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O pedido que médium do Cacique Cobra Coral se recusa a atender (Veja)

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Fundação voltou aos holofotes com renovação do acordo com a Prefeitura do Rio após fortes ventanias

Artigo original

Nara Boechat

14 ago 2026


Mulher de cabelos castanhos, óculos escuros e brincos dourados, usando um casaco bege sobre blusa listrada e lenço azul, em um festival de música ao ar livre com palco e público ao fundo, sob o pôr do sol
Adelaide Scritori (./Reprodução)

A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) voltou aos holofotes após o anúncio da suspensão de “assistência climática” para a Argentina e a renovação por 25 anos do acordo com a Prefeitura do Rio em meio aos vendavais que já levaram prejuízos e mortes ao estado. À frente da fundação está Adelaide Scritori, médium que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral. Em entrevista à coluna GENTE, ela contou que seu primeiro contato com as mensagens da entidade foi marcado pela sensação de que havia “uma grande missão pela frente e sem volta”. 

A atuação da fundação, que já foi do Réveillon carioca ao Rock in Rio, passando pela coroação do Rei Charles III, na Inglaterra, ganhou projeção após as grandes enchentes de Santa Catarina, na década de 1980, quando o então governador Esperidião Amin teria solicitado ajuda. Segundo Adelaide, após um primeiro contato, ela recebeu um novo comunicado do governo catarinense informando que a chuva havia parado e o nível das águas havia baixado. A experiência, diz a médium, deu origem ao primeiro convênio da entidade com um governo estadual. 

Questionada sobre os limites da atuação do Cacique Cobra Coral, Adelaide reconheceu que existem. Segundo ela, há situações em que a orientação espiritual é não interferir. “Quando pedem para, através do clima, prejudicar alguém ou algum país”, afirmou, classificando a situação como inadmissível. Ela acrescenta que a fundação também procura manter uma postura neutra em guerras e conflitos armados.

Na esfera política, Adelaide também comentou a suspensão da assistência à Argentina, anunciada após declarações de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a médium, a decisão foi unilateral e partiu dela, como forma de protesto. “Uma falta de ‘lhanesa’”, afirmou, referindo-se a uma expressão posteriormente usada pelo próprio Cacique Cobra Coral. Para uma possível reaproximação, a condição, segundo Adelaide, é que o presidente argentino se desculpe com o Brasil. 

Sobre a renovação do acordo com o Rio, Adelaide diz que a fundação continua a mesma, mas criticou a condução das recentes ventanias na região. “Eles já começaram sem fazer a lição de casa e isso não é bom”, afirmou. Segundo ela, após uma solicitação relacionada ao afastamento de um vendaval, deveria ter sido enviado um novo relatório indicando que a situação estava sob controle. 

Adelaide rejeita a ideia de que a fundação faça previsões meteorológicas. “Nós não fazemos previsão, isso é com a ciência”, afirmou. Para ela, porém, o cenário climático atual é mais grave do que no passado. “O clima na Terra não está mudando, já mudou. Só Trampiou… digo, piorou”, ironizou.

Novo acordo entre Prefeitura do Rio e Cacique Cobra Coral é o mais longo já registrado (Folha de S.Paulo)

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  • Cooperação técnica sem custos tem validade de 25 anos e prevê assistência meteorológica; prefeitura e fundação não comentam
  • Fundação espírita a quem se atribui o poder de intervir em fenômenos climáticos estava com relação rompida com o Rio durante ventania de julho

14.ago.2026 às 6h00

Yuri Eiras

Rio de Janeiro

A Prefeitura do Rio de Janeiro firmou o mais longo acordo já registrado entre o Executivo municipal e a Fundação Cacique Cobra Coral. A fundação representa a entidade espírita a quem se atribui o poder de intervir em fenômenos climáticos para mitigar os efeitos nas cidades.

A assistência do Cacique Cobra Coral à prefeitura vai durar 25 anos, segundo o acordo assinado em 6 de agosto, feito sem custos. A parceria, sob justificativa de “prestação de assistência técnica meteorológica”, foi feita pela Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro).

