-four percent of all rain falls in the middle of the ocean with no one to record it. Satellite weather tracking is only a few decades old, so for historical models, researchers must fill in the gaps based on the data that does exist.

Shen, who co-directs SDSU’s Center for Climate and Sustainability Studies Area of Excellence, is an expert in minimizing error size inside model simulations. In the case of climate science, that means making the historical fill-in-the-gap guesses as accurate as possible.Shen and his SDSU graduate students Nancy Tafolla and Barbara Sperberg produced a user-friendly, technologically advanced piece of software that does the statistical heavy lifting for researchers. The program, known as SOGP 1.0, is based on research published last month in the Journal of Atmospheric Sciences. The group released SOGP 1.0 to the public last week, available by request.

SOGP 1.0, which stands for a statistical technique known as spectral optimal gridding of precipitation, is based on the MATLAB programming language, commonly used in science and engineering. It reconstructs precipitation records for the entire globe (excluding the Polar Regions) between the years 1900 and 2011 and allows researchers to zoom in on particular regions and timeframes.

New tool for climate change models

For example, Shen referenced a region in the middle of the Pacific Ocean that sometimes glows bright red on the computer model, indicating extreme dryness, and sometimes dark blue, indicating an unusually wet year. When either of these climate events occur, he said, it’s almost certain that North American weather will respond to these patterns, sometimes in a way that lasts several years.

“The tropical Pacific is the engine of climate,” Shen explained.

In the Dust Bowl example, the SOGP program shows extreme dryness in the tropical Pacific in the late 1920s and early 1930s — a harbinger of a prolonged dry weather event in North America. Combining this data with land-record data, the model can retroactively demonstrate the Dust Bowl’s especially brutal dry spell.

“If you include the ocean’s precipitation signal, the drought signal is amplified,” Shen said. “We can understand the 1930s Dust Bowl better by knowing the oceanic conditions.”

The program isn’t a tool meant to look exclusively at the past, though. Shen hopes that its ease of use will encourage climate scientists to incorporate this historical data into their own models, improving our future predictions of climate change.

Researchers interested in using SOGP 1.0 can request the software package as well as the digital datasets used by the program by e-mailing sogp.precip@gmail.com with the subject line, “SOGP precipitation product request,” followed by your name, affiliation, position, and the purpose for which you intend to use the program.

Journal Reference:

  1. Samuel S. P. Shen, Nancy Tafolla, Thomas M. Smith, Phillip A. Arkin. Multivariate Regression Reconstruction and Its Sampling Error for the Quasi-Global Annual Precipitation from 1900 to 2011. Journal of the Atmospheric Sciences, 2014; 71 (9): 3250 DOI: 10.1175/JAS-D-13-0301.1

‘Superglue’ for the atmosphere: How sulfuric acid increases cloud formation (Science Daily)

Date: October 8, 2014

Source: Goethe-Universität Frankfurt am Main

Summary: It has been known for several years that sulfuric acid contributes to the formation of tiny aerosol particles, which play an important role in the formation of clouds. A new study shows that dimethylamine can tremendously enhance new particle formation. The formation of neutral (i.e. uncharged) nucleating clusters of sulfuric acid and dimethylamine was observed for the first time.

Clouds. Credit: Copyright Michele Hogan

It has been known for several years that sulfuric acid contributes to the formation of tiny aerosol particles, which play an important role in the formation of clouds. The new study by Kürten et al. shows that dimethylamine can tremendously enhance new particle formation. The formation of neutral (i.e. uncharged) nucleating clusters of sulfuric acid and dimethylamine was observed for the first time.

Previously, it was only possible to detect neutral clusters containing up to two sulfuric acid molecules. However, in the present study molecular clusters containing up to 14 sulfuric acid and 16 dimethylamine molecules were detected and their growth by attachment of individual molecules was observed in real-time starting from just one molecule. Moreover, these measurements were made at concentrations of sulfuric acid and dimethylamine corresponding to atmospheric levels (less than 1 molecule of sulfuric acid per 1 x 1013 molecules of air).

The capability of sulfuric acid molecules together with water and ammonia to form clusters and particles has been recognized for several years. However, clusters which form in this manner can vaporize under the conditions which exist in the atmosphere. In contrast, the system of sulfuric acid and dimethylamine forms particles much more efficiently because even the smallest clusters are essentially stable against evaporation. In this respect dimethylamine can act as “superglue” because when interacting with sulfuric acid every collision between a cluster and a sulfuric acid molecule bonds them together irreversibly. Sulphuric acid as well as amines in the present day atmosphere have mainly anthropogenic sources.

Sulphuric acid is derived mainly from the oxidation of sulphur dioxide while amines stem, for example, from animal husbandry. The method used to measure the neutral clusters utilizes a combination of a mass spectrometer and a chemical ionization source, which was developed by the University of Frankfurt and the University of Helsinki. The measurements were made by an international collaboration at the CLOUD (Cosmics Leaving OUtdoor Droplets) chamber at CERN (European Organization for Nuclear Research).

The results allow for very detailed insight into a chemical system which could be relevant for atmospheric particle formation. Aerosol particles influence Earth’s climate through cloud formation: Clouds can only form if so-called cloud condensation nuclei (CCN) are present, which act as seeds for condensing water molecules. Globally about half the CCN originate from a secondary process which involves the formation of small clusters and particles in the very first step followed by growth to sizes of at least 50 nanometers.

