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Médium garante controlar o clima e atendeu governos do Brasil e do exterior (RedeTV!)

 

Médium garante controlar o clima e atendeu governos do Brasil e do exterior

Em rara aparição na TV, Adelaide Scritori, da Fundação Cacique Cobra Coral, fala sobre a parceira com políticos brasileiros e estrangeiros. Além de garantir que pode controlar o clima, ela mostra documentos para provar que alertou o governo dos EUA sobre o atentado às Torres Gêmeas, Saddam Hussein da Guerra do Golfo e diz que avisou Ayrton Senna sobre o acidente que ele sofreria em Ímola.

Publicada: 19/01/2018

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Médiuns têm perfil diferente daquele apresentado na literatura científica (USP Notícias)

11/05/2005

Estudo com 115 médiuns kardecistas de São Paulo indica que a maioria possui alto nível socioeducacional, perfil que se enquadra no último censo do IBGE. Segundo a pesquisa, eles não apresentam problemas mentais

Na literatura científica, muitas vezes os médiuns (que se comunicam com espíritos) são descritos como pessoas de baixa escolaridade e renda. Sua mediunidade deve ser entendida como um “mecanismo de defesa contra as opressões sociais”, ou como manifestação de algum quadro dissociativo ou psicótico.

No entanto, um estudo realizado pelo psiquiatra Alexander Moreira de Almeida com médiuns espíritas da cidade de São Paulo mostrou um perfil diferente: os médiuns apresentaram um alto nível socioeducacional e uma prevalência de transtornos mentais menor do que a encontrada na população em geral.

Almeida constatou que 46,5% das pessoas tinham curso superior, 76,5% eram mulheres, menos de 3% estavam desempregados, e a idade média era de 48 anos. A maioria era espírita há mais de 16 anos, vieram de famílias não-espíritas e as vivências mediúnicas começaram na infância.

“Esse perfil sociodemográfico se encaixa no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra um crescimento da proporção de espíritas conforme aumenta a escolaridade da população”, comenta o psiquiatra, que apresentou sua tese de doutorado à Faculdade de Medicina (FMUSP), com orientação do professor Francisco Lotufo Neto.

Os participantes do estudo atuam em nove centros espíritas kardecistas da Capital, pertencentes à Aliança Espírita Evangélica. O médico aplicou um questionário sóciodemográfico a 115 médiuns antes e depois das sessões espíritas. Eles também responderam a questões referentes à atividade mediúnica. Almeida ainda utilizou os questionários SRQ (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), que rastreia a presença de transtornos mentais, e o EAS (Escala de Adequação Social), que mostra como a pessoa se relaciona em sociedade.

A partir dos resultados foram selecionados 24 médiuns. Eles foram analisados pelo SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry), um tipo de entrevista psiquiátrica padrão e pelo DDIS (Dissociative Disorders Interview Schedule), um questionário que detecta transtornos dissociativos (quando uma parte da mente funciona de forma independente). “É nessa categoria que os transes mediúnicos são habitualmente encaixados”, explica o médico.

“Os médiuns apresentaram, em média, quatro sintomas de primeira ordem para diagnóstico de esquizofrenia, mas a presença desses sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental”

Transes X esquizofrenia

A escala DDIS investiga a presença de 11 sintomas de primeira ordem para o diagnóstico de esquizofrenia – vozes dialogando na sua cabeça, vozes comentando as suas ações, ter suas ações produzidas ou controladas por alguém ou algo fora de você, entre outros. “Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental”, afirma. “Além disso, eles também apresentaram uma boa adequação social e demonstraram ter uma saúde mental melhor que a da população em geral”. Não houve correlação entre freqüência de atividade mediúnica e problemas mentais ou desajuste social.

O médico ressalva que os resultados da pesquisa se referem especificamente a médiuns em atividades regulares em centros espíritas. “Para eles trabalharem nos centros são necessários dois anos de cursos, além da participação semanal nas reuniões mediúnicas”, afirma.

Almeida é membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. O núcleo tem como objetivo estudar as questões religiosas e espirituais segundo o enfoque científico, sem vínculo com nenhuma corrente filosófica ou religiosa.

“Durante muito tempo a Psiquiatria encarou a mediunidade como um transtorno mental”, conta. “Só a partir das décadas de 50 e 60 é que houve uma mudança de mentalidade, e essas manifestações passaram a ser vistas como sendo não-patológicas quando vivenciadas dentro de uma religião.” De acordo com Almeida, o último censo do IBGE mostrou que o espiritismo ocupa a quarta posição entre as religiões praticadas no Brasil, país com a maior população espírita do mundo. A tese está disponível para consultas no Portal Conhecimento.

What a Shaman Sees in A Mental Hospital (Waking Times)

By  August 22, 2014

What if Dean Radin is right? (The Sceptic’s Dictionary)

by Robert Todd Carroll

Dean Radin, author of The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena (HarperSanFrancisco 1997), says that “psi researchers have resolved a century of skeptical doubts through thousands of replicated laboratory studies” (289) regarding the reality of psychic phenomena such as ESP(extrasensory perception) and PK (psychokinesis). Of course, Radin also considers meta-analysis as the most widely accepted method of measuring replication in science (51). Few scientists would agree with either of these claims. In any case, most American adults—about 75%, according to a 2005 Gallup poll—believe in at least one paranormal phenomenon. Forty-one percent believe in ESP. Fifty-five percent believe in the power of the mind to heal the body. One doesn’t need to be psychic to know that the majority of believers in psi have come to their beliefs through experience or anecdotes, rather than through studying the scientific evidence Radin puts forth in his book.

Radin doesn’t claim that the scientific evidence is going to make more believers. He realizes that the kind of evidence psi researchers have put forth hasn’t persuaded most scientists that there is anything of value in parapsychology. He thinks  there is “a general uneasiness about parapsychology” and that because of the “insular nature of scientific disciplines, the vast majority of psi experiments are unknown to most scientists.” He also dismisses critics as skeptics who’ve conducted “superficial reviews.” Anyone familiar with the entire body of research, he says, would recognize he is correct and would see that there are “fantastic theoretical implications” (129) to psi research. Nevertheless, in 2005 the Nobel Committee once again  passed over the psi scientists when handing out awards to those who have made significant contributions to our scientific knowledge.

The evidence Radin presents, however, is little more than a hodgepodge of occult statistics. Unable to find a single person who can correctly guess a three-letter word or move a pencil an inch without trickery, the psi researchers have resorted to doing complex statistical analyses of data. In well-designed studies they assume that whenever they have data that, by some statistical formula, is not likely due to chance, they attribute the outcome to psi. A well-designed study is one that carefully controls for such things as cheating, sensory leakage (unintentional transfer of information by non-psychic means), inadequate randomization, and other factors that might lead to an artifact (something that looks like it’s due to psi when it’s actually due to something else).

The result of this enormous data that Radin cites is that there is statistical evidence (for what it’s worth) that indicates (however tentatively) that some very weak psi effects are present (so weak that not a single individual who participates in a successful study has any inkling of possessing psychic power). Nevertheless, Radin thinks it is appropriate to speculate about the enormous implications of psi for biology, psychology, sociology, philosophy, religion, medicine, technology, warfare, police work, business, and politics. Never mind that nobody has any idea as to how psi might work. That is a minor detail to someone who can write with a straight face (apparently) that:

lots of independent, simple glimpses of the future may one day innocently crash the future. It’s not clear what it means to “crash the future,” but it doesn’t sound good. (297)

No, it certainly doesn’t sound good. But, as somebody once said, “the future will be better tomorrow.”

According to Radin, we may look forward to a future with “psychic garage-door openers” and the ability to “push atoms around” with our minds (292). Radin is not the least bit put off by the criticism that all the other sciences have led us away from superstition andmagical thinking, while parapsychology tries to lead us into those pre-scientific modes. Radin notes that “the concept that mind is primary over matter is deeply rooted in Eastern philosophy and ancient beliefs about magic.” However, instead of saying that it is now time to move forward, he rebuffs “Western science” for rejecting such beliefs as “mere superstition.” Magical thinking, he says, “lies close beneath the veneer of the sophisticated modern mind” (293). He even claims that “the fundamental issues [of consciousness] remain as mysterious today as they did five thousand years ago.” We may not have arrived at a final theory of the mind, but a lot of the mystery has evaporated with the progress made in the neurosciences over the past century. None of our advancing knowledge of the mind, however, has been due to contributions from parapsychologists. (Cf. Blackmore 2001).

Radin doesn’t grasp the fact that the concept of mind can be an illusion without being a “meaningless illusion” (294). He seems to have read David Chalmers, but I suggest he and his followers read Daniel Dennett. I’d begin with Sweet Dreams (2005)Consciousness is not “a complete mystery,” as Radin claims (294). The best that Radin can come up with as evidence that psi research has something to offer consciousness studies is the claim that “information can be obtained in ways that bypass the ordinary sensory system altogether” (295). Let’s ignore the fact that this claim begs the question. What neuroscience has uncovered is just how interesting and complex this “ordinary sensory system” turns out to be.

Radin would have us believe that magical thinking is essential to our psychological well being (293). If he’s right, we’ll one day be able to solve all social problems by “mass-mind healings.” And religious claims will get new meaning as people come to understand the psychic forces behind miracles and talking to the dead. According to Radin, when a medium today talks to a spirit “perhaps he is in contact with someone who is alive in the past.From the ‘departed’ person’s perspective, she may find herself communicating with someone from the future, although it is not clear that she would know that” (295). Yes, I don’t think that would be clear, either.

In medicine, Radin expects distant mental healing (which he argues has been scientifically established) to expand to something that “might be called techno-shamanism” (296). He describes this new development as “an exotic, yet rigorously schooled combination of ancient magical principles and future technologies” (296). He expects psi to join magnetic resonance imaging and blood tests as common stock in the world of medicine. “This would translate into huge savings and improved quality of life for millions of people” (192) as “untold billions of dollars in medical costs could be saved” (193). 

Then, of course, there will be the very useful developments that include the ability to telepathically “call a friend in a distant spacecraft, or someone in a deeply submerged submarine” (296). On the other hand, the use of psychic power by the military and by police investigators will depend, Radin says, on “the mood of the times.” If what is popular on television is an indicator of the mood of the times, I predict that there will be full employment for psychic detectives and remote viewers in the future.

