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A Climate-Change Victory (Slate)

If global warming is slowing, thank the Montreal Protocol.

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An aerosol spray can.

No CFCs, please. (Photo by iStock)

Climate deniers like to point to the so-called global warming “hiatus” as evidence that humans aren’t changing the climate. But according a new study, exactly the opposite is true: The recent slowdown in global temperature increases is partially the result of one of the few successful international crackdowns on greenhouse gases.

Back in 1988, more than 40 countries, including the United States, signed the Montreal Protocol, an agreement to phase out the use of ozone-depleting gases like chlorofluorocarbons. (Today the protocol has nearly 200 signatories.) According to the Environmental Protection Agency, CFC emissions are down 90 percent since the protocol, a drop that the agency calls “one of the largest reductions to date in global greenhouse gas emissions.” That’s a blessing for the ozone layer, but also for the climate. CFCs are a potent heat-trapping gas, and a new analysis published in Nature Geoscience finds that slashing them has been a major driver of the much-discussed slowdown in global warming.

Without the protocol, environmental economist Francisco Estrada of the Universidad Nacional Autónoma de México reports, global temperatures today would be about a tenth of a degree Celsius higher than they are. That’s roughly an eighth of the total warming documented since 1880.

Estrada and his co-authors compared global temperature and greenhouse gas emissions records over the last century and found that breaks in the steady upward march of both coincided closely. At times when emissions leveled off or dropped, such as during the Great Depression, the trend was mirrored in temperatures; likewise for when emissions climbed.

“With these breaks, what’s interesting is that when they’re common that’s pretty indicative of causation,” said Pierre Perron, a Boston University economist who developed the custom-built statistical tests used in the study.

The findings put a new spin on investigation into the cause of the recent “hiatus.” Scientists have suggested that several temporary natural phenomena, including thedeep ocean sucking up more heat, are responsible for this slowdown. Estrada says his findings show that a recent reduction in heat-trapping CFCs as a result of the Montreal Protocol has also played an important role.

“Paradoxically, the recent decrease in warming, presented by global warming skeptics as proof that humankind cannot affect the climate system, is shown to have a direct human origin,” Estrada writes in the study.

The chart below, from a column accompanying the study, illustrates that impact. The solid blue line shows the amount of warming relative to pre-industrial levels attributed to CFCs and other gases regulated by the Montreal Protocol; the dashed blue line is an extrapolation of what the level would be without the agreement. Green represents warming from methane; Estrada suggests that leveling out may be the result of improved farming practices in Asia. The diamonds are annual global temperature averages, with the red line fitted to them. The dashed red line represents Estrada’s projection of where global temperature would be without these recent mitigation efforts.

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Courtesy of Francisco Estrada via Mother Jones

Estrada said his study doesn’t undermine the commonly accepted view among climate scientists that the global warming effect of greenhouse gases can take years or decades to fully manifest. Even if we cut off all emissions today, we’d still very likely see warming into the future, thanks to the long shelf life of carbon dioxide, the principal climate-change culprit. The study doesn’t let CO2 off the hook: The reduction in warming would likely have been even greater if CO2 had leveled off as much as CFCs and methane. Instead, Estrada said, it has increased 20 percent since the protocol was signed.

Still, the study makes clear that efforts to reduce greenhouse gas emissions—like arecent international plan to phase out hydrofluorocarbons, a group of cousin chemicals to CFCs that are used in air conditioners and refrigerators, and the Obama administration’s move this year to impose strict new limits on emissions from power plants—can have a big payoff.

“The Montreal Protocol was really successful,” Estrada said. And as policymakers and climate scientists gather in Warsaw, Poland, for the latest U.N. climate summit next week, “this shows that international agreements can really work.”

Mudanças climáticas impulsionam tragédias naturais (O Globo)

JC e-mail 4855, de 13 de novembro de 2013

Condições meteorológicas extremas mataram 530 mil e causaram prejuízos de US$ 2,5 trilhões nos últimos 20 anos

Nos últimos 20 anos as condições meteorológicas extremas mataram 530 mil pessoas no mundo, causando prejuízos econômicos que chegam a US$ 2,5 trilhões, de acordo com o Germanwatch, instituição financiada pelo governo alemão. Este ano, somente o supertufão Haiyan, a 24ª tempestade tropical que assolou as Filipinas em 2013, pode ter matado 10 mil pessoas, embora o presidente Benigno Aquino agora negue a informação. Apesar dos números crescentes de fenômenos naturais extremos, muitos especialistas ainda temem traçar uma ligação direta com as mudanças no clima. A pergunta que muitos se fazem é até quando essa negativa vai continuar emperrando uma negociação mais contundente sobre as reduções das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), ainda apontados como principal motivo das alterações climáticas.

Em 2012, os países mais afetados por desastres naturais foram o Paquistão, o Haiti e justamente as Filipinas, divulgou ontem a Organização das Nações Unidas.

– A tragédia humana causada pelo desdobramento do Haiyan só será capturada em relatórios futuros – afirmou Soenke Kreft, coautor do documento divulgado nos bastidores da 19ª Conferência do Clima (COP-19), que acontece desde a última segunda-feira na Polônia.

Durante a abertura do evento, o delegado filipino Naderev Sano anunciou greve de fome até o final da conferência, e ontem foi seguido por 30 ativistas num ato tido como o mais importante do segundo dia de debates.

– Vamos fazer um jejum em solidariedade à delegação filipina, com as vítimas do tufão, e até que se concretizem ações políticas reais nesta COP-19 – disse Angeli Apparedi, coordenadora da iniciativa que uniu ONGs de todo o mundo para a causa filipina.

Sano lembrou a urgência de medidas concretas contra o aquecimento global para evitar tragédias como a do Haiyan e pediu para que os países desenvolvidos reduzissem as emissões e aumentassem seu comprometimento com o Fundo Verde do Clima, que deveria repassar US$ 100 bilhões aos países em desenvolvimento para a mitigação das emissões e adaptações aos impactos das mudanças climáticas em 2020. Até 30 de julho deste ano, o fundo, que foi criado em 2010, tinha apenas US$ 9 milhões.

Os desastres e o clima
Apesar do receio do mundo científico em afirmar que essas tragédias estão ligadas às mudanças climáticas, alguns efeitos causados pelo aumento das temperaturas do planeta já são apontados como a principal causa da maior intensidade dos ciclones tropicais.

– Uma coisa é bastante concreta – afirmou Will Steffen, diretor-executivo do “Australian National Climate Change Institute” à Reuters. – A mudança climática está causando o aquecimento das águas da superfície, o que, por sua vez, aumenta a energia deste tipo de tempestade.

Ontem, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou que a média mundial de temperatura entre janeiro e setembro deste ano foi meio ponto superior à registrada entre 1961 e 1990, o que faz de 2013 o ano mais quente da História. Além do aquecimento das águas, o aumento do nível do mar também é outro potencializador do tufões, dizem os especialistas. O relatório da OMM apontou que o nível dos mares e oceanos aumenta em média 3,2 milímetros por ano desde 1993.

– Não podemos afirmar que um fenômeno específico está ligado ou não às mudanças climáticas, pois eles naturalmente sempre aconteceram – diz André Ferretti, coordenador de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário e também do Observatório do Clima, que acompanha as negociações na Polônia. – Mas já é possível dizer que eles estão mais fortes e frequentes por causa das alterações do clima. Infelizmente isso não deve pressionar os governos para um acordo na COP-19.

Resistência a metas globais atrasam acordo
Um encontro que nasce errado, parte de um raciocínio antigo e é encerrado sem conclusões. Este quadro se encaixa em todos os painéis dedicados ao debate sobre as mudanças climáticas realizados nos últimos anos. Para especialistas, a fórmula pode se repetir nesta Convenção do Clima (COP-19).

Os países em desenvolvimento chegaram à Polônia insistindo em uma tese nascida há mais de 15 anos: “Responsabilidades Comuns, Porém Diferenciadas” no combate às mudanças climáticas. Segundo ela, só nações desenvolvidas devem submeter-se a metas para redução das emissões de CO2.

– É um raciocínio muito simplório – ataca Bernardo Baeta Neves Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio. – Desde que este argumento passou a ser usado, Brasil, Índia e China tornaram-se potências mundiais e, por isso, deveriam ter metas obrigatórias para diminuir suas emissões.

Brasil em posição ambígua
Entre os países emergentes, o Brasil seria o mais disposto a aceitar um acordo que limite a emissão de CO2, mas o governo estaria esperando a decisão da China, maior emissora mundial de gases-estufa, que negocia metas mais modestas.

Para Osvaldo Stella, diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o Brasil perdeu força nas conferências internacionais.

– Temos uma posição ambígua – critica. – Estamos entre as maiores economias do mundo, mas nossos problemas estruturais são idênticos aos dos países pobres. Essa contradição dificulta nossa habilidade em negociar.

Strassburg e Stella criticam o modelo do painel da COP, em que as decisões devem ser aceitas por unanimidade.

– É claro que o debate precisa ser democrático, mas questões tão importantes para a Humanidade não podem esbarrar no bloqueio de um determinado tema – ressalta Stella.

Ambos concordam que esta conferência, assim como a COP-20 – que será realizada no ano que vem, no Peru – são fundamentais para que, em 2015, os governantes enfim assinem um acordo que limite as emissões de CO2.

No início da semana, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou algumas adaptações em seu último relatório, concluído em setembro. As mudanças, segundo os cientistas, não são significativas, e foram descobertas após a revisão do documento.

(Maria Clara Serra e Renato Grandelle/O Globo)
http://oglobo.globo.com/ciencia/mudancas-climaticas-impulsionam-tragedias-naturais-10763216#ixzz2kX73SZ00

Geoengineering the Climate Could Reduce Vital Rains (Science Daily)

Oct. 31, 2013 — Although a significant build-up in greenhouse gases in the atmosphere would alter worldwide precipitation patterns, a widely discussed technological approach to reduce future global warming would also interfere with rainfall and snowfall, new research shows.

Rice field in Bali. (Credit: © pcruciatti / Fotolia)

The international study, led by scientists at the National Center for Atmospheric Research (NCAR), finds that global warming caused by a massive increase in greenhouse gases would spur a nearly 7 percent average increase in precipitation compared to preindustrial conditions.

But trying to resolve the problem through “geoengineering” could result in monsoonal rains in North America, East Asia, and other regions dropping by 5-7 percent compared to preindustrial conditions. Globally, average precipitation could decrease by about 4.5 percent.

“Geoengineering the planet doesn’t cure the problem,” says NCAR scientist Simone Tilmes, lead author of the new study. “Even if one of these techniques could keep global temperatures approximately balanced, precipitation would not return to preindustrial conditions.”

As concerns have mounted about climate change, scientists have studied geoengineering approaches to reduce future warming. Some of these would capture carbon dioxide before it enters the atmosphere. Others would attempt to essentially shade the atmosphere by injecting sulfate particles into the stratosphere or launching mirrors into orbit with the goal of reducing global surface temperatures.

The new study focuses on the second set of approaches, those that would shade the planet. The authors warn, however, that Earth’s climate would not return to its preindustrial state even if the warming itself were successfully mitigated.

“It’s very much a pick-your-poison type of problem,” says NCAR scientist John Fasullo, a co-author. “If you don’t like warming, you can reduce the amount of sunlight reaching the surface and cool the climate. But if you do that, large reductions in rainfall are unavoidable. There’s no win-win option here.”

The study appears in an online issue of the Journal of Geophysical Research: Atmospheres, published this week by the American Geophysical Union. An international team of scientists from NCAR and 14 other organizations wrote the study, which was funded in part by the National Science Foundation (NSF), NCAR’s sponsor. The team used, among other tools, the NCAR-based Community Earth System Model, which is funded by NSF and the Department of Energy.

Future carbon dioxide, with or without geoengineering

The research team turned to 12 of the world’s leading climate models to simulate global precipitation patterns if the atmospheric level of carbon dioxide, a leading greenhouse gas, reached four times the level of the preindustrial era. They then simulated the effect of reduced incoming solar radiation on the global precipitation patterns.

The scientists chose the artificial scenario of a quadrupling of carbon dioxide levels, which is on the high side of projections for the end of this century, in order to clearly draw out the potential impacts of geoengineering.

In line with other research, they found that an increase in carbon dioxide levels would significantly increase global average precipitation, although there would likely be significant regional variations and even prolonged droughts in some areas.

Much of the reason for the increased rainfall and snowfall has to do with greater evaporation, which would pump more moisture into the atmosphere as a result of more heat being trapped near the surface.

The team then took the research one step further, examining what would happen if a geoengineering approach partially reflected incoming solar radiation high in the atmosphere.

The researchers found that precipitation amounts and frequency, especially for heavy rain events, would decrease significantly. The effects were greater over land than over the ocean, and particularly pronounced during months of heavy, monsoonal rains. Monsoonal rains in the model simulations dropped by an average of 7 percent in North America, 6 percent in East Asia and South America, and 5 percent in South Africa. In India, however, the decrease was just 2 percent. Heavy precipitation further dropped in Western Europe and North America in summer.

A drier atmosphere

The researchers found two primary reasons for the reduced precipitation.

One reason has to do with evaporation. As Earth is shaded and less solar heat reaches the surface, less water vapor is pumped into the atmosphere through evaporation.

The other reason has to do with plants. With more carbon dioxide in the atmosphere, plants partially close their stomata, the openings that allow them to take in carbon dioxide while releasing oxygen and water into the atmosphere. Partially shut stomata release less water, so the cooled atmosphere would also become even drier over land.

Tilmes stresses that the authors did not address such questions as how certain crops would respond to a combination of higher carbon dioxide and reduced rainfall.

“More research could show both the positive and negative consequences for society of such changes in the environment,” she says. “What we do know is that our climate system is very complex, that human activity is making Earth warmer, and that any technological fix we might try to shade the planet could have unforeseen consequences.”

The University Corporation for Atmospheric Research manages the National Center for Atmospheric Research under sponsorship by the National Science Foundation. Any opinions, findings and conclusions, or recommendations expressed in this publication are those of the author(s) and do not necessarily reflect the views of the National Science Foundation.

Journal Reference:

  1. Simone Tilmes, John Fasullo, Jean-Francois Lamarque, Daniel R. Marsh, Michael Mills, Kari Alterskjaer, Helene Muri, Jón E. Kristjánsson, Olivier Boucher, Michael Schulz, Jason N. S. Cole, Charles L. Curry, Andy Jones, Jim Haywood, Peter J. Irvine, Duoying Ji, John C. Moore, Diana B. Karam, Ben Kravitz, Philip J. Rasch, Balwinder Singh, Jin-Ho Yoon, Ulrike Niemeier, Hauke Schmidt, Alan Robock, Shuting Yang, Shingo Watanabe. The hydrological impact of geoengineering in the Geoengineering Model Intercomparison Project (GeoMIP)Journal of Geophysical Research: Atmospheres, 2013; 118 (19): 11,036 DOI:10.1002/jgrd.50868

The cultures endangered by climate change (PLOS)

Posted: September 9, 2013

By Greg Downey

The Bull of Winter weakens

In 2003, after decades of working with the Viliui Sakha, indigenous horse and cattle breeders in the Vilyuy River region of northeastern Siberia, anthropologist Susan Crate began to hear the local people complain about climate change:

My own “ethnographic moment” occurred when I heard a Sakha elder recount the age-old story of Jyl Oghuha (the bull of winter). Jyl Oghuha’s legacy explains the 100o C annual temperature range of Sakha’s subarctic habitat. Sakha personify winter, the most challenging season for them, in the form of a white bull with blue spots, huge horns, and frosty breath. In early December this bull of winter arrives from the Arctic Ocean to hold temperatures at their coldest (-60o to -65o C; -76o to -85o F) for December and January. Although I had heard the story many times before, this time it had an unexpected ending… (Crate 2008: 570)

Lena Pillars, photo by Maarten Takens (CC BY SA)

Lena Pillars, photo by Maarten Takens (CC BY SA)

This Sakha elder, born in 1935, talked about how the bull symbolically collapsed each spring, but also its uncertain future:

The bull of winter is a legendary Sakha creature whose presence explains the turning from the frigid winter to the warming spring. The legend tells that the bull of winter, who keeps the cold in winter, loses his first horn at the end of January as the cold begins to let go to warmth; then his second horn melts off at the end of February, and finally, by the end of March, he loses his head, as spring is sure to have arrived. It seems that now with the warming, perhaps the bull of winter will no longer be. (ibid.)

Crate found that the ‘softening’ of winter disrupted the Sakha way of life in a number of ways far less prosaic. The winters were warmer, bringing more rain and upsetting the haying season; familiar animals grew less common and new species migrated north; more snow fell, making hunting more difficult in winter; and when that snow thawed, water inundated their towns, fields, and countryside, rotting their houses, bogging down farming, and generally making life more difficult. Or, as a Sakha elder put it to Crate:

I have seen two ugut jil (big water years) in my lifetime. One was the big flood in 1959 — I remember canoeing down the street to our kin’s house. The other is now. The difference is that in ‘59 the water was only here for a few days and now it does not seem to be going away. (Sakha elder, 2009; in Crate 2011: 184).

(Currently, Eastern Russia is struggling with unprecedented flooding along the Chinese border, and, in July, unusual forest fires struck areas of the region that were permafrost.) As I write this, the website CO2 Now reports that the average atmospheric CO2 level for July 2013 at the Mauna Loa Observatory was 397.23 parts per million, slightly below the landmark 400+ ppm levels recorded in May. The vast majority of climate scientists now argue, not about whether we will witness anthropogenic atmospheric change, but how much and how quicklythe climate will change. Will we cross potential ‘tipping points’, when feedback dynamics accelerate the pace of warming?

While climate science might be controversial with the public in the US (less so here in Australia and among scientists), the effects on human populations are more poorly understood and unpredictable, both by the public and scientists alike. Following on from Wendy Foden and colleagues’ piece in the PLOS special collection proposing a method to identify the species at greatest risk (Foden et al. 2013), I want to consider how we might identify which cultures are at greatest risk from climate change.

Will climate change threaten human cultural diversity, and if so, which groups will be pushed to the brink most quickly? Are groups like the Viliui Sakha at the greatest risk, especially as we know that climate change is already affecting the Arctic and warming may be exaggerated there? And what about island groups, threatened by sea level changes? Who will have to change most and adapt because of a shifting climate? Daniel Lende (2013: 496) has suggested that anthropologists need to put our special expertise to work in public commentary, and in the area of climate change, these human impacts seem to be one place where that expertise might be most useful.

The Sakha Republic

The Sakha Republic where the Viliui Sakha live is half of Russia’s Far Eastern Federal District, a district that covers an area almost as large as India, twice the size of Alaska. Nevertheless, fewer than one million people live there, spread thinly across the rugged landscape. The region contains the coldest spot on the planet, the Verkhoyansk Range, where the average January temperature —average — is around -50O, so cold that it doesn’t matter whether that’s Fahrenheit or Celsius.

The area that is now the Sakha Republic was first taken control by Tsarist Russia in the seventeenth century, a tax taken from the local people in furs. Many early Russian migrants to the region adopted Sakha customs. Both the Tsars and the later Communist governors exiled criminals to the region, which came to be called Yakutia; after the fall of the Soviet Union, the Russian Federation recognised the Sakha Republic. The Sakha, also called Yakuts, are the largest group in the area today; since the fall of the Soviets, many of the ethnic Russian migrants have left.

Verkhoyansk Mountains, Sakha Republic, by Maarten Takens, CC (BY SA).

Verkhoyansk Mountains, Sakha Republic, by Maarten Takens, CC (BY SA).

Sakha speakers first migrated north into Siberia as reindeer hunters, mixing with and eventually assimilating the Evenki, a Tungus-speaking group that lived there nomadically. Then these nomadic groups were later assimilated or forced further north by more sedentary groups of Sakha who raised horses and practiced more intensive reindeer herding and some agriculture (for more information see Susan Crate’s excellent discussion, ‘The Legacy of the Viliui Reinfeer-Herding Complex’ at Cultural Survival). The later migrants forced those practicing the earlier, nomadic reindeer-herding way of life into the most remote and rugged pockets of the region. By the first part of the twentieth century, Crate reports, the traditional reindeer-herding lifestyle was completely replaced in the Viliui watershed, although people elsewhere in Siberia continued to practice nomadic lifestyles, following herds of reindeer.

Today the economy of the Sakha Republic relies heavily on mining: gold, tin, and especially diamonds. Almost a quarter of all diamonds in the world — virtually all of Russia’s production — comes from Sakha. The great Udachnaya pipe, a diamond deposit just outside the Arctic circle, is now the third deepest open pit mine in the world, extending down more than 600 meters.

A new project promises to build a pipeline to take advantage of the massive Chaynda gas field in Sakha, sending the gas eastward to Vladivostok on Russia’s Pacific coast (story in the Siberia Times). The $24 billion Gazprom pipeline, which President Putin’s office says he wants developed ‘within the tightest possible timescale’, would mean that Russia would not have to sell natural gas exclusively through Europe, opening a line for direct delivery into the Pacific.

The Sakha have made the transition to the post-Soviet era remarkably well, with a robust economy and a political system that seems capable of balancing development and environmental safeguards (Crate 2003). But after successfully navigating a political thaw, will the Sakha, and other indigenous peoples of the region, fall victim to a much more literal warming?

The United Nations on indigenous people and climate change

This past month, we celebrated the International Day of the World’s Indigenous People (9 August). From 2005 to 2014, the United Nations called for ‘A Decade for Action and Dignity.’ The focus of this year’s observance is ‘Indigenous peoples building alliances: Honouring treaties, agreements and other constructive arrangements’ (for more information, here’s the UN’s website). According to the UN Development Programme, the day ‘presents an opportunity to honour diverse indigenous cultures and recognize the achievements and valuable contributions of an estimated 370 million indigenous peoples.’

The UN has highlighted the widespread belief that climate change will be especially cruel to indigenous peoples:

Despite having contributed the least to GHG [green house gas], indigenous peoples are the ones most at risk from the consequences of climate change because of their dependence upon and close relationship with the environment and its resources. Although climate change is regionally specific and will be significant for indigenous peoples in many different ways, indigenous peoples in general are expected to be disproportionately affected. Indigenous communities already affected by other stresses (such as, for example, the aftermath of resettlement processes), are considered especially vulnerable. (UN 2009: 95)

The UN’s report, State of the World’s Indigenous People, goes on to cite the following specific ‘changes or even losses in the biodiversity of their environment’ for indigenous groups, that will directly threaten aspects of indigenous life:

  • the traditional hunting, fishing and herding practices of indigenous peoples, not only in the Arctic, but also in other parts of the world;

  • the livelihood of pastoralists worldwide;

  • the traditional agricultural activities of indigenous peoples living in mountainous regions;

  • the cultural and ritual practices that are not only related to specific species or specific annual cycles, but also to specific places and spiritual sites, etc.;

  • the health of indigenous communities (vector-borne diseases, hunger, etc.);

  • the revenues from tourism. (ibid.: 96)

For example, climate change has been linked to extreme drought in Kenya where the Maasai, pastoral peoples, find their herds shrinking and good pasture harder and harder to find. For the Kamayurá in the Xingu region of Brazil, less rain and warmer water have decimated fish stocks in their river and made cassava cultivation a hit and miss affair; children are reduced to eating ants on flatbread to stave off hunger.

The UN report touches on a number of different ecosystems where the impacts of climate change will be especially severe, singling out the Arctic:

The Arctic region is predicted to lose whole ecosystems, which will have implications for the use, protection and management of wildlife, fisheries, and forests, affecting the customary uses of culturally and economically important species and resources. Arctic indigenous communities—as well as First Nations communities in Canada—are already experiencing a decline in traditional food sources, such as ringed seal and caribou, which are mainstays of their traditional diet. Some communities are being forced to relocate because the thawing permafrost is damaging the road and building infrastructure. Throughout the region, travel is becoming dangerous and more expensive as a consequence of thinning sea ice, unpredictable freezing and thawing of rivers and lakes, and the delay in opening winter roads (roads that can be used only when the land is frozen). (ibid.: 97)

Island populations are also often pointed out as being on the sharp edge of climate change (Lazrus 2012). The award-winning film, ‘There Once Was an Island,’ focuses on a community in the Pacific at risk from a rise in the sea level. As a website for the film describes:

Takuu, a tiny atoll in Papua New Guinea, contains the last Polynesian culture of its kind.  Facing escalating climate-related impacts, including a terrifying flood, community members Teloo, Endar, and Satty, take us on an intimate journey to the core of their lives and dreams. Will they relocate to war-ravaged Bougainville – becoming environmental refugees – or fight to stay? Two visiting scientists investigate on the island, leading audience and community to a greater understanding of climate change.

Similarly, The Global Mail reported the island nation of Kiribati was likely to become uninhabitable in coming decades, not simply because the islands flood but because patterns of rainfall shift and seawater encroaches on the coastal aquifer, leaving wells saline and undrinkable.

Heather Lazrus (2012: 288) reviews a number of other cases:

Low-lying islands and coastal areas such as the Maldives; the Marshall Islands; the Federated States of Micronesia, Kiribati, and Tuvalu; and many arctic islands such as Shishmaref… and the small islands in Nunavut… may be rendered uninhabitable as sea levels rise and freshwater resources are reduced.

Certainly, the evidence from twentieth century cases in which whole island populations were relocated suggests that the move can be terribly disruptive, the social damage lingering long after suitcases are unpacked.

Adding climate injury to cultural insult

In fact, even before average temperatures climbed or sea levels rose, indigenous groups were already at risk and have been for a while. By nearly every available measure, indigenous peoples’ distinctive lifeways and the globe’s cultural diversity are threatened, not so much by climate, but by their wealthier, more technologically advanced neighbours, who often exercise sovereignty over them.

