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Sobre renzotaddei

Anthropologist, professor at the Federal University of São Paulo

Um novo bóson à vista (FAPESP)

Físicos do Cern descobriram nova partícula que parece ser o bóson de Higgs

MARCOS PIVETTA | Edição Online 19:46 4 de julho de 2012

Colisões de prótons nos quais se observa quatro elétrons de alta energia (linhas verdes e torres vermelhas). O evento mostra características esperadas do decaimento de um bóson de Higgs mas também é coerente com processos de fundo do modelo padrão

de Lindau (Alemanha)*

O maior laboratório do mundo pode ter encontrado a partícula que dá massa a todas as outras partículas, o tão procurado bóson de Higgs. Era a peça que faltava para completar um quebra-cabeça científico chamado modelo padrão, o arcabouço teórico formulado nas últimas décadas para explicar as partículas e forças presentes na matéria visível do Universo. Depois de analisarem trilhões de colisões de prótons produzidas em 2011 e em parte deste ano no Grande Acelerador de Hádrons (LHC), físicos dos dois maiores experimentos tocados de forma independente no Centro Europeu de Energia Nuclear (Cern) anunciaram nesta quarta-feira (4), nos arredores de Genebra (Suíça), a descoberta de uma nova partícula que tem quase todas as características do bóson de Higgs, embora ainda não possam assegurar com certeza de que se trata especificamente desse ou de algum outro tipo de bóson.

“Observamos em nossos dados sinais claros de uma nova partícula na região de massa em torno de 126 GeV (Giga-elétron-volts)”, disse a física Fabiola Gianotti, porta-voz do experimento Atlas. “Mas precisamos um pouco mais de tempo para prepararmos os resultados para publicação.” As informações provenientes de outro experimento feito no Cern, o CMS, são praticamente idênticas. “Os resultados são preliminares, mas os sinais que vemos em torno da região com massa de 125 GeV são dramáticos. É realmente uma nova partícula. Sabemos que deve ser um bóson e é o bóson mais pesado que achamos”, afirmou o porta-voz do experimento CMS, o físico Joe Incandela. Se tiver mesmo uma massa de 125 ou 126 GeV, a nova partícula será tão pesada quanto um átomo do elemento químico iodo.

Em ambos os casos experimentos, o grau de confiabilidade das análises estatísticas atingiu o nível que os cientistas chamam de 5 sigma. Nesses casos, a chance de erro é de uma em três milhões. Ou seja, com esse nível de certeza, é possível falar que houve uma descoberta, só não se conhece em detalhes a natureza da partícula encontrada. “É incrível que essa descoberta tenha acontecido durante a minha vida”, comenta Peter Higgs, o físico teórico britânico que, há 50 anos, ao lado de outros cientistas, previu a existência desse tipo de bóson. Ainda neste mês, um artigo com os dados do LHC deverá ser submetido a uma revista científica. Até o final do ano, quando acelerador será fechado para manutenção por ao menos um ano e meio, mais dados devem ser produzidos pelos dois experimentos.

“Estou rindo o dia todo”
Em Lindau, uma pequena cidade do sul da Alemanha à beira do lago Constance na divisa com a Áustria e a Suíça, onde ocorre nesta semana o 62º Encontro de Prêmios Nobel, os pesquisadores comemoraram a notícia vinda dos experimentos no Cern. Como o tema do encontro deste ano era física, não faltaram laureados com a maior honraria da ciência para comentar o feito. “Não sabemos se é o bóson (de Higgs), mas é um bóson”, disse o físico teórico David J. Gross, da Universidade de Califórnia, ganhador do Nobel de 2004 pela descoberta da liberdade assintótica. “Estou rindo o dia todo.” O físico experimental Carlo Rubia, ex-diretor geral do Cern e ganhador do Nobel de 1984 por trabalhos que levaram à identificação de dois tipos de bósons (o W e Z), foi na mesma linha de raciocínio. “Estamos diante de um marco”, afirmou.

Talvez com um entusiasmo um pouco menor, mas ainda assim reconhecendo a enorme importância do achado no Cern, dois outros Nobel deram sua opinião sobre a notícia do dia. “É algo que esperávamos há anos”, afirmou o físico teórico holandês Martinus Veltman, que recebeu o prêmio em 1999. “O modelo padrão ganhou um degrau maior de validade.” Para o cosmologista americano George Smoot, ganhador do Nobel de 2006 pela descoberta da radiação cósmica de fundo (uma relíquia do Big Bang, a explosão primordial que criou o Universo), ainda deve demorar uns dois ou três anos para os cientistas realmente saberem que tipo de nova partícula foi realmente descoberta. Se a nova partícula não for o bóson de Higgs, Smoot disse que seria “maravilhoso se fosse algo relacionado com a matéria escura”, um misterioso componente que, ao lado da matéria visível e da ainda mais desconhecida energia escura, seria um dos pilares do Universo.

Não é possível medir de forma direta partículas com as propriedades do bóson de Higgs, mas sua existência, ainda que fugaz, deixaria rastros, que, estes sim, poderiam ser detectados num acelerador de partículas tão potente como o LHC. Instáveis e fugazes, os bósons de Higgs sobrevivem uma ínfima fração de segundo – até decaírem e virarem partículas menos pesadas, que, por sua vez, decaem também e dão origem a partículas ainda mais leves. O modelo padrão prevê que, em função de sua massa, os bósons de Higgs devem decair em diferentes canais, ou seja, em distintas combinações de partículas mais leves, como dois fótons ou quatro léptons. Nos experimentos feitos no Cern, dos quais participaram cerca de 6 mil físicos, foram encontradas evidências quase inequívocas das formas de decaimento que seriam a assinatura típica dos bóson de Higgs.

*O jornalista Marcos Pivetta viajou a Lindau a convite do Daad (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico)

Elinor Ostrom, defender of the commons, died on June 12th, aged 78 (The Economist)

Jun 30th 2012 | from the print edition

IT SEEMED to Elinor Ostrom that the world contained a large body of common sense. People, left to themselves, would sort out rational ways of surviving and getting along. Although the world’s arable land, forests, fresh water and fisheries were all finite, it was possible to share them without depleting them and to care for them without fighting. While others wrote gloomily of the tragedy of the commons, seeing only overfishing and overfarming in a free-for-all of greed, Mrs Ostrom, with her loud laugh and louder tops, cut a cheery and contrarian figure.

Years of fieldwork, by herself and others, had shown her that humans were not trapped and helpless amid diminishing supplies. She had looked at forests in Nepal, irrigation systems in Spain, mountain villages in Switzerland and Japan, fisheries in Maine and Indonesia. She had even, as part of her PhD at the University of California, Los Angeles, studied the water wars and pumping races going on in the 1950s in her own dry backyard.

All these cases had taught her that, over time, human beings tended to draw up sensible rules for the use of common-pool resources. Neighbours set boundaries and assigned shares, with each individual taking it in turn to use water, or to graze cows on a certain meadow. Common tasks, such as clearing canals or cutting timber, were done together at a certain time. Monitors watched out for rule-breakers, fining or eventually excluding them. The schemes were mutual and reciprocal, and many had worked well for centuries.

Best of all, they were not imposed from above. Mrs Ostrom put no faith in governments, nor in large conservation schemes paid for with aid money and crawling with concrete-bearing engineers. “Polycentrism” was her ideal. Caring for the commons had to be a multiple task, organised from the ground up and shaped to cultural norms. It had to be discussed face to face, and based on trust. Mrs Ostrom, besides poring over satellite data and quizzing lobstermen herself, enjoyed employing game theory to try to predict the behaviour of people faced with limited resources. In her Workshop in Political Theory and Policy Analysis at the University of Indiana—set up with her husband Vincent, a political scientist, in 1973—her students were given shares in a notional commons. When they simply discussed what they should do before they did it, their rate of return from their “investments” more than doubled.

“Small is beautiful” sometimes seemed to be her creed. Her workshop looked somewhat like a large, cluttered cottage, reflecting her and Vincent’s idea that science was a form of artisanship. When the vogue in America was all for consolidation of public services, she ran against it. For some years she compared police forces in the town of Speedway and the city of Indianapolis, finding that forces of 25-50 officers performed better by almost every measure than 100-strong metropolitan teams. But smaller institutions, she cautioned, might not work better in every case. As she travelled the world, giving out good and sharp advice, “No panaceas!” was her cry.

Scarves for the troops

Rather than littleness, collaboration was her watchword. Neighbours thrived if they worked together. The best-laid communal schemes would fall apart once people began to act only as individuals, or formed elites. Born poor herself, to a jobless film-set-maker in Los Angeles who soon left her mother alone, she despaired of people who wanted only a grand house or a fancy car. Her childhood world was coloured by digging a wartime “victory” vegetable garden, knitting scarves for the troops, buying her clothes in a charity store: mutual efforts to a mutual end.

The same approach was valuable in academia, too. Her own field, institutional economics (or “the study of social dilemmas”, as she thought of it), straddled political science, ecology, psychology and anthropology. She liked to learn from all of them, marching boldly across the demarcation lines to hammer out good policy, and she welcomed workshop-partners from any discipline, singing folk songs with them, too, if anyone had a guitar. They were family. Pure economists looked askance at this perky, untidy figure, especially when she became the first woman to win a shared Nobel prize for economics in 2009. She was not put out; it was the workshop’s prize, anyway, she said, and the money would go for scholarships.

Yet the incident shed a keen light on one particular sort of collaboration: that between men and women. Lin (as everyone called her) and Vincent, both much-honoured professors, were joint stars of their university in old age. But she had been dissuaded from studying economics at UCLA because, being a girl, she had been steered away from maths at high school; and she was dissuaded from doing political science because, being a girl, she could not hope for a good university post. As a graduate, she had been offered only secretarial jobs; and her first post at Indiana involved teaching a 7.30am class in government that no one else would take.

There was, she believed, a great common fund of sense and wisdom in the world. But it had been an uphill struggle to show that it reposed in both women and men; and that humanity would do best if it could exploit it to the full.

Para evitar catástrofes ambientais (FAPERJ)

Vilma Homero

05/07/2012

 Nelson Fernandes / UFRJ
 
  Novos métodos podem prever onde e quando
ocorrerão deslizamentos na região serrana

Quando várias áreas de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis sofreram deslizamentos, em janeiro de 2011, soterrando mais de mil pessoas em toneladas de lama e destroços, a pergunta que ficou no ar foi se o desastre poderia ter sido minimizado. No que depender do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as consequências provocadas por cataclismas ambientais como esses poderão ser cada vez menores. Para isso, os pesquisadores estão desenvolvendo uma série de projetos multidisciplinares para viabilizar sistemas de análise de riscos. Um deles é o Prever, que, com suporte de programas computacionais, une os avanços alcançados em metodologias de sensoriamento remoto, geoprocessamento, geomorfologia e geotecnia, à modelagem matemática para a previsão do tempo em áreas mais suscetíveis a deslizamentos, como a região serrana. “Embora a realidade dos vários municípios daquela região seja bastante diferente, há em comum uma falta de metodologias voltadas à previsão para esse tipo de risco. O fundamental agora é desenvolver métodos capazes de prever a localização espacial e temporal desses processos. Ou seja, saber “onde” e “quando” esses deslizamentos podem ocorrer”, explica o geólogo Nelson Ferreira Fernandes, professor do Departamento de Geografia da UFRJ e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ.Para elaborar métodos de previsão de risco, em tempo real, que incluam movimentos de massa deflagrados em resposta a entradas pluviométricas, os pesquisadores estão traçando um mapeamento, realizado a partir de sucessivas imagens captadas por satélites, que são cruzadas com mapas geológicos e geotécnicos. O Prever combina modelos de simulação climática e de previsão de eventos pluviométricos extremos, desenvolvidos na área da meteorologia, com modelos matemáticos de previsão, mais as informações desenvolvidos pela geomorfologia e pela geotecnia, que nos indicam as áreas mais suscetíveis a deslizamentos. Assim, podemos elaborar traçar previsões de risco, em tempo real, classificando os resultados de acordo com a gravidade desse risco, que varia continuamente, no espaço e no tempo”, explica Nelson.

Para isso, os Departamentos de Geografia, Geologia e Meteorologia do Instituto de Geociências da UFRJ se unem à Faculdade de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e ao Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). Com a sobreposição de informações, pode-se apontar, nas imagens resultantes, as áreas mais sensíveis a deslizamentos. “Somando esses conhecimentos acadêmicos aos dados de órgãos estaduais, como o Núcleo de Análise de Desastres (Nade), do Departamento de Recursos Minerais (DRM-RJ), responsável pelo apoio técnico à Defesa Civil, estaremos não apenas atualizando constantemente os mapas usados hoje pelos órgãos do governo do estado e pela Defesa Civil, como estaremos também facilitando um planejamento mais preciso para a tomada de decisões.”

 Divulgação / UFRJ
Uma simulação mostra em imagem a possibilidade de
um deslizamento de massas na
 região de Jacarepaguá

Esse novo mapeamento também significa melhor qualidade e maior precisão e mais detalhamento de imagens. “Obviamente, com melhores instrumentos em mãos, o que quer dizer mapas mais detalhados e precisos, os gestores públicos também poderão planejar e agir de forma mais acurada e em tempo real”, afirma Nelson. Segundo o pesquisador, esses mapas precisam ter atualização constante para acompanhar a dinâmica da interferência da ocupação humana sobre a topografia das várias regiões. “Isso vem acontecendo seja pelo corte de encostas, seja pela ocupação de áreas aterradas ou pelas mudanças em consequência da drenagem de rios. Tudo isso altera a topografia e, no caso de chuvas mais fortes e prolongadas, pode tornar determinados solos mais propensos a deslizamentos ou a alagamentos e enchentes”, exemplifica Nelson.Mas os sistemas de análises de desastres e riscos ambientais também compreendem outras linhas de pesquisa. No Prever, se trabalha em duas linhas de ação distintas. “Uma delas é a de clima, em que detectamos as áreas em que haverá um aumento pluviométrico a longo prazo e fornecemos informações a órgãos de decisão e planejamento. Outra é a previsão de curtíssimo prazo, o chamadonowcasting.” No caso de previsão de longo prazo, a professora Ana Maria Bueno Nunes, do Departamento de Meteorologia da mesma universidade, vem trabalhando no projeto “Implementação de um Sistema de Modelagem Regional: Estudos de Tempo e Clima”, sob sua coordenação, com a proposta de uma reconstrução do hidroclima da América do Sul, uma extensão daquele projeto.

“Unindo dados sobre precipitação fornecidos por satélite às informações das estações atmosféricas, é possível, através de modelagem computacional, traçar estimativas de precipitação. Assim, podemos não apenas saber quando haverá chuvas de intensidade mais forte, ou mais prolongadas, como também observar em mapas passados qual foi a convergência de fatores que provocou uma situação de desastre. A reconstrução é uma forma de estudar o passado para entender cenários atuais que se mostrem semelhantes. E, com isso, ajudamos a melhorar os modelos de previsão”, afirma Ana. Estas informações, que a princípio servirão para uso acadêmico e científico, permitirão que se tenha dados cada vez mais detalhados de como se formam grandes chuvas, aquelas que são capazes de provocar inundações em determinadas áreas. “Isso permitirá não apenas compreender melhor as condições em que certas situações de calamidade acontecem, como prever quando essas condições podem se repetir. Com o projeto, estamos também formando recursos humanos ainda mais especializados nessa área”, avalia a pesquisadora, cujo trabalho conta com recursos de um Auxílio à Pesquisa (APQ 1).

Também integrante do projeto, o professor Gutemberg Borges França, da UFRJ, explica que existem três tipos de previsão meteorológica: a sinótica – que traça previsões numa média de 6h até sete dias, cobrindo alguns milhares de km, como o continente sul-americano; a de mesoescala, que faz previsões sobre uma média de 6h a dois dias, cobrindo algumas centenas de km, como o estado do Rio de Janeiro; e a de curto prazo, ou nowcasting, que varia de poucos minutos até 3h a 6h, sobre uma área específica de poucos km, como a região metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo.

