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Higher-class individuals are worse at reading emotions and assuming the perspectives of others, study finds (PsyPost)

Eric W. Dolan – September 4, 2020

New research provides evidence that people from higher social classes are worse at understanding the minds of others compared to those from lower social classes. The study has been published in the Personality and Social Psychology Bulletin.

“My co-author and I set out to examine a question that we deemed important given the trend of rising economic inequality in American society today: How does access to resources (e.g., money, education) influence the way we process information about other human beings?” said study author Pia Dietze, a postdoctoral scholar at the University of California, Irvine.

“We tried to answer this question by examining two essential components within the human repertoire to understand each other’s minds: the way in which we read emotional states from other people’s faces and how inclined we are to take the visual perspective of another person.”

For their study, the researchers recruited 300 U.S. individuals from Amazon’s Mechanical Turk platform and another 452 U.S. individuals from the Prolific Academic platform. The participants completed a test of cognitive empathy called the Reading the Mind in the Eyes Test, which assesses the ability to recognize or infer someone else’s state of mind from looking only at their eyes and surrounding areas.

The researchers also had 138 undergraduates at New York University complete a test of visual perspective-taking known as the Director Task, in which they were required to move objects on a computer screen based on the perspective of a virtual avatar.

The researchers found that lower-class people tended to perform better on the Reading the Mind in the Eyes Test and Director Task than their higher-class counterparts.

“We find that individuals from lower social class backgrounds are better at identifying emotions from other people’s faces and are more likely to spontaneously take another person’s visual perspective. This is in line with a large body of work documenting a tendency for lower-class people to be more socially attuned to others. In addition, our research shows that this can happen at a very basic level; within seconds or milliseconds of encountering a new face or person,” Dietze told PsyPost.

But like all research, the new study includes some limitations.

“This research is based on correlational data. As such, we need to see this research as part of a larger body work to answer the question of causality. However, the insights gained from our study allows us to speculate about how and why we think these tendencies develop,” Dietze explained.

“We theorize that social class can influence social information processing (i.e., the processing of information about other people) at such a basic level because social classes can be conceptualized as a form of culture. As such, social class cultures (like other forms of culture, for example, national cultures), have a pervasive psychological influence that impact many aspects of life, at times even at spontaneous levels.”

The study, “Social Class Predicts Emotion Perception and Perspective-Taking Performance in Adults“, was authored by Pia Dietze and Eric D. Knowles.

Elio Gaspari: A fila única para a Covid-19 está na mesa (Folha de S.Paulo)

Os barões da medicina privada mantiveram-se em virótico silêncio

Folha de S.Paulo

3 de maio de 2020

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto defendeu a instituição de uma fila única para o atendimento de pacientes de Covid-19 em hospitais públicos e privados. Nas suas palavras: “Dói, mas tem que fazer. Porque se não brasileiros pobres vão morrer e brasileiros ricos vão se salvar. Não tem cabimento isso”.

Ex-diretor da Agência de Vigilância Sanitária e ex-superintendente do hospital Sírio Libanês, Vecina tem autoridade para dizer o que disse. A fila única não é uma ideia só dele. Foi proposta no início de abril por grupos de estudo das universidades de São Paulo e Federal do Rio.

Na quarta-feira (29), o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Zasso Pigatto, enviou ao ministro Nelson Teich e aos secretários estaduais de Saúde sua Recomendação 26, para que assumam a coordenação “da alocação dos recursos assistenciais existentes, incluindo leitos hospitalares de propriedade de particulares, requisitando seu uso quando necessário, e regulando o acesso segundo as prioridades sanitárias de cada caso”.

Por quê? Porque a rede privada tem 15.898 leitos de UTIs, com ociosidade de 50%, e a rede pública tem 14.876 e está a um passo do colapso.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (ex-diretor de uma Unimed) jamais tocou no assunto. Seu sucessor, Nelson Teich (cuja indicação para a pasta foi cabalada por agentes do baronato) também não. Depois da recomendação do conselho, quatro guildas da medicina privada saíram do silêncio, condenaram a ideia e apresentaram quatro propostas alternativas. Uma delas, a testagem da população, é risível e duas são dilatórias (a construção de hospitais de campanha e a publicação de editais para a contratação de leitos e serviços). A quarta vem a ser boa ideia: a revitalização de leitos públicos. Poderia ter sido oferecida em março.

Desde o início da epidemia os barões da medicina privada mantiveram-se em virótico silêncio. Eles viviam no mundo encantado da saúde de grife, contratando médicos renomados como se fossem jogadores de futebol, inaugurando hospitais com hotelarias estreladas e atendendo clientes de planos de saúde bilionários. Veio a Covid-19, e descobriram-se num país com 40 milhões de invisíveis e 12 milhões de desempregados.

Se o vírus tivesse sido enfrentado com a energia da Nova Zelândia, o silêncio teria sido eficaz. Como isso era impossível, acordaram no Brasil, com 90 mil infectados e mais de 6.000 mortos.

A Agência Nacional de Saúde ofereceu aos planos de saúde acesso ao recursos de um fundo se elas aceitassem atender (até julho) clientes inadimplentes. Nem pensar. Dos 780 planos só 9 aderiram.

O silêncio virótico provocou-lhes uma tosse com a recomendação do Conselho Nacional de Saúde. A fila única é um remédio com efeitos laterais tóxicos. Se a burocracia ficar encarregada de organizá-la, arrisca só ficar pronta em 2021. Ademais é discutível se uma pessoa que pagou caro pelo acesso a um hospital deve ficar atrás de alguém que não pagou. Na outra ponta dessa discussão, fica a frase de Vecina: “Brasileiros pobres vão morrer e brasileiros ricos vão se salvar”. Os números da epidemia mostram que o baronato precisa sair da toca.

A Covid-19 jogou o sistema de saúde brasileiro na arapuca daquele navio cujo nome não deve ser pronunciado (com Leonardo DiCaprio estrelando o filme). O transatlântico tinha 2.200 passageiros, mas nos seus botes salva-vidas só cabiam 1.200 pessoas. 34% dos homens da primeira classe salvaram-se.

Na terceira classe, só 12%.