If we take language diversity as an index of cultural distinctiveness, for example, linguist Howard Krauss (1992: 4) warned in the early 1990s that a whole range of languages were either endangered or ‘moribund,’ no longer being learned by new speakers or young people. These moribund languages, Krauss pointed out, would inevitably die with a speaker who had already been born, an individual who would someday be unable to converse in that language because there would simply be no one else to talk to:

The Eyak language of Alaska now has two aged speakers; Mandan has 6, Osage 5, Abenaki-Penobscot 20, and Iowa has 5 fluent speakers. According to counts in 1977, already 13 years ago, Coeur d’Alene had fewer than 20, Tuscarora fewer than 30, Menomini fewer than 50, Yokuts fewer than 10. On and on this sad litany goes, and by no means only for Native North America. Sirenikski Eskimo has two speakers, Ainu is perhaps extinct. Ubykh, the Northwest Caucasian language with the most consonants, 80-some, is nearly extinct, with perhaps only one remaining speaker. (ibid.)

Two decades ago, Krauss went on to estimate that 90% of the Arctic indigenous languages were ‘moribund’; 80% of the Native North American languages; 90% of Aboriginal Australian languages (ibid.: 5). Although the estimate involved a fair bit of guesswork, and we have seen some interesting evidence of ‘revivals’, Krauss suggested that 50% of all languages on earth were in danger of disappearing.

The prognosis may not be quite as grim today, but the intervening years have confirmed the overall pattern. Just recently, The Times of India reported that the country has lost 20% of its languages since 1961 — 220 languages disappeared in fifty years, with the pace accelerating. The spiffy updated Ethnologue website, based upon a more sophisticated set of categories and more precise accounting, suggests that, of the 7105 languages that they recognise globally, around 19% are ‘moribund’ or in worse shape, while another 15% are shrinking but still being taught to new users (see Ethnologue’s discussion of language status here  and UNESCO’s interactive atlas of endangered languages).

Back in 2010, I argued that the disappearance of languages was a human rights issue, not simply the inevitable by-product of cultural ‘evolution’, economic motivations, and globalisation (‘Language extinction ain’t no big thing?’ – butbeware as my style of blogging has changed a lot since then). Few peoples voluntarily forsake their mother tongues; the disappearance of a language or assimilation of a culture is generally not a path strode by choice, but a lessor-of-evils choice when threatened with chronic violence, abject poverty, and marginalisation.

I’ve also written about the case of ‘uncontacted’ Indians on the border of Brazil and Peru, where Western observers sometimes assume that indigenous peoples assimilate because they seek the benefits of ‘modernization’ when, in fact, they are more commonly the victims of exploitation and violent displacement. Just this June, a group of Mashco-Piro, an isolated indigenous group in Peru that has little contact with other societies, engaged in a tense stand-off at the Las Piedras river, a tributary of the Amazon. Caught on video, they appeared to be trying to contact or barter with local Yine Indians at a ranger station. Not only have this group of the Mashco-Piro fought in previous decades with loggers, but they now find that low-flying planes are disturbing their territory in search of natural gas and oil. (Globo Brasil also released footage taken in 2011 by officials from Brazil’s National Indian Foundation, FUNAI, of the Kawahiva, also called the Rio Pardo Indians, an isolated group from Mato Grosso state.)

In 1992, Krauss pleaded with fellow scholars to do something about the loss of cultural variation, lest linguistics ‘go down in history as the only science that presided obliviously over the disappearance of 90% of the very field to which it is dedicated’ (1992: 10):

Surely, just as the extinction of any animal species diminishes our world, so does the extinction of any language. Surely we linguists know, and the general public can sense, that any language is a supreme achievement of a uniquely human collective genius, as divine and endless a mystery as a living organism. Should we mourn the loss of Eyak or Ubykh any less than the loss of the panda or California condor? (ibid.: 8)

The pace of extinction is so quick that some activists, like anthropologist and attorney David Lempert (2010), argue that our field needs to collaborate on the creation of a cultural ‘Red Book,’ analogous to the Red Book for Endangered Species. Anthropologists may fight over the theoretical consequences of reifying cultures, but the political and legal reality is that even states with laws on the books to protect cultural diversity often have no clear guidelines as to what that entails.

But treating cultures solely as fragile victims of climate change misrepresents how humans will adapt to climate change. Culture is not merely a fixed tradition, calcified ‘customs’ at risk from warming; culture is also out adaptive tool, the primary way in which our ancestors adapted to such a great range of ecological niches in the first place and we will continue to adapt into the future. And this is not the first time that indigenous groups have confronted climate change.

Culture as threatened, culture as adaptation

One important stream of research in the anthropology of climate change shows very clearly that indigenous cultures are quite resilient in the face of environmental change. Anthropologist Sarah Strauss of the University of Wyoming has cautioned that, if we only focus on cultural extinction from climate change as a threat, we may miss the role of culture in allowing people toaccommodate wide variation in the environment:

People are extraordinarily resilient. Our cultures have allowed human groups to colonize the most extreme reaches of planet Earth, and no matter where we have gone, we have contended with both environmental and social change…. For this reason, I do not worry that the need to adapt to new and dramatic environmental changes (those of our own making, as well as natural occurrences like volcanoes) will drive cultures—even small island cultures—to disappear entirely.  (Strauss 2012: n.p. [2])

A number of ethnographic cases show how indigenous groups can adapt to severe climatic shifts. Crate (2008: 571), for example, points out that the Sakha adapted to a major migration northward, transforming a Turkic culture born in moderate climates to suit their new home. Kalaugher (2010) also discusses the Yamal Nenets, another group of Siberian nomads, who adapted to both climate change and industrial encroachment, including the arrival of oil and gas companies that fouled waterways and degraded their land (Survival International has a wonderful photo essay about the Yamal Nenets here.). A team led by Bruce Forbes of the University of Lapland, Finland, found:

The Nenet have responded by adjusting their migration routes and timing, avoiding disturbed and degraded areas, and developing new economic practices and social interaction, for example by trading with workers who have moved into gas villages in the area. (article here)

Northeast Science Station, Cherskiy, Sakha Republic, by David Mayer, CC (BY NC SA).

Northeast Science Station, Cherskiy, Sakha Republic, by David Mayer, CC (BY NC SA).

But one of the most amazing stories about the resilience and adaptability of the peoples of the Arctic comes from Wade Davis, anthropologist and National Geographic ‘explorer in residence.’ In his wonderful TED presentation, ‘Dreams from endangered cultures,’ Davis tells a story he heard on a trip to the northern tip of Baffin Island, Canada:

…this man, Olayuk, told me a marvelous story of his grandfather. The Canadian government has not always been kind to the Inuit people, and during the 1950s, to establish our sovereignty, we forced them into settlements. This old man’s grandfather refused to go. The family, fearful for his life, took away all of his weapons, all of his tools. Now, you must understand that the Inuit did not fear the cold; they took advantage of it. The runners of their sleds were originally made of fish wrapped in caribou hide. So, this man’s grandfather was not intimidated by the Arctic night or the blizzard that was blowing. He simply slipped outside, pulled down his sealskin trousers and defecated into his hand. And as the feces began to freeze, he shaped it into the form of a blade. He put a spray of saliva on the edge of the shit knife, and as it finally froze solid, he butchered a dog with it. He skinned the dog and improvised a harness, took the ribcage of the dog and improvised a sled, harnessed up an adjacent dog, and disappeared over the ice floes, shit knife in belt. Talk about getting by with nothing.

… and there’s nothing more than I can say after ‘… and disappeared over the ice floes, shit knife in belt’ that can make this story any better…

Climate change in context

The problem for many indigenous cultures is not climate change alone or in isolation, but the potential speed of that change and how it interacts with other factors, many human-induced: introduced diseases, environmental degradation, deforestation and resource depletion, social problems such as substance abuse and domestic violence, and legal systems imposed upon them, including forced settlement and forms of property that prevent movement. As Strauss explains:

Many researchers… see climate change not as a separate problem, in fact, but rather as an intensifier, which overlays but does not transcend the rest of the challenges we face; it is therefore larger in scale and impact, perhaps, but not entirely separable from the many other environmental and cultural change problems already facing human societies. (Strauss 2012: n.p. [2])

One of the clearest examples of these intensifier effects is the way in which nomadic peoples, generally quite resilient, lose their capacity to adapt when they are prevented from moving. The Siberian Yamal Nenets makes this clear:

“We found that free access to open space has been critical for success, as each new threat has arisen, and that institutional constraints and drivers were as important as the documented ecological changes,” said Forbes. “Our findings point to concrete ways in which the Nenets can continue to coexist as their lands are increasingly fragmented by extensive natural gas production and a rapidly warming climate.” (Kalaugher 2010)

With language loss in India, it’s probably no coincidence that, ‘Most of the lost languages belonged to nomadic communities scattered across the country’ (Times of India).

In previous generations, if climate changed, nomadic groups might have migrated to follow familiar resources or adopt techniques from neighbours who had already adapted to forces novel to them. An excellent recent documentary series on the way that Australian Aboriginal people have adapted to climate change on our continent — the end of an ice age, the extinction of megafauna, wholesale climate change including desertification — is a striking example (the website for the series, First Footprints, is excellent).

Today, migration is treated by UN officials and outsiders as ‘failure to adapt’, as people who move fall under the new rubric of ‘climate refugees’ (Lazrus 2012: 293). Migration, instead of being recognised as an adaptive strategy, is treated as just another part of the diabolical problem. (Here in Australia, where refugees on boats trigger unmatched political hysteria, migration from neighbouring areas would be treated as a national security problem rather than an acceptable coping strategy.)

For the most part, the kind of migration that first brought the Viliui Sakha to northeastern Siberia is no longer possible. As the Yamal Nenets, for example, migrate with their herds of reindeer, the come across the drills, pipelines, and even the Obskaya-Bovanenkovo railway – the northern-most railway line in the world – all part of Gazprom’s ‘Yamal Megaproject.’  Endangered indigenous groups are hemmed in on all sides, surviving only in geographical niches that were not attractive to their dominant neighbours, unsuitable for farming. AsElisabeth Rosenthal wrote in The New York Times:

Throughout history, the traditional final response for indigenous cultures threatened by untenable climate conditions or political strife was to move. But today, moving is often impossible. Land surrounding tribes is now usually occupied by an expanding global population, and once-nomadic groups have often settled down, building homes and schools and even declaring statehood.

For the Kamayurá, for example, eating ants instead of fish in Brazil’s Xingu National Park, they are no longer surrounded by the vast expanse of the Amazon and other rivers where they might still fish; the park is now surrounded by ranches and farms, some of which grow sugarcane to feed Brazil’s vast ethanol industry or raise cattle to feed the world’s growing appetite for beef.

Now, some of these indigenous groups find themselves squarely in the path of massive new resource extraction projects with nowhere to go, whether that’s in northern Alberta, eastern Peru, Burma, or remnant forests in Indonesia. That is, indigenous peoples have adapted before to severe climate change; but how much latitude (literally) do these groups now have to adapt if we do not allow them to move?

In sum, indigenous people are often not directly threatened by climate change alone; rather, they are pinched between climate change and majority cultures who want Indigenous peoples’ resources while also preventing them from adapting in familiar ways. The irony is that the dynamic driving climate change is attacking them from two sides: the forests that they need, the mountains where they keep their herds, and the soil under the lands where they live are being coveted for the very industrial processes that belch excess carbon into the atmosphere.

It’s hard not to be struck by the bitter tragedy that, in exchange for the resources to which we are addicted, we offer them assimilation. If they get out of the way so that we can drill out the gas or oil under their land or take their forests, we will invite them in join in our addiction (albeit, as much poorer addicts on the fringes of our societies, if truth be told). They have had little say in the process, or in our efforts to mitigate the process. We assume that our technologies and ways of life are the only potential cure for the problems created by these very technologies and ways of life.

In 2008, for example, Warwick Baird, Director of the Native Title Unit of the Australian Human Rights and Equal Opportunity Commission, warned that the shift to an economic mode of addressing climate change abatement threatened to further sideline indigenous people:

Things are moving fast in the world of climate change policy and the urgency is only going to get greater. Yet Indigenous peoples, despite their deep engagement with the land and waters, it seems to me, have little engagement with the formulation of climate change policy little engagement in climate change negotiations ­ and little engagement in developing and applying mitigation and adaptation strategies. They have not been included. Human rights have not been at the forefront. (transcript of speech here)

The problem then is not that indigenous populations are especially fragile or unable to adapt; in fact, both human prehistory and history demonstrate that these populations are remarkably resilient. Rather, many of these populations have been pushed to the brink, forced to choose between assimilation or extinction by the unceasing demands of the majority cultures they must live along side. The danger is not that the indigenous will fall off the precipice, but rather that the flailing attempts of the resource-thirsty developed world toavoid inevitable culture change — the necessary move away from unsustainable modes of living — will push much more sustainable lifeways over the edge into the abyss first.

Links

Inuit Knowledge and Climate Change (54:07 documentary).
Isuma TV, network of Inuit and Indigenous media producers.

Inuit Perspectives on Recent Climate Change, Skeptical Science, by Caitlyn Baikie, an Inuit geography student at Memorial University of Newfoundland.

Images

The Lena Pillars by Maarten Takens, CC licensed (BY SA). Original at Flickr:http://www.flickr.com/photos/takens/8512871877/

Verkhoyansk Mountains, Sakha Republic, by Maarten Takens, CC licensed (BY SA). Original at Flickr:http://www.flickr.com/photos/35742910@N05/8582017913/in/photolist-e5n5W6-dVQQHP-dYfGe4-dWzA7s-dW8maK-89CRTd-89zppv-7yp2ht-8o9NBd-89CBRs-dWNM2R-8SLQrQ

Northeast Science Station in late July 2012. Cherskiy, Sakha Republic, Russia, by David Mayer, CC licensed (BY NC SA). Original at Flickr:http://www.flickr.com/photos/56778570@N02/8760624135/in/photolist-em9ukH-dSXQnN

References

Crate, S. A. 2003. Co-option in Siberia: The Case of Diamonds and the Vilyuy Sakha. Polar Geography 26(4): 289–307. doi: 10.1080/789610151 (pdf available here)

Crate, S. 2008. Gone the Bull of Winter? Grappling with the Cultural Implications of and Anthropology’s Role(s) in Global Climate Change. Current Anthropology 49(4): 569-595. doi: 10.1086/529543. Stable URL:http://www.jstor.org/stable/10.1086/529543

Crate, S. 2011. Climate and Culture: Anthropology in the Era of Contemporary Climate Change. Annual Review of Anthropology 40:175–94. doi:10.1146/annurev.anthro.012809.104925 (pdf available here)

Cruikshank, J. 2001. Glaciers and Climate Change: Perspectives from Oral Tradition. Arctic 54(4): 377-393. Article Stable URL:http://www.jstor.org/stable/40512394

Foden WB, Butchart SHM, Stuart SN, Vié J-C, Akçakaya HR, et al. (2013) Identifying the World’s Most Climate Change Vulnerable Species: A Systematic Trait-Based Assessment of all Birds, Amphibians and Corals. PLoS ONE 8(6): e65427. doi:10.1371/journal.pone.0065427

Kalaugher L. 2010. Learning from Siberian Nomads’ Resilience. Bristol, UK: Environ. Res. Web.http://environmentalresearchweb.org/cws/article/news/41363

Krauss, M. 1992. The world’s languages in crisis. Language 68(1): 4-10. (pdf available here)

Lazrus, H. 2012. Sea Change: Island Communities and Climate Change. Annu. Rev. Anthropology 41:285–301. doi: 10.1146/annurev-anthro-092611-145730

Lempert, D. 2010. Why We Need a Cultural Red Book for Endangered Cultures, NOW: How Social Scientists and Lawyers/ Rights Activists Need to Join Forces.International Journal on Minority and Group Rights 17: 511–550. doi: 10.1163/157181110X531420

Lende, D. H. 2013. The Newtown Massacre and Anthropology’s Public Response. American Anthropologist 115 (3): 496–501. doi:10.1111/aman.12031

Strauss, S. 2012. Are cultures endangered
by climate change? Yes, but. . . WIREs Clim Change. doi: 10.1002/wcc.181 (pdf available here)

United Nations. 2009. The State of the World’s Indigenous People. Department of Economic and Social Affairs, ST/ESA/328. United Nations Publications: New York. (available online as a pdf)

Secretária-executiva de painel da ONU chora ao falar sobre mudanças climáticas (O Globo)

23 de outubro de 2013

Christiana Figueres, chefe do IPCC, ficou emocionada ao falar sobre impacto das alterações nas futuras gerações em conferência em Londres

Secretária-executiva do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), a costa-riquenha Christiana Figueres fez uma defesa apaixonada das negociações em torno de um novo acordo global para combater o problema em conferência nesta segunda-feira em Londres. Em seu discurso durante o evento, Figueres reclamou da lentidão nas conversas, mas mostrou-se otimista quanto à possibilidade de em 2015 ser assinado um acerto que obrigue o cumprimento de metas de redução da emissão de gases do efeito estufa pelos principais países poluidores do mundo a partir de 2020.

– Sempre fico frustrada com o ritmo das negociações, nasci impaciente – disse Figueres. – Estamos avançando muito, muito devagar, mas estamos indo na direção certa e é isso que me dá coragem e esperança.

E Figueres manteve o tom apaixonado depois do discurso. Abordada por um repórter da rede britânica de TV BBC, que lhe perguntou sobre o impacto das mudanças climáticas, ela ficou emocionada e chegou a chorar.

– Estou comprometida com (a luta contra) as mudanças climáticas por causa das futuras gerações e não por nós, certo? Nós estamos partindo daqui – disse. – Simplesmente sinto que é totalmente injusto e imoral o que estamos fazendo com as futuras gerações. Estamos condenando elas antes mesmo de elas nascerem. Mas temos uma escolha sobre isso, esta é a questão, temos uma escolha. Se (as mudanças climáticas) forem inevitáveis, então que sejam, mas temos a escolha de tentar mudar o futuro que vamos dar às nossas crianças.

(O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/secretaria-executiva-de-painel-da-onu-chora-ao-falar-sobre-mudancas-climaticas-10488256#ixzz2iYDyHz8N

Ice Cap Shows Ancient Mines Polluted the Globe (New York Times)

By MALCOLM W. BROWNE

Published: December 09, 1997

SAMPLES extracted from Greenland’s two-mile-deep ice cap have yielded evidence that ancient Carthaginian and Roman silver miners working in southern Spain fouled the global atmosphere with lead for some 900 years.

The Greenland ice cap accumulates snow year after year, and substances from the atmosphere are entrapped in the permanent ice. From 1990 to 1992, a drill operated by the European Greenland Ice-Core Project recovered a cylindrical ice sample 9,938 feet long, pieces of which were distributed to participating laboratories. The ages of successive layers of the ice cap have been accurately determined, so the chemical makeup of the atmosphere at any given time in the past 9,000 years can be estimated by analyzing the corresponding part of the core sample.

Using exquisitely sensitive techniques to measure four different isotopes of lead in the Greenland ice, scientists in Australia and France determined that most of the man-made lead pollution of the atmosphere in ancient times had come from the Spanish provinces of Huelva, Seville, Almeria and Murcia. Isotopic analysis clearly pointed to the rich silver-mining and smelting district of Rio Tinto near the modern city of Nerva as the main polluter.

The results of this study were reported in the current issue of Environmental Science & Technology by Dr. Kevin J. R. Rosman of Curtin University in Perth, Australia, and his colleagues there and at the Laboratory of Glaciology and Geophysics of the Environment in Grenoble, France.

One of the problems in their analyses, the authors wrote, was the very low concentrations of lead remaining in ice dating from ancient times — only about one-hundredth the lead level found in Greenland ice deposited in the last 30 years. But the investigators used mass-spectrometric techniques that permitted them to sort out isotopic lead composition at lead levels of only about one part per trillion.

Dr. Rosman focused on the ratio of two stable isotopes, or forms, of lead: lead-206 and lead-207. His group found that the ratio of lead-206 to lead-207 in 8,000-year-old ice was 1.201. That was taken as the natural ratio that existed before people began smelting ores. But between 600 B.C. and A.D. 300, the scientists found, the ratio of lead-206 to lead-207 fell to 1.183. They called that ”unequivocal evidence of early large-scale atmospheric pollution by this toxic metal.”

All ore bodies containing lead have their own isotopic signatures, and the Rio Tinto lead ratio is 1.164. Calculations by the Australian-French collaboration based on their ice-core analysis showed that during the period 366 B.C. to at least A.D. 36, a period when the Roman Empire was at its peak, 70 percent of the global atmospheric lead pollution came from the Roman-operated Rio Tinto mines in what is now southwestern Spain.

The Rio Tinto mining region is known to archeologists as one of the richest sources of silver in the ancient world. Some 6.6 million tons of slag were left by Roman smelting operations there.

The global demand for silver increased dramatically after coinage was introduced in Greece around 650 B.C. But silver was only one of the treasures extracted from its ore. The sulfide ore smelted by the Romans also yielded an enormous harvest of lead.

Because it is easily shaped, melted and molded, lead was widely used by the Romans for plumbing, stapling masonry together, casting statues and manufacturing many kinds of utensils. All these uses presumably contributed to the chronic poisoning of Rome’s peoples.

Adding to the toxic hazard, Romans used lead vessels to boil and concentrate fruit juices and preserves. Fruits contain acetic acid, which reacts with metallic lead to form lead acetate, a compound once known as ”sugar of lead.” Lead acetate adds a pleasant sweet taste to food but causes lead poisoning — an ailment that is often fatal and, even in mild cases, causes debilitation and loss of cognitive ability.

Judging from the Greenland ice core, the smelting of lead-bearing ore declined sharply after the fall of the Roman Empire but gradually increased during the Renaissance. By 1523, the last year for which Dr. Rosman’s group conducted its Greenland ice analysis, atmospheric lead pollution had reached nearly the same level recorded for the year 79 B.C., at the peak of Roman mining pollution.

How Scott Collis Is Harnessing New Data To Improve Climate Models (Popular Science)

The former ski bum built open-access tools that convert raw data from radar databases into formats that climate modelers can use to better predict climate change.

By Veronique Greenwood and Valerie Ross

Posted 10.16.2013 at 3:00 pm

Scott Collis (by Joel Kimmel)

Each year, Popular Science seeks out the brightest young scientists and engineers and names them the Brilliant Ten. Like the 110 honorees before them, the members of this year’s class are dramatically reshaping their fields–and the future. Some are tackling pragmatic questions, like how to secure the Internet, while others are attacking more abstract ones, like determining the weather on distant exoplanets. The common thread between them is brilliance, of course, but also impact. If the Brilliant Ten are the faces of things to come, the world will be a safer, smarter, and brighter place.–The Editors

Scott Collis

Argonne National Laboratory

Achievement

Harnessing new data to improve climate models

Clouds are one of the great challenges for climate scientists. They play a complex role in the atmosphere and in any potential climate-change scenario. But rudimentary data has simplified their role in simulations, leading to variability among climate models. Scott Collis discovered a way to add accuracy to forecasts of future climate—by tapping new sources of cloud data.

Collis has extensive experience watching clouds, first as a ski bum during grad school in Australia and then as a professional meteorologist. But when he took a job at the Centre for Australian Weather and Climate Research, he realized there was an immense source of cloud data that climate modelers weren’t using: the information collected for weather forecasts. So Collis took on the gargantuan task of building open-access tools that convert the raw data from radar databases into formats that climate modelers can use. In one stroke, Collis unlocked years of weather data. “We were able to build such robust algorithms that they could work over thousands of radar volumes without human intervention,” says Collis.

When the U.S. Department of Energy caught wind of his project, it recruited him to work with a new radar network designed to collect high-quality cloud data from all over the globe. The network, the largest of its kind, isn’t complete yet, but already the data that Collis and his collaborators have collected is improving next-generation climate models.

Click here to see more from our annual celebration of young researchers whose innovations will change the world. This article originally appeared in the October 2013 issue of Popular Science.

Carbon Cycle Models Underestimate Indirect Role of Animals (Science Daily)

Oct. 16, 2013 — Animal populations can have a far more significant impact on carbon storage and exchange in regional ecosystems than is typically recognized by global carbon models, according to a new paper authored by researchers at the Yale School of Forestry & Environmental Studies (F&ES). 

Wildebeests herd, Serengeti. Scientists found that a decline in wildebeest populations in the Serengeti-Mara grassland-savanna system decades ago allowed organic matter to accumulate, which eventually led to about 80 percent of the ecosystem to burn annually, releasing carbon from the plants and the soil, before populations recovered in recent years. (Credit: © photocreo / Fotolia)

In fact, in some regions the magnitude of carbon uptake or release due to the effects of specific animal species or groups of animals — such as the pine beetles devouring forests in western North America — can rival the impact of fossil fuel emissions for the same region, according to the paper published in the journal Ecosystems.

While models typically take into account how plants and microbes affect the carbon cycle, they often underestimate how much animals can indirectly alter the absorption, release, or transport of carbon within an ecosystem, says Oswald Schmitz, the Oastler Professor of Population and Community Ecology at F&ES and lead author of the paper. Historically, the role of animals has been largely underplayed since animal species are not distributed globally and because the total biomass of animals is vastly lower than the plants that they rely upon, and therefore contribute little carbon in the way of respiration.

“What these sorts of analyses have not paid attention to is what we call the indirect multiplier effects,” Schmitz says. “And these indirect effects can be quite huge — and disproportionate to the biomass of the species that are instigating the change.”

In the paper, “Animating the Carbon Cycle,” a team of 15 authors from 12 universities, research organizations and government agencies cites numerous cases where animals have triggered profound impacts on the carbon cycle at local and regional levels.

In one case, an unprecedented loss of trees triggered by the pine beetle outbreak in western North America has decreased the net carbon balance on a scale comparable to British Columbia’s current fossil fuel emissions.

And in East Africa, scientists found that a decline in wildebeest populations in the Serengeti-Mara grassland-savanna system decades ago allowed organic matter to accumulate, which eventually led to about 80 percent of the ecosystem to burn annually, releasing carbon from the plants and the soil, before populations recovered in recent years.

“These are examples where the animals’ largest effects are not direct ones,” Schmitz says. “But because of their presence they mitigate or mediate ecosystem processes that then can have these ramifying effects.”

“We hope this article will inspire scientists and managers to include animals when thinking of local and regional carbon budgets,” said Peter Raymond, a professor of ecosystem ecology at the Yale School of Forestry & Environmental Studies.