Se previsões de longo prazo são importantes, as de curto prazo, ou nowcasting, também são. Segundo Gutemberg, os atuais modelos numéricos de previsão ainda são deficientes para realizar a previsão de curto prazo, que termina sendo feita em grande parte com base na experiência do meteorologista, pela interpretação das informações de várias fontes de dados disponíveis, como imagens de satélites; de estações meteorológicas de superfície e altitude; de radar e sodar (Sonic Detection and Ranging), e modelos numéricos. “No entanto, o meteorologista carece ainda hoje de ferramentas objetivas que possam auxiliá-lo na integração dessas diversas informações para realizar uma previsão de curto prazo mais acurada”, argumenta Gutemberg.Atualmente, o Rio de Janeiro já dispõe de estações de recepção de satélites, estação de altitude – radiosondagem – que geram perfis atmosféricos, estações meteorológicas de superfície e radar. O Laboratório de Meteorologia Aplicada do Departamento de Meteorologia, da UFRJ, está desenvolvendo, desde 2005, ferramentas de previsão de curto prazo, utilizando inteligência computacional, visando o aprimoramento das previsões de eventos meteorológicos extremos para o Rio de Janeiro. “Com inteligência computacional, temos essa informação em tempo mais curto e de forma mais acurada.”, resume.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

This summer is ‘what global warming looks like’ (AP) + related & reactions

Jul 3, 1:10 PM EDT

By SETH BORENSTEIN
AP Science Writer

AP PhotoAP Photo/Matthew Barakat

WASHINGTON (AP) — Is it just freakish weather or something more? Climate scientists suggest that if you want a glimpse of some of the worst of global warming, take a look at U.S. weather in recent weeks.

Horrendous wildfires. Oppressive heat waves. Devastating droughts. Flooding from giant deluges. And a powerful freak wind storm called a derecho.

These are the kinds of extremes experts have predicted will come with climate change, although it’s far too early to say that is the cause. Nor will they say global warming is the reason 3,215 daily high temperature records were set in the month of June.

Scientifically linking individual weather events to climate change takes intensive study, complicated mathematics, computer models and lots of time. Sometimes it isn’t caused by global warming. Weather is always variable; freak things happen.

And this weather has been local. Europe, Asia and Africa aren’t having similar disasters now, although they’ve had their own extreme events in recent years.

But since at least 1988, climate scientists have warned that climate change would bring, in general, increased heat waves, more droughts, more sudden downpours, more widespread wildfires and worsening storms. In the United States, those extremes are happening here and now.

So far this year, more than 2.1 million acres have burned in wildfires, more than 113 million people in the U.S. were in areas under extreme heat advisories last Friday, two-thirds of the country is experiencing drought, and earlier in June, deluges flooded Minnesota and Florida.

“This is what global warming looks like at the regional or personal level,” said Jonathan Overpeck, professor of geosciences and atmospheric sciences at the University of Arizona. “The extra heat increases the odds of worse heat waves, droughts, storms and wildfire. This is certainly what I and many other climate scientists have been warning about.”

Kevin Trenberth, head of climate analysis at the National Center for Atmospheric Research in fire-charred Colorado, said these are the very record-breaking conditions he has said would happen, but many people wouldn’t listen. So it’s I told-you-so time, he said.

As recently as March, a special report an extreme events and disasters by the Nobel Prize-winning Intergovernmental Panel on Climate Change warned of “unprecedented extreme weather and climate events.” Its lead author, Chris Field of the Carnegie Institution and Stanford University, said Monday, “It’s really dramatic how many of the patterns that we’ve talked about as the expression of the extremes are hitting the U.S. right now.”

“What we’re seeing really is a window into what global warming really looks like,” said Princeton University geosciences and international affairs professor Michael Oppenheimer. “It looks like heat. It looks like fires. It looks like this kind of environmental disasters.”

Oppenheimer said that on Thursday. That was before the East Coast was hit with triple-digit temperatures and before a derecho – a large, powerful and long-lasting straight-line wind storm – blew from Chicago to Washington. The storm and its aftermath killed more than 20 people and left millions without electricity. Experts say it had energy readings five times that of normal thunderstorms.

Fueled by the record high heat, this was among the strongest of this type of storm in the region in recent history, said research meteorologist Harold Brooks of the National Severe Storm Laboratory in Norman, Okla. Scientists expect “non-tornadic wind events” like this one and other thunderstorms to increase with climate change because of the heat and instability, he said.

Such patterns haven’t happened only in the past week or two. The spring and winter in the U.S. were the warmest on record and among the least snowy, setting the stage for the weather extremes to come, scientists say.

Since Jan. 1, the United States has set more than 40,000 hot temperature records, but fewer than 6,000 cold temperature records, according to the National Oceanic and Atmospheric Administration. Through most of last century, the U.S. used to set cold and hot records evenly, but in the first decade of this century America set two hot records for every cold one, said Jerry Meehl, a climate extreme expert at the National Center for Atmospheric Research. This year the ratio is about 7 hot to 1 cold. Some computer models say that ratio will hit 20-to-1 by midcentury, Meehl said.

“In the future you would expect larger, longer more intense heat waves and we’ve seen that in the last few summers,” NOAA Climate Monitoring chief Derek Arndt said.

The 100-degree heat, drought, early snowpack melt and beetles waking from hibernation early to strip trees all combined to set the stage for the current unusual spread of wildfires in the West, said University of Montana ecosystems professor Steven Running, an expert on wildfires.

While at least 15 climate scientists told The Associated Press that this long hot U.S. summer is consistent with what is to be expected in global warming, history is full of such extremes, said John Christy at the University of Alabama in Huntsville. He’s a global warming skeptic who says, “The guilty party in my view is Mother Nature.”

But the vast majority of mainstream climate scientists, such as Meehl, disagree: “This is what global warming is like, and we’ll see more of this as we go into the future.”

Intergovernmental Panel on Climate Change report on extreme weather: http://ipcc-wg2.gov/SREX/

U.S. weather records:

http://www.ncdc.noaa.gov/extremes/records/

Seth Borenstein can be followed at http://twitter.com/borenbears

© 2012 The Associated Press. All rights reserved. This material may not be published, broadcast, rewritten or redistributed. Learn more about our Privacy Policy and Terms of Use.

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July 3, 2012

To Predict Environmental Doom, Ignore the Past

http://www.realclearscience.com

By Todd Myers

The information presented here cannot be used directly to calculate Earth’s long-term carrying capacity for human beings because, among other things, carrying capacity depends on both the affluence of the population being supported and the technologies supporting it. – Paul Ehrlich, 1986

One would expect scientists to pause when they realize their argument about resource collapse makes the king of environmental catastrophe, Paul Ehrlich, look moderate by comparison. Ehrlich is best known for a 40-year series of wildly inaccurate predictions of looming environmental disaster. Yet he looks positively reasonable compared to a paper recently published in the scientific journal Nature titled “Approaching a state shift in Earth’s biosphere.”

The paper predicts we are rapidly approaching a moment of “planetary-scale critical transition,” due to overuse of resources, climate change and other human-caused environmental damage. As a result, the authors conclude, this will “require reducing world population growth and per-capita resource use; rapidly increasing the proportion of the world’s energy budget that is supplied by sources other than fossil fuels,” and a range of other drastic policies. If these sound much like the ideas proposed in the 1970s by Ehrlich and others, like The Club of Rome, it is not a coincidence. TheNature paper is built on Ehrlich’s assumptions and cites his work more than once.

The Nature article, however, suffers from numerous simple statistical errors and assumptions rather than evidence. Its authors do nothing to deal with the fundamental mistakes that led Ehrlich and others like him down the wrong path so many times. Instead, the paper simply argues that with improved data, this time their predictions of doom are correct.

Ultimately, the piece is a good example of the great philosopher of science Thomas Kuhn’s hypothesis, written 50 years ago, that scientists often attempt to fit the data to conform to their particular scientific paradigm, even when that paradigm is obviously flawed. When confronted with failure to explain real-world phenomena, the authors of the Nature piece have, as Kuhn described in The Structure of Scientific Revolutions, devised “numerous articulations and ad hoc modifications of their theory in order to eliminate any apparent conflict.” Like scientists blindly devoted to a failed paradigm, the Nature piece simply tries to force new data to fit a flawed concept.

“Assuming this does not change”

During the last half-century, the world has witnessed a dramatic increase in food production. According to the U.N.’s Food and Agriculture Organization, yields per acre of rice have more than doubled, corn yields are more than one-and-a-half times larger than 50 years ago, and wheat yields have almost tripled. As a result, even as human population has increased, worldwide hunger has declined.

Despite these well-known statistics, the authors of the Nature study assume not only no future technological improvements, but that none have occurred over the last 200 years. The authors simply choose one data point and then project it both into the past and into the future. The authors explain the assumption that underlies their thesis in the caption to a graphic showing the Earth approaching environmental saturation. They write:

“The percentages of such transformed lands… when divided by 7,000,000,000 (the present global human population) yield a value of approximately 2.27 acres (0.92 ha) of transformed land for each person. That value was used to estimate the amount of transformed land that probably existed in the years 1800, 1900 and 1950, and which would exist in 2025 and 2045 assuming conservative population growth and that resource use does not become any more efficient.” (emphasis added)

In other words, the basis for their argument ignores the easily accessible data from the last half century. They take a snapshot in time and mistake it for a historical trend. In contrast to their claim of no change in the efficient use of resources, it would be difficult to find a time period in the last millennium when resource use did not become more efficient.

Ironically, this is the very error Ehrlich warns against in his 1986 paper – a paper the authors themselves cite several times. Despite Ehrlich’s admonition that projections of future carrying capacity are dependent upon technological change, the authors of the Nature article ignore history to come to their desired conclusion.

A Paradigm of Catastrophe

What would lead scientists to make such simplistic assumptions and flat-line projections? Indeed, what would lead Nature editors to print an article whose statistical underpinnings are so flawed? The simple belief in the paradigm of inevitable environmental catastrophe: humans are doing irreparable damage to the Earth and every bit of resource use moves us closer to that catastrophe. The catastrophe paradigm argues a simple model that eventually we will run out of space and resources, and determining the date of ultimate doom is a simple matter of doing the math.

Believing in this paradigm also justifies exaggeration in order to stave off the serious consequences of collapse. Thus, they describe the United Nations’ likely population estimate for 2050 as “the most conservative,” without explaining why. They claim “rapid climate change shows no signs of slowing” without providing a source citation for the claim, and despite an actual slowing of climate change over the last decade.

The need to avoid perceived global catastrophe also encourages the authors to blow past warning signs that their analysis is not built on solid foundations – as if the poor history of such projections were not already warning enough. Even as they admit the interactions “between overlapping complex systems, however, are providing difficult to characterize mathematically,” they base their conclusions on the simplest linear mathematical estimate that assumes nothing will change except population over the next 40 years. They then draw a straight line, literally, from today to the environmental tipping point.

Why is such an unscientific approach allowed to pass for science in a respected international journal? Because whatever the argument does not supply, the paradigm conveniently fills in. Even if the math isn’t reliable and there are obvious counterarguments, “everyone” understands and believes in the underlying truth – we are nearing the limits of the planet’s ability to support life. In this way the conclusion is not proven but assumed, making the supporting argument an impenetrable tautology.

Such a circumstance creates the conditions of scientific revolutions, where the old paradigm fails to explain real-world phenomena and is replaced by an alternative. Given the record of failure of the paradigm of resource catastrophe, dating back to the 1970s, one would hope we are moving toward such a change. Unfortunately, Nature and the authors of the piece are clinging to the old resource-depletion model, simply trying to re-work the numbers.

Let us hope policymakers recognize the failure of that paradigm before they make costly and dangerous policy mistakes that impoverish billions in the name of false scientific assumptions.

Todd Myers is the Environmental Director of the Washington Policy Center and author of the book Eco-Fads.

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Washington Policy Center exposed: Todd Myers

The Washington Policy Center labels itself as a non-partisan think tank. It’s a mischaractization to say the least but that is their bread and butter. Based in Seattle, with a director in Spokane, the WPC’s mission is to “promote free-market solutions through research and education.” It makes sense they have an environmental director in the form of Todd Myers who has a new book called“Eco-Fads: How The Rise Of Trendy Environmentalism Is Harming The Environment.” You know, since polar bears love to swim.


From the WPC’s newsletter:

Wherever we turn, politicians, businesses and activists are promoting the latest fashionable “green” policy or product. Green buildings, biofuels, electric cars, compact fluorescent lightbulbs and a variety of other technologies are touted as the next key step in protecting the environment and promoting a sustainable future. Increasingly, however, scientific and economic information regarding environmental problems takes a back seat to the social and personal value of being seen and perceived as “green.”

As environmental consciousness has become socially popular, eco-fads supplant objective data. Politicians pick the latest environmental agenda in the same way we choose the fall fashions – looking for what will yield the largest benefit with our public and social circles.

Eco-Fads exposes the pressures that cause politicians, businesses, the media and even scientists to fall for trendy environmental fads. It examines why we fall for such fads, even when we should know better. The desire to “be green” can cloud our judgment, causing us to place things that make us appear green ahead of actions that may be socially invisible yet environmentally responsible.

By recognizing the range of forces that have taken us in the wrong direction, Eco-Fads shows how we can begin to get back on track, creating a prosperous and sustainable legacy for our planet’s future. Order Eco-Fads today for $26.95 (tax and shipping included).

This is what the newsletter doesn’t tell you about Todd Myers.

Myers has spoken at the Heartland Institute’s International Conference on Climate Change. In case you didn’t know, the Heartland Institute has received significant funding from ExxonMobil, Phillip Morris and numerous other corporations and conservative foundations with vested interest in the so-called debate around climate change. That conference was co-sponsored by numerous prominent climate change denier groups, think tanks and lobby groups, almost all of which have received money from the oil industry.

Why not just call it the Washington Fallacy Center? For a litte more background, including ties back to the Koch Brothers, go HERE. In fact, Jack Kemp calls it “The Heritage Foundation of the Northwest.”

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Did climate change ’cause’ the Colorado wildfires?

By David Roberts

29 Jun 2012 1:50 PM

http://grist.org

Photo by USAF.

The wildfires raging through Colorado and the West are unbelievable. As of yesterday there were 242 fires burning, according to the National Interagency Fire Center. Almost 350 homes have been destroyed in Colorado Springs, where 36,000 people have been evacuated from their homes. President Obama is visiting today to assess the devastation for himself.

Obviously the priority is containing the fires and protecting people. But inevitably the question is going to come up: Did climate change “cause” the fires? Regular readers know that this question drives me a little nuts. Pardon the long post, but I want to try to tackle this causation question once and for all.

What caused the Colorado Springs fire? Well, it was probably a careless toss of a cigarette butt, or someone burning leaves in their backyard, or a campfire that wasn’t properly doused. [UPDATE:Turns out it was lightning.] That spark, wherever it came from, is what triggered the cascading series of events we call “a fire.” It was what philosophers call the proximate cause, the most immediate, the closest.

All the other factors being discussed — the intense drought covering the state, the dead trees left behind by bark beetles, the high winds — are distal causes. Distal causes are less tightly connected to their effects. The dead trees didn’t make any particular fire inevitable; there can be no fire without a spark. What they did is make it more likelythat a fire would occur. Distal causes are like that: probabilistic. Nonetheless, our intuitions tell us that distal causes are in many ways more satisfactory explanations. They tell us something about themeaning of events, not just the mechanisms, which is why they’re also called “ultimate” causes. It’s meaning we usually want.

When we say, “the fires in Colorado were caused by unusually dry conditions, high winds, and diseased trees,” no one accuses us of error or imprecision because it was “really” the matches or campfires that caused them. We are not expected to say, “no individual fire can be definitively attributed to hot, windy conditions, but these are the kinds of fires we would expect to see in those conditions.” Why waste the words? We are understood to be talking about distal causes.

When we talk about, not fires themselves, but the economic and socialimpacts of fires, the range of distal causes grows even broader. For a given level of damages, it’s not enough to have dry conditions and dead trees, not even enough to have fire — you also have to take into account the density of development, the responsiveness of emergency services, and the preparedness of communities for prevention or evacuation.

So if we say, “the limited human toll of the Colorado fires is the result of the bravery and skill of Western firefighters,” no one accuses us of error or imprecision because good firefighting was only one of many contributors to the final level of damages. Everything from evacuation plans to the quality of the roads to the vagaries of the weather contributed in some way to that state of affairs. But we are understood to be identifying a distal cause, not giving a comprehensive account of causation.

What I’m trying to say is, we are perfectly comfortable discussing distal causes in ordinary language. We don’t require scientistic literalism in our everyday talk.

The reason I’m going through all this, you won’t be surprised, is to tie it back to climate change. We know, of course, that climate change was not the proximate cause of the fires. It was a distal cause; it made the fires more likely. That much we know with a high degree of confidence, as this excellent review of the latest science by Climate Communication makes clear.

