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Fundação Cacique Cobra Coral suspende assistência climática à Argentina (CNN Brasil)

Entidade exige pedido formal de desculpas após classificar atos como “ataque político” ao Brasil; parceria existia desde a Guerra das Malvinas

Beto Souza, da CNN Brasil, São Paulo

28/07/26 às 09:39 | Atualizado 28/07/26 às 12:34

Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) anunciou a suspensão de suas atividades de assistência climática na Argentina, nessa segunda-feira (27). A decisão interrompe uma cooperação histórica que teve início durante a Guerra das Malvinas e a gestão de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito democraticamente pela Argentina nos anos 80, após um longo período de regime militar.

A instituição condiciona a retomada do suporte técnico místico a um pedido formal de desculpas por parte do governo argentino, alegando a ocorrência de um “ataque político” contra o Brasil.

Histórico de cooperação e crise energética

Em nota nas redes sociais, a FCCC  afirma que sua atuação em território argentino acumula episódios de intervenção em momentos críticos. Em janeiro de 1989, a fundação registrou uma operação para auxiliar o país vizinho durante uma severa crise energética e de abastecimento elétrico.

Naquela ocasião, a entidade, que mantém convênios no Brasil com o Ministério de Minas e Energia, utilizou a mediação de Adelaide Scritori para influenciar o clima e atrair chuvas para bacias hidrográficas.

O objetivo era elevar o nível dos reservatórios das hidrelétricas afetadas pela seca, em manobras denominadas “operações antiapagão”.

Tensões diplomáticas e impacto no El Niño

A interrupção dos serviços ocorre em um momento meteorológico sensível, marcado pelo início do fenômeno El Niño. Segundo comunicados da fundação, a Argentina ficará “por sua conta e risco” na área climática enquanto perdurar o impasse diplomático.

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Em mensagens direcionadas aos novos ocupantes da Casa Rosada, a FCCC reforçou que as relações bilaterais não são recentes e que governantes “passam”, sugerindo a necessidade de respeito à continuidade do trabalho realizado pela instituição.

Como funciona a Fundação Cacique Cobra Coral, que suspendeu atuação na Argentina (O Globo)

oglobo / Brasil 

Grupo afirma prestar ‘assistência climática’ ao país desde a Guerra das Malvinas e diz que suspensão ocorre após falas do presidente argentino

Por O Globo — Rio de Janeiro

28/07/2026 10h48 

O presidente argentino Javier Milei durante convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato
O presidente argentino Javier Milei durante convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo

A Fundação Cacique Cobra Coral voltou aos holofotes após anunciar a suspensão da chamada “assistência climática” prestada à Argentina. Em nota divulgada nas redes sociais, a entidade afirmou que a decisão foi motivada pelas declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Segundo a fundação, a Argentina ficará “por sua conta e risco” durante o início da atuação do fenômeno El Niño enquanto não houver um pedido formal de desculpas do governo argentino.

Mas, afinal, o que é a Fundação Cacique Cobra Coral e como ela afirma atuar?

O que é a Fundação Cacique Cobra Coral?

Criada na década de 1980, a Fundação Cacique Cobra Coral se apresenta como uma organização espiritual que afirma ser capaz de influenciar fenômenos meteorológicos por meio de práticas mediúnicas.

A entidade sustenta que recebe orientações do espírito do indígena Cacique Cobra Coral, incorporado pela médium Adelaide Scritori, conhecida como “Mãe Adelaide”. Segundo a fundação, esse trabalho permitiria interferir em eventos climáticos, como chuvas, secas, frentes frias e tempestades.

Apesar da notoriedade conquistada ao longo dos anos, não há comprovação científica de que a fundação tenha capacidade de alterar as condições meteorológicas. Meteorologistas e pesquisadores atribuem os fenômenos atmosféricos a processos físicos observáveis e não reconhecem evidências que validem esse tipo de intervenção.

Atuação junto a governos

Ao longo de sua trajetória, a Fundação Cacique Cobra Coral afirmou ter colaborado com diferentes órgãos públicos e empresas no Brasil e no exterior.

Entre os casos citados pela própria entidade estão ações durante grandes eventos, como o Carnaval do Rio de Janeiro, corridas de Fórmula 1, festas de Réveillon e operações relacionadas ao setor elétrico. Segundo a fundação, essas intervenções ocorreriam de forma voluntária e sem cobrança financeira.

No caso da Argentina, a entidade afirma prestar “assistência climática” desde 1982, durante a Guerra das Malvinas, e manter essa atuação desde o governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito após o fim da ditadura militar.

A fundação também diz ter realizado, em janeiro de 1989, uma operação para favorecer a ocorrência de chuvas sobre bacias hidrográficas argentinas durante uma crise energética, com o objetivo de elevar os níveis dos reservatórios de usinas hidrelétricas.

Suspensão após declarações de Milei

Na nota divulgada nesta segunda-feira, a Fundação Cacique Cobra Coral classificou como um “ataque político ao nosso país” as declarações feitas por Javier Milei durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Como resposta, anunciou a suspensão da assistência climática ao país vizinho.

“Enquanto não houver um pedido formal de desculpas, na área climática, a Argentina estará por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño”, afirmou a entidade.