- Polícia Federal deve atuar com foco em cidades de maior risco de incêndios intencionais
- Grupo interministerial debate medidas para caso fenômeno se confirme e Ibama já realiza notificação preventiva
3.jun.2026 às 13h16; Atualizado: 3.jun.2026 às 13h20
Brasília
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda adota cautela sobre a probabilidade de um possível El Niño neste ano, mas prepara ações para mitigar os impactos do fenômeno e evitar que incêndios florestais se espalhem pelo país durante a seca —o que pode exigir a abertura de crédito extraordinário.
Segundo informações obtidas pela Folha, o tema foi debatido em uma reunião da sala de situação contra incêndios (que reúne diversos ministérios) na segunda quinzena de maio, e voltará à pauta no próximo encontro do grupo, previsto para junho.

O ano eleitoral de 2026 preocupa. Foi elaborado um mapa identificando regiões onde há maior risco de que um clima político inflamado motive queimadas intencionais para alimentar ataques de opositores ao governo Lula.
Em geral, o plano prevê a participação das forças de segurança para apoio em operações de fiscalização e investigação, da Defesa na logística e dos Transportes no controle de rodovias, dentro outras atribuições.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) devem precisar de cerca de R$ 200 milhões em crédito extraordinário, parte para recompor perdas orçamentárias.
A AGU (Advocacia-Geral da União) prepara uma resposta formal a questionamento feito pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, sobre as ações que o Executivo realiza para conter os efeitos do El Niño.
Durante a reunião ministerial desta quarta-feira (3), a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ressaltou que o governo entregou R$ 150 milhões do Fundo Amazônia em equipamentos de combate a incêndios para seis estados do pantanal e do cerrado.
“Muito importante, a gente sabe que o El Niño está chegando ameaçadoramente, mas nós estamos nos preparando para enfrentar da melhor maneira os seus efeitos”, afirmou.
As mudanças climáticas agravaram as secas, os incêndios e as tempestades nos últimos anos em todo o planeta.
O mesmo acontece com o El Niño, fenômeno meteorológico que se configura quando as águas superficiais do oceano Pacífico aquecem acima de forma atípica e que se tornou mais constante e intenso nos últimos anos.
Sobre o Brasil, ele traz uma onda de calor que favorece incêndios florestais e causa secas no Norte e no Nordeste, enquanto traz chuvas torrenciais para o Sul —como as registradas na região de Porto Alegre (RS), em 2024.
O cenário impacta diretamente as plantações do agronegócio e impulsiona o desmatamento. O El Niño é um dos motivos pelos quais o país viveu grandes crises de queimadas em 2020 e em 2024.
O Ministério do Meio Ambiente conduz reuniões periódicas com meteorologistas de diversos órgãos —como Agência Nacional de Águas, Cemaden, UFRJ, Ibama, dentre outros— para monitorar a situação.
O panorama até aqui é descrito como um sinal amarelo: a chance de acontecer um El Niño forte ou pior é de cerca de 70%, mas as previsões atuais apresentam uma taxa de incerteza de 50% e um cenário mais preciso só será previsível em julho, quando o sinal vermelho pode ser ligado definitivamente.
Por enquanto, o governo federal adota ações preventivas, como queimas prescritas, um fogo controlado para eliminar matéria orgânica que poderia virar combustível para um incêndio maior.
Esse tipo de estratégia começou a ser aplicada em 2025 e, conforme o Ministério do Meio Ambiente, resultou em uma “queda de 39% na área queimada no território nacional” naquele ano “na comparação à média dos oito anos anteriores”.
Parte importante da estratégia é a integração com estados —os bombeiros são os responsáveis pela resposta ao fogo em propriedades privadas, que é onde começam a maioria dos incêndios. Desde 2024, o governo federal cria acordos de cooperação com entes federativos, e um plano conjunto para pantanal, cerrado e amazônia é esperado ainda para este ano.
O Executivo também elabora uma nova parceria com as Polícias Militares ambientais, contingente de cerca de 8.000 agentes para atuar com policiamento ostensivo em áreas de maior risco de incêndio —o que não aconteceu em anos anteriores.
Neste ano Ibama já aplicou 574 notificações prévias. Esse instrumento permite que, caso a propriedade registre um incêndio no futuro, o seu dono seja responsabilizado, caso não tenha adotado as medidas preventivas, como formação de brigadas de incêndio.
Na última reunião da sala de situação, em maio, foram apresentadas as ações que o governo federal precisa adotar caso as previsões mais pessimistas acerca do El Niño se confirmem, e agora cada pasta irá avaliar o que já é capaz de concretizar e o que demandará novos esforços —e recursos.