One can distinguish between distal causes by their proximity to effects. Say the drought made the fires 50 percent more likely than average June conditions in Colorado. (I’m just pulling these numbers out of my ass to illustrate a point.) Climate change maybe only made the fires 1 percent more likely. As a cause, it is more distal than the drought. And there are probably causes even more distal than climate change. Maybe the exact tilt of the earth’s axis this June made the fires 0.0001 percent more likely. Maybe the location of a particular proton during the Big Bang made them 0.000000000000000001 percent more likely. You get the point.

With this in mind, it’s clear that the question as it’s frequently asked — “did climate change cause the fires?” — is not going to get us the answer we want. If it’s yes or no, the answer is “yes.” But that doesn’t tell us much. What people really want to know when they ask that question is, “how proximate a cause is climate change?”

When we ask the question like that, we start to see why climate is such a wicked problem. Human beings, by virtue of their evolution, physiology, and socialization, are designed to heed causes within a particular range between proximate and distal. If I find my kid next to an overturned glass and a puddle of milk and ask him why the milk is spilled, I don’t care about the neurons firing and the muscles contracting. That’s too proximate. I don’t care about humans evolving with poor peripheral vision. That’s too distal. I care about my kid reaching for it and knocking it over. That’s not the only level of causal explanation that is correct, but it’s the level of causal explanation that is most meaningful to me.

For a given effect — a fire, a flood, a dead forest — climate change is almost always too distal a cause to make a visceral impression on us. We’re just not built to pay heed to those 1 percent margins. It’s too abstract. The problem is, wildfires being 1 percent more likely averaged over the whole globe actually means a lot more fires, a lot more damage, loss, and human suffering. Part of managing the Anthropocene is finding ways of making distal causes visceral, giving them a bigger role in our thinking and institutions.

That’s what the “did climate change cause XYZ?” questions are always really about: how proximate a cause climate change is, how immediate its effects are in our lives, how close it is.

There is, of course, a constant temptation among climate hawks to exaggerate how proximate it is, since, all things being equal, proximity = salience. But I don’t think that simply saying “climate change caused the fires” is necessarily false or exaggerated, any more than saying “drought caused the fires” is. The fact that the former strikes many people as suspect while the latter is immediately understood mostly just means that we’re not used to thinking of climate change as a distal cause among others.

That’s why we reach for awkward language like, “fires like this are consonant with what we would expect from climate change.” Not because that’s the way we discuss all distal causes — it’s clearly not — but simply because we’re unaccustomed to counting climate change among those causes. It’s an unfamiliar habit. As it grows more familiar, I suspect we’ll quit having so many of these tedious semantic disputes.

And I’m afraid that, in coming years, it will become all-too familiar.

*   *   *

 

Perspective On The Hot and Dry Continental USA For 2012 Based On The Research Of Judy Curry and Of McCabe Et Al 2004

http://pielkeclimatesci.wordpress.com

Photo is from June 26 2012 showing start of the June 26 Flagstaff firenear Boulder Colorado

I was alerted to an excellent presentation by Judy Curry [h/t to Don Bishop] which provides an informative explanation of the current hot and dry weather in the USA. The presentation is titled

Climate Dimensions of the Water Cycle by Judy Curry

First, there is an insightful statement by Judy where she writes in slide 5

CMIP century scale simulations are designed for assessing sensitivity to greenhouse gases using emissions scenarios They are not fit for the purpose of inferring decadal scale or regional climate variability, or assessing variations associated with natural forcing and internal variability. Downscaling does not help.

We need a much broader range of scenarios for regions (historical data, simple models, statistical models, paleoclimate analyses, etc). Permit creatively constructed scenarios as long as they can’t be falsified as incompatible with background knowledge.

With respect to the current hot and dry weather, the paper referenced by Judy in her Powerpoint talk

Gregory J. McCabe, Michael A. Palecki, and Julio L. Betancourt, 2004: Pacific and Atlantic Ocean influences on multidecadal drought frequency in the United States. PNAS 2004 101 (12) 4136-4141; published ahead of print March 11, 2004, doi:10.1073/pnas.0306738101

has the abstract [highlight added]

More than half (52%) of the spatial and temporal variance in multidecadal drought frequency over the conterminous United States is attributable to the Pacific Decadal Oscillation (PDO) and the Atlantic Multidecadal Oscillation (AMO). An additional 22% of the variance in drought frequency is related to a complex spatial pattern of positive and negative trends in drought occurrence possibly related to increasing Northern Hemisphere temperatures or some other unidirectional climate trend. Recent droughts with broad impacts over the conterminous U.S. (1996, 1999–2002) were associated with North Atlantic warming (positive AMO) and northeastern and tropical Pacific cooling (negative PDO). Much of the long-term predictability of drought frequency may reside in the multidecadal behavior of the North Atlantic Ocean. Should the current positive AMO (warm North Atlantic) conditions persist into the upcoming decade, we suggest two possible drought scenarios that resemble the continental-scale patterns of the 1930s (positive PDO) and 1950s (negative PDO) drought.

They also present the figure below with the title “Impact of AMO, PDO on 20-yr drought frequency (1900-1999)”.   The figures correspond to A: Warm PDO, cool AMO; B: Cool PDO, cool AMO; C: Warm PDO, warm AMO and D:  Cool PDO, warm AMO

The current Drought Monitor analysis shows a remarkable agreement with D, as shown below

As Judy shows in her talk (slide 8) since 1995 we have been in a warm phase of the AMO and have entered a cool phase of the PDO. This corresponds to D in the above figure.  Thus the current drought and heat is not an unprecedented event but part of the variations in atmospheric-ocean circulation features that we have seen in the past.  This reinforces what Judy wrote that

[w]e need a much broader range of scenarios for regions (historical data, simple models, statistical models, paleoclimate analyses

in our assessment of risks to key resources due to climate. Insightful discussions of the importance of these circulation features are also presented, as just a few excellent examples, by Joe Daleo  and Joe Bistardi on ICECAP, by Bob Tisdale at Bob Tisdale – Climate Observations, and in posts on Anthony Watts’s weblog Watts Up With That.

 

*   *   *

Hotter summers could be a part of Washington’s future

http://www.washingtonpost.com

By  and , Published: July 5

As relentless heat continues to pulverize Washington, the conversation has evolved from when will it end to what if it never does?

Are unbroken weeks of sweltering weather becoming the norm rather than the exception?

The answer to the first question is simple: Yes, it will end. Probably by Monday.

The answer to the second, however, is a little more complicated.

Call it a qualified yes.

“Trying to wrap an analysis around it in real time is like trying to diagnose a car wreck as the cars are still spinning,” said Deke Arndt, chief of climate monitoring at the National Climatic Data Center in Asheville, N.C. “But we had record heat for the summer season on the Eastern Seaboard in 2010. We had not just record heat, but all-time record heat, in the summer season in 2011. And then you throw that on top of this [mild] winter and spring and the year to date so far, it’s very consistent with what we’d expect in a warming world.”

Nothing dreadfully dramatic is taking place — the seasons are not about to give way to an endless summer.

Heat-trapping greenhouse gases pumped into the atmosphere may be contributing to unusually hot and long heat waves — the kind of events climate scientists have long warned will become more common. Many anticipate a steady trend of ever-hotter average temperatures as human activity generates more and more carbon pollution.

To some, the numbers recorded this month and in recent years fit together to suggest a balmy future.

“We had a warm winter, a cold spring and now a real hot summer,” said Jessica Miller, 21, a visitor from Ohio, as she sat on a bench beneath the trees in Lafayette Square. “I think the overall weather patterns are changing.”

Another visitor, who sat nearby just across from the White House, shared a similar view.

“I think it’s a natural changing of the Earth’s average temperatures,” said Joe Kaufman, a Pennsylvanian who had just walked over from Georgetown.

Arndt said he expects data for the first half of this year will show that it was the warmest six months on record. Experts predict that average temperatures will rise by 3 to 5 degrees by mid-century and by 6 to 10 degrees by the end of the century.

If that worst prediction comes true, 98 degrees will become the new normal at this time of year in Washington 88 years from now.

Will every passing year till then break records?

“Not so much record-breaking every year,” Arndt said. “But we’ll break records on the warm end more often than on the cold end, that’s for sure. As we continue to warm, we will be flirting with warm records much more than with cold records, and that’s what’s played out over much of the last few years.”

If the present is our future, it may be sizzling. The current heat wave has had eight consecutive days of 95-degree weather. The temperature may reach 106 on Saturday, and the first break will come Monday, when a few days of more seasonable highs in the upper 80s are expected.

The hot streak began June 28 and peaked the next day with a 104-degree record-breaker, the hottest temperature ever recorded here in June. That broke a record of 102 set in 1874 and matched in June 2011.

 

 

Bolsa Família reduz violência, aponta estudo da PUC-Rio (O Globo)

Programa foi responsável por 21% da queda da criminalidade em SP

ALESSANDRA DUARTE
SÉRGIO ROXO
Publicado: 16/06/12 – 19h59/Atualizado: 16/06/12 – 20h28

Ana Clara (no centro, sentada) e outros alunos da José Lins do RegoFoto: Eliária AndradeAna Clara (no centro, sentada) e outros alunos da José Lins do Rego. ELIÁRIA ANDRADE.

RIO e SÃO PAULO – A redução da desigualdade com o Bolsa Família está chegando aos números da violência. Levantamento inédito feito na cidade de São Paulo por pesquisadores da PUC-Rio mostra que a expansão do programa na cidade foi responsável pela queda de 21% da criminalidade lá, devido principalmente à diminuição da desigualdade, diz a pesquisa. É o primeiro estudo a mostrar esse efeito do programa na violência.

Em 2008, o Bolsa Família, que até ali atendia a famílias com adolescentes até 15 anos, passou a incluir famílias com jovens de 16 e 17 anos. Feito pelos pesquisadores João Manoel Pinho de Mello, Laura Chioda e Rodrigo Soares para o Banco Mundial, o estudo comparou, de 2006 a 2009, o número de registros de ocorrência de vários crimes — roubos, assaltos, atos de vandalismo, crimes violentos (lesão corporal dolosa, estupro e homicídio), crimes ligados a drogas e contra menores —, nas áreas de cerca de 900 escolas públicas, antes e depois dessa expansão.

— Comparamos os índices de criminalidade antes e depois de 2008 nas áreas de escolas com ensino médio com maior e menor proporção de alunos beneficiários de 16 e 17 anos. Nas áreas das escolas com mais beneficiários de 16 e 17 anos, e que, logo, foi onde houve maior expansão do programa em 2008, houve queda maior. Pelos cálculos que fizemos, essa expansão do programa foi responsável por 21% do total da queda da criminalidade nesse período na cidade, que, segundo as estatísticas da polícia de São Paulo, foi de 63% para taxas de homicídio — explica João Manoel Pinho de Mello.

O motivo principal, dizem os autores, foi a queda da desigualdade causada pelo aumento da renda das famílias beneficiadas— Há muitas explicações de estudos que ligam queda da desigualdade à queda da violência: uma, mais sociológica, é que diminui a insatisfação social; outra, econômica, é que o ganho relativo com ações ilegais diminui — completa Rodrigo Soares. — Outra razão é que muda a interação social dos jovens ao terem de frequentar a escola e conviver mais com gente que estuda.

Reforma policial ajudou a reduzir crimes

Apesar de estudarem no bairro que já foi tido como um dos mais violentos do mundo, os alunos da Escola Estadual José Lins do Rego, no Jardim Ângela, periferia de São Paulo — com 1.765 alunos, dos quais 126 beneficiários do Bolsa Família —, dizem que os assaltos e brigas de gangues, por exemplo, estão no passado.

— Os usuários de drogas entravam na escola o tempo todo — conta Ana Clara da Silva, de 17 anos, aluna do ensino médio.

— Antes, você estava dando aula e tinha gente vigiando pela janela — diz a diretora Rosângela Karam.

Um dos principais pesquisadores do país sobre Bolsa Família, Rodolfo Hoffmann, professor de Economia da Unicamp, elogia o estudo da PUC-Rio:

— Há ali evidências de que a expansão do programa contribuiu para reduzir principalmente os crimes com motivação econômica — diz. — De 20% a 25% da redução da desigualdade no país podem ser atribuídos ao programa; mas há mais fatores, como maior valor real do salário mínimo e maior escolaridade.

Professora da Pós-Graduação em Economia da PUC-SP, Rosa Maria Marques também lembra que a redução de desigualdade não pode ser atribuída apenas ao Bolsa Família:

— Também houve aumento do emprego e da renda da população. E creio que a mudança na interação social dos jovens beneficiados contou muito.

Do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, o professor Ignácio Cano concorda com a relação entre redução da desigualdade e queda da violência:

— Muitos estudos comparando dados internacionais já apontaram que onde cai desigualdade cai criminalidade.

Mas são as outras razões para a criminalidade que chamam a atenção de Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Misse destaca que a violência na capital paulista vem caindo por outros motivos desde o fim dos anos 1990:

— O estudo cobre bem os índices no entorno das escolas. Mas não controla as outras variáveis que interferem na queda de criminalidade. Em São Paulo, a violência vem caindo por pelo menos quatro fatores: reforma da polícia nos anos 2000; política de encarceramento maciça; falta de conflito entre quadrilhas devido ao monopólio de uma organização criminosa; e queda na taxa de jovens (maioria entre vítimas e autores de crimes), pelo menor crescimento vegetativo.

Para Misse, a influência do programa não foi pela desigualdade:

— É um erro supor que só pobres fornecem agentes para o crime; a maioria dos presos é pobre, mas a maioria dos pobres não é criminosa. Creio que, no caso do Bolsa Família, o que mais afetou a violência foi a criação de outra perspectiva para esses jovens, que passaram a ter de estudar.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/bolsa-familia-reduz-violencia-aponta-estudo-da-puc-rio-5229981#ixzz1zDlQ0onw
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Political Scientists Are Lousy Forecasters (N.Y.Times)

OPINION

Katia Fouquet

By JACQUELINE STEVENS
Published: June 23, 2012

DESPERATE “Action Alerts” land in my in-box. They’re from the American Political Science Association and colleagues, many of whom fear grave “threats” to our discipline. As a defense, they’ve supplied “talking points” we can use to tell Congressional representatives that political science is a “critical part of our national science agenda.”

Political scientists are defensive these days because in May the House passed an amendment to a bill eliminating National Science Foundation grants for political scientists. Soon the Senate may vote on similar legislation. Colleagues, especially those who have received N.S.F. grants, will loathe me for saying this, but just this once I’m sympathetic with the anti-intellectual Republicans behind this amendment. Why? The bill incited a national conversation about a subject that has troubled me for decades: the government — disproportionately — supports research that is amenable to statistical analyses and models even though everyone knows the clean equations mask messy realities that contrived data sets and assumptions don’t, and can’t, capture.

It’s an open secret in my discipline: in terms of accurate political predictions (the field’s benchmark for what counts as science), my colleagues have failed spectacularly and wasted colossal amounts of time and money. The most obvious example may be political scientists’ insistence, during the cold war, that the Soviet Union would persist as a nuclear threat to the United States. In 1993, in the journal International Security, for example, the cold war historian John Lewis Gaddis wrote that the demise of the Soviet Union was “of such importance that no approach to the study of international relations claiming both foresight and competence should have failed to see it coming.” And yet, he noted, “None actually did so.” Careers were made, prizes awarded and millions of research dollars distributed to international relations experts, even though Nancy Reagan’s astrologer may have had superior forecasting skills.

Political prognosticators fare just as poorly on domestic politics. In a peer-reviewed journal, the political scientist Morris P. Fiorina wrote that “we seem to have settled into a persistent pattern of divided government” — of Republican presidents and Democratic Congresses. Professor Fiorina’s ideas, which synced nicely with the conventional wisdom at the time, appeared in an article in 1992 — just before the Democrat Bill Clinton’s presidential victory and the Republican 1994 takeover of the House.

Alas, little has changed. Did any prominent N.S.F.-financed researchers predict that an organization like Al Qaeda would change global and domestic politics for at least a generation? Nope. Or that the Arab Spring would overthrow leaders in Egypt, Libya and Tunisia? No, again. What about proposals for research into questions that might favor Democratic politics and that political scientists seeking N.S.F. financing do not ask — perhaps, one colleague suggests, because N.S.F. program officers discourage them? Why are my colleagues kowtowing to Congress for research money that comes with ideological strings attached?

The political scientist Ted Hopf wrote in a 1993 article that experts failed to anticipate the Soviet Union’s collapse largely because the military establishment played such a big role in setting the government’s financing priorities. “Directed by this logic of the cold war, research dollars flowed from private foundations, government agencies and military individual bureaucracies.” Now, nearly 20 years later, the A.P.S.A. Web site trumpets my colleagues’ collaboration with the government, “most notably in the area of defense,” as a reason to retain political science N.S.F. financing.