According to the authors, a more proper assessment of such phenomena could provide insights into management schemes that could help mitigate the threat of climate change.

For example, in the Arctic, where about 500 gigatons of carbon is stored in permafrost, large grazing mammals like caribou and muskoxen can help maintain the grasslands that have a high albedo and thus reflect more solar energy. In addition, by trampling the ground these herds can actually help reduce the rate of permafrost thaw, researchers say.

“It’s almost an argument for rewilding places to make sure that the natural balance of predators and prey are there,” Schmitz says. “We’re not saying that managing animals will offset these carbon emissions. What we’re trying to say is the numbers are of a scale where it is worthwhile to start thinking about how animals could be managed to accomplish that.”

Journal Reference:

  1. Oswald J. Schmitz, Peter A. Raymond, James A. Estes, Werner A. Kurz, Gordon W. Holtgrieve, Mark E. Ritchie, Daniel E. Schindler, Amanda C. Spivak, Rod W. Wilson, Mark A. Bradford, Villy Christensen, Linda Deegan, Victor Smetacek, Michael J. Vanni, Christopher C. Wilmers.Animating the Carbon CycleEcosystems, 2013; DOI:10.1007/s10021-013-9715-7

Cockroach farms multiplying in China (L.A.Times)

Dried cockroaches are ready to be sold to pharmaceutical companies from a farm in Jinan, China. One farmer says the insects are easy to raise and profitable.

Farmers are pinning their future on the often-dreaded insect, which when dried goes for as much as $20 a pound — for use in Asian medicine and in cosmetics.

BY BARBARA DEMICK

PHOTOGRAPHY AND VIDEO BY WANG XUHUA

REPORTING FROM JINAN, CHINA

Oct. 15, 2013

This squat concrete building was once a chicken coop, but now it’s part of a farm with an entirely different kind of livestock — millions of cockroaches.

Inside, squirming masses of the reddish-brown insects dart between sheets of corrugated metal and egg cartons that have been tied together to provide the kind of dark hiding places they favor.

Wang Fuming kneels down and pulls out one of the nests. Unaccustomed to the light, the roaches scurry about, a few heading straight up his arm toward his short-sleeve shirt.

“Nothing to be afraid of,” Wang counsels visitors who are shrinking back into the hallway, where stray cockroaches cling to a ceiling that’s perilously close overhead.

Although cockroaches evoke a visceral dread for most people, Wang looks at them fondly as his fortune — and his future.

People laughed at me when I started, but I always thought that cockroaches would bring me wealth.”

— Zou Hui, cockroach farmer

The 43-year-old businessman is the largest cockroach producer in China (and thus probably in the world), with six farms populated by an estimated 10 million cockroaches. He sells them to producers of Asian medicine and to cosmetic companies that value the insects as a cheap source of protein as well as for the cellulose-like substance on their wings.

The favored breed for this purpose is the Periplaneta americana, or American cockroach, a reddish-brown insect that grows to about 1.6 inches long and, when mature, can fly, as opposed to the smaller, darker, wingless German cockroach.

Since Wang got into the business in 2010, the price of dried cockroaches has increased tenfold, from about $2 a pound to as much as $20, as manufacturers of traditional medicine stockpile pulverized cockroach powder.

“I thought about raising pigs, but with traditional farming, the profit margins are very low,” Wang said. “With cockroaches, you can invest 20 yuan and get back 150 yuan,” or $3.25 for a return of $11.

China has about 100 cockroach farms, and new ones are opening almost as fast as the prolific critters breed. But even among Chinese, the industry was little known until August, when a million cockroaches got out of a farm in neighboring Jiangsu province. The Great Escape made headlines around China and beyond, evoking biblical images of swarming locusts.

Big moneymaker

Business is booming at the Shandong Xin Da Ground Beetle Farm.

Only the prospect of all those lost earnings would faze Wang, a compact man with a wisp of a mustache and wire-rim glasses who looks like a scientist, but has no more than a high school education. After graduating, he went to work in a tire factory.

“I felt I would never get anywhere in life at the factory and I wanted to start a business,” he said.

As a boy he had liked collecting insects, so he started with scorpions and beetles, both used in traditional medicine and served as a delicacy. One batch of his beetle eggs turned out to be contaminated with cockroach eggs.

“I was accidentally raising cockroaches and then I realized they were the easiest and most profitable,” he said.

The start-up costs are minimal — Wang bought only eggs, a run-down abandoned chicken coop and the roofing tile. Notoriously hearty, roaches aren’t susceptible to the same diseases as farm animals. As for feeding them, cockroaches are omnivores, though they favor rotten vegetables. Wang feeds his brood with potato and pumpkin peelings discarded from nearby restaurants.

Cockroaches are survivors. We want to know what makes them so strong.”

— Li Shunan, professor of traditional medicine

Killing them is easy too: Just scoop or vacuum them out of their nests and dunk them in a big vat of boiling water. Then they’re dried in the sun like chile peppers.

Perhaps understandably, the cockroach business (“special farming,” as it is euphemistically called) is a fairly secretive industry. Wang’s farm, for instance, operates in an agribusiness industrial park under an elevated highway. The sign at the front gate simply reads Jinan Hualu Feed Co.

Some companies that use cockroaches don’t like to advertise their “secret ingredient.” And the farmers themselves are wary of neighbors who might not like a cockroach farm in their backyard.

“We try to keep a low profile,” said Liu Yusheng, head of the Shandong Insect Industry Assn., the closest thing there is to a trade organization. “The government is tacitly allowing us to do what we do, but if there is too much attention, or if cockroach farms are going into residential areas, there could be trouble.”

Liu worries about the rapid growth of an industry with too many inexperienced players and too little oversight. In 2007, a million Chinese lost $1.2 billion when a firm promoting ant farming turned out to be a Ponzi scheme and went bankrupt.

“This is not like raising regular farm animals or vegetables where the Agricultural Ministry knows who is supposed to regulate it. Nobody knows who is in charge here,” he said.

The low start-up costs make raising cockroaches an appealing business for wannabe entrepreneurs, who can buy cockroach eggs and complete how-to kits from promoters.

“People laughed at me when I started, but I always thought that cockroaches would bring me wealth,” said Zou Hui, 40, who quit her job at a knitting factory in 2008 after seeing a television program about raising cockroaches.

Wang Fuming, at his farm in Jinan, is the largest cockroach producer in China (and thus probably in the world), with six farms populated by an estimated 10 million cockroaches.

It’s not exactly a fortune, but the $10,000 she brings in annually selling cockroaches is decent money for her hometown in rural Sichuan province, and won her an award last year from local government as an “Expert in Getting Wealthy.”

“Now I’m teaching four other families,” Zou said. “They want to get rich like me.”

But inexperienced farmers can get into trouble, as Wang Pengsheng (no relation to fellow roach farmer Wang) found out after his cockroaches staged the Great Escape.

He had opened his farm just six months earlier in a newly constructed building that municipal code officials complained was too close to protected watershed land. At noon on Aug. 20, while workers were out for lunch, a demolition crew knocked down the building. The roaches made a run for it.

“They didn’t know I had cockroaches in there. They wouldn’t have demolished the building like that if there were cockroaches that would get out,” Wang Pengsheng said in a telephone interview.

After discovering the flattened building and homeless roaches scurrying among the rubble, he tried to corral the escapees but was unsuccessful. He called in local health officials, who helped him exterminate the roaches. Wang said he has received about $8,000 in compensation from local government and hopes to use the money to rebuild his farm elsewhere.

At least five pharmaceutical companies are using cockroaches for traditional Chinese medicine. Research is underway in China (and South Korea) on the use of pulverized cockroaches for treating baldness, AIDS and cancer and as a vitamin supplement. South Korea’s Jeonnam Province Agricultural Research Institute and China’s Dali University College of Pharmacy have published papers on the anti-carcinogenic properties of the cockroach.

Li Shunan, a 78-year-old professor of traditional medicine from the southwestern province of Yunnan who is considered the godfather of cockroach research, said he discovered in the 1960s that ethnic minorities near the Vietnamese border were using a cockroach paste to treat bone tuberculosis.

“Cockroaches are survivors,” Li said. “We want to know what makes them so strong — why they can even resist nuclear effects.”

Liu Yusheng, head of the Shandong Insect Industry Assn. eats fried cockroaches. Liu worries about the rapid growth of an industry with too many inexperienced players and too little oversight.

Li reels off an impressive, if implausible, list of health claims: “I lost my hair years ago. I made a spray of cockroaches, applied it on my scalp and it grew back. I’ve used it as a facial mask and people say I haven’t changed at all over the years.

“Cockroaches are very tasty too.”

Many farmers are hoping to boost demand by promoting cockroaches in fish and animal feed and as a delicacy for humans.

Chinese aren’t quite as squeamish as most Westerners about insects — after all, people here still keep crickets as pets.

In Jinan, Wang Fuming and his wife, who run the farm together, seem genuinely fond of their cockroaches and a little hurt that others don’t feel affection.

“What is disgusting about them?” Li Wanrong, Wang’s wife, asked as a roach scurried around her black leather pumps. “Look how beautiful they are. So shiny!”

Over lunch at a restaurant down the block from his farm, Wang placed a plate of fried cockroaches seasoned with salt on the table along with more conventional cuisine, and proceeded to nibble a few with his chopsticks. He expressed disapproval that visiting journalists refused to sample the roaches.

On saying goodbye at the end of the day, he added a final rejoinder.

“You will regret your whole life not trying them.”

Nicole Liu in The Times’ Beijing bureau contributed to this report.


FOR THE RECORD:Wednesday’s Column One story about cockroach farming in China misstated the value of 150 Chinese yuan as $11. It is equal to $24.

O Brasil na contramão (IPS)

Inter Press Service – Reportagens

11/10/2013 – 09h20

por Fabíola Ortiz, da IPS

transito1 O Brasil na contramão

Tráfego na avenida 23 de Maio, em São Paulo. Foto: Photostock/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 11/10/2013 – Nos últimos cinco anos, em plena crise econômica internacional, o Brasil passou a integrar o grupo dos grandes poluidores mundiais, cuja fonte principal de gases-estufa é a queima de combustíveis fósseis. Esse país está assumindo um perfil de contaminação climática próprio do primeiro mundo, segundo o cientista José Marengo, um dos autores do Quinto Informe de Avaliação do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), cujo primeiro volume sem editar foi divulgado no dia 30 de setembro.

E isto se deve, em parte, a uma simples razão de fenômeno industrial e de consumo. As isenções de impostos para estimular a venda de automóveis e motocicletas tiveram um efeito positivo no crescimento econômico. Contudo, ao mesmo tempo, criaram um aumento vertiginoso do parque automotivo. A quantidade de automóveis duplicou em uma década, passando de 24,5 milhões em 2001 para 50,2 milhões em 2012, segundo o informe Evolução da Frota de Automóveis e Motos no Brasil – Relatório 2013, divulgado ontem.

As motocicletas tiveram um aumento ainda mais espetacular no mesmo período, passando de 4,5 milhões para 19,9 milhões. O Brasil “terminou 2012 com uma frota total de 76.137.125 veículos automotores. Em 2001, havia aproximadamente 31,8 milhões de unidades. Houve, portanto, aumento de 138,6%”, afirma o documento publicado pelo Observatório das Metrópoles. “Vale recordar que o crescimento populacional do país entre os últimos censos (2000 e 2010) foi de 11,8%”, acrescenta.

“É preocupante, porque sempre criticamos os países desenvolvidos por isso”, observou Marengo, que dirige o Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Esse aspecto contrasta com a redução do intenso desmatamento no país, amplamente divulgado pelas autoridades brasileiras.

Em 27 de setembro, quando o IPCC divulgou o Resumo para Responsáveis por Políticas, o secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, dizia à IPS que este país conseguiu reduzir em 38,4% suas emissões de gases-estufa entre 2005 e 2010, devido à redução no desmatamento da Amazônia.

O Brasil se comprometeu em 2009 a reduzir suas emissões de gases-estufa entre 36,1% e 38,9%, segundo dois cenários de crescimento do produto interno bruto. O governo garante que já avançou 62% rumo a essa meta, graças à acentuada redução do desmatamento. Até 2009, o desmatamento era a causa de 60% da contaminação climática do Brasil, enquanto o uso de combustíveis fósseis estava em segundo lugar. Agora emergem novos problemas.

“Se tivéssemos um sistema de transportes de massa confiável e confortável, as pessoas deixaram seus carros em casa. Mas, viajar em certas horas do dia no metrô de São Paulo ou do Rio de Janeiro (duas das maiores cidades do país) é uma humilhação”, disse Marengo à IPS. “Isso precisa mudar, e a única forma é fomentar um transporte público decente”.

Para o diretor de políticas públicas do Greenpeace Brasil, Sergio Leitão, essa mudança de perfil também coincide com a prioridade que se dá a novos empreendimentos, como a prospecção e exploração das jazidas de petróleo do pré-sal, a mais de sete mil metros de profundidade na plataforma submarina. “Estamos começando a exploração do pré-sal e nossas grandes cidades estão abarrotadas de carros”, pontuou Leitão. Enquanto o mundo caminha para novos modelos energéticos, o Brasil segue na contramão, segundo o ativista, tornando impossível que este país seja “amigo do planeta”, afirmou.

O informe do IPCC diz que as mudanças observadas desde 1950 não têm precedentes e demonstram que a ação do homem é uma causa inequívoca do aquecimento global registrado desde meados do século 20. O informe assinala que a humanidade deve fazer todos os esforços para manter o clima do planeta nas coordenadas do cenário mais otimista, com o aquecimento global não superando os dois graus neste século.

Para conseguir isso, segundo Leitão, as “medidas fundamentais, urgentes e inevitáveis” são mudar o modelo de produção e reduzir drasticamente o consumo de petróleo, gás e carvão. “Nos preocupa o fato de no Brasil o pré-sal ser visto como a grande oportunidade econômica do futuro”, afirmou. Na área energética, os grandes volumes de investimentos são destinados a viabilizar a exploração do petróleo no pré-sal, com até US$ 340 milhões até 2020, ressaltou.

Por outro lado, Leitão disse que “seria preciso adotar um rumo diferente, de pesquisas em energias renováveis e limpas. O Brasil se destaca em abundância de sol e vento. É necessário dinamizar essas vertentes e criar substitutos tecnológicos para os combustíveis fósseis”.

Marengo destacou que, se o mundo inteiro deixasse de emitir gases-estufa hoje, seriam necessários 20 anos para frear as transformações climáticas já desatadas. “O IPCC fala de aproximadamente duas décadas, pois foram centenas de anos acumulando dióxido de carbono (CO2). Os processos de fotossíntese nas florestas podem ajudar a absorver CO2, mas isso não é imediato e exige décadas de inércia”, destacou.

As medidas de mitigação – para reduzir a quantidade de gases lançados na atmosfera – são caras e seus efeitos são de longo prazo, mas são as únicas que permitirão minimizar os impactos futuros, acrescentou Marengo, para quem os impactos mais severos começarão a ser sentidos depois de 2040.

Adaptar-se a essas alterações é possível, mas a mensagem que o IPCC pretende dar à próxima cúpula mundial do clima, que se reunirá em novembro em Varsóvia, é que devem tomar medidas para evitar os cenários mais pessimistas, com elevações da temperatura média acima dos dois graus.

Marengo lamentou que a agenda ambiental tenha passado para segundo plano desde que começou a crise econômica e financeira mundial em 2008. “É impossível um país com uma situação econômica ruim aderir a um tratado ambiental, pois este terá um custo social elevado”, enfatizou.

Envolverde/IPS

Terrestrial Ecosystems at Risk of Major Shifts as Temperatures Increase (Science Daily)

Oct. 8, 2013 — Over 80% of the world’s ice-free land is at risk of profound ecosystem transformation by 2100, a new study reveals. “Essentially, we would be leaving the world as we know it,” says Sebastian Ostberg of the Potsdam Institute for Climate Impact Research, Germany. Ostberg and collaborators studied the critical impacts of climate change on landscapes and have now published their results inEarth System Dynamics, an open access journal of the European Geosciences Union (EGU).

This image shows simulated ecosystem change by 2100, depending on the degree of global temperature increase: 2 degrees Celsius (upper image) or five degrees Celsius (lower image) above preindustrial levels. The parameter “ (Gamma) measures how far apart a future ecosystem under climate change would be from the present state. Blue colours (lower “) depict areas of moderate change, yellow to red areas (higher “) show major change. The maps show the median value of the “ parameter across all climate models, meaning at least half of the models agree on major change in the yellow to red areas, and at least half of the models are below the threshold for major change in the blue areas. (Credit: Ostberg et al., 2013)

The researchers state in the article that “nearly no area of the world is free” from the risk of climate change transforming landscapes substantially, unless mitigation limits warming to around 2 degrees Celsius above preindustrial levels.

Ecosystem changes could include boreal forests being transformed into temperate savannas, trees growing in the freezing Arctic tundra or even a dieback of some of the world’s rainforests. Such profound transformations of land ecosystems have the potential to affect food and water security, and hence impact human well-being just like sea level rise and direct damage from extreme weather events.

The new Earth System Dynamics study indicates that up to 86% of the remaining natural land ecosystems worldwide could be at risk of major change in a business-as-usual scenario (see note). This assumes that the global mean temperature will be 4 to 5 degrees warmer at the end of this century than in pre-industrial times — given many countries’ reluctance to commit to binding emissions cuts, such warming is not out of the question by 2100.

“The research shows there is a large difference in the risk of major ecosystem change depending on whether humankind continues with business as usual or if we opt for effective climate change mitigation,” Ostberg points out.

But even if the warming is limited to 2 degrees, some 20% of land ecosystems — particularly those at high altitudes and high latitudes — are at risk of moderate or major transformation, the team reveals.

The researchers studied over 150 climate scenarios, looking at ecosystem changes in nearly 20 different climate models for various degrees of global warming. “Our study is the most comprehensive and internally consistent analysis of the risk of major ecosystem change from climate change at the global scale,” says Wolfgang Lucht, also an author of the study and co-chair of the research domain Earth System Analysis at the Potsdam Institute for Climate Impact Research.

Few previous studies have looked into the global impact of raising temperatures on ecosystems because of how complex and interlinked these systems are. “Comprehensive theories and computer models of such complex systems and their dynamics up to the global scale do not exist.”

To get around this problem, the team measured simultaneous changes in the biogeochemistry of terrestrial vegetation and the relative abundance of different vegetation species. “Any significant change in the underlying biogeochemistry presents an ecological adaptation challenge, fundamentally destabilising our natural systems,” explains Ostberg.

The researchers defined a parameter to measure how far apart a future ecosystem under climate change would be from the present state. The parameter encompasses changes in variables such as the vegetation structure (from trees to grass, for example), the carbon stored in the soils and vegetation, and freshwater availability. “Our indicator of ecosystem change is able to measure the combined effect of changes in many ecosystem processes, instead of looking only at a single process,” says Ostberg.

He hopes the new results can help inform the ongoing negotiations on climate mitigation targets, “as well as planning adaptation to unavoidable change.”

Note

Even though 86% of land ecosystems are at risk if global temperature increases by 5 degrees Celsius by 2100, it is unlikely all these areas will be affected. This would mean that the worst case scenario from each climate model comes true.

Journal Reference:

  1. S. Ostberg, W. Lucht, S. Schaphoff, D. Gerten. Critical impacts of global warming on land ecosystemsEarth System Dynamics, 2013; 4 (2): 347 DOI: 10.5194/esd-4-347-2013

FAO reafirma o impacto devastador da produção de carne para o clima (Terra)

Em 03/10/2013

Amália Safatle

Não, nem todo ambientalista é vegetariano. Mas que reduzir o consumo de carne ajuda – e muito – isso é inegável. Diante das graves constatações divulgadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês),  uma das maneiras mais à mão – ou da mão à boca –  para contribuir com a redução de emissões é mexer nas formas de produzir e consumir alimentos, especialmente os de origem animal. Focalizando mais: sobretudo os de origem bovina.

O novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), intitulado Tackling Climate Change Through Livestock, ou Combatendo as Mudanças Climáticas por Meio da Pecuária, é contundente em reafirmar o efeito devastador da criação de dezenas de bilhões de animais. As palavras são da Human Society Internacional (HSI), organização voltada à proteção animal, que pegou uma carona no relatório da FAO para defender não somente a redução no consumo, mas o tratamento mais ético e digno na produção animal – causa das mais nobres.

No estudo, a FAO expõe que somente a criação de animais responde por 14,5% dos gases de efeito estufa gerados por atividades humanas (acesse em http://www.fao.org/docrep/018/i3437e/i3437e.pdf). De acordo com um estudo de 2012, a pegada hídrica dos produtos de origem animal é seis vezes maior para a carne bovina, e uma vez e meia maior para carne de frango, ovos e laticínios, comparada à pegada dos legumes.

Além disso, a  expansão de pastos para animais de produção é uma das principais causas do desmatamento, especialmente no Brasil. Em todo o mundo, segundo a HSI, utilizamos mais terras para alimentar animais de produção do que para qualquer outro fim. Mais de 97% do farelo de soja e 60% da produção global de cevada e milho são usadas para alimentar animais de produção.

O impacto é tamanho que uma família americana de renda média que deixe de consumir carne vermelha e laticínios e os substitua por produtos de origem vegetal apenas um dia por semana terá, ao final de um ano, reduzido suas emissões anuais gases-estufa em volume equivalente ao emitido ao dirigir 1.600 quilômetros.

A partir de cálculos como esse surgiu a campanha Segunda Sem Carne, que propõe às pessoas evitar carne vermelha ao menos uma vez por semana.

É uma tentativa de refrear o aumento da demanda: de 1980 e 2005, o consumo deper capita de carnes no Brasil praticamente dobrou, alcançando níveis similares ao de países desenvolvidos, segundo a FAO. O consumo de laticínios e ovos também cresceu significativamente, em 40% e 20%, respectivamente.

Mas reduzir consumo não é a única alternativa. Para os carnívoros inveterados, o novo relatório da FAO mostra como a produção de carnes pode diminuir seus impactos e emissões se adotar novas tecnologias, técnicas mais avançadas de manejo e elevar a produtividade. Mais que isso, apresenta propostas para formuladores de políticas públicas.

O relatório ainda aponta que programas com objetivo de reduzir as emissões do setor devem também levar em consideração o bem-estar animal. Além de se submeter a regras mais rígidas para um tratamento humanitário dos animais no lado da oferta, na ponta da demanda o consumidor pode dar preferência a produtos que tenham padrões de bem-estar animal mais elevados.

“No Brasil, cerca de 90% da produção de ovos é proveniente do sistema de gaiolas em bateria convencional, tão intensivo que os animais praticamente não podem se mover. Na indústria suína, a maioria das porcas reprodutoras passam praticamente suas vidas inteiras em celas de gestação, que têm praticamente o mesmo tamanho do corpo dos animais e não permitem que as porcas sequer se virem dentro delas ou deem mais do que um passo para frente ou para trás”, informa a HSI.

Segundo a organização, o confinamento de poedeiras nas gaiolas em bateria convencional e o confinamento contínuo de porcas reprodutoras em celas de gestação já foram proibidos em toda a União Europeia e em vários estados dos EUA. Líderes de mercado como McDonald’s, Burger King, Wendy’s e Costco anunciaram que eliminarão o uso de celas de gestação em suas cadeias de fornecimento nos EUA.

Resta saber por que essas redes têm políticas diferenciadas nos países em que atuam, em vez de enfrentar o assunto de forma global, partindo do simples respeito à vida, seja ela qual for.

Native Tribes’ Traditional Knowledge Can Help US Adapt to Climate Change (Science Daily)

Oct. 3, 2013 — New England’s Native tribes, whose sustainable ways of farming, forestry, hunting and land and water management were devastated by European colonists four centuries ago, can help modern America adapt to climate change.

That’s the conclusion of more than 50 researchers at Dartmouth and elsewhere in a special issue of the journal Climatic Change. It is the first time a peer-reviewed journal has focused exclusively on climate change’s impacts on U.S. tribes and how they are responding to the changing environments. Dartmouth also will host an Indigenous Peoples Climate Change Working Group meeting Nov. 4- 5.

The special issue, which includes 13 articles, concludes that tribes’ traditional ecological knowledge can play a key role in developing scientific solutions to adapt to the impacts. “The partnerships between tribal peoples and their non-tribal research allies give us a model for responsible and respectful international collaboration,” the authors say.

Dartmouth assistant professors Nicholas Reo and Angela Parker, whose article is titled “Re-thinking colonialism to prepare for the impacts of rapid environmental change,” said New England settlers created a cascade of environmental and human changes that spread across North America, including human diseases, invasive species, deforestation and overharvest.

The researchers identified social and ecological tipping points and feedback loops that amplify and mitigate environmental change. For example, prior to the arrival of Europeans, old growth deciduous forests were rich with animal and plant resources and covered more than 80 percent of New England. Native peoples helped to sustain this bountiful biodiversity for centuries through their land practices.

“But when indigenous communities were decimated by disease and eventually alienated from their known environments, land tenure innovations based on deep, local ecological knowledge, disappeared,” the researchers say. “Colonists, and their extractive systems aimed at key animal and plant species, became the new shapers of cultural landscapes. Rapid ecological degradation subsequently ensued, and New Englanders created a difficult project of stewarding a far less resilient landscape without help from indigenous land managers who would have known best how to enact ecological restoration measures.”

Today’s tribal members who work with natural resources, such as fisherman, farmers and land managers, can play key roles in devising local and regional strategies to adapt to climate change, the researchers say.

Journal Reference:

  1. Nicholas James Reo, Angela K. Parker. Re-thinking colonialism to prepare for the impacts of rapid environmental changeClimatic Change, 2013; DOI:10.1007/s10584-013-0783-7

Climate sceptics claim warming pause backs their view (BBC)

26 September 2013 Last updated at 00:47 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, The Netherlands

Hurricane SandyCome hell or… An increased likelihood of extreme weather events is one predicted outcome of global warming, but some dispute the scale of expected effects

In the run up to a key global warming report, those sceptical of mainstream opinion on climate change claim they are “winning” the argument.