A disputa eleitoral é um fator de atenção. Dentre as regiões de mais risco de incêndios por motivação política, o Pará é o principal.
Em agosto 2019, por exemplo, fazendeiros do estado realizaram o que ficou conhecido como o “dia do fogo”, ação coordenada de queimadas com intuito de demonstrar apoio às políticas antiambientais do então governo de Jair Bolsonaro (PL).
Pelo mapeamento do governo, o Pará registra os três municípios avaliados como de maior risco para este ano: Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu, cidades com forte incidência de desmatamento ilegal associado a grilagem e à criação de gado, e também com tendência bolsonarista.
Outras 18 cidades foram avaliadas como um risco intermediário: quatro no Pará, seis no Amazonas, cinco no Mato Grosso e três no Tocantins. Mais cerca de cem municípios pelo país são preocupantes em um menor nível, o que inclui regiões no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
O objetivo do governo federal é que a Polícia Federal atue com foco nestes locais, registre flagrantes, investigue e responsabilize possíveis culpados.
Até aqui, o governo já mobilizou 4.410 brigadistas no país, divididos em mais de 200 equipes do Ibama e do ICMBio, um recorde.
Pelo plano, a Força Nacional precisará destacar mais de 200 agentes para compor brigadas e atuar na segurança em operações de fiscalização, junto com outros órgãos.
O governo avalia disponibilizar aeronaves do Ministério da Defesa para auxiliar nas ações, o que deve demandar contratação de horas-voo extras, e uma cooperação com a Bolívia para ações na fronteira, por meio da pasta de Relações Exteriores.
O Executivo também planeja campanhas de conscientização de produtores rurais e da população, de preparação de brigadistas e limpeza de estradas.


















Segundo o secretário-geral adjunto da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Jeremiah Lengoasa, aquecimento das águas equatoriais do Oceano Pacífico, na altura do Peru e do Equador, provocará a formação de nuvens que tendem a ser arrastadas pelos ventos na direção contrária a América do Sul; fenômeno deve manter seca em SP em 2015
Precipitation outlook for winter 2011-12, showing the likelihood of below average precipitation in Texas and other drought-stricken states.

COMENTÁRIOS
5 comentários em “Fenômeno “El Niño” deve prolongar seca em SP”
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Wilians 28.10.2014 às 14:51
Eu e minha familia alugamos nossa casa em São Paulo e mudamos para o sertão da Bahia. Aqui está bom pra morar tem emprego e muita agua,e confesso pra voces,mesmo que São Paulo volte a ter agua,talves nos não voltaremos mais aqui é muito bom pra se viver,pois os baianos são um povo hospitaleiros.Detalhe:sou paulistano da 3ª geração.
JÁ OUVIU FALAR DE HAARP? GUERRA CLÍMATICA. 28.10.2014 às 12:56
http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_canal=38&cod_noticia=25492 //////// E VEJA TAMBÉM EM: http://www.anovaordemmundial.com/2014/02/haarp-cientistas-advertem-que-eua-iniciaram-uma-guerra-climatica-contra-a-america-do-sul.html
Carlos Avelar 28.10.2014 às 12:03
Penso que o governador Alckmin tem que falar da questão hídrica com seriedade, notadamente diante do quadro de catástrofe que se avizinha. Evidente que o governo de SP sabia de tudo, mas por “compreensível” questão de manter o poder, abafou a discussão; evitando, assim, de forma desastrosa, que os paulistanos, principalmente esses, tomassem conhecimento da gravidade que é a questão de futuro e inevitável desabastecimento. Faltou coragem e honra ao sr. Alckmin quando deixou de tomar as medidas necessárias que durante muitos e muitos anos lhe foram demonstradas tecnicamente, porquanto necessárias. Quando, de fato, as torneiras – TODAS – começarem a secar, até mesmo as dos moradores “privilegiados”, pagarão os governantes do PSDB um preço alto e merecido pelo descaso e mentira perpetrados.
ISSO SÓ PODE SER CASTIGO DIVINO . . . . . . . 28.10.2014 às 11:54
. . . CONTRA ESSA QUADRILHA TUCANALHA QUE QUE GOVERNA OS ESTADOS AFETADOS PELA SECA: SÃO PAULO, MINAS GERAIS E PARANÁ……………………… NEM DEUS AGUENTA MaIS ESSA TURMA DE CORRUPTOS DA QUADRILHA TUCANALHA.