Many of today’s peer-reviewed studies offer trivial confirmations of the obvious and policy documents filled with egregious, dangerous errors. My colleagues now point to research by the political scientists and N.S.F. grant recipients James D. Fearon and David D. Laitin that claims that civil wars result from weak states, and are not caused by ethnic grievances. Numerous scholars have, however, convincingly criticized Professors Fearon and Laitin’s work. In 2011 Lars-Erik Cederman, Nils B. Weidmann and Kristian Skrede Gleditsch wrote in the American Political Science Review that “rejecting ‘messy’ factors, like grievances and inequalities,” which are hard to quantify, “may lead to more elegant models that can be more easily tested, but the fact remains that some of the most intractable and damaging conflict processes in the contemporary world, including Sudan and the former Yugoslavia, are largely about political and economic injustice,” an observation that policy makers could glean from a subscription to this newspaper and that nonetheless is more astute than the insights offered by Professors Fearon and Laitin.

How do we know that these examples aren’t atypical cherries picked by a political theorist munching sour grapes? Because in the 1980s, the political psychologist Philip E. Tetlock began systematically quizzing 284 political experts — most of whom were political science Ph.D.’s — on dozens of basic questions, like whether a country would go to war, leave NATO or change its boundaries or a political leader would remain in office. His book “Expert Political Judgment: How Good Is It? How Can We Know?” won the A.P.S.A.’s prize for the best book published on government, politics or international affairs.

Professor Tetlock’s main finding? Chimps randomly throwing darts at the possible outcomes would have done almost as well as the experts.

These results wouldn’t surprise the guru of the scientific method, Karl Popper, whose 1934 book “The Logic of Scientific Discovery” remains the cornerstone of the scientific method. Yet Mr. Popper himself scoffed at the pretensions of the social sciences: “Long-term prophecies can be derived from scientific conditional predictions only if they apply to systems which can be described as well-isolated, stationary, and recurrent. These systems are very rare in nature; and modern society is not one of them.”

Government can — and should — assist political scientists, especially those who use history and theory to explain shifting political contexts, challenge our intuitions and help us see beyond daily newspaper headlines. Research aimed at political prediction is doomed to fail. At least if the idea is to predict more accurately than a dart-throwing chimp.

To shield research from disciplinary biases of the moment, the government should finance scholars through a lottery: anyone with a political science Ph.D. and a defensible budget could apply for grants at different financing levels. And of course government needs to finance graduate student studies and thorough demographic, political and economic data collection. I look forward to seeing what happens to my discipline and politics more generally once we stop mistaking probability studies and statistical significance for knowledge.

Jacqueline Stevens is a professor of political science at Northwestern University and the author, most recently, of “States Without Nations: Citizenship for Mortals.”

A version of this op-ed appeared in print on June 24, 2012, on page SR6 of the New York edition with the headline: Political Scientists Are Lousy Forecasters.

Life After Rio: A commentary by Mark Halle, IISD

June 2012

June 23 and the planet continues its slow decline, uninterrupted by the sustainable development summit that has just finished in Rio. Yet another UN mega-conference ends in disappointment, the low expectations fully justified. Once again, our governments have failed to demonstrate leadership, have lacked courage to make the compromises necessary to ensure a fairer, more
stable world. Once again they have kept their eyes riveted on short-term electoral deadlines and sold out future generations. We have come to a sorry pass.

When, two years ago, the UN decided to hold this conference, there was no particular reason for it except that the twentieth anniversary of the original Earth Summit was looming. There were plenty of general reasons, including the fact that most of the decisions taken in 1992 have been ignored, most of the agreed actions never taken, and the planet has continued to decline.

But nothing suggested that the necessary political will could be mustered to take transformative steps, to agree game-changing resolutions, or even to stimulate implementation of the myriad decisions, resolutions and undertakings that were made in Rio in 1992 or in the two decades since. (…)

Read the whole text here.

Sustentabilidade será tema obrigatório no ensino superior a partir de 2013 (EcoD)

Ensino Superior
29/6/2012 – 09h09

por Redação EcoD

c312 Sustentabilidade será tema obrigatório no ensino superior a partir de 2013A educação ambiental só é adotada atualmente no ensino básico. Foto: Agriculturasp

No último dia da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Brasil anunciou a adoção de um compromisso voluntário que pode render bons frutos. A partir do próximo ano, a sustentabilidade deverá constar no currículo acadêmico de todas as universidades brasileiras.

A intenção é que, futuramente, o tema seja incorporado da pré-escola ao ensino médio. “Não faz sentido ensinar finanças sem ensinar ética ou meio ambiente. Educação superior é o começo, mas tem que ser em todas as séries. Incentivo a todos que façam ações. Não é só compromisso financeiro, precisamos de comprometimento dos governos”, afirmou à Agência Brasil o conselheiro do Conselho Nacional de Educação, Antônio Freitas Junior.

Embora tenha sido anunciada durante a Conferência, a medida foi publicada no Diário Oficial no dia 18 de junho. A lei especifica apenas que o assunto deverá ser abordado de forma interdisciplinar e contínua, sem necessariamente ser uma disciplina à parte. Na prática, isto significa que é um tema que deve ser abordado em todas as disciplinas, sem ser conteúdo obrigatório de nenhuma.

Obrigatoriedade

Atualmente, a educação ambiental é adotada, também como tema transversal, no ensino básico pelo Ministério da Educação (MEC). Desde abril de 2011, tramita na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 876/2011, que propõe alterar a Política Nacional de Educação Ambiental, tornando-a disciplina obrigatória – e, portanto, específica – no ensino fundamental e no médio.

“A sustentabilidade permeia todas as áreas, os enfoques é que são diferentes. Por exemplo, foi descoberto que o gás que sai do motor a diesel causa câncer. Então, um engenheiro mecânico tem que saber muito mais sobre esse assunto”, ressaltou o conselheiro.

Confira a medida na íntegra aqui e aqui.

* Publicado originalmente no site EcoD.

What was he thinking? Study turns to ape intellect (AP)

By SETH BORENSTEIN-Associated Press Sunday, June 24, 2012

WASHINGTON (AP) – The more we study animals, the less special we seem.

Baboons can distinguish between written words and gibberish. Monkeys seem to be able to do multiplication. Apes can delay instant gratification longer than a human child can. They plan ahead. They make war and peace. They show empathy. They share.

“It’s not a question of whether they think _ it’s how they think,” says Duke University scientist Brian Hare. Now scientists wonder if apes are capable of thinking about what other apes are thinking.

The evidence that animals are more intelligent and more social than we thought seems to grow each year, especially when it comes to primates. It’s an increasingly hot scientific field with the number of ape and monkey cognition studies doubling in recent years, often with better technology and neuroscience paving the way to unusual discoveries.

This month scientists mapping the DNA of the bonobo ape found that, like the chimp, bonobos are only 1.3 percent different from humans.

Says Josep Call, director of the primate research center at the Max Planck Institute in Germany: “Every year we discover things that we thought they could not do.”

Call says one of his recent more surprising studies showed that apes can set goals and follow through with them.

Orangutans and bonobos in a zoo were offered eight possible tools _ two of which would help them get at some food. At times when they chose the proper tool, researchers moved the apes to a different area before they could get the food, and then kept them waiting as much as 14 hours. In nearly every case, when the apes realized they were being moved, they took their tool with them so they could use it to get food the next day, remembering that even after sleeping. The goal and series of tasks didn’t leave the apes’ minds.

Call says this is similar to a person packing luggage a day before a trip: “For humans it’s such a central ability, it’s so important.”

For a few years, scientists have watched chimpanzees in zoos collect and store rocks as weapons for later use. In May, a study found they even add deception to the mix. They created haystacks to conceal their stash of stones from opponents, just like nations do with bombs.

Hare points to studies where competing chimpanzees enter an arena where one bit of food is hidden from view for only one chimp. The chimp that can see the hidden food, quickly learns that his foe can’t see it and uses that to his advantage, displaying the ability to perceive another ape’s situation. That’s a trait humans develop as toddlers, but something we thought other animals never got, Hare said.

And then there is the amazing monkey memory.

At the National Zoo in Washington, humans who try to match their recall skills with an orangutan’s are humbled. Zoo associate director Don Moore says: “I’ve got a Ph.D., for God’s sake, you would think I could out-think an orang and I can’t.”

In French research, at least two baboons kept memorizing so many pictures _ several thousand _ that after three years researchers ran out of time before the baboons reached their limit. Researcher Joel Fagot at the French National Center for Scientific Research figured they could memorize at least 10,000 and probably more.

And a chimp in Japan named Ayumu who sees strings of numbers flash on a screen for a split-second regularly beats humans at accurately duplicating the lineup. He’s a YouTube sensation, along with orangutans in a Miami zoo that use iPads.

How “sustainability” became “sustained growth” (The Guardian)

The Rio Declaration rips up the basic principles of environmental action.

BY GLOBAL JUSTICE ECOLOGY PROJECT | JUNE 23, 2012 · 9:25 AM

By George Monbiot, published on the Guardian’s website

June 22, 2012. In 1992 world leaders signed up to something called “sustainability”. Few of them were clear about what it meant; I suspect that many of them had no idea. Perhaps as a result, it did not take long for this concept to mutate into something subtly different: “sustainable development”. Then it made a short jump to another term: “sustainable growth”. And now, in the 2012 Earth Summit text that world leaders are about to adopt, it has subtly mutated once more: into “sustained growth”.

This term crops up 16 times in the document, where it is used interchangeably with sustainability and sustainable development. But if sustainability means anything, it is surely the opposite of sustained growth. Sustained growth on a finite planet is the essence of unsustainability.

As Robert Skidelsky, who comes at this issue from a different angle, observes in the Guardian today:

“Aristotle knew of insatiability only as a personal vice; he had no inkling of the collective, politically orchestrated insatiability that we call economic growth. The civilization of “always more” would have struck him as moral and political madness. And, beyond a certain point, it is also economic madness. This is not just or mainly because we will soon enough run up against the natural limits to growth. It is because we cannot go on for much longer economising on labour faster than we can find new uses for it.”

Several of the more outrageous deletions proposed by the United States – such as any mention of rights or equity or of common but differentiated responsibilities – have been rebuffed. In other respects the Obama government’s purge has succeeded, striking out such concepts as “unsustainable consumption and production patterns” and the proposed decoupling of economic growth from the use of natural resources.

At least the states due to sign this document haven’t ripped up the declarations from the last Earth Summit, 20 years ago. But in terms of progress since then, that’s as far as it goes. Reaffirming the Rio 1992 commitments is perhaps the most radical principle in the entire declaration.

As a result, the draft document, which seems set to become the final document, takes us precisely nowhere. 190 governments have spent 20 years bracing themselves to “acknowledge”, “recognise” and express “deep concern” about the world’s environmental crises, but not to do anything about them.

This paragraph from the declaration sums up the problem for me:

“We recognize that the planet Earth and its ecosystems are our home and that Mother Earth is a common expression in a number of countries and regions and we note that some countries recognize the rights of nature in the context of the promotion of sustainable development. We are convinced that in order to achieve a just balance among the economic, social and environment needs of present and future generations, it is necessary to promote harmony with nature.”

It sounds lovely, doesn’t it? It could be illustrated with rainbows and psychedelic unicorns and stuck on the door of your toilet. But without any proposed means of implementation, it might just as well be deployed for a different function in the same room.

The declaration is remarkable for its absence of figures, dates and targets. It is as stuffed with meaningless platitudes as an advertisement for payday loans, but without the necessary menace. There is nothing to work with here, no programme, no sense of urgency or call for concrete action beyond the inadequate measures already agreed in previous flaccid declarations. Its tone and contents would be better suited to a retirement homily than a response to a complex of escalating global crises.

The draft and probably final declaration is 283 paragraphs of fluff. It suggests that the 190 governments due to approve it have, in effect, given up on multilateralism, given up on the world and given up on us. So what do we do now? That is the topic I intend to address in my column next week.

Indígenas querem cultura como pilar da sustentabilidade (IPS)

Por Clarinha Glock*

Rio de Janeiro, Brasil, 22/6/2012 (TerraViva) – Uma comitiva de 25 indígenas do Brasil, Filipinas, Estados Unidos, Guatemala, Argentina e México chamou a atenção dos participantes da Rio+20. Com suas músicas e gritos, pinturas e roupas típicas, eles se reuniram perto das bandeiras símbolos do evento, no Riocentro, para entregar a Declaração da Kari-Oca 2 aos representantes do Brasil e das Nações Unidas. Outros 400 indígenas não puderam entrar – ficaram retidos na barreira de soldados, a poucos metros da entrada do principal pavilhão. A aldeia instalada em Jacarepaguá reuniu cerca de 600 indígenas de quase todo o mundo que analisaram a situação dos povos desde a Rio 92.

c211 Indígenas querem cultura como pilar da sustentabilidadeMarcos Terena e Gilberto Carvalho: reconhecimento dos direitos indígenas. Foto: Clarinha Glock

“Estamos conscientes da história de massacre dos povos indígenas no Brasil e sabemos de nossa dívida com os índios”, falou o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, que recebeu o documento em nome da presidenta Dilma Rousseff. Carvalho acompanhou parte da caminhada. “Não há como não se comprometer. Deus e a Mãe Terra abençoe todos vocês”, falou, pouco antes de entrar no Riocentro para a cerimônia de entrega da Declaração a Nikhil Seth, diretor para Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Foi um encontro amigável, de boas intenções, em que as denúncias de violações dos direitos dos indígenas, presente durante todos os dias da Rio+20 nas discussões da Kari-Oca e da Cúpula dos Povos, foi apresentada na Declaração e através de depoimentos emocionados como o de Tom Goldtooth, em nome dos povos Navajo e Dakota, dos Estados Unidos: “Este documento representa o espírito de nossos ancestrais, dos que não estão aqui porque não puderam vir, e das gerações futuras”, anunciou Goldtooth. Berenice Sanches Nahua, do México, reiterou que a economia verde não pode ser encarada como uma solução, se é a causa do problema, e o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) é o coração da economia verde. “Na prática, esperamos que o governo brasileiro estabeleça uma política de participação indígena, porque mostramos essa capacidade aqui”, disse o líder brasileiro Marcos Terena a Terraviva, pouco antes de encontrar o representante da ONU.

Em seu discurso, Terena ressaltou que a Declaração tem recomendações simples. “Convidamos toda a sociedade civil a proteger e a promover os nossos direitos… em harmonia com a Natureza, solidariedade, coletividade, e valores, como cuidar e compartilhar. Se a ONU quer criar um mundo justo, precisa ouvir a voz indígena sobre equilíbrio e sustentabilidade. Nesse sentido, nossa recomendação para a Rio 20 é a inclusão da cultura como quarto pilar do desenvolvimento sustentável”, afirmou Terena. E finalizou com um pedido: três minutos para falar na Conferência. “Acreditamos que em três minutos podemos ajudar a fazer uma nova Nações Unidas”.

Em nome do Secretário Geral das Nações Unidas, Nikhil Seth disse que a ONU vai fazer todo o possível para encorajar os governos a respeitarem e honrarem a cultura e as tradições, a terra e a espiritualidade dos povos indígenas. Segundo Seth, o documento final reconhece explicitamente os direitos dos indígenas e a ONU vai fazer “todo o possível para respeitar e honrar os resultados da Rio+20”. Seth prometeu repassar ao secretariado o pedido de Terena para falar na plenária. Ao final, o líder espiritual que abriu a Kari-Oca há uma semana fez uma reza simbólica e Terena convidou para o encerramento do fogo sagrado marcado para as 13h do dia 22, data de encerramento da Conferência. (TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva.

 

Declaração final da Cúpula dos Povos na Rio+20

Sexta-feira, 22 junho, 2012

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O documento final da Cúpula dos povos sintetiza os principais eixos discutidos durante as plenárias e assembléias, assim como expressam as intensas mobilizações ocorridas durante esse período – de 15 a 22 de junho – que apontam as convergências em torno das causas estruturais e das falsas soluções, das soluções dos povos frente às crises, assim como os principais eixos de luta para o próximo período.

As sínteses aprovadas nas plenárias integram e complementam este documento político para que os povos, movimentos e organizações possam continuar a convergir e aprofundar suas lutas e construção de alternativas em seus territórios, regiões e países em todos os cantos do mundo.
Você também pode ler a carta aqui (em pdf).