Radin looks forward to the day when psi technology “might allow thought control of prosthetics for paraplegics” and “mind-melding techniques to provide people with vast, computer-enhanced memories, lightning-fast mathematical capabilities, and supersensitive perceptions” (197). He even suggests we employ remote viewer Joe McMoneagle  to reveal future technological devices he “has sensed in his remote-viewing sessions” (100).

Radin considers a few other benefits that will come from our increased ability to use psi powers: “to guide archeological digs and treasure-hunting expeditions, enhance gambling profits, and provide insight into historical events” (202). However, he does not consider some of the obvious problems and benefits that would occur should psychic ability become common. Imagine the difficulties for the junior high teacher in a room full of adolescents trained in PK. Teachers and parents would be spending most of their psychic energy controlling the hormones of their charges. The female garment and beauty industries would be destroyed as many attractive females would be driven to try to make themselves look ugly to avoid having their clothes being constantly removed by psychic perverts and pranksters. 

Ben Radford has noted the potential for “gross and unethical violations of privacy,” as people would be peeping into each other’s minds. On the other hand, infidelity and all forms of deception might die out, since nobody could deceive anyone about anything if we were all psychic. Magic would become pointless and “professions that involve deception would be worthless” (Radford 2000). There wouldn’t be any need for undercover work or spies. Every child molester would be identified immediately. No double agent could ever get away with it. There wouldn’t be any more lotteries, since everybody could predict the winning numbers. We wouldn’t need trials of accused persons and the polygraph would be a thing of the past.

Hurricanes, tsunamis, earthquakes, floods, and other signs of intelligent design will become things of the past as billions of humans unite to focus their thoughts on predicting and controlling the forces of nature. We won’t need to build elaborate systems to turn away errant asteroids or comets heading for our planet: billons of us will unite to will the objects on their merry way toward some other oblivion. It is unlikely that human nature will change as we become more psychically able, so warfare will continue but will be significantly changed. Weapons won’t be needed because we’ll be able to rearrange our enemies’ atoms and turn them into mush from the comfort of our living rooms. (Who knows? It might only take a few folks with super psi powers to find Osama bin Laden and turn him into a puddle of irradiated meat.) Disease and old age will become things of the past as we learn to use our thoughts to kill cancer cells and control our DNA.

Space travel will become trivial and heavy lifting will be eliminated as we will be able to teleport anything to anywhere at anytime through global consciousness. We’ll be able to transport all the benefits of earthly consciousness to every planet in the universe. There are many other likely effects of global psychic ability that Radin has overlooked but this is understandable given his heavy workload as Senior Scientist at IONS (The Institute of Noetic Sciences) and as a blogger.

Radin notes only one problem should psi ability become common: we’ll all be dipping into the future and we might “crash the future,” whatever that means. The bright side of crashing the future will be the realization of “true freedom” as we will no longer be doomed to our predestined fate. We will all have the power “to create the future as we wish, rather than blindly follow a predetermined course through our ignorance” (297). That should make even the most cynical Islamic fundamentalist or doomsday Christian take heed. This psi stuff could be dangerous to one’s delusions even as it tickles one’s funny bone and stimulates one’s imagination to aspire to the power of gods and demons.

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update: Radin has a follow-up book out called Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Like The Conscious Universe, this one lays out the scientific evidence for psi as seen from the eyes of a true believer. As noted above, in The Conscious Universe, Radin uses statistics and meta-analysisto prove that psychic phenomena really do exist even if those who have the experiences in the labs are unaware of them. Statistical data show that the world has gone psychic, according to the latest generation of parapsychologists. You may be unconscious of it, but your mind is affecting random number generators all over the world as you read this. The old psychic stuff—thinking about aunt Hildie moments before she calls to tell you to bugger off—is now demonstrated to be true by statistical methods that were validated in 1937 by Burton Camp and meta-validated by Radin 60 years later when he asserted that meta-analysis was the replication parapsychologists had been looking for. The only difference is that now when you think of aunt Hildie it might be moments before she calls her car mechanic and that, too, may be linked to activity in your mind that you are unaware of.

Radin’s second book sees entanglement as a key to understanding extrasensory phenomena. Entanglement is a concept from quantum physics that refers to connections between subatomic particles that persist regardless of being separated by various distances. He notes that some physicists have speculated that the entire universe might be entangled and that the Eastern mystics of old might have been on to something cosmic. His speculations are rather wild but his assertions are rather modest. For example: “I believe that entanglement suggests a scenario that may ultimately lead to a vastly improved understanding of psi” (p. 14) and “I propose that the fabric of reality is comprised [sic] of ‘entangled threads’ that are consistent with the core of psi experience” (p. 19). Skeptics might suggest that studying self-deception and wishful thinking would lead to a vastly improved understanding of psi research and that being consistent with a model is a minimal, necessary condition for taking any model seriously, but hardly sufficient to warrant much faith.

Readers of The Conscious Universe will be pleased to know that Radin has outdone himself on the meta-analysis front. In his second book, he provides a meta-meta-analysis of over 1,000 studies on dream psi, ganzfeld psi, staring, distant intention, dice PK, and RNG PK. He concludes that the odds against chance of getting these results are 10104 against 1 (p. 276). As Radin says, “there can be little doubt that something interesting is going on” (p. 275). Yes, but I’m afraid it may be going on only in some entangled minds.

On the bright side, Radin continues to ignore Gary Schwartz and self-proclaimed psychics like Jon Edward, Sylvia BrowneUri Geller, and Ted Owens. He still has a fondness for remote viewers like Joe McMoneagle, however, who seems impressive if you don’t understand subjective validation, are willing to ignore the vast majority of his visions, and aren’t bothered by vagueness in the criteria as to what counts as a “hit” in remote viewing. Even a broken clock is right twice a day.

Radin predicts that some day “psi research will be taught in universities with the same aplomb as today’s elementary economics and biology” (p. 295). Perhaps psi research will be taught in the same classroom as intelligent design, though this seems unlikely as parapsychology attempts to reduce all supernatural and paranormal phenomena to physics. Maybe they could both be taught in the same curriculum: things that explain everything but illuminate nothing.

note: If the reader wants to see a more complete review of Radin’s work, please read my reviews of his books. Links are given below.

further reading

book reviews by Robert T. Carroll

The Conscious Universe: The Scientific Truth of Psychic Phenomena
by Dean Radin (HarperOne 1997)

Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality
by Dean Radin (Paraview Pocket Books 2006)

The End of Materialism: How Evidence of the Paranormal is Bringing Science and Spirit Together by Charles T. Tart, Ph.D. (New Harbinger 2009)

Spook: Science Tackles the Afterlife 
by Mary Roach (W. W. Norton 2005).

The Afterlife Experiments: Breakthrough Scientific Evidence of Life After Death
by Gary Schwartz (Atria 2003)

Ghost Hunters – William James and the Hunt for Scientific Proof of Life After Death
by Deborah Blum (Penguin Press 2006).

books and articles

Blackmore, Susan. (2001) “What Can the Paranormal Teach Us About Consciousness?” Skeptical Inquirer, March/April.

Blackmore, Susan (2003). Consciousness: An Introduction. Oxford University Press.

Good, I. J. (1997). Review of The Conscious UniverseNatureOctober 23, with links to responses by Radin, Brian Josephson, and Nick Herbert.

Larsen, Claus. (2002). An evening with Dean Radin.

Pedersen, Morten Monrad. (2003). Book Review of Dean Radin’s The Conscious Universe

Radin, Dean. (1997). The Conscious Universe – The Scientific Truth of Psychic Phenomena. HarperCollins.

Radin, Dean. (2006). Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality. Paraview Pocket Books.

Radford, Benjamin. (2000). “Worlds in Collision – Applying Reality to the Paranormal,” Skeptical Inquirer, November/December.

Last updated 01-Aug-2015

Fundação Cacique Cobra Coral culpa motorista por chuva no Rock in Rio (Extra) + artigos relacionados

28/09/15 16:48 Atualizado em 28/09/15 18:13

Chuva caiu durante último dia do Rock in Rio 27/09/2015

Chuva caiu durante último dia do Rock in Rio 27/09/2015 Foto: Rafael Moraes / Extra

Igor Ricardo

Contratada pela organização do Rock in Rio para evitar chuvas durante o festival, a Fundação Cacique Cobra Coral falhou e emitiu um comunicado eximindo-se de culpa pelo temporal que caiu neste domingo, último dia do evento. Segundo a nota, o responsável foi o motorista encarregado de levar a médium Adelaide Scritori e sua equipe para a Cidade do Rock, na Zona Oeste do Rio, já que o profissional teria esquecido o adesivo de passe livre do carro.

“Quando já estávamos próximos da City do Rock (Cidade do Rock) o chofer (motorista) percebeu que havia esquecido de adesivar o auto (veículo), que com as barreiras não iria conseguir entrar e voltou para buscar o adesivo, atrasando nossa ida. Quando lá chegamos, a chuva já havia entrado”, afirmava o comunicado.

Durante o show do A-ha, chuva castigou público do festival 27/09/2015

Durante o show do A-ha, chuva castigou público do festival 27/09/2015 Foto: Marcelo Theobald / Extra

De acordo com Osmar Santos, porta-voz oficial da entidade, o atraso foi de cerca de 30 minutos, prejudicando a ação da fundação, conforme conversou com o EXTRA.

– Um atraso de 30 minutos, tempo que levou para voltarmos para pegar o adesivo do carro (no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca), antecipou em quatro horas o que já estávamos prevendo. A chuva só iria cair por volta das 2h, ou seja, depois dos shows – explicou Osmar.

Entretanto, não é a primeira vez que a “burocracia terrena” atrapalha os alegados dons sobrenaturais da Fundação Cobra Coral. Em 2011, quando também foi contratada pelo Rock in Rio e choveu no segundo dia do evento, a desculpa foi exatamente a mesma: a falta do adesivo de livre acesso.

“Desde os boletins do dia 14 (setembro de 2011), já sabíamos que a previsão era de chuva para esses dias de shows. Mas, se conseguíssemos entrar (na Cidade do Rock), faríamos o isolamento do local e poderia ser fácil canalizar essa chuva para Minas, por exemplo, que está seco. Mas, infelizmente, não tínhamos o adesivo”, disse Osmar, em entrevista na época.

Poça d’água gigante se formou após chuva na Cidade do Rock 27/09/2015

Poça d’água gigante se formou após chuva na Cidade do Rock 27/09/2015 Foto: Marcelo Theobald / Extra

Área de instabilidade

Além do adesivo, o porta-voz da entidade justificou que a chuva deste domingo foi ocasionada por uma área de instabilidade que estava sobre a cidade, e não por uma frente fria. Osmar contou que a fundação impediu a ação dessa frente fria no Rio após uma viagem que fez para São Paulo e Minas Gerais na última sexta-feira. Segundo ele, a ação meteorológica foi minimizada.

