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Climate change: Voices from global south muted by climate science (BBC)

By Matt McGrath
Environment correspondent

October 6, 2021

climate researcher

Climate change academics from some of the regions worst hit by warming are struggling to be published, according to a new analysis.

The study looked at 100 of the most highly cited climate research papers over the past five years.

Less than 1% of the authors were based in Africa, while only 12 of the papers had a female lead researcher.

The lack of diverse voices means key perspectives are being ignored, says the study’s author.

Researchers from the Carbon Brief website examined the backgrounds of around 1,300 authors involved in the 100 most cited climate change research papers from 2016-2020.

They found that some 90% of these scientists were affiliated with academic institutions from North America, Europe or Australia.

Africa
Issues of concern to African climate researchers were in danger of being ignored

The African continent, home to around 16% of the world’s population had less than 1% of the authors according to the analysis.

There were also huge differences within regions – of the 10 authors from Africa, eight of them were from South Africa.

When it comes to lead authors, not one of the top 100 papers was led by a scientist from Africa or South America. Of the seven papers led by Asian authors, five were from China.

“If the vast majority of research around climate change is coming from a group of people with a very similar background, for example, male scientists from the global north, then the body of knowledge that we’re going to have around climate change is going to be skewed towards their interests, knowledge and scientific training,” said Ayesha Tandon from Carbon Brief, who carried out the analysis and says that “systemic bias” is at play here.

“One study noted that a lot of our understanding of climate change is biased towards cooler climates, because it’s mainly carried out by scientists who live in the global north in cold climates,” she added.

There are a number of other factors at play that limit the opportunities for researchers from the global south. These include a lack of funding for expensive computers to run the computer models, or simulations, that are the bedrock of much climate research.

Other issues include a different academic culture where teaching is prioritised over research, as well as language barriers and a lack of access to expensive libraries and databases.

Ice research
Most of the leading papers on climate change were published by institutions in the global north

Even where researchers from better-off countries seek to collaborate with colleagues in the developing world, the efforts don’t always work out well.

One researcher originally from Tanzania but now working in Mexico explained what can happen.

“The northern scientist often brings his or her own grad students from the north, and they tend to view their local partners as facilitators – logistic, cultural, language, admin – rather than science collaborators,” Dr Tuyeni Mwampamba from the Institute of Ecosystems and Sustainability Research in Mexico told Carbon Brief.

Researchers from the north are often seen as wanting to extract resources and data from developing nations without making any contribution to local research, a practice sometimes known as “helicopter science”.

For women involved in research in the global south there are added challenges in getting your name on a scientific paper

Women in science
A scientist at work in Cote D’Ivoire

“Women tend to have a much higher dropout rate than men as they progress through academia,” said Ayesha Tandon.

“But then women also have to contend with stereotypes and sexism, and even just cultural norms in their country or from the upbringing that might prevent them from spending as much time on their science or from pursuing it in the way that men do.”

The analysis suggests that the lack of voices from women and from the global south is hampering the global understanding of climate change.

Solving the problem is not going to be easy, according to the author.

“This is a systemic problem and it will progress and keep getting worse, because people in positions of power will continue to have those privileges,” said Ayesha Tandon.

“It’s a problem that will not just go away on its own unless people really work at it.”

Estudantes produzem dicionário biográfico Excluídos da História (Agência Brasil)

Olimpíada de história do Brasil foi criada em 2009 na Unicamp

Publicado em 15/08/2020 – 18:49 Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Do cacique Tibiriçá, nascido antes de 1500 e batizado pelos jesuítas como Martim Afonso de Sousa, que teve papel importante na fundação da cidade de São Paulo a Jackson Viana de Paula dos Santos, jovem escritor nascido em Rio Branco (AC) no ano 2000, fundador da Academia Juvenil de Letras e representante da região norte na Brazil Conference, em Harvard.

Essas são as duas pontas de uma linha do tempo que busca contar a história de importantes personagens brasileiros que estão fora dos livros oficiais, num total de 2.251 verbetes, publicados agora como dicionário biográfico Excluídos da História.