Declaração final
Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental
Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofobico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistematica violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.
Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessarios à sobrevivencia.
A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.
A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

  • Contra a militarização dos Estados e territórios;
  • Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;
  • Contra a violência contra as mulheres;
  • Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;
  • Contra as grandes corporações;
  • Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;
  • Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;
  • Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;
  • Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;
  • Pela garantia e conquista de direitos;
  • Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;
  • Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;
  • Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;
  • Pela democratização dos meios de comunicação;
  • Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;
  • Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra os sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida.

DECLARACION DE KARI-OCA 2012

DECLARACION DE KARI-OCA 2012

“CONFERENCIA MUNDIAL DE LOS PUEBLOS INDIGENAS

SOBRE RIO+20 Y LA MADRE TIERRA” 13 -22 Junio 2012

Nosotros, los Pueblos Indígenas de la Madre Tierra reunidos en la sede de Kari-Oca I Sacred Kari-Oka Púku en Rio de Janeiro para participar en la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Desarrollo Sostenible Rio+20, agradecemos a los Pueblos Indígenas de Brasil por darnos la bienvenida a sus territorios. Reafirmamos nuestra responsabilidad para hablar para la protección y del bienestar de la Madre Tierra, la naturaleza y las futuras generaciones de nuestros Pueblos Indígenas y toda la humanidad y la vida. Reconocemos el significado de esta segunda convocatoria de los Pueblos Indígenas del mundo y reafirmamos la reunión histórica de 1992 de Kari-Oca I, donde los Pueblos Indígenas emitieron la Declaración de Kari-Oca y la Carta de la Tierra de los Pueblos Indígenas. La conferencia de Kari-Oca y la movilización de los Pueblos Indígenas durante la Cumbre de la Tierra, marcó un gran avance del movimiento internacional para los derechos de los Pueblos Indígenas y el papel importante que desempeñamos en la conservación y el desarrollo sostenible. Reafirmamos también la Declaración de Manaos sobre la convocatoria de Kari-Oca 2 como el encuentro internacional de los Pueblos Indígenas en Río+20.

La institucionalización del colonialismo

Consideramos que los objetivos de la Cumbre de las Naciones Unidas sobre Desarrollo Sostenible (UNCSD) Río+20, la “Economía Verde” y su premisa de que el mundo sólo puede “salvar” a la naturaleza por mercantilizar sus capacidades de dar vida y sostener la vida como una continuación del colonialismo que los Pueblos Indígenas y nuestra Madre Tierra han resistido durante 520 años. La “Economía Verde” se promete erradicar la pobreza, pero en realidad sólo va a favorecer y responder a las empresas multinacionales y el capitalismo. Se trata de una continuación de una economía global basada en los combustibles fósiles, la destrucción del medio ambiente mediante la explotación de la naturaleza a través de las industrias extractivas, tales como la minería, la explotación y producción petrolera, la agricultura intensiva de mono-cultivos y otras inversiones capitalistas. Todos estos esfuerzos están dirigidos hacia las ganancias y la acumulación de capital por unos pocos.

Desde Rio 1992, nosotros como Pueblos Indígenas vemos que el colonialismo se ha convertido en la base de la globalización del comercio y la hegemónica economía capitalista mundial. Se han intensificado la explotación y el saqueo de los ecosistemas y biodiversidad del mundo, así como la violación los derechos inherentes de los pueblos indígenas. Nuestro derecho a la libre determinación, a nuestra propia gobernanza y a nuestro desarrollo libremente determinado, nuestros derechos inherentes a nuestras tierras, territorios y recursos están cada vez más atacados por una colaboración de gobiernos y empresas transnacionales. Activistas y líderes indígenas que defienden sus territorios siguen sufriendo represión, militarización, incluyendo asesinatos, encarcelamientos, hostigamiento y calificación como “terroristas”. La violación de nuestros derechos colectivos enfrenta la misma impunidad. La reubicación forzosa o asimilación amenaza nuestras futuras generaciones, culturas, idiomas, espiritualidad y relación con la Madre Tierra, económica y políticamente.

Nosotros, pueblos indígenas de todas las regiones del mundo, hemos defendido a Nuestra Madre Tierra de las agresiones del desarrollo no sustentable y la sobreexplotación de nuestros recursos por minería, maderería, megarepresas hidroeléctricas, exploración y extracción petrolera. Nuestros bosques sufren por la producción de agrocombustibles, biomasa, plantaciones y otras imposiciones como las falsas soluciones al cambio climático y el desarrollo no sustentable y dañino.

La Economía Verde es nada menos que capitalismo de la naturaleza; un esfuerzo perverso de las grandes empresas, las industrias extractivas y los gobiernos para convertir en dinero toda la Creación mediante la privatización, mercantilización y venta de lo Sagrado y todas las formas de vida, así como el cielo, incluyendo el aire que respiramos, el agua que bebemos y todos los genes, plantas, semillas criollas, árboles, animales, peces, diversidad biológica y cultural, ecosistemas y conocimientos tradicionales que hacen posible y disfrutable la vida sobre la tierra.

Violaciónes graves de los derechos de los pueblos indígenas a la soberanía alimentaria continúan sin cesar lo que da lugar a la “inseguridad” alimentaria. Nuestra propia producción de alimentos, las plantas que nos reunimos, los animales que cazamos, nuestros campos y las cosechas, el agua que bebemos y el agua a nuestros campos, los peces que pescamos de nuestros ríos y arroyos, está disminuyendo a un ritmo alarmante. Proyectos de desarrollo no sostenibles, tales como mono-culturales plantaciones de soja químicamente intensiva, las industrias extractivas como la minería y otros proyectos destructivos del medioambiente y las inversiones con fines de lucro están destruyendo nuestra biodiversidad, envenenando nuestra agua, nuestros ríos, arroyos, y la tierra y su capacidad para mantener la vida. Esto se agrava aún más por el cambio climático y las represas hidroeléctricas y otras formas de producción de energía que afectan a todo el ecosistema y su capacidad para proveer la vida. La soberanía alimentaria es una expresión fundamental de nuestro derecho colectivo a la libre determinación y desarrollo sustentable. La soberanía alimentaria y el derecho a la alimentación deben ser reconocido y respetados: alimentación no debe ser mercancía que se utiliza, comercializada o especula con fines de lucro. Nutre nuestras identidades, nuestras culturas e idiomas, y nuestra capacidad para sobrevivir como pueblos indígenas.

La Madre Tierra es la fuente de la vida que se requiere proteger, no como un recurso para ser explotado y mercantilizado como “capital natural”. Tenemos nuestro lugar y nuestras responsabilidades dentro del orden sagrado de la Creación. Sentimos la alegría sustentadora cuando las cosas ocurren en armonía con la Tierra y con toda la vida que crea y sostiene. Sentimos el dolor de la falta de armonía cuando somos testigos de la deshonra del orden natural de la Creación y la colonización económica y continua y la degradación de la Madre Tierra y toda la vida en ella. Hasta que los derechos de los pueblos indígenas sean observados, velados y respetados, el desarrollo sustentable y la erradicación de la pobreza no se lograrán.

La Solución

La relación inseparable entre los seres humanos y la Tierra, inherente para los pueblos indígenas debe ser respetada por el bien de las generaciones futuras y toda la humanidad. Instamos a toda la humanidad a unirse con nosotros para transformar las estructuras sociales, las instituciones y relaciones de poder que son la base de nuestra pobreza, opresión y explotación. La globalización imperialista explota todo lo que sostiene la vida y daña la tierra. Necesitamos reorientar totalmente la producción y el consumo en base de las necesidades humanas en lugar de la acumulación desenfrenada de ganancia de para unos pocos. La sociedad debe tomar control colectivo de los recursos productivos para satisfacer las necesidades de desarrollo social sostenible y evitar la sobreproducción, el sobreconsumo y la sobreexplotación de las personas y la naturaleza que son inevitables bajo prevaleciente sistema capitalista monopólico. Debemos enfocar sobre comunidades sostenibles con base en conocimientos indígena sy no desarrollo capitalista.

Exigimos que las Naciones Unidas, los gobiernos y las empresas abandonen las falsas soluciones al cambio climático, tales como las grandes represas hidroeléctricas, los organismos genéticamente modificados, incluyendo los árboles transgénicos, las plantaciones, los agrocombustibles, el “carbón limpio”, la energía nuclear, el gas natural, el fracturamiento hidráulico, la nanotecnología, la biología sintética, la bioenergía, la biomasa, el biochar, la geo-ingeniería, los mercados de carbono, el Mecanismo de Desarrollo Limpio y REDD+ que ponen en peligro el futuro y la vida tal como la conocemos. En lugar de ayudar a reducir el calentamiento global, ellos envenenan y destruyen el medio ambiente y dejan que la crisis climática aumente exponencialmente, lo que puede dejar el planeta prácticamente inhabitable. No podemos permitir que las falsas soluciones destruyan el equilibrio de la Tierra, asesinen a las estaciones, desencadenen el caos del mal tiempo, privaticen la vida y amenacen la supervivencia de la humanidad. La Economía Verde es un crimen de lesa humanidad y contra la Tierra.

Para lograr el desarrollo sostenible los Estados deben reconocer los sistemas tradicionales de manejo de recursos de los pueblos indígenas que han existido por milenios, sosteniéndonos aún durante el colonialismo. Es fundamental asegurar la participación activa de los pueblos indígenas en los procesos de toma de decisiones que les afectan y su derecho al consentimiento libre, previo e informado. Los Estados también deben proporcionar apoyo a los pueblos indígenas que sea apropiada a su sustentabilidad y prioridades libremente determinadas, sin restricciones y directrices limitantes.

Seguiremos luchando contra la construcción de represas hidroeléctricas y todas las formas de producción de energía que afectan a nuestras aguas, nuestros peces, nuestra biodiversidad y los ecosistemas que contribuyen a nuestra soberanía alimentaria. Trabajaremos para preservar nuestros territorios contra el veneno de las plantaciones de monocultivos, de las industrias extractivas y otros proyectos destructivos del medioambiente, y continuar nuestras formas de vida, preservando nuestras culturas e identidades. Trabajaremos para preservar nuestras plantas y las semillas tradicionales, y mantener el equilibrio entre nuestras necesidades y las necesidades de nuestra Madre Tierra y su capacidad de sostener la vida. Demostraremos al mundo que se puede y se debe hacer. En todos estos asuntos recopilaremos y organizaremos la solidaridad de todos los pueblos indígenas de todas partes del mundo, y todas las demás fuentes de solidaridad con los no indígenas de buena voluntad a unirse a nuestra lucha por la soberanía alimentaria y la seguridad alimentaria. Rechazamos la privatización y el control corporativo de los recursos, tales como nuestras semillas tradicionales y de los alimentos. Por último, exigimos a los estados a defender nuestros derechos al control de nuestros sistemas de gestión tradicionales y ofreciendo un apoyo concreto, tales como las tecnologías apropiadas para que podamos desarrollar nuestra soberanía alimentaria.

Rechazamos las promesas falsas del desarrollo sostenible y soluciones al cambio climático que solamente sirven al orden económico dominante. Rechazamos REDD, REDD+ y otras soluciones basadas en el mercado que tienen como enfoque nuestros bosques, para seguir violando nuestros derechos inherentes a la libre determinación y el derecho a nuestras tierras, territorios, aguas y recursos, y el derecho de la Tierra a crear y sostener la vida. No existe tal cosa como “minería sostenible”. No hay tal cosa como “petróleo ético”.

Rechazamos la aplicación de derechos de propiedad intelectual sobre los recursos genéticos y el conocimiento tradicional de los pueblos indígenas que resulta en la enajenación y mercantilización de lo Sagrado esencial para nuestras vidas y culturas. Rechazamos las formas industriales de la producción alimentaria que promueve el uso de agrotóxicos, semillas y organismos transgénicos. Por lo tanto, afirmamos nuestro derecho a poseer, controlar, proteger y heredar las semillas criollas, plantas medicinales y los conocimientos tradicionales provenientes de nuestras tierras y territorios para el beneficio de nuestras futuras generaciones.

Nuestro Compromiso con el Futuro que Queremos

Debido a la falta de implementación verdadera del desarrollo sostenible el mundo está en múltiples crisis ecológicas, económicas y climáticas; incluyendo la pérdida de biodiversidad, desertificación, el derretimiento de los glaciares, escases de alimentos, agua y energía, una recesión económica mundial que se agudiza, la inestabilidad social y la crisis de valores. En ese sentido, reconocemos que queda mucho que hacer para que los acuerdos internacionales respondan adecuadamente a los derechos y necesidades de los pueblos indígenas. Las contribuciones actuales y potenciales de nuestros pueblos deben ser reconocidas como un desarrollo sostenible y verdadero para nuestras comunidades que permita que cada uno de nosotros alcancemos el Buen Vivir.

Como pueblos, reafirmamos nuestro derecho a la libre determinación y a poseer, controlar y manejar nuestras tierras y territorios tradicionales, aguas y otros recursos. Nuestras tierras y territorios son la parte medular de nuestra existencia -somos la Tierra y la Tierra es nosotros-; tenemos una relación espiritual y material con nuestras tierras y territorios y están intrínsecamente ligados a nuestra supervivencia y a la preservación y desarrollo de nuestros sistemas de conocimientos y culturas, la conservación y uso sostenible de la biodiversidad y el manejo de ecosistemas.

Ejerceremos el derecho a determinar y establecer nuestras prioridades y estrategias de autodesarrollo y para el uso de nuestras tierras, territorios y otros recursos. Exigimos que el consentimiento libre, previo e informado sea el principio de aprobación o rechazo de cualquier plan, proyecto o actividad que afecte nuestras tierras, territorios y otros recursos. Sin el derecho al consentimiento libre, previo e informado el modelo colonialista del dominio de la Tierra y sus recursos seguirá con la misma impunidad.

Seguiremos uniéndonos como pueblos indígenas y construyendo una solidaridad y alianza fuertes entre nosotros mismos, comunidades locales y verdaderos promotores no-indígenas de nuestros temas. Esta solidaridad avanzará la campaña mundial para los derechos de los pueblos indígenas a su tierra, vida y recursos y el logro de nuestra libre determinación y liberación.

Seguiremos retando y resistiendo los modelos colonialistas y capitalistas que promueven la dominación de la naturaleza, el crecimiento económico desenfrenado, la extracción de recursos sin límite para ganancias, el consumo y la producción insostenibles y las mercancías no reglamentadas y los mercados financieros. Los seres humanos son una parte integral del mundo natural y todos los derechos humanos, incluyendo los derechos de los pueblos indígenas que deben ser respetados y velados por el desarrollo.

Invitamos a toda la sociedad civil a proteger y promover nuestros derechos y cosmovisiones y respetar la ley de la naturaleza, nuestras espiritualidades y culturas y nuestros valores de reciprocidad, armonía con la naturaleza, la solidaridad y la colectividad. El cuidar y el compartir, entre otros valores, son cruciales para crear un mundo más justo, equitativo y sostenible. En este contexto, hacemos un llamado por la inclusión de la cultura como el cuarto pilar del desarrollo sostenible.

El reconocimiento jurídico y la protección de los derechos de los pueblos indígenas a la tierra, territorios, recursos y los conocimientos tradicionales deberían ser un requisito para el desarrollo y planificación de todos y cada uno de los tipos de adaptación y mitigación del cambio climático, conservación ambiental (incluyendo la creación de “áreas protegidas”), el uso sostenible de la biodiversidad y medidas a combatir desertificación. En todos los casos, tienen que haber consentimiento libre, previo e informado.

Continuamos dando seguimiento a los compromisos asumidos en la Cumbre de la Tierra tal como se refleja en esta declaración política. Hacemos un llamado a la ONU a comenzar su implementación, y asegurar la participación plena, formal y efectiva de los pueblos indígenas en todos los procesos y actividades de la Conferencia de Rio+20 y más allá, de acuerdo con la DNUDPI y el principio del consentimiento libre, previo e informado (CLPI). Seguimos habitando y manteniendo los últimos ecosistemas sostenibles y las más altas concentraciones de biodiversidad en el mundo. Podemos contribuir de una manera significativa al desarrollo sostenible pero creemos que el marco holístico de ecosistemas para el desarrollo se debe promover. Eso incluye la integración del enfoque de derechos humanos, el enfoque de ecosistemas y enfoques culturalmente sensibles y basados en conocimientos.

Caminamos al futuro en las huelles de nuestros antepasados.

Aprobado por aclamación, Aldea de Kari-Oca, en el sagrado Kari-Oca Púku.

Rio de Janeiro, Brasil, 18 de junio de 2012

Rio+20 chega ao fim com resultado tímido e promessas adiadas (BBC)

Atualizado em  22 de junho, 2012 – 16:20 (Brasília) 19:20 GMT

Índio | Foto: Agência BrasilDuas décadas após a Eco-92, Rio+20 não produziu respostas às principais questões modernas.