– A frente fria não veio. O que causou a chuva durante o festival foi a combinação do calor com a umidade, provocando essa área de instabilidade. Considero que nosso trabalho foi 100%, mas, pela opinião pública, nós só seremos julgados pelas três horas de ontem (domingo) – disse.

Para a meteorologista do Climatempo Bianca Lobo, a chuva que caiu sobre todo o Rio de Janeiro no domingo foi reflexo da passagem de uma frente que veio de São Paulo na sexta-feira. O fenômeno meteorológico passou rapidamente pela cidade no sábado, mas deixou diversas áreas de instabilidade. O calor e a umidade também ajudam a explicar a precipitação do domingo, afirmou a especialista.

– Essa frente fria passou e deixou áreas de instabilidade pela cidade. O calor e a umidade, claro, que ajudaram também para as fortes pancadas – contou Bianca.

Até quarta-feira, a previsão continua sendo de chuva para o Rio de Janeiro, com temperaturas chegando aos 30 graus, segundo o Climatempo.

A assessoria de imprensa do Rock in Rio foi procurada para falar sobre a explicação dada pela Fundação Cobra Coral, mas, até o momento, não se pronunciou oficialmente. A ONG presta serviços para o festival desde o evento de 2001. Além das apresentações no Rio, a entidade colabora para evitar maiores incidentes naturais no festival que é realizado fora do Brasil, como Estados Unidos e Portugal.

Leia na íntegra o comunicado da Fundação Cobra Coral:

“Caros, boa noite. Devido alerta que recebemos da formação de áreas de instabilidade devido o calor, já que a frente já havia sido barrada sexta em SP, pedimos às 18h30 a logística que antecipassem nossa ida até a City do Rock, como temos feito todos esses dias, para isolar a área da City. O auto chegou para nos buscar pontualmente. Só que quando já estávamos próximos da City do Rock o chofer percebeu que havia esquecido de adesivar o auto (pois estava usando o auto com outros adesivos) que, com as barreiras, não iria conseguir entrar e voltou para buscar o adesivo, atrasando nossa ida. Quando lá chegamos, a chuva já havia entrado sem adesivo e o bloqueio foi rompido. Tudo isso atrasou nossa chegada em 30 minutos, mas o suficiente para o ocorrido. Quando só era para ocorrer a partir das 03h00 da manhã do dia 28 para a antecipação do período chuvoso na Primavera, que estamos atuando para o estado do RJ. Mesmo assim, ficamos por lá para ir reduzindo lentamente à intempérie. Lamentável que se repita tal situação. Mas não foi culpa da org (organização) que sempre foi impecável. Falhas humanas ocorrem”.


Carro sem adesivo explica chuva no Rock in Rio, segundo Cobra Coral (Época)

Porta-voz da fundação esotérica contratada para desviar chuva afirma que o “erro foi humano”

NONATO VIEGAS

28/09/2015 – 20h18 – Atualizado 28/09/2015 20h18

Ainda na tarde de domingo, uma mensagem do Alerta Rio, sistema de monitoramento da prefeitura que atua em parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral, avisava: “Mudança para estágio de atenção em todo o município às 20h33 do dia 27/9/2015.” Precavido, Osmar Santos, do Cacique Cobra Coral, ligou para a organização do evento, pedindo-lhes que enviasse um carro para buscá-lo imediatamente. Ele faria uma “operação de isolamento” da Cidade do Rock. A entidade esotérica fora contratada pela organização do evento para desviar chuvas da região.

Eram 18 horas. Ato contínuo a organização enviou carro e motorista. No caminho de volta, quase chegando, o funcionário, contratado pelo Rock in Rio, lembrou que esquecera do adesivo de livre acesso do evento para o carro. “Não deu tempo. A chuva não precisa de adesivo para chegar”, explicou Osmar. “Quando voltamos, era tarde demais. Ocorreu um erro humano.”

A operação de isolamento consiste na ida do próprio Osmar Santos até o local – com ou sem a médium Adelaide Scritori – para colher informações de pressão e umidade. Tudo é repassado para a médium, que, segundo Osmar, se comunica com o espírito de Cacique Cobra Coral, alterando as mudanças necessárias no tempo. Pode-se enviar a precipitação para outra região ou apenas “isolar” uma determinada área. Deu certo até sábado. Até helicóptero a organização do evento disponibilizou.

A fundação Cobra Coral existe há 17 anos, para, segundo afirma Osmar Santos, ajudar a equilibrar a natureza da interferência humana na natureza. A entidade Cobra Coral, segundo seus seguidores, teria sido noutras vidas o cientista Galileu Galilei e o ex-presidente americano Abraham Lincoln.

Água nos reservatórios

A pedido do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, o Cacique Cobra Coral volta a se dedicar, agora, à “operação” para que não falte água no estado. Sua médium, Scritori, tem trabalhado no Paraíba do Sul, desde São Paulo, para que chova nos reservatórios. E afirma ter tido sucesso: “Na primeira quinzena de setembro, choveu nos reservatórios o dobro da média do mês”, garante Santos.


Chove forte na última noite de Rock in Rio e tirolesa para de funcionar (Veja Rio)

Organização do festival tem acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade conhecida por evitar fenômenos do tipo

Por: Saulo Guimarães

27/09/2015 às 20:56

capa de chuva rock in rio

Capas de chuva em ação: chuva com trovoada cai no último dia de Rock in Rio, domingo (27) (Foto: Saulo Guimarães)

O que todos temiam aconteceu. Na última noite de Rock in Rio, domingo (27), por volta de 20h20, relâmpagos e gotas de chuva começaram a cair na Cidade do Rock. A chuva persistente forçou o público a abrir a sombrinha, vestir a capa e se abrigar como pode. É bom lembrar que a organização do festival firmou um acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, entidade espírito-meteorológica conhecida por (prometer) deter fenômenos do tipo. Mas, pelo visto, o trato não deu certo. Procurada, a organização optou por não divulgar os valores envolvidos na transação.

O município do Rio entrou em estágio de atenção às 20h33. Há previsão de pancadas de chuva com rajadas de vento e raios, segundo o Centro de Operações da Prefeitura.

Tirolesa fechada por tempo indeterminado

tirolesa fechada

(Foto: Saulo Guimarães)

O vento forte na Cidade do Rock levou à interrupção do funcionamento da tirolesa, um dos principais brinquedos do evento. De acordo com organizadores, ela só será reaberta se o tempo melhorar.


Temporal que caiu no Rock in Rio trouxe lembranças de 1985 (O Globo)

De dia, fãs de A-ha e Katy Perry curtiram o sol; chuva expulsou parte do público depois

POR BERNARDO ARAUJO

Público assiste ao show de Aluna George embaixo de muita chuva – Guito Moreto / Agência O Globo

RIO – “Que tarde linda!”, exclamou o sempre animado Rodrigo Suricato ao abrir ontem o Palco Sunset, junto à banda que carrega no nome. Com ou sem a ajuda da entidade Cacique Cobra Coral, o domingo foi de sol para as famílias que, em muitos casos, misturavam fãs dos veteranos A-ha e Al Jarreau a jovens admiradores de Katy Perry, a atração de encerramento da festa, já na madrugada de hoje. Um dia colorido, sem o conteúdo picante da noite de sábado, quando imperou o clima de amor livre, inspirado pela libertária Rihanna. À noite, porém, tudo mudou, e o contrato da entidade que promete agir sobre o tempo pareceu ter vencido: uma forte chuva desabou sobre a Cidade do Rock, fazendo um considerável número de pessoas ir embora mais cedo. Na Rock Street, grandes poças d’água se formavam. E, sem poder levar guarda-chuvas, parte do público tentava conseguir sacos de lixo com funcionários da limpeza para improvisar capas. Até o chafariz foi desligado. Mas muita gente não se importou e seguiu dançando na chuva até tarde.

O domingão não prometia uma montanha-russa de emoções, mas o começo da jornada na Cidade do Rock foi agitado: animado, o povo chegou cedo e correu para agendar as visitas aos brinquedos, mas a montanha-russa, logo ela, teve um “problema de lubrificação”, como depois explicou a assessoria de imprensa do festival, e precisou ser parada por aproximadamente meia hora. Foi o suficiente para se formar uma fila gigantesca, com princípios de confusão e funcionários despreparados para conter a massa sob o calor. Sorte que o problema foi resolvido com razoável presteza pelos técnicos.

Em meio às famílias, chamavam a atenção fãs e clones da colorida Katy. Não eram raras as meninas com perucas azuis, parte tradicional do visual da cantora. A professora pernambucana Viviane Silva, de 23 anos, chegou à Cidade do Rock com um dos figurinos usados pela cantora na atual turnê, “The prismatic”. Sua mãe levou um dia inteiro para costurar o tecido metalizado de capa de sofá, e o namorado, o mesmo tempo para instalar luzes de LED no conjunto de top e saia.

— A Katy costuma convocar pessoas com roupas chamativas para o palco. Eu quero abraçá-la e tirar foto. Gosto muito da música dela, como os hits “Teenage dream” e “Roar” — disse a recifense.

Enquanto as Katies desfilavam pela Cidade do Rock, que parecia menos cheia do que na tarde-noite de sábado, e definitivamente recebia um público mais tranquilo, o fã-clube do A-ha, sempre numeroso e proativo no Brasil, também deixava sua marca. Apesar dos seis shows do trio norueguês agendados para diferentes cidades brasileiras, os fãs de todo país fizeram questão de ir ao festival e brigar pelo lugar de protagonistas, assumindo uma rivalidade com o papel de headliner de Katy Perry. Eles gravaram inclusive um tributo à banda com vozes captadas pelo aplicativo WhatsApp.

— Quando o A-ha anunciou o retorno para comemorar os 30 anos da banda no Rock in Rio, houve uma comoção. No WhatsApp, começou uma dinâmica de envios de trechos de canções, e com o passar do tempo veio a ideia de fazer um CD para entregar à banda — contou a fã Norma Meireles, de 45 anos, que saiu de João Pessoa, na Paraíba, para ver o grupo norueguês pela terceira vez.