They say a slowing of temperature rises in the past 15 years means the threat from climate change is exaggerated.

But a leading member of the UN’s panel on climate change said the views of sceptics were “wishful thinking”.

Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest”

Prof Jean-Pascal van Ypersele, IPCC

The pause in warming was a distraction, he said, from the growing scientific certainty about long-term impacts.

Prof Jean Pascal van Ypersele spoke to BBC News ahead of the release of a six-yearly status report into global warming by the UN panel known as the Intergovernmental Panel on Climate Change, or IPCC.

Scientists and government representatives are currently meeting in Stockholm, Sweden, going through the dense, 31-page summary of the state of the physical science behind climate change.

When it is released on Friday, the report is likely to state with even greater certainty than before that the present-day, rapid warming of the planet is man-made.

Netherlands flood rescue simulationClimate change could profoundly impact the Netherlands, but sceptics remain influential there

But climate sceptics have focused their attention on the references to a pause or hiatus in the increase in global temperatures since 1998.

The sceptics believe that this slowdown is the most solid evidence yet that mainstream computer simulations of the Earth’s climate – climate models – are wrong.

These computer simulations are used to study the dynamics of the Earth’s climate and make projections about future temperature change.

“The sceptics now have a feeling of being on the winning side of the debate thanks to the pause,” said Marcel Crok, a Dutch author who accepts the idea that human activities warm the planet, but is sceptical about the scale of the effect.

“You are now starting to see a normalisation of climate science. Suddenly mainstream researchers, who all agree that greenhouse gases play a huge role, start to disagree about the cause of the pause.

“For me this is a relief, it is finally opening up again and this is good.”

The view that the sceptics have positively impacted the IPCC is supported by Prof Arthur Petersen, who is a member of the Dutch government team currently examining the report.

“The sceptics are good for the IPCC and the whole process is really flourishing because of this interaction over the past decades,” he told BBC News.

“Our best climate researchers are typically very close to really solid, sceptical scientists. In this sense scepticism is not necessarily a negative term.”

Others disagree.

Bart Verheggen is an atmospheric scientist and blogger who supports the mainstream view of global warming. He said that sceptics have discouraged an open scientific debate.

Crok

Dutch writer Marcel Crok is sceptical about the sensitivity of the atmosphere to carbon emissions

“When scientists start to notice that their science is being distorted in public by these people who say they are the champions of the scientific method, that could make mainstream researchers more defensive.

“Scientists probably think twice now about writing things down. They probably think twice about how this could be twisted by contrarians.”

Sensitive debate

In 2007, the IPCC defined the range for what’s termed “equilibrium climate sensitivity”. This term refers to the likely span of temperatures that would occur following a doubling of CO2 concentrations in the atmosphere.

The panel’s last report said temperatures were likely to rise within the range of 2C to 4.5C with a best estimate of 3C.

The new report is believed to indicate a range of 1.5C to 4.5C with no best estimate indicated.

Although that might not appear like much of a change, many sceptics believe it exposes a critical flaw.

“In the last year, we have seen several studies showing that climate sensitivity is actually much less than we thought for the last 30 years,” said Marcel Crok.

“And these studies indicate that our real climate shows a sensitivity of between 1.5C and 2C, but the climate models on which these future doom scenarios are based warm up three degrees under a doubling of CO2.”

But other researchers who are familiar with the text believe that the sceptics are reading too much into a single figure.

“Some of what the sceptics are saying is either wishful thinking or totally dishonest,” Prof van Ypersele, who is vice-chair of the IPCC, told BBC News.

“It is just a change in a lower border [of the range of temperature rise]. Even if this turns out to be the real sensitivity, instead of making the challenge extremely, extremely, extremely difficult to meet, it is only making it extremely, extremely difficult.

“Is that such a big change?”

Prof van Ypersele points out that many other aspects of the forthcoming report are likely to give greater certainty to the scale of impacts of a warming world. The predictions for sea level rise are likely to be considerably strengthened from 2007. There is also likely to be a clearer understanding of the state of sea ice.

Who are the climate sceptics?

Although there are only a small number of mainstream scientists who reject the established view on global warming, they are supported by a larger group of well resourced bloggers and citizen scientists who pore through climate literature and data looking for evidence of flaws in the hypothesis.

There are many different shades of opinion in the sceptical orbit. Some such as the group Principia Scientific reject the “myth” of greenhouse gas warming.

There are also political sceptics, such as some members of the Republican party in the US, who argue that climate science is a hoax or a conspiracy.

But there are also sceptical bloggers such as Anthony Watts and Andrew Montford who accept the basic science that adding carbon to the atmosphere can affect the temperature. They contest mainstream findings on the sensitivity of the climate to carbon and the future impacts on temperature.

The Dutch approach to sceptics

With around 20% of the country under sea level, the Dutch have a keen interest in anything that might affect their environment, such as climate change.

But scepticism about the human influence on global warming has been growing in the Netherlands, according to research from the OECD.

In a country where consensus is a key word, the government has taken a more inclusive approach to climate dissenters. To that end, they have funded Marcel Crok to carry out a sceptical analysis of the IPCC report.

In an effort to build bridges between sceptics and the mainstream they are also funding an initiative called climatedialogue.org which serves as a platform for debate on the science of global warming.

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IPCC climate report: humans ‘dominant cause’ of warming – and other articles (BBC)

27 September 2013 Last updated at 09:12 GMT

By Matt McGrathEnvironment correspondent, BBC News, Stockholm

Climate change “threatens our planet, our only home”, warns Thomas Stocker, IPCC co-chair

A landmark report says scientists are 95% certain that humans are the “dominant cause” of global warming since the 1950s.

The report by the UN’s climate panel details the physical evidence behind climate change.

On the ground, in the air, in the oceans, global warming is “unequivocal”, it explained.

It adds that a pause in warming over the past 15 years is too short to reflect long-term trends.

The panel warns that continued emissions of greenhouse gases will cause further warming and changes in all aspects of the climate system.

To contain these changes will require “substantial and sustained reductions of greenhouse gas emissions”.

Infographic

Projections are based on assumptions about how much greenhouse gases might be released

After a week of intense negotiations in the Swedish capital, the summary for policymakers on the physical science of global warming has finally been released.

The first part of an IPCC trilogy, due over the next 12 months, this dense, 36-page document is considered the most comprehensive statement on our understanding of the mechanics of a warming planet.

It states baldly that, since the 1950s, many of the observed changes in the climate system are “unprecedented over decades to millennia”.

Each of the last three decades has been successively warmer at the Earth’s surface, and warmer than any period since 1850, and probably warmer than any time in the past 1,400 years.

“Our assessment of the science finds that the atmosphere and ocean have warmed, the amount of snow and ice has diminished, the global mean sea level has risen and that concentrations of greenhouse gases have increased,” said Qin Dahe, co-chair of IPCC working group one, who produced the report.

Speaking at a news conference in the Swedish capital, Prof Thomas Stocker, another co-chair, said that climate change “challenges the two primary resources of humans and ecosystems, land and water. In short, it threatens our planet, our only home”.

Since 1950, the report’s authors say, humanity is clearly responsible for more than half of the observed increase in temperatures.

Dr Rajendra Pachauri said he was confident the report would convince the public on global climate change

But a so-called pause in the increase in temperatures in the period since 1998 is downplayed in the report. The scientists point out that this period began with a very hot El Nino year.

“Trends based on short records are very sensitive to the beginning and end dates and do not in general reflect long-term climate trends,” the report says.

Prof Stocker, added: “I’m afraid there is not a lot of public literature that allows us to delve deeper at the required depth of this emerging scientific question.

“For example, there are not sufficient observations of the uptake of heat, particularly into the deep ocean, that would be one of the possible mechanisms to explain this warming hiatus.”

“Likewise we have insufficient data to adequately assess the forcing over the last 10-15 years to establish a relationship between the causes of the warming.”

However, the report does alter a key figure from the 2007 study. The temperature range given for a doubling of CO2 in the atmosphere, called equilibrium climate sensitivity, was 2.0C to 4.5C in that report.

In the latest document, the range has been changed to 1.5C to 4.5C. The scientists say this reflects improved understanding, better temperature records and new estimates for the factors driving up temperatures.

In the summary for policymakers, the scientists say that sea level rise will proceed at a faster rate than we have experienced over the past 40 years. Waters are expected to rise, the document says, by between 26cm (at the low end) and 82cm (at the high end), depending on the greenhouse emissions path this century.

The scientists say ocean warming dominates the increase in energy stored in the climate system, accounting for 90% of energy accumulated between 1971 and 2010.

For the future, the report states that warming is projected to continue under all scenarios. Model simulations indicate that global surface temperature change by the end of the 21st Century is likely to exceed 1.5 degrees Celsius, relative to 1850.

Prof Sir Brian Hoskins, from Imperial College London, told BBC News: “We are performing a very dangerous experiment with our planet, and I don’t want my grandchildren to suffer the consequences of that experiment.”

What is the IPCC?

In its own words, the IPCC is there “to provide the world with a clear scientific view on the current state of knowledge in climate change and its potential environmental and socio-economic impacts”.

The offspring of two UN bodies, the World Meteorological Organization and the United Nations Environment Programme, it has issued four heavyweight assessment reports to date on the state of the climate.

These are commissioned by the governments of 195 countries, essentially the entire world. These reports are critical in informing the climate policies adopted by these governments.

The IPCC itself is a small organisation, run from Geneva with a full time staff of 12. All the scientists who are involved with it do so on a voluntary basis.

Document

PDF download IPCC Summary for Policymakers

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O dióxido de carbono está reconfigurando o planeta (IPS)

Ambiente

30/9/2013 – 08h08

por Stephen Leahy, da IPS

stephen6401 O dióxido de carbono está reconfigurando o planeta

O derretimento da geleira de Orizaba, no México, é outra consequência do aquecimento global. Foto: Maurício Ramos/IPS

Nantes, França, 30/9/2013 – A Groenlândia pode acabar se tornando verde, pois a maior parte de sua enorme camada de gelo está condenada a derreter, informou, no dia 27, o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC). O resumo de 36 páginas apresentado em Estocolmo pelo IPCC, que funciona na órbita da Organização das Nações Unidas (ONU), inclui um alerta de que há 20% de possibilidades de os gelos da Groenlândia iniciarem um derretimento irreversível com apenas 0,2 grau de aquecimento adicional.

Essa quantidade de aquecimento agregado é uma certeza agora. Contudo, o derretimento definitivo do gelo na Groenlândia consumirá mil anos. “O novo informe é outro chamado para despertar, que nos diz que estamos com grandes problemas e vamos rumo a graus perigosos de mudança climática”, destacou David Cadman, presidente da Iclei, a única rede de cidades sustentáveis que opera em todo o mundo e envolve 1.200 governos locais.

“O IPCC será atacado por interesses (da indústria dos combustíveis fósseis e seus defensores. Eles tentarão assustar o público, alegando que tomar medidas coloca em risco os empregos e a economia. Isso não é verdade. Pelo contrário”, afirmou Cadman à IPS. O Resumo para Responsáveis por Políticas do Informe do Grupo de Trabalho I – Bases de Ciência Física estabelece claramente que os seres humanos estão esquentando o planeta, e confirma estudos que datam de 1997. Desde os anos 1950, cada década foi mais quente do que a anterior, diz o documento.

O texto completo será divulgado hoje e é o primeiro dos quatro volumes (os dos três grupos de trabalho mais a síntese) do Quinto Informe de Avaliação do IPCC, conhecido como AR5. No Hemisfério Norte, “as temperaturas entre 1983 e 2012 foram as mais quentes dos últimos 1.400 anos”, destacou Thomas Stocker, copresidente do Grupo de Trabalho I.

Em resposta às notícias dos últimos dias, falando sobre uma “interrupção do aquecimento”, Stocker disse que o sistema climático é dinâmico, sendo provável que nos últimos anos tenha ingressado mais calor nos oceanos e que tenha diminuído ligeiramente o ritmo dos aumentos das temperaturas superficiais. Há mais de cem anos pesquisadores demonstraram que o dióxido de carbono prende o calor do Sol.

A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agricultura e outras atividades humanas emitem esse gás na atmosfera, onde permanece quase para sempre. Os maiores volumes de dióxido de carbono, por sua vez, acrescentam mais calor, pois atuam como outra camada de isolamento. Mais de 90% desta energia térmica adicional é absorvida pelos oceanos, segundo o Resumo. Isso explica a causa de as temperaturas da superfície ainda não terem superado o aumento médio mundial de 0,8 grau.

O Resumo destaca que a redução da camada de gelo do Ártico nas últimas três décadas foi a maior dos últimos 1.450 anos. Embora o derretimento no último verão boreal tenha sido menor que no ano passado, o Ártico segue no caminho de ficar sem gelo na temporada estival de 2050, bem antes do projetado por relatórios anteriores.

O informe do IPCC, uma revisão das pesquisas científicas disponíveis, se baseou em trabalhos de 259 autores de 39 países, e contou com 54.677 comentários. O informe de avaliação anterior, ou AR4, é de 2007. O IPCC não realiza pesquisas próprias e está sob a direção de 110 governos que passaram os últimos quatro dias aprovando o texto do sumário. “Cada palavra contida nas 36 páginas foi debatida. Alguns parágrafos foram discutidos por mais de uma hora”, contou Stocker em entrevista coletiva em Estocolmo. “Nenhum outro relatório científico jamais passou por um escrutínio tão crítico”, ressaltou.

O Resumo, redigido com cautela, detalha e confirma os impactos observados, com o aumento das temperaturas, as mudanças nos padrões pluviométricos e os extremos climáticos. Também confirma que estes e outros impactos vão piorar na medida em que aumentarem as emissões de dióxido de carbono. As atuais emissões deste gás estão no rumo do pior cenário.

O resumo do AR5 diz que a camada gelada da Groenlândia perdeu, em média, 177 bilhões de toneladas de gelo por ano entre 1992 e 2001. Estudos mais recentes demonstram que o gelo perdido aumentou substancialmente desde então. Segundo o relatório, há uma possibilidade em cinco de a camada gelada da Groenlândia derreter totalmente se as temperaturas globais aumentarem entre 0,8 grau e mais de um, como parece inevitável agora.

Um dos motivos é que a elevação das temperaturas no Ártico é quase três vezes maior do que o aumento médio mundial. Se a temperatura média mundial aumentar cerca de quatro graus será desencadeado um derretimento na Groenlândia, que elevaria o nível do mar em até sete metros. Apesar disto, o AR5 diz que não se espera que o nível do mar suba mais de um metro neste século.

Outros cientistas, entre eles James Hansen, ex-diretor do Instituto Goddar de Estudos Espaciais da Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), acreditam que o acelerado derretimento observado no Ártico, na Groenlândia, na Antártida e nas geleiras é um sinal de que neste século o mar pode subir vários metros, a menos que as emissões sejam reduzidas.

Mesmo antes de se tornar público o novo informe do IPCC, “os que negam a mudança climática” o atacaram e tergiversaram, tentando retratar suas conclusões como radicais ou extremistas, afirmou Charles Greene, professor de ciências atmosféricas e da terra na Cornell University, de Nova York. Greene se referia a um orquestrado esforço de propaganda de atores da indústria dos combustíveis fósseis e de organizações que tentam convencer o público de que o aquecimento global não é um assunto de extrema urgência. “Na verdade, o IPCC tem um longo histórico de subestimar os impactos” da mudança climática, afirmou Greene.

Embora a ação mundial contra o aquecimento esteja em ponto morto, algumas cidades já estão reduzindo suas emissões de carbono. Os membros do Iclei se comprometeram com uma redução de 20% até 2020 e de 80% até 2050. A maioria dos governos não está tomando iniciativas, o que revela claramente o poder e a influência do setor dos combustíveis fósseis, pontuou Cadman. “As cidades podem fazer até dez vezes mais, mas, simplesmente, não têm dinheiro”, ressaltou.

Envolverde/IPS

IPCC sustenta que aquecimento global é inequívoco (IPS)

Ambiente

30/9/2013 – 08h01

por Fabíola Ortiz, da IPS

IPCC1 IPCC sustenta que aquecimento global é inequívoco

A elevação do nível do mar pode alagar várias regiões do Recife, no Nordeste do Brasil. Foto: Alejandro Arigón/IPS

Rio de Janeiro, Brasil, 30/9/2013 – Em meio a rumores de que o aquecimento global se deteve nos últimos 15 anos, o novo informe do Grupo Internacional de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) indica que as três últimas décadas foram, sucessivamente, mais quentes do que qualquer outra desde 1850. O Resumo para Responsáveis por Políticas do informe do Grupo de Trabalho I – Bases de Ciência Física, foi divulgado no dia 27, em Estocolmo, na Suécia.

O texto completo, sem edições, será conhecido hoje e constitui o primeiro dos quatro volumes do Quinto Informe de Avaliação do IPCC. O aquecimento é “inequívoco”, afirma o IPCC. “A atmosfera e o oceano esquentam, a quantidade de neve e gelo diminui, o nível do mar sobe e as concentrações de gases-estufa aumentam”, destaca o estudo.

Para o especialista brasileiro em clima, Carlos Nobre, um dos autores principais do Quarto Informe de Avaliação, o novo relatório não dá “nenhuma razão para o otimismo. Cada uma das três últimas décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer outra desde 1850. No Hemisfério Norte, o período 1983-2012 representa, provavelmente, os 30 anos mais quentes dos últimos 1.400”, diz o novo resumo. Os dados “das temperaturas médias terrestres e da superfície do oceano, calculados como uma tendência linear, mostram um aquecimento de 0,85 grau no período 1880-2012”, acrescentou Nobre

A respeito da suposta pausa no aumento do calor, o IPCC afirma que “a taxa de aquecimento dos últimos 15 anos (1998-2012) – que foi de 0,05 grau por década e que começou com um potente El Niño (fase quente da Oscilação do Sul) – é menor do que a calculada entre 1951 e 2012, que foi de 0,12 grau por década”.

Entretanto, argumenta, “devido à variabilidade natural, as tendências baseadas em registros de períodos curtos são muito sensíveis às datas de começo e final, e não refletem, em geral, as tendências climáticas de longo prazo”. Resumindo, diz o documento, “é virtualmente certo (99% a 100% de certeza) que a troposfera esquenta desde meados do século 20”.

Nobre indicou à IPS que “o resumo observa com mais detalhe o que está mudando e reduz as incertezas com um conhecimento científico aperfeiçoado”. Além disso, confirma que as alterações do clima se originam principalmente nas ações humanas, destacou Nobre, secretário de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia.

A humanidade deverá se decidir a deixar grande parte dos combustíveis fósseis – responsáveis pela emissão de gases que esquentam a atmosfera – e passar para outras formas de energia renovável, advertiu Nobre. Tecnicamente, é possível, falta uma opção consciente de todos os países, ressaltou. “Essa transição tem um custo, mas que é cada vez menor do que o estimado há 15 anos. O problema não é a tecnologia, mas a decisão política”, acrescentou.

Para Carlos Rittl, coordenador do programa de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza), “embora o aquecimento tenha apresentado uma aparente estabilização quanto à temperatura média, os anos mais quentes foram registrados na última década. Isso não nos deixa em uma situação de conforto”.

O informe do IPCC, uma revisão das pesquisas científicas disponíveis, se baseou em trabalhos de 259 autores de 39 países, e contou com 54.677 comentários. Sua divulgação veio permeada de uma renovada onda mediática de dúvidas e rumores sobre a existência do aquecimento global.

Com base em diferentes trajetórias de emissão de gases-estufa, o resumo projeta para este final de século uma elevação da temperatura superior a 1,5 grau em relação ao período 1850-1900 em todos os cenários, menos no de menor concentração de gases. Também afirma que, provavelmente, o aumento exceda os dois graus até 2100 nos dois cenários de maior emissão de gases. O informe anterior, de 2007, previa aumento de dois graus, no melhor dos casos, e de até seis, no pior.

Após o fracasso da conferência intergovernamental de Copenhague, em dezembro de 2009, quando os países não conseguiram obter um acordo para reduzir a contaminação climática, foram redobrados os questionamentos ao IPCC, em particular por uma errônea estimativa do derretimento das geleiras do Himalaia. A informação “foi usada de forma irresponsável por quem nega o aquecimento global”, alertou Rittl.

Seis anos depois, há mais e melhores evidências científicas para estimar, por exemplo, quanto o derretimento de gelos contribui para a elevação do nível do mar. Até o final de 2100 a elevação média do mar oscilará entre 24 centímetros e 63 centímetros, segundo o melhor e o pior cenários de contaminação atmosférica. As chuvas “aumentarão nas regiões mais úmidas e diminuirão naquelas onde há escassez pluviométrica”, detalhou Rittl, que é doutor em ecologia.

No Brasil os exemplos são a árida região do Nordeste e as mais úmidas do Sul e Sudeste. A incidência de chuvas crescerá entre 1% e 3% em zonas do sul, segundo a velocidade do aquecimento, enquanto as áridas apresentarão padrões de seca mais severos. Todas as tendências confirmadas pelo informe são “alarmantes”, apontou Rittl. “Nós, humanos, somos responsáveis por essas mudanças, que vão piorar o cenário atual em que já há centenas de milhões de pessoas sofrendo escassez de água, de comida e de condições adequadas para sobreviver”, ressaltou.

O primeiro volume do Quinto Informe de Avaliação do IPCC é divulgado dois meses antes de acontecer em Varsóvia, na Polônia, a 19ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Nesse encontro deverá ser feito um esforço mundial para garantir a transição para uma economia baixa em dióxido de carbono, disse Nobre. “Este informe é um choque de realidade”, ressaltou.

Em sua opinião, o Brasil é um dos “poucos bons exemplos”, pois conseguiu reduzir em 38,4% suas emissões de gases-estufa entre 2005 e 2010, devido à queda no desmatamento da Amazônia. “O Brasil adotou compromissos voluntários, mas no global não há um acordo ambicioso”, explicou Nobre. Quanto mais tempo se demorar em “adotar ações concretas, mais difícil e improvável será conseguir uma trajetória sustentável de acomodação e adaptação à mudança climática”, enfatizou.

Rittl acredita que os governos devem enfrentar a mudança climática como um desafio nacional para o desenvolvimento, a inclusão social e a redução da pobreza. “É necessário lidar com os riscos e as oportunidades com muita responsabilidade”, concluiu.

Envolverde/IPS

Ahead of IPCC report, fossil-fuel groups organize climate denial campaign (Grist)

By , 20 Sep 2013 11:38 AM

tiny man, huge megaphone
Shutterstock
If only they would shut up.

Watch out: A tsunami of stupidity is due to crash over the world next Friday.

That’s when the Intergovernmental Panel on Climate Change will release a summary of its big new climate assessment report, the first since 2007. But that’s not the stupid part.

A global campaign funded by fossil-fuel interests has been steadily building to discredit the report. That’s where the stupidity comes in. From The Guardian:

Organisations that dismiss the science behind climate change and oppose curbs on greenhouse gas pollution have made a big push to cloud the release of the IPCC report, the result of six years of work by hundreds of scientists.

Those efforts this week extended to promoting the fiction of a recovery in the decline of Arctic sea ice.

The IPCC assessments, produced every six or seven years, are seen as the definitive report on climate change, incorporating the key findings from some 9,000 articles published in scientific journals.

Climate deniers are pushing their messages out through blogs as well as old-fashioned outlets like the Daily MailFrom Skeptical Science:

Like the way a picnic on a sunny afternoon in August tends to attract lots of annoying wasps, major events on the climate change timeline tend to see certain contrarian figures and organisations dialling up the rhetorical output.

This is frustrating yet it has over the years become quite predictable: arguing with some climate change contrarians is similar to attempting debate with a well-trained parrot. Imagine: the parrot has memorised some twenty statements that it can squawk out at random. Thus it will follow up on ‘no warming since 1997′ with ‘in the 1970s they said there’d be an ice-age’ and so on. Another piece in the UK-based Daily Mail’s Sunday edition of September 8th 2013, written by a figure familiar to Skeptical Science readers, Mail and Vanity Fair journalist David Rose, gives a classic example of such parroting. There’s another in the UK’s Daily Telegraph along remarkably similar lines (it could even be the same parrot).

Meanwhile, the Koch-funded Heartland Institute has already published a compilation of lies in its own preemptive report. Its “experts” are so desperate to get their climate-denying messages out that they would probably turn up at your kid’s birthday party if you asked them nicely enough.

The news here is predictable but not terrible. Scientists and activists are doing better jobs of organizing communication strategies in the face of anti-science blather. From Inside Climate News:

Dozens of prominent scientists involved with drafting IPCC reports formed a Climate Science Rapid Response Team that punches back against misleading claims about climate research.

Kevin Trenberth is part of that team as well as a climate scientist at the National Center for Atmospheric Research and an author and editor on the forthcoming IPCC report. He explained that nearly every time there is a scientific paper linking man-made carbon dioxide emissions to climate change, the “denial-sphere” immediately responds with accusations that the research is wrong.

“The scientists get nasty emails. Certain websites comment. … So a bunch of us formed this rapid response team to deflate these arguments.” The group has been very busy in recent weeks.

Although those who make a living by denying climate science are screaming as loudly as ever, most people are getting better at tuning out their histrionics. Again from the Inside Climate News article:

Cindy Baxter, a longtime climate campaigner, said she thinks climate skeptics “are getting more shrill, but getting less notice,” because Americans are more convinced that global warming is real.

“Hurricane Sandy. Droughts. Flooding. Wildfires. People are feeling the effects of climate change. That makes it harder to deny,” said Baxter, who is also a co-author of Greenpeace’s new report Dealing in Doubt, which chronicles the history of climate skeptic campaigns. Polls say a larger majority of Americans from both parties see recent waves of deadly weather as a sign of climate change.

Unfortunately, this denier campaign will be around for a while. The IPCC report due out next Friday is just the first of four scheduled to be released over the coming year. Maybe after the final one comes out, the denial pushers will finally potter off to find new work, perhaps as baby-seal clubbers, orphan poisoners, or textbook reviewers for the Texas State Board of Education.

