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Cearense une IA e profetas das chuvas e é finalista de ‘Nobel da Água Jovem’ no Brasil (Diário do Nordeste)

Artigo original

Terra de Sabidos

Cearense une IA e profetas das chuvas e é finalista de ‘Nobel da Água Jovem’ no Brasil

Thatiany Nascimento06:00 – 22 de Maio de 2026

Quando o Ceará enfrentou o mais recente ciclo de seca, entre 2012 e 2016, Raul Victor Magalhães Souza, morador de Iracema, cidade do Vale do Jaguaribe, ainda era criança. É desse período que vêm as memórias do avô Luiz Maia, de 71 anos, e das histórias que ele contava sobre pessoas capazes de prever se as águas vindas do céu vão ou não banhar o Estado: os profetas da chuva. Desde então, a possibilidade de antecipar o que virá, somada ao conhecimento científico e popular, desperta a curiosidade e os interesses de Raul Victor.

O fascínio que nasceu na infância cresceu e, na adolescência, virou pesquisa científicaEstudante de escola pública no interior do Ceará, Victor, de 16 anos, filho de uma professora e de um vendedor autônomo, tem feito dessa inquietação reveladora sobre o quanto a existência ou não de reservas de água é central para o cearense, um campo de investigação. E isso de forma ainda um tanto precoce: ele, que é aluno do Ensino Médio e almeja ingressar no curso de Medicina, propõe e participa, desde o 1º ano desta etapa, de estudos na própria escola que articulam tecnologia, saber popular e previsões

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Legenda: Victor é aluno da Escola Estadual de Educação Profissional Antônio Rodrigues de Oliveira, em IracemaFoto: Thiago Gadelha

No percurso, Victor, que hoje está no 3º ano, na Escola de Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, já produziu artigos, ganhou bolsa de iniciação científica, faz parte de uma laboratório de pesquisa vinculado à universidade, concorreu em feiras e em eventos locais, regionais, nacionais e internacionais. 

Esse processo inclusive foi o que garantiu a Raul as primeiras viagens para fora da própria cidade, localizada a 285 km de Fortaleza. Os trajetos incluem conhecer a capital, outros estados como Rio Grande do Sul e Brasília, e até outros países, como os Estados Unidos. Isso, para apresentar os resultados das próprias pesquisas. 

O Diário do Nordeste publica, em 2026, a quinta edição do projeto Terra de Sabidos, que neste ano tem como foco a produção científica nas escolas públicas do Ceará. O especial percorre Fortaleza e cidades do interior, como Ocara, Pedra Branca e Iracema, e apresenta iniciativas e projetos de pesquisa desenvolvidos por jovens e professores orientadores que contribuem para a produção do conhecimento e para a resolução de problemas nas mais diversas áreas da ciência, ainda no ensino fundamental e médio.

Em Brasília, ele celebrou, neste ano, a entrega do Prêmio Jovem Cientista, conquistado em 2025, na categoria “Estudante do Ensino Médio”. A premiação é um dos mais importantes reconhecimentos científicos do Brasil, criado na década de 1980 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A pesquisa de Victor concorreu com trabalhos de estudantes de todo o país.

O mesmo estudo e os achados deste trabalho, também no ano passado, rendeu ao estudante participar da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), maior feira do tipo na América Latina, realizada anualmente no Rio Grande do Sul. No evento, o êxito do projeto e as boas avaliações lhe renderam ser premiado com uma credencial para Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), que é a maior feira internacional de ciências e engenharia para estudantes do ensino médio do mundo. 

Esse mês, o estudante levou os saberes dos profetas da chuva cearenses conectados à Inteligência Artificial aos Estados Unidos, apresentando o trabalho no salão de exposições e sendo avaliado por pesquisadores na competição que reúne mais de 1.700 jovens cientistas de mais de 60 países.

Enquanto estava na ISEF, Raul Victor recebeu a notícia que está na final do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, que é promovido pelo Stockholm International Water Institute desde 1997, e é considerado o “Nobel” da ciência jovem voltada às questões hídricas.

A premiação no Brasil é organizada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental e pela Brazilcham Sweden, com o objetivo de incentivar jovens de diferentes países a desenvolver soluções inovadoras para desafios relacionados à água, saneamento e sustentabilidade. 