Enquanto os fãs de A-ha e Katy promoviam uma espécie de Marlene x Emilinha pacífico, os portugueses Aurea e Boss AC mostravam o balanço lusitano no Palco Sunset, sempre com um público simpático, mas sem dar grande atenção ao que acontecia no palco. O veterano Al Jarreau, com seu show de piano-bar, conduzido por uma competente banda de free jazz, foi outro que atraiu alguns pais, mas pouquíssimos filhos, com canções como “Your song”, clássico de Elton John, e o convidado Marcos Valle, que cantou o obrigatório “Samba de verão” e “Os grilos”.

Às 19h, o trio de reggae Cidade Negra inaugurou o Palco Mundo, em sua primeira apresentação no espaço em quase 30 anos de banda. Com o galã Toni Garrido à frente, o Cidade enfileirou sucessos e obteve uma boa reação do público, com músicas como “A sombra da maldade”, “Aonde você mora?” e “Pensamento”.

Tudo parecia bem, o público aquecido, quando veio a chuva, atrapalhando o show em tributo aos 450 anos do Rio, com artistas como Alcione e Simoninha. Ao fim da noite, ninguém mais precisaria pagar por lama.


Rock in Rio: festival que vai (muito) além da música (Cult 22)

Chuva de fogos

Por Marcos Pinheiro
Fotos: Rock in Rio (oficial) e divulgação

29 de setembro de 2015

Roberta MedinaRock in Rio 2015 terminou com a garantia de mais duas edições no Brasil, em 2017 e 2019. Esse passaporte já estava “carimbado” antes mesmo de começar o festival por conta da renovação de contrato com a Prefeitura do Rio de Janeiro. No último dia do evento, domingo (27/9), a organização reforçou a informação ao anunciar que a próxima versão já conta com os patrocínios de empresas como Itaú, Ipiranga, Rede Globo e Multishow. Nenhuma atração, porém, foi confirmada. “Ao longo desses 30 anos de história, o Rock in Rio ganhou o mundo e conquistou as pessoas. Crescemos, nos internacionalizamos e somos reconhecidos como o maior evento de música e entretenimento do mundo. Nos consolidamos como um espaço de alegria e como uma mega plataforma de relacionamento com o consumidor gerando oportunidades de negócios e exposição de marcas. Os patrocinadores são essenciais para viabilizar o evento na qualidade de entrega de infraestrutura e de serviços, da grande variedade de atrações e do line up com tantas estrelas de peso nacional e internacional“, comemorou a empresária Roberto Medina (foto), vice-presidente do Rock in Rio, em entrevista coletiva à imprensa.

Palco Rock in RioNas 16 edições já realizadas – Rio de Janeiro (6), Lisboa (6), Madri (3) e Las Vegas (1) -, o festival contabiliza um público de mais de 8,2 milhões de pessoas – só nessa recente versão brasileira foram 595 mil durante os sete dias. Críticas (bastante válidas) a parte, os números realmente confirmam o quanto a marca Rock in Rio é superlativa e se consolidou como o maior evento musical do planeta. Muitas bandas internacionais – algumas tocando pela primeira vez no país – falaram, inclusive, da alegria em estar tocando e na importância do evento. Seria até motivo de orgulho se o povo brasileiro não tivesse tanto “complexo de vira-lata”. Sobre as escolhas das atrações – muitas vezes equivocadas, concordo – deixo para analisar depois.

MARKETING AGRESSIVO
A estratégia de marketing é um grande case para estudo. De cara, o Rock in Rio conta com total apoio da Prefeitura e também do Governo do Estado. Isso possibilita uma mobilização de todo o Rio de Janeiro em torno do evento em termos de logística, trânsito, divulgação oficial, etc. Basta pisar na cidade para “respirar” os ares do festival – isso desde meses antes. Em 2015, ainda teve o patrocínio privado de grandes empresas de vários segmentos – banco (Itaú), telefonia (Oi), operadora de TV (Sky), redes de lanchonete (Bob´s) e posto de gasolina (Ipiranga), montadora de automóveis (Volkswagen), fábricas de refrigerante (Pepsi), cerveja (Heineken), bebida (Bacardi) e preservativos (Olla) -, além da maior emissora de TV do país (Globo) e de um canal de entretenimento correlacionado (Multishow), entre outras parcerias.

Rock in Rio exposiçãoMais que o dinheiro garantido, o Rock in Rio capilariza sua divulgação pelas várias ações de marketing desenvolvidas pelas empresas, com anúncios próprios e uma infinidade de promoções, concursos, etc. Não a toa os ingressos para todos os sete dias se esgotaram em poucas horas, tanto na pré-venda – em novembro de 2014 – quanto na venda oficial, em abril passado. Uma última carga ainda foi disponibilizada em agosto e toda comercializada em menos de três dias. Para reforçar a divulgação pelo Brasil, o festival promoveu a Expo Rock in Rio 30 Anos (foto), mostra itinerante com fotos, vídeos e maquetes que passou por Rio de Janeiro, Cuiabá, Brasília (em julho, no Conjunto Nacional), Porto Alegre e São Paulo.

Angra no estúdio BacardiDentro da Cidade do Rock as diversas marcas fizeram de tudo para se expor. O Bob´s deteve a exclusividade na venda de hambúrgueres e espalhou quatro lanchonetes pela arena. A Volkswagen montou palco próprio para a apresentação de um pequeno musical – com 15 minutos de duração e quatro sessões diárias – contando a história do festival com 10 dançarinos e quatro atores encarnando nomes como Ney Matogrosso, Cazuza, Rita Lee, Cássia Eller, Queen, Iron Maiden e outros. A Pepsi, em seu stand, promoveu karaokê diário com banda de apoio tocando ao vivo enquanto os aspirantes escolhiam a música predileta para cantar. A Bacardi montou um estúdio profissional para que bandas (como o Angrafoto) e cantores pudessem gravar uma demo de verdade – e que contou com a participação de várias “celebridades”, incluindo atores, atrizes e modelos. As chamadas “presenças” também foram o ponto alto no espaço da Sky, que a cada dia trouxe de três a quatro atrações – incluindo a modelo inglesa Cara Delevingne (atriz de “Cidades de papel”). A Heineken promoveu enquete para que o público votasse nas músicas preferidas dos headliners de cada noite – e as três mais votadas eram expostas no telão rotativo de LED da gigantesca torre da tirolesa. O Itaú, com caixas eletrônicos instalados na arena, distribuiu pulseiras que piscam. Já a Oi criou cases luminosos de guitarra que serviam para recarregar celulares. E por aí vai…

Star WarsAlém das ações diárias, ocorreram algumas isoladas. Para promover Star Wars – O Despertar da Força, o sétimo da franquia – que estreia somente em 17 de dezembro -, a Lucas Film promoveu em 19 de setembro (“noite do Metallica”) uma invasão dos Stormtroopers, os guardas de armadura branca do Império. Os atores fantasiados formaram um batalhão no meio da arena, enquanto era exibido no telão do Palco Mundo um trailer do filme.

SHOPPING + PARQUE DE DIVERSÕES
Lama de 1985Somado aos espaços parceiros existia, claro, três lojas vendendo produtos oficiais do Rock in Rio a preços acima do mercado. Eram mais de 600 tipos de mercadorias, de acordo com os números divulgados. As famosas camisetas – com estampas diversas – foram comercializadas por R$ 80, no mínimo. Tinham também bonés, chaveiros, copos, CDs, DVDs, cadernos, agendas, fitas (ao estilo Senhor do Bonfim), bottons, colares, pingentes (e outras bijuterias), cangas e muito mais. O mais exótico de todos era a chamada “Lama de 1985″, azulejo de acrílico vendido a R$ 185 que contém um pedaço do terreno original da lendária (e chuvosa) primeira edição do festival – pelo menos é o que garante a organização. Outro item lançado durante o festival, o livro “Rock in Rio 30 Anos” (Editora 5W) conta a história do evento por meio de fotos, relatos de artistas brasileiros e estrangeiros e esboços de palcos em papel vegetal. A capa, sintomaticamente, mostra justamente a forte chuva e a lama… de 1985!

LockersCaros também eram os preços praticados nos bares, lanchonetes e por vendedores ambulantes: um copo de água 300ml estava a R$ 5refrigerante (garrafa 300ml) a R$ 6chope (500ml) a R$ 10; e sanduíches entre R$ 15 e 20. Outro serviço oferecido foi o de guarda-volumes: por R$ 55 (na hora) ou R$ 45 (antecipado) era possível alugar um armário (locker) para malas, documentos e equipamentos eletrônicos num posto monitorado com câmeras e que funcionou durante todo o evento.

Com tantas marcas expostas – segundo a organização, foram quase 300 empresas parceiras -, onde também se incluem lojas de departamentos e outras opções de fast food (pizzas, cachorro quente, comida japonesa), a arena com 150 mil metros quadrados se transformou num enorme shopping center ao ar livre. Dependendo do perfil das atrações do dia (e respectivo público), a música ficou mesmo em segundo plano. Isso explica muita coisa – e se tornou mais óbvio nos chamados “dias pop”, 26 e 27 de setembro.

TirolesaPara reforçar o lado entretenimento – e ampliar o conceito para “parque de diversões” -, a Cidade do Rock ofereceu, gratuitamente, quatro opções de brinquedos: Roda-Gigante, com capacidade para 140 pessoas por viagem (de 10 minutos cada), que recebeu média de 3,3 mil pessoas por dia; Tirolesa, com até três pessoas e percurso de 40 segundos de uma torre a outra descendo bem em frente ao Palco Mundo (705 por dia); Montanha-Russa, com 1´30″ de “aventura” e capacidade para 28 pessoas (6,2 mil por dia); e o XTreme, pêndulo que gira rapidamente em todas as direções, também com 1´30″ de duração, até 24 pessoas e 3,4 mil por dia. Quem quisesse se “arriscar” em qualquer um podia fazer agendamento prévio por meio de uma plataforma digital. A iniciativa parece ter sido bem-sucedida: no início da noite, por volta das 18h30, 19h, já não havia mais vagas para inscrições. Houve até casamentos dentro da arena em capela montada no espaço Rock Street num total de oito cerimônias, incluindo uma união homoafetiva. Os casais felizardos foram escolhidos por concurso na Internet.