A imagem apresenta uma composição com uma ilustração de um homem de cabelo longo e liso, em destaque no centro. Ao fundo, há uma paisagem natural com cachoeiras, rochas e vegetação amarelada, além de um céu com nuvens e relâmpagos. No topo da imagem, está o texto 'Fundação Cacique Cobra Coral' e uma frase em português: 'Luz que ilumina os fracos e confunde os poderosos'.
Ilustração do Cacique Cobra Coral que consta em site oficial da fundação – Reprodução/FCCC

No dia seguinte à assinatura, cariocas receberam às 5h um alerta da Defesa Civil com risco de vendaval. As rajadas poderiam chegar a 90 km/h. Para evitar o que havia ocorrido duas semanas antes, quando a ventania causou estragos e mortes na cidade, município e estado fecharam parques públicos, suspenderam aulas e recomendaram a antecipação do expediente. Na ventania anterior, a fundação estava com a parceria rompida com a prefeitura.

Na segunda, os ventos chegaram a 84 km/h no sul fluminense, mas não passaram de 62 km/h na capital.

A fundação divulga que o Cacique Cobra Coral teria sido, em outras existências terrenas, o astrônomo Galileu Galilei e o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. A médium Adelaide Scritori diz incorporar o mentor espiritual.

A reportagem procurou Osmar Santos, porta-voz da fundação. Ele afirmou que o cacique suspendeu entrevistas. A fundação, localizada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, não é aberta ao público e não dá consultas.

A prefeitura também não comentou.

No início de agosto, Santos afirmou à Folha que a entidade esotérica previu a ventania, mas não agiu porque o contrato com a prefeitura expirou e não havia renovado por Eduardo Cavaliere, sucessor de Eduardo Paes no cargo.

O serviço prestado pelo Cobra Coral é direcionado a empresas e ao poder público, nunca com cobrança em dinheiro. A contrapartida, diz a fundação, é investimento em obras de mitigação de efeitos climáticos.

A primeira manifestação do Cacique Cobra Coral teria ocorrido quando Adelaide era ainda criança e estava em um centro espírita frequentado pela família. O pai, Ângelo Scritori, foi quem criou a fundação.

A atuação pública começou no início dos anos 1980, quando o trabalho era feito em uma garagem, com mapas do país dispostos sobre a mesa. Naquela época, o serviço da Cacique Cobra Coral era oferecido aos estados por telegrafia. Bastava aos órgãos enviar mapas hidrográficos para que o serviço —redirecionar nuvens de chuva— fosse realizado.

Em 1988, a fundação já mantinha contatos com os governos de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

Nos anos 1990, a fundação começou a atribuir a si a previsão de atentados e tragédias de comoção nacional, como a morte de Ayrton Senna, em 1994, mas recuou na prática.

Hoje a fundação diz atender a questões climáticas de países de três continentes, incluindo China, Austrália e Estados Unidos. No último, diz ter ajudado a dissipar estragos do furacão Irene, em 2011.

No Rio, a fundação tem convênios oficiais com a prefeitura desde o primeiro mandato do prefeito Cesar Maia (1993-1996).

Até o acordo mais recente, o de 25 anos, as parcerias firmadas entre fundação e Prefeitura do Rio tinham validade de, no máximo, quatro anos, com prorrogações pontuais por mais um ano.

A parceria já acompanhou visitas de chefes de Estado, edições do Rock in Rio, Pan-Americano, Olimpíada e Copa do Mundo, além de Carnavais, Réveillons e shows na praia de Copacabana.


Fundação Cacique Cobra Coral não é mais parceira da prefeitura do Rio e diz que ventania foi só o princípio do caos (Folha de S.Paulo)

  • Entidade que teria o poder de controlar fenômenos climáticos afirma que poderia ter mitigado efeitos, mas não foi acionada pelo município
  • Médium prestava serviços à cidade há 25 anos e contrato não foi renovado após saída de Eduardo Paes; Rock in Rio também não deve contar com monitoramento
A imagem apresenta uma composição com uma ilustração de um homem de cabelo longo e liso, em destaque no centro. Ao fundo, há uma paisagem natural com cachoeiras, rochas e vegetação amarelada, além de um céu com nuvens e relâmpagos. No topo da imagem, está o texto 'Fundação Cacique Cobra Coral' e uma frase em português: 'Luz que ilumina os fracos e confunde os poderosos'.
Fundação Cacique Cobra Coral: ‘Prefeitura precisa entender que não precisamos deles, eles que precisam de nós’, diz porta-voz – Reprodução

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1º.ago.2026 às 9h17

Cleo Guimarães

Rio de Janeiro

O vendaval que deixou três mortos e um rastro de destruição no estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (29) poderia ser evitado ou ter seu efeito mitigado? Sim, afirma o porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral, Osmar Santos.

