‘Relatório sobre 1,5ºC trará dilema moral’ (Observatório do Clima)

Vice-presidente do IPCC afirma que próximo documento do grupo, em 2018, pode apresentar a escolha entre salvar países-ilhas e usar tecnologias incipientes de modificação climática

O próximo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, encomendado para 2018, pode apresentar à humanidade um dilema moral: devemos lançar mão em larga escala de tecnologias ainda não testadas e potencialmente perigosas de modificação do clima para evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC? Ou devemos ser prudentes e evitar essas tecnologias, colocando em risco a existência de pequenas nações insulares ameaçadas pelo aumento do nível do mar?

Quem expõe a dúvida é Thelma Krug, 65, diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e vice-presidente do painel do clima da ONU. Ela coordenou o comitê científico que definiu o escopo do relatório e produziu, no último dia 20, a estrutura de seus capítulos. A brasileira deverá ter papel-chave também na redação do relatório, cujos autores serão escolhidos a partir de novembro.

O documento em preparação é um dos relatórios mais aguardados da história do IPCC. É também único pelo fato de ser feito sob encomenda: a Convenção do Clima, na decisão do Acordo de Paris, em 2015, convidou o painel a produzir um relatório sobre impactos e trajetórias de emissão para limitar o aquecimento a 1,5oC, como forma de embasar cientificamente o objetivo mais ambicioso do acordo. A data de entrega do produto, 2018, coincidirá com a primeira reunião global para avaliar a ambição coletiva das medidas tomadas contra o aquecimento global após a assinatura do tratado.

Segundo Krug, uma das principais mensagens do relatório deverá ser a necessidade da adoção das chamadas emissões negativas, tecnologias que retirem gases-estufa da atmosfera, como o sequestro de carbono em usinas de bioenergia. O problema é que a maior parte dessas tecnologias ou não existe ainda ou nunca foi testada em grande escala. Algumas delas podem envolver modificação climática, a chamada geoengenharia, cujos efeitos colaterais – ainda especulativos, como as próprias tecnologias – podem ser quase tão ruins quanto o mal que elas se propõem a curar.

Outro risco, apontado pelo climatólogo britânico Kevin Anderson em comentário recente na revista Science, é essas tecnologias virarem uma espécie de desculpa para a humanidade não fazer o que realmente precisa para mitigar a mudança climática: parar de usar combustíveis fósseis e desmatar florestas.

“Ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas”, disse Krug. “Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.”

Ela disse esperar, por outro lado, que o relatório mostre que existem tecnologias maduras o suficiente para serem adotadas sem a necessidade de recorrer a esquemas mirabolantes.

“Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas”, afirmou, lembrando que, quanto mais carbono cortarmos rápido, menos teremos necessidade dessas novas tecnologias.

Em entrevista ao OC, concedida dois dias depois de voltar do encontro do IPCC na Tailândia e minutos antes de embarcar para outra reunião, na Noruega, Thelma Krug falou sobre suas expectativas para o relatório e sobre os bastidores da negociação para fechar seu escopo – que opôs, para surpresa de ninguém, as nações insulares e a petroleira Arábia Saudita.

A sra. coordenou o comitê científico que definiu o índice temas que serão tratados no relatório do IPCC sobre os impactos de um aquecimento de 1,5oC. A entrega dessa coordenação a uma cientista de um País em desenvolvimento foi deliberada?

O IPCC decidiu fazer três relatórios especiais neste ciclo: um sobre 1,5oC, um sobre oceanos e um sobre terra. O presidente do IPCC [o coreano Hoesung Lee] achou por bem que se formasse um comitê científico e cada um dos vice-presidentes seria responsável por um relatório especial. Então ele me designou para o de 1,5oC, designou a Ko Barrett [EUA] para o de oceanos e o Youba [Sokona, Mali] para o de terra. O comitê foi formado para planejar o escopo: número de páginas, título, sugestões para cada capítulo. E morreu ali. Por causa da natureza do relatório, que será feito no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, houve também a participação de duas pessoas da área de ciências sociais, de fora do IPCC. Agora, no começo de novembro, sai uma chamada para nomeações. Serão escolhidos autores principais, coordenadores de capítulos e revisores.

Quantas pessoas deverão produzir o relatório?

No máximo cem. Considerando que vai ter gente do birô também. Todo o birô do IPCC acaba envolvido, são 30 e poucas pessoas, que acabam aumentando o rol de participantes.

A sra. vai participar?

Participarei, e participarei bastante. Os EUA fizeram um pedido para que o presidente do comitê científico tivesse um papel de liderança no relatório. Isso porque, para esse relatório, eu sinto algo que eu não sentia tanto para os outros: se não fosse eu acho que seria difícil. Porque teve muita conversa política.

Quando um país levanta uma preocupação, eu tenho de entender mais a fundo onde a gente vai ter que ter flexibilidade para construir uma solução. Eu acho que foi muito positivo o fato de o pessoal me conhecer há muitos anos e de eu ter a liberdade de conversar com uma Arábia Saudita com muita tranquilidade, de chegar para as pequenas ilhas e conversar com muita tranquilidade e tentar resolver as preocupações.

Por exemplo, quando as pequenas ilhas entraram com a palavra loss and damage [perdas e danos], para os EUA isso tem uma conotação muito política, e inaceitável para eles no contexto científico. No fórum científico, tivemos de encontrar uma forma que deixasse as pequenas ilhas confortáveis sem mencionar a expressão loss and damage, mas captando com bastante propriedade aquilo que eles queriam dizer com isso. Acabou sendo uma negociação com os autores, com os cientistas e com o pessoal do birô do painel para chegar numa acomodação que deixasse a todos satisfeitos.

E qual era a preocupação dos sauditas?

Na reunião anterior, que definiu o escopo do trabalho, a gente saiu com seis capítulos bem equilibrados entre a parte de ciências naturais e a parte de ciência social. Por exemplo, essa parte de desenvolvimento sustentável, de erradicação da pobreza, o fortalecimento do esforço global para tratar mudança do clima. E os árabes não queriam perder esse equilíbrio. E as pequenas ilhas diziam que o convite da Convenção foi para fazer um relatório sobre impactos e trajetórias de emissões.

Mas as ilhas estavam certas, né?

De certa maneira, sim. O que não foi certo foi as ilhas terem aceitado na reunião de escopo que o convite fosse aceito pelo IPCC “no contexto de fortalecer o esforço global contra a ameaça da mudança climática, do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”.

Eles abriram o escopo.

A culpa não foi de ninguém, eles abriram. A partir do instante em que eles abriram você não segura mais. Mas isso requereu também um jogo de cintura para tirar um pouco do peso do desenvolvimento sustentável e fortalecer o peso relativo dos capítulos de impactos e trajetórias de emissões.

Essa abertura do escopo enfraquece o relatório?

Não. Porque esse relatório vai ter 200 e poucas páginas, e cem delas são de impactos e trajetórias. Alguns países achavam que já havia muito desenvolvimento sustentável permeando os capítulos anteriores, então por que você ia ter um capítulo só para falar de desenvolvimento sustentável? Esse capítulo saiu de 40 páginas para 20 para justamente fortalecer a contribuição relativa de impactos e trajetórias do relatório. E foi uma briga, porque as pequenas ilhas queriam mais um capítulo de impactos e trajetórias. Esse relatório é mais para eles. Acima de qualquer coisa, os mais interessados nesse relatório são as pequenas ilhas.

Um dos desafios do IPCC com esse relatório é justamente encontrar literatura sobre 1,5oC, porque ela é pouca. Em parte porque 1,5oC era algo que as pessoas não imaginavam que seria possível atingir, certo?

Exato.

Porque o sistema climático tem uma inércia grande e as emissões do passado praticamente nos condenam a 1,5oC. Então qual é o ponto de um relatório sobre 1,5oC?

O ponto são as emissões negativas. O capítulo 4 do relatório dirá o que e como fazer. Faremos um levantamento das tecnologias existentes e emergentes e a agilidade com que essas tecnologias são desenvolvidas para estarem compatíveis em segurar o aumento da temperatura em 1.5oC. Vamos fazer uma revisão na literatura, mas eu não consigo te antecipar qualquer coisa com relação à forma como vamos conseguir ou não chegar a essas emissões negativas. Mas é necessário: sem elas eu acho que não dá mesmo.

A sra. acha, então, que as emissões negativas podem ser uma das grandes mensagens desse novo relatório…

Isso já ocorreu no AR5 [Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2013 e 2014]. Porque não tinha jeito, porque você vai ter uma emissão residual. Só que no AR5 não tínhamos muita literatura disponível.

Quando se vai falar também da velocidade com a qual você consegue implementar essas coisas… o relatório também toca isso aí no contexto atual. Mas, no sufoco, essas coisas passam a ter outra velocidade, concorda? Se você demonstrar que a coisa está ficando feia, e está, eu acho que isso sinaliza para o mundo a necessidade de ter uma agilização maior no desenvolvimento e na implementação em larga escala de tecnologias que vão realmente levar a emissões negativas no final deste século.

Nós temos esse tempo todo?

Para 1,5oC é bem complicado. Em curto prazo, curtíssimo prazo, você precisa segurar as emissões, e aí internalizar o que você vai ter de emissões comprometidas. De tal forma que essas emissões comprometidas estariam sendo compensadas pelas tecnologias de emissões negativas. Esse é muito o meu pensamento. Vamos ver como isso acabará sendo refletido no relatório em si.

Haverá cenários específicos para 1,5oC rodados pelos modelos climáticos?

Tem alguma coisa nova, mas não tem muita coisa. Eles devem usar muita coisa que foi da base do AR5, até porque tem de ter comparação com 2oC. A não ser que rodem de novo para o 2oC. Precisamos entender o que existe de modelagem nova e, se existe, se ela está num nível de amadurecimento que permita que a gente singularize esses modelos para tratar essa questão nesse novo relatório.

Há cerca de 500 cenários para 2oC no AR5, e desses 450 envolvem emissões negativas em larga escala.

Para 1,5oC isso vai aumentar. Para 1,5oC vai ter de acelerar a redução de emissões e ao mesmo tempo aumentar a introdução de emissões negativas nesses modelos.

Há alguns dias o climatologista Kevin Anderson, diretor-adjunto do Tyndall Centre, no Reino Unido, publicou um comentário na revista Science dizendo que as emissões negativas eram um “risco moral por excelência”, por envolver competição por uso da terra, tecnologias não testadas e que vão ter de ser escaladas muito rápido. A sra. concorda?

Eu acho que essa questão de geoengenharia é uma das coisas que vão compor essa parte das emissões negativas. E aí talvez ele tenha razão: o mundo fica assustado com as coisas que vêm sendo propostas. Porque são coisas loucas, sem o amadurecimento necessário e sem a maneira adequada de se comunicar com o público. Mas vejo também que haverá tempo para um maior amadurecimento disso.

Mas concordo plenamente que ficamos numa situação muito desconfortável com várias tecnologias e metodologias que estão sendo propostas para emissões negativas. Mas esse é meu ponto de vista. Agora, numa situação em que você não tem uma solução a não ser esta, aí vai ser uma decisão moral. Porque aí você vai ter dilema com as pequenas ilhas, você vai ter um problema de sobrevivência de alguns países.

Deixe-me ver se entendi o seu ponto: a sra. acha que há um risco de essas tecnologias precisarem ser adotadas e escaladas sem todos os testes que demandariam num cenário ideal?

Fica difícil eu dizer a escala disso. Sem a gente saber o esforço que vai ser possível fazer para cortar emissões em vez de ficar pensando em compensar muito fortemente o residual, fica difícil dizer. Pode ser que já haja alguma tecnologia amadurecida antes de começar a pensar no que não está amadurecido. Acho que há espaço para começarmos a pensar em alternativas.

Agora, entre você falar: “Não vou chegar a 1,5oC porque isso vai exigir implementar tecnologias complicadas e que não estão amadurecidas” e isso ter uma implicação na vida das pequenas ilhas… isso também é uma preocupação moral. É um dilema. Eu tenho muita sensibilidade com a questão de geoengenharia hoje. E não sou só eu. O IPCC tem preocupação até em tratar esse tema. Mas é a questão do dilema. O que eu espero que o relatório faça é indicar o que precisa ser feito. Na medida em que você vai fazendo maiores reduções, você vai diminuindo a necessidade de emissões negativas. É essa análise de sensibilidade que os modelos vão fazer.

Observatório do Clima

Pope Francis’s edict on climate change has fallen on closed ears, study finds (The Guardian)

Hailed as a significant call for action, the pope’s encyclical has not had the anticipated rallying effect on public opinion, researchers have found

Pope Francis environmental activists

Knowledge of the pope’s encyclical, called Laudato Si’, did not appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change, the study found. Photograph: Bullit Marquez/AP

 

The pope’s call for action on climate change has fallen on closed ears, research suggests.

A study by researchers in the US has found that right-leaning Catholics who had heard of the pope’s message were less concerned about climate change and its effects on the poor than those who had not, and had a dimmer view of the pope’s credibility.

“The pope and his papal letter failed to rally any broad support on climate change among the US Catholics and non-Catholics,” said Nan Li, first author of the research from Texas Tech University.

“The conservative Catholics who are cross-pressured by the inconsistency between the viewpoints of their political allies and their religious authority would tend to devalue the pope’s credibility on this issue in order to resolve the cognitive dissonance that they experience,” she added.

Issued in June 2015, Pope Francis’s encyclical, called Laudato Si’, warned of an “unprecedented destruction of ecosystems” if climate change continues unchecked and cited the scientific consensus that human activity is behind global warming.

Research conducted on the eve of the announcement found that 68% of Americans and 71% of US Catholics believe in climate change, with Democrats more likely than Republicans to believe in the issue, put it down to human causes and rate it as a serious problem.

The pontiff’s comments were seen by many as a significant call for action in the battle against climate change, focusing on the moral need to address the impact of humans on the planet. “Pope Francis is personally committed to this [climate] issue like no other pope before him. The encyclical will have a major impact,” said Christiana Figueres, the UN’s climate chief, at the time.

But new research published in the journal Climatic Change suggests that the encyclical might not have had the anticipated rallying effect on public opinion.