No último dia da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a todos os governos que eliminem a fome do mundo. Ele disse que, em um mundo populoso, ninguém deveria passar fome.

A fase final da conferência também registrou promessas de diferentes países e empresas em temas como energias limpas.

Mesmo assim, um grupo de políticos veteranos se juntaram a organizações ambientalistas em sua avaliação de que a declaração final do encontro foi o resultado de um “fracasso de liderança”.

Na visão do vice-primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Nick Clegg, o resultado das discussões pode ser classificado como “insípido”.

O encontro, que marcou os 20 anos após a emblemática Cúpula da Terra também realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e 40 anos depois da primeira reunião mundial sobre o tema, em Estocolmo, tinha como objetivo estimular novas medidas rumo a uma “economia verde”.

Mas a declaração que foi concluída por negociadores de diferentes governos na terça-feira, e que ministros e chefes de Estado e governo não quiseram rediscutir, coloca a economia verde apenas como um de muitos caminhos rumo a um desenvolvimento sustentável.

Mary Robinson, ex-presidente irlandesa que também já ocupou o posto de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse que os termos do documento não são suficientes.

“Este é um daqueles momentos únicos em uma geração, quando o mundo precisa de visão, compromisso e, acima de tudo, liderança”, disse. “Tristemente, o documento atual é um fracasso de liderança”, afirmou, ecoando as declarações do vice-premiê britânico.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a declaração não produz benefícios para a proteção ambiental nem para o desenvolvimento humano.

“Esta divisão antiga entre o meio ambiente e o desenvolvimento não é o caminho para resolver os problemas que estamos criando para nossos netos e bisnetos”, disse. “Temos que aceitar que as soluções para a pobreza e a desigualdade se encontram no desenvolvimento sustentável, e não no crescimento a qualquer custo.”

O secretário-geral da ONU esperava que o encontro adotasse medidas mais firmes para garantir que os mais pobres tivessem acesso a água, energia e alimentos. No entanto, sua emblemática iniciativa Energia Sustentável para Todos foi apenas citada no texto, ao invés de receber apoio enfático dos líderes.

Esperança

Na fase final do encontro, Ban Ki-moon desafiou os governos mundiais a fazerem mais.

“Em um mundo de muitos, ninguém, nem mesmo uma única pessoa, deveria passar fome”, disse. “Convido todos vocês a se juntarem a mim para trabalhar em um futuro sem fome”, acrecentou a uma plateia estimada em 130 chefes de Estado e governo.

“Embora o mundo produza comida suficiente para alimentar todos os habitantes do planeta, há mais pessoas passando fome hoje do que no último encontro organizado no Rio em 1992. “

Barbara Stocking, diretora-executiva da Oxfam Internacional

Atualmente acredita-se que quase 1 bilhão de pessoas – um sétimo da população mundial – vivem em fome crônica, enquanto outro bilhão não recebe nutrição adequada.

As medidas que poderiam ajudar a eliminar essa situação incluem a redução do desperdício de alimentos – quase um terço de todos os alimentos produzidos são jogados no lixo nos países ricos, e uma proporção ainda maior nos países mais pobres, por razões diferentes – além de dobrar a produtividade de pequenas propriedades.

O desafio é parcialmente baseado no programa Fome Zero, criado no Brasil pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O anúncio de Ban Ki-moon é um raio de esperança bem-vindo em uma conferência que foi vergonhosamente marcada pela ausência de progresso”, disse Barbara Stockling, chefe da ONG internacional Oxfam.

“Apesar do fato de que o mundo produz alimentos suficientes para todos, há mais pessoas com fome hoje do que em 1992, quando o mundo se reuniu pela última vez no Rio”, acrecentou.

No entanto, até o momento, tudo o que há de concreto é um desafio. Não há dinheiro nem mudanças na maneira como a própria ONU se posiciona sobre o assunto da fome.

Em paralelo às principais negociações no Rio, empresas e governos firmaram mais de 200 compromissos de ações voluntárias em diferentes áreas.

Energia, água e alimentos estão neste pacote, embora a maioria das promessas sejam de inclusão do tema desenvolvimento sustentável em programas educacionais.

Metade dos ativistas ambientais assassinados na última década são brasileiros, diz estudo (BBC)

Júlia Dias Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Atualizado em  20 de junho, 2012 – 19:47 (Brasília) 22:47 GMT
Nísio Gomes (Foto:Survival International)Líder de acampamento indígena Guarani-Kaiowá, Nísio Gomes está desaparecido desde novembro de 2011

Um estudo da ONG Global Witness concluiu que 711 ativistas foram assassinados no mundo todo ao longo da última década por protegerem a terra e a floresta – e mais da metade são brasileiros.

De acordo com a pesquisa, divulgada durante a Rio+20, 365 brasileiros foram mortos entre 2002 e 2011 ao defenderem direitos humanos e o meio ambiente.

Depois do Brasil, os dois países com mais mortes no período também estão na América do Sul: o Peru, com 123 mortos, e a Colômbia, com 70.

Para o pesquisador britânico Billy Kyte, o alto número de mortes no Brasil se deve a uma conjunção de fatores que fazem a concorrência pela terra e pelos recursos naturais se intensificar e geram maior pressão – e tensão – no campo.

Ele enumera a desigualdade na posse de terra no país, com a concentração de propriedades nas mãos de latifundiários; o grande número de comunidades que tira o seu sustento da terra; e a atuação de setores cuja produção consiste também em explorar a terra, como oagropecuário, de mineração e madeireiro.

Mas Kyte acredita também que os números sejam mais altos no caso brasileiro porque o monitoramento é melhor, graças ao relatório anual produzido pela Comissão Pastoral da Terra sobre conflitos de terra no país.

Wutty Chut (Foto: Global Witness)Wutty Chut, diretor de organização de vigilância ambiental do Camboja, foi baleado e morto em abril

Sobretudo em países da África e da Ásia, a ONG teve dificuldades em levantar números de mortos, já que os relatos são esparsos.

“Provavelmente há muitos outros casos que permaneceram ocultos. E o estudo nem leva em consideração as milhares de pessoas sendo intimidadas ou ameaçadas”, diz. “Há uma grave falta de informações sobre essas mortes a um nível global, e ninguém está monitorando.”

Uma morte por semana

Segundo Kyte, a pesquisa busca preencher uma lacuna, oferecendo um panorama internacional dos perigos no campo.

Intitulado “Uma crise oculta? Aumento das mortes decorrentes do acirramento do conflito pelo acesso a terra e as florestas”, o estudo indica que há, em média, mais de um assassinato por semana em contextos relacionados à proteção ambiental.

O número de mortes vêm aumentando, tendo dobrado nos últimos três anos em relação ao restante do período.

De acordo com Kyte, o objetivo é expor na Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável que a proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos está se tornando um campo de batalhas por recursos, e traz cada vez mais risco para as pessoas.

Túmulo de Frederic Moloma Tuka (Foto: Global Witness)Túmulo de Frederic Moloma Tuka, da República Democrática do Congo, morto em confronto com a polícia

“Pedimos que os governos investiguem esses assassinatos, façam a justiça e tragam compensações às famílias que estão defendendo seus direitos à terra e à floresta”, diz Kyte.

Os casos investigados pelo estudo são de pessoas mortas em ataques ou confrontos decorrentes de protestos, investigações ou denúncias contra atividades de mineração, exploração madeireira, agropecuária, plantações de árvores, barragens hidrelétricas, desenvolvimento urbano e caça ilegal.

Sete desses casos estão sendo apresentados a partir desta quarta-feira na Rio+20, em uma exposição fotográfica com imagens de sete ativistas e sua história de vida e de morte.

O brasileiro Nísio Gomes faz parte da exposição. Líder de um acampamento indígena Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, ele foi levado por 40 homens armados em novembro de 2011 e seu corpo nunca foi encontrado.

A terra estava em vias de ser oficialmente reconhecida como território da comunidade, mas estava sendo usada por agricultores e fazendeiros locais.

The Secret Lives of Dangerous Hackers (N.Y.Times)

‘We Are Anonymous’ by Parmy Olson

By , Published: May 31, 2012

In December 2010 the heat-seeking Internet pranksters known as Anonymous attacked PayPal, the online bill-paying business. PayPal had been a conduit for donations to WikiLeaks, the rogue whistle-blower site, until WikiLeaks released a huge cache of State Department internal messages. PayPal cut off donations to the WikiLeaks Web site. Then PayPal’s own site was shut down, as Anonymous did what it did best: exaggerate the weight of its own influence.

WE ARE ANONYMOUS – Inside the Hacker World of LulzSec, Anonymous, and the Global Cyber Insurgency, By Parmy Olson. 498 pages. Little, Brown & Company. $26.99.

But, according to “We Are Anonymous,” by Parmy Olson, the London bureau chief for Forbes magazine, it had taken a single hacker and his botnet to close PayPal. “He then signed off and went to have his breakfast,” she writes.

(The accuracy of this account is in dispute. PayPal says that its site was never fully down. But as Ms. Olson says, in “a note about lying to the press,” this is how she weighed information as a reporter: “Did supporters of Anonymous lie to me in some interviews?  Yes, though admittedly not always to start with. Over time, if I was not sure about a key point, I would seek to corroborate it with others.  Such is the case with statements presented as fact in this book.  My approach to Anons who were lying to me was simply to go along with their stories, acting as if I were impressed with what they were saying in the hope of teasing out more information that I could later confirm.  I have signposted certain anecdotes with the word “claimed” — e.g., a person “claimed” that story is true.  Not everyone in Anonymous and LulzSec lied all the time, however, and there were certain key sources who were most trustworthy than others and whose testimony I tended to more closely, chief among them being Jake Davis.”  Mr. Davis, known as Topiary, appears to be a principal source in describing how the PayPal attack unfolded.)

Valgas Moore. Parmy Olson

Even so, Anonymous made it seem like the work of its shadowy horde. “We lied a bit to the press to give it that sense of abundance,” says the figure named Topiary, one of the best sources in “We Are Anonymous,” a lively, startling book by Ms. Olson that reads as “The Social Network” for group hackers.

As in that Facebook film the technological innovations created by a few people snowball wildly beyond expectation, until they have mass effect. But the human element — the mix of glee, malevolence, randomness, megalomania and just plain mischief that helped spawn these changes — is what Ms. Olson explores best.

“Here was a network of people borne out of a culture of messing with others,” she writes, “a paranoid world whose inhabitants never asked each other personal questions and habitually lied about their real lives to protect themselves.”

The story of Anonymous and its offshoots is worth telling because of the fast and unpredictable ways they have grown. Anonymous began attracting attention after it attacked the Church of Scientology in 2008; subsequent targets have included Sony’s PlayStation network, Fox television and ultimately the C.I.A.  The Homeland Security Department expressed its own worries last year.

Ms. Olson provides a clear timeline through Anonymous’s complicated, winding history. She concentrates particularly on how it spun off the smaller, jokier group LulzSec. “If Anonymous had been the 6 o’clock news, LulzSec was ‘The Daily Show,’ ” she writes.

The breeding ground for much of this was 4chan, the “Deep Web” destination “still mostly unknown to the mainstream but beloved by millions of regular users.” The realm of 4chan called /b/ is where some of this book’s most destructive characters spent their early Internet years, soaking up so much pornography, violence and in-joke humor that they became bored enough to move on. Ms. Olson, whose evenhanded appraisals steer far clear of sensationalism, describes 4chan as “a teeming pit of depraved images and nasty jokes, yet at the same time a source of extraordinary, unhindered creativity.” It thrived on sex and gore. But it popularized the idea of matching funny captions with cute cat photos too.

“We Are Anonymous” also captures the broad spectrum of reasons that Anonymous and LulzSec attracted followers. Some, like Topiary — who turned out to be Jake Davis, an outwardly polite 19-year-old from a sheep-farming community on the remote Shetland Island called Yell, who was arrested in 2011 — were in it for random pranks and taunting laughs. This book does not shy away from the raw language its principals used, as when Topiary told one victim: “Die in a fire. You’re done.” Other participants had political motivations. The New Yorker calling himself Sabu began as a self-styled revolutionary and was instrumental in getting Anonymous to invade the Web sites of top government officials in Tunisia.

A pivotal part of this book concerns the arrest of Sabu, the unveiling of his real identity as Hector Monsegur, and the F.B.I.’s subsequent use of him as an informant. Sabu’s dealings with Julian Assange of WikiLeaks are also described. Ms. Olson notes how Sabu “suddenly seemed very keen to talk to the WikiLeaks founder once his F.B.I. handlers were watching.”

Ms. Olson regards it as inevitable that neither Anonymous nor LulzSec could reconcile the divergent goals of its participants. Bullying jokesters and politically oriented hacktivists may share sophisticated knowledge of how to manipulate the Web and social media, but each faction became an embarrassment to the other. Topiary told Ms. Olson about his own long-distance contact with Mr. Assange, whom he describes as both intrigued by the saboteurs’ potential and critical of their silly side. (After sifting through 75,000 e-mails from a digital security firm, Topiary bashfully admits, one of the things that most interested him was an e-mail from the chief executive’s wife saying, “I love when you wear your fuzzy socks with your jammies.” )

The most startling conversation in “We Are Anonymous” was arranged by the author: an in-the-flesh meeting between Topiary and a person she calls William, since he remains unidentified.

William personifies the dehumanizing effects of cybercrime, and he knows it. One of his specialties is extorting pornographic pictures and then putting them to damaging use. “We split up several boyfriends and girlfriends and appalled many people’s mothers,” he recalls, about the Facebook tricks the book describes in detail. “I’d be lying if I said there was any great reason,” he adds. “I don’t feel guilty, it makes me laugh, and it wastes a night.”

Together they confirm the worst suspicions about the power of sophisticated but untethered Internet manipulation. “You could inspire some 15-year-old, or someone with a 15-year-old’s mind-set, to hate whoever you want them to hate,” William says.

Postscript: May 31, 2012

After this article was published, PayPal contacted The Times to take issue with the statements in the book that say the hackers shut down its Web site. Jennifer Hakes, a senior manager in corporate communications, said that as a result of the attacks in December 2010, “PayPal was never down.”

RIO+20: THE FUTURE WE WANT IS CORRUPTION-FREE (transparency.org)

Posted 11 June 2012

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If you had a say in the world your grandchildren grew up in, what would it be like?

Negotiators at the Rio+20 summit from 20-22 June are deliberating just that. ‘The Future We Want’ are a soon-to-be set of global resolutions, aimed at shaping a world without poverty, where we can all live, eat and work without harming our planet.

But one vital consideration is still missing from the document: corruption.

Be it through embezzlement, bribery, fraud or vested interests, corruption could derail sustainable development – the goal of Rio+20.

Climate finance – one of the biggest envelopes for sustainable development investment – is set to total US $100 billion in public money per year by 2020. Many say this is already insufficient to halt global warming and adapt to its effects. If these funds are lost to corruption we also lose our last line of defence against the extreme floods, droughts and storms that climate change brings.

So why is corruption absent from the Rio+20 debate? Ignoring it will not make it go away. Transparency International will be at the summit in Rio de Janeiro next week to try to persuade delegates to tackle corruption as part of the solution to climate change, and to help work towards a future that’s sustainable and corruption-free.

Climate finance isn’t just about the climate. It could be your grandchild’s ticket out of poverty, and food and energy insecurity – if measures are put in place now to ensure that it’s spent right.

WATCH OUR VIDEO

What does Transparency International want from Rio+20? Watch these short statements from leaders of several of our chapters involved in our Climate Governance Integrity Programme.

Case study

Khadija Begum lost her home in cyclone Aila, which barrelled through southern Bangladesh in 2009. Two years later she was selected for one of 2000 new houses, paid for by the national climate fund at a cost of US $1400 each. The result: a floor, four pillars and a roof. Khadija’s ‘home’ has no walls, no running water and no toilet.

Khadija told Transparency International Bangladesh how the builders sold some of the iron and cement they were given. They weren’t officially accountable to anyone, so their work went unmonitored. And the money they were entrusted with slipped off the radar.

WHAT ABOUT SOLUTIONS?

Limited access to information means that tracking climate finance can be difficult, if not impossible. This means that money might end up in personal bank accounts rather than where it’s really needed. We want financial flows, budgets and transactions to be made visible and easy to understand.

Accountability also poses a big problem. It is often unclear who is responsible for choosing how and where climate money is spent. Protected by anonymity, people are less likely to act responsibly. We need to know who makes decisions and why, and people should be held to account when those decisions are the wrong ones.