The observed process of particle formation from sulfuric acid and dimethylamine could also be relevant for the formation of CCN. A high concentration of CCN generally leads to the formation of clouds with a high concentration of small droplets; whereas fewer CCN lead to clouds with few large droplets. Earth’s radiation budget, climate as well as precipitation patterns can be influenced in this manner. The deployed method will also open a new window for future measurements of particle formation in other chemical systems.


Journal Reference:

  1. A. Kurten, T. Jokinen, M. Simon, M. Sipila, N. Sarnela, H. Junninen, A. Adamov, J. Almeida, A. Amorim, F. Bianchi, M. Breitenlechner, J. Dommen, N. M. Donahue, J. Duplissy, S. Ehrhart, R. C. Flagan, A. Franchin, J. Hakala, A. Hansel, M. Heinritzi, M. Hutterli, J. Kangasluoma, J. Kirkby, A. Laaksonen, K. Lehtipalo, M. Leiminger, V. Makhmutov, S. Mathot, A. Onnela, T. Petaja, A. P. Praplan, F. Riccobono, M. P. Rissanen, L. Rondo, S. Schobesberger, J. H. Seinfeld, G. Steiner, A. Tome, J. Trostl, P. M. Winkler, C. Williamson, D. Wimmer, P. Ye, U. Baltensperger, K. S. Carslaw, M. Kulmala, D. R. Worsnop, J. Curtius. Neutral molecular cluster formation of sulfuric acid-dimethylamine observed in real time under atmospheric conditions. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2014; DOI: 10.1073/pnas.1404853111

‘El rayo fue un castigo’: Mamo que sobrevivió a tragedia de la Sierra (El Tiempo)

EL TIEMPO visitó el pueblo donde murieron 11 indígenas y habló con su máxima autoridad.

Por:   |

2:29 p.m. | 7 de octubre de 2014

En la foto, el mamo Ramón Gil, que perdió a su hijo Juan Ramón Gil cuando cayó el rayo que mató a 11 indígenas.

Foto: Carlos Capella / EL TIEMPO. En la foto, el mamo Ramón Gil, que perdió a su hijo Juan Ramón Gil cuando cayó el rayo que mató a 11 indígenas.

El mamo Ramón Gil, la máxima autoridad de los wiwa y uno de los indígenas tradicionales más conocidos de la Sierra Nevada, dice que hace dos años la naturaleza le había advertido que debían pagar por tantas talas y saqueos que se han realizado en estas montañas. (Lea también: Llegan ayudas a comunidad wiwa tras caída de rayo en Sierra Nevada)

Esa advertencia se hizo realidad cuando en la madrugada de este lunes, asegura el mamo, un rayo cayó sobre la unguma, choza ceremonial donde estaban reunidos unos 50 wiwas de la cuenca media del río Guachaca, y mató a 11 indígenas y dejó a otros 20 con heridas.

La comunidad wiwa de la sierra nevada de Santa Marta se repone de la tragedia que ocasionó la caída de un rayo que mató 11 personas y dejó 20 heridos. Foto: CEET

Luego de la tragedia, en la noche del lunes, los indígenas se fueron del pueblo por temor a que otro rayo volviera a castigarlos. Los cadáveres fueron recogidos en una choza y acomodados en el piso, donde pasaron la noche. Hoy, en la mañana, cuando escucharon el sonido del helicóptero volvieron a bajar de las montañas al pueblo. (Lea también: ‘Un trueno retumbó en la Sierra y en segundos se prendió la choza’)

“El domingo a las seis de la tarde, cuando cayeron los primeros relámpagos, sentí que estaban molestos, pidiendo que le devuelvan a la naturaleza todo lo que se han llevado de la Sierra”, contó el hombre ayer entre las cenizas de la choza ceremonial, de donde aún, pese a los últimos aguaceros, se levantan pequeñas columnas de humo que salen de la tierra y el olor a quemado invade las 40 chozas de kemakúmake, el pueblo ancestral que llora por la tragedia. (Vea las fotos de la zona donde cayó el rayo y la operación para evacuar a los heridos)

En su relato, Ramón, que perdió a su hijo, recuerda que le dijo a la comunidad que el relámpago necesitaba un pago, por tantos árboles talados y cuarzo saqueado. También les había dicho que desde hace tiempo la naturaleza le estaba pidiendo que le cobrara a todos aquellos que habían profanado esos lugares sagrados y él no lo había hecho. (Vea en un mapa los 2.900 rayos que cayeron en la zona de la Sierra Nevada)

“Le dije a la comunidad, el trueno está bravo, dice que nos mandó el primer castigo el verano, pero como suplicamos mucho, manda el aguacero, pero no pagamos y ahora va a venir guerra de la naturaleza y de la humanidad”, asegura el viejo mamo que le dijo la naturaleza.

Esa noche, él estaba hablando con los hombres del pueblo en la choza ceremonial, cuando sintió como la luz iluminó el lugar y todos fueron cayendo lentamente. “Cuando la candela vino hacia mí se me nubló la vista. Me levanté, me dio rabia y lo insulté. A los pocos minutos solo hubo caos y el fuego se apoderó del lugar”, recuerda . Los indígenas que llegaron de las otras chozas tuvieron que sacar los cuerpos para evitar que las llamas los consumieran. (Lea también: Unas 100 personas mueren por rayos en Colombia cada año)

“Le quitamos 11 para que reflexione, analice y hable con los hermanitos menores y les advierta también”, dice Ramón que es el mensaje de la naturaleza.