In a nationally representative survey of 2,755 individuals across the US, including more than 700 Catholics, researchers quizzed individuals on their attitudes towards climate change, its effects on the poor and papal credibility on the issue, together with questions on their political views and demographics such as age, sex and ethnicity. The team found that 22.5% of respondents said they had either heard of the pope’s message or his plans for the letter.

Overall, the team found that members of the public who identified as politically liberal, whether Catholic or not, were more likely to be concerned about climate change and perceive climate change as disproportionately affecting the poor than those who identified as conservative.

But knowledge of the papal letter did not overall appear to be linked to higher levels of concern regarding climate change.

Instead, the researchers found that the effects of awareness of the letter were small, although awareness was linked to more polarised views. For both Catholics and non-Catholics, conservatives who were aware of the letter were less likely to be concerned about climate change and its risk to the poor, compared to those who had not. The opposite trend was seen among liberals.

But, the authors say, among both conservative Catholics and non-Catholics who had heard of the encyclical, the pontiff’s perceived credibility decreased as political leaning veered to the right.

“For people who are most conservative, the Catholics who are aware of the encyclical give the pope 0.5 less than Catholics who aren’t aware of the encyclical on a one to five scale,” said Li.

The researchers say it is not clear if the increased polarisation is caused by hearing about the encyclical or, for example, if more politically engaged individuals were simply more likely to be aware of the papal letter.

“In sum, while [the] pope’s environmental call may have increased some individuals’ concerns about climate change, it backfired with conservative Catholics and non-Catholics, who not only resisted the message but defended their pre-existing beliefs by devaluing the pope’s credibility on climate change,” the authors write.

The results chime with the reaction to the papal stance by conservative media and a number of prominent individuals, including former presidential candidate Jeb Bush who rebuffed the pope’s message, saying: “I don’t get economic policy from my bishops or my cardinal or my pope.”

Neil Thorns, director of advocacy at the Catholic aid agency Cafod, said: “Laudato Si’ was a wake-up call on how we’re treating our planet and its people which unsurprisingly – although disappointingly – some climate deniers and those with vested interests were not willing to hear.”

Is herbalism another form of magic? (The Irish Times)

Patients less likely to be fobbed off these days with a vague promise they will get better

“Ireland has a rich ethno-medical knowledge and a history of traditional healing,” says Helen Sheridan, professor of pharmacology at Trinity College.

 GPs in Ireland used to give people a bottle of medicine. It was pink or it was blue, and if one didn’t work you tried the other one. Then, as now, most ailments got better with or without medication.

Many people in Ireland, until at least the mid 20th century, believed that their health and wellbeing, as well as that of their animals, were routinely threatened by envious and ill-intentioned neighbours, witches and fairies.

Biddy Early, the famous wise woman of Clare who is said to have died in 1874, reputedly had a magical power to cure illnesses and ailments.

Stories collected by Lady Gregory say Biddy Early had a magic bottle – in the same vein as a crystal ball – which she used to communicate with the fairies and to heal people. People came to her and told them her problems. She listened.

Along with another healer, Moll Anthony of Kildare – who was such an outcast the priest is said to refused her a Christian burial – both of these women gave out bottles containing some kind of unspecified liquid which people were told to drink. Exactly what was in these bottles, nobody is sure.

Today, the work of herbalists is subject to far more scrutiny, and their patients are less likely to be fobbed off with a vague promise they will get better. Now, they want to know what’s in the bottle.

“Ireland has a rich ethno-medical knowledge and a history of traditional healing, but it is not as culturally embedded as in other countries like France, Germany and Austria,” says Helen Sheridan, professor of pharmacology at Trinity College.

Dr Ronnie Moore, a lecturer in sociology and a lecturer in public health medicine and epidemiology at UCD, is a critic of the power of modern biomedicine and takes a different perspective.

“The herbs or minerals are all props: this is about magic and to belief systems,” he said.

“Magic?” I ask incredulously. “That’s a loaded word.”

“I like to use the word because that is exactly what is at play here,” he says. “Talk of placebo and nocebo if you want, but you’re buying into medical discourse. I introduce my students to placebo by calling it witchcraft, because it does the same thing and has the same functions.”

What’s so wrong about medical discourse? I ask. Hasn’t it greatly expanded the human lifespan, saved hundreds of millions of lives and led to massive improvements in our quality of life?

“Biomedicine tends to see the body as a machine, but to use that approach ignores psychosocial responses – of which there are many – to healing,” says Moore.

“Which has done more harm: herbs or biomedicine? [The disgraced obstetrician] Michael Neary needlessly removed 129 women’s wombs; the drug Thalidomide led to birth defects; and people have died on drug trials.”

When Moore started to write a book on the topic, he realised that his ideas would be controversial and decided that he needed to work with other academics.

But there’s increasing evidence that this “magic”, to use Moore’s term, might actually work, and it seems to be due to one of the most misunderstood concepts in modern healthcare: the placebo effect.

Helen Sheridan, associate professor at the School of Pharmacy and Pharmaceutical Sciences in Trinity College Dublin and an advisor to the subcommitte on herbal medicines with the Health Products Regulatory Authority, says placebo applies to people when they may be some element of the immune system brought into play, that is controlled by the mind.

In her recent book Cure, the author Jo Marchant lays bare a catalogue of studies showing that the placebo effect is deeply complex and so much more than just a curious trick of the mind where we believe we are better.

Marchant tells of Ted Kaputchuk, who trained and worked as a traditional Chinese herbalist and acupuncturist for many years before becoming professor of medicine and professor of global health and social medicine at Harvard Medical School. While practicing as a herbalist, he watched people visibly improve before they had even left his office, but he became uncomfortable with the idea that it was the herbs at work.

Placebo effect

In a more recent experiment, Kaputchuk teamed up with his colleague, Dr Anthony Lembo, a gastroenterologist. In a trial of 80 patients with long-term irritable bowel syndrome, half were given a placebo and told it was a placebo but it might help with self-healing, and they still did better than those who got no treatment. A study of 20 women with depression showed up similar results, while a study on migraine patients found that those who knew they were taking a placebo still felt 30 per cent less pain than those receiving no treatment.

Evidence is mounting for the placebo effect. The mere belief we are being looked after, with medicine and care from nurses or loved ones, can help to ease symptoms, boost the immune system and even prevent us from getting sick in the first place.

Studies conducted by Jon Levine, a neuroscientist at the University of California in Los Angeles, have shown that our brains can release endorphins – “the happy drug” but also a natural painkiller – which is part of the opiate family of chemicals that includes heroin and morphine – when we take placebo. Our mind doesn’t just influence our health, it is inextricably linked with it.

But Marchant also shows that the placebo effect – or call it “a belief in the infinite healing power of the universe” over modern medicine, or whatever else you want to – won’t cure many illnesses, including diabetes, asthma and cancer. Nor will it lower your blood pressure. So it’s not the panacea either.

Herbalists have tended to emphasise the importance of good digestion and gut health, exposing themselves to the claim that they’re similar to reflexologists who say that different parts of the hands or feet correspond to different parts of the body and that ailments can be cured by stimulating them.

Unlike reflexologists, however, there’s at least some solid evidence to support them.

Earlier this year, researchers at University College Cork found that the microbes in our gut influence how our nerves work.

We already know that bowel disorders, the immune system and obesity are influenced by the microbiome (the 1kg+ of bacteria and other organisms living in our gut) and now there is evidence that it can influence stress, anxiety and depression.

Professor John Cryan, head of the Department of Anatomy and Neuroscience at UCC, told this newspaper’s science editor, Dick Ahlstrom, that our brains have developed with signals from the microbes all the time.

Irving Kirsch, a lecturer in medicine at Harvard University, has produced a body of research showing that the effect of pharmaceutical drugs used for depression had little more effect than placebo.

Kirsch put in a freedom of information request to the US Food and Drug Administration on clinical trials of antidepressants.

The response suggested what pharmaceutical firms had not been telling us: with the exception of severe cases, most antidepressants (such as Prozac) performed little or no better than an inert sugar pill placebo.

His research has been criticised on the basis of flaws in those trials and the difficulties in measuring improvements in depression.

But between the placebo effect and the influence of the microbiome on our body and mind, could the herbalists be onto something?

Research in the National Folklore Collection shows many herbal remedies were accompanied by some kind of ritual: usually a chant, prayer, incantation, or sometimes a symbolic rite such as passing a sick person three times around a bush or animal.

People get better, says anthropologist Dan Moerman of the University of Michigan, because of the meaning that is attached to the treatment, whether that’s from a medical doctor or a traditional herbalist.

A range of researchers suggest that how we take our pills is important and they work better if there’s a little ritual around them: take them with a prayer or meditation, before bath time or get someone else to give them to you which will help you feel more cared for.

Bethann Roche is one of the founders of the Irish Medical Anthropology Network, and her own background is in anthropology and medicine.

She has spent most of her working life as a public health doctor in Ireland and many years examining the phenomenon of faith healing. She says anthropology has a contribution to make to health – and she emphasises the word health as distinct from medicine.

Regarding magic she say: “it is helpful to look at this in total context rather than blaming health professionals for being too narrow-minded or patients for being too superstitious”.

Isn’t placebo just a polite way of saying “it’s all in your head” I ask Dr Dilis Clare, a GP and practicing herbalist based in Galway.

She laughs heartily. “And isn’t that a wonderful place to be? Your healing is all in your head. That is fantastic.”

I grimace and prevaricate. Well, I say, the implication is that you were imagining it all along.

The smile falls from her face.

“So?” she asks. “If imagination is so powerful that it can stop coals burning feet, why would it not be strong enough to either give you IBS or be a part of it?”

If you have an abnormal microbiome it produces hormones which are like small protein molecules going straight to the brain, easily absorbed across the gut barrier and blood brain barrier.

“Which came first, the illness or the imagination, the chicken of the egg? Does it matter?”

Tsunami meteorológico? Entenda fenômeno que assustou Santa Catarina (UOL Notícias)

Fernando Cymbaluk*
Do UOL, em São Paulo 19/10/2016, 12h44 

VIDEO: http://tv.uol/15G3x

 

Uma onda que atingiu duas praias no sul de Santa Catarina arrastou carros e assustou os banhistas em um dia de calor e fortes ventos. O fenômeno foi provocado por uma grande tempestade no mar que impulsionou a onda “gigante”. O evento, que é raro e perigoso, tem nome: tsunami meteorológico.

Sim, podemos dizer que ocorrem tsunamis no Brasil. Comuns no leste e sudeste da Ásia, tsunamis são ondas que avançam na costa provocando danos (em japonês, “tsu” quer dizer porto, e “nami” significa onda).

Os tsunamis que já devastaram grandes áreas de países como o Japão são provocados por abalos sísmicos em um ponto do oceano. Eles são muito mais drásticos do que o caso brasileiro, com ondas bem maiores, que alcançam diversas praias após irradiarem do epicentro do tremor.

Já o tsunami meteorológico, como o nome diz, é provocado por eventos meteorológicos (da atmosfera) e ocorre mais localmente. É mais propício na primavera e no verão, época de tempestades.

Apesar de raro, há registros de sua ocorrência em locais como Cabo Frio (RJ) e Florianópolis (SC). Uma onda mais forte atingindo a praia é algo perigoso para banhistas e pessoas que morem nas costas. Além disso, tempestades no mar também trazem riscos devido aos ventos, raios e trovões.

Carros arrastados por onda em Balneário Rincão (SC). Ao fundo, nuvem de tempestade que provoca tsunami meteorógico

Como se forma

Um tsunami meteorológico ocorre quando um conjunto de cúmulo-nimbo, a nuvem que provoca as tempestades, se propaga em paralelo sobre o oceano. Nesse cenário, uma grande onda pode se formar caso as ondas do mar também estejam alinhadas a essas nuvens.

“Ocorre uma ressonância entre a onda de pressão [nuvem] e a onda do mar, que se aproxima da costa, cresce em amplitude e pode inundar a região costeira”, explica Renato Ramos da Silva, professor de física da atmosfera da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em uma tempestade, o ar sobe, formando uma zona de baixa pressão atmosférica. Tal mudança nas condições atmosféricas ocorre de forma brusca. Essa formação é chamada de linha de instabilidade. Seu rápido deslocamento acoplado às ondas do mar faz com que a onda ganhe tamanho.

O nome tsunami meteorológico, contudo, não é consenso entre os meteorologistas. Para José Carlos Figueiredo, meteorologista da Unesp, a grande onda que se verificou em SC é comum no Nordeste, sem contudo ser chamada de tsunami.

“Em algumas praias, há ondas que invadem a areia. O avanço pode ser provocado por tempestades naturais no mar”, diz Figueiredo. Ele lembra ainda que ciclones que ocorrem no Sul do Brasil provocam ressacas em praias de SP e RJ. Nesses episódios, fortes ondas também invadem a costa.

Para o meteorologista, outro fenômeno, conhecido como “downburst”, pode explicar para a grande onda que atingiu as praias catarinenses. Nesse tipo de evento, a chuva, “em vez de precipitar normal e pausadamente, precipita tudo de uma vez”, explica. A grande chuva poderia, assim, ter levado a formação de uma onda maior.

Difícil de prever

Tsunamis meteorológicos não são nada fáceis de serem previstos. Isso porque sua ocorrência é muito localizada, dependendo da formação de tempestades em um ponto do oceano e das condições do mar um lugar específico.

Segundo Silva, para prever o fenômeno a tempo de avisar a população seria necessária “uma boa previsão meteorológica junto de um modelo oceânico de previsão de ondas”.

* Com colaboração de Gabriel Francisco Ribeiro

Relembre tornado que atingiu SC

27.abr.2015 – A presidente Dilma Rousseff sobrevoa o município de Xanxerê, em Santa Catarina, e observa os estragos provocados pelo tornado que devastou a cidade do interior catarinense (situada a 551 km de Florianópolis), na última segunda-feira (20). De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 4.275 pessoas estão desalojadas e há 539 desabrigadas em Xanxerê, por conta dos ventos que ultrapassaram a velocidade de 250 km/h  VEJA MAIS > Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR

Uncertainty in Brazil, Vitality in Its Art (New York Times)

SÃO PAULO, Brazil — Biennial art exhibitions were founded in the 1890s at almost the same time as the Olympics, and they serve a similar purpose: to bring attention to the cities that host them and the nations that participate in them. But where the Olympics are still a rather contained affair, art biennials are proliferating like art fairs, becoming homogeneous and forgettable.