A frequent lack of oversight means that abuses such as bribery, market manipulation or land grabbing may pass unnoticed. Independent bodies need to be watching over climate projects to double-check that they’re in everyone’s best interests, and not just the interests of a select few.

RESOURCES

Indígenas criticam o REDD (IPS)

Envolverde Rio + 20
21/6/2012 – 10h27

por Clarinha Glock, da IPS

Indigenas 300x225 Indígenas criticam o REDD

Protestos contra a mercantilização da natureza. Foto: Mario Osava.

Rio de Janeiro, Brasil, 21/6/2012 (TerraViva) – Os indígenas reunidos na aldeia Kari-Oca pretendem entregar hoje (21) um documento à presidenta Dilma Rousseff, no Riocentro. Segundo Berenice Sanches Nahua, 30 anos, integrante da Aliança Mundial dos Povos Indígenas e Comunidades Locais sobre Mudanças Climáticas e contra a REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), a Declaração da Kari-oca 2 (a primeira foi na Rio-92) reafirma a preocupação com a “farsa” da economia verde, que comercializa o que para os indígenas é mais sagrado, toma o seu território e viola os direitos da Mãe Terra. “Esperamos que os representantes da Rio+20 abram suas mentes e corações e se deem conta de que não há mais o que fazer senão defender a Mãe Terra e seus filhos”, falou Berenice.

A Aldeia foi inaugurada pelo indígena Marcos Terena e foi instalada em Jacarepaguá. A Declaração diz: “Desde Rio 1992, nós como Povos Indígenas vemos que o colonialismo está sendo transformado na base da globalização do comércio e da hegemonia econômica capitalista mundial. Se vem intensificado a exploração e o roubo dos ecossistemas e biodiversidade do mundo, assim como a violação aos diretos inerentes dos povos indígenas. Nosso direito a livre determinação, a nossa própria governança e ao nosso desenvolvimento livremente determinado, nossos direitos inerentes as nossas terras, territórios e recursos estão cada vez  mais atacados por uma colaboração de governos e empresas transnacionais”.

Os indígenas acrescentam: “Fazemos um chamado a ONU a começar sua implementação, e assegurar a participação plena, formal e efetiva dos povos indígenas em todos os processos e atividades da Conferência de Rio+20 e mais  além, de acordo com a Declaração das Nações Unidas sobe os Direitos dos Povos Indígenas (DNUDPI) e o principio do consentimento livre, prévio e informado (CLPI)”. A declaração encerra com a frase que iniciou a Declaração Kari-Oca de 1992: “Caminhamos para o futuro nos rastros de nossos antepassados”. (TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva.

A diretriz do Rio é decepcionante, dizem grupos da sociedade civil (IPS)

Envolverde Rio + 20
21/6/2012 – 10h48

por Stephen Leahy, da IPS

Rio Civil Society final1 A diretriz do Rio é decepcionante, dizem grupos da sociedade civil

Um cartaz em uma parede no Riocentro. Grupos da sociedade civil dizem que estão “muito decepcionados” com as negociações formais na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Foto: Stephen Leahy/IPS

Rio de Janeiro, Brasil (TerraViva) “Muito decepcionante” é a forma como empresas e organizações não governamentais descreveram, hoje, as negociações intergovernamentais formais na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

Depois de dois anos, negociadores de mais de 190 nações concordaram com um documento de 49 páginas destinado a ser o roteiro para essa transformação. Ele será apresentado aos chefes de Estado no Rio de Janeiro, na abertura da reunião de alto nível da cúpula, no dia 20. Funcionários da ONU disseram que era altamente improvável que qualquer mudança seja feita. O documento deixa de fora o fundo de US$ 30 bilhões para financiar a transição para uma economia verde proposto pelo Grupo dos 77 (G-77), bloco de nações em desenvolvimento mais a China, e não define Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) tangíveis para substituir as Metas do Milênio, que expiram em 2015.

“Isso é extremamente decepcionante…. Não há visão, não há dinheiro e realmente não há compromissos aqui”, disse Lasse Gustavsson, chefe internacional da delegação para a Rio+20 do World Wildlife Fund (WWF). “A Rio +20 deveria ter sido sobre a vida, sobre o futuro dos nossos filhos, dos nossos netos. Deveria ter sido sobre florestas, rios, lagos, oceanos dos quais todos nós estamos dependendo para a nossa segurança de alimentos, água e energia”, declarou ao TerraViva.

A conferência foi um contraste gritante com a emocionante atmosfera de “vamos mudar o mundo” da primeira Cúpula da Terra em 1992, disse Robert Engleman do Worldwatch Institute, um “think tank” ambiental internacional. Enquanto o documento de forma geral re-confirma compromissos passados de uma forma muito passiva, há uma nova confirmação a respeito da importância da preservação de sementes tradicionais, e a consideração sobre fortalecer o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), afirmou ao TerraViva.

“Este documento é uma grande decepção, não há ambição e pouca referência aos desafios planetários que enfrentamos”, disse Kiara Worth, representando o grupo Crianças e Jovens na Rio +20. “As vozes da sociedade civil e as futuras gerações não serão ouvidas. Devemos chamar este evento de ‘Rio menos 20′ porque estamos indo para trás”, declarou ao TerraViva.

Steven Wilson do International Council for Science, uma organização não governamental que representa organismos científicos nacionais e uniões científicas internacionais, observou que “a evidência científica é clara. Nós vamos precisar de um esforço global em ciência e tecnologia para atender o maior desafio que a humanidade já enfrentou, e eu não entendo porque não há uma seção no documento sobre a ciência. Isto passa uma mensagem muito infeliz”.

Jeffery Huffines da Civicus World Alliance for Citizen Participation, organização com sede em Joahnnesburgo, na África do Sul, opinou que “nós temos um sistema econômico fundamentalmente falho e nós da sociedade civil esperávamos que os governos do mundo reconhecessem essa realidade, mas eles não fizeram isso.” Em vez disso, há 49 páginas de conceitos, sem quaisquer compromissos ou meios para avançar com estes conceitos. O papel da participação da sociedade civil tem sido limitado. “Precisamos de uma tomada de decisões mais democrática, e não menos”, enfatizou. Envolverde/IPS

* Publicado originalmente no site TerraViva.

O mundo está levemente mais pacífico, apesar dos Estados Unidos (IPS)

Inter Press Service – Reportagens
20/6/2012 – 09h47

por Carey L. Biron, da IPS

IPS42 O mundo está levemente mais pacífico, apesar dos Estados UnidosWashington, Estados Unidos, 20/6/2012 – Revertendo uma tendência que durava dois anos, o mundo ficou levemente mais pacífico em 2011, segundo o último Índice de Paz Global. Entretanto, os Estados Unidos caíram sete posições, ficando em 88º lugar entre os 158 países estudados, “uma colocação bem baixa, que em grande parte reflete os níveis mais altos de militarização e de participação em conflitos externos”, afirma o documento, conhecido como GPI. Embora o gasto militar de Washington “tenha caído drasticamente” entre 1991 e 2000, “agora voltou aos níveis da Guerra Fria”, afirma o estudo.

Uma das conclusões mais preocupantes do estudo, elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, com sede em Washington, em colaboração com a Unidade de Inteligência Econômica, é que o maior gasto militar (calculado como porcentagem do produto interno bruto) tem correlação com menores níveis de paz. O GPI, que estuda 23 indicadores em 158 países, encontrou “melhorias nas pontuações gerais em todas as regiões”, menos no Oriente Médio e no norte da África. Devido ao impacto da Primavera Árabe, pela primeira vez a África subsaariana não foi a região menos pacífica do mundo.

Na verdade, os cinco países que experimentaram as maiores reduções na lista foram afetados pela Primavera Árabe. A Síria foi o que sofreu maior deterioração de seu nível de paz, caindo 31 posições para ficar no 147º posto. A Somália foi novamente o país menos pacífico, enquanto a Islândia outra vez se destacou como o mais pacífico, em uma tendência que já dura dois anos.

O informe ajuda a definir exatamente o que é a paz, disse durante a apresentação do documento, em Washington, Anne-Marie Slaughter, ex-funcionária do Departamento de Estado norte-americano. “O índice vai além de calcular a ausência de conflito, além da ausência de instabilidade. Por outro lado, a definição usada aqui é a ausência de medo e de violência”, afirmou.

Pela primeira vez, este ano o GPI incluiu um novo ranking, o Índice de Paz Positiva. Com base nos primeiros seis anos de experiência do informe, o novo índice se concentra em fatores que contribuem para a capacidade dos países de manterem uma sociedade pacífica. “Isto inclui o trabalho positivo para melhorar a qualidade de vida, não apenas de evitar o ruim”, destacou Slaughter.

Os oito fatores que compõem o Índice de Paz Positiva – entre eles a educação, a baixa corrupção, o bom funcionamento do governo e a distribuição equitativa dos recursos – são considerados um verdadeiro mapa pelo diretor de políticas do Instituto para Economia e Paz, Michael Shank.

Segundo os pesquisadores do informe, “a necessidade de aprofundar o entendimento de como construímos a paz foi realçada pelas últimas experiências de desenvolvimento institucional no Iraque e no Afeganistão”. O principal ator nas duas experiências, os Estados Unidos, demonstraram incapacidade para se envolver adequadamente e criar sociedades pacíficas, afirmam.

Depois de quase uma década de esforços liderados por Washington, Afeganistão e Iraque “ainda estão paralisados no fundo do GPI”. Segundo a jornalista Emily Cadei, que cobre o Congresso norte-americano e falou na apresentação do documento, a participação dos Estados Unidos no exterior foi pobre nos últimos dois anos. Nos últimos seis anos, os pesquisadores do GPI registraram uma queda nos conflitos externos e entre Estados, e um aumento da violência interna. Além disso, o GPI indica uma crescente militarização correlacionada com menores níveis de paz.

“O fato de os conflitos internos crescerem é uma má notícia, porque os Estados Unidos não estão preparados para enfrentar essas formas de violência. O governo de Barack Obama ainda não tem um consenso sobre como fazer isso”, indicou Cadei. A jornalista acrescentou que, “além disso, o fato de a militarização estar negativamente correlacionada com a paz ainda não foi assumido nos Estados Unidos. A visão predominante no governo é que a paz vem por meio da força. No Congresso, a assistência internacional sempre está atada à segurança”, acrescentou.

Por sua vez, Lawrence Wilkerson, ex-coronel do exército norte-americano e professor de políticas públicas e governo, disse que essa mentalidade datava da Guerra Fria e que não havia conseguido se transformar desde o fim da União Soviética, em 1991. “O novo índice mostra que os Estados Unidos precisam ser mais cautelosos no que tenta fazer em outros países. Durante 50 anos demonstramos sermos muito maus na construção da paz”, ressaltou. Envolverde/IPS

Steiner e Cúpula dos Povos se chocam quanto à economia verde (IPS)

Economia Verde
19/6/2012 – 09h28

por Fabiana Frayssinet, da IPS

c17 300x198 Steiner e Cúpula dos Povos se chocam quanto à economia verde

Achim Steiner debatendo na Cúpula dos Povos. Crédito: João Roberto Ripper

Rio de Janeiro, Brasil, 18/6/2012 (TerraViva) O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, acredita que ele a Cúpula dos Povos coincidem quanto ao atual modelo econômico ter causado o colapso ambiental. Porém, o diálogo sobre como substituí-lo se transformou em áspero debate.

O encontro com Steiner foi o mais esperado da Cúpula dos Povos: um alto representante da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, se deslocou para o outro lado da cidade, até a sede da reunião da sociedade civil no Aterro do Flamengo, para discutir com ecologistas e ativistas sociais sobre economia verde.

A economia verde é proposta como uma grande transformação dos modelos de produção e consumo para deter a contaminação e o esgotamento dos recursos naturais. Entretanto, para os movimentos sociais, não é mais do que outra cor para disfarçar o capitalismo.

“A Cúpula dos Povos é crítica da economia verde, porque os povos é que sofrem a crise do capitalismo e desse modelo de produção que quanto mais se agrava mais avança sobre nossos direitos”, afirmou de início a brasileira Fátima Mello, uma das organizadoras do encontro.

“Entendemos que a economia verde, que se baseia na mercantilização de bens naturais, está estreitamente ligada a uma economia marrom”, de contaminação e depredação, disse a também brasileira Larissa Packer, da organização Terra de Direitos.

A verdadeira “economia verde não é o dólar verde, como a veem os governantes. É nossa Amazônia verde”, defendeu o indígena boliviano Edwin Vásquez, que acusou as corporações transnacionais de invadirem e saquearem os recursos naturais.

Por sua vez, o argentino Juan Herrera, da rede internacional Via Camponesa, propôs um modelo de “economia popular, solidária e camponesa” que substitua o atual grande agronegócio, pois este “gerou verdadeiros desertos de soja e milho onde os camponeses já não têm um lugar”.

Diante desses pronunciamentos e críticas, Steiner, um especialista em políticas ambientais, se confessou “surpreso”. “No Pnuma estabelecemos que o modelo econômico atual não é o modelo do futuro. Estamos de acordo com vocês nisso”, afirmou, orientando os participantes a “lerem o documento oficial desta agência das Nações Unidas que aborda as diferentes interpretações sobre economia verde.

Sem seus habituais terno e gravata, Steiner explicou que o “fracasso” de não se ter evitado a degradação natural “tem a ver com o modelo econômico do mundo que trata o planeta como mineração: extrair, extrair e extrair”.

E quase adotou a mesma linguagem que a plateia adversária, ao se declarar crítico da “capacidade do mercado de alcançar o desenvolvimento sustentável”, e especificou: um mercado baseado, como se fosse uma “lei da física”, na livre oferta e demanda.

“O atum de barbatana azul vale hoje no mercado US$ 4 mil. Por isto, as empresas poderiam capturar até o último exemplar”, deu como exemplo para justificar que o “mercado não ajuda a administrar o planeta de forma sustentável”.

As diferenças surgiram ao se buscar opções a esse modelo. Entre outras propostas, Steiner propôs atribuir um valor econômico ao ecossistema, para promover “leis que protejam a natureza ou negócios que não sejam destrutivos”.

Também se referiu a novas tecnologias “boas e possíveis”, como as energias limpas e renováveis, que não gerariam desemprego, porque, pelo contrário, “dão mais empregos do que a indústria automobilística”.

Seus argumentos não convenceram o especialista em biodiversidade Pat Mooney. Este canadense citou tecnologias danosas propostas pela economia verde, como a biologia sintética, que modifica micro-organismos, ou o desenvolvimento de variedades transgênicas, que concentrou o controle das sementes em um punhado de multinacionais.

Mooney se disse espantado por uma economia verde que agora busca controlar a biomassa do planeta.

Tampouco o embaixador da Bolívia perante a Organização das Nações Unidas (ONU), Pablo Solón, ficou convencido, acusando Steiner de “não ter sido honesto”.

“Por trás desse conceito está o assumir que a natureza é um quintal”, enfatizou Solón elevando a voz, e afirmou que “não estamos inventando isso”, que está no rascunho em discussão pelos governos na Rio+20.

Steiner “disse que buscam desacoplar o crescimento com a deterioração ambiental. Não se pode crescer eternamente, o limite é a biodiversidade! O que necessitamos é redistribuir a riqueza!”, polemizou.

“Não por ter elevado o tom de voz e o da plateia, tudo o que você disse é correto”, respondeu Steiner. Nessa polarização entre capitalismo e anticapitalismo “o mundo não avançará”, ressaltou ao argumentar o difícil que é conseguir consenso entre todos os Estados-membros da ONU.

Propor uma economia verde sem regulamentar o mercado financeiro causará o contrário da conservação: “uma bolha financeira imprevisível”, apontou Packer ao TerraViva. “Quando há escassez de uma mercadoria, seu valor sobe. Portanto, quanto mais se destruir a natureza, maior será o valor dos ativos naturais”, alertou. (IPS/TerraViva)

* Publicado originalmente no site TerraViva.

Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável dividem participantes (IPS/TerraViva)

Envolverde Rio + 20
19/6/2012 – 09h20

por Clarinha Glock, da IPS

c87 Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável dividem participantes

Diálogos abrem espaço para a participação do sociedade civil

Anunciada como uma inovação ao trazer para os debates a participação de internautas e da população civil como parte da programação oficial da Rio+20, a proposta dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável trouxe também dúvidas sobre o futuro das recomendações ali definidas.