APOIO ESPIRITUAL?
Rio 450Além dos fortes patrocínios público e privado, o Rock in Rio ainda tem uma parceria “espiritual” – pelo menos é o que reza a lenda. Trata-se da Fundação Cacique Cobra Coral, conhecida por conseguir intervir misticamente no tempo de forma a não atrapalhar a realização de eventos. Para se ter ideia, o organismo tem contrato com a Prefeitura do Rio! Nesse festival o “pacto” vinha funcionando bem – no máximo uma garoa fina em dois ou três momentos – até a última noite, quando choveu forte a partir das 20h30 – curiosamente durante o show, no Palco Sunset, que celebrou os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro (foto) e onde predominaram artistas da MPB e do samba. Depois foi diminuindo sensivelmente até passar com o A-HaTeria sido uma vingança dos “deuses do rock”?

Na questão ambiental, o festival também deu exemplo. Engajado na causa desde a edição de 2001, o Rock in Rio fechou parceria em 2015 com o Instituto E, voltado para o desenvolvimento sustentável. O objetivo (ambicioso) era reflorestar a Bacia do Rio Guandu, principal fonte de água da região metropolitana do Rio de Janeiro, com o replantio de milhões de árvores. Além de ações pontuais junto ao público presente, houve uma captação de recursos por meio de leilão de guitarras assinados por artistas como Queen, Metallica, Faith no More, A-Ha, System of a Down, Slipknot, Katy Perry, Lulu Santos e Lenine, entre outros. Até a noite de domingo (27) o número de replantio tinha chegado a quase 110 mil entre o público. Resta saber o que será conseguido com o leilão.

TRANSPORTE
BRTDiante de tantos números superlativos e mega ações de marketing, o Rock in Rio ainda tem um calo que aperta o calcanhar: o acesso do público. Nesta edição houve um esquema inédito de transportes com o uso do BRT, linha de ônibus rápida e com pista exclusiva. A intenção (louvável) foi eliminar o máximo possível de veículos ao redor da Cidade do Rock. Por R$ 6,80, o passageiro podia fazer a viagem ida e volta a partir do Terminal Alvorada, rodoviária localizada próxima à praia da Barra da Tijuca. O trajeto durava de 15 a 20 minutos. O problema era o caminho estação-arena-estação, distante quase 500 metros. Na ida, mesmo debaixo de sol, o povo ainda estava empolgado. Mas a volta parecia uma procissão de “walking deads”. Fora o fato de que era muita gente saindo junto e dificultando a locomoção. Outra opção, mais cara, eram os chamados ônibus “Primeira Classe”, linhas especiais que saíam de vários pontos da cidade direto para o festival, em horários previamente definidos, ao valor de R$ 70, ida e volta. De qualquer forma, a caminhada era inevitável e altamente desconfortável. Claro que na base do “jeitinho brasileiro” – ainda mais em se tratando da “livre iniciativa” carioca -, havia várias vans piratas fazendo o trajeto em preços “a combinar”. Os táxis chegavam a cobrar R$ 45 (por pessoa!) para trajetos curtos.

Como o entorno da Cidade do Rock está em obras por causa das Olimpíadas 2016, talvez para a próxima edição, o Rock in Rio possa ter condições de poupar os pés cansados da turma com uma estação mais próxima e que reduza bem a insalubre “peregrinação”. Fica a torcida. E estão lançadas as apostas para o line up de 2017!

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Seis perguntas para: Roberta Medina (IG/Lu Lacerda)

27/09/2015 – 12:00

roberta medina

Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, extraoficialmente chamada de “Prefeita da Cidade do Rock”, chega, neste domingo, a um final mais que bem-sucedido à frente do desafio de fazer uma edição especial de 30 anos do maior festival de música do país. Presidente da Dream Factory, ela repete, na família, a dobradinha que seu pai, Roberto Medina, tinha com o avô, Abraham Medina – ele criou, nos anos 50, o programa Noite de Gala, na TV Rio. Trazia artistas internacionais e ainda enfeitava o Rio para o Natal, tirando dinheiro do próprio bolso.
Seu pai sonha e Roberta executa, no melhor estilo pé-de-boi. Morando entre Rio e Lisboa, casada com o empresário Ricardo Acto, a executiva comanda 400 pessoas diretamente e ainda é a porta-voz do evento, que ela também ajudou a concretizar em Lisboa, Madri e Las Vegas. É uma empresária que consegue ser doce e dura ao mesmo tempo. Roberta que ver o RIR espalhado por outros lugares do mundo.

1. Seu avô, Abraham Medina, foi um empresário e produtor cultural excepcional – entre outras coisas, criou, na década de 50, o programa de TV Noite de Gala para estimular a compra de aparelhos de TV na sua rede de lojas, a Rei da Voz. Que lembranças você tem dele e que traços  acha que herdou?

“Ele emanava uma força, uma luz muito forte, de líder e visionário, mesmo quando já não estava no topo da sua carreira. Tenho pena de não ter vivido os tempos áureos para ver ao vivo as festas lindas que todos relatam que ele fazia na Cidade. Sempre que entrava num táxi e pedia que fosse para o prédio da Artplan, na Lagoa, os taxistas começavam a contar histórias do meu avô. Acho que o que vem passando no DNA da família é o empreendedorismo, a coragem de buscar o novo, a crença na mudança e uma eterna visão sonhadora de mundo.”

2. Você se envolve diretamente na negociação dos artistas que se apresentam no Rock in Rio? Já tentou contratar algum artista de quem é muito fã? Como foi? Qual artista você ainda gostaria de ver nos palcos do RIR?

“Quem gere toda a contratação artística com um supertime é o próprio Roberto. Eu gosto da execução, de tirar as ideias do papel. Por muito tempo, o artista que eu realmente fazia questão que um dia tocasse no Rock in Rio era o Robbie Williams, e aconteceu na última edição de Lisboa. Vontades renovadas e agora adoraria ver o Bruno Mars no Palco do Rock in Rio Brasil (ele esteve com a gente na edição do Rock in Rio USA este ano, em Las Vegas). Também sinto uma alegria imensa vendo as consagradas bandas brasileiras colocando a Cidade do Rock do Rio para cantar e pular da primeira música à última. Mas o meu grande desejo é ver o Sunset lançando cada vez mais encontros históricos da música para o mundo.”

3. Como é sua rotina nos dias do festival? Quais são os detalhes que você checa pessoalmente? Você é uma pessoa que tem facilidade de delegar funções?

“Aprendi a delegar desde o meu primeiro Rock in Rio. Não tinha conhecimento para querer nem poder concentrar nada em mim; aprendi cedo o valor da equipe e a confiar neles. Em dia de evento, se tudo estiver controlado, a equipe não precisa da nossa intervenção constante – ficamos disponíveis para apoiar e compartilhar tomadas de decisão. Andamos pelo recinto para ver como as coisas estão correndo e ver se é preciso algum ajuste. Além disso, e especificamente no meu caso, estou constantemente em contato com a assessoria para definição e aprovação de conteúdos a serem divulgados para a imprensa.”

4. Por que a escolha de Portugal para morar? Lá você é reconhecida nas ruas (Roberta fez parte do júri do programa Ídolos)?

“Na verdade, moro um ano de cada lado (Rio e Lisboa). No caso de Portugal, me identifiquei com o ritmo de Lisboa. Existe um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal na Europa em geral. Lisboa é uma cidade pequena que oferece tudo que uma cidade grande oferece, mas sem os desafios que o excesso de população traz para um centro urbano. Fiz grandes amigos por lá e casei com o Ricardo, português, o que fez a família crescer para aquele lado do oceano.”

5. O que acha que ainda falta para o Rock in Rio melhorar?

“O Rock in Rio já superou em muito todos os limites de qualidade de entrega, se visto como um festival. Mas como nossa aposta é cada vez maior no conceito de parque temático da música, ainda há muito espaço para criar novos conteúdos, musicais e outros, e também para evoluir enquanto espaço físico.”

6. Como é seu relacionamento atual com a Fundação Cacique Cobra Coral? Parece que vc não acredita muito em coisas do astral…

“Muito pelo contrário, o relacionamento é ótimo. Acredito acima de tudo em energia e numa energia maior. Sou simpatizante do Budismo, acredito no Espiritismo, cresci em contato com Siddha Yoga. Se não fosse acreditar no que não se vê, ficaria difícil lidar com o que vemos. Com o Rock in Rio, a Fundação nunca falhou – depositamos nossas energias na mesma direção.”

Enviado por: Lu Lacerda

Governo e eventos como RiR contratando uma fundação para “deter” chuvas no Rio de Janeiro. (reddit.com)

[–]protestorNatal, RN [score hidden] 15 hours ago

Foi contratada pelo RJ.. você diz pelo governo do estado, com dinheiro público?

[–]vintagedanRio de Janeiro, RJ [score hidden] 12 hours ago

Não lembro se é o estado ou a cidade, mas a resposta é sim. Revoltante de fato.

Diga-se de passagem, eles ganham esse dinheiro há muitos anos.

[–]ROLeite [score hidden] 11 hours ago

Pelo o que eu sei, eles não recebem dinheiro público. Eles fazem parcerias nas quais eles podem utilizar espaços públicos que não são utilizados pela prefeitura.

[–]vintagedanRio de Janeiro, RJ [score hidden] 8 hours ago

Honestamente não me lembro agora, pois fazia anos que não ouvia falar da FCCC. De qualquer forma, posso estar enganado mesmo, e, no caso, eles não recebem dinheiro diretamente. Ainda assim, qualquer vantagem ou benefício em troca desse serviço deles é uma abominação.

[–]kinabr91Rio de Janeiro, RJ [score hidden] 4 hours ago

Município.

[–]carcapau [score hidden] 12 hours ago

http://vejasp.abril.com.br/materia/medium-da-fundacao-cacique-cobra-coral-tem-convenio-com-prefeitura/

Não conseguia encontrar os valores passados pelos governos à eles (mesmo tendo varias citações em diários oficiais), até que encontrei essa matéria da Veja:

No início do ano, o secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, revalidou a parceria. “O convênio é inodoro, incolor e sem valor financeiro, apenas continuou”, afirma Matarazzo. Adelaide diz que não cobra nada das cidades para desviar os temporais. Mas pede, em troca, algumas obras para evitar enchentes.

Na minha opinião eles devem oferecer os serviços de graça aos governos, em troca as parcerias são oficializadas em diários oficiais, e eles ganham prestigio e uma certa aura de autenticidade.