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Legenda: Raul Victor Magalhães apresentando o trabalho em evento nacional de pesquisaFoto: Arquivo pessoal

O vencedor da etapa brasileira ganha uma viagem com todas as despesas pagas para representar o país na etapa internacional, realizada em Estocolmo. No Brasil, a premiação é organizada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e pela Brazilcham Sweden, responsáveis pela seleção do projeto brasileiro que disputará a final internacional na Suécia.

Na trajetória de Raul Victor, o conhecimento e, por efeito, as conquistas, têm escalado. Ele “ganha mundo” e deseja mais, relata ao Diário do Nordeste em entrevista feita na própria escola. Quer prosperar, seguir participando de eventos, incluindo os internacionais, fazendo descobertas, produzindo. Mas, sonha com os pés no chão.

O reconhecimento é bom, sabe ele. Contudo, relata ter consciência de que esse processo tem custos: horas e horas dedicadas ao trabalho, a escrita, a troca de mensagem com orientador, produções a serem entregues, a interpretação de dados nem sempre são compreensíveis facilmente. 

ciencia na escola

O que é a pesquisa?

No início do Ensino Médio, Raul Victor já constatava aquilo que muitos pesquisadores descobrem com um certo tempo de carreira: a ciência começa nas inquietações de cada investigador. No 1° ano do Ensino Médio fez o primeiro projeto científico. A pesquisa era sobre o potencial terapêutico do óleo da tilápia no tratamento da esclerose múltipla. Com esse estudo desenvolvido na escola, ganhou uma bolsa de iniciação científica do CNPq. 

Nesse processo, começou a fazer parte do Laboratório de Farmacologia de Venenos, Toxinas e Lectinas (Lafavet) do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC). Isso porque, explica ele, mesmo que a investigação não seja enquadrada na área de farmacologia, venenos ou toxinas, a conexão com o Laboratório se dá pois há o incentivo à iniciação à pesquisa, sem restrição absoluta da área de conhecimento. 

A ideia de unir tecnologia aos saberes tradicionais veio no 2º ano do ensino médio. Foi levada por ele ao orientador, Helyson Lucas Bezerra Braz, que, explica ele, “é da área de informática e principalmente a bioinformática”, aponta, e não domina também a área de climatologia, mas aceitou o desafio. 

Na pesquisa, o estudante desenvolveu um modelo para prever chuvas no Vale do Jaguaribe, e utilizou Inteligência Artificial para analisar dados meteorológicos coletados ao longo de mais de 40 anos, como temperatura, pressão do ar, umidade, vento e volume de chuva, registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). 

Isso, somado às observações feitas pelos profetas da chuva, pessoas que usam sinais da natureza para projetar o período chuvoso, como o comportamento de animais, o florescimento de plantas e fenômenos observados no céu. 

ciencia na escola

Como foi feita a pesquisa científica no ensino médio?

Ouvir o avô Luiz Maia contar histórias sobre os profetas da chuva, principalmente, aqueles moradores de Iracema, foi o despertar para o estudo, que hoje já circula o mundo. Em 2009, aponta Raul, um profeta da própria cidade previu que o lugar sofreria com uma grande enchente, fato que infelizmente se concretizou devido ao intenso volume de chuvas registrado no lugar em maio daquele ano. 

“Foi um trabalho bem árduo para sistematizar todos esses conhecimentos tradicionais, valorizá-los assim como eles devem ser valorizados e credibilizados e transformar eles juntamente com a inteligência artificial em um modelo preditivo que prevê o total pluviométrico para aquela determinada região, que no nosso caso é o Vale do Jaguaribe”.Raul Victor Magalhães Souza

Estudante de escola pública

Lembrou desse fato e da alegria despertada por ele. Em 2025, diz, “perguntou a si mesmo “por que não fazer um projeto que envolva os profetas da chuva já que eles têm tanta assertividade nas suas previsões e a inteligência artificial que é a tendência do momento?”. Com a proposta aceita pelo orientador, que é vinculado à UFC e atua em parceria com a escola nos projetos de iniciação científica, partiu para investigar. 