The 32nd São Paulo Biennial, through Dec. 11, consciously tries to buck this trend by positioning itself as locally sensitive and globally pertinent. And its timing is perfect. On the heels of the Rio Olympics and the impeachment of Brazil’s president Dilma Rousseff, the exhibition embraces, rather than denies, the problems of the region.

Organized by Jochen Volz, the show includes 81 artists from 33 countries. Its title, “Incerteza Viva” — translated as “Live Uncertainty” — refers to political instability, climate change, huge disparities of wealth, migration and other international problems, but also suggests art’s ability to thrive in the unknown and suggest visionary solutions.

This is particularly true on the first floor of the pavilion built by Oscar Niemeyer, which showcases Brazilian art with an international context: The artist Bené Fonteles has erected a “terreiro,” or ceremonial structure made of clay with a thatched roof, in an attempt to connect traditional Brazilian practices with contemporary art ones.

Objects used by an indigenous shaman sit alongside photos of Marcel Duchamp and John Lennon and Yoko Ono and a copy of João Guimarães-Rosa’s novel “Grande Sertão: Veredas” (1956) — in English, it was “The Devil to Pay in the Backlands”— a masterpiece of modern Brazilian literature. (Incorporating archaic dialects, it has been compared to Joyce’s “Finnegans Wake.”)

One of the most beautiful works in the Biennial is Jonathas de Andrade’s “The Fish” (2016), in which he filmed fishermen in the mangroves of northeast Brazil who still use traditional methods like nets and harpoons. For the video, Mr. de Andrade had the fishermen hold a caught fish to their chests, as if cradling a baby, until it takes its last breath.

At the São Paulo Biennial, the artist Bené Fonteles has erected a “terreiro,” or ceremonial structure made of clay with a thatched roof, in an attempt to connect traditional Brazilian practices with contemporary art ones.Credit Leo Eloy/Estúdio Garagem/Fundação Bienal de São Paulo. 

The video is a shockingly intimate depiction of life, death and the relationship of predator and prey — but also a reminder of our connection with other species — a fact that gets lost in the hyper-industrialized world.

The Brazilian director Leon Hirszman’s films from the 1970s documenting rural laborers singing as they work expand upon this idea. Mr. Hirszman describes the songs, which relieved boredom and shaped the rhythm and movements of the work, as “endangered” cultural products. You can’t sing, after all, over the sounds of industrial machines — or in your corporate cubicle.

Folk art and craft-based practices, often seen as an antidote to digital culture and social media, have been very popular on the biennial circuit in recent years. Folk-inspired art here includes Gilvan Samico’s prints influenced by mythology and carving in northeastern Brazil, and the visionary 1950s and ’60s work by Oyvind Fahlstrom, a Swedish multimedia artist who championed concrete poetry — a visual way of finding liberation through patterns of words and typography. The neo-hippie installation by Wlademir Dias-Pino, “Brazilian Visual Encyclopedia” (1970-2016), is a wild compendium of collages made with found materials.

The Biennial organizers stress that “Live Uncertainty” was intended to interact with the surrounding Ibirapuera Park, a habitat for indigenous tribes before the Europeans arrived. But even nature is a contested term these days, especially in Brazil, where the rain forest and grasslands were seen as obstacles to be conquered. Even Niemeyer, the architect whose futuristic buildings are scattered throughout the park, originally planned to pave over the area in an attempt to tame (if symbolically) Brazil’s unruly wilderness.

The exhibition includes installations by Pia Lindman and Ruth Ewan, which incorporate live plants, and Eduardo Navarro’s sculptural megaphone, which twists out the window to let visitors talk to a palm tree. Brazilian wood — often seen as “exotic” and hence harvested to the brink of extinction — earns a category of the Biennial unto itself.

Carolina Caycedo’s excellent video looks at how river development has affected communities in Brazil’s interior. In Rachel Rose’s video, an astronaut, David Wolf, describes how it’s harder to acclimate to Earth, with its overwhelming smells of grass and air, and gravity, than to outer space.

Jochen Volz, the curator of the São Paulo Biennial, which continues through Dec. 11.CreditNelson Almeida/Agence France-Presse — Getty Images 

 

What started in the ’90s as “identity art,” the idea that an individual’s identity consists of multiple factors, including gender, race, ethnicity, class and sexuality, has now blossomed into investigations of “the post-human,” which could mean a robot or an extraterrestrial.

Lyle Ashton Harris provides some grounding of these cultural shifts in his beautiful assemblage of photographs from this American artist’s journals intertwined with video. Much of his archive is from the late ’80s and ’90s, coinciding with landmark events such as the Black Popular Culture Conference in 1991, the truce between the Crips and the Bloods in 1992 and the Black Nations/Queer Nations conference in 1995.

Cecilia Bengolea and Jeremy Deller’s video highlights a competitive dancer in Jamaican dancehall music culture, echoing the importance of popular music and identity that reverberates throughout the show.

Another tic of biennials is their expansionist tendency: Tired of the white cube, artists and curators would rather inhabit shops, hospitals, schools. This seems like a democratic move, but it often functions in just the opposite way, expending a huge amount of viewers’ time and energy.

“Live Uncertainty” remains mostly — thankfully — in the pavilion. One outside work included William Pope.L’s roving performance with a small contingent of local dancers, which took place over three days. Performers moved through the city in costumes inspired by debutante festivals. They made a sharp contrast with demonstrators who were springing up, too, protesting the president’s impeachment.

Biennials are now given the impossible task of making sense not only of contemporary art but also contemporary history, politics, philosophy, economics, the environment and beyond — all the while remaining sensitive to local culture and cognizant of global developments.

With this tall order, “Live Uncertainty” does an admirable balancing act, arguing for the vitality of indigenous knowledge and experience, and of wisdom drawn from the people who inhabited this hemisphere long before Europeans arrived. Given the current climate of uncertainty in Brazil, this makes more than a little good sense.

Estudo mostra que indústria e psiquiatria criaram doenças e remédios que não curam (Carta Campinas)

By Carta Campinas / sexta-feira, 01 jul 2016 10:38 AM

robert whitaker fotografia de videoUma série de reportagens e livros publicados ao longo de 25 anos pelo jornalista Robert Whitaker (foto), especialista em questões de ciência e medicina, abriu uma crise na prática médica da psiquiatria e na solução mágica de curar os transtornos mentais com medicação.

O jornalista, do The Boston Globe, o mesmo jornal das série de reportagens que gerou o filme Spotlight, levantou dados alarmantes sobre a indústria farmacêutica das doenças mentais e sua incapacidade de curar.  “Em 1955, havia 355.000 pessoas em hospitais com um diagnóstico psiquiátrico nos Estados Unidos; em 1987, 1,25 milhão de pessoas no país recebia aposentadoria por invalidez por causa de alguma doença mental; em 2007, eram 4 milhões. No ano passado, 5 milhões.

Para ele, associações médicas e a indústria estão criando pacientes e mercado para seus remédios. “Se olharmos do ponto de vista comercial, o êxito desse setor é extraordinário. Temos pílulas para a felicidade, para a ansiedade, para que seu filho vá melhor na escola. O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade é uma fantasia. É algo que não existia antes dos anos noventa”, diz.

Mas essa não é uma crítica simplificada ou econômica, mas bem mais fundamentada durante mais de duas décadas.  “O que estamos fazendo de errado?”, questionam os estudos de Whitaker que também levantou informações de que pacientes de esquizofrenia evoluem melhor em países em que são menos medicados. Outro dado importante foi o estudo da Escola de Medicina de Harvard, que em 1994, mostrou que a evolução de pacientes com esquizofrenia, que foram medicados, pioraram em relação aos anos 70, quando a medicação não era dominante.

A batalha de Whitaker contra os comprimidos como solução tem ganhado apoio. Importantes escolas de medicina o convidam a explicar seus trabalhos e o debate está aberto nos Estados Unidos. “A psiquiatria está entrando em um novo período de crise no país, porque a história que nos contaram desde os anos 80 caiu por terra. A história falsa nos Estados Unidos e em parte do mundo desenvolvido é que a causa da esquizofrenia e da depressão seria biológica. Foi dito que esses distúrbios se deviam a desequilíbrios químicos no cérebro: na esquizofrenia, por excesso de dopamina; na depressão, por falta de serotonina. E nos disseram que havia medicamentos que resolviam o problema, assim como a insulina faz pelos diabéticos”, afirmou em entrevista ao jornal El Pais.

Para ele, os psiquiatras sempre tiveram um complexo de inferioridade. “O restante dos médicos costumava enxergá-los como se não fossem médicos autênticos. Nos anos 70, quando faziam seus diagnósticos baseando-se em ideias freudianas, eram muito criticados. E como poderiam reconstruir sua imagem diante do público? Vestiram suas roupas brancas, o que lhes dava autoridade. E começaram a se chamar a si mesmos de psicofarmacólogos quando passaram a prescrever medicamentos. A imagem deles melhorou. O poder deles aumentou. Nos anos 80, começaram a fazer propaganda desse modelo, e nos noventa, a profissão já não prestava atenção a seus próprios estudos científicos. Eles acreditavam em sua própria propaganda”, relata.

Para Whitaker, houve uma união do útil ao agradável.  Uma história que melhorou a imagem pública da psiquiatria e ajudou a vender medicamentos. No final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava  US$ 800 milhões por ano. Vinte anos mais tarde, já eram US$ 40 bilhões. “Se estudarmos a literatura científica, observamos que já estamos utilizando esses remédios há 50 anos. Em geral, o que eles fazem é aumentar a cronicidade desses transtornos”, afirma de forma categórica.

Essa mensagem, segundo o próprio Whitaker, pode ser perigosa, mas ele não traz conselhos médicos nos estudos (Anatomy of an Epidemic ), não é para casos individuais. “Bom, se a medicação funciona, fantástico. Há pessoas para quem isso funciona. Além disso, o cérebro se adapta aos comprimidos, o que significa que retirá-los pode ter efeitos graves. O que falamos no livro é sobre o resultado de maneira geral. É para que a sociedade se pergunte: nós organizamos o atendimento psiquiátrico em torno de uma história cientificamente correta ou não?”, diz.

Whitaker foi muito criticado, apesar de seu livro contar com muitas evidências e ter recebido prêmios. Mas a obra desafiou os critérios da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (APA) e os interesses da indústria farmacêutica. Mas desde 2010 novos estudos confirmaram suas pesquisas. Entre eles, os trabalhos dos psiquiatras Martin Harrow e Lex Wunderink e o fato de a prestigiada revista científica British Journal of Psychiatry já assumir que é preciso repensar o uso de medicamentos. “Os comprimidos podem servir para esconder o mal-estar, para esconder a angústia. Mas não são curativos, não produzem um estado de felicidade”, diz. Veja texto completo. Ou Aqui

Veja vídeo com Robert Whitaker, pena que ainda não está legendado em português.

 

Rise of the internet has reduced voter turnout (Science Daily)

Date:
September 16, 2016
Source:
University of Bristol
Summary:
During the initial phase of the internet, a “crowding-out” of political information occurred, which has affected voter turnout, new research shows.

The internet has transformed the way in which voters access and receive political information. It has allowed politicians to directly communicate their message to voters, circumventing the mainstream media which would traditionally filter information.

Writing in IZA World of Labor, Dr Heblich from the Department of Economics, presents research from a number of countries, comparing voter behaviour of municipalities with internet access to the ones without in the early 2000s. It shows municipalities with broadband internet access faced a decrease in voter turnout, due to voters suddenly facing an overwhelmingly large pool of information and not knowing how to filter relevant knowledge efficiently. Similarly, the internet seemed to have crowded out other media at the expense of information quality.

However, the introduction of interactive social media and “user-defined” content appears to have reversed this. It helped voters to collect information more efficiently. Barack Obama’s successful election campaign in 2008 set the path for this development. In the so-called “Facebook election,” Obama successfully employed Chris Hughes, a Facebook co-founder, to lead his highly effective election campaign.

Using a combination of social networks, podcasts, and mobile messages, Obama connected directly with (young) American voters. In doing so, he gained nearly 70 per cent of the votes among Americans under the age of 25.

But there is a downside: voters can now be personally identified and strategically influenced by targeted information. What if politicians use this information in election campaigns to target voters that are easy to mobilize?

Dr Heblich’s research shows there is a thin line between desirable benefits of more efficient information dissemination and undesirable possibilities of voter manipulation. Therefore, policymakers need to consider introducing measures to educate voters to become more discriminating in their use of the internet.

Dr Heblich said: “To the extent that online consumption replaces the consumption of other media (newspapers, radio, or television) with a higher information content, there may be no information gains for the average voter and, in the worst case, even a crowding- out of information.

“One potential risk relates to the increasing possibilities to collect personal information known as ‘big data’. This development could result in situations in which individual rights are violated, since the personal information could be used, for example, to selectively disseminate information in election campaigns and in influence voters strategically.”

See the report at: http://wol.iza.org/articles/effect-of-internet-on-voting-behavior

Brazil ratification pushes Paris climate deal one step closer (Nature)

NATURE | TREND WATCH

Country joins top emitters United States and China in joining the agreement this month.

Jeff Tollefson

14 September 2016

Zuma Press/eyevine

São Paulo, Brazil: the country accounts for 2.5% of global carbon emissions.

Brazil, one of the world’s leading greenhouse-gas emitters, ratified the Paris climate pact on 12 September, adding to growing momentum to bring the 2015 agreement into force before the end of this year.

The agreement had received a significant boost earlier this month when the United States and China — by far the world’s leading emitters — formally joined on 3 September.

The Paris deal seeks to hold warming ‘well below’ 2°C above pre-industrial temperatures. For it to take effect, 55 countries accounting for 55% of global emissions must ratify or otherwise formally join the accord. Countries can ratify, accept or approve the deal, depending on their domestic processes.

So far, 28 countries representing 41.5% of global emissions have joined up, and no one knows precisely what combination of countries might push the agreement over the threshold.