[–]SamucaDucaVitória Brasil, SP [score hidden] 10 hours ago

dar “prestígio” para uma fundação mediúnica? emprestar o selo do governo a um culto/seita/religião?

not sure if gusta.jpg

[–]drimpeAracaju, SE [score hidden] 9 hours ago*

Como se a prefeitura/estado do Rio não dessem apoio pra JMJ, como se um ex-prefeito carioca não tivesse CONSTRUÍDO UMA IGREJA CATÓLICA com dinheiro público, e como se inúmeras lideranças políticas (incluindo a presidente deste país) não se sentassem, apoiassem e agradassem de inúmeras maneiras (incluindo aqui isenção fiscal) inúmeros líderes religiosos. Não é só o que você considera “normal” que pode sentar na janela.

É uma cagada a prefeitura carioca ter um convênio ou seja lá o que for com essa coisa aí? Certamente é. Mas não é nada de novo se tratando do nosso país.

edit: em adendo, o mesmo prefeito que construiu uma igreja católica com dinheiro público (César Maia) foi o que deu início ao convênio com a FCCC, em 2001. Pelo menos com essa última eles não gastam nada.

[–]SamucaDucaVitória Brasil, SP [score hidden] 9 hours ago

não é nada de novo

não faz diferença se é novidade ou não, se já havia sido feito antes ou não. o que é errado é errado.

[–]protestorNatal, RN [score hidden] 8 hours ago

CONSTRUÍDO UMA IGREJA CATÓLICA

Isso é um escândalo de inconstitucional, que igreja foi essa?

[–]drimpeAracaju, SE [score hidden] 7 hours ago

Igreja de São Jorge em Santa Cruz.

http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/06/06/cesar-maia-ex-prefeito-do-rio-tem-direitos-politicos-suspensos-por-cinco-anos.htm

Mesmo assim o STJ suspendeu a decisão e o Cesar Maia se candidatou tranquilamente ao senado no ano passado. E recebeu 1,5 milhão de votos.

[–]aookami [score hidden] 6 hours ago

Esse tipo de controle sobre a chuva existe e faz tempo já. Usaram na abertura das olimpiadas de Pequim também.

Entrevista exclusiva com a médium que incorpora o Cacique Cobra Coral: ‘Trabalho com a reza e a mente’ (O Globo)

POR CLEO GUIMARÃES

24/09/2015 11:40

Adelaide ScritoriAdelaide Scritori | Reprodução

Contratada desde 1984 pela prefeitura e pelo governo do Rio para controlar o clima e evitar tragédias naturais, Adelaide Scritori, a médium que incorporaria o Cacique Cobra Coral tem trabalhado bastante neste Rock in Rio. Embora a previsão para domingo seja de chuva, ela é categórica: “Na Cidade do Rock não vai chover”, diz. Adelaide conversou com a coluna.

Como a senhora descobriu que teria o poder de controlar as condições climáticas?

Quando nasci, no Paraná, meu pai disse que o espírito de Padre Cícero havia se manifestado e avisou que a mais nova integrante da família teria poderes para se comunicar com outro espírito, um ente poderoso o suficiente para alterar fenômenos naturais. Aos sete anos, recebi num centro espírita as primeiras mensagens do Cacique Cobra Coral.

Como faz para alterar os fenômenos naturais? Há algum ritual?

Com reza e usando a mente. No ar, na terra ou no mar. Minhas operações são guiadas pela emoção e pela fé. Cada caso é um caso, como no fim de semana passado, na City do Roque (sic), no Rock in Rio. Ficou muito calor, então efetuei um trabalho de redução das temperaturas, especialmente na Zona Oeste do Rio.

A senhora diz que não cobra pelo trabalho. Como se mantém?

A Fundação Cacique Cobra Coral realmente não tem fins lucrativos. Vivo para a Fundação, e não da Fundação.

FCCC_OGlobo_Nåø vai chover_eu garanto_RockinRio2015

Novo vocalista do Queen pede frutas cítricas, 50 toalhas brancas e o espírito de Freddie Mercury (Sensacionalista)

19 de setembro de 2015

Vencedor do American Idol e convidado para ser a voz do Queen, no lugar do saudoso Freddie Mercury, o americano (poxa, não dava pra pelo menos ser britânico?) Adam Lambert fez algumas exigências em seu camarim nesta noite de estreia no Rock in Rio: frutas cítricas como laranja e limão, uvas verdes, 50 toalhas brancas, jujubas em forma de ursinho – só vermelhas – e o espírito de Freddie Mercury baixando sobre ele no palco.

Diante do pedido, a prefeitura do Rio acionou os médiuns da Cacique Cobra Coral – os mesmos que não deixam chover no réveillon do Rio – para tentar chama o espirito do eterno vocalista do Queen. Até agora não obtiveram êxito.

Fundação esotérica promete desviar chuva do Rock in Rio para o Espírito Santo (Gazeta – ES)

16/09/2015 – 11h35 – Atualizado em 16/09/2015 – 12h07
Autor: Wing Costa | wbertulani@redegazeta.com.br

O espírito do Cacique Cobra Coral desviaria as chuvas que poderiam afetar o evento para minorar os efeitos da seca no Rio Doce

Fundação Cacique Cobra Coral afirma que pode controlar fenômenos naturais. Foto: Reprodução

Qual a ligação entre o Rio Doce, que corta o Espírito Santo, o Rio Paraíba do Sul e o evento de música Rock in Rio 2015? Além da óbvia presença da palavra “rio” no nome, todos eles sofrem influência de um espírito – incorporado pela médium Adelaide Scritori – que teria o poder de alterar fenômenos naturais.

A Fundação Cacique Cobra Coral, operada por Adelaide, é contratada pelos organizadores do Rock in Rio desde o segundo festival (após lamaçal histórico na edição de 1985) para desviar as chuvas do local do evento.

Como a fundação trabalha somente para um bem comum, como explica o porta-voz da entidade esotérica, Osmar Santos, desta vez as chuvas serão deslocadas para o Espírito Santo, para “minorar os efeitos da seca no Rio Doce”.

“Estamos fazendo um trabalho também para o Governo do Rio de Janeiro, para elevar o nível do Rio Paraíba do Sul. Como tudo é um ciclo, desabar água sobre o Estado não seria uma solução, então tem que chover em São Paulo, por exemplo. Isso afeta diretamente o Espírito Santo, que passa por um período seco”, explica o representante da entidade.

“Aí choveu essa semana, não foi?”, perguntou para a reportagem. Estamos trabalhando para fazer desse inverno um inverno úmido. Conhecemos a situação do Espírito Santo porque já fizemos muitos trabalhos aí a pedido do senador Gerson Camata”, conta.

O Cacique Cobra Coral, por meio da médium, também teria evitado chuvas em Olimpíadas e outros eventos por todo o globo. “As nuvens estavam feias em Londres e a previsão dizia que choveria às 20h. Nesse horário seria a abertura das Olimpíadas. A médium estava em Dublin – de onde vinham as nuvens – e conseguiu remanejar”, disse o representante.

Mas nada disso teria acontecido para um bem particular, como ele explica, já que, na época, estariam acontecendo muitas queimadas em Portugal e Espanha, e a força do espírito indígena teria feito com que as chuvas, além de não atrapalharem o evento esportivo, também apagassem os incêndios na Europa.

O espírito no Espírito Santo

Foto: Vitor Jubini – GZ. Gerson Camata atestou os poderes do Cacique Cobra Coral

A entidade atuou no Espírito Santo a pedido do ex-senador Gerson Camata, que lembra com bom humor a passagem. Ao ser perguntado, soltou um “ah, o cacique”, acompanhado de risadas. Aconteceu nos idos de 87 ou 88, se a memória do senador permite a margem de erro.

Como você chegou até o cacique?

Isso foi numa época de seca muito forte no Norte do Estado. Um senador colega me indicou e eu liguei.

O contato foi fácil?

Sim, é uma mulher que faz essas operações.

A fundação pediu algo para atuar no Estado?

Não, eles não me cobraram nada. Só me mandaram um mapa meteorológico e perguntaram: “Onde você quer que chova?”, logo apontei Marilândia e eles prometeram que antes da meia-noite a água passaria por cima da ponte.

E choveu?

Olha, conversei com o prefeito da época. Ele me ligou no dia da promessa, às 22h, e disse que o céu começara a nublar. Quando deu 1h da manhã ele me ligou pedindo para fazer o povo parar se não morreriam todos afogados, tanta água que era.

Então você atesta o poder do Cacique?

Poder eu não sei, mas que choveu, choveu.

Fonte: Gazeta Online

Rock in Rio recorre a cacique cobra coral para evitar chuva (O Globo)

Publicado em 15/09/2015, às 12h01 | Atualizado em 15/09/2015, às 12h03

Da Agência O Globo

A unidade exotérica foi contratada pela organização do festival / Foto: Alexandre Macieira / RioTur

A unidade exotérica foi contratada pela organização do festivalFoto: Alexandre Macieira / RioTur

A previsão é de tempo aberto para os primeiros dias do Rock in Rio, mas mesmo assim a organização do festival resolveu recorrer à Fundação Cacique Cobra Coral. A entidade exotérica que controlaria chuvas por meio de uma médium foi contratada a partir desta terça-feira. A fundação já foi parceira da prefeitura no sistema de alerta e prevenção a enchentes, mas em 2013 rompeu o convênio.O motivo é que a prefeitura deixou de entregar, nos prazos previstos, relatórios com um balanço dos investimentos em prevenção realizados ano passado na cidade. A ONG é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma ter o poder de controlar o tempo. Desde a administração do ex-prefeito Cesar Maia, Adelaide esteve à disposição para prestar assistência espiritual a fim de tentar reduzir os estragos causados por temporais. Em janeiro de 2009, a prefeitura chegou a anunciar o fim da parceria, mas voltou atrás após uma forte chuva.

Para o Rock in Rio, a previsão é de tempo aberto e muito calor. Segundo o meteorologista Luiz Felipe Gozzo, uma massa de ar seco ganha força a partir desta quarta-feira. No final de semana, haverá o predomínio de sol e temperaturas altas, de aproximadamente 33 graus.

No ano passado, em plena crise hídrica em São Paulo, a Fundação Cobra Coral disse que alertou, em agosto, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Fernando Haddad e a presidente Dilma sobre a crise da falta d’água. Segundo Osmar Santos, a fundação comandada pela médium Adelaide Scritori, que diz incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, eles propuseram obra para interligar os reservatórios de água de São Paulo, mas receberam resposta negativa.

Brazil’s Mediums Channel Dead Artists. Is It Worship Or Just Delusion? (NPR)

AUGUST 12, 2015 4:39 AM ET

Valdelice Da Silva Dias Salum, 77, says she channels the spirits of famous painters to create her artwork.