Cinco cidades (todas do Vale do Jaguaribe) foram escolhidas para viabilizar o estudo: Iracema, Morada Nova, Russas, Limoeiro do Norte e Quixeré. A pesquisa seguiu então dois movimentos de coleta de dados: 

  • Entrevistas com seis profetas da chuva do Vale do Jaguaribe nas quais são estruturadas 10 parâmetros de análise, dentre eles, da fauna, da flora e de fenômenos atmosféricos e astronômicos, como o florescer do mandacaru e do juazeiro,  a observação do caule da embiratanha (planta típica do semiárido), a presença da borboleta preta, da aranha caranguejeira, de rã, formigueiros, a observação do halo lunar e alto brilho do sete-estrelo (grupo de estrelas visíveis a olho nu);
  • Dados do Inmet e da Funceme referente ao Vale do Jaguaribe, de 1981-2024, com variáveis como: pressão atmosférica, temperatura, umidade relativa do ar, velocidade do vento e direção do vento (graus). 

As entrevistas foram feitas de forma presencial e também remotamente em 2024, via videochamadas. No processo de escuta, dois profetas da chuva de Iracema, João Odegário e Expedito, foram ouvidos pelos pesquisadores. 

As informações foram organizadas pelos dois, transformadas em dados numéricos e analisadas com técnicas estatísticas e de inteligência artificial. Como resultado, eles criaram um modelo híbrido de previsão, com uma ferramenta que usa inteligência artificial.

  • O dispositivo, que ainda será disponibilizado para acesso público, em termos simplificados funciona como um sistema que:
  • Reúne dados meteorológicos (temperatura, umidade, pressão etc.);
  • Junta esses dados às  observações dos profetas da chuva e;
  • Conecta os dois para calcular possibilidades de chuvas no Vale do Jaguaribe.

Os primeiros resultados da pesquisa foram estruturados em formato de artigo científico para que os achados possam ser avaliados publicamente. Com essa base, a pesquisa foi inscrita em feiras e competições científicas. 

“Abordamos esses fenômenos perguntando (aos profetas) se eles apareciam ou não, para fazermos uma classificação binária de dados, ou seja, converter esses conhecimentos qualitativos em quantitativos, conhecimentos numéricos, para assim a gente trabalhar com a modelagem computacional juntamente com os dados meteorológicos”.  Raul Victor Magalhães Souza

Estudante de escola pública

O papel dos profetas da chuva é destacado por Raul como essencial nesse processo: “eu acredito que desde os primórdios o homem está conectado com a natureza, querendo ou não, porque nós dependemos da natureza, isso é um fato. Então, a relação intrínseca dos profetas da chuva com a observação da natureza foi importante para realizarmos esse trabalho, porque não é uma previsão tirada da cabeça deles. É algo que realmente acontece na natureza e eles conseguiram transformar o conhecimento empírico em previsão”.  

ciencia na escola

Rotina e resultado das premiações

Com a pesquisa em desenvolvimento, orientador e estudante decidiram submeter o trabalho a uma série de competições científicas, que, felizmente, têm assegurado o reconhecimento do esforço. O Prêmio Jovem Cientista, relata Raul, foi uma das primeiras submissões realizadas, depois veio a Mostratec, que resultou na conquista da credencial para representar o Brasil no evento internacional, no Arizona, nos Estados Unidos, em maio. 

As premiações, como o Jovem Cientista, também renderam recursos materiais, como um notebook para Raul, um para o orientador e uma para a escola, além de ajuda financeira para preparação para outros eventos, já que as competições internacionais incluem custos das logísticas das viagens.   

Outro resultado positivo foi a conquista de uma bolsa no Pop Ciência, que é o Programa Nacional de Popularização da Ciência do Brasil, instituído pelo MCTI. A premiação foi oriunda da participação no Ceará Faz Ciência, que é uma mostra científica realizada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, do Governo do Estado. 

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Legenda: O fascínio de Victor pela “profecia da chuvas” nasceu na infância e, na adolescência, virou pesquisa. Foto: Thiago Gadelha

Na rotina escolar que vai das 7h às 4h40, em alguns momentos, a jornada é utilizada para as ações dos projetos científicos, como a escrita de diário de campo, registros das atividades e alguns experimentos. Mas, “a parte da construção teórica de todo o projeto, a escrita do artigo, acontece pela noite e geralmente, eu realizo na minha casa, juntamente com o meu orientador. Fazemos reuniões online.  É o tempo que a gente aproveita”, explica Raul. 

Em 2026, os planos são fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar o curso de Medicina. O acesso à universidade, no caso de Raul, demanda a mudança de cidade, pois teria que cursar em Fortaleza. “É um pouco diferente desse projeto que eu fiz, mas é porque ele surgiu de uma curiosidade e uma vontade inexplicável de realizá-lo. Mas no meu primeiro ano eu já tinha realizado um projeto da Esclerose Múltipla e sempre fui apaixonado nessa área da ciência, da biomedicina e quero seguir na Medicina”, completa. 

