Pajés Caiapó Kukrit e Mati-í fazem pajelança e terminam incêncio de mais de dois meses em Roraima, em 1998

“No dia 30 de março, quando o incêndio completava 63 dias, chegam a Roraima, levados pela Fundação Nacional do Indio-FUNAI, os pajés Caiapó Kukrit e Mati-í, determinados a realizar uma pajelança para atrair chuva para Roraima. Na noite do dia 30, os pajés dirigiram-se à beira do rio Curupira, que banha Boa Vista, e fizeram um ritual de chuva. Retornaram ao hotel, afirmando que no dia seguinte choveria “muito”. De madrugada choveu muito, apagando 95% dos focos de incêndio.

A partir desse fato a imprensa debruçou-se sobre o tema durante vários dias, mudando o rumo da discussão pública sobre o incêndio, concentrando-a na participação dos pajés nos esforços para debelar o incêndio. Antropólogos discutiram a eficácia dos rituais indígenas . José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília, contemporizou: “Nem toda vez que você faz ritual para chover, chove. Como nem toda vez que você vai ao médico, o médico te cura.” Júlio Cezar Melatti, também da UnB: “Depende da fé de cada um. Fazer chover, eu acho que é coincidência”. Marcos Terena, organizador do I Encontro Nacional de Pajés (que se realizaria de 15 a 18 do mesmo mês, em Brasília): “Quem manda é o criador, a natureza. A gente pede. Não é uma coisa mágica”. Terena acredita que os rituais dão certo por causa da “relação íntima do índio com a natureza”.

O sociólogo Eurico Gonzalez, da UnB deu outra interpretação: “as crendices são fruto do fracasso da razão. Ou seja, da incapacidade do homem de resolver seus próprios problemas. O nosso projeto de sociedade moderna nunca funcionou direito. E isso abre espaço para que crenças mágicas ocupem o lugar das soluções.”

O temporal da madrugada do dia 31 de março alagou ruas e derrubou árvores em Boa Vista. Segundo relatório do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, chegou a chover mais de 30 mm em algumas regiões do Estado. O documento diz: “A principal e mais espetacular consequência das chuvas foi uma redução quase completa (em mais de 95%) dos pontos de incêndios e queimadas no Estado”. A avaliação foi feita a partir de imagens obtidas do satélite NOAA 14.”

Trecho do relatório da comissão especial do Senado Federal para acompanhar o caso, disponível em http://www.senado.leg.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=79112&tp=1.

Agradeço a B. Esteves pela indicação do material.

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4 comentários em “Pajés Caiapó Kukrit e Mati-í fazem pajelança e terminam incêncio de mais de dois meses em Roraima, em 1998

  1. ESTES PAGÉS SÃO ANALFABETO DE PAI MAE A AVÓS, NÃO SABEM DE NADA E, NÃO TEM naDA A ENSINAR AOS BRANCOS…PORQUE ATÉ HOJE VIVE NAS FLORESTAS E COMe O QUE OS BRANCOS PAGAM E DÃO A ELES..ELES NÃO PRODUZEM UM OVO DE GALINHA SE QUER…ENTÃO NÃO TEM SABEDORIA E A FLORESTA É INSUSTENTAVEl…este fato de chover foi uma coincidência normal que acontece diariamente……..

    1. Primeiramente os índios não são galinhas para produzirem ovos, mas eles tem sim criações de galinha para o consumo. Você tem razão quando diz que os pajés são analfabetos, mas não são como você que é alfabetizado, mas ignorante e arrogante, com essa esperteza toda deve não ter filhos e nem pretende ter para que não precise da floresta que é insustentavel!

    2. Analfabeto é você que nem sabe escrever.
      Também espero que não tenha filhos para não passar sua ignorância para as gerações futuras.

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