Pide reunión con mamos

El mamo Ramón le pidió al Gobierno que los ayude para citar un encuentro de por lo menos un mes con los mamos ancestrales y espirituales de los cuatro pueblos indígenas de la Sierra Nevada: koguis, arhuacos, kankuamos y wiwas, para que analicen como autoridades todas las problemáticas que se viven en estos momentos en los resguardos.

Luego de la tragedia, en la noche del lunes, los indígenas se fueron del pueblo por temor a que otro rayo volviera a castigarlos. Foto CEET

También reconoció que los cabildos gobernadores de estos pueblos se han convertido en una especie de talanquera para que las autoridades espirituales y guías de estos pueblos se reúnan. “Necesitamos analizar y unificar un criterio, interna y espiritualmente, ya que los cabildos gobernadores no se ponen de acuerdo”, dijo.

Ayer, Ramón se lamentó de no saber leer ni escribir en español para poder hacer una cartilla para que todos entiendan y comprendan cuál es el mensaje que la naturaleza les da a los mamos y así respeten los últimos recursos que quedan en la Sierra Nevada.

Siguen llegando ayudas

A las 6:30 a.m. de hoy salió el primer helicóptero con alimentos, frazadas, medicamentos y hamacas recogidos por la Defensa Civil y enviados por la Unidad Nacional de Riesgo.

Desde la primera División del Ejército, entre ayer hoy, unos nueve viajes se hicieron en helicópteros sacando heridos, llevando ayudas y periodistas. “No solamente estamos para la guerra, también para ayudas humanitarias”, dijo el capitán del Ejército, Ómar Pardo, quien está al frente de los vuelos.

Ejército y Policía acompañados de la Defensa Civil llevan ayudas. Foto: CEET

A su turno, el coronel Luis Alfonso Quintero Parada, comandante de la Policía Metropolitana de Santa Marta, encabezó con la Policía Judicial la última inspección a los cadáveres, que hoy mismo serán entregados a la comunidad.

“Tenemos un equipo medico revisando a los indígenas, tal como lo solicitaron, para brindarles un apoyo con medicamento y curación, al equipo de Policía judicial se les sumaron dos médicos forenses de Barranquilla, para apoyar el trabajo”, dijo el oficial.

L​eonardo Herrera Delghams
Enviado especial de EL TIEMPO
Sierra Nevada de Santa Marta

Rogue winds swept humans to last uninhabited islands (New Scientist)

13:00 30 September 2014 by Michael Slezak

Too far east? <i>(Image: Thomas J. Abercrombie/National Geographic Creative)</i>

Too far east? (Image: Thomas J. Abercrombie/National Geographic Creative)

Expert navigation and advanced boat-building technology were not enough for humans to finally colonise the world’s most remote islands – shifting wind patterns also played a part.

There were no humans on Easter Island in the south-eastern Pacific until the middle ages, when expert Polynesian sailors spread from the central Pacific islands. Within a few hundred years, they colonised previously uninhabited islands all across the South Pacific. But how they did so has remained a matter of some controversy.

Today winds blow from east to west in the tropics, and in the opposite direction further south. This would have made it an epic struggle against the wind to sail eastwards to Easter Island or westwards to New Zealand, and scientists have clashed over whether Polynesian seafaring could have coped with such a task.

The Polynesians would probably have needed fixed-mast canoes to sail against the wind, which there is no evidence of, says Ian Goodwin from Macquarie University in Sydney, Australia. Instead, his research suggests that these pioneering sailors might have had the winds in their favour after all.

“All previous research that’s been done trying to understand this very rapid colonisation of the Pacific tried to grapple with the migration in terms of modern climate,” says Goodwin, who teamed up with anthropologist Atholl Andersonfrom the Australian National University in Canberra.

They wanted to see whether wind patterns could help explain the migrations. Using evidence from tree rings, lake sediments and ice cores, they tried to reconstruct ancient climates. Their work showed that, for a couple of centuries, a unique set of wind changes would have made these journeys easier.

Catching the breeze

The wind record reveals that every few decades there were dramatic shifts in wind direction, corresponding to expansions and contractions of the predominantly warm, moist climates of the tropical regions, caused by warming of the western Pacific Ocean. Many of these events explain the movements of Polynesians’ across the pacific.

From 1080 to 1100, the tropics contracted, moving the westerly winds further north. This would have created ideal sailing routes from the already colonised South Austral Islands to Easter Island – exactly when many archaeologists now think the island was colonised. Later, from 1140 to 1160, the opposite happened. The tropics expanded, and the easterly winds moved further south, allowing migration to New Zealand, which corresponds with archaeological and oral history records.

But the wind changes seem to have stopped as suddenly as they emerged – which could be why there don’t appear to have been any major voyages after 1300

Debating blows on

Terry Hunt, an anthropologist at the University of Oregon in the US, believes the timings are significant. He and his colleagues previously establishedexactly when some of the colonisations happened using radiocarbon dating. “When we wrote our paper, we were saying to ourselves ‘something must have erased distance in the rapid colonization of the remote Pacific.’ These windows may be the critical clue,” he says.