Outro plano é garantir acesso público a plataforma, que é o resultado da pesquisa. “Ainda não foi lançado porque a gente pretende ampliar o número de profetas da chuva, o banco de dados vivos, como também pretende especificar mais as áreas”. A estimativa é que o projeto seja viabilizado até o final de 2026, garantindo a possibilidade de previsão da quadra chuvosa de 2027. 

“É bem difícil realizar tudo isso porque ainda estamos realizando análise mercadológica, já que pretendemos deixar acessível de graça para os agricultores locais e os profetas da chuva. Porém, se grandes empresas quiserem utilizar essa plataforma, a gente realizaria alguns planos com assinaturas para eles obterem relatórios complexos acerca daquele período chuvoso, entre outras informações”< aponta. 

ciencia na escola

Incentivo à pesquisa na escola

Raul é uma das dezenas de estudantes da rede pública do Ceará que estão em contato com a iniciação científica ainda no Ensino Médio. E isso, avalia o orientador Helyson Lucas Bezerra Braz, que é professor e pesquisador do Lafavet da UFC, “contribui em diversos aspectos, desde o incentivo à investigação até a escolha da futura graduação e o desenvolvimento pessoal”. 

Helyson é um pesquisador entusiasta do processo de contato dos estudantes secundaristas com a produção científica. 

“Ela desperta no aluno a capacidade de resolver problemas da sociedade, mostrando que ele pode entender e transformar o mundo ao seu redor. Isso é fundamental para quebrar o rótulo de que o estudante de escola pública não é capaz de promover mudanças incríveis”. Helyson Lucas Bezerra Braz

Orientador

A própria trajetória, defende ele, confirma esse argumento. Ele é e egresso da Escola Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, em Iracema, e relata que participou da iniciação científica júnior no Ensino Médio e “isso foi o pilar primordial para a minha carreira acadêmica e para os projetos que desenvolvi. Hoje, tenho muito orgulho de repassar essa trajetória e treinar novos jovens curiosos que querem resolver problemas reais através da pesquisa”.

Mas, ele também destaca que o processo evidencia desafios já conhecidos, como  a falta de infraestrutura. “Precisamos de mais apoio financeiro, mais bolsas de pesquisa e programas de estímulo voltados para o ensino médio, garantindo uma ajuda de custo para que esses alunos possam desenvolver seus projetos e sejam verdadeiramente protagonistas”, destaca.

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Legenda: Na pesquisa, o estudante desenvolveu um modelo para prever chuvas no Vale do Jaguaribe. Foto: Thiago Gadelha

A iniciação científica também gera impactos concretos e Helyson evidencia: “ a pesquisa transforma esses alunos em sujeitos ativos, influenciando diretamente a decisão de seguir carreira acadêmica ou resolver problemas de suas próprias comunidades. Nos últimos oito anos, todos os alunos que orientei ingressaram na universidade, e muitos já estão no mestrado e doutorado, inclusive fora do Brasil”. 

Chegar à graduação com uma mentalidade distinta dos alunos focados apenas em “passar no Enem”, ingressar no ensino superior com trabalhos publicados em revistas internacionais ou já integrando grupos de pesquisa são alguns diferenciais. Além disso, assim como Raul, alunos da rede pública têm “alçado voos”, com credenciamentos para eventos internacionais. São portas abertas, aponta Helyson. E os estudantes seguem insistindo para elas não mais fecharem.  

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Créditos

Thatiany Nascimento Repórter; Thiago Gadelha Produtor Audiovisual; Louise Dutra Criação SVM Arte/Animação; Dahiana Araújo Editora de DN Ceará; Karine Zaranza Coordenadora de Jornalismo; G. André Melo Gerente de Audiovisual; Ívila Bessa Gerente de Jornalismo; Gustavo Bortoli Diretor de Jornalismo.