At least 58 countries have committed to join by the end of the year, but many of those are island states and other small emitters, says Eliza Northrop, who is tracking the process for the World Resources Institute, an environmental think tank in Washington DC. So the question is how quickly some of the other major emitters will come through, including India, Japan, South Korea, Mexico and Canada.

“It’s a bit of a puzzle at this point, but I feel very confident that it will enter into force this year,” says Northrop.

Less clear is whether the agreement will take effect before the next round of climate negotiations in Marrakech, Morocco, in November. For that to happen, other major emitters would need to ratify the Paris pact by 7 October, because it only enters into force 30 days after the ‘55/55’ threshold has been met.

One of the biggest challenges comes from the European Union, where each country must go through its own legislative procedures before the negotiating bloc can sign off as a whole. But there is little doubt that the Paris agreement will take effect in record time. By comparison, the Paris deal’s predecessor, the 1997 Kyoto Protocol, didn’t enter into force for more than seven years after it was adopted.

Nature doi:10.1038/nature.2016.20588

Seca se intensifica com alto risco para cerca de 90 municípios do semiárido brasileiro (CEMADEN)

JC, 5498, 8 de setembro de 2016

As chuvas de setembro a novembro devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Há poucas chances de reversão do quadro crítico dos municípios impactados pela seca, conforme o Relatório da Seca no Semiárido Brasileiro e Impactos divulgado, hoje, pelo Cemaden

O período chuvoso, entre abril e julho, apresentou um déficit pluviométrico, agravado no mês de agosto,  com o registro de acumulados de chuva inferiores a 60 mm nos municípios da maior parte da região Nordeste. Esses municípios, principalmente na zona da mata, foram caracterizados por condições de  “ Muito Seco”.

A avaliação do risco agroclimático (balanço hídrico) para o ano hidrológico 2015/2016 – referente ao período de outubro de 2015 a 31 de agosto de 2016- indicou que cerca de 90 municípios foram classificados como de risco “Alto”, aos que apresentaram entre 60 a 75 dias com déficit hídrico  e  de “Muito Alto”, para os municípios com mais de 75 dias com o déficit hídrico.

O trimestre agosto -setembro-outubro de 2016 pode marcar a transição para um episódio de La Niña, provavelmente com fraca intensidade. A evolução climatológica (histórica) das precipitações no trimestre Setembro-Outubro-Novembro/2016 indica que as chuvas devem se tornar mais escassas na Zona da Mata dos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Portanto, para os municípios impactados pela seca, nestes Estados, há poucas chances de reversão do quadro crítico.

“A intensidade dos impactos da seca atingem as atividades agrícolas e/ou pastagens. A situação de seca intensificou-se, principalmente, na parte leste da Região Semiárida, atingindo os municípios inseridos nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.”, destaca o coordenador-geral do Cemaden, meteorologista Marcelo Seluchi. Ele explica que essa seca é o reflexo dos acumulados de chuva inferiores a média dos meses da estação chuvosa- entre os meses de abril a julho – conforme o sensoriamento remoto com base no índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI).

Essa análise foi divulgada, hoje,  no Boletim da Seca e Impactos no Semiárido Brasileiro de Agosto 2016, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

No relatório, de acordo com o índice de suprimento de água para a vegetação (VSWI), 981 municípios apresentaram pelo menos 50% de suas áreas impactadas no mês de agosto de 2016. “ A estação chuvosa foi encerrada no ultimo mês de julho e, em razão disso, o estresse vegetativo atual é esperado.”, explica Seluchi.  Considerando as poucas regiões onde o calendário de plantio se estende até o mês de junho,  o ciclo fenológico pode ainda estar em curso nos municípios inseridos no Estado de Alagoas, região leste da Bahia, Pernambuco e Sergipe. Nessa região, as áreas impactadas pela seca somam cerca de 9 milhões de hectares.

As previsões em escala de médio prazo (até 21 de agosto) indicam condições favoráveis para a ocorrência de precipitações no litoral da Bahia, ao sul de Salvador. A previsão climática sazonal de chuva (MCTIC) para setembro-outubro e novembro de 2016 mostra, para toda a região Nordeste do País, uma previsão na qual os três cenários (acima-dentro-abaixo da média) são igualmente prováveis, indicando a incerteza associada a esta previsão.

Assessoria de Comunicação do Cemaden

66% das emissões brasileiras de CO2 vêm de atividade agropecuária (Folha de S.Paulo)

Phillippe Watanabe

06/09/2016

O desmatamento, de modo isolado, libera as emissões de gases

A agropecuária é a responsável pela maior parte da emissão de gases estufa no Brasil. Quando considerados desmatamento para atividade agropecuária e o exercício direto dela, a porcentagem das emissões chega a cerca de 66%.

Os dados são do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases Estufa), realizado pelo OC (Observatório do Clima). O relatório, lançado nesta terça (6), na sede do SOS Mata Atlântica, analisa a evolução histórica das emissões brasileiras.

Considerando dados referentes ao ano de 2014, de forma direta, 23% das emissões de CO2 no Brasil são provenientes da agropecuária. Dentro desse universo, 76% das emissões estão relacionadas à pecuária, sendo 64% derivados do consumo de carne (bovinos de corte), segundo dados da Imaflora, parte do OC.

A mudança de uso da terra é líder de emissões no país, com cerca 42%. O termo, de forma geral, se refere aos desmatamentos, normalmente associados à atividade agropecuária. Esse tipo de emissão somado aos 23% emitidos diretamente pela ação agropecuária alcançam o valor aproximado de 66%.

Segundo dados do Imazon, também parte do OC, com uma melhor aplicação da legislação ambiental atual seria possível aumentar a arrecadação em mais de R$ 1 bilhão por ano.

A energia é a segunda colocada entre as fontes dos gases estufa, com 26%. Essas emissões vêm crescendo anualmente, em parte por conta da crise na produção de energia hidrelétrica.

Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente, que também faz parte do OC, quase metade (46%) das emissões relacionadas à energia estão associadas ao transporte, tanto de carga quanto de passageiros.

FUTURO

Os dados levantados pelo OC mostram que o Brasil, caso cumpra os compromissos firmados no Acordo de Paris, como restauração e reflorestamento de matas, recuperação de pastos, entre outros, conseguirá reduzir as emissões de gases estufa mais do que o planejado no INDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas).

“O nosso estudo aponta que dá para ser mais ambicioso”, afirma Tasso de Azevedo, coordenador do Seeg.

Global climate models do not easily downscale for regional predictions (Science Daily)

Date:
August 24, 2016
Source:
Penn State
Summary:
One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to climate researchers who caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

One size does not always fit all, especially when it comes to global climate models, according to Penn State climate researchers.

“The impacts of climate change rightfully concern policy makers and stakeholders who need to make decisions about how to cope with a changing climate,” said Fuqing Zhang, professor of meteorology and director, Center for Advanced Data Assimilation and Predictability Techniques, Penn State. “They often rely upon climate model projections at regional and local scales in their decision making.”

Zhang and Michael Mann, Distinguished professor of atmospheric science and director, Earth System Science Center, were concerned that the direct use of climate model output at local or even regional scales could produce inaccurate information. They focused on two key climate variables, temperature and precipitation.

They found that projections of temperature changes with global climate models became increasingly uncertain at scales below roughly 600 horizontal miles, a distance equivalent to the combined widths of Pennsylvania, Ohio and Indiana. While climate models might provide useful information about the overall warming expected for, say, the Midwest, predicting the difference between the warming of Indianapolis and Pittsburgh might prove futile.

Regional changes in precipitation were even more challenging to predict, with estimates becoming highly uncertain at scales below roughly 1200 miles, equivalent to the combined width of all the states from the Atlantic Ocean through New Jersey across Nebraska. The difference between changing rainfall totals in Philadelphia and Omaha due to global warming, for example, would be difficult to assess. The researchers report the results of their study in the August issue of Advances in Atmospheric Sciences.

“Policy makers and stakeholders use information from these models to inform their decisions,” said Mann. “It is crucial they understand the limitation in the information the model projections can provide at local scales.”

Climate models provide useful predictions of the overall warming of the globe and the largest-scale shifts in patterns of rainfall and drought, but are considerably more hard pressed to predict, for example, whether New York City will become wetter or drier, or to deal with the effects of mountain ranges like the Rocky Mountains on regional weather patterns.

“Climate models can meaningfully project the overall global increase in warmth, rises in sea level and very large-scale changes in rainfall patterns,” said Zhang. “But they are uncertain about the potential significant ramifications on society in any specific location.”

The researchers believe that further research may lead to a reduction in the uncertainties. They caution users of climate model projections to take into account the increased uncertainties in assessing local climate scenarios.

“Uncertainty is hardly a reason for inaction,” said Mann. “Moreover, uncertainty can cut both ways, and we must be cognizant of the possibility that impacts in many regions could be considerably greater and more costly than climate model projections suggest.”

Why scientists are losing the fight to communicate science to the public (The Guardian)

Richard P Grant

Scientists and science communicators are engaged in a constant battle with ignorance. But that’s an approach doomed to failure

Syringe and needle.

Be quiet. It’s good for you. Photograph: Gareth Fuller/PA

video did the rounds a couple of years ago, of some self-styled “skeptic” disagreeing – robustly, shall we say – with an anti-vaxxer. The speaker was roundly cheered by everyone sharing the video – he sure put that idiot in their place!

Scientists love to argue. Cutting through bullshit and getting to the truth of the matter is pretty much the job description. So it’s not really surprising scientists and science supporters frequently take on those who dabble in homeopathy, or deny anthropogenic climate change, or who oppose vaccinations or genetically modified food.

It makes sense. You’ve got a population that is – on the whole – not scientifically literate, and you want to persuade them that they should be doing a and b (but not c) so that they/you/their children can have a better life.

Brian Cox was at it last week, performing a “smackdown” on a climate change denier on the ABC’s Q&A discussion program. He brought graphs! Knockout blow.

And yet … it leaves me cold. Is this really what science communication is about? Is this informing, changing minds, winning people over to a better, brighter future?

I doubt it somehow.

There are a couple of things here. And I don’t think it’s as simple as people rejecting science.

First, people don’t like being told what to do. This is part of what Michael Gove was driving at when he said people had had enough of experts. We rely on doctors and nurses to make us better, and on financial planners to help us invest. We expect scientists to research new cures for disease, or simply to find out how things work. We expect the government to try to do the best for most of the people most of the time, and weather forecasters to at least tell us what today was like even if they struggle with tomorrow.

But when these experts tell us how to live our lives – or even worse, what to think – something rebels. Especially when there is even the merest whiff of controversy or uncertainty. Back in your box, we say, and stick to what you’re good at.

We saw it in the recent referendum, we saw it when Dame Sally Davies said wine makes her think of breast cancer, and we saw it back in the late 1990s when the government of the time told people – who honestly, really wanted to do the best for their children – to shut up, stop asking questions and take the damn triple vaccine.

Which brings us to the second thing.

On the whole, I don’t think people who object to vaccines or GMOs are at heart anti-science. Some are, for sure, and these are the dangerous ones. But most people simply want to know that someone is listening, that someone is taking their worries seriously; that someone cares for them.

It’s more about who we are and our relationships than about what is right or true.

This is why, when you bring data to a TV show, you run the risk of appearing supercilious and judgemental. Even – especially – if you’re actually right.

People want to feel wanted and loved. That there is someone who will listen to them. To feel part of a family.

The physicist Sabine Hossenfelder gets this. Between contracts one time, she set up a “talk to a physicist” service. Fifty dollars gets you 20 minutes with a quantum physicist … who will listen to whatever crazy idea you have, and help you understand a little more about the world.

How many science communicators do you know who will take the time to listen to their audience? Who are willing to step outside their cosy little bubble and make an effort to reach people where they are, where they are confused and hurting; where they need?

Atul Gawande says scientists should assert “the true facts of good science” and expose the “bad science tactics that are being used to mislead people”. But that’s only part of the story, and is closing the barn door too late.

Because the charlatans have already recognised the need, and have built the communities that people crave. Tellingly, Gawande refers to the ‘scientific community’; and he’s absolutely right, there. Most science communication isn’t about persuading people; it’s self-affirmation for those already on the inside. Look at us, it says, aren’t we clever? We are exclusive, we are a gang, we are family.

That’s not communication. It’s not changing minds and it’s certainly not winning hearts and minds.

It’s tribalism.

Transgênicos e hidrelétricas (Estadão); e resposta (JC)

Transgênicos e hidrelétricas

Recentemente cem cientistas que receberam o Prêmio Nobel em várias áreas do conhecimento assinaram um apelo à organização ambiental Greenpeace para que abandone sua campanha, que já dura muitos anos, contra a utilização de culturas transgênicas para a produção de alimentos. Transgênicos são produtos em que são feitas alterações do código genético que lhes dão características especiais, como as de protegê-los de pragas, resistir melhor a períodos de seca, aumentar a produtividade e outros.

José Goldemberg*

15 Agosto 2016 | 05h00

O sucesso do uso de transgênicos é evidente em muitas culturas, como na produção de soja, da qual o Brasil é um exemplo. Contudo, quando se começou a usar produtos transgênicos, objeções foram levantadas, uma vez que as modificações genéticas poderiam ter consequências imprevisíveis. O Greenpeace tornou-se o campeão das campanhas contra o seu uso, que foi banido em vários países.

As objeções iniciais tinham como base dois tipos de consideração: luma, de caráter científico, que foi seriamente investigada por cientistas; el outra, de caráter mais geral, com base no “princípio da precaução”, que nos diz basicamente que cabe ao proponente de um novo produto demonstrar que ele não tem consequências inconvenientes ou perigosas. O “princípio da precaução” tem sido usado para barrar, com maior ou menor sucesso, a introdução de inovações.

Esse princípio tem um forte componente moral e político e tem sido invocado de forma muito variável ao longo do tempo. Por exemplo, ele não foi invocado quando a energia nuclear começou a ser usada, há cerca de 60 anos, para a produção de eletricidade; como resultado, centenas de reatores nucleares foram instalados em muitos países e alguns deles causaram acidentes de grandes proporções. Já no caso de mudanças climáticas que se originaram na ação do homem – consumo de combustíveis fósseis e lançamento na atmosfera dos gases que aquecem o planeta –, ele foi incorporado na Convenção do Clima em 1992 e está levando os países a reduzir o uso desses combustíveis.