Dilys Johns from the University of Auckland, New Zealand, is more reserved about the role the wind played for the Polynesians’ rapid spread across the South Pacific. “It’s good to know they had chunks of time when it wouldn’t have been as difficult,” she says, but she still believes Polynesians were probably capable of sailing against the winds.

Hunt disagrees. “I think this is a compelling argument that an upwind capability was not necessary for long-distance voyaging, and indeed did not play a role.”

Journal Reference: PNAS, DOI: 10.1073/pnas.1408918111

Adding uncertainty to improve mathematical models (Science Daily)

Date: September 29, 2014

Source: Brown University

Summary: Mathematicians have introduced a new element of uncertainty into an equation used to describe the behavior of fluid flows. While being as certain as possible is generally the stock and trade of mathematics, the researchers hope this new formulation might ultimately lead to mathematical models that better reflect the inherent uncertainties of the natural world.

Burgers’ equation. Named for Johannes Martinus Burgers (1895–1981), the equation describes fluid flows, as when two air masses meet and create a front. A new development accounts for many more complexities and uncertainties, making predictions more robust, less sterile. Credit: Image courtesy of Brown University

Ironically, allowing uncertainty into a mathematical equation that models fluid flows makes the equation much more capable of correctly reflecting the natural world — like the formation, strength, and position of air masses and fronts in the atmosphere.

Mathematicians from Brown University have introduced a new element of uncertainty into an equation used to describe the behavior of fluid flows. While being as certain as possible is generally the stock and trade of mathematics, the researchers hope this new formulation might ultimately lead to mathematical models that better reflect the inherent uncertainties of the natural world.

The research, published in Proceedings of the Royal Society A, deals with Burgers’ equation, which is used to describe turbulence and shocks in fluid flows. The equation can be used, for example, to model the formation of a front when airflows run into each other in the atmosphere.

“Say you have a wave that’s moving very fast in the atmosphere,” said George Karniadakis, the Charles Pitts Robinson and John Palmer Barstow Professor of Applied Mathematics at Brown and senior author of the new research. “If the rest of the air in the domain is at rest, then flow one goes over the other. That creates a very stiff front or a shock, and that’s what Burgers’ equation describes.”

It does so, however, in what Karniadakis describes as “a very sterilized” way, meaning the flows are modeled in the absence of external influences.

For example, when modeling turbulence in the atmosphere, the equations don’t take into consideration the fact that the airflows are interacting not just with each other, but also with whatever terrain may be below — be it a mountain, a valley or a plain. In a general model designed to capture any random point of the atmosphere, it’s impossible to know what landforms might lie underneath. But the effects of whatever those landforms might be can still be accounted for in the equation by adding a new term — one that treats those effects as a “random forcing.”

In this latest research, Karniadakis and his colleagues showed that Burgers’ equation can indeed be solved in the presence of this additional random term. The new term produces a range of solutions that accounts for uncertain external conditions that could be acting on the model system.

The work is part of a larger effort and a burgeoning field in mathematics called uncertainty quantification (UQ). Karniadakis is leading a Multidisciplinary University Research Initiative centered at Brown to lay out the mathematical foundations of UQ.

“The general idea in UQ,” Karniadakis said, “is that when we model a system, we have to simplify it. When we simplify it, we throw out important degrees of freedom. So in UQ, we account for the fact that we committed a crime with our simplification and we try to reintroduce some of those degrees of freedom as a random forcing. It allows us to get more realism from our simulations and our predictions.”

Solving these equations is computationally expensive, and only in recent years has computing power reached a level that makes such calculations possible.

“This is something people have thought about for years,” Karniadakis said. “During my career, computing power has increased by a factor of a billion, so now we can think about harnessing that power.”

The aim, ultimately, is to make the mathematical models describing all kinds of phenomena — from atmospheric currents to the cardiovascular system to gene expression — that better reflect the uncertainties of the natural world.

Heyrim Cho and Daniele Venturi were co-authors on the paper.

Journal Reference:

  1. H. Cho, D. Venturi, G. E. Karniadakis. Statistical analysis and simulation of random shocks in stochastic Burgers equation. Proceedings of the Royal Society A: Mathematical, Physical and Engineering Sciences, 2014; 470 (2171): 20140080 DOI: 10.1098/rspa.2014.0080

It’s Not Genghis Khan’s Mongolia (New York Times)

Ayush Ish in her home with her son and grandson in the Gobi Desert in Mongolia. Extreme winter events killed off her livestock twice. CreditRachel Nuwer

ULAN BATOR, Mongolia — For all of his victories and skills, Genghis Khan always insisted that the god Tengri — the Eternal Blue Sky — deserved the credit for his triumphant success in uniting the vast Mongol Empire in the early 13th century.

Now 21st-century science may be proving him right. Not long ago, researchers studying ancient tree rings found evidence that the Great Khan rose to power during an exceptionally mild 15-year stretch.

Back-to-back years of plentiful rain and favorable temperatures — known as pluvials, the opposite of droughts — promoted vegetation growth, the researchers believe, and that in turn supported the livestock needed to power an army.

“The Mongol Empire pluvial was quite exceptional in its duration,” said Neil Pederson, an ecologist at Harvard Forest in central Massachusetts. “It was the only one in the past 1,000 years that lasted more than 10 years, so it’s really a singular event.”

These days, Mongolia’s climatic tides have been shifting toward another extreme. A 10-year drought and heat wave from 2000 to 2010, according to the tree ring data, was the most severe the country had had in a millennium.