Crickets change the speed of their chirping according to the temperature. (Interesting Facts)

Original post

by Nicole Garner Meeker

Original photo by Verry R. Wibawa 09/ Shutterstock

Physicist Amos E. Dolbear is known for his work on early telephones and other inventions, but an 1897 issue of The American Naturalist contained a different type of scientific contribution: the hypothesis that cricket chirps are linked to air temperature. Dolbear’s observations (likely of snowy tree crickets, or Oecanthus fultoni) led him to theorize that the frequency of their chirps increased with warmer weather, and slowed as the thermometer fell. Surely, the phenomenon could be used to “easily compute the temperature when the number of chirps per minute is known,” Dolbear wrote. Most entomologists now agree that his theory — called Dolbear’s Law — is pretty spot-on, thanks to how insects respond to environmental changes. As cold-blooded creatures, crickets are unable to regulate their body temperatures internally, relying on the sun’s heat to fuel their metabolisms and provide the energy they need. Warmer temperatures allow the six-legged critters to use more energy, allowing more of the chemical reactions in their bodies that produce muscle contractions (and thus chirps) to occur — which we hear in the form of faster-paced songs

You can easily test Dolbear’s Law on the next warm, buzzing night. Tune in to one cricket’s song, count the number of chirps you hear in 15 seconds, and add 37 for an approximate forecast in degrees Fahrenheit. (If math isn’t your strong suit, the U.S. National Weather Service has a handy cricket chirp converter that also provides a Celsius conversion). There are some limitations to using a cricket temperature gauge, however: Most crickets won’t sing when temps dip below 55 degrees or when heat pushes the thermometer past 100. And while many crickets respond to temperature shifts this way, not all chirp at the same rate. Fortunately, the snowy tree cricket is widespread throughout the United States — where, perhaps unsurprisingly, it’s also known as the thermometer cricket.

Bizarre NYC Groundhog Day event with Curtis Sliwa draws hundreds of hipsters, protesters – with a possible twist next year (NY Post)

By Nicole Rosenthal

Published Feb. 2, 2026, 3:25 p.m. ETComments

This groundhog has found a new borough.

For-hire Pennsylvania groundhog “Wolfgang” spotted his shadow at Brooklyn’s McCarren Park in front of a crowd of ecstatic hipsters Saturday, whispering his weather prediction to perennial mayoral candidate Curtis Sliwa — who claimed he’d don his own groundhog costume next year.

The woodchuck predicted six more weeks of frigid wintery temperatures to the delight of hundreds in Williamsburg who chanted Sliwa’s name and even bid for the Republican’s autograph.

A person feeds a groundhog a small piece of bread while another person in a top hat watches.
Hundreds of hipsters descended on a popular Williamsburg, Brooklyn park to watch a groundhog whisper its weather predictions into the ear of ex-mayoral candidate Curtis Sliwa Saturday.Nicole Rosenthal

“You’re glazing me!” he greeted the crowd, quoting his infamous one-liner on the debate stage to now-Mayor Zohran Mamdani last year. “I want to thank all of you … for maintaining this American tradition.”

The offbeat gathering, now in its second year, is the brainchild of political journalist Riley Callanan, 26, who told The Post that she shelled out $2,250 to rent the varmint from an animal rental service — and invited the animal-loving Sliwa as a “shot in the dark” due to his “New York icon” status among youngsters.

The Guardian Angels founder also announced a twist on next year’s event — in the vein of viral “look-alike” contests that have emerged in the Big Apple — after a handful of animal welfare activists crashed the Saturday afternoon shindig.

“Next year, I’m going to come and I’m going to audition with many of you and become a human [groundhog] next year to determine the shadow,” Sliwa suddenly declared after speaking with his “fellow animal welfare friends” at the event.

Curtis Sliwa, founder of the Guardian Angels, talks to a group of young people outdoors in the snow.
Curtis Sliwa poses with Gen Zers in McCarren Park.Nicole Rosenthal

Th groundhog “look-alike” contest will be a “nice pre-show ceremony” to Brooklyn’s new boozy bar crawl tradition, he said.

However, Callanan told The Post that she’s still “hoping” to use a real woodchuck.

Callanan previously told The Post she was inspired to begin organizing a yearly Groundhog Day tradition as a “silly way to party” in the “darkest time of the year.”

“It’s just a wholesome reason to keep fun alive,” she said.

Animal rights activists, including those from anti-horse carriage advocacy group NYCLASS and Humane Long Island, had urged organizers hours before the event to cancel over animal cruelty concerns.

“Groundhogs naturally hibernate in the winter, and forcing one into a stressful, unnatural environment with a drunk and raucous crowd of potentially thousands of people following a bar crawl is cruel and dangerous,” NYCLASS said in a statement.

“Past NYC Groundhog Day events have already resulted in injuries — and even the death of a groundhog after being dropped,” the group said, citing the fatal fumble of Staten Island Chuck after it fell out of the grip of then-Mayor Bill de Blasio.