A manifestação dos nobelistas argumenta que a experiência mostrou que as preocupações com possíveis consequências negativas dos transgênicos não se justificam e opor-se a eles não faz mais sentido.

Nuns poucos países, o “princípio da precaução” tem sido invocado também para dificultar a instalação de usinas hidrelétricas, tendo em vista que sua construção afeta populações ribeirinhas e tem impactos ambientais. Esse é um problema de fato sério em países com elevada densidade populacional, como a Índia, cujo território é cerca de três vezes menor que o do Brasil e a população, quatro vezes maior. Qualquer usina hidrelétrica na Índia afeta centenas de milhares de pessoas. Não é o caso do Brasil, que tem boa parte de seu território na Amazônia, onde a população é pequena. Ainda assim, a construção de usinas na Amazônia para abastecer as regiões mais populosas e grandes centros industriais no Sudeste tem enfrentado sérias objeções de grupos de ativistas.

A construção de usinas hidrelétricas no passado foi planejada com reservatórios. Quando esses reservatórios não são feitos, a produção de eletricidade varia ao longo do ano. Para evitar isso são construídos lagos artificiais, que armazenam água para os períodos do ano em que chove pouco.

Até recentemente quase toda a eletricidade usada no Brasil era produzida por hidrelétricas com reservatórios, que garantiam o fornecimento durante o ano todo mesmo chovendo pouco. Desde 1990 essa prática foi abandonada por causa das queixas das populações atingidas nas áreas alagadas. As hidrelétricas passaram a ser construídas sem reservatórios – isto é, “a fio d’água” –, usando apenas a água corrente dos rios. É o caso das usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, cujo custo aumentou muito em relação à eletricidade produzida: elas são dimensionadas para o fluxo máximo de águas dos rios, que se dá em alguns meses, e geram muito menos nos meses secos.

Houve nesses casos um superdimensionamento do problema. De modo geral, para cada pessoa afetada pela construção de usinas, mais de cem pessoas são beneficiadas pela eletricidade produzida. Sucede que os poucos milhares de pessoas atingidas vivem em torno da usina e se organizaram para reclamar compensações (em alguns casos são instrumentadas por grupos políticos), ao passo que os beneficiados, que são milhões, vivem longe do local e não são organizados.

Cabe ao poder público avaliar os interesses do total da população, comparar os riscos e prejuízos sofridos por alguns e os benefícios recebidos por muitos. Isso não tem sido feito e o governo federal não tem tido a firmeza de explicar à sociedade onde estão os interesses gerais da Nação.

Isso se verifica também em outras grandes obras públicas, como estradas, portos e infraestruturas em geral. Um exemplo é o Rodoanel Mário Covas, em torno da cidade de São Paulo, cuja construção enfrentou fortes contestações tanto de atingidos pelas obras como de alguns grupos ambientalistas. A firmeza do governo de São Paulo e os esclarecimentos prestados viabilizaram a obra, hoje considerada positiva pela grande maioria: retira dezenas de milhares de caminhões por dia do tráfego urbano de São Paulo e reduz a poluição lançada por eles sobre a população.

O que se aprende neste caso deveria ser aplicado às hidrelétricas da Amazônia, que têm sido contestadas por alguns grupos de ambientalistas não suficientemente informados. Cabe aqui uma ação como a que foi tomada pelos nobelistas em relação aos transgênicos e aceitar hidrelétricas construídas com as melhores exigências técnicas e ambientais, incluindo reservatórios, sem os quais elas se tornam pouco viáveis, abrindo caminho para o uso de outras fontes de energia mais poluentes, como carvão e derivados de petróleo.

*PRESIDENTE DA FAPESP, FOI PRESIDENTE DA CESP


Pesquisador comenta artigo

JC 5485, 19 de agosto de 2016

O professor emérito da UnB, Nagib Nassar, questiona o artigo “Transgênicos e hidrelétricas”, do Estado de S. Paulo, divulgado no Jornal da Ciência na última terça-feira

Leia o comentário abaixo:

Refiro-me ao artigo do professor José Goldemberg, publicado no Estadão e projetado pelo Jornal da Ciência.

Discordo do ilustre cientista a começar por ele dizer que transgênicos são feitos para proteger plantas de pragas. Sabe-se que o único transgênico plantado para essa finalidade no Brasil é o milho Bt. Assim, o professor esqueceu ou fez esquecer que, para essa finalidade, é introduzido na planta um gene produtor de toxina mata insetos e, consequentemente, a planta passa a funcionar como um inseticida! 

A toxina Bt, assim como mata insetos, intoxica o próprio ser humano. Frequentemente é citado na literatura o alto risco, inclusive fatal, para o indivíduo. Um exemplo dessas variedades de milho Bt é a variedade milho MO 810: proibida para uso humano pelo próprio país produtor, pela França, Alemanha, Inglaterra e outros países europeus. Infelizmente, a variedade é autorizada no Brasil e quem autorizou não se preocupou em nos fazer de simples cobaias! Em países pobres da África foi rejeitado até como presente. A Zâmbia preferiu ver seu povo sofrer de fome a morrer envenenado! Além de matar insetos invasores, a toxina Bt mata insetos úteis, como abelha de mel e outros polinizadores necessários para que a planta formar frutas.

Quando esse tipo de transgênico morre, ao final de estação de crescimento, suas raízes deixam para o solo resíduos tóxicos que matam bactérias fixadoras do nitrogênio e transformam o solo em um ambiente envenenado para o crescimento da bactéria fixadora do Azoto, que forma fertilizante. Assim, fica impedido o crescimento de qualquer cultura leguminosa. O fabricante desse transgênico gasta milhões de reais com todos os tipos de propagandas, em todas as formas e todos os níveis: o resultado é o mais alto nível o custo das sementes transgênicas, que chega a ser 130 vezes mais cara do que o preço normal. Os pequenos agricultores enganados e iludidos pela propaganda, quando não podem pagar dívidas, correm para um destino trágico: o suicídio. Há muitos casos conhecidos da Índia, que chegou a registrar, em apenas um ano, 180 mortos.

É bom um físico falar sobre hidrelétricas, mas é questionável que se afirme dogmaticamente sobre transgênicos. E por que ele escolheu transgênicos para associá-los às hidrelétricas? Será como uma fachada que esconde o mal dos transgênicos? Isto me lembra do manifesto assinado por cem ganhadores de Nobel em favor de transgênicos escondendo atrás o arroz dourado. Entre esses ganhadores de Nobel, físicos, químicos, até letras e, além de tudo, três mortos!

Lembro-me também de um cientista distante da área  que foi há dez anos à Câmara de Deputados com argumentos e pedidos para a liberação da soja transgênica, e não pelos resultados científicos, que nunca foram apresentados e nem existiam, mas para não prejudicar agricultores que contrabandeavam soja.

Nagib Nassar

Professor emérito da Universidade de Brasília

Presidente fundador da fundação  FUNAGIB (www.funagib.geneconserve.pro.br)

The last great unknown? The impact of academic conferences (LSE Blog)

August 16th, 2016

What do academic conferences contribute? How do academic conferences make a difference both in the lives of academics and wider society? Donald J Nicolson looks at a few examples of conferences that have been able to make a demonstrable impact and argues it is to the benefit of the academy to learn more about how to get the most out of these time-consuming events.

Over the course of two years in the mid-1960s, two academic conferences in strikingly different fields had a great impact on academic research that is still felt today to varying degrees:

  1. In 1964, the 18th World Medical Association General Assembly held in Helsinki devised a set of ethical principles to guide medical research involving human subjects, now the basis for the ethical treatment of human subjects in medical research.
  2. In 1966 at Johns Hopkins University in Baltimore an international symposium entitled “The Languages of Criticism and the Sciences of Man” laid the groundwork for the theory of ‘Post-Structuralism’ and in particular launched the career of the French philosopher Jacques Derrida.

Each conference had an impact at the time, and half a century later both are still remembered. Is this true of academic conferences today or are these 1960 examples outliers?

My own reading is that the academic conference has to date largely evaded the empirical gaze. Attending and presenting at conferences is something nearly all academics do. More so, they expend great time and effort justifying attendance, applying to present and looking for funding to travel, let alone devising their presentations. So is it worth this effort or do conferences merely generate noise? How are conferences useful?

coffee-break-1177540_1280Image credit: Cozendo Public Domain via Pixabay

In my book I reflect on how as a former academic I attended over 20 conferences, sat in on hundreds of presentations and debates, presented over 20 times myself, heard countless people ask “questions”, and a similar number of replies. My hope was that at least some conferences go beyond mere noise, and are useful to the audience/stakeholders/the wider environment by having an impact. I followed up an immediate hunch, and then further examples arose from the interviews I conducted. This blog looks at a few of those examples. They are not meant to be comprehensive of the academic conference experience but are meant to provoke discussion on the impact of conferences.

Debate on Tangible Issues: The 11th Annual Cochrane Colloquium

In October 2003 the 11th Annual Cochrane Colloquium was held in Barcelona. This annual meeting attracts important figures from medicine and Health Services Research, who discuss issues around the conduct and findings from systematic reviews, a method for evidence synthesis. At the 2003 Colloquium there was a debate around conflicts of interests within the Cochrane Collaboration and how the Collaboration should respond to them. Conflicts of interest are a common problem in medical research when for example, a pharmaceutical company funds researchers to examine how well its new drug works compared with a drug already available on the market. The charge is that because the company wants its new drug to work better than another, it may have a surreptitious (or less implicit) effect on how the research was carried out, leading to a biased outcome in favour of their drug. A common example is where pharmaceutical companies’ trials have gone unpublished, when the new drug was found not to have a beneficial outcome.

Some debates at conferences are theoretical, discussing a concept at an abstract level. The conflicts debate was the antithesis, having potentially serious ramifications for the Collaboration. For example, Ray Moynihan noted one of the concerns before the debate was that some Cochrane review groups might go out of business if they lost funding from pharmaceutical companies (Moynihan, R., 2003. Cochrane at crossroads over drug company sponsorship. BMJ: British Medical Journal, 327(7420), p.924.).

When a conference has a memorable presentation or stages an important debate/discussion, like the 2003 Colloquium, I think that it goes beyond merely generating noise and has impact. The Conflicts debate had impact in bucket loads. It challenged how the Collaboration received funding, and had potentially serious consequences for the employment of people.

Bringing Decision-makers to the Table: The 29th Triennial Congress of the International Confederation of Midwives

A Professor of Midwifery Research told me about another conference, the 29th Triennial Congress of the International Confederation of Midwives in June 2011 where there was a push to make global maternity care a worldwide issue. The conference received support from the Government which enabled the Government to recognise the importance of the agenda around maternity care and in particular that it was vital to tackle health inequalities. The crucial aspect was that politicians spoke, which raised the issue to the political agenda and attracted media attention, enabling the possibility of change.

Impact on personal development

Based on interviewing over 30 people for my book, I found that the search for ‘conference impact’ need not rest on a paradigm-defining plinth. For the period of time of the conference, the venue provides not just a place to work, but also a place to eat, drink and sleep; be that a hotel or University campus. Conferences are therefore not just workplaces for attendees; but are places where people ‘are being’, and as such, this can impact on their welfare. Being at a conference can present the individual a variety of opportunities, including networking, meeting overseas colleagues in person, or acting as a jobs fair. When respondents talked about conferences having an impact, they tended to speak about the personal rather than the disciplinary impact, e.g. how a particular conference helped their career development, or inspired their work.

The cost and value of ‘impact’ for conferences

An important point that my work raises is querying the usefulness of the question of ‘Impact’ for all conferences. My initial wondering about impact probably reflects my background in Health Services Research, where questions of effectiveness and impact abide. However, such a question is foreign to the Humanities, and so the notion of a presentation generating noise was nonsensical. For example, a Professor of the Humanities felt all talks were important and valuable. The ‘noise hypothesis’ is therefore perhaps relevant solely to quantitative-based presentations.

It might be considered that the notion of conferences having an impact is a reflection of neoliberal thinking where everything has a cost and a value. There was a suggestion that conferences value rests in them being able to highlight new trends and directions for research, framing the issues and alternatives for discussion, and holding sway over the key people at the centre of the field (Parker, M. and Weik, E., 2014. Free spirits? The academic on the aeroplane. Management Learning, 45(2), pp.167-181). Conferences might be in a good position to have such impact by presenting an infrastructure for a discipline to meet, disseminate and discuss. ‘Value’ need not imply the need for a cost-benefit analysis, but it is important to seek to understand this better as conferences are not held without purpose.

Perhaps it is better to ask how conferences make a difference. The conflict of interests debate at the Cochrane Colloquium was an example where a difference began to be made. By holding the debate, the Collaboration continued the process whereby it eventually rejected industry funding.

The academic conference as a subject of research might have a place in the evolving research discipline of meta-research, which aims to evaluate and improve research practices (Ioannidis JP, Fanelli D, Dunne DD, Goodman SN. Meta-research: evaluation and improvement of research methods and practices. PLoS Biol. 2015 Oct 2;13(10):e1002264.). Such an introspective turn, it might be hoped, would be for the benefit of the academy.

Note: This article gives the views of the author, and not the position of the LSE Impact blog, nor of the London School of Economics. Please review our Comments Policy if you have any concerns on posting a comment below.

About the Author

Dr. Donald J Nicolson worked in academic research for 13 years, and was a Post-Doctoral Research Fellow. He now works as a freelance writer, and is writing a book for publication about academic conferences. He holds a Ph.D. in Health Services Research from the University of Leeds. He can be found digitally @the_mopster, retweeting things that amuse him, venting his anger at the political environment, and making random observations on the absurdity of life. He has published several travel articles in a national newspaper http://www.scotsman.com/lifestyle/travel.