“I’m more and more convinced that the only way we can understand this 21st-century event is within the context of climate change,” said Amy Hessl, a geographer at West Virginia University. “And the human side of that — combined with a constellation of other factors — is going to be incredible.”

Today, Mongolia is largely herders, not warriors. Sandwiched between Russia and China, it has almost three million people in a vast tract of desert and rolling steppe grassland, punctuated by mountains and forests. Climate continues to significantly shape the lives of Genghis Khan’s descendants, around one-third of whom still practice the seminomadic herding of their ancestors, moving their house — traditionally, a dome-shaped tent called a ger — with the seasons.

While televisions and solar panels are a common sight in modern gers, herders still rely on thousands of years of collective knowledge to thrive in the harsh Mongolian environment, where the temperature regularly dips below minus 15 degrees Fahrenheit in winter. Yet the predictable ebb and flow of warmth and cold, rain and snow, has begun to falter in recent years.

“I don’t know why the weather has become unusual, but I’m very worried about it,” said Urgamaltsetsg Suvita, 47, a herder in the Gobi Desert. Summer is hotter and drier and plagued by sandstorms, she said, and winter brings too much snow or too little.

In 2010, an extreme snowstorm killed her flock of livestock — nearly 1,000 animals, including horses, sheep and goats. “Winter is no longer winter,” she said.

Like much of the world, Mongolia is already experiencing the effects of climate change. The country’s average annual temperature has risen more than 3.8 degrees Fahrenheit since 1940; paradoxically, winter months have grown colder over the past 20 years. Streams and lakes have begun to dry up, and fires frequently blaze across millions of acres of steppe and forest.

“The steppe ecosystem is burning and burning and burning,” said Oyunsanaa Byambasuren, a lecturer in forestry at the National University of Mongolia. “But we really don’t have enough specialists or professionals dealing with those issues.”

Dzuds — extreme winter events that cause mass livestock die-offs — also seem to be increasing in frequency and intensity. From 1999 to 2002, a succession of winter dzuds followed by summer droughts killed 30 percentof all livestock in Mongolia, and a 2010 dzud claimed 8.8 million livestock — losses equivalent to 4.4 percent of the country’s economic output.

“Wealth in much of Mongolia is measured in animals,” said Nicole Davi, a research scientist at Lamont-Doherty Earth Observatory and at William Paterson University. “If you lose all of your animals, you lose everything.”

Ayush Ish, 69, has lived in the Gobi Desert all her life. She and her husband lost their flock of goats and sheep in the 2002 dzud and drought, then slowly rebuilt it with the help of 50 animals allocated by the government. But when the 2010 dzud struck, all but 20 died. Around the same time, her husband died as well.

“I don’t know if it will happen again,” she said, tears running down her cheeks. “I can only hope that we’re entering a good period now.”

Like many rural Mongolians who follow a shamanistic belief system, Ms. Ish says that mining — which has recently become widespread around the country — is to blame for the changing weather patterns. Troy Sternberg, a geographer at the University of Oxford, said that “under the Mongolian belief system, the earth and sky are connected, so if you take gold out of the ground, you’re disrupting the natural rhythms of weather and climate.”

Whether or not that is true, the rise of mining — along with overgrazing by herders chasing the cashmere market — has led to wide desertification. Some studies indicate that 70 percent of Mongolia’s grasslands are degraded.

Taken together, these patterns bode ominously for the herders’ way of life. A team of Mongolian and international experts warned in a 2009 report that such trends “may lead to the end of the Mongolian traditional way of animal husbandry as we know it, that at onetime was the very core of the entire nomadic civilization.”

Some herders have already reached that breaking point. After the 1999 to 2002 dzuds alone, 180,000 people moved to the capital, Ulan Bator, in search of a better life. “The movement from a rural, agrarian life to an urban industrial one is not necessarily a bad thing if people are interested in doing other things that are tied to a more diverse economy,” said Maria Fernandez-Gimenez, an ecologist at Colorado State University. “But opportunities and services have to exist to enable that.”

Those who reach the capital usually settle in the ger district, a sprawling, makeshift neighborhood that encircles the city and creeps into the surrounding valleys. Although the skyscrapers of downtown are in eyesight, basic services are luxuries. Families must trek up to a mile to collect water from communal wells, and in winter, they burn coal and garbage to keep warm, helping to make Ulan Bator one of the world’s most polluted cities.

Khishigee Shuurai, 36, moved from western Mongolia to the capital around 15 years ago. In 2002, after losing their flock, her parents joined her in the city. Then her father died of a heart attack. Before that, she said, he frequently expressed a longing to return to the countryside.

For many, however, life here is preferable to the uncertainty and harshness of nomadic herding. Ms. Shuurai, a school custodian and mother of four, does not share her father’s regrets.

She and her husband, a construction worker, have jobs, and they recently got electricity in their ger. Her 7-year-old daughter was honored as the top student in her class, and her 12-year-old son wants to become an engineer.

“There’s many reasons to stay,” she said. “I don’t want to go back.”

Pajés Caiapó Kukrit e Mati-í fazem pajelança e terminam incêncio de mais de dois meses em Roraima, em 1998

“No dia 30 de março, quando o incêndio completava 63 dias, chegam a Roraima, levados pela Fundação Nacional do Indio-FUNAI, os pajés Caiapó Kukrit e Mati-í, determinados a realizar uma pajelança para atrair chuva para Roraima. Na noite do dia 30, os pajés dirigiram-se à beira do rio Curupira, que banha Boa Vista, e fizeram um ritual de chuva. Retornaram ao hotel, afirmando que no dia seguinte choveria “muito”. De madrugada choveu muito, apagando 95% dos focos de incêndio.