People protest with signs saying "I Belong In My Burrow, Not This Borough" and "Wild Animals Belong In The Wild."
The news comes after animal rights activists urged organizers to cancel the event over animal cruelty concerns.Nicole Rosenthal

Sliwa, who has been outspoken on animal welfare issues like converting the city’s animal shelters to a no-kill policy, said Thursday he wasn’t sure where the groundhog had come from — but insisted he wouldn’t be holding the critter himself.

“I’m well-aware that I am not a skilled groundhog handler,” Sliwa said.

“I’m there simply to see if the groundhog sees its shadow. … I will certainly not make the mistake that Bill de Blasio did.”

Edita Birnkrant, executive director of NYCLASS, said the young organizers agreed not to use another live animal in the wintertime tradition after advocates blasted the event on social media, but Callanan argued they “did [that] to appease the protesters … and am still hoping to use a real groundhog next year.

“It was great to meet the handler and hear how well the groundhog was cared for,” she explained. “He was rescued as a baby after his family was killed in a backhoe accident and lives in the handlers’ greenhouse.

“His favorite treat is a PB&J and I’m glad his handler gave him one to munch on during the ceremony.”

Groundhog Day 2022: Staten Island Chuck makes prediction (NY Post)

By  Joshua Rhett Miller

Published Feb. 2, 2022, 7:46 a.m. ET

The city’s rodent prognosticator signaled warmer temps and fairer skies ahead just days after the New York region got rocked by a powerful storm, dumping more than a foot of snow in some sections of Queens.

Chuck appeared after a video message from Mayor Eric Adams – the “very special honorary guest” mentioned by organizers on Facebook ahead of the annual city ritual.

Adams didn’t attend the event like his predecessor, Bill de Blasio, who opted to skip it in subsequent years after he infamously dropped Chuck’s 10-month-old stand-in, Charlotte, in 2014. The groundhog, which fell nearly six feet, died of acute internal injuries a week later.

Adams, a former New York City police officer, was instead set to attend the funeral of slain NYPD cop Wilbert Mora later Wednesday morning at St. Patrick’s Cathedral, where he was scheduled to address mourners.

But the mayor took time to send the borough’s most famous groundhog a message of encouragement from the safety of City Hall just before Chuck made his early spring prediction for the second consecutive year.

Staten Island Chuck has predicted an early spring to come for the Big Apple.
Staten Island Chuck has predicted an early spring to come for the Big Apple.Steve White

“Happy Groundhog Day, New York City,” Adams said on the clip. “It’s so great to celebrate this beloved tradition with the Staten Island Zoo.”

Ahead of Chuck’s call, Adams urged the “furry meteorologist” to portend an early spring, which he later obliged.

“I think I can speak for all New Yorkers when I say, Chuck please don’t see your shadow,” Adams said. “Bring on the sunny days! Time to see what our weatherman has to say.”

Groundhog Club handler A.J. Dereume holds Punxsutawney Phil
Punxsutawney Phil predicted six more weeks of winter this year.AP Photo/Barry Reeger, File

Moments later, Staten Island District Attorney Michael McMahon formally introduced Chuck, while noting he gained a few pounds over the winter months — much like many of the borough’s residents.

“That’s something we can all relate to,” McMahon joked.

Chuck then ambled out of a wooden enclosure and declared an early spring, prompting cheers from organizers.

“Lots of clouds,” McMahon said. “Ladies and gentlemen, I’ve just heard from Staten Island Chuck here at the Staten Island Zoo. He did not see his shadow, we will have an early spring!”

Staten Island Chuck, also known as Charles G. Hogg, has an accuracy rate of 85%, according to the Staten Island Zoo.

That’s far higher than the success rate of his Pennsylvania counterpart, Punxsutawney Phil, who is correct between 35 and 41 percent of the time depending on the data source, according to the Staten Island Advance. Phil has been right half of the time in the last decade, however.

Chuck also predicted an early spring last February — a call that zoo officials said was accurate. Punxsutawney Phil, however, had a different forecast for the second year in a row, again signaling six more weeks of winter on Wednesday during the annual Groundhog Day ceremony at Gobbler’s Knob in western Pennsylvania.

Adams, meanwhile, hopes to join the Groundhog Day festivities in coming years, mayoral spokesman Fabien Levy told The Post Tuesday.