O trabalho foi feito pelos 6.753 estudantes que participaram da quinta fase da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) do ano passado, entre os dias 3 e 8 de junho de 2019, divididos em equipes de três participantes cada.

A olimpíada foi criada em 2009 pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e reúne atualmente mais de 70 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio em uma maratona de busca pelo conhecimento em história do Brasil. A competição tem cinco fases online, com duração de uma semana cada, e uma prova para os finalistas das equipes mais bem pontuadas para definir os medalhistas.

Começou com samba

A Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) é um projeto que iniciou no ano de 2009, no âmbito do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que prossegue sendo elaborado por docentes e pós-graduandos

O dicionário biográfico Excluídos da História foi feito pelos estudantes que participaram da quinta fase da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), iniciativa criada em 2009 pela Unicamp  Divulgação/Unicamp/Direitos Reservados

A coordenadora da Olimpíada Nacional em História do Brasil, Cristina Meneguello, explica que a história do dicionário começou a partir do samba enredo da Estação Primeira de Mangueira, escola campeã do carnaval carioca no ano passado, que levou para a Sapucaí o enredo História para Ninar Gente Grande.

Os versos abriram alas para os “heróis de barracões” com “versos que o livro apagou” para contar “a história que a história não conta” e mostrar “um país que não está no retrato” e o “avesso do mesmo lugar”. Versos que caíram no gosto popular antes mesmo do desfile oficial, sendo tocado em blocos de rua e rodas de samba pela cidade.

Segundo Cristina, a discussão sobre os excluídos da história foi intensa entre os historiadores depois do carnaval no ano passado e o tema permeou toda a competição, que começou no dia 6 de maio.

“Logo na primeira fase da prova a gente fez uma pergunta usando o próprio samba enredo da Mangueira. A gente usa documentos variados, letra de música, propaganda, documentos históricos mais clássicos, imagens, etc. A gente já tinha definido que esse seria o tema da tarefa deles para a quinta fase e fomos colocando as perguntas para eles irem entendendo o tema desde a primeira fase”, lembra.

De acordo com a professora, originalmente não havia a intenção de se publicar o material produzido pelos estudantes. Porém, diante da riqueza e diversidade das pesquisas apresentadas, a coordenação decidiu compartilhar o material com professores, estudantes e todos os interessados, disponibilizando o conteúdo online.

“A gente já sabia que ia ficar uma tarefa muito boa, porque esse conhecimento que eles produzem a partir da escola é sempre muito surpreendente. Mas teve uma série de fatores. O primeiro foi que realmente ficou muito bom o trabalho realizado pelos participantes. Depois, o template que foi criado, com essas quatro páginas como se fosse de um livro didático, ficou um design muito bom e ganhou a medalha de prata no Brasil Design Award no ano passado, como design de sistema educativo”.

Personagens desconhecidos

A escolha do personagem era livre para os estudantes, dentro do critério de ser importante para a história do Brasil e não ser lembrado nos livros didáticos. Cristina diz que o resultado surpreendeu a organização, com verbetes sobre pessoas com importância local e regional, inclusive muitos ainda vivos, mostrando que os participantes entenderam que a história é construída continuamente por personagens diversos, inclusive os que não são apontados pelos historiadores.

“Superou nossa expectativa. Nós observamos que esses personagens desconhecidos são personagens negros, são mulheres importantes para a história do Brasil, são mulheres negras, são líderes locais. Muitos fizeram o verbete de pessoas que estão vivas. São líderes indígenas, pessoas perseguidas na ditadura militar, professores que foram censurados na ditadura militar. Temos de personagens do Brasil colônia até pessoas que estão vivas nesses verbetes”.

Alguns personagens foram lembrados por mais de um grupo, portanto, há verbetes repetidos no dicionário, mas que trazem abordagens diferentes sobre a mesma pessoa.

O grupo da estudante Juliana Kreitlon Pereira foi um dos dois que escreveram sobre Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A sugestão da personagem foi feita por Juliana, que estava no último ano da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa e conheceu a história de Mercedes Baptista pelo professor de História da Dança Paulo Melgaço, semanas antes do desafio da olimpíada.