A partir desse fato a imprensa debruçou-se sobre o tema durante vários dias, mudando o rumo da discussão pública sobre o incêndio, concentrando-a na participação dos pajés nos esforços para debelar o incêndio. Antropólogos discutiram a eficácia dos rituais indígenas . José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília, contemporizou: “Nem toda vez que você faz ritual para chover, chove. Como nem toda vez que você vai ao médico, o médico te cura.” Júlio Cezar Melatti, também da UnB: “Depende da fé de cada um. Fazer chover, eu acho que é coincidência”. Marcos Terena, organizador do I Encontro Nacional de Pajés (que se realizaria de 15 a 18 do mesmo mês, em Brasília): “Quem manda é o criador, a natureza. A gente pede. Não é uma coisa mágica”. Terena acredita que os rituais dão certo por causa da “relação íntima do índio com a natureza”.

O sociólogo Eurico Gonzalez, da UnB deu outra interpretação: “as crendices são fruto do fracasso da razão. Ou seja, da incapacidade do homem de resolver seus próprios problemas. O nosso projeto de sociedade moderna nunca funcionou direito. E isso abre espaço para que crenças mágicas ocupem o lugar das soluções.”

O temporal da madrugada do dia 31 de março alagou ruas e derrubou árvores em Boa Vista. Segundo relatório do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, chegou a chover mais de 30 mm em algumas regiões do Estado. O documento diz: “A principal e mais espetacular consequência das chuvas foi uma redução quase completa (em mais de 95%) dos pontos de incêndios e queimadas no Estado”. A avaliação foi feita a partir de imagens obtidas do satélite NOAA 14.”

Trecho do relatório da comissão especial do Senado Federal para acompanhar o caso, disponível em http://www.senado.leg.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=79112&tp=1.

Agradeço a B. Esteves pela indicação do material.

Climate Change News – September 16, 2014 (DISCCRS)

NEWS

UN says CO2 pollution levels at annual record high – Associated Press – September 9, 2014 – http://bigstory.ap.org/article/un-says-co2-pollution-levels-annual-record-high

Greenhouse Gas Pollution Sees Fastest Rise – ClimateWire (via Scientific American) – September 9, 2014 – http://www.scientificamerican.com/article/greenhouse-gas-pollution-sees-fastest-rise/

NASA Ranks This August as Warmest on Record – Climate Central – September 15, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/nasa-globe-warmest-august-18031

Study finds warming Atlantic temperatures could increase range of invasive species – NOAA Press Release (via AAAS EurekAlert) – September 15, 2014 – http://www.eurekalert.org/pub_releases/2014-09/nh-sfw091214.php

Has the great climate change migration already begun? – Vital Signs (Guardian) – September 15, 2014 – http://www.theguardian.com/vital-signs/2014/sep/15/climate-change-refugees-un-storms-natural-disasters-sea-levels-environment

Grassroots pressure needed to beat climate change and poverty – experts – Thomson Reuters Foundation – September 12, 2014 – http://www.trust.org/item/20140912161513-2y17m/?source=fiOtherNews3

Princeton University launches NSF-funded initiative to study Southern Ocean’s role in global systems – NSF Press Release 14-117 – September 9, 2014 – http://www.nsf.gov/news/news_summ.jsp?cntn_id=132638&WT.mc_id=USNSF_51&WT.mc_ev=click

Warmer air caused ice shelf collapse off Antarctica – Reuters – September 11, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/09/11/us-climatechange-antarctica-idUSKBN0H625T20140911

Illegal deforestation is growing problem for climate – Climate News Network – September 12, 2014 – http://www.climatenewsnetwork.net/2014/09/illegal-deforestation-is-growing-problem-for-climate/

Brazil confirms Amazon deforestation sped up in 2013 – Reuters – September 10, 2014 – http://www.reuters.com/article/2014/09/10/us-brazil-deforestation-rise-idUSKBN0H528V20140910

Climate Change Threatens Half of North America?s Birds – Climate Central – September 13, 2014 – http://www.climatecentral.org/news/north-americas-birds-climate-change-18023

Ozone Layer on Track to Recovery – United Nations Environment Programme/World Meteorological Organization Press Release – September 10, 2014 – http://montreal-protocol.org/Assessment_Panels/SAP/SAP2014_ADM_Press_Release_10-Sept-2014.pdf

FORUM

Water management in Iran: what is causing the looming crisis? – Journal of Environmental Studies and Sciences (via Springer) – August 23, 2014 – By Kaveh Madani – http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13412-014-0182-z

Moral Collapse in a Warming World – Ethics & International Affairs, 28, no. 3 (2014), pp. 335-342 – By Clive Hamilton – http://journals.cambridge.org/download.php?file=%2FEIA%2FEIA28_03%2FS0892679414000409a.pdf&code=f0a65c732192dd3bbb451e4f5abcf862

The 97% v the 3% ? just how much global warming are humans causing? – Climate Consensus – the 97% blog (Guardian) – September 15, 2014 – By Dana Nuccitelli – http://www.theguardian.com/environment/climate-consensus-97-per-cent/2014/sep/15/97-vs-3-how-much-global-warming-are-humans-causing