“Sempre tem uma repercussão”, admitiu ao Terraviva o professor Elimar Pinheiro do Nascimento, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília que esteve presente no segundo dia dos “Diálogos”. “O que pode ser questionado é a natureza das discussões”, acrescentou. E explicou: “Mesmo que todas as medidas sejam implementadas, ainda estaremos muito aquém do necessário”.

Nascimento recorda que de 1992 (data da primeira conferência) até hoje houve melhorias. Por exemplo: é preciso menos energia para produzir. Porém, como as quantidades produzidas são muito maiores, no final das contas se utiliza mais matéria-prima e, portanto, a degradação do meio ambiente é maior. Se as medidas definidas nos “Diálogos” forem colocadas em prática, mas ao mesmo tempo aumentar a degradação, os impactos sobre a vida de todos também serão mais profundos, argumentou o professor.

“Da forma como está agora tendemos a viver pior – pelo menos uma parcela significativa da população que vai enfrentar mais guerras, migrações e escassez de alimentos. Para se ter uma vida melhor, é preciso muito mais”, insistiu. “É preciso sinalizar que os países do Norte não podem crescer mais, têm que estacionar suas economias, e que os países do Sul também têm que mudar sua forma de crescimento”. Nascimento ressaltou a importância de os cidadãos buscarem formas diferentes de consumo e de repensarem a rápida obsolescência dos produtos. E disse que, mesmo que o pior cenário só vá ocorrer daqui a 50 anos, é preferível tomar atitudes mais fortes hoje, e não apenas paliativos.

Rosa Alegria, coordenadora do Núcleo de Estudos do Futuro, ligado à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, que faz parte também do projeto Millennium da Rede Pesquisa Mundial, e do Conselho Deliberativo do Diálogos para a Economia Verde (da Green Economy Coalition), é ainda menos otimista sobre os resultados dos “Diálogos” propostos pelo governo dentro da programação oficial da Rio+20. Alegria participou da construção do processo desde que a ideia foi cogitada pela primeira vez. Incorporada pelo Itamaraty, a proposta gerou controvérsias sobre o formato a ser adotado. “O que era para ser da sociedade passou a ser algo desenhado pelo governo”, lembrou.

“O que vejo aqui é um formato tradicional, conservador, que não instiga à participação, e que intimida porque é muito formal e burocrático”, criticou. Ainda assim, reconheceu que os presentes no Pavilhão 5 do Riocentro se manifestaram muito e trouxeram questões para debate. “Mas resumir um diálogo a 10 questões reduz o pensamento. O processo criativo ficou prejudicado. Não parece um diálogo, parece um fórum. Além disso, a integração da sociedade devia ser mais espontânea e a Cúpula dos Povos não deveria ter ficado separada”, disse Alegria.

Suas dúvidas se concentram agora no destino final que terão as recomendações. “Se nem o documento final está pronto, como vão conseguir incluir mais isso?”, perguntou. Ela sugeriu que os resultados dos diálogos sejam encarados como um caminho paralelo, uma espécie de monitoramento ou pós-tratado de um novo modelo econômico e uma oportunidade de elucidar a economia verde. Porque, a seu ver, a sociedade ainda não entende o que é essa tal de “economia verde”, em nenhum momento foi discutido e definido um conceito claro e objetivo. “Aqui poderia ser a oportunidade de definir esse conceito”, observou. Em entrevista coletiva realizada dia 17 de junho, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo anunciou que um grupo se reuniria naquela tarde para tratar justamente de criar essa definição.

Do ponto de vista dos panelistas convidados, os Diálogos são um sucesso. “São um reflexo do que é moralmente e cientificamente necessário. O que estes documentos mostram é o que o mundo acredita que é preciso fazer”, ressaltou Manish Bapna, presidente do World Resources Institute, que participou do debate sobre Desenvolvimento Sustentável para o Combate à Pobreza. Em seu painel houve um consenso de que é urgente promover a educação e difundir um conceito compartilhado de responsabilidade sobre sustentabilidade. O plenário sugeriu que seja assegurada a capacitação da população para promover essa sustentabilidade, com o Estado garantindo os serviços básicos e, por fim, os panelistas concordaram com a necessidade de enfatizar o empoderamento das comunidades locais, promovendo o acesso à informação e a participação.

Maria Cecília Wey de Brito, secretária geral da WWF-Brasil, também fez críticas, mas, independentemente do processo, considerou importante estar presente no Diálogo sobre Florestas para sugerir incluir na lista de prioridades um item que prevê a meta de desamatamento zero até o ano 2020. Sua insistência teve resultado. A recomendação foi incluída, junto com a ênfase na recuperação e reflorestamento de 150 milhões de hectares imediatamente (a mais votada pelos internautas), bem como o reconhecimento da importância da Ciência, da Tecnologia e do Conhecimento Tradicional para o desenvolvimento do modo sustentável. Bertha Becker, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, enfatizou a necessidade de gerar recursos para as populações que habitam estas áreas. “A Amazônia Ocidental está se transformando numa fonteira de imigração da pobreza, porque a reforma agrária nacional levou para lá os assentados, e estão indo para lá também os haitianos, africanos e indianos”, comentou. Daí a necessidade de criar novas formas de produção sustentável e de equipar as cidades para oferecer os serviços básicos a esta população, disse Bertha.

Pelas discussões geradas, Klaus Töpfer, fundador e diretor-executivo do Instituto de Estudosem Sustentabilidade Avançados, acredita que as conclusões de todos os paineis são importantes não só para o Brasil, como para todo o mundo. “Não podemos garantir que sejam integradas ao documento principal da Rio+20, mas estarão no papel. E tiveram uma participação grande da sociedade”, resumiu Töpfer.

* Publicado originalmente no site Terra Viva.

Novo contrato social e pressão da sociedade para promover mudanças (IPS/TerraViva)

Ambiente
18/6/2012 – 11h09

por Clarinha Glock, da IPS

t72 Novo contrato social e pressão da sociedade para promover mudanças

Gro Brundtland e Ignacy Sachs

Rio de Janeiro, Brasil, 18/6/2012 (TerraViva) – O professor Ignacy Sachs, do Centro de Pesquisa sobre o Brasil contemporâneo, da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, da França, citou Jean-Jacques Rousseau para resumir suas expectativas em relação à Rio+20. Para Sachs, se poderia aproveitar a celebração dos 300 anos do nascimento de Rousseau para firmar um novo contrato social, como propôs o suíço Rousseau em sua obra mais famosa: “Por que não colocar essa questão no centro do debate, com a volta de um planejamento a longo prazo, entre os diversos atores?” Um novo contrato social em nível de cada país e, depois – por que não? – entre todos eles.

A proposta de Sachs foi acolhida por Rubens Ricupero, ex-secretário da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, e ex- ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal (entre 1993-1994) e da Fazenda (1994) do Brasil. Sachs e Ricupero, que participaram do painel sobre “Economia do desenvolvimento sustentável, incluindo padrões de produção e consumo” que abriu o segundo dia dos Diálogos sobre Desenvolvimento Sustentável, no Riocentro, concordaram também que os pontos definidos como prioridade pela plateia e pelos painelistas durante o encontro deixaram de fora questões importantes como a promoção de uma visão holística do que é o desenvolvimento sustentável.

“Hoje a sociedade associa a sustentabilidade a uma redução do consumo e, consequentemente, do bem-estar, o que não é o caso”, disse Ricupero. “O que deve acontecer é a mudança de uma sociedade de consumo centrada em produtos e serviços para uma sociedade cujo objetivo deve ser o bem-estar”, explicou. Para que aconteça essa passagem é preciso construir uma visão de futuro desejada por todos. Para Ricupero, ficou faltando definir o que é, na prática, um modelo de consumo sustentável que saia do descartável para o durável, do global para o local, do uso individual para o uso compartilhado – em suma, o que garantiria uma “desmaterialização” da sociedade. “A inexistência desse quadro referencial torna mais difícil o caminho, porque as pessoas não se sentem estimuladas a se engajar em uma nova proposta”, afirmou. Ele exemplifica: uma das recomendações aprovadas prevê que os poderes públicos façam uma compra “verde”. Mas Ricupero lembrou que a opção sustentável ideal não seria apenas substituir papel normal por reciclado, e sim evitar o uso do papel.

A ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, por sua vez, que participou deste painel, salientou que uma comparação das propostas em discussão na Rio+20 com as de 25 anos atrás indicam muitas recomendações semelhantes. “O problema não é que sejam as mesmas mensagens daquele tempo, mas sua implementação – e essa implementação só vai acontecer se houver pressão da sociedade sobre o governo”, acredita. Brundtland sentiu falta de recomendações que atendam especificamente as necessidades das mulheres nas discussões realizadas durante os diálogos.

* Publicado originalmente no site TerraViva.

Gestão sustentável da água está obtendo benefícios econômicos, sociais e ambientais, afirmam os países (Unic.org)

Os resultados da pesquisa da ONU abrangendo 130 países estão num relatório detalhado sobre os esforços globais para melhorar a gestão da água.

Rio de Janeiro, 19 de junho de 2012 – Mais de 80% dos países reformaram sua legislação sobre o uso da água nos últimos vinte anos em reação à demanda crescente de recursos hídricos decorrente do aumento da população, da urbanização e de mudanças climáticas.

Em muitos casos, essa reforma teve impactos positivos no desenvolvimento, incluindo melhorias no acesso à água potável, na saúde humana e no rendimento da água na agricultura.

Todavia o progresso global tem sido mais lento quando se trata de irrigação, recuperação das águas pluviais e investimento em serviços do ecossistema de água doce.

Estas são algumas das conclusões de um estudo das Nações Unidas cobrindo mais de 130 governos de nações quanto aos esforços para melhorar a gestão sustentável dos recursos hídricos. A pesquisa foi produzida especificamente para dar subsídios à tomada de decisões na Rio+20.

Ela se concentra no progresso rumo à implementação de abordagens acordadas internacionalmente para a gestão e uso da água, conhecida como Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH).

Apoiada por Estados membros da ONU na Cúpula da Terra Rio-92 como parte de um plano de ação global sobre desenvolvimento sustentável (Agenda 21), a GIRH é um caminho para o desenvolvimento e a gestão eficientes, equitativos e sustentáveis dos recursos hídricos limitados do mundo.

Em meio a demandas crescentes e conflitantes no abastecimento de água do mundo, a GIRH integra necessidades domésticas, agrícolas, industriais e ambientais ao planejamento hídrico, ao invés de considerar cada demanda isoladamente.

“Uma abordagem integrada e adaptável é essencial para garantir que as necessidades de diversos grupos de usuários, que por vezes concorrem entre si, sejam atendidas equitativamente, para que o desenvolvimento e a gestão de recursos hídricos beneficiem a todos”, disse o Presidente da ONU-Água, Michel Jarraud.

“Seu sucesso depende de um quadro institucional e de governança que facilite o diálogo e as decisões sobre recursos hídricos, que sejam ecológica, econômica e socialmente sustentáveis”, concluiu.

Vinte anos após a Cúpula da Terra, os governos mundiais estão reunidos mais uma vez no Rio, onde o papel fundamental da gestão da água doce na transição para uma economia verde abrangente de baixo carbono com uso eficiente de recursos é uma das muitas questões importantes em discussão.

A pesquisa, que foi coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em nome da ONU-Água (o mecanismo de coordenação entre as agências da ONU para questões de água doce), pediu aos governos seus comentários sobre infraestrutura, financiamento, governança e outras áreas relacionadas à gestão da água, para medir o sucesso dos países na transição para a GIRH.

No geral, 90% dos países pesquisados relataram uma série de impactos positivos decorrentes de abordagens integradas para a gestão da água, após as reformas nacionais.

Eis algumas outras conclusões importantes:

  • A maioria dos países percebeu que os riscos relacionados à água e a concorrência por recursos hídricos têm aumentado nos últimos 20 anos;
  • O abastecimento doméstico de água é classificado pela maioria dos países como a maior prioridade para a gestão dos recursos hídricos;
  • A maioria dos países relatou uma tendência crescente no financiamento do desenvolvimento dos recursos hídricos, embora continue a haver obstáculos à implementação de reformas;
  • O progresso no rendimento da água está perdendo prioridade em relação a outras reformas na gestão de água, com menos de 50% das reformas nacionais abordando esse tema.

“A gestão sustentável e o uso de água – devido ao seu papel vital na segurança da alimentação, na energia ou no apoio aos valiosos serviços do ecossistema – sustenta a transição para uma economia verde de baixo carbono e o uso eficiente de recursos”, disse Achim Steiner, subsecretário-geral da ONU e diretor de executivo do PNUMA.

“Além de destacar os desafios, esta nova pesquisa mostra também importantes sucessos na gestão integrada dos recursos hídricos, onde uma abordagem mais sustentável à água resultou em benefícios concretos para a saúde humana, o meio ambiente e a redução da pobreza. Na Rio+20, os governos têm a oportunidade de capitalizar sobre essas inovações e traçar o caminho a seguir para o desenvolvimento sustentável, para que as necessidades de água para uma população global, que deverá aumentar para 9 bilhões até 2050, possam ser atendidas de forma equitativa”, acrescentou Steiner.

A pesquisa da ONU mostra as principais mudanças ambientais ocorridas entre 1992, quando pela primeira vez a GIRH foi amplamente apoiada pelos governos, e hoje – e como são administrados os recursos hídricos diante desses desafios.

A população mundial, por exemplo, aumentou de 5,3 bilhões em 1992 para pouco mais de 7 bilhões hoje, com impactos que são mais fortemente sentidos nos países em desenvolvimento. Isso foi acompanhado por uma migração crescente das áreas rurais para as urbanas bem como elevados movimentos de refugiados, devido a desastres climáticos e sociopolíticos.

Sucessos e desafios

A pesquisa mostra que a introdução da GIRH em nível nacional varia muito em todo o mundo – desde fases iniciais de planejamento até a implementação concreta de novas leis e políticas.

Ao responder a pesquisa, alguns governos relataram impactos significativos no desenvolvimento em consequência da implantação de estratégias de GIRH desde 1992, tais como:

Estônia: A introdução de taxas sobre a água e impostos sobre a poluição contribuiu para um maior rendimento da água e a redução da carga de poluição no mar Báltico.

Costa Rica: 50% da arrecadação das taxas sobre a água agora é reinvestida na gestão dos recursos hídricos.

Guatemala: A capacidade de geração de energia hidrelétrica quase duplicou entre 1982 e 2011.

Gana: 40% dos sistemas de irrigação para produtividade e uso mais eficaz da água foram recuperados.

Chade: O acesso ao abastecimento de água aumentou de 15% em 1990 para 50% em 2011.

Tunísia: Foram construídas 110 estações de tratamento de águas servidas.

Ainda assim, muitos países – especialmente os de regiões em desenvolvimento – sinalizaram a necessidade de maior capacitação, investimento e desenvolvimento de infraestrutura, a fim de implementar plenamente a gestão integrada dos recursos hídricos.

Percepção das questões principais pelos países

As questões relacionadas com a água mais frequentemente citadas como tendo ‘alta’ ou ‘máxima’ prioridade pelos governos são o desenvolvimento de infraestrutura e financiamento (79% de todos os países) e o financiamento para a gestão de recursos hídricos (78%).

A mudança climática é citada como alta prioridade pela maioria dos países (70% do total) e 76% dos países consideraram que a ameaça das mudanças climáticas aos recursos hídricos aumentou desde 1992.

Mas a pesquisa também destaca importantes diferenças entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em termos de prioridades relacionadas à água. Usando o Índice de Desenvolvimento Humano, a pesquisa categorizou os países em quatro grupos de IDH: baixo, médio, alto e muito alto.

Garantir o abastecimento de água adequado para a agricultura é uma alta prioridade para muitos países com baixo IDH, enquanto a preservação da água doce dos ecossistemas (“água para o meio ambiente”) é uma prioridade principalmente para países com IDH muito alto.

Recomendações da pesquisa

A pesquisa inclui uma série de metas e recomendações sugeridas, que visam informar os tomadores de decisões na Rio+20. Elas são baseadas em uma avaliação das conclusões da pesquisa e incluem:

  • Até 2015, cada país deverá desenvolver objetivos e prazos específicos para preparar e implementar um programa de ação e estratégia de financiamento de GIRH.
  • Até 2015, deverá ser estabelecido um mecanismo de informação global na gestão dos recursos hídricos nacionais. Isso é para garantir um sistema de informação mais rigoroso sobre o progresso da GIRH e melhorar a disponibilidade das informações.
  • É necessário mais esforço para aumentar os níveis de financiamento e melhorar o quadro institucional da gestão dos recursos hídricos – dando especial atenção aos países com baixo IDH.