Impedir barulho e vaias da torcida é imperialismo cultural, diz sociólogo americano (BBC Brasil)

18.08.2016

Mulher grita durante partida na Rio 2016

Sociólogo americano diz que vê legitimidade no comportamento da torcida brasileira na Rio 2016. GETTY IMAGES

Assim como muitos observadores internacionais acompanhando os Jogos Olímpicos do Rio, o sociólogo americano Peter Kaufman ficou espantado com o episódio das vaias ao atleta francês do salto com vara Renaud Lavillenie. No caso do acadêmico, porém, o que pareceu incomodá-lo mais foi a reação contrária ao comportamento da torcida.

Para o professor da Universidade Estadual de Nova York, que escreve sobre sociologia do esporte e estudou as reações do público ao comportamento de atletas, houve exagero na condenação das manifestações, sobretudo depois do “pito” público dado nos brasileiros pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach.

Após as vaias a Lavillenie no pódio, Bach usou a conta do COI no Twitter para dizer que o comportamento do público foi “chocante” e “inaceitável nas Olimpíadas”.

“O COI certamente tem questões bem mais importantes para lidar do que vaias de torcedores”, disse Kaufman, em conversa com a BBC Brasil, por telefone.

Veja abaixo, trechos da entrevista:

BBC Brasil – O senhor acompanhou a polêmica das vaias no Brasil?

Peter Kaufman – Sim, porque houve um repercussão considerável de alguns incidentes envolvendo o público na Olimpíada do Rio. O comportamento de torcedores é algo interessante, porque estão em jogo fatores culturais.

Cada cultura tem seus próprios valores: em algumas, é apropriado beijar em vez de apertar a mão quando se é apresentado a alguém, por exemplo. Em outras, é muito aceitável vaiar, assim como em certos países aplausos efusivos podem ser vistos como algo rude.

Torcida durante partida na Rio 2016

Sociólogo aponta que vaias podem ter diferentes motivos, inclusive descontentamento com os gastos nos Jogos. GETTY IMAGES

BBC Brasil – Por que as pessoas vaiam?

Kaufman – É uma questão de expressão, uma forma de interação social e participação. E isso varia de lugar para lugar. Se um alienígena chegasse aqui hoje e fosse assistir a uma competição esportiva, possivelmente teria outra maneira de se comportar de acordo com sua realidade. E, óbvio, sabemos que não é apenas esporte. As Olimpíadas têm um significado muito maior. O público brasileiro pode estar vaiando em desafio às autoridades, ao governo brasileiro e até mesmo ao dinheiro gasto na Olimpíada.

BBC Brasil – É injusto com os atletas?

Kaufman – Alvos de vaias podem se sentir ofendidos, tristes e até ameaçados por uma torcida mais ruidosas. Não os culpo por pensarem apenas na qualidade de seu desempenho em vez de analisar aspectos culturais ou políticos. É perfeitamente compreensível que o atleta francês tenha ficado bastante chateado com as vaias que recebeu até no pódio. Mas ele estava competindo contra um atleta brasileiro e em casa. Pelo que tenho lido sobre a torcida brasileira, era inevitável que ele fosse alvo dessas manifestações.

BBC Brasil – Renaud Lavillenie não foi a primeira “vítima” e não deverá ser a última, mas o comportamento da torcida no Estádio Olímpico, em especial durante provas em que normalmente o silêncio do público é uma questão de etiqueta, como o tênis e a esgrima, irritou até o presidente do COI, Thomas Bach. Como achar um meio termo?

Brasileiros na Rio 2016

Torcida brasileira ficou conhecida pelo excesso de vaias durante os jogos da Rio 2016. GETTY IMAGES

Kaufman – Olha, é irônico que sentimentos de nacionalismo e tribalismo surjam na Olimpíada, uma competição concebida em sua forma moderna para promover a paz e a união ente os povos. Mas o esporte é passional e excitante. As pessoas querem vaiar seu adversário para tentar afetar o resultado de uma partida. E, como costuma ser o caso por causa das rivalidades locais, os brasileiros “pegaram no pé dos argentinos”. Também vimos o público vaiando atletas russos por causa da controvérsia envolvendo o doping. As vaias, por sinal, são o menor dos problemas que o COI tem para resolver.

BBC Brasil – Mas Lavillenie não teria razão ao reclamar do barulho durante o momento de seus saltos? Não seria preciso criar uma cultura de torcida mais apropriada para o esporte olímpico?

Kaufman – Isso seria uma atitude de imperialismo cultural. Por que a maneira do brasileiro torcer é errada? A realidade que conhecemos é criada pelo ambiente em que crescemos. Você mencionou o tênis anteriormente: será que não vale a pena discutirmos a razão para o silêncio durante o saque no tênis enquanto no futebol a torcida pode urrar nos ouvidos de um atacante que vai bater um pênalti? A diferença é que o tênis é um esporte muito mais elitizado.

BBC Brasil: O senhor defende o comportamento da torcida, então?

Kaufman: De certa maneira, sim, apesar de que os esportes têm regras para lidar com isso. Acho fascinante o fato de que as normas de comportamento podem ser diferentes. Fica a impressão de que o COI foi pego de surpresa pela passionalidade do torcedor brasileiro. Mas lembremos da Copa do Mundo de 2010, em que as vuvuzelas do torcedor sul-africano criaram um problema até para quem viu os jogos pela TV. Mas ter proibido seu uso teria amputado um componente cultural.

Vaiar é uma expressão de crenças e valores. É tão “errado” quanto torcer.


Quais são os seis tipos de vaias da torcida brasileira na Rio 2016

Torcida brasileira na Rio 2016

Torcida brasileira já é reconhecida pelo excesso de vaias durante as competições na Rio 2016. GETTY IMAGES

Da esgrima à natação, do basquete ao tênis, atletas foram intensamente vaiados no Rio de Janeiro. E enquanto as vaias são comuns na maioria das Olimpíadas – apesar da ideia de que seja um momento em que o espírito esportivo deve reinar -, já está claro que a Rio 2016 é mais barulhenta que os Jogos mais recentes.

A BBC News fez uma lista com os seis tipos de vaias mais comuns durante a Olimpíada no Brasil, na tentativa de explicar ao público internacional esse fenômeno que vem sendo um dos mais discutidos pela imprensa esportiva:

1. Vaiar por diversão

O público brasileiro tem uma tendência a escolher ” um lado” – torcer por um time, ou um atleta, e vaiar os rivais. Mas eles podem trocar essa lealdade num piscar de olhos.

“Os torcedores brasileiros parecem ser bem igualitários. Eles são capazes de vaiar atletas de muitos países. É muito difícil de identificar o porquê da vaia a um outro atleta”, disse o diretor de comunicação do Comitê Olímpico Internacional, Mark Adams.

A mesma reação foi identificada pelo especialista em Jogos Olímpicos da Universidade de Salford, Andy Miah.

“Eu fiquei surpreso com o quanto eles são verbais e achei uma falta de espírito esportivo toda essa gritaria e vaia. Até eu perceber que era a forma que eles encontraram de se envolver com o drama do evento”, diz.

“Não é malicioso. Eu estava na esgrima ontem e eles estavam vaiando os jogadores e depois torcendo muito e apoiando muito quando eles ganharam. É tudo parte do teatro que é o que eles curtem”.

Ele ainda opina que há diferenças com Londres 2012: “era muito mais quieto, quase nunca tinha gritaria, só aplausos”.

2. Vaiar os favoritos

O público na Rio 2016 demonstrou uma clara preferência pelos azarões. Em uma das primeiras partidas de basquete, os torcedores apoiaram a Croácia enquanto vaiavam os favoritos – a seleção espanhola. A Espanha então começou a perder e foi derrotada por 72-70.

Esse não é um fenômeno novo.

Torcida brasileira na Rio 2016

Em uma das primeiras partidas de basquete, torcedores brasileiros apoiaram a Croácia torcendo pelo time enquanto vaiavam os favoritos, da seleção espanhola. GETTY IMAGES

Durante a Olimpíada de Atenas, em 2004, por exemplo, os torcedores apoiaram a equipe de futebol masculino do Iraque – durante uma semifinal contra o Paraguai – e vaiavam cada vez que os paraguaios ficavam com a bola.

De acordo com o professor de história da mídia da Universidade de Sussex, na Inglaterra, David Hendy, a vaia é “uma tradição nobre” e um lembrete de que o espetáculo é sobretudo para o público, mais do que para os competidores.

“E o público sempre vê tudo em termos dramáticos – um conflito entre heróis e vilões”, explica.

3. Vaiar os russos

Por causa a revelação de um esquema estatal de doping e da decisão do Comitê Olimípico de não suspender todos os atletas, os russos encontraram uma reação particularmente hostil do público no Rio de Janeiro.

As vaias começaram logo na entrada da delegação russa no Maracanã durante a cerimônia de abertura.

“Os russos sempre iriam ser vaiados porque muitos pensam que o COI não deveria ter comprometido os Jogos”, diz Andy Miah.

A nadadora russa Yulia Efimova, que foi banida por 16 meses em 2013 e conquistou o direito de competir novamente no Rio de Janeiro depois de apelar ao Tribunal Arbitral do Esporte, foi vaiada durante toda a competição dos 100 metros peito nas eliminatórias e na final, na qual levou a medalha de prata.

Ela caiu no choro depois que o ouro foi para a americana Lily King, que comentou: “isso só prova que você pode competir limpa e ainda chegar ao topo do pódio”.

Torcida do Brasil em jogo da Alemanha

Torcida brasileira costuma vaiar atletas russos desde o início dos Jogos. GETTY IMAGES

O boxeador russo Evgeny Tishchenko demonstrou frustração com a reação negativa do público aos atletas russos.

“É uma pena que o público se comporte dessa forma, apoiando quem quer que esteja contra a Rússia”, disse ele ao jornal Chicago Tribune.

“Estou bastante irritado com isso. É a primeira vez que eu enfrento esse tipo de tratamento. Para falar a verdade, estou um pouco decepcionado”.

4. Vaias políticas

Ao declarar os Jogos Olímpicos abertos na cerimônia de abertura, o presidente interino Michel Temer foi vaiado.

Temer assumiu em maio depois da suspensão de Dilma Rousseff e foi vaiado apesar dito apenas uma frase. Mas as vaias quase se dissiparam em meio aos fogos de artíficio e à música, até porque o nome de Temer não chegou a ser anunciado.

Presidente em exercício, Michel Temer

Presidente em exercício, Michel Temer, é vaiado na cerimônia de abertura da Rio 2016. GETTY IMAGES

Mas essa não é a primeira vez que uma Olimpíada é um catalisador para a insatisfação com a elite política de um país. O ex-chanceler George Osborne e a então ministra do Interior – e atual premiê – Theresa May foram vaiados na entrega de medalhas durante a Paralimpíada de Londres 2012.

“Foi uma resposta visceral e instantânea de um público indignado com as políticas para os deficientes físicos e que se sentiam sem voz”, diz Hendy.

5. Vaias patrióticas

Os fãs brasileiros foram rápidos em demonstrar apoio aos atletas nativos ao vaiarem vigorosamente seus oponentes.

O tenista alemão Dustin Brown foi vaiado até depois de cair e torcer o tornozelo durante uma partida com Thomaz Bellucci, apesar de ter recebido aplausos e apoio quando se levantou para ser levado ao hospital.

O francês Renaud Lavillenie queixou-se publicamente da vaias que ouviu no Engenhão na noite em que perdeu de Thiago Braz no salto com varas. “Dei tudo de mim e não tenho nenhum arrependimento. Uma prova inacreditável! Só estou decepcionado com a total falta de respeito do público. Isso não é digno de um estádio olímpico”, afirmou.

“As Olimpíadas sempre foram sinônimo de respeito internacional. Então as vaias podem distrair e até evitar que os atletas tenham o melhor desempenho”, diz Rhonda Cohen, psicóloga do esporte da Universidade de Middlesex, na Inglaterra.

O boxeador camaronês Hassan N’Dam N’Jijam certamente não ficou feliz ao perder a luta contra o brasileiro Michel Borges depois de muitas vaias pantomímicas. Segundo ele, o barulho pode ter influenciado os juízes.

Os atletas argentinos também foram vaiados durante a cerimônia de abertura só porque são… argentinos – nossos vizinhos e rivais, especialmente no futebol.

E há o caso da goleira da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, Hope Solo, que postou fotos nas redes sociais falando sobre o vírus da Zika e foi vaiada ao coro de “Zika!”durante a partida contra a Nova Zelândia.

Mas os torcedores não reservaram as vaias apenas aos estrangeiros. A performance ruim dos jogadores brasileiros da seleção de futebol também provocou vaias depois das partidas contra a África do Sul e o Iraque.

6. Vaia aos juízes

Até os juízes olímpicos caíram nas vaias do público brasileiro.

Como anfitriões, os brasileiros conquistaram uma vaga na final do salto sincronizado de 10 metros masculino, apesar de os atletas não terem chances na competição. Inevitavelmente, os juízes consistentemente deram notas baixas, gerando vaias nervosas do público.

Mas vale lembrar que nada se compara à final de ginástica masculina em Atenas 2004. O russo Alexei Nemov animou o público com uma rotina de barras arriscada, e, quando os juízes o avaliaram com notas baixas, ouviu vaias por sete minutos ininterruptos.

An Ancient Mayan Copernicus (The Current/UC Santa Barbara)

In a new paper, UCSB scholar says ancient hieroglyphic texts reveal Mayans made a major discovery in math, astronomy

By Jim Logan

Tuesday, August 16, 2016 – 09:00 – Santa Barbara, CA

The Observatory, Chich'en Itza

“The Observatory” at Chich’en Itza, the building where a Mayan astronomer would have worked. Photo Credit: GERARDO ALDANA

Venus Table

The Preface of the Venus Table of the Dresden Codex, first panel on left, and the first three pages of the Table.

Gerardo Aldana

Gerardo Aldana. Photo Credit: LEROY LAVERMAN

For more than 120 years the Venus Table of the Dresden Codex — an ancient Mayan book containing astronomical data — has been of great interest to scholars around the world. The accuracy of its observations, especially the calculation of a kind of ‘leap year’ in the Mayan Calendar, was deemed an impressive curiosity used primarily for astrology.