Ele conta que a entidade esotérica, que teria o poder de controlar fenômenos climáticos, previu a ventania, mas não agiu porque o contrato com a prefeitura da cidade expirou e não foi renovado por Eduardo Cavaliere, sucessor de Eduardo Paes no cargo.

Árvore grande bloqueia completamente uma rua residencial à noite. Um carro está parado em frente à árvore caída, e uma fita de isolamento impede a passagem. Três pessoas estão próximas à árvore, observando a situação.
Árvore caída na rua General Polidoro, em Botafogo, na zona sul do Rio; ventania causou mortes e deixou rastro de destruição – Eduardo Anizelli – 29.jul.26/Folhapress

“Tem todo o planeta atrás de nós, temos que dar prioridade a quem nos procura”, afirma o porta-voz, que disse ao F5 estar a caminho da Europa, onde foi solicitada a atuação da médium Adelaide Scritori, que incorporaria o Cacique. Ele não especificou que países solicitaram seus serviços.

“Diante dessa omissão acima, foi decidido que estamos fora do Réveillon e do Carnaval. Adeus, Rio. Foi bom enquanto durou e havia reciprocidade, já que mesmo isento de ônus financeiro o convênio é uma mão dupla”, diz Osmar. A entidade era parceira da prefeitura da cidade desde 2001, na gestão de César Maia, com interrupção no monitoramento durante o governo de Marcelo Crivella.

Ele conta que o Rock in Rio, que tinha contrato vigente com a médium desde 2005 (com uma breve interrupção), também ainda não os procurou para a edição deste ano. O vendaval de dias atrás danificou estruturas da Cidade do Rock. Leia a entrevista a seguir.

A população do Rio de Janeiro foi pega de surpresa com a ventania. Por que a Fundação Cacique Cobra Coral não interveio? Porque não foi renovado o contrato. O convênio com a prefeitura do Rio está suspenso com a saída do Eduardo Paes para a candidatura ao governo. Isso nos preocupa pois estamos no inverno. E quando o verão e o período de chuvas de verão chegar? Vai sobrar o que do Rio?

A Fundação sabia do que estava por vir? Se sim, por que não avisou ou tentou evitar? Sim, já era esperada desde 29 de junho e alguns parceiros privados foram alertados e tomaram providências. Como não temos mais essa parceria, damos prioridade a quem nos procura ou está com convênio ou contrato vigente.

É possível dizer que fenômenos como esse serão recorrentes? Estamos as vésperas do verão do século e eventos semelhantes aos dos últimos dias vão ser corriqueiros a partir de agosto. Tivemos agora uma pequena amostra do que nos espera no verão, que vai começar na primavera. O clima e o tempo mudaram, nada será como antes foi um dia

O Rock in Rio, também parceiro de muitos anos, corre risco? Desta vez ninguém nos procurou e não vamos falar do que não fazemos parte, seria antiético. Temos de respeitar a decisão deles. Dezenas de países europeus e da Ásia atrás de nós, então temos que atuar onde somos chamados.

Alguma chance de a parceria com a prefeitura ser restabelecida? Não há mais o que conversar. Eles [prefeitura] precisam entender que não precisamos deles, eles que precisam de nós. Temos regras, deveres e obrigações e esse convênio é uma responsabilidade muito grande para nós ficando como está e sem fazerem a lição de casa. O povo é que paga o preço dessa omissão. Estamos fora a trabalho a caminho da Europa, onde alguns países estão precisando da nossa atuação.

Acabou de vez então a atuação do Cacique no Rio? Nós não temos tempo para ficar correndo atrás do que é interesse deles e do povo que eles representam. Diante da omissão, foi decidido que estamos fora do Réveillon e do Carnaval. Adeus, Rio. Foi bom enquanto durou e havia reciprocidade, já que mesmo isento de ônus financeiro, o convênio é uma mão dupla. Desculpem os cariocas, mas há seres humanos agradecidos pelas nossas interferências no clima em 17 países e 3 continentes.