John Upton is a science fan and green news boffin who tweets, posts articles to Facebook, and blogs about ecology. He welcomes reader questions, tips, and incoherent rants: johnupton@gmail.com.

Sociological explanations for climate change denial (resilience.org)

by Olga Bonfiglio, originally published by Energy Bulletin  | MAR 17, 2012

Talk about climate change seems to be a taboo subject in America today.

Three years ago promises by both major political parties to do something have gone by the wayside while today’sRepublican presidential candidates reject evidence that humans are responsible for the warming of the earth

The mainstream media routinely report on extreme weather, like this winter’s high temperatures and last summer’s droughts, but reporters and commentators typically veer away from connecting it to climate change.

Last October, the New York Times reported that those who believed the Earth was warming dropped from 79 percent in 2006 to 59 percent.  However, a month laterpolling experts blamed this decline on a collapse in media coverage and pollsters’ deeply flawed questions.

It turns out that the United States is one of the few countries in the world still quibbling over climate change, and its influence is stymieing progress at environmental summits like Durbin (2011), Cancun (2010), and Copenhagen (2009).

What’s going on?

As you may expect, it’s about money, politics, culture and media bias.

Ron Kramer, a sociologist at Western Michigan University, has been studying how sociological and cultural factors are preventing Americans from talking about or acting on climate change.  He drew on the research of sociologist Stanley Cohen, professor emeritus at the London School of Economics, who says that denial “refers to the maintenance of social worlds in which an undesirable situation (event, condition, phenomenon) is unrecognized, ignored or made to seem normal.”

He cites three categories of denial:

  • literal denial is: “the assertion that something did not happen or is not true.”
  • With an interpretive denial, the basic facts are not denied, however, “…they are given a different meaning from what seems apparent to others.” People recognize that something is happening but that it’s good for us.
  • Implicatory denial “covers the multitude of vocabularies, justifications, rationalizations, evasions that we use to deal with our awareness of so many images of unmitigated suffering.” Here, “knowledge itself is not an issue. The genuine challenge is doing the ‘right’ thing with this knowledge.”

Through literal and interpretive denial, climate change deniers declare that the earth is not warming even though 98 percent of our scientists have written thousands of peer-reviewed papers and reports concluding that climate change is real and caused by human activity.

Actually, deniers are organized by conservative think tanks funded by the fossil fuel industry that attempt to create doubt about climate science and block actions that would reduce greenhouse gas emissions and create clean energy alternatives.

To do this they use conspiracy theories and “fake” experts with no background in climate science.  They insist on absolute certainty, cherry-pick the data and ignore the larger body of evidence or misrepresent data and promote logical fallacies like “the climate has changed in the past, therefore current change is natural.”

“Creating doubt blocks any action,” said Kramer.  “This is the same tactic the tobacco industry used to deny that smoking was harmful to people’s health. And, some of the same people are now doing this with climate change.”

The “conservative climate change denial counter-movement,” as Kramer calls it, was led by the George W. Bush administration and congressional Republicans who obstruct and manipulate the political system to promote their view.  They are complemented by right-wing media outlets such as Fox News and Rush Limbaugh.  The mainstream media’s “balancing norm” practice then allows the denialists to be placed on par with the climate scientists.

The rationale behind this counter-movement is that corporations make money if Americans continue their materialistic attitudes and practices so they lobby politicians to protect their interests and they fund think tanks that accuse “eco-scientists” of destroying capitalism, as revealed by the New YorkTimes.

Corporations provide research monies to university scientists, who rely on them as support from state legislatures and benefactors dwindles.  They advance narratives that people from other parts of the world are worse off than Americans, so we don’t have to change.  They make claims to virtue on TV ads about all they are doing for the environment (a.k.a. “greenwashing”).  And, they argue that doing something about global warming will cost too much and cause them to lose their competitive edge.

Research shows that conservative white males are more likely to espouse climate change denial than other groups for two reasons.  They tend to filter out any information that is different from their already-held worldview because it threatens the identity, status and esteem they receive by being part of their group, he said.  Sociologists call this “Identity Protective Cognition.”

Secondly, conservative white males have a stronger need to justify the status quo and resist attempts to change it.  Sociologists call this “System Justification.”

For example, successful conservative white males stridently defend the capitalist system because it has worked well for them. For anyone to imply the system is not functioning is an unfathomable impossibility akin to blasphemy. [Climatewire via Scientific American]

“Identity Protective Cognition” should also inform environmental activists that the information deficit model of activism is not always a good approach, warned Kramer.  Just providing more information may not change anyone’s views given their commitment to a particular cultural worldview.

In implicatory denial people recognize that something untoward is happening but they fail to act because they are emotionally uncomfortable or troubled about it.

For example, there are the people who are aware of climate change and have some information about it, but take no action, make no behavioral changes and remain apathetic.

This response occurs when people confront confusing and conflicting information from political leaders and the media.  Consequently, they have yet another reason for denial—or they believe the problem can be overcome with technology and they can go on with their lives.

“At some level people understand that climate change can alter human civilization, but they feel a sense of helplessness and powerlessness at the prospect,” said Kramer.  “Others feel guilty that they may have caused the problem.”

Several cultural factors also thwart any decisive action on climate change, said Kramer.

Americans have a tendency toward “anti-intellectualism,” so “nerdy” climate scientists are easily suspect.

Our strong sense of “individualism” helps us strive toward our individual goals, but it likewise keeps us from joining together to do something about climate change.  They ask:  “What good does it do to recycle or drive less when we have such a huge, complex problem as climate change?”

“American exceptionalism” celebrates the American way of life, which has given us a vast bounty of wealth and material goods.  We want to continue this life and, in fact, deserve it.  Nothing bad will happen to us.

Finally, “political alienation” keeps us from trusting our political system to tackle the problem.

“What we ultimately need is international agreement about what to do about climate change,” said Kramer.  “Nothing will happen, however, until the United States commits to doing something.”

What to do about climate change?

Kramer believes we should regard climate change as a matter of social justice and not just science because the people most affected by it are not the ones who created it.

North American and European lifestyles, which are based on easy and cheap access to fossil fuels for energy, agriculture and consumer products have inadvertently caused much suffering, poverty and environmental degradation to the people of the Global South.

To illustrate, analysts at Maplecroft have produced a map that measures of the risk of climate change impacts and the social and financial ability of communities and governments to cope with it.  The most vulnerable nations are Haiti, Bangladesh and Zimbabwe.

Second, Kramer emphasized the moral obligation we have to future generations and other species.  Simply put, we must reduce our use of fossil fuels that are largely responsible for emitting greenhouse gases into the atmosphere and causing extreme weather conditions like hurricanes, floods, drought, tsunami, earthquakes, heat waves, warm winters and melting polar ice caps.

Again, people’s lives, livelihoods and communities are affected and it shouldn’t escape notice that human encroachment on animal habitats is contributing to massive species losses, what some call the Sixth Great Extinction.  Criminologists are grappling with the language characterizing this wonton disregard with words like “ecocide” and “biocide.”

Kramer suggests that we shift our lifestyles from a culture based on materialistic consumption to a culture based on the caretaking of the Earth, as advocated by Scott Russell Sanders in A Conservationist Manifesto (2009).  Sanders asks such questions as (see a video with Sanders)

  • What would a truly sustainable economy look like?
  • What responsibilities do we bear for the well-being of future generations?
  • What responsibilities do we bear toward Earth’s millions of other species?
  • In a time of ecological calamity and widespread human suffering, how should we imagine a good life?

Third, Kramer calls for a more “prophetic imagination” as put forward by Walter Brueggeman, a theologian and professor emeritus at Columbia Theological Seminary, where we take a reasoned approach and face the realities of climate change, confront the truth, “penetrate the numbness and despair,” and avoid drowning in our sense of loss and grief that is paralyzing us from action.

Such an approach can give voice to a “hope-filled responsibility” where people are empowered to act rather than left listless and inattentive.

“It’s not about someone being responsible, but all of us,” said Kramer, “because we are all affected by climate change.”

One major way we can do that is by reducing greenhouse gas emissions—and we have a way to measure our progress.

Bill McKibben, author of The End of Nature (1988), one of the first popularized books about global warming, contends that rising counts in greenhouse gas emissions are threatening our world.  Today, we are at 400 parts per million (ppm) and heading toward 550-650 ppm compared to pre-industrial counts that measured at 275 ppm.  McKibben advocates a goal of 350 ppm and has encouraged people in 188 countries to reduce carbon emissions in their communities.  (See the video explaining this charge.)

However, can people really be motivated to act given the complexity of the problem?

Kramer harkens to Howard Zinn’s autobiographical book, You Can’t Be Neutral on a Moving Train (1994).  In it Zinn says that we have to “look to history” to see that people working at the grassroots level were able to make change despite tremendous and entrenched obstacles.  It was people who ended slavery and Apartheid, liberated India, dismantled the Soviet Union and initiated the Arab Spring of 2011.  (See a video with Zinn)

“Climate change is a political issue” Kramer insisted.  “We know what to do.  We know that we need to mitigate the carbon emissions from fossil fuels.  What we lack is the political will and the mechanisms to move forward.”

Kramer insisted that climate change is not a party or ideological issue but rather a humanity issue.

“Planet Earth will survive,” he concluded, “but will human civilization?”

Quinto relatório do IPCC: repercussão

Documento divulgado nesta sexta (27/09) afirma que a temperatura do planeta pode subir quase 5 °C durante este século, o que poderá elevar o nível dos oceanos em até 82 centímetros (foto do Oceano Ártico: Nasa)

Especiais

Quinto relatório do IPCC mostra intensificação das mudanças climáticas

27/09/2013

Por Karina Toledo, de Londres

Agência FAPESP – Caso as emissões de gases do efeito estufa continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século – o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

O alerta foi feito pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que divulgaram no dia 27 de setembro, em Estocolmo, na Suécia, a primeira parte de seu quinto relatório de avaliação (AR5). Com base na revisão de milhares de pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o documento apresenta as bases científicas da mudança climática global.

De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos seis brasileiros que participaram da elaboração desse relatório, foram simulados quatro diferentes cenários de concentrações de gases de efeito estufa, possíveis de acontecer até o ano de 2100 – os chamados “Representative Concentration Pathways (RCPs)”.

“Para fazer a previsão do aumento da temperatura são necessários dois ingredientes básicos: um modelo climático e um cenário de emissões. No quarto relatório (divulgado em 2007) também foram simulados quatro cenários, mas se levou em conta apenas a quantidade de gases de efeito estufa emitida. Neste quinto relatório, nós usamos um sistema mais completo, que leva em conta os impactos dessas emissões, ou seja, o quanto haverá de alteração no balanço de radiação do sistema terrestre”, explicou Artaxo, que está em Londres para a FAPESP Week London, onde participou de um painel sobre mudança climática.

O balanço de radiação corresponde à razão entre a quantidade de energia solar que entra e que sai de nosso planeta, indicando o quanto ficou armazenada no sistema terrestre de acordo com as concentrações de gases de efeito estufa, partículas de aerossóis emitidas e outros agentes climáticos.

O cenário mais otimista prevê que o sistema terrestre armazenará 2,6 watts por metro quadrado (W/m2) adicionais. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre poderia variar entre 0,3 °C e 1,7 °C de 2010 até 2100 e o nível do mar poderia subir entre 26 e 55 centímetros ao longo deste século.

“Para que esse cenário acontecesse, seria preciso estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa nos próximos 10 anos e atuar para sua remoção da atmosfera. Ainda assim, os modelos indicam um aumento adicional de quase 2 °C na temperatura – além do 0,9 °C que nosso planeta já aqueceu desde o ano 1750”, avaliou Artaxo.

O segundo cenário (RCP4.5) prevê um armazenamento de 4,5 W/m2. Nesse caso, o aumento da temperatura terrestre seria entre 1,1 °C e 2,6 °C e o nível do mar subiria entre 32 e 63 centímetros. No terceiro cenário, de 6,0 W/m2, o aumento da temperatura varia de 1,4 °C até 3,1 °C e o nível do mar subiria entre 33 e 63 centímetros.

Já o pior cenário, no qual as emissões continuam a crescer em ritmo acelerado, prevê um armazenamento adicional de 8,5 W/m2. Em tal situação, segundo o IPCC, a superfície da Terra poderia aquecer entre 2,6 °C e 4,8 °C ao longo deste século, fazendo com que o nível dos oceanos aumente entre 45 e 82 centímetros.

“O nível dos oceanos já subiu em média 20 centímetros entre 1900 e 2012. Se subir outros 60 centímetros, com as marés, o resultado será uma forte erosão nas áreas costeiras de todo o mundo. Rios como o Amazonas, por exemplo, sofrerão forte refluxo de água salgada, o que afeta todo o ecossistema local”, disse Artaxo.

Segundo o relatório AR5 do IPCC, em todos os cenários, é muito provável (90% de probabilidade) que a taxa de elevação dos oceanos durante o século 21 exceda a observada entre 1971 e 2010. A expansão térmica resultante do aumento da temperatura e o derretimento das geleiras seriam as principais causas.

O aquecimento dos oceanos, diz o relatório, continuará ocorrendo durante séculos, mesmo se as emissões de gases-estufa diminuírem ou permanecerem constantes. A região do Ártico é a que vai aquecer mais fortemente, de acordo com o IPCC.

Segundo Artaxo, o aquecimento das águas marinhas tem ainda outras consequências relevantes, que não eram propriamente consideradas nos modelos climáticos anteriores. Conforme o oceano esquenta, ele perde a capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Se a emissão atual for mantida, portanto, poderá haver uma aceleração nas concentrações desse gás na atmosfera.

“No relatório anterior, os capítulos dedicados ao papel dos oceanos nas mudanças climáticas careciam de dados experimentais. Mas nos últimos anos houve um enorme avanço na ciência do clima. Neste quinto relatório, por causa de medições feitas por satélites e de observações feitas com redes de boias – como as do Projeto Pirata que a FAPESP financia no Atlântico Sul –, a confiança sobre o impacto dos oceanos no clima melhorou muito”, afirmou Artaxo.

Acidificação dos oceanos

Em todos os cenários previstos no quinto relatório do IPCC, as concentrações de CO2 serão maiores em 2100 em comparação aos níveis atuais, como resultado do aumento cumulativo das emissões ocorrido durante os séculos 20 e 21. Parte do CO2 emitido pela atividade humana continuará a ser absorvida pelos oceanos e, portanto, é “virtualmente certo” (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar. No melhor dos cenários – o RCP2,6 –, a queda no pH será entre 0,06 e 0,07. Na pior das hipóteses – o RCP8,5 –, entre 0,30 e 0,32.

“A água do mar é alcalina, com pH em torno de 8,12. Mas quando absorve CO2 ocorre a formação de compostos ácidos. Esses ácidos dissolvem a carcaça de parte dos microrganismos marinhos, que é feita geralmente de carbonato de cálcio. A maioria da biota marinha sofrerá alterações profundas, o que afeta também toda a cadeia alimentar”, afirmou Artaxo.

Ao analisar as mudanças já ocorridas até o momento, os cientistas do IPCC afirmam que as três últimas décadas foram as mais quentes em comparação com todas as anteriores desde 1850. A primeira década do século 21 foi a mais quente de todas. O período entre 1983 e 2012 foi “muito provavelmente” (90% de probabilidade) o mais quente dos últimos 800 anos. Há ainda cerca de 60% de probabilidade de que tenha sido o mais quente dos últimos 1.400 anos.

No entanto, o IPCC reconhece ter havido uma queda na taxa de aquecimento do planeta nos últimos 15 anos – passando de 0,12 °C por década (quando considerado o período entre 1951 e 2012) para 0,05°C (quando considerado apenas o período entre 1998 e 2012).

De acordo com Artaxo, o fenômeno se deve a dois fatores principais: a maior absorção de calor em águas profundas (mais de 700 metros) e a maior frequência de fenômenos La Niña, que alteram a taxa de transferência de calor da atmosfera aos oceanos. “O processo é bem claro e documentado em revistas científicas de prestígio. Ainda assim, o planeta continua aquecendo de forma significativa”, disse.

Há 90% de certeza de que o número de dias e noites frios diminuíram, enquanto os dias e noites quentes aumentaram na escala global. E cerca de 60% de certeza de que as ondas de calor também aumentaram. O relatório diz haver fortes evidências de degelo, principalmente na região do Ártico. Há 90% de certeza de que a taxa de redução da camada de gelo tenha sido entre 3,5% e 4,1% por década entre 1979 e 2012.

As concentrações de CO2 na atmosfera já aumentaram mais de 20% desde 1958, quando medições sistemáticas começaram a ser feitas, e cerca de 40% desde 1750. De acordo com o IPCC, o aumento é resultado da atividade humana, principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, havendo uma pequena participação da indústria cimenteira.

Para os cientistas há uma “confiança muito alta” (nove chances em dez) de que as taxas médias de CO2, metano e óxido nitroso do último século sejam as mais altas dos últimos 22 mil anos. Já mudanças na irradiação solar e a atividade vulcânica contribuíram com uma pequena fração da alteração climática. É “extremamente provável” (95% de certeza) de que a influência humana sobre o clima causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010.

“Os efeitos da mudança climática já estão sendo sentidos, não é algo para o futuro. O aumento de ondas de calor, da frequência de furacões, das inundações e tempestades severas, das variações bruscas entre dias quentes e frios provavelmente está relacionado ao fato de que o sistema climático está sendo alterado”, disse Artaxo.

Impacto persistente

Na avaliação do IPCC, muitos aspectos da mudança climática vão persistir durante muitos séculos mesmo se as emissões de gases-estufa cessarem. É “muito provável” (90% de certeza) que mais de 20% do CO2 emitido permanecerá na atmosfera por mais de mil anos após as emissões cessarem, afirma o relatório.

“O que estamos alterando não é o clima da próxima década ou até o fim deste século. Existem várias publicações com simulações que mostram concentrações altas de CO2 até o ano 3000, pois os processos de remoção do CO2 atmosférico são muito lentos”, contou Artaxo.

Para o professor da USP, os impactos são significativos e fortes, mas não são catastróficos. “É certo que muitas regiões costeiras vão sofrer forte erosão e milhões de pessoas terão de ser removidas de onde vivem hoje. Mas claro que não é o fim do mundo. A questão é: como vamos nos adaptar, quem vai controlar a governabilidade desse sistema global e de onde sairão recursos para que países em desenvolvimento possam construir barreiras de contenção contra as águas do mar, como as que já estão sendo ampliadas na Holanda. Quanto mais cedo isso for planejado, menores serão os impactos socioeconômicos”, avaliou.

Os impactos e as formas de adaptação à nova realidade climática serão o tema da segunda parte do quinto relatório do IPCC, previsto para ser divulgado em janeiro de 2014. O documento contou com a colaboração de sete cientistas brasileiros. Outros 13 brasileiros participaram da elaboração da terceira parte do AR5, que discute formas de mitigar a mudança climática e deve sair em março.

De maneira geral, cresceu o número de cientistas vindos de países em desenvolvimento, particularmente do Brasil, dentro do IPCC. “O Brasil é um dos países líderes em pesquisas sobre mudança climática atualmente. Além disso, o IPCC percebeu que, se o foco ficasse apenas nos países desenvolvidos, informações importantes sobre o que está acontecendo nos trópicos poderiam deixar de ser incluídas. E é onde fica a Amazônia, um ecossistema-chave para o planeta”, disse Artaxo.

No dia 9 de setembro, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou o sumário executivo de seu primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1). O documento, feito nos mesmos moldes do relatório do IPCC, indica que no Brasil o aumento de temperatura até 2100 será entre 1 °C e 6 °C, em comparação à registrada no fim do século 20. Como consequência, deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

“A humanidade nunca enfrentou um problema cuja relevância chegasse perto das mudanças climáticas, que vai afetar absolutamente todos os seres vivos do planeta. Não temos um sistema de governança global para implementar medidas de redução de emissões e verificação. Por isso, vai demorar ainda pelo menos algumas décadas para que o problema comece a ser resolvido”, opinou Artaxo.

Para o pesquisador, a medida mais urgente é a redução das emissões de gases de efeito estufa – compromisso que tem de ser assumido por todas as nações. “A consciência de que todos habitamos o mesmo barco é muito forte hoje, mas ainda não há mecanismos de governabilidade global para fazer esse barco andar na direção certa. Isso terá que ser construído pela nossa geração”, concluiu.

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JC e-mail 4822, de 27 de Setembro de 2013.

IPCC lança na Suécia novo relatório sobre as mudanças climáticas (O Globo)

O documento reúne previsões do aquecimento global até 2100 apontando aumento de temperatura superior a 2 graus. ‘A influência humana no clima é clara’, diz trabalho

A previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) é que o aquecimento global até o final do século 21 seja “provavelmente superior” a 2 graus (com pelo menos 66% de chances disto acontecer), superando o limite considerado seguro pelos especialistas. Até 2100, o nível do mar deve aumentar perigosamente de 45 a 82 centímetros, considerando o pior cenário (ou de 26 a 55 centímetros, no melhor), e o gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão local.

Além disso, o relatório do IPCC — publicado na manhã desta sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, com as bases científicas mais atualizadas sobre as mudanças climáticas — considera que há mais de 95% de certeza para afirmar que o homem causou mais da metade da elevação média da temperatura entre 1951 e 2010. Neste período, o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros.

O documento, com o trabalho de 259 cientistas e representantes dos governos de 195 países, inclusive o Brasil, ressalta que parte das emissões de CO2 provocadas pelo homem continuará a ser absorvida pelos oceanos. Por isso, é praticamente certo (99% de probabilidade) que a acidificação dos mares vai aumentar, afetando profundamente a vida marinha.

– A mudança de temperatura da superfície do planeta deve exceder 1,5 grau, e, provavelmente, será superior a 2 graus – disse o copresidente do trabalho Thomas Stocker. – É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções.

Os especialistas fizeram quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Em todas, há aumento de temperatura. As mais brandas ficam entre 0,3 ºC e 1,7 ºC. Nestes casos, seria necessário diminuir muito as emissões. Já no cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria entre 2,6 ºC e 4,8 ºC.

– Na minha opinião, o relatório é muito bom, repleto de informações e todas muito bem fundamentadas – comentou a especialista brasileira Suzana Kahn, que faz parte do grupo de pesquisadores do IPCC em Estocolmo. – No fundo, o grande ganho é a comprovação do que tem sido dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e aerossóis. Isto é muito importante para o mundo científico, pois aponta para áreas que precisam ser mais investigadas.

Suzana conta que a dificuldade de fazer projeções e análises para o Hemisfério Sul causou muita polêmica. O grande problema é a falta de dados:

– Acho que isto foi interessante para comprovar que estávamos certos ao criar o Painel Brasileiro de Mudança Climática para suprir esta lacuna.

De acordo com Carlos Rittl, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energias do WWF-Brasil, o relatório do IPCC deixa uma mensagem clara: o aquecimento global é incontestável. E é preciso começar agora contra os piores efeitos.

– O relatório do IPCC reafirma algumas certezas e vai além. Aponta a perda de massa de gelo, o aumento do nível dos oceanos, o incremento de chuvas onde já se chove muito, além da diminuição da umidade nas regiões mais áridas. No Brasil, o semiárido pode se tornar mais árido. Por outro lado, o Sul e Sudeste podem ter mais chuvas do que hoje – enumerou Rittl. – É importante ressaltar que o relatório fala de médias. Ou seja, em algumas regiões do país pode haver aumento de seis graus, com picos de mais de oito graus. A gente não está preparado para isso. E nossas emissões nos colocam numa trajetória de altíssimo risco, mais próxima dos piores cenários.

Para Rittl, a ciência está dando uma mensagem clara: é preciso diminuir as emissões. Isso significa levar os temas relacionados às mudanças climáticas para as decisões políticas:

– Hoje o aquecimento global ainda é um tema marginal. Os investimentos em infraestrutura, energia, o plano Safra, todos os grandes investimentos da escala de trilhões de reais não têm praticamente nenhuma vinculação com a lógica de baixo carbono. Estamos sendo pouco responsáveis.

Diplomacia e ciência
John Kerry, secretário de Estado dos EUA, ressalta que o relatório do IPCC não deve ser esquecido num armário, nem interpretado como uma peça política feita por políticos: “é ciência”, resume. De acordo com ele, os Estados Unidos estão “profundamente comprometidos em combater as mudanças climáticas”, reduzindo emissões de gases-estufa e investindo em formas eficientes de energia.

Este é mais um chamado de atenção: aqueles que negam a ciência ou procuram desculpas para evitar a ação estão brincando com fogo – afirmou Kerry. – O resumo do relatório do IPCC é este: a mudança climática é real, está acontecendo agora, os seres humanos são a causa dessa transformação, e somente a ação dos seres humanos pode salvar o mundo de seus piores impactos.

Lançado a cada seis anos, os relatórios do IPCC estão sob críticas de especialistas. O processo de análise dos documentos por representantes do governo acaba chegando a uma situação intermediária entre diplomacia e ciência, explica Emilio La Rovere, pesquisador da Coppe/UFRJ.

– O resultado é um meio termo entre diplomacia e ciência – afirmou Rovere.
Um dos pontos mais polêmicos são os chamados hiatos, períodos de cerca de 15 anos em que a temperatura média do planeta não aumenta. Por exemplo, a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha anunciou, nesta semana, que o último trimestre na Península Ibérica foi o menos quente desde 2008. Entretanto, o relatório de 2007 do IPCC não citou estas pausas do aquecimento, dando argumento aos céticos.

Limite do aquecimento global
As informações do IPCC são importantes para a criação de estratégias de combate às mudanças climáticas. Na Convenção do Clima da Dinamarca (COP-15, realizada em 2009), foi criada a meta de limitar o aquecimento global em 2 graus. Para isso acontecer em 2050, explica Emilio La Rovere, da Coppe/UFRJ, seria necessário cortar 80% das emissões em comparação com 1990:

– Os modelos matemáticos simulando evolução demográfica, economia mundial, demanda e oferta de energia mostram que fica realmente quase impossível atingir este objetivo.