Valdelice Da Silva Dias Salum, 77, says she channels the spirits of famous painters to create her artwork. Lourdes Garcia-Navarro/NPR

Unlike most art exhibitions, this one starts with a prayer.

A heavyset 77-year-old woman with girlishly pinned blond hair stands behind a table. An array of colored chalk and oil paints fan out in front of her. She puts her head in her hands and concentrates.

Her demeanor changes.

Then, to the sound of eerie music, she begins to draw. Her hands are nimble and decisive, and very quickly, something begins to take shape: a face with a bright green 19th century hat.

After 18 minutes and change — they timed it — she is finished. She signs the work, “Renoir.”

The woman who is painting is actually called Valdelice Da Silva Dias Salum.

She tells me spirits began manifesting themselves around her when she was a child. But it wasn’t until years later that it really began to get frightening, kind of like the movie Poltergeist. The TV would suddenly switch on; the radio would blare at full volume.

Salum drew this picture in 18 minutes and signed it "Renoir."i

Salum drew this picture in 18 minutes and signed it “Renoir.” Lourdes Garcia-Navarro/NPR

She says the spirits of long-dead painters were trying to make contact: Henri de Toulouse-Lautrec, Henri Matisse, Claude Monet, Renoir, Cezanne, Van Gogh, Gauguin, Degas.

Salum says she grew up poor and illiterate. She didn’t even know who these painters were. She says she had no artistic talent. But the spirits selected her.

All this might sound odd outside Brazil, but here it is fairly common and widely accepted.

Salum follows Spiritism, which is basically a religious offshoot of the 19th century practice of communicating with the dead via table-rapping and seances. Spiritism is hugely popular in Brazil, with more than 4 million followers.

Spiritists believe in Jesus’ Gospel, and in reincarnation. They believe that the dead can communicate with the living through mediums — and not only communicate, but create through the living, too.

“I don’t know what they are going to do and what they are going to paint,” Salum says. “I’m totally enveloped by them. I don’t have a sense of time passing.”

Unique Challenges

It’s not only paintings that get channeled.

At a Spiritist bookstore in downtown Sao Paulo, I’m shown five books — including one by famed Brazilian spiritist Divaldo Franco — that carry Victor Hugo’s name.

It’s a Saturday and the place is packed with readers and books. There are more than 220 Spiritist publishing houses in Brazil.

One of the star authors is Sandra Guedes Marques Carneiro. Her books have sold more than 250,000 copies. She writes romances — of a kind. Her latest is called Salome, and she tells me she thinks it’s a “sign” that I am interviewing her. The book is about a female journalist who travels to the war-torn Middle East and then comes to Brazil — kind of like me.

Carneiro emphasizes that the books are basically religious texts. The spirits are writing to try to bring about enlightenment and understanding to the earth. It makes the message more entertaining if it’s wrapped in a good love story.

Her spirit author, for the record, is called Lucius, and he has a huge following — so much so that other author mediums channel him as well.

Alexandre Marques edits and publishes the work of his wife, Sandra. He says this part of the publishing industry presents some unique challenges.

“We don’t have a way of commissioning books,” Marques says. “They come from the other side to us.”

Another difference from traditional publishing? Editing.

Surprisingly, Marques says it’s actually easier to edit a dead author than a living one. Apparently, the dead are less defensive about the integrity of their work.

“The spirits are easier going, actually,” he says.

Still, it’s a labor-intensive process. It is pretty difficult to get approval for your edits from a spirit.

“We send the suggested alterations to the medium,” Marques explains. “The medium consults the spiritual author. They answer if they agree or not.”

Spiritual Copyright

This all gets into some strange legal ground. There was a case in which the widow of a famous dead author sued a medium for royalties because he was supposedly channeling her dead husband’s spirit and writing new blockbusters.

We consulted a lawyer who’s an expert in spiritual copyright. Renata Soltanovich says that as long as the consumer who buys the work understands that it’s been channeled through a medium, it’s not fraud.

Salum says she created these paintings under the influence of the spirits of (from left) Vincent Van Gogh, Pablo Picasso and Claude Monet.

Salum says she created these paintings under the influence of the spirits of (from left) Vincent Van Gogh, Pablo Picasso and Claude Monet. Lourdes Garcia-Navarro/NPR

Back at the painting exhibition, Salum is channeling another dead painter. I’m not an art critic, but the paintings, in my opinion, are not ready to be hung in the Louvre.

I ask her why her works don’t quite match the standard of some of the originals.

She explains it’s hard for the spirits to cross into the corporeal world.

“It’s because of my lack of knowledge,” she says. “They are using me as an instrument, but I am weak.”

In the end, she says, it’s all about faith.

Júri indígena em Roraima absolve réu de tentativa de homicídio (G1)

24/04/2015 09h56 – Atualizado em 24/04/2015 12h18

Emily Costa – Do G1 RR

Júri ocorreu no Malocão da Demarcação, no interior da Raposa Serra do Sol, Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Júri ocorreu no Malocão da Demarcação, no interior da Raposa Serra do Sol, Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Debaixo das 18 mil palhas de buriti do Malocão da Homologação, no interior da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o primeiro júri popular indígena do Brasil absolveu um réu acusado de tentativa de homicídio e condenou o outro réu do processo por lesão corporal leve. Os dois, que são irmãos e indígenas, foram acusados de atacar um terceiro índio. O julgamento, que durou mais de 13 horas, ocorreu nesta quinta-feira (23) e teve a presença de cerca de 200 pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar. O Ministério Público de Roraima (MPRR) informou que vai recorrer da decisão.

Os réus do processo, Elsio e Valdemir da Silva Lopes foram acusados de tentar matar Antônio Alvino Pereira. Os três, que são da etnia Macuxi, se envolveram em uma briga no município de Uiramutã, na Raposa Serra do Sol, na tarde do dia 23 de janeiro de 2013. Durante a confusão, Elsio e Valdemir cortaram o pescoço e o braço de Antônio, respectivamente. Após a briga, os irmãos alegaram legítima defesa contra Antônio e afirmaram que a vítima estava dominada pela entidade indígena Canaimé. À época, eles foram presos em flagrante e ficaram detidos por 10 dias na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista.

Réus são irmãos da etnia Macuxi; eles não quiseram conceder entrevistas à imprensa (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Réus são irmãos da etnia Macuxi; eles não quiseram conceder entrevistas à imprensa (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Durante o júri, o chamado Conselho de Sentença, formado apenas por índios da própria reserva, considerou a culpa de Elsio e admitiu que ele teve a intenção de matar Antônio. Contudo, o absolveu pela tentativa de homicídio. Valdemir, em contrapartida, foi condenado, mas teve a culpa por lesão corporal grave atenuada para lesão corporal simples. Com isso, ele foi sentenciado a cumprir pena de três meses de pena no regime aberto, podendo ainda recorrer da decisão em liberdade.

Ao todo, dentre réus e vítima, 10 testemunhas foram ouvidas no caso. Todas elas prestaram depoimento ao júri formado por quatro homens e três mulheres das etnias Macuxi, Ingaricó, Patamona e Taurepang. Dentre eles, o filho da vítima, o proprietário do bar onde ocorreu a tentativa de homicídio e o homem que, segundo os réus, teria dito que a vítima estava sob influência do Canaimé.

Ao G1, o juiz responsável pelo caso, Aluizio Ferreira, se limitou a dizer que a “decisão do júri é soberana e tem que ser acatada”. Ele frisou que o júri foi válido, legal e realizado conforme prevê a Constituição Federal e o Código Penal.

Indígenas acompanharam a realização do júri popular indígena na Raposa Serra do Sol, no Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Indígenas acompanharam a realização do júri popular indígena na Raposa Serra do Sol, no Nordeste de Roraima (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

“Foi uma forma muito peculiar de tentar resolver um conflito, foi diferenciado e é algo que deve, no meu entender ser reproduzido. Obviamente, isso depende do Poder Judiciário e dos meus pares, mas eu considero que esse júri provoca reflexão”, alegou.

Os réus e a vítima não quiseram conceder entrevistas à imprensa.

Defesa comemorou a sentença

O defensor público estadual José João e a advogada Thais Lutterbak, que defenderam Valdemir e Elsio, respectivamente, consideraram o resultado do júri como ‘positivo’, apesar da condenação de um dos réus.

“Na verdade, a tese da defesa foi vitoriosa, porque nós afirmamos que o Valdemir não cometeu o crime de lesão corporal grave, conforme a acusação alegava. O júri entendeu que houve uma lesão corporal leve, a qual depende de representação por parte da vítima, o que já prescreveu”, afirmou José João.

Segundo o defensor, para que haja punição no caso, a vítima teria que ter feito uma representação contra o agressor. Entretanto, o prazo para fazê-la é de seis meses depois de saber quem é o autor do fato, o que já teria transcorrido, conforme José João.

Questionada sobre a tese de legítima defesa contra a ação do Canaimé, Thaís, advogada do réu absolvido, reiterou que a ação dele foi confessada, mas justificada sob a ameaça da entidade indígena.

Defesa comemorou veredicto; defensor considera que na prática os dois réus foram absolvidos  (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

Defesa comemorou veredicto; defensor considera que na prática os dois réus foram absolvidos (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

“A defesa nunca negou a autoria e a materialidade do fato. Então, o júri entendeu que houve um contexto que justificava o cometimento do delito. É claro que não estamos dizendo que a vítima é um canaimé, mas sim que houve um contexto que fundamentou a atuação dos réus”, alegou.

Durante o júri, Valdemir alegou em depoimento que o crime aconteceu pois ele e seu o irmão estavam se defendendo contra do Canaimé. Por sua vez, Elsio confessou aos jurados que golpeou o pescoço da vítima com uma faca de “cortar laranja”.

MP alega ilegalidade do júri

Desde o início do julgamento, os promotores do MPRR, Diego Oquendo e Carlos Paixão, alegaram que o júri é passível de ser anulado, pois a seleção do corpo de jurados formado unicamente por índios exclui pessoas pertencentes a outras etnias da sociedade, o que vai contra o artigo 436 do Código de Processo Penal.

“Se um morador de uma favela do Rio de Janeiro comete um crime, ele vai ser julgado apenas por membros dessa comunidade? Não. Então, porque isso deveria ocorrer em uma comunidade indígena?”, questionou Paixão durante coletiva de imprensa.

Sobre a decisão final do júri, Paixão e Oquendo afirmaram que a setença é contrária às provas do processo, onde ficou claro que houve a lesão corporal grave por parte do réu absolvido. Eles atribuíram a absolvição dele a não compreensão dos jurados sobre os questionamentos feitos no julgamento.