Vou Pro Nordeste! 28.10.2014 às 11:41
Lá tem água trazida pelo São Francisco! Vou pegar um pau-de-tucano e me mandar! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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RBA
Para especialista, Grande SP viverá dois anos de seca e vai perder o Cantareira
Se o volume morto for desconsiderado, as represas do Sistema Cantareira estariam com reservatórios a menos de 1%
São Bernardo do Campo – Má gestão e descuido provocaram uma situação de crise e degradação ambiental nos principais reservatórios de água da Grande São Paulo. O Sistema Cantareira, o primeiro a falecer com a estiagem, deve operar a partir de hoje (11) apenas com o chamado volume morto. Isso porque ontem atingiu 18,7% de sua capacidade – se o volume morto for desconsiderado, as represas desse sistema estariam com reservatórios a menos de 1%. Especialistas e órgãos que acompanham a situação do sistema argumentam que até 2015 as represas não devem se recuperar. Serão dois anos de seca para a metrópole.
No ABC paulista, o Sistema Rio Grande, braço da represa Billings, já está sofrendo as consequências da seca e mudanças na forma de abastecimento. Ontem, o reservatório, que até o mês passado estava em operação com mais de 95% de sua capacidade, apresentava 90%. O Alto Tietê, segundo da lista de estiagem, já está funcionando com apenas 24%.
O grupo técnico que acompanha a gestão das bacias paulistas vem alertando o governo estadual para a redução da retirada de água do Cantareira. O alerta se estendeu também para o Alto Tietê e outras bacias. Ao contrário da expectativa do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o grupo apontou que o Cantareira tem baixa possibilidade de voltar à capacidade normal em 2015. Conforme boletim divulgado pelo grupo, as chances são de 25%.
Em três documentos expedidos desde maio, os técnicos solicitam “medidas de restrição de uso para usuários localizados nas bacias do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e Alto Tietê”. Diante disso, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) reduziu o volume captado no Cantareira, enquanto o governador incentivava os paulistanos a economizar no consumo de água em troca de descontos na conta mensal. Em todos os momentos, Alckmin garantiu que não recorreria ao racionamento.
Só volume morto
O diretor do Departamento de Hidrologia da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, explicou hoje que o Sistema Cantareira vai operar apenas com volume morto. Conforme o especialista, a estiagem de agora é cíclica e pode durar pelos próximos anos. “Entre as décadas de 1930 e 1960, o Cantareira passou por um período de seca. Depois veio um período menos seco, o que transmitiu uma falsa sensação de segurança”, lembrou.
Em 2004, segundo o professor, o estado ampliou a vazão do sistema e a capacidade foi consumida rapidamente. “O que houve foi uma super expectativa em um período de redução da precipitação pluviométrica”, disse.
Viável somente após cinco anos
“Se para resolver o problema de falta d’água em São Paulo o governo estadual deve recorrer à engenharia, o resultado não seria sentido em menos de cinco anos.” Essa é a perspectiva do professor Zuffo. Além disso, ele analisa que uma das táticas colocadas em prática por Alckmin pode não surtir efeito.
Para minimizar a retirada de água do Cantareira, o governador disse recentemente que conta com a “população e gestão”. “Estamos substituindo o Cantareira pelo Guarapiranga e Alto Tietê”, afirmou o governador em evento político na inauguração do trecho Leste do Rodoanel, semana passada. Conforme Alckmin, ainda neste mês será retirado 0,5 metro cúbico de água por segundo do Sistema Rio Claro, que abastecia Santo André, para atender à Grande São Paulo. Em setembro, o mesmo volume será captado no Rio Grande, na represa Billings. E em outubro, 1 metro cúbico por segundo do Sistema Guarapiranga. “Esse volume não conseguiria atender à Grande São Paulo”, salientou Zuffo, acrescentando que, somados os volumes, chegaria próximo à metade do que é consumido em Campinas.
“É uma política de governo militar: desenvolver os sistemas e depois pagar pelo prejuízo e degradação ambiental”, criticou o advogado e ecologista Virgílio Farias. “Se tivermos de esperar pela chuva aguardada pelo governador para encher o Cantareira, corremos risco de inundações”, argumentou, explicando que a solução seria apostar na despoluição da Billings e utilizar sua água.
Perto do ABC, a falta de água já é sentida nas casas. Na Vila Liviero, a menos de um quilômetro da divisa da capital com São Bernardo, ao menos uma vez por semana falta água. “Deixo de lavar o quintal, lavo roupa uma vez por semana e mesmo assim, quando não sai água da torneira, tenho de economizar ainda mais no consumo”, disse a dona de casa Maria Madalena Mediotti, 54 anos.