But UC Santa Barbara’s Gerardo Aldana, a professor of anthropology and of Chicana and Chicano studies, believes the Venus Table has been misunderstood and vastly underappreciated. In a new journal article, Aldana makes the case that the Venus Table represents a remarkable innovation in mathematics and astronomy — and a distinctly Mayan accomplishment. “That’s why I’m calling it ‘discovering discovery,’ ” he explained, “because it’s not just their discovery, it’s all the blinders that we have, that we’ve constructed and put in place that prevent us from seeing that this was their own actual scientific discovery made by Mayan people at a Mayan city.”

Multitasking science

Aldana’s paper, “Discovering Discovery: Chich’en Itza, the Dresden Codex Venus Table and 10th Century Mayan Astronomical Innovation,” in the Journal of Astronomy in Culture, blends the study of Mayan hieroglyphics (epigraphy), archaeology and astronomy to present a new interpretation of the Venus Table, which tracks the observable phases of the second planet from the Sun. Using this multidisciplinary approach, he said, a new reading of the table demonstrates that the mathematical correction of their “Venus calendar” — a sophisticated innovation — was likely developed at the city of Chich’en Itza during the Terminal Classic period (AD 800-1000). What’s more, the calculations may have been done under the patronage of K’ak’ U Pakal K’awiil, one of the city’s most prominent historical figures.

“This is the part that I find to be most rewarding, that when we get in here, we’re looking at the work of an individual Mayan, and we could call him or her a scientist, an astronomer,” Aldana said. “This person, who’s witnessing events at this one city during this very specific period of time, created, through their own creativity, this mathematical innovation.”

The Venus Table

Scholars have long known that the Preface to the Venus Table, Page 24 of the Dresden Codex, contained what Aldana called a “mathematical subtlety” in its hieroglyphic text. They even knew what it was for: to serve as a correction for Venus’s irregular cycle, which is 583.92 days. “So that means if you do anything on a calendar that’s based on days as a basic unit, there is going to be an error that accrues,” Aldana explained. It’s the same principle used for Leap Years in the Gregorian calendar. Scholars figured out the math for the Venus Table’s leap in the 1930s, Aldana said, “but the question is, what does it mean? Did they discover it way back in the 1st century BC? Did they discover it in the 16th? When did they discover it and what did it mean to them? And that’s where I come in.”

Unraveling the mystery demanded Aldana employ a unique set of skills. The first involved epigraphy, and it led to an important development: In poring over the Table’s hieroglyphics, he came to realize that a key verb, k’al, had a different meaning than traditionally interpreted. Used throughout the Table, k’al means “to enclose” and, in Aldana’s reading, had a historical and cosmological purpose.

Rethinking assumptions

That breakthrough led him to question the assumptions of what the Mayan scribe who authored the text was doing in the Table. Archaeologists and other scholars could see its observations of Venus were accurate, but insisted it was based in numerology. “They [the Maya] knew it was wrong, but the numerology was more important. And that’s what scholars have been saying for the last 70 years,” Aldana said.

“So what I’m saying is, let’s step back and make a different assumption,” he continued. “Let’s assume that they had historical records and they were keeping historical records of astronomical events and they were consulting them in the future — exactly what the Greeks did and the Egyptians and everybody else. That’s what they did. They kept these over a long period of time and then they found patterns within them. The history of Western astronomy is based entirely on this premise.”

To test his new assumption, Aldana turned to another Mayan archaeological site, Copán in Honduras. The former city-state has its own record of Venus, which matched as a historical record the observations in the Dresden Codex. “Now we’re just saying, let’s take these as historical records rather than numerology,” he said. “And when you do that, when you see it as historical record, it changes the interpretation.”

Putting the pieces together

The final piece of the puzzle was what Aldana, whose undergraduate degree was in mechanical engineering, calls “the machinery,” or how the pieces fit together. Scholars know the Mayans had accurate observations of Venus, and Aldana could see that they were historical, not numerological. The question was, Why? One hint lay more than 500 years in the future: Nicolaus Copernicus.

The great Polish astronomer stumbled into the heliocentric universe while trying to figure out the predictions for future dates of Easter, a challenging feat that requires good mathematical models. That’s what Aldana saw in the Venus Table. “They’re using Venus not just to strictly chart when it was going to appear, but they were using it for their ritual cycles,” he explained. “They had ritual activities when the whole city would come together and they would do certain events based on the observation of Venus. And that has to have a degree of accuracy, but it doesn’t have to have overwhelming accuracy. When you change that perspective of, ‘What are you putting these cycles together for?’ that’s the third component.”

Putting those pieces together, Aldana found there was a unique period of time during the occupation of Chichen’Itza when an ancient astronomer in the temple that was used to observe Venus would have seen the progressions of the planet and discovered it was a viable way to correct the calendar and to set their ritual events.

“If you say it’s just numerology that this date corresponds to; it’s not based on anything you can see. And if you say, ‘We’re just going to manipulate them [the corrections written] until they give us the most accurate trajectory,’ you’re not confining that whole thing in any historical time,” he said. “If, on the other hand, you say, ‘This is based on a historical record,’ that’s going to nail down the range of possibilities. And if you say that they were correcting it for a certain kind of purpose, then all of a sudden you have a very small window of when this discovery could have occurred.”

A Mayan achievement

By reinterpreting the work, Aldana said it puts the Venus Table into cultural context. It was an achievement of Mayan science, and not a numerological oddity. We might never know exactly who made that discovery, he noted, but recasting it as a historical work of science returns it to the Mayans.

“I don’t have a name for this person, but I have a name for the person who is probably one of the authority figures at the time,” Aldana said. “It’s the kind of thing where you know who the pope was, but you don’t know Copernicus’s name. You know the pope was giving him this charge, but the person who did it? You don’t know his or her name.”

Most adults know more than 42,000 words (Science Daily)

Date:
August 16, 2016
Source:
Frontiers
Summary:
Armed with a new list of words and using the power of social media, a new study has found that by the age of 20, a native English-speaking American knows 42,000 dictionary words.

Dictionary. How many words do you know? Credit: © mizar_21984 / Fotolia

How many words do we know? It turns out that even language experts and researchers have a tough time estimating this.

Armed with a new list of words and using the power of social media, a new study published in Frontiers in Psychology, has found that by the age of twenty, a native English speaking American knows 42 thousand dictionary words.

“Our research got a huge push when a television station in the Netherlands asked us to organize a nation-wide study on vocabulary knowledge,” states Professor Marc Brysbaert of Ghent University in Belgium and leader of this study. “The test we developed was featured on TV and, in the first weekend, over 300 thousand Dutch speakers had done it — it really went viral.”

Realising how interested people are in finding out their vocabulary size, the team then made similar tests in English and Spanish. The English test has now been taken by almost one million people. It takes up to four minutes to complete and has been shared widely on Facebook and Twitter, giving the team access to an unprecedented amount of data.

“At the Centre of Reading Research we are investigating what determines the ease with which words are recognized;” explained Professor Brysbaert. The test includes a list of 62,000 words that he and his team have compiled.

He added: “As we made the list ourselves and have not used a commercially available dictionary list with copyright restrictions, it can be made available to everyone, and all researchers can access it.”

The test is simple. You are asked if the word on the screen is, or is not, an existing word in English. In each test, there are 70 words, and 30 letter sequences that look like words but are not actually existing words.

The test will also ask you for some personal information such as your age, gender, education level and native language. This has enabled the team to discover that the average twenty-year-old native English speaking American knows 42 thousand dictionary words. As we get older, we learn one new word every two days, which means that by the age of 60, we know an additional 6000 words.

“As a researcher, I am most interested in what this data can tell us about word prevalence, i.e. how well each word is known in a language;” added Professor Brysbaert.

“In Dutch, we have seen that this explains a lot about word processing times. People respond much faster to words known by all people than to words known by 95% of the population, even if the words used with the same frequency. We are convinced that word prevalence will become an important variable in word recognition research.”

With data from about 200 thousand people who speak English as a second language, the team can also start to look at how well these people know certain words, which could have implications for language education.

This is the largest study of its kind ever attempted. Professor Brysbaert has plans to improve the accuracy of the test and extend the list to include over 75,000 words.

“This work is part of the big data movement in research, where big datasets are collected to be mined;” he concluded.

“It also gives us a snapshot of English word knowledge at the beginning of the 21st century. I can imagine future language researchers will be interested in this database to see how English has evolved over 100 years, 1000 years and maybe even longer.”


Journal Reference:

  1. Marc Brysbaert, Michaël Stevens, Paweł Mandera, Emmanuel Keuleers. How Many Words Do We Know? Practical Estimates of Vocabulary Size Dependent on Word Definition, the Degree of Language Input and the Participant’s AgeFrontiers in Psychology, 2016; 7 DOI: 10.3389/fpsyg.2016.01116

Mudanças do clima ameaça segurança alimentar de América Latina e Caribe (ONU)

Relatório produzido pela FAO, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe e Associação Latino-Americana de Integração destacou que as mudanças climáticas afetarão o rendimento dos cultivos da agricultura, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central

O impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe será considerável devido à dependência econômica da região em relação à agricultura, afirmou novo estudo feito por Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

O estudo foi apresentado no início de agosto em reunião da Celac realizada em Santiago de los Caballeros, na República Dominicana, com o objetivo de ajudar a fornecer insumos para a gestão das mudanças climáticas no Plano para a Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da Celac 2025.

Segundo as três agências, o setor agrícola é a atividade econômica mais afetada pelas mudanças climáticas, enquanto responde por 5% do PIB regional, 23% das exportações e 16% dos empregos.

“Com uma mudança estrutural em seus padrões de produção e consumo, e um grande impulso ambiental, a América Latina e o Caribe podem alcançar o segundo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê o fim da fome, a segurança alimentar e a melhora da nutrição e a promoção da agricultura sustentável”, disse Antonio Prado, secretário-executivo adjunto da Cepal.

Segundo ele, o Plano de Segurança Alimentar da Celac e o novo Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável serão os pilares fundamentais para este processo.

O relatório das três agências destacou ainda que a mudança climática afetará o rendimento dos cultivos, terá impacto nas economias locais e comprometerá a segurança alimentar no Nordeste do Brasil, em parte da região andina e na América Central.

“O desafio atual para a região é considerável: como continuar seu processo positivo de erradicação da fome à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais profundos e evidentes em seus sistemas produtivos?”, questionou Raúl Benítez, representante regional da FAO.

Os países cujos setores agrícolas sofrerão os maiores impactos (Bolívia, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Paraguai) já enfrentam desafios importantes em termos de segurança alimentar.

Alguns países da região, assim como a Celac, já deram passos importantes no desenho de planos de adaptação às mudanças climáticas para o setor agropecuário, mas o desafio ainda é grande. Apenas em termos de recursos financeiros, sem levar em conta as mudanças necessárias de política, será necessário algo em torno de 0,02% do PIB regional anual.

Impactos sobre o setor agrícola e a segurança alimentar

Paradoxalmente, apesar de a região gerar uma menor contribuição à mudança climática em termos de emissões de gases do efeito estufa na comparação com outras, é especialmente vulnerável a seus efeitos negativos.

O novo relatório projeta deslocamentos, em altitude e latitude, das regiões de cultivo de espécies importantes como café, cana de açúcar, batata, milho, entre outras.

Nacionalmente, esses impactos podem afetar seriamente a segurança alimentar. Segundo o relatório, na Bolívia as mudanças de temperatura e chuva causarão uma redução média de 20% do faturamento rural.

No caso do Peru, as projeções indicam que o impacto da mudança climática na agricultura irá gerar redução da produção de diversos cultivos básicos para a segurança alimentar, em especial daqueles que necessitam de mais água, como o arroz.

Mas o setor agrícola não apenas é afetado pelas mudanças climáticas, como contribui para que elas ocorram, sendo urgente que os países, como o apoio da CELAC, façam uma transição urgente para práticas agrícolas sustentáveis, tanto em termos ambientais como econômicos e sociais.

Segundo as três agências, a erradicação da fome na América Latina e no Caribe requer uma mudança de paradigma para um modelo agrícola plenamente sustentável que proteja seus recursos naturais, gere desenvolvimento socioeconômico equitativo e permita se adaptar às mudanças climáticas e mitigar seus efeitos.

Leia aqui o relatório completo (em espanhol).

ONU

Rio Acre diminui 18 cm e compromete o abastecimento de água no Estado (MCTIC)

Segundo Cemaden, água captada do rio chega às estações de tratamento com barro, o que prejudica o abastecimento. Relatório cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume insuficiente

Em 12 dias, o rio Acre diminuiu 18 centímetros, atingindo 1,35 metro em Rio Branco, o menor nível já registrado. Os dados foram divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, no relatório sobre a seca no estado. Se a estiagem persistir, o rio pode atingir 1,06 metro em 10 de setembro.

“Há uma série de impactos decorrentes dessa situação. A agricultura é totalmente prejudicada. A navegação também é influenciada, pois os barcos não conseguem navegar, e o abastecimento de cidades do interior do estado fica comprometido”, observou o coordenador-geral de Operações do Cemaden, Marcelo Seluchi.

Outro ponto destacado pelo climatologista é o abastecimento de água para a população. Segundo ele, a água que chega às estações de tratamento tem maior quantidade de barro, e essas unidades precisam trabalhar mais para entregar um produto de qualidade para a população. Para isso, foi preciso ajustar as bombas de captação para o volume menor, processo semelhante ao adotado no Sistema Cantareira, em São Paulo (SP).

“Há dificuldade no abastecimento e perda de qualidade da água. O processo de tratamento é mais demorado e acaba encarecido”, afirmou Marcelo Seluchi.

De acordo com o relatório do Cemaden, as chuvas têm sido deficientes desde março, e o período entre junho e agosto é o mais seco do ano no Acre. O documento cita previsão de chuva a partir de 17 de agosto, mas em volume “pouco expressivo”. “Não há expectativa de recuperação do quadro hídrico até o mês de setembro, embora possam ocorrer chuvas ocasionais”, alerta o Cemaden no documento.

“Tivemos alguns quadros de chuvas nos últimos dias, mas não há indícios concretos de que o período chuvoso vá começar na época considerada normal. Precisamos coletar mais dados para poder fazer uma previsão mais acurada”, reforçou Seluchi.