UN Climate Summit must show climate change action is in everyone’s interests – Guardian Professional – September 11, 2014 – By Simon Zadek and Nick Robins – http://www.theguardian.com/sustainable-business/2014/sep/11/un-climate-summit-climate-change-interests-business-governments-finance

The Guardian view on the unchanging message from climate scientists – Guardian Editorial – September 14, 2014 – http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/sep/14/guardian-view-unchanging-message-climate-scientists

Can Humans Get Used to Having a Two-Way Relationship with Earth?s Climate? – Dot Earth blog (New York Times) – September 10, 2014 – By Andrew Revkin – http://dotearth.blogs.nytimes.com/2014/09/10/can-humans-get-used-to-having-a-two-way-relationship-with-earths-climate/?_php=true

Naomi Klein: ?We tried it your way and we don?t have another decade to waste? – Guardian – September 14, 2014 – By Suzanne Goldenberg – http://www.theguardian.com/books/2014/sep/14/naomi-klein-interview-capitalism-vs-the-climate

Folhinha de Mariana (Arquidiocese de Mariana)

FOLHINHA ECLESIÁSTICA DE MARIANA
s/d, acessado em 12 de setembro de 2014

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Publica-se em Mariana desde 1870, portanto há 136 anos, a tradicional “Folhinha Eclesiástica de Mariana”, fundada por D. Silvério para ser um sucedâneo aos calendários, por vezes, uns tanto licenciosos. Ela foi precedida em 1830 pela “Folhinha de Rezas do Bispado de Mariana” que apresentava preces e informações de utilidade pública.

Famosa pelo Regulamento do tempo a folhinha de Mariana que se firmou, no decorrer dos anos, como infalível, tem uma tiragem de cerca de trezentos mil exemplares. É conhecida em todo o Estado e em outras regiões do País.

Em 1959, o então Arcebispo de Mariana, D. Oscar de Oliveira adquiriu os direitos autorais de Agripino Claudino dos Santos e, em 1965, os da similar Folhinha Civil e Eclesiástica do Arcebispado de Mariana, editada pela Tipografia e Livraria Moraes, passando a imprimi-la a Editora Dom Viçoso, que possui o Lunário Perpétuo para os cálculos anuais.

Estes são feitos em torno do ano lunar, cujo início se fez coincidir com lunação que começa em Dezembro. Cada lunação tem a duração exata de 19 dias, 12 horas e 44 minutos. De dezenove em dezenove anos se repetem os fenômenos causados pela influência lunar.

O Lunário Perpétuo oferece as regras para se poder calcular as variações do tempo, conforme registra o referido Regulamento estampado na Folhinha. É claro que tais previsões valem para o contexto geográfico assinalado no referido Lunário Perpétuo.

De 1960 a 1994 fomos o diretor desta Folhinha e nestes 34 anos impressionante a correspondência exaltando a fidelidade deste Calendário em acertar a previsão do tempo. Inúmeros os jornais que publicaram reportagens sobre o mesmo sempre ressaltando este pormenor. É claro que em torno da Folhinha de Mariana se criaram algumas lendas, mas que, no fundo, servem para afirmar o seu alto conceito popular.

Assim que junto do povo por vezes se diz que “é mais fácil em galinha nascer dente do que a folhinha de Mariana falhar!” Conta-se também que alguém telefonou para um amigo de uma cidade vizinha, dizendo-se decepcionado porque a Folhinha de Mariana marcava chuva e nada de chuva. A resposta foi imediata: “Você não perde por esperar!” Pouco depois uma tempestade confirmava lá a previsão “tempo revolto”, repreendendo a dúvida daquele Tomé!

O escritor Carlos Drumonnd de Andrade assim se expressou sobre este calendário em crônica publicada no Jornal do Brasil, dia 27 de Dezembro de 1973, à página 5 do primeiro caderno, sob a epígrafe A Boa Folhinha: “Ela não quer iludir-nos com as pompas deste mundo. Adverte-nos que há dias de penitência, esta última comutada em obras de caridade e exercícios piedosos.

Para cada dia do ano, o santo, a santa ou os santos que nos convém aceitar, como companheiros de jornada: breve companhia, companhia sempre variada, e o ano escoam sob luz tranqüila, mesmo que o tempo seja brusco e haja abundância de água”. Termina o renomado escritor com este conselho: “Vamos à boa, veraz, singela e insubstituível Folhinha de Mariana”.

Esse calendário apresenta orações, instruções religiosas, tabela do amanhecer e do anoitecer, das festas móveis, dos feriados, época de plantio, resoluções da CNBB, dados biográficos do Papa, além de reservar um espaço 11×15 para a propaganda das casas comerciais que distribuem aos fregueses como brinde de fim de ano.

Ao redigir estas linhas estamos com um exemplar deste calendário do ano 2000, enviado por uma Farmácia que “oferece muito mais segurança para sua saúde e garantia de bom atendimento!”.

*Ex-Diretor da Folhinha de Mariana (1960-1994)

Organização Mundial de Meteorologia lança série de vídeos sobre mudança climática (Fapesp)

Objetivo é sensibilizar sobre os impactos locais do aquecimento global; primeiro episódio prevê o tempo no Brasil no ano de 2050

05/09/2014

Agência FAPESP – A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) lançou os primeiros episódios de uma série de vídeos com previsões do tempo projetadas para o ano de 2050. A primeira edição traz a previsão para o dia 8 de junho daquele ano no Brasil, apresentada por Claudia Celli, da RPC-TV, afiliada da TV Globo no Paraná.