Este é o Quinto Relatório do IPCC, que será lançado em quatro partes, entre setembro de 2013 e novembro de 2014. Nesta sexta-feira, foi publicado o documento do Grupo de Trabalho I (sobre os aspectos científicos das mudanças climáticas). Entre os dias 25 e 29 de março de 2014, será a vez do Grupo de Trabalho II (analisando os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade), que se reunirá em Yokohama, no Japão. O Grupo de Trabalho III (especializado na mitigação dos impactos das mudanças climáticas) está previsto para os dias 7 e 11 de abril em Berlim, na Alemanha. Por fim, será criado um relatório síntese, cujos trabalhos ocorrerão entre os dias 27 e 31 de outubro, em Copenhague, na Dinamarca.

(Cláudio Motta/O Globo)

http://oglobo.globo.com/ciencia/ipcc-lanca-na-suecia-novo-relatorio-sobre-as-mudancas-climaticas-10173671#ixzz2g6D6tmU6

Matéria complementar de O Globo:

Relatório destaca como a ação humana agrava o aquecimento
http://oglobo.globo.com/ciencia/relatorio-destaca-como-acao-humana-agrava-aquecimento-1-10171896#ixzz2g6MfZIsl

Veja mais em:

Folha de S.Paulo
Relatório sobe tom de alerta sobre aquecimento
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/131005-relatorio-sobe-tom-de-alerta-sobre-aquecimento.shtml

Agência Estado
ONU culpa atividades humanas por aquecimento global
http://www.territorioeldorado.limao.com.br/noticias/not297255.shtm

Zero Hora
Temperatura da Terra subirá entre 0,3°C e 4,8°C neste século, aponta IPCC
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/planeta-ciencia/noticia/2013/09/temperatura-da-terra-subira-entre-0-3c-e-4-8c-neste-seculo-aponta-ipcc-4283083.html

Correio Braziliense
Temperatura do planeta subirá entre 0,3 e 4,8ºC no século 21, diz IPCC
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2013/09/27/interna_ciencia_saude,390388/temperatura-do-planeta-subira-entre-0-3-e-4-8-c-no-seculo-21-diz-ipcc.shtml

 

Por trás do desmatamento da Amazônia (Fapesp)

Mais de 50% das emissões de gases de efeito estufa do bioma são causados pela demanda do restante do país e do exterior por insumos produzidos na região, aponta estudo feito na USP (Nasa)

Especiais

20/09/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – O consumo interno do Brasil e as exportações de soja, carne bovina e outros produtos primários provenientes da Amazônia são responsáveis por mais da metade das taxas de desmatamento e, consequentemente, das emissões de gases de efeito estufa (GEE) registradas pelo bioma.

A avaliação é de um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), no âmbito de um Projeto Temático, realizado no Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Os resultados do estudo foram apresentados no dia 12 de setembro durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima), realizada pela FAPESP em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), em São Paulo.

“Mais da metade das emissões de GEE da Amazônia acontecem por conta da demanda de consumo fora da região, para abastecimento interno do país ou para exportação”, disse Joaquim José Martins Guilhoto, professor da FEA e um dos pesquisadores participantes do projeto.

De acordo com dados apresentados pelo pesquisador, obtidos do segundo Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa – publicado no final de 2010, abrangendo o período de 1990 a 2005 –, em 2005 o Brasil emitiu mais de 2,1 gigatoneladas de CO2 equivalente. A Amazônia contribui com mais de 50% das emissões de GEE do país.

A fim de identificar e entender os fatores econômicos causadores do desmatamento e, por conseguinte, das emissões de GEE na Amazônia naquele ano, os pesquisadores fizeram um mapeamento das emissões diretas por atividade produtiva separando a Região Amazônica do restante do Brasil e calcularam a parcela de contribuição de cada um na emissão de CO2 equivalente, assim como a participação das exportações.

Os cálculos revelaram que as exportações diretas da Amazônia são responsáveis por 16,98% das emissões de GEE da região. Já as exportações do resto do país são responsáveis por mais 6,29% das emissões da Amazônia, uma vez que há produtos provenientes da região que são processados e exportados por outros estados brasileiros.

O consumo interno, por sua vez, responde por 46,13% das emissões amazônicas, sendo 30,01% pelo consumo no restante do país e 16,12% pelo consumo dentro da própria Região Amazônica, aponta o estudo.

“A soma desses percentuais demonstra que mais de 50% das emissões de GEE da Amazônia ocorrem por conta do consumo de bens produzidos na região, mas consumidos fora dela”, afirmou Guilhoto. “Essa constatação indica que os fatores externos são mais importantes para explicar as emissões de GEE pela Amazônia.”

Segundo o estudo, a pecuária, a produção de soja e de outros produtos agropecuários são os setores produtivos que mais contribuem para as emissões de GEE pela Amazônia. Mas, além deles, há outros setores econômicos, como o de mobiliário, entre outros, que são fortemente dependentes de insumos produzidos na região.

“Os dados obtidos no estudo mostram que, de modo geral, apesar de haver uma dependência muito maior da Amazônia pelos insumos produzidos pelo resto do Brasil, a pouca dependência que o resto do Brasil tem do bioma se dá em insumos fortemente relacionados com a emissão de GEE na região”, resumiu Guilhoto.

Redução do desmatamento

Em outro estudo também realizado por pesquisadores da FEA, no âmbito do Projeto Temático, constatou-se que entre 2002 e 2009 houve uma grande expansão da área de produção agropecuária brasileira e, ao mesmo tempo, uma redução drástica das taxas de desmatamento da Amazônia.

A cana-de-açúcar, a soja e o milho responderam por 95% da expansão líquida da área colhida entre 2002 e 2009, enquanto o rebanho bovino teve um acréscimo de 26 milhões de cabeças de gado. Nesse mesmo período a Amazônia registrou uma queda de 79% do desmatamento.

A fim de investigar os principais vetores do desmatamento no país, uma vez que boa parte dos eventos de expansão agropecuária ocorre fora da Amazônia, os pesquisadores fizeram um estudo usando análises espaciais integradas do território brasileiro, incluindo os seis biomas do país.

Para isso, utilizaram dados sobre desmatamento obtidos do Projeto Prodes, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), além de imagens georreferenciadas obtidas dos satélites Landsat, da agência espacial norte-americana Nasa.

O estudo revelou que, no período de 2002 a 2009, foram desmatados 12,062 milhões de hectares da Amazônia, 10,015 milhões de hectares do Cerrado, 1,846 milhão de hectares da Caatinga, 447 mil hectares do Pantanal, 375 mil hectares da Mata Atlântica e 257 mil hectares do Pampa.

“A soma desses números indica que o Brasil desmatou em sete anos o equivalente ao Estado de São Paulo mais o Triângulo Mineiro ou uma Grã-Bretanha”, calculou Rafael Feltran-Barbieri, pesquisador da FEA e um dos autores do estudo.

De acordo com o pesquisador, uma das principais conclusões do estudo foi que os outros biomas estão funcionando como uma espécie de “amortecedor” do desmatamento da Amazônia.

“Quando consideramos a expansão agropecuária do Brasil como um todo, vemos que boa parte da redução das taxas de desmatamento da Amazônia se deve ao fato de que os outros biomas estão sofrendo essas consequências [registrando aumento no desmatamento]”, afirmou.

Outra conclusão do estudo é de que há um impacto espacial sinérgico dos vetores do desmatamento no Brasil, uma vez que a expansão das diversas atividades agropecuárias – como o cultivo da cana e da soja ou a criação de gado – ocorre de forma concomitante e disputa território.

No caso da cana-de-açúcar, uma das constatações foi que, no período de 2002 a 2009, a cultura passou a ocupar áreas desmatadas por outras atividades agropecuárias, embora ela própria não tenha vocação para desmatar.

“Estamos percebendo que existe uma formação quase complementar entre as expansões [nos diferentes biomas] e isso faz com que os efeitos de desmatamento sejam altamente correlacionados”, disse Feltran-Barbieri.

“Essa constatação leva à conclusão de que, se o Brasil pretende assumir uma posição de fato responsável em relação às mudanças climáticas – e disso depende a agropecuária –, é preciso fazer planejamento estratégico do território, porque o planejamento setorial não está dando conta de compreender esses efeitos sinérgicos”, avaliou.

Painel do clima da ONU sobe alerta para aquecimento global (Folha de S.Paulo)

27/09/2013 – 05h07

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Atualizado às 09h47.

Quem esperava ver o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) emitir um relatório mais enfraquecido em razão da recente desaceleração no aquecimento global, testemunhou os cientistas da entidade subirem o tom de alerta, destacando uma subida acelerada no nível do mar e no derretimento do Ártico.

Além de manter que a mudança climática é “inequívoca”, o documento mostra projeções para o futuro com um grau de certeza melhorado. “A atmosfera e o oceano se aqueceram, a quantidade de neve e gelo diminuiu, o nível do mar subiu, e as concentrações de gases-estufa aumentaram”, diz o Sumário para Formuladores de Política, a seção do documento divulgada nesta manhã.

Mensageiro Sideral: Que diabos acontece com nosso planeta?

No final deste século, a temperatura média da superfície terrestre provavelmente vai exceder um aumento médio de 1,5°C até 2100, em relação à média de 1850 a 1900. Isso vale para todos os cenários considerados exceto o mais otimista, no qual emissões de gases estufa sofrem cortes drásticos, atingindo um pico daqui a dez anos e caindo para zero 50 anos depois.

Em um cenário intermediário, no qual as emissões dobram até 2060 e recuam a um nível maior que o atual antes de 2100, a temperatura provavelmente excederá um aumento de 2°C, limite considerado perigoso por cientistas.

Manifestantes gritam em protesto em Estocolmo, onde foi divulgado o novo relatório do painel do clima da ONU

No pior cenário, um no qual a humanidade triplica a emissão de gases do efeito estufa até 2100, a temperatura média provavelmente subiria até 4,8°C.

A palavra “provavelmente”, na linguagem do painel, significa uma propensão acima de 66%, a melhor confiabilidade possível para projeções futuras, baseadas em modelos matemáticos de simulação do clima.

Ao avaliar o efeito das emissões de gases estufa no clima passado, o relatório é bem mais contundente. O texto afirma ser “extremamente provável” (95% de certeza) que o aquecimento observado desde o meio do século 20 seja resultado da influência humana no clima. O último relatório, de 2007, dizia que o mesmo era “muito provável” (90%).

OCEANOS

O relatório também afirma com “alta confiabilidade” que o aquecimento dos oceanos domina o aumento da energia armazenada no sistema climático. Mais de 90% da energia acumulada pela Terra desde 1971 foi armazenada nos mares, diz o relatório.

“À medida que os oceanos se aquecem e as geleiras e plataformas de gelo se reduzem, o nível do mar continuará a aumentar, mas a uma taxa mais rápida do que aquela que experimentamos ao longo dos últimos 40 anos”, afirmou Qin-Dahe, co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

O aumento do nível do mar entre 1900 e 2012 foi de 19 cm. Mesmo dentro do melhor cenário, com uma queda brusca de emissões, esse número pode quase triplicar, em razão de os oceanos já terem absorvindo muita temperatura. A hipótese mais pessimista dentro do pior cenário vê um aumento de 82 cm, que impactaria uma população de um tamanho da ordem de dezenas de milhões.

Uma das razões para a revisão dos números é que os modelos lidam melhor agora com o derretimento da Groenlândia e do oeste da Antártida. Antes, os números eram basicamente uma projeção da expansão térmica da água oceânica, que continua sendo a maior causa do aumento do nível do mar.

HIATO

A questão da desaceleração do aquecimento global nos últimos 15, o “hiato” da mudança climática, tomou grande parte do tempo de discussão dos delegados do IPCC que se reuniram nesta semana. O texto final do relatório lidou com o fenômeno afirmando que a tempereatura média global de superfície “exibe substancial variabilidade interanual e decadal” apesar de um “robusto aquecimento multi-decadal” verificado.

“Como exemplo, a taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012); 0,05°C por década), que começa com um forte El Niño, é menor do que a taxa calculada desde de 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”, afirma o relatório.

Apesar de haverem estudos recentes indicando que o calor da atmosfera está sendo roubado por águas oceânicas profundas, o relatório não menciona esse fenômeno. “É preciso colher mais evidências disso”, diz Thomas Stocker, o outro co-presidente do Grupo 1 do IPCC.

Editoria de Arte/Folhapress

 

 

Manifestantes do grupo Avaaz usam gangorra gigante para demonstrar os 95% de certeza sobre a culpa do homem nas mudanças climáticas; de um lado fica a maioria dos cientitas e, de outro, um homem com uma maleta de dinheiro

Faixa em protesto em Estocolmo diz: “o debate acabou”, em referência ao novo relatório do painel do clima, que aumenta o grau de certeza sobre a responsabilidade do homem na mudança climática

Protesto em Estocolmo, na Suécia, pede ação imediata para conter efeitos da mudança climática

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24/09/2013 – 02h53

Previsão de aumento do nível do mar piora

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

A julgar pela versão preliminar do quinto relatório do IPCC (painel do clima da ONU), a ser divulgado na próxima sexta-feira, a principal atualização nas projeções da mudança climática não serão relacionadas ao aumento de temperatura, mas sim do nível do mar.

Quando o quarto relatório, que projetava um aumento de 18 cm a 59 cm, saiu em 2007, muitos cientistas o consideraram conservador. O esboço do novo texto fala agora de uma margem entre 28 cm e 89 cm de aumento até 2100.

Uma mudança da escala de dezenas de centímetros na projeção não é pequena. A margem de erro para o cenário mais pessimista chega a quase um metro de altura, o que afetaria áreas habitadas por algumas dezenas de milhares de pessoas.

Editoria de Arte/Folhapress

O principal fenômeno por trás do aumento do nível do mar é o fato de que a água aumenta de volume quando está mais quente –e os oceanos absorvem boa parte do calor aprisionado na atmosfera.

“A expansão termal é a maior contribuição para o aumento futuro do nível do mar, sendo responsável por 30% a 55% do total, com a segunda maior contribuição vindo das geleiras”, afirma a versão preliminar do sumário político do documento.

“Há alta confiabilidade em que o aumento do derretimento da superfície da Groenlândia vai exceder a elevação da queda de neve, levando à contribuição positiva [aumentando o nível do mar].”

INCERTEZAS
Se o novo relatório do IPCC será mais contundente ao dizer que o impacto do aquecimento sobre o nível do mar será maior, ele ainda tem limitações quando tenta especificar quão maior.
Um dos problemas por trás das projeções do painel do clima é que o balanço do derretimento e da formação de gelo na Antártida ainda é difícil de prever.

Apesar de a maioria das observações e dos modelos de computador alertar para o derretimento da parte ocidental do continente gelado, o aumento de precipitação na Antártida oriental deixa o cenário incerto.

Divulgação/Nasa/France Presse
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira
Imagem capturada por satélite da Nasa mostra uma rachadura (ao centro) em geleira

“Há uma cofiabilidade média de que nevascas na Antártida vão aumentar, enquanto o derretimento de superfície continuará pequeno, resultando numa contribuição negativa [de redução do nível do mar]”, diz o texto.

Um avanço do novo relatório é a tentativa de lidar melhor com as incertezas regionais. Por exemplo, apesar de a Groenlândia ter a massa de gelo terrestre que mais vai contribuir para a elevação do mar, lá ele não deve subir.

Como a massa de gelo da região vai diminuir, ela perde força de gravidade que puxa água na direção da costa. E o mesmo deve ocorrer com a Península Antártica.

“O efeito gravitacional do derretimento da Antártida, combinado com o efeito da dinâmica de correntes e a temperatura abaixo da média, deve deixar o nível do mar abaixo da média na ponta da América do Sul”, diz Aimée Slangen, da Universidade de Utrecht, na Holanda.

“Indo para o Equador, o efeito gravitacional se reverte, deixando o nível do mar acima da média.”

Slangen publicou no ano passado um estudo sobre diferenças regionais na subida da linha d’água, mas diz que ainda é difícil fazer um mapa preciso. “Precisamos entender o papel das plataformas de gelo, das geleiras, o efeito térmico e saber como a crosta vai se mover”, diz.

O último esboço do relatório afirma que, em 95% das áreas oceânicas do mundo, o nível do mar vai subir, e que 70% das áreas costeiras terão um aumento com desvio de menos de 20% da média.

Para os cientistas, porém, é preciso aprimorar o mapeamento. “Para uma cidade ou um país, a média mundial não importa, é preciso saber o que está acontecendo logo à porta de casa”, diz Slangen.

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26/09/2013 – 20h04

Relatório eleva o tom de alerta sobre o aquecimento global

RAFAEL GARCIA, ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O IPCC (painel do clima da ONU) divulgará na manhã desta sexta-feira (27) um relatório que eleva o nível de alerta para o aquecimento global. Apesar de a desaceleração na subida de temperaturas nos últimos 15 anos ter tomado bom tempo da discussão, a nova versão do “Sumário para Formuladores de Política” do documento deve indicar que as alterações climáticas têm sido mais acentuadas e mais rápidas do que se esperava, não o inverso.

As discussões finais sobre o conteúdo do documento ainda ocorrem a portas fechadas nesta madrugada em Estocolmo, mas algumas questões cruciais já foram resolvidas. A versão final do texto do Grupo 1 do IPCC –responsável pela física do clima– deve ganhar então um tom acima do que a daquela enviada aos governos para comentários em junho.

Algumas nações, incluindo o Brasil, haviam pedido que o documento excluísse a menção ao “hiato” de 15 anos, mas ela será mantida, acompanhada de explicação.

“Está escrito que esta descontinuidade decorre de um fenômeno atípico em águas no Pacífico e que um período tão curto não pode ser usado para projeções de longo prazo”, disse à Folha um dos cientistas brasileiros presentes na discussão.

Christian Åslund/Greenpeace
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo
Protesto do Greenpeace em frente ao local de reuniões do IPCC, em Estocolmo

O debate sobre esse problema tomou tanto tempo que, no início do terceiro dos quatro dias de trabalho, o painel só tinha avançado 30% da pauta. “Entendo a frustração dos cientistas em gastar tanto tempo nisso, mas eles não tinham a opção evitar essa discussão, que se tornou pública”, afirmou a observadora de uma ONG presente à reunião.

“O que vemos é que níveis não tão altos de aquecimento estão causando impactos maiores do que aqueles que esperávamos, como no derretimento do gelo do Ártico e da Groenlândia ou no aumento do nível do mar.”

Em relação ao relatório anterior do IPCC, publicado em 2007, muitas das novidades têm a ver com o grau de confiabilidade de fenômenos conhecidos. A certeza de que o aquecimento global é causado pelos humanos, por exemplo, aumentou de 90% para 95%. Houve até uma proposta derrubada de aumentar o número para 99%, relata um delagado holandês.

Algumas tentativas de aguar o esboço inicial também falharam. Ao descrever as principais fontes de gases do efeito estufa, delegados sauditas queriam que o texto equiparasse em gravidade o desmatamento e a agricultura à queima de combustíveis fósseis, mas foram derrotados. Apesar de não ter grandes mudanças de conteúdo, a versão final do texto sairá com “palavras mais fortes”, disse outro observador.

A divulgação da versão definitiva do “Sumário para Formuladores de Políticas” do Grupo 1 do IPCC está marcada para as 5h00 desta sexta-feira. A versão completa do relatório, incluindo o “Sumário Técnico” destinado a cientistas, ocorre na segunda-feira.

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26/09/2013 – 13h20

Veja dez perguntas para entender as discussões sobre clima na ONU

DA BBC BRASIL

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulga na sexta-feira em Estocolmo, na Suécia, um novo relatório no qual pretende estabelecer, com o maior grau de certeza já obtido, o papel das atividades humanas nas mudanças climáticas.

Para ajudar a entender melhor o tema, a BBC preparou uma lista com dez perguntas e respostas sobre a questão:

O que é mudança climática?

O clima do planeta está mudando constantemente ao longo do tempo geológico. A temperatura média global hoje é de cerca de 15ºC, mas as evidências geológicas sugerem que ela já foi muito maior ou muito menor em outras épocas no passado.

Entretanto, o atual período de aquecimento está ocorrendo de maneira mais rápida do que em muitas ocasiões no passado. Os cientistas estão preocupados de que a flutuação natural, ou variabilidade, está dando lugar a um aquecimento rápido induzido pela ação humana, com sérias consequências para a estabilidade do clima no planeta.

O que é ‘efeito estufa’?

O efeito estufa se refere à maneira como a atmosfera da Terra “prende” parte da energia do Sol. A energia solar irradiada de volta da superfície da Terra para o espaço é absorvida por gases atmosféricos e reemitida em todas as direções.

A energia que irradia de volta para o planeta aquece tanto a baixa atmosfera quanto a superfície da Terra. Sem esse efeito, a Terra seria 30ºC mais fria, deixando as condições no planeta hostis para a vida.

Os cientistas acreditam que estamos contribuindo para o efeito natural de estufa com gases emitidos pela indústria e pela agricultura, absorvendo mais energia e aumentando a temperatura.

O mais importante desses gases no efeito estufa natural é o vapor de água, mas suas concentrações mostram pouca mudança. Outros gases do efeito estufa incluem dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que são liberados pela queima de combustíveis fósseis. O desmatamento contribui para seu aumento ao eliminar florestas que absorvem carbono.

Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração de CO2 na atmosfera é agora maior do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos.

Qual é a evidência sobre o aquecimento?

Os registros de temperatura, a partir do fim do século 19, mostram que a temperatura média da superfície da Terra aumentou cerca de 0,8ºC nos últimos cem anos. Cerca de 0,6ºC desse aquecimento ocorreu nas últimas três décadas.

Dados de satélites mostram um aumento médio nos níveis do mar de cerca de 3 milímetros por ano nas últimas décadas. Uma grande proporção da mudança nos níveis do mar se deve à expansão dos oceanos pelo aquecimento. Mas o derretimento das geleiras de montanhas e das camadas de gelo polar também contribuem para isso.

A maioria das geleiras nas regiões temperadas do mundo e na Península Antártica estão encolhendo. Desde 1979, registros de satélites mostram um declínio dramático na extensão do gelo no Ártico, a uma taxa anual de 4% por década. Em 2012, a extensão de gelo alcançou o menor nível já registrado, cerca de 50% menor do que a média do período entre 1979 e 2000.

O manto de gelo da Groenlândia verificou um derretimento recorde nos últimos anos. Se a camada inteira, de 2,8 milhões de quilômetros cúbicos, derretesse, haveria um aumento de 6 metros nos níveis dos mares.

Dados de satélites mostram que a capa de gelo do oeste da Antártica também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o leste da Antártica, que não havia mostrado tendências claras de aquecimento ou resfriamento, também pode ter começado a perder massa nos últimos anos. Mas os cientistas não esperam mudanças dramáticas. Em alguns lugares, a massa de gelo pode aumentar, na verdade, com as temperaturas em alta provocando mais tempestades de neve.

Os efeitos de uma mudança climática também podem ser vistos na vegetação e nos animais terrestres. Isso inclui também o florescimento e frutificação precoces em plantas e mudanças nas áreas ocupadas pelos animais terrestres.

Há uma pausa no aquecimento?

Alguns especialistas argumentam que desde 1998 não houve um aquecimento global significativo, apesar do aumento contínuo nos níveis de emissão de CO2. Os cientistas tentam explicar isso de várias formas.

Isso inclui: variações na emissão de energia pelo Sol, um declínio no vapor de água atmosférico e uma maior absorção de calor pelos oceanos. Mas até agora, não há um consenso geral sobre o mecanismo preciso por trás dessa pausa.

Céticos destacam essa pausa como um exemplo da falibilidade das previsões baseadas em modelos climáticos computadorizados. Por outro lado, os cientistas do clima observam que o hiato no aquecimento ocorre em apenas um dos componentes do sistema climático – a média global da temperatura da superfície -, e que outros indicadores, como o derretimento do gelo e as mudanças na fauna e na flora demonstram que a Terra continua a se aquecer.

Quanto as temperaturas vão aumentar no futuro?

Em seu relatório de 2007, o IPCC previu um aumento da temperatura global entre 1,8ºC e 4ºC até 2100.

Mesmo que as emissões de gases do efeito estufa caiam dramaticamente, os cientistas dizem que os efeitos continuarão, porque partes do sistema climático, particularmente os grandes corpos de água e gelo, podem levar centenas de anos para responder a mudanças na temperatura. Também leva décadas para que os gases do efeito estufa sejam removidos da atmosfera.

Quais serão os impactos disso?

A escala do impacto potencial é incerto. As mudanças podem levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por inundações, tempestades, ondas de calor e secas.

Os cientistas preveem mais chuvas em geral, mas dizem que o risco de seca em áreas não costeiras deverá aumentar durante os verões mais quentes. Mais inundações são esperadas por causa de tempestades e do aumento do nível do mar. Deverá haver, porém, muitas variações regionais nesse padrão.

Os países mais pobres, que estão menos capacitados para lidar com a mudança rápida, deverão sofrer mais.

A extinção de plantas e animais está prevista, por conta de mudanças nos habitats mais rápidas do que a capacidade de adaptação das espécies à estas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a saúde de milhões de pessoas pode ser ameaçada por aumentos nos casos de malária, doenças transmitidas pela água e malnutrição.

O aumento na absorção de CO2 pelos oceanos pode levá-los a se tornar mais ácidos. Esse processo de acidificação em andamento poderia provocar grandes problemas para os recifes de corais, já que as mudanças químicas impedem os corais de formar um esqueleto calcificado, que é essencial para sua sobrevivência.

O que não sabemos?

Os modelos computadorizados são usados para estudar a dinâmica do clima na Terra e fazer projeções sobre futuras mudanças de temperatura. Mas esses modelos climáticos diferem sobre a “sensibilidade climática” – a quantidade de aquecimento ou esfriamento que ocorre por conta de um fator específico, como a elevação ou a queda na concentração de CO2.

Os modelos também diferem na forma como expressam “feedback climático”.

O aquecimento global deverá provocar algumas mudanças com probabilidade de criar mais aquecimento, como a emissão de grandes quantidades de gases do efeito estufa com o derretimento do permafrost (gelo eterno da superfície da Terra). Isso é conhecido como feedback climático positivo (no sentido de adicionar calor).