“A Mercedes sempre fez questão de trazer a dança brasileira para os palcos. Foi uma das coisas que mais me chamou atenção. Ela trabalhou com a Katherine Dunham, uma pesquisadora de movimento e coreógrafa dos Estados Unidos. A Mercedes viu o quanto a gente precisava desse tipo de estudo no Brasil também. Ela recorreu a vários movimentos culturais, coisas que já ocorriam no Brasil mas não tinham holofote. E ela sempre quis trazer bastante atenção para isso”.

Falecida em 2014, Mercedes teve sua estátua inaugurada em 2016 no Largo da Prainha, no circuito Pequena África da zona portuária do Rio de Janeiro.

Juliana se diz muito feliz com a publicação do dicionário online. “Eu não sabia que seria publicado. A gente se esforçou tanto, eu li o livro dela inteiro, até porque era muito interessante. Pensei, poxa, não vai acontecer nada. Quando foi publicado eu fiquei muito feliz porque mais pessoas poderiam conhecer essa bailarina”.

Já a equipe do estudante Lucas do Herval Costa Teles de Menezes decidiu escrever sobre um personagem que representasse o Rio de Janeiro e estivesse presente no cotidiano, mas que as pessoas não percebessem. Um personagem que não tivesse sido completamente apagado da história. O escolhido tem um feriado municipal em sua homenagem em Niterói e dá nome à estação das barcas que chegam do Rio de Janeiro e à praça em frente a ela, onde tem uma estátua: o indígena temiminó Araribóia.

“Eu achei interessante a dinâmica que o personagem teve com os povos estrangeiros, no caso, os portugueses e os franceses. Porque, geralmente, quando a gente aprende sobre a relação dos povos indígenas e os povos europeus invasores, a gente não pensa muito em identificar esses povos indígenas, nunca aprende sobre a história individual de uma figura indígena. Eu achei que ele teve uma história individual muito interessante, foi uma figura de liderança, teve muito envolvimento em mais de uma narrativa política daquela época, e isso me chamou atenção.”

O grupo de Lucas foi o único a lembrar de Araribóia, conhecido como fundador de Niterói e figura fundamental na disputa entre portugueses e franceses que levou à expulsão destes.

Olímpiada

A 12ª edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil está com inscrições abertas até o dia 7 de setembro. Podem se inscrever equipes de três estudantes de 8º e 9º anos do ensino fundamental e todos os anos do ensino médio, com a orientação de um professor ou uma professora, de escolas públicas e particulares.

Diferentemente da maioria das olimpíadas científicas, a ONHB estimula a busca pelo conhecimento em história, e não avaliar o que o estudante já sabe por meio de uma prova.

“É um sistema de aprendizagem participar de olimpíadas. Ela é muito exigente e não quer aferir se os estudantes já sabem, ela dá tempo para eles estudarem, perguntam para o professor, perguntam uns para os outros. Tem uma pergunta de uma coisa que ele nunca ouviu falar, não viu na escola. Mas do lado tem um texto, ele lê, se informa, pesquisa na internet e volta para responder. Nesse processo ele aprendeu história. Eu não estou muito interessada se ele já sabia, mas se ele aprendeu naquele momento, o nosso objetivo pedagógico é esse”, afirma Cristina Meneguello.

A primeira edição da ONHB, em 2009, contou com 15 mil participantes. No ano passado, o número chegou a 73 mil. Por causa da pandemia de covid-19, a competição deste ano será online, não havendo a prova presencial para os finalistas que normalmente é aplicada na Unicamp.

As fases são compostas por questões de múltipla escolha e uma tarefa que será corrigida por outros grupos. Serão escolhidas 400 equipes finalistas, o dobro do usual, com distribuição de 20 medalhas de ouro, 30 de prata e 40 de bronze, que serão enviadas para as escolas.

Ouça na Radioagência Nacional

Edição: Lílian Beraldo