O objetivo da iniciativa é sensibilizar as pessoas sobre os impactos locais das mudanças climáticas globais. Os vídeos trazem sempre apresentadores de televisão conhecidos em um determinado país – e os cenários são compatíveis com os projetados no quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

No caso do Brasil, a previsão é de muita chuva no sul do país e no oeste da Amazônia. A expectativa é que os níveis de chuva para o mês sejam superados em apenas alguns dias, aumentando o risco de inundações e deslizamentos. Para o Nordeste e o leste da Amazônia, a previsão é de seca.

O lançamento dos vídeos pela OMM ocorre em apoio ao pedido do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, para que governos, empresários e líderes da sociedade civil concordem em agir para lidar com a mudança climática durante a cúpula climática da ONU, marcada para 23 de setembro, a fim de evitar que se concretizem as previsões dos piores cenários.

“A mudança climática está afetando o tempo em todo lugar. Isso torna o clima mais extremo e modifica os padrões estabelecidos. Isso significa mais desastres; mais incerteza”, diz Ban Ki-moon em uma mensagem no vídeo.

A edição sobre o Brasil traz ainda uma entrevista de Celli com José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

“Nas regiões tropicais, em basicamente todo o Brasil, os aumentos de temperatura no fim do século poderão ultrapassar os 4º C. Em termos de chuva, o padrão muda um pouco. As previsões mostram reduções de chuva no leste da Amazônia e na região Nordeste e aumento de chuva no oeste da Amazônia e no extremo sul do Brasil”, afirma Marengo no vídeo.

“A resposta tem que ser imediata [às mudanças climáticas globais]. Nas próximas décadas tem que se chegar a um acordo internacional, tipo o Protocolo de Kyoto, para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, porque reduzir essas emissões é a única forma de poder reduzir o aquecimento e reduzir os impactos à população”, acrescenta o pesquisador.

O vídeo com a previsão para o Japão também já está no ar. Nesta sexta-feira (05/09), será divulgado o boletim meteorológico para a Dinamarca.

Os outros países que terão vídeos sobre a previsão do tempo em 2050 são: Zâmbia, Burkina Faso, Estados Unidos, Bulgária, Filipinas, Bélgica, África do Sul, Islândia, Alemanha e Tanzânia.

Os vídeos podem ser assistidos em www.youtube.com/user/wmovideomaster e www.wmo.int/media/climatechangeimpact.html

Global warming amplifier: Rising water vapor in upper troposphere to intensify climate change (Science Daily)

Date: July 28, 2014

Source: University of Miami Rosenstiel School of Marine & Atmospheric Science

Summary: A new study from scientists at the University of Miami Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science and colleagues confirms rising levels of water vapor in the upper troposphere — a key amplifier of global warming — will intensify climate change impacts over the next decades. The new study is the first to show that increased water vapor concentrations in the atmosphere are a direct result of human activities.


Illustration of annual mean T2-T12 field that provides a direct measure of the upper-tropospheric water vapor. Purple = dry and Red = moist. Credit: Eui-Seok Chung, Ph.D. Assistant Scientist – UM Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science

A new study from scientists at the University of Miami Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science and colleagues confirms rising levels of water vapor in the upper troposphere — a key amplifier of global warming — will intensify climate change impacts over the next decades. The new study is the first to show that increased water vapor concentrations in the atmosphere are a direct result of human activities.

“The study is the first to confirm that human activities have increased water vapor in the upper troposphere,” said Brian Soden, professor of atmospheric sciences at the UM Rosenstiel School and co-author of the study.

To investigate the potential causes of a 30-year moistening trend in the upper troposphere, a region 3-7 miles above Earth’s surface, Soden, UM Rosenstiel School researcher Eui-Seok Chung and colleagues measured water vapor in the upper troposphere collected by NOAA satellites and compared them to climate model predictions of water circulation between the ocean and atmosphere to determine whether observed changes in atmospheric water vapor could be explained by natural or human-made causes. Using the set of climate model experiments, the researchers showed that rising water vapor in the upper troposphere cannot be explained by natural forces, such as volcanoes and changes in solar activity, but can be explained by increased greenhouse gases, such as CO2.

Greenhouse gases raise temperatures by trapping Earth’s radiant heat inside the atmosphere. This warming also increases the accumulation of atmospheric water vapor, the most abundant greenhouse gas. The atmospheric moistening traps additional radiant heat and further increases temperatures.

Climate models predict that as the climate warms from the burning of fossil fuels, the concentrations of water vapor will also increase in response to that warming. This moistening of the atmosphere, in turn, absorbs more heat and further raises Earth’s temperature.

The paper, titled “Upper Tropospheric Moistening in response to Anthropogenic Warming,” was published in the July 28th, 2014 Early Addition on-line of the journalProceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). The paper’s authors include Chung, Soden, B.J. Sohn of Seoul National University, and Lei Shi of NOAA’s National Climatic Data Center in Ashville, North Carolina.

Journal Reference:

  1. Eui-Seok Chung, Brian Soden, B. J. Sohn, and Lei Shi. Upper-tropospheric moistening in response to anthropogenic warming. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2014; DOI: 10.1073/pnas.1409659111