Mas também existem os feedbacks negativos, que compensam o aquecimento. Por exemplo, os oceanos e a terra absorvem CO2 como parte do ciclo do carbono.

A questão é saber qual o resultado final da soma dessas variáveis.

As inundações vão me atingir?

Detalhes vazados do relatório a ser apresentado nesta semana indicam que no pior cenário traçado pelo IPCC, com o maior nível de emissões de dióxido de carbono, os níveis dos mares no ano 2100 poderiam subir até 97 centímetros.

Alguns cientistas criticam os modelos usados pelo IPCC para calcular esse aumento. Usando o que é chamado de modelo semiempírico, as projeções para o aumento do nível do mar podem chegar a 2 metros. Nessas condições, 187 milhões de pessoas a mais no mundo sofreriam com inundações.

Mas o IPCC deve dizer que não há consenso sobre o enfoque semiempírico e manterá o dado pouco inferior a 1 metro.

O que vai acontecer com os ursos polares?

O estado dos polos Norte e Sul tem sido uma preocupação crescente para a ciência, conforme os efeitos do aquecimento global se tornam mais intensos nessas regiões.

Em 2007, o IPCC disse que as temperaturas no Ártico aumentaram quase duas vezes mais que a média global nos últimos cem anos. O relatório destacou que a região pode ter uma grande variação, com um período quente observado entre 1925 e 1945.

Nos rascunhos do relatório desta semana, os cientistas dizem que há uma evidência maior de que as camadas de gelo e as geleiras estão perdendo massa e que a camada de gelo está diminuindo no Ártico.

Em relação à Groenlândia, que por si só tem a capacidade de aumentar os níveis globais dos mares em 6 metros, o painel diz estar 90% certo de que a velocidade da perda de gelo entre 1992 e 2001 aumentou seis vezes no período entre 2002 e 2011.

Enquanto a extensão média do gelo no Ártico caiu cerca de 4% por década desde 1979, o gelo na Antártica aumentou até 1,8% por década no mesmo período.

Para o futuro, as previsões são bastante dramáticas. No pior cenário traçado pelo IPCC, um Ártico sem gelo no verão é provável até o meio deste século.

E a perspectiva para os ursos polares e para outras espécies que vivem nesse ambiente não é bom, segundo disse à BBC o professor Shang-Ping Xie, do Instituto de Oceanografia da Universidade da Califórnia em San Diego.

“Haverá bolsões de gelo marítimo em alguns mares marginais. Esperamos que os ursos polares sejam capazes de sobreviver no verão nesses bolsões de gelo remanescentes”, disse.

Qual a credibilidade do IPCC?

A escala global do envolvimento científico com o IPCC dá uma ideia do peso dado ao painel.

Dividido em três grupos de trabalho que analisam a ciência física, os impactos e as opções para limitar as mudanças climáticas, o painel envolve milhares de cientistas de todo o mundo.

O relatório a ser apresentado em Estocolmo tem 209 autores coordenadores e 50 revisões de editores de 39 países diferentes.

O documento é baseado em cerca de 9.000 estudos científicos e 50 mil comentários de especialistas.

Mas em meio a esse conjunto enorme de dados, as coisas podem não sair como o esperado.

No último relatório, publicado em 2007, houve um punhado de erros que ganharam grande projeção, entre eles a afirmação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035. Também houve erro na projeção da porcentagem do território da Holanda que ficaria sob o nível do mar.

O IPCC admitiu os erros e explicou que em um relatório de 3 mil páginas é sempre possível que haja alguns pequenos erros. A afirmação sobre o Himalaia veio da inclusão de uma entrevista que havia sido publicada pela revista New Scientist.

Em 2009, uma revisão da forma como o IPCC analisa as informações sugeriu que o painel seja mais claro no futuro sobre as fontes de informação usadas.

O painel também teve a reputação manchada pela associação com o escândalo provocado pelo vazamento de e-mails trocados entre cientistas que trabalhavam para o IPCC, em 2009.

As mensagens pareciam mostrar algum grau de conluio entre os pesquisadores para fazer com que os dados climáticos se encaixassem mais claramente na teoria das mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Porém ao menos três pesquisas não encontraram evidências para apoiar essa conclusão.

Mas o efeito final desses eventos sobre o painel foi o de torná-lo mais cauteloso.

Apesar de o novo relatório possivelmente enfatizar uma certeza maior entre os cientistas de que as atividades humanas estão provocando o aquecimento climático, em termos de escala, níveis e impactos a palavra “incerteza” deverá aparecer com bastante frequência.

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23/09/2013 – 03h00

Análise: Com IPCC na defensiva, novo relatório ainda tem combustível para polêmica

MARCELO LEITE

DE SÃO PAULO

Seis anos e sete meses atrás, quando lançou o documento “Mudança Climática 2007: A Base da Ciência Física”, a reputação do IPCC estava no auge. Naquele mesmo ano viria o Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento pela façanha de impor o tema da mudança do clima à agenda política mundial.

A autoridade do grupo formado pela ONU 18 anos antes era tamanha que a climatologista americana Susan Solomon, coordenadora do texto de 21 páginas, deu o passo arriscado: na entrevista coletiva em Paris, repetiu com ênfase a avaliação de que o aquecimento global era “inequívoco”.

Brasil ataca hiato do aquecimento global

Foi a resposta retórica e política daqueles cientistas à repercussão então alcançada pelo grupo dos chamados “céticos” (ou negacionistas). Depois disso, o IPCC nunca mais seria o mesmo.

Em novembro de 2009, um mês antes da Conferência do Clima de Copenhague, hackers invadiram computadores de uma universidade britânica e surrupiaram mensagens eletrônicas entre climatologistas do IPCC que permitia a impressão de que houvera manipulação de dados.

Os autores foram inocentados, mas uma brecha se abrira no prestígio do painel. Ela se agravou dois meses depois, quando veio à tona que o relatório continha erro grosseiro sobre derretimento de geleiras no Himalaia.

Desde então, o IPCC se manteve na defensiva. Criou critérios mais rígidos sobre o tipo de dados científicos que poderiam fundamentar suas previsões. O resultado desse retraimento transparecerá no “Quinto Relatório de Avaliação” (AR5), cujo “Sumário para Formuladores de Políticas” entra agora em sua fase final de redação.

POLÊMICAS
Parece pouco provável que o sumário repita juízos de valor como o contido no adjetivo “inequívoco”. Ainda assim, o documento contém combustível para polêmica.

A primeira coisa a prestar atenção no relatório, além da aparente redução na taxa de aquecimento, é a maneira pela qual lidará com a situação da calota de gelo sobre o oceano Ártico. O IPCC deve reafirmar como muito alta a probabilidade de que ela continue a encolher a cada verão do hemisfério Norte.

O problema é que, neste final do verão setentrional, o gelo no polo Norte se estende por uma área 50% maior (5,1 milhões de km2) do que há um ano. Em 2012, ela caíra para 3,4 milhões de km².

Editoria de Arte/Folhapress

Como se pode ver no gráfico, porém, todos os cinco últimos anos viram a área ficar muito abaixo da média de 1981 a 2010. É dessa escala temporal de transformações (décadas) que se ocupam as projeções do IPCC, não da variação de ano para ano.

O segundo ponto a atentar é a elevação do nível do mar. vAssim como ocorre com a atmosfera, o efeito estufa também esquenta o oceano. Isso expande seu volume, que também aumenta com o derretimento de geleiras sobre terra firme (como as da Groenlândia).

No caso do “Quarto Relatório de Avaliação”, de 2007, o IPCC terminou acusado de ser conservador demais na projeção de que o mar se elevaria entre 18 cm e 59 cm até o ano 2100, pois alguns estudos já indicavam mudanças de até mais de 1 m.

Tudo indica que o limite superior da nova previsão do painel deve chegar perto disso (versões preliminares apontam até 97 cm). Seria o suficiente para inundar as moradias de dezenas de milhões de pessoas no mundo.

O número, sozinho, parecerá alarmante para muitas pessoas. Pode ou não vir acompanhado, na sua divulgação, de ponderações sóbrias– como assinalar o prazo de 86 anos (de 2014 a 2100) disponível para adaptação.

Se não contornarem com muita habilidade essas armadilhas, os cientistas e porta-vozes do IPCC se arriscam a desperdiçar a oportunidade de recompor sua credibilidade como corpo científico e vê-lo, mais uma vez, desqualificado como militante da causa alarmista.

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23/09/2013 – 19h19

IPCC promete relatório sem viés e com revisão mais rigorosa

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O chefe do conjunto de climatologistas que escreveu a mais nova atualização do IPCC sobre a física do clima, o Grupo de Trabalho 1, prometeu ontem entregar um relatório com uma visão “sem precedentes e não enviesada sobre o estado do sistema climático”.

Abrindo a primeira sessão de trabalhos que vai finalizar a primeira das três partes do AR5, o quinto relatório de avaliação do painel do clima da ONU, Thomas Stocker diz ter levado em consideração os mais de 50 mil comentários que o documento recebeu das delegações de governos, que já tiveram acesso ao “sumário para formuladores de políticas” do relatório. “Não conheço nenhum outro documento que tenha passado por um escrutínio assim”.

Após uma última rodada de discussões, a versão final do relatório sai nesta sexta-feira, e a versão provisória do documento indica que a certeza probabilística sobre a culpa das atividades humanas pelo aquecimento global deve subir de 90% para 95%, em relação ao que o IPCC concluíra em 2007.

Qin Dahe, co-chefe do Grupo 1 do IPCC, ressaltou, porém, que apesar de incertezas permanecerem em alguns aspectos do relatório, o papel humano no clima não está sendo revisado. “A evidência científica da mudança climática antropogênica se fortaleceu ano a ano, deixando poucas incertezas sobre as consequências da inação.”

Uma versão vazada do relatório técnico do Grupo 1 do IPCC, documento mais completo que o sumário para políticos, indica que há espaço para os cientistas explicarem a recente pausa no aquecimento global: o período dos últimos 15 anos em que a subida de temperaturas se desacelerou. Uma versão do documento obtida pela agência de notícias Reuters indica que “períodos de hiato de 15 anos são comuns” no registro climático. A menção ao hiato é um dos pontos criticados pelo governo brasileiro no relatório.

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25/09/2013 – 02h57

Para painel do clima, nuvens devem elevar aquecimento

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

O papel das nuvens na mudança climática ainda é um assunto cheio de incertezas, mas o próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU) dá um passo na direção de um veredito.

Segundo uma versão preliminar do documento, o que a ciência mostra até agora é que a alteração que o aquecimento global provoca na dinâmica de formação de nuvens contribui para que o calor se amplifique.

A versão provisória do AR5, o quinto relatório do IPCC, a ser divulgado na sexta, reconhece que as nuvens têm efeitos paradoxais sobre o clima, algumas delas fazendo a Terra reter mais calor, outras fazendo o planeta refletir radiação solar.

O texto porém, afirma que “o sinal do balanço de feedback radiativo é provavelmente positivo”. Em outras palavras, os cientistas têm 66% de certeza de que a mudança climática cria um ciclo vicioso, no qual nuvens aquecem um planeta que cria mais nuvens causadoras de aquecimento.

Ainda não é um veredito com grau de certeza acachapante como o atribuído aos gases-estufa –a culpa do aquecimento global é da queima de combustíveis fósseis por ação humana com 95% de certeza, diz o relatório. Mas é uma grande evolução desde o último relatório, o AR4, em 2007, que se declarou incapaz de chegar a um consenso sobre a questão.

Editoria de Arte/Folhapress

“O fato de o AR4 ter botado o dedo na ferida e dito que a parte de aerossóis e nuvens era a mais crítica fez com que milhares de cientistas voltassem pesquisas para essa área”, diz Paulo Artaxo, climatologista da USP e coautor do capítulo dedicado ao tema no novo relatório.

O maior problema era –e ainda é– saber se as nuvens baixas têm efeito positivo ou negativo sobre o aquecimento. Por estarem sob mais pressão, elas ficam mais compactas e ajudam a refletir luz solar. Já o vapor comum ou as nuvens mais altas (rarefeitas) retêm calor.

O efeito das nuvens baixas era um dos aspectos mais explorados por grupos que negam o aquecimento global causado pelo homem.

Ainda que o grau de certeza da nova resposta esteja abaixo do máximo, a alegação de que as nuvens vão salvar o planeta não tem obtido sustentação.

O problema agora é projetar o futuro. Para isso, é preciso usar modelos matemáticos de previsão, que ainda não estão prontos para tal.

Uma das principais razões para essa limitação, segundo Artaxo, é que a resolução dos modelos ainda é grosseira demais para tratar de nuvens.

Uma célula do planeta em um modelo é como um pixel de 50 km de largura, mas nuvens são menores que isso, podendo ter 100 m ou menos. Os cientistas precisam então simplificar a representação das nuvens em seus modelos matemáticos do clima.

RAIOS CÓSMICOS
O novo relatório também descarta uma teoria que ganhou espaço entre críticos do IPCC: a de que a formação de nuvens pudesse estar sendo afetada por uma alteração sazonal na taxa de raios cósmicos. Defendida pelo físico dinamarquês Henrik Svensmark, a hipótese seria uma explicação alternativa para o aquecimento não relacionada aos combustíveis fósseis.

Segundo Artaxo, o texto fez o maior esforço possível para não deixar nenhum aspecto de fora. “Você pode até achar que uma ou outra coisa é bobagem, mas não importa. É preciso analisar as evidências experimentais para verificar se uma coisa que parece a maior loucura do mundo é verdadeira ou não.”

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23/09/2013 – 02h59

Brasil ataca ‘hiato’ do aquecimento global

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Nos últimos 15 anos, a temperatura média da Terra parou de subir tão rápido quanto antes, mas isso não significa que a mudança climática esteja freando. Essa é a posição do governo brasileiro, que defenderá retirar do mais importante documento internacional sobre clima a menção ao chamado “hiato” do aquecimento global.

O encontro que define o conteúdo final do quinto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) começa hoje em Estocolmo, na Suécia, quando se reúne o Grupo de Trabalho 1 da instituição –aquele encarregado de avaliar a ciência física do clima.

O relatório técnico do painel já está pronto, mas só será publicado após a edição final do “Sumário para Formuladores de Políticas”, único anexo do relatório sobre o qual governos podem opinar antes da divulgação, marcada para a próxima sexta (27).

Editoria de Arte/Folhapress

Em junho, um esboço final dessa parte do relatório foi enviado a delegações para comentários. O texto, que vazou para a imprensa, incluía uma frase com referência ao hiato: “A taxa de aquecimento ao longo dos últimos 15 anos (1998-2012; 0,05°C por década) é menor do que a tendência desde 1951 (1951-2012; 0,12°C por década)”.

Editoria de Arte/Folhapress

Explorada por negacionistas da mudança climática, essa flexão no gráfico de temperatura é descrita por alguns como mero ruído estatístico numa tendência clara de aquecimento no longo prazo.

Autores do sumário não deveriam ter incluído um recorte arbitrário de 15 anos num documento que avalia um trajeto só visível em escala maior, defende um dos representantes do governo brasileiro perante o IPCC.

“Alguém escolheu para isso um determinado ano [1998] que foi um ano de El Niño e era mais quente que o padrão”, diz Gustavo Luedemann, coordenador de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência. “Isso é obviamente um erro metodológico e deixa o documento um menos contundente.”

Luedeman, porém, considera a menção ao hiato apenas um equívoco pontual e diz crer que o relatório é incisivo ao culpar a humanidade pela mudança climática.

Ainda assim, cientistas tentam entender por que o gráfico de temperaturas se achatou. Segundo Ed Hawkins, climatólogo da Universidade de Reading (Inglaterra) que tem estudado o fenômeno, há vários motivos, incluindo queda de atividade solar e erupções vulcânicas recentes, que tem efeito resfriador sobre a Terra.

“O terceiro fator é a variabilidade natural do clima, com mudanças importantes no Pacífico tropical”, diz. “A energia extra entrando no sistema climático provavelmente está sendo armazenada no oceano profundo.”

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26/09/2013 – 02h54

Oceano Ártico terá verão sem gelo em 2050, diz relatório da ONU

RAFAEL GARCIA

ENVIADO ESPECIAL A ESTOCOLMO

Quando o biólogo sueco Tom Arnbom desembarcou neste verão na costa do mar de Laptev, na Rússia, para coletar DNA de morsas, notou que os enormes mamíferos tinham um medo incomum de ursos-polares, animal que normalmente não os ataca.

Após alguns dias no local, o cientista percebeu que, sem terem gelo marinho como base de caça, os ursos não alcançavam focas e outras presas prediletas. A alternativa era tentar abocanhar filhotes de morsa, com alto risco de serem pegos pelos adultos.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Esse é um dos impactos que o declínio do gelo marinho no Ártico provocou nos últimos anos. O aumento do ritmo de degelo na região é um dos principais pontos a serem revistos no próximo relatório do IPCC (painel do clima da ONU, formado por milhares de cientistas).

Amanhã, a primeira parte do texto, dedicada à física do clima, será divulgada.

“É muito provável que a cobertura de gelo marinho no Ártico continue a encolher e afinar”, afirma o texto preliminar do documento. “Sob o cenário RCP8.5 [hipótese mais pessimista do relatório], um oceano Ártico quase sem gelo provavelmente será visto antes do meio do século.”

O painel informa que é possível dizer com “alta confiabilidade” que o Ártico vai se aquecer mais rápido que outras regiões e revê para pior o seu prognóstico. Há menos de uma década, porém, o maior relatório sobre o tema, o “Arctic Climate Impact Assessment”, estimava que o temido “setembro sem gelo” só viria no fim do século.

O gelo marinho ajuda a refletir radiação solar. Com o degelo e mais área de águas escuras para absorver calor, a escassez de superfície branca vai retroalimentar a mudança climática, diz o IPCC.

A MARCHA DAS MORSAS
Arnbom, hoje um pesquisador a serviço da ONG ambientalista WWF, trabalhou por muitos anos na região para o governo da Suécia, país que tem 15% de seu território no círculo ártico.
“O que eu vi no Ártico 40 anos atrás não existe mais. É impressionante ver quão rápido se foi. Estava lá todos os anos. Alguns eram mais frios que outros, e a população de animais variava, mas em 2007 me dei conta de que os impactos eram bem visíveis.”

Naquele ano, todo o gelo em alto mar derreteu na região de Laptev, e morsas que costumavam se espalhar em pedaços de gelo marinho migraram para uma única praia, formando uma concentração de mais de 50 mil indivíduos.

Norbert Rosing/National Geographic Stock/WWF Canadá

Morsas amontoadas no Ártico; derretimento do gelo reduz área disponível para os bichos, o que pode causar a morte dos filhotes prensados pelos adultos em espaços pequenos

O local, afastado das áreas de alimentação ricas em moluscos, era pequeno demais para abrigar tantos animais, e muitos morriam esmagados. O fenômeno se repetiu depois, em 2011, com uma concentração estimada em 100 mil morsas.

RÚSSIA x AMBIENTE
Ursos e morsas, porém, não são os únicos animais da região a terem mudado de comportamento. Segundo a WWF, a região é habitada por 40 comunidades tradicionais, que enfrentam escassez na caça e pesca artesanal.

E outro grupo de humanos, vendo novas rotas de navegação se abrirem, enxerga agora o potencial econômico da região como rota de transporte marítimo, pesca industrial e fonte de petróleo –o benefício vem justamente para a indústria cujo produto é apontado como causa da mudança climática.

A gigante russa Gazprom, que estabeleceu a primeira plataforma de petróleo “offshore” da região, teve suas instalações no mar de Pechora invadidas por ativistas do Greenpeace na semana passada. Trinta ambientalistas, incluindo uma brasileira, estão presos.

A ONG WWF também intensificou sua atividade na região. O DNA de morsas coletado por Arnbom será usado para pesquisas em universidades dinamarquesas, mas ainda está parado na alfândega russa.

And now it’s global COOLING! Record return of Arctic ice cap as it grows by 60% in a year (Daily Mail)

  • Almost a million more square miles of ocean covered with ice than in 2012
  • BBC reported in 2007 global warming would leave Arctic ice-free in summer by 2013
  • Publication of UN climate change report suggesting global warming caused by humans pushed back to later this month

By DAVID ROSE

PUBLISHED: 23:37 GMT, 7 September 2013 | UPDATED: 12:01 GMT, 8 September 2013

A chilly Arctic summer has left nearly a million more square miles of ocean covered with ice than at the same time last year – an increase of 60 per cent.

The rebound from 2012’s record low comes six years after the BBC reported that global warming would leave the Arctic ice-free in summer by 2013.

Instead, days before the annual autumn re-freeze is due to begin, an unbroken ice sheet more than half the size of Europe already stretches from the Canadian islands to Russia’s northern shores.

global cooling

The Northwest Passage from the Atlantic to the Pacific has remained blocked by pack-ice all year. More than 20 yachts that had planned to sail it have been left ice-bound and a cruise ship attempting the route was forced to turn back.

Some eminent scientists now believe the world is heading for a period of cooling that will not end until the middle of this century – a process that would expose computer forecasts of imminent catastrophic warming as dangerously misleading.

The disclosure comes 11 months after The Mail on Sunday triggered intense political and scientific debate by revealing that global warming has ‘paused’ since the beginning of 1997 – an event that the computer models used by climate experts failed to predict.

In March, this newspaper further revealed that temperatures are about to drop below the level that the models forecast with ‘90 per cent certainty’.

The pause – which has now been accepted as real by every major climate research centre – is important, because the models’ predictions of ever-increasing global temperatures have made many of the world’s economies divert billions of pounds into ‘green’ measures to counter  climate change.

Those predictions now appear gravely flawed.

THERE WON’T BE ANY ICE AT ALL! HOW THE BBC PREDICTED CHAOS IN 2007

Only six years ago, the BBC reported that the Arctic would be ice-free in summer by 2013, citing a scientist in the US who claimed this was a ‘conservative’ forecast. Perhaps it was their confidence that led more than 20 yachts to try to sail the Northwest Passage from the Atlantic to  the Pacific this summer. As of last week, all these vessels were stuck in the ice, some at the eastern end of the passage in Prince Regent Inlet, others further west at Cape Bathurst.

Shipping experts said the only way these vessels were likely to be freed was by the icebreakers of the Canadian coastguard. According to the official Canadian government website, the Northwest Passage has remained ice-bound and impassable  all summer.

The BBC’s 2007 report quoted scientist  Professor Wieslaw Maslowski, who based his views on super-computer models and the fact that ‘we use a high-resolution regional model for the Arctic Ocean and sea ice’.

He was confident his results were ‘much more realistic’ than other projections, which ‘underestimate the amount of heat delivered to the sea ice’. Also quoted was Cambridge University expert

Professor Peter Wadhams. He backed Professor Maslowski, saying his model was ‘more efficient’ than others because it ‘takes account of processes that happen internally in the ice’.

He added: ‘This is not a cycle; not just a fluctuation. In the end, it will all just melt away quite suddenly.’

BBC

The continuing furore caused by The Mail on Sunday’s revelations – which will now be amplified by the return of the Arctic ice sheet – has forced the UN’s climate change body to hold a crisis meeting.

The UN Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) was due in October to start publishing its Fifth Assessment Report – a huge three-volume study issued every six or seven years. It will now hold a pre-summit in Stockholm later this month.

Leaked documents show that governments which support and finance the IPCC are demanding more than 1,500 changes to the report’s ‘summary for policymakers’. They say its current draft does not properly explain the pause.

At the heart of the row lie two questions: the extent to which temperatures will rise with carbon dioxide levels, as well as how much of the warming over the past 150 years – so far, just 0.8C – is down to human greenhouse gas emissions and how much is due to natural variability.

In its draft report, the IPCC says it is ‘95 per cent confident’ that global warming has been caused by humans – up from 90 per cent in 2007.

This claim is already hotly disputed. US climate expert Professor Judith Curry said last night: ‘In fact, the uncertainty is getting bigger. It’s now clear the models are way too sensitive to carbon dioxide. I cannot see any basis for the IPCC increasing its confidence level.’

She pointed to long-term cycles  in ocean temperature, which have a huge influence on climate and  suggest the world may be approaching a period similar to that from 1965 to 1975, when there was a clear cooling trend. This led some scientists at the time to forecast an imminent ice age.

Professor Anastasios Tsonis, of the University of Wisconsin, was one of the first to investigate the ocean cycles. He said: ‘We are already in a cooling trend, which I think will continue for the next 15 years at least. There is no doubt the warming of the 1980s and 1990s has stopped.

Then... NASA satelite images showing the spread of Artic sea ice 27th August 2012Then… NASA satelite images showing the spread of Artic sea ice 27th August 2012

...And now, much bigger: The spread of Artic sea ice on August 15 2013…And now, much bigger: The same Nasa image taken in 2013

‘The IPCC claims its models show a pause of 15 years can be expected. But that means that after only a very few years more, they will have to admit they are wrong.’

Others are more cautious. Dr Ed Hawkins, of Reading University, drew the graph published by The Mail on Sunday in March showing how far world temperatures have diverged from computer predictions. He admitted the cycles may have caused some of the recorded warming, but insisted that natural variability alone could not explain all of the temperature rise over the past 150 years.

Nonetheless, the belief that summer Arctic ice is about to disappear remains an IPCC tenet, frequently flung in the face of critics who point to the pause.

Yet there is mounting evidence that Arctic ice levels are cyclical. Data uncovered by climate historians show that there was a massive melt in the 1920s and 1930s, followed by intense re-freezes that ended only in 1979 – the year the IPCC says that shrinking began.

Professor Curry said the ice’s behaviour over the next five years would be crucial, both for understanding the climate and for future policy. ‘Arctic sea ice is the indicator to watch,’ she said.