Durante o tribunal do júri popular, é procedimento que após os debates, o juiz apresente uma séria de perguntas simples aos jurados, chamadas de quesitação, onde ele questiona sobre o crime. A essas perguntas, os jurados devem responder ‘sim’ ou ‘não’.

Às perguntas iniciais sobre Elsio, o júri respondeu que houve a tentativa de homcídio e atribuiu a culpa a ele, mas, apesar disso, decidiu absolvê-lo. Por isso, o promotor Carlos Paixão, considerou a decisão ‘juridicamente legal, mas desconexa’.

“Olha só a incongruência: o fulano sofreu a lesão? Sim. O beltrano produziu a lesão? Sim. Ele quis matar? Sim. Daí vem o quesito ‘você o absolve? Sim'”, argumentou, acrescentando que o Ministério Público recorrerá de sentença dentro do prazo de cinco dias.

No sentido horário: líder indígena Zedoeli Alexandre e o juiz de direito responsável pelo caso, Aluizio Ferreira; eles concederam entrevista coletiva antes do início do júri (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

No sentido horário: líder indígena Zedoeli Alexandre e o juiz de direito responsável pelo caso, Aluizio Ferreira; eles concederam entrevista coletiva antes do início do júri (Foto: Emily Costa/ G1 RR)

‘É brutal’, diz líder indígena sobre julgamento
Ao G1, o coordenador regional da região das serras, Zedoeli Alexandre, avaliou o julgamento dos ‘brancos’ como brutal. Apesar disso, de acordo com ele, a ação muda a forma como os indígenas lidarão com os conflitos a partir da realização do júri.

“Chegamos ao nosso objetivo de nos ajudar a resolver os nossos problemas. Entretanto, ficou marcada a forma como os brancos realizam um julgamento. É brutal e muito diferente da nossa forma, mais respeitosa e educativa de julgar”, esclareceu Zedoeli.

Sobre o envolvimento do Canaimé no caso, Zedoeli garantiu que a referência à entidade no processo não deixou os jurados nervosos. “Não temos como afirmar o envolvimento do Canaimé, afinal ele faz parte da cultura indígena tradicional. Não temos como dizer que foi ele, ou não. Então, acredito que tudo foi esclarecido e estamos tranquilos com o término do julgamento”, afirmou.

*   *   *

Em júri indígena de RR, réu alega legítima defesa contra espírito (G1)

23/04/2015 22h56 – Atualizado em 23/04/2015 23h08

Inaê Brandão e Emily CostaDo G1 RR

Maturuca, Raposa Serra do Sol (Foto: RCCaleffi/Coordcom/UFRR)

Comunidade Maturuca, na Raposa Serra do Sol (Foto: RCCaleffi/Coordcom/UFRR)

Valdemir da Silva Lopes, um dos indígenas acusado de tentar matar outro índio em janeiro de 2013, no município de Uiramutã, Nordeste de Roraima, alegou durante seu depoimento no júri popular indígena que ocorre nesta quinta-feira (23) que o crime aconteceu pois ele e seu irmão, Elsio da Silva Lopes, estavam se defendendo contra um espírito malígno denominado ‘Canaimé’. Elsio, que também é réu no caso, confessou aos jurados que golpeou o pescoço da vítima com uma faca de “cortar laranja”.

O júri começou na manhã desta quinta na comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, localizada no município onde ocorreu o crime, e não tem previsão para ser encerrado. Segundo o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o julgamento é inédito no Brasil, pois ocorre em área indígena e o júri é composto exclusivamente por índios.

Desde que o caso chegou a público, a defesa afirmou que o crime foi motivado pela crença dos réus de que a vítima, Antônio Alvino Pereira, estava ‘dominada’ pelo espírito da entidade malígna ‘Canaimé’. O júri, que aconteceu de forma tranquila pela manhã, ficou tenso durante o depoimento de Elsio.

Ao ser perguntado por qual motivo desferiu um golpe de faca contra a vítima, Elsio respondeu que o fez “porque foi ameaçado”. O promotor do caso, Diego Oquendo, questionou Elsio sobre a tese do ‘Canaimé’. O réu foi orientado por seu advogado a não responder mais perguntas. Diante disso, a promotoria se recusou a fazer novos questionamentos e o depoimento de Elsio foi encerrado.

Durante a oitiva do segundo réu, Valdemir da Silva Lopes, ele esclareceu que estava com o seu irmão e um terceiro homem, que é testemunha ocular do fato, no bar onde o crime ocorreu. Ele afirmou que a vítima chegou “puxando conversa” e que a mesma mantinha uma “postura agressiva”. No depoimento, Valdemir afirmou que a vítima havia dito ao terceiro homem que “matava crianças”, o que teria gerado desconfiança nos irmãos.

Valdemir relatou ainda durante o depoimento que cerca de um mês antes da tentativa de homícidio, um líder indígena e uma criança haviam sido assassinados pelo ‘Canaimé’, pois, segundo ele, tinham marcas no pescoço e folhas na garganta, algo característico da entidade, conforme a crença dos indígenas.

Diante da informação do homem que Antônio Pereira seria um assassino, os irmãos concluíram que a vítima estava ‘dominada’ pelo espírito maligno e o atacaram com uma faca.

Encerrado o depoimento dos réus, o júri seguiu com os debates do Ministério Público de Roraima e da defesa dos acusados da tentativa de homícidio.

Canaimé
Segundo a antropóloga Leda Leitão Martins, o ‘Canaimé’ é um ser maligno. “É uma entidade muito poderosa que tem corpo físico e pode viajar longas distâncias. Uma pessoa pode ser ou pode virar o Canaimé. Ninguém conhece um Canaimé. Ou você é ele ou você é vítima dele”, explicou.

Julgamento
A tentativa de homicídio que está em júri popular aconteceu no 23 de janeiro de 2013, em um bar no município de Uiramutã.

Trinta indígenas, sendo 5 suplentes, das etnias Macuxi, Ingaricó, Patamona e Taurepang foram escolhidos para participar do júri e na manhã desta quinta, 7 foram sorteados para compor o quadro de jurados.

Segundo o juíz responsável pelo caso, Aluizio Ferreira, os líderes indígenas da região se reuniram em assembleia e optaram juntos pelo júri popular. “Em dezembro do ano passado, pelo menos 270 deles foram favoráveis à audiência. Então, a realização do júri é resultado de uma escolha coletiva, não é etnocentrismo ou imposição”.

Brazilian Mediums Shed Light On Brain Activity During a Trance State (Science Daily)

ScienceDaily (Nov. 16, 2012) — Researchers at Thomas Jefferson University and the University of Sao Paulo in Brazil analyzed the cerebral blood flow (CBF) of Brazilian mediums during the practice of psychography, described as a form of writing whereby a deceased person or spirit is believed to write through the medium’s hand. The new research revealed intriguing findings of decreased brain activity during the mediums’ dissociative state which generated complex written content. Their findings will appear in the November 16th edition of the online journal PLOS ONE.

The 10 mediums — five less expert and five experienced — were injected with a radioactive tracer to capture their brain activity during normal writing and during the practice of psychography which involves the subject entering a trance-like state. The subjects were scanned using SPECT (single photon emission computed tomography) to highlight the areas of the brain that are active and inactive during the practice.

“Spiritual experiences affect cerebral activity, this is known. But, the cerebral response to mediumship, the practice of supposedly being in communication with, or under the control of the spirit of a deceased person, has received little scientific attention, and from now on new studies should be conducted,” says Andrew Newberg, MD, director of Research at the Jefferson-Myrna Brind Center of Integrative Medicine and a nationally-known expert on spirituality and the brain, who collaborated with Julio F. P. Peres, Clinical Psychologist, PhD in Neuroscience and Behavior, Institute of Psychology at the University of Sao Paulo in Brazil, and colleagues on the research.

The mediums ranged from 15 to 47 years of automatic writing experience, performing up to 18 psychographies per month. All were right-handed, in good mental health, and not currently using any psychiatric drugs. All reported that during the study, they were able to reach their usual trance-like state during the psychography task and were in their regular state of consciousness during the control task.

The researchers found that the experienced psychographers showed lower levels of activity in the left hippocampus (limbic system), right superior temporal gyrus, and the frontal lobe regions of the left anterior cingulate and right precentral gyrus during psychography compared to their normal (non-trance) writing. The frontal lobe areas are associated with reasoning, planning, generating language, movement, and problem solving, perhaps reflecting an absence of focus, self-awareness and consciousness during psychography, the researchers hypothesize.

Less expert psychographers showed just the opposite — increased levels of CBF in the same frontal areas during psychography compared to normal writing. The difference was significant compared to the experienced mediums. This finding may be related to their more purposeful attempt at performing the psychography. The absence of current mental disorders in the groups is in line with current evidence that dissociative experiences are common in the general population and not necessarily related to mental disorders, especially in religious/spiritual groups. Further research should address criteria for distinguishing between healthy and pathological dissociative expressions in the scope of mediumship.

The writing samples produced were also analyzed and it was found that the complexity scores for the psychographed content were higher than those for the control writing across the board. In particular, the more experienced mediums showed higher complexity scores, which typically would require more activity in the frontal and temporal lobes, but this was not the case. Content produced during psychographies involved ethical principles, the importance of spirituality, and bringing together science and spirituality.

Several possible hypotheses for these many differences have been considered. One speculation is that as frontal lobe activity decreases, the areas of the brain that support mediumistic writing are further disinhibited (similar to alcohol or drug use) so that the overall complexity can increase. In a similar manner, improvisational music performance is associated with lower levels of frontal lobe activity which allows for more creative activity. However, improvisational music performance and alcohol/drug consumption states are quite peculiar and distinct from psychography. “While the exact reason is at this point elusive, our study suggests there are neurophysiological correlates of this state,” says Newberg.

“This first-ever neuroscientific evaluation of mediumistic trance states reveals some exciting data to improve our understanding of the mind and its relationship with the brain. These findings deserve further investigation both in terms of replication and explanatory hypotheses,” states Newberg.

Journal Reference:

  1. Julio Fernando Peres, Alexander Moreira-Almeida, Leonardo Caixeta, Frederico Leao, Andrew Newberg. Neuroimaging during Trance State: A Contribution to the Study of DissociationPLoS ONE, 2012; 7 (11): e49360 DOI:10.1371/journal.pone.0049360