Queimadas

No documento, os pesquisadores também alertam para o risco de incêndios florestais no estado, que registrou, até 26 de julho, três vezes mais ocorrências de focos de calor que o máximo já detectado desde 1998.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre janeiro e agosto de 2016, o Acre teve 1.120 focos de incêndio, um aumento de 222% em relação ao mesmo período do ano passado.

MCTIC

Ratificação de acordo do clima no Senado transcendeu partidos e ideologia (Observatório do Clima)

Sessão de aprovação acelerada teve petista na presidência, ruralista na relatoria e elogio de tucano, num raro episódio de consenso político em meio à polarização nacional, afirma Alfredo Sirkis, diretor-executivo do Centro Brasil no Clima e um dos criadores da campanha Ratifica Já!

A autorização final para a ratificação do Acordo de Paris pelo Senado aconteceu em tempo recorde e conseguiu ser mais ligeira que a da Câmara. Pouco mais de dois meses depois do lançamento da campanha Ratifica Já! Pelo Centro Brasil no Clima, Instituto Clima e Sociedade, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e dezenas de outras entidades, praticamente ratificados estamos, faltando apenas a sanção presidencial. Esta deve ocorrer quase certamente em setembro, depois da Olimpíada e do desenlace da crise política do impeachment.

O Brasil, assim, tornar-se-á o primeiro país de grande economia a ratificar o Acordo de Paris. Vale a pena ressaltar o extraordinário empenho de alguns parlamentares. Na Câmara, o deputado Evandro Gussi (PV-SP) articulou o regime de urgência. No Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), relator da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, além de articular a urgência ainda obteve com o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o vice, Jorge Viana (PT-AC) e os líderes dos partidos a sua inclusão numa sessão onde se dava a visita do embaixador do Marrocos, país que vai sediar em novembro a COP22.

A grande curiosidade da votação foi o fato da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura, ter sido a relatora oral da Comissão de Relações Exteriores com um parecer favorável e uma vibrante defesa da agricultura de baixo carbono. A sessão foi presidida pelo vice-presidente do Senado, Jorge Viana, do PT. Os senadores José Agripino (DEM-RN), Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) apoiaram o relatório de Kátia Abreu. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB-SP), notou que o relatório da colega é uma demonstração de que é possível construir ampla convergência, apesar das eventuais divergências entre os parlamentares.

O Brasil, assim, não apenas está em vias de aderir ao novo acordo do clima, mas também o faz de forma exemplar, num consenso politico transpartidário e transideológico que afasta do cenário qualquer veleidade de negacionismo climático. É um microcosmo da postura que todos os países deveriam adotar, a começar pelos EUA, onde a maioria do Congresso e o candidato republicano à Presidência continuam negando a ciência. Agora ainda temos nosso vasto dever de casa: tirar do papel a INDC, o plano climático nacional, preparar logo seu primeiro ciclo de revisão e um plano de longo prazo de descarbonização da economia brasileira.

 

Observatório do Clima

Large human brain evolved as a result of ‘sizing each other up’ (Science Daily)

Date:
August 12, 2016
Source:
Cardiff University
Summary:
Humans have evolved a disproportionately large brain as a result of sizing each other up in large cooperative social groups, researchers have proposed.

The brains of humans enlarged over time thanks to our sizing up the competition, say scientists. Credit: © danheighton / Fotolia

Humans have evolved a disproportionately large brain as a result of sizing each other up in large cooperative social groups, researchers have proposed.

A team led by computer scientists at Cardiff University suggest that the challenge of judging a person’s relative standing and deciding whether or not to cooperate with them has promoted the rapid expansion of human brain size over the last 2 million years.

In a study published in Scientific Reports, the team, which also includes leading evolutionary psychologist Professor Robin Dunbar from the University of Oxford, specifically found that evolution favors those who prefer to help out others who are at least as successful as themselves.

Lead author of the study Professor Roger Whitaker, from Cardiff University’s School of Computer Science and Informatics, said: “Our results suggest that the evolution of cooperation, which is key to a prosperous society, is intrinsically linked to the idea of social comparison — constantly sizing each up and making decisions as to whether we want to help them or not.

“We’ve shown that over time, evolution favors strategies to help those who are at least as successful as themselves.”

In their study, the team used computer modelling to run hundreds of thousands of simulations, or ‘donation games’, to unravel the complexities of decision-making strategies for simplified humans and to establish why certain types of behaviour among individuals begins to strengthen over time.

In each round of the donation game, two simulated players were randomly selected from the population. The first player then made a decision on whether or not they wanted to donate to the other player, based on how they judged their reputation. If the player chose to donate, they incurred a cost and the receiver was given a benefit. Each player’s reputation was then updated in light of their action, and another game was initiated.

Compared to other species, including our closest relatives, chimpanzees, the brain takes up much more body weight in human beings. Humans also have the largest cerebral cortex of all mammals, relative to the size of their brains. This area houses the cerebral hemispheres, which are responsible for higher functions like memory, communication and thinking.

The research team propose that making relative judgements through helping others has been influential for human survival, and that the complexity of constantly assessing individuals has been a sufficiently difficult task to promote the expansion of the brain over many generations of human reproduction.

Professor Robin Dunbar, who previously proposed the social brain hypothesis, said: “According to the social brain hypothesis, the disproportionately large brain size in humans exists as a consequence of humans evolving in large and complex social groups.

“Our new research reinforces this hypothesis and offers an insight into the way cooperation and reward may have been instrumental in driving brain evolution, suggesting that the challenge of assessing others could have contributed to the large brain size in humans.”

According to the team, the research could also have future implications in engineering, specifically where intelligent and autonomous machines need to decide how generous they should be towards each other during one-off interactions.

“The models we use can be executed as short algorithms called heuristics, allowing devices to make quick decisions about their cooperative behaviour,” Professor Whitaker said.

“New autonomous technologies, such as distributed wireless networks or driverless cars, will need to self-manage their behaviour but at the same time cooperate with others in their environment.”


Journal Reference:

  1. Roger M. Whitaker, Gualtiero B. Colombo, Stuart M. Allen, Robin I. M. Dunbar. A Dominant Social Comparison Heuristic Unites Alternative Mechanisms for the Evolution of Indirect ReciprocityScientific Reports, 2016; 6: 31459 DOI: 10.1038/srep31459

Open Science: o futuro da ciência e o desastre de Mariana (Pesquisa Fapesp)

12.08.2016

O Grupo Independente para Análise do Impacto Ambiental (Giaia) realiza expedições com o objetivo de coletar e analisar amostras da lama com rejeitos de mineração que atingiu o rio Doce após o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, e estimula não cientistas a contribuírem com amostras. Apostando no conceito de ciência aberta, os resultados das viagens são divulgados em tempo real nas redes sociais e no site da organização, permitindo que a população acompanhe o avanço das análises. No vídeo, pesquisadores comentam como o grupo surgiu e algumas consequências do desastre.

Provas #8.754.392.312 e #8.754.392.313 de que o Brasil Odeia Ciência (Meio Bit)

Postado Por  em 12 08 2016

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O brasileiro tem um problema sério com ciência. Ele acha que não precisamos dela. Temos basicamente zero programas sobre ciência na TV aberta, versus centenas de horas semanais de programas religiosos. Todo fim de ano canais abrem espaço para videntes e suas previsões para o ano novo, apenas para misteriosamente esquecer de todas as previsões erradas feitas pelas mesmas pessoas no ano anterior.

O Fantástico dedica 95% do tempo de uma reportagem sobre uma pirâmide idiota flutuando por causa de uns imãs, e 5% com cientistas explicando o truque óbvio. Nos comentários do MeioBit? Vários DEFENDENDO a matéria.

Um tempo atrás o Romário apresentou um Projeto de Lei para desburocratizar a importação de material científico como reagentes, que ficam tanto tempo na aduana que acabam estragando. Teve gente que escreveu cartas pra jornal reclamando, dizendo que não se deve investir em ciência, “e sim em saúde e educação”. No final o projeto foi arquivado.

Estatisticamente as chances de achar um astrólogo em um programa desses de entrevistas tipo Fátima são imensas, tanto quanto são ínfimas as de achar um cientista, sendo que o cientista sempre terá um pastor ou pai de santo como “contraponto”.

No Brasil a profissão de BENZEDEIRA é reconhecida pelo governo e tratada como “patrimônio cultural”. Sendo que a diferença entre benzedeiras e charlatões é que elas rezam antes de cobrar.  Agora, como cereja do bolo de bosta, temos isto:

ufeiro

Isso mesmo. Segundo o G1 o excelentíssimo sr deputado Edmir Chedid, do DEM apresentou uma moção propondo o reconhecimento da profissão de ufeiro, que iria garantir direitos aos ufeiros. Ele diz que

reconhecer a atividade científica que busca entender esses fenômenos, possibilitando financiamentos e linhas de pesquisa destinadas a esse fim junto à Universidades e outras instituições públicas ou privadas”.

Ancient-aliens-guy

Não é surpresa que o Google desconheça projetos do deputado relacionados com ciência de verdade. Ele pelo visto passa boa parte do tempo assistindo History Channel, mas os programas errados. E não, não estou exagerado. Ainda o Deputado:

“os contatos ufológicos acontecem desde os mais remotos tempos da humanidade”. “Há muito tempo atrás, acreditavam que os tais seres ou mesmo suas manifestações eram de origem quase divina, onde estes mesmo seres eram os nossos ‘salvadores’, nossos mediadores entre a ignorância e a sabedoria, para viver uma vida digna e feliz.”

Ele quer gastar dinheiro público com “pesquisadores” dessa bobagem que é basicamente uma seita, e preenche todos os requisitos de pseudociência: é quase 100% baseado em informação anedótica, não é reproduzível, não traz justificativas das hipóteses, etc, etc, etc.

Enquanto isso a FAPESP — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo teve reduzidos em R$ 17 milhões seus repasses para Mestrados e Doutorados, nos últimos 4 anos. Assim não sobra nem pros ufeiros, deputado. O que o senhor tem feito para ajudar a FAPESP? É, eu imaginava.

Acha que acabou? Temos aquele “fenômeno”, aquele grupo picareta chamado Fundação Cacique Cobra Coral, que diz “controlar o tempo” e abusam da credulidade dos retardados, incluindo aí a Prefeitura do Rio que por anos contratou os caras para garantir bom tempo no Réveillon. A taxa de acerto deles? Eu diria que no máximo 50%. A mesma da minha Pedra Controladora do Clima que tenho aqui na minha mesa.

Pior: como todo “místico” no Brasil essa gente é incensada pela mídia, até o Marcelo Tas, que eu julgava inteligente enche a bola dos caras.

Estamos em 2016, imagina-se que gente prometendo controlar o clima através de magia seria no mínimo alvo de risada, certo? Errado. ALGUÉM pagou pra esses espertos irem na Olimpíada de Londres, onde juraram que foram os responsáveis pela pouca chuva na Abertura, e tinham até credencial para um evento com a Dilma. E agora temos… isto:

cacique

Isso mesmo. O tempo está uma bosta, mas eles não falharam. Na matéria do Globo o porta-voz da Fundação diz que o foco deles era garantir o tempo bom na abertura da Olimpíada. Então tá.

Que o clima já estivesse previsto por ciência de verdade, é apenas um detalhe.

O mais triste disso tudo é que todo mundo que promove divulga e protege pseudociência e misticismo faz uso dos benefícios da ciência que diz não “acreditar”. Se ciência é tão ruim assim, incluindo a malvada “alopatia” que tal parar de vacinar suas crianças, rasgar o cartão do pediatra, jogar fora a Insulina e o Isordil e se tratar com chazinhos e homeopatia? GPS? Coisa do capeta, use uma varinha de radbomancia para se achar. Tem uma plantação? Contrate a Cacique Cobra Coral, e não acesse mais as previsões do INPE.

A reserva genética da Humanidade agradecerá.

Governo paga a Cacique Cobra Coral para não chover na Olimpíada, mas se deu mal (Blasting News)

Entidade disse a jornal que não falhou ao tentar prevenir jogos de mau tempo.

Nem mesmo entidade de índio salva Olimpíada da chuva

Nem mesmo entidade de índio salva Olimpíada da chuva 

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PMDB, está tendo um problemão para gerenciar em sua cidade em plena Olimpíada. Desde que os jogos começaram, o município conhecido por ser quente e ensolarado foi assolado pelo frio e ventos. Muitas competições tiveram que ser adiadas, como sessões de tênis e regatas na Lagoa Rodrigues de Freitas. E olha que o #Governo tem uma parceria sobrenatural com a Fundação Cacique Cobra Coral. Há relatos na mídia de que a instituição ganha uma quantia para prevenir a cidade da virada do tempo em grandes eventos. Pelo jeito, a atuação dessa vez não está funcionando. A fundação nega e diz que tudo não poderia estar melhor no Rio.

Os cariocas trocaram os biquínis por casacos e as ressacas já atingem a principal praia da cidade, Copacabana, na Zona Sul do #Rio de Janeiro. Os integrantes da fundação garantem que conseguem incorporar um espírito de um índio do mesmo nome da entidade, que faz com que tragédias climáticas fiquem além da Baía de Guanabara. A crença na entidade fez com que representantes da Cobra Coral fossem à outra Olimpíada. No ano de 2012, por exemplo, eles podiam ser vistos andando por áreas destinadas a governantes, tendo contato até mesmo com o Comitê da hoje presidente afastada Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em entrevista ao jornal ‘O Globo’ publicada nesta sexta-feira, 12, a médium Adelaide Scritori, que diz que incorpora o espírito do índio poderoso, disse que a principal função foi fazer com que não chovesse na cerimônia de abertura e que as regatas na Baía de Guanabara ocorressem sem lixo. De fato, a abertura dos jogos do Rio de Janeiro aconteceu sem nenhum problema climático. O tempo virou três dias depois e desde então não foi mais controlado. Rajadas de vento chegaram a destruir lonas de estádios e derrubar grades do parque olímpico. As ondas ficaram tão altas que quase invadiram o Centro de Imprensa montado na Zona Sul da Cidade.

O grupo não confirma se realmente recebeu dinheiro da prefeitura e quanto teria recebido.  #Rio2016