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2415191/Global-cooling-Arctic-ice-caps-grows-60-global-warming-predictions.html#ixzz2foMLmebr 
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Seca no semiárido deve se agravar nos próximos anos – e outros artigos relacionados à Conclima (Fapesp)

Pesquisadores alertam para necessidade de executar ações urgentes de adaptação e mitigação aos impactos das mudanças climáticas previstos na região (foto: Fred Jordão/Acervo ASACom)

12/09/2013

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Os problemas de seca prolongada registrados atualmente no semiárido brasileiro devem se agravar ainda mais nos próximos anos por causa das mudanças climáticas globais. Por isso, é preciso executar ações urgentes de adaptação e mitigação desses impactos e repensar os tipos de atividades econômicas que podem ser desenvolvidas na região.

A avaliação foi feita por pesquisadores que participaram das discussões sobre desenvolvimento regional e desastres naturais realizadas no dia 10 de setembro durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima).

Organizado pela FAPESP e promovido em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o evento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.

De acordo com dados do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), só nos últimos dois anos foram registrados 1.466 alertas de municípios no semiárido que entraram em estado de emergência ou de calamidade pública em razão de seca e estiagem – os desastres naturais mais recorrentes no Brasil, segundo o órgão.

O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) – cujo sumário executivo foi divulgado no dia de abertura da Conclima – estima que esses eventos extremos aumentem principalmente nos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga e que as mudanças devem se acentuar a partir da metade e até o fim do século 21. Dessa forma, o semiárido sofrerá ainda mais no futuro com o problema da escassez de água que enfrenta hoje, alertaram os pesquisadores.

“Se hoje já vemos que a situação é grave, os modelos de cenários futuros das mudanças climáticas no Brasil indicam que o problema será ainda pior. Por isso, todas as ações de adaptação e mitigação pensadas para ser desenvolvidas ao longo dos próximos anos, na verdade, têm de ser realizadas agora”, disse Marcos Airton de Sousa Freitas, especialista em recursos hídricos e técnico da Agência Nacional de Águas (ANA).

Segundo o pesquisador, o semiárido – que abrange Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e o norte de Minas Gerais – vive hoje o segundo ano do período de seca, iniciado em 2011, que pode se prolongar por um tempo indefinido.

Um estudo realizado pelo órgão, com base em dados de vazão de bacias hidrológicas da região, apontou que a duração média dos períodos de seca no semiárido é de 4,5 anos. Estados como o Ceará, no entanto, já enfrentaram secas com duração de quase nove anos, seguidos por longos períodos nos quais choveu abaixo da média estimada.

De acordo com Freitas, a capacidade média dos principais reservatórios da região – com volume acima de 10 milhões de metros cúbicos de água e capacidade de abastecer os principais municípios por até três anos – está atualmente na faixa de 40%. E a tendência até o fim deste ano é de esvaziarem cada vez mais.

“Caso não haja um aporte considerável de água nesses grandes reservatórios em 2013, poderemos ter uma transição do problema de seca que se observa hoje no semiárido, mais rural, para uma seca ‘urbana’ – que atingiria a população de cidades abastecidas por meio de adutoras desses sistemas de reservatórios”, alertou Freitas.

Ações de adaptação

Uma das ações de adaptação que começou a ser implementada no semiárido nos últimos anos e que, de acordo com os pesquisadores, contribuiu para diminuir sensivelmente a vulnerabilidade do acesso à água, principalmente da população rural difusa, foi o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).

Lançado em 2003 pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – rede formada por mais de mil organizações não governamentais (ONGs) que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida –, o programa visa implementar um sistema nas comunidades rurais da região por meio do qual a água das chuvas é capturada por calhas, instaladas nos telhados das casas, e armazenada em cisternas cobertas e semienterradas. As cisternas são construídas com placas de cimento pré-moldadas, feitas pela própria comunidade, e têm capacidade de armazenar até 16 mil litros de água.

O programa tem contribuído para o aproveitamento da água da chuva em locais onde chove até 600 milímetros por ano – comparável ao volume das chuvas na Europa – que evaporam e são perdidos rapidamente sem um mecanismo que os represe, avaliaram os pesquisadores.

“Mesmo com a seca extrema na região nos últimos dois anos, observamos que a água para o consumo da população rural difusa tem sido garantida pelo programa, que já implantou cerca de 500 mil cisternas e é uma ação política de adaptação a eventos climáticos extremos. Com programas sociais, como o Bolsa Família, o programa Um Milhão de Cisternas tem contribuído para atenuar os impactos negativos causados pelas secas prolongadas na região”, afirmou Saulo Rodrigues Filho, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Como a água tende a ser um recurso natural cada vez mais raro no semiárido nos próximos anos, Rodrigues defendeu a necessidade de repensar os tipos de atividades econômicas mais indicadas para a região.

“Talvez a agricultura não seja a atividade mais sustentável para o semiárido e há evidências de que é preciso diversificar as atividades produtivas na região, não dependendo apenas da agricultura familiar, que já enfrenta problemas de perda de mão de obra, uma vez que o aumento dos níveis de educação leva os jovens da região a se deslocar do campo para a cidade”, disse Rodrigues.

“Por meio de políticas de geração de energia mais sustentáveis, como a solar e a eólica, e de fomento a atividades como o artesanato e o turismo, é possível contribuir para aumentar a resiliência dessas populações a secas e estiagens agudas”, afirmou.

Outras medidas necessárias, apontada por Freitas, são de realocação de água entre os setores econômicos que utilizam o recurso e seleção de culturas agrícolas mais resistentes à escassez de água enfrentada na região.

“Há culturas no semiárido, como capim para alimentação de gado, que dependem de irrigação por aspersão. Não faz sentido ter esse tipo de cultura que demanda muito água em uma região que sofrerá muito os impactos das mudanças climáticas”, afirmou Freitas.

Transposição do Rio São Francisco

O pesquisador também defendeu que o projeto de transposição do Rio São Francisco tornou-se muito mais necessário agora – tendo em vista que a escassez de água deverá ser um problema cada vez maior no semiárido nas próximas décadas – e é fundamental para complementar as ações desenvolvidas na região para atenuar o risco de desabastecimento de água.

Alvo de críticas e previsto para ser concluído em 2015, o projeto prevê que as águas do Rio São Francisco cheguem às bacias do Rio Jaguaribe, que abastece o Ceará, e do Rio Piranhas-Açu, que abastece o Rio Grande do Norte e a Paraíba.

De acordo com um estudo realizado pela ANA, com financiamento do Banco Mundial e participação de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, entre outras instituições, a disponibilidade hídrica dessas duas bacias deve diminuir sensivelmente nos próximos anos, contribuindo para agravar ainda mais a deficiência hídrica do semiárido.

“A transposição do Rio Francisco tornou-se muito mais necessária e deveria ser acelerada porque contribuiria para minimizar o problema do déficit de água no semiárido agora, que deve piorar com a previsão de diminuição da disponibilidade hídrica nas bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu”, disse Freitas à Agência FAPESP.

O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional do PBMC, no entanto, indica que a vazão do Rio São Francisco deve diminuir em até 30% até o fim do século, o que colocaria o projeto de transposição sob ameaça.

Freitas, contudo, ponderou que 70% do volume de água do Rio São Francisco vem de bacias da região Sudeste, para as quais os modelos climáticos preveem aumento da vazão nas próximas décadas. Além disso, de acordo com ele, o volume total previsto para ser transposto para as bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu corresponde a apenas 2% da vazão média da bacia do Rio São Francisco.

“É uma situação completamente diferente do caso do Sistema Cantareira, por exemplo, no qual praticamente 90% da água dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari são transpostas para abastecer a região metropolitana de São Paulo”, comparou.

“Pode-se argumentar sobre a questão de custos da transposição do Rio São Francisco. Mas, em termos de necessidade de uso da água, o projeto reforçará a operação dos sistemas de reservatórios existentes no semiárido”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a água é distribuída de forma desigual no território brasileiro. Enquanto 48% do total do volume de chuvas que cai na Amazônia é escoado pela Bacia Amazônica, segundo Freitas, no semiárido apenas em média 7% do volume de água precipitada na região durante três a quatro meses chegam às bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu. Além disso, grande parte desse volume de água é perdido pela evaporação. “Por isso, temos necessidade de armazenar essa água restante para os meses nos quais não haverá disponibilidade”, explicou.

As apresentações feitas pelos pesquisadores na conferência, que termina no dia 13, estarão disponíveis em: www.fapesp.br/conclima

 

Mudanças no clima do Brasil até 2100

10/09/2013

Por Elton Alisson*

Mais calor, menos chuva no Norte e Nordeste do país e mais chuva no Sul e Sudeste são algumas das projeções do Relatório de Avaliação Nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (foto: Eduardo Cesar/FAPESP)

Agência FAPESP – O clima no Brasil nas próximas décadas deverá ser mais quente – com aumento gradativo e variável da temperatura média em todas as regiões do país entre 1 ºC e 6 ºC até 2100, em comparação à registrada no fim do século 20.

No mesmo período, também deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.

As conclusões são do primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), cujo sumário executivo foi divulgado nesta segunda-feira (09/08), durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima). Organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), oevento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.

De acordo com o relatório, tendo em vista que as mudanças climáticas e os impactos sobre as populações e os setores econômicos nos próximos anos não serão idênticos em todo o país, o Brasil precisa levar em conta as diferenças regionais no desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação e de políticas agrícolas, de geração de energia e de abastecimento hídrico para essas diferentes regiões.

Dividido em três partes, o Relatório 1 – em fase final de elaboração – apresenta projeções regionalizadas das mudanças climáticas que deverão ocorrer nos seis diferentes biomas do Brasil até 2100, e indica quais são seus impactos estimados e as possíveis formas de mitigá-los.

As projeções foram feitas com base em revisões de estudos realizados entre 2007 e início de 2013 por 345 pesquisadores de diversas áreas, integrantes do PBMC, e em resultados científicos de modelagem climática global e regional.

“O Relatório está sendo preparado nos mesmos moldes dos relatórios publicados pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], que não realiza pesquisa, mas avalia os estudos já publicados”, disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador do encontro.

“Depois de muito trabalho e interação, chegamos aos resultados principais dos três grupos de trabalho [Bases científicas das mudanças climáticas; Impactos, vulnerabilidades e adaptação; e Mitigação das mudanças climáticas]”, ressaltou.

Principais conclusões

Uma das conclusões do relatório é de que os eventos extremos de secas e estiagens prolongadas, principalmente nos biomas da Amazônia, Cerrado e Caatinga, devem aumentar e essas mudanças devem se acentuar a partir da metade e no fim do século 21.

A temperatura na Amazônia deverá aumentar progressivamente de 1 ºC a 1,5 ºC até 2040 – com diminuição de 25% a 30% no volume de chuvas –, entre 3 ºC e 3,5 ºC no período de 2041 a 2070 – com redução de 40% a 45% na ocorrência de chuvas –, e entre 5 ºC a 6 ºC entre 2071 a 2100.

Enquanto as modificações do clima associadas às mudanças globais podem comprometer o bioma em longo prazo, a questão atual do desmatamento decorrente das intensas atividades de uso da terra representa uma ameaça mais imediata para a Amazônia, ponderam os autores do relatório.

Os pesquisadores ressaltam que estudos observacionais e de modelagem numérica sugerem que, caso o desmatamento alcance 40% na região no futuro, haverá uma mudança drástica no padrão do ciclo hidrológico, com redução de 40% na chuva durante os meses de julho a novembro – o que prolongaria a duração da estação seca e provocaria o aquecimento superficial do bioma em até 4 ºC.

Dessa forma, as mudanças regionais decorrentes do efeito do desmatamento se somariam às provenientes das mudanças globais e constituíram condições propícias para a savanização da Amazônia – problema que tende a ser mais crítico na região oriental, ressaltam os pesquisadores.

“As projeções permitirão analisar melhor esse problema de savanização da Amazônia, que, na verdade, percebemos que poderá ocorrer em determinados pontos da floresta, e não no bioma como um todo, conforme previam alguns estudos”, destacou Tércio Ambrizzi, um dos autores coordenadores do sumário executivo do grupo de trabalho sobre a base científica das mudanças climáticas.

A temperatura da Caatinga também deverá aumentar entre 0,5 ºC e 1 ºC e as chuvas no bioma diminuirão entre 10% e 20% até 2040. Entre 2041 e 2070 o clima da região deverá ficar de 1,5 ºC a 2,5 ºC mais quente e o padrão de chuva diminuir entre 25% e 35%. Até o final do século, a temperatura do bioma deverá aumentar progressivamente entre 3,5 ºC e 4,5 ºC  e a ocorrência de chuva diminuir entre 40% e 50%. Tais mudanças podem desencadear o processo de desertificação do bioma.

Por sua vez, a temperatura no Cerrado deverá aumentar entre 5 ºC e 5,5 ºC e as chuvas diminuirão entre 35% e 45% no bioma até 2100. No Pantanal, o aquecimento da temperatura deverá ser de 3,5ºC a 4,5ºC até o final do século, com diminuição acentuada dos padrões de chuva no bioma – com queda de 35% a 45%.

Já no caso da Mata Atlântica, como o bioma abrange áreas desde a região Sul do país, passando pelo Sudeste e chegando até o Nordeste, as projeções apontam dois regimes distintos de mudanças climáticas.

Na porção Nordeste deve ocorrer um aumento relativamente baixo na temperatura – entre 0,5 ºC e 1 ºC – e decréscimo nos níveis de precipitação (chuva) em torno de 10% até 2040. Entre 2041 e 2070, o aquecimento do clima da região deverá ser de 2 ºC a 3 ºC, com diminuição pluviométrica entre 20% e 25%. Já para o final do século – entre 2071 e 2100 –, estimam-se condições de aquecimento intenso – com aumento de 3 ºC a 4 ºC na temperatura – e diminuição de 30% a 35% na ocorrência de chuvas.

Nas porções Sul e Sudeste as projeções indicam aumento relativamente baixo de temperatura entre 0,5 ºC e 1 ºC até 2040, com aumento de 5% a 10% no número de chuva. Entre 2041 e 2070 deverão ser mantidas as tendências de aumento gradual de 1,5 ºC a 2 ºC na temperatura e de 15% a 20% de chuvas.

Tais tendências devem se acentuar ainda mais no final do século, quando o clima deverá ficar entre 2,5 ºC e 3 ºC mais quente e entre 25% e 30% mais chuvoso.

Por fim, para o Pampa, as projeções indicam que até 2040 o clima da região será entre 5% e 10% mais chuvoso e até 1 ºC mais quente. Já entre 2041 e 2070, a temperatura do bioma deverá aumentar entre 1 ºC e 1,5 ºC  e haverá uma intensificação das chuvas entre 15% e 20%. As projeções para o clima da região no período entre 2071 e 2100 são mais agravantes, com aumento de temperatura de 2,5 ºC a 3 ºC e ocorrência de chuvas entre 35% e 40% acima do normal.

“O que se observa, de forma geral, é que nas regiões Norte e Nordeste do Brasil a tendência é de um aumento de temperatura e de diminuição das chuvas ao longo do século”, resumiu Ambrizzi.

“Já nas regiões mais ao Sul essa tendência se inverte: há uma tendência tanto de aumento da temperatura – ainda que não intenso – e de precipitação”, comparou.

Impactos e adaptação

As mudanças nos padrões de precipitação nas diferentes regiões do país, causadas pelas mudanças climáticas, deverão ter impactos diretos na agricultura, na geração e distribuição de energia e nos recursos hídricos das regiões, uma vez que a água deve se tornar mais rara nas regiões Norte e Nordeste e mais abundante no Sul e Sudeste, alertam os pesquisadores.

Por isso, será preciso desenvolver ações de adaptação e mitigação específicas e rever decisões de investimento, como a construção de hidrelétricas nas regiões leste da Amazônia, onde os rios poderão ter redução da vazão da ordem de até 20%, ressalvaram os pesquisadores.

“Essas variações de impactos mostram que qualquer tipo de estratégia planejada para geração de energia no leste da Amazônia está ameaçada, porque há uma série de fragilidades”, disse Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Dará para contar com água. Mas até quando e onde encontrar água nessas regiões são incógnitas”, disse o pesquisador, que é um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 2 do relatório, sobre Impactos, vulnerabilidades e adaptação.

De acordo com Assad, é muito caro realizar ações de adaptação às mudanças climáticas no Brasil em razão das fragilidades que o país apresenta tanto em termos naturais – com grandes variações de paisagens – como socioeconômicas.

“A maior parte da população brasileira – principalmente a que habita as regiões costeiras do país – está vulnerável aos impactos das mudanças climáticas. Resolver isso não será algo muito fácil”, estimou.

Entre os setores econômicos do país, segundo Assad, a agricultura é um dos poucos que vêm se adiantando para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.

“Já estamos trabalhando com condições de adaptação há mais de oito anos. É possível desenvolver cultivares tolerantes a temperaturas elevadas ou à deficiência hídrica [dos solos], disse Assad.

O pesquisador também ressaltou que os grupos populacionais com piores condições de renda, educação e moradia sofrerão mais intensamente os impactos das mudanças climáticas no país. “Teremos que tomar decisões rápidas para evitar que tragédias aconteçam.”

Mitigação

Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília (UnB), e uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho 3, sobre Mitigação das Mudanças Climáticas, apresentou uma síntese de estudos e pesquisas sobre o tema, identificando lacunas do conhecimento e direcionamentos futuros em um cenário de aquecimento global.

Bustamante apontou que a redução das taxas de desmatamento entre 2005 e 2010 – de 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente para 1,25 bilhão de toneladas – já teve efeitos positivos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes do uso da terra.

“As emissões decorrentes da geração de energia e da agricultura, no entanto, aumentaram em termos absolutos e relativos, indicando mudanças no perfil das emissões brasileiras”, disse.

Mantidas as políticas atuais, a previsão é de que as emissões decorrentes dos setores de energia e de transportes aumentem 97% até 2030. Será preciso mais eficiência energética, mais inovação tecnológica e políticas de incentivo ao uso de energia renovável para reverter esse quadro.

Na área de transporte, as recomendações vão desde a transformação de um modal – fortemente baseado no transporte rodoviário – e o uso de combustíveis tecnológicos. “É preciso transferir do individual para o coletivo, investindo, por exemplo, em sistemas aquaviários e em veículos elétricos e híbridos”, ressaltou Bustamante.

O novo perfil das emissões de GEE revela uma participação crescente do metano – de origem animal – e do óxido nitroso – relacionado ao uso de fertilizantes. “Apesar desses resultados, a agricultura avançou no desenvolvimento de estratégias de mitigação e adaptação”, ponderou.

Para a indústria, responsável por 4% das emissões de GEE, a lista de recomendações para a mitigação passa pela reciclagem, pela utilização de biomassa renovável, pela cogeração de energia, entre outros.

As estratégias de mitigação das mudanças climáticas exigem, ainda, uma revisão do planejamento urbano de forma a garantir a sustentabilidade também das edificações de forma a controlar, por exemplo, o consumo da madeira e garantir maior eficiência energética na construção civil.

Informação para a sociedade

Os pesquisadores participantes da redação do relatório destacaram que, entre as virtudes do documento, está a de reunir dados de estudos científicos realizados ao longo dos últimos anos no Brasil que estavam dispersos e disponibilizar à sociedade e aos tomadores de decisão informações técnico-científicas críveis capazes de auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adaptação e mitigação para os possíveis impactos das mudanças climáticas.

“Nós, cientistas, temos o desafio de conseguir traduzir a seriedade e a gravidade do momento e as oportunidades que as mudanças climáticas globais encerram para a sociedade. Sabemos que a inação representa a ação menos inteligente que a sociedade pode tomar”, disse Paulo Nobre, coordenador da Rede Clima.

Por sua vez, Celso Lafer, presidente da FAPESP, destacou, na abertura do evento, que a Fundação tem interesse especial nas pesquisas sobre mudanças climáticas, expresso no Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), mantido pela instituição.

“Uma das preocupações básicas da FAPESP é pesquisar e averiguar o impacto das mudanças climáticas globais naquilo que afeta as especificidades do Brasil e do Estado de São Paulo”, afirmou.

Também participaram da abertura do evento Bruno Covas, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Paulo Artaxo, membro da coordenação do PFPMCG.

Carlos Nobre ressaltou que o relatório será a principal fonte de informações que orientará o Plano Nacional de Mudanças Climáticas que, no momento, está em revisão.

“É muito importante que os resultados desse estudo orientem os trabalhos em Brasília e em várias partes do Brasil, em um momento crítico de reorientar a política nacional, que tem de ir na direção de tornar a economia, a sociedade e o ambiente mais resilientes às inevitáveis mudanças climáticas que estão por vir”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil já sinalizou compromisso com a mitigação, materializado na Política Nacional de Mudanças Climáticas e que prevê redução de 10% e 15% das emissões entre 2010 e 2020, respectivamente, relativamente a 2005.

“São Paulo lançou, em 2009, um programa ambicioso, de redução de 20% das emissões, já que a questão da mudança no uso da terra não é uma questão tão importante no Estado, mas sim o avanço tecnológico na geração de energia e em processos produtivos. O Brasil é o único país em desenvolvimento com metas voluntárias para redução de emissões”.

Ele ressaltou, entretanto, que “a adaptação ficou desassistida”. “Não é só mitigar; é preciso também se adaptar às mudanças climáticas. As três redes de pesquisa – Clima, INCT e FAPESP – avançam na adaptação, que é o guia para o desenvolvimento sustentável.”

* Colaboraram Claudia Izique e Noêmia Lopes

 

Modelo para entender as variações climáticas no país

10/09/2013

Por Noêmia Lopes

Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre é considerado fundamental para pesquisas sobre o clima(foto:Nasa)

Agência FAPESP – O desmatamento da Amazônia, as queimadas, os processos de interação entre o Oceano Atlântico e a atmosfera são algumas das questões climáticas particulares do Brasil que o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM, na sigla em inglês) leva em consideração e pretende dar conta de uma forma que mesmo os melhores modelos do mundo não são capazes de fazer.

O modelo foi apresentado em detalhes na segunda-feira (09/09) na abertura da 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais, realizada em São Paulo.

Determinar o quanto o clima já mudou, o quanto as suas características ainda vão se alterar e onde isso ocorrerá é a base para o planejamento de políticas públicas de adaptação aos impactos das mudanças climáticas globais, segundo Paulo Nobre, coordenador geral do BESM e da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), na abertura do evento.

“O BESM é um eixo estruturante da pesquisa em mudanças climáticas no Brasil e oferece subsídios para o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), para a Rede Clima e para o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC)”, disse Nobre.

Com o intuito de colaborar com as previsões sobre as consequências do aquecimento global e o consequente aumento na frequência dos eventos extremos, o BESM roda no supercomputador Tupã da Rede Clima/PFPMCG, reunindo fluxos atmosféricos, oceânicos, de superfície e, em breve, químicos. Adquirido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com apoio da FAPESP, o Tupã está instalado na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de Cachoeira Paulista

Embora ainda não esteja em sua versão final e completa, o modelo já consegue, por exemplo, reconstituir a ocorrência dos últimos El Niños e estimar o retorno desse fenômeno, explicar as chuvas na Zona de Convergência do Atlântico Sul e até estimar a variação do gelo no globo de maneira satisfatória.

“Os cenários mais atuais, de 2013, estão disponíveis no supercomputador. Estamos tomando medidas para que o acesso seja disponibilizado ao público em geral até o final do ano”, afirmou Nobre.

Trinta pesquisadores estão diretamente envolvidos no desenvolvimento do BESM e outros 40 estão ligados indiretamente. De acordo com Nobre, esse número deve duplicar em cinco anos e duplicar novamente em 10 anos. “Para tanto, é preciso que cada vez mais jovens doutores integrem esse desafio.”

Nobre ressaltou ainda as graves consequências que o aumento da frequência dos eventos extremos – tais como secas, enchentes e tornados – tem sobre a vida das populações: “Nossas cidades e nossos campos não foram projetados para conviver com esse novo clima, o que torna essencial a entrada do Brasil na modelagem das mudanças climáticas”, disse.

Os quatro componentes

Iracema Cavalcanti, pesquisadora do Inpe, apresentou, durante o primeiro dia da conferência, os resultados já obtidos a partir do componente atmosférico do BESM.

Em comparação com os dados observados, o modelo consegue alcançar boas simulações de variabilidade sazonal (modificações climatológicas das estações), fluxos de umidade, variabilidade interanual (diferença entre anomalias de pressão), variabilidade da precipitação, entre outros. “Ainda há deficiências, como na maioria dos modelos globais. Mas as características gerais estão contempladas”, disse Cavalcanti.

Em relação aos oceanos, não é possível separá-los do que ocorre no modelo atmosférico, daí a modelagem acoplada ser estratégica para o funcionamento eficiente do BESM. A avaliação é de Leo Siqueira, também do Inpe, que apresentou os desafios desse componente.

“Já conseguimos boas representações, mas queremos melhorar as simulações de temperatura dos oceanos, principalmente nos trópicos, e do gelo marinho. Também queremos criar uma discussão saudável sobre qual modelo de gelo terrestre será adotado dentro do BESM”, disse Siqueira.

A modelagem do terceiro componente, superfície, foi apresentada por Marcos Heil Costa, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “A principal função de um modelo que integra processos superficiais é fornecer fluxos de energia e vapor d’água entre a vegetação e a atmosfera. Isso é o básico. Mas o aprimoramento do sistema, ocorrido ao longo dos últimos anos, permitiu que outros processos fossem incorporados”, afirmou.

Alguns desses processos são: fluxos de radiação, energia e massa; ciclos do carbono e do nitrogênio terrestres; recuperação de áreas abandonadas; incêndios na vegetação natural; culturas agrícolas; vazão e áreas inundadas sazonais; uso do solo por ações humanas (desmatamento); representação específica dos ecossistemas; fertilidade do solo; entre outros.

Química é o quarto e mais recente dos componentes. “Sem um modelo químico, os demais precisam ser constantemente ajustados”, disse Sérgio Correa, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Correa está à frente de estudos sobre química atmosférica que permitirão refinar os dados do BESM quando esse componente for acoplado ao modelo – uma das próximas fases previstas.

Colaborações com pesquisadores de instituições estrangeiras e treinamentos são outras estratégias que estão em vigor para melhorar as representações do Brasil e da América do Sul, com alcance também global.

Mais informações sobre a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais: www.